Análise Descritiva dos Métodos, dos Participantes das Amostras e dos Colaboradores Do
Periódico “Behavioral Research In Accounting” de 1999 a 2008
Autoria: Renata Valeska do Nascimento Barbosa, Adriano Alcalde
Resumo
Nesse trabalho são analisados os artigos publicados no periódico “Behavioral Research in
Accounting” (BRIA) durante os últimos dez anos – de 1999 a 2008. São estudados o conteúdo
dos artigos, os métodos usados, os participantes pesquisados nas amostras e os colaboradores
do BRIA. Para tanto, é realizada uma pesquisa bibliométrica baseada na taxonomia das
“escolas” da pesquisa comportamental desenvolvida por Bimberg;Shields (1989) com as
modificações feitas por Meyer;Rigsby (2001). Os achados desse estudo são comparados aos
apresentados por Meyer; Rigsby (2001), cujo trabalho abrangeu os dez primeiros anos do
BRIA – de 1989 a 1998 – fornecendo, assim, uma visão das duas décadas de existência
desse periódico e das modificações e evoluções ocorridas nesse período na área de
contabilidade comportamental. Os principais resultados indicam que a maioria das
publicações do BRIA utilizam o experimento como método de pesquisa. Outra constatação é
a de que dentre os participantes das amostras pesquisadas a maioria são contadores. Com
relação aos colaboradores do BRIA, foi observado que poucos autores da primeira década
publicaram artigos na segunda década e que ocorreram variações consideráveis no ranking
das escolas com maior número autorias, mostrando um volume maior de obras na primeira
década em relação à segunda, o que pode indicar a queda na vida produtiva dos autores e um
estágio de maturação da pesquisa nessa área.
1. Introdução
O periódico “Behavioral Research in Accounting” (BRIA) foi criado como um experimento,
em 1989, pela secção da American Accounting Association (AAA) denominada Accounting,
Behavior and Organizations (ABO), baseada na necessidade percebida de um periódico de
pesquisa dedicado exclusivamente à contabilidade comportamental (MEYER;RIGSBY,
2001). Naquela época havia muitos periódicos de contabilidade que davam vazão às pesquisas
feitas na área comportamental, tais como o The Accounting Review (TAR), o Journal of
Accounting Research (JAR) e o Accounting Organizations and Society (AOS). Com exceção
do AOS, contudo, a pesquisa na área comportamental não era o foco principal desses
periódicos. Assim, partindo do pressuposto de que existia pesquisa comportamental de
qualidade em quantidade suficiente sendo feita, a liderança da ABO criou um periódico
exclusivamente comportamental, dedicado a pesquisar a contabilidade e seu relacionamento
com indivíduos e organizações.
A partir daí têm-se a seguinte questão de pesquisa: Quais as contribuições da BRIA em
termos de conteúdos, métodos e participantes das amostras e quem são seus principais
colaboradores? Dessa forma, o propósito desse artigo é identificar o conteúdo dos artigos, os
métodos usados, os participantes pesquisados nas amostras e os colaboradores do BRIA de
1999 a 2008. O estudo realizado por Meyer; Rigsby (2001) forneceu uma base útil para o
entendimento da direção que o periódico havia tomado e como o mesmo contribuiu para a
literatura na área contábil. O presente estudo, correspondente à segunda década de existência
do periódico pode fornecer novas visões sobre se o periódico permaneceu na mesma direção
que a observada na primeira década, se houve evoluções ou retrações na pesquisa
comportamental em contabilidade e quais as contribuições adicionais observadas nesta última
década com relação à década anterior.
1
Com relação ao exame do conteúdo dos artigos, além da classificação em categorias sugeridas
por Meyer; Rigsby (2001), o presente trabalho tentou trazer uma contribuição adicional à
apresentada por aqueles autores, buscando identificar no corpo dos artigos publicados no
BRIA qual a relação existente entre contabilidade e comportamento humano.
Existem diversas razões para realizar um estudo do conteúdo e dos métodos usados por um
periódico acadêmico, principalmente para autores e pesquisadores na área comportamental.
Uma dessas razões reside no fato de que as tendências da pesquisa dentro de campos
acadêmicos mudam ao longo do tempo. A atividade de pesquisa resulta em uma revisão
legítima de crenças, que ocorre através da evolução do pensamento dentro de um campo
acadêmico (MEYER; RIGSBY, 2001). Há uma tendência prevalecente na pesquisa contábil
que, como afirmam Searcy; Mentzer (2003), pode mudar desde que haja evidência suficiente
para isso. Análises periódicas de conteúdo e métodos em artigos publicados dentro de um
campo são meios eficientes de identificar essas tendências. A contabilidade comportamental é
citada por Brown (1996) como uma das sete tendências da pesquisa contábil.
Nesse trabalho é fornecida uma lista do conteúdo, dos métodos, participantes, autores e
afiliações dos autores dos 106 artigos publicados nos dez anos mais recentes do BRIA.
