ISSN 1984-9354
PERFIL DO PROFISSIONAL DE
ENFERMAGEM EM UNIDADES DE
HEMODINÂMICA FRENTE AOS DESAFIOS
DA GESTÃO DE QUALIDADE TOTAL
Priscila Klem
(LATEC / UFF)
Resumo: Em meio à dinâmica de atuação dos profissionais de enfermagem, as habilidades devem
ser desenvolvidas na busca qualidade total do serviço prestado, de forma a conciliar a estas
habilidades, conhecimentos e atitudes de alto desempenho tanto com pessoas como com
procedimentos e equipamentos. Para melhor entender o funcionamento e necessidades desse
profissional nas Unidades de Hemodinâmica, o presente estudo objetivou apresentar o perfil das
principais habilidades e competências dos profissionais de enfermagem atuantes nas Unidades de
Hemodinâmica da cidade de Niterói - RJ, traçando alternativas baseadas na qualidade total de
forma a melhorar o desempenho destes ambientes. Para isto, foi aplicada uma pesquisa
exploratória com perguntas abertas aos profissionais de enfermagem atuantes nas Unidades de
Hemodinâmica. Como resultado dessa pesquisa, pôde-se observar que a atenção, dinamismo,
atenção à saúde e liderança são primordiais no dia a dia estando sempre presentes no trabalho
desse profissional, contudo, em razão do excesso de responsabilidades e longas jornadas de
trabalho, as características que envolvem comunicação, administração, gerenciamento são postas
em segundo plano. Neste estudo, também foi possível observar que o setor de hemodinâmica é uma
área de alta complexidade e necessita de profissionais competentes, hábeis e atualizados de forma
a garantir a sustentabilidade do setor.
Palavras-chaves: enfermagem; gestão de qualidade total, perfil profissional.
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1. INTRODUÇÃO
No Brasil e no mundo, as doenças cardiovasculares estão dentre as principais causas de
morte prematuras (SIQUEIRA, 2013). Segundo Ruas et al. (2010), no Brasil, a mudança no estilo
de vida dos cidadãos é apontado como influente direto no aumento da incidência dessas doenças.
O tabagismo, maus hábitos alimentares, hipertensão arterial, uso abusivo do álcool, obesidade e
colesterol alto são os principais responsáveis por esta realidade (ANS, 2011).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos anos a taxa de
mortalidade por doenças cardiovasculares variou entre 28 a 34 milhões de óbitos na população
mundial, e estima-se que esse número possa atingir valores superiores a 35 milhões, em 2030
(OMS, 2008). Esse crescimento representa uma das questões de saúde pública mais relevante na
atualidade, por isso a busca por condições favoráveis ao controle ou diminuição dessa incidência
se perfaz de forma decisiva para o bem estar da população.
Ao longo dos anos, o desenvolvimento de técnicas e suas aplicações ao estudo da
fisiologia cardíaca humana normal ou patológica contribuíram de modo decisivo para a
sobrevivência de muitos doentes coronarianos. Estes estudos que tanto progresso trouxe a favor do
conhecimento e controle de doenças cardiovasculares são, prioritariamente, conduzidos nas
chamadas Unidades Hemodinâmicas. Em ambientes de saúde, as Unidades de Hemodinâmica são
unidades que, além da cardiologia, servem de apoio para outras áreas da medicina, como
neurocirurgia, radiologia, eletrofisiologia e cirurgia vascular (LINCH et al, 2009).
Ao longo dos últimos anos, foi possível observar uma demanda cada vez mais
significativa de pacientes hospitalizados e ambulatoriais nos laboratórios de hemodinâmica para a
realização de exames e diagnósticos, fazendo, consequentemente, aumentar ainda mais a
importância dada ao cotidiano profissional do setor. O crescimento recente dos Laboratórios de
Hemodinâmica em algumas cidades brasileiras, muitas vezes por meio da terceirização de serviços
de saúde, tem aumentado a inserção do enfermeiro neste ambiente, sendo cada vez mais
requisitada a presença de um corpo profissional atento tanto às técnicas como o material humano
presente.
No que envolve o cuidado com o ser humano, na enfermagem assistencial, no convívio
com estes pacientes hemodinamicamente deprimidos, é possível observar as mais diversas
manifestações emocionais desencadeados pelo impacto causado pelo conhecimento da existência
de uma doença coronária. Nestes pacientes se sobressaem os sentimentos ligados à insegurança,
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principalmente, quanto à incerteza do que vai acontecer devido ao desconhecimento a respeito do
procedimento e a busca da compreensão do mesmo, gerando apreensões diversas.
