MAPEAMENTO DO ESTADO DO AMAPÁ
José Roberto Berithe Pedrosa ¹
Marcelo Ribeiro de Andrade ²
Carlos Alberto Pires de Castro Filho ³
Felipe André Lima Costa 4
¹ 4ª Divisão de Levantamento
Subdivisão Técnica
Av. Marechal Bittencourt, nº 97; CEP:69029160; Santo Antônio; Manaus-AM
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[email protected]
² Centro de Imagens e Informações Geográficas do Exército
Subdivisão Técnica
Estrada Parque do Contorno Km 4,5; DF 001;CEP:71559901; Asa Norte-DF
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Resumo
A Amazônia Legal possui uma área de cerca de 5,2 milhões de quilômetros quadrados e, destes, cerca de 1,8 milhão de
quilômetros quadrados não possuem informações cartográficas terrestre satisfatórias. Assim sendo, o projeto
Radiografia da Amazônia tem por finalidade realizar o mapeamento da Amazônia Legal de modo a complementar a
base cartográfica terrestre nacional. O projeto de Mapeamento do Estado do Amapá tem por finalidade realizar o
mapeamento de uma região de “vazio cartográfico”, não contemplada pelo projeto Radiografia da Amazônia. Ao final
do projeto de Mapeamento do Estado do Amapá serão gerados novos produtos geoespaciais de uma área de 75.000 km²
na escala de 1:25.000 e uma área de 75.000 km² na escala de 1:50.000.
Palavras chave: mapeamento, Amazônia, Amapá, escala 1:50.000, escala 1:25.000
Abstract
The Legal Amazon covers an area of about 5.2 million square kilometers, and of these, about 1.8 million square
kilometers of land have no satisfactory cartographic information. Thus, the Amazon Radiography Project aims to
perform the mapping of the Legal Amazon to complement the national terrestrial cartographic base. The project
Mapping the State of Amapá is to attain the mapping of a region of "cartographic empty", not contemplated by
Radiography Project Amazonia. At the end of the project Mapping the State of Amapá will generate new geospatial
products of an area of 75,000 km ² in the scale of 1:25,000 and an area of 75,000 km ² in the scale of 1:50,000.
Keywords : mapping, Amazônia, Amapá, scale 1:50.000, scale 1:25.000
1.INTRODUÇÃO
A Amazônia Legal possui uma área de cerca de 5,2 milhões de quilômetros quadrados e, destes, cerca de 1,8
milhão não possuem informações cartográficas terrestre satisfatórias. Com o objetivo de preencher esta lacuna na
Cartografia Nacional, o projeto Radiografia da Amazônia (RAM) tem por finalidade realizar o mapeamento de parte da
Região Amazônica de modo a complementar a base cartográfica terrestre nacional (BRASIL, 2014a). A Figura 1 ilustra
uma Carta Topográfica gerada no projeto Radiografia da Amazônia.
1
Atualmente, o Projeto Radiografia da Amazônia se encontra na etapa de geração de produtos cartográficos no
Centro de Imagens e Informações Geográficas do Exército (CIGEx) e nas demais Organizações Militares Subordinadas
à Diretoria de Serviço Geográfico (DSG). A etapa referente ao imageamento se encontra concluída e as demais,
referentes ao processamento dos blocos de imagens SAR e de geração de cartas topográficas 1:50.000, se encontram em
andamento, havendo a previsão de conclusão em 2015 (BRASIL, 2014a).
Figura 1: Exemplo de produto gerado do Projeto Radiografia da Amazônia.
Fonte: CORREIA (2011).
Utilizando a mesma metodologia do projeto RAM, o projeto de mapeamento do estado do Amapá tem por
finalidade complementar o mapeamento do “vazio cartográfico” da Amazônia Legal, isto é, regiões que não possuem
dados geoespaciais disponíveis. Este projeto, com previsão de início no ano de 2014, tem por motivação as diversas
aplicações que dependem de um mapeamento atualizado da Amazônica Legal, tais como as implementação de políticas
públicas e de meio ambiente, as ações governamentais de fiscalização e execução por parte de suas secretarias de estado
e autarquias nas áreas de infraestrutura básica e o provimento de dados espacias pelo governo entre outros (CASTROFILHO, 2013).
