RELATÓRIO FINAL AVALIAÇÃO DE IMPACTO ANO 2014/2015 TECNOLÓGIAS CLONE DE ACEROLA BRS 366 RESPONSÁVEIS João Bosco Cavalcante Araújo – Impacto Social Carlos Wagner Castelar P. Maia - Impacto Econômico Pedro Felizardo Adeodato de Paula Pessoa – Impacto Econômico Francisca Dalila Menezes – Impacto Ambiental Fortaleza-CE, março/2015 1 1. AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS SOCIAIS, ECONOMICOS E AMBIETAIS DA ADOÇÃO DA TECNOLOGIA CLONE DE ACEROLA BRS 366 (JABURU) 1.1. Descrição da Tecnologia Em 2003 a Embrapa Agroindústria Tropical lançou no mercado quatro clones de acerola, resultantes de um trabalho de seleção dentre 45 clones, em relação ao desenvolvimento vegetativo das plantas, a produção e a qualidade dos frutos, sob cultivo em área de produtor. O experimento foi instalado em agosto de 1999, na Fazenda Frutacor Ltda, no Município de Limoeiro do Norte, CE. Os tratamentos foram formados por clones de acerola, originados da introdução de outras regiões ou obtidos por seleção de plantas no Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Agroindústria Tropical. Em 2004 a empresa Amway Corporation (NUTRILIFE), possuidora de uma planta de produção de extrato de acerola em pó na fazenda Jaburu no município de Ubajara (CE), firmou parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical para o desenvolvimento de clones de acerola com alto valor de vitamina C, adquirindo assim, 42.000 mudas dos clones BRS 235 ou Apodi, BRS 236 ou Cereja, BRS 237 ou Roxinha e BRS 238 ou Frutacor, para cultivo próprio e distribuição entre produtores parceiros, nas regiões de Ubajara e Marco no Estado do Ceará. Toda a produção de acerola é orgânica, isso veio a beneficiar os pequenos agricultores familiares do município e seu entorno, pois produziam hortifrutigranjeiros, o que segundo os próprios produtores era definido como culturas incertas, pois havia baixa produção no período chuvoso, ataque de pragas e doenças e consequentemente o uso indiscriminado de agroquímicos, causando impactos negativos tanto a saúde individual quanto ao meio ambiente, para esses agricultores familiares a adoção da tecnologia clones de acerola com produção orgânica possibilitou uma melhoria na qualidade de vida com o aumento da renda e melhoria nas condições de trabalho. A acerola BRS 366 (Jaburu) Foto 1 é a mais recente cultivar lançada pela Embrapa Agroindústria Tropical no ano de 2012, para produção na agricultura familiar. A seleção do clone foi feita com base no desempenho produtivo e características morfológicas da planta, bem como nas características físico-químicas dos frutos. O nome é uma homenagem à localidade de Jaburu, no município de Ubajara (CE), onde se realizaram os primeiros testes da variedade. A BRS 366 vem se destacando como a principal cultivar plantada pela cadeia produtiva local para exportação de vitamina C. O experimento foi avaliada na Fazenda Amway Nutrilite do Brasil, no municipio de Ubajara, CE. O sistema de produção utilizado na fazenda foi o de cultivo orgânico em condições irrigadas. Fotografia 1 – Clone de acerola BRS 366 (Jaburu) Fonte: Acervo Embrapa Agroindústria Tropical 2 Espera-se que a acerola Jaburu tenha boa adaptação em outras regiões semiáridas. As plantas possuem porte de baixo a médio, com altura média de 1,87m e diâmetro da copa de 2,18m, no terceiro ano de idade, em cultivo orgânico irrigado. A produção distribui-se por quase todo o ano, com valores baixos apenas nos meses de junho e julho, favorecendo a colheita manual. As folhas são pequenas, de cor verde, opostas e sem pelos. Ao abrir, as flores têm coloração rosa. Em condições irrigadas, o clone BRS 366 tem se caracterizado por sua precocidade de produção e ciclos produtivos contínuos durante quase todo o ano. Por essas peculiaridades, o fruto adapta-se bem à produção familiar, proporcionando boa distribuição da renda ao longo do ano. Quanto ao manejo da produção, a Embrapa Agroindústria Tropical, recomenda que o pomar não seja composto apenas pelo clone desejado, mas que outras variedades também sejam cultivadas. Dessa forma, aumenta-se a resistência do pomar contra pragas e doenças. Outras medidas importantes a serem tomadas são: a compra de boas mudas, a realização de podas, a adubação e a observação de um espaçamento adequado entre as árvores. De acordo com informações Amway Corporation (NUTRILIFE), existem atualmente 130 produtores com contrato de venda para referida empresa, distribuídos na região da Serra da Ibiapaba (CE), no Perímetro Irrigado Tabuleiros Litorâneos do Piauí nos municípios de Parnaíba e Buriti dos Lopes (PI), no Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho, em Petrolina (PE), que fornecem o fruto “in natura” para processamento industrial. Na cadeira produtiva da acerola são gerados 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Ainda segundo a empresa, a produção de acerola na região em 2011 movimentou um mercado de R$ 42 milhões. 1.1.1. Avaliação de Impacto Social A Unidade utilizou a metodologia AMBITEC-Social ( X ) sim ( ) não. Tabela 1 - Impactos sociais – aspecto emprego Indicadores Capacitação Oportunidade de emprego local qualificado Oferta de emprego e condição do trabalhador Qualidade do emprego Média Tipo 1 (*) Média Geral 3,8 3,8 4,7 4,7 2,7 2,7 6,8 6,8 * Tipo 1 - Produtor familiar ( pequeno ). O indicador Capacitação média 3,8 em comparação a atividade com os outros clones de acerola, encontra-se dentro da média, em virtude desses produtores receberem os mesmos treinamentos para plantio, adubação orgânica e condução do pomar para o clone Jaburu. O indicador Oportunidade de emprego local qualificado média 4,7 demonstrou que a mudança dos clones anteriores para a variedade Jaburu, possibilitou um acréscimo na contratação de mão-de-obra temporária na localidade. Nessa mesma perspectiva a qualificação para atividade sofreu alteração significativa, para o trato com a acerola o serviço braçal é especializado. 