Rayany Márcia Alves Vieira AVALIAÇÃO DO PERFIL LIPÍDICO DE ADOLESCENTES ESCOLARES COM NÍVEIS SOCIOECONÔMICOS DIFERENTES NO MUNICÍPIO DE PARACATU, MG Monografia apresentada ao Curso de Biomedicina da Faculdade TECSOMA, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Biomedicina. Orientador Temático: MSc. Márden Estêvão Mattos Júnior Orientadora Temático do projeto: Msc. Cláudia Peres da Silva Orientador Metodológico: Geraldo B. B. Oliveira Coorientadoras: Mara Cristina Aranha Fernandes e Maraíza Cristina da Silva Msc Cláudia Peres da Silva Paracatu 2012 Rayany Márcia Alves Vieira AVALIAÇÃO DO PERFIL LIPÍDICO DE ADOLESCENTES ESCOLARES COM NÍVEIS SOCIOECONÔMICOS DIFERENTES NO MUNICÍPIO DE PARACATU, MG Monografia apresentada ao Curso de Biomedicina da Faculdade TECSOMA, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Biomedicina. _______________________________________________ MSc. Márden Estêvão Mattos Júnior (Orientador) – Faculdade TECSOMA _______________________________________________ MSc. Cláudia Peres da Silva (Orientadora, professora e Coordenadora do curso) – Faculdade TECSOMA _______________________________________________ Geraldo B. B. Oliveira (Orientador Metodológico) – Faculdade TECSOMA _______________________________________________ MSc. Cláudia Peres da Silva (Orientadora, professora e Coordenadora do curso) –) – Faculdade TECSOMA Paracatu, 16 de Junho de 2012 Dedico este trabalho ao meu DEUS Santo e Verdadeiro que me deu a oportunidade de sonhar e realizar este sonho, a minha família pelo imenso amor e incentivo e ao meu namorado Fernando Henrique por compartilhar e vencer os obstáculos da vida comigo. . AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente ao meu Deus vivo e verdadeiro por abençoar e guiar cada etapa deste projeto, a benção do Senhor Jesus impulsionou-me a conquistar esta vitória com ajuda de pessoas muito especiais. Agradeço aos meus pais José e Zildete e aos meus irmãos Janielton, Jânisson, Gerielton e José F. Filho por apoiar e condicionar a realização deste projeto. Agradeço ao meu namorado Fernando Henrique por me acompanhar e ajudar no desenvolvimento de cada etapa deste sonho. Agradeço ao meu orientador Márden Mattos pela orientação e conhecimento transmitidos ao longo deste trabalho. Agradeço as minhas coorientados Mara Cristina e Maraiza Cristina pela abençoada ajuda e incansável apoio durante o desenvolvimento deste trabalho. Agradeço a coordenadora do curso Cláudia Peres pelo apoio e incentivo. Agradeço ao professor Geraldo pelo ensino metodológico. Agradeço aos funcionários do Laboratório Santa Lúcia pelo empenho e ajuda. Agradeço aos funcionários da Faculdade TECSOMA pelo auxilio e apoio, especialmente as bibliotecárias Mari, Meire, Elide, Cecília e ao zelador João. Agradeço a minha colega e amiga, Débora Andrade por compartilhar e me auxiliar nos desafios deste trabalho. Agradeço a Diretora e funcionários do Colégio SOMA pela imensa ajuda, especialmente a professora Nilce. Agradeço a Diretora e funcionários da Escola Estadual Altina de Paula pela imensa ajuda. Agradeço aos alunos do nono ano do Colégio SOMA e aos alunos do primeiro ano da Escola Estadual Altina de Paula pela participação, eles foram o motivo da realização e concretização deste trabalho. Agradeço todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho. Sem vocês a concretização deste trabalho não seria possível. Muito obrigado! O meu Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Salmos, capitulo 23, versículo 1 RESUMO O perfil lipídico dos adolescentes é um importante dado para o diagnóstico e avaliação das dislipidemias, que podem surgir em consequência da obesidade infanto-juvenil. A obesidade encaixa-se atualmente em uma epidemia mundial considerado um problema de saúde pública. Fatores socioeconômicos, alimentação inadequada e inatividade física atuam como fatores de risco para ocorrência da obesidade, e consequentemente das dislipidemias, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes mellitos tipo 2. Resultando na perda de qualidade vida de indivíduos jovens, que provavelmente terão o tempo mínimo livre de doenças crônicas não transmissíveis. O presente estudo realizado com adolescentes escolares da cidade de Paracatu objetivou realizar um estudo comparativo do perfil lipídico de adolescentes estudantes de escolas públicas e particulares e correlacionar os resultados com as condições socioeconômicas e comportamentais dos alunos. A pesquisa de campo quantitativo-descritivo realizou uma pesquisa laboratorial, socioeconômica e comportamental por meio da realização do Lipidograma Completo e um questionário, respectivamente, com os adolescentes que se dispuseram a participar da pesquisa. Para participação dos alunos os responsáveis assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. A média lipídica de Colesterol Total, LDL-c e Triglicérides apresentada pelos alunos da escola particular foi superior ao dos alunos da escola pública, enquanto que a média do HDL-c foi inferior. Os resultados foram classificados de acordo com intervalos de referências previstos pela Sociedade Brasileira de cardiologia, onde a maioria dos alunos da escola particular apresentou valores de CT (61,5%), LDL- c(23%), TG (38,4%) aumentados e desejáveis de HDL-c (61,5%), diferente da maioria dos alunos da escola pública que demostraram valores desejáveis para CT (66,6%), LDL-c (83,4%), HDL-c (70,9%) e TG (62,5%). Mesmo que a maioria dos alunos de escola particular obtiveram resultados desejáveis de HDL, ressalta-se que 38,5% se incluíram nos níveis indesejáveis, e novamente este percentual foi superior ao da escola pública. O