http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 ESTUDO COMPARADO ACERCA DA IMPLANTAÇÃO DE HIPERMERCADOS E SHOPPING CENTERS EM METRÓPOLES REGIONAIS: CURITIBA (BRASIL) E SAN MIGUEL DE TUCUMÁN (ARGENTINA) Ana Caroline de Oliveira Chimenez Graduanda do curso de Geografia da Universidade Federal do Paraná [email protected] Anna Paula Scherer Lino Graduanda do curso de Geografia da Universidade Federal do Paraná [email protected] INTRODUÇÃO Os anos de 1970 são apontados por Harvey (1992) como ponto de inflexão e reestruturação da economia mundial. A partir desse período houve notória transformação nas formas de produção e gestão de cidades, a medida que o sistema econômico inseria-se no modelo de acumulação flexível. Tais mudanças culminaram no viés empreendedorista de conceber a cidade e as políticas urbanas. Logo, o empreendedorismo urbano assumiu a centralidade na formulação da política urbana e nas estratégias de desenvolvimento contribuindo para que as governanças urbanas passassem a ter ações mais empresarialistas do que administrativas, devido às dificuldades enfrentadas pelas economias capitalistas e à capacidade declinante do Estado-Nação (HARVEY, 2006). Assim, apesar de tais estratégias funcionarem sob a mesma lógica neoliberal, a diferenciação entre as mesmas se dá pelo fato de as relações interurbanas instigarem à concorrência já que as cidades passam a disputar a atração de negócios e indústrias, mão-de-obra qualificada, bem como qualidade de serviços a fim de enquadrarem nos padrões impostos por estas novas demandas das empresas. Na atualidade, a dinâmica da economia urbana se caracteriza pela implantação de equipamentos urbanos de capital ou de lógica internacional. Anteriormente, os capitais internacionais voltavam-se mais às atividades industriais – porém contemporaneamente 222 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 estes estão relacionados à implantação de equipamentos de consumo voltados ao setor terciário, como shopping centers, hipermercados, rede hoteleira, entre outros. Assim, transformações no espaço urbano decorrentes dessa inserção, como o reforço e/ou criação de novas centralidades, o enfraquecimento de dinâmicas comerciais de menor porte e tendência à homogeneização de valores culturais e hábitos de consumo, adquirem destaque na dimensão intra-urbana (FERREIRA, et al., 2011). Há ainda a conversão das relações de caráter interurbano, que remodelam a ação das cidades na rede urbana nacional e mundial e destacam mercados não totalmente explorados, que se tornam alvos de investimentos. Em confluência internacionalização, aqui com entendido tais reflexões, como um relaciona-se processo capaz o de conceito de desencadear reestruturações socioeconômicas e urbanas, tendo em vista que permite a rápida conexão entre os interesses globais e locais. Com a influência da internacionalização, o papel das cidades se altera e, dentre elas o das metrópoles regionais, que passam a apresentar características cada vez mais próximas àquelas da reestruturação capitalista mundial: articulam mudanças locacionais e inovações tecnológicas por meio da reconstrução tecnoprodutiva do capital à escala global e as políticas de ajuste neoliberal para ampliar seus mercados (CÓRDOBA, 2008, p.20). Desse modo, o poder público e os instrumentos de gestão e planejamento urbano, portam-se como reguladores do ritmo dessa transformação às novas realidades, culminando na promoção de estratégias como o city marketing para atração de capitais e fomentando as atividades ligadas às funções metropolitanas, destinando-as ao atendimento das demandas das empresas e do consumo da população nelas envolvidas, em detrimento do “pensar” a cidade em sua totalidade. A inserção de objetos de lógica internacional em centros urbanos também promove a homogeneização de lugares. Assim, grandes cidades passam a ser cada vez mais parecidas entre si quando se observa elementos de sua vida cotidiana, na medida em que são, em sua maior parte, as mesmas empresas e/ou grupos que produzem seus espaços no que tange à equipamentos urbanos de consumo. Todavia, o vislumbrar, em um primeiro momento, de relativa homogeneização está presente apenas em determinadas áreas, já que de acordo com a reflexão de Corrêa (2013, p. 7): “O espaço da cidade capitalista, particularmente da grande cidade, caracteriza-se entre outros aspectos, por ser fragmentado, o que dá origem a um mosaico irregular, com áreas de diferentes tamanhos, formas e conteúdos e assim geradas por 223 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 distintos processos espaciais e agentes sociais”. Tal mosaico irregular, fruto da produção capitalista do espaço, também possui particularidades sendo, uma delas, a divisão por áreas sociais. Estas, no entanto, caracterizam-se por ter relativa homogeneidade interna, mas heterogeneidade entre elas. Desse modo, no atual contexto urbano, a partir, do crescente processo de internacionalização de cidades somado entre outros fatores, a forma empreendedorista de gestão das cidades,– que toma