3 O indicador Oferta de emprego e condição do trabalhador com média 2.7 foi positivo, pois em média foram criados 15 postos de trabalho em cada unidade familiar, sendo mãode-obra familiar permanente, onde as tarefas são dividas entre os membros da família. Foram ofertados entre 25 a 40 empregos temporários na época de pico de produção de acerola. O indicador qualidade do emprego, média 6,8, é considerado significativo, em virtude de treinamento em produção orgânica, sendo uma produção ecologicamente correta, com jornada de trabalho de 40 horas semanais e no pico da produção 48 horas/semainais Tabela 2 - Impactos sociais – aspecto renda Indicadores Geração de Renda do estabelecimento Diversidade de fonte de renda Valor da propriedade Média Tipo 1 (*) Média Geral 15 10,5 15 15 10,5 15 * Tipo 1 - Produtor familiar ( pequeno ). O indicador Geração de Renda do estabelecimento media 15, foi considerado positivo tendo em vista que toda produção de acerola tem compra garantida: segurança, por haver um preço mínimo de compra: estabilidade, por produzirem durante todo o ano, e montante, produzem a totalidade da sua capacidade instalada. O indicador Diversidade de fonte de renda media 10,5 ficou caracterizado devido a particularidade de alguns produtores possuírem outras fontes de renda, como comercio e empregos. O indicador Valor da propriedade média 15, foi elevado pelas variáveis: investimento em benfeitorias, pois foram construídos prédios com infra-estrutura para armazenamento e transporte, em conformidade com a legislação, trabalham com Boas Práticas Agrícolas e Certificação Orgânica e infra-estrutura política e tributária, sua comercialização gera impostos para o Estado. Tabela 3 - Impactos sociais – aspecto saúde Indicadores Saúde ambiental e pessoal Segurança e saúde ocupacional Segurança alimentar Média Tipo 1 (*) Média Geral 1,8 1,8 15 1,8 1,8 15 * Tipo 1 - Produtor familiar ( pequeno ). O indicador Saúde ambiental e pessoal média 1,8, foi considerado significativo em virtude pomar ser baseado em agricultura orgânica certificado pela Associação de Certificação Instituto Brasileiro de Biodinâmico - IBD Certificações. Não foram encontrados vetores de Emissão de poluentes atmosféricos. O indicador Segurança e saúde ocupacional média 15, foi considerado altamente significativo por não haver mais manipulação e exposição a pesticidas e agrotóxicos; Periculosidade; não se aplica; Calor e Frio, não se aplica. O indicador Segurança alimentar, média 15, foi considerado positivo, na variável garantia da produção, a produção é garantida por todo o ano. A variável Quantidade de alimento 4 foi considerada positiva devido a alta produtividade das plantas. A variável Qualidade nutricional do alimento, também foi considerada em virtude do auto teor de vitamina C produzido pelo Clone de Acerola Jaburu. Vale ressaltar o padrão de qualidade do alimento produzido, sendo um produto seguro dentro dos padrões de higiene, qualidade e identidade. Tabela 4 - Impactos sociais – aspecto gestão e administração Média Média Indicadores Tipo 1 (**) Geral Dedicação e perfil do responsável Condição de comercialização Reciclagem de resíduos Relacionamento institucional 15,0 9,2 9,0 15,0 15,0 9,2 9,0 15,0 *Tipo 1 - Produtor familiar ( pequeno ). O Indicador Dedicação e perfil do responsável média 15,0, foi considerada positivo em virtude do responsável dedicar 07 horas diárias na condução do negócio: Capacitação dirigida a atividade, todos os produtores passaram por cursos de administração e gestão de negócios. Engajamento familiar Em todas Unidades Familiares há engajamento familiar na gestão do negócio e nos trabalhos de campo. Uso de sistema contábil e Modelo formal de planejamento – Houve treinamento e há exigência tanto da Empresa Amway Corporation (NUTRILIFE) quanto da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico - IBD tanto para uso de um sistema contábil como para um modelo de planejamento, as famílias reúnem-se quinzenalmente para planejamento, e as propriedades utilizam sistema de certificação do IBD. O indicador Condição de comercialização média 9,2 foi considerado positivo pois a produção tem preço e compra garantida pela Empresa Amway Corporation (NUTRILIFE); Armazenamento local, nas Unidades Familiares existem peck house para recebimento e classificação até a chegada do transporte; Propaganda e marca própria, não se aplica Encadeamento com produtos/atividades/serviços anteriores, não há Cooperação com outros produtores locais, foi considerado positivo em virtude dos produtores trocarem experiência e conhecimentos. O indicador Reciclagem de Resíduos média 9 foi considerado positivo, pois os restos da produção são incorporados ao solo por meio de compostagem; Reaproveitamento, não se aplica. O indicador Relacionamento institucional com média 15, foi positivo nas variáveis: Utilização de assistência técnica, pois recebem assistência técnica de um engenheiro agrônomo contratado pela Empresa Amway Corporation (NUTRILIFE); Associativismo/Cooperativismo, não se aplica. Filiação tecnologia nominal, os produtores mencionam a importância da tecnologia desenvolvida pela Embrapa; Utilização de assessoria legal/vistoria, efetuada pelo IBD; Capacitação contínua, foi considerada positiva pois a empresa Amway Corporation mantêm cursos de atualização para os produtores rurais. 