Examinar os autores mais citados, bem como identificar os mais prolíferos autores em BRIA,
fornece aos pesquisadores da pesquisa na contabilidade comportamental uma lista das
influências acadêmicas que devem ser observadas para entender o desenvolvimento do BRIA,
bem como o desenho e implementação de estudos nesse periódico. A identificação dos
métodos de pesquisa e dos participantes utilizados nas amostras dos trabalhos analisados
fornece aos acadêmicos que são consumidores da pesquisa sobre contabilidade
comportamental um conjunto de informações influentes que formam a base de um corpo de
conhecimento em evolução na pesquisa contábil.
A próxima secção deste artigo apresenta a importância do BRIA como um dos principais
periódicos da área contábil. A terceira secção trata da metodologia usada para coletar dados
para a análise dos dez anos mais recentes do BRIA. A quarta secção fornece um resumo das
descrições e discussões dos resultados da análise de conteúdo, métodos, participantes das
amostras pesquisadas, autores e filiações para todos os artigos do BRIA durante a última
década, comparando os achados desse trabalho com o de Meyer; Rigsby (2001) e examinando
o progresso do BRIA e suas contribuições para a literatura contábil. A quinta e última secção
trazem as considerações finais, bem como a limitações desse estudo e sugestões para
pesquisas futuras.
2. Fundamentação Teórica
O impacto da contabilidade é mediado por seu contexto humano e social e sua interseção com
outros fenômenos organizacionais e sociais. A pesquisa em contabilidade comportamental
aplica teorias e metodologias advindas de ciências comportamentais para examinar a interface
entre a informação contábil e processos e comportamento humano (BIRNBERG; SHIELDS,
1989). As fundações metodológicas da pesquisa em contabilidade comportamental repousam,
sobretudo, na psicologia e na sociologia (KWOK;SHARP, 1998).
As características da pesquisa em contabilidade comportamental, segundo Sorensen (1990),
incluem (1) a observação do fenômeno da contabilidade (como por exemplo, produtos do
trabalho contábil como relatórios de auditoria), (2) a observação sistemática das pessoas (por
exemplo, usuários ou elaboradores das informações contábeis) e (3) mensuração de variáveis
com uma questão básica de pesquisa ou com uma teoria em mente (por exemplo, quais são os
determinantes da rotatividade de empregados?).
2
A pesquisa em contabilidade comportamental tem uma longa história na contabilidade
gerencial. Birnberg (2000) afirma que essa área do conhecimento não tem tido uma presença
significativa nos cursos de contabilidade gerencial, que tem sido relegada a capítulos em
livros de contabilidade e que a extensão na qual esse assunto é tratado depende do interesse
do instrutor. Esse autor faz uma revisão da história da contabilidade gerencial, dividindo-a em
três períodos – (1) o período da contabilidade de custos; (2) o período da moderna
contabilidade gerencial e (3) o período pós moderno da contabilidade gerencial – e analisando
a pesquisa em contabilidade comportamental ao longo desses períodos. Ainda segundo o
autor, é no segundo período, após a segunda guerra mundial, que começam as pesquisas em
contabilidade comportamental e é quando também há a introdução, na contabilidade
gerencial, de modelos de decisão baseados na economia com a finalidade de levar ao
comportamento ótimo os membros das organizações. Apesar disso, a contabilidade
comportamental só começa a crescer em importância a partir do terceiro período, com a
mudança de uma visão mecanicista da organização para a visão da organização como um
conjunto de interdependências e relacionamentos, de uma produção baseada na sinergia do
homem e de máquinas para uma mais dependente de informações e tecnologias.
Não está claro quando o terceiro período começou. Para Birnberg (2000) pode ter começado
em diferentes épocas para diferentes grupos em contabilidade gerencial e tem sido crescente a
demanda por materiais relacionados a uma visão da contabilidade gerencial em um contexto
mais amplo. Kwok;Sharp (1998) afirmam que esse interesse crescente na pesquisa em
contabilidade comportamental data das três últimas décadas e que ainda é um campo
emergente. Daí a importância de se realizar pesquisas que versam sobre esse tema e de
estudar um periódico tão importante nessa área de conhecimento como é o BRIA.
É bastante comum que periódicos examinem suas contribuições em vários pontos do tempo, a
fim de buscar tendências nos principais conteúdos e métodos de pesquisa, e identificar os
colaboradores (por exemplo, indivíduos, programas de doutorado ou departamentos de
contabilidade) do campo de estudo. Muitos periódicos têm feito isso. Meyer; Rigsby (2001)
analisaram os dez primeiros anos de existência do BRIA. Dyckman; Zeff (1984) revisaram as
duas primeiras décadas do Journal of Accounting Research. Brown et al. (1987) analisaram a
Accounting Organizations and Society de 1976 a 1984. Heck; Bremser (1986) revisaram as
seis primeiras décadas do The Accounting Review. Brown (1996) analisou os sete principais
periódicos na área contábil de 1976 a 1992. Prather; Rueschhoff (1996) analisaram 30
periódicos no período de 1980 a 1993 e em uma publicação de 2004 os mesmos autores
examinaram 41 periódicos americanos e não americanos no período de 1981 a 2000.
Hutchison; White (2003) estudaram o periódico The Journal of the American Taxation
Association entre os anos de 1979 e 2000.
