DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA REVISÃO E REDAÇÃO SESSÃO: 085.1.53.O DATA: 25/04/07 TURNO: Vespertino TIPO DA SESSÃO: Ordinária - CD LOCAL: Plenário Principal - CD INÍCIO: 14h TÉRMINO: 20h06min DISCURSOS RETIRADOS PELO ORADOR PARA REVISÃO Hora Fase 15:02 PE 19:08 OD Obs.: Orador PAULO RENATO SOUZA PAULO RENATO SOUZA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ata da 085ª Sessão, em 25 de abril de 2007 Presidência dos Srs. ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ÀS 14 HORAS COMPARECEM À CASA OS SRS.: Arlindo Chinaglia Narcio Rodrigues Inocêncio Oliveira Osmar Serraglio Ciro Nogueira Waldemir Moka José Carlos Machado Manato Arnon Bezerra Alexandre Silveira Deley CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 I - ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - A lista de presença registra na Casa o comparecimento de 443 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II - LEITURA DA ATA O SR. MANATO, servindo como 2° Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Passa-se à leitura do expediente. O SR. ..........................................................., servindo como 1° Secretário, procede à leitura do seguinte III - EXPEDIENTE 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Finda a leitura do expediente, passa-se ao IV - PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Juvenil Alves. 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JUVENIL ALVES (Sem Partido-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há situações que desafiam reflexão mais demorada, ou, no dizer do mineiro, “matutar com vagareza”. Milhares de trabalhadores foram convocados para o serviço público, em todas as instâncias, trabalhando em regime de contratação. O tempo, corredor como vento no deserto, passou rapidamente e hoje alguns já acumulam 15 anos, em média, de trabalho. O que era temporário, por mais atípico que possa ser, virou definitivo. Todos deixaram de desenvolver outra atividade, hoje não acumulam experiências e não têm condições de reemprego, quer pelo motivo acima, quer pela idade, que encontra no mercado restrição, como é de todos conhecido. Entendo, salvo melhor juízo, que não caberá ao Judiciário essa decisão nem ao Executivo. O fenômeno precisa ser resolvido pelo Poder Legislativo, precisamente pelo Legislador Federal, e com poderes constitucionais. O notável Parlamentar Arlindo Chinaglia, hoje digno Presidente da Câmara, com sua extremada sensibilidade, já propôs a PEC nº 54, que trata dessa matéria. O momento, Sras. e Srs. Deputados, é de unir esforços para resolver essa pendência e pensar que esses servidores dedicaram uma vida inteira ao Poder Público e nele depositaram todos os seus sonhos. Agora o Poder Público não pode despedi-los, porque eles dependem do trabalho para garantir a própria sobrevivência, a de seus filhos, de seus pais e de todas as pessoas que dependem dos seus ganhos e que com eles sonharam. Hoje, estarão em Brasília centenas desses funcionários para reivindicar a inclusão na pauta dessa matéria, com meu integral apoio — espero que todos os 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 outros pares tenham a mesma sensibilidade. Recebamos todos de braços abertos. Sejam bem-vindos a esta Casa do povo brasileiro. Por outro lado, Sr. Presidente, o Poder Público investiu na capacitação desses trabalhadores, que hoje são preparados e treinados, incumbindo-nos também de zelar pelo patrimônio publico, no qual eu os incluo. Não há maior acervo do que o homem. Não há maior ativo do que o homem trabalhador e preparado. Homens não são preparados de um minuto para o outro. Registro, Sr. Presidente, que, embora o problema não seja só de mineiros, meus conterrâneos, estão na caravana desses servidores os trabalhadores da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, trabalhadores da Secretaria Estadual de Educação, trabalhadores em contrato administrativo da FIEMG e da Fundação Hospitalar de Minas Gerais, aos quais cumprimento fraternalmente. E, se cabe ao Poder Legislativo a decisão, a incumbência de decidir é nossa. Não há mais tempo para omissão. O tempo urge. Como jurista e hoje Parlamentar, tenho a sensibilidade para saber que o interesse público deve prevalecer sobre qualquer regra jurídica. Vamos assegurar o direito a esses bravos trabalhadores! 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LAEL VARELLA (DEM-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em tempos de trevas, as panacéias costumam virar assombração. Sob a aparência de panacéia, o assunto do desarmamento volta ao noticiário: ONGs Pressionam o Governo Brasileiro a Influir na Formulação do Tratado Internacional do Comércio de Armas, a Ser Concluído pela ONU. Pesquisa Mostra que 82% da População Defende a Adesão ao Acordo, saiu no jornal Correio Braziliense de ontem, dia 24 de abril de 2007. Derrotadas no plebiscito do desarmamento em 2005, entidades que dizem combater a violência miram agora outro alvo, ao pressionar o Governo a assinar o Tratado Internacional do Comércio de Armas, que deve ter seu texto formulado pela ONU a partir de 2008. A munição para empurrar o País rumo ao acordo internacional foi entregue pelo Instituto Sou da Paz ao Itamaraty. Com efeito, pesquisa independente teria mostrado que a percepção do brasileiro sobre as armas não é nada amistosa. Segundo a mesma notícia, o Ministério das Relações Exteriores terá até o próximo dia 30 de abril para analisar o assunto e enviar relatório à ONU com as sugestões para a elaboração do tratado. Com mais esta tentativa de desarmar os homens de bem, algumas ONGs voltam a apelar para a suposta pesquisa resultante de mil entrevistas feitas pelo instituto de pesquisas IPSOS, em todas as regiões brasileiras, em que 82% dos brasileiros disseram desejar que o Governo apóie o acordo internacional. Pouco mais de 90% afirmam que gostariam de ver o maior controle das armas que chegam 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 ao Brasil; e 89% acreditam que o crime organizado se beneficia da fiscalização deficiente do comércio internacional de armas. Sr. Presidente, o povo quer na verdade o desarmamento dos bandidos! O resultado do referendo sobre o desarmamento ainda está fresco na memória dos brasileiros, e esses ditos pacifistas continuam fingindo ignorar o eloqüente “não” que os brasileiros deram ao desarmamento dos homens de bem. Enquanto isso, nos Estados Unidos da América, a lei de desarmamento das universidades é posta em xeque diante do recente massacre de estudantes na Virgínia. Afinal, por que universidades e escolas americanas são alvos freqüentes de assassinatos em massa? Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil, responde que é exatamente por serem áreas restritas às armas até mesmo por parte dos seguranças, o que dá a certeza aos assassinos de que não encontrarão resistência. A morte de 33 pessoas na Universidade Politécnica da Virgínia levantou nos Estados Unidos a sempre presente polêmica sobre a posse de armas, um direito garantido pela Constituição norte-americana, mas que, para seus críticos, atrai riscos e violência. “Está claro que esses assassinos só atacam onde têm certeza de que não encontrarão resistência”, explica Bene Barbosa, especialista em segurança. De fato, em escolas e universidades não há segurança armada, polícia armada e muito menos alunos ou professores armados, para oferecer algum tipo de resistência. Tal posição é confirmada por Joseph Farah, editor do jornal eletrônico WorldNetDaily, em seu artigo Como Prevenir o Próximo Massacre, no qual afirma que é tempo de abandonar os planos falhos de tornar escolas e campus 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 universitários “zonas-livres-de-armas”, os quais, quando invadidos, transformam-se em galerias de tiro sem nenhuma chance de defesa por parte dos alvos humanos. O estudante brasileiro Lucas Dantas Lopes, de 16 anos de idade, que mora em Oklahoma, pensa da mesma forma. Ele relata que os alunos estão pedindo a revogação da lei que proíbe o porte de armas para legítima defesa, em universidades e escolas, para seguranças, alunos e professores. “Cada vez fica mais claro que este é o principal motivo pelo qual estes estabelecimentos são sempre escolhidos como alvos”, reforça Lucas. Diferentemente dos EUA, no Brasil é praticamente impossível adquirir uma arma legalmente, mas isso não impediu que o estudante de Medicina Mateus da Costa Meira comprasse uma metralhadora no mercado negro e abrisse fogo contra uma platéia de cinema. O massacre só não teve dimensões maiores porque um herói desconhecido saltou sobre o assassino, quando ele se preparava para recarregar a sua arma, lembra o Prof. Bene Barbosa. A posição simplista e repetitiva dos “anti-armas” americanos é a mesma dos “anti-armas” brasileiros, que colocam a culpa sempre nas armas. Mas nenhum deles consegue explicar por que isso não acontece na Suíça, na Finlândia e em outros países onde a compra de armas é ainda mais fácil do que nos EUA. Sr. Presidente, a causa do crime não são as armas, meros instrumentos inertes. Indispensável é combater as causas do crime, como a impunidade, as leis defasadas, a decadência moral da juventude e da sociedade. A proibição da legítima defesa só fará aumentar a audácia do criminoso, como temos assistido nos 3 anos de vigência do malfadado Estatuto do Desarmamento. Tenho dito. 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. WALDIR MARANHÃO (PP-MA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último dia 19, estive em Santa Catarina, em nome da Comissão de Educação e Cultura desta Casa, para participar de reunião da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais — ABRUEM, cuja diretoria da entidade já tive o prazer de integrar quando reitor da Universidade Estadual do Maranhão. Naquele encontro, discutimos o papel das universidades e a educação a distância como possibilidade de inclusão social e de redução das desigualdades. No ano passado, a ABRUEM já tinha reiterado a preocupação para que as populações mais distantes dos pólos regionais tivessem acesso ao ensino público de qualidade. Os reitores reconhecem a importância da criação de novas instituições públicas no interior do País, mas defendem que o mais adequado seria a alocação de recursos para as instituições de educação superior estaduais e municipais que já dispõem de capacidade instalada. A alocação de recursos para as universidades estaduais e municipais, no entendimento dos reitores, reduzirá os custos da implantação de novas unidades e ampliará a oferta de vagas em número maior do que a prevista com a implantação das federais. Os reitores destacaram, ainda, a importância das universidades estaduais e municipais, no que diz respeito à interiorização do ensino superior no Brasil, o que justificaria maior atenção por parte do Governo Federal. Não tenho dúvidas em ratificar a importância e relevância da função social das universidades estaduais e municipais. 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Esta posição dos reitores aqui ratificada por mim é oportuna, em razão do anúncio do Plano de Desenvolvimento da Educação, feito nesta semana pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Sras. e Srs. Deputados, lamentavelmente, as universidades estaduais e municipais foram esquecidas mais uma vez pelo Governo, apesar de sua importância social e educacional na vida brasileira. As universidades estaduais e municipais estão alijadas de todos os programas de promoção do ensino superior. Apelo para o Ministério da Educação, ao Ministro da Educação, Fernando Haddad, a fim de que se encontre uma forma de inclusão dessas instituições no Plano de Desenvolvimento da Educação. Até mesmo universidades e escolas particulares receberam incentivos para atender alunos carentes por meio do PROUNI. No primeiro ano, 40 instituições de ensino firmaram adesão voluntária ao PROUNI, reforçando o aval moral e político da Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Em apenas um ano de vigência, o PROUNI conseguiu matricular 130 mil alunos em cursos superiores. Conclamo professores, alunos e o povo brasileiro, de forma geral, a engajarse no fortalecimento dessas instituições de ensino superior. Ampliar a atuação das universidades estaduais e municipais é não só uma questão social, mas também uma resposta de governo aos anseios de jovens brasileiros que precisam do ensino público e gratuito para concluir seus estudos de graduação. Muito obrigado. 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, quero registrar a posse do Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso, reeleito para a Seccional da OAB de São Paulo. S.Sa. fez um brilhante trabalho de valorização da classe dos advogados do Estado de São Paulo, exigindo, acima de tudo, respeito. A própria recondução de Luiz Flávio Borges D’Urso mostra que, efetivamente, há uma simbiose entre a categoria e o seu desempenho à frente dessa valorosa Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo. Também quero registrar que, ontem, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social — ANFIP, entidade presidida por Ovídio Palmeira Filho, fez aniversário, completando 57 anos. Encontramos lá vários ex-Presidentes, que, durante as reformas da Previdência, quer do Governo Lula, quer do Governo FHC, sempre estiveram atentos em defesa dos interesses previdenciários, principalmente durante o processo constituinte. Se não existe prejuízo maior para a Previdência Pública, devemos creditar essa luta ao trabalho da ANFIP, que sempre nos forneceu importantes dados e subsídios para defender a Previdência Social brasileira. Obrigado, Sr. Presidente. 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. LUCIANA GENRO (PSOL-RS. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, manifesto apoio aos trabalhadores do metrô de São Paulo, sindicalistas lutadores, que foram demitidos. Também foi injustamente demitido sindicalista do Rio Grande do Sul, da cidade de Passo Fundo. Registro indignação contra o anúncio feito pela Governadora Yeda Crusius de que vai vender ações do BANRISUL. Tenho a convicção de que isso significa um passo adiante na privatização desse banco, que é patrimônio dos gaúchos. Inclusive, esse assunto foi tema da campanha eleitoral, quando a Governadora se comprometeu a não privatizá-lo. Participamos do lançamento de um comitê em defesa do BANRISUL e queremos unir esforços da bancada gaúcha para que essa venda de ações não seja feita e para que seja revista a cláusula do acordo da dívida do Estado, que faz com que o Estado do Rio Grande do Sul pague uma multa de 3% a mais de sua receita corrente líquida por manter o BANRISUL público. Acredito que isso é o mínimo que o Governo Lula pode fazer em defesa do BANRISUL. A bancada do PT tem a obrigação de exigir do Governo Lula que reveja essa cláusula e defenda o BANRISUL. Muito obrigada. 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. DÉCIO LIMA (PT-SC. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acompanhei na tarde de terça-feira, a manifestação, desta tribuna, da Deputada Manuela D’Ávila, PCdoB do RS, na qual revelou a justa inquietação dos gaúchos em relação à nova onda de “privataria” que ameaça o Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina nossa preocupação é outra. Depois de quase ser entregue de bandeja nas mãos da iniciativa privada, em 1999, o nosso BESC, graças à pressão da sociedade, da luta incessante do sindicatos dos bancários, da FETEC, da CUT, do próprio PT e de um compromisso assumido pelo Presidente Lula, manteve-se como banco público; foi posteriormente federalizado e saneado no decorrer da profícua gestão do Presidente Eurídes Mescolotto. Vivemos agora um novo momento de expectativa, enquanto avançam as negociações em torno da incorporação do BESC por outro banco estatal, talvez o Banco do Brasil . No último sábado, em Florianópolis, o Sindicato dos Bancários e a FETEC realizaram um seminário, reunindo técnicos do DIEESE, quando em nova rodada de debates tratou-se da construção de uma proposta a ser encaminhada às autoridades das áreas econômicas da União, visando a manutenção do Banco do Estado de Santa Catarina como empresa pública, retirando-o do Programa Nacional de Desestatização. Temos acompanhado toda essa movimentação. Participamos de recente reunião com as diretorias do BESC e do BRDE, aqui na Câmara, que tratou, com Parlamentares do CODESUL, de uma parceria operacional entre as duas instituições, através da qual o BESC acessaria 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 diretamente os recursos do FAT — Fundo de Amparo ao Trabalhador, que seriam repassados para projetos de desenvolvimento econômico através do BRDE. Lemos na mídia catarinense o alerta da Federação de Agricultura sobre a necessidade de manutenção do papel social do banco catarinense, que, com suas 253 agências e 192 postos, é o único banco presente em todos os municípios de nosso Estado. Sabemos do carinho com que nossa gente distingue o BESC. Reconhecemos sua importância para o desenvolvimento econômico e para o progresso social de Santa Catarina. Por isso mesmo, fiquem certos os catarinenses que estaremos vigilantes junto ao Ministério da Fazenda, aos técnicos federais destacados pelo Ministro Guido Mantega, no sentido de estudar as alternativas, acompanhando de perto todo o trâmite que envolve o processo de restauração do BESC e sua manutenção como instituição pública, seja através da parceria com o BRDE ou a reestadualização, como desejam os bancários do meu Estado, seja por intermédio de sua incorporação por outro banco federal. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. DÉCIO LIMA (PT-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ouvi as manifestações da nobre Deputada Luciana Genro e, ontem, da Deputada Manuela D’ Ávila em relação ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul, e quero fazer um registro — o qual faço na forma de um pronunciamento que rogo a V.Exa. receba como lido — acerca dos resultados extremamente positivos do Banco do Estado de Santa Catarina, que, no ano 2002, estava também prestes a ser privatizado por estar sofrendo as agonias de não ter mais liquidez. O então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi a Santa Catarina e garantiu que o BESC continuaria sendo o banco dos catarinenses. O Presidente cumpriu a palavra. O empenho e dedicação do Presidente do Banco, o companheiro Eurides Mescolotto, com sua equipe, e o empenho da bancada de Deputados Estaduais e da bancada de Depuados Federais garantiram a permanência do BESC nas mãos dos catarinenses. Há agora em curso um processo para fazer com que o Banco do Brasil novamente incorpore o BESC, de maneira que ele continue sendo um agente público. Sr. Presidente, peço a V.Exa. receba como lido meu pronunciamento sobre o BESC de Santa Catarina. Muito obrigado. 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SIMÃO SESSIM (PP-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, possivelmente, o fato mais importante estampado nas edições de hoje dos grandes jornais brasileiros é o lançamento feito ontem, aqui em Brasília, pelo Presidente Lula, do Plano de Desenvolvimento da Educação, um trabalho magistral da equipe do Ministro Fernando Haddad e que, com certeza, vai mudar os rumos deste País neste século XXI. Trata-se de um projeto que muito me envaidece como professor e educador que sou. Afinal de contas, são 42 extraordinárias medidas que se fundem num poderoso instrumento de reformulação da maneira de se pensar a educação neste País, e envolve de forma abrangente a sociedade brasileira com o projeto de educação. Não resta a menor dúvida, Sr. Presidente, de que estamos vivenciando um dos momentos mais importantes da vida deste País, que inicia, a partir de agora, uma longa trajetória rumo ao aperfeiçoamento da gestão, do financiamento, do conteúdo, dos métodos, da participação federativa e participação cidadã, capazes que serão, a partir de agora, de promover as mudanças necessárias no projeto educacional deste País, como bem assinalou o Presidente Lula em seu discurso. Agora mesmo esta Casa do povo está debruçada sobre o conteúdo do Projeto de Lei nº 619, de 2007, do Poder Executivo, que estabelece o piso salarial nacional de 850 reais para os professores do ensino público, atendendo, exatamente, a um dos preceitos do Plano de Desenvolvimento da Educação. Confesso, estou orgulhoso, feliz e muito otimista quanto ao rumo que este Brasil maravilhoso deverá tomar no sentido de seu desenvolvimento, a bordo de medidas tão importantes quanto as embutidas no Plano de Desenvolvimento da 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Educação. Estamos, sim, entrando no século da elite da competência e do saber, abandonando, por conseguinte, o arcaico e tenebroso secular período da elite do berço e sobrenome, como frisou o Presidente Lula. Somente assim poderemos promover as profundas mudanças que tanto almejamos na educação pública brasileira, de forma a darmos o pontapé inicial a um novo ciclo para, de fato, melhorarmos a qualidade do ensino público, de forma a promovermos também a abertura de oportunidades iguais na educação. Até porque o Plano de Desenvolvimento da Educação prevê intervenções profundas na educação básica, na alfabetização de jovens e adultos, na educação profissional e no ensino superior. E tudo isso sem enfraquecer a responsabilidade dos Estados e dos municípios na gesta das escolas, como prevê o Plano de Desenvolvimento da Educação. Na verdade, Sr. Presidente, o Plano pretende e vai conseguir enfrentar o principal problema da educação brasileira, que são os lamentáveis resultados pífios das últimas décadas, período no qual foram criadas uma geração de crianças, adolescentes e jovens que estudaram ou estudam, mas não aprenderam ou nada aprendem e por isso mesmo abandonam a escola e engordam a legião de adultos de hoje com baixa escolaridade. Por isso mesmo, o Plano de Desenvolvimento da Educação vai estabelecer sistemas de definição de metas, de avaliação e de cobrança de resultados nas escolas deste País afora. E, para isso, serão investidos 8 bilhões de reais até 2010. Por tudo isso é que rendo minhas homenagens ao Ministro Haddad, ao Presidente Lula e a todos aqueles que já estão integrados, engajados no propósito de trabalhar em prol da educação, para que o povo brasileiro sinta orgulho de sua 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 grandeza, como gente que aprende e faz as coisas acontecerem, para o bem de todos e felicidade geral da Nação brasileira. Muito obrigado. 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Zonta, que cumprimentamos pela instalação, nesta Casa, da Frente Parlamentar do Cooperativismo — FRENCOOP. O SR. ZONTA (PP-SC. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesta oportunidade, contabilista que sou, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina sob o nº 4.016, venho manifestar o meu entusiasmo pelo transcurso do Dia do Contabilista, neste dia 25. Merece destaque o Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRCSC), do qual faço parte, constituído por 15.619 contabilistas e por 4.109 organizações contábeis. Além de cumprir as suas atribuições de fiscalizar o exercício profissional, o CRCSC vem promovendo, nos últimos anos, uma série de ações voltadas à valorização da classe contábil. Importante é o destaque que o CRCSC tem dado à mulher contabilista. Neste ano, promoverá o Encontro Nacional da Mulher Contabilista, divulgando o Estado e discutindo o relevante papel da mulher no setor. Mas não é apenas na valorização profissional que o CRCSC se destaca. Ele é pioneiro na área de responsabilidade social. Foi o primeiro conselho de classe do País a divulgar um balanço social, prestando contas das atividades que desenvolve em prol da sociedade. Assim, pelo necessário e esplendoroso trabalho de todos os contabilistas do Estado de Santa Catarina e do Brasil, envio as nossas sinceras congratulações e uma mensagem de sucesso. Muito obrigado. 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MANATO (Bloco/PDT-ES. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria de fazer alguns registros. O primeiro deles é dizer que estou recebendo o Prefeito Luiz Carlos Peruchi, do Município de João Neiva, no Espírito Santo. S.Exa. é médico, colega de profissão, e veio a Brasília tentar conseguir mais verba para seu município. Estivemos em vários Ministérios, inclusive no Ministério do Saúde, ao qual apresentei uma emenda parlamentar solicitando verba para a criação de um posto de saúde para aquele município, cuja articulação já está bem adiantada. Tenho certeza de que o Município de João Neiva está muito bem servido. S.Exa. é do PMDB, mas é um aliado meu e, se Deus quiser, vai ser conduzido à reeleição naquele município. O Prefeito Luiz Carlos Peruchi está de parabéns. Sr. Presidente, também gostaria de registrar que hoje, pela manhã, participamos de um café da manhã com o Ministro Mares Guia em homenagem a S.Exa. pelo trabalho realizado à frente do Ministério do Turismo. Sou testemunha de que S.Exa. era um dos poucos Ministros que vinha a esta Casa, recebia os Deputados Federais e atendia suas reivindicações — o que podia, podia; o que não podia, não podia. Enquanto alguns ficavam nos Ministérios dando água e cafezinho, tirando o nosso pires, o Ministro Mares Guia mostrava o prestígio desta Casa. Muito obrigado, Sr. Presidente. 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. IVAN VALENTE (PSOL-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSOL foi o único partido que se manifestou, desta tribuna, contrariamente à Emenda nº 3 do projeto de lei da Super-Receita, porque ela retira direitos dos trabalhadores. Trabalhadores do Brasil inteiro se manifestaram há 2 dias, inclusive no Metrô de São Paulo, que demitiu 5 dirigentes sindicais por essa manifestação. Queremos manifestar o nosso apoio ao veto da Emenda nº 3 e à readmissão imediata dos sindicalistas demitidos, cujo nome cito neste instante: Pedro Augustinelli Filho; Alex Fernandes; Ronaldo Campos de Oliveira; Ciro Moraes e Paulo Roberto Pasin. Esses dirigentes sindicais foram demitidos ilegalmente pela truculência da direção do Metrô de São Paulo. Exigimos a readmissão imediata desses companheiros e esperamos que a Emenda nº 3 não prospere. Sr. Presidente, passo a abordar outro assunto. Sras. e Srs. Deputados, neste 25 de abril, ocorrem manifestações por todo o País, em defesa da educação pública, gratuita, laica e de qualidade para todos. Profissionais da educação, entidades de classe, estudantes e sociedade em geral vão às ruas reivindicar melhoria nas questões educacionais, salariais e funcionais e exigir dos governantes que a educação seja de fato considerada uma prioridade. E querem convencer quem? Em resposta à grave situação em que a educação se encontra, os Governos Lula, Serra e Kassab vêm adotando medidas, de cima para baixo, supostamente em nome da promoção da melhoria da qualidade de ensino, sem consultar os principais envolvidos no processo educacional — professores, profissionais que atuam em 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 nossas escolas e usuários —, baixando pacotes, como fórmulas mágicas, como se isso bastasse para resolver os sérios problemas enfrentados cotidianamente em nossas escolas. É público e notório que a qualidade da educação no País e especialmente em São Paulo vem decaindo. Há anos temos denunciado a precariedade dos serviços oferecidos à população e o sucateamento da educação imposto pelos Governos Municipais, Estaduais e Federal. Nas últimas décadas, os Governos, mais interessados em atender as exigências de organismos internacionais, têm adotado políticas que, em nome da melhor eficiência da gestão, reduzem sistematicamente os recursos educacionais, arrocham salários, pioram as condições de trabalho e solapam direitos fundamentais. Os pacotes anunciados pelos Governos Kassab, Serra e Lula nada têm a ver com a expectativa dos educadores e da sociedade em geral, de construção e promoção efetiva da qualidade da educação para todos. As reais causas da falência do ensino não são enfrentadas: precárias condições de infra-estrutura e de pessoal; falta de investimento na formação dos professores e profissionais da educação; jornada excessiva e baixos salários; superlotação das salas de aula; e principalmente falta de investimento na área educacional, suficiente para promover desenvolvimento econômico e social. O Plano de Desenvolvimento da Educação — PDE, anunciado ontem pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, é exemplo disso. A prioridade é o pagamento de juros e serviços da dívida pública e não o investimento real em educação. Em vez de garantir políticas universalizantes, foca as suas ações com base em critérios meritocráticos e em avaliações educacionais com caráter 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 produtivista; vinculam repasses de recursos ao cumprimento de metas; prometem maior aporte financeiro aos sistemas e instituições que se adequarem aos prérequisitos propostos (como avaliação dos professores); enfim, são medidas que mais servem para justificar ações mais pontuais, em detrimento de políticas públicas estruturantes. Serve também para encobrir a insuficiência de recursos para a área educacional e a falta de implantação de um verdadeiro sistema nacional de educação, ordenado e planejado entre as esferas de governo. O Governo Lula repete o mesmo método. Assim como o Plano de Aceleração do Crescimento — PAC, o PDE anunciado com pompa e circunstância dá ao povo brasileiro a ilusão de que agora vai, de que os problemas históricos da educação serão resolvidos: não mexe no essencial, ou seja, o modelo econômico que impede o crescimento; impede também que haja investimentos substanciais em educação, capazes de reverter o quadro histórico de desigualdade e de exclusão social. A riqueza da Nação continua sendo drenada para o pagamento da dívida pública. Em São Paulo, Serra e Kassab, no mesmo caminho, atacam funcionalismo e serviço público. A adoção de reajuste salarial a partir de gratificação por desempenho individual, proposta pelo Governador de São Paulo, José Serra, e pelo Prefeito, Gilberto Kassab, faz parte dessa mesma política. Em vez de remunerar dignamente todos os professores, serão premiados os que se adequarem aos padrões que servirão de critério para a nova bonificação. Trata-se da perpetuação dos baixos salários e da instalação definitiva do “cada um por si”. Enquanto isso, nenhum dos problemas estruturais é resolvido. 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A terceirização dos serviços e a precarização do atendimento público em geral também fazem parte desse jogo. Além disso, a cada dia Serra apresenta novas propostas, atacando direitos dos funcionários. A última “surpresa” foi o envio à Assembléia Legislativa de São Paulo de projeto de lei aglutinativo que altera o sistema previdenciário dos servidores públicos. Queremos reafirmar o seguinte: chega de pacotes! A defesa da escola pública, gratuita, laica e de qualidade educacional pressupõe: aumento significativo dos investimentos públicos para a educação; gestão democrática da educação; melhoria das condições de trabalho — redução do número de alunos na sala de aula, aliada à expansão da rede física e melhoria da infra-estrutura, bem como funcionários em número suficiente; reajuste salarial digno para todos; real valorização dos profissionais da educação com investimento na formação em serviço e salários dignos; incorporação de gratificações aos padrões de vencimento e valorização da carreira; garantia de emprego e tratamento isonômico entre os profissionais da educação; progressão continuada, implantada de modo a garantir a continuidade pedagógica e a qualidade de ensino; rejeição de qualquer proposta de reajuste salarial de acordo com desempenho individual, com base na meritocracia e em critérios produtivistas; piso salarial para todos os trabalhadores da educação; rejeição ao projeto de lei do Governo Federal sobre o Piso Salarial Profissional para o Magistério — PL nº 619/2007 —, R$850,00, por 40 horas de trabalho semanais. 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. EDUARDO VALVERDE (PT-RO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero fazer 2 breves registros: o primeiro diz respeito à audiência que a bancada de Vitória vai ter com o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para tratar das obras de investimento do Programa de Aceleração do Crescimento no Estado de Rondônia. A principal rodovia federal, a BR-364, faz parte das obras estruturantes do PAC, e esse diálogo teria como objetivo acelerar esse investimento, considerando que é no período de estiagem que as principais obras de infra-estrutura na região amazônica têm de começar. Se houver atraso nesse investimento, recomeçam as chuvas e, novamente, a recuperação da BR-364 será adiada. O segundo registro é referente ao movimento nacional, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação — CNTE, em prol da educação pública brasileira. Centenas de educadores e profissionais da educação estão em Brasília para apresentar uma pauta de reivindicações ao Presidente da República, que, na manhã de ontem, já se antecipou com o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, o PAC da Educação. Elogio a CNTE e o Presidente Lula pela iniciativa de dar ao Brasil o Plano de Desenvolvimento da Educação — PDE. 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CELSO MALDANER (Bloco/PMDB-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje abordo assunto que, em Santa Catarina, está efervescente. No último dia 19 de abril, quando se comemorou o Dia do Índio, o Ministro Tarso Genro atendeu a pedido da FUNAI e assinou a Portaria MJ nº 790, autorizando a demarcação de áreas consideradas indígenas em 7 regiões do País. No oeste catarinense, uma das áreas demarcadas se localiza entre os Municípios de Saudades e Cunha Porã. São mais de 2.700 hectares de terras que poderão passar das mãos de agricultores familiares produtivos para comunidade indígena que sequer vive naquela área. Vejo a indicação dessa área como injusta, pois os agricultores possuem as terras há tempos. Algumas famílias estão ali há mais de 80 anos. Da portaria assinada pelo Ministro Tarso Genro consta que a FUNAI promoverá a demarcação administrativa das terras em breve. Isso resultará em grandes prejuízos aos agricultores. Cerca de 160 famílias que produzem ali o próprio sustento correm o risco de perder as terras localizadas em Saudades e Cunha Porã. Esses agricultores têm documentos que comprovam a legalidade das propriedades, adquiridas da empresa Sul Brasil Química Ltda., do Rio Grande do Sul, que há mais de 60 anos incentivava a colonização na região. As famílias da região estão em vigília desde quinta-feira em todas as propriedades, como forma de proteger o patrimônio e impedir a entrada, pois estão se sentindo ameaçadas pela assinatura da portaria. Ontem, mais de 3 mil agricultores participaram de grande manifestação: bloquearam trechos das BRs 282 e 158, naquele Estado. 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Para tranqüilizar o povo do oeste catarinense, hoje pela manhã falei com o Ministro da Justiça pelo telefone. S.Exa. me garantiu que haverá estudo preliminar das terras e de quem habita nelas. Se for constatado que há somente agricultores nas terras, eles não serão prejudicados. No entanto, peço aos Parlamentares que nos apóiem no sentido de pressionar o Governo para reverter esta portaria, pois, com certeza, há outras regiões do País nesta mesma situação. Não sou contrário à demarcação de terras indígenas, quero deixar bem claro. Mas as terras destinadas a eles devem ser aquelas que não possuem proprietários legítimos e que não estejam produtivas. Muito obrigado. 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. EDINHO BEZ (Bloco/PMDB-SC. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estivemos reunidos, na última sexta feira, com representantes da Associação dos Municípios da Região Carbonífera — AMREC e da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina — SATC, na solenidade de assinatura do convênio celebrado com a Federação das Cooperativas de Eletrificação Rural do Estado de Santa Catarina (FECOERUSC). O convênio visa à continuidade da parceria iniciada em 2005. Por meio do convênio, além dos cursos de capacitação ministrados desde 2005, a instituição de ensino atenderá as 20 cooperativas associadas da FECOERUSC também com outros serviços, como o desenvolvimento de programas de pesquisa, projetos, implantação e execução de normas e padrões específicos e procedimentos em segurança no trabalho e na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Parabenizo o Município de Criciúma, na pessoa do Diretor-Executivo da SATC, Dr. Ruy Hülse, e a Federação das Cooperativas de Eletrificação Rural do Estado de Santa Catarina — FECOERUSC, representada por seu presidente, Armando Bif, pelo importante propósito de desenvolvimento de programas de pesquisa, projetos, implantação e execução de normas e padrões específicos e procedimentos em segurança no trabalho e na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Estendo ainda os cumprimentos ao Prefeito de Criciúma, Anderlei Antonelli, ao Secretário-Executivo da SATC, Dr. Fernando Luiz Zancan, e ao Presidente da SATC, Ruy Hülse, pela dedicação com que conduzem essa associação que representa hoje uma das maiores e talvez a mais moderna escola de cursos profissionalizantes edificada no País. Era o que tinha a dizer. 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MAURO BENEVIDES (Bloco/PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o Município de Graça, na zona norte do meu Estado, está em festas, objetivando realçar o transcurso de 20 anos de sua emancipação políticoadministrativa, após consolidar plena autonomia em razão do contagiante idealismo de sua gente e da visão de sucessivos administradores ao longo do tempo. Dirigida, presentemente, pela Prefeita Augusta Brito de Paula, aquela comuna encontra-se na faixa fronteiriça a São Benedito e Pacujá, no contexto da Serra da Ibiapaba, já acompanhando o processo que alcança aquela faixa territorial do Nordeste. Há 2 anos à frente da edilidade, a Prefeita, com o apoio dos Vereadores que compõem a Câmara local, vem sensibilizando a população com iniciativas que alcançam setores vitais para a coletividade, como educação, saúde e infra-estrutura, servindo de exemplo para outras cidades do interior cearense. Vale enfatizar, por outro lado, que o incentivo à cultura há sido, igualmente, preocupação da dinâmica líder política, que para tanto tem contado com o estímulo valioso de conterrâneos conscientes e de órgãos estaduais e federais. Ressalte-se que 5 equipes do Programa Saúde da Família vêm oferecendo apoio à sede e aos distritos, elevando, assim, os índices de assistência aos que ali residem, particularmente os idosos, beneficiados com políticas públicas específicas destinadas ao setor. Espera-se que o Governo Cid Gomes ofereça, igualmente, a ajuda de sua gestão aos que ali mourejam, ampliando as perspectivas de incentivo para a concretização de iniciativas que guardem conexão com as diretrizes do Poder Executivo Estadual. 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Impossibilitado de comparecer às comemorações que ali estão sendo levadas a efeito, limito-me a este registro, embora signifique um preito de admiração àqueles que ali trabalham pelo desenvolvimento e bem-estar de uma das mais prósperas comunas da zona norte do Estado. 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. BARBOSA NETO (Bloco/PDT-PR. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje o magistério faz paralisações em todo o Brasil, em prol da melhoria da educação. Na história recente, houve movimentos populares, como o Diretas Já e o Impeachment Já, que levaram o povo às ruas e foram decisivos para mudar o rumo dos acontecimentos, deixando o Brasil melhor, ao final das contas. Avançamos com a força popular, com a prática da democracia. Agora que vemos o acirramento da violência no País, o momento é propício para que a população se engaje em outra causa, que considero a mais importante porque é a única forma de transformar o comportamento dos brasileiros. Refiro-me ao movimento Educação Já, lançado pelo Senador Cristovam Buarque, que pretende levar a população de volta às ruas para impulsionar uma revolução educacional. A intenção é a de transformar a educação em movimento suprapartidário, social e ideológico, mudando radicalmente a mentalidade sobre esse assunto no Brasil. Concordo com o Senador, quando diz que o lema da Bandeira Nacional deveria mudar de Ordem e Progresso para Educação é Progresso. De fato, a educação é o centro de tudo, o eixo, o motor do progresso. Vale lembrar as idéias do Senador nessa área. Uma das suas propostas é a de federalizar a educação básica, fazendo com que a União tome a responsabilidade de garantir a educação integral, de qualidade e universal. “A educação de base nas mãos dos municípios é o grande gargalo educacional brasileiro”, diz Cristovam Buarque. 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Boa educação começa com bons professores. Por isso, o objetivo é o de dar a esses profissionais boa remuneração e equipamentos modernos. Os professores teriam garantido um piso salarial pago pelas Prefeituras, com complemento federal. A gestão seria feita pelos municípios, com base na Lei de Metas e de Responsabilidade Social com a Educação, que poderia prever a inelegibilidade dos governantes municipais que não cumprissem as metas estabelecidas nacionalmente. O Governo Federal deveria investir R$7 bilhões a mais — menos de 1% do Orçamento, por ano — para a implementação do Projeto Educação Já, que inclusive já foi apresentado ao Ministério da Educação como forma de colaboração do PDT ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Cristovam Buarque lembra que, se investirmos em educação básica, deixaremos de investir em outros locais, como no sistema penitenciário. Porque a violência tem a sua causa na falta de oportunidades. E oportunidade se consegue estudando e se preparando para o mundo. Isso não está ao alcance de todos no Brasil de hoje. Mas é possível reverter o quadro, e o Projeto Educação Já aponta o caminho. O Governo deve ter vontade política para priorizar a educação. Podemos forçar isso, se formos para as ruas pressionar o Presidente da República. A causa é nobre; é a melhor de todas as causas. Vamos abraçá-la! 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, antes de abordar o assunto que me traz a esta tribuna, cumprimento os contadores e contabilistas do Brasil pela passagem do dia 25 de abril. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nos últimos dias, participei em Petrolina, com outras diversas autoridades, de várias reuniões para discutir a atual situação dos projetos existentes no Vale do São Francisco, principalmente após o surgimento do Programa de Aceleração do Crescimento — PAC. Nessas oportunidades, ao discutir os problemas mais prementes dos produtores, comprometi-me a envidar todos os esforços perante as autoridades competentes para resolver alguns dos problemas dos projetos de irrigação. Nessas reuniões, Sr. Presidente, foi destacado a importância do desenvolvimento do Vale do São Francisco e a grande contribuição dos perímetros irrigados para a geração de emprego e renda na região, que abrange 45 mil habitantes — 20% da população —, entre eles 2.200 produtores e 200 pequenas, médias e grandes empresas. Uma das obras mais importantes implantadas pela CODEVASF, o Projeto Senador Nilo Coelho, com investimentos da ordem de US$200 milhões, promove o desenvolvimento do Submédio São Francisco, região das mais áridas do Nordeste brasileiro. Localizado na margem esquerda do Rio São Francisco, no Município de Petrolina, Estado de Pernambuco, o projeto abrange também o Município de Casa de Nova, na Bahia. Sua área irrigável compreende 16.069ha na 1ª Etapa - Nilo Coelho e 4.374 ha. na 2º Etapa - Maria Tereza, totalizando 20.443 ha., e gera em torno de 80 mil empregos diretos e indiretos. 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Feitas estas considerações, Sr. Presidente, os representantes do PSNC encarecem a imperativa necessidade de revitalizar a vida do Projeto Senador Nilo Coelho, para que possam verdadeiramente construir alternativas sustentáveis para a área irrigada. Em suas explanações, afirmaram que falavam sobre a vida das pessoas que moram ali, que produzem, que geram empregos, e enfatizaram que a sustentabilidade da agricultura irrigada corre o risco de virar mais uma lenda do Velho Chico. Foi colocado ainda pelos representantes dos produtores do Projeto que eles se sentem sem identidade perante os Poderes Públicos, pois quando precisam reivindicar os seus direitos, em especial no município, as autoridades municipais dizem que é com a CODEVASF, que, por sua vez, diz que é com o Distrito de Irrigação, e, nesse vai-e-vem, e não se resolve nada. Disseram que o motivo daquelas reuniões era juntar as mais diversas autoridades e exigir delas mais atenção e respeito, pois já estão há mais de 20 anos esperando pela solução dos problemas, que são muitos, e elas nunca chegam. No que diz respeito aos principais problemas enfrentados nesses 20 anos, lembraram que, nos anos 80 do século passado, a primeira crise foi a do algodão e, em seguida, a do tomate, e recordaram que alguns empresários até já cultivavam mangas, uvas e outras frutas. As indústrias de tomates, Sr. Presidente, vieram para a região com todos os tipos de incentivos — os produtores tinham apenas de plantar e entregar a produção. Foram criadas associações, mas paulatinamente múltiplas falências vieram à tona, e empresas como a Etti, a CICANORTE, a Tati e outras foram embora, deixando de 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 herança a traça do tomateiro e a maioria dos produtores na Justiça, porque não conseguirem pagar suas dividas. Mais tarde, vieram as crises da acerola, do fumo e da banana, nas quais não havia preço para os produtos, além do vento que destruiu a maior parte das plantações. Surgiu, então, o projeto da ATER, que objetivava a produção de mudas de goiabas e sua entrega aos produtores, e eles as pagavam com a produção. O projeto estava dando certo, era a luz no final do túnel, mas a CODEVASF acabou com ele. Outras crises vieram: a da uva, em conseqüência do excesso de chuvas; a da manga, com a superprodução, o que levou o produto a não ter preço. Tudo isso fez aumentar de forma excessiva o número de lotes postos à venda. Além desses inúmeros problemas enfrentados pelos produtores, há ainda o altíssimo valor das contas de água, acima das condições reais de produção e de sustentação dos lotes, fazendo com que restasse apenas 2 caminhos aos produtores: vender ou arrendar. Em continuidade, os produtores observaram que as vilas dos moradores cresceram de modo acentuado, o que obrigou a criação de vilas complementares, as vilas novas. E tanto nas vilas novas como nas velhas são comuns os problemas sociais: violência, atendimento médico precário ou inexistente, falta de escolas com estruturas adequadas para as novas demandas, falta de creches, inexistência de saneamento básico, de água tratada, de transporte coletivo em número suficiente, entre outros. O Presidente do Conselho de Administração do Distrito de Irrigação, Jorge Mariano, disse que é preciso ter consciência e valorizar os produtores do Projeto 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Senador Nilo Coelho, Maria Tereza e Bebedouro, porque Petrolina depende dos impostos o produzidos por eles. Entre as autoridades presentes, Sr. Presidente, estavam o Dr. Reginaldo Paes, Superintendente da CODEVASF, que explicou ser de grande importância a união dos produtores, pois facilita a viabilização de recursos para atendimento das reivindicações. Salientou que, apesar de tudo quanto foi colocado, a CODEVASF tem investido no Projeto Nilo Coelho prestando assistência técnica, realização obras de drenagem, recuperação de canais e estações de bombeamento de água. Afirmou ainda que os núcleos habitacionais são de responsabilidade do Governo do Estado, por intermédio da COMPESA, e que educação e saúde são atribuição do município. Já o Prefeito de Petrolina, Odacy Amorim, declarou ter consciência das necessidades dos produtores, assegurando que faria o possível para atender às reivindicações. Foi ainda colocado pelos produtores que o grande problema que eles enfrentam diz respeito ao pagamento da titularização dos lotes e do K 1, a taxa de manutenção do projeto. Para eles, é indispensável a dispensa do pagamento, bem como a concessão de subsídios para energia, água tratada e pavimentação asfáltica, itens indispensáveis para um melhor desempenho dos produtores. De minha parte, Sr. Presidente, coloquei-me à disposição para interceder na GRE para que viabilize a implantação de 2º grau na Escola do Núcleo 09, pois as famílias, já sem condições, são obrigadas a colocar as crianças para estudarem na cidade ou em outros núcleos. Segundo os produtores, esse núcleo atende a todas as exigências legais, uma vez moram ali 812 famílias. 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Comprometi-me ainda, nobres colegas, a envidar esforços para ajudar os produtores naquilo que fosse possível. Disse que ia estudar com carinho o problema da cobrança da titularização dos lotes e do K 1; que existem leis que regulamentam a matéria, mas que leis podem ser alteradas. Os Vereadores participantes das reuniões afirmaram que ali estavam para ouvir os reclamos e que todas as reivindicações tinham sido anotadas e seriam encaminhadas às autoridades competentes. Gostaria, Sr. Presidente, de destacar as principais reivindicações feitas pelos produtores do Projeto Senador Nilo Coelho: água tratada, saneamento básico, atendimento médico-odontológico, ampliação das escolas, construção de creches, construção de praças, suspensão definitiva da cobrança de titularização dos lotes e K 1 e a permanência da assistência técnica rural. E, ainda: conclusão das drenagens dos lotes; prestação, através das escolas e dos meios de comunicação, de informações sobre as frutas produzidas no projeto, com o objetivo de promover o consumo; inclusão de frutas no programa de merenda escolar do município e do Estado; apoio aos produtores para a implantação de cooperativas; votação de lei que determine o custeio, pela Prefeitura Municipal, das contas de água pelo período de 10 anos dos produtores que tenham apenas um lote e residam nos projetos há pelo menos 5 anos; implantação pela CELPE da tarifa Verde, para facilitar a irrigação noturna e a redução dos gastos com energia elétrica; obtenção junto às instituições bancárias de linha de crédito para atender às necessidades dos pequenos produtores. Desejo agora, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, falar do Projeto Pontal, também em Petrolina, pertencente ao Ministério da Integração Nacional. 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Destinado a atender novas áreas produtivas e a difundir de tecnologias cada vez mais avançadas, o Projeto permitirá o aumento da produção e da produtividade agrícolas, propiciará o desenvolvimento regional, principalmente no tocante a recursos financeiros, com aprimoramento de mão-de-obra e do corpo técnico, e gerará de oportunidades de emprego e melhoria da qualidade de vida dos agricultores. O Projeto representa uma oportunidade única para investidores do setor de agronegócios se posicionarem numa região com condições vantajosas para a produção de frutas. Essas vantagens são presentes em termos de clima, disponibilidade de água e de uma cadeia logística já instalada para a exportação de frutas ao mercado internacional. Área irrigável e número de lotes. Áreas (ha.) Área (ha.) IrrigávelN° de Lotes Pequenos Nº de Lotes Empresariais Irrigantes Área Sul 3.344 314 33 Área Norte 4.140 287 60 Área Total 7.484 601 93 Culturas previstas: uva, manga, banana, coco, goiaba, melancia, abóbora, melão, feijão, pinha e atemóia (Projeto Executivo) e outras em estudo. Valor investido no período de 1995 a 2006: R$234.881.270,16. 