UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE GESTÃO EMPRESARIAL E HUMANIZAÇÃO DE SEUS PROCESSOS Por: André Luis Carlos Maria Orientadora Prof. ALEKSANDRA SLIWOWSKA Rio de Janeiro 2010 1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE GESTÃO EMPRESARIAL E HUMANIZAÇÃO DE SEUS PROCESSOS Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Empresarial. Por: André Luis Carlos Maria. 2 AGRADECIMENTOS Eu agradeço a Deus pelo dom da vida, aos companheiros de formação: os colegas de turma, professores facilitadores na eterna busca do saber. A minha família, a minha esposa e meus filhos que viveram comigo cada momento desta formação. 3 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, que através deles pode aprender as primeiras habilidades e conceitos na faculdade da vida. 4 RESUMO A presente monografia é baseada em uma revisão teórica, que tem como objetivo analisar as conseqüências dos processos empresariais, que não atendem as condições mínimas de qualidade de vida e desenvolvimento de seus colaboradores dentro de uma organização. Sistemas que bloqueiam a criatividade e capacidade de desenvolvimento humano, social e da própria instituição. A partir de uma revisão do desenvolvimento histórico dos processos e atividade empresariais em um cenário de profundas transformações sociais, urbanas, industriais e familiares. A revolução industrial fez crescer os trabalhos em grupos através dos maquinários e a partir desse período mudar as antigas concepções. Ao longo do século XX em três momentos distintos: Era industrial Clássica, Industrial, Neoclássica e a Era da Informação. Quando os modernos conceitos de gestão de processos forem apresentados, haverá a descrição do conceito de aprendizagem para compreender melhor a teoria da aprendizagem organizacional, e como será necessário analisar alguns conceitos e disciplinas sobre a ótica de alguns autores. Onde alguns focalizam a relação entre a aprendizagem individual e organizacional. O passar do tempo, as mudanças no desenvolvimento da aprendizagem foram acontecendo gradativamente e progrediram junto às inovações tecnológicas. Após a apresentação da aprendizagem como diferencial no ambiente organizacional, será descrito uma visão teórica sobre as psicopatologias do trabalho e suas relações com as emoções humanas, indicando questões coletivas que promovem as doenças no ambiente organizacional. Como a mente e as psicopatologias vieram subseqüentes as lutas dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, o que poderíamos entender sobre qualidade de vida no sentido psíquico, no que se refere à organização e dos processos utilizados para controles pelas empresas da mente de seus trabalhadores. 5 Além disso, serão apresentadas pesquisas e conceitos sobre emoção, e o acelerado crescimento de demandas psicológicas empresariais, bem como a grande relevância dedicada ao potencial humano, refletindo em como as nossas emoções podem influenciar as diversas áreas de nossas vidas, e aptidão emocional será tratada como uma “metacapacidade” passível de determinar como podemos fazer o bom uso de qualquer outra aptidão que venhamos a possuir. Como criatividade, inovação e etc. Refletindo como as emoções também estão ligadas a outras partes de nosso corpo que são fundamentais para a qualidade de vida como o “cérebro” do sistema imunológico. Após relatarmos a importância das emoções na vida humana, será descrito como se conduzir um processo de mudança, as causas e efeitos, os níveis que serão atingidos e qual o resultado desejado para que se possa definir o que é qualidade, qual o impacto e aplicabilidade na gestão de pessoas e melhora do clima organizacional, assim como será mostrado como identificar fatores que motivam e implementar um Programa de Qualidade de vida no Trabalho. 6 METODOLOGIA Este trabalho buscará apóio básico em pesquisas na Internet e livros na área de Recursos Humanos e de inteligência emocional. Além disso, consulta a revistas como “Exame” e “Você SA” e exemplos práticos quanto a situações vivenciadas nas empresas e novos métodos na área de gestão de pessoas serão importantes na condução do trabalho. Quanto aos livros utilizados, como bibliografia básica, pode citar os livros “Gestão de Pessoas” do autor Idalberto Chiavenato e “Kaplan e Norton na prática” dos próprios autores Robert Kaplan e David Norton e “Inteligência emocional de Daniel Golemam entre outros que auxiliarão no desenvolvimento e entendimento do assunto,” A consulta à bibliografia sugerida pelos professores e a orientadora também será uma maneira de pesquisar materiais mais atualizados a fim de elaborar a monografia. Além das fontes de consulta citadas, as anotações em sala de aula poderão incrementar a monografia com alguma informação adicional. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - Histórico dos processos de gestão empresarial CAPÍTULO II - A Moderna Gestão de Pessoas CAPÍTULO III- Aprendizagem como mediadora da gestão de empresas CAPÍTULO IV- Psicopatologia do trabalho e a peste emocional CAPÍTULO V- Emoção e os processos empresariam. CAPÍTULO VI - Processo de Mudança CAPÍTULO VII - Qualidade de Vida no Trabalho CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ÍNDICE FOLHA DE AVALIAÇÃO 8 INTRODUÇÃO A presente monografia tem como título “Os benefícios da humanização dos processos empresariais”; ao enfatizar a natureza do trabalho, busca-se compreender as características fundamentais e inerentes ao trabalho e as condições de desenvolvimento humano. Desta forma, pretende-se ir além da descrição das atividades visíveis de comportamento; o propósito é captar o sentido empregado pelas empresas às suas ações em situações profissionais. O subtítulo ajuda compreender melhor o propósito do pesquisador: "a gestão empresarial e humanização de seus processos”. Ao destacar as atividades racionalizadoras dos processos de gestão de pessoas, o pesquisador busca a cultura empresarial dominante hoje, as conseqüências destes processos empresariais na vida de seus colaboradores e Como é possível humanizar os processos empresariais sem perder o foco na produtividade organizacional. Este tema é aqui desenvolvido buscando estudar as questões acima citadas, tornam-se importantes, pois embora já se tenha muitos escritos sobre este assunto, pouco se falou com o enfoque que dado nesta pesquisa, que carece de estudos mais aprofundados nesta área. Empresas que valorizam seus funcionários respeitando suas necessidades humanas, proporcionando um ambiente saudável. Tem um resultado e comprometimento muito maior de seus colaboradores. Serão estudados nesta pesquisa os benefícios de processos empresarias que estão voltados para a qualidade de vida dos seus colaboradores, do ano de 2000 até o ano de 2009, em rigor nas empresas do Brasil. O capítulo primeiro tem o propósito de rever a bibliografia da Administração com relação ao assunto "Gestão empresarial e humanização dos seus processos". A revisão revela duas explicações consolidadas: a 9 "Abordagem do Processo", com origem na historia e desenvolvimento dos processos empresariais. Ainda com relação ao assunto “Os benefícios da humanização dos processos empresariais”, o capítulo faz uma breve revisão na literatura da iniciação das relações empresariais. O segundo capítulo apresenta a moderna gestão de pessoas nas organizações, e os inúmeros recursos para se administrar os processos empresariais tendo como foco aqui tratado a área de recursos humanos. Como o único com vida, sentimento, poder de decisão sendo principal agente de resultado final alcançado em todos os outros setores: financeiros, materiais, tecnológicos, etc., pois estes dependem diretamente das pessoas que trabalham na organização. O terceiro capitula traz a reflexão da aprendizagem dentro das organizações como mediadora no processo de desenvolvimento da gestão das empresas, avaliando alguns teóricos através de uma revisão bibliográfica. E seus diferentes pontos de vista e um possível ponto de convergência entre algumas abordagens. Visualizando a aprendizagem como uma possibilidade de adaptação ao ambiente, em busca da sobrevivência. Sendo uma habilidade para manter e melhorar a performance profissional baseada na experiência. O capitulo quatro é baseado em uma visão teórica, Pretendem-se, entender questões coletivas que promovem as doenças no ambiente organizacional, suas conseqüências que abrangem todo cotidiano dos seres humanos inseridos dentro dessas organizações. Uma reflexão sobre o que Reich chama de peste emocional e como esse fenômeno reflete a sua própria historia. As lutas dos trabalhadores indicavam que o sistema político e econômico provoca as desordens do bem estar e possibilitavam as doenças da massa. O quinto capítulo caracteriza a natureza trabalho através da natureza humana a partir da capacidade de dar inteligência as emoções, sendo necessariamente, de construtor e intérprete do sentido subjetivamente compartilhado pelas pessoas com relação ao sistema de gestão empregado na 10 empresa. Além disso, o trabalho para um colaborador como ser humano tem tal natureza psicológica e psicossocial pela relação social que ocupa em um ambiente empresarial. O capítulo termina com um balanço sobre como um ambiente organizacional que pode possibilitar uma relação mais humana, e assim contribuir para a qualidade de vida de seus colaboradores, trazendo a reflexão sobre emoção e razão. O sexto capítulo é constituído tendo como pressuposto o processo de mudanças e que organização teve de se antecipar as mudanças e estar à frente delas através de uma moderna gestão de pessoas de modo que os processos de trabalho não fiquem obsoletos e as pessoas não se tornem desmotivadas em relação ao impacto das mudanças e a condução das políticas de gestão da empresa. A proposta do sétimo capítulo é que, é vital o desenvolvimento dos recursos humanos dentro da organização, mas também fora. Visualizando a etiologia da própria palavra qualidade, também como os administradores não podem se preocupar somente com tarefas, mas também com as pessoas, pois o que determinará como os processos, os produtos e a prestação de serviços serão conduzidos são a motivação dos funcionários e a cultura da organização. A interpretação realizada neste capítulo procura discernir um pouco melhor as variações entre qualidade e produtividade. 11 CAPÍTULO I HISTÓRICO DE GESTÃO DOS PROCESSOS EMPRESARIAIS O acelerado ritmo de desenvolvimento das empresas no Brasil cria novos desafios para a sociedade brasileira contemporânea. Em um cenário de profundas transformações sociais, urbanas, industriais e familiares. O desenvolvimento histórico dos processos e atividade empresarial existe, pelo menos desde a época em que viveram os antigos sumérios da Mesopotâmia, possivelmente a cerca de seis mil anos, desde que o homem necessitou de trabalho ou dos produtos de outro homem para atender as suas necessidades. Os sumérios mantiveram trocas comerciais, em grande quantidade e escala, praticamente com todos os povos com quem chegaram a ter contato ou conhecimento. Há muitos anos o homem vem realizando atividades laborativas, mas somente após a revolução industrial que essas atividades que essas atividades puderam ser conceituadas em trabalho. A revolução industrial fez crescer os trabalhos em grupos através dos maquinários e a partir desse período mudar as antigas concepções até então encontradas quanto às atividades desempenhadas naquela época. Tais mudanças aconteceram ao longo do século XX em três momentos distintos: Era industrial Clássica, a Era Industrial Neoclássica e a Era da Informação. A visão sobre o comércio, e sobre a sua perspectiva ética, ao longo da história tem sido quase que sempre vista com muita negatividade, se considerada em sua totalidade. A visão negativa com relação ao comércio e atividade empresarial, somente começaram a sofrer alterações conceituais quando o capitalismo passou a consolidar-se de maneira definitiva a partir do século XVI, com a revolução comercial. A mudança na perspectiva religiosa, 12 empreendida pela reforma religiosa protestante em plena idade moderna, fez com o trabalho e lucro obtido no comércio passasse a ser encarados de maneira positiva e valorizados como um dos sinais da benção, João Calvino reformador Frances, e os puritanos ingleses, passaram a pregar abertamente e afirmativamente as virtudes e as vantagens da poupança e do espírito de iniciativa empresarial. A organização empresarial é, portanto considerada essencial para a existência de uma sociedade e para o desenvolvimento humano. Não poderíamos imaginar uma sociedade complexa como nos é apresentada à sociedade ocidental ou mesmo considerar a existência de uma cultura ocidental sem a existência das organizações empresarias. O século XX e o inicio do século XI assistiram ao crescimento do papel das empresas na sociedade, devido à abrangência da atividade empresarial na atualidade. 