FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME CAMPUS DE JI-PARANÁ JONATHA DANIEL DOS SANTOS REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA NO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE FRENTE AOS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE NO MUNICIPIO DE JI-PARANÁ – RO. Ji-Paraná 2011 FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME CAMPUS DE JI-PARANÁ JONATHA DANIEL DOS SANTOS REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA NO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE FRENTE AOS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE NO MUNICIPIO DE JI-PARANÁ – RO. Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao Departamento de Matemática e Estatística, da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná, como parte dos requisitos para obtenção do título de Licenciado(a) em Matemática, sob a orientação do(a) professor(a) Ms. Marlos Gomes de Albuquerque. Ji-Paraná 2011 2 JONATHA DANIEL DOS SANTOS REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA NO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE FRENTE AOS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE NO MUNICIPIO DE JI-PARANÁ – RO. Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado como parte dos requisitos para obtenção do título de Licenciado(a) em Matemática e teve o parecer final como Aprovado, no dia 00.00.2011, pelo Departamento de Matemática e Estatística, da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná. Banca Examinadora ___________________________________________ Prof.Ms. Reginaldo Tudeia dos Santos - UNIR ___________________________________________ Prof. Dr. Ariveltom Cosme da Silva - UNIR ___________________________________________ Prof.Ms. Marlos Gomes de Albuquerque - UNIR 3 AGRADECIMENTOS A Grande Presença de Deus, por nos ter possibilitado o universo, o qual de uma pequena parte tornou nossa morada e aos desafios de viver, pelos quais nos impulsionam a existir e ser. A minha família, especialmente aos meus pais e minhas irmãs por sempre estarem ao meu lado nessa caminhada. A Rozane, por me fazer acreditar que tenho capacidade e competência de ter um futuro próspero. Aos colegas que tanto contribuíram nesta formação com o companheirismo nos trabalhos em grupo. Aos professores e estudantes colaboradores, por terem propiciado o desenvolvimento deste estudo. Ao Professor Marlos Gomes de Albuquerque pela sua orientação e competência no desenvolver deste estudo. 4 RESUMO SANTOS, Jonatha Daniel. Título Redução da carga horária no ensino médio: uma análise frente aos desafios da prática docente no municipio de Ji-paraná – Ro. 2011. 46f. Monografia (Licenciatura em Matemática) – Departamento de Matemática e Estatística, Universidade Federal de Rondônia, Ji-Paraná. Nesta pesquisa, buscou-se desenvolver estudos sobre as dificuldades encontradas no ensino de matemática como conseqüência da redução de sua carga horária no estado de Rondônia, bem como a postura do docente frente ao processo de ensino/aprendizagem, tendo em vista a viabilização de estratégias metodológicas para a inserção dos educandos no Ensino Superior, e asua inclusão nos diferentes meios de trabalho inseridos na sociedade, após o término da educação básica. Elencamos como hipóteses centrais, a compreensão da atual situação em que se encontra a ementa do componente curricular de matemática em relação à redução de carga horária no Estado de Rondônia, Município de Ji-Paraná, situando a ementa curricular de Rondônia com alguns estados da Região Norte, abordando assim a diferença relevante no que se refere à ementa curricular situada neste estudo; levantamento se há necessidades de mudanças na postura docente no que diz respeito à redução da carga horária da disciplina de matemática; problematizar a abrangência dos educandos no Ensino Superior. Observa-se que a prática educativa dos docentes atuantes na área em questão encontra dificuldades em propor metodologias adequadas as atividades exigidas pelas legislações educacionais em contraposição a redução das horas/aulas trabalhadas atualmente. Palavras – Chave: Redução de Carga Horária, Prática Docente, Metodologia de Ensino. 5 Só um governo inteligente sabe proteger a Matemática. Piérre Rousseau 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11 CAPÍTULO 1 ............................................................................................................. 12 1.1 HISTÓRICO DA MATEMÁTICA NO BRASIL .................................................. 12 1.1.1 Período Colonial – Jesuítico .................................................................. 13 1.1.2 Pós Jesuíta / Positivista ......................................................................... 14 1.1.3 Pós Positivismo / Matemática Moderna ................................................ 15 1.2 CURRÍCULO COMO PERSPECTIVA HISTÓRICO CRÍTICA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM .......................................................................... 17 1.3FORMAÇAO DE PROFESSORES ................................................................... 19 CAPÍTULO 2 ............................................................................................................. 22 2.1BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO ESTADO DE RONDÔNIA A PARTIR DE 1985 ........................................................................... 22 2.2LEIS SOBRE A PROBLEMÁTICA EM QUESTÃO ........................................... 25 CAPÍTULO 3 ............................................................................................................. 27 3.1 METODOLOGIA DE TRABALHO .................................................................... 27 3.2 RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................... 30 3.2.1 Análise dos Dados na pesquisa realizada com os docentes. ....................... 30 3.2.2 Análise dos Dados na pesquisa realizadacom os estudantes. ..................... 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 44 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 46 11 INTRODUÇÃO O Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, supracitada, buscou a partir das discussões a cerca do currículo em relação ao ensino da matemática compreender e analisar a redução da carga horária no componente curricular em questão nas escolas públicas urbana, especificamente nas instituições estaduais do município de Ji-Paraná – RO. Para suscitar os resultados do referido estudo, optou-se pelos escritos de Minayo (2010, p.18) onde a autora descreve a pesquisa qualitativa como sendo “um discurso sistemático que orienta o olhar sobre o problema em pauta, a obtenção de dados e a análise dos mesmos”. Para tanto, foram abordadas como eixo de método de coleta de dados, as entrevistas abertas semi estruturadas como técnica de levantamento de dados, bem como as observações nos espaços escolares. A princípio, o presente trabalho buscou informações acerca de portarias e resoluções sobre a redução de carga horária no estado de Rondônia, tendo como objetivo analisar as concepções dos professores e professoras de matemática e seus saberes docentes1 em sala de aula, bem como verificar as opiniões das e dos educandos no tocante aos elementos da pesquisa em questão. Nestes levantamentos, observou-se desde 2005 que o Ensino Médio, estágio final da educação básica, vem sofrendo com uma defasagem no que se refere as horas aulas na disciplina de matemática. Claro que esta redução também afetou outros componentes curriculares fundamentais a vida social, trabalhista e acadêmica destes estudantes. Quando a presente pesquisa se refere a esta defasagem de carga horária no ensino médio em relação aos estudantes do ensino médio participantes das escolas estaduais públicas do município de Ji-Paraná – RO, afirma-se que há umarelativa significância quanto ao fator desvantagem. Percebeu-se este fator ao comparar o 1 Entenda-se saberes docentes como definido por Tardif: o saber dos professores é o saber deles e está relacionado com a pessoa e a identidade deles, com a sua experiência de vida e com a sua história profissional, com as suas relações com aos alunos em sala de aula e com os outros atores escolares na escola, etc. (TARDIF, 2002, p.11) 11 12 currículo do estado de Rondônia com outros estados da Região Norte, especificamente, os estados de Tocantins e Acre. Nestes, a carga horária chega a proporcionar uma diferença de até 240 horas/aulas anuais. Para compreender melhor como os termos teóricos e práticas desta pesquisa se relacionam e se contestam, observou-se a necessidade da construção de capítulos subsequentes que identificasse um esquema de estudo sequencial. Neste sentido o Capítulo I, apresenta um breve histórico sobre a Educação Matemática no Brasil onde se faz uma relação com o ensino da matemática e suas transformações de acordo com cada período histórico e ao mesmo tempo, situa-se com o ensino da matemática atual. No mesmo capítulo realizada uma análise sobre as temáticas: Currículos e Formação de Professores. No Capítulo II procurou-se discorrer sobre a