0 UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UnC PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU CANOINHAS – SC 2013 1 DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do título de Mestre, pelo Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado – UnC, Campus Canoinhas, sob orientação do Professor Dr. Sandro Luiz Bazzanella. CANOINHAS – SC 2013 2 A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS Esta Dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora como requisito parcial para obtenção do Título de: Mestre em Desenvolvimento Regional. E aprovado na sua versão final em atendendo as normas da legislação vigente da Universidade do Contestado – UnC e Coordenação do Curso do Programa de Mestrado de Desenvolvimento Regional. Coordenadora do Curso Maria Luiza Milani BANCA EXAMINADORA: _______________________________________________ Presidente da Banca: Prof. Dr. Sandro Luiz Bazzanella _______________________________________________ Membro: Prof. Dr. Walter Marcos Knaesel Birkner _______________________________________________ Membro: Prof. Dr. Armindo José Longhi 3 Dedico este trabalho ao meu marido Erivelton pelo amor, apoio irrestrito, ensinamentos, estímulo e paciência que demonstrou durante todo este curso e principalmente na elaboração da presente dissertação. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a minha mãe Maria Angela, em memória, e ao meu pai Protásio, ambos professores que sempre me estimularam e proporcionaram condições para que eu estudasse. Ao meu irmão Felippe, que por sua dedicação à família permitiu que eu me dedicasse a presente dissertação. Agradeço as amigas do Mestrado Andrea Mendes, Edite Siqueira e Rosidete Costa, por sempre estarem por perto quando precisei e pelos ótimos momentos que compartilhamos durante esta jornada. E a dona Diva da pensão em Canoinhas. Ao professores Dr. Armindo José Longhi pela disponibilidade e profissionalismo e ao Professor Dr. Sandro Luiz Bazzanela pela compreensão que demonstraram no trabalho de orientação. Agradecimentos aos gestores da Extensão da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória, Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória e Universidade do Contestado, pela cooperação para a presente pesquisa ao fornecerem documentos e dados sobre as ações extensionistas praticadas por suas respectivas Instituições. E aos professores e alunos que atuaram nas ações extensionistas da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória, Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória e Universidade do Contestado, pela disposição em participar da presente pesquisa e expor francamente suas concepções e impressões. Ao Diretor da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória Valderlei Garcias Sanches, meu agradecimento por permitir a adequação dos meus horários de trabalho e assim permitir a realização deste Mestrado. A todos muito obrigada! 5 RESUMO O presente estudo é resultado da pesquisa científica pautada nas dimensões entre concepções e práticas das atividades de extensão universitária desenvolvidas em três Instituições de Ensino Superior da Região do Médio Iguaçu. Tal compreensão foi buscada inicialmente pelo levantamento e analise dos documentos legais de tais instituições (Regimentos, Estatutos, Plano de Desenvolvimento Institucional). Após realizou-se analise do conteúdo dos discursos dos Atores envolvidos no processo de desenvolvimento da extensão nas IES estudas no período de 2007 a 2011. Para em seguida ao realizar a triangulação dos dados, extrair as concepções e práticas da extensão universitária nas Instituições estudadas. A extensão por ser uma dimensão mais recente do ensino superior, insere-se com configurações diversas, variando conforme a realidade e interesses institucionais. O presente estudo mostrou que as concepções sobre extensão existentes na documentação legal das Instituições estudadas: Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória, Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória e Universidade do Contestado, não correspondem com a prática tão pouco com a expressão dos atores ouvidos, todas mostram-se idealistas, sem todavia adequar-se aos modelos existentes de extensão universitária e sem possuir caráter institucional. A extensão praticada não possui equiparação com o ensino e a pesquisa, nem com estes se articula, uma vez que os docentes não possuem condições de integra-los pela condição atual de somente as atividades de ensino e pesquisa serem computadas junto aos órgãos de fomento e a comunidade científica. Não são realizadas avaliações das ações praticadas ante a falta de institucionalização das ações extensionistas, o financiamento ainda é precário e o planejamento das ações variável, conforme o interesse dos atores envolvidos não há participação ativa da comunidade local. Palavras chave: extensão universitária, concepções e práticas. 6 ABSTRACT This study is the result of scientific research guided the dimensions between conceptions and practices of university extension activities developed in three Higher Education Institutions in the Region of the Middle Iguaçu. Such understanding was initially sought for the survey and analysis of legal documents such institutions (Regiment, Statutes, Institutional Development Plan). Held after analysis of the content of the speeches of the actors involved in the development of the extension in Istitution studied in the period between 2007 and 2011. To then discuss using triangulation of data concepts and practices of university extension in the institutions studied. The extension to be a newer dimension of higher education is part of various configurations, depending reality and institutional interests. The present study showed that the concepts of extension on existing legal documentation of the institutions studied: State College of Philosophy, Sciences and Letters of União da Vitória City, the Municipal University Center of União da Vitória City and University of Contestado not correspond with the practice and expression of actors participants, all show up idealists without suit existing models of university extension and without possessing institutional character. The extension has not practiced articulation or assimilation with teaching and research, teachers can not afford to integrate them only by the current condition of the activities of teaching and research are considered along with the funding agencies and the scientific community. The actions don’t be evaluated because the lack of institutionalization of extension activities, funding is still precarious and action planning variable, according to the interest of the actors involved no active participation of the local community. Keywords: university extension, concepts and practices. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Localização dos municípios de atuação das IES ..................................... 46 Quadro 1– Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior no Paraná ........................................................................................................... 26 Quadro 2 – Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina ............................................................................................... 27 Quadro 3 – Localização das Instituições de Ensino Superior no Paraná .................. 27 Quadro 4 – Localização das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina .... 28 Quadro 5 – IES da Região do Médio Iguaçu ............................................................. 47 Quadro 6 – Esquematização das questões e categorias avaliadas ......................... 52 Quadro 7 – Criação das Fundações que originaram a UnC...................................... 63 Quadro 8 – Conceito de extensão universitária pelos atores da FAFIUV ................. 67 Quadro 9 - Função que a extensão universitária cumpre na sociedade pelos atores da FAFIUV ........................................................................................... 68 Quadro 10 – Como se dá a geração dos programas de extensão – FAFIUV ........... 69 Quadro 11 – Demanda ações extensionistas – FAFIUV ........................................... 70 Quadro 12 – Existem mecanismos de avaliação dos projetos de extensãoFAFIUV ........................................................................................................... 71 Quadro 13 – Condições para realização da extensão – FAFIUV ............................. 72 Quadro 14 – Recursos financeiros para extensão – FAFIUV Quadro 15 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – FAFIUV ................ 73 Quadro 16 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária – FAFIUV .................................................................................... 74 Quadro 17 – Parceiros atuais na extensão – FAFIUV............................................... 76 Quadro 18 – Melhores parceiros para a extensão – FAFIUV .................................... 77 Quadro 19 – Futuro para extensão universitária ....................................................... 78 Quadro 20 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional – FAFIUV ........................................................................................................... 78 Quadro 21 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UNIUV ................. 79 Quadro 22 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade – UNIUV............................................................................................................. 81 Quadro 23 – Geração dos programas de extensão – UNIUV ................................... 82 Quadro 24 – Demandas das ações extensionistas – UNIUV .................................... 82 8 Quadro 25 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão – UNIUV ............ 83 Quadro 26 – Condições para realização da extensão – UNIUV................................ 84 Quadro 27 – Recursos financeiros para extensão – UNIUV ..................................... 85 Quadro 28 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – UNIUV ................. 86 Quadro 29 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária – UNIUV ..................................................................................... 87 Quadro 30 – Parceiros atuais na extensão – UNIUV ................................................ 87 Quadro 31 – Melhores parceiros para a extensão – UNIUV ..................................... 88 Quadro 32 – Futuro para extensão universitária – UNIUV ........................................ 89 Quadro 33 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional – UNIUV............................................................................................................. 90 Quadro 34 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UnC ..................... 91 Quadro 35 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade – UnC ..... 91 Quadro 36 – Geração dos programas de extensão – UnC ....................................... 92 Quadro 37 - Demandas das ações extensionistas – UnC ......................................... 92 Quadro 38 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão – UnC ................ 93 Quadro 39 – Condições para realização da extensão – UnC ................................... 93 Quadro 40 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – UnC ..................... 93 Quadro 41 - Recursos financeiros para extensão – UnC .......................................... 94 Quadro 42 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária – UnC ......................................................................................... 95 Quadro 43 – Futuro para extensão universitária – UnC ............................................ 95 Quadro 44 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional – UnC ..... 96 Quadro 45 – Melhores parceiros para a extensão- UNC .......................................... 96 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AC – Avaliação de Conteúdo APMG – Academia Policial Militar do Guatupê C&T – Ciência e Tecnologia CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEE – Conselho Estadual de Educação CEPE – Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão CEPEX - Comitê de Ética, Pesquisa e Extensão CRAS – Centro de Referência de Assistência Social CIPIC – Comissão do Plano Institucional de Capacitação CINCRUTAC – Comissão Incentivadora dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ação Comunitária CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa COEP – Comitê de Ética em Pesquisa COLTEC – Colégio Técnico de União da Vitória COPERTIDE – Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva CRUB – Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras CRUTAC – Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária EMBAP – Escola de Música e Belas Artes do Paraná ESuSeP – Escola Superior de Segurança Pública FACE - Fundação Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória FAFIPA – Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí FAFIPAR – Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá FAFIUV – Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória FAP – Faculdade de Artes do Paraná FECEA – Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana FECILCAM – Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão FORPROEX – Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras FUnC – Fundação Universidade do Contestado IBGE – Instituto Brasileira de Geografia e Estatística 10 IES – Instituições de Ensino Superior IEPS – Instituto de Ensino e Pesquisa INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação MEC – Ministério da Educação e Cultura NRE – Núcleo Regional de Educação PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional PR – Paraná PROEXT – Programa de Extensão Universitária SESu – Secretaria de Educação Superior SETI – Secretaria da Ciência Tecnologia e Ensino Superior SC – Santa Catarina TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UDF – Universidade do Distrito Federal UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UnC – Universidade do Contestado UNE – União Nacional de Estudantes UNESPAR – Universidade Estadual do Paraná UNIGUAÇU – Unidade de Ensino do Vale do Iguaçu UNIUV – Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória USP – Universidade de São Paulo 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 19 2.1 CONCEITO DE UNIVERSIDADE ........................................................................ 19 2.1.1 Modelo Europeu .............................................................................................. 20 2.1.2 Modelo Norte Americano .................................................................................. 23 2.1.3 Inicio da Universidade no Brasil ....................................................................... 23 2.2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO NOS DIAS ATUAIS .................................... 24 2.3 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO PARANÁ E SANTA CATARINA...................................................................................................... 26 2.4 CONCEITO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA................................................... 28 2.4.1 A extensão nas IES: Uma Abordagem Histórica e Legal ................................. 30 2.4.2 Projeto Rondon ............................................................................................... 36 2.4.3 Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária – CRUTAC ........................ 37 2.5 TIPOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA .......................................................... 38 2.5.1 Modelo Europeu ............................................................................................... 38 2.5.2 Modelo Norte Americano .................................................................................. 38 2.6 INDISSOCIABILIDADE ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO .............. 40 2.7 IMPACTO SOCIAL .............................................................................................. 42 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 44 3.1 LÓCUS DA PESQUISA ....................................................................................... 44 3.2 OS CAMINHOS DA PESQUISA ......................................................................... 47 3.3 A ANÁLISE DOCUMENTAL ................................................................................ 48 3.4 ENTREVISTAS .................................................................................................. 50 4 ANALISE DOS DOCUMENTOS ........................................................................... 54 4.1 EXTENSÃO NA FAFIUV - FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO DA VITÓRIA – FAFIUV ............................ 54 4.2 EXTENSÃO NA UNIUV - FUNDAÇÃO MUNICIPAL CENTRO UNIVERSITÁRIO DA CIDADE DE UNIÃO DA VITÓRIA – UNIUV ................. 58 4.3 EXTENSÃO NA UnC - UNIVERSIDADE DO CONTESTADO ............................ 62 5 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS ............................................................................. 67 5.1 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA FAFIUV ............................. 67 5.2 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UNIUV ............................... 80 12 5.3 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UnC ................................... 90 6 CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS INSTITUIÇÕES PESQUISADAS .................................................................... 97 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 106 8 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 110 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO............. 117 APÊNDICE B – ROTEIRO ENTREVISTA .............................................................. 118 ANEXO A – APROVAÇÃO COMITÊ DE ÉTICA .................................................... 119 13 1 INTRODUÇÃO Para se compreender o processo de construção da extensão nas universidades em suas múltiplas dimensões é preciso ler a prática da extensão como um fenômeno historicamente construído que na atualidade está destituído de seus valores principais. Um elemento importante na configuração atual foi, e continua sendo, a inter-relação entre universidade e população. Para compreender o funcionamento do campo da presente pesquisa, um ponto primordial é a discussão do conceito de extensão com questões como conhecimento, planejamento, relação ensino-pesquisa, financiamento e repercussão para o desenvolvimento regional, tornando-se fundamentais para o entendimento que regem o espaço da extensão universitária. Chauí (2003) defende ser a Universidade uma instituição social, científica e educativa, com identidade fundada em princípios, valores, regras e formas de organização que lhe são inerentes. Para que tal Instituição tenha reconhecimento e validade a autora defende que deve “[...] colocar uma ponte sobre o abismo que a separa da sociedade, e que permita a ligação ao seu interior e exterior”. Somente desta forma restaria um conjunto o qual formaria a essência da Universidade: “[...] a razão de ser, a identidade, a função transformadora é expressa na sua função social” (CHAUÍ, 2003, p. 68). Ao implantar os projetos de extensão as IES deveriam considerar os anseios e necessidades da população local, ou a demanda regional (análise da procura e análise da oferta) e com isto os projetos de extensão contribuiriam no processo de formação dos futuros profissionais. O grande demérito em relação a alguns conceitos de extensão é que eles acabam por tornar, na prática os cursos e os serviços oferecidos à comunidade algo completamente desvinculado das atividades que lhe são inerentes: o ensino e a pesquisa (SCHUELTER, 2003). Os ordenamentos legais das IES, via de regra, não estão adequados ao grau de abrangência e especialização preconizado pelo ordenamento jurídico o que, somado a ausência de regulamentação geral, gera incerteza sobre a forma de tratamento destinado a extensão. Se a instituição não sabe exatamente como comportar-se em relação a 14 Extensão Universitária, seu corpo docente e discente também não encontrará segurança para desenvolver tal tipo de atividade acadêmica, muito menos mensurar qual a contribuição que a extensão universitária traz para sua formação profissional. Em algumas IES os docentes, encontram estímulos à participação em projetos de extensão, por vezes com redução da carga horária em sala de aula, por vezes, com o recebimento de bolsas auxilio para coordenação dos projetos. Todavia os comitês gestores das Instituições de Ensino em grande parte das vezes não está apto a decidir, julgar, opinar sobre quais projetos contribuem para atingir o objetivo de a extensão universitária propiciar o desenvolvimento regional. No Brasil de forma geral ainda entendem os financiadores e gestores dos projetos de extensão universitária que a finalidade precípua desta seria de cunho assistencialista. Em parte tal entendimento deve-se a adoção da corrente norteamericana de extensão a qual será oportunamente abordada. Em resumo a hipótese basilar da presente pesquisa é que os projetos de extensão ao serem propostos deveriam orientar-se e na medida do possível atender aos anseios e necessidades da população local, ou a demanda regional (análise da procura e análise da oferta) e com isto os projetos de extensão contribuiriam no processo de formação dos futuros profissionais, o que por consequência propiciaria o desenvolvimento regional. A ideia de que a Universidade deve servir à população é relativamente recente na América do Sul, data formalmente de 1918 em Córdoba (Argentina), ocasião na qual os estudantes assumem o poder na Universidade Católica e tinham como meta a busca de uma universidade integrada ao povo e a vida da nação (ROCHA, 2001). No Brasil em 1909, foram criadas as primeiras ditas Universidades Populares ou Universidades Livres como preferem alguns autores. Neste momento a extensão universitária passou a apresentar uma relação entre o que era produzido no interior da universidade e a cultura local, na forma de prestação de cursos, todavia estes sem efetiva relação com os anseios da sociedade. Com a conjuntura do Regime Militar, a extensão universitária, da mesma forma que o movimento estudantil passou a representar riscos ao regime e, com a finalidade de desarticular o engajamento entre estudantes e comunidade local o governo militar instituiu programas de Extensão Universitária nos quais os estudantes eram levados à outras comunidades, via de regra, em pior situação que as de origem e nestas conheciam apenas parte da realidade, sem estabelecer 15 maiores vínculos com a população local, ou com os problemas apresentados. Como todos estes momentos ocorreram com grande proximidade temporal, em nosso país ainda nos dias atuais observam-se Instituições de Ensino que adotam ora a extensão universitária calcada na prestação de cursos, ora de caráter assistencialista. Para se ter um diagnóstico fiel da Região a ser pesquisada e a influência que a extensão universitária propicia, faz-se necessário entender tais modelos e o que se pode esperar de cada um. Após ouvir os atores da extensão busca-se estabelecer um significado para a extensão e o espaço que ocupa nas atividades acadêmicas, os problemas que enfrenta e as perspectivas dos atores. O questionamento acima faz sentido por estar relacionada aos diversos interesses que propõe a extensão universitária uma aproximação efetiva entre a Universidade e a comunidade local. Ao se rever o início da trajetória da extensão universitária em nosso país, nos depararmos com a postura autoritária da Universidade em relação ao povo, um comportamento que não considerava a cultura e o saber popular e, colocava-se como detentora de um saber absoluto. O conhecimento era verticalizado, quem o transmitia de certa forma escolhia o que transmitir e, quem recebia muitas vezes não sabia o que fazer com tal conhecimento. A escolha por este tema de pesquisa foi determinado pela sua contemporaneidade e relevância no contexto regional das instituições de ensino superior. Como resultado de um conjunto de circunstâncias resultantes dos períodos de Graduação (Bacharelado em Direito), docência no ensino superior e procuradoria jurídica de uma Instituição de Ensino Superior, adentrando no estudo da extensão universitária, surgiu posteriormente a possibilidade de repensar e ampliar os aspectos normativos do objeto de estudo. Mesmo sem nunca ter atuado diretamente na extensão, despertou na pesquisadora um interesse acadêmico pelo estudo para ser compreendido com mais profundidade, o papel da extensão universitária analisada à luz do papel da universidade atual. Nesse contexto foi abraçado esse desafio produzido pelo olhar de uma pesquisadora confrontado com o universo da extensão. Tratar esta questão, mediante o desenvolvimento de uma pesquisa descritiva de cunho qualitativo em relação a concepção e prática da extensão na Região do Vale do Médio Iguaçu é latente, principalmente por se evidenciar a existência de 16 lacunas e de contradições na execução nas mesmas e que avance o olhar critico relacionado à temática. Uma revisão prévia da literatura indicou que ser reduzida a publicação acadêmica sobre a concepção da extensão atual, e a este dado se soma a possibilidade de se gerar uma análise sobre determinada região. A grande maioria dos estudos representa uma abordagem avaliativa, ligada a metodologias, instrumentos utilizados e os resultados de programas específicos de extensão. Foi necessário integrar diferentes linhas de investigação, trazidas de outros campos para desenvolver a discussão de pontos e contrapontos a respeito da legitimidade da extensão universitária, contribuindo para o desvelar dos fundamentos/mecanismos que podem estar implícitos nos documentos institucionais que afetam a realidade da prática extensionista. Na região do Médio Iguaçu existem quatro Instituições de Ensino Superior, sendo que até o presente momento não foi realizado diagnóstico a fim de se identificar as demandas regionais que possam ser atendidas por meio de projetos de extensão. Com tal diagnostico será possível contribuir no processo de formação dos acadêmicos e propiciar o desenvolvimento regional, na medida em que se compreenderá as demandas da região que estão inseridos. Isto para buscar o fortalecimento do papel da Universidade como agente disseminador do conhecimento científico para fomento do desenvolvimento regional. O desenvolvimento de atividades acadêmicas fora da Instituição de Ensino, diretamente na comunidade, permite ao acadêmico, contato com a realidade e segundo Freire (1980, p.26): “[...] este nível espontâneo, o homem ao aproximar-se da realidade faz simplesmente a experiência da realidade na qual ele está a procura. Além de permitir que se estabeleça influência recíproca e solidária entre teoria e prática, gerando uma visão global da realidade em sua complexidade, apresentada pelo tema do desenvolvimento regional. A interação dos alunos com a comunidade regional é hábil à instrumentalizar a elaboração de projetos que visem à integração da comunidade regional e, o desenvolvimento socioeconômico por meio do desenvolvimento educacional. Nesta dimensão reside a necessidade da interação de professores/alunos com a comunidade visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Ademais preconiza a Constituição Federal, que as Universidades obedecerão ao princípio da 17 indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Princípio este repetido na LDB de 1996. A presente pesquisa também mostra-se viável na medida em que os ordenamentos jurídicos das Instituições de Ensino Superior estão por lei disponíveis, através dos diversos meios de comunicação e divulgação aos interessados. Os projetos de extensão universitária via de regra são submetidos a Comissões formalmente constituídas nas IES e, nestas Comissões ficam arquivados para fins de comprovação junto aos órgãos fiscalizadores dos projetos desenvolvidos nas Instituições Públicas. Diante desses argumentos, se tem a seguinte problematização: Quais são as concepções e práticas de extensão Universitária presentes nas IES da região do Médio Iguaçu? Por decorrência do primeiro questionamento as instituições de Ensino Superior do Vale do Iguaçu teriam como papel legal por meio dos projetos de extensão atender de forma efetiva e ampla as necessidades regionais? E como isso foi percebido pelos seus atores sociais? Como objetivo geral da presente pesquisa tem-se: Compreender as concepções e práticas das atividades de extensão universitária nas IES da Região do Médio Iguaçu. Os objetivos específicos foram assim divididos: Sistematizar os discursos presentes nos documentos legais (Regimentos, Estatutos, Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI) das IES a serem estudadas; Levantar depoimentos dos atores que estiveram envolvidos no processo de desenvolvimento da extensão nas IES do Médio Iguaçu no período de 2007 a 2011 e Discutir a problemática estabelecida a partir do referencial teórico, dos documentos e entrevistas dos atores da extensão nas IES do Médio Iguaçu A dissertação aqui apresentada foi estruturada em cinco capítulos: No capítulo 2 será realizada uma revisão bibliográfica sobre a Extensão Universitária, possibilitando a leitura da atividade extensionista, bem como a sua viabilização enquanto objeto científico do estudo. O capítulo 3 descreve o percurso metodológico da pesquisa, abordando as técnicas e procedimentos adotados. 