CONHECIMENTO
NA PRÁTICA
Os recursos utilizados pela publicidade voltada
ao público infantil e a polêmica gerada na área
acadêmica, no mercado e na sociedade civil
Como as empresas têm encarado o
investimento na formação profissional de
estudantes um ano após a nova Lei de Estágio
Jovens consumidores
Programas de Estágio
Janeiro/2010 Ano 33 - nº 283
456
anos
A visão de
personagens
que ajudam
a traçar,
no dia a dia,
os caminhos
da administração
ção
de São Paulo
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Carta ao leitor
Parabéns, São Paulo!
Esta edição, de número 283, inaugura o 33º ano
da RAP – Revista do Administrador Profissional,
um dos principais meios de comunicação que o
Conselho Regional de Administração de São Paulo
mantém com seus filiados, estudantes e instituições
ligadas à área em todo o Estado. Atualmente, são
distribuídos 50 mil exemplares da revista.
Mas a publicação de janeiro é especial também
porque marca o mês do 456º aniversário da cidade
de São Paulo. Por esse motivo, sua reportagem de
capa nos presenteia com o per fil de alguns daqueles que têm hoje a responsabilidade pela gestão de
secretarias, órgãos e entidades de destaque no maior
município brasileiro.
Por trás de tamanha
magnitude, existem
pessoas que construíram
uma carreira sólida
com base na capacidade
de exercer suas funções
de maneira mais
do que satisfatória”
Trata-se de um tema fértil, curioso e polêmico.
A princípio, a escolha da pauta pode parecer
contraditória, já que, grande parte dos cargos de
gerenciamento na área pública não é ocupada por
administradores profissionais. Assim, é corriqueiro
um médico comandar a pasta da Saúde, um engenheiro estar à frente do setor de Planejamento ou um
professor na Secretaria de Educação.
Pode-se pensar que, como entidade que representa
e defende a atuação de gestores com formação acadêmica em Administração, o CRA-SP estaria, então,
indo de encontro às suas mais intrínsecas convicções. Pois bem, não é esse o caso.
Segundo o site oficial de turismo de São Paulo
(cidadedesaopaulo.com), num perímetro de 1.530
km², a cidade conta hoje com cerca de 11 milhões de
habitantes, que, para se ter uma ideia, circulam por
1.335 linhas de ônibus e mais de 60 km de linhas de
metrô. É nela que está instalada a maior bolsa de
valores da América do Sul, a BM&Bovespa, e onde se
encontram 63% dos grupos internacionais presentes
no Brasil.
Como qualquer outra realidade envolvendo a gestão de recursos, pessoas e negócios em proporções
colossais, a administração da cidade de São Paulo
tem suas virtudes e fragilidades mais expostas.
Por trás de tamanha magnitude, existem pessoas
que construíram uma carreira sólida com base na
capacidade de exercer suas funções de maneira mais
do que satisfatória. Com destreza, levam-nos a deixar de lado o antigo pensamento generalista de que
funcionário público não trabalha.
São personagens que desempenham suas atividades como um meio para fazer da cidade um
lugar melhor para se viver. Consequentemente,
trazem avanços para toda a população e nos revelam excelentes aprendizados sobre os princípios da
administração —no caso, a gestão pública.
É com o intuito de conhecer mais sobre a história dessas pessoas, e permitir que suas experiências
sejam compartilhadas, que o CRA-SP, por meio de
sua revista, abre espaço a essa singela homenagem
a todos que ajudam a fazer, diariamente, a cidade de
São Paulo.
Adm. Walter Sigollo
Presidente do Conselho Regional de
Administração de São Paulo - CRA-SP
3
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Expediente
Editor
Conselho Regional de Administração de São Paulo
10
Conhecimento
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Na Prática
Presidente
Administrador Walter Sigollo
Um alerta sobre os problemas
ocasioados pela publicidade
excessiva ao público infantil
e as alternativas que têm sido
tomadas para coibi-la
Diretores
Adm. José Alfredo Machado de Assis
Vice-presidente Administrativo
Adm. Paulo Roberto Segatelli Câmara
Vice-presidente de Relações Externas
Adm. Cid Nardy
Vice-presidente de Planejamento
Adm. Joaquim Carlos Dias
Vice-presidente para Assuntos Acadêmicos
Adm. Teresinha Covas Lisboa
1º Secretário
Adm. Roberta de Carvalho Cardoso
2º Secretário
Adm. Antonio Geraldo Wolff
1º Tesoureiro
Adm. Idalberto Chiavenato
2º Tesoureiro
Conselheiros
Marcio Gonçalves Moreira, Anna Luiza do Amaral Boranga, Carlos
Antonio Monteiro, Alberto Emmanuel de Carvalho Whitaker,
Hamilton Luiz Corrêa, Luiz Eduardo Reis de Magalhães, Alexandre
Uriel Ortega Duarte, Milton Luiz Milioni, Luiz Carlos Vendramini
Representantes no CFA: Roberto Carvalho Cardoso (efetivo) e
Mauro Kreuz (suplente)
Conselho Editorial para RAP 2009/2010
Coordenadora: Adm. Teresinha Covas Lisboa. Adm. Alexandre Uriel
Ortega Duarte, Adm. Anna Luiza do Amaral Boranga, Adm. Cid
Nardy, Adm. Hamilton Luiz Corrêa, Adm. Luiz Carlos Vendramini,
Adm. Milton Luiz Milioni, Adm. Paulo Roberto Segatelli Câmara,
Adm. Roberta de Carvalho Cardoso.
Segundo o Centro de Integração Escola-empresa, as vagas
destinadas aos estagiários
crescem cerca de10% ao ano,
mesmo após a criação da nova
lei de estágio
Produção
Conselho Regional de Administração de São Paulo
Depto. Marketing e Comunicação
Coordenação Editorial e Gráfica.........Entrelinhas Comunicação Ltda.
Editores-responsáveis Camilo Toscano e Priscila Pagliuso (MTb 51.108)
Publicidade..................................Publicidade Nominal Representações
Impressão.......................................................Plural Editora e Gráfica Ltda.
Tiragem..............................................................................50.000 exemplares
A RAP é uma publicação mensal do Conselho Regional de
Administração (CRA-SP), sob a responsabilidade do Conselho
Editorial do CRA-SP. As reportagens não refletem necessariamente
a opinião do CRA-SP.
Rua Estados Unidos, 889 - Jardim América - São Paulo - SP
CEP 01427-001 - Telefone: (11) 3087-3200
[email protected] - www.crasp.gov.br
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06
Panorama
09
Canal Aberto
26
Perfil
30
Estilo
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Opinião
18
Em parceria com a Dtcom, o CRA-SP proporciona
cursos de atualização aos profissionais da área
Tecnólogos já têm a possibilidade de efetuar registros profissionais no Conselho
Conheça Sérgio Herz, diretor de operações e da área
financeira da Livraria Cultura
Febre entre os estudantes de Administração, os
grupos de bateria de samba mostram porque até lá
é necessária a presença de um administrador para
coordenar com harmonia
Os caminhos das empresas familiares na escolha de
uma consultoria, por Sandra Regina da Luz Inácio
Capa
No mês de aniversário
da capital paulista, a
Revista do Administrador
Profissional mostra como
é a vida e o trabalho
daqueles que estão
voltados à administração
da cidade
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Panorama
CRA-SP oferece
cursos de atualização
Objetivo é capacitar
profissionais à distância
por João Novaes
A integração entre canais de comunicação diversos
tem se mostrado um meio eficiente no aprimoramento
das organizações, seja na evolução dos processos, seja
na execução da estratégia ou mesmo no treinamento de
equipes. Ela é baseada na busca natural do homem pelo
conhecimento e na crescente competitividade do mercado, que pede soluções para oferecer, por exemplo,
capacitação à distância. Um bom exemplo é a convergência entre a TV empresarial e a Internet, que tem
servido de ferramenta determinante para o crescimento
profissional de muitos colaboradores nos mais variados
segmentos.
Atento para essa novidade e preocupado com o
aperfeiçoamento constante dos administradores registrados, o Conselho Regional de Administração de São
Paulo assinou, no dia 7 de dezembro de 2009, um
convênio com a Dtcom. Trata-se de uma empresa de
educação à distância bastante conhecida no ambiente
empresarial. Com essa parceria, serão exibidos, na sede
do Conselho, conteúdos sobre campos relevantes da
Administração.
O serviço será disponibilizado gratuitamente para
todos os administradores e tecnólogos registrados e
aos estudantes da área. Os usuários terão acesso a três
canais: Autodesenvolvimento, Gestão Corporativa e
Gestão Pública.
“Nosso maior objetivo com essa empreitada é for-
necer aos registrados conteúdo direcionado de forma
rápida e eficaz, por meio de uma gestão dinâmica e
simplificada, com eficácia atestada por inúmeras
companhias. Tudo isso graças ao uso inteligente de
tecnologias modernas voltadas à educação”, ressaltou
o vice-presidente de Relações Externas do CRA-SP,
Administrador Paulo Câmara.
Criada em 2000, a Dtcom já fornece conteúdo
para outras grandes empresas e instituições, como a
Prefeitura de Curitiba, a Universidade Petrobras e a
Eletrobrás. Ela também possui 3.500 pontos em todo o
País e emite cerca de 7.000 certificados por mês.