o lugar do planejamento urbano mais abrangente, procrastinado – produz-se cidades fragmentadas e desiguais, reflexos de intervenções pontuais e de gestões que favorecem os interesses do grande capital em detrimento de problemáticas urbanas conjunturais que primem por equidade social. A partir das reflexões do presente trabalho, espera-se elucidar algumas questões referentes ao processo de internacionalização em metrópoles regionais como Curitiba (Brasil) e San Miguel do Tucumán (Argentina) a partir da implantação de shopping centers e redes de hipermercados de origem estrangeira. Nesse sentido, a elaboração do estado da arte do presente trabalho caracterizou-se por privilegiar conceitos como de mundialização, internacionalização, metrópoles regionais, entre outras categorias relevantes. MUNDIALIZAÇÃO, INTERNACIONALIZAÇÃO E METRÓPOLES REGIONAIS Abordar os estudos urbanos a partir da análise multiescalar clássica na Geografia (Lacoste, 1977) é imprescindível quando pretende-se analisar fenômenos respeitando suas complexidades. O presente trabalho dialoga com as escalas local e global, atribuindo principalmente ao processo de internacionalização a responsabilidade por fortalecer esta lógica cada vez mais inserida nas grandes cidades e, neste caso, nas metrópoles regionais. Justamente por considerar tal complexidade, entende-se que não é possível o esgotamento das discussões a respeito das metrópoles regionais no contexto sul americano a partir deste trabalho. Todavia, priorizar-se-á nesta parte a breve interligação de conceitos já conhecidos e que cabem na presente reflexão, como a categoria de mundialização, internacionalização, a atribuição da cidade como “negócio” e, por fim, o acúmulo teórico a respeito das chamadas metrópoles regionais. Carlos (2012) analisa o processo de mundialização a partir de duas escalas principais que juntas reproduzem uma nova dinâmica espacial. A primeira escala é referente às transformações internas da metrópole, como mudanças de seus setores produtivos desencadeando em novas divisões espaciais do trabalho e também do próprio espaço. A 224 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 substituição e fragmentação do setor industrial para dar lugar às atividades de serviços e comércio, abarcando o maior viés empresarial da metrópole. A segunda escala refere-se ao território, tendo em vista a redefinição da centralidade da metrópole. Resume-se, principalmente, a importância do Estado enquanto interventor e regulador do espaço urbano, criando possibilidades, flexibilizações, entre outras ações. Nesse sentido, o processo de mundialização expressa a maleabilidade do capitalismo, que se profere em planos cada vez maiores espacialmente Carlos (2012), sem dissolver, no entanto, contradições, a medida que com a multiplicação de mercados e integração de espaço, há a desintegração e declínios de outros. Desse modo, Carlos e Carreras (2012) destacam que “sob o prisma da valorização do espaço, a mundialização, como processo de extensão e aprofundamento da formação social capitalista, ocorre desencadeando contradições novas as quais, via de regra, se sobrepõem as contradições preexistentes, implicando metamorfoses do espaço” (CARLOS e CARRERAS, 2012, p.8). É possível relacionar tais contradições como sendo provenientes de um sistema de ações Santos (2009), atribuindo ao mesmo a ideia de escala de realização das ações e escala de comando das ações. Estas estão cada vez mais distantes e incoerentes com a lógica do lugar. Assim, “muitas das ações que se exercem num lugar são o produto das necessidades alheias, de funções cuja geração é distante e das quais apenas a resposta é localizada naquele ponto específico da superfície da Terra” (SANTOS, 2009, p. 80). Ressalta-se, portanto, a partir desse distanciamento e “esquizofrenia no processo criador dos eventos”, (Santos, 2009, p. 62), uma alienação local (pensamento próximo dos chamados atores decididores e o homem comum). O processo de urbanização contemporâneo é, sobretudo nos países subdesenvolvidos e naqueles considerados em desenvolvimento, conhecido como gerador de diferentes contradições. Carlos (2012) analisa uma das mais preponderantes problemáticas, em que a metrópole, mesmo contendo alto grau de integração – considerando o viés econômico -, também apresenta a desintegração das particularidades da vida cotidiana, dos lugares, do comércio local que muitas vezes se apresenta como territorialidade e local de encontro e o “empobrecimento das relações sociais (como aquelas de vizinhança)” (CARLOS, 2012, p.31). A segunda e não menos importante problemática que a autora aborda refere-se a metrópoles que se erguem cada vez mais “sinalizando a importância do espaço enquanto 225 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 valor de troca” (Carlos, 2012, p.31), ou seja, a concepção da cidade enquanto um “negócio”. Tal percepção, advinda da globalização econômica e reestabelecida com processos como de mundialização e internacionalização da cidade, relega o espaço do cotidiano a um segundo plano, ao