1.1 Surgimentos de atividades de administração de empresas A atividade de administração de processos empresaria, para a gestão de recursos humanos surgiram no inicio do século XX, apresentando uma evolução significativa a partir da década de 20. O fortalecimento do movimento sindical, que surgiu como um instrumento de defesa dos trabalhadores ás situações negativas de ordem econômica e social, contribuíram, e muito, para o desenvolvimento da administração de pessoas naquela época. A carência de mão – de – obra devido à explosão da 1º Guerra Mundial foi outro importante detalhe que valorizou as funções de recursos humanos que se caracterizaram pelo controle de pessoas, a administração salarial e o recrutamento pessoal. Na sociedade industrial as organizações eram montadas com estrutura grandiosas, onde os interesses estavam atrelados ao grande volume de produção. As empresas enfatizavam processos burocráticos, onde a participação dos empregados no processo produtivo era somente por meio da força (mão de obra) e regulamentavam estes processos através do poder 13 existente e reconhecido através do sistema piramidal. A estrutura organizacional existente era regida e inflexível, centralizadora e funcional. As pessoas que estavam na base da pirâmide eram vistas como problema e não como solução, como seres incapazes de opinar quanto aos processos, por terem uma especialização padronizada a uma alta escala produtiva e que gerassem um baixo custo na produção, alcançando então a eficiência desejada. E também por fazerem parte de uma parte mais baixa de hierarquia. Com o passar do tempo, as mudanças foram acontecendo gradativamente e progrediram junto às inovações tecnológicas ate que pudessem chegar aos dias atuais. A evolução tecnológica ocasionou vertiginosas mudanças na estrutura organizacional e no trabalho. A partir da década de 1990, com a rápida troca de informação, a exigências do mercado e dos consumidores, fizeram com que as organizações reorganizassem sua estrutura e as alienassem para uma produção participativa, descentralizada, com foco em resultados e competências, gerando alianças e produtos com preço e qualidade. O ambiente interno e externo proporcionou uma visão holística e uma maior aproximação dos colaboradores, parceiros e consumidores através das necessidades em se manter ativo diante de seus concorrentes. Hoje, todo esse investimento permitiu que grandiosas estruturas deixassem de existir e transmutação a menores, em nada deixaram a desejar. Como exemplo, podemos citar a Nike que não tem fábrica, e que é uma grande empresa. Seu quadro orgânico de empregados esta focado em resolver tecnologias, designer e produtos que superem as necessidades do mercado consumidor. Segundo Boog (1999, p. 58) 14 “o processo de mudança inicia-se pela consciência de sua Necessidade sentida por uma ou mais pessoas do nível de Identidade da organização (equipe de direção). Essas pessoas São, em principio, os donos do processo. Estamos sempre falando em empresa com identidade em processo de mudança mas nada impede que essa entidade seja uma diretoria, uma filial ou uma sessão. 1.2 Da Era industrial a Era. do conhecimento Era industrial clássica. Na Era industrial Clássica (1900 a meados de 1950) a intensificação das industriais se propagou por todo o mundo e a partir desse momento começaram a surgir os países desenvolvidos e industrializados. As estruturas organizacionais desta época eram burocráticas, em forma piramidal, com esforços centralizados no topo da pirâmide (tomada de decisões) e a ênfase na departamentalização funcional. Os empregados tinham que sugerir regras e regulamentos internos para que seus comportamentos fossem padronizados assim seguirem um modelo disciplinador A preocupação desta estrutura organizacional era especializar mão-deobra e aumentar a escala produtiva com os custos reduzidos e de maneira mecânica. Nesse contesto, a cultura organizacional predominante era voltada para o passado e para conservação das tradições e valores tradicionais. As pessoas eram consideradas recursos de produção, juntamente com outros recursos organizacionais como maquinas, equipamentos e capital, na conjunção típica dos três fatores tradicionais de produção: natureza capital e trabalho. 15 1.3 Era da industrialização Neoclássica: É o período que se estende desde as décadas de 1950 a 1990. Teve seu inicio logo após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo começou a mudar mais rápida e intensamente. A velocidade da mudança aumentou progressivamente. As transações comerciais passaram da amplitude local para regional, e de regional para a internacional, tornado-se cada vez mais intensas e menos previsíveis, acentuando a competição entre as empresas. A teoria clássica foi substituída pela teoria neoclássica da administração e o modelo Burocrático foi redimensionado foi redimensionado pela teoria estruturalista. A teoria das relações humanas foi substituída pela Teoria comportamental. Ao longo do período, surge a Teoria de Sistemas e o seu final, a teoria da contingencia. A visão sistemática e multidisciplinar (holística) e o relativismo tomam conta da teoria administrativa. O velho modelo burocrático e funcional, centralizador e piramidal utilizado para formatar as estruturas organizacionais tornou-se rígido e vagaroso demais para acompanhar as mudanças e transformações do ambiente. As organizações tentaram novos modelos estruturais para incentivar a inovação e o ajustamento às mutáveis condições externas. A estrutura matricial, uma espécie de quebra galhos para configurar e reavivar a velha e tradicional organização funcional foi à resposta das organizações. A organização matricial visava a conjugar a departamentalização com um esquema lateral de estrutura por produtos/serviços, a fim de proporcionar características adicionais de inovação e dinamismo e alcançar maior competitividade um motor velho e desgastado. De fato, a organização matricial promoveu uma melhoria na arquitetura organizacional das grandes organizações, mas não suficiente, pois não conseguia remover a rigidez da velha estrutura funcional e burocrática sob qual se assentava. Entretanto, as suas vantagens foram aproveitadas através de posterior fragmentação e decomposição das grandes organizações em unidades estratégicas de negocio para torná-las mais bem administradas, mais ágeis e mais próximas do mercado e do cliente. 1.4 Era da informação: 16 E o período que começou no inicio da década de 1990. É a época em que estávamos vivendo atualmente. A principal característica desta nova era são as mudanças, que se tornam rápidas, imprevistas, turbulentas e inesperadas. A tecnologia da informação integrado a televisão, o telefone e o computador trouxe desdobramentos imprevisíveis e transformou o mundo em uma era global. Um impacto comparável ao da revolução industrial em sua época. A informação passou a cruzar o planeta em milésimos de segundos. A tecnologia da informação forneceu condições básicas para o surgimento da globalização da economia internacional transformou-se em economia mundial e global. A competitividade tornou-se intensa e complexa entre as organizações. O volátil mercado de capitais passou a migrar de um continente para outro em busca de novas oportunidades de investimentos, ainda que transitórias. Em uma época em que todos dispõem de informação em tempo real, são mais bem-sucedidas as organizações capazes tomar a informação e transformá-la rapidamente em uma oportunidade de novo produto ou serviço, antes que outras o façam. O capital financeiro deixou de ser o recurso mais importante, cedendo lugar para conhecimento. Mais importante que dinheiro é o conhecimento, como usá-lo e aplicá-lo de maneira rentável. Nessas circunstâncias, os fatores tradicionais de produção –terra, mão-de-obra e capital produzem retornos cada vez menores em uma escala de rendimentos decrescente. E a vez do conhecimento, do capital humano e do capital intelectual. O conhecimento torna-se básico e o maior desafio, passa a ser a produtividade do conhecimento. Torna o conhecimento útil e produtivo tornou-se a maior responsabilidade gerencial. Na era da informação, o emprego passou a migrar do setor industrial para o setor de serviços, o trabalho manual substituído pelo trabalho mental, indicando o caminho para uma era da pós-industrialização baseada no conhecimento e no setor terciário. Kiernan lembra que as organizações entram em um período de permanente volatilidade e turbulência 17 devido ao impacto das seguintes mega-tendências globais que estão quebrando velhos paradigmas: 1. A influencia das tecnologias de informação e comunicação –que receberam o nome de revolução digital, revolução da multimídia ou superestrada da informação –estão eliminando fronteiras políticas e organizacionais. 2. Globalização dos mercados, da concorrência, das associações, do capital financeiro e da inovação gerencial trazendo uma nova visão gerencial trazendo uma nova visão cosmopolitana do mercado global. 3. A substituição de uma economia baseada na manufatura e na exploração de recursos naturais para a economia baseada no valor do conhecimento, na informação e na inovação. 4. A diferenciação de verdadeira economia global da economia “virtual” nas transações mundiais e nos instrumentos financeiros sintéticos. 5. O reequilíbrio geopolítico decorrente de nova ordem econômica e mundial: a hegemonia dos países da organização para cooperação e desenvolvimento econômico (OCDE) chegou ao fim, enquanto a do sudeste da Ásia parece apenas ter começado. 6. A gradativa incapacidade dos governos nacionais em controlarem seus próprios destinos político-econômicos. 7. A convergência setorial e industrial: o crescimento do “terceiro setor” formado pela sociedade civil e por ampla variedade de cidadãos baseada na cooperação e nas fusões torna difícil uma distinção entre os setores políticos e privado. 8. O surgimento de formas inéditas de organização empresarial dentro de e entre as empresas, com equipes interdisciplinares não-hierárquicas, proliferação de alianças estratégicas, organizações virtuais e 18 megaconcorrência entre alianças rivais em industrias como automobilística, aeroespacial e a de chips de computadores. 9. A substituição no “centro de gravidade” econômico do mundo empresarial: de empresas multinacionais de grande porte para empresas menores, mais ágeis e mais empreendedoras. O tamanho e a massa corporativa para se tornar uma desvantagem. 