ANA MARIA DE MATOS FERREIRA BASTOS A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA EDUCATIVA PELOS PROFESSORES DO 1º CICLO DO CONCELHO DE VILA REAL: OS DESAFIOS PARA UMA ESCOLA INFORMADA DOUTORAMENTO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA, ESCOLA DAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL, 2011 ANA MARIA DE MATOS FERREIRA BASTOS A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA EDUCATIVA PELOS PROFESSORES DO 1º CICLO DO CONCELHO DE VILA REAL: OS DESAFIOS PARA UMA ESCOLA INFORMADA Tese apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro como requisito para a obtenção do grau de Doutor em Ciências da Educação. Orientadores Professor Doutor Joaquim José Jacinto Escola Professor Doutor José Carlos Costa Pinto DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA, ESCOLA DAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL, 2011 É autorizada a reprodução integral desta dissertação, apenas para efeitos de investigação (mediante declaração escrita do interessado, que a tal se compromete). ii Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, com a referência SFRH/BD/42265/2007. iii À Francisca, ao Nuno e ao Tito iv Agradecimentos Um trabalho deste género é resultado do envolvimento e colaboração de um grupo de pessoas e instituições pelo que gostaria de manifestar o meu sincero agradecimento: Ao Professor Doutor Joaquim José Jacinto Escola e Professor Doutor José Carlos Costa Pinto, orientadores desta dissertação, pelo permanente apoio e disponibilidade demonstrados ao longo deste trabalho. MUITO OBRIGADA! À Fundação para a Ciência e Tecnologia, que apoiou financeiramente este trabalho; À Professora Doutora Ana Amélia Amorim Carvalho, minha orientadora de Mestrado, uma referência para a minha vida académica. À Geninha, minha boa amiga, pelo empenho aquando da aplicação e recolha dos Questionários e pelas palavras de encorajamento à realização deste trabalho; À Maria, à Francisca e à Ana Paula pelo carinho, amizade e compreensão; Aos estagiários e professores que responderam ao Questionário; À Francisca, ao Nuno e ao Tito pelo afeto, compreensão e incentivo dados ao longo deste trabalho, ajudando-me a superar os momentos menos animadores desta investigação; A todos os amigos e à família que sempre me apoiaram! v Resumo O presente trabalho “A utilização da Tecnologia Educativa pelos Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Vila Real: os desafios para uma Escola Informada”, tem como objetivo central caracterizar os professores do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Vila Real, relativamente à utilização das TIC. Para contextualizar teoricamente a temática abordada procedeu-se a uma ampla revisão bibliográfica, procurando os autores de referência das diversas áreas, a literatura mais atualizada e a diversificação das fontes, como livros, dissertações, enciclopédias, legislação, revistas online e sites. A problemática abordada nesta dissertação centra-se na Tecnologia Educativa, que estruturámos em dois pontos fundamentais de análise: a “Tecnologia Educativa e a Formação de Professores no contexto Sociedade da Informação e do Conhecimento” e “Os Meios”. No primeiro ponto, procedemos à revisão dos conceitos de tecnologia e técnica, passando pela caracterização dos momentos mais marcantes da TE, pela evolução da TE em Portugal, até às características da Sociedade da Informação, a Formação de Professores no contexto atual, caracterizando os modelos de formação e fazendo uma perspetiva histórica da formação de professores em TIC, em Portugal. No segundo ponto, abordamos os Meios, começando pelas questões da Alfabetização Tecnológica e da Educação para os meios e com os meios, passando pela integração, funções, classificação e seleção dos meios, até aos Multimédia em Contexto Educativo e à Internet, dando destaque à Web 2.0. Para caracterizarmos os professores do Concelho de Vila Real face à utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação, organizámos um estudo analítico para percebermos se a situação profissional, tipo de escola ou anos de serviço influenciam a utilização das TIC e as necessidades de formação. Para isso concebeu-se um Questionário, estruturado em seis dimensões fundamentais: “Caracterização do professor e da escola”, “As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na escola”, “O computador na escola”, “Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula”, “O Vídeo” e “Formação”, que aplicámos em Julho de 2007. Para o tratamento dos dados do questionário procedemos à análise de frequências e ao tratamento estatístico, com o programa SPSS, versão 18.0. vi O tratamento permitiu-nos constatar que a quase totalidade das escolas onde os professores lecionam estão equipadas com um computador por sala, sendo o computador a tecnologia mais utilizada com os alunos. Os programas informáticos utilizados com mais frequência pelos alunos são o processador de texto e os programas de apresentações. Os serviços da Internet foram assinalados pela maioria dos respondentes, sendo a World Wide Web o serviço utilizado com mais frequência. O vídeo é integrado nas atividades regulares de sala de aula por sessenta e três professores, mas apenas sete afirmam que os seus alunos são produtores de vídeo. Relativamente à formação inicial em TIC poucos são os professores que a assinalaram. Já no que se refere à formação contínua, muitos dos professores mencionam ter frequentado ações de formação e a grande maioria manifestou interesse em participar em ações de formação nesse âmbito. A análise estatística dos resultados permite-nos afirmar que os professores com menos anos de serviço e situação profissional mais precária utilizam mais as tecnologias e sentem mais necessidades de formação. Abstract This study “The use of Educational Technology for Teachers of the primary school in the municipality of Vila Real: Challenges for a informed school”, has as its central objective to characterize the teachers of the primary school in the municipality of Vila Real, regarding the use of ICT. To contextualize theoretically addressed the issue proceeded to a broad literature review, looking for the authors of reference of the various areas, the most current literature and the diversification of sources such as books, dissertations, encyclopedias, law, online magazines and websites. The problematic analyzed in this dissertation focuses on Educational Technology, which structured in two main points of discussion: “Educational Technology and Teacher Education in the context of Information and Knowledge Society” and “The Media”. On the first point, we proceed to review the concepts of technology and technique, passing through the characterization of the most important moments of the TE, the evolution of ET in Portugal, to the characteristic of the Information’s Society, Teacher Education in the current context, featuring models vii training and doing a historical perspective of teacher training in ICT, in Portugal. On the second point, we addressed the media, starting with the issues of technological literacy and education for the media and with the media, through integration, functions, sorting and selection of media, to the Multimedia in context of Education and the Internet, focusing on Web 2.0. To characterize the teachers in the municipality of Vila Real against the use of Information and Communication Technologies, we have designed a questionnaire, structured in six dimensions: “Characterization of teacher and school”, “The Information and Communication Technologies (ICT) in school”, “The computer in school”, “Computer software or Internet’s services used in class”, ”The Video” and “Training”, which we applied in July 2007. For the treatment of the questionnaire data we analyzed the frequency and statistical processing with SPSS, version 18.0. The treatment allowed us to see that almost all of the schools where teachers teach are equipped with one computer per classroom, the computer technology is being used with more students. The computer programs used most frequently by the students are word processing and presentations programs. Internet services were reported by most respondents, and the World Wide Web service is used most often. The video is integrated into the regular activities of the classroom for 63 teachers, but only 7 claim that their students are video producers. With regard to initial training in ICT there are few teachers who reported. In what refers to the continuous training, many of the teachers mentioned have attended training and the vast majority expressed interest in participating in training actions in this area. The statistical analysis allows us to state that teachers with fewer years of service and those who has a precarious professional situation use more technology and feel more training needs. viii Índice Agradecimentos .........................................................................................................v Resumo ................................................................................................................... vi Abstract .................................................................................................................. vii Índice ...................................................................................................................... ix Índice de Figuras ................................................................................................... xiii Índice de Gráficos...................................................................................................xiv Índice de Quadros .................................................................................................... xv Índice de Tabelas ....................................................................................................xvi 1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................1 1.1 Caracterização geral do estudo .............................................................................4 1.1.1 Apresentação do problema.............................................................................4 1.1.2 Objectivos do estudo .....................................................................................5 1.1.3 Importância do estudo ...................................................................................5 1.1.4 Limitações do estudo .....................................................................................5 1.2 Plano geral do estudo ...........................................................................................6 1.ª PARTE – QUADRO TEÓRICO .....................................................................................7 2. TECNOLOGIA EDUCATIVA, FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO CONTEXTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E MEIOS .........................................................................8 2.1 A Tecnologia Educativa .......................................................................................9 2.1.1 Tecnologia e Técnica.....................................................................................9 2.1.2 Evolução histórica da Tecnologia Educativa ................................................ 18 2.1.2.1 Momentos iniciais. Antecedentes da Tecnologia Educativa ................... 27 2.1.2.2 A incorporação dos meios audiovisuais e dos meios de massa ............... 28 2.1.2.3 A TE desde o influxo da psicologia comportamental ............................. 33 2.1.2.4 A teoria dos sistemas e o enfoque sistémico: como elemento de fundamentação da TE ....................................................................................... 34 2.1.3 Novas visões da Tecnologia Educativa ........................................................ 37 2.1.4 A evolução da Tecnologia Educativa em Portugal ....................................... 41 ix 2.1.4.1 Momentos marcantes ............................................................................ 41 2.1.4.2 Medidas para a integração da TE em Portugal ....................................... 43 2.1.5 As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) .................................. 55 2.1.6 Sociedade da Informação e do Conhecimento .............................................. 65 2.1.6.1 Características....................................................................................... 65 2.2 A Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação ................ 71 2.2.1 Quadro legal da Formação de Professores em TIC em Portugal ................... 73 2.2.2 Atitudes dos professores face às TIC ........................................................... 76 2.2.3 A Formação em meios e tecnologias da Informação e comunicação............. 80 2.2.4 A Formação Inicial em TIC ......................................................................... 84 2.2.5 Formação Permanente ou Contínua ............................................................. 86 2.2.5.1 Modelos de Formação ........................................................................... 86 2.2.5.2 A Formação de Professores em TIC ...................................................... 90 2.2.6 Breve Evolução histórica da Formação de Professores em Portugal ............. 96 2.2.6.1 Formação Inicial ................................................................................... 96 2.2.6.2 Formação em Serviço e Contínua .......................................................... 97 2.2.6.3 Pós-Graduação ...................................................................................... 97 2.2.6.4 Educação de adultos/Formação profissional .......................................... 99 2.3 Os Meios ........................................................................................................... 99 2.3.1 A Alfabetização Tecnológica ....................................................................... 99 2.3.2 A Educação para os Media e com os Media ............................................... 101 2.3.2.1 Paradigmas da Educação para os Media .............................................. 104 2.3.2.2 A Integração dos Meios ...................................................................... 108 2.3.2.3 Funções dos meios .............................................................................. 114 2.3.2.4 Classificação e seleção dos meios ....................................................... 118 2.3.3 Os multimédia em contexto educativo ....................................................... 127 2.3.3.1 Multimédia: conceito .......................................................................... 127 3.3.3.1.1 Interatividade ................................................................................... 130 2.3.3.2 Multimédia e aprendizagem ................................................................ 135 2.3.3.2.1 Das abordagens comportamentalistas às abordagens construtivistas na estruturação dos multimédia ................................................................... 135 2.3.3.2.2 As perspetivas de Paivio, Mayer e Salomon.................................. 138 x 2.3.3.2.3 Fatores pedagógicos subjacentes à conceção de ambientes de aprendizagem multimédia ........................................................................... 143 2.3.3.3 Componentes dos multimédia ............................................................. 147 2.3.3.3.1 A estrutura.................................................................................... 147 2.3.3.3.2 A navegação ................................................................................. 149 2.3.3.3.3 A interface.................................................................................... 150 2.3.3.3.3.1 O texto ................................................................................... 153 2.3.3.3.3.2 A imagem .............................................................................. 156 2.3.3.3.3.3 A cor..................................................................................... 157 2.3.3.3.3.4 A animação ............................................................................ 159 2.3.3.3.3.5 O som .................................................................................... 160 2.3.3.3.3.6 O vídeo .................................................................................. 161 2.3.3.3.3.7 A ajuda .................................................................................. 162 2.3.3.3.3.8 O feedback ............................................................................. 162 2.3.4 A Internet .................................................................................................. 163 2.3.4.1 Origens da Internet.............................................................................. 163 2.3.4.1.1 A World Wide Web ...................................................................... 165 2.3.4.1.1.1 Hipertexto .............................................................................. 166 2.3.4.1.1.2 A Web 2.0 ............................................................................. 169 2.3.4.1.1.2.1 O Blogue ......................................................................... 173 2.3.4.1.1.2.2 Wiki ................................................................................ 178 2.3.4.1.1.2.3 Del.icio.us ....................................................................... 179 2.3.4.1.1.2.4 Flickr .............................................................................. 180 2.3.4.1.1.2.5 Google ............................................................................ 181 2.3.4.1.1.2.6 YouTube ......................................................................... 182 2.3.4.1.1.2.7 Podcast ............................................................................ 183 2.3.4.1.1.2.8 WebQuest ....................................................................... 184 2.3.4.1.2 O Correio Eletrónico .................................................................... 193 2.ª PARTE – QUADRO METODOLÓGICO ..................................................................... 195 3. METODOLOGIA ..................................................................................................... 196 3.1 Tipo de estudo ................................................................................................. 197 3.2 A Amostra ....................................................................................................... 197 xi 3.3 Variáveis.......................................................................................................... 200 3.3.1 Variáveis independentes ............................................................................ 200 3.3.2 Variáveis dependentes ............................................................................... 201 3.4 Hipóteses ......................................................................................................... 202 3.4.1 Hipótese geral ........................................................................................... 202 3.4.2 Hipóteses Específicas ................................................................................ 202 3.5 Instrumento utilizado no estudo ....................................................................... 203 3.5.1 Instrumento/Procedimentos usados no estudo ............................................ 203 3.5.1.1 Objetivos e dimensões do Questionário ............................................... 203 3.5.1.2 A validação do instrumento utilizado .................................................. 207 3.6 Tratamento de dados ........................................................................................ 208 4. APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................. 209 4.1 As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na escola ....................... 210 4.2 O computador na escola ................................................................................... 228 4.2.1 Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula ............. 230 4.2.2 O Vídeo ..................................................................................................... 238 4.2.3 Formação .................................................................................................. 241 4.3 Conclusões gerais ............................................................................................ 247 5. CONCLUSÃO .......................................................................................................... 249 5.1. Conclusões do estudo ...................................................................................... 250 5.2 Implicações da investigação ............................................................................. 253 5.3 Orientações para investigação futura ................................................................ 254 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 256 ANEXOS .................................................................................................................... 270 xii Índice de Figuras Figura 1: Processo tecnológico e suas fases proposto por Martínez ............................. 17 Figura 2: Três Pressupostos da Teoria Cognitiva de Aprendizagem de Mayer .......... 139 Figura 3: Teoria Cognitiva da Aprendizagem Multimédia proposta por Mayer ......... 140 Figura 4: The huge cloud lens bubble map Web 2.0 - de Markus Angermeier, 2006.. 170 xiii Índice de Gráficos Gráfico 1: Género ...................................................................................................... 198 Gráfico 2: Escalões etários ........................................................................................ 198 Gráfico 3: Situação profissional ................................................................................. 199 Gráfico 4: Tempo de serviço ..................................................................................... 199 Gráfico 5: Anos de escolaridade lecionados ............................................................... 200 Gráfico 6: Tecnologias utilizadas pelos professores com os seus alunos .................... 211 Gráfico 7: Áreas curriculares em que utiliza as TIC ................................................... 221 Gráfico 8: Programas informáticos utilizados com os alunos ..................................... 231 Gráfico 9: Motivo da não utilização dos programas informáticos com os alunos ........ 232 Gráfico 10: Serviços da Internet utilizados com os alunos ......................................... 233 Gráfico 11: Motivos da não utilização dos serviços da Internet com os alunos ........... 237 Gráfico 12: Género de vídeo mais utilizado ............................................................... 239 xiv Índice de Quadros Quadro 1: Principais períodos de utilização de tecnologias em educação desde 1960 e respetivos focos de investigação .......................................................................... 26 Quadro 2: Desenvolvimentos futuros da Tecnologia “da” e “na” Educação segundo Ellington, Percival & Race (1993) ....................................................................... 31 Quadro 3: História da Tecnologia Educativa .............................................................. 39 Quadro 4: Informação versus conhecimento ............................................................... 69 xv Índice de Tabelas Tabela 1: Conceptualizações sobre novas tecnologias ................................................. 57 Tabela 2: Nova proposta de funções dos meios no ensino ......................................... 117 Tabela 3: Taxonomias dos meios segundo diversos critérios propostos por Cabero... 119 Tabela 4: Características dos modelos de meios de ensino ........................................ 121 Tabela 5: Critérios de classificação dos meios, segundo vários autores ..................... 122 Tabela 6: Síntese dos critérios para a seleção dos meios de ensino ............................ 126 Tabela 7: Definições de Blogue ................................................................................ 174 Tabela 8: Software social, baseada em Orihuela, 2003.............................................. 177 Tabela 9: Tipo de escola ........................................................................................... 199 Tabela 10: As TIC que a escola disponibiliza ........................................................... 210 Tabela 11: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 212 Tabela 12: Teste de Tukey........................................................................................ 213 Tabela 13: Teste de Tukey........................................................................................ 213 Tabela 14: Teste de Tukey........................................................................................ 213 Tabela 15: Teste de Tukey........................................................................................ 214 Tabela 16: Teste de Tukey........................................................................................ 214 Tabela 17: Teste de Tukey........................................................................................ 215 Tabela 18: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 215 Tabela 19: Teste de Tukey........................................................................................ 216 Tabela 20: Teste de Tukey........................................................................................ 216 Tabela 21: Teste de Tukey........................................................................................ 216 Tabela 22: Testes de Mann-Whitney ........................................................................ 217 Tabela 23: Tecnologias utlizadas/tipos de escola ...................................................... 218 Tabela 24: Objetivos de utilização das TIC............................................................... 219 Tabela 25: Forma de usar as TIC, individualmente ou em grupo............................... 220 Tabela 26: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 222 Tabela 27: Teste de Tukey........................................................................................ 222 Tabela 28: Teste de Tukey........................................................................................ 223 Tabela 29: Teste de Tukey........................................................................................ 223 Tabela 30: Teste de Tukey........................................................................................ 223 xvi Tabela 31: Teste de Tukey........................................................................................ 224 Tabela 32: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 224 Tabela 33: Teste de Tukey........................................................................................ 225 Tabela 34: Teste de Tukey........................................................................................ 225 Tabela 35: Testes de Mann-Whitney ........................................................................ 226 Tabela 36: Áreas onde se utilizam as tecnologias/tipo de escola ............................... 226 Tabela 37: Funcionalidade dos computadores ........................................................... 228 Tabela 38: Ligação à Internet na escola .................................................................... 229 Tabela 39: Funcionalidade da Internet na escola ....................................................... 229 Tabela 40: Período de tempo em que a ligação à Internet não está funcional ............. 230 Tabela 41: Utilização dos programas informáticos com os alunos............................. 230 Tabela 42: Utilização de Serviços da Internet com os alunos .................................... 232 Tabela 43: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 234 Tabela 44: Teste de Tukey........................................................................................ 234 Tabela 45: Testes de Kruskal-Wallis ........................................................................ 235 Tabela 46: Teste de Tukey........................................................................................ 235 Tabela 47: Teste de Tukey........................................................................................ 236 Tabela 48: Testes de Mann-Whitney ........................................................................ 236 Tabela 49: Serviços da Internet utilizados/tipo de escola .......................................... 236 Tabela 50: Integração do vídeo nas atividades regulares da sala de aula.................... 238 Tabela 51: Alunos enquanto produtores de vídeo...................................................... 240 Tabela 52: Competências adquiridas com a Formação Inicial e Contínua em TIC..... 242 Tabela 53: Formação em TIC desejada ..................................................................... 242 Tabela 54: Testes do Qui-quadrado .......................................................................... 243 Tabela 55: Situação profissional e necessidades de formação ................................... 243 Tabela 56: Testes do Qui-quadrado .......................................................................... 244 Tabela 57: Tempo de serviço e necessidades de formação ........................................ 244 Tabela 58: Testes do Qui-quadrado .......................................................................... 245 Tabela 59: Tipo de escola e necessidades de formação ............................................. 245 Tabela 60: Âmbito da formação desejada ................................................................. 246 xvii 1. Introdução 1. Introdução De forma lenta mas muitíssimo constante é-nos dado observar as profundas mutações que se vão fazendo sentir nas sociedades contemporâneas, incidindo de modo generalizado sobre todos os setores da vida social, mas de modo muito especial no domínio da educação. Com a presença crescente da tecnologia na sociedade tem-se tornado evidente a paulatina transformação da educação, conduzindo à necessidade de uma alteração dos paradigmas educacionais (Bertrand, 1991). Parece pois evidente que a mudança de paradigma na educação a que assistimos neste início do século XXI constitui um facto incontornável a que nenhum educador pode ficar indiferente ou ousar ignorar. Ser professor constitui um desafio imenso, significa, entre outras coisas, capacidade de adaptação a este novo paradigma, de que se destacam como características essenciais as exigências de uma “aprendizagem ao longo da vida” e de uma “aprendizagem centrada no aluno”. Definitivamente inscreveu-se a centralidade da aprendizagem do aluno nos modelos educativos e em todo os processos de ensino e aprendizagem recusando, por um lado, a ideia de que o professor, à imagem do que foi acontecendo no passado, continua a ser detentor de um lugar central na transmissão da informação, por outro, reconhecendo a importância do próprio aluno como construtor do seu próprio conhecimento, dimensão indissociável da consciência de que estes acedem com extraordinária facilidade às múltiplas fontes que veiculam informação. Os professores, respondendo às exigências da sua profissionalidade, buscam adequar a sua função e missão aos desafios de uma educação suportada por mediações tecnológicas, completamente voltada para o futuro, e nessa medida, aberta às exigências do século XXI. Escola (2007: 135) caracteriza desta forma este novo papel do professor: (...) O professor deixou de reclamar para si o privilégio e monopólio na transmissão do saber, mas encontra-se na sua profissionalidade, enquanto mediador nos processos de busca e organização da informação, no desenvolvimento do espírito crítico, numa relação marcada pela não superioridade ou inferioridade frente ao aluno, mas antes pelo estatuto de interlocutor, a par de outros, no intercâmbio, na permuta, no encontro e confronto de opiniões em autênticas comunidades de argumentação e comunicação. O crescente elogio das potencialidades educacionais das tecnologias da informação e comunicação, isto é, das novas máquinas de comunicar (Perriault, 1991), tem permitido ultrapassar uma longa tradição tecnófoba (Postman, 1993), que imperou 2 1. Introdução no ocidente e tendeu a suspeitar das invenções técnicas, para depositar na tecnologia informática uma expectativa crescente quanto às possibilidades de transformações culturais e sociais, com especial destaque para a escola. O elogio da digitalização, da interatividade, da comunicação ubíqua, síncrona e assíncrona, da relação e cooperação em espaços virtuais, da inteligência coletiva (Levy), animam e consolidam as linhas com que se edifica a sociedade do conhecimento e onde, professores e alunos, sujeitos ativos dessa nova realidade, interagem e reinventam, a cada momento, novos papéis. Ao longo da história da tecnologia foi-nos dado observar o aparecimento de tecnologias que transformaram de forma radical a sociedade, a cultura e a educação. MacLuhan (1998), de forma visionária, evidenciou esta questão quando assinalou dois momentos capitais nessa mesma história que conduziriam à construção de um imaginário edificado em torno da “aldeia global” que tem na Web a sua magna concretização. A sociedade em rede (Castells, 2002, 2003) veio realizar o sonho de uma “aldeia global” em que todos, independentemente dos constrangimentos espaciais, de forma ubíqua, se encontram ligados numa nova forma de vizinhança. O primeiro momento da história foi designado como Galáxia Gutenberg e o segundo como Galáxia Marconi. A invenção da imprensa constituiu uma verdadeira revolução, transformou a escola, obrigando-a a adaptar-se à presença do texto impresso, levando ao estabelecimento de um equilíbrio no processo de ensino entre a oralidade e o texto escrito. A invenção de meios electrónicos de comunicação, a Galáxia Marconi, com destaque para a rádio, cinema e televisão, no curso do século XX, desafiaram de novo a escola a responder às exigências de um mundo tecnologicamente em mudança. A explosão da comunicação que se foi desenhando desde o século XIX, confronta-se agora com uma nova Galáxia, desta feita anunciada pelo sociológo Manuel Castells (2004), a Galáxia Internet. Se a invenção do computador ia silenciosamente invadindo o quotidiano do cidadão entre a década de 40 e o final do século XX, o rápido desenvolvimento da Internet arremessou-nos para o século XXI, abrindo definitivamente as portas a uma nova era que se vai estruturando e conformando em torno das imensas potencialidades comunicacionais e educativas da Internet. A Galáxia Internet, uma outra forma de dizer a sociedade em rede, continua a conceder uma 3 1. Introdução nuclear importância à tecnologia e, ao mesmo tempo, reclama da escola capacidade de compreender os sinais de um mundo emergente, exigindo que a escola se transforme, assumindo a coragem de responder às necessidades que se impõem. A sociedade da informação e comunicação caminha a passos largos para a sociedade do conhecimento, atestando não só a importância do valor da informação e do acesso à mesma, mas reconhecendo que a construção do conhecimento é uma tarefa pessoal e cooperativa, mediada tecnologicamente. Esta alteração do modelo de educação tem como contexto a Sociedade da Informação e do Conhecimento, onde as Tecnologias da Informação e Conhecimento (TIC) assumem particular importância, favorecendo e possibilitando a inovação, a globalização, a rutura de fronteiras culturais e linguísticas, a mobilidade virtual dos estudantes, a formação contínua. É neste contexto que surge a presente dissertação “A utilização da Tecnologia Educativa pelos professores do 1º Ciclo do Concelho de Vila Real: os desafios para uma Escola Informada”. A reflexão sobre a integração na prática docente dos meios e recursos de ensino, das últimas ferramentas, dos derradeiros dispositivos tecnológicos, saídos da informática, na terceira revolução industrial (Area Moreira, 2005) constituem, por isso mesmo, horizonte de possibilidades, mas também um desafio para que as escolas, sejam cada vez mais, “Escolas Informadas” (MSI/MCTES, 1997). 1.1 Caracterização geral do estudo Neste ponto procede-se ao enquadramento do estudo realizado, começando por mencionar o problema (1.1.1), a que se segue a definição dos objetivos do mesmo (1.1.2). Por fim, refere-se a importância do estudo (1.1.3) e as suas limitações (1.1.4). 1.1.1 Apresentação do problema O problema de partida deste estudo prende-se com a seguinte questão: Qual a utilização da tecnologia educativa pelos professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Vila Real? 4 1. Introdução 1.1.2 Objectivos do estudo Definimos como objetivo geral do estudo “Caracterizar a utilização da Tecnologia Educativa pelos professores do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Vila Real”. Como objetivos específicos formulámos seis: conhecer o número de computadores existentes nas escolas onde os inquiridos desempenham funções e a sua localização; identificar os utilitários/programas e serviços da Internet utilizados pelos inquiridos em contexto educativo; identificar o(s) objetivo(s) subjacente(s) à utilização e não utilização desses utilitários/programas e serviços da Internet em contexto de sala de aula; conhecer a formação ao nível dos utilitários/programas e serviços da Internet dos professores e estagiários envolvidos no estudo e identificar necessidades de formação. 1.1.3 Importância do estudo Este estudo centra-se na análise da utilização das TIC pelos professores do 1º CEB do Concelho de Vila Real e pretende dar um contributo para o conhecimento mais aprofundado da utilização que é feita dos meios tecnológicos em contexto escolar, e assim ajustar os progamas de formação, inicial e contínua, em TIC, a oferecer aos professores. A ideia subjacente é a de que identificando as dimensões mais relevantes na área de Tecnologia Educativa, visando a formação de professores, estamos a proporcionar aos alunos uma Escola mais Informada, fator de inclusão para a Sociedade da Informação e do Conhecimento. 1.1.4 Limitações do estudo As limitações do estudo prendem-se com a pouca adesão dos professores quando solicitados a participarem no estudo. Gostaríamos que a nossa amostra fosse maior, mas encontrámos alguma resistência por parte de alguns professores. Tendo em conta experiências anteriores, para assegurar o maior número possível de respondentes, a metodologia que utilizámos foi distribuir os questionários pelos Coordenadores das escolas, que se responsabilizavam pela aplicação e recolha ou entregar os questionários 5 1. Introdução no início das reuniões, pedindo aos professores que dispensassem no final da reunião algum tempo para responderem, que viríamos no final recolhê-los. 1.2 Plano geral do estudo Esta dissertação está estruturada em cinco capítulos. No capítulo 1, procedemos à contextualização e apresentação do trabalho. A apresentação encontra-se dividida em dois pontos fundamentais, a caracterização geral do estudo (1.1), onde se referem o problema, os objetivos do estudo, a importância do mesmo, as limitações e o plano geral do estudo (1.2), onde se apresentam os capítulos e uma descrição resumida dos mesmos. No capítulo 2, subdividido em dois pontos fundamentais, abordamos a problemática da da Tecnologia Educativa e da Formação de Professores na Sociedade da Informação e Conhecimento e os Meios em Contexto Educativo, baseando-nos num conjunto diversificado de autores e de investigações realizadas neste âmbito. No capítulo 3, apresentamos a metodologia utilizada neste estudo. Procede-se à caracterização do estudo, onde se define o problema, se caracteriza a amostra, definemse as variáveis e hipóteses a testar. Descreve-se, depois, a seleção da técnica de recolha de dados e a elaboração e validação do instrumento utilizado. No final do capítulo, mencionamos as condições de recolha de dados e o tratamento realizado aos dados recolhidos. No capítulo 4, referente à apresentação e análise dos resultados, apresentamos os dados recolhidos ao longo do estudo, a respetiva análise e a discussão dos resultados. No capítulo 5, o último do presente trabalho, apresentamos as conclusões e implicações da investigação realizada, assim como orientações para investigação futura que este trabalho sugere. 6 1.ª PARTE – QUADRO TEÓRICO 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.1 A Tecnologia Educativa A história da tecnologia educativa (Sancho, 2003; Pablos Pons, 2001; Silva, 1998; Cabero, 1999; 2001; Costa, 2007) tem já algumas décadas e apesar de ser bastante recente, quando comparada com outras áreas consagradas do saber, não deixa de se manifestar como uma história marcada por uma profundidade e intensidade consideráveis, fruto da sua estreita associação à história do progresso da ciência, da técnica e tecnologia. O desenvolvimento da tecnologia educativa é, por isso mesmo, indissociável da formação de professores enquanto resposta à construção da sociedade da informação e comunicação e, cada vez mais, do que se vai desenhando como sociedade do conhecimento. A criação de qualquer dispositivo tecnológico, como fica abundantemente provada pela história, condiciona a sociedade em múltiplas vertentes, transformando a cultura, a comunicação, e educação. Por isso, “A fonte de criatividade e de inovação que acompanha a criação tecnocientífica não é passível de ser pensada aquém ou além do paradigma ecológico que governa os media, como atestam as reflexões de MacLuhan (1998), Neil Postman (1993), Javier Echevarría (1994), entre outros. Os ‘novos territórios da comunicação’ (Philippe Breton, Serge Proulx, 1997) assinalados na ‘cartografia da comunicação’ conferem à televisão, à informática, à telemática, à internet um topos central no processo civilizacional como antes, a invenção da escrita ou a invenção da imprensa haviam desencadeado transformações na comunicação, na cultura, na escola (Karl Popper, 1995, Elizabeth Eisentein, 1994)” (Escola, 2007: 307) O desenvolvimento dos sucessivos dispositivos tecnológicos acabou por se refletir no desenvolvimento da civilização em termos sociais, culturais e educacionais. O progresso da Técnica e tecnologia caminha a par da própria educação. 2.1.1 Tecnologia e Técnica O conceito de Tecnologia Educativa é integrador, vivo, polissémico (Silva,1998; Cabero, 2001), contraditório e significativo (Cabero, 2010). Integrador, pelas interações de diferentes correntes científicas que contempla, como a física, a engenharia, a psicologia, a comunicação, entre outras. Vivo, porque sofreu sucessivas transformações, 9 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios consequência das modificações ocorridas no contexto educativo e das alterações nas ciências que o fundamentam. Polissémico, pelas diversas significações que foi tendo ao longo da sua história. Contraditório, porque apresenta propostas totalmente diversas. Significativo, pela relevância que é dada à Tecnologia Educativa e que se comprova pelos inúmeros eventos relacionados com esta, congressos, publicações, associações. Para se proceder à clarificação do significado de Tecnologia Educativa começaremos por analisar o conceito de tecnologia, referindo-nos a um outro intrinsecamente ligado a este, o conceito de técnica. Segundo Quintanilla (1989), os termos técnica e tecnologia são ambíguos. Apesar de poderem ser usados indiferentemente, a literatura especializada refere a técnica como correspondendo às técnicas artesanais pré-científicas e a tecnologia como constituindo as técnicas industriais vinculadas ao conhecimento científico. No estudo dos termos tecnologia e técnica é fundamental reportarmo-nos à cultura e civilizações grega. Alguns autores (Silva, 1998; Cabero, 2001) afirmam mesmo que esse deve ser o ponto de partida na sua análise. O termo “tecnologia” provém do vocábulo grego “technologia” que engloba a “tékhne”, que faz referência à arte, e o “logos”, que significa entre outras coisas palavra, fala, tratado. Como afirmam Blanco & Silva (2001:35) “A distinção entre técnica e arte era pequena, quando o que hoje denominamos de técnica se encontrava pouco desenvolvida. No entanto, a tékhne não era uma habilidade qualquer, mas aquela que seguia certas regras, pelo que também o termo tem sido usado como ofício. Em geral, a tékhne acarreta a aplicação de uma série de regras por meio das quais se chega a conseguir algo.” Também Muñoz-Repiso (2003: 22) corrobora esta ideia ao afirmar que as concepções de técnica que parecem encontrar um amplo consenso são um “saber fazer de forma eficaz” e com um sentido de “realização material e concreta de algo”. Os gregos distinguiam o saber-fazer com conhecimento de causa, a tékhne, e o saber-fazer assente na experiência pessoal acumulada, empeiría. Aristótles defendia que a tékhne é superior ao conhecimento adquirido mediante la empeiría, a experiência, mas inferior ao raciocínio lógico e conceptual resultante da aplicação científica. Como afirma Silva (1998: 30) “a tecnologia surge quando se ultrapassa o limite do fazer 10 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios baseado na experiência e se adquire, sob o modo do logos, a compreensão de tal fazer, ou seja, quando se acrescenta a reflexão à técnica.” Ao integrar os elementos básicos do fazer e a reflexão teórica do saber, a tecnologia passa a ser considerada como a teoria da técnica, situando-se a meio caminho entre as ciências especulativas e os conhecimentos especulativos técnicos (Silva, 1998; Cabero, 2001). Para os gregos a tecnologia era, então, entendida como um conhecimento aplicado, isto é o saber-fazer, a ciência da técnica, ligado ao conhecimento científico, ao saber, com a ação prática da técnica, o fazer. Assim, a técnica corresponde ao saber não reflexivo, enquanto a tecnologia se baseia essencialmente no conhecimento científico (Cabero, 2001). Esta perspetiva destaca um elemento referencial importante: a tecnologia não pode considerar-se como a “aplicação pela aplicação”, o “fazer pelo fazer”, mas a utilização de técnicas suportadas por um corpo teórico de conhecimentos (Silva, 1998; Cabero, 2001). Na Idade Média utilizava-se o termo ars mas com o mesmo sentido da tékhne grega, para gradualmente se assistir à passagem da ars mechanica para o que viria a ser a técnica propiamente dita. (Sancho, 2001:19) A partir do século XVIII a tecnologia passou a ser concebida como uma ciência aplicada à solução de problemas que se colocam, isto é, a tecnologia procura explicar de forma racional e ordenada todos os trabalhos, bem como as consequências e fundamentos. Esta alteração no significado da tecnologia, surge associada a um contexto social em mudança produzido pelo início da revolução industrial (Cabero, 2001). Na Idade Contemporânea, particularmente no início do século XX, o termo tecnologia abarcava não só as ferramentas e máquinas, como os meios, os processos e ideias. Na década de 50, definia-se como “os meios ou atividade mediante a qual os seres humanos tentam mudar ou manipular o seu ambiente” ou a “ciência ou conhecimento aplicado” (Blanco & Silva, 2001: 36, 37). Relativamente aos aspetos conceptuais dos termos tecnologia e técnica, passamos a expor algumas definições que nos permitirão caracterizar melhor os termos referidos. Assim, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa apresenta os seguintes significados: 11 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Tecnologia: Conjunto de conhecimentos científicos, dos processos e dos métodos usados na produção, distribuição e utilização de bens e serviços. // Grupo de processos, métodos e instrumentos usados numa arte, numa técnica ou ofício. // Descrição da terminologia específica de uma arte, de uma técnica ou de um ofício. // Conjunto dos termos técnicos de uma ciência, de uma arte, de uma técnica, de uma indústria... Técnica: Aplicação dos conhecimentos científicos no domínio da produção. // Processos ou instrumentos de que se serve uma ciência ou uma arte. // Conjunto de processos de base científica usados para obter um resultado. // Habilidade para usar processos e instrumentos com vista à obtenção de determinado resultado. O Diccionário de la Lengua de la Real Academia Española expõe os seguintes significados: Tecnologia: Conjunto de conhecimentos próprios de um ofício mecânico ou arte industrial // tratado de termos técnicos // Linguagem própria, exclusiva, técnica, de uma ciência ou arte. Técnica: Conjunto de procedimentos e recursos de que se serve uma ciência ou arte // Perícia ou habilidade para usar esses procedimentos e recursos. Um outro dicionário, editado por Editorial Santillana (1991), apresenta os seguintes sentidos: Tecnologia: Ciência da técnica // Estudo científico do artificial // O termo fez-se credor de diversos enfoques conceptuais e valorações, mais ou menos reducionistas. Técnica: Habilidade ou destreza para gerar, produzir ou expressar algo conforme certas regras // Conjunto de procedimentos que, deduzidos de um certo grupo científico, permitem operar no objeto dessa ciência // Conjunto de processos e procedimentos operativos próprios de um ofício, arte ou profissão. O apoio num corpo teórico de conhecimentos é o que distingue a tecnologia da técnica, mais caracterizada pelos meios ou instrumentos (Cabero, 2001). Este aspeto é corroborado por diversos autores como Colom, Bunge, Sarramona e Quintanilla (apud Cabero, 2001). Colom (1986) na análise que faz a estes dois termos, considera a técnica “(...) um instrumento, que facilita a tarefa à qual se aplica (...)” (Colom, 1986: 17) e a 12 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios tecnologia “(...) a teoria da técnica” (Colom, 1986: 18). Bunge (1980), encara a tecnologia como uma técnica que aplica conhecimentos científicos e a que Sarramona (1993) acrescenta dois elementos básicos, o fazer e a reflexão teórico-conceptual sobre o mesmo. Quintanilla (1989) entende a tecnologia como o tipo de técnicas produtivas que incorporam conhecimentos e métodos científicos no seu desenho e desenvolvimento. Para este autor o que define a tecnologia é ser um sistema técnico planificado, baseado no conhecimento científico e em critérios valorativos que se consideram racionais. Nesta mesma linha Muñoz-Repiso (2003) distingue tecnologia de técnica considerando a ciência. Como afirma o autor “Se a ciência aporta formas de saber, a tecnologia aporta formas de fazer baseando-se nos conhecimentos científicos. A tecnologia vincula-se fundamentalmente a técnicas industriais, enquanto que a técnica se relaciona com habilidades práticas vinculadas a processos artesanais” (MuñozRepiso, 2003: 23-24). Resumindo, há uma relação muito estreita entre tecnologia e técnica, apesar das especificidades características de cada um dos termos. Detendo-nos unicamente no estudo do termo tecnologia encontramos um conjunto alargado de definições formuladas por diferentes autores. Assim, Medway (1989:4) considera três possibilidades na utilização do termo: quando há uma referência coloquial usam-se os termos artefactos e utensílios mecânicos; conjunto organizado de especialistas pelos quais objetos e sistemas se produzem e podem resultar inalcançáveis mediante o corpo tradicional de conhecimentos; numa perspectiva académica, como a aplicação de técnicas apoiadas num corpo teórico de conhecimentos. Numa revisão aos diferentes conceitos de tecnologia, Layton (1988) propõe duas categorias: como artefactos e ferramentas e como conhecimento e técnica. Para Garcia Carrasco (1993:43) são três os significados que se podem atribuir ao termo tecnologia: a totalidade de espectros úteis, artefactos de todo o tipo, planos racionais de atividades associadas à produção de bens, serviços e habitats; modo de pensamento e de ação; pensamento da ação do homem sobre o mundo, a organização da atividade de produção de toda a classe de bens e serviços. Segundo Bimber (1996) a tecnologia pode ser entendida sob várias perspetivas, da mais restritiva enquanto artefacto, até outras que 13 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios agregam os processos para a construção dos artefactos, os conhecimentos sobre eles e os sistemas para a sua organização e controlo. Outro autores como González et al. (1994), Sancho (1994) e Álvarez et al. (1993), ampliam as concepções já referidas dando maior enfoque aos aspectos sociais sobre os técnicos, por forma a perceber-se a tecnologia como um complexo interativo de organização social. Cabero (2001:18), numa reflexão sobre o conceito de tecnologia, considera que o elemento que melhor o define é o seu sentido de aplicação ou de ação, ou seja, a sua normatividade prática. Expomos, de seguida, um conjunto de definições que o autor recolheu e que destacam esse caráter pragmático que refere. Aplicações práticas da investigação científica. Podem tomar a forma de invenções (dispositivos) ou inovações. (Kearsley, 1984:1) (...) aplicação sistemática de conhecimentos científicos com o propósito de resolver problemas práticos. Mas tal ação realiza-se reflexivamente, de modo que os conhecimentos científico-teóricos resultam válidos na medida em que resolvem e explicam tais problemas. Esta consideração da tecnologia como ciência da ação esbate os limites entre a teoria e a prática num continuum lógico de reflexão-ação e açãoreflexão (Escotet, 1992) (...) aplicação sistemática de conhecimentos científicos para resolver problemas práticos, mas tal aplicação implica uma reflexão, de modo que os conhecimentos científico-teóricos são validados na medida em que explicam e resolvem tais problemas. (Sarramona, 1986:129) (...) desenhos de estratégias de ação e os meios necessários para a sua realização que baseados no conhecimento científico e na experiência pessoal, são empregados pelo homem, ampliando-lhe as suas capacidades naturais, com a intenção de intervir sobre o seu ambiente e com a particularidade de que esta ação possa ser reproduzível com similares resultados. (Martínez, 1987: 24-25) Apesar do caráter altamente prático veiculado pelas definições apresentadas, é importante reforçar o que já afirmámos anteriormente, que a tecnologia não se pode confundir com a “prática pela prática”, a “ação pela ação”. A tecnologia constitui-se como um conjunto de ações sistematizadas ou procedimentos, baseado no conhecimento 14 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios e na investigação científica, cujo objetivo é resolver os problemas, aplicando a tecnologia a situações concretas e simplificando a solução desses problemas. Esta perspetiva da tecnologia como resolução de problemas assente numa dimensão teórica é também enfatizada por Silva (1998: 31) quando menciona que “a tecnologia recorre à dimensão técnica que tem a ver diretamente com a resolução de problemas práticos e à dimensão teórica que implica uma reflexão sobre a natureza de tais problemas e sobre o próprio processo de resolução (...) O tecnólogo conhece o porquê da sua atuação ao recorrer a conhecimentos científicos e a sua atuação é sempre fruto da análise prévia do problema e da valorização das possíveis alternativas de solução”. Em síntese, a tecnologia é a “ciência da ação”, tem um caráter técnico, de aplicação, mas que se fundamenta na ciência para a resolução dos problemas práticos. Nesta perspetiva, a tecnologia apresenta distintas características epistemológicas que Sarramona (1990, apud Cabero, 2001: 20) sintetiza nas seguintes: I. II. Racionalidade, as decisões adotadas devem apoiar-se em decisões racionais. Sistematismo, os elementos que intervêm no processo são contemplados em si mesmos e em relação com os outros, estabelecendo-se entre eles uma relação de tal forma, que as mudanças produzidas num dos seus componentes se repercutem nos restantes. III. Planificação, a tecnologia demanda um processo antecipatório sobre a ação; quer dizer, deve ser precedida de uma organização da ação. IV. Clarificação das metas, como processo requer uma cuidada planificação em torno de objetivos e metas previamente determinados. V. Controlo, em todo o momento o dito processo deve ser revisto para que não se desvie das condições previstas na ação. VI. Eficácia, a atuação do tecnólogo pretende procurar os objetivos pré-fixados. VII. Otimização, pretende-se rentabilizar ao máximo os recursos e os elementos que intervêm no desenvolvimento tecnológico. Cabero (2001) acrescenta a estas características, outras duas: a reprodutividade e o facto de ser uma ação intencional. Relativamente à reprodutividade considera que toda a tecnologia deve possuir um elevado parâmetro de replicabilidade, de forma a que possa ser utilizada em diversos contextos para resolver idênticos problemas. No que diz 15 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios respeito à segunda característica, atenta que a sua aplicação sem intenção não conduz a um enfoque tecnológico, mas, pelo contrário, a um meramente técnico e aplicativo, já que não se pode perder a referência de que a tecnologia não tem como objetivo resolver problemas do meio para que nos adaptemos ao mesmo, mas, sobretudo, a adaptação do meio às características e especificidades do ser humano e isso requer obrigatoriamente ações claramente planificadas e determinadas face a uma meta teoricamente discriminada (Cabero, 2001: 20). Associada à noção da tecnologia enquanto resolução de problemas está a noção de eficácia que autores como Martinéz (1996 apud Cabero, 2001) põem em destaque definindo tecnologia como “(...) união de desenhos e meios, que pretendem potenciar o homem, não só criando novas capacidades, como ampliando as existentes, de tal forma que a sua atuação sobre o meio que a rodeia, sobre o seu ambiente seja mais eficaz”. Uma orientação que tem ganho consistência na análise da definição de tecnologia é a de a entender como um processo. Cabero (2001) refere a este propósito que uma das características mais significativas da concepção atual da tecnologia é que esta não se reporta tanto aos produtos alcançados, mas muito mais aos processos seguidos para obtê-los. Segundo Gimeno Sacristán (1981, apud Cabero, 2001), este processo inclui, uma série de fases: determinação de objetivos, apoio num marco de conhecimentos básicos, seleção de meios, decisão global que é uma previsão do curso geral da ação, investigação, enfoque operativo, ação e retroalimentação. 16 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Figura 1: Processo tecnológico e suas fases proposto por Martínez (Cabero, 2001: 22) RECONHECIMENTO (de um problema prático) FORMULAÇÃO BUSCA DESENHO CONSTRUÇÃO Princípios a escala Informação protótipo PROVA EVOLUÇÃO GENERALIZAR REVISÃO De uma forma esquemática, Martínez (1999:180) apresenta na Figura 1, as diferentes fases do desenho do processo tecnológico. Numa primeira análise percebemse duas zonas distintas, mas interconectadas, o reconhecimento do problema e a avaliação das decisões tomadas para o resolver. Numa análise mais aprofundada identificam-se as diferentes fases: a primeira que corresponde a um “reconhecimento da existência de um problema prático”, segue-se a “formulação” do mesmo e a “busca” dos “princípios” e da “informação”. Posteriormente passa-se ao “desenho”, seguido da “construção” do modelo, da “testagem” do mesmo e do seu aperfeiçoamento, terminando este processo com a “revisão” do modelo e a sua “generalização”. De acordo com Cabero (2001) qualquer tecnologia requer a determinação planificada de um processo para a resolução de um problema, ou seja, a elaboração de um plano de ação projetado, que exige a determinação de objetivos e metas a alcançar, e os recursos e meios que os permitam atingir. Em síntese, pôr em funcionamento um desenho de ação. Uma outra tendência que decorre desta concepção da tecnologia é encará-la cada vez mais como “um campo de produção e elaboração de desenhos...” (Cabero, 2001: 17 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 23). Estes desenhos correspondem a planos de ação mas que são sempre suportados pelos conhecimentos científicos. Cabero (2001) considera que na elaboração dos desenhos, o tecnólogo deverá seguir um conjunto de princípios gerais como os que sugere Tobar-Arbulu (1988: 113-114, apud Cabero, 2001): I. Estudos de necessidades (todo o desenho é uma resposta individual ou social); II. Estudos de viabilidade (todo o desenho de um produto ou serviço deve ser realizável); III. Estudo económico (todas as operações de desenho, produção e distribuição devem ser financeiramente viáveis). IV. Estudos de otimização (a eleição do desenho deve ser a ótima entre as alternativas disponíveis, tendo em conta os possíveis efeitos secundários e a sua avaliação). Neste contexto, a tecnologia conceptualiza-se como “o desenho de estratégias planificadas de ação, para a resolução de problemas específicos, tendo sempre em conta o apoio no conhecimento científico ou, mais concretamente, num corpo teórico de conhecimentos que determinarão a sua concretização e concepção” (Cabero, 2001: 24). 2.1.2 Evolução histórica da Tecnologia Educativa De uma forma relativamente constante têm-se considerado três momentos na evolução da Tecnologia Educativa (TE): o primeiro, em que a TE se caracteriza pela preocupação da inserção dos meios; o segundo, onde a TE é descrita como a aplicação dos princípios da Psicologia Condutista; e o terceiro, em que a TE se apoia na teoria dos sistemas, dando um enfoque sistémico à educação. Blanco & Silva (2002), apresentam uma visão retrospetiva da TE assente nestes momentos, nomeando-os: o primeiro momento é o das “Ajudas para o ensino”, o segundo momento é o das “Ajudas para a aprendizagem” e o terceiro “A abordagem sistémica”. Ajudas para o ensino: a TE desenvolve-se, como campo de estudo e disciplina académica, nos Estados Unidos, a partir dos anos 40. A tecnologia baseava-se nos meios audiovisuais, sendo estes usados inicialmente em 18 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios contexto militar, para a preparação massiva de militares para a II Guerra Mundial, e posteriormente transpostos para o contexto educativo. Em 1946, a TE surge pela primeira vez como disciplina no currículo de estudos de Educação Audiovisual da Universidade de Indiana. Blanco & Silva (1989, apud Blanco & Silva, 2002) caracterizam este momento como ajuda para o ensino. “As técnicas audiovisuais creditam o seu valor por uma apresentação massiva de informação icónica (fixa e móvel) e os aparelhos consideram-se uma ajuda ao ensino que facilitam e ampliam os processos de instrução. Com eles pretende-se apenas modernizar as aulas.” (Blanco & Silva, 1989: 43, apud Blanco & Silva, 2002: 43) Ajudas para a aprendizagem: os trabalhos do psicólogo Skinner, nos anos 50, baseados no condicionamento operante, marcam uma nova etapa da TE como campo de estudo. As investigações na psicologia da aprendizagem e na comunicação permitiram perceber que a utilização dos meios audiovisuais e a técnica comunicativa implícita podiam modificar o processo de ensinoaprendizagem e a relação professor/aluno. Isto contribuiu para a evolução do conceito de TE. A este propósito Blanco & Silva (2002) destacam dois aspetos fundamentais: o ensino programado e o ensino à distância. o Ensino programado: nas décadas de 50 e 60 o conceito da TE identifica-se com o ensino programado cujo material didático principal é o programa que implica um método e um sistema de ensino assente num modelo de aprendizagem. Tradicionalmente tem existido uma forte associação da TE às teorias de aprendizagem condutistas, no entanto, a TE também se fundamenta noutras correntes psicológicas como a cognitiva. Com o desenvolvimento da informática, na década de 70, o ensino assistido por computador e o ensino individualizado consolidam-se. Estes primeiros programas enquadram-se numa lógica de ensino programado e máquinas de ensinar. o Ensino à distância: na década de 60, a evolução dos “meios de massa” tem um forte impacte social. A influência que a rádio e 19 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios particularmente a televisão exercem sobre milhões de pessoas acarreta mudanças a diversos níveis, desde os costumes sociais à forma como se faz política ou na educação. Esta influência na área da comunicação começa por se sentir nos Estados Unidos e Canadá e alarga-se à Europa do pós-guerra. Em Portugal e relativamente à educação, aparece legislação no sentido de promover o ensino audiovisual. Em 1964, é criado o Instituto de Meios Audiovisuais no Ensino (IMAVE) com a finalidade de “promover a utilização, a expansão e o aperfeiçoamento como meios auxiliares de difusão do ensino e da elevação do nível cultural da população” (Blanco & Silva, 2002: 46). Os autores caracterizam este momento da TE como a passagem “... das ajudas aos “métodos” e dos aparelhos aos “recursos”; já não se procura o ensino pelo professor mas a aprendizagem pelo aluno, as técnicas isoladas agrupam-se numa tecnologia e o objetivo final é “otimizar” os processos na sala de aula.” (Blanco & Silva, 1989: 45, apud Blanco & Silva, 2002:46) Abordagem sistémica: a tendência sistémica da década de 70 tem uma influência marcante na evolução do conceito de TE. O exemplo mais significativo é a definição proposta pela Comission on Instrutional Technology (EUA) “É uma maneira sistemática de projetar, de realizar e avaliar o processo de aprendizagem e ensino em termos de objetivos específicos, baseados na pesquisa da aprendizagem e na comunicação humana, empregando uma combinação de recursos humanos e materiais para conseguir uma aprendizagem mais efetiva.” (Tickton, 1970: 21, apud Blanco & Silva, 2002: 47) Nos finais dos anos 80 e na década de 90, com o aparecimento das novas tecnologias da informação e comunicação, capazes de armazenar, processar e transmitir, de forma flexível, quantidades intermináveis de informação surge a perspetiva tecno-sistémica da educação, enquadrada no paradigma tecnológico. Segundo Bertrand & Valois (1994: 113) “a educação é vista como uma metodologia de organização de situações de aprendizagem, e o 20 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios objetivo fundamental dos educadores (...) consiste em assegurar a eficácia dessa organização. A educação é considerada (...) como um processo de resolução dos problemas de aprendizagem.” A abordagem tecno-sistémica é constituída por cinco etapas (Dick & Carey, 1990, apud Bertrand & Valois, 1994: 115): identificação da necessidade ou problema para o qual é preciso encontrar resposta; definição dos objetivos que irão contribuir para satistazer esta necessidade e definição dos critérios de avaliação; enunciação dos obstáculos e das possibilidades; criação dos diferentes sistemas que podem atingir os objetivos; escolha de um sistema; implantação do sistema. Esta metodologia permite a estruturação de programas educacionais alicerçados em quatro variáveis: programa educacional, objetivos, característica do aluno, conteúdo pertinente ao programa e fatores do meio ambiente. Na perspetiva tecno-sistémica “o professor deixa de ser uma pessoa que ensina para passar a ser uma pessoa que pensa e estrutura situações pedagógicas” (Bertrand & Valois, 1994: 117). Neste contexto, a tecnologia surge como a solução de todos os problemas. Para Blanco & Silva (2002) só se fala “verdadeiramente” de TE com a abordagem sistémica e tecno-sistémica pois só agora se perspetiva como “um processo complexo e integrado que implica homens e recursos numa interação homem-máquina, métodos que exigem inovação e uma organização eficiente (engenharia de sistemas) para analisar os problemas e imaginar, implantar, gerir e avaliar as suas soluções numa nova meta caracterizada pela mudança educativa” (Blanco & Silva, 1991: 48, apud Blanco & Silva, 2002: 48, 49). Alguns autores, como Area Moreira (2004), Costa (2007) e Cabero (2010) propõem mais momentos na evolução da TE. Para Area Moreira (2004), existem quatro grandes etapas, correspondendo a quatro décadas diferentes: na década de 40, onde se situam as raízes da TE; nos anos 50 e 60, marcados por um fascínio pelos meios audiovisuais e pela influência condutista; a década de 70, com um enfoque técnico-racional para o desenho e avaliação do ensino; 21 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios os anos 80 e 90, com a crise tecnocrática sobre o ensino e a atração pela tecnologia digital. Refere, ainda, o início do século XXI e a influência das teses pós-modernas. Costa (2007: 17), considerando que “...não é fácil estabelecer claramente as fronteiras entre períodos...”, aponta seis momentos na evolução da TE, tomando como referência a periodização proposta pela Association for Educational Communications and Technology (AECT, 2001), que coincide com a organização cronológica da instituição referida: I. Um momento inicial, de 1923 a 1931: corresponde ao momento em que começa a haver movimentos que apelam à utilização dos meios audiovisuais no ensino, como ajuda ao trabalho do professor. A teoria de aprendizagem que prevalece é a proposta por Thorndike, cujas ideias centrais são o conexionismo e o associacionismo, em que a associação entre estímulo e impulso para a ação ou resposta são condição para uma aprendizagem efetiva. II. Um momento de consolidação, de 1932 a 1945: este é o período de afirmação do potencial dos audiovisuais na escola demonstrado, em parte, pela eficácia que estes materiais tiveram na preparação de uma grande quantidade de soldados para a Segunda Guerra Mundial num, curto espaço de tempo. É nesta altura que o desenvolvimento de materiais ganha um enorme fôlego, particularmente os filmes educativos. São preparados especialistas para a organização de materiais específicos para apoio à transmissão dos conteúdos escolares. Um aspeto a destacar são as contribuições das investigações realizadas no âmbito da Psicologia, especificamente no estudo da relação entre a perceção e memória. Alguns desses estudos mostraram que, em iguais circunstâncias, os alunos retêm mais informação quando os materiais de apoio integram simultaneamente mais do que uma fonte de estimulação (por exemplo, visual e auditiva). Outro aspeto que as investigações sugeriram foi que a aprendizagem era reforçada quando a informação (o estímulo) era apresentada de forma estruturada (através dos materiais) e os alunos constatavam essa organização. 