18 O capítulo 4 aloca o discurso documental das IES estudadas, o capitulo 5 possui a parte descritiva dos depoimentos dos atores os quais foram contextualizadas ao longo deste capítulo. O capítulo 6 aborda as discussões da pesquisa, resultantes da triangulação de dados estabelecida a partir dos conteúdos do referencial teórico, do discurso documental e dos depoimentos dos atores identificados pelo estudo e, por fim, a Conclusão. 19 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 CONCEITO DE UNIVERSIDADE Gramsci (1968) entende a universidade como aparelho de hegemonia, que tem sua especificidade na formação de intelectuais, sejam eles os Intelectuais tradicionais, que seriam os que por significativos períodos históricos monopolizaram a difusão do saber, sobretudo da ideologia religiosa: filosofia, exercida pelos eclesiásticos. Mais tarde, outras categorias eram favorecidas e ampliavam o poder do monarca até chegar ao absolutismo, chamada de aristocracia togada composta por cientistas, teóricos, filósofos não eclesiásticos. O ponto comum é que tais categorias julgavam-se independentes do grupo social dominante por sua qualificação. O outro grupo de intelectuais definidos por Gramsci o grupo de Intelectuais Orgânicos, os que são nascidos do mesmo terreno social industrial do grupo econômico, mas na esfera mais elevada, chamada atualmente de burguesia. Enquanto aparelho de hegemonia, a universidade encontra-se, sujeita ela própria a uma luta hegemônica, que se desenvolve em seu próprio seio, o que explica muitas das crises de identidade deste aparelho (CUNHA, 1988, p. 10). O conceito de Universidade implicando em duas tarefas é apontado por Humboldt (1997, apud PEREIRA, 2009, p.124): "[...] de um lado, promoção do desenvolvimento máximo da ciência, de outro, produção do conteúdo responsável pela formação intelectual e moral da nação”. O paragrafo acima caracteriza que a universidade deveria promover o enriquecimento moral da Nação e do indivíduo. Os princípios traçados por Humboldt estabeleceram-se como aqueles que toda universidade deveria sustentar para o bem público e da nação (PEREIRA, 2009). O mesmo autor ainda aponta como outra característica da universidade, que seus membros compreendem ciência como um problema que nunca pode ser totalmente resolvido. O que transforma a pesquisa num esforço infinito e traz a ideia maior sobre Universidade Moderna, na qual necessária se faz a associação entre ensino e pesquisa. A moderna concepção de Universidade, após as reformas, parte do pressuposto que somente pode se dizer que se trata de uma Universidade quando há formação graduada e pós-graduada, pesquisa e extensão. Sem qualquer destes 20 elementos, certamente há ensino superior, todavia não há universidade. O que remete a conclusão de que em muitos países, a esmagadora maioria das Universidades privadas e mesmo parte das universidades públicas não são Universidades, porque lhes falta a pesquisa ou a pós-graduação (SANTOS, 2008). Quando se fala em Universidade Moderna, os modelos de Universidade que se apresentam são o Alemão, Inglês, Francês e Italiano, o que após a Declaração de Bolonha(Itália) passaram a receber o nome singular de modelo Europeu, o qual é contraposto pelo chamado modelo Norte Americano. 2.1.1 Modelo Europeu Formado pela junção dos modelos Italiano, Alemão, Inglês e Francês de Universidade, apesar que a essência de cada concepção seja distinta em decorrência da formação histórica de cada um destes povos, ressalta-se que a partir da Declaração de Bolonha formaram um modelo único. No 900º Aniversário da Universidade de Bolonha, em 1988 foi firmada a Magna Carta Universitária, um marco na transformação das Universidades Europeias. Tal carta trouxe impacto no desenvolvimento cultural cientifico e técnico para o futuro da Europa, que após 1998, no 800º aniversário da Universidade de Paris, foi firmada a Declaração de Sorbone, a qual buscou a compatibilidade do sistema de ensino Europeu com objetivo de reconhecimento, qualificação e incremento a competição internacional. Em 1999 a Declaração de Sorbone foi revogada pela nova Declaração de Bolonha, quando se estabeleceu linhas de ação buscando um sistema de ensino baseado em graus de acessível leitura e comparáveis no âmbito da União Europeia, sendo tal sistema baseado em dois ciclos, o geral comum aos cursos e posteriormente o especifico do curso pretendido e um sistema de acumulação e transferência de créditos. A União Europeia desenvolveria ainda uma politica comum de avaliação de qualidade do ensino superior. Estabeleceu ainda como metas a promoção da mobilidade de estudantes, professores e investigadores, e busca-se a atratividade do Espaço Europeu de Ensino Superior. A partir de Bolonha, o modelo de ensino-aprendizagem passa a centrar-se o processo no aluno, substitui-se o sistema tradicional de transmissão do conhecimento para o modelo de aquisição de competências, o qual delega ao aluno 21 maior responsabilidade na aquisição do conhecimento. Os professores passam a ter como objetivo desenvolver nos alunos as competências necessárias para o exercício de uma profissão. Nessa perspectiva, o “[...] novo ensino superior europeu busca de fato um novo modelo de universidade, concebida como empresa, chamada a enfrentar a concorrência nacional, europeia ou mundial e a criar alianças com outros parceiros acadêmicos” (CHARLE et al, 2004, p.969). A partir de Bolonha, ressignifica-se o modelo de ensino-aprendizagem, ao centrar-se o processo no aluno, abandonando-se o sistema tradicional de transmissão do conhecimento para o modelo de aquisição de competências, concedendo-lhe maior liberdade no seu processo de formação e delegando-lhe maior responsabilidade na aquisição do conhecimento. A seguir será feito um breve apanhado sobre os principais modelos de universidade europeu que influenciaram a construção da nova universidade europeia. As Universidades Alemãs chamadas idealistas almejariam a ‘verdadeira ideia de universidade’. Buscam a educação geral visando o desenvolvimento do intelecto. Um corpo docente criador e alunos integrados aos mestres, buscando todos a pesquisa com total liberdade livre das pressões sociais, formas de organização estrutural, curricular e administrativa. Humboldt (1997 apud PEREIRA, 2009). No modelo alemão também denominado “modelo idealista alemão” há a premissa de que o ensino não pode inviabilizar a pesquisa, o objetivo de Humboldt foi tornar a universidade uma academia. A Crítica que se faz ao modelo Alemão é de ser elitista, uma vez que ao exigir do Aluno dedicação integral aos estudos impede-o de trabalhar. O que somente seria possível aos filhos da elite econômica. O modelo francês, por sua vez resulta do ensino superior em tal país no período de 1793 a 1896. Em 1793, Napoleão aboliu as universidades por consideralas apologia ao Antigo Regime e buscou o monopólio cultural, por este motivo recebe também a denominação de ‘modelo imperial Napoleônico’. Tal reforma permitiu que alguns dos grandes estabelecimentos de ensino permanecessem. Cerca de cem anos após a revolução francesa, o ensino permaneceu como um sistema de escolas superiores organizadas como se fossem ensino médio. A missão do ensino superior em tal período era servir a nação e ser útil ao sistema social, político e econômico. 22 Nas Universidades Francesas, ditas funcionais, a missão seria servir a nação com finalidade de utilidade coletiva. A universidade seria um instrumento de formação profissional e política. Isso entendido como uma utilidade social. A critica que se faz a Universidade Moderna é que esta entrou em crise, segundo definição clássica de Santos (2003, p. 166) devido a ‘tensão problemática’ de três domínios de contradição: “[...] sendo a primeira delas entre a produção de alta cultura para a formação das elites e a produção de padrões culturais médios e de conhecimento úteis para a força de trabalho qualificada exigida pelo desenvolvimento industrial”. Esta é denominada por Santos como crise da Hegemonia. Seguida pela crise de legitimidade oriunda da contradição entre hierarquização e democratização e a terceira seria a crise institucional, havida entre a autonomia institucional e a produtividade social. As Universidades Inglesas de Oxford (fundada em 1667) e Cambridge (originada de Oxford, por migração, em data incerta do século XII), por quase meio século, dominaram o panorama universitário da Inglaterra. Tais universidades denominadas de ‘Oxbridge’ formaram o chamado modelo inglês de universidade, embora houvesse outras, exemplificando Universidades de Durham (1832) e de Londres (1836), a qual examinava e conferia grau aos estudantes das demais instituições inglesas de ensino superior. Optando pela primazia da educação, tal modelo desde as origens buscou a formação da personalidade, caráter e moral dos alunos, incorporando ainda elementos do anglicanismo na formação superior. Buscou formar o ‘gentleman’ com uma inteligência cultivada, um gosto refinado, um espírito leal, justo e severo, uma conduta nobre e cortês, qualidades que acompanham um vasto saber (NEWMANN apud ROSSATO, 1998. p. 130). Desta forma os alunos são o objeto da universidade e não o ensino ou a pesquisa, por esta razão denomina-se também ‘modelo elitista inglês’. A organização universitária era formada pelos chamados ‘Colleges’, que congregam comunidades universitárias onde convivem com seus tutores, em regime de internato, estudantes do sexo masculino bem como as Faculdades, que ministram ensino especializado. A admissão de estudantes mulheres, somente foi admitida no final do século XIX. Não havia até então lei educacional, o que conferia autonomia integral as universidades, as quais eram mantidas pelo Estado. 23 2.1.2 Modelo Norte Americano O modelo norte americano de Universidade também conhecido como utilitarista, é caracterizado pela organização dos recursos materiais e humanos em estrutura departamental, ou seja, em função da economia de escala no uso dos indutos, ao invés de faculdades que seriam o produto profissional. Já o conhecimento é fracionado e agrupado em partes menores denominadas disciplinas, ao invés das antigas cátedras. Seria tal modelo na visão de Gurgel (1986, p. 59) fruto de diferentes tendências: “a educação liberal inglesa, College, o ideal científico da universidade Alemã e a orientação pragmática de treinamento técnico-profissional do Land Grant Colleges”. A pluralidade de formulação confere a universidade norte americana formulações diferenciadas que desempenha função de esclarecimento, por meio da ciência; de formação crítica, por meio do ensino; e se volta ao espaço público, por meio da extensão. Segundo Habermas (1993, p. 126) as instituições americanas tiveram quatro funções centrais: investigação e formação de novas gerações; preparação de carreira acadêmica com saber técnico aplicável; tarefas de cultura em geral e contribuição para a criação da consciência individual. Após 1860 quando a universidade norte americana passou a sofrer influência do modelo alemão, a união do ensino e pesquisa passou a ser sustentado pelo Estado em sua maior parte. Após com a implementação da formação técnica profissional, as empresas interessadas em prosperarem passaram a contribuir financeiramente e com isso as instituições tornaram-se flexíveis e inovadoras, além de expandirem suas instalações e cria-se um modelo próprio de universidade. Gramsci (apud Cunha, 1988, p.19) discorre que a hegemonia americana própria das grandes indústrias com sua organização racional do trabalho e das linhas de comando (Taylorismo) atingiu também a esfera da universidade. 2.1.3 Inicio da Universidade no Brasil Somente no início do século XX é que foram criadas as primeiras universidades no Brasil, reunindo vários cursos profissionalizantes (SILVA, 2008, p. 13), já em 1909 a Escola Universitária Livre de Manaus, instituição particular, mas que recebia auxilio do Estado e do Município, a qual foi extinta junto com o declínio 24 do Ciclo da Borracha. Em 1911 na cidade de São Paulo a Universidade de São Paulo, com base no decreto n.º 8.659 de 05 de abril de 1911, inicialmente particular como autorizava o citado decreto, seguida pela Universidade do Paraná, também na Capital Curitiba, em dezembro de 1912, também baseada no decreto n.º 8.659 de 05 de abril de 1911. As citadas universidades segundo Silva (2008, p. 17) foram criadas ao estilo medieval, sem corpo docente qualificado, bibliotecas e laboratórios. Pelo que em 1915 o decreto n.º 11.530 de 18 de março de 1915, com o intuito de reorganizar o ensino no Brasil, acabou por extinguir as universidades até então existentes, por não preencherem as exigências do citado decreto. Passaram a existir somente faculdades isoladas até em 07 de janeiro de 1920 o governo federal criar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Somente na década de 1930 é que surgiu a moderna universidade no Brasil, a USP (Universidade de São Paulo) em 1934, seguida pela UDF – (Universidade do Distrito Federal) em 1935 incorporando tanto os produtos da política educacional Alemã quanto os da reação alemã à invasão francesa, esta depois daquela (Cunha, 1988, p. 15). Ristoff (1999) aponta que a crise de modelo seria o grande desafio atual, uma vez que é necessário adaptar o sistema elitista de ensino praticado até poucas décadas às demandas populares. A concepção de Universidade vinculada ao tripé: ensino, pesquisa e extensão, onde o ensino vincula-se ao acesso privilegiado aos campos da cultura universal e das ciências; a pesquisa coma produção do saber e a pós-graduação e a extensão cabe as atividades de divulgação do saber e da extensão de serviços à comunidade(PEREIRA, 2009). A vinculação dos três elementos acima citados foi instituída somente a partir da chamada Reforma Universitária Lei n.º 5.540 de 1968, resultado da adoção do modelo norte americano de universidade e a superação do modelo Napoleônico de ensino superior. Todavia tal superação foi relativa, uma vez que a reforma universitária foi elaborada com base no idealismo alemão, mas utilizando-se do modelo organizacional norte-americano (CUNHA, 1988). 2.2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO NOS DIAS ATUAIS A Lei de Diretrizes e Bases – LDB - de 1996 prevê que as instituições de 25 ensino podem ser públicas, as que são as criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público e privado as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Prevê ainda que as instituições privadas de ensino se enquadrarão em quatro categorias, quais sejam: comunitárias, as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de professores e alunos que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade; confessionais, as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas; filantrópicas devem ser instituídas na forma da lei específica. E caso não apresentem as especificidades acima e sejam e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado são as particulares em sentido estrito. Sendo que em todos os modelos há a necessidade de fiscalização, de regulação e avaliação, o decreto n.º 5.773/2006 que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Tal decreto traz ainda a forma de credenciamento das Instituições de Ensino Superior IES em: faculdades, centros universitários e universidades. Todavia dispõe que todas as instituições serão credenciadas originalmente como Faculdade. Para a alteração do credenciamento como universidade ou centro universitário, o que garante prerrogativas de autonomia, deve haver credenciamento específico da instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de qualidade. No caso de o pedido de credenciamento como universidade ou centro universitário seja indeferido, não impede o credenciamento subsidiário como Centro Universitário ou Faculdade, cumpridos os requisitos previstos em lei. Com relação aos prazos, o decreto em questão traz que o primeiro credenciamento terá prazo máximo de três anos, para faculdades e centros universitários, e de cinco anos, para universidades. Segue breve explanação sobre os modelos de IES: Centros Universitários, definidos pelo Decreto n.º 5.786 de 24 de maio de 2006 como instituições de ensino superior pluricurriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar. Devem para obter tal denominação atender aos 26 seguintes requisitos: possuir um quinto do corpo docente em regime de tempo integral e um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. Pereira (2009) discorrendo sobre Faculdades e Centros Universitários, entende que tais Instituições tem alcance menos extenso que a universidade, uma vez que não se estruturam para a produção de ciência e limitam-se à transmissão de conhecimentos prontos, o que as tornam instituições superiores voltadas para a formação de profissionais e não capazes de produzirem o conhecimento. O que as move é o ensino profissional. As Universidades por sua vez são diretamente vinculadas a ciência, uma vez que para seus membros a ciência é um problema que nunca pode ser completamente resolvido (PEREIRA, 2009). 2.3 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO PARANÁ E SANTA CATARINA A seguir a distribuição das informações das Instituições de ensino superior do Paraná e Santa Catarina. Quadro 1– Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior no Paraná Organização Faculdade Regime Administrativo Pública Estadual 07 Pública Municipal 02 Pública Federal 0 Privada sem fins 71 lucrativos Privada com fins 77 lucrativos Total 179 Fonte: Ministério da Educação (2012) Centro Universitário Instituto Universidade 0 1 0 3 0 0 1 0 7 0 2 0 2 0 4 06 1 13 27 Quadro 2 – Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina Organização Faculdade Regime Administrativo Pública Municipal 1 Pública Federal 0 Privada sem fins 41 lucrativos Privada com fins 40 lucrativos 1 Especial 0 Total 82 Fonte: Ministério da Educação (2012) Centro Universitário Instituto Universidade 0 0 1 0 2 0 0 2 0 2 0 0 4 07 0 2 11 2 13 Os quadros acima demonstram a prevalência das Faculdades particulares nos dois Estados. A existência de Faculdades segundo a LDB deveria ser uma exceção, demonstra que há nesta esfera o predomínio de um setor privado com fins lucrativos, uma singularidade brasileira. Oliven (1993, p.75) denomina o crescimento significativo do setor privado como “[...] paroquialização do ensino superior, com faculdades isoladas e privadas, academicamente precárias, economicamente mais baratas e politicamente inócuas frente à ideologia prevalecente”. Quadro 3 – Localização das Instituições de Ensino Superior no Paraná Capital Faculdade Pública Estadual Pública Municipal Pública Federal Privada sem fins lucrativos Privada com fins lucrativos Total Interior Centro Centro Instituto Universidade Faculdade Instituto Universidade Universitário Universitário 2 0 0 0 5 0 0 7 0 0 0 0 2 1 0 0 0 0 1 2 0 0 0 0 27 2 0 0 44 1 0 0 22 1 0 2 77 1 0 2 51 3 1 4 128 3 0 9 Fonte: Ministério da Educação (2012) 1 Sob analise da Conjur/MEC pelas IES entenderem ser Fundacionais – instituídas pelo Município. idem 2 28 Quadro 4 – Localização das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina Capital Faculdade Interior Centro Instituto Universitário Universidade Faculdade Centro Universitário Instituto Universidade Pública Estadual Pública Municipal Pública Federal 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 1 Privada sem fins lucrativos 7 0 0 0 34 1 0 0 Privada com fins lucrativos 6 0 0 0 34 2 0 0 Especial 0 0 0 1 0 4 0 10 Total 13 0 1 2 69 7 1 11 Fonte: Ministério da Educação (2012) Os quadros acima trazem a distribuição do ensino Superior nos Estados do Paraná e Santa Catarina com relação a localização entre capital e Interior. No Paraná 59 IES estão situadas na Capital e 140 no Interior, já em Santa Catarina 16 IES estão na Capital e 88 no Interior. Outrora quase a totalidade das IES estavam sediadas na Capital dos Estados, a população do Interior se desejasse estudar teria de se deslocar para tais centros. 2.4 CONCEITO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA O Ministério da Educação (2012) adota como conceito institucional, o qual consta dos editais para financiamento o seguinte conceito de extensão: Entende-se como Extensão o processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre a universidade e outros setores da sociedade orientado pelo princípio constitucional da indissociabilidade com o Ensino e a Pesquisa. Calderón (2011, p.27) a fim de conceituar extensão, considera além da definição legal a dinâmica das IES financiadas com os recursos das mensalidades pagas pelos alunos: A extensão universitária pode ser definida como uma das três atividades universitárias, portanto uma atividade acadêmica, assim como o ensino e a 29 pesquisa, que possibilita, um processo de interação entre universidade como um todo – incluindo sua estrutura gerencial – e os três grandes setores da sociedade (Estado, sociedade civil e mercado), visando estabelecer um processo de retroalimentação que possibilita não só a socialização e democratização dos conhecimentos produzidos, mas também, e principalmente, a formação cidadã dos recursos humanos que o país precisa para seu desenvolvimento. O FORPROEX, apresentou em maio de 2012 na cidade de Manaus – AM. A Política Nacional da Extensão Universitária (2012), em tal documento trouxe o conceito de extensão universitária buscando uma Universidade atuante na sociedade: A Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade. A definição acima, demonstra ser a extensão universitária um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político, pelo qual busca a interação transformadora na Universidade e nos setores sociais com os quais interage. Utilizase para tanto da promoção e garantia dos valores democráticos, da equidade e do desenvolvimento da sociedade em suas dimensões humana, ética, econômica, cultural, social. Para Santos (2008), a reforma da universidade deve destinar papel de centralidade atividades de extensão a fim de conferir uma participação ativa na construção da coesão social, o que somente pode ser conquistado mediante a cooperação intergovernamental cita-se os Ministros da Educação, do Ensino Superior e Tecnologia, da Cultura e das Áreas Sociais. A extensão envolve uma vasta área de prestação de serviços a destinatários variados: grupos sociais populares e suas organizações; movimentos sociais; comunidades locais ou regionais; governos locais; o setor público; o setor privado. Entretanto entende o Autor que para além de serviços prestados a destinatários bem definidos, há também toda uma outra área de prestação de serviços que tem a sociedade em geral como destinatária: ‘incubação’ da inovação; promoção da cultura científica e técnica; atividades culturais no domínio das artes e da literatura. Todavia se faz necessário repelir a vocação para que a extensão seja conduzida a fim de arrecadar recursos extra orçamentários, o que caracterizaria uma privatização da universidade pública. Para evitar isso, o autor defende que as atividades de 30 extensão devem ter como objetivo prioritário, o interior da universidade na forma de prestar apoio solidário na resolução dos problemas da exclusão e da discriminação sociais e de tal modo se dê voz aos grupos excluídos e discriminados. A extensão é a forma como a universidade transmite às comunidades seu ensino e o resultado de sua pesquisa, de forma isolada. Não se concebe um processo em que as atividades de ensino e pesquisa se articulem com a extensão, da mesma forma, não se percebe a troca de saberes entre a universidade e sociedade. Essa é vista como mera receptora (NOGUEIRA, 2005. p. 23). 2.4.1 A extensão nas IES: Uma Abordagem Histórica e Legal Desde a criação das primeiras Universidades essas tinham uma função social a cumprir junto a sociedade, conforme entendimento de Santos: A ideia de que a instituição acadêmica tem uma função ou papel social a cumprir esteve presente desde a fundação das primeiras Universidades, no século XII, sendo fator de conflito e tensão no relacionamento desta com o Estado e a Sociedade (SANTOS, 1973, p.2). Contudo no Brasil a criação de Universidades não foi vista pelo lado do cumprimento de uma função social do Estado, e sim como forma de modernizar o país e desenvolve-lo através da formação de mão-de-obra: No Brasil, a criação de IES sempre esteve associada à ideia de modernização. Inicialmente mantidas e controladas pelo Estado, elas atendiam a demandas pontuais de formação de mão-de-obra e foram, aos poucos, vinculadas ao ‘ideal’ de levar o país à ‘modernidade do primeiro mundo’ por promoverem o desenvolvimento da cultura, da ciência e da tecnologia (C&T) (MENEGUEL, 2001, p.16). Já a extensão universitária, teve seu inicio com a criação das universidades européias, visando aproximar essa instituição da população que não possuía acesso a ela, utilizando-se de campanhas de saúde e assistência às populações carentes. Apontando para uma atividade pensada para redimir a Universidade do seu distanciamento de um determinado grupo social que não tinha acesso a ela (CASTRO, 2004, p. 4). Seria a extensão uma forma de a Universidade disponibilizar ao conjunto social o que tem de consolidado em termos de ensino e pesquisa, para tanto devem ser calcados em projetos de pesquisa e atividades de ensino (MARCOVITCH, 1998, 31 p. 34). Os alunos e professores envolvidos seriam captadores das demandas sociais principalmente da comunidade local, pois uma universidade pode ser conhecida por meio de um inventário das atividades de extensão que desenvolve. A extensão universitária é para Marcovitch (1998) uma credencial de excelência pois somente universidades com história e altos índices de qualidade em pesquisa e ensino é que podem repassar a comunidade externa, o conhecimento acumulado em todas as áreas. O docente envolvido também se diferencia uma vez que deve ter conhecimento das expectativas da sociedade. Em nosso país a Universidade ‘passageira’ de São Paulo (1911-1917) foi a primeira a desenvolver algum tipo de extensão. Segundo Cunha(1980, p. 13) se dava sob a forma de conferências, com periodicidade semanal, cuja finalidade precípua era a promoção do contato dos intelectuais com a população. Entretanto apenas em 1934 o modelo moderno de Universidade, como instituição acadêmica que deve atender os requisitos de ensino, pesquisa e extensão de forma semelhante da pensada atualmente foi instalado no Brasil, mas ainda sem qualquer regulamentação legal. As instituições criadas no Império tinham apenas a função de criar a mão-de-obra necessária ao Estado, conforme preceitua Meneghel (2001, p.35): Até então, as escolas superiores criadas no Império para a elite seguiam o modelo francês, ocupando-se da formação de quadros/ profissionais para o Estado. Esta visão permaneceu até o final da IIª Guerra uma vez que não havia, no país, setor produtivo/empresas que demandassem avanço tecnológico. As atividades de pesquisa eram privilégio de alguns poucos Institutos criados com este fim. Ainda que na teoria tal modelo universitário parecesse aplicável, no Brasil Colônia não se tem notícias de qualquer projeto que reconhecesse a extensão nas universidades, conforme nos demonstra Knuppel (2006, p.9): A universidade brasileira sempre acreditou que realizava seu compromisso para com a sociedade pela aplicação de sua função de ensino, porém restrita a uma pequena parcela da sociedade, sustentando-se da visão necessária de sua ampliação. Contudo, pesquisas têm demonstrado que desde o Brasil Colônia até o ano de 1930 não foi identificado nenhum registro no discurso oficial que reconhecesse a existência da extensão. O Estatuto das Universidades Brasileiras, também chamado de Reforma 32 Francisco Campus – decreto n.