nível socioeconômico dos estudantes de escola pública foi inferior aos da escola particular, que em contrapartida demonstrou praticar atividades físicas rotineiramente. Porém, a condição dos escolares públicos é desfavorável a execução de exercícios físicos, pois a escola não oferece as condições necessárias e os alunos não tem condição de criá-las sozinhos. Contudo, a realização deste trabalho foi de grande importância para que medidas profiláticas relacionadas às mudanças no estilo de vida pudessem ser criadas e inseridas nas escolas, minimizando a ocorrência da obesidade e suas consequências na faixa etária jovem da população. Palavras-chave: Perfil lipídico de adolescentes. Obesidade na infância. Dislipidemias em crianças e adolescentes. ABSTRACT The lipid profile of adolescents is an important data for diagnosis and evaluation of dyslipidemia, which may arise as a consequence of obesity in children and adolescents. Obesity fits currently a worldwide epidemic considered a public health problem. Socioeconomic factors, poor diet and physical inactivity act as risk factors for the occurrence of obesity, dyslipidemia, and consequently, cardiovascular disease, hypertension and type 2 diabetes mellitos. Resulting in loss of quality of life of young individuals who are likely to have the minimum free of chronic diseases. The present study of adolescent students from the city of Paracatu aimed to perform a comparative study of the lipid profile of adolescent students from public and private schools and to correlate the results with the socioeconomic and behavioral characteristics of students. The field research conducted a quantitative-descriptive laboratory research, socioeconomic and behavioral through to the completion of a questionnaire and full lipid profile, respectively, with the teenagers who were willing to participate. To the responsible participation of students signed a consent form. The average lipid total cholesterol, LDL-C and triglycerides presented by students from private schools was higher than that of public school students, while the mean HDL-C was lower. The results were classified according to intervals of references provided by the Brazilian Society of Cardiology, where the majority of private school children had values of CT (61.5%), LDL-c (23%), TG (38.4% ) increased and desirable HDL-c (61.5%), unlike most public school students who demonstrated desirable values for CT (66.6%), LDL-c (83.4%), HDL-c ( 70.9%) and TG (62.5%). Even though most students from private schools had desirable HDL results, it is noteworthy that 38.5% is included in undesirable levels, and again this percentage was higher than the public school. The socioeconomic level of public school students was lower than the private school, which in turn showed physical activities routinely. However, the condition of public school and unfavorable running exercise, because the school does not offer the necessary conditions and the students can not afford to raise them alone. However, this work was of great importance for preventive measures related to changes in lifestyle could be created and placed in schools, minimizing the occurrence of obesity and its consequences in the age group of the population. Keywords: Lipid profile of adolescents. Obesity in childhood. Dyslipidemia in children and adolescents. LISTAS DE TABELAS TABELA 1 Pontos de corte sugeridos pelo NCEP e NHANES para classificação de dislipidemia em crianças e adolescentes (mg/dl).........................................23 TABELA 2 Valores de referência lipídica propostos para a faixa etária de 2 a 19 anos...................................................................................................................26 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CEBRAS - Centro Educacional Brasil CT - Colesterol Total DM - Diabetes Mellitus I DPAIA - I Diretriz da Prevenção da Aterosclerose na Infância e adolescência EEAPG - Escola Estadual Altina de Paula Guimarães IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística HAS - Hipertensão Arterial Sistêmica HDL-c - High Density Lipoprotein (Lipoproteína de Alta Densidade) LDL-c - Low Density Lipoprotein (Lipoproteína de baixa densidade) NCEP - National Cholesterol Educaton Program NHANES – National Health and Nutrition Examination Survey OMS - Organização Mundial da Saúde PA - Pressão Arterial PAD - Pressão Arterial Diastólica PAS - Pressão Arterial Sistólica SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia III SBSD - III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias TG – Triglicérides VLDL-c - Very Low Density Lipoprotein (Lipoproteínas de Densidade Muito Baixa) LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - Média do Perfil Lipídico dos Adolescentes..................................45 GRÁFICO 2 – Classificação do Colesterol Total e Triglicérides dos Alunos Pesquisados com Base nos Valores Preconizados pela SBC..........................45 GRÁFICO 3 - Classificação do Colesterol Total e Triglicérides dos Alunos Pesquisados com Base nos Valores Preconizados pela SBC..........................46 GRÁFICO 4 - Idade dos Adolescentes..............................................................47 GRÁFICO 5 - Sexo dos Adolescentes da Escola Pública.................................47 GRÁFICO 6 - Sexo dos Adolescentes da Escola Particular..............................48 GRÁFICO 7 - Renda Familiar do Público Estudado..........................................49 GRÁFICO 8 - Número de Pessoas na Família..................................................49 GRÁFICO 9 - Profissão dos Responsáveis pelos Adolescentes da