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Localização: O Pontal esta localizado em região com infra-estrutura logística já estabelecida para exportação, incluindo 3 alternativas de portos (Aratu e Salvador/BA, Suape-Recife/PE e Pecém-Fortaleza/CE), bem como estradas em condições adequadas. O acesso ao Pontal pode ser feito pelas BRs 407, 122, 428, 232 e 116. Alem disto, pelo aeroporto de Petrolina, a cerca de 40 quilômetros de distância do Pontal, já trafegam aviões de refrigerados de carga transcontinental, utilizados para a exportação de frutas produzidas na região. O Projeto Pontal Sul está localizado o extremo oeste do Estado de Pernambuco, mesorregião geográfica do Submédio São Francisco pernambucano, entre as coordenadas geográficas 08º 55’ e 00º 10’ - Latitude Sul e 40º 15’ e 40º 40’ - Longitude Oeste, em terras do Município de Petrolina, distante cerca de 40 quilômetros do seu centro geográfico. Fase de implantação: 97,07% executado do Sistema Adutor Principal (Estações de Bombeamento: EB-01, EB-02 e EB-03; Canais Principais: CP-A, CP-B e CP-C; Aquedutos: AQ-02, AQ-03, AQ-04, AQ-05 e AQ-06; Reservatórios: RS-01 e RS-02; Canal Secundário: CS-01). Obras em andamento: Aqueduto 06 (3 vãos e transições aqueduto/canal); EB03 (acabamentos internos da casa de comando e subestação abrigada, cerca/portões, drenagem e iluminação externa); obras singulares do CP-B (extravasor 02, tomada d’água TA-19, descarga de fundo) e comporta de adução CA-12 (RS-02). Vale salientar que, por falta de recursos para conclusão de mais esse importante projeto para aquela região, no último final de semana mais de 3 mil trabalhadores rurais sem terra e suas famílias ocuparam esse projeto, onde 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 permanecem sem qualquer estrutura de sobrevivência, faltando-lhes alimentação e água. A área não lhes pertence, pois fora previamente estruturada para ser negociada com colonos. No entanto, devem receber dos Governos Municipal, Estadual e Federal tratamento respeitoso e humano, o que até o momento não tem acontecido. Até ontem, a CODEVASF, mediante ação solidária, estava atendendo as famílias ali assentadas precariamente com abastecimento d'água, através de carrospipa, medida suspensa no dia de hoje pelo Diretor de Engenharia da empresa, o que lamentamos. Pedimos, então, ao Diretor Clementino Coelho que autorize a manutenção desse serviço até que se resolva a questão. Saliento que esses assentados, desesperados com a suspensão do abastecimento de água, ocuparam na manhã de hoje a BR-407, no Município de Petrolina, causando grandes transtornos aos usuários dessa rodovia. Feitas essas reivindicações, Sr. Presidente, volto ao tema inicial deste discurso, enfatizando que todos os participantes das reuniões a que compareci chegaram a conclusão de que o Projeto Senador Nilo Coelho pede socorro e depende da implementação dessas ações por parte das autoridades para não deixar de existir e se transformar em mais uma lenda do Velho Chico. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LOBBE NETO (PSDB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária — EMBRAPA, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973; portanto, completa amanhã 34 anos de fundação. Sua missão é buscar alternativas para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio de geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos segmentos da sociedade brasileira. A importância da EMBRAPA para a agricultura e a pecuária brasileira é tão grande, Sr. Presidente, que poderíamos elegê-la como marco divisor do desenvolvimento do agronegócio no Brasil. Há um agronegócio no Brasil antes e outro depois da EMBRAPA. Atualmente, a EMBRAPA, Sras. e Srs. Deputados, possui 38 Centros de Pesquisa, 11 Unidades Centrais e está presente em quase todos os Estados da Federação. Tudo isso para atender as complexas exigências impostas pela natureza, em sua diversidade ecológica. Para chegar a ser uma das maiores instituições de pesquisa do mundo tropical, a empresa investiu, sobretudo, no treinamento de recursos humanos, possuindo hoje 8.619 empregados, dos quais 2.221 são pesquisadores, 45% com mestrado e 53% com doutorado, operando orçamento acima de 1 bilhão de reais, em 2007. Entre as missões da EMBRAPA, encontra-se a coordenação do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária — SNPA, constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, empresas privadas e fundações, que, de forma 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 cooperada, executam pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento científico. As tecnologias geradas pelo SNPA, Sr. Presidente, mudaram a agricultura brasileira. Um conjunto de tecnologias para incorporação dos cerrados no sistema produtivo tornou a Região Centro-Oeste a responsável por mais de 40% da produção brasileira de grãos, uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. A soja, Sras. e Srs. Deputados, foi adaptada às condições brasileiras, e hoje o Brasil é o segundo produtor mundial do grão. Na pecuária e na suinocultura, a oferta de carne bovina e suína foi multiplicada por 4 vezes, enquanto que na avicultura a oferta de frango aumentou 18 vezes. A produção de leite aumentou de 7,9 bilhões de litros, em 1975, para 24,6 bilhões de litros, em 2005. E a produção brasileira de hortaliças elevou-se de 9 milhões de toneladas, em uma área de 700 mil hectares, em 1980, para 17,4 milhões de toneladas, em 773,2 mil hectares, em 2005, prova irrefutável dos altos índices de produtividade alcançados por produtos desenvolvidos para plantio pela EMBRAPA. A EMBRAPA tem amplo programa de pesquisa, que vai desde o desenvolvimento de tecnologias e sistemas de produção para aumentar a eficiência da agricultura familiar e incorporar pequenos produtores ao agronegócio, garantindo melhoria na sua renda e bem-estar, até a sua atuação na área de cooperação internacional. A empresa mantém 68 acordos bilaterais de cooperação técnica com 37 países e 64 instituições e tem ainda acordos multilaterais com 20 organizações internacionais, envolvendo principalmente a pesquisa em parceria. 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Para ajudar neste esforço, a EMBRAPA instalou nos Estados Unidos e na França, com apoio do Banco Mundial, laboratórios para o desenvolvimento de pesquisa em tecnologia de ponta. Por falar em tecnologia de ponta, Sras. e Srs. Deputados, a revista Exame, edição de 11 de abril último, publicou matéria intitulada A Capital da Tecnologia, sobre o desenvolvimento tecnológico no Brasil. A matéria aponta a cidade de São Carlos, em São Paulo, como sendo “um berço de negócios movidos a inovação”, devido à “alta concentração de cérebros e centros de pesquisa”. Em seu artigo, a jornalista Roberta Paduan destaca a contribuição da EMBRAPA no desenvolvimento do setor de equipamentos para uso na agropecuária, em sua unidade de instrumentação, e na pesquisa genética de bovinos, na unidade de estudos da pecuária. O sucesso da EMBRAPA, reconhecida no Brasil e no exterior pela altíssima qualidade de suas pesquisas, deve-se ao seu abnegado corpo de pesquisadores, funcionários e diretores, que, com dedicação, como é o exemplo do Prof. Silvio Crestana, tornaram-na referência mundial de competência na área de pesquisa agropecuária, aumentando as safras via crescimento da produtividade. Sr. Presidente, gostaria de parabenizar a EMBRAPA e o seu corpo de funcionários, por meio de seu Presidente, o Prof. Silvio Crestana, natural de São Carlos, pelos 34 anos de excelentes serviços prestados ao País. Desejo que continuem descobrindo os segredos da natureza e contribuindo para o desenvolvimento da agropecuária no Brasil. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRACIANO (PT-AM. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ilustres pares, venho a esta tribuna cumprimentar o Governo do Presidente Lula pelo lançamento ontem, dia 24 de abril, do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), medida que representa o resgate de uma luta iniciada há várias décadas, englobando parte do pensamento nacional que acredita que a educação é fundamental para a construção de uma sociedade melhor. O PDE, ao ser implantado em sua integralidade, realizará uma verdadeira revolução na educação brasileira, tirando o Brasil da incômoda posição de ter um dos piores níveis de ensino do mundo. Existem 3 princípios basilares no PDE, além do aporte financeiro, que é fundamental para seu sucesso: a abordagem sistêmica, a responsabilização coletiva e a mobilização dos diferentes atores envolvidos e compromissados com o processo educacional. O plano anunciado engloba todas as etapas e modalidades da educação, mas a educação básica será a prioridade, sendo previstas, entre outras medidas, um sistemas de definição de metas, de avaliação e de cobrança de resultados nas escolas de todo o País, para melhorar a qualidade de ensino. Em termos gerais, o PDE repassará, em 12 meses, cerca de 1 bilhão adicionais aos municípios com ensino de pior qualidade no Brasil. Estão previstos R$8 bilhões em investimentos até 2010, além de criar um piso salarial dos professores, instalar escolas técnicas em 150 cidades-pólo, aumentar o número de vagas nos cursos superiores em todo o País. Por entender que o processo educacional é fundamental para o desenvolvimento do País e para a inserção plena da nossa população, 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 principalmente os jovens, à cidadania, é que aprovo e aplaudo o lançamento do PDE. E como forma de contribuição, com objetivo de propor medidas que representem melhoria na qualificação e valorização dos profissionais da educação, apresentei emenda substitutiva ao projeto de lei (PL nº 619, de 2007) que institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Sr. Presidente, o Plano de Desenvolvimento da Educação demonstra a firme decisão do Governo Lula de investir na construção de um sistema educacional de qualidade no Brasil. Essa é uma sinalização importante de que o País está adotando políticas públicas que podem contribuir para a garantia do direito de todos à educação. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que meu pronunciamento seja divulgado nos órgãos de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. Srs. Deputados 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RATINHO JUNIOR (Bloco/PSC-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, registro, nesta Casa, fatos relativos à Agencia Nacional de Aviação Civil — ANAC, que merecem ser analisados. Essa agência tem que desempenhar seu papel de fiscalizadora dos recursos da Nação que estão sob a responsabilidade da INFRAERO. Na quinta-feira da semana passada, protocolei requerimento nesta Casa em que solicito esclarecimentos sobre o destino de recursos da ANAC em 2006. Foram destinados, por exemplo, mais de 11 milhões de reais para o escritório da Missão de Cooperação Técnica da Organização de Aviação Civil Internacional no Brasil, incluindo até gastos com móveis, cadeiras giratórias, ao preço de 4.430 reais. Dois milhões de reais foram gastos com passagens aéreas e mais 2 milhões de reais com mesas, cadeiras. É um valor exorbitante para a montagem de um escritório. Temos que convir que o nosso País, com dívida pública de mais de 1 trilhão de reais, precisa adotar uma postura mais adequada em relação aos gastos públicos. Trata-se de anomalias. A prioridade da aviação civil no País é a formação de controladores de vôo e a compra de aparelhos de radar para os aeroportos, mas, pelo que vemos, não existe um plano de prioridade de gastos da ANAC. Temos que corrigir essas e outras distorções. Espero, Sr. Presidente, que esse pedido de informações seja entregue o mais rápido possível à ANAC. Essa instituição, criada para resolver problemas, não pode ser um problema para o nosso País. Muito obrigado. 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MARCELO SERAFIM (Bloco/PSB-AM. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, meu pronunciamento versa sobre a ampliação da licença-maternidade de 4 para 6 meses, que o Prefeito Serafim Corrêa concede às funcionárias da Prefeitura de Manaus. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, povo do Estado do Amazonas, venho a esta tribuna destacar mais uma grande iniciativa do Prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, que entra para o seleto rol de Prefeitos brasileiros que concederam licençamaternidade de 180 dias às mulheres. Ele vai assinar, na próxima sexta-feira, o projeto de lei que estende a licença de 4 para 6 meses às servidoras públicas do município de Manaus, na presença da ilustre Deputada Federal, a companheira Luiza Erundina, e dos demais Deputados do nosso partido, além das Deputadas Federais e Estaduais do Amazonas, Vereadoras de Manaus e muitas outras autoridades. Sr. Presidente, quero lembrar que no Senado Federal tramita projeto que também amplia o tempo de convivência entre mamãe e bebê. Portanto, logo, logo teremos essa importante lei vigorando de norte a sul do Brasil. Mais um avanço da sociedade brasileira. Sr. Presidente, quero destacar que um dos grande benefícios do projeto de lei do Prefeito Serafim Corrêa é, sem sombra de dúvida, na questão da amamentação exclusiva, que será estendida por mais tempo. Além disso, Manaus seguirá à risca a recomendação da Organização Mundial da Saúde de que os bebês recebam somente leite materno até o sexto mês de vida. Sras. e Srs. Parlamentares, o leite materno, como bem sabemos, é capaz de prevenir diversos males do primeiro ano de vida, como pneumonia, diarréia e até 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 doenças alérgicas. Sem contar que, com o projeto sancionado, a tendência natural é de que o Poder Público, num curto prazo, gaste menos com a hospitalização de crianças. Lembremos, ainda, desta tribuna, que nesses 2 meses extras dados às mamães, funcionárias do município, elas poderão estreitar os vínculos e os laços entre ela e suas crianças. Sr. Presidente, os especialistas dizem, e quero aqui dar fé aos seus estudos, que o contato físico com a mãe e os estímulos que partem dela fazem com que o bebê desenvolva a sensação de pertencimento, essencial para a vida. Não podemos privar, em hipótese alguma, as crianças desse contato com a mãe. Os estudiosos dizem que as crianças carecidas desse contato correm sério risco de se tornarem adolescentes e adultos com possibilidades limitadas, sobretudo no que diz respeito a dar e a receber afeto. Acredito que, com a ampliação da licença-maternidade e o conseqüente convívio entre mamãe e bebê, será possível que no futuro vivamos numa sociedade de adultos mais equilibrados e, ouso dizer, até menos violentos. Sr. Presidente, com o projeto de lei do Prefeito Serafim Corrêa todos ganham. As mulheres, porque terão um convívio mais rico com seus filhos; a própria criança, que vai ter a mãe ao seu lado num tempo mais integral, e o município, que, além de fazer economia, terá funcionárias mais motivadas. Solicito, Sr. Presidente, aos órgãos de comunicação desta egrégia Casa legislativa que divulguem o inteiro teor de nossa fala, para que a idéia, vinda da nossa querida Manaus, seja copiada por outros Prefeitos desse imenso Brasil. Essa 49 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 iniciativa é do tipo que pode e deve ser plagiada por todos os homens públicos. Ela é totalmente do bem. Encerro, parabenizando o Prefeito Serafim Corrêa. Em nome de todas as mulheres, servidoras da Prefeitura de Manaus e da Sociedade Brasileira de Pediatria, que por anos a fio têm lutado pela ampliação da licença-maternidade, quero agradecer pela brilhante iniciativa. Parabéns! Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. 50 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOÃO MATOS (Bloco/PMDB-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não poderia, na condição de educador, profissão que exerço ao longo das últimas 4 décadas e meia, deixar de aproveitar este momento ímpar para fazer alguns registros desta tribuna, tecendo considerações e levando à Nação, sobretudo a educadores e educandos, o entendimento que tivemos a respeito do grande evento realizado ontem, no Palácio do Planalto, quando do lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação. É com alegria que venho a esta tribuna exaltar a importância do lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação — PDE, batizado como o PAC da Educação. Tive a oportunidade de parabenizar o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro da Educação, Fernando Haddad, ontem no evento oficial no Palácio do Planalto dizendo a ambos como é bom poder falar à população do nosso País que a educação está sendo priorizada. O PDE será um marco nesse setor e colocará o Brasil em igualdade de condições com os países mais desenvolvidos do mundo na área da educação. Quero também ressaltar que a competência e dedicação do Ministro Fernando Haddad no gerenciamento do plano, certamente, garantirão o êxito na consecução da proposta. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, destaco, entre as medidas anunciadas ontem, a implantação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o IDEB. Nos próximos 15 anos, os sistemas municipais, estaduais e federal de ensino terão metas de qualidade para atingir. 51 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O apoio financeiro e técnico destinado à formação de professores, à compra de equipamentos e recursos pedagógicos, à infra-estrutura física e à gestão da educação também é digno de elogios. Como ex-diretor de escola, tenho certeza de que nossos professores mereceriam salário maior, mas não podemos deixar de admitir que a meta de se ter um piso salarial de 850 reais mensais para professores da educação básica de todo o País já é um avanço e vislumbra um novo tempo para o magistério. A alocação de 600 milhões de reais do BNDES para financiar a compra de ônibus e barcos para o transporte escolar resultará na renovação da frota, proporcionando condições dignas e seguras aos alunos mais carentes, que dependem desses veículos para se deslocar até suas escolas, e tranqüilidade aos pais. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a ampliação do PROUNI e do FIES, com atendimento de 100 mil novos alunos a cada ano, abrirá efetivamente a universidade para o povo e transformará o Brasil em um dos países mais democráticos do mundo no tocante ao acesso ao ensino superior. O investimento de 800 milhões de reais entre 2007 e 2010 para que os municípios ampliem e melhorem as instalações da educação infantil dará grande reforço às redes de creches e pré-escolas públicas, tornando realidade a inclusão de crianças de zero a 6 anos na rede pública de ensino. O FUNDEB já distribui recursos para manutenção da educação infantil, mas, infelizmente, a grande maioria dos municípios não tem prédios para receber esses alunos. O PRÓ-INFÂNCIA vai resolver esse grave problema, possibilitando a 52 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 construção de novas creches e pré-escolas, a melhoria da infra-estrutura física, a reestruturação e a aquisição de equipamentos. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, com certeza, esta Casa fará sua parte e contribuirá no aperfeiçoamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, garantindo aos brasileiros a perspectiva de vida melhor, uma vez que a educação proporciona melhoria nos padrões de qualidade de vida. A preocupação demonstrada pelo atual Governo, na pessoa do Presidente Lula, e a competência e dedicação do nosso Ministro da Educação, Fernando Haddad, vão garantir que o Brasil se inscreva, nos próximos anos, entre os países do mundo com índices elevados de qualidade de educação. Na condição de educador, ex-professor, ex-diretor de estabelecimento de ensino, ex-Secretário Municipal de Educação, ex-Coordenador Regional de Educação e ex-Secretário de Educação de Educação do meu Estado, Santa Catarina, folgo em dizer que não só fui testemunha, não só participei, mas também continuarei participando ativa e decisivamente, na condição de Parlamentar, para que as condições de melhoria da qualidade do ensino brasileiro passem a ser uma realidade cada dia maior. Muito obrigado. 53 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. DANIEL ALMEIDA (Bloco/PCdoB-BA.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero cumprimentar os educadores e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, que hoje está realizando mobilizações pelo Brasil afora, culminando com uma marcha a Brasília. Neste momento mais de 20 mil trabalhadores da educação se encontram nas imediações do Congresso Nacional, defendendo a educação pública, gratuita e de boa qualidade. Sr. Presidente, todos nós comemoramos o lançamento, ontem, pelo Presidente da República, do Plano de Desenvolvimento da Educação. Todos nós verificamos os avanços que a educação tem conquistado em nosso País, mas também identificamos a defasagem que devemos superar nesse campo. O Brasil vive uma tragédia há muitos anos, e há necessidade de superação. Isso será feito, sem dúvida alguma, concentrando-se na valorização do profissional da educação. A CNTE reconhece esses avanços, mas também identifica a necessidade de continuarmos buscando elevar o piso salarial de R$ 850,00, proposto pelo Governo. Achamos que todo esforço deve ser empreendido no sentido de buscar a elevação desse piso. Há uma discussão também sobre a necessidade de se fazer um piso diferenciado para o nível médio e para o nível superior. A CNTE aponta para o nível médio um valor de R$1.050,00 e para o nível superior um valor de R$1.575,00. Também é necessário que haja uma jornada mais compatível com a função exercida pelos profissionais da educação, pelos professores. Uma jornada de 40 horas semanais é estafante. Ela não permite melhor preparação e qualificação do professor, a fim de que as aulas sejam mais bem apresentadas aos alunos. Os professores identificam que há necessidade de uma jornada de 30 horas semanais. 54 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Existe também a necessidade de incorporar todos os trabalhadores da educação e não só os professores. Sabemos que a escola não funciona somente com os professores. Os outros trabalhadores da educação têm importância, tanto quanto o professor, na busca de uma escola mais bem qualificada, com recursos humanos mais preparados para dar conta dessa tarefa. Portanto, registramos o nosso apoio e solidariedade à manifestação organizada no Brasil inteiro pela CNTE. Sr. Presidente, também gostaria de registrar que ontem realizamos uma audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debater a regulamentação do direito de greve. Sou Relator do Projeto de Lei nº 401, de 1991, cujo proponente foi o então Deputado Paulo Paim, agora Senador. Esse tema é atual, faz parte do debate dos trabalhadores, do próprio Governo e do Judiciário. Resolvemos realizar algumas audiências públicas para tratar do assunto. Consideramos o direito de greve inquestionável. A Constituição Federal estabeleceu o direito de greve, cabendo aos trabalhadores definirem a oportunidade, a circunstância adequada e o que reivindicar nessa situação. Sobre isso não há qualquer dúvida. A discussão é relativa à conveniência de se estabelecerem normas para esse direito nas chamadas atividades e serviços essenciais, não causando prejuízos à sociedade, aos cidadãos, quando os trabalhadores resolverem deflagrar greve. Esse é o grande debate que queremos travar. Aliado a esse debate, há necessidade, principalmente para o servidor público, da garantia da negociação, da definição da data-base e do direito de negociação 55 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 coletiva. Os servidores públicos reivindicam a ratificação da Convenção nº 151, da OIT, que assegura mecanismos de negociação, que serão, sem dúvida nenhuma, mais eficazes, no sentido de estabelecer melhores condições para a convivência com os conflitos, sempre existentes. Sr. Presidente, na condição de Relator, procuro apresentar um parecer que não deixe dúvidas sobre o exercício da greve e que lhe dê condições de regulamentar e fortalecer a negociação coletiva. Nenhuma imposição pode ser feita nesse campo. São essas iniciativas que apresento a V.Exas. Estamos abertos ao diálogo com os diversos segmentos acerca da matéria. 56 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Registro a presença em plenário de comitiva de Itupeva, Estado de São Paulo, integrada pelo Prof. Ricardo Bocalon e pelo jornalista Iry Campos, do Jornal Tribuna de Itupeva, que estão sendo recepcionados pelo ilustre Deputado Vicentinho. Saibam os itupevenses que obterão resultados muito positivos a partir da atuação do Deputado Vicentinho a favor daquela comunidade. 57 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra à nobre Deputada Vanessa Grazziotin. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco/PCdoB-AM. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acabo de chegar da Marcha Nacional em Defesa da Educação, a favor de um piso nacional para os trabalhadores do setor. A marcha ainda está acontecendo. Um ato público deverá se iniciar em frente ao Congresso Nacional. Fiquei satisfeita quando vi que há massiva participação de professores e outros profissionais da área de todo o País. São aproximadamente 20 mil trabalhadores em frente ao Congresso Nacional falando bem alto em defesa do piso salarial. Falo isso com muita alegria porque já fiz parte da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação — CNTE. Fui Vice-Presidenta dessa entidade quando ainda se chamava Confederação dos Professores do Brasil — CPB. Naquela época sequer tínhamos o direito à sindicalização, que era proibida aos servidores públicos. Organizávamo-nos nacionalmente em torno da CPB e, nos Estados, por meio das associações de professores. A partir da redemocratização do Brasil, conquistamos o direito de sindicalização. Com isso, veio a compreensão de todos os professores de que a educação não é só exercida pelo docente, mas por um conjunto de profissionais que trabalham o dia-a-dia de cada escola. Nesse sentido, a antiga Confederação dos Professores do Brasil — CPB transformou-se em Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação — CNTE, entidade das mais organizadas, que trabalha não somente com o aspecto 58 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 salarial e profissional dos trabalhadores em educação, mas formula idéias, propostas e opiniões para melhoria do sistema educacional brasileiro, sobretudo o da educação pública. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste momento é importante refletirmos. Ontem — e todos que me antecederam falaram disso, tamanha a importância do evento —, o Presidente da República anunciou o Plano de Desenvolvimento da Educação, muito importante. Eu mesma já apresentei destaque, por ser esse um dos passos mais importantes rumo à valorização, à melhoria da qualidade do ensino em nosso País. Mas é preciso que todos nós, no momento em que formos analisar, um a um, todos os projetos que compõem o Plano de Desenvolvimento da Educação, tratemos com muito carinho a proposição que aborda o piso nacional dos professores. De acordo com a proposta do Governo, o piso deverá alcançar, no ano de 2010, Deputado Praciano, o valor de 850 reais. A proposta da CNTE, discutida no Brasil, leva em consideração o salário pago aos professores e a capacidade de Estados e Municípios pagarem esse piso salarial e entende que o melhor piso para 30 e não 40 horas é de 1.570 reais, para docentes e trabalhadores de nível superior, e de 1.050 reais, aproximadamente, para aqueles que têm somente o nível médio. Há também outra proposta da CNTE sobre a qual todos devemos refletir. A proposta do Governo abrange somente os professores; já a CNTE defende a extensão do piso aos profissionais da área. Como justificativa, a CNTE alega que educação não é feita somente pelo professor, mas também pelo psicólogo, pedagogo, trabalhador, técnico administrativo da secretaria. Isso é educação e 59 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 assim ela tem de ser vista e entendida. Portanto, a CNTE também defende a extensão do piso a todos os servidores da educação. Sei que teremos árdua batalha nesta Casa, principalmente junto ao Governo, mas não vejo essa luta entre Situação e Oposição, já que a questão abrange Estados e Municípios e, portanto, os partidos políticos, aqueles que compõem o Governo Federal ou que a ele fazem oposição. Ontem, ouvi o ex-Ministro da Educação afirmar ser ilegal esse pagamento e que não pode uma lei federal dizer o que o Estado ou o Município tem de pagar. Claro que pode. Vamos ao debate e aprovar o melhor piso para os trabalhadores em educação e para o sistema educacional público. Por fim, aproveito a oportunidade para dizer que amanhã a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional lançará o selo comemorativo de seus 10 anos de existência. Esta Comissão foi criada nesta Casa por meio de um projeto de resolução do ex-Deputado Anivaldo Vale, do Estado do Pará, que não está mais entre nós, mas que é muito querido por todos. Durante o lançamento do selo, faremos singela, porém sincera homenagem a ele. Sr. Presidente, em meu nome e no dos Deputados integrantes da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, convido V.Exa. e todos os colegas presentes a participarem conosco, amanhã, a partir das 9 horas, da comemoração dos 10 anos da Comissão, no Plenário 15 da Câmara dos Deputados. Logo após, haverá um café da manhã regional do Norte e do Nordeste, patrocinado pelos membros da Comissão. Muito obrigada, Sr. Presidente. 60 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Pedro Chaves, do PMDB de Goiás. A SRA. MARIA LÚCIA CARDOSO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Infelizmente, Deputada, não é possível. Neste momento, regimentalmente, não podemos conceder a palavra, a não ser àqueles que se inscreveram pela manhã. Mas a Mesa aceita o pronunciamento de V.Exa. e dará a ele a devida divulgação, como se tivesse sido lido no plenário. Se V.Exa. quiser se inscrever para falar nas Breves Comunicações, durante o processo de votação, farei questão... A SRA. MARIA LÚCIA CARDOSO - Sr. Presidente, vou me inscrever após o encerramento do discurso do Deputado Pedro Chaves, se V.Exa. me permitir. Muito obrigada. 61 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Pedro Chaves. O SR. PEDRO CHAVES (Bloco/PMDB-GO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos finalizando as votações das medidas provisórias que compõem o Programa de Aceleração do Crescimento — PAC. Nós e a sociedade brasileira esperamos que com a implantação das obras de infraestrutura previstas o Brasil consiga alcançar maiores níveis de desenvolvimento. No meu Estado, Goiás, temos algumas obras de infra-estrutura importantes para o nosso desenvolvimento, que foram contempladas, a exemplo da duplicação da BR-153, no trecho que liga Goiânia a Itumbiara, na divisa com o Estado de Minas Gerais, obra muito importante não só para Goiás, mas para nosso País, porque a rodovia faz a ligação do norte com o sul, sendo um eixo de transporte muito importante para o desenvolvimento do Brasil e do Estado de Goiás. Temos incluso no PAC também a implantação da Ferrovia Norte—Sul no trecho que liga a cidade de Anápolis a Uruaçu. Sr. Presidente, solicitamos ao Ministério dos Transportes que a Ferrovia Norte—Sul seja estendida até a cidade de Porangatu, mais precisamente até a divisa do Estado de Goiás com o Estado do Tocantins. Essa ferrovia é muito importante para o desenvolvimento do Estado de Goiás e do Tocantins porque liga a Região Centro-Oeste ao Porto do Itaqui, na cidade de São Luís, no Maranhão, e vai permitir que grande parte da nossa produção, seja de grãos ou de minério, possa ser exportada por meio desse porto. Então, é muito importante para Goiás e para o Centro-Oeste a conclusão da Ferrovia Norte—Sul. 62 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Há também a implantação do alcoolduto, para ligar o Estado de São Paulo, precisamente os seus portos, à cidade de Senador Canedo, em Goiás. É algo fundamental para nosso Estado, que hoje vive uma nova realidade com a chegada de várias usinas de álcool. Goiás, com certeza, será um dos grandes produtores de álcool, como já o é hoje, associando-se aos demais Estados no que se refere à exportação desse produto. A implantação do Programa de Aceleração do Crescimento — PAC vai trazer nova realidade para o Estado do Goiás, o Centro-Oeste e o Brasil. Sr. Presidente, também associo-me aos elogios a esse programa do Governo. Temos acompanhado de perto a intenção do Presidente Lula em fazer o melhor, tanto na área social como na área educacional — ontem lançou um programa muito arrojado na área da educação —, mas focado também na parte de infra-estrutura. Há outras obras importantes em Goiás que estão sendo executadas por meio do Ministério dos Transportes, a BR-414, que liga Cocalzinho à cidade de Niquelândia; e a construção da BR-080, que liga Padre Bernardo a Uruaçu. Estamos trabalhando também para que possa ser iniciada a duplicação da BR-020, no trecho que liga a cidade de Planaltina, no Distrito Federal, até a cidade de Formosa, em Goiás. Já temos o projeto de engenharia concluído e aprovado, a Licença de Instalação — LI do IBAMA liberada. Estamos aguardando somente a execução orçamentária. Há muitos anos essa rodovia é reivindicada pelas populações de Formosa, do Entorno de Brasília e do nordeste goiano, justamente pela importância que ela tem não só para o Distrito Federal, mas também para o Estado de Goiás. 63 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Muitas pessoas que moram em Formosa trabalham e comercializam seus produtos em Brasília. Então, o fluxo de pessoas indo e vindo, todos os dias, de Brasília a Formosa e vice-versa exigia a duplicação dessa estrada há muito tempo. Mas nunca é tarde para repararmos um erro. Essa é a nossa luta junto ao Ministério dos Transportes, mais precisamente o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes — DNIT, que elaborou os projetos de engenharia e ambiental e fez com que todo o aporte referente ao projeto executivo, como as licenças, inclusive a ambiental, fosse aprovado. Sr. Presidente, com a execução orçamentária, em breve teremos o início da duplicação da BR-020, que liga a cidade de Planaltina, no DF, à cidade de Formosa, em Goiás. Com isso, evitaremos muitos acidentes que ocorrem na nossa rodovia devido ao fluxo de veículos. Sr. Presidente, registro nossa luta, o empenho do DNIT e do Ministério dos Transportes para que tenhamos em breve a duplicação dessa rodovia. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 64 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SEBASTIÃO BALA ROCHA (Bloco/PDT-AP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com grande alegria que registro a visita oficial do Ministro Carlos Lupi, na sexta-feira, ao meu Estado, o Amapá. Deputados Dr. Basegio e Arnaldo Vianna, que são também do PDT e estão neste plenário, o Ministro cumprirá a agenda oficial ao lado do Governador Waldez Góes. Para nós, do PDT, que somos amigos do Ministro Lupi, é uma grande honra e uma grande satisfação recebê-lo no Estado do Amapá. É a primeira visita que o Ministro faz ao Estado e por isso sentimos uma expectativa muito grande. Antes de falar da agenda e da importância da sua visita ao Amapá, é importante falar da pessoa do Ministro Lupi, companheiro que se engajou ao PDT ainda muito jovem, sempre foi homem de confiança do nosso inesquecível Presidente Leonel Brizola e que tem, ao longo de sua vida pública de Deputado Federal, de liderança do nosso partido, o PDT, e, agora, como Ministro, revelado uma história de coerência, de retidão, de autenticidade e de franqueza absolutas. Acima de tudo é um homem corajoso, leal aos seus princípios, aos seus ideais. A presença de S.Exa. em um dos Ministérios do Governo do Presidente Lula resgata grandes bandeiras de lutas do nosso partido, o PDT. Trabalhista convicto, o Ministro Lupi, com certeza, garantirá avanços inestimáveis no contexto da geração de emprego, da geração de renda, na expectativa de a juventude ter o primeiro emprego. Essas políticas públicas estão em boas mãos. Podemos assegurar, pela convivência que temos com o Ministro Lupi, pelo que conhecemos do seu trabalho e da sua história de vida, que os trabalhadores podem ficar tranqüilos. 65 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Quando o Ministro Lupi fala em Getúlio Vargas, em Leonel Brizola, S.Exa. fala com o coração, com a alma, com a paixão presente, como uma grande bandeira na luta pelo trabalhismo e na defesa dos trabalhadores. Parabéns ao Ministro Lupi não só pela sua história de vida, mas também pela sua história de coerência, pela sua história de lealdade. O Presidente Lula pode ter a certeza de que tem em seus quadros um grande Ministro, um grande colaborador, que representa a autenticidade dos ideais do nosso partido, o PDT, e também de todo o conjunto da sociedade brasileira, onde se busca, certamente, mesmo às vezes com divergência, encontrar o ponto de equilíbrio. Não que o trabalhador seja sempre o prego e que seja massacrado pelo martelo — como disse o Ministro Lupi em audiência pública recentemente na Comissão do Trabalho —, mas é importante dar ao trabalhador condições de sair da condição de prego e tornar-se martelo ou pelo menos um amortecedor, para que a pancada não seja tão forte. Ministro Lupi, V.Exa. é bem-vindo ao Amapá, vamos aguardá-lo com muita expectativa. O Estado do Amapá também será beneficiado com os programas do Ministério do Trabalho. Tanto que faz parte da agenda do Ministro Carlos Lupi, ao lado do Governador Waldez Góes, visitar órgãos públicos, inaugurar obras, além de se reunir com trabalhadores e empresários da região. É bom ressaltar também que S.Exa. o Governador desenvolve em nosso Estado a política pública de emprego, como o Programa Primeiro Emprego, dando oportunidade a mais de 500 jovens naquele Estado. Segundo a Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo do Amapá, mais de 8 mil famílias foram beneficiadas 66 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 com o Fundo de Apoio ao Microempreendedor e ao Desenvolvimento do Artesanato do Amapá — FUNDMICRO, cujos recursos variam de 1 mil a 20 mil reais. O determinado e eficaz trabalho do Governador Waldez Góes será agora conhecido de perto pelo Ministro Carlos Lupi e, certamente, servirá de modelo para todo o País. À frente do Ministério do Trabalho, o Ministro Carlos Lupi nos dá garantia e segurança de que os trabalhadores têm na vanguarda de sua luta um homem de bem, de coragem, franco e coerente com seus ideais e com a política do Governo de gerar emprego e renda e criar maiores oportunidades para as famílias brasileiras. Muito obrigado. 67 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA (PR-AL. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, por quase 2 anos estive à frente da Secretaria de Estado da Educação em Alagoas. Nesse período, tornei-me, ainda mais, um sério e aguerrido defensor da educação pública e gratuita em todos os níveis e da democratização do acesso à educação. No meu segundo mandato na condição de Deputado Federal, reitero às senhoras e aos senhores Deputados, e também aos mais de 70 mil eleitores que confiaram a mim seu voto nesta última eleição, que a da educação continuará figurando como prioritária nesta Legislatura. Na condição de político que atua diretamente nessa área, não poderia deixar de subir à tribuna, hoje, para comentar sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação que, antes de seu lançamento realizado hoje, foi debatido pelo Governo juntamente com os educadores, Parlamentares e representantes da sociedade civil. Democrático, por assim dizer, o Plano abrange todas as etapas da educação, mas prioriza a melhoria da qualidade dos 9 anos do ensino fundamental. A principal medida estabelecida pelo PDE, eu poderia dizer aqui, e certamente meus colegas Parlamentares componentes da bancada nordestina vão concordar comigo. Afinal, nossa região ainda apresenta, infelizmente, os piores Índices de Desenvolvimento Humano do nosso País e ainda esbarra numa má vontade histórica dos Governos que por aqui passaram em resolver, de uma vez por todas, ou pelo menos tentar diminuir esse imenso abismo social. Lamentavelmente, ainda podemos perceber a cada dia a existência dos nossos dois Brasis. Como ia dizendo, a principal medida do PDE é justamente o estabelecimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e do apoio às Prefeituras, que 68 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 têm os indicadores educacionais mais baixos, o que vai reduzir essas desigualdades. O Ministério da Educação vai investir cerca de 1 bilhão de reais este ano, em recursos adicionais ao FUNDEB, para atender mil municípios com os piores índices de desenvolvimento da educação. Os especialistas vão recomendar ações como o acompanhamento individual das crianças, atividades de cultura e esporte no contraturno escolar, a participação da comunidade nos conselhos de cada escola e a criação de Conselhos Municipais de Educação. Isso é quase que inédito, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. Trata-se de uma ação que nos parece lógica e simples para nivelar os índices educacionais do nosso País, mas que até agora não tinha sido executada. Finalmente as coisas parecem começar a caminhar no sentido de diminuir a distância entre esses dois Brasis. Os benefícios contidos no PDE são ainda vários: crédito do BNDES para comprar ônibus e barcos para o transporte escolar; a criação da provinha para aferir a alfabetização entre as crianças entre 6 e 8 anos, entre outros. Outro ponto fundamental do Plano e que gostaria de destacar aqui são os incentivos ao professores, que constituem parte fundamental ao processo. Nós, que fizemos parte da Comissão da Educação durante as discussões para aprovação do FUNDEB, sabemos o quanto foi grande nossa luta para garantir o piso salarial dos professores e mecanismos que pudessem estabelecer mais valorização e motivação a essa categoria tão sofrida que são os nossos professores. Assim, Sr. Presidente, Srs. e Sras. Deputadas, deixo aqui meu entusiasmo com o lançamento do PDE e minhas expectativas para que esse projeto não seja 69 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 mais um que pare no papel, mas que tome forma e que estes sejam os primeiros passos dados para uma educação de qualidade. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 70 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, dia 25 de abril, comemora-se o Dia do Contabilista. Esta nobre profissão tem como principal tarefa organizar e supervisionar a contabilidade, que pode ser de uma empresa, de uma instituição ou até mesmo de uma grande família. Contratado ou trabalhando por conta própria, o contabilista administra a situação financeira de quem contrata seus serviços. Em uma sociedade organizada, quanto mais complexas forem suas relações, mais necessário torna-se o trabalho do contabilista. Numa empresa, Sr. Presidente, ele pode ser o responsável pela gestão do orçamento, fazer auditorias e inspeções financeiras, registrar as principais contas, planejar investimentos, controlar gastos, orientar pagamentos e fazer balanços. De forma geral, Sras. e Srs. Deputados, os contabilistas vivem imersos em números e documentos. Por esse motivo, precisam conhecer a legislação fiscal, comercial e do trabalho dentro de seu país, os princípios de funcionamento e o patrimônio da empresa onde trabalham. A complexa profissão exige também conhecimentos teóricos e práticos sobre estatística, matemática, informática e de alguns ramos da administração, de recursos humanos e do Direito, e, principalmente, exige que os profissionais estejam sempre atualizados com a legislação tributária e fiscal. Os contabilistas também podem ser chamados para ajudar no cumprimento dos deveres fiscais de seu cliente. Na época de declarar o Imposto de Renda, por exemplo, o que ocorre entre os meses de março e abril em nosso País, estes profissionais com certeza vêem sua carga de trabalho aumentar. Outra atribuição 71 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 que o contabilista pode exercer é a de revisor de contas, onde funcionam como auditores internos ou externos. Uma das ciências mais antigas do mundo, Sr. Presidente, a contabilidade é utilizada desde a época das antigas civilizações, quando as primeiras técnicas contábeis foram registradas. Entretanto, seu grande desenvolvimento iniciou-se com a obra Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni et Proportionalita, de autoria de Frei Pacioli, publicada em Veneza, Itália, em 1494. Denominada mais tarde de "Partidas dobradas" ou "Método de Veneza", a publicação é um dos primeiros impressos no mundo e descreve o método com que os mercadores de Veneza controlavam suas operações de compra e venda. Como podemos depreender, Sras. e Srs. Deputados, a atividade econômica seria impossível sem a ciência contábil. Portanto, o profissional da área, que se gradua atualmente em universidades, depois de formado, pode atuar em diferentes áreas, como contabilidade pública, quando controla as finanças públicas; contabilidade fiscal, sendo responsável pelo planejamento tributário da empresa; contabilidade de custos, fornecendo informações sobre preços de mercado; contabilidade gerencial, voltada para o controle dos recursos econômicos da empresa; e auditoria, que concentra o maior número de profissionais. Na qualidade de auditor, o contabilista deve examinar documentos contábeis para checar se a contabilidade da empresa está em ordem. Cerca de 90% dos auditores que atuam no mercado de trabalho são formados em Ciências Contábeis. Atualmente, mais de 200 mil contabilistas e escritórios de contabilidade estão registrados nos Conselhos Regionais de Contabilidade no Brasil, o que mostra a importância da atividade. 72 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Nesta oportunidade gostaria de homenagear os profissionais contabilistas, cumprimentando-os pelo seu dia, em especial os contabilistas do Estado do Paraná, na pessoa do Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, Dr. Maurício Fernando Cunha Smijtink, com os quais tenho tido estreito contato, em virtude de minha atuação nesta Casa em busca de uma reforma tributária que simplifique nosso perverso sistema tributário, que pune a produção e privilegia o capital, atormentando nossos contabilistas com nada menos de 57 tributos. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 73 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SÉRGIO BARRADAS CARNEIRO (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço seja registrado nos Anais desta Casa artigo publicado pela revista Carta Maior, de autoria de Gilson Caroni Filho, professor de sociologia de Luna, neta do Dr. Waldir Pires, após ler o livro Exílio, testemunho de vida, escrito por D. Yolanda Pires. Passo a ler pequeno trecho do artigo, intitulado Yolanda de Waldir: “(...) Quando, no início de abril, resistindo às pressões militares e midiáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a destituição do ministro Waldir Pires do comando da Defesa, mais que afirmar sua autoridade, reverenciou uma biografia política. Homenageou um homem e seu tempo. Na verdade, reconheceu um homem de vários tempos. Tempos grávidos de avanços e retrocessos. Tempos em que a grandeza e o espírito de vida pública não permitiam que se tomassem derrotas como definitivas. Waldir nunca temeu o recomeço. Se for verdade que em cada cabeça há uma sentença, ele faz parte de uma geração que pensou o Brasil coletivamente e do país fez seu projeto de vida. (...) Ao não demitir Pires, quando o conservadorismo exigia uma destituição humilhante, Lula mostrou saber da luta de Yolanda e Waldir. (...) Um casal que levou a filha, 74 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Lídia, a vaticinar com precisão: ‘Pai, a guerra vem de acordo com o guerreiro’. Estava certa. Eles venceram.” E a crise do apagão aéreo foi debelada. Muito obrigado. ARTIGO A QUE SE REFERE O ORADOR 75 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 (INSERIR DOCUMENTO DETAQ DE PÁGINAS 76 A 76-A) 76 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. WANDENKOLK GONÇALVES (PSDB-PA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho hoje à tribuna falar sobre a importância do setor pesqueiro para o Brasil, setor este que abrange a pesca profissional — em suas modalidades artesanal e empresarial — e a aqüicultura, como também as etapas subseqüentes à produção, tais como: processamento, armazenamento, comercialização, importação e exportação do pescado. É indiscutível a importância que a aqüicultura e a pesca assumem na produção de alimentos protéicos, geração de emprego e renda, em nosso País. De acordo com dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA, entre 1998 e 2004 ocorreu um incremento da ordem de 42,9% na produção pesqueira total, no Brasil. No entanto, é preciso decompor este número segundo as quatro principais modalidades, quais sejam: pesca extrativa marinha, que se expandiu 15,6% nesses 7 anos; pesca extrativa continental, cuja produção aumentou 41% no mesmo período; maricultura, com expansão de 479%; e aqüicultura continental, que cresceu 104%. Sem dúvida alguma, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, trata-se de um crescimento considerável, que trouxe grandes benefícios ao nosso País! Alguns dados, no entanto, nos preocupam: embora a produção da pesca extrativa marinha se tenha expandido 3,2%, entre 2003 e 2004, na região Norte verificou-se um decréscimo de 3,7%. O Estado do Pará — que temos a honra de representar nesta Casa —, concorreu com 95% da produção da região Norte, em 2004, e apresentou um decréscimo de 4,6%, em comparação a 2003. 77 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Já na pesca extrativa continental, a tendência foi bastante positiva, nos últimos anos, verificando-se um crescimento de 8,2% (total nacional), entre 2003 e 2004. No Estado do Pará, a expansão foi de 5,9%. A maricultura, que se vinha expandindo de forma extraordinária, ano após ano, apresentou um sensível decréscimo, de 11,9%, entre 2003 e 2004. A aqüicultura continental seguiu crescendo gradativamente, nesses últimos 2 anos em que há dados conclusivos, com 2% de acréscimo, em termos nacionais, porém com um salto bastante significativo — de 24,5% — na região Norte. Nos últimos anos, o balanço comercial brasileiro de produtos pesqueiros passou de déficit a superávit, revertendo uma tendência anteriormente observada. Nossas exportações têm crescido de forma significativa, ao passo que as importações de pescado estabilizaram-se, embora tenham crescido em 2004. Não quero alongar-me no exame desses dados, Sr. Presidente, mas cumpre destacar a grande contribuição da aqüicultura no crescimento da produção pesqueira nacional e registrar o relevante fato de que o Estado do Pará, mesmo registrando um pequeno decréscimo em 2004 — de 0,5% —, manteve-se em primeiro lugar na produção nacional, com um volume de 153.806 toneladas de pescado. A expansão do setor pesqueiro em nosso País significa, entre outros aspectos, crescimento econômico, empregos e segurança alimentar. Em que pese a existência de uma Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, no âmbito do Poder Executivo, o setor carece de políticas mais objetivas e eficazes, que assegurem a continuidade do seu crescimento, eliminem pontos de estrangulamento na cadeia 78 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 produtiva e promovam o desenvolvimento dos diversos segmentos, em especial da pesca artesanal, da qual sobrevivem milhares de famílias. Esta Casa tem a responsabilidade de aprimorar a legislação que rege o setor pesqueiro, de forma a proporcionar-lhe dinamismo, eis que o principal diploma legal em vigor encontra-se obsoleto e defasado, qual seja: o Decreto-Lei nº 221, de 1967, que “dispõe sobre a proteção e estímulos à pesca e dá outras providências”. É imprescindível, Sr. Presidente, acelerar-se a tramitação das diversas proposições que versam sobre os temas em questão. Coerente com essa visão, apresentei, no dia 1º de março de 2007, o Projeto de Resolução nº 16, de 2007, que "altera e acrescenta dispositivos ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados, criando a Comissão Permanente de Aqüicultura e Pesca". Vale lembrar que, atualmente, tais assuntos encontram-se contidos, de forma secundária, no campo temático da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e tendem a dispersar-se entre os demais campos de atuação do referido órgão técnico, incumbido de apreciar questões da maior relevância, relativas à agricultura, à pecuária, ao abastecimento e ao desenvolvimento rural. A nova Comissão Permanente, cuja criação defendemos, poderá trazer grande dinamismo a esta Casa, agilizando o acompanhamento do setor, a fiscalização e o controle de atos do Poder Executivo e a apreciação de proposições relacionadas a esses importantes temas. Enquanto aguardamos a decisão do Plenário desta Casa, apresentamos à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural requerimento convidando o Exmo. Sr. Ministro Altemir Gregolin, da Secretaria 79 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Especial da Aqüicultura e Pesca, a comparecer àquela Comissão, para debater sobre a política pesqueira do Governo Federal, em reunião de audiência pública. Essa audiência já foi agendada para o próximo dia 29 de maio, pelo Presidente da Comissão, o nobre Deputado Marcos Montes. Aproveitando a oportunidade, convido todos os interessados no tema a comparecer à sala de reuniões da Comissão de Agricultura, para ouvir e debater com o Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca, a política nacional de aquicultura e pesca do Governo Federal. Concluo, convidando meus ilustres pares a aprovar a proposta contida no Projeto de Resolução nº 16, de 2007. Muito obrigado, Sr. Presidente. Era o que tinha a dizer. 