22 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios III. O momento posterior à Segunda Grande Guerra de 1946 a 1957: é caracterizado pela crescente influência da Psicologia, devido fundamentalmente aos estudos realizados por Skinner sobre o Ensino Programado. No artigo que publica em 1954 “The science of learning and the art of teaching”, Skinner apresenta a sua teoria de aprendizagem e sistematiza a proposta do uso das tecnologias no ensino e na aprendizagem. Na mesma linha de Pressey e das máquinas de ensinar, Skinner introduz um aspeto inovador ao transferir a tónica da atividade do professor para o comportamento do aluno, em particular para o reforço do seu comportamento. A ideia era que o aluno recebesse constante informação sobre as respostas que dava às questões colocadas, funcionando como comportamento de reforço à aprendizagem desejada. IV. Um período de grande expansão de 1958 a 1970: este momento de grande expansão das tecnologias ocorre fundamentalmente nos EUA, num esforço de melhorar todo o sistema de ensino. Foi dado um forte impulso ao desenvolvimento de materiais inovadores, o que acabou por se traduzir no desenvolvimento da tecnologia educativa, com a formação de especialistas em audiovisuais e o aprofundamento dos estudos relativos ao uso dos meios tecnológicos no ensino. É neste período que a tecnologia educativa sofre a influência dos teóricos da Comunicação (Shannon & Weaver, 1963) e da Teoria Geral dos Sistemas (Bertalanffy, 1968). Segundo Costa (2007: 20) “duas perspetivas que haveriam de ser decisivas na abertura de novos horizontes ao nível das práticas, mas também em termos do desenvolvimento da própria investigação.” V. Um período de reafirmação e abertura de 1971 a 1982: neste período consolida-se a tendência sistémica da tecnologia. Com o aparecimento dos computadores e a sua utilização em contexto escolar usa-se pela primeira vez a expressão Educational Technology (1972), definida pela AECT (Costa, 2007) como um campo comprometido com a facilitação da aprendizagem humana através da identificação sistemática, desenvolvimento, organização e utilização de toda uma diversidade de recursos de aprendizagem e através da gestão destes processos. Ganha 23 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios relevo a perspetiva integrada e racional de resolver os problemas educativos ou seja uma forma sistemática de pensar o ensino e a aprendizagem. A década de 70 continua, no entanto, a ser marcada pela procura dos fundamentos epistemológicos da Tecnologia Educativa, com um debate entre as duas concepções antagónicas, a Tecnologia da Educação e a Tecnologia em Educação (Scholer, 1983, apud Costa, 2007). O contributo de outras ciências constitui um fator distintivo deste período. De salientar na área das Ciências da Comunicação, os trabalhos da escola de Palo Alto que se opõem ao modelo matemático da informação de Shannon e Weaver; na Psicologia a perspetiva cognitiva; na Sociologia e nas Ciências das Organizações os estudos sobre os fenómenos sociais em contexto tecnológico e a formação como organização social; nas Ciências da Educação, a reflexão sobre a racionalização do ensino, os trabalhos sobre currículo e desenvolvimento curricular, as questões sobre inovação e processo de ensino e aprendizagem, a avaliação de programas e materiais, entre outros aspetos (Bouthours, 1987, apud Costa, 2007: 23) VI. Um período determinado pelo impacto do computador de 1983 a 1999: este período caracteriza-se pelo impacte do computador e pelo “potencial revolucionário” (Walker, 1994, apud Costa, 2007: 24) das tecnologias da informação e da comunicação fundadas na eletrónica e na digitalilização, como são os computadores, o vídeo, áudio, telecomunicações e robótica. Segundo Castells (2002, apud Costa, 2007) estas tecnologias digitais têm um potencial sem precedentes na história da Humanidade, com um poder de transformação na forma como vivemos, como trabalhamos, como nos relacionamos e como lidamos com o conhecimento. Neste período e com a investigação a centrar-se no uso do computador na escola e nas vantagens da sua integração, consolida-se a tendência para usar o computador em contexto escolar. A AECT atenta a estes desenvolvimentos atualiza a definição de tecnologia educativa, passando a ser conceptualizada como “a teoria e a prática do design, desenvolvimento, utilização, gestão e avaliação de 24 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios processos e recursos para a aprendizagem”1 (AECT, 2001, apud Costa, 2007: 25). Nesta perspetiva, o enfoque da tecnologia educativa passa a ser o design instrucional, distanciando-se dos conceitos de audiovisual, usado em 1963 ou de resolução de problemas, usado em 1977. Relativamente às primeiras investigações realizadas sobre o uso da informática no ensino, cabe ao ensino programado (Skinner, 1968; Montelllin, 1973) o maior contributo ao nível das bases teóricas. Este tipo de ensino ficou conhecido como Ensino Assistido por Computador (EAO) e uma das suas características era a individualização do ensino. Recorrendo ao computador como um tutor, o aluno segue o seu próprio ritmo de aprendizagem. Também a Inteligência Artificial assume no campo da informática aplicada ao ensino, particularmente nas áreas da matemática e das ciências, papel de algum relevo. Os programas informáticos eram programados com uma grande quantidade de informação para facultarem ajuda aos alunos na resolução de problemas naquelas áreas. Contudo, o elevado custo que esses projetos implicavam acabou por dificultar a generalização dos mesmos a um grande número de alunos e consequentemente a ter pouca expressão nas escolas. A linguagem LOGO, criada nos finais da década de 60 por Wally Feurzeig e Seymour Papert, tem nos anos 80 um papel relevante a nível mundial. Contrariamente ao ensino programado que tinha como teoria subjacente o behaviorismo, o sistema Logo apoia-se no construtivismo preconizado por Jean Piaget e nas teorias computacionais, principalmente a da Inteligência Artificial. A ideia central de Papert foi criar um ambiente informatizado que permitisse o uso de novos métodos de ensino usando o computador, criando uma ferramenta aberta, com uma linguagem de programação interativa em que as crianças aprendem a aprender. 1 No original “the teory and practice of design, development, utilization, management and evaluation of processes and resources for learning” (AECT, 2001, apud Costa, 2007:25) 25 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Segundo Costa (2007: 26) “à ideia tradicional dos computadores como máquinas de ensinar, em que a informação e os caminhos de aprendizagem estão preestabelecidos… eram agora colocadas nas mãos das crianças máquinas cuja principal função era exatamente a de poderem ser ensinadas (leia-se programadas, ou comandadas) pelas próprias crianças, com o que isso implica de atividade cognitiva…” A introdução da informática acarretou uma mudança de paradigma à escala mundial, com o desenvolvimento de inúmeros estudos que foram decisivos para “o aparecimento de novas formas de equacionar o uso do potencial das tecnologias na aprendizagem e da própria expansão das tecnologias na escola” (Costa, 2007: 26). Na década de 80, apesar de os audiovisuais continuarem a ser utilizados pelos professores, os computadores ganham uma enorme relevância para os investigadores. De acordo com o desenvolvimento das tecnologias, neste período consideram-se dois momentos: o primeiro decorre na década de 90 e é relativo às tecnologias multimédia; o segundo tem início no século XXI com a generalização da Internet, particularmente da sua componente mais apelativa, a World Wide Web, a uma grande parte da população mundial. Quadro 1: Principais períodos de utilização de tecnologias em educação desde 1960 e respetivos focos de investigação (adaptado de Association for Educational Communications and Technology por Costa, 2007: 27) Efeito Sputnik Ênfase na análise do processo de e-a no seu todo Investigação em torno das modalidades de estimulação de materiais Reafirmação e autonomia Impacte do computador Investigação em torno das modalidades de estimulação dos materiais da televisão educativa… As questões relacionadas com o uso dos computadores para o ensino e a aprendizagem passam a ser o foco central da investigação AUDIOVISUAL 1960 MULTIMÉDIA INFORMÁTICA 1980 1990 26 Internet Investigação sobre questões relacionadas com o e-a em rede INTERNET 2000 2005 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O quadro nº 1 apresenta de forma sintética a periodização da tecnologia educativa, desde o audiovisual, a partir da década de 60, até ao impacte da Internet em 2005, sendo essa evolução cumulativa. O aparecimento de uma nova tecnologia não elimina as outras existentes. Cabero (2001; 2010), aponta cinco momentos, que muitas vezes se sobrepõem ao longo da sua evolução: o primeiro corresponde ao momento inicial de desenvolvimento da TE; o segundo caracteriza-se pela inclusão dos meios audiovisuais e dos meios de massa no contexto escolar; o terceiro equivale à introdução da psicologia condutista no processo de ensino-aprendizagem e de uma TE entendida como tecnologia instrucional; o quarto momento reproduz a perspetiva sistémica aplicada à educação; o último, reflete as novas abordagens da psicologia cognitiva e os novos enfoques epistemológicos aplicados ao campo educativo em geral e ao curricular em particular e as mudanças que estão a ocorrer na TE. Estas análises da TE permitem, segundo Cabero (2010: 14), retirar algumas conclusões: Tanto no que se refere à sua denominação, como à sua natureza e definição, a TE é recente; Existem múltiplas formas de a entender, de a conceptualizar e de a aplicar; Pode-se analisar sob duas perspetivas, micro (meios audiovisuais) e macro (planificação da instrução); A sua concretização como disciplina viva, que passou por um processo evolutivo, tanto internamente pela necessidade de oferecer soluções aos novos problemas que se vão colocando, tanto externamente pela evolução das disciplinas e ciências que a fundamentam; Nunca dominou um único paradigma na TE. 2.1.2.1 Momentos iniciais. Antecedentes da Tecnologia Educativa É consensual entre os vários autores que a Tecnologia Educativa se desenvolveu essencialmente no século XX. Contudo alguns autores que estudaram as suas raízes e precursores, como Schramm (1997 apud Cabero, 2010) e Saetler (1991, apud Cabero, 27 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2010), mostram que sempre houve tecnologia instrucional. Para Schramm (1997) sempre existiu tecnologia instrucional, justificando esta afirmação com o facto de sempre ter havido a aplicação do conhecimento científico e criação de desenhos para resolver os problemas de contextos específicos de ensino, bem como a preocupação em integrar diversos meios e recursos nos processos de ensino e aprendizagem. Segundo Saetler (1991), os sofistas foram os pioneiros da TE, pois foram os primeiros a colocarem questões que se prendiam com as problemáticas da perceção, motivação, diferenças individuais e avaliação, reconhecendo que diferentes estratégias instrucionais conduzem a resultados também diferenciados. Cabero (2010) refere ainda, como precursores da TE, Comenio (1592-1670), Campanella (1568-1639), Rosseau (1771-1778) e Thorndike (1874-1949). Comenio, porque defendeu a criação e utilização de outros meios no ensino para além dos verbais. Campanella, porque apoiou a utilização de imagens na formação. Na sua obra “A Cidade do Sol” referia que as crianças aprendiam através da observação das imagens existentes nas torres que circundavam a cidade. Rosseau, porque sustenta na sua tese de “paidocentrismo”, que a criança deve ser o centro da aprendizagem, sendo as estratégias de ensino e aprendizagem estruturadas de acordo com as características psicológicas de cada aluno, tendo este, por isso, um papel ativo na sua própria aprendizagem. Thorndike, porque, por um lado, com a “Lei do Efeito” que propôs abriu caminho à psicologia condutista e, por outro, devido ao trabalho pioneiro na investigação dos meios. 2.1.2.2 A incorporação dos meios audiovisuais e dos meios de massa Desde o aparecimento dos meios de massa e pelo forte impacte que estes foram tendo na sociedade, que a escola procurou integrar estes meios no mundo escolar. O maior incentivo foi dado pelos EUA aquando da preparação dos militares para a II Guerra Mundial. O que se pretendia era assegurar a sobrevivência de milhares de militares e aumentar a sua eficácia na guerra, através de um programa de formação que permitisse, num curto espaço de tempo, formar muita gente em simultâneo. Para isso, foram criados recursos audiovisuais como películas, diapositivos ou transparências. Os resultados foram tão positivos que a produção desses materiais teve eco nas instituições 28 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios escolares que passaram a adotar nas suas práticas também este tipo de recursos (Cabero, 1999: 19). Esta introdução dos meios veio ampliar os recursos que até então estavam disponíveis para os professores, como o quadro negro e o manual escolar. Desde então os professores podem passar a usar o cinema, o retroprojetor ou o projetor de diapositivos. A base teórica que sustenta a inserção destes meios na escola radica no pressuposto de que a qualidade e variedade de estímulos que estes materiais disponibilizam aumentam os níveis de atenção e de motivação dos aprendentes, facilitando a aquisição e retenção da informação no processo de ensino-aprendizagem. Assim, os meios são identificados como estímulos que provocam respostas específicas nos alunos. Mas como são “meios de massa”, os alunos são entendidos como um todo coletivo também massificado. Nesta perspetiva, a emissão massificada da informação tem, à partida, um efeito previsto nos potenciais recetores. A TE só é reconhecida como campo de estudo em 1946, quando o currículo de educação audiovisual é aprovado na Universidade de Indiana (EUA), apesar de já em 1918 os EUA terem criado centros de produção de meios audiovisuais, onde se fizeram as primeiras formações de professores com uma visão exclusivamente prática e técnica. Cabero (2001) refere-se a esta etapa, usando a expressão de Hlynka y Nelson (1985), como a “metáfora das ferramentas”, em que a educação não é possível se o professor não tem disponíveis instrumentos novos e de qualidade. Blanco & Silva (2002) chamam-lhe “ajudas para o ensino”, em que a TE estava centrada na instrumentalidade técnica e no produto a alcançar. A definição que apresentam de TE é bastante clara a este respeito: As técnicas audiovisuais creditam o seu valor por uma apresentação massiva de informação icónica (fixa e móvel) e os aparelhos consideram-se uma ajuda ao ensino que facilitam e ampliam os processos de instrução. Com eles pretende-se apenas modernizar as aulas. Blanco & Silva (2002: 43) A relevância que os meios passaram a ter está bem patente na definição da TE apresentada pela Encyclopedia of Educational Research (Munroe, 1941: 1323) que 29 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Cabero (2001: 88) cita, “...mudanças no comportamento resultantes da aplicação na escola de materiais como os seguintes: a) cinema, mudo e sonoro; b) periódicos escolares; c) imagens fixas, que podem ser vistas diretamente ou projetadas, vistas em forma de diapositivos; d) materiais de museu e e) lâminas, mapas ou gráficos.” Atualmente a TE continua vinculada aos meios, mas não se esgota nessa vertente. Os meios audiovisuais e os meios de massa entram na escola (Cabero, 2001: 84). Analisando a evolução histórica dos meios audiovisuais e de comunicação constata-se uma progressiva integração dos mesmos em contexto escolar. Schramm (1963) apresenta quatro períodos históricos: medieval, caracterizado pela utilização do giz e quadro negro, modelos e mapas; renascimento, introdução dos livros; primeira revolução industrial, introdução da fotografia, diapositivos, transparências, películas mudas e sonoras, gravações, rádio e TV; segunda revolução industrial, integração das gravações magnetofónicas, laboratório de idiomas, ensino programado, máquinas de ensinar e Escola Mediatizada. Navarro Higueras (1973) também define quatro períodos: pré-tecnológico, em que se utilizavam os manuais escolares, os mapas, as lâminas e os modelos artísticos; primeira geração, caraterizada pela introdução dos meios audiovisuais, como o cinema, o rádio ou o projetor de diapositivos; segunda geração, com a incorporação das máquinas de ensinar; a terceira geração com a introdução da cibernética. Tal como os autores referidos anteriormente, Morris (1960, apud Meierhenry, 1984: 6-8) considera quatro períodos históricos de instrução: o primeiro é o tradicional: o professor é o único meio de transmissão da informação; o segundo período é o professor com os meios, em que o professor se apoia nos novos meios para transmitir os conteúdos, motivar os alunos e alcançar maior eficácia na aprendizagem; o terceiro apelida de professor ou meios, em que a função do professor consiste na formulação dos objetivos, na seleção dos métodos e meios, na avaliação dos resultados, apresentando os conteúdos tendo como suporte os meios; o último período nomeia-o de sistema instrucional considerando a instrução como uma atividade na qual os conteúdos, os meios, os métodos e os professores se interligam para atingir os objetivos programados previamente e com uma avaliação que envolva todos os componentes do sistema. A relevância que os meios assumem na TE conduziu a que certos autores (Aguado Arrese, 1977; Percival & Ellington, 1984) distingam entre Tecnologia “na” 30 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Educação e Tecnologia “da” Educação. A primeira considera que a utilização dos meios instrumentais serve para transmitir mensagens; a segunda envolve uma perspetiva mais sistémica, que tem em conta aspetos tão relevantes como os participantes, ou os contextos de aprendizagem, por contraposição a outras demasiado simplistas, focadas apenas nos meios. Quadro 2: Desenvolvimentos futuros da Tecnologia “da” e “na” Educação segundo Ellington, Percival & Race (1993) (adaptado de Cabero, 2001: 91) Tecnologia “da” Educação 1. Manter-se firme perante posições centradas no aluno, em vez de o foco ser o professor. 2. Incrementar o uso de materiais individualizados de aprendizagem, em vez de situações de aprendizagem cara a cara. 3. Privilegiar os processos em vez dos conteúdos dos programas de estudo. 4. Desenvolver competências mais para desenvolver a vida como um conjunto do que para um trabalho particular, incluindo destrezas interpessoais, pensamento criativo e destrezas ao nível da resolução de problemas. 5. Clarificar e especificar os propósitos dos produtos de aprendizagem, tais como a formulação de descritores de competências e critérios de execução. 6. Pesar as vantagens do trabalho em grupo e os perigos do trabalho individual. 7. Incremento da artificialidade dos métodos de avaliação tradicional. Tecnologia “na” Educação 8. Um avanço dos sistemas de ajuda do computador. 9. Participação das pessoas no desenho de programas de computador. 10. Estimular os centros de recursos. 11. Incrementar as expectativas dos professores e alunos face à tecnologia educativa. 12. Ampliar a familiaridade dos alunos com os novos meios. No quadro nº 2 Ellington, Percival & Race (1993, apud Cabero, 2001) apresentam as perspetivas futuras para as duas abordagens da Tecnologia Educativa. Ao princípio os meios eram vistos como a junção de dois componentes: o hardware e o software. O primeiro corresponde aos equipamentos e suportes técnicos dos meios e o segundo aos sistemas simbólicos, conteúdos a transmitir e programas e procedimentos dos meios. Nesta conceção da Tecnologia Educativa está subjacente a ideia de que o hardware com o software adequado potenciam a qualidade e eficácia da instrução. 31 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Esta conceção da Tecnologia Educativa como a aplicação de meios audiovisuais e materiais de ensino, tem duas etapas: a inicial, centrada no desenho de hardware; a segunda centrada no software, dando relevo à criação de mensagens, baseadas nas teorias de aprendizagem de cariz condutista e nos princípios da Psicologia de Gestalt relativamente à atenção e à perceção. A perspetiva de que a Tecnologia Educativa se definia exclusivamente pelos meios de ensino gerou muitas críticas, entre as quais a de reduzir o seu campo aos meios esquecendo que existem outros componentes instrucionais essenciais ao processo de ensino. Cabero (2001, 2010) considera estas críticas pertinentes, mas reforça a ideia de que um ensino em que se mobilizem diferentes formas de codificar a realidade, tem mais potencialidades de se tornar um ensino de qualidade, já que se oferece aos alunos maior diversidade de experiências e maiores possibilidades de descodificar e, por vezes, interagir com a realidade. O mesmo autor acrescenta ainda que se deve ter em conta as relações cognitivas que se estabelecem entre os códigos dos meios e os internos ao aluno, pois proporcionarão determinadas formas de entender e codificar a realidade, não esquecendo que os meios não são simples transmissores de informação, mas instrumentos de pensamento e cultura. Cabero (2006, 2010) também aborda a utilidade do uso de diferentes meios na estimulação de diferentes tipos de inteligência (IM), destacando os seguintes aspectos: a) Diversidade de meios e portanto a possibilidade de oferecer uma variedade de experiências; b) Desenho de materiais que mobilizem diferentes sistemas simbólicos, podendo, por isso, adaptar-se mais a um tipo de inteligência do que a outro; c) Possibilidade de utilizar diferentes estruturas semânticas, narrativas, para oferecer perspetivas diferentes da informação adaptadas às diferentes IM dos diferentes alunos; d) O poder oferecer com elas tanto ações individuais como colaborativas, e em consequência adaptar-se desta forma às inteligências inter e intrapessoal; 32 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios e) Criação de ferramentas adaptativas/inteligentes que vão funcionando com base nas respostas, navegações e interações que o sujeito estabeleça com o programa e o material; f) Elaboração de materiais que permitam apresentar informação na linha contrária da IM dominante do sujeito, de maneira que se favoreça a formação em todas elas; g) Registo de todas as decisões adotadas pelo sujeito com o material e, em consequência, favorecer a sua capacitação e diagnóstico num tipo de inteligência. 2.1.2.3 A TE desde o influxo da psicologia comportamental A Tecnologia Educativa (TE) enquanto disciplina científica e com identidade própria emerge em meados da década de 50, nos EUA, com a incorporação nos campos de estudo da TE da psicologia condutista. O seu representante B. F. Skinner, escreve um artigo “The Science of Learning and The Art of Teaching” em 1954, onde apresenta a sua nova teoria sobre a psicologia da instrução. Mas o impacte desta sua teoria na TE só se fez sentir quando publica, quatro anos mais tarde, um novo artigo “Teaching Machines”. A sua posição relativamente à forma como se aprende, por condicionamento do comportamento (condicionamento operante), a defesa das “máquinas de ensinar” na aprendizagem e o ensino programado são aspetos que marcaram profundamente uma nova perspetiva da TE. Segundo Cabero (2010) a relação entre a psicologia condutista e a TE foi levada a um grau de identidade tão grande que as críticas que são feitas à TE provêm da associação de ambas. Essa influência está bem patente nas primeiras associações e revistas de difusão da TE, que integraram o termo na sua nomenclatura, como a “Association for Programmed Learning Educational Technology” e a sua revista que inicialmente se chamava “Programmed Learning” (Cabero, 2010). É neste contexto que a TE se afirma como disciplina, primeiro nos EUA como referimos atrás, depois no Reino Unido e noutros países da Europa. 33 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.1.2.4 A teoria dos sistemas e o enfoque sistémico: como elemento de fundamentação da TE Na década de 70, o enfoque sistémico passa a ter uma forte repercussão nas Ciências da Educação, particularmente no campo da Tecnologia Educativa (TE). A tendência sistémica em biologia teve a sua origem mais remota no início do século XX como reação à hegemonia da ciência analítica. Em 1926, o biólogo Smuts publica Holism and Evolution, onde enfatiza a ideia de que o organismo é um todo que conserva a sua individualidade através do fluxo de mudança ambiental. Mas é o biólogo austríaco Ludwig Von Bertalanffy, autor da célebre obra General System Theory, publicada em 1968, o principal divulgador da Teoria Geral dos Sistemas (Bertrand, 1991). Num dos artigos que publica refere que a característica fundamental de uma forma viva é a sua organização, considerando que a análise das partes e dos processos isolados não promove uma elucidação completa do fenómeno da vida. Com a publicação da referida obra, Bertalanffy faz uma introdução à teoria sistémica, com uma abordagem da sua aplicação às diferentes disciplinas, como biologia, física, matemática, e uma referência ao aparecimento da Teoria Geral dos Sistemas, em 1945. Muitos foram os autores que, na década de 70 se dedicaram à escrita de obras sobre a temática sistémica (Barel, Le Moigne, De Rosnay; Morin) mas o que a tornou popular foi Edgar Morin. Nos anos 70, a Teoria Geral dos Sistemas atinge a “maturidade” (Bertrand, 1991), tendo os seus princípios de base permanecido até hoje sensivelmente os mesmos. A tendência sistémica foi tão marcante que a Comission on Instrutional Technology (EUA) propunha como definição da TE: É uma maneira sistemática de projetar, de realizar e avaliar o processo de aprendizagem e ensino em termos de objetivos específicos, baseados na pesquisa da aprendizagem e na comunicação humana, empregando uma combinação de recursos humanos e materiais para conseguir uma aprendizagem mais efetiva. (Tickton, 1970:21 apud Blanco & Silva, 2002: 47) 34 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Cabero (2010) também destaca duas definições que perspetivam a TE como organização sistémica. A de Chadwick (1985) e a da Association for Educational Communications and Technology (AECT): (...) um meio que permite organizar, compreender mais facilmente e manejar as múltiplas variáveis de uma situação de ensino-aprendizagem com o propósito de aumentar a eficácia deste processo num sentido amplo. (Chadwick, 1985:1, apud Cabero, 2010: 18) (...) um complexo, processo integrado de pessoas, procedimentos, ideias, aparelhos e organizações, para analisar problemas e inventar, implementar, avaliar e organizar soluções para aqueles problemas envolvidos em todos os aspetos da aprendizagem humana. Na TE, as soluções aos problemas tomam a forma de todos os recursos de aprendizagem, que são selecionados como pessoas, materiais, aparelhos, técnicas e composições. (AECT, 1977:1 apud Cabero, 2010: 18) A formulação dos objetivos da TE apresentada por Lachance (1978, citado por Blanco & Silva, 2002: 47) também reflete esta orientação sistémica “analisar, por um lado, os problemas ligados ao ensino e à aprendizagem e, por outro, elaborar, implantar e avaliar as soluções desses problemas pelo desenvolvimento e exploração dos recursos educativos.” Na década de 80, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) confirma a tendência sistémica da TE ao conceptualizá-la como um modo sistemático de conceber, aplicar e avaliar o conjunto de processos de ensino e aprendizagem, levando em consideração, ao mesmo tempo, os recursos técnicos e humanos e as interações entre eles, como forma de obter uma educação mais efetiva (UNESCO, 1984, apud Blanco & Silva, 2002:47). Na mesma linha Bertrand (1991) considera que “o modelo sistémico de base é um quadro estabelecido para organizar e ter em conta as entradas, os componentes, os processos e os resultados do ensino. Ajuda a ter em mente as diferentes interações e a levar por diante os objetivos de formação. Pode ainda facilitar a planificação do ensino ao fazer aparecer e ao organizar os fatores que se devem ter em conta a fim de obter uma máxima eficácia” (Bertrand, 1991: 86). 35 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Para Cabero (2001, 2010), nesta concepção, o tecnólogo, para além do domínio instrumental das técnicas e dos meios, tem que fundamentalmente possuir capacidades de desenho de situações instrucionais, conciliando os diferentes elementos de que dispõe com a finalidade de atingir os objetivos propostos, analisando e avaliando as decisões tomadas. Nesta perspetiva, a educação não muda com a simples introdução dos meios, tendo estes que fazer parte integrante do sistema de instrução, para serem mobilizados quando o alcance de objetivos o justificar, percebendo que os seus efeitos dependem da influência de outros elementos do sistema. Jiménez, González & Ferreres (1986, apud Cabero 2001) apresentam um modelo global, de tomada de decisões, para aplicação do enfoque tecnológico ao contexto educativo com seis fases: 1. Análise do sistema. Identificação do problema. 2. Definição ou abordagem do ou dos problemas. 2.1 Localização: contexto, sistema, subsistema. 2.2 Recolha da informação. 2.3 Interpretação. 2.4 Propostas de solução. 2.5 Critérios de seleção. 3. Tomada de decisões: construção de um modelo (ação, renovação, inovação). 4. Prova do modelo. 5. Avaliação: positiva/fenomenológica/sistémica. 6. Retroalimentação. Numa perspetiva sistémica, no processo de ensino e aprendizagem não se consideram apenas os objetivos, os meios, o professor e os alunos, mas todos os componentes do sistema são importantes para melhorar a sua eficácia, como a situação económica, política e os valores. Dobrov (1979, apud Cabero, 2001, 2010) aponta três elementos na abordagem da TE: hardware, software e orgware. Este último constitui o componente estrutural do sistema tecnológico que assegura o funcionamento do hardware e software, a sua interação com outros elementos e com os outros sistemas. Segundo o mesmo autor, qualquer sistema tecnológico tem uma organização estrutural específica que o caracteriza, sem a qual o desenho ou componente tecnológico pode 36 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios tornar-se inútil ou prejudicial. Para pensar o sistema tecnológico, Dobrov (1979, apud Cabero, 2001, 2010) propõe três condições: não chega dispor dos meios técnicos necessários; não é suficiente possuir o conjunto de conhecimentos e competências profissionais; é indispensável ter uma estrutura bem definida, correspondente ao nível e à especificidade do sistema tecnológico e às condições de aplicação dos seus princípios e funções. As principais contribuições da aplicação da teoria dos sistemas à TE são referenciadas por Cabero (2001) na síntese seguinte: Todo o sistema é composto por partes inter-relacionadas, de forma que os resultados que alcance o sistema dependerão não tanto dos elementos existentes, mas das interações que se estabeleçam entre os mesmos. A avaliação como um componente do sistema, que se reflete na sua melhoria. A melhoria e o aperfeiçoamento afeta todo o sistema, ainda que se desenvolva em alguns dos seus elementos. A organização interna do sistema em função do alcance dos objetivos previstos para ele. 2.1.3 Novas visões da Tecnologia Educativa A Tecnologia Educativa teve desde cedo um vínculo muito forte com outras ciências suporte, como a psicologia ou a teoria da comunicação, e por isso a sua evolução reflete as alterações que estas ciências vão sofrendo. A passagem de uma visão mecanicista e instrumental para uma nova visão, menos instrumental, deve-se, em grande parte, à influência de uma abordagem baseada na psicologia cognitiva e na teoria do processamento da informação. De uma perspetiva condutista, em que a aprendizagem se centra na mudança do comportamento, passa-se a uma perspetiva cognitiva em que existe uma modificação de uma estrutura cognitiva por meio da experiência. Segundo Cabero (2010), a mudança na fundamentação psicológica da TE tem consequências na abordagem de “novos problemas e elementos: processos cognitivos, motivação, atribuição, inteligência e atitudes, metacognição, codificação, memória, 37 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios estrutura cognitiva, estilos cognitivos...” (idem, 2010: 21). Neste contexto, cabe à TE o desenho de situações instrucionais adaptadas às características cognitivas de cada aluno. Um outro aspeto, destacado por Cabero (2010) é o papel preponderante que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm na sociedade atual, na sociedade da informação e do conhecimento. A integração das tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem facilita a criação de ambientes de aprendizagem flexíveis ao nível da interação utilizador/informação, o que está de acordo com o aspeto cognitivo mencionado atrás. Sobre os enfoques atuais da TE, Area Moreira (Area, 2004, apud Cabero, 2010: 22) apresenta uma sistematização das principais tendências: A TE é um espaço de conhecimento pedagógico sobre os meios, a cultura e a educação em que se cruzam as contribuições das diversas disciplinas das ciências sociais. A TE é uma disciplina que estuda os processos de ensino e de transmissão da cultura, mediados tecnologicamente em diferentes contextos educativos. A natureza do conhecimento da TE não é neutra nem assética relativamente aos interesses e valores que estão subjacentes aos projetos sociais e políticos nos quais se insere a elaboração, uso e avaliação da tecnologia. A TE pós-moderna assume que os meios e tecnologias da informação e comunicação são objetos e ferramentas culturais que os indivíduos e grupos sociais reinterpretam e utilizam em função dos seus próprios esquemas ou parâmetros culturais. A TE deve partir da análise do contexto social, cultural e ideológico sob o qual se produz a interação entre os sujeitos e a tecnologia. Os métodos de estudo e investigação da TE são ecléticos, nos quais se combinam aproximações quantitativas com qualitativas em função dos objetivos e natureza da realidade estudada. Também Muñoz-Repiso (2003) apresenta, de uma forma gráfica, clara e sucinta, a evolução da Tecnologia Educativa por décadas, desde as suas origens na década de 40, até à de 90. A sua análise incide nos seguintes aspetos: as características e 38 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios contribuições básicas; as definições da TE. O Quadro que se reproduz de seguida, da autoria de Muñoz-Repiso (2003: 136-140), põe em evidência vários momentos da TE. Quadro 3: História da Tecnologia Educativa (adaptado de Muñoz-Repiso, 2003: 136-140) Décadas Características e Definições da 40 Contribuições básicas TE - Em 1941 surge o conceito de TE na - A Encyclopedia of Educational Research Encyclopedia of Educational Research. define TE como: ...mudanças no - A TE faz parte do currículo nos estudos comportamento resultantes da aplicação na de Educação Audiovisual na Universidade escola de materiais como os seguintes: de Indiana, EUA (1946). a) Cinema, mudo ou sonoro. - A TE começa a ser reconhecida como b) Jornais escolares. campo de estudo e disciplina académica c) Imagens fixas, que podem ser vistas nos EUA. diretamente ou projetadas, vistas em forma - A TE utiliza os meios audiovisuais com de diapositivos ou transparências. uma finalidade formativa. d) Materiais de museu. e) Lâminas, mapas e gráficos. 50 - O ensino programado marca o arranque da TE como campo de estudo no Reino Unido. - A psicologia da aprendizagem, de cariz condutista, vai-se incorporando como campo de estudos da TE. 60 - Os Meios de Comunicação de Massas - A TE corresponde ao estudo dos meios começam a ter um impacte social muito audiovisuais para o ensino, baseando-se no grande.Com a generalização da rádio e da princípio de que: todo o ensino pode ser televisão os modelos de comunicação melhorado pelo uso de tais materiais em alteram-se. virtude de que podem ajudar a tornar - O centro desta revolução dos meios de “recordável” a aprendizagem. Dissemos comunicação ocorre nos países anglo- todo o ensino porque os materiais saxónicos. audiovisuais, quando se usam - As aplicações educativas dos meios de inteligentemente, podem promover a mais massas passam a integrar a TE. efetiva classe de aprendizagem, tanto nos - A TE adota uma perspetiva técnico- adultos como nas crianças, na escola e no empirista, assumindo-se como o controlo campo profissional (Dale, 1964: 3, apud científico dos processo de ensino. Muñoz-Repiso, 2003) 39 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 70 - A abordagem sistémica tem uma forte Segundo a Comissão sobre TE dos EUA, a repercussão em todas as Ciências da TE é uma maneira sistemática de desenhar, Educação. levar a cabo e avaliar todo o processo de - Desenvolve-se o estudo do ensino como aprendizagem e ensino em termos de processo tecnológico. A tecnologia exigia objetivos específicos, baseados na o estatuto de disciplina científica, com investigação da aprendizagem e da potencial para regular e prescrever a ação comunicação humana, empregando uma instrutiva. combinação de recursos humanos e - O desenvolvimento da informática materiais para conseguir uma aprendizagem começa a consolidar os usos educativos mais efetiva. (Tickton, 1970: 21, Muñoz- dos computadores, fazendo uso de Repiso, 2003) aplicações como o ensino assistido por computador, sob a concepção do ensino individualizado. - Tendo como base a psicologia cognitiva, analisa-se a interação entre os sujeitos e os meios como instrumentos simbólicos. 80 - Fala-se em Novas Tecnologias da A UNESCO formula uma dupla concepção Informação e Comunicação (TIC), criando da TE: dispositivos para armazenar, processar e Originalmente foi concebida como o uso transmitir grandes quantidades de para fins educativos dos meios nascidos da informação, de modo flexível. revolução das comunicações, como os meios - A inovação está na mudança dos suportes audiovisuais, televisão, computadores e e na interação que existe entre diferentes outros tipos de hardware e software. meios. Num novo e mais amplo sentido, como o - Surgem os materiais multimédia e modo sistemático de conceber, aplicar e hipermédia, que incorporam linguagens avaliar o conjunto de processos de ensino e audiovisuais e informáticas. Estas novas aprendizagem, tendo em conta os recursos aplicação educativas são motivo de técnicos e humanos e as interações entre atenção por parte dos tecnólogos da eles, como forma de obter uma educação educação. mais efetiva. (UNESCO, 1984:43,44, apud - O estudo dos meios faz-se numa Muñoz-Repiso, 2003) perspetiva curricular e de contextos de uso. 90 - Emergem as correntes curriculares de A Association for Educational cariz interpretativo e sociocrítico. Communication and Technology (AECT) - O conhecimento pedagógico está mais entende TE como um conceito amplo que ligado a um ponto de vista ético, apresenta uma definição complexa: ideológico e social. Um processo complexo e integrado que - A TE reformula-se desde uma postura implica pessoas, procedimentos, ideias, 40 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios crítica e multidisciplinar, aprofundando as artefactos e organizações para analisar características da sociedade mediática em problemas e desenhar, pôr em prática. que nos encontramos. Avaliar e administrar soluções para aqueles - Interesse pelo estudo dos meios nos problemas envolvidos em todos os aspetos contextos sociais em que são produzidos e da aprendizagem humana. Na Tecnologia utilizados, enquanto recursos que Educativa a solução dos problemas toma a codificam o conhecimento e a cultura em forma de todos os recursos de aprendizagem; função de certos interesses. estes recursos são mensagens, pessoas, - O interesse pela TE desde o âmbito materiais, artefactos, técnicas e ambientes. político vai-se fomentando pela Os processos para analisar os problemas e proliferação das tecnologias digitais de desenvolver, implementar e avaliar soluções informação e comunicação. Este aspeto identificam-se como funções de conduz a uma afirmação mais categórica desenvolvimento educativo de investigação da TE como uso dos meios tecnológicos. – teoria, desenho, produção, avaliação-, seleção, logística, utilização e utilizaçãodivulgação (AECT, 1996: 4, apud MuñozRepiso, 2003) Esta evolução da Tecnologia Educativa também se faz sentir em Portugal. 2.1.4 A evolução da Tecnologia Educativa em Portugal 2.1.4.1 Momentos marcantes Blanco & Silva (1993) detendo-se no estudo da evolução da Tecnologia Educativa em Portugal, até 1993, consideram três momentos marcantes: o primeiro corresponde ao “Arranque”, o segundo à “Afirmação” e o terceiro ao “Desenvolvimento” (idem, 1993: 44). 1. Arranque: corresponde ao período entre 1960 e 1975, em que se fala basicamente de meios audiovisuais. Estes eram usados como auxiliares das atividades do professor e como veículo para difusão de programas de rádio e televisão. De salientar a criação da TELESCOLA, em 1964. 2. Afirmação: corresponde ao período entre 1975 e 1980, onde se verifica a consolidação do apoio dos audiovisuais ao ensino e à difusão do mesmo. 41 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Mas o aspeto distintivo deste momento é a introdução da tecnologia educativa nos curricula de Formação de Professores. Em 1975 surge a primeira disciplina, na área da comunicação audiovisual, nos cursos de formação inicial e integrada de professores para o “Ciclo Preparatório” e Secundário, nas Universidades do Minho e Aveiro. Em 1985 integra os curricula de formação inicial de professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e de Educadores de Infância nas Escolas Superiores de Educação e em 1988 também integra a formação em serviço dos professores. Neste contexto, o Ministério da Educação incentiva a formação de professores/orientadores no âmbito da Tecnologia Educativa para organizarem os Centros de Apoio à Formação e Orientação de Professores a incluir nas Escolas Superiores de Educação. Na década de 80, podem apontar-se dois marcos determinantes para a consolidação da Tecnologia Educativa em Portugal: a Reforma Educativa e o lançamento do Projeto Minerva. Os trabalhos da Reforma Educativa vieram consolidar a Tecnologia Educativa como parte integrante do sistema educativo. Nos documentos preparatórios da Comissão da Reforma do Sistema Educativo foram apresentados dois relatórios sobre a Tecnologia Educativa: um sobre as Novas Tecnologias no Ensino e Educação e outro sobre os Mass Media e a Escola. Na Proposta Global da Reforma, de 1988, existiam três programas que davam destaque à Tecnologia Educativa: programa A5 “Educação e Comunicação”, sobre a formação dos alunos para o mundo da comunicação; programa A6 “Novas Tecnologias da Informação”, sobre a introdução das novas tecnologias de informação no sistema educativo; programa A7 “Dinâmica Pedagógica das Escolas”, sobre a implementação de uma nova dinâmica pedagógica nas escolas, cujas características essenciais seriam a inovação e a criatividade. O Projeto MINERVA (Meios Informáticos na Educação: Racionalizar, Valorizar, Atualizar) foi criado em 1985, pelo Ministério da Educação português e vigorou até 1994. Em 1987 realiza-se o 1º Encontro Nacional de Tecnologia Educativa, na Universidade de Aveiro, com os objetivos de fazer o balanço da situação da 42 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios mesma em Portugal e de se perspetivar o futuro. Neste encontro estiveram envolvidos as Universidade de Aveiro, Aberta, de Coimbra, do Minho e do Porto e os Institutos Superiores de Educação de Bragança, Coimbra, Faro, Leiria, Madeira, Setúbal e Viseu e o Centro de Apoio Tecnológico à Educação (CATE) de Ponta Delgada (Blanco & Silva, 1993). A fase de afirmação finaliza com a criação da Secção de Tecnologia e Comunicação Educativa como parte integrante da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação fundada em 1989 (Blanco & Silva, 1993). 3. Desenvolvimento: este período tem início nos finais da década de 80, como prolongamento natural do período anterior. Com a Reforma do Sistema Educativo, a Tecnologia Educativa passa a integrar as Ciências da Educação e a incorporar todas as modalidades de formação de professores: inicial, em serviço e contínua. Apesar de ter sido criada em 1976, só neste período (1988) é que a Universidade Aberta entra em funcionamento. Mas o elemento distintivo desta fase é a criação dos cursos de pós-graduação, tanto ao nível dos cursos de Diplomas de Estudos Superiores Especializados (DESE) lecionados nas Escolas superiores de Educação, como ao nível de mestrados lecionados nas Universidades. 2.1.4.2 Medidas para a integração da TE em Portugal Na década de 60 aparecem as primeiras medidas legislativas relativamente à introdução dos meios audiovisuais no ensino, em Portugal. Em 1963 é fundado o Centro de Pedagogia Audiovisual com a finalidade de promover o estudo e experimentação dos processos audiovisuais. Em 1964 é criado o Instituto de Meios Audiovisuais no Ensino (IMAVE), e cuja finalidade era a de promover a utilização, a expansão e o aperfeiçoamento dos meios audiovisuais como meios de apoio na difusão do ensino e no aumento do nível cultural da população. De acordo com Blanco & Silva (1993), a expressão meios audiovisuais no ensino é usada pela primeira vez com o significado de instrumentos que auxiliam a atividade letiva do professor. A este Instituto estava ligada a TELESCOLA, mais tarde designada como Ciclo Preparatório TV (CPTV). Com o alargamento da escolaridade obrigatória para 6 43 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios anos, em 1964, a TELESCOLA constituiu-se como a resposta mais satisfatória para ultrapassar as diversas carências existentes: aumento de número de alunos, poucos professores, entre outras. Em 1969, o IMAVE, apesar de manter as iniciais, passa a designar-se de Instituto de Meios Audiovisuais em Educação, substituindo Ensino por Educação. Esta alteração teve com o objetivo aumentar o campo de ação do referido Instituto. O historiador da educação em Portugal, Romúlo de Carvalho (1985: 803), explicou as razões que levaram à criação deste organismo: “O objetivo do Governo foi o de ‘proceder ao estudo e experimentação dos processos audiovisuais, designadamente cinema, projeção fixa, rádio, gravação sonora e televisão, nas suas aplicações e fazer a apreciação dos seus resultados’. A finalidade do Instituto de Meios Audiovisuais de Ensino (IMAVE) era a de ‘promover a utilização, expansão e o aperfeiçoamento das técnicas audiovisuais como meios auxiliares da difusão do ensino e da elevação do nível cultural da população.’ A telescola, parte integrante do Instituto, tinha por objetivo a realização de cursos através da radiodifusão e da televisão escolares.” (Carvalho, 1985: 803) Em 1971, o IMAVE dá lugar ao Instituto da Tecnologia Educativa (ITE) com o propósito de promover o uso dos audiovisuais em todos os setores educativos, assegurar as emissões do CPTV e mais tarde (1971) do Ano Propedêutico, bem como produzir e difundir material audiovisual para apoio a diferentes necessidades escolares. Após o 25 de Abril, houve um conjunto de legislação que pretendia promover a tecnologia aplicada ao ensino. Assim, em 1976 foi criada a Universidade Aberta (UA), que através do ensino à distância, facultava o acesso ao Ensino Superior a pessoas que o queriam frequentar mas que por qualquer motivo (como geográfico, incompatibilidade horária, etc) não o podiam fazer na Universidade regular. Em 1979 é criado o Instituto Português de Ensino à Distância tendo o mesmo público alvo que a UA. Em 1976 é extinto o ITE para dar lugar ao Instituto de Inovação Pedagógica, mas no mesmo mês em que é criado é também extinto e reposto o ITE. Depois desta fase mais conturbada, a normalidade é reposta na década de 80 com o funcionamento efetivo da Universidade Aberta, “que sucede na totalidade de 44 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios direitos e obrigações o Instituto Português de Ensino a distância (IPED) e integra os recursos afetos ao Instituto de Tecnologia Educativa (ITE), que é extinto” (Blanco & Silva, 1993: 47). A UA, cuja metodologia é o ensino à distância, é formada por dois Departamentos: o Instituto Português de Ensino a Distância (IPED), responsável pelo ensino e investigação e o Instituto de Comunicação Multimédia (ICM), responsável pelo apoio ao sistema educativo e à formação profissional. Na década de 80, podem apontar-se dois marcos determinantes para a consolidação da Tecnologia Educativa em Portugal: a Reforma Educativa e o lançamento do Projeto Minerva. Os trabalhos da Reforma Educativa vieram consolidar a Tecnologia Educativa como parte integrante do sistema educativo. Nos documentos preparatórios da Comissão da Reforma do Sistema Educativo foram apresentados dois relatórios sobre a Tecnologia Educativa: um sobre as Novas Tecnologias no Ensino e Educação e outro sobre os Mass Media e a Escola. Na Proposta Global da Reforma, de 1988, existiam três programas que davam destaque à Tecnologia Educativa: programa A5 “Educação e Comunicação”, sobre a formação dos alunos para o mundo da comunicação; programa A6 “Novas Tecnologias da Informação”, sobre a introdução das novas tecnologias de informação no sistema educativo; programa A7 “Dinâmica Pedagógica das Escolas”, sobre a implementação de uma nova dinâmica pedagógica nas escolas, cujas características essenciais seriam a inovação e a criatividade. O Projeto MINERVA (Meios Informáticos na Educação: Racionalizar, Valorizar, Atualizar) foi criado em 1985, pelo Ministério da Educação português e vigorou até 1994. A sua finalidade era introduzir os “meios informáticos no ensino não superior, num esforço que permita valorizar ativamente o sistema educativo em todas as suas componentes e que suporte uma dinâmica permanente de avaliação e atualização de soluções” (Despacho nº 206/ME/85 de 15/11). Segundo Ponte (1994), o Projeto teve três fases. A primeira (1985-1988) foi a “fase-piloto”, onde se formaram as equipas responsáveis pela dinamização do projeto, criaram-se as infra-estruturas necessárias, identificaram-se os pontos estratégicos e operacionais do sistema de ensino, definiramse critérios e analisaram-se soluções. A segunda fase (1988-1992) correspondeu à “fase operacional” do projeto, com a rede de escolas a ser gradualmente alargada, passando 45 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios em 1989 a abranger, a totalidade do país, nos diferentes níveis de ensino; A terceira fase correspondeu à fase final, de encerramento do projeto (1992-1994). Para avaliar o impacte que a Reforma Educativa e o Projeto Minerva tiveram nas escolas foram realizados diversos estudos ao nível do apetrechamento das escolas (Silva, 1998; Bento, 1992; Moderno, 1993) e relatórios de avaliação dos programas curriculares no ensino secundário (Serafini, 1991; Castro, 1993). Estes estudos mostram que o apetrechamento das escolas esteve longe dos objetivos formulados. Apesar de uma evolução quantitativa, os equipamentos existentes eram insuficientes para o elevado número de alunos e professores que estavam nas escolas. Também os relatórios referidos reforçaram a ideia da falta de recursos materiais, acrescentando que esse aspeto representou um entrave à implementação da Reforma. Silva (2001) refere que “... a escassez dos recursos, a falta de criação de infra-estruturas e de sistemas de atualização e manutenção de equipamentos, bem como a falta de uma política adequada na formação contínua de professores, invalidaram os propósitos que a integração das TIC poderiam favorecer nas mudanças das práticas curriculares.” Relativamente ao impacte do Projeto Minerva nas Escolas, Ponte (1994), no Relatório que elaborou, conclui que “em termos globais, o Projeto Minerva representou fundamentalmente um arranque do processo de transformação da escola tendo em conta a nova realidade cultural que são as tecnologias de informação...” (Ponte, 1994:44). Silva (2001) expressa uma ideia similar ao afirmar que “...o período da década de 8090, balizado temporalmente pela Reforma Educativa (1986-1993) e pelo Projeto Minerva (1985-1994), valorizaram, mais do que qualquer outro período da história educacional portuguesa, a questão da integração das TIC na Educação e na Escola.” Em jeito de balanço sobre o impacte do Projeto Minerva na Escola, Silva (2001) defende que “deve prevalecer uma visão qualitativa, no âmbito da qual se pode salientar o desenvolvimento de uma sensibilidade para a inovação pedagógica – “a cultura MINERVA”. Na década de 90, o Ministério da Educação cria e implementa outros projetos/ programas com o propósito de promover a integração das TIC nas escolas, como o 46 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Projeto IVA (Informática para a Vida Ativa), o Programa FOCO, o Projeto FORJA, o Programa EDUTIC e o Programa Nónio-Século XXI. O Projeto IVA, Informática para a Vida Ativa, esteve em vigor entre 1990 e 1992, ao abrigo do Projeto MINERVA e decorrente da reforma educativa e da introdução do 12º ano de escolaridade. Pretendia-se com este projeto incentivar a valorização dos jovens, dando-lhes uma formação complementar atualizada, importante para a sua atividade profissional futura. Com este projeto foram criados e apetrechados os laboratórios de informática, em cerca de vinte e oito escolas secundárias, onde era ministrada formação complementar aos professores responsáveis pelo 12º ano. Um outro objetivo a alcançar seria a de utilizar futuramente esses laboratórios para a concretização de outros projetos informáticos, de outras escolas. O Programa FOCO, Programa de Formação Contínua de Professores, lançado em 1992, no âmbito do PRODEP (Programa Operacional do Desenvolvimento Educativo em Portugal), tinha como destinatários docentes da educação e do ensino não superior. Este Programa contempla “o apoio à formação contínua de professores, por forma a facilitar o acesso e a utilização das tecnologias de informação e a desenvolver as competências pedagógicas e culturais para um nível ótimo de desempenho do processo de ensino-aprendizagem” (Despacho n.° 299/ME/92). O Projeto FORJA, Fornecimento de Equipamentos, Suportes Lógicos e Ações de Formação de Professores, foi aplicado em 1993. Inicialmente o projeto era ambicioso relativamente ao número de escolas a afetar mas por questões financeiras apenas foram abrangidas sessenta escolas. Os objetivos do projeto foram apetrechar essas escolas com software e hardware e dar formação no âmbito das TIC a professores do ensino secundário. Uma iniciativa relevante para a integração das TIC nas escolas foi o lançamento do Programa Nónio-Século XXI, pelo Ministério da Educação, em Outubro de 1996. Este Programa de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação, que vigorou entre 1996 e 2002, era constituído por quatro subprogramas: I. Aplicação e desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC): criação, acreditação e financiamento dos Centros de 47 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Competência Nónio, para desenvolvimento de projetos nas escolas em áreas pedagógico-tecnológicas; apoio financeiro a esses projetos educativos; apoio logístico e financeiro à introdução das TIC no sistema educativo. II. Formação em TIC: definição de áreas tecnológicas prioritárias e de modelos de ações de formação de professores em Tecnologias de Informação e promoção da acreditação de ações de formação. III. Criação e desenvolvimento de software educativo: lançamento de concursos nacionais para a seleção de software para gestão e organização educativa, material de apoio à utilização das TIC em educação e software educacional; dinamização do mercado editorial. IV. Difusão de informação e cooperação internacional: organização de concursos nacionais de Projetos de Informação sobre educação; organização de congressos no âmbito das TIC em Educação; incentivo e apoio da participação dos professores do ensino básico e secundário em congressos nacionais e internacionais sobre as TIC na Educação. Como resultados positivos do desenvolvimento do programa Nónio-Século XXI podem destacar-se alguns aspetos: o reforço do equipamento informático das escolas, a formação de docentes ao nível das TIC, a produção de software educativo, a participação em redes de comunicação e a integração das TIC no quotidiano das escolas. Em 1997, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Grupo de Missão para a Sociedade da Informação publicam o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (MSI, MCTES, 1997), onde se recomenda que até ao ano 2000 todas as escolas primárias e secundárias estejam equipadas com computadores multimédia, pelo menos um por sala de aula, e com uma ligação às redes telemáticas, tanto nacionais como internacionais. O Programa Internet na Escola (PIE), iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, é lançado na mesma altura que o Programa Nónio-Século XXI. Um dos seus objetivos era equipar as escolas dos Ensinos Básico e Secundário com um computador multimédia e ligação RDIS à Internet. O PIE teve duas fases: na primeira, 48 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios com início no ano letivo de 1997/98, equiparam-se apenas as escolas do 2º, 3º Ciclos e Secundário e foram também abrangidas algumas escolas do 1º Ciclo, bibliotecas públicas, museus e algumas associações culturais; numa segunda fase, entre 1998 e 2001, e com o apoio de autarquias e Centros de Formação de Professores, o Programa foi alargado às escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico (CEB), abarcando cerca de 8775. De salientar que este Programa teve um impacte importante na integração das TIC nas escolas de 1º CEB. O facto de permitir que as escolas púbicas estivessem todas ligadas à Internet ou em processo de ligação, colocou Portugal numa posição de destaque no contexto europeu (Alves, 2006). Para acompanhar o PIE e com a missão de coordenar o desenvolvimento desse Programa, o Ministério da Ciência e Tecnologia criou uma Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (uARTE). Esta unidade assumiu várias funções, das quais se destacaram a promoção de atividades inovadoras na utilização pedagógica da Internet e a produção de conteúdos científicos e tecnológicos. Os materiais de apoio às atividades para os alunos e para professores eram disponibilizados na sua página Web (www.uarte.rcts.pt), e desses destacam-se o catálogo educativo da Internet, a base de dados de recursos e materiais pedagógicos criados por alunos e professores, portefólios temáticos por disciplinas, atividades de dinamização e inovação educativa baseadas na Internet, entre outros. Para além do trabalho online, a uARTE disponibilizava um serviço inovador de acompanhamento dos seus utilizadores, o Netmóvel. Este serviço, composto por uma carrinha equipada com computadores multimédia e ligação à Internet, percorria todo o país sensibilizando, apoiando e orientando os alunos, professores e pais na utilização pedagógica da Internet. Todos os trabalhos desenvolvidos com os alunos, como a comunicação entre escolas, o trabalho colaborativo, as pesquisas na Web eram colocados na página WebNetmóvel. Tanto o PIE como a uARTE foram iniciativas relevantes na criação de condições para a utilização da Internet nas escolas. Segundo Alves (2006: 18), “… o Programa Internet na Escola e a uARTE estabeleceram as condições para o desenvolvimento de actividades ligadas ao âmbito das TIC, em geral, e da Internet, em 49 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios particular, para uma mudança de atitudes relativamente a estas tecnologias e para uma maior consciencialização sobre as suas vantagens na educação”. Em 2003, a Iniciativa Nacional para a Banda Larga, vem dar novo fôlego à utilização da Internet nas escolas. Esta iniciativa dinamizada pela UMIC, entidade que coordena os projetos governamentais ao nível da Sociedade da Informação, e parte integrante do Plano de Ação para a Sociedade da Informação, defeniu como meta a atingir em 2005: o número de computadores por cada cem alunos, com acesso à Internet em Banda Larga será superior à média europeia. Em paralelo também se promove a utilização da Banda Larga a toda a comunidade educativa, através de formação em TIC, criação de redes escolares com Banda Larga de acesso gratuito e tempos dedicados a visitas de estudo virtuais (Alves, 2006). Um dos projetos de integração das TIC nas escolas, no âmbito da Iniciativa Nacional para a Banda Larga, teve como objetivo uma maior familiarização dos alunos mais novos com as TIC. Em colaboração com a Associação Nacional da Municípios Portugueses, a rede Pré-Escolar pública foi contemplada com um computador multimédia e respetivo software educativo por jardim de infância e no 1º CEB foi colocado um computador por sala de aula, até ao final de 2005. A meta previamente definida de todas as escolas públicas terem ligação à Internet foi alcançada com um ligeiro atraso, em Janeiro de 2006, e já no âmbito de outra iniciativa, “Ligar Portugal” (Alves, 2006). O programa “Ligar Portugal” define a política nacional para a sociedade da informação e a promoção do acesso à Banda Larga e é parte integrante de um vasto conjunto de iniciativas propostas pelo Plano Tecnológico. Este Plano integrava o Programa do Governo e a sua aplicação iniciou-se com a entrada em funções do XVII Governo Constitucional, em 2005. O Plano assentava em três eixos fundamentais: conhecimento, tecnologia e inovação. Um outro programa a destacar na promoção da utilização educativa da Internet nas escolas do 1º CEB foi o Programa Acompanhamento da Utilização Educativa da Internet nas Escolas Públicas do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Continente, conhecido pela abreviatura Intenet@EB1. Este programa foi lançado em 2002, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que celebrou protocolos de colaboração diretamente ou através da 50 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) com as Escolas Superiores de Educação (ESE) e Universidades que asseguram a formação inicial dos professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico (EB1), sendo selecionada uma instituição por distrito. O Programa consistiu na realização de ações de acompanhamento pedagógico nas escolas EB1, da responsabilidade das instituições do ensino superior durante o ano letivo de 2002/03, e teve continuação em 2003/04 e 2004/05. As ações de acompanhamento tinham como objetivo dotar as escolas do 1º CEB de capacidades para elaborar e publicar páginas Web e certificar a aquisição de competências básicas em tecnologias de informação e comunicação pelos alunos e professores, especificamente os alunos que concluíam o 4.º ano de escolaridade. A Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) coordenou a execução do Programa e equipou as instituições envolvidas com serviços tecnológicos que permitiam o alojamento na Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS) de materiais de apoio educativo e a obtenção de indicadores de utilização pelas escolas dos recursos disponibilizados. O Programa foi financiado pelo Fundo Social Europeu e pelo Orçamento de Estado, através do Programa Operacional Sociedade da Informação (POSI). Para se perceber o impacte deste Programa Internet@EB1 foi pedida uma avaliação externa que resultou num Relatório cujo coordenador foi João Pedro da Ponte (Ponte et al., 2006). Dessa avaliação destacamos a síntese apresentado por Ponte et al. (idem: 172): 1. Permitiu certificar competências básicas em TIC por parte de alunos (de forma muito expressiva) e também de professores (de forma bastante mais reduzida). 2. Estimulou a produção e atualização de páginas web das escolas, onde é bem visível a participação dos alunos, embora esta atividade pareça em muitos casos pouco integrada no currículo e ter ficado aquém das suas possibilidades no que respeita à promoção do desenvolvimento de competências e capacidades nos alunos. 