18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia O MUSEU DE ARTE COMO PEDAGOGIA CULTURAL Clarice Pinto Ben - ULBRA Resumo Esse trabalho compõe parte da dissertação de Mestrado apresentada e defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), denominada “TEMPLOS DA “VERDADEIRA” ARTE, ESPAÇOS INTERATIVOS, LOCAIS DE PROPAGANDA...: o que se ensina no Museu de Arte?”. Examina-se, neste estudo, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), como um espaço que exerce funções pedagógicas, que vão além da categorização do que se considera educativo. Pretende-se indicar que o museu exerce ações pedagógicas de diferentes maneiras atuando como uma pedagogia cultural. O museu de arte, por exemplo, nos ensina sobre arte quando examinamos sua arquitetura, seus produtos comercializados em sua loja ou ao dispor suas obras nas suas salas e espaços internos. Palavras-chave: Arte-Educação – Pedagogia Cultural -Museu Abstract This work comprises part of the master's dissertation presented and defended at the Graduate Program in Education of the Lutheran University of Brazil (ULBRA), called "Temple of the "REAL" ART, INTERACTIVE SPACES, PLACES OF PROPAGANDA ...: which is teached at the Art Museum? ". What we examine, in this study, is the Art Museum of Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), as a pedagogical functiond space, beyond the categorization of what is considered educational. It is intended to indicate that the museum carries educational activities in different ways acting as a cultural pedagogy. The art museum, for example, teaches us about art when considering its architecture, its products sold in the store or to have their works in their rooms and internal spaces. Key-words: Educacion-Art – Cultural Pedagogy – Museum “Muitas são as instâncias de consagração e de afirmação daquilo que é chamado de arte e uma dessas instâncias em que se define e consagra a arte é o museu” (Ben, 2006, p.13). Ao iniciar o Curso de Mestrado em Educação, na Universidade Luterana do Brasil, em julho de 2004, tinha como foco de pesquisa a Educação em Artes Visuais no âmbito escolar, principalmente, porque, naquele momento, atuava em uma escola municipal na periferia de Porto Alegre, como professora de Arte. Embora atuasse no campo das Artes Visuais, incursionava por conceitos de diversos campos de estudos como história, ciências sociais, entre outros. Foi, principalmente, a partir do reconhecimento do papel constitutivo das 3198 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia pedagogias culturais, no campo dos Estudos Culturais em Educação, que defini o foco deste estudo e a escolha pelo tema do museu de arte como instância cultural onde se identificam ações educativas neste campo que vão além das categorizações e propostas de seus gestores (visitas guiadas, cursos de arte, palestras, artigos e publicações do jornal do Museu de Artes do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - MARGS). A expressão pedagogia cultural é utilizada por Shirley Steinberg (2004) para situar a Educação em diversas áreas sociais que não se limitam ao espaço escolar: Áreas pedagógicas são aqueles lugares onde o poder é organizado e difundido, incluindo-se bibliotecas, tv, cinemas, jornais, revistas, brinquedos, propagandas, videogames, livros, esportes, etc. (Steinberg, 2004, p.14). Silva (1999) destaca que, dentre os artefatos e instituições culturais, também as exposições de museu, a música, o turismo e outros, podem ser considerados espaços pedagógicos. Podemos incluir outros mais, como os shopping-centers, as histórias infantis, etc. Estudiosos como Steinberg e Joe Kincheloe, apoiados nas contribuições dos Estudos Culturais, indicam que alguns efeitos das pedagogias culturais apontam para a produção de identidades e legitimação de conhecimentos, que compõem e identificam um “currículo cultural”i (Steinberg & Joe Kincheloe, 2004). É possível, também, segundo Silva (1999) e a teoria curricular, verificar a existência de um currículo cultural mais abrangente em instituições e instâncias culturais, entretanto, de uma forma menos planejada do que a Escola. No caso do museu de arte , instituição que examinei, pude verificar a existência de um currículo cultural, evidentemente menos planejado e intencional, mas com algumas proposições educativas, embora não se possa atribuir a este espaço a tarefa de educar para a arte (BEN, 2006). O que quero destacar, primordialmente, através deste recorte do estudo que realizei, é que, segundo a idéia de pedagogia cultural levantada por Giroux 3199 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia & McLaren (1995) e outros já citados, e também pelos