O projeto e mapeamento do estado do Amapá trata-se de um convênio entre o governo do estado e o Exército
Brasileiro com a meta de mapear um total de 150.000 km² do estado do Amapá. A estrutura dos dados gerados seguirá
observando a ET-EDGV-Defesa, a qual por sua vez, é uma extensão da ET-EDGV 2.1.3 da CONCAR com a geração de
feições de cartografia cadastral e cartografia temática de defesa (CASTRO-FILHO, 2013).
O presente artigo tem por objetivo apresentar detalhes técnicos do projeto de Mapeamento do Estado do
Amapá, além de descrever os produtos geoespaciais que serão gerados.
2.ÁREA DO PROJETO
Na Figura 2 observa-se em azul a área de 75.000 km² a ser mapeada na escala de 1:25.000 e em verde a área de
75.000 km² a ser mapeada na escala de 1:50.000.
Fig.2 – Área do projeto de Mapeamento do Estado do Amapá nas escala de 1:25.000 e 1:50.000.
Fonte: CASTRO-FILHO (2013).
2
A DSG (Diretoria de Serviço Geográfico) definirá as áreas prioritárias a serem imageadas, discriminando o
respectivo índice de nomenclatura das folhas 1:50.000 e 1:25.000 que serão mapeadas, conforme especificado no
Projeto Executivo, que será desenvolvido concomitantemente com a execução dos serviços. Para tal, será especificada
a região do Projeto, onde as áreas especificadas serão voadas de acordo com as facilidades logísticas, climatológicas e
disponibilidades de locais, incluindo mudanças de bases. Com base nessa sistemática de aerolevantamento, a empresa a
ser contratada poderá refazer ou complementar os planos de voo dos módulos, diretamente no campo, para atender
a exigência de área a ser voada, conforme cláusula específica contida em contrato de prestação de serviços
(CASTRO-FILHO, 2013).
3.TECNOLOGIA UTILIZADA
O projeto será realizado por meio de aerolevantamento e compreende o recobrimento de uma área total de
150.000 km² com imagens digitais obtidas por sensores SAR aerotransportados para elaboração de ortoimagens e
modelos digitais de elevação de acordo com a articulação das folhas do Mapeamento Sistemático Brasileiro.
(CASTRO-FILHO, 2013).
A região do projeto a ser imageado é composta por florestas tropicais com densa cobertura vegetal e condições
atmosféricas como grande presença de nuvens e iluminação natural. Por possuir tais características, faz-se necessário a
obtenção de imagens geradas a partir de sensores remotos que detectem o solo da floresta e a cobertura das árvores sem
a interferência das condições atmosféricas, como presença de nuvens e iluminação natural (CORREIA, 2011).
Embora tenham sido técnicas bastante utilizadas no passado, em imageamento, mapeamento e
aerolevantamento os processos de formação e obtenção de imagens ópticas apresentam características que ensejam
grandes dificuldades práticas e orçamentárias em projetos reais e de larga escala. A grande cobertura e densidade de
nuvens em região de floresta amazônica interfere direta e essencialmente na qualidade das imagens geradas por
sensores e processos ópticos de imageamento. Além disto, existem outros fatores como as copas das árvores e a
iluminação natural, que impõem maiores dificuldades a este processo. Dependendo da cobertura e densidade de nuvens,
os raios ópticos são obstruídos, acontecendo a mesma situação com relação às copas das árvores, não podendo assim
serem obtidas informações referentes ao nível do solo de determinadas regiões onde há maior densidade vegetal. Já a
iluminação natural faz com que o período efetivo de tempo disponível seja diminuído consideravelmente, tendo em
vista que as horas de trabalho ficam restritas ao dia (VIEIRA, 1996).