Para o Ensino a Distância (EAD), a Dtcom capacita
professores especializados para desenvolverem o con-
É um
diferencial
importante para
se destacar no
mercado atual”
João Prosdócimo,
diretor de marketing
da Dtcom
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PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Desenvolvimento
sustentável é tema de
Congresso Internacional
PUC-SP recebeu a 6ª edição do evento
por Gislaine Araújo
teúdo destinado aos alunos. Depois de cadastrados,
eles assistem a uma hora de aula e têm à disposição
mais duas horas do conteúdo pela Internet. Sempre
auxiliados pelo “master” (um profissional treinado da
própria empresa contratante que ajuda no cadastramento e entendimento das aulas), os alunos, depois de
completarem a carga horária e serem avaliados, recebem o certificado de conclusão do curso.
“Essa parceria trará ao público do CRA-SP a oportunidade de capacitação por meio de uma solução
inovadora e completa. Trata-se de um diferencial importante para se destacar no mercado atual, comentou João
Prosdócimo, diretor de marketing da Dtcom, no ato de
assinatura da parceria. “As ferramentas utilizadas pela
Dtcom oferecem ao usuário alto nível de interatividade
dentro de um processo atrativo e eficiente”, destacou.
Confira em www.crasp.gov.br/dtcom a programação
mensal completa dos canais Dtcom. O Conselho promoverá a transmissão dos cursos de segunda a sexta-feira,
das 10h às 19h. Escolha, na grade de opções, atividades que estejam dentro desses horários. Para assistir
aos programas, faça sua inscrição pelo e-mail eventos.
[email protected] ou pelo telefone (11) 3087-3200
- Departamento de Relações Externas, indicando o programa, a data e a hora de sua escolha.
Como as vagas são limitadas, as reservas deverão ser
feitas com, pelo menos, uma semana de antecedência
à data desejada.
Mudanças climáticas, segurança, tecnologia, educação, governança empresarial, economia verde e as
políticas públicas são itens importantes na nova pauta
das áreas de inovação e administração. Esses indicadores sociais servirão de base para o legado mundial na
gerência de recursos humanos e econômicos.
Entre os dias 8 e 10 de dezembro, acadêmicos e
profissionais de diversas organizações do Brasil,
Holanda, China, Japão e Canadá se reuniram em
debates, palestras e workshops para tratar de diversos
assuntos no 6° Congresso Internacional em Inovação e
Gerenciamento (ICIM 2009, sigla original em inglês),
realizado no campus da PUC-SP e no auditório do
Tuca, ambos no bairro de Perdizes.
Além do gerenciamento e da segurança de
pessoas e companhias, os especialistas reunidos
discutiram tecnologia, administração responsável
de bens naturais, preservação da saúde, direitos de
cidadania, autosuficiência energética e alternativas
para um gerenciamento “holístico”, colocando o ser
humano como prioridade.
O professor Arnoldo José de Hoyos Guevara, do
Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP e presidente
do Comitê Científico do ICIM 2009, considerou o
evento como estimulante e agregador. Para ele, a
crise provoca a criatividade, em torno da gerência e
resolução de conflitos.
“O pensar coletivo, neste momento, é fundamental.
O mundo está mergulhado num cenário conturbado,
violento. Crises econômicas, mudanças climáticas e
valores diversos estão mexendo com a vida de todos:
tudo precisa ser administrado e colocado numa ordem
global. A aproximação entre a academia, instituições
científicas e a gestão empresarial servirá de parâmetros
para os futuros líderes”, sintetizou.
O congresso foi realizado pelo Núcleo de Estudos
do Futuro em parceria com as universidades de
Tecnologia Wuhan (China), de Yamaguchi (Japão) e
das Nações Unidas-Merit (UNU-Merit, Holanda).
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Panorama
PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Indicações de leitura
Condutores do Amanhã Jovens que entram e dão certo
no mercado de trabalho e a
nova lei de estágio
Ruy Leal
Editora Saraiva, 2ª Edição, 2009
Páginas: 168 - Preço: R$ 23,00
Consultor há mais de 30 anos
na área de Recursos Humanos,
Ruy Leal traz em seu livro dicas
de como buscar oportunidades
de estágio e emprego em um mercado de trabalho
altamente competitivo. O autor se utiliza de personagens fictícios para aproximar o leitor de situações
do cotidiano. Aos pais e mentores, Leal aponta caminhos para preparar um filho frente às dificuldades e o
que fazer para capacitá-lo de maneira eficaz. O livro
destina ainda um capítulo para a nova lei 11788/08,
dedicada ao programa de estágio.
Gestão de Carreiras na
Empresa Contemporânea
Organizador: Joel Souza Dutra
Autores: Ana C. Scalabrin, Angelin
Kishore, Betina S. Miranda, Elza
Fátima R. Veloso, Jacquelaine F.
Borges, Luciano V. Costa, Marcos
A. de A. Ferreira e Tânia Casado
Editora Atlas, 1ª edição, 2009
Páginas: 232 – Preço: R$ 43,00
Organizada por Joel Dutra, professor da Faculdade
de Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo (FEA-USP), a obra trata da
gestão profissional sob diversos aspectos. Entre eles,
os processos de transição na carreira e a sucessão nas
organizações. A leitura é direcionada aos que buscam
se aprofundar nas questões de estrutura e funcionamento das empresas contemporâneas, sob o ponto de
vista do administrador.
Registro cancelado
O CRA-SP, demonstrando responsabilidade e seriedade com a carreira de Administração, torna público os
cancelamentos dos registros profissionais por irregularidades de:
Weber Micael da Silva, natural de São Paulo – SP
RG: 27. 270.789- 2 - CPF: 198.487. 858-17
Rafael Tadeu Amaral de Oliveira, natural de São
Paulo – SP RG: 33.794.416-7 - CPF: 327.396.598--30
Procure as
Delegacias
do CRA-SP
de sua região
Bauru
Presidente: Adm Helson José Berçott Fagundes
Tel: (14) 3226-5004
Site: www.aacb.org.br
E-mail: [email protected]
Campinas
Presidente: Adm. João Batista Pereira Júnior
Tel: (19) 3251-9660 / Fax: (19) 3251-9688
Site: www.aarc.org.br
E-mail: [email protected]
Jundiaí
Presidente: Adm Eric Jacques Lucien Winandy
Tel: (11) 4521-4867
E-mail: [email protected]
Piracicaba
Presidente: Adm. Roberto Tayar
Tel: (19) 3402-4841/ Fax: (19) 3402-5430
Site: www.admvirtual.com.br
E-mail: [email protected]
Santos
Presidente: Adm. Itamar Revoredo Kunert
Tel: (13) 3223-2629
Site: www.adesan.org.br
E-mail: [email protected]
São Carlos
Presidente: Adm. Marcos Silveira Aguiar
Tel: (16) 3371-5342 / Fax: (16) 3371-5342
E-mail: [email protected]
Sorocaba
Presidente: Adm. Gilberto Dilela Filho
Tel: (15) 3211-0987
Site: www.aaesr.com.br
E-mail: [email protected]
São José do Rio Preto
Presidente: Adm. José Carlos Simões
Tel: (17) 3234-1676
Site: www.siarp.org.br
E-mail: [email protected]
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Canal Aberto
PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Tecnólogos já podem efetuar
registros profissionais nos CRAs
Medida foi aprovada no final de 2009
por Gislaine Araújo
O
s Conselhos Regionais de
Administração (CRAs) já
incorporaram em seu cotidiano uma novidade para os
profissionais com formação tecnológica. De acordo com as Resoluções Normativas 373 e 374 (de 12 de
novembro) e 379 (de 11 de dezembro) publicadas no Diário Oficial da
União, no final de 2009, os órgãos
já podem registrar os diplomados
em cursos superiores específicos na
área de administração.
As resoluções são do Conselho
Federal de Administração (CFA).
Seu presidente, Roberto Cardoso,
avalia que a mudança irá “oxigenar
e modernizar a profissão”.
A medida beneficia quem obteve Graduação Tecnológica por
meio de cursos com duração média de dois anos, o que possibilita
a atuação no mercado na área específica de sua formação. Para regularizar seu registro nos CRAs,
o tecnólogo deve ter formação em
um dos cursos de Graduação em
Tecnologia relacionados à Área
da Administração, conforme relacionado no Catálogo Nacional dos
Cursos Superiores de Tecnologia
(http://catalogo.mec.gov.br).
A necessidade de obter um diploma de nível superior é uma das
razões para a escolha desses cursos, que têm conclusão mais breve
e custam menos.
Vice-presidente da Associação
Brasileira de Recursos Humanos
(ABRH – Nacional), Elaine Saad
diz que, com as novas resoluções,
é oferecida uma nova opção para
os estudantes que, por diferentes
motivos pessoais ou sociais, não
podem esperar quatro anos de estudos para começar a trabalhar.
Entretanto, Elaine ressalta que a
nova situação não isenta o aluno de
se dedicar com afinco aos estudos.
“O estudante deve ter em mente que
o curso formador de tecnólogo não
é o mesmo de uma universidade tradicional. Ele precisará continuar se
aperfeiçoando”, diz Elaine.
Reinaldo Frascino, presidente
da Associação Paulista de Ges-
tores de Pessoas (AAPSA) e há
30 anos no mercado diz que o
impacto será extremamente
favorável.
“Antes, o fato de se ter um diploma era um diferencial. Hoje,
outras competências também são
necessárias”, constata o consultor.
Porém, Frascino explica que, dependendo do cargo, a formação
precisa ser mais ampla. “Aqueles que atuam como gestores, por
exemplo, devem fazer um curso de
administração”, afirma.
Elaine Saad lembra também que,
para contratação de tecnólogos, as
empresas devem checar a regularidade do registro desses profissionais nos Conselhos Regionais.
