Ensino e aprendizagem cartográfica no primeiro ano do Ensino Médio
Nadija Cristina Lopes Profiro - UFBA/ICADS
Graduada em Geografia pela Universidade Federal da Bahia/Instituto de Ciências Ambientais e
Desenvolvimento Sustentável - Campus Edgard Santos (ICAD/UFBA). Docente da Rede Municipal de
Ensino em Barreiras - BA. E-mail: [email protected]
Ossifleres Silva Damasceno – UFBA/ICADS
Graduado em Geografia pela Universidade Federal da Bahia/Instituto de Ciências Ambientais e
Desenvolvimento Sustentável - Campus Edgard Santos (ICAD/UFBA). Discente do curso de bacharelado na
mesma instituição. E-mail: [email protected]
Ínia Franco de Novaes - ESEBA/UFU
Graduada em Geografia, Especialista em Educação e Mestre em Geografia pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Doutoranda em Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Docente
da Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia (ESEBA/UFU). E-mail;
[email protected]
Resumo
Este estudo teve por finalidade buscar de forma sistemática identificar características do processo
de ensino e de aprendizagem cartográfica dos discentes do primeiro ano do Ensino Médio do
Colégio Estadual na cidade de Barreiras – BA. Para a coleta de dados utilizou-se de metodologias
que gerem dados quantitativos e qualitativos no período que antecedeu e sucedeu ao estágio de
conclusão do curso de graduação, desenvolvida a partir da utilização de método analítico, com
fontes de dados primários e secundários, gerando dados para a quantificação de questões
relativas ao estudo, quais sejam: observação da prática docente; aplicação de teste de sondagem
para verificação dos conceitos e conhecimentos prévios dos educandos relacionados à
Cartografia; reaplicação do teste de sondagem para quantificação da aprendizagem dos
discentes. O resultado da pesquisa revela um grande problema para a disciplina de Geografia,
uma vez que a Cartografia é um instrumento importante para a compreensão de conceitos a ela
relacionados. Se a estrutura de ensino e de aprendizagem cartográfica continuar sem alteração,
os educandos apresentar-se-ão cartograficamente analfabetos o que, consequentemente, os
torna semi-analfabetos em Geografia.
Palavras-chave: Educação Geográfica; Ensino; Aprendizagem; Cartografia Escolar.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho é fruto da experiência em sala de aula proporcionado pela disciplina
Didática e Práxis Pedagógica em Geografia: estágio IV, disciplina oferecida aos
estudantes do oitavo semestre de licenciatura em Geografia no ano de 2010. Pensando
no contexto atual da educação, o presente artigo objetiva de forma sistemática identificar
características do processo de Ensino e de Aprendizagem cartográfica dos discentes do
primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual na cidade de Barreiras – BA1
1
Optou-se por preservar o nome da instituição de ensino pesquisada para preservar a identidade da escola
e, principalmente, dos discentes e docentes que colaboraram com o desenvolvimento do estágio e da
pesquisa em discussão.
localizado na região Oeste da Bahia (figura 01). A aplicação de metodologias que gerem
dados quantitativos e qualitativos no período que antecedeu e sucedeu ao estágio de
conclusão do curso que revelou elementos importantes do processo de ensino e de
aprendizagem da cartografia.
Figura 01 – Mapa de localização do município de Barreiras - BA.
Tal estudo se justifica pela necessidade de discutir as lacunas do ensino e da
aprendizagem dos conhecimentos cartográficos, em especial, devido a rápida
disseminação dos meios de comunicação que, a cada dia torna-se mais eficaz. Neste
contexto de mundo globalizado e tecnologias avançadas vivencia-se a realidade da
escola e tudo o que ela apresenta, seus “ranços” e avanços.