Escola Pública...............................................................................................................50 GRÁFICO 10 - Profissão dos Responsáveis pelos Adolescentes da Escola Particular............................................................................................................50 GRÁFICO 11 - Alimentos Consumidos Pelos Adolescente...............................51 GRÁFICO 12 - Prática de Atividade Física Regularmente................................52 GRÁFICO 13 - Tempo de Uso do Computador.................................................53 GRÁFICO 14 - Obesidade na Família...............................................................54 GRÁFICO 15 - Integrantes Obesos na Família.................................................54 GRÁFICO 16 - Portadores de Hipertensão Arterial...........................................55 GRÁFICO 17 - Portadores de Diabetes Melitos................................................56 GRÁFICO 18 - Portadores de Doenças Cardiovasculares................................57 GRÁFICO 19 - Portadores de Colesterol Alto...................................................58 GRÁFICO 20 - Portadores de Triglicérides Alto na Corrente Sanguínea..........58 GRÁFICO 21 - Portadores de Outras Doenças.................................................59 GRÁFICO 22: Rotina que Fazem Consultas Médicas.......................................60 GRÁFICO 23: Rotina que Fazem Exames Laboratoriais..........,........................60 GRÁFICO 24: Conhecimento do Lipidograma Completo..................................61 GRÁFICO 25: Rotina que Vai ao Nutricionista..................................................62 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 14 1.1 Justificativa........................................................................................................ 17 1.2 Objetivos ........................................................................................................... 18 1.2.1 Objetivos Específicos .................................................................................... 18 2 REFÊNCIAL TEÓRICO..........................................................................................20 2.1 Perfil Lipídico dos adolescentes ..................................................................... 20 2.2 Qualidade Nutricional dos adolescentes ....................................................... 26 2.3 Obesidade ......................................................................................................... 28 2.4 Dislipidemias, Doenças vasculares e Cardiovasculares .............................. 29 2.5 Hipertensão arterial .......................................................................................... 32 2.6 Diabetes Mellitus .............................................................................................. 33 3 MATERIAIS E MÉTODOS.....................................................................................35 3.1 Tipo de Pesquisa .............................................................................................. 35 3.2 Delimitação do Público-alvo............................................................................ 35 3.3 Critérios de inclusão e exclusão ..................................................................... 36 3.4 Caracterização do Município ........................................................................... 36 3.5 Fatores éticos ................................................................................................... 37 3.6 Caracterização do Local de estudo ................................................................ 37 3.7 Desenvolvimento do estudo ............................................................................ 38 3.7.1 Pesquisa socioeconômica, cultural e comportamental .............................. 38 3.7.2 Caracterização da coleta sanguínea ............................................................. 38 3.7.3 Caracterização da Análise Bioquímica ......................................................... 40 3.7.4 Plotação de resultados .................................................................................. 42 3.7.5 Atividades de educação em saúde ............................................................... 42 4 RESULTADOS.......................................................................................................44 4.1 Análise Bioquímica .......................................................................................... 44 4.2 Pesquisa socioeconômica, cultural e comportamental ................................ 46 5 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 63 APÊNDICES ............................................................................................................. 79 ANEXO ..................................................................................................................... 