A medida
beneficia quem
obteve Graduação
Tecnológica por
meio de cursos com
duração média
de dois anos
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15/01/2010 18:30:16
Conhecimento
A publicidade
infantil precisa
de limites?
Questões éticas
e práticas que
envolvem desde a escola
e a família até entidades
voltadas ao consumo
e o Congresso Nacional
por Nathalia Molina
N
os intervalos, a cena se
repete: “mãe, compra?”.
Adriana explica ao filho
Nicolas, de 4 anos, que não pode
comprar tudo o que o pequeno vê na
propaganda do desenho. Certa vez,
ele pediu uma moto elétrica. A mãe
tornou a usar o argumento da falta
de dinheiro. “Eu tenho”, respondeu
o menino, pensando nos R$ 2 que
Adriana lhe deu em duas ocasiões.
“Não concordo com o excesso de
propaganda e sem nenhuma conotação cultural. Incentivo o hábito da
leitura na minha filha (Stephanie, de
7 anos) e nunca vi um comercial de
livro. São só anúncios de brinquedos e
brinquedos caros”, diz Adriana Martins, de 47 anos, diretora de uma
entidade alemã no Brasil.
O marido dela, o alemão Jürgen
P r ö h l , d e 53 a n o s , a ch a u m
absurdo tanto apelo publicitário.
“O Jürgen chama isso de Marken-
terror
(numa tradução livre
do alemão,
‘terror
do
mercado’).
Segundo ele,
as marcas estão
doutrinando as
crianças a escolher seu produto.
Com isso, elas ficam
pedindo, às vezes
aterrorizando os pais
para comprar. E, quando
não recebem, ficam frustradas e bravas.”
Pensando em proteger a
meninada dos efeitos que o consumismo pode ter, o Instituto
Alana, criado em 1994, e outra
centena de entidades querem mais
do que a diminuição de anúncios
para crianças: lançaram, em 9 de
10
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PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
dezembro, um manifesto pedindo
“o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público
infantil” –o texto está disponível em
www.publicidadeinfantilnao.org.br.
“A ideia não é que a criança seja
excluída do processo de consumo, mas que seja orientada
pelos pais, que aprenda a
gastar o dinheiro”, diz
Isabella
Hen riques,
coord enadora-geral
do Projeto Cria nça
e Consu-mo, do
Instituto Alana.
Segundo
o
manifesto,
a
propaganda de
produtos e
serviços para
menores
de 12 anos
deveria ser
voltada
para
os
adultos.
“O m erca d o
(publ i cit ár io) tem
tornado
suas práticas
muito
ma is
a g r e s s i va s.
Em
qualquer
setor, tem cri-ança
no meio, mesmo
que o produto não
seja para ela”, afirma
Carlos Thadeu de Oliveira,
gerente de Informação
do
Instituto
Brasileiro
de Defesa do Consumidor
(Idec), uma das entidades que
endossam o abaixo-assinado.
“O manifesto é uma reação a essa
intensificação do alvo criança. É
um pouco mais forte em comparação ao que vínhamos tentando até
o momento, mas essa questão tem
de ser recolocada em discussão na
sociedade. É preciso ver que existe
um problema: a criança é bombardeada pela publicidade.”
De acordo com a coordenadorageral do Projeto Criança e Consumo,
a ideia é recolher o máximo de assinaturas e levar o abaixo-assinado
ao Poder Público, tanto Legislativo
quanto Executivo. “A gente apoia o
projeto de lei que está no Congresso
(PL 5.921/2001). Esse manifesto se
originou de outro texto que apresentamos na Câmara”, explica Isabella.
“Queremos mostrar o que vemos
diariamente no nosso trabalho: que a
sociedade é a favor da mudança”, diz a
advogada, autora do livro Publicidade
abusiva dirigida à criança.
No Brasil, o Conselho Nacional de
Autorregulamentação Publicitária
(Conar) é a instituição que avalia
os anúncios veiculados, de acordo
com o que estabelece seu código.
Segundo sua assessoria de imprensa, a entidade atualmente não
concede entrevistas sobre publicidade infantil por entender que já
participou amplamente dessa discussão.
Em 2006, o Conar adotou novas
normas éticas para a publicidade
desse segmento, descritas na seção
11 do capítulo II de seu código. Os
anúncios não podem usar verbos no
É preciso ver
que existe
um problema:
a criança é
bombardeada
pela publicidade”
Carlos Thadeu de Oliveira, gerente
de informação do Idec
11
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Conhecimento
Carlotta Aloisi diz que negociar
é a melhor saída quando seus
dois filhos pedem presentes caros
De acordo com Simone, no fim
da conferência, foi criado o Núcleo
de Marketing Infantil Responsável.
“Nos encontros, vamos buscar
alternativas para o mercado. Estudar medidas como premiar empresas que são responsáveis (na forma
como trabalham com crianças).”
De 16 a 18 de março, no Itaú
Cultural, o 3º Fórum Internacional
Criança e Consumo, promovido
pelo Instituto Alana, discute o
assunto de forma mais filosófica, propondo reflexões sobre o
consumo e o ato de brincar. A participação é gratuita e as inscrições
começam em fevereiro.
O apelo à marca
A propaganda nem é a principal aliada do consumo na casa de
imperativo, tampouco ter crianças
e adolescentes sugerindo a compra
de forma direta.
A visão dos europeus
A propaganda não deve se aproveitar da credulidade da criança,
tampouco incitá-la a consumir ou
estimulá-la a constranger outras
pessoas a comprar os produtos
anunciados. Orientações como
essas são consenso em diversos
países. Mas, em alguns deles, há
regras ainda mais rígidas.
Uma prática comum entre os
europeus é proibir a interrupção de
um programa infantil por propaganda. Existem países onde não é
permitida a veiculação de publicidade durante um período anterior
ou posterior à programação, por
exemplo, nos cinco minutos que
antecedem ou se seguem ao programa infantil.
A advogada Isabella Henriques
destaca que a tendência é de que
essas normas fiquem ainda mais
rígidas. “A Europa está estudando
aplicar as regras da Noruega para
toda a comunidade europ éia”,
explica. Na Noruega, não são permitidos anúncios de produtos e
serviços para crianças de até 12
anos.
Por aqui, o tema vem sendo debatido nos últimos anos tanto pelo
mercado quanto por organizações
não-governamentais (ONGs). Em
novembro, em São Paulo, ocorreu
a 1ª Conferência Internacional de
Marketing Infantil e, em março, será
realizado o 3º Fórum Internacional
Criança e Consumo.
A conferência reuniu especialistas para debater o setor. “A criança
tem de ter acesso a uma bagagem de
informação. Senão, a gente tira toda
a propaganda e, aos 12 anos, lança
tudo?”, questiona a presidente da
Carpe Diem Eventos, organizadora
do evento, Simone Manara. “Toda
publicidade para criança tem de ser
educativa e recreativa, por exemplo,
falando de reciclagem e de cultura.”
Toda a
publicidade
desenvolvida para o
público infantil tem
de ser educativa
e recreativa”
Simone Manara, presidente
da Carpe Diem Eventos
Carlotta Cristine Vilches Aloisi, de
34 anos. “Acho pior a influência
que meus filhos recebem convivendo com os colegas na escola,
especialmente na idade do mais
velho”, conta a dona-de-casa, mãe
de Thalita, de 8 anos, e Enzo, de 11.
“Ele só pede tênis caro, roupa de
marca. A saída é negociar. Cabe aos
pais dar limite. Não dou presente
fora de época, só no aniversário, no
Dia das Crianças e no Natal.”
Para a professora Maria Carneiro,
12
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15/01/2010 18:30:22
PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
da PUC-SP, o apelo à marca existe
em todas as classes sociais, pois
significa status também para elas.
“Em geral, as crianças hoje estão
ficando adultas mais cedo, mas até
10 ou 12 anos ainda não têm discernimento para decisões.”
A professora explica que, se
os pais têm proximidade com os
menores, podem comentar a programação de TV, ressaltando o que
é positivo ou não, até nos anúncios.
“Mas hoje os pais ficam pouco
tempo com os filhos. A intensidade
do trabalho é maior. Por conta de
não estarem presentes, ou tão presentes, os pais acabam comprando
uma série de coisas para suprir essa
ausência”, afirma. “Poderíamos
diminuir a propaganda infantil. Os
pais também poderiam ter consciência de que precisam dizer ‘não’.”
Ana Paula Rodrigues Silveira da
Rocha, de 28 anos, que enfrenta os
efeitos da propaganda infantil na
proporção três contra um (Mariana,
11, João Matheus, 9, e Luana, 6)
adotou alguns métodos para equilibrar a renda familiar e os desejos
Ana Paula
Paulaa een
enfrenta
frenta
fre
nta
ta a pro
pr
propaganda
paggand
a a iinfantil
nfa
fanti
fa
ntt l
nti
pee mittind
per
permitindo
ndo
oq
que
uee seu
se
seus
e s ttrês
rês
ê ffifilhos
ês
lho
hos eescolham
h
s lha
sc
sco
ham
ha
m só
só
um
m tip
ttipo
od
dee gulo
gguloseima
u sei
ulo
see ma
de seus pequenos. “Para preparar
as lancheiras, diariamente, criei
uma espécie de minimercado em
casa. As crianças têm direito a
escolher uma fruta, um lanchinho
salgado e outro que atenda suas
vontades, como os chocolates e biscoitos doces. Assim, gasto menos
e mantenho uma alimentação mais
saudável”, conta a mãe que definitivamente não tem medo de falar
não. “Costumo dizer que a Ana
PL 5.921/2001
Criança x Publicidade
O PL 5.921/2001, de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly
(PSDB-PR), proíbe a publicidade para a venda de produtos
infantis. Nesses oito anos, a redação original recebeu substitutivos na Comissão de Defesa do Consumidor (vetando,
além da propaganda, a comunicação mercadológica para
menores de 12 anos) e na Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio (acrescentando um
parágrafo sobre “valores éticos e sociais”). O projeto de lei
está na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e
Informática, onde foi recebido em 15 de outubro de 2009.