aprendizagem da Matemática no Ensino Médio no estado de Rondônia, bem como a legislação vigente relacionadas a temática em questão. O capitulo em questão pondera ambas as situações tendo como base central a redução da carga horária, uma vez que tais discussões são de extrema relevância para este estudo. O Capítulo III compõe-se pela metodologia e análise da pesquisa, objetivando a exposição dos dados e sua interpretação a partir das leituras e observações realizada nas instituições de ensino participantes.Outro fator analisado neste capítulo são as considerações finais da pesquisa onde se descreve por meio dos dados obtidos e das teorias abordadas no decorrer do trabalho a situação do ensino da matemática no município de Ji-Paraná – RO, contribuindo para reflexão dos educadores/educadoras, estudantes e demais profissionais atuantes na Educação do Estado de Rondônia. Por fim, expõem-se as considerações finais da pesquisa e as referências bibliográficas utilizadas neste estudo. Espera-se que este TCC, contribua para reflexão dos educadores/educadoras, estudantes e demais pessoas envolvidas com a Educação no Estado de Rondônia. CAPÍTULO 1 1.1 HISTÓRICO DA MATEMÁTICA NO BRASIL 12 13 Após a leitura de várias obras acerca da história da matemática no Brasil, pressupõe-se que os resvalos correspondentes ao histórico da matemática no Brasil correspondem a diversos contextos existentes na sociedade que de certa forma são ressaltados no processo de construção da Educação Brasileira. Estes resvalos estão diretamente ligados a momentos relevantes da formação social do Brasil. Autores como Castro (1999), Valente (2004), Silva (2011), entre outros, que trabalham estes preceitos em seus escritos. 1.1.1 Período Colonial – Jesuítico O inicio da história da matemática no Brasil ocorre em meados do século XV, após a chegada dos portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral em terras brasileiras. Durante a exploração das terras brasileiras, os portugueses encontraram distintos povos indígenas que tinham culturas próprias. A população indígena não resistiu de forma significativa à chegada dos novos habitantes. Segundo os escritos de Darcy Ribeiro2 no livro O Povo Brasileiro, onde o autor relata a chegada dos portugueses a costa brasileira. Neste episódio, os índios observavam os portugueses desembarcando e pensavam, será que são deuses ou homens. Iniciando a colonização que segundo Neves (2009, p.167) ocorre na medida em que o contato com os não indígenas vai se intensificando. Neste processo de colonização, os portugueses “por ocasião de sua chegada ao Brasil não enxergaram nenhum sistema educacional próximo ao deles o que os levou a pensar que não existia educação nas aldeias indígenas” (Ibid., 2009, p.165). Desta forma, evidenciaram a necessidade de adequar as populações indígenas ao domínio do principio da leitura e escrita. Assim, com a chegada dos jesuítas ao Brasil,foram iniciadas as atividades escolares de ensino elementar com o propósito missionário e de política colonizadora – sendo ensinado apenas a leitura e a escrita nas primeiras escolas missionárias. No desenvolver das atividades de ensino e com a criação do curso de Artes que conduzia o aluno a licenciatura e bacharelado, foram iniciados os primeiros estudos matemáticos, tais como noções de algarismos e aritmética. 2 RIBEIRO, D. O Povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 13 14 Com o decorrer do tempo, em algumas escolas de ensino elementar, iniciaram-se as aulas de matemática com as quatro operações algébricas e aritméticas. Após a expulsão dos jesuítas do Brasil, a educação brasileira passa a ser organizada pelo Estado e conseqüentemente os professores e professoras passam a ser selecionados por meio de concursos públicos. (SILVA, 2011) 1.1.2 Pós Jesuíta / Positivista Com a expulsão dos Jesuítas, a educação matemática deu inicio ao um novo período de sua construção histórica. Pode-se caracterizar este período como pósjesuítico. Com a invasão de Portugal pelo exército de Napoleão Bonaparte, a família real portuguesa se muda para terras brasileiras em meados do século XVIII. Durante a estadia da família real no Brasil, houve vários momentos relevantes na história, sendo umas delas, a proclamação da Independência Brasileira de Portugal.A chegada da coroa portuguesa trouxe consigo, o ensino superior, até então proibido no período colonial. (SILVA, 2011) Segundo Castro (1999, pg.23) com a criação da Academia Real Militar, o Brasil teve a primeira Instituição destinada ao curso completo de “Sciencias de Observação, quaes a Physica, Chymica, Mineralogia, Mettallurgia e Historia Natural, que comprehenderá o reino Vegetal e Animal e das Sciencias Militares em toda a sua extensão, tanto de Tactio como de Fortificação e Artilharia”.3 Os professores de ensino superior que ministravam suas aulas na Academia Real Militar, eram formados na Universidade de Coimbra em Portugal. Mesmo com as mudanças que foram realizadas pelo Marquês de Pombal, o ensino continuava inferior ao ensino europeu. Para Silva (2011, p.9) [...] a ausência do ensino da Matemática de vanguarda de então, bem como a ausência de pesquisa científica básica atrelada ao ensino das Matemáticas. Percebemos que as cadeiras sobre Matemáticas abordavam o ensino de uma Matemática arcaica [...] 3 Retirado dos escritos de Castro - Carta de Lei de 4 de dezembro de 1810. 14 15 Os estudos da História da Matemática no Brasil no período colonial e póscolonial ressaltam que o governo por sua vez – a cada período, demonstrava desinteresse pela matemática, mesmo sabendo que nessa época já existiam alguns cursos de engenharia no Brasil republicano, mas nada que enfatizasse a importância de se formar um matemático. Não se podem afirmar os motivos desse desinteresse para com a matemática, mas com o advento do tempo, Ibid. (2011, p.9) retoma a discussão evidenciando o decorrer de alguns fatores que poderiamde certa forma, responder questionamentos pertinentes ao descaso histórico que a educação matemática no Brasil percorre na transição de métodos, conteúdos e abordagens no geral [...] talvez uma resposta seria o fato de ser o Brasil um país periférico, pobre, que fora descoberto e colonizado por um país europeu também pobre, Portugal, de relativa pobreza científica e de certa forma isolado dos países ricos do velho continente[...] Na época da então Academia Real Militar, a matemática estava começando a vivenciar um novo método de ensino, a matemática positivista de Augusto Comte (1798-1857), que em sua filosofia,aplica às ciências sociais os métodos racionais utilizados na Matemática para extrair as leis que regem o desenvolvimento da sociedade, atribuindo um papel social à ciência. O ensino positivista pregava a liberdade tendo como base um caráter pedagógico e a preocupação de reorganizar a sociedade através de estudo da ciência positivista, oferecendo de certa forma, o suporte para a ciência especializada ter o seu próprio desenvolvimento. Apesar da grande aderência de renomados professores da época ao positivismo, nem todos especialistas da época estavam de acordo ou se propunham a aderir ao positivismo de Augusto Comte. De acordo com os escritos de Brolezzi e Motta (2011, p.07) “na câmara dos deputados, foram várias as manifestações contra a propaganda positivista”. Todo esse aparato ressalta que o pensamento positivista, no “ensino das Matemáticas, sofrerá atraso e danos consideráveis, se considerarmos como referencial o desenvolvimento das Matemáticas que ocorria no velho continente”. (SILVA, 2011, p.03) 1.1.3 Pós Positivismo / Matemática Moderna 15 16 Com os novos tempos da passagem da civilização agrário-comercial para urbano-industrial, necessitava-se de uma modernização, que segundo Valente (2004, p.62) “seria, então, romper com as estruturas oligárquicas agrárias responsáveis pela manutenção do analfabetismo e a ignorância, e que não construíram um verdadeiro sistema escolar.” Nessa perspectiva de mudanças, movimentos de reformas na educação, iniciam no Brasil República. Dentre as reformas que houve de acordo com as necessidades de cada período, ressalva-se as Reforma de Campos (1931) e Reforma de Capanema (1942), na época de Getulio Vargas.De acordo com Godoy e Santos (2011, p.06) na Reforma de 1931, o ensino secundário passou a ter a duração de 7 anos, divididos em duas partes: a primeira de cinco anos, com a função de formar o cidadão para viver em regime democrático e a segunda com a finalidade de preparar para o ingresso nas escolas superiores. Já na Reforma de 1942, houve um ajuste nas propostas pedagógicas existentes para a formação de intelectuais e trabalhadores. Vale salientar que o professor de matemática Euclides Roxo teve participação ativa nesse processo. Euclides Roxo em 1928 propôs e foi aceita a unificação das matemáticas em apenas uma, denominada Matemática. (VALENTE, 2004). Advindo de transformações no currículo de matemática, começa a seremdiscutidas internacionalmente, maneiras adequadas para efetivar mudanças significativas e eficazes. Através das idéias do professor alemão Felix Klein, que serve como referência, emergiu pensamentos que advém o surgimento do Movimento da Matemática Moderna-MMM. No Brasil, se constata a concepção desse pensamento no inicio do ano de 1960, como afirma Wielewski (2011.p.02) “ao que tudo indica a MMM foi oficializada em alguns estados do Brasil por intermédio de grupos de professores de Matemática que foram constituídos entre as décadas de 1960 e 1980”. A história da Matemática no Brasil caracterizou o que Burke (1992) descreve como períodos tradicionais compreendidos como político, administrativo. Observa-se deste modo, que os pontos históricos elencados no século XX engendraram movimentos relevantes quando relacionados ao processo de ensino e aprendizagem. Assim, ao rever tais fatos,posteriormente à colonização, a 16 17 matemática ponderou várias faces da legislação educacional, bem como a criação de vários grupos de estudos e de movimentos que buscaram inovações as práticas docentes de cada época. 