Ainda neste contexto e levando em consideração outras hipóteses, o uso de dados interferométricos e
polarimétricos podem ser utilizados e aplicados em projetos de mapeamento topográfico e de cobertura de terra em
escala global e regional, inclusive em regiões de florestas tropicais úmidas, onde a obtenção de dados e informações via
sensores ópticos, como visto anteriormente, fica dificultada por fatores como cobertura de nuvens, copas das árvores e
iluminação natural. Além disso, os radares geradores desses referidos dados polarimétricos e interferométricos,
proveem fontes de dados em larga escala do espectro eletromagnético, ou seja, várias opções disponíveis de
comprimento de onda na faixa de micro-ondas. Estas últimas, por sua vez, permitem o mapeamento sistemático de
várias feições do terreno, interagindo até o nível do solo com maior grau de seletividade dos alvos, além de obtenção de
informações sobre forma e texturas destes (VIEIRA, 1996).
Considerando os aspectos acima mencionados juntamente com o objetivo de realizar o mapeamento
topográfico do estado do Amapá, que se encontra na região amazônica, foi adotada a técnica de aerolevantamento para
a obtenção de dados geoespaciais através de sensores SAR (Radar de Abertura Sintética) interferométricos
aerotransportados (CORREIA, 2011). Estes últimos serão adotados porque as imagens geradas por eles não sofrem a
influência da alta densidade de nuvens, constantes na região. Os referidos sensores geram imagens na banda X, que
interagem ao nível da copa das árvores, e também geram imagens na banda P, que interagem em regiões de floresta
densa, ao nível do solo. Esta interação pode ser observada na Figura 3.
Com tais sensores integrados a sistemas de geoposicionamento e de navegação inercial, torna-se possível a
aquisição de dados, ainda na fase de aerolevantamento por radar, com acurácia tal que possibilita a exatidão posicional
no terreno sem a necessidade de determinação de pontos de apoio, necessitando apenas a determinação de reduzida
quantidade de pontos de controle diretamente no terreno. Por ser crítica a fase de campo, a maior ou menor quantidade
de pontos terá grande influência nos prazos de execução e no custo total do projeto de mapeamento (CORREIA, 2011).
3
Fig. 3 - Interação da banda X com a copa das árvores e da banda P com o solo.
Fonte: CORREIA (2011).
Com base nas características tecnológicas dos sensores SAR, são apresentadas na Tebala 1 as especificações
técnicas do sensor interferométrico e polarimétrico nas bandas X e P. Tais características visam a obtenção de
ortoimagens e modelos digitais de superfície e de terreno nas escalas de 1:50.000 e 1:25.000 em regiões de floresta
tropical densa (ROSA, 2007).
Tabela 1 - Características Técnicas do Sensor SAR
Banda X
Banda P
Freqüência central (GHz)
8 a 12,5
0,34 a 0,44
Comprimento de onda (cm)
2,4 a 3,75
68 a 88
Número de antenas
2 (mínimo)
1
Largura da banda radial (MHz)
≥45
≥45
Resolução na direção radial (m)
≤3,3
≤3,3
Resolução na direção azimutal (m)
≤3,3
≤3,3
Polarização
HH
HH/HV/VV
Modo de aquisição InSAR
(crosstrack)
1 passagem
2 passagens
Distância da linha-base normal (m)
0,3
40
Largura da faixa de imageamento
(Km)
14
14
Parâmetros
Capacidade de armazenamento em
disco rígido
≥1,4TB (soma das bandas “X” e “P”)
Fonte: Adaptado de ROSA (2007).
4. METODOLOGIA EMPREGADA
A parte de campo deste projeto será de responsabilidade da 4ª Divisão de Levantamento (4ªDL), organização
militar sediada em Manaus. Já, as etapas de gabinete, divididas em processamento, preparo, aquisição, validação,
edição, auditoria para controle de qualidade e carga no Banco de Dados Geográficos do Exército (BDGEx) serão de
responsabilidade da 4ªDL e do CIGEx. Tanto a 4ªDL como o CIGEx são organizações diretamente subordinada à DSG
e poderão contar com o apoio das demais organizações subordinadas à DSG e da estrutura do Exército Brasileiro
(CASTRO-FILHO, 2013).
