UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES-UCAM DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” EM SUPERVISÃO ESCOLAR ORIENTANDO A MUDANÇA E O AUTO-CONHECIMENTO DO EDUCADOR ANA LÚCIA MACHADO DOS SANTOS PROFESSOR ORIENTADOR: NILSON GUEDES FREITAS RIO DE JANEIRO / RJ FEVEREIRO /2003 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES-UCAM DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” EM SUPERVISÃO ESCOLAR ORIENTANDO A MUDANÇA E O AUTO-CONHECIMENTO DO EDUCADOR Monografia apresentada para Universidade Candido Mendes por ANA LÚCIA MACHADO DOS SANTOS, obtenção do como título requisito de parcial Especialista à em Supervisão Escolar. Professor Orientador: Nilson Guedes Freitas RIO DE JANEIRO / RJ FEVEREIRO / 2003 DEDICATÓRIA Aos meus irmãos, Luís e Henrique, por serem pessoas brilhantes em minha vida. As minhas companheiras de viagem semanal, pelo vínculo desenvolvido. AGRADECIMENTOS A Deus, que me deu a vida e a força para chegar até aqui. Aos meus pais, Aramis e Rosa, a quem devo tudo que sou e que tenho. EPÍGRAFE Pensamos em demasia sentimos bem pouco, mais do que máquinas precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Charles Chaplin RESUMO Esta monografia procura identificar a busca de cada educador para reconstrução de um planejamento voltado para a prática pedagógica através de objetivos e critérios que visem apontar as reais situações de aprendizagem. Aponta as mudanças que ocorrem a nível tecnológico e a importância da democratização do saber. Mostra que escola, professores e alunos devem procurar entender a multiplicidade de conteúdos e multidimensionalidade do ser humano de forma integral. Aponta algumas divergências na sala de aula, que considera um confronto entre o proposto e o vivido, questiona a forma de ensino e sua adequação as várias aprendizagens que o sujeito aluno traz em sua bagagem. Comenta a importância de se repensar na prática pedagógica e na mediação, enfocando que o importante é considerar a diversidade de alunos em função de seus históricos sociais e sua relação com o todo, que influencia na forma de aprender. A metodologia está baseada em pesquisa bibliográfica, e vivências em sala de aula. PALAVRAS CHAVE: Educação, Pedagogia, Aprendizagem. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 07 1- PRÁTICA PEDAGÓGICA E DIDÁTICA 10 2- O EDUCADOR NA SALA DE AULA - CONFRONTO ENTRE O PROPOSTO E O VIVIDO 16 3- UM POSSÍVEL REENCONTRO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO 20 4- DEMOCRATIZANDO O SABER 23 CONCLUSÃO 26 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 28 BIBLIOGRAFIA CITADA 30 ÍNDICE 31 ANEXOS 32 INTRODUÇÃO Toda pessoa tem o direito de receber da sociedade a iniciação às tradições culturais e morais, podendo afirmar que o indivíduo não poderia adquirir suas estruturas mentais mais essenciais sem uma estimulação exterior, onde o fator social ou educativo constitui um vasto potencial de possibilidades de desenvolvimento. O mundo está em constante mudança e elas se processam rapidamente. É preciso que se reconstrua uma proposta didática mais condizente com o contexto atual, com a realidade da escola e com o interesse dos alunos. Analisar a prática pedagógica no seu dia-a-dia e buscar nessa prática as evidências, como por exemplo, os indícios de avanço, de novo, necessário à construção de um comprometimento com a formação do professor é dever essencial do educador. Essa reconstrução deve ser feita em uma dimensão inovadora orientada por objetivos, finalidades e conhecimentos revestidos à prática social. Esta pesquisa tende a mostrar que não basta proporcionar o educacional - acesso meios à educação tecnológicos), (eficiência é preciso democratizar o saber, tomando por base que Ciência e produção, ética e tecnologia, conhecimento e linguagem, cultura e cidadania, são ângulos de uma mesma realidade que transforma e é transformada. Veremos ao longo do trabalho que VEIGA (1987), nos fala com muita propriedade sobre o papel do professor: O trabalho pedagógico não está centrado no professor ou no aluno, mas na questão central da formação do homem. O professor é valorizado no seu papel de autoridade que orienta e favorece o processo de ensinar e de aprender. É pela presença do professor que se torna possível uma “ruptura” entre a experiência pouco elaborada e dispersa dos alunos em direção aos conteúdos culturais universais