10. O aumento geométrico na importância comercial, política e social do ambiente e a crescente preocupação ecológica. Para Kiernan, essas megatendências criam a transformação mais drástica e intensa de todas: a elevação exponencial na velocidade, na complexidade e na imprevisibilidade da mudança. (pg 38 CHIAVENATO) 1.5 As mudanças e transformações na função de RH. As três era ao longo do século XX –industrialização clássica e neoclássica e a era da informação –trouxeram diferentes abordagens sobre como lidar com as pessoas dentro das organizações. Ao longo das três eras a área de ARH passou por três etapas distintas: relações industriais, recursos humanos e gestão de pessoas. Cada abordagem esta ajustada aos padrões de sua época, à mentalidade predominante ás necessidades das organizações. Pessoal /Relações industriais Na industrialização clássica surgem os antigos departamentos de pessoal e, posteriormente, os departamentos de relações industriais. Os departamentos de pessoal eram órgãos destinados a fazer cumprir as exigências legais a respeito dp emprego: admissão através de contrato individual, anotação em carteira de trabalho, contagem das horas trabalhadas para efeito de pagamento, aplicação de advertências e medidas disciplinares pelo não 19 comprimento do contrato, contagem de férias e etc. mais adiante, os departamentos de relações industriais assumem o mesmo papel acrescentando outras tarefas como o relacionamento da organização com os sindicatos e coordenação interna com os demais departamentos para enfrentar problemas sindicais de conteúdo reivindicatório. Os departamentos de relações industriais se restringem a atividades operacionais e burocráticas, recebendo instruções da cúpula sobre como proceder. As pessoas são consideradas apêndice das maquinas e meras fornecedoras de esforço físico e muscular, predominado o conceito de mão de obra. Recursos Humanos Na industrialização neoclássicas surgem os departamentos de recursos humanos que substituem os antigos departamentos de relações industriais. Alem das tarefas operacionais e burocráticas, os chamados DRH desenvolvem funções operacionais e táticas, como órgãos prestadores de serviços especializados cuidam do recrutamento, seleção, avaliação, remuneração, higiene e segurança do trabalho e de relações trabalhistas e sindicais, com variadas doses de centralização e monopólio dessas atividades. Gestão de pessoas Na era da informação, surgem as equipe de gestão com pessoas que substituem os departamentos de recursos humanos. As praticas de RH são delegadas aos gerentes de linha em toda a organização, os quais passam a ser gestores de pessoas, enquanto as tarefas operacionais e burocráticas não essenciais são transferida para terceiros através da terceirização (Outsourcing). 20 CAPÍTULO II A MODERNA GESTÃO DE PESSOAS Nas organizações, existem inúmeros recursos para se administrar e dentre todos os existentes podemos analisar os recursos humanos como os únicos com vida, sentimento, poder de decisão e não recursos vistos como meros empregados para realizar tarefas, entendendo um planejamento que permita ações que correspondam com as metas e objetivos da empresa. Os recursos humanos se diferem pela personalidade e caráter de cada um que trabalha na organização, na maneira de administrar os outros recursos existentes e no resultado final alcançado. Todos os recursos (financeiros, materiais, tecnológicos, etc.) dependem diretamente das pessoas que trabalham na organização e como estas estão ambientadas no seu local de trabalho, ou seja, se há bom relacionamento com as áreas, se há identificação com a cultura da empresa, etc. Vários termos são utilizados para definir as pessoas que trabalham nas organizações: funcionários, empregados, servidores, pessoal, trabalhadores, operários, recursos humanos, colaboradores, capital humano, capital intelectual, etc. Apesar da evolução de termos para qualificar as pessoas, muitas organizações ainda fazem gestão de pessoas de maneira vaga e imprecisa e este fato se torna crítico para o sucesso empresarial em tempos de alta competitividade. De acordo com a moderna gestão de pessoas, temos a seguinte visão das pessoas como recursos e das pessoas como colaboradores: Pessoas como recursos pessoas como colaboradores empregados isolados nos cargos 21 colaboradores agrupados em equipes. Horário rigidamente estabelecido metas negociadas e compartilhadas preocupação com normas e regras preocupação com resultados subordinação ao chefe atendimento e satisfação do cliente fidelidade à organização vinculação à missão e à visão dependência da chefia Interdependência entre colegas e equipes alienação em relação à organização participação e comprometimento ênfase na especialização ênfase na ética e na responsabilidade executoras de tarefas fornecedoras de atividades ênfase nas destrezas manuais ênfase no conhecimento mão-de-obra inteligência e talento. Fonte: Gestão de Pessoas – Chiavenato, Idalberto Assim, com a apresentação da visão das pessoas como recursos e das pessoas como colaboradores, podemos destacar também que a moderna gestão de pessoas se baseia em três aspectos fundamentais: a) – As pessoas como seres humanos: pessoas reconhecidas em termos de habilidades pessoais e técnicas, mas dotadas de sentimento, personalidade própria, família, relacionamentos formais e informais, capital intelectual; b) – As pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais: pessoas dotadas de inteligência, talento e aprendizados na criação de metodologias que facilitem a gestão no dia-a-dia e garanta um retorno à organização. As pessoas são vistas como fonte de impulso próprio e não como agentes passivos, inertes e estáticos; c) – As pessoas como parceiros da organização: as pessoas são vistas como gerentes de suas próprias áreas com autonomia de atuação e comprometimento com responsabilidade. É uma maneira de combater a passividade e a inércia das pessoas, trazendo mais desafio e motivação e identificando e formando líderes. Dentro destes aspectos, podemos observar o quanto os recursos humanos são importantes para atingir objetivos organizacionais e manter a 22 qualidade do produto e/ou serviço final, do qual o cliente vai ter percepção positiva ou negativa. A importância em disseminar a cultura da qualidade está em uma gestão mais transparente e objetiva, onde todos tenham liberdade de criar e opinar e, além disso, a equipe ter em mente a missão, a visão, os objetivos e as metas organizacionais. Com estas medidas, os colaboradores poderão compreender o significado e a importância do trabalho em consonância com os objetivos da organização. É claro que além de um ambiente de trabalho motivador, é necessário um sistema de remuneração justo e uma identificação do funcionário com a cultura da empresa para que conseqüentemente não haja rotatividade e absenteísmo. A questão é que quando a organização não tem uma política forte de recursos humanos, a tendência é que haja bastante rotatividade e absenteísmo de funcionários, com isso gerando retrabalho, sobrecarga de trabalho e entrada e saída constantes de funcionários. Quando estes fatos acontecem, a empresa não consegue reter os talentos. Além disso, há um gasto maior com treinamento e dispêndio de tempo até as pessoas aprenderem o trabalho. Hoje em dia, a gestão do capital intelectual é estratégica para as organizações devido a importância do capital humano em termos de conhecimento em prol de garantir mais inovação à organização, o que gera um valor agregado e intangível e que está sendo mais valorizado do que em termos de capital financeiro. É por isso ser necessária uma política forte de recursos humanos frente aos novos desafios do mercado e, também pelo fato de que o funcionário que for trabalhar em uma empresa concorrente poderá levar mais idéias e até informações da outra empresa que trabalhou. 23 É necessário ter em mente que o papel do homem nas organizações mudou e que o modelo mecanicista da Abordagem Clássica está ultrapassado e a sua utilização poderá levar as organizações a falência. Os novos tempos vieram para trazer um homem com mais desafios pela frente e polivalente em relação às atribuições. Segue abaixo as características dos recursos humanos na moderna gestão de recursos humanos: - Funcionário generalista e polivalente; - Funcionário autônomo para tomar decisões; - Homem proativo; - Valorização e reconhecimento do funcionário perante inovações; - Treinamento e reciclagem constantes do funcionário para que o conhecimento não se torne obsoleto; - Trabalho em equipes multifuncionais; - Acompanhamento das mudanças internas e externas; - Compromisso com a qualidade e com a excelência dos serviços; - Foco nas necessidades dos clientes. Todas estas características valorizam o homem como funcionário com mais autonomia, o que anteriormente não acontecia, tornando-o passivo e inerte, só restando obedecer às ordens. Com as mudanças no mundo, houve uma modificação nos papéis dos recursos humanos dentro da organização. Para estar em consonância com as mudanças, é necessário que a área de recursos humanos esteja a par do planejamento estratégico da organização e os objetivos e metas estejam de acordo com o que a organização quer alcançar. Os objetivos da área de recursos humanos contribuem para a organização através dos seguintes meios: - Selecionar e admitir funcionários com o perfil adequado, de modo que haja identificação com a organização e traga maior produtividade e melhor relacionamento pessoal; - Trazer bem-estar e felicidade no trabalho com programas de qualidade de vida e gestão participativa com o propósito de se motivar e criar um ambiente 24 de trabalho favorável; - Buscar o treinamento constante para que o funcionário aprenda novos conhecimentos e fortaleça a vida profissional e pessoal no dia-a-dia; - Disseminar a política da qualidade, ética e responsabilidade com o objetivo de ter uma imagem institucional respeitada perante o mercado; - Administrar as mudanças de modo que os recursos humanos possam ser capazes de enfrentá-las. Mesmo assim, com todas as atribuições referentes à moderna gestão de pessoas, é necessária a aplicação dos conceitos de qualidade na rotina de trabalho com o objetivo não só de produção, mas também referentes a motivação e ao bem-estar do ser humano. Através da construção de um bom clima organizacional é que a cultura da qualidade se fortalece e com a aplicação das ferramentas de qualidade, os recursos humanos constituem um ambiente de trabalho favorável. Capitulo III APRENDISAGEM COMO MEDIADORA DA GESTÃO DE EMPRESAS A aprendizagem tem sido pesquisa de vários pontos de vista, principalmente em função das varias disciplinas que abordam o tema, incluindo a psicologia, a sociologia, a historia e a antropologia, fornecendo teorias e conceitos que explicam a aprendizagem como um processo, com uma necessidade para o conhecimento, como uma expressão de personalidade ou estilo pessoal, como uma faceta da cultura (individual e organizacional). Os 25 pesquisadores têm examinado como, os seus efeitos em nós e em nossa aprendizagem (Brown, 2002, 175) Segundo Starkey (1998), a aprendizagem é vista como a chave para tornar as organizações mais democráticas, mais receptivas a mudanças, e para criar organizações em que os indivíduos possam crescer e se desenvolver. Os primeiros estudos sobre aprendizagem organizacional datam da década de 1960, mas só a partir da ultima década do século XX as organizações passaram a considerar a aprendizagem como um recurso valioso no processo de transformação organizacional. Para compreender melhor a teoria e a prática da aprendizagem organizacional, torna-se necessário analisar alguns conceitos e disciplinas sobre a ótica de alguns autores. Cabe lembrar que os conceitos de aprendizagem organizacional compreendem uma larga amplitude de diferenciação entre os autores de abordagens distintas. Alguns focalizam a relação entre a aprendizagem individual e organizacional (Kim, 1993, Argyris e Schon, 1974). Outros autores como Simon (apud Fiol & Lyles, 1985), por exemplo, encaram a aprendizagem organizacional como um processo em que os insights e reestruturação bem-sucedida dos problemas organizacionais pelos indivíduos refletem nos resultados da organização. Há ainda os que postulam que aprendizagem envolve um processo de melhoria das ações por meio do melhor conhecimento e compreensão (Fiol & Lyles, 1985, 803). A aprendizagem organizacional associada a um processo de adaptação ao ambiente em busca da sobrevivência (Mc Gee & Prussak, em 1994, 206) e a institucionalização de rotinas, procedimentos, estruturas, sistemas de informações, artefatos organizacionais, elementos simbólicos, missão e estratégias (Humber, 1991). Alguns pesquisadores também abordam a aprendizagem como a capacidade de manter ou melhorar a performance baseada na experiência(Nevis, Dibela & Gould, 1995, 73). 