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UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UnC
PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL
DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS
A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU
CANOINHAS – SC
2013
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DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS
A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU
Dissertação apresentada como requisito para a
obtenção do título de Mestre, pelo Programa de
Mestrado em Desenvolvimento Regional da
Universidade do Contestado – UnC, Campus
Canoinhas, sob orientação do Professor Dr.
Sandro Luiz Bazzanella.
CANOINHAS – SC
2013
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A CONCEPÇÃO E A PRÁTICA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO DO MÉDIO IGUAÇU
DANIELLA APARECIDA MOLINA VARGAS
Esta Dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora
como requisito parcial para obtenção do Título de: Mestre em Desenvolvimento
Regional. E aprovado na sua versão final em atendendo as normas da legislação
vigente da Universidade do Contestado – UnC e Coordenação do Curso do
Programa de Mestrado de Desenvolvimento Regional.
Coordenadora do Curso
Maria Luiza Milani
BANCA EXAMINADORA:
_______________________________________________
Presidente da Banca: Prof. Dr. Sandro Luiz Bazzanella
_______________________________________________
Membro: Prof. Dr. Walter Marcos Knaesel Birkner
_______________________________________________
Membro: Prof. Dr. Armindo José Longhi
3
Dedico este trabalho ao meu marido
Erivelton
pelo
amor,
apoio
irrestrito,
ensinamentos, estímulo e paciência que
demonstrou durante todo este curso e
principalmente na elaboração da presente
dissertação.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço a minha mãe Maria Angela, em memória, e ao meu pai Protásio, ambos
professores que sempre me estimularam e proporcionaram condições para que eu
estudasse. Ao meu irmão Felippe, que por sua dedicação à família permitiu que eu
me dedicasse a presente dissertação.
Agradeço as amigas do Mestrado Andrea Mendes, Edite Siqueira e Rosidete Costa,
por sempre estarem por perto quando precisei e pelos ótimos momentos que
compartilhamos durante esta jornada. E a dona Diva da pensão em Canoinhas.
Ao professores Dr. Armindo José Longhi pela disponibilidade e profissionalismo e ao
Professor Dr. Sandro Luiz Bazzanela pela compreensão que demonstraram no
trabalho de orientação.
Agradecimentos aos gestores da Extensão da Faculdade Estadual de Filosofia
Ciências e Letras de União da Vitória, Fundação Municipal Centro Universitário de
União da Vitória e Universidade do Contestado, pela cooperação para a presente
pesquisa ao fornecerem documentos e dados sobre as ações extensionistas
praticadas por suas respectivas Instituições. E aos professores e alunos que
atuaram nas ações extensionistas da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e
Letras de União da Vitória, Fundação Municipal Centro Universitário de União da
Vitória e Universidade do Contestado, pela disposição em participar da presente
pesquisa e expor francamente suas concepções e impressões.
Ao Diretor da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória
Valderlei Garcias Sanches, meu agradecimento por permitir a adequação dos meus
horários de trabalho e assim permitir a realização deste Mestrado.
A todos muito obrigada!
5
RESUMO
O presente estudo é resultado da pesquisa científica pautada nas dimensões entre
concepções e práticas das atividades de extensão universitária desenvolvidas em
três Instituições de Ensino Superior da Região do Médio Iguaçu. Tal compreensão
foi buscada inicialmente pelo levantamento e analise dos documentos legais de tais
instituições (Regimentos, Estatutos, Plano de Desenvolvimento Institucional). Após
realizou-se analise do conteúdo dos discursos dos Atores envolvidos no processo de
desenvolvimento da extensão nas IES estudas no período de 2007 a 2011. Para em
seguida ao realizar a triangulação dos dados, extrair as concepções e práticas da
extensão universitária nas Instituições estudadas. A extensão por ser uma dimensão
mais recente do ensino superior, insere-se com configurações diversas, variando
conforme a realidade e interesses institucionais. O presente estudo mostrou que as
concepções sobre extensão existentes na documentação legal das Instituições
estudadas: Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de União da Vitória,
Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória e Universidade do
Contestado, não correspondem com a prática tão pouco com a expressão dos
atores ouvidos, todas mostram-se idealistas, sem todavia adequar-se aos modelos
existentes de extensão universitária e sem possuir caráter institucional. A extensão
praticada não possui equiparação com o ensino e a pesquisa, nem com estes se
articula, uma vez que os docentes não possuem condições de integra-los pela
condição atual de somente as atividades de ensino e pesquisa serem computadas
junto aos órgãos de fomento e a comunidade científica. Não são realizadas
avaliações das ações praticadas ante a falta de institucionalização das ações
extensionistas, o financiamento ainda é precário e o planejamento das ações
variável, conforme o interesse dos atores envolvidos não há participação ativa da
comunidade local.
Palavras chave: extensão universitária, concepções e práticas.
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ABSTRACT
This study is the result of scientific research guided the dimensions between
conceptions and practices of university extension activities developed in three Higher
Education Institutions in the Region of the Middle Iguaçu. Such understanding was
initially sought for the survey and analysis of legal documents such institutions
(Regiment, Statutes, Institutional Development Plan). Held after analysis of the
content of the speeches of the actors involved in the development of the extension in
Istitution studied in the period between 2007 and 2011. To then discuss using
triangulation of data concepts and practices of university extension in the institutions
studied. The extension to be a newer dimension of higher education is part of various
configurations, depending reality and institutional interests. The present study
showed that the concepts of extension on existing legal documentation of the
institutions studied: State College of Philosophy, Sciences and Letters of União da
Vitória City, the Municipal University Center of União da Vitória City and University of
Contestado not correspond with the practice and expression of actors participants, all
show up idealists without suit existing models of university extension and without
possessing institutional character. The extension has not practiced articulation or
assimilation with teaching and research, teachers can not afford to integrate them
only by the current condition of the activities of teaching and research are considered
along with the funding agencies and the scientific community. The actions don’t be
evaluated because the lack of institutionalization of extension activities, funding is still
precarious and action planning variable, according to the interest of the actors
involved no active participation of the local community.
Keywords: university extension, concepts and practices.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Localização dos municípios de atuação das IES ..................................... 46
Quadro 1– Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior no
Paraná ........................................................................................................... 26
Quadro 2 – Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior em
Santa Catarina ............................................................................................... 27
Quadro 3 – Localização das Instituições de Ensino Superior no Paraná .................. 27
Quadro 4 – Localização das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina .... 28
Quadro 5 – IES da Região do Médio Iguaçu ............................................................. 47
Quadro 6 – Esquematização das questões e categorias avaliadas ......................... 52
Quadro 7 – Criação das Fundações que originaram a UnC...................................... 63
Quadro 8 – Conceito de extensão universitária pelos atores da FAFIUV ................. 67
Quadro 9 - Função que a extensão universitária cumpre na sociedade pelos
atores da FAFIUV ........................................................................................... 68
Quadro 10 – Como se dá a geração dos programas de extensão – FAFIUV ........... 69
Quadro 11 – Demanda ações extensionistas – FAFIUV ........................................... 70
Quadro 12 – Existem mecanismos de avaliação dos projetos de extensãoFAFIUV ........................................................................................................... 71
Quadro 13 – Condições para realização da extensão – FAFIUV ............................. 72
Quadro 14 – Recursos financeiros para extensão – FAFIUV
Quadro 15 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – FAFIUV ................ 73
Quadro 16 – Ações que melhor representam o sentido da extensão
universitária – FAFIUV .................................................................................... 74
Quadro 17 – Parceiros atuais na extensão – FAFIUV............................................... 76
Quadro 18 – Melhores parceiros para a extensão – FAFIUV .................................... 77
Quadro 19 – Futuro para extensão universitária ....................................................... 78
Quadro 20 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional –
FAFIUV ........................................................................................................... 78
Quadro 21 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UNIUV ................. 79
Quadro 22 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade –
UNIUV............................................................................................................. 81
Quadro 23 – Geração dos programas de extensão – UNIUV ................................... 82
Quadro 24 – Demandas das ações extensionistas – UNIUV .................................... 82
8
Quadro 25 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão – UNIUV ............ 83
Quadro 26 – Condições para realização da extensão – UNIUV................................ 84
Quadro 27 – Recursos financeiros para extensão – UNIUV ..................................... 85
Quadro 28 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – UNIUV ................. 86
Quadro 29 – Ações que melhor representam o sentido da extensão
universitária – UNIUV ..................................................................................... 87
Quadro 30 – Parceiros atuais na extensão – UNIUV ................................................ 87
Quadro 31 – Melhores parceiros para a extensão – UNIUV ..................................... 88
Quadro 32 – Futuro para extensão universitária – UNIUV ........................................ 89
Quadro 33 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional –
UNIUV............................................................................................................. 90
Quadro 34 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UnC ..................... 91
Quadro 35 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade – UnC ..... 91
Quadro 36 – Geração dos programas de extensão – UnC ....................................... 92
Quadro 37 - Demandas das ações extensionistas – UnC ......................................... 92
Quadro 38 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão – UnC ................ 93
Quadro 39 – Condições para realização da extensão – UnC ................................... 93
Quadro 40 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa – UnC ..................... 93
Quadro 41 - Recursos financeiros para extensão – UnC .......................................... 94
Quadro 42 – Ações que melhor representam o sentido da extensão
universitária – UnC ......................................................................................... 95
Quadro 43 – Futuro para extensão universitária – UnC ............................................ 95
Quadro 44 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional – UnC ..... 96
Quadro 45 – Melhores parceiros para a extensão- UNC .......................................... 96
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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AC – Avaliação de Conteúdo
APMG – Academia Policial Militar do Guatupê
C&T – Ciência e Tecnologia
CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CEE – Conselho Estadual de Educação
CEPE – Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
CEPEX - Comitê de Ética, Pesquisa e Extensão
CRAS – Centro de Referência de Assistência Social
CIPIC – Comissão do Plano Institucional de Capacitação
CINCRUTAC – Comissão Incentivadora dos Centros Rurais Universitários de
Treinamento e Ação Comunitária
CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa
COEP – Comitê de Ética em Pesquisa
COLTEC – Colégio Técnico de União da Vitória
COPERTIDE – Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral e Dedicação
Exclusiva
CRUB – Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras
CRUTAC – Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária
EMBAP – Escola de Música e Belas Artes do Paraná
ESuSeP – Escola Superior de Segurança Pública
FACE - Fundação Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de
União da Vitória
FAFIPA – Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí
FAFIPAR – Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá
FAFIUV – Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória
FAP – Faculdade de Artes do Paraná
FECEA – Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana
FECILCAM – Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão
FORPROEX – Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades
Públicas Brasileiras
FUnC – Fundação Universidade do Contestado
IBGE – Instituto Brasileira de Geografia e Estatística
10
IES – Instituições de Ensino Superior
IEPS – Instituto de Ensino e Pesquisa
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MEC – Ministério da Educação e Cultura
NRE – Núcleo Regional de Educação
PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional
PR – Paraná
PROEXT – Programa de Extensão Universitária
SESu – Secretaria de Educação Superior
SETI – Secretaria da Ciência Tecnologia e Ensino Superior
SC – Santa Catarina
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UDF – Universidade do Distrito Federal
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
UnC – Universidade do Contestado
UNE – União Nacional de Estudantes
UNESPAR – Universidade Estadual do Paraná
UNIGUAÇU – Unidade de Ensino do Vale do Iguaçu
UNIUV – Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória
USP – Universidade de São Paulo
11
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 19
2.1 CONCEITO DE UNIVERSIDADE ........................................................................ 19
2.1.1 Modelo Europeu .............................................................................................. 20
2.1.2 Modelo Norte Americano .................................................................................. 23
2.1.3 Inicio da Universidade no Brasil ....................................................................... 23
2.2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO NOS DIAS ATUAIS .................................... 24
2.3 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO PARANÁ E SANTA
CATARINA...................................................................................................... 26
2.4 CONCEITO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA................................................... 28
2.4.1 A extensão nas IES: Uma Abordagem Histórica e Legal ................................. 30
2.4.2 Projeto Rondon ............................................................................................... 36
2.4.3 Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária – CRUTAC ........................ 37
2.5 TIPOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA .......................................................... 38
2.5.1 Modelo Europeu ............................................................................................... 38
2.5.2 Modelo Norte Americano .................................................................................. 38
2.6 INDISSOCIABILIDADE ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO .............. 40
2.7 IMPACTO SOCIAL .............................................................................................. 42
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 44
3.1 LÓCUS DA PESQUISA ....................................................................................... 44
3.2 OS CAMINHOS DA PESQUISA ......................................................................... 47
3.3 A ANÁLISE DOCUMENTAL ................................................................................ 48
3.4 ENTREVISTAS .................................................................................................. 50
4 ANALISE DOS DOCUMENTOS ........................................................................... 54
4.1 EXTENSÃO NA FAFIUV - FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA
CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO DA VITÓRIA – FAFIUV ............................ 54
4.2 EXTENSÃO NA UNIUV - FUNDAÇÃO MUNICIPAL CENTRO
UNIVERSITÁRIO DA CIDADE DE UNIÃO DA VITÓRIA – UNIUV ................. 58
4.3 EXTENSÃO NA UnC - UNIVERSIDADE DO CONTESTADO ............................ 62
5 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS ............................................................................. 67
5.1 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA FAFIUV ............................. 67
5.2 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UNIUV ............................... 80
12
5.3 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UnC ................................... 90
6 CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS
INSTITUIÇÕES PESQUISADAS .................................................................... 97
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 106
8 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 110
APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO............. 117
APÊNDICE B – ROTEIRO ENTREVISTA .............................................................. 118
ANEXO A – APROVAÇÃO COMITÊ DE ÉTICA .................................................... 119
13
1 INTRODUÇÃO
Para se compreender o processo de construção da extensão nas
universidades em suas múltiplas dimensões é preciso ler a prática da extensão
como um fenômeno historicamente construído que na atualidade está destituído de
seus valores principais. Um elemento importante na configuração atual foi, e
continua sendo, a inter-relação entre universidade e população.
Para compreender o funcionamento do campo da presente pesquisa, um
ponto primordial é a discussão do conceito de extensão com questões como
conhecimento, planejamento, relação ensino-pesquisa, financiamento e repercussão
para o desenvolvimento regional, tornando-se fundamentais para o entendimento
que regem o espaço da extensão universitária.
Chauí (2003) defende ser a Universidade uma instituição social, científica e
educativa, com identidade fundada em princípios, valores, regras e formas de
organização que lhe são inerentes.
Para que tal Instituição tenha reconhecimento e validade a autora defende
que deve “[...] colocar uma ponte sobre o abismo que a separa da sociedade, e que
permita a ligação ao seu interior e exterior”. Somente desta forma restaria um
conjunto o qual formaria a essência da Universidade: “[...] a razão de ser, a
identidade, a função transformadora é expressa na sua função social” (CHAUÍ, 2003,
p. 68).
Ao implantar os projetos de extensão as IES deveriam considerar os anseios
e necessidades da população local, ou a demanda regional (análise da procura e
análise da oferta) e com isto os projetos de extensão contribuiriam no processo de
formação dos futuros profissionais.
O grande demérito em relação a alguns conceitos de extensão é que eles
acabam por tornar, na prática os cursos e os serviços oferecidos à comunidade algo
completamente desvinculado das atividades que lhe são inerentes: o ensino e a
pesquisa (SCHUELTER, 2003).
Os ordenamentos legais das IES, via de regra, não estão adequados ao grau
de abrangência e especialização preconizado pelo ordenamento jurídico o que,
somado a ausência de regulamentação geral, gera incerteza sobre a forma de
tratamento destinado a extensão.
Se a instituição não sabe exatamente como comportar-se em relação a
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Extensão Universitária, seu corpo docente e discente também não encontrará
segurança para desenvolver tal tipo de atividade acadêmica, muito menos mensurar
qual a contribuição que a extensão universitária traz para sua formação profissional.
Em algumas IES os docentes, encontram estímulos à participação em projetos de
extensão, por vezes com redução da carga horária em sala de aula, por vezes, com
o recebimento de bolsas auxilio para coordenação dos projetos. Todavia os comitês
gestores das Instituições de Ensino em grande parte das vezes não está apto a
decidir, julgar, opinar sobre quais projetos contribuem para atingir o objetivo de a
extensão universitária propiciar o desenvolvimento regional.
No Brasil de forma geral ainda entendem os financiadores e gestores dos
projetos de extensão universitária que a finalidade precípua desta seria de cunho
assistencialista. Em parte tal entendimento deve-se a adoção da corrente norteamericana de extensão a qual será oportunamente abordada.
Em resumo a hipótese basilar da presente pesquisa é que os projetos de
extensão ao serem propostos deveriam orientar-se e na medida do possível atender
aos anseios e necessidades da população local, ou a demanda regional (análise da
procura e análise da oferta) e com isto os projetos de extensão contribuiriam no
processo de formação dos futuros profissionais, o que por consequência propiciaria
o desenvolvimento regional.
A ideia de que a Universidade deve servir à população é relativamente
recente na América do Sul, data formalmente de 1918 em Córdoba (Argentina),
ocasião na qual os estudantes assumem o poder na Universidade Católica e tinham
como meta a busca de uma universidade integrada ao povo e a vida da nação
(ROCHA, 2001). No Brasil em 1909, foram criadas as primeiras ditas Universidades
Populares ou Universidades Livres como preferem alguns autores. Neste momento a
extensão universitária passou a apresentar uma relação entre o que era produzido
no interior da universidade e a cultura local, na forma de prestação de cursos,
todavia estes sem efetiva relação com os anseios da sociedade.
Com a conjuntura do Regime Militar, a extensão universitária, da mesma
forma que o movimento estudantil passou a representar riscos ao regime e, com a
finalidade de desarticular o engajamento entre estudantes e comunidade local o
governo militar instituiu programas de Extensão Universitária nos quais os
estudantes eram levados à outras comunidades, via de regra, em pior situação que
as de origem e nestas conheciam apenas parte da realidade, sem estabelecer
15
maiores vínculos com a população local, ou com os problemas apresentados.
Como todos estes momentos ocorreram com grande proximidade temporal,
em nosso país ainda nos dias atuais observam-se Instituições de Ensino que
adotam ora a extensão universitária calcada na prestação de cursos, ora de caráter
assistencialista.
Para se ter um diagnóstico fiel da Região a ser pesquisada e a influência que
a extensão universitária propicia, faz-se necessário entender tais modelos e o que
se pode esperar de cada um. Após ouvir os atores da extensão busca-se
estabelecer um significado para a extensão e o espaço que ocupa nas atividades
acadêmicas, os problemas que enfrenta e as perspectivas dos atores.
O questionamento acima faz sentido por estar relacionada aos diversos
interesses que propõe a extensão universitária uma aproximação efetiva entre a
Universidade e a comunidade local. Ao se rever o início da trajetória da extensão
universitária em nosso país, nos depararmos com a postura autoritária da
Universidade em relação ao povo, um comportamento que não considerava a cultura
e o saber popular e, colocava-se como detentora de um saber absoluto. O
conhecimento era verticalizado, quem o transmitia de certa forma escolhia o que
transmitir e, quem recebia muitas vezes não sabia o que fazer com tal
conhecimento.
A
escolha por este
tema de pesquisa foi determinado pela
sua
contemporaneidade e relevância no contexto regional das instituições de ensino
superior. Como resultado de um conjunto de circunstâncias resultantes dos períodos
de Graduação (Bacharelado em Direito), docência no ensino superior e procuradoria
jurídica de uma Instituição de Ensino Superior, adentrando no estudo da extensão
universitária, surgiu posteriormente a possibilidade de repensar e ampliar os
aspectos normativos do objeto de estudo. Mesmo sem nunca ter atuado diretamente
na extensão, despertou na pesquisadora um interesse acadêmico pelo estudo para
ser compreendido com mais profundidade, o papel da extensão universitária
analisada à luz do papel da universidade atual. Nesse contexto foi abraçado esse
desafio produzido pelo olhar de uma pesquisadora confrontado com o universo da
extensão.
Tratar esta questão, mediante o desenvolvimento de uma pesquisa descritiva
de cunho qualitativo em relação a concepção e prática da extensão na Região do
Vale do Médio Iguaçu é latente, principalmente por se evidenciar a existência de
16
lacunas e de contradições na execução nas mesmas e que avance o olhar critico
relacionado à temática.
Uma revisão prévia da literatura indicou que ser reduzida a publicação
acadêmica sobre a concepção da extensão atual, e a este dado se soma a
possibilidade de se gerar uma análise sobre determinada região. A grande maioria
dos estudos representa uma abordagem avaliativa, ligada a metodologias,
instrumentos utilizados e os resultados de programas específicos de extensão. Foi
necessário integrar diferentes linhas de investigação, trazidas de outros campos
para desenvolver a discussão de pontos e contrapontos a respeito da legitimidade
da
extensão
universitária,
contribuindo
para
o
desvelar
dos
fundamentos/mecanismos que podem estar implícitos nos documentos institucionais
que afetam a realidade da prática extensionista.
Na região do Médio Iguaçu existem quatro Instituições de Ensino Superior,
sendo que até o presente momento não foi realizado diagnóstico a fim de se
identificar as demandas regionais que possam ser atendidas por meio de projetos de
extensão. Com tal diagnostico será possível contribuir no processo de formação dos
acadêmicos e propiciar o desenvolvimento regional, na medida em que se
compreenderá as demandas da região que estão inseridos. Isto para buscar o
fortalecimento
do
papel
da
Universidade
como
agente
disseminador
do
conhecimento científico para fomento do desenvolvimento regional.
O desenvolvimento de atividades acadêmicas fora da Instituição de Ensino,
diretamente na comunidade, permite ao acadêmico, contato com a realidade e
segundo Freire (1980, p.26): “[...] este nível espontâneo, o homem ao aproximar-se
da realidade faz simplesmente a experiência da realidade na qual ele está a procura.
Além de permitir que se estabeleça influência recíproca e solidária entre teoria e
prática, gerando uma visão global da realidade em sua complexidade, apresentada
pelo tema do desenvolvimento regional. A interação dos alunos com a comunidade
regional é hábil à instrumentalizar a elaboração de projetos que visem à integração
da comunidade regional e, o desenvolvimento socioeconômico
por meio do
desenvolvimento educacional.
Nesta dimensão reside a necessidade da interação de professores/alunos
com a comunidade visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para
o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Ademais preconiza a
Constituição
Federal,
que
as
Universidades
obedecerão
ao
princípio
da
17
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Princípio este repetido na LDB
de 1996.
A presente pesquisa também mostra-se viável na medida em que os
ordenamentos jurídicos das Instituições de Ensino Superior estão por lei disponíveis,
através dos diversos meios de comunicação e divulgação aos interessados. Os
projetos de extensão universitária via de regra são submetidos a Comissões
formalmente constituídas nas IES e, nestas Comissões ficam arquivados para fins
de comprovação junto aos órgãos fiscalizadores dos projetos desenvolvidos nas
Instituições Públicas.
Diante desses argumentos, se tem a seguinte problematização: Quais são as
concepções e práticas de extensão Universitária presentes nas IES da região do
Médio Iguaçu? Por decorrência do primeiro questionamento as instituições de
Ensino Superior do Vale do Iguaçu teriam como papel legal por meio dos projetos de
extensão atender de forma efetiva e ampla as necessidades regionais? E como isso
foi percebido pelos seus atores sociais?
Como objetivo geral da presente pesquisa tem-se: Compreender as
concepções e práticas das atividades de extensão universitária nas IES da Região
do Médio Iguaçu.
Os objetivos específicos foram assim divididos: Sistematizar os discursos
presentes
nos
documentos
legais
(Regimentos,
Estatutos,
Plano
de
Desenvolvimento Institucional - PDI) das IES a serem estudadas; Levantar
depoimentos dos atores que estiveram envolvidos no processo de desenvolvimento
da extensão nas IES do Médio Iguaçu no período de 2007 a 2011 e Discutir a
problemática estabelecida a partir do referencial teórico, dos documentos e
entrevistas dos atores da extensão nas IES do Médio Iguaçu
A dissertação aqui apresentada foi estruturada em cinco capítulos: No
capítulo 2 será realizada uma revisão bibliográfica sobre a Extensão Universitária,
possibilitando a leitura da atividade extensionista, bem como a sua viabilização
enquanto objeto científico do estudo.
O capítulo 3 descreve o percurso metodológico da pesquisa, abordando as
técnicas e procedimentos adotados.
18
O capítulo 4 aloca o discurso documental das IES estudadas, o capitulo 5
possui
a
parte
descritiva
dos
depoimentos
dos
atores
os
quais
foram
contextualizadas ao longo deste capítulo.
O capítulo 6 aborda as discussões da pesquisa, resultantes da triangulação
de dados estabelecida a partir dos conteúdos do referencial teórico, do discurso
documental e dos depoimentos dos atores identificados pelo estudo e, por fim, a
Conclusão.
19
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONCEITO DE UNIVERSIDADE
Gramsci (1968) entende a universidade como aparelho de hegemonia, que
tem sua especificidade na formação de intelectuais, sejam eles os Intelectuais
tradicionais, que seriam os que por significativos períodos históricos monopolizaram
a difusão do saber, sobretudo da ideologia religiosa: filosofia, exercida pelos
eclesiásticos.
Mais tarde, outras categorias eram favorecidas e ampliavam o poder do
monarca até chegar ao absolutismo, chamada de aristocracia togada composta por
cientistas, teóricos, filósofos não eclesiásticos. O ponto comum é que tais categorias
julgavam-se independentes do grupo social dominante por sua qualificação. O outro
grupo de intelectuais definidos por Gramsci o grupo de Intelectuais Orgânicos, os
que são nascidos do mesmo terreno social industrial do grupo econômico, mas na
esfera mais elevada, chamada atualmente de burguesia.
Enquanto aparelho de hegemonia, a universidade encontra-se, sujeita ela
própria a uma luta hegemônica, que se desenvolve em seu próprio seio, o que
explica muitas das crises de identidade deste aparelho (CUNHA, 1988, p. 10).
O conceito de Universidade implicando em duas tarefas é apontado por
Humboldt (1997, apud PEREIRA, 2009, p.124): "[...] de um lado, promoção do
desenvolvimento máximo da ciência, de outro, produção do conteúdo responsável
pela formação intelectual e moral da nação”.
O paragrafo acima caracteriza que a universidade deveria promover o
enriquecimento moral da Nação e do indivíduo. Os princípios traçados por Humboldt
estabeleceram-se como aqueles que toda universidade deveria sustentar para o
bem público e da nação (PEREIRA, 2009). O mesmo autor ainda aponta como outra
característica da universidade, que seus membros compreendem ciência como um
problema que nunca pode ser totalmente resolvido. O que transforma a pesquisa
num esforço infinito e traz a ideia maior sobre Universidade Moderna, na qual
necessária se faz a associação entre ensino e pesquisa.