1.1.2. Análise dos Resultados Análise agregada tomando por base do índice de impacto gerado pelo AMBITEC Social. Média Tipo 1 8,67 Média Geral 8,67 5 Para análise de Impacto Social da Tecnologia “Clones de Acerola BRS 366 (Jaburu)” para o ano de 2014 optou-se por comparar a situação anterior dos produtores clones de acerola BRS 235, BRS 236, BRS 237 e BRS 238 e que atualmente estão implantando nas áreas de produção o BRS 366 (Jaburu). A Figura 2 em relação a Figura 1, caracteriza um incremento de 2,06 no coeficiente de impacto da tecnologia, demonstrado que todos os indicadores de impacto social foram incrementados quando se comparado os dois anos de adoção dos clones anteriores para o Clone BRS 366 (Jaburu). Figura 1 Avaliação de Impacto Social (2008) Indicadores de Impacto Social Capacitação Oportunidade de Emprego Local Qualificado Oferta de Emprego e Condição do Trabalhador Qualidade do Emprego Geração de Renda Diversidade de Fontes de Renda Valor da Propriedade Saúde Ambiental e Pessoal Segurança e Saúde Ocupacional Segurança Alimentar Dedicação e Perfil do Responsável Condição de Comercialização Disposição de Resíduos Relacionamento Institucional Averiguação da ponderação 1 Peso do indicador 0,1 Coeficiente de impacto 3,8 0,1 3,9 0,05 2,7 0,1 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 3,8 15,0 3,8 15,0 1,8 1,8 15,0 0,1 9,8 0,1 0,1 0,05 6,9 3,0 15,0 Índice de impacto social da tecnologia 6,61 Figura 2 Avaliação de Impacto Social (2014) Indicadores de Impacto Social Capacitação Oportunidade de Emprego Local Qualificado Oferta de Emprego e Condição do Trabalhador Qualidade do Emprego Geração de Renda Diversidade de Fontes de Renda Valor da Propriedade Saúde Ambiental e Pessoal Segurança e Saúde Ocupacional Segurança Alimentar Dedicação e Perfil do Responsável Condição de Comercialização Disposição de Resíduos Relacionamento Institucional Averiguação da ponderação 1 Peso do indicador 0,1 Coeficiente de impacto 3,8 0,1 4,7 0,05 2,7 0,1 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,1 0,1 0,1 0,05 6,8 15,0 10,5 15,0 1,8 1,8 15,0 15,0 9,2 9,0 15,0 Índice de impacto social da tecnologia 8,67 Conforme (Araújo et al, 2009) A transformação dos sistemas de cultivo convencionais em cultivos orgânicos de acerola foi claramente redutora no uso de insumos químicos, principalmente quando consideramos que em sua maioria os produtores de acerola orgânica eram produtores hortifrutigranjeiros (tomate, alface, chuchu, couve, pimentão, pepino, coentro, jiló e maracujá) cultivos tradicionalmente intensivos no uso de agroquímicos. E que inicialmente, adotaram os clones de acerola BRS 235, BRS 236, BRS 237 e BRS 238 e atualmente estão implantando nas áreas de produção o BRS 366 (Jaburu). O grande impacto se dá tanto na conservação do solo com a redução no número de operações com o revolvimento do mesmo e com a adoção de uma adubação de base orgânica que valoriza a criação de uma estruturação física, química e biológica do solo, com grandes ganhos qualitativos em relação ao sistema anterior. Quanto, na geração de emprego e renda, seja no uso da mão-de-obra familiar e temporária. A utilização de adubos orgânicos em substituição aos químicos somada a manutenção da cobertura morta do solo, reduzem os efeitos da erosão, melhoram as características físicas e a biota do solo. A não utilização de agroquímicos reduz a pressão negativa sobre a fauna local. Principalmente insetos e aves. A mudança de cultura possibilitou um acréscimo no uso da mão de obra familiar e contratação temporária na localidade e seu entorno, em média foram criados 30 (trinta) postos de trabalho em cada unidade familiar, sendo que a mão-de-obra familiar é permanente, onde as tarefas são dividas entre os membros da família. Ainda são ofertados 6 entre 25 (vinte cinco) a 40 (quarenta empregos) empregos temporários na época de pico de produção de acerola. Comparar a situação anterior na qual existiam 04 clones de acerola nas áreas de produção e atualmente a preferência apenas pelo clone BRS 366 (Jaburu), que comparado aos demais tem menor índice de vitamina C, mas que por outro lado, é uma variedade altamente produtiva, o que compensa na quantidade produzida, pode-se considerar de modo geral que o impacto social da tecnologia foi considerado altamente significativo, em virtude das diversas capacitações, oportunidades de emprego, condição do trabalhador, qualidade do emprego, geração de renda, saúde ambiental e pessoal, condições de comercialização, diminuição da jornada de trabalho, utilização de sistemas de contabilidade, planejamento e certificação orgânica, assistência técnica, valorização da propriedade. A adoção da tecnologia diminuiu a zasonalidade e aumentou as relações sociais. Houve melhoras significativas nos acessos a bens de serviço como: habitação, saúde, educação, nutrição, lazer e cultura o que levou a uma melhor qualidade de vida. Bens de consumo como: diversidade na alimentação, compra de aparelhos eletrodomésticos, aquisição de implementos e insumos orgânicos, o que vem a impactar positivamente na qualidade de vida desses pequenos produtores rurais. Levando-se em consideração que existem dois tipos de produtores: Um que tem na produção de acerola sua única fonte de renda, e outro, que é pluriativo, pois tem comercio ou trabalha também em outras atividades. O impacto foi considerado por todos muito alto, no entanto consideramos que o impacto foi muito maior para o primeiro grupo, em virtude tanto na melhoria da saúde ambiental e pessoal, como também no aumento da renda. É importante salientar que os agricultores familiares que se associam a empresa Amway Corporation para a produção de acerola, recebem a custo de produção: treinamentos, mudas, adubação orgânica e a certificação de produção orgânica, tendo compra garantida e preço mínimo, o que leva os produtores a afirmarem que a adoção da tecnologia foi um diferencial positivo tanto na produção quanto na qualidade de vida. Número de empregos gerados ao longo da cadeia: Diretos: 5.000 Indiretos: 15.000 Fonte de dados A fonte de dados da pesquisa é oriunda de entrevista a técnico