1.2 CURRÍCULO COMO PERSPECTIVA HISTÓRICO CRÍTICA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM A definição do conceito de currículo, historicamente, transmite concepções defasadas no campo educacional, sua significação não está ou até mesmo não são claramente determinadas no que se refere ao processo de ensino e aprendizagem, especificamente no componente curricular de matemática. No entanto, ao analisar o currículo, é perceptível no processo histórico, o domínio de uma minoria da sociedade - grupos e classes sociais dominantes- que apresentavam interesse no currículo, este interesse correspondia, para esses grupos dominantes, uma relação de poder. Atualmente, esta idéia de currículo continua sendo utilizada pelas classes consideradas dominantes. A falta de propostas curriculares abrangentes não proporciona aos estudantes da educação básica, a criticidade,quando se refere ao contexto socioeconômico e cultural. Há queser levado em consideração à existência de diferentes formas de propor intervenções no âmbito educacional, para que os educandos inseridos neste processo possam tornar-se críticos-reflexivos. Estas intervenções devem surgir como proposta a partir do corpo docente e gestão. Para Meyer (2003, p.79) A teorização educacional crítica possibilitou o desenvolvimento de análises que revelaram o envolvimento histórico da escola e do currículo com a reprodução das diferenças e das desigualdades sociais, seja de forma explicita, pela negação do acesso ou pela separação em diferentes tipos de escola, seja de forma mais velada, pelos critérios de avaliação, pela organização de tempos e espaços, pela seleção de conteúdos significativos, pela (des) articulação destes com a vida cotidiana, etc. Vale ressaltar a necessidade de uma Base Nacional Comum, referente aos componentes curriculares da educação básicade maneira prática, compreensível e acessível às instituições de ensino, uma vez que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (BRASIL, 2001) no artigo 26 ratifica que os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino 17 18 e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Há a necessidade de um currículo transmutado nas questões regionais e culturais,aonde o processo de ensino e aprendizagem venha a ser o idealizador da educação. Neste sentido faz senecessária a intervenção da instituição de ensino, uma vez que os docentes e gestores conhecem a realidade dos estudantes inseridos neste processo. Sendo assim, Moreira e Silva (1994, p26) ressalta que a “cultura e currículo constituem um par inseparável”. Há de se levar em consideração que o currículo, no decorrer de sua estruturação, evidencia uma percepção de mudança. De acordo com os escritos de Perrenoud (2011, p.17) [...] a definição institucional do sucesso e das formas e normas excelência escolar varia segundo os sistemas educacionais e, interior de cada um, segundo épocas. Ela não é imutável, contrário, varia, conforme os parâmetros de ensino, os níveis e disciplinas [...] de no ao as Deste modo, fica evidenciada a necessidade de novas configurações a ser realizada. Estas configurações devem levar em consideração o espaço social ao quais os estudantes estão inseridos, estimulando e adequando o estado cognitivo, bem como novas percepções lógicas e intuitivas para o convívio na sociedade atual. Nesta concepção de espaço social e escolar, evidencia-se a necessidade do projeto político pedagógico em adequar o contexto da instituição de ensino ao currículo, que para D’Ambrósio (2005, p.63) o “currículo é a estratégia da ação educativa”. Outro momento relevante no tocante ao currículo, especificamente nos anos iniciais do Ensino Médio, compreende a abordagem curricular de forma direta, tendo em vista sua organização no processo histórico e definitivo para o ensino da matemática. O atual Ensino Médio era considerado, segundo Godoy e Santos apudDassie (2011),como ensino secundário e representava um modelode ensino com fim especifico de formação educativa das classes dominantes, restava àpopulação, considerada inferior pelos grupos majoritários, os cursos profissionalizantes. No entanto,os grupos considerados inferiores não tinham o direito ao acesso para o Ensino Superior. Nesse contexto, algumas reflexões necessárias podem organizar o currículo, quando referente ao componente curricular de matemática, sendo estas as 18 19 [...] culturais, sociais, formativas ou educativas e políticas. Com as quatro categorias é possível estruturar os fins da educação matemática e enunciar programas de inovação curricular com metas distintas para cada sociedade, comunidade, país. (GODOY e SANTOS, 2011, p.04) Assim, Godoy e Santos parafraseando Rico (2011) ressaltam que o currículo tem como finalidade, proporcionar e sugerir propostas palpáveis sobre: modos de entender o conhecimento, interpretar a aprendizagem, colocar em prática o ensino e valorizar a utilidade e domínio dos aprendizados realizados. Diante disto, as políticas públicas brasileiras evidenciam a falta de conformidade com a realidade do Ensino Médio, por não priorizar ao educando maior conhecimento cientifico/tecnológico. Sendo assim, percebe-se que no decorrer do processo escolar, o currículo foi se desconstruindo e criando novos laços para se adequar as questões escolares. Deste modo,constata-se a necessidade de uma compreensão do currículo, onde o mesmo viabilizea estruturação e desenvolvimento das instituições de ensino,podendo assim refletir na vida social e acadêmica do estudante. Preparando os educandos realmente para o trabalho, cidadania, pensamento crítico compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos, de maneira que a nação seja favorecida com essas melhorias. 1.3FORMAÇAO DE PROFESSORES Atualmente a formação dos educadores e educadoras, atuantes na área de matemática, divergem da real situação encontradana educação básica no Brasil. Estes dados estão ressaltados em discursos onde é analisada a prática docente, sob a ótica do educador. As afirmações existentes nas falas dos professores e professoras da disciplina de matemática demonstram que a educação atual não visa um ensino diversificado, bem como não propicia aos estudantes inseridos neste processo, abrangerem suas aptidões no campo pessoal e/ou profissional. Há de se levar em consideração,que os docentes atuantes na área de matemática, em sua grande maioria, buscam desenvolver atividades que proporcionam melhorias em sua prática docente por meio da formação continuada. Neste sentido, Albuquerque e Souki (2011) ressaltam que as mudanças no fazer educativo devem proporcionar aos educadores e educadoras o reconhecimento de sua prática docente, bem como a apropriação de novas formas de intervenção no 19 20 ambiente escolar. Estas intervenções diversificam o processo de ensino e aprendizagem, facilitando o desenvolvimento dos estudantes inseridos neste processo. Assim os autores supracitados, ratificam a necessidade dos docentes em reinventar a si mesmo como pessoas e profissionais da educação. Isto é um indicativo de que os educadores precisam não apenas colocar em questão, o reinventar suas práticas educativas, no sentido de repensar suas atitudes, concepções, métodos e conhecimentos sobre o processo de aprendizagem do discente, como também reinventar suas relações profissionais que começa com a observação de sua postura em relação ao outro. (ALBUQUERQUE E SOUKI, 2011, p.1) Seguindo estes preceitos, Maciel (2004) ratifica a necessidade do docente em compreender a formação de seus educandos como uma implicação de novas formas de intervenção, acarretando o desencadeamento de novas práticas educativas. Estas intervenções descritas estão correlacionadas aos métodos de ensino abordado pelo educador e educadora da área de matemática, onde as mesmas podem ocorrer por meio de jogos, idealizações dos conceitos inerentes a abordagem histórica relacionada aos conteúdos expostos no contexto escolar, tendo em vista que estes conceitos estão explícitos no cotidiano dos estudantes. Deste modo, a formação continuada de professores e professoras, evidencia a melhoria na sua prática docente, uma vez que a sua importância abrange melhorias em seu