A moderna concepção de Universidade, após as reformas, parte do
pressuposto que somente pode se dizer que se trata de uma Universidade quando
há formação graduada e pós-graduada, pesquisa e extensão. Sem qualquer destes
20
elementos, certamente há ensino superior, todavia não há universidade. O que
remete a conclusão de que em muitos países, a esmagadora maioria das
Universidades privadas e mesmo parte das universidades públicas não são
Universidades, porque lhes falta a pesquisa ou a pós-graduação (SANTOS, 2008).
Quando se fala em Universidade Moderna, os modelos de Universidade que
se apresentam são o Alemão, Inglês, Francês e Italiano, o que após a Declaração
de Bolonha(Itália) passaram a receber o nome singular de modelo Europeu, o qual é
contraposto pelo chamado modelo Norte Americano.
2.1.1 Modelo Europeu
Formado pela junção dos modelos Italiano, Alemão, Inglês e Francês de
Universidade, apesar que a essência de cada concepção seja distinta em
decorrência da formação histórica de cada um destes povos, ressalta-se que a partir
da Declaração de Bolonha formaram um modelo único.
No 900º Aniversário da Universidade de Bolonha, em 1988 foi firmada a
Magna Carta Universitária, um marco na transformação das Universidades
Europeias. Tal carta trouxe impacto no desenvolvimento cultural cientifico e técnico
para o futuro da Europa, que após 1998, no 800º aniversário da Universidade de
Paris, foi firmada a Declaração de Sorbone, a qual buscou a compatibilidade do
sistema de ensino Europeu com objetivo de reconhecimento, qualificação e
incremento a competição internacional.
Em 1999 a Declaração de Sorbone foi revogada pela nova Declaração de
Bolonha, quando se estabeleceu linhas de ação buscando um sistema de ensino
baseado em graus de acessível leitura e comparáveis no âmbito da União Europeia,
sendo tal sistema baseado em dois ciclos, o geral comum aos cursos e
posteriormente o especifico do curso pretendido e um sistema de acumulação e
transferência de créditos. A União Europeia desenvolveria ainda uma politica comum
de avaliação de qualidade do ensino superior. Estabeleceu ainda como metas a
promoção da mobilidade de estudantes, professores e investigadores, e busca-se a
atratividade do Espaço Europeu de Ensino Superior.
A partir de Bolonha, o modelo de ensino-aprendizagem passa a centrar-se o
processo no aluno, substitui-se o sistema tradicional de transmissão do
conhecimento para o modelo de aquisição de competências, o qual delega ao aluno
21
maior responsabilidade na aquisição do conhecimento. Os professores passam a ter
como objetivo desenvolver nos alunos as competências necessárias para o exercício
de uma profissão.
Nessa perspectiva, o “[...] novo ensino superior europeu busca de fato um
novo modelo de universidade, concebida como empresa, chamada a enfrentar a
concorrência nacional, europeia ou mundial e a criar alianças com outros parceiros
acadêmicos” (CHARLE et al, 2004, p.969).
A partir de Bolonha, ressignifica-se o modelo de ensino-aprendizagem, ao
centrar-se o processo no aluno, abandonando-se o sistema tradicional de
transmissão do conhecimento para o modelo de aquisição de competências,
concedendo-lhe maior liberdade no seu processo de formação e delegando-lhe
maior responsabilidade na aquisição do conhecimento.
A seguir será feito um breve apanhado sobre os principais modelos de
universidade europeu que influenciaram a construção da nova universidade
europeia.
As Universidades Alemãs chamadas idealistas almejariam a ‘verdadeira ideia
de universidade’. Buscam a educação geral visando o desenvolvimento do intelecto.
Um corpo docente criador e alunos integrados aos mestres, buscando todos a
pesquisa com total liberdade livre das pressões sociais, formas de organização
estrutural, curricular e administrativa. Humboldt (1997 apud PEREIRA, 2009). No
modelo alemão também denominado “modelo idealista alemão” há a premissa de
que o ensino não pode inviabilizar a pesquisa, o objetivo de Humboldt foi tornar a
universidade uma academia. A Crítica que se faz ao modelo Alemão é de ser elitista,
uma vez que ao exigir do Aluno dedicação integral aos estudos impede-o de
trabalhar. O que somente seria possível aos filhos da elite econômica.
O modelo francês, por sua vez resulta do ensino superior em tal país no
período de 1793 a 1896. Em 1793, Napoleão aboliu as universidades por consideralas apologia ao Antigo Regime e buscou o monopólio cultural, por este motivo
recebe também a denominação de ‘modelo imperial Napoleônico’. Tal reforma
permitiu que alguns dos grandes estabelecimentos de ensino permanecessem.
Cerca de cem anos após a revolução francesa, o ensino permaneceu como um
sistema de escolas superiores organizadas como se fossem ensino médio. A missão
do ensino superior em tal período era servir a nação e ser útil ao sistema social,
político e econômico.
22
Nas Universidades Francesas, ditas funcionais, a missão seria servir a nação
com finalidade de utilidade coletiva. A universidade seria um instrumento de
formação profissional e política. Isso entendido como uma utilidade social.
A critica que se faz a Universidade Moderna é que esta entrou em crise,
segundo definição clássica de Santos (2003, p. 166) devido a ‘tensão problemática’
de três domínios de contradição: “[...] sendo a primeira delas entre a produção de
alta cultura para a formação das elites e a produção de padrões culturais médios e
de conhecimento úteis para a força de trabalho qualificada exigida pelo
desenvolvimento industrial”. Esta é denominada por Santos como crise da
Hegemonia. Seguida pela crise de legitimidade oriunda da contradição entre
hierarquização e democratização e a terceira seria a crise institucional, havida entre
a autonomia institucional e a produtividade social.
As
Universidades
Inglesas
de
Oxford
(fundada
em
1667)
e
Cambridge (originada de Oxford, por migração, em data incerta do século XII), por
quase meio século, dominaram o panorama universitário da Inglaterra. Tais
universidades denominadas de ‘Oxbridge’ formaram o chamado modelo inglês de
universidade, embora houvesse outras, exemplificando Universidades de Durham
(1832) e de Londres (1836), a qual examinava e conferia grau aos estudantes das
demais instituições inglesas de ensino superior.
Optando pela primazia da educação, tal modelo desde as origens buscou a
formação da personalidade, caráter e moral dos alunos, incorporando ainda
elementos do anglicanismo na formação superior. Buscou formar o ‘gentleman’ com
uma inteligência cultivada, um gosto refinado, um espírito leal, justo e severo, uma
conduta nobre e cortês, qualidades que acompanham um vasto saber (NEWMANN
apud ROSSATO, 1998. p. 130). Desta forma os alunos são o objeto da universidade
e não o ensino ou a pesquisa, por esta razão denomina-se também ‘modelo elitista
inglês’.
A organização universitária era formada pelos chamados ‘Colleges’, que
congregam comunidades universitárias onde convivem com seus tutores, em regime
de internato, estudantes do sexo masculino
bem como as Faculdades,
que ministram ensino especializado. A admissão de estudantes mulheres, somente
foi admitida no final do século XIX. Não havia até então lei educacional, o que
conferia autonomia integral as universidades, as quais eram mantidas pelo Estado.
23
2.1.2 Modelo Norte Americano
O modelo norte americano de Universidade também conhecido como
utilitarista, é caracterizado pela organização dos recursos materiais e humanos em
estrutura departamental, ou seja, em função da economia de escala no uso dos
indutos, ao invés de faculdades que seriam o produto profissional.
Já o conhecimento é fracionado e agrupado em partes menores denominadas
disciplinas, ao invés das antigas cátedras. Seria tal modelo na visão de Gurgel
(1986, p. 59) fruto de diferentes tendências: “a educação liberal inglesa, College, o
ideal científico da universidade Alemã e a orientação pragmática de treinamento
técnico-profissional do Land Grant Colleges”. A pluralidade de formulação confere a
universidade norte americana formulações diferenciadas que desempenha função
de esclarecimento, por meio da ciência; de formação crítica, por meio do ensino; e
se volta ao espaço público, por meio da extensão. Segundo Habermas (1993, p.
126) as instituições americanas tiveram quatro funções centrais: investigação e
formação de novas gerações; preparação de carreira acadêmica com saber técnico
aplicável; tarefas de cultura em geral e contribuição para a criação da consciência
individual.
Após 1860 quando a universidade norte americana passou a sofrer influência
do modelo alemão, a união do ensino e pesquisa passou a ser sustentado pelo
Estado em sua maior parte. Após com a implementação da formação técnica
profissional, as empresas interessadas em prosperarem passaram a contribuir
financeiramente e com isso as instituições tornaram-se flexíveis e inovadoras, além
de expandirem suas instalações e cria-se um modelo próprio de universidade.
Gramsci (apud Cunha, 1988, p.19) discorre que a hegemonia americana
própria das grandes indústrias com sua organização racional do trabalho e das
linhas de comando (Taylorismo) atingiu também a esfera da universidade.
2.1.3 Inicio da Universidade no Brasil
Somente no início do século XX é que foram criadas as primeiras
universidades no Brasil, reunindo vários cursos profissionalizantes (SILVA, 2008, p.
13), já em 1909 a Escola Universitária Livre de Manaus, instituição particular, mas
que recebia auxilio do Estado e do Município, a qual foi extinta junto com o declínio
24
do Ciclo da Borracha.
Em 1911 na cidade de São Paulo a Universidade de São Paulo, com base no
decreto n.º 8.659 de 05 de abril de 1911, inicialmente particular como autorizava o
citado decreto, seguida pela Universidade do Paraná, também na Capital Curitiba,
em dezembro de 1912, também baseada no decreto n.º 8.659 de 05 de abril de
1911. As citadas universidades segundo Silva (2008, p. 17) foram criadas ao estilo
medieval, sem corpo docente qualificado, bibliotecas e laboratórios.
Pelo que em 1915 o decreto n.º 11.530 de 18 de março de 1915, com o intuito
de reorganizar o ensino no Brasil, acabou por extinguir as universidades até então
existentes, por não preencherem as exigências do citado decreto. Passaram a existir
somente faculdades isoladas até em 07 de janeiro de 1920 o governo federal criar a
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Somente na década de 1930 é que surgiu a moderna universidade no Brasil,
a USP (Universidade de São Paulo) em 1934, seguida pela UDF – (Universidade do
Distrito Federal) em 1935 incorporando tanto os produtos da política educacional
Alemã quanto os da reação alemã à invasão francesa, esta depois daquela (Cunha,
1988, p. 15). Ristoff (1999) aponta que a crise de modelo seria o grande desafio
atual, uma vez que é necessário adaptar o sistema elitista de ensino praticado até
poucas décadas às demandas populares.
A concepção de Universidade vinculada ao tripé: ensino, pesquisa e
extensão, onde o ensino vincula-se ao acesso privilegiado aos campos da cultura
universal e das ciências; a pesquisa coma produção do saber e a pós-graduação e a
extensão cabe as atividades de divulgação do saber e da extensão de serviços à
comunidade(PEREIRA, 2009).
A vinculação dos três elementos acima citados foi instituída somente a partir
da chamada Reforma Universitária Lei n.º 5.540 de 1968, resultado da adoção do
modelo norte americano de universidade e a superação do modelo Napoleônico de
ensino superior. Todavia tal superação foi relativa, uma vez que a reforma
universitária foi elaborada com base no idealismo alemão, mas utilizando-se do
modelo organizacional norte-americano (CUNHA, 1988).
2.2 ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO NOS DIAS ATUAIS
A Lei de Diretrizes e Bases – LDB - de 1996 prevê que as instituições de
25
ensino podem ser públicas, as que são as criadas ou incorporadas, mantidas e
administradas pelo Poder Público e privado as mantidas e administradas por
pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
Prevê ainda que as instituições privadas de ensino se enquadrarão em quatro
categorias, quais sejam: comunitárias, as que são instituídas por grupos de pessoas
físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de professores
e alunos que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade;
confessionais, as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou
mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia
específicas; filantrópicas devem ser instituídas na forma da lei específica. E caso
não apresentem as especificidades acima e sejam e mantidas por uma ou mais
pessoas físicas ou jurídicas de direito privado são as particulares em sentido estrito.
Sendo que em todos os modelos há a necessidade de fiscalização, de
regulação e avaliação, o decreto n.º 5.773/2006 que dispõe sobre o exercício das
funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e
cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Tal
decreto traz ainda a forma de credenciamento das Instituições de Ensino Superior IES em: faculdades, centros universitários e universidades. Todavia dispõe que
todas as instituições serão credenciadas originalmente como Faculdade. Para a
alteração do credenciamento como universidade ou centro universitário, o que
garante prerrogativas de autonomia, deve haver credenciamento específico da
instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de
qualidade.
No caso de o pedido de credenciamento como universidade ou centro
universitário seja indeferido, não impede o credenciamento subsidiário como Centro
Universitário ou Faculdade, cumpridos os requisitos previstos em lei. Com relação
aos prazos, o decreto em questão traz que o primeiro credenciamento terá prazo
máximo de três anos, para faculdades e centros universitários, e de cinco anos, para
universidades.
Segue breve explanação sobre os modelos de IES: Centros Universitários,
definidos pelo Decreto n.º 5.786 de 24 de maio de 2006 como instituições de ensino
superior pluricurriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido,
pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico
oferecidas à comunidade escolar. Devem para obter tal denominação atender aos
26
seguintes requisitos: possuir um quinto do corpo docente em regime de tempo
integral e um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de
mestrado ou doutorado.
Pereira (2009) discorrendo sobre Faculdades e Centros Universitários,
entende que tais Instituições tem alcance menos extenso que a universidade, uma
vez que não se estruturam para a produção de ciência e limitam-se à transmissão de
conhecimentos prontos, o que as tornam instituições superiores voltadas para a
formação de profissionais e não capazes de produzirem o conhecimento. O que as
move é o ensino profissional.
As Universidades por sua vez são diretamente vinculadas a ciência, uma vez
que para seus membros a ciência é um problema que nunca pode ser
completamente resolvido (PEREIRA, 2009).
2.3 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO PARANÁ E SANTA CATARINA
A seguir a distribuição das informações das Instituições de ensino superior do
Paraná e Santa Catarina.
Quadro 1– Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior no Paraná
Organização
Faculdade
Regime
Administrativo
Pública Estadual
07
Pública Municipal
02
Pública Federal
0
Privada sem fins
71
lucrativos
Privada com fins
77
lucrativos
Total
179
Fonte: Ministério da Educação (2012)
Centro
Universitário
Instituto
Universidade
0
1
0
3
0
0
1
0
7
0
2
0
2
0
4
06
1
13
27
Quadro 2 – Modelo administrativo das Instituições de Ensino Superior em Santa
Catarina
Organização
Faculdade
Regime
Administrativo
Pública Municipal
1
Pública Federal
0
Privada sem fins
41
lucrativos
Privada com fins
40
lucrativos
1
Especial
0
Total
82
Fonte: Ministério da Educação (2012)
Centro
Universitário
Instituto
Universidade
0
0
1
0
2
0
0
2
0
2
0
0
4
07
0
2
11
2
13
Os quadros acima demonstram a prevalência das Faculdades particulares
nos dois Estados. A existência de Faculdades segundo a LDB deveria ser uma
exceção, demonstra que há nesta esfera o predomínio de um setor privado com fins
lucrativos, uma singularidade brasileira. Oliven (1993, p.75) denomina o crescimento
significativo do setor privado como “[...] paroquialização do ensino superior, com
faculdades isoladas e privadas, academicamente precárias, economicamente mais
baratas e politicamente inócuas frente à ideologia prevalecente”.
Quadro 3 – Localização das Instituições de Ensino Superior no Paraná
Capital
Faculdade
Pública
Estadual
Pública
Municipal
Pública
Federal
Privada sem
fins lucrativos
Privada com
fins lucrativos
Total
Interior
Centro
Centro
Instituto Universidade Faculdade
Instituto Universidade
Universitário
Universitário
2
0
0
0
5
0
0
7
0
0
0
0
2
1
0
0
0
0
1
2
0
0
0
0
27
2
0
0
44
1
0
0
22
1
0
2
77
1
0
2
51
3
1
4
128
3
0
9
Fonte: Ministério da Educação (2012)
1
Sob analise da Conjur/MEC pelas IES entenderem ser Fundacionais – instituídas pelo Município.
idem
2
28
Quadro 4 – Localização das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina
Capital
Faculdade
Interior
Centro
Instituto
Universitário
Universidade
Faculdade
Centro
Universitário
Instituto
Universidade
Pública
Estadual
Pública
Municipal
Pública
Federal
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
1
0
0
1
1
Privada sem
fins lucrativos
7
0
0
0
34
1
0
0
Privada com
fins lucrativos
6
0
0
0
34
2
0
0
Especial
0
0
0
1
0
4
0
10
Total
13
0
1
2
69
7
1
11
Fonte: Ministério da Educação (2012)
Os quadros acima trazem a distribuição do ensino Superior nos Estados do
Paraná e Santa Catarina com relação a localização entre capital e Interior.
No Paraná 59 IES estão situadas na Capital e 140 no Interior, já em Santa
Catarina 16 IES estão na Capital e 88 no Interior. Outrora quase a totalidade das IES
estavam sediadas na Capital dos Estados, a população do Interior se desejasse
estudar teria de se deslocar para tais centros.
2.4 CONCEITO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
O Ministério da Educação (2012) adota como conceito institucional, o qual
consta dos editais para financiamento o seguinte conceito de extensão:
Entende-se como Extensão o processo interdisciplinar, educativo, cultural,
científico e político que promove a interação transformadora entre a
universidade e outros setores da sociedade orientado pelo princípio
constitucional da indissociabilidade com o Ensino e a Pesquisa.
Calderón (2011, p.27) a fim de conceituar extensão, considera além da
definição legal a dinâmica das IES financiadas com os recursos das mensalidades
pagas pelos alunos:
A extensão universitária pode ser definida como uma das três atividades
universitárias, portanto uma atividade acadêmica, assim como o ensino e a
29
pesquisa, que possibilita, um processo de interação entre universidade
como um todo – incluindo sua estrutura gerencial – e os três grandes
setores da sociedade (Estado, sociedade civil e mercado), visando
estabelecer um processo de retroalimentação que possibilita não só a
socialização e democratização dos conhecimentos produzidos, mas
também, e principalmente, a formação cidadã dos recursos humanos que o
país precisa para seu desenvolvimento.
O FORPROEX, apresentou em maio de 2012 na cidade de Manaus – AM. A
Política Nacional da Extensão Universitária (2012), em tal documento trouxe o
conceito de extensão universitária buscando uma Universidade atuante na
sociedade:
A Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar,
educativo, cultural, científico e político que promove a interação
transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade.
A definição acima, demonstra ser a extensão universitária um processo
interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político, pelo qual busca a interação
transformadora na Universidade e nos setores sociais com os quais interage. Utilizase para tanto da promoção e garantia dos valores democráticos, da equidade e do
desenvolvimento da sociedade em suas dimensões humana, ética, econômica,
cultural, social.
Para Santos (2008), a reforma da universidade deve destinar papel de
centralidade atividades de extensão a fim de conferir uma participação ativa na
construção da coesão social, o que somente pode ser conquistado mediante a
cooperação intergovernamental cita-se os Ministros da Educação, do Ensino
Superior e Tecnologia, da Cultura e das Áreas Sociais.
A extensão envolve uma vasta área de prestação de serviços a destinatários
variados: grupos sociais populares e suas organizações; movimentos sociais;
comunidades locais ou regionais; governos locais; o setor público; o setor privado.
Entretanto entende o Autor que para além de serviços prestados a destinatários bem
definidos, há também toda uma outra área de prestação de serviços que tem a
sociedade em geral como destinatária: ‘incubação’ da inovação; promoção da
cultura científica e técnica; atividades culturais no domínio das artes e da literatura.
Todavia se faz necessário repelir a vocação para que a extensão seja conduzida a
fim de arrecadar recursos extra orçamentários, o que caracterizaria uma privatização
da universidade pública. Para evitar isso, o autor defende que as atividades de
30
extensão devem ter como objetivo prioritário, o interior da universidade na forma de
prestar apoio solidário na resolução dos problemas da exclusão e da discriminação
sociais e de tal modo se dê voz aos grupos excluídos e discriminados.
A extensão é a forma como a universidade transmite às comunidades seu
ensino e o resultado de sua pesquisa, de forma isolada. Não se concebe um
processo em que as atividades de ensino e pesquisa se articulem com a extensão,
da mesma forma, não se percebe a troca de saberes entre a universidade e
sociedade. Essa é vista como mera receptora (NOGUEIRA, 2005. p. 23).
2.4.1 A extensão nas IES: Uma Abordagem Histórica e Legal
Desde a criação das primeiras Universidades essas tinham uma função social
a cumprir junto a sociedade, conforme entendimento de Santos:
A ideia de que a instituição acadêmica tem uma função ou papel social a
cumprir esteve presente desde a fundação das primeiras Universidades, no
século XII, sendo fator de conflito e tensão no relacionamento desta com o
Estado e a Sociedade (SANTOS, 1973, p.2).
Contudo no Brasil a criação de Universidades não foi vista pelo lado do
cumprimento de uma função social do Estado, e sim como forma de modernizar o
país e desenvolve-lo através da formação de mão-de-obra:
No Brasil, a criação de IES sempre esteve associada à ideia de
modernização. Inicialmente mantidas e controladas pelo Estado, elas
atendiam a demandas pontuais de formação de mão-de-obra e foram, aos
poucos, vinculadas ao ‘ideal’ de levar o país à ‘modernidade do primeiro
mundo’ por promoverem o desenvolvimento da cultura, da ciência e da
tecnologia (C&T) (MENEGUEL, 2001, p.16).
Já a extensão universitária, teve seu inicio com a criação das universidades
européias, visando aproximar essa instituição da população que não possuía acesso
a ela, utilizando-se de campanhas de saúde e assistência às populações carentes.
Apontando para uma atividade pensada para redimir a Universidade do seu
distanciamento de um determinado grupo social que não tinha acesso a ela
(CASTRO, 2004, p. 4).
Seria a extensão uma forma de a Universidade disponibilizar ao conjunto
social o que tem de consolidado em termos de ensino e pesquisa, para tanto devem
ser calcados em projetos de pesquisa e atividades de ensino (MARCOVITCH, 1998,
31
p. 34). Os alunos e professores envolvidos seriam captadores das demandas sociais
principalmente da comunidade local, pois uma universidade pode ser conhecida por
meio de um inventário das atividades de extensão que desenvolve.
A extensão universitária é para Marcovitch (1998) uma credencial de
excelência pois somente universidades com história e altos índices de qualidade em
pesquisa e ensino é que podem repassar a comunidade externa, o conhecimento
acumulado em todas as áreas. O docente envolvido também se diferencia uma vez
que deve ter conhecimento das expectativas da sociedade.
Em nosso país a Universidade ‘passageira’ de São Paulo (1911-1917) foi a
primeira a desenvolver algum tipo de extensão. Segundo Cunha(1980, p. 13) se
dava sob a forma de conferências, com periodicidade semanal, cuja finalidade
precípua era a promoção do contato dos intelectuais com a população. Entretanto
apenas em 1934 o modelo moderno de Universidade, como instituição acadêmica
que deve atender os requisitos de ensino, pesquisa e extensão de forma semelhante
da pensada atualmente foi instalado no Brasil, mas ainda sem qualquer
regulamentação legal. As instituições criadas no Império tinham apenas a função de
criar a mão-de-obra necessária ao Estado, conforme preceitua Meneghel (2001,
p.35):
Até então, as escolas superiores criadas no Império para a elite seguiam o
modelo francês, ocupando-se da formação de quadros/ profissionais para o
Estado. Esta visão permaneceu até o final da IIª Guerra uma vez que não
havia, no país, setor produtivo/empresas que demandassem avanço
tecnológico. As atividades de pesquisa eram privilégio de alguns poucos
Institutos criados com este fim.
Ainda que na teoria tal modelo universitário parecesse aplicável, no Brasil
Colônia não se tem notícias de qualquer projeto que reconhecesse a extensão nas
universidades, conforme nos demonstra Knuppel (2006, p.9):
A universidade brasileira sempre acreditou que realizava seu compromisso
para com a sociedade pela aplicação de sua função de ensino, porém
restrita a uma pequena parcela da sociedade, sustentando-se da visão
necessária de sua ampliação.
Contudo, pesquisas têm demonstrado que desde o Brasil Colônia até o ano
de 1930 não foi identificado nenhum registro no discurso oficial que
reconhecesse a existência da extensão.
O Estatuto das Universidades Brasileiras, também chamado de Reforma
32
Francisco Campus – decreto n.º 19.851 de 11 de abril de 1931, em seu artigo 42
prevê a forma pela qual a extensão universitária será efetivada: cursos e
conferências de caráter educacional ou utilitário, mas desde que com prévia
autorização do Conselho Universitário.
A extensão segundo o mesmo artigo destina-se a difusão de conhecimento
útil a vida individual ou coletiva e a solução de problemas sociais ou a propagação
de ideias e princípios que salvaguardem os altos interesses nacionais. Nota-se a
que extensão universitária surge no ordenamento jurídico pátrio como hábil a
solucionar os problemas sociais. Tal normativa, entretanto, considerando o momento
político do Brasil, quando a Revolução de 1930 conduzia uma nova classe ao poder,
serviu para propagar ideias e princípios que serviriam ao então ‘interesse nacional’
da nova classe.
Somente após o término da Segunda Guerra Mundial que a situação das IES
brasileiras alterou-se. A vitória dos aliados fez com que o mundo voltasse os olhos
às pesquisas produzidas pelas IES americanas e nosso país passou a necessitar de
mão-de-obra qualificada.
No pós-guerra, a industrialização do país demandava recursos humanos
qualificados para atuar nas empresas multinacionais, aumentando a pressão por
vagas suprida, principalmente, pela expansão da iniciativa privada (CUNHA, 1988)
vitória dos aliados, creditada aos cientistas das Universidades dos EUA, disseminou
ainda mais a visão do caráter utilitário das IES e da pesquisa. Foi neste momento
que o Governo brasileiro ocupou-se de criar uma estrutura de investigação
acadêmica, originando as primeiras agências de apoio e instituições de pesquisa
(como o Conselho Nacional de Pesquisa/CNPq e o Instituto Tecnológico da
Aeronáutica/ITA), em 1948.
A primeira Universidade do país totalmente concebida no modelo moderno foi
a Universidade de Brasília/UnB, em 1961. Baseada na concepção tecnocrática
norte-americana, com os princípios de produtividade, eficiência e eficácia, ela
representava o ideal nacional de produzir a C&T necessária ao desenvolvimento
econômico do país(KNUPPEL, 2006).