Assim, a fim de identificar as contribuições do BRIA, o presente trabalho analisa a última
década desse periódico. A escolha do BRIA deveu-se a sua relevância para a pesquisa na área
de contabilidade comportamental. Estudos que examinaram o impacto de periódicos de
contabilidade serão usados como base para apreciar a influência do BRIA na literatura
contábil. Na tabela abaixo de nossa autoria são resumidos alguns desses importantes estudos.
Autores
Ano de
Publicação
Local onde foi
publicado o
trabalho
Objetivo do
Estudo
Resultados do
Estudo
Relacionados ao
BRIA
3
Hull & Wright’s
1990
Accounting
Horizons
Pesquisar
a
qualidade
dos
periódicos
de
contabilidade.
O BRIA não foi
incluído na lista
de
periódicos
citados por ter
surgido um ano
antes
da
publicação.
Brown
Huefner’s
1994
Contemporary
Accounting
Research
Pesquisar
a
qualidade
dos
periódicos
de
contabilidade,
analisando
também
os
periódicos mais
recentes.
O
BRIA
foi
incluído na lista
de periódicos de
qualidade.
1994
Accounting
Educator’s Journal
Avaliar
impacto
assuntos
autores
periódico
Auditing:
Journal
Practice
Theory.
O
BRIA
foi
incluído na lista
de periódicos de
mais influentes na
área de auditoria.
&
Smith, L. M.
Prather
Rueschhoff,
&
1996
Accounting
Horizons
Hesford, J.W. et
al.
2007
Handbook
Management
Accounting
Research
of
o
dos
e
do
A
of
&
Analisar
o
número
e
qualidade
da
pesquisa
contábil
internacional.
O BRIA não foi
incluído na lista
de periódicos de
qualidade.
Analisar
os
tópicos, métodos
e citações dos
dez
principais
periódicos
de
contabilidade de
1981 a 2000.
O artigo cita o
BRIA como um
dos novos quatro
periódicos
responsáveis pelo
aumento
na
quantidade
de
artigos publicados
sobre
contabilidade
gerencial.
Tabela 1: O Tratamento do BRIA em Estudos sobre Periódicos Contábeis
Esses trabalhos indicam que a reputação do BRIA tem crescido significativamente nas duas
décadas de sua existência. Como afirmam Meyer; Rigsby (2001), entre os que estão
familiarizados com o BRIA, este periódico é considerado bastante premiado. No entanto, em
função de sua natureza especializada, existe um grande número de membros de faculdades
que não estão familiarizados com o BRIA. Apesar disso, o BRIA tem emergido com um dos
principais periódicos de pesquisa entre os pesquisadores da área de contabilidade
comportamental.
3. Metodologia
Esse artigo teve por objetivo analisar as publicações dos últimos dez anos do BRIA, seus
4
conteúdos, métodos de pesquisa, participantes da amostra e colaboradores no período de 1999
a 2008. Adicionalmente, é feita uma análise da natureza dos trabalhos pesquisados, no sentido
de identificar as pesquisas que investigam como a contabilidade influencia no comportamento
humano e aquelas que investigam como o comportamento humano influencia na
contabilidade.
Dessa forma, a base de dados deste estudo foi criada de forma que possibilitasse a construção
de informações, do período de 1999 a 2008, que pudessem ser comparadas aos resultados
obtidos no estudo de Meyer; Rigsby (2001), no período de 1989 a 1998, e que permitisse a
construção da análise da influência da contabilidade no comportamento humano e do
comportamento humano na contabilidade, do período de 1999 a 2008.
A fonte de dados foram os artigos publicados no periódico “Behavioral Research in
Accounting - BRIA”. A busca pelos artigos foi realizada pelo portal do ProQuest®
(http://ProQuest.umi.com/pqdweb). Através do ProQuest® obteve-se o conteúdo integral da
totalidade os artigos publicados pelo BRIA dos anos de 1999 a 2008.
Para categorizar o conteúdo das publicações, foi utilizada a versão modificada por Meyer;
Rigsby (2001) da taxonomia das escolas da contabilidade comportamental desenvolvida por
Birnberg; Shields’(1989), a fim de permitir a supracitada comparação. Foram categorizados
todos os 106 artigos publicados nos últimos dez anos do BRIA. Tal taxonomia inclui as
seguintes classificações (ou escolas): (1) controle gerencial, (2) processamento da informação
contábil, (3) sistemas de informação contábil, (4) pesquisa sobre o processo de auditoria e (5)
sociologia organizacional.
A primeira área de pesquisa identificada, “controle gerencial”, refere-se a questões referente à
participação, estilo de liderança e o papel do feedback. Enquanto a superada questão sobre o
desenho de sistemas de controle e suas implicações para os empregados e a organização têm
sido muito estável, Birnberg; Shields (1989) indicam que tem havido considerável mudança
nos métodos de pesquisa usados para examiná-los e no direcionamento de questões
específicas.
A segunda área de pesquisa, “processamento da informação contábil”, inclui estudos nos
quais os pesquisadores tentam examinar o modelo de decisão inteiro ou processo de decisão
de várias classes de usuários. O foco nesse tipo de pesquisa muda “de efeitos da variação de
entradas para estudo do processo completo de tomada de decisões” (BIRNBERG; SHIELDS,
1989, 47).