da Amway Corporation (NUTRILIFE) e a aplicação de questionários junto a produtores locais de acerola. Ambos entrevistados são produtores familiares de pequena escala, Em ambas localidades foram gerados empregos diretos e indiretos com a produção de acerola, evidenciando assim, uma atividade rentável para o sustento. Acerola_BRS_366(1).pdf http://pt.calameo.com/read/000249129022d7cf9d299 disponível em João Bosco Cavalcante Araújo, Adriano Lincoln Albuquerque Mattos, Francisco das Chagas Vidal Neto, José Carlos Machado Pimentel. Produção Orgânica de Acerola: Garantia de sustentabilidade socioeconômica e ambiental para agricultores familiares da Serra da Ibapaba-Ceará. Disponível em http://www.abaagroecologia.org.br/revistas/index.php/rbagroecologia/article/view/7708 Cultivar Acerola BRS 366-Jaburu. Disponível em http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/77673/1/CGL12001.pdf 7 Cultivar Acerola BRS 366-Jaburu: Mais vitamica C por hectare. Revista Embrapa Agroindústria Tropical – Novembro e Dezembro de 2012 no 143. Disponível em http://pt.calameo.com/books/000249129022d7cf9d299 Tabela 5 – Número de consultas realizadas por município Produtor Produtor Patronal Familiar Municípios Estado Total Pequeno Grande Cooperativa Ubajara CE 4 1 5 Total 5 8 1.2.1. Avaliação de Impacto Econômico Uma vez tabulados os dados de campo, a tabela 1 traz o primeiro resultado consolidado referente ao crescimento da produção nos cinco primeiros anos. A partir do quinto ano, a produtividade do hectare é mantida constante. Tabela 1 – Produção nos cinco primeiros anos de atividade Em sequência, é apresentado o cálculo do lucro operacional (tabela 2). Para tanto, os dados de custeio da atividade foram tratados pelo método de absorção contábil. Tabela 2 - Método por Absorção Contábil ou Integral 9 Observações: o Na pesquisa de campo foi registrada uma produtividade de 36 t /ha/ano. Este valor equivale ao quinto ano de plantio no campo, com a produção de 60 kg /planta/ano, considerando 600 plantas por hectare. A cultivar Acerola BRS 366 – Jaburu tem capacidade de produção de até 100 kg/planta/ano. o Arbitrado um valor de R$ 788,00 por hectare, a título de pró-labore. O intuito foi isolar as remunerações do proprietário e da propriedade. o Tributação - Não há no Ceará incidência de ICMs sobre a acerola in natura. Foram contabilizados os demais impostos sobre o faturamento bruto. Na avaliação de cada conta, destaca-se a participação da mão de obra direta, que responde por 33% da destinação da receita obtida. Vale lembrar que o impacto dos gastos com pessoal poderia ser ainda maior, já que a remuneração do quadro fixo é informal (sem recolhimento de encargos sociais). A lucratividade observada (lucro operacional /receita líquida de vendas) foi de 35,4%, sendo apurada uma receita bruta anual de R$ 77.760,00 (sendo 90% da produção vendida para a indústria por R$ 2,30 /kg e 10% comercializado em outros canais por R$ 0,90 /kg). Este valor poderá ser utilizado nos primeiros anos do empreendimento para abatimento das dívidas oriundas do investimento realizado e, em um segundo momento, para novos investimentos na propriedade (expansão de áreas, compras de novas máquinas, dentre outros). Na Tabela 3 é apresentado o fluxo de caixa do empreendimento para os cinco primeiros anos de atividade. É nesse período que ocorre a maior necessidade de capital de giro (NCG), devido aos meses sem produção ou com baixa produtividade. Caberá ao capital de giro, somado a um saldo mínimo de caixa, cobrir os gastos ocorridos no referido período. Os demais elementos tradicionalmente considerados para formação de capital de giro não precisam ser cobertos pelo capital de giro, já que os seus pagamentos ocorrem depois do recebimento da venda. O saldo mínimo de caixa foi definido em função dos custos com a adubação, que é o único valor, dentre aqueles que compõem a NCG, que é contratado à vista. Tabela 3 – Necessidade de capital de giro e saldo mínimo de caixa Sendo: SIC – saldo inicial de caixa, RRV – recebimento de receitas de vendas, PG – pagamentos, 10 NCG – necessidade de capital de giro e SMC saldo mínimo de caixa. Observação: optou-se por trabalhar com o conceito de capital de giro circulante. Dessa maneira, apenas as entradas e saídas de caixa características do ativo circulante e passivo circulante estão presentes no fluxo acima. Seguem os demais indicadores de rentabilidade do empreendimento verificados: Conforme estabelecido na metodologia (item 3), a validade do investimento ocorrerá caso a rentabilidade do empreendimento estudado supere em três vezes um investimento considerado seguro. Dessa forma, pode-se assegurar a sua atratividade, mediante a seguinte constatação: RE = 39.6% ao ano, contra 7,16% da caderneta de poupança. Em outra abordagem, são apresentados os índices: VPL, TIR, Payback simples e relação B/C e comentários breves: Valor Presente Líquido (VPL) = R$ 44.500,00 (aproximadamente). Se VPL > 0, o investimento é viável; Taxa Interna de Retorno (TIR) = 10% ao ano. Indicando viabilidade do empreendimento, pois a TIR > TMA (taxa mínima de atratividade, considerada de 7,16% ao ano); Payback simples: o investimento realizado (necessidade de investimento fixo + necessidade de capital de giro) retornará ao empreendedor no prazo de sete anos e quatro meses. Este índice também atesta validade, já que o prazo de retorno é menor que a vida útil do empreendimento (cerca de 12 anos); Relação Benefício /Custo = 1,5. São viáveis os empreendimentos em que a relação B/C é superior a 1,0. Os índices VPL, TIR e a relação B/C do empreendimento são apresentados como substitutos para a comparação: investimento em pesquisa e ganhos do setor privado. Isso ocorreu devido à dificuldade de mensuração de uma estrutura de custos compatível para os adotantes potenciais. Quanto às planilhas fornecidas pelo AMBITEC, os resultados destacados foram o de incremento de produtividade e de agregação de valor, apresentados em seguida: 11 Quadro 1. Incremento de produção: Ganhos líquidos unitários Fonte: dados de pesquisa Quadro 2. Incremento da produção: Benefícios econômicos na região Fonte: dados de pesquisa Quadro 3. Agregação de valor: Ganhos unitários de renda por agregação de valor Fonte: dados de pesquisa Observação: fundamental perceber que, além do ganho de produtividade, as planilhas de agregação de valor contêm a diferença de preço propiciada pelo sistema integrado estabelecido com a indústria local (R$ 2,30 /kg) e o preço pago pelos demais canais de comercialização (R$ 0,90 /kg). 