permanentemente reavaliados face às realidades sociais. (p. 67) Os paradigmas do processo pedagógico são: o foco da contribuição substancial e a força da escola, o conhecimento. Desta forma, o professor deve ser um verdadeiro agente histórico-transformador. Não basta uma mudança de perspectiva epistemológica, é necessário incorporar, dialeticamente a perspectiva da contextualização social do saber. Precisamos compreender que a prática didática, não está dissociada do trabalho pedagógico. O processo educativo deve formar nos alunos a capacidade de utilização crítica dos conteúdos aprendidos, a partir do estabelecimento de relações entre estes conteúdos e a sua vivência cotidiana. Partimos do pressuposto de que a construção do conhecimento envolve formulações de hipóteses, resultantes da interação dos alunos com os objetos de conhecimento. Reforçamos essa tese, lembrando que FREIRE, sempre enfatizou a importância de fazer com que o aluno pense corretamente. ...A importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade de vir a tornar-se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e idéias inertes do que um desafiador. (FREIRE, 1996, p.29). Acreditamos que a prática pedagógica requer uma reflexão centrada nas discussões metodológicas, desvinculada dos conteúdos conceituais a serem ensinados. Faz-se necessário, professores melhor capacitados, conscientes de seu papel enquanto educadores e convencidos de que trabalhar o contexto real de sala de aula, é imprescindível tanto do ponto de vista do processo de construção dos conhecimentos, quanto da própria preparação do futuro cidadão. O Capítulo inicial versará sobre PRÁTICA PEDAGÓGICA E DIDÁTICA, onde falaremos sobre a importância da interação e também da visão que o educador deve estabelecer entre os fatos e a vida além da busca da leitura de mundo. O EDUCADOR NA SALA DE AULA - UM CONFRONTO ENTRE O PROPOSTO E O VIVIDO, é o tema do Capítulo 2, e pretende mostrar que a sala de aula deve ser um ambiente amplo de aprendizagem e auto-conhecimento. O Capítulo 3 recebeu o título de UM POSSÍVEL REENCONTRO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO e tem por base ressaltar a importância do estabelecimento de vínculos entre professor-família e aluno, visando uma relação de confiança, onde o conhecimento do meio social e pessoal do aluno reflete positivamente no processo de aprendizagem. Fechando esta pesquisa, DEMOCRATIZANDO O SABER título do Capítulo 4, onde falaremos da construção de uma proposta educativa mediativa e da importância da escola democrática. 1- PRÁTICA PEDAGÓGICA E DIDÁTICA Este capítulo aborda a importância da interação no processo ensino-aprendizagem. Foi baseado na observação da postura de professores em escolas da rede particular de ensino. Apresenta possíveis caminhos a serem tomados pelos educadores para o desenvolvimento do ser humano como ser aprendiz. 1.1- Visão de Educador Deve o educador estabelecer vínculos entre os fatos e a vida, e também entre os próprios alunos, com práticas dinâmicas que os coloquem juntos, num processo de interação. O educador não pode ter uma visão fragmentada, vendo-se como um ser limitado e isolado, precisa viver sua dimensão plena, sendo necessário uma visão ecumênica. As mudanças que se fazem necessárias dizem respeito aos modelos que devemos buscar para a prática escolar e ao nosso papel como educadores. A mudança deve ocorrer na essência ou na raiz, na postura do educador em encarar a prática pedagógica. Torna-se necessária a busca do desenvolvimento de conteúdos segundo uma metodologia diferenciada do modelo tradicional, visando oportunizar ao aluno a formulação de hipóteses sobre o assunto que está estudando. Como educadores, “lemos o mundo” especialmente através dos livros e de diversos materiais como revistas, participamos de seminários, congressos e em contrapartida os nossos alunos utilizam outros meios tecnológicos como vídeo, computador para a aprendizagem em relação ao contexto que o cerca. Precisamos colocar em prática o efetivo uso de materiais instrumentos de tecnologia instrucionais educacional, me os mais usando sofisticados efetivamente as ferramentas de qualidade em atividades educacionais. Tais ferramentas educacionais devem ser empregadas em sala de aula sendo um material poderoso para estimular o desenvolvimento de habilidades do 1 pensamento superior. O chamado “canal tecnológico” * , de aprendizagem mudou muito. O educador deve propiciar ao aluno um aprendizado com entusiasmo e alegria, canalizando positivamente as suas energias no sentido da aprendizagem significativa. Cabe ao educador atuar como mediador, otimizando os componentes tecnológicos e assim: planejar, executar, controlar e avaliar o processo de ensino e o processo de aprendizagem. 