A terceira categoria, “sistemas de informação contábil” inclui pesquisas com um foco mais
amplo que o a categoria “processamento de informações contábeis”. Concentra-se na pesquisa
generalizável para outros aspectos das atividades de um sistema de informação de uma
empresa. Birnberg; Shields (1989) sugere que o foco dessa categoria de pesquisa é na
mudança específica dentro dos sistemas de informação contábil.
A quarta categoria de pesquisa, “auditoria”, inclui a pesquisa sobre auditores internos e
externos, com um foco central na natureza do conhecimento dos auditores. Birnberg; Shields
(1989) consideram os três distintos paradigmas da pesquisa na literatura de auditoria, quais
sejam: estudos de captura-controle, estudos de probabilidade-julgamento e estudos sobre o
comportamento pré-decisional. Para classificações nessa área, o fato de auditores serem
usados como participantes não é suficiente. Os estudos devem ter um foco na auditoria como
uma profissão separada e especial.
5
A quinta categoria de pesquisa, “sociologia organizacional”, refere-se a uma ampla gama de
questões, incluindo o exame da influência do ambiente nos sistemas organizacionais de
contabilidade, as forças que fazem com que o sistema de informação contábil mude ao longo
do tempo, o papel que a contabilidade tem no domínio político de uma organização e como
indivíduos usam informações contábeis válidas para compreender suas experiências
organizacionais.
Além dessas classificações, cinco classificações adicionais de pesquisa, criadas por Meyer;
Rigsby (2001), foram utilizadas, a fim de classificar todos os 106 artigos publicados no BRIA
ao longo dos últimos dez anos. Essas categorias adicionais foram: (1) pesquisa histórica/de
classificação/futura, (2) pesquisas em contabilidade comportamental, (3) carreira dos
contadores, (4) ética e (5) outros.
Estudos cujo propósito seja fornecer um registro histórico da evolução da contabilidade
comportamental, classificar várias escolas ou concentrações na contabilidade
comportamental, ou fornecer visões e motivações para a pesquisa futura estão incluídos na
categoria de pesquisa “histórica/de classificação/futura.
Estudos cuja principal contribuição seja auxiliar no desenho de estudos futuros sobre
contabilidade comportamental são classificados como “pesquisa em contabilidade
comportamental”. Tópicos de artigos sobre o “pesquisa em contabilidade comportamental”
incluem discussões sobre como melhorar a qualidade desse tipo de pesquisa através da
seleção de participantes e de questões de medição.
O periódico BRIA também tem incluído artigos que focam na “carreira dos contadores”, que
envolvem tópicos tais como rotatividade de contadores, satisfação no trabalho e consultoria.
Além disso, o BRIA começou a publicar artigos sobre questões que tratam da “ética”. Por
fim, estudos que não se encaixam em nenhuma das categorias citadas são colocados na
categoria “outros” que, de acordo com Meyer; Rigsby (2001), englobam uma diversidade de
tópicos que vão desde o estresse ao bem-estar dos acadêmicos, assim como revisões de
monografias e negociações. Não houve, no presente trabalho, nenhum artigo que pudesse ser
classificado na categoria “outros”, tendo em vista que todos os 106 artigos se encaixaram em
qualquer uma das nove categorias anteriormente citadas.
Dessa forma, a taxonomia a ser utilizada nesta pesquisa se vale dos tópicos elencados por
Birnberg e Shields (1989) e dos tópicos adicionais elencados por Meyer; Rigsby (2001). O
estudo foi realizado em duas etapas: (1) análise dos métodos de pesquisa e dos participantes
das amostras utilizados nos artigos do BRIA e (2) análise dos contribuidores da BRIA, que
serão descritas nos próximos itens.
