XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 O USO DO VÍDEO COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO E EDUCATIVO EM SALA DE AULA GUSTAVO WUERGERS VICENTINI MARIA JOSÉ CARVALHO DE SOUZA DOMINGUES XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 RESUMO O vídeo é uma das tecnologias que mais se tem destacado nos últimos anos. Embora esta seja uma tecnologia de fácil acesso, os professores ainda apresentam dificuldades para incorporá-lo como um recurso educacional. Este estudo analisa a utilização do vídeo como instrumento de mediação pedagógica no processo de ensino e aprendizagem do curso de graduação em Administração de uma IES do Sul do Brasil. Para tanto, utilizou-se a pesquisa do tipo exploratório-descritiva, com levantamento. O questionário foi distribuído a todos os professores lotados no departamento de administração, que lecionam no curso de graduação em Administração da universidade pesquisada. 92% responderam. Por meio dos dados obtidos, pôde-se inferir que a maioria dos professores utiliza o vídeo como instrumento didático educativo, no entanto, esta utilização limita-se a vídeos motivacionais, o que indica a possibilidade de que tal recurso venha a ser utilizado para ampliar as oportunidades de aprendizagem. Palavras-Chave: Vídeo. Ensino-aprendizagem. Curso de graduação ABSTRACT The video is a technology that has been more prominent in recent years. Despite being a technology-friendly access to the video insertion in the classroom still faces difficulties in incorporating it as an educational resource. This paper presents the results of a poll that examines the use of video as an educational tool for mediation in the process of teaching and learning in the course of graduation in an IES Administration in the south of Brazil. The research is in the exploratory-type with descriptive use of a survey. We searched all teachers crowded in the department of administration that teach for the course for graduation in administration. Having acquired a return of 92% of the questionnaires used. The main results may be pointing: the teachers mostly use the video as a didactic tool of education. However, this use is limited to motivational videos, which shows a potential for use in order to allow an expansion in opportunities for learning that this feature allows. Key-Words: Vídeo. Teaching-learning. Graduation course XIX ENANGRAD 1 Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 INTRODUÇÃO Dentre as várias tecnologias que se tem destacado nos últimos anos, o vídeo tem sido uma das mais populares, passando de grande novidade da década de 70 a um aparelho de uso comum nos anos 80. Assim, o vídeo que até o final dos anos 70 era tecnologia exclusiva das emissoras de TV, passou, definitivamente, na década de 80, para as mãos das pessoas comuns, principalmente, porque à sua evolução técnica se dá um correspondente barateamento dos equipamentos, permitindo ampliar o acesso a esse novo meio. (LIMA, 2001) A popularização da Internet e o custo reduzido das filmadoras e máquinas digitais conferiram às pessoas a possibilidade de produzir e distribuir o próprio material audiovisual. A princípio, acreditou-se que tal processo colocaria a disposição do professor um recurso barato, acessível e com potencial para dinamizar as atividades didático-pedagógicas. Por isso, multiplicaram-se os programas de incentivo ao uso do vídeo em sala de aula, passando a constar, inclusive, como política estratégica para superar o descompasso da escola em relação ao monumental avanço dos meios de comunicação de massa que se operava fora dela. Ocorre, entretanto, que a incorporação dessa tecnologia pelas instituições de ensino e pelos professores não é tão simples quanto parece, até hoje, grande parte dos profissionais da educação enfrenta dificuldades para empregar a tecnologia audiovisual como um recurso pedagógico; ora devido à forma equivocada com que alguns programas didáticos propõem incorporação do vídeo ao trabalho em sala de aula, ora devido ao