Pensando-se na escola, vislumbra-se que os objetivos dela esperados, muitas
vezes, não condizem com o aparente desenvolvimento do país, uma vez que, não
disponibiliza as bases necessárias para que o processo de ensino e de aprendizagem
ocorra de maneira eficaz. Nesse sentido, o estágio foi pensado como possibilidade de
aprendizagem, para os futuros professores, e de ensino dos conteúdos Cartografia, para
os discentes da escola estagiada, no intuito de contribuir com a aprendizagem
cartográfica, entende-se que esse momento é de grande importância para a Geografia,
pois a sua aprendizagem não se resume a leitura de texto e sim a aprendizagem e a
aplicabilidade do entendimento dos conceitos.
Tendo em vista que a Cartografia é um dos instrumentos utilizados para o ensino
da Geografia, o incomodo de conhecer como o seu ensino e a aprendizagem faz-se
presente motivou as reflexões teóricas e praticas do estágio.
Dentre as ciências que são apresentadas aos alunos encontra-se a Geografia que,
como as demais, faz parte do currículo da Educação Básica, e que procura segundo
Oliveira (2005) desenvolver, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade tendo
em vista sua transformação. Acredita-se que, o entendimento da Cartografia tem grande
importância no processo de entendimento do espaço geográfico.
A partir de instrumentos de verificação da aprendizagem, como o teste de
sondagem para mensurar os conhecimentos já adquiridos pelos educandos - período
anterior ao estágio e, posteriormente, repetir o mesmo teste para tentar conhecer e
analisar os conhecimentos adquiridos e sistematizados pelos discentes, ou seja, a
eficácia da prática educativa executada durante o período do estágio.
A presente pesquisa se desenvolveu a partir da utilização de método analítico, com
fontes de dados primários e secundários, visando à busca por aporte teórico e gerando
dados para quantificação de questões a ela referidas. Como terá duração igual ao tempo
de estágio foi desenvolvida em momentos descritos a seguir: observação da prática
docente; aplicação de instrumento de sondagem para verificação dos conceitos e
conhecimentos prévios dos educandos relacionado à Cartografia; aulas expositivas e
práticas utilizando instrumentos que dão suporte aos conteúdos; mapas, filmes, GPS (do
inglês Global Positioning System – em português, Sistema de Posicionamento Global),
bússola, entre outros; reaplicação do teste de sondagem (dessa vez para verificar a
aprendizagem após a aplicação dos conteúdos), para quantificação da aprendizagem dos
discentes. Em seguida foi realizada a tabulação e analise dos dados coletados pelos
testes por meio da elaboração de gráficos.
Tendo em vista a importância da Geografia e, consequentemente, da Cartografia,
infere-se que este trabalho de pesquisa no período do estágio tem importância
significativa, uma vez que possibilita conhecer, analisar e propor caminhos que objetivem
superar os obstáculos apresentados que serão discutidos a seguir.
Resultados e discussão
O objeto de estudo da Geografia é o espaço geográfico. Entre os variados métodos
de abordagem da ciência a localização faz-se presente, como a sua materialização.
Desde a antiguidade o homem se preocupa em registrar tudo o que considerava
importante, para tanto, utilizava como recurso, desde as pinturas em cavernas à
confecção de mapas.
Para que o aluno possa saber onde se encontra no planeta em que vive, precisa
saber utilizar os instrumentos de localização que, na atualidade, são extremamente
avançados, como declara o geógrafo Milton Santos (2004, p. 238), “[...] estamos no
período Técnico-Científico-Informacional”2, o período que apresenta a grande evolução
tecnológica.
A disciplina de Geografia cabe apresentar, utilizando diferentes metodologias
apropriadas ao nível de desenvolvimento cognitivo dos discentes, os elementos de
localização através da Cartografia. Assim, os discentes devem ser instrumentalizados
para a aquisição dos conhecimentos referentes a Cartografia o que contribui para
conhecer e compreender o espaço geográfico nas suas diferentes escalas. Segundo
Pontuschka (2007, p.325), as
Pesquisas revelam que a escola atual não está oferecendo condições para que o
adolescente associe as informações da mídia à espacialização do conflito, pois os
alunos desconhecem sua localização correta, nem propiciando o desenvolvimento
de um pensamento hipotético-dedutivo. Os mapas não estão ajudando aos jovens
a refletir sobre um problema apresentado, ou seja, a efetuar o cruzamento das
variáveis envolvidas na situação. Essas variáveis são tratadas de forma isolada.