26 Diante da diversidade de abordagens sobre o fenômeno, Fiol & Lyles (1985, 803) realizaram uma avaliação sobre a literatura da administração, estratégica e constataram que, embora exista uma exista uma aceitação da noção de aprendizagem organizacional e sua importância na performance estratégica, nenhum modelo de aprendizagem organizacional é amplamente aceito. Cada autor apresenta abordagens sob diferentes perspectivas, o que contribui para tornar a questão mais divergente. Schulz (2001) explora algumas definições e a evolução conceitual dos principais autores relacionados à aprendizagem organizacional e sugere três níveis de aprendizagem tendo como base os modelos de Levitt e March (1988) e March (1991): a) codificação: a organização aprende com base em codificações de inferências construídas a partir de experiências e rotinas (Levitt e March, 1988) em buscas, variações, risco, experimentação, flexibilidade e inovação (March, 1991). Argyris e Schön (1978), a aprendizagem de ciclo simples se refere à eficiência ou à melhor forma de atingir os objetivos existentes e de como melhor manter o desempenho da organização considerando as normas e valores existentes. A aprendizagem de ciclo simples é chamada por Probst e Buchel (1997) de adaptativa porque é por meio dela que a empresa se adapta ao seu ambiente. O pressuposto da aprendizagem adaptativa é o de que a organização reage aos eventos do ambiente por meio da correção dos erros das teorias em uso, mantendo-as alinhadas às normas existentes. Para Probst e Buchel (1997, p. 33), “isso significa que a organização se ajusta aos fatores ambientais, mas as normas e valores existentes não são questionados”. Na verdade, esse é o pressuposto envolvido no processo de aprendizagem de ciclo duplo. Nesse tipo de aprendizagem, antes da efetivação de uma ação, os resultados anteriores são corrigidos a partir de um exame dos princípios de base do sistema. A aprendizagem de ciclo duplo envolve a revisão crítica da teoria em uso por meio do questionamento dos princípios e 27 regras vigentes, que são então adequadamente alterados (Argyris e Schön, 1978). Senge (1990) vincula a aprendizagem de ciclo duplo à criação ou inovação [generative learning] e a de ciclo simples à cópia. Entretanto, um ponto de convergência entre algumas abordagens. O incentivo e a participação das pessoas nas ações organizacionais podem contribuir no processo de aquisição, armazenamento e difusão do conhecimento, associados a processos e a aprendizagem. A troca de informações entre pessoas, grupos e ate organizações e uma forte aliada no desenvolvimento de um sistema de aprendizagem de gestão do conhecimento. No entanto, muitas empresas sofrem problemas para democratizar a informação por toda a organização. Markes (1994) diagnostica como doença organizacional a pouca difusão da memória organizacional, que ocorre em instituições que não conseguem aprender com os próprios erros. As doenças organizacionais serão tratadas a partir de um olhar da psicologia corporal, através de uma revisão teórica sobre as psicopatologias do trabalho no próximo capitulo. Capitulo IV PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO E A PESTE EMOCIONAL O presente capitulo baseado em uma visão teórica, tem como objetivo abordar a psicopatologias do trabalho e suas relações com a peste emocional. Pretende-se, a partir de uma visão Reichiana, indicar as questões coletivas que promovem as doenças no ambiente organizacional, suas conseqüências que abrangem todo cotidiano dos seres humanos inseridos dentro dessas organizações, bem como, algumas particularidades da própria enfermidade. 28 A psicopatologia do trabalho e a peste emocional refletem a sua própria historia, tiveram muita ênfase na revolução industrial, onde os meios de produção ocasionavam grandes perdas humanas, incluindo crianças. Levando o proletariado a se organizar para reivindicar uma reforma no trabalho. As lutas dos trabalhadores indicavam que o sistema político e econômico provoca as desordens do bem estar e possibilitavam as doenças da massa. Segundo Reich: “no moderno sistema social, faltam todas as condições prévias: que em suma, só a mudança radical das instituições e ideologias sociais (mudanças que dependem do êxito das lutas políticas de nosso século) criará as condições necessárias a uma ampla profilaxia das neuroses’ (Reich: 2004 p.53) Há de se perguntar pôr que, da submissão do homem a tantas desordens psíquicas que agem contra a sua saúde mental e corporal, de forma consciente e inconsciente. Ainda segundo o mesmo autor: Por que o homem é, antes de tudo o objetivo de suas necessidades e da organização social que regula a satisfação de suas necessidades, desta ou aquela maneira. Em sua posição de objeto de suas necessidades, entretanto, o homem é, também e ao mesmo tempo, sujeito da historia e do processo social do qual “ele e o próprio autor”, não, certamente, como gostaria, mas condicionado por certos pressupostos econômicos e culturais, que determinam o conteúdo e o resultado da ação humana. (Reich. 2004, 28). A mente e as psicopatologias vieram subseqüentes as lutas dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, ou seja, desde os mediados de 1968 a qualidade de vida no sentido psíquico vem sendo apontada como um fator de considerável relevância. Segundo Dejours (1992), o sofrimento mental resulta da organização do trabalho, ou melhor, do controle utilizado pelas organizações das mentes de seus trabalhadores. No pós modernismo, as sociedades capitais se tornam mais individualistas, onde ocasionou a alienação do ser no sentido social, abrangendo também, as organizações. 29 Na ambivalência pós moderna, espetáculos, simulações, sedução, constituem jogos com o signo. A esse universo informacional, sem peso e desreferencializado, só pode corresponder a um sujeito informatizado, leve e sem conteúdo. É o narcisismo dessubstancializado. Narcisismo (amor destemido pela própria imagem) e dessubstancialização (Falta de identidade, sentimento de vazio) resume o sujeito pós moderno. (Santos 2002, 102). De acordo com Reich (1968), o trabalho se tornou mais psíquico, porem frenético e individualizado. A massa pós moderna não vê, o trabalho como única possibilidade de auto-realização, busca constante do laser como forma de prazer, descarregando as tensões psíquicas e corporais. As repressões consumistas que o homem não consegue alcançar aumentam as couraças aumentando as angustias e doenças, que se acentuam com as pressões de trabalho na política de substituição e alta rotatividade de mão-de-obra, caracterizando os conflitos humanos: família, vida e trabalho todos englobados na peste emocional. No conflito entre avaliação e moral, eu e mundo exterior, o organismo psíquico fica obrigado a amar-se tanto contra o impulso quanto contra o mundo externo, a tornar-se “frio” Essa armadura do organismo pressupõe uma restrição mais ou menos ampla de toda capacidade e atividade vital. Não é demais acentuar que a maioria dos indivíduos sofrem sob essa armadura rígida; entre eles e a vida encontra-se um muro. E a base mais importante de isolamento de tantas pessoas em meio a vida coletiva(Reich, 1968 p 37). Diante disso, este capitulo baseado em uma revisão teórica, tem como propósito abordar questões sobre a psicologia corporal, psicopatologia do trabalho e a pós modernidade. A peste emocional A peste emocional esta intrínseca na sociedade que reprimem a livre educação sexual, ou seja, sociedades que tentam estabelecer o controle alienante sobre os indivíduos, atingindo o ser na sua principal forma de alivio de tensões, garantindo uma redução ou ausência do potencial orgástico. Resultando em indivíduos encouraçados, rígidos e incapazes de um saudável 30 metabolismo energético de carga e descarga. A esse respeito Reich (2004, 461) comenta: “um home atravessa a vida com as muletas da peste emocional quando as expressões auto-reguladoras naturais da vida suprimidas desde o nascimento”. A peste emocional não e hereditária, ela é criada no sujeito, ou seja, é introjetada frente a sua ontologia, nas relações parentais precárias, que cresce desviada dos interesses coletivos saudáveis e tendem a buscar os seus próprios direcionamentos, sejam eles sádicos, malévolos, caluniosos e etc. conforme ressaltava Volp (2003, p2) uma pessoa acometida pela peste emocional, como não consegue se promover pelo esforço próprio busca se promover por meio da destruição do outro. As destruições acometem praticamente todo o ser, seja no seu pensamento, na ação, na sexualidade, no trabalho e entre outros direcionamentos que se estabelecem nas interações do individuo com seu meio potencializador das psicopatologias. Conforme Reich (2004 461): “A peste emocional é uma biopatia Crônica do organismo. Fez a sua aparição na sociedade humana com a primeira repressão em massa da sexualidade genital; tornou-se uma doença endêmica, que tem atormentado os povos há milênios de anos”. 4.1 O trabalho e a peste emocional. Conforme os referenciais históricos e o embasamento da peste emocional pode-se constatar que as psicopatologias do trabalho estão intimamente ligadas a essa doença no que se refere às relações do trabalho ou suas hierarquias. Segundo Dejours (1992, p75) “entendemos por relação do trabalho todos os laços humanos criados pela organização do trabalho: Relações com a hierarquia, com as chefias, com a supervisão, com os outros trabalhadores, - e que são às vezes desagradáveis, até insuportável. 31 Essas relações conturbadas geram ansiedades que levam os indivíduos a uma autoflagelação psíquica, que potencializado pelo medo, de demissões e por estarem, em sua maioria, acorrentados do sistema financeiros, que obrigam os indivíduos a se sujeitarem aos assédios morais manipulados por organizações que sabem destas “correntes”. Conforme Reich (2004, p.474). “a pessoa acometida da peste emocional, por sua vez, tira tanto prazer sádico, secundário, de seu próprio comportamento, que inacessível a qualquer correção. Outros pontos de considerável questionamento são as relações psicoafetivas, ou seja, as interpessoais e informais no trabalho, consideram-se essas relações ambíguas, gerando medo e a incapacidade de confiança nos próprios companheiros no ambiente de trabalho. As organizações pregam a chamada divisão do “profissional e pessoal”, divisão esta que muitas vezes servem de couraças contra os conflitos que maquiam os sentidos pessoais de perseguições e assédios morais, seja de maneira vertical ou horizontal na hierarquia. Segundo Dejours (1992 p. 77) “A desorganização dos investimentos afetivos provocada pela organização do trabalho pode colocar em perigo o equilíbrio mental dos trabalhadores”. O equilíbrio mental e o que se carrega e direciona todos os impulsos da vida. Impulsos estes, que quando acometidos pela peste emocional não são liberados adequadamente e retro alimentando a própria peste, acarretando relacionamentos incompatíveis e incursões das doenças psíquicas do trabalho: neuroses, depressão, fobias, estresse, e até o suicídio. Segundo Reich (2004, p.464) “A energia que alimenta a reação da peste emocional deriva sempre da reação genital, que se trate das ações sádicas de guerra, quer da difamação de amigos”. Denotam-se vários outros pontos que a peste emocional destorce o equilíbrio mental nas organizações, porem o sadismo parece ser um dos braços mais marcantes da peste. O líder ou o companheiro sádico manipula os 32 demais funcionários contra um, ou vários outros indivíduos, sejam por motivos raciais, de gênero, de hierarquia e educação que faz os atacados por esse sadismo, abrirem mãos de suas condições mínimas de saúde mental em seu ambiente de trabalho. Como aponta Dejours (1992), a pesar do sofrimento mental que não pode mais ser ignorados, os