Antes de ser votado, será apreciado ainda pela Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania.
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Na prática
Qualificação
dentro de casa
Um ano após a criação da nova lei, empresas
continuam a investir alto nos estagiários
por Aline Mazzo
Contratar um profissional que
ainda não está completamente
apto a desenvolver as atividades
praticadas na empresa, investir
—inclusive financeiramente— em
sua capacitação e desenvolvimento
e ainda destacar funcionários
para acompanhar seu desempenho. Tanto empenho por alguém
que não dá garantias de que cor-
responderá às expectativas da
corporação é cada vez mais comum
nas empresas. Muitas delas fazem
grandes apostas em universitários
e já possuem programas de estágio
consolidados.
A explicação para o investimento
é simples: faltam profissionais qualificados no mercado. Diante deste
cenário, uma das saídas mais efi-
cientes para o problema é formar,
“dentro de casa”, alguém capaz de
atender às necessidades da corporação.
Para o universitário, é a chance
de obter a tão sonhada experiência e conseguir ingressar no
mercado de trabalho, sempre
muito concorrido. Para se ter uma
dimensão do quanto é acirrada a
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
disputa por uma vaga, em 2008,
103.344 alunos se formaram em
cursos de Administração no País,
segundo o Censo Universitário do
Ministério da Educação e Cultura.
Se forem incluídos os cursos que
envolvem gerenciamento, esse
número sobe para 139.989.
Como beneficia empregador e
estudante, o programa de estágio,
que antigamente era exclusividade de multinacionais, agora se
torna opção para médias e até
pequenas empresas. Em comum,
a necessidade de mão-de-obra
especializada e de profissionais
qualificados.
Saldo positivo
Gestores e especialistas são unânimes em dizer que as corporações
só têm a ganhar com a contratação de um estagiário. Segundo
o Centro de Integração EscolaEmpresa (CIEE), a admissão desse
tipo de trabalhador cresce no
Brasil cerca de 10% ao ano, o que
mostra uma mudança de cultura
das empresas. “O investimento é
considerado baixo, se levarmos
em conta os resultados que um
bom profissional pode trazer no
futuro”, destaca a gerente de treinamento do Núcleo Brasileiro de
Estágios (Nube), Carmen Alonso.
Ela explica que, mesmo após
a criação da nova lei de estágio,
vigente desde 2008, que criou
novas regras para o contrato de
serviço, as empresas entenderam
que ainda saem ganhando na relação custo-benefício. “O salário de
um estagiário não gera encargos
nem verbas rescisórias. Com isso,
o empregador fica livre do que
mais pesa no bolso: os impostos”,
diz.
Do outro lado, estão jovens com
muita vontade de trabalhar na
área que escolheram. “São dinâmicos, pró-ativos e trazem para o
meio corporativo as novidades do
mercado com as quais costumam
ter contato na universidade. Além
disso, são profissionais sem vícios
adquiridos em outras empresas
e com ideias novas”, esclarece o
superintendente de atendimento
do Estado de São Paulo do CIEE,
Luiz Gustavo Coppola.
Prova disso são os projetos de
redução de custos, geralmente
executados por estagiários recémcontratados. “Eles têm um olhar
mais global e atento, perfeito para
esse tipo de trabalho”, afirma
Coppola.
Tal atitude precisa ser recompensada. Os especialistas alertam que
se a empresa não propuser novos
desafios e oportunidade de efetivação para esses estudantes, é
bem provável que eles procurem
rapidamente um novo emprego.
“Os jovens que chegam ao mercado pertencem à geração Y. Não
têm medo de mudanças e precisam
a todo tempo de estímulo porque
enjoam com a rotina”, esclarece a
gerente do Nube.
Recrutando e capacitando jovens
há mais de 40 anos, o programa de
estágio da General Motors do Brasil
é um dos mais bem-sucedidos
do País. A empresa percebeu que
era difícil encontrar profissionais
com a qualificação que desejava e
resolveu assumir a formação deles.
“Estamos sempre em busca de
talentos. É o que nos move a continuar investindo”, define o gerente
de desenvolvimentos de recursos
humanos da GM do Brasil, Marco
Antonio Vicci Vilas Boas, quando
fala, orgulhoso, do projeto.
O programa oferece vagas para
praticamente todos os setores,
desde o operacional até a parte
Como se destacar
no estágio
O QUE É LEGAL
• Saber trabalhar em
grupo
• Ser proativo
• Ser criativo
• Assumir
responsabilidades
• Questionar sempre
que achar necessário
• Perguntar como está seu
desempenho
O QUE NÃO PODE
• Ser individualista
• Demorar para se
adaptar às atividades
• Não ter
comprometimento
• Deixar de cumprir as
tarefas
• Não demonstrar
interesse
administrativa, em todos os escritórios e fábricas do Brasil. Segundo
o gerente, nos últimos oito anos,
foram efetivados 430 estagiários.
“Nosso objetivo é reter esses talentos. Tem dado tão certo que dois
Estamos
sempre em
busca de talentos.
É o que nos move
a continuar
investindo”
Marco Antonio Vicci Vilas Boas,
gerente de desenvolvimento de recursos
humanos da GM do Brasil
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Na prática
dos 15 membros do nosso comitê
executivo são ex-estagiários.”
Para dar suporte ao universitário que ingressa no mercado
de trabalho, a empresa oferece
palestras e uma espécie de tutor
acompanha o desenvolvimento
dos estagiários. “Existem avaliações semestrais e, ao fim do ano,
eles apresentam um projeto para
vários convidados, incluindo a
chefia do setor. É como se fosse
uma vitrine”, diz Vilas Boas.
As empresas de médio e
pequeno porte sem um programa
de estágio estruturado podem
criar atrativos aos universitários.
“Estipular um reajuste para a
bolsa-estágio a cada semestre,
propor um rodízio de atividades,
deixar que ele desenvolva projetos e premiá-lo por isso. Enfim,
mostrar que há chances de ele
ser contratado”, sugere Carmem
Alonso, gerente do Nube.
A nova legislação
Em setembro de 2008, foi
criada a nova lei de estágio, que
causou uma br usca mudança no
mercado, gerando cerca de 90
mil demissões em apenas três
meses.
Dentre as novas regras, a legislação prevê que o estagiário
trabalhe no máximo seis horas
por dia, receba bolsa-estágio e
auxílio-transporte, tenha recesso
remunerado de 30 dias após um
ano de trabalho e fixa em dois
anos o tempo máximo de estágio
na mesma empresa. Ou seja, se
quiser continuar com o funcionário, é preciso contratá-lo.
Na opinião do superintendente
geral do Instituto Via de Acesso,
Ruy Leal, a mudança serviu
para separar o joio do trigo. “As
empresas que tinham programas
sérios não tiveram problemas.
Aquelas que usavam os alunos,
fazendo com que praticamente
pagassem para trabalhar, tiveram de se reestr uturar”, avalia.
Ana Paula Santos acredita que a nova lei
fez com que os estagiários fossem mais
respeitados nas empresas
Leal também é autor do livro
“Condutores do Amanhã: jovens
que entram e dão certo no mercado de trabalho”, obra que
mostra como funciona o ambiente
corporativo com intuito de preparar o jovem para esse novo mundo.
Ele explica que num primeiro
momento houve demissões, mas, a
partir da compreensão das empresas e da retomada da economia no
último trimestre de 2009, os estagiários voltaram a ser recrutados.
Segundo ele, cerca de 1,5
milhão de jovens fazem estágio atualmente no Brasil. Para
Leal, esse primeiro contato com
o mercado de trabalho pode ser
fundamental nas futuras escolhas
e decisões. “Se a empresa trata o
estagiário com respeito e aposta
nele, com intuito de vê-lo crescer,
essa corporação não só forma um
profissional capacitado, mas também um jovem mais cidadão, que
terá uma postura diferenciada nos
âmbitos pessoal e profissional.”
Estudo e trabalho
Ana Paula Santos, 18 anos, é uma
dentre os muitos estudantes que
comemorou a nova Lei de Estágio.
Ela conseguiu uma vaga na área
comercial de uma empresa de telecomunicações há três meses e nem
acredita que não precisa usar a
madrugada para estudar ou fazer trabalhos. “Consigo trabalhar e estudar
tranquilamente. No tempo que passo
na empresa, as atividades são bem
intensas, mas saindo de lá consigo
me dedicar melhor ao curso”, conta.
A jovem está no terceiro semestre de
Administração.
Ela, que também estagiou na lei
antiga, diz que a mudança fez com
os estagiários passassem a ser mais
respeitados dentro das empresas.
“Hoje sinto que quem me contratou
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Fotos: Eduardo Lopes
O fato de
não ter um
plano de carreira
me incomodava
muito”
José Guilherme Brandão Soares Filho,
estudante de Administração
foi pelo meu trabalho, não por eu
custar pouco.”
Além da melhoria nas condições
trabalhistas, Ana Paula diz que já
consegue empregar os conhecimentos da faculdade no trabalho
e vice-versa. “Quando o professor
fala sobre o mercado de trabalho
eu já tenho várias experiências para
contar. Parece que o estágio e o
curso se completam.”