92 14 1 INTRODUÇÃO Atualmente, a obesidade é considerada uma doença crônica e epidêmica, isso porque a sua prevalência aumentou drasticamente nas últimas décadas tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, sendo ela relacionada com a taxa de morbidade e mortalidade. (OLIVEIRA, 2004). É notável que as tendências da obesidade não sejam mais restritas a um determinado grupo étnico ou região. Tem-se observado um aumento constante desta doença na América do Norte, América Latina, África do Sul, Malásia e nações do Pacifico. No Brasil, estudos realizados demostram que o sobrepeso e a obesidade já atingem mais de 20% das crianças e adolescentes, como em Recife, onde a obesidade já alcança 35% dos adolescentes avaliados. (OLIVEIRA, 2004; SILVA; BALABAN; MOTTA, 2005). Estudos epidemiológicos têm mostrado que populações jovens que apresentam níveis elevados de Colesterol total (CT), Triglicérides (TG) e de Lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) e níveis baixos de Lipoproteína de alta densidade (HDL- c) estão sujeitas a uma maior incidência de doenças crônicas, como Diabetes Mellito (DM) tipo 2, doenças cardiovasculares e coronarianas, o que diminui o tempo de vida livre de doenças por consequência do aumento de Índice de Massa Corporal da população. Por mais, o nível de colesterol na infância é fator determinante para o nível de colesterol na vida adulta. (LIMA, 2004; OLIVEIRA, 2004; GRILLO, 2005). Alterações metabólicas como resistência à insulina, dislipidemia, hipertensão, alterações trombogênicas e hiperuricemia estão presentes na infância e na adolescência. Tais alterações juntamente com histórico familiar, inatividade física e qualidade nutricional podem contribuir potencialmente para desenvolvimento de aterosclerose e as demais doenças crônicas nas primeiras décadas da vida, já que estudos longitudinais clássicos demonstram uma forte associação entre o excesso de peso na infância e a alta incidência de doenças cardiovasculares na vida adulta. (OLIVEIRA, 2004; GRILLO, 2005). Grillo e outros ressaltam que “[...] no Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade, acontecendo em idade precoce e, por conseguinte, levando a um aumento significativo de anos perdidos na vida 15 produtiva (GRILLO et al, 2005, p. 76)”. Estudos epidemiológicos demonstram associação direta entre doença cardiovascular, especialmente as ateroscleróticas e hipercolesterolemia, sendo que a maioria destes comprovam que o nível de colesterol na infância é condizente com o nível de colesterol na vida adulta. (MOURA, 2000; OLIVEIRA, 2004). Neste sentido o estudo de Elias (2004), demonstra que o perfil lipídico desfavorável e aumento da pressão arterial em conjunto a outros fatores de risco representam para a Organização Mundial da Saúde (OMS) uma condição para o maior desenvolvimento de aterosclerose na infância. Para Honorato (2010), quanto mais prevalente a obesidade, maior é o estímulo para estudar grupos populacionais mais vulneráveis ao problema, em que se possam levantar questionamentos relacionados à determinação da etiologia desta patologia. Intervenções na qualidade de vida de crianças e adolescentes são de suma importância para alertar os períodos críticos no desenvolvimento da obesidade. Desta forma, recomenda-se a inserção de atividades preventivas de problemas de saúde e nutrição específicas dentro das políticas de saúde pública, com objetivo de diminuir os desfechos negativos na vida adulta. O organismo humano é um sistema metabólico integrado que através de cuidados é controlado por vários mecanismos. Por outro ângulo, ele é também um sistema aberto que interage com o meio ambiente. Apesar das duas características contraditórias, o organismo trabalha para obter o equilíbrio interno, porque a interação com o meio externo produz perturbações que na maioria das vezes causam percas significativas à hibridez do organismo. Por exemplo, a quantidade e a composição dos alimentos que consumimos possuem impactos expressivos sobre a nossa saúde, como desnutrição e a obesidade, que no presente momento são os principais problemas de saúde pública no mundo. (BAYNES; DOMINICZAK, 2010). Segundo Baynes e Dominiczak (2010) os principais componentes estruturais do organismo são as proteínas, os carboidratos e os lipídios. Os lipídios são utilizados como fonte de energia e estão glicoconjugados com carboidratos e proteínas, além de compor a espinha dorsal das membranas celulares. A forma mais simples dos lipídios é os ácidos graxos, triglicerídeos e 16 fosfolipídios, encontrados principalmente no plasma, tecido adiposo e membranas biológicas, respectivamente. Os ácidos graxos podem estar livres ou como componentes de lipídios complexos, quando os ácidos graxos fizerem uma única dupla ligação são denominados monoinsaturados, já com duas duplas ligações ou mais são denominados poli-insaturados. Os triglicerídeos estão geralmente esterificados com o glicerol, formando um triacilglicerol que é armazenado na forma sólida (gordura). Quando necessário em resposta a sinais hormonais eles são degradados a glicerol e ácidos graxos, que são liberados no plasma para o metabolismo de outros tecidos. Os fosfolipídios contêm um espectro de ácidos graxos ligados ao fosfato esterificado, o fosfato atua como ponte diéster ligando o diacilglicerídio a um composto nitrogenado polar, frequentemente a uma colina, etanolamina ou a uma serina. Estas ligações irão formar as principais estruturas dos fosfolipídios das membranas biológicas. (BAYNES; DOMINICZAK, 2010). Segundo Baynes e Dominiczak, (2010) e Henry, (2008) a principal fonte de lipídios do organismo é a alimentação, e após a ingestão eles são digeridos e absorvidos. Posteriormente ao processo de metabolização os lipídios da dieta (Triacilgliceróis, colesterol, ésteres de colesterol, fosfolipídios e ácidos graxos não esterificados) são absorvidos na superfície das células intestinais do intestino delgado. A maioria das gorduras hidrossolúveis (ácidos graxos e 2monoacilgliceróis) são absorvidas. Enquanto, somente cerca de 30 a 40% das gorduras lipossolúveis (colesterol) são absorvidas. Através do sistema linfático os lipídios absorvidos chegam à circulação como quilomícrons e lipoproteínas. As lipoproteínas plasmáticas transportam todo o colesterol e lipídios esterificados do sangue para os locais de reserva energética e utilização. As lipoproteínas estão divididas em quatro classes importantes: Quilomícrons, Lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL), LDL-c e HDL-c. As apolipoproteínas são proteínas especificas que compõem a parte proteíca das lipoproteínas e possuem função importante no transporte de lipídios ativando ou inibindo as enzimas envolvidas no metabolismo de lipídios e/ou ligando as lipoproteínas aos receptores de lipoproteínas presentes na superfície celular. A dosagem das lipoproteínas plasmáticas, colesterol total e triglicerídeos compõem o perfil lipídico do ser humano, e é baseado na dosagem destes 17 elementos juntamente com a avaliação do perfil genético, comportamental e alimentar do individuo que se obtêm subsídio para descrição do risco a doenças crônicas. (HENRY, 2010). 