FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson 4- CURVAS HORIZONTAIS DE TRANSIÇÃO 4.1 INTRODUÇÃO Quando um veículo passa pelo ponto PC – ponto de começo da curva circular horizontal ou PT – ponto de término da curva circular horizontal, dependendo do comprimento do raio (Rc), ele sofre um esforço no volante bastante abrupto devido a aceleração centrípeta, isso se deve à descontinuidade entre a tangente que tem raio infinito e a curva circular horizontal que possui raio finito. Esse esforço leva a um grande desconforto ao motorista. No intuito de amenizar esse esforço intercala-se entre a tangente e a curva circular horizontal um trecho de curva com raio de curvatura progressivo, denominado de espiral de transição. Essa espiral de transição possui um raio de curvatura que varia do infinito ao valor finito concordante com o Rc da curva circular horizontal. Podemos definir a curva horizontal de transição como uma curva que possui dois trechos em espirais intercalados com um trecho circular. Basicamente, a utilização de trechos em espirais contempla três vantagens: 1) possibilitar uma variação contínua de aceleração centrípeta na passagem da tangente para o trecho circular; 2) proporciona nesse trecho que ocorra a variação da superelevação, normalmente, baixa em trechos em tangentes e constante em trechos circulares; 3) permite um traçado fluente e agradável, visualmente satisfatório sob vários aspectos, devido à variação tênue da curvatura. Principais tipos de curvas usadas para a transição são: Embora a espiral, também conhecida como clotóide, seja mais trabalhosa é a que melhor atende as exigências de um traçado racional. Todas as outras curvas praticamente atendem às necessidades de um traçado racional, usualmente optou-se pela clotóide. Além de outras vantagens, é observado que quando um veículo passa de um trecho em tangente para um espiral, o motorista gira o volante do veículo a uma velocidade angular constante, essa operação oferece ao motorista um certo conforto ao realizar a curva. 4.2 COMPRIMENTO DO TRECHO DE TRANSIÇAÕ (Ie) 1 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson A determinação do comprimento mínimo do trecho de transição Ie, é feito de forma que a variação da força centrípeta Fc (enquanto o veículo percorre o trecho de transição Ie com velocidade constante Vd) não ultrapasse valores confortáveis. Adotando-se um valor de aceleração centrípeta ac = 0,6 m/s3 (unidade de tempo em J), tem-se: ac Vd2/Rc J = ------- = ------------Ts Ie/Vd Vd3 ou Ie = ----------J . Rc Adotando-se Jmáx = 0,6 m/s3, determina-se o valor do comprimento mínimo de transição correspondente a essa variação máxima de aceleração centrípeta. Vd3 Iemín = ------------0,6 . Rc ou Iemin = 0,035 Vd3/Rc Para a determinação do comprimento máximo do trecho de transição Iemáx, deve-se assumir que δ = 0, ou seja, a inexistência de trecho circular, δ é o ângulo que descreve o novo trecho circular da curva de transição, tem-se: δ = AC - 2θs (δ = 0) θsmáx = AC/2 O comprimento ideal do trecho de transição Ie deve estar compreendido entre o Iemín e Iemáx..A escolha de Ie muito grandes implica, em geral, um afastamento (p) bastante elevado, ou seja, o traçado da curva afasta-se demasiadamente do traçado primitivo. Recomenda-se que o comprimento de Ie satisfatório seja o dobro do Iemín . Ie = 2 . Iemin. No cálculo do valor de Ie deve-se arredondar para cima um valor múltiplo de 10m, para melhor efetuar a distribuição da superelevação. 