12 Quadro 4. Agregação de valor: Benefícios econômicos na região Fonte: dados de pesquisa 1.2.2. Metodologia de avaliação Para a coleta de dados relacionada à produção e comercialização da acerola, realizou-se uma pesquisa de campo, com a aplicação de questionários e entrevistas feitas aos produtores locais e ao representante da Amway. Foram selecionados para a entrevista, os proprietários com cerca de quatro hectares de área plantada. A escolha deveu-se ao fato de ser este um grupo bastante representativo da base de fornecedores da Amway (medida de tendência central: moda). Além da parceria com a indústria, também, condicionam os resultados apresentados neste trabalho: o cultivo orgânico e irrigado, a colheita manual, a ocorrência de sete ciclos produtivos e a localização das propriedades no município de Ubajara – CE (que, por sua vez impacta, no custo do frete). Os dados de campo foram complementados por publicações diversas ou obtidos junto aos informantes qualificados (pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical). Na tabulação dos resultados da pesquisa de campo foram criados os seguintes grupamentos de gastos: mão de obra direta (do quadro fixo e da colheita), materiais diretos (adubação), custos indiretos de produção (ex.: energia elétrica), despesas fixas e variáveis (ex.: frete), investimentos fixos (ex.: conjunto de irrigação) e a necessidade de capital de giro. Também, foram identificados os valores de produtividade (kg /ha), os preços de vendas praticados na região e receitas brutas anuais. Para definição de uma estrutura de custos, projetou-se uma propriedade rural com quatro hectares plantados. Segue breve definição dos métodos utilizados: a) Lucratividade • Indica quanto é gerado de lucro, em termos percentuais, para cada valor de venda realizado; • Lucratividade = Lucro Operacional /Vendas; • Lucro Operacional = Receitas de Vendas – Custos – Depreciação. 13 b) Retorno sobre o Investimento (ROI) ou rentabilidade do empreendimento (RE) • “[...] total de ganhos ou prejuízos dos proprietários decorrentes de um investimento durante um determinado período de tempo” (GITMAN, 2002); RE = (LO/NIT) x 100 Onde: • LO = lucro do operacional ou lucro do empreendimento; NIT = necessidade de investimento total (NIT = NIF + NCG); NIF = necessidade de investimento fixo. São os recursos financeiros necessários para o empreendimento ser implantado e preparado para funcionar. É o montante gasto com instalações, máquinas, equipamentos, veículos, terra, treinamento de mão-de-obra, dentre outros; NCG = necessidade de capital de giro. São os recursos financeiros necessários para colocar o empreendimento em funcionamento (compra de matéria prima, insumos, etc.). Para validação dos resultados obtidos, procedeu-se a comparação com uma alternativa de investimento factível, no caso, a caderneta de poupança. Assim, lançou-se como parâmetro (valor aceitável), uma rentabilidade mensal três vezes superior a um rendimento de baixo risco (SEBRAE-PR, 2013). c) Valor Presente Líquido – VPL • “[...] método determinístico de análise de investimento cujo objetivo é somar as entradas operacionais do fluxo de caixa de um projeto ao seu investimento inicial (capex), utilizando uma taxa mínima de atratividade (TMA) para descontá-los financeiramente ao seu valor presente” (KATO, 2012). Onde: I = investimento; FVj = saldos resultante das entradas e saídas futuras do fluxo de caixa realizado no período j; i = taxa de juros (taxa mínima de atratividade). d) Taxa Interna de Retorno (TIR) • • • Segundo Kato (2012), trata-se do saldo financeiro obtido de determinado projeto. Encontrada quando o VPL = 0. A proposta de investimento deverá ser rejeitada se a TIR for inferior ao custo de oportunidade do capital (PAULA PESSOA et al., 2000). 14 Onde: TIR = Taxa Interna de Retorno. Difere do cálculo do VPL, quando a taxa de juros é estabelecida previamente. e) Payback Simples • Identifica o tempo de retorno do investimento. Relaciona o investimento e as entradas e saídas de caixa, apontando o saldo disponível a cada período realizado. f) Relação Benefício /Custo • O critério de relação Benefício-Custo deve descontar a uma determinada taxa de juros os valores das receitas e custos verificados ao longo do período de execução do projeto. Relação B /C = ∑ Rj /(1+ i)j / ∑ Cj /(1+i)j Onde: Rj = Entradas de caixa obtidas no período j; Cj = Saídas de caixa ocorridas no período j. Por fim, são apresentadas as planilhas fornecidas pela metodologia AMBITEC, referentes ao incremento de produção e à agregação de valor (demais planilhas: não houve redução de custos e a expansão de área foi apenas citada pelos entrevistados, sem quantificações). 