Nesses casos, a realização de um exame invasivo de acentuada complexidade e
importância, geralmente, exacerbam sentimentos, como: medo, ansiedade, temor, preocupação,
insegurança, dentre outros sentimentos que se não controlados podem interferir no estado de saúde
do paciente. Muitas vezes, os procedimentos realizados de forma incisiva, representam para os
pacientes uma experiência preocupante e pouco agradável, pois geram a sensação de como se suas
vidas tivessem ameaçadas.
Desta maneira, acredita-se na importância da abordagem e do reconhecimento dos
aspectos psicossociais que permeiam o paciente, desencadeados por experiências pessoais, de
familiares ou de amigos, influenciando diretamente nos seus comportamentos, atitudes e
sentimentos frente ao procedimento, dificulta ainda mais, em algumas ocasiões, a realização do
exame. Assim, atender as necessidades expressas pelo paciente, fornecendo-lhe conforto e
segurança, provocou um redirecionamento nas atividades assistenciais de enfermagem,
possibilitando a seus profissionais atuarem como mediadores entre a objetividade da técnica e a
subjetividade humana, tornando, no exercício de prática, uma verdadeira arte de cuidar.
Por essa razão, a equipe de saúde que trabalha nestas unidades deve dominar o
conhecimento técnico-científico; intervir em situações e prestar ao paciente os cuidados
necessários, habituando-se às intercorrências e complicações que possam surgir dos
procedimentos. Para tanto, não deve se ater à inexperiência, à angústia e aos sentimentos do
paciente, nessa situação, e sim deve passar-lhe confiança e segurança em sua gestão profissional.
No que envolve a atividade de enfermagem em Unidades de Hemodinâmica, os
profissionais de enfermagem atuam em atividades assistenciais, gerenciais, de ensino e de
pesquisa, fazendo como parte de sua atuação o cuidado direto ao paciente, sendo responsável pela
assistência integral do setor. O enfermeiro em hemodinâmica tem as responsabilidades de uma
unidade com características de cuidados críticos, deve ter capacitação intelectual, ações de
liderança, atualização e treinamento, e ainda pensamento crítico. Esse profissional também deve
gerir a evolução da tecnologia do serviço e da constante inovação de materiais.
As habilidades destes profissionais esta associada ao saber fazer, que pressupõe uma
capacidade adquirida, aptidão específica ou talento para identificar variáveis, compreender
fenômenos, relacionar informações, analisar situações-problema, sintetizar, julgar, o que culmina
na realização, coordenação e gerenciamento de tarefas diversas. As habilidades devem ser
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desenvolvidas na busca pela competência, que é um conjunto de conhecimentos (saber-conhecer),
habilidades (saber/fazer), e atitudes (saber-ser/conviver).
Perante essa realidade, o presente estudo objetivou apresentar o perfil das principais
habilidades e competências dos profissionais de enfermagem atuantes nas Unidades de
Hemodinâmica da cidade de Niterói - RJ, traçando alternativas baseadas na qualidade total de
forma a melhorar o desempenho pessoal e profissional do enfermeiro e do seu ambiente de
trabalho.
2.
HABILIDADES
E
COMPETÊNCIAS
DOS
PROFISSIONAIS
DE
ENFERMAGEM NO SETOR DE HEMODINÂMICA
O conceito de competência existente é definido como a capacidade das pessoas em
agrupar valores, visão e estratégia, tanto pessoais como para a organização, somados às
habilidades e atitudes desenvolvidos por cada profissional. Na visão de Feldman e colaboradores,
a competência varia de indivíduo para indivíduo, dividindo-se na Enfermagem, em competências
de atenção à saúde, tomada de decisão, comunicação, liderança, administração e gerenciamento,
além de educação permanente.
Segundo Gonçalves et al (1991) as diferentes funções que são desenvolvidas em um
serviço de hemodinâmica, exige do enfermeiro hemodinamicista versatilidade para o desempenho
de suas funções. À vista de qualquer intercorrência, a qualquer momento do atendimento, a
presença do enfermeiro é indispensável.