2
O período técnico-científico informacional em síntese pode ser defino como um meio geográfico em que
inclui no território certamente ciência, tecnologia e informação, ou seja, a globalização.
Em decorrência deste fato, percebe-se que o ensino da linguagem cartográfica na
escola não está ligado ao campo da discussão dos fatos geográficos, o que reflete a
pouca assimilação dos fatos. Pontuschka et al, (2006) revela que, uma das grandes
dificuldades encontradas pelos alunos do Ensino Médio das escolas públicas no Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM) refere-se a interpretação de mapas, situação que
mostra um certo “descaso” com o ensino da Geografia e, em especial, da cartografia.
A explicação para esta ocorrência se dá por meio de vários fatores, todavia, o mais
relevante deles é o fato de que ao se depararem com o ensino da Cartografia, os
professores, em sua maioria ignoram o estudo e o entendimento dos mapas, por não se
sentirem preparados. Assim, a Cartografia vem sendo levada ao esquecimento, ao aluno
é vedado o direito de adquirir tal informação no processo de ensino e de aprendizagem.
Outro fator relevante é não saber diferir aulas com e sobre mapas, esta última muito
criticada e tida como tradicional, aliás, aulas com a utilização de mapas já não cabem no
atual contexto educacional. Não se pretende afirmar aqui que já não teve sua importância,
especialmente, em períodos em que as guerras e conflitos pela conquista por território
eram uma realidade.
A leitura de mapas é de extrema relevância, uma vez que conotam informações
importantes e, apesar de sua disseminação pelos meios de comunicação, porém, na
escola, precisa estar mais presente, embasando o raciocínio geográfico e geopolítico dos
alunos. O professor deve ensinar-lhes a interpretação dos mapas, a fim de
instrumentalizar para poder decifrar e entender as informações apresentadas.
Neste contexto Katuta (2006, p.139) infere que “[...] não é possível entender
geograficamente paisagens, lugares, territórios regiões entre outros, sem o uso de
representações cartográficas”. Neste caso, a escola, fica a incumbência de tentar reverter
estes problemas gradativamente até saná-los de maneira definitiva, todavia, na atual
conjuntura, existe uma dualidade ideológica no ensino da Geografia, como afirma Oliveira
(2005, p.143-144),
Nos dias de hoje só tem havido lugar para duas grandes vertentes
ideológicas no ensino da geografia. Ensinar uma geografia neutra, sem cor
e sem odor. Uma geografia que cria desde o inicio trabalhadores ainda que
crianças, ordeiros para o capital. Ou ensina uma geografia crítica, que forme
criticamente a criança, voltada, portanto, para seu desenvolvimento e sua
formação como cidadão.
Essa dualidade no ensino de Geografia, hipoteticamente, está relacionada à
Geografia Tradicional3, observa-se que muitos educadores fundamentaram suas bases
educativas nesta corrente e, por isso, resistem às novas teorias, métodos e técnicas que
tornam o ensino de Geografia mais dinâmico. Esse fator pode ser observado na prática
docente e no que se refere à linguagem cartográfica, para que um aluno leia mapas, é
preciso que ele seja alfabetizado cartograficamente. “No entanto, é preciso conceber a
alfabetização de forma mais ampla” (KATUTA, 2006 p. 138). Neste caso, o professor
precisa estar aberto as novas metodologias que contribuem para a aprendizagem.