desconhecimento das potencialidades dessa mídia no processo de ensino e aprendizagem. Para Moraes e Torres (2004), as estratégias de ensino devem favorecer uma aprendizagem que integre vários sentidos: imaginação, intuição, colaboração e impactos emocionais. Os aspectos estéticos, tais como a fotografia, o filme, a música, a dança, o teatro, a literatura e as artes plásticas agregam uma sofisticação à relação ensino-aprendizagem, visto que proporcionam a vivência e a interatividade, conectando sentidos, sentimentos e razão. Davel et al. (2004) enfatizam que é inegável a contribuição dos recursos estéticos para a formação integrada dos administradores, pois permitem que o professor e os estudantes lidem com a ambigüidade, a incerteza, a fluidez, a emoção, a multiplicidade e a diversidade característica do cotidiano organizacional. No ensino superior, o uso do vídeo como um dinamizador da relação ensinoaprendizagem permanece incipiente. Estudos como o de Vergara (2007), Davel, Vergara e Ghadiri (2007) ainda são inovadores. Sendo assim, este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre a utilização do vídeo como instrumento de mediação pedagógica no processo de ensino-aprendizagem do curso de graduação em Administração de uma universidade do Sul do Brasil. Além disso, identificou-se o perfil dos professores que utilizam tal recurso e as estratégias de ensino adotadas para essa utilização. XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 2 O VÍDEO COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO EDUCATIVO Embora o vídeo se tenha tornado um recurso de fácil acesso, o uso em sala de aula somente se deu a partir da década de 90. Moran (1994) foi um dos primeiros a escrever sobre o assunto no Brasil. No artigo O Vídeo na Sala de Aula , o autor discorre sobre as várias linguagens da TV e do vídeo e sobre seu impacto na comunicação eficaz. Moran (1994) enfatiza que, desde que se iniciou a inserção de tal tecnologia no ambiente escolar, até hoje, muito pouco se investiu em programas de formação que capacitassem os professores para uma melhor utilização do vídeo e/ou visassem um real aproveitamento do potencial didático educativo deste recurso. Isso talvez explique o motivo pelo qual, em significativa parte das escolas, a aquisição do videocassete não corresponde a uma utilização consciente, que leve a uma prática reflexiva ou a uma exploração eficaz dessa nova linguagem. Além disso, a maioria das escolas principalmente as públicas tem grandes dificuldades para adquirir tais equipamentos e constituir acervos correlatos com as necessidades curriculares dos programas e da comunidade. Ao constatar o descompasso da escola para com o desenvolvimento dos meios de comunicação, Ferrés (1998) o atribui, em parte, às dificuldades apresentadas pelos profissionais para promover mudanças em suas práticas cotidianas. Para o autor, o professor que reluta em adotar estratégias e tecnologias sintonizadas com as transformações contemporâneas, o faz porque vive de uma instituição e se autoprotege, muitas vezes, alegando motivos de ordem cultural, sem perceber as contradições que sua atitude encerra. O vídeo torna-se muito mais do que uma simples tecnologia. Para a escola ele é um desafio (FERRÉS, 1998, p.10). Moran (1994) destaca que, por si só, a integração do vídeo ao cotidiano da sala de aula não muda a relação ensino e aprendizagem. Serve, no entanto, para aproximar o ambiente educacional das relações cotidianas, das linguagens e dos códigos da sociedade urbana, levantando novas questões durante o processo. Ao analisar o papel do vídeo no processo de ensino e aprendizagem, Ferrés (1998) define alguns critérios para sua utilização em sala de aula: a) É necessário promover mudanças nas estruturas, isto é, redefinir o olhar e o fazer pedagógico, os quais incorporam o audiovisual como mero auxiliar na prática educacional cotidiana. b) Como meio tecnológico, o vídeo não substitui o professor, entretanto, pode promover mudanças na função pedagógica deste. c) Para