Na sequência a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB Lei n.º
4.024 de 20 de dezembro de 1961, trouxe a extensão universitária de forma
genérica ao mencionar em seu artigo sessenta e nove que nos estabelecimentos de
ensino superior podem ser ministrados cursos de especialização, aperfeiçoamento e
33
extensão, ou quaisquer outros cursos, a juízo do respectivo instituto de ensino. A
citada institucionalizando a extensão universitária pouco agregou em termos da
expansão, propiciou no país a ideia de que a universidade deveria colocar seus
recursos materiais, humanos e de pesquisa a serviço da “comunidade”, sem a
intermediação do mercado de trabalho no qual seus formandos ingressariam
(CUNHA, 1988).
Nesse mesmo período os estudantes por meio da União Nacional de
Estudantes
–
UNE,
realizaram
intensa
atividade
extensionista
fora
das
Universidades. O objetivo de tais atividades era levar o estudante a participar da
vida social das comunidades, propiciando troca de experiências entre estudantes de
áreas profissionais afins (NOGUEIRA, 2005), e após era estimulada a reflexão sobre
os trabalhos desenvolvidos, ou pelos docentes eventualmente participantes ou por
meio do grupo participante, todavia a UNE foi desarticulada com o Golpe Militar de
1964.
A Lei n.º 5.540 de 28 de novembro de 1968 a qual fixou normas de
organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola
média a chamada Reforma Universitária. Tal reforma deve-se mencionar ocorreu em
meio do regime militar sendo que logo após em 13 de dezembro do mesmo ano,
durante o Governo do General Artur da Costa e Silva, sobreveio Ato Institucional n°
5. Para adequar a Lei que estabeleceu a Reforma Universitária foi editado em 11 de
fevereiro
de
1969
o
Decreto-lei
nº
464,
o
qual
estabeleceu
"normas
complementares” à Lei nº 5.540/68.
Na chamada Reforma Universitária de 1968 o ensino superior tinha por
objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes e a formação de
profissionais de nível universitário, conforme consta no artigo primeiro. Constou
ainda no artigo segundo que o ensino superior, indissociável da pesquisa, ou seja,
nos objetivos e princípios gerais de tal lei a extensão universitária sequer era
cogitada. No artigo 20 mencionou que “[...] as universidades e as instituições de
ensino superior estenderão à comunidade, sob forma de cursos e serviços
especiais, as atividades de ensino e os resultados da pesquisa que lhe são
inerentes” (BRASIL, 1968)
Somente ao tratar sobre as Instituições de Ensino Superior fez constar no
artigo quarenta que: “por meio de suas atividades de extensão, proporcionarão aos
corpos discentes oportunidades de participação em programas de melhoria das
34
condições de vida da comunidade e no processo geral do desenvolvimento”. Tal
redação exclui a necessidade da participação docente na prática da atividade de
extensão, o que torna a extensão desvinculada do planejamento do Departamento.
Muito embora tenha sido um avanço a menção sobre a extensão universitária,
esta em um primeiro momento apareceu somente como um meio de se promover a
melhoria das condições de vida da comunidade. O Governo Militar a utilizou como
forma de levar o desenvolvimento e segurança a comunidades carentes, utilizandose dos alunos como mão-de-obra apenas. Segundo Fagundes (1993) coube ao
Ministério da Educação - MEC e ao Conselho de Reitores das Universidades
Brasileiras – CRUB
3
os órgãos dos quais partiram as principais diretrizes
extensionistas, delimitar o que realmente se entenderia por extensão e a missão de
sensibilizar os dirigentes universitários sobre a necessidade de tal prática.
Na avaliação sobre a reforma universitária, no tópico destinado as atividades
de extensão universitária, Santos (1973) observa que com a regulamentação houve
grande expansão das atividades de extensão nas universidades. Como resultado
tem-se que alguns programas foram institucionalizados em âmbito nacional, como o
RONDON e o CRUTAC, os quais serão adiante abordados. Tais projetos de
extensão por alguns autores são vistos como se sucesso, a exemplo de Santos,
1973 e por outros como meio de manter a segurança nacional em um regime militar,
como Nogueira (2001). Essa autora ainda ressalta que tal lei mantém a concepção
de extensão europeia, na qual a universidade deveria ofertar cursos à comunidade e
a americana, que enfatiza a prestação de serviços. Imputa a então exiguidade dos
programas de extensão pela antiga estrutura universitária, devido à rigidez do
regime de cátedras, na vigência do qual tudo tendia para o individualismo e da
incentivava as formas de colaborações essenciais aos modelos mais dinâmicos de
prestação direta de serviços a comunidade.
A Constituição Federal de 1988 trouxe em seus artigos 6.º a 11.º os direitos
sociais. Especificamente os Direitos Sociais relativos a Educação, encontram
previsão na Constituição Federal nos art. 205 a 217.
O art. 205 dispõe que: A educação, direito de todos e dever do Estado e da
família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
3
O CRUB foi fundado em 29 de abril de 1966 sendo reconhecido como de utilidade Pública em 31 de
julho de 1972 pelo decreto 70.904. Tal conselho permanece ativo até os dias de hoje tendo sua sede
em Brasília.
35
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho. (Constituição Federal de 1988). E o artigo 207: As
universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e patrimonial, e
obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino pesquisa e extensão.
Entretanto a Constituição Federal de forma isolada não é capaz de garantir a
efetividade dos Direitos que dispõe. Para tanto são necessárias leis ordinárias,
decretos e convenções ainda que internacionais, desde que recepcionadas por
nosso ordenamento jurídico.
Uma dessas normas internacionais é a Conferência Mundial de Educação
Superior realizada em Paris em julho de 2009, a qual apontou dentre outras
conclusões que o novo papel da Universidade na realidade atual é o de estar
comprometida com o desenvolvimento econômico, social e humano das sociedades.
Principalmente após a Declaração Mundial sobre a Educação Superior para o
século XXI – Paris 2009 a Educação Superior, deve ter como meta a adequação
entre o que as instituições fazem e as expectativas que a sociedade tem delas. O
que coaduna perfeitamente com o disposto no art. 205 da Constituição Federal.
Em tal Declaração Mundial, a educação superior é considerada como um bem
público. Excluindo do presente a questão do financiamento, a gestão da educação
superior deve ser instrumento para melhorar sua qualidade e relevância. Para tanto
se requer um planejamento apropriado, com estratégias baseados na cooperação e
coordenação entre as Instituições de Ensino Superior e as Autoridades Estatais. A
partir disso e em consonância com a Constituição Federal de 1988 e a Lei de
Diretrizes e Bases de 2006, emerge o problema da presente pesquisa.
O decreto n.º 6.495 de 30 de junho de 2008, o qual instituiu no âmbito do
Ministério da Educação, o Programa de Extensão Universitária - PROEXT define em
seu artigo 1.º que o programa é:
Destinado a apoiar instituições públicas de educação superior no
desenvolvimento de projetos de extensão universitária, com vistas a
ampliar sua interação com a sociedade. No parágrafo único do artigo
primeiro fez constar dentre os objetivos, o de estimular o desenvolvimento
social e o espírito crítico dos estudantes e ainda pautar a ação profissional
na cidadania e na função social da educação superior. Sendo que na
sequência explica que tal atuação busca contribuir para a melhoria da
qualidade da educação brasileira por meio do contato direto dos estudantes
com realidades concretas e da troca de saberes acadêmicos e
populares(BRASIL, 2008).
36
Prevê ainda que a extensão universitária pode ser realizada sob a forma de:
programas, projetos, cursos de extensão, eventos, prestações de serviço e
elaboração e difusão de publicações e outros produtos acadêmicos. Busca-se
atualmente a organização da extensão universitária para tanto se busca a
implementação de um sistema de informação de base nacional e um sistema de
avaliação contínuo e prospectivo.
Pretendendo a organização da extensão universitária, definiu o MEC através
da Secretaria de Educação Superior - SESu que o trabalho da extensão universitária
nas Universidades Públicas seria divido em áreas 8 áreas temáticas quais sejam:
Comunicação, Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Meio Ambiente,
Saúde, Tecnologia/Produção e Trabalho. Tais áreas temáticas para os editais do
ProExt foram divididos 16 em linhas temáticas: Educação, Cultura, Pesca e
Aquicultura, Promoção da Saúde, Desenvolvimento Urbano, Desenvolvimento Rural,
Redução das Desigualdades Sociais e Combate a Extrema Pobreza, Geração de
Trabalho e Renda por meio de empreendimentos econômicos solidários, Mulheres e
relações de gênero, Direitos Humanos, Promoção da igualdade racial, Preservação
do Patrimônio Cultural, Esporte e Lazer, Integração Nacional, Comunicação e
Justiça e Direito dos Indivíduos privados de liberdade.
O programa ProExt prevê que a interdisciplinaridade deve ser estimulada, que
deve ser dado ênfase à participação dos setores universitários não só na
elaboração, mas também na implementação de políticas públicas voltadas para a
maioria da população, à qualificação e educação permanente de gestores de
sistemas sociais e à disponibilização de novos meios e processos de produção,
inovação e transferência de conhecimentos e com isso buscar a ampliação do
acesso ao saber e o desenvolvimento tecnológico e social do país.
2.4.2 Projeto Rondon
Instituído em 1968 pelo Decreto 62.927 de 23 de junho e com grande
atividade das décadas de 1970 e 1980. Coordenado pelo Ministério da Defesa, uma
vez que segundo Nogueira (2005, p. 24) interessava ao Governo Militar manter os
estudantes universitários sob tutela, incutindo-lhe a ideologia da segurança nacional,
aproximando-os dos militares.
Foi extinto em 1989. Sendo que em 2005, com “[...] já com uma nova
37
roupagem, o Projeto Rondon voltou a figurar na pauta dos programas
governamentais, sendo atribuída a sua coordenação ao Ministério da Defesa”
(Projeto Rondon). É um projeto dito pelo site oficial (http://projetorondon.paginaoficial.com) projeto de integração social que envolve a participação voluntária de
estudantes
universitários
na
busca
de soluções
que
contribuam
para o
desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da
população.
Os atuais objetivos do projeto Rondon são: Contribuir para a formação do
universitário como cidadão; integrar o universitário ao processo de desenvolvimento
nacional, por meio de ações participativas sobre a realidade do País; consolidar no
universitário brasileiro o sentido de responsabilidade social, coletiva, em prol da
cidadania, do desenvolvimento e da defesa dos interesses nacionais e estimular no
universitário a produção de projetos coletivos locais, em parceria com as
comunidades assistidas.
A crítica que se faz a tal projeto à época de seu início era a de que os
estudantes eram levados a conhecer apenas parte da realidade trabalhada e não
estabeleciam vínculos permanentes com o local.
2.4.3 Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária - CRUTAC
O Centro Rural de Treinamento e Ação Comunitária, criado na Universidade
Federal do Rio Grande do Norte em 1966, inicialmente como campo de estágio aos
alunos da área de saúde. Em tal programa os alunos atuavam junto as comunidades
rurais.
Mesmo criado por uma Universidade toma por seus objetivos o foco da
manutenção da segurança nacional. O que é confirmado em 1969 quando é criada a
Comissão Incentivadora dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ação
Comunitária – CINCRUTAC, vinculada ao Ministério da Educação.
No período de 1971 a 1975 foram instalados 19 CRUTACs no país, chegaram
a 22 núcleos (GURGEL, 1986. p.111). A Crítica que se fazia era o caráter
esporádico de suas atividades, sua articulação com a instituição Universitária como
um todo e a falta de continuidade das ações entre outros aspectos. (NOGUEIRA,
2001, p. 61).
38
2.5 TIPOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
2.5.1 Modelo Europeu
O inicio da extensão universitária organizada nas universidades europeias,
ocorreu na Inglaterra, na segunda metade do século XIX, ainda antes da unificação
do sistema europeu de ensino, em decorrência das necessidades oriundas da
Revolução Industrial.
O movimento europeu de universidades populares, surgiu, não do impulso
Estatal, mas de esforços coletivos de grupos autônomos em relação ao Estado. A
esse respeito, Melo Neto (2001) citando Tavares (1996.p.27):
Visando, por um lado, preparar técnicos e, por outro lado, dispensar o
mínimo de atenção às pressões das camadas populares, ainda que cada
vez mais expressivas e mais reivindicativas, a extensão universitária se
consolida através de cursos voltados para os ausentes da instituição que,
sem formação acadêmica regular, desejam obter maior grau de instrução.
A extensão então era vinculada a ideia de educação continuada, cujos cursos
eram destinados a toda população ausente dos bancos do ensino superior, com
objetivo de disponibilizar à sociedade o saber produzido nas Universidades, por
meio de cursos técnicos.
No Brasil tal concepção foi traduzida pelas chamadas ‘Universidades
Populares’ e marca o início de tal atividade universitária (NOGUEIRA, 2005, p. 16).
Tal concepção traz a intenção de fazer com que a universidade contribua no
desenvolvimento político, social, econômico e cultural.
Pelo que o modelo da extensão universitária europeu, notadamente de
influência Inglesa, marca-se pela oferta de cursos a população em geral (GURGEL,
1986, p. 31).
2.5.2 Modelo Norte Americano
Tal modelo surgiu anos após o modelo europeu, tendo como característica a
prestação de serviços na área rural e urbana.
Sendo diversas as influências para a constituição da universidade norteamericana, a forma com que se relaciona com a sociedade da mesma forma
39
apresenta-se diversificada sendo a extensão cooperativa e a extensão universitária
(GURGEL, 1986, p. 59).
A extensão cooperativa, se da em decorrência da participação do governo
federal (por meio do departamento de agricultura), estados (com a universidades
Land Grant) a universidade envia os especialistas e agentes extensionistas, a estes
cabendo a função do contato direto com a população e os municípios, tais entes
devem elaborar conjuntamente uma política de ação. Cabendo ao município
fornecer as condições físicas e pessoal de apoio. Tal forma de extensão busca
atender as áreas de produtividade agrícola, comercialização, distribuição e utilização
dos produtos, melhor emprego, conservação e desenvolvimento dos recursos
naturais, administração de fazendas e do lar, a vida em família e a melhoria da
comunidade, desenvolvimento juvenil, formação de lideres e desenvolvimento de
recursos humanos (MC MANNON, 1970 apud GURGEL, 1986, p. 61).
Já a extensão universitária origina-se com um grupo de professores
envolvidos na educação de adultos. Em 1885, sob influência da extensão praticada
no sistema ‘Oxbridge’ é que a extensão começou a tomar forma nas universidades
americanas, iniciando quando um dirigente da Universidade de Chicago a incluiu
como atividade regular na formação dos alunos, a entendendo como ação
extramuros e implementando a realização de cursos por correspondência. Todavia
foi somente quase vinte anos depois quando a Universidade de Wisconsin iniciou o
desenvolvimento do trabalho extensionista que a extensão universitária adquiriu
maior importância.
Em 1915, vinte instituições de ensino formaram a Associação Nacional de
Extensão Universitária, o que não significou a padronização das políticas de
extensão, cada universidade executaria a extensão conforme suas potencialidades.
O ponto comum é a busca do desenvolvimento da comunidade, realização de cursos
e conferências, cursos por correspondências e no período noturno, cursos para a
preparação de professores. Soma-se a implementação de campi avançados de
instituições de ensino, o que levou o ensino superior a locais antes não atingidos e
consequentemente a extensão universitária. Buscam as universidades ajustarem-se
as necessidades desta expansão da educação superior, para tanto adotaram a
conotação empresarial, o que tornou possível atender a demanda do setor produtivo,
produzindo especialistas nas áreas demandadas, conhecimento tecnológico e
aplicado, pesquisas de interesse utilitário, assim como serviços de uma maneira
40
geral, o trabalho intelectual é fragmentado a fim de atender a demanda, o que
coaduna com o contexto neoliberal.
Ante o acima exposto chega-se a conclusão que o modelo norte americano
de extensão universitária, caracteriza-se pela prestação de serviços seja na área
urbana seja na rural. Extensão ligada ao processo de assessoria técnica, em que a
universidade com seus saberes científicos, destina-os à população desprovida de
conhecimentos e recursos, a fim de suprir necessidades sociais, atender demandas
e resolver os problemas sociais gerados pelo capital, constituindo-se assim, uma
concepção de extensão, assistencialista, que estende seus conhecimentos até a
população carente (JESINE, 2001).
2.6 INDISSOCIABILIDADE ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
O princípio da indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e
extensão é fundamental na universidade atual. A relação entre o ensino e a
extensão conduz a mudanças no processo pedagógico, pois alunos e professores
constituem-se em sujeitos do ato de aprender. Ao mesmo tempo em que a extensão
possibilita a democratização do saber acadêmico, por meio dela, este saber retorna
à universidade, testado e reelaborado. A relação entre pesquisa e extensão ocorre
quando a produção do conhecimento é capaz de contribuir para a transformação da
sociedade. A extensão, como via de interação entre universidade e sociedade,
constitui-se em elemento capaz de operacionalizar a relação entre teoria e
prática. Quanto à formação do estudante, propõe-se uma relação com impacto
técnico-científico e sócio pessoal, fruto da existência de projeto didático-pedagógico
com atribuição de créditos acadêmicos, sob orientação e avaliação de docente-tutor,
que facilite a flexibilização da formação e a integralização curricular estabelecendo
uma relação transformadora entre a universidade e outros setores da sociedade.
A LDB – Lei n.º 9.394/96 elenca as finalidades do Ensino Superior no Brasil:
Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do
pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a
inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento
da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da
cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio
41
em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber
através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional
e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos
que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do
conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em
particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à
comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando
à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e
da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (grifo nosso)
(BRASIL, 2011).
Para tanto, as instituições da mesma forma que oferecem os cursos de
graduação e pós graduação, devem também oferecer os programas de extensão,
conforme disposto no art. 44, inciso IV da Lei em comento, para que haja o efetivo
cumprimento do princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa
e extensão.
O que se observa na realidade é que a LDB diferenciou Universidade dos
demais modelos de IES, limitando então, a obrigatoriedade da aplicação deste
princípio apenas as primeiras. A LDB não regulamentou o prescrito na Constituição
Federal, mas sim modificou a forma de interpretação dessa, é o que entende-se dos
ensinamentos de Cunha:
Na montagem de suas políticas para o ensino superior – mas não só para
essas –, o MEC traçou uma estratégia de enfrentamento parcial de
problemas e de adversários. Uma estratégia semelhante à do governo como
um todo no que se refere às reformas constitucionais. No caso da área
educacional, ela foi ainda mais elaborada, já que os níveis mais baixos da
legislação atropelaram os mais altos. Assim, em vez de investir,
primeiramente, na reforma dos dispositivos da Constituição que diziam
respeito à educação; depois, num projeto de LDB articulado com a nova
redação da Carta Magna; em vez de investir numa lei geral para o ensino
superior, o MEC foi traçando, no varejo, as diretrizes e bases da educação
nacional, não contra o que seria a lei maior de educação, mas por fora dela
(CUNHA, 2003, p.37).
Para Maciel e Mazzili (2010), por mais que a Constituição Federal tenha
garantido uma vitória para os educadores que há muito lutaram para criar um ensino
superior de qualidade, o modelo de governo que contextualizou a criação da LDB fez
com que o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão fosse
mitigado:
42
A LDB nº 9.394/96, que muito se distanciou do projeto construído pelos
setores progressistas da Educação, não reafirmou o princípio da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, entre outros motivos,
porque foi aprovada ao sabor dos interesses muito mais do governo e dos
setores que representam a educação privada do que pelos que defendem a
escola pública de qualidade (MACIEL; MAZZILI, 2010, p.12).
O descumprimento do princípio constitucional associado a LDB que
flexibilizou o princípio da indissociabilidade fez com que o Ensino Superior Privado
passasse por um período de mercantilização, sendo tratado como uma mercadoria.
2.7 IMPACTO SOCIAL
Por meio da extensão, propõe-se uma relação entre universidade e outros
setores da sociedade, que seja transformadora, instrumento de mudança em busca
de melhoria da qualidade de vida. Uma atuação voltada para os interesses e
necessidades da maioria da população, aliada a movimentos sociais de superação
de desigualdades, de exclusão e implementadora de desenvolvimento regional e de
políticas públicas.
Saraiva (2007) salienta que hoje a extensão universitária é fundamental para
garantir a missão social da universidade de formar cidadãos comprometidos com a
sociedade na qual vivem, e de formar profissionais capacitados a promoverem o
diálogo construtivo, dos saberes populares com os conhecimentos técnico e
científico, valorizando a diversidade sociocultural das regiões brasileiras e a
apropriação das tecnologias sociais pelas comunidades.
Por meio da extensão, deveria ocorrer a troca entre os saberes sistematizadoacadêmico e o popular, que possibilitará a produção de conhecimento resultante do
confronto com a realidade, propiciando a efetiva participação da comunidade na
atuação da universidade, com vistas ao desenvolvimento de sistemas de parcerias
interinstitucionais.
A proposta da extensão como define Buffa (2007) indica um trabalho de
relacionamento entre a universidade e a comunidade, capaz de traçar um
conhecimento mútuo, no qual a sociedade levasse o saber popular aos acadêmicos
e estes compartilhassem o saber científico. Entretanto, assinala a autora, que
geralmente tal saber é deformado em atividades assistenciais. Tais atividades
assistenciais são praticadas com o objetivo de levar a população serviços
43
semiprofissionais, a título de ‘boa ação’, enquanto o real intuito deveria ser levar a
população o que de ‘novo’ está sendo produzidos nas Instituições de Ensino
Superior.
A fragilidade do ensino e da incipiência das pesquisas realizadas pelas
universidades parecem ter sido as causas principais da operacionalização
da extensão universitária em forma de prestação de serviços sociais de
caráter assistemático, muitas vezes, substitutivos da ação governamental
(FAGUNDES, 1993, p.130).
Sob tal enfoque (extensão assistencialista) a extensão impõe o conhecimento
a comunidade, tirando lhe a possibilidade de construir o próprio conhecimento
(BUFFA, 2007,p. 159).
A tomada de consciência progressiva por parte de estudantes, professores,
formados e setores da sociedade em geral, de que a massa crítica de
recursos acumulada na universidade deveria necessariamente ser
estendida ao maior número de pessoas possível, está na base desta
finalidade, hoje consensualmente aceita, de que ela deve prestar serviços à
comunidade – processo conhecido pela denominação de extensão
universitária ou cultural (WADERLEY, 1985, p.45).
44
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Na realização de uma investigação, o conhecimento teórico que tem o
pesquisador possibilita a construção de um referencial capaz de sustentar a
discussão de um determinado fenômeno, favorecendo a discussão científica. Esse
referencial, além disso, possibilita ao pesquisador a escolha de ferramentas
adequadas a sua realização. Neste capítulo apresentam-se os elementos
metodológicos que permitiram a investigação acerca da extensão e, assim,
responder à questão da pesquisa.
A metodologia é uma preocupação instrumental. Trata das formas de se fazer
ciência. Cuida dos procedimentos, das ferramentas, dos caminhos. A finalidade da
ciência é tratar a realidade teórica e pratica. Para atingirmos tal finalidade, colocamse vários caminhos (DEMO, 1987, p. 19). Para tal autor uma preocupação excessiva
com a metodologia em detrimento da ciência é um erro. O importante é fazer
ciência, responder a questão de pesquisa e ter a metodologia como disciplina
auxiliar. Porém, a metodologia é importante para o amadurecimento do cientista.
O ponto de partida para se iniciar a investigação da extensão universitária, é
relacioná-lo a suas similitudes, para isto faz-se necessário apresentar um panorama
da região do Vale Médio Iguaçu, onde estão inseridas as Instituições contribuintes
da pesquisa. Conforme Gebara (2005), “todo o detalhe tem um lugar no seu
contexto”, o que torna o pano de fundo mais claro e possível de ser analisado de
forma mais sistemática.
3.1 LÓCUS DA PESQUISA
A Região que foi objeto de estudo na presente pesquisa denomina-se,
segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social –
IPARDES (2006), Vale do Médio Iguaçu. Formada por oito municípios, sendo sete
no Estado do Paraná: Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Mallet, Paulo
Frontin, Porto Vitória, União da Vitória e um no Estado de Santa Catarina: Porto
União.
O elemento basilar da economia da região foi a madeira e as indústrias
responsáveis por seu beneficiamento. Atualmente ainda figuram complexos
industriais do ramo da madeira exercendo atividades de: laminação e compensados,
45
serrarias, tacos, casas pré-fabricadas, móveis e papel. Produtos estes que são
exportados em larga escala. Além da madeira, pode-se considerar que a erva-mate
outrora exerceu importância decisiva na economia parano-catarinense. Após um
período de declínio entretanto, essa indústria, nos dias atuais, vem recuperando seu
comércio, graças à modernização e ampliação de suas bases, voltando a exportar o
seu produto para países da América do Sul.
As IES contribuintes da pesquisa localizam-se nos municípios de Porto União
– SC e União da Vitória- Pr. O município de Porto União - SC está localizado a
26º14’17’latitude e 51º04’42’’’ no Norte Catarinense, localiza-se na região norte de
Santa Catarina, limitando-se ao norte com União da Vitória (PR) e Paula Freitas
(PR); ao sul com Matos Costa (SC) e Timbó Grande (SC); a leste com Irineópolis
(SC); e a oeste com os municípios de Porto Vitória (PR) e General Carneiro (PR).A
distância entre Porto União - SC e a capital do estado, Florianópolis, é de 445 km.
O município de União da Vitória - PR está localizado a 26°13'48" latitude sul e
51°05'11" longitude oeste, na região sul do estado do Paraná, no terceiro planalto
paranaense, também chamado de Planalto de Guarapuava. Limita-se ao norte com
o município de Cruz Machado (PR), ao sul com o estado de Santa Catarina, a oeste
com Porto Vitória (PR) e Bituruna (PR), e a leste com Paula Freitas (PR) e Paulo
Frontin (PR). A distância entre União da Vitória e a capital do estado, Curitiba, é de
243 km.
A seguir, para melhor compreensão a visualização das duas cidades em seu
contexto geográfico, apresenta-se a figura 01.
46
Figura 1 – Localização dos municípios de atuação das IES
União da Vitória
Porto União
Fonte: IBGE (2012).
Em relação ao ensino superior, apenas a cidade de União da Vitoria, possui
Instituições de Ensino Superior com sede na cidade. Em Porto União - SC existe um
núcleo ligado ao Campus de Canoinhas – SC, que possui a sede da Universidade
47
na cidade de Mafra - SC e em Mallet – Pr, um campus avançado da Unicentro – Irati
cuja reitoria fica em Guarapuava – Pr.