Assim, a leitura do mapa pelo aluno, deve ocorrer de forma gradativa,
acompanhando seu nível de desenvolvimento cognitivo, pois
É fundamental que o ensino da Geografia e, aqui mais especificamente da
Cartografia, tenha início nos primeiros anos escolares da criança. ao observar e
assimilar as informações do espaço vivido e conseguir visualizar estas mesmas
informações em uma representação gráfica bidimensional, a criança estará
adquirindo todo um saber científico que trará mais luz para as atividades da sua
vida diária. Atividades estas que dependem do ato de deslocar-se de um lugar
para o outro, dando todo sentido ao estudo da orientação espacial, da localização
(PISSINATI, 2007, p. 02).
O que se percebe nas escolas é a não existência de metodologias que subsidiem
essa prática, muitas vezes, em decorrência da falta de recursos e apoio dos agentes
envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem, bem como, as fragilidades dos
professores que, em sua maioria, carecem de conhecimentos relativos as questões
cartográficas, por não terem formação na área em que atuam ou por não terem tido
contato eficiente com a Cartografia durante a graduação.
Outro problema é que durante os anos iniciais do Ensino Fundamental toda
atenção é voltada para leitura, a escrita e os números, privilegiando os conhecimentos
lingüísticos e lógico-matemático, as outras disciplinas são esquecidas como se não
servissem pra o desenvolvimento do raciocínio, leitura, escrita entre outros fatores.
Quando o aluno ingressa nos anos finais do Ensino Fundamental, atual sexto ano, que
exige uma noção de Matemática para facilitar o entendimento da Cartografia o mesmo
não o possui, então, isso prova que algo precisa ser mudado.
Esses fatores vêm de certa forma, causar dificuldades no processo uma vez que
para Callai apud Castrogiovanni (2003), o desafio dos professores é fazer da Geografia
3
Sugestão para leitura: Geografia Pequena Historia Critica da autoria de Antonio Carlos Robert Moraes.
uma disciplina interessante, onde os alunos possam compreender os processos que
ocorrem no espaço com todas as suas regras e leis, como o espaço que está em
constante transformação pela ação antrópica.
Quando iniciou-se as aulas práticas, a primeira, foi uma atividade prática no pátio
da escola, um momento de verificação dos educandos sobre localização e
posicionamento no espaço geográfico, fazendo uso dos pontos cardeais e colaterais. Na
sequência, uma breve demonstração da utilização e funcionamento do receptor GPS de
navegação4. O fato da grande maioria dos discentes, nunca terem visto um receptor GPS
não é novidade, no entanto, o fato de não saberem quais são e onde fica a localização
dos pontos cardeais e colaterais é um fato no mínimo preocupante.
Posteriormente, na segunda aula, outro momento de prática proposta aos
educandos foi o processo de medição da sala de aula para a confecção da planta baixa,
bem como, da mesa do professor e das carteiras. Os educandos apresentaram
dificuldades em entender que, usando uma escala proporcional a sala poderia ser
representada numa folha de papel A4. Uma proporcionalidade simples de converter
metros para centímetros e que, o mesmo, pode ser usado para converter quilômetro (Km)
para centímetros (cm), esta escala convencional dos mapas que vem escala numérica. As
dificuldades eram visíveis na realização dos exercícios em que era preciso fazer uma
simples conversão de uma medida para outra, outro momento, de muita dificuldade, foi
com relação ao uso das fórmulas para encontrar: distância real, distância no mapa, escala
do mapa etc.
Os resultados obtidos na realização desta pesquisa conotam, de maneira
incontestável, as discussões aqui levantadas a respeito do ensino da Cartografia, inferese que a leitura, interpretação e tudo o que a ela está relacionado deve ser ensinado para
os educandos desde seu primeiro contato com a disciplina de Geografia, para que, ao
longo de sua trajetória escolar, esses conceitos possam ser internalizados no intuito de
possibilitar a aquisição de novos conhecimentos.