3. Promoveu atividades (como concursos e projetos) que envolveram um número significativo de escolas, contribuindo para um propósito comum. Além disso, o Programa envolveu a realização de parcerias com autarquias cuja concretização umas vezes se revelou muito positiva e 51 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios outras vezes geradora de conflitos e problemas. No entanto, salvo algumas exceções dignas de registo, foram reduzidas as parcerias constituídas com outras escolas do país ou de países de língua portuguesa e com outras entidades como museus e bibliotecas. 4. Em termos gerais, parece ter contribuído de modo inequívoco para aumentar o uso educativo das TIC nas escolas do 1.º ciclo do ensino básico, para fins educativos, muito embora haja ainda um longo caminho a percorrer para que os professores se sintam à vontade no domínio destas tecnologias como instrumentos educativos e possam integrá-las correntemente na sua prática profissional, proporcionando experiências de aprendizagem ricas, diversificadas e curricularmente relevantes aos seus alunos. Esta avaliação mostra a importância que este programa teve na utilização pedagógica da Internet nas escolas do 1º CEB em Portugal, destacando a necessidade de continuarem a existir iniciativas similares. A criação da EduTIC, Unidade para o desenvolvimento das TIC na Educação, pelo GIASE, Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo, através do Despacho nº 7072/2005, era mais uma iniciativa do Ministério da Educação para promover a utilização das TIC na Educação. A ideia era dar continuidade ao Programa Nónio-Século XXI que tinha terminado em 2002. Contudo, esta unidade viria a ser extinta ainda nesse mesmo ano e substituída pela Equipa de Missão CRIE, Computadores, Redes e Internet nas Escolas. No Despacho de criação do CRIE, Despacho nº 16793/2005, pode ler-se: “A equipa tem como missão a concepção, desenvolvimento, concretização e avaliação de iniciativas mobilizadoras e integradoras no domínio do uso dos computadores, redes e Internet nas escolas e nos processos de ensino-aprendizagem”. As áreas de intervenção da Equipa de Missão CRIE eram essencialmente quatro: promoção da integração das TIC no currículo; apoio ao nível do apetrechamento e manutenção dos equipamentos informáticos das escolas; dinamização de projetos de utilização das TIC e promoção de formação de professores em TIC. A nível europeu, o CRIE colaborou no desenvolvimento de diversos projetos no âmbito das TIC (Vieira, 2008; Neto, 2010): 52 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Connect: projeto com dezoito parceiros, em que o CRIE e a Universidade do Minho participaram, com a tarefa de validarem uma plataforma que permitisse visitas virtuais a diversos Museus de Ciência e o contacto com diferentes experiências no contexto da Física e da Química; eTwinning: integra o Programa eLearning da União Europeia e teve como objetivo criar redes de trabalho colaborativo entre escolas europeias com recurso à Internet e às TIC; SACAUSEF: Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a formação; Seguranet: projeto que teve como objetivo sensibilizar para os desafios e riscos da Internet. Pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 137/2007 é criado o Plano Tecnológico da Educação (PTE), o maior programa de modernização tecnológica das escolas portuguesas, segundo o portal do PTE2. O PTE atua em três frentes que se interligam: as infras-estruturas tecnológicas das escolas, os conteúdos e serviços em linha e o reforço das competências TIC de alunos e docentes. A preocupação do PTE centra-se na transformação das escolas portuguesas em espaços de interatividade e de partilha sem barreiras, assegurando que as novas gerações serão capazes de enfrentar os desafios da sociedade do conhecimento. No portal referido pode ler-se que “A ambição do PTE é a de colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados em matéria de modernização tecnológica das escolas até 2010”. Para concretizar os objetivos definidos pelo PTE foram lançados diferentes projetos, dos quais destacamos os que estão ligados às escolas do 1º CEB: Internet em Alta Velocidade – o conceito deste projeto é ter as escolas ligadas à Internet em banda larga de alta velocidade. O balanço do projeto até à data é muito positivo. Num ponto de situação apresentado no portal pode ler-se que “100% das EB1 com ligação à Internet em banda larga”. 2 http://www.pte.gov.pt/pte/PT/OPTE/MissãoeObjectivos/index.htm 53 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios e.escola, e.professor, e.oportunidades – este projeto tem como objetivo “Generalizar o uso de computadores e da Internet entre os docentes, os alunos e as respetivas famílias” (Portal PTE3). O ponto de situação apresentado no sítio do portal atrás referido aponta bons resultados, mencionando que já há “mais de 1 milhão e 350 mil computadores entregues”. e.escolinha – o conceito deste projeto é “Garantir o acesso dos alunos do 1.º ciclo do ensino básico a computadores pessoais com conteúdos educativos” (Portal PTE4), tendo como objetivos “Generalizar o uso do computador e da Internet nas primeiras aprendizagens”, assim como “Garantir o acesso ao primeiro computador a milhares de famílias” (Portal PTE). Relativamente ao que já foi conseguido e, de acordo com o ponto de situação apresentado no portal, já foram entregues mais de 600 mil computadores. Em Novembro de 2010 estava concluída a primeira fase do concurso de distribuição dos computadores. Como se pode ler na notícia publicada no portal do PTE5 “94 mil novos Magalhães entregues nas escolas portuguesas - Foi concluída a primeira fase de entrega dos novos computadores pessoais ultra-leves com conteúdos educativos do programa e.escolinha, Plano Tecnológico da Educação. Estes computadores foram entregues a alunos do 2.º ano do Ensino Básico. As escolas também foram equipadas com estes computadores para utilização pelos professores na atividade letiva”. Portal das escolas – a ideia deste “Portal das Escolas” é a de disponibilizar um “Sítio de referência das escolas em Portugal, para partilha de recursos educativos digitais, ensino a distância, comunicação, trabalho colaborativo e acesso a serviços de apoio à gestão escolar” (Portal PTE6). Pretende-se com a criação deste Portal “Aumentar a produção, a distribuição e a utilização de recursos educativos digitais; Reforçar as práticas de ensino e de aprendizagem interativas e o trabalho colaborativo nas escolas; 3 www.pte.gov.pt/pte/PT/Projectos/Projecto/index.htm?proj=77 4 www.pte.gov.pt/pte/PT/Projectos/Projecto/index.htm?proj=72 5 www.pte.gov.pt/pte/PT/EspaçoMedia/022004677 6 www.pte.gov.pt/pte/PT/Projectos/Projecto/index.htm?proj=37 54 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Disponibilizar, a partir de um ponto de acesso único, todos os serviços de apoio à gestão escolar” (Portal PTE). Do balanço que o portal (Portal PTE) apresenta deste projeto, destacamos a existência de cerca 1 700 recursos educativos digitais (RED) que integram o Repositório Europeu de Recursos Educativos, permitindo o acesso a quase 40 000 RED e a disponibilização de um Catálogo de Blogues educativos. Competências TIC – este projeto tem como objetivos “Generalizar a formação e a certificação de competências TIC na comunidade educativa”, assim como “Promover a utilização das TIC nos processos de ensino e de aprendizagem e na gestão escolar” (Portal PTE7). No balanço apresentado no Portal constata-se que este projeto já facultou a formação a 456 formadores e que 44945 docentes, distribuídos por 2217 turmas, frequentaram um Curso de Competências Pedagógicas e Profissionais com TIC. No final de Março de 2011, estava concluído o 1.º ano do Plano Nacional de Formação que incluiu 30% dos docentes da Educação PréEscolar, e dos Ensinos Básico e Secundário. Em síntese, as iniciativas do PTE parecem-nos adequadas, oportunas e muito positivas. A ideia de se facultarem aos alunos mais carenciados o acesso gratuito a um computador com ligação à Internet é uma medida extremamente positiva que contribuirá para a sua infoinclusão. Desenvolver nos alunos e docentes competências digitais é prepará-los para enfrentarem os enormes desafios que hoje a Sociedade da Informação coloca. 2.1.5 As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) correspondem “ao conjunto de tecnologias que permitem a aquisição, armazenamento, tratamento, transmissão, registo e apresentação de informações, em forma de voz, imagens e dados contidos em sinais de natureza acústica, ótica ou eletromagnética. As TIC incluem a 7 www.pte.gov.pt/pte/PT/Projectos/Projecto/index.htm?proj=47 55 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios eletrónica como tecnologia base que suporta o desenvolvimento das telecomunicações, a informática e o audiovisual.” (Muñoz-Repiso, 2003: 289), Mas para este autor o que efetivamente caracteriza as novas tecnologias e que “configura a verdadeira revolução comunicativa, é a criação de redes de comunicação globais” (idem: 289). Neste contexto, os computadores, os telemóveis, as televisões, entre outros, são ferramentas que permitem aceder à informação e difundi-la, transformando-se “em meios de comunicação interativos entre pessoas” (apud: 290). Também para Raposo Rivas (2002), o conceito de Novas Tecnologias está fundamentalmente associado ao eixo da informação e da comunicação. Existem diversas denominações que se referem basicamente ao mesmo conceito: “novos meios”, “tecnologias avançadas”, “novas tecnologias”, “tecnologias da informação e da comunicação”, “meios e recursos tecnológicos...” No entanto, a autora refere que os termos têm especificidades. Assim, as três primeiras expressões colocam a tónica no “original”, “inovador” e “actual” dos meios, enquanto as outras são utilizadas para nos referirmos aos meios com caráter mais tradicional. Numa revisão da literatura sobre o conceito de novas tecnologias, Cabero (1996) apresenta as definições de diferentes autores de referência: Gilbert et al (1992: 1): “conjunto de ferramentas, suportes e canais para o tratamento e acesso à informação.” Bartolomé (1989: 11): desde uma perspetiva aberta, assinala que a expressão se refere aos últimos desenvolvimentos tecnológicos e suas aplicações. Dicionário de Santillana de Tecnologia Educativa (1991): últimos desenvolvimentos da tecnologia da informação que nos nossos dias se caracterizam pela sua constante inovação. Castells et al (1986): compreendem uma série de aplicações de descoberta científica, cujo núcleo central consiste na capacidade cada vez maior de tratamento da informação. 56 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Revista “Cultura e Nuevas Tecnologías”: “...novos suportes e canais para dar forma, registar, armazenar e difundir conteúdos informacionais” (Ministério da Cultura, 1986: 12). Também Raposo Rivas (2002) procedeu a uma revisão da literatura e selecionou um conjunto de definições que mostram a multiplicidade de concepções acerca do mesmo. Tabela 1: Conceptualizações sobre novas tecnologias (Raposo Rivas, 2002: 27-28) Autor Denominação Definição UNESCO Novas O conjunto de disciplinas científicas, tecnológicas, de engenharia (1982) Tecnologias da e de técnicas de gestão empregues no manuseamento e Informação (NTI) processamento da informação; as suas aplicações; os computadores e a sua interação com homens e máquinas; e os conteúdos associados de caráter social, económico e cultural. FUNDESCO Tecnologias da Todas as tecnologias que permitem a aquisição, produção, (1986) Informação (TI) armazenamento, tratamento, comunicação, registo e apresentação de dados contidos em sinais de natureza acústica, ótica ou eletromagnética. Vázquez e Tecnologias da O desenvolvimento de máquinas e dispositivos desenhados para Beltrán Informação e da armazenar, operar, transmitir, etc., de modo flexível, grandes (1989) Comunicação quantidades de informação. (TIC) Bartolomé Novas Os últimos desenvolvimentos tecnológicos e as suas aplicações, (1989) Tecnologias (NT) centrando-se nos processos de comunicação que se agrupam em três grandes áreas: a informática, o vídeo e a telecomunicação. Vázquez Novas São tecnologias da informação aplicadas ao campo pedagógico (1991) Tecnologias com o objetivo da racionalizar os processos educativos, melhorar aplicadas à os resultados do sistema escolar e assegurar o acesso ao mesmo de educação (NNTT) grupos convencionalmente excluídos. Medrano Novas Todos aqueles equipamentos ou sistemas técnicos que servem de (1993) Tecnologias (NT) suporte à informação através de canais visuais, auditivos ou de ambos. Em todos os casos, trata-se de sistemas mecânicos, eletromecânicos ou informáticos que contêm e reproduzem informação e das suas aplicações nos distintos campos e processos de comunicação. 57 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios González Novas O novo conjunto de ferramentas, suportes e canais para o (1994) Tecnologias (NT) tratamento e acesso à informação. Martínez Novas Todos aqueles meios de comunicação e de tratamento da (1995) Tecnologias (NT) informação que vão surgindo da união dos avanços propiciados pelo desenvolvimento da tecnologia eletrónica e as ferramentas conceptuais, tanto conhecidas como outras que vão sendo desenvolvidas como consequência do emprego destas mesmas novas tecnologias e do avanço do conhecimento humano. Martínez Novas Todas aquelas tecnologias surgidas com base no desenvolvimento (1995) Tecnologias da da microelectrónica, (...) e que transformaram o mundo das Comunicação comunicações, tanto desde o ponto de vista da velocidade, como (NTC) da capacidade de transmissão e das possibilidades educativas propriamente ditas. Garcia Novas Três grandes sistemas de comunicação: o vídeo, a informática e a Valcarcel Tecnologias (NT) telecomunicação. E não só os equipamentos (hardware) que (1996) tornam possível esta comunicação, mas também, o desenvolvimento de aplicações (software). Adell (1997) Novas São o conjunto de processos e produtos derivados das novas Tecnologias (NT) ferramentas (hardware e software), suportes da informação e canais de comunicação relacionados com armazenamento, processamento e transmissão digitalizada de dados. Analisando as definições recolhidas por Cabero (1996) e Raposo Rivas (2002) constata-se que o termo TIC é ambíguo e genérico. Relativamente aos aspetos comuns destacam-se alguns importantes: os processos de informação e comunicação são a característica identificadora das Novas Tecnologias; as TIC têm um caráter aplicativo e prático; outra característica comum à maioria das definições é a digitalização da informação; as áreas abordadas são a informática, o vídeo e a telecomunicação; a questão da inovação é também focada por alguns dos autores acima referenciados. Assim, quando utilizamos o termo “Novas Tecnologias” estamos a referir-nos a meios que se caracterizam pela digitalização e pela interatividade, como são o vídeo interativo, o videotexto e teletexto, a televisão por satélite e por cabo, a televisão interativa, os hiperdocumentos, os discos digitais em diferentes formatos, os sistemas multimédia, a tele e vídeo-conferência, a realidade virtual, o correio eletrónico e a telemática. Segundo Cabero (2010), as novas tecnologias correspondem às Tecnologias 58 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios de Informação e Comunicação, TIC, que giram em torno de quatro meios básicos: a informática, a microeletrónica, os multimédia e as telecomunicações. Também refere “tecnologias avançadas”, como termo usado por outros autores para novas tecnologias, já que muitas delas não são mesmo “novas”, mas combinadas entre elas originam novas possibilidades de uso. Ao contrário, meios como o retroprojetor e o projetor de diapositivos são “velhas” tecnologias, apesar de poderem tomar novas formas de uso com os meios mais modernos (Raposo Rivas, 2002). No sentido de clarificar a terminologia usada relativamente às novas tecnologias, Raposo Rivas (2002) sugere um conjunto de expressões que têm um sentido próximo: TIC, NT, NTI, NTC, NNTT, NTIC. Procurando sintetizar as características mais distintivas das novas tecnologias, Cabero (1996, 2010) e Raposo Rivas (2002), referenciando outros autores (Castells et al, 1986; Gilbert et al, 1992; Cebrián Herreros, 1992) propõem as seguintes: imaterialidade, interatividade, instantaneidade, inovação, elevados parâmetros de qualidade de imagem e som, digitalização, mais influência sobre os processos do que sobre os produtos, automatização, interconexão e diversidade, a penetração das TIC em todos os setores, a criação de novas linguagens expressivas, a potenciação de audiência segmentada e diferenciada e a capacidade de armazenamento. Imaterialidade A imaterialidade é a característica básica das Novas Tecnologias (Cabero, 1996), sendo a sua matéria-prima a informação. Esta informação passou a estar disponível em suportes eletrónicos, que permitem trabalhar em diversos códigos e formas de dados, que podem ser visuais, textuais, auditivos e audiovisuais e ser estacionários em suporte físico, ou estar em movimento, em rede (Cabero, 2010). As novas tecnologias têm influência não só nas características da informação, mas também na forma de acesso e criação da mesma. Influência na utilização como instrumento didático: novas formas de representar a realidade; acesso à informação e ao conhecimento; mobilidade da informação (Cabero, 2010). 59 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Interatividade A interatividade é uma outra característica tão significativa como a imaterialidade (Cabero, 1996). Esta adquire um sentido pleno no contexto educativo, permitindo a interação sujeito-máquina, havendo sempre que necessário uma adaptação da máquina às características psicológicas, evolutivas e educativas do utilizador. Para fraseando Cabero (1996): (...) as NT permitem que o utilizador, não só possa elaborar mensagens, questão também realizável com outras tecnologias mais tradicionais, mas também, e é o importante, decidir a sequência da informação a seguir, estabelecer o ritmo, quantidade e aprofundamento da informação que se deseja e eleger o tipo de código com o que quer estabelecer relações com a informação. Na mesma linha, Blanco (1999: 110) refere: ...a assunção de um novo papel por parte do utilizador” como a primeira característica da comunicação interativa. O utilizador deixa de ser um mero recetor da informação e assume um papel ativo, podendo determinar a emissão de informações, selecioná-las e utilizá-las quando considerar oportuno fazê-lo, determinando também os tempos da interação. Neste sentido, o recetor passa a assumir o controlo da comunicação sendo quem determina o tempo de comunicação e a modalidade de uso, transformando-se também em emissor, em produtor de mensagens. Cabero (2010) citando Bettetini (1995) sintetiza em três aspetos fundamentais o que caracteriza a interatividade: a pluridirecionalidade da passagem da informação, o papel ativo do utilizador e a comunicação em tempo real. São estas características que potenciam a criatividade e a autonomia das pessoas na utilização das tecnologias, assim como a construção de novas formas de comunicação. Para Raposo Rivas (2002), a interatividade possibilita o diálogo sujeito/máquina permitindo que o utilizador decida sobre a sequência da informação, de acordo com o seu ritmo, determinando a quantidade e aprofundamento da informação que deseja e elegendo o tipo de código a usar no tratamento da informação. Muñoz-Repiso (2003) reforça a ideia de que a interatividade é uma característica dos novos meios, entendida 60 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios como a possibilidade de que emissor e recetor troquem os seus papéis e permutem mensagens. Influência na utilização como instrumento didático: o desenho didático passa a contemplar os processos ativos sobre a informação, processos de aprendizagem que incluam o aluno na sua gestão, promove múltiplas situações de comunicação e de atividades de colaboração partilhando informação e espaços de trabalho em rede (Cabero, 2010). Instantaneidade Outra característica das novas tecnologias é a instantaneidade da informação que proporcionam, rompendo-se as barreiras temporais e espaciais das nações e culturas. A informação está disponível a qualquer hora e em qualquer lugar, em tempo quase real, como o faz a comunicação por satélite. Influência na utilização como instrumento didático: disponibilidade da informação no momento e tempos de resposta pequenos (Cabero, 2010). Inovação Qualquer nova tecnologia tem como objetivo superar qualitativa e quantitativamente a sua antecessora. No entanto, muitas vezes estas inovações completam, potenciam e revitalizam as mais antigas. Um bom exemplo é a evolução que podemos constatar nos telefones, desde o telefone fixo, para o telefone sem fios, desde a geração “mãos-livres” até à geração Wamp (que permite a permanente conexão a uma rede de comunicações). Relativamente à inovação, Cabero (1996) chama a atenção para a pouca capacidade que a escola tem para absorver as tecnologias que se vão produzindo. Influência na utilização como instrumento didático: como não é necessária formação específica para utilizar as novas tecnologias, podem utilizar-se facilmente e transferir a qualquer processo (Cabero, 2010). 61 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Elevados parâmetros de qualidade de imagem e som A qualidade técnica das imagens e sons que as novas tecnologias possuem facilitam não só o manuseamento da informação, ao nível da rapidez e do transporte aos sítios mais longínquos, mas também asseguram uma maior qualidade e fiabilidade da informação. Influência na utilização como instrumento didático: facultam a reprodução e a simulação de processos e fenómenos idênticos à realidade (Cabero, 2010). Digitalização A digitalização consiste em transformar informação codificada analogicamente, em códigos numéricos, de 0 e 1, que permitem a manipulação e distribuição da informação de forma mais fácil e rápida. Isto favorece a transmissão de todo o tipo de informações pelos mesmos canais, como acontece com as redes digitais de serviços integrados (RDSI), que proporcionam a distribuição de todos os serviços necessários (videoconferência, programas de rádio, transmissão de dados, televisão...) por uma mesma rede, com a ampliação de ofertas ao utilizador e a diminuição dos custos. Influência na utilização como instrumento didático: possibilitam a combinação de códigos; a criação de diferentes materiais; alterar e adaptar documentos e elaborá-los de forma conjunta (Cabero, 2010). Influência mais sobre os processos que sobre os produtos A influência das novas tecnologias sente-se mais ao nível dos processos do que dos produtos. Processos que não só determinarão alterações na qualidade dos produtos, mas também em produtos diferenciados, tendo consequentemente impacte no desenvolvimento de habilidades específicas nos utilizadores. Um bom exemplo é o hipertexto. Influência na utilização como instrumento didático: cada aluno pode criar o seu próprio percurso de aprendizagem e existe uma maior versatilidade dos recursos. 62 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Automatização A informática potencia a automatização do trabalho. Ao permitir o tratamento de grandes quantidades de informação de forma muito rápida, elimina aspetos rotineiros que eram realizados pelo homem e que agora, com a automatização, são feitos pelo computador. Esta automatização acarreta dois aspetos negativos, a perda de postos de trabalho e a desumanização dos ambientes profissionais. Influência na utilização como instrumento didático: é o sistema programado que controla os diferentes passos para realizar as tarefas (Cabero, 2010). Interconexão A interconexão é uma característica das novas tecnologias que permite ligar diferentes espaços virtuais, formando novas redes de comunicação. São exemplos destas interconexões a combinação da televisão por satélite e por cabo ou a combinação da imagem, som e texto para a construção do multimédia. Influência na utilização como instrumento didático: criação de novas realidades expressivas e comunicativas; maior versatilidade dos recursos pela combinação de diferentes tecnologias (Cabero, 2010). Diversidade Esta característica refere-se a dois aspetos: à diversidade de tecnologias existente e às diferentes funções que estas podem desempenhar. Relativamente às funções, vão desde as que transmitem informação exclusivamente, como os CDs, até às que proporcionam interação com os utilizadores, como a videoconferência. Influência na utilização como instrumento didático: pode-se selecionar a tecnologia mais adequada às nossas necessidades, características ou contextos (Cabero, 2010). 63 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Penetração em todos os setores (culturais, económicos, educativos, industriais...) As novas tecnologias têm um impacte enorme nas nossas vidas, atravessando todos os setores, como o educativo, o laboral ou o do lazer e afetando a forma como nos relacionamos e como acedemos ao conhecimento e aprendemos. Influência na utilização como instrumento didático: mudança nas configurações do trabalho educativo; promovem novos recursos; alteram os desenhos educativos; refletem-se nos modelos social, cultural e do conhecimento (Cabero, 2010). A criação de novas linguagens expressivas A introdução das TIC com novas linguagens implica o desenvolvimento de competências e destrezas para as poder utilizar. Para as adquirirmos não é necessária um formação muito especializada, mas é fundamental a aprendizagem de novos formas de organizar e combinar os códigos. Dispomos agora de materiais multimédia que combinam múltiplas linguagens e a possibilidade de interatuar com a informação num formato diferente, a hipertextual. Influência na utilização como instrumento didático: a alfabetização digital é importante, para o domínio de destrezas a usar com as tecnologias digitais; estas tecnologias estabelecem a organização da informação e do conhecimento (Cabero, 2010). A potenciação de audiência segmentada e diferenciada O aparecimento dos novos meios digitais criou uma rutura com a utilização dos meios de massa, pois passam a disponibilizar-se novas tecnologias com características mais flexíveis, adaptadas às necessidades e interesses de cada utilizador. A sociedade de massas que tem como referência a televisão analógica e a criação de mensagens de um para todos, dá lugar a uma sociedade da informação e conhecimento onde as novas tecnologias possibilitam a cada indivíduo aceder à informação que quer, quando quer e no formato que desejar. 64 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Influência na utilização como instrumento didático: permite gerar informação muito diversa; oferta de serviços adaptados ao interesse de cada utilizador; maior oportunidade de gerar informação e distribuí-la (Cabero, 2010). A capacidade de armazenamento Com as tecnologias digitais passa a poder-se armazenar grandes quantidades de informação, seja texto, som, imagem estática, imagem em movimento em espaços exíguos. Influência na utilização como instrumento didático: pode construir-se o conhecimento usando grandes quantidades de fontes de informação, podendo fazê-lo individual ou coletivamente (Cabero, 2010). 2.1.6 Sociedade da Informação e do Conhecimento 2.1.6.1 Características A sociedade atual é fortemente marcada pelas tecnologias da informação e da comunicação, havendo autores que a denominam de Sociedade tecnológica, da informação ou em rede (Castells, 1996; Cabero, 2001) ou a Sociedade digital da informação (Muñoz-Repiso, 2003). Tecnologias digitais, redes informáticas, informação e comunicação são as palavras-chave incontestáveis deste novo paradigma. Com as novas tecnologias, assentes no desenvolvimento da eletrónica, da informática e das telecomunicações, criaram-se redes de comunicação globais. Segundo o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (MSI/MCTES, 1997: 10) a sociedade da informação corresponde “a uma sociedade cujo funcionamento recorre crescentemente a redes digitais de informação”. De acordo com Cabero (2001) a sociedade passou por três grandes revoluções tecnológicas: a agrícola, a industrial e a da informação. A primeira caracterizada pela automatização da agricultura; a segunda pelo desenvolvimento das primeiras indústrias de têxteis e de aço e a descoberta da eletricidade; a terceira, que corresponde à 65 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios atualidade, apresenta como elemento central do desenvolvimento tecnológico a informação. No Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (MSI/ MCTES, 1997) esta fase é designada por sociedade pós-industrial, em que o aspeto distintivo é o domínio da informação. Alvin Toffler descreve as grandes mudanças ocorridas na humanidade usando a metáfora das vagas da humanidade. A primeira vaga corresponde ao período em que o homem passa de nómada a sedentário, em que a agricultura é a base desta civilização. A segunda vaga ocorre quando se passa de uma civilização agrícola para uma de base industrial. A terceira vaga começa a emergir em 1955, nos EUA, no auge do desenvolvimento industrial e a principal inovação é o conhecimento. A terceira vaga corresponde ao período que a nossa sociedade atravessa atualmente. Tajra (2008) caracteriza esta etapa na sistematização que apresenta sobre os aspetos que distinguem a terceira vaga da segunda vaga: a) Na segunda vaga, o valor de uma empresa estava relacionado com a quantidade de imóveis, funcionários e máquinas. Na terceira vaga, os valores são intangíveis; são os conhecimentos que têm valor. b) Na segunda vaga, os processos de produção eram massificados e em série. Na terceira vaga, a produção dirige-se ao cliente, de acordo com o seu interesse individual. c) Na segunda vaga, o trabalhador era treinado para não fazer perguntas, não pensar por ele próprio e não inovar. Na terceira vaga, exige-se que os trabalhadores sejam criativos, inovadores, críticos e que estejam sempre a melhorar. d) Na segunda vaga, os produtos tinham um longo ciclo de vida. Na terceira vaga, os produtos estão permanentemente a ser melhorados. A inovação é o grande diferencial. e) Na segunda vaga, a estrutura familiar era nuclear, havendo sempre um pai, uma mãe e filhos. Na terceira vaga, pais sem filhos, divorciados, casais em união de facto, entre outros. f) A velocidade das mudanças na terceira vaga é um fator crítico de sucesso. A informação tem um percurso em constante estágio de aceleração. 66 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Para Castells (2002) a sociedade atual, “sociedade em rede” como a designa, tem as suas origens na revolução das tecnologias da informação e na reestruturação do capitalismo. As suas características são a globalização das atividades económicas, a flexibilidade e instabilidade do trabalho e a sua individualização, a cultura assente numa “virtualidade real” (Castells, 2002: 489) constituída por um sistema de meios de comunicação omnipresentes, interconectados e diversificados, com um sentido de espaço e tempo diferentes. “O espaço de fluxos e o tempo atemporal são as bases fundadoras de uma nova cultura, que transcende e inclui a diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos: a cultura da virtualidade real, onde o faz de conta se vai tornando realidade” (idem, 2002: 492). Na mesma linha Cabero (2001) apresenta de uma forma sistematizada as características desta sociedade: Globalização das atividades económicas. Incremento e produção massiva dos bens de consumo. Substituição dos sistemas de produção mecânicos, por outros de caráter eletrónico e automático. Modificação das relações de produção, tanto social como desde uma posição técnica. Seleção contínua de áreas de desenvolvimento preferente na investigação, ligadas ao impacto tecnológico. Flexibilização do trabalho e instabilidade laboral. Aparecimento de novos setores laborais, como o dedicado à informação e de novas modalidades laborais como o teletrabalho. Andar em torno dos meios de comunicação e mais concretamente à volta das tecnologias da informação e comunicação, como híbrido resultante da informática e da telemática. E como consequência da mesma a potenciação da criação de uma infraestrutura tecnológica. Globalização dos meios de comunicação de massas tradicionais e interconexão das tecnologias tanto tradicionais como inovadoras, de forma que permitam romper as barreiras espácio-temporais e ao alcance de grandes distâncias. 67 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Transformação da política e dos partidos políticos, estabelecendo-se novos mecanismos para a luta pelo poder. Tendência para a americanização da sociedade. Estabelecimento de princípios de qualidade e busca de uma rentabilidade imediata tanto nos produtos como nos resultados, alcançando as propostas a todos os níveis: cultural, económico, político e social. E apoio numa concepção ideológica neoliberal da sociedade e das relações que devem estabelecer-se entre os que nela se desenvolvem. (Cabero, 2001: 38, 39) Esta sociedade fortemente tecnologizada, onde a informação e a comunicação são centrais também é designada por diferentes autores (Muñoz-Repiso, 2003; Cabero, 2001) de Sociedade do Conhecimento, cujas características básicas são a geração de conhecimento e a capacidade para continuar aprendendo ao longo da vida. Soete (1996, apud Cabero, 2001) refere que um grupo de especialistas convidados pela União Europeia a refletir sobre o impacte futuro da sociedade da informação, descreveu que viria caracterizada como uma sociedade da aprendizagem e uma sociedade da aprendizagem ao longo de toda a vida. Esta ideia de educação ao longo da vida é igualmente enfatizada no Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (MSI MCTES, 1997: 20): “O esforço de formação não pode ser concentrado só nos jovens, sob pena de termos amanhã uma população adulta excluída da aprendizagem e da qualificação. Assim, a educação ao longo da vida faz parte do processo de passagem de uma sociedade de base industrial a uma sociedade do conhecimento”. A construção da sociedade do conhecimento encontra o primeiro grande desafio no esforço em assegurar a todos, indiscriminadamente, o acesso à informação que circula na rede, condição sine qua non para a construção do conhecimento, garantir que possuem níveis de literacia audiovisual e informática, que lhe permitem a compreensão das mensagens mediáticas e, consequentemente, capacidade de intervenção nas questões sociais em que cada um se vê envolvido como cidadão. O desenvolvimento de competências nestes domínios concorrerá para o estabelecimento de condições para uma autêntica inclusão de todos na sociedade, sob pena de se aprofundar a fratura digital (Castells, 2004; Echevarría, 2007; Escola, 2007; Montero, 2007; Gewerc 68 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Barujel, 2007). A sociedade do conhecimento pressupõe que cada sujeito possa participar ativa e cooperativamente na construção do conhecimento. No contexto da formação permanente e da Sociedade do Conhecimento, a flexibilidade é uma ideia central: flexibilidade de tempos, de espaços, de conhecimentos, de tarefas, de relações, de trabalho... Flexibilidade entendida como valor que qualquer trabalhador deve possuir para poder seguir aprendendo. Flexibilidade para se acomodar a novas situações e contextos laborais, para se deslocar só ou com a família a outro país ou continente; flexibilidade para aprender novas habilidades no lugar onde se encontre, no trabalho, em casa ou num hotel; flexibilidade para coordenar-se com trabalhadores de outras partes do mundo que participam no processo de produção dentro da sua própria empresa (Marcelo, 2001, apud MuñozRepiso, 2003). A ideia de flexibilidade também é posta em evidência por Papert (1996) quando afirma que “...a contribuição real dos meios de comunicação digitais para a educação é a flexibilidade que pode permitir a cada indivíduo encontrar trajetos pessoais para aprender...” (Papert, 1996: 39). Relativamente aos conceitos de informação e conhecimento, elementos essenciais da atual sociedade, Muñoz-Repiso (2003) clarifica esses conceitos chamando à atenção para um aspeto importante, ter acesso à informação não significa ter conhecimento. Quadro 4: Informação versus conhecimento (retirado de Muñoz-Repiso, 2003: 48) Informação Conhecimento A informação existe por si mesma, não requer de Para a existência de um conhecimento deve existir um sujeito que a possua. um sujeito que conhece. Ainda que seja vantajoso ter acesso a uma O conhecimento proporciona alguma habilidade determinada informação, isto não implica uma para quem o possui. habilidade para quem acede à mesma. No quadro nº 4, Muñoz-Repiso (2003) apresenta uma distinção entre os conceitos de Informação e Conhecimento: enquanto a informação tem a ver com o que é comunicado, o conhecimento é a capacidade para atuar tendo como base a utilização da 69 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios informação. Assim, só ocorre aprendizagem quando a nova informação é compreendida e assimilada às estruturas mentais que temos, transformando-se, desse modo, em novos conhecimentos. Como refere o autor (Muñoz-Repiso, 2003: 48), “O acesso à informação é uma condição necessária, mas não suficiente para que se produza o conhecimento, isto é, para que se aprenda.” A aprendizagem é então a base para o desenvolvimento das diferentes sociedades que integram a Sociedade da Informação e do Conhecimento e as TIC as facilitadoras desse processo. Neste âmbito, a utilização das TIC, em particular da Internet, deverá ser alargada a todas as populações, facultando o acesso mais democrático à aprendizagem e à formação permanente. A sociedade da informação tem sido estimulada por diferentes meios. Entre estes destacam-se a informática, as telecomunicações e as redes de comunicação. Relativamente à repercussão que a informática tem tido na sociedade, Cabero (2001) menciona que pode ser comparada à descoberta da roda ou do fogo pelo homem, acrescentando que o seu impacte não se restringe à componente instrumental. De facto, a informática revolucionou a escrita, o cálculo, a simulação, a forma de guardar e tratar a informação e de comunicarmos com os outros, mas o que é realmente importante é que através da simulação disponibilizam-se novos modelos mentais para projetar as ideias, aspetos que se potenciarão com o futuro desenvolvimento dos computadores emocionais. Ligadas à informática estão as telecomunicações e as autoestradas da informação que também têm tido um impacte muito grande que é transversal a vários setores como a educação, a economia, a cultura, as formas de comunicar, de informar, entre outros. Cabero (2001) chama a atenção que na análise das redes de comunicação não se pode atender apenas à sua vertente tecnológica e instrumental, todos os conteúdos e mensagens que são produzidos e transportados pelos utilizadores constituem um aspeto particularmente importante. Parafraseando Cabero (idem: 45) “As redes, mais do que serem redes de intercâmbio de informação, são redes de interação entre pessoas”. 70 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O efeito destas tecnologias da informação e comunicação vai sentir-se de uma forma expressiva na sociedade futura, conduzindo a diferentes alterações: maneira de aceder e gerar conhecimento; forma de nos relacionarmos e interagirmos com as pessoas. Gates (1995, apud Cabero, 2001) elenca algumas das consequências que as tecnologias da informação e comunicação trarão à sociedade: acesso à informação ilimitado, por parte de todos e em qualquer momento; individualização do ensino, mediante a utilização dos recursos multimédia e dos programas de autor; alargamento e divulgação do conhecimento e da investigação entre docentes e investigadores; possibilidade de os docentes substituírem a metodologia expositiva por uma mais centrada na resolução de problemas; uma maior colaboração do meio escolar com a comunidade envolvente; “auto e hetero informação” dos professores com uma perspetiva de formação permanente, com recurso a redes de informação. 2.2 A Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação A Sociedade da Informação coloca aos professores um desafio novo: o de terem de ensinar num contexto em que a informação está disponível a todos, “à distância de um clique”. A tarefa que o professor assumia desde sempre, a de transmissor privilegiado da informação, está agora em causa (Area Moreira, 2005b: 45) Ele tem de passar a assumir outros papéis, dos quais se destaca o de mediador do conhecimento entre os novos meios de comunicação e os alunos. Segundo o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (MSI/MCTES1997) “mais informação não é conhecimento” pelo que o aluno continua a necessitar da orientação de alguém que já trabalhou ou tem condições para trabalhar essa informação”. As exigências da sociedade do conhecimento conduzem a uma concepção de escola, de aluno e professor radicalmente diferente. A Escola impõe-se cada vez mais como núcleo policêntrico aberto ao ‘mundo da vida’, estruturalmente construída como espaço sem muros, permeável ao universo informativo que cinge, numa estreita malha a ‘aldeia global’. O aluno irrompe como agente, ator principal da sua própria formação consciente de que será ao longo da vida, numa aprendizagem continuada e permanente, que poderá responder às necessidades que a sociedade do conhecimento lhe impõe. O professor deixou de reclamar para si o privilégio e monopólio na transmissão do saber, mas encontra-se na 71 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios sua profissionalidade, enquanto mediador nos processos de busca e organização da informação, no desenvolvimento do espírito crítico, numa relação marcada pela não superioridade ou inferioridade frente ao aluno, mas antes pelo estatuto de interlocutor, a par de outros, no intercâmbio, na permuta, no encontro e confronto de opiniões em autênticas comunidades de argumentação e comunicação. (Escola, 2007: 315) De facto, as tecnologias de informação e comunicação, com equipamentos interativos multimédia, colocam à disposição dos alunos um manancial de informação colossal que o professor pode ajudar a explorar tornando-se “de algum modo, parceiro de um saber coletivo que lhe compete organizar.” (MSI/MCTES, 1997). Relativamente às novas funções que o professor, no contexto da Sociedade da Informação, tem de assumir, Kjook (1997 apud Cabero, 2010: 142, 143) aponta cinco direções: Os professores como consultores de informação; Os professores como facilitadores; Os professores como elementos da equipa de colaboradores; Os professores como organizadores de cursos e como conselheiros académicos. Transversal a estes domínios surge a competência tecnológica como essencial, devendo ser desde um consultor online para a procura da informação por parte dos alunos, até um impulsionador de contextos colaborativos, também online que permitam que os professores, interajam entre si, desenvolvam atividades em conjunto, independentemente do lugar onde estão. Ao analisarmos esta diversidade de papéis constatamos que ser professor na sociedade atual requer um conjunto de competências que não são lineares, nem fáceis de desenvolver. Cabe aos responsáveis pela formação de professores, tanto inicial como contínua, disponibilizar as ações necessárias para contribuir para a formação de um professor “ativo, crítico, intelectual” (Cabero, 2010: 143), flexível e permeável às mudanças. Um professor que combata a tendência da escola para o imobilismo. Um professor consciente do contexto em que vive e do forte impacte que o aparecimento e 72 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios desenvolvimento constante das novas tecnologias da informação e comunicação têm na sociedade e em consequência na escola. Em suma, um professor capaz de responder aos desafios colocados pelo célere desenvolvimento da sociedade em rede. Cunha (2008), corroborando as ideias atrás expressas sobre a necessidade de uma formação mais ajustada ao contexto em que vivemos, salienta que: O problema do progresso tecnológico e científico de crescimento económico, ideológico e de grande mobilidade de conduta exige adaptações à mudança, sendo natural que a formação contínua responda a esses mesmos problemas e progressos. Estas lógicas de inovação e de mudança encontram razões de ser na formação contínua de professores enquanto plataforma de desenvolvimento, de construção e de modernidade. (Cunha, 2008: 142) 2.2.1 Quadro legal da Formação de Professores em TIC em Portugal De acordo com as recomendações do Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (1997) é indispensável que a formação inicial e contínua confira aos professores um verdadeiro domínio dos novos instrumentos pedagógicos. “Já não basta que os professores se limitem a transmitir conhecimentos aos alunos, têm também de os ensinar a pesquisar e a relacionar entre si diversas informações, revelando espírito crítico“ (MSI/MCTES, 1997). Em dois estudos realizados pelo Gabinete de Estudos e Planeamento (1990 a; 1990 b) sobre as necessidades de formação contínua dos professores do Ensino Básico e Secundário concluiu-se que as “novas tecnologias do ensino” são uma área a privilegiar na formação. A problemática da preparação tecnológica dos cidadãos é tão premente que a União Europeia, no âmbito da definição dos objetivos estratégicos para 2010, propôs-se criar as condições que permitissem uma efetiva preparação dos cidadãos para a utilização das TIC, reconhecendo nesta um fator decisivo para a sua integração na sociedade do conhecimento. Com a estratégia de Lisboa, também o governo português apresentou 73 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios (...) a proposta ambiciosa de colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados em matéria de modernização tecnológica do ensino em 2010, através do Plano Tecnológico da Educação. (Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009: 4340). Uma das formas de desenvolvimento das competências TIC passa pela integração plena das tecnologias de informação e comunicação no sistema educativo, sendo uma das vertentes a privilegiar para operacionalizar essa integração a formação dos docentes. A Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho institucionalizou o sistema de formação e de certificação de competências TIC para os docentes, já previsto na Resolução do Conselho de Ministros n.º 137/2007, de 18 de Setembro, onde se aprovou o Plano Tecnológico da Educação. No enquadramento da Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho pode ler-se que “A componente da formação visa o reforço das qualificações e a valorização das competências,... promovendo a utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem..., a formação de docentes centrada na utilização pedagógica das TIC e a existência de mecanismos de certificação de competências TIC.” (Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009: 4340) O Artigo 1º do citado diploma (Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho) refere, no ponto 1, a criação do “Sistema de Formação e de Certificação em Competências TIC (tecnologias de informação e comunicação) para docentes em exercício de funções nos estabelecimentos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário”. No ponto 2 clarifica que “O Sistema de Formação e de Certificação em Competências TIC para docentes organiza-se em três níveis, de acordo com os princípios de aprofundamento, diversificação e ampliação progressiva das competências adquiridas e dos contextos profissionais de utilização e integração das TIC”. (Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009: 4340) No Artigo 2º da Portaria mencionada (Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho) explicitam-se os objetivos a alcançar com o Sistema de Formação e Certificação em Competências TIC: 74 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios a) Promover a generalização das competências digitais e das competências pedagógicas com o recurso às TIC dos docentes, com vista à generalização de práticas de ensino mais inovadoras e à melhoria das aprendizagens; b) Disponibilizar aos docentes um esquema articulado e coerente de formação TIC, modular, sequencial, disciplinarmente orientado, facilmente integrável no percurso formativo de cada docente e baseado num referencial de competências em TIC inovador, inspirado nas melhores práticas internacionais; c) Reconhecer aos docentes competências TIC adquiridas fora do quadro jurídico da formação contínua de professores.” (Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009: 4340) De acordo com o Artigo 3º da referida Portaria, a formação em competências TIC estrutura-se em cursos organizados em três níveis: a) Formação em competências digitais (nível 1); b) Formação em competências pedagógicas e profissionais com TIC (nível 2); c) Formação em competências avançadas em TIC na educação (nível 3). (Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009: 4340) Os Artigos 4º, 5º e 6º da Portaria que tem vindo a ser mencionada (Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho) clarificam o que são os três níveis de formação acima citados. Assim, a “formação em competências digitais é composta por um dos cursos de formação alternativos...”; A “formação em competências pedagógicas e profissionais com TIC é composta por dois cursos de formação obrigatórios e dois cursos de formação opcionais...”; A “formação em competências avançadas em TIC na educação é composta por programas de mestrado e doutoramento geridos por instituições de ensino superior.” De salientar que os dois primeiros níveis de formação serão acreditados no quadro do regime jurídico da formação contínua de professores, de acordo com o Anexo I à Portaria nº 731/2009 de 7 de Julho. Este anexo integra o Despacho n.º 1264/2010, onde estão definidos os “certificados ou diplomas que relevam para a atribuição do 75 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios certificado de competências digitais na modalidade de reconhecimento de competências adquiridas” (Diário da República, 2ª série – N.º 12 – 19 de Janeiro de 2010: 2545). 2.2.2 Atitudes dos professores face às TIC Graván & Tena (2010) referem com base em estudos feitos por diversos autores que as variáveis que estão mais relacionadas com a utilização dos meios pelos professores são as atitudes positivas face aos mesmos e os planos de formação neste contexto. Deste modo as atitudes dos professores tornam-se determinantes na integração ou não da tecnologia em contexto escolar. Gutiérrez (1997 apud Graván & Tena, 2010) relativamente às atitudes que os professores têm perante as novas tecnologias, distingue quatro categorias: Negligente, que tende a ignorar as novas tecnologias na escola; Hipercrítica, que encara as tecnologias como uma ameaça à instituição escolar; Pragmática, que tenta tirar o máximo partido das novas tecnologias; Crítica, que pressupõe a utilização das tecnologias, mas simultaneamente prevê uma reflexão sobre as implicações sociais destes meios. Bliss, Chandra & Cox (1986 apud Muñoz-Repiso, 2003), num trabalho que realizaram sobre as atitudes dos professores face aos computadores em geral e face à utilização dos mesmos em contexto escolar, tipificaram sete posturas: Favorável; Crítico; Preocupado; Desfavorável; Antagonista; Indiferente; Não iniciado. 76 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Apesar da maioria dos professores manifestarem uma atitude positiva face à utilização dos computadores, a maioria também entende que a introdução do computador no contexto escolar acarreta mudanças que são desfavoráveis ao seu papel como professores. Muñoz-Repiso (2003) menciona os perfis que Wiske (1988) definiu relativamente a aspetos como: forma como os professores utilizam os computadores em contexto escolar; o que influencia as suas decisões; os efeitos que as novas tecnologias têm nas suas aulas; como gostariam de utilizar os computadores; os recursos e apoios que necessitam. São seis os perfis sistematizados por Wiske (1988 apud Muñoz-Repiso, 2003): Decidido a não utilizar os computadores: entre outros aspetos, estes professores têm uma atitude cética acerca da utilidade dos computadores para os ajudarem a atingir os objetivos pedagógicos e entendem os computadores como uma ameaça ao seu controlo na sala de aula. Impaciente para ensinar com computadores: são professores que não têm na sala de aula computadores, mas como têm e usam normalmente computadores pessoais, acreditam que o computador na sala de aula seria uma ferramenta útil para disponibilizar aos alunos. Utilização do computador na escola do 1º Ciclo do Ensino Básico: corresponde aos professores de 1º Ciclo que integram o computador nas atividades regulares de sala de aula, tendo começado por fazê-lo de uma forma ocasional e evoluindo para uma utilização diária. Utilização dos computadores na Educação Especial: são professores que usam os computadores porque acreditam que estes podem motivar os alunos para a aprendizagem, individualizar o ensino e melhorar a interação social entre os alunos com necessidades educativas especiais. Professor de informática: constituem os professores que analisam a problemática, cursos específicos sobre computadores versus integração do computador no currículo regular. Entendem que os alunos devem dominar um conjunto de programas informáticos (processador de texto, folha de cálculo, etc.) e que o currículo regular deve criar condições para que professores e alunos os utilizem. 77 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Integração do computador no currículo de Matemáticas, na educação secundária: é constituído por professores de matemática, do ensino secundário, que utilizam frequentemente o computador nas suas aulas. Defendem que a utilização do computador deve ser integrada no currículo e não como uma disciplina separada. Para estes professores a utilização do computador nas aulas tem três vantagens: podem trabalhar os conceitos abstratos de uma forma mais concreta; permite que os alunos construam e manipulem “objetos” matemáticos; facilita a resolução de problemas e a associação de ideias. Os trabalhos que Castaño (1994a, 1994b, 1995 apud Muñoz-Repiso, 2003) realizou em contexto escolar espanhol são uma referência sobre a problemática das atitudes dos professores face à utilização dos meios no ensino. No estudo Castaño (1994b) investigou as atitudes dos professores do 3º Ciclo (“Enseñanza Media”) e do Secundário (“Ciclo Superior de EGB”) tendo quatro grupos de variáveis: 1. A idade e género; 2. Nível de formação académica, área de ensino, experiência docente, formação e experiência em meios de ensino e sua utilização; 3. Nível educativo, tipo de centro e modelo linguístico de ensino; 4. Dotação de recursos do centro, organização dos mesmos e existência de pessoal responsável pelos recursos. Os perfis apresentados como resultado deste trabalho foram cinco: Conhecimento e utilização do computador e informática: incluem-se os professores de informática e da área da formação profissional. Conhecimento e formação na utilização dos meios audiovisuais: é constituído por professores que acreditam nas potencialidades dos meios audiovisuais e que procuraram formar-se neste domínio, participando, alguns deles, em grupos de estudo e investigação nessa área. Conhecimento e utilização de meios audiovisuais: corresponde aos professores que têm uma atitude favorável face aos meios audiovisuais. Não 78 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios fazem sistematicamente formação nesse âmbito, mas aprendem intuitivamente e em contacto com os colegas, usando estes meios de forma regular em contexto de sala de aula. Desconhecimento/ recusa do computador: são professores que desconhecem em absoluto as potencialidades educativas dos computadores, tendo uma atitude desfavorável, mesmo negativa relativamente aos computadores e meios audiovisuais. Recusa e indiferença: neste perfil encontram-se os professores que não responderam às questões colocadas. Parecem desconhecer os meios, revelando uma atitude de indiferença. Relativamente às atitudes, Muñoz-Repizo (2003), baseado nos inúmeros estudos realizados e pela literatura que o menciona consistentemente, refere que as atitudes positivas constituem uma de duas variáveis que estão diretamente relacionadas com uma maior utilização dos meios em contexto de ensino-aprendizagem. A outra variável diz respeito aos planos de formação no domínio dos meios, parecendo, como sugerem alguns estudos, que esta última tem uma maior influência na utilização dos meios. Camacho (1995 apud Graván & Tena, 2010: 144, 145) identifica três fatores que condicionam as atitudes dos professores perante as tecnologias: Uma nova relação entre o professor e a disciplina a ensinar. As novas tecnologias trazem a possibilidade de se utilizarem diversas linguagens expressivas em detrimento da linguagem oral (linguagem que durante séculos foi a privilegiada para transmitir os conhecimentos na sala de aula). Uma nova relação entre professor/aluno. O professor ao deixar de ser a principal fonte de informação e assumir o papel de gestor da informação tem um novo “problema”. Em vez de a ênfase estar na questão “O que ensinar?” passa a estar na questão “como ensinar?” e “com que meios?” Uma nova relação professor/máquina. A profusão de diferentes objetivos, conteúdos, atividades e modos de avaliação que o professor tem de gerir levamno a ser um consumidor acrítico dos recursos tecnológicos já elaborados que adquire. 79 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Segundo Camacho (1995: 422, apud Graván & Tena, 2010) “A formação de professores terá que propor-se a desmistificação da máquina e sua subordinação às exigências do currículo.” 2.2.3 A Formação em meios e tecnologias da Informação e comunicação Relativamente à utilização das TIC pelos professores, Paiva (2002) realizou um estudo que teve por base um questionário que visava “conhecer a realidade subjacente à utilização das TIC nos contextos pessoal e educativo pelo universo de professores portugueses de todos os níveis de ensino à excepção do superior” (Paiva, 2002: 13). No que se refere ao 1º CEB, Paiva (2002) concluiu que esses professores foram os que mais tiveram formação do Ministério da Educação, os que mais utilizavam as TIC em contexto de sala de aula e isso, aliado ao “razoável parque informático naquele nível de ensino” (Paiva, 2002: 46) constituía, segundo a autora, um indicador positivo no sentido de essa utilização se tornar mais efetiva. No entanto, a autora (2002) também manifestou alguma desconfiança relativamente às motivações que levavam os professores a participar nessas formações, chamando à atenção para a importância de se refletir sobre as modalidades de formação existentes. Apesar de serem os que mais formações tinham feito, 98% reconheceu a necessidade de formação e apoio para a integração das TIC em contexto escolar. Dando continuidade ao trabalho de Paiva (2002), Bastos & Carvalho (2006) inquiriram os professores do 1º CEB (Ciclo do Ensino Básico) do Concelho de Vila Real, para saberem se estes estavam familiarizados com os diversos programas/utilitários informáticos e serviços da Internet e que tipo de utilização era feita por estes em contexto de sala de aula. Os resultados obtidos nesse estudo mostraram indicadores positivos face à utilização das TIC em contexto educativo, no Concelho de Vila Real. Quase todas as escolas em que os inquiridos desenvolviam as suas atividades estavam equipadas com computadores, a maioria destes encontravam-se na sala de aula onde os professores/estagiários desempenhavam as suas funções e quanto à ligação dos computadores à Internet, 90%, estavam conectados. No entanto, o cenário não foi tão animador quando as autoras cruzaram os dados relativos à frequência de cursos de formação (89,5% afirmou ter frequentado) com a utilização do 80 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios computador na aula, que era de 68% com os utilitários/programas informáticos e de 51% com os serviços disponibilizados pela Internet. Apesar de tanta formação e informação disponíveis as autoras concluíram que o sistema educativo, continuava a ter professores que, “em pleno século XXI, afirmam não usar o computador por não o saberem utilizar, por desconhecerem as suas potencialidades em contexto educativo” (Bastos & Carvalho, 2006: 221). Graván & Tena (2010), numa síntese que apresentam com base em estudos que diferentes autores realizaram sobre a formação dos professores ao nível dos meios audiovisuais e das TIC, destacam uma maior preparação dos docentes para a utilização dos meios audiovisuais do que dos meios informáticos e das novas tecnologias da informação e da comunicação. Tal como as autoras anteriores (Paiva, 2002; Bastos & Carvalho, 2006), Cabero (2010) também refere a impreparação do docentes para o uso didático dos meios, isto é, para a sua integração em contexto escolar. Citando Cabero (1989b apud Graván & Tena, 2010: 146) “não é de estranhar... que os professores destaquem entre as dificuldades que experimentam nas práticas com os meios situações de não saber usá-los e de não conhecerem as suas aplicações educativas. As lacunas na formação dos professores em meios e novas tecnologias da informação e da comunicação constituem outra das grandes barreiras que limitam ou inibem o uso dos mesmos nas práticas educativas.” Numa sistematização que Graván & Tena (2010: 147) apresentaram sobre as limitações ao uso das TIC pelos professores, a “Formação e o aperfeiçoamento dos professores” surge como primeiro aspeto. Apesar da formação pedagógica e didática que os professores do 1º Ciclo têm, são eles os que mais procuram os cursos de formação contínua (Alonso & Galego, 1996 apud Graván & Tena, 2010). Segundo Cabero et al. (Cabero et al., 1999 apud Graván & Tena, 2010: 148151), a formação de professores em meios audiovisuais, informáticos e novas tecnologias da informação e comunicação deve atender a onze dimensões: Instrumental: no sentido de capacitar os docentes para saberem utilizar os diferentes meios, sem se pretender ter profissionais nas diversas áreas. 81 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Semiológica/Estética: conhecer os códigos icónicos, através de uma formação que inclua nos seus curricula a educação em meios de comunicação. Numa sociedade em que as mensagens icónicas têm vindo a ocupar um espaço cada vez mais relevante, já não chega saber descodificar as mensagens em códigos verbais; faz todo o sentido que se preparem os professores para saberem usar e interpretar os códigos não verbais. Curricular: a formação de professores deve reforçar a ideia de que os meios são apenas materiais curriculares que devem ser utilizados sempre que o alcance dos objetivos esteja em causa e exista um problema de comunicação para ultrapassar. Os meios devem ser perspetivados como mediadores do processo de ensino/ aprendizagem, isto é, como mediadores das relações entre o aluno e o contexto. Esta formação deve contribuir para a criação de contextos diferenciados de comunicação através dos meios, criando uma rutura com as funções que tradicionalmente se atribuem aos meios: transmissão de informação e motivação do aluno. O objetivo é que estes recursos criem ambientes colaborativos de aprendizagem. Pragmática: apresentar diferentes experiências de utilização para os diferentes meios. A ideia não é dar receitas de propostas de ação, mas mostrar aos professores que diferentes ações terão consequências diferenciadas na aprendizagem pelos alunos. Psicológica: os meios, para além da transmissão da informação e da mediação que fazem entre a realidade e os alunos, pela forma como estão estruturados podem desenvolver habilidades cognitivas específicas. Numa perspetiva cognitiva, os sistemas simbólicos dos meios constituem elementos mediadores de destrezas e de operações mentais. No processo de ensino-aprendizagem, o uso dos meios multimédia com a utilização de diferentes sistemas simbólicos é o mais propício ao desenvolvimento de habilidades cognitivas. Produtora/Desenhadora: a formação de professores deve incentivar e orientar os docentes no desenho e produção de meios adaptados ao seu contexto de ensino e às características e necessidades dos seus alunos. Selecionadora/Avaliadora: outras competências importantes a desenvolver pelos professores são a seleção e a avaliação dos meios. O professor pode começar por 82 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios proceder a esta seleção e avaliação recorrendo a materiais já elaborados, como grelhas e questionários estandardizados. Mais tarde pode recriar esses materiais adaptando-os às suas necessidades. A seleção dos meios não deve ser arbitrária, tendo que atender a diferentes aspetos: a capacidade dos alunos para descodificarem e extraírem informação dos meios, a sua relação com objetivos propostos, a adequação dos conteúdos às características dos alunos. Crítica: os professores devem tentar compreender os meios de forma realista, procurando minimizar ou anular os efeitos que são normalmente referenciados. Por exemplo, tornando-se processadores ativos e conscientes da informação que recebem, contrariando a grande influência que os meios de comunicação social têm nos seus recetores (passivos). Organizativa: é cada vez mais consensual que os resultados que se conseguem com os meios não dependem das suas potencialidades técnicas, estéticas e didáticas, mas do contexto organizativo em que estão inseridos. Em modelos de centros educativos mais tradicionais as funções dos meios são também as mais tradicionais: transmissão de informação e motivação para a aprendizagem. Em contextos mais versáteis, onde há uma grande diversidade de meios disponíveis para professores e alunos, asseguram-se outras funções importantes: fomenta-se a interação entre eles e criam-se as condições para o professor, para além de selecionar os meios, poder desenhar e produzir mensagens. Dois aspetos pertinentes é que o fácil acesso aos meios e a existência de um apoio técnico e administrativo que assegure a manutenção e aplicação dos meios facilita a utilização dos recursos por parte dos professores. Atitudinal: ligada à dimensão crítica está a atitudinal. Diversos estudos apontam para que a utilização ou não dos diferentes meios dependa das predisposições que tenhamos face aos mesmos. As atitudes devem ser de equilíbrio, nem de recusa, nem de absoluta submissão, atribuindo aos meios o papel de materiais curriculares que em interação com outros componentes do currículo fomentarão o desenvolvimento de competências nos alunos. Investigadora: é fundamental consciencializar os professores que podem também eles ser investigadores. De facto, estes têm assumido o papel de meros consumidores dos resultados da investigação. O professor deve conhecer as tendências de investigação em meios e materiais de ensino. 