que haja um bom aproveitamento das potencialidades do vídeo, é imprescindível que os professores tenham uma formação específica para a utilização do meio. Não haverá professores formados para o emprego do vídeo e demais audiovisuais se não houver professores formados mediante o emprego do vídeo e dos demais audiovisuais (FERRÉS, 1996, p.11 ). d) Usar o vídeo como recurso audiovisual não significa abandonar os meios didáticos tradicionais, porém, sugere um redirecionamento da função destes. Um bom uso dos recursos didáticos na prática pedagógica - seja de tecnologias avançadas ou tradicionais - deve levar em consideração as XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 condições e atributos de cada meio, a adequabilidade ao conteúdo e as características do aluno. e) A inserção de um determinado audiovisual deve estar voltada à impulsão do processo, tendo o aluno como centro. Caso contrário, o vídeo torna-se um mero ilustrador do discurso do professor. f) Nenhuma tecnologia é boa ou má por si só. A eficácia e os resultados dependerão do uso que se fizer dela. Assim, também ocorre com o vídeo: a sua eficácia educativa será diretamente proporcional ao uso que se fizer dele. g) O uso coerente do vídeo - como recurso audiovisual comprometido com a ruptura das práticas pedagógicas tradicionais - deve centrar-se mais no processo e menos no produto. O professor que faz uso do vídeo com essa consciência procura extrapolar a simples exibição de programas préprontos, envolvendo o aluno para que este partícipe do processo, seja criando novos materiais, seja interferindo de maneira criativa em materiais já existentes. h) Como todo meio de comunicação, o vídeo tem uma forma de expressão autônoma. Nesse sentido, pode-se inferir que a escola deve determinar as funções de cada meio, de forma que estes estejam adequados aos objetivos e ao funcionamento de sua lógica interna. i) Quanto mais acesso o aluno tiver à tecnologia do vídeo, no sentido de manipulá-la criativamente, pesquisar, fazer experiências que permitam a descoberta de novas formas de expressão, maior será a eficácia didática desse recurso. 2.1 MODALIDADES DE USO DIDÁTICO DO VÍDEO Orofino (2005) e Davel, Vergara e Ghadiri (2007) relatam uso dos vídeos em sala de aula e afirmam a importância destes recursos para o processo de ensinoaprendizagem. Orofino (2005) traz o exemplo de uma escola localizada na periferia de Florianópolis que atende alunos carentes. O projeto foi desenvolvido com o intuito de gravar um vídeo de autoria dos próprios alunos e teve como tema central a sexualidade e atitudes preventivas com relação à transmissão da AIDS. No final, após a elaboração e apresentação do vídeo editado, a turma demonstrou extrema satisfação e reconhecimento. Davel, Vergara e Ghadiri (2007) citam diversas experiências de sucesso com a utilização do vídeo no processo de ensino e aprendizagem. Em um dos capítulos desse livro, Adelaide Maria Coelho Baeta relata a experiência que obteve ao ministrar a disciplina Ética na Administração Pública para curso de Pós-Graduação em Administração. Propôs aos alunos a utilização de filmes durante o curso, o que produziu um ótimo resultado, gerando discussões e debates em sala. A turma mostrou-se mais motivada e passou a não mais se atrasar na volta dos intervalos dos filmes. Saraiva (2007) menciona mais um exemplo de sucesso na aplicação deste recurso. Em suas disciplinas, Teorias da Administração I e II, aplicadas em salas lotadas, a dificuldade de abstração dos estudantes tornou-se um desafio para o XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 professor. Isso o levou a buscar novas alternativas para dinamizar a disciplina. O vídeo foi a tecnologia escolhida. Ter usado filmes nas disciplinas Teorias da Administração I e Teorias da Administração II foi uma experiência muito gratificante por proporcionar aos estudantes uma oportunidade de construírem seu aprendizado, utilizando filmes para isso um processo de construção de significados a partir dos elementos do