As duas turmas que participaram desta pesquisa apresentaram resultados
semelhantes, conforme gráficos 01 e 02, e mesmo após a realização das aulas com
atividades práticas percebe-se que o percentual de acertos no primeiro e no segundo
teste foi praticamente equivalente uma vez que, na turma A, de um total de 22 alunos
4
Emprestado pela UFBA.
apenas 13 conseguiram aumentar seu percentual de acertos e, na turma B, de 25 alunos,
apenas 17 elevaram o percentual. Revelando uma grande dificuldade em entender a
linguagem especifica da cartografia, bem como, os aspectos matemáticos envolvidos.
Gráfico 01- Percentual de acertos da turma A. (Fonte: DAMASCENO & PROFIRO).
Ao se estabelecer a análise dos dados da turma em foco, gráfico 01, percebe-se
que, de forma geral, os resultados não foram expressivos uma vez que 50% dos alunos
não conseguiram obter um percentual de acertos maior que os alcançados no primeiro
teste de sondagem. Verifica-se também que, os 50% restantes conseguiram aumentar
seu percentual de acertos, não obtiveram uma margem expressiva que conotasse uma
aquisição eficaz do conhecimento. Pode-se observar que, de um total de 22 alunos,
apenas o segundo e o décimo quarto alunos alcançaram um percentual de 30% maior em
relação ao primeiro teste.
Gráfico 02- Percentual de acertos da turma B. (Fonte: PROFIRO & DAMASCENO).
Na turma B, os alunos representados graficamente pelos números 3, 5, 10 e 21
apresentaram um percentual de aumento que ultrapassaram a casa dos 50% de acertos,
no segundo teste (avaliação do aprendizado), sendo que no primeiro teste (sondagem),
nenhum aluno ultrapassou 50% de acerto. Estes alunos também obtiveram um percentual
de acerto do primeiro para o segundo teste, mostrando assim que uma boa aquisição de
conhecimentos durante o processo de ensino.
Ao se analisar os motivos que levaram ao baixo rendimento de ambas as turmas,
podem ser apontados alguns acontecimentos observados durante o estágio como a
ausência dos alunos às aulas, uma vez que, o número de alunos apresentados nos
gráficos por turma, não condizem com a realidade das turmas que possuía 42 alunos
cada e sim, aos que responderam os dois testes, pois, só assim, é que se poderia fazer
uma análise comparativa do conhecimento antes e pós o processo de ensino dos
conteúdos.
Outro ponto a ser salientado é a falta de interesse pelas questões escolares, são
geralmente alunos desmotivados e sem muitas perspectivas em relação ao ensino, visto
que, durante as aulas, foram realizadas atividades avaliativas e muitos não as entregaram
se mostrando apáticos e indiferentes ao aprendizado, uma minoria demonstrava interesse
em aprender. Nas aulas expositivas, mesmo sendo instigados a participar, tal situação
geralmente não ocorria.
Não se sabe aqui se os mesmos não davam muita atenção para as aulas e para os
conteúdos, por serem ensinados por estagiários e, por isso, acharem que não valeriam
como notas na unidade ou se, os mesmos iriam ficar assim até o fim do ano, pois desde o
inicio da primeira unidade que observamos que o ritmo empreendido era sempre este (dar
pouca ou nenhuma atenção aos conteúdos). Segundo a coordenadora pedagógica os
alunos que chegam à instituição de ensino no primeiro ano têm mostrado esse descaso
até o fim da segunda unidade, quando alertam, após constatarem o risco de perder o ano.
Considerações finais
Percebe-se que, apesar do esforço empreendido, para que a aprendizagem se
concretizasse, muitos fatores contribuíram negativamente no processo como: a falta dos
conteúdos cartográficos no livro didático da escola5, a falta de material didático de apoio
as aulas como mapas6, por exemplo, e a não aquisição da apostila (retirada do livro –
Construindo do Espaço, editora Ática, 2002 de Igor Gomes Moreira livro de 5ª série, atual
sexto ano) com os conteúdos cartográficos por parte dos educandos. Enfim, com boa
vontade dos professores, dos alunos e da escola a aprendizagem, mesmo que tardia, dos
conceitos referentes à Cartografia, bem como, de qualquer outro é passível de se
concretizar. No entanto, uma unidade é pouco tempo para os alunos que, nada ou quase
nada sabem dos conteúdos cartográficos aplicados, entendessem de maneira satisfatória
tais conhecimentos.