grupos praticantes de Estudos Culturais filiados ao PPG/Educação da ULBRA e da UFRGSii, o museu atua pedagogicamente, independente da intencionalidade de educar, presente ou não em suas proposições. Estas podem ser verificadas examinando-se a arquitetura do prédio do museu, o ordenamento e disposição de suas obras, os produtos comercializados em sua loja, dentre outros aspectos que destaquei em minha dissertação. Também, as ações de seleção, ordenamento e disposição das obras de arte no seu interior; operam na direção de ensinar e definir o que é e o que não é arte e de marcar através de catálogos, cartões postais e souvenirs diversos, tal como foi destacado por Lenoir (1997), o que merece ser visto e admirado como arte no museu (BEN, 2006). Aponto para uma pedagogia e um currículo cultural presentes no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e também em outras instituições culturais, que se diferenciam das instituições escolares pelo seu caráter “sedutor”, pelos recursos tecnológicos que oferecem e pela acessibilidade maior a recursos econômicos. Douglas Kellner (2001) alerta para questões da indústria cultural, que transforma a cultura em objetos vendáveis, em mercadorias. Um dos objetivos da indústria cultural, segundo este autor, é o de atingir grandes públicos. Cristiana Tejo (2005) indica uma modificação no perfil dos museus, passando de guardiões de tesouros do século XIX para se tornarem espaços de entretenimento, a partir do final do século XX, início do século XXI, como por exemplo, a realização de mega-exposições. Nessa direção, cabe apontar a tendência mundial dos museus em promover estes eventos, mobilizando grande número de visitantes e somas de dinheiro. Para isso o museu utiliza-se de banners, bandeiras, cartazes e campanhas publicitárias. Kellner (2001) destaca, ainda, a presença da cultura high-tech e da tecnologia avançada, utilizada pela indústria cultural. Os grandes museus, por exemplo, utilizam essa tecnologia, para acessar obras de arte nas páginas da web, permitindo um passeio virtual. 3200 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Destaco também o aspecto comercial presente no museu de arte, pois é possível comprar reproduções de obras, calendários, chaveiros e souvenirs com motivos artísticos, na loja do museu. Timothy Lenoir (1997), a partir dos estudos realizados nos museus de História Natural, verificou como estas instituições fornecem marcadores em forma de placas, souvenirs, cartões postais, guias, catálogos, cds criando autenticidades que promovem a naturalização de determinados discursos e representações. O autor destaca, ainda, que, através destes processos, estes locais tornam-se originais e reais. O turismo e também o museu se valem de signos que colocam em destaque para produzir autenticidades. Figura 1 e 2. Souvenirs do MARGS. ANALISANDO OS APARATOS DO MARGS Os aspectos e práticas processadas no Museu de Arte do Rio Grande do Sul foram examinados, principalmente, a partir de considerações feitas por Gillian Rose (2001) sobre o modo de proceder a análises discursivas. Rose (2001), desenvolve este tipo de análise enfocada, primordialmente, em Instituições e os seus modos de ver. 3201 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Examinei os materiais encontrados no museu como arquivos, conforme propõe Rose (2001), A autora enfatiza os efeitos da archivalizationiii nos textos, imagens, entrevistas, considerando que os arquivos não são neutros e que eles incorporam o poder, como propõe Alan Sekula (apud Rose 2001). Procurei ver a instituição museu e as suas práticas sociais, através de suas representações, ou seja: o modo de expor as obras, suas publicações, as falas autorizadas dos funcionários e administradores, os documentos e registros do museu e também através da arquitetura do prédio e das atividades terceirizadas como o café, a loja e o bistrô. Foucault (apud Rose 2001, p.70) e Hall (apud Rose 2001,p.70) fazem indicativos de que as instituições funcionam através de seus aparatos e tecnologias. Por aparato, Hall (apud Rose 2001,p.70) define com propriedade, como sendo “um conjunto de formas de poder/saber que constituem as instituições, por exemplo: arquitetura, regulações, tratados científicos, declarações filosóficas, a Moral, o Direito, etc., e o discurso articulado através de todos estes”. Neste estudo, o museu de arte foi examinado procurando considerar os discursos que nele circulam e como são produzidos em seus aparatos e tecnologias. Para Lynda Nead (apud Rose 2001, p.48) o discurso é “uma determinada forma de linguagem com suas próprias regras e convenções” e deve-se considerar as instituições na qual este