4
A metodologia de geração de produtos geoespaciais empregada no referido projeto pode ser divida nas fases de
reconhecimento aéreo, determinação de estações de referência, pré-sinalização de voo, aerolevantamento SAR,
aquisição, validação, edição, auditoria dos produtos e carga no BDGEx. Cada uma destas fases serão descritas a seguir:
4.1. RECONHECIMENTO AÉREO
Tem por finalidade à escolha dos prováveis locais, sem cobertura vegetal e com acesso por via fluvial, para
instalação dos refletores de canto triédricos, que são empregados na fase de pré-sinalização do voo radar. Com base
neste reconhecimento é possível minimizar os esforços necessários para a execução do trabalho de campo, que deve ser
adaptado às diferentes dificuldades encontradas no estado do Amapá (CORREIA, 2011).
4.2. DETERMINAÇÃO DE ESTAÇÕES DE REFERÊNCIA
Destina-se à determinação de alta precisão, por medição DGPS, das coordenadas planialtimétricas dos pontos
de apoio (estações de referência) ao voo radar. Esses pontos são selecionados previamente ao voo, materializados em
aeródromos definidos como bases de operações e obtidos por intermédio do transporte de coordenadas de pontos da
Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC). Simultaneamente ao voo, essas estações (segmentos de terra),
são ocupadas com rastreadores DGPS, com a finalidade de processar, logo após o voo, os dados do sistema inercial e do
DGPS do segmento de voo, para obtenção da orientação e posição de um determinado ponto do feixe da antena com
uma precisão da ordem de 5 cm (CORREIA, 2011).
4.3. PRÉ-SINALIZAÇÃO DO VOO POR RADAR
Consiste da determinação de alta precisão, por medição DGPS, das coordenadas planialtimétricas do vértice do
vértice de nove refletores de canto triétricos, formados por triângulos retângulos de alumínio com lados medindo 1,41m,
1,41m e 2,00m, que são instalados previamente ao voo radar com o objetivo de serem empregados como pontos de
controle no cálculo do offset da fase interferométrica (CORREIA, 2011).
Esses nove refletores, que constituem um set de corners, são instalados em locais sem vegetação e/ou sobre
plataformas aquáticas, a intervalos de 300m a 1200m ao longo da direção radial de voo, e dispostos, em média, a cada
120 km ao longo da linha de voo (COOREIA, 2011).
4.4. AEROLEVANTAMENTO SAR
A fase de aerolevantamento é caracterizada por operação técnica de captação de dados da parte terrestre, aérea
ou marítima do território nacional, por meio de sensor instalado em plataforma aérea ou espacial (orbital), e será
efetuada através de contratação de empresa que estará responsável pela realização dos voos de aerolevantamento .
Com o objetivo de diminuir sensivelmente o efeito climatológico da Região Amazônica na etapa de
aerolevantamento, evitando assim interrupções e dias de trabalho perdidos na campanha de voo por más condições do
tempo, a área a ser voada poderá ser modulada em blocos aproximados de 1º x 1º de arco, com área aproximada de
12.000 km², o que por sua vez, permitirá alternar o voo radar de uma “Célula de Hadley” para outra, contribuindo para a
maximização da produção diária de voo (CORREIA, 2011).
Utilizando esta metodologia na execução dos trabalhos, a previsão de duração deste projeto são de 02 (dois)
anos, sendo 06 (seis) meses a duração dos trabalhos de campo, que serão compostos por atividades de apoio
fundamentais à fase do aerolevantamento radar, conforme divisão em 5 etapas apresentadas na tabela abaixo:
Etapas
1ª
Tabela 2 - Fases do Trabalho de Campo
Atividade
Reconhecimento inicial da área a ser mapeada com a definição das
bases de operações de voo, levantamento da infraestrutura local, e
escolha dos possíveis locais para instalação dos refletores de canto
Período
No mínimo, 1
(um) mês antes
do voo de radar
Atribuição
DSG
5
2ª
Medição GPS dos pontos de alta precisão a serem instalados nos
aeroportos que serão empregados como bases de operação
DSG
3ª
Medição
GPS
e
instalação
dos
refletores
canto(“cornerreflector”) como pré-sinalizadores para o voo radar
DSG
4ª
Operação das estações DGPS dos aeroportos para apoiar o voo
Durante o voo de
radar e pós-processamento GPS para geração dos dados de correção
radar
do sistema de navegação da aeronave para cada linha de voo
5ª
Pós-processamento DGPS para geração dos dados de correção do
sistema de navegação da aeronave para cada linha de voo
de
Imediatamente
após o voo de
radar
empresa
empresa
Fonte: CASTRO-FILHO (2013).