O resultado da pesquisa revela um grande problema para a disciplina de Geografia,
uma vez que a Cartografia é um instrumento importante para a compreensão de conceitos
a ela relacionados. Fica assim, evidente, a dificuldade de professores e alunos para com
esse conhecimento, não dando a devida importância para a aquisição de conhecimentos
e, os outros, dando pouca ou nenhuma importância a esse conhecimento na sua prática
educativa. No entanto, não se pretende aqui identificar os culpados para que os mesmos
sejam crucificados e sim mostrar que o problema existe, portanto, providencias precisam
ser tomadas para mudar tal realidade.
Desta forma, se a estrutura de ensino e de aprendizagem continuar sem alteração
os educandos que saírem desse processo serão cartograficamente analfabetos o que os
torna semi-analfabetos em Geografia.
REFERFÊNCIAS
CASTROGIOVANNI, A. C. (org.) (et al). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões.
4. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ Associação dos Geógrafos Brasileiros – seção
Porto Alegre, 2003. 195p;
CALLAI, H. C. O ensino de geografia: recortes espaciais para análise. In:
CASRTOGIOVANNI, A. C. (et al.) (org.). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões.
5
MOREIRA, J. C. Geografia, volume 1: ensino médio / Moreira, Sene. São Paulo: Scipione, 2005. Tal livro
didático adotado não apresenta conteúdos cartográficos o que reforça a sua ausência no ensino da
Geografia.
6
Para não ficarem sem nenhum mapa durante as aulas os estagiários compraram alguns, mas eram
poucos, portanto, insuficiente pra auxiliarem na aprendizagem dos educandos.
4ª ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS/Associação dos Geógrafos brasileiros – seção
Porto Alegre, 2003. p.57-63;
DAMASCENO. O. S. Estudo do processo ensino-aprendizagem de Cartografia: uma
análise na Educação Básica. Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento
Sustentável, Universidade Federal da Bahia, Barreiras-BA. Monografia, 2010;
FRANCISCHETT, M. N. A cartografia no ensino-aprendizagem da geografia: 2004.
Disponível em:<http://www.bocc.ubi.pt/francischett-mafalda>. Acesso em: 07 de out. 2009.
KATUTA, Â. M. A linguagem cartográfica no ensino superior e básico. In:
PONTUSCHKA, N. N.; OLIVEIRA, A. U. Geografia em perspectiva: ensino e pesquisa.
3. ed. São Paulo: Contexto, 2006. 383p;
OLIVEIRA, A. U. de. Educação e ensino de geografia na realidade brasileira. In: para
onde vai o ensino de geografia? Oliveira, Ariovaldo Umbelino de (org.). 9. Ed. São
Paulo: contexto, 2005. 144p;
PISSINATI, M. C.; ARCHELA, R. S. Fundamentos da alfabetização cartográfica no
ensino de geografia. Geografia - v. 16, n. 1, jan./jun. 2007 – Universidade Estadual de
Londrina Departamento de Geociências; disponível em: www.bocc.ubi.pt/francischettmafalda>. Acesso em: 07 out. 2009;
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4ª
Ed.4.reimpressão. São Paulo: editora da universidade de São Paulo, 2008. 348 p;
PONTUSCHKA, N. N., OLIVEIRA, A. U. Geografia em perspectiva: ensino e pesquisa.
3.ed. São Paulo: Contexto, 2006. 383p.
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Ensino e aprendizagem cartográfica no primeiro ano do Ensino Médio