filme associados à teoria. Os estudantes aprovaram a iniciativa, o que se manifestou na construção de uma excelente relação pedagógica e pessoal desenvolvida com as turmas (SARAIVA, 2007, p. 51). Embora haja muitas experiências positivas, vale ressaltar que o uso inapropriado do vídeo pode ser desastroso para a aprendizagem. Moran (1998) corrobora essa idéia ao chamar atenção para os usos inadequados que a escola e o professor possam vir a fazer de tal tecnologia. Para o autor, o vídeo pode ser utilizado inversamente aos critérios recomendados. Nesse caso, haveria uma distorção altamente prejudicial do aproveitamento das potencialidades educativas e criativas do meio, as quais seriam: a) vídeo como tapa-buraco: utilizado exclusivamente para preencher o tempo vago do aluno; b) video-enrolação: utilização da mídia sem vinculá-la aos assuntos estudados; c) vídeo-deslumbramento: muitas vezes, a fascinação pelo meio leva o professor a esquecer as outras tecnologias e dinâmicas de condução de seu programa, limitando-se ao vídeo e, por conseqüência, empobrecendo suas aulas; d) video-perfeição: tendência a questionar todos os vídeos como imperfeitos, tanto o conteúdo, quanto os prováveis defeitos técnicos e estéticos; e e) só-vídeo: exibição do vídeo pelo vídeo, sem a necessária discussão e integração com outros momentos da aula. Estes desvios ou vícios na utilização do vídeo estão associados a um fator muito importante para a prática didática cotidiana do professor, com implicações negativas sérias para o processo de ensino e aprendizagem, pois, o uso inadequado compromete tanto a credibilidade do recurso, quanto a credibilidade do trabalho do docente. 3 METODOLOGIA A pesquisa caracteriza-se como exploratório-descritiva. No primeiro momento, realizou-se: uma análise documental dos planos de ensino, a fim de determinar a forma de utilização dos vídeos em sala de aula; um levantamento do acervo da biblioteca da universidade e da quantidade de equipamentos que compõem o patrimônio audiovisual da instituição. XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 No segundo, aplicou-se um questionário, baseado em Lima (2001), com objetivo de identificar o número de professores que utilizam o vídeo em sala de aula e a forma de utilização. Considerou-se como população os 38 professores lotados no Departamento de Administração, que lecionam no curso de graduação em Administração da Universidade Regional de Blumenau (FURB), no período compreendido entre outubro e novembro de 2007. Cabe destacar que, embora tenham sido estabelecidos inúmeros contatos para obter-se o retorno de 100% dos questionários, foram respondidos somente 35, ou seja, 92,11% da amostra. Após a devolução dos questionários, tabulou-se os dados no programa Excel para uma melhor compreenção dos resultados obtidos. Para cada questão, foi desenvolvido um gráfico ilustrativo a fim de facilitar a comparação entre as informações. A primeira parte do questionário abrange seis questões pessoais, no caso, idade, sexo, disciplinas e instituições em que o respondente leciona, regime de trabalho e categoria funcional. A segunda, contém vinte e três perguntas para identificação dos professores que utilizam o vídeo como instrumento didáticoeducativo e analise das estratégias de ensino agregadas ao uso deste recurso. O método de evocação de palavras, presente na questão vinte e três, apresenta-se como um suporte às pesquisas quantitativas, a fim de se coletar dados, a partir da relação oral ou escrita, de um determinado número de palavras, as quais estejam relacionadas a uma expressão indutora (VERGARA, 2006). A pergunta visa estimular a espontaneidade da resposta. De acordo com Vergara (2006, p. 244), o método de evocação de palavras permite: (...) identificação de elementos relacionados ao objeto da pesquisa que poderiam ser perdidos nas análises dos conteúdos discursivos formais . Além disso, permeia a análise combinada entre a freqüência e a ordem das evocações. Após coletadas, tais expressões/palavras são