ISSN: 2316-3992
INFO E TECNO-EXCLUSÃO NO BRASIL: CONCEITOS
QUE AINDA EXPRESSAM A REALIDADE?
Maria Alice Campagnoli Otre¹
RESUMO:
A partir de dados apontados em relatórios reconhecidos nacional e internacionalmente, como a Pesquisa TIC
domicílios e empresas, o TIC Educação e o comScore “The Brazilian Online Audience”, de 2011, além de IBGE
2005 e o Digital economy rankings 2010: Beyond e-readiness, pudemos levantar, por meio de pesquisa documental, alguns dados relacionados ao Brasil que apontam evoluções e estagnações no que diz respeito à democratização das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação). Diversas situações como o acesso à educação
e o poder aquisitivo concentrado em determinadas regiões contribuem para desigualdades latentes no que diz
respeito ao alcance da internet, sua potência, a qualidade do uso, a utilização de mídias móveis, entre outros.
Para ancorar esses dados, apoiamo-nos também em revisão de literatura para trazer à discussão Manuel Castells,
Rogério Santanna, e outros, que debatem a info e a tecno-exclusão no Brasil.
Palavras-chave: TICs. Info e tecno-exclusão. Brasil.
RESUMEN:
Por medio de datos reconocidos a nivel nacional e internacional, como el informe “TIC domicílios e empresas”, el “TIC
Educação” y el comScore “The Brazilian Online Audience”, de 2011, además de los datos de IBGE 2005 y del Digital
economy rankings 2010: Beyond e-readiness, pudimos conocer, por medio de investigación documental, algunos datos
relacionados al Brasil que apuntan desarrollos y estancamientos con respecto a la democratización de las TICs (Tecnologías de Información y Comunicación). Diversas situaciones tales como el acceso a la educación y el poder adquisitivo
concentrado en determinadas regiones, contribuyen a las desigualdades latentes sobre el alcance de Internet, su potencia,
la calidad del uso, la utilización de los medios móviles, entre otras cosas. Para fijar estos datos, nos basamos también en
revisión de la literatura con Manuel Castells, Rogério Santanna, y otros que discuten la info y tecno-exclusión en Brasil.
PALABRAS LLAVE: TICs. Informes. Brasil. Info-exclusión. Tecno-exclusión.
¹ Doutoranda em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista – FAIP/FAEF. [email protected]
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INTRODUÇÃO
O Brasil, país continental, conhecido por suas riquezas (naturais, materiais, culturais) e desigualdades, parece
querer entrar de vez na era das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação).
Diversas pesquisas e relatórios trazem à tona a tendência das TICs no mundo, em países específicos e também em regiões. Baseados em alguns desses dados, buscamos situar o panorama brasileiro quanto ao acesso
às variáveis tecnológicas, tais como infraestutura de conexão, forma de acesso, quantidade e localização de
internautas, uso das TICs na educação, entre outras coisas. Dentre os relatórios utilizados estão “Pesquisa TIC
domicílios e empresas”, o “TIC Educação”, e o “comScore “The Brazilian Online Audience””, de 2011, além do
Censo do IBGE (2005) e o Digital economy rankings 2010: Beyond e-readiness, de 2010.
Vale destacar que os dados obtidos, devido às diferentes metodologias, amostras e tipo de abordagem
utilizados, por vezes são contraditórios ou incoerentes. Não pretendemos, porém, identificar o correto e o errado, já que cada pesquisa explica detalhadamente sua metodologia justificando os resultados; mas apontar as
disparidades, o que se faz necessário para que não tenhamos o resultado de um relatório como retrato único e
verdadeiro quanto às estatísticas nacionais.
Trabalharemos esses dados com o objetivo de discutir conceitos como o de Manuel Castells, principalmente
os de info e tecno-exclusão (2004). Afinal, os dados têm mostrado qual panorama sobre o Brasil? O país que
fora pouco atingido pelas crises mundiais, que apresenta boas taxas de crescimento, que tem aumentado significativamente a renda de sua população, também tem alterado visivelmente o acesso da população às TICs?
Essas experiências digitais atingem de maneira igualitária todo o território e comunidades? Quão longe estamos
de uma democratização justa das TICs?