1.2- Reflexões Se continuarmos a fazer o que sempre fizemos, continuaremos a obter os resultados que sempre obtivemos. É preciso promover mudanças (paradigmáticas, gerenciais e pedagógicas) amplas e coerentes com a realidade da sala de aula. 1- Canal Tecnológico – Termo usado por Tony Schwartz no início do século XIX, uma crítica a sobrecarga de informações, artigo publicado na revista diga lá/SENAC, Ed. Senac Nacional, ano 5, abril/2000. A sala de aula, deve e pode ser encarada, por nós educadores, como um amplo laboratório da aprendizagem e o potente ambiente de construção. Precisamos otimizando de os uma transformação componentes sistêmica, educacionais, proporcionando ao aluno a possibilidade de se tornar sujeito-construtor de sua própria aprendizagem. A aprendizagem assim, proporciona ao aluno a oportunidade de sucesso educacional dentro de uma visão humanista, onde mesmo com as diferenças individuais e os ritmos de aprendizagem diferenciados os alunos aprendem, evoluem e conseguem atingir os mais diferentes objetivos. SAVIANI, (1984, p.276), humanista: caracteriza a concepção Se baseia numa visão de homem centrada na existência, na vida, na atividade. Se na visão tradicional, a educação centrava-se no adulto (no educador) , no intelecto, no conhecimento, na visão moderna o eixo do processo educativo se desloca para a criança ( o educando) , a vida, a atividade. Portanto, não se trata mais de obedecer a esquemas predefinidos, seguindo uma ordem lógica, mas de seguir o ritmo vital que é determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos, predominando, pois, o aspecto psicológico sobre o lógico. 1.3- Diversificando As novas tecnologias de ensino devem proporcionar ao aluno um ensino mais personalizado, respeitando o seu ritmo de aprender e interagindo com os programas educacionais. As atividades educativas propostas pelo educador devem visar o desenvolvimento de habilidades de modo geral, através do enriquecimento das situações de aprendizagem oferecidas. As tecnologias educacionais, quando bem utilizadas, permitem ao educador lidar com a diversidade dos alunos. O uso da tecnologia deve permitir o desempenho de outros papéis educacionais com algumas facilidades. A proposta pedagógica apresentada aponta na direção de uma sociedade em que esteja superado o problema de divisão do saber. Entretanto, ela foi pensada para ser implementada nas condições da sociedade brasileira atual onde predomina a divisão do saber. Entendo, pois, que um maior detalhamento dessa proposta implicaria a verificação de como ela se aplica (ou não se aplicaria) às diferentes modalidades de trabalho pedagógico em que se reparte a educação nas condições brasileiras. (SAVIANI, 1983, p. 83) Aos poucos, educadores abandonam o trabalho antes isolado da sala de aula, passando a fomentar a análise o acompanhamento e a própria avaliação em si do trabalho educativo, em toda sua abrangência. Precisamos proporcionar aos alunos o alcance entre os fenômenos reais e as atividades desenvolvidas em sala de aula, fazendo do aluno o centro do processo educacional. Torna-se preciso conhecer melhor o ser humano e fazer dele o objeto do trabalho, visto que a aprendizagem deve começar pelos acontecimentos em que os alunos estão envolvidos e cujo significado procuram construir. 1.4- Planejando O professor deve desenvolver seu planejamento de aula de maneira criativa, dando vida quando da sua execução, e desta forma operacionalizar a dinâmica de ensino-aprendizagem. Para o êxito da aprendizagem, não podemos esquecer do planejamento didático. O educador deve elaborar um planejamento, pensando no futuro. É através do ato de planejar e re-planejar que conseguimos um resultado cada vez mais apropriado para enfrentar a problemática da realidade educacional. A importância do planejamento, segundo TURRA (1975, p.14): A educação é hoje concebida como fator de mudança, renovação e progresso. Por tais circunstâncias o planejamento se impõe, neste setor, como recurso de organização. É o fundamento de toda