classificadas em categorias semânticas, desprezando-se as consideradas pouco significativas. Efetuam-se cálculos de freqüência e da ordem média de evocação de cada categoria. O cálculo de freqüência pode ser obtido a partir da soma das freqüências em que a categoria foi evocada em primeiro lugar, em segundo lugar e assim sucessivamente. A ordem média de evocação de cada categoria é obtida por meio do seguinte cálculo (VERGARA, 2006, p. 247): (f 1º lugar x 1) + (f 2º lugar x 2) + ( f 3º lugar x 3) + (f 4º lugar x 4) + ... f A freqüência média de evocação é obtida por meio da divisão do resultado da soma das freqüências de evocação pelo número de categorias listadas. A média das ordens médias de evocação é obtida pela divisão da soma da ordem média de evocação pelo número de categorias listadas. As categorias são dispostas num diagrama de quatro quadrantes, conforme demonstrado a seguir: XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 Evocações de maior freqüência e mais prontamente realizadas Evocações de maior freqüência e mais tardiamente realizadas Evocações de menor freqüência e mais prontamente realizadas Evocações de menor freqüência e mais tardiamente realizadas O eixo vertical é composto pelos valores da freqüência de evocação e o eixo horizontal pelos valores da ordem média de evocação. Vale ressaltar que os valores maiores que a freqüência média de evocação devem ser alocados na parte superior, e os valores menores que a média devem ser alocados no lado esquerdo do diagrama. 4 A UTILIZAÇÃO DO VÍDEO Em relação à faixa etária, verifica-se, conforme o gráfico 1, que a maioria dos professores pesquisados, 32%, tem entre 31 e 40 anos de idade. 31% têm entre 41 e 50 anos, 17% entre 51 e 60 anos, 6% acima de 60 anos e apenas 14% dos professores pesquisados têm entre 20 e 30 anos de idade. 2 6% 6 17% 5 14% 11 32% 20 à 30 31 à 40 41 à 50 51 à 60 Acima de 60 11 31% Gráfico 1 - Faixa etária dos respondentes Fonte: dados da pesquisa Do total de professores respondentes, 60% são do sexo masculino e 40% do sexo feminino. No que diz respeito ao regime de trabalho na instituição, 20% se enquadram em doze horas semanais, 6% em vinte, 26% trabalham quarenta horas tempo integral e apenas 6% desempenham suas funções em quarenta horas dedicação exclusiva à instituição. O restante dos professores, 42%, não se classificam em nenhum dos regimes citados. O gráfico 2 demonstra a freqüência de utilização do vídeo em sala. 66% dos professores utilizam essa ferramenta de ensino em sala de aula, 34% não a utilizam. XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 70% 66% 60% 50% 40% 34% 30% 20% 10% 0% Sim Não Gráfico 2 - Uso do vídeo em sala de aula Fonte: dados da pesquisa No que diz respeito à freqüência de utilização do vídeo em sala de aula, o gráfico 4 indica que 6% dos respondentes acreditam não ser possível quantificar a freqüência com que o utilizam, 51% utilizam mais de uma vez por semestre, 17% apenas uma vez por semestre, 17% apresentam uma freqüência de utilização inferior a 1 vez por semestre e 9% dos respondentes nunca utilizam esta ferramenta em sala de aula. 3 2 9% 6% 6 17% menos de uma vez por semestre uma vez por semestre 6 17% mais de uma vez por semestre não é possível quantificar nunca utilizo 18 51% Gráfico 4 - Freqüência de utilização do vídeo em sala de aula Fonte: dados da pesquisa Quanto à visão sobre a utilização do vídeo como instrumento didático educativo, 3% acreditam ser o melhor recurso a ser utilizado em aula; 3% não o utilizam; outros 3% o avaliam como recurso dispensável em classe; 9% consideram este recurso como outro qualquer e, a maioria, 82% afirmam que o vídeo é importante apenas em algumas atividades. Em relação à forma com que o professor costuma utilizar essa mídia no processo de ensino e aprendizagem, o gráfico 5 demonstra que a maioria, 25%, o utiliza como programa motivador, 2% utilizam como vídeoprocesso, 8% como vídeo XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 interativo, 18% como vídeolição e 7% classificam-se