º 19.851 de 11 de abril de 1931, em seu artigo 42 prevê a forma pela qual a extensão universitária será efetivada: cursos e conferências de caráter educacional ou utilitário, mas desde que com prévia autorização do Conselho Universitário. A extensão segundo o mesmo artigo destina-se a difusão de conhecimento útil a vida individual ou coletiva e a solução de problemas sociais ou a propagação de ideias e princípios que salvaguardem os altos interesses nacionais. Nota-se a que extensão universitária surge no ordenamento jurídico pátrio como hábil a solucionar os problemas sociais. Tal normativa, entretanto, considerando o momento político do Brasil, quando a Revolução de 1930 conduzia uma nova classe ao poder, serviu para propagar ideias e princípios que serviriam ao então ‘interesse nacional’ da nova classe. Somente após o término da Segunda Guerra Mundial que a situação das IES brasileiras alterou-se. A vitória dos aliados fez com que o mundo voltasse os olhos às pesquisas produzidas pelas IES americanas e nosso país passou a necessitar de mão-de-obra qualificada. No pós-guerra, a industrialização do país demandava recursos humanos qualificados para atuar nas empresas multinacionais, aumentando a pressão por vagas suprida, principalmente, pela expansão da iniciativa privada (CUNHA, 1988) vitória dos aliados, creditada aos cientistas das Universidades dos EUA, disseminou ainda mais a visão do caráter utilitário das IES e da pesquisa. Foi neste momento que o Governo brasileiro ocupou-se de criar uma estrutura de investigação acadêmica, originando as primeiras agências de apoio e instituições de pesquisa (como o Conselho Nacional de Pesquisa/CNPq e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica/ITA), em 1948. A primeira Universidade do país totalmente concebida no modelo moderno foi a Universidade de Brasília/UnB, em 1961. Baseada na concepção tecnocrática norte-americana, com os princípios de produtividade, eficiência e eficácia, ela representava o ideal nacional de produzir a C&T necessária ao desenvolvimento econômico do país(KNUPPEL, 2006). Na sequência a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB Lei n.º 4.024 de 20 de dezembro de 1961, trouxe a extensão universitária de forma genérica ao mencionar em seu artigo sessenta e nove que nos estabelecimentos de ensino superior podem ser ministrados cursos de especialização, aperfeiçoamento e 33 extensão, ou quaisquer outros cursos, a juízo do respectivo instituto de ensino. A citada institucionalizando a extensão universitária pouco agregou em termos da expansão, propiciou no país a ideia de que a universidade deveria colocar seus recursos materiais, humanos e de pesquisa a serviço da “comunidade”, sem a intermediação do mercado de trabalho no qual seus formandos ingressariam (CUNHA, 1988). Nesse mesmo período os estudantes por meio da União Nacional de Estudantes – UNE, realizaram intensa atividade extensionista fora das Universidades. O objetivo de tais atividades era levar o estudante a participar da vida social das comunidades, propiciando troca de experiências entre estudantes de áreas profissionais afins (NOGUEIRA, 2005), e após era estimulada a reflexão sobre os trabalhos desenvolvidos, ou pelos docentes eventualmente participantes ou por meio do grupo participante, todavia a UNE foi desarticulada com o Golpe Militar de 1964. A Lei n.º 5.540 de 28 de novembro de 1968 a qual fixou normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média a chamada Reforma Universitária. Tal reforma deve-se mencionar ocorreu em meio do regime militar sendo que logo após em 13 de dezembro do mesmo ano, durante o Governo do General Artur da Costa e Silva, sobreveio Ato Institucional n° 5. Para adequar a Lei que estabeleceu a Reforma Universitária foi editado em 11 de fevereiro de 1969 o Decreto-lei nº 464, o qual estabeleceu "normas complementares” à Lei nº 5.540/68. Na chamada Reforma Universitária de 1968 o ensino superior tinha por objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes e a formação de profissionais de nível universitário, conforme consta no artigo primeiro. Constou ainda no artigo segundo que o ensino superior, indissociável da pesquisa, ou seja, nos objetivos e princípios gerais de tal lei a extensão universitária sequer era cogitada. No artigo 20 mencionou que “[...] as universidades e as instituições de ensino superior estenderão à comunidade, sob forma de cursos e serviços especiais, as atividades de ensino e os resultados da pesquisa que lhe são inerentes” (BRASIL, 1968) Somente ao tratar sobre as Instituições de Ensino Superior fez constar no artigo quarenta que: “por meio de suas atividades de extensão, proporcionarão aos corpos discentes oportunidades de participação em programas de melhoria das 34 condições de vida da comunidade e no processo geral do desenvolvimento”. Tal redação exclui a necessidade da participação docente na prática da atividade de extensão, o que torna a extensão desvinculada do planejamento do Departamento. Muito embora tenha sido um avanço a menção sobre a extensão universitária, esta em um primeiro momento apareceu somente como um meio de se promover a melhoria das condições de vida da comunidade. O Governo Militar a utilizou como forma de levar o desenvolvimento e segurança a comunidades carentes, utilizandose dos alunos como mão-de-obra apenas. Segundo Fagundes (1993) coube ao Ministério da Educação - MEC e ao Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras – CRUB 3 os órgãos dos quais partiram as principais diretrizes extensionistas, delimitar o que realmente se entenderia por extensão e a missão de sensibilizar os dirigentes universitários sobre a necessidade de tal prática. Na avaliação sobre a reforma universitária, no tópico destinado as atividades de extensão universitária, Santos (1973) observa que com a regulamentação houve grande expansão das atividades de extensão nas universidades. Como resultado tem-se que alguns programas foram institucionalizados em âmbito nacional, como o RONDON e o CRUTAC, os quais serão adiante abordados. Tais projetos de extensão por alguns autores são vistos como se sucesso, a exemplo de Santos, 1973 e por outros como meio de manter a segurança nacional em um regime militar, como Nogueira (2001). Essa autora ainda ressalta que tal lei mantém a concepção de extensão europeia, na qual a universidade deveria ofertar cursos à comunidade e a americana, que enfatiza a prestação de serviços. Imputa a então exiguidade dos programas de extensão pela antiga estrutura universitária, devido à rigidez do regime de cátedras, na vigência do qual tudo tendia para o individualismo e da incentivava as formas de colaborações essenciais aos modelos mais dinâmicos de prestação direta de serviços a comunidade. A Constituição Federal de 1988 trouxe em seus artigos 6.º a 11.º os direitos sociais. Especificamente os Direitos Sociais relativos a Educação, encontram previsão na Constituição Federal nos art. 205 a 217. O art. 205 dispõe que: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao 3 O CRUB foi fundado em 29 de abril de 1966 sendo reconhecido como de utilidade Pública em 31 de julho de 1972 pelo decreto 70.904. Tal conselho permanece ativo até os dias de hoje tendo sua sede em Brasília. 35 pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Constituição Federal de 1988). E o artigo 207: As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino pesquisa e extensão. Entretanto a Constituição Federal de forma isolada não é capaz de garantir a efetividade dos Direitos que dispõe. Para tanto são necessárias leis ordinárias, decretos e convenções ainda que internacionais, desde que recepcionadas por nosso ordenamento jurídico. Uma dessas normas internacionais é a Conferência Mundial de Educação Superior realizada em Paris em julho de 2009, a qual apontou dentre outras conclusões que o novo papel da Universidade na realidade atual é o de estar comprometida com o desenvolvimento econômico, social e humano das sociedades. Principalmente após a Declaração Mundial sobre a Educação Superior para o século XXI – Paris 2009 a Educação Superior, deve ter como meta a adequação entre o que as instituições fazem e as expectativas que a sociedade tem delas. O que coaduna perfeitamente com o disposto no art. 205 da Constituição Federal. Em tal Declaração Mundial, a educação superior é considerada como um bem público. Excluindo do presente a questão do financiamento, a gestão da educação superior deve ser instrumento para melhorar sua qualidade e relevância. Para tanto se requer um planejamento apropriado, com estratégias baseados na cooperação e coordenação entre as Instituições de Ensino Superior e as Autoridades Estatais. A partir disso e em consonância com a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases de 2006, emerge o problema da presente pesquisa. O decreto n.º 6.495 de 30 de junho de 2008, o qual instituiu no âmbito do Ministério da Educação, o Programa de Extensão Universitária - PROEXT define em seu artigo 1.º que o programa é: Destinado a apoiar instituições públicas de educação superior no desenvolvimento de projetos de extensão universitária, com vistas a ampliar sua interação com a sociedade. No parágrafo único do artigo primeiro fez constar dentre os objetivos, o de estimular o desenvolvimento social e o espírito crítico dos estudantes e ainda pautar a ação profissional na cidadania e na função social da educação superior. Sendo que na sequência explica que tal atuação busca contribuir para a melhoria da qualidade da educação brasileira por meio do contato direto dos estudantes com realidades concretas e da troca de saberes acadêmicos e populares(BRASIL, 2008). 36 Prevê ainda que a extensão universitária pode ser realizada sob a forma de: programas, projetos, cursos de extensão, eventos, prestações de serviço e elaboração e difusão de publicações e outros produtos acadêmicos. Busca-se atualmente a organização da extensão universitária para tanto se busca a implementação de um sistema de informação de base nacional e um sistema de avaliação contínuo e prospectivo. Pretendendo a organização da extensão universitária, definiu o MEC através da Secretaria de Educação Superior - SESu que o trabalho da extensão universitária nas Universidades Públicas seria divido em áreas 8 áreas temáticas quais sejam: Comunicação, Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia/Produção e Trabalho. Tais áreas temáticas para os editais do ProExt foram divididos 16 em linhas temáticas: Educação, Cultura, Pesca e Aquicultura, Promoção da Saúde, Desenvolvimento Urbano, Desenvolvimento Rural, Redução das Desigualdades Sociais e Combate a Extrema Pobreza, Geração de Trabalho e Renda por meio de empreendimentos econômicos solidários, Mulheres e relações de gênero, Direitos Humanos, Promoção da igualdade racial, Preservação do Patrimônio Cultural, Esporte e Lazer, Integração Nacional, Comunicação e Justiça e Direito dos Indivíduos privados de liberdade. O programa ProExt prevê que a interdisciplinaridade deve ser estimulada, que deve ser dado ênfase à participação dos setores universitários não só na elaboração, mas também na implementação de políticas públicas voltadas para a maioria da população, à qualificação e educação permanente de gestores de sistemas sociais e à disponibilização de novos meios e processos de produção, inovação e transferência de conhecimentos e com isso buscar a ampliação do acesso ao saber e o desenvolvimento tecnológico e social do país. 2.4.2 Projeto Rondon Instituído em 1968 pelo Decreto 62.927 de 23 de junho e com grande atividade das décadas de 1970 e 1980. Coordenado pelo Ministério da Defesa, uma vez que segundo Nogueira (2005, p. 24) interessava ao Governo Militar manter os estudantes universitários sob tutela, incutindo-lhe a ideologia da segurança nacional, aproximando-os dos militares. Foi extinto em 1989. Sendo que em 2005, com “[...] já com uma nova 37 roupagem, o Projeto Rondon voltou a figurar na pauta dos programas governamentais, sendo atribuída a sua coordenação ao Ministério da Defesa” (Projeto Rondon). É um projeto dito pelo site oficial (http://projetorondon.paginaoficial.com) projeto de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população. Os atuais objetivos do projeto Rondon são: Contribuir para a formação do universitário como cidadão; integrar o universitário ao processo de desenvolvimento nacional, por meio de ações participativas sobre a realidade do País; consolidar no universitário brasileiro o sentido de responsabilidade social, coletiva, em prol da cidadania, do desenvolvimento e da defesa dos interesses nacionais e estimular no universitário a produção de projetos coletivos locais, em parceria com as comunidades assistidas. A crítica que se faz a tal projeto à época de seu início era a de que os estudantes eram levados a conhecer apenas parte da realidade trabalhada e não estabeleciam vínculos permanentes com o local. 2.4.3 Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária - CRUTAC O Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária, criado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 1966, inicialmente como campo de estágio aos alunos da área de saúde. Em tal programa os alunos atuavam junto as comunidades rurais. Mesmo criado por uma Universidade toma por seus objetivos o foco da manutenção da segurança nacional. O que é confirmado em 1969 quando é criada a Comissão Incentivadora dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ação Comunitária – CINCRUTAC, vinculada ao Ministério da Educação. No período de 1971 a 1975 foram instalados 19 CRUTACs no país, chegaram a 22 núcleos (GURGEL, 1986. p.111). A Crítica que se fazia era o caráter esporádico de suas atividades, sua articulação com a instituição Universitária como um todo e a falta de continuidade das ações entre outros aspectos. (NOGUEIRA, 2001, p. 61). 38 2.5 TIPOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA 2.5.1 Modelo Europeu O inicio da extensão universitária organizada nas universidades europeias, ocorreu na Inglaterra, na segunda metade do século XIX, ainda antes da unificação do sistema europeu de ensino, em decorrência das necessidades oriundas da Revolução Industrial. O movimento europeu de universidades populares, surgiu, não do impulso Estatal, mas de esforços coletivos de grupos autônomos em relação ao Estado. A esse respeito, Melo Neto (2001) citando Tavares (1996.p.27): Visando, por um lado, preparar técnicos e, por outro lado, dispensar o mínimo de atenção às pressões das camadas populares, ainda que cada vez mais expressivas e mais reivindicativas, a extensão universitária se consolida através de cursos voltados para os ausentes da instituição que, sem formação acadêmica regular, desejam obter maior grau de instrução. A extensão então era vinculada a ideia de educação continuada, cujos cursos eram destinados a toda população ausente dos bancos do ensino superior, com objetivo de disponibilizar à sociedade o saber produzido nas Universidades, por meio de cursos técnicos. No Brasil tal concepção foi traduzida pelas chamadas ‘Universidades Populares’ e marca o início de tal atividade universitária (NOGUEIRA, 2005, p. 16). Tal concepção traz a intenção de fazer com que a universidade contribua no desenvolvimento político, social, econômico e cultural. Pelo que o modelo da extensão universitária europeu, notadamente de influência Inglesa, marca-se pela oferta de cursos a população em geral (GURGEL, 1986, p. 31). 2.5.2 Modelo Norte Americano Tal modelo surgiu anos após o modelo europeu, tendo como característica a prestação de serviços na área rural e urbana. Sendo diversas as influências para a constituição da universidade norteamericana, a forma com que se relaciona com a sociedade da mesma forma 39 apresenta-se diversificada sendo a extensão cooperativa e a extensão universitária (GURGEL, 1986, p. 59). A extensão cooperativa, se da em decorrência da participação do governo federal (por meio do departamento de agricultura), estados (com a universidades Land Grant) a universidade envia os especialistas e agentes extensionistas, a estes cabendo a função do contato direto com a população e os municípios, tais entes devem elaborar conjuntamente uma política de ação. Cabendo ao município fornecer as condições físicas e pessoal de apoio. Tal forma de extensão busca atender as áreas de produtividade agrícola, comercialização, distribuição e utilização dos produtos, melhor emprego, conservação e desenvolvimento dos recursos naturais, administração de fazendas e do lar, a vida em família e a melhoria da comunidade, desenvolvimento juvenil, formação de lideres e desenvolvimento de recursos humanos (MC MANNON, 1970 apud GURGEL, 1986, p. 61). Já a extensão universitária origina-se com um grupo de professores envolvidos na educação de adultos. Em 1885, sob influência da extensão praticada no sistema ‘Oxbridge’ é que a extensão começou a tomar forma nas universidades americanas, iniciando quando um dirigente da Universidade de Chicago a incluiu como atividade regular na formação dos alunos, a entendendo como ação extramuros e implementando a realização de cursos por correspondência. Todavia foi somente quase vinte anos depois quando a Universidade de Wisconsin iniciou o desenvolvimento do trabalho extensionista que a extensão universitária adquiriu maior importância. Em 1915, vinte instituições de ensino formaram a Associação Nacional de Extensão Universitária, o que não significou a padronização das políticas de extensão, cada universidade executaria a extensão conforme suas potencialidades. O ponto comum é a busca do desenvolvimento da comunidade, realização de cursos e conferências, cursos por correspondências e no período noturno, cursos para a preparação de professores. Soma-se a implementação de campi avançados de instituições de ensino, o que levou o ensino superior a locais antes não atingidos e consequentemente a extensão universitária. Buscam as universidades ajustarem-se as necessidades desta expansão da educação superior, para tanto adotaram a conotação empresarial, o que tornou possível atender a demanda do setor produtivo, produzindo especialistas nas áreas demandadas, conhecimento tecnológico e aplicado, pesquisas de interesse utilitário, assim como serviços de uma maneira 40 geral, o trabalho intelectual é fragmentado a fim de atender a demanda, o que coaduna com o contexto neoliberal. Ante o acima exposto chega-se a conclusão que o modelo norte americano de extensão universitária, caracteriza-se pela prestação de serviços seja na área urbana seja na rural. Extensão ligada ao processo de assessoria técnica, em que a universidade com seus saberes científicos, destina-os à população desprovida de conhecimentos e recursos, a fim de suprir necessidades sociais, atender demandas e resolver os problemas sociais gerados pelo capital, constituindo-se assim, uma concepção de extensão, assistencialista, que estende seus conhecimentos até a população carente (JESINE, 2001). 2.6 INDISSOCIABILIDADE ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO O princípio da indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão é fundamental na universidade atual. A relação entre o ensino e a extensão conduz a mudanças no processo pedagógico, pois alunos e professores constituem-se em sujeitos do ato de aprender. Ao mesmo tempo em que a extensão possibilita a democratização do saber acadêmico, por meio dela, este saber retorna à universidade, testado e reelaborado. A relação entre pesquisa e extensão ocorre quando a produção do conhecimento é capaz de contribuir para a transformação da sociedade. A extensão, como via de interação entre universidade e sociedade, constitui-se em elemento capaz de operacionalizar a relação entre teoria e prática. Quanto à formação do estudante, propõe-se uma relação com impacto técnico-científico e sócio pessoal, fruto da existência de projeto didático-pedagógico com atribuição de créditos acadêmicos, sob orientação e avaliação de docente-tutor, que facilite a flexibilização da formação e a integralização curricular estabelecendo uma relação transformadora entre a universidade e outros setores da sociedade. A LDB – Lei n.º 9.394/96 elenca as finalidades do Ensino Superior no Brasil: Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio 41 em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (grifo nosso) (BRASIL, 2011). Para tanto, as instituições da mesma forma que oferecem os cursos de graduação e pós graduação, devem também oferecer os programas de extensão, conforme disposto no art. 44, inciso IV da Lei em comento, para que haja o efetivo cumprimento do princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. O que se observa na realidade é que a LDB diferenciou Universidade dos demais modelos de IES, limitando então, a obrigatoriedade da aplicação deste princípio apenas as primeiras. A LDB não regulamentou o prescrito na Constituição Federal, mas sim modificou a forma de interpretação dessa, é o que entende-se dos ensinamentos de Cunha: Na montagem de suas políticas para o ensino superior – mas não só para essas –, o MEC traçou uma estratégia de enfrentamento parcial de problemas e de adversários. Uma estratégia semelhante à do governo como um todo no que se refere às reformas constitucionais. No caso da área educacional, ela foi ainda mais elaborada, já que os níveis mais baixos da legislação atropelaram os mais altos. Assim, em vez de investir, primeiramente, na reforma dos dispositivos da Constituição que diziam respeito à educação; depois, num projeto de LDB articulado com a nova redação da Carta Magna; em vez de investir numa lei geral para o ensino superior, o MEC foi traçando, no varejo, as diretrizes e bases da educação nacional, não contra o que seria a lei maior de educação, mas por fora dela (CUNHA, 2003, p.37). Para Maciel e Mazzili (2010), por mais que a Constituição Federal tenha garantido uma vitória para os educadores que há muito lutaram para criar um ensino superior de qualidade, o modelo de governo que contextualizou a criação da LDB fez com que o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão fosse mitigado: 42 A LDB nº 9.394/96, que muito se distanciou do projeto construído pelos setores progressistas da Educação, não reafirmou o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, entre outros motivos, porque foi aprovada ao sabor dos interesses muito mais do governo e dos setores que representam a educação privada do que pelos que defendem a escola pública de qualidade (MACIEL; MAZZILI, 2010, p.12). O descumprimento do princípio constitucional associado a LDB que flexibilizou o princípio da indissociabilidade fez com que o Ensino Superior Privado passasse por um período de mercantilização, sendo tratado como uma mercadoria. 2.7 IMPACTO SOCIAL Por meio da extensão, propõe-se uma relação entre universidade e outros setores da sociedade, que seja transformadora, instrumento de mudança em busca de melhoria da qualidade de vida. Uma atuação voltada para os interesses e necessidades da maioria da população, aliada a movimentos sociais de superação de desigualdades, de exclusão e implementadora de desenvolvimento regional e de políticas públicas. Saraiva (2007) salienta que hoje a extensão universitária é fundamental para garantir a missão social da universidade de formar cidadãos comprometidos com a sociedade na qual vivem, e de formar profissionais capacitados a promoverem o diálogo construtivo, dos saberes populares com os conhecimentos técnico e científico, valorizando a diversidade sociocultural das regiões brasileiras e a apropriação das tecnologias sociais pelas comunidades. Por meio da extensão, deveria ocorrer a troca entre os saberes sistematizadoacadêmico e o popular, que possibilitará a produção de conhecimento resultante do confronto com a realidade, propiciando a efetiva participação da comunidade na atuação da universidade, com vistas ao desenvolvimento de sistemas de parcerias interinstitucionais. A proposta da extensão como define Buffa (2007) indica um trabalho de relacionamento entre a universidade e a comunidade, capaz de traçar um conhecimento mútuo, no qual a sociedade levasse o saber popular aos acadêmicos e estes compartilhassem o saber científico. Entretanto, assinala a autora, que geralmente tal saber é deformado em atividades assistenciais. Tais atividades assistenciais são praticadas com o objetivo de levar a população serviços 43 semiprofissionais, a título de ‘boa ação’, enquanto o real intuito deveria ser levar a população o que de ‘novo’ está sendo produzidos nas Instituições de Ensino Superior. A fragilidade do ensino e da incipiência das pesquisas realizadas pelas universidades parecem ter sido as causas principais da operacionalização da extensão universitária em forma de prestação de serviços sociais de caráter assistemático, muitas vezes, substitutivos da ação governamental (FAGUNDES, 1993, p.130). Sob tal enfoque (extensão assistencialista) a extensão impõe o conhecimento a comunidade, tirando lhe a possibilidade de construir o próprio conhecimento (BUFFA, 2007,p. 159). A tomada de consciência progressiva por parte de estudantes, professores, formados e setores da sociedade em geral, de que a massa crítica de recursos acumulada na universidade deveria necessariamente ser estendida ao maior número de pessoas possível, está na base desta finalidade, hoje consensualmente aceita, de que ela deve prestar serviços à comunidade – processo conhecido pela denominação de extensão universitária ou cultural (WADERLEY, 1985, p.45). 44 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Na realização de uma investigação, o conhecimento teórico que tem o pesquisador possibilita a construção de um referencial capaz de sustentar a discussão de um determinado fenômeno, favorecendo a discussão científica. Esse referencial, além disso, possibilita ao pesquisador a escolha de ferramentas adequadas a sua realização. Neste capítulo apresentam-se os elementos metodológicos que permitiram a investigação acerca da extensão e, assim, responder à questão da pesquisa. A metodologia é uma preocupação instrumental. Trata das formas de se fazer ciência. Cuida dos procedimentos, das ferramentas, dos caminhos. A finalidade da ciência é tratar a realidade teórica e pratica. Para atingirmos tal finalidade, colocamse vários caminhos (DEMO, 1987, p. 19). Para tal autor uma preocupação excessiva com a metodologia em detrimento da ciência é um erro. O importante é fazer ciência, responder a questão de pesquisa e ter a metodologia como disciplina auxiliar. Porém, a metodologia é importante para o amadurecimento do cientista. O ponto de partida para se iniciar a investigação da extensão universitária, é relacioná-lo a suas similitudes, para isto faz-se necessário apresentar um panorama da região do Vale Médio Iguaçu, onde estão inseridas as Instituições contribuintes da pesquisa. Conforme Gebara (2005), “todo o detalhe tem um lugar no seu contexto”, o que torna o pano de fundo mais claro e possível de ser analisado de forma mais sistemática. 