Quadro 5 – IES da Região do Médio Iguaçu
IES
LOCAL
ORGANIZAÇÃO
ACADÊMICA
Centro
Universitário
NATUREZA
JURÍDICA
Municipal
REGIME
JURÍDICO
Fundação
pública
ÓRGÃO
REGULADOR
Conselho
Estadual de
Educação – PR
Centro
Universitário
de União da
Vitória –
UNIUV
Faculdade
Estadual de
Filosofia,
Ciências e
Letras – FAFI
Faculdades
Integradas do
Vale do Iguaçu
– UNIGUAÇU
Universidade
do Contestado
– UNC –
Núcleo Porto
União
Unicentro
Campus
Avançado
União
da
Vitoria PR
União
da
Vitoria –
PR
Faculdade Pública
Isolada
Estadual
Autarquia
Estadual –
Administração
Indireta
Conselho
Estadual de
Educação – PR
União
da
Vitoria PR
Porto
União SC
Faculdade
Integrada
Privada
Administração
direta
INEP/MEC
Universidade
Municipal
Fundação sem
fins lucrativos
Conselho
Estadual de
Educação – SC
Universidade
Estadual
Autarquia
Estadual da
Administração
Indireta
Conselho
Estadual de
Educação
Mallet
Fonte: do autor, 2011.
3.2 OS CAMINHOS DA PESQUISA
O passo inicial foi a visita as IES, oportunidade na qual foi apresentada aos
gestores a intenção em estudar as concepções de extensão, visto que elas estão
associadas ao modelo adotado pelos regulamentos institucionais. Neste contato
explicou-se a necessidade de levantar os documentos institucionais sobre a
extensão e entrevistar os gestores, docentes e alunos, ressaltando a garantia do
sigilo dos participantes. Nas instituições FAFIUV, UNIUV e UnC foram firmados os
consentimentos, mas na UNIGUAÇU, após contato verbal com a Coordenadora
Pedagógica foi enviado oficio solicitando as informações extensionistas, as quais
foram negadas verbalmente pela direção pelo motivo de serem documentos
confidenciais.
Nas demais IES, acordou-se que o retorno para as atividades de campo
aconteceria após avaliação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em
48
Pesquisa - COMEP, atendendo à Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de
Saúde - CNS. 86. A aprovação pelo COMEP aconteceu em 11 de dezembro de
2012 (Apêndice C) e no dia 10 do mês de janeiro de 2013, estabeleceu-se novo
contato com as IES para dar início às entrevistas.
Foi nesse momento que começaram as dificuldades do trabalho de campo,
mas especificamente na UnC, pois houve a troca de gestores do Núcleo de Porto
União. Após resolvidas as questões administrativas internas de tal IES, a nova
gestora afirmou que os docentes não estariam disponíveis para entrevistas por
estarem
ocupados
com
outras
atividades,
propondo-se
a
entregar
aos
Coordenadores de cursos do núcleo, o roteiro da entrevista a ser respondido,
fazendo que a entrevista fosse transformada em questionário respondido de forma
escrita pelos entrevistados.
A negativa das entrevistas e sua transformação em questionário da IES era
obstáculo e implicou em algumas indagações: Como aplicar o método da analise de
discurso? Seria certo abdicar das entrevistas como deseja a Instituição e colocar em
questionamento o papel do pesquisador?
Decidiu-se prosseguir a pesquisa com estes docentes em forma de
questionário aplicado pela gestora da extensão durante reunião dos coordenadores
de curso. Como técnicas para abordar os dados qualitativos utilizou-se análise
documental e entrevista.
3.3 A ANÁLISE DOCUMENTAL
A análise documental é uma técnica valiosa de pesquisa qualitativa e
quantitativa, seja para complementar dados obtidos por outras técnicas, seja para
desvelar aspectos novos de um tema ou problema de pesquisa. O uso de
documentos na pesquisa é vantajoso porque eles constituem uma fonte estável e
rica, que persiste ao longo do tempo. Documentos podem ser consultados várias
vezes e inclusive servir de base para diferentes estudos, o que dá mais estabilidade
aos resultados obtidos. Além disso, documentos são uma fonte não-reativa,
permitindo a obtenção de dados quando o acesso ao sujeito não for possível
(LÜDKE; ANDRÉ , 1986).
A analise documental é realizada a partir de documentos, contemporâneos ou
retrospectivos, considerados cientificamente autênticos e constitui uma técnica
49
importante na pesquisa qualitativa uma vez que completa informações obtidas por
outras técnicas de pesquisa e é capaz de revelar aspectos novos de um tema ou
problema (ABREU, 2008). A característica de tal forma de pesquisa é que a fonte
dos dados está restrita a documentos, escritos ou não. As fontes primárias
contemporâneas, são compiladas na ocasião dos fatos pelo Autor. Fontes primárias
retrospectivas quando compilados após o acontecimento pelo autor. Já as fontes
secundárias são a transcrição pelo autor de determinadas fontes primárias.
A documentação como fonte de evidências é pertinente em estudos desde o
aparecimento da escrita. Por documentos, podem ser considerados, por exemplo:
estatutos, regimentos, resoluções, plano de desenvolvimento institucional, portarias,
memorandos; minutas de reuniões; relatórios; documentos administrativos. Além
disso, a documentação apresenta algumas características que a credenciam como
alternativa coerente para atingir os objetivos dessa pesquisa (YIN, 2005).
Primeiro, a documentação é considerada estável, pode ser revisada inúmeras
vezes. Isso possibilita ao pesquisador retornar várias vezes à fonte a fim de
encontrar indícios que clarifiquem possíveis questões. Segundo, ela é denominada
discreta, por não ter sido criada como resultado do estudo de caso, ou seja, o
documento já existia, já havia sido produzido, e a pesquisa é que ressaltou o seu
conteúdo. A documentação essencialmente contém nomes, referências e detalhes
exatos de um evento, e essa característica proporciona a corroboração de dados
provenientes de outras fontes. Por fim, a documentação tem ampla cobertura, ou,
dito de outra maneira, ela cobre longo espaço de tempo, muitos eventos e
ambientes distintos (YIN, 2005).
Dentre os documentos citados, a opção mais utilizada foi Regimento Interno e
PDI, se constituindo numa fonte relevante por refletir o momento da pesquisa.
Os projetos analisados foram selecionados por quatro critérios os quais serão
abaixo descritos:
O primeiro critério para a eleição dos projetos, foi ocorrerem em uma das três
Instituições de Ensino Superior do Médio Iguaçu – situadas em Porto União e União
da Vitória. A extensão da Unicentro existente na cidade de Mallet não será inserida
na amostra em virtude de esta não possuir autonomia administrativa, didática e de o
corpo docente e matriz curricular ser idêntica à utilizada no curso da Unicentro Irati e
da UNIGUAÇU ante a recusa do fornecimento da documentação Institucional.
O segundo critério é que todos ocorreram entre os anos de 2007 a 2011 ou
50
ainda estarem em atividade.
O terceiro critério é que os projetos estarem formalmente vinculados com a
Comissão de Extensão, ou equivalente de cada Instituição, e não foram utilizados
para o computo dos dados os projetos oriundos de Educação a Distância.
Como quarto critério após o agrupamento dos projetos nas seguintes áreas:
arte e cultura; humanidades; ciências exatas e da terra; tecnológica e ciências da
vida, foram selecionados os que foram executados por maior tempo em cada uma
das áreas citadas, o que pode demonstrar que o projeto está consolidado.
3.4 ENTREVISTAS
A outra fonte de evidência escolhida foi a entrevista, que figura como fonte
essencial de informação. O uso de entrevistas como fonte de evidências em uma
pesquisa, segundo Yin (2005), é indicado porque as mesmas podem ser
direcionadas ao foco do tópico do estudo de caso e, por serem perceptivas,
possibilitam inferências causais percebidas durante o processo.
A opção foi pela entrevista semi-estruturada devido ao fato de que sua
flexibilidade permite um maior diálogo entre investigador e entrevistados. Para
Triviños (1995, p. 146) a entrevista semi-estruturada, em geral, é:
[...] aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em
teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida,
oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão
surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta
maneira, o informante, dentro do foco principal colocado pelo investigador,
começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa.
Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas na forma verbatim
(expressão usada para indicar que a fala foi transcrita literalmente, “palavra por
palavra”), garantindo a qualidade dos dados para análise. Os participantes foram
esclarecidos sobre o entendimento da importância do estudo, bem como sua
participação no mesmo, se caracterizando como voluntária e desprovida de riscos,
podendo se encerrar por vontade própria a qualquer momento (sob condições
apresentadas no Termo de Consentimento Livre e Informado), fornecido a todos os
sujeitos (APÊNDICE A).
Foi viabilizada pela assinatura desse documento, a autorização para
entrevistar e publicar os dados na forma de trabalhos acadêmicos. Também, foi
51
procurado, o feedback dos próprios participantes da pesquisa de forma regular e
sistemática durante todo o processo de coleta de dados, a fim de minimizar
possíveis interpretações errôneas e equivocadas a respeito dos insights que
emergiram durante o processo de análise preliminar dos dados das entrevistas.
Foram desenvolvidas dezesseis sessões de aproximadamente uma hora de
entrevistas semi-estruturadas e intencionais e cinco questionários (UnC) com a
participação dos gestores da extensão das três IES, cinco docentes coordenadores
de projetos de extensão da FAFI, cinco da UNIUV e quatro da UNC. Além de dois
alunos participantes de projetos da FAFI, dois da UNIUV e nenhum da UNC, que
restou a explicação pela gestora que o aluno é destinatário da extensão e não ator.
A seleção dos participantes se inspirou em dois critérios principais: as
coordenações e os cargos ocupados pelos mesmos na estrutura extensionista da
instituição.
A participação dos gestores foi interessante pois possibilitou o levantamento
de como cada IES ‘enxerga’ a extensão universitária em seus documentos legais e a
concepção adotada como sendo extensão na IES. E na analise de dados para
comparar o discurso dos gestores com a documentação legal e o possível impacto
disso na operacionalidade dos projetos e programas ligados ao desenvolvimento
regional.
A participação dos coordenadores foi importante na percepção sobre a
contribuição de seus projetos da sociedade, a forma de financiamento e o papel dos
alunos participantes.
A participação dos alunos reveste-se de importância uma vez que explanaram
sobre a possível formação extensionista e o exercício da cidadania o que inclui a
preocupação com o desenvolvimento da região que atuam.
As entrevistas foram elaboradas a partir de um roteiro (Apêndice B) que
abarcou, particularmente, elementos relacionados a extensão universitária e
composto por treze questões abertas. A partir da análise do conteúdo das respostas
foi possível identificar o conhecimento de cada participante sobre o que vem a ser
extensão e qual a função que entende possuir a extensão universitária; qual a
relação que possui a extensão com as áreas do ensino e pesquisa. Especificamente
sobre a extensão praticada na IES é possível identificar, na concepção dos projetos
de
extensão,
quais
aspectos
são
considerados
para
planejar
as
ações
extensionistas, como as parcerias de desenvolvem e quais os meios de
52
financiamento dos projetos e como repercutem os projetos no desenvolvimento da
região. A seguir esquematização das questões e categorias avaliadas:
Quadro 6 – Esquematização das questões e categorias avaliadas
Questão
1- O que você entende por Extensão Universitária?
Categoria
Conhecimento
2- Qual a função que a extensão cumpre na sociedade?
3- Como se da a geração dos programas de extensão na IES
4- Os projetos de extensão visam atender uma demanda da sociedade ou
oferecer algo produzido na Universidade para a Sociedade?
5- Existem mecanismos na IES de avaliação dos projetos de extensão?
Em caso positivo quais são?
6- Como você define as condições na IES para a realização da extensão?
7- Qual a relação da extensão com o ensino e a pesquisa na IES?
8- Os recursos financeiros para o desenvolvimento das atividades de
extensão provem de qual fonte? São suficientes para o desenvolvimento
da atividade?
9- Quais as ações praticadas na IES que melhor representam o sentido da
extensão universitária?
10- Qual é o futuro para a extensão universitária?
Planejamento
Ensino-pesquisa
Financiamento
Repercussão social
11- A IES tem parceiros para a prática da extensão?
12- Quais seriam os melhores parceiros para a prática da extensão?
13- Em que a extensão universitária praticada contribui atualmente para o
desenvolvimento regional?
Parcerias
Repercussão para o
desenvolvimento
regional
Fonte: Dados da pesquisa (2013).
Este roteiro, no entanto, não implicou em uma previsibilidade da conversa, ele
teve por finalidade orientar o pesquisador, o que prevaleceu foi a livre expressão do
entrevistado. Na apresentação das falas foram evitadas quaisquer informações que
possibilitassem a identificação dos entrevistados a fim de não trazer problemas na
relação com a IES. Após a coleta dos documentos e a realização das entrevistas, a
indagação seguinte foi: como analisar esse material?
Um estudo que preenche essa lacuna foi escrito por Laurence Bardin. A
autora apresenta o livro “Análise de conteúdo” (2009), que tem como objetivo ser um
manual desse método, pois utiliza vários pesquisadores como base para seus
escritos.
Para Bardin (2009, p. 37), análise de conteúdo é:
Um conteúdo de técnicas de análise das comunicações visando obter, por
procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis
inferidas) destas mensagens.
53
Bardin (2009) explica que a Análise de Conteúdo - AC possui duas funções:
uma, procura enriquecer a tentativa exploratória, ao aumentar a possibilidade de
descobertas, e a outra busca servir como prova, onde questões e afirmações
provisórias serão analisadas sistematicamente para confirmá-las ou negá-las. Essas
duas funções podem coexistir de maneira suplementar ou não.
A análise de conteúdo é um método empírico e, segundo a autora, é um
conjunto de técnicas de análise das comunicações que necessita ser reinventada a
cada momento de acordo com o tipo de investigação e os objetivos pretendidos. Já
as categorias são uma espécie de “rubricas significativas que permitem a
classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem”. (BARDIN,
2009, p. 39). Dessa maneira, é possível fazer surgir um sentido e assim estabelecer
uma ordem na confusão aparente.
No caso da presente pesquisa, essas duas funções coexistiram durante o
processo, afinal muitas descobertas iniciais indicaram alguns caminhos que
deveriam ser percorridos para atingir os objetivos propostos, enquanto outras
contribuíram com a comprovação de certas constatações.
Com base na coleta de dados foi feita a triangulação deles, relacionando as
informações obtidas pelas entrevistas e documentos institucionais. Sobre o uso da
triangulação de dados, Triviños (1987, p. 138) comenta:
A técnica de triangulação tem por objetivo básico abranger a máxima
amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo.
Parte do princípio que sustentam que é impossível conceber a existência
isolada de um fenômeno social, sem raízes históricas, sem significados
culturais e sem vinculações estreitas e essenciais com a macrorrealidade
social.
Feitos os esclarecimentos a respeito da metodologia utilizada neste estudo
vamos focar nossa discussão nos significados que envolvem a ação extensionista.
54
4 ANALISE DOS DOCUMENTOS
4.1 EXTENSÃO NA FAFIUV - FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA CIÊNCIAS
E LETRAS DE UNIÃO DA VITÓRIA – FAFIUV
Instituição Estadual de Ensino, fundada em 22 de dezembro de 1956, quando
o Governador Moisés Lupion sancionou a Lei n.º 3.001, de 22 de dezembro de 1956,
criando-a como subordinada à Secretaria de Educação e Cultura do Estado do
Paraná. Tal Faculdade atualmente possui 9 cursos todos na área de Licenciaturas:
História e Pedagogia, reconhecidos pelo Decreto Federal n.º 61.120 de 31 de julho
de 1967; Letras Português e Geografia, reconhecidos pelo Decreto Federal n.º
74.750 de 23 de outubro de 1974; Letras Espanhol, reconhecido pelo Decreto
Estadual n.º 1.715 de 13 de agosto de 2003; Matemática, reconhecido pelo Decreto
Estadual n.º 1.719 de 13 de agosto de 2003; Ciências Biológicas, reconhecido pelo
Decreto Estadual n.º 4.275 de 01 de fevereiro de 2005; Química, reconhecido pelo
Decreto Estadual n.º 1.040 de 27 de julho de 2007 e Filosofia, reconhecido pelo
Decreto Estadual n.º 1.211 de 03 de maio de 2011.
A FAFIUV é uma das pioneiras do ensino superior fora da Capital
Paranaense, e ao longo de mais de quatro décadas e meia de atividades vem
formando professores que servem ao Sul do Paraná e ao Norte Catarinense.
Inicialmente subordinada à Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Paraná,
o Decreto n.º 8474, de 25 de fevereiro de 1957, designou o Prof. Dr. Luiz Wolski,
para ocupar o cargo de primeiro Diretor da Faculdade .
Desde sua origem, o discurso institucional da FAFIUV é assumir um
compromisso com o desenvolvimento da região, para ser um centro irradiador e
transformador da estrutura cultural de sua área de intervenção, encontrou para tanto
respaldo junto aos municípios que compõem a sua região de abrangência. O
compromisso primordial da FAFIUV é com o desenvolvimento socioeconômico
cultural e científico da região sul do Paraná e do norte de Santa Catarina. Sua área
de abrangência compreende 22 municípios com uma população estimada em
300.000 habitantes.
A IES atualmente estende seus serviços a municípios que fazem parte do
Núcleo Regional de Educação - NRE de União da Vitória, assim como a outros do
55
Estado do Paraná que pertencem à área de abrangência do NRE de Irati e de Ponta
Grossa. Também é grande a inserção no norte de Santa Catarina.
O Regimento Interno da FAFIUV data do ano de 2009, em tal documento
consta como um dos objetivos da Faculdade promover e desenvolver todas as
formas de conhecimentos, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão de forma
a estender o ensino, a pesquisa e a extensão à sociedade, mediante cursos e
prestação de serviços, o que demonstra a filosofia assistencialista, na prestação de
serviços. Também no Regimento Interno consta o principio da indissociabilidade
entre o ensino a pesquisa e a extensão, conferindo ao ensino a função de
excelência da faculdade, mas articulando às esferas da pesquisa e da extensão
universitária. O que por lei não é exigido. Na estrutura administrativa há a previsão
de um Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão como órgão de deliberação
composto pelos coordenadores de curso, diretor e vice-diretor e representante
discente.
Há previsão expressa no Regimento Interno sobre a Extensão Universitária.
Consta que:
[...] a extensão universitária é estimulada através de cursos de capacitação,
e, atividades comunitárias e seu objetivo é contribuir
para o
desenvolvimento socioeconômico regional, devendo articular-se com o
ensino e a pesquisa, possuir regulamento próprio, plano de trabalho e de
avaliação (FAFI, 2009, p.1)
O objetivo previsto para a Extensão Universitária é por meio de atividades
promover a integração da Faculdade na comunidade local e regional, com intenção
de dar atendimento à comunidade através de assessoria, consultoria e de prestação
de serviços. Estimular a cultura participando de eventos de natureza cultural e
artístico. Consta também a intenção de por meio de pesquisas e estudos entender
aspectos da realidade local e regional. E sem explicação se para fins de fomento ou
divulgação de conhecimentos, prevê a articulação com o sistema empresarial e
educacional da região.
Ao mencionar expressamente os cursos de extensão, o Regimento torna claro
que uma forma de extensão a ser praticada na Faculdade será por meio de cursos,
os quais objetivam a complementação, atualização, difusão e reflexão de
conhecimentos, através de programações científicas, culturais ou técnicas, e são
abertos a candidatos que satisfaçam os requisitos específicos exigidos. Não há
56
menção também de quais seriam tais requisitos ou onde constariam estes. Na
sequencia contempla ainda os projetos de extensão, e estabelece que são
coordenados pelos Colegiados de Cursos, o que demonstra a intenção da
articulação
com
o
corpo
docente,
devendo
ainda
serem
cadastrados
e
regulamentados e aprovados pelo Comitê de Ética, Pesquisa e Extensão (CEPEX)
da Faculdade para serem executados.
O Estatuto da Faculdade desde sua implementação, não foi reformado em
decorrência do processo de criação da Universidade Estadual do Paraná UNESPAR, tal IES foi projetada para agrupar as Faculdades Isoladas do Estado –
Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP; Faculdade de Artes do Paraná
– FAP; Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana – FECEA;
Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão – FECILCAM;
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR;
Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí – FAFIPA;
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória - FAFIUV e
Academia Policial Militar do Guatupê/Escola Superior de Segurança Pública
(APMG/ESuSeP), incluída por meio do Decreto Estadual 4491 de 09 de maio de
2010.
A UNESPAR foi criada por Lei Estadual n.º 13.283/2001 alterada pela Lei
Estadual n.º 15.300/2006, tendo um Estatuto Próprio aprovado pelo Decreto n.º 8593
de 20 de outubro de 2010, todavia a legalidade de tal forma de aprovação foi
questionada pelo Conselho Estadual de Educação e um novo Estatuto será
aprovado após a alteração na Lei Estadual n.º 13.283/2001, quanto a localização da
Sede da UNESPAR.
Até o ano de 2012 o Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior foi provisoriamente o Reitor da Universidade. Embora no ano de 2011
tenha ocorrido a eleição do Conselho Universitário, até o presente momento, a
UNESPAR não obteve aprovação do Conselho Estadual de Educação para iniciar
suas atividades. Pelo que embora exista a previsão legal da criação de tal
Universidade, não há autorização para o inicio das atividades, sendo que todas as
Faculdades acima permanecem executando suas atividades como Faculdades
isoladas. No final do ano de 2012 houve a eleição e posse do primeiro reitor eleito
da UNESPAR, a qual possui sede provisória na SETI.
No Estatuto da FAFIUV não há previsão da Extensão Universitária. O PDI da
57
FAFIUV data do ano de 2008 com previsão até 2013, em tal documento consta
como missão da Faculdade:
[...] a produção, socialização e aplicação do conhecimento nos diversos
campos do saber, materializados e articulados indissociavelmente por meio
do ensino, pesquisa e extensão de modo a contribuir para o
desenvolvimento social e econômico do país e da região de sua
abrangência, visando promover a formação de profissionais qualificados
para o mundo do trabalho e capazes de atuar na instância crítica do saber
voltados para a construção da justiça social e da democracia (FAFI, 2008,
p.9).
Dentre as finalidades o PDI fez constar a produção, transmissão e extensão
do
conhecimento,
além
da
formação
profissional
dos
acadêmicos
e
o
desenvolvimento socioeconômico, cientifico e cultural de sua região de abrangência.
Dentre os 27 objetivos elencados, além da previsão da orientação das funções
acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão para o atendimento das demandas
sociais e educacionais, o que claramente confere um caráter assistencialista.
Somente um prevê a extensão universitária ao mencionar que esta deverá ser
ampliada como interface da faculdade com seguimentos da sociedade.
Embora dentre os objetivos do PDI para o período em questão (2008 – 2013)
a extensão tenha recebido papel de destaque, há a previsão de metas para a
extensão. Tais metas vão ao sentido de consolidação da prática da extensão no
ambiente da Faculdade, inserção da FAFIUV nos eventos extensionistas,
desenvolver ações conjuntas com o Instituto de Ensino Pesquisa e Prestação de
Serviços, para desenvolver projetos culturais e cursos de extensão. Observa-se que
a Faculdade busca utilizar-se de um parceiro para a consecução das metas que
prevê no PDI. Deseja ainda manter os projetos em vigência de atenção a 3.ª idade.
Deseja ainda obter o financiamento governamental para as ações de extensão. Na
sequência ainda dentro das metas para a extensão faz menção a recuperação dos
produtos culturais da Faculdade, revitalização de grupos artísticos e mostras de arte
já existentes, e a intenção de realizar novas proposições no campo cultural até 2011.
As metas previstas não demonstram vínculo com as atividades de ensino e
pesquisa, mas sim com a difusão cultural.
Ao mencionar o planejamento e organização didático-pedagógico o PDI
estabelece oito critérios, sendo um deles as Políticas de Extensão. Expressa que
tais políticas fundamentam-se no Plano Nacional de Extensão – PNE e tem como
58
objetivo a disseminação do ensino e da pesquisa junto ao meio acadêmico e grupos
sociais, na forma de participação dos universitários em programas voltados aos
grupos sociais menos favorecidos, atuando como agentes de modificação e melhoria
da realidade socioeconômica. Em tal aspecto, as políticas extensionistas mostram
intenção assistencialista. Consta ainda como principio básico da extensão o
desenvolvimento da formação do profissional cidadão, com a efetiva integração com
a sociedade, a fim de se identificar culturalmente, situar-se historicamente ou
embasar a visão crítica da relação entre os problemas da sociedade e a prática
profissional. Não há previsão de metas ou objetivos hábeis a se compreender como
a extensão será praticada, qual a forma de extensão prática. Tudo consta
demasiadamente genérico e abrangente.
4.2 EXTENSÃO NA UNIUV - FUNDAÇÃO MUNICIPAL CENTRO UNIVERSITÁRIO
DA CIDADE DE UNIÃO DA VITÓRIA – UNIUV
Instituição Municipal de Ensino, em 12 de setembro de 1974, por meio do
Parecer nº. 086/74, o CEE/PR autorizou a Fundação Faculdade Municipal de
Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória, FACE, hoje UNIUV, cujo
projeto inicial partiu da iniciativa de lideranças locais, interessadas em trazer para a
região cursos na área do comércio. Em 19 de setembro de 1974, o Prefeito
Municipal promulgou a Lei Municipal nº. 974/74, instituindo a Fundação Faculdade
Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória (FACE),
incluindo no texto dessa lei a dotação à Instituição de recursos financeiros
necessários à instalação e funcionamento regular.
Atualmente com 18 cursos: Bacharelado em Educação Física, reconhecido
pelo Decreto n.º 6.236 de 15 de março de 2006; Licenciatura em Educação Física,
reconhecido pelo Decreto n.º 6.236 de 15 de março de 2006; Odontologia, curso
com oferta iniciada em 2012; Engenharia Civil, Autorizado pelo Parecer n.º 01/2006 CEPE de 20 de novembro de 2006; Engenharia Ambiental, Autorizado pelo Parecer
n.º 02/2006-CEPE de 20/11/2006; Engenharia Industrial da Madeira, reconhecido
pelo Decreto n.º 2.199 de 21 de fevereiro de 2008; Engenharia de Produção, curso
com oferta iniciada em 2012; Administração, reconhecido pela Portaria n.º 1190, em
30 de novembro de 1979; Secretariado Executivo reconhecido pelo Decreto n.º
3.084 de 31 de Maio de 2004; Ciências Contábeis, reconhecido pelo Decreto n.º
59
1.064 de 12 de Julho de 1999; Ciências Econômicas reconhecido pela Portaria
1.190 de 30 de novembro de 1979; Turismo, reconhecido pelo Decreto n.º 5.628 de
30 de Abril de 2002; Arquitetura e Urbanismo, autorizado pelo Parecer Num.