83 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A par destas dimensões Graván & Tena (2010: 151) também sistematizam os princípios que devem reger uma boa formação de professores em meios: A importância da prática e a reflexão sobre a mesma; Abordar problemas concretos para os docentes e não para os formadores ou técnicos; Envolver os docentes na sua organização; Planificar as ações como produto não acabado; Centrar-se nos meios disponíveis; Utilizar estratégias de formação mais amplas do que apenas nos audiovisuais, abordando outras dimensões como a planificação, o desenho e a avaliação; Desenvolver a formação em contextos naturais de ensino; Aprender a desconstruir as mensagens mediáticas como condição para a aprendizagem da construção desse tipo de mensagens; A coprodução de materiais entre professores e especialistas. 2.2.4 A Formação Inicial em TIC Na formação inicial é importante que capacitemos os alunos, futuros professores, para uma sociedade em permanente transformação e evolução, onde a flexibilidade é fundamental. Já não bastam os conhecimentos adquiridos, os formandos têm de desenvolver competências diversas que lhes permitam adaptar-se às necessidades dos diferentes alunos, em diferentes contextos escolares. No contexto da formação inicial em TIC a “Associação Internacional para a Tecnologia na Educação” (ISTE) (Graván & Tena, 2010: 152, 153) elencou um conjunto de habilidades que os professores têm de ter para aplicar a informática em contexto educativo: Demonstrar capacidade para usar um sistema informático de forma a assegurar a utilização correta do software; 84 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Avaliar e utilizar o computador e a tecnologia associada a este como suporte ao processo educativo; Aplicar os princípios educativos atuais, as investigações e os exercícios de avaliação adequados ao uso informático e às tecnologias que lhe estão associadas; Explorar, avaliar e utilizar o material informático/tecnológico, incluindo as aplicações, o software educativo e a documentação associada; Demonstrar conhecimentos da aplicação do computador para a resolução de problemas, recolha de dados, gestão da informação, comunicações, apresentação de trabalhos e tomada de decisões; Desenhar e desenvolver atividades de aprendizagem que integrem a informática e a tecnologia para estratégias de grupos de alunos e para diversas populações de estudantes; Avaliar, selecionar e integrar o ensino através da inclusão da informática/tecnologia no curriculum da área temática e/ou nível educativo; Demonstrar conhecimento do uso do multimédia, hipermédia e das telecomunicações para favorecer o ensino; Demonstrar habilidade na aplicação de ferramentas de produtividade para uso pessoal e profissional, incluindo o processador de texto, a base de dados, a folha de cálculo e as utilidades de impressão e gráficos; Demonstrar conhecimento dos problemas de equidade, éticos, legais e humanos, relacionados com o uso da informática e da tecnologia no que se relaciona com a sociedade e no que possa contribuir a adequar o comportamento dos utilizadores; Identificar os recursos para se manter atualizado nas aplicações informáticas e tecnologias afins no campo educativo; Utilizar as tecnologias informáticas para aceder à informação que incremente a produtividade pessoal e profissional; Aplicar os computadores e as tecnologias afins para favorecer as novas funções do educando e do educador. (ISTE, 1992) 85 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.2.5 Formação Permanente ou Contínua 2.2.5.1 Modelos de Formação A sociedade da informação e em rede em que hoje vivemos não se compadece com posturas acomodadas e pouco flexíveis. E isto exige ao professor em exercício uma postura de permanente atualização e aprendizagem. Neste contexto, pensar a formação permanente ou contínua e organizá-la com êxito é uma tarefa complexa. Existe um conjunto diversificado de modelos de formação contínua de professores, como a tipologia de Éraut, a de Zeichner ou a de Formosinho (Cunha, 2008) que podem servir de ponto de partida para estruturar esta formação. Éraut (1985 apud Cunha, 2008) considera quatro perspetivas/paradigmas na formação contínua de professores: A perspetiva de défice – “defect approach”: os professores têm uma deficiência na formação que tem reflexos negativos na sua prática educativa. As falhas estão ao nível das limitações da formação inicial, na falta de atualização científica e no desconhecimento das novidades no campo educativo. Este paradigma propõe que o professor tenha acesso a práticas educativas específicas, tendo como suporte as correntes comportamentalistas. A formação estrutura-se com base em cursos lecionados e orientados por pessoas exteriores à escola, como professores universitários ou especialistas, que detêm o saber e o saber-fazer e que com o seu saber procuram ultrapassar as deficiências dos formandos. A perspetiva de crescimento – “growth approach”: contrariamente ao modelo anterior, neste as deficiências não são atribuídas ao professor mas ao sistema educativo. Procura-se a realização do professor, enfatizando a sua experiência. A fonte de conhecimento não é exterior à escola ou ao professor pois é a própria experiência e a reflexão que o professor faz da mesma. O paradigma da resolução de problemas – “problem solving paradigm”: numa escola os problemas são constantes, a formação de professores deve assegurar a formação destes na deteção, estudo e solução dos problemas. É através da resolução de problemas que o professor vai modificando o seu comportamento. 86 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O paradigma da mudança – “change-paradigm”: o sistema educativo tem de acompanhar ou prever as mudanças sociais que vão ocorrendo. Nesta perspetiva a formação contínua deve assegurar a reorientação das competências dos professores e da escola para estes poderem acompanhar estas mudanças. A tipologia de Zeichner (1983 apud Cunha, 2008) apresenta quatro paradigmas alternativos na formação inicial de professores que transfere para a formação contínua. Este modelo fundamenta-se em aspetos fenomenológicos, humanistas, desenvolvimentistas e behavioristas, atendendo a questões importantes como os objetivos e os fins da formação. O paradigma comportamentalista (behaviorista/ condutista): os objetivos de aprendizagem são definidos em termos de resultados observáveis e avaliáveis, através de estratégias ou tarefas previamente determinadas. Nesta concepção o rigor, a eficiência e a produtividade são as preocupações dominantes. A sua fundamentação assenta no positivismo e na psicologia behaviorista. O paradigma artesanal: nesta perspetiva o ensino é entendido como arte. É uma visão tradicional da escola, com um professor passivo, mas experiente e um modelo para os seus alunos, a quem transmite o seu saber através de técnicas, capacidades e rotinas. O paradigma personalista: nesta abordagem cabe ao formador ajudar o professor a “ser”, orientando-o no seu desenvolvimento, mais do que ensiná-lo a ensinar. Deverá ser o próprio professor a determinar os objetivos e conteúdos da sua formação. A fundamentação teórica deste paradigma assenta na fenomenologia e na psicologia do desenvolvimento. A formação deve ter “como ponto de partida as perceções, as reflexões, os desejos e as necessidades percebidas – desenvolvimento do “self” do professor” (Cunha, 2008: 242). Neste modelo, assim como no paradigma behaviorista, o contexto não é considerado. No entanto, integra uma perspetiva cognitivista pois os professores em formação são estimulados a procurar o seu próprio estilo, atingindo um melhor desempenho na sua intervenção educativa. 87 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O paradigma orientado para a pesquisa: neste modelo o professor assume um papel ativo na sua própria formação, tendo que adotar uma postura reflexiva e crítica, de permanente problematização, relativamente à sua ação, ao contexto onde essa ação decorre e sobre as questões éticas, morais e políticas que lhe são inerentes. Reflexão, inovação e investigação são componentes essenciais neste paradigma. O facto de o professor ter um conhecimento mais fundamentado permite-lhe agir melhor sobre o processo educativo. A aquisição de capacidades e técnicas específicas são importantes não como um fim em si mesmas, mas como meio para explicar o processo de aprendizagem. Em síntese, os dois primeiros paradigmas, comportamentalista e artesanal, consideram o professor um agente passivo no seu processo de formação. Nestes modelos o professor é “um executor de princípios de eficácia do processo de ensinoaprendizagem, sendo a validade dos conteúdos a ensinar, os objetivos do processo e o contexto em que se insere aspetos menos relevantes” (Cunha, 2008: 243). Os outros dois modelos, o personalista e o orientado para a pesquisa, perspetivam o professor como agente ativo, sendo determinantes a definição dos conteúdos curriculares e a formulação dos objetivos a atingir. Segundo Fernandez & Pacheco (1990 apud Cunha, 2008: 244) o paradigma “personalista é institucionalmente seguro e curricularmente reflexivo e o da indagação é institucionalmente problemático e curricularmente reflexivo.” A tipologia que Formosinho (1991 apud Cunha, 2008) propõe deriva da reflexão sobre a regulamentação e a coordenação da formação contínua pelo Estado. Os modelos organizacionais de formação contínua de professores são os seguintes: Modelo estatista: este modelo assenta numa lógica centralista. É ao Estado que cabe definir as necessidades e as prioridades da formação, assim como a forma de concretizar as ações. Modelos centrados na escola: a formação centrada na escola procura ultrapassar a lógica puramente académica do modelo anterior. Esta abordagem apresenta quatro vertentes: 88 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios o O professor formando é envolvido em todo o processo de formação, desde o levantamento de necessidades, à planificação de atividades e à avaliação da sua formação. Como refere Cunha (2008: 247) “A equipa formadora trabalha com ele e para ele... Neste sentido, as necessidades dos grupos e das escolas como unidade organizacional são tidas em conta”. As iniciativas de formação partem das escolas, “consideradas como unidades sociais e organizacionais com autonomia, vontade coletiva e projetos próprios, onde também se defende que os fundos sejam transferidos do Estado para as escolas” (Cunha, 2088: 248); o O projeto de formação, bem como o seu conteúdo, é elaborado em função das práticas dos professores e do levantamento das suas necessidades e preocupações. O objetivo é conseguir que o professor melhore as suas práticas; o A formação decorre na escola, sem necessidade de períodos de dispensa de serviço; o Auto-organização dos professores na promoção da sua própria formação. Esta ideia conduziu ao aparecimento de Centros de Professores. Modelo liberal: neste modelo o papel do Estado é diminuto. O Estado não financia significativamente as ações de formação, tendo que ser os professores a assegurar esse financiamento. A administração dos cursos de formação, bem como a sua promoção ficam a cargo de qualquer pessoa ou grupo de pessoas que os organize. Neste modelo não há sistema de creditação das ações, nem tem qualquer efeito na carreira do professor que frequenta esta formação. Este modelo não é adequado à dimensão que o nosso sistema de ensino tem. Modelo de parceria social: neste modelo existe uma grande diversidade de entidades formadoras, desde os serviços do Estado, instituições de formação de professores, centros de professores até escolas ou sindicatos de professores, responsáveis pela organização e execução das ações de formação contínua. Neste contexto as entidades formadoras assumem o estatuto de parceiro social. Na maioria dos países europeus é este modelo organizacional que prevalece na formação contínua de professores, pois o estado não reserva para si a definição normativa, o planeamento e a coordenação destas ações. 89 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Este último modelo de formação contínua, o modelo da parceria social, parece ser o mais adequado já que a diversidade de entidades formadoras permite aos professores optar por aquela que responde melhor às suas necessidades em função do seu contexto de trabalho. Segundo Cunha (2008: 249) “Este modelo, e os baseados nas escolas e nas instituições de formação, parecem ser os ideais na concepção da formação contínua de professores. Perante esta diversidade de entidades formadoras, deverá existir uma diversidade metodológica no processo de formação contínua”. 2.2.5.2 A Formação de Professores em TIC Graván & Tena (2010) apontam algumas das premissas que qualquer proposta de formação tem de ter em conta (Graván & Tena, 2010: 154) “O sistema ou as modalidades de intervenção na formação permanente de professores deveria partir da constatação de mudança contínua em que se encontra a instituição escolar, os professores devem assimilar e interiorizar a situação de incerteza e complexidade que caracteriza a sua profissão e devem renunciar a qualquer forma pré-estabelecida.” Os mesmos autores defendem que a formação permanente de professores deve assentar em projetos, processos de investigação-ação, tendo por base o trabalho colaborativo, em grupo, numa lógica de resolução de situações problemáticas. Graván & Tena (2010: 155), baseando-se num autor que reflete sobre estas questões (Imbernón, 1994), apresentam três aspetos que diferenciam a formação permanente em desenvolvimento profissional de professores de outras etapas de formação: A reflexão sobre a própria prática e a compreensão, interpretação e intervenção sobre a mesma. O intercâmbio de experiências, a atualização e a confrontação em todos os campos de intervenção educativa. O desenvolvimento em e para o centro através do trabalho colaborativo para transformar essa prática e provocar processos de comunicação. A formação de professores com experiência deve apoiar-se numa reflexão dos sujeitos sobre a sua prática docente, permitindo analisar as suas teorias implícitas, os 90 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios seus esquemas de funcionamento, as suas atitudes, promovendo um processo de constante autoavaliação que conduza ao desenvolvimento profissional. Relativamente à formação contínua e especificamente na formação em meios, Graván & Tena (2010: 156) referem as perspetivas de diferentes autores: Cabero (1998); Ballesta (1996); Alonso & Gallego (1996). Assim, Cabero (1998) propõe as seguintes orientações: Formação para os meios: tipo de formação centrada na aquisição de destrezas para a interpretação e descodificação dos sistemas simbólicos mobilizados pelos diferentes meios. O objetivo desta formação é tornar os professores mais capacitados para captarem e interpretarem melhor as mensagens transmitidas pelos meios. Formação com os meios: tipo de formação mais centrada na perspetiva dos meios como recursos didáticos. Ou seja, como instrumentos que pelos seus sistemas simbólicos e estratégias de utilização promovem o desenvolvimento de habilidades cognitivas nos alunos, a captação e compreensão da informação e a criação de ambientes diferenciados de aprendizagem. Ballesta (1996) apresenta sete princípios que devem fundamentar a formação contínua de professores em meios: Utilização crítica das novas tecnologias. Desenvolver a motivação no utilizador. Aprendizagem de situações reais. Desenho de modelos de experimentação. Realização de propostas didáticas na aula. Ampliação de tratamentos interdisciplinares. Colaboração de centros educativos e empresas. 91 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Alonso & Gallego (1996) sugerem os aspetos que devem ser considerados na formação contínua de professores: Desenvolver atitudes positivas face à integração de novos meios tecnológicos no processo de ensino/aprendizagem; Favorecer a integração dos meios tecnológicos como um elemento mais do desenho curricular e a sua utilização didática; Desenvolver conhecimentos sobre as linguagens e os códigos utilizados pelos meios e as habilidades para o seu uso; Desenvolver uma postura crítica, de análise e de adequação dos meios ao contexto escolar; Desenvolver as destrezas técnicas essenciais; Potenciar o desenho e a produção de meios tecnológicos; Desenvolver conhecimentos e habilidades para a seleção e avaliação dos recursos tecnológicos; Desenvolver atitudes e destrezas para a investigação com e sobre os meios. Area Moreira (2005 a: 202, 203) postula uma dupla preocupação com a formação no domínio das tecnologias da informação e comunicação. Por um lado, considera que o desenvolvimento da formação, no âmbito da educação não formal, dirigida a todos os cidadãos, por outro, a formação no domínio da educação formal e a sua articulação com a formação de professores. A formação ou alfabetização tecnológica dos cidadãos, independentemente, de se tratar de crianças, jovens ou adultos, exige uma atenção muito específica a um conjunto de dimensões que deverão ser integradas num modelo educativo que se deseja integral e que possibilite uma resposta adequada à construção da sociedade do conhecimento. Area Moreira (2005 a: 202, 203) considera que um modelo educativo integral que visa qualificar e alfabetizar para o uso das tecnologias da informação e comunicação deve desenvolver quatro domínios ou dimensões formativas, que são a dimensão instrumental, a cognitiva, a atitudinal e a política: Dimensão instrumental: que se centra de forma particular no domínio técnico da tecnologia; 92 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Dimensão cognitiva: centrada na aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências que garantam ao utilizador das tecnologias da informação e comunicação a busca, selecção, análise e compreensão da informação que circula na rede; Dimensão atitudinal: concerne ao modo como os cidadãos se posicionam frente à tecnologia, assegurando que não assumam posições tecnófobas, nem tecnófilas. A atitude em relação à tecnologia deve ser conduzida pelo cuidado em manter uma distância crítica quer à recusa sistemática quer à aceitação acrítica e submissa à tecnologia; Dimensão política: respeita à consciência de que as tecnologias da informação estão vinculadas a uma visão política da sociedade e não poderão ser consideradas como sendo asséticas ou neutras. Numa posição mais centrada na formação de professores em TIC, o mesmo autor (idem, 2005 b) propõe que se considere quatro domínios nesse âmbito, que são a formação instrumental, a formação didática, a formação organizativo-curricular e, por fim, a formação sociocultural. “Em consequência, e numa síntese breve, poderia sugerir que os domínios de formação dos professores em novas tecnologias abarcariam dimensões e aspetos relativos a: Formação instrumental: aquisição de conhecimentos e destrezas como utilizador de recursos informáticos tanto hardware como software. Formação didática: aquisição de conhecimentos e destrezas para utilizar as novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem dos seus alunos na aula e para a planificação, desenvolvimento e avaliação de unidades e atividades didáticas apoiadas no uso de computadores. Formação organizativo-curricular: aquisição de conhecimentos, habilidades e destrezas para integrar a sua planificação, no projeto curricular do centro, assim como desenvolver experiências colaborativas entre distintas aulas e centros educativos apoiados nas novas tecnologias. 93 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Formação sociocultural: aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de atitudes para com as novas tecnologias e as suas implicações na formação cultural e democrática dos alunos como cidadãos da sociedade contemporânea.” (Area Moreira, 2005 b: 49) Em síntese, a formação contínua de professores em meios tem de preparar os professores para utilizarem estes instrumentos curriculares em contexto escolar, rentabilizando as suas enormes potencialidades no processo de ensino/aprendizagem. Isso só é possível se essa formação atender a aspetos tão diversos como a reflexão sobre a prática, a atitude positiva face à integração, a destreza técnica, o desenho de materiais e produção dos mesmos, uma postura fundamentada e crítica face aos meios, uma postura investigativa, entre outros. Na perspetiva de Costa & Viseu (2007) uma das questões centrais na integração das TIC em contexto escolar diz respeito aos professores e do que estes forem capazes de fazer em contexto de aula, com os seus alunos. Apesar da motivação e da atitude que os professores manifestam face ao uso do computador na aprendizagem ser um elemento a ter em conta, os autores consideram como preponderante a preparação que os mesmos têm nesse âmbito. Ou seja, os “conhecimentos e competências que efetivamente têm sobre os modos de integração e exploração das TIC nos contextos específicos de ensino e aprendizagem em que intervêm” (Costa & Viseu, 2007: 239). Acresce a esta questão o facto de as novas tecnologias, como a Internet, colocarem um novo desafio aos professores, deixarem de ser os emissores privilegiados do saber para se tornarem fundamentalmente orientadores da aprendizagem. Para Costa & Viseu (2007) qualquer destas questões está relacionada com a problemática da formação. Como afirmam os autores referidos, “uma questão que está relacionada com a formação a que tiveram (ou não tiveram) acesso, os objetivos dessa formação, o modo como ela foi estruturada, as estratégias desenvolvidas e as oportunidades de aprendizagem que os professores puderam vivenciar, a semelhança entre a forma como aprenderam a utilizar as tecnologias e a forma como se espera que o façam com os seus alunos...” (idem, 2007: 239). Relativamente à formação em TIC os autores consideram que a situação, apesar de ter evoluído bastante desde a década de 94 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 80, está longe de poder ser considerada satisfatória. Os autores referidos (idem, 2007: 239) acreditam que a integração do computador em contexto de sala de aula depende mais “de uma modificação significativa das crenças e do comportamento do professor do que do nível de sofisticação da tecnologia propriamente dita”, propondo que se focalize a atenção na representação que os professores têm acerca do potencial pedagógico das tecnologias. Assim, a formação deve conduzir os professores a entenderem o contributo positivo que estas tecnologias podem trazer para a aprendizagem, levando-os a tomarem consciência da importância que o computador assume como instrumento de trabalho intelectual e só assim realizarem verdadeiras mudanças nas suas práticas. De acordo com as ideias expressas Costa & Viseu (2007) propõem um modelo de formação que contemple não só a dimensão técnica, mas também a forma como esses conhecimentos técnicos são adquiridos. Ou seja, a maneira como os professores se familiarizam com as diferentes tecnologias tem importância, havendo uma preocupação de reflexão sobre as potencialidades educativas das mesmas. Parafraseando os autores, o foco deve estar “...na criação de ambientes de aprendizagem estimulantes, inseridos em projetos curriculares reais, autênticos e significativos para os alunos, proporcionando experiências concretas de manipulação das tecnologias, de interação social e de aprendizagem colaborativa” (idem, 2007: 240). O modelo de formação de professores em TIC que Costa & Viseu (2007) equacionam assenta em três dimensões essenciais: Formação-Ação-Reflexão. Para os autores o desenvolvimento profissional dos professores não se deve limitar aos espaços de formação tradicionais, mas funcionar como ponto de partida para o trabalho com os seus alunos, a Ação, criando condições para a exploração das tecnologias em cada contexto e de acordo com o projeto curricular de turma. As atividades desenvolvidas são depois analisadas criticamente, a Reflexão, sob duas vertentes: quanto às estratégias e recursos utilizados e quais as suas implicações no trabalho regular sem computador e quanto aos resultados obtidos e as vantagens que a sua utilização proporcionou ou não, conduzindo a novas necessidades de formação e assim sucessivamente. Todo este processo tem o acompanhamento de formadores que apoiam os professores/formandos na reflexão. 95 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.2.6 Breve Evolução histórica da Formação de Professores em Portugal 2.2.6.1 Formação Inicial A intervenção da Tecnologia Educativa na formação inicial de professores tem o seu começo no ano de 1975 com a integração de disciplinas ligadas ao audiovisual nos cursos de bacharelato em ensino (2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário), das Universidades do Minho e Aveiro. Na Universidade do Minho as disciplinas eram a Comunicação Audiovisual e Microensino, tendo também sido criados os laboratórios de fotografia, som e implementado um circuito fechado de televisão. Na Universidade de Aveiro foi criada a disciplina de Técnicas Audiovisuais. No início da década de 80, a Tecnologia Educativa passa a designar uma disciplina das Ciências da Educação nas licenciaturas em ensino nas Universidades novas, isto é, na Universidade Nova de Lisboa e a Universidade dos Açores, que tinham cursos integrados de formação de Professores. Em 1985 integra os curricula dos cursos de formação inicial de professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e Educadores de Infância, dos bacharelatos das Escolas Superiores de Educação. No CIFOP (Centro Integrado de Formação de Professores), na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, no ano de 1986, a disciplina de Tecnologia Educativa foi integrada nos planos de Estudos dos Bacharelatos em Educação de Infância e Professores do Ensino Primário. Em 1997, com a passagem dos bacharelatos para as licenciaturas, o curso de Educação de Infância não conservou a Tecnologia Educativa e o Curso de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico passaram a ter nos planos de estudo as disciplinas de Tecnologia Educativa e Comunicação Educativa. Em ambos permaneceu uma disciplina de Informática no Ensino. Com a adequação dos cursos a Bolonha, a Licenciatura em Ensino Básico da UTAD integra a Comunicação e Tecnologias Educativas. Para Blanco & Silva (1993) é nesta fase que a Tecnologia Educativa se demarca da simples utilização dos meios audiovisuais, em que estes são aparelhos que auxiliam o professor, para passar a ser considerada como “uma componente estratégica na formação de professores. Perspetiva-se a educação como um processo comunicativo e, 96 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios assim, o ponto chave passa a ser a comunicação educacional, desenvolvendo-se estratégias e procedimentos para se obter uma melhor aprendizagem” (idem, 1993: 48). 2.2.6.2 Formação em Serviço e Contínua Em 1988, a Tecnologia Educativa integra a profissionalização em serviço, no módulo “Desenvolvimento Curricular, Didática Específica e Tecnologia Educativa”. O módulo de formação na mesma área, mas na Universidade Aberta, designa-se por “Introdução à Comunicação Educacional”. Relativamente à formação contínua, o Projeto MINERVA assume a vertente das tecnologias de informação e comunicação, na segunda metade da década de 80. Em 1992, o Ministério da Educação aprovou o Programa FOCO, financiado pelo PRODEP, para apoiar a formação contínua de professores. Um dos objetivos deste programa era facilitar o acesso e a utilização das tecnologias de informação pelos professores, para um nível ótimo de desempenho do processo de ensino-aprendizagem. Mais recentemente, com o a implementação do Plano Tecnológico da Educação, os Centros de Formação e as Universidades com Departamentos de Educação e com responsabilidade na formação de professores têm vindo a oferecer formação específica na área da Comunicação e Tecnologia Educativas, disponibilizando ações de formação para a utilização das tecnologias de Informação e Comunicação, nomeadamente nos âmbitos da Internet, do software educativo, dos quadros interativos digitais, etc. 2.2.6.3 Pós-Graduação Segundo Blanco & Silva (1993) a Pós-Graduação, através do Diploma de Estudos Superiores Especializados (DESE) e do Mestrado, define o momento de desenvolvimento da tecnologia educativa. Nos DESE são exemplos os lecionados na Escola Superior de Educação de Santarém – “Comunicação Educacional Multimédia”, no CEFOPE da Universidade do Minho – “Novas Tecnologias no Ensino” e na UTAD, em 1995-96, com a criação do Curso de Estudos Superiores Especializado (CESE) em Formação Pessoal e Social onde se abriu espaço para a inclusão de uma disciplina de “Comunicação Educativa”. Nos mestrados destacam-se os da Universidade do Minho, e da Universidade de Aveiro com os mestrados em Tecnologia Educativa, criados no ano 97 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios letivo de 1991/1992. No mesmo ano também a Universidade Aberta criou o mestrado em “Comunicação Educacional Multimédia”. O Departamento de Educação e Psicologia, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro criou o Curso de Mestrado em Comunicação e Tecnologia Educativa no ano letivo de 2005-2006 e teve no mesmo ano a primeira edição do curso. Do plano de estudos, para além da Metodologia de Investigação em Educação, foram incluídas as disciplinas de Educação na Era Tecnológica, Teoria e Modelos de Ensino, Comunicação Educativa, Tecnologia do Vídeo, Tecnologias Hipermédia e Multimédia, Seminário em Tecnologia Educativa. Nos Mestrados de Ciências da Educação, área de especialização em Supervisão Pedagógica e Animação Sociocultural, têm uma unidade curricular de Comunicação Educativa e no Mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em Educação de Adultos, as unidades curriculares de Comunicação Educativa na Educação de Adultos e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação de Adultos. A Faculdade de Motricidade Humana na Universidade Técnica de Lisboa tem um mestrado em Ciências da Educação com a área de Tecnologia Educativa a oferecer cinco unidades curriculares – Tecnologia Educativa; Teoria e Tecnologias da Comunicação; Conceção, Desenvolvimento e Avaliação de Materiais Multimédia; Desenvolvimento de Conteúdos para e-learning; Trabalho de Projecto em Tecnologia Educativa. Na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, no mestrado em Ciências da Educação, fazem parte do plano de estudos algumas unidades curriculares da área da Tecnologia Educativa: Teoria e Prática de Educação para os Media; Novas Tecnologias e Práticas de Formação; (opção) Tecnologias Educacionais e da Comunicação. No 3º Ciclo de Ciências da Educação da UTAD, recentemente aprovado, em 2011, apesar de não ter consagrado uma área para a Comunicação e Tecnologia Educativas reservou seminários nessa área, com destaque para as unidades curriculares de Temas Aprofundados de Comunicação Educativa, Educação para os Media e Ética da Informática. 98 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.2.6.4 Educação de adultos/Formação profissional Desde meados da década de 70 que a Tecnologia Educativa tem integrado os cursos de educação de adultos e formação profissional. De acordo com Blanco & Silva (1993) através da lecionação dos módulos “Audiovisuais na Formação” e “Tecnologias da Informação”, a Tecnologia Educativa tem-se constituído como uma componente de formação de monitores dos mais diversos setores: saúde, segurança social, agricultura e associativismo cultural. Os autores referidos destacam a Unidade de Educação de Adultos da Universidade do Minho criada em 1982. Também os cursos de formação profissional financiados pelo Fundo Social Europeu relevam o papel da Tecnologia Educativa enquanto componente básica dos “cursos de formação de monitores e de técnicos de audiovisuais” (Blanco & Silva, 1993: 49). Com a criação de centros de recursos e mediatecas surgiu a necessidade de dotar as pessoas que as dinamizam de formação especializada em Tecnologia Educativa. Em síntese, podemos concluir que as várias propostas e modelos de formação de professores põem em evidência a importância do desenvolvimento de competências em domínios diferenciados ligados às dimensões técnicas, instrumentais, didáticas, atitudinais, entre outras, como condição para a concretização das dimensões mais adequadas exigidas pela sociedade do conhecimento. A transformação do paradigma da educação, muito mais centrado no sujeito, enquanto construtor do seu próprio conhecimento, encontra nas TIC, o espaço privilegiado para a sua concretização. 2.3 Os Meios 2.3.1 A Alfabetização Tecnológica Viver na Sociedade da Informação e do Conhecimento implica ter cidadãos informados e preparados para lidarem com todo o tipo de informação, de todo o tipo de fontes e meios e aqui assume especial relevo o processo de alfabetização tecnológica. No Chambers English Dictionary a alfabetização corresponde à “The condition of being literate”, ou seja, a condição de ser culto. 99 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Na Wikipédia a alfabetização corresponde à aprendizagem do alfabeto e da sua utilização como código de comunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática nas suas variações. Chama a atenção para o facto de que “esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do ato de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, re-significar e produzir conhecimento.”8 Segundo a mesma fonte (Wikipédia) a “alfabetização de um indivíduo promove sua socialização (…) é um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo.” Para Osuna & Cejudo (2010: 92) o conceito de alfabetização excede em muito a capacidade para ler e escrever, abrangendo também as destrezas e conceitos que são desenvolvidos para fazer referência a uma informação de crescente complexidade e às tecnologias em expansão. Segundo Olsen & Coons (1989, apud Osuna & Cejudo: 92) a alfabetização pode definir-se como a posse de destrezas necessárias para conectar-se à informação imprescindível para sobreviver na sociedade. Para Campbell (1990, apud Osuna & Cejudo: 92) a alfabetização contempla a integração da compreensão oral, expressão oral, leitura, escrita e pensamento crítico; incorpora a numeração. Inclui um conhecimento cultural que permite ao falante, escritor ou leitor, reconhecer e usar a linguagem apropriada para diferentes situações sociais. Para uma sociedade tecnologicamente avançada o objetivo é uma alfabetização ativa que permita às pessoas utilizar a linguagem para aumentar a sua capacidade de pensar, criar ou questionar, de maneira que verdadeiramente participem na sociedade. Para Hillrich (1976, apud Osuna & Cejudo: 92) alfabetização é essa competência demonstrada, dentro das destrezas comunicativas, que permite ao indivíduo funcionar, segundo a sua idade, de maneira independente na sociedade e com um potencial para mover-se dentro dela. O National Literacy Act (1991, apud Osuna & Cejudo: 92) entende alfabetização como a capacidade do indivíduo para ler, escrever e falar inglês e para calcular e resolver problemas em níveis de competência necessários para funcionar no trabalho e na sociedade, para alcançar as metas pessoais e para desenvolver o conhecimento e potencial próprios. 8 Retitado da página http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabetização 100 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Em suma, atualmente o conceito de alfabetização integra não só à capacidade para ler e escrever mas também o desenvolvimento de destrezas que permitam ao indivíduo utilizar as diferentes tecnologias da informação e comunicação, todos os meios e recursos tecnológicos à sua disposição. Numa frase, “educar para os meios e com os meios”. 2.3.2 A Educação para os Media e com os Media A Educação para os Media e com os Media constitui um dos desafios mais importantes com que se confrontam os professores/educadores e os alunos, qualquer cidadão de uma forma global, numa civilização onde a presença dos dispositivos tecnológicos tendem a ocupar um lugar tão central no quotidiano de cada um. A presença daqueles de forma tão significativa impõe-se-nos, reclamando a tarefa de compreender o que podemos fazer e de que forma a escola pode conviver com os mesmos, trazendo-os para o interior da escola. Se a educação para os media se afirma pela exigência de promover a leitura crítica das mensagens veiculadas pelas imensas fontes e ecrãs que disponibilizam informação e com que lidam as crianças, jovens e adolescentes, a educação com os media exige muito mais a sua integração em contextos mais formais de ensino. Desde a assinatura em 1982 da Declaração de Grünwald sobre a Edução para os Media, por representantes de 19 nações presentes no International Symposium on Media Education, promovido pela Unesco, que o conceito passa a integrar as agendas políticas e educativas. Na referida Declaração pode ler-se: Em vez de condenar ou apoiar o inquestionável poder dos media, precisamos de aceitar o seu impacte significativo e a sua penetração pelo mundo como um facto consumado, valorizando ao mesmo tempo a sua importância como elemento de cultura no mundo moderno. O papel da comunicação e dos media no processo de desenvolvimento não deve ser subestimado, tal como não deve ser subestimada a função desses meios como instrumentos ao serviço da participação ativa dos cidadãos na sociedade. Os sistemas político e educativo devem reconhecer as suas respetivas obrigações na promoção de uma compreensão crítica do fenómeno da comunicação entre os seus cidadãos. (UNESCO, 1982)9 9 Retirado da página http://www.unesco.org/education/pdf/MEDIA_E.PDF (consultada em 18/05/2010) 101 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A esta importante e decisiva declaração seguiram-se outras declarações internacionais promovidas pela UNESCO: a New Directions in Media Education, assinada em Toulouse em 1990; a Educating for the Media and the Digital Age, assinada em Viena em 1999; a Youth Media Education, assinada em Sevilha em 2002; a Paris Agenda – Twelve Recommendations for Media Education, assinada nessa cidade em 2007. Foram também importantes para a educação para os media a organização da Carta Europeia para a Alfabetização Mediática e a Resolução do Parlamento Europeu, de 16 de Dezembro de 2008 (Ambrós & Breu, 2011) pois acentuaram a urgência de educar para uma sociedade onde os media se tornaram omnipresentes, evidenciando a sua influência no modo ver, de ser e de aprender. Ao longo dos anos vários autores contribuíram com a sua perspetiva para definir o conceito de educação para os media, mas este não é uniforme. Escola (2010) procedendo a uma revisão das diferentes definições, selecionou as mais representativas: (...) todas as maneira de estudar, aprender e ensinar, a todos os níveis (...) e em todas as circunstâncias, a história, a criação, a utilização e a avaliação dos media enquanto artes práticas e técnicas, bem como o lugar que os media ocupam na sociedade, o seu impacte social, as implicações da comunicação mediatizada, a participação, a mudança que operam nos modos de perceção, o papel do trabalho criativo e o acesso aos media. (UNESCO apud Gonnet, 2006: 56, apud Escola, 2010: 85) A educação para os media é um processo que procura formar no sujeito estas dimensões educativas: alfabetizado mediaticamente, consciente, ativo, crítico, social e criativo, mas entendido segundo as teorias mais recentes. Tal educação permitir-lhe-á participar mais plenamente na cultura popular contemporânea, tal como é apresentada nos meios massivos. (Martinz-de-Toda & Terrero, 1999 apud Escola, 2010: 85) A educação para os Meios de Comunicação tem como objeto de estudo a elaboração, desenvolvimento e avaliação de programas curriculares dirigidos a educar os alunos tanto como consumidor crítico de produtos culturais oferecidos pelos distintos meios de comunicação (televisão, imprensa, rádio, cinema,...), como para que seja capaz de expressar as suas próprias mensagens através de linguagens específicas de cada um destes meios. (Area Moreira, 1995 apud Escola, 2010: 85) Educar para os media é tornar cada jovem capaz de compreender a situação na qual ele se encontra enquanto destinatário das mensagens mediáticas. 102 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios É torná-lo apto a ser um leitor, um auditor, um espectador ativo em face dos media, capaz de se apropriar do máximo de informação original a partir de qualquer tipo de documento mediático, particularmente de documentos audiovisuais. O que é portanto procurado, através da educação para os media, é essencialmente um reforço da capacidade de reflexão do jovem em face dos media: um movimento de distanciação em relação à experiência mediática ordinária e o exercício de um olhar criativo sobre os media. (Smedt, 2000 apud Escola, 2010: 86) Também Ambrós & Breu (2011) apresentam duas definições pertinentes de educação para os media: A educação para os media é um processo vital, a alfabetização mediática deve entender-se como o conjunto de habilidades operacionais e competências cognitivas necessárias para adquiri-las.(...) A alfabetização abarca competências de informação e outras habilidades baseadas no texto e em imagens, a fim de interpretar as mensagens dos meios de comunicação. (...) A educação para os meios está relacionada com os resultados para adquirir e produzir conhecimento. (Frau-Meigs & Torrent, 2009: 11,12 apud Ambrós & Breu, 2011: 54) A educação em comunicação audiovisual ou para os meios é a habilidade em aceder, compreender, analisar e avaliar criticamente os diferentes aspectos e conteúdos dos meios de comunicação e comunicar através de uma variedade de contextos. Refere-se a todos os meios de comunicação, à televisão e ao cinema, à rádio e à música gravada, aos meios impressos, Internet e ao resto das tecnologias digitais emergentes. (Ambrós & Breu, 2011: 54, 55) Destas definições evidenciam-se algumas dimensões da educação para os media. Escola (2010) formula a partir destas os objetivos principais que devem orientar a educação para os media: O desenvolvimento das competências ao nível da compreensão das crianças, jovens ou mesmo adultos enquanto destinatários das mensagens mediáticas; A transformação da criança, jovem, do aluno em leitor, auditor e espectador ativo dos produtos mediáticos, tornando-os aptos a apropriar-se do máximo de informações originais a partir dos documentos mediáticos, com especial relevo para documentos audiovisuais; O reforço da reflexividade dos jovens a partir do universo mediático, procurando a distancia crítica, um olhar suficientemente distânciado em relação à experiência mediática quotidiana; 103 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A elaboração, desenvolvimento e avaliação de programas curriculares concebidos para o aluno com a preocupação de o transformar em consumidor crítico dos produtos culturais disponibilizados pelos meios de comunicação, independentemente de se tratar da televisão, imprensa, rádio ou cinema, e, simultaneamente ser capaz de se apropriar das linguagens específicas dos media para se expressar, para elaborar as suas próprias mensagens, no que Jean Cloutier (1975), na célebre obra A Era de Emerec, consagrou como self media, comunicação individual, comparada aos meios de transporte individuais; Por fim, o desenvolvimento de um olhar criativo sobre os media. (Escola, 2010: 86, 87) A educação para os media foi evoluindo ao longo do tempo tendo sido proposto por Len Masterman um quadro evolutivo em que se destacam três grandes paradigmas: o paradigma vacinatório, o das artes populares e o representacional. 2.3.2.1 Paradigmas da Educação para os Media Os professores dos meios deram três respostas diferentes às questões colocadas “Porque havemos de incomodar-nos sequer em estudar ou ensinar acerca dos meios? O que estamos a tentar conseguir como professores?” (Masterman, 1996: 29), dando origem aos três grandes paradigmas históricos da educação audiovisual (até aos anos 90): O paradigma “vacinador”. Os meios são vistos com uma espécie de doença cultural e por isso o ensino estava estruturado para proporcionar proteção contra eles. O ensino dos meios era basicamente um ensino que se baseava numa oposição aos meios, procedendo-se a um contraste entre o caráter manipulador dos meios com os valores da autêntica cultura, cuja expressão máxima seria a literatura. Neste paradigma a introdução dos meios em contexto escolar faz-se apenas com a intenção de “vacinar” os alunos contra eles. Apesar de muitos professores dos meios atualmente não partilharem desta postura, existem alguns indícios que permanecem. Um exemplo que Masterman apresenta é o do estudo da publicidade. Quase na totalidade dos casos o seu estudo valoriza os aspetos 104 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios negativos desta em contraposição a um ensino que se detenha na compreensão do papel e função que as modernas agencias publicitárias assumem. No início da década de 60, este paradigma perde força com uma nova geração de professores preparados intelectualmente, resultado da influência da cultura popular, particularmente do cinema, e da cultura da imprensa. Estes professores deram uma nova resposta à questão “Para quê estudar os meios?”. Para capacitar os alunos a saberem distinguir “não contra eles” mas “entre eles”. Ou seja, serem capazes de distinguir uma película boa de uma má, um programa de televisão autêntico de um “reles”, uma obra de cultura popular de certa integridade da que era somente comercial e exploradora. (Masterman, 1996: 31). O paradigma da Arte Popular. Este paradigma assentava na ideia de que a cultura popular era tão capaz de produzir autênticas obras de arte como a cultura elevada. Esta perspetiva trouxe um novo alento ao estudo dos meios nos anos 60, mas que rapidamente desapareceu em meados dos anos 70. Masterman (1996) aponta três razões fundamentais para a falência deste paradigma: 1. A primeira razão prende-se com o facto de o ensino audiovisual continuar a ser particularmente protecionista. 2. A segunda razão é que continuava a ser um modelo avaliador, com o inconveniente de não existir um critério geral aceite para avaliar os meios. Nesta abordagem tendia-se a avaliar como bom o que os professores gostavam, como películas europeias, documentários televisivos e periódicos sérios, e como mau o que os alunos gostavam, como as películas comerciais americanas, os jornais “tablóides” e concursos televisivos. 3. A terceira razão tem a ver com dois aspetos: a dificuldade de distinguir objetivamente os bons dos maus meios; as dúvidas que se colocavam relativamente à aplicação dos princípios estéticos a diferentes produtos audiovisuais. No final da década de 70 os professores em meios começaram a ligar-se a ideias estruturalistas, particularmente à semiótica. Masterman (1996) destaca duas contribuições importantes da semiótica para a educação audiovisual: 105 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 1. A primeira foi contrariar a ideia de que os meios não eram permeáveis à realidade exterior. De facto, as mensagens que os meios produziam eram codificadas. Assim, era importante que a audiência fosse capaz de proceder a uma leitura crítica do sistema de signos que os meios produziam. A semiótica deu um contributo no estabelecimento do primeiro princípio da educação visual, o princípio da não-transparência. Contribuiu também para a definição do conceito fundamental da educação visual, o da representação. Os meios ocupam-se de representações e não de realidades. 2. A semiótica alterou de forma significativa uma das questões fundamentais da educação visual, a questão do valor, da discriminação entre um bom e mau meio. Masterman (1996) apresenta um exemplo representativo dessa alteração. “...quando Roland Barthes na sua obra analisou um número de strip-tease, uma bandeja de costeletas com batatas, um guia turístico e um combate de luta, ao eleger simplesmente estes temas estava desafiando categorias, gostos e valores culturais estabelecidos.” Se um número de striptease era tão digno de análise como um poema, então a semiótica tinha destruído a distinção entre o que tinha valor cultural e o que apenas possuía um atrativo superficial, e isso tinha constituído a base de todo o estudo dos meios durante anos. Estes dois aspetos que a semiótica veio alterar, as questões da representação e a omissão que se fazia da questão dos valores, marcaram um profunda rutura relativamente à perspetiva de se analisarem os meios com base na literatura. O poder ideológico dos meios audiovisuais identificava-se com a naturalidade da imagem e com a tendência dos mesmos para veicularem como naturais mensagens codificadas e elaboradas. O paradigma representacional. Este paradigma centrava-se na questão do poder dos media e vigorou nos anos 80. A mudança que se operou de um paradigma para outro não se limitou a alterações ao nível dos conteúdos de uma disciplina, foi muito mais profunda. A proposta era de uma mudança drástica nos objetivos didáticos, da metodologia da aula, de alteração da perspetiva que professores e alunos tinham acerca do conhecimento. Uma das consequências mais imediatas 106 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios foi a alteração do papel do professor. Este já não era o especialista, o detentor da verdade e do bom gosto, como havia sido e continuava a ser nas disciplinas mais tradicionais. Nas aulas de audiovisuais os alunos dispunham muitas vezes de mais referências que o professor, por exemplo, ao nível da cultura popular, e esse saber era valorizado. Um outro aspeto era que o professor em meios já não controlava toda a informação, os próprios meios também disponibilizavam informação. Segundo Masterman (1996: 34) os meios “se dirigiam tanto a alunos como professores. Os meios igualaram professores e alunos. Ambos eram, do mesmo e igual modo, objeto do discurso dos meios.” Sem dúvida que esta era uma situação completamente inovadora na aula. Alunos e professores assumiam-se como coinvestigadores de imagens e documentos audiovisuais, refletindo criticamente e em conjunto, o que teria sido impossível se o professor fosse o detentor dos conteúdos. Com este paradigma, os métodos didáticos na educação visual passaram a estar mais centrados nos alunos, criando-se condições para que a aprendizagem realizada por estes em contexto escolar passasse a ser utilizada fora da escola no consumo dos meios. Isto permitia que os alunos se tornassem cidadãos com um pensamento crítico sobre os meios. Uma outra perspetiva importante foi a assunção de que a prática docente exigia um trabalho ao longo da vida. A propósito deste aspeto Masterman (1996: 35) apresenta de forma sistematizada as importantes alterações que esta abordagem acarretou: a) Conseguir uma alta motivação do aluno passou a constituir um fim em si mesmo. b) Ter uma perspetiva para toda a vida era sinónimo de ensinar a transferir aprendizagens, sendo importante para a educação visual que os alunos fossem capazes de usar e aplicar o que sabiam a situações novas. O objetivo era desenvolver a autonomia crítica do aluno. c) Aumentar a motivação, desenvolver a autonomia crítica e desenvolver destrezas para o futuro levou a que os professores usassem metodologias que promoviam a aprendizagem independente. 107 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Este período constituiu para a educação visual uma inovadora integração de trabalho analítico e atividade prática. O que a educação visual procurava atingir era uma junção de “criticismo prático e prática crítica” (Masterman, 1996: 35). Todas estas alterações tiveram consequências no modo de entender o que era o conhecimento e como se produzia. Assim o conhecimento não era propriedade de alguns, como o professor, não se aprendia apenas através de manuais, mas existia no mundo exterior à escola e podia ser criado pelos alunos através de um processo de investigação e ação. Masterman (1996) retomando a questão “Porquê estudar os meios?” afirma que a resposta do paradigma representacional foi sensivelmente esta: É evidente que na sociedade contemporânea os meios são importantes criadores e mediadores do conhecimento social. A compreensão dos diferentes modos em que os meios representam a realidade, das técnicas que utilizam e das ideologias que impregnam as suas representações deveria ser uma exigência para todos os cidadãos atuais e futuros de uma sociedade democrática. (Masterman, 1996: 36) 2.3.2.2 A Integração dos Meios Os meios no contexto do processo de ensino-aprendizagem não podem ser entendidos como sistemas independentes, individuais e isolados. Os meios fazem parte integrante do currículo e portanto, constituem-se como mais um elemento curricular que se relaciona com todos os outros elementos. Segundo Cabero (2001), falar nos meios audiovisuais, informáticos e nas novas tecnologias da informação e comunicação da perspetiva do currículo, acarreta uma diversidade de questões: Qualquer meio, do mais simples ao mais elaborado, é um recurso didático que deve ser mobilizado quando o alcance dos objetivos, os conteúdos, as características dos estudantes, o processo comunicativo no qual estamos imersos, o justificar; A aprendizagem não se encontra em função do meio, mas principalmente nas estratégias e técnicas didáticas que se apliquem sobre o mesmo; 108 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O professor é o elemento mais significativo para aplicar o meio, no contexto do processo ensino-aprendizagem. É o professor que com as suas crenças e atitudes face aos meios em geral, e aos meios que utiliza que determina as potencialidades que podem desenvolver-se no contexto educativo; Antes de se pensar que meio específico utilizar deve-se determinar quais são os destinatários, como vamos utilizar o meio e o que pretendemos com a sua utilização; Os meios não funcionam no vazio, mas num contexto complexo, psicológico, físico, organizativo, didático. Assim, o meio será condicionado pelo contexto e simultaneamente condicionará este; Os meios são transformadores vicariais da realidade e nunca a realidade mesmo; Os meios pelos seus sistemas simbólicos e a forma como estão estruturados causam diversos efeitos cognitivos nos recetores, facultando o desenvolvimento de habilidades cognitivas específicas; O aluno não é um processador passivo de informação, mas um recetor ativo e consciente da informação mediada que lhe é apresentada, de tal forma que com as suas atitudes e capacidades cognitivas determinará a possível influência cognitiva, afetiva, ou psicomotora do meio. Não devemos pensar no meio como globalidade, mas mais como a conjugação de diversos componentes internos e externos: sistemas simbólicos, elementos semânticos de organização dos conteúdos, componentes pragmáticos de utilização, suscetíveis cada um deles, em interação ou individualmente, de provocar aprendizagens gerais e específicas. Os meios por si só não provocam mudanças significativas nem na educação em geral, nem nos processos de ensino-aprendizagem em particular; Não existe o “super-meio”. Não há meios melhores que outros, a sua utilidade depende da interação de uma série de variáveis e dos objetivos que se pretendem alcançar, assim como das decisões metodológicas que tomemos sobre eles. Podemos ter preferência relativamente a determinado meio, por, por exemplo, ser mais fácil de usar, mas isso não significa que esse seja melhor que o outro. Esta postura conduz a uma outra conclusão, a de que a complementaridade e interação dos meios deve ser um princípio e estratégia a utilizar pelos 109 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios professores na hora da seleção e de pôr em prática o desenho instrucional dos meios. Atualmente, pensar nos meios e no papel que estes têm na educação passa necessariamente por associá-los aos objetivos, conteúdos, estratégias, avaliação..., atendendo à sua finalidade prática de melhoria do processo educativo, partindo de uma perspetiva curricular globalizadora (Espinosa, 2010). Segundo Espinosa (2010), existem barreiras de diversa ordem à integração dos meios na escola: conceptuais, estruturais, atitudinais e formativas. As barreiras conceptuais estão ao nível do que é a tecnologia, a tecnologia educativa e o que esta oferece à escola. As barreiras estruturais têm a ver com equipamentos obsoletos, instalações inadequadas ou o custo elevado dos meios. As limitações atitudinais prendem-se com resistências defensivas face à utilização de novas tecnologias. As dificuldades formativas estão ao nível da incapacidade docente e de um desconhecimento das vantagens que a integração das tecnologias poderá trazer ao processo de ensino-aprendizagem. Apesar destas limitações existem muitos argumentos favoráveis à integração dos meios no contexto escolar. A integração dos meios tem três abordagens diferenciadas: técnica, prática e crítica (Cabero, 2001). A perspetiva técnica baseia-se essencialmente em dois meios: o professor e o manual escolar. O professor utiliza os meios, desenvolvidos por outros, os especialistas, conhece os seus sistemas simbólicos e as suas linguagens. Quanto ao papel do aluno é passivo, sendo um mero recetor das mensagens mediadas que se transmitem através desses meios. Nesta abordagem o papel do professor é secundário pois a principal fonte de saber provém dos meios, assumindo-se como transmissores de informação. Segundo Torres (1994, apud Cabero, 2001), existem diversos perigos na utilização do manual escolar como único meio didático: não promove experiências de aprendizagem interdisciplinares e globalizadoras, não estimula a comparação do que se estuda com a realidade, não propicia a produção de trabalhos de investigação e de análise crítica, não 110 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios fomenta o trabalho cooperativo na aula, não abre espaço para as iniciativas dos alunos, torna o ensino uma atividade predominantemente verbal, promove a cultura da memorização e da repetição e não atende aos conhecimentos prévios dos alunos. Cabero (2001) acrescenta um outro risco importante, o de impedir o aluno de utilizar as tecnologias da comunicação, essenciais para a sua integração na sociedade da informação e do conhecimento. Para Cabero (2001) há duas marcas distintivas num desenho curricular deste tipo: quanto maior for a semelhança com a realidade melhores resultados académicos se podem obter e estar estruturado para um modelo de aluno homogéneo pensado pelos desenhadores. Nesta concepção o conhecimento que docentes e alunos têm que ter dos meios é escasso, limitado às habilidades técnicas que permitam o seu manuseamento e alguns conhecimentos respeitantes aos seus sistemas simbólicos e potencialidades técnico-expressivas. Na conceção prática os meios assumem outras funções que ultrapassam a de meros transmissores de informação, como a de realizarem representações que facilitem a resolução de problemas ou a adequação dos sistemas simbólicos dos meios às características cognitivas dos alunos. Nesta perspetiva, os meios propiciam a criação de ambientes diferenciados de aprendizagem, a partir dos quais se podem criar significativas zonas de desenvolvimento próximo, na terminologia de Vygotsky, que favoreçam e propiciem a aprendizagem (Cabero, 2001: 311, 312). Esta abordagem afeta os papéis de professores e alunos. O professor não é apenas o utilizador dos meios e das tecnologias, mas tem um papel importante na avaliação e na tomada de decisões para a integração destes na prática curricular, com a possibilidade de os elaborar de acordo com as necessidades do contexto e as pessoas com quem desenvolve a sua atividade profissional (Cabero, 2001: 313). Quanto ao aluno, deixa de ser um recetor passivo da informação para assumir o papel de produtor ativo, que elabora materiais em grupo. Nesta abordagem, os meios entendem-se como elementos expressivos e comunicativos, o que acarreta para professores e alunos a necessidade de formação em diferentes áreas, como a técnica, a estética, a de desenho e produção de meios. Na perspetiva crítica é atribuído aos meios um importante papel na análise, reflexão, crítica e transformação das práticas de ensino. Os meios constituem-se como elementos de pensamento, de cultura e de análise da realidade socioeducativa e psicossocial (Cabero, 2001). Nesta abordagem assume-se o princípio da ausência de 111 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios neutralidade de qualquer tecnologia. Para Cabero (2001) não se trata de falar em tecnologias boas ou más para a sociedade e se criam desigualdades, mas entende-se que na sociedade em que as tecnologias são concebidas e produzidas é desigual e, consequentemente, os efeitos também serão desiguais, em função do que cada um ocupa no estrato social. Privilegiando uns e marginalizando outros, exaltando uns e esquecendo outros. Nesta perspetiva, os meios são instrumentos culturais pelo que quem os utiliza deve estar preparado para evitar as manipulações que estes possam suscitar. Esta preparação não se pode limitar aos aspetos técnicos, estéticos, de desenho e produção desses meios, mas passar também por uma formação no domínio da interpretação e descoberta de mensagens ocultas que esses meios possam veicular, assim como perceber tendências ideológicas e económicas que podem ter subjacentes. Diversos autores, referenciados por Cabero (2001), procuraram definir as funções dos meios de acordo com as diferentes perspetivas curriculares propostas. Para Cebrián de la Serna (1991), na concepção positivista ou técnica, os meios estão ao serviço do controlo técnico sobre os processos objetiváveis e medíveis; na concepção interpretativa ou prática, os meios são utilizados para interpretar e representar a realidade simbólica; na concepção crítica os meios são instrumentos para a libertação, a democratização e a emancipação. Para Bautista (1989) existem três tipos de funções dos meios de acordo com as três perspetivas curriculares: transmissores/ reprodutores na perspetiva técnica; práticos/situacionais na perspetiva prática; críticos/ transformadores na perspetiva crítica. Zabalza (1994, apud Espinosa, 2010: 73) considera que com uns modelos curriculares os professores são meros consumidores de meios, enquanto que com outros têm um papel mais ativo, tanto no desenvolvimento do currículo como na criação dos meios para o levar a cabo. Na mesma linha Blázquez (1995, apud Espinosa, 2010: 73) analisa a função que os meios têm de acordo com a conceção teórica do modelo curricular em que estes se integram: num modelo em que o ensino é perspetivado como “processo técnico” o papel do professor é o de um simples executor, com competências para aumentar a sua eficácia através da utilização de meios estruturados de forma a responderem a um modelo padrão de aluno e uma cultura escolar homogénea; numa concepção prática do currículo o professor tem capacidade de decisão, sendo capaz de reconstruir criticamente a sua prática e de utilizar os meios de 112 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios uma forma criativa. Neste modelo dá-se relevância à produção dos materiais pelos docentes e alunos. Espinosa (2010) refere que o desenho curricular corresponde à seleção, organização e distribuição do conhecimento que oferecem as escolas, bem como ao conjunto de condições e oportunidades educativas que se disponibiliza para a aprendizagem e a formação dos alunos. Nesta perspetiva, a autora refere que o currículo é o espaço onde os meios devem ser pensados, construídos, usados e avaliados (Espinosa, 2010: 74). Enquanto elementos curriculares, entre outros, os meios condicionam a organização do processo de instrução, intervindo em aspetos como a relação professor/aluno, os tipos de utilização que se darão aos meios, o controlo que poderão exercer, as suas funções didáticas. A integração dos meios no desenho curricular é um processo criativo que obriga a que o professor faça uma constante adaptação do desenho, seleção e acomodação dos meios às exigências do processo instrutivo e particularmente das características e interesses dos alunos. A integração dos meios é feita pelos professores, daí a necessidade destes terem formação neste domínio (Espinosa, 2010). De acordo com Cid Sabucedo et al. (2002) para que a integração dos meios e recursos no sistema escolar seja efetiva tem de ser concretizada através do curriculum. Os mesmos autores defendem, citando Escudero (1995b), que a ideia de integração dos meios no Curriculum escolar, o conhecimento de quais podem ser as suas contribuições educativas e as condições subjacentes a essa integração, implica dar preferência ao curricular e aos valores e significados educativos face aos meios ou tecnologias, de tal forma que sejam os projetos pedagógicos a reclamar os meios e não ao contrário. A integração curricular dos meios e recursos tecnológicos tem de ser entendida como uma opção propriamente educativa, ou seja: (...) que os critérios e princípios educativos sejam o substantivo. E os meios, só o adjetivo; que uma determinada opção pedagógica seja articulada como matriz determinante, e as novas tecnologias, como elemento determinado e ao serviço daqueles valores que justificam e fundamentam um projeto educativo no seu conjunto, a saber, suas metas e objetivos, conteúdos, métodos, relações, etc. (Escudero, 1995b: 406, apud Cid Sabucedo et al., 2002: 42) 113 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Para uma adequada integração dos meios Cid Sabucedo et al. (2002: 43), baseando-se em Campuzano (1992), apontam algumas condições: a) Os meios não substituem o professor; b) Exigem um uso reflexivo, crítico e adaptado à realidade; c) Não há um meio melhor que os outros, cada um tem as suas potencialidades e limitações; d) O uso destes meios deve procurar a consecução de aprendizagens significativas; e) Os meios devem integrar-se numa pedagogia inovadora. 2.3.2.3 Funções dos meios As funções que os meios podem desempenhar são diversas. De acordo com as três perspetivas que foram analisadas no ponto anterior, os meios assumem também três funções diferenciadas: na perspetiva técnica os meios são transmissores/reprodutores; na perspetiva prática são práticos/situacionais e na perspetiva crítica são críticos/transformadores (Bautista, 1989, 1994, apud Espinosa, 2010). Na primeira têm como funções apresentar a informação, controlar e regular a prática. Os meios correspondem a materiais estruturados por especialistas, que não permitem a interação e a tomada de decisões. Professores e alunos assumem-se como meros utilizadores dos meios. São materiais mais adequados para tarefas que impliquem a memorização ou a aquisição de rotinas. Na segunda perspetiva, a prática, os meios são concebidos como recursos que permitem realizar representações básicas para desenvolver o pensamento e para interpretar, entender e relacionar-se com o contexto social, físico e cultural. São ferramentas para resolução de problemas e para desenvolvimento de projetos. Na terceira perspetiva, a crítica, os meios são entendidos como veículos que transportam conceções ideológicas, passíveis de manipular, condicionar aqueles que recebem as mensagens mediáticas, pelo que se impõe a desconstrução das mesmas. 