Essas são algumas perguntas que nos servem como norte para que possamos refletir sobre a realidade do
Brasil frente às TICs. Começaremos trabalhando conceitos como TICs, suas benesses e problemas, além de info
e tecno-exclusão.
A ERA DAS TICS
Não é de hoje que se fala das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e de uma sociedade organizada em rede. Manuel Castells, um dos grandes estudiosos dos fenômenos digitais, destaca que “no fim do
segundo milênio da Era Cristã, vários acontecimentos de importância histórica transformaram o cenário social
da vida humana”. Segundo o autor, uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação, que
“começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado” (2004, p. 39). Está claro, porém, no
pensamento de Castells, os limites da relação entre tecnologia e transformação da sociedade.
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É claro que a tecnologia não determina a sociedade. Nem a sociedade escreve o curso
da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa
empreendedora, intervêm no processo de descoberta científica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo
(CASTELLS, 2004, p.43).
Não se pode, conquanto, desconsiderar a importância dessas variáveis para o mundo moderno. Ao considerarmos os parâmetros que tínhamos de tempo e distância, de presença e ausência, vê-se que a realidade que
nos rodeia passa necessariamente pela tecnologia.
Computação ubíqua, cloud computing, realidade virtual ou aumentada, a explosão das mídias móveis e o
avanço da telefonia. Conceitos que passam a fazer parte do nosso dia a dia e a partir dos quais nos programamos, movemos, trabalhamos, estudamos, nos relacionamos. São diversas novas realidades colocadas, novas
formas de interação, novos benefícios e -porque não -, novos problemas também.
O primeiro dos problemas a ser colocado neste artigo, como foco principal, seria quão rotineiras essas tecnologias realmente são. Ou ainda, quem realmente tem a possibilidade de se organizar, trabalhar, estudar e tantas
outras atividades por meio das TICs?
Quando o tema é tecnologia, incorremos constantemente no erro de considerar comuns, conhecidas e até
mesmo ultrapassadas, ferramentas que, devido à rapidez com a qual evoluem, são substituídas. O fato é que
a sociedade globalizada e em rede que parece tão claramente efetivada, não garante ainda igualdade a todos
os povos e regiões de participar, interagir e, mais ainda, emitir informação/conteúdo/opinião nesta realidade.
Atento a essa situação desde 2002² , Manuel Castells elabora os conceitos de info e tecno-exclusão, sobre os
quais vamos nos debruçar.
INFO E TECNO-EXCLUSÃO
Se até os dias atuais o mundo não deu conta de resolver problemas como a fome, moradia digna, questões
de saúde pública e outras situações com as quais lutamos desde o começo dos tempos, não era de se esperar
uma democratização rápida e eficaz de um “bem cultural” tão recente.
A questão da info e da tecno-exclusão vai além do que geralmente lhe é atribuído: acesso à internet.
A info-exclusão fundamental não se mede pelo número de acessos à Internet, mas sim
pelas conseqüências que tanto a ligação como a falta de ligação comportam, porque a Internet, como demonstra este livro, não é apenas uma tecnologia: é o instrumento tecnológico
e a forma organizativa que distribui o poder da informação, a geração de conhecimentos
e a capacidade de ligar-se em rede em qualquer âmbito da atividade humana (CASTELLS,
2004, p. 311).
² No livro A galáxia internet, traduzido para o português em 2004
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Nesta realidade de info e tecno-exclusão, Castells situa uma centralização geográfica e de classe no acesso
às TICs – quem dirá na qualidade de seu uso-, o que não se difere muito dos outros tipos de exclusão que conhecemos. Ao falar da internet, ele aponta:
Contudo, as condições nas quais se está a produzir a difusão da internet, na maioria
dos países, estão a criar uma profunda info-exclusão. Os centros urbanos mais importantes,
as atividades globalizadas e os grupos sociais de maior nível educativo estão a entrar nas
redes globais baseadas na internet, enquanto que a maior parte das regiões e das pessoas
continua desligada (2004, p. 304).
Apesar de os conceitos não definirem apenas o acesso à internet, temos que considerar que se já falta o acesso, quem dirá as outras variáveis. Segundo o autor este seria “um requisito prévio para superar a desigualdade
numa sociedade cujas funções principais e cujos grupos sociais dominantes estão cada vez mais organizados em
torno da internet” (CASTELLS, 2004, p. 288).