De olho na carreira
Desestimulado pela falta de
perspectiva de efetivação, José
Guilherme Brandão Soares Filho,
21 anos, trocou o estágio em um
órgão público pelo trabalho de
analista de riscos em um banco
privado no fim do ano passado.
“O fato de não ter um plano de
carreira me incomodava muito”,
diz.
O estudante, que está no
quinto semestre do curso de
Administração, ficou ainda mais
José Guilherme preferiu trocar o
estágio sem grandes perspectivas pela
oportunidade como analista
motivado quando descobriu que
ocuparia a vaga de um estagiário
que acabara de ser efetivado. “Vi
que o trabalho é importante e pode
abrir muitas portas.”
Além de exercer o que já aprendeu sobre administração, José
Guilherme conseguiu aliar uma
paixão antiga ao novo trabalho:
a informática. Antes de entrar na
faculdade, ele costumava dar aulas
de computação e este conhecimento foi um diferencial para
conquistar a vaga. “Fazemos muitas
planilhas e isso ninguém precisou
me ensinar aqui.”
Apesar do pouco contato com a
nova função, o jovem já sabe que
escolheu a profissão que gosta
e agora pretende se especializar
cada vez mais. “Já vou começar a
pensar na pós-gradução”, brinca.
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Capa
Administradores
da cidade
Conheça os desafios de quem trabalha
nas engrenagens da Prefeitura de São Paulo,
uma organização de números gigantescos em
recursos, funcionários, usuários e necessidades
Foto: Marcos Fioravante
Fotomontagem: Marcelo Barros
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
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Capa
por Melissa Diniz
S
Foto: divulgação
ão Paulo completa este mês
456 anos de fundação em
constante corrida para vencer desafios. Transformar-se em
capital de negócios e polo de serviços e cultura da América Latina foi
um processo longo, intenso e não
exatamente tranquilo para a maior
referência industrial do Brasil no
século XIX. Há muita história guardada desde seus tempos de vila,
ainda no século XVI, até suas linhas
de metrópole, que começam a ser
delineadas a partir da década de
50. Exemplos dessa transformação
estão nas mais singelas referências
cotidianas. Provavelmente, a maioria dos comerciantes e do público
feminino que frequenta as lojinhas
de bijuterias da Ladeira Porto Geral
não sabe que a rua tem esse nome
porque ali era de fato um porto,
junto a uma área navegável numa
curva do rio Tamanduateí.
Agora o local é de salve-se quem
puder em véspera de Natal e, vez ou
outra, de corre-corre de camelôs e
agentes municipais. O Tamanduateí
do século XXI, infelizmente, é lembrado quando transborda em dia de
enchente. É assim: ao mesmo tempo
em que São Paulo é manancial de
oportunidades, sofre com as mais
variadas chagas das grandes metrópoles. Quem nunca ficou preso num
engarrafamento? Toda essa complexidade faz da Prefeitura Municipal
uma espécie de megaempresa, uma
companhia responsável por atender
11 milhões de pessoas (ou clientes),
Atuar
na vida
pública é muito
gratificante, pois
permite realizar
alguns sonhos”
José Roberto Graziano, chefe da
Supervisão Geral de Abastecimento da
Secretaria Municipal de São Paulo (foto)
cominúmerasnecessidades,queixas,
desejos e direitos.
Até mesmo a Prefeitura está
localizada em outra referência de
metamorfose na vocação econômica e social da cidade. O Viaduto
do Chá, o primeiro de São Paulo,
inaugurado em 1892 após 15 anos
de obras, foi construído na área
conhecida por chácara dos barões
de Tatuí, onde, de fato, se plan-
tava chá. É desse endereço, em seu
gabinete no Edifício Matarazzo,
que o prefeito Gilberto Kassab
comanda diversos secretários,
subprefeitos e, com a ajuda desses, todos os 162 mil servidores
municipais.
Na função de gerenciar recursos,
encontrar soluções, liderar pessoas
e responder às solicitações da comunidade estão presentes, em todos
os setores da administração municipal, pessoas que, ao contrário do
que prega o senso comum, levam a
função pública a sério. São figuras
que, na maioria das vezes, ficam nos
bastidores cuidando de detalhes tão
essenciais quanto desconhecidos
pelos cidadãos.
Muitos desses funcionários e
servidores ingressaram na carreira
pública em busca de estabilidade
e encontraram uma oportunidade
de fazer muito pela cidade. Outros
são escolhidos pelos governantes
por sua experiência e pela capacidade de apontar alternativas para
os mais complicados problemas. A
RAP foi conhecer um pouco mais
da história, carreira e desafios
enfrentados por alguns desses
personagens.
O dono da banca
Quando
se
formou
em
Engenharia Agronômica, em 1975,
José Roberto Graziano, 58 anos,
não fazia ideia de que, 30 anos mais
tarde, seria o supervisor geral de
Abastecimento da cidade de São
Paulo. Graziano veio para a capital
em 1976 trabalhar com eletrificação rural na então Secretaria de
Obras e Meio Ambiente. “Eu era
um garoto simples do interior e
comecei a perceber que na cidade
grande era apenas um profissional a mais. Como sempre tive um
jeito para negócios, decidi prestar
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Por trás da teia da Saúde
Foto: Eduardo Lopes
Administração no Mackenzie.”
Formou-se em 1980.
De volta a sua cidade natal,
Araras (SP), Graziano trabalhou
por 13 anos com produção agrícola
em uma usina de açúcar e álcool. Em
1995, passou a integrar a Secretaria
Estadual de Agricultura, onde
ficou até 1999. Após alguns anos
atuando como consultor, em 2005,
foi convidado a integrar a equipe
da Administração Municipal,
como chefe da Supervisão Geral de
Abastecimento, ligada à Secretaria
Municipal de Coordenação das
Subprefeituras.
De lá para cá, vem desenvolvendo um trabalho de resgate e
recuperação dos 34 mercados
municipais, além de cuidar das 888
feiras livres da cidade, do banco de
alimentos –que recebe e distribui
mais de 100 toneladas de comida
por mês– e de projetos especiais,
como o que incentiva a agricultura
limpa e o plantio de baixo impacto
ambiental.
“Posso dizer que atuar na vida
pública é muito gratificante,
pois permite realizar sonhos.
Quando comecei meu trabalho
na Prefeitura, 44% dos mercados
da cidade estavam abandonados,
outros, envelhecidos e desocupados. Hoje, a situação é muito
diferente. Fico feliz por poder fazer
algo pelo coletivo”, diz.
cação para se formar em Medicina
foram apenas o começo para Flávia
Porto Terzian, 57 anos, superintendente da Autarquia Municipal
Hospitalar da Secretaria da Saúde.
Para encarar a tarefa de gerenciar
11 hospitais, 14 postos de saúde e
4 pronto-atendimentos, nos quais
chefia 15 mil funcionários, ela teria
ainda que fazer uma especialização
em Administração Hospitalar.
“Entre as principais vantagens de
ser funcionária pública da saúde está
o fato de que, aqui, o profissional não
Aqui, o
profissional
não sofre restrições
em sua capacidade
técnica”
Flávia Porto Terzian, superintendente
da Autarquia Municipal Hospitalar da
Secretaria Municipal da Saúde (foto)
sofre restrições em sua capacidade
técnica e sua liberdade de atuação é
muito mais ampla do que nos convênios. Para o médico, isso é muito
gratificante”, afirma.
Dentre suas funções estão questões
de atendimento ao usuário, gerenciamento de suprimentos médicos
hospitalares e dos recursos humanos das unidades. “Acompanho de
perto tudo o que acontece nos ser-
viços, faço intervenções, quando
necessário, administro o orçamento
destinado a essas unidades, entre
outras atividades”, diz.
Para se ter uma ideia da amplitude de sua função, o orçamento do
setor para 2009 foi da ordem de R$
650 milhões. Junto com os recursos
que, a princípio parecem fartos, vem
uma série de responsabilidades e
a necessidade de atender a inúme-
Os longos anos de estudo e dedi-
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Capa
ção visual; Biblioteca Pedagógica,
que tem como objetivo a disseminação da informação; Expediente, que
promove o trâmite de documentos;
Memória Técnica Documental, que
visa à preservação de documentos
técnico-pedagógicos; Memorial
do Ensino Municipal, que mantém
informações históricas; e Vídeo
Educação, que faz o registro de
imagens de toda a área de ensino.
Dois destes setores possuem
Foto: divulgação
É muito
importante
investir na formação
continuada para se
manter atualizado”
Magaly Ivanov, coordenadora do
Centro de Multimeios da Secretaria
Municipal de Educação (foto)
ras e constantes reivindicações de
servidores e, claro, dos cidadãos.
Por isso, se assim como Flávia
você busca segurança profissional
e se interessa por uma carreira na
administração pública, aqui vai seu
conselho: “Venha com vontade de
trabalhar e não desanime diante de
dificuldades.”
Guardiã da memória
Para Magaly Ivanov, 42 anos, coordenadora do Centro de Multimeios
da Secretaria Municipal de
Educação, além da estabilidade no
emprego, a administração pública
permite desenvolver um plano de
carreira com mais segurança.
Sob sua responsabilidade estão
seis setores: Artes Gráficas, que
desenvolve trabalhos de comunica-
um acervo bastante rico sobre a
história do município. A Biblioteca
Pedagógica, por exemplo, reúne
25 mil títulos, 2.100 vídeos, toda
a legislação da cidade desde 1898,
arquivos de Diários Oficiais desde
1982, diversos periódicos e CDs
de áudio: tudo disponível para
empréstimo aos professores da
rede municipal e para consulta aos
demais usuários. Já o Memorial do
Ensino Municipal, que é aberto ao
público para visitação e pesquisa,
possui objetos históricos e mais
de 15 mil fotos, desde a década
de 40, relacionadas à educação na
cidade.