Métodos e Participantes do BRIA
Existem diversos métodos e metodologias de pesquisa que podem ser utilizados por
determinado pesquisador na solução de um problema de pesquisa e não há consenso entre as
nomenclaturas e interpretações encontradas na literatura. Como afirmam Berto; Nakano
(2000), as investigações científicas têm caráter e natureza variados ao tentar estabelecer,
contextualizar e relacionar aspectos diferentes de um ou mais fenômenos, podendo se
enquadrar nas mais diversas classificações: prospectiva, preditiva, retrospectiva, descritiva,
explanatória, etiológica, exploratória ou de investigação. Nessa etapa, os 106 artigos
6
analisados foram classificados em quatro espécies de pesquisa, tomando por base a
classificação realizada por Meyer; Rigsby (2001). A respeito das categorias de pesquisa
usadas por esses autores, podem ser feitas as seguintes considerações:
(1) Experimento: Consiste na manipulação das variáveis de estudo, a fim de identificar
relações de causalidade sob condições controladas por um pesquisador. Nesse tipo de
pesquisa, a(s) variável(is) independente(s) é (são) manipulada(s) ou controlada(s) pelo
pesquisador, que observa a variação na(s) variável(is) dependente(s) concomitantemente à
manipulação da(s) variável(is) independente(s) (VERGARA, 2000; GREENBERG;
GREENBERG; NOURI, 1994; SPRINKLE;WILLIAMSON, 2007). Nesse tipo de pesquisa é
muito comum o uso de cenários, simulações e situações hipotéticas;
(2) Questionário/Entrevista: Esse tipo de pesquisa, conforme Greenberg; Greenberg; Nouri
(1994), consiste em obter informações de indivíduos sobre condições existentes, através do
uso de questões. Foram classificadas nesse item as pesquisas que utilizam apenas um tipo de
coleta de dados (geralmente um único questionário, mas em alguns estudos pode envolver a
utilização de mais de um questionário) e freqüentemente se utilizam de técnicas de
amostragem e estatística. Embora o questionário seja apenas um instrumento de pesquisa que
pode ser utilizado tanto nos experimentos quanto em estudos de caso, nesse item foram
incluídas as pesquisas de cunho exploratório que se utilizaram unicamente desse tipo de
instrumento, quer ele seja estruturado ou não e aplicado de forma pessoal (entrevista) ou não
(mediante correspondência postal ou virtual);
(3) Estudo de caso: Análise aprofundada de um ou mais objetos (casos) de pesquisa com o
uso de um ou múltiplos instrumentos de coleta de dados e interações entre o pesquisador e o
objeto de pesquisa. O objeto de pesquisa pode corresponder a uma ou mais pessoas,
família(s), produto(s), empresa(s) ou unidade(s) da empresa, um órgão público ou mesmo
uma ou mais cidade, região ou país (BERTO; NAKANO, 2000);
(4) Teórico/Não empírico: discussões conceituais a partir da literatura e de revisões de toda a
bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo. Utiliza-se, segundo Berto;
Nakano (2000), de modelagens conceituais baseadas na percepção e experiências do autor.
Nesta etapa também foram identificados os perfis dos participantes dos estudos e as
respectivas incidências dentro dos métodos de pesquisa “Experimento” e
“Questionário/Entrevista”. No que se refere ao método de pesquisa “Estudo de Caso”, este
pode apresentar ou não participantes e os mesmos podem ser identificados ou não, por isso
não foram feitas classificações para os participantes desse tipo de pesquisa. Na metodologia
“Teórico / Não Empírico”, por sua vez, não há amostra ou participantes a serem classificados.
Seguindo a classificação de Meyer; Rigsby (2001), os participantes foram delineados nas
seguintes categorias: “Profissionais Não Contadores”, “Bancários”, “Acadêmicos”,
“Contadores (CPAs)”; “Estudantes de Pós-Gradução”, “Estudantes de Graduação” e
“Desconhecidos”.
Contribuidores do BRIA
Numerosos estudos têm avaliado a contribuição de instituições e indivíduos para a literatura
contábil. Como colocam Chung; Pak; Cox (1992), os resultados empíricos do estudo da
literatura contábil revelam que existe uma forte regularidade bibliométrica, indicando um
domínio institucional na produção contábil. Como exemplo, no caso específico dos três
principais periódicos de contabilidade (Journal of Accounting and Economics, Journal of
Accounting Research e The Accounting Review) foi observado que não apenas eles
7
compartilham uma origem americana, como também seu conselho editorial é dominado pelas
faculdades de um pequeno conjunto de universidades (LEE; WILLIAMS, 1999 apud CHOW
et al., 2007).
Assim, no presente artigo, buscou-se identificar se também na área comportamental da
contabilidade existe regularidade bibliométrica. Para tanto, buscou-se nesta etapa analisar as
autorias dos artigos publicados pelo BRIA durante as duas décadas estudadas. Procurou-se
também observar se houve oscilações dos principais autores do BRIA nos últimos anos ou se
o conhecimento dessa área de pesquisa continuou circunscrito, na segunda década, aos autores
que mais contribuíram na primeira década. Também foram analisadas nessa etapa as
afiliações dos autores identificados como os mais prolíferos.
4. Resultados e Discussões
Neste item são apresentados os resultados de um estudo comparativo das duas décadas, com a
apresentação de tabelas e uma breve discussão acerca desses resultados.
Métodos e Participantes do BRIA
Dentre os métodos de pesquisa para cada classificação, o “experimento” é o que apresentou
maior incidência. Houve alguns estudos que utilizaram “questionário/entrevista” ou “teórico /
não empírico”, e apenas dois artigos utilizaram o estudo de caso como metodologia. Os
métodos de pesquisa mais utilizados fora das áreas mais incidentes (controle gerencial,
processamento da informação contábil e auditoria) são outros diferentes de “experimento”. É
possível observar tal fenômeno na área de “história/classificação/pesquisa futura” que
emprega em seus vinte estudos o método “teórico/não empírico”, tal como mostra a tabela 2.