4.3 TIPOS DE INSERÇÃO DE TRECHOS EM ESPIRAL EM CURVA CIRCULAR HORIZONTAL Existem três métodos de inserção das espirais de transição, a saber: O método do raio conservado é geralmente o mais utilizado, neste caso existe a necessidade do recuo do centro da curva circular horizontal (O) no valor de (p), esse procedimento possui a vantagem de não alterar o valor do Rc. No método de deslocamento das tangentes o centro da curva circular horizontal e o raio são mantidos inalterados, as tangentes são deslocadas, esse método é aplicável apenas em casos especiais. Já o método de centro conservado o Rc é diminuído, o que implica em uma certa inconveniência. 2 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson 4.4 ELEMENTOS DE UMA CURVA DE TRANSIÇÃO Onde: O’ = centro do trecho da curva circular horizontal afastado PI = ponto de interseção das tangentes is = ângulo entre a corda e a tangente em SC p = afastamento da curva circular horizontal k = abscissa do centro O’ da curva circular horizontal X = abscissa de um ponto genérico sobre o trecho em espiral D = Desenvolvimento do trecho circular Y = coordenada de um ponto genérico sobre o trecho em espiral δ = ângulo central do trecho circular TS = ponto tangente/espiral SC = ponto espiral/circular CS = circular/espiral ST = espiral/tangente Rc = raio de curvatura c = corda Xs = abscissa dos pontos SC e CS Ys = ordenada dos pontos SC e CS TT = tangente total Ie = comprimento do trecho espiral AC = ângulo central das tangentes θs = ângulo da transição 4.5 CÁLCULOS DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À DEFINIÇÃO E LOCAÇÃO DA ESPIRAL Sendo Ie o comprimento da transição (trecho entre os pontos notáveis TS e SC e entre CS e ST) e Rc o raio da curva circular horizontal. A espiral de transição adotada a clotóide, temos pela equação que define esta curva o seguinte: R x Ie = contente Rc x Ie = constante k 3 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson dI I x dI dI = R x dθ → ---------- = ---------R k Da figura acima tem-se Portanto: I x dI I2 θ = Ι ---------- = ------k 2k Como k = Rc x Ie, tem-se θ I2 = --------------------2 x Rc x Ie No ponto SC, I = Ie, portanto Ie θs = ---------2 x Rc como: dx = dI x cos θ dy = dI x sen θ desenvolvendo-se senθ e cosθ em série e integrando, teremos: 4 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson θ3 θ5 θ3 θ5 senθ = θ - ----- + ------ - ......= θ - -------- + -------- - ............... 3! 5! 6 120 θ2 θ4 θ2 θ4 cosθ = 1 - ----- + ------ - ......= 1 - -------- + -------- - ............... 2! 4! 2 24 Portanto: θ3 θ5 dy = dI x (θ - ------ + -------- - ……. ) 6 120 θ2 θ4 dx = dI x (1 - ------ + -------- - ….. ) 2 24 Integrando, teremos θ3 θ5 y = Ι (θ - ---- + ------ - ....) x dI 6 120 θ4 θ2 x = Ι (1 - ---- + ------ - ....) x dI 2 24 Como θ = I2 /2k, desenvolvendo, teremos finalmente: θ θ3 θ5 y = I x ( ----- - ------- + --------- - ........) 3 42 1320 θ2 θ4 x = I x ( 1 - ----- + ------- +.......) 10 216 No ponto SC, onde I -= Ie, temos: θ θ3 θ5 ys = Ie x (----- - ------- + --------- - ........) 3 42 1320 θ2 θ4 xs = Ie x (1 - ----- + ------- - ......) 