1.2.3. Análise dos Resultados Os resultados econômicos e financeiros apresentados neste trabalho indicaram a viabilidade da produção da acerola Jaburu na serra da Ibiapaba – Ceará. Os ganhos atuais da tecnologia adotada decorrem: de um incremento de produtividade; de um preço de venda do produto acima dos praticados pelos demais canais de comercialização e do escoamento da totalidade produzida. Visto que, cerca de 90% dessa produção é absorvida pela indústria instalada na Ibiapaba para a produção do concentrado de vitamina C. Os contratos estabelecidos entre indústria e produtores estão gerando importante contribuição para a governança da cadeia produtiva, ao assegurar volume e freqüência de abastecimento para a indústria e, de outro lado, ofertando assistência técnica aos empreendimentos rurais, dentre outras vantagens que desoneram o sistema de produção agrícola. Também, é relevante considerar a capacidade dos empreendimentos estudados quanto à geração de postos de trabalho e renda. Um estabelecimento com quatro hectares plantados gera até quatro postos de trabalho no seu quadro fixo. Durante a colheita são gerados de 40 a 80 ocupações. Os ganhos diários no período variam de R$ 25,00 a R$ 80,00 /trabalhador, alternados nos períodos de baixa e alta produção. 15 Fontes de dados GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira – 7a edição – editora Harbra, São Paulo, 2002. KATO, Jerry Miyoshi. Curso de Finanças Empresariais: Fundamentos de gestão financeira em empresas - M.Books do Brasil Editora Ltda, São Paulo, 2012. PAULA PESSOA, P.F.A.; OLIVEIRA, V.H.; SANTOS, F.J.S.; Semrau, L.A.S. Análise de viabilidade econômica do cultivo do cajueiro irrigado e sob sequeiro. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 31, n.2, p 178 -187, abr-jun. 2000. SEBRAE-PR. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Como calcular a rentabilidade da sua empresa, 2013. Disponível em: http://www.sebraepr.com.br/PortalInternet/Noticia/Como-calcular-a-rentabilidade-da-suaempresa%3F. Acesso em: 27 de maio de 2014. 16 1.3.1. Avaliação de Impactos Ambientais Na Tabela 1 são apresentados os valores dos indicadores ambientais de Insumos e Recursos Naturais utilizados pelos produtores. Os parâmetros analisados contemplam o consumo de água e aplicação de fertilizantes. Um aspecto comum em todos os produtores é a intensão de modificar totalmente a cultura anterior/atual pelo Clone de Acerola BRS 366 Jaburu. Com o aumento da área cultivada a demanda de água também aumentou. A acerola Jaburu produz o dobro quando comparada com a cultura anterior, em contrapartida, houve o aumento de área cultivada e o aumento de consumo de água. Segundo os produtores, este aumento compensa pela eficiência da produtividade. Tabela 1 - Impactos ambientais – Insumos e Recursos Média Geral Indicadores Variáveis de uso de insumos Variáreis de uso de recursos naturais Frequência de aplicação de pesticida Variedade de ingredientes ativos (não alternados) Toxicidade Frequência de aplicação de fertilizantes químicos Condicionadores de solo Consumo de água Solo (área) 0 0 0 0 NA -1,5 -0,5 O consumo de água humano é proveniente do rio Jaburu, quando o rio não fornece água suficiente é utilizada água do poço profundo da propriedade. Em análise comparativa, a cultura atual (Jaburu) utilizou mais água que a cultura anterior, digamos que dobrou a quantidade de água, segundo relato dos produtores. Na primeira Propriedade visitada, a irrigação é por microaspersão, gasto mensal de energia R$ 1.000,00. Segundo valores estimados pela Eletrobrás, o consumo médio de uma bomba d`água pode chegar até 15,77 kw/h. Equivale aproximadamente 100 mil litros de água diariamente. A água é oriunda de 5 poços profundos inseridos na fazenda, esta água é utilizada para consumo humano e irrigação, sendo classificada pelo produtor como água de boa qualidade. O gasto com bombeamento de água é maior devido o sistema de poços. Na segunda Propriedade visitada, o tipo de irrigação é aérea. Para irrigação são utilizados 60 mil litros de água por dia, com o gasto mensal de R$ 350,00 com energia elétrica. O Composto Orgânico é produzido na própria fazenda, formado por esterco e bagaço de cana. Utiliza-se de 8 a 10 Kg por planta, com duas adubações anuais, são 2.300 plantas na propriedade. Portanto utiliza-se 46.000kg de Composto por ano. Na adubação é acrescida a Bagana de Carnaúba, utiliza-se 14kg/planta/ano. 17 Na terceira propriedade visitada, a irrigação é por microaspersor, a água para irrigação é captada no rio Jaburu, localizado a mais de 2km da propriedade, com isso o custo para transportar a água é maior, devido a queda de pressão da água ao longo do percurso. O baixo nível de água do manancial devido a estiagem agrava a situação da disponibilidade hídrica na fazenda. A outorga fornecida pela COGERH expediu o prazo de validade, mas está em processo de renovação. O volume de água captado é de 400mil litros/hora, o sistema possui dois motores, onde apenas um esta em funcionamento e o outro encontra-se desativado. Todo esse volume de água é destinado para irrigação orgânica e convencional. Uma parte do volume de água é destinado para os 20 ha de acerola e outra aos 50 ha de maracujá e outras culturas. O custo médio de energia mensal 3 a 4mil reais, dos quais R$ 1.500 é destinado apenas para áreas de acerola. O Composto Orgânico (comprado da Nutrilite) esterco acrescido de bagana de carnaúba é utilizado 2 vezes ao ano, 15 a 20 kg cada planta. A torta de mamona (nitrogênio) 3 vezes ao ano, 1 a 2kg por planta. A propriedade possui 6 mil plantas por hectares. A Tabela 2 apresenta os resultados do consumo de energia após a adesão da tecnologia, destaca-se o aumento de consumo de energia elétrica por intermédio da irrigação. Tabela 2 - Impactos ambientais – Consumo de energia Indicadores Combustíveis fósseis Biocombustíveis Biomassa (lenha, bagaço) Eletricidade Média Geral -4,5 0 0 -7,5 Devido o aumento da produtividade, foi necessário adquirir mais carros utilitários, caminhões e, em alguns casos, até ônibus. Com o aumento a frota de veículos, houve aumento do consumo de combustíveis fósseis, neste caso, o Diesel. Segundo