desenvolvimento profissional e interação escolar. Neste sentido Duarte eMesquita (2011, p.2) ressaltam que o educador matemático tende a conceber a matemática como um meio ou instrumento importante à formação intelectual do educando, ou seja, o educador matemático tende a minimizar a dicotomia que existe entre educação e matemática. Esta relação existente entre educação e matemática, especificamente na prática docente, está diretamente correlacionada à profissionalização do docente através dos métodos abordados pelo mesmo, tendo em vista que o saber propriamente dito não direciona a prática deste educador e/ou educadora no processo de ensino e aprendizagem. Estas problemáticas estão diretamente vinculadas ao processo de formação inicial dos docentes da área de matemática, uma vez que este processo compreende a abordagem metodológica que o educador e/ou educadora aborda em 20 21 suas exemplificações na sala de aula. De acordo com Oliveira (2011, p.2) a formação inicial de professores e professoras deve ser o foco central, encampando os conhecimentos específicos, pedagógicos e pedagógico do conteúdo [...] Em muitos casos a disciplina de Prática de Ensino, resume-se a discussões em sala de aula sobre o uso de materiais didáticos, metodologias de ensino e apresentação de seminários, sem que estejam necessariamente articuladas ao conjunto restante de disciplinas de formação específica e/ou pedagógica. Deste modo, cabe ao orientador deste futuro docente proporcionar discussões, bem como atividades que demonstrem ao discente, do curso de Licenciatura em Matemática, as reais situações que se encontra a educação básica atualmente. Neste sentido, Oliveira (2011) retoma a discussão evidenciando que a formação deste futuro educador não deve se restringir ao “conhecimento da sua disciplina ou área de estudo, mas que se relaciona ao contexto de trabalho em que deverá atuar”. Em decorrência deste processo de formação, especificamente nos cursos de graduação, são expostos diversos componentes curriculares que elucidam a especificidade do curso, bem como o bom desenvolvimento do profissional da educação. Contudo, ao término do curso, surgem diversas questões que suscitam seu aprendizado enquanto acadêmico. Estas questões estão relacionadas ao desenvolvimento profissional do docente, uma vez que a falta de metodologias de ensino não viabilize a socialização dos conteúdos com o contexto que os estudantes estão inseridos, tendo em vista que a formação inicial nem sempre prepara o futuro educador e educadora pra a realidade presenciada em sala de aula. Deste modo, Souza (2011, p.02) ressalta que “a atividade de ensino ou atividade de aprendizagem deve permitir aos envolvidos no processo, aprender a pensar criando conceitos num movimento semelhante ao da dinâmica da criação conceitual na história do conceito.” Diante do que foi exposto, observa-se que os educadores possuem como eixo, os discursos relacionados às competências de práticas de ensino que possam viabilizar uma nova estrutura a partir da identidade do aluno, ou seja, “uma grande mudança e que implica um novo pensar, uma prática com um novo conteúdo, novos conhecimentos, novas formações, novas formas de intervenção” (MACIEL, 2004, p.98). A temática analisada nos métodos de ensino “ressalta a importância de 21 22 considerar os professores como sujeitos que possuem, utilizam e produzem saberes específicos no desempenho de suas funções” (CELESTINO , 2011, p.2). Nesta perspectiva, o docente compreende seu papel de educador, promove autonomia no aluno e desenvolvem nos mesmos, competências para analisar a sociedade. CAPÍTULO 2 2.1BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO ESTADO DE RONDÔNIA A PARTIR DE 1985 Observa-se, ao analisar o histórico do currículo no Brasil, as diversas tentativas de propor um programa idealizador que refletisse, de certa maneira, na educação, programa esse, que desmitificasse e desconstruísse algumas ideologias retóricas propostas, que por ventura não estivesse de acordo com a real situação vivenciada no espaço escolar – ensino e aprendizagem. Sendo assim, o currículo vem ao longo da história desenvolvendo um papel importante no espaço escolar, uma vez que pode apresentar uma relação importante que possibilite um filtro entre o conhecer e o saber. Assim, o então Setor de Currículos e Programas, no recém criado estado de Rondônia, teve o papel norteador de desenvolver as discussões que resultaram em propostas curriculares, para o 1º e 2º grau – no ano de 1985, e no ano de 1988 novas propostas para o 2º grau, atual Ensino Médio quesegundo,Morais; Cidade; Brasil, (2001, p.81) “a proposta foi levada para discussão com os professores de 1º e 2º grau em todo o estado”. Deste modoMorais; Cidade; Brasil, (2001, p.124) ressalta que antes das propostas curriculares, os conteúdos eram selecionados e transmitidos para inculcar a ideologia do poder dominante. Deve-se a isso, o fato de que até o ano de 1985, Rondônia recebia propostas curriculares elaboradas, vindas de outros estados brasileiros com uma abordagem de objetivos comportamentais, conteúdo programático, metodologia, tudo previamente pensado, cabendo ao professor meramente sua execução, restritamente ao que fora planejado. 22 23 Ou seja, o estado até então Território Federal não tinha o seu próprio currículo que abordasse as questões culturais e que refletissem as opiniões e saberes dos envolvidos nesse processo, uma vez que a importância desse contexto no espaço da instituição escolar e do sujeito formador de opinião é relevante, haja vista que o currículo é a chance de ter essa discussão.·. A partir do ano de 1996, com a instituição da LDB (BRASIL, 2002), fez-se necessário a preparação de novas propostas curriculares para o estado de Rondônia, visto que as propostas curriculares do ano de 1985 e 1988 estavam, de certa maneira, em desacordo com a realidade que o país e o estado vivenciavam. No decorrer do processo da constituição de novas propostas curriculares, foi se observando as variações que talvezpudesse a produzir um currículo que atingisse as determinações culturais presenciadas na região Amazônica e no estado de Rondônia. As reformas curriculares foram sendo traçadas de acordo com as perspectivas de cada época, sendo assim o ideal é que as ideologias fossem se desmitificando do velho, e ao se deparar com o novo, pudesse de certa maneira conduzir a educação aos patamares que é sabido ser o melhor possível. Conforme a pesquisa de campo verificou-se através de visitas a Representação de Ensino – REN e Instituições de Ensino colaboradoras, que no ano de 2005 o Ensino Médio em sua ementa curricular provinha de quatro aulas semanais para o 1º e 2 º ano e três aulas semanais para o 3º ano de matemática. Vale salientar que no ano de 2005, o módulo-aula, ou seja, o tempo de cada componente curricular era 50 minutos. Especificamente em matemática as horas semanais eram distribuídas conforme o Quadro 1. Quadro 1 –Aulas/Semana no ano de 2005 Componente Curricular Série 1º Matemática 04 2º 04 3º 03 Fonte: Secretária de Educação do estado de Rondônia Assim, com a portaria N.01104/05 – GAB/SEDUC de dezembro de 2005 o módulo-aula passou a demandar de 60 minutos. Nessa perspectiva de mudança o componente curricular de matemática a partir do ano de 2006, começa a vigorar as 23 24 duas aulas semanais. Especificamente em matemática as horas semanais são distribuídas conforme o Quadro 2. Quadro 2 – Aulas/Semana no ano de 2006 Componente Curricular Série 1º 2º 3º Matemática 02 02 02 Fonte:Secretária de Educação do estado de Rondônia Ao analisar a diferença de módulo-aula de 50 minutos para 60 minutos, percebe-se que houve uma perda, no Ensino Médio, de aproximadamente uma hora semanal. Diante do exposto, quando nos referimos à semana, temos a impressão que a avaria foi quase sem sentido. No entanto, ao se considerar um mês, percebese quegera um prejuízo de quatro aulas mensais, e aproximadamente 36 aulas anuais. Evidenciando o fato descrito, no ano de 2010 o Professor Ms. Marcos Leandro Ohse pede explicações ao Conselho Estadual de Educação sobre tal redução de carga horária, onde o mesmo relata que foi enviada uma carta ao conselho estadual de educação do estado de Rondônia, solicitando informações sobre mudanças ocorridas no currículo do ensino médio das escolas públicas e por que a Universidade Federal de Rondônia não foi chamada para um debate sobre estas mudanças curriculares e qual foi a lei que ampara estas mudanças. Na data 27 de Janeiro de 2010, através do ofício 038/10 – CEE/RO o Conselho Estadual de Educação se manifesta sobre o pedido de explicações. Um dos itens no qual se manifesta é que o “currículo das instituições de ensino da rede pública estadual de ensino, [...], é aprovado por ato administrativo da Secretaria Estadual de Educação, [...] (OHSE, 2010, p.34) Diante de tal situação Ohse (2010, p.35) questiona “mesmo que esta mudança via ato interno do governo por meio de ato administrativo seja legal, será que é moral? Pode um governo simplesmente modificar uma grade curricular em detrimento do conhecimento dos alunos e sem dar maiores explicações para a sociedade e comunidade escolar”? Desta maneira, será que o currículo estadual e as matrizes curriculares estão de acordo com o pensamento da educação para todos? Uma vez que em se tratando do componente curricular de matemática no Ensino Médio, observa-se 24 25 certa desvalorização, visto que esses três últimos anos da educação básica, além de preparar para a vida, o respeito ao próximo, a opinião critica, prepara também para a continuidade dos estudos. Espera-se que Secretaria Estadual de Educação de Rondônia reveja seus preceitos de educação e currículo, para que os demais estudantes que virão a cursar o Ensino Médio não saiam prejudicados com esta situação de descaso. 