como não adeptos do uso desta tecnologia em sala de aula. O programa monoconceitual e o vídeoapoio obtiveram igual porcentagem, 20% cada. Vídeoprocesso 2% Vídeo Interativo 8% Programa Monoconceitual 20% Programa Motivador 25% Videoapoio 20% Videolição 18% Não utilizo o vídeo em sala de aula. 7% 0% Gráfico 5 5% 10% 15% 20% 25% 30% Forma de utilização Fonte: dados da pesquisa Ferrés (1996) e Moran (1998) desenvolveram alguns conceitos que servem para situar o professor usuário da tecnologia do vídeo. Segundo esses autores, existem várias maneiras de utilização do meio em questão e, guardadas as pequenas diferenças entre o que concebem um e outro autor, podem ser definidas por uma tipologia específica, sendo mais semelhantes do que distintas. a) Videolição: segundo Ferrés (1996), nessa modalidade, o vídeo é utilizado como uma ferramenta de aula expositiva, na qual, a tecnologia substitui o professor. b) Videoapoio: o sentido reside na utilização de imagens veiculadas pelo vídeo para reforçar o discurso do professor ou dos alunos. Uma característica dessa modalidade é a utilização das imagens sem som. A esta forma de uso, Moran (1998c) denomina vídeo como ilustração. Para o autor, a utilização desse recurso auxilia o professor e o aluno, ilustrando o que se fala. c) Programa motivador: essa modalidade, de acordo com Ferres (1996), proporciona a motivação inicial sobre um tema ou assunto com fins objetivados. Em geral, trabalha-se com vídeos acabados. Moran (1998c) desenvolve um conceito semelhante, no qual o vídeo é utilizado como recurso de sensibilização, motivando, introduzindo e despertando a curiosidade para novos temas ou assuntos. d) Videoprocesso: também denominado vídeo como produção por Moran (1998c). Ambos os conceitos propõem que o aluno se sinta responsável pelo processo de produção, fazendo com que o vídeo se converta em um incentivo à criatividade, como ocorre com o pincel e o lápis (FERRÉS, XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 1996i). Essa modalidade abrangeria, segundo, Moran (1998c), o vídeo como documentação, intervenção ou ainda como expressão. Inclui-se no conceito de videoprocesso, a modalidade de vídeo como avaliação e, dentro desta, o vídeo espelho. e) Programa monoconceitual: a utilização do vídeo gira em torno de um tema específico, ou seja, uma forma intermediária entre o programa motivador e o videoapoio (FERRÉS, 1996). O conceito de Moran (1998c) que mais se aproxima desta modalidade é o denominado vídeo como conteúdo de ensino. f) Vídeo interativo: é o vídeo associado à outra mídia, como informática interativa, por exemplo. Esse conceito é semelhante ao que Moran (1998c) denomina vídeo como integração e suporte, cuja interação se daria com mídias de computador, videodisco, CD-ROM etc. Quanto à preferência pela utilização de recursos audiovisuais (em particular o vídeo), visando à dinamização do processo em sala de aula, 43% dos professores declararam que sempre utilizam este recurso em suas aulas, em contrapartida, apenas 14% afirmaram que não priorizam o uso desta ferramenta de ensino. 43% responderam que, às vezes, priorizam o uso do vídeo em sala. 83% deles, no entanto, admitiram que não priorizam esse método de ensino no planejamento de suas aulas. Com relação à percepção de melhora nos resultados devido à utilização do vídeo em sala, 86% responderam que tiveram melhores resultados, 14% mostraramse indiferentes e nenhum alegou que não ter obtido melhora com a utilização do vídeo em suas aulas. No que diz respeito à adequação do acervo às necessidades da sala de aula, 36% dos professores classificam o acervo como completo, mas acrescentam que precisa ser modernizado; 30% avaliam que o material não é adequado para aplicação em sala; 6% consideram que o acervo é completo, mas não atende a demanda da instituição; 12% afirmam que o acervo é moderno e constantemente atualizado; 15% não conhecem o acervo da universidade. A pesquisa demonstra que 17% dos respondentes já participaram de programas de treinamento