trabalhadores continuaram a suportar este sofrimento dentro de seus postos de trabalho, juntamente para encarar uma exigência ainda pior: sobreviver. As organizações são constituídas por pessoas que trabalham em prol de um objetivo, formão suas divisões e sub-divisões, e juntas tentam disputar o espaço deste grupo: financeiro social e político. Mesmo quando harmonizado, tendem a propor a seus colaboradores, um ideal de vida, de família ou humano, porém, por estas organizações constituídas de pessoas, elas também sofrem com a peste emocional, atuando como perpetradoras das desordens psicossociais e coadjuvantes nas psicopatologias tanto da ordem organizacional como individual. A peste emocional tem conseguido se antecipar a possíveis relações de seus mecanismos, e o faz por meio de ações bem-dissimuladas e racionalizadas... Provocou uma guerra de dimensões inimagináveis e fomentou o assassinato do cotidiano, crônico. Tentou se esconder por trás de sonoros, ‘ideais políticos”, e “novas ordens”, por trás de “antigos impérios”, e de “reivindicações raciais”. Durante anos teve o credito de um mundo psiquiatricamente doente.... Insultou os sentimentos naturais da vida, em todos os homens e mulheres, sem respeitar a família e a profissão. (Reich 2004, p. 487-488) Conforme as analises oriundas da psicologia corporal, juntamente com as experiências profissionais na minha pratica clinica e vivencias dentro das organizações. Denota-se que a psicopatologia do trabalho se correlaciona ao conceito da peste emocional. Observa-se que a incidência dos assédios morais, atingem de forma negativa todo equilíbrio e pulsão da vida dentro das instituições. Sendo que, 33 este desequilíbrio se estendem aos próprios produtos e serviços oferecidos pelas organizações doentes. Considera-se que a contaminação através da peste emocional gera as psicopatologias que englobam todo o conteúdo disposto dentro das organizações, propiciando a insatisfação nos serviços prestados, a alta rotatividade, tendências aos acidentes de trabalho dificuldades gerais que proliferam a doença para fora dos muros das organizações. O próximo capitulo vai tratar de uma maneira mais minuciosa sobre a emoção, e a capacidade de dar inteligência as emoções. Avaliando a importante harmonia na relação entre corpo e mente “cabeça e coração”. CAPÍTULO V EMOÇÕES E OS PROCESSOS EMPRESARIAIS Diante da nova realidade competitiva e do crescente nível de exigência do mercado de trabalho atual, torna-se inevitável a aplicação da inteligência emocional para a obtenção da satisfação pessoal no trabalho. A inteligência emocional tem importância fundamental na atividade laborativa, e dela dependem muito o sucesso e a sobrevivência de uma pessoa no mercado profissional. As emoções quando são adequadamente controladas permitem uma boa produtividade, um bom relacionamento e bem-estar, e são também capazes de gerar mais lealdade e compromisso com o trabalho. A orientação moderna para o vsucesso profissional pressupõe que os indivíduos saibam criar condições onde se sintam seguros, motivados, satisfeitos e confortáveis para enfrentar os desafios requeridos por suas realizações pessoais frente ao mesmo. A inteligência emocional está relacionada com o uso inteligente das emoções, inclusive nos aspectos 34 relacionados ao trabalho. Afinal, para efetuá-lo, uma pessoa é envolvida em todos os seus aspectos, inclusive psicológica. Dessa maneira, as emoções inevitavelmente interferem na maneira do indivíduo executá-lo, contribuindo tanto para a satisfação quanto para a insatisfação. São muitas as situações em que a inteligência emocional pode ser aplicada no trabalho, como desde as resoluções de problemas operacionais, até o atrito de opiniões diversas durante uma reunião com o líder. Esta Inteligência aplicada às atividades laborativas é fundamental para a realização pessoal e profissional, uma vez que a falta da capacidade para lidar com as próprias emoções pode destruir vidas e acabar com carreiras profissionais. A realização e a satisfação no trabalho são alguns dos principais fatores geradores dos sentimentos de felicidade e bem-estar. Controlar as emoções significa algo bastante diferente de sufocá-las, pois se compreendendo o contexto emocional que se está inserido o indivíduo pode colocar em ação o controle de suas emoções a seu favor, de forma a provocar a satisfação pessoal no desenvolvimento das suas atividades profissionais. Manter-se consciente dos próprios sentimentos, permanecendo atento ao que se está sentindo, também é uma aptidão emocional básica que auxilia o desenvolvimento da integridade e leva a pessoa a descobrir satisfação no trabalho. Igualmente importante é saber sintonizar-se com os sentimentos daqueles com quem se relaciona no ambiente profissional, uma vez que, se não for capaz de avaliar a qualidade e intensidade dos próprios sentimentos, a pessoa não poderá definir até que ponto esses sentimentos o estão a influenciar e aos que estão à sua volta. Além do mais, estando consciente do próprio estado emocional poderá também estar em sintonia com o estado emocional daqueles que o cercam, interagindo assim eficazmente com eles. 35 O conhecimento da inteligência emocional no trabalho é de grande relevância pelas exigências do mercado atual, afinal parece que está existindo, de fato, uma mudança social e estrutural aos níveis dos valores no ambiente de trabalho, implicando na própria maneira de se trabalhar, e isto incluiu o indivíduo com suas realizações e satisfações pessoais. Acrescento ainda que a inteligência emocional demonstre que o ser humano é o verdadeiro diferencial no mercado profissional, e para que ele possa utilizar todo o seu talento interno, as emoções precisam ter um espaço garantido, através de seu uso inteligente. A satisfação no trabalho não possui um caminho único para ser alcançado, mas tem que existir a necessidade humana de cada um desvendar seu conceito particular de satisfação e descobrir posturas e escolhas que resultem em satisfação no trabalho. Entretanto, o uso da inteligência emocional favorece a satisfação pessoal do individuo no trabalho, no sentido de que o uso inteligente das emoções trabalha como um suporte para uma interação entre a vida psíquica e o próprio sistema de valor dos indivíduos em relação ao mesmo, evidenciando a integração entre o estado psicológico do trabalhador e a sua satisfação no ambiente de trabalho. Schröder Gonçalves. Fernanda (inteligência emocional) O acelerado crescimento de demandas psicológicas empresariais bem como a grande relevância dedicada ao potencial humano nos emite a refletir em como as nossas emoções podem influenciar as diversas áreas de nossas vidas. Podemos observar que nossa vida mental e integrada por uma mente racional (reflexão) e uma mente emocional (impulsiva), na maior parte do tempo atuando em harmonia. Observamos que aptidão emocional pode ser vista como uma “metacapacidade” passível de determinar como podemos fazer o bom uso de qualquer outra aptidão que venhamos a possuir. Como criatividade, inovação e etc.. Pesquisas relevantes associam o cérebro executivo, o sistema imunológico e o cérebro emocional, indicando que os 36 mensageiros químicos que operam mais intensamente no cérebroe sistema imunológico são mais densos nas áreas neurais que regulam a emoção. Relatos que nos levam a conscientização da necessidade de um reaprendizado emocional, levando os ambientes empresariais a ser espaços que permitam este desenvolvimento. A compreensão do desenvolvimento humano como fator de sucesso, que também é conhecido como capital humano nas empresas, tem transformado a leitura de como, a capacidade de dar inteligência as emoções do ser humano influenciam nos resultados de vivências e escolhas em cada área da vida. Nas últimas décadas, muito se falou sobre a importância do QI (quoeficiente de Inteligência) como um fator de primeira ordem para ser o bom profissional, arrumar um bom emprego e etc.. O estudo apresentado traça algumas reflexões sobre como resultados de pesquisas demonstram que, o QI só prevê dez por cento do sucesso da carreira profissional. Todo o restante se dá na habilidade em lidar com as emoções em todas as áreas de sua vida alinhada a uma boa formação escolar. 5.1 A existência de duas mentes Uma amiga me falava de seu divorcio, uma dolorosa separação. O marido apaixonara-se por uma mulher mais jovem com quem trabalhava e, de repente, anunciara que ia deixá-la para viver com a outra. Surgiram meses de brigas amargas sobre a casa, dinheiro e custodia dos filhos. Agora, passados alguns meses, ela dizia que sua independência lhe agradava, que se sentia feliz contando apenas com sigo mesma. -simplesmente não penso mais nele; na verdade, nem quero saber dele. -Só que ao dizer isso, de repente seus olhos ficam cheios de lagrimas. 37 Aquele lacrimejar de olhos poderia passar facilmente despercebido. Mas, por um tipo de compreensão que acontece através da empatia, os olhos marejados em uma pessoa indicam que ela esta triste, não importa o que ela tenha expressado em palavras. A empatia e um ato de compreensão tão seguro quanto a apreensão do sentido das palavras contidas numa pagina impressa. O primeiro fruto de compreensão e fruto da mente emocional, o outro, da mente racional. Na verdade temos duas mentes –a que raciocina e que sente. Esses dois modos fundamentalmente diferentes de conhecimento integram na construção de nossa vida mental. Um, a mente racional, e o modo de compreensão de que, em geral, temos consciência: é mais destacado na consciência, e mais atento e capaz de ponderar e refletir. Mas, alem deste, há um outro sistema de conhecimento que e impulsivo e poderoso, embora as vezes ilógico –a mente emocional. A dicotomia emocional / racional aproxima-se da distinção que popularmente e feita entre “coração” e “cabeça”; saber que alguma coisa e certa “aqui dentro no coração” e um tipo de convicção –tem um sentido mais profundo -, ainda que idêntica àquela adquirida através da mente racional. Há uma acentuada graduação na proporção entre controle racional e emocional da mente; quanto mais intenso o sentimento, mais dominante e a mente emocional -, e mais inoperante, a racional. E uma disposição que parece ter origem a bilhões de anos, quando se iniciou a nossa evolução biológica. Era mais vantajoso que a emoção e intuição guiassem nossa reação imediata frente a situações de perigo de vida –parar para pensar poderia custar a vida Segundo John gottman ( 1993). Essas duas mentes, a emocional e a racional, na maior parte do tempo operam, em estreita harmonia, entrelaçando os seus modos de conhecimento para que nos orientemos no mundo. Em geral, há um equilíbrio entre as mentes emocional e racional, com a emoção alimentando e informando as operações da mente racional, e a mente 38 racional refinando e às vezes vetando a entrada das emoções. Mas são faculdades semi-independentes, cada uma, como veremos, refletindo o funcionamento de circuitos distintos, embora interligados, do cérebro. Em muitos ou na maioria dos momentos, essas mentes se coordenam de forma bela e delicada; os sentimentos são essenciais para o pensamento e viseversa. Mas, quando surgem as paixões, esse equilíbrio se desfaz: e a mente emocional que assume o comando, inundando a mente racional. Para melhor entender a enorme influencia das emoções sobre a razão –e por que sentimentos e razão entram tão prontamente em guerra- vejamos como o cérebro evoluiu. O cérebro humano, com um pouco mais de um quilo de células e humores neurais, e três vezes maiores que o dos nossos primos ancestrais, os primatas não-humanos. Ao longo de milhões de anos de evolução, o cérebro cresceu de baixo para cima, os centros superiores desenvolveram-se como elaboração das partes inferiores, mais antigas. (o crescimento do cérebro no embrião humano refaz mais ou menos esse percurso evolucionário) A parte mais primitiva do cérebro, partilha por todas as espécies que tem um sistema nervoso superior a um nível mínimo, e o tronco