03/2008-CEPE; Jornalismo, reconhecido pelo Decreto n.º 4.665 de 13 de abril de
2005;; Publicidade e Propaganda, reconhecido pelo Decreto n.º 4.665 de 13 de abril
de 2005; Informática de Gestão, reconhecido pelo Decreto n.º 6.030 de 24 de
Janeiro de 2006; Licenciatura em Informática, reconhecido pelo Decreto n.º 3.107
de 02 de junho de 2004.
No ano de 2001, com o aumento de oferta de cursos houve a necessidade de
mudança, não só no nome da Instituição, mas também do seu Regimento e
Estatuto. Então foi sancionada, a Lei Municipal nº. 2825/2001, de 15 de agosto de
2001, com a qual foram alteradas as denominações da mantenedora: Fundação
Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória,
para Fundação Municipal Faculdade da Cidade de União da Vitória; e da mantida:
Faculdade Municipal de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória,
para Faculdade da Cidade de União da Vitória, mantendo-se, dessa forma, a sigla
FACE, de acordo com pesquisa realizada, com a qual se identificou que essa sigla já
estava consolidada na região.
Após adaptações internas e verificações efetuadas pelo do Conselho
Estadual de Educação, do cumprimento das normas e padrões universitários, por
meio do Decreto Estadual nº. 7226, de 19 de setembro de 2006 a Fundação
Municipal Faculdade da Cidade de União da Vitória – FACE foi transformada em
Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória – UNIUV, com a
denominação da mantida passando a ser Centro Universitário de União da Vitória,
homologado pela Lei Municipal nº. 3399 de 1º de novembro de 2006. O mesmo
Decreto autorizou a criação de Unidades universitárias em toda a região de
abrangência da Instituição, o que propiciou a implantação do Núcleo Universitário de
São Mateus do Sul.
O contingente educacional do UNIUV atualmente é de mais de 2.000 alunos,
distribuídos entre os diversos níveis de ensino. O corpo docente, entre efetivos e
contratados, é composto por 110 professores, distribuídos no ensino médio,
graduação, e pós-graduação.
O atual Estatuto é datado de 2006, tendo sido aprovado em 2007. Em tal
documento consta, no artigo 2.º a previsão da indissociabilidade entre o ensino, a
60
pesquisa e a extensão. O artigo 82 traz uma noção de como a indissociabilidade
será buscada, ao prever que os trabalhos universitários terão sentido de integração,
de modo que o ensino e a pesquisa mutuamente se enriqueçam e, projetando-se no
meio mediante extensão, proporcionem soluções e identifiquem novos problemas
como matéria de estudo e investigação.
Como missão, prevê o estatuto: “desenvolver e difundir o conhecimento e a
cultura e promover a formação integral e permanente de cidadãos e de profissionais,
compromissados com a vida e o progresso da sociedade”. O que demonstra uma
clara preocupação com o desenvolvimento da sociedade abrangida pela Instituição.
Para a consecução de tal missão dentre outras formas, no artigo 5.º prevê a
promoção da divulgação dos conhecimentos culturais, científicos e técnicos que
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber. Essa divulgação seria
realizada por meio do ensino, pesquisa, extensão, de publicações e de outras
formas de comunicação. Prevê ainda que a extensão deve ser promovida de forma
aberta a população, visando a difusão as conquistas e benefícios da criação cultural
e da pesquisa científica e tecnológica geradas na Instituição. Esta primeira parte do
Estatuto leva a interpretação de que a extensão prevista teria por objetivo transferir à
população o conhecimento resultando das práticas de ensino e pesquisa.
Como um dos órgãos deliberativos superiores da Instituição figura o Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE, acompanhado do Conselho Universitário e
Conselho de Curadores. Cabe ao CEPE, dentre outras funções aprovar as linhas de
pesquisa e políticas de extensão bem como regulamentar o funcionamento dos
Cursos de Extensão. Como órgão executivo superior, tem-se a Reitoria, sob a qual
se encontram ligadas quatro pró-reitorias: de Administração, de Ensino, de Pesquisa
e Pós Graduação e de Extensão e Cultura. A esta última é reservada a função de
coordenar e supervisionar as atividades de extensão e cultura da Instituição, bem
como a integração da Institucional com a comunidade regional. Ao definir as funções
da Pró-reitora de Extensão e Cultura, limita-se a mencionar que deverá promover a
integração com as demais Pró-reitorias, não há qualquer menção sobre como se
dará a extensão universitária ou esta integração.
Todavia ainda está previsto em aludido estatuto, no art. 52 como órgão
administrativo Setorial a Coordenadoria de Extensão e Cultura, a qual tem por
finalidade coordenar e implementar as atividades de extensão e cultura, de acordo
com as diretrizes emanadas da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, da
61
Diretoria Acadêmica e dos Colegiados competentes. Deixa de mencionar tal artigo
que tal Coordenadoria teria de trabalhar em consonância com a Pró-reitoria de
Extensão e Cultura. Por fim consta que a Instituição ministrará cursos de extensão e
de atualização. A leitura do Estatuto leva a conclusão de que a extensão
universitária será praticada visando a integração da Instituição com a comunidade
local com atividades culturais. Não prevê, porém a forma com se dera a integração
com o ensino e a pesquisa.
No PDI (2007 a 2011), ainda vigente, a Instituição admite ser extensão pouco
valorizada, tanto que busca definir uma política que priorize recursos orçamentários
para a realização de projetos sociais e foca suas estratégias de ação a fim de buscar
a participação da comunidade acadêmica em tais projetos. Neste primeiro momento
do PDI, atribui-se a extensão um caráter social. Embora a palavra assistencialista
não esteja explicita, claramente é esse o sentido das ações previstas no PDI em
analise. Tal foco é diverso do previsto no Estatuto.
Em sentido oposto consta como meta de ação melhorar a eficiência na
difusão dos conhecimentos gerados e acumulados na UNIUV e incentivar a
Comissão Científica para uma adequação de suas rotinas de trabalho, visando à
organização das atividades de extensão, de acordo com as políticas da Instituição.
Este ponto sim se encontra vinculado com o conceito de extensão adotado pelo
Estatuto.
Está previsto ainda no PDI a intenção de criar e implantar cursos de extensão
destinados à comunidade e também aumentar o público atingido pelas ações
extensionistas. Tal meta é claramente de cunho assistencialista considerando que a
simples oferta de cursos à comunidade per si, não garante que esta será beneficiada
com a aproximação do Ensino Superior.
Ao mencionar as políticas de Extensão podem-se destacar as seguintes
previsões relacionadas à extensão: fazer interface com o Ensino e a Pesquisa;
consolidar mecanismos e instrumentos de integração entre o saber acadêmico e o
saber popular, com permanente interação entre a teoria e a prática; aperfeiçoar o
Atendimento Estudantil na Instituição e incentivar a participação e representação
estudantil em atividades de extensão, cultura e desporto na Instituição. As políticas
de Extensão previstas coadunam com o preconizado pelo Estatuto, mas pouco com
as metas de desenvolvimentos acima elencadas presentes no PDI, muito embora
este ao definir extensão adote o critério da extensão como fator de articulação com a
62
sociedade, no sentido de ‘via de mão dupla’ na transferência do conhecimento: “uma
atividade acadêmica articulada ao Ensino e à Pesquisa que contribui para a
formação universitária e apresenta-se capaz de promover a interação entre o saber
científico e o saber popular” (UNIUV, 2007, p.30).
Enquanto prática acadêmica objetiva, segundo a previsão do PDI interligar as
atividades de Ensino e Pesquisa com as demandas da sociedade. E no contexto
social volta-se ao atendimento das necessidades regionais e as ações que
impliquem a busca da ‘vida com qualidade’ e garantia dos valores democráticos, de
igualdade e desenvolvimento socioeconômico.
Observa-se que o Estatuto da UNIUV, adota a concepção de ser a extensão
meio de transferir à população o conhecimento resultando das práticas de ensino e
pesquisa. Todavia o PDI ao traçar metas de ação, o faz entendo ser a extensão
forma de prestação de serviços de interesse social, demonstrado, ainda que forma
não explicita o caráter assistencialista. Entretanto ao utilizar conceitos e elencar
procedimentos, o faz segundo a definição constante do Estatuto.
4.3 EXTENSÃO NA UnC - UNIVERSIDADE DO CONTESTADO
Situada em Porto União – Estado de Santa Catarina, trata-se de um núcleo
universitário ligado diretamente ao Campus de Canoinhas. Segundo informações
obtidas do sitio da Universidade foi reconhecida em 21 de outubro de 1997(Parecer
42/97-CEE), e instalada oficialmente pelo Governo do Estado em 03 de dezembro
de 1997 (Parecer 246/97-CEE), foi recrendenciada por meio dos Decretos n.º 4.269
e 3.150 publicado no diário oficial de Santa Catarina em 22 de março de 2010.
A Universidade do Contestado - UnC é uma Instituição multicampi, com
Campi Universitário em Canoinhas, Concórdia, Curitibanos e Mafra e com Núcleos
Universitários em Porto União e Rio Negrinho. O núcleo de Porto União conforme
mencionado está ligado ao Campus de Canoinhas. Em tal núcleo existem
atualmente oito cursos de graduação.
Administração, curso reconhecido pelo Decreto n.º 2.029 em 16 de dezembro
de 2008. Artes Visuais, curso reconhecido pelo Decreto n.º 4.771 em 06 de outubro
de 2006. Ciência da Computação, curso reconhecido pelo Decreto n.º 1.002 de 18
de dezembro de 2007. Design, curso reconhecido pelo Decreto n.º 1.531 de 15 de
julho de 2008. Direito, curso reconhecido pelo Decreto 3.674 de 09 de dezembro de
63
2005. Educação Física Licenciatura e Bacharelado, curso reconhecido pelo Decreto
n.º 2.523 de 17 de agosto de 2009. Licenciatura em Música. Psicologia, curso
reconhecido pelo Decreto n.º 2.523 de 17 de agosto de 2009.
A UnC é uma Universidade Comunitária com Sede em Mafra no Estado de
Santa Catarina. Porto União, onde localiza-se a unidade estudada até início de 2012
era um núcleo do Campus de Canoinhas, todavia neste ano passará a ser Campus
da UnC.
O início da UnC deu-se com a criação de cinco Fundações, todas com
personalidade jurídica de origem pública e natureza de direito privado:
Quadro 7 – Criação das Fundações que originaram a UnC
MUNICÍPIO
Canoinhas
FUNDAÇÃO
Fundação das Escolas do Planalto Norte
Catarinense-FUNPLOC
Caçador
Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do
Peixe – FEARPE
Concórdia
Fundação
Educacional
do
Alto
Uruguai
Catarinense-FEAUC
Curitibanos
Fundação Educacional do Planalto Central
Catarinense-FEPLAC
Mafra
Fundação Universitária do Norte CatarinenseFUNORTE
Fonte: do Autor 2013
DATA
7 de dezembro de 1970
23 de setembro de 1971
9 de abril de 1976
24 de junho de 1976
4 de novembro de 1971
As faculdades acima surgiram por determinação das comunidades e com
objetivo de promover o processo de crescimento cultural e o desenvolvimento
técnico-científico da região.
Após cerca de 20 anos de atuação das faculdades foi constituída uma
Comissão formada por professores das cinco faculdades acima citadas (FUNPLOC,
FUNORTE, FEARPE, FEAUC E FEPLAC), que elaboraram uma Carta-Consulta com
pedido de autorização do funcionamento da Universidade do Contestado e
posteriormente o Projeto de criação da Universidade. Sendo que em 28 de março de
1990 foi criada a Federação das Fundações Educacionais do Contestado – FENIC.
No ano de 1997 a UnC foi oficialmente reconhecida e credenciada, é constituída por
cinco campi Universitários com sede em Caçador, Canoinhas, Concórdia,
Curitibanos e Mafra, mas ainda com o modelo de Fundação.
Após o Código Civil de 2002, o modelo jurídico/organizacional de Fundação
ficou obsoleto e no ano de 2009 houve um processo de ajustes jurídicos a fim da
transformação da mantenedora e suas co-mantenedoras em uma única Fundação,
64
de configuração pública e regida pelo direito privado. Tal processo foi denominado
Unificação das Fundações Mantenedoras da UnC, e culminou com a aprovação do
Estatuto da Fundação Universidade do Contestado – FunC, em 27 de agosto de
2009, contemplando a nova estrutura organizacional e administrativa da fundação, a
Fundação Universidade do Contestado passou a ter sede em Mafra, Santa Catarina.
Desta forma, a UnC é uma instituição de Educação Superior vinculada ao Sistema
Estadual de Santa Catarina, mantida por uma Fundação de origem pública e de
natureza do direito privado.
O Regimento Geral data de 2010, em tal documento inicialmente consta que a
pesquisa na Universidade deve ser articulada com o ensino e a extensão, sendo
concebida como um processo continuo acumulado de produção de novos
conhecimentos, técnicas e validação de saberes. O que demonstra a intenção de
integrar os três elementos que pautam a universidade. Consta ainda a preocupação
da Universidade com o desenvolvimento Regional, ao estabelecer que pesquisas
com esse foco ao lado das que busquem o fortalecimento da educação na
Universidade, melhoria da qualidade de vida, a inclusão social e a promoção da
cidadania terão prioridade sobre as demais.
Ao tratar especificamente da Extensão, o documento coloca-a junto da
Cultura e das Relações Comunitárias e a caracteriza como processo e prática
educativa, cultural e cientifica que se integra ao ensino e a pesquisa. O que mais
uma vez demonstra a intenção da indissociabilidade entre os três elementos,
viabilizando com isto a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade e
o retorno da aplicação desses aprendizados para a melhoria da prática acadêmica
de alunos e professores. Com isso fica condicionada a prática da extensão com a
participação de alunos e professores. Consta ainda a forma pelas quais a extensão
será praticada: educação continuada, os projetos de ações comunitárias e culturais
e prestação de serviços em áreas e programas prioritários, institucionalmente
definidos (UnC,2010, p. 17).
Da mesma forma da prevista com a pesquisa, ao tratar da extensão a
Universidade prioriza as atividades que promovam o desenvolvimento Regional, a
melhoria da qualidade do ambiente de vida, a inclusão social e a promoção da
cidadania.
O PDI data de janeiro de 2011 e coloca como metas pertinentes ao presente
estudo: a articulação das políticas de Ensino, Pesquisa, Pós-Graduação e da
65
Extensão, o que nos remete a ideia de que embora encontre respaldo na
documentação institucional, essa integração efetivamente não é praticada na
Instituição.
O redirecionamento dos incentivos à Pesquisa e a Extensão em
consonância com as demandas regionais. isso demonstra a preocupação, ao menos
documental em a Universidade ofertar o que a Comunidade necessita. Criação de
formas de avaliação dos programas de pesquisa e extensão e aprimoramento
contínuo da produção científica e tecnológica. (UnC, 2002, p.22).
Na sequência ao mencionar os cursos de graduação, a Instituição afirma que
na Graduação se concentra o maior volume de suas ações. Sendo esta a prioridade
e a destinatária da concentração dos esforços, indissociando-os dos projetos de
pesquisa e de extensão os quais são fontes permanentes de produção e
disseminação de conhecimentos (UnC, 2002, p. 28).
No espaço destinado a Extensão Universitária o Plano menciona que esta se
organiza em torno de oito grandes eixos: comunicação, educação, saúde, resgate e
preservação da cultura, desenvolvimento socioeconômico e regional, preservação e
sustentabilidade do meio ambiente, produção e difusão de tecnologias (UnC, p. 28,
2002). Eixos estes que estão em consonância com as áreas temáticas do Plano
Nacional de Extensão. É o único documento das Instituições analisadas pelo
presente estudo que menciona a forma com a qual a extensão universitária será
realizada, na forma de programas e projetos de extensão. Na sequencia apresenta a
definição de programa e projeto de extensão:
Caracterizam-se como um conjunto de ações ou atividades institucionais
estruturadas organicamente. Representa o conjunto de ações de extensão
de médio e longo prazo correlacionadas/inter-relacionadas e orientadas por
um objetivo comum, de natureza educativa, cultural, científica ou técnica,
devendo contemplar a interdisciplinaridade, o princípio da indissociabilidade
do ensino, da pesquisa e da extensão, podendo agregar programas,
projetos, cursos, eventos, servindo de suporte para a extensão, ensino e
pesquisa. Os projetos de extensão caracterizam-se como um conjunto de
ações planejadas e sistematizadas que podem estar vinculadas a
programas ou serem projetos isolados, de acordo com as diretrizes da
Universidade, com caráter educativo, científico, tecnológico e cultural,
visando o aperfeiçoamento dos envolvidos. Tem caráter periódico e às
vezes assistemático, buscando a solução de questões emergentes da
sociedade. (UnC, 2002, p.29).
A parte final do documento em analise dedicada a extensão, resumo o sentido
da extensão para a Instituição como uma dinâmica que se concretiza através da
produção de conhecimentos, que acontece na interface universidade/comunidade.
66
De forma que o ensino ocorra além da sala de aula, traduzindo um conteúdo
multidisciplinar, como decorrência das práticas.
67
5 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS
5.1 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA FAFIUV
Todas as respostas fornecidas pelos Atores à entrevista realizada estão
estruturadas nos quadros e os pontos de destaque comentados na sequencia.
Inicialmente foram questionados sobre o que entendem por ser extensão
universitária.
Quadro 8 - Conceito de extensão universitária pelos atores da FAFIUV
Gestor
Extensão universitária é o meio mais rápido da universidade chegar até a sociedade.
Professor
P1
P2
P3
Alunos
Atividades sistematizadas, organizadas e registradas que visam atender
determinada comunidade e/ou a sociedade como um todo.
Via de mão dupla, uma é do atendimento da comunidade que ela está inserido o
projeto e a outra é de benefício para o acadêmico.
P4
É toda ação de ensinar fora da sala de aula.
Proporcionar que o conhecimento gerado dentro da Universidade atinja a
comunidade.
P5
Um processo cultural, educativo e científico que articula o Ensino e a Pesquisa.
A1
Um curso complementar fora do regime acadêmico.
A2
É a universidade chegando junto com a comunidade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
A maioria das definições traz clara a ideia de que a extensão é uma forma de
atuação da Universidade junto à Sociedade. O gestor defende em seu discurso que
a Extensão é a forma mais célere de “chegar até a sociedade”. Segundo tal visão o
ensino e a pesquisa só chegariam indiretamente a sociedade. Tal discurso coaduna
com a missão institucional que lhe é imposta de coordenar a extensão. O Professor
P4 defende da mesma forma a necessidade de a extensão ter alcance social e o P5
como sendo um processo cultural.
Outra posição classifica a Extensão como um compromisso social (P2).
Todavia na sequencia do discurso o ator defende que, “[...] é uma oportunidade
ímpar para o acadêmico estudar, entrar em contato com a realidade profissional com
uma bolsa de estudos”. Tal postura de em um primeiro momento defender como um
compromisso social para na sequência entender como oportunidade de o acadêmico
conhecer a realidade, mostra que o ator não aceita a integração plena entre a
Universidade e a Sociedade, sendo esta um objeto de Estudo daquela. Demonstra
68
ainda o ator uma constante preocupação em que os Atores envolvidos na prática de
Extensão sejam remunerados.
Um aluno (A1) entende a extensão como: “[...] um curso complementar, fora
do regime acadêmico [...]”, fora do currículo acadêmico. Entendimento diverso
demonstra o outro aluno (A2), o qual entende que a extensão é a: “Universidade
chegando junto com a comunidade.” A diversidade entre os entendimentos dos dois
alunos ouvidos, pode ser justificada pelo fato de a natureza do projeto de Extensão
do qual o A1 participar, não possuir natureza científica, mas puramente cultural, e a
sociedade em geral ser um expectador, não intervir no projeto. Por sua vez o projeto
no qual o A2 participou teve além de viés acadêmico, interação direta com a
comunidade envolvida.
A fim de aprofundar a dimensão sobre o papel da extensão junto a sociedade
criamos o quadro 2 que indica a posição dos atores sobre a função que a extensão
universitária cumpre na sociedade e 4 que indica a posição sobre a demanda das
ações extensionistas.
Quadro 9 - Função que a extensão universitária cumpre na sociedade pelos atores
da FAFIUV
Gestor
Professor
Alunos
Fazer com o que é produzido nas universidades tenha um resultado efetivo na
sociedade.
Disseminação dos valores, fomentar saberes, com os quais se promove o
P1 desenvolvimento da sociedade.
P2
Levar a universidade até a comunidade, até como moeda de troca.
P3
Mostra a importância de se viver em sociedade de forma organizada.
P4
Transformar conhecimento científico em tecnologia.
P5
Contribuir de maneira a diminuir as desigualdades sociais existentes.
A1
Uma extensão, um complemento.
A2 Na realidade é levar o conhecimento universitário para comunidade alvo.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O Gestor da Extensão entende que cumpre a função social de fazer com o
que é produzido nas universidades tenha um resultado efetivo na sociedade. Coloca
um contraponto por ser o Brasil ranqueado com um dos países que mais faz
pesquisa na universidade e ser um dos últimos países ranqueados quando se
analisa o resultado social que essas publicações trazem. Sob tal enfoque a extensão
deve possuir a dimensão social de possibilitar que os resultados das pesquisas
tenham aplicabilidade nas ações extensionistas voltadas para a Sociedade.
69
Respostas equivalentes apresentaram o P1 e P4 e o A2, ao entender que a
extensão tem função de disseminar o conhecimento para transformar a sociedade.
O ator P2 mais uma vez destacou a importância da bolsa para acadêmicos
serem inseridos num lócus de aprendizagem. Especificamente quanto a função da
extensão “levar a universidade até a comunidade, até como moeda de troca, como
um momento de conhecer na ação que os alunos têm e também de apresentar
comportamentos de benefício social mesmo”. Muito embora o ator entenda que a
extensão seria uma moeda de troca, deixa de citar qual seria tal troca entre
universidade e sociedade.
A forma da geração dos programas na Instituição não é de domínio de todos
os atores que participaram da presente pesquisa, como demonstra o quadro abaixo.
Quadro 10 – Como se dá a geração dos programas de extensão - FAFIUV
Gestor
Principalmente a partir do interesse dos professores.
Professor
Os programas são gerados a partir do interesse dos respectivos departamentos,
P1 juntamente com a IES.
P2
A geração de programas de extensão na IES é por via de edital.
P3
Por meio dos colegiados.
Alguns grupos de pesquisa coordenados por um ou mais docentes aptos
P4 respondem a editais.
P5
Alunos
Abertura de editais em órgãos de fomento.
Eles surgem através de um projeto pré-estabelecido, distribuído tanto aos
A1 acadêmicos como à comunidade em geral, quando eles fazem a inscrição.
A2 Por metas desenvolvidas por projetos do governo.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Muito embora a compilação das respostas havida no quadro acima,
demonstre a falta de conhecimento de todos os atores sobre a geração dos projetos
de extensão. O gestor, bem como os professores (P1, P2, P4 e P5) apontam que a
geração dos projetos concentra-se nos professores que atendem a editais via de
regra ofertados pelo Governo (expressão utilizada em sentido amplo, nas esferas
federal e estadual).
A maciça geração dos programas de extensão em atenção a editais do
governo, demonstra a falta de financiamento da Instituição para tal prática, o que
será examinado nos quadros resultantes das questões 7, 10 e 11. Não foi observado
nas respostas alguma participação dos alunos na geração dos projetos, sendo estes
utilizados como mão de obra, ao tomarem conhecimento por meio de editais para a
concessão de bolsas de extensão.
70
Somente no discurso do gestor é que constou ainda que de forma superficial
a preocupação da relação da extensão com o ensino e a pesquisa. O P1 mencionou
que a geração dos programas decorre da análise conjunta entre o Colegiado e a
Direção da Instituição, procurando atender algumas das necessidades de
determinada comunidade. Todavia não menciona como tais comunidades seriam
selecionadas, ou os critérios para se determinar quais das necessidades serão
atendidas. Percebe-se em tal discurso o conhecimento sobre a legislação atinente a
extensão universitária, todavia destoa dos demais atores, inclusive do gestor.
Houve ainda a menção do P4 a projetos que não receberam apoio financeiros
e que “desenvolveram-se com a força e entusiasmo do corpo docente”. Todavia no
discurso dos demais Atores tal forma de geração de projeto não foi observada, o que
demonstra que deve em algum momento pretérito ter ocorrido na Instituição, mas
que tal forma entusiasta de extensão não é mais praticada. Foram em seguida
questionados sobre a origem da demanda pelas ações extensionistas, se a
sociedade quem solicita e a Instituição atende, ou a Instituição oferece o que produz
à sociedade.
Quadro 11 – Demanda ações extensionistas - FAFIUV
Gestor
Predomina aquilo que é produzido na faculdade e que se quer levar para a sociedade.
Professor
P3
Os projetos são atrelados a exigência de elaboração de projetos para
complementação de carga horária dos professores efetivados com padrão de T
40 e Tide.
Atendemos a políticas, na verdade a demanda, ela parte da FAFI, da IES para a
sociedade.
Buscam complementar o que não conseguimos ensinar ou mostrar em sala de
aula.
P4
Hoje na FAFI acredito que ambos.
P1
P2
P5
Visam atender uma demanda da sociedade, por meio de práticas acadêmicas.
É direcionado à comunidade, tanto acadêmica como a comunidade geral da
Alunos
A1 população da cidade.
Para oferecer os dois, uma demanda da faculdade, da universidade e na
A2 sociedade também.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor defende ainda sobre a geração dos programas de extensão que a
Universidade produz na pesquisa, o que a sociedade quer produzir. Mas quando a
extensão atua, ela deve levantar a demanda da sociedade e, inclusive, orientar ou
induzir pesquisas, pra que tenha uma, um resultado maior. Tal discurso traz a
premissa de que a Universidade está em sintonia com a Sociedade, o que não
71
reflete a realidade, uma vez que um dos Paradigmas da Universidade é a integração
com a Sociedade. O P4 atribui a geração dos programas tanto a demanda da
sociedade na forma de “empresas e Instituições públicas que se remetem
diretamente a FAFI solicitando a solução pontual de problemas que enfrentam”,
quanto a inserção das pesquisas de acadêmicos e professores na sociedade. O P5
entende que a demanda provem somente da sociedade, sem todavia explicar como
isso ocorre.
Os professores por sua vez trouxeram a questão dois outros enfoques. O P1
elencou a necessidade da oferta de projetos de extensão para a complementação
da carga horária no regime TIDE. O P2 atribui a sua experiência profissional na
Educação Básica a demanda para a geração dos projetos de extensão que atua. Os
alunos não demonstram conhecimento sobre a origem da demanda, o que coaduna
com o anteriormente escrito de que os alunos não são ouvidos no processo de
geração dos programas de extensão.