para melhor aproveitamento do potencial do vídeo em classe, em contrapartida, 83% afirmaram nunca ter participado de programas desta natureza. Quanto às dificuldades encontradas na aplicação do vídeo em sala de aula, 26% dos professores afirmam que o material disponível na biblioteca não é atualizado, portanto, dispensável para o uso em classe; 21% declaram que o material necessário às aulas não é encontrado no acervo, 18% consideram que falta de qualidade dos vídeos fornecidos pela instituição acaba dispersando a classe, 7% afirmam que a falta de interesse é um grande problema que interfere no grau de atenção dos acadêmicos, 5% alega ter dificuldades para reservar os equipamentos necessários, 4% consideram a falta de tempo como principal problema e apenas 2% admitiram ter dificuldades para manusear os equipamentos fornecidos devido à complexidade tecnológica. Os 18% restantes mencionam outras dificuldades. Quanto às tecnologias utilizadas para a transmissão do vídeo, 10% dos respondentes afirmam que os equipamentos não são suficientes para atender à demanda. No entanto, todos os respondentes precisam reservar com dias de antecedência a utilização dos equipamentos. Este fato é interessante de se observar pois a maioria dos professores no planejamento afirmam não planejar as atividades XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 com vídeo, desta forma, devem ocorrer problemas para o agendamento dos vídeos ao longo do semestre dificultando o seu uso. Os equipamentos necessários não são suficientes para atender a demanda da instituição 10% Necessita agendamento bastante antecipado, de preferência no início do semestre letivo 13% É necessário agendamento, porém com apenas algumas semanas de antecedência 10% O agendamento é feito alguns dias antes da apresentação 41% Não é necessário agendamento pois os equipamentos estão sempre disponíveis em sala de aula 0% Gráfico 6 26% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% Tecnologia utilizada para transmissão do vídeo Fonte: dados da pesquisa O incentivo à produção de audiovisual pelos próprios acadêmicos é praticada por apenas 17% dos professores pesquisados, ao passo que, os 83% restantes não utilizam essa técnica de ensino. A utilização dos vídeos disponíveis na internet destacou-se: 40% dos professores pesquisados utilizam vídeos disponíveis em sites como Youtube etc. Para conhecer o entendimento dos professores sobre o uso dos vídeos como recurso didático-educativo, aplicou-se uma questão aberta em que os respondentes deveriam escrever cinco palavras que lhes viessem à mente, as quais representassem o valor do vídeo para o processo de ensino e aprendizagem. Conforme o quadro 1, as palavras que apareceram com maior freqüência e foram mais rapidamente expressadas no teste de evocação foram: comunicação, dinâmica, interação, inovação e complemento. comunicação dinâmica interação inovação complemento criatividade ilustração equipamento prática renovação diversão interesse visualização ausência motivação Quadro 1 - Teste de evocação de palavras Fonte: dados da pesquisa XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 Nesse teste, verifica-se que o vídeo ainda é bastante citado como um complemento do tema estudado, como um recurso que comunica o conteúdo de forma dinâmica e permite a interação entre alunos e professores porque viabiliza o aprendizado por meio de sons e imagens. O vídeo foi citado como inovação porque representa uma mudança na maneira de construir o conhecimento, abandonando o contexto metódico e impessoal da mera transmissão. Por outro lado, as evocações de maior freqüência e mais tardiamente realizadas foram criatividade e ilustração. Assim, ainda que não tão prontamente expresso pelos professores, o recurso audiovisual acrescenta criatividade ao ensino porque modifica a maneira de lecionar e torna a aula mais atrativa. O vídeo também é lembrado como uma ilustração do conhecimento, visto que utiliza imagens e sons para transmitir o conteúdo da disciplina, além de trazer