Citando autores como Wellman (2001) e Wilbon (2003), Cristiano Aguiar Lopes argumenta a medida da
exclusão quando os cidadãos não têm acesso à internet. Segundo ele,
Quando falamos de redes digitais, estamos falando sobre uma inerente rede social.
Hoje, as redes digitais são instituições sociais, integradas ao dia-a-dia contemporâneo. Portanto, quando um cidadão não tem acesso às TICs, não se trata de ele simplesmente não ter
acesso a uma tecnologia, e sim a uma instituição social, resultando, portanto, em exclusão
social. Logo, onde quer que exista uma minoria com acesso desigual às TICs, o que temos é
mais uma exclusão, que se soma às muitas “tradicionais” já existentes (LOPES, 2007, p. 2).
E como o acesso às TICs poderia então ajudar os países em desenvolvimento, se muitas vezes nem suas necessidades primárias foram supridas? Para Castells,
O desenvolvimento sem internet seria equivalente à industrialização sem eletricidade
durante a era industrial. É devido a isto que a afirmação tantas vezes ouvida relativamente
à necessidade de começar pelos “problemas reais do terceiro mundo”, ou seja, a saúde, a
educação, a água, a eletricidade e outras necessidades, antes de se pensar no desenvolvimento da internet, revela um profundo desconhecimento das questões que realmente importam hoje em dia. Com efeito, sem uma economia e um bom sistema de gestão baseados na
Internet, é praticamente impossível que um país seja capaz de gerar os recursos necessários
para cobrir as suas necessidades de desenvolvimento, numa base sustentável, ou seja, econômica, social e ecologicamente sustentável (CASTELLS, 2004, p. 311).
Lopes (2007, p.3) corrobora com Castells ao apontar que a adoção das TICs contribui para acelerar o crescimento dos países em desenvolvimento:
Esse progresso acelerado é possível devido à possibilidade de que os países em desenvolvimento absorvam experiências já testadas nos países desenvolvidos, reduzindo assim
custos, aumentando a produtividade e reduzindo a distância entre os dois grupos. É verdade
que, no nível macroeconômico, há poucas evidências de que essa aceleração ocorra, mas
no nível microeconômico existem diversos casos de empresas que utilizaram com sucesso as
TICs para “queimar etapas” de desenvolvimento (LOPES, 2007, p. 3).
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O autor não fecha os olhos, porém às diversas dificuldades que os países que estão à margem dessa
realidade sofrem.
Também é necessário ter em mente que os países em desenvolvimento têm, em geral,
capacidade reduzida para aproveitar as oportunidades dadas pelas TICs devido a sérias restrições de infra-estrutura e, principalmente, de capacitação tecnológica (LOPES, 2007, p. 3).
Para Castells, esse é realmente um dos grandes problemas para os fenômenos da info e tecno-exclusão,
O uso diferencial da internet no mundo em vias de desenvolvimento deve-se principalmente à enorme diferença na infra-estrutura de telecomunicações, aos fornecedores de
serviços e de conteúdos Internet, assim como às estratégias que estão a ser utilizadas para
combater esta diferença (CASTELLS, 2004, p. 304).
No momento em que produziu seu livro, o autor levantou ainda como obstáculos o fato de que em 2002,
87% dos sites estavam na língua inglesa, o que dificulta o acesso a informações pelos que não dominam o idioma, uma realidade bem próxima para nós latino-americanos e brasileiros (CASTELLS, 2004, p. 294).
Outro problema claro neste círculo exclusório, é a rapidez com a qual as tecnologias evoluem, fator
que não contribui para que todos caminhem no mesmo momento evolutivo da ciência e tecnologia, já que
fatores como educação e condição econômica e social interferem na aquisição e competência em lidar com
os produtos.
Em uma das suas muitas previsões que deram certo, Castells dizia em 2002. “Portanto, é bastante provável que, quando as massas tiverem por fim acesso à internet através da linha telefônica, as elites globais
já se tenham escapado para um círculo superior do ciberespaço” (p. 297). O autor continua dizendo que
Assim que uma fonte de desigualdade tecnológica parece diminuir, surge outra nova:
o acesso diferencial ao serviço de banda larga de alta velocidade (que atualmente utiliza
tecnologias tais como a Rede Digital de Serviços Integrados (RDIS), a Linha Digital de Subscritor (DSL), os modems por cabo e, num futuro próximo, o acesso à internet de base sem
fios (WAP), que por agora, enquanto escrevo essas linhas é apenas de banda estreita) (CASTELLS, 2004, p.297).