Período de “1989 a 1998”
Métodos de Pesquisa Utilizados nos Artigos
Metodologia de Birnberg & Shields (1989)
Métodos
de
Pesquisa
Controle
Gerencial
Processa
mento da
Informa
ção
Contábil
Desenho
de
Sistemas
de Informa
ção
Contábil
Auditoria
Categorias Adicionais Criadas por Meyer &
Rigsby (2001)
Sociolo
gia
Organiza
cional
Carreira
do
Contador
Pesquisa
em
Contabil
idade
Compor
tamental
História/
Classifi
cação/
Pesquisa
Futura
Ética
Outros
T
O
T
A
L
Experimento
10
33
0
19
0
0
1
0
2
3
68
Survey/
Questionário/
Entre
vista
5
2
0
2
2
7
3
0
6
3
30
Estudo
de Caso
0
0
0
0
1
0
0
0
0
1
2
8
Teórico/
Não
Empírico
1
1
1
0
1
1
4
20
2
3
34
Total
16
36
1
21
4
8
8
20
10
10
134
Tabela 2 - Métodos de Pesquisa Utilizados nos Artigos de 1989 a 1998 (Meyer e Rugsby, 2001).
Ainda na tabela 2, verifica-se que nos primeiros dez anos, a metade dos artigos (50,75%)
utilizou-se do método “experimento” e, dentre eles, a maioria tratou de sistemas de controle
contábil, processamento da informação contábil e auditoria. Isto revelou uma forte tendência
por estudos empíricos nas principais áreas do BRIA.
As observações acima são confirmadas nesse estudo, durante o período de 1999 a 2008.
Conforme pode ser observado na tabela 3, o método “experimento” reafirma sua incidência
nas áreas de sistemas de controle contábil, processamento da informação contábil e auditoria.
Novamente aqui se observa a preferência por estudos empíricos nas publicações do BRIA,
sendo 55,66% o total de experimentos.
Período de “1989 a 1998”
Métodos de Pesquisa Utilizados nos Artigos
Metodologia de Birnberg & Shields (1989)
Métodos
de
Pesquisa
Controle
Gerencial
Processa
mento da
Informa
ção
Contábil
Desenho
de
Sistemas
de
Informa
ção
Contábil
Auditoria
Categorias Adicionais Criadas por Meyer &
Rigsby (2001)
Sociolo
gia
Organiza
cional
Carreira
do
Contador
Pesquisa
em
Contabili
dade
Compor
tamental
História/
Classifi
cação/
Pesquisa
Futura
Ética
Outros
T
O
T
A
L
Experim
ento
5
21
3
20
1
2
0
0
7
0
59
Survey/
Question
ário/
Entre
vista
Estudo
de Caso
8
6
0
4
3
6
1
2
2
0
32
1
1
0
0
1
0
0
0
0
0
3
Teórico/
Não
Empírico
0
0
1
2
0
1
4
4
0
0
12
Total
14
28
4
26
5
9
5
6
9
0
106
Tabela 3 - Métodos de Pesquisa Utilizados nos Artigos de 1989 a 1998 (nossa autoria).
Outro achado importante diz respeito ao amplo uso de experimentos nos artigos de auditoria
(94,4% na pesquisa de 2001 e 76,9% nessa pesquisa). Embora o percentual de experimentos
usados nos trabalhos de auditoria tenha diminuído, como afirmam Gibbins; Qu (2005), na
pesquisa de auditoria tem sido usado quase que unicamente o experimento, mas esse tipo de
pesquisa também poderia ser útil em outras áreas, tais como o controle gerencial.
Ainda no que se refere à utilização do experimento, uma pesquisa feita por Prather;
Rueschhoff (1996), com os 30 principais periódicos acadêmicos de contabilidade dos EUA no
9
período de 1980 a 1993, indicou que o uso desse tipo de método nesses periódicos
representava apenas 2,9% do total de métodos empregados. Isso pode indicar ou um crescente
interesse dos pesquisadores na área contábil por esse tipo de método ao longo dos últimos 15
anos ou a necessidade mais acentuada do uso desse método na pesquisa comportamental em
contabilidade do que em outras áreas do conhecimento contábil.
Isso deve ao fato de que, como afirma Smith (1994), experimentos permitem, para rigorosos
testes de predições de uma teoria, validade comportamental e suposições. Segundo
Sprinkle;Williamson (2007), dada a flexibilidade inerente da abordagem experimental, os
pesquisadores podem empurrar os limites do modelo, testar as teorias concorrentes,
documentar anomalias e oferecer evidências relacionadas a porque o comportamento atual
desvia do previsto por algum modelo econômico.
Ainda na terceira etapa dessa pesquisa, foram realizados estudos que visavam apresentar
quais os perfis dos participantes das amostras pesquisadas. As tabelas 4 e 5 apresentam os
resultados das duas décadas:
Período de "1989 a 1998"
Tipos de Perfis Utilizados em "Experimentos" e em "Surveys / Questionários / Entrevistas"
Profissionais Bancários Acadêmicos Contadores Estudantes Estudantes Desconhecid
Não
(CPAs)
de Pósde
os
Contadores
Graduação Graduação
Experimento
10
3
0
32
11
17
3
Questionário
/ Entrevista
4
0
2
21
0
5
Tabela 4 - Perfis utilizados nos experimentos de 1989 a 1998 (Meyer e Rugsby, 2001).