o produtor, é gasto uma média de R$1.000,00 mensal com combustível, sendo R$ 2,590 o Litro, são utilizados, em média, 386 litros de combustível mensamente. Energia elétrica é fornecida pela concessionária COELCE e o consumo é principalmente para o sistema de irrigação. A irrigação é por microaspersão e representa o gasto de R$ 1.000,00 mensais. A segunda Propriedade apresenta perfil semelhante, com o aumento da demanda de produção da acerola o produtor adquiriu mais dois veículos, um caminhão de grande porte, para cargas maiores, e um carro utilitário modelo D20 para carregamentos menores. Ambos os veículos são abastecidos com óleo diesel, com consumo mensal estimado pelo produtor de R$ 1.000,00 para os dois veículos, sendo R$ 2,59 o litro, são utilizados, em média, 386 litros de combustível mensamente. Os veículos movidos a diesel emitem mais CO2 por unidade de volume ou peso de combustível em relação aos demais modais motorizados. Utilizou-se um fator de emissão médio de 2,6 kg de CO2 para cada litro de diesel queimado na combustão, que somado com o valor médio de 0,5 kg de CO2 emitidos para produzir e distribuir o combustível, chegou-se a uma taxa de emissão em torno de 3,2 kg de CO2/l de diesel (CARVALHO, 2011). Em alguns casos de Proprietários que não possuem veículos, optam por pagar frete para levar o carregamento até os fornecedores. 18 Na Tabela 3 são apresentados os valores referentes aos indicadores de Geração própria de alguns insumos. A produção de adubo orgânico se destaca por ser comum a todas as propriedades visitadas. Tabela 3 - Impactos ambientais – Geração própria, aproveitamento e autonomia. Indicadores Geração Motriz ou elétrica (solar, eólica) Aproveitamento térmico (consumo energético evitado) Adumo orgânico/ esterco, estrume/ compostagem Adubo verde Controle Biológico de pragas e doenças Média Geral NA NA 0,75 NA NA Com o aumento da demanda de adubação, nas propriedades são produzidos Compostos Orgânicos para própria utilização. Não é utilizado controle biológico de pragas. O único mecanismo de controle é a utilização de água no período noturno, pois o "Pulgão" que ameaça a cultura tem baixa tolerância a água. Não é utilizado nenhum tipo de pesticida, fertilizantes químicos ou condicionadores de solo. Para adubação utiliza-se Composto Orgânico contém bagaço de cana e esterco e é produzido na própria fazenda, são aplicadas duas adubações por ano, em cada adubação são utilizados 20 a 40kg por planta. Não existe geração de energia por meio alternativos, nem reuso de água na propriedade. A atividade que caracteriza reuso é a fabricação de Composto Orgânico na própria fazenda, que utiliza bagaço de cana, esterco, estrume e outros materiais. Não há controle biológico, o manejo de pragas é realizado com água, o produtor observou que o controle com a água seria eficaz para a praga, o mecanismo consiste em deixar a planta com água na folha durante o período noturno. A Tabela 4 fornece informações sobre os indicadores de Emissões atmosféricas proveniente da área de cultivo. A emissão de gases poluentes e nocivos ao meio ambiente e seres humanos pode comprometer a qualidade de vida das pessoas envolvidas no processo. Tabela 4 - Impactos ambientais – Emissões Atmosféricas Indicadores Gases de Efeito Estufa Material Particulado Odores Ruído Média Geral -1,2 0 0 0 A emissão dos gases de efeito estufa aumentou consideravelmente, tanto nos pequenos quanto nos grandes produtores. Com o aumento da produtividade, os proprietários foram obrigados a adquirir mais veículos para distribuição do produto. O aumento da frota de veículos utilitários e de grande porte reflete no aumento do consumo de combustíveis, principalmente do óleo diesel. 19 Os gases de efeito estufa emitidos na propriedade são oriundos dos veículos utilizados para o transporte da acerola. Não foi necessário desmatar mais áreas para o cultivo da Acerola, a área já era utilizada para cultivo, este fato favorece a redução de emissão dos gases de efeito estufa. O agricultor considera a acerola uma cultura sustentável, quando comparada com modo convencional. O fato de não utilizar fertilizantes é o motivo pelo qual o produtor considera o cultivo orgânico uma prática sustentável. O produtor pretende cultivar a acerola Jaburu em toda propriedade. A cultura anterior possui mais vitamina C, portanto a Jaburu é mais produtiva, relata o produtor. “A Jaburu precisa de mais cuidado pra produzir. Mas vale a pena ser mais cuidadoso porque a produtividade dá o retorno” (Produtor 1). A Qualidade Ambiental, nesta metodologia, abrange indicadores de qualidade do solo e da água. As tabelas 5 e 6 apresentam resultados pertinentes aos parâmetros relacionados com o desempenho do solo e dos recursos hídricos locais após a inserção da Acerola Jaburu nas Propriedades. Tabela 5 - Impactos ambientais – Qualidade do Solo Indicadores Erosão Perda de Matéria Orgânica Perda de Nutrientes Compactação Média Geral 0 1,25 3,75 0 O produtor relata que percebeu melhorias no solo, pois a cultura da Acerola é orgânica e não utiliza agrotóxico. O produtor associa o uso de fertilizantes à degradação ambiental. “Um solo deste aí eu considerava ele morto antes da acerola, agora eu considero ele vivo” (Produtor 1). “O solo se recupera melhor, os animais frequentam mais” (Produtor 2). Tabela 6 - Impactos ambientais – Qualidade da Água Indicadores Carga Orgânica Turbidez Espumas/ Óleos/ Resíduos Sólidos Assoreamento de corpos d`água Uso além da disponibilidade temporária Média Geral 0,2 0,2 0 0,2 0 A qualidade da água do rio Jaburu é considera boa pelo Produtor, mas não há registros de análises de parâmetros de qualidade da água. Comentar sobre contaminação química/agrotóxico. Qualidade da água dos poços é satisfatória, mas é utilizada apenas para irrigação, pois não há controle de qualidade de água. A disponibilidade hídrica do poço é suficiente, segundo os Proprietários os poços nunca secaram. 