“Como
coordenador
da
Educação, o profissional precisa ter
habilidade para desenvolver trabalhos em equipe. É importante saber
valorizar os funcionários e projetos
desenvolvidos, assim como mudar
o que precisa ser revisto. Acima de
tudo, é importante investir na formação continuada para se manter
sempre atualizado”, diz Magaly,
que há dez anos trabalha como
coordenadora pedagógica.
O homem do dinheiro
Aos 49 anos, Rubens Chammas
foi incumbido, em novembro do ano
passado, da difícil tarefa de administrar o gigantesco orçamento da
cidade de São Paulo que, para este
ano, é de R$ 27,9 bilhões.
O atual secretário municipal
de Planejamento, formado em
Engenharia Civil e em Economia,
com
especialização
em
Engenharia Sanitária, começou na
carreira pública em 1998, quando
foi, entre outras funções, diretor
do Departamento de Economia
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e Orçamento da Secretaria
Municipal
de
Planejamento
(Sempla). Desde então, já ocupou
cargos na Secretaria Municipal de
Habitação (Sehab), na Companhia
Metropolitana de Habitação
(Cohab) e na Empresa Municipal
de Urbanização (Emurb).
Atualmente, sua rotina de trabalho inclui reuniões internas com as
equipes e assessorias da secretaria,
e externas, com todas as unidades
da administração municipal. Por
caber a sua pasta o acompanhamento da execução orçamentária,
Chammas precisa conversar com
todos os secretários e presidentes
de empresas públicas municipais,
orientando sobre as ações a serem
desenvolvidas para o cumprimento
do Plano de Metas.
“A ocupação de um cargo
público pressupõe que o profissional exerça esta função com foco
no espírito público, ou seja, colocando em destaque os aspectos de
desenvolvimento sustentável na
tomada de decisões e no exercício
da função. Ocupar um cargo desta
natureza traz ao profissional uma
ideia ampla e abrangente dos desafios a serem enfrentados. Trata-se
de uma atividade de extrema
Foto: divulgação
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Ocupar
um cargo
público pressupõe
dedicação total
e foco no espírito
coletivo”
Rubens Chammas, secretário
municipal de Planejamento da
Prefeitura de São Paulo (foto)
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Capa
riqueza e grande retorno de satisfação”, afirma.
Sobre as pressões existentes no
cargo, o secretário considera que
elas apenas refletem a responsabilidade da tarefa e devem ser
encaradas com naturalidade.
Várias cidades numa só
O assessor da Secretaria de
Coordenação das Subprefeituras
Amauri Luiz Pastorello, 50 anos,
teve a rara experiência de administrar, nos últimos cinco anos, duas
das 31 subprefeituras com necessidades totalmente diferentes:
Pirituba e Sé.
Formado em Engenharia Civil
com MBA em Administração,
Pastorello, desde 1986, é funcionário da Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo
(Sabesp), onde desempenhou
diversas funções e participou de
projetos inovadores. Em 2005,
foi emprestado à Prefeitura de
São Paulo para assumir Pirituba.
“Pirituba ocupava a 17ª posição entre as subprefeituras.
Conseguimos fazê-la subir sete
posições nesse ranking”, conta. A
partir daí, assumiu o carro-chefe
das subprefeituras: a Sé.
Enquanto Pirituba tem 400
funcionários e um orçamento da
ordem de R$ 23 milhões por ano,
a Sé tem o dobro de pessoal e uma
verba de R$ 130 milhões anuais.
Sei que
eu ainda
posso contribuir
muito para o
desenvolvimento
do município e a
qualidade de vida
da população”
Foto: Marcos Fioravante
Amauri Luiz Pastorello, assessor da
Secretaria de Coordenação das Subprefeituras
de São Paulo (foto)
Pela região da Sé passam 3 milhões
de pessoas por dia, em locais como
avenida Paulista, a rua 25 de Março
e a José Paulino. “É uma área em
que se produzem toneladas de lixo
por dia. São 15 caminhões lavando
as ruas dia e noite”, explica.
Representante direto do prefeito
junto aos bairros, o subprefeito
tem como principais tarefas cuidar
do sistema de drenagem, limpeza
de bocas de lobo, manutenção das
galerias, corte da grama, poda das
árvores, serviço de tapa buracos,
fiscalização de estabelecimentos,
aprovação de alvarás de construção para imóveis de até 1.500
m 2, além dos vínculos com outras
Secretarias,
como
Esportes,
Cultura, Educação e Saúde.
Para Pastorello, que hoje cuida de
projetos especiais desenvolvidos
pelo prefeito, a carreira pública possibilita realizar muito pelas pessoas
e pela cidade. “Sou movido a desafios e sei que ainda posso contribuir
muito para o desenvolvimento do
município e a qualidade de vida da
população”, diz.
Know how e arte tumular
Por trás do Serviço Funerário
do Município de São Paulo, está
o superintendente Celso Jorge
Caldeira, 53 anos. A autarquia,
ligada à Secretaria Municipal de
Serviços, administra 22 cemitérios
públicos, um crematório e 12 agências funerárias, além de fiscalizar
e normatizar outros 18 cemitérios
particulares.
A carreira do superintendente,
que começou como assessor
e consultor há 20 anos na iniciativa privada, inclui ainda a
passagem pela organização de um
sindicato nacional de cemitérios
particulares. A experiência rendeu
o convite, em 2006, para assumir
como superintendente do Serviço
Funerário Municipal, o maior da
América Latina.
O Serviço, que conta hoje com
um orçamento anual de R$ 120
milhões, não recebe verbas da
Prefeitura. Os recursos vêm da
contratação dos serviços, aluguéis
de velórios e carros fúnebres e da
venda de concessão de terrenos
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
semana, para resolver problemas
in loco. “Percebi que nessa área as
pesquisas de mercado são muito
mais ricas do que as que eu fazia
no meio acadêmico, pois levam
em conta aspectos culturais,
Percebi
que nessa
área as pesquisas
de mercado são
muito mais ricas
e me apaixonei
pelo tema”
Celso Jorge Caldeira, superintendente
do Serviço Funerário do Município de São
Paulo (foto)
religiosos, econômicos, sociais,
antropológicos e de costumes.
Isso me fez aprender muito e a me
apaixonar pelo tema”, afirma. São
Paulo agradece!
Foto: Marcos Fioravante
nos cemitérios públicos. “Temos
uma tabela de preços progressiva,
quanto melhor o caixão ou a urna,
mais caro o serviço, sendo que
25% de nossos atendimentos são
gratuitos quando se comprova a
necessidade da família ou quando
a pessoa falecida é doadora de
órgãos”, explica Caldeira.
Para se ter uma ideia do volume
do trabalho atual, a cada dia ocorrem, em média, 200 óbitos na
cidade. De 18 a 20 corpos são cremados e 140 são sepultados nos
cemitérios municipais. Somente o
restante vai para cemitérios particulares.
Foi a imigração de europeus para
a cidade, nos tempos da cultura do
café (meados do século XIX) que
incentivou o costume de enterrar os
mortos, daí a discrepância entre a
quantidade de cemitérios e crematórios na cidade. O hábito motivou a
elite paulistana e acabou por render
à cidade importante acervo de arte
tumular. Pelo menos quatro importantes locais fazem parte desse
roteiro: cemitérios do Araçá, São
Paulo, Morumbi, e Consolação, o
mais famoso.
Ao todo, 1.600 servidores respondem ao superintendente do
Serviço Funerário, cuja rotina de
trabalho inclui a visitação a cemitérios, pelo menos duas vezes por
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Perfil
O olhar em todas
as direções
Construindo conhecimento
e rentabilidade
por Gislaine Araújo
S
er herdeiro de uma empresa de ponta na área cultural em uma cidade cosmopolita
como São Paulo é desafiador. Mas o administrador de empresas Sérgio Herz aceitou
a proposta e foi em frente. Ele deverá ser o último do clã a se dedicar à Livraria Cultura, uma rede de lojas com 62 anos, que se tornou referência como centro cultural, ponto
de encontro de amigos e –por que não?– um local para fechar negócios. Isso se explica:
a Livraria Cultura entrou na era da administração profissional e, por um estatuto, a família
deixará a cargo de executivos profissionais a condução da empresa. Diretor de operações
e da área financeira, Sérgio Herz hoje tem prazer em administrar, mas já pensou em ser
médico. Curioso, resolveu, antes disso, conhecer o empreendimento familiar e a arte de
vender livros no varejo. Apaixonou-se pela atividade e assumiu o desafio: ser filho do
dono e sair deste estigma com competência. Formado em Administração de Empresas
pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), concluiu MBA na Business School
São Paulo (BSP), incluindo um período na Universidade de Toronto, Canadá, e cursou
também o Program for Management Development (PMD) pelo Instituto de Estudos Superiores de Empresa (IESE), ligado à Universidade de Navarra, Espanha, considerada uma
das melhores escolas de negócios do mundo pela revista norte-americana The Economist.
Depois de trabalhar muito durante o ano de 2009, Sérgio quer reservar um tempo para
se dedicar a um hobby cultivado há anos: esquiar na neve. Antes de se preparar para o
período de descanso, a Revista Administrador Profissional conversou com o executivo.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Fotos: Acervo Livraria Cultura
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
Sérgio Herz é registrado
no CRA-SP pelo n.º 56.435-4
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Perfil
Revista Administrador Profissional: Como foi seu começo na
Livraria Cultura?