cerebral envolta do topo da medula espinhal. Cérebro-raiz regula funções vitais básicas,como a respiração e o metabolismo dos outros órgão do corpo, também controla reações e movimentos estereotipados. Não se pode dizer que esse cérebro primitivo pense ou aprenda; ao contrario, ele se constitui num conjunto de reguladores pré-programados que mantêm o funcionamento do corpo como deve e reage de modo a assegurar a sobrevivência. Esse cérebro reinou supremo na Era dos |Répteis: imaginem o sibilar de uma serpente comunicando a ameaça de um ataque. Da mais primitiva raiz, o tronco cerebral surgiram os centros emocionais, milhões de anos depois, na evolução dessas áreas emocionais, desenvolveuse o cérebro pensante, ou “neocórtex”, o grande bulbo de tecidos ondulados que forma as camadas externas. O fato de o cérebro pensante ter se 39 desenvolvido a partir das emoções revela muito a cerca da relação entre razão e sentimento; existiu um cérebro emocional muito antes de um surgimento de um cérebro racional. Na qualidade de seres emocionais, nos consideramos as emoções experiências conscientes. Mas quando nos dedicamos a analisar as emoções no cérebro, verificamos que as experiências emocionais conscientes constituem apenas um dos aspectos, e não, necessariamente a função principal dos sistemas que a produzem. Isso não torna nossas experiências conscientes de amor ou menos reais ou menos importante, mas siguinifica tãosomente que, se quisermos entender de onde vem às vivencias emocionais, teremos de reorientar nossa busca. Do ponto de vista do amante, a única coisa que importa no amor e o sentimento. Mas do ponto de vista daquele que busca compreender o que e um sentimento, por que ele ocorre, de onde provem e por que certas pessoas dão ou recebem com mais facilidade do que outras talvez o amor, o sentimento, não tenha nada a ver com isso realmente. Ledoux (1996) 5.2 A vida emocional A vida emocional e um campo com o qual se pode lidar, certamente como matemática ou literatura, maior ou menor habilidade, exige seu conjunto especial de aptidões. E a medida dessas aptidões numa pessoa e decisiva para compreender por que uma e prospera na vida, enquanto outra de igual nível intelectual, entra em um beco sem saída: a aptidão emocional e uma metacapacidade que determina ate onde podemos usar bem quaisquer outras aptidões que tenhamos, incluindo o intelecto bruto. Todas as emoções são, em essência, impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam lidar com a vida. Em nosso repertorio emocional, cada emoção desempenha uma função especifica, como revelam suas distintas assinaturas biológicas. Diante das novas tecnologias que permitem perscrutar o cérebro e o corpo como um todo, os pesquisadores 40 estão descobrindo detalhes fisiológicos que permitem a verificação de como diferentes tipos de emoção preparam o corpo para diferentes tipos de resposta. Na raiva, o sangue flui para as mãos, tornando mais fácil sacar da arma ou golpear o inimigo; os batimentos cardíacos aceleram-se e uma onda de hormônios, a adrenalina, entre outros, gera uma pulsação, energia suficientemente forte para uma atuação vigorosa. No medo, o sangue corre para os músculos do esqueleto, como os das pernas, facilitando a fuga;o rosto fica lívido, já que o sangue lhe e subtraído. Ao mesmo tempo, o corpo imobiliza-se ainda que por um breve momento, talvez para permitir que a pessoa considere a possibilidade de, em vez de agir, fugir e ou se esconder. A sensação de felicidade causa uma das principais alterações biológicas. A atividade do centro cerebral e incrementada, o que inibe sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente, silenciando aqueles que geram sentimentos de preocupação, mas não acorre nenhuma mudança particular na fisiologia, a não ser uma tranqüilidade, que faz com que o corpo se recupere rapidamente do estimulo causado por emoções perturbadoras. O amor, os sentimentos de afeição e a satisfação sexual implicam estimulação parassimpática, o que constitui o oposto fisiológico que mobiliza para “lutar ou fugir” que ocorre quando o sentimento e de medo ou ira. O padrão parassimpático, chamado de “resposta de relaxamento”, e um conjunto de reações que percorre todo o corpo, provocando um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperação. O erguer das sobrancelhas, na surpresa, proporciona uma varredura visual mais ampla, e também mais luz para a retina. Isso permite que obtenhamos mais informações sobre um acontecimento que se deu de forma inesperada, tornando mais fácil perceber exatamente oque esta acontecendo e conceber o melhor plano de ação. Em todo o mundo, a expressão de repugnância se assemelha e envia a mesma mensagem: alguma coisa desagradou ao gosto ou ao olfato, rela ou metaforicamente. 41 Uma das principais funções da tristeza e de propiciar um ajustamento a grande perda, como morte de alguém ou uma decepção significativa. A tristeza acarreta uma perda de energia e de entusiasmo pelas atividades da vida, em particular por diversões e prazeres. (Levensom. 1994) 5.3 Neocortex O cérebro emocional Segundo Goleman o neocórtex e a sede do pensamento; contem os centros que reúnem e compreendem o que os sentidos percebem. Acrescenta a um sentimento o que pensamos dele –e permite que tenhamos sentimentos sobre idéias, arte, símbolos, imagens. Mas esses centros superiores não controlam toda a vida emocional; nos problemas cruciais que dizem respeito ao coração e, mais especialmente, nas emergências emocionais, pode se dizer que eles se submetem ao sistema límbico. Como tantos os sistemas superiores do cérebro se desenvolveram a partir do âmbito da região límbica, ou a ampliaram, o cérebro emocional desempenha uma função decisiva na arquitetura neural. Como raiz da qual surgiu o cérebro mais novo, as áreas emocionais entrelaçam-se, através de milhares de circuitos de ligação, com todas as partes do neocórtex. Isso da aos centros emocionais imensos poderes de influenciar o funcionamento do resto do cérebro –incluindo seus centros de pensamentos. 5.4 A mente do Corpo: como as emoções afetam a saúde Em 1974, uma descoberta num laboratório da faculdade de Medicina e odontologia da universidade de Rochester redesenhou o mapa biológico do corpo: o psicólogo Ader descobriu que o sistema imunológico, tal como o cérebro, era capaz de aprender. Essa constatação causou um grande impacto porque o saber que, à época, predominava na medicina era que apenas o cérebro e o sistema nervoso central poderiam sofrer alterações como reação a experiência. A descoberta de Ader levou a investigação que resultou na descoberta de milhares de forma de comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico –rotas biológicas que fazem com que se 42 considere que mente, emoção e corpo não sejam entidades separadas, mas intimamente interligada. Nessa experiência, ratos brancos receberam um medicamento que eliminava artificialmente a qualidade de células T que combatem doenças que circulam no sangue. Esse medicamento lhe era dado com água |sacarinada. Mas Ader descobriu que dar aos ratos apenas a água sacarinada , sem o medicamento supressor, ainda resultava na redução da contagem das células T –a ponto de alguns dos ratos adoecerem e morrerem. O sistema imunológico deles aprendera a suprimir células T em resposta a água adocicada. Isso simplesmente não deveria acontecer, de acordo com o conhecimento cientifico da época. O sistema imunológico e o “cérebro do corpo”, como diz o cientista Francisco Varela, da escola politécnica de Paris ao definir como o corpo percebe a si mesmo –o que faz parte dele e o que não faz. As células imunológicas circulam na corrente sanguínea, entretanto em contato praticamente com todas as outras células. Aquelas que elas reconhecem, deixam em paz; as que não conseguem reconhecer, atacam. O atacam ou nos defendem de vírus, bactérias e câncer, ou, se as células imunológicas não reconhecem células que são propias do corpo, instala-se uma doença autoimune, como a alergia ou lúpus. Ate o dia em que Ader fez essa casual descoberta, qualquer anatomista, medico, ou biólogo, acreditava que o cérebro (bem como suas extensões por todo o corpo, via sistema nervoso central) e o sistema imunológico central eram entidades distintas, nenhuma capaz de influenciar no funcionamento da outra. Não haveria rota ligando os centros no cérebro que monitoravam o gosto que o rato sentia com as áreas da medula óssea que fabricava células T.era dessa forma que se pensava há um século. Com o decorrer dos anos, a modesta descoberta de Ader impôs uma nova visão acerca das ligações entre o sistema imunológico e o sistema nervoso central. O campo que estuda isso, a 43 psiconeuroimunologia, ou PNI, e hoje uma área medica de ponta. A própria denominação e um reconhecimento das ligações psico, de “mente”, neuro, do sistema neuroindrogno ( que inclui o sistema nervoso central e o sistema hormonal); e imunologia, do sistema imunológico. Uma rede de pesquisadores tem descoberto que os mensageiros químicos que operam mais intensamente, tanto no cérebro quanto no sistema imunológico, são os mais densos nas áreas neurais que regulam a emoção. Alguns dos mais fortes indícios da existência de uma linha reta que permite que as emoções causem impacto sobre o sistema imunológico vieram de David Felten, um colega de Ader. No inicio ele percebeu que as emoções exercem um poderoso efeito sobre o sistema nervoso autônomo, o qual regula tudo, desde quanta insulina é secretada ate os níveis da pressão sanguínea. Depois, trabalhando com a esposa Suzanne, Feltem e outros colegas identificaram um ponto de encontro onde o sistema nervoso autônomo fala diretamente com os linfócitos e macrófagos, células do sistema imunológico. Através da analise em microscópio eletrônico, eles encontram contatos do tipo sinapses,onde os terminais nervosos do sistema autônomo têm extremidades que dão diretamente nas células imunológicas. Esse ponto de contato físico permite as células nervosas liberem neurotransmissores para regular as células imunológicas; na verdade, elas enviam sinais de um lado para outro. A descoberta é revolucionaria. Ninguém suspeitava que as células imunológicas poderiam ser alvo de mensagens enviadas do nervos.. Para testar a importância dessas terminações nervosas no funcionamento do sistema imunológico, Felten foi mais adiante em suas investigações. Em experiências com animais, removeu alguns nervos de nódulos linfáticos e do baço onde são fabricadas ou armazenadas as células imunológicas –e depois utilizou o vírus para que atacassem o sistema imunológico. Resultado: uma enorme queda de respostas imunológica ao vírus. Ele concluiu que, se essas terminações nervosas, o sistema imunológico simplesmente não responde 44 como deveria a ameaça de um vírus ou bactéria invasores. Em suma, o sistema nervoso não apenas esta ligado ao sistema imunológico, mas também e essencial para a função imunológica adequada. Outra importante rota que liga emoções e sistema imunológico esta na influencia dos hormônios liberados no estresse. As catecolaminas (epinefrina e norepinefrina-também conhecida como adrenalina e noradrenalina), cortisol e prolactina e os opiatos naturais betaendorfina e encefalina sapo todas liberadas durante a estimulação do estresse. Cada um deles tem um forte impacto sobre as células imunológicas. Embora as relações sejam complexas, a influencia principal é que, enquanto esses hormônios percorrem o corpo, as células imunológicas têm a sua função obstruída: o estresse acaba com a resistência imunológica, ao menos temporariamente, ao que se supõe numa conservação de energia que da prioridade à emergência mais imediata, mais premente para a sobrevivência. Mas se o estresse e constante e intenso, essa eliminação pode se tornar duradoura. E evidente que essa e uma genérica correlação estatística entre saúde e emoção, e de nenhum modo indica que qualquer pessoa que conviva cronicamente com esses sentimentos será presa fácil para doenças. Mas