1.1 Justificativa De acordo com Lima e outros (2004) a prevalência do sobrepeso e da obesidade na infância aumentou significativamente nos últimos anos, indicando uma epidemia mundial. Fato preocupante, pois as alterações metabólicas e consequências oriundas da obesidade que antes eram evidentes somente em adultos, hoje já são observadas na faixa etária mais jovem. No Brasil, o processo de transição nutricional (mudanças demográficas, socioeconômicas e epidemiológicas) nas últimas décadas promoveu somente nas regiões Sudeste e Nordeste, um aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade de 4,1% para 13,9% em crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. A frequência de obesidade entre os familiares é o fator de risco crucial para que a criança se torne obesa, isso porque a soma de influência genética com fatores ambientais (hábitos alimentares) determina o perfil lipídico da criança. (OLIVEIRA et al, 2004; LIMA et al, 2004). As concentrações elevadas de triglicérides, colesterol total e sua fração LDL-c associada à diminuição dos valores de HDL-c aumentam a probabilidade do desenvolvimento de dislipidemias, que são consideradas um dos principais fatores determinantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. (GRILLO et al, 2005). De acordo com Elias e outros (2004), respectivamente, a prevalência da hipertensão arterial entre crianças e adolescentes é estimada em 6 a 8%. Este aspecto demonstra a importância da orientação e prevenção dos fatores de risco aos adolescentes, como obesidade, excessiva ingestão de sal e sedentarismo. Fatores que parecem estar associados à elevação dos valores da pressão arterial. Para a OMS o perfil lipídico desfavorável e elevação da pressão arterial e conjunto com fatores de risco particulares representam uma condição para o desenvolvimento da aterosclerose na infância. A obesidade gera consequências epidemiológicos mostram atualmente drásticas a saúde, estudos uma associação do crescimento 18 expressivo na incidência de doenças crônicas, como o diabetes Melitos tipo 2 e as doenças coronarianas, com a diminuição do tempo de vida livre de doenças, à medida que ocorre um aumento do IMC da população, resultando em crianças e adolescentes com síndrome metabólica. (OLIVEIRA et al, 2004). Tendo como referência os fatores que predispõem os adolescentes a obesidade e consequentemente doenças crônicas, este estudo viabilizou o conhecimento de possíveis alterações nos exames bioquímicos em amostras sanguíneas advindas de adolescentes escolares, que juntamente com as informações socioeconômicos, culturais e comportamentais concluiu proposta do projeto. Além disso, a pesquisa forneceu meios a permitir o acesso às medidas profiláticas que favoreçam a saúde e qualidade de vida dos adolescentes pesquisados. Em Paracatu, dados sobre o assunto são escassos, por isso mesmo, torna-se importante conhecer o perfil lipídico de adolescentes, para que as medidas educativas e preventivas possam ser inseridas na população. 1.2 Objetivos O trabalho pesquisado objetivou realizar um levantamento comparativo do perfil lipídico dos adolescentes escolares de níveis socioeconômicos divergentes por meio de exames laboratoriais e questionários socioeconômicos, comportamentais e culturais. 1.2.1 Objetivos Específicos Realização do Lipidograma completo dos adolescentes; Aplicação de um questionário que avaliou dados sociais, econômicos, comportamentais e ambientais dos adolescentes escolares; Comparação dos resultados laboratoriais com os dados sociais, econômicos, comportamentais e ambientais da população estudada; Comparação dos achados laboratoriais das duas escolas paracatuenses; Discussão das possíveis consequências das alterações lipídicas nos adolescentes; 19 Desenvolvimento de atividades de educação em saúde, com ênfase para a prevenção comportamentais. e reeducação dos hábitos alimentares e 20 2 REFERÊNCIAL TEÓRICO De acordo com Brasil (2006), o panorama de doenças não transmissíveis no mundo e no Brasil tem demostrado um novo desafio para a saúde pública. O perfil nutricional desenhado no Brasil é complexo, demostrando a importância de um modelo de atenção á saúde que insira ações de promoção de saúde, prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis. Nos últimos tempos o sedentarismo e o excesso de peso estão explícitos na vida das crianças e jovens no mundo. A alimentação inadequada aliada à falta de interesse na pratica de atividade física são características que levam o individuo a obesidade infantil. A saúde dos jovens é um problema de responsabilidade pública, toda a sociedade é responsável por buscar soluções melhores para o futuro das crianças e adolescentes. Atualmente não se gasta tanta energia em atividades diárias como antigamente, maneira de viver que provoca transtornos a saúde das pessoas. Vida saudável e ativa na infância promove benefícios nos aspectos físicos, sociais e emocionais, permitindo o controle de doenças degenerativas na vida adulta. (ALVES, 2003). 