Manuel Castells aponta uma coincidência durante os anos 90 que relacionou o desenvolvimento da nova
economia e a difusão da internet com um aumento considerável da desigualdade econômica no mundo, assim
como a polarização, pobreza e exclusão social (2004, p. 305-306). Segundo o autor “em termos gerais, o hiato
entre o mundo desenvolvido e o mundo em vias de desenvolvimento, relativamente à produtividade, tecnologia,
rendimento, benefícios sociais e nível de vida aumentou durante a década de 90”, apesar de o autor apresentar
alguns avanços na China, Índia, Brasil, México, Argentina, por exemplo.
Castells faz a ressalva, porém, que correlação não é o mesmo que causalidade, portanto, para o autor, os
problemas sociais e ambientais apontados não deveriam obrigatoriamente estar relacionados com o processo de
globalização e desenvolvimento econômico regido pela internet.
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Mas estão. Poderíamos dizer que, nas condições sociais e institucionais atualmente vigentes no nosso mundo, o novo sistema tecno-econômico contribui para o desenvolvimento
desigual, fazendo com que aumente simultaneamente a riqueza e a pobreza, a produtividade
e a exclusão social, com seus efeitos diferencialmente distribuídos em diversas áreas do mundo e grupos sociais (2004, p. 307).
E ainda completa. “Como a Internet se encontra no epicentro do novo modelo sócio-técnico de organização,
este processo global de desenvolvimento desigual é, provavelmente, a expressão mais dramática da info-exclusão” (CASTELLS, 2004, p. 307).
Também não se pode lidar com os problemas relacionados à info e tecno-exclusão como algo que não interfere no plano social e na cultura que se recria a partir de cada ferramenta incorporada. O autor apresenta
grande preocupação quanto às futuras gerações, já que nem todos são nativos digitais como costumam ser
chamados os nascidos a partir da década de 80/90.
A vantagem que uma minoria de lares está a usufruir nas utilizações e serviços proporcionados pela Internet, aos quais apenas acedem aqueles com mais recursos, converter-se-á
provavelmente numa fonte de considerável desigualdade cultural e social no futuro, já que
as crianças da primeira geração Internet estão a crescer em ambientes tecnológicos muito
diversos (CASTELLS, 2004, p. 298).
O fato é que a internet e as novidades relacionadas às TICs não têm como retroceder. Encenam um movimento
frenético de crescimento, inovações e incorporação no dia a dia dos que a elas conseguem aceder. É preciso, portanto, que se pense em estratégias e políticas públicas que busquem diminuir o hiato existente entre os que estão on
e os que ainda estão offline, ou em standby, já que conhecem as tecnologias, mas não conseguem usufruir delas
com constância.
Segundo o relatório “Digital economy rankings 2010: Beyond e-readiness”, que estuda os impactos das TICs
na economia e na sociedade, “alguns países, como a Finlândia têm ido tão longe a ponto de consagrar em lei o
acesso Internet como um direito humano básico, uma pesquisa recente da BBC de usuários de Internet constatou
que 87% das pessoas de 27 países acreditam que este deve ser realmente o caso”.
O mesmo relatório traz em sua conclusão que “as metas estão mudando, mas os imperativos dos países para
extraírem o máximo de benefícios econômicos e sociais com o uso da tecnologia digital permanecem” (ECONOMIST, 2012, p. 17).
O relatório elenca então cinco passos importantes para o maior desenvolvimento das TICs, que citamos em
linhas gerais:
• Assegurar à população acesso a preços justos para todas as conexões possíveis fixas e móveis.
• Estabelecer as TICs como um ponto focal da educação e garantir que os alunos em todos os níveis aprendam a usar a tecnologia digital em seu benefício.
• Possibilitar o fornecimento em larga escala de bens e serviços on-line que ofereçam utilidade real para
cidadãos e empresas.
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• Incentivar a inovação e o espírito empresarial, para criar as melhores possibilidades de TIC habilitando
mudanças para filtrar através da economia.