caráter de “improdutivo”, não submetido nem a troca, nem a valorização. Nesse sentido: Os processos de globalização não ocultam a fragmentação do espaço, fundamento da segregação da metrópole tendo como pano de fundo o processo de desconcentração industrial-centralização financeira. Neste sentido, o processo urbana não sinaliza um movimento que irá do local ao global, mas uma articulação de níveis justapostos, tendo a metrópole como mediação entre eles (CARLOS, 2012, p. 31). Atribui-se ao processo de internacionalização como sendo uma das expressões da previamente citada mundialização. Advindo da relação entre a dimensão político-econômica de uma dada região com o interesse de mercados multinacionais, internacionais, transnacionais em absorver os mercados emergidos nesses espaços. Deste modo, no processo de internacionalização: [...] encontramos o planeta transformando-se em uma grande empresa global, onde se identifica e se generaliza o processo produtivo, subordinando o mercado, a força do trabalho, o planejamento governamental e toda a ordenação do território a essa nova ordem de expansão das grandes empresas capitalistas pelo planeta (CAMARGO, 2005, p. 127). Assim, a partir das reflexões de Carreras (2012), é importante considerar os efeitos da internacionalização do mercado e do consumo. Além do viés já privilegiado neste trabalho, a inclusão de equipamentos do setor terciário advindos de lógica internacional como shopping centers e redes de hipermercados, destaca-se a internacionalização do solo urbano. Tradicionalmente inserida no âmbito local, regional e nacional, hoje o solo urbano tem sua lógica de mercado também ampliada para um mercado global. Considerando a cidade como lugar de expressões da sociedade, inclui-se que “as contradições entre o local e o global aparecem assim como um dos temas de estudo mais relevantes nas grandes metrópoles e na maior parte das cidades e territórios, levando à necessidade de investigação das estratégias das companhias imobiliárias internacionais e da concorrência entre cidades” (CARLOS, 2012, p.27). Nesse sentido, destaca-se as ponderações a respeito do conceito de “metrópole 226 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 corporativa” feitas por Santos (2009), que se aproxima lucidamente da dialética a respeito das metrópoles e metrópoles regionais que adquirem feições de ideologias desenvolvimentistas, atentas quanto a subtração das chamadas “deseconomias urbanas”, aqui consideradas como o comércio local, informal, relações de troca e demais práticas que não condizem com a reprodução macro do capitalismo. Desse modo, elucida-se quanto a este conceito de metrópole: Na cidade corporativa, o essencial do esforço de equipamento é primordialmente feito para o serviço das empresas hegemônicas; o que porventura interessa às demais empresas e ao grosso da população é praticamente o residual na elaboração dos orçamentos públicos. (SANTOS, 2009, p.109). Quanto às metrópoles regionais, as mesmas podem ser consideradas, para o caso brasileiro, como cidades com mais de 1 milhão de habitantes que abrigam atividades econômicas diversificadas, mas possuem uma área influência menor que a das metrópoles nacionais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística classificou em 12 as metrópoles brasileiras, ou seja, os principais centros urbanos do país, que, por sua vez, possuem fortes relacionamentos entre si e grande área de influência direta. Dentro da definição de “Metrópoles” há ainda três subgrupos. O grupo “Grande metrópole nacional” (que tem São Paulo como representante absoluta), “Metrópole nacional” (Rio de Janeiro e Brasília) e, por fim, a categoria de “Metrópole” formada por Curitiba, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia e Porto Alegre. Cada cidade exerce uma centralidade e possui uma rede de alcance específica. No caso de Curitiba, de acordo com o IBGE (2008), sua rede reúne 8,8% da população do País e 9,9% do PIB nacional. Nesta cidade concentram-se 18,6% da população e 23,5% do PIB da rede. Em relação à Argentina, San Miguel do Tucumán está inserida em uma organização espacial diferenciada, a partir de províncias. Todavia, a mesma exerce papel influente, sendo o centro da região denominada como noroeste argentino. A cidade conta com mais de 79% de seu território urbanizado, segundos dados do Censo Nacional Argentino de 2001. Ainda segundo o Censo, Tucumán tem por volta de 527.607 habitantes (39.4% da população total da província), número que aumenta durante o dia em mais de 600.000 pessoas devido a população que se encontra em trânsito. 