circula e é produzido. Nead (apud Rose 2001) sugere que a “arte” também pode ser compreendida como discurso, como forma especializada de conhecimento. O museu e sua iconografia foram lidos, neste estudo, como um texto e analisados seus aparatos e as possíveis representações de arte. Dentre os aparatos analisados está o prédio do museu e sua arquitetura de estilo neoclássico, que pode ser lido como um texto discursivo. A arquitetura do MARGS contém elementos da filosofia positivista, com suas portas, janelas 3202 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia azulejos, escadarias e paredes que lembram um templo sagrado, a casa das musas ou mouseion (significado atribuído ao museu na Antiguidade). O prédio do MARGS é imponente e suntuoso, afirmando através de sua arquitetura elementos do poder, da política e da economia que estiveram presentes desde a sua construção em um período no qual o positivismo marcou não apenas a arquitetura, mas, também, a política no Rio Grande do Suliv. Assim, então, alguns dos sentidos que poderiam ser atribuídos a este prédio incidiriam na construção de representações de poder, de hierarquia, de autoridade e da verdadeira arte. (BEN, 2006, p.113) Figura 3. Prédio do Museu (MARGS, 2000). O prédio do MARGS se assemelha a um templo sagrado ou mesmo a uma igreja, podendo associar a ele vários sentidos, dentre eles pode-se indicar o de guardar tesouros e conectar-se ao sagrado e à religiosidadev. Embora, na contemporaneidade, este conceito não seja mais aceitovi, esta é uma das leituras possíveis. 3203 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Durante as análises realizadas sobre o prédio do MARGS, pude observar que a suntuosidade de sua arquitetura está presente em grande parte das publicações do museu, como nos seus catálogos, cds-rom, postais e fotografias, e também nas expressões do turismo da cidade de Porto Alegre, funcionando como um chamariz ao público. A partir da pesquisa que procedi nos registros do Núcleo de Documentação e Pesquisa (NDP) do MARGS, de dezembro a julho de 2006, pude perceber as mudanças decorrentes da reforma realizada no prédio do museu, no ano de 1997, que veio associar-se, também, às novas políticas culturais e econômicas (BEN, 2006, p.114). Um outro aspecto examinado foi a forma como os espaços de exposição são distribuídos dentro do museu, criando hierarquias, destacando alguns em detrimento de outros, mas indicando que estes locais não são neutros. Alguns espaços, como o Café e o Bistrô, não são legitimados por serem considerados de prestação de “serviços” aos visitantes, mesmo que estes abriguem exposições (BEN, 2006, p. 115). Pude constatar que os lugares do museu de maior visibilidade são as Pinacotecas e também não apenas coincidentemente são os espaços que abrigam as exposições mais importantes. As Pinacotecas não só abrigam as exposições de maior porte como instituem através deste olhar, quais são as exposições mais importantesvii, cabendo destacar que essas são marcadas pelo museu como o seu espaço mais nobreviii (BEN, 2006, p.115). Foi possível observar, a partir das análises feitas, uma tendência às mega-exposições, nos anos entre 1998-2002, marcando a adesão ao neoliberalismo na política pública com o aumento da participação de empresários e patrocinadores no MARGS. Um outro aspecto que determina a vinda de grandes exposições são os eventos vindos de fora, o que acarreta uma redistribuição dos eventos anteriormente previstos, como pequenas exposições locais, priorizando exposições de artistas consagrados. “As pequenas mostras de artistas, sem curadorias e captação de recursos, hoje encontram dificuldades para serem expostas em um museu como o MARGS” (BEN, 2006, p.117). 3204 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Em minhas análises, a partir de um estudo das atividades do MARGS de 1990 a 2005, procurei indicar quais tendências teriam sido assumidas ao longo do tempo na programação deste museu, assim como mostrar que oscilações significativas teriam configurado essa instituição. Simultaneamente, procurei estabelecer relações entre as observações que fiz e as políticas culturais do país e as tendências globais que vêm configurando e posicionando os museus de arte em todo o mundo (BEN, 2006, p.138). Para isso organizei uma tabela demonstrativa que pode explicitar melhor estas tendências: Figura 4. Tabela 1. Atividades do MARGS 1990 – 2005. Outra análise, que realizei, trata de examinar aspectos de interatividade no museu. Analiso, a partir daí, duas exposições com características semelhantes: a primeira delas uma exposição de acervoix e a segunda uma mostra temporária. As mostras em destaque têm