• Assegurar que o sistema judicial não coloque algemas indevidas sobre o uso da tecnologia e, ao mesmo
tempo, proporcionar proteção adequada para as pessoas e organizações.
Diante dessas informações e reflexões, propusemo-nos a discutir como o Brasil tem se posicionado quanto às
temáticas levantadas. Afinal, o que os relatórios mundiais e nacionais dizem sobre o país que tem conquistado
o respeito internacional pela sua performance durante as crises mundiais, destaque nas taxas de crescimento, de
diminuição de desemprego e de fortalecimento como nação?
VERDE, AMARELO E PRETO
Embora tenha alcançados ótimos índices de crescimento também no que diz respeito à incorporação das
TICs e desenvolvimento da internet no Brasil, o país de dimensões continentais ainda apresenta áreas sombrias
de exclusão digital e desigualdades sociais e educacionais, que tingem o verde-amarelo de preto, representando
a escuridão quanto à era digital, a nova era das luzes. E tudo começa com a posse de um computador, que no
Brasil ainda é considerado um problema a ser combatido, já que diferentes realidades exprimem distintos números de evolução (ou não) da democratização das TICs no país.
As diferenças setoriais (urbano e rural), regionais e econômicas (renda familiar) no crescimento da posse de computador no país requerem atenção, especialmente por indicarem
possível ampliação das desigualdades de inclusão digital. Reduzir essas desproporcionalidades é fundamental para que as distâncias sociais, principalmente em relação à inclusão
digital, não se intensifiquem ao longo dos próximos anos (TIC DOMICILIOS, 2011, p.141).
No relatório citado (ECONOMIST, 2012, p. 3-4), que avalia a relação entre economia, TICs e sociedade, o
Brasil aparece ocupando a 42ª posição, atrás do México (41), África do Sul (40) e Chile (30). O relatório mediu
Conectividade e infraestrutura tecnológica, o ambiente de negócios, o ambiente social e cultural, o ambiente
legal, política e visão governamental; além dos consumidores e adoção de negócios. Em 2009, o país ocupava
a mesma posição.
Mais do que fixarmos nossos olhares para um ranking, traremos à tona algumas variáveis exploradas em
outras pesquisas de dentro e fora do país para nos situarmos. Começamos a apresentar os dados da pesquisa
comScore “The Brazilian Online Audience”, de fevereiro de 2011. A pesquisa traz dados mundiais de que 1,324
bilhões de pessoas, com mais de 15 anos, acessavam a internet em dezembro de 2010. Esse número representou
um crescimento de 8% com relação a 2009. Ao mesmo tempo, o relatório aponta que a América Latina teve um
crescimento de 15%, em usuários online, obtendo 111,4 milhões de internautas.
Segundo os resultados, o Brasil tem 40 milhões de usuários de internet, o que o coloca como o 8° país em
audiência na internet no mundo. Para os pesquisadores, o Brasil tem a maior população on-line da América
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Latina, com um universo estendido estimado em 77,3 milhões de usuários, maior do que a população total da
França ou do Reino Unido. A média de horas navegadas pelos internautas brasileiros é de 24,3 horas por mês
(COMSCORE, 2011, p. 17). O crescimento da população on-line no Brasil também é surpreendente: 20% de
2009 para 2010, o maior índice registrado na América Latina.
Outro dado interessante apontado pelo relatório é a jovialidade dos internautas brasileiros. Segundo o comScore (2011, p. 20), 63% da audiência de internet no Brasil tem entre 15 e 35 anos. “Em comparação, apenas
53% da população online global está no mesmo grupo de idade”.
Quanto ao gênero dos internautas, o comScore (2011, p. 22) aponta que 51,1% são homens, enquanto
48,9% são mulheres, uma diferença muito pequena se considerarmos outras esferas de desigualdades entre homens e mulheres no país, como cargos de chefia, diferenças salariais etc.
Os números que se apresentam positivos e nos deixam otimistas quanto à inserção tecnológica do brasileiro,
no que diz respeito à internet, começam, porém, a mostrar suas desigualdades.