2.1 Perfil Lipídico dos adolescentes Segundo a OMS, a adolescência compreende a faixa de dez a dezenove completos, e é constituída como uma fase critica do processo de crescimento e desenvolvimento humano, determinada por numerosas transformações relacionadas aos aspectos físicos, psíquicos e sociais do indivíduo. (LOURENÇO; QUEIROZ, 2010). A obesidade infantil cresce de forma significativa no mundo determinando várias complicações na infância e na idade adulta. Na idade infantil o manejo torna-se mais difícil devido a mudanças de hábitos e dependência de disponibilidade dos pais, além do escasso entendimento sobre os danos da obesidade. (MELLO; LUFT; MEYER, 2004). De acordo com a OMS, a prevalência da obesidade infantil cresceu cerca de 10 a 40% nos últimos anos na maioria dos países europeus, sendo que esta ocorre com mais frequência no primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos 21 e na adolescência.(DIETZ e EBBELING apud MELLO; LUFT; MEYER, 2004). Para Carvalho e outros (2008), a obesidade quando iniciada nos primeiros anos da vida tende a permanecer ou se agravar com o avançar da idade. Os fatores sociais, econômicos, demográficos, dietéticos e estilo de vida determinam as condições de saúde do ser humano. Por consequência da mudança no perfil epidemiológico no Brasil, as prevalências de dislipidemias, obesidade, hipertensão arterial sistêmica e diabetes têm crescido drasticamente entre adultos. (BRASIL, 2006). De acordo com Araújo (2011), estudos científicos evidenciam a importância da avaliação dos valores dos lipídios séricos durante a infância, pois quando elevados nesta fase, tendem a permanecer elevados durante a vida adulta. Atualmente as doenças devem ser compreendidas em longo prazo, pois as exposições a fatores físicos e sociais presentes durante a vida determinam a sua ocorrência e gravidade. Este modelo revela a importância de investigar possíveis mecanismos biológicos, psicológicos, comportamentais e sociais dentro da vida do indivíduo e gerações. No Brasil, a obesidade está presente em todas as classes econômicas, sendo predominante em indivíduos de classe social mais alta. A condição socioeconômica influência a obesidade através da educação, da ocupação e da renda resultando em padrões comportamentais específicos que afetam a ingestão calórica, taxa de metabolismo e gasto energético. (MELLO, MEYER e LUFT, 2004). Existe relação direta entre o colesterol sérico na vida adulta e a morbimortalidade cardiovascular. Contudo, o colesterol pode ser considerado importante fator de risco alterável que aflige a história natural do processo natural de aterosclerose. Estudos epidemiológicos do perfil lipídico de crianças e adolescentes revelam que o nível de colesterol na infância é um fator preditivo do nível de Colesterol na vida adulta. (ARAÚJO 2011, CARVALHO et al, 2007). Araújo (2011) completa que o colesterol plasmático quando elevado na infância no decorrer da vida seria potencializado pela obesidade, história familiar, inatividade física e hipertensão arterial. Por isso é necessário o inicio da prevenção desde a infância e a adolescência. Estudos demonstram a associação entre doença coronariana (DAC) com 22 taxas séricas elevadas de CT e LDL- c e taxas reduzidas de HDL – colesterol. Ainda existem discussões quanto à participação dos triglicerídeos na aterogênese, mas sua dosagem sérica de rotina é justificada pela sua frequente vinculação com a doença cardiovascular aterosclerótica e outros distúrbios metabólicos. Outro fator também relacionado com alterações no perfil lipídico é o aumento da prevalência de doenças cardiovasculares e hipertensão arterial em adultos, adolescentes e crianças brasileiras, que atualmente tem sido associada à diminuição da prática de atividade física e as modificações no padrão alimentar. (WANG et al apud ARAÚJO, 2011; CARVALHO et al, 2007). Para Araújo (2011), a adiposidade em excesso está relacionada a alterações dos fatores de risco cardiovasculares com CT, LDL-c, HDL-c, TG, Glicemia e pressão arterial na infância. Sendo que a obesidade está intimamente ligada com a ocorrência de fatores de risco para doenças cardiovasculares na juventude. Essa condição também eleva o risco de aterosclerose na vida adulta e até mesmo na adolescência. Os níveis séricos de CT, TG e Lipoproteínas sofrem mudanças durante o curso de vida e sexo do ser humano. Na infância a maior parte do Colesterol é composta por LDL-c e HDL-c com níveis baixos de TG. As crianças e adolescentes do sexo feminino possuem níveis séricos de Lipídios e Lipoproteínas superiores ao do sexo masculino. Essa diferença torna-se mais expressiva durante a adolescência. A partir dos 10 anos de idade as meninas apresentam índices maiores de HDL-c do que os meninos, sendo que no final da adolescência essa diferença aumenta significativamente. As meninas também apresentam maiores níveis de CT e LDL-c a partir dos 14 anos. Já os meninos apresentam queda do HDL-c e LDL-c devido à evolução dos estágios puberais de Tanner. Por isso, recomenda-se obter o perfil lipídico até no máximo 10 anos de idade, antes dos efeitos da puberdade, para que as variações que ocorrem durante este período não influenciem o diagnóstico. (Araújo, 2011). Para Araújo, (2011) caso haja alteração no perfil lipídico, um novo perfil dever ser obtido para confirmação do primeiro. Se a alteração persistir as causas secundárias devem ser excluídas e o tratamento dietético iniciado, e após 6 a 8 semanas do tratamento outra avaliação deve ser realizada. Araújo 23 (2011) reforça dizendo que, “os pontos de corte preconizados atualmente pelo National Cholesterol Educaton Program (NCEP) para a classificação de alteração nos níveis de lipídicos são dirigidos a crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos.”