Os aeródromos determinados como principais bases de operação e para materialização dos pontos de alta
precisão são: Macapá e Oiapoque. A empresa contratada deverá ter condições de operar com o mínimo de apoio de
campo em razão das limitações de vias de acesso à região e minimização do tempo e custos financeiros envolvidos e
decorrentes das atividades de campo. A transcrição dos dados de voo para os discos rígidos de dados originais será
acompanhada integralmente por pessoal nomeado pela DSG (Diretoria de Serviço Geográfico) e deverá ser realizada
diariamente, nas bases de operações, após a realização de cada voo. Por último, os trabalhos de gabinete, que
compreendem o processamento e classificação SAR, serão executados pela DSG, com exceção dos 75.000 km² na
escala 1:25.000 que serão de responsabilidade da empresa.
4.5. PROCESSAMENTO SAR
Com o término da etapa de aerolevantamento, os dados SAR obtidos serão encaminhados para a etapa de
processamento. Esta etapa é exclusivamente realizada no CIGEx e utiliza a metodologia desenvolvida pela empresa
BRADAR.
Na etapa de processamento SAR algumas das faixas voadas serão processada utilizando os dados de présinalização do voo. Estas faixas são chamadas de faixas de refletores, ou corner tracks, e serão calibradas
interferometricamente e polarimetricamente. As demais faixas que não possuírem dados de pré-sinalização serão,
posteriormente, calibradas utilizando como referência a área de superposição com as corner tracks. Nesta etapa serão
observadas as resoluções necessárias para que se tenha uma acurácia compatível com as escalas 1:25.000 e 1:50.000 de
cada produto a ser gerado.
Após a calibração de cada uma das faixas de voo é gerado um bloco, com dimensões de 1 (um) grau latitude
por 1 (um) grau longitude, o qual será a unidade da etapa de processamento SAR. Para cada bloco de processamento
serão gerados os respectivos modelos digitais e as ortoimagens polarimétricas.
Ao término da etapa de processamento SAR, os blocos serão recortados para seguir o quadriculado das escalas
de interesse, conforme o determinado pelo mapeamento sistemático nacional.
4.6. AQUISIÇÃO
A cadeia de produção deve ser baseada em procedimentos semi-automatizados, para aquisição de feições
cartográficas de vegetação, hidrografia, planimetria e altimetria, em conformidade com a ET-ADGV (BRASIL, 2012a),
utilizando como ferramenta GIS o ArcGIS 10.0, empregando os seguintes insumos: ortoimagem (altimetria) da banda X
em 8 bits, na polarização HH (ORI X-HH); ortoimagem (amplitude) da banda P em 8 bits, na polarização HH (ORI PHH); ortoimagem (amplitude) da banda P em 8 bits, na polarização HV (ORI P HV); ortoimagem (amplitude) da banda
P em 8 bits, na polarização VV (ORI P-VV); imagem de coerência interferométrica da banda X (COH X) em 8 bits;
imagem de coerência interferométrica da banda P (COH P) em 8 bits; MDS; e MDT (CORREIA, 2011).
6
4.5.1. VEGETAÇÃO
A fase de extração das classes temáticas de vegetação, que compreendem as classes de uso e cobertura do solo,
envolve a aplicação das técnicas de transformação por componentes principais, segmentação e classificação. As
definições das fisionomias florestais utilizadas na etapa de classificação são baseadas nas informações contidas no
Projeto PRODES, tais como: campinarana arbórea / arbustiva, florestas primárias alagadas ou aluviais e florestas
primárias de solo firme ou ombrófilas densa. As outras classes de interesse se referem às áreas antropizadas (floresta
secundária, cultivo, pastagem etc) (CORREIA, 2011).