3.1 LÓCUS DA PESQUISA A Região que foi objeto de estudo na presente pesquisa denomina-se, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES (2006), Vale do Médio Iguaçu. Formada por oito municípios, sendo sete no Estado do Paraná: Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Mallet, Paulo Frontin, Porto Vitória, União da Vitória e um no Estado de Santa Catarina: Porto União. O elemento basilar da economia da região foi a madeira e as indústrias responsáveis por seu beneficiamento. Atualmente ainda figuram complexos industriais do ramo da madeira exercendo atividades de: laminação e compensados, 45 serrarias, tacos, casas pré-fabricadas, móveis e papel. Produtos estes que são exportados em larga escala. Além da madeira, pode-se considerar que a erva-mate outrora exerceu importância decisiva na economia parano-catarinense. Após um período de declínio entretanto, essa indústria, nos dias atuais, vem recuperando seu comércio, graças à modernização e ampliação de suas bases, voltando a exportar o seu produto para países da América do Sul. As IES contribuintes da pesquisa localizam-se nos municípios de Porto União – SC e União da Vitória- Pr. O município de Porto União - SC está localizado a 26º14’17’latitude e 51º04’42’’’ no Norte Catarinense, localiza-se na região norte de Santa Catarina, limitando-se ao norte com União da Vitória (PR) e Paula Freitas (PR); ao sul com Matos Costa (SC) e Timbó Grande (SC); a leste com Irineópolis (SC); e a oeste com os municípios de Porto Vitória (PR) e General Carneiro (PR).A distância entre Porto União - SC e a capital do estado, Florianópolis, é de 445 km. O município de União da Vitória - PR está localizado a 26°13'48" latitude sul e 51°05'11" longitude oeste, na região sul do estado do Paraná, no terceiro planalto paranaense, também chamado de Planalto de Guarapuava. Limita-se ao norte com o município de Cruz Machado (PR), ao sul com o estado de Santa Catarina, a oeste com Porto Vitória (PR) e Bituruna (PR), e a leste com Paula Freitas (PR) e Paulo Frontin (PR). A distância entre União da Vitória e a capital do estado, Curitiba, é de 243 km. A seguir, para melhor compreensão a visualização das duas cidades em seu contexto geográfico, apresenta-se a figura 01. 46 Figura 1 – Localização dos municípios de atuação das IES União da Vitória Porto União Fonte: IBGE (2012). Em relação ao ensino superior, apenas a cidade de União da Vitoria, possui Instituições de Ensino Superior com sede na cidade. Em Porto União - SC existe um núcleo ligado ao Campus de Canoinhas – SC, que possui a sede da Universidade 47 na cidade de Mafra - SC e em Mallet – Pr, um campus avançado da Unicentro – Irati cuja reitoria fica em Guarapuava – Pr. Quadro 5 – IES da Região do Médio Iguaçu IES LOCAL ORGANIZAÇÃO ACADÊMICA Centro Universitário NATUREZA JURÍDICA Municipal REGIME JURÍDICO Fundação pública ÓRGÃO REGULADOR Conselho Estadual de Educação – PR Centro Universitário de União da Vitória – UNIUV Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras – FAFI Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu – UNIGUAÇU Universidade do Contestado – UNC – Núcleo Porto União Unicentro Campus Avançado União da Vitoria PR União da Vitoria – PR Faculdade Pública Isolada Estadual Autarquia Estadual – Administração Indireta Conselho Estadual de Educação – PR União da Vitoria PR Porto União SC Faculdade Integrada Privada Administração direta INEP/MEC Universidade Municipal Fundação sem fins lucrativos Conselho Estadual de Educação – SC Universidade Estadual Autarquia Estadual da Administração Indireta Conselho Estadual de Educação Mallet Fonte: do autor, 2011. 3.2 OS CAMINHOS DA PESQUISA O passo inicial foi a visita as IES, oportunidade na qual foi apresentada aos gestores a intenção em estudar as concepções de extensão, visto que elas estão associadas ao modelo adotado pelos regulamentos institucionais. Neste contato explicou-se a necessidade de levantar os documentos institucionais sobre a extensão e entrevistar os gestores, docentes e alunos, ressaltando a garantia do sigilo dos participantes. Nas instituições FAFIUV, UNIUV e UnC foram firmados os consentimentos, mas na UNIGUAÇU, após contato verbal com a Coordenadora Pedagógica foi enviado oficio solicitando as informações extensionistas, as quais foram negadas verbalmente pela direção pelo motivo de serem documentos confidenciais. Nas demais IES, acordou-se que o retorno para as atividades de campo aconteceria após avaliação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em 48 Pesquisa - COMEP, atendendo à Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde - CNS. 86. A aprovação pelo COMEP aconteceu em 11 de dezembro de 2012 (Apêndice C) e no dia 10 do mês de janeiro de 2013, estabeleceu-se novo contato com as IES para dar início às entrevistas. Foi nesse momento que começaram as dificuldades do trabalho de campo, mas especificamente na UnC, pois houve a troca de gestores do Núcleo de Porto União. Após resolvidas as questões administrativas internas de tal IES, a nova gestora afirmou que os docentes não estariam disponíveis para entrevistas por estarem ocupados com outras atividades, propondo-se a entregar aos Coordenadores de cursos do núcleo, o roteiro da entrevista a ser respondido, fazendo que a entrevista fosse transformada em questionário respondido de forma escrita pelos entrevistados. A negativa das entrevistas e sua transformação em questionário da IES era obstáculo e implicou em algumas indagações: Como aplicar o método da analise de discurso? Seria certo abdicar das entrevistas como deseja a Instituição e colocar em questionamento o papel do pesquisador? Decidiu-se prosseguir a pesquisa com estes docentes em forma de questionário aplicado pela gestora da extensão durante reunião dos coordenadores de curso. Como técnicas para abordar os dados qualitativos utilizou-se análise documental e entrevista. 3.3 A ANÁLISE DOCUMENTAL A análise documental é uma técnica valiosa de pesquisa qualitativa e quantitativa, seja para complementar dados obtidos por outras técnicas, seja para desvelar aspectos novos de um tema ou problema de pesquisa. O uso de documentos na pesquisa é vantajoso porque eles constituem uma fonte estável e rica, que persiste ao longo do tempo. Documentos podem ser consultados várias vezes e inclusive servir de base para diferentes estudos, o que dá mais estabilidade aos resultados obtidos. Além disso, documentos são uma fonte não-reativa, permitindo a obtenção de dados quando o acesso ao sujeito não for possível (LÜDKE; ANDRÉ , 1986). A analise documental é realizada a partir de documentos, contemporâneos ou retrospectivos, considerados cientificamente autênticos e constitui uma técnica 49 importante na pesquisa qualitativa uma vez que completa informações obtidas por outras técnicas de pesquisa e é capaz de revelar aspectos novos de um tema ou problema (ABREU, 2008). A característica de tal forma de pesquisa é que a fonte dos dados está restrita a documentos, escritos ou não. As fontes primárias contemporâneas, são compiladas na ocasião dos fatos pelo Autor. Fontes primárias retrospectivas quando compilados após o acontecimento pelo autor. Já as fontes secundárias são a transcrição pelo autor de determinadas fontes primárias. A documentação como fonte de evidências é pertinente em estudos desde o aparecimento da escrita. Por documentos, podem ser considerados, por exemplo: estatutos, regimentos, resoluções, plano de desenvolvimento institucional, portarias, memorandos; minutas de reuniões; relatórios; documentos administrativos. Além disso, a documentação apresenta algumas características que a credenciam como alternativa coerente para atingir os objetivos dessa pesquisa (YIN, 2005). Primeiro, a documentação é considerada estável, pode ser revisada inúmeras vezes. Isso possibilita ao pesquisador retornar várias vezes à fonte a fim de encontrar indícios que clarifiquem possíveis questões. Segundo, ela é denominada discreta, por não ter sido criada como resultado do estudo de caso, ou seja, o documento já existia, já havia sido produzido, e a pesquisa é que ressaltou o seu conteúdo. A documentação essencialmente contém nomes, referências e detalhes exatos de um evento, e essa característica proporciona a corroboração de dados provenientes de outras fontes. Por fim, a documentação tem ampla cobertura, ou, dito de outra maneira, ela cobre longo espaço de tempo, muitos eventos e ambientes distintos (YIN, 2005). Dentre os documentos citados, a opção mais utilizada foi Regimento Interno e PDI, se constituindo numa fonte relevante por refletir o momento da pesquisa. Os projetos analisados foram selecionados por quatro critérios os quais serão abaixo descritos: O primeiro critério para a eleição dos projetos, foi ocorrerem em uma das três Instituições de Ensino Superior do Médio Iguaçu – situadas em Porto União e União da Vitória. A extensão da Unicentro existente na cidade de Mallet não será inserida na amostra em virtude de esta não possuir autonomia administrativa, didática e de o corpo docente e matriz curricular ser idêntica à utilizada no curso da Unicentro Irati e da UNIGUAÇU ante a recusa do fornecimento da documentação Institucional. O segundo critério é que todos ocorreram entre os anos de 2007 a 2011 ou 50 ainda estarem em atividade. O terceiro critério é que os projetos estarem formalmente vinculados com a Comissão de Extensão, ou equivalente de cada Instituição, e não foram utilizados para o computo dos dados os projetos oriundos de Educação a Distância. Como quarto critério após o agrupamento dos projetos nas seguintes áreas: arte e cultura; humanidades; ciências exatas e da terra; tecnológica e ciências da vida, foram selecionados os que foram executados por maior tempo em cada uma das áreas citadas, o que pode demonstrar que o projeto está consolidado. 3.4 ENTREVISTAS A outra fonte de evidência escolhida foi a entrevista, que figura como fonte essencial de informação. O uso de entrevistas como fonte de evidências em uma pesquisa, segundo Yin (2005), é indicado porque as mesmas podem ser direcionadas ao foco do tópico do estudo de caso e, por serem perceptivas, possibilitam inferências causais percebidas durante o processo. A opção foi pela entrevista semi-estruturada devido ao fato de que sua flexibilidade permite um maior diálogo entre investigador e entrevistados. Para Triviños (1995, p. 146) a entrevista semi-estruturada, em geral, é: [...] aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas na forma verbatim (expressão usada para indicar que a fala foi transcrita literalmente, “palavra por palavra”), garantindo a qualidade dos dados para análise. Os participantes foram esclarecidos sobre o entendimento da importância do estudo, bem como sua participação no mesmo, se caracterizando como voluntária e desprovida de riscos, podendo se encerrar por vontade própria a qualquer momento (sob condições apresentadas no Termo de Consentimento Livre e Informado), fornecido a todos os sujeitos (APÊNDICE A). Foi viabilizada pela assinatura desse documento, a autorização para entrevistar e publicar os dados na forma de trabalhos acadêmicos. Também, foi 51 procurado, o feedback dos próprios participantes da pesquisa de forma regular e sistemática durante todo o processo de coleta de dados, a fim de minimizar possíveis interpretações errôneas e equivocadas a respeito dos insights que emergiram durante o processo de análise preliminar dos dados das entrevistas. Foram desenvolvidas dezesseis sessões de aproximadamente uma hora de entrevistas semi-estruturadas e intencionais e cinco questionários (UnC) com a participação dos gestores da extensão das três IES, cinco docentes coordenadores de projetos de extensão da FAFI, cinco da UNIUV e quatro da UNC. Além de dois alunos participantes de projetos da FAFI, dois da UNIUV e nenhum da UNC, que restou a explicação pela gestora que o aluno é destinatário da extensão e não ator. A seleção dos participantes se inspirou em dois critérios principais: as coordenações e os cargos ocupados pelos mesmos na estrutura extensionista da instituição. A participação dos gestores foi interessante pois possibilitou o levantamento de como cada IES ‘enxerga’ a extensão universitária em seus documentos legais e a concepção adotada como sendo extensão na IES. E na analise de dados para comparar o discurso dos gestores com a documentação legal e o possível impacto disso na operacionalidade dos projetos e programas ligados ao desenvolvimento regional. A participação dos coordenadores foi importante na percepção sobre a contribuição de seus projetos da sociedade, a forma de financiamento e o papel dos alunos participantes. A participação dos alunos reveste-se de importância uma vez que explanaram sobre a possível formação extensionista e o exercício da cidadania o que inclui a preocupação com o desenvolvimento da região que atuam. As entrevistas foram elaboradas a partir de um roteiro (Apêndice B) que abarcou, particularmente, elementos relacionados a extensão universitária e composto por treze questões abertas. A partir da análise do conteúdo das respostas foi possível identificar o conhecimento de cada participante sobre o que vem a ser extensão e qual a função que entende possuir a extensão universitária; qual a relação que possui a extensão com as áreas do ensino e pesquisa. Especificamente sobre a extensão praticada na IES é possível identificar, na concepção dos projetos de extensão, quais aspectos são considerados para planejar as ações extensionistas, como as parcerias de desenvolvem e quais os meios de 52 financiamento dos projetos e como repercutem os projetos no desenvolvimento da região. A seguir esquematização das questões e categorias avaliadas: Quadro 6 – Esquematização das questões e categorias avaliadas Questão 1- O que você entende por Extensão Universitária? Categoria Conhecimento 2- Qual a função que a extensão cumpre na sociedade? 3- Como se da a geração dos programas de extensão na IES 4- Os projetos de extensão visam atender uma demanda da sociedade ou oferecer algo produzido na Universidade para a Sociedade? 5- Existem mecanismos na IES de avaliação dos projetos de extensão? Em caso positivo quais são? 6- Como você define as condições na IES para a realização da extensão? 7- Qual a relação da extensão com o ensino e a pesquisa na IES? 8- Os recursos financeiros para o desenvolvimento das atividades de extensão provem de qual fonte? São suficientes para o desenvolvimento da atividade? 9- Quais as ações praticadas na IES que melhor representam o sentido da extensão universitária? 10- Qual é o futuro para a extensão universitária? Planejamento Ensino-pesquisa Financiamento Repercussão social 11- A IES tem parceiros para a prática da extensão? 12- Quais seriam os melhores parceiros para a prática da extensão? 13- Em que a extensão universitária praticada contribui atualmente para o desenvolvimento regional? Parcerias Repercussão para o desenvolvimento regional Fonte: Dados da pesquisa (2013). Este roteiro, no entanto, não implicou em uma previsibilidade da conversa, ele teve por finalidade orientar o pesquisador, o que prevaleceu foi a livre expressão do entrevistado. Na apresentação das falas foram evitadas quaisquer informações que possibilitassem a identificação dos entrevistados a fim de não trazer problemas na relação com a IES. Após a coleta dos documentos e a realização das entrevistas, a indagação seguinte foi: como analisar esse material? Um estudo que preenche essa lacuna foi escrito por Laurence Bardin. A autora apresenta o livro “Análise de conteúdo” (2009), que tem como objetivo ser um manual desse método, pois utiliza vários pesquisadores como base para seus escritos. Para Bardin (2009, p. 37), análise de conteúdo é: Um conteúdo de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. 53 Bardin (2009) explica que a Análise de Conteúdo - AC possui duas funções: uma, procura enriquecer a tentativa exploratória, ao aumentar a possibilidade de descobertas, e a outra busca servir como prova, onde questões e afirmações provisórias serão analisadas sistematicamente para confirmá-las ou negá-las. Essas duas funções podem coexistir de maneira suplementar ou não. A análise de conteúdo é um método empírico e, segundo a autora, é um conjunto de técnicas de análise das comunicações que necessita ser reinventada a cada momento de acordo com o tipo de investigação e os objetivos pretendidos. Já as categorias são uma espécie de “rubricas significativas que permitem a classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem”. (BARDIN, 2009, p. 39). Dessa maneira, é possível fazer surgir um sentido e assim estabelecer uma ordem na confusão aparente. No caso da presente pesquisa, essas duas funções coexistiram durante o processo, afinal muitas descobertas iniciais indicaram alguns caminhos que deveriam ser percorridos para atingir os objetivos propostos, enquanto outras contribuíram com a comprovação de certas constatações. Com base na coleta de dados foi feita a triangulação deles, relacionando as informações obtidas pelas entrevistas e documentos institucionais. Sobre o uso da triangulação de dados, Triviños (1987, p. 138) comenta: A técnica de triangulação tem por objetivo básico abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo. Parte do princípio que sustentam que é impossível conceber a existência isolada de um fenômeno social, sem raízes históricas, sem significados culturais e sem vinculações estreitas e essenciais com a macrorrealidade social. Feitos os esclarecimentos a respeito da metodologia utilizada neste estudo vamos focar nossa discussão nos significados que envolvem a ação extensionista. 54 4 ANALISE DOS DOCUMENTOS 4.1 EXTENSÃO NA FAFIUV - FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO DA VITÓRIA – FAFIUV Instituição Estadual de Ensino, fundada em 22 de dezembro de 1956, quando o Governador Moisés Lupion sancionou a Lei n.º 3.001, de 22 de dezembro de 1956, criando-a como subordinada à Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Paraná. Tal Faculdade atualmente possui 9 cursos todos na área de Licenciaturas: História e Pedagogia, reconhecidos pelo Decreto Federal n.º 61.120 de 31 de julho de 1967; Letras Português e Geografia, reconhecidos pelo Decreto Federal n.º 74.750 de 23 de outubro de 1974; Letras Espanhol, reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 1.715 de 13 de agosto de 2003; Matemática, reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 1.719 de 13 de agosto de 2003; Ciências Biológicas, reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 4.275 de 01 de fevereiro de 2005; Química, reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 1.040 de 27 de julho de 2007 e Filosofia, reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 1.211 de 03 de maio de 2011. A FAFIUV é uma das pioneiras do ensino superior fora da Capital Paranaense, e ao longo de mais de quatro décadas e meia de atividades vem formando professores que servem ao Sul do Paraná e ao Norte Catarinense. Inicialmente subordinada à Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Paraná, o Decreto n.º 8474, de 25 de fevereiro de 1957, designou o Prof. Dr. Luiz Wolski, para ocupar o cargo de primeiro Diretor da Faculdade . Desde sua origem, o discurso institucional da FAFIUV é assumir um compromisso com o desenvolvimento da região, para ser um centro irradiador e transformador da estrutura cultural de sua área de intervenção, encontrou para tanto respaldo junto aos municípios que compõem a sua região de abrangência. O compromisso primordial da FAFIUV é com o desenvolvimento socioeconômico cultural e científico da região sul do Paraná e do norte de Santa Catarina. Sua área de abrangência compreende 22 municípios com uma população estimada em 300.000 habitantes. A IES atualmente estende seus serviços a municípios que fazem parte do Núcleo Regional de Educação - NRE de União da Vitória, assim como a outros do 55 Estado do Paraná que pertencem à área de abrangência do NRE de Irati e de Ponta Grossa. Também é grande a inserção no norte de Santa Catarina. O Regimento Interno da FAFIUV data do ano de 2009, em tal documento consta como um dos objetivos da Faculdade promover e desenvolver todas as formas de conhecimentos, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão de forma a estender o ensino, a pesquisa e a extensão à sociedade, mediante cursos e prestação de serviços, o que demonstra a filosofia assistencialista, na prestação de serviços. Também no Regimento Interno consta o principio da indissociabilidade entre o ensino a pesquisa e a extensão, conferindo ao ensino a função de excelência da faculdade, mas articulando às esferas da pesquisa e da extensão universitária. O que por lei não é exigido. Na estrutura administrativa há a previsão de um Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão como órgão de deliberação composto pelos coordenadores de curso, diretor e vice-diretor e representante discente. Há previsão expressa no Regimento Interno sobre a Extensão Universitária. Consta que: [...] a extensão universitária é estimulada através de cursos de capacitação, e, atividades comunitárias e seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento socioeconômico regional, devendo articular-se com o ensino e a pesquisa, possuir regulamento próprio, plano de trabalho e de avaliação (FAFI, 2009, p.1) O objetivo previsto para a Extensão Universitária é por meio de atividades promover a integração da Faculdade na comunidade local e regional, com intenção de dar atendimento à comunidade através de assessoria, consultoria e de prestação de serviços. Estimular a cultura participando de eventos de natureza cultural e artístico. Consta também a intenção de por meio de pesquisas e estudos entender aspectos da realidade local e regional. E sem explicação se para fins de fomento ou divulgação de conhecimentos, prevê a articulação com o sistema empresarial e educacional da região. Ao mencionar expressamente os cursos de extensão, o Regimento torna claro que uma forma de extensão a ser praticada na Faculdade será por meio de cursos, os quais objetivam a complementação, atualização, difusão e reflexão de conhecimentos, através de programações científicas, culturais ou técnicas, e são abertos a candidatos que satisfaçam os requisitos específicos exigidos. Não há 56 menção também de quais seriam tais requisitos ou onde constariam estes. Na sequencia contempla ainda os projetos de extensão, e estabelece que são coordenados pelos Colegiados de Cursos, o que demonstra a intenção da articulação com o corpo docente, devendo ainda serem cadastrados e regulamentados e aprovados pelo Comitê de Ética, Pesquisa e Extensão (CEPEX) da Faculdade para serem executados. O Estatuto da Faculdade desde sua implementação, não foi reformado em decorrência do processo de criação da Universidade Estadual do Paraná UNESPAR, tal IES foi projetada para agrupar as Faculdades Isoladas do Estado – Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP; Faculdade de Artes do Paraná – FAP; Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana – FECEA; Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão – FECILCAM; Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR; Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí – FAFIPA; Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória - FAFIUV e Academia Policial Militar do Guatupê/Escola Superior de Segurança Pública (APMG/ESuSeP), incluída por meio do Decreto Estadual 4491 de 09 de maio de 2010. A UNESPAR foi criada por Lei Estadual n.º 13.283/2001 alterada pela Lei Estadual n.º 15.300/2006, tendo um Estatuto Próprio aprovado pelo Decreto n.º 8593 de 20 de outubro de 2010, todavia a legalidade de tal forma de aprovação foi questionada pelo Conselho Estadual de Educação e um novo Estatuto será aprovado após a alteração na Lei Estadual n.º 13.283/2001, quanto a localização da Sede da UNESPAR. Até o ano de 2012 o Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi provisoriamente o Reitor da Universidade. Embora no ano de 2011 tenha ocorrido a eleição do Conselho Universitário, até o presente momento, a UNESPAR não obteve aprovação do Conselho Estadual de Educação para iniciar suas atividades. Pelo que embora exista a previsão legal da criação de tal Universidade, não há autorização para o inicio das atividades, sendo que todas as Faculdades acima permanecem executando suas atividades como Faculdades isoladas. No final do ano de 2012 houve a eleição e posse do primeiro reitor eleito da UNESPAR, a qual possui sede provisória na SETI. No Estatuto da FAFIUV não há previsão da Extensão Universitária. O PDI da 57 FAFIUV data do ano de 2008 com previsão até 2013, em tal documento consta como missão da Faculdade: [...] a produção, socialização e aplicação do conhecimento nos diversos campos do saber, materializados e articulados indissociavelmente por meio do ensino, pesquisa e extensão de modo a contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país e da região de sua abrangência, visando promover a formação de profissionais qualificados para o mundo do trabalho e capazes de atuar na instância crítica do saber voltados para a construção da justiça social e da democracia (FAFI, 2008, p.9). Dentre as finalidades o PDI fez constar a produção, transmissão e extensão do conhecimento, além da formação profissional dos acadêmicos e o desenvolvimento socioeconômico, cientifico e cultural de sua região de abrangência. Dentre os 27 objetivos elencados, além da previsão da orientação das funções acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão para o atendimento das demandas sociais e educacionais, o que claramente confere um caráter assistencialista. Somente um prevê a extensão universitária ao mencionar que esta deverá ser ampliada como interface da faculdade com seguimentos da sociedade. Embora dentre os objetivos do PDI para o período em questão (2008 – 2013) a extensão tenha recebido papel de destaque, há a previsão de metas para a extensão. Tais metas vão ao sentido de consolidação da prática da extensão no ambiente da Faculdade, inserção da FAFIUV nos eventos extensionistas, desenvolver ações conjuntas com o Instituto de Ensino Pesquisa e Prestação de Serviços, para desenvolver projetos culturais e cursos de extensão. Observa-se que a Faculdade busca utilizar-se de um parceiro para a consecução das metas que prevê no PDI. Deseja ainda manter os projetos em vigência de atenção a 3.ª idade. Deseja ainda obter o financiamento governamental para as ações de extensão. Na sequência ainda dentro das metas para a extensão faz menção a recuperação dos produtos culturais da Faculdade, revitalização de grupos artísticos e mostras de arte já existentes, e a intenção de realizar novas proposições no campo cultural até 2011. As metas previstas não demonstram vínculo com as atividades de ensino e pesquisa, mas sim com a difusão cultural. Ao mencionar o planejamento e organização didático-pedagógico o PDI estabelece oito critérios, sendo um deles as Políticas de Extensão. Expressa que tais políticas fundamentam-se no Plano Nacional de Extensão – PNE e tem como 58 objetivo a disseminação do ensino e da pesquisa junto ao meio acadêmico e grupos sociais, na forma de participação dos universitários em programas voltados aos grupos sociais menos favorecidos, atuando como agentes de modificação e melhoria da realidade socioeconômica. Em tal aspecto, as políticas extensionistas mostram intenção assistencialista. Consta ainda como principio básico da extensão o desenvolvimento da formação do profissional cidadão, com a efetiva integração com a sociedade, a fim de se identificar culturalmente, situar-se historicamente ou embasar a visão crítica da relação entre os problemas da sociedade e a prática profissional. Não há previsão de metas ou objetivos hábeis a se compreender como a extensão será praticada, qual a forma de extensão prática. Tudo consta demasiadamente genérico e abrangente. 