80 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. MARIA LÚCIA CARDOSO (Bloco/PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faço uso da palavra para enaltecer o movimento tendente a implementar modificações no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, consubstanciadas no anteprojeto que tramita naquele respeitável Conselho de Conduta. Inicialmente, deve-se ressaltar que toda proposição tendente a mudar uma situação atávica, já consolidada na cultura de determinado segmento, encontrará atroz resistência. O novo, o diferente causa impacto, incute nos resistentes, nos acomodados, a sensação de padecimento, pois entendem mais confortável a situação atual e mostram-se intransigentes quanto a qualquer modificação no status quo. Devemos nos lembrar que a atual Legislatura foi instalada ainda sob desconfiança de fatos ocorridos na passada, em que diversos Parlamentares — réus confessos no caso do chamado valerioduto — foram inocentados por seus pares, quando da votação do encaminhamento da cassação. Imbuída de ideais de transparência, que se consolidam em diversos projetos em trâmite nesta Casa, essa nova formação da Câmara dos Deputados tem o dever de resgatar sua imagem junto à opinião pública, pois somente junto ao seu eleitor é que o Deputado empenhou seus compromissos de campanha e somente a ele, o eleitor, o Deputado deve prestar contas. Uma das maneiras de se obter essa redenção seria o maciço apoiamento às alterações propostas ao anteprojeto de Resolução que modifica o Código de Ética Parlamentar, notadamente modificando a sistemática nas votações, passando a utilizar o voto aberto e abolindo o voto secreto. 81 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Forçoso é convir que o resgate da imagem desta Assembléia passa necessariamente pela clareza e transparência na hora de se votar assuntos polêmicos, assuntos que saltam aos olhos da mídia, dentre eles a cassação de um Parlamentar, apontado por quebra do decoro e da ética na sua atuação legislativa. Não é despiciendo lembrar que o processo de impeachment do ex-Presidente Collor, levado a efeito em 1992, talvez somente tenha chegado ao seu final conhecido porque fora decidido por voto aberto, quando os Deputados se dirigiam ao Presidente da Mesa e se declaravam a favor do impedimento do então Presidente da República ou contra. Contudo, Srs. Parlamentares, uma pecha na história do Legislativo por aqui se abateu em 2001, quando do escândalo da quebra de sigilo do painel do Senado, fato que levou à renúncia do Senador Antônio Carlos Magalhães e do Líder do Governo no Senado José Roberto Arruda, então acusados de violarem o registro eletrônico dos votos na sessão de cassação do ex-Senador Luiz Estevão, para saber quem tinha votado contra e a favor da extinção do mandato dele. Nessa esteira, toda e qualquer iniciativa no sentido de se aprimorar os processos deliberativos que permeiam a Câmara dos Deputados e exigir clareza de gestos e atitudes de seus componentes irá contribuir favoravelmente para diminuir o desgaste da imagem frente à opinião pública. Todos nós somos sabedores das dificuldades de se levar a bom termo um mandato parlamentar. Muitos são os compromissos e maiores ainda as cobranças por parte da mídia. No entanto, como já dito, apenas os eleitores têm o direito de exigir compromisso com os ideais que foram levantados como bandeira de campanha. 82 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Quanto menos motivos forem dados à mídia, menor o desgaste da imagem; e, contrariamente, quanto maior a transparência com que se pautarem os Deputados, mais apreço será angariado junto os seus eleitores. Ora, Sr. Presidente, tudo demonstra que não mais será tolerado qualquer tipo de meio astucioso para burlar regras de conduta. A história recente aponta no sentido de não mais se tolerar que os Parlamentares se escudem no anonimato do escrutínio. O clamor público aponta para o anseio por transparência nas votações, como se fosse uma prestação de contas indireta ao eleitorado. Desbordar-se disso seria o mesmo que se escudar no anonimato para evitar o julgamento e o crivo da opinião popular. O momento, mais que oportuno para mudanças, que exige coragem e determinação para romper com a velha estrutura e inaugurar um novo conceito no âmbito de votações nessa Casa, não pode passar desapercebido ou subestimado. A diligência da história só passa uma vez, e tenho certeza de que queremos, todos, ser condutores e não passageiros dessa carruagem. Imbuído desse espirito evolutivo e desvencilhando-se das defasadas tradições legislativas, o Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Deputado Ricardo Izar, com base na legítima e justificada indignação que grassa na mídia, convocou os pares para que apresentassem sugestões ao anteprojeto elaborado pelo Deputado Nelson Trad. A par desse reclamo público e da solicitação feita pelo nobre Deputado, apresentei sugestão de modificação no texto do projeto de resolução, alterando a sistemática de votações, propondo trazer a lume toda e qualquer discussão que 83 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 tramite por essa Casa, descortinando o voto do Parlamentar em importantes votações. Por tais motivos e para que não se repitam erros do passado, incorrendo em medidas desabonadoras perante a opinião pública, conclamo os demais Parlamentares, independentemente da orientação política ou de disputas internas, para que atendam ao chamado do Sr. Presidente do Conselho de Ética, apresentando sugestões construtivas ao anteprojeto e corroborando, afinal, com a extinção do voto secreto nas votações. Muito obrigada. 84 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MARCOS MONTES (DEM-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, após 4 décadas de atuação exemplar em Uberaba, a instituição denominada Casa do Menino tem o respeito e o reconhecimento de todos os cidadãos, inclusive o meu, por 8 anos honrado com o cargo de Prefeito daquela cidade. A história de minha homenageada começa em 1967, quando as Sras. Beatriz Guido e Abigail Miranda fundaram a mantenedora da Casa do Menino, a Legião de Assistência Cristã. Desde então, a Casa permite que muitos adolescentes em situação de risco possam ter o amparo das pessoas de boa vontade. Na verdade, a Casa do Menino cumpre as funções que o Governo deveria cumprir e não cumpre. Diante da ineficiência estatal, instituições civis e religiosas, e também os particulares, além de pagarem os impostos ao Governo, vêm contribuindo todos esse anos com doações e trabalho voluntário para a Casa do Menino, de forma a assegurar o cumprimento da missão de acolher, educar e orientar meninos de 12 a 18 anos. Adolescentes são atendidos nos cursos de informática, e os familiares desses meninos e meninas, também vítimas da exclusão e do abandono, têm acesso a cursos noturnos de escolarização regular e de informática. São estimulados a apoiarem seus filhos, ainda que apenas emocionalmente. A maior parte dos mais de 200 adolescentes atendidos estudam em escolas da cidade. Na instituição funcionam 2 salas do projeto Acertando o Passo, destinadas a alunos da 1 a a 4 a série. 85 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Isso sem falar no ensino profissionalizante, com cursos de marcenaria, serralheria, informática, pintura em brinquedos pedagógicos, jardinagem, horticultura, embalagem, auxiliar de escritório e telemarketing. A arte-educação é representada por oficinas de capoeira, teatro, percussão, hip-hop e reciclagem. Futebol de salão, futebol de campo, natação, vôlei e peteca completam o rol de atividades acadêmicas, profissionais, culturais, esportivas e de lazer oferecidas pela Casa do Menino, com vistas à integração familiar e social, assim como a capacitação para o trabalho remunerado. Diariamente, são feitas 10 reuniões de avaliação; quinzenalmente há encontros com os familiares, quando profissionais qualificados, entre os quais psicólogos e pedagogos, avaliam o desenvolvimento dos adolescentes. Para cumprir bem sua missão, minha homenageada conta com 11 funcionários fixos, inclusive cozinheiros: afinal, são mais de 150 refeições por dia ali servidas. Sr. Presidente, noções de direitos e deveres da cidadania são incutidas nos adolescentes por nossa homenageada. Nos 8 anos em que tive a honra de ser empregado da população de Uberaba, trabalhando como Prefeito, firmei estreita e rica parceria com a Casa do Menino. Hoje, na condição de Deputado Federal, só posso ser defensor da efetiva implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado há 16 anos. A implementação desse Estatuto e o efetivo respeito aos adolescentes impedirão os casos de violência juvenil, e não a mera diminuição da idade penal. O dia 6 de abril marcou os 40 anos da Casa do Menino; dentro em breve, o Estatuto da Criança e do Adolescente completará 20 anos. Cumpre a nós, 86 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Deputados, zelar por sua efetiva implementação, certamente algo muito mais importante e urgente e, portanto, mais merecedor de recursos públicos do que uma nova TV estatal ou a criação de secretarias fantasmas apenas para acomodar exadversários políticos hoje cooptados pelo Executivo Federal. Obrigado. 87 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO VIANNA (Bloco/PDT-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a melhor homenagem que um homem público pode fazer ao trabalhador é criar projetos que geram empregos. E eu fico muito a vontade e feliz de poder falar sobre o que foi feito durante a minha gestão de Prefeito na minha cidade, Campos dos Goytacazes, RJ. Como o tempo é curto, irei falar rapidamente sobre alguns projetos que fomentaram a geração de empregos. Começarei pelo FUNDECAM, um projeto que esta gerando milhares de empregos. O Fundo de Desenvolvimento de Campos dos Goytacazes — FUNDECAM foi criado pela Lei nº 7.084, de 2 de julho de 2001, tendo como objetivo principal fomentar o desenvolvimento do município através de financiamento de projetos que gerem empregos e renda, desde que compatíveis com as peculiaridades do município. Até o final de 2006, foram aprovadas 55 empresas, gerados mais de 17 mil empregos diretos e indiretos, com um total já investido de R$240 milhões. A Prefeitura entrou com R$120 milhões; os outros R$120 milhões foram a contrapartida dos investidores, com recursos próprios. Agora, no mês de maio, serão inauguradas 3 indústrias de grande porte: a Policam, uma fábrica de goma xantana. O produto é um biopolímero, produzido a partir da sacarose da cana-de-açúcar, utilizado, principalmente, na indústria petrolífera, para lubrificação das brocas de perfuração e também na recuperação de petróleo em poços desativados; a Schulz, que vai ser o maior polo de aços especiais do mundo fabricado em um único lugar; e a Cellofarm, uma multinacional na área de medicamentos, que inclusive será inaugurada no próximo dia 10. 88 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Faço um destaque para a COAGRO, que representou a reativação da Usina São José e a virada da indústria sucroalcooleira, que de uma só vez gerou 1.500 empregos diretos. Tenho guardado em minha memória uma cena do tempo em que fui VicePrefeito de minha cidade e me encontrava junto a dezenas de trabalhadores rurais. Eles haviam recebido ordem para desocupar uma das ilhas do rio Paraíba do Sul, terra do Estado, mas objeto de disputa com um particular. Era uma área pequena, de menos de 10 alqueires, toda plantada e de onde 7 famílias tiravam seu sustento. Cerca de 100 trabalhadores haviam aderido ao movimento de resistência, inclusive eu. Ninguém estava armado, a não ser com suas ferramentas de trabalho e um deles com um violão que tocou durante toda a noite para nos manter acordados. Uma canção, no entanto, foi especial para mim, do grande Gonzaguinha: “Eu vejo que ele berra A dor que traz no peito Pois ama e ama Um homem se humilha Se castram seu sonho Seu sonho é sua vida E a vida é trabalho E sem o seu trabalho Um homem não tem honra E sem a sua honra Se morre, se mata Não dá pra ser feliz 89 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Não dá pra ser feliz!” Os versos de Gonzaguinha ecoaram como uma bomba em meu peito. Naquele momento me fixei na idéia de que não poderíamos buscar apenas implantar projetos de grande porte. Ali estava um pedacinho de terra e tanta fartura. Bem, conseguimos adiar o despejo. Na condição de Prefeito pude desapropriar a tal área, porque o produtor rural que alegava a posse da terra tinha anexado à ilha as terras de sua fazenda e, se era uma área de terra como qualquer outra, era passível de desapropriação para desenvolvimento de projetos de cunho social. Conseguimos também implementar uma série de ações para gerar trabalho e renda para a população de baixa renda. Na agricultura, investimos em equipamentos para os pequenos produtores rurais — doação de sementes e mudas, irrigação, melhoria genética do rebanho bovino, doação de vacinas, incentivo à piscicultura e assistência técnica —, ao mesmo tempo em que dotávamos o interior de infra-estrutura, com iluminação, estradas, postos de saúde e escolas. Também apoiamos a reforma agrária, dando total assistência aos assentamentos. Por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Social desenvolvemos o projeto Banco do Povo, que nos permitiu criar anualmente centenas de pequenos postos de trabalho, dando oportunidades às pessoas de baixa renda que precisavam de até um mil reais para montar um pequeno negócio. Inúmeras costureiras, cabeleireiras, pescadores — que precisavam reformar seus barcos —, cozinheiras, artesãos e outros profissionais precisavam de muito pouco para desenvolver suas atividades, como fabricação caseira de doces, biscoitos, vassouras, fraldas, 90 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 cosméticos e tantas outras. Tiravam empréstimo de apenas mil reais e tinham 24 meses para pagar sem qualquer taxa de juros. Também construímos o Espaço do Trabalho, um órgão para coordenar os projetos de capacitação, qualificação e requalificação profissional, que foi desenvolvido em 38 pontos do município, desde o centro da cidade aos distritos mais afastados. Cada aluno recebia até 100 reais de Bolsa Aprendizado, para que pudesse ele mesmo comprar seu material didático. Ao término do curso recebiam a Bolsa Fomento, no valor de até R$500, para comprar o material necessário para o inicio da nova profissão. Também implantamos o Balcão de Mão-de-Obra, um programa de encaminhamento ao mercado de trabalho dos assistidos pela Secretaria de Desenvolvimento Social. Assim, cada metro de rua calçada, cada tijolo colocado em uma escola, creche ou posto de saúde, cada refeição adquirida pela Prefeitura de Campos representava um posto de trabalho, porque as empresas podiam recorrer a um cadastro de profissionais em busca de seu sonho, de sua honra, de seu trabalho! Com esse rápido discurso desejo a todos os trabalhadores um ótimo 1º de maio. Como disse no inicio, a melhor homenagem que deve ser feita ao trabalhador por nós, homens públicos, é desenvolver projetos e programas que gerem empregos. “Palavras podem ser bonitas, mas se não forem acompanhadas de ação, não significam nada.” (Dirk Wolter) 91 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SANDRO MABEL (PR-GO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje quero refletir sobre a questão dos direitos do contribuinte. Há muito os cidadãos brasileiros tornaram-se apenas pagadores de impostos. A pressão da sociedade tem-nos mostrado que é preciso mudar, é preciso evoluir. Países como Estados Unidos e Espanha têm os direitos dos seus contribuintes assegurados por lei. Embasados nessa prerrogativa, na manhã de hoje, foi lançada a Frente Parlamentar Mista dos Direitos do Contribuinte, que tem como principal objetivo debater e defender os direitos e as garantias básicas dos contribuintes, em suas relações com as autoridades fiscais e a instituição do Código dos Direitos do Contribuinte em âmbito nacional. Precisamos incentivar e aumentar a participação da sociedade civil e das instituições públicas e privadas no assunto, promovendo, conseqüentemente, o conhecimento e o estudo a respeito dos direitos do contribuinte. De acordo com o estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o sistema tributário brasileiro é o mais complexo do mundo, com 62 tributos, 3.200 normas tributárias, entre leis, medidas provisórias, decretos, portarias e instruções, tornando a vida do contribuinte um verdadeiro pesadelo. Sabemos que a falta de estrutura de serviços estatais e públicos atua como um desestímulo para o cidadão cumprir com satisfação suas obrigações tributárias. Muitas vezes, o contribuinte vê o dinheiro escoar de seu patrimônio, mas não visualiza o investimento em melhorias que afetem seu modo de vida ou de outras pessoas. 92 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A sociedade precisa começar a se preocupar e a entender a complexidade tributária em que vivemos. Mas só vão fazer isso depois que souberem para onde e para quem vai o dinheiro dos impostos que são pagos diariamente. Durante o mandato do Presidente Lula, constatamos a preocupação do Governo em melhorar a relação entre o contribuinte e o sistema de arrecadação. Prova disso foi a criação da Super-Receita, que, através do processo de desburocratização, dará maior agilidade aos cidadãos, tanto pessoa física quanto jurídica. A Frente Parlamentar deverá ainda reforçar o anseio da sociedade na criação do Código dos Direitos do Contribuinte, tão importante e útil quanto o Código de Defesa do Consumidor, que, com o passar dos tempos, tornou-se importante ferramenta na consolidação das leis dos consumidores. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é inegável que o anteprojeto do Código Nacional de Defesa dos Direitos do Contribuinte positiva garantias constitucionais dos cidadãos em matéria tributária e reduz o abismo existente entre Fisco e contribuinte, mas não fica apenas nisso, lança o Brasil na vanguarda mundial no que tange à legislação tributária, na esteira da defesa dos direitos fundamentais do contribuinte e a busca da justiça fiscal. O Código deverá funcionar como um instrumento para dar visibilidade aos impostos que pagamos. Reforça a discriminação dos tributos em notas fiscais, tirando da Receita Federal o poder de interditar estabelecimentos por causa de atrasos no pagamento de impostos. Também sugere que se impeça o uso de força policial em fiscalizações, além de assegurar maior agilidade na liberação do Imposto de Renda retido na malha fina. 93 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Com o apoio da sociedade e dos Poderes Executivo e Legislativo, a Frente Parlamentar conta ainda com o importante embasamento do Instituto de Estudos dos Direitos do Contribuinte, entidade que dará subsídios em estudos jurídicos, técnicos, pesquisas, e logística. Minha maior motivação para a instalação dessa Frente foi justamente acabar com o abismo existente na relação contribuinte/Fisco, dar maior clareza, mais eficiência, proporcionar uma relação harmoniosa entre os direitos do contribuinte e os deveres do Estado arrecadador. Enfim, dar garantias e legitimidade ao processo democrático nas relações tributárias. Muito obrigado. 94 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. NERI GELLER (PSDB-MT. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há exatos 23 anos, num histórico 25 de abril, esta Casa foi palco de uma grande decepção para o povo brasileiro: a Proposta de Emenda Constitucional nº 5 — a Emenda das Diretas, de autoria do nosso querido companheiro Dante de Oliveira, foi derrotada. A emenda obteve 298 votos favoráveis, 65 votos contrários e 3 abstenções. Mas a ausência deliberada de 112 Parlamentares comprometidos com a ditadura militar impediu que o sonho nacional de eleições diretas para Presidente da República se concretizasse. Há exatos 23 anos, Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, esta Casa contrariou o clamor das ruas, mas não enterrou o sonho de liberdade de um grande homem, nem de seu povo. O movimento das Diretas Já havia, de forma irremediável, conquistado o País. E a derrota da Emenda Dante de Oliveira foi o último suspiro de um período de trevas. Nem a censura, nem as prisões, nem a violência do Estado poderiam conter um povo contaminado pelos ideais democráticos. A democracia triunfaria porque a luta de homens públicos como Dante, Ulysses, Tancredo, Franco Montoro e tantos outros era a luta e o sonho da imensa maioria desta Nação. Daquele histórico 25 de abril de 1984 ficou a lição: o Parlamento deve saber ouvir a voz das ruas, deve obedecer o clamor popular, deve curvar-se à vontade soberana de seu povo. A luta pelas Diretas é também um referencial da personalidade obstinada de Dante de Oliveira, um realizador de sonhos. 95 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Foi assim durante toda a sua vida pública, na condição de Deputado Estadual, Deputado Federal, Prefeito de Cuiabá, por duas vezes, Ministro da Reforma Agrária e Governador do Estado de Mato Grosso por dois mandatos. No Parlamento Dante deu-nos a Emenda das Diretas. Como Prefeito de Cuiabá, promoveu o mais significativo ciclo de modernização já vivido pela capital dos mato-grossenses. Quando foi Governador transformou Mato Grosso, um Estado periférico, no campeão nacional na produção de grãos e bi-campeão nacional em desenvolvimento. Mato Grosso sonhava com sua independência energética e Dante fez do Estado, antes importador, hoje exportador de energia. Esse Estado sonhava com obras seculares como a ferrovia ligando o Estado aos portos de Santos e Paranaguá. A luta de Dante levou para Mato Grosso os trilhos da FERRONORTE. Mato Grosso sonhava com educação, saúde e geração de empregos que garantissem qualidade de vida e perspectiva para sua gente. Dante promoveu o maior período de prosperidade já visto na história mato-grossense. Neste 25 de abril, exatos 23 anos após a derrota da Emenda das Diretas, quero render minha homenagem a Dante de Oliveira, que nunca abriu mão de sonhar e de realizar sonhos. Encerro, Sr. Presidente, com uma citação de Dante, quando do lançamento de seu livro Diretas Já - 15 meses que abalaram a ditadura: “Valeu a pena esta luta. Comemorá-la é um dever e um ensinamento histórico às nossa futuras gerações”. Muito obrigado. 96 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. EDIGAR MÃO BRANCA (PV-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao ocupar hoje esta tribuna, desejo me antecipar e parabenizar a classe trabalhadora do País pelo transcurso do dia que lhe é consagrado. Estamos acostumados a ver no noticiário das emissoras de televisão, nos tradicionais feriados de 1º de maio, a comemoração dos metalúrgicos e operários das montadoras do ABC paulista, tidos como símbolo da classe trabalhadora, talvez até por conta dos fatos históricos que culminaram com a criação do Partido dos Trabalhadores. Mas é bom enfatizar que não são só os operários que devem se vangloriar dessa data. O Brasil é feito por um povo bravo, trabalhador e honesto, que muito tem feito pelo seu desenvolvimento, e é justo que a todos seja prestada uma homenagem. Quero, portanto, parabenizar o meu povo sofrido do Nordeste, fazendo do boiadeiro, dos trabalhadores da roça e até mesmo dos mais humildes trabalhadores que sobrevivem do pouco que ganham em suas barracas nas feiras de ambulantes um símbolo da luta incansável e tenaz das mãos calejadas que fizeram o Brasil ser o que é. Tantos são os trabalhadores que têm um dia específico em alusão à sua classe, a exemplo dos professores, dos médicos, dos enfermeiros, dos contabilistas e dos comerciários, que não podem ser esquecidos nestas minhas singelas palavras, porque também são honrados em sua profissão. E se o dia é dos trabalhadores, não devemos esquecer, se não em homenagem, mas em agradecimento, dos patrões, dos grandes empresários e de 97 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 todos os comerciantes, porque são também trabalhadores e pegam pesado. É preciso deixar de alimentar a briga entre patrão e empregado. Todos têm seu papel na sociedade. Mais do que patrões, são também trabalhadores e geradores de empregos e responsáveis pela arrecadação de impostos. E quantos impostos se pagam neste País, não é mesmo, Sr, Presidente? IPI, ICMS, ISS, COFINS, PIS/PASEP, Imposto de Renda, Contribuição Social sobre Lucro Líquido, contribuição previdenciária, FGTS e outros tantos que só fazem desestimular a geração de empregos e justificar a existência dos humildes trabalhadores por mim citados e que formam o grosso da economia informal. Reforço, então, mais uma vez, porque daqui já foram feitos inúmeros apelos, a necessidade de que se estude uma maneira de reduzir a famigerada carga tributária brasileira em homenagem aos trabalhadores, uma vez que, diminuindo os custos sociais do empregador, mais e mais brasileiros terão oportunidade de sair das condições subumanas e indignas em que vivem hoje. Que os ricos continuem ricos, mas que os pobres jamais permaneçam na miséria! Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. 98 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ADÃO PRETTO (PT-RS. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, novamente venho a esta tribuna somar minha indignação à de milhares de gaúchos contra a política da Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB. Mais uma mentira, mais uma máscara caiu. S.Exa. jurou de pés juntos que jamais iria privatizar o Banco do Estado do Rio Grande do Sul — BANRISUL, mas anuncia-se a venda de ações do banco. O desgoverno ficou escancarado quando apareceram as primeiras contradições nos discursos de Yeda e seu Vice, Paulo Feijó, que passou a defender publicamente a privatização do banco, sempre desmentido pela Governadora. A sociedade está mobilizada para impedir mais essa afronta à confiança que a população gaúcha depositou no Governo Estadual. Para se contrapor a isso, na semana passada foi lançado um comitê em defesa do BANRISUL. O BANRISUL deve continuar a ser um banco público, que garanta o desenvolvimento do Estado, a democratização do acesso aos serviços, em especial para a população de baixa renda e para os pequenos e médios municípios, pois está presente em 77% das comunas do Estado. A estratégia do Governo Yeda Crusius ainda não está totalmente esclarecida. Sabe-se que haverá uma assembléia dos acionistas do BANRISUL no próximo dia 30 de abril, que poderá modificar os estatutos do banco, dando maiores poderes aos acionistas minoritários. Vá vimos esse filme do Rio Grande do Sul, quando o então Governador Antonio Britto vendeu a Companhia Riograndense de Telecomunicações — CRT e parte da Companhia de Geração de Energia Elétrica — CEEE, com o discurso de 99 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 que os recursos arrecadados ajudariam a sanar o déficit do Estado e trariam modernidade aos serviços prestados. O resultado é que os consumidores ficaram a mercê de serviços de empresas privadas que lhes impõem altas tarifas e, ainda mais, deixam a população sem ter para quem reclamar. Não podemos permitir que se privatize o BANRISUL, patrimônio de todos os gaúchos. A população do Rio Grande está atenta aos desmandos da Governadora Yeda Crusius. Esperamos que se retome o bom senso, repensando essa ação. Sr. Presidente, solicito que V.Exa. determine a divulgação deste pronunciamento no programa A Voz do Brasil e nos demais meios de comunicação da Casa. Muito obrigado. 100 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, uma antiga reivindicação dos policiais civis e militares pode sair do papel em junho, quando o Governo divulgar por completo o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. A edição da Folha de S.Paulo do dia 22 abril lista os 5 pontos principais desse plano: - definição de um piso nacional de salários para os policiais civis e militares; - criação de um programa nacional de habitação para policiais, para retirá-los de áreas de risco; - construção de novos presídios femininos no País; - construção de presídios para jovens entre 18 e 24 anos; - programa de treinamento das Polícias Civil e Militar no País. Sras. e Srs. Deputados, tenho travado um combate ferrenho para extirpar das fileiras das polícias aqueles que não honram a missão que lhes foi confiada. Ao mesmo tempo, precisamos treinar, aparelhar e estabelecer um piso nacional de salário para que todos os policiais possam ter condições mais dignas de trabalho, e até para que possam ser cobrados. Temos de nos espelhar no exemplo da Polícia Federal, uma polícia de elite com alto grau de eficiência. A população brasileira tem clamado por um programa de segurança pública que reduza ou elimine a criminalidade, que não está mais restrita às grandes metrópoles. Alastra-se perigosamente para médias e pequenas cidades. Tenho profunda convicção de que o plano esboçado pela equipe do Ministro Tarso Genro e que será divulgado em junho vai reduzir a criminalidade dentro dos marcos da legalidade. Vai combater, sem trégua, o crime organizado com uma polícia bem treinada e dignamente remunerada. Era o que tinha a dizer. 101 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (Bloco/PCdoB-AC. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a crise aérea brasileira provocou um intenso debate sobre a aviação nacional. Muitos, apressadamente, já pediam a privatização do sistema, a desmilitarização do controle aéreo comercial, a demissão de Ministros. Em recente audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, muitas dúvidas sobre nossa aviação foram sanadas. Uma delas foi sobre a qualidade do nosso sistema. Segundo o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica, nosso sistema é um dos melhores do mundo, e não existe “buracos negros” no espaço aéreo nacional. Isto é alentador. Apesar de várias informações positivas e relevantes sobre o tema, não pude deixar de fazer uma crítica ao Comandante da Aeronáutica. Por que a Aeronáutica não detectou a possibilidade de um apagão aéreo no País? Por que não verificou as movimentações dos controladores e se preparou para realizar medidas de segurança? Por que deixou a coisas chegarem a uma situação de verdadeiro colapso, colocando cidadãos em perigo? Minha perplexidade maior com a crise aérea foi a incapacidade de reação do Estado brasileiro. O Brasil ficou refém dos controladores de vôo, sem saída, chantageado. Disse ao Comandante que não poderíamos deixar o País nesta situação. Um setor tão vital para a segurança nacional deve ter saídas de emergência para esses casos. É uma lição que devemos aprender. Outra questão que busquei esclarecer no debate foi relativa à oferta dos vôos civis no Brasil. Perguntei ao Sr. Milton Sérgio Silveira Zuanazzi, Diretor-Presidente da Agência Nacional de Aviação Civil — ANAC, por que existe uma concentração 102 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 exacerbada de vôos na rota Brasília, Congonhas, Garulhos, Santos Dumont e aeroportos do centro-sul do Brasil, enquanto eu, para vir do meu Estado, o Acre, por exemplo, sou obrigada a pegar vôos que saem durante a madrugada. Sei que para as empresas é melhor que uma aeronave saia do Acre de madrugada, venha para Brasília, voe para São Paulo, volte para Brasília e vá ao final da noite para o Acre, mas isso não é bom para o cliente que viaja de madrugada, pois ele simplesmente não dorme. A ANAC, nobres colegas, não pode pensar somente no bem-estar das empresas de aviação civil, tem de pensar em uma oferta de vôos que beneficie também o cidadão. Esse problema não atinge somente o meu Estado, as Regiões Norte e Nordeste também são prejudicadas pelo sistema de oferta de vôos definida pela ANAC. Cobrei do Diretor-Presidente uma melhor distribuição da oferta de vôos no Brasil e um incentivo maior aos vôos regionais, que acabariam com as infinitas conexões e reduziriam o tempo de vôo. Para termos uma idéia do que falo, nobres pares, vejam esse exemplo: para um cidadão acreano ir à Cuiabá de avião comercial, ele precisa passar por Brasília, são mais de 4 horas de vôo. Um vôo direto do Acre para Cuiabá, se existisse, demoraria no máximo 2 horas! Temos que modernizar esse sistema. Sr. Presidente, a crise aérea brasileira tirou o véu que encobria um conjunto de problemas da aviação brasileira. A melhoria na oferta de vôos, a resolução da questão salarial dos controladores, a contratação de mais controladores, a modernização dos aeroportos, os vôos regionais, entre outros temas, devem ser 103 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 debatidos pelas autoridades responsáveis e principalmente resolvidos com urgência para que o cidadão não seja mais prejudicado por erros de décadas de descaso com o sistema. Esperamos que o Governo brasileiro, ciente da importância do setor aéreo para o desenvolvimento nacional, tome medidas urgentes e imediatas para a solução da crise. Passo agora, Sr. Presidente, a abordar outro assunto. O mês de abril, conhecido como um mês de luta para os movimentos sociais, registra importantes articulações das organizações indígenas e indigenistas. O Abril Indígena deste ano contou com a presença de centenas de participantes, que, acampados na Esplanada dos Ministérios, apresentaram às autoridades federais uma extensa pauta de reivindicações. O acampamento registrou ainda a presença de lideranças sociais e populares. Religiosos, políticos, empresários, intelectuais, artistas, estudantes, militantes e o povo em geral participaram de debates e conversas com as lideranças indígenas e registraram seu apoio e solidariedade à luta desse povo. Como pauta reivindicatória os indígenas registraram o documento final do Acampamento Brasil Indígena, que registro neste plenário: “Nós, 1.000 lideranças, de 98 povos indígenas, das distintas regiões do Brasil, mobilizados no IV Acampamento Terra Livre, a maior e principal ação protagonizada por nós, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, de 16 a 19 de abril de 2007, para tornar visível, junto ao Governo, a sociedade e opinião publica nacional 104 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 e internacional, a grave situação de desrespeito aos nossos direitos, após analisarmos a conjuntura política e indigenista no Governo atual, com destaque para nossas preocupações quanto aos impactos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sobre as terras que tradicionalmente ocupamos, formulamos nossas prioridades e estratégias de intervenção diante dos graves desafios relacionados à: violência contra os povos indígenas; demarcação, proteção, gestão e sustentabilidade das terras indígenas; atenção à saúde; educação escolar; afirmação e o respeito aos nossos valores culturais; participação na Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) e ao exercício do controle social sobre os órgãos públicos; proposições legislativas em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, para exigir do governo vontade política no atendimento das nossas reivindicações, através de uma política indigenista, realmente nova, democrática e sincronizada com os anseios dos nossos povos e organizações. Violência contra os povos indígenas, criminalização, prisão e assassinato de lideranças. O quadro de violência contra os nossos povos tem se agravado nos últimos anos, através da prisão ilegal, 105 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 criminalização e assassinato de lideranças e membros das comunidades, da intimidação e agressões por parte das forças policiais, do confinamento de comunidades em suas próprias terras, da discriminação e preconceito, da violência contra as mulheres indígenas e da falta de assistência que vitima por desnutrição e doenças endêmicas e epidêmicas como a malária e hepatite, principalmente a crianças e idosos. O Estado brasileiro deve garantir, através dos órgãos responsáveis, a integridade física e cultural dos povos indígenas, a punição daqueles que comentem crimes contra as comunidades e lideranças, o atendimento de qualidade à saúde indígena, a assistência jurídica a índios acusados de violência contra não índios, e o respeito às instituições penais próprias dos nossos povos. Demarcação, proteção, gestão e sustentabilidade. Impactos do PAC sobre as Terras Indígenas Continua preocupando aos nossos povos a extrema morosidade e até paralisia na tramitação dos processos de demarcação das Terras ocupadas tradicionalmente pelos povos indígenas, cenário que tem estimulado o aumento das invasões às terras indígenas e a dilapidação das riquezas naturais nelas existentes, 106 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 acirrando conflitos pela posse da terra e atos de violência contra as comunidades. Por essas razões considera-se fundamental que o Governo cumpra sua obrigação constitucional de proteção dos bens indígenas e conclua a demarcação de todas as Terras Indígenas e garanta a revisão dos limites de Terras Indígenas quando as demarcações não tenham sido empreendidas corretamente. Para tanto é preciso a formulação de um Programa Integrado de Gestão territorial e desenvolvimento sustentável dos povos e terras indígenas, com adequados recursos orçamentários e financeiros; competente apoio jurídico e administrativo às organizações indígenas nos processos de desintrusão e demais ações de regularização ainda pendentes; a eliminação das sobreposições de Unidades de Conservação (UC’s) em Terras Indígenas. Também é fundamental que o Poder Judiciário assegure a demarcação das Terras Indígenas, bem como a posse da terra. Os impactos diretos ou indiretos de grandes empreendimentos como hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão, hidrovias, agronegócio sobre as Terras Indígenas, colocam em risco a continuidade física e cultural dos nossos povos, a integridade do meio 107 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 ambiente e da biodiversidade. É por isso fundamental que o Governo garanta o direito dos povos indígenas à consulta prévia e informada conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e o direito de exercer a sua autonomia, que implica inclusive em não aceitar a implementação desses empreendimentos em seus territórios. A Transposição do Rio São Francisco, a Usina do Belo Monte, a barragem do Estreito, e as hidrelétricas do Rio Madeira, são projetos contestados pelos povos atingidos, mas o governo insiste em implantar. Reivindicamos providências contra o aumento de conflitos, extração de madeira, diminuição de Terras Indígenas, invasão pelos posseiros, fazendeiros, mineradoras, seca de rios, aumento de agrotóxicos utilizados pelo agronegócio. Saúde Indígena O atendimento à saúde indígena caracterizou-se pelo caos e atendimento precário, em decorrência do fato da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) não ter se estruturado para cumprir devidamente a sua função, situação que piorou pelo processo de partidarização dos cargos no órgão e o fortalecimento da tendência de 108 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 municipalizar o atendimento e pela falta de apoio ao controle social exercido pelas comunidades. O Estado brasileiro deve, através do órgão gestor, resolver com urgência casos críticos de atendimento à saúde que atingem os povos indígenas, no Mato Grosso do Sul, no Vale do Javari; aprimorar o sub-sistema de atenção à financeira saúde e indígena, administrativa garantindo aos Distritos autonomia Sanitários Especiais Indígenas (DSEI’s), o exercício do controle social e a criação de Distritos e pólos-base em regiões como Oiapoque e Tapajós. Não aceitamos a municipalização do atendimento de saúde, pois muitos municípios não tem a capacidade para gerenciar os recursos, e as prefeituras tendem a desviar esses recursos para fins político-partidários. Exigimos ainda o reconhecimento dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) como categoria profissional; a valorização dos pajés e parteiras, garantindo a participação dos mesmos nas equipes de saúde; a implantação de programas de saúde da criança, mulheres e idosos; o respeito às deliberações dos conselhos locais, distritais e do Fórum de presidentes de conselhos; realização de concurso público para a saúde indígena com garantia de 50% das vagas para indígenas; o 109 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 encaminhamento das resoluções das Conferências de Saúde Indígena; a garantia de condições de comunicação no sub-sistema e condições de saneamento nas comunidades; e a participação dos povos indígenas nas instâncias de decisão e gestão do sub-sistema. Educação Indígena A implementação da Educação Escolar Indígena Diferenciada nas comunidades até hoje não atendeu as diretrizes e condições estabelecidas pela legislação específica, ficando condicionada à vontade de estados e municípios, que mostram pouco ou nenhum interesse em que esta demanda dos nossos povos seja devidamente atendida. Em função desta realidade reivindicamos: · criação de um sistema federal de educação escolar indígena com subsistemas regionais gerenciados pelos professores e representantes indígenas; · realização ainda em 2007 das conferencias regionais e da Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena; · condições para a produção de material didático específico para cada povo indígena; · programas específicos com dotação orçamentária para a educação escolar indígena em todos os níveis, 110 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 incluindo a garantia do acesso de indígenas ao ensino superior, através de cotas, bolsas e recursos para manutenção e permanência durante o período de formação; · realização de concurso público específico e diferenciado para professores indígenas; · criação de escolas técnicas profissionalizantes de ensino médio e de programas específicos de graduação para os povos indígenas; · avaliação periódica do plano plurianual da educação escolar indígena; ampliação dos programas de formação de professores indígenas de forma continuada, levando em conta a especificidade de cada povo; · reconhecimento da autonomia para a elaboração e implementação do projeto político-pedagógico das escolas indígenas; · valorização das línguas indígenas através de sua inclusão nos currículos e programas de pesquisa das Universidades; Nova legislação indigenista Setores anti-indigenas vêm se articulado no Congresso Nacional para tentar reverter os direitos dos nossos povos garantidos pela Constituição Federal e o Governo Brasileiro não tem mostrado vontade e interesse 111 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 em apoiar a tramitação e aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, em consonância com os interesses e aspirações dos nossos povos. Somos contrários a qualquer alteração dos nossos direitos garantidos pela Constituição e reivindicamos que todos os assuntos de nosso interesse sejam tratados no Estatuto dos Povos Indígenas e não de forma fragmentada em Projetos de Lei isolados, como por exemplo o relacionado com a exploração mineral nas Terras Indígenas. Por isso entendemos que o Governo não deve encaminhar nenhum projeto específico sobre esta matéria. Reivindicamos também que na discussão e aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, seja assegurada a participação direta dos nossos povos e organizações. Participação e controle social A política tradicionalmente indigenista tem se do Estado caracterizado brasileiro por ser centralizadora e autoritária, formulada e implementada a partir de diretrizes integracionistas, arcaicas e ultrapassadas, que negam a participação dos povos e organizações indígenas na definição das políticas e ações de governo que lhes dizem respeito. 112 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 O Estado REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 brasileiro deve garantir a plena participação dos povos e organizações indígenas na formulação e acompanhamento de quaisquer projetos e políticas que os afetem, conforme estabelece a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para o efetivo funcionamento da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) e de outras instâncias que formulam e implementam políticas voltadas aos povos indígenas, organizações e é preciso comunidades que lideranças, sejam informadas devidamente com antecedência a respeito da pauta ou dos assuntos em questão. O Estado brasileiro, na interlocução com os povos indígenas, garanta a indicação de pessoas com capacidade de compreensão e respeito à diversidade e especificidade dos povos e culturas indígenas. Que o Estado brasileiro respeite a autonomia dos povos e organizações indígenas ao indicarem ou substituírem seus representantes nos espaços e instâncias de interlocução ou de formulação das políticas públicas voltadas aos povos indígenas. 113 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A CNPI deve garantir o repasse das atas e outras informações necessárias aos conselheiros e organizações indígenas. A CNPI deve ter uma página na internet para divulgar calendário de reuniões, pauta, relatórios, documentos e receber propostas e sugestões. Os representantes indígenas devem chegar na cidade onde vai acontecer a reunião da CNPI pelo menos um dia antes, para debater a pauta, e definir suas posições. Os participantes do Acampamento Terra Livre sentem-se fortalecidos pela realização desta mobilização, que revelou o nível de organização e luta dos nossos povos e organizações e que significou uma maior qualificação de nossa articulação em nível nacional e da nossa capacidade propositiva frente ao Estado e a sociedade brasileira, para a solução dos problemas que tanto afligem as nossas comunidades. Esperamos do governo Luis Inácio Lula da Silva, neste momento de instalação da Comissão Nacional de Política Indigenista, que revele uma nova qualidade na interlocução e relação com os povos e organizações indígenas, baseada no respeito e reconhecimento da nossa autonomia na construção do nosso futuro”. 114 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, este conjunto de reivindicações, construído por centenas de mãos, cumpre um papel importante nas definições de políticas públicas do Governo brasileiro. É real a necessidade de avançarmos nas garantias dos direitos indígenas, do conhecimento pela cultura, das tradições, do direito a terra e das ações de etnodesenvolvimento para os primeiros habitantes desta terra. Esta Casa, em conjunto com o Senado Federal, realizou importante debate sobre a temática, buscando construir condições favoráveis para a discussão e aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, que está na Câmara dos Deputados aguardando a deliberação do Plenário. Muito obrigada. 115 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CARLOS SOUZA (PP-AM. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, atraídas pelos incentivos fiscais oferecidos pelo Distrito Industrial de Manaus, as 8 empresas produtoras de motocicletas que lá se instalaram, a partir do ano de 1976, já haviam aplicado localmente um montante aproximado de 13 bilhões de reais, e atingido um faturamento médio de 4 bilhões e 200 milhões de reais, cerca de 20 anos depois. No ano de 2004, Sr. Presidente, o chamado “Pólo de Duas Rodas” registrou a presença de 28 empresas investindo no setor e atuando, predominantemente, no fornecimento de peças. Isso resultou na criação de cerca de 6.600 empregos diretos e na geração de uma receita superior a 2 bilhões de reais, em decorrência, em grande parte, de fornecimentos diretos aos 8 fabricantes de motociclos, então em atividade na área. Hoje, Sras. e Srs. Deputados, o setor apresenta um crescimento contínuo da produtividade e um faturamento anual superior a 4 bilhões de dólares norte-americanos, o que corresponde a 18,3% do total arrecadado pelo Pólo Industrial no mesmo período, e implica a geração de cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos. Além disso e no intuito de galgar mais um degrau rumo à redução da emissão de gases poluentes na atmosfera, ficou estipulado que as motos que saem atualmente da linha de montagem não podem emitir mais que 5 gramas de monóxido de carbono. Tanto que, já a partir do ano de 2009, só será aceita, nos sistemas de exaustão das motocicletas, a emissão de no máximo 2 gramas desse tipo de poluente. Obrigatória será, também a curto prazo, a adoção de semelhante medida para os veículos equipados com injeção eletrônica ou catalisadores. 116 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 De acordo com a economista Flávia Grosso, funcionária de carreira da Superintendência da Zona Franca de Manaus há 33 anos e que se encontra, atualmente, no comando do órgão, a SUFRAMA logrou, nos últimos 4 anos, dobrar o faturamento do pólo industrial da região, que saltou de 10 bilhões para 20 bilhões de dólares. Quanto ao volume de empregos, ele aumentou, no mesmo período, de 60 mil postos de trabalhos para 103 mil. Até mesmo as exportações, Sr. Presidente, que há bem pouco tempo eram consideradas irrisórias, tomando-se por base o potencial da Zona Franca de Manaus, em sua totalidade, atingiram recentemente a casa dos 2 bilhões de dólares. Tal desempenho permitiu que o Amazonas venha ocupando, nos últimos 5 anos, a posição de Estado que mais cresce no País, tendo atingido, inclusive, um ritmo de crescimento maior que o dobro da média nacional. Ainda segundo a Dra. Flávia Grosso, as empresas instaladas em plena floresta amazônica estão entre as mais eficientes do mundo. Exemplo disso seria, segundo a economista, o setor de produção de motocicletas, cujo crescimento contínuo da produtividade redundou, recentemente, em um faturamento de 4 bilhões de dólares. O ponto crucial para a realização do salto recentemente experimentado pelo Estado do Amazonas nas áreas econômica e social residiu, sem dúvida, Sr. Presidente, no apoio do Governo Federal, que, no ano de 2003, prorrogou os incentivos à Zona Franca de Manaus, inicialmente previstos para acabar em 2013, para o ano 2023. A medida não só concorreu para a recuperação da confiança dos empreendedores, como criou também condições para a retomada do crescimento da 117 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Zona Franca, que atingiu, entre outros recordes, o patamar de 89% ao ano, no que respeita à aprovação de novos projetos. Outro aspecto que queríamos ressaltar, no âmbito deste importante tema, Sras. e Srs. Deputados, diz respeito à política de capacitação da mão-de-obra local, cuja implantação permite, hoje, a entrega de uma motocicleta a cada 20 segundos. Para se ter uma idéia do que isso representa em termos de competitividade, basta lembrar que, no Japão, essa média é de 46 segundos. Ou seja, a mão-de-obra japonesa necessita de cerca de 2 vezes mais tempo para montar uma motocicleta, em comparação com os operários da Zona Franca de Manaus. Cumpre enfatizar, ainda, Sras. e Srs. Deputados, que as antigas críticas ao baixo índice de nacionalização das indústrias e empresas no Pólo de Manaus já não encontram suporte na realidade atual, uma vez que a nacionalização ali já alcança, hoje, o percentual de 52%. Além disso, aos projetos lá instalados só é permitido atualmente lançar mão de incentivos se esses tiverem cumprido pelo menos um dos processos produtivos básicos por meio de produção industrial local. Nesse aspecto, é importante saber, por sinal, que o modelo mais vendido da Honda — a motocicleta CG 150 — está sendo produzido hoje, na Zona Franca de Manaus, com 98% de nacionalização. Já no caso da indústria de televisores, para citar mais um exemplo, a taxa de nacionalização alcança, no momento atual, a porcentagem de 70%, tendo em vista, entre outras medidas recentemente adotadas, o início da produção local de cinescópios pela empresa Samsung, em Manaus. Queremos ressaltar, finalmente, Sras. e Srs. Deputados, que, na opinião das indústrias estrangeiras instaladas no Pólo de Manaus, a mão-de-obra da Zona 118 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Franca representa um dos principais fatores de competitividade do setor produtivo local. Na área internacional de óptica, por exemplo, a marca média de produção é de 800 lentes por trabalhador em 8 horas de trabalho. Em Manaus, esse índice sobe para 1.600. Já na telefonia celular, a produtividade brasileira é 3 vezes maior que a média mundial. Gostaríamos também, Sr. Presidente, de registrar o prêmio recebido em Atlanta pela subsidiária da Samsung em Manaus, considerada, em âmbito mundial, a melhor empresa desse importante conglomerado. Com isso, estão igualmente de parabéns não só os trabalhadores locais, por sua dedicação e garra, como todos os trabalhadores desta Nação, que jamais desistirão da sua luta diária por um Brasil mais próspero e justo. Passo agora a abordar outro assunto, Sr. Presidente. Venho a esta tribuna demonstrar minha preocupação com a possível saída da empresa Philips do Pólo Industrial de Manaus, conforme noticiado pelo jornal Folha de S.Paulo, na edição de 17 de abril. O que estaria motivando tal atitude daquela empresa seria uma diferença no benefício do ICMS recebido a maior pela LG Electronics, o que lhe dá uma grande vantagem comparativa. Tal desequilíbrio principiou-se há cerca de 4 anos, quando o Governador editou a Lei nº 2.826, de 2003, que estabeleceu vantagens tributárias progressivas para as empresas que fabricam componentes no mercado local e que alterou a concessão de incentivos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as indústrias que se instalassem no Amazonas. Todas concordaram, exceto a LG Electronics e a Cineral, que, até hoje, se beneficiam do ICMS antigo. 