objetivos diferenciados. Às mostras de acervo pode ser atribuído o caráter de exposições permanentesx, 3205 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia pois as obras do acervo são consideradas como patrimônio artístico do Estado do Rio Grande do Sul. Cabe indicar que as exposições examinadas situam-se entre a estética e a didática, são de caráter contemplativo, com propostas não interativas, e até podem ser vistas como mais monótonas e produtoras de visitantes mais comportados (BEN, 2006, p. 122). Algumas leituras foram feitas, a partir deste estudo comparativo, como o caráter didático apresentado pelos painéis explicativos, a erudição nestes dispositivos e na forma de exposição do acervo, a mediação que a teoria da arte faz entre o público e a obra, o direcionamento do olhar e as categorizações criadas no campo da arte, dificultando leituras diferentes, que possibilitem novos significados. Indico, também, nestas análises, o modo de expor estas obras de uma forma racional de organização, colocadas lado a lado, que propõe um olhar linear e particulariza cada obra. Hernández (1998) destaca que este modo de ver, remonta o século XVIII. O visitante é visto como um grande olho. Figura 5. Painel explicativo. 3206 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Figura 6 e 7 . Bancos para apreciar as obras e disposição dos quadros. Nessa mesma direção, atento para as legendas, também usadas para particularizar autor e obra. Cada legenda contém a data, o nome do artista e da obra e a técnica utilizada, como forma de destacar o autor da obra e estaria ancorado em uma abordagem da Arte que considera o artista um gênioxi. Por outro lado, destaco os mostruários de vidro, os vigias e as linhas de delimitação de distância da obra, que passo a considerar como uma tecnologia táctil, provocando efeito disciplinador ao visitante. Estas tecnologias tratam de impedir os visitantes de tocar nos objetos e os conformam como sujeitos que olham, que são meros observadores. Mesmo em propostas mais interativas, nas exposições de arte contemporânea, já observei um constrangimento em tocar nos objetos, tal é o condicionamento operado pelos museus. Aponto para uma das tendências da pedagogia cultural operada no museu de arte, que se refere à comercialização de produtos e à utilização de banners como estratégias de marketing, indicando o museu-mundo/mercado. Analisei, nessa perspectiva, o Café do MARGS, o Bistrô e a Loja do MARGS e seus produtos: louças e cardápios personalizados, publicações, souvenirs, bem como produtos de Bienais e mega-exposiçõesxii. 3207 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Figura 8. Louça do Café do MARGS. Figura 9. Loja do MARGS Procurei, neste recorte, destacar alguns aspectos do modo como o museu exerce uma pedagogia cultural e os efeitos que se verificam produzindo significados atribuídos à arte, efeitos esses que também atuam na direção de definir a arte e na formação de públicos que consomem essa arte. Marco, assim, o museu não como um espaço neutro, mas como um espaço profundamente implicado no exercício do poder e na produção de determinados conhecimentos. Para poder fazer tais indicações, precisei ver o MARGS como um longo e intricado texto, que procurei ler com atenção e cuidado para nele encontrar os discursos e representações que permeiam as suas exposições, publicações, arquitetura, espaços, cursos, destacando, ao mesmo tempo, que este é apenas um ensaio pontual e datado. Esta primeira abordagem de cunho analítico que realizei acerca desse museu, certamente não esgota o muito que ainda poderia ser dito sobre ele. (BEN, 2006, p. 153). 3208 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia i Henry Giroux (apud Silva, 1999) destaca que o currículo é um local onde se criam e produzem significados culturais e estes estão ligados as relações de poder e desigualdade. Para este autor o campo da Pedagogia e do currículo aproxima-se do campo da cultura. ii O grupo de praticantes de Estudos Culturais filiados ao PPG/Edu da ULBRA e UFRGS é constituído por docentes e pesquisadores como Alfredo Veiga Neto, Luís Henrique Sacchi dos Santos, Maria Isabel Bujes, Maria Lúcia Castagna Wortmann, Marisa Vorraber Costa, Mauro Grün e Rosa Hessel Silveira. Esses autores dedicam-se a refletir, discutir e investigar novos caminhos de pesquisa em Educação. iii O termo archivalization é um neologisno derridadiano, que significa “a escolha consciente ou inconsciente (determinada por fatores sociais e culturais) de considerar algo digno de ser arquivado” (Ketelaar, 2000, p. 328). O arquivamento é precedido pela arquivalização. iv Originalmente esta edificação abrigou a sede