Dentre as funções desenvolvidas, algumas exigem tomadas de decisão rápida e precisa. A
Tomada de Decisão no âmbito da enfermagem é compreendida como a capacidade de tomar
decisões visando o uso apropriado da força de trabalho e de práticas assistenciais, bem como
eficácia e custo-efetividade de medicamentos, equipamentos, e procedimentos.
Santos (2001) em estudo sobre o processo de trabalho de enfermagem em hemodinâmica
caracteriza esse setor como de alta complexidade, com elevado nível tecnológico, atividades
excessivas e variadas, ambiente estressante pela exigência dinâmica das ações, ritmo de produção
intenso, fatores que impõem a sobrecarga de trabalho para a equipe de enfermagem. Relaciona às
cargas de trabalho e fatores de riscos à saúde do trabalhador.
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Este autor ainda conclui que as condições de trabalho de enfermagem em hemodinâmica
se assemelham a outros setores, como questões ergonômicas pertinentes a não adequação do
trabalho ao trabalhador, fatores de exposição ao processo de adoecimento, perturbações de ordem
organizacional referentes ao número de profissionais e à demanda de atividades. Assim, em
hemodinâmica, estes são elementos fortemente definidos como agentes causais de adoecimento no
trabalho devido à complexidade do setor (SANTOS, 2001).
Destaca-se a especificidade da unidade de hemodinâmica quanto à exposição ao risco
físico de radiação, o que é inerente ao processo de trabalho, fragilizando o profissional a
leucopenias, plaquetopenias e vulnerabilidade imunológica, entre outros. Apesar de equipamentos
de proteção, como avental de chumbo, óculos e protetor de tireoide, a equipe de enfermagem das
UHD fica exposta à radiação. O efeito da radiação é considerado cumulativo, portanto qualquer
dose é considerada risco para esse profissional (FLOR e KIRCHHOF, 2005) Com o avanço da
legislação, atualmente, esses profissionais são amparados pela lei quanto aos riscos da radiação.
A legislação trabalhista avançou a partir da promulgação da Constituição Federal de
1988, com a qual houve melhorias na condição social dos trabalhadores. A partir dela, as leis
referentes à saúde do trabalhador foram regulamentadas pelo Ministério da Saúde, sendo
anteriormente de responsabilidade do Ministério do Trabalho (SARQUIS et al., 2004). Dessa
maneira, a assistência à saúde do trabalhador passa a ser de competência do Sistema Único de
Saúde (SUS). O artigo 200, que regula o Direito à Saúde, além de outras atribuições refere que
compete ao SUS executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como de saúde
do trabalhador (BRASIL, 2006).
Além dessa realidade, a atuação em Unidade de Hemodinâmica requer um saber
complexo para desempenhar desde tarefas simples até as que exijam uma formação técnicocientífica adequada e específica, que deve ser constantemente aprimorada. Devido à complexidade
da UHD, por vezes o enfermeiro ao perceber necessidade de atualização em suas competências,
deve superar esta dificuldade através do aperfeiçoamento de seus conhecimentos e sua experiência
(CUNHA, 2007).
No tocante à legislação, o art. 11, inciso I, da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que
dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências, confere ao
enfermeiro competência privativa para realizar “cuidados de enfermagem de maior complexidade
técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.”
No mesmo sentido, o inciso II do artigo mencionado atribui ao enfermeiro como integrante de
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equipe de saúde o direito à “prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à
clientela durante a assistência de enfermagem” (COREN, 2011).
Segundo COREN (2011), é requerido do enfermeiro intensivista formação diferenciada e
qualificada de modo a desenvolver várias competências seja nos aspectos cognitivo, técnico, e de
habilidades como no de hábitos mentais de auto avaliação no desempenho cotidiano, pois
constantemente esse profissional se depara com inovações, seja do ponto de vista do
conhecimento técnico e científico, da evolução tecnológica ou das instabilidades das funções
vitais dos pacientes críticos.
Cabe ressaltar que nos tempos modernos, com a globalização em foco, é necessário
manter um perfil profissional em constante desenvolvimento, tanto para acompanhar as inovações
tecnológicas, como para resolver problemas, tomando decisões assertivas, criativas, inovadoras. A
problemática em questão nos faz repensar sobre o que os profissionais enfermeiros estão levando
em contrapeso para manter-se neste cenário, que a cada dia torna-se mais acirrado, disputado e
exigente.