4.2 EXTENSÃO NA UNIUV - FUNDAÇÃO MUNICIPAL CENTRO UNIVERSITÁRIO DA CIDADE DE UNIÃO DA VITÓRIA – UNIUV Instituição Municipal de Ensino, em 12 de setembro de 1974, por meio do Parecer nº. 086/74, o CEE/PR autorizou a Fundação Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória, FACE, hoje UNIUV, cujo projeto inicial partiu da iniciativa de lideranças locais, interessadas em trazer para a região cursos na área do comércio. Em 19 de setembro de 1974, o Prefeito Municipal promulgou a Lei Municipal nº. 974/74, instituindo a Fundação Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória (FACE), incluindo no texto dessa lei a dotação à Instituição de recursos financeiros necessários à instalação e funcionamento regular. Atualmente com 18 cursos: Bacharelado em Educação Física, reconhecido pelo Decreto n.º 6.236 de 15 de março de 2006; Licenciatura em Educação Física, reconhecido pelo Decreto n.º 6.236 de 15 de março de 2006; Odontologia, curso com oferta iniciada em 2012; Engenharia Civil, Autorizado pelo Parecer n.º 01/2006 CEPE de 20 de novembro de 2006; Engenharia Ambiental, Autorizado pelo Parecer n.º 02/2006-CEPE de 20/11/2006; Engenharia Industrial da Madeira, reconhecido pelo Decreto n.º 2.199 de 21 de fevereiro de 2008; Engenharia de Produção, curso com oferta iniciada em 2012; Administração, reconhecido pela Portaria n.º 1190, em 30 de novembro de 1979; Secretariado Executivo reconhecido pelo Decreto n.º 3.084 de 31 de Maio de 2004; Ciências Contábeis, reconhecido pelo Decreto n.º 59 1.064 de 12 de Julho de 1999; Ciências Econômicas reconhecido pela Portaria 1.190 de 30 de novembro de 1979; Turismo, reconhecido pelo Decreto n.º 5.628 de 30 de Abril de 2002; Arquitetura e Urbanismo, autorizado pelo Parecer Num. 03/2008-CEPE; Jornalismo, reconhecido pelo Decreto n.º 4.665 de 13 de abril de 2005;; Publicidade e Propaganda, reconhecido pelo Decreto n.º 4.665 de 13 de abril de 2005; Informática de Gestão, reconhecido pelo Decreto n.º 6.030 de 24 de Janeiro de 2006; Licenciatura em Informática, reconhecido pelo Decreto n.º 3.107 de 02 de junho de 2004. No ano de 2001, com o aumento de oferta de cursos houve a necessidade de mudança, não só no nome da Instituição, mas também do seu Regimento e Estatuto. Então foi sancionada, a Lei Municipal nº. 2825/2001, de 15 de agosto de 2001, com a qual foram alteradas as denominações da mantenedora: Fundação Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória, para Fundação Municipal Faculdade da Cidade de União da Vitória; e da mantida: Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória, para Faculdade da Cidade de União da Vitória, mantendo-se, dessa forma, a sigla FACE, de acordo com pesquisa realizada, com a qual se identificou que essa sigla já estava consolidada na região. Após adaptações internas e verificações efetuadas pelo do Conselho Estadual de Educação, do cumprimento das normas e padrões universitários, por meio do Decreto Estadual nº. 7226, de 19 de setembro de 2006 a Fundação Municipal Faculdade da Cidade de União da Vitória – FACE foi transformada em Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória – UNIUV, com a denominação da mantida passando a ser Centro Universitário de União da Vitória, homologado pela Lei Municipal nº. 3399 de 1º de novembro de 2006. O mesmo Decreto autorizou a criação de Unidades universitárias em toda a região de abrangência da Instituição, o que propiciou a implantação do Núcleo Universitário de São Mateus do Sul. O contingente educacional do UNIUV atualmente é de mais de 2.000 alunos, distribuídos entre os diversos níveis de ensino. O corpo docente, entre efetivos e contratados, é composto por 110 professores, distribuídos no ensino médio, graduação, e pós-graduação. O atual Estatuto é datado de 2006, tendo sido aprovado em 2007. Em tal documento consta, no artigo 2.º a previsão da indissociabilidade entre o ensino, a 60 pesquisa e a extensão. O artigo 82 traz uma noção de como a indissociabilidade será buscada, ao prever que os trabalhos universitários terão sentido de integração, de modo que o ensino e a pesquisa mutuamente se enriqueçam e, projetando-se no meio mediante extensão, proporcionem soluções e identifiquem novos problemas como matéria de estudo e investigação. Como missão, prevê o estatuto: “desenvolver e difundir o conhecimento e a cultura e promover a formação integral e permanente de cidadãos e de profissionais, compromissados com a vida e o progresso da sociedade”. O que demonstra uma clara preocupação com o desenvolvimento da sociedade abrangida pela Instituição. Para a consecução de tal missão dentre outras formas, no artigo 5.º prevê a promoção da divulgação dos conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber. Essa divulgação seria realizada por meio do ensino, pesquisa, extensão, de publicações e de outras formas de comunicação. Prevê ainda que a extensão deve ser promovida de forma aberta a população, visando a difusão as conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na Instituição. Esta primeira parte do Estatuto leva a interpretação de que a extensão prevista teria por objetivo transferir à população o conhecimento resultando das práticas de ensino e pesquisa. Como um dos órgãos deliberativos superiores da Instituição figura o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE, acompanhado do Conselho Universitário e Conselho de Curadores. Cabe ao CEPE, dentre outras funções aprovar as linhas de pesquisa e políticas de extensão bem como regulamentar o funcionamento dos Cursos de Extensão. Como órgão executivo superior, tem-se a Reitoria, sob a qual se encontram ligadas quatro pró-reitorias: de Administração, de Ensino, de Pesquisa e Pós Graduação e de Extensão e Cultura. A esta última é reservada a função de coordenar e supervisionar as atividades de extensão e cultura da Instituição, bem como a integração da Institucional com a comunidade regional. Ao definir as funções da Pró-reitora de Extensão e Cultura, limita-se a mencionar que deverá promover a integração com as demais Pró-reitorias, não há qualquer menção sobre como se dará a extensão universitária ou esta integração. Todavia ainda está previsto em aludido estatuto, no art. 52 como órgão administrativo Setorial a Coordenadoria de Extensão e Cultura, a qual tem por finalidade coordenar e implementar as atividades de extensão e cultura, de acordo com as diretrizes emanadas da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, da 61 Diretoria Acadêmica e dos Colegiados competentes. Deixa de mencionar tal artigo que tal Coordenadoria teria de trabalhar em consonância com a Pró-reitoria de Extensão e Cultura. Por fim consta que a Instituição ministrará cursos de extensão e de atualização. A leitura do Estatuto leva a conclusão de que a extensão universitária será praticada visando a integração da Instituição com a comunidade local com atividades culturais. Não prevê, porém a forma com se dera a integração com o ensino e a pesquisa. No PDI (2007 a 2011), ainda vigente, a Instituição admite ser extensão pouco valorizada, tanto que busca definir uma política que priorize recursos orçamentários para a realização de projetos sociais e foca suas estratégias de ação a fim de buscar a participação da comunidade acadêmica em tais projetos. Neste primeiro momento do PDI, atribui-se a extensão um caráter social. Embora a palavra assistencialista não esteja explicita, claramente é esse o sentido das ações previstas no PDI em analise. Tal foco é diverso do previsto no Estatuto. Em sentido oposto consta como meta de ação melhorar a eficiência na difusão dos conhecimentos gerados e acumulados na UNIUV e incentivar a Comissão Científica para uma adequação de suas rotinas de trabalho, visando à organização das atividades de extensão, de acordo com as políticas da Instituição. Este ponto sim se encontra vinculado com o conceito de extensão adotado pelo Estatuto. Está previsto ainda no PDI a intenção de criar e implantar cursos de extensão destinados à comunidade e também aumentar o público atingido pelas ações extensionistas. Tal meta é claramente de cunho assistencialista considerando que a simples oferta de cursos à comunidade per si, não garante que esta será beneficiada com a aproximação do Ensino Superior. Ao mencionar as políticas de Extensão podem-se destacar as seguintes previsões relacionadas à extensão: fazer interface com o Ensino e a Pesquisa; consolidar mecanismos e instrumentos de integração entre o saber acadêmico e o saber popular, com permanente interação entre a teoria e a prática; aperfeiçoar o Atendimento Estudantil na Instituição e incentivar a participação e representação estudantil em atividades de extensão, cultura e desporto na Instituição. As políticas de Extensão previstas coadunam com o preconizado pelo Estatuto, mas pouco com as metas de desenvolvimentos acima elencadas presentes no PDI, muito embora este ao definir extensão adote o critério da extensão como fator de articulação com a 62 sociedade, no sentido de ‘via de mão dupla’ na transferência do conhecimento: “uma atividade acadêmica articulada ao Ensino e à Pesquisa que contribui para a formação universitária e apresenta-se capaz de promover a interação entre o saber científico e o saber popular” (UNIUV, 2007, p.30). Enquanto prática acadêmica objetiva, segundo a previsão do PDI interligar as atividades de Ensino e Pesquisa com as demandas da sociedade. E no contexto social volta-se ao atendimento das necessidades regionais e as ações que impliquem a busca da ‘vida com qualidade’ e garantia dos valores democráticos, de igualdade e desenvolvimento socioeconômico. Observa-se que o Estatuto da UNIUV, adota a concepção de ser a extensão meio de transferir à população o conhecimento resultando das práticas de ensino e pesquisa. Todavia o PDI ao traçar metas de ação, o faz entendo ser a extensão forma de prestação de serviços de interesse social, demonstrado, ainda que forma não explicita o caráter assistencialista. Entretanto ao utilizar conceitos e elencar procedimentos, o faz segundo a definição constante do Estatuto. 4.3 EXTENSÃO NA UnC - UNIVERSIDADE DO CONTESTADO Situada em Porto União – Estado de Santa Catarina, trata-se de um núcleo universitário ligado diretamente ao Campus de Canoinhas. Segundo informações obtidas do sitio da Universidade foi reconhecida em 21 de outubro de 1997(Parecer 42/97-CEE), e instalada oficialmente pelo Governo do Estado em 03 de dezembro de 1997 (Parecer 246/97-CEE), foi recrendenciada por meio dos Decretos n.º 4.269 e 3.150 publicado no diário oficial de Santa Catarina em 22 de março de 2010. A Universidade do Contestado - UnC é uma Instituição multicampi, com Campi Universitário em Canoinhas, Concórdia, Curitibanos e Mafra e com Núcleos Universitários em Porto União e Rio Negrinho. O núcleo de Porto União conforme mencionado está ligado ao Campus de Canoinhas. Em tal núcleo existem atualmente oito cursos de graduação. Administração, curso reconhecido pelo Decreto n.º 2.029 em 16 de dezembro de 2008. Artes Visuais, curso reconhecido pelo Decreto n.º 4.771 em 06 de outubro de 2006. Ciência da Computação, curso reconhecido pelo Decreto n.º 1.002 de 18 de dezembro de 2007. Design, curso reconhecido pelo Decreto n.º 1.531 de 15 de julho de 2008. Direito, curso reconhecido pelo Decreto 3.674 de 09 de dezembro de 63 2005. Educação Física Licenciatura e Bacharelado, curso reconhecido pelo Decreto n.º 2.523 de 17 de agosto de 2009. Licenciatura em Música. Psicologia, curso reconhecido pelo Decreto n.º 2.523 de 17 de agosto de 2009. A UnC é uma Universidade Comunitária com Sede em Mafra no Estado de Santa Catarina. Porto União, onde localiza-se a unidade estudada até início de 2012 era um núcleo do Campus de Canoinhas, todavia neste ano passará a ser Campus da UnC. O início da UnC deu-se com a criação de cinco Fundações, todas com personalidade jurídica de origem pública e natureza de direito privado: Quadro 7 – Criação das Fundações que originaram a UnC MUNICÍPIO Canoinhas FUNDAÇÃO Fundação das Escolas do Planalto Norte Catarinense-FUNPLOC Caçador Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe – FEARPE Concórdia Fundação Educacional do Alto Uruguai Catarinense-FEAUC Curitibanos Fundação Educacional do Planalto Central Catarinense-FEPLAC Mafra Fundação Universitária do Norte CatarinenseFUNORTE Fonte: do Autor 2013 DATA 7 de dezembro de 1970 23 de setembro de 1971 9 de abril de 1976 24 de junho de 1976 4 de novembro de 1971 As faculdades acima surgiram por determinação das comunidades e com objetivo de promover o processo de crescimento cultural e o desenvolvimento técnico-científico da região. Após cerca de 20 anos de atuação das faculdades foi constituída uma Comissão formada por professores das cinco faculdades acima citadas (FUNPLOC, FUNORTE, FEARPE, FEAUC E FEPLAC), que elaboraram uma Carta-Consulta com pedido de autorização do funcionamento da Universidade do Contestado e posteriormente o Projeto de criação da Universidade. Sendo que em 28 de março de 1990 foi criada a Federação das Fundações Educacionais do Contestado – FENIC. No ano de 1997 a UnC foi oficialmente reconhecida e credenciada, é constituída por cinco campi Universitários com sede em Caçador, Canoinhas, Concórdia, Curitibanos e Mafra, mas ainda com o modelo de Fundação. Após o Código Civil de 2002, o modelo jurídico/organizacional de Fundação ficou obsoleto e no ano de 2009 houve um processo de ajustes jurídicos a fim da transformação da mantenedora e suas co-mantenedoras em uma única Fundação, 64 de configuração pública e regida pelo direito privado. Tal processo foi denominado Unificação das Fundações Mantenedoras da UnC, e culminou com a aprovação do Estatuto da Fundação Universidade do Contestado – FunC, em 27 de agosto de 2009, contemplando a nova estrutura organizacional e administrativa da fundação, a Fundação Universidade do Contestado passou a ter sede em Mafra, Santa Catarina. Desta forma, a UnC é uma instituição de Educação Superior vinculada ao Sistema Estadual de Santa Catarina, mantida por uma Fundação de origem pública e de natureza do direito privado. O Regimento Geral data de 2010, em tal documento inicialmente consta que a pesquisa na Universidade deve ser articulada com o ensino e a extensão, sendo concebida como um processo continuo acumulado de produção de novos conhecimentos, técnicas e validação de saberes. O que demonstra a intenção de integrar os três elementos que pautam a universidade. Consta ainda a preocupação da Universidade com o desenvolvimento Regional, ao estabelecer que pesquisas com esse foco ao lado das que busquem o fortalecimento da educação na Universidade, melhoria da qualidade de vida, a inclusão social e a promoção da cidadania terão prioridade sobre as demais. Ao tratar especificamente da Extensão, o documento coloca-a junto da Cultura e das Relações Comunitárias e a caracteriza como processo e prática educativa, cultural e cientifica que se integra ao ensino e a pesquisa. O que mais uma vez demonstra a intenção da indissociabilidade entre os três elementos, viabilizando com isto a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade e o retorno da aplicação desses aprendizados para a melhoria da prática acadêmica de alunos e professores. Com isso fica condicionada a prática da extensão com a participação de alunos e professores. Consta ainda a forma pelas quais a extensão será praticada: educação continuada, os projetos de ações comunitárias e culturais e prestação de serviços em áreas e programas prioritários, institucionalmente definidos (UnC,2010, p. 17). Da mesma forma da prevista com a pesquisa, ao tratar da extensão a Universidade prioriza as atividades que promovam o desenvolvimento Regional, a melhoria da qualidade do ambiente de vida, a inclusão social e a promoção da cidadania. O PDI data de janeiro de 2011 e coloca como metas pertinentes ao presente estudo: a articulação das políticas de Ensino, Pesquisa, Pós-Graduação e da 65 Extensão, o que nos remete a ideia de que embora encontre respaldo na documentação institucional, essa integração efetivamente não é praticada na Instituição. O redirecionamento dos incentivos à Pesquisa e a Extensão em consonância com as demandas regionais. isso demonstra a preocupação, ao menos documental em a Universidade ofertar o que a Comunidade necessita. Criação de formas de avaliação dos programas de pesquisa e extensão e aprimoramento contínuo da produção científica e tecnológica. (UnC, 2002, p.22). Na sequência ao mencionar os cursos de graduação, a Instituição afirma que na Graduação se concentra o maior volume de suas ações. Sendo esta a prioridade e a destinatária da concentração dos esforços, indissociando-os dos projetos de pesquisa e de extensão os quais são fontes permanentes de produção e disseminação de conhecimentos (UnC, 2002, p. 28). No espaço destinado a Extensão Universitária o Plano menciona que esta se organiza em torno de oito grandes eixos: comunicação, educação, saúde, resgate e preservação da cultura, desenvolvimento socioeconômico e regional, preservação e sustentabilidade do meio ambiente, produção e difusão de tecnologias (UnC, p. 28, 2002). Eixos estes que estão em consonância com as áreas temáticas do Plano Nacional de Extensão. É o único documento das Instituições analisadas pelo presente estudo que menciona a forma com a qual a extensão universitária será realizada, na forma de programas e projetos de extensão. Na sequencia apresenta a definição de programa e projeto de extensão: Caracterizam-se como um conjunto de ações ou atividades institucionais estruturadas organicamente. Representa o conjunto de ações de extensão de médio e longo prazo correlacionadas/inter-relacionadas e orientadas por um objetivo comum, de natureza educativa, cultural, científica ou técnica, devendo contemplar a interdisciplinaridade, o princípio da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, podendo agregar programas, projetos, cursos, eventos, servindo de suporte para a extensão, ensino e pesquisa. Os projetos de extensão caracterizam-se como um conjunto de ações planejadas e sistematizadas que podem estar vinculadas a programas ou serem projetos isolados, de acordo com as diretrizes da Universidade, com caráter educativo, científico, tecnológico e cultural, visando o aperfeiçoamento dos envolvidos. Tem caráter periódico e às vezes assistemático, buscando a solução de questões emergentes da sociedade. (UnC, 2002, p.29). A parte final do documento em analise dedicada a extensão, resumo o sentido da extensão para a Instituição como uma dinâmica que se concretiza através da produção de conhecimentos, que acontece na interface universidade/comunidade. 66 De forma que o ensino ocorra além da sala de aula, traduzindo um conteúdo multidisciplinar, como decorrência das práticas. 67 5 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS 5.1 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA FAFIUV Todas as respostas fornecidas pelos Atores à entrevista realizada estão estruturadas nos quadros e os pontos de destaque comentados na sequencia. Inicialmente foram questionados sobre o que entendem por ser extensão universitária. Quadro 8 - Conceito de extensão universitária pelos atores da FAFIUV Gestor Extensão universitária é o meio mais rápido da universidade chegar até a sociedade. Professor P1 P2 P3 Alunos Atividades sistematizadas, organizadas e registradas que visam atender determinada comunidade e/ou a sociedade como um todo. Via de mão dupla, uma é do atendimento da comunidade que ela está inserido o projeto e a outra é de benefício para o acadêmico. P4 É toda ação de ensinar fora da sala de aula. Proporcionar que o conhecimento gerado dentro da Universidade atinja a comunidade. P5 Um processo cultural, educativo e científico que articula o Ensino e a Pesquisa. A1 Um curso complementar fora do regime acadêmico. A2 É a universidade chegando junto com a comunidade. Fonte: dados da pesquisa (2013). A maioria das definições traz clara a ideia de que a extensão é uma forma de atuação da Universidade junto à Sociedade. O gestor defende em seu discurso que a Extensão é a forma mais célere de “chegar até a sociedade”. Segundo tal visão o ensino e a pesquisa só chegariam indiretamente a sociedade. Tal discurso coaduna com a missão institucional que lhe é imposta de coordenar a extensão. O Professor P4 defende da mesma forma a necessidade de a extensão ter alcance social e o P5 como sendo um processo cultural. Outra posição classifica a Extensão como um compromisso social (P2). Todavia na sequencia do discurso o ator defende que, “[...] é uma oportunidade ímpar para o acadêmico estudar, entrar em contato com a realidade profissional com uma bolsa de estudos”. Tal postura de em um primeiro momento defender como um compromisso social para na sequência entender como oportunidade de o acadêmico conhecer a realidade, mostra que o ator não aceita a integração plena entre a Universidade e a Sociedade, sendo esta um objeto de Estudo daquela. Demonstra 68 ainda o ator uma constante preocupação em que os Atores envolvidos na prática de Extensão sejam remunerados. Um aluno (A1) entende a extensão como: “[...] um curso complementar, fora do regime acadêmico [...]”, fora do currículo acadêmico. Entendimento diverso demonstra o outro aluno (A2), o qual entende que a extensão é a: “Universidade chegando junto com a comunidade.” A diversidade entre os entendimentos dos dois alunos ouvidos, pode ser justificada pelo fato de a natureza do projeto de Extensão do qual o A1 participar, não possuir natureza científica, mas puramente cultural, e a sociedade em geral ser um expectador, não intervir no projeto. Por sua vez o projeto no qual o A2 participou teve além de viés acadêmico, interação direta com a comunidade envolvida. A fim de aprofundar a dimensão sobre o papel da extensão junto a sociedade criamos o quadro 2 que indica a posição dos atores sobre a função que a extensão universitária cumpre na sociedade e 4 que indica a posição sobre a demanda das ações extensionistas. Quadro 9 - Função que a extensão universitária cumpre na sociedade pelos atores da FAFIUV Gestor Professor Alunos Fazer com o que é produzido nas universidades tenha um resultado efetivo na sociedade. Disseminação dos valores, fomentar saberes, com os quais se promove o P1 desenvolvimento da sociedade. P2 Levar a universidade até a comunidade, até como moeda de troca. P3 Mostra a importância de se viver em sociedade de forma organizada. P4 Transformar conhecimento científico em tecnologia. P5 Contribuir de maneira a diminuir as desigualdades sociais existentes. A1 Uma extensão, um complemento. A2 Na realidade é levar o conhecimento universitário para comunidade alvo. Fonte: dados da pesquisa (2013). O Gestor da Extensão entende que cumpre a função social de fazer com o que é produzido nas universidades tenha um resultado efetivo na sociedade. Coloca um contraponto por ser o Brasil ranqueado com um dos países que mais faz pesquisa na universidade e ser um dos últimos países ranqueados quando se analisa o resultado social que essas publicações trazem. Sob tal enfoque a extensão deve possuir a dimensão social de possibilitar que os resultados das pesquisas tenham aplicabilidade nas ações extensionistas voltadas para a Sociedade. 69 Respostas equivalentes apresentaram o P1 e P4 e o A2, ao entender que a extensão tem função de disseminar o conhecimento para transformar a sociedade. O ator P2 mais uma vez destacou a importância da bolsa para acadêmicos serem inseridos num lócus de aprendizagem. Especificamente quanto a função da extensão “levar a universidade até a comunidade, até como moeda de troca, como um momento de conhecer na ação que os alunos têm e também de apresentar comportamentos de benefício social mesmo”. Muito embora o ator entenda que a extensão seria uma moeda de troca, deixa de citar qual seria tal troca entre universidade e sociedade. A forma da geração dos programas na Instituição não é de domínio de todos os atores que participaram da presente pesquisa, como demonstra o quadro abaixo. Quadro 10 – Como se dá a geração dos programas de extensão - FAFIUV Gestor Principalmente a partir do interesse dos professores. Professor Os programas são gerados a partir do interesse dos respectivos departamentos, P1 juntamente com a IES. P2 A geração de programas de extensão na IES é por via de edital. P3 Por meio dos colegiados. Alguns grupos de pesquisa coordenados por um ou mais docentes aptos P4 respondem a editais. P5 Alunos Abertura de editais em órgãos de fomento. Eles surgem através de um projeto pré-estabelecido, distribuído tanto aos A1 acadêmicos como à comunidade em geral, quando eles fazem a inscrição. A2 Por metas desenvolvidas por projetos do governo. Fonte: dados da pesquisa (2013). Muito embora a compilação das respostas havida no quadro acima, demonstre a falta de conhecimento de todos os atores sobre a geração dos projetos de extensão. O gestor, bem como os professores (P1, P2, P4 e P5) apontam que a geração dos projetos concentra-se nos professores que atendem a editais via de regra ofertados pelo Governo (expressão utilizada em sentido amplo, nas esferas federal e estadual). A maciça geração dos programas de extensão em atenção a editais do governo, demonstra a falta de financiamento da Instituição para tal prática, o que será examinado nos quadros resultantes das questões 7, 10 e 11. Não foi observado nas respostas alguma participação dos alunos na geração dos projetos, sendo estes utilizados como mão de obra, ao tomarem conhecimento por meio de editais para a concessão de bolsas de extensão. 70 Somente no discurso do gestor é que constou ainda que de forma superficial a preocupação da relação da extensão com o ensino e a pesquisa. O P1 mencionou que a geração dos programas decorre da análise conjunta entre o Colegiado e a Direção da Instituição, procurando atender algumas das necessidades de determinada comunidade. Todavia não menciona como tais comunidades seriam selecionadas, ou os critérios para se determinar quais das necessidades serão atendidas. Percebe-se em tal discurso o conhecimento sobre a legislação atinente a extensão universitária, todavia destoa dos demais atores, inclusive do gestor. Houve ainda a menção do P4 a projetos que não receberam apoio financeiros e que “desenvolveram-se com a força e entusiasmo do corpo docente”. Todavia no discurso dos demais Atores tal forma de geração de projeto não foi observada, o que demonstra que deve em algum momento pretérito ter ocorrido na Instituição, mas que tal forma entusiasta de extensão não é mais praticada. Foram em seguida questionados sobre a origem da demanda pelas ações extensionistas, se a sociedade quem solicita e a Instituição atende, ou a Instituição oferece o que produz à sociedade. Quadro 11 – Demanda ações extensionistas - FAFIUV Gestor Predomina aquilo que é produzido na faculdade e que se quer levar para a sociedade. Professor P3 Os projetos são atrelados a exigência de elaboração de projetos para complementação de carga horária dos professores efetivados com padrão de T 40 e Tide. Atendemos a políticas, na verdade a demanda, ela parte da FAFI, da IES para a sociedade. Buscam complementar o que não conseguimos ensinar ou mostrar em sala de aula. P4 Hoje na FAFI acredito que ambos. P1 P2 P5 Visam atender uma demanda da sociedade, por meio de práticas acadêmicas. É direcionado à comunidade, tanto acadêmica como a comunidade geral da Alunos A1 população da cidade. Para oferecer os dois, uma demanda da faculdade, da universidade e na A2 sociedade também. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor defende ainda sobre a geração dos programas de extensão que a Universidade produz na pesquisa, o que a sociedade quer produzir. Mas quando a extensão atua, ela deve levantar a demanda da sociedade e, inclusive, orientar ou induzir pesquisas, pra que tenha uma, um resultado maior. Tal discurso traz a premissa de que a Universidade está em sintonia com a Sociedade, o que não 71 reflete a realidade, uma vez que um dos Paradigmas da Universidade é a integração com a Sociedade. O P4 atribui a geração dos programas tanto a demanda da sociedade na forma de “empresas e Instituições públicas que se remetem diretamente a FAFI solicitando a solução pontual de problemas que enfrentam”, quanto a inserção das pesquisas de acadêmicos e professores na sociedade. O P5 entende que a demanda provem somente da sociedade, sem todavia explicar como isso ocorre. Os professores por sua vez trouxeram a questão dois outros enfoques. O P1 elencou a necessidade da oferta de projetos de extensão para a complementação da carga horária no regime TIDE. O P2 atribui a sua experiência profissional na Educação Básica a demanda para a geração dos projetos de extensão que atua. Os alunos não demonstram conhecimento sobre a origem da demanda, o que coaduna com o anteriormente escrito de que os alunos não são ouvidos no processo de geração dos programas de extensão. A extensão ainda mostra-se na região estudada como atividade difícil de ser enquadrada na comunidade acadêmica, tal dificuldade é refletida ainda na ausência de mecanismos de controle e avaliação, como demonstra o quadro abaixo: Quadro 12 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão- FAFIUV Gestor Não tá institucionalizado ainda um mecanismo de avaliação. Professor Alunos P1 Os projetos tem aval e acompanhamento dos respectivos colegiados e quando registrados nos órgão institucionais competentes, por estes. P2 São via publicações que nós fazemos. P3 P4 Desconheço. Quando o projeto esta vinculado a setores como o COPERTIDE e o COEP, existem mecanismos de avaliação. P5 Ocorre por meio da Coordenação de Extensão Universitária. A1 Eu sei que existem, mas não sei quais são eles. A2 Sim, são através de relatórios. Fonte: dados da pesquisa (2013). A FAFIUV não possui mecanismos institucionais de avaliação da extensão. O Gestor destaca que os projetos propostos são realizados, mas não cita formas de acompanhamento ou avaliação. O professor P2 destaca como forma de avaliação as publicações que dão visibilidade ao projeto e os relatórios. Os relatórios mencionados pelos P2, A1 referem-se aos relatórios exigidos pelos órgãos de fomento, mencionados nas 72 respostas a questão sobre a forma de geração dos projetos de extensão. As publicações não são entendidas pelo Fórum dos Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras como forma de avaliação, mas de divulgação de resultados. O professor P1 atribui aos colegiados, sem mencionar a forma, e aos órgãos institucionais competentes, sem citar quais são, a avaliação dos projetos de extensão. O professor P1 entende ainda que a comunidade acadêmica ao acompanhar as atividades desenvolvidas exerce papel de avaliação. O professor P4 menciona a COPERTIDE, COEP e a CIPIC como setores responsáveis pela avaliação dos projetos que neles tramitam. Entretanto ao verificar as atribuições de tais órgãos junto ao Regimento Interno da Instituição e Regulamentos dos órgãos citados, não consta dentre as atribuições a avaliação dos projetos de extensão desenvolvidos. A ausência de mecanismos institucionais para avaliação Extensão, confirma o papel secundário que esta tem para a Instituição, deixando inclusive de ser considerada na avaliação e títulos nos concursos e testes seletivos para ingresso dos Professores. A fim de complementar a analise da prática da extensão, perguntou-se aos atores sobre as condições na Instituição para a realização da extensão. Quadro 13 – Condições para realização da extensão - FAFIUV Gestor Condições são precárias. Os projetos que acontecem geralmente não demandam de estrutura da instituição, Professor P1 São muitas vezes deficitárias, pois faltam condições estruturais. P2 São condições muito difíceis, difíceis mesmo. P3 Falta um pouco de estrutura organizacional para as coisas acontecerem. No aspecto físico ainda há muito a ser conquistado, espaço físico, equipamentos, transporte, .... Temos condições de realizar os projetos de extensão, embora, nossa infraestrutura seja precária. São boas. Normalmente, toda a estrutura que, no caso, o coral precisa, ele tem. P4 P5 Alunos A1 A2 Ah, foram interessantes, principalmente para recém-formados. Fonte: dados da pesquisa (2013). Há uma unidade dos discursos do gestor e dos professores, todos afirmam que as condições são precárias, tanto pela falta de estrutura física quanto de bolsas 73 de extensão. O gestor entende ser este um problema no país todo e não somente na Instituição. Um professor elenca ainda entre as dificuldades a sobrecarga de trabalho (P2) por ter de além de coordenar o projeto de extensão, tem de fazer pesquisa, publicar, dar aulas. A sobrecarga na extensão decorre do fato de não contar dentro do quadro de horas de trabalho. Este professor diz que prática a extensão por idealismo. O professor P4 embora corrobore com o entendimento de que o déficit de estrutura entende que o “potencial humano, inegavelmente rompe e transpassa as dificuldades em nome de cumprir com essa função social”. Os alunos entrevistados por participarem de projetos organizados e estruturados entendem ser boas as condições para a prática da extensão na Instituição, embora da mesma forma que reconheçam o déficit da estrutura física. A fim de melhor compreender as dificuldades relatadas, os entrevistados foram arguidos sobre os recursos financeiros para as ações extensionistas, conforme quadro abaixo. Quadro 14 – Recursos financeiros para extensão - FAFIUV Gestor Professor Os únicos recursos financeiros pra extensão, eles são aqueles provenientes, até o momento do governo do estado por meio do programa Universidade sem Fronteiras. Em sua maioria, do Estado, via SETI, mas ainda existem projetos na P1 Instituição que não recebem subvenção alguma. Não são suficientes, eles vêm das mantenedoras, do Universidade Sem P2 Fronteira e da CAPES. P3 P4 P5 Alunos A1 Sem resposta. As necessidades financeiras de desenvolvimento dos projetos (Fundação Araucária) são adequadas aos recursos financeiros que são disponibilizados pelo edital correspondente. Os recursos não foram suficientes para o desenvolvimento das atividades. Provêm de fontes governamentais, através dos projetos e até mesmo por parte do Instituto. Vem do governo estadual, mas não foram suficientes. A2 Fonte: dados da pesquisa (2013). No quadro resta comprovado que a demanda de recursos financeiros é superior a disponibilidade destes. Verifica-se ainda que a Instituição não dispõe de meios próprios de financiamento, depende de editais do Universidade sem Fronteiras, SETI, Fundação Araucária. 74 O gestor relata que os únicos recursos financeiros pra extensão, provem do Governo do Estado, por meio dos editais do Programa Universidade sem Fronteiras. Relata que atualmente tais recursos são escassos, que no governo anterior eram significativos. O P2, na mesma direção do gestor é incisivo em alegar que os recursos financeiros não são suficientes, relata ainda que o projeto que desenvolve demanda muito material de expediente, papelaria, e que as escolas que seriam as destinatárias do projeto, têm que ser parceiras, na doação de materiais. Detalha ainda que o projeto Universidade sem Fronteiras, na preocupação da transparência dos gastos é “engessado”, o que dificulta as compras. O professor P4 no mesmo sentido relata que existem recursos nos editais e que são suficientes para o desenvolvimento dos projetos, todavia cita a burocracia como fator impeditivo para que o recurso chegue a tempo do cronograma previsto e que seja usado adequadamente, chegando por vezes a perder o recurso por não haver tempo hábil de adquirir o previsto no cronograma físico financeiro. O P5 foi enfático ao mencionar que os recursos não foram suficientes para o desenvolvimento das atividades propostas. O P1 relata que existem projetos na Instituição que não recebem subvenção alguma, o que demonstra a falta de recursos. Quadro 15 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - FAFIUV Gestor Há confusão, muitas vezes essas dimensões elas são tratadas de forma indistinta. Professor P1 P2 P3 P4 P5 Alunos Nossa Instituição é por essência voltada para o ensino, pois temos apenas cursos de licenciaturas. Têm uma inter-relação muito forte, porque a extensão ela não funciona sem o ensino e a pesquisa e vice-versa. Os cursos da FAFIUV são de licenciatura e não consta na carga horária tempo para a pesquisa. É necessário rever a carga horária para cada objetivo. Vem caminhando a passos largos. São atividades interdependentes e complementares que atuam de forma sistêmica. A1 Não sei. Os alunos souberam se envolver a campo e trazer pra, novamente pra dentro A2 dos laboratórios e desenvolver a pesquisa. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor relata que na Instituição há “confusão” entre as três dimensões (ensino, pesquisa e extensão), relata que se faz pesquisa e ensino em um projeto de 75 extensão, sem haver a diferenciação de cada um. Entende o ator ser um problema a ausência de tal diferenciação ante a ausência de resultados específicos de cada dimensão. Entende que as três dimensões deveriam atuar conjuntamente, todavia cada uma no seu campo, sem haver “mistura”: “[...] às vezes, projeto de extensão que visa, diz que é projeto de extensão, mas vai lá e vai dar um curso. Ou às vezes um projeto de pesquisa que cadastram como extensão pra conseguir algum, verba de algum edital, mas que a gente sabe que vai fazer pesquisa e acaba não tendo essa, esse retorno social.” Entre os professores, duas posições destacam-se, uma que entende que a Instituição por ser Faculdade e possuir somente cursos de licenciatura é voltada para o ensino, portanto não há estrutura para a realização de pesquisas mais direcionadas. Com relação a relação entre ensino e extensão o professor(P1) entende que é um pouco mais próxima e ocorre efetivamente. O professor P2 por sua vez entende que a separação deve ocorrer somente para a melhor compreensão das três áreas dentro da instituição. Todavia ocorre uma inter-relação muito forte, por uma dimensão não “funcionar” sem a outra. A postura deste último ator confirma a do gestor em que a separação entre as dimensões não ocorrer na faculdade, todavia enfrentam tal situação sob perspectiva diversa, o primeiro entendendo que isso deve ser corrigido para que ocorra um desenvolvimento das dimensões. Já o segundo não entendendo ser possível o desenvolvimento de uma dimensão sem a outra. O professor P5 cita que as atividades são interdependentes e complementares, sem todavia explicar como isso efetivamente ocorre na IES. O conteúdo do quadro abaixo representa o entendimento sobre o significado das ações extensionistas para os atores. 76 Quadro 16 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária FAFIUV Gestor Um projeto na área dos diálogos culturais que visava a fazer um levantamento histórico e discutir a cidadania dos catadores de, de lixos recicláveis. Professor Alunos P1 As que estão ligadas a cultura e ao ensino. P2 P3 Os eventos de cunho científico. Semanas de Cursos, Semana da Cultura e os Projetos: Observatório, PIBID e Universidade sem Fronteiras. P4 Mamãe Universitária e Faculdade na Terceira Idade, Coral Universitário. P5 Ações por meio de curso de curta e longa duração, semanas acadêmicas. A1 Auxílio nas escolas. A2 Através do ensino, da parte prática e teórica. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor exemplificou um projeto, por entender que ele: “atendia bem o que se espera de uma extensão, porque ele não ia levar assistencialismo, mas ele visava emancipar aqueles sujeitos a partir de um trabalho que resgatava a sua cidadania”. Citou outros projetos que tiveram destaque dentro da Instituição, mencionando os objetivos de cada um. Mencionou ainda que entende por sentido de extensão os projetos que: “visavam levar conhecimento, atendendo uma demanda social e melhorando a condição do atendimento por melhorar os agentes de atendimento e que depois que os projetos saíram a coisa não acabou, mas aquilo surtiu um movimento inicial que ficou na sociedade, eu acredito que ali sim se cumpriu a extensão universitária”. Os professores entrevistados citaram de forma geral tópicos que são importantes para a comunidade acadêmica e não ações ou projetos extensionistas. Entretanto verifica-se que confundem projetos extensionistas com pesquisa ou mesmo atividades de ensino. Os alunos demonstraram não possuir a compreensão do que são projetos de extensão, limitam-se a participar das ações praticadas pelos projetos que atuam. Ainda com o intuito de traçar o panorama da prática da extensão na Instituição, os atores foram questionados sobre a existência de parceiros para a prática da extensão. 77 Quadro 17 – Parceiros atuais na extensão - FAFIUV Gestor Só o governo do Estado. Professor P1 P2 P3 Alunos Em determinadas ocasiões sim. As instituições públicas: prefeitura de União da Vitória, Porto União e o Estado do Paraná. P4 Sim Convênios com empresas particulares, Instituições de Ensino Superior Parceiras da FAFIUV no Programa Universidade Sem Fronteiras. P5 Fundação Araucária, empresa Tecnofrio, Pesquisadores da UEPG. A1 O instituto que pertence à Faculdade. Tivemos por exemplo, um pessoal que ofereceu pra nós um equipamento de A2 resfriamento de leite, uma melhoria, fez uma doação pra universidade. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor novamente destacou a importância do governo do Estado como parceiro, ao lançar editais para a concessão de bolsas de extensão e financiamento para aquisição de equipamentos e materiais. Lamentou a ausência de apoio das empresas da cidade, seja como fonte financiadora seja como investidora em ações. Os professores por estarem diretamente envolvidos com os projetos sinalizaram outras parcerias existentes. Todavia verificou-se que tais parcerias foram restritas a projetos específicos, não sendo formalizadas ou institucionalizadas. O P2 destacou o apoio das Prefeituras e Estado enquanto mantenedoras das escolas que foram utilizadas como campo aos projetos. O P4 destacou as outras IEES da Cidade como parceiros, por terem cedido mão de obra para o desenvolvimento do projeto e o P5 uma empresa que contribuiu com doação para o projeto e pesquisadores de outra IES pública do Estado. Um dos alunos citou o IEPS, Instituto sem fins lucrativos, voltado para o desenvolvimento da FAFIUV. Todavia deve-se considerar o fato de o IEPS não ter sido citado pelo gestor. Pelo que se compreende que a parceria havida é pontual no projeto do qual o ator participou. O outro aluno A2, mencionou como parceiro uma ação de doação de um bem para o projeto, o que remete a conclusão que o projeto recebeu ajuda da comunidade, todavia além da fonte financiadora que no caso foi Universidade sem Fronteira, não havia outro parceiro. Na sequencia foi questionado no campo da hipótese quais seriam os melhores parceiros para o desenvolvimento da extensão. Isso com o intuito de que os Atores considerassem que com as parcerias os projetos/programas de extensão pudessem ser satisfatoriamente desenvolvidos. 78 Quadro 18 – Melhores parceiros para a extensão - FAFIUV Gestor Professor Os grandes parceiros das grandes universidades geralmente são as indústrias, as empresas. Prefeituras da região, algumas empresas, o próprio Estado do Paraná e suas P1 respectivas Secretarias. P2 As empresas poderiam participar melhor dessa parceria. P3 Fundações e Institutos. As empresas locais e entidades como CNPq, CAPES. P4 P5 Alunos Empresas Privadas ou Governamentais e parcerias com outras IES. A1 A prefeitura, órgãos governamentais. Se for uma universidade estadual, governo estadual; a própria instituição, A2 empresas e a própria sociedade. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor lamenta o fato de a Instituição somente possuir cursos de licenciatura e isso não despertar interesses nas empresas locais para parcerias. Menciona a necessidade de os cursos ofertados pela Instituição acarretarem desenvolvimento social e econômico, e desta forma os ex-alunos após inseridos no mercado de trabalho, trariam as empresas e escolas como parceiros. Reconhece o gestor que há muito que se fazer para conseguir tal objetivo. Os professores uníssonos citam as empresas como parceiros ideais. Ao serem questionados sobre o que esperam para o futuro da extensão universitária os Atores esperam que se desenvolva, sem entretanto apresentarem o modo com que isto deverá ocorrer, ou quais ações seriam executadas para tanto. Quadro 19 – Futuro para extensão universitária Gestor Professor Alunos As ações extensionistas vão aos poucos passando de ações voluntaristas e assistencialistas pra realmente ações de transformações e desenvolvimento da sociedade. Acredita-se na afirmação de muitas iniciativas ligadas à extensão. P1 A extensão está cada vez mais se transformando e se consolidando dentro do P2 espaço universitário. P3 Tende a melhorar. P4 Se tudo continuar neste caminho muito mais atuante. P5 Muito promissor com o trabalho que vem sendo realizado na IES. Muito a longo prazo, porque ainda a população não tem essa, a ideia do que seja a extensão universitária e não existe muita procura. A1 A2 Precisava mais incentivo, principalmente das universidades. Fonte: dados da pesquisa (2013). 79 O gestor menciona que várias universidades foram criadas recentemente pelo governo federal, que tais universidades devem atender a uma demanda social de determinadas regiões, por este motivo já “são vocacionadas pra extensão”. Aponta ainda os editais, recém-lançados pelo Ministério da Cultura, os quais exigem comprovação de que a Universidade está cumprindo seu papel de integrar a extensão da pesquisa e do ensino. A partir desse panorama conclui que: “daqui pra frente, vai ser necessário comprovar ações extensionistas de qualidade”. Diante disso aposta que tendência é que se avance para um conceito de extensão, na qual as ações extensionistas vão aos poucos passando de ações voluntaristas e assistencialistas para ações de transformações e desenvolvimento da sociedade. O professor P2 possui 25 anos de Ensino Superior e comenta que só recentemente teve a oportunidade de oferecer projetos de extensão universitária, por ter durante muito tempo ficado esquecida. Vê com bons olhos a consolidação da extensão universitária, citando que o projeto PIBID recentemente, foi incluído na LDB como uma das formas de formação docente. Os professores P1, P4 e aluno 2, entende, que a extensão deve ser mais atuante, precisando para isto de mais incentivo. Um dos alunos menciona que a extensão deve se desenvolver a longo prazo, devido a sociedade não ter a ideia do que seja, e não procurar pelo projeto. Tal discurso deve ser interpretado restritivamente, uma vez que o conhecimento do aluno, conforme já demonstrado nas respostas anteriores, é adstrito ao projeto que atua. Por fim os atores foram questionados sobre a contribuição da extensão para o desenvolvimento regional. Isso com o intuito de saber o que praticamente pode ser melhorado na Comunidade abrangida pelas ações extensionistas. Quadro 20 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - FAFIUV Gestor Professor Sem resposta. P2 Os participates, academicos e comunidade em geral tem oportuidade de entra em conto com a linguagem musical, além de praticar a teoria musical, estudos dos hinos e diversas canções e obras nacionais e universais, melhorando sua apreensão de mundo, bem como promovendo novas formas de saber e conviver em sociedade. Então, a, eu diria que as bolsas, elas são inseridas no ciclo produtivo e de consumo na economia da nossa região, uma vez que a nossa região é tida como a região da fome, então oferecer bolsas de estudo para os nossos acadêmicos é também um ganho econômico. P3 Sem resposta. P1 80 De forma numérica acredito que com o Apoio as Licenciaturas, até mesmo pela estrutura de cursos mantidos pela Instituição. Aumento da renda familiar dos produtores de leite e a melhora na qualidade do P5 leite produzido nas propriedades em função das orientações fornecidas. Aperfeiçoamento de professores os alunos têm uma visão diferente, eles Alunos A1 aprendem a prática do que somente a teoria dentro de sala de aula. Nós levamos ao conhecimento do pessoal uma comparação das análises que o A2 pessoal não tinha em mãos nem um tipo de comparação de análises. Fonte: dados da pesquisa (2013). P4 O professor P2 comentou vários casos de alunos bolsistas que com o valor recebido adquiriram importantes bens de uso profissional que influem diretamente em sua qualidade de vida. Entende que a injeção dos recursos das bolsas de extensão no ciclo produtivo e de consumo da região acarreta o ganho econômico que contribui para o desenvolvimento regional, além da oportunidade de trabalho gerada. O professor P1 aponta no desenvolvimento cultural que segundo o discurso abaixo promove novas formas de saber e conviver em sociedade. ”[...] pelo seu espírito inovador e sua abrangência artística e cultural transcende o ambiente acadêmico e chega até a comunidade visando a inter-relação e trocas de experiência com a mesma, assim como atende as perspectivas do ensino superior que além da pesquisa e ensino, visa a extensão”. O professor P5 destaca que seu projeto beneficiou diretamente os produtores de leite das propriedades que atuaram com o aumento da renda. Não obstante tenha ocorrido no caso acima desenvolvimentos econômicos das propriedades alvos do projeto faltam elementos para se concluir que isto contribui para o desenvolvimento regional. 5.2 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UNIUV Há o consenso que a extensão universitária deve envolver a comunidade, entretanto a forma e o alcance com que isto será atingido, não resta claro. Nas entrevistas os atores ao serem questionados sobre o que entendem por extensão assim demonstraram. 81 Quadro 21 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UNIUV Gestor É a participação social da universidade Professor P1 Forma de continuidade, de oportunidade, ou simplesmente de levar à comunidade. P2 O que aproxima, é o que faz aproximar a sociedade da universidade. Uma complementação do conhecimento que o acadêmico tem oportunidade de aplicar, lá fora. P3 Vem aprimorar o conhecimento já adquirido em sala de aula do aluno para a P4 sociedade. Levar a gama de conhecimentos abordados pelos cursos de ensino superior P5 para a comunidade. Onde os integrantes da IES aplicam seus conhecimentos para melhoria da Alunos A1 sociedade. Contribuição para com a sociedade, realizada por meio de Instituição de A2 Ensino Superior. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor da extensão entende que a extensão é a Universidade cumprindo uma função social, o que muito aproxima da visão de extensão do modelo europeu. Os professores, embora concordem com o viés social, abordaram ainda a temática de a extensão servir como complementação dos estudos em sala de aula, o que mostra a preocupação com o aluno. O P3 mencionou como uma das funções da Universidade é: “[...] influenciar no meio em que ela tá inserida e uma das formas de realizar isso é pela extensão”. O P1 elencou ainda a possibilidade de: “levar à comunidade, que não faz parte da, do mundo acadêmico, a chance de ter contato com o Ensino Superior”. No mesmo sentido o P2 menciona que: “[...] são ações que a universidade tem mais diretamente dentro da sociedade”. O P5 preocupou-se em destacar que os conhecimentos levados a sociedade por meio da extensão devem ser úteis a esta. A fim de completar o conceito da extensão os atores foram perguntados sobre a função que a extensão cumpre na sociedade. 82 Quadro 22 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade - UNIUV Gestor Interação universidade comunidade passando e recebendo conhecimentos e práticas. Professor P1 P2 P3 P5 Forma da universidade dar resposta para a sociedade. Levar conhecimento em áreas específicas para a sociedade, visando mudança. Levar para comunidade saúde e qualidade de vida por meio de práticas esportivas e atividades físicas. A1 Beneficiar a sociedade com o que é produzido na Instituição. P4 Alunos Função social, que é de promover o conhecimento, de estimular a pesquisa. Levar muito do conhecimento que é produzido dentro da universidade pra sociedade e ajudando de alguma forma. A2 Sociedade se beneficia com serviços de qualidade e alto nível sem custos. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor ressalta o conceito de ser a extensão uma “via de mão dupla” com a comunidade. Os professores ressaltam a ideia de a extensão promover o desenvolvimento social da comunidade. Os professores P1, P3 e P4, ressaltaram a função social da universidade em “dar uma resposta à comunidade” e com isso possibilitar uma “mudança de qualidade de vida” (P4). O professor P2 justifica para tanto que a extensão deve encontrar uma função pra todo conhecimento que é produzido dentro da universidade. Entretanto o entendimento de tal professor de que todo conhecimento é final e deve ser útil a comunidade mostra-se limitado por não compreender as matérias propedêuticas, utilizadas como base para as demais. Os atores mencionam reiteradamente que a extensão deve atender uma finalidade social. Ao se analisar as respostas para a forma de geração dos programas de extensão na Instituição verifica-se que por vezes há uma confusão entre o conceito de finalidade social e demandas oriundas da sociedade. Quadro 23 – Geração dos programas de extensão – UNIUV Gestor Reuniões dos coordenadores de cursos, professores, acadêmicos e comunidade. Professor P1 P2 Alunos Todo o professor é livre pra oferecer o curso de extensão, desde que submeta a um projeto. P3 Surgem da necessidade dos alunos. Pela necessidade de cada curso, porque hoje a matriz curricular, tem que inserir, uma parte além do estágio obrigatório. P4 Desconheço. P5 Submissão de projetos propostos por professores da IES. A1 Desconheço. A2 Instituição possui informações sobre carências da comunidade e busca suprir. Fonte: dados da pesquisa (2013). 83 O gestor destaca o processo democrático na elaboração dos programas, com a participação dos professores, coordenadores de curso, alunos e comunidade. Os professores P1 e P5, relataram que se faz necessário a elaboração de um projeto. O P2 menciona a necessidade dos alunos e da comunidade citando exemplo de um curso de extensão de informática ofertado a comunidade de um bairro específico, no qual uma equipe que lá realizava trabalho voluntário constatou a necessidade e levou a demanda à UNIUV. Um dos alunos A2, relatou que a Instituição atende a demandas sociais. Após análise das respostas, não se constata a preocupação da “resposta a sociedade”, quando da geração dos programas de extensão. Mas sim uma resposta a pedidos específicos de membros da comunidade. Quadro 24 – Demandas das ações extensionistas - UNIUV Gestor Professor Mão dupla, nós fizemos um projeto: dialogando com a UNIUV em que colocamos a disposição cursos, palestras e oficinas. Atendem uma demanda que a sociedade precisa, também oferecem parte dos P1 conteúdos que nós produzimos na graduação. A demanda da sociedade só é suprida quando é por alguma coisa que é P2 produzida aqui dentro. P3 As duas formas, as duas vias são válidas. P4 Visa atender a uma demanda da sociedade. Projetos de alguns cursos atendem a demanda, e outros oferecem o que é produzido pela IES. P5 Alunos A1 A sociedade tem a demanda a universidade faz o curso. Visou atender uma demanda da sociedade e também, foi algo produzido na A2 universidade para a sociedade. Fonte: dados da pesquisa (2013). No quadro acima, nota-se a unanimidade das respostas tanto dos professores quanto alunos, no concernente de a geração dos programas de extensão atender uma demanda da sociedade. O gestor complementa afirmando que alguns projetos surgem dentro da Instituição e são levados a comunidade. Nota-se ainda a intenção de um dos professores (P1) de unir os cursos de extensão ofertados a comunidade externa com disciplinas curriculares da graduação. “... também oferecem parte dos conteúdos que nós produzimos na graduação. Então, às vezes, algumas aulas acabam sendo comuns, né?!,como produção de imagens fotográficas, as mesmas técnicas de ensino da graduação em, em muitos casos, eu aplico na extensão e, porque os públicos, apesar de serem distintos, muitas vezes são parecidos em sua faixa etária, né?!, enfim, culturalmente muito parecidos, né?!...” 84 Tal prática certamente aproxima a comunidade externa dos alunos da graduação, entretanto não há previsão nos regulamentos da Instituição de tal possibilidade, o que pode caracterizar uma irregularidade do ator. Mesmo com todos os atores conhecendo a forma de geração dos programas de extensão, e esta se dar marcadamente com a demanda da sociedade o quadro abaixo demonstra que não há na Instituição mecanismos formais de avaliação destes. Quadro 25 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão - UNIUV Gestor O serviço de atendimento ao acadêmico traz informações sobre o grau de satisfação dos alunos. Professor Alunos P1 Um sistema de avaliação eu não sei te dizer. P2 A avaliação é uma coisa que a gente não faz. P3 Até agora eu não vejo assim nenhuma forma de avaliação. P4 É feito um, um questionário no final do curso pra saber da satisfação do aluno. P5 Não existem. A1 Pelos professores. Os trabalhos realizados pelos acadêmicos passam pela avaliação dos A2 professores. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor relata que o serviço de atendimento ao acadêmico avalia o grau de satisfação dos alunos com relação aos cursos que frequentam, todavia não mencionou mesmo após ser questionada a forma como ocorre. O professor P1 menciona que ele aplica uma pesquisa superficial sobre o que poderia ser melhorado nos cursos que ministra. O professor P2 menciona que como sendo uma espécie de avaliação, a demanda continuada pelos projetos ofertados: “[...] porque ele funciona há muito tempo e sempre tem uma rotatividade de pessoas que fazem o curso e daí vem alguém da família, ou tem alguns que querem ficar mais tempo fazendo [...]”. O professor P3 relata que a avaliação se da pelos resultados dos projetos, sem mencionar quais resultados seriam estes, ou uma forma com que tal avaliação ocorre. As respostas demonstram que embora presentes as ações extensionistas são pouco sistematizadas, sem mecanismos de avaliação dos resultados e verificação do cumprimento dos objetivos. Quanto as condições para realização das atividades, os atores confirmam que a Instituição as apoia. 85 Quadro 26 – Condições para realização da extensão - UNIUV Gestor Há incentivo, boa vontade dos colegiados, os acadêmicos trabalharem durante o dia é obstáculo, bem como o número restrito de assessores. Professor P1 P2 P3 Alunos Eu acho que as condições são totalmente, plenamente aceitáveis. Há dificuldade de pessoal, por ser uma instituição pública, mas sempre é, o apoio é irrestrito assim. P4 A UNIUV ela dá total apoio. Ótimas, na parte física, e na parte gestão do compromisso da UNIUV também muito boa. P5 Boas, pois tem uma ótima estrutura física e profissional. A1 Boas. A2 Condições suficientes para aplicar e executar um serviço para a sociedade. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor aponta como obstáculo à realização da extensão, o fato dos alunos da Instituição em sua grande maioria trabalharem durante o dia, período no qual concentram-se as ações da Instituição. Menciona ainda a diminuta equipe técnica disponível para a realização das atividades. Os professores, são uníssonos ao avaliar que as condições são boas, e que a Instituição apoia as práticas, ao disponibilizar as instalações. O professor P2 citou ainda que a Instituição quando solicitada disponibiliza também recursos financeiros, mas menciona a ausência de pessoal para realização das atividades. As respostas compiladas no quadro abaixo demonstram que a Instituição realmente fornece apoio financeiro para a prática da extensão. Quadro 27 – Recursos financeiros para extensão - UNIUV Gestor Vem das parcerias mas na maioria dos casos é a UNIUV que banca. Professor P1 P2 P3 Alunos São suficientes. E a própria instituição que atende. Aqui na UNIUV, pra tudo que a gente utiliza são recursos das mensalidades dos alunos. P4 São todos recursos da própria UNIUV. Meus cursos tinham mensalidade. Então, é o próprio aluno que da esse recurso financeiro pra manter o curso. P5 Da própria IES e são suficientes. A1 A UNIUV é quem patrocina. A2 Da pessoa ou grupo responsável pelo projeto. Fonte: dados da pesquisa (2013). Resta demonstrado com a unicidade das respostas que os recursos para a prática da extensão provem das mensalidades cobradas pela Instituição. Somente o 86 professor P3 menciona a existência de uma empresa local como parceira e financiadora. O conjunto das respostas destoam do percebido nas demais instituições nas quais os recursos financeiros sempre são escassos. Entretanto o apoio institucional para a prática da extensão não garante a sistematização das ações, as quais dependem da vontade dos professores envolvidos diretamente e alunos para ser realizada, como demonstra o quadro anterior aos atores mencionarem como um dos problemas à realização da extensão a falta de pessoal. O apoio institucional também não se mostra resolutivo a promover a integração com o ensino e a pesquisa. A ausência de integração também se justifica pelo fato de em grande parte as ações extensionistas darem-se por meio de cursos sendo estes motivados por demandas externas, conforme se verifica no quadro abaixo. Quadro 28 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - UNIUV Gestor Em geral estão integrados por partirem dos colegiados de curso e de suas atividades. Professor Alunos P1 Acho que deveria ser mais intenso. P2 A ligação, na verdade é bem direta. P3 Eu acho que ela complementa. P4 Desconheço. P5 Para cada projeto de extensão existe uma pesquisa que é realizada. A1 Não sei. Para a execução do projeto é necessário um conhecimento prévio sobre o A2 tema. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor entende que a há a integração, por os projetos serem ofertados por professores integrantes dos colegiados de curso. Entretanto o professor P1 relata a intenção: “... intenção de se criar futuros grupos de pesquisa na medida em que a instituição avança na busca pelo status de universidade...”. O P5 menciona que cada projeto de extensão possui itens de pesquisa realizados por acadêmicos orientados por professores. O aluno A1 não demonstra conhecimento sobre a forma com a qual se da a possível integração entre a extensão com o ensino e a pesquisa. O A2 menciona que para a execução da prática extensionista faz-se necessário um conhecimento prévio sobre a temática abordada. As respostas não deixam claro que ocorre a integração entre ensino e a extensão, mas sim talvez que possa ocorrer por vontade do próprio aluno. 87 Mesmo sem a integração com o ensino e s pesquisa, a extensão é apoiada e realizada pela Instituição, os atores foram questionados sobre as ações que melhor representam a extensão na UNIUV e relataram os cursos. Quadro 29 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária UNIUV Gestor Talvez seja a inclusão digital em parceria com o município de porto União e a realizada na Pormade. Eu acho que as ações, apesar de ainda serem muito individuais, conseguem, Professor P1 fomentar um pouco esse interesse da comunidade pela instituição. P2 Essas da informática e da Educação Física. P3 O que mais acontece aqui são cursos. P4 Fomentar essa, essa busca por novos cursos. Curso de educação física, musculação para terceira idade, para alunos do P5 ensino médio publico, para funcionários da Pormade, da UNIUV e do Coltec. Alunos A1 Oferecer os cursos para a sociedade. A2 O ato de IES buscar e retribuir a sociedade. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor citou um curso especificamente o qual possui parceria com a prefeitura do Município de Porto União e uma empresa da cidade. Tal empresa havia sido a única mencionada anteriormente por um professor como parceira e financiadora da extensão. O fato de o gestor mencionar justamente tal curso dentre os demais, reflete o desejo de maior integração com as empresas locais. O professor P3 destacou além dos cursos ofertados a integração com os trabalhos de conclusão de curso, através do desenvolvimento de softwares. Os atores foram em seguida questionados especificamente sobre a existência atual de parceiros para as ações extensionistas. Quadro 30 – Parceiros atuais na extensão - UNIUV Gestor A FAFI, Pormade, Prefeitura de Porto União, prefeitura de União da Vitoria, Colégios e Diocese. Sei que existe uma política de abertura da instituição com outras Professor P1 organizações. P2 Não tem muitos parceiros, a gente geralmente é com recursos próprios. Uma empresa aqui da região que necessitou, colocar dentro do projeto social P3 dela. P4 Desconheço. P5 Sim. Alunos A1 Os alunos que trabalham nos projetos. Os acadêmicos possuem experiência e já estão no mercado de trabalho, A2 podem ser grandes parceiros. Fonte: dados da pesquisa (2013). 88 O gestor destacou dentre os parceiros da instituição as prefeituras, Colégios e uma empresa da cidade. Cumpre reiterar que por ser a UNIUV uma IES Municipal de Ensino a Prefeitura é um parceiro natural. Os alunos ouvidos desconhecem a existência de parcerias, o que reflete a realidade dos projetos nos quais atuam. Os professores P1, P4 e P5 relataram saber da possibilidade de parcerias, todavia que em seus projetos não há. Os professores P2 e P3 citaram a Prefeitura como atual parceiro. A conjugação das respostas fornecidas para a presente questão cotejadas com as fornecidas para a questão referente ao financiamento reflete a realidade de que a fonte de financiamento da UNIUV é a própria instituição que os parceiros embora existam são casos isolados. A fim de melhor entender qual seria a forma ideal de parceria aos atores da instituição, foi questionado quais seriam os melhores parceiros para a prática da extensão, a resposta predominante foi que seriam as empresas. Quadro 31 – Melhores parceiros para a extensão - UNIUV Gestor Órgãos do governo, com planos e verbas, associação de bairro, Cras, empresas maiores. Professor P1 P2 P3 P4 Alunos Eu acho que a iniciativa privada seria um grande parceiro das extensões. As empresas porque muitas empresas, tem interesse em depois contratar profissionais formados aqui. Acho que não tem melhor ou pior, parceiros tem que se discutir a forma e tal de trabalho. Os próprios professores de dentro da instituição e também a própria sociedade, empresas na sociedade. P5 Empresas privadas e Prefeitura. A1 As empresas da cidade. A2 Pessoas ou entidades que já possuem conhecimento na área envolvida. Fonte: dados da pesquisa (2013). Os professores P1, P2, P4 e P5 relataram que as empresas da cidade seriam os parceiros ideais. O P3 e menciona não existirem parceiros melhores ou piores, todos são bons desde que exista justificativa pedagógica para a parceria. O P4 complementa a resposta citando que os professores da Instituição seriam bons parceiros. O entendimento de que as empresas sejam bons parceiros, parte do pressuposto de que a Instituição forma mão de obra e no entendimento do professor P2: “...também poderia atuar mais nisso, pra ajudar a formar o tipo de profissional 89 que eles querem...”. A falta de sistematização da extensão, dependendo do apoio pessoal de alguns professores, já demonstrada na questão sobre a existência de recursos financeiros suficientes a realização da extensão, resta mais uma vez evidente ao professor P4 afirmar que os professores da Instituição seriam bons parceiros. Foram os atores questionados sobre na visão deles qual o futuro para a extensão universitária, todas as respostas mencionam o esperado crescimento. Quadro 32 – Futuro para extensão universitária - UNIUV Gestor Professor Intensificar-se e assumir causas mais amplas como a prevenção contra vícios na instituição de ensino superior. Espero que a extensão continue e se desenvolva num ritmo, de preferência, P1 mais acelerado. Tem ser pensado no que a sociedade precisa realmente no caso de ações P2 com a sociedade. P3 Alunos P4 Só tem a aumentar. A extensão universitária é tudo, hoje, para se criar mão de obra para sociedade. P5 Penso que deve crescer a cada ano, atingindo maiores núcleos sociais. A1 Atingir ainda mais a sociedade. A2 Grandes projetos e implementações. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor espera que a extensão intensifique-se e atinja causas mais amplas, citando prevenção de vícios, o que demonstra o aspecto de prestação de serviços sociais adotado pela Instituição. O professor P4 espera que no futuro a extensão preste-se a formar mão de obra para a sociedade, por ser uma forma de aprendizado rápido. O aluno A1 menciona que a extensão deve atingir ainda mais a sociedade, tal resposta espelha ser a extensão na Instituição gerada a partir de demandas da sociedade. Todas as respostas evidenciam que os atores embora praticantes da extensão universitária, não a entendem como meio formal e organizado, não participam de editais oficias ofertados por agencias de fomento. A extensão é ofertada para atender demandas especificas, sem critérios de avaliação ou de organização, dependendo dos professores participantes. Por fim, considerando o aspecto social predominante na extensão praticada na UNIUV, os atores foram desenvolvimento regional. questionados sobre a contribuição para o 90 Quadro 33 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - UNIUV Gestor Incentivo ao aperfeiçoamento constante, preparação para o trabalho, cuidados com a saúde, cuidado com o ambiente, espírito de participação social com responsabilidade. Muitos dos meus alunos investiram na carreira de profissional fotógrafo, e Professor P1 muitos tiveram grande sucesso profissional. No sentido de ajudar na formação dos alunos como cidadãos, com uma visão P2 do que é a sociedade. Nós estamos profissionalizando uma parcela da população que não tem P3 acesso. De alguma forma, isso pra população e modificar o “status dela”. Havia uma demanda, havia uma procura. As empresas vieram pedir pelo P4 curso. Além de prover pesquisas e estudos que embasam o crescimento da P5 educação Física na região e no Estado. A sociedade terá as consequências tão boas ou até melhores que os Alunos A1 resultados já existentes. Grupo que aplica o projeto terá conhecimento do problema e buscará formas A2 de resolve-lo. Fonte: dados da pesquisa (2013). O gestor destaca o incentivo e qualificação para o mercado de trabalho. Os professores chamam atenção para aspectos diversos tais como o quantitativo de alunos que frequentaram os cursos (P1) e o fato de que alguns tenham seguido carreira profissional na área do curso de extensão frequentado; P2 que os cursos propiciam uma visão real da sociedade; O P3 e P4 mencionam a profissionalização da mão-de-obra atendendo solicitações das empresas da região. Muito embora todas as respostas apresentem um retorno a sociedade, não se pode dizer que repercutam no desenvolvimento regional. 5.3 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UnC Na UnC a Extensão é organizada de forma conjunta entre o Campus de Canoinhas e o Núcleo de Porto União, não há separação. Em uma primeira conversa com a Direção do Núcleo de Porto União, foi constatado que cabe aos coordenadores de curso do Núcleo a organização e oferta dos Cursos de Extensão e Palestras, formas principais da extensão universitária na Instituição estudada. Nos quadros abaixo pode ser constatada uma uniformidade no discurso dos atores, tal fato ocorreu pela negativa da Coordenação do Núcleo em permitir que esta pesquisadora entrevistasse diretamente os Professores Coordenadores dos Cursos de Extensão. O Instrumento por este motivo foi alterado, passando a ser um 91 questionário aberto, contendo as mesmas perguntas utilizadas nas entrevistas das outras Instituições, a fim de manter o mesmo perfil da extensão da Universidade. A Coordenação do Núcleo informou que não existem alunos que participam dos projetos, mas sim somente que frequentam os cursos ofertados como destinatários. Pelo que não foi possível avaliar as respostas fornecidas. Quando do recolhimento dos questionários respondidos, foi informado que os professores e a Coordenadora do Núcleo reuniram-se para preenchê-lo, que reflete a preocupação com a uniformidade do discurso institucional entre os atores, principalmente entre os envolvidos na Administração e Coordenação dos Cursos, fato facilmente observado em Instituições de Ensino Superior ainda em fase de Consolidação. Para as duas perguntas sobre o conhecimento da extensão universitária, os atores responderam que a extensão deve buscar o encontro da Universidade com a Comunidade, tendo como função “Levar o conhecimento da universidade para a comunidade.” Isso nas palavras do professores P2, P3 e P4. O gestor e o P1 destacaram que esse conhecimento levado a Comunidade deve contribuir para o desenvolvimento desta Comunidade. Quadro 34 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UnC Gestor Professor Interação da universidade com a comunidade P1 Relacionamento com a comunidade. P2 Encontro da universidade com a comunidade. P3 O que atende a comunidade. P4 Estabelece relações com a comunidade. Fonte: dados da pesquisa (2013). Quadro 35 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade - UnC Gestor Professor Promover as ações da universidade e leva-los ate a comunidade a fim de contribuir com o desenvolvimento. Promover as ações da universidade e leva-los ate a comunidade a fim de P1 contribuir com o desenvolvimento. Levar o conhecimento universitário para a comunidade gerando P2 desenvolvimento. P3 Levar o conhecimento universitário para a comunidade. Levar o conhecimento da universidade para a comunidade. P4 Fonte: dados da pesquisa (2013). 92 Quanto ao planejamento dos programas de extensão, considerando que em sua grande maioria se dão por meio da oferta de cursos à Comunidade Acadêmica, todos os atores responderam que a geração na Universidade ocorre por meio de projetos, sem esclarecer de quem partiriam. Conclui-se que provavelmente partem dos Coordenadores de Curso em conjunto com os professore participantes. Deixaram ainda de esclarecer nesta questão se os projetos visam atender uma demanda da sociedade ou oferecer algo produzido na Universidade para a Sociedade. Todavia ao retornar ao quadro acima se tem na padronização das respostas que a função da extensão na Instituição é levar o conhecimento produzido na Universidade para a Comunidade. Quadro 36 – Geração dos programas de extensão – UnC Gestor Por meio de projetos. Professor P1 Através de projetos. P2 Através de projetos. P3 Através de projetos. P4 Através de projetos. Fonte: dados da pesquisa (2013). Quadro 37 - Demandas das ações extensionistas - UnC Gestor Sim. Professor P1 Sim. P2 Sim. P3 Sim. P4 Sim. Fonte: dados da pesquisa (2013). A pergunta de como ocorre a avaliação da extensão, novamente todos os atores responderam que ocorre por meio de questionários. Em conversa com alguns alunos que participaram dos cursos ofertados pela Instituição constatou-se que tais questionários são entregues aos alunos ao final do curso, para estes avaliarem o curso ofertado e o professor que o ministrou. Não houve a explicação por parte dos atores sobre a avaliação que a Instituição faz baseada nas respostas dos questionários. Pelo que pode-se concluir que a não se trata de mecanismo de avalição objetivo, mas sim pautada na análise subjetiva de cada coordenador de curso ou de Campus. 93 Quadro 38 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão - UnC Gestor Questionário. Professor P1 Sim, quando o evento exige fazemos através de questionário. P2 Sim, questionário. P3 Sim, através de questionário. P4 Sim quando há questionário. Fonte: dados da pesquisa (2013). Com intenção de aprofundar o panorama a ser traçado sobre o planejamento da extensão na UnC, os atores foram questionados sobre as condições para a prática de extensão. Considerando que todos os atores são coordenadores de Cursos e de Campus de uma Universidade que embora se auto defina Comunitária tenha regras de ingresso e permanência de Corpo docente semelhantes a de Instituições particulares de ensino, a resposta padrão de que as condições são boas já era a esperada. Quadro 39 – Condições para realização da extensão - UnC Gestor Adequadas. Professor P1 Boas. P2 Boas. P3 Boas. P4 Boas. Fonte: dados da pesquisa (2013). Ao questionamento sobre a relação da extensão com o ensino e pesquisa, todos os atores responderam que há a integração. Entretanto ante a ausência da forma como ocorre tal integração não foi possível a esta pesquisadora averiguar a veracidade e alcance de tal informação. Quadro 40 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - UnC Gestor Integrado. Professor P1 Integrado. P2 Plenamente Integrado. P3 Integrado. P4 Integrado. Fonte: dados da pesquisa (2013). Os cursos de extensão ofertados pela Instituição são pagos pelos participantes, por este motivo os atores ao serem questionados sobre as fontes de 94 financiamento mencionaram inscrições. A gestora citou ainda que a Instituição destina recursos, todavia o mesmo não foi repetido pelos professores, pelo que se conclui que não é a regra o financiamento institucional. Ao mencionarem patrocínios os atores não especificaram a origem, se das empresas locais ou outros parceiros da instituição. No site da Universidade consta que possui programa próprio de incentivo para a realização de projetos de extensão e que participa de editais da FAPESC, CNPq e Ministérios. Entretanto somente no discurso do gestor foi citado o financiamento institucional, os professores somente mencionaram as inscrições e patrocínios. Os editais da FAPESC e CNPq não foram mencionados, o que nos remete a conclusão de que não ocorrem em todos os campus, ou são fontes insignificantes de financiamento na UnC. Quadro 41 - Recursos financeiros para extensão - UnC Gestor Inscrições, patrocínios e IES. Professor P1 Inscrições, Ies, patrocínios. Sim são suficientes. P2 Através de inscrições e patrocínios. P3 Através de inscrições e patrocínios. Inscrições, patrocínios. P4 Fonte: dados da pesquisa (2013). A fim de compreender a repercussão social da extensão, os atores responderam que o Projeto UnC na Comunidade é o principal destaque da extensão da Instituição, verificou-se que tal projeto abrange todos os cursos de graduação ofertados pela Instituição. O discurso institucional é de que a UnC desenvolve programas e projetos envolvendo a comunidade interna e externa, com objetivo de atender as demandas da área de abrangência da UnC e com isto contribuir para a qualidade de vida da população, para o desenvolvimento profissional, na geração de empregos e rendas e divulgação e socialização dos resultados das pesquisas. Todavia não foi o que se verificou na analise dos discursos dos atores participantes desta pesquisa. 95 Quadro 42 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária UnC Gestor UnC na comunidade e cursos de extensão. Professor P1 UnC na comunidade e cursos de extensão. P2 UnC na comunidade e cursos de extensão. P3 Cursos de extensão e UnC na comunidade. P4 UnC na comunidade e projetos de extensão. Fonte: dados da pesquisa (2013). Ao responderem sobre suas visões para o futuro da extensão universitárias, os atores revelaram uma preocupação com a integração entre a Universidade e a Comunidade. O que justifica-se pelo fato de na Instituição a extensão ser voltada principalmente para a Comunidade acadêmica, por meio de cursos, e as atividades direcionadas para a Comunidade externa, por exemplo o programa UnC na Comunidade ainda serem poucas. O que coaduna com a resposta fornecida à questão sobre a contribuição da extensão para o desenvolvimento regional, na qual todos os professores responderam que seria levar o conhecimento científico para a comunidade. O gestor respondeu que a contribuição seria Contribuir com o conhecimento cientifico, o que se confunde com a resposta possivelmente fornecida se o questionamento fosse referente à contribuição da pesquisa para o desenvolvimento regional. Tal resposta oriunda do gestor demonstra que embora exista a preocupação institucional da “afinidade” dos discursos entre os gestores e coordenadores, tal preocupação não reflete-se na capacitação plena, a fim de propiciar compreensão em tais atores sobre os temas inerentes a atividade acadêmica. Quadro 43 – Futuro para extensão universitária - UnC Gestor Professor Integrar de forma ativa a IES com a comunidade. P1 Integrar mais ainda. P2 Maior presença da universidade na comunidade. P3 Integrar P4 Integrar mais a comunidade a sociedade. Fonte: dados da pesquisa (2013). 96 Quadro 44 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - UnC Gestor Contribuir com o conhecimento cientifico. Professor P1 Levando conhecimento cientifico para a comunidade. P2 P3 Levando o conhecimento cientifico para a comunidade. P4 Levando o conhecimento cientifico para toda a comunidade. Levando conhecimento cientifico. Fonte: dados da pesquisa (2013). Por fim ao serem questionados sobre os melhores parceiros para a prática da extensão, as respostas em sua maioria mencionaram o governo federal, provavelmente referindo-se a editais. Todavia a sociedade civil organizada e as prefeituras também foram citadas. A variedade das respostas reflete o panorama atual de a extensão ser fomentada essencialmente com os recursos das inscrições. Quadro 45 – Melhores parceiros para a extensão- UNC Gestor Professor Órgãos do governo. P1 Governo federal. P2 Sociedade civil organizada. P3 Governo federal. P4 Governo federal, prefeituras e secretarias de educação. Fonte: dados da pesquisa (2013). 97 6 CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE INSTITUIÇÕES PESQUISADAS EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS O presente capitulo destina-se a comparação entre as concepções a práticas de extensão universitária entre as três IES estudadas em dois momentos distintos. Em um primeiro momento os dados oriundos da documentação legal (Estatutos, Regimentos, PDI) em um segundo a análise dos discursos dos atores. Ao final será feita uma discussão acerca dos resultados obtidos, considerando o problema da pesquisa. As três Instituições estudadas tratam de forma diversa a extensão. Na FAFIUV, instituição pública estadual, a extensão tem origem por força legal, prevalecendo a extensão no ensino e difusão cultural. A UNIUV, instituição pública Municipal, a extensão caracteriza-se pela oferta de cursos e prestação de serviços a comunidade. Na UnC, instituição confessional com origem nos setores da Comunidades, a extensão praticada baseia-se no dever legal, com a oferta de cursos a Comunidade acadêmica. Na FAFIUV embora seja um Faculdade para a qual não é imposto o dever legal de praticar a extensão universitária, no Regimento Interno (2009) há a previsão da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Conferindo ao ensino a função de excelência da Faculdade, mas articulando às esferas da pesquisa e da extensão universitária. Um dos objetivos previstos em tal documento para a Extensão Universitária é promover a integração da Faculdade na comunidade local e regional, por meio de atividades com intenção de dar atendimento à comunidade através de assessoria, consultoria e de prestação de serviços. Observa-se que isto não ocorre de forma continua. Por vezes quando contemplada com Editais oriundos de instituições de fomento, destacadamente o Programa Universidade sem Fronteiras, do Governo do Estado do Paraná, tal objetivo é cumprido, entretanto não há fluxo continuo dos projetos e ações executadas. Outro objetivo é estimular a cultura participando de eventos de natureza cultural e artístico. Há 26 anos ininterruptamente a Instituição realiza a Semana da Cultura, na qual há palestras, apresentações musicais, e concursos culturais aberta a participação de toda a Comunidade e constitui-se um evento de repercussão regional fora da Comunidade Acadêmica, pode-se dizer que tal objetivo é parcialmente cumprido, somado com o projeto do Coral Universitário. 