227 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 CURITIBA E SAN MIGUEL DO TUCUMÁN: PLANEJAMENTO URBANO E ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS Considerando-se as metrópoles de Curitiba (Brasil) e de San Miguel do Tucumán (Argentina), deve-se destacar que o planejamento urbano da primeira caracterizou-se, sobretudo a partir da década de 1990, como um exemplo do planejamento estratégico fundamentado no empreendedorismo urbano. A partir deste período, Curitiba passou a aproximar os interesses locais aos globais e inseriu-se no contexto de cidades contemporâneas apoiada no discurso de vanguarda envolvendo o planejamento urbano derivado de propostas do Plano Preliminar de Urbanismo de 1965 (BRANDENBURG e CHIMENEZ, 2013). Segundo Oliveira (2000), o período entre 1971 e 1983 ficou conhecido pela eficiência técnica devido à materialização das estratégias do plano de 1965 (também conhecido como Plano Serete) e da implementação do Sistema Trinário, do Plano Massa e da Rede Integrada de Transporte. Entre 1988 e 1992 Curitiba passou a ser reconhecida pela ênfase das intervenções de ordem estética e pelas políticas ambientais. Sendo assim, no contexto da competitividade, o diferencial da cidade enquanto mercadoria passa a ser atribuído à solução de problemas urbanos frequentes em países em desenvolvimento, como o caso do transporte público e da qualidade de vida. Sendo assim, apesar de se acentuarem os conflitos urbanos principalmente a partir da década de 1990, “a despeito do esgotamento do Plano Diretor, persiste a mística de uma cidade planejada” (OLIVEIRA, 2000, p.61), proveniente principalmente da construção de equipamentos urbanos simbólicos como parques, praças, equipamentos de infraestrutura para mobilidade como as estações-tubo aliados a estratégia de city marketing, que exaltam sempre a imagem de e bem planejada que Curitiba possui. Já quanto aos aspectos estruturais de San Miguel do Tucumán, o código de planejamento urbano da cidade está organizado em nove capítulos sendo, em resumo: Área de atuação da legislação e da aplicação, definição de termos técnicos, zoneamento e delimitação dos Distritos, disposições gerais e específicas para o uso do solo urbano em cada distrito, disposições gerais referentes a edificação em todos os Distritos, disposições específicas referentes a edificação para cada Distrito, disposição urbanística e de edificação para casos especiais, penalidades e, por fim, revogação de normas. Ainda quanto ao planejamento urbano de San Miguel de Tucumán, destaca-se que a cidade é composta por três zonas claramente diferenciadas. A primeira delas é a área 228 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 central, caracterizada como o centro histórico da cidade. É uma área importante do ponto de vista funcional e simbólica, centro de dinamismo, vitalidade e concentração de serviços. A área central está rodeada por um anel central, constituída pelas vizinhanças que surgiram independentemente da estrutura original, mas com a expansão da cidade esta parte foi totalmente integrada a feição urbana. Esta área permanece e amplia a estrutura da área urbana central e perdurou com as suas características em tempo de baixa densidade residencial mista, tendo incorporado apenas em isolamento próprios novos modelos formais da evolução histórica. Tal zona continuou com a estrutura urbana da área central e manteve com o passar do tempo suas características de abrigar residências mistas de baixa densidade, incorporando bem pouco os novos modelos formais de estrutura urbana. A terceira faixa, caracterizada por ser a área periférica, é o limite da formação urbana de San Miguel do Tucumán. É assinalada por ser a área de maiores contrastes devido a coexistência de níveis extremos tanto econômicos quanto sociais. Tal fator reflete visivelmente na paisagem urbana que apresenta-se bastante desigual. A estrutura urbana predominante se diferencia dos demais setores por conter também vazios urbanos consideráveis. A INFLUÊNCIA DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS URBANOS DE COMÉRCIO E CONSUMO EM CURITIBA E SAN MIGUEL DE TUCUMAN A partir dos anos de 1970 e, sobretudo, da década de 1990, pode-se afirmar que dinâmicas decorrentes da globalização intensificaram processos de reestruturação da economia mundial. De acordo com Harvey (1992), diante do tenro período de novas formas de produção além da transição do regime fordista-keynesiano para o modelo de acumulação flexível, promoveram-se modificações no paradigma da gestão das cidades, passando do administrativismo para o empreendedorismo urbano. Para o autor, este novo tipo de gestão urbana visualiza a cidade como uma mercadoria, onde ocorre a promulgação e construção de uma imagem de cidade “atrativa” e favorável para a instalação de empresas e consumidores estrangeiros. Conforme Sánchez (2010) apud Harvey (1993): A condução das políticas para a preservação e a ampliação de um “bom ambiente de negócios” está orientada não apenas para a atração de investimentos ligados à esfera da produção, mas também para a atração de consumidores externos e para a ampliação dos níveis de consumo interno (SÁNCHEZ, 2010, p.59). 