119 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Calcula-se que o benefício da LG Electronics está entre 8% a 10% do total cobrado de ICMS, o que representa muito em um setor onde as margens são muito baixas e qualquer variação fiscal pode significar um ganho ou uma perda muito grande de dinheiro. Ontem, o Governador do Amazonas, Eduardo Braga, reuniu-se com o Presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, para discutir os benefícios fiscais concedidos às empresas de eletroeletrônicos instaladas no Pólo Industrial de Manaus. Para o próximo dia 24 de abril, está agendada reunião do Governador com todos os presidentes das empresas do setor, entre elas a Samsung, Gradiente e Toshiba, na qual será apresentada proposta de isonomia fiscal para tentar se resolver o impasse. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acredito na sensibilidade e habilidade política do nosso Governador Eduardo Braga para resolver tal situação, sem perdas significativas da receita do ICMS para o Estado do Amazonas, para a lucratividade das empresas e, principalmente, para os trabalhadores, haja vista que nas 2 últimas semanas 2.500 trabalhadores já foram dispensados, segundo informações do sindicato dos trabalhadores. Tenho dito e volto a repetir: o Pólo Industrial de Manaus é o principal vetor de desenvolvimento da Região Norte, contribuindo para o desenvolvimento de tecnologia brasileira, para a redução das desigualdades sociais e regionais, gerando divisas e contribuindo, no último ano, com mais de 22 bilhões de dólares para o PIB brasileiro e, sobretudo, gerando mais de 100 mil empregos diretos e 500 mil empregos indiretos. 120 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Tenham certeza, nobres colegas: o fato de mais de 98% da floresta amazônica estar intacta e preservada pode ser creditado, em parte, à instalação da Zona Franca de Manaus, pois a existência de um pólo Industrial na região, gerando empregos e renda para a população, evita que os cidadãos amazonenses precisem explorar muitas vezes a floresta de forma predatória. O que quer o Governador Eduardo Braga nós também queremos: uma solução que defenda os empregos, defenda o crescimento da economia do Amazonas, a manutenção dos investimentos atuais e, sobretudo, a preservação da nossa hiléia. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 121 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PR-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero dar notícia a este plenário da 3ª reunião de trabalho do Conselho de Altos Estudos, realizada no último dia 18 do corrente, com a presença dos companheiros Colbert Martins, Ângela Amin, Mauro Benevides, Marcondes Gadelha, Severiano Alves e Paulo Henrique Lustosa e do DiretorExecutivo da Consultoria Legislativa, Dr. Ricardo Rodrigues, que é também Secretário-Executivo CAEAT, na companhia dos Srs. Paulo Motta, Coordenador de Articulação, e Luiz Mário Ribeiro Silva, Coordenador Administrativo, assim como de assessores do Conselho que os partidos estão indicando — aliás, 7 titulares e 4 suplentes já foram indicados, existindo, portanto, quorum para deliberar. O Conselho não foi criado para substituir as atividades de nenhuma Comissão Técnica desta Casa. Seu objetivo é o de atuar como órgão técnico consultivo, diretamente jurisdicionado à Mesa, com a incumbência de realizar estudos concernentes à formulação de políticas e diretrizes legislativas ou institucionais, das linhas de ação ou suas alternativas e respectivos instrumentos normativos quanto a planos, programas e projetos, políticas e ações governamentais; estudos de viabilidade e análise de impactos, riscos e benefícios de natureza tecnológica, ambiental, econômica, social, política, jurídica, cultural, estratégica e de outras espécies em relação a tecnologias, planos, programas ou projetos, políticas ou ações governamentais de alcance setorial, regional ou nacional; e produção documental de alta densidade crítica e especialização técnica ou científica que possa ser útil ao trato qualificado de matérias objeto de trâmite legislativo ou de interesse da Casa ou de suas Comissões. O Conselho se reunirá impreterivelmente às quartas-feiras, das 14h às 16h. 122 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 No prelo encontram-se 3 publicações a serem brevemente lançadas e da maior importância para a discussão nesta Casa e nos meios técnicos ligados ao futuro da civilização digital no Brasil. São elas: TV Digital - Futuro e Cidadania; Mercado do Software no Brasil e Capacitação Tecnológica da População. Por outro lado, registro que foi promovida licitação para produção de DVDs sobre o tema Capacitação Tecnológica da População, os quais estarão disponíveis até o início de junho próximo. Da maior importância é a realização de pesquisa com Prefeitos de todo o País sobre o tema Lei de Responsabilidade Fiscal e Lei de Licitações. Essa pesquisa integra estudo desenvolvido e coordenado pelo Deputado Padre José Linhares. Quero destacar ainda, como da maior importância, a comunicação feita pelo Deputado Marcondes Gadelha sobre o programa de um laptop para uso de criança, inicialmente com 1 milhão de unidades. Os aparelhos terão a necessária resistência para, no caso de queda, não virem a quebrar; movidos a manivela, para não depender de fonte de energia, custarão cerca de 200 dólares cada. Há ainda 2 óbices: reposição de peças, para que não sejam sucateadas com pouco tempo, e a escola onde serão instalados não correr o risco de as professoras não acompanharem o modelo. O software foi desenvolvido pelo Prof. Negroponte. Inicialmente, o Brasil comprará 1 milhão de cópias, mas o aparelho será experimentado previamente em alguns municípios para a necessária adaptação às condições de nossas salas de aula do ensino fundamental. One laptop per child, dizem os anglo-saxões. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil já dispõe de 100 milhões de aparelhos celulares e a difusão de PCs caminha rapidamente. Assim, não será 123 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 demais prever que na próxima década teremos mais de 60% da nossa população com acesso ao computador, se não em termos de propriedade pessoal, pelo menos disponível em locais públicos e privados, como já ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos. O Conselho de Altos Estudos vai, certamente, com o apoio da Mesa Diretora e do Plenário, cumprir a sua missão, trazendo à discussão temas da maior relevância para o futuro do País, temas que permitam a definição de linhas de ação governamental, tornando disponíveis as sugestões de técnicos da Casa e de outras instituições pública e privadas das diversas regiões do País. Uma preocupação do Conselho é de não fazer competição nem paralelismo com as Comissões Técnicas da Casa, pois não lhe compete tratar de assuntos específicos de cada órgão técnico e sim formular políticas públicas para o País. Pretendemos que o Conselho seja um fórum de debates de questões da atualidade científica e cultural, sem separar o que seja pertinente às ciências da natureza e às ciências do espírito, antes integrando-as e promovendo a interação dos especialistas, pois, como já assinalava Norberto Bobbio, este é o século do saber e não apenas do fazer. Era o que tinha a dizer. 124 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MARCELO GUIMARÃES FILHO (Bloco/PMDB-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estou apresentando a esta Casa, nesta data, projeto de lei que acrescenta dispositivo à CLT — Consolidação das Leis do Trabalho e dispõe que, na hipótese de não serem encontrados bens da sociedade ou estes se mostrem insuficientes a responder pela dívida trabalhista, poderá o sócio execução, ser também incluído no pólo passivo da respondendo, entretanto, até o limite da exata proporção do capital social por ele subscrito. Conforme destaquei em minha justificação, Sr. Presidente, o instituto da desconsideração da personalidade jurídica tem sido aplicado pela Justiça do Trabalho no curso das execuções trabalhistas de forma generalizada e sem qualquer distinção contra a pessoa física de sócios, a despeito de sua diminuta participação no capital social da sociedade executada, circunstância esta que de forma segura tem-se mostrado extremamente injusta. Não raro constatamos determinados sócios, no mais das vezes esposas, que participam do capital societário apenas para compor a sociedade com singelo 1%, e que depois, mesmo sem ter sequer conhecido as instalações da empresa, são incluídos no pólo passivo de execuções trabalhistas para responderem com seu patrimônio pessoal, em muitos casos até adquirido antes de integrar a sociedade. Pior quando se verifica que nenhum dos sócios, inclusive o sócio minoritário, praticou qualquer ato ilícito ou fraudulento, com violação à lei, ao contrato ou ao estatuto. E isso vem ocorrendo em todas a Varas do Trabalho onde tramitam essas execuções trabalhistas, em face da iterativa jurisprudência do egrégio Tribunal 125 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Superior do Trabalho, que admite a responsabilidade solidária do sócio mediante extensão dos efeitos das Leis nºs 6.830, de 22 de setembro de 1980, e 8.884, de 11 de junho de 1994, que tratam da cobrança judicial de Dívida Ativa da Fazenda Pública e da repressão às infrações contra a ordem econômica, respectivamente. O interessante, Sr. Presidente, é que referidos diplomas legais não guardam qualquer pertinência com a execução trabalhista, porquanto é consabido que as relações do trabalho são regidas por regras próprias, ao passo que as leis paradigmas são motivadas por situações absolutamente diferenciadas. Se de um lado não se mostra factível que a responsabilização do sócio esteja condicionada à previa comprovação de prática de atos ilícitos, fraudulentos ou com violação da lei, do contrato ou do estatuto, eis que mesmo na sua inocorrência o sócio efetivamente adquiriu ou ampliou seu patrimônio pessoal graças a sua participação societária. De outro lado não se afigura razoável que sua responsabilização patrimonial se faça em patamares superiores à mesma participação societária. Em outras palavras, Sras. e Srs. Deputados, desponta injusta a integral responsabilização de dívida da sociedade de determinado sócio que detenha apenas parte de seu capital social. Por essa razão a importância do projeto de lei que ora apresento a esta Casa, destinado a restringir a cada sócio sua responsabilidade, na proporção exata do respectivo capital social, ainda que não tenha de qualquer forma concorrido para o débito exeqüendo, aplicando-se retroativamente a todas as execuções em curso, salvo se já consumados os atos de adjudicação ou de arrematação do bem penhorado. 126 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Portanto, Sr. Presidente, espero contar com o apoio de meus pares para a aprovação desse projeto, rogando a V.Exa. que faça consignar o presente pronunciamento nos Anais desta Câmara dos Deputados. Muito obrigado. 127 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 O SR. EUNÍCIO OLIVEIRA REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 (Bloco/PMDB-CE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, dia 9 de maio próximo, chegará ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, o Papa Bento XVI, na sua primeira visita ao Brasil, o maior país católico do mundo. A presença de Sua Santidade em nosso País reveste-se de importância histórica, na avaliação de D. Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida, por ocorrer em período de crescente preocupação coletiva com a escalada da violência e das ações criminosas no País e com o aumento do desemprego e dos bolsões de pobreza absoluta, o que tem gerado clima de insegurança e apreensão em todo o território nacional. Ao falar aos católicos e cristãos de todas as religiões, o Santo Padre fará conclamação pela paz, pela fraternidade, pelo entendimento. Nesse contexto, avulta, por seu sentido evangelizador, o encontro que Sua Santidade terá, no estádio do Pacaembu, na Capital de São Paulo, dia 14 de maio, com milhares de jovens brasileiros, católicos e não católicos, aos quais conclamará para que tenham fé e esperança em um amanhã melhor para todos e que se unam em uma cruzada em defesa dos valores morais e da vida com dignidade. Estarão presentes a esse evento delegações de jovens de todos os Estados. De igual importância será a cerimônia de abertura da V Conferência Episcopal da América-Latina e Caribe — CELAM, em Aparecida, quando fará pronunciamento dirigido aos Bispos de diversos países. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, para a família católica brasileira, a presença do Papa terá também significado inesquecível, por constar da programação da visita a cerimônia da canonização do franciscano e beato Antônio de Sant’ana Galvão, o Frei Galvão, primeiro Santo brasileiro nato. A canonização 128 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 ocorrerá em missa campal a ser celebrada pelo Papa Bento XVI, sexta-feira, 11 de maio, no Campo de Marte, em São Paulo. Frei Galvão nasceu em Guaratinguetá, São Paulo, em 1739, descendente de família de imigrantes portugueses, colonizadores da Capitania de São Paulo. Faleceu em 23 de dezembro de 1822. O pai, Antônio Galvão de França, era um imigrante português e capitão-mor em Guaratinguetá. A mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros e bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o “caçador de esmeraldas”. Frei Galvão viveu com seus irmãos alguns anos em uma casa grande e suntuosa. Seus pais gozavam de reconhecido prestigio político e social na Capitania de São Paulo. O pai, desejando dar a Frei Galvão formação escolar e cultural compatível com suas possibilidades econômicas, mandou o filho com a idade de 13 anos estudar no Colégio de Belém, fundado por padres jesuítas, na Bahia, onde era aluno um outro filho seu, José. Frei Galvão permaneceu ali de 1752 a 1756. Na Bahia, Galvão manifestou desejo de tornar-se jesuíta. Por causa da perseguição movida contra a ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a ingressar na ordem dos franciscanos, que mantinham convento em Taubaté, não muito distante de Guaratinguetá. Renunciou, então, a um futuro promissor e influente na vida mundana, entrando aos 21 anos de idade para o Noviciado, na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. Em 16 de abril de 1761, fez seus votos solenes. Um ano depois era admitido à ordenação sacerdotal, quando foi transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo, para aperfeiçoar os estudos de Filosofia e Teologia e exercitar-se no apostolado. 129 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Data dessa época sua “entrega a Maria”, como seu “filho e escravo perpétuo”, consagração mariana assinada com seu próprio sangue, em 9 de novembro de 1766. Concluídos os estudos, foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo tido como da maior importância, pela comunicação propiciada com muitas pessoas e o apostolado. A partir de então, o franciscano Galvão ganhou notoriedade como confessor, sendo procurado por pessoas de inúmeras cidades da Capitania de São Paulo, às quais atendia quase sempre caminhando a pé. Em 1769/1970 foi nomeado confessor de um recolhimento de mulheres piedosas conhecidas como as “Recolhidas de Santa Tereza”, em São Paulo. Nesse recolhimento encontrou Irmã Helena Maria de Espírito Santo, religiosa de profunda oração e reconhecida penitência que dizia ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo recolhimento. Convencido da seriedade das visões de Madre Maria do Espírito Santo, frei Galvão decidiu atender ao seu pedido em favor da construção do Recolhimento, inaugurado em 2 de fevereiro 1774. Como houve tentativas de removê-lo para outras paróquias, a elas se opuseram os católicos de São Paulo e várias instituições leigas, por considerarem seu trabalho pastoral inigualável. A Câmara Municipal de São Paulo, reconhecendo o trabalho humanitário desenvolvido por frei Galvão, dirigiu ao seu superior provincial apelo caloroso para que a transferência não fosse efetivada. Dizia a carta: “Este homem tão necessário às religiosas da Luz é preciosíssimo a toda esta cidade e vilas da Capitania de São 130 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Paulo. É homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lhe graças. Homem da paz e da caridade”. Venerado por milhares de paulistanos, fez sucessivas viagens pela Capitania de São Paulo, quase sempre a pé. Pregava e atendia a centenas de pessoas. Ao falecer, em 23 de dezembro de 1822, Frei Galvão foi sepultado, a pedido do povo, na Igreja do Recolhimento, no Largo da Luz, em São Paulo, hoje ponto de convergência de milhares de peregrinos. Em 16 de dezembro de 2006, coube ao Papa Bento XVI reconhecer, oficialmente, o segundo milagre de Frei Galvão, o que tornou possível sua canonização como primeiro Santo genuinamente brasileiro. A visita do Papa Bento XVI ao Brasil marcará, assim, certamente, o fortalecimento da fé cristã no País e proporcionará maior aproximação das famílias católicas brasileiras à sua Igreja. 131 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. TAKAYAMA (Bloco/PTB-PR. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, dizia o escritor Victor Hugo: “Indigestão é uma criação de Deus para impor uma certa moralidade ao estômago”. Só agora o mundo vem despertando para a importância da qualidade da alimentação e para o fato de que uma dieta balanceada é ideal para a beleza do corpo. O mundo começou a valorizar a ciência da alimentação. Esta semana o Brasil celebra uma data histórica. No dia 24 de abril, comemoramos os 40 anos da regulamentação da profissão dos nutricionistas do Brasil. Nesta mesma data, em 1967, o Presidente da República de então assinava a Lei que regulamentava a profissão de nutricionista. Quero, neste momento, usar a tribuna desta Casa para homenagear os aproximadamente 45 mil nutricionistas deste País, nas pessoas da Presidenta do Conselho Federal de Nutricionistas, Dra. Cleusa Mendes, e do Dr. Raul von der Heyde, Presidente do Conselho Regional de Nutrição — 8ª Região, Paraná. O mundo hoje não pode prescindir dessa categoria de profissionais, importantíssima para o pleno desenvolvimento e qualidade de vida do ser humano. Basta verificar 2 exemplos extremos: os prejuízos causados pela má alimentação, tipo fast food, sem critérios, nos países do Primeiro Mundo (prática hoje bastante imitada no Brasil); no outro extremo, a desnutrição em alguns países do continente africano. Num momento em que a fome passa a ser preocupação de governos, como o do Brasil, cujo Programa Fome Zero tem merecido reconhecimento e elogio internacional, não há como não usar a tribuna e não registrar a importância dos nutricionistas, ainda mais porque a cada dia temos que conviver com os problemas já mencionados. 132 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A história da Nutrição no Brasil se inicia na década de 30, mais especificamente em 1939, com a criação do curso de visitadoras de nutrição, no Instituto de Higiene e Saúde Pública da USP, em São Paulo. Em 1945, surge o curso de Dietistas, no Rio de Janeiro, na Escola Técnica de Assistência Social Cecy Dodsworth, precursor do atual curso de Nutrição da UERJ. Em 1949, a mobilização da categoria resulta na criação da Associação Brasileira de Nutricionistas — ABN, que tem como objetivos a regulamentação da profissão e a criação do Conselho de classe. Em 1954, realiza-se o I Congresso Brasileiro de Nutrição e, em 1958, o I Congresso Brasileiro de Nutricionistas, que traz como uma das recomendações a designação única de nutricionista. O curso de Nutrição é elevado à condição de curso superior em 1962 e, em 1964, o MEC fixa o currículo mínimo dos cursos de Nutrição. Em 1966, o Congresso Nacional aprova lei que regulamenta a profissão de nutricionista, mas o Presidente Castello Branco a veta. Nova tentativa é feita em 1967 e, em 24 de abril de 1967, o Presidente assina a lei que regulamenta a profissão de nutricionista. Grande impulso para o crescimento da profissão ocorre com a criação do INAN, em 1972, e com o PAT, em 1976. O movimento estudantil cria o Encontro Nacional de Entidades de Nutrição — ENEN, mais tarde modificada para ENAEN para não confundir com a sigla do movimento estudantil. Em setembro de 1991, é promulgada a Lei nº 8.234, que traz nova regulamentação para a profissão, incorporando novas atividades privativas e não privativas ao nutricionista. O nutricionista passa a ter maior participação em entidades multidisciplinares como a ABESO, SBCTA, ABRASCO, SBAN e participa 133 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 também dos departamentos de Nutrição de sociedades médicas, como a de cardiologia, pediatria e outras. Em fevereiro de 2007, foram registrados 309 cursos ligados à nutrição, 27 deles em Universidades do Paraná. É neste momento que este Parlamento se torna relevante para defesa e vigilância desta categoria que só promove o bem-estar do cidadão brasileiro, razão pela qual uso esta tribuna na defesa desses heróis e para alertá-los, para que tomem conhecimento da importância da categoria. Por quê? Porque tramita no Congresso projeto de lei que define o ato médico e que pode provocar o maior ato de injustiça com os nutricionistas e outras categorias como enfermeiros, bioquímicos, farmacêuticos, psicólogos, que seriam rebaixados a categorias de cursos técnicos, num verdadeiro retrocesso no atendimento à saúde e na qualidade de vida da população brasileira. Não podemos vacilar, permitindo a aprovação de leis que, para benefício de forças estranhas e de alguns que promovem o retrocesso, prejudiquem esses técnicos e cientistas brasileiros que tão grande contribuição vêm dando ao nosso País. O Brasil conta atualmente com aproximadamente 45 mil nutricionistas, sendo que 4 mil deles atuam no Paraná. Ao longo destes anos, as áreas de atuação dos nutricionistas se ampliaram, passando das tradicionais áreas clínica, saúde coletiva e produção para também atuar na área esportiva, indústria de alimentos, marketing e ensino. A palavra progresso escrita no nosso pavilhão é antecedida pela palavra ordem. Com certeza o Brasil precisa de muitos milhares desses profissionais para 134 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 alcançar a excelência dos nossos atletas, dos nossos estudantes e de todos os profissionais e intelectuais. Num mundo competitivo como o nosso, com certeza a diferença estará naquilo que eles ingerem, na excelência da sua alimentação; e também, com certeza, na sua quantidade. Creio que cabe aqui a citação do Livro Divino, em Daniel 1, verso 8, quando o sábio convidado pelo rei Nabucodonosor, do grande império da Babilônia, impôs a condição de “não se contaminar com as finas iguarias do rei”, ficando claro que nem sempre alimento caro é alimento bom. Salve, nutricionistas! 135 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PEDRO WILSON (PT-GO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna hoje para render justas homenagens aos 47 anos da Capital Federal, completados no último dia 21 de abril. Da mesma forma quero saudar todos os construtores de Brasília, este belo símbolo arquitetônico, cidade cosmopolita, heterogêneo de mil raças, credos, origens geográficas. Saúdo do mais humilde trabalhador ao idealizador maior do projeto Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek. E quero saudar especialmente os pioneiros goianos, os anfitriões deste solo, desta bela Capital. O jornal O Popular, de Goiânia, publicou, no dia 21 de abril, reportagem dos jornalistas Almiro Marcos e Malu Longo sobre a contribuição de Goiás e assim de goianos para a construção de Brasília, destes cerrados das águas emendadas do Brasil Central, dos anos 50 aos 60 do século XX. Muita gente veio de Goiás para Brasília. Muitos estavam em Luziânia, Planaltina e Formosa e cederam áreas para Brasília ser a Capital da Esperança, de JK a Lula. JK, Israel Pinheiro, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Darcy Ribeiro, Lelé Filgueiras, Padre Roque Barone, salesiano dos sonhos de Dom Bosco, tiveram assim ajuda de agricultores, operários, fazendeiros, comerciantes, estudantes, políticos, intelectuais de Goiás, muitos conhecidos e outros milhares de anônimos brasileiros de Goiás e de todo Brasil. Ajudaram JK goianos como Randal Espírito Santo Ferreira; Celso Machado; Alfredo Nasser e seu “jornal de notícias”; Jaime Câmara e seu O Popular; Emival Caiado; Castro Costa; Hélio Lobo; Bernardo Sayão; Benjamim Roriz; Juca Ludovico; José Feliciano; Hélio de Oliveira; Eliezer Pena; Godoy Garcia; Jesco Puttkamer; 136 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Colemar Natal; Mauro Borges; Irajá Pimentel; Lúcio Arantes; e Pedro Ludovico. Homens e mulheres goianos estiveram e estão presentes na história de Brasília. 137 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LAERTE BESSA (Bloco/PMDB-DF. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a mídia divulgou nesta manhã que, na tarde de ontem, dia 24, policiais prenderam em flagrante delito 3 homens no Guará II. A prisão ocorreu depois que os assaltantes Wilson Ferreira Gomes Junior, 18 anos, Luisvaldo da Silva, 21 anos, e Rafael Sousa de Lima, 20 anos, invadiram a Loja Destack Modas, localizada na QE 42. Os autores se esconderam nos fundos da loja, fizeram a família ali residente de refém e, após negociações com a polícia, se entregaram, sendo recolhidos no cárcere do DPE. Segundo a reportagem, um dos envolvidos nesse caso do Guará II é reincidente e foi solto há 15 dias atrás. Noticia-se ainda que a soltura ocorreu porque o prazo para o oferecimento da denúncia, quando o réu encontrava-se preso, não foi observado pelo Ministério Público, ensejando o relaxamento de sua prisão. Na realidade, a verdade é outra. O Promotor Walmir Soares Santos, ao invés de olhar para os agentes do Estado com a ordinária presunção de legalidade dos atos por eles praticados, preferiu, em um estupendo desserviço à sociedade, devanear de dentro de seu belo gabinete equipado com ar-condicionado, frigobar, alheio à realidade e com diversos funcionários a seu dispor, acerca de palavras apostas nas oitivas dos policiais que presenciaram fato gravíssimo, o tráfico de drogas, e, sem titubear, agindo sem temor e no estrito cumprimento de dever legal, prenderam Luisvaldo da Silva. O nobre membro do Parquet achou melhor garimpar meio para achincalhar o duro trabalho policial, gastando inúmeras folhas de papel pagas pelo contribuinte para chegar à fantástica conclusão de que apenas a prova policial isolada contra a 138 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 negativa do acusado Luisvaldo da Silva (sic!) torna-se insuficiente para o oferecimento de denúncia e, ao final, representou pelo relaxamento da prisão do acusado, não sem antes fazer triste paródia com o segmento espírita, classificando o único meio legal de investigação criminal disponível para o Estado, o inquérito policial, de forma jocosa, como um “processo espírita”. O pior de tudo é que aquele douto promotor convenceu o Juiz da 3ª Vara de Entorpecentes, que, em um só lauda, colocou em liberdade o feliz Luisvaldo da Silva, pronto para outra empreitada criminosa. Atitudes como a narrada faz-nos repensar o processo penal, de forma a questionarmos a necessidade de defesa do acusado, pois com um Promotor tão atuante como esse talvez cheguemos à inusitada conclusão de que o crime compensa. Enquanto isso, cidadão, tranque suas portas e janelas, pois para o criminoso ficar preso deverá ter praticado o delito na frente daquele membro do Ministério Público. Resumindo, dias após se desconsiderar todo o trabalho da Polícia e ser creditada total veracidade ao afirmado por Luisvaldo da Silva ao negar o tráfico de drogas que praticava, este foi novamente flagrado na prática de roubo com emprego de arma de fogo e restrição da liberdade de uma família de inocentes. E, pasmem, Srs. Deputados, graças à ação daquela mesma Polícia desacreditada, não houve morte de inocentes. Graças ao nosso Deus a imprensa fotografou o ocorrido e havia inúmeras testemunhas não policiais, pois, se o inquérito desse novo fato caísse nas mãos do Promotor Walmir Soares Santos, quem sabe poderia acusar nossos policiais de perseguição ao “cidadão” Luisvaldo da Silva. 139 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A conduta delituosa a ele imputada era de tráfico de entorpecentes, crime hediondo segundo a Lei nº 8072/90. Todavia, pelo que consta da notícia, não restou outra alternativa ao Poder Judiciário senão a de livrá-lo diante a inércia daquele órgão. Muito obrigado. 140 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOVAIR ARANTES (Bloco/PTB-GO. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna desta Casa felicitar a Universidade Estadual de Goiás — UEG, que, no último dia 16 de abril, completou 8 anos de fundação. A instituição foi criada no ano de 1999, com sede e foro na cidade de Anápolis, e hoje atua em todo o território do Estado de Goiás, desenvolvendo, com grande maestria, atividades de ensino, pesquisa científica e tecnológica. No decorrer desses 8 anos, seu corpo docente trabalhou graduando e pós-graduando profissionais em diversas áreas, preparando-os para o mercado de trabalho, colaborando, dessa forma, com o desenvolvimento do Estado de Goiás. É de grande relevância a contribuição da UEG para o crescimento do Estado de Goiás, em virtude de atuar difundindo conhecimentos acadêmicos e culturais, além de promover também a formação continuada de profissionais da educação, visando à melhoria da qualidade do ensino público de Goiás. Esse projeto elevou para cerca de 90% o número de professores com diploma de nível superior no Estado. Preocupada também com o desenvolvimento sustentável, a UEG desenvolve pesquisas voltadas para a preservação do meio ambiente, no intuito de ampliar a consciência ecológica, tão necessária no atual contexto, em que o aquecimento global torna-se cada vez mais ameaçador aos habitantes do planeta. Atenta também às questões sociais, a UEG lançou o Projeto Vaga-Lume, de alfabetização de jovens e adultos, fato que contribui para a diminuição dos índices de analfabetismo da população adulta no Estado de Goiás. Esse projeto, que alia a prática pedagógica dos alunos de graduação a pesquisas e à valorização humana, 141 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 já pode ser considerado de grande sucesso, pois mais de 56 mil jovens e adultos foram alfabetizados desde o ano de 2000. Essa instituição de ensino merece aplausos de toda a comunidade goiana, pois cumpre seu papel de educadora e todos os preceitos estabelecidos em sua missão — “desenvolver, organizar, divulgar e partilhar conhecimentos, ciências e percepções, ampliando o saber e a formação do ser humano para a atuação socioprofissional solidária e coerente com as necessidades e a cultura regional” —, com o honroso desafio de possibilitar que a população conquiste sua cidadania num projeto de sociedade equilibrada, nos parâmetros da eqüidade. São esses os motivos que justificam e consolidam sua posição de segunda maior universidade pública do País, com 33.988 alunos matriculados no segundo semestre de 2006, distribuídos em 42 unidades universitárias e 14 pólos universitários no Estado. Parabéns a essa instituição de ensino que, de forma grandiosa, corrobora a formalização do processo democrático brasileiro! Muito obrigado. 142 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. AELTON FREITAS (PR-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faço uso da palavra para cuidar, neste plenário, de assunto grave, que está em pauta nas duas Casas do Parlamento. Está no centro do debate, neste momento, a Proposta de Emenda à Constituição nº 12 (PEC 12/2006), de autoria do ilustre Senador Renan Calheiros. Proposições e postulações afins circulam nos auditórios, Comissões e gabinetes desta Câmara. Essa proposta de emenda surgiu de idéia vinda da Presidência do Supremo Tribunal Federal. O que inspirou a iniciativa, levada à consideração do Sr. Presidente do Senado, foi a frustração dos credores que, após anos e anos de espera, não tinham, e continuam não tendo, perspectiva de receberem seus créditos. Supunha-se a criação de um mecanismo financeiro, associado à vinculação obrigatória de pequeno percentual de recursos orçamentários, que viabilizaria instrumentos de liquidez dos créditos, não perante a Fazenda Pública, mas perante o mercado secundário de valores mobiliários. A idéia consistia, pois, em imprimir liquidez aos créditos constantes de precatórios judiciais. O PEC nº 12/06, porém, não corresponde à preocupação de proteger os credores e de dar-lhes expectativa de recebimento futuro. Sob esse aspecto, a iniciativa constante da proposta é mais uma frustração para credores — de toda natureza e porte. Cria o regime especial de pagamento e, dentro dele, manda, é verdade, vincular recursos destinados à liquidação de precatórios: 70% dos recursos se destinarão para pagamento à vista e 30% para pagamento de precatórios não quitados (supõe-se que pagos parcialmente). Em ambos os casos, o pagamento se fará por meio de leilões. 143 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Assim, a proposta, além de quebrar a ordem constitucional de antigüidade na “fila” de credores (quem está esperando há mais tempo receberá antes dos credores subseqüentes), vai impor um forte deságio dos créditos. Sim, porque é da essência do sistema de leilão que vence quem oferece o melhor lance ao dono do bem leiloado. O melhor lance, para o devedor, será o do credor que se dispuser a receber o menor valor pelo seu crédito. Pergunta-se: aonde vai parar, a esta altura, a garantia constitucional da justa indenização, nas desapropriações, garantia de tanta tradição em nosso Direito Constitucional? Pergunta-se: onde fica a garantia constitucional de impenhorabilidade de salários e alimentos, também historicamente arraigada em nossas instituições? O que quer a emenda? Será que a emenda quer transformar em mercadoria os créditos de sofridas pessoas e famílias? Será que quer transformar também em mercadoria os créditos obrigacionais de fornecedores privados? Assim, do modo como a matéria está posta, e conforme a imprensa vem dizendo, o Parlamento se avilta, esquecido de seu compromisso com a sociedade que nos elegeu, apenas para favorecer a Fazenda Pública, notoriamente incapaz de cumprir suas obrigações. A PEC nº 12/06 apenas favorece o devedor, já inadimplente — há textos jornalísticos que falam em “calote”. E, como se lê e se ouve, administradores públicos de todos os níveis e instâncias pressionam para não terem de cumprir as obrigações dos órgãos que dirigem, especialmente governos estaduais e prefeituras. Por derradeiro, embora os devedores possam desde logo optar pelo regime especial de pagamento — livrando-se dos efeitos orçamentários e políticos da inadimplência —, regime criado pelo projeto, a efetivação das medidas previstas vai depender da 144 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 elaboração de uma lei, pelo Congresso Nacional, regulamentando a matéria, o que vai retardar ainda mais a malfadada forma de liquidação prevista. Aqui fica nosso protesto e inconformidade com essa solução. Se a idéia contida na emenda deve persistir, por força da pressão do devedor público inadimplente, impõe-se, no mínimo, mandar respeitar, mesmo para os leilões, a ordem de preferência e antigüidade dos credores, assegurar-lhes o direito de opção pelo regime vigente ou pelo proposto e estabelecer regras eqüitativas para os valores leiloados, para que os credores não tenham de oferecer lances a preço vil. Muito obrigado. 145 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PAULO RENATO SOUZA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. 146 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 DISCURSO DO SR. DEPUTADO PAULO RENATO SOUZA QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. (Discurso publicado na Sessão nº 103, de 10/05/07.) 147 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Passa-se ao V - GRANDE EXPEDIENTE Concedo a palavra ao ilustre Deputado Saraiva Felipe. 148 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SARAIVA FELIPE (Bloco/PMDB-MG. Sem revisão do orador.) - Ilustre Presidente desta sessão, conterrâneo e amigo Deputado Narcio Rodrigues, Deputadas e Deputados Federais, antes de iniciar minha fala, desejo conceder 1 minuto, que obviamente deve ser descontado do tempo a que tenho direito, à nobre Deputada Maria Lúcia Cardoso, para que anuncie o encaminhamento de projeto de lei de sua autoria. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Deputado Saraiva Felipe, o pedido de V.Exa. é anti-regimental. Inclusive havia dito que, após o seu discurso, daria oportunidade à Deputada Maria Lúcia Cardoso de se manifestar. Se eu acatar o pedido de V.Exa., estarei descumprindo o Regimento Interno da Casa. Espero que o Plenário entenda que não há tentativa alguma da Mesa de impedir a fala da Deputada Maria Lúcia Cardoso. Como V.Exa. já iniciou o pronunciamento, durante a sua fala S.Exa. poderá até pedir um aparte e abordar o assunto. Se atendêssemos o pedido de V.Exa., feriríamos a regra do uso da palavra na Casa. O SR. SARAIVA FELIPE - Como o conteúdo do encaminhamento de S.Exa. se coaduna com o que vou dizer, concederei o aparte à Deputada Maria Lúcia Cardoso, para que faça a sua intervenção durante a minha fala. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, temos visto surgir, na mídia e em conversas no Congresso Nacional, a idéia de eliminarmos do processo político-eleitoral brasileiro a possibilidade da reeleição para cargos executivos. Desejo bater numa tecla que considero fundamental: não nos podemos curvar a casuísmos. A sociedade brasileira e parte da mídia pedem que haja reforma 149 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 política; nesta Casa há o consenso de que precisamos retornar ao tema da reforma política. Assim, creio que essa discussão isolada deve ser rechaçada, porque se constitui em casuísmo. Em 2003, apresentou o Projeto Lei nº 2.679 a Comissão Especial da Reforma Política desta Casa, tendo como Presidente o Deputado Alexandre Cardoso e como Relator o Deputado Ronaldo Caiado, com várias propostas de mudanças no processo político-eleitoral brasileiro e um tópico sobre o fortalecimento da fidelidade partidária. O Tribunal Superior Eleitoral — Corte máxima que cuida do processo eleitoral brasileiro — proferiu decisão nos autos da Consulta nº 1.398, encaminhada pelo Partido da Frente Liberal, hoje Democratas, na qual declarou que o mandato pertence ao partido e não ao Parlamentar. Não houve ingerência indevida, porque não reassumimos essa discussão fundamental para o processo democrático brasileiro. Se a decisão vem de fora do Congresso Nacional e se alguns consideram que pode até representar intervenção nas atribuições do Parlamento, vejo com bons olhos que tal aconteça, tendo em vista que temos conduzido com letargia o debate sobre o sistema político-eleitoral. Lembro a necessidade de se fazer viger a fidelidade partidária. É inaceitável que colegas Parlamentares mudem 5, 6 vezes de partido no período de 1 ano, desfigurando, Presidente Narcio Rodrigues, a vontade do povo, que, quando deu o seu voto, o fez pensando numa atuação parlamentar de partidos com posição coerente com a crença de quem lhe devotou o precioso instituto do voto. Teremos de voltar à questão do financiamento público das campanhas. Sou a favor do financiamento público exclusivo e posso citar alguns números que justificam 150 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 largamente a necessidade de adotarmos esse instituto, para evitarmos a influência do poder econômico, que acaba contaminando o exercício dos mandatos no Congresso Nacional. Em 2006, havia 29 partidos regulares conforme o Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com as declarações apresentadas ao TSE quanto à arrecadação para as campanhas apenas de Deputados Federais e de Senadores, a soma é de aproximadamente 480 milhões de reais. Isso se refere apenas aos cargos de Deputado Federal e Senador. Pois bem, conforme proposta contida no mencionado projeto de lei, a de 7 reais por voto, e considerando que havia quase 126 milhões de eleitores em 2006, o gasto, com recursos do Orçamento da União, seria da ordem de 880 milhões de reais, englobando-se todas as candidaturas, de Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Embora muitos considerem elevada essa cifra, sei que indiretamente, por intermédio de financiamento privado, temos um prejuízo muito maior, e quem acaba pagando é a população brasileira. Foi proposta a lista fechada de candidatos, um tema polêmico que precisa ser desenvolvido. Chamo a atenção para isto: essa votação individual enfraquece os partidos políticos e favorece a migração de Parlamentares, por conveniência ou não, de um partido para outro. Se pudéssemos casar o financiamento público com a lista partidária, sem dúvida isso facilitaria o trabalho do TSE também no que se refere à fiscalização do uso de recursos públicos. A proposta contida no Projeto de Lei nº 2.679, de 2003, é rigorosíssima. Se constatada a burla dos partidos, injetando recursos que não foram autorizados pela 151 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Justiça Eleitoral, poderia ser invalidada a coligação e a candidatura que tenha sido canalizada por um dos membros da lista. Lembro ainda a possibilidade de as federações partidárias se aliarem e elaborarem uma lista única. A escolha dos nomes contidos nessa lista, para preservar a individualidade dos partidos, seria feita de acordo com os votos dados às legendas. Isso garantiria a possibilidade de formarmos federações, de nos organizarmos com forças e partidos políticos com identidades de propostas, mas sem que isso acontecesse durante as eleições, quando os votos são concedidos a cada candidato nas coligações. Também chamo a atenção — estou convicto disso — para o fato de que o atual modelo político-eleitoral brasileiro é pai e mãe de todas as corrupções e escândalos que ocorreram. Espero não mais ocorram, mas infelizmente poderão acontecer nos anos vindouros. Peço atenção para o fato de, por conveniência, acabarmos com as eleições. Aí teríamos de prorrogar ou encurtar mandatos não sei como. Estou propondo firmemente que esta Casa retome, de forma global e consistente, a discussão acerca da reforma política. Não tenho posições fechadas, mas a convicção de que poderemos e deveremos elaborar um projeto que, com base na nossa experiência e nos problemas que já enfrentamos, signifique um aprimoramento do processo político-eleitoral e que terá, sem dúvida, impacto na condução ética da política no Brasil e na valorização da categoria política. A Sra. Maria Lúcia Cardoso - Nobre ex-Ministro e conterrâneo Deputado Saraiva Felipe, permite-me um aparte? 152 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SARAIVA FELIPE - Com muita honra, ouço o aparte da minha colega de partido e conterrânea Deputada Maria Lúcia Cardoso. A Sra. Maria Lúcia Cardoso - Gostaria, primeiro, de parabenizá-lo pelo tema do seu discurso. Nesta tarde tenho a honra de ouvi-lo, que até nos oferece uma lição sobre a reforma política neste País, uma das maneiras de fortalecer o Congresso, evitar as corrupções e dar mais transparência às eleições no nosso País. Aproveito este momento para anunciar a apresentação de projeto de lei que altera o Código Eleitoral, acrescenta parágrafo único que obriga os candidatos a abrirem mão do sigilo bancário no ato do registro. Trata-se também de uma pequena reforma, dentro do tema que V.Exa. aborda nesta tarde. Muito obrigada pela concessão do aparte. Parabéns pelo discurso. O SR. SARAIVA FELIPE - Agradeço a V.Exa. a natureza da sua preocupação e a parabenizo pelo encaminhamento. O Sr. Francisco Rossi - V.Exa. me permite um aparte? O SR. SARAIVA FELIPE - Ouço o ilustre companheiro e também colega de partido Deputado Francisco Rossi. O Sr. Francisco Rossi - Deputado Saraiva Felipe, em primeiro lugar, cumprimento-o pela brilhante exposição que faz acerca desse relevante tema. O assunto que V.Exa. traz hoje a este Plenário deveria despertar o maior interesse dos demais colegas. O atual sistema está falido, e fala mais alto o dinheiro e o poder econômico, gerando toda sorte de corrupção. Sabemos muito bem que a manifestação em que o TSE reconhece que o mandato pertence ao partido e não ao Deputado eleito na última Legislatura talvez seja fruto de omissão nossa. Há na Casa uns 20 Deputados, no máximo, que para cá vieram com votos próprios. Então, 153 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 não seria nenhuma novidade aquilo que o TSE está reconhecendo, ou seja, que o mandato eletivo pertence ao partido político. V.Exa. aborda muito bem essa questão. A lista partidária é importante. Temos de nos debruçar sobre esse tema. O financiamento público de campanha seria altamente moralizador e representaria uma economia difícil de aquilatarmos neste País. Sei que, em qualquer sistema que aprovássemos hoje aqui, a lista seria contestada e muito discutida, mas V.Exa. foi muito feliz quando disse que ela é moralizadora. Parabéns, colega Deputado Saraiva Felipe! Vamos discutir esse tema. Seria importante que outras lideranças neste plenário participassem desse pronunciamento de V.Exa. O SR. SARAIVA FELIPE - Agradeço ao nobre Deputado Francisco Rossi o aparte. Tenho convicção de que este pronunciamento é para que saiamos do campo da retórica. Todas as Deputadas e Deputados conhecem a importância da reforma política. Ouvi isso à exaustão nos palanques políticos, inclusive do então candidato à Presidência da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Gostaria que déssemos materialidade a isso, retomando os trabalhos numa Comissão Especial para oferecer sugestões e discutir com a sociedade brasileira a imperiosa necessidade de uma reforma política. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, passo a abordar outro tema. Gostaria de destacar o trabalho de Waldir Pires à frente do Ministério da Defesa. Seria talvez desnecessário lembrar a trajetória do Ministro, a importância do seu trabalho como Consultor-Geral da República no Governo João Goulart e a resistência que tão bem personificou, junto com Ulysses Guimarães e tantos outros, durante o regime de exceção militar. 154 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Tenho lido aqui e ali que o Ministro estaria ultrapassado. Pois eu acho que não. O Ministro demonstrou denodo à frente da Controladoria-Geral da União — instituiu ali as auditorias por sorteios em Estados e Municípios acerca da aplicação dos recursos públicos — e está perfeitamente qualificado para enfrentar o complexo problema do convívio entre civis e militares na questão do tráfego aéreo. Sua experiência e sua moderação são fundamentais para manter o equilíbrio das coisas. Lembro que questões complexas exigem soluções complexas e que isso vem com o tempo. Todos gostaríamos que tudo fosse resolvido num toque de mágica, mas quem se apresenta como taumaturgo oferece ilusões e não consegue resolver nada. A Sra. Íris de Araújo - V.Exa. me permite um aparte? O SR. SARAIVA FELIPE - Pois não, Deputada Íris de Araújo. A Sra. Íris de Araújo - Deputado Saraiva Felipe, como cheguei ao plenário agora, não ouvi seu discurso na íntegra, mas V.Exa. deve ter mencionado em algum momento a questão da reforma política, porque ouvi o aparte do Deputado que me antecedeu. Considero da maior importância, Deputado Saraiva Felipe, que nós, políticos, assumamos nosso papel no que se refere à votação da reforma partidária. Não podemos discutir o tempo todo neste plenário as várias questões levantadas, como a reforma da Previdência e a reforma tributária, se não fizermos nossa própria reforma. É ela que nos vai dar os rumos e as oportunidades de, inclusive, apreciar essas questões todas que são discutidas na Casa. Não poderia deixar de fazer este registro e de cumprimentar V.Exa. pelo brilhante e oportuno pronunciamento nesta tarde no plenário da Câmara. 155 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SARAIVA FELIPE - Agradeço à ilustre colega Deputada Íris de Araújo a intervenção. Concluo o que dizia, Sr. Presidente. Considero que o Ministro Waldir Pires tem o perfil ideal para exercer o papel moderador que o momento exige de uma nova liderança civil no meio militar. Para encerrar, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto a velho tema que já me trouxe outras vezes a esta tribuna: a necessidade de regulamentarmos a Emenda Constitucional nº 29, de 2000, que vincula recursos para a área da saúde. Pelo fato de a emenda não estar regulamentada, as 3 esferas de governo não participam com os percentuais ou as condições ali definidos: a União, com o orçamento do ano anterior mais a variação do percentual do PIB em relação ao ano seguinte; os Estados, com a participação de 12%; e os Municípios, com 15%. Pois bem, Sr. Presidente — falo com a minha experiência de Ministro da Saúde —, apenas 7 Estados da Federação, e não os mais ricos, aplicam os 12% na área da saúde. Os municípios, sim, a grande maioria deles se vê compelida a aplicá-los, diante da demanda que bate à porta de Vereadores e Prefeitos. Mesmo assim, os grandes municípios não chegam ao percentual de 15%. O que significa a regulamentação? Significa definirmos o percentual de participação da União de 10% e reforçarmos a condição para que os repasses sejam regulares. Que os Estados apliquem os 12%, e os Municípios, os 15%! É claro que, diante da situação de defasagem, nesse processo de regulamentação, poderemos fazê-lo paulatinamente. A própria regulamentação, Presidente Narcio Rodrigues, pode estipular o prazo para que os Estados atinjam a meta de 12%. 156 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Não adianta querermos que um Estado que hoje aplica 5% tenha condição de fazer no orçamento seguinte a aplicação de 12%. Podemos, na regulamentação, estabelecer um período para que a União, os Estados e os municípios possam adequar-se, fazendo valer a Emenda Constitucional nº 29. E mais ainda: em relação ao qualitativo, vemos que vários Estados embutem, para efeito de prestação de contas, gastos que não são tipicamente de saúde no âmbito do SUS. Um exemplo: gastos com alimentação popular a baixo custo. Tudo bem, alimentação popular é importante, mas não pode ser computada no orçamento da saúde. Outro exemplo: aposentadorias de ex-funcionários de hospitais públicos e até de hospitais militares. Tudo bem, mas isso faz com que sejam sonegados os recursos que são imprescindíveis e necessários à consolidação do Sistema Único de Saúde. Esse é mais um tema que vive sob a retórica desta Casa. Não conseguimos fazer a consolidação por pressões várias: às vezes, da área econômica das 3 esferas de governo, sobretudo da federal e da estadual. Precisamos regulamentar a Emenda Constitucional nº 29 para garantir que os recursos aprovados sejam realmente aplicados na área da saúde e para evitar maquiagem orçamentária. Esporte também é saúde. Então vamos colocar isso no orçamento da saúde e apresentar ao Ministério. Tenho a consciência de que todos os que reconhecem a necessidade de melhorarmos a área da saúde estarão conosco nesse mutirão para conseguirmos a regulamentação. Agradeço ao Presidente Narcio Rodrigues a oportunidade e aos Deputados os apartes, seguramente mais brilhantes do que a minha fala. 157 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Conclamo todos os Parlamentares para nos unirmos em torno da reforma política e da regulamentação da Emenda Constitucional nº 29. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Cumprimento o ilustre Deputado Saraiva Felipe pelo brilhante e oportuno pronunciamento. S.Exa. tratou de 2 temas da atualidade, reforma política e regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, com muita propriedade e experiência, trazendo reflexões absolutamente fundamentais para o enriquecimento do debate. 158 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado João Maia, que disporá de 20 minutos na tribuna. O SR. JOÃO MAIA (PR-RN. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo pela primeira vez a tribuna desta Casa para, antes de mais nada, agradecer a Deus, ao povo do meu Estado, o Rio Grande do Norte, e especialmente aos 193.296 eleitores que me deram a terceira votação proporcional do Brasil. Venho aqui para reafirmar os compromissos assumidos na campanha com o povo do Rio Grande do Norte e as minhas convicções pessoais adquiridas ao longo da vida. O primeiro compromisso que assumi, colegas Deputados e Deputadas, é de ordem moral: não envergonhar nenhum dos meus eleitores, honrar cada voto que recebi com trabalho, decoro e determinação. O segundo foi o de lutar pela geração de emprego e renda e pelo desenvolvimento das nossas potencialidades e vocações econômicas. O terceiro compromisso, assumido com os Prefeitos do meu Estado — todos, sem exceção, municipalista que sou — e com a Governadora Wilma de Faria, foi o de não medir esforços para ajudá-los em qualquer missão que signifique melhoria de vida para o povo norte-rio-grandense. Quanto às minhas convicções, destaco a principal delas: a de que fora do mundo do trabalho não há liberdade para homens e mulheres. Venho aqui também para agradecer ao meu partido, o Partido da República, por abrigar minhas idéias e meus ideais; aos meus companheiros de partido, na pessoa do nosso Líder, o Deputado Luciano Castro; ao Deputado Valdemar Costa Neto, por ter-me cedido este horário que de direito lhe pertencia; ao Presidente da 159 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Casa, Deputado Arlindo Chinaglia, por ter-me indicado Relator do projeto sobre a Lei do Gás, de muita importância para o País, um grande desafio para um Deputado de primeiro mandato; e ao Deputado Wellington Fagundes, Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, por ter-me indicado para relatar o projeto de lei sobre os portos secos. Mas a principal razão de eu estar aqui, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é a defesa de uma tese, e vou tentar fazê-la com a maior clareza possível. A minha tese é a de que o modo pelo qual o nosso sistema político-eleitoral está organizado, fazendo-nos viver quase num estado de eleição permanente, e o ambiente generalizado de infidelidade partidária, com conseqüências negativas para a credibilidade dos políticos perante a opinião pública, geram não só uma ameaça à democracia no longo prazo — repito, no longo prazo —, como também concorrem para as baixas taxas de crescimento e de geração de emprego que experimentamos hoje, impedindo o desenvolvimento econômico sustentável do nosso País. Portanto, o Congresso Nacional precisa discutir nossa organização político-partidária, que é um impedimento ao nosso processo de crescimento, de desenvolvimento, de geração de emprego e renda sustentável no longo prazo. O Brasil precisa aproveitar o momento especial pelo qual estamos passando, precisa aproveitar o fato de que exorcizamos fantasmas do passado, que durante anos atormentaram nossos corações e nossas mentes. A inflação foi controlada e, ainda que exija eterna vigilância para ser mantida nos atuais patamares, deixou de ser um temor cotidiano. Foi uma luta árdua de várias gerações. As crises externas, 160 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 com suas moratórias e constrangimentos, são hoje má lembrança de tempos não tão distantes. Se, de um lado, é verdade que o Governo do Presidente Lula manteve a estabilidade econômica conquistada pela sociedade brasileira a duras penas, praticando uma política econômica ponderada, evitando precipitações e inovações perigosas, e, de modo inquestionável, implementou programas sociais compensatórios que tiraram milhões de brasileiros da linha da miséria, é igualmente verdade, de outro lado, que as taxas de crescimento e de geração de emprego formal ainda não condizem com o potencial que temos no Brasil nem com a atual situação mundial. Vivemos um momento especial na economia global: assistimos a um crescimento sincronizado das economias desenvolvidas, criando-se um ambiente propício ao crescimento. Mas o Brasil está perdendo posições no processo de geração de riquezas. Se, nas décadas de 60 e 70, éramos a segunda grande economia que mais crescia no mundo, apresentamos atualmente desempenhos precários. Nos últimos 12 anos, crescemos sistematicamente menos que os países em desenvolvimento. Temos crescido menos que os países considerados desenvolvidos. Nos últimos 4 anos, enquanto os países em desenvolvimento cresceram, em média, 7,3%, o Brasil cresceu apenas 3,3%! Outro exemplo emblemático: o PIB per capita da Coréia do Sul, que, em 1980, era quase a metade do PIB per capita brasileiro, hoje é simplesmente 3 vezes maior. Os dados comparativos indicam que, em escala mundial, nossa carga tributária é muito alta, enquanto que nossos gastos em infra-estrutura são muito 161 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 baixos. O investimento total do País, somando o público ao privado, está em menos de 20% do PIB — já foi de 25%. A combinação de carga tributária elevada, juros muito acima do padrão internacional e a baixa capacidade de investimento do Governo, seja federal, seja estadual, seja municipal, são fatores que restringem o nosso crescimento econômico. Urge, Sr. Presidente, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento — que aplaudimos — criar uma política sistemática e duradoura de atração de investimentos privados, especialmente para o setor de infra-estrutura. Sr. Presidente, os índices que avaliam a educação no Brasil, principalmente nas escolas públicas, também não são nada animadores. Torcemos para que o chamado PAC da Educação, lançado pelo Governo Lula, possa reverter esse quadro, igualmente uma das razões de constrangimento do nosso processo de crescimento econômico. Falo em nome do povo do Rio Grande do Norte que me elegeu. Acredito que é chegada a hora de se pensar o futuro de forma diferente, criando-se os fundamentos de um desenvolvimento sólido e seguro, levando-se em conta as grandes questões mundiais, como o aquecimento global e a diversidade dos problemas de ordem local, assegurando-se novos avanços e o aperfeiçoamento da nossa democracia. É certo, senhoras e senhores, que as dificuldades decorrem de processos complexos, que vêm de muito longe e têm múltiplas causas. Mas quero chamar a atenção para o descrédito nas instituições, pois creio ser esse um ponto crucial que, de certa forma, precede os demais. O Sr. Átila Lins - V.Exa. me concede um aparte, Deputado João Maia? 162 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOÃO MAIA - Com o maior prazer. O Sr. Átila Lins - Deputado João Maia, quero primeiro enaltecer o pronunciamento de V.Exa., uma das figuras que detém grande conhecimento nessa área e que traz a todos do Congresso Nacional profunda reflexão do quadro nacional. V.Exa. vem à tribuna, no Grande Expediente, e faz uma síntese dos problemas enfrentados pelo País. Todos ficamos atentos às suas posições. Quero destacar essa preocupação e dizer, Deputado João Maia, que todos nós torcemos para que o Plano de Aceleração do Crescimento obtenha os resultados almejados pelo Governo. Ainda há pouco V.Exa. mencionava isso. Das diversas medidas provisórias que apreciamos, só falta ser aprovada uma delas, que faz parte do PAC. Com sua aprovação, vamos formar esse eixo de ação e tentar melhorar o crescimento econômico do Brasil. Não podemos admitir que o índice de crescimento do Brasil continue a ser superior apenas ao do Haiti. Conforme pesquisa do IBGE, parece que esse índice melhorou um pouco, mas ainda consideramos muito baixo o índice de crescimento do Brasil. V.Exa. fala em educação. Também estamos na expectativa de que as medidas anunciadas ontem pelo Presidente Lula — são mais de 18 medidas para fazer com que a qualidade da nossa educação seja ímpar — alcancem os objetivos propostos. Toda a sociedade brasileira será beneficiada com isso. Parabéns a V.Exa. pelo pronunciamento. O SR. JOÃO MAIA - Muito obrigado, nobre Deputado. Depois de muitos anos, conseguimos colocar o crescimento econômico nas discussões. Não se trata mais de plano de estabilização, de pagamento da dívida externa, mas de criação de emprego e renda no Brasil. O Sr. Paulo Maluf - Permite-me V.Exa. um aparte? 163 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOÃO MAIA - Com todo o prazer, Deputado Paulo Maluf. O Sr. Paulo Maluf - Quero cumprimentar V.Exa., Deputado João Maia, pelo seu discurso cristalino, transparente. Como diria o inglês, right to the point, direto ao ponto. A combinação, como V.Exa. muito bem diz, entre juros altos, poupança baixa e carga tributária alta é explosiva, anticrescimento econômico. Na China, por exemplo, a carga tributária é de 17% sobre o PIB, e lá, em 10 anos, entre 1995 e 2005, o PIB cresceu 160%. Houve distribuição de renda. Enquanto o PIB cresceu 160%, a classe média cresceu 1.100%. Hoje, os Estados Unidos têm a maior exportação, 1 trilhão e 30 bilhões de dólares. Lá, a carga tributária é de 21%, e o juro é de 5%. Meu caro Deputado João Maia, eu visitei a Alemanha depois da Segunda Grande Guerra, aos 20 e poucos anos. Na maioria das cidades, não havia pedra sobre pedra, era um campo de futebol. A Alemanha teve desmanteladas suas fábricas, que foram levadas para a União Soviética ou para os Estados Unidos. Seus maiores valores também deixaram o país, como Wernher von Braun, inventor da V1e da V2, que foi trabalhar na NASA. Da Alemanha, só sobraram alguns alemães. Hoje, a Alemanha é o terceiro país do mundo, economicamente falando, e o maior exportador mundial. Ela exporta 1 trilhão e 100 bilhões de dólares por ano. Concordo com V.Exa., Sr. Deputado, crescer 4%, 4,5%, 5% ao ano também me deixa muito triste. Na verdade, temos de crescer 7%, 8%, 9%, 10% ao ano. Isso, sim, é o que desejamos para os nossos netos. Obrigado, Deputado João Maia. Felicito V.Exa. pelo seu discurso. O SR. JOÃO MAIA - Muito obrigado, nobre Deputado Paulo Maluf. O Sr. Max Rosenmann - Deputado João Maia, gostaria que V.Exa. me concedesse um aparte. Serei breve. 164 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOÃO MAIA - É claro, meu Presidente. O Sr. Max Rosenmann - Na verdade, meu aparte é um rápido testemunho da convivência que estou tendo com o Deputado João Maia, novo na Casa, mas que já deu grandes contribuições ao País. O Deputado João Maia foi Secretário do Ministério da Fazenda, é uma das pessoas que mais conhece de economia e finanças nesta Casa. S.Exa. está aqui, em nome do povo do Rio Grande do Norte, trazendo a inteligência nordestina e a sua experiência em busca de soluções. Recentemente, Deputado João Maia, estive em seu Estado e percebi a admiração que V.Exa. desperta naquele povo. Estou tendo a felicidade de tê-lo como colega na Comissão Especial que trata da Lei do Gás. Posso garantir ao povo brasileiro que nos próximos dias teremos um relatório maravilhoso, feito por V.Exa., com conhecimento econômico, jurídico, fruto do seu estudo e trabalho. V.Exa. não é uma pessoa de palavras que são jogadas ao vento e que usa a tribuna da Casa para enganar o povo brasileiro. V.Exa. veio a esta Casa trazer sua experiência. Em breve, o povo brasileiro saberá perceber as grandes contribuições que o Deputado João Maia está dando ao nosso País. Muito obrigado. O SR. JOÃO MAIA - Obrigado, Deputado Max Rosenmann, por suas palavras. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a discussão sobre a reforma política está nas primeiras páginas dos jornais. Corretamente, políticos e analistas têm chamado a atenção para um problema democrático essencial: o nível de confiança nas instituições. Parlamentos com baixo nível de credibilidade são extremamente vulneráveis e põem em risco a sustentabilidade da democracia. E o nosso está num 165 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 ponto crítico. Nas pesquisas realizadas, o Legislativo, dentre as instituições brasileiras, apresenta os índices mais baixos de confiança. Devo ressaltar o esforço, Sr. Presidente, que a Mesa vem fazendo para reverter esse quadro. Quero aqui afirmar que, de fato, não há outro caminho a não ser o trabalho árduo e permanente dos homens e das mulheres livres que representam o povo brasileiro nesta Casa. No entanto, existe um outro ponto que é menos destacado nos debates, cuja importância quero assinalar aqui, retomando o nexo com os desafios econômicos que estão colocados para o País. Nossa organização político-partidária e eleitoral tem-se revelado incapaz de sustentar um projeto de desenvolvimento viável no longo prazo. A lógica política, Deputado Vicentinho, meu conterrâneo, produzida por esse sistema faz com que as decisões sejam tomadas em função dos apertados calendários eleitorais, que praticamente emendam uma eleição na outra. As reformas necessárias, reformas para o futuro, mudanças estruturais, são muito difíceis de ser processadas por um sistema que está virtualmente amarrado à lógica do curto prazo. Acredito que aqueles que, como eu, defendem as chamadas reformas estruturantes — a do Judiciário, a previdenciária, a tributária, entre outras —, aqueles que querem fazer reformas estruturantes no País devem dedicar-se e priorizar especialmente a reforma política. Não acredito, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que possa permanecer essa situação em que, mal se sai de uma eleição para Governador, se entra numa 166 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 eleição para Prefeito. Há políticos muitas vezes injustamente criticados por, devido ao instinto de sobrevivência, defenderem esse estado de permanente eleição, não vislumbrando a situação do Brasil daqui a 10, 15, 20 anos. É necessário pensarmos numa reforma política capaz de propiciar horizontes amplos para a nossa democracia e para o planejamento do nosso desenvolvimento. O primeiro passo a ser dado, na minha opinião, deve ser a unificação de todas as eleições, em todos os níveis da Federação. Esse é um ponto essencial para desfazer a lógica do imediatismo e criar condições para que o debate político e a agenda de decisões se voltem para questões mais complexas, que exigem tempo para ser aprofundadas e amadurecidas. Explico: no sistema atual, nem bem se assumem os mandatos, um quinto dos Deputados — isso é estatística — volta-se para as campanhas das Prefeituras. Os que não são candidatos também não podem ficar indiferentes ao pleito, pois necessitam acompanhar os interesses e as definições eleitorais que ocorrem em suas bases. As administrações, em todos os níveis, municipal, estadual e federal, também são reféns da perene negociação de interesses imposta pelos compromissos eleitorais, que nem sempre condizem com os maiores interesses da população brasileira. É necessário sair desse estado de eleição permanente, para permitir que as administrações possam estabelecer um cronograma de obras e projetos de mais longo alcance. Acredito que a coincidência dos pleitos contribuirá para maior clareza do quadro político e do quadro partidário, no sentido de as alianças poderem ser 167 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 organizadas, desde a base, em torno de programas e interesses mais bem definidos. Essa proposta é fácil de implantar por causa dos avanços na informatização do processo de votação. A coincidência dos mandatos, com o fim da reeleição, e a fidelidade partidária são, a meu ver, o caminho mais certeiro para uma questão fundamental para o futuro de nossa democracia: o barateamento das campanhas eleitorais. É comum se ouvir dizer isto: quanto mais eleições, melhor para a democracia. É verdade que, nos anos que se seguiram ao fim do autoritarismo, a sociedade brasileira parecia convencida de que essa proposição era verdadeira. Hoje, no entanto, consolidada a via eleitoral para o acesso ao poder nos cargos de chefia do Poder Executivo, pode-se ver que esse é um temor descabido. Não é necessário manter a quantidade, mas sim melhorar a qualidade das eleições. Nem devemos pensar que a política só existe nos partidos ou que as únicas eleições importantes são as relativas aos Poderes Executivo e Legislativo. O País viu crescer, nas últimas décadas, uma robusta rede de associações, sindicatos, conselhos comunitários, ONGs, com ampla participação política, em que se mantém vivo o debate e a disputa de propostas, o que oxigena permanentemente a vida política do País. Assim, a coincidência das eleições e o instituto da fidelidade partidária são pontos básicos para o fortalecimento dos partidos políticos. E, como todos sabemos, não há democracia duradoura sem partidos. Além do mais, a coincidência dos mandatos, com o fim da reeleição, e o fortalecimento dos partidos políticos são, de fato, o caminho mais curto para o barateamento das eleições. 168 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, as medidas que proponho são as que me parecem capazes de fazer nossa democracia se assentar em bases mais sólidas e, ao mesmo tempo, de nos fazer pensar o Brasil sem abandonar os problemas imediatos, mas com o olhar voltado para o futuro, com o propósito de assegurar prosperidade e qualidade de vida às novas gerações. Muito obrigado, Sr. Presidente. 169 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Antes de conceder a palavra, pela ordem, ao Deputado Clodovil Hernandes, por 3 minutos, para um comunicado, registro a presença do ex-Deputado José Maurício Linhares, do Rio de Janeiro, e também, nas galerias, de 26 jovens da região de Ribeirão Preto e Sertãozinho, São Paulo, integrantes do Núcleo de Jovens Empreendedores, liderado pelo Sr. Willian Marchiori, acompanhados pela Sra. Adriana Fagundes. (Palmas.) Agradeço ao ilustre Deputado Duarte Nogueira por acolhê-los, em nome da Casa, nessa visita ao Congresso Nacional. Sejam muito bem-vindos à Câmara dos Deputados! 170 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CLODOVIL HERNANDES - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CLODOVIL HERNANDES (Bloco/PTC-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, funcionários da Casa, solicito a todos um minuto de atenção para que ouçam uma explicação que sei que será difícil. Quando somos acusados de algo, o que acontece? As pessoas que ficam sabendo da acusação não tomam conhecimento das arrumações existentes por trás dela, e, mesmo que o acusado seja inocente, quem lê a notícia da acusação nem sempre lê o desmentido. Domingo, estreei novo programa de televisão. Gostaria que todos os senhores e senhoras soubessem que exigi da emissora que a primeira hora do programa, ou seja, de 20h às 21h, fosse destinada à defesa da Casa, que, de certa forma, é sempre vilipendiada, pois sobre ela só se ouve falar de coisas desonestas e de defeitos, muito pouco das suas qualidades. Ninguém vai me dever nada, porque eu não quero nada. Eu acho justo defendê-la, uma vez que aqui fui bem recebido. Mas, mesmo que não o tivesse sido, eu o faria do mesmo jeito, porque não tenho por hábito retribuir grosserias. Isso não faz parte do meu espírito, nem da formação que recebi da minha família na minha casa. Estou aqui neste momento para justificar algo que aconteceu na semana passada. Tornei-me garoto-propaganda da Câmara dos Deputados. Acontece algo, e a mídia corre atrás de mim para saber notícia. Mas isso foi conquistado com trabalho e não com desonestidade. Tenho 500 mil votos para me defender, votos pelos quais paguei R$26,70 na primeira etapa e 14 mil reais na segunda etapa. Por quê? Eu acredito numa política de nome, tradição, família. Creio que aqui há muita gente 171 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 assim. Mas o que se fala sempre é aquela maldição de que há gente vendida, que pega dinheiro para depois ter de pagar, gente que faz coisas erradas porque está comprometida. E hoje em dia o dinheiro não é correto como era antigamente. Todas as coisas que eu sei... Eu não sou analfabeto, não sou imbecil. Estou aqui porque muitas pessoas me escolheram, eu quero fazer justiça a essa escolha. Eu disse na semana passada que as mulheres estão perdendo referência, estão trabalhando deitadas e descansando em pé. O que eu quis dizer com isso? Não todas as mulheres, porque isso é... (Pausa.) Se a senhora quiser falar, eu deixo. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Por favor, não estamos no Grande Expediente, fase em que se pode conceder apartes. A palavra está garantida ao orador. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Desculpe-me, mas as pessoas fazem tudo para ser notícia, e não é assim que a gente se torna notícia. Eu cresci enfeitando as mulheres, tenho consciência disso, e foi só por isso que eu cheguei aonde cheguei. Os meus votos são das mães de família, das pessoas que acreditam na televisão limpa que eu sempre fiz. Agora, é evidente, agradar a todos é impossível. Se Jesus não agradou, por que eu, um pobre mortal, agradaria a todos? Pois bem, eu disse isso para defender as mulheres. Não me digam que uma moça que vai fazer filme pornô pode servir de referência na televisão. A SRA. CIDA DIOGO - Mas dizer que todas ficaram ordinárias? O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - A palavra está com o orador, por favor, ilustre Deputada. Depois V.Exa. pode conversar com seu nobre colega. 172 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Por favor, conclua, ilustre Deputado. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Em uma entrevista de televisão, se todos falarem ao mesmo tempo, ninguém se entende. Disse isso quando cheguei aqui. Infelizmente, trouxe o artista junto comigo e achei estranho que as pessoas fizessem tanto barulho quando alguém falava. Mas posso dizer, religioso que sou, por acreditar em Deus, que em cada poltrona vazia dessa há uma pessoa que os outros não vêem, mas eu vejo. São pessoas que já não estão aqui, e podem nos nortear para fazermos as coisas do jeito que temos de fazer. Por que não acreditar nisso? Eu tenho que ouvir uma coisa que não foi dita dessa maneira? A senhora precisa do meu apoio? Use-o, por favor. Tanta gente usa o meu apoio. Tem muita gente que nunca me pagou e que fala bobagem. A SRA. CIDA DIOGO - Eu tenho meu próprio apoio. Eu luto pelo meu direito. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Eu sei. Eu conheço bem o andamento... Quando eu estava com câncer no hospital, a senhora foi me visitar? O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Ilustre Deputada, oportunamente, concederei a palavra a V.Exa. Não é momento de debate. Peço desculpas aos oradores. Repito: não é momento de debate. Oportunamente V.Exa. vai poder pronunciar-se. O ilustre Deputado Clodovil Hernandes pediu 3 minutos para fazer um esclarecimento. Vou garantir-lhe a palavra para que conclua seu comunicado ao Plenário. Dentro de instantes daremos início à Ordem do Dia. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Muito obrigado. 173 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 De qualquer maneira, todo mundo sabe que eu luto pelas mulheres. Mas há mulheres de todo tipo, como há homens de todo tipo. Quando eu me percebi homossexual, minha senhora, eu parei e olhei para a direita e vi os travestis que vilipendiam as mulheres. Em nome da beleza, que é Deus, viraram para lá. E, deste lado esquerdo, estavam Leonardo da Vinci, Garcia Lorca, Santos Dumont. Eu virei para a esquerda. A senhora vire para o lado que quiser. Eu jamais vilipendiaria o nome das mulheres. A SRA. CIDA DIOGO - Tenho direito a resposta. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - V.Exa. terá oportunidade. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Querida, a senhora tem um programa, com duração de 1 hora, aos domingos, de graça — eu não trabalho só por dinheiro —, para se defender e dizer o que quiser. Eu convido a senhora para participar do meu programa, quando poderá me atacar. Esse é um direito seu. A SRA. CIDA DIOGO - Não quero atacá-lo. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Não, a senhora está aqui me fazendo um favor. Por favor, minha senhora. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Quero, por favor, pedir ao ilustre orador que conclua seu pronunciamento, porque este não é momento de debate. O SR. CLODOVIL HERNANDES - Exatamente. Tenho visto exatamente isto. Desnecessariamente, hoje, numa Comissão, eu disse que não adiantava discutir sobre faculdade, quando na verdade precisamos de homens instruídos. “Ah, mas e o dinheiro?” Bem, o dinheiro, esse é um outro trajeto que não me diz respeito. O que me interessa são as pessoas. Eu só posso falar bem porque o meu pai me deu essa 174 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 chance: “Você vai estudar, é a herança que eu vou deixar para você”. Eu verbalizo bem por isso. Então, o que interessa é a criança que precisa da escola. Problemas pessoais resolvemos de outro jeito. Muito obrigado. 175 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. CIDA DIOGO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem, fui citada. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Vamos oferecer oportunidade à ilustre Deputada Cida Diogo, que foi citada, de fazer uso da palavra. S.Exa. dispõe de 1 minuto. A SRA. CIDA DIOGO (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, peço a V.Exa. que seja transcrita nos Anais da Casa esta matéria em que constam palavras do Deputado Clodovil Hernandes. Somos 45 mulheres Deputadas, formamos aqui uma bancada feminina que tem procurado atuar da forma mais unitária possível. No dia 8 de março, buscamos garantir a aprovação de leis que defendam nossas meninas exploradas sexualmente. Temos discutido nesta Casa projetos para defender os direitos das mulheres. Dessa forma, não é possível ler matéria em que é dito, textualmente, isto: “As mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone e hoje em dia as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé. A gente não pode concordar com esse tipo de coisa”. Não podemos concordar com que um Parlamentar se refira às mulheres brasileiras dessa maneira. Tenho certeza de que a nossa bancada feminina vai exigir desta Casa uma posição à altura para defender de fato as mulheres do nosso País, que merecem respeito. É só isso que desejamos. Não queremos atacar ninguém, mas não queremos ser atacadas. Queremos ser respeitadas neste País. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - V.Exa. tem toda a razão. MATÉRIA A QUE SE REFERE A ORADORA 176 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 (INSERIR DOCUMENTO DETAQ DE PÁGINAS 177 A 177-A) 177 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CARLOS ALBERTO LERÉIA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CARLOS ALBERTO LERÉIA (PSDB-GO. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estou aguardando a aprovação do requerimento de realização de sessão solene em homenagem ao centenário da cidade goiana de Anápolis, no dia 2 de agosto. Nesta oportunidade, porém, parabenizo aquele município pela inauguração da fábrica da Hyundai no Brasil, no dia 20 deste mês. Serão investidos nessa primeira etapa 500 milhões de reais. Haverá a criação imediata de mil empregos diretos, e até o final deste ano 6 mil empregos serão oferecidos. A previsão é de que até 2010 a CAOA invista 1,2 bilhão de reais no projeto de Anápolis e gere 40 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Vale ressaltar que, atualmente, Goiás tem um índice de desemprego menor que a média nacional. Há cerca de 3 anos estive, juntamente com a equipe de Goiás, chefiada pelo então Governador Marconi Perillo e pelo Vice-Governador à época, Alcides Rodrigues, na sede mundial da Hyundai, na Coréia do Sul, para conhecer a fábrica e a linha de produção, de onde se originou todo o projeto a ser implantado no Estado. Graças aos nossos esforços, os empresários foram convencidos a ir para Goiás e não para a Bahia, conforme estava previsto. Por isso, não posso deixar de celebrar, neste momento, mais um marco de desenvolvimento para a cidade de Anápolis e para o Centro-Oeste. 178 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 É importante ressaltar que a Hyundai não é a primeira indústria de carros a se interessar por Goiás. A Mitsubishi já está em Catalão desde os anos 90, gerando empregos e apostando em nosso desenvolvimento. Vivemos em nosso Estado um boom de investimentos, o que não era visto desde a década de 60, com a transferência da Capital para o Centro-Oeste. Seguindo essa linha, a Hyundai optou por Goiás, especificamente por Anápolis, por conta dos incentivos oferecidos pelo Governo e também por questão geográfica. A cidade está entre 2 importantes mercados de consumo: Brasília e Goiânia. Anápolis ainda está se constituindo num porto seco dos produtos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e localiza-se a um raio de mil quilômetros dos grandes centros, que respondem por 70% do mercado consumidor do País, podendo atender São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. A fábrica também investe acreditando no desenvolvimento que trará a construção da Ferrovia Norte—Sul, que ligará Anápolis ao Nordeste. O agronegócio também contribuiu com a atração da nova Hyundai. Tanto é que o primeiro modelo que será fabricado é o caminhão HR, com capacidade para transportar 1,8 tonelada. Ele será vendido por 42 mil reais, dinamizando o mercado nacional da categoria. O jornal Diário da Manhã publicou expressiva matéria sobre o assunto, que transcrevo a seguir para que fique registrada nos Anais desta Casa. Mais uma vez, parabenizo Anápolis pelo crescimento contínuo, na certeza de que teremos ainda muito o que celebrar. Era o que tinha a dizer. MATÉRIA A QUE SE REFERE O ORADOR 179 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 “Hyundai: um novo salto para Anápolis por Pedro Bittar Diário da Manhã - GO Da Redação 22/04/2007 - 12:02 É uma revolução para Goiás, mas nada que Anápolis, um celeiro quase centenário da economia goiana, não esteja acostumada Anápolis completa 100 anos no próximo dia 31 de julho. Só que o presente veio antecipado e em forma de desenvolvimento. Foi inaugurada anteontem a fábrica da Hyundai, montadora sul-coreana, em parceria com o Grupo Caoa, capitaneada pelo empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade. A montadora, segunda a se instalar em Goiás, vai investir R$1,2 bilhão até 2010, com a geração de 6 mil empregos. É uma revolução para Goiás, mas nada que Anápolis, um celeiro quase centenário da economia goiana, não esteja acostumada. Anápolis, brinco com os amigos, o ‘Trevo do Desenvolvimento’, está para Goiás o que Goiás está para o Brasil no que se refere à logística. A cidade fica entre Goiânia e Brasília, muito antes de existir as duas capitais, goiana e federal, além de ser o ponto-chave do cruzamento do caminho da produção de vários pólos de desenvolvimento. A Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), de 1936, é pioneira, como a Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), e são as precursoras das lideranças classistas do Estado. Tivemos na história desta cidade vários momentos de explosão do crescimento. Destaco a história ferroviária de Goiás, que passa seus trilhos por Anápolis; a força histórica no setor atacado-distribuidor, sendo referência nacional, que vem desde tempos remotos e ainda prevalece; o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), inaugurado em 1976, que na década de 80 já era uma realidade, sendo hoje o principal distrito empresarial do Centro-Oeste; o Porto Seco, um divisor de águas da economia exportadora de Goiás; e, na década de 90, quando a cidade passa a ser a capital do medicamento genérico do Brasil, com a formação rápida de um polo farmacoquímico. Agora, a Hyundai. Com a meta de produzir 130 mil veículos por ano, os investidores justificaram que escolheram Goiás para a nova linha de montagem 180 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 porque assim ficariam num raio de mil quilômetros dos grandes centros, que respondem por 70% do mercado consumidor do País. É a logística definindo o rumo dos negócios no País e Goiás só tem a ganhar. Anápolis é o centro industrial de Goiás e os exemplos para justificar este título não faltam. São cem anos de história empresarial. E, na próxima década, a Ferrovia Norte—Sul vai dar o novo salto a uma economia que nunca parou. Pedro Bittar é empresário e presidente da Acieg.” O Sr. Narcio Rodrigues, 1º Vice-Presidente, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Arlindo Chinaglia, Presidente. 181 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ÁTILA LINS - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ÁTILA LINS (Bloco/PMDB-AM. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sras. e Srs. Deputados, ontem, fui recebido em audiência pelo Ministro dos Transportes, Senador Alfredo Nascimento, na companhia do Prefeito Iran de Souza Lima, de Boca do Acre, do Presidente da Câmara de Vereadores do Município, Jansen Almeida, e dos Vereadores Ecivaldo Nascimento e Eliezer Fonseca. Do encontro com o Ministro, saímos convictos de que o trecho de 100 quilômetros existentes no Estado do Amazonas da BR-317, que liga Boca do Acre a Rio Branco, Capital do Acre, vai ter finalmente concluída a sua pavimentação. É uma reivindicação antiga, que vai resolver o problema mais crucial da população de Boca do Acre. A estrada se encontra praticamente intransitável, dificultando a ida das pessoas a Rio Branco, bem como o escoamento dos produtos da região. Boca do Acre, sem a rodovia, fica praticamente isolada do resto do País. É de Rio Branco que sua população tem condição de chegar à capital do Estado do Amazonas, Manaus, e a outros pontos do País. Registro aqui que o trecho da BR-317 no Estado do Acre já está totalmente pavimentado. No encontro no Ministério dos Transportes, Alfredo Nascimento informou ao Prefeito Iran de Souza Lima e a seus companheiros que as obras de recuperação do Porto de Boca do Acre, no Rio Purus, serão imediatamente reiniciadas, logo após o período de chuvas, com a descida do nível da água. Essas obras estão orçadas em R$6 milhões e vão resolver também outro problema da cidade, que são as condições para a utilização do porto. 182 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Por fim, o Ministro Alfredo Nascimento autorizou que fosse firmado convênio entre o DNIT e a Prefeitura de Boca do Acre, no valor de R$1.000,000,00 para atender a estrada nos seus trechos mais críticos, a fim de não permitir a completa interdição da rodovia, com prejuízos incalculáveis para a população. Portanto, Sr. Presidente, tenho a registrar que foi coroada de total êxito a viagem a Brasília das principais autoridades de Boca do Acre. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 183 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Apresentação de proposições. Os Senhores Deputados que tenham proposições a apresentar queiram fazê-lo. APRESENTAM PROPOSIÇÕES OS SRS.: 184 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 VI - ORDEM DO DIA PRESENTES OS SEGUINTES SRS. DEPUTADOS: 185 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - A lista de presença registra o comparecimento de 440 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. 186 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Passa-se à apreciação da matéria sobre a mesa e da constante da Ordem do Dia. Item 1. Medida Provisória nº 351-A, de 2007 (do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 351-A, de 2007, que cria o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura — REIDI. 187 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Sobre a mesa requerimento no seguinte teor: “Sr. Presidente, requeremos a Vossa Excelência, nos termos regimentais, o adiamento da discussão por 2 sessões da Medida Provisória nº 351/07, constante do item 1 da presente Ordem do Dia”. 188 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Em votação. Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Vicentinho, que falará contra a matéria. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, somos contrários a este requerimento por 2 razões: primeiro, porque queremos que a Casa continue votando, já que agora está dando um belo recado à sociedade ao aprovar importantes projetos; segundo, porque houve um acordo, um entendimento no sentido de que deveria ser lido o relatório pela manhã para, agora à tarde, discutirmos e votarmos a matéria. Por isso, queremos votar. Somos contrários a este requerimento. 189 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado André de Paula, que falará a favor da matéria. (Pausa.) Pergunto à nobre Deputada Nilmar Ruiz vai falar pelo nobre Deputado André de Paula. (Pausa.) Para encaminhar, concedo a palavra à nobre Deputada Nilmar Ruiz, que falará a favor da matéria. A SRA. NILMAR RUIZ (DEM-TO. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, nosso partido, o Democratas, pede adiamento da votação da matéria por 2 sessões, por se tratar de medida provisória que iniciou com vários assuntos e que agora tem mais questões apensadas. Portanto, o Democratas pede o adiamento da votação por 2 sessões. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pois não. 190 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Em votação o requerimento. 191 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Os Srs. Deputados que o aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.) REJEITADO. 192 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ANDRÉ DE PAULA (DEM-PE) - Sr. Presidente, peço verificação. O SR. VICENTINHO (PT-SP) - Sr. Presidente, peço verificação. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Verificação conjunta concedida. 193 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - A Presidência solicita aos Srs. Deputados que tomem os seus lugares, a fim de ter início a votação pelo sistema eletrônico. Está iniciada a votação. Queiram seguir a orientação do visor de cada posto. 194 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LEONARDO VILELA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSDB encaminha o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pois não. O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, para orientar a bancada. Em primeiro lugar, quero dizer a V.Exa. que esta solicitação não tem nenhuma relação com a obstrução dos trabalhos. V.Exa. é zeloso e deve estar, assim como este Parlamentar, preocupado com a forma como estamos construindo legislações. Estamos criando aqui uma verdadeira fábrica de projetos de conversão. Este projeto, que tem coisas positivas, veio do Governo na forma de medida provisória, com 21 artigos. Estamos estudando o assunto há algum tempo. Ontem à noite, às 20h30min — portanto, após o encerramento da sessão —, o Relator distribuiu um substitutivo, que se chama projeto de conversão, concedendo várias generosidades, que variam de 1 real a 1 bilhão de reais. Não dá para analisá-las em curto espaço de tempo. Se V.Exa. me permitir, Sr. Presidente, vou citar só uma delas. O Relator, em um artigo, de modo até displicente (talvez nem ele saiba da repercussão que isso terá), consegue fazer com que todas as usinas de cogeração (inclui-se aí o setor sucroalcooleiro) passem a ter benefícios, independentemente de sua potência. Antes esse benefício, definido em lei, era concedido às usinas com potência de até 30 megawatts. 195 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Até para mim, que sou engenheiro, embora não esteja tão familiarizado com os cálculos, é difícil calcular rapidamente. Há uma série de benefícios, de generosidades, que vão do vale-transporte ao leite, à energia, ao vapor, ao cigarro etc. Esse projeto, na linguagem musical, é um pot-pourri. Queremos adiar a votação para que tenhamos a oportunidade de discutir a matéria. V.Exa. sabe do risco de aprovarmos uma medida provisória como a que aprovamos ontem, que sofre do mesmo mal. Com essas medidas provisórias, estamos criando, junto aos Relatores, verdadeiras fábricas de artigos, fábricas de Frankenstein. Por isso, vamos para a obstrução. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para orientar a bancada pelo Bloco Parlamentar PSB/PDT/PCdoB/PMN/PAN/PHS/PRB. O SR. MARCONDES GADELHA (Bloco/PSB-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, costuma-se dizer que o chamado Risco Brasil possui 3 componentes: infra-estrutura precária, taxa de juros elevada e carga fiscal sufocante. Ora, esta medida provisória espanca de uma só vez 2 desses elementos, que são pontos de coartação, de estrangulamento do processo de desenvolvimento econômico do País: infra-estrutura e carga fiscal. O Governo, preocupado em acelerar o processo de crescimento econômico do Brasil — uma das reclamações mais freqüentes da pauta da Oposição —, com um PIB que engatinha, que não evolui, quer desatar esse nó. Assim, incide com determinação sobre a infra-estrutura e a carga fiscal, apresenta incentivos para investimento em portos, estradas e energia, elementos fundamentais da infra-estrutura necessária à alavancagem do processo de desenvolvimento. E mais: 196 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 renuncia à tributação. Nesta medida provisória, o Governo apresenta renúncia fiscal que, num primeiro instante, chega a mais de 3 bilhões de reais; sem contar, evidentemente, o que virá a partir do próximo ano, depois de regulamentada a matéria. Não compreendemos como a Oposição pode ter pressa na retomada do crescimento econômico do País, mas procura retardar essa medida de extrema importância, urgente e crucial para que todas as outras MPs que dizem respeito ao PAC possam ter funcionalidade e harmonia. O PSB vota “não” ao pedido de adiamento. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Como vota o PV? O SR. DR. NECHAR (PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PV orienta a bancada a votar “não” ao adiamento. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Como vota o PP? O SR. CARLOS SOUZA (PP-AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, é inconcebível que nós, Parlamentares, que estamos todos os dias nesta Casa e criticamos a alta taxa tributária existente no País, presenciemos determinados partidos de oposição se contraporem a uma medida provisória como esta. Jamais iremos crescer e desenvolver se não houver incentivo e interesse por parte do Parlamento e do Executivo Federal em desonerar essa altíssima carga tributária. As empresas nacionais estão tendo uma oportunidade ímpar de serem isentas de PIS e COFINS, a fim de fazer investimentos em estradas, portos, equipamentos e modernizar suas empresas. Com isso, vamos gerar emprego e, sem sombra de dúvida, promover o crescimento do Brasil. 197 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Portanto, Sr. Presidente, o PP vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Como votam os demais Srs. Líderes? A SRA. GORETE PEREIRA (PR-CE. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, o PR encaminha o voto “não”. O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PPS considera importante votar e fazer com que os trabalhos tenham prosseguimento o mais rápido possível. O PPS encaminha o voto “não” à sua bancada. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PT vota “não”. Aproveito a oportunidade para convocar todos os Deputados espalhados pela Casa ao plenário. Venham votar logo, a fim de produzirmos o máximo possível na tarde de hoje. O SR. LELO COIMBRA (Bloco/PMDB-ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o Bloco entende serem importantes quaisquer medidas que protelem a possibilidade de vencermos as resistências com renúncias fiscais e avançarmos no investimento de infra-estrutura para o País. Nesse sentido, encaminhamos o voto “não”. Somos contrários ao adiamento da discussão por 2 sessões. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSDB tem criticado a inconstitucionalidade da maioria das medidas provisórias que atrapalham o trabalho da Câmara dos Deputados. E agora uma prática vem se tornando freqüente: a introdução de penduricalhos nessas MPs, 198 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 fazendo com que questões importantes sejam simplesmente levadas de roldão, em vez de serem discutidas e tramitarem regimentalmente nesta Casa. Repudiamos essa prática, que contribui para diminuir a importância do Legislativo. Queremos votar as medidas provisórias. Queremos contribuir, como já fizemos em relação a outras MPs, com emendas dos Parlamentares do PSDB, para que elas fossem melhores para o País. Queremos agilizar os trabalhos. Ficamos extremamente constrangidos de receber relatórios após o prazo, após protelações. Ontem, desperdiçamos grande parte do final da tarde e início da noite para votarmos e discutirmos. Hoje pela manhã a situação se repetiu. Queremos votar, sim. Queremos agilizar os processos de votação e de debate nesta Casa. Mas estamos numa posição constrangedora, porque não foi dado tempo suficiente para o debate. Votamos “não” ao adiamento, mas manifestamos a nossa posição contrária a essa prática, que consideramos prejudicial aos trabalhos da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Como vota a Liderança do Governo? O SR. BETO ALBUQUERQUE (Bloco/PSB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, recomendamos o voto “não”, evidentemente, pelo mérito. Trata-se de matéria fundamental para o desenvolvimento do País, de desonerações importantes, do ponto de vista fiscal, tão reclamadas pelo DEM e por tantos segmentos econômicos. Ademais, V.Exa., com inteligência e determinação, está apontando para uma pauta, que é aprovar o aumento do FPM. Se não avançarmos nessa agenda, não chegaremos a essa matéria que V.Exa. está, corretamente, determinado a votar. 199 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Por isso, encaminhamos o voto “não”. Estamos fazendo a nossa parte, cumprindo a nossa tarefa, exercendo o nosso mandato, dizendo “sim” ou “não” em relação às matérias, mas sem ficar nesse jogo de empurra. Não votam, enrolam, não deixam a coisa andar. Por isso, o voto é “não”. O SR. WALDIR NEVES - Pela Liderança da Minoria, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Desde que não seja muita ligeireza da sua parte, V.Exa. tem a palavra. O SR. WALDIR NEVES (PSDB-MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Objetivamente, tendo em vista que alguns partidos que compõem a Minoria, a Oposição têm posições diferentes — o PSDB tem uma; o PFL, outra —, liberamos a bancada para que cada um vote de acordo com sua consciência. 200 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RAIMUNDO GOMES DE MATOS - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RAIMUNDO GOMES DE MATOS (PSDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nas votações do dia de hoje, votei com o partido. 201 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CARLOS WILLIAN (Bloco/PTC-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, aproveito a pausa para dizer que votarei contrariando o Líder do meu partido. Há mais de 5 dias, eu e toda a bancada do Vale do Aço estamos tentando marcar reunião com o Secretário da Fazenda para uma discussão importante sobre a região, mas ele não encontra tempo para nos receber, está sempre com a agenda cheia. Enquanto S.Exa. não tiver tempo para nos receber também não teremos vontade de votar as matérias que interessam principalmente à Receita Federal. Muito obrigado. 202 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MAURÍCIO RANDS - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Maurício Rands. O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em 17 de janeiro de 1958 fundava-se, no Recife, a seção de Pernambuco da União Brasileira de Escritores — UBE, exatamente no mesmo dia em que, na cidade de São Paulo, abriam-se as portas da sede nacional da instituição. Há poucas semanas, em reunião solene na Academia Pernambucana de Letras, deu-se início às festividades que, no decorrer de 1 ano, comemorarão o Jubileu de Ouro da UBE/Pernambuco. Ao enaltecermos o meio século de trabalho e de história dessa importante associação, temos a certeza de que damos voz a todos aqueles que, em nosso Estado, testemunham o esforço e a luta de tão valiosa entidade em favor da cultura, da educação e do saber, que dignificam o ser humano e engrandecem a sociedade a que pertencemos. Justas, assim, as homenagens que se prestam à agremiação, que, merecidamente, se faz credora da nossa admiração e do nosso respeito. Com o Golpe Militar de 1964, entrou a UBE/Pernambuco em uma fase de “existência vegetativa”, durante a qual reduziu as ações e limitou-se ao funcionamento burocrático. Esse “interregno latente” encerrou-se em 1983, quando tomava corpo o processo de redemocratização do Brasil. Em 1984, uma delegação pernambucana já participaria, em São Paulo, do 2º Congresso Brasileiro de Escritores, ocasião em que se manifestou a intelectualidade pela vigência dos direitos políticos, da liberdade de expressão e da normalidade institucional. 203 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Desde então, a seccional pernambucana da UBE tornou-se progressivamente maior e mais ativa. Os mil associados que freqüentam a sede própria, no Bairro de Casa Forte, dispõem de uma biblioteca com 5 mil volumes, uma livraria, a Sala do Escritor e uma sala de aula, onde funciona, com excelente participação, a oficina literária, dirigida pelo escritor Raimundo Carrero, em que se observa, sobretudo, a presença de jovens estudantes. Idealizado pelo poeta Vital Correia de Araújo, atual presidente da UBE pernambucana, o Projeto Quarta às Quatro reúne dezenas de participantes — todas as quartas-feiras, a partir das 4 horas da tarde —, sob os frondosos pés de manga e de cajá, no terreno em que se encontra a sede. Sob a coordenação do escritor Geraldo Ferraz, poetas, ficcionistas, atores e músicos dão a conhecer o trabalho artístico e a obra literária que produzem, no decorrer de encontros a que comparecem desde autores consagrados até adolescentes que sonham com a publicação do primeiro livro. Além desse vitorioso Programa Quarta às Quatro, empreende a nossa UBE outras relevantes iniciativas, como o Projeto A ficção em Pernambuco — para divulgar os literatos da terra —, o estímulo à leitura e à produção de texto nas escolas e a interiorização da entidade, em prol dos escritores, dos alunos, dos professores e do público leitor residentes nos diversos municípios do Estado. Tantas e tão meritórias realizações se devem aos antigos e aos atuais diretores da UBE/Pernambuco, nomes de relevo como os de Paulo Cavalcanti, Carlos Pena Filho, Waldemar Lopes, Flávio Chaves, Raimundo Carrero, Geraldo Ferraz e Vital Correia de Araújo, entre vários outros. Inscrevem-se esses ilustres conterrâneos na mais nobre tradição literária pernambucana, a que pertencem 204 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Ascenso Ferreira, Mauro Mota e Osman Lins, para citar apenas alguns. São essas as razões que nos levam a participar do ano comemorativo do Jubileu de Ouro da União Brasileira de Escritores, Seção de Pernambuco. Aos diretores e aos sócios da entidade, o nosso reconhecimento e a nossa homenagem pela grande obra com que enriquecem as letras pernambucanas e fazem maior a literatura brasileira. Muito obrigado. 205 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra à Deputada Vanessa Grazziotin. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado José Genoíno. (Pausa.) Concedo a palavra à Deputada Fátima Bezerra. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Dr. Talmir. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Mendonça Prado. (Pausa.) Concedo a palavra à Deputada Maria Lúcia Cardoso. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Sabino Castelo Branco. (Pausa.) 206 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. GERSON PERES - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Gerson Peres. O SR. GERSON PERES (PP-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, vou fazer uma crítica de forma respeitosa, quanto ao desrespeito ao Regimento Interno. Não gostaria de falar nesta hora, quando estamos votando. Considero que é uma contradição os Deputados falarem sobre a matéria que está em votação. Agora mesmo, por exemplo, V.Exa., que está lutando para vencer os obstáculos de uma obstrução, colocou a matéria em votação e, depois, pediu para os Líderes indicarem como vão votar. Sr. Presidente, V.Exa. poderia ser um pouco mais duro para que os Deputados conheçam suas obrigações e venham ao plenário votar no horário. V.Exa. precisa ter tempo para cumprir essa grande missão de darmos ao Presidente da República os instrumentos de que precisa para deslanchar o Programa de Aceleração do Crescimento. Veja V.Exa. que os Deputados utilizam o tempo para falar e entram em obstrução ao mesmo tempo. O Parlamentar, na hora de votar — o Regimento Interno é claro —, deve dizer se vota “sim” ou “não”, mais nada. Mas sempre vem mais um discurso. O Deputado Álvaro Vale, de saudosa memória, percorreu o mundo e escreveu nos seus opúsculos que o Parlamento em que mais se fala no mundo é o do Brasil. Como se gosta de falar aqui! Eu gosto de falar, Sr. Presidente, mas na hora certa, regimentalmente certa! Só estou falando na hora errada para criticar o erro, porque é pela imperfeição que 207 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 ganharemos a perfeição e ajudaremos V.Exa. a sair dessa prensa de cada medida provisória levar de 4 a 7 horas para que seja enviada ao Senado Federal. Por isso eu me inscrevi para falar. Penso que estou ajudando V.Exa., porque é preciso que paremos de desrespeitar o Regimento Interno da Casa. Se o respeitarmos, abreviaremos o tempo e sairemos daqui mais cedo. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Deputado Gerson Peres, agradeço-lhe as palavras. V.Exa. mostra preocupação absolutamente sadia, dado que é o cumprimento do Regimento Interno que democratiza nossas relações internas. Mas quero, respeitosamente, fazer uma brincadeira: dizem que termos de ouvir tantos e seguidos discursos é a única maneira de o povo se vingar de nós. 208 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ILDERLEI CORDEIRO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ILDERLEI CORDEIRO (PPS-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, apresento à Casa proposta que visa estabelecer prazo maior para o registro de propriedade de arma e dá outras providências. O prazo em vigor é de 1 ano, mas na região amazônica tudo é mais complicado e temos dificuldades muito grandes para cumpri-lo. Nossos seringueiros encontram sérias dificuldades para ir de onde moram até a cidade próxima fazer o registro de suas armas. Como muitos não conseguem tempo hábil para legalizar a situação, acabam sendo prejudicados, multados, processados. Portanto, apresento projeto de lei para que o prazo para o registro de arma passe a ser de 2 anos. Muito obrigado, Sr. Presidente. 209 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vou encerar a votação. (Pausa.) Há uma reclamação do Líder Luciano Castro. Não sei se S.Exa. vai fazê-la ao microfone ou não. (Pausa.) Prefere fazer aqui mesmo. Vou encerrar a votação. Sras. e Srs. Parlamentares, como vamos votar hoje 3 medidas provisórias, é preciso estar em plenário. Esta vai ser a única vez que vou esperar. Amanhã, também haverá votação o dia inteiro, de manhã, à tarde e à noite. 210 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Está encerrada a votação. Anuncio o resultado da votação: “sim”, 3; “não”, 285; abstenção, 2. Total: 290 votos. O REQUERIMENTO FOI REJEITADO. 211 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ROBERTO SANTIAGO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ROBERTO SANTIAGO (PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, votei com a bancada na votação anterior. 212 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. URZENI ROCHA - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. URZENI ROCHA (PSDB-RR. Questão de ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, preceitua o art. 46, § 1º, do Regimento Interno: “Art. 46....................................................................... § 1º Em nenhum caso, ainda que se trate de reunião extraordinária, o seu horário poderá coincidir com o da Ordem do Dia da sessão ordinária ou extraordinária da Câmara ou do Congresso Nacional.” Ocorre que está havendo reunião no Conselho de Ética. Argumentei com o Sr. Presidente, Deputado Ricardo Izar, que havia sido iniciada a Ordem do Dia. S.Exa. deliberou que viríamos ao plenário para votar e voltaríamos para dar continuidade ao trabalho do Conselho de Ética. Isso é totalmente contrário ao Regimento. Gostaria que V.Exa. restabelecesse o cumprimento do Regimento Interno nos trabalhos desta Casa. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - A informação que tenho é de que os trabalhos no Conselho de Ética foram suspensos. É bom que todos os membros do Conselho de Ética sejam alertados de que qualquer votação, enquanto estiver havendo Ordem do Dia, será automaticamente anulada. O SR. URZENI ROCHA - Sr. Presidente, quem informou V.Exa. talvez não tenha dado os detalhes. O trabalho foi suspenso para que pudéssemos vir aqui votar. A discussão da matéria que está na pauta continuará. 213 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - V.Exa. tem razão. Vou responder de maneira mais precisa. Se neste momento a Comissão estiver funcionando, determino que encerre seus trabalhos. Se há intenção de retomar o trabalho enquanto houver Ordem do Dia, informo que isso não será possível. O SR. URZENI ROCHA - Perfeito. 214 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA. Questão de ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, com base no art. 95 do Regimento Interno e no § 4º do art. 4º da Resolução nº 1, de 2002, do Congresso Nacional, conjugado com o parágrafo único do art. 1º e com o inciso II do art. 7º da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, indago a V.Exa. se o projeto de lei de conversão pode conter matéria estranha ao objeto da medida provisória, sem afinidade. V.Exa. pode observar que, no caso desta medida provisória, o Sr. Relator introduziu cerca de 22 artigos sem sequer alterar a ementa. O § 4º do art. 4º da resolução congressual citada diz claramente: “Art. 4º....................................................................... .................................................................................. § 4º É vedada a apresentação de emendas que versem sobre matéria estranha àquela tratada na Medida Provisória (...).” Chamo a atenção de V.Exa. para o que se segue: “(...) cabendo ao Presidente da Comissão o seu indeferimento liminar.” Sr. Presidente, neste momento, V.Exa. substitui o Presidente da Comissão. Portanto, cabe a V.Exa. indeferir liminarmente a emenda que não se coaduna com a Constituição, com o Regimento Interno e com a lei complementar mencionada. 215 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Portanto, solicito a V.Exa. que, com o zelo que lhe é peculiar, determine liminarmente a exclusão, no texto proposto pelo Relator, dos artigos que são estranhos à medida provisória. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Primeiro, essa matéria já foi decidida. Segundo, houve recurso da decisão da Mesa à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Portanto, junto essa questão de ordem de V.Exa. ao recurso já enviado à CCJC para que esta se pronuncie e, a partir de sua deliberação, tenhamos a resolução final. 216 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. SUELI VIDIGAL - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. SUELI VIDIGAL (Bloco/PDT-ES. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei conforme orientação do partido. O SR. CARLOS SANTANA (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, votei com o partido na última votação. O SR. ELISEU PADILHA (PMDB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. PEDRO EUGÊNIO (PT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o PT na última votação. O SR. FILIPE PEREIRA (Bloco/PSC-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na última votação votei conforme orientação do partido. A SRA. ÍRIS DE ARAÚJO (Bloco/PMDB-GO. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, gostaria de declarar meu voto de acordo o partido, na última votação. 217 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Sobre a mesa requerimento no seguinte teor: “Sr. Presidente, requeremos a Vossa Excelência, nos termos do art. 165, § 2º, do Regimento Interno, que a discussão da Medida Provisória nº 351/07 seja feita por grupo de artigos”. Assina o Deputado Onyx Lorenzoni pela Liderança do DEM. 218 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ GUIMARÃES - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. EDINHO BEZ (Bloco/PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. MARCOS ANTONIO (Bloco/PTB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. MAURO NAZIF (Bloco/PSB-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação da bancada. O SR. LINDOMAR GARÇON (PR-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com o partido. O SR. RENATO MOLLING (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com o partido. O SR. AUGUSTO CARVALHO (PPS-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, também votei de acordo com a bancada na votação anterior. A SRA. MARINHA RAUPP (Bloco/PMDB-RO. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. CELSO MALDANER (Bloco/PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. ÁTILA LIRA (PSB-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. 219 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ELISEU PADILHA (Bloco/PMDB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o PMDB na votação anterior. O SR. ACÉLIO CASAGRANDE (Bloco/PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. FILIPE PEREIRA (Bloco/PSC-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. EDINHO BEZ (Bloco/PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. JULIÃO AMIN (Bloco/PDT-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, acompanhei a Liderança do partido na votação anterior. O SR. AUGUSTO FARIAS (PTB-AL. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, votei conforme a orientação do partido na votação anterior. 220 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para falar contra a matéria, concedo a palavra ao Sr. Deputado Vicentinho. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, a nossa posição é contrária a esse requerimento. Houve um acordo pela manhã, mas as pessoas aqui fazem acordo e não cumprem. Continua a obstrução. Isso não é possível. Queremos votar. 221 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. ÍRIS DE ARAÚJO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. ÍRIS DE ARAÚJO (Bloco/PMDB-GO. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação partidária. O SR. GILMAR MACHADO (PT-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior acompanhei a bancada. A SRA. DALVA FIGUEIREDO (PT-AP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior acompanhei a bancada do PT. 222 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. FERNANDO CORUJA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, depois que o Deputado José Carlos Aleluia falar, gostaria de fazer um requerimento verbal. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pois não. 223 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. VICENTINHO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, gostaria de informar que a Deputada Dalva Figueiredo está aniversariando hoje. 224 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (Bloco/PCdoB-AC. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o PCdoB. 225 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado José Carlos Aleluia, que falará a favor da matéria. O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA. Sem revisão do orador.) Primeiro, Sr. Presidente, é importante que fique claro: não era V.Exa. que presidia pela manhã. O acordo que o Democratas fez pela manhã com a base do Governo e que o Deputado Inocêncio Oliveira, como Presidente, contribuiu no sentido de que fosse celebrado, era o de que, diante do fato de que só ontem, após às 20h, o Relator tornou público o relatório de um projeto que continha 21 artigos e passou a conter 43, combinamos que na sessão matutina de hoje S.Exa. leria o seu relatório. Com a leitura poderia inclusive alterar alguma proposta, o que não fez. Não havia nenhum entendimento para a tarde. O que estamos pretendendo, à tarde, é dar à sociedade a oportunidade de tomar conhecimento do projeto. Imaginem, Deputados, e falo para a base do Governo, aprovarmos um projeto que contém 21 artigos inéditos, que não eram do conhecimento de nenhum Deputado, além do Relator, até a noite de ontem. Não há como, em menos de 24 horas, a sociedade tomar conhecimento dele. Existem artigos que causam impacto na vida das empresas. Um deles, por exemplo, estabelece que as empresas que vierem a participar — isso nada tinha a ver com o projeto original — de outra, criada com o exclusivo propósito de produzir eletricidade, deixam de pagar pela energia referente ao PROINFA, à CCC e a outras contribuições. Portanto, concede benefícios. Como uma empresa, no Nordeste, no Rio Grande do Sul, terá condições de assimilar de que forma essa medida vai impactar sua vida? Como as pessoas vão examiná-la? Como a competição ficará depois disso? Como o emprego ficará depois disso? 226 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 E há outro artigo bastante inocente segundo o qual a contratação da energia de reserva será paga por quem está nos ouvindo em casa, ou seja, pelo consumidor. Isso não estava no projeto, que onera o consumidor, o cidadão, desonera algumas empresas e onera outras. Por isso queremos tempo para discutir e votar artigo por artigo. Somos favoráveis a esse projeto. Sr. Presidente, apelo a V.Exa. no sentido de que temos de acabar com essa prática de o Relator trazer um projeto inédito — eu até digo, com itens positivos — e entregá-lo à noite. Não se trata de um artigo, mas de um projeto inteiro acerca de diversos aspectos. S.Exa. não muda, sequer, a ementa, não corrigiu sequer a ementa e agora quer que assimilemos isso em menos de 24 horas, e, mais do que nós, a sociedade. Portanto, é o apelo que fazemos a V.Exa. Vamos encontrar uma forma — V.Exa. e o Presidente Renan Calheiros — de discutir antes. No passado, o Governo normalmente chamava as oposições para se reunirem, às vezes, até na própria Liderança do Governo. Agora não se faz mais isso. Recebe-se a minuta, sobre a qual ninguém tinha conhecimento, de um projeto que sairá da Câmara amanhã. Sabe o que acontecerá, Presidente? O Senado terá oportunidade de mudar e melhorar tudo, algo que não pudemos fazer. Faço esse apelo a V.Exa. e peço aos pares que votem favoravelmente ao requerimento de votação artigo por artigo. 227 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. NEUCIMAR FRAGA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. NEUCIMAR FRAGA (PR-ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. SILVIO LOPES (PSDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com orientação do partido. O SR. NAZARENO FONTELES (PT-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei conforme orientação do partido. O SR. GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, também votei de acordo com o partido. 228 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Em votação o requerimento. 229 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Como votam os Srs. Líderes? O SR. ONYX LORENZONI (DEM-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, quero fazer uma proposição a V.Exa. Desde hoje pela manhã o Democratas vem chamando atenção para o grande volume de alterações que esta medida provisória recebeu. Começamos a tratar de um regime especial de estímulo a obras de infra-estrutura e passamos a tratar de vale-transporte, leite, eletrificação, dívidas rurais, cigarro, e por aí vai. Propus ao Líder José Múcio Monteiro por telefone fazermos um acordo, quem sabe, para votar o mais próximo possível do original, já que há um conjunto de medidas absolutamente inconstitucionais. Citarei um exemplo quanto aos créditos tributários. A medida provisória autoriza o Advogado-Geral da União a fazer negociações em qualquer circunstância. Ele não tem nenhum respaldo na legislação e muito menos na Constituição Federal. Outro exemplo: há uma série de matérias sobre as quais o PLV determi na à Fazenda, à Receita Pública que autorizem concessões de toda ordem. Lembro V.Exa. dos últimos vetos presidenciais ou óbices colocados pelo Governo, porque por emenda parlamentar não se pode criar determinações ao Poder Executivo. O Democratas propõe, se a base do Governo aceitar, que se retire o requerimento, se sustem os atos de obstrução desta matéria. Estava no Supremo Tribunal Federal, e o nobre Relator Celso de Mello já proferiu seu voto favorável à instalação da CPI. Aliás, a sessão será retomada em 5 minutos, pelas informações que recebi, para a votação dos demais Ministros daquela Corte. Inclusive, vou me deslocar àquele local para acompanhar essa votação. 230 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Proponho que, enquanto aguardamos os entendimentos entre o nosso Vice-Líder Deputado André de Paula e os demais Vice-Líderes do Democratas com os membros dos partidos da base, abramos a discussão, conforme V.Exa. e também o Plenário desejam, acordando que no mínimo falariam 5 e 5. Isso nos daria em torno de uma hora, que acredito ser o tempo médio necessário para os entendimentos se processarem. Então, ou construímos um entendimento, ou vamos depois para a disputa no voto, cada um defendendo sua visão política. Era essa a contribuição e a sugestão que o Democratas queria fazer. 231 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Acabou de ser feita uma proposta de acordo, e cabe à Liderança do Governo analisá-la e respondê-la. Houve um encaminhamento e, como não há ainda interstício, a Mesa porá em votação este requerimento sem prejuízo do empenho do acordo. O SR. ONYX LORENZONI (DEM-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, até num gesto de boa vontade, retiro este requerimento porque tenho a certeza de que haverá acordo, pois ele é bom para o Parlamento. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Então, vou dar o seguinte encaminhamento — veja se está no espírito da proposta de acordo de V.Exa. Poderíamos iniciar a discussão da matéria. Ao iniciá-la, a proposta de V.Exa. é que sejam 5 e 5. Portanto, V.Exa. não teria prejuízo, tampouco a base do Governo. Faz parte do processo imediato a votação desse requerimento. Enquanto há a discussão, vou fazer aqui esforços, apelos para que se busque o entendimento. V.Exa. propôs 5 e 5. Eu pergunto, para que V.Exa. também tenha informações: há um requerimento de encerramento de discussão e de encaminhamento após 3 e 3? Minha pergunta é: na proposta de 5 e 5 também poder-se-ia abrir mão dos encaminhamentos, na forma de acordo? Porque aí se discutiria... O SR. ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, justamente, a proposta de 5 e 5 para a discussão é para que possamos ter algum tempo para produzir os entendimentos necessários. Depois, teríamos o encaminhamento normal, que sempre tivemos, de 2 e 2, e, com isso, teríamos... O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Nove intervenções de cada um. 232 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ONYX LORENZONI - Algo de 1 hora, 1 hora e 10 minutos, no máximo, que seria o tempo necessário para se produzir esse entendimento e depois ir para a disputa do voto, Sr. Presidente. Às 18h começaríamos a votar. 233 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SILVIO COSTA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. SILVIO COSTA (Bloco/PMN-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, no período da manhã o Deputado Aleluia e o Deputado Onyx fizeram entendimento com a base do Governo no sentido de que agora à tarde seria colocado no processo de votação. A minha questão de ordem é a seguinte, Sr. Presidente: a proposta do Deputado Onyx Lorenzoni não cabe, porque o Relator foi à tribuna, leu o parecer e agora S.Exa. vem com essa proposta. A não ser que o Relator mude o parecer. Quero saber o que vale aqui, se o parecer do Relator continua valendo, porque, sinceramente, pelo que entendo, agora não cabe a proposta do Deputado Onyx Lorenzoni, até porque, pela manhã, ele tinha assumido o compromisso de votar à tarde. Paciência! A cada 10 minutos há uma proposta da Oposição. Gostaria de ouvir V.Exa. em relação a essa questão do parecer do Relator. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - O Relator leu seu parecer e já foi divulgado. A proposta que o Deputado Onyx Lorenzoni faz não interfere, sob nenhuma hipótese, no conteúdo do parecer do Relator. No máximo, após a votação, é que poderá haver destaque. Portanto, não interfere. Agora, pergunto se há alguém aqui em condições de responder neste momento ao Líder Onyx Lorenzoni. 234 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ GENOÍNO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ GENOÍNO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero registrar que na votação anterior votei “não”, com o meu partido. O SR. LUIZ BASSUMA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, também na votação anterior votei com meu partido. O SR. LUIZ PAULO VELLOZO LUCAS (PSDB-ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação passada votei com a bancada do PSDB. O SR. SIMÃO SESSIM (PP-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o meu partido. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Quero dizer àqueles que estão justificando voto que agora não é o momento — pode ser o pior —, por favor. 235 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Dado que o Líder do Democratas retirou seu requerimento, ele não vai a voto. Vamos dar a palavra para discussão. Enquanto isso, a Liderança do Governo e as dos demais partidos da base, mais a Liderança dos Democratas e outras Lideranças, da Minoria, do PSDB etc., verão se há alguma possibilidade de acordo nessa proposta. Qual é a proposta? Haverá 5 intervenções. 236 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LUIZ SÉRGIO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LUIZ SÉRGIO (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, a proposta apresentada pelo Líder do PFL é procedente, porque eles retiram a obstrução e haverá 5 para falar a favor e 5 para falar contra. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Haverá 18 intervenções: 9 a favor e 9 contra em cada uma das matérias. Essa é a proposta. O SR. LUIZ SÉRGIO - Vamos retirar o requerimento. Entendo que esse encaminhamento acelera a votação e há concordância da Liderança do Partido dos Trabalhadores. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vou dizer qual é o acordo. 237 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, V.Exa. disse quantas intervenções? O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Dezoito. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Não. São 14. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Catorze? O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Catorze. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - É verdade. V.Exa tem razão: são 14. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - São 10 e mais 4: são 14. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Não foi falta de conhecimento matemático: foi regimental. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Porque, na verdade, apenas respondendo ao Deputado Silvio Costa, o Relator poderá, a qualquer momento, reformular o seu parecer. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Claro, claro. 238 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Consulto o Plenário sobre se os requerimentos estão retirados. Quais são os requerimentos? Adiamento de votação, votação em grupo, artigo por artigo etc. 239 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ONYX LORENZONI (DEM-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, em homenagem ao julgamento que se faz lá no Supremo Tribunal Federal, que deverá determinar a instalação, hoje, da CPI do Apagão Aéreo, o Democratas está retirando os requerimentos apresentados nesta matéria, que tratavam exatamente da luta que fazemos pela instalação da CPI. Há também a sugestão de discussão com 5 oradores de cada lado, justamente para que tenhamos o tempo para o entendimento, porque a matéria, Sr. Presidente, tem inúmeras dificuldades. Então, quero anunciar, uma vez que foram aceitos — como o foram pelo nobre Deputado Luiz Sérgio — os termos do nosso acordo, e que V.Exa. reproduziu, Sr. Presidente, que os democratas retirarão os requerimentos. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pergunto a V.Exa.: inclusive aqueles destaques que dizem respeito ao processo de obstrução? O SR. ONYX LORENZONI - Não. Queremos votar os destaques. O que estamos retirando são todos os instrumentos regimentais que caracterizam o que conhecemos popularmente como obstrução. Isso está sendo feito em homenagem à votação que está ocorrendo no Supremo e também para permitir um tempo de entendimento, uma vez que a Medida Provisória nº 351 acabou sendo — vamos dizer — recheada com muitos temas. Vai ter de haver entendimento em nome do Parlamento, não é nem disputa entre Governo e Oposição. 240 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Claro. Preventivamente perguntei, imaginando que eventualmente pudesse haver destaques de menor significado. V.Exa. apresentou 3 destaques, todos eles de conteúdo... O SR. ONYX LORENZONI - De conteúdo importante, Presidente. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Portanto, está claro que aqui não se trata de obstrução. Trata-se de posição divergente com o parecer do Relator. 241 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vamos dar a palavra aos inscritos na matéria. Para falar contrariamente, concedo a palavra ao Deputado Antonio Carlos Mendes Thame. (Pausa.) 242 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ MENTOR - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ MENTOR (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o PT na votação anterior. A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com o meu partido. O SR. JÚLIO DELGADO (Bloco/PSB-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei de acordo com o partido na votação anterior. 243 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - O Deputado Fernando Coruja havia pedido a palavra após a manifestação do Líder Onyx Lorenzoni. Pergunto a V.Exa., dado que se produziu um acordo, se deseja pronunciar-se neste momento. O SR. FERNANDO CORUJA - Sr. Presidente, quero rapidamente fazer um requerimento não relacionado a este assunto, segundo o art. 114 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - V.Exa. quer falar agora? O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nos termos do art. 114, inciso IV, combinado com o art. 17, inciso II, alínea “c” do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, solicito a V.Exa. resposta ao requerimento encaminhado pelo Presidente Nacional do PPS, Deputado Roberto Freire, no dia 4 próximo passado, o qual pleiteia a posse dos Deputados Suplentes nas vagas pertencentes ao PPS, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral. O Regimento estabelece que V.Exa. precisa responder aos requerimentos — art. 17, inciso II, alínea “c”. Formulo o requerimento oralmente, e vou encaminhá-lo também por escrito, para que V.Exa. responda ao requerimento do Presidente do nosso partido, o PPS, a fim de que, em razão da resposta de V.Exa., possamos tomar uma ou outra medida. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - As respostas estão sendo preparadas. O PPS não foi o único partido a apresentar requerimento nesse sentido. Outros partidos também o fizeram. Até amanhã responderei, se não me engano, 3 consultas, inclusive e especialmente a do PPS. 244 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Está presente entre nós o Prefeito e ex-Deputado Federal Tony Gel, a quem sempre manifestamos as boas-vindas. 245 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra, para falar contra a matéria, ao Deputado Raul Jungmann. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Arnaldo Jardim, para falar contra a matéria. (Pausa.) Desiste. 246 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. DELEY - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DELEY (Bloco/PSC-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei de acordo com o partido. O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o Bloco. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - O Deputado Geraldo Resende está tentando dizer que votou com a bancada na votação anterior. Está dito. O SR. PASTOR MANOEL FERREIRA (Bloco/PTB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com a bancada na votação anterior. O SR. ÁTILA LIRA (PSB-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com a bancada do PSB. O SR. FRANK AGUIAR (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com a bancada do PTB na votação anterior. 247 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Leonardo Vilela, que falará contra a medida provisória. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, em primeiro lugar, ressalto a nefasta prática de encher a medida provisória de penduricalhos, ou seja, de nela incluir assuntos que não têm relação alguma com a matéria, mas que simplesmente passam despercebidos e, muitas vezes, são aprovados de roldão por esta Casa, diminuindo o valor do Legislativo. Enfim, aprovam-se interesses escusos, que não dizem respeito propriamente aos interesses nacionais. Em segundo lugar, reclamo da morosidade da apresentação dos relatórios, que são postergados e apresentados em cima da hora, dificultando a apreciação da matéria por aqueles que desejam se inteirar desses assuntos. Passo agora a tecer algumas considerações a respeito desta medida provisória. Antes, cumprimento o Relator, Deputado Odair Cunha, que se mostrou muito sensível e acessível, e, na condição de Presidente da Subcomissão Especial de Acompanhamento do PAC da Comissão de Agricultura, debateu conosco os assuntos e as emendas atinentes ao agronegócio, à agricultura e à pecuária. Quando ao art. 34 da medida provisória, que isenta produtos lácteos de PIS/ COFINS — isso faz parte do acordo —, desejamos retirar alguns dos itens propostos, por considerá-los concorrentes da indústria cooperativa dos produtores de leite do Brasil. Ou seja, deve-se manter no relatório “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado”. E no item XII do art. 34, os diversos tipos de queijos. Retira-se o 248 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 restante. Peço, portanto, a atenção do Relator Odair Cunha, para que faça essa correção. É importante notar que, ontem, este Plenário aprovou a isenção de PIS/ COFINS para lanchas recreativas e esportivas. Nada mais justo hoje do que aprovarmos a isenção de PIS/COFINS sobre produtos lácteos, que são gêneros alimentícios de primeira necessidade. Num País pobre, onde a fome causa desnutrição e morte, não podemos aceitar discriminação a produtos de excepcional valor nutricional como os que acabei de citar. No primeiro trimestre deste ano, a Receita Federal arrecadou 103 bilhões de reais com impostos, ou seja, houve crescimento real deflacionado de 10,16% em comparação ao mesmo período de 2006. O IPI e o PIS/COFINS obtiveram aumento também da ordem real de 10%. Além disso, a carga tributária no Brasil sobe a cada dia, tornando-se cada vez mais asfixiante. Torna-se imperativo, portanto, isentarmos produto nobre e fonte de alimento extremamente importante para a população brasileira. Sr. Presidente, aproveito também para comentar que, de forma geral, somos favoráveis à redução dos tributos sobre toda e qualquer cadeia produtiva, principalmente a da agricultura e pecuária. Reitero, portanto, meu repúdio à forma como vem sendo feita, por meio de penduricalhos, a votação de matérias desconexas com esta medida provisória. Isso é prejudicial ao desenvolvimento do País e ao funcionamento desta Casa. Muito obrigado. 249 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. GIVALDO CARIMBÃO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. GIVALDO CARIMBÃO (Bloco/PSB-AL Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do partido. O SR. CIRO GOMES (Bloco/PSB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do partido. 250 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Fernando Coruja, que falará a favor da medida provisória. O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, esta medida provisória procura criar o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infra-Estrutura. O PPS decidiu apoiar as medidas do PAC, para se integrar ao Governo e permitir que ele possa realmente trabalhar. Queremos deixar o homem trabalhar, para fazer o que prometeu. Mas se tornou um absurdo o que foi incluído nessa medida provisória, desde matérias relativas ao cigarro, ao leite, até ao setor elétrico, que envolve bilhões de reais, e ainda fazemos de conta que nada está acontecendo. A cada medida provisória que aprovamos no Congresso Nacional, quem sai perdendo é o povo. Quanto mais acordos forem feitos em cima da hora, mais o povo perde, porque significa incluir matérias que prejudicam a população. Estão sendo cometidos aqui verdadeiros absurdos, tais como prorrogar contratos de entrega de usinas hidrelétricas, contrariando a Lei de Licitação. Está-se permitindo aos Estados e Municípios transferir aos bancos os créditos da dívida ativa. Ou seja, a Prefeitura que dispor de IPTU em dívida ativa, com a aprovação desta medida provisória, poderá transferir esse crédito para o BRADESCO ou UNIBANCO, os quais poderão cobrar IPTU, INSS, além de vários outros impostos, de forma diferenciada. Estamos tratando aqui da vida do povo brasileiro, que terá o seu cadastro transferido para o SERASA, por dever o IPTU. E sabe-se que quem deve ao banco neste País está lascado. 251 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 E o Partido dos Trabalhadores, que várias vezes se posicionou contra isso, no Governo anterior, agora vota a favor. Mas esquecemos tudo. Estamos votando acordo após acordo. Hoje, nós que temos 1% de aceitação popular, ficaremos com imagem negativa, porque aceitamos tudo o que se faz aqui. O Governo Federal impõe medida provisória, e nós aceitamos; aqui se empurram goela abaixo quinhentas coisas na medida provisória e ninguém legisla mais nada. Esta Casa está servindo para referendar aquilo que o Executivo manda. Qualquer Relator inclui no seu parecer o que muitos querem, e referendamos sem adequada discussão. Pretendíamos votar a favor da medida provisória, mas com esses enxertos todos temos de refletir, porque estamos votando bilhões de reais para companhias hidrelétricas. Todos os dias se incluem na pauta medidas provisórias para tratar de determinado assunto e acaba-se incluindo benefícios fiscais só para empresas. No entanto, quando é para tratar de benefícios aos pobres, tal como o Fundo de Garantia para educar um filho, o Relator diz que não é permitido porque contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal e é matéria estranha à votação. Mas quando se trata de beneficiar consócio para hidrelétrica, ou beneficiar o grande capital nacional e estrangeiro, tudo pode. Dessa forma, iremos lentamente em direção ao negativo. Cabe, portanto, à Casa tomar uma posição. 252 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. SIMÃO SESSIM - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. SIMÃO SESSIM (PP-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. FLÁVIO BEZERRA (Bloco/PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. SANDRO MABEL (PR-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. COLBERT MARTINS (Bloco/PMDB-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. EDSON DUARTE (PV-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. SEBASTIÃO MADEIRA (PSDB-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. 253 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para falar contra a matéria, concedo a palavra ao Deputado Luiz Carlos Hauly. O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não há outra maneira de legislar no Brasil a não ser por medida provisória. Votei contra o instituto da medida provisória nesta Casa, alertei da tribuna da inconveniência da mudança. Mas era apenas um voto, e uma andorinha só não faz verão. Há um mundo de pendências e iniqüidades no sistema tributário brasileiro. Por isso os Parlamentares aprenderam a lutar por mudanças na legislação brasileira por meio de medida provisória. Sem dúvida alguma, entre os piores tributos que existem, no Brasil e no mundo, estão o PIS, a COFINS e o ICMS. Imaginem os senhores que o Governo tributa água e esgoto com PIS e COFINS, o que atinge toda a população brasileira. Esse tipo de medida faz com que haja um pleito permanente. Estou destacando uma emenda, de minha autoria, que isenta de PIS e COFINS o faturamento de água e esgoto, porque o Governo já arrecada demais e não precisa disso. Há uma série de erros em relação a PIS e COFINS. Por exemplo, no caso, tributa-se a exportação dos produtos semi-elaborados e originários dos grãos da agroindústria. O Brasil, no Governo passado e no atual, insiste num erro econômico. A Argentina dá um reintegro do tributo deles para a exportação dos produtos derivados de grãos; o Brasil não dá. Dez anos se passaram e a indústria transferiu suas plantas para a Argentina. O mesmo problema agora ocorre com o trigo e o biocombustível. 254 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Faço um apelo ao Relator Odair Cunha para que solucione esse problema relativo a PIS e COFINS para o setor exportador brasileiro, a fim de que se tente salvar esse setor industrial brasileiro. Apelo ao Relator para que inclua, na parte em que se trata de queijo, os cremosos. Tem o Governo ou alguém da Receita Federal algo contra os cremosos? Vai trabalhar com outros tipos de queijo, mas não com o cremoso. Esse não! Esse malvado desse cremoso será punido, bem como a pasta mofada ou com teor de umidade. Sr. Presidente, há algumas incongruências. É certo que temos de mudar tudo, porque perdemos um tempo danado tentando fazer remendos. Põe-se um band-aid aqui e outro ali. Temos de mudar a estrutura iníqua e injusta que há no País e estabelecer a tributação progressiva, de acordo com a renda. Quem tem mais paga mais; quem tem menos paga menos ou nada. Este é um país onde se tributa comida! O Brasil, devido a sua pobreza, não deveria tributar nenhum tipo de comida ou remédio. Quanto mais tributamos comida e remédio, mais atingimos as famílias pobres do País. Deixo registrado o apelo ao Relator e ao Governo para que acordem e não cometam esses erros que persistem, a fim de que os problemas sejam solucionados. Muito obrigado. 255 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. TADEU FILIPPELLI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. TADEU FILIPPELLI (Bloco/PMDB-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei de acordo com a orientação do partido. O SR. LEONARDO MONTEIRO (PT-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o meu partido. O SR CÂNDIDO VACCAREZZA (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, segui a orientação do meu partido. 256 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Moreira Mendes, que falará a favor da matéria. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Paulo Rubem Santiago. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado José Pimentel. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Zé Geraldo. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Walter Pinheiro. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Colbert Martins, que falará a favor da matéria. O SR. COLBERT MARTINS (Bloco/PMDB-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores que acompanham esta sessão, sabemos que existem problemas nesta medida provisória. Aliás, o Governo deve utilizar o mínimo possível essa forma de relação com o Congresso Nacional. Cada vez mais, devemos discutir, votar, aprovar, modificar sobretudo projetos de lei. Essa é a forma como devemos relacionar-nos com o Poder Executivo, evitando ao máximo as medidas provisórias. Essa relação precisa ser mudada, a fim de que tenhamos uma posição cada vez mais influente, sem que continuemos legislando com base em atos do Poder Executivo, que sempre se antecipa às normas e decisões. Muitas delas precisam e devem passar pelo nosso crivo. Também é preciso modificar a nossa forma de agir. O Regimento da Câmara dos Deputados dificulta a progressão e o andamento de várias das nossas matérias. Cito como exemplo o que ocorre na Comissão de Orçamento, da qual participei na Legislatura passada. A partir de dezembro, a Comissão deixa de ter uma atividade rotineira, o que impede que a Presidência da República possa, quando necessário — e é permanentemente necessário —, modificar a aplicação de seus créditos. A 257 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 partir aproximadamente do dia 20 de dezembro de cada ano, não ocorre mais reunião da Comissão de Orçamento, que deixa de fazer o que deve ser feito, e o Governo, então, no princípio do ano, normalmente emite várias medidas provisórias com relação a créditos. Precisamos realizar mudanças importantes e rápidas para que, o mais formalmente possível, tenhamos condições de, ao lado das ações do Poder Executivo, estabelecer ações legislativas relevantes e funcionais. Entendemos que esta medida provisória, em razão de a considerarmos defensável no que diz respeito às pessoas que trabalham, produzem e exportam soja, precisa e deve ser adequada ao nosso tipo de atividade. É preciso que muito do que se produz no Brasil aqui fique, que não saia do País para, em países vizinhos, sofrer processo de agregação de valor e, em seguida, retornar para cá muito mais caro. É importante a aprovação desta medida provisória, a fim de criarmos condições para que o Programa de Aceleração do Crescimento comece para valer em nosso País. 258 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Otavio Leite, que falará contra a matéria. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Vanderlei Macris. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Rodrigo de Castro. (Pausa.) Com a palavra o Deputado William Woo. (Pausa.) Abre mão de fazer uso da palavra. Com a palavra a Deputada Luciana Genro. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Carlos Willian. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Urzeni Rocha. (Pausa.) 259 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. NILSON PINTO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. NILSON PINTO (PSDB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o PSDB. 260 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Duarte Nogueira, que falará contra a matéria. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Dr. Ubiali. O SR. DR. UBIALI (Bloco/PSB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, parece complicado uma Vice-Liderança do Governo encaminhar contra a matéria. Acontece que uma das emendas apresentadas, rejeitada por impossibilidade financeira, é muito importante para o setor coureiro-calçadista. Refiro-me à emenda do Deputado Renato Molling. Temos obrigação de vir aqui falar contra a rejeição da emenda. No mérito, ela não traz nenhum ônus ao Governo; permite, sim, que os créditos do PIS e da COFINS do setor exportador, principalmente do setor coureiro-calçadista, que exporta muito, sejam compensados com débitos que porventura existam. Nesse sentido, somos contra a matéria. A inadequação financeira não é justa. É preciso, agora que votamos a instituição da Super-Receita, que se permita essa compensação. De fato, é justificada com ISS. Sabemos que não pode haver, na Super-Receita, mistura de crédito e débito das 2 entidades que deram origem ao novo órgão. Mas isso pode ser compensado com outros tributos federais. Então, gostaríamos que o Relator repensasse esse item da Emenda nº 9 e refizesse isso de modo a permitir a compensação financeira dos créditos do PIS e da COFINS do setor exportador, principalmente do setor coureiro-calçadista, que atravessa grave crise. Somos favoráveis a que o Relator reveja esse item e refaça isso para que seja aceito e adequado na compensação da Super-Receita. Por isso fomos contra a matéria no sentido amplo como ela está. Queremos destacar esse item da Emenda nº 9 para que se possa permitir a compensação financeira dos créditos do PIS e da COFINS, que tanta falta fazem para o setor coureiro-calçadista. Muito obrigado. 261 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Eduardo Valverde, que falará a favor da matéria. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT-RO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Medida Provisória nº 351 institui o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura, visando incentivar a construção civil brasileira, principal responsável pela agregação de mão-de-obra e pela formação de capital bruto no Brasil. De maneira muito sábia, o Relator incorporou diversos outros dispositivos a esta medida provisória, enriquecendo o seu texto original. Acrescenta emendas importantes como a da irrigação como atividade passível de ser beneficiada pelo regime especial. A medida possibilita também a coabilitação de pessoa jurídica na execução de obras de infra-estrutura, permitindo que o empreendedor faça parte do empreendimento; incentiva a geração e a construção de pequenas centrais hidrelétricas, modificando o regime tributário; altera o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica — PROINFA, ao incluir o art. 22, com o objetivo de permitir que produtores autônomos independentes que já investiram no PROINFA possam alterar o seu regime de produção independente de energia; altera a regulação sobre a contratação de reserva de capacidade de energia elétrica; dá novos incentivos ao investimento na expansão de rede e geração pelo próprio consumidor de energia elétrica e altera a regulação de tempo de carga ou descarga de mercadoria transportada. O único item que merece reparo é o da vedação de concessão de vale-transporte em espécie. Vários acordos coletivos de trabalho têm avançado nesse contexto. Se se estabelece em acordo coletivo que o vale-transporte pode ser 262 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 pago em espécie, permitindo-se ao trabalhador, de maneira livre e autônoma, escolher o melhor meio de transporte, já que com o vale-transporte ele só tem a alternativa de pegar o transporte urbano, retrocede esse dispositivo. Então, todas as emendas apresentadas pelo Relator são importantes, aperfeiçoam o texto. Apenas uma merece reparo porque vai na contramão dos acordos coletivos estabelecidos entre os sindicatos e empregadores. E olhem que acordo coletivo só é feito se houver consenso. A inclusão desse dispositivo torna impossível qualquer tipo de contratação livre entre empregador e sindicato no tocante ao pagamento em espécie de vale-transporte. Por essa razão, com exceção desse item — vou pedir o apoio de companheiros do PT para que se faça o devido destaque —, sou favorável à aprovação desta medida provisória, porque faz parte do PAC, e o PAC é importante para o desenvolvimento do Brasil. 263 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco/PCdoB-AM. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei conforme a orientação do meu partido. O SR. EUNÍCIO OLIVEIRA (Bloco/PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o PMDB. O SR. MÁRIO DE OLIVEIRA (Bloco/PSC-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei de acordo com a orientação do meu partido. 264 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Ayrton Xerez, que falará contra a matéria. O SR. AYRTON XEREZ (DEM-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, deveria haver uma preocupação de todos nós, como formadores de opinião, como homens públicos responsáveis pela elaboração das leis, de ter um cuidado metodológico e pedagógico no sentido de que a Câmara dos Deputados, este Plenário tão qualificado elaborassem leis que servissem para a educação de todo o povo brasileiro. Este é um dos preceitos fundamentais que se impõe a todo homem público. O que vejo na Medida Provisória nº 351, de 2007, é o que se pode chamar de teratologia jurídica. Teratológico é alguma coisa horrenda, hedionda. E o que estamos aqui a discutir é essa teratologia política e jurídica, por conta dessa montanha de medidas provisórias que chegam a Câmara dos Deputados e que parecem não sofrer nenhum reparo. E a nós é dada, pura e simplesmente, a missão de referendar ou não aquilo que provém do Poder Executivo. A meu ver, é uma teratologia legislativa. Como Deputados, como Congressistas, estamos dando um exemplo equivocado à Nação. Nesse sentido, atenho-me a um detalhe deste volumoso compêndio da Medida Provisória nº 351. Trata-se do art. 28, que, em seu § 2º, concede uma anistia. Ficam convalidadas, para todos os efeitos, as concessões de vale-transporte já efetuadas em espécie, desde que se observe um prazo de 90 dias. Ora, senhores, o vale-transporte foi um direito que se concedeu ao trabalhador que tem baixo salário. A esse trabalhador é concedido o vale-transporte num total de até 6% de seu salário, observada a distância que ele tem de percorrer 265 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 da sua casa até o seu posto de trabalho. O vale-transporte não deve ser trocado por dinheiro, não deve sofrer ágio ou deságio sobre seu valor, como se fosse um instrumento do mercado capitalista. Algumas instituições houveram por bem mercadejar o vale-transporte, criar um mercado de troca de vale-transporte por dinheiro. Não me parece a melhor das políticas. Temos de enxergar a verdade. Está na hora de o Parlamento dizer a verdade. Ou extinguimos o vale-transporte, criado pelo Deputado Federal Affonso Camargo, ex-Ministro dos Transportes, ou vamos dar-lhe o mínimo de seriedade que exige. Srs. Parlamentares da base do Governo, essa anistia, a meu ver, é indecorosa, porque anistiaremos conglomerados financeiros, empresas multinacionais de porte que concederam esse deságio para os seus empregados, trocando vale-transporte por dinheiro. Parece-me não equilibrado, não harmonioso com a leitura que se deseja fazer da lei, na sua forma mais simples, mais inteira, buscar anistiar aquele que agiu de forma inadequada, contra o espírito da lei. Muito obrigado. 266 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOÃO PIZZOLATTI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOÃO PIZZOLATTI (PP-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido. O SR. NELSON MARQUEZELLI (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. 267 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Tarcísio Zimmermann, que falará a favor da matéria. O SR. TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, a Medida Provisória nº 351, de 2007, além das várias virtudes que já trouxe embutidas quando do seu envio a esta Casa pelo Poder Executivo, ainda foi enriquecida aqui por várias contribuições de Parlamentares, acolhidas devido à sensibilidade do Deputado Odair Cunha. Eu, pessoalmente, sou militante da área da economia solidária e há muito tempo estou procurando assegurar que os pequenos empreendimentos solidários tenham tratamento diferenciado em relação aos demais empreendimentos. Consegui não integralmente aquilo que esperávamos, pois pensava em incorporar à Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas os pequenos empreendimentos cooperativos na sua integralidade, inclusive no aspecto tributário. Isso não foi possível, mas conseguimos avançar na inclusão dos benefícios da Lei Complementar nº 123, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, ou seja, todos os benefícios não tributários estendidos às cooperativas que tenham faturamento anual de acordo com o limite estabelecido na lei. Houve importante avanço. No futuro, apresentaremos uma espécie de lei tributária para as cooperativas, semelhante à do SIMPLES, que diz respeito às pequenas e microempresas. Neste momento estamos dando o primeiro passo. Isso, portanto, é uma vitória do movimento da economia solidária, dos pequenos empreendimentos cooperativados, que dessa forma também terão acesso a um conjunto de benefícios, especialmente o acesso privilegiado às compras 268 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 governamentais, ao crédito, à fiscalização trabalhista orientadora, à simplificação dos seus procedimentos tributários. É muito importante a inclusão desse pequeno acréscimo que sugerimos ao Relator e S.Exa. incorporou, por meio do art. 40 do projeto de lei de conversão. Registro nosso apoio. Há ainda aspectos que teremos de trabalhar mais. Concordo, Deputado Dr. Ubiali, com que temos de avançar, por exemplo, em relação aos setores produtivos que têm direitos compensatórios sobre tributos federais, de forma que talvez possamos incorporá-los às receitas previdenciárias. Mas estamos iniciando o debate. Esta é uma semente que foi plantada e, quem sabe, no futuro, poderá também ser contemplada com uma posição construtiva e vitoriosa. Por isso, apoiamos esta medida provisória. 269 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LEANDRO VILELA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LEANDRO VILELA (Bloco/PMDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. 270 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para discutir, concedo a palavra ao nobre Deputado Antonio Carlos Mendes Thame, último orador inscrito, que falará contra a matéria. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou tratar de pontos de extrema relevância com relação a esta medida provisória. Refiro-me, primeiro, à inclusão inexplicável no projeto original do Governo de uma vedação, vedação expressa, incontornável, no sentido de que as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES não podem participar do REIDI. Ora, isso é uma incongruência. O País ainda não contou com uma verdadeira reforma tributária. No Governo Fernando Henrique Cardoso, foi feita uma reforma tributária digna do nome, a Lei do SIMPLES. Este Governo só fez uma reforma tributária digna do nome, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, capaz de beneficiar 90% das empresas jurídicas do País. Contudo, desafortunadamente, para todos nós, para todo o povo brasileiro, para todo trabalhador brasileiro, o atual Governo, que não tem pressa, não se preocupou em regulamentar a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Nesta Casa, estabelecemos que a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, ou o Super-SIMPLES, como é chamada, valeria a partir de 1º de janeiro deste ano, portanto, há 4 meses. Mas o Governo convenceu a sua base no Senado a modificar essa tão esperada lei, que vai ajudar na formalização de tantas empresas no Brasil; assim, ela só começará a vigorar no dia 1º de julho. A matéria voltou para cá com a redação modificada. Para quê? Para que fosse dado tempo para a regulamentação. O argumento era muito simples: 2 meses 271 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 para a regulamentação federal, janeiro e fevereiro; 2 meses para a regulamentação nos Estados e 2 meses para a regulamentação nos municípios. Já que há uma unificação dos tributos, é preciso uma lei em cada município brasileiro. Aquele que não fizer essa lei não pode oferecer às empresas do município a opção pela Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Estamos no final de abril, e o Governo ainda não regulamentou essa lei. Esperamos que, pelo menos, aproveite esse atraso para ouvir a Comissão de Deputados que se formou aqui para fazer algumas adequações, necessárias, nessa lei. Agora somos surpreendidos, tristemente surpreendidos, com a referida vedação, ou seja, aqueles que optaram pelo SIMPLES não poderão participar do REIDI. Trata-se de uma lei para os poderosos, para aqueles que menos precisam. 272 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ROCHA LOURES - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ROCHA LOURES (Bloco/PMDB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei conforme orientação do partido. O SR. VILSON COVATTI (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na última votação, votei com o partido. 273 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para falar a favor da matéria, concedo a palavra ao Deputado Ricardo Barros. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Pompeo de Mattos. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Nelson Pellegrino. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Dr. Rosinha. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Ribamar Alves. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Rodrigo Rollemberg. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Vignatti. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Marcondes Gadelha. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Colbert Martins. (Pausa.) Abre mão. Concedo a palavra ao Deputado Zé Geraldo. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Pastor Manoel Ferreira. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Afonso Hamm. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Carlos Zarattini. (Pausa.) Concedo a palavra ao nobre Deputado Jorge Bittar, último Parlamentar inscrito para falar a favor da matéria. O SR. JORGE BITTAR (PT-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Medida Provisória nº 351/07 se constitui importante marco no Programa de Aceleração do Crescimento — PAC. O Presidente Lula, nos 4 primeiros anos do seu Governo, promoveu a desoneração de diversas atividades produtivas em nosso País, sobretudo aquelas diretamente ligadas a investimentos — é o caso do setor de bens de capital —, beneficiando a indústria de transformação, o setor produtivo de nosso País. 274 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Agora, a Medida Provisória nº 351/07 aprofunda esse processo, estendendo os benefícios fiscais a investimentos em infra-estrutura, um dos gargalos mais importantes para o crescimento acelerado da economia brasileira. Investimentos urgentes são necessários na área de transportes e logística, na área de energia, enfim, várias áreas consideradas fundamentais para que o processo de interiorização do desenvolvimento econômico que se verifica em diversas regiões de nosso País possa ser acompanhado pela extensão do sistema de transportes. Esses investimentos são importantes também para que possamos modernizar toda a nossa infra-estrutura energética e de transportes. Além desses temas e de diversos outros aspectos positivos que enriquecem o conteúdo original da MP nº 351/07, acolhidos pelo Relator Odair Cunha, gostaria de destacar 2 emendas de minha autoria que trabalham tema de suma importância para o setor petroquímico nacional, particularmente o do Rio de Janeiro. Trata-se das Emendas de nºs 59 e 60, que visam equalizar a tributação daqueles que processam gás natural com aqueles que hoje processam a nafta, cuja carga tributária, em termos de PIS e COFINS, é menor do que a dos que produzem matéria petroquímica a partir do gás natural. Essa situação acaba criando uma assimetria, em termos de competição no mercado petroquímico brasileiro, prejudicando importantes empresas, como as do Pólo Gás-Químico, situado em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, município do Estado do Rio de Janeiro. Tenho-me empenhado em fazer com que o Governo acolha essa proposição, que tem o apoio integral da bancada de Deputados Federais do Rio de Janeiro e de Deputados da Situação e da Oposição, que 275 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 entendem a necessidade de se estabelecer ambiente de competição equilibrado no setor de petroquímica. Mais uma vez, quero elogiar o trabalho do Relator, Deputado Odair Cunha. Tenho convicção de que o Programa de Aceleração do Crescimento deverá trazer resultados extremamente positivos para a economia brasileira. Na verdade, já se desenha um processo de crescimento econômico mais acentuado. Todos os analistas indicam perspectivas de crescimento econômico para este ano na faixa de 4,2% a 4,5%. Tenho certeza de que, com essas medidas de desoneração, haveremos de garantir crescimento duradouro para os próximos anos, beneficiando a economia brasileira em termos de geração de empregos e melhor qualidade de vida para a população brasileira. 276 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CARLOS BEZERRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CARLOS BEZERRA (Bloco/PMDB-MT. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei de acordo com a Liderança. O SR. TAKAYAMA (Bloco/PTB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior, votei conforme a orientação do partido. 277 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quando a Mesa edita o avulso de uma medida provisória, ela anexa ao avulso toda a legislação citada. Quando o Relator apresenta projeto de lei de conversão alterando a lei diversa da citada na medida provisória original, ou por meio de uma emenda, este tem a obrigação de fazer constar, no projeto de lei de conversão, a legislação citada. Por exemplo, aqui o projeto de lei de conversão altera o artigo tal da lei tal. Isso não está no avulso. Então, quando o Relator alterar uma lei diversa da citada na medida provisória, que ele apresente, no projeto de lei de conversão, a legislação citada. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Deputado Arnaldo Faria de Sá, o Regimento exige, mas quando se trata de matéria original. Quando o Relator acrescenta, naquilo que formulou, é dever de S.Exa., quando houver necessidade, explicar, dado que o parecer é proferido em plenário. Portanto, não é uma exigência regimental do ponto de vista que atinja também o que o Relator acrescentar por sua responsabilidade e convicção. Por conseqüência, não é tradição da Casa fazer exigência tão ampla. Caso V.Exa. ou qualquer outro Parlamentar, no momento apropriado, queira solicitar explicações ao Relator, seguramente S.Exa. as dará. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, na verdade, eu não estou me opondo a nada da alteração feita, apenas tentando facilitar. O projeto de lei de conversão altera leis que não estavam na legislação citada, e isso acaba suscitando dúvida. Se o Relator, ao fazer alteração de lei diversa daquela citada na MP original, 278 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 incluir a legislação alterada talvez facilite o entendimento daqueles que não estão tendo o devido acompanhamento. É mera sugestão. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - V.Exa. então sugere que, em vez de o Relator dar explicações a partir de demandas do Plenário, ele acrescente a legislação citada, mesmo sendo matéria nova, o que facilitaria seu trabalho. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, obrigado. 279 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ANDRÉ DE PAULA - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ANDRÉ DE PAULA (DEM-PE. Questão de ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o art. 43 do Regimento Interno diz: “Art. 43. Nenhum Deputado poderá presidir reunião de Comissão quando se debater ou votar matéria da qual seja Autor ou Relator.” Em seu parágrafo único diz mais: “Parágrafo único. Não poderá o Autor de proposição ser dela Relator, ainda que substituto ou parcial.” No Requerimento de nº 487/07, o eminente Relator, Deputado Odair Cunha, proponente de 2 emendas a essa MP, reconheceu que estava impedido de apresentar tais emendas e requereu a retirada delas. S.Exa. as retirou, mas, não obstante, sentiu-se no direito de incluir essas 2 emendas como artigos, o art. 34, que contempla a primeira emenda, a de nº 112; e o art. 41, que contempla a Emenda nº 114. Tenho a impressão que o Relator não pode proceder dessa forma e, nesse sentido, imagino que S.Exa. possa e deva, até para não gerar jurisprudência, subtrair especificamente os 2 artigos que eram, originalmente, emendas de sua autoria, que havia retirado do rol de emendas, mas que fez incluir no texto. Todos os oradores que me antecederam ressaltaram o fato de que essa MP chegou à Casa com 21 artigos e transformou-se em PLV com 41 artigos. Além disso 280 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 e da inserção de tantas matérias distintas do corpo da medida provisória, o Relator não poderia se valer de algo que, ao meu ver — repito — não poderia ser incluído, pois vem de emenda de sua autoria. Sendo assim, S.Exa. passa a ter poderes maiores do que os conferidos ao Presidente da República, que editou a MP. Essa é a minha questão de ordem. 281 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para contraditar, concedo a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, no momento em que o Relator da medida provisória apresentou as emendas, S.Exa. não sabia que seria o Relator. Apresentou emendas como qualquer Parlamentar o faz. Posteriormente, quando ficou sabendo que havia sido designado Relator, teve o cuidado de requerer a retirada das emendas. Depois disso, participei de uma reunião em que o Líder do Bloco Parlamentar PMDB/PTB/PSC/PTC, Deputado Henrique Eduardo Alves, solicitou ao Relator, por escrito, que acolhesse aquele texto. Portanto, acredito que o Relator não tenha cometido nenhuma infração regimental. 282 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Respondo à questão de ordem do Deputado André de Paula. Primeiro, S.Exa. o Relator cumpriu o que questionou o Deputado André de Paula, dado que, se houvesse emendas de sua autoria, S.Exa. não poderia relatar a matéria. Então, o Relator saneou o problema, na medida em que retirou suas emendas. Mas o parecer de qualquer Relator, neste e em qualquer outro caso, é opinativo. É a sua opinião. Portanto, pode o Relator colocar nele as suas idéias, as suas opiniões. Até porque, ao final, quem delibera sempre será o Plenário. Portanto, não há vício do ponto de vista regimental, tampouco o Relator pode ser questionado, dado que, neste caso, inclusive, digamos, com certa boa vontade, o Relator foi coerente. S.Exa. fez o que entendeu ser correto. V.Exa., Deputado André de Paula, como qualquer outro Deputado, poderá discordar. Então, no voto, será decidido. Portanto, não há vício. Quando elabora um substitutivo, o Relator pode colocar qualquer matéria que entenda correta. 283 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ANDRÉ DE PAULA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ANDRÉ DE PAULA (DEM-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Se V.Exa. me permitir, quero fazer, com minhas próprias palavras, a ressalva, no sentido de que o Relator, corretamente, através de requerimento, como disse o Deputado Arnaldo Faria de Sá, retirou as emendas que havia apresentado quando ainda não sabia que seria Relator. Eu ia falar, Sr. Presidente, antes mesmo de V.Exa. decidir, que, se é verdadeiro, como afirmou o Deputado Arnaldo Faria de Sá, que houve um requerimento formal ou uma sugestão formal do Líder do PMDB e que o Relator acolheu, é uma solução que contempla o problema. Mas eu acho que, data venia, se não houve a retirada formal, o Relator termina por ferir o princípio do artigo, conforme argüi quando formulei a minha questão de ordem. S.Exa. estaria legislando em causa própria, por meio de medida provisória, uma iniciativa de lei que é reservada ao Presidente da República. Sr. Presidente, agradeço a V.Exa. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Penso que V.Exa., de maneira absolutamente correta, solicitou que sua dúvida fosse esclarecida. Portanto, ao ouvir a contradita do Deputado Arnaldo Faria de Sá, V.Exa. já tinha formado a sua própria convicção. Eu me antecipei, mas creio que tenha ficado claro que não há vício regimental de qualquer natureza. 284 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ZENALDO COUTINHO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ZENALDO COUTINHO (PSDB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, informo que o Supremo Tribunal Federal, na sessão que julga o pedido de criação da CPI do Apagão Aéreo, o resultado da votação já é de 9 a 0. Portanto, a CPI já está aprovada no Supremo Tribunal Federal. (Muito bem. Palmas.) 285 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ PIMENTEL - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ PIMENTEL (PT-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, acompanhei o PT, na votação anterior. O SR. ARMANDO MONTEIRO (PTB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, acompanhei a posição do partido. Muito obrigado. O SR. SABINO CASTELO BRANCO (Bloco/PTB-AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, acompanhei o partido, na votação passada. O SR. ANÍBAL GOMES (Bloco/PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com a orientação do partido. 286 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Odair Cunha, que quer proceder a uma alteração no seu parecer. (Pausa.) O SR. JOSÉ LINHARES - Sr. Presidente, V.Exa. me permitiria um comunicado neste intervalo? O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Esclareço a V.Exa. que o Relator está na tribuna. Não há, exatamente, um intervalo. Assim que houver, darei a palavra a V.Exa., com o maior prazer. O SR. JOSÉ LINHARES - Muito obrigado, Sr. Presidente. 287 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Odair Cunha, que procederá a alterações no seu parecer. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, em relação ao PLV apresentado esta manhã, foram feitas algumas alterações, tendo em vista as argumentações e reflexões dos ilustres Parlamentares. A primeira modificação foi a retirada, no PLV que está sendo entregue às Lideranças, dos arts. 27 e 28 do PLV anterior, renumerando-se os demais. Na nova redação do art. 1º, inciso XI, da Lei nº 10.925, de 2004, foi retirada a expressão “modificados ou não”, fruto de intenso diálogo que mantivemos com o Deputado Abelardo Lupion. O terceiro item acolhido refere-se ao crédito presumido da soja. Aumentamos o percentual do crédito presumido de 35%, como estava previsto, para 50%. A emenda falava em 60%, mas estamos fazendo uma emenda modificativa. Outra modificação refere-se ao art. 40 do PLV que lemos pela manhã, que agora é o art. 38, com a seguinte redação: “Art. 38. Aplica-se às sociedades cooperativas que têm auferido, no ano-calendário anterior, receita bruta até o limite definido no art. 38, inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, nela incluídos os cooperados e não cooperados, o disposto nos Capítulos V a X, na Seção IV do Capítulo XI e no Capítulo XII da referida Lei Complementar.” 288 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 No art. 24 do PLV, a alteração no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.848, de 2004, não consiste na mudança da redação do inciso III do referido dispositivo, mas, sim, na inclusão do inciso IV. Portanto, onde se lê inciso III, entenda-se inciso IV, com a seguinte redação: “Art. 24....................................................................... .................................................................................. IV - o início da entrega da energia objeto dos CCEARs poderá ser antecipado, mantidos o preço e os respectivos atendimento critérios à de reajuste, quantidade com vistas demandada ao pelos compradores, cabendo à ANEEL disciplinar os ajustes nos contratos, de acordo com diretrizes do Ministério de Minas e Energia.” Ainda no art. 23 do PLV, a redação do art. 3º-A da Lei nº 10.848, de 2004, passa a ser a seguinte: “Art. 23....................................................................... ‘Art. 3º-A Os custos decorrentes da contratação de energia de reserva de que trata o art. 3º desta Lei, contendo, dentre outros, os custos administrativos, financeiros e encargos tributários, serão rateados entre todos os usuários finais de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional — SIN, incluindo os consumidores referidos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, e no § 5º do art. 26 da Lei nº 9.427, de 26 de 289 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 dezembro de 1996, e os autoprodutores apenas na parcela da energia decorrente da sua interligação ao SIN, conforme regulamentação.” Acolho ainda, Sr. Presidente, pelo debate realizado com os Líderes partidários, especialmente os ilustres Parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, Deputados Jorge Bittar, Luiz Sérgio, Hugo Leal e outros que nos requereram, e de acordo também com o diálogo que fizemos com o Governo, as Emendas de nºs 59 e 60. Essas são as alterações que temos a fazer neste momento. Muito obrigado. 290 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, peço um esclarecimento ao Relator. Sr. Relator, queria que V.Exa. informasse quais as revogações propostas pelo art. 42. O art. 42 revoga artigo de lei e artigo de decreto-lei e, como não tenho a legislação citada, qual é essa revogação? O SR. ABELARDO LUPION (DEM-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, há outra coisa. Gostaríamos de perguntar ao Relator a respeito dos arts. 36 e 37. Já havíamos conversado sobre eles. 291 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO JARDIM - Sr. Presidente, também gostaria de solicitar esclarecimentos. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Deixem o Relator se organizar. Deputado Odair Cunha, V.Exa. prefere responder um a um? O SR. ODAIR CUNHA - Vou responder ao Deputado Arnaldo Faria de Sá, primeiro. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vamos deixar que o Relator responda na seqüência. 292 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CHICO ALENCAR - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, uma questão preliminar: este novo projeto de lei de conversão chegará até nós por escrito, não é? Senão, estamos brincando de legislar. Houve várias alterações. Ainda que parte dos Líderes tenha acordado, não substitui o Plenário com a dignidade do mandato que cada um, até o mais silencioso dos Parlamentares, tem. Já não criamos Comissão Mista, como a Constituição Federal e a Resolução nº 1, de 2002, prevêem para o caso de medidas provisórias. Passamos por cima. Medida provisória agora virou a cama onde todos deitam para legislar sobre qualquer assunto. Misturam soja com infra-estrutura. Está muito ruim. Está uma vergonha. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vou explicar a V.Exa. Primeiro, regimentalmente, o Relator não tem sequer o dever de prestar esclarecimentos agora, já que foi publicado o parecer na semana passada. É propriedade do Relator fazer as alterações enquanto houver o prazo regimental. Neste momento, S.Exa. se dispõe a dar os esclarecimentos solicitados pelos Parlamentares, mas nem isso, do ponto de vista regimental, S.Exa. é obrigado a fazer. É bom que ouçamos o Relator, porque é a melhor maneira de encaminhar. Também não há nenhuma obrigação de enviarmos o parecer por escrito. 293 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Relator para responder ao Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - V.Exa. pode repetir, Deputado? O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O último artigo do PLV revoga 2 artigos de lei. Quero saber quais são essas revogações. O SR. ODAIR CUNHA - Está explicado, Deputado Arnaldo Faria de Sá, no inciso I do relatório. Deputado Arnaldo Faria de Sá, é só recorrermos ao relatório. V.Exa. tem o relatório aí? O relatório diz exatamente o que está sendo revogado. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Não localizei. Por isso estou indagando V.Exa. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Deputado Odair Cunha, gostaria de solicitar a V.Exa. uma cópia das modificações por escrito. É possível? O SR. ODAIR CUNHA - A Secretaria já está providenciando, Deputado Leonardo Vilela. O SR. LEONARDO VILELA - Muito obrigado. O SR. ARNALDO JARDIM (PPS-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Relator, gostaria de pedir a V.Exa. que repetisse, por favor, o texto que estabelece o teto do benefício às cooperativas, porque não conseguimos assimilar. Trata-se do art. 40. 294 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ODAIR CUNHA - Deputado Arnaldo Jardim, o teto é de 2,4 milhões. É o teto do SIMPLES. Só que, em vez de colocar nominalmente o valor, estamos remetendo-o à lei complementar. Só isso. 295 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CHICO ALENCAR - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, alguns dispositivos versam mais sobre a tramitação geral de medidas provisórias, mas temos criado uma jurisprudência e desrespeitado alguns preceitos constitucionais e de resolução, como a famosa Comissão Mista, o parecer. Contudo, há uma questão específica. Vou indagar por escrito, para resposta futura, sobre esses itens mais gerais, mas há um bem específico, a propósito do que V.Exa. acabou de dizer, de que é desnecessário ou, pelo menos, dispensável a publicação. O nosso entendimento é de que o Regimento Interno, no art. 152, § 1º, especifica: “Art. 152 .................................................................... § 1º Não se dispensam os seguintes requisitos: I - publicação e distribuição, em avulsos ou por cópia, da proposição principal e, se houver, das acessórias;” Isso é para a boa prática legislativa, para ciência dos Deputados. Eu não quero aprovar coisas aí que, depois, podem parecer, para parcela da sociedade, escândalo, privilégio, como a isenção de IPI para construção de iate, a elevação do crédito presumível para a soja em 15%, porque é, no mínimo, temerário. Queremos discutir a matéria. Não é pelo fato de um segmento do agronegócio desejar que é justo e bom para o País. Então, ter ciência do que estamos votando é muito importante. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Deputado Chico Alencar, a Mesa vai fazer cópia e distribuí-la para a tranqüilidade de todos. 296 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Dr. Mauro Nazif, para fazer um esclarecimento. Logo depois, passaremos à fase seguinte. (Pausa.) O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Há mais alguém que gostaria de fazer alguma pergunta? O SR. ABELARDO LUPION (DEM-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Relator, e os arts. 36 e 37? O SR. ODAIR CUNHA - Com relação aos artigos que dizem respeito à alienação dos direitos creditórios, diante da discussão estabelecida com Deputados da base do Governo e da Oposição, vamos retirar todos eles. O SR. ABELARDO LUPION - Então, os arts. 36 e 37 foram retirados? O SR. ODAIR CUNHA - Com a nova numeração, vamos retirar os arts. 34, 35, 36 e 37. O SR. ABELARDO LUPION - O art. 37 corresponde ao antigo art. 39? O SR. ODAIR CUNHA - Exatamente, com a nova numeração. O SR. ABELARDO LUPION - Sr. Relator, gostaria de uma informação: o disposto no inciso IV do art. 27 não se aplica aos contratos ou conhecimentos de transporte em que houver cláusula ou ajuste já dispondo sobre o tempo de carga ou descarga. Isso é extremamente importante para o setor rural, Sr. Relator, porque a culpa da infra-estrutura dos portos, por exemplo, não é do produtor rural. Quando acontece de um caminhão nosso ficar parado em uma fila do Porto de Paranaguá, às vezes por 10, 12, 15 dias, quem está arcando com isso, a partir do momento da retirada desse artigo, é o produtor rural que fez essa carga. Ele vai pagar hora parada como multa. 297 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 E o decreto que foi feito é totalmente ilógico. Estamos sendo punidos, apesar de termos produzido, porque a infra-estrutura do País não é condizente com a força do produtor rural. Repito, estamos sendo punidos por produzir. Gostaria que V.Exa. reconsiderasse isso. É muito importante, não é problema de partido. Não é porque a CNT está querendo fazer com que ela não arque com a conta que o produtor tem que arcar. Precisamos rever isso. Faço um apelo a V.Exa. no sentido de que sentemos para discutir esse artigo. O setor produtivo não agüenta mais o Custo Brasil. Precisamos resolver isso com celeridade. Não podemos pagar a conta pela ineficiência da infra-estrutura brasileira, Sr. Relator. 298 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Mauro Nazif. O SR. MAURO NAZIF (Bloco/PSB-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Deputado Odair, questiono o art. 39, que diz que os Estados, o Distrito Federal e os municípios poderão adequar suas respectivas legislações tributárias... O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Isso já foi retirado. O SR. MAURO NAZIF - Porque há municípios que têm até 70% de inadimplência junto aos seus contribuintes. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Já foi retirado, Deputado Mauro Nazif. O SR. MAURO NAZIF - Agradeço. 299 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Valverde. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Relator, estava muito tumulto e não deu para ouvir. O art. 28, que trata do vale-transporte, foi retirado? O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Foi retirado. 300 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Devanir Ribeiro. O SR. DEVANIR RIBEIRO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Relator, ouvi o Deputado Abelardo Lupion defender a permanência do artigo 27. Quero dizer ao nobre Deputado que esse artigo está revogando uma lei que foi sancionada em janeiro. A tinta com que o Presidente a sancionou ainda nem secou, e foi uma conquista dos transportadores autônomos, porque eles é que sofriam. Se o produtor sofre as conseqüências, não será o condutor, o transportador autônomo que terá de pagar a conta. Fiz força para que se retirasse esse artigo. Ele foi retirado do texto. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Está retirado, nobre Deputado. 301 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Um momento, por gentileza. Peço ao Relator que conclua seu esclarecimento, porque está virando um debate entre os Deputados, o que não é absolutamente o momento para fazê-lo, pois já foi feito anteriormente. Há algum esclarecimento que ainda não foi feito? (Pausa) Concedo a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Gostaria de saber quais são os artigos revogados, caso contrário não vou poder votar. O art. 42 revoga o art. 69 da Lei nº 4.502; arts. 45 e 46 da Lei º 9.430; e o art. 1º do Decreto-Lei nº 1.593/77. E não há aqui a legislação citada nessa revogação. E um detalhe, Sr. Presidente: esse relatório foi entregue ontem à noite, e não na semana passada. 302 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MIRO TEIXEIRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. MIRO TEIXEIRA (Bloco/PDT-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, em aditamento, o Relator deve se referir aos artigos mantida a numeração como foi distribuída, e não já se reportando à nova numeração. Depois S.Exa. renumera os artigos. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vamos ver se conseguimos sanear a questão, do ponto de vista de compreensão, da seguinte maneira: como o Relator está alterando seu parecer — é normal que todos tenhamos dificuldade de apreender, porque S.Exa., naturalmente, ao formular, parte do pressuposto de que todos vão entender —, creio que a distribuição do seu parecer modificado nos ajudará a nos situarmos. O SR. MIRO TEIXEIRA - Assim se resolve. Mas, mesmo com o parecer distribuído, se S.Exa. fizer menção à numeração desse projeto de lei de conversão, resolve também. Basta não mudar o número. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Também resolve. Como estou percebendo que há um clima de volta à discussão, prefiro resolver distribuindo cópia das alterações produzidas pelo Relator. 303 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Deputado Ronaldo Caiado, V.Exa. tem algum esclarecimento a pedir? O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O nobre Relator realmente ouviu a argumentação do Deputado Abelardo Lupion, mas, em contrapartida, não inseriu o ponto de vista, aliás, o excluiu. O Deputado Devanir Ribeiro acaba de levantar a tese de que a tinta da sanção da lei nem secou. Nós estamos dizendo que ninguém tem nada contra a tinta. A questão é: se o produtor rural contrata um frete, o caminhoneiro não tem responsabilidade alguma pelo prejuízo. Mas, se a causa do prejuízo decorre da falta de infra-estrutura no porto, que é administrado pelo Governo e pela União, por que repassar isso ao produtor rural? É essa a observação que deve ser feita: nem ao produtor, muito menos ao caminhoneiro, muito menos à empresa. 304 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vamos ouvir o Relator sobre o esclarecimento que fará. Após a conclusão do esclarecimento, vamos distribuir seu parecer modificado para que todos possam se situar. Concedo a palavra ao Deputado Odair Cunha. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, a última questão — e as razões o Deputado Devanir Ribeiro já levantou —, refere-se a movimento esta Casa em torno de lei que o Presidente sancionou há poucos meses. Não há consenso no tema. Então, é melhor mantermos o tema como está e mantermos o diálogo aberto com o Governo. Acho que essa é a questão. Por isso nó retiramos o dispositivo. 305 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pois bem. Vamos agora para encaminhamento. Poderíamos passar diretamente para o encaminhamento, mas acho prudente aguardarmos a distribuição do parecer modificado, para que todos possam ficar melhor situados, porque percebo que houve esforço coletivo, mas não sei o quanto foi suficiente. 306 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem, para fazer uma solicitação ao nobre Relator. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, indago ao nobre Relator se poderia, nessa quinta versão, rejeitar a emenda que apresentei, específica para PIS, PASEP e COFINS, sem ser por inadequação financeira, para que eu pudesse destacar e debater isso com o Plenário. Peço ao Relator a rejeição pelo mérito, não por inadequação financeira. É a solicitação que faço ao nobre Relator. Trata-se da Emenda nº 88. Que S.Exa. opine pela rejeição pelo mérito e não por inadequação orçamentária, para que eu possa destacá-la e debater com o Plenário. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Deputado Ronaldo Caiado, acho justa a reclamação de V.Exa. Mas o problema é realmente de adequação orçamentária. A questão é de milhões, se não chegar a bilhões. Não é possível ampliarmos ainda mais esses benefícios neste momento, porque o Governo já foi ao limite do possível. Não estou dizendo que a causa não seja justa e que o problema não exista, mas o que conseguimos fazer neste momento foi isso. Inclusive, rejeitamos essa questão por inadequação orçamentária e financeira exatamente porque também se ampliou o crédito presumido para a soja. Há equilíbrio entre todas as questões apresentadas no relatório. Por isso, peço vênia a V.Exa., mas não poderei atendê-lo. 307 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ZONTA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ZONTA (PP-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, também gostaria de fazer uma solicitação ao Sr. Relator. Da mesma forma, Deputado Odair Cunha, em nome do cooperativismo brasileiro, gostaríamos de fazer um apelo a V.Exa. A Emenda nº 36 foi rejeitada por inadequação financeira. Se V.Exa. pudesse mudar esse enquadramento, isso nos permitiria pedir destaque para fazer com que o crédito presumido, que já está previsto, fosse reaproveitado na proposta apresentada a V.Exa. e muito bem-aceita. É apenas recomendado que não a enquadre em inadequação financeira. É o apelo que faço a V.Exa., para tentar salvar alguma coisa em favor do cooperativismo brasileiro. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, essa questão que o Deputado Zonta apresenta é importante, mas vou repetir aqui que realmente há inadequação orçamentária e financeira. O limite dessa discussão já houve. Não é possível que se faça mais. 308 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LEONARDO VILELA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Relator, gostaria de ponderar que houve um aumento brutal de arrecadação da carga tributária no Brasil. Segundo dados do primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, cresceu mais de 10% reais, deflacionados. Acho mais do que justo esta Casa, que aprovou ontem a isenção de IPI sobre lanchas recreativas esportivas, fazer essa concessão ao sistema cooperativista. 309 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Peço ao Relator que encerre. Vou explicar o que está ocorrendo. Seu parecer já está aqui, foi encaminhado para tirarmos cópias. Os Deputados já passaram para a fase de apelo, o que, nesta altura, não resolve. S.Exa. já proferiu seu parecer. Nesta fase, o que caberia seriam explicações, aliás, já dadas por S.Exa. Se o Relator não tem mais explicações, encerre. O SR. ODAIR CUNHA (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, há uma última resposta a ser dada ao Deputado Arnaldo Faria de Sá. Depois encerraremos. Realmente, faltava essa resposta. No art. 20, a medida provisória do texto anterior revoga o art. 69 da Lei nº 4.502, de 1964, e os arts. 45 e 46 da Lei nº 9.430, de 1996. O primeiro artigo cuidava da majoração de penas relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados; os 2 últimos artigos, da sistemática de aplicação de multas de lançamento, de ofício, por falta de recolhimento do referido imposto. Isso está na página 3 do relatório, depois, na página 16. O outro item. Propõe-se ainda a criação de penalidades específicas para o descumprimento da referida exigência em razão de impedimento criado pelo próprio fabricante, a instalação de equipamentos mencionados e a não adoção dos controles e comunicação exigidos pela Secretaria da Receita Federal, na hipótese de inoperância dos mesmos. Por conseqüência, propõe-se também a revogação do art. 1º-A, do Decreto nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, para compatibilizar a legislação tributária sobre o assunto interno. Na página 16, Deputado Arnaldo Faria de Sá. Muito obrigado. 310 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Srs. Deputados, deixem-me esclarecer a V.Exas., primeiro, em que fase estamos. O que o Relator poderia acatar em sua avaliação S.Exa. já acatou. Percebi que as últimas intervenções, quase todas, foram feitas com o objetivo de tentar convencê-lo a fazer alterações. Já expliquei: já distribui o parecer modificado do Relator para tirar cópias. Então, penso que agora, no momento apropriado, pode haver debate de mérito, destaques, emendas etc. 311 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao Deputado Jovair Arantes, Líder do PTB. O SR. JOVAIR ARANTES (Bloco/PTB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, absolutamente não quero acrescentar nada, apenas elogiar. Quero elogiar o Relator pela sensibilidade que teve na discussão de vários temas importantes. Um dos mais importantes, porém, foi debatido e contou com o trabalho de toda a base do Governo, inclusive dos partidos de Oposição desta Casa também. Refiro-me à questão da soja, fundamental para o Brasil inteiro, principalmente para os Estados de Goiás e de Mato Grosso, produtores de soja. Sabemos que no Brasil as indústrias esmagadoras de soja estão fechando, pela desoneração que existe para exportação. Com isso, as fábricas brasileiras, ou a fração da soja brasileira que pode agregar valores além da produção de grãos, estavam perdendo para outros países como China e Argentina. Inclusive, soja do Maranhão, do Piauí e do planalto da Bahia. Essa produção brasileira toda estava saindo em grãos para a China e a Argentina e era transformada lá em óleo de soja, e voltava para que a comprássemos aqui. Estávamos perdendo indústrias. Treze já haviam fechado, com a perda de postos de trabalhos em números significativos em todos esses Estados brasileiros que têm indústria esmagadora de soja. Em Goiás, por exemplo, temos 8 indústrias que estavam ameaçadas de fechar. Com a sensibilidade do Governo em fazer com que 50% pudesse voltar ao produtor ou ao esmagador de soja, podemos festejar que Goiás e outros Estados que têm indústrias processadoras de soja — farelo, produção do óleo de soja — não 312 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 mais vão fechar fábricas. Só em Goiás, teremos um acréscimo incrível, importante de postos de trabalho. No Brasil, aproximadamente 112 mil postos de trabalho serão garantidos, com a sensibilidade do Relator e do Governo em atender a esse pedido que a base lhe fez. Neste momento, parabenizamos o Relator e o Governo por ter acatado esse pedido importante. Se houve algumas perdas, ou não houve, vamos dizer assim, ganhos em outros setores, temos de festejar o que ganhamos. Esta é matéria da mais alta importância para a produção do agronegócio no Brasil: o esmagamento da soja. Quero parabenizar a todos pelo trabalho feito e dizer da importância que foi a luta de todos os Deputados desta Casa, sem nenhuma exceção, da base ou da Oposição, mas parabenizamos principalmente a cada Líder pela sensibilidade. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que não produz soja e que têm Líderes nesta Casa, posicionou-se a favor desse nosso pleito. Estou dizendo que toda a Oposição foi a favor desta matéria para mostrar a sensibilidade do Governo num momento como este. Isso é importante. Temos de ressaltar quando temos as grandes e importantes vitórias, como esta que tivemos hoje na questão da soja. Pedimos aos Srs. Deputados que votemos esta Medida Provisória nº 351, de 2007, que, além da questão do PAC, contempla essa questão da produção e do emprego, que precisamos ter em cada Estado brasileiro. Muito obrigado, Sr. Presidente. 313 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LEONARDO VILELA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, enquanto esperamos o relatório com as modificações, comunico a V.Exa. e a todo o Plenário que a Frente Parlamentar da Saúde se reuniu hoje para eleger sua nova diretoria. A eleição realizada conferiu a vitória por 45 votos contra apenas 1 ao nosso nobre colega da bancada do PSDB Deputado Rafael Guerra, que já presidiu essa Frente com muita competência, equilíbrio, bom senso, e conseguiu grandes avanços no setor da saúde. S.Exa. foi um dos grandes expoentes dessa Frente Parlamentar em anos passados. Ficamos muito felizes com essa eleição. Isso mostra o prestígio de que o Deputado Rafael Guerra desfruta em nosso meio. Parabéns ao Deputado Rafael Guerra, principalmente aos seus companheiros de chapa. Parabéns à Câmara dos Deputados e à Frente Parlamentar da Saúde. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Queremos cumprimentar também o Deputado Rafael Guerra pela recondução ao comando dessa importante função na Frente Parlamentar da Saúde. 314 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. LUIZ CARLOS HAULY - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, assim como o nobre Deputado Jovair Arantes, quero parabenizar o Governo e o Relator por resolver um problema que tem 10 anos. Nesses tempo, deixamos de ter o dobro do parque industrial de esmagamento de grãos no Brasil por um erro tributário. O ideal são 60%, mas 50% já ajudam. Temos uma briga com a Argentina porque este País está dando há 10 anos o reintegro e conseguiu transferir o parque moageiro — pelo menos grande parte dele — para a Argentina. Com essa medida, vamos preservar nosso parque moageiro de grãos exportador. Agora, há uma outra medida. Refiro-me à questão do trigo. Eles entraram de sola para destruir a indústria moageira de trigo do Brasil e também a do biocombustível. Portanto, temos mais 2 etapas a serem resolvidas. Quero parabenizar o Relator pela condução desse processo, assim como todos os envolvidos e o Ministro da Fazenda. Sendo um Parlamentar da Oposição, sou obrigado a reconhecer a solução de um gravíssimo problema. 315 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CARLOS ABICALIL - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do PT. 316 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JOSÉ MÚCIO MONTEIRO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ MÚCIO MONTEIRO (Bloco/PTB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero parabenizar o Relator, como todos estão fazendo. É uma matéria complicada, mas necessária e importante para o Brasil. Hoje, estamos terminando de votar a última medida provisória do PAC. Parabenizo as bancadas e os Srs. Líderes pelo excelente trabalho que realizaram em relação à soja. Houve o envolvimento de alguns companheiros da base e da Oposição, mas todos foram importantes, todos colaboraram. Parabenizo os representantes do Governo, que entenderam e acataram todos esses argumentos usados aqui pelo nobre Deputado Luiz Carlos Hauly e por todos os nobres Líderes. Parabenizo a bancada do Rio de Janeiro. Era um desejo de muitos anos. Era uma injustiça com relação ao nafta. O Relator acatou. Com a medida provisória, resolve-se uma injustiça antiga que havia no Rio de Janeiro. Sr. Presidente, está de parabéns esta Casa, que hoje vota a última medida provisória do Programa de Aceleração do Crescimento. 317 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JILMAR TATTO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JILMAR TATTO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, entendo a boa vontade de V.Exa. no sentido de aguardar o relatório final. O relatório original foi apresentado ontem e dúvidas foram tiradas com o Relator. Há um conhecimento geral dessa matéria. A única dificuldade é com relação ao ordenamento dos artigos. Para podermos acelerar nossos trabalhos e não ficarem os Deputados no plenário esperando, já que não há dúvidas de conteúdo em relação ao relatório, V.Exa. poderia prosseguir a votação dessa matéria para ganharmos tempo e não ficarmos até tarde da noite aqui. Até porque há outros pontos na pauta. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Em dado momento, o Plenário manifestou, por meio de alguns Parlamentares, dificuldades para compreender o conjunto das modificações produzidas. Naquele momento, a Presidência informou que aguardaria a distribuição do parecer. Foi uma maneira de resolver aquela dificuldade naquele momento. Portanto, só alterarei esse procedimento se o conjunto dos Parlamentares liberar a Mesa. Da minha parte, estou preso àquilo que já falamos. Mas concordo com a preocupação de V.Exa. no sentido de agilizarmos os trabalhos. 318 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. MARCELO TEIXEIRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. MARCELO TEIXEIRA (PR-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. VICENTE ARRUDA (PR-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. BETO MANSUR (PP-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na última votação. O SR. JOÃO LEÃO (PP-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. LÉO ALCÂNTARA (PR-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior acompanhei a orientação do partido. O SR. RODOVALHO (DEM-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. A SRA. FÁTIMA BEZERRA (PT-RN. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, votei com o partido na votação anterior. O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA (PR-AL. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei com o PR na votação anterior. O SR. ROBERTO ROCHA (PSDB-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. O SR. GIACOBO (PR-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei conforme a orientação do partido na votação anterior. A SRA. ANGELA PORTELA (PT-RR. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, votei com o PT na votação anterior. 319 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ZENALDO COUTINHO (PSDB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, acompanhei o PSDB na última votação. O SR. LUIZ BASSUMA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o partido. 320 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, os democratas querem cumprimentar o Deputado Rafael Guerra, que tem presidido a Frente Parlamentar da Saúde de maneira inteligente, harmônica, democrática, fazendo um trabalho suprapartidário. Portanto, parabenizamos S.Exa. pela recondução à Presidência da Frente Parlamentar da Saúde. 321 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Pergunto ao Plenário se podemos fazer o encaminhamento enquanto se prepara a distribuição do parecer. Se houver concordância do Plenário, podemos conduzir os encaminhamentos. 322 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, V.Exa. poderia iniciar o encaminhamento. Se houver alguma alteração, daria tempo. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Da parte da Presidência, tudo bem. 323 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, podemos iniciar o encaminhamento sem entrar na votação. 324 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 O SR. PRESIDENTE REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Antônio Carlos Mendes Thame, para encaminhar contra. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, estava inscrito para falar contra a medida provisória, mas ressalto, novamente, esse detalhe que, para nós, não é um detalhe, e, sim, algo extremamente importante sobre a vedação à adesão das pessoas jurídicas que optaram pelo SIMPLES. Em segundo lugar, quero falar sobre a miscelânea que foi a inclusão de mais de 10 novos itens nessa medida provisória, transformando-a numa minicolcha de retalhos que trata de diversos assuntos de uma forma pontual, no varejo, em lugar de optarmos por uma verdadeira reforma tributária que, de uma forma equânime e equilibrada, mudasse a carga tributária, diminuísse esse peso sobre o setor privado, que aumenta a cada dia. Hoje, temos uma notícia extremamente preocupante. Diz o Governo que vai dividir o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em 2. O IBAMA é fruto de uma fusão de 4 entidades: o IBDF, a SUDHEVEA e mais 2 órgãos. Por que essas 4 entidades foram fundidas e o IBAMA foi criado? Por economia processual, para diminuir o custo e aumentar a eficácia, com 4 órgãos do Governo trabalhando juntos. Agora, diz o Presidente da República que vai dividi-lo em 2, o que significa criar uma sinecura a mais. São mais funcionários, mais pessoas contratadas para fazer a mesma coisa. São 2 órgãos. Haverá 2 direções, 2 gerências, 2 séquitos de assessores para acompanhar os inúmeros diretores. Significa aumento da carga tributária para fazer a mesma coisa! 325 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Quer dizer, o que este Governo apresenta não só para nós, que viveremos 4 anos, mas para as futuras gerações, para os futuros Governos? Aumento da carga tributária! Trata-se de aumento da carga tributária, que só pode ser compensada das seguintes formas: seja com aumento de impostos; seja com a ida ao mercado financeiro para tomar mais dinheiro emprestado! De qualquer forma, significa algo no rumo contrário daquilo que nós imaginamos: um governo enxuto, capaz de ter receita e superávit para investir em vetores de desenvolvimento que criem emprego e renda para a população. Sem embargo, vimos o esforço conjunto dos partidos no sentido de melhorar o projeto, de avançar, de significar, para muitos desses setores produtivos, torturados por essa carga tributária quase insuportável, pelo menos um sufoco para continuar a criar mais emprego e renda para a população brasileira. Nesse sentido, mais uma vez reiteramos a necessidade de uma reforma tributária que mereça este nome no País, e que o Governo regulamente, o mais rapidamente possível, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, tão esperada por mais de 90% dos pequenos e médios empresários do País. Muito obrigado, Sr. Presidente. 326 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Fernando Coruja, que falará a favor da matéria. O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós, do PPS, decidimos apoiar o PAC a fim de que o Governo tenha argumentação para cumprir o que prometeu: um plano de obras. Não queremos ser responsáveis, no Congresso Nacional, pela obstrução do PAC. Ele empacará não no Congresso Nacional, mas no Governo, quando não se puder fazer as obras, por falta de recursos, pela questão ambiental e, principalmente, pela sua dificuldade gerencial. Sr. Presidente, esta matéria, claramente, quando entrou na pauta desta Casa, tinha um conteúdo, tratava basicamente da criação do Regime Especial de Incentivos para Desenvolvimento da Infra-Estrutura. Hoje se tornou um Frankenstein: trata do leite, do cigarro; dá isenção tributária a dezenas de empresas; permite que a dívida ativa da União, dos Estados e Municípios seja cobrada pelos bancos. Tudo bem. A da União até tem justificativa. Mas passar a cobrança do IPTU ao sistema bancário provocará no País uma crise nas dívidas do povo. Deputado Acélio Casagrande, candidato a Prefeito no sul do Estado de Santa Catarina, temos vários problemas. Não podemos permitir — e apresentamos um destaque para impedir isso — que todos as Prefeituras transfiram aos bancos as dívidas de IPTU, de ISS, porque são dívidas de pequenos. Se cobradas pelos bancos, o que fará o consumidor? Estará lascado! Aqui é tudo ao Estado, tudo ao Governo, tudo ao Sistema Financeiro e nada ao pobre. Quando queremos incluir nas MPs algo em defesa do trabalhador que 327 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 quer usar o FGTS para pagar a escola do seu filho, não pode. É matéria estranha. Mas, quando se traz benefícios às empresas, às concessionárias do sistema elétrico, pode tudo. Está-se permitindo que contratos de empresas elétricas sejam prorrogados sem licitação. É um absurdo! Portanto, inscrevemo-nos para falar a favor da medida provisória, somos a favor do texto básico, mas queremos discutir destaque por destaque daquilo que foi incluído no final, e vamos votar nesse destaque para retirar esses assuntos da medida provisória. 328 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, informo em primeira mão ao Plenário que o oitavo voto dado agora no Supremo Tribunal Federal determinou a instalação da CPI do Apagão Aéreo (palmas), nossa luta por muito tempo e que resistiu àquela manobra regimental. Agora o STF está dando garantias plenas à Minoria ao permitir a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Foi anunciado com a mesma ênfase que estava 9 a 0. Não entendo como está voltando atrás. Mas, de qualquer maneira, é melhor ouvirmos todas as informações. 329 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. NEUCIMAR FRAGA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. NEUCIMAR FRAGA (PR-ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior, votei de acordo com o partido. A SRA. ALINE CORRÊA (PP-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com o partido. 