10 216 5 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson Exemplo: Uma rodovia tipo I-A em uma região plana, permite-se um valor máximo de superelevação de 10%. Devido a dificuldades de relevo não é permitido o uso de curva circular horizontal com raios superiores 1900 m, logo se faz necessário o uso de curvas com espirais de transição. Em uma determinada curva tem-se: AC = 31O 28’ 37” Estaca PI = [1234 + 12,70m] Vd = 100 km/h Pede-se: a) cálculo do valor de Rcmim b) adotando-se uma superelevação de 8% calcular do valor do Rc pelo método da parábola da AASHTO c) Determinar as estacas dos pontos notáveis da curva: TC, SC, CS e ST a) Raio mínimo: Rc min V2 1002 = ---------------- = ----------------------- = 342,34 m 127 ( e + f) 127 ( 0,10 + 0,13) b) Rc (pelo método da AASHTO) = e = e máx.(2Rmín/ Rc - Rmín2/Rc2) Pergunta-se, qual Rc que aplicado à formula acima obtém-se um valor de superelevação de 8% e = 0,10 ( 2 x 342,34 / 600 - 342,342 / 6002) = 0,0815 ≅ 8% o Rc a ser adotado é de 600 m. c) Estacas dos Pontos Notáveis c-1) comprimento do trecho de transição Iemin = 0,035 Vd3/Rc = 0,035 . 1003 / 600 = 58,33 m Ie = 2 x Iemín = 2 x 58,33m = 116,66 m arredondando para um valor acima múltiplo de 10 m tem-se: Ie = 120m em estacas [6] c-2) Elementos principais da curva (θs, xs e ys) Ie 120 θs = --------- = ------------- = 0,1rd = 5,72957o = 5o 43’ 46,48” 2 Rc 2 x 600 θ2 θ4 0,12 xs = Ie x (1 - ----- + ------- - ......) = 120 x ( 1 - ------ ) = 119,88m 10 216 10 θ θ3 θ5 0,1 ys = Ie x (----- - ------- + --------- - .....) = 120 x ( -------) = 4,0m 3 42 1320 3 c-3) Elementos da posição da transição (k, p, TT e D) k = xs - Rc x senθ = 119,88 - 600 x sen 5,72957o = 59,98 ≅ 60,00 m Afastamento da curva circular 6 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson p = ys – Rc x ( 1 - cosθ) = 4,0 - 600 x ( 1 – cos 5,72957o ) = 7,0m TT – tangente total TT = k + (Rc + p) x tan (AC/2) = 60,00 + (600 + 7,0) x tan (31O 28’ 37”/2) = TT = 60,00 + 607 x 0,28181 = 231,05 m em estacas [ 11 + 11,05m] Desenvolvimento circular = 600 x (31O 28’ 37” – 2 x 5o 43’ 46,48”) = = 600 x ( 0,54947 - 2 x 0,1) = 209,68 m D = Rc x ( AC - 2θs) em estacas [ 10 + 9,68 m] Estacas dos pontos notáveis (TS, SC, CS e ST) Estaca TS Estaca SC Estaca CS Estaca ST = estaca do PI – TT = [1234 + 12,70m] – [11+11,05m]= [1246 + 3,75m] = estaca do TS + Ie = [1246 + 3,75m]+ [6] = [1252 + 3,75m] = estaca SC + D = [1252 + 3,75m]+ [ 10 + 9,68 m] = [1262 + 13,43m] = estaca CS + Ie = [1262 + 13,43m] + [6] = [1268 + 13,43m] 4.6 TABELA DE LOCAÇÃO DA CURVA COM ESPIRAL DE TRANSIÇÃO Após serem locadas as tangentes à curva e o ponto PI de interseção destas tangentes, devem ser locados os pontos TS e SC sobre as tangentes a uma distância TT de PI. Os dois trechos em transição da curva serão locados a partir de TS e ST, respectivamente. A locação do trecho circular será feita a partir de SC de meia e meia estaca. 