3. METODOLOGIA
O estudo foi realizado na cidade de Niterói – RJ, onde foram estudadas 10 Unidades de
Hemodinâmica. Para a aquisição de dados foi realizada a aplicação de um questionário para uma
amostragem significativa de profissionais de enfermagem atuantes em Unidades de
Hemodinâmica.
O método de investigação utilizado foi a pesquisa exploratória, que tem como principal
finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, com vistas na formulação de
problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores (GIL, 1994, p.44),
visto a existência de poucos dados disponíveis (SANTOS, 2002, p.161).
A coleta de dados foi realizada através de questionário com perguntas abertas. No
questionário foram elaboradas 10 questões com o fim de alcançar informações sobre o que os
profissionais pensam a respeito de suas principais competências, suas dificuldades e necessidades
e sobre a saúde de sua equipe de trabalho.
O questionário utilizado baseou-se na obtenção de respostas para perguntas que o próprio
informante preenche(LAKATOS, 1999, p. 180-181). As respostas do questionário seguiu o
indicado por Santos (2002, p.220), que indica que através de perguntas abertas ao informante as
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respostas são dadas livremente, apresentando como vantagem à obtenção de respostas com maior
teor de detalhes, fornecendo maior profundidade ao pesquisador sobre a realidade em estudo.
A atual análise de conteúdo foi acrescida de mais uma característica, ou seja, o
desenvolvimento de técnicas quantitativas, que permitem maior precisão. Embora o processo da
quantificação seja mais preciso do que a descrição qualitativa, ambos os dados devem ser
empregados nas ciências sociais. (LAKATOS, 2002, P.130)
O questionário foi aplicado, durante um período de 90 dias, para uma população do
estudo composta por 10 enfermeiros que atuam na unidade de hemodinâmica, sendo 08 (80%) do
sexo feminino e 02 (20%) do masculino. A carga horária semanal de trabalho variou de 12 a 24
horas. A idade dos enfermeiros variou de 23 a 43 anos, com mediana de tempo de formação
profissional de 3 anos e de 2 anos de tempo de atuação na área, que possuíam pós-graduação Lato
sensu (especialização). Verificou-se haver ainda um número pouco expressivo de titulação Stricto
sensu (mestrado). A maioria dos enfermeiros entrevistados estava satisfeita em atuar em Unidade
de Hemodinâmica, mesmo aqueles que nunca pensaram em trabalhar na área.
No que envolve as principais atividades desempenhadas, em relação ao número de
procedimentos realizados mensalmente nesses serviços, observou-se variação de 30 a 200 exames
mensais. Quanto às supervisões direta e indireta realizadas pelos enfermeiros hemodinamicistas,
notou-se que em 100% dos casos os mesmos supervisionam diretamente os auxiliares e técnicos
de enfermagem, em 60% dos casos supervisionam diretamente a secretária e em 40%
indiretamente. Os técnicos de raios-X permanecem sob responsabilidade e supervisão indireta do
enfermeiro em 20% dos casos, sob supervisão direta em 60% dos casos.
Para a análise dos questionários três categorias foram compreendidas para a análise e
descrição do perfil:
a) as competências do enfermeiro na Unidade de Hemodinâmica;
b) a dificuldades e necessidades da equipe de enfermagem em serviços de
Hemodinâmica; e
c) as condições de segurança e saúde da equipe de enfermagem que atua na Unidade de
Hemodinâmica.
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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No que diz respeito à análise das competências do enfermeiro em Unidades de
Hemodinâmica, ao perguntar os entrevistados o que os entrevistados entendem sobre as
competências do enfermeiro na unidade de hemodinâmica, alguns deles responderam:
a) “A ordem de importância das competências do enfermeiro pra mim são: em 1º lugar
Administração/ Gerenciamento, em 2º lugar Liderança, em 3º lugar Tomada de
Decisões, em 4º lugar Educação Permanente e 5º lugar Atenção à Saúde.” (DEPOENTE
1);
b) “Destaco a competência do enfermeiro em unidade de hemodinâmica em: liderança,
educação permanente e atenção à saúde.” (DEPOENTE 3);
c) “Entendo como competência do enfermeiro na Unidade de Hemodinâmica atenção à
saúde.” (DEPOENTE 5).