98 Consta também a intenção de por meio de pesquisas e estudos entender aspectos da realidade local e regional, o que é atendido por meio das semanas de cursos e mostras de iniciação científica e de estágio supervisionado. No Regimento Interno da IES consta que a extensão será praticada predominantemente na forma de cursos, o que não ocorre, considerando que de 2007 a 2011, período objeto da pesquisa não houveram cursos de Extensão ofertados à Comunidade, houve oferta de cursos de complementação de ensino ofertados a Comunidade Acadêmica. No Estatuto da IES não há menção sobre Extensão Universitária, o PDI (2008-2013) novamente dispõe sobre a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão a fim de contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país e região de abrangência, com objetivo de promover a formação de profissionais qualificados para o mundo do trabalho e capazes de atuar na instância crítica do saber voltados para a construção da justiça social e da democracia. A concretização de tal missão é buscada na Instituição por meio do ensino, em tal aspecto há efetivamente a integração com a Comunidade local, por meio de ações nas Escolas da Região, considerando possuir a FAFIUV somente cursos de Licenciatura. Ao mencionar o planejamento e organização didático-pedagógico o PDI estabelece oito critérios, sendo um deles voltado especificamente às Políticas de Extensão, com a intenção de “participação dos universitários em programas voltados aos grupos sociais menos favorecidos, atuando como agentes de modificação e melhoria da realidade socioeconômica”. Em tal aspecto, mostra intenção assistencialista, comumente presente na documentação das Instituições Públicas de Ensino. Consta ainda intensão de desenvolvimento da formação do profissional cidadão, com a efetiva integração com a sociedade, a fim de se identificar culturalmente, situar-se historicamente ou embasar a visão crítica da relação entre os problemas da sociedade e a prática profissional, tal meta é um ideal, não há previsão da forma de ser executada. O público externo é atingido marcadamente na semana da Cultura, e com as apresentações do Coral universitário. Na UNIVU o Estatuto (2006) prevê a indissociabilidade entre o ensino, pesquisa e a extensão, sendo que o artigo 82 traz uma noção de como a indissociabilidade será buscada, ao prever que os trabalhos universitários terão sentido de integração, de modo que o ensino e a pesquisa mutuamente se enriqueçam e, projetando-se no meio mediante extensão, proporcionem soluções e 99 identifiquem novos problemas como matéria de estudo e investigação. Após a entrevista com os Atores, verifica-se que a extensão é desenvolvida na IES predominantemente com a prestação de serviços, pela a oferta de cursos à Comunidade local. A integração com o ensino é executada por meio da participação dos Alunos em atividades complementares ao ensino, prevista em componentes curriculares. Como missão, prevê o estatuto: “desenvolver e difundir o conhecimento e a cultura e promover a formação integral e permanente de cidadãos e de profissionais, compromissados com a vida e o progresso da sociedade”. O que demonstra preocupação com o desenvolvimento da sociedade abrangida pela Instituição, o que é previsível por ser uma IES pública Municipal. Prevê ainda que a extensão deve ser promovida de forma aberta a população, visando a difusão as conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na Instituição. Esta primeira parte do Estatuto leva a interpretação de que a extensão prevista teria por objetivo transferir à população o conhecimento resultando das práticas de ensino e pesquisa. Após o estudo verificou-se que os cursos ofertados predominantemente partem da demanda na sociedade, o que restringe a difusão do conhecimento produzido na IES às áreas solicitadas. Há na Instituição a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, a qual possui atuação ativa na IES, organizando os cursos solicitados e viabilizando suas ofertas, articulando parcerias e envolvendo a Comunidade Acadêmica nas ações, em consonância com a previsão de que a Instituição ministrará cursos de extensão e de atualização. No PDI (2007 a 2011), ainda vigente, a Instituição admite ser extensão pouco valorizada, tanto que busca definir uma política que priorize recursos orçamentários para a realização de projetos sociais e foca suas estratégias de ação a fim de buscar a participação da comunidade acadêmica em tais projetos. Neste primeiro momento do PDI, atribui-se a extensão um caráter social, embora ausente a palavra assistencialista, tal foco é diverso do previsto no Estatuto, no qual consta como meta a difusão das conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na Instituição. Em sentido oposto consta no PDI como meta de ação melhorar a eficiência na difusão dos conhecimentos gerados e acumulados na UNIUV e incentivar a Comissão Científica para uma adequação de suas rotinas de trabalho, visando à 100 organização das atividades de extensão, de acordo com as políticas da Instituição, ponto este vinculado com o conceito de extensão adotado pelo Estatuto e ainda pendente de realização, considerando ser a extensão praticada na UNIUV pouco sistematizada, mais dependente da vontade dos Atores do que do impulso institucional. Está previsto ainda no PDI a intenção de criar e implantar cursos de extensão destinados à comunidade e também aumentar o público atingido pelas ações extensionistas. Tal meta foi atingida e mostra claramente cunho assistencialista considerando que a simples oferta de cursos à comunidade per si, não garante que esta será beneficiada com a aproximação do Ensino Superior. O público externo é atingido com os cursos ofertados, marcadamente de qualificação profissional básica, exemplo dos cursos de informática e de preparação para o mercado de trabalho. Cumpre mencionar que os cursos são remunerados pelos destinatários. Uma empresa local é a parceira predominante, a qual se utiliza de um dos cursos ofertados pela IES como forma de qualificação de seus funcionários. Na UnC o Regimento Geral data de 2010, em tal documento consta que a pesquisa na Universidade deve ser articulada com o ensino e a extensão, sendo concebida como um processo continuo acumulado de produção de novos conhecimentos, técnicas e validação de saberes. O que demonstra a intenção de integrar os três elementos que pautam a universidade. Entretanto após o presente estudo observa-se que tal qual ocorre em grande parte das IES privadas o foco da UnC é o Ensino, sendo a pesquisa e a extensão renegadas a um papel secundário. Ao tratar especificamente da Extensão, o documento coloca-a junto da Cultura e das Relações Comunitárias e a caracteriza como processo e prática educativa, cultural e científica que se integra ao ensino e a pesquisa, o que não se verifica na prática, considerando a extensão praticada na IES ser composta basicamente pela oferta de cursos a comunidade acadêmica, deixando promover a integração com a sociedade, bem como o retorno da aplicação desses aprendizados para a melhoria da prática acadêmica de alunos e professores. O PDI da IES data de janeiro de 2011 e coloca como metas pertinentes ao presente estudo: a articulação das políticas de Ensino, Pesquisa, Pós-Graduação e da Extensão, o que nos remete a ideia de que embora encontre respaldo na documentação institucional, essa integração efetivamente não é praticada na Instituição, fato este confirmado na presente pesquisa. Ademais o Gestor da 101 Extensão no Núcleo de Canoinhas, informou que os alunos somente são os destinatários dos cursos de extensão no Campus, por este motivo não houveram alunos figurando dentre os Atores da IES na presente pesquisa, nos termos já justificados anteriormente. O público externo não é marcadamente contemplado pelas ações extensionistas, por ser a comunidade acadêmica a principal destinatária das ações extensionistas, todas remuneradas pelos destinatários. Nas três IES estudas a extensão universitária fortaleceu-se nos últimos 10 anos, embora ainda não tenha atingido um patamar aceitável. Anteriormente segundo o relato dos gestores e professores participantes da pesquisa a prática era incipiente e não sistematizada. Entretanto até o presente momento a extensão é praticada dentro das possibilidades existentes a espera de melhor definição institucional e maior fomento. A efetiva integração com o ensino não existe, a integração com a pesquisa ocorre marcadamente na FAFIUV com a divulgação dos resultados da extensão em eventos de pesquisa, considerando até o momento haverem poucos eventos específicos para a divulgação dos resultados das práticas de extensão sendo que nenhum na Região do Vale do Médio Iguaçu, área delimitada para a presente pesquisa. Até o momento não há nas IES estudadas um entendimento institucional consensual sobre o que seria realmente extensão universitária. Toda a documentação legal das IES trata a extensão de forma genérica, sem traçar objetivos claros tão pouco os limites de atuação das ações extensionistas. Na UnC e na UNIUV as atividades de extensão realizadas são remuneradas financeiramente por constituírem-se marcadamente pela oferta de cursos e prestação de serviços. O que não ocorre na FAFIUV por que as atividades ocorrerem com a difusão do ensino e da cultura. A prestação de serviços é largamente utilizada na UNIUV e na UnC por demandar poucos recursos das IES para seu financiamento uma vez que com o valor das mensalidades os custos se pagam, gerando por vezes lucro para a IES. Os documentos analisados refletem o que as IES entendem por extensão e como pretendem executa-la. Em toda a documentação analisada há a clara vinculação com o caráter social e a intenção da integração com o ensino e a pesquisa. Todavia a completa análise entre a concepção e a prática da extensão na IES se faz com a análise do discurso dos Atores envolvidos. A partir da análise do conteúdo das respostas foi possível identificar o conhecimento de cada participante 102 sobre o conceito de extensão e qual a função que entende possuir a extensão universitária. Entre os atores, mesmo pertencentes a mesma IES, há grandes divergências de compreensão sobre o que é a extensão e qual seu papel. Todos os gestores mencionaram a sociedade com destinatária da extensão e o dever de a IES integrarse a ela. Os professores divergem sobre o papel e alcance da extensão ao atribuir como extensão: tudo o que é realizado fora da sala de aula; como forma de propiciar ao Acadêmico conhecimento sobre a realidade e também forma de levar a comunidade o conhecimento produzido na IES. Os Alunos entrevistados não demonstraram conhecimento teórico sobre o que é a extensão universitária, tão pouco função social desta, a definição que apresentaram refere a suas experiências nos projetos/programas que atuam ou atuaram. Quanto ao planejamento da extensão e os aspectos considerados resta demonstrada as diferentes formas de as IES os gerarem. Na FAFIUV a geração se da marcadamente a partir dos professores; na UNIUV o gestor relatou que a geração ocorre de forma mais ampla, por meio de reuniões entre professores, coordenadores de cursos, alunos e com a participação da comunidade; na UnC todos os Atores, foram uníssonos ao mencionar que a geração ocorre por meio de projetos, sem fornecerem maiores detalhes. Os professores entrevistados em grande parte não compartilharam das respostas dadas por seus gestores. Na FAFIUV a maioria dos professores destacou que a geração ocorre por meio da abertura dos Editais dos órgão de fomento, e a partir destes formulam os projetos de extensão. Entretanto os Editais não foram mencionados pelo gestor como forma de geração dos projetos/programas de extensão. Na UNIUV os professores destacaram as necessidades das matrizes curriculares, dos alunos e a livre vontade dos professores. As reuniões citadas pelo gestor não foram mencionadas pelos professores. Conclui-se que a extensão praticada na FAFIUV é gerada internamente e ofertada à comunidade conforme o interesse dos professores, estes motivados pela oferta de Editais de órgão de Fomento. Na UNIUV a oferta atende a demanda da sociedade pelos cursos, ao solicitarem sua oferta e reedições, bem como o interesse da empresa parceira em qualificar seus funcionários, sendo utilizados para tanto os professores que atendem aos requisitos necessários. Na UnC a extensão é marcadamente destinada a complementação do ensino dos Alunos da graduação, pelo que a oferta varia 103 conforme a necessidade dos Alunos. Em nenhuma das IES estudadas houve o relato da ocorrência de pesquisa junto a sociedade para averiguação das necessidades da Sociedade preliminarmente a oferta das ações extensionistas. Ainda no concernente ao planejamento, os Atores ao responderem a questão sobre formas de avaliação das ações extensionistas em suas respectivas IES, deixaram claro a ausência de mecanismos Institucionais de avaliação em todas as IES. O que torna a prática da extensão desprovida de mecanismos de avaliação quanto ao retorno e cumprimento dos objetivos propostos. Mencionaram os Atores que a avaliação quando ocorre se da: por meio de artigos científicos produzidos com base nos resultados das ações extensionistas; a demanda pela reedição de cursos e avaliações realizadas pelos professores ao final dos cursos ofertados também foram citados como forma de avaliação. A ausência de mecanismos de avaliação reflete a falta de estrutura física para a realização da extensão na FAFIUV relatada por todos os Atores da IES, uma vez que sem conhecimento dos resultados operados com as práticas a Direção da IES não se vê compelida a investir em tal área. Situação diversa é relatada na UNIUV, marcada pela oferta de cursos pagos à Comunidade externa. Em tal IES os Atores relatam serem boas as condições para a prática da extensão, mencionando como ponto negativo a falta de pessoal engajado. Tal ausência pode ser justificada pela ausência de sistematização institucional para a realização das ações extensionistas. Na UnC como todas as respostas foram padronizadas em consonância com o discurso oficial, ditado pelo gestor, os Atores relataram serem boas as condições, sem contudo informarem o que entendem por condições boas. A falta de sistematização das ações extensionistas da IES estudadas reflete na pouca relação entre a extensão com as áreas do ensino e pesquisa. As respostas indicam que ocorre confusão entre o que seria extensão, pesquisa e ensino, até mesmo os gestores mencionaram isso. Alguns atores entendem ser extensão tudo o que ocorre fora da sala de aula; outros mencionam que estão interligadas uma não “funciona” sem a outra. Tais respostas somadas com as analisadas no capitulo anterior indica que o conceito que os Atores mencionaram sobre extensão não correspondem ao efetivamente praticado, o que confere a extensão uma dimensão não acadêmica, mas como prática de ensino ou prestação de serviços. Sobre a questão da existência de recursos de financiamento a FAFIUV aponta a pouca quantidade, enquanto os Atores da UNIUV e UnC relataram que 104 estes existem e são suficientes, isto devido as atividades remuneradas. A fim de se analisar a repercussão social das ações extensionistas os atores foram questionados sobre quais seriam as ações praticadas nas IES que melhor representam o sentido da extensão universitária. Na FAFIUV houve a menção de ações que buscam a cidadania e a cultura, isto em consonância com a documentação legal. Na UNIUV os Atores mencionaram os projetos em que atuam e o gestor destacou um projeto fruto da parceria com uma grande empresa da cidade. Os alunos demonstraram não possuir a compreensão do que são projetos de extensão, limitam-se a participar das ações praticadas pelos projetos que atuam. As respostas da UnC novamente não serão consideradas por terem sido padronizadas de acordo com o discurso institucional. Foram na sequencia os questionados sobre o que esperam para o futuro da extensão universitária. Os dados revelam que a intenção dos gestores é que a extensão se desenvolva e com ela a sociedade. Os professores por sua vez esperam que a extensão se consolide e seja mais atuante no espaço universitário e junto a sociedade e os Alunos expressaram sua preocupação com a atuação social da extensão, bem como esperam mais incentivo das IES para o desenvolvimento das ações. A preocupação com o desenvolvimento social, reflete que embora exista a previsão nos documentos legais de todas as IES da destinação social da extensão esta efetivamente não ocorre satisfatoriamente. Novamente a ausência de incentivo para a prática da extensão foi mencionada e constitui-se de um entrave para a sua realização e normatização. A intenção de que a extensão de desenvolva, expressa o desejo dos atores com a ampliação da compreensão do que seriam as atividades extensionistas e de sua importância para o ensino superior. O ensino é a função básica das IES, todos os alunos e docentes estão diretamente envolvidos. Os docentes e alunos que atuam com a pesquisa são reconhecidos, alcançam posições dentro das IES e junto aos órgãos de fomento. Enquanto os executores da extensão não tem reconhecimento, nem tempo de dedicação definido. A fim de complementar o entendimento sobre a repercussão social atual e a desejada houve o questionamento sobre as parcerias ideais para as ações extensionistas. Na FAFIUV o gestor citou como parceiros ideais as empresas da região. Os professores e alunos citaram, que seriam prefeituras da região, empresas, o Estado em suas diversas esferas. O gestor da UNIUV mencionou as 105 associações de bairro, CRAS e empresas. Os professores e alunos foram uníssonos ao entender que as empresas privadas seriam os melhores parceiros. Na UnC embora o padrão das respostas institucionalizadas tenha sido mantido, os atores citaram como parceiro ideal o governo. Em todas as IES os atores entenderam o poder público como parceiro ideal, seguido pelas empresas privadas da região. A menção dos atores em firmar ou estreitar parcerias com o poder público e empresas revela a falta de políticas públicas na área extensionista, bem como o desinteresse das empresas locais em buscarem parcerias com as IES da região. A última questão da presente pesquisa referente a fala dos atores, refere-se a contribuição das ações extensionistas para o desenvolvimento regional. Na FAFIUV o gestor não respondeu o questionamento, os professores, destacaram que as bolsas ofertadas nos projetos aos alunos da graduação geram ganho econômico, e com isso o desenvolvimento regional; que promovem novas formas de saber e conviver em sociedade. Um dos alunos entende que a contribuição para o desenvolvimento regional ocorre com a experiência prática do conhecimentos adquiridos em sala de aula. O gestor da UNIUV entende que as ações extensionistas desenvolvidas geram espírito de participação social com responsabilidade. Os professores destacam que os cursos de extensão que oferecem propiciam o desenvolvimento profissional dos frequentadores dos cursos. Na UnC o discurso institucional é de que o desenvolvimento regional seria possibilitado com a extensão levar conhecimento científico à comunidade. Nas respostas dadas ao questionamento resta demonstrado que os Atores não possuem conhecimento sobre os fatores que geram ou contribuem para a desenvolvimento regional. O fato de cursos ou bolsas de extensão gerarem incremento da renda não é alvo de controvérsias. A confusão conceitual comum é que o incremento da renda pessoal seja hábil a gerar o desenvolvimento de uma região. O desenvolvimento de uma região gerado pela extensão universitária depende de avaliação das necessidades da comunidade alvo, da contribuição que a IES pode efetivamente trazer a fim de atender a demanda, de objetivos claros serem traçados e principalmente do envolvimento da comunidade alvo da extensão a fim de que esta sinta-se diretamente participante da ação. 106 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta deste estudo foi investigar as concepções e práticas das atividades de extensão universitária que prevalecem nas três IES da Região do Médio Iguaçu. Para tanto o conteúdo dos documentos legais (Regimentos, Estatutos, Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI) foram analisados; com os depoimentos dos atores que estiveram envolvidos no processo de desenvolvimento da extensão nas IES do Médio Iguaçu no período de 2007 a 2011 buscou-se estabelecer o significado dado a extensão em cada IES; e de posse dos dados discutir as correspondências entre as concepções e práticas que a extensão ocupa nas atividades acadêmicas. A hipótese basilar que pautou a presente pesquisa foi a de que os projetos de extensão ao serem propostos deveriam orientar-se e na medida do possível atender aos anseios e necessidades da população local, ou a demanda regional e com isto os projetos de extensão contribuiriam no processo de formação dos futuros profissionais, o que por consequência propiciaria o desenvolvimento regional. Para a consecução da pesquisa optou-se por três grupos distintos: um grupo composto por todos os gestores responsáveis pela Extensão das três Instituições de Ensino Superior do Médio do Iguaçu estudadas; um grupo composto pelos Coordenadores dos projetos de extensão selecionados; e um grupo composto por 2 alunos participantes de cada projeto selecionado, quando haviam. No discurso dos atores, foi possível identificar sobre a extensão praticada na IES estudadas na concepção dos projetos de extensão, quais aspectos são considerados para planejar as ações extensionistas, como as parcerias de desenvolvem e quais os meios de financiamento dos projetos e como repercutem os projetos no desenvolvimento da região. Os elementos do campo empírico foram apreendidos através de uma abordagem qualitativa. No entanto, o decorrer do caminho, como era de se esperar, surgiram diversas dificuldades. A começar pela proibição da realização da pesquisa na Uniguaçu, e a característica especifica de padronização dos discursos da UnC, que implicou em mudanças metodológicas. O método da análise de conteúdo não pôde ser aplicado em todos os seus aspectos como propostos originalmente uma vez que 107 existiu, por parte do gestor da UnC, o consentimento somente para que os atores preenchessem questionários, o que dificultou a análise. No caso da UNIUV e FAFIUV, reduzidos apenas a funcionalidade do sistema, os docentes parecem programados em atender aos interesses institucionais, desconhecendo o real papel da extensão universitária acentuando o assistencialismo como estratégia para atividades meramente paliativas. As demandas oriundas da comunidade não acadêmica, pouco são consideradas para a propositura dos projetos ou ações de extensão. Os poucos acadêmicos que tiveram a oportunidade de participar das ações extensionistas nas IES não possuem a compreensão do conceito de extensão, dos objetivos de cada ação/programa e de que estes impactam ou acarretam para a IES. Estes limitam-se a cumprir as “ordens” que lhe são dadas pelos coordenadores, o que pouco contribuiu no processo de formação seja acadêmica seja para a compreensão das demandas da região que estão inseridos. A Política Nacional da Extensão Universitária, apresentada no FORPROEX trouxe o conceito de extensão universitária buscando uma Universidade atuante na sociedade, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, caracterizando-se como um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade. A definição acima, demonstra ser a extensão universitária concebida para ser um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político, busca a interação transformadora na Universidade e nos setores sociais com os quais interage. A extensão, em tese, deveria corresponder a uma condição menos precária aos docentes, não é capaz de eliminar o distanciamento entre a extensão idealizada no FORPROEX e a extensão imposta pela realidade das IES, expressão assumida sob a égide do assistencialismo. Na IES estudadas, a pesquisa mostrou que a extensão foi implantada da forma a se entender que são as atividades que se realizam fora da sala de aula, nos mesmos termos do restante do Brasil. Considerando as matrizes teóricas sobre a extensão, tem-se que a concepção de extensão europeia, na qual a universidade deveria ofertar cursos à comunidade em geral, esta presente na UNIUV, entretanto esta adota também a concepção americana, a qual enfatiza a prestação de serviços, seja na área urbana seja na rural. 108 Na FAFIUV, a extensão predominantemente está atrelada a oferta dos Editais dos órgãos de Fomento, estes adotam a concepção Europeia, ligada ao processo de assessoria técnica, em que a universidade com seus saberes científicos, destina-os à população cheia de problemas, desprovida de conhecimentos e recursos, a fim de suprir necessidades sociais, atender demandas e resolver os problemas sociais gerados pelo capital, constituindo-se assim, uma concepção de extensão, assistencialista, sem a preocupação da organização da capacidade criativa e de organização das comunidade. Na UnC, a extensão universitária destina-se a suprir a carga horária complementar dos próprios alunos, por meio da oferta de cursos a própria comunidade universitária, contemplando com isso a necessidade de buscar recursos financeiros para automanutenção. Todas as IES estudadas mostraram que a extensão ainda é um conceito impreciso que precisa ser construído e posteriormente institucionalizado. A simples adoção de uma matriz teórica não garante a efetividade da politica institucional sobre a extensão universitária. Maior que a imprecisão sobre o modelo teórico eleito, pelas IES, os grandes problemas apontados pela pesquisa foram: falta de sistematização e avaliação, falta de definição sobre os limites da extensão. A extensão não é inserida na política acadêmica das IES, tão pouco nas políticas públicas do setor, embora o discurso padrão seja o de que as IES tenham um compromisso social e espera-se que cumpra-o por meio da extensão. Outro empecilho este oriundo da cultura universitária nacional, é a extensão ser atividade marginal no ensino superior. Os docentes não possuem condições de abraçar a extensão como elemento integrado ao ensino e a pesquisa pela condição atual de somente as atividades de ensino e pesquisa serem consideradas junto aos órgãos de fomento e a comunidade científica. Cita-se como exemplo de que as provas de títulos nos concursos públicos não levam em consideração as atividades de extensão praticadas, somente tempo no ensino a pesquisas publicadas. Por meio da extensão, a política oficial propõe uma relação entre o ensino superior e outros setores da sociedade, que seja transformadora, instrumento de mudança em busca de melhoria da qualidade de vida. Uma atuação voltada para os interesses e necessidades da maioria da população, aliada a movimentos sociais de superação de desigualdades, de exclusão e implementadora de desenvolvimento regional e de políticas públicas. 109 O sentido de institucionalização, de os belos discursos apresentados por alguns atores prevalece sobre o de emancipação. A partir desse estudo não foi possível estabelecer o espaço de discussão e, assim, criar condições para a mobilização coletiva. A extensão vem sendo praticada nas IES estudadas como uma atividade fim, e não como meio de se conseguir a interação transformadora na Universidade e nos setores sociais com os quais interage. A extensão não tem valorização equânime ao ensino e a pesquisa, em parte pelo fato de as IES orientarem-se pelo paradigma da valorização do ensino e pesquisa, em parte pela prática extensionista ter sido imposta as IES por lei (Lei nº 5.540/68 - Reforma Universitária 1968, repetido na Lei n.º 9.394/96 – LDB atual) e não por desenvolvimento da IES ou por relação desta com a Comunidade. Na extensão repousa a esperança de rompimento com o muros do ensino superior buscando a difusão e democratização do conhecimento, principalmente nas IES públicas. A fim de buscar o fortalecimento do papel da Universidade como agente disseminador do conhecimento científico para fomento do desenvolvimento regional. Como sugestão, após análise dos dados oriundos do presente estudo, os gestores das IES e sua equipe deveriam antes de elaborarem os documentos legais(Regimentos, PDI, Estatutos, Resoluções) consultar a comunidade acadêmica para e os documentos legais já existentes na IES a fim de identificar qual a vocação histórica da Instituição e qual o desejo dos atores para o futuro na área da extensão. Somente após elaborar os documentos. A ausência de metas claras e políticas institucionais de estímulo para as ações extensionistas também prejudicam o planejamento e a execução da extensão universitária. Poderiam ser realizadas pesquisas futuras a fim de levantar quais as demandas regionais latentes que poderiam ser minoradas com ações extensionistas; quais ações extensionistas a comunidade local espera que o ensino superior desenvolva e com qual finalidade. 110 8 REFERÊNCIAS ABREU, S. E. A. Pesquisa e análise documental. 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