2.2LEIS SOBRE A PROBLEMÁTICA EM QUESTÃO Muito se tem questionado e analisado sobre a redução da carga horária da disciplina de matemática. Dentre tais questionamentos, observa-se a complexidade que envolve tanto a prática docente, quanto as políticas educacionais que por um lado procura desenvolver a criticidade do educando, por outro deixa a desejar quando relacionado ao raciocínio lógico e exato. Ao término da Educação Básica, o aluno tem a frente um amplo mercado de trabalho em diversos setores, sendo assim, existindo a possibilidade de ingressar em um bom emprego e também em um curso de nível superior. Vale salientar que o conhecimento adquirido no Ensino Médio é um requisito para se efetivar em uma excelente colocação no mundo concorrido de concursos, vestibulares, sendo que “a educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (LDB – art.22) Sendo assim, com a redução da carga horária da disciplina de matemática, área essa, fundamental ao educando no término de seus estudos na educação básica, rebate o que diz nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s a Base Nacional Comum destina-se à formação geral do educando e deve assegurar que as finalidades propostas em lei, bem como o perfil de saída do educando sejam alcançadas de forma a caracterizar que a Educação Básica seja uma efetiva conquista de cada brasileiro [...] não se pode mais postergar a intervenção no Ensino Médio, de modo a garantir a superação de uma escola que, ao invés de se colocar como elemento central de desenvolvimento dos cidadãos, contribui para a sua exclusão. Uma escola que pretende formar por meio da imposição de modelos, de exercícios de memorização, da fragmentação do conhecimento, da ignorância dos instrumentos mais avançados de acesso ao conhecimento e da comunicação. Ao manter uma postura tradicional e distanciada das 25 26 mudanças sociais, a escola como instituição pública acabará também por se marginalizar. (BRASIL, 2000, p. 12 e p.17) A disciplina de matemática necessita de uma carga horária adequada de aulas semanais, de acordo com as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio sendo importante que se destaque a necessidade de um trabalho contínuo com a Matemática durante os três anos do ensino médio, sendo difícil propiciar uma aprendizagem significativa dos conceitos matemáticos sem uma carga horária adequada de aulas semanais, em cada ano desse nível de ensino. (BRASIL, 2006, p. 91) Deste modo, a matemática é a ciência base de várias áreas do conhecimento. Uma vez que é fundamental seu domínio por parte dos estudantes. Assim, os conteúdos vistos na educação básica devem preparar o educando para que o mesmo tenha a possibilidade de ingressar no ensino superior. Neste sentido, o educador e educadora possibilita ao educando a construção do conhecimento através da percepção. Assim, o estudante atinge seu devido potencial por meio da disciplina, podendo idealizar os conceitos matemáticos nas diversas maneiras de pensamento, respeitando a importância histórica dentro do desenvolvimento da própria ciência. Com isso, o Ensino Médio contribuirá na formação cientifica a fim de estruturar o conhecimento do educando. Desta forma, tal estruturação ratificará a potencialidade do estudante no processo de interação do individuo na sociedade, seja ela através estudos inerentes a formação superior. 26 27 CAPÍTULO 3 3.1 METODOLOGIA DE TRABALHO Para suscitar o resultado deste estudo, optou-se pelos escritos de Minayo (2010, p.18) onde a autora descreve a pesquisa qualitativa como sendo “um discurso sistemático que orienta o olhar sobre o problema em pauta, a obtenção de dados e a análise dos mesmos”. Para tanto, foram abordadas como eixo de método de coleta de dados, as entrevistas abertas semi estruturadas como técnica de levantamento de dados, bem como as observações nos espaços escolares. Neste sentido, realizou-se um plano esquemático dividido entre parte teórica e parte prática. Foram usados dois níveis,para cada parte, onde no primeiro momento foidiscutida a teoria e no segundo momento, o trabalho de campo. No primeiro nível da teoria,foi realizada a técnica de levantamento de dados,análise das legislações em vigor, referente à redução da carga horária no Ensino Médio, relacionado ao componente curricular de matemática, bem como a revisão de literatura de livros e artigos científicos relacionados à problemática do estudo. Após as leituras referentes ao tema, utilizou-se em um segundo nível, como coleta de dados, questionários com sete questões abertas semi estruturada, com o intuito de conhecer a realidade do ensino da matemática a partir da prática docente. Assim, o questionário em questão abordou os seguintes tópicos: Quanto tempo o educador e/ou educadora atua na área da Educação, especificamente no Ensino Médio; Conhecimento dos docentes colaboradores com referência à redução de carga horária; Disponibilização de suporte teórico e/ou prático as professoras e professores entrevistados; Materiais Disponibilizados; Diálogo existente entre os 27 28 educadores e educadoras e a Secretária de Educação do Estado de Rondônia – SEDUC; Metodologia Abordada; Posicionamento referente a redução da carga horária no ensino da matemática; Dificuldades em viabilizar o ensino da matemática no que se refere à redução da carga horária. Vale ressaltar que um dos objetivos elencados neste estudo buscou desvendar o contexto que os estudantes inseridos neste processo vivenciam em seus cotidianos. Para suscitar tais resultados, optou-se pelo questionário contendo oito questões aberta semi- estruturada, tendo em vista compreender as seguintes prerrogativas: Quais estudantes estudam e trabalham; os dias da semana em que os educandos revêem os conteúdos da disciplina de matemática; se estudam nos feriados; opinião dos educandos em relação a carga horária do componente curricular de matemática; e se esta redução de carga horária dificulta e/ou o processo de ensino aprendizado; os educandos, especificamente os concluintes do terceiro ano, se sentem preparados para enfrentar um vestibular tanto em uma faculdade particular quanto em uma universidade federal. O primeiro nível da prática ocorreu com o contato direto com os diretores e diretoras e supervisores e supervisoras de cinco escolas públicas urbanas estaduais do Município de Rondônia, onde foi possível esclarecer os objetivos elencados nesta pesquisa, onde os mesmos se mostraram interessados evidenciando suas perspectivas referentes ao assunto. Tais perspectivas elencaram diálogos que suscitaram discussões sobre a realidade da educação matemática, especificamente para os estudantes do Ensino Médio. No intuito de melhor expor as escolas colaboradoras, optou-se por classificar as cinco instituições de ensino participantes em Escolas A, B, C, D eE. Nestas escolas, teve-se a preocupação de apontar os objetivos da pesquisa para os diretores e diretoras, supervisores e supervisoras, bem como aos educadores e educadoras atuantes no componente curricular de matemática e os e as estudantes inseridas neste estudo. Para a complementação da pesquisa, houve um primeiro contato com os responsáveis sobre o Ensino Médio na Representação de Ensino – REN, onde foi realizada uma breve entrevista. Nesta entrevista buscou-se compreender e analisar como ocorreu o processo de redução da carga horária da disciplina de matemática 28 29 no Ensino Médio, tendo em vista o amparo das leis e das ementas curriculares relacionadas à problemática em questão. Após a exposição desta pesquisa aos diretores/diretoras e supervisores/supervisoras foram obtidas as autorizações das cinco instituições de ensino para iniciar esta pesquisa. Após esta autorização, foi exposto o estudo aos professores e professoras para também com os mesmos, apresentar os objetivos e socializar a questão em evidência, bem como apresentar o questionário aberto semiestruturado. Neste diálogo, os educadores e educadoras questionaram como poderiam colaborar com a proposta do projeto. Esse contato de apresentação dos objetivos aos mesmos é de extrema importância, visto que foi um momento de discussão que vai além das perguntas propostas, tendo em vista que essas conversas podem apropriar novas indagações, tanto por parte dos entrevistados, quanto do pesquisador. Este diálogo expôs os sentimentos e angústias dos e das docentes com a real situação que os vivenciam no ensino