da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional. v Lenoir (1997) conduziu estudos sobre o design do museu Britânico de História Natural, enquanto que Haraway (apud Wortmann & Veiga-Neto, 2001) focalizou o Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. vi A arquitetura dos prédios e suas modificações têm estreita ligação com o conceito de museu. Segundo Hernández (1998), a crise de identidade nos museus se reflete na morfologia e idéia conceitual destes edifícios. vii É neste espaço que são instaladas as mega-exposições, exposições de grande porte como a da Coleção Pirelli/MASP de Fotografias, no mês de abril de 2006. Também, recentemente houve uma grande exposição do acervo, inaugurada em maio do ano de 2006. Esta exposição também contribuiu para dar destaque ao Ano Nacional de Museus, inaugurado no MARGS, no Estado, em abril do ano de 2006. viii Neste espaço, nos últimos dez anos, estiveram exposições como “Florença: Tesouros do Renascimento” e “Arte Missioneira” no ano de 2000, “Brasil + 500 anos” no ano de 2001, “Paris -1900 no Petit Palais” e “Aquisições” no ano de 2002, “A Arte da Tapeçaria do Petit Palais” em 2004, “Quixote por Vasco Prado e “Anima Italiana” em 2005, “Coleção Pirelli/MASP de Fotografias” e “Arte no Brasil ao longo do século XX” em 2006 e as Bienais do Mercosul: I (1997), II (1999), e V (2005). Algumas exposições não foram mencionadas, pois na análise dos boletins do museu procurei focar mais a categorização por regionalidade, nacionalidade e internacionalidade das exposições. Outros materiais que acessei como o livro MARGS 50 anos e as listas de atividades do NDP, também não disponibilizavam o local das exposições. ix Cerca de 300 obras são as que circulam no MARGS de um acervo de 3000 obras aproximadamente. Essa seleção foi feita na gestão de Fábio Coutinho (1998-2002) para funcionar como um cânone, durante 36 meses. Desde 2002, entretanto, ainda são as mesmas obras do acervo que circulam tanto em suas publicações, bem como nas mostras do museu. x O público do museu não varia tanto, segundo opinião de um entrevistado , o que, para ele, justificaria um esforço em mudar as exposições deste museu. No entanto, o diretor também coloca que há muitos visitantes estrangeiros no museu o que representaria um público variável. Os museus não têm obrigatoriedade de mostrar todo o seu acervo (segundo fala de um dos funcionários do museu) e a maioria das obras não é considerada como possuidora de grande valor artístico, sendo esse um dos motivos invocados para a sua não exposição. O museu dispõe de muitas obras que lhe foram doadas e nem todas são consideradas como importantes. Questiono esta colocação, pois essa é uma categoria que penso possa ser considerada variável na Arte, pois obras que foram consideradas como de grande valor artístico em determinadas épocas, passaram a não ser em outras. Seria interessante que mais obras pudessem circular no museu e que o público também pudesse decidir o que vale e o que não vale, ou simplesmente apreciá-las, já que são consideradas patrimônio do Rio Grande do Sul. xi A partir do período marcado como Renascimento pela História da Arte, entre o final do século XVII e XVIII, estabeleceu-se a distinção entre as artes mecânicas e as Belas Artes. Esta distinção entre o útil e o belo levou à noção da arte como ação individual vinda da sensibilidade do artista como gênio criador. xii Neste sentido há uma tendência mundial a globalização nos museus, embora o MARGS se diferencie de grandes museus pela freqüência menor e variação de público. “É importante indicar, ainda, que não somente elementos quantitativos sobre público devem ser levados em consideração para estabelecer diferenças locais entre o MARGS e outros museus, mas também outros aspectos que se relacionam com políticas regionais e locais” (BEN, 2006, p.138). 3209 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEN, Clarice Pinto. Templos da Verdadeira Arte, Espaços Interativos, Locais de Propaganda...: o que se ensina no Museu de Arte? Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Universidade Luterana do Brasil. 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Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2001. 3210 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 - Salvador, Bahia Clarice Pinto Ben possui graduação em Licenciatura Plena em Educação Artística pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988), PósGraduação em Expressão Gráfica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e Mestrado em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (2006). Atualmente é professora de Ensino Fundamental e Arte-educadora. 3211