114 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Cid Sabucedo et al. (2002), procederam a uma revisão das diferentes funções propostas por diferentes autores que passamos a apresentar: Gimeno Sacristán (1986: 198) considera três funções: a) Função motivadora. Os meios permitem aproximar os alunos de situações inverosímeis, a lugares e a tempos inacessíveis. Isto liga-se à fantasia com elfos e permite recriar os seus mundos internos e externos. b) Função portadora de conteúdo. Os meios servem de apoio e suporte aos conteúdos de aprendizagem. É aqui que tem o seu maior sentido a concepção dos meios como instrumentos; c) A função estruturante. Permite guiar e orientar o curso de ações de ensino e aprendizagem, oferecendo recomendações sobre o que, como e quando estudar. Zabalza (1987) tendo subjacente a ideia da inclusão didática dos meios no contexto escolar aponta as funções que estes devem assumir nesse contexto e que é importante que o educador conheça: 1. Função inovadora. É frequente identificar-se a presença de novos meios com a renovação na aula. De facto, cada novo tipo de meio suscita um novo tipo de interação sujeito-aprendizagem e isso acarreta que todo o tipo de ensino mude. Assim, tanto os meios novos como os antigos usados de outra forma geram mudanças importantes no processo de instrução. 2. Função motivadora. Não se trata tanto do que é novidade, mas do meio que pela sua própria natureza aproxima a aprendizagem da vida e permite superar a via do verbalismo. 3. Função estruturadora da realidade. Os meios são mediadores do encontro do aluno com a realidade. Obviamente não são a realidade, mas representam-na, traduzem-na: apresentam, codificam, organizam os dados da realidade e do conhecimento, conotam-na afetivamente, qualificam-na. Não apresentam a realidade toda mas uma seleção da mesma. Cada meio tem a sua própria semântica (por isso é diferente ler um romance ou vê-lo representado num filme) e, portanto, cada meio ao apresentar a realidade de 115 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios distinta forma leva-nos a conhecê-la de maneira também diferente. O facto de selecionarmos um ou outro meio para abordarmos a um tipo ou outro de dados fará com que entremos em contacto com um tipo ou outro de apresentação da realidade. 4. Tipo de relação do aluno com os conhecimentos. Embora não seja pacífico entre os diferentes autores, parece consolidar-se a ideia que o tipo de meio pode condicionar o tipo de operação mental que o sujeito vai desenvolver com no manuseamento do meio e no processamento de informação que o meio transmite. 5. Função solicitadora ou operativa. Os meios cumprem a função de facilitar e organizar as ações instrutivas. Através deles organizamos as atividades dos sujeitos: atuam como guias metodológicos organizadores das experiências de aprendizagem dos sujeitos. 6. Função formativa global, vinculada ao mundo dos valores educativos que o próprio meio fomenta. Neste sentido o meio não se esgota na sua relação lógica com a realidade. A sua pragmática e contexto de uso vai para além do discurso técnico e do didático, para situar-se também num discurso pedagógico geral. Cebrián de la Serna (1992: 123, 124) considera que os meios e recursos didáticos e tecnológicos, apresentam diferentes possibilidades de atuar no curriculum como: 1. Estruturantes do conteúdo académico. 2. Concretizadores do curriculum na prática. 3. Interpretadores e significadores (ou intérpretes significantes) do curriculum. 4. Facilitadores para o desenvolvimento profissional. 5. Causa e motivo para a inovação curricular. 6. Representantes do conteúdo legítimo. 7. Exemplificadores de modelos de ensino e aprendizagem. Espinosa (2010), baseando-se numa tabela apresentada por Cabero (2001: 327) onde este sintetiza as funções dos meios segundo diversos autores, faz uma nova 116 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios proposta das funções destes no ensino. A tabela abaixo mostra de uma forma detalhada essa nova proposta. Tabela 2: Nova proposta de funções dos meios no ensino (Espinosa, 2010: 81) Função de Transmissão de Informação Função de Motivação Função de Induzir atividade no aluno Função relacionada com Estratégias de Ensino Função de desenvolvimento Profissional Portador de conteúdos Estruturador da realidade Facilitador da recordação Substituto da realidade Substituto do professor Facilitar a análise e interpretação de um tema Motivar Atrair e manter a atenção Estimular novas aprendizagens Divertir Recurso para a comunicação e expressão Oferecem feedback e respostas Ferramentas para atividades e práticas Ferramentas de auto-avaliação/ avaliação Função solicitadora: promovem a atividade mental e operações cognitivas Para promover a discussão Para promover os processos de decisão Função inovadora Novas relações professor/aluno Novas relações aluno/contexto Mudanças de atitude Relações na aula Mudanças do papel docente e discente Função socializadora Guia metodológico Interpretar o curriculum Controlo do curriculum Planificação e curriculum Conteúdo curricular em si mesmos (ensinar para os meios) Ferramenta de avaliação Função formativa global (valores Outras funções educativos) Ferramentas para a formação dos professores Instrumentos de investigação educativa Promovem a inovação educativa Contribuem para a organização e gestão dos centros escolares Constata-se, pela leitura da tabela 2, que os meios podem assumir diferentes funções, desde transmissores de informação passando pela de motivação, indução da atividade, relativas às estratégias de ensino até à de desenvolvimento profissional. Analisadas as funções dos meios e recursos tecnológicos em contexto escolar, abordaremos de seguida a questão da classificação e seleção dos meios. 117 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.2.4 Classificação e seleção dos meios Existe uma grande diversidade de critérios nas classificações ou taxonomias que se elaboram dos meios. Mcluhan foi um dos primeiros autores a proceder a uma classificação dos meios e usando como critério o grau de implicação do recetor com os meios, distinguiu-os em “quentes” e “frios”. McLuhan considera como meios quentes os que nos apresentam uma informação ‘completa’, excluindo a participação do recetor na construção da mensagem. Ao contrário, os meios frios promovem o envolvimento ativo do destinatário, permitindo que este coopere na construção da mensagem. São exemplo de meios quentes a rádio ou o cinema e de meios frios a TV de baixa definição ou o telefone. Segundo Cabero (2001: 316) as classificações ou taxonomias cumprem diferentes funções: Servir como construto teórico na análise e na seleção dos meios para alcançar objetivos determinados. Marco explicativo dos resultados alcançados nas investigações dos meios. Sugerir hipóteses de investigação. Gerar critérios e estratégias para o desenho e produção dos meios, para contextos específicos de aprendizagem. Elementos de análises da viabilidade e rentabilidade didática e educativa, dos elementos técnicos que se vão produzindo. Marco avaliativo das decisões adotadas. Estabelecer normas para a sua utilização didática. Existem duas formas de classificar os meios: as taxonomias e os modelos. A opção por uma ou por outra forma deriva de posturas diferenciadas: as taxonomias estão ligadas a uma abordagem mais formal e mais rígida, tendo por base uma orientação condutista; os modelos têm uma abordagem mais flexível e analítica, centrados numa posição cognitiva (Cabero, 2001). 118 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios São muitos e diversos os critérios utilizados nas taxonomias. Cabero (2001), num estudo que realizou sobre as taxonomias de diferentes autores, apresenta de uma forma sintética os critérios que as suportam e Sanmamed (2010) acrescenta as características que organiza numa tabela, que apresentamos no quadro abaixo. Tabela 3: Taxonomias dos meios segundo diversos critérios propostos por Cabero (retirado de Sanmamed, 2010:61) Critério Características Autores Sensorialista Baseia-se no órgão do sentido Bachman (1971), Colom et al que estimula um determinado (1988), Elding (1966), Ellington meio. (1985), Ferrández, Sarramona & Funcionalidade educativa Tairin (1979), IMAPA em limitada. Parte de uma Bullaude (1969), Lefranc (1969), concepção errónea da influência Romiszowski (1981), Spencer & unidirecional do meio. Giudice (1969). Semelhança do meio com a Dale (1954), Carpenter (1953), realidade. A maior relação entre Tisber (1972), Gibson (1954), a realidade e o meio não garante Morris (1964), Fernández Huerta uma maior efetividade da (1983). Grau de realismo aprendizagem. Importa não só o meio em si, como a sua interrelação com outros fatores. Linguagem e códigos Em função do tipo de linguagem Bretz (1971), Cloutier (1975), empregados e de códigos utilizados. Olson (1974), Schaf (1966), Schramm (1977). Relação professor-meio Flexibilidade do meio para Decaigny (1973), Duncan facilitar a participação do (1969). professor e do aluno no seu desenho, elaboração e utilização. Histórico Atendendo ao momento histórico Bachman (1971), Colom et al em que apareceram. (1988), Elfing (1966), Lefranc (1969), Romiszowski (1981). Administrativo Relativa aos sistemas de Hicks & Tillin (1974), Holden organizição e catalogação no (1975), UNESCO (1979). centro educativo. 119 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Instrucional Considera as possíveis funções Taxonomia de Allen (1967), didáticas que pode cumprir o Taxonomia de Decaigny (1973), material. Matriz Pedagógica de Fernández Huerta (1974), Taxonomia de Gagne (1970), Taxonomia de Tosti & Ball (1969), Classificação de Wellington (1985), Classificação de Colom, Sureda & Salinas (1988). De acordo com Cabero (2001) muitas das taxonomias apresentadas na tabela 3 não têm qualquer rentabilidade didática, como a sensorialista ou a administrativa. Algumas destas taxonomias acarretam critérios reflexivos ao professor, como a da linguagem e códigos empregados ou a da relação professor-meio, permitindo ao professor perceber, por exemplo, o domínio dos códigos simbólicos por parte dos alunos ou o tipo de relação que se estabelecerá do professor com o meio. As que poderiam acarretar mais dados para a funcionalidade curricular seriam as taxonomias instrucionais, no entanto, estas foram alvo de muitas críticas, por diferentes motivos, como estabelecerem correlações com objetivos e tipos de aprendizagem de forma arbitrária e geral ou esquecerem as características cognitivas dos alunos, formas concretas de utilização ou o contexto. As limitações das taxonomias levaram a novas formas de análise dos meios, aos modelos. Segundo Cabero (2001) e Sanmamed (2010) os modelos são mais flexíveis e convidam os professores a partirem do seu contexto particular para refletirem sobre o meio mais adequado aos seus objetivos. Os modelos consideram que “a aprendizagem mediada não é o resultado direto do meio, mas da interação de uma série de dimensões: meio, aluno, professor, contexto de uso, conteúdos, estratégias de utilização...” (Cabero, 2001: 319) 120 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Tabela 4: Características dos modelos de meios de ensino (retirado de Sanmamed, 2010: 62) Denominação Características Cubo taxonómico de Clark No marco dos desenhos ATI, elabora um instrumento no qual se podem (1975) associar condutas do sujeito, com atributos dos meios, com conteúdos transmitidos. Modelo de Vesta (1972) Desde a teoria Dinâmica da aprendizagem e da instrução apresenta um modelo em que se ressalta a existência de uma filtragem cognitiva progressiva pelo aluno das mensagens que lhe são apresentadas num contexto concreto. Destaca o contexto social como elemento determinante. Modelo tridimensional de Através de um cubo tridimensional relaciona as características dos meios, seleção dos meios de Check as tarefas de aprendizagem e os efeitos psicológicos da aprendizagem. (1977) “Iter” taxonómico de Luchi Propõe uma armação taxonómica aberta na qual através da transparência e (1983) flexibilidade dos fatores de relação entre meios e exigências didáticas, e a ajuda de formulação de critérios de decisão, o professor possa adaptá-los à sua própria situação, selecionando, verificando ou desenvolvendo os parâmetros propostos e suas eventuais interações. Organiza-se em dois grandes blocos: qualidades dos meios (técnicas, linguísticas e psicológicas) e aspetos didáticos (objetivos, conteúdos, funções e contexto). Modelos de Salomon (1974, Estabelece que as relações entre os elementos simbólicos, os tipos de 1981, 1983, 1984) informação, o desenvolvimento das faculdades e das atitudes dos alunos, não se produzem linearmente mas em espiral, de forma que os elementos simbólicos desenvolvam uma série de atitudes, que capacitarão o aluno para a procura de informação que suplantará outro tipo de dificuldades. A partir do construto AIME (Esforço mental invertido) propõe que as características exigentes percebidas (PDC) da tarefa, o material e o contexto estão possivelmente relacionadas com a auto-eficácia percebida (PSE) e afetam tanto o AIME como a aprendizagem. Algoritmos de decisões Oferece dois algoritmos para facilitar ao professor a decisão de selecionar sobre meios de os meios audiovisuais, verbais e sonoros. Não se contemplam outros Romiszowski (1981) elementos: aluno, professor, contexto... Modelo geral interativo para Sob a abordagem interativa dos desenhos ATI propõe o modelo no qual a investigação dos meios combinem os traços do sujeito (habilidades cognitivas, estilos cognitivos e (Escudero, 1983) traços não cognitivos), as tarefas (conteúdos, processos e operações cognitivas do aluno) e meios (atributos estruturais e atributos funcionais). 121 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A tabela 4 apresenta alguns dos modelos de classificação dos meios que “trouxeram novas formas de refletir sobre os meios, gerando hipóteses e apresentando linhas de investigação que podem ajudar o professor a tomar decisões sobre a sua utilização e verdadeira funcionalidade didática” (Cabero, 2001: 319). Cid Sabucedo et al. (2002), numa revisão sobre as classificações dos meios e recursos tecnológicos, sistematizaram as que em sua opinião eram as mais clarificadoras. Na tabela 5 apresentam-se os critérios propostos pelos diferentes autores. Tabela 5: Critérios de classificação dos meios, segundo vários autores (retirado de Cid Sabucedo, 2002: 35) Autores Reiser Critérios de classificação/ seleção & Gagné (1983) Colom, Sureda & Salinas (1988) Cabero (1990) Características físicas do meio Fatores de tipo prático Características relacionadas com o grupo de destinatários Relação com os objetivos didáticos Relação dos meios e o meio Meios como sistemas instrutivos: - Meios que giram em torno do ensino programado - Meios que giram em torno da simulação Meios como ajuda instrutiva: - Meios impressos - Meios visuais fixos não projetáveis - Meios visuais fixos projetados - Meios auditivos - Meios auditivos fixos e em movimento Sensorialistas Funções didáticas Grau de realismo Administrativos Linguagem e códigos usados Número de recetores Histórico Económicos Participação do recetor Organizativos Relação mestre-meio Objetivos a atingir Facilidade de manuseamento Relação aluno-meio Implicações do recetor Dimensões que determinam a sua Estrutura semiológica utilização e produtos a alcançar Atributos do meio Flexibilidade dos equipamentos Conteúdos Tipos de aprendizagem Tarefas de aprendizagem A utilização dos meios em contexto escolar implica uma seleção dos mesmos. Esta não pode ser aleatória, deve resultar de um processo de reflexão e de análise por parte do professor. Segundo Cabero (2001), na altura de selecionar o meio, o primeiro critério a ter em conta devem ser os objetivos que se pretendem atingir, as 122 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios características dos conteúdos a abordar e os destinatários dos mesmos, tendo sempre presente que uma das funções do meio é facilitar a aprendizagem dos alunos. Também Cabero (2001) procedeu a uma revisão da literatura sobre esta temática e selecionou um conjunto de propostas de diversos autores que apresentamos de seguida: Brown, Lewis & Harcleroad (1975 apud Cabero, 2001) referem alguns princípios que podem ser utilizados na seleção dos meios pelos professores: Não há um só meio que seja ótimo para todos os fins. O uso dos meios deve relacionar-se com os objetivos que se pretendem alcançar. Os utilizadores devem familiarizar-se com o conteúdo dos meios. Os meios devem ser adequados para o formato de ensino. Os meios devem corresponder às capacidades e estilos de aprendizagem. Os meios não são bons ou maus pelo facto de serem concretos ou abstratos. Os meios devem eleger-se com critérios objetivos. As condições físicas que rodeiam as aplicações dos meios afetam de forma significativa os resultados. Os mesmos autores apontam ainda quatro grandes critérios na seleção dos meios: os objetivos, os conteúdos, as características técnicas e o custo. Gerlach & Ely (1979) enunciam cinco temáticas pertinentes, que Cabero (2001: 349) concretiza em questões que se devem colocar quando se procede à seleção dos meios: Adequação – O meio é adequado para cumprir a tarefa definida? Nível de complexidade – Encontra-se o meio ao nível correto de compreensão para os alunos? Custo – A aprendizagem justifica o custo do meio educacional? Disponibilidade – Os materiais e a equipa estão à nossa disposição quando é necessário? 123 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Qualidade técnica – É aceitável? É legível? É visível? É audível? Marchesi & Martín, (1991, apud Cabero, 2001) indicam as características que os materiais curriculares devem ter para apoiarem a reforma educativa: devem oferecer vias de análise e reflexão e não serem propostas fechadas, inflexíveis e lineares; devem estar de acordo com os objetivos a atingir; devem respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem dos estudantes; devem prestar especial atenção aos denominados temas transversais. (Cabero, 2001: 349). Santos (1991, apud Cabero, 2001), centrando-se também no estudante, enumera as potencialidades que os meios devem possuir para facilitar a aprendizagem: Que permitam tomar decisões relativamente a como utilizá-los; Que promovam o papel ativo do aluno; Que motivem o aluno para a investigação; Que impliquem o aluno com a realidade; Que possam ser utilizados em diversos níveis e com interesses distintos; Que comprometam os alunos na aplicação e domínio de regras significativas. Para Cabero (2001) é importante que quando se pense em seleção dos meios não se reduza o seu potencial à transmissão de informação, mas que se atenda às possibilidades que estes têm na ativação de estratégias cognitivas de aprendizagem e de pensamento crítico dos alunos. Um outro critério que Cabero (2001) propõe é que se faculte a utilização das tecnologias aos estudantes para que estes as possam usar de forma controlada e criativa no processo de aprendizagem. Este aspeto, de centrar o uso dos meios nos alunos em vez de estar nos professores, foi ao longo da década de 90 ganhando maior peso, levando a que a flexibilização dos meios se tivesse tornado numa característica essencial. Esta flexibilização dos meios prende-se com dois aspectos: poderem ser adaptados a utilizadores com diferentes características e permitirem que 124 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios potenciais utilizadores possam manuseá-los, criando experiências e ambientes de aprendizagem específicos e diferenciados. Cabero (2001) chama a atenção para o facto de não se poderem selecionar os meios apenas com base nas suas características, devendo-se atentar noutras variáveis, como as seguintes: A seleção dos meios deve fazer-se tendo em conta os objetivos e conteúdos que se desejam alcançar e transmitir. As predisposições que os alunos e professores têm face aos meios podem condicionar os resultados que se obtenham e, por isso, deve ser um dos critérios a mobilizar quando se fizer a seleção dos meios. Contemplar as características dos recetores: idade, nível sócio-cultural e educativo... O contexto instrucional e físico é um elemento condicionador, facilitando ou dificultando a inserção do meio. As diferenças cognitivas entre os estudantes podem condicionar os resultados a alcançar e as formas de utilização. Os meios devem propiciar a intervenção sobre eles. As características técnicas e sêmicas do meio e seus parâmetros de qualidade é uma dimensão a considerar. Na medida do possível, selecionar meios que permitam a participação dos professores e dos alunos na construção de mensagens. Analisar as mensagens contemplando não só a sua capacidade como canal, mas também as características das mensagens que transmite, e sobretudo contemplando os valores transmitidos. As qualidades técnicas, facilidade e versatilidade do meio, devem ser também contempladas. Selecionar meios de fácil utilização. Na medida do possível, selecionar meios que possam relacionar-se com outros. 125 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Em jeito de síntese, Cabero (2001) refere que antes de se utilizar um meio deve pensar-se para quem, como será utilizado e o que se pretende com ele. Na mesma linha, Espinosa (2010) menciona que a decisão do meio a selecionar prende-se com as respostas a três questões: o que ensinar, como ensinar e como avaliar. Espinosa (2010), tendo em atenção os vários contributos de diferentes autores sobre que critérios utilizar na seleção dos meios, sintetiza e sistematiza esses critérios na tabela abaixo. Tabela 6: Síntese dos critérios para a seleção dos meios de ensino (retirado de Espinosa, 2010: 87) Características do aluno: Características do professor: Dimensões do currículo: Características do contexto físico: Características técnicas do meio: Critérios que justifiquem o uso do meio: Outros fatores: Idade Nível Desenvolvimento cognitivo Ritmo de aprendizagem Estratégias e estilos de aprendizagem Conhecimentos prévios Formação para o uso dos meios Formação para o uso dos meios Experiência docente Motivação e atitude face às TIC Modelo de relação com os seus alunos Modelo de ensino Objetivos Conteúdos a apresentar Estratégias Metodologias de ensino Atividade ou tarefa desenhada Luminosidade e acústica Espaços Organização dos meios Disponibilidade dos meios Flexibilidade Interatividade Complexidade Adaptação aos utilizadores Necessidade: que se justifique o uso do meio Eficácia: esse meio será melhor que outro para essa finalidade nesse contexto Custos Todas as opções em relação aos meios devem ter em conta diferentes aspetos, como os alunos, o professor, as dimensões curriculares e as condições físicas, as características técnicas, os critérios de eficácia e necessidade ou mesmo os custos associados ao seu uso. 126 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Os meios multimédia respondem hoje à necessidade da Sociedade da Informação ou em Rede (Castells, 2004). 2.3.3 Os multimédia em contexto educativo A natureza da relação educativa entre o professor e o aluno está a mudar à medida que os desenvolvimentos na tecnologia lhes permitem não só comunicar, mas também ter acesso e gerar uma grande variedade de recursos. Com o desenvolvimento de software educativo multimédia que possibilita uma abordagem construtivista da aprendizagem, o aluno, que tradicionalmente era visto como um recetáculo de informação, pode passar a ser o aprendente, que interagindo com a informação, constrói o seu próprio conhecimento. 2.3.3.1 Multimédia: conceito O termo multimédia surgiu pela primeira vez em 1959, no livro Instructional Media and Methods de Brown, Lewis & Harcleroad, segundo referem Clark & Craig (1992: 27). Desde essa altura, o termo tem surgido em diversas expressões como apresentação multimédia, espetáculo multimédia, sistemas multimédia ou computador multimédia (Carvalho, 2002). Kozma (1991) refere que o termo multimédia foi usado durante décadas e só mais tarde foi ligado ao uso da tecnologia computorizada. Os avanços da tecnologia combinaram estes media para que a informação previamente disponibilizada por vários meios possa ser agora integrada num só. É neste contexto que o computador joga um papel central. Carvalho (2002), no seu artigo “Multimédia: um conceito em evolução”, identifica três fases evolutivas no conceito multimédia, correspondendo cada fase a determinado estado de desenvolvimento da tecnologia e mantendo como característica comum o facto de combinarem dois ou mais formatos. Assim, numa 1ª fase, o termo multimédia reporta-se exclusivamente a apresentações, sessões ou cursos que utilizam dois ou mais formatos, como textos, animação, vídeo e/ou áudio. A forma como a própria palavra é composta, por justaposição dos termos multi + media (plural de medium), encerra esta noção: vários 127 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios meios ou formatos como texto, imagem, vídeo, som, entre outros. Esta fase caracterizase pela utilização de dois ou mais formatos em diferentes suportes, não se usando ainda o suporte informático. Na década de 60, torna-se popular a expressão pacotes multimédia, como referem Depover et al. (1998). Utilizados na formação à distância, esses pacotes eram compostos por um conjunto de documentos em diferentes formatos e em diferentes suportes, como papel, cassetes de áudio e de vídeo. Com a evolução tecnológica, nomeadamente com a introdução do computador e do software educativo na formação, a expressão pacotes multimédia passa a ser mais abrangente, incluindo também documentos em suporte informático. É esta evolução que conduz à 2ª fase do conceito de multimédia. Nesta fase, o conceito, além de manter os diferentes formatos e suportes, integra ainda o suporte informático. É na transição da primeira para a segunda fase que o termo se vulgariza. A expressão computador multimédia passa a ser muito utilizada, nomeadamente na publicidade, para designar os computadores que integram dispositivos que permitem ver e ouvir informação vídeo e áudio. Com mais um avanço tecnológico que permitiu integrar num único documento informático diferentes formatos, configura-se a 3ª e última fase do conceito multimédia. Nesta fase, a característica essencial é a interatividade que os documentos multimédia proporcionam. Surge, assim, a expressão documentos multimédia interativos. Com a aceitação de que a terceira geração multimédia é interativa, passou a utilizar-se uma expressão mais simplificada como documentos multimédia ou apenas os multimédia, como refere Carvalho (2002). Um outro investigador, Mayer (2001), considerando também o termo multimédia muito abrangente, analisa-o sob três perspetivas: os meios de comunicação (delivery media), os modos de apresentação (presentations modes) e os sentidos utilizados na receção das mensagens (sensorial modalities). Na primeira perspetiva, multimédia significa a apresentação de material usando dois ou mais meios de comunicação. Nesta aceção, o foco está no sistema físico usado 128 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios para comunicar a informação como os ecrãs de computador, gravadores de vídeo e áudio, projetores, entre outros. Na segunda perspetiva, que se centra nos modos de apresentação, multimédia significa a apresentação do material usando dois ou mais modos de apresentação. Aqui o foco é colocado na forma como o material é representado, através de palavras e imagens. Segundo Mayer (2001), as investigações sobre as representações mentais sugerem que a forma verbal de representar o conhecimento deve ser qualitativamente diferente da forma de representar o conhecimento visual. Na terceira perspetiva, multimédia significa que dois ou mais sistemas sensoriais estão envolvidos na receção das mensagens. Nesta perspetiva, o foco está colocado nos códigos usados para representar o conhecimento no sistema de processamento de informação do aprendente. Os multimédia envolvem a apresentação de material que é processado visual e auditivamente. Esta distinção baseia-se na ideia de que o homem processa de forma qualitativamente diferente as imagens visuais e os sons, sendo consistente com a teoria cognitiva da aprendizagem que considera que o homem tem canais de processamento da informação visual e auditiva diferentes. O modelo de processamento da memória de Baddeley (1992) apresenta, segundo Mayer (2001), a mais coerente evidência teórica e empírica para esta ideia. Mayer (2001) considera a primeira perspetiva, os meios de comunicação, a mais óbvia e a mais correta tecnicamente, mas rejeita-a por se centrar apenas nos meios e não atender à forma como as pessoas aprendem. Como afirma o autor: “I reject the delivery media view because it focuses on technology rather than on learners” (Mayer, 2001: 6). Relativamente à segunda e terceira perspetivas, respetivamente modos de apresentação e modalidades sensoriais, Mayer (2001) refere que ambas são válidas, por se centrarem na forma como os aprendentes processam a informação. No entanto, prefere perspetivar os multimédia como modos de apresentação, por esta ser consistente com a teoria cognitiva da aprendizagem, que considera que as pessoas têm canais de 129 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios processamento da informação diferentes para o conhecimento verbal e para o visual. Para isso, Mayer (2001) baseia-se na teoria da codificação dual de Paivio: “Paivio´s (1986) dual-code theory presents the most coherent theoretical and empirical evidence for this idea” (Mayer, 2001: 6). Em síntese, actualmente o termo multimédia é muito abrangente. Multimédia é o mesmo que multimédia interactivo, que pressupõe documentos que integram múltiplos formatos como textos, gráficos, imagens, áudio e vídeo, a organização da informação é linear ou não, em suporte digital e com graus variáveis de interatividade entre o utilizador e o documento. 3.3.3.1.1 Interatividade Uma das características essenciais das aplicações multimédia é a interatividade que estes documentos proporcionam. Segundo Blanco (1999), a característica que distingue os media, suportados por dispositivos informáticos, dos media tradicionais é a comunicação interativa, uma das suas características mais inovadoras. “Com efeito, a configuração tecnológica dos novos media determina a superação de uma das características da comunicação unidirecional e difusiva própria dos media tradicionais: a ausência de um feedback imediato, simultâneo à emissão e enviado ao recetor pelo mesmo canal de transmissão utilizado pelo emissor” (Blanco, 1999: 105). Para Milheim (1996: 225), a interatividade é um dos fatores mais importantes no desenho e desenvolvimento de materiais de instrução baseados no computador. “One of the most important of these instructional attributes is interactivity, or the two-way communication that can occur between the instructional medium (in this case, the computer) and the learner. While other factors obviously influence the overall effectiveness of an instructional program, interactivity may be one of the most important, since it directly impacts the overall communication between the educational materials and the intended learners.” 130 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Milheim (1996) define interatividade como uma comunicação bilateral que ocorre entre os aprendentes e os materiais educativos. Neste sentido, o material é apresentado, através de um medium educativo, a um aluno definido, que por sua vez responde a esta apresentação mediática, que depois, reage em conformidade com o solicitado pelo aluno. Relativamente aos componentes específicos de interatividade, particularmente na instrução baseada no computador, Borsook & Higginbotham-Wheat (1991) definem um conjunto de elementos chave para uma eficaz interatividade: Capacidade imediata de resposta, para que os aprendentes possam reter a informação quando necessário e sem atrasos; Acesso não sequencial à informação, onde os materiais dão resposta ao que é pedido pela audiência; Adaptabilidade, onde a comunicação é baseada nas necessidades da audiência; Comunicação bidirecional, onde quer o aluno quer o computador apresentam informação; Tempo granular (período de tempo entre as respostas do utilizador), onde os alunos podem frequentemente interromper as apresentações ou iniciar ações específicas. Borsook e Higginbotham-Wheat (1991) consideram ainda como componentes importantes da interatividade, a variedade de opções do utilizador e o feedback. Segundo Milheim (1996), o feedback dado pelo programa de computador a cada aprendente deveria ser pessoalmente relevante e estar relacionado com uma resposta específica dada pelo mesmo. Um outro autor, Hazen (1985), sugere que se devem usar variedades de feedback que incluam o tipo informativo, confirmativo, motivador e instrucional. Para Milheim (1996), a interatividade pode ser perspetivada de duas formas: quantitativa e qualitativa. Numa perspetiva quantitativa, a interatividade diz respeito ao número fixo de questões incluídas num módulo instrucional específico, em que a 131 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios interatividade simplesmente proporciona uma oportunidade maior ao aprendente de dar respostas adequadas e receber feedback. Numa perspetiva qualitativa, a interatividade inclui uma mais forte utilização da psicologia cognitiva, colocando uma maior ênfase no papel do aprendente em poder controlar a interação de determinada aula. Deste ponto de vista, a interatividade centra-se no envolvimento cognitivo do aprendente, sendo a informação assimilada por este através de um verdadeiro diálogo com o computador. Para Baker-Albough (1993) a interatividade é considerada a base para uma boa instrução e um requisito para as aplicações educativas do computador. Este autor (Baker-Albough, 1993) enumera um conjunto de benefícios que advêm da aprendizagem interactiva: Aumento do interesse do aprendente; Processamento cognitivo mais elevado; Desenvolvimento de competências de aprendizagem cooperativa. Hazen (1985) também considera a interatividade como um fator importante dentro da aprendizagem baseada no computador, referindo as interações como a característica principal do software educativo para computadores. Borsook & Higginbotham-Wheat (1991) partilham desta posição, acrescentando que este potencial para a interatividade diferencia o computador dos outros media. Um outro autor, Hannafin (1989), considerando a importância que a interatividade tem na aprendizagem baseada no computador, apresenta características interativas específicas que se relacionam com o computador: Confirmação para verificar que a aprendizagem por parte do aluno ocorreu; Controlo do Ritmo; Opções de Resposta para as questões dos alunos, ajudas de rotina ou a verificação de conteúdos temáticos; Controlo da Navegação através de menus permitindo aos aprendentes o acesso a várias secções do programa geral; 132 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Elaboração onde os aprendentes sejam capazes de interativamente combinar conhecimentos prévios com a nova informação recolhida do programa instrucional. Dentro da instrução baseada no computador, a interatividade pode também ser definida como reativa ou proativa, dependendo da finalidade da interação de determinada aula (Milheim, 1996). As estratégias reativas referem-se a respostas simples dadas pelos aprendentes, como carregar no espaçamento para avançar no programa ou opções do menu que não requerem um conhecimento aprofundado do material a ser aprendido. As estratégias proativas, por outro lado, baseiam-se numa abordagem construtivista do ensino e da aprendizagem e envolvem os aprendentes, tornando-os responsáveis pela tomada de decisões na sua própria aprendizagem através de atividades auto-iniciadas e auto-monitorizadas. Estas duas estratégias podem, no entanto, ser combinadas num modelo interativo, onde as duas estratégias são integradas num único sistema de aprendizagem, facultando ao aprendente uma experiência de aprendizagem personalizada que inclui aspetos positivos de ambas as perspetivas. A interatividade estabelece-se entre o próprio programa e o utilizador e deve ser direta, rápida e intuitiva. Isto significa que os utilizadores aprendentes controlam, agora, a sequência, o andamento e, fundamentalmente, o que querem ver e o que querem ignorar. Blanco (1999: 110) refere “a assumção de um novo papel por parte do utilizador” como a primeira característica da comunicação interativa. O utilizador deixa de ser um mero recetor da informação e assume um papel ativo, podendo determinar a emissão de informações, selecioná-las e utilizá-las quando considerar oportuno fazê-lo, determinando também os tempos da interação. A interatividade implica que o processo de aprendizagem seja de algum modo modificado pela ação dos utilizadores, constituindo, assim, a grande diferenciação entre o ensino tradicional e o ensino centrado nos multimédia (Stemler, 1997). De acordo com Carvalho (2001), a interatividade dá ao utilizador poder e controlo sobre o documento, resposta imediata, possibilidade de aprender segundo o seu 133 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios ritmo individual de aprendizagem, criar a sua história numa dada situação de aprendizagem e o acesso a parte da informação de cada vez, podendo suscitar curiosidade e descoberta. Contudo, colocar nas mãos dos utilizadores o total controlo abre uma infinidade de possibilidades. Segundo Kristof & Satran (1995), passar do design de informação para o design de interação significa tornar a informação em experiência. Para tornar a interação possível é necessário definir algumas condições: Motivar o utilizador a ter experiência, dando-lhe instruções e opções claras; Criar um percurso interessante e compreensível através da informação; Dar controlo ao utilizador, possibilitando-lhe ir onde quer e como quer; Fazer a experiência tão fácil quanto intuitiva. Qualquer que seja o nível de interação que pretendamos criar, os objetivos básicos do design da interação são sempre os mesmos: clareza, simplicidade e uso fácil. A orientação é, pois, uma característica essencial dos produtos interativos. Para os utilizadores poderem ter o que precisam necessitam de uma orientação que é dada desde o início. Os utilizadores esperam um medium “amigo” e familiar que os guie através de territórios da informação desconhecidos, que sejam intuitivos e de fácil uso. Um produto mais complexo ou extenso requer um esquema de orientação mais versátil, propondo múltiplos níveis de informação acerca dos conteúdos para que os utilizadores possam ver muitos ou poucos detalhes, conforme a sua preferência. Em síntese, a interatividade é um fator particularmente importante na aprendizagem baseada no computador. Pelas suas características, como a capacidade de resposta imediata, a adaptabilidade e o respeito pelo ritmo de aprendizagem dos aprendentes, a interatividade pode potenciar uma aprendizagem mais eficaz, em que os alunos aprendam ao seu próprio ritmo, de uma forma autónoma, retendo o conhecimento durante mais tempo e sejam capazes de o transferir e aplicar pronta e eficazmente em situações reais. 134 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.3.2 Multimédia e aprendizagem 2.3.3.2.1 Das abordagens comportamentalistas às abordagens construtivistas na estruturação dos multimédia Na conceção de ambientes de aprendizagem multimédia interativos está sempre subjacente uma determinada abordagem ou teoria de aprendizagem (Carvalho, 1999; 2001). Em contexto educativo, existem duas abordagens, antagónicas entre si, que abarcam aspetos das várias teorias existentes: o objetivismo e o construtivismo (Pozo, 1996). Os primeiros meios tecnológicos e o processo em que foram desenvolvidos baseavam-se fundamentalmente no objetivismo, considerando o aprendente como um sujeito passivo, “reprodutivo estático” na denominação de Pozo (1996). Segundo Pereira (1993), a união do comportamentalismo com a tecnologia do ensino constituiu para muitas pessoas uma solução mágica, já que um “mau professor” podia ser substituído por uma máquina bem programada. Esta solução mágica teve um grande impacte e aceitação junto de muitos professores. Citando Pereira (1993: 24), “ao contrário do que se possa pensar este casamento entre o comportamentalismo e a tecnologia não conduziu necessariamente a um divórcio. Antes pelo contrário, tiveram muitos filhos. E estes filhos tiveram por seu lado muitos descendentes”. Esta forma de encarar o ensino tornou-se muito popular nos anos 70, mas o seu entusiasmo dissipou-se com o surgimento de uma nova conceção da aprendizagem assente nas teorias construtivistas. Estas teorias vieram alterar a conceção que se tinha do ambiente de ensino. Pereira (1993: 24) refere que “o principal efeito foi o de abrir, de certa forma, o referido ambiente e de o tornar mais interativo”. Pozo (1996) explicita as principais diferenças entre estas duas conceções do ensino. Enquanto que no objetivismo o aluno é considerado um sujeito passivo que responde a estímulos, numa visão construtivista o aluno é entendido como um sujeito ativo, produtivo e dinâmico. No objetivismo, a abordagem é atomística em oposição a uma visão construtivista holística, em que o todo é mais do que a soma das partes; a origem da mudança é externa, resultante do estímulo-resposta, contrastando com o construtivismo em que a origem da mudança é interna, implica a interatividade do 135 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios sujeito com o conhecimento, conferindo-lhe autonomia na resolução dos problemas. No objetivismo, a natureza da mudança é quantitativa, comportamental em oposição a uma visão construtivista em que a natureza da mudança é qualitativa, isto é, cognitiva. A aprendizagem, no objetivismo, é procedimental, feita por associação enquanto no construtivismo a aprendizagem é considerada um processo de construção, resultante de um processo de reestruturação do conhecimento. Na perspetiva construtivista, o aluno aprende os conteúdos graças a um processo pessoal de construção dos mesmos. Construir o seu próprio conhecimento significa elaborar uma representação pessoal do conteúdo da aprendizagem. Esta representação não se realiza a partir de uma mente em branco, mas a partir de um aluno com conhecimentos que lhe servem para integrar o novo conteúdo e lhe permitem atribuir significado. Este integrar não é automático, mas sim o resultado de um processo ativo do aluno que lhe permitirá reorganizar o próprio conhecimento e enriquecê-lo. O sucesso de uma aprendizagem significativa está em relacionar o novo material com as ideias já existentes na estrutura cognitiva do aluno. Segundo Coll et al. (1993), os alunos necessitam de possuir toda uma série de destrezas metacognitivas que lhes permitam assegurar o controlo pessoal sobre os seus conhecimentos e os próprios processos durante a aprendizagem. O professor torna-se participante ativo no processo de construção de conhecimento que tem como centro, não a matéria, mas sim os alunos que atuam sobre o conteúdo que vão aprender. Resnick (1989) refere três princípios fundamentais para revelar o potencial de aprendizagem dos multimédia interativos. 1. Os programas devem ser desenhados obedecendo ao princípio de que a aprendizagem é um processo de “construção do conhecimento” em oposição à “absorção do conhecimento”. 2. Os multimédia interativos devem ser estruturados para suportar o princípio de que a aprendizagem é dependente do conhecimento prévio que as pessoas usam para construir novo conhecimento. 136 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 3. Os programas multimédia interativos devem ser concebidos de tal forma que se tire o maior partido do princípio de que aprender está intrinsecamente ligado com a situação em que se aprende. Como afirmam Bransford et al. (1990), a construção do conhecimento nas salas de aula tradicionais é, na maioria das vezes, percebido e tratado mais como um fim em si mesmo do que tendo como finalidade desenvolver a capacidade de resolver problemas ou entender os acontecimentos gerais. A nova informação é tratada como factos isolados e competências abstratas para aprender, em vez de conhecimentos, competências e atitudes para serem usados. Existem diversos contextos em que os multimédia interativos podem ser desenhados, para apresentarem um determinado conhecimento ou situações problema e que servirão como uma “âncora” ou ponto de convergência para esforços colaborativos entre educadores e aprendentes, permitindo construir e reconstruir o conhecimento (Brown et al., 1989; Cognition and Technology Group at Vanderbilt, 1992). Este tipo de aprendizagem, “instrução ancorada”, foi assim designada por Bransford e o seu grupo de investigação (Cognition and Technology Group at Vanderbilt, 1992) porque o processo de construção do novo conhecimento é situado ou ancorado em contextos relevantes e significativos. Os problemas apresentados em programas multimédia podem ser intencionalmente desenhados para serem interessantes, desafiantes e orientados para a resolução dos problemas, possibilitando, desta forma, que os estudantes construam um conhecimento que lhes seja útil e significativo. O “Jasper Woodbury Problem Solving Séries”, desenvolvido pelo Cognition and Technology Group at Vanderbilt University (1992, 1997), o “Archeotype”, desenvolvido no New Laboratory for Teaching and Learning at the Dalton School, ou as “WebQuests”, desenvolvidas por Bernie Dodge e Tom March (1995), na Universidade de S. Diego, são três bons exemplos de implementações dos princípios construtivistas, bem desenhados e motivadores de pesquisa. 137 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.3.2.2 As perspetivas de Paivio, Mayer e Salomon O entusiasmo pela utilização de múltiplos media na aprendizagem deriva da “Dual Coding Theory” de Paivio (1986) e dos Pressupostos Aditivo e Multiplicativo, segundo Clark e Craig (1992 apud Carvalho 2002). A teoria da Codificação Dual propõe a existência de dois subsistemas cognitivos para o processamento da informação: um especializado no processamento da informação verbal (texto e áudio) e outro especializado no processamento de informação não verbal (imagens e sons). A informação verbal é relembrada sequencialmente, através de associações e hierarquias. A informação visual é armazenada de tal forma que qualquer pormenor pode ser ativado. Estudos realizados, na década de 60, sobre a memória revelaram que os sujeitos expostos à conjugação de imagens e palavras obtiveram melhores resultados do que os sujeitos expostos só a palavras ou só a imagens. Estes resultados levaram a concluir que assuntos armazenados nos dois subsistemas serão mais facilmente lembrados que assuntos armazenados num único sistema. Estes estudos generalizaram-se e passou a considerar-se que a utilização do texto e imagem facilitava a aprendizagem, em vez da utilização de um só medium. Segundo Najjar (1996), a informação deve ser codificada através de diferentes media para ajudar os alunos a apreenderem mais eficazmente a informação. A codificação dupla ajuda a reduzir a carga negativa da memória para que o aluno possa interpretar a informação ao criar esquemas de significados. Relativamente ao Pressuposto Aditivo, partia-se do princípio que dois ou mais media, se usados adequadamente, contribuíam para mais aprendizagem do que só um medium. Este pressuposto afirmava que os benefícios dos media na aprendizagem são aditivos, isto é, somam-se. Quanto ao Pressuposto Multiplicativo, os benefícios da utilização de vários media são superiores à soma de cada um dos media. Mayer (2001) considera que o design de ambientes de aprendizagem multimédia deve dar atenção à forma como o homem aprende, isto é, como processa a informação. Este investigador sintetiza os pressupostos que considera fundamentais para uma teoria 138 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios cognitiva dos multimédia na aprendizagem e para a conceção deste tipo de documentos: canal dual (dual-channel), capacidade de processamento limitada (limited capacity) e processamento ativo (active processing). A figura 2 apresenta de uma forma esquemática estes pressupostos e a sua descrição. Figura 2: Três Pressupostos da Teoria Cognitiva de Aprendizagem de Mayer (adaptado de Mayer, 2001: 44) Pressuposto Descrição Citações relacionadas Canal dual Os humanos possuem canais separados para o processamento da informação. Paivio, 1986 Baddeley, 1992 Capacidade limitada Os humanos são limitados no montante de informação que podem processar em cada canal de cada vez. Baddeley, 1992 Chandler & Sweller, 1991 Processamento ativo Os humanos envolvem-se na aprendizagem ativa através de nova informação, organizando-a em representações mentais. Mayer, 1999 Wittrock, 1989 O primeiro pressuposto, canal dual, baseado nas teorias da Codificação Dual de Paivio (1986 apud Mayer, 2001) e do modelo da memória de trabalho de Badelley (1992 apud Mayer, 2001), assenta no princípio de que o homem possui canais distintos para processar a informação visual e auditiva. O segundo pressuposto, capacidade de processamento limitado, baseado no modelo de Baddeley (1992 apud Mayer, 2001) e nos trabalhos de Chandler & Sweller (1991 apud Mayer, 2001), considera que o homem é limitado quanto à quantidade de informação que pode processar em cada canal simultaneamente. No terceiro e último pressuposto, processamento ativo, baseado nos estudos de Mayer (1999 apud Mayer, 2001) e Wittrock (1989 apud Mayer, 2001), considera que o homem se empenha numa aprendizagem ativa atendendo à nova informação, organizando seletivamente a informação em representações mentais coerentes e integrando essas representações mentais com outro conhecimento. Mayer (2001) propõe assim um modelo cognitivo de aprendizagem baseada nos multimédia que representa o sistema humano de processamento de informação. 139 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Figura 3: Teoria Cognitiva da Aprendizagem Multimédia proposta por Mayer (adaptado de Mayer, 2001: 44) Apresentação Multimedia Palavras Memória Visual Ouvidos Palavras Memória a longo prazo Memória de Trabalho Selecionando Palavras Sons Modo Verbal Organizando Palavras Integrando Gravuras Gravuras Olhos Selecionando Imagens Imagens Organizando Imagens Conhecimento Procedimento Modo Pitagórico A leitura da figura 3, permite-nos constatar que o sistema de processamento de informação compreende três tipos de memória: sensorial, de trabalho e a longo prazo. Através da apresentação multimédia, as imagens e as palavras são captadas pelos órgãos sensoriais, olhos e ouvidos, entrando na memória sensorial. Esta memória permite que, por um curto período de tempo, as imagens e as palavras sejam armazenadas como imagens visuais, na memória sensorial visual e que o discurso oral e todos os sons sejam armazenados como imagens auditivas na memória sensorial auditiva. Esta informação é depois enviada para a memória de trabalho, fase central na aprendizagem multimédia. Aqui a informação é guardada temporariamente e manipulada pela consciência ativa. Na memória de trabalho está representado o material que vem para a mesma, como as imagens visuais das imagens e as imagens auditivas das palavras. O conhecimento construído na memória de trabalho são os modelos mentais visuais e verbais e as ligações entre eles. Na memória a longo prazo, contrariamente ao que se passa na memória de trabalho, o conhecimento fica armazenado durante longos períodos de tempo, mas sempre que se ative esse conhecimento, este tem de ir para a memória de trabalho para ser utilizado. De acordo com o segundo pressuposto, a memória de trabalho tem uma capacidade limitada de processar informação. “In accord with the limited-capacity assumption, working memory is limited in the amount of knowledge it can process at one time, so that only a few images can be held in the visual channel of working memory and only a few sounds can be held in the auditory channel of working memory.” (Mayer, 2001: 45) 140 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Mayer (2001: 54) salienta que para que a aprendizagem em ambientes multimédia seja efetiva o aprendente tem que relacionar cinco princípios cognitivos: 1. Selecionar palavras relevantes para o processamento do trabalho de memória verbal; 2. Selecionar imagens relevantes para o processamento do trabalho de memória visual; 3. Organizar palavras selecionadas para as transformar num modelo mental verbal; 4. Organizar imagens selecionadas para as transformar num modelo mental visual; 5. Integrar as representações verbais e visuais bem como os conhecimentos prévios. No processo de aprendizagem, estes princípios não ocorrem necessariamente de forma linear ou sequencial, cada aprendente pode coordenar estes princípios de diferentes formas. O mesmo autor (Mayer, 2001: 184), baseando-se nos trabalhos realizados e nos princípios enunciados, sistematiza sete princípios que devem estar subjacentes na conceção de qualquer documento multimédia: Princípio multimédia: os alunos aprendem melhor quando se combinam palavras e imagens do que apenas palavras; Princípio de proximidade espacial: as palavras e imagens correspondentes devem estar próximas; Princípio de proximidade temporal: as palavras e imagens devem ser apresentadas simultaneamente em vez de sucessivamente; Princípio da coerência: as palavras, imagens ou sons não relevantes para o assunto devem ser excluídos; Princípio da modalidade: a utilização da animação e da narração em vez da animação e do texto escrito; Princípio da redundância: a utilização da animação e narração em vez de animação, narração e texto; 141 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Princípio das diferenças individuais: os sujeitos que mais beneficiam de um documento multimédia são os que têm poucos conhecimentos relativamente àqueles que já têm muitos conhecimentos, sendo os sujeitos que têm mais elevada orientação espacial que mais beneficiam comparativamente àqueles que têm pouca orientação espacial. Segundo Salomon (1994 apud Carvalho, 2001), o uso de múltiplos sistemas simbólicos é importante para induzir representações mentais sob diferentes formatos. Estes sistemas simbólicos diferem uns dos outros na medida em que apelam a diferentes modos de atividade mental na construção do sentido e na aquisição de conhecimento, propiciando assim diferentes tipos de processos mentais. Os símbolos correspondem a carateres ou elementos de código com regras e convenções, que se constituem em esquemas. Em grande parte dos esquemas simbólicos, os carateres ou elementos atómicos podem ser combinados de forma convencional para criarem elementos compostos como os textos escritos e as composições musicais. Quanto aos esquemas pictóricos, qualquer símbolo pode ser simultaneamente atómico ou composto. Para Salomon (1994 apud Carvalho, 2001), as principais diferenças entre os media têm a ver com a forma como estruturam e apresentam o conteúdo. Em primeiro lugar, o autor considera que diferentes sistemas simbólicos diferem quanto à quantidade de transferências mentais que requerem a partir do sistema simbólico externo para o modo interno. Em segundo lugar, defende que os sistemas simbólicos diferem relativamente às competências que invocam no processo de extração do conhecimento. Os diferentes sistemas simbólicos têm ainda um papel diferenciado nas atividades mentais que desencadeiam, condicionando a aprendizagem. A este propósito, Salomon (1994 apud Carvalho, 2001) refere um estudo em que se comparava informação em vídeo com uma descrição verbal, onde se verificaram melhores resultados com a informação em vídeo. Um fator que pode interferir na recodificação da informação é a forma como o próprio sujeito representa internamente o material a ser aprendido. Um outro aspeto que condiciona o processo de representação interna diz respeito ao próprio conteúdo a abordar e às tarefas a desenvolver. Para exemplificar este 142 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios aspeto, o autor refere um filme em que se evidenciavam as relações das partes com o todo. Verificou-se que quem mais beneficiou com a aprendizagem foram os sujeitos que apresentavam dificuldades a este nível. Os outros sujeitos realizaram uma aprendizagem mais superficial, pois não tiveram de fazer um esforço para analisar e identificar a relação entre as partes e esse esforço que torna a aprendizagem mais eficaz. 2.3.3.2.3 Fatores pedagógicos subjacentes à conceção de ambientes de aprendizagem multimédia Na conceção de ambientes de aprendizagem multimédia interativa, Depover et al. (1998) referem que se devem ter em conta quinze fatores pedagógicos. Estes fatores, que os autores consideram os elementos principais da arquitetura pedagógica, resultaram de pesquisas desenvolvidas no âmbito da educação e da psicologia. Os fatores são: a motivação, o ritmo individual, a participação, a interação, a perceção, a organização das mensagens, a estruturação do conteúdo, a escolha dos métodos pedagógicos, a estratégia de organização dos recursos, a repetição de atividades variadas, os exercícios adaptados, a aplicação dos conhecimentos adquiridos, o conhecimento imediato dos resultados e o papel dos contactos humanos. 1. A motivação. Segundo Depover et al. (1998), a motivação é o fator mais importante pois sem ele nada pode ser realizado em aprendizagem. Viau (1994) considera que a motivação se cria no aprendente através da apresentação da situação que irá ser vivida, situando a aprendizagem, ligando-a ao que o aprendente já conhece, criando expectativa, tentando implicar desde o início aquele que aprende. É desta forma que a motivação do aprendente será alimentada, reforçada e estimulada. Nuttin et al. (1963 apud Depover et al., 1998) encaram a motivação como algo que nasce quando o aprendente está em situação de tensão. 2. O ritmo individual do aprendente. A pesquisa tem provado que a aprendizagem é tanto melhor quanto mais se atender às diferenças individuais dos aprendentes, procurando respeitar o seu ritmo individual de perceção, de compreensão e de assimilação (Bloom, 1986 apud Depover et al., 1998). 143 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 3. A participação do aprendente. Na aprendizagem deve procurar implicar-se o aprendente no processo de ensino-aprendizagem. Através de atividades variadas e bem selecionadas, o aprendente deve ser um elemento ativo e dinâmico em todo o processo. As situações de aprendizagem criadas devem apelar a todos os seus sentidos, provocando reações, interrogando, propondo escolhas, observando, analisando ou sintetizando (Shramm, 1972 apud Depover et al. 1998). 4. A interação com o aprendente. A interatividade entre o aprendente e o sistema baseia-se no diálogo, na troca que é possível fazer entre eles, no grau de controlo no sistema de que o aprendente pode dispor, bem como na possibilidade de permitir iniciativas de ambos os lados para poderem sempre que necessário reorientar a interação. 5. A perceção. Não pode haver aprendizagem sem perceção dos significados a partir dos signos que compõem as mensagens. A perceção é um ato de inteligência que se produz a partir dos nossos sentidos. Uma boa perceção visual e sonora devem ser estimuladas. 6. A organização das mensagens. A organização das mensagens deve ser realizada de forma sistemática e com etapas concisas. A construção das mensagens implica uma escolha ponderada das imagens visuais e sonoras para que a sua combinação constitua uma linguagem coerente, com um significado pertinente. 7. A estruturação do conteúdo. A estruturação do conteúdo deve permitir salientar as principais ligações lógicas entre os vários elementos e as articulações essenciais presentes no conteúdo. As diferentes técnicas de esquematização e de destaque são fundamentais para esta estruturação. O esquema facilita a perceção, a compreensão e a memorização e consequentemente a aprendizagem. (Ausubel, 1968; Bruner & Olson, 1973; West, Farmer & Wolf, 1991; Marton, 1992 apud Depover et al., 1998) 8. A escolha dos métodos pedagógicos. O método é o conjunto dos passos, dos esforços ordenados e racionais que se seguem para intervir. Conforme o método selecionado, a aprendizagem pode realizar-se por associação, por indução, por dedução, por apresentação direta, por redescoberta, por ensaio e erro, por resolução de problemas, por análise e por síntese, entre outras. 144 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Existindo uma grande variedade de métodos, a sua seleção depende também do tipo de aprendizagem pretendida (factos, conceitos, regras, habilidades, atitudes) e do tipo de aprendentes visados (Correll, 1972; Hillgard & Bower, 1975; Parent & Néron, 1981; Reigeluth, 1987 apud Depover et al. 1998). 9. A estratégia da organização dos recursos. É todo o conjunto de recursos de que dispõe o aprendente em situação de aprendizagem. Faz-se normalmente a distinção entre recursos materiais, que determinam o ambiente pedagógico, e os recursos humanos indispensáveis ao aprendente. 10. A orientação do aprendente. A orientação diz respeito às técnicas que permitem balizar a progressão do aprendente em situação de aprendizagem. Trata-se de orientar, de sinalizar, de situar, de delimitar os trajetos durante o percurso do aprendente. Dependendo das necessidades de cada aprendente, deve ser dada mais ou menos orientação. A este propósito, Depover et al. (1998) referem que na elaboração de documentos multimédia interativos é difícil estabelecer uma “dosagem” da orientação a dar ao aprendente. Uma das questões que se coloca prende-se com o tempo durante o qual o aprendente precisa de ter para explorar uma situação antes de intervir para orientar a sua pesquisa. Segundo os autores, esta intervenção poder-se-á fazer depois de um tempo que se considere razoável para fazer a pesquisa, pois esta orientação aumenta a motivação intrínseca e a eficácia na resolução de problemas. Os cognitivistas utilizam a mediação, entendida como as ajudas e suportes dados ao aprendente, para proporcionar conhecimentos acessíveis. Relacionado com o conceito de mediação temos também o de facilitador, o de ajuda, o de guia ou o de tutor. 11. A repetição de atividades e de experiências variadas. Para que uma aprendizagem seja eficaz é necessário que esta se baseie sobre o aprendente em situação. Na expressão “Learning by doing”, Dewey mostra bem a importância que a experiência na ação tem na aprendizagem. A criança constrói conhecimento através de interações contínuas com a experiência. A aprendizagem beneficia da repetição de atividades variadas, baseadas na experiência, em simulações e interrogações (Dewey, 1947; Bruner, 1973; Hillgard & Bower, 1975 apud Depover et al., 1989). 145 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 12. Os exercícios. Os exercícios permitem a prática e o treino, favorecendo a aprendizagem. Contudo esta prática só é importante se o aprendente puder verificar e corrigir logo, e isto só é possível através da retroação (Hillgard e Bower, 1975; Dubé, 1990; Bruner, 1973 apud Depover et al, 1998). Para Depover et al. (1998), todas as teorias e métodos de aprendizagem referem a importância do exercício adaptado, progressivo, variado e verificado imediatamente à sua conclusão. 13. O conhecimento imediato dos resultados: a retroação. A retroação imediata ou feedback é muito importante pois permite ao aprendente verificar e controlar os seus resultados (Skinner, 1968; Hillgard & Bower, 1975; Gagné, 1975; Kulik & Kulik, 1979; Brien, 1990 apud Depover et al. 1998). Na comunicação pedagógica distinguem-se dois tipos de retroação: um que tem por função informar o professor ou o sistema de aprendizagem multimédia interativo sobre o estado em que se encontra o aprendente; outro que informa o aprendente sobre a qualidade da sua aprendizagem. 14. A aplicação dos conhecimentos adquiridos. A aplicação dos conhecimentos ocorre no final de determinada aprendizagem. Deve criar-se um contexto em que o aprendente possa aplicar de um ponto de vista teórico os conhecimentos adquiridos. 15. Os contactos humanos. Desde sempre o homem precisou de outros homens para aprender. Um contexto pedagógico pressupõe uma relação entre duas ou mais pessoas, a comunicação, a troca, o diálogo, a interação. Os ambientes de aprendizagem multimédia interativos, contrariamente ao que alguns pensavam, não substituem o professor, mas ao libertarem-no das tarefas mais repetitivas, conferem-lhe um outro papel, o de mediador, de guia, de conselheiro da aprendizagem, que de modo algum, pode ser exercido por qualquer tecnologia. De acordo com Depover et al. (1998: 40), com os ambientes de aprendizagem multimédia interativos os contactos humanos não são eliminados. Estes ambientes continuam a ser excelentes ferramentas e recursos criados, formados e organizados para complementar vantajosamente a ação do professor, libertando-o das tarefas mais repetitivas e possa exercer plenamente os seus papéis de orientador, guia, tutor. 146 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.3.3 Componentes dos multimédia 2.3.3.3.1 A estrutura A estrutura interna de um documento multimédia é particularmente importante pois vai condicionar a forma como os utilizadores vão aceder à informação. Daí que a estrutura selecionada para determinado documento deva refletir uma opção consciente por parte daqueles que o concebem. Nesta linha, Carvalho (2001), chama a atenção que a opção por determinada estrutura está condicionada por vários pressupostos como a finalidade do documento, o tipo de aprendizagem pretendido, as tarefas a realizar, os destinatários e o assunto a abordar. Se a finalidade for a aprendizagem, Horton (1994 apud Carvalho 1999) considera que é importante que o percurso seja sequencial, embora possa ter alguns desvios. Alguns autores preocuparam-se em definir tipos de estruturas em hiperdocumentos. Shneiderman (1992) considera que existem quatro tipos: sequência linear, estrutura em árvore, rede acíclica e rede cíclica. Brockman et al. (1989) consideram também quatro tipos: a sequência, a grelha, a árvore e a rede. Parunak (1989) refere cinco tipos: topologia linear (anel), hierárquica, hipercubo (hipertoro), grafo acíclico e topologia arbitrária. Usando a nomenclatura utilizada por Carvalho (2001), a estrutura de um documento hipermédia ou multimédia pode ser linear ou sequencial, hierárquica e em rede. A estrutura linear é a mais simples, o utilizador percorre o documento de forma sequencial, para a frente e para trás. Cada nó do documento tem apenas um descendente e um pai. Este tipo de estrutura, linear ou sequencial, ao apresentar um percurso prédefinido vai obrigar o sujeito a seguir esse percurso, o que faz com que não haja, à partida, problemas de desorientação. Quanto à aprendizagem, esta é dirigida. A estrutura hierárquica consiste numa abordagem do geral para o particular. Se se aceitar que aprender consiste essencialmente em assimilar conhecimento, então a estrutura de um ambiente de aprendizagem deve replicar a estrutura do conhecimento de um especialista da área (Jonassen, 1989, apud Carvalho, 2001). Numa estrutura em 147 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios árvore, cada nó só tem um pai. A navegação é simples, mas o utilizador dispõe de opções. Entre a estrutura em árvore e a estrutura em rede encontra-se a estrutura acíclica que permite o acesso à informação por mais de um percurso (Carvalho, 2001). Este tipo de estrutura, mais interativa, em que cada nó pode possuir mais do que um ascendente, pode conduzir alguns utilizadores a problemas de orientação e consequentemente a problemas de aprendizagem. A estrutura em rede é a mais complexa, constituindo a essência do hipertexto. Qualquer nó pode estar ligado a todos os outros. Em termos de navegação, este tipo de documentos pode trazer problemas, pois os utilizadores podem sentir-se perdidos no “hiperespaço”. Para Shneiderman (1998) demasiadas ligações podem distrair e sobrecarregar o utilizador, pois este tem que estar sempre a escolher a próxima ligação. Segundo Carvalho (2001), os documentos estruturados em rede nem sempre têm conduzido a bons resultados na aprendizagem. Como estes documentos colocam total controlo da aprendizagem a quem os utiliza, são propícios a situações em que se pretendam desenvolver estratégias cognitivas e de resolução de problemas, mas desadequados para situações em que seja necessário respeitar uma determinada ordem. Os documentos em rede destinam-se a aprendentes que demonstrem elevada maturidade intelectual e uma grande motivação face ao seu uso. Carvalho (1999), na revisão de literatura que realizou sobre o controlo do utilizador num hiperdocumento, concluiu que o controlo que se deve proporcionar ao aprendente depende de três aspetos fundamentais: dos seus conhecimentos prévios sobre o assunto em estudo, da sua familiaridade com hiperdocumentos e dos objetivos da aprendizagem. Desta forma, quando o aprendente não possui qualquer conhecimento prévio sobre o assunto ou apenas conhecimentos muito elementares, o percurso a facultar ao aprendente deve ser mais estruturado. Em síntese, segundo Carvalho (1999), uma exploração completamente livre de uma rede de nós e ligações não é adequada para aprender, pois leva à desorientação. É pois necessário que a estrutura do documento se adeque às finalidades de utilização. Se o objetivo é apenas sensibilizar o utilizador para determinado assunto, o mais adequado 148 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios é que o documento proporcione múltiplas ligações, dando maior liberdade de navegação. Se o que se pretende é a aquisição de determinado conhecimento, o documento deverá disponibilizar percursos pré-definidos. 