229 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 Destarte, apesar de tais paradigmas conterem a mesma lógica neoliberal, no entanto, divergem-se pelo fato das relações interurbanas passarem a fomentar a concorrência, fazendo com que as cidades disputem entre si pela atração de negócios e indústrias, mão-de-obra qualificada, bem como qualidade de serviços com a finalidade de adequação aos padrões impostos pelas demandas vigentes das empresas. Partindo deste pressuposto, Córdoba (2008) indaga que a emergência desses recentes modelos de gestão e política urbana, aliado a entrada das cidades na competição por investimentos mostra-se como uma estratégia de modernização urbana, provocando relevantes transformações na lógica das cidades. Portanto, com o recebimento e implantação de novos serviços, decorre-se a criação de novas funções metropolitanas, cujas são, conforme Firkowski (2004): Destinadas ao atendimento da demanda das empresas e ao consumo da parcela da população a elas associadas, que exigem produtos e serviços diferenciados, de oferta mundial. Para se adequar a essa realidade a cidade passa por uma reformulação nas atividades existentes. Trata-se, portanto, da possibilidade de expansão para muitas empresas, de atuação internacional, atraídas pela potencialidade de novos mercados (FIRKOWSKI, 2004, p.95). Nesse contexto, Santos (1996, p.258-261) adverte para o sentido de que a modernização contemporânea incide na mundialização dos lugares, havendo lugares globais simples e lugares globais complexos, cujos, divididos em dois setores de produção – o de cima e o de baixo – produzem e constroem as relações de trabalho. Dessarte, nos locais simples, implantam-se pontuais objetos da modernidade atual. Nos locais complexos, coincidentes com as metrópoles, dissipam-se os vetores que representam e até mesmo contradizem as lógicas hegemônicas. Sendo assim, na medida em que são realizadas tais reformulações nos tipos de serviços, atribuições e modos de produção das cidades, as dinâmicas internacionalizadas fortalecem-se ainda mais. Todavia, o desenvolvimento dos serviços é determinado pelo grau de representação da cidade na rede urbana nacional. Por consequência, alguns serviços são destinados a atender os mercados regionais, enquanto outros são voltados para as escalas mais amplas de atuação. Desse modo, Firkowski (2004) afirma que: Os altos preços e níveis de lucro mais elevados dos setores internacionalizados acabam fazendo com que seja difícil a permanência e competição de outros setores que não sejam internacionais (SASSEN, 1998). Foi assim que se 230 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 processaram importantes transformações em setores como o hoteleiro, o comércio varejista (ora representado pelos hipermercados e shopping centers) e os serviços corporativos (FIRKOWSKI, 2004, p.95). Neste contexto, Santos (1996) afirma que o Estado contém importante papel no que se refere á estruturação e implantação desses novos equipamentos e serviços, pois em busca da modernidade e voltado á estratégias que priorizam e privilegiam determinados atores, há a relegação dos agentes (pequenas empresas, instituições com pouca infraestrutura, entre outros) que não se enquadraram nas novas dinâmicas econômicas e demandas do mercado. De acordo com Firkowski (2004), o resultado destas seccionadas escolhas produzem transformações na escala intra-urbana e interurbana, pois respectivamente, estimula ainda mais as contradições sociais e econômicas existentes e altera o papel das cidades na dimensão da rede urbana mundial e local (FIRKOWSKI, 2004, p.95). Aliado a isto, implica-se também o fato das legislações, no que tange a implantação dos equipamentos comerciais que exigem a utilização de grandes espaços, além do controle da monopolização do comércio, tanto em Curitiba – conforme Ferreira et al. (2012) – como na Argentina, e isto inclui San Miguél de Tucumán – segundo Di Nucci (2009) – apresentam falhas e pouca rigorosidade em determinar as áreas de instalação e o controle do monopólio do capital no mercado varejista. Portanto, infere-se que as mudanças referentes ao novo caráter dado á lógica das cidades no âmbito local e mundial, implicam-se como coroário dos processos de ajuste as políticas neoliberais, reconstrução tecnoprodutiva do capital e globalização, descrito segundo Di Nucci (2009, p.3) apud Ortega (1993, p.3) caracterizadas “por la excessiva concentración de los medios de producción y comercialización así como la de los medios financieros y de servicios en el plano mundial y nacional” (DI NUCCI, 2009, p.3). Partindo deste pressuposto, a globalização das cidades torna-as lócus da implantação de serviços modernizados, concentrando além do mais, atividades que necessitam maiores serviços e níveis de infraestrutura. Consequentemente, tais atividades geram mudanças locacionais e padronização dos equipamentos urbanos, localizados diversamente pelas cidades do mundo. Por conseguinte, pressupõe-se a centralização de serviços e equipamentos em determinados espaços do território, onde há a priorização de certas áreas em detrimento de outras. Deste modo, tal processo aliado á estratégias de caráter neoliberal e governança 231 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 urbana empreendedorista com direcionamento á segmentados públicos – com maior poder aquisitivo e de consumo – produzem, o que Milton Santos (2002) denomina de espaços opacos e espaços luminosos. Ou seja, para o autor, tais espaços, de luminosidade e opacidade seriam aqueles que: Acumulam densidades técnicas e informacionais, ficando assim mais aptos a atrair atividades com maior conteúdo em capital tecnologia e organização. Por oposição, os subespaços onde tais características estão ausentes seriam os espaços opacos. Os espaços luminosos, pela sua consistência técnica e política, seriam os mais suscetíveis de participar de regularidades e de uma lógica obediente aos interesses das maiores empresas (SANTOS, 2002, p. 264). Trazendo para a análise da presente pesquisa, os espaços luminosos constituem-se em aqueles que dentro da escala intra-urbana, englobam as áreas geralmente mais próximas ao centro, que contém infraestruturas mais completas e eficientes, além de diversificados tipos de serviços – neste estudo aos voltados às redes de varejo – para atender á uma seccionada população consumidora, de maior poder aquisitivo. Em suma, os espaços luminosos seriam os que conseguem suprir as necessidades técnicas, de infraestrutura e os que contém equipamentos que promovam a atração de capitais e investimentos externos, reforçando as centralidades existentes. Em contrapartida, os espaços opacos são carentes de infraestrutura e de serviços que supram as necessidades da população residente, restando á estas, deslocarem-se para os espaços luminosos a fim de utilizar os serviços ofertados. À vista disto, objetivando-se elucidar alterações decorridas no papel das cidades dado reestruturação da economia mundial, utiliza-se no presente estudo de caso os hipermercados e shoppings com capital de origem internacional entre os equipamentos comerciais do setor varejista e de consumo. Objetiva-se analisar de que maneira tais empreendimentos produziram e vem produzindo modificações no âmbito da paisagem urbana de Curitiba (Brasil) e San Miguel del Tucumán (Argentina), visto que, cada vez mais, ambas cidades caracterizam-se por “dinâmicas internacionalizadas e mundializadas, que podem modificar significativamente a lógica das atividades existentes e constituir novas centralidades, criando espaços homogêneos a partir de valores culturais e hábitos de consumo” (FERREIRA et al. 2011, p.18). Identificar-se-á assim – tendo em vista que a pesquisa encontra-se em estágio inicial – se há atuação dos mesmos equipamentos comerciais nas respectivas cidades e de que forma estas ocorrem, no que se refere aos mecanismos e 232 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 estratégias de comércio, implantação das lojas e venda dos produtos. HIPERMERCADOS A implantação das grandes redes de varejo de origem estrangeira nas metrópoles de Curitiba e San Miguel de Tucumán pode ser denotada como um exemplo caracterizador das dinâmicas de internacionalização nas cidades pós década de 1970. Estas vêm utilizando como principais estratégias: a aquisição de redes de menor atuação e de redes internacionais que não obtiveram êxito em suas implantações 1, ampliação do horário de funcionamento, implantação do modelo de auto-serviço, diversos tipos de lojas com variados produtos (importados ou não) de acordo com a demanda e poder aquisitivo de cada clientela. Consequentemente, promove-se então a monopolização do setor varejista pelas grandes redes internacionais, no que se refere à aquisição e número de lojas, à distribuição de mercadorias, preços e ordem de demanda aos fornecedores (FIRKOWSKI, 2004). Conforme o quadro abaixo, torna-se evidente, sobretudo em Curitiba, o vasto número de lojas e filiais que as mesmas empresas contêm nas respectivas cidades, com diversos formatos e público-alvo. Quadro 1: Análise comparativa referente à atual composição de redes varejistas transnacionais nos municípios de Curitiba (CTBA) e San Miguel del Tucumán (SMT) e o ano de instalação das mesmas nos seus respectivos países. REDES 1 ANO DE INSTALAÇÃO CAPITAL DE ORIGEM NÚMERO DE LOJAS EM CURITIBA UNIDADES LOJAS EM SAN MIGUEL DEL TUCUMÁN Referente ao caso brasileiro da aquisição, na década de 2000 das lojas do Grupo Sonae (Big e Mercadorama) pelo Grupo Walt Mart. 233 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 BRA: 1987 ARG: 1982 Casino Guichard BRA: 1999 Perrachon ARG: 1998 BRA: ----------Cencosud ARG: 1982 BRA: 1972 Grupo SHV ARG: 1988 Carrefour BRA:1998 ARG: 1995 Walt Mart CTBA: 2 Francês SMT: 4 Francês Chileno/Argentino Holândes CTBA: 6 SMT: 2 CTBA: 0 SMT: 11 CTBA: 1 SMT: 1 Carrefour e Market Hipermercados Supermercados Pão de Açucar e Extra Libertad CTBA: 33 SMT: 4 Norte-americano Carrefour Hipermercado Super Vea e Jumbo Supermercados Sem Lojas Makro Atacado Walt Mart Mercadorama Big, Todo Dia Maxxi Sam's Club Makro Atacado Walt Mart Hiper e Changomas Fonte: Pesquisa direta, 2014. Organizado por: Anna Paula S. Lino. Salienta-se ainda, mais duas premissas: a primeira é o fato de que as estratégias citadas anteriormente não são utilizadas em exclusividade pelos grandes empreendimentos internacionais e a segunda refere-se ao caráter