Esta fase tem como objetivo incluir nos geodatabases a vegetação oriunda do CIGEx, e realizar os ajustes da
cobertura terrestre, acertando a ligação entre os blocos. Utiliza-se um arquivo único “mdb” da vegetação dos MIs que
compõem o bloco, e são usados os softwares FME e ArcGIS (BRASIL, 2014c).
4.5.2.
HIDROGRAFIA
A partir do MDS e do MDT corrigidos das imperfeições ocorridas durante a fase de processamento, é
construída uma máscara considerando os pixels com valores iguais a -9999 (dummy data), que correspondem as áreas
onde o sinal retroespalhado pelos alvos praticamente não retornou ao radar e foi perdido por reflexão especular (regiões
de corpos d’água, por exemplo) ou em áreas não imageadas (regiões de sombra ao sinal de radar). Após a filtragem, a
eliminação de áreas não representáveis na escala de trabalho e a suavização de polígonos da máscara, são obtidas as
feições hidrográficas do tipo polígono. A extração das feições hidrográficas do tipo linha é realizada de modo semiautomático pelo processamento TERRAHIDRO (BRASIL, 2014c).
4.5.3.
PLANIMETRIA
Atualmente, não existe nenhum aplicativo que identifique automaticamente, com resultados satisfatórios, as
feições lineares sobre as imagens, extraindo-se ao final, o respectivo vetor. Desta forma, o método de interpretação
visual é empregado para a extração das feições de planimetria, colocando-se as ortoimagens SAR como “pano de
fundo” para que o operador digitalize em tela as feições de interesse (ex: arruamentos que são de fácil identificação na
imagem, limite de novas áreas urbanas originadas de localidades, vilas e povoados, novas estradas e campos de pouso)
(CORREIA, 2011).
4.5.4.
ALTIMETRIA
O MDT corrigido é fatiado, em intervalos de 10 m, para extração das feições altimétricas vetoriais do tipo
linha, que correspondem às curvas de nível do terreno com equidistância igual ao referido intervalo . Este procedimento
utiliza os softwares ArcGIS 10.0 e algumas rotinas do FME, sendo este procedimento dividido em várias tabelas do
software FME devido ao custo computacional para seu processamento (CORREIA, 2011).
4.6. REAMBULAÇÃO
Tem por finalidade a execução do trabalho de campo para a coleta de topônimos, informações e dados relativos
aos acidentes naturais e artificiais do terreno e a confirmação da correspondência entre as feições que foram
interpretadas pelo operador e/ou classificadas por técnicas de processamento digital e a verdade no terreno. Ainda nesta
fase, é realizada a determinação, por medição DGPS e pelo uso de estação total, das coordenadas planialtimétricas de
feições que não foram identificadas nas imagens e de grades irregulares contendo, no mínimo, 100 de pontos de
controle, em áreas de floresta e não-floresta, para classificação dos produtos segundo o Padrão de Exatidão Cartográfica
(PEC) (CORREIA, 2011).
4.7. VALIDAÇÃO
Após a fase de aquisição, são realizadas as fases de validação e carga de dados em datasets individuais (folha a
folha). Esses datasets individuais correspondem a cada carta topográfica de qualquer escala de trabalho. Então,
efetuando-se a ligação entre os datasets individuais que abrangem uma região, gera-se uma base vetorial contínua,
também chamada área contínua. O conjunto de softwares utilizado nas fases de validação, carga de dados e geração de
áreas contínuas é a plataforma Gothic, um sistema de aplicativos (suite) voltado para construção de Sistemas de
Informações Geográficas (SIG) e que implementa o modelo de Banco de Dados Orientado a Objetos (BDOO). Além do
Gothic, também se utiliza o software FME para a conversão de formatos (BRASIL, 2014b).
Nesta conversão de formatos é mantida a modelagem prevista na ET-EDGV, seguindo suas regras topológicas
e os relacionamentos entre classes (BRASIL, 2014b).
7
4.8. EDIÇÃO
Após a fase de validação, os dados vetoriais estão aptos à fase de edição, que consiste nos procedimentos para
geração do produto Carta Topográfica Matricial a partir de conjunto de dados geoespaciais vetoriais validados na
plataforma Gothic/Lamps2 (BRASIL, 2012c).