2.3.3.3.2 A navegação Uma outra característica dos produtos multimédia interativos é a navegação, que faculta ao utilizador percorrer um documento. Segundo Carvalho (1999) é o processo de navegação, que resulta do processo de interação entre o utilizador e o documento, que permite ao utilizador aceder ao conhecimento disponível. Iniciada a viagem ao conhecimento, o utilizador pode navegar livremente deambulando de informação para informação, pode fazer uma pesquisa quando quer obter uma informação sobre um tópico, ou ainda, submeter-se a uma navegação prédefinida… (Carvalho, 1999: 91). O conceito de navegação pressupõe, então, um utilizador ativo na seleção e criação dos percursos. Assim, o utilizador acede a níveis mais complexos de organização do sistema, através da possibilidade de comunicar com os blocos de informação relacionados. Segundo Kristof & Satran (1995) o design de interação é sobretudo um design de navegação, por isso, criar interfaces que ajudem as pessoas a perceber onde estão, para onde ir e como lá chegar, é fundamental. Desta forma, um bom design de navegação será aquele que minimiza o percurso, a profundidade e a redundância: Minimizar o percurso significa criar um percurso o mais simples e mais pequeno possível entre dois pontos. Minimizar a profundidade é criar uma hierarquia com o menor número possível de níveis. Minimizar a redundância é evitar criar múltiplos percursos para o mesmo lugar, a partir do mesmo ecrã. Quer o produto seja distribuído online, em CD-ROM ou outro meio, o objetivo do design do percurso das ligações é tornar a navegação o mais simples e direta 149 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios possível. Para Carvalho (2001) o utilizador deve saber para onde vai antes de ativar uma ligação. Sempre que o utilizador passe o cursor sobre determinada ligação ou ícone, esta deve disponibilizar informação sobre o que vai aceder, cabendo ao utilizador a opção de estabelecer ou não essa ligação. Um dos aspetos que pode facilitar a navegação é a ajuda disponibilizada pelo documento. As ajudas dão informação sobre o funcionamento do documento, sendo por isso imprescindíveis ao utilizador, sem contudo serem de leitura obrigatória para não incomodar os utilizadores experientes e estando sempre acessíveis para o utilizador que necessite delas. 2.3.3.3.3 A interface A interface é a superfície de conexão entre o utilizador e o computador ou os documentos interativos, proporcionando uma comunicação que tem como principal característica o diálogo permanente e instantâneo entre o utilizador e o sistema. Para Carvalho (1999: 77) interface “é o que o utilizador vê do hiperdocumento, facultando todo o processo de interação entre aquele e a informação disponível no documento e permitindo ao utilizador a construção do modelo mental do hiperdocumento, imprescindível para compreender a estrutura do mesmo e fazer uma navegação confiante”. Dias (1995) refere que é com a geração dos media capazes de desenvolverem capacidades de interação avançada com o utilizador que se formaliza o princípio do “diálogo” entre o homem e o computador e, deste modo, a sua utilização enquanto instrumento para “pensar com”. Mais do que um simples processo interacional homem/computador ou entre sistemas de códigos de representação suportados pelo computador, a comunicação multidimensional introduz a formalização da interação entre o utilizador e as diferentes formas de mediatização do conhecimento. Neste contexto, Dias (1994: 30) define interface como uma “superfície de contacto com a informação e também um envelope para o conteúdo”. Assim se compreende que a interface constitua um dos aspectos que condiciona o sucesso ou insucesso de um documento (Dillon, 1990; Laurel, 1993; Martins, 1995). Corroborando estes aspetos, Barker (1996) ressalta a importância da interface, particularmente do seu aspeto, ao 150 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios considerar que é através desta que o utilizador se entusiasma ou desinteressa pelo documento. Nesta linha, existe um conjunto diversificado de trabalhos que se centram nos aspetos ligados à conceção da interface como a localização, apresentação e distribuição do texto, das imagens, do vídeo, animação, dos gráficos e da utilização da cor (Travis, 1991; Clarke, 1992; Marcus, 1992; Jones, 1993; Eberts, 1994; Preece et al., 1994; Fernandes, 1995; Mullet e Sano, 1995 apud Carvalho, 1999). Segundo Boyle (1997) os textos, os gráficos e a cor são os componentes básicos dos sistemas multimédia. Jones (1993 apud Carvalho, 1999) considera seis elementos que normalmente surgem na interface, facultando o acesso e a manipulação da informação: os menus, os botões, as janelas, as ajudas à navegação, as ajudas ao documento e as respostas tipo ou caixas de diálogo. Os menus são listas de opções disponíveis ao utilizador e podem ser representados de três modos: de pressão, listas e inseridos. O menu de pressão só é visível no ecrã quando o utilizador o seleciona, geralmente com a ajuda do rato. No menu em forma de lista, todos os itens são visíveis, podendo selecionar-se um deles com a ajuda do rato. O menu inserido é constituído por uma palavra ou expressão que se encontra inserida no texto e que, sendo selecionada com o rato, permite que o utilizador aceda a essa informação. Os botões são áreas do ecrã que quando são ativadas por ação de um estímulo, como por exemplo do rato, estabelecem uma ligação. Os botões podem surgir com diferentes aspetos, como uma designação verbal, como um ícone ou como um ícone com designação verbal. Os botões icónicos ou ícones têm de refletir o tema do documento. Carvalho (2001: 510) refere que “o significado do ícone é dado pelo contexto em que este se insere, pela tarefa para que está a ser usado, pela forma da sua representação e pela natureza do conceito subjacente que está a ser representado”. Por esta razão é importante que exista coincidência entre a representação gráfica do botão e a função que este tem no documento. Segundo Carvalho (1999), estes botões podem ser permanentes ou ocasionais. Os botões permanentes devem surgir sempre no mesmo local, nos diferentes ecrãs. Se 151 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios algum dos botões não tem funcionalidade em determinado ecrã, poderá ser retirado ou desativado. Esta investigadora considera que qualquer uma destas opções tem inconvenientes, mas defende que tornar inativo o botão é a melhor solução (Carvalho, 2001). Se se opta por retirar o botão e este está inserido num conjunto, cria-se um espaço em branco, tornando inestético esse ecrã e se se tenta rearranjar a colocação dos botões perde-se consistência. Se se opta por tornar inativo o botão, deve colocar-se este num tom mais esbatido para que o utilizador entenda que esse botão não está funcional nesse ecrã. As janelas, apresentando normalmente uma forma retangular, facultam o acesso a diferentes fontes de informação. Como permitem a comparação de diferentes conteúdos, deve evitar-se a sua sobreposição. De acordo com Carvalho (1999), a utilização de múltiplas janelas cria confusão nos utilizadores, especialmente nos menos experientes. Se se pretende utilizar múltiplas janelas, Shneiderman (1992 apud Carvalho, 1999) sugere que estas devem ser colocadas lado a lado. A utilização do scrolling, referida por Andleigh & Takrar (1996 apud Carvalho, 1999), é vantajosa pois permite que se visualizem vários textos que vão aparecendo na janela à medida que vão sendo ativados. As ajudas fornecem informações ao utilizador sobre o modo de funcionamento do documento. Estas devem estar sempre disponíveis, sem serem propriamente obrigatórias. Segundo Carvalho (1999), as ajudas à navegação podem surgir sob quatro formas: através de ecrãs introdutórios no início do documento, para ensinar o seu modo de funcionamento; através de mapas, indicando ao sujeito onde está; através de texto, para explicar ao utilizador que a sua escolha está errada; través de setas, indicando as direções e dando pistas visuais que ajudam o utilizador a saber onde está e para onde ir. Tendo em conta que ajudas demasiado frequentes podem aborrecer os utilizadores mais experientes, mas que estas são imprescindíveis aos menos experientes, investigadores como Shneiderman e Andleigh & Takrar (apud Carvalho, 1999) sugerem que as ajudas devem estar disponíveis, sem se imporem ao utilizador, permitindo, deste modo, que ele as selecione sempre que seja necessário. 152 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios As respostas tipo ou caixas de diálogo são meios de interação que envolvem manipulação direta dos objetos e do conteúdo do documento (Carvalho, 1999: 82). Esta interação faz-se através do teclado e de apontadores como o rato ou ecrãs táteis. Os utilizadores iniciam e controlam as ações através da seleção das variáveis disponíveis. Uma interface bem concebida facilita a compreensão da interação (Preece et al., 1994 apud Carvalho, 2001), e permite ao utilizador desenvolver o modelo mental do documento, tornando mais fácil a sua orientação no mesmo. Deste modo, a interface deve ser consistente, simples, intuitiva e funcional (Carvalho, 2001). A consistência é um aspecto fundamental para que o utilizador possa interagir de uma forma mais facilitada com o documento. Esta funciona fazendo a experiência de uso o mais intuitiva possível, permitindo aos utilizadores aprender o menos possível novos comportamentos e construindo o máximo de conhecimento. A este propósito, o exemplo de Kristof & Satran (1995) é explícito: se um produto oferece a opção de ouvir um texto no ecrã lido por um narrador, os utilizadores esperam encontrar a mesmo opção quando forem para um tópico novo. Os diversos elementos da interface devem pois aparecer sempre nos mesmos locais ao longo do documento, desempenhando sempre as mesmas funções e apresentando consistência relativamente a diferentes aspetos como as cores, a fonte, tamanho e estilo utilizados, a localização da informação, dos botões e da ajuda nas diversas páginas do documento. Em síntese, a consistência da interface ajuda o utilizador a desenvolver o seu modelo mental do hiperdocumento permitindo-lhe esperar que determinado botão de navegação funcione do mesmo modo em contextos semelhantes (Norman, 1986; Preece et al., 1994; Andleigh & Thakrar, 1996 apud Carvalho, 1999). 2.3.3.3.3.1 O texto O texto é um formato importante para os utilizadores leitores. A sua apresentação e localização no ecrã devem ser planeados. A mensagem do texto é normalmente apresentada num bloco retangular no ecrã. Se esse bloco de texto é substancial, é usada muitas vezes um divisão à esquerda e à 153 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios direita no desenho do ecrã (Boyle, 1997). Esta divisão corresponde de grosso modo às páginas esquerda e direita de um livro. O bloco de texto é normalmente colocado no lado esquerdo da “página” ou painel do ecrã. As imagens animadas ou a área de trabalho são depois apresentadas no lado direito da página. Esta aproximação é usada, por exemplo, nos tutoriais online como o sistema de autor Toolbook. Na maioria das vezes este esquema tem por base uma aproximação contar e mostrar (Boyle, 1997: 152), isto é, o texto disponibiliza a informação básica, que é suportada por uma ilustração relevante colocada na parte direita do ecrã. Este esquema pode, no entanto, ser expandido para uma aproximação de contar, mostrar e fazer, podendo o aprendente agir diretamente na área direita do ecrã para desenvolver as tarefas que lhe são propostas. Um outro tipo de apresentação consiste na colocação do texto no topo do ecrã principal (Boyle, 1997). Este tipo de apresentação pode ter várias cambiantes. Um dispositivo de texto constante no topo do ecrã tende a jogar um papel central num esquema estruturado de apresentação. O texto “pop-up” tende a disponibilizar funções mais flexíveis. Uma das funções que estas caixas de texto “pop-up” geralmente disponibilizam é o feedback ao utilizador, função central em ambientes de aprendizagem (Boyle, 1997). Nestas caixas de texto é dada informação aos aprendentes, que desencadeiam alguma ação, sendo depois dado o feedback. Uma outra função para as caixas de texto “pop-up” é a disponibilização de comentários. Este dispositivo reduz a confusão no ecrã e faculta informação adicional ou ajuda seletiva para a tarefa. Um outro aspeto particularmente importante para uma clara apresentação da mensagem é a forma como esta é composta. Para que uma mensagem possa ser comunicada com clareza e precisão, num espaço geralmente limitado, é necessária alguma habilidade na sua composição. Boyle (1997), com base nas advertências dadas acerca da escrita em prosa por alguns escritores como Orwell e Quiller-Couch, apresenta um conjunto de orientações que podem ser seguidas na composição de um texto: 1. Escolha uma estrutura composicional adequada e mantenha-a. 154 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2. Faça cada parágrafo de acordo com uma ideia central. 3. Use uma linguagem definida, concreta. 4. Nunca use uma palavra longa onde uma curta faz o mesmo. 5. Se for possível omitir uma palavra retire-a. 6. Use palavras correntes preferencialmente à gíria popular. 7. Quebre algumas destas regras sempre que o seu texto esteja a ficar desadequado. O autor sintetiza ainda todas estas ideias numa única frase: seja específico, estabeleça limites, seja concreto e preciso. “Be specific, definite, concrete and precise” (Boyle, 1997:155) Sintetizando, uma boa mensagem deve ser composta tendo como referência a simplicidade e a clareza na comunicação. Para uma apresentação clara a mensagem deve ser ainda legível e esteticamente agradável. Assim, a seleção do tipo e do tamanho de letra deve ser feita seguindo algumas regras. Relativamente aos tipos de letra, estes podem ser divididos em dois grupos: com sérifa e sem sérifa. Os tipos de letras com sérifa apresentam pequenas decorações das letras. Isto é, têm mais pixels. Um exemplo de um tipo de letra com sérifa é o Times New Roman e um exemplo sem sérifa é o tipo Arial. No material impresso, especificamente no texto principal, é aconselhável usar-se um tipo de letra com sérifa porque ajuda os olhos a fluir mais facilmente ao longo da frase. Para os cabeçalhos é indiferente, pode usar-se um tipo de letra com sérifa ou sem sérifa. Segundo Boyle (1997), as convenções usadas para o material em papel não se aplicam ao material a ser usado num ecrã de computador. A resolução num ecrã de computador é mais pobre do que a tinta no papel. Um texto com um tipo de sérifa, ainda que seja pequena, num ecrã de computador sobrecarrega a visão. Outra característica particular do ecrã de computador é que, como a luz é projetada mais do que refletida, torna este problema ainda maior. Um tipo de letra sem sérifa deve ser mais utilizado em blocos de texto, no ecrã. Nos cabeçalhos, por contraste, pode usar-se um tipo de letra com sérifa para criar um efeito decorativo. Relativamente ao tamanho da letra, Boyle (1997: 156) 155 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios refere a advertência de Schwier & Misanchuk (1993): os carateres devem ser suficientemente grandes para permitirem uma boa leitura, mas não tão grandes que a perturbem. Assim, para blocos de texto a letra deve ter o tamanho 12 ou 14. O tamanho da letra do texto deve ser adequado ao contexto em que é usado. São os fatores do contexto, juntamente com os critérios de legibilidade, que condicionam a escolha do tamanho do texto. Para tomarmos a decisão final acerca do tamanho do texto devemos basear-nos também no bom senso, procurando responder à seguinte questão: isto está correto e desempenha bem a sua função? (Boyle, 1997: 157). 2.3.3.3.3.2 A imagem Nos sistemas multimédia existem basicamente dois tipos de imagens: bitmaps e imagens vetoriais (Boyle, 1997). Cada uma destas tipologias tem características específicas, satisfazendo diferentes necessidades e diferentes composições. A principal diferença entre estes dois tipos de imagens reside na forma como estes são armazenados no computador. Enquanto que os bitmaps são armazenados na memória do computador como uma imagem do que aparece no ecrã, isto é, cada sinal no ecrã é guardado como um número numa matriz, as imagens vetoriais, por contraste, são armazenadas como fórmulas matemáticas que definem todas as formas na imagem. Um bitmap é representado como uma ordem de números na memória do computador, correspondendo cada um deles a uma informação codificada de um pixel. Se for usado apenas um dígito binário, dois valores de cores (0,1) podem ser guardadas – o preto e o branco. Se for colocada mais memória, maior é a precisão de informação que pode ser guardada acerca de cada pixel. Se forem usados quatro dígitos binários já podem ser guardados dezasseis valores de cores. A profundidade de graduação da cor que podemos obter depende do hardware do computador. Boyle (1997) refere as quatro maiores fontes deste tipo de imagens: imagens criadas em programas especiais de pintura (Paint programs); fotografias; imagens digitalizadas e imagens do ecrã. As imagens de desenho representam um objeto através da informação mínima requerida para desenhar o objeto. Por exemplo, um retângulo pode ser definido por coordenadas do canto superior esquerdo e do canto inferior direito. Informação adicional pode ser dada para definir a cor da linha usada para desenhar o retângulo e a 156 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios cor da área dentro dos limites desse retângulo. O software do computador usa esta informação para desenhar e moldar a forma. A imagem tem, em contexto educativo, enormes potencialidades, podendo desempenhar diversas funções. Diéguez (1978) refere sete. A função motivadora, quando a imagem tem por objetivo motivar os alunos para a aprendizagem, despertando-lhes o interesse e a atenção para determinado assunto. A função vicarial, quando a imagem substitui a realidade que não pode ser apresentada, superando muitas vezes a própria palavra. Perante a dificuldade de descrever determinado aspeto, uma fotografia pode servir para transmitir imageticamente determinado conteúdo. A função catalisadora de experiências, em que a imagem é utilizada para reorganizar o real, facilitando a compreensão sobre um aspeto concreto. A função informativa que se caracteriza pela utilização da imagem como elemento primordial do discurso didático. A palavra desempenha, aqui, uma função explicitadora da mensagem icónica. A função explicativa, quando a imagem serve para explicar determinado aspeto de um conteúdo. Por exemplo, quando representa graficamente um processo, uma relação ou uma sequência temporal. A função redundante existe quando a interação imagem-texto serve para reforçar a mesma ideia, o mesmo conteúdo. Em documentos didáticos, o texto pode servir para explicar o conteúdo da mensagem visual, ou ao contrário, a imagem pode servir para ilustrar o conteúdo já manifestado de uma forma clara pelo texto. A função estética, quando a imagem surge só para dar cor à composição, para quebrar a monotonia. Não é o conteúdo da imagem que está em causa, ela serve apenas para embelezar, por exemplo, o texto. 2.3.3.3.3.3 A cor No design dos documentos multimédia, a cor é usada com o objetivo de tornar a exposição eficaz e agradável. Os conhecimentos técnicos acerca da forma como se 157 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios processa a informação humana e a informação no computador são importantes para se perceber porque determinadas opções funcionam melhor que outras. O olho humano contem dois tipos principais de recetores de luz: os bastonetes e os cones. Os bastonetes reagem à intensidade de luz enquanto os cones são responsáveis pelo processamento da cor. Há três tipos de cones que respondem respetivamente ao vermelho, ao verde e ao azul. Os cones vermelhos e verdes são mais numerosos e situam-se essencialmente na área central de focagem do olho enquanto que os azuis são menos, mas distribuem-se de igual modo pelas áreas central e periférica dos olhos. As três cores têm também diferentes durações de focagem: o azul é visto como estando mais longe e o vermelho como estando mais perto, estando o verde entre estes. Este efeito condiciona o modelo de cor usado. Existem diferentes formas de representar a cor. Uma das representações mais usadas é o modelo tricromático onde estão codificadas as cores vermelho, verde e azul. Todas as outras se obtêm a partir destas três cores. Um outro esquema de representação da cor é o modelo de Munsell. Este modelo assenta basicamente em três ideias chave: matiz, saturação e valor. O matiz refere-se ao lugar da cor no espectro que vai do vermelho ao violeta. A saturação corresponde à densidade da cor. O valor ou brilho classifica a cor numa escala da mais clara à mais escura. Este modelo é o que normalmente serve de base às ferramentas para manipulação da cor utilizadas no computador. Uma questão importante na escolha da cor para os documentos multimédia é a escolha da cor do fundo. Segundo Boyle (1997), o uso da cor branca tem vantagens pois permite que se utilize qualquer cor para primeiro plano. Contudo, o autor adverte para o facto de grandes áreas de branco poderem criar demasiada claridade. Contrariamente ao que acontece com a folha de papel em que a luz é projetada, num monitor de um computador ela é refletida, por isso demasiada claridade perturba a visibilidade. Como alternativa ao branco, Boyle (1997) sugere a utilização do cinzento. Para além de ultrapassar o problema da claridade que o branco pode colocar, o cinzento permite também escolher um leque enorme de cores para primeiro plano. Para além destas duas cores, Boyle (1997) refere que outras cores podem ser usadas, dependendo das cores utilizadas para primeiro plano. Num caso em que os objetos usados em primeiro plano são cinzentos, o azul pode ser uma cor de fundo bastante eficaz. 158 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Para a escolha da cor dos objetos de primeiro plano, Boyle (1997) sugere alguns aspetos a ter em conta: a representação gráfica realística dos objetos; o efeito estético; a transmissão de informação codificada por cor e o ajustamento aos padrões. Se se pretende representar graficamente os objetos com realismo existem necessariamente alguns constrangimentos à escolha das cores. A cor pode também ser usada para aumentar a perceção da informação relevante. A escolha das cores deve também estar de acordo com os padrões do sistema. A criação de um efeito estético agradável coloca um conjunto de critérios subjetivos. A este propósito Boyle refere o princípio que Tufte apresenta: “ acima de tudo, não prejudicar” (Tufte, 1990: 81 apud Boyle, 1997). O autor (Boyle, 1997) sugere que se evitem não só o uso de muitas cores como mudanças abruptas nas cores adjacentes, acrescentando que usando-se uma combinação de tons de uma cor pode ajudar a criar um esquema de cores harmonioso. 2.3.3.3.3.4 A animação A animação aumenta o impacte da apresentação. As várias formas de animação existentes podem ser usadas para melhorar a aprendizagem. De entre essas formas, Boyle (1997) salienta quatro tipos: 1. Mover objetos no ecrã. 2. Movimentos dos objetos controlados pelo utilizador. 3. Imagens em movimento ou em progressão. 4. Ficheiros de animação. Os dois primeiros tipos de animação envolvem geralmente objetos desenhados. As ferramentas de autor, como o sistema Toolbook, disponibilizam técnicas que facilitam o movimento das gravuras no ecrã. Esta forma de fazer animação é muito importante para fazer demonstrações para os aprendentes. As animações também podem servir para clarificar a mensagem. Por exemplo, introduzir os controlos de navegação de um sistema. A animação pode ainda servir de entretenimento. Num cabeçalho, as letras podem mover-se acompanhadas por uma música. 159 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Um aspeto relevante no design de aprendizagem é dar o controlo do movimento dos objetos ao aprendente. Este controlo deve ser dado juntamente com demonstrações para criar um diálogo de aprendizagem baseado no mostrar e fazer, como refere Boyle (1997: 166). Em síntese, existem diferentes tipos de animação que fornecem diferentes recursos. Uma animação bem feita causa uma boa impressão nos seus utilizadores. No entanto, na conceção de documentos multimédia educativos, devemos ter em conta que a primeira função da animação é a de suporte para uma aprendizagem eficaz. 2.3.3.3.3.5 O som Nos sistemas multimédia, os componentes do som são basicamente de dois tipos: MIDI10 e áudio digital (Boyle, 1997). Os ficheiros MIDI arquivam instruções para criar sons. Estas instruções são baseadas num padrão desenvolvido para enviar mensagens para instrumentos eletrónicos – MIDI. Os ficheiros áudio digitais são amostras digitalizadas do discurso e música actuais. Este sistema, áudio digital, é o mais utilizado no sistema multimédia por não requerer conhecimentos específicos. Estes ficheiros são fáceis de manipular e podem ser importados a partir de qualquer fonte. Um sistema multimédia pode utilizar diferentes tipos de som digital: o discurso, a música e efeitos sonoros. A música e os efeitos sonoros são muito utilizados no software educativo multimédia como recompensa para respostas certas ou advertência para as respostas erradas dadas pelas crianças. Relativamente à incorporação do som em documentos multimédia educativos deve-se ter contenção na sua utilização. Demasiada música ou efeitos sonoros podem ser motivo de distração ou irritação para os utilizadores. Relativamente à integração do discurso em ambientes de aprendizagem multimédia, Boyle (1997) sugere algumas linhas de orientação. Os segmentos do discurso devem ser: curtos, manejáveis, integrados e complementares ao texto. Os discursos não devem ser longos porque desinteressam os aprendentes. O utilizador deve ter o máximo controlo sobre o som, podendo interromper, iniciar, repetir ou parar sempre que o deseje fazer. A interrupção é particularmente importante para sequências 10 As iniciais MIDI significam Musical Instrument Digital Interface. 160 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios de discurso longas. O discurso deve ser integrado juntamente com outros media do sistema. Por exemplo, pode ser criada uma personagem para fazer os comentários. O discurso é particularmente vantajoso como complemento de um texto. No caso em que o documento apresente uma demonstração animada não é conveniente que surja também um texto, só serviria para distrair o utilizador, o discurso é mais adequado pois funciona como explicação do que vai acontecendo na demonstração. Boyle (1997) salienta que em ambientes de aprendizagem multimédia a relação entre o texto e o discurso colocam um problema específico, pois não existem orientações definitivas sobre o seu uso. No entanto, o autor sugere que se utilize o discurso para dar uma breve descrição dos pontos-chave e o texto para se apresentar a informação mais detalhada, pois é através da leitura que o aprendente retém com maior eficácia a informação. 2.3.3.3.3.6 O vídeo O desenvolvimento significativo das tecnologias informáticas tem disponibilizado um conjunto de meios para a edição do vídeo digital. A conjugação de diversas tecnologias, como computadores mais potentes e CD-ROMs com maior capacidade de armazenamento, tornou possível o desenvolvimento e aperfeiçoamento do vídeo digital. As ferramentas para editar o vídeo digital estão disponíveis em programas como o iMovie, da Apple ou o Windows Miovie Maker. O vídeo constitui um poderoso recurso de aprendizagem. No entanto, esse poder pode tornar a sua observação passiva. Para se retirarem todos os benefícios que este recurso proporciona é necessário que seja usado de uma forma ativa. Não basta que os aprendentes o vejam, devem também usá-lo. Para isso, o vídeo tem de ser funcionalmente integrado em todo o contexto de aprendizagem. Um dos aspetos que os construtivistas defendem é a necessidade de criar experiências de aprendizagem autênticas. Os vídeo clips proporcionam esse tipo de experiências, realçando fortemente a autenticidade de um ambiente de aprendizagem baseado no computador (Boyle, 1997). Em contexto educativo, o vídeo pode desempenhar diversas funções. Ferrés (1994) refere sete: 161 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A função informativa, quando o vídeo veicula uma mensagem que tem por finalidade descrever a realidade o mais objetivamente possível. A função motivadora, quando o vídeo estimula nos alunos o interesse por determinado assunto. A função expressiva, quando no ato comunicativo o interesse principal se centra no emissor, nas suas emoções. A função avaliativa, quando o vídeo está associado a conceitos de autoscopia ou microensino. A função investigadora, quando a tecnologia do vídeo é utilizada para realizar trabalhos de investigação a diversos níveis. A função lúdica, quando o interesse do ato comunicativo se centra essencialmente no jogo, no entretenimento, na gratificação ou no prazer. Segundo Ferrés (1994), se o prazer é um requisito indispensável para a motivação, e esta é por sua vez uma condição indispensável para a aprendizagem, então o caráter lúdico da tecnologia do vídeo pode otimizar o processo de ensino/aprendizagem. A função metalinguística, quando o interesse do ato comunicativo se centra no seu próprio código. 2.3.3.3.3.7 A ajuda De uma maneira geral, os documentos multimédia disponibilizam dois tipos de ajuda ao utilizador. Uma ajuda que se refere especificamente à resolução de tarefas, dando pistas ao utilizador para poder prosseguir a tarefa se surgem dificuldades. Por exemplo, se a tarefa proposta é ordenar uma palavra que surge de uma forma desordenada, mas o utilizador apresenta dificuldades na realização dessa tarefa, premindo sobre o botão da ajuda são-lhe dadas pistas para resolução correta da tarefa. O outro tipo de ajuda é a ajuda à navegação. As ajudas à navegação dão informação ao utilizador sobre o funcionamento do documento, tendo como finalidade reduzir a complexidade da navegação no documento. 2.3.3.3.3.8 O feedback O feedback é uma reflexão retroativa do desempenho do aprendente, que o ajuda a perceber e orientar a sua própria aprendizagem. Segundo Meyer & Rose (1998), o 162 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios reconhecimento externo cria sentimentos de realização, progresso e eficácia e, por isso, funciona como motivação para o trabalho. Segundo Borsook e Higginbotham-Wheat (1991), o feedback é um componente importante da interatividade. Muitos dos documentos educativos multimédia proporcionam feedback ao utilizador, em forma de reforço positivo (mensagem de parabéns e muitas vezes aumento da pontuação e promoção a outro níveis de dificuldade), de reforço negativo (mensagem de erro e muitas vezes diminuição da pontuação). Este feedback ou retroação é dado em função do desempenho do utilizador e é imediato. A retroação imediata é muito importante, pois permite ao aprendente verificar e controlar os seus resultados (Skiner, 1968; Hillgard et Bower, 1975; Gagné, 1975; Kulik et Kulik, 1979; Brien, 1990 apud Depover et al. 1998). Como foi referido no ponto 2.2.1.1, Milheim (1996) considera que o feedback dado pelo programa de computador a cada aprendente deveria ser pessoalmente relevante e estar relacionado com uma resposta específica dada pelo mesmo. Hazen (1985), sugere que se devem usar variedades de feedback que incluam o tipo informativo, confirmativo, motivador e instrucional. 2.3.4 A Internet A Internet é um fenómeno ímpar de comunicação e partilha de informações e de conhecimentos à escala mundial. Ao longo dos anos foi-se assistindo a um crescimento exponencial da Internet, estendendo-se aos lugares mais recônditos do planeta e possibilitando que milhões de pessoas se tornassem suas utilizadoras. A Internet tem um enorme potencial enquanto elemento democratizador à escala global e quem não a utiliza torna-se, na atual sociedade da Informação e Conhecimento, um infoexcluído ou um analfabeto funcional. 2.3.4.1 Origens da Internet A Internet teve as suas origens num projeto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (E.U.A.), ARPAnet (Advanced Research Projects Agency Network), cujo objetivo era criar uma rede descentralizada de comunicações que 163 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios pudesse resistir a um potencial ataque nuclear russo. De salientar que se estava em plena “Guerra Fria”, que opunha duas superpotências, E.U.A. e União Soviética, e que o risco de uma guerra nuclear era real. A ARPAnet surgiu no início da década de 70 e a ideia era a de criar uma rede de comutação de pacotes que tinha como função separar a mensagem (informação) em pacotes, sendo cada um endereçado separadamente (D´Eça, 1998). Em casos de falhas parciais da rede, um pacote podia ser destruído, mas os outros seguiriam por outras rotas que não tivessem sido atingidas. Para que a conexão entre os diversos computadores fosse possível foi criado o Protocolo Internet (IP). Devido ao crescimento da rede este protocolo torna-se obsoleto e é substituído por outro, o Protocolo TCP (Transmission Control Protocol)/IP (Tesouro & Puiggalí, 2004). Até meados da década de 80 a rede foi-se desenvolvendo mas o seu uso estava confinado aos laboratórios militares e departamentos científicos. Só depois dessa data é que a sua utilização se alargou ao meio académico e ao da investigação. Segundo Tesouro & Puiggalí (2004), o ano de 198311 é considerado o ano de nascimento da Internet, quando se separa a parte militar da parte social da rede. Dá-se a divisão da ARPAnet em duas redes distintas, a ARPAnet para a investigação e a MILnet (military network) para a parte militar. A NSF (National Science Fundation) cria uma rede própria chamada NSFNET (National Science Fundation NETwork), absorvendo em seguida a ARPAnet, constituindo-se como uma grande rede com objetivos científicos e académicos, utilizando a tecnologia IP de ARPAnet, através de linhas especiais de telefone. De acordo com D`Eça (1998: 25), “o grande mérito da NSFNET consistiu em ter sido a primeira rede a proporcionar não só um acesso universal a instituições de ensino superior, como a comunicação entre investigadores e académicos e governamentais”. Nesse ano já havia quinhentos computadores conectados. É também no ano de 1983 que são criados os nomes dos domínios utilizados nas extensões, como .com ou .pt, que ainda hoje todos utilizamos. A ARPAnet é desativada em 1990, dando lugar definitivamente à Internet. 11 D`Eça (1998) considera o ano de 1990 como o ano de nascimento da Internet, uma vez que é nesse ano que a ARPAnet é definitivamente desativada. 164 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Em meados da década de oitenta as empresas começam-se a ligar à Internet e o correio eletrónico passa a ser o seu meio preferencial de comunicação. Com a redução dos preços dos computadores pessoais e o surgimento dos computadores portáteis, os cidadãos comuns começam progressivamente a estar também ligados à Internet. Com o aparecimento da World Wide Web (Web, W3 ou WWW como pode ser designada), em 1992, a Internet ganha uma dimensão multimédia. Segundo D`Eça (1998), a “Web trazia consigo uma característica inovadora – permitia navegar na Internet através de texto, imagem e som com um simples clique do rato” (D`Eça, 1998: 26). 2.3.4.1.1 A World Wide Web A World Wide Web é uma teia de redes e sistemas à escala mundial que faz parte integrante da Internet. A Web veio dar visibilidade à Internet e atrair um número crescente de utilizadores em todo o mundo. D´Eça (1998) considera a Web como “a componente mais dinâmica, mais poderosa, mais flexível, mais versátil…” da Internet e aponta como justificação a junção de duas capacidades, a multimédia e os links. O recurso à combinação de texto, imagem, som e animação tornou a interface apelativa, amigável e mais fácil de usar. Por outro lado, a linguagem hipertexto que utiliza e cuja característica mais visível é o link é o que permite qualquer utilizador “navegar” na informação. O criador da World Wide Web foi Tim Bernes-Lee, um físico britânico, do CERN12, que em 1980 desenvolveu o Enquire, com o propósito de facilitar a partilha de documentos e informação entre os colegas. A ideia era associar três aspetos, o hipertexto, a Internet e os computadores pessoais, criando uma rede de informação única. No ano de 1990, Bernes-Lee cria, em conjunto com um colega, o primeiro navegador/editor da Web, o WorldWideWeb. No final desse ano estavam criadas todas 12 CERN é o antigo acrónimo de Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire que atualmente se designa por Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, sedeada em Genebra, na Suiça. No entanto, continua a usar-se o acrónimo CERN para fazer referência a essa organização. 165 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios as ferramentas para a Web funcionar: o navegador, o servidor e as primeiras páginas13. De acordo com o conteúdo da página da Wikipédia14, o 6 de Agosto de 1990 é a data que marca a estreia da Web como um serviço público da Internet. Em 1993, um estudante norte americano, da Universidade de Illinois, cria o Mosaic, um navegador gráfico que se distribuia de forma gratuita pela rede e permitia o acesso a um número infindável de gráficos e documentos. Este navegador foi o precursor dos browsers Safari, Netscape Navigator, Microsoft Internet Explorer ou Google que atualmente utilizamos para aceder à Web. Foi este navegador gráfico que ajudou a popularizar a Web e a Internet em geral. Segundo Tesouro & Puiggalí (2004) isto pressupôs uma autêntica revolução e a partir desse momento a Internet nunca mais parou de crescer. 2.3.4.1.1.1 Hipertexto O termo hipertexto tem a sua origem conceptual num artigo do cientista americano Vannevar Bush, “As We May Think”, de 1945. Nesse artigo, o visionário autor fala da necessidade de se criar uma máquina ou dispositivo capaz de armazenar, organizar, interligar e disponibilizar de modo interativo, quantidades muito grandes de informação, a que dá o nome de “memex” (Memory Extender). Considere um dispositivo a desenvolver no futuro, de uso individual, e que será uma espécie de ficheiro e biblioteca privados e mecanizados. Necessita de um nome e, para cunhar um à sorte, “memex” servirá. Um “memex” é um dispositivo no qual um indivíduo armazena todos os seus livros, registos e comunicações e o qual é mecanizado de modo a poder ser consultado com velocidade e flexibilidade desmedidas. É um suplemento, íntimo e alargado, para a sua memória. (Bush, 1945: 196 apud Dias et al, 1998) O memex foi pensado como uma extensão da memória que permitiria fazer pesquisas da informação por índice, facultando ao utilizador a definição das associações entre a informação, ligando um texto ao outro. Para Carvalho (1999: 54) foi esta 13 O primeiro sítio Web foi info.cern.ch e o endereço da primeira página Web foi http://info.cern.ch/hypertext/WWW/TheProject.html, centrado em informação sobre o projeto WWW (fonte: http://info.cern.ch) 14 http://pt.wikipedia.org/wiki/World_Wide_Web#Hist.C3.B3ria, consultada em 15/11/2011. 166 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios “capacidade do ser humano associar informação que esteve subjacente à proposta, nunca concretizada, do memex”. Em 1962, Douglas Engelbart, inspirado pelo artigo de Bush, começa a trabalhar no seu projeto Augment com o objetivo de desenvolver um sistema computacional que permitisse aumentar as capacidades humanas e a produtividade. Estas ideias estão expressas num artigo de Engelbart, de 1963, “A Conceptual Framework for the Augmentation of Man´s Intellect”. O projeto foi desenvolvido no Stanford Research Institut e as ideias de aumentar a produtividade e as capacidades humanas foram implementadas num sistema informático designado NLS (oNLine System), que incorporava conceitos do hipertexto, mas não foi desenvolvido como tal. O NLS era um sistema que armazenava comunicações, artigos, relatórios com a facilidade de estabelecimento de referências cruzadas entre a diversa informação aí armazenada. Engelbart usou conceitos associados ao hipertexto e criou as bases da atual computação interativa. Mas foi Theodore Nelson quem criou o termo hipertexto (Dias et al., 1998; Carvalho, 1999), em 1965. Nelson desenvolveu um sistema pioneiro de hipertexto, o sistema Xanadu. O objetivo era criar um repositório de todo o conhecimento humano, transformando-o num hipertexto universal. No entanto, o objetivo não foi completamente atingido por ser demasiado ambicioso, mas uma versão do Xanadu ainda foi comercializada. Dos contributos mais relevantes atribuídos aos pioneiros do hipertexto estão os conceitos de hipertexto e de organização não linear da informação, já que estes foram os pontos de partida para os futuros sistemas hipertexto (Dias et al., 1998). A evolução dos sistemas hipertexto foi longa. A utilização em larga escala destes sistemas só foi possível com o desenvolvimento da informática, particularmente do aparecimento de software específico e acessível. Dias et al. (1998) destacam os sistemas Intermedia desenvolvidos pela Universidade de Brown (1985-1991), o Notecard, da Xerox Park (1986), o Guide, da Owl International (1987), o Hypercard, da Apple Macintosh (1987), o HyperTIES da Universidade de Maryland (1987) e o sistema Toolbook, da Asymetrix Corporation (1989). 167 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Toda esta evolução levou aos atuais sistemas de hipertextos distribuídos em rede cujo exemplo é a World Wide Web. De acordo com Dias et al. (1998) em sentido restrito, o termo hipertexto referese ao conceito de organização não sequencial, associativo, de organização e consulta de informação textual, tendo como suporte o computador. Por vezes o hipertexto é utilizado para referir documentos ou aplicações que apresentam uma organização não linear da informação, que é representada por imagens e som, mas muitos autores contestam este uso. É o caso de Harland (1992 apud Dias et al., 1998) que restringe o uso do termo hipertexto para documentos com informação não linear em texto escrito, usando o termo hipermédia para os outros que incluem texto, imagens, som, grafismos. Gomes (1995 apud Dias et al., 1998) apresenta de uma forma sintética as características fundamentais do hipertexto: organização não sequencial; representação em formato texto; tecnologia digital ao nível dos dispositivos de leitura/escrita; grande grau de interatividade. O mesmo autor propõe ainda uma definição para o hipertexto: “documento com informação representada em formato texto, com uma organização não sequencial, em suporte digital, permitindo grande interatividade entre o utilizador e o documento.” (idem: 65) Nos ambientes hipertexto, a estrutura não sequencial da informação permite aos seus leitores estruturarem o texto da forma que entenderem podendo optar pela sequência que desejarem. Permite assim uma organização da informação não linear, sendo o leitor quem determina a ordem da sua leitura e não o autor, como acontece num texto convencional. Por isso mesmo é que a atividade dos leitores de hipertexto é chamada de navegação ou pesquisa, em vez de leitura (Dias, et al. 1998). Esta organização da informação de forma não linear tem subjacente o conceito de dois elementos essenciais: o nó (node) de informação e a ligação (link). Cada unidade de informação, o nó, tem um ou vários apontadores, as ligações, que facultam o acesso a outros nós. 168 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Para Barthes (1970 apud Carvalho, 1999) O leitor não é um consumidor, mas um produtor de texto, que ao lê-lo interpreta-o, atribuindo-lhe um sentido. Um “leitor” de um hipertexto faz um percurso pessoal unindo nós de informação e cria uma versão do conteúdo do hipertexto, que pode ter uma forma diferente da de outro “leitor” (idem: 57). A liberdade de escolha do utilizador relativamente ao percurso que vai determinando é, pois, uma característica relevante do hipertexto. De acordo com Dias et al. (1998) o leitor é livre de escolher aquilo que pretende utilizar e aquilo que não quer, não tendo que obrigatoriamente ler partes do texto que não lhe interessam. Este sentimento de liberdade é enfatizada por Nielson (1990, apud Dias et al., 1998) pois o utilizador pode mover-se livremente através da informação em função das suas próprias necessidades. A “liberdade de navegação” é, sem dúvida, uma característica preponderante do hipertexto. 2.3.4.1.1.2 A Web 2.0 O conceito Web 2.0 foi, no entender de Campión & Navarida (no prelo) aflorado pela primeira vez em 1999, por Dinnuci. A autora numa reflexão sobre a Web afirmava que a Web que até então se conhecia, a que se visualizava dentro da janela de um navegador e constituía um conjunto de telas estáticas, estava muito distante daquilo que viria a tornar-se no futuro. O termo Web 2.0 tem uma “paternidade partilhada” atribuída a Tim O`Reilly e Dale Dougherty que em 2004 (O`Reilly, 2005 apud Vacas 2010:120) participando numa sessão de brainstorming prévia à primeira Conferência Web 2.0, a realizar em S. Francisco, Estados Unidos, “inventaram” essa expressão (Gewerc Barujel & Agra Pardiñas, 2009; Vacas, 2010). Foi, no entanto, em 2005 que o conceito Web 2.0 começou a popularizar-se com a realização da Conferência Web 2.0, organizada por Tim O´Reilly e o Medialive International (Campión & Navarida, no prelo; Carvalho, 2008). Se a primeira fase de desenvolvimento a Web, Web 1.0 como tem vindo a ser designada, se relaciona principalmente com a unidirecionalidade das mensagens e alta 169 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios qualificação para utilização das ferramentas da rede, a segunda fase, a da Web 2.0, inaugura um período de bidirecionalidade, de facilidade de uso do software, da redescoberta do valor de vinculação entre os utilizadores, voltada para a inovação (Vacas, 2010). Também Carvalho (2008) enfatiza a ideia de bidirecionalidade e facilidade de uso ao afirmar que “a Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web e de saber alojá-las num servidor” (idem: 8). Figura 4: The huge cloud lens bubble map Web 2.0 - de Markus Angermeier, 200615 A figura nº 4 mostra uma imagem icónica da Web 2.0, uma Tag Cloud, com as palavras-chave que caracterizam a Web 2.0. As tags apresentam diferentes tamanhos de acordo com a frequência de uso das mesmas, sendo maiores as que têm maior frequência de uso. Conceitos tão diversos como usabilidade, convergência, partilha, participação, simplicidade, mobilidade ou redes sociais, blogues, áudio, vídeo ou Wikis, que caracterizam a nova Web a que qualquer um de nós tem acesso. Ser produtor de mensagens, “postar” textos, imagens, vídeo, termo popularizado pelo uso do blogue, passou a ser tão simples que permite às mais variadas pessoas colocarem mensagens e comentários em blogues pessoais ou temáticos, fazê-lo através das redes sociais como o Facebook, ou colocar vídeos caseiros no YouTube. 15 Retirada de http://kosmar.de/archives/2005/11/11/the-huge-cloud-lens-bubble-map-web20/ 170 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A metáfora usada por Vacas (2010: 120), a “(…) Internet inicialmente passou a sua fase mass media(…)” em que o autor compara a Web 1.0 aos “mass media”, adquire todo o sentido quando se comparam as potencialidades da Web 1.0 com a Web 2.0. Vacas (2010) refere que atualmente a Internet se converteu numa caixa de ressonância de múltiplas vozes que obrigatoriamente redirecionaram os fluxos de informação e ativaram o fator chave da comunicação entre iguais, algo inédito na história dos meios. Um dos exemplos que pode ser usado para ilustrar as diferenças entre Web 1.0 e Web 2.0 é a comparação entre a Encyclopedia Britannica Online e a Enciclopédia livre Wikipédia. Enquanto a primeira é organizada por especialistas das diferentes áreas, a Wikipédia resulta dos contributos de anónimos que vão partilhando e colocando os conteúdos, de forma rápida e ininterrupta. A Encyclopedia Britannica permite o acesso a um vasto conjunto de conteúdos online e sempre que um utilizador precisa de consultar pode fazê-lo acedendo à leitura dessa informação (Web 1.0). Já a Wikipédia tem um outro conceito, os conteúdos são construídos de forma participada por anónimos que vão dando o seu contributo de forma colaborativa, já que cada artigo pode resultar da participação de muitos colaboradores. Também a questão da permanente atualização é uma realidade na Wikipédia já que os seus artigos estão continuamente abertos à introdução de novas informações e a possíveis correções e ajustamentos. Como a informação que a Wikipédia disponibiliza foge a um controlo estruturado poderia pensar-se que a Britannica disporia de informação fidedigna e que a outra não. Um estudo realizado pela Revista Nature (Gilles, 2005 apud Campión & Navarida, no prelo), em que foram comparados quarenta e dois artigos na área da Ciência da Encyclopedia Britannica Online e da Wikipédia, vem desmistificar essa ideia. A metodologia utilizada pela Nature foi rigorosa, sendo os artigos revistos por especialistas independentes, sem a identificação da fonte. O resultado mostrou que tanto os artigos da Encyclopedia Britannica como os da Wikipédia apresentavam oito erros graves. Quanto a aspetos como imprecisões, omissões ou interpretações menos rigorosas e de pouca importância, foram referenciados cento e sessenta e dois para a Wikipédia e cento e vinte e três para a Encyclopedia Britannica Online. Atentando na extensão dos artigos da Wikipédia que são muito mais longos, a Revista Nature considerou que comparativamente a Wikipédia tem menos erros por palavra que a Britannica Online. 171 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios O conceito da Web 2.0 vem dar sentido à célebre personagem Emerec criada por Jean Cloutier (1975), investigador na área da Comunicação. Relativamente à comunicação e à evolução das tecnologias, Cloutier (1975, 2001) considera que a humanidade já atravessou seis períodos que não se excluem, são cumulativos, mas que à medida que se avança no tempo têm características diferenciadoras muito fortes: 1º Episódio: Comunicação Interpessoal, que se caracteriza pela exteriorização e pelos meios humanos. 2º Episódio: Comunicação de Elite, cujo modo é o da transposição e a utilização dos meios de suporte. 3º Episódio: Comunicação de Massa, em que a característica essencial é a amplificação, através dos mass media. 4º Episódio: Comunicação Individual, com a miniaturização dos meios e a proliferação dos self-media. 5º Episódio: Comunicação Comunitária, que se baseia na proliferação de redes, a interconexão, permitindo ao utilizador comunicar à distância e em tempo real. 6º Episódio: Comunicação Universal, proporcionado pela digitalização dos meios e pelos multimédia. E é no contexto do 6º episódio, da Comunicação Universal, em que todos estamos conectados, que o homem, sendo simultaneamente emissor e recetor de mensagens, se assume como verdadeiro Emerec. Esta ideia de conexão referenciada por Cloutier (2001) também é abordada por Gewerc Barujel & Agra Pardiñas (2009) quando afirmam que as novas ferramentas da Web 2.0 potenciam a ideia de partilha, de relação e de interação. Segundo os autores os processos de comunicação na Web 2.0 são cada vez mais sistemas de relações entre iguais que geram novas formas de construção do conhecimento, mais social e mais dependente da comunidade. Por outro lado, sob uma perspetiva individual cada vez mais temos que nos tornar autónomos, caminhando progressivamente para a auto-gestão do nosso processo de aprendizagem. 172 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios De acordo com Gewerc Barujel & Agra Pardiñas (2009) é essencial voltar-se a um termo muito importante para a Tecnologia Educativa: a interação. A interação é a participação para a criação de significados mediante a colaboração nos campos de conhecimento que nos ocupam e nas comunidades de aprendizagem. E dele emerge a criação de conexões, sob o ponto de vista de temas de interesse e de pessoas com conhecimentos relativos ao nosso campo. Conexões que devem ser-nos úteis para encontrar a informação essencial e sobretudo para criar conteúdos relevantes. (Siemens, 2005 apud Gewerc Barujel & Agra Pardiñas, 2009: 361) As ferramentas que possibilitaram o aparecimento de uma Web mais dinâmica, a Web 2.0, são os feeds, os trackbacks e as etiquetas. Estas permitem-nos indexar, gerir e relacionar entre si o colossal volume de conteúdos que se partilham todos os dias na Web (España et al., 2008). Estas novas ferramentas têm um enorme potencial didático que os professores não podem negligenciar. As possibilidades que se abrem tanto para professores como para alunos são múltiplas. Parafraseando Carvalho et al. (2008: 12) “A Web tem-se tornado cada vez mais a fonte de conteúdo para ensinar e para aprender. Além disso, escrever já não fica limitado ao texto, integrar vários formatos tem-se tornado cada vez mais fácil.” No contexto da web 2.0 a proliferação de recursos e ferramentas, em constante evolução, é enorme, permitindo aos utilizadores trabalhar na web de forma participativa e ativa. Os blogues, os Wikis, o Del.icio.us, o YouTube, o Flickr ou as WebQuests são exemplos de serviços e ferramentas que potenciam a “aprendizagem 2.0”, em que se perceciona a Web como um ambiente que pode potenciar a colaboração entre pares e o acesso ao conhecimento, tendo como base as ideias de aprender fazendo e de interação, criando redes de recursos e de pessoas (Gewerc Barujel & Agra Pardiñas, 2009). 2.3.4.1.1.2.1 O Blogue De acordo com Bull et al. (2004 apud Amorós, 2009) o termo Weblog, inicialmente “Web log” significava um diário em linha publicado na Internet. Mais 173 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios tarde as palavras juntam-se e dão origem a Weblog, passando pouco depois a Blog, ou blogue, como é usada em português. Criado no final de 1997 por Jorn Barger (Prendes, 2006 apud Amarós, 2009), o blogue é um diário na Web, cuja informação está organizada da mais recente para a mais antiga, em post, estando em permanente atualização com opiniões, factos, imagens, vídeos. Disponibiliza um índice de entrada e pode conter apontadores para outros sites. Segundo a Wikipédia16, o blogue é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos ou posts. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blogue, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blogue. Amarós (2009) sistematizou algumas das definições que diferentes autores utilizaram para caracterizar o blogue, que se apresentam na tabela abaixo (7). Tabela 7: Definições de Blogue (retirada de Amarós, 2009) Stephen Downes (2003) Donna Wentworth (anterior a 12/2/2003) Alejandro Piscitelli (2002) 16 Sítio Web Organização: séries baseadas en questões de dados Normalmente escrito por uma só pessoa Reflete opiniões pessoais ou comentários sobre questões de interesse do autor Interface: mostra, em primeiro lugar, o comentário ou opinião mais recente, permitindo que os leitores identifiquen o novo conteúdo facilmente Denomina-se Weblog ou blog Lugar Web atualizado diariamente através de emparelhamentos, comentários e qualquer coisa que a pessoa queira transmitir Os artigos novos colocam-se na parte superior e os mais antigos fluem abaixo da página Podem ser diários políticos, resumos de notícias e/ou diários pessoais Podem centrar-se num tema através de um universo de assuntos A forma de Weblog é diferente e única com respeito à Web Primeira forma prática de escrever em linha Publicação massiva de informação Custo de alfabetização tecnológica praticamento zero Na página http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog (consultada em 24/11/11) 174 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios España et al. (2008) destacam um conjunto de vantagens da utilização dos blogues em contexto educativo e que decorrem desde logo da sua “simplicidade, comodidade e facilidade de uso” (España et al., 2008: 372): Interatividade. A interatividade e a participação são dois aspetos essenciais dos blogues. A possibilidade que o aluno tem de comentar o que se publica e a de poder obter informação acerca de quem escreve sobre nós noutros blogues, graças ao Trackback. O aluno pode participar na comunidade de aprendizagem publicando, ligando-se, vendo, lendo, pensando e respondendo. Aluno protagonista da aprendizagem. Ao desenvolver um blogue, o aluno passa a ser o líder da sua própria aprendizagem e emissor de mensagens. Normalmente um blogue educativo resulta da participação de um grupo de alunos, podendo cada um deles assumir a responsabilidade por uma tarefa específica, tal como acontece numa redação de um jornal, por exemplo. Facilidade de manuseamento. Para criar ou utilizar um blogue, alunos e professores não necessitam de conhecimentos de informática, apenas são necessários conhecimentos básicos como escrever mensagens ou o uso de interfaces, conhecimentos já adquiridos com outros programas como de correio eletrónico ou de processador de texto. Na organização do blogue, o professor e os alunos podem-se concentrar nos conteúdos já que a gestão do conteúdo e o desenho de apresentação de um blogue está pré-configurado. Acesso desde qualquer lugar. Como toda a gestão e publicação do blogue se faz online, não se limita a um computador. Professor e alunos podem dinamizar o blogue em qualquer computador, em algum lugar e à hora mais conveniente para eles. A grande vantagem é que o seu uso não se limita ao espaço e ao tempo de uma aula. Publicação cronológica. A organização da informação num blogue faz-se da mais recente para a mais antiga. Assim, sempre que acedemos ao blogue a informação que visualizamos em primeiro lugar é a mais nova, a última a ser atualizada. Categorização dos conteúdos. A classificação dos conteúdos por categorias conceptuais facilita a organização do material e em consequência o acesso a 175 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios este sempre que se precise. Uma vantagem é que quando o aluno categoriza a informação aprende a aplicar técnicas de seleção e classificação da informação. Retroalimentação. Num blogue não é necessário criar um espaço próprio para o feedback. A possibilidade de fazer comentários online cria uma comunicação interativa que permite ao aluno receber resposta imediata de outros participantes e tomar consciência da sua própria aprendizagem. Ligações. Nos blogues pode colocar-se uma lista de blogues recomendados, que podem estar disponíveis na página principal. A vantagem é que permite abrir redes de informação para aprofundamento do tema do blogue. Moderação de comentários. Os comentários que se fazem no blogue carecem de aprovação do administrador do mesmo, um docente ou aluno responsável, para serem publicados. No entanto, a possibilidade de serem publicados de maneira automática também existe. Carvalho & Cruz (2006) apontam uma outra característica relevante do blogue que é a flexibilidade. O blogue pode ser usado de forma individual ou coletiva e ainda com diversas finalidades. Relativamente às possíveis aplicações dos blogues ao contexto educativo, particularmente ao 1º Ciclo do Ensino Básico, elas são muitas: a turma pode colocar periodicamente os trabalhos que vai realizando, partilhando experiências e vivências do dia a dia; a turma pode criar um blogue para comunicar as atividades desenvolvidas no âmbito de um projeto, sejam textos, experiências, dramatizações, fotografias, vídeos; os alunos podem participar na criação de histórias interativas, incluindo sugestões dadas pelos visitantes do blogue; o professor pode publicar textos para que os alunos os comentem, desenvolvendo competências de leitura, interpretação, escrita e sentido crítico; o professor pode colocar desafios aos alunos que os envolvam em tarefas de investigação. A perspetiva do blogue como um software social foi analisada por Amarós (2009). Entendendo a opinião como um valor da atual sociedade, o blogue permite a implicação ativa do cidadão e nesse sentido é um software social (Prendes, 2006 apud Amarós, 2009). Também Orihuela (2003 apud Amarós, 2009) refere este caráter social 176 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios do blogue ao considerar o blogue como um conjunto de ferramentas informáticas dirigidas a potenciar a eficácia das redes sociais em linha. Tabela 8: Software social, baseada em Orihuela, 2003 (adaptada de Amarós, 2009) Social Networking Software O novo… Potenciar o efeito “Rede” entrecruzando três âmbitos: IRC Messenger, News Groups COMUNICAÇÃO Yahoo Groups, Wikis Weblogs Pondo em comum conhecimentos Encontrando e COMUNIDADE SMS integrando grupos (comunidades) COOPERAÇÃO Fazendo coisas juntos De acordo com a leitura da tabela nº 8, o blogue é um software social pois cruza três aspetos essenciais: a comunicação, a comunidade e a cooperação. A comunicação, porque quando se coloca um post, por exemplo, está-se a pôr algo em comum com o outro. A comunidade, porque o blogue cria grupos de pessoas que se interessam pelo mesmo assunto. A cooperação, porque a construção de um blogue depende da partilha e contributos de todos os que nele participam. Do ponto de vista educativo, Prendes (2006 apud Amarós, 2009) considera que o êxito do blogue relativamente a outras ferramentas tem a ver com o facto de possibilitar ao aluno deixar de ser o “internauta-recetor” para se tornar no “internautaemissor” (Amarós, 2009: 7). Em síntese, podemos definir o blogue no contexto de ensino como um diário interativo, onde se organizam as nossas experiências, inquietações, avanços e atrasos, preocupações, interesses, objetivos, ideias, que se depositam num “escritório” comum situado no “sexto continente”, a Internet (Amorós, 2009). Quanto aos efeitos do uso dos blogues a autora (Amorós, 2009) identifica a espontaneidade, a possibilidade de partilhar, emitir e receber (interatividade), conectar com outras informações (hipertextualidade), e conectar ideias (conectividade, webness ou interatividade cognitiva). 177 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.4.1.1.2.2 Wiki O termo Wiki, segundo a enciclopédia livre Wikipédia17, refere-se a um tipo específico de documentos em hipertexto ou ao software colaborativo usado para o criar. Este software colaborativo permite a edição colectiva dos documentos usando um sistema que dispensa a revisão do conteúdo antes de este ser publicado. O Wiki foi inventado em 1995 por Ward Cunningham com o objetivo de criar uma página Web que tornasse possível a edição aberta e colaborativa. “O primeiro software que elaborou deu início ao que se viria a chamar de Wiki Wiki Web e a múltiplas iniciativas similares. Actualmente, tem mais de uma centena de aplicações, disponíveis na quase totalidade das linguagens de programação e para todas as plataformas” (Martins in Carvalho, 2008: 65, 66). A popular Wikipédia veio dar visibilidade ao Wiki, e a sua edição está a cargo de voluntários de diferentes áreas que diariamente participam na ampliação dos conteúdos já existentes ou na criação e edição de novos. Para Martins (in Carvalho, 2008) há uma grande similitude entre um blogue e um Wiki: têm a mesma estrutura lógica mas diferem quanto à possibilidade de edição de conteúdos. Contrariamente ao blogue, num Wiki o utilizador pode editar o conteúdo, independentemente de ser ou não o seu autor. Podem corrigir-se erros, completar ideias, colocar informações novas. É este modelo de criação e edição partilhada que faz do Wiki um verdadeiro trabalho colaborativo na Web. Esta possibilidade de qualquer utilizador poder participar no processo de criação e edição de conteúdos também acarreta problemas como a existência de informação repetida e desorganizada, que se ultrapassa com uma limpeza periódica “chamada “refractorização” ou “jardinagem wiki”, a fim de suprimir páginas “mortas”, editar conteúdos repetidos ou fundir várias páginas (Martins in Carvalho, 2008). O uso educativo dos Wikis tem vantagens pois permite que os alunos se tornem produtores e editores de conteúdo na Web, fazendo-no de forma colaborativa com colegas e professor. Segundo Martins (in Carvalho, 2008: 68) 178 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A simplicidade e a facilidade de utilização dos Wikis fazem deles uma ferramenta apetecível aos olhos dos professores porque os Wikis estão orientados para o trabalho colaborativo, o que estimula a reflexão, a negociação entre alunos, etc. 2.3.4.1.1.2.3 Del.icio.us O del.icio.us foi desenvolvido por Joshua Schachter, em 2003. Esta ferramenta permite organizar uma colecção de sites favoritos, bookmarks, online, em que os links, organizados por tags (palavras-chave), permitem a criação de um grupo de favoritos. O utilizador pode aceder a esses bookmarks noutro lugar, assim como adicionar favoritos em qualquer lugar. O utilizador pode ainda partilhar os seus bookmarks e visualizar os favoritos (públicos) de outros membros da comunidade. Por esta razão o del.icio.us é um site de social bookmarking (Cruz in Carvalho & Aguiar, 2008). Na mesma linha España et al. (2008) considera que este é um serviço de marcadores social e sustenta a sua afirmação em três pontos: Podemos aceder a quaisquer marcadores públicos se conhecemos o seu nome de utilizador; Sobre as direções agregadas informa-nos da quantidade de utilizadores que também a agregaram, conta para além disso com um código de cor: quanto mais vermelho quanto mais utilizadores agregados ao link; O del.icio.us permite criar também a nossa própria rede com amigos e pessoas com gostos e preocupações comuns. (España et al., 2008: 329,330) Apesar do caráter social deste serviço da Web, o utilizador pode marcar favoritos no del.icio.us como privados, que serão visualizados apenas por si. O uso educativo do del.icio.us passa por fomentar a colaboração entre colegas, através da seleção e organização de bookmarks que sejam relevantes para a turma. Cruz (in Carvalho & Aguiar, 2008: 35, 36) sugere como exemplo, uma aula de Inglês em que o professor cria uma conta no del.icio.us, negoceia com a turma as tags sobre o conteúdo específico a estudar. Segue-se a visita aos favoritos selecionados, onde recolhem as informações que necessitam para a aprendizagem, podendo depois 17 http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki (consultada em 2/11/2011) 179 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios organizar uma apresentação à turma. 