centralizador de tais negócios. Respectivamente, as grandes redes varejistas nacionais de hipermercados como no caso da rede Condor, Muffato e Angeloni em Curitiba e da rede Emilio Luque em San Miguel del Tucumán visando se enquadrarem nas demandas do mercado e permaneceram em igualável nível de competitividade aderiram as novas formas de organização, produção e vendas do comércio varejista. Ademais, inferindo-se à segunda premissa decorre-se que, nas duas metrópoles os hipermercados e também shoppings (como será visto posteriormente) localizam-se principalmente em suas áreas centrais e em bairros valorizados das cidades. SHOPPING CENTERS Assim como no caso dos hipermercados, os primeiros shopping centers a serem implantados nas cidades referentes ao estudo instalaram-se a partir de 1980. Ademais, os agentes atuantes em cada município demonstraram-se divergentes, conforme o quadro 02. Em Curitiba destacaram-se shoppings administrados por empresas do segmento nacional, cujas, segundo Ferreira et al. (2011) possuem grande percentual de capital internacional em suas organizações. Em San Miguel del Tucumán, até o atual andamento da presente pesquisa, não encontraram-se dados ou informações dos grupos atuantes no setor de administração dos shoppings. Quadro 2: Análise comparativa dos empreendimentos de shoppings centers atuantes em Curitiba e em San Miguel del Tucumán. SHOPPING INAUGURAÇÃO GRUPO PERTENCENTE 234 ATUA EM: http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 Barigui Curitiba Crystal Plaza Estação Mueller Palladium Patio Batel Portal Tucumán Solar del Cerro Yerba Buena 2003 1996 1996 1997 1983 2008 2013 S.I. S.I. S.I. Multiplan (Nacional) BRMALLS (Nacional) BRMALLS (Nacional) BR MALLS (Nacional) Soifer (Nacional) Tacla (Nacional) Soifer (Nacional) S.I. S.I. S.I. Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba San Miguel del Tucumán San Miguel del Tucumán San Miguel del Tucumán S.I: Sem informações. Fonte: sites institucionais dos shoppings, 2014. Em busca de se realizar uma breve e inicial comparação, destoaram-se importantes características quanto a forma de organização e administração dos shoppings nas respectivas metrópoles: os instalados na cidade de Curitiba marcam-se pelo elevado número de lojas estrangeiras de alto e médio padrão no interior de seus empreendimentos, cada um de acordo com a localização e público atendido. Tais shopping centers são destinados à população de maior poder aquisitivo. Em contrapartida, os localizados em San Miguel del Tucumán, de acordo com as informações fornecidas pelos sites institucionais dos shoppings, possuem apenas algumas poucas lojas de atuação internacional, todavia, isto não significa que o público-alvo dos empreendimentos tenham um poder-aquisitivo menor. Vale destacar, que em alguns casos há a presença de grandes redes de hipermercados dentro dos shoppings, como no caso do Yerba Buena e Portal Tucumán que contêm as redes Jumbo e Supervea pertencentes ao Grupo Cencosud. Este aparente padrão não se repete nos shoppings da cidade de Curitiba. CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVA DE CONTINUIDADE A metrópole inserida na rede urbana mundial apresenta uma alteração no controle dos empreendimentos, passando do local/regional para o internacional/global. Com isso, verificou-se uma completa descaracterização das empresas de atuação local e regional, que passaram a ser controladas por importantes grupos externos, revelando o fortalecimento dos setores internacionalizados e seu peso no contexto da dinâmica econômica recente. É importante sublinhar que as mudanças não se deram apenas no âmbito da troca de controle, mas se irradiaram por toda a cadeia de fornecedores, na medida em que os novos grupos trouxeram não só a modificação física das lojas, novos métodos de trabalho, ampliação do horário de funcionamento, mas também significativas alterações na composição do mix de produtos disponíveis, em que cada vez mais as grandes 235 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 marcas de atuação global sobressaem, em detrimento daquelas de caráter local e regional, tanto no âmbito dos produtos industrializados como no dos hortifrutigranjeiros (FIRKOWSKI, 2004). Deve-se ressaltar que é inegável o percentual de empregos diretos e indiretos que os dois ramos de atuação do setor terciário priorizados no presente trabalho proporcionam às cidades que os abrigam. Contudo, esta breve reflexão objetivou atentar-se às tensões identificadas, advindas da implantação destes equipamentos urbanos relacionados muitas vezes à inação do estado, frente as problemáticas da cidade como um todo. Nesse sentido, ressalta-se a importância das empresas como líderes de dominação e expansão do capital no território, constituindo-se em importantes atores hegemônicos na escala global. Quanto à localização, as unidades distribuem-se em quase sua totalidade pelo município de Curitiba e San Miguel del Tucumán, fortalecendo o caráter centralizador destes municípios. Porém, muitos elementos ainda estão por ser