A extensão ainda mostra-se na região estudada como atividade difícil de ser
enquadrada na comunidade acadêmica, tal dificuldade é refletida ainda na ausência
de mecanismos de controle e avaliação, como demonstra o quadro abaixo:
Quadro 12 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão- FAFIUV
Gestor
Não tá institucionalizado ainda um mecanismo de avaliação.
Professor
Alunos
P1
Os projetos tem aval e acompanhamento dos respectivos colegiados e quando
registrados nos órgão institucionais competentes, por estes.
P2
São via publicações que nós fazemos.
P3
P4
Desconheço.
Quando o projeto esta vinculado a setores como o COPERTIDE e o COEP,
existem mecanismos de avaliação.
P5
Ocorre por meio da Coordenação de Extensão Universitária.
A1
Eu sei que existem, mas não sei quais são eles.
A2
Sim, são através de relatórios.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
A FAFIUV não possui mecanismos institucionais de avaliação da extensão. O
Gestor destaca que os projetos propostos são realizados, mas não cita formas de
acompanhamento ou avaliação.
O professor P2 destaca como forma de avaliação as publicações que dão
visibilidade ao projeto e os relatórios. Os relatórios mencionados pelos P2, A1
referem-se aos relatórios exigidos pelos órgãos de fomento, mencionados nas
72
respostas a questão sobre a forma de geração dos projetos de extensão. As
publicações não são entendidas pelo Fórum dos Pró-Reitores de Extensão das
Universidades Públicas Brasileiras como forma de avaliação, mas de divulgação de
resultados.
O professor P1 atribui aos colegiados, sem mencionar a forma, e aos órgãos
institucionais competentes, sem citar quais são, a avaliação dos projetos de
extensão. O professor P1 entende ainda que a comunidade acadêmica ao
acompanhar as atividades desenvolvidas exerce papel de avaliação. O professor P4
menciona a COPERTIDE, COEP e a CIPIC como setores responsáveis pela
avaliação dos projetos que neles tramitam. Entretanto ao verificar as atribuições de
tais órgãos junto ao Regimento Interno da Instituição e Regulamentos dos órgãos
citados, não consta dentre as atribuições a avaliação dos projetos de extensão
desenvolvidos.
A ausência de mecanismos institucionais para avaliação Extensão, confirma o
papel secundário que esta tem para a Instituição, deixando inclusive de ser
considerada na avaliação e títulos nos concursos e testes seletivos para ingresso
dos Professores. A fim de complementar a analise da prática da extensão,
perguntou-se aos atores sobre as condições na Instituição para a realização da
extensão.
Quadro 13 – Condições para realização da extensão - FAFIUV
Gestor
Condições são precárias. Os projetos que acontecem geralmente não demandam de
estrutura da instituição,
Professor
P1
São muitas vezes deficitárias, pois faltam condições estruturais.
P2
São condições muito difíceis, difíceis mesmo.
P3
Falta um pouco de estrutura organizacional para as coisas acontecerem.
No aspecto físico ainda há muito a ser conquistado, espaço físico,
equipamentos, transporte, ....
Temos condições de realizar os projetos de extensão, embora, nossa
infraestrutura seja precária.
São boas. Normalmente, toda a estrutura que, no caso, o coral precisa, ele
tem.
P4
P5
Alunos
A1
A2
Ah, foram interessantes, principalmente para recém-formados.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Há uma unidade dos discursos do gestor e dos professores, todos afirmam
que as condições são precárias, tanto pela falta de estrutura física quanto de bolsas
73
de extensão. O gestor entende ser este um problema no país todo e não somente na
Instituição.
Um professor elenca ainda entre as dificuldades a sobrecarga de trabalho
(P2) por ter de além de coordenar o projeto de extensão, tem de fazer pesquisa,
publicar, dar aulas. A sobrecarga na extensão decorre do fato de não contar dentro
do quadro de horas de trabalho. Este professor diz que prática a extensão por
idealismo. O professor P4 embora corrobore com o entendimento de que o déficit de
estrutura entende que o “potencial humano, inegavelmente rompe e transpassa as
dificuldades em nome de cumprir com essa função social”.
Os alunos entrevistados por participarem de projetos organizados e
estruturados entendem ser boas as condições para a prática da extensão na
Instituição, embora da mesma forma que reconheçam o déficit da estrutura física.
A fim de melhor compreender as dificuldades relatadas, os entrevistados
foram arguidos sobre os recursos financeiros para as ações extensionistas,
conforme quadro abaixo.
Quadro 14 – Recursos financeiros para extensão - FAFIUV
Gestor
Professor
Os únicos recursos financeiros pra extensão, eles são aqueles provenientes, até o
momento do governo do estado por meio do programa Universidade sem Fronteiras.
Em sua maioria, do Estado, via SETI, mas ainda existem projetos na
P1
Instituição que não recebem subvenção alguma.
Não são suficientes, eles vêm das mantenedoras, do Universidade Sem
P2
Fronteira e da CAPES.
P3
P4
P5
Alunos
A1
Sem resposta.
As necessidades financeiras de desenvolvimento dos projetos (Fundação
Araucária) são adequadas aos recursos financeiros que são disponibilizados
pelo edital correspondente.
Os recursos não foram suficientes para o desenvolvimento das atividades.
Provêm de fontes governamentais, através dos projetos e até mesmo por parte
do Instituto.
Vem do governo estadual, mas não foram suficientes.
A2
Fonte: dados da pesquisa (2013).
No quadro resta comprovado que a demanda de recursos financeiros é
superior a disponibilidade destes. Verifica-se ainda que a Instituição não dispõe de
meios próprios de financiamento, depende de editais do Universidade sem
Fronteiras, SETI, Fundação Araucária.
74
O gestor relata que os únicos recursos financeiros pra extensão, provem do
Governo do Estado, por meio dos editais do Programa Universidade sem Fronteiras.
Relata que atualmente tais recursos são escassos, que no governo anterior eram
significativos.
O P2, na mesma direção do gestor é incisivo em alegar que os recursos
financeiros não são suficientes, relata ainda que o projeto que desenvolve demanda
muito material de expediente, papelaria, e que as escolas que seriam as
destinatárias do projeto, têm que ser parceiras, na doação de materiais. Detalha
ainda que o projeto Universidade sem Fronteiras, na preocupação da transparência
dos gastos é “engessado”, o que dificulta as compras. O professor P4 no mesmo
sentido relata que existem recursos nos editais e que são suficientes para o
desenvolvimento dos projetos, todavia cita a burocracia como fator impeditivo para
que o recurso chegue a tempo do cronograma previsto e que seja usado
adequadamente, chegando por vezes a perder o recurso por não haver
tempo hábil de adquirir o previsto no cronograma físico financeiro. O P5
foi enfático ao mencionar que os recursos não foram suficientes para o
desenvolvimento das atividades propostas. O P1 relata que existem projetos
na Instituição que não recebem subvenção alguma, o que demonstra a falta de
recursos.
Quadro 15 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - FAFIUV
Gestor
Há confusão, muitas vezes essas dimensões elas são tratadas de forma indistinta.
Professor
P1
P2
P3
P4
P5
Alunos
Nossa Instituição é por essência voltada para o ensino, pois temos apenas
cursos de licenciaturas.
Têm uma inter-relação muito forte, porque a extensão ela não funciona sem o
ensino e a pesquisa e vice-versa.
Os cursos da FAFIUV são de licenciatura e não consta na carga horária tempo
para a pesquisa. É necessário rever a carga horária para cada objetivo.
Vem caminhando a passos largos.
São atividades interdependentes e complementares que atuam de forma
sistêmica.
A1
Não sei.
Os alunos souberam se envolver a campo e trazer pra, novamente pra dentro
A2
dos laboratórios e desenvolver a pesquisa.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor relata que na Instituição há “confusão” entre as três dimensões
(ensino, pesquisa e extensão), relata que se faz pesquisa e ensino em um projeto de
75
extensão, sem haver a diferenciação de cada um. Entende o ator ser um problema a
ausência de tal diferenciação ante a ausência de resultados específicos de cada
dimensão. Entende que as três dimensões deveriam atuar conjuntamente, todavia
cada uma no seu campo, sem haver “mistura”: “[...] às vezes, projeto de extensão
que visa, diz que é projeto de extensão, mas vai lá e vai dar um curso. Ou às vezes
um projeto de pesquisa que cadastram como extensão pra conseguir algum, verba
de algum edital, mas que a gente sabe que vai fazer pesquisa e acaba não tendo
essa, esse retorno social.”
Entre os professores, duas posições destacam-se, uma que entende que a
Instituição por ser Faculdade e possuir somente cursos de licenciatura é voltada
para o ensino, portanto não há estrutura para a realização de pesquisas mais
direcionadas. Com relação a relação entre ensino e extensão o professor(P1)
entende que é um pouco mais próxima e ocorre efetivamente. O professor P2 por
sua vez entende que a separação deve ocorrer somente para a melhor
compreensão das três áreas dentro da instituição. Todavia ocorre uma inter-relação
muito forte, por uma dimensão não “funcionar” sem a outra.
A postura deste último ator confirma a do gestor em que a separação entre as
dimensões não ocorrer na faculdade, todavia enfrentam tal situação sob perspectiva
diversa, o primeiro entendendo que isso deve ser corrigido para que ocorra um
desenvolvimento das dimensões. Já o segundo não entendendo ser possível o
desenvolvimento de uma dimensão sem a outra.
O
professor
P5
cita
que
as
atividades
são
interdependentes
e
complementares, sem todavia explicar como isso efetivamente ocorre na IES.
O conteúdo do quadro abaixo representa o entendimento sobre o significado
das ações extensionistas para os atores.
76
Quadro 16 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária FAFIUV
Gestor
Um projeto na área dos diálogos culturais que visava a fazer um levantamento histórico
e discutir a cidadania dos catadores de, de lixos recicláveis.
Professor
Alunos
P1
As que estão ligadas a cultura e ao ensino.
P2
P3
Os eventos de cunho científico.
Semanas de Cursos, Semana da Cultura e os Projetos: Observatório, PIBID e
Universidade sem Fronteiras.
P4
Mamãe Universitária e Faculdade na Terceira Idade, Coral Universitário.
P5
Ações por meio de curso de curta e longa duração, semanas acadêmicas.
A1
Auxílio nas escolas.
A2
Através do ensino, da parte prática e teórica.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor exemplificou um projeto, por entender que ele: “atendia bem o que
se espera de uma extensão, porque ele não ia levar assistencialismo, mas ele
visava emancipar aqueles sujeitos a partir de um trabalho que resgatava a sua
cidadania”. Citou outros projetos que tiveram destaque dentro da Instituição,
mencionando os objetivos de cada um. Mencionou ainda que entende por sentido de
extensão os projetos que: “visavam levar conhecimento, atendendo uma demanda
social e melhorando a condição do atendimento por melhorar os agentes de
atendimento e que depois que os projetos saíram a coisa não acabou, mas aquilo
surtiu um movimento inicial que ficou na sociedade, eu acredito que ali sim se
cumpriu a extensão universitária”.
Os professores entrevistados citaram de forma geral tópicos que são
importantes para a comunidade acadêmica e não ações ou projetos extensionistas.
Entretanto verifica-se que confundem projetos extensionistas com pesquisa ou
mesmo atividades de ensino.
Os alunos demonstraram não possuir a compreensão do que são projetos de
extensão, limitam-se a participar das ações praticadas pelos projetos que atuam.
Ainda com o intuito de traçar o panorama da prática da extensão na
Instituição, os atores foram questionados sobre a existência de parceiros para a
prática da extensão.
77
Quadro 17 – Parceiros atuais na extensão - FAFIUV
Gestor
Só o governo do Estado.
Professor
P1
P2
P3
Alunos
Em determinadas ocasiões sim.
As instituições públicas: prefeitura de União da Vitória, Porto União e o Estado
do Paraná.
P4
Sim
Convênios com empresas particulares, Instituições de Ensino Superior
Parceiras da FAFIUV no Programa Universidade Sem Fronteiras.
P5
Fundação Araucária, empresa Tecnofrio, Pesquisadores da UEPG.
A1
O instituto que pertence à Faculdade.
Tivemos por exemplo, um pessoal que ofereceu pra nós um equipamento de
A2
resfriamento de leite, uma melhoria, fez uma doação pra universidade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor novamente destacou a importância do governo do Estado como
parceiro, ao lançar editais para a concessão de bolsas de extensão e financiamento
para aquisição de equipamentos e materiais. Lamentou a ausência de apoio das
empresas da cidade, seja como fonte financiadora seja como investidora em ações.
Os professores por estarem diretamente envolvidos com os projetos
sinalizaram outras parcerias existentes. Todavia verificou-se que tais parcerias foram
restritas a projetos específicos, não sendo formalizadas ou institucionalizadas. O P2
destacou o apoio das Prefeituras e Estado enquanto mantenedoras das escolas que
foram utilizadas como campo aos projetos. O P4 destacou as outras IEES da Cidade
como parceiros, por terem cedido mão de obra para o desenvolvimento do projeto e
o P5 uma empresa que contribuiu com doação para o projeto e pesquisadores de
outra IES pública do Estado.
Um dos alunos citou o IEPS, Instituto sem fins lucrativos, voltado para o
desenvolvimento da FAFIUV. Todavia deve-se considerar o fato de o IEPS não ter
sido citado pelo gestor. Pelo que se compreende que a parceria havida é pontual no
projeto do qual o ator participou. O outro aluno A2, mencionou como parceiro uma
ação de doação de um bem para o projeto, o que remete a conclusão que o projeto
recebeu ajuda da comunidade, todavia além da fonte financiadora que no caso foi
Universidade sem Fronteira, não havia outro parceiro.
Na sequencia foi questionado no campo da hipótese quais seriam os
melhores parceiros para o desenvolvimento da extensão. Isso com o intuito de que
os Atores considerassem que com as parcerias os projetos/programas de extensão
pudessem ser satisfatoriamente desenvolvidos.
78
Quadro 18 – Melhores parceiros para a extensão - FAFIUV
Gestor
Professor
Os grandes parceiros das grandes universidades geralmente são as indústrias, as
empresas.
Prefeituras da região, algumas empresas, o próprio Estado do Paraná e suas
P1
respectivas Secretarias.
P2
As empresas poderiam participar melhor dessa parceria.
P3
Fundações e Institutos.
As empresas locais e entidades como CNPq, CAPES.
P4
P5
Alunos
Empresas Privadas ou Governamentais e parcerias com outras IES.
A1
A prefeitura, órgãos governamentais.
Se for uma universidade estadual, governo estadual; a própria instituição,
A2
empresas e a própria sociedade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor lamenta o fato de a Instituição somente possuir cursos de
licenciatura e isso não despertar interesses nas empresas locais para parcerias.
Menciona a necessidade de os cursos ofertados pela Instituição acarretarem
desenvolvimento social e econômico, e desta forma os ex-alunos após inseridos no
mercado de trabalho, trariam as empresas e escolas como parceiros. Reconhece o
gestor que há muito que se fazer para conseguir tal objetivo. Os professores
uníssonos citam as empresas como parceiros ideais. Ao serem questionados sobre
o que esperam para o futuro da extensão universitária os Atores esperam que se
desenvolva, sem entretanto apresentarem o modo com que isto deverá ocorrer, ou
quais ações seriam executadas para tanto.
Quadro 19 – Futuro para extensão universitária
Gestor
Professor
Alunos
As ações extensionistas vão aos poucos passando de ações voluntaristas e
assistencialistas pra realmente ações de transformações e desenvolvimento da
sociedade.
Acredita-se na afirmação de muitas iniciativas ligadas à extensão.
P1
A extensão está cada vez mais se transformando e se consolidando dentro do
P2
espaço universitário.
P3
Tende a melhorar.
P4
Se tudo continuar neste caminho muito mais atuante.
P5
Muito promissor com o trabalho que vem sendo realizado na IES.
Muito a longo prazo, porque ainda a população não tem essa, a ideia do que
seja a extensão universitária e não existe muita procura.
A1
A2
Precisava mais incentivo, principalmente das universidades.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
79
O gestor menciona que várias universidades foram criadas recentemente pelo
governo federal, que tais universidades devem atender a uma demanda social de
determinadas regiões, por este motivo já “são vocacionadas pra extensão”. Aponta
ainda os editais, recém-lançados pelo Ministério da Cultura, os quais exigem
comprovação de que a Universidade está cumprindo seu papel de integrar a
extensão da pesquisa e do ensino. A partir desse panorama conclui que: “daqui pra
frente, vai ser necessário comprovar ações extensionistas de qualidade”. Diante
disso aposta que tendência é que se avance para um conceito de extensão, na qual
as ações extensionistas vão aos poucos passando de ações voluntaristas e
assistencialistas para ações de transformações e desenvolvimento da sociedade.
O professor P2 possui 25 anos de Ensino Superior e comenta que só
recentemente teve a oportunidade de oferecer projetos de extensão universitária,
por ter durante muito tempo ficado esquecida. Vê com bons olhos a consolidação da
extensão universitária, citando que o projeto PIBID recentemente, foi incluído na
LDB como uma das formas de formação docente.
Os professores P1, P4 e aluno 2, entende, que a extensão deve ser mais
atuante, precisando para isto de mais incentivo.
Um dos alunos menciona que a extensão deve se desenvolver a longo prazo,
devido a sociedade não ter a ideia do que seja, e não procurar pelo projeto. Tal
discurso deve ser interpretado restritivamente, uma vez que o conhecimento do
aluno, conforme já demonstrado nas respostas anteriores, é adstrito ao projeto que
atua.
Por fim os atores foram questionados sobre a contribuição da extensão para o
desenvolvimento regional. Isso com o intuito de saber o que praticamente pode ser
melhorado na Comunidade abrangida pelas ações extensionistas.
Quadro 20 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - FAFIUV
Gestor
Professor
Sem resposta.
P2
Os participates, academicos e comunidade em geral tem oportuidade de entra
em conto com a linguagem musical, além de praticar a teoria musical, estudos
dos hinos e diversas canções e obras nacionais e universais, melhorando sua
apreensão de mundo, bem como promovendo novas formas de saber e
conviver em sociedade.
Então, a, eu diria que as bolsas, elas são inseridas no ciclo produtivo e de
consumo na economia da nossa região, uma vez que a nossa região é tida
como a região da fome, então oferecer bolsas de estudo para os nossos
acadêmicos é também um ganho econômico.
P3
Sem resposta.
P1
80
De forma numérica acredito que com o Apoio as Licenciaturas, até mesmo
pela estrutura de cursos mantidos pela Instituição.
Aumento da renda familiar dos produtores de leite e a melhora na qualidade do
P5
leite produzido nas propriedades em função das orientações fornecidas.
Aperfeiçoamento de professores os alunos têm uma visão diferente, eles
Alunos
A1
aprendem a prática do que somente a teoria dentro de sala de aula.
Nós levamos ao conhecimento do pessoal uma comparação das análises que o
A2
pessoal não tinha em mãos nem um tipo de comparação de análises.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
P4
O professor P2 comentou vários casos de alunos bolsistas que com o valor
recebido adquiriram importantes bens de uso profissional que influem diretamente
em sua qualidade de vida. Entende que a injeção dos recursos das bolsas de
extensão no ciclo produtivo e de consumo da região acarreta o ganho econômico
que contribui para o desenvolvimento regional, além da oportunidade de trabalho
gerada.
O professor P1 aponta no desenvolvimento cultural que segundo o discurso
abaixo promove novas formas de saber e conviver em sociedade.
”[...] pelo seu espírito inovador e sua abrangência artística e cultural
transcende o ambiente acadêmico e chega até a comunidade visando a inter-relação
e trocas de experiência com a mesma, assim como atende as perspectivas do
ensino superior que além da pesquisa e ensino, visa a extensão”.
O professor P5 destaca que seu projeto beneficiou diretamente os produtores
de leite das propriedades que atuaram com o aumento da renda. Não obstante
tenha ocorrido no caso acima desenvolvimentos econômicos das propriedades alvos
do projeto faltam elementos para se concluir que isto contribui para o
desenvolvimento regional.
5.2 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UNIUV
Há o consenso que a extensão universitária deve envolver a comunidade,
entretanto a forma e o alcance com que isto será atingido, não resta claro. Nas
entrevistas os atores ao serem questionados sobre o que entendem por extensão
assim demonstraram.
81
Quadro 21 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UNIUV
Gestor
É a participação social da universidade
Professor
P1
Forma de continuidade, de oportunidade, ou simplesmente de levar à
comunidade.
P2
O que aproxima, é o que faz aproximar a sociedade da universidade.
Uma complementação do conhecimento que o acadêmico tem oportunidade
de aplicar, lá fora.
P3
Vem aprimorar o conhecimento já adquirido em sala de aula do aluno para a
P4
sociedade.
Levar a gama de conhecimentos abordados pelos cursos de ensino superior
P5
para a comunidade.
Onde os integrantes da IES aplicam seus conhecimentos para melhoria da
Alunos
A1
sociedade.
Contribuição para com a sociedade, realizada por meio de Instituição de
A2
Ensino Superior.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor da extensão entende que a extensão é a Universidade cumprindo
uma função social, o que muito aproxima da visão de extensão do modelo europeu.
Os professores, embora concordem com o viés social, abordaram ainda a temática
de a extensão servir como complementação dos estudos em sala de aula, o que
mostra a preocupação com o aluno. O P3 mencionou como uma das funções da
Universidade é: “[...] influenciar no meio em que ela tá inserida e uma das formas de
realizar isso é pela extensão”.
O P1 elencou ainda a possibilidade de: “levar à comunidade, que não faz
parte da, do mundo acadêmico, a chance de ter contato com o Ensino Superior”. No
mesmo sentido o P2 menciona que: “[...] são ações que a universidade tem mais
diretamente dentro da sociedade”. O P5 preocupou-se em destacar que os
conhecimentos levados a sociedade por meio da extensão devem ser úteis a esta.
A fim de completar o conceito da extensão os atores foram perguntados sobre
a função que a extensão cumpre na sociedade.
82
Quadro 22 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade - UNIUV
Gestor
Interação universidade comunidade passando e recebendo conhecimentos e práticas.
Professor
P1
P2
P3
P5
Forma da universidade dar resposta para a sociedade.
Levar conhecimento em áreas específicas para a sociedade, visando
mudança.
Levar para comunidade saúde e qualidade de vida por meio de práticas
esportivas e atividades físicas.
A1
Beneficiar a sociedade com o que é produzido na Instituição.
P4
Alunos
Função social, que é de promover o conhecimento, de estimular a pesquisa.
Levar muito do conhecimento que é produzido dentro da universidade pra
sociedade e ajudando de alguma forma.
A2
Sociedade se beneficia com serviços de qualidade e alto nível sem custos.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor ressalta o conceito de ser a extensão uma “via de mão dupla” com a
comunidade. Os professores ressaltam a ideia de a extensão promover o
desenvolvimento social da comunidade. Os professores P1, P3 e P4, ressaltaram a
função social da universidade em “dar uma resposta à comunidade” e com isso
possibilitar uma “mudança de qualidade de vida” (P4).
O professor P2 justifica para tanto que a extensão deve
encontrar uma
função pra todo conhecimento que é produzido dentro da universidade. Entretanto o
entendimento de tal professor de que todo conhecimento é final e deve ser útil a
comunidade mostra-se limitado por não compreender as matérias propedêuticas,
utilizadas como base para as demais.
Os atores mencionam reiteradamente que a extensão deve atender uma
finalidade social. Ao se analisar as respostas para a forma de geração dos
programas de extensão na Instituição verifica-se que por vezes há uma confusão
entre o conceito de finalidade social e demandas oriundas da sociedade.
Quadro 23 – Geração dos programas de extensão – UNIUV
Gestor
Reuniões dos coordenadores de cursos, professores, acadêmicos e comunidade.
Professor
P1
P2
Alunos
Todo o professor é livre pra oferecer o curso de extensão, desde que submeta
a um projeto.
P3
Surgem da necessidade dos alunos.
Pela necessidade de cada curso, porque hoje a matriz curricular, tem que
inserir, uma parte além do estágio obrigatório.
P4
Desconheço.
P5
Submissão de projetos propostos por professores da IES.
A1
Desconheço.
A2
Instituição possui informações sobre carências da comunidade e busca suprir.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
83
O gestor destaca o processo democrático na elaboração dos programas, com
a participação dos professores, coordenadores de curso, alunos e comunidade. Os
professores P1 e P5, relataram que se faz necessário a elaboração de um projeto. O
P2 menciona a necessidade dos alunos e da comunidade citando exemplo de um
curso de extensão de informática ofertado a comunidade de um bairro específico, no
qual uma equipe que lá realizava trabalho voluntário constatou a necessidade e
levou a demanda à UNIUV. Um dos alunos A2, relatou que a Instituição atende a
demandas sociais.
Após análise das respostas, não se constata a preocupação da “resposta a
sociedade”, quando da geração dos programas de extensão. Mas sim uma resposta
a pedidos específicos de membros da comunidade.
Quadro 24 – Demandas das ações extensionistas - UNIUV
Gestor
Professor
Mão dupla, nós fizemos um projeto: dialogando com a UNIUV em que colocamos a
disposição cursos, palestras e oficinas.
Atendem uma demanda que a sociedade precisa, também oferecem parte dos
P1
conteúdos que nós produzimos na graduação.
A demanda da sociedade só é suprida quando é por alguma coisa que é
P2
produzida aqui dentro.
P3
As duas formas, as duas vias são válidas.
P4
Visa atender a uma demanda da sociedade.
Projetos de alguns cursos atendem a demanda, e outros oferecem o que é
produzido pela IES.
P5
Alunos
A1
A sociedade tem a demanda a universidade faz o curso.
Visou atender uma demanda da sociedade e também, foi algo produzido na
A2
universidade para a sociedade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
No quadro acima, nota-se a unanimidade das respostas tanto dos professores
quanto alunos, no concernente de a geração dos programas de extensão atender
uma demanda da sociedade. O gestor complementa afirmando que alguns projetos
surgem dentro da Instituição e são levados a comunidade. Nota-se ainda a intenção
de um dos professores (P1) de unir os cursos de extensão ofertados a comunidade
externa com disciplinas curriculares da graduação. “... também oferecem parte dos
conteúdos que nós produzimos na graduação. Então, às vezes, algumas aulas
acabam sendo comuns, né?!,como produção de imagens fotográficas, as mesmas
técnicas de ensino da graduação em, em muitos casos, eu aplico na extensão e,
porque os públicos, apesar de serem distintos, muitas vezes são parecidos em sua
faixa etária, né?!, enfim, culturalmente muito parecidos, né?!...”
84
Tal prática certamente aproxima a comunidade externa dos alunos da
graduação, entretanto não há previsão nos regulamentos da Instituição de tal
possibilidade, o que pode caracterizar uma irregularidade do ator. Mesmo com todos
os atores conhecendo a forma de geração dos programas de extensão, e esta se
dar marcadamente com a demanda da sociedade o quadro abaixo demonstra que
não há na Instituição mecanismos formais de avaliação destes.