ação educacional. Muitos educadores, de fato mais não de direito, manifestam opinião negativa quanto ao ato de planejar. Verbalizam que é um trabalho inútil e burocrata. Mas, como profissionais, os educadores dão valor ao planejamento e fazem dele valioso instrumento para o bom desempenho da aula. A questão do planejamento não pode ser compreendida de maneira desvinculada da especificidade da escola, da competência técnica e do compromisso público do educador e ainda das relações entre escola, educação e sociedade. O planejamento não é neutro. O processo de planejamento não pode ser encarado como uma técnica desvinculada da competência e do compromisso político com o educador. O bom plano é aquele que conta com o respaldo da competência do sujeito que o desenvolve. O bom plano é aquele que se amolda dialeticamente ao real, transformando-o . (FUSARI, 1984, p. 8) Não se pode continuar ensinando apenas aquilo que o educador sabe ou domina. Faz-se necessário recuperar uma forma de planejamento a partir do estabelecimento entre a prática do educador e o fundamento teórico necessário ao aluno. 2- O EDUCADOR NA SALA DE AULA CONFRONTO ENTRE O PROPOSTO E O VIVIDO Este capítulo nasceu do propósito de mostrar que a sala de aula deve ser um espaço mais amplo, onde o auto-conhecimento do educador reflita no educando o resgate do vínculo existente entre a sala de aula e o “mundo exterior”. Traz a importante lição de um relacionamento fundamentado na parceria educando-educador, visando a conquista do saber. 2.1- O Trabalho Através das observações realizadas podemos constatar que se torna urgente repensar algumas questões relacionadas à organização estrutural e funcionamento do sistema escolar. Devemos pensar que educar é transformar o saber através de uma concepção construtivista da aprendizagem. Na maioria das vezes, o aluno somente aprende quando se torna capaz de elaborar uma representação pessoal sobre um objeto da realidade ou mesmo um conteúdo de seu programa escolar. Segundo GARCIA, (1975, p.128) sobre a relação dialética da teoria–prática: É uma relação progressiva que implica em evolução desde o momento em que a teoria influi sobre a prática, modificando-a e na medida em que a prática fornece subsídios para teorizações que podem transformar uma dada situação. A escola apresenta uma organização formal e uma organização informal. O conhecimento e a observação da organização formal possibilita ao educador a análise da organização informal, pois nessa estão envolvidos os relacionamentos “não visíveis” de uma escola. A organização formal é constituída de elementos sujeitos à influência da administração e intencionalmente organizada de forma a conduzir à consecução dos objetivos escolares, podendo ser dividida em áreas, como: Programação, Recursos materiais, Pessoal Escolar e Corpo Discente. A Programação de uma escola consiste na previsão das atividades a serem realizadas e das inter-relações a serem mantidas alcançados. para Portanto, que a os objetivos programação é possam ser função dos objetivos. Fazem parte da programação o mecanismo administrativo, o plano didático e os planos de trabalho. Torna-se imprescindível um planejamento escolar flexível, onde a sala de aula seja um ambiente de investigação pedagógica constante, mas também de produção de saberes. Novos caminhos para o planejamento devem surgir aflorando o desenvolvimento de competências. Neste momento os objetivos precisam ser flexibilizados durante o processo de ensino-aprendizagem. 2.2- Interferências Afetivas Quando o professor busca a formação continuada e o autoconhecimento ele tende a adquirir uma maior sensibilidade pedagógica. Educar permite, então, que se entre em contato com o que está fora e com o que está dentro do ser. A questão do presente é: Como se está educando? A educação deveria estar pautada nos pilares da criatividade, equilíbrio, harmonia e serenidade, consciência e espontaneidade. A educação deve, ser encarada como um todo, permitindo que o desenvolvimento intelectual e emocional caminhem juntos, em equilíbrio. Quando o educando aprender a relacionar-se com si mesmo, chega o momento de partir para a descoberta do mundo exterior. Surge assim, o momento em que o professor deve demonstrar que aprender é bom, prazeroso e possível, mas que errar falhar também faz parte natural do processo de aprender. Deve criar situações em que