4.6.1 Tabela de locação do trecho espiral TS a SC TAB E LA D E LO C AÇ ÃO E staca I (m ) x (m ) y (m ) TS = [1246 + 3,75m ] 0 6,25 16,25 26,25 36,25 46,25 56,25 66,25 76,25 86,25 96,25 106,25 116,25 120,00 0 6,25 16,25 26,25 36,25 46,25 56,25 66,24 76,24 86,23 96,21 106,18 116,15 119,88 0 0,00 0,01 0,04 0,11 0,23 0,41 0,67 1,03 1,49 2,06 2,78 3,64 4,00 1246 + 10 1247 1247 + 10 1248 1248 + 10 1249 1249 + 10 1250 1250 + 10 1251 1251+ 10 1252 S C = [1252 + 3,75] corda c = 79,98 m o i( '") 0 o 0 00' o 0 02' o 0 05' o 0 10' o 0 17' o 0 25' o 0 34' o 0 46' o 0 59' o 1 13' o 1 29' o 1 47' o 1 54' 18,65" 06,08" 29,00" 27,42" 01,34" 10,37" 55,75" 16,30" 12,49" 44,41" 52,22" 36,07" 39,82" is = 1o 54' 39,82" Procedimento dos cálculos: 7 FATEC – Faculdade de Tecnologia de Pavimentação ________________Departamento de Transportes e Obras de Terra - Prof. Edson is = arctan (ys/xs) corda = xs / cos is Para a estaca [1246 + 10m] tem-se um I de 6,25m, devem ser calculadas as coordenadas x e y e também o ângulo de deflexão sobre a tangente i: I2 6,252 39,06 θ = ------------------ = -------------------- = -------------------= 0,0002712rd 2 x Rc x Ie 2 x 600 x 120 144.000 θ2 x = I x (1 - ---) 10 0,00027122 = 6,25 x ( 1 - -------------- ) = 6,25 m 10 θ y = I x (-----) 3 0,0002712 = 6,25 x ( ---------------) = 0,000565108m 3 4.6.2 Tabela de locação do trecho circular SC a CS No trecho circular a tabela de locação deve ser feita de estaca em estaca T A B E L A D E L O C A Ç Ã O D O T R E C H O C IR C U L A R D is tâ n c ia ( m ) P a r c ia l A c u m u la d a 0 0 1 6 ,2 5 1 6 ,2 5 20 3 6 ,2 5 20 5 6 ,2 5 20 7 6 ,2 5 20 9 6 ,2 5 20 1 1 6 ,2 5 20 1 3 6 ,2 5 20 1 5 6 ,2 5 20 1 7 6 ,2 5 20 1 9 6 ,2 5 1 3 ,4 3 2 0 9 ,6 8 ( D ) E s ta c a s S C = [1 2 5 2 + 3 ,7 5 ] 1253 1254 1255 1256 1257 1258 1259 1260 1261 1262 C S = [1 2 6 2 + 1 3 ,4 3 m ] δ = A C - 2θs = o 0o 0o 0o 0o 0o 0o 0o 0o 0o 0o 0o D e fle ç ã o ( o ' " ) P a r c ia l A c u m u la d a 0 0 o 2 4 ' 2 2 ,5 0 " 0 2 4 ' 2 1 ,5 0 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 1 4 3 ' 4 8 ,9 2 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 2 4 1 ' 0 5 ,6 8 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 3 3 8 " 2 2 ,4 2 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 4 3 5 " 3 9 ,1 7 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 5 3 2 ' 1 5 ,9 2 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 6 3 0 ' 1 2 ,6 7 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 7 2 7 ' 2 9 ,4 2 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 8 2 4 ' 4 6 ,1 7 " o 5 7 ' 1 7 ,7 5 " 9 2 2 ' 0 2 ,9 2 " 3 8 ' 2 8 ,4 5 " 1 0 o 0 0 ' 3 0 ,3 7 " o (x 2 ) 2 0 0 1 ' 0 0 ,7 4 " d = 2 0 o 0 1 ' 0 5 ,0 4 " o 3 1 2 8 ’ 3 7 ” - 2 x 5 4 3 ’ 4 6 ,4 8 ” = 4.6.3 Tabela de locação do trecho espiral CS a ST TA BELA D E LO CAÇÃO o E s ta ca I (m ) x (m ) y (m ) S T = [ 1 2 6 8 + 1 3 ,4 3 m ] 0 0 0 0 1268 + 10 3 ,4 3 3 ,4 3 0 ,0 0 3 5 9 o 5 9 ' 5 4 ,3 8 " i ( ' " ) 1268 1 3 ,4 3 1 3 ,4 3 0 ,0 1 3 5 9 o 5 8 ' 3 3 ,8 8 " 1267 + 10 2 3 ,4 3 2 3 ,4 3 0 ,0 3 3 5 9 5 5 ' 3 7 ,8 9 " 1267 3 3 ,4 3 3 3 ,4 3 0 ,0 9 359 1266 + 10 4 3 ,4 3 4 3 ,4 3 0 ,1 9 3 5 9 o 4 4 ' 5 9 ,4 1 " 1266 5 3 ,4 3 5 3 ,4 3 0 ,3 5 3 5 9 o 3 4 ' 4 9 ,6 3 " 1265 + 10 6 3 ,4 3 6 3 ,4 3 0 ,5 9 359 o 2 7 ' 5 8 ,8 9 " 1265 7 3 ,4 3 7 3 ,4 2 0 ,9 2 359 o 1 7 ' 2 5 ,9 2 " 1264 + 10 8 3 ,4 3 8 3 ,4 1 1 ,3 4 3 5 9 o 0 4 ' 3 6 ,0 9 " 1264 9 3 ,4 3 9 3 ,4 0 1 ,8 9 3 5 8 o 4 3 ' 5 4 ,4 0 " 1263 + 10 1 0 3 ,4 3 1 0 3 ,3 7 2 ,5 6 3 5 8 o 3 4 ' 5 0 ,4 2 " 1262 1 1 3 ,4 3 1 1 3 ,3 4 3 ,3 8 358 C S = [ 1 2 6 2 + 1 3 ,4 3 m ] 1 2 0 ,0 0 1 1 9 ,8 8 4 ,0 0 3 5 8 o 0 5 ' 2 0 ,1 8 " rd a c = 1 1 9 ,9 5 m is = o o o 3 6 0 o - 3 5 8 o 0 5 ' 2 0 ,1 8 " = 5 1 ' 0 6 ,4 0 " 1 7 ' 3 3 ,6 7 " 1 o 5 4 ' 3 9 ,8 8