(ARAÙJO, 2011.p.31). Classificação essa que recebe críticas por não levar em consideração possíveis diferenças entre os sexos e variação natural que ocorre nas lipoproteínas durante o período de crescimento e maturação sexual, estimulando pesquisadores importantes na área sugerisse atualização do NCEP de 1992. Atualmente, foi proposta a utilização dos pontos de corte definidos a partir do estudo populacional americano NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey). (ARAÚJO, 2011). Segue abaixo os pontos de corte apresentados pelo NCEP e NHANES: Tabela 1 – Pontos de corte sugeridos pelo NCEP e NHANES para classificação de dislipidemia em crianças e adolescentes (mg/dl). (continua) NCEP NHANES 12 Anos Colesterol Total Normal <170 Limítrofe 170 a 199 M F <200,3 <184,5 200,3 a 233,2 184,5 a 211,4 Elevado >ou= 200 >ou= 233,2 >ou= 211,5 Normal <110 <96,7 <92,0 Acima do - 96,7 a 125,2 92,0 a 114,4 110 a 129 125,3 a 158,8 114,5 a LDL Normal Limítrofe 136,0 Elevado >ou= 130,0 >ou= 153,9 >ou= 136,1 Normal >60 >ou= 65,7 >ou= 57,2 Baixo <35 <ou= 43,7 <ou= 39,9 HDL 24 (Continuação) NCEP NHANES 12 Anos TG Normal <90 Limítrofe Elevado <127,4 <141,6 90 a 129 127,4 a 162,7 141,6 a 179,6 >ou= 130 >ou= 162,8 >ou= 179,7 NHANES 13 Anos 14 Anos Colesterol Total M F M F Normal <200 <184,5 <193,0 <182,1 Limítrofe 200,3 a 233,1 184,5 a 211,4 193,0 a 225,3 182,1-209,1 Elevado >ou=233,2 >ou= 211,5 >ou=225,4 >ou=209,2 Normal <96,7 <92,0 <94,4 <93,2 Acima do Normal 96,7 a 125,2 92,0 a 114,4 94,4 a 121,7 93,2-115,1 Limítrofe 125,3 a 253,8 114,5 a 136,0 121,85 a 149,2 115,2-137,2 Elevado >ou=123,9 >ou=136,1 >ou=149,3 >ou=137,3 Normal >ou= 65,7 >ou= 57,2 >ou= 63,4 >ou= 56,8 Limítrofe 65,6 a 43,8 57,1 a 39,9 63,3 a 42,6 56,7 a 40,3 Baixo <ou= 43,7 <ou= 39,8 <ou= 42,5 <ou= 40,2 Normal <127,4 <141,6 <131,0 <135,4 Limítrofe 127,4 a 162,7 141,6 a 179,6 131,0 a 170,7 135,4-170,7 Elevado >ou=162,8 >ou=179,7 >ou=170,8 >ou=170,8 LDL HDL TG 15 Anos 16 Anos Colesterol Total M F M F Normal <187,2 <182,5 <188,7 <186,4 Limítrofe 187,2 a 220,3 182,5 a 211,0 188,7 a 223,0 186,4-217,2 Elevado >ou=220,4 >ou=211,1 >ou=223,1 >ou=217,3 Normal <92,0 <94,0 <93,2 <94,7 Acima do 92,0 a 118,2 94,0 a 117,1 93,2 a 102,2 94,7-118,6 Limítrofe 118,3 a 144,5 117,2 a 139,5 120,3 a 174,2 118,7-142,2 Elevado >ou=144,6 >ou=139,6 >ou=147,3 >ou=142,3 >ou=59,9 >ou=57,6 >ou=59,2 >ou=58,4 LDL Normal HDL Normal 25 (conclusão) NHANES 15 Anos M 16 Anos F M F Limítrofe 59,8 a 40,3 57,5 a 39,9 59,1 a 39,9 58,3 a 39,9 Baixo <ou=40,2 <ou=39,8 <ou=39,8 <ou=39,8 Normal <138,1 <127,4 <140,7 <129,2 Limítrofe 138,1 a 185,8 127,4 a 158,3 140,7 a 191,1 129,2-161,9 Elevado >ou=185,9 >ou=158,4 >ou=191,2 >ou=162,0 TG 17 Anos 18 Anos Colesterol Total M F M F Normal <191,4 <191,0 <195,3 <196,1 Limítrofe 191,4 a 227,3 191,0 a 225,0 195,3 a 232,7 196,1-223,1 Elevado >ou=227,4 >ou=225,1 >ou=232,8 >ou=233,2 Normal <95,1 <95,5 <97,1 <97,4 Acima do 95,1 a 122,9 95,5 a 120,9 97,1 a 125,6 97,4 a 124,4 Limítrofe 123,0 a 151,1 121,0 a 145,7 125,7 a 154,6 124,5-150,7 Elevado >ou=151,2 >ou=145,8 >ou=154,7 >ou=150,8 Normal >ou=59,2 >ou=59,2 >ou=59,6 >ou=59,6 Limítrofe 59,1 a 39,9 59,1 a 39,9 59,5 a 39,9 59,5-39,9 Baixo <ou=39,8 <ou=39,8 <ou=39,8 <ou=39,8 Normal <143,4 <135,4 <146,0 <142,5 Limítrofe 143,4 a 194,6 135,4 a 171,6 146,0 a 198,1 142,5-184,9 Elevado >ou=194,7 >ou=171,7 >ou=198,2 >ou=185,0 LDL Normal HDL TG Fonte: Qualidade da alimentação e sua associação com perfil lipídico e com índice de massa corporal em escolares – ARAUJO, 2011. A Associação Americana do Coração também sugeriu valores de normalidade para classificar o perfil lipídico de crianças e adolescentes. Valores estes que seguem o NCEP, com exceção para os Triglicerídeos que são considerados aumentados quando estiverem acima de 150mg/dl. (ARAÚJO, 2011). 26 A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) posicionou-se e definiu pontos de corte para serem utilizados pela nossa população: Tabela 2 – Valores de referência lipídica propostos para a faixa etária de 2 a 19 anos Lipídeos Desejáveis Limítrofes Aumentados (mg/dL) (mg/dL) (mg/dL) CT < 150 LDL-C <100 HDL-C >ou=45 TG <100 150-159 >ou=170 100-129 >ou= 130 100-129 >ou= 130 Fonte: I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência – Sociedade Brasileira de cardiologia, 2005. O conhecimento e avaliação dos principais fatores de risco para a obesidade na infância são de grande relevância, porque o excesso de tecido adiposo estar diretamente relacionado com alterações dos fatores de risco cardiovasculares como CT, LDL-c, HDL-c, TG, glicemia e pressão arterial. A obesidade estão relacionada com Dislipidemia, resistência a insulina e Diabetes tipo 2 que consequentemente associa-se a doenças cardiovasculares. Medidas profiláticas que visam o consumo com gasto energético, alimentação saudável e a prática de atividade física devem ser desenvolvidas e inseridas na comunidade, família e escola. As medidas devem ter como base os fatores que contribuem para o desenvolvimento da obesidade e suas consequências. (ARAÚJO, 2011). 2.2 Qualidade Nutricional dos adolescentes Hábitos alimentares na infância são de grande relevância para um adequado crescimento e desenvolvimento, e refletem nas condições de saúde de vida adulta. Fatores como preferências e exposições alimentares, a condição socioeconômica da população, o custo e indisponibilidade dos alimentos influênciam no hábito alimentar e refletem na qualidade de vida. (RAUBER apud ARAÚJO, 2011). 