participar, integrar, dividir, frustrar-se, seja natural a todos os educandos respeitando a individualidade. Analisar propostas metodológicas, considerando pressupostos teóricos que a fundamentam, forma de operacionalização, tratamento dado a cada elemento do processo de ensino, tipo de relação professor-aluno, questão da neutralidade, ou seja, a inserção da proposta na teoria e prática que a circunstancializa. (VEIGA, p. 119) Nasce a importância crucial da construção de vínculos entre o aluno e professor como base para processo de ensino-aprendizagem. A figura do educador, tem uma significação especial contribuindo positivamente para a formação do auto-conceito do educando. Podemos dizer que a interação professor-aluno se desenvolve envolta por numerosos aspectos cognitivos e afetivos, técnicos e éticos, econômicos e culturais, sociais e políticos, que devem primar pelos mesmos objetivos educacionais. Em geral, a relação professor-aluno se desenvolve com significação afetiva mais ou menos intensa e arraigada, ainda que seja quase sempre hierarquicamente dissimétrica do ponto de vista da afetividade, da autonomia, do poder, das obrigações e das responsabilidades de cada um dos agentes. 3- UM POSSÍVEL REENCONTRO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO Falaremos da importância da influência familiar na aprendizagem dos educandos, enfatizando que família e escola deveriam participar de um propósito comum: estabelecer melhores condições para o desenvolvimento dos educandos. Falaremos da carência afetiva, fruto de situações onde os pais são ausentes, e como a escola pode interferir nesse quadro. 3.1- Família e Escola Para o desenvolvimento integral dos educandos, faz-se necessário a existência do conhecimento mútuo, visando a formação de vínculos e o estabelecimento de parcerias como condição necessária para que o potencial de desenvolvimento de cada um dos envolvidos se faça dentro de um processo pleno. Torna-se preciso a participação dos pais, que são o público alvo, isto é, precisam estar a par das novas propostas educacionais da escola onde seus filhos estudam, para que possam colaborar no processo educativo. Neste momento de reencontro devemos contribuir, de maneira proveitosa para o estabelecimento de canais fluidos de comunicação entre a família e a escola. Essas relações devem ser conduzidas pela confiança e pelo respeito mútuos e articulam-se em torno de algumas metas ou objetivos concernentes a ambos os sistemas. São relações nas quais se buscam os aspectos positivos que possuem todos os interlocutores. Paralelamente, os pais respeitam a tarefa educacional da escola, criando-se deste modo um contexto de relação cômodo para todos. A qualidade da educação na escola vai depender da colhida que esta (escola) oferecer não somente aos alunos, mas à família em seu conjunto, assim como dos esforços destinados a manter e a cuidar dessa relação. Assim, há uma variedade de intervenções que estão vinculadas à cultura da escola em relação às famílias. Os conteúdos desta relação família-escola traduzem-se em: caráter sistêmico, mutante e interativo da família; a singularidade da função educacional da família e sua complementaridade com a da escola; o benefício das relações fluidas entre o regente e os familiares e, simultaneamente, a necessidade de estabelecer limites entre ambos os sistemas, evitando as intromissões indesejadas. Outras intervenções dirigidas a levar as famílias a conhecer a escola são: reuniões gerais de início de ano, comunicações escritas-memorandos, personalizadas ou gerais, apresentação de projetos nos quais a escola está envolvida. Todas estas intervenções têm como fim prioritário melhorar a comunicação entre a família e a instituição educacional e fomentar entre elas relações positivas. A transformação social do aluno deve corresponder a uma transformação dos fatores de influência exteriores, e estas devem realmente alcançar o ser aluno em sua disposição interna adequada. É preciso que se construa nesse aluno a Noção do "Eu", que representa a imagem que a pessoa tem de si mesma, reforçada pela experiência, composta de percepções, valores, sentimentos e emoções vividas, além de sua interação com as outras pessoas e com o meio ambiente - sala de aula. Deve o professor propor atividades que auxiliem o aluno no seu desenvolvimento como ser, de acordo com sua predisposição autorealizadora. Partindo da utilização de conceitos como da Noção do “Eu”, as ferramentas educacionais são construídas visando a mudança de atitude, que tornará o aluno mais confiante em suas escolhas, nos conhecimentos que possui, passando a viver como pessoa mais individualizada, com maior criatividade, maior receptividade e com mais responsabilidade. Assim, ele poderá se tornar o agente de seu desenvolvimento e protagonista, em seu contexto social, partindo da escola para a família e a comunidade. 