Segundo o relatório (2011, p. 25) o Norte representa 2% da população online do país, seguido pelo Centro
-Oeste (6%); Nordeste 11%, Sul 13% e Sudeste 68%. Se por um lado já era de se esperar que Norte, Nordeste
e Centro-Oeste tivessem baixa audiência, o Sul do país aparece como uma surpresa do relatório, já que é composto por estados com alto índice educacional e economicamente fortes.
Vale aqui fazer uma ressalva comparativa de que quando a fonte usada é o TIC Domicílios, os dados parecem se alterar bruscamente, mas exigem uma leitura mais cuidadosa. É válido destacar, porém, que nesta pesquisa, são avaliados os lares da região, em porcentagens e não a proporção que a região representa no total do
País, como o comScore. Quando o assunto é domicílio com acesso à internet, temos os seguintes dados para o
ano de 2010: Norte com 14%, Centro-Oeste com 33%, Nordeste com 11%, Sudeste com 36% e Sul com 30%
de lares com acesso.
Diante desses dados, o relatório traz alguns destaques:
Nos últimos seis anos, a proporção de domicílios com computadores na área urbana
mais do que dobrou no país: de 17%, em 2005, para 39%, em 2010. Nesse período, a
taxa composta de crescimento anual foi de 18%, mas em 2010 o crescimento foi de apenas
8% em relação a 2009. Quanto à posse da conexão de Internet nos domicílios urbanos, a
proporção passou de 13%, em 2005, para 31%, em 2010. Nesse período, a taxa composta
de crescimento anual foi de 19%, e em 2010 a taxa de crescimento foi de 15% em relação a
2009 (TIC DOMICILIOS, 2011, p.137).
Insistimos em retomar o fato de que só o acesso não significa que há ou não info ou tecno-exclusão. A
qualidade do acesso também precisa ser verificada, já que, conforme Castells (2004, p. 297) “a velocidade e a
largura da banda são obviamente essenciais para que se cumpra a promessa da Internet”. Segundo o TIC Domicílios (2011, p.137), o Brasil registra, em 2010,
um crescimento expressivo das conexões de tipo banda larga fixa. A proporção de domiComunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 0X, n. 0X, p. 41-54, jan-jul 2013
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cílios com essa conexão cresceu 9 pontos percentuais. Destacam-se também as conexões de
banda larga móvel (modem 3G), que saíram de 4%, em 2009, para 10%, em 2010.
Em artigo produzido por Rogério Santanna no mesmo relatório (TIC DOMICÍLIOS, 2011, p. 57), ele problematiza a expansão da banda larga, contextualizando-a com a realidade brasileira. Segundo o autor,
A prestação desses serviços [banda larga] hoje está focada nas classes A e B que residem nas regiões ricas dos centros urbanos, mercado-alvo prioritário dos serviços oferecidos
pelas grandes operadoras atuantes no setor. Um percentual de 90% desse mercado no país é
controlado por apenas cinco empresas, que não demonstram muito interesse em levar banda
larga ao conjunto da população. [...]
Não por acaso o Brasil está abaixo da média mundial em densidade de banda larga,
diferentemente do que acontece com a telefonia fixa e móvel. Um estudo elaborado pela
International Communication Union (2009 e 2010) mostra que, descontando-se os impostos,
a estimativa de preço da banda larga no Brasil em 2008 era de US$ 47, enquanto na Argentina este valor caía para US$ 38. Nos Estados Unidos, o custo estava em US$ 15, e não é
por acaso que naquele país esses serviços chegam a 25% da população. O mesmo levantamento aponta que o preço da banda larga no Brasil caiu para 28 dólares no ano seguinte,
descontando-se os impostos. Mas, apesar de o preço relativo ter sido reduzido quase pela
metade em um ano, a penetração não respondeu na mesma proporção, devido à concentração geográfica dos serviços nas regiões Sul e Sudeste do país (SANTANNA, 2011, p.57).
Retomando as desigualdades regionais, o autor tece sua crítica ao levantar que
O mercado ignorou a entrada de cerca de 30 milhões de pessoas na Classe C, o que
ampliou ainda mais a demanda por conexão e expôs a dificuldade das atuais operadoras em
inovar seu modelo de negócios. Na região Nordeste, a economia cresce a taxas superiores
às registradas na China. No entanto, essa região possui um dos piores índices de acesso
à banda larga do Brasil, com apenas 9% de penetração, segundo dados da Anatel. Nos
estados da região Norte, a situação é ainda pior: a penetração cai para 8%. O percentual
de conectividade de estados como Amapá, Pará e Roraima corresponde a 4,18%, 5,99% e
5,28%, respectivamente³ (SANTANNA, 2011, p. 57-58).