2.3.4.1.1.2.4 Flickr O Flickr é um aplicativo que permite aos utilizadores colocar as suas fotografias e etiquetas e partilhá-las com todo o mundo. Os objetivos são “…ajudar as pessoas a disponibilizar suas fotos para as pessoas que são importantes para elas” e “…permitir novas maneiras de organizar as fotos e os vídeos”18. O Flickr foi criado em 2004 por Caterina Fake e Stewart Butterfield para a empresa Ludicorp. Em 2005 a Yahoo compra a Ludicorp, sendo o conteúdo do site migrado dos servidores do Canadá para os Estados Unidos. O Flickr é um software de rede social. Uma das suas potencialidades é a de facultar aos seus utilizadores a possibilidade de criar álbuns para armazenamento das suas próprias fotografias que podem ser vistos em todo o mundo. A organização e classificação das fotos é feita por meio de categorias, tags, que os próprios utilizadores definem. O Flickr foi o primeiro aplicativo a popularizar o conceito de “tagging” (Auchard, 2007 apud Cruz in Carvalho & Aguiar, 2008) ou seja, palavras-chave que permitem que os utilizadores acedam a outros documentos de forma rápida e eficaz. Os usos educativos deste aplicativo privilegiam as atividades em que a imagem seja a protagonista (España et al., 2008). Os alunos podem desenvolver trabalhos utilizando as imagens disponibilizadas, comentando-as, por exemplo, ou serem eles mesmos produtores de imagens que partilham. Uma outra sugestão é a criação de álbuns de fotografias. Um exemplo de uma atividade a desenvolver numa aula é dado por Cruz (in Carvalho & Aguiar, 2008: 35). Numa aula de História o Flickr pode ser utilizado para criar álbuns sobre diferentes estilos artísticos. Os alunos tiram fotografias de monumentos e esculturas da cidade ondem vivem e, depois de um trabalho de investigação sobre o estilo artístico em que estas se inserem, organizam as imagens e catalogam-nas no site. 18 Os objetivos foram retirados da página http://www.flickr.com/about/ (consultado em 19/11/2011). 180 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.4.1.1.2.5 Google A popularização da Internet como uma rede de acesso universal implicou a organização de um volume colossal de informação que cresce anualmente, a um ritmo vertiginoso. Os motores de busca foram os primeiros a ordenar estes dados na rede e a permitir o acesso dos utilizadores à Web 1.0. Para muitos utilizadores, o motor de busca é a “home page” da Web. Segundo Vacas (2010), uma característica dos utilizadores dos mass media era a fidelidade, característica que se perdeu com a utilização da Internet ou os aplicativos informáticos. Os utilizadores mudavam em função da simplicidade de uso e da eficácia, passando a utilizar o motor de busca que mais lhe facilitava a pesquisa. Foi assim que o Google se afirmou. A Google foi fundada por dois estudantes de doutoramento da Universidade de Stanford, Larry Page e Sergey Brin, em 1998. Segundo a Wikipédia19, a missão da empresa era “"organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil". O seu slogan “Don´t be evil” ou “Não sejam maus” traduz-se na seleção da publicidade que colocam nas páginas, apenas anúncios relevantes, não permitindo a apresentação de publicidade enganosa ou “agressiva”. Numa só década o Google Search ultrapassou os motores de busca concorrentes. Com uma estética minimalista, uma página “limpa”, branca, em contraste com o enorme e caótico manancial de informação que a Internet disponibiliza, e as páginas muito carregadas como a do Yahoo, atraiu os utilizadores. A máxima antiga do arquiteto Mies van der Rhoe “Menos é mais”, explica, em parte, a estratégia ganhadora da Google. A eficácia nas buscas de informação também é um fator importante para a adesão de tantos utilizadores ao Google. 19 Informação recolhida na página http://pt.wikipedia.org/wiki/Google (consultada em 14/05/2010) 181 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A Google oferece múltiplos serviços20 dos quais o Google Search é o primeiro e o mais expressivo. Há uma lista enorme de serviços que a Google disponibiliza como o popular YouTube, ou a rede social Orkut, o correio eletrónico Gmail ou o Google Earth. A forma como facilita a pesquisa das informações na Web e a sua eficácia tornam-no num serviço essencial em contexto educativo. 2.3.4.1.1.2.6 YouTube O serviço YouTube foi criado em Fevereiro de 2005 por Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karim, com o objetivo de possibilitar a partilha de vídeos. Inicialmente este serviço consistia em partilhar conteúdos audiovisuais como excertos de filmes, de programas televisivos, vídeoclips, conteúdo produzido por amadores, utilizando o formato Macromedia Flash. No entanto, todo o material disponibilizado não pode ter copyright e não deve exceder os 100MB (Cruz in Carvalho, 2008). O YouTube alcançou rapidamente a popularidade, chegando aos 100 milhões de vídeos visitados por dia, em Julho de 2006 (Fortes, 2006). Em Novembro desse ano foi comprado pela Google e a revista norte-americana Time (2006) classificou o YouTube como a “invenção do ano”. O YouTube liderou a lista das melhores invenções do ano que incluía categorias tão diversas, como, medicina, brinquedos, Internet, casas, roupas, entre outras. Segundo Cruz (in Carvalho, 2008) esta distinção gerou polémica para os que defendem que a disponibilização do vídeo online já era feita há mais de uma década. O que de facto se constata é que a utilização do YouTube se generalizou entre os jovens e dificilmente encontraremos entre estes quem nunca tenha ouvido falar neste serviço ou mesmo que nunca o tenham usado. O ritmo de crescimento é tão grande que diariamente são disponibilizados cerca de 65 mil novos arquivos de vídeo digital (Caetano & Falkembach, 2007). No contexto educativo, o YouTube pode ser um recurso excelente já que permite, não só ser utilizado para visualização e suporte à abordagem de diferentes 20 Na página referente aos serviços e ferramentas http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_ferramentas_e_serviços_do_Google, (consultada em 14/05/2010) 182 são da Google, referidos 62. 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios conteúdos, mas principalmente porque permite que os alunos se tornem eles próprios produtores de vídeo. Só têm que filmar, editar as imagens e os sons e disponibilizar o vídeo no YouTube. Ao fazerem o upload, têm um formulário onde se podem colocar instruções, dicas ou comentários que aparecerão depois que o vídeo esteja disponível. É positiva a possibilidade dos alunos postarem comentários sobre o que acharam, e quais as suas opiniões a respeito do assunto tratado (Caetano & Falkembach, 2007). O facto de poderem partilhar aquilo que fizeram vem dar visibilidade ao trabalho que é desenvolvido na aula e ajudar outras pessoas que estejam a abordar o mesmo assunto. O YouTube disponibiliza ainda um serviço específico para educadores, o TeacherTube, que permite alojar vídeos até 100 MB e catalogá-los com as etiquetas corespondentes, podendo optar-se pela privacidade, só para a turma ou escola, ou tornar público permitindo que qualquer outro o utilize nas suas aulas ou conferências. Este serviço foi criado em 2007 por Jason Smith que considerava vantajoso que os professores e as escolas se servissem das potencialidades pedagógicas inerentes à Web para aprender (Cruz in Carvalho, 2008). 2.3.4.1.1.2.7 Podcast O podcast é um arquivo de áudio, música e/ou voz, que se distribui automaticamente através de RSS, pode-se descarregar da Internet e gravar no computador ou repodutor MP321. Os podcasts surgiram em 2004, quando Adam Curry e David Winner emitiram pela primeira vez um programa de rádio na Web. O podcasting, termo que refere a publicação de podcasts na Internet, resulta da combinação do nome de um leitor de MP3, o famoso ipod da Apple, com a ideia de radiodifusão, broadcasting, permitindo que qualquer utilizador possa ser ter um programa de rádio, disponibilizando os seus podcasts (Carvalho & Aguiar, 2010). 21 Segundo a página da Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/RSS a abreviatura RSS é usada para a referência aos seguintes padrões: Rich Site Summary (RSS 0.91)/ RDF Site Summary (RSS 0.9 e 1.0)/ Really Simple Syndication (RSS 2.0). RSS serve para agregar conteúdo ou "Web syndication", podendo ser acedido através de programas ou sites agregadores. 183 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios As potencialidades deste serviço Web no contexto educatico são muitas. Como afirmam Carvalho & Aguiar (2010: 9), Os podcasts são um dos recursos da Web 2.0 que têm muitas potencialidades no ensino, quer na vertente de produtos online que podem ser explorados em contexto educativo, quer os criados pelo professor ou pelos alunos com finalidades variadas. Sousa & Bessa (in Carvalho & Aguiar, 2008: 54) consideram que o podcasting tem muitas potencialidades, nomeadamente numa perspetiva pedagógica mais ativa e construtivista, já que permite que o aluno se torne produtor, construindo e publicando os seus próprios podcasts, implicando-o de forma mais motivadora e ativa. Outra das vantagens para o processo de ensino-aprendizagem que os autores referem, é a de que os podcasts gravados podem ser ouvidos sempre que o aluno quiser, de acordo com o seu ritmo de aprendizagem. Como podem ser descarregados para aparelhos móveis, como telemóveis ou iPods, podem ser usados em qualquer lugar e fora do tempo da aula, o que confere ao aluno a gestão do seu próprio tempo. Um exemplo de promoção da utilização dos podcasts em contexto escolar é o concurso “Conta-nos uma História”, uma iniciativa que se enquadra nas atividades do Plano Tecnológico da Educação (PTE). Este concurso, que já vai na 3ª edição, é da responsabilidade da Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e do Plano Nacional de Leitura (PNL) e tem como objectivo: “…fomentar a realização de projectos desenvolvidos pelas escolas de Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico que incentivem a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nomeadamente as de gravação digital áudio.”22 2.3.4.1.1.2.8 WebQuest A ideia da WebQuest foi desenvolvida em 1995, por Bernie Dodge e Tom March, na Universidade de S. Diego, no âmbito de um trabalho proposto aos seus alunos sobre o Archaeotype. Como não tinham o programa organizaram uma experiência de trabalho em grupo, recorrendo a diversas fontes referentes ao 22 De acordo com a informação da página http://historias.dgidc.min-edu.pt/sobre/ 184 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Archaeotype como: partes de um relatório, alguns sítios da Web que descreviam esse software e a filosofia construtivista subjacente, um chat com uma das pessoas que o desenvolveu e uma vídeo-conferência com um professor que ensaiou o programa (Torres, 2010). O objetivo da atividade colaborativa proposta por Dodge e March era desenvolver experiências de aprendizagem que envolvessem múltiplos alunos e múltiplas tecnologias, centrando-se na World Wide Web (Carvalho, 2002). Nascia assim a WebQuest, uma atividade disponibilizada na Web, colaborativa, orientada para a pesquisa, em que a informação se encontra preferencialmente disponibilizada na Web. Segundo España et al. (2008), a WebQuest é um modelo que pretende rentabilizar o tempo dos estudantes, centrar-se no uso da informação mais do que na sua busca, reforçando os processos intelectuais nos níveis de análise, síntese e avaliação. Numa entrevista concedida a Linda Starr, do Education World23, e questionado sobre o que distinguia a WebQuest de outra atividade na Web, Dodge responde o seguinte: A WebQuest é construída em torno de uma tarefa executável que provoca o pensamento de algum tipo de ordem superior. É sobre fazer algo com a informação. O pensamento pode ser criativo ou crítico e envolve a resolução de problemas, juízo crítico, análise e síntese. A tarefa tem que ir além da mera resposta a questões… Idealmente a tarefa é uma versão reduzida de algo que os adultos fazem no trabalho, fora dos muros da escola. De acordo com o site24 criado por Bernie Dodge, uma WebQuest real, autêntica tem as seguintes características: 23 A entrevista integral pode ser consultada na página http://www.educationworld.com/a_issues/chat/chat015.shtml (consultada em 23/11/2011); O Educational World < http://www.educationworld.com/> é um site para educadores que na sua página de apresentação refere que pretende ser um “... lar na Internet para os educadores, onde estes possam reunir e partilhar ideias... um recurso online” que podem visitar todos os dias para encontrar planos de aula e materiais de pesquisa. Retirado http://www.educationworld.com/help/about.shtml (consultado em 1/11/2011) 24 http://webquest.org/index.php (consultada em 2/10/2011) 185 da página 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Organiza-se em torno de uma tarefa executável e apelativa, que idealmente é uma versão proporcionalmente mais pequena do que os cidadãos ou trabalhadores adultos fazem. Requer um pensamento de ordem superior e não básico. Isto inclui a síntese, a análise, a resolução de problemas, a criatividade e o juízo crítico. Faz um bom uso da Web. A WebQuest que não se baseie em recursos reais da Web é provavelmente uma lição tradicional disfarçada. (Os livros e outros meios podem ser usados mas não podem ser os principais recursos, se a Web não é o cerne da aula não pode ser uma WebQuest). Não é um relatório de pesquisa, uma ciência passo a passo ou um procedimento de matemática. Ter os alunos a ler e a resumir ideias dos sites e a fazer uma apresentação desses resumos não é suficiente. Não é apenas uma série de experiências baseadas na Web. Ter os alunos a olhar para esta página, depois a jogar este jogo e depois ir aqui e transformar o seu nome em hieróglifos não exige habilidades de pensamento de nível superior, e, assim por definição, não é uma WebQuest. Relativamente à estrutura de uma WebQuest esta apresenta cinco componentes25: Introdução, Tarefa, Processo, Recursos, Avaliação e Conclusão. A Introdução serve para apresentar a WebQuest aos utilizadores, devendo ser motivadora e desafiante. Segundo Dodge (1997)26, uma boa introdução faz com que o tema a trabalhar pareça relevante para a experiência passada do aluno e para os seus objetivos futuros; atraente e visualmente interessante; importante devido às implicações globais; urgente, por necessitar de uma solução oportuna e divertida porque vai implicar o aluno. 25 Inicialmente Dodge definiu seis componentes: Introdução, Tarefa, Recursos, Processo, Avaliação e Conclusão. Mais tarde as WebQuests passaram a ter apenas cinco, pois os Recursos passaram a estar integrados no Processo. 26 Retirado da página <http://www.internet4classrooms.com/introduction.htm> 186 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios A Tarefa é a componente mais importante da WebQuest, onde se explicita, de uma forma clara, a proposta de trabalho. A tarefa que se propõe deve ser executável e motivadora para o aluno. Dodge (2002) enuncia uma taxonomia de doze tarefas: Tarefas de repetição. Pede-se ao aluno que seja capaz de recontar aquilo leu. Um exemplo de uma tarefa deste tipo é a elaboração de uma apresentação em PowerPoint onde podem relatar o que aprenderam. Segundo Dodge (2002) este é do tipo de tarefas mais pobre, mas que pode servir um objetivo como o de familiarizar os alunos mais pequenos com o formato da WebQuest. Tarefas de compilação. Propõe-se aos alunos que recolham informação de diferentes fontes e a registem num formato comum. Um exemplo é a organização de um livro de receitas, em formato digital ou não, cuja compilação da informação resulte de diferentes fontes como familiares, blogues, sites, entre outros. Para Dodge (2002) uma tarefa de compilação ideal é aquela que implica que o aluno se familiarize com o assunto e seja capaz de fazer escolhas seletivas bem como organizar, segmentar e citar a informação de diversas fontes. Tarefas de mistério. Os alunos são envolvidos num mistério ou desafio policial. Este tipo de tarefas são apropriadas para os alunos mais jovens, como os do Pré-Escolar ou 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico. Pede-se aos alunos que, por exemplo, encarnem a personagem de um detetive, de um arqueólogo, de um cientista para resolver o mistério proposto. Uma tarefa deste tipo implica a síntese da informação recolhida em diferentes fontes. Conceber uma boa tarefa de mistério requer segundo Dodge (2002): Recolher informação de múltiplas fontes; Organizar essa informação fazendo inferências e generalizações a partir dessas fontes; Eliminar pistas falsas que à primeira vista possam parecer verdadeiras, através de um exame mais detalhado das informações. Tarefas jornalísticas. Pede-se aos alunos que explorem diversas fontes e recolham informações que permitam elaborarar uma notícia sobre determinado acontecimento. Um exemplo é pedir ao aluno que se torne um 187 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios repórter e cubra um evento sugerido. Pretende-se que reúna factos, os organize de acordo com os géneros habituais de notícias e apresente um recurso. Neste tipo de tarefa a avaliação recai sobre a precisão e não sobre a criatividade. Dodge (2002) sugere os critérios que devem estar subjacentes a uma boa tarefa jornalística: Maximizar a precisão através da consulta de diferentes relatos sobre o acontecimento; Ampliar a compreensão incorporando opiniões divergentes sobre o assunto; Aprofundar a compreensão do assunto através da consulta de fontes de informação mais elaborada; Analisar a sua própria parcialidade minimizando o seu impacte na escrita. Tarefas de design. Pede-se aos alunos que criem um projeto, pode ser um produto ou um plano de ação que permita atingir uma meta pré-estabelecida, de acordo com as normas definidas. Um exemplo pode ser a criação de um plano para uma viagem a um local que sofreu um desastre natural. Para Dodge (2002) uma boa tarefa de design deve obedecer a alguns parâmetros: Descreve um produto que é necessário em determinado lugar para alguém; Define recursos mas também restrições que não são diferentes das que são feitas na realidade; Deixa espaço para a criatividade, tendo sempre em atenção as limitações impostas. Tarefas de produtos criativos. Os alunos usando a sua criatividade elaboram um poema, uma pintura, uma peça de teatro, um jogo, uma música, entre outros exemplos, de acordo com o formato definido. Os critérios de avaliação do produto final prendem-se com aspetos como a criatividade e a expressão pessoal, assim como critérios específicos do género de produto escolhido. Mesmo apelando à criatividade, existem constrangimentos que os alunos têm de levar em conta quando realizam a tarefa. Dodge (2002) clarifica algumas dessas limitações: 188 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Precisão histórica; Adesão a um determinado estilo artístico; Uso de convenções de um formato particular; Consistência interna; Limitações de largura, tamanho ou extensão; Tarefas de construção de consensos. Pede-se aos alunos que considerem diferentes pontos de vista, reflitam sobre eles, os articulem e depois os acomodem se for possível. Para Dodge (2002) uma boa tarefa de construção de consensos deve contemplar aspetos como: Envolver os alunos no estudo de diferentes perspetivas sobre o mesmo assunto, em diferentes recursos; Basear-se em diferenças de opinião autênticas realmente assumidas por alguém, fora do contexto da sala de aula; Basear-se em questões de opinião de facto e não apenas em factos; Resultar na elaboração de um relatório comum que tem um público específico, seja real ou simulado, sendo estruturado de acordo com os relatórios apresentados fora da sala de aula, como uma recomendação ao governo ou um memorando de entendimento. Tarefas de persuasão. Os alunos têm de desenvolver argumentos sólidos que convençam a sua audiência acerca daquilo que defendem. Um exemplo, pode ser pedir-se aos alunos que organizem uma campanha publicitária para convencer outros alunos a votarem numa hipotética eleição na escola. Segundo Dodge (2002) a chave para uma boa tarefa de persuasão implica encontrar uma audiência que tenha um ponto de vista diferente ou, pelo menos, que seja neutra relativamente ao assunto. Tarefas de auto-conhecimento. A proposta é que os alunos se conheçam melhor, recorrendo a recursos online e outros. São muito escassas as WebQuests que disponibilizam este tipo de tarefas. Um exemplo pode ser o de pedir aos alunos que digam o que gostariam de ser no futuro e recorrendo a recursos online procurar quais são os seus pontos fortes, traçando depois um hipotético plano de progressão na carreira a seguir. De acordo com Dodge (2002), uma boa tarefa de auto-conhecimento implica questões que o aluno 189 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios coloca sobre si mesmo e que não têm resposta rápida, daí que as tarefas tenham que andar à volta de aspetos como: Metas de longo prazo; Questões éticas e morais; Auto-aperfeiçoamento; Apreciação de arte; Respostas pessoais a literatura. Tarefas analíticas. Pede-se que os alunos observem diversos casos, questionem as semelhanças e diferenças entre eles no sentido de estabelecerem uma conclusão. Um exemplo pode ser o de comparar dois países, mas a tarefa seria a de construir um produto final que incluísse não só as semelhanças e diferenças, mas que procurasse explicar as inferências que se poderiam fazer sobre essas semelhanças e diferenças. Tarefas de emissão de um juízo. O aluno tem de ser capaz de classificar e emitir um juízo de valor sobre temas concretos. Uma WebQuest com este tipo de tarefas poderá disponibilizar um conjunto de critérios que os alunos podem utilizar para emitir os juízos de valor ou apoiar os alunos na definição dos seus próprios critérios, pedindo-lhes que expliquem e defendam a opção feita. Tarefas científicas. A proposta de trabalho é produzir um relatório científico que se baseie na utilização do método científico. Os alunos deverão formular hipóteses, testando-as através da consulta e análise dos dados fornecidos em diferentes fontes e recursos. Depois da sua comprovação procedem à descrição dos resultados e suas implicações. Para Dodge (2002) uma tarefa científica de sucesso deve partir de questões que possam ser abordadas com os tipos de dados disponíveis online, que não deverão ser tão misteriosas que não possam relacionar-se com o currículo padrão de ciências, ou não serem tão conhecidas que se torne num exercício inútil. O Processo apresenta uma descrição por etapas da tarefa a desenvolver. Esta descrição deve ser concisa e muito clara. Associada a cada etapa surge a indicação dos recursos a utilizar, como a indicação dos links para aceder aos sites para consulta, bem como a indicação de outros materiais, como livros e revistas em suporte papel ou 190 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios maquetas, modelos, entre outros. De salientar que os recursos devem estar preferencialmente disponíveis na Web. Quando se organiza a WebQuest é fundamental proceder a uma seleção muito criteriosa dos recursos assegurando a sua qualidade, assim como a quantidade adequada. A componente da Avaliação tem como objetivo dar conhecimento aos participantes de como serão avaliados, devendo incidir sobre o trabalho a apresentar pelos alunos. Como os alunos têm conhecimento prévio dos critérios de avaliação a modalidade de avaliação é a formativa (Ferreira, 2007). Para isso, os critérios apresentados devem ser rigorosos, claros e adequados ao trabalho em causa, de tal forma que permitam fazer uma avaliação o mais fidedigna e objetiva possível. Uma forma de avaliar os alunos é recorrendo a matrizes de avaliação, ou rúbricas de avaliação, cuja leitura dos items facilita a compreensão da tarefa a realizar por parte do aluno. Existem modelos organizados no site Eduteka semelhantes aos usados nas WebQuests. No mesmo site também se clarificam as vantagens de se utilizarem estas matrizes como descrevemos de seguida (Eduteka, 2002: em linha): É uma ferramenta poderosa para o professor e para avaliar; Promove expectativas de aprendizagem pois clarifica quais são os objetivos do professor e de que forma podem ser alcançados pelos alunos; Enfoca o docente para que defina de maneira específica os critérios com os quais vai avaliar e documentar o progresso do estudante; Permite ao professor descrever qualitativamente os diferentes níveis de desempenho que os alunos podem alcançar; Permite que os alunos conheçam os critérios de qualificação com que serão avaliados; Clarifica aos alunos quais são os critérios que deve utilizar para avaliar o seu trabalho e o dos colegas; Permite que o aluno avalie e faça uma revisão do seu trabalho e do dos colegas; Indica ao aluno as áreas onde tem falhas, permitindo que em conjunto com o professor planifiquem as correções a introduzir; 191 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios Informa o professor sobre a efetividade do processo de ensino que está a decorrer; Proporciona aos alunos feedback sobre os seus pontos fortes e debilidades nas áreas que devem melhorar; Reduz a subjetividade na avaliação; Promove a responsabilidade; Ajuda a manter os êxitos do objetivo de aprendizagem centrado nos modelos de desempenho estabelecidos e no trabalho do estudante; Proporciona critérios específicos para avaliar e documentar o progresso do estudante; É fácil de utilizar e explicar. A componente da Conclusão apresenta um resumo da experiência, salientando a vantagem da realização do trabalho proposto. Para além disso, deixa em aberto novas questões com os objetivos de estimular a curiosidade e desenvolver o gosto dos alunos por novos desafios. As vantagens de utilização das webQuests em contexto educativo são diversas e Carvalho (2002) sistematiza algumas: Propicia o trabalho em grupo, porque implica um trabalho cooperativo por parte dos alunos; Constitui uma motivação para aprender, porque propõe tarefas interessantes que atraem os alunos. Implica a utilização da Web, o que promove a inclusão das TIC no processo de ensino-aprendizagem; Proporciona autonomia na aprendizagem, uma vez que a WebQuest está organizada de forma a propor a tarefa e a disponibilizar os recursos necessárias para que os alunos as possam desenvolver sozinhos, cabendo ao professor o papel de tutor, disponível para ajudar sempre que solicitado; Interliga Aprendizagem/Tecnologia/Conteúdos, pois permite que o aluno trabalhe os conteúdos e aprenda, tendo como suporte o computador e a Web. 192 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios 2.3.4.1.2 O Correio Eletrónico O Correio eletrónico ou email é um dos serviços da Internet mais utilizado e que revolucionou a forma de comunicar. Segundo España (2008), as vantagens da utilização do email são inúmeras: é imediato, recebe-se pouco depois de ter sido enviado; cómodo, não é necessário sair de casa, como no correio tradicional; é económico; é dinâmico, pode ser recepcionado em qualquer lado donde estejamos. Também Pérez i Garcías (1997) destaca algumas vantagens deste serviço: é assincrónico, instantâneo, a comunicação pode ser entre indivíduos ou grupos e os interlocutores encontram-se num mesmo ciberespaço, com poucos limites à participação. Num estudo realizado por Sánchez Rodríguez (2001) sobre a utilização do Correio eletrónico e da Web em contexto educativo, no caso universitário, os resultados de uso foram positivos. O estudo consistiu na utilização do email para a comunicação entre alunos/formandos do Curso de Magistério, professores/tutores dos centros educativos e supervisores da Universidade e ainda na pesquisa de informação em sites da Web para organizar as aulas. Tanto os alunos/formandos, como os supervisores consideraram a experiência muito positiva. O Correio eletrónico facilitou a comunicação entre estes, evitando mesmo que a maioria desses alunos tivesse de deslocar à universidade para fazer tutoria. Muitas das dúvidas dos formandos eram enviadas por email para os supervisores, que respondiam da mesma forma. Também a pesquisa da informação na Web pelos formandos permitiu encontrar material que podiam utilizar nas aulas que preparavam. De facto, a utilização destes dois serviços da Internet veio agilizar e facilitar o processo de supervisão e acompanhamento, não tendo que se encontrar presencialmente, nem trabalhar às mesmas horas juntos. Apenas os professores/tutores não utilizaram o serviço de email para comunicarem com os supervisores. Utilizaram a pesquisa na Web, pontualmente, pedindo a colaboração aos formandos. É também interessante a interação que se criou entre professores/tutores e formandos. No entanto, quando questionados sobre o uso do email no futuro, não colocaram de lado a hipótese de vir a utilizar. Num outro estudo Pérez i Garcías (1997) organizaram uma experiência educativa com o correio eletrónico que permitisse a aprendizagem colaborativa. O 193 2. Tecnologia Educativa, Formação de Professores no contexto da Sociedade da Informação e Meios estudo envolveu alunos de disciplinas de Tecnologias Educativas do Magistério, alunos de Tecnologias de curso de Pedagogia e alunos de Doutoramento de diferentes universidades, que se podiam organizar em grupo ou individualmente. Foi-lhes dado um tema comum e um texto para ser analisado previamente, sendo o debate feito com recurso à comunicação via email. No final do debate foi pedido aos alunos que assinalassem as vantagens e os inconvenientes que a utilização do email acarretou. Nas vantagens destacam-se: permitir a partilha e o intercâmbio de informação e de ideias entre as pessoas; há maior disponibilidade de tempo; como se faz um registo escrito obriga a uma maior reflexão. Nos invonvenientes: mais propício para o trabalho individual, já que ao londgo do estudo os grupos se foram desfazendo, dando lugar a intervenções de cada um. Para os autores (Pérez i Garcías, 1997) do estudo, esta experiência foi muito positiva porque o debate telemático mostrou-se altamente motivador para os alunos, tanto pela discussão do conteúdo que possibilitou como pela imersão no ciberespaço e no mundo da Internet. Outro aspeto relevante foi a ampliação do espaço educativo universitário com a participação de docentes de diferentes universidades na organização da experiência e a discussão de ideias entre alunos dessas universidades. Tanto o correio eletrónico como a Web e os seus serviços têm um enorme potencial à disposição de professores e alunos, constituindo a sua utlização um fator de inclusão na sociedade da informação e do conhecimento. Em jeito de conclusão, destacamos o que Vacas (2010: 127) refere sobre a Web: “(…) se na Web 1.0 se tratava essencialmente de ler, a Web 2.0 permitiu-nos também escrever e partilhar com os demais e finalmente a Web 3.0 aparece para dar sentido a todos esses dados que temos posto em circulação” 194 2.ª PARTE – QUADRO METODOLÓGICO 3. Metodologia 3. Metodologia 3.1 Tipo de estudo O estudo que apresentamos é analítico pois procedemos à descrição de variáveis e estabelecemos relações entre estas, com o intuito de estabelecer relações de causalidade entre as variáveis independentes e as variáveis dependentes em estudo. Também o podemos definir como transversal (Fink, 2002) e de abordagem quantitativa. Transversal, uma vez que se procedeu a um único momento de recolha de dados e nos permitiu caracterizar a amostra estabelecendo relação entre varáveis. De abordagem quantitativa, uma vez que quantificámos as informações e opiniões recolhidas para podermos analisar as hipóteses definidas. A metodologia seguida no estudo foi: formulação do problema, definição de variáveis, construção de hipóteses, elaboração do instrumento de recolha dos dados, seleção da amostra, recolha dos dados através da aplicação do questionário e análise e interpretação dos dados. Para a recolha de dados foi feita uma sondagem aos professores de 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Vila Real e aos estagiários da Licenciatura em Ensino Básico/1º Ciclo, da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), através de questionário sobre a utilização da Tecnologia Educativa nas escolas, desenvolvido e avaliado para o efeito. Este instrumento foi enviado a todas as escolas do 1º CEB do Concelho de Vila Real nos meses de Maio e Junho de 2007 e remetido à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Julho de 2007. 3.2 A Amostra Colaboraram no estudo 142 professores, sendo106 do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Vila Real, num universo de 212 professores, e 36 estagiários da Licenciatura em Ensino Básico/1º Ciclo, da UTAD, num universo de 36 estagiários. 197 3. Metodologia Do total de respondentes, 142, a grande maioria pertence ao género feminino 85%, que corresponde a 121 professoras, enquanto os professores do género masculino representam apenas 15%, ou seja 21 do total de inquiridos, conforme se pode comprovar pela observação do gráfico nº 1. Gráfico 1: Género De acordo com os dados do Gráfico 2, a média de idades dos respondentes é de 41 anos. O professor mais novo tem 21 anos e o mais velho 58 anos. O escalão etário superior a 50 anos é o mais representado com 33,3%. Os mais novos, entre 20 e 30 anos, representam 29,8% do total de respondentes. Gráfico 2: Escalões etários 198 3. Metodologia No que se refere à situação profissional dos respondentes, e de acordo com a leitura do Gráfico 3, 30% são professores Titulares, 29% pertencem ao Quadro de Zona Pedagógica, 10% ao Quadro de Escola, 5% são professores contratados e 26% são Estagiários. Gráfico 3: Situação profissional Relativamente ao tempo de serviço, e pela leitura do gráfico 4, os professores com 21-30 anos de antiguidade na função representam quase metade da amostra (43,8%). Os professores com menos de 10 anos de tempo de serviço totalizam 8,6%. Gráfico 4: Tempo de serviço Tabela 9: Tipo de escola Pública Privada Total Omissos Total Frequência Percentagem 119 22 141 1 142 83,8 15,5 99,3 ,7 100,0 Percentagem válida Percentagem acumulada 84,4 15,6 100,0 84,4 100,0 De acordo com os dados representados na tabela 9, a maioria dos professores (84,4%) exerce a sua atividade letiva no setor público, ou seja 119, para uma 199 3. Metodologia percentagem de 15,6% que exerce a sua função docente em escolas privadas, o que corresponde a 22. A distribuição dos professores por ano de docência pode ser observada no gráfico 5. A distribuição por anos é muito semelhante, embora a proporção de professores que lecciona no 4º ano de escolaridade seja ligeiramente mais elevada (26,7%). Gráfico 5: Anos de escolaridade lecionados Em síntese, os professores que constituem a nossa amostra pertencem maioritariamente ao género feminino e a sua média de idades situa-se nos 41 anos. Quanto à situação profissional, os professores distribuem-se, em diferentes percentagens, pelos Quadros de Escola, Quadros de Zona Pedagógico, Titulares, Estagiários e Contratados. Grande parte dos respondentes tem entre 21 e 30 anos de serviço. A maioria dos professores, 119, exerce a sua atividade letiva nas escolas públicas, enquanto 22 desenvolvem as suas atividades em escolas particulares. 3.3 Variáveis 3.3.1 Variáveis independentes No estudo considerámos as seguintes variáveis independentes: Situação profissional – considerámos para esta variável cinco categorias, Estagiário, Contratado, Quadro de Zona Pedagógica, Quadro de Escola e Titular. Na categoria Estagiário incluem-se todos os professores que tinham 200 3. Metodologia terminado o estágio em diferentes escolas cooperantes nesse ano letivo (Junho de 2007), na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; na categoria Contratados incluem-se os professores que celebram um contrato temporário, normalmente um ano letivo, com o Ministério da Educação (ME); os professores que pertencem ao Quadro de Zona Pedagógica têm vínculo com o ME e pertencem a uma zona pedagógica, por exemplo a de Vila Real; os professores que integram os Quadros de Escola têm uma escola atribuída e um vínculo com o ME; os professores Titulares têm um vínculo ao ME e são os responsáveis por uma turma que podem acompanhar do 1º ao 4º ano. Anos de serviço – Corresponde ao tempo de serviço no exercício das funções docentes. Para esta varíavel organizámos as seguintes categorias: até 10 anos de serviço; 11 a 20 anos; 21 a 30 anos e mais de 30 anos de serviço. Tipo de escola – considerámos para esta variável as tipologias Pública e Privada. 3.3.2 Variáveis dependentes Para a definição das variáveis dependentes tivemos em conta as dimensões de análise do questionário. Assim, definimos 4: 1. As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola: Computador; projetor multimédia; quadro digital; DVD; Vídeo; Televisão; retroprojetor e projetor de slides. 2. Os Serviços da Internet na sala de aula: Chat; World Wide Web; Correio Eletrónico; Fórum; videoconferência 3. As Áreas curriculares, disciplinares (Estudo do Meio, Matemática, Língua Portuguesa, Áreas das Expressões: Físico-Motora, Musical, Plástica, Dramática) e não disciplinares (Área de Projeto, Formação Cívica e Estudo Acompanhado); 4. A Formação: formação inicial e contínua. 201 3. Metodologia 3.4 Hipóteses Quantos às hipóteses de investigação definimos uma geral e dozes específicas. 3.4.1 Hipótese geral De acordo com o problema formulado definimos a hipótese geral do estudo: “A situação profissional dos professores do 1º CEB do Concelho de Vila Real, anos de serviço e tipos de escola influenciam a utlização das TIC e as necessidades de formação.” 3.4.2 Hipóteses Específicas Depois de definirmos a hipótese geral explicitámos as hipóteses específicas que são doze: Hipótese 1 - As tecnologias usadas pelos professores variam em função da situação profissional. Hipótese 2 - As tecnologias usadas pelos professores variam em função dos anos de serviço. Hipótese 3 - As tecnologias usadas pelos professores variam em função do tipo de escola. Hipótese 4 - As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função da situação profissional. Hipótese 5 - As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função dos anos de serviço. Hipótese 6 - As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função do tipo de escola. Hipótese 7 - Os serviços de internet mais utilizados pelos professores variam em função da situação profissional. Hipótese 8 - Os serviços de Internet mais utilizados pelos professores variam em função dos anos de serviço. 202 3. Metodologia Hipótese 9 - Os serviços de Internet mais utilizados pelos professores variam em função do tipo de escola. Hipótese 10 - A situação profissional dos professores influencia a necessidade de formação em TIC. Hipótese 11 - Os anos de serviço dos professores influenciam a necessidade de formação em TIC. Hipótese 12 - As necessidade de formação em TIC variam em função do tipo de escola. 3.5 Instrumento utilizado no estudo Neste ponto explicitam-se os objetivos do estudo que estiveram subjacentes à organização do instrumento de recolha de dados. Segue-se a apresentação desse instrumento, a sua estrutura e a forma como o instrumento foi elaborado e, por último, descreve-se o processo de validação do mesmo. 3.5.1 Instrumento/Procedimentos usados no estudo O tipo de instrumento utilizado na recolha de dados foi um questionário, o “Questionário sobre a utilização da Tecnologia Educativa nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico” (anexo nº 1). A opção por este tipo de instrumento prende-se com três razões essenciais: o questionário é um tipo de instrumento que permite alcançar um grande número de respondentes num curto espaço de tempo; dispensa a presença do investigador (se for bem organizado) e é adequado à verificação de hipóteses que estabelecem relações entre duas ou mais variáveis (Ghiglione & Matalon, 2001). 3.5.1.1 Objetivos e dimensões do Questionário O objetivo central da aplicação do Questionário sobre a utilização da Tecnologia Educativa nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico (anexo nº 1) foi recolher dados para a caracterização dos professores do 1º CEB, do Concelho de Vila Real, quanto à utilização da Tecnologia Educativa. Como objetivos específicos definimos: 203 3. Metodologia conhecer o número de computadores existentes nas escolas onde os inquiridos desempenham funções e a sua localização; identificar os utilitários/programas e serviços da Internet utilizados pelos inquiridos em contexto educativo; identificar o(s) objetivo(s) subjacente(s) à utilização e não utilização desses utilitários/programas e serviços da Internet em contexto de sala de aula; conhecer a formação ao nível dos utilitários/programas e serviços da Internet dos professores e estagiários envolvidos no estudo e identificar necessidades de formação. Para a concretização dos objetivos explicitados o questionário foi desenvolvido considerando-se seis dimensões fundamentais: “Caracterização do professor e da escola”; “As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola”; “O computador na escola”; “Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula”; “O Vídeo”; “Formação”. A primeira dimensão, “Caracterização do professor e da escola”, é constituída por oito itens relativos à caracterização da amostra: género, idade, situação profissional, anos de serviço, nome da escola, tipo de escola, número de alunos da turma onde leciona e ano de escolaridade que frequentam. A segunda dimensão, “As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola”, apresenta cinco itens: quais as TIC disponibilizadas na escola, quais as TIC que o professor utiliza com os seus alunos, qual o objetivo ou objetivos para o uso da TIC com os alunos, forma de utilização com os alunos (individualmente ou em grupo) e áreas curriculares em que são utilizadas as TIC. A terceira dimensão, “O computador na escola”, é formada por seis itens: número de computadores existentes na escola, localização dos mesmos, funcionalidade, 204 3. Metodologia ligação à Internet, número de computadores com ligação à Internet e funcionalidade dessa ligação. A quarta dimensão, “Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula”, é composta por seis itens: utilização dos utilitários/programas com os alunos, tipo de utilitários/programas usados com os alunos, motivos para a não utilização dos programas informáticos com os alunos (para os que no primeiro item selecionaram a opção “não utiliza”), utilização da Internet e seleção dos programas utilizados, motivos para a não utilização da Internet com os alunos (para os que no quarto item selecionaram a opção “não utiliza”). Na quinta dimensão, “O Vídeo”, apresentamos três itens: integração do vídeo nas atividades regulares de sala de aula, a produção de vídeos pelos alunos e a edição digital de vídeo. Na sexta e última dimensão, “Formação”, consideramos quatro itens: o tipo de formação ao nível das TIC, especificando a frequência de cursos/ações de formação, o que permitiu a formação adquirida, desejo de formação, explicitando as razões, e em que âmbito/ aplicativos gostariam de ter essa formação. O questionário (anexo nº 1) utilizado começa por apresentar informações genéricas que contextualizam o instrumento de recolha de dados e informam os inquiridos sobre diferentes aspetos: âmbito e responsáveis pela investigação; objetivo da investigação; apelo à participação do respondente; declaração de confidencialidade; informação sobre a possibilidade dos respondentes acederem aos dados recolhidos através do endereço de correio eletrónico e pedido de atenção às questões que lhes são colocadas. Na organização das instruções de preenchimento para as diferentes questões houve a preocupação de estas serem claras e rigorosas, evitando qualquer ambiguidade na interpretação do que estava a ser pedido, uma vez que o questionário foi na maioria dos casos preenchido sem a presença da investigadora. Relativamente ao conteúdo, a maioria das questões está direcionada para auscultar as opiniões dos respondentes acerca da utilização da TIC em contexto escolar. 205 3. Metodologia Quanto à forma, a maioria das questões que compõem o questionário são fechadas, com a apresentação de uma lista pré-estabelecida de respostas possíveis ou de respostas alternativas de entre as quais o inquirido seleciona a que melhor corresponde à sua opção. Apesar da tipologia das questões ser fechada, acrescentou-se sempre que se considerou pertinente a alínea “outras”, permitindo que o inquirido pudesse acrescentar alguma resposta que não tenhamos previsto ou esgotado nas possibilidades de resposta apresentadas. Também existem questões abertas, ainda que pontualmente, onde é pedido aos respondentes que especifiquem determinado aspeto, como no caso das questões 4.3 ou 4.6., se selecionassem a alínea f) “A sua utilização acarreta mais problemas que benefícios”, deveriam especificar o tipo de problemas. Segundo Ghiglione & Matalon (1992: 116) “do ponto de vista da análise de resultados, as questões fechadas são, a priori, as mais cómodas.” O facto das questões fechadas procurarem cobrir a totalidade do campo de respostas evita enviesamentos nos resultados, já que numa questão aberta existe o risco do inquirido se esquecer de contemplar alguns aspetos. Também Hill & Hill (2008) assinalam como vantagem deste tipo de questões a maior facilidade para se aplicarem análises estatísticas para analisar as respostas. Quanto à formulação das questões e das respostas propostas procurámos estruturá-las de forma clara, concreta e precisa possibilitando uma única interpretação. A neutralidade das questões também foi uma preocupação pois não queríamos infuenciar o respondente na seleção da resposta (Ghiglione & Matalon, 1992; Hill & Hill, 2008). Como pretendíamos medir as atitude e opiniões dos inquiridos e isso só é possível com a utilização de uma escala, optámos pela Escala de Likert. Propusemos aos inquiridos que selecionassem de uma escala de cinco itens, sempre, frequentemente, às vezes, raramente e nunca, o item mais adequado à sua resposta. Em casos específicos usámos a mesma escala mas apenas com três itens: frequentemente, às vezes e raramente (questões 3.3 e 3.6). 206 3. Metodologia 3.5.1.2 A validação do instrumento utilizado Para a validação do questionário foi pedido a dois especialistas, um investigador na área da Tecnologia Educativa e outro investigador na área da Metodologia de Investigação, que analisassem a primeira versão. O processo de envio e receção usado foi o correio eletrónico. Os investigadores na análise escrita que enviaram apresentaram sugestões e recomendações, considerando no geral um questionário bem organizado. Um dos comentários feito no final por um dos investigadores foi “Considero o questionário bem elaborado e exaustivo.” As alterações introduzidas que decorreram das sugestões dadas pelos investigadores foram as seguintes: Colocar uma escala de frequências para grande parte das questões. Esta sugestão foi consensual e a que teve mais implicações na reestruturação do questionário. Não tínhamos previsto usar, mas reconhecemos que a introdução da escala nos permitiu obter mais informações. Nas questões referentes às funcionalidades do computador (3.3) e da ligação à Internet (3.6) colocámos a escala Frequentemente/ Às vezes/ Raramente, em vez da que tínhamos proposto inicialmente por alíneas a) Um dia; b) Uma vez por semana; c) Duas vezes por semana.... Inclusão da videoconferência na questão 4.5. Modificação do nome do grupo 1 “Caracterização do professor e da escola”, em vez de “O professor e a escola”. Introdução pontual de palavras omissas para que os pedidos feitos aos respondentes fossem mais claros, como no exemplo do ponto 3 de apresentação do questionário “O resultado final será enriquecido...” passou a ser “O resultado final da investigação será enriquecido...” Inclusão do pedido para que lessem com atenção o que lhes era pedido, ponto 6 da apresentação, “Por favor, leia atentamente as questões”. 207 3. Metodologia De salientar que este de processo de validação foi muito relevante pois permitiunos introduzir mudanças que consideramos fundamentais para a elaboração de um instrumento de recolha de dados objetivo e pertinente. 3.6 Tratamento de dados Para o tratamento dos dados do questionário procedemos à análise de frequências e a análises estatísticas. Para analisar os dados recolhidos utilizou-se o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 18.0, para Windows. A análise incluiu o uso de estatísticas descritivas (frequências relativas e absolutas, modas, médias e respectivos desviospadrão) e estatística inferencial. Para testar as hipóteses usou-se como referência um nível de significância = 0,05. 208 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Neste capítulo apresentam-se os dados recolhidos através da aplicação do questionário aos professores e a respetiva análise de frequências, por dimensão. Para além disso, apresenta-se o tratamento estatístico que nos permite testar as hipóteses previamente formuladas e a discussão desses resultados. 4.1 As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na escola Este ponto refere-se à existência das tecnologias nas escolas onde os respondentes desenvolvem as suas atividades, quais as que utilizam com os alunos, com que objetivos o fazem, a forma como os alunos as usam e as áreas curriculares em que são utilizadas as TIC. De acordo com a leitura da tabela 10, as tecnologias de informação e comunicação que a escola disponibiliza são: em maior percentagem, o computador, com 98,6%, ou seja, quase a totalidade dos professores, 140 de 142, a assinalarem que a escola onde desenvolvem a sua atividade letiva disponibiliza o computador; a televisão com 83,1% dos respondentes a indicarem-na; o vídeo, apontado por 69% dos professores; o retroprojetor, referido por 54,2%; o projector multimédia (33,8%) e o projetor de slides (26,8%). Em menor percentagem, o quadro digital, assinalado por apenas 4,9% dos respondentes, representa uma tecnologia que muito poucas escolas, 7, disponibilizam. Tabela 10: As TIC que a escola disponibiliza Freq. % Computador 140 98,6 Projetor multimédia 48 33,8 Quadro digital 7 4,9 DVD 69 48,6 Vídeo 98 69,0 Televisão 118 83,1 Retroprojetor 77 54,2 Projetor de slides 38 26,8 210 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados A referência aos computadores na escola como a tecnologia mais disponibilizada reflete o esforço que foi feito ao longo dos últimos anos em Portugal, para dotar as escolas de computadores. É o caso do Projeto MINERVA, lançado em 1985, ou do programa Nónio-Século XXI, lançado em 1996, ambos com o objetivo de reforçar o parque informático das escolas. Quanto à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelo professor, pela observação do gráfico 627, constatamos que as mais usadas são o computador, com 62 dos professores (44,3%) a assinalarem que o usam frequentemente, e o projetor multimédia, com 42 professores (30%) a selecionarem a mesma opção. Na opção “às vezes” o computador é referido por 45 professores, que corresponde a uma percentagem de 32,1 e o projetor multimédia por 23, ou seja 23%. Gráfico 6: Tecnologias utilizadas pelos professores com os seus alunos O facto de o computador ser a tecnologia mais utilizada pelos professores com os alunos é um bom indicador de que o esforço em equipar as escolas de 1º Ciclo, proporcionado por várias iniciativas, particularmente pelo Plano Tecnológico da Educação, teve efeitos positivos na sua utilização. 27 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 2. 211 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Relativamente à opção “nunca” utiliza, destacam-se o Quadro digital com 91,3 dos respondentes a assinalarem esta opção, o projetor de slides com 80,7%, e o DVD com 55%. A seleção da opção nunca utiliza para o Quadro digital faz todo o sentido. Cruzando estes dados com os referentes à existência desta tecnologia na escola, em que apenas foi referida por sete professores (4,9%), percebe-se claramente a resposta. Já para a opção nunca utiliza para as outras tecnologias, como o DVD, a explicação não é óbvia. Hipótese 1 – As tecnologias usadas pelos professores variam em função da situação profissional Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 11: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square df Sig. Computador 2,101 4 ,717 Projetor multimédia 77,273 4 ,000 * Quadro digital 25,942 4 ,000 * DVD 7,335 4 ,119 Vídeo 15,272 4 ,004 * Televisão 16,476 4 ,002 * Retroprojetor 34,797 4 ,000 * Projetor de slides 12,098 4 ,017 * * p ≤ 0,05 Projetor multimédia, (χ2 KW (4) = 77,273, p=0,000), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre os quadros de zona pedagógica (média=4,71) e os quadros de escola (m=3,64), contratados (m=2,71) e estagiários (m=2,08) sendo que os primeiros são os que o utilizam com menos frequência enquanto os estagiários são os que o utilizam com mais frequência. As diferenças entre os professores titulares, e contratados e estagiários 212 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados também são significativas, bem como as diferenças entre quadros de escola e contratados e estagiários. Tabela 12: Teste de Tukey Sit. Profissional Estagiário Contratado Quadro de Escola Titular Quadro de Zona Pedagógica Sig. Quadro digital, (χ2 Subset for alpha = 0.05 2 1 2,08 2,71 6 4 1 1 3,64 4,17 ,293 KW 3 4,17 4,71 ,459 ,476 (4) = 25,492, p=0,000), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre contratados (m=3,43) e todos os restantes professores sendo que os primeiros são os que o utilizam com mais frequência. Tabela 13: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,43 4,71 4,82 4,84 5,00 1,000 ,728 Sit. Profissional Contratado Titular Estagiário Quadro de Escola Quadro de Zona Pedagógica Sig. Vídeo, (χ2 KW 1 4 4 1 (4) = 15,272, p=0,004), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre contratados (m=3,29) e os quadros de zona pedagógica (4,29) e os estagiários (4,36) sendo que os primeiros são os que o utilizam com mais frequência. Tabela 14: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 Sit. Profissional Contratado Quadro de Escola Titular Quadro de Zona Pedagógica Estagiário Sig. 1 3,29 3,40 3,98 4 1 1 6 ,242 213 2 3,50 3,98 4,29 4,36 ,081 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Televisão, (χ2 KW (4) = 16,476, p=0,002), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre contratados (m=3,29), quadros de escola (3,43) e os estagiários (4,44) sendo que os primeiros são os que a utilizam com mais frequência. Tabela 15: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,29 3,43 3,83 3,83 3,95 3,95 4,44 ,323 ,404 Sit. Profissional Contratado Quadro de Escola Titular Quadro de Zona Pedagógica Estagiário Sig. Retroprojetor, (χ2 4 1 1 6 KW (4) = 34,797, p=0,000), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre estagiários (m=2,94), titulares (4,29) e quadros de zona pedagógica (4,46) sendo que os primeiros são os que a utilizam com mais frequência. Tabela 16: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 Sit. Profissional Estagiário Quadro de Escola Contratado Titular Quadro de Zona Pedagógica Sig. 1 2,94 3,57 3,86 6 4 1 1 ,130 214 2 3,57 3,86 4,29 4,46 ,146 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Projetor de slides, (χ2 KW (4) = 12,098, p=0,017), a análise do teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey indica-nos que as diferenças significativas se encontram entre estagiários (m=4,50) e quadros de zona pedagógica (4,98) sendo que estes quase nunca os utilizam. Tabela 17: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 4,50 4,56 4,56 4,64 4,64 4,86 4,86 4,98 ,219 1,46 Sit. Profissional Estagiário Titular Quadro de Escola Contratado Quadro de Zona Pedagógica Sig. 6 1 4 1 Em síntese, o que diferencia os professores contratados dos estagiários é a utilização com mais frequência da televisão, quadro digital e vídeo por parte dos primeiros e do retroprojetor e projetor multimédia por parte dos estagiários. Hipótese 2 – As tecnologias usadas pelos professores variam em função dos anos de serviço. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 18: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square df Sig. a) Computador 6,565 3 ,087 b) Projetor multimédia 15,539 3 ,001 * c) Quadro digital 25,003 3 ,000 * d) DVD 8,976 3 ,030 * e) Vídeo 6,529 3 ,089 f) Televisão 6,911 3 ,075 g) Retroprojetor 7,710 3 ,052 h) Projetor de slides 3,472 3 ,324 * p ≤ 0,05 215 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Projetor multimédia, (χ2 KW (3) = 15,539, p=0,001), as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (2,78) e os restantes, sendo que os primeiros são os que o utilizam com mais frequência. Tabela 19: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 2,78 4,32 4,40 4,41 1,000 ,994 Tempo de serviço até 10 anos 11 – 20 > 30 anos 21 - 30 Sig. 5 5 4 Quadro digital, (χ2 KW (3) = 25,003 p=0,000), as diferenças significativas encontramse entre os professores com menos tempo de serviço (3,56) e os restantes, sendo que os últimos são os que o utilizam com menos frequência. Tabela 20: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,56 4,80 4,84 5,00 1,000 ,796 Tempo de serviço até 10 anos 11 – 20 21 - 30 > 30 anos Sig. 5 4 5 DVD, (χ2 KW (3) = 8,976 p=0,030), as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (3,56) e os que têm mais tempo de serviço (4,48), sendo que os últimos são os que o utilizam com menos frequência. Tabela 21: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,33 4,02 4,02 4,12 4,12 4,84 ,094 5,24 Tempo de serviço até 10 anos 21 - 30 11 - 20 > 30 anos Sig. 4 5 5 Em síntese, existem diferenças relativamente aos anos de serviço dado que os professores com mais tempo de serviço utilizam com maior frequência o DVD. Quanto 216 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados aos professores com menor tempo de serviço verifica-se a utilização com frequência do projetor multimédia e quadro digital. Hipótese 3 – As tecnologias usadas pelos professores variam em função do tipo de escola. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 22: Testes de Mann-Whitney Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Sig. a) Computador 1223,50 8126,50 -,391 ,696 b) Projetor multimédia 595,00 848,00 -4,352 ,000 * c) Quadro digital 780,00 1033,00 -5,800 ,000 * d) DVD 1018,00 1271,00 -1,730 ,084 e) Vídeo 875,50 1128,50 -2,611 ,009 * f) Televisão 1109,00 1362,00 -1,106 ,269 g) Retroprojetor 712,50 965,50 -3,617 ,000 * h) Projetor de slides 1085,00 1338,00 -1,691 ,091 * p ≤ 0,05 Projetor multimédia, (Z = -4,352, p=0,000), os professores das escolas privadas usam-no com mais frequência do que os professores das escolas públicas (2,45 vs 3,91). Quadro digital, (Z = -5,800, p=0,000), pouco utilizado, os professores das escolas públicas usam-no com menos frequência do que os professores das escolas privadas (4,93 vs 3,95). Vídeo, (Z = -2,611, p=0,009), pouco utilizado, os professores das escolas públicas usam-no com menos frequência do que os professores das escolas privadas (4,16 vs 3,59). Retroprojetor, (Z = -3,617, p=0,000), pouco utilizado, os professores das escolas públicas usam-no com menos frequência do que os professores das escolas privadas (4,16 vs 3,59). 217 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Tabela 23: Tecnologias utlizadas/tipos de escola Computador Projetor multimédia Quadro digital DVD Vídeo Televisão Retroprojetor Projetor de slides Tipo de Escola N Média Pública 117 2,46 Privada 22 2,64 Pública 117 3,91 Privada 22 2,45 Pública 115 4,93 Privada 22 3,95 Pública 117 4,20 Privada 22 3,77 Pública 117 4,16 Privada 22 3,59 Pública 117 3,98 Privada 22 3,73 Pública 117 4,07 Privada 22 3,05 Pública 117 4,74 Privada 22 4,45 Em síntese, as escolas privadas usam com maior frequência o projetor multimédia, quadro digital, vídeo e retroprojetor, pelo que se nota um menor uso das tecnologias nas escolas públicas. Tanto nas tecnologias mais recentes, como o quadro digital ou o projetor multimédia, como nas tecnologias mais tradicionais, como o retroprojetor, as escolas privadas usam mais as tecnologias. Cruzando estes dados com a análise das tecnologias existentes nas escolas percebe-se que as escolas privadas são as que possuem mais equipamentos, sendo mesmo as únicas a terem Quadro Digital Interativo, o que explica o seu maior uso por este grupo. Relativamente aos objetivos que orientam a utilização das tecnologias pelos professores e analisando a tabela 24, constatamos que os mais selecionados foram Motivar os alunos para o assunto a abordar e Diversificar as estratégias de ensinoaprendizagem em percentagens iguais, 84,5%, ou seja 120 professores a assinalarem estas opções. Logo de seguida surgem o Familiarizar os alunos com a utilização de diferentes meios e recursos, selecionado por 116 respondentes, que corresponde a 218 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados 81,7%, e o Pesquisar informação sobre os assuntos abordados assinalado por 115 professores, 81%. Os objetivos menos invocados para o uso das TIC com os alunos são o Divulgar os assuntos abordados, assinalado por 36 professores que corresponde a 25,4% e o Contactar outras pessoas, selecionado por 30 professores, ou seja 21,1%. Tabela 24: Objetivos de utilização das TIC Motivar os alunos para o assunto a abordar. Diversificar as estratégias de ensino-aprendizagem. Familiarizar os alunos com a utilização de diferentes meios e recursos. Pesquisar informação sobre os assuntos abordados. Transmitir conteúdos. Facilitar/ favorecer a memorização ou retenção de informação pelos alunos. Ilustrar ideias ou relações difíceis de captar apenas através da verbalização. Concretizar os assuntos abordados. Reforçar a exposição docente. Apresentar trabalhos. Simplificar a informação complexa. Registar os assuntos abordados. Divulgar os assuntos abordados. Contactar outras pessoas. Freq. % 120 120 116 115 104 92 83 81 78 66 65 59 36 30 84,5 84,5 81,7 81,0 73,2 64,8 58,5 57,0 54,9 46,5 45,8 41,5 25,4 21,1 A seleção do objetivo para a utilização das tecnologias com os alunos, “Motivar os alunos para o assunto a abordar”, pela maioria dos professores, está de acordo com uma das funções que os meios podem assumir em contexto de ensino-aprendizagem. Muitos são os autores que indicam esta função: Gimeno Sacristán (1986: 198) afirma que os meios têm uma função motivadora, pois permitem “aproximar os alunos de situações inverosímeis, a lugares e a tempos inacessíveis”. Zabalza (1987) refere a função motivadora dos meios, entendendo que não se trata tanto do que é novidade, mas do meio que pela sua própria natureza aproxima a aprendizagem da vida e permite superar a via do verbalismo. Também Cabero (2001) ou Espinosa (2010) atribuem a função de motivação aos meios, clarificando que os meios podem motivar, atrair e manter a atenção, estimular novas aprendizagens ou divertir os alunos. 219 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados A mesma percentagem de professores também selecionou o objetivo “A diversificação de estratégias de ensino-aprendizagem”. Tanto Cabero (2001) como Espinosa (2010) referem que os meios têm uma função relacionada com as estratégias de ensino, destacando dentro desta diferentes funções: inovadora, de criação de novas relações professor/aluno, de mudanças do papel docente e discente, e a socializadora. Quanto à forma como os alunos usam as TIC no contexto de sala de aula, 66 professores, 47,8%, assinalaram que estes o fazem em grupo e frequentemente e 64, que corresponde a 46,7%, apontaram individualmente e às vezes. Em percentagens menores, 33,3% (46 professores) indicaram em grupo e às vezes e 29,2% (40 professores) selecionaram individualmente e frequentemente. Da leitura destes dados, tabela 25, podemos concluir que não há grandes diferenças na forma como as TIC são utilizadas, tanto são usadas em grupo, como individualmente. Tabela 25: Forma de usar as TIC, individualmente ou em grupo Individualmente Em grupo Freq. % Freq. % Sempre Frequentemente 5 3,6 1 8,0 40 29,2 66 47,8 Às vezes 64 46,7 46 33,3 Raramente Nunca Total 17 12,4 9 6,5 1 8,0 37 00,0 38 00,0 4,3 As áreas curriculares em que os professores inquiridos mais utilizam as TIC são a área de Estudo do Meio, apontada por 67,4%; a Área de Projeto, indicada por 47,4%; a Língua Portuguesa com 44,2% dos professores a selecionarem-na e a Matemática, indicada por 31,9% dos professores: Em todas estas áreas as TIC são usadas frequentemente, como se pode constatar pela observação do gráfico 728. Entre as áreas curriculares em que as tecnologias nunca são utilizadas destacamse as áreas de Expressão Física-Motora, Musical, Dramática e Plástica, assim como a área curricular não disciplinar, Estudo Acompanhado. 28 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 3. 220 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Gráfico 7: Áreas curriculares em que utiliza as TIC A indicação de uma maior utilização das TIC na abordagem destas áreas, pode ter a ver com o facto de as áreas de Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio serem onde o professor mais investe, pois as orientações do Ministério da Educação (Princípios e sugestões da gestão do currículo) apontam no sentido de se consagrarem mais horas letivas para estas áreas. Prevêem-se, no mínimo, 8 horas para Língua Portuguesa, 7 horas para Matemática e 5 horas para o Estudo do Meio. Quanto à Área de Projeto, para além de ser transversal ao currículo, as atividades que se desenvolvem prendem-se muito com pesquisas em diferentes fontes, realização de produtos para comunicar os trabalhos desenvolvidos, como apresentações multimédia, fotografias, vídeos, textos que requerem a utilização de diferentes meios. 221 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Hipótese 4 – As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função da situação profissional. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 26: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square df Sig. Expressão Físico-Motora 13,477 4 ,009 * Expressão Musical 5,993 4 ,200 Expressão Dramática 20,698 4 ,000 * Expressão Plástica 9,211 4 ,056 Estudo do Meio 12,305 4 ,015 * Língua Portuguesa 4,679 4 ,322 Matemática 5,485 4 ,241 Formação Cívica 13,825 4 ,008 * Estudo Acompanhado 6,404 4 ,171 Área de Projecto 13,628 4 ,009 * * p ≤ 0,05 Expressão Físico-Motora, (χ2 KW (4) = 13,477, p=0,009), as tecnologias são pouco utilizadas nesta área, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os quadros de zona pedagógica (média=4,90), titulares (m=4,88) e estagiários (4,42) sendo que os primeiros são os que as utilizam com menos frequência. Tabela 27: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 Sit. Profissional Expressão dramática, (χ2 1 4,42 4,50 4,79 6 Estagiário Contratado Quadro de Escola Titular Quadro de Zona Pedagógica Sig. 4 1 9 ,245 KW 2 4,50 4,79 4,88 4,90 ,233 (4) = 20,698, p=0,000), as tecnologias são pouco utilizadas nesta área, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os 222 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados titulares (4,85), quadros de zona pedagógica (4,77) e contratados (3,57) sendo que os primeiros são os que as utilizam com menos frequência. Tabela 28: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,57 4,36 4,43 4,77 4,85 1,000 ,333 Sit. Profissional Estagiário Contratado Quadro de Escola Quadro de Zona Pedagógica Titular Sig. Estudo do meio, (χ2 6 4 9 1 KW (4) = 12,305, p=0,015), as diferenças significativas encontram-se entre os estagiários (1,86) e os titulares (2,41) e quadros de zona pedagógica (2,41) sendo que os primeiros são os que as utilizam com mais frequência. Tabela 29: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 1,86 2,14 2,14 2,29 2,29 2,41 2,44 ,239 ,334 Sit. Profissional 6 4 Estagiário Quadro de Escola Contratado Titular Quadro de Zona Pedagógica Sig. Formação cívica, (χ2 1 9 KW (4) = 13,825, p=0,008), as diferenças significativas encontram-se entre os contratados (2,71) e os quadros de escola (3,86), quadros de zona pedagógica (3,97) e titulares (4,29), sendo que os primeiros são os que as utilizam com mais frequência. Tabela 30: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 2,71 3,67 3,67 3,86 3,97 4,29 ,134 ,533 Sit. Profissional Contratado Estagiário Quadro de Escola Quadro de Zona Pedagógica Titular Sig. 6 4 9 1 223 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Área de projeto, (χ2 KW (4) = 13,628, p=0,009), as diferenças significativas encontram-se entre os estagiários (2,14) e os contratados (3,00), sendo que os primeiros são os que as utilizam com mais frequência. Tabela 31: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 2,14 2,64 2,64 2,92 2,92 2,93 2,93 3,00 ,195 ,156 Sit. Profissional Estagiário Quadro de Escola Quadro de Zona Pedagógica Titular Contratado Sig. 6 4 9 0 Em síntese, nas áreas de expressão não existe uma utilização frequente das tecnologias, seja por qualquer tipo de professor. Ressalta-se uma maior utlização, por parte dos estagiários, na Área de Projeto e Estudo do Meio, passando-se o mesmo com os contratados para a área de Formação Cívica. Hipótese 5 – As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função dos anos de serviço. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 32: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square df Sig. Expressão Físico-Motora 6,388 3 0,094 Expressão Musical 0,269 3 0,966 Expressão Dramática 12,536 3 0,006 * Expressão Plástica 1,199 3 0,753 Estudo do Meio 1,073 3 0,784 Língua Portuguesa 1,467 3 0,690 Matemática 7,199 3 0,066 Formação Cívica 13,169 3 0,004 * Estudo Acompanhado 4,029 3 0,258 Área de Projeto 2,273 3 0,518 * p ≤ 0,05 224 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Expressão dramática, (χ2 KW (3) = 12,536, p=0,006), as tecnologias são pouco utilizadas nesta área, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (3,89) e os restantes, sendo que os últimos são os que as utilizam com menos frequência. Tabela 33: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,98 4,71 4,78 4,83 1,000 ,959 Tempo de serviço até 10 anos 11 - 20 21 - 30 > 30 anos Sig. 4 5 3 Formação cívica, (χ2 KW (3) = 13,169, p=0,004), as tecnologias são pouco utilizadas nesta área, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (3,11) e os que se situam no intervalo 21-30 anos de serviço (4,18) e os que têm mais de 30 anos de serviço (4,48), sendo que os últimos, com maior tempo de serviço, são os que as utilizam com menos frequência. Tabela 34: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 3,11 3,63 3,63 4,18 4,48 ,521 ,111 Tempo de serviço até 10 anos 11 - 20 21 - 30 > 30 anos Sig. 4 5 3 Em síntese, são os professores com mais anos de serviço que utilizam menos a tecnologia, especialmente no que respeita às áreas de Expressão e Formação Cívica. 225 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Hipótese 6 – As áreas onde mais se utilizam as tecnologias pelos professores variam em função do tipo de escola. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 35: Testes de Mann-Whitney Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Sig. Expressão Físico-Motora 1039,500 7709,500 -1,580 0,114 Expressão Musical 937,500 7607,500 -2,153 0,031 * Expressão Dramática 1205,500 1458,500 -0,466 0,641 Expressão Plástica 1206,000 7876,000 -0,382 0,702 Estudo do Meio 1067,000 1320,000 -1,397 0,163 Língua Portuguesa 1211,000 7881,000 -0,340 0,734 Matemática 936,000 1189,000 -2,009 0,045 * Formação Cívica 1252,000 7922,000 -0,083 0,934 Estudo Acompanhado 1212,000 1465,000 -0,331 0,741 Área de Projeto 1011,500 7681,500 -1,263 0,207 * p ≤ 0,05 Expressão Musical, (Z = -2,153, p=0,031), os professores das escolas privadas usam-nas com menos frequência nesta área do que os professores das escolas públicas (4,50 vs 3,88). Matemática, (Z = -2,009, p=0,045), os professores das escolas privadas usam-nas com mais frequência nesta área do que os professores das escolas públicas (2,77 vs 3,30). Tabela 36: Áreas onde se utilizam as tecnologias/tipo de escola Expressão Física-Motora Expressão Musical Expressão Dramática Tipo de Escola N Média Pública 115 4,70 Privada 21 4,95 Pública 115 3,88 Privada 22 4,50 Pública 115 4,61 Privada 22 4,50 226 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Expressão Plástica Estudo do Meio Língua Portuguesa Matemática Formação Cívica Estudo Acompanhado Área Projeto Pública 115 4,08 Privada 22 4,18 Pública 115 2,30 Privada 22 2,00 Pública 115 2,70 Privada 22 2,73 Pública 115 3,30 Privada 22 2,77 Pública 115 3,92 Privada 22 3,95 Pública 115 3,87 Privada 22 3,77 Pública 115 2,66 Privada 22 2,90 Em síntese, registam-se diferenças estatisticamente significativas apenas nas áreas de Expressão Musical e Matemática, sendo os professores que mais utilizam as tecnologias na abordagem destas áreas os que lecionam em escolas privadas. Em síntese, quase todas as escolas onde os professores desenvolvem a sua atividade letiva disponibilizam computador (98,6%), assim como televisão (83,1%), vídeo (69%) e retroprojetor. O Quadro Interativo Digital é o que existe em menor número, sendo referido apenas por sete professores. As tecnologias usadas com frequência pelos professores com os alunos, são o computador (44,3%) e o projetor multimédia (30%). Mais uma vez o recurso menos utilizado é o Quadro Digital o que é compreensível, pois muito poucas escolas os possuem. Quanto aos objetivos de utilização das tecnologias com os alunos, 120 professores assinalaram Motivar os alunos par o assunto a abordar e Diversificar as estratégias de ensino-aprendizagem; 116 selecionaram o Familiarizar os alunos com a utilização de diferentes meios e recursos; 115 indicaram Pesquisar informaçãosobre os assuntos abordados. Quanto a forma de utilização das tecnologias tanto as utilizam em grupo como individualmente. As áreas curriculares mais abordadas com recurso à tecnologia são o Estudo do Meio, a Área de Projeto, a Língua Portuguesa e a Matemática. Entre as áreas 227 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados que são menos usadas destacam-se as áreas de Expressão: Físico-Motora, Dramática e Plástica. 4.2 O computador na escola Neste ponto abordamos o número de computadores que existem na escola, a localização dos mesmos, a sua funcionalidade e ainda se a escola disponibiliza ligação à Internet e a funcionalidade da mesma. Os professores indicam que existe nas suas escolas em média cerca de 6 computadores, variando entre um mínimo de 1 computador e um máximo de 12 computadores. A maioria dos computadores encontra-se instalada na sala de aula onde lecionam. Nestas existem em média 1 computador. Relativamente à funcionalidade dos computadores e de acordo com os dados apresentados na tabela 37, embora na sua maioria os computadores estejam operacionais (51,8%), a proporção dos computadores que não se encontram nas suas correctas condições de funcionamento é bastante elevada (48,2%). Tabela 37: Funcionalidade dos computadores Percentagem Percentagem válida acumulada 51,4 51,8 51,8 68 47,9 48,2 100,0 141 99,3 100,0 1 ,7 142 100,0 Frequência Percentagem Sim 73 Não Total Omissos Total Relativamente à frequência com que os computadores não estão funcionais, 44,4%, ou seja, 28 professores assinalam o item às vezes, 31,7 afirmam que os computadores não estão funcionais frequentemente e 23,8% selecionam o item raramente. 228 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados De acordo com a leitura da tabela 38, uma elevada percentagem das escolas disponibiliza ligação à Internet (95,7%), apenas 4,3% dos professores indica que as suas escolas não têm essa ligação. Tabela 38: Ligação à Internet na escola Percentagem Percentagem válida acumulada 93,7 95,7 95,7 6 4,2 4,3 100,0 139 97,9 100,0 3 2,1 142 100,0 Frequência Percentagem Sim 133 Não Total Omissos Total Quando questionados sobre a funcionalidade da Internet, e segundo a leitura da tabela 39, a maioria dos inquiridos, 59,8%, refere que a ligação à Internet não se encontra sempre funcional. Tabela 39: Funcionalidade da Internet na escola Percentagem Percentagem válida acumulada 37,3 40,2 40,2 79 55,6 59,8 100,0 Total 132 93,0 100,0 Omissos 10 7,0 Total 142 100,0 Frequência Percentagem Sim 53 Não Analisando a tabela 40 constatamos que relativamente ao período de tempo em que os computadores não se encontram funcionais, a opção mais selecionada é Às vezes, indicada por 45,5% dos respondentes. Segue-se a opção frequentemente com 28 professores a assinalarem-na e raramente apenas é selecionada por 14 respondentes que corresponde a 18,2%. 229 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Tabela 40: Período de tempo em que a ligação à Internet não está funcional Frequência Percentagem 28 35 14 77 65 142 19,7 24,6 9,9 54,2 45,8 100,0 Frequentemente Às vezes Raramente Total Omissos Total Percentagem válida 36,4 45,5 18,2 100,0 Percentagem acumulada 36,4 81,8 100,0 Em síntese, a maioria das salas de aula está equipada com um computador e estes apresentam-se funcionais. Há, no entanto, 44,4% dos professores a afirmar que às vezes não estão funcionais. A quase totalidade das escolas tem ligação à Internet (95,7%), mas às vezes não se encontra funcional (45,5%). A ligação à Internet de uma percentagem muito significativa das escolas mostra mais uma vez que estão criadas condições “físicas” para que os alunos do 1º Ciclo do concelho de Vila Real tenham uma “Escola Informada”, como recomenda o Livro Verde para a Sociedade da Informação (MSI/MCTES, 1997). Mais uma vez o reflexo das várias iniciativas, como o Programa Internet na Escola, lançado em 1996, ou a criação da Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa, uARTE, na mesma altura, teve efeitos positivos. 4.2.1 Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula Este ponto aborda aspetos relacionados com os programas informáticos e serviços da Internet usados com os alunos bem como as razões para a não utilização destes serviços, quando essa opção foi assinalada. Pela análise dos dados da tabela 41 a maioria dos respondentes (88,5%), ou seja 116 professores, assinalaram utilizar os programas informáticos com os seus alunos, tendo 16 professores (11,5%) indicado não os usarem. Tabela 41: Utilização dos programas informáticos com os alunos Sim Não Total Omissos Total Frequência Percentagem 123 16 139 3 142 86,6 11,3 97,9 2,1 100,0 230 Percentagem válida 88,5 11,5 100,0 Percentagem acumulada 88,5 100,0 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Quando questionados sobre os programas informáticos utilizados com os alunos e a frequência com que o faziam, 55 dos respondentes (44,7%) indicaram o processador de texto e a opção frequentemente. O mesmo programa foi selecionado na opção sempre, mas com uma percentagem mais baixa, 18,7%, ou seja, 23 professores. O programa de desenho é indicado por 33,6% dos respondentes, ou seja 41, na opção às vezes. O programa de apresentações foi selecionado por 30,1% dos professores (37), na opção frequentemente. Pela observação do gráfico 829, verificamos que se destacam na opção nunca utiliza o programa de criação de páginas Web (90,2%), a folha de cálculo (79,5%) e o programa de edição de vídeo (77,9). Gráfico 8: Programas informáticos utilizados com os alunos Detendo-nos na observação do mesmo gráfico (nº 8) verificamos que a opção outros foi assinalada em diferentes opções da escala de frequência: 41,7% indicou às vezes, 25% frequentemente e 8,3% sempre. Consultando os questionários verifica-se que desses doze respondentes, seis não apresentam qualquer especificação do programa usado e os restantes referem o blogue, um serviço da Web que não era tratado nesta questão. Quanto aos professores, 15, que assinalaram a opção não usa os programas informáticos com os alunos, e observando o gráfico 930, os motivos mais invocados no 29 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 4. 30 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 5. 231 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados item sempre são: outros com 85,7% a especificarem as avarias constantes dos computadores; Conhece as suas potencialidades, mas não os sabe integrar em contexto de sala de aula assinalado com 6,7% a asinalar esta razão. Na escala de frequências, o item frequentemente é indicado por 6,7%, apenas 1 professor, que refere a opção não sabe utilizar. Gráfico 9: Motivo da não utilização dos programas informáticos com os alunos Quanto à utilização dos serviços da Internet com os alunos, e de acordo com a leitura da tabela nº 42, a maioria dos respondentes, 87,6%, afirmou usá-los, o que corresponde a 120 professores, enquanto 17 professores (12,4%) assinalaram não os utilizar. Tabela 42: Utilização de Serviços da Internet com os alunos Sim Não Total Omissos Total Frequência Percentagem 120 17 137 5 142 84,5 12,0 96,5 3,5 100,0 Percentagem válida 87,6 12,4 100,0 Percentagem acumulada 87,6 100,0 Na questão em que se pedia aos inquiridos, que responderam afirmativamente sobre a utilização dos serviços da Internet com os seus alunos, que especificassem quais 232 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados eram esses serviços e com que frequência os utilizavam, observando o gráfico 1031, constata-se que 28% indicaram a World Wide Web e com uso frequente, numa percentagem muito próxima, 27% utilizavam esse serviço, mas às vezes e numa percentagem mais baixa 7,6% indicaram o item sempre. O Correio Eletrónico foi referido por 23,9% dos respondentes, na opção às vezes, 12,8% indicaram que o usam frequentemente, 6% assinalaram o item sempre e 11,1% escolheram o item raramente. A videoconferência foi assinalada por um professor que a usa com os seus alunos frequentemente e outro professor também assinalou o mesmo serviço, mas na opção às vezes. Gráfico 10: Serviços da Internet utilizados com os alunos Apesar da percentagem elevada de professores que afirmaram utilizar os serviços da Internet com os alunos constata-se, pela leitura do gráfico 10, que há uma grande percentagem de professores que assinala o item nunca utiliza para diversos serviços: Videoconferência (97,4%), Fórum (91,5%), Chat (90,6%), Correio Eletrónico (46,2) e World Wide Web (30,5). A não utilização da Videoconferência, do Fórum e do Chat parece-nos compreensível pois não são serviços tão divulgados. Já a não utilização do Correio Eletrónico e da World Wide Web, que permitem, entre outras coisas, 31 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 6. 233 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados comunicar à distância e fazer pesquisas de informação relativa a diferentes áreas, não é facilmente explicável. Quanto à opção outros, e como já aconteceu para uma questão já abordada (motivos da não utilização dos programas informáticos), a especificação prende-se com a não funcionalidade da ligação à Internet, o que constitui uma resposta inoportuna para o que estava a ser pedido, uma vez que havia no questionário uma questão anterior que abordava essa situação. Contudo e cruzando estes dados com a questão da não funcionalidade que foi apontada por 40,2% dos respondentes, e no item frequentemente por 36,4%, há coerência nas respostas dadas. Hipótese 7 – Os serviços de internet mais utilizados pelos professores variam em função da situação profissional. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 43: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square 2,061 df 4 Sig. ,724 Fórum 8,218 4 ,084 Chat (conversação) 11,678 4 ,020 * World Wide Web (sites, blogues,Wikis) 9,461 4 ,051 Videoconferência 7,369 4 ,118 Correio electrónico * p ≤ 0,05 Chat (conversação), χ2 KW (4) = 11,678, p=0,020, este serviço é pouco utilizado com os alunos, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os contratados (4,20) e quadros de escola (4,75), titulares (4,91) e quadros de zona pedagógica (4,97), sendo que os últimos são os que o utilizam com menos frequência. Tabela 44: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 Sit. Profissional Contratado Estagiário Quadro de Escola Titular Quadro de Zona Pedagógica Sig. 1 4,20 4,69 2 2 4 3 ,146 234 2 4,69 4,75 4,91 4,97 ,757 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Em síntese, registaram-se diferenças significativas na utilização do Chat, sendo os professores contratados aqueles que os utilizam com frequência. Hipótese 8 – Os serviços de Internet mais utilizados pelos professores variam em função dos anos de serviço. Encontraram-se as seguintes diferenças estatisticamente significativas: Tabela 45: Testes de Kruskal-Wallis Chi-square df Sig. a) Correio electrónico 3,444 3 ,328 b) Fórum 4,065 3 ,254 c) Chat (conversação) 10,660 3 ,014 * d) World Wide Web (sites, blogues, Wikis) 8,890 3 ,031 * e) Videoconferência 7,099 3 ,069 * p ≤ 0,05 Chat (conversação), (χ2 KW (3) = 10,660, p=0,014), este serviço é pouco utilizado com os alunos, no entanto, as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (4,33) e os com 11-20 anos (4,81), > 30 anos (4,84) e 21-30 anos de serviço (5,00) sendo que os últimos são os que o utilizam com menos frequência. Tabela 46: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 1 2 4,33 4,81 4,84 5,00 ,091 ,811 Sit. Profissional Até 10 anos 11 - 20 > 30 anos 21 - 30 Sig. World Wide Web, (χ2 1 9 8 KW (3) = 8,890, p=0,031), as diferenças significativas encontram-se entre os professores com menos tempo de serviço (2,50) e os que têm 235 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados mais tempo de serviço (4,21) sendo que os primeiros são os que a utilizam com mais frequência. Tabela 47: Teste de Tukey Subset for alpha = 0.05 Sit. Profissional Até 10 anos 11 - 20 21 - 30 > 30 anos Sig. 1 2,50 3,33 3,37 1 8 9 2 3,33 3,37 4,21 2,83 2,91 Em síntese, os professores com mais anos de serviço são os que usam com menor frequência o Chat e a World Wide Web. Hipótese 9 – Os serviços de internet mais utilizados pelos professores variam em função do tipo de escola. As diferenças encontradas não são estatisticamente significativas. Tabela 48: Testes de Mann-Whitney Mann-Whitney U Wilcoxon W Correio electrónico 712,000 5563,000 Z 1,377 Sig. ,169 Fórum 848,000 1019,000 ,533 ,594 Chat (conversação) 796,500 967,500 1,283 ,200 World Wide Web (sites, blogues, Wikis) 837,000 1008,000 ,423 ,672 Videoconferência 833,000 1004,000 ,869 ,385 Tabela 49: Serviços da Internet utilizados/tipo de escola Tipo de Escola Correio electrónico Fórum Chat (conversação) World Wide Web (sites, blogues, Wikis) Videoconferência Média Pública 3,70 Privada 4,17 Pública 4,90 Privada 4,67 Pública 4,88 Privada 4,50 Pública 3,27 Privada 3,17 Pública 4,97 Privada 4,83 236 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Como não se verificaram diferenças estatísticas, o que se conclui é que a utilização dos serviços da Internet não depende do tipo de escola onde o professores lecionam. Quanto aos respondentes que afirmaram não utilizar os serviços da Internet com os alunos, foi-lhes pedido que indicassem os motivos da não utilização. Pela observação do gráfico 1132 verifica-se com clareza que os motivos mais invocados não são os propostos nas diferentes alternativas, já que o item mais assinalado para essas respostas é o nunca, com percentagens muito altas, variando entre 100% e 84,6%. No entanto, e analogamente ao que foi feito em questões anteriores, a opção outros é apontada por 88,9% dos respondentes, no item sempre, e as respostas, depois de consultados os questionários, verifica-se que o motivo invocado é a não funcionalidade da Internet. Gráfico 11: Motivos da não utilização dos serviços da Internet com os alunos Em síntese, a maioria dos professores, 123, utiliza os programas informáticos com os alunos. Quanto ao tipo de utilitário/programa usado com os alunos destaca-se o processador de texto, com 55 dos professores a indicarem que o fazem frequentemente, 32 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 7. 237 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados e 23 a referirem que o usam sempre. O programa menos utilizado é o programa de criação de páginas Web, com 110 professores a assinalarem a opção nunca utiliza. Dos 15 professores que selecionaram a opção não usa os programas informáticos com os alunos, os motivos que indicaram foram: avarias constantes nos computadores (12 professores) e Conhece as potencialidades, mas não sabe integrar em contexto de sala de aula e opção sempre (1 professor). Não sabe integrar foi selecionado na opção às vezes, por 3 professores. Quanto à utilização da Internet, 120 professores afirmaram usar com os alunos, enquanto 17 não utilizam (houve 5 professores que não responderam à questão). Os serviços mais utilizados são a Web, com uso frequente (33 professores) e utilizada às vezes (32 professores), seguindo-se o Correio Eletrónico, utilizado às vezes (28 professores) e frequentemente (15 professores). Nos motivos para a não utilização da Internet com os alunos, estão as falhas da ligação, indicado por 9 professores, e conhece as potencialidades mas não sabe como os integrar, assinalado por dois professores, na opção frequentemente. 4.2.2 O Vídeo Neste ponto sobre o vídeo abordamos as questões da sua utilização em contexto educativo, se são utilizados, se os alunos participam na sua produção e se os que os produzem o fazem recorrendo a uma ferramenta digital. Pela leitura da tabela 50 e no que respeita à questão da integração do vídeo nas atividades regulares da sala de aula, verificamos que 66 professores (51,2%) responderam negativamente, enquanto 63 dos professores (48,8%) afirmaram integrar. Tabela 50: Integração do vídeo nas atividades regulares da sala de aula Sim Não Total Omissos Total Frequência Percentagem 63 66 129 13 142 44,4 46,5 90,8 9,2 100,0 238 Percentagem válida 48,8 51,2 100,0 Percentagem acumulada 48,8 100,0 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Relativamente aos géneros de vídeo utilizados pelos professores e de acordo com a observação do gráfico 1233, constata-se que todos são utilizados na aula ainda que em diferentes frequências de uso. Assim, as histórias infantis são utilizadas às vezes por 47,6%, frequentemente por 23,8% e sempre por 4,8%. Os vídeos de ação são integrados às vezes por 19,7%, raramente por 9,8% e sempre apenas por 1,6 ou seja, por um respondente. O género científico é usado às vezes por 37,7%, frequentemente por 29,5%, sendo os itens sempre e raramente assinalados pela mesma percentagem de professores 3,3%. O género informativo foi assinalado no item às vezes por 35,9%, logo seguido do frequentemente com 32,8%, sendo o item raramente indicado por 6,3% e a opção sempre por 4,7%. Quanto ao item da escala de frequências, nunca, foi assinalado em diferentes percentagens para todos os géneros de vídeo e isso é claro pela observação do gráfico 12: o vídeo de ação foi assinalado por 68,9% dos professores, que corresponde a 42 professores; seguem-se, em percentagens menores, o científico indicado por 26,2%, ou seja 16 respondentes, o informativo apontado por 20,3% (13 professores) e as histórias infantis com 15,9%, que corresponde a 10 professores que nunca usam. Gráfico 12: Género de vídeo mais utilizado 33 É disponibilizada informação adicional na tabela, anexo 8. 239 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Relativamente à produção de vídeos pelos alunos, e de acordo com a leitura da tabela 51, verificamos que apenas 7 professores (6,7%) referem que os alunos são produtores de vídeo. Quando questionados acerca da utilização da edição digital de vídeo seis, dos sete professores, afirmaram usar com os alunos a edição digital de vídeo. Tabela 51: Alunos enquanto produtores de vídeo Percentagem Percentagem válida acumulada 4,9 6,7 6,7 97 68,3 93,3 100,0 Total 104 73,2 100,0 Omissos 38 26,8 Total 142 100,0 Frequência Percentagem Sim 7 Não O vídeo constitui um poderoso recurso de aprendizagem (Boyle, 1997). Mas para se retirarem todos os benefícios que este recurso proporciona é necessário que seja usado de uma forma ativa. Não basta que os alunos o vejam, devem também usá-lo. O desenvolvimento significativo das tecnologias informáticas disponibiliza um conjunto de meios para a edição do vídeo digital. A conjugação de diversas tecnologias, como computadores mais potentes e CD-ROMs com maior capacidade de armazenamento, tornou possível o desenvolvimento e aperfeiçoamento do vídeo digital. As ferramentas para editar o vídeo digital estão disponíveis em programas como o iMovie, da Apple ou o Windows Movie Maker. Em síntese, a integração do vídeo é feita por 63 professores e os géneros de vídeo utilizados são histórias infantis, vídeos de ação, científico e informativo, ainda que com frequências diferentes. Quanto à produção de vídeo, apenas 7 professores assinala que o faz com os alunos e 6 desses respondentes utilizam a edição digital de vídeo. 240 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados 4.2.3 Formação Neste ponto abordamos a temática da formação dos professores, procurando perceber qual o tipo de formação inicial e contínua que os respondentes têm, que competências essa formação lhes permitiu desenvolver, bem como saber em que âmbito ou aplicativos gostariam de ter formação no futuro. Relativamente à formação inicial em TIC, 25% dos professores, 35 professores, referiram ter tido este tipo de formação. De salientar que das 35 respostas dadas, 32 eram de estagiários. Quanto ao tipo de formação a este nível foram indicadas as disciplinas de ITI (Introdução às Técnicas de Informática), do 11º ano de escolaridade e a unidade curricular Tecnologias Educativas, que integra a Licenciatura em Ensino Básico. Quanto à formação contínua, 83% dos professores, que corresponde a oitenta e oito professores, indicaram ter frequentado ações desse tipo. De salientar que para esta questão foi pedido aos estagiários que não a considerassem. Os resultados da auscultação dos professores sobre a formação contínua obtida ao nível das TIC está de acordo com dois trabalhos anteriores (Paiva, 2002; Bastos & Carvalho, 2006) que abordam esta questão. No estudo de Paiva (2002) é referido que, de um conjunto de professores de vários níveis de ensino, os professores que mais formação tiveram foram os professores do 1º Ciclo. No estudo de Bastos & Carvalho (2006), a maioria dos inquiridos, 89,5%, frequentaram um curso ou formação em utilitários/programas de computadores. Quando inquiridos sobre os cursos ou ações de formação contínua frequentados, muito poucos os explicitaram, apenas 10. Os que o fizeram referiram “cursos de computadores”, “Internet” e “TIC”, sem clarificarem a duração e creditação desses cursos. Apenas um professor referiu ter um diploma de “Competências básicas em TIC” (Decreto Lei nº 140/2001 de 24 de Abril). Questionados sobre as competências que consideram que desenvolveram com essa formação, quer inicial quer contínua, assinalaram, de acordo com a leitura da tabela 52, Contactar com experiências de integração dos diferentes meios e recursos, em 241 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados contexto de sala de aula (40,0%), Construir documentos para utilizar na sala de aula (35,2), Conhecer as potencialidades pedagógicas dos diferentes meios e recursos (34,4%) e Adquirir conhecimentos técnicos sobre os equipamentos (33,6%), selecionando para todas estas opções o item frequentemente. Tabela 52: Competências adquiridas com a Formação Inicial e Contínua em TIC Adquirir conhecimentos técnicos sobre os equipamentos Conhecer as potencialidades pedagógicas dos diferentes meios e recursos Contatar com experiências de integração dos diferentes meios e recursos, em contexto de sala de aula Contruir documentos para utilizar na sala de aula Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca Total 26 42 30 4 23 125 20,8 33,6 24,0 3,2 18,4 100,0 33 43 22 1 26 125 26,4 34,4 17,6 ,8 20,8 100,0 22 50 21 4 28 125 17,6 40,0 16,8 3,2 22,4 100,0 40 44 25 3 13 125 32,0 35,2 20 2,4 10,4 100,0 Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Uma maioria muito significativa (91,7%) dos respondentes refere a sua disponibilidade para ter formação no âmbito das TIC. Tabela 53: Formação em TIC desejada Percentagem Percentagem válida acumulada 85,5 91,7 91,7 11 7,7 8,3 100,0 Total 132 93,0 100,0 Omissos 10 7,0 Total 142 100,0 Frequência Percentagem Sim 121 Não 242 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados O facto de uma percentagem tão significativa de professores afirmar estar disponível para ter formação em TIC é animador, pois mostra uma motivação destes para continuarem a desenvolver competências neste domínio, condição essencial para a concretização de uma escola mais informada. Hipótese 10 – A situação profissional dos professores influencia a necessidade de formação em TIC. A proporção de estagiários que considera ter necessidades de formação é significativamente mais elevada do que o esperado (29,8%) enquanto nos quadros de escola a proporção de professores que considera não ter necessidade de formação é significativamente mais elevada do que o esperado (27,3%), (χ2 Fisher = 9,621, p=0,024). Tabela 54: Testes do Qui-quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Fisher's Exact Test Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Valor gl Sig. 9,121 10,854 9,621 1,018 132 4 4 ,056 ,037 ,024 ,368 1 Tabela 55: Situação profissional e necessidades de formação Estagiário Contrato Quadro de Zona Pedagógica Quadro de Escola Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Necessidade de Formação Sim Não 36 0 100% ,0% 29,8% ,0% 27,3% ,0% 6 1 85,7% 14,3% 5,0% 9,1% 4,5% ,8% 32 5 86,5% 13,5% 26,4% 45,5% 24,2% 3,8% 10 3 76,9% 23,1% 8,3% 27,3% 7,6ª% 2,3% 243 Total 36 100,0% 27,3% 7,3% 7 100,0 5,3% 5,3% 37 100,0% 28,0% 28,0% 13 100,0% 9,8% 9,8% 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Titular Total 37 94,9% 30.6% 28,0% 121 91.7% 100,0% 91,7% 2 5,1% 18,2% 1,5% 11 8,3% 100,0% 8,3% 39 100,0% 29,5% 29,5% 132 100,0% 100,0% 100,0% Verfica-se, então, que a situação profissional influencia a necessidade de formação. Sendo novamente de observar que são os estagiários que consideram ter mais necessidades de formação. Hipótese 11 – Os anos de serviço dos professores influenciam a necessidade de formação em TIC. A proporção de professores que afirma ter necessidades de formação em TIC é relativamente semelhante nos escalões de antiguidade, (χ2 Fisher = 3,405, p=0,316). Tabela 56: Testes do Qui-quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Fisher's Exact Test Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Valor l Sig. 3,613 3,226 3,405 1,073 95 3 3 ,306 ,358 ,316 ,300 1 Tabela 57: Tempo de serviço e necessidades de formação Até 10 anos 11 - 20 21 - 30 Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Necessidade de Formação Sim Não 8 1 88,9% 11,1% 9,5% 9,1% 8,4% 1,1% 17 5 77,3% 22,7% 20,2% 45,5% 17,9% 5,3% 39 3 92,9% 7,1% 46,4% 27,3% 41,1% 3,2% 244 Total 9 100,0% 9,5% 9,5% 22 100,0% 23,2% 23,2% 42 100,0% 44,2% 44,2% 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados > 30 anos Total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total 20 90,9% 23,8% 21,1% 84 88,4% 100,0% 88,4% 2 9,1% 18,2% 2,1% 11 11,6% 100,0% 11,6% 22 100% 23,2% 23,2% 95 100,0% 100,0% 100,0% Relativamente aos anos de serviço verifica-se que estes não influenciam as necessidades de formação em TIC. Hipótese 12 – As necessidade de formação em TIC variam em função do tipo de escola. A proporção de professores que afirma ter necessidades de formação em TIC é mais elevada nas escolas públicas (92,7% versus 85,7%), embora a diferença não seja estatisticamente significativa, (χ2 Fisher = 0,985, p=0,321). Tabela 58: Testes do Qui-quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Fisher's Exact Test Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Valor l Sig. 1,127 ,400 ,985 1 1 1 ,288 ,527 ,321 131 Tabela 59: Tipo de escola e necessidades de formação Pública Privada Total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Frequência % Sit. profissional % Nec. formação % do total Necessidade de Formação Sim Não 102 8 92,7% 7,3% 85,0% 72,7% 77,9% 6,1% 18 3 85,7% 14,3% 15,0% 27,3% 13,7% 2,3% 120 11 91,6% 8,4% 100,0% 100,0% 91,6% 8,4% 245 Total 110 100,0% 4,0% 4,0% 21 100,0% 16,0% 16,0% 131 100,0% 100,0% 100,0% 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados No que respeita ao tipo de escola também não se observou qualquer influência na necessidade de formação. Quando confrontados com as várias possibilidades de formação 78,9% dos respondentes (112) selecionaram a opção A utilização de um utilitário/ programa ou serviço da Internet em contexto de sala de aula, 59,9% (85) selecionaram A utilização do computador em contexto de sala de aula, 46,5% (66) indicaram a utilização do quadro digital, A edição de vídeo digital foi assinalada por 43% (61), e com menos professores, 26,8% (38) a indicarem As potencialidades da televisão digital em contexto escolar. A disponibilidade manifestada pelos professores em fazerem formação no âmbito dos serviços da Internet e do computador em contexto de sala de aula ou do Quadro Interativo Digital mostra que estes professores percecionam as potencialidades que estas tecnologias têm, disponibilizando de uma forma crescente novos serviços e da constante formação que estas tecnologias requerem. Tabela 60: Âmbito da formação desejada Acções Freq % Processador de texto (por exemplo, Word) 41 36,6 Folha de cálculo (por exemplo, Excel) 45 40,2 Apresentações (por exemplo, PowerPoint) 65 58,0 Programa de desenho (por exemplo, Paint) 39 34,8 Programa de criação de páginas Web (por exemplo, FrontPage) 66 58,9 Software Educativo Multimédia (CD-ROM e DVD) 44 39,3 Correio electrónico 38 33,9 Fórum 12 10,7 Chat (conversação) 16 14,3 World Wide Web (pesquisa de informação em sites) 29 25,9 World Wide Web (criação e dinamização de blogues) 46 41,1 World Wide Web (criação e dinamização de Webquest) 39 34,8 World Wide Web (criação e dinamização de Wikis) 28 25,0 Aos respondentes que selecionaram a opção A utilização de um utilitário/ programa ou serviço da Internet em contexto de sala de aula foi-lhes pedido que indicassem o utilitário/programa em que desejavam ter formação. As opções mais 246 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados assinaladas, segundo a análise da tabela 60, foram o Programa de criação de páginas Web (58,9%), Apresentações (58,0%) e World Wide Web. Dentro deste ser serviço da Internet, a criação e dinamização de blogues foi a opção mais assinalada, 34,8%, seguida da criação e dinamização de WebQuests, da pesquisa da informação em sites (25,9%) e da criação e dinamização de Wikis (25%). Em síntese, os professores que afirmaram ter TIC na sua formação inicial foram apenas 35 professores, quase todos Estagiários (32). Quanto à formação contínua, 83% dos professores afirmou ter frequentado ações de formação no âmbito das TIC e as temáticas abarcaram a Internet, as TIC e cursos de computador. Sobre as competências que desenvolveram destacam-se Contactar com experiências de integração dos diferentes meios e recursos, em contexto de sala de aula (50 professores), Adquirir conhecimentos técnicos sobre os equipamentos (42 professores) e Conhecer as potencialidades pedagógicas dos diferentes meios e recursos (43 professores). A maioria dos professores afirma estar disponível para fazer formação no âmbito das TIC, e a utilização de um utilitário/programa ou serviço da Internet em contexto de sala de aula foi assinalada por 112 respondentes. Neste âmbito, manifestam preferência pela criação de páginas Web, programa de apresentações e World Wide Web, especificando para esta última opção a criação e dinamização de blogues e de WebQuests. 4.3 Conclusões gerais De acordo com a testagem das hipóteses podemos sintetizar alguns aspetos relevantes para o nosso estudo. Os professores mais novos, com menos anos de serviço e com uma situação profissional mais precária, como sejam os contratados, são os que utilizam com mais frequência as tecnologias. As escolas privadas utilizam com mais frequência e em maior número as tecnologias, referindo-se ainda que essa utilização se veicula às tecnologias de âmbito mais recentes, como o quadro digital. Independentemente das áreas curriculares, são os professores com menos anos de serviço e com uma situação profissional mais provisória (estagiários 247 4. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados e contratados) que utilizam com mais frequência as TIC, com especial relevância para as escolas privadas, onde são utilizadas e em maior número. Relativamente aos serviços da Internet continuam a ser os professores com menos anos de serviço e com a situação profissional mais precária que a utilizam com maior frequência. No que respeita às necessidades que os professores têm de formação em TIC verifica-se que esta apenas é influenciada pela situação profissional, destacando-se os estagiários e contratados. Sintetizando, os professores com menos anos de serviço e situação profissional mais precária (estagiários e contratados) utilizam mais as tecnologias e sentem mais necessidades de formação. O facto de os estagiários, a finalizarem um processo de formação inicial, se destacarem como uns dos que mais utilizam as tecnologias com os seus alunos, tanto os utilitários/programas como a Internet, e serem simultaneamente os que manifestam mais necessidades de formação é um indicador muito positivo relativamente àquilo que poderemos esperar deles como professores. Estes resultados mostram que os estagiários estão preparados para enfrentar os desafios de uma escola que se pretende “Informada”, em que as tecnologias da informação e da comunicação são essenciais, e que assimilaram claramente a ideia de aprendizagem ao longo da vida. Terminaram um ciclo de formação, conscientes de que outros se seguirão. 248 5. Conclusão 5. Conclusão 5.1. Conclusões do estudo Neste estudo procurámos caracterizar a utilização da tecnologia educativa pelos professores do 1º Ciclo do Ensino Básico, do Concelho de Vila Real, percebendo de que forma respondem aos desafios de um Escola Informada (MSI/MCTES,1997). Para isso, procedemos a um estudo aprofundado da problemática da Tecnologia Educativa, partindo de uma revisão dos conceitos de tecnologia e de técnica e de uma perspetiva histórica da evolução da TE, dando depois enfoque ao panorama português. Caracterizámos ainda a Sociedade da Informação e do Conhecimento, abordando de seguida, a questão da formação de professores no contexto da sociedade atual, e analisando a formação de professores em TIC, dando uma breve perspetiva histórica desta formação em Portugal. Procedemos depois à abordagem dos meios, começando por uma breve análise da questão da alfabetização tecnológica, a que se seguiu um estudo mais aprofundado dos multimédia em contexto educativo e da Internet, dando destaque à Web 2.0 e aos programas/ferramentas que a integram. O desenho metodológico do estudo partiu da definição de um problema, “Qual a utilização da tecnologia educativa pelos professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Vila Real?, a partir do qual definimos a hipótese geral do estudo “Verificar se a situação profissional dos professores, anos de serviço e tipos de escola influencia a utilização das tecnologias e a necessidade de formação”. Para a recolha de dados organizámos um questionário (anexo nº1), assente em seis dimensões: “Caracterização do professor e da escola”, “As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola”, “O computador na escola”, “Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula”, “O Vídeo” e “Formação”. Para o tratamento dos dados procedemos à análise de frequências e a diferentes tipos de testes estatísticos. O tratamento dos dados recolhidos permite-nos afirmar que todas as salas de aula em que os respondentes desenvolviam a sua atividade letiva estavam equipadas com computadores, pelo menos um por sala. A maioria dos professores utiliza os serviços que o computador disponibiliza com os seus alunos, sejam os utilitários programas (processador de texto, programa de desenho, apresentações) ou os serviços 250 5. Conclusão da Internet (Web, Correio Eletrónico). Os objetivos que indicaram para a sua utilização foram: Motivar os alunos para o assunto a abordar, Diversificar estratégias de ensinoaprendizagem, Familiarizar os alunos com a utilização dos diferentes meios e recursos e pesquisar informação sobre os assuntos abordados. Relativamente às razões que apresentam para a não utilização destes serviços prendem-se essencialmente com avarias e falhas no equipamento e na ligação à Internet, mas também assinalam que conhecem as potencialidades da utilização desses serviços, mas não os sabem integrar no contexto de sala de aula com os seus alunos. As áreas curriculares em que os professores mais utilizam as TIC são o Estudo do Meio (EM), a Área de Projeto (AP), a Língua Portuguesa (LP) e a Matemática. A explicação para que isto aconteça é, em nosso entender, muito clara já que as áreas curriculares disciplinares, como o EM, LP e Matemática são as disciplinas em que os professores mais investem. A AP porque é o espaço privilegiado para a organização de atividades mais centradas nos alunos e mais diversificadas ao nível de estratégias e recursos, já que ao longo do seu desenvolvimento há pesquisa de informação em diferentes fontes (livros, jornais, sites...), criação de diferentes produtos (textos, apresentações multimédia, como vídeos, ou exposição fotográfica...), comunicação de trabalhos e intercâmbio com outras escolas (Correio eletrónico, Chat...) em que as tecnologias se assumem como recursos fundamentais de suporte a estas atividades. Quanto às áreas em que menos utilizam as TIC, destacam-se as áreas das expressões, Físico-Motora, Musical, Dramática ou Plástica. De acordo com o que explicitámos atrás, estas são as áreas em que os professores menos investem, normalmente funcionam como apêndice de outras, como EM, LP ou Matemática, sendo algumas delas, como a Expressão Físico-Motora e a Expressão Musical, em muitos casos da responsabilidade dos professores destacados para assegurar as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC). Muitos dos professores integram o vídeo nas atividades regulares de sala de aula e utilizam géneros diversos, desde histórias infantis, vídeos de ação, científicos e informativos. Apenas 7 professores, de 142, indicam que os seus alunos produzem vídeos e seis deles usam uma edição de vídeo digital. Entendemos que o vídeo é um recurso muito apelativo para as crianças e que a edição digital permite serem eles 251 5. Conclusão próprios criadores de mensagens, por oposição ao papel que sempre lhes tem sido reservado, o de um aluno passivo, consumidor acrítico de mensagens de outros. O facto de serem eles a tomarem as decisões sobre o que filmar, com que planos, que cortes de imagem, que música ou ruído integrar, que legendagem, o trabalho colaborativo que pode proporcionar e a criatividade que exige, torna-os cidadãos mais ativos, mais críticos, mais inovadores e mais preparados para se integrarem numa sociedade em que essas características são valorizadas. Um dos aspetos que os construtivistas defendem é a necessidade de criar experiências de aprendizagem autênticas e, de acordo com Boyle (1997), os vídeo clips proporcionam esse tipo de experiências, realçando fortemente a autenticidade de um ambiente de aprendizagem baseado no computador. Relativamente à problemática da formação, constata-se que quase todos os estagiários referiram ter formação inicial nesta área, tanto no secundário (11ª ano), como na Licenciatura em Ensino Básico, com as unidades curriculares de Informática e Tecnologias Educativas. A maioria dos professores inquiridos refere ter formação contínua no âmbito das TIC. Os resultados mostraram ainda que quem mais integra as tecnologias na aula são os estagiários e os contratados, com diferenças estatísticas significativamente relevantes relativamente aos restantes. Quando se analisam os resultados da auscultação dos professores relativamente à disponibilidade para fazerem formação no âmbito das TIC as respostas são muito positivas, há uma vontade expressa por parte de uma maioria significativa de professores (91,7%), em fazer formação nesse domínio, assinalando diferentes possibilidades de formação, desde a utilização dos serviços da Internet, como a criação e dinamização de blogues ou de WebQuests ou o Correio Eletrónico, ao programa de apresentações, à utilização da folha de cálculo. Estes resultados são muito estimulantes porque sugerem que os professores começam a entender que já não chega fazer uma licenciatura para “dar aulas”, como acontecia há alguns anos atrás. Vivemos um outro paradigma na educação, o da formação ao longo da vida e da aprendizagem centrada no aluno, em que se espera que cada professor entenda que tem um percurso a fazer, que decorre das suas próprias necessidades e da sociedade em que se insere, marcada decisivamente pelas tecnologias da informação e comunicação. E se quer contribuir para uma “escola informada”, como 252 5. Conclusão o Livro Verde para a Sociedade da Informação (MSI/MCTES, 1997) recomenda, a permanente atualização dos conhecimentos joga um papel central. Relativamente à testagem das hipóteses formuladas podemos concluir que: Os professores mais novos, com menos anos de serviço e com uma situação profissional mais precária, como os estagiários e os contratados, são os que utilizam com mais frequência as tecnologias. As escolas privadas utilizam com mais frequência e em maior número as tecnologias, referindo-se ainda que essa utilização se veicula às tecnologias de âmbito mais recentes, como o quadro digital. Independentemente das áreas curriculares, são os professores com menos anos de serviço e com uma situação profissional mais provisória (estagiários e contratados) que utilizam com mais frequência as TIC, com especial relevância para as escolas privadas, onde são utilizadas e em maior número. Relativamente aos serviços da Internet continuam a ser os professores com menos anos de serviço e com a situação profissional mais precária que a utiliza com maior frequência. No que respeita às necessidades que os professores têm de formação em TIC verifica-se que esta apenas é influenciada pela situação profissional, destacando-se os estagiários e contratados. Sintetizando, os professores com menos anos de serviço e situação profissional mais precária utilizam mais as tecnologias e sentem mais necessidades de formação. 5.2 Implicações da investigação Esta investigação permitiu caracterizar os professores do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Vila Real, relativamente à utilização das TIC em contexto escolar. Os dados que recolhemos e analisámos, para além de nos informarem sobre as tecnologias existentes nas escolas e que tipo de utilização é feita com os alunos, 253 5. Conclusão ajudam-nos a perceber melhor as necessidades de formação dos professores deste Concelho. O facto de aliar na minha prática profissional os dois aspetos analisados na investigação, Formação de Professores e TIC, estando ligada à supervisão dos estágios, há mais de 20 anos, e lecionar a disciplina de Comunicação e Tecnologias Educativas, desde 1999, leva-me a ter algumas ideias concretas sobre a utilização das TIC pelos professores e estagiários com quem trabalho. Num estudo anterior (Bastos & Carvalho, 2006) tinha recolhido alguns dados para a caracterização destes professores, mas precisava de alargar o estudo a outro tipo de professores, por exemplo aos professores das escolas privadas, recolhendo mais elementos que me permitissem caracterizar melhor a utilização das TIC pelos professores deste Concelho. Considero esta investigação pertinente pelo contributo que pode dar para um entendimento mais aprofundado, mais fundamentado e mais preciso dos professores a quem a nossa instituição pode dar formação. É com certeza mais fácil ajustarmos alguns aspetos dos planos de formação que oferecemos às necessidades dos professores, tendo conhecimento destas. E tudo isto porque acreditamos que se respondermos de forma mais ajustada às necessidades de formação dos professores, ajudamo-los também a responder de forma mais eficaz e adequada às necessidades dos alunos na Sociedade do Conhecimento, contribuindo para que a escola se torne uma “Escola Informada” (MSI/MCTES, 1997). 5.3 Orientações para investigação futura A conclusão de uma investigação desta natureza é também ponto de partida para outros projetos. Pela análise dos resultados deste estudo constata-se a disponibilidade e necessidades dos professores do 1º CEB, do Concelho de Vila Real ao nível da formação em TIC. A próxima etapa será organizar um plano de formação contínua de professores em áreas específicas da Tecnologia Educativa, com propostas específicas de integração nas àreas curriculares. Em termos de modelo de formação parece-nos importante optar por um que implique os professores no processo e em contexto, sendo 254 5. Conclusão o modelo que Costa & Viseu (2007) propõem o mais adequado, pois assenta em três momentos fundamentais: Formação-Ação-Reflexão. Uma outra proposta passa por integrar os professores do 1º CEB, do Concelho de Vila Real em projetos na área da TE, contribuindo para uma melhor integração da mesma nas áreas curriculares que abordam. Uma outra possibilidade consistente será alargar o estudo aos alunos do 1º CEB e desenvolver um trabalho de alfabetização tecnológica com esses alunos, em contexto escolar. Nesse projeto o envolvimento dos estagiários seria pertinente. Por outro lado, a organização da dissertação, particularmente da contextualização teórica, implicou um trabalho aprofundado sobre vários aspetos da Tecnologia Educativa. Foram feitas muitas leituras, houve muita pesquisa em diferentes fontes, muito material que sendo analisado não foi aproveitado, que penso poder constituir um ponto de partida para investigações futuras. É o caso da conectividade e dos dispositivos móveis e o seu enorme potencial para o campo da educação. Existem já algumas experiências de aprendizagem em mobile learning cuja ferramenta de aprendizagem são os telemóveis ou os Tablet, como o iPad, e o que gostava de fazer era estruturar uma investigação com estagiários e alunos do 1º CEB na utilização destas ferramentas. Uma questão a estar atenta é à evolução de outras ferramentas da Web 2.0 e 3.0 e explorar aprofundadamente outros aspetos como as redes sociais ou perceber melhor o que é isto da “Web semântica” e da organização dos “metadados”. 255 Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas Alvarez, A. et al (1993). Tecnología en Acción. Barcelona: Rap. Alves, J. (2006). 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Despacho nº 299/ME/92, de 11 de Novembro Regulamento da medida 1.3 do PRODEP (Programa Operacional de Desenvolvimento Educativo para Portugal) Despacho nº 7072/2005 (EduTIC) Despacho nº 16793/2005 (CRIE) Diário da República, 1ª série - N.º 129- 7 de Julho de 2009 (pp. 4340 a 4343) Diário da República, 2ª série - N.º 12- 19 de Janeiro de 2010 (pp. 2545) Resolução do Conselho de Ministros n.º 137/2007 (PTE) Legislação Essencial para o Professor: Legislação Professional e Legislação Pedagógica. Porto: Porto Editora. (2003) 269 Anexos Anexos Anexo 1 Questionário sobre a utilização da Tecnologia Educativa nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico 1- Este questionário insere-se no âmbito de um trabalho de investigação sobre a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, da responsabilidade de Ana Maria Bastos ([email protected]), de Joaquim Escola ([email protected]) e de José Costa Pinto ([email protected]), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 2- Este questionário destina-se a recolher informações sobre a utilização das TIC pelos Professores (titulares de turma) do 1º CEB, do Concelho de Vila Real e Estagiários da Licenciatura em Ensino Básico, da UTAD. 3- O resultado final da investigação será enriquecido com a sua colaboração. Por favor, leia atentamente as questões. 4- Este questionário é confidencial pelo que as respostas nunca identificarão as pessoas que colaboram. 5- Se pretender conhecer os resultados deste estudo, por favor, contacte um dos elementos da equipa. 6- Por favor, leia atentamente as questões. Assinale com um X a opção que se aplica à sua situação. 1- Caracterização do professor e da escola 1.1- Género: Feminino Masculino 1.2- Idade: _________ anos. 1.3- Situação Profissional: Estagiário Contratado Quadro de Zona Pedagógica Quadro de Escola Titular 1.4- Anos de serviço: _________anos. 1.5- Nome da escola onde lecciona:_____________________________________________________ 1.6- Tipo de escola: Pública Privada 1.7- Número de alunos na turma onde lecciona? ________ 1.8- Ano de escolaridade que frequentam? 1º 2º 3º 4º 2- As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na escola 2.1- Quais são as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que a escola disponibiliza? a) Computador b) Projector multimédia c) Quadro digital d) DVD e) Vídeo f) Televisão g) Retroprojector h) Projector de slides i) Outra(s). Especifique__________________________________________________________ 2.2- Indique as tecnologias que utiliza com os seus alunos. Assinale, na escala, as opções que correspondem à sua escolha. Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a) Computador b) Projector multimédia c) Quadro digital d) DVD e) Vídeo f) Televisão g) Retroprojector h) Projector de slides i) Outra(s). Indique:___________________ 2.3- Com que objectivo(s) usa as TIC com os seus alunos? a) Motivar os alunos para o assunto a abordar. b) Transmitir conteúdos. c) Reforçar a exposição docente. d) Concretizar os assuntos abordados. e) Facilitar/ favorecer a memorização ou retenção de informação pelos alunos. f) Simplificar a informação complexa. g) Ilustrar ideias ou relações difíceis de captar apenas através da verbalização. h) Diversificar as estratégias de ensino-aprendizagem. i) Pesquisar informação sobre os assuntos abordados. j) Registar os assuntos abordados. k) Apresentar trabalhos. l) Divulgar os assuntos abordados. m) Contactar outras pessoas. n) Familiarizar os alunos com a utilização de diferentes meios e recursos. o) Outro(s). Especifique:________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.4- Quando os alunos usam as TIC fazem-no de que forma? Assinale, na escala, as opções que correspondem à sua escolha. Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a)Individualmente b)Em grupo 2.5- Indique, seguindo a escala, em que áreas curriculares utiliza as TIC: Sempre Frequentemente Às vezes Expressão Físico-Motora Expressão Musical Expressão Dramática Expressão Plástica Estudo do Meio Língua Portuguesa Matemática Formação Cívica Estudo Acompanhado Área de Projecto 3- O computador na escola 3.1- Quantos computadores existem na escola? ______________ 3.2- Onde se localizam os computadores? a) Na sala de aula onde lecciona. Quantos computadores tem?_____ Raramente Nunca b) Numa outra sala de aula. Quantos computadores tem?_____ c) Numa sala de informática. Quantos computadores tem?_____ d) Outro local. Especifique: __________________________Quantos computadores tem?_____ 3.3- Os computadores estão sempre funcionais? Sim Não Se respondeu não, explicite a frequência com que estão disponíveis. Assinale, na escala, a opção que corresponde à sua escolha. a) Frequentemente b) Às vezes c) Raramente 3.4- A escola disponibiliza ligação à Internet ? Sim Não 3.5- Quantos computadores estão ligados à Internet? ____________ 3.6- A ligação à Internet está sempre funcional? Sim Não Se respondeu não, explicite o período de tempo médio em que não está funcional. Assinale, na escala, a opção que corresponde à sua escolha. a) Frequentemente b) Às vezes c) Raramente 4 - Programas informáticos ou serviços da Internet utilizados na aula 4.1- Usa os programas informáticos (excluindo acesso à Internet ) com os seus alunos ? Sim Não (se não utiliza passe para a questão 4.3) 4.2- Assinale, seguindo a escala, os programas informáticos que utiliza com os alunos. Sempre Frequentemente Às vezes a) Processador de texto (por exemplo, word ) b) Folha de cálculo (por exemplo, Excel) c) Apresentações (por exemplo, PowerPoint) d) Programa de desenho (por exemplo, Paint) e) Programa de edição de vídeo (por exemplo, Windows Movie Maker) f) Programa de criação de páginas web (por exemplo, FrontPage) h) Outro especifique:________________________ _________________________________________ Raramente Nunca 4.3- Se não utiliza os programas informáticos com os alunos, assinale o (s) motivo (s), usando a escala. Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a) Não sabe utilizar. b) Não considera importante que os alunos os utilizem. c) Desconhece as suas potencialidades em contexto de sala de aula. d) Conhece as suas potencialidades, mas não sabe como os integrar em contexto de sala de aula e) Os alunos já usam em casa, por essa razão não precisam de usar na escola. f) A sua utilização acarreta mais problemas que benefícios. g) Outro. Especifique:__________________________ ____________________________________________ Se assinalou a f) indique que tipo de problemas:___________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 4.4- Utiliza os serviços da Internet com os seus alunos? Sim Não 4.5- Assinale, seguindo a escala, os serviços da Internet que utiliza com os alunos: Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a) Correio electrónico b) Fórum c) Chat (conversação) d) World Wide Web (sites, blogues,Wikis) e) Videoconferência f) Outro. Especifique:__________________________ 4.6- Se não utiliza os serviços da Internet com os alunos, assinale o(s) motivo(s), usando a escala. Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a) Não sabe utilizar. b) Não considera importante que os alunos os utilizem. c) Desconhece as suas potencialidades em contexto de sala de aula. d) Conhece as suas potencialidades, mas não sabe como os integrar em contexto de sala de aula e) Os alunos já usam em casa, por essa razão não precisam de usar na escola. f) A sua utilização acarreta mais problemas que benefícios. g) Outro.Especifique:______________________ _______________________________________ Se assinalou a f) indique que tipo de problemas:_______________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 5- O Vídeo 5.1- Integra o vídeo nas actividades regulares de sala de aula? Sim Não Se respondeu sim qual o género que mais utiliza? Assinale, na escala, as opções que correspondem à sua escolha. Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca a) Informativo b) Científico c) Acção d) Histórias infantis e) Outro. Especifique:_________________________ 5.2- Para além de utilizadores do vídeo, os alunos também são produtores de vídeo? Sim Não Se respondeu sim explicite as temáticas mais abordadas:__________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 5.3- Quando produzem vídeos utilizam a edição digital de vídeo? Sim Não Se respondeu sim especifique o programa informático que usam:____________________________________ _______________________________________________________________________________________ 6- Formação 6.1- Que tipo de formação tem ao nível das TIC? a) Formação Inicial Especifique:___________________________________________________________________ b) Cursos/Acções de Formação Contínua Creditados, nos últimos 10 anos: Temática do curso_________________________________Duração________ Nº créditos____ Temática do curso_________________________________Duração________ Nº créditos____ Temática do curso_________________________________Duração________ Nº créditos____ c) Curso/Acções de Formação Contínua Não Creditados, nos últimos 10 anos: Temática do curso_________________________________Duração________ Temática do curso_________________________________Duração________ Temática do curso_________________________________Duração________ 6.2- Essa formação permitiu-lhe (assinale, usando a escala, uma ou mais opções): Sempre a) Adquirir conhecimentos técnicos sobre os equipamentos. b) Conhecer as potencialidades pedagógicas dos diferentes meios e recursos. c) Contactar com experiências de integração dos diferentes meios e recursos, em contexto de sala de aula. d) Construir documentos para utilizar na sala de aula. e) Outro. Indique:______________________________ ____________________________________________ Frequentemente Às vezes Raramente Nunca 6.3- Gostaria de ter formação específica no âmbito das TIC? Sim Não Porquê? Explicite a(s) razão(ões).______________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 6.4- Se respondeu sim indique em que âmbito: a) A utilização do computador em contexto de sala e aula. b) A utilização de um utilitário/programa ou serviço da Internet em contexto de sala de aula. Assinale em qual: Processador de texto (por exemplo, Word) Folha de cálculo (por exemplo, Excel) Apresentações (por exemplo, PowerPoint) Programa de desenho (por exemplo, Paint) Programa de criação de páginas Web (por exemplo, FrontPage) Software Educativo Multimédia (CD-ROM e DVD) Correio electrónico Fórum Chat (conversação) World Wide Web (pesquisa de informação em sites) World Wide Web (criação e dinamização de blogues) World Wide Web (criação e dinamização de Webquest) World Wide Web (criação e dinamização de Wikis) c) A edição de vídeo em suporte digital. b) A utilização do quadro digital. c) As potencialidades da televisão digital em contexto escolar. e) Outros. Especifique:_________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Muito obrigado pela sua colaboração! Anexos Anexo 2 Anexos Computador Projetor multimédia Quadro digital DVD Vídeo Televisão Retroprojetor Projetor de slides Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Sempre Frequentemente 17 12,1 3 2,1 1 ,7 1 ,7 1 ,7 2 1,4 2 1,4 62 44,3 42 30,0 5 3,6 8 5,7 4 2,9 7 5,0 27 19,3 1 ,7 Às vezes 45 32,1 23 16,4 6 4,3 51 29,3 49 35,0 50 35,7 28 20,0 14 10,0 Raramente Nunca Total 8 5,7 2 1,4 8 5,7 70 50,0 126 91,3 77 55,0 71 50,7 63 45,0 73 52,1 113 80,7 140 100,0 140 100,0 140 100,0 140 100,0 140 100,0 140 100,0 140 100,0 140 100,0 13 9,3 15 10,7 18 12,9 10 7,1 12 8,6 Anexos Anexo 3 Anexos Sempre Expressão Fisico-Motora Expressão Musical Expressão Dramática Expressão Plástica Estudo do Meio Língua Portuguesa Matemática Formação Cívica Estudo Acompanhado Área de Projecto Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % 1 ,7 1 ,7 13 9,4 7 5,1 4 2,9 2 1,4 2 1,4 12 8,8 Frequentemente 4 2,9 28 20,3 6 4,3 19 13,8 93 67,4 61 44,2 44 31,9 21 15 22 15,9 65 47,7 Às vezes 6 4,4 24 17,4 11 8,0 22 15,9 24 17,4 49 35,5 43 31,2 33 23,9 33 23,9 35 25,5 Raramente Nunca Total 12 8,8 6 4,3 16 11,6 19 13,8 1 ,7 9 6,5 13 9,4 12 8,7 18 13,0 3 2,2 115 83,9 79 57,2 105 76,1 77 55,8 7 5,1 12 8,7 34 24,6 70 50,7 63 45,7 22 16,1 137 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 138 100,0 137 100,0 Anexos Anexo 4 Anexos Processador de texto Folha de cálculo Apresentações Programa de desenho Prog. edição Vídeo Criação de Páginas Web Outros Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Sempre Frequentemente 23 18,7 0 ,0 9 7,3 3 2,5 0 ,0 0 ,0 1 8,3 55 44,7 5 4,1 37 30,1 13 10,7 9 7,4 3 2,5 3 25,0 Às vezes 33 26,8 10 8,2 33 26,8 41 33,6 12 9,8 5 4,1 5 41,5 Raramente Nunca Total 6 4,9 10 8,2 2 1,6 13 10,7 6 4,9 4 3,3 0 ,0 6 4,9 97 79,5 42 34,1 52 42,6 95 77,9 110 90,2 3 25,0 123 100,0 122 100,0 123 100,0 122 100,0 122 100,0 122 100,0 12 100,0 Anexos Anexo 5 Anexos Sempre Não sabe utilizar Não considera importante que os alunos utilizem Desconhece as suas potencialidades em contexto de sala de aula Conhece as suas potencialidades, mas não os sabe integrar em contexto de sala de aula Os alunos já usam em casa, por essa razão não precisam de usar na escola A sua utilização acarrecta mais problemas que benefícios Outros Freq. % Frequentemente 1 6,7 Às vezes 3 20,0 Freq. % Freq. % Freq. % Nunca Total 1 6,7 10 66,7 15 100,0 1 14 15 6,7 93,3 100,0 1 2 12 15 6,7 13,3 80,0 100,0 1 1 13 15 6,7 6,7 86,7 100,0 1 14 15 6,7 93,3 100,0 1 14 15 6,7 93,3 100,0 1 14,3 7 100,0 Freq. % Freq. % Freq. % Raramente 6 85,7 Anexos Anexo 6 Anexos Correio Eletrónico Fórum Chat (conversação) World Wide Web Videoconferência Outros Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Sempre Frequentemente 7 6,0 15 12,8 2 1,7 4 3,4 33 28,0 1 ,9 8 61,5 9 7,6 1 7,7 Às vezes 28 23,9 2 1,7 2 1,7 32 27,1 1 ,9 4 30,8 Raramente Nunca Total 13 11,1 6 5,1 5 4,3 8 6,8 1 ,9 54 46,2 107 91,5 106 90,6 36 30,5 112 97,4 117 100,0 117 100,0 117 100,0 118 100,0 115 100,0 13 100,0 Anexos Anexo 7 Anexos Sempre Não sabe utilizar Não considera importante que os alunos os utilizem Desconhece as suas potencialidades em contexto de sala de aula Conhece as suas potencialidades, mas não sabe como os integrar em contexto de sala de aula Os alunos já usam em casa, por essa razão não precisam de usar na escola A sua utilização acarreta mais problemas que benefícios Outro Frequentemente Às vezes Raramente Nunca Total 1 7,7 12 92,3 13 100,0 1 1 11 13 7,7 7,7 84,6 100,0 13 13 100,0 100,0 2 11 13 15,4 84,6 100,0 1 1 11 13 7,7 7,7 84,6 100,0 1 12 13 7,7 92,3 100,0 Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % 8 88,9 1 11,1 9 100,0 Anexos Anexo 8 Anexos Informativo Cientifíco Ação Histórias infantis Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Sempre Frequentemente 3 4,7 2 3,3 1 1,6 3 4,8 21 32,8 18 29,5 0 ,0 15 23,8 Às vezes 23 35,9 23 37,7 12 19,7 30 47,6 Raramente Nunca Total 4 6,3 2 3,3 6 9,8 5 7,9 13 20,3 16 26,2 42 68,9 10 15,9 64 100,0 61 100,0 61 100,0 63 100,0