20 Apesar da água é considerada de boa qualidade, para o consumo humano é utilizada água da CAGECE, que inclusive é captada do mesmo manancial, mas passa por uma Estação de Tratamento antes de chegar às residências. Após a implantação da Acerola Jaburu, ocorreu a diminuição do uso de agrotóxicos na região, este fato reflete diretamente nos corpos hídricos locais que deixam de receber pulsos poluentes proveniente do carreamento pelas chuvas que abastecem os ecossistemas superficiais locais. Com a ausência desta poluição difusa, os corpos d´água têm condições de se recuperar e melhorar sua qualidade. Os indicadores ambientais de Conservação e Biodiversidade (Tabela 7) são de extrema importância para conservar e garantir a biodiversidade local. Tabela 7 - Impactos ambientais – Conservação e Biodiversidade Média Geral Indicadores Vegetação Nativa Fauna Silvestre Espécies/ Variedades (Cablocas) Tradicionais 0,4 0,9 0 Os Produtores relatam que a fauna e flora local estão mais conservadas, as aves nativas visitam mais a propriedade. A área possui 20% de mata nativa conservada. Aumentou a presença dos pássaros e outros animais silvestres. “Melhora tudo, pra começar melhora o próprio dono, e outra, quem trabalha com a gente tem mais saúde, mais vida, você não tá tirando nem dez minutos de vida de ninguém” (Produtor 1). “Antigamente tinha muito pássaro nessa região e ultimamente diminuiu muito, não por causa da seca, eu analisei e vi que o convencional acaba muito com eles. Já aqui, tem acerola madura pra comer e nem fome os bichinhos passam” (Produtor 2). “Meus colegas vizinhos quem vem pra cá se admiram muito, porque vê o galo campina, os canarinhos e as rolinhas. Quando a gente chega lá na acerola até o clima é mais agradável, mais fresco e tem muito passarinho lá” (Produtor 3). Os parâmetros relacionados a recuperação ambiental (Tabela 8) é importante para identificar a capacidade de resiliência do ambiente após passar por um processo de degradação. Tabela 8 - Impactos ambientais – Recuperação Ambiental Indicadores Solos degradados Ecossistemas degradados Áreas de Preservação Permanente Reserva Legal Média Geral 0,6 0 0 0 Em análise comparativa realizada pelo produtor o solo apresentava maior índice de degradação na cultura anterior devido o uso de fertilizantes, na cultura Acerola BRS 366, o 21 produtor percebeu melhor recuperação das condições do solo e não constatou evidências de degradação atual. Nas proximidades da propriedade não existem Áreas de Preservação Permanente. A Propriedade que precisou desmatar parte da área relata que seguiu orientações para evitar degradação da área. Para ampliação da área cultivada foram desmatados 10 hectares, o desmatamento foi controlado e realizado de acordo com as normas vigente, sem a queima do material retirado. Para aquisição do Selo do IBD é necessário seguir algumas regras. A propriedade toda equivale a 2mil hectares, 20% da propriedade estão conservadas como Reserva Legal. Tabela 9 – Índice de Impacto ambiental da Atividade Importância do critério Coeficientes desempenho Uso de Insumos Agrícolas e Recursos 0,05 -2,0 Uso de Insumos Veterinários e Matérias-primas 0,05 0,0 Consumo de Energia 0,05 -12,0 Geração própria, aproveitamento, reuso e autonomia 0,05 0,8 Emissões à atmosfera 0,02 -1,2 Qualidade do Solo 0,05 5,0 Qualidade da Água 0,05 0,6 Conservação da biodiversidade 0,05 1,3 Recuperação Ambiental 0,05 0,6 Qualidade do Produto 0,05 0,0 Capital social 0,05 0,0 Bem-estar e saúde animal 0,05 0,0 0,00 0,0 Emprego Critérios de impacto da atividade 0,025 Capacitação 0,025 Qualificação e Oferta de Trabalho Qualidade do Emprego 0,05 Geração de Renda 0,05 Valor da Propriedade 0,01 Saúde Ambiental e Pessoal Segurança e Saúde Ocupacional 0,02 Segurança Alimentar 0,05 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,05 0,0 0,05 Condição de Comercialização Disposição de Resíduos 0,025 Gestão de Insumos Químicos 0,025 0,0 0,0 1 Índice de impacto da atividade -3,31 Qualidade ambiental 1,26 Respeito ao consumidor 0,00 Renda 0,00 Saúde 0,00 Gestão 0,00 ,0 0,02 Relacionamento Institucional Averiguação da ponderação 0,0 0,02 Dedicação e Perfil do Responsável Uso de insumos 0,0 0,01 Diversidade de Fontes de Renda Índices integrados 0,0 -0,31 22 Fonte de dados A fonte de dados da pesquisa é oriunda de entrevista a técnico da Amway Corporation (NUTRILIFE) e a aplicação de questionários junto a produtores locais de acerola. Ambos entrevistados são produtores familiares de pequena escala, Em ambas localidades foram gerados empregos diretos e indiretos com a produção de acerola, evidenciando assim, uma atividade rentável para o sustento. Acerola_BRS_366(1).pdf http://pt.calameo.com/read/000249129022d7cf9d299 disponível em João Bosco Cavalcante Araújo, Adriano Lincoln Albuquerque Mattos, Francisco das Chagas Vidal Neto, José Carlos Machado Pimentel. Produção Orgânica de Acerola: Garantia de sustentabilidade socioeconômica e ambiental para agricultores familiares da Serra da Ibapaba-Ceará. Disponível em http://www.abaagroecologia.org.br/revistas/index.php/rbagroecologia/article/view/7708 CARVALHO, C. H. R. Emissões relativas de poluentes do transporte motorizado de passageiros nos grandes centros urbanos brasileiros. Brasília, 2011. Disponível em < file:///C:/Users/USA/Desktop/td_1606.pdf>. Acesso em: 21/11/2014. Cultivar Acerola BRS 366-Jaburu. Disponível em http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/77673/1/CGL12001.pdf Cultivar Acerola BRS 366-Jaburu: Mais vitamica C por hectare. Revista Embrapa Agroindústria Tropical – Novembro e Dezembro de 2012 no 143. Disponível em http://pt.calameo.com/books/000249129022d7cf9d299 23