Como solução, Rogério Santanna (2011, p. 58) aponta que “o governo federal brasileiro lançou, em maio
de 2010, o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), que pretende levar o serviço a cerca de 40 milhões de
domicílios até 2014”. O artigo destaca ainda que “a meta atribuída à Telebrás é conectar com Internet de baixo
custo e alta velocidade 4.283 municípios localizados em 26 estados, mais o Distrito Federal, atendendo a 88%
da população brasileira até 2014”. Com essa proposta, o governo elevaria, segundo os dados, o número de
domicílios com acesso a Internet banda larga no país de cerca de 12 milhões, em 2009, para entre 35 e 40
milhões em 2014.
³ Nota citada pelo autor: Disponível em http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=257088&assuntoPu
blicacao=Dados%20informativos%20-%20Banda%20Larga&caminhoRel=null&filtro=1&documentoPath=257088.pdf.
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Quanto à velocidade de conexão, o Brasil tem atualmente 39% dos domicílios com acesso à internet usufruindo de uma velocidade de até 1Mbps. Outros 24% têm entre mais de 1 até 2Mbps. Mais de 2Mbps corresponde
a apenas 15% do total enquanto 21% não sabe ou não respondeu.
Para além da questão da internet, elencamos também outros fatores que avaliam a presença das TICs nos
lares pesquisados. As tabelas abaixo, retiradas do próprio relatório (TIC Domicílios, 2011) nos dão uma maior
facilidade de visualização.
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Fonte: TIC Domicílios, 2011. Anexos.
O telefone celular, por exemplo, já ocupa praticamente a mesma margem da quantidade de aparelhos de rádio nos lares brasileiros (84 contra 86%). O impacto disso para a ampliação das redes sem fio ou 3G é imenso,
assim como a possibilidade de que as pessoas consumam informação de uma maneira diferente.
É curioso, porém, notar que quando foram questionados pelo motivo de não terem internet em casa, 49% dos
entrevistados que têm computador em casa, mas não têm internet alegaram o custo como empecilho.
No âmbito regional, há diferenças evidentes no acesso às TIC, resultantes de desigualdades socioeconômicas. Tais discrepâncias regionais podem ser mais bem compreendidas
a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)4 . As regiões Norte e Nordeste são as
que apresentam menores IDH, enquanto os maiores são registrados nas regiões Sudeste, Sul
e Centro-Oeste. Isso se deve, sobretudo, à geografia econômica do Brasil, que concentra
a produção, a atividade econômica e a renda nas regiões de maior IDH (TIC DOMICÍLIOS,
2011, p. 134).
A falta de disponibilidade na área, que tem a ver com infraestrutura, alcançou índice de 23%. A resposta
que mais surpreende, foi dada por 16% dos entrevistados: não tem necessidade ou interesse. Se as pessoas não
sentem sequer a necessidade de acesso ao mundo virtual, é porque algo está errado no seu desenvolvimento ou
utilização. Outros 16% apontaram acessar em outro local e 12% declararam a falta de habilidade como principal fator para que não tenha internet em casa, outra resposta preocupante para um país que pretende sair da
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Segundo o relatório, indicador utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), composto de
três dimensões – saúde, educação e qualidade de vida – e medido a partir de quatro indicadores: expectativa de vida da população, média de anos de estudo da população, expectativa de vida escolar e PIB (Produto Interno Bruto) per capita. Fonte: PNUD.
Human Development Report 2010. Disponível em http://hdr.undp.org/en/media/HDR_2010_PT_Complete_reprint.pdf.
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fase do “em desenvolvimento”. Como os governos, escolas e outras instituições estão se preparando para suprir
essa defasagem de conhecimento?
Dentre os entrevistados 10% informaram que o custo-benefício não vale a pena e 5% preocupam-se com a
segurança. É possível que se verifique além de uma sub-utilização das tecnologias, o despreparo principalmente
no âmbito legislativo e de segurança para se lidar com o avanço tecnológico. As pessoas estão preocupadas
com isso.