Quadro 25 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão - UNIUV
Gestor
O serviço de atendimento ao acadêmico traz informações sobre o grau de satisfação
dos alunos.
Professor
Alunos
P1
Um sistema de avaliação eu não sei te dizer.
P2
A avaliação é uma coisa que a gente não faz.
P3
Até agora eu não vejo assim nenhuma forma de avaliação.
P4
É feito um, um questionário no final do curso pra saber da satisfação do aluno.
P5
Não existem.
A1
Pelos professores.
Os trabalhos realizados pelos acadêmicos passam pela avaliação dos
A2
professores.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor relata que o serviço de atendimento ao acadêmico avalia o grau de
satisfação dos alunos com relação aos cursos que frequentam, todavia não
mencionou mesmo após ser questionada a forma como ocorre. O professor P1
menciona que ele aplica uma pesquisa superficial sobre o que poderia ser
melhorado nos cursos que ministra. O professor P2 menciona que como sendo uma
espécie de avaliação, a demanda continuada pelos projetos ofertados: “[...] porque
ele funciona há muito tempo e sempre tem uma rotatividade de pessoas que fazem
o curso e daí vem alguém da família, ou tem alguns que querem ficar mais tempo
fazendo [...]”. O professor P3 relata que a avaliação se da pelos resultados dos
projetos, sem mencionar quais resultados seriam estes, ou uma forma com que tal
avaliação ocorre. As respostas demonstram que embora presentes as ações
extensionistas são pouco sistematizadas, sem mecanismos de avaliação dos
resultados e verificação do cumprimento dos objetivos. Quanto as condições para
realização das atividades, os atores confirmam que a Instituição as apoia.
85
Quadro 26 – Condições para realização da extensão - UNIUV
Gestor
Há incentivo, boa vontade dos colegiados, os acadêmicos trabalharem durante o dia é
obstáculo, bem como o número restrito de assessores.
Professor
P1
P2
P3
Alunos
Eu acho que as condições são totalmente, plenamente aceitáveis.
Há dificuldade de pessoal, por ser uma instituição pública, mas sempre é, o
apoio é irrestrito assim.
P4
A UNIUV ela dá total apoio.
Ótimas, na parte física, e na parte gestão do compromisso da UNIUV também
muito boa.
P5
Boas, pois tem uma ótima estrutura física e profissional.
A1
Boas.
A2
Condições suficientes para aplicar e executar um serviço para a sociedade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor aponta como obstáculo à realização da extensão, o fato dos alunos
da Instituição em sua grande maioria trabalharem durante o dia, período no qual
concentram-se as ações da Instituição. Menciona ainda a diminuta equipe técnica
disponível para a realização das atividades.
Os professores, são uníssonos ao avaliar que as condições são boas, e que a
Instituição apoia as práticas, ao disponibilizar as instalações. O professor P2 citou
ainda que a Instituição quando solicitada disponibiliza também recursos financeiros,
mas menciona a ausência de pessoal para realização das atividades. As respostas
compiladas no quadro abaixo demonstram que a Instituição realmente fornece apoio
financeiro para a prática da extensão.
Quadro 27 – Recursos financeiros para extensão - UNIUV
Gestor
Vem das parcerias mas na maioria dos casos é a UNIUV que banca.
Professor
P1
P2
P3
Alunos
São suficientes. E a própria instituição que atende.
Aqui na UNIUV, pra tudo que a gente utiliza são recursos das mensalidades
dos alunos.
P4
São todos recursos da própria UNIUV.
Meus cursos tinham mensalidade. Então, é o próprio aluno que da esse
recurso financeiro pra manter o curso.
P5
Da própria IES e são suficientes.
A1
A UNIUV é quem patrocina.
A2
Da pessoa ou grupo responsável pelo projeto.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Resta demonstrado com a unicidade das respostas que os recursos para a
prática da extensão provem das mensalidades cobradas pela Instituição. Somente o
86
professor P3 menciona a existência de uma empresa local como parceira e
financiadora.
O conjunto das respostas destoam do percebido nas demais instituições nas
quais os recursos financeiros sempre são escassos. Entretanto o apoio institucional
para a prática da extensão não garante a sistematização das ações, as quais
dependem da vontade dos professores envolvidos diretamente e alunos para ser
realizada, como demonstra o quadro anterior aos atores mencionarem como um dos
problemas à realização da extensão a falta de pessoal. O apoio institucional também
não se mostra resolutivo a promover a integração com o ensino e a pesquisa. A
ausência de integração também se justifica pelo fato de em grande parte as ações
extensionistas darem-se por meio de cursos sendo estes motivados por demandas
externas, conforme se verifica no quadro abaixo.
Quadro 28 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - UNIUV
Gestor
Em geral estão integrados por partirem dos colegiados de curso e de suas atividades.
Professor
Alunos
P1
Acho que deveria ser mais intenso.
P2
A ligação, na verdade é bem direta.
P3
Eu acho que ela complementa.
P4
Desconheço.
P5
Para cada projeto de extensão existe uma pesquisa que é realizada.
A1
Não sei.
Para a execução do projeto é necessário um conhecimento prévio sobre o
A2
tema.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor entende que a há a integração, por os projetos serem ofertados por
professores integrantes dos colegiados de curso. Entretanto o professor P1 relata a
intenção: “... intenção de se criar futuros grupos de pesquisa na medida em que a
instituição avança na busca pelo status de universidade...”. O P5 menciona que cada
projeto de extensão possui itens de pesquisa realizados por acadêmicos orientados
por professores.
O aluno A1 não demonstra conhecimento sobre a forma com a qual se da a
possível integração entre a extensão com o ensino e a pesquisa. O A2 menciona
que para a execução da prática extensionista faz-se necessário um conhecimento
prévio sobre a temática abordada. As respostas não deixam claro que ocorre a
integração entre ensino e a extensão, mas sim talvez que possa ocorrer por vontade
do próprio aluno.
87
Mesmo sem a integração com o ensino e s pesquisa, a extensão é apoiada e
realizada pela Instituição, os atores foram questionados sobre as ações que melhor
representam a extensão na UNIUV e relataram os cursos.
Quadro 29 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária UNIUV
Gestor
Talvez seja a inclusão digital em parceria com o município de porto União e a realizada
na Pormade.
Eu acho que as ações, apesar de ainda serem muito individuais, conseguem,
Professor
P1
fomentar um pouco esse interesse da comunidade pela instituição.
P2
Essas da informática e da Educação Física.
P3
O que mais acontece aqui são cursos.
P4
Fomentar essa, essa busca por novos cursos.
Curso de educação física, musculação para terceira idade, para alunos do
P5
ensino médio publico, para funcionários da Pormade, da UNIUV e do Coltec.
Alunos
A1
Oferecer os cursos para a sociedade.
A2
O ato de IES buscar e retribuir a sociedade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor citou um curso especificamente o qual possui parceria com a
prefeitura do Município de Porto União e uma empresa da cidade. Tal empresa havia
sido a única mencionada anteriormente por um professor como parceira e
financiadora da extensão. O fato de o gestor mencionar justamente tal curso dentre
os demais, reflete o desejo de maior integração com as empresas locais. O
professor P3 destacou além dos cursos ofertados a integração com os trabalhos de
conclusão de curso, através do desenvolvimento de softwares.
Os atores foram em seguida questionados especificamente sobre a existência
atual de parceiros para as ações extensionistas.
Quadro 30 – Parceiros atuais na extensão - UNIUV
Gestor
A FAFI, Pormade, Prefeitura de Porto União, prefeitura de União da Vitoria, Colégios e
Diocese.
Sei que existe uma política de abertura da instituição com outras
Professor
P1
organizações.
P2
Não tem muitos parceiros, a gente geralmente é com recursos próprios.
Uma empresa aqui da região que necessitou, colocar dentro do projeto social
P3
dela.
P4
Desconheço.
P5
Sim.
Alunos
A1
Os alunos que trabalham nos projetos.
Os acadêmicos possuem experiência e já estão no mercado de trabalho,
A2
podem ser grandes parceiros.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
88
O gestor destacou dentre os parceiros da instituição as prefeituras, Colégios e
uma empresa da cidade. Cumpre reiterar que por ser a UNIUV uma IES Municipal
de Ensino a Prefeitura é um parceiro natural. Os alunos ouvidos desconhecem a
existência de parcerias, o que reflete a realidade dos projetos nos quais atuam. Os
professores P1, P4 e P5 relataram saber da possibilidade de parcerias, todavia que
em seus projetos não há. Os professores P2 e P3 citaram a Prefeitura como atual
parceiro.
A conjugação das respostas fornecidas para a presente questão cotejadas
com as fornecidas para a questão referente ao financiamento reflete a realidade de
que a fonte de financiamento da UNIUV é a própria instituição que os parceiros
embora existam são casos isolados.
A fim de melhor entender qual seria a forma ideal de parceria aos atores da
instituição, foi questionado quais seriam os melhores parceiros para a prática da
extensão, a resposta predominante foi que seriam as empresas.
Quadro 31 – Melhores parceiros para a extensão - UNIUV
Gestor
Órgãos do governo, com planos e verbas, associação de bairro, Cras, empresas
maiores.
Professor
P1
P2
P3
P4
Alunos
Eu acho que a iniciativa privada seria um grande parceiro das extensões.
As empresas porque muitas empresas, tem interesse em depois contratar
profissionais formados aqui.
Acho que não tem melhor ou pior, parceiros tem que se discutir a forma e tal
de trabalho.
Os próprios professores de dentro da instituição e também a própria
sociedade, empresas na sociedade.
P5
Empresas privadas e Prefeitura.
A1
As empresas da cidade.
A2
Pessoas ou entidades que já possuem conhecimento na área envolvida.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Os professores P1, P2, P4 e P5 relataram que as empresas da cidade seriam
os parceiros ideais. O P3 e menciona não existirem parceiros melhores ou piores,
todos são bons desde que exista justificativa pedagógica para a parceria. O P4
complementa a resposta citando que os professores da Instituição seriam bons
parceiros.
O entendimento de que as empresas sejam bons parceiros, parte do
pressuposto de que a Instituição forma mão de obra e no entendimento do professor
P2: “...também poderia atuar mais nisso, pra ajudar a formar o tipo de profissional
89
que eles querem...”. A falta de sistematização da extensão, dependendo do apoio
pessoal de alguns professores, já demonstrada na questão sobre a existência de
recursos financeiros suficientes a realização da extensão, resta mais uma vez
evidente ao professor P4 afirmar que os professores da Instituição seriam bons
parceiros.
Foram os atores questionados sobre na visão deles qual o futuro para a
extensão universitária, todas as respostas mencionam o esperado crescimento.
Quadro 32 – Futuro para extensão universitária - UNIUV
Gestor
Professor
Intensificar-se e assumir causas mais amplas como a prevenção contra vícios na
instituição de ensino superior.
Espero que a extensão continue e se desenvolva num ritmo, de preferência,
P1
mais acelerado.
Tem ser pensado no que a sociedade precisa realmente no caso de ações
P2
com a sociedade.
P3
Alunos
P4
Só tem a aumentar.
A extensão universitária é tudo, hoje, para se criar mão de obra para
sociedade.
P5
Penso que deve crescer a cada ano, atingindo maiores núcleos sociais.
A1
Atingir ainda mais a sociedade.
A2
Grandes projetos e implementações.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor espera que a extensão intensifique-se e atinja causas mais amplas,
citando prevenção de vícios, o que demonstra o aspecto de prestação de serviços
sociais adotado pela Instituição. O professor P4 espera que no futuro a extensão
preste-se a formar mão de obra para a sociedade, por ser uma forma de
aprendizado rápido. O aluno A1 menciona que a extensão deve atingir ainda mais a
sociedade, tal resposta espelha ser a extensão na Instituição gerada a partir de
demandas da sociedade.
Todas as respostas evidenciam que os atores embora praticantes da
extensão universitária, não a entendem como meio formal e organizado, não
participam de editais oficias ofertados por agencias de fomento. A extensão é
ofertada para atender demandas especificas, sem critérios de avaliação ou de
organização, dependendo dos professores participantes.
Por fim, considerando o aspecto social predominante na extensão praticada
na
UNIUV, os atores foram
desenvolvimento regional.
questionados sobre
a contribuição para o
90
Quadro 33 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - UNIUV
Gestor
Incentivo ao aperfeiçoamento constante, preparação para o trabalho, cuidados com a
saúde, cuidado com o ambiente, espírito de participação social com responsabilidade.
Muitos dos meus alunos investiram na carreira de profissional fotógrafo, e
Professor
P1
muitos tiveram grande sucesso profissional.
No sentido de ajudar na formação dos alunos como cidadãos, com uma visão
P2
do que é a sociedade.
Nós estamos profissionalizando uma parcela da população que não tem
P3
acesso. De alguma forma, isso pra população e modificar o “status dela”.
Havia uma demanda, havia uma procura. As empresas vieram pedir pelo
P4
curso.
Além de prover pesquisas e estudos que embasam o crescimento da
P5
educação Física na região e no Estado.
A sociedade terá as consequências tão boas ou até melhores que os
Alunos
A1
resultados já existentes.
Grupo que aplica o projeto terá conhecimento do problema e buscará formas
A2
de resolve-lo.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
O gestor destaca o incentivo e qualificação para o mercado de trabalho. Os
professores chamam atenção para aspectos diversos tais como o quantitativo de
alunos que frequentaram os cursos (P1) e o fato de que alguns tenham seguido
carreira profissional na área do curso de extensão frequentado; P2 que os cursos
propiciam uma visão real da sociedade; O P3 e P4 mencionam a profissionalização
da mão-de-obra atendendo solicitações das empresas da região.
Muito embora todas as respostas apresentem um retorno a sociedade, não se
pode dizer que repercutam no desenvolvimento regional.
5.3 A EXTENSÃO NAS PALAVRAS DOS ATORES DA UnC
Na UnC a Extensão é organizada de forma conjunta entre o Campus de
Canoinhas e o Núcleo de Porto União, não há separação. Em uma primeira
conversa com a Direção do Núcleo de Porto União, foi constatado que cabe aos
coordenadores de curso do Núcleo a organização e oferta dos Cursos de Extensão
e Palestras, formas principais da extensão universitária na Instituição estudada.
Nos quadros abaixo pode ser constatada uma uniformidade no discurso dos
atores, tal fato ocorreu pela negativa da Coordenação do Núcleo em permitir que
esta pesquisadora entrevistasse diretamente os Professores Coordenadores dos
Cursos de Extensão. O Instrumento por este motivo foi alterado, passando a ser um
91
questionário aberto, contendo as mesmas perguntas utilizadas nas entrevistas das
outras Instituições, a fim de manter o mesmo perfil da extensão da Universidade.
A Coordenação do Núcleo informou que não existem alunos que participam
dos projetos, mas sim somente que frequentam os cursos ofertados como
destinatários. Pelo que não foi possível avaliar as respostas fornecidas.
Quando do recolhimento dos questionários respondidos, foi informado que os
professores e a Coordenadora do Núcleo reuniram-se para preenchê-lo, que reflete
a preocupação com a uniformidade do discurso institucional entre os atores,
principalmente entre os envolvidos na Administração e Coordenação dos Cursos,
fato facilmente observado em Instituições de Ensino Superior ainda em fase de
Consolidação.
Para as duas perguntas sobre o conhecimento da extensão universitária, os
atores responderam que a extensão deve buscar o encontro da Universidade com a
Comunidade, tendo como função “Levar o conhecimento da universidade para a
comunidade.” Isso nas palavras do professores P2, P3 e P4. O gestor e o P1
destacaram que esse conhecimento levado a Comunidade deve contribuir para o
desenvolvimento desta Comunidade.
Quadro 34 – Conceito de extensão universitária pelos atores da UnC
Gestor
Professor
Interação da universidade com a comunidade
P1
Relacionamento com a comunidade.
P2
Encontro da universidade com a comunidade.
P3
O que atende a comunidade.
P4
Estabelece relações com a comunidade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Quadro 35 – Função que a extensão universitária cumpre na sociedade - UnC
Gestor
Professor
Promover as ações da universidade e leva-los ate a comunidade a fim de contribuir
com o desenvolvimento.
Promover as ações da universidade e leva-los ate a comunidade a fim de
P1
contribuir com o desenvolvimento.
Levar o conhecimento universitário para a comunidade gerando
P2
desenvolvimento.
P3
Levar o conhecimento universitário para a comunidade.
Levar o conhecimento da universidade para a comunidade.
P4
Fonte: dados da pesquisa (2013).
92
Quanto ao planejamento dos programas de extensão, considerando que em
sua grande maioria se dão por meio da oferta de cursos à Comunidade Acadêmica,
todos os atores responderam que a geração na Universidade ocorre por meio de
projetos, sem esclarecer de quem partiriam. Conclui-se que provavelmente partem
dos Coordenadores de Curso em conjunto com os professore participantes.
Deixaram ainda de esclarecer nesta questão se os projetos visam atender uma
demanda da sociedade ou oferecer algo produzido na Universidade para a
Sociedade. Todavia ao retornar ao quadro acima se tem na padronização das
respostas que a função da extensão na Instituição é levar o conhecimento produzido
na Universidade para a Comunidade.
Quadro 36 – Geração dos programas de extensão – UnC
Gestor
Por meio de projetos.
Professor
P1
Através de projetos.
P2
Através de projetos.
P3
Através de projetos.
P4
Através de projetos.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Quadro 37 - Demandas das ações extensionistas - UnC
Gestor
Sim.
Professor
P1
Sim.
P2
Sim.
P3
Sim.
P4
Sim.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
A pergunta de como ocorre a avaliação da extensão, novamente todos os
atores responderam que ocorre por meio de questionários. Em conversa com alguns
alunos que participaram dos cursos ofertados pela Instituição constatou-se que tais
questionários são entregues aos alunos ao final do curso, para estes avaliarem o
curso ofertado e o professor que o ministrou. Não houve a explicação por parte dos
atores sobre a avaliação que a Instituição faz baseada nas respostas dos
questionários. Pelo que pode-se concluir que a não se trata de mecanismo de
avalição objetivo, mas sim pautada na análise subjetiva de cada coordenador de
curso ou de Campus.
93
Quadro 38 – Mecanismos de avaliação dos projetos de extensão - UnC
Gestor
Questionário.
Professor
P1
Sim, quando o evento exige fazemos através de questionário.
P2
Sim, questionário.
P3
Sim, através de questionário.
P4
Sim quando há questionário.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Com intenção de aprofundar o panorama a ser traçado sobre o planejamento
da extensão na UnC, os atores foram questionados sobre as condições para a
prática de extensão. Considerando que todos os atores são coordenadores de
Cursos e de Campus de uma Universidade que embora se auto defina Comunitária
tenha regras de ingresso e permanência de Corpo docente semelhantes a de
Instituições particulares de ensino, a resposta padrão de que as condições são boas
já era a esperada.
Quadro 39 – Condições para realização da extensão - UnC
Gestor
Adequadas.
Professor
P1
Boas.
P2
Boas.
P3
Boas.
P4
Boas.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Ao questionamento sobre a relação da extensão com o ensino e pesquisa,
todos os atores responderam que há a integração. Entretanto ante a ausência da
forma como ocorre tal integração não foi possível a esta pesquisadora averiguar a
veracidade e alcance de tal informação.
Quadro 40 – Relação da extensão com o ensino e a pesquisa - UnC
Gestor
Integrado.
Professor
P1
Integrado.
P2
Plenamente Integrado.
P3
Integrado.
P4
Integrado.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Os cursos de extensão ofertados pela Instituição são pagos pelos
participantes, por este motivo os atores ao serem questionados sobre as fontes de
94
financiamento mencionaram inscrições. A gestora citou ainda que a Instituição
destina recursos, todavia o mesmo não foi repetido pelos professores, pelo que se
conclui que não é a regra o financiamento institucional. Ao mencionarem patrocínios
os atores não especificaram a origem, se das empresas locais ou outros parceiros
da instituição.
No site da Universidade consta que possui programa próprio de incentivo para
a realização de projetos de extensão e que participa de editais da FAPESC, CNPq e
Ministérios. Entretanto somente no discurso do gestor foi citado o financiamento
institucional, os professores somente mencionaram as inscrições e patrocínios. Os
editais da FAPESC e CNPq não foram mencionados, o que nos remete a conclusão
de que não ocorrem em todos os campus, ou são fontes insignificantes de
financiamento na UnC.
Quadro 41 - Recursos financeiros para extensão - UnC
Gestor
Inscrições, patrocínios e IES.
Professor
P1
Inscrições, Ies, patrocínios. Sim são suficientes.
P2
Através de inscrições e patrocínios.
P3
Através de inscrições e patrocínios.
Inscrições, patrocínios.
P4
Fonte: dados da pesquisa (2013).
A fim de compreender a repercussão social da extensão, os atores
responderam que o Projeto UnC na Comunidade é o principal destaque da extensão
da Instituição, verificou-se que tal projeto abrange todos os cursos de graduação
ofertados pela Instituição.
O discurso institucional é de que a UnC desenvolve programas e projetos
envolvendo a comunidade interna e externa, com objetivo de atender as demandas
da área de abrangência da UnC e com isto contribuir para a qualidade de vida da
população, para o desenvolvimento profissional, na geração de empregos e rendas
e divulgação e socialização dos resultados das pesquisas. Todavia não foi o que se
verificou na analise dos discursos dos atores participantes desta pesquisa.
95
Quadro 42 – Ações que melhor representam o sentido da extensão universitária UnC
Gestor
UnC na comunidade e cursos de extensão.
Professor
P1
UnC na comunidade e cursos de extensão.
P2
UnC na comunidade e cursos de extensão.
P3
Cursos de extensão e UnC na comunidade.
P4
UnC na comunidade e projetos de extensão.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Ao responderem sobre suas visões para o futuro da extensão universitárias,
os atores revelaram uma preocupação com a integração entre a Universidade e a
Comunidade. O que justifica-se pelo fato de na Instituição a extensão ser voltada
principalmente para a Comunidade acadêmica, por meio de cursos, e as atividades
direcionadas para a Comunidade externa, por exemplo o programa UnC na
Comunidade ainda serem poucas.
O que coaduna com a resposta fornecida à
questão sobre a contribuição da extensão para o desenvolvimento regional, na qual
todos os professores responderam que seria levar o conhecimento científico para a
comunidade. O gestor respondeu que a contribuição seria Contribuir com o
conhecimento cientifico, o que se confunde com a resposta possivelmente fornecida
se o questionamento fosse referente à contribuição da pesquisa para o
desenvolvimento regional. Tal resposta oriunda do gestor demonstra que embora
exista a preocupação institucional da “afinidade” dos discursos entre os gestores e
coordenadores, tal preocupação não reflete-se na capacitação plena, a fim de
propiciar compreensão em tais atores sobre os temas inerentes a atividade
acadêmica.
Quadro 43 – Futuro para extensão universitária - UnC
Gestor
Professor
Integrar de forma ativa a IES com a comunidade.
P1
Integrar mais ainda.
P2
Maior presença da universidade na comunidade.
P3
Integrar
P4
Integrar mais a comunidade a sociedade.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
96
Quadro 44 – Contribuição da extensão para o desenvolvimento regional - UnC
Gestor
Contribuir com o conhecimento cientifico.
Professor
P1
Levando conhecimento cientifico para a comunidade.
P2
P3
Levando o conhecimento cientifico para a comunidade.
P4
Levando o conhecimento cientifico para toda a comunidade.
Levando conhecimento cientifico.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
Por fim ao serem questionados sobre os melhores parceiros para a prática da
extensão, as respostas em sua maioria mencionaram o governo federal,
provavelmente referindo-se a editais. Todavia a sociedade civil organizada e as
prefeituras também foram citadas. A variedade das respostas reflete o panorama
atual de a extensão ser fomentada essencialmente com os recursos das inscrições.
Quadro 45 – Melhores parceiros para a extensão- UNC
Gestor
Professor
Órgãos do governo.
P1
Governo federal.
P2
Sociedade civil organizada.
P3
Governo federal.
P4
Governo federal, prefeituras e secretarias de educação.
Fonte: dados da pesquisa (2013).
97
6
CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE
INSTITUIÇÕES PESQUISADAS
EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA
NAS
O presente capitulo destina-se a comparação entre as concepções a práticas
de extensão universitária entre as três IES estudadas em dois momentos distintos.
Em um primeiro momento os dados oriundos da documentação legal (Estatutos,
Regimentos, PDI) em um segundo a análise dos discursos dos atores. Ao final será
feita uma discussão acerca dos resultados obtidos, considerando o problema da
pesquisa.
As três Instituições estudadas tratam de forma diversa a extensão. Na
FAFIUV, instituição pública estadual, a extensão tem origem por força legal,
prevalecendo a extensão no ensino e difusão cultural. A UNIUV, instituição pública
Municipal, a extensão caracteriza-se pela oferta de cursos e prestação de serviços a
comunidade. Na UnC, instituição confessional com origem nos setores da
Comunidades, a extensão praticada baseia-se no dever legal, com a oferta de
cursos a Comunidade acadêmica.
Na FAFIUV embora seja um Faculdade para a qual não é imposto o dever
legal de praticar a extensão universitária, no Regimento Interno (2009) há a previsão
da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Conferindo ao ensino a
função de excelência da Faculdade, mas articulando às esferas da pesquisa e da
extensão universitária.
Um dos objetivos previstos em tal documento para a Extensão Universitária é
promover a integração da Faculdade na comunidade local e regional, por meio de
atividades com intenção de dar atendimento à comunidade através de assessoria,
consultoria e de prestação de serviços. Observa-se que isto não ocorre de forma
continua. Por vezes quando contemplada com Editais oriundos de instituições de
fomento, destacadamente o Programa Universidade sem Fronteiras, do Governo do
Estado do Paraná, tal objetivo é cumprido, entretanto não há fluxo continuo dos
projetos e ações executadas. Outro objetivo é estimular a cultura participando de
eventos de natureza cultural e artístico. Há 26 anos ininterruptamente a Instituição
realiza a Semana da Cultura, na qual há palestras, apresentações musicais, e
concursos culturais aberta a participação de toda a Comunidade e constitui-se um
evento de repercussão regional fora da Comunidade Acadêmica, pode-se dizer que
tal objetivo é parcialmente cumprido, somado com o projeto do Coral Universitário.
98
Consta também a intenção de por meio de pesquisas e estudos entender aspectos
da realidade local e regional, o que é atendido por meio das semanas de cursos e
mostras de iniciação científica e de estágio supervisionado.