público, especificamente no Ensino Médio do Município de Ji-Paraná/RO. Como já foi evidenciado, foram apresentados os objetivos da pesquisa, e a entrevista aberta semi-estruturada na forma de questionários, tendo em vista observar e compreender como os docentes desta instituição abordam o ensino da Matemática, especificamente do Ensino Médio, após a redução da carga horária deste componente curricular. Uma vez explicitado os objetivos, optou-se também em identificar os pontos relevantes do questionário a partir de uma leitura dinamizada, tendo as opiniões e dúvidas dos docentes participantes. Deste modo, organizou-se um cronograma com o intuito de descrever as datas das observações e da entrega dos questionários. Este estudo também buscou identificar a posição dos e das estudantes inseridas no ensino médio, uma vez que os mesmos são parte ativa neste processo – os e as educadoras defendem que a redução tornou o ensino para estes e estas educandas deficientes quando relacionados aos diversos conteúdos excluídos do currículo escolar. Assim, o projeto em questão elenca subsídios que investiga a problemática referente ao objeto evidenciado frente a postura do docente, tendo em vista que 29 30 suas práticas educativas proporcionam ao educandos condições de adentrarem em um curso de Nível Superior. Com os estudantes, o objetivo central é situar alguns apontamentos referentes aos conceitos de como os e as educandas percebem a redução da carga horária no ensino da matemática – conteúdos, explicação, prática docente, entre outros, onde foi feita a aplicação do questionário para elucidar tais questões. No segundo nível,houve um retorno as instituições escolares,com o intuito de recolher os questionários e esclarecer dúvidas que foram se evidenciando ao longo das pesquisas de campo com os educadores e educadores colaborados do projeto. Neste mesmo nível, ocorreu o segundo contato com a responsável pelo Ensino Médio – Representação de Ensino, da cidade de Ji-Paraná – RO, onde houve um dialogo informal. Assim, foi possível esclarecer alguns tópicos do projeto e foi-me permitido acesso as portarias e resoluções que decorriam aos objetivos da pesquisa. Observou-se que os docentes atuantes destas escolas,são em sua maioria,contrários a redução da carga horária no componente curricular de matemática, tendo em vista que esta redução prejudica o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio, sendo que este processo não se dá apenas com a exposição de conteúdos a partir do quadro e do pincel, mas também da relação existente entre os sujeitos participantes com o objeto evidenciado. 3.2 RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.2.1 Análise dos Dados na pesquisa realizada com os docentes. 1 - Tempo de serviço do docente no ensino Médio. 11,10% 11,10% Três Anos 33,40% 11,10% 11,10% Quatro anos Sete Anos Oito Anos 22,20% Quinze Anos Vinte e Três Anos Figura1–Verificação do tempo de trabalho dos professores e professoras no Ensino Médio. 30 31 Após análises dos dados coletados em conjunto com as observações realizadas nas instituições colaboradoras, analisou-seo período de profissão do educador e educadora no Ensino Médio. A figura 1 mostra que 33,4% dos participantes deste estudo evidenciaram ter três anos de experiência no Ensino Médio. Outros 22,2% dos colaboradores declararam nas entrevistas, terem quatro anos de atuação na educação, especificamente no Ensino Médio.Enquanto mais de 40% dos docentes apresentaram ter experiência atuando no Ensino Médio há mais de sete anos. Ao nos localizarmos na ordem cronológica do tempo, estamos cientes que no ano de 2006, a carga horária já era de duas aulas semanais de matemática. Analisando os dados daFigura 1, percebemos que 55,6% dos docentes começaram o seu exercício de professor no Ensino Médio com a carga horária reduzida, desta maneira não apresentaram as mesmas dificuldades de adequação aos conteúdos nas horas previstas da ementa curricular, ao contrário dos demais docentes que formam 44,4% e exercem a mais de sete anos a profissão no Ensino Médio. Deste modo, os educadores e educadoras em questão tiveram a necessidade de adequar tanto os métodos de ensino quanto os conteúdos a serem repassados aos estudantes inseridos neste processo, tendo em vista que as mudanças estabelecidas no inicio do ano letivo não foram suficientes para organizar e/ou sistematizar o processo de ensino e aprendizagem. 2 - A Redução da Carga Horária foi realizada com o conhecimento dos docentes. 31 32 Não. Apenas teve o conhecimento da redução da carga horária com a distribuição das aulas no inicio do ano letivo. 22,00% 78,00% Não Soube Responder. Figura2–Conhecimento dos docentes quando se efetivou a redução da carga horária. Na análise daFigura2 referente a implementação da redução da carga horária na disciplina de matemática, observa-se que 78% dos pesquisados ratificaram ter o conhecimento da redução apenas no inicio do ano letivo com a aquisição da ementa curricular. Outros 22% dos educadores e educadoras não souberam responder. Estes dados demonstram que a redução de carga horária ocorreu sem levar em consideração a opinião dos professores e professoras, tendo em vista que os relatos mostram o desconhecimento da divulgação desta nova proposta curricular. Estas opiniões são observadas nos escritos dos entrevistados – professoras e professoras, que relatam que “como tudo ao que se refere a educação vem de cima para baixo por pessoas que não sabem da realidade dos alunos e não se preocupam com o aprendizado”. 3 –Houve suporte teórico e/ou prático pela SEDUC 32 33 Sim, Dois anos depois da redução da carga horária 11,10% 44,50% 22,20% 22,20% Sim, Entrega de livros textos na escola Não Não soube responder Figura3 - Disponibilização de suporte teórico e/ou prático Destaca-se na Figura 3 a disponibilização de suporte teórico e/ou prático em relação a redução da carga horária. Analisando a figura em questão, pondera que 11,1% dos entrevistados relataram que houve um diálogo após dois anos da implantação da redução da carga horária. Entretanto, 22,2% dos educadores e educadoras apontaram que houve a entrega de livros textos na escola. Quando os professores e professoras se referem a entrega de livros na escola, coincidentemente, no Brasil estava vigorando o Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio – PNLEM, que teve inicio no ano de ano de 2004, e sua universalização de livros didáticos para o Ensino Médio, no ano de 2006.Vale lembrar, que conforme as pesquisas realizadas na Representação de Ensino – REN e Instituições de Ensino do Município de Ji-Paraná, foi no ano de 2006 que iniciou a redução da carga horária no componente curricular de matemática. Desta maneira a de se levar em consideração uma parcela de desinformação pelos docentes, uma vez que o processo de entrega de livros no Ensino Médio, nada tem haver com a redução da carga horária no estado de Rondônia. Porém, outros 22,2% dos docentes colaboradores alegaram que não foram disponibilizados suporte teórico ou prático. No entanto, 44,5% dos profissionais da educação não souberam responder. Estes resultados nos permitiram compreender que o órgão responsável pela educação no estado de Rondônia, de certo modo, disponibilizou materiais e suporte teórico aos docentes. No entanto percebe se que a disponibilização desses recursos 33 34 didáticos repassados aos educadores e educadoras não tiveram ampla divulgação tendo em vista que 44,5 % dos entrevistados não souberam responder sobre a oferta do suporte teórico e/ou prático. É perceptível na análise dos dados, verificar a existência de docentes que relatam que não houve nenhum suporte teórico e/ou prático no que se refere a redução da carga horária no ensino da matemática, especificamente Ensino Médio, sendo esse representado por 22,2% dos entrevistados, tendo em vista que as falas dos envolvidos nesta pesquisa demonstram que “o governo dita as regras e as escolas e educadores cumprem”. 4 –Existiu diálogo entre professores, alunos e gestão da escola sobre a redução da carga horária. 33,30% 66,70% Não Não souberam responder Figura4 - Diálogo entre professores, alunos e gestão da escola sobre a redução da carga horária. Nos resultados estabelecidos na Figura 4, 66,7% dos entrevistados relataram que não houve diálogo entre os professores e professoras, educandos e gestão da escola. Logo, ou outros 33,3% dos participantes relataram não souber responder. Com esses dados pode-se compreender a não participação dos professores e professoras no que se refere ao desenvolver das atividades que evidenciam as definições das teorias-práticas pedagógicas, uma vez que a participação ativa do educador e educadora é de muita importância, visto que é o responsável de transmissão do conhecimento necessário aos educandos. Sendo assim, é imprescindível relatar que 66,7% dos docentes disseram que não houve esse diálogo, assim como diz os professores pesquisados “ao contrário, simplesmente retiraram e mandaram cumprir.” 