as evidencias do importante papel exercido pela emoção na doença são muito maiores do que mostra o estudo. Goleman Inteligencia emocional(1995) 5.5 Tipos de Emoção Uma analise mais atenta dos dados relativos e determinados tipos de emoção, sobre tudo as três grandes –raiva , ansiedade e depressão –esclarece mais algumas formas especificas em que os sentimentos tem significado clinico, mesmo que os mecanismos biológicos pelos quais essas emoções exercem seus efeitos ainda estejam plenamente entendidos. (Goleman 1995) 45 Os padrões emocionais aprendidos podem ser mudados, porque temperamento não e destino. Mas o que dizer sobre as respostas que são parte de nossa herança genética –como mudar reações habituais de pessoas que, por natureza, por exemplo, são muito explosivas ou terrivelmente tímidas? Essa faixa do comportamento emocional e parte do temperamento, murmúrio de sentimentos de fundo que assinalam nossa disposição básica. O temperamento pode ser definido em termos de estados de espírito que tipificam nossa vida emocional. Em certa medida cada um de nos tem um tipo de emoção favorecida; o temperamento e um dado no nascimento, parte da loteria genética que tem força compulsória no desenrolar da vida. Felizmente, os momentos catastróficos que as lembranças traumáticas se gravam sao raros na vida da maioria de nós. Mas os mesmos circuitos que gravam tão fortemente as lembranças traumáticas também estão supostamente em ação nos melhores momentos da vida. As mais comuns agruras da infância, como ser constantemente ignorado e privado de atenção ou carinho dos pais, o abandono, perda ou rejeição social podem não ser traumatizantes, embora certamente fiquem marcados na memória emotiva, gerando problemas –e lagrimas, sentimentos irados –nas relações intimas da vida adulta. E, em geral e no aprender a lidar com essas carregadas reações que entra a inteligência emocional. 5.6 Explosões emocionais A dinâmica entre a amígdala e as reações mais completamente informada do córtex pré-frontal oferece um modelo neuroanalítico para a maneira como a psicoterapia remodela padrões emocionais profundos e mal adaptados. Como conjetura LeDoux, o nêuro cientista que descobriu o papel de gatilho sensível da amígdala nas explosões emocionais: uma vez que o nosso sistema emocional aprende alguma coisa, parece que nunca mais nos livraremos dela. 46 O que a terapia faz e ensinar a controlá-la: ensina nosso neocórtex a inibir nossa amígdala. A tendência á impulsividade é suprimida, enquanto a emoção básica sobre ela continua sob contenção. Considerando que a arquitetura do cérebro esta por traz do reaprendizado emocional, o que parece permanecer, mesmo após uma psicoterapia bem-sucedida, e uma reação residual, um resto de sensibilidade ou medo original na raiz de um problema emocional perturbador. O córtex pré-frontal pode aprimorar ou frear o impulso desenfreado da amígdala, mas não pode simplesmente impedi-lo de reagir. Assim, embora não possamos decidir quando temos nossas explosões emocionais, temos mais controle sobre o quanto elas duram. Um tempo mais rápido de recuperação dessas explosões talvez seja um sinal de maturidade emocional, para possibilitar uma adaptação mais eficaz nos processos de mudança mundo empresarial, como melhor visualizado no próximo capitulo. CAPÍTULO VI PROCESSO DE MUDANÇA Com o levantamento realizado através da pesquisa de clima organizacional, é possível a organização identificar as áreas que precisam ser melhoradas e decidir quais serão os planos de ação a fim de implementar um processo de mudança. Processo de mudança significa passar de um estado para outro, ou seja, mudar as atitudes, o comportamento e os valores. No caso das organizações, a mudança é essencial para se adequar às exigências do mercado e melhorar a qualidade organizacional. A mudança constitui um processo composto de três etapas, que são: 1 - Descongelamento: fase inicial da mudança, na qual velhas idéias e práticas são desfeitas, abandonadas e desaprendidas, o que quer dizer que a necessidade de mudança é aceita; 47 2 - Mudança: é uma nova etapa, onde as pessoas aprendem e apreendem as idéias e nesta fase ocorre a validação das idéias e os novos pensamentos; 3 - Recongelamento: trata-se da incorporação das novas idéias que passa a ser o novo comportamento desempenhado no dia-a-dia. Para conduzir um processo de mudança, não adianta focar somente aspectos de processo e de produção e esquecer dos aspectos pessoais e culturais que estão no espírito da organização. Sendo conduzido o processo de mudança desta forma, a implementação do programa de Qualidade Total não produzirá efeito, pois a aplicação se torna sem visão sistêmica, ou seja, o foco da aplicação será somente em termos de processo e produção. Um processo de mudança envolve a empresa toda e as pessoas são recursos importantíssimos que poderão aceitar ou não as mudanças. Além disso, não se pode relegar os aspectos culturais da organização que sofrerão mudanças e que são a principal causa em relação ao comportamento das pessoas. A empresa para estar sintonizada ao seu ambiente externo, é preciso mudar seu ambiente interno com o objetivo de trazer mais qualidade em todos os setores da organização e isto se reflete perante o cliente final. Não só o cliente final, mas todos aqueles que mantêm um relacionamento direto e/ou indireto (os stakeholders) com a organização. As mudanças na empresa são interdependentes e passam por vários níveis. É como se a empresa fosse um corpo humano e se algum sistema está deficiente, este atinge os demais sistemas. Dessa forma, a organização passa por mudanças e a correção destas deficiências traz renovação e produtividade. Assim, as mudanças numa empresa ocorrem nos seguintes níveis: - Nível de Identidade – este nível tem a ver com os fundadores e acionistas da empresa que são responsáveis pela estratégia e pelos resultados das operações, além de ser o reflexo da liderança e de toda a cultura 48 organizacional existente. É o nível que determina a personalidade da empresa, como está sua imagem institucional, as práticas e políticas de gestão. Definese também a missão, a visão, os objetivos e metas, o planejamento estratégico que direcionarão a organização para um determinado destino. - Nível das Relações – é como as pessoas reagem quanto ao nível de identidade da empresa e se comportam durante o trabalho e se relacionam com os colegas de trabalho e as chefias. Está relacionado com a motivação, o ambiente e, quando a empresa possui uma cultura fraca, são perceptíveis os problemas de liderança e planejamento e se tornam comuns greves, absenteísmo, rotatividade, desmotivação, sabotagem, etc. As origens e causas são encontradas no nível de identidade. - Nível dos Processos – os processos são operações que passam por transformações. Neste caso, os processos são as matérias-primas e as informações que constituem o fluxo básico que determinará a produtividade e a lucratividade como resultados finais da organização. Assim, quando o Nível das Relações (ou das Pessoas) está com baixo clima organizacional, os processos de qualquer tipo não geram resultados satisfatórios, gerando graves problemas de qualidade. - Nível dos Recursos – é o nível que retrata a parte física da organização, ou seja, os terrenos, as instalações, as máquinas, equipamentos, etc. Este nível também tem relação com as pessoas, pois quando há desmotivação, os colaboradores não têm zelo pelas máquinas e pelos veículos da organização. A parte física da organização caracteriza como está o trabalho e o relacionamento entre as pessoas, ou seja, se há um ambiente limpo, se as ferramentas e os documentos são fáceis de ser encontrados, etc. Com a descrição dos níveis, há uma visão holística da organização e o entendimento de que o ambiente interno tem relação direta com o ambiente externo e se complementam à medida que os resultados forem aparecendo com a atuação em cada nível. Em cada nível, a atuação é diferenciada em relação a habilidades, conforme abaixo: 49 Nível Efeito Possível Habilidades Recursos Manutenção Técnicas Processos Melhoria constante ou inovação Técnicas e organizativas Relações Desenvolvimento Sociais Identidade Transformação Conceituais e holísticas Fonte: Manual de Treinamento e Desenvolvimento – ABTD Quanto às esferas de níveis, conforme ocorre o aprimoramento das empresas, pode-se classificar em: o Classificação das Empresas Níveis Alcançados o Empresas eficientes Nível dos Recursos o Nível dos Processos o Empresas eficazes Nível dos Recursos o Nível dos Processos o Nível das Relações o Empresas Excelentes Nível dos Recursos o Nível dos Processos o Nível das Relações o Nível de Identidade Assim, para atingir a classificaçã o excelente, a empresa necessita se empenhar no processo de mudança em todos os níveis, inicialmente a partir da alta cúpula e depois com os demais funcionários a fim de que se envolvam e se alinhem com os objetivos, trabalhando as mudanças em conjunto de modo que se possa ter a visão global e a mudança desejada na organização, desenvolvendo assim um maduro processo de mudança sem desfavorecer um ambiente de qualidade de vida. 50 CAPÍTULO VII A QUALIDADE DE VIDA Segundo Dicionário Aurélio, qualidade é a “propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza”. Nesta definição de forma simples há a idéia da qualidade presente no cotidiano, ou seja, nos recursos humanos e nos recursos a serem administrados e transformados e/ou servidos pelos próprios recursos humanos, enfim em todas as partes da empresa. Muito gurus definiram a qualidade de diversas formas e introduziram as ferramentas que melhoraram a percepção dos processos e dos clientes e até das pessoas que trabalham na organização. A qualidade mudou totalmente a maneira de pensar, principalmente em tempos de alta competitividade no mercado. A definição de Juran tendo qualidade como sendo “adequação ao uso” é amplamente utilizada na literatura por renominados autores e empresas que estão com programas de controle total da qualidade ou programas de melhoria contínua. Porém, outras definições podem ser consideradas. Segundo Feigenbaum, qualidade é a determinação do cliente e não a determinação da engenharia, nem de marketing e nem da alta administração. A qualidade deve estar baseada na experiência do cliente com o produto e o serviço, medidos através das necessidades percebidas que representem uma meta num mercado competitivo. Qualidade de produto e serviço é a composição total das características de um produto e serviço em marketing, engenharia, manufatura e manutenção, de modo que vão de encontro com as expectativas dos clientes. Segundo Csillag, um produto de qualidade na visão do consumidor é aquele que atenda as suas necessidades e que esteja dentro de sua possibilidade de aquisição, isto é, preço justo, pois “o valor corresponde ao menor sacrifício ou dispêndio de recursos para o desempenho de determinada função, tanto para o fabricante quanto para o usuário final”. O valor do cliente é 51 a razão entre o desempenho das funções do produto e o seu preço. Para Crosby, a qualidade é vista como “conformidade com os requisitos” e, acrescenta que se existe em fazer bem feito na primeira vez, então os desperdícios seriam eliminados e a qualidade não seria dispendiosa. Mason também define qualidade como conformação aos requisitos. “Qualidade não é apenas o que nós fazemos e que pode ser visto e aplicado por todos dentro da organização”. Diante de todas essas definições, é notável o foco na satisfação do cliente como fim da organização, além da utilização e transformação de recursos de forma racional e proveitosa a fim de evitar desperdícios, mas a questão de se administrar recursos humanos com qualidade não foi abordada diretamente nestas definições. Atualmente, é vital o desenvolvimento dos recursos humanos dentro da organização, mas também fora. Os administradores não podem se preocupar somente com tarefas, mas também com as pessoas, pois o que determinará como os processos, os produtos