exemplos reais e cotidianos, os quais facilitam a assimilação de conteúdo. Como evocações de menor freqüência e mais prontamente realizadas tem-se equipamento e prática. Isso indica que os equipamentos disponibilizados pela instituição não são tão lembrados pelos professores, sugerindo a necessidade de investimentos nesta área devido à defasagem de tais aparelhos em algumas salas de aula da universidade. Os professores pesquisados não associam o vídeo a uma visão prática do conteúdo, neste aspecto, os professores valorizam mais os trabalhos práticos e visitas a empresas. As evocações de menor freqüência e mais tardiamente realizadas foram renovação, diversão, interesse, visualização, ausência e motivação. Os professores parecem não compreender a verdadeira intenção do vídeo como renovação da maneira de lecionar, talvez, isso se deva à resistência a mudanças e ao comodismo do profissional. Possivelmente, o entendimento do vídeo como um facilitador do conhecimento através da ilustração das teorias ainda não é considerado relevante pelos respondentes por estes considerarem as didáticas atuais mais eficazes. A ausência de alunos durante a projeção do vídeo pode estar relacionada à qualidade do material apresentado. A questão da motivação também é considerada problemática para os professores, já que parte dos alunos não demonstra interesse em participar de uma aula com exposição de vídeo. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Acreditando em um melhor aproveitamento das tecnologias disponibilizadas pela instituição aos professores e acadêmicos, esta pesquisa objetivou analisar a utilização do vídeo como instrumento de didático-educativo no processo de ensino e aprendizagem do curso de graduação em Administração da Universidade Regional de Blumenau (FURB). Inferiu-se que a maioria dos professores pesquisados utiliza o vídeo em sala de aula, apenas 14% não o utilizam. Isso revela um significativo interesse pelo uso dessa tecnologia por parte desses profissionais. Os dados demonstraram ainda que 17% dos professores pesquisados dão prioridade ao vídeo em suas disciplinas, o que indica um baixo comprometimento com a utilização desse recurso ou o desconhecimento das vantagens didático pedagógicas do uso dessa ferramenta em sala de aula. Verificou-se também que a maioria dos profissionais entrevistados utiliza vídeos disponibilizados pela internet como recurso educacional em suas disciplinas, XIX ENANGRAD Curitiba, PR, 01 a 03 de outubro de 2008 demonstrando que a maior parte dos professores da instituição consegue absorver novas tecnologias e transpô-las para suas aulas. Ao analisar as estratégias de ensino empregadas no uso destes recursos, costatou-se que a maioria dos professores utiliza o vídeo mais do que uma vez por semestre, o que indica um bom nível de amadurecimento em relação a aceitação desse instrumento didático e sugere que, cada vez mais, o professor compreende a eficiência desta ferramenta na construção de saberes. Quanto à forma de utilização do vídeo, o programa motivador mostrou-se a opção mais utilizada pelos professores da instituição, evidenciando que o uso do vídeo não se limita a aulas expositivas, ao contrário, tem sido utilizado como ferramenta de motivação, para despertar o interesse sobre determinado tema ou assunto e, ainda, para fomentar debates em sala de aula. A maioria dos professores, 83%, não incentiva a produção de audiovisual pelos próprios acadêmicos, o que indica falta de oportunidade ou, talvez, resistência dos professores à inovação dos métodos de ensino. REFERENCIAS DAVEL,E.; VERGARA, S.C.; GHADIRI,D.P.(org.). Administração com arte: experiências vividas de ensino-aprendizagem. São Paulo: Atlas, 2007. FERRÉS, Joan. Vídeo e educação. 2. Ed. Porto Alegre: Artes Médicas. 1996. ____Pedagogia dos meios audiovisuais e pedagogia com os meios audiovisuais. (in) SANCHO, Juana M. Para uma tecnologia educacional. Porto Alegre. Artmed. 1998. LIMA, Artemilson Alves de. 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