34 35 5 – Quais as metodologias que foram abordadas em sala de aula com a redução horária. Apresentação do conteúdo, exemplos e atividades do livro 11,10% Aplicação de outras atividades extra classe 11,10% 11,10% 11,10% 22,20% 33,40% Aula expositiva e uso do livro didático Método Tradicional - cópia no quadro Recurso Aúdio/Visual Seleção de Conteúdo, uso de múltimidia e materiais concretos Figura5 - Metodologias abordadas em sala de aula A figura 5 dispõe sobre as metodologias abordadas, em sala de aula, pelos/pelas professoras do componente curricular de matemática no Ensino Médio. Avaliando a pesquisa feita com taisdocentes, especificamente no Ensino Médio, nota-se que 11,1% dos colaboradores disseram que a apresentação dos conteúdos, exemplos e atividades do livro, são as principais metodologias abordadas em sala de aula.Outros 11,1% relataram que suas metodologias são derivadas da aplicação de outras atividades extraclasse. Deste modo, 22,2% usam o método tradicional – cópia no quadro. Assim, 22,4% dos participantes expuseram que atividades como recursos de áudio, vídeo, e materiais concretos são incorporados em sua metodologia para auxilio ao processo do ensino. Sabendo da importância de que um modelo de metodologia diferenciada propicia no desenrolar das atividades em sala de aula, visando o exercício pedagógico, nessa perspectiva a necessidade de uma carga horária mínima de horas não é satisfatóriapara que o educador seja capaz de utilizar e se dispor de atividades extras repassadas aos educandos visando a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem. 35 36 Na figura em questão, podemos observar que 66,7% dos entrevistados adotamcomo metodologia a dita “tradicional”, ou seja, aula expositiva e cópia no quadro, uma vez que o tempo disposto aos educadores e educadoras não permite uma compreensão dedicada ao assunto, desta maneira vale ressaltar que nas narrativas dos professores e professoras pesquisados “não tem muito que fazer, pelo fato que o tempo é curto”. Vale ressaltar que dos 33,3% dos colaboradores nessa pesquisa, às vezes correndo o risco de não cumprir os objetivos na ementa curricular - especificamente do componente curricular de matemática, utilizam métodos diferenciados em sua aula. 6 – Qual a posição que o docente tem frente a redução da carga horária no ensino da matemática. Carência de professor de Matemática. 11,10% 11,10% 22,20% 55,60% Redução dos conteúdos Aplica-se apenas o essencial. Dificuldade de socialização dos conteúdos avaliativos por parte dos educandos. O maior absurdo que um governo e secretária de educação fez, mutilou o ensino da matemática no Ensino Médio. Figura6- Posicionamento do docente referente a redução da carga horária no ensino da matemática Nos resultados estabelecidos na Figura 6 é ressaltado o posicionamento dodocente referente a redução da carga horária no ensino da matemática. Nele, 11,1% dos entrevistados relataram que a carência do professor e professora de matemática para o Ensino Médio é um dos motivos para a redução. No entanto, 55,6% dos entrevistados afirmam que tem que haver a redução dos conteúdos, aplicando apenas o essencial. Outros 22,2% dos docentes relatam a falta de socialização dos conteúdos que os discentes deveriam ter sobre as atividades avaliativas, e 11,1%afirmaram que “o maior absurdo que um Governo e Secretária de Educação fez,mutilou o ensino de matemática no Ensino Médio”. 36 37 Analisando na perspectiva pedagógica, observa-se que dos 55,6% dos docentes pesquisados revelam que com a redução da carga horária houve a necessidade da redução dos conteúdos vistos em sala de aula, aplicando-se apenas o essencial. Ao ponderar-sedo conhecimento que o estudante do Ensino Médio do estado de Rondônia possui, especificamente no componente curricular de matemática, observa o baixo rendimento escolar, visto que o básico visto em sala de aula, não se trata de algo que possa vir a ajudar em seus estudos posteriores, quando os educadores e educadores se referem ao essencial, é literalmente o essencial, apenas a visualização do conteúdo e já se preparando para aplicar novo conteúdo. Diante dos questionamentos observados na figura 6, é necessário fazer algumas considerações observadas pelos docentes “o professor que se forma não quer trabalhar na educação de nível fundamental e médio [...] faz concurso e vai trabalhar em outras áreas que oferecem melhor remuneração”. Assim, a falta de socialização dos conteúdos por parte dos educandos em sala de aula, ou seja, troca de saberes, se torna algo contra o ensino, entendida assim por 22,2% dos educadores e educadoras colaboradoras, uma vez que essa troca de opiniões – em se tratando de matemática, entre os alunos possa provocar um melhor entendimento, sabendo que nem sempre o estudante consegue compreender o que o educador e educadora estão se propondo a exibir em sala de aula. Uma vez que exista, por parte do docente, o compromisso com a educação, pode-se relatar o que 11,1% dos colaboradores discorrem sobre a figura em questão. 7 – Quais as dificuldades em viabilizar o ensino de matemática com menos aulas? 37 38 Falta de tempo para aprofundar os conteúdos e utilizar metodologias adequadas. 22,20% 11,20% 22,20% Falta de conhecimento dos estudantes egressos do Ensino Fundamental. Pré requisitos. Propor e/ou excluir os conteúdos que serão utilizados nos anos posteriores. 22,20% 22,20% Pouca presença do com os estudantes. professor Redução de conteúdos. Figura7- Dificuldades em viabilizar o ensino da matemática no que se refere à redução da carga horária Elenca-se na Figura 7, as dificuldades que os docentes tem em viabilizar o ensino da matemática no que se refere à redução da carga horária, uma vez que 11,2% dos professores e professoras pesquisadas observaram que a falta de tempo para aprofundar os conteúdos e utilizar metodologias adequadas, esta no rol das dificuldades que surge para o ensino de matemática. Nessa percepção, outros 22,2% relatam que a falta de conhecimento dos estudantes egressos do Ensino Fundamental. No entanto 22,2% observaram que propor e/ou excluir os conteúdos que serão utilizados nos anos posteriores, advêm da dificuldade de viabilização do ensino. Neste sentido, com menos horas aula e a pouca presença do professor com os estudantes, geraram angustias de 22,2% dos colaborados entrevistados. Sendo assim, também 22,2% demonstram a necessidade de haver a redução de conteúdos para ajustar no período do ano letivo. 3.2.2 Análise dos Dados na pesquisa realizadacom os estudantes. Os dados a seguir estão relacionados á pesquisa desenvolvida com os estudantes participantes deste estudo. 38 39 8 – Verificação dos estudantes do Ensino Médio que exerçam atividades trabalhistas. 0,55% 41,30% 58,15% Sim. Alunos que trablham e estudam. Não. Alunos que apenas estudam. Não Soube Responder Figura8 - Estudantes do Ensino Médio que trabalham Analisando Figura 8 observa-se a porcentagem de estudantes do Ensino Médio que possuem atividades trabalhistas. Percebe-se que 41,30% dos educandos pesquisados trabalham e estudam. No entanto 58,15% dos colaboradores da pesquisa, não exercem atividades trabalhistas, apenas estudam. Outros 0,55% não souberam responder. Assim, ao verificar o contexto socioeconômico que as escolas estão inseridas, compreende-se que isso por ventura delimita as condições em que os educandos vivenciam em sua vida. Ao nos deparamos com os estudantes que trabalham e estudam constatou a necessidade do mesmo em compartilhar seus ganhos mensais com a renda familiar, uma vez que os mesmos estão inseridos em bairros periféricos, e possa ser a única renda familiar. Neste sentido, mesmo com essas afirmações, o estudante precisa se preparar para a vida, e é na escola que estes estudantesbuscam esses conhecimentos. Assim, com a possível falta de tempo em evidência - especificamente o componente curricular de matemática, não estará o preparando intelectualmente para uma futura inserção no nível superior. No entanto, ao analisar que 58,15% dos colaboradores não trabalham, é notável elencar algumas situações. Sendo assim, há de se levar em consideração mesmo que o objetivo da pesquisa seja analisar as dificuldades dos docentes em viabilizar o ensino da matemática e dos estudantes aprenderem com menos tempo, 39 40 não posso aqui me referenciar de que a redução da carga horária é a problemática de tudo, visto que o educando necessita ter uma rotina extraclasse, para ter o domínio da disciplina, pois a matemática para o seu entendimento mínimo, necessita do exercício mental e resoluções de problemas. 9 – Qual o dia da semana que os educandos revêem os conteúdos de matemática. 