e a prestação de serviços serão conduzidos é a motivação dos funcionários e a cultura da organização. Historicamente, a qualidade se distingue em quatro eras básicas: Processo de Inspeção: foi a primeira atividade regular formal adotada na empresa como processo de controle da qualidade a partir do surgimento da produção em série. Baseado na inspeção visual, este processo consiste em separar peças defeituosas das boas. Tinha apenas fins defensivos, não atacando as causas dos problemas, apenas eliminava-se o efeito. Controle Estatístico da Qualidade: tem como marco inicial experiência realizada na Bell Telephones, no inicio da década de 30. Tem como base o acompanhamento e avaliação da produção diária, com controle estatístico das probabilidades de variações em um padrão e determinação de flutuações aceitáveis. Surgem aqui as técnicas de amostragem baseadas em estatísticas. Pode-se dizer que só aqui o problema da qualidade passou a ser visto como atividade gerencial, e só aqui se começa a atacar as causas dos desvios de qualidade, por aferição de instrumentos, ferramentas e equipamentos. Garantia da qualidade:O nascimento da preocupação com as causas fez com 52 que as empresas percebessem que o controle de qualidade teria de envolver fatores externos -o cliente, e quantificação de custos da não qualidade. Enquanto nas fases anteriores apenas um ou dois departamentos estavam envolvidos com o problema da qualidade, aqui envolve-se todos os departamentos, embora a alta gerência participe ainda timidamente. O profissional da qualidade necessita agora ter uma visão integrada da empresa. Nascem aqui os conceitos de engenharia da confiabilidade, controle total da qualidade e zero defeito. Começa-se também a fazer programas e política da qualidade. Gestão estratégica da qualidade: enquanto as eras anteriores tinham como preocupação básica o controle da qualidade (basicamente defensivo), agora a qualidade passa a ser uma arma agressiva de concorrência. O cliente passa a participar diretamente na própria definição da qualidade na empresa. As empresas abrem canais de comunicação com o cliente através de hot-lines ou ligações gratuitas. O pós-venda passa a ser parte do processo como um todo. A alta gerência da empresa passa a envolver-se de fato, exercendo forte liderança, mobilizando todos os funcionários na empresa. O papel do profissional da Qualidade passa a ser o de educar e treinar, atuando como consultor das demais áreas da empresa. Sendo necessário o envolvimento eficaz de todos na empresa, surge aqui a necessidade de conscientizar e obter o engajamento de todos os funcionários de todos os departamentos, mesmo aqueles para os quais a cultura da qualidade era estranha. Assim, percebe-se na Era Gestão Estratégica da Qualidade que as pessoas são importantes no processo como um todo e que como estratégia de concorrência e qualidade para o cliente a comunicação é importante para o sucesso dos programas da Qualidade. A comunicação interna e externa precisam ser bem trabalhadas, pois toda comunicação provoca reação, principalmente quando se contacta um cliente ou um colega de outro setor ou se faz um pós-venda. A conscientização para qualidade do relacionamento das pessoas é fundamental no processo. Todos os funcionários e não apenas os 53 profissionais da Qualidade devem ser multiplicadores da Qualidade, dando aulas a novos funcionários e disseminando a missão e o processo da Qualidade. Desta forma, com a introdução da cultura da Qualidade, a organização muda a gestão em todos os setores, fazendo com que seja vista no mercado com uma imagem positiva perante todos os stakeholders, porém é necessário buscar aplicar as ferramentas da qualidade no dia-a-dia do trabalho não só nos processos, mas também entre as pessoas com o objetivo de melhoria contínua. 54 CONCLUSÃO Este estudo parte do principio de que, empresas que valorizam seus funcionários respeitando suas necessidades humanas, proporcionando um ambiente saudável. Tem um resultado e comprometimento muito maior de seus colaboradores. A evolução tecnológica ocasionou vertiginosas mudanças na estrutura organizacional e no trabalho. As pessoas eram consideradas recursos de produção, juntamente com outros recursos organizacionais como maquinas, equipamentos e capital, na conjunção típica dos três fatores tradicionais de produção. A principal característica desta nova era são as mudanças, que se tornam rápidas, imprevistas, turbulentas e inesperadas. A tecnologia da informação fez com que a informação cruza-se o planeta em milésimos de segundos. A competitividade tornou-se intensa e complexa entre as organizações. O capital financeiro deixou de ser o recurso mais importante, cedendo lugar para conhecimento. A importância em disseminar a cultura da qualidade está em uma gestão mais transparente e objetiva, é claro que além de um ambiente de trabalho motivador, é necessário um sistema de remuneração justo e uma identificação do funcionário com a cultura e processos da empresa, a gestão do capital intelectual é estratégico para as organizações devido a importância do capital humano em termos de conhecimento em prol de garantir mais inovação à organização, o que gera um valor agregado e intangível e que está sendo mais valorizado do que em termos de capital financeiro. É necessário ter em mente que o papel do homem nas organizações mudou e que o modelo mecanicista da Abordagem Clássica está ultrapassado e a sua utilização poderá levar a organizações a falência, incentivo e a participação das pessoas nas ações organizacionais podem contribuir no processo de aquisição, armazenamento e difusão do conhecimento, associados a processos e a aprendizagem. No entanto, muitas empresas 55 sofrem problemas para democratizar a informação por toda a organização, gerando doenças organizacionais e a pouca difusão da memória organizacional, que ocorre em instituições que não conseguem aprender com os próprios erros. indicando as questões coletivas que promovem as doenças no ambiente organizacional, suas conseqüências que abrangem todo cotidiano dos seres humanos inseridos dentro dessas organizações, bem como, algumas particularidades da própria enfermidade. A qualidade de vida no sentido psíquico vem sendo apontada como um fator de considerável relevância. o sofrimento mental resulta da organização do trabalho, ou melhor, do controle utilizado pelas organizações das mentes de seus trabalhadores, pode-se constatar que as psicopatologias do trabalho estão intimamente ligadas a essa doença no que se refere às relações do trabalho ou suas hierarquia. Diante da nova realidade competitiva e do crescente nível de exigência do mercado de trabalho atual, torna-se inevitável a aplicação da inteligência emocional para a obtenção da satisfação pessoal no trabalho. A orientação moderna para o sucesso profissional pressupõe que os indivíduos saibam criar condições onde se sintam seguros, motivados, satisfeitos e confortáveis para enfrentar os desafios requeridos por suas realizações pessoais frente ao mesmo. A inteligência emocional está relacionada com o uso inteligente das emoções, nos aspectos relacionados ao trabalho. Esta Inteligência aplicada às atividades laborativas é fundamental para a realização pessoal e profissional, uma vez que a falta da capacidade para lidar com as próprias emoções pode destruir vidas e acabar com carreiras profissionais. A realização e a satisfação no trabalho são alguns dos principais fatores geradores dos sentimentos de felicidade e bem-estar. O crescimento de demandas psicológicas empresariais acelerado bem como a grande relevância dedicada ao potencial humano nos emite a refletir em como as nossas emoções podem influenciar as diversas áreas de nossas vidas. Processo de mudança significa passar de um estado para outro, ou seja, mudar as atitudes, o comportamento e os valores. Os processos são 56 operações que passam por transformações. Neste caso, os processos são as matérias-primas e as informações que constituem o fluxo básico que determinará a produtividade e a lucratividade como resultados finais da organização. Assim, quando o Nível das Relações está com baixo clima organizacional, os processos de qualquer tipo não geram resultados satisfatórios, gerando graves problemas de qualidade. Assim, para atingir a classificação excelente, a empresa necessita se empenhar no processo de mudança em todos os níveis, inicialmente a partir da alta cúpula e depois com os demais funcionários a fim de que se envolvam e se alinhem com os objetivos, trabalhando as mudanças em conjunto de modo que se possa ter a visão global e a mudança desejada na organização, desenvolvendo assim um maduro processo de mudança sem desfavorecer um ambiente de qualidade de vida. 57 BIBLIOGRFIA CONSULTADA KAPLAN, Robert; NORTON, David. Kaplan e Norton na prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro, Campus: 1999. BATEMAN, Thomas; SNELL, Scott. Administração – Construindo vantagem competitiva. São Paulo: Atlas, 1998. MOGGI, Jair. Manual de Treinamento e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Makron Books, 1998. FERNANDES, Eda. Qualidade de Vida no Trabalho – Como medir para melhorar. Salvador: Casa da Qualidade, 1996. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro, Campus: 2000. STAREC, Claudio. Gestão estratégica da informação e gestão competitiva, Rio de janeiro, saraiva, 206 PG DEJOURS, C. A loucura do Trabalho: estudo da psicopatologia do trabalho. 5. Ed São Paulo: Ed: Cortez-Oboré, 1992. 168 p. REICH, W. A revolução Sexual. 8. Ed Rio de janeiro: Zahar Editores, 1968. 316p. Revista Exame/ Você SA – As melhores empresas para trabalhar.Rio de janeiro Abril: 2006. 58 ÍNDICE INTRODUÇÃO.....................................................................................................07 CAPÍTULO I HISTÓRICO DOS PROCESSOS DE GESTÃO EMPRESARIAL .........................12 1.1 Surgimento de atividades de administração de empresas ...........................13 1.2 Era industrial a Era do conhecimento ...........................................................14 1.3 Era da industrialização Neoclássica...............................................................15 1.4 Era da Informação........................................................................................16 1.5 As mudanças e transformações na função de RH.........................................19 CAPÍTULO II A MODERNA GESTÃO DE PESSOAS................................................................ 21 CAPITULO III APRENDIZAGEM COMO MEDIADORA DA GESTÃO DE PESSOAS....................25 CAPITULO IV A CONTABILIDADE E A ADMINSTRAÇÃO..............................................................19 CAPITULO V EMOÇÕES E OS PROCESSOS EMPRESARIAIS ...................................................... 34 5.1 A existência de duas mentes............................................................................37 5.2 A vida emocional..............................................................................................40 5.3 Neocortex o “Cérebro” emocional ......................................................................... 42 CAPITULO VI PROCESSOS DE MUDANÇA .................................................................................47 CAPITULO VII A QUALIDADE DE VIDA .............................................................................................. 51 CONCLUSÃO..........................................................................................................55 BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS............................................................................... 58 ÍNDICE....................................................................................................................37 59 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Título da Monografia: GESTÃO EMPRESARIAL E HUMANIZAÇÃO DE SEUS PROCESSOS Autor: André Luis Carlos Maria Data da entrega: 12 de abril de 2010 Avaliado por: Prof. ALEKSANDRA SLIWOWSKA Conceito: 60