Outras informações referentes às TICs também foram pinçadas do comScore, com algumas curiosidades.
Segundo o relatório, o brasileiro utiliza o dobro de serviço de mensagens instantâneas em relação ao mundo.
Além disso, houve aumento de 25% em usuários de internet banking de 2009 para 2010.
O relatório aponta ainda que sete de cada dez brasileiros visitaram um site de varejo em dezembro de 2010 e
que o Brasil é o país que mais visita este tipo de site na América Latina. Vale aqui uma ressalva para a importância
da democratização das TICs para a economia do país. São novas possibilidades de mercado que, se ampliadas,
contribuem para o desenvolvimento do país na geração de emprego e movimentação financeira, por exemplo.
O relatório traz também um fato que estamos acostumados a ouvir falar: o crescimento de participação nas
redes sociais do Brasil foi o dobro em relação ao mundo. Neste ranking, o Brasil é o maior usuário de Twitter
do mundo; além de ter verificado um aumento de 33% no uso do YouTube, febre principalmente entre os jovens.
Outra curiosidade é que enquanto no mundo o acesso a sites de notícia é de 60,3%, e o de blog é 50%, no
Brasil, 58,8% refere-se a acesso a sites de notícia e 71,1% a blogs.
Verifica-se, dessa forma, ainda uma utilização do mundo virtual no Brasil mais relacionado com o entretenimento, fator importante de ser pensado quando se fala na qualidade das informações acessadas e na possibilidade de que alterem a situação dos países em desenvolvimento por meio do acesso às TICs.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Além das desigualdades verificadas no Brasil, que possibilitam encontrarmos realidades completamente diferentes segundo a região ou a classe social, atribui-se como problema de acesso às TICs os baixos índices de
desenvolvimento humano, índices educacionais e poucas políticas públicas voltadas à aquisição de tecnologias
– até mesmo entre professores, como mostrou o TIC Educação.
De toda forma, o TIC Domicílios aponta também uma mudança no que diz respeito ao perfil do usuário de
internet, o que pode ser um indício de que as desigualdades começam a diminuir: “há maior presença na rede
de brasileiros com menor grau de escolaridade e de classes sociais mais baixas, possivelmente em função da
mobilidade social e do crescimento significativo da classe C no país” (2011, p. 138).
Por mais que o Brasil se destaque na América Latina e alguns dados mostrem grandes evoluções, o caminho
é ainda longo e espinhoso, pois exige que se pense em muitas esferas sociais, políticas, econômicas e culturais
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INFO E TECNO-EXCLUSÃO NO BRASIL: CONCEITOS QUE AINDA EXPRESSAM A REALIDADE?
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capazes de contribuir com o avanço tecnológico.
No que diz respeito aos conceitos trabalhados por Castells, percebe-se que passo a passo o país avança no
que diz respeito às TICs, porém, quando determinada camada antes excluída tem acesso a certa tecnologia, o
rápido processo evolutivo das ferramentas trata de encaminhar-lhe novamente ao mundo dos superficialmente
conectados. É preciso um mutirão envolvendo educação, setor privado e políticas públicas para que o hiato
diminua.
Este artigo não pretende esgotar a elucidação nem análise dos dados importantíssimos trazidos pelos relatórios apresentados. São mais de 1000 páginas com gráficos, tabelas e análises que merecem um olhar cuidadoso dos interessados em aprofundar a discussão em áreas específicas das TICs no Brasil. Serve, conquanto, ao
propósito de que saiamos da sensação de tecnologias ubíquas que nos ganham a cada dia e olhemos para os
diversos “brasis” que nos avizinham.
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REFERÊNCIAS
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Calouste Gulbenkian, 2004.
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graphics.eiu.com/upload/EIU_Digital_economy_rankings_2010_FINAL_WEB.pdf.
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Brasil – o que temos feito? In: Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación vol. IX, n. 2, mayo – ago. / 2007. Disponível em: www.eptic.com.br. Acesso em: 10 de fevereiro de
2012.
SANTANNA, Rogério. Democracia no acesso vai aprofundar uso de novas aplicações da Internet. In: Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil : TIC Domicílios e TIC Empresas
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escolas brasileiras. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2011. Disponível em http://www.cetic.br/.
Acesso em 14 de fevereiro de 2012,
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