Atualmente, utilizando o software Gothic/Lamps2, todas as operações de edição são realizadas de forma
automática pelo sistema, cabendo ao operador executar apenas ajustes de simbologia e textos visando uma melhor
qualidade na impressão das folhas (BRASIL, 2012c).
4.9. AUDITORIA DOS PRODUTOS
Nesta fase, é analisado a qualidade do produto cartográfico, à luz da Especificação Técnica de Controle de
Qualidade dos Produtos do Conjunto de Dados Geoespaciais (ET-CQPCDG).
4.10. CARGA DOS DADOS NO BANCO DE DADOS GEOGRÁFICO DO EXÉRCITO (BDGEx)
Este banco de dados permite o acesso às bases de dados geoespaciais vetoriais, matriciais e metadados, além de
recursos de gerenciamento, pesquisa, manutenção e análise sobre essas bases cartográficas. Pode-se acessar este banco
por meio do Geoportal do Exército (www.geoportal.eb.mil.br), no qual encontram-se também informações sobre as
atividades, projetos, metodologias e especificações técnicas da DSG.
5. PRODUTOS GERADOS
Os insumos oriundos do processamento SAR serão arquivos digitais de ORI-X, ORI-P, DTM/DSM e
Coerência X/P, com exatidões compatíveis com a escala de 1:50.000, de acordo com as especificações apresentadas nas
Tabela 3 e 4 (MOREIRA et.al., 2012). Com estes insumos, seguindo a metodologia citada no item 4, serão produzidos
neste projeto os produtos Carta Topográfica e Conjunto de Dados Geoespaciais Vetoriais de Referência.
Insumos
Modelo Digital
de Superfície
(DSM)
Tabela 3 - Especificação dos Produtos Digitais Altimétricos da escala 1:50.000
Canais
Formato
Resolução
Tamanho
Precisão PlaniAltimétrica
Espacial
do Pixel
(elipsoidal)
InSAR X
GeoTiff (32 bits
do tipo float)
Modelo Digital Fusão InSAR
do
+ InSAR P
Terreno
(DTM)
2,5 x 2,5m
2,5 x 2,5m
2,7 m (PEC-PCD)
2,5 x 2,5m
2,5 x 2,5m
2,7 m (PEC-PCD)
Fonte: Adaptado de MOREIRA et.al. (2012).
Os arquivos digitais provenientes do processamento dos dados do terreno, ficarão disponibilizados no Sistema
de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS), sistema adota do para a Rede Geodésica Fundamental do País,
e cujas as especificações seguem apresentadas na tabela logo abaixo:
Insumos
Tabela 4 - Especificação dos Produtos Digitais Planimétricos da escala 1:50.000
Resolução
Tamanho
Bandas Polarização
Formato
Espacial
do Pixel
X-HH
2,5 x 2,5 m
12,5 m (PEC-PCD)
5,0 x 5,0 m
2,5 x 2,5 m
12,5 m (PEC-PCD)
X-HH
5,0 x 5,0 m
2,5 x 2,5 m
12,5 m (PEC-PCD)
P-HH
5,0 x 5,0 m
2,5 x 2,5 m
12,5 m (PEC-PCD)
Orto-imagem
P-HH/HV/VV
Coerência
Interferométric
a
GeoTiff
(16 bits do
tipo
Integer)
Precisão
Planimétrica
5,0 x 5,0 m
8
Fonte: Adaptado de MOREIRA et.al. (2012).
Os arquivos digitais das folhas na escala 1:25.000, que correspondem a aproximadamente 75.000 km² da área
total do projeto, irão atender as especificações dos produtos especificadas nas Tabelas 5 e 6, e o enquadramento
geográfico correspondente à articulação do mapeamento sistemático (IBGE, carta ao milionésimo).