4- DEMOCRATIZANDO O SABER O grande desafio é a construção de uma proposta educativa que seja plástica, flexível, integradora e criativa no uso e na disposição de distintas linguagens. Mediação é a forma educativa específica de um ser humano interagir com o outro. É o resultado de uma ação intencional. Desse modo, o mediador é a peça chave da filosofia da Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva, e, assim sendo, o aluno realiza o seu autodesenvolvimento ajudado pelo mediador. É o mediador a peçachave da democratização do saber. Quando o mediador é o professor, ele põe em prática estratégias de mediação na apresentação das tarefas, na explicação dos termos e dos conceitos, na preparação do trabalho independente, na exploração dos processos e estratégias, na orientação espacial e direcional, na produção do raciocínio reflexivo e interiorizado, na produção de motivações por meio de reforços e na persuasão das interações dos elementos do grupo. Ao conceber uma escola democrática, um ensino democrático, não podemos partir, apenas do critério de uma eficaz partilha de objetivos entre os elementos de uma sociedade, mas também a partir da variedade e do dinamismo da sua comunicação. É o mediador atuando em mais esse processo. Nesse momento nosso pensamento deve ser voltado para a educação democrática que não dever ser falaciosamente orientada para a consumação de um objetivo fixo, mas orientada para a criação de condições que assegurem o próprio processo de educação/crescimento. Usando essa concepção pedagógica que serve como base estrutural para a apreensão do novo conhecimento, procura-se desenvolver a reflexão crítica num processo gradativo e crescente de compreensão de si mesmo e do mundo. Dessa maneira, o conhecimento prévio do aluno sobre um determinado tema em discussão é construído a partir daquilo que ele pensa que sabe, de seus valores, e enriquecido ou mudado com a compreensão dos demais elementos educacionais. Tornase preciso então criar um clima de liberdade psicológica de vontade e escolha que comprometa e faça emergir a motivação para a aprendizagem, favorecendo o sentimento de confiança na relação profissional entre aluno e professor. O processo educativo deve ser permeado com situações lúdicas e de incentivo à criatividade que favoreçam a manifestação do "espaço potencial criativo" de cada aluno, desenvolvendo a auto-estima. O educador precisa se tornar o facilitador do grupo de educandos, respeitando suas características e canalizando a atenção e motivação de cada um direcionando a aprendizagem. Deve o facilitador se utilizar das tarefas propostas em sala de aula como referência inicial em apoio ao desenvolvimento do tema que vai abordar. Ao facilitar esse processo tende a mostrar de maneira clara, as ligações entre o novo conteúdo, o conhecimento prévio e a experiência cotidiana dos alunos sobre o assunto em pauta. Todo conteúdo programático abordado deve ser incentivado por discussões, para que o relato inicial traga idéias para serem desenvolvidas e enriquecidas, não se restringindo ao campo descritivo. Deve o facilitador salientar as idéias criativas, a boa execução da tarefa, a organização, valorizando os menores pontos produtivos, utilizando-os como "ganchos" para repassar as informações que são necessárias à apreensão do novo conhecimento. Procurar sempre esclarecer as dúvidas, desfazendo os equívocos e idéias distorcidas sobre o assunto em pauta, sem salientá-los como erros. Deve ainda receber todas as idéias como válidas e passíveis de constituir pontos de reflexão sobre o tema em discussão, levando a classe a pensar criticamente, a analisar o contexto em que se desenvolve a discussão e a decidir sobre a pertinência das idéias trazidas. A linguagem do educador-facilitador deve ser entendida por todos os alunos pela simplicidade dos termos utilizados, adequados ao nível de entendimento da classe. Essa postura favorecerá