Ao identificar a qualidade que o enfermeiro considera fundamental para atuar em
Hemodinâmica, observou-se que, a Atenção e Dinamismo obtiveram mais respostas. Dessa forma,
pode-se denotar que o enfermeiro deve estar atento às várias complicações passíveis de ocorrer no
período pré, trans e pós-procedimento, envolvendo tanto o cuidado direto ao paciente quanto a
organização gerencial da unidade.
Aliado a isso, o Dinamismo, compreendido pelos enfermeiros como sendo uma
característica de suma importância para o desempenho de sua função se desenvolve em um
ambiente dinâmico e complexo, visto a necessidade de interação entre o indivíduo, o meio
ambiente e os demais profissionais para o seu estabelecimento, visando um atendimento
adequado. A versatilidade, a criatividade e o senso crítico ao desenvolver as ações, tornam o
dinamismo uma necessidade na enfermagem, a fim de buscar as melhores maneiras de realizar o
cuidado ao paciente.
Dessa maneira, fica clara a preocupação dos enfermeiros atuantes em Hemodinâmica, em
prestar uma assistência atenta e articulada ao paciente que esta sob seus cuidados, interagindo de
maneira a obter resultados satisfatórios em todas as suas atividades diárias. Aliado a isso,
caracterizando adequadamente a escolha no cenário de Hemodinâmica, quase um terço dos
enfermeiros destacaram a Tomada de Decisão, como a principal competência, reconhecendo o
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papel desse profissional como sendo de um líder, com capacidade gerencial de recursos humanos
e materiais, além de conhecimento técnico-científico.
Assim, a atenção à saúde juntamente com liderança apareceram em segundo lugar dentre
as principais competências do enfermeiro. A atenção à Saúde, que orienta o desenvolvimento de
ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, no contexto de Hemodinâmica
traduziu-se na orientação para o autocuidado dos pacientes admitidos na Unidade. Já, a Liderança,
entendida como a capacidade de influenciar ações de outros para o estabelecimento e alcance de
objetivos e interesses coletivos e individuais torna-se fundamental na administração do processo
de trabalho na Hemodinâmica, indicando uma gestão de liderança plural.
Já a administração e gerenciamento e educação continuada foram as competências menos
selecionadas pelos enfermeiros. Tradicionalmente o enfermeiro que atua em Unidade de
Hemodinâmica apresenta um perfil assistencial bem definido e as atribuições predominantemente
administrativas e gerenciais deveriam ser preteridas e deixadas a cargo do enfermeiro geral,
responsável pela coordenação da parte de enfermagem os diferentes setores a unidade hospitalar,
que apresenta maior competência gerencial.
Quando questionados a respeito da classificação do conhecimento em Hemodinâmica, a
maioria dos enfermeiros respondeu que seu conhecimento é adequado, porém reconhecem ser
necessário aprofundar ainda mais o conhecimento. A preocupação dos entrevistados na busca pelo
conhecimento origina-se pelo fato da Hemodinâmica ser uma subespecialidade de ponta na área
de cardiologia, sujeita a constantes inovações tecnológicas e terapêuticas que exigem do
enfermeiro reciclagem e atualizações sistemáticas.
Aliada a esta realidade de necessidade constante de aperfeiçoamento profissionais de
enfermagem, está o fato de as Unidade de Hemodinâmica terem, ao longo dos anos, agregado
outras especialidades, além da cardiologia, como por exemplo, a neurologia e a vascular, que estão
realizando exames diagnósticos e terapêuticos, além de procedimentos minimamente invasivos,
acarretando uma mudança do perfil de gravidade dos pacientes na sala de recuperação.
A pesar da Educação Permanente ter sido pouco lembrada, ela é considerada essencial
nos ambientes que sofrem inovações constantes, porém sua implantação é prejudicada pelo alto
fluxo de procedimentos e pela necessidade de cumprimento da agenda diária de exames, o que
inviabiliza a realização sistemática de treinamentos em equipes de enfermagem.
Em relação às dificuldades encontradas pelos enfermeiros para realizar seu trabalho, a
sobrecarga de trabalho aparece como sendo a principal queixa, seguida por falta de tempo para
executar as tarefas e pela falta de recursos materiais. Pode-se considerar também, que a sobrecarga
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de atividades pode vir a gerar insatisfação no trabalho e aumento do desgaste físico e mental,
inviabilizando muitas vezes uma assistência de qualidade. De qualquer forma, as queixas citadas
pelos enfermeiros das Unidades de Hemodinâmica são comuns às outras áreas de atuação de
enfermagem.