1
Período de "1999 a 2008"
Tipos de Perfis Utilizados em "Experimentos" e em "Surveys / Questionários / Entrevistas"
Profissionais Bancários Acadêmicos Contadores Estudantes Estudantes Desconhecid
Não
os
(CPAs)
de Pósde
Contadores
Graduação Graduação
Experimento
4
0
0
23
14
Questionário
/ Entrevista
9
1
1
22
0
Tabela 5 - Perfis utilizados nos experimentos de 1999 a 2008 (nossa autoria).
24
1
1
0
Como se pode observar nas tabelas 4 e 5, o resultado nas duas décadas é muito semelhante.
Do total de 68 experimentos e 30 questionários da primeira década e de 59 experimentos e 32
questionários da segunda década, não surpreendentemente a maior categoria de participantes
das amostras pesquisadas foi a de “contadores (CPAs)”, predominante em ambas as
metodologias.
Contribuidores do BRIA
Na primeira década houve um total de 219 autores e na segunda década, um total de 196
autores. A tabela 6 oferece uma listagem daqueles que foram os 20 maiores autores de artigos
10
nas duas décadas em estudo. Nos casos de empate em número de obras, as listagens se
mostram em ordem alfabética:
Período de 1989 a 1998
Autores
Philip M J Reckers
Arnold M Wright
Jacob G Birnberg
Steven E Kaplan
Michael K Shaub
Dennis M Bline
Jeffry R Cohen
Dipankar Ghosh
Terry Gregson
Joanna L Ho
Dennis Murray
Laurie W Pant
Joseph J Schultz
David Sharp
S M Whitecotton
Período de 1999 a 2008
Total de Autorias
6
5
4
4
4
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
Autores
James E Hunton
Chee W Chow
Jennifer M Mueller
Robert J Ramsay
Steven E Kaplan
Andrea R Drake
Anne Wu
Axel K D Schulz
Bernard Wong-On-Wing
Brad M Tuttle
D Jordan Lowe
Dan L Heitger
David Smith
Dipankar Ghosh
Donald B Fedor
Total de Autorias
4
3
3
3
3
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
Tabela 6: Maiores autores do BRIA, em número de obras publicadas – Comparativo dos resultados
encontrados por Meyer e Rigsby (2001) e dos nossos resultados.
Durante a primeira década, Philip M. J. Reckers e Arnold M. Wright foram os mais
freqüentes em termos de publicação. Este estudo observou como foram os desempenhos dos
20 maiores autores da primeira década na segunda década. O resultado mostrou que apenas 4
dos 20 autores continuaram publicando artigos na década seguinte. Estes são os casos de
Philip M. J. Reckers e Arnold M. Wright, além de Steven E. Kaplan e Dipankar Ghosh. É
interessante notar que suas novas posições no ranking mudaram muito para três deles. O autor
Philip Reckers era o 1º da primeira década e saltou para 140º na segunda década, com apenas
uma publicação; o autor Arnold Wright era o 2º da primeira década e saltou para 46º na
segunda década, com apenas uma publicação; o autor Steven E. Kaplan era 4º na primeira
década e passou para 5º na segunda década, com três publicações; o autor Dipankar Ghosh era
8º na primeira década e 14º na segunda década, com duas publicações.
Este fato se assenta no que Meyer; Rigsby (pg. 264, 2001) classificam como “vida produtiva”
dos autores, portanto, com o passar do tempo, esta tende a cair.
No que tange às filiações dos autores, durante a primeira década, a Universidade do Estado do
Arizona, a Boston College e a Universidade de Pittsburgh dominaram o cenário do total de
autorias por escolas dos artigos publicados no BRIA. Na segunda década, no entanto, foi a
vez da Universidade do Arizana, da Bentley College e da Universidade de Melbourne, que
detiveram o maior número de publicações no BRIA. Isto revela a quais escolas pertenciam os
autores com maior freqüência nas publicações de artigos. As tabelas 7 e 8, a seguir,
apresentam as freqüências das 20 maiores escolas nas duas décadas estudadas.
PERÍODO DE 1989 A 1998
Ranking
Nº de Autores Diferentes
Nº de
Autores
Diferentes
Nº de
Artigos
Diferentes
Total de
Autorias por
Escola
11
1
Arizona State University
6
10
15
2
Boston College
4
9
10
3
University of Pittsburgh
4
7
9
4
The University of New South Whales
7
5
8
5
University of Oklahoma
6
7
8
6
Northeastern University
5
4
6
7
University of Hawaii
3
3
5
8
Indiana University
4
5
5
9
University of Melbourne
4
2
5
10
Michigan State University
4
4
5
11
The University of Texas at Austin
5
5
5
12
Washington State University
4
4
5
13
Brigham Young University
2
3
4
14
Bryant College
3
2
4
15
University of Minnesota
4
3
4
16
University of North Alabama
1
4
4
17
University of South Carolina
3
4
4
18
Suffolk University
2
4
4
19
Texas A&M University
4
3
4
20
University of Washington
3
3
4
Nº de
Autores
Diferentes
Nº de
Artigos
Diferentes
Total de
Autorias por
Escola
Tabela 7: Autorias por Escola (Meyer e Rigsby, 2001)
PERÍODO DE 1999 A 2008
Ranking
Nº de Autores Diferentes
1
Arizona State University
6
8
8
2
Bentley College
3
8
8
3
University of Melbourne
5
5
8
4
University of Cincinnati
4
4
6
5
University of South Carolina
5
5
6
6
Auburn University
3
4
5
7
Florida Atlantic University
3
3
5
8
San Diego State University
2
5
5
9
The University of New South Whales
3
3
5
10
York University
4
4
5
11
Brigman Young University
4
4
4
12
La Salle University
4
2
4
13
Louisiana State University
4
3
4
12
14
Southern Illinois University
2
4
4
15
Texas Tech University
4
2
4
16
University of Kentucky
2
4
4
17
University of Southern California
3
2
4
18
Georgia Institute of Technology
2
3
3
19
Indiana University
3
1
3
20
Northeastern University
2
3
3
Tabela 8: Autorias por Escola (nossa autoria)
É interessante notar que houve uma diminuição de autorias nas escolas líderes, uma vez que
na primeira década a Universidade do Arizona e a Boston College detinham 25 autorias; já na
segunda década as a liderança é dividida por três escolas em número igual de autorias, em um
total de 24.