a "aprendizagem significativa" que, no pensar de Carl Rogers, é aquela que usa os contextos vivenciais, fazendo com que o aluno encontre soluções diferenciadas e criativas para os impasses que o cotidiano diário em sala de aula e no campo social lhe trouxer. Tendo a motivação como implícita no ser humano, sendo o combustível central da aprendizagem significativa, aquela que se repete em todos os contextos vivenciais do aluno, facilitando mudanças de atitudes e comportamentos, para que ela apareça e permaneça, é necessário que o processo educativo seja encaminhado facilitando e promovendo o interesse pelo conteúdo que será abordado. CONCLUSÃO O caminho apontado para o professor assumir o seu lugar como mediador é a formação continuada, entendida como ações tanto na direção de busca de conhecimento formal como, principalmente, de tomada de consciência de seu próprio fazer pedagógico. Precisamos nos auto-educar. Questionar nossos objetivos e metas. Perante este cenário de mudanças, de falta de opções claras e de contradições a diversos níveis, urge mobilizar vontades para encontrar saídas. Como por exemplo, a avaliação do estado atual de capacitação profissional do educador, um repensar das habilidades necessárias para tornar o processo ensino/aprendizagem cada vez mais efetiva. Vários aspectos podem ser abordados visando a busca de uma performance profissional com excelência, onde a idéia central aponta a necessidade de se entender melhor como se dá a aprendizagem, suas etapas e como o cérebro armazena e resgata as informações solicitadas, quando necessário. É preciso que se reconheça as habilidades profissionais já existentes que possibilitem a criação de ambiente favorável à transmissão de conhecimentos e como potencializar essas habilidades. De igual importância é ter habilidade para resolver situações comuns no cotidiano professor/aluno, na dinâmica de sala de aula, com uma melhora no padrão da comunicação verbal e não verbal. O facilitador deve então induzir estados adequados à aprendizagem através de uma linguagem objetiva, levando os alunos a aprenderem e a atingir os objetivos educacionais propostos. O aprimoramento do educador enquanto indivíduo faz com que ele se conheça melhor. Nesta busca da essência pessoal há um crescimento imenso, gerando um ser mais sábio e seguro, em constante processo evolutivo, que refletirá no aluno positivamente. Sabemos que existem ainda muitos obstáculos a serem vencidos na busca da formação profissional, e do auto-conhecimento do educador. Numa época em que se assiste à ruptura e desconstrução dos antigos valores e à emergência de novos valores, incentivar o debate profundo, alargado a toda a sociedade, e sem preconceitos, parece ser uma prioridade. Não menos o será encontrar novos ideais que perfilem a construção de amanhãs que se desejam mais justos e humanos. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ALVES, Nilda. O Espaço Escolar e suas Marcas. Rio de Janeiro: DP&A, 1998. BRANDÃO, Carlos R. A turma de Trás. In MORAIS, Régis- Sala de aula : que espaço é esse? Campinas: Papirus, 1986. CANDAU, Vera M. A Didática e a Formação de professores - da exaltação à negação: a busca da relevância. Rio de Janeiro:PUC/RJ, 1982. FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. São Paulo: Paz e Terra, 1979. FREITAS, Nilson Guedes de. Pedagogia do Amor: Caminho da Libertação na Relação Professor-Aluno. Rio de Janeiro: WAK, 2000. FUSARI, José Cerchi. O Planejamento educacional e a prática dos educadores. São Paulo: Ande, 1984. GARCIA, Walter G. Educação: visão teórica e prática pedagógica. São Paulo: MacGraw-Hill do Brasil , 1975. GATTI, B.A. Atuação do Psicopedagogo numa abordagem institucional. São Paulo: Cadernos PUC (08):41-47, dez 1980. PIAGET, J. 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ÍNDICE DEDICATÓRIA II AGRADECIMENTOS III EPÍGRAFE IV SUMÁRIO IV RESUMO VI INTRODUÇÃO 07 1- PRÁTICA PEDAGÓGICA E DIDÁTICA 10 1.1- Visão de Educador 10 1.2- Reflexões 11 1.3- Diversificando 12 1.4- Planejando 13 2- O EDUCADOR NA SALA DE AULA - CONFRONTO ENTRE O PROPOSTO E O VIVIDO 16 2.1- O Trabalho 16 2.2- Interferências Afetivas 18 3- UM POSSÍVEL REENCONTRO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO 20 3.1- Família e Escola 20 4- DEMOCRATIZANDO O SABER 23 5- CONCLUSÃO 26 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 28 BIBLIOGRAFIA CITADA 30 ANEXOS 32