Poucos enfermeiros citaram a Comunicação como principal competência, mas apesar
disso, sabe-se que o processo de comunicação está intrinsecamente envolvido nas atividades
diárias do enfermeiro, através da comunicação verbal e não verbal; na leitura e escrita, sendo um
instrumento de grande valia nos registros de enfermagem, na comunicação com o paciente e a
equipe multidisciplinar, além de ser requisito essencial na busca por conhecimento.
Nesse sentido, quanto as dificuldades e necessidades da equipe de enfermagem em
Serviços de Hemodinâmica, ao perguntar aos entrevistados quais as maiores dificuldades e
necessidades da equipe de enfermagem em serviços de hemodinâmica, alguns deles responderam:
a) “A Importância do procedimento a ser realizado com todos os recursos e matérias
necessários, falta de experiências de profissionais supervisionados, má conservação e
falta de cuidado com os equipamentos, carga de radiação, estresse provocado pela parte
burocrática e autorizações de convênios de saúde.” (DEPOENTE 4);
b) “Maior dificuldade, e ficar dentro das salas de exames, o profissional reclama do peso
do capote de chumbo, muitas vezes ficando mal-humorado e sem motivação para
continuar no setor, um dos grandes problemas é com os curativos compressivos que são
realizados sem conhecimento podendo ocasionar grandes complicações ao cliente”
(DEPOENTE 7);
c) “Existem muitas dificuldades em trabalhar no setor, a principal e a dificuldades de obter
habilidades e competências em um setor de alta complexidade, onde não encontramos
profissionais capacitados para exercer a rotina de trabalho com sobrecarga de trabalhos
e profissional sem substituição.” (DEPOENTE 9).
No que envolve a saúde da equipe de enfermagem que atua na Unidade de
Hemodinâmica, os profissionais de enfermagem estão expostos aos riscos inerentes ao processo de
trabalho em unidades fechadas e de alta complexidade. No entanto, tem o agravante posto pela
radiação ionizante, o que exige medidas preventivas e um controle rigoroso da saúde destes
profissionais.
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Ao questionar os entrevistados quanto ao cumprimento das normas referentes à saúde do
trabalhador, mais especificamente as relativas aos trabalhos perfuro cortantes, dosímetro, protetor
de tireóide, protetor de chumbo para corpo e ocular, os participantes do questionário responderam:
os depoentes 1 e 4 responderam cumprem as normas, os depoentes 2,3,5,6,7 e 9 responderam que
não cumprem as normas e os depoentes 8 e 10 responderam as vezes respeitam as normas
referentes a saúde do trabalhador.
5. CONCLUSÃO
O setor de hemodinâmica é uma área de alta complexidade e elevado nível científico e
tecnológico estando sujeita a constantes inovações tecnológicas e terapêuticas, que apresentou nos
últimos anos acentuada procura.
O cenário de trabalho deste setor exige dos profissionais constante capacitação intelectual
de conhecimentos e habilidades. Não sendo diferente com os profissionais de enfermagem que são
atores essenciais para a manutenção da sustentabilidade das Unidades de Hemodinâmica.
Através desse estudo foi possível perceber a atenção, dinamismo, atenção à saúde e
liderança são primordiais no dia a dia de trabalho, pois envolve o compromisso que possuem com
os processos de trabalho, manuseio de materiais, atendimento aos pacientes e com os colegas de
trabalho. Diferentemente, as características de comunicação, administração, gerenciamento e
educação permanente são competências que dependem de treinamentos que desenvolvam
conhecimentos e novas habilidades.
Dessa forma, é possível verificar que as competências mais relacionadas à rotina de
trabalho em si obtiveram maior importância em relação às competências relacionadas com a
comunicação, administração, gerenciamento e educação.
A pesquisa também revelou que existe o corpo de profissionais apresenta um perfil de
comprometimento e atenção em suas atividades, contudo também evidencia a falta de incentivo
gerada pelas condições de trabalho para o investimento em maior capacitação destes profissionais.
Dessa forma é possível ressaltar que a capacitação e a qualidade de vida no trabalho são
interdependentes. Sem qualidade de vida no trabalho a capacitação fica prejudicada, pois
conforme demonstrado, não haverá tempo e energia para isto. E sem capacitação, educação
permanente a tendência será de engessamento da força de trabalho e também da instituição, pois a
qualidade para ambos os casos estaria prejudicada.
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