Insumos
Modelo Digital
de
Superfície
(DSM)
Tabela 5 - Especificação dos Produtos Digitais Altimétricos da escala 1:25.000
Resolução
Precisão
Formato
Tamanho
Canais
Espacial
PlaniAltimétrica
do Pixel
(elipsoidal)
InSAR X
GeoTiff
(32 bits do
tipo float)
Modelo Digital
Fusão InSAR
do
+ InSAR P
Terreno (DTM)
2,5 x 2,5 m
2,5 x 2,5 m
2,5 x 2,5 m )
2,7 m (PEC-PCD
2,5 x 2,5 m
2,7 m (PEC-PCD)
Fonte: Adaptado de MOREIRA et.al. (2012).
Tabela 6 - Especificação dos Produtos Digitais Planimétricos da escala 1:25.000
Bandas
Resolução
Tamanho
Insumos
Formato
Polarização
Espacial
do Pixel
Precisão Planimétrica
X-HH
Orto-imagem
P-HH/HV/VV
Coerência
Interferométrica
X-HH
P-HH
GeoTiff
(16 bits do
tipo
Integer)
2,5 x 2,5 m
6,25 m (PEC-PCD)
2,5 x 2,5 m
2,5 x 2,5 m
6,25 m (PEC-PCD)
2,5 x 2,5 m
2,5 x 2,5 m
6,25 m (PEC-PCD)
2,5 x 2,5 m
2,5 x 2,5 m
6,25 m (PEC-PCD)
2,5 x 2,5 m
Fonte: Adaptado de MOREIRA et.al. (2012).
6. CONCLUSÃO
A geração desses produtos cartográficos atenderá a diversos objetivos e proporcionará ao Exército e ao
Governo do Amapá entre outras possibilidades:
•
Proporcionar ao Exército o adestramento de seus quadros, mantendo em nível elevado a capacitação
operacional na área de engenharia de forma permanentemente ajustada à Doutrina Militar Terrestre, para atuar
eficazmente no apoio às operações militares de combate e logística.
•
Permitir ao estado do Amapá prover dados geoespaciais com acurácia planimétrica e altimétrica que atendam
às necessidades de planejamento, fiscalização e execução das suas secretarias de estado e autarquias nas áreas
de Infraestrutura Básica, Ações Governamentais, Políticas Públicas e Meio Ambiente.
Este projeto irá proporcionar o desenvolvimento da Cartografia Nacional, permitindo ao Exército Brasileiro
estabelecer o domínio sobre variadas vertentes tecnológicas nas áreas de Sensoriamento Remoto, Geoprocessamento,
Cartografia, Fotogrametria, Ciência da Computação, Cadastro Urbano e Rural e Geociências.
9
Este projeto deverá ser concluído em 02 (dois) anos, e diminuirá o “vazio cartográfico” existente na Amazônia
Legal.
7. REFERÊNCIAS
BRASIL, 2012a. Especificação Técnica de Aquisição de Dados Geoespaciais Vetoriais (ET-ADGV), Diretoria de
Serviço Geográfico, Infra-Estrutura Nacional de Dados Espaciais.
BRASIL, 2012b. Especificação Técnica de Estruturação de Dados Geoespaciais Vetoriais (ET-EDGV), Diretoria
de Serviço Geográfico, Infra-Estrutura Nacional de Dados Espaciais.
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em:
<http://wiki.dsg.eb.mil.br/lib/exe/fetch.php?media=metodologias:met_edicao_versao_
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BRASIL, 2014a. DSG - DIRETORIA DE SERVIÇO GEOGRÁFICO. Radiografia da Amazônia. Disponível em:
<http://www.dsg.eb.mil.br/index.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=75>. Acesso em: 29Jun2014.
BRASIL, 2014b. DSG – DIRETORIA DE SERVIÇO GEOGRÁFICO. Metodologia de validação topológica do
conjunto
de
dados
geoespaciais.
Disponível
em:
<http://wiki.dsg.eb.mil.br/lib/exe/fetch.php?
media=metodologias:metval_v2.0_2014-06-04.pdf>. Acesso em: 29Jun2014.
BRASIL, 2014c. DSG – DIRETORIA DE SERVIÇO GEOGRÁFICO. Metodologia de preparo. Disponível em:
<http://wiki.dsg.eb.mil.br/doku.php?id=metodologias:met-pft>. Acesso em: 29Jun2014.
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