5,97% 14,13% 1,08% 1,63% 6,45% 13,04% 1,63% 2,71% 4,89% 11,41% 2,17% 2,71% 11,41% 1,08% 3,26% 2,71% 2,71% 6,52% 1,08% 1,08% 2,71% 1,63% 6,45% - Segunda 14,13% - Segunda e Terça 1,63% - Segunda, Terça, Sábado 1,63% - Segunda, Terça,Domingo 2,71% - Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado 2,71% - Segunda e Quarta 2,71% - Segunda e Quinta 1,63% - Segunda, Terça, Quarta 2,17% - Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta 6,52% - Terça 11,41% - Terça e Quinta 3,36% - Quarta 1,08% - Quarta, Sexta, Sábado, Domingo 2,71% - Quinta 1,08% - Quinta e Sexta 1,08% - Quinta e Domingo 2,71% - Sexta 11,41% - Sábado 4,89% - Sábado e Domingo 13,04% - Domingo 5,97% - Quando ocorre tempo 1,08% - Nunca Figura9 - Que dia da semana você revê os conteúdos e faz as atividades da disciplina de matemática? Considerando os resultados da Figura 9, buscou-se verificar qual dia da semana que os estudantes procuram rever os conteúdos da disciplina de matemática. O que se presencia nesta figura são as atitudes do educando frente ao estudo de conteúdos da disciplina de matemática. Analisando-o,pode-se observar que os dias da semana, sãocuriosamente, os dias em que há aula de matemática na escola. Não posso generalizar o que obtive de informação nessa figura, mas a se de se levar em consideração que os estudantes do Ensino Médio estudam basicamente durante a semana, ou seja, nos dias de aula de matemática. Evidentemente que o professor e professora não têm como obrigar o aluno a estudar em outro local que não seja a sala de aula.Sendo assim, com mais tempo de aula durante a semana, o estudo pode ganhar mais entusiasmo. 40 41 10 – Estuda nos feriados? 1,40% 19,78% Sim Não 75,27% As Vezes Figura10 - Posição dos estudantes, referente ao estudo em feriados Refletindo sobre a Figura 10, foi analisado o interesse dos estudantes de Ensino Médio no que se refere ao estudo nos feriados. Observa-se que 19,78% dos entrevistados expuseram que estudam nos feriados no que corresponde aos conteúdos do componente curricular de matemática. No entanto, a grande maioria disse que não estuda nos feriados, isso equivale cerca de 75,27%. Outros 1,4% mostraram na pesquisa realiza que o estudo nos feriados ocorre ocasionalmente. Neste sentido,apresentamos o retrato de que o estudante, durante os feriados, pouco se dispõe a estudar ou rever os conteúdos da disciplina de matemática, demonstrando mais uma vez que o estudo ocorre quase sempre na instituição escolar, ficando assim evidente que o cotidiano de estudo, se passa em sala de aula, mas vale ressaltar que é necessário o estudo extraclasse por parte do educando. 11 – Qual a sua opinião em relação a redução de carga horária. 41 42 16,94% 19,67% Sim Não 63,39% Não Souberam Responder Figura 11 - Opinião do estudante para verificar se esta de acordo com aredução da carga horária de matemática? Na Figura11, procurou-se discorrer sobre o que os estudantes do Ensino Médio pensam a respeito da redução da carga horária. Analisando afigura,entendese que 19,67% estão de acordo com a redução que houve no componente curricular de matemática. No entanto, 63,39% não concordam com as mudanças ocorridas. Outros 16,94% não souberam responder. Deste modo, de acordo com as opiniões dos estudantes, uma vez que dos 19,67% que estão de acordo com as mudanças, relatam que duas horas semanais não influenciam em seus estudos, também que o Ensino Médio possui muitas disciplinas e que não tem o tempo para estudar para todas. Sendo assim os 63,39% que não estão de acordo com as mudanças acham que o Ensino Médio não esta preparando para o futuro. 12 – Averiguar a opinião do estudante no que se refere as dificuldades de aprendizagem como conseqüência da redução da carga horária. 42 43 A matemática requer muito atenção e a redução complica a aprendizagem. 2,64% 27,81% Poucas horas de estudo em sala de aula relacionada com o trabalho interfere no aprendizado 22,51% A Matemática é a base de tudo. 3,31% 23,84% Com apenas duas aulas semanais não da tempo de ter um bom estudo. 16,56% 3,33% Não Atrapalha. Sim Atrapalha. A matemática é usado para concursos, vestibulares e com a redução os estudantes não estaram preparados. Figura12 - Opinião do estudante sobre a redução da carga horária, verificando se atrapalha sua aprendizagem? Observando a Figura 12, o interesse de saber a opinião do estudante do Ensino Médio em verificar se a redução atrapalha sua aprendizagem. Deste modo, dos colaboradores entrevistados, 22,51% consideram que a matemática requer muita atenção e prática, uma vez que reduzido seu tempo em sala de aula, produz complicações na aprendizagem. Outros, 3,3% consideram que com menos aulas em sala de aula e tendo que trabalhar, interfere no aprendizado. Sendo assim, 3,33% relatam que a matemática é a base de tudo. Neste sentido, quando é referenciado tempo e estudo, analisa-se que 16,56% dos estudantes expuseram que a falta de horas/aulas não adquiri uma forma de ter uma boa estrutura de ensino. Assim, 23,84% mostraram que a redução não atrapalha sua aprendizagem. Desta Maneira, a grande maioria dos educando do Ensino Médio de alguma maneira tem a convicção, de que menos horas/aulas afetará de certo modo seu aprendizado. Mas vale salientar que uma parte ativa dos estudantes colaboradores evidencia que menos horas/aulas não modifica o seu aprendizado. 43 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante a revisão bibliográfica, pesquisa de campo, análise dos dados desenvolvidos com os sujeitos envolvidos: professores e professoras, estudantes das escolas estaduais do Ensino Médio no Município de Ji-Paraná – RO, foi possível perceber que os profissionais daeducação, especificamente os educadores e educadoras do componente curricular de matemática, não conseguem desenvolver sistematicamente todos os conteúdos propostos no decorrer do ano letivo, tendo em vista que as horas/aulas propostas pela Secretaria de Educação do Estado de Rondônia – SEDUC não proporcionam uma equidade no que se refere ao conhecimento específico para cada ano do Ensino Médio. Há de se levar em consideração que o não ocasionamento de todos os conteúdos em cada ano, fragiliza o processo de ensino e aprendizagem nos anos posteriores, bem como na possibilidade de inserção em uma Instituição de Ensino Superior, principalmente nas Universidades Federais. Estes dados demonstram, especificamente, nas falas dos educadores e educadoras envolvidos no processo de construção desse estudo, que a sistematização ressaltada nos escritos acima está relacionada “a quantidadepequena de aula/hora e somos obrigados a resumir a ementa curricular, forçando a diminuição da qualidade de ensino”. Deste modo, percebe-se que os professores e professoras não dispõem do tempo necessário para desenvolver os objetivos da disciplina em questão,como mostra o relato de um dos docentes “antes tinham mais condições de aprendizagem, pois havia um acompanhamento maior por parte do professor. Hoje, com o horário reduzido, os educandostêm que demonstrar mais interesse pelas disciplinas, o que meio social de convívio não proporciona”. Outros dados relevantes deste estudo estão diretamente relacionados ao contexto socioeconômico dos estudantes inseridos nesta pesquisa, uma vez que 41,30% destes educandos ressaltaram trabalhar para auxiliar no âmbito familiar. É notório que o contexto socioeconômico,de certa maneira, proporciona algumas dificuldades de aprendizado e socialização dos conteúdos, mas vale salientar que trabalhar e estudar não podem ser o filtro do não conhecimento do educando, uma vez que a necessidade de trabalhar e estudar é evidente na sociedade em que vivemos. Sendo assim, evidencia a necessidade de uma carga horária adequada de acordo com a sociedade atual. 44 45 Quando relacionadaà ementa curricular do estado de Rondônia com a de outros estados da Região Norte, foi possível compreender as diferenças existentes que refletem a quantidade de horas/aula semanais do componente curricular de matemática, que em média, apresentam de três a quatro aulas por semana. Desta forma, foi verificado que a carga horária anual dos estados participantes, Tocantins e Acre, trabalham com horas/aulas em quantidade maior que o estado de Rondônia, variando entre 360 à 480 horas/aula. No entanto o Estado de Rondônia efetiva o componente curricular de matemática com 240 horas/aulas, tendo como redução, cerca de até 240 horas/aulas anuais a menos referente ao Estado do Acre. Fica evidente que com a redução da carga horária, os docentes atuantes no ensino da Matemática deixam de ministrar alguns conteúdos relevantes para a formação social dos estudantes. Assim, as análises dos dados referentes aos docentes, nos mostramque ao observar os procedimentos aplicados por estes, não estabelecem uma metodologia de ensino diferenciada, tais como: jogos interdisciplinares, gincanas entre turmas do mesmo ano ou turmas de anos diferentes, o uso das TIC’s – Tecnologia de Informação e Comunicação, entre outras, justifica-se tal ação por falta de tempo do docente. Os métodos de ensino em questão servem como apoio metodológico no auxilio ao processo de ensino e aprendizagem. Deste modo, mesmo com esta redução de carga horária, os professores e professoras, bem como os educandos procuram organizar de maneira satisfatória os conteúdos aprendidos no decorrer do ano letivo, de modo que possam estabelecer uma relação ampla com o meio em que estão inseridos, procurando minimizar o problema entre a carga horária tão reduzida e a ementa extensa a ser cumprida no Ensino Médio. 45 46 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, Cícera Maria Gomes de ; SOUKI, Fadhia Gonçalves El. 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