No Regimento Interno da IES consta que a extensão será praticada
predominantemente na forma de cursos, o que não ocorre, considerando que de
2007 a 2011, período objeto da pesquisa não houveram cursos de Extensão
ofertados à Comunidade, houve oferta de cursos de complementação de ensino
ofertados a Comunidade Acadêmica.
No Estatuto da IES não há menção sobre Extensão Universitária, o PDI
(2008-2013) novamente dispõe sobre a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão a fim de contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país e
região de abrangência, com objetivo de promover a formação de profissionais
qualificados para o mundo do trabalho e capazes de atuar na instância crítica do
saber voltados para a construção da justiça social e da democracia. A concretização
de tal missão é buscada na Instituição por meio do ensino, em tal aspecto há
efetivamente a integração com a Comunidade local, por meio de ações nas Escolas
da Região, considerando possuir a FAFIUV somente cursos de Licenciatura.
Ao mencionar o planejamento e organização didático-pedagógico o PDI
estabelece oito critérios, sendo um deles voltado especificamente às Políticas de
Extensão, com a intenção de “participação dos universitários em programas voltados
aos grupos sociais menos favorecidos, atuando como agentes de modificação e
melhoria da realidade socioeconômica”. Em tal aspecto, mostra intenção
assistencialista, comumente presente na documentação das Instituições Públicas de
Ensino. Consta ainda intensão de desenvolvimento da formação do profissional
cidadão, com a efetiva integração com a sociedade, a fim de se identificar
culturalmente, situar-se historicamente ou embasar a visão crítica da relação entre
os problemas da sociedade e a prática profissional, tal meta é um ideal, não há
previsão da forma de ser executada. O público externo é atingido marcadamente na
semana da Cultura, e com as apresentações do Coral universitário.
Na UNIVU o Estatuto (2006) prevê a indissociabilidade entre o ensino,
pesquisa e a extensão, sendo que o artigo 82 traz uma noção de como a
indissociabilidade será buscada, ao prever que os trabalhos universitários terão
sentido de integração, de modo que o ensino e a pesquisa mutuamente se
enriqueçam e, projetando-se no meio mediante extensão, proporcionem soluções e
99
identifiquem novos problemas como matéria de estudo e investigação. Após a
entrevista com os Atores, verifica-se que a extensão é desenvolvida na IES
predominantemente com a prestação de serviços, pela a oferta de cursos à
Comunidade local. A integração com o ensino é executada por meio da participação
dos Alunos em atividades complementares ao ensino, prevista em componentes
curriculares.
Como missão, prevê o estatuto: “desenvolver e difundir o conhecimento e a
cultura e promover a formação integral e permanente de cidadãos e de profissionais,
compromissados com a vida e o progresso da sociedade”. O que demonstra
preocupação com o desenvolvimento da sociedade abrangida pela Instituição, o que
é previsível por ser uma IES pública Municipal.
Prevê ainda que a extensão deve ser promovida de forma aberta a
população, visando a difusão as conquistas e benefícios da criação cultural e da
pesquisa científica e tecnológica geradas na Instituição. Esta primeira parte do
Estatuto leva a interpretação de que a extensão prevista teria por objetivo transferir à
população o conhecimento resultando das práticas de ensino e pesquisa. Após o
estudo verificou-se que os cursos ofertados predominantemente partem da demanda
na sociedade, o que restringe a difusão do conhecimento produzido na IES às áreas
solicitadas. Há na Instituição a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, a qual possui
atuação ativa na IES, organizando os cursos solicitados e viabilizando suas ofertas,
articulando parcerias e envolvendo a Comunidade Acadêmica nas ações, em
consonância com a previsão de que a Instituição ministrará cursos de extensão e de
atualização.
No PDI (2007 a 2011), ainda vigente, a Instituição admite ser extensão pouco
valorizada, tanto que busca definir uma política que priorize recursos orçamentários
para a realização de projetos sociais e foca suas estratégias de ação a fim de buscar
a participação da comunidade acadêmica em tais projetos. Neste primeiro momento
do PDI, atribui-se a extensão um caráter social, embora ausente a palavra
assistencialista, tal foco é diverso do previsto no Estatuto, no qual consta como meta
a difusão das conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e
tecnológica geradas na Instituição.
Em sentido oposto consta no PDI como meta de ação melhorar a eficiência na
difusão dos conhecimentos gerados e acumulados na UNIUV e incentivar a
Comissão Científica para uma adequação de suas rotinas de trabalho, visando à
100
organização das atividades de extensão, de acordo com as políticas da Instituição,
ponto este vinculado com o conceito de extensão adotado pelo Estatuto e ainda
pendente de realização, considerando ser a extensão praticada na UNIUV pouco
sistematizada, mais dependente da vontade dos Atores do que do impulso
institucional.
Está previsto ainda no PDI a intenção de criar e implantar cursos de extensão
destinados à comunidade e também aumentar o público atingido pelas ações
extensionistas. Tal meta foi atingida e mostra claramente cunho assistencialista
considerando que a simples oferta de cursos à comunidade per si, não garante que
esta será beneficiada com a aproximação do Ensino Superior. O público externo é
atingido com os cursos ofertados, marcadamente de qualificação profissional básica,
exemplo dos cursos de informática e de preparação para o mercado de trabalho.
Cumpre mencionar que os cursos são remunerados pelos destinatários. Uma
empresa local é a parceira predominante, a qual se utiliza de um dos cursos
ofertados pela IES como forma de qualificação de seus funcionários.
Na UnC o Regimento Geral data de 2010, em tal documento consta que a
pesquisa na Universidade deve ser articulada com o ensino e a extensão, sendo
concebida como um processo continuo acumulado de produção de novos
conhecimentos, técnicas e validação de saberes. O que demonstra a intenção de
integrar os três elementos que pautam a universidade. Entretanto após o presente
estudo observa-se que tal qual ocorre em grande parte das IES privadas o foco da
UnC é o Ensino, sendo a pesquisa e a extensão renegadas a um papel secundário.
Ao tratar especificamente da Extensão, o documento coloca-a junto da Cultura e das
Relações Comunitárias e a caracteriza como processo e prática educativa, cultural e
científica que se integra ao ensino e a pesquisa, o que não se verifica na prática,
considerando a extensão praticada na IES ser composta basicamente pela oferta de
cursos a comunidade acadêmica, deixando promover a integração com a sociedade,
bem como o retorno da aplicação desses aprendizados para a melhoria da prática
acadêmica de alunos e professores.
O PDI da IES data de janeiro de 2011 e coloca como metas pertinentes ao
presente estudo: a articulação das políticas de Ensino, Pesquisa, Pós-Graduação e
da Extensão, o que nos remete a ideia de que embora encontre respaldo na
documentação institucional, essa integração efetivamente não é praticada na
Instituição, fato este confirmado na presente pesquisa. Ademais o Gestor da
101
Extensão no Núcleo de Canoinhas, informou que os alunos somente são os
destinatários dos cursos de extensão no Campus, por este motivo não houveram
alunos figurando dentre os Atores da IES na presente pesquisa, nos termos já
justificados anteriormente. O público externo não é marcadamente contemplado
pelas ações extensionistas, por ser a comunidade acadêmica a principal destinatária
das ações extensionistas, todas remuneradas pelos destinatários.
Nas três IES estudas a extensão universitária fortaleceu-se nos últimos 10
anos, embora ainda não tenha atingido um patamar aceitável. Anteriormente
segundo o relato dos gestores e professores participantes da pesquisa a prática era
incipiente e não sistematizada. Entretanto até o presente momento a extensão é
praticada dentro das possibilidades existentes a espera de melhor definição
institucional e maior fomento. A efetiva integração com o ensino não existe, a
integração com a pesquisa ocorre marcadamente na FAFIUV com a divulgação dos
resultados da extensão em eventos de pesquisa, considerando até o momento
haverem poucos eventos específicos para a divulgação dos resultados das práticas
de extensão sendo que nenhum na Região do Vale do Médio Iguaçu, área
delimitada para a presente pesquisa.
Até o momento não há nas IES estudadas um entendimento institucional
consensual sobre o que seria realmente extensão universitária. Toda a
documentação legal das IES trata a extensão de forma genérica, sem traçar
objetivos claros tão pouco os limites de atuação das ações extensionistas.
Na UnC e na UNIUV as atividades de extensão realizadas são remuneradas
financeiramente por constituírem-se marcadamente pela oferta de cursos e
prestação de serviços. O que não ocorre na FAFIUV por que as atividades
ocorrerem com a difusão do ensino e da cultura. A prestação de serviços é
largamente utilizada na UNIUV e na UnC por demandar poucos recursos das IES
para seu financiamento uma vez que com o valor das mensalidades os custos se
pagam, gerando por vezes lucro para a IES.
Os documentos analisados refletem o que as IES entendem por extensão e
como pretendem executa-la. Em toda a documentação analisada há a clara
vinculação com o caráter social e a intenção da integração com o ensino e a
pesquisa. Todavia a completa análise entre a concepção e a prática da extensão na
IES se faz com a análise do discurso dos Atores envolvidos. A partir da análise do
conteúdo das respostas foi possível identificar o conhecimento de cada participante
102
sobre o conceito de extensão e qual a função que entende possuir a extensão
universitária.
Entre os atores, mesmo pertencentes a mesma IES, há grandes divergências
de compreensão sobre o que é a extensão e qual seu papel. Todos os gestores
mencionaram a sociedade com destinatária da extensão e o dever de a IES integrarse a ela. Os professores divergem sobre o papel e alcance da extensão ao atribuir
como extensão: tudo o que é realizado fora da sala de aula; como forma de propiciar
ao Acadêmico conhecimento sobre a realidade e também forma de levar a
comunidade o conhecimento produzido na IES. Os Alunos entrevistados não
demonstraram conhecimento teórico sobre o que é a extensão universitária, tão
pouco função social desta, a definição que apresentaram refere a suas experiências
nos projetos/programas que atuam ou atuaram.
Quanto ao planejamento da extensão e os aspectos considerados resta
demonstrada as diferentes formas de as IES os gerarem. Na FAFIUV a geração se
da marcadamente a partir dos professores; na UNIUV o gestor relatou que a
geração ocorre de forma mais ampla, por meio de reuniões entre professores,
coordenadores de cursos, alunos e com a participação da comunidade; na UnC
todos os Atores, foram uníssonos ao mencionar que a geração ocorre por meio de
projetos, sem fornecerem maiores detalhes.
Os professores entrevistados em grande parte não compartilharam das
respostas dadas por seus gestores. Na FAFIUV a maioria dos professores destacou
que a geração ocorre por meio da abertura dos Editais dos órgão de fomento, e a
partir destes formulam os projetos de extensão. Entretanto os Editais não foram
mencionados pelo gestor como forma de geração dos projetos/programas de
extensão. Na UNIUV os professores destacaram as necessidades das matrizes
curriculares, dos alunos e a livre vontade dos professores. As reuniões citadas pelo
gestor não foram mencionadas pelos professores. Conclui-se que a extensão
praticada na FAFIUV é gerada internamente e ofertada à comunidade conforme o
interesse dos professores, estes motivados pela oferta de Editais de órgão de
Fomento. Na UNIUV a oferta atende a demanda da sociedade pelos cursos, ao
solicitarem sua oferta e reedições, bem como o interesse da empresa parceira em
qualificar seus funcionários, sendo utilizados para tanto os professores que atendem
aos requisitos necessários. Na UnC a extensão é marcadamente destinada a
complementação do ensino dos Alunos da graduação, pelo que a oferta varia
103
conforme a necessidade dos Alunos. Em nenhuma das IES estudadas houve o
relato da ocorrência de pesquisa junto a sociedade para averiguação das
necessidades da Sociedade preliminarmente a oferta das ações extensionistas.
Ainda no concernente ao planejamento, os Atores ao responderem a questão
sobre formas de avaliação das ações extensionistas em suas respectivas IES,
deixaram claro a ausência de mecanismos Institucionais de avaliação em todas as
IES. O que torna a prática da extensão desprovida de mecanismos de avaliação
quanto ao retorno e cumprimento dos objetivos propostos. Mencionaram os Atores
que a avaliação quando ocorre se da: por meio de artigos científicos produzidos com
base nos resultados das ações extensionistas; a demanda pela reedição de cursos e
avaliações realizadas pelos professores ao final dos cursos ofertados também foram
citados como forma de avaliação. A ausência de mecanismos de avaliação reflete a
falta de estrutura física para a realização da extensão na FAFIUV relatada por todos
os Atores da IES, uma vez que sem conhecimento dos resultados operados com as
práticas a Direção da IES não se vê compelida a investir em tal área. Situação
diversa é relatada na UNIUV, marcada pela oferta de cursos pagos à Comunidade
externa. Em tal IES os Atores relatam serem boas as condições para a prática da
extensão, mencionando como ponto negativo a falta de pessoal engajado. Tal
ausência pode ser justificada pela ausência de sistematização institucional para a
realização das ações extensionistas.
Na UnC como todas as respostas foram padronizadas em consonância com o
discurso oficial, ditado pelo gestor, os Atores relataram serem boas as condições,
sem contudo informarem o que entendem por condições boas.
A falta de sistematização das ações extensionistas da IES estudadas reflete
na pouca relação entre a extensão com as áreas do ensino e pesquisa. As respostas
indicam que ocorre confusão entre o que seria extensão, pesquisa e ensino, até
mesmo os gestores mencionaram isso. Alguns atores entendem ser extensão tudo o
que ocorre fora da sala de aula; outros mencionam que estão interligadas uma não
“funciona” sem a outra. Tais respostas somadas com as analisadas no capitulo
anterior indica que o conceito que os Atores mencionaram sobre extensão não
correspondem ao efetivamente praticado, o que confere a extensão uma dimensão
não acadêmica, mas como prática de ensino ou prestação de serviços.
Sobre a questão da existência de recursos de financiamento a FAFIUV
aponta a pouca quantidade, enquanto os Atores da UNIUV e UnC relataram que
104
estes existem e são suficientes, isto devido as atividades remuneradas.
A fim de se analisar a repercussão social das ações extensionistas os atores
foram questionados sobre quais seriam as ações praticadas nas IES que melhor
representam o sentido da extensão universitária. Na FAFIUV houve a menção de
ações que buscam a cidadania e a cultura, isto em consonância com a
documentação legal. Na UNIUV os Atores mencionaram os projetos em que atuam e
o gestor destacou um projeto fruto da parceria com uma grande empresa da cidade.
Os alunos demonstraram não possuir a compreensão do que são projetos de
extensão, limitam-se a participar das ações praticadas pelos projetos que atuam. As
respostas da UnC novamente não serão consideradas por terem sido padronizadas
de acordo com o discurso institucional. Foram na sequencia os questionados sobre
o que esperam para o futuro da extensão universitária.
Os dados revelam que a intenção dos gestores é que a extensão se
desenvolva e com ela a sociedade. Os professores por sua vez esperam que a
extensão se consolide e seja mais atuante no espaço universitário e junto a
sociedade e os Alunos expressaram sua preocupação com a atuação social da
extensão, bem como esperam mais incentivo das IES para o desenvolvimento das
ações. A preocupação com o desenvolvimento social, reflete que embora exista a
previsão nos documentos legais de todas as IES da destinação social da extensão
esta efetivamente não ocorre satisfatoriamente. Novamente a ausência de incentivo
para a prática da extensão foi mencionada e constitui-se de um entrave para a sua
realização e normatização. A intenção de que a extensão de desenvolva, expressa o
desejo dos atores com a ampliação da compreensão do que seriam as atividades
extensionistas e de sua importância para o ensino superior.
O ensino é a função básica das IES, todos os alunos e docentes estão
diretamente envolvidos. Os docentes e alunos que atuam com a pesquisa são
reconhecidos, alcançam posições dentro das IES e junto aos órgãos de fomento.
Enquanto os executores da extensão não tem reconhecimento, nem tempo de
dedicação definido.
A fim de complementar o entendimento sobre a repercussão social atual e a
desejada houve o questionamento sobre as parcerias ideais para as ações
extensionistas. Na FAFIUV o gestor citou como parceiros ideais as empresas da
região. Os professores e alunos citaram, que seriam prefeituras da região,
empresas, o Estado em suas diversas esferas. O gestor da UNIUV mencionou as
105
associações de bairro, CRAS e empresas. Os professores e alunos foram uníssonos
ao entender que as empresas privadas seriam os melhores parceiros. Na UnC
embora o padrão das respostas institucionalizadas tenha sido mantido, os atores
citaram como parceiro ideal o governo. Em todas as IES os atores entenderam o
poder público como parceiro ideal, seguido pelas empresas privadas da região. A
menção dos atores em firmar ou estreitar parcerias com o poder público e empresas
revela a falta de políticas públicas na área extensionista, bem como o desinteresse
das empresas locais em buscarem parcerias com as IES da região.
A última questão da presente pesquisa referente a fala dos atores, refere-se a
contribuição das ações extensionistas para o desenvolvimento regional.
Na FAFIUV o gestor não respondeu o questionamento, os professores,
destacaram que as bolsas ofertadas nos projetos aos alunos da graduação geram
ganho econômico, e com isso o desenvolvimento regional; que promovem novas
formas de saber e conviver em sociedade. Um dos alunos entende que a
contribuição para o desenvolvimento regional ocorre com a experiência prática do
conhecimentos adquiridos em sala de aula. O gestor da UNIUV entende que as
ações extensionistas desenvolvidas geram espírito de participação social com
responsabilidade. Os professores destacam que os cursos de extensão que
oferecem propiciam o desenvolvimento profissional dos frequentadores dos cursos.
Na UnC o discurso institucional é de que o desenvolvimento regional seria
possibilitado com a extensão levar conhecimento científico à comunidade.
Nas respostas dadas ao questionamento resta demonstrado que os Atores
não possuem conhecimento sobre os fatores que geram ou contribuem para a
desenvolvimento regional. O fato de cursos ou bolsas de extensão gerarem
incremento da renda não é alvo de controvérsias. A confusão conceitual comum é
que o incremento da renda pessoal seja hábil a gerar o desenvolvimento de uma
região. O desenvolvimento de uma região gerado pela extensão universitária
depende de avaliação das necessidades da comunidade alvo, da contribuição que a
IES pode efetivamente trazer a fim de atender a demanda, de objetivos claros serem
traçados e principalmente do envolvimento da comunidade alvo da extensão a fim
de que esta sinta-se diretamente participante da ação.
106
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta deste estudo foi investigar as concepções e práticas das
atividades de extensão universitária que prevalecem nas três IES da Região do
Médio Iguaçu. Para tanto o conteúdo dos documentos legais (Regimentos,
Estatutos, Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI) foram analisados; com os
depoimentos dos atores que estiveram envolvidos no processo de desenvolvimento
da extensão nas IES do Médio Iguaçu no período de 2007 a 2011 buscou-se
estabelecer o significado dado a extensão em cada IES; e de posse dos dados
discutir as correspondências entre as concepções e práticas que a extensão ocupa
nas atividades acadêmicas.
A hipótese basilar que pautou a presente pesquisa foi a de que os projetos de
extensão ao serem propostos deveriam orientar-se e na medida do possível atender
aos anseios e necessidades da população local, ou a demanda regional e com isto
os projetos de extensão contribuiriam no processo de formação dos futuros
profissionais, o que por consequência propiciaria o desenvolvimento regional. Para a
consecução da pesquisa optou-se por três grupos distintos: um grupo composto por
todos os gestores responsáveis pela Extensão das três Instituições de Ensino
Superior do Médio do Iguaçu estudadas; um grupo composto pelos Coordenadores
dos projetos de extensão selecionados; e um grupo composto por 2 alunos
participantes de cada projeto selecionado, quando haviam.
No discurso dos atores, foi possível identificar sobre a extensão praticada na
IES estudadas na concepção dos projetos de extensão, quais aspectos são
considerados para planejar as ações extensionistas, como as parcerias de
desenvolvem e quais os meios de financiamento dos projetos e como repercutem os
projetos no desenvolvimento da região. Os elementos do campo empírico foram
apreendidos através de uma abordagem qualitativa.
No entanto, o decorrer do caminho, como era de se esperar, surgiram
diversas dificuldades. A começar pela proibição da realização da pesquisa na
Uniguaçu, e a característica especifica de padronização dos discursos da UnC, que
implicou em mudanças metodológicas. O método da análise de conteúdo não pôde
ser aplicado em todos os seus aspectos como propostos originalmente uma vez que
107
existiu, por parte do gestor da UnC, o consentimento somente para que os atores
preenchessem questionários, o que dificultou a análise.
No caso da UNIUV e FAFIUV, reduzidos apenas a funcionalidade do sistema,
os docentes parecem programados em atender aos interesses institucionais,
desconhecendo
o
real
papel
da
extensão
universitária
acentuando
o
assistencialismo como estratégia para atividades meramente paliativas. As
demandas oriundas da comunidade não acadêmica, pouco são consideradas para a
propositura dos projetos ou ações de extensão. Os poucos acadêmicos que tiveram
a oportunidade de participar das ações extensionistas nas IES não possuem a
compreensão do conceito de extensão, dos objetivos de cada ação/programa e de
que estes impactam ou acarretam para a IES. Estes limitam-se a cumprir as “ordens”
que lhe são dadas pelos coordenadores, o que pouco contribuiu no processo de
formação seja acadêmica seja para a compreensão das demandas da região que
estão inseridos.
A Política Nacional da Extensão Universitária, apresentada no FORPROEX
trouxe o conceito de extensão universitária buscando uma Universidade atuante na
sociedade, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão, caracterizando-se como um processo interdisciplinar,
educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora
entre Universidade e outros setores da sociedade. A definição acima, demonstra ser
a extensão universitária concebida para ser um processo interdisciplinar, educativo,
cultural, científico e político, busca a interação transformadora na Universidade e nos
setores sociais com os quais interage. A extensão, em tese, deveria corresponder a
uma condição menos precária aos docentes, não é capaz de eliminar o
distanciamento entre a extensão idealizada no FORPROEX e a extensão imposta
pela realidade das IES, expressão assumida sob a égide do assistencialismo. Na
IES estudadas, a pesquisa mostrou que a extensão foi implantada da forma a se
entender que são as atividades que se realizam fora da sala de aula, nos mesmos
termos do restante do Brasil. Considerando as matrizes teóricas sobre a extensão,
tem-se que a concepção de extensão europeia, na qual a universidade deveria
ofertar cursos à comunidade em geral, esta presente na UNIUV, entretanto esta
adota também a concepção americana, a qual enfatiza a prestação de serviços, seja
na área urbana seja na rural.
108
Na FAFIUV, a extensão predominantemente está atrelada a oferta dos Editais
dos órgãos de Fomento, estes adotam a concepção Europeia, ligada ao processo de
assessoria técnica, em que a universidade com seus saberes científicos, destina-os
à população cheia de problemas, desprovida de conhecimentos e recursos, a fim de
suprir necessidades sociais, atender demandas e resolver os problemas sociais
gerados pelo capital, constituindo-se assim, uma concepção de extensão,
assistencialista, sem a preocupação da organização da capacidade criativa e de
organização das comunidade.
Na UnC, a extensão universitária destina-se a suprir a carga horária
complementar dos próprios alunos, por meio da oferta de cursos a própria
comunidade universitária, contemplando com isso a necessidade de buscar recursos
financeiros para automanutenção.
Todas as IES estudadas mostraram que a extensão ainda é um conceito
impreciso que precisa ser construído e posteriormente institucionalizado. A simples
adoção de uma matriz teórica não garante a efetividade da politica institucional
sobre a extensão universitária. Maior que a imprecisão sobre o modelo teórico eleito,
pelas IES, os grandes problemas apontados pela pesquisa foram: falta de
sistematização e avaliação, falta de definição sobre os limites da extensão. A
extensão não é inserida na política acadêmica das IES, tão pouco nas políticas
públicas do setor, embora o discurso padrão seja o de que as IES tenham um
compromisso social e espera-se que cumpra-o por meio da extensão.
Outro empecilho este oriundo da cultura universitária nacional, é a extensão
ser atividade marginal no ensino superior. Os docentes não possuem condições de
abraçar a extensão como elemento integrado ao ensino e a pesquisa pela condição
atual de somente as atividades de ensino e pesquisa serem consideradas junto aos
órgãos de fomento e a comunidade científica. Cita-se como exemplo de que as
provas de títulos nos concursos públicos não levam em consideração as atividades
de extensão praticadas, somente tempo no ensino a pesquisas publicadas.
Por meio da extensão, a política oficial propõe uma relação entre o ensino
superior e outros setores da sociedade, que seja transformadora, instrumento de
mudança em busca de melhoria da qualidade de vida. Uma atuação voltada para os
interesses e necessidades da maioria da população, aliada a movimentos sociais de
superação de desigualdades, de exclusão e implementadora de desenvolvimento
regional e de políticas públicas.
109
O sentido de institucionalização, de os belos discursos apresentados por
alguns atores prevalece sobre o de emancipação. A partir desse estudo não foi
possível estabelecer o espaço de discussão e, assim, criar condições para a
mobilização coletiva. A extensão vem sendo praticada nas IES estudadas como uma
atividade fim, e não como meio de se conseguir a interação transformadora na
Universidade e nos setores sociais com os quais interage. A extensão não tem
valorização equânime ao ensino e a pesquisa, em parte pelo fato de as IES
orientarem-se pelo paradigma da valorização do ensino e pesquisa, em parte pela
prática extensionista ter sido imposta as IES por lei (Lei nº 5.540/68 - Reforma
Universitária 1968, repetido na Lei n.º 9.394/96 – LDB atual)
e não por
desenvolvimento da IES ou por relação desta com a Comunidade.
Na extensão repousa a esperança de rompimento com o muros do ensino
superior buscando a difusão e democratização do conhecimento, principalmente nas
IES públicas. A fim de buscar o fortalecimento do papel da Universidade como
agente disseminador do conhecimento científico para fomento do desenvolvimento
regional.
Como sugestão, após análise dos dados oriundos do presente estudo, os
gestores das IES e sua equipe deveriam antes de elaborarem os documentos
legais(Regimentos, PDI, Estatutos, Resoluções) consultar a comunidade acadêmica
para e os documentos legais já existentes na IES a fim de identificar qual a vocação
histórica da Instituição e qual o desejo dos atores para o futuro na área da extensão.
Somente após elaborar os documentos. A ausência de metas claras e políticas
institucionais de estímulo para as ações extensionistas também prejudicam o
planejamento e a execução da extensão universitária. Poderiam ser realizadas
pesquisas futuras a fim de levantar quais as demandas regionais latentes que
poderiam ser minoradas com ações extensionistas; quais ações extensionistas a
comunidade local espera que o ensino superior desenvolva e com qual finalidade.
110
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APÊNDICE B – ROTEIRO ENTREVISTA
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ANEXO A – APROVAÇÃO COMITÊ DE ÉTICA
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Dissertação_Daniella_M_Vargas 14-11-13