Sérgio Herz: Quando comecei,
em 1992, havia 40 funcionários.
Atualmente, são 1.500 em nove
unidades. Passei por todas as
áreas: fui estoquista, fiz recepção
de mercadorias, fichava livros,
trabalhei na área de vendas. Fui
ganhando a confiança das pessoas
e aprendendo a noção do todo...
Até chegar aqui, como diretor geral
de operações.
RAP: Nesse período, houve uma
multiplicação de escolas no Brasil.
A qualidade do ensino foi proporcional?
Herz: Ergueram-se muitos prédios, mas a situação educacional é
precária. Isso chega até a gente no
comércio varejista. Fala-se muito do
jovem, só que ele é imediatista: não
se constrói carreira assim, do dia
para a noite. Digo que o caminho é
árduo e longo.
RAP: A Livraria Cultura também trabalha com uma grande
variedade de produtos. Existe
alguma novidade?
Herz: Somos long tale (cauda longa)
em produtos. Tenho 170 categorias nas
prateleiras. Uma coisa interessante,
por exemplo, é que o mercado de Long
Play cresceu 20%, assim como o dos
CDs. O LP voltou e significa 4% do
nosso segmento de música. As lojas de
discos não voltarão, mas são um nicho
de mercado que não vai sumir tão cedo.
Coloquei LPs para vender em 2007. E,
se formos ver, todo mundo tem tocadiscos. Quem está comprando o LP é
o jovem porque para ele é uma novidade. O público que procura é variado
–de DJs a colecionadores.
RAP: As feiras de livros, nacionais e
internacionais, como a Bienal, o Salão
Internacional e a de Frankfurt, ainda
têm peso no negócio livreiro?
Herz: São valores participativos.
Hoje, esses eventos permitem que
se faça uma rede de relacionamentos
e se conheçam outros produtos. As
compras podem ser on-line, mas o
olho-no-olho é fundamental.
RAP: O Kindle (equipamento
que permite a leitura eletrônica de
livros), na sua visão, é uma ferramenta válida para o leitor?
Herz: É um começo. Ainda deixa
a desejar. Para quem gosta... Eu,
particularmente, acho que é um
exercício grande ler uma obra
inteira lá. É estranho. Gosto de
manusear, ver mais de uma página,
Não se
constrói
carreira assim,
do dia para a
noite. Digo que
o caminho é árduo
e longo”
aprecio o lado lúdico do livro. Mas
não posso dizer que será um fracasso. Só não me acostumei com
isso, mas uma parcela dos clientes
será usuária do sistema.
Da esquerda para a direita:
Sérgio, Pedro e Fábio Herz
RAP: Ainda falando sobre a
revolução digital, como a Internet
influencia na condução dos negócios da livraria?
Herz: Peguei o começo da
Inter net no Brasil, em 1993/94.
Em junho de 1995, a Liv raria
Cultura iniciou também as atividades do comércio eletrônico.
Vale lembrar que ainda é um
mercado em amadurecimento.
E o que existe hoje é um consumidor multicanal: ele compra
p e l o t e l e fo n e c o n v e n c i o -
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Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
n a l , por meio do computador
de casa, celular e também na
loja. Precisamos estar preparados e disponíveis para atender
esse público. Ele vai se relacionar com a empresa de diversas
maneiras, mas nós temos que
ser os mesmos, autênticos e
atender bem. A empresa tem
de ser proativa. Anteriormente,
contratava-se pesquisa. Agora,
t em o s vária s fer ra m ent a s
para trabalhar.
condições de liderar equipes.
For necemos cursos de idiomas,
pós-graduação, ensinamos planejamento financeiro. Mas o
problema de educação é geral.
Fico preocupado com essa situação.
RAP: Está difícil contratar mãode-obra qualificada?
Herz: Muito. Não há pessoas
aptas para se contratar. E não
é uma constatação só minha.
Muitos empresários estão na
mesma situação. O funcionário precisa se capacitar sempre
RAP: O ano de 2009 foi bom em
faturamento?
Herz: Faturamos R$ 270 milhões este ano, 20% a mais do
que foi faturado em 2008. Para
o primeiro semestre de 2010, as
contratações vão aquecer o nosso
mercado e particularmente a
nossa rede. Estarei envolvido
nisso. As inaugurações das lojas:
em março, no Shopping Iguatemi
de Brasília; em maio, a loja de rua
no bairro Aldeota, em Fortaleza
(CE); e, em julho, a unidade do
Shopping Salvador (BA); acarretarão muito trabalho no setor de
Recursos de Humanos.
Procuramos
antes de tudo
atender nosso
público interno
–os funcionários.
Vou tornando-os
socialmente
responsáveis”
RAP: O funcionário precisa ser
versátil, antenado e saber filtrar o
que é importante. Quais subsídios
são oferecidos pela empresa?
Herz: Sim, tem de estar atento
a tudo. E procuramos que ele se
desenvolva. É lógico que há uma
gama enorme de informações
à disposição dele, nem sempre
confiáveis, porque não são conteúdos profissionais. O nosso
legado entrará pela porta da
frente. Aquele funcionário que
conseguir aliar as qualidades
para atender a contento o nosso
cliente poderá deixar saudade.
São pessoas diferenciadas, com
para entender o consumidor.
Um exemplo são as chamadas
redes sociais que adquiriram
importância: precisam ser monitoradas. A clientela nem sempre
r e cla m a p a ra o co m er cia nt e
diretamente, como antes. Agora, o cliente conta o que aconteceu para um amigo, que coloca
is s o num blog , p or exemplo.
Aconteceu aqui conosco. Uma
cl i ent e r e cla m ou n o t w i tt er
que não recebeu o marcador de
livro, quando fez a compra. Foi
uma falha: nós mandamos para a
casa da leitora depois. Entretanto,
o comentário dela foi com uma
amiga, não se comunicou aqui
com a empresa. São experiências
físicas que são passadas para a
área tecnológica.
RAP: A empresa já atua no
Terceiro Setor?
Herz: Procuramos antes de
tudo atender nosso público
interno –os funcionários. Vou
tornando-os socialmente responsáveis. Depois ajudamos em
outros projetos. Sou muito crítico. Cidadania todo mundo tem
de praticar.
RAP: Como bom conhecedor,
quais obras você indicaria aos
estudantes de Administração?
Herz: Para se ter uma carreira sólida são necessários
co n h e ci m ent o s e s p e cíf ico s.
Em Administração, os melhores liv ros ainda são aqueles de
mais de 20 anos, como Michael
Porter e Philip Kotler. Percebo
que os gur us antigos ainda são
os mais lidos. Tudo é muito
sup er ficial e precisa ser reavaliado. Penso constantemente
em adaptações, mudanças.
RAP: Vale investir no setor cultural no Brasil?
Herz: Com certeza. Fico orgulhoso que a Livraria Cultura tenha
virado um centro cultural, ponto
de encontro, antes de ser loja. No
último mês, foram 35 horas de
atrações. O teatro faz uma difusão
cultural. A Internet permite que se
faça propaganda das lojas. A atração mais antiga é a Traditional Jazz
Band, que há nove anos se apresenta. A compra de produtos é uma
consequência.
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Estilo
Batidas
universitárias
Foto: Bru
Bruna Callegari
A “paradinha” da Bateria S.A.,
performance que garantiu ao grupo
o primeiro lugar no 1º Grand Prix de
Baterias Universitárias de São Paulo
A organização e o aprimoramento
trazidos pela Administração a
atividades “extracurriculares”
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PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
por Carina Flosi e João Novaes
A
cada ponto conquistado
nos t radicionais jogos
universitários, as baterias
formadas por estudantes ecoavam
nos ginásios sem muito ritmo e com
pouco nível técnico. O único objetivo era mesmo unir a torcida aos
jogadores e usar os criativos gritos de guerra como instrumentos
eficazes para dispersar a concentração dos times adversários.
Porém, com o passar dos anos,
esses grupos foram ficando cada
vez mais organizados, numerosos
e aprimorados, e tornaram-se uma
das atividades “extracurriculares”
mais populares no meio acadêmico.
Essa transformação ocorreu, em
grande parte, graças aos alunos de
Administração, que puderam aplicar nessas organizações as técnicas
de gestão aprendidas em sala de
aula, e ocupam postos de comando
em várias delas.
Algumas baterias chegam a ser
remuneradas para tocar em festas,
baladas e casamentos, longe, no
entanto, de torná-las uma atividade economicamente sustentável
–todas dependem de parcerias e
aportes vindos das atléticas ou centros acadêmicos. “Os instrumentos
são muito caros. Só um bumbo
custa R$ 700. Não precisamos
comprar todo ano, mas também se
gasta muito com a manutenção”,
explica Igor Fonseca, 19 anos, um
dos responsáveis pela administração da Bateria S.A, da Faculdade
de Economia, Administração e
Ciências Contábeis da Universidade
de São Paulo (FEA-USP).
Outra atividade, fonte de renda
alternativa, foi criada pela bateria
Tatu Bola, da Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Em 2001, os integrantes tiveram a ideia de gravar
CDs com paródias de sambasenredo, que desde então ajudam
a pagar os custos. Já são cinco os
discos lançados. Além de enaltecer a FGV nas músicas, também as
utilizam para provocar as torcidas
adversárias. “Tudo é uma grande
brincadeira. Acho que o espírito da
bateria está na união e na confraternização, isso é mais importante
do que as próprias festas, torcidas
e conquistas. Todos que entram aqui
não sabem tocar de início, começam
do zero”, afirmou Bruno Nogueira,
diretor da Tatu Bola.