330 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para falar contra a matéria, concedo a palavra ao Deputado Luiz Carlos Hauly. O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Deputado Odair Cunha conseguiu conciliar alguns problemas derivados dessa loucura que é o sistema tributário, que provoca muitas distorções no modelo econômico nacional, afeta a concorrência, as empresas e os trabalhadores. Valho-me das palavras do Deputado Jovair Arantes: mais de 100 mil empregos poderão ser gerados a partir da decisão de corrigir um erro tributário quanto ao PIS/COFINS da esmagadora indústria de soja e de grãos do Brasil. Ou seja, quanto tempo perdemos devido às inadequações do sistema tributário brasileiro? São “n” casos. O País começa a despertar e o Congresso a perceber que essas mudanças podem ser totais, completas, radicais, simplificadoras no sistema tributário brasileiro, adotando a melhor prática tributária do mundo com inteligência e racionalidade. O Líder do Governo, José Múcio Monteiro, e os Deputados que atuam conosco na Comissão de Finanças sabem que nesta matéria de reforma tributária, se fizerem algo importante e grande, terão apoio da Oposição. Queremos deixar claro que, quando as medidas são benéficas para o País, patenteamos e lhes damos mérito, como acabou de ocorrer na solução de um gravíssimo problema, a recomposição do aproveitamento dos créditos do PIS/COFINS da pessoa física e cooperativa adquirida pela esmagadora indústria. É verdade que o ideal seria 60%, mas saiu de 35% para 60%. O problema do aproveitamento de crédito das termoelétricas foi resolvido. De maneira geral, quando 331 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 temos de condenar, condenamos, criticamos, somos duros, mas também reconhecemos quando as coisas são bem-feitas. Neste momento aproveitamos a oportunidade para refletir sobre o modelo econômico, político e educacional brasileiro. Podemos romper as barreiras, o que depende do Congresso Nacional. E, se as Lideranças se entenderem, a Oposição está disposta a ajudar a resolver as grandes questões do País. Estaremos sempre prontos quando a matéria for de interesse público nacional. Quando não for, denunciaremos, proporemos fiscalização, enfim, criticaremos. Mas se for preciso acordo, fica provado e claro que poderemos fazer um grande entendimento para o País. Muito obrigado. 332 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o texto apresentado pelo Relator não modificou o art. 32, inciso XII, quando diz: “modificados ou não”. S.Exa. disse que retiraria esse termo do texto, mas ele continua presente nesta última versão. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Peço ao Deputado Odair Cunha que converse com o Deputado Ronaldo Caiado para esclarecer esse ponto, sem prejuízo de que se houver de produzir alteração será feito, enquanto fazemos o encaminhamento. Tudo bem? O Deputado Odair Cunha está em plenário? (Pausa.) 333 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Moreira Mendes, que falará a favor da matéria. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado José Pimentel. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Zé Geraldo. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Walter Pinheiro. (Pausa.) Concedo a palavra ao Deputado Colbert Martins. (Pausa.) Concedo a palavra ao nobre Deputado Eduardo Valverde. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT-RO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, apesar de a Oposição estar eufórica com a decisão do Supremo Tribunal Federal, evidentemente, a CPI do Apagão hoje não é mais motivo de grande euforia nesta Casa. Não vou entrar no mérito, porque as águas vão passar. E quem busca utilizar a CPI do Apagão para tentar fazer jogo político vai quebrar a cara. Encaminho favorável à medida provisória. 334 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Eu vou dar uma informação ao Plenário. Deputado Ronaldo Caiado, o Sr. Relator acabou de esclarecer à Mesa — e vou esclarecer ao Plenário, página 18 — que retiraria essas duas palavras, “modificados ou não”. Ocorre que alguém da digitação não cumpriu o que S.Exa. disse da tribuna. Portanto, estão retiradas essas 3 palavras: “modificados ou não”. Então, a frase ficaria da seguinte maneira, no art. 32: “Os arts. 1º e 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º........................................................................ XI - leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano.” Concluindo, na página 18, na primeira frase, foram retiradas as palavras “modificados ou não”. Está claro quanto a isso? 335 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, está sendo distribuída agora a Emenda de Redação nº 1: “dê-se ao art. 38 do projeto de conversão a seguinte redação”. Mas o projeto de convenção tem só 37 artigos. Não existe o art. 38. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Também houve um erro de digitação. É só conferir. No lugar onde está escrito “art. 38” é “art. 34”. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Trinta e quatro? O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Isso. É do projeto de conversão a seguinte redação. “Art. 34. Aplica-se às sociedades cooperativas que tenham auferido, no anocalendário anterior...” e segue até “referida Lei Complementar”. Está aqui assinado pelo Deputado Odair Cunha, com essa modificação. E vai ser votado como emenda de redação. Aplaudo os Deputados que, atentamente, questionam esses pequenos erros. 336 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JILMAR TATTO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JILMAR TATTO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, uma vez que o objetivo da Oposição era a instalação da CPI e o Supremo Tribunal Federal já proferiu sua decisão, não há mais sentido e motivo para a Oposição continuar obstruindo os trabalhos desta Casa. O Brasil precisa crescer. Precisamos aprovar o PAC rapidamente para dar andamento a esse programa. Então, sugiro que a Oposição, com sua euforia, pare de obstruir os trabalhos para que possamos votar as matérias o mais rápido possível. 337 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, só quero tranqüilizar o Deputado Jilmar Tatto, porque foi graças a essa obstrução que conseguimos evitar o arquivamento dessa CPI no Supremo Tribunal Federal. Se dependesse do partido dele, a CPI estaria sepultada. Mas ela ressuscitou graças aos Democratas e pefelistas. 338 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Peço a todos os oradores que se atenham ao tema, que tem um certo grau de complexidade. 339 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, V.Exa. me informou que na emenda de redação eu devo ler art. 34 em vez de art. 38. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Isso. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Mas se eu colocar o art. 34 aqui, o texto dessa emenda fica idêntico ao texto do projeto de conversão. Não tem alteração. Qual é a alteração? O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vamos ouvir a consultoria. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Não tem alteração, é idêntico. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Eu vou ler onde é que está a diferença, Deputado Arnaldo Faria de Sá. Se V.Exa. pegar o texto distribuído, o PLV, na página 19, diz o seguinte: “...no art. 38, inciso ll, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006...”. Como está agora alterando o art. 38 que virou art. 34? O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Está a mesma coisa, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Não. É no art. 3º, inciso ll, da Lei Complementar nº 123. Troca 38 por 3º. O SR. ODAIR CUNHA - Sr. Presidente, só para ajudar. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Está localizado? O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - O.k. 340 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. CHICO ALENCAR - Sr. Presidente, peço tempo como Líder, enquanto há esclarecimentos. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Peço a V.Exa. que aguarde só um segundo para que se faça o esclarecimento. Só um segundo, por gentileza. O SR. CHICO ALENCAR - Para surgirem novas dúvidas. Estamos aqui com toda boa vontade. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Chico Alencar, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSOL. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acabo de ser informado que o Supremo Tribunal Federal, por onze a zero, decidiu o óbvio, ou seja, que a Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as causas da crise aérea em todos os seus aspectos deve ser instalada. Nós, numa noite, há alguns meses, chegamos a 1 milímetro do consenso em relação a isso, mas, de novo, por falta de respeito ao nosso mandato, de olho na representação que exercemos, deixamos de definir algo da nossa alçada. E, obviamente, quando o Legislativo não faz, em geral, o faz o Judiciário. É assim em relação à fidelidade partidária, que queremos programática; é assim em relação ao instrumento que não é da Oposição, e, sim, da população. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Interrompo o orador para prorrogar a sessão por 1 hora. Devolvo a palavra ao ilustre orador. O SR. CHICO ALENCAR - Muito obrigado, Sr. Presidente. 341 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Será, portanto, criada essa Comissão Parlamentar de Inquérito, cujos trabalhos deverão ter bastante objetividade, respeitando o Regimento e a Constituição. Vemos agora essa confusão, com todo o esforço do Relator, Deputado Odair Cunha, quanto à medida provisória em que há apoio da grande maioria — não um consenso, porque divergimos da essência do conjunto dessas medidas do PAC — e não mais obstrução. No entanto, não progredimos no entendimento porque, em primeiro lugar, medida provisória aqui tramita sem nenhum respeito à deliberação constitucional e à Resolução nº 1, de 2002. Deve existir Comissão Mista para apreciar, dali emana o Relator, e isso não acontece. Depois, o Relator — já que não temos capacidade de legislar de maneira autônoma, e todos os que disputaram a Presidência da Casa falavam dessa ditadura das medidas provisórias — vira um depositário de demandas setorizadas, locais, ou de corporações que os Parlamentares representam. Logo, a medida provisória é uma espécie de guarda-chuva que tudo acolhe, e o Relator, qualquer que seja, tem de ser uma espécie de pára-raios do lobismo e consultar permanentemente o Governo, para ver se pode ou não incluir matérias. Isso é a degeneração do processo legislativo autônomo do Parlamento. O Governo já erra de início, embora a lei diga claramente que uma medida provisória, ou como é da boa prática legislativa, um projeto de lei, tenha de ter um objeto só. O Governo, às vezes, manda medidas provisórias com 14 assuntos diferentes e recebe emendas de mais 22 distintos. Isso é o caos legislativo, é o valetudo jurídico, político, é a confusão institucional no País, no seu arcabouço legal. 342 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Agora, como bem lembrou o Deputado Fernando Coruja, para direitos do trabalhador a dificuldade é enorme, tudo se alega em termos de vedação regimental ou constitucional. Mas para atender a demanda de setores mais fortes economicamente tudo é permitido, desde a minimização da informação sobre aleitamento materno até a questão de isenção de IPI para construção de embarcações para ricos, ou questões que interessam ao agronegócio, que são legítimas, mas não nessa confusão geral aqui estabelecida. A dificuldade está aqui, é palpável. O Deputado para votar, ou vai na onda que o Líder encaminha, ou não vai saber o que está votando. Muda-se na hora o relatório e, se esqueceu algo, corrige-se à mão ou na fala. Isso não é sério, não dá credibilidade ao Parlamento. E ainda há aqueles que querem se livrar logo da medida provisória para votar o maldito, ou bendito para alguns, reajuste da nossa remuneração, que nos comprometemos a fazer com discussão séria, ampla, envolvendo o teto do Executivo e do Judiciário, todos os gastos do Parlamentar — e o Senado lá quietinho esperando o nosso desgaste. Essa atitude não é adequada nem séria. O pessoal encaminhou hoje uma série de sugestões para uma pauta positiva e de interesse da sociedade e do Legislativo, do ponto de vista da sua capacidade de fazer leis. Somos prisioneiros das medidas provisórias, por não darmos a elas o devido tratamento regimental. Acabamos nos acomodando, e a medida provisória vira o meio que temos de legislar. Sinceramente, ninguém aqui se elegeu para isso. Esperamos que, de fato, a nova Legislatura comece em maio, e da melhor forma, olhando o interesse da sociedade e não o nosso, que é menor em relação à situação do País. 343 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Viva, pelo menos, a CPI, que, a muito custo, com muita demora, será instalada. E ela será exemplar para ver as razões de fundo da crise aérea e defender o interesse da população brasileira. A Comissão Parlamentar de Inquérito — e o PSOL, pelo rodízio, terá um vaga — investigará as razões da crise aérea, que não acabou, a qual tem parte de responsabilidade nos agentes públicos e privados, na empresa de aviação comercial, enfim, em todos que promovem tão mal prestado serviço a parcela da população brasileira. Muito obrigado. Durante o discurso do Sr. Chico Alencar, o Sr. Arlindo Chinaglia, Presidente, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Narcio Rodrigues, 1º Vice-Presidente. 344 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Em votação o parecer do Relator, na parte em que manifesta opinião favorável quanto ao atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência e de sua adequação financeira e orçamentária, nos termos do art. 8º da Resolução nº 1, de 2002, do Congresso Nacional. 345 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. EDUARDO DA FONTE - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. EDUARDO DA FONTE (PP-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do partido. O SR. VIGNATTI (PT-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do partido. O SR. DR. ROSINHA (PT-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei de acordo com a orientação do partido. 346 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Para encaminhar, concedo a palavra ao ilustre Deputado Paulo Renato Souza, que falará contra a matéria. 347 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 DISCURSO DO SR. DEPUTADO PULO RENATA SOUZA QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. (Discurso publicado na Sessão nº 103, de 10/05/07.) 348 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JACKSON BARRETO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JACKSON BARRETO (Bloco/PTB-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. O SR. AIRTON ROVEDA (PR-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na última votação, votei de acordo com a orientação do partido. 349 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Vicentinho, que falará a favor da matéria. O SR. VICENTINHO (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o debate em torno da matéria foi intenso durante toda a tarde de hoje. O Sr. Relator, Deputado Odair Cunha, está de parabéns pelo trabalho apresentado e pelo empenho demonstrado no sentido de ganharmos tempo e votar outras proposições constantes da Ordem do Dia. O PAC está aí, e precisamos votá-lo. Tenho uma boa notícia a dar, Sr. Presidente. A geração de empregos com carteira assinada no País teve o seu melhor mês de março desde a criação do CAGED, em 1992. Neste ano, o número de vagas criadas em março cresceu 91% em comparação a igual mês do ano passado. Diz o Ministro Carlos Lupi que esse bom desempenho da economia foi influenciado pela redução dos juros e pela preparação do setor privado para implantação das medidas do PAC. Essas boas notícias nos animam, Sr. Presidente. Portanto, somos favoráveis à votação da matéria. 350 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Arnaldo Faria de Sá, que falará contra a matéria. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, meu encaminhamento é mais no sentido de marcar posição contra as medidas provisórias do que em relação ao texto do projeto de lei de conversão. Ontem, tivemos oportunidade de ver matérias tributárias serem tratadas por medida provisória. Hoje, estamos novamente tratando de questão semelhante. Na medida provisória em votação estamos restabelecendo texto de outra MP, a de nº 303, que dispunha sobre a chamada multa isolada. Tal medida provisória perdeu a eficácia, e os contabilistas reclamaram que a matéria não tinha sido aprovada. Agora, o texto é recepcionado pelo Relator no art. 14 do projeto de lei de conversão, que altera o art. 44 da Lei nº 9.430 Outra questão contábil extremamente importante é o aumento de 5 dias no prazo do recolhimento da COFINS — o prazo findava no último dia útil da quinzena e agora passa a findar no último dia útil do segundo decêndio. Mesmo com esses 2 aspetos positivos, reclamados pela classe contabilista, continuamos abominando a edição de medidas provisórias. A Casa está parada. Precisamos agilizá-la. A decisão de hoje do Supremo Tribunal Federal mostra que nem sempre a deliberação da Casa atende aos interesses da sociedade brasileira. A Casa quis matar a CPI, mas o Supremo Tribunal Federal, em resultado acachapante, avassalador, vergonhoso para esta Casa, determinou a sua instalação. 351 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Temos de tomar providências para mudar o texto resultante da Emenda Constitucional nº 32, que trata das medidas provisórias, pois ele está deixando a Casa em verdadeiro estado de letargia. A Casa vota até sem saber o que está votando, o que é lamentável. Num último momento, surgem explicações sobre o que muda em determinada lei, sobre o que se altera numa outra, sobre o que trata esse artigo ou aquela emenda. Na verdade, ao votar matérias dessa maneira, estamos nos expondo ao ridículo. Sr. Presidente, temos sido contra a admissibilidade de diversas medidas provisórias que têm diminuído esta Casa, que a têm colocado no chão, a reboque dos interesses do Poder Executivo, que faz o que quer e o que bem entende. Talvez amanhã tenhamos uma janela, mas, na semana que vem, voltaremos à enxurrada de medidas provisórias. Ora, esta Casa não tem de buscar janela, mas uma porta de saída para essa crise, ou seja, acabar com essa pletora de medidas provisórias, o que vem fazendo com que a Casa se desvalorize e cada vez mais perca seu contexto legislativo. Sr. Presidente, protestando contra mais uma medida provisória e contra a série que virá a partir da próxima semana, encaminho contra a admissibilidade, ainda que ressalve 2 aspectos importantes, abordados inicialmente no meu encaminhamento, referentes a questões de interesse da classe contabilista. 352 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Para encaminhar, concedo a palavra ao nobre Deputado Marco Maia, que falará a favor da matéria. O SR. MARCO MAIA (PT-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero parabenizar o Deputado Odair Cunha pelo seu trabalho e seu desprendimento na condução dos debates acerca dessa medida provisória. Somos favoráveis à matéria. Com a sua aprovação, poderemos avançar na apreciação de medidas provisórias importantes para o País, como as referentes ao PAC. Mais uma vez, parabenizo o Deputado Odair Cunha pelo seu trabalho e seu desprendimento na relatoria dessa medida provisória. 353 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Em votação o parecer do nobre Relator. 354 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como votam os Srs. Líderes? Como vota o PV? (Pausa.) Como vota o PPS? (Pausa.) Como vota o PR? A SRA. JUSMARI OLIVEIRA (PR-BA. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, o PR vota “sim”. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PSOL? O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, por esse processo confuso do guarda-chuva da medida provisória, sem clareza, inclusive no tocante ao que foi incorporado e aos interesses que atende, o nosso voto é “não”. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PV? (Pausa.) Como vota o PPS? (Pausa.) Como vota o PP? O SR. AFONSO HAMM (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PP vota a favor, destacando o fato de o nobre Relator ter incluído o incentivo à irrigação, o que é muito importante para a agricultura brasileira. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como votam os Democratas? O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, para ser entendido pelas pessoas que estão em casa, eu diria que essa medida provisória assemelha-se a decisão tomada numa reunião de condomínio, segundo a qual muitos condôminos passam a ficar isentos de pagar a taxa de condomínio enquanto outros passam a pagar uma taxa maior. 355 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 É assim nos subsídios concedidos de forma indiscriminada e não discutida ao setor elétrico. Portanto, os democratas votam agora contra a admissibilidade e votarão depois, no mérito, contra a medida provisória. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PPS? O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, medida provisória que trata de assuntos pendentes há anos, que prorroga contratos, que cuida de várias questões do setor elétrico — de planejamento para longos anos — é evidente que não atende os pressupostos de urgência e de relevância que a Constituição estabelece. Por isso, encaminhamos o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PSDB? O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o excesso de medidas provisórias obstrui a pauta desta Casa e os penduricalhos nelas constantes distorcem questões que deveriam ser tratadas em projeto de lei. Hoje, atingimos o paroxismo, o grau absoluto de confusão, de mudanças feitas de afogadilho, de decisões tomadas sem o menor estudo e avaliação. Registro minha tristeza e indignação pela forma como as coisas têm acontecido nesta Casa e que em nada contribuem para aperfeiçoar o processo legislativo e as práticas democráticas. Quando se legisla sobre matéria tributária por medida provisória, geram-se distorções, mesmo quando se procura corrigir distorção ou problema eventual. 356 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Como a Medida Provisória nº 351 é claramente inconstitucional, Sr. Presidente, o PSDB vota contra a sua admissibilidade e contra o seu mérito. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PV? O SR. ROBERTO SANTIAGO (PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PV vota “sim”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o PP? (Pausa.) Como vota o Bloco Parlamentar PSB/PDT/PCdoB/PMN/PAN/PHS/PRB? O SR. DR. UBIALI (Bloco/PSB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o Bloco Parlamentar reconhece o esforço do Governo na redução da carga tributária, se não tão abrangente, mas bastante para estimular a infra-estrutura. Se não se concretizar a redução tributária preconizada pela medida provisória, não se atrairão os investimentos necessários para o financiamento inicial da infra-estrutura. Portanto, votamos a favor da medida provisória, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como o vota o PT? O SR. VICENTINHO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, essa medida provisória representa um grande salto de qualidade para o crescimento do País. É o que queremos. Votamos pela admissibilidade, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota o Bloco Parlamentar PMDB/PTB/PSC/PTC? O SR. PEDRO FERNANDES (Bloco/PTB-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O Bloco Parlamentar vota “sim”, Sr. Presidente. 357 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota a Liderança da Minoria? O SR. WALDIR NEVES (PSDB-MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - A Liderança da Minoria encaminha o voto “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Como vota a Liderança do Governo? O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) A Liderança do Governo vota “sim”, Sr. Presidente. 358 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Em votação o parecer. 359 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Os Srs. Deputados que forem pela aprovação permaneçam como se encontram. (Pausa.) APROVADO O PARECER, CONTRA O VOTO DO DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ. 360 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Em votação o parecer do Relator na parte em que manifesta opinião pelo não-atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência e de sua adequação financeira e orçamentária, nos termos do art. 8º da Resolução nº 1, de 2002, do Congresso Nacional. 361 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Para encaminhar, concedo a palavra ao ilustre Deputado Leonardo Vilela, que falará contra a matéria. O SR. LEONARDO VILELA (PSDB-GO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, hoje, pela enésima vez nesta Legislatura, passamos o dia inteiro discutindo uma medida provisória, uma medida provisória que traz em seu bojo 21 artigos e, com o projeto de lei conversão, passa a ter 38 artigos. Além de as medidas provisórias obstruírem a pauta da Câmara, as matérias de que tratam deveriam tramitar via projeto de lei, ser discutidas e votadas nas Comissões Permanentes e no plenário desta Casa sem afogadilho, sem açodamento. Quando essas matérias vêm por medida provisória e são aprovadas sem adequada discussão, muitos assuntos impertinentes são também aprovados e depois, lá na frente, vão se tornar problemas. Pior ainda é quando as medidas provisórias servem de veículo para intervenção de toda forma. Então, assuntos tributários e outros que nada têm a ver com a matéria original pegam carona em seus textos, prática que distorce ainda mais o papel do Legislativo federal. Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, encaminhamos voto contrário a essa medida provisória, ao mesmo tempo em que solicitamos à Mesa Diretora desta Casa que adote os critérios constitucionais para a aceitação dessas medidas provisórias. Ao encerrar minhas palavras, quero cumprimentar o Líder e a bancada do PSDB, o Líder e a bancada do DEM, o Líder e a bancada do PPS, os companheiros 362 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 que acreditaram no direito das minorias e o Supremo Tribunal Federal, este por ter, unanimemente, dado ganho de causa às Oposições desta Casa no tocante à implantação da CPI do Apagão Aéreo. Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.) 363 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Onyx Lorenzoni, para uma Comunicação de Liderança, pelo Democratas. O SR. ONYX LORENZONI (DEM-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhores que assistem a esta sessão, a decisão tomada há poucos instantes pelo Supremo Tribunal Federal não deixa margem a nenhuma dúvida. O direito das minorias está consagrado. Não há mais nenhum Governo, nenhuma Maioria, como dizíamos desta tribuna, que possa enterrar, patrolar ou atropelar o direito da Minoria. A grande notícia para todos os Parlamentares e para o País é que o Brasil, graças a Deus, nunca será uma Venezuela. Entre nós, Sr. Presidente, nunca se reproduzirá a situação vigente na Venezuela, porque aqui há Oposição no Parlamento. Acabam de chegar do Supremo Tribunal Federal o Deputado Vanderlei Macris, o Deputado Otavio Leite — autores do requerimento —, o Líder Antonio Carlos Pannunzio e o Líder Júlio Redecker. Reunidos os 3 partidos — o de S.Exas., o nosso e o do Líder Fernando Coruja —, lutamos por 49 dias não apenas na defesa dos direitos da Minoria, mas também para mostrar que, na democracia, o Governo tem limites, não pode tudo, e que, na democracia, Presidente da República não é imperador. E isso se pode verificar pelo histórico voto do Ministro Celso de Mello, que, entre outras coisas, diz o seguinte: "Não se pode transgredir o direito da Minoria”. A decisão do Parlamento foi um erro crasso, destituído de fundamento constitucional. 364 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Lembro-me de que Deputado Fernando Coruja, numa observação feita nesta Casa, ressaltou que não havia fundamento constitucional para aquela decisão. E S.Exa. estava correto. É importante destacar que o direito da Minoria foi introduzido no Direito Internacional a partir da Constituição de Weimar. No Brasil, remontam ao art. 28 Carta constitucional de 1891 os primeiros fundamentos do Direito hoje consolidado. É importante ainda os brasileiros saberem, primeiro, que haverá CPI na Câmara e no Senado; segundo, que haverá investigação, apuração e responsabilização; terceiro, que, permeando tudo isso, haverá a busca de soluções para o caos criado no controle do tráfego aéreo brasileiro. Palavras do Ministro: “Nada pode ser mais ultrajante, para o sentimento de decência nacional, do que os eventos que compõem a sucessão de graves incidentes que culminaram no terrível acidentes aéreo (...) e que representou o mais dramático episódio de toda essa cadeia de lamentáveis ocorrências...”. Cadeia que se inicia com o acidente, passa pela humilhação de milhares de brasileiros nos aeroportos, transcorre por dentro deste plenário, pelo plenário da CCJ desta Casa, que negou o direito constitucional da Minoria, lesando, acima de tudo, o direito dos usuários do transporte aéreo no Brasil. É importante deixar consignado nos Anais desta Casa — e tenho certeza de que os demais Líderes também farão registros a respeito — a capacidade que o cidadão comum tem de enfrentar o Estado quando a máquina de poder de qualquer 365 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 administrador falhar. Hoje, é o Imperador Lula I, segundo quem tudo foi feito neste País pela primeira vez sob o Presidente Lula I. Mas foi da lavra de S.Exa. também a tentativa de retirar da Minoria, de retirar da sociedade brasileira o direito à investigação, o direito ao respeito que o usuário deve ter. Portanto, estamos reafirmando — com a decisão do Supremo Tribunal Federal — que qualquer pensionista, aposentado, estudante, pequeno comerciante, agricultor, dona de casa, caso sejam atingidos os direitos consagrados pela Carta Constitucional, o grande contrato feito entre o povo brasileiro e as instituições democráticas, terá a certeza de que eles serão garantidos pelo Supremo Tribunal Federal. É importante acentuar neste momento que o Supremo Tribunal Federal nos dá a tranqüilidade, a segurança de que este País continuará livre e democrático. Democrático, Sr. Presidente, na concepção de que Ministros da Suprema Corte nomeados neste Governo poderiam considerar esse aspecto na definição do seu voto. Todos, porém, de maneira uníssona e definitiva, plasmaram nos Anais do Supremo Tribunal Federal que no Brasil a Constituição é para valer e que os direitos individuais e coletivos serão protegidos. Quero fazer uma referência, ilustre Deputado Rodrigo Maia, Presidente dos Democratas, à bravura e a coragem com que as bancadas dos Democratas, do PSDB e do PPS se houveram neste Parlamento. Durante 49 dias, sustentamos a luta em busca de ver o direito da Minoria respeitado e os princípios constitucionais valorizados. Acima de tudo, Presidente Rodrigo Maia, V.Exa. comanda um partido e uma bancada de homens e mulheres livres, de homens e mulheres que honram os votos que receberam, de homens e mulheres que têm a coragem de enfrentar tudo o 366 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 que aqui enfrentamos, em alguns momentos sozinhos, em outros momentos com a parceria honrosa do PSDB e do PPS. Aproveito para agradecer aos Deputados do PSDB a coragem e a bravura. Saúdo igualmente, Deputado Fernando Coruja, a bravura e a coragem dos Deputados do PPS. O Brasil, Sr. Presidente, nunca será uma Venezuela, porque aqui há uma Oposição com a coragem de partidos como o PSDB, os Democratas e o PPS e há, sobretudo, o Supremo Tribunal Federal, garantidor das liberdades e da democracia. (Palmas.) 367 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNON BEZERRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNON BEZERRA (Bloco/PTB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na votação anterior, votei com o partido. 368 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Antonio Carlos Pannunzio, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSDB. O SR. ANTONIO CARLOS PANNUNZIO (PSDB-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não trago novidade alguma. As boas notícias chegaram antes que pudéssemos estar de volta a esta Casa. Tenho comigo a cronologia dos fatos, mas se enganam aqueles que pensam que tenho a cronologia dos fatos para a instalação da CPI. Tenho muito mais que isso: tenho a cronologia dos fatos da batalha pela democracia neste País. Lembro-me, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que na noite do dia 21 de março, neste plenário, por manobra conduzida pela Liderança do Partido dos Trabalhadores, foi a votos o que dizia respeito não apenas à instalação de uma CPI, mas ao direito das minorias. Lembro-me ainda de todos os companheiros do PSDB, do PPS e os Democratas que firmaram posição conosco, e quero citar nominalmente os Deputados Vanderlei Macris e Otavio Leite. Lembro-me do que ocorreu naquele dia 21. Declaramos que entrávamos em obstrução e saímos em bloco do plenário. Saímos entristecidos, porque se prenunciava uma noite escura, e, embora tivéssemos confiança no Estado de Direito e nas regras da democracia, não sabíamos como seria o dia seguinte. Iniciamos, então, uma batalha no Supremo Tribunal Federal. Batalha, Sras. e Sr. Deputados, que tinha por objetivo que não apenas as 2 Casas do Congresso Nacional, mas também as Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas dos 369 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Estados pudessem reafirmar um postulado máximo do Estado de Direito: a Maioria pode muito, mas não pode tudo. A Maioria pode fazer aquilo que a lei permite, mas não pode extrapolar seus limites. (Palmas.) Essa é a maior lição a ser extraída da histórica decisão do Supremo Tribunal Federal do dia de hoje: por unanimidade, o STF restaurou o direito das minorias de fiscalizar as ações governamentais. Pouco nos resta em termos de nossas atribuições constitucionais, uma vez que o Executivo dispõe de extraordinário instrumento para legislar: as medidas provisórias. A maior parte da produção legislativa das Casas Parlamentares acaba sendo de iniciativa do Executivo. Quase nada ou absolutamente nada nos restaria se não pudéssemos, no mínimo, fiscalizar os atos do Governo, apontar onde estão ocorrendo erros, exigir medidas que reponham as coisas nos devidos lugares, exigir respeito ao povo brasileiro. E foi o que o Supremo Tribunal Federal reafirmou hoje. Enganam-se aqueles que acham que, por serem maioria esmagadora, a eles tudo é permitido. Não! A eles é permitido o que o Regimento e a Constituição permitem. Além disso, nem uma vírgula, nem um milímetro a mais. E é isso que precisa ficar como lição para esta Casa. O Parlamento tem se abaixado muito, tem sido servil. Mas o Parlamento tem papel fundamental no Estado de Direito. Compreendo perfeitamente o empenho da Maioria em respaldar os atos do Governo. Já fomos Governo e sabemos como se deve proceder. Todavia, hoje entendo mais ainda o papel da Minoria de denunciar, de requerer informações, de instalar CPIs, de atender à expectativa do povo que a elegeu como Oposição e de corresponder à confiança depositada nos seus integrantes. 370 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Sras. e Srs. Parlamentares, 25 de abril passa a constituir um dia histórico, o dia em que o Supremo Tribunal Federal disse claramente ao Brasil: democracia só existe quando se respeita também às minorias. Muito obrigado. (Palmas.) 371 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Fernando Coruja, para uma Comunicação de Liderança, pelo PPS. O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós, da Oposição ao Governo Lula, estamos satisfeitos com o fato de termos obtido uma vitória no Supremo Tribunal Federal — o Deputado Onyx Lorenzoni e a bancada do Democratas, os Deputados Antonio Carlos Pannunzio, Júlio Redecker, Otavio Leite, Vanderlei Macris e a bancada do PSDB, enfim, todos os Deputados oposicionistas. No entanto, mais do que nossa, trata-se de uma vitória da população brasileira, porque o que era simples requerimento de instauração de uma CPI para investigar a crise do tráfego aéreo foi transformado por este Plenário numa decisão sobre direitos subjetivos da população — não os nossos — que representamos. Por outro lado, a decisão do Supremo Tribunal Federal tem uma conotação muito importante, semelhante àquelas que decidiram a respeito de direitos civis nos Estados Unidos. A decisão coloca no caminho certo o direito das minorias — portanto, o direito do povo brasileiro — de fiscalizar as ações do Governo. Hoje, talvez a principal tarefa do Poder Legislativo, atormentado pelo poder avassalador de o Executivo legislar mediante medidas provisórias, seja a de fiscalização. E decisão contrária do Supremo Tribunal Federal ao mandado de segurança impetrado obscureceria não apenas o Congresso Nacional, mas todo o Poder Legislativo no País. Por isso, a transcendência da decisão da Suprema Corte. É preciso também ressaltar o tempo que perdemos: 50 dias. Nesse espaço, poderíamos ter debatido outros assuntos, como segurança pública, mas não o fizemos devido à intolerância da Maioria, intolerância, diga-se a bem da verdade, 372 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 imposta não pelos Parlamentares, mas pelo Palácio do Planalto, que pressionou o Parlamento no sentido de impedir a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Temos de comemorar, Sras. e Srs. Deputados, mas temos também de fazer uma reflexão a respeito do tema e, a partir de agora, pensar o que vamos fazer nessa CPI. Já se comenta que a CPI pode ser “chapa branca”, porque nesta Casa a Oposição é minoria. Mas tenho certeza de que assim não ocorrerá, porque é preciso que o poder fiscalizatório do Legislativo seja exercido por todos nós que representamos o povo brasileiro, pela imprensa vigilante e pelo próprio povo, que vai estar atento ao desenrolar dos acontecimentos. Temos de apresentar soluções para os problemas do povo brasileiro. E entre as soluções que ele espera de nós outros está a da crise do tráfego aéreo. O acidente com o avião da Gol escancarou a verdadeira situação do tráfego aéreo no País. E frise-se que a crise também se estende por outros setores, não apenas em relação ao tráfego aéreo. Nosso desafio agora é, satisfeitos com a decisão do Supremo Tribunal Federal, fazer com que CPI investigue de fato a crise aérea e, principalmente, aponte soluções para ela — e tenho certeza de que vamos fazer isso. Poderíamos ter resolvido esse problema internamente, pela negociação — não precisávamos ter recorrido ao Supremo —, mas, infelizmente, não o conseguimos. Que isso nos sirva de lição no encaminhamento de futuros episódios. Aliás, temos que repetir aqui frase dita por um Imperador prussiano: “Ainda há juízes em Berlim”. Felizmente, Sr. Presidente, há juízes no Brasil que colocaram a democracia no caminho correto. Obrigado. 373 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Luiz Sérgio, para uma Comunicação de Liderança, pelo PT. S.Exa. dispõe de 7 minutos. O SR. LUIZ SÉRGIO (PT-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, primeiro, muito aqui se falou sobre decisão da Justiça, tarde histórica, comemoração Para nós, do PT, trata-se realmente de uma tarde histórica e de comemoração, porque estamos comemorando decisão do Tribunal Superior Eleitoral — favorável ao nosso partido — a respeito de ação movida pelo PSDB e pelo DEM: no bojo da disputa política, esses partidos ajuizaram uma ação eivada de denúncias caluniosas e carente de provas contra o PT. Segundo, o PSDB e o DEM vêm a este plenário e falam em direito da Minoria. Mas eu pergunto: com que autoridade? Com a autoridade de quem governa São Paulo há 12 anos e, nesse período, jamais permitiu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito? Ou não existe Minoria na Assembléia Legislativa do Estado? Ou não existe nenhum pedido de CPI naquela Casa? Onde estão os mais de 70 pedidos de CPIs arquivados? É com essa autoridade que vêm falar nesta Casa? O Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão, e decisão do Supremo cumpre-se. Vamos à CPI, esperando que ela seja séria e efetivamente trabalhe. A população brasileira é mais esclarecida do que supõem alguns que se arvoram em falar em seu nome. Citemos um exemplo concreto: quando a CPI dos Bingos estava funcionando, já existia a operação deflagrada pela Polícia Federal para investigar essas casas de jogos. E hoje sociedade pergunta: por que nenhum dos juízes que vendiam liminares foram convocados a depor? Por que nenhum dono 374 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 de casa de bingo foi convocado a depor? Porque a CPI foi transformada em mero instrumento de disputa política. É isso que nós, do PT, não queremos. Nada temos a esconder, nada temos a temer. Estamos vacinados com relação a esses processos de disputa política. E se temos uma marca, essa é a de superar dificuldades. Não temos medo de cara feia. Não temos medo de CPIs. Não temos medo de confrontos. Estamos preparados para o que der e vier, pois temos o respaldo da população brasileira, que nas urnas rejeitou esses querem CPIs apenas para fazer a baixa disputa política. A decisão do Supremo Tribunal Federal não modifica minhas convicções relativamente à questão de ordem que aqui levantei. Por que não queríamos a CPI? Não queríamos a CPI para aprovar o PAC. Pesquisa hoje divulgada pelo Ministério do Trabalho revela que no mês de março deste ano houve aumento de empregos formais, com carteira assinada. É o reflexo positivo do otimismo existente no País com o Programa de Aceleração do Crescimento. Aliás, seria muito bom que as Oposições estudassem o Programa de Desenvolvimento da Educação Brasileira, lançado ontem, e refletissem sobre ele. Mais de 150 escolas técnicas serão construídas nos próximos anos. Mas às Oposições não interessa falar sobre isso. Para se ter idéia da dimensão desse programa, basta dizer que ele vai implantar mais escolas técnicas do que todas as construídas nos mais de 180 anos da República, pois hoje existem apenas 140. É evidente, porém, que esclarecer não faz parte da política das Oposições, embora faça da nossa. Nos próximos anos, a universidade aberta, por exemplo, vai criar mais de mil pólos no País e qualificar mais de 2 milhões de profissionais da educação. Além disso, há o programa que vai duplicar o número de vagas nas 375 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 universidades públicas brasileiras e ainda a iniciativa do Governo de abrir mais 100 mil vagas no PROUNI, programa revolucionário que proporciona acesso de alunos oriundos das classes populares e afro-descendentes à universidade. Esses, para nós, deveriam ser os pontos fundamentais a serem debatidos neste Parlamento. E nós o dizemos com a autoridade de quem está aprovando nesta Casa a última medida provisória relativa ao Programa de Aceleração do Crescimento, programa que — afirmamos — vai ser um marco divisório na história do País. A partir dele, o Governo deixa de ser mero financiador e passa à condição de planejador e de executor de um programa que levará o País ao desenvolvimento integrado, como forma efetiva de diminuir as desigualdades regionais. Sr. Presidente, de cabeça erguida, afirmo que temos plena convicção de que fizemos o que tinha de ser feito. Estamos contentes por ver que nesta Casa estamos acelerando a votação das medidas provisórias relativas ao PAC. E, com a autoridade daqueles que estão efetivamente melhorando a vida do povo brasileiro, queremos que essa seja uma CPI séria. Acreditam os brasileiros que assistem aos nossos trabalhos que diante dos holofotes da televisão vão ser solucionados os problemas atinentes à crise do tráfego aéreo? Será que debaixo dos holofotes Governo e controladores encontrarão soluções para esses problemas? É evidente que não! Pois foi com essa convicção que lutamos contra a CPI. Não porque desconhecêssemos a existência do problema, mas porque tínhamos a convicção de que o que se buscava era a concorrência, sobretudo aqueles que não tiveram coragem de se posicionar contra esse programa que leva o Brasil a se encontrar com sua história. Acima de tudo, esse programa foi construído sobre alicerces 376 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 firmes, sólidos, e haverá de proporcionar o crescimento econômico que gerará o que povo brasileiro espera há muito tempo: emprego e melhor salário. Já que vai haver CPI, vamos a ela de cabeça erguida, conscientes de que nada temos a esconder nem a temer. Queremos que ela seja um instrumento sério do Parlamento, que não sirva de palanque eleitoral, até porque as eleições passaram e os vitoriosos foram os partidos da base e, entre eles, de forma especial, o Partido dos Trabalhadores. 377 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A SRA. RITA CAMATA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. RITA CAMATA (Bloco/PMDB-ES. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, na votação anterior votei com o PMDB. 378 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. JÚLIO REDECKER - Sr. Presidente, peço a palavra para uma Comunicação de Liderança, pela Minoria. O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) - Antes de conceder a palavra ao Líder da Minoria, informo aos Srs. Deputados que, logo após, encerraremos a presente sessão e convocaremos outra imediatamente, com o objetivo de concluir a votação desse item da pauta. Concedo a palavra ao nobre Deputado Júlio Redecker, para uma Comunicação de Liderança, pela Minoria. O SR. JÚLIO REDECKER (PSDB-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de tudo, quero dizer ao Deputado Luiz Sérgio que houve mesmo incompetência na Assembléia Legislativa de São Paulo durante os 2 anos em que o PT ajudou a comandá-la na 1ª Secretaria. E lá realmente não foi instalada, por não existir fato determinado, nenhuma CPI. No caso presente, houve uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal, que, pela voz de um de seus Ministros, disse que não era possível esta Casa fraudar a Constituição. Por isso, o Supremo Tribunal Federal definiu, por unanimidade, inclusive com o voto da sua Presidenta, a instalação da CPI nesta Casa. Hoje, deve haver nesta Casa homens e mulheres com vergonha, porque levar a erro a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, unicamente, para servir a vontade do Governo é renunciar às suas convicções, é renunciar ao exercício da própria democracia. E este Plenário, não satisfeito com aqueles que vergonhosamente decidiram contra o direito líquido e certo, previsto na Constituição Federal, acabou referendando o ato, por medo de perder eventuais benesses negociadas com o Executivo e que retiram a legitimidade desta Casa. 379 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 A Câmara dos Deputados, hoje, se pôs de pé, não pelos Srs. Deputados e Sras. Deputadas, nem pela Maioria, mas pela decisão do Supremo Tribunal Federal. É lamentável que tenha sido assim, porque muitos não tiveram coragem, primeiro, de manter a assinatura a favor da instalação na CPI; depois, retirando-as, ainda deram curso ao discurso de que estavam arrependidos e iriam dar um voto de confiança ao Governo, contrariando todos os princípios e normas de Direito. É por isso que, hoje, nós, da Oposição, e não apenas o PPS, o PSDB, o Democratas, mas também aqueles que apuseram a assinatura no requerimento para que se completasse o número necessário à criação da CPI merecem nossa homenagem — e o merecem porque tiveram coragem. E não foi só o PSOL, mas também outros partidos e Deputados sustentaram o legítimo direito de a Minoria investigar o Governo. O Governo Lula quer acordo, o Governo Lula pede acordo, mas a Oposição não oferece acordo, porque nunca conversou sobre isso. Não há CPI mista, não há equilíbrio de forças. O que há é uma decisão do Supremo que restabelece direito aqui negado em razão de conveniências políticas, em detrimento da Constituição. Sr. Presidente, queremos que funcione a CPI da Câmara e a do Senado. Quando nós, junto com o Líder Antonio Carlos Pannunzio, dissemos à bancada de Senadores do nosso partido para aguardar o julgamento do Supremo, não estávamos negociando a favor de ninguém, mas a favor deste Plenário. Não queríamos que o Supremo considerasse que, instalada a CPI no Senado, a da Câmara perdia o objeto, e, assim, não julgasse o que era muito mais importante do que a própria criação da CPI, isto é, a garantia do direito da Minoria. 380 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 Os governos autoritários começam suprimindo a voz das minorias. Depois, há a Lei do Audiovisual, que suprime a liberdade de opinião. E aí começa a elaboração do que, tenho certeza, constitui o desejo de muitos Parlamentares que votaram pelo parecer contrário à instalação da CPI. A Oposição não está fazendo julgamentos individuais ou coletivos sobre aqueles que votaram contra a instalação da CPI, mas a Oposição está feliz pelo restabelecimento da legítima interpretação da norma constitucional, em cima da qual esta Casa sentou. A Maioria pegou a Constituição, fechou, botou numa cadeira, sentou em cima e cravou o voto contra ela, mas hoje o Supremo decidiu, pela voz de todos os seus Ministros, pela vigência do princípio constitucional. Nesta Casa, e eu me incluo entre os que assim se manifestam, este é um dia de demonstrar alegria, mas também demonstrar sentimento da vergonha. Sentimento da vergonha, sim, porque esta Casa não agiu de acordo com o Regimento Interno, com a Constituição (palmas), e isso feriu a independência deste Poder, que parece estar começando a gostar de se curvar ao Executivo. Mas eu tenho certeza de que muitos Parlamentares que hoje dão seu voto para o Governo, no decorrer da Legislatura, abrirão os olhos para ver que a democracia é um bem muito maior do que eventualmente participar de um Governo e a ele servir, dispensando sua consciência e dispensando fundamentalmente os eleitores que aqui os colocaram. Por isso, Sr. Presidente, a decisão de acolher a questão de ordem levantada pelo Líder do PT foi correta, mas a de depois remetê-la à Comissão de Constituição e Justiça poderia ter sido evitada, para que nós hoje não tivéssemos, com a decisão do Supremo, a clara demonstração de que esta Casa falhou em todos os sentidos 381 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 na interpretação da Constituição, tendo o Supremo Tribunal Federal de recuperar a imagem de alguns Parlamentares que não se dobram e que querem a garantia dos direitos individuais. (Palmas.) O Sr. Narcio Rodrigues, 1º Vice-Presidente, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Arlindo Chinaglia, Presidente. 382 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Vou encerrar os trabalhos. 383 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (Bloco/PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, antes de V.Exa. encerrar a sessão, solicito que o painel seja zerado. Não concordo com que o atual painel seja mantido para a próxima sessão. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - A Presidência já ia perguntar se poderia transferir o painel, mas o Deputado Arnaldo Faria de Sá já se manifesta contra. Portanto, não será possível, a não ser que haja uma acomodação. 384 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. VANDERLEI MACRIS - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, votei de acordo com a orientação da bancada. 385 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Comunico ao Plenário que fui informado agora, pela imprensa, de que a interpretação do Ministro Celso Mello foi diferente da formulada agora pelo Líder Júlio Redecker, uma vez que ele, verbalmente e por escrito, elogiou todas as decisões da Presidência da Câmara dos Deputados, inclusive quando acatou o recurso. S.Exa. não considerou ter havido nenhum erro, pelo que fui informado. Mas vou ler atentamente o voto de S.Exa., até para aprender. 386 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 VII - ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão. 387 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - COMPARECEM MAIS OS SRS.: 388 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 DEIXAM DE COMPARECER OS SRS.: 389 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) - Encerro a sessão, convocando para hoje, quarta-feira, dia 25 de abril, às 20h08min, sessão extraordinária da Câmara dos Deputados, com a seguinte ORDEM DO DIA 390 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 085.1.53.O Data: 25/4/2007 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4171/4176 (Encerra-se a sessão às 20 horas e 6 minutos.) 391