estudados, necessitando-se voltar o olhar para as dinâmicas recorrentes do setor terciário no interior e exterior da economia urbana das cidades e entre as cidades. Cabe assinalar que nesta etapa de capitalismo global, a diversificação e a fragmentação territorial e social são inerentes aos processos de reestruturação econômica e globalização pelo qual apresenta uma tendência de homogeneização de pautas, criando ao mesmo tempo uma grande quantidade de fraturas e heterogeneização do espaço social. É possível inferir que há o reforço de centralidades existentes, promovendo nas metrópoles regionais analisadas certa concentração dos equipamentos urbanos aqui destacados dentro dos limites do município onde está a cidade-polo. REFERÊNCIAS CARLOS, A.F.A.; CARRERAS, C. Urbanização e Mundialização. Estudos sobre a metrópole. Ed. Contexto, 2012. Geografia) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. CARNEIRO, M. M. S. NOGUEIRA, V. Educação Geográfica e formação da Consciência Espacial-Cidadã. Ed. UFPR, 2013. CORRÊA, L. R. Segregação residencial: classes sociais e espaço urbano. In. ___. 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ISBN: 978-85-7506-232-6 ESTUDO COMPARADO ACERCA DA IMPLANTAÇÃO DE HIPERMERCADOS E SHOPPING CENTERS EM METRÓPOLES REGIONAIS: CURITIBA (BRASIL) E SAN MIGUEL DE TUCUMÁN (ARGENTINA) EIXO 1 – Transformações territoriais em perspectiva histórica: processos, escalas e contradições RESUMO Na atualidade, a dinâmica da economia urbana potencializa-se a partir da implantação de equipamentos urbanos de capital ou de lógica internacional. Anteriormente, tais capitais se restringiam às atividades industriais, porém no contexto contemporâneo, estes estão relacionados à implantação de equipamentos de consumo voltados ao setor terciário, como shopping centers e hipermercados. Transformações no espaço urbano decorrentes dessa inserção, como o reforço e/ou criação de novas centralidades, o enfraquecimento de dinâmicas comerciais de menor porte e tendência à homogeneização de valores culturais e hábitos de consumo, adquirem espaço na dimensão intra-urbana. Há ainda a conversão das relações de caráter interurbano, que remodelam a ação das cidades na rede urbana nacional e mundial e destacam mercados não totalmente explorados, que se tornam alvos de investimentos. O papel das cidades se altera e dentre elas estão as metrópoles regionais, que passam a apresentar características cada vez mais próximas àquelas de reestruturação capitalista mundial: articulam mudanças locacionais e inovações tecnológicas por meio da reconstrução tecnoprodutiva do capital à escala global e as políticas de ajuste neoliberal para ampliar seus mercados. Desse modo, o poder público e instrumentos de gestão e planejamento urbano, portam-se como reguladores do ritmo dessa transformação às novas realidades, culminando na promoção de estratégias como o city marketing para atração de capitais e fomentando as atividades ligadas às funções metropolitanas, destinando-as ao atendimento das demandas das empresas e do consumo da população nelas envolvidas, em detrimento do “pensar” a cidade em sua totalidade. A partir disso, o presente trabalho tem por objetivo estabelecer uma comparação entre Curitiba (Brasil) e San Miguel de Tucumán (Argentina), classificadas como metrópoles secundárias, regionais ou subnacionais, no âmbito das transformações que ocorreram e ocorrem em seus espaços urbanos. Este se justifica na esfera de pesquisa mais ampla, que propõe um estudo das dinâmicas globais recorrentes na América Latina e que reorganizam cidades classificadas como metrópoles regionais. Entre os objetivos específicos, buscou-se estabelecer a comparação da implantação dos shoppings centers e hipermercados, em ambas as cidades, identificando os agentes econômicos envolvidos e suas estratégias de implantação. A elaboração de sínteses cartográficas dos equipamentos de consumo instalados, enfatizando aqueles relacionados ao comércio varejista pertencentes a grupos externos, abarcou a metodologia deste trabalho. 238 http://6cieta.org São Paulo, 8 a 12 de setembro de 2014. ISBN: 978-85-7506-232-6 Como resultados preliminares, destaca-se o reforço de centralidades existentes, promovendo nas metrópoles regionais analisadas certa concentração desses equipamentos dentro dos limites do município onde está a cidade principal. Assim, a partir da década de 1990, grupos como o Multiplan, BR Malls, Tacla, Soifer, La Fonte, Ecisa, Ancar, Brascan/Embrascenter - no caso dos shoppings – e Walmart, Cenconsud, Steen Handels Vereeniging, no caso dos hipermercados, mostram-se presentes modificando e reestruturando o espaço intra-urbano de San Miguel de Tucumán e Curitiba, além de alterações em suas relações interurbanas. Em menor escala, há a inserção de novos produtos considerando o caráter internacional destas redes, ampliação do quadro do horário de funcionários, bem como grande segmentação social em seus empreendimentos, entre outros aspectos. Palavras-chave: internacionalização; metrópoles regionais; centralidades urbanas 239