Há casos em que a bateria foi
incorporada pelos alunos. Nascida
como uma torcida organizada, a
Invasão Vermelha Mackenzista era
composta e organizada por músicos
contratados de escolas de samba,
sem vínculo com a faculdade da
Administração. “Era um erro, tinha
muita gente de fora. Não tínhamos
um grupo homogêneo, nem mesmo
repertório ou instrumentos próprios”, conta Urian Inhauser, mestre
da bateria. Tudo mudou quando,
em 2007, os estudantes assumiram
a direção da bateria e passaram a
As principais baterias de ADM de São Paulo
Data de Número de
Fundação integrantes
Site
Bateria S.A.
FEA-USP
1993
60
www.bateriasa.com.br
Bateria
Tatu-Bola
FGV
1990
50
www.atleticagv.
com.br/wordpress/
bateria-tatu-bola/
Bateria
FEA-PUC
FEA-PUC
2002
35
www.atleticaleaoxiii.
com.br/
Invasão
Vermelha
Mackenzista
Mackenzie
2007
40
http://invasaovermelha.
wordpress.com/
contrate-bateria/
Bateria
ESPM
ESPM
1995
35
http://www.atleticaespm.
com.br/bateria.htm
Bateria
Imperial
Insper
2007
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(em construção)
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Foto: divulgação
Estilo
Integrantes da Tatu-bola, da FGV, uma
das principais baterias de estudantes de
Administração de São Paulo
administrá-la diretamente. Após
a reformulação, segundo Urian,
ocorre uma verdadeira identificação entre a bateria, os alunos e
a faculdade.
Reconhecimento
No último mês de dezembro, na
quadra da escola de samba Barroca
Zona Sul, em São Paulo, foi realizado
um concurso, o 1º Grand Prix de
Baterias Universitárias, envolvendo
oito faculdades e a grande vencedora foi a Bateria S.A., da FEA-USP.
Em uma disputa acirrada, o grupo
convenceu os três jurados com suas
encantadoras “paradinhas” durante
a apresentação de quase meia hora
e foi o primeiro colocado com nota
máxima nos quatro critérios avaliados
por três jurados: criatividade, equalização, ritmo e andamento. Além
da premiação em dinheiro, no valor
de R$ 3 mil, o grupo terá o prazer de
tocar na quadra da Mangueira, no Rio
de Janeiro, em fevereiro.
Reconhecida até mesmo pelos
Tem muito
a ver com
o curso. Comparo
a bateria ao meio
organizacional ou
a uma instituição”
André Herzog Kehde,
mestre de bateria da FEA-PUC
adversários como o gr upo mais
forte dos últimos anos em São
Paulo, a Bateria S.A. conta atualmente com 60 membros fixos e
coleciona uma série de conquistas. Mas a chave desse sucesso
não se resume somente aos dotes
artísticos dos músicos: para ter
atingido o topo, ela passou a ser
gerida de forma profissional. Igor
Fonseca avalia que gerenciá-la é
um grande laboratório para o mer-
cado de trabalho. “Aprendemos,
na prática, a aplicar as técnicas
recebidas em diferentes disciplinas. Acho que os maiores desafios
são o gerenciamento do orçamento fixo que recebemos todos
os anos do Cent ro Acadêmico
Visconde de Cairu e a manutenção constante da integração dos
alunos”, conta o estudante.
A opinião é partilhada por seus
principais “concorrentes” nos
demais cursos de Administração.
Todos têm suas próprias baterias
comandadas por diretores (ou
“mestres”) que tratam sua função como uma atividade muito
mais significativa do que um simples hobby. Ao mesmo tempo
em que aplicam os conhecimentos adquiridos para dinamizar
o funcionamento da bateria, os
estudantes também aprendem
com as experiências acumuladas
nos eventos e ensaios.
“Certamente, é necessário ter
uma base, principalmente para
saber como administrar nossa
verba. Temos uma captação de
renda baixa e com o que arrecadamos temos de espremer nossos
custos ao máximo. É através dessa
organização que conseguimos
deixar nossos instrumentos em
ordem, ensinar os ‘bichos’ a tocar
e traçar a logística para convocar
as pessoas aos ensaios”, explica
André Amá Br usco, diretor da
bateria ESPM.
O mestre de bateria da FEAPUC, André Herzog Kehde, conta
que, além da questão organizacional, outra vantagem que a
experiência lhe proporciona é a
oportunidade de liderar. “Tem
muito a ver com o curso. Comparo
a bateria ao meio organizacional
ou uma instituição na qual sou
líder e tenho de aprender a tomar
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PROFISSIONAL
Revista do Conselho Regional de Administração de São Paulo • CRA-SP
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basta um e-mail com cópia, a
chamada é individual. “Mas é um
tempo prazeroso”, frisa Kehde.
“Encaro como um est ágio.
Afinal, me ocupa o mesmo tempo.
Somos apenas três pessoas para
organizar tudo, desde ensaios até
eventos. Durante as Economíadas
(tor neio de jogos direcionado a
faculdades de Economia), só conseguia voltar para casa às 11 horas
da noite. Quem está de fora não
consegue imaginar a dimensão
e o trabalho que dá. Mas é algo
que faço com prazer porque se
criam vínculos de amizade muito
fortes. Faço questão de sempre
participar, tenho muitos amigos
e namorada lá”, finaliza André.
Foto:
Foto:
o Bru
B
Bruna
naa Callegari
Ca leg
Cal
eggari
a
ar
conta. No asp ecto financeiro,
implantamos uma mensalidade.
Temos também um trabalho de
marketing para promover nossa
imagem, o que nos proporciona
participar de mais eventos. Com
essa experiência, acabo aprendendo a lidar com pessoas. Já
me facilitou muito, por exemplo,
quando tive de realizar entrevistas de trabalho”, exemplificou
Kehde.
Outro ponto sobre o qual todos
concordam é que a bateria precisa
ser levada a sério, exige dedicação diária, com reuniões e ensaio
ao menos uma vez por semana,
e contato direto com todos os
membros. O que costuma tomar
mais tempo e dar muito trabalho é a convocação de todos os
integrantes aos ensaios ou eventos –para evitar abstenções, não
Igor Fonseca, um dos responsáveis
pela administração da Bateria S/A,
da FEA-USP
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Opinião
Como o CEO deve escolher
uma consultoria para
as empresas familiares
Freud disse uma vez que tudo o
que precisamos para a felicidade é
“amor e trabalho”. Ambos estão
em jogo nas empresas familiares,
pois elas têm muito a perder e muito
a ganhar. No entanto, surpreendentemente, as empresas familiares,
muitas vezes, não fazem as perguntas certas antes de contratar
um consultor ou conselheiro. Isso
ocorre também com os supervisores que não estão preparados para
lidar com as complexidades que
enfrentam.
Uma questão que com frequência o CEO (sigla em inglês de Diretor
-Executivo) negligencia é: “como
você vai trabalhar com outros
profissionaisenvolvidos?”.Comoaumento do número de empresas familiares, eles estão se voltando para
uma variedade de especialistas, em
vez de colocar todos os seus assuntos pessoais, financeiros e legais nas
mãos de uma empresa ou pessoa
especializada.
Os assessores também estão
percebendo que as famílias têm
problemas nos negócios excepcionalmente
complexos
que
necessitam dos serviços de mais de
um profissional. Eles também são
mais propensos a precisar de um
consultor confiável para coordenar
outros profissionais.
Existem vários modelos de equipes de consultoria, com base em
como elas funcionam juntas, no
nível de coordenação e de seu compromisso com o outro.
Aqui estão várias categorias de
consultoria e equipes:
1. Pré-Interdisciplinar – equipe
existente / empresa;
2. Consultores multidisciplinares
– em grupo de estudo, conhecer o
trabalho dos outros;
“Há vários
modelos de
consultoria, com
base em como
funcionam, no
nível de
coordenação e de
seu compromisso
com o outro”
3. Acidental – ligar apenas por
cliente, trabalhar em conjunto com
pouca coordenação; e
4. Disfuncional – desconhecidos
uns dos outros, mesmo trabalhando com o mesmo cliente, sem
coordenação.
Como as empresas familiares se
tornam mais sofisticadas e cons-
cientes das melhores práticas, devem
pedir e não esperar mais de seus
assessores. As seguintes perguntas
deverão inicialmente ser feitas em
qualquer relação cliente-orientador:
1. Recebeu treinamento especial
para trabalhar com empresas familiares? Se sim, onde e qual?
2. Quais as questões mais importantes que você vê na família,
negócios e sistemas de propriedade?
3. Pode fornecer referências?
4. Como você nos ajudará a lidar
com eles? Por onde você começaria?
5. Qual é o escopo do trabalho?
Quanto custará?
6. Pertence a uma sociedade ou
grupo profissional que proporciona
educação continuada, focada nos
desafios especiais dos negócios da
família? Você participa deles?
7. Possui uma rede de profissionais que pode chamar para ajudá-lo
com as complexidades?
8. Está disposto a trabalhar com
meus conselheiros? Como vai evitar
a “equipe” de tornar-se disfuncional?
Se você não conseguir respostas
satisfatórias para essas perguntas,
continue procurando!
Sandra Regina
da Luz Inácio
CRA-SP n.109431-9
Coordenadora do
Grupo de Excelência
de Administração de
Empresas Familiares do
Colab orações para est a s e ção p odem s er env iada s para o e-ma il [email protected] - Os tex tos devem conter
no máx imo 3.0 0 0 caracteres (com espaço), nome completo do autor, foto em alt a resolução e o regist ro no CRA-SP.
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