As oscilações no ranking das 20 maiores escolas em número de autorias percorreram o
seguinte caminho, conforme mostra a tabela 9:
Ranking na 1a.
Década
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Escolas de Afiliação
Ranking na 2a.
Década
Arizona State University
Boston College
University of Pittsburgh
The University of New South Whales
University of Oklahoma
Northeastern University
University of Hawaii
Indiana University
University of Melbourne
Michigan State University
The University of Texas at Austin
Washington State University
Brigham Young University
Bryant College
University of Minnesota
University of North Alabama
University of South Carolina
Suffolk University
Texas A&M University
University of Washington
1
--9
49
20
-19
3
31
91
24
11
---5
--115
Tabela 9 : Oscilação na posição do ranking entre a primeira e segunda década.
As escolas que não figuraram na coluna “ranking na 2ª. década” não tiveram artigos
publicados nesse período.
5. Considerações Finais
Os resultados obtidos nesta pesquisa reforçam, de maneira geral, o que se havia constatado no
estudo inicial de Meyer; Rigsby (2001). Os resultados reafirmam a maior freqüência de
publicação de artigos no BRIA nos assuntos de sistemas de controle gerencial, processamento
13
da informação contábil e auditoria.
Identificou-se nesta pesquisa que, dentre os métodos de pesquisa utilizados, o experimento foi
o mais freqüente, o que reafirma o ocorrido na década passada. Adicionalmente, essa pesquisa
observou como foram as variações no quadro dos maiores autores sobre contabilidade
comportamental e das escolas de filiação desses autores. Os resultados demonstraram que
poucos autores da primeira década publicaram artigos na segunda década. Dessa forma, o
fator queda na “vida produtiva” dos autores se apresentou nesta pesquisa. Além disso,
ocorreram variações consideráveis no ranking das escolas com maior número autorias,
mostrando um volume maior de obras na primeira década em relação à segunda.
Dentre as principais limitações deste trabalho estão:
(1) a dificuldade de classificar os trabalhos em categorias de assuntos, tendo em vista que
cada artigo publicado envolve uma ampla gama de assuntos tratados, que muitas vezes
perpassam diversos ramos do conhecimento, tais como psicologia, sociologia, economia e
contabilidade. Assim, a avaliação dos assuntos tratados é de natureza subjetiva e está
relacionada ao julgamento dos autores desse trabalho, no sentido de identificar qual área de
estudo e qual conteúdo é predominante em cada um dos artigos;
(2) tendo em vista a dificuldade citada no item anterior, a comparação de um trabalho dessa
natureza com outro elaborado por autores diferentes, requereria não apenas a simples
utilização dos dados expostos para a década anterior, mas, idealmente, uma reclassificação
dos artigos da primeira década, de modo a validar os achados do presente trabalho e a dar
maior confiabilidade aos dados que estão sendo comparados;
(3) a classificação dos artigos em métodos além de também estar sujeita ao julgamento dos
autores desse trabalho, empregou a mesma classificação usada por Meyer;Rigsby (2001), que
pode apresentar inconsistências na medida que vários autores fazem distinções entre
metodologias e métodos de pesquisa, sendo que alguns consideram a classificação
“teórica/não empírica” como metodologia e as outras empregadas nesse trabalho como
métodos. Embora não haja nenhuma classificação universal e haja muitas divergências entre
os autores, é certo que um ou mais métodos podem ser utilizados no mesmo artigo e muitas
vezes pode ser difícil a identificação de qual método se sobressai ou mesmo pode haver
sobreposição de métodos sem que haja uma definição clara do tipo de pesquisa intencionada;
Como se pode depreender de tudo que foi exposto no decorrer do trabalho, a pesquisa na
contabilidade comportamental ainda é bastante incipiente e tem muito a evoluir. Os resultados
aqui encontrados servem de parâmetro para pesquisas futuras, uma vez que propicia o
conhecimento do que foi estudado, de como foi estudado e quais autores e escolas
influenciaram nesse estudo.
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1 Análise Descritiva dos Métodos, dos Participantes das