27 O aumento da ingestão de calorias é caracterizado por fenômeno de transição nutricional que juntamente com a composição e qualidade alimentar se relacionam com a ocorrência da obesidade. Além disso, houve uma mudança nos padrões alimentares, explicando em partes o crescimento da adiposidade nas crianças como também o consumo elevado de açucares simples, sódio, alimentos industrializados, bebidas hipercalóricas, gorduras saturadas e trans concomitante a diminuição do consumo de carboidratos complexos, hortaliças, verduras, frutas e leite. Estudos demostram que o atual padrão alimentar baseia-se em elevado concentração de lipídeos e açúcar enquanto o consumo de frutas e vegetais esta muito abaixo do recomendado. (ARAÚJO, 2011). Os hábitos alimentares na infância são de suma importância para o desenvolvimento e crescimento adequado, refletindo nas condições de saúde na vida adulta. Por isso, a relação intima da obesidade com a presença de fatores de risco cardiovasculares na infância e adolescência. O excesso de tecido adiposo esta associado com a alteração dos fatores de risco cardiovasculares como Colesterol Total, Lipoproteína de baixa densidade (LDL), Lipoproteína de alta densidade (HDL), Triglicérides (TG), glicemia e pressão arterial em jovens. Sendo que, esta condição aumenta o risco de aterosclerose na vida adulta e até mesmo na adolescência. Pesquisas realizadas nas últimas décadas demonstram que alimentação de crianças avaliadas com instrumento de avaliação alimentar mostra o aumento da prevalência de fatores de risco para doenças crônicas, como obesidade, hipertensão arterial e níveis aumentados de colesterol. Existe nos países desenvolvidos grande oferta de alimentos, porém o consumo relacionado à qualidade nutricional nem sempre é adequado, onde há excessos e até mesmo deficiências nutricionais, como nos países em desenvolvimento. Contudo, a situação nutricional e alimentar da população devem ser avaliados e colocados como prioridade em qualquer lugar do mundo. Afinal, os hábitos alimentares das crianças são influenciados por fatores como hábito pessoal e familiar, educação materna, nível socioeconômico e ambiente cultural. (MONTEIRO; VICTORA; BARROS, 2004; ARAÚJO, 2011). 28 2.3 Obesidade Nos últimos 30 anos as prevalências de sobrepeso e obesidade aumentaram drasticamente. Dentro do cenário epidemiológico do grupo de doenças crônicas não transmissíveis a obesidade destaca-se por ser uma doença e simultaneamente um fator de risco para outras doenças crônicas, como Hipertensão e Diabetes, patologias com taxas de prevalência elevadas no Brasil. O modo de vida adotado pela população atual determina um padrão nutricional que aliado ao sedentarismo é uma situação desfavorável á saúde da sociedade. (BRASIL, 2006). Doenças e agravos não transmissíveis crescem diariamente, e no Brasil é a principal causa de óbitos em adultos. A obesidade é ainda um dos maiores fatores de risco para o adoecimento deste grupo. A profilaxia e o diagnóstico no inicio da doença são aspectos de suma importância para a promoção de saúde e diminuição de morbimortalidade não somente por apresentar fatores de risco percussores de outras doenças, mas por intervir na longevidade e qualidade de vida, e ainda por produzir complicações diretas na aceitação social dos indivíduos quando excluídos da estética espalhada pela sociedade atual. (BRASIL, 2006). Declarada como epidemia mundial a obesidade esta presente em países desenvolvidos e subdesenvolvidos acometendo crianças e adolescentes, tornando-se problema de saúde pública, sendo relacionada com hipertensão arterial, doença cardíaca, osteoartrite, diabetes mellitus tipo II e alguns tipos de canceres, tendo maior impacto na morbidade da população. Na adolescência, a obesidade esta relacionada ao aumento da pressão arterial e dislipidemias, a elevada ocorrência de diabetes e distúrbios da esfera emocional. (DEVANEY e KRANZ apud ARAÚJO, 2011; HONORATO et al, 2010; MONTEIRO, VICTORA, BARROS, 2004). De acordo com Cornachioni, Zadra e Valentim (2011), observa-se uma queda muito importante do metabolismo de crianças sedentárias, sendo esta queda ainda maior quando os jovens são obesos. Fato que pode contribuir para ocorrência da obesidade e outras doenças. Sendo assim, a obesidade na infância cresce significativamente a cada complicações na infância e durante a vida adulta. dia determinando várias 29 Para Who citado por Araújo (2011) a obesidade é uma doença caracterizada pelo acumulo excessivo de gordura corporal, consequente do balanço energético positivo que acarreta repercussões a hibridez do organismo. Hernandes e Valentini (2010) completam descrevendo a obesidade como um distúrbio nutricional e metabólico que pode ser estudado pelo aumento da gordura corpórea e consequente aumento do peso corporal. A obesidade é uma patologia multifatorial com elevado grau de complexidade de difícil controle e prevenção. Deve ser avaliada e tratada como uma doença que desenvolve por diferentes fatores de risco mórbidos, sendo relacionada ao aumento do índice de mortalidade. Crianças e adolescentes obesos apresentam 2,4 vezes maior chance de ter Colesterol alto no sague e 7,1 vezes de ter taxas elevadas de Triglicérides do que indivíduos eutróficos. (OLIVEIRA et al, 2004; DAMASO apud CORNACHIONI, ZADRA E VALENTIM, 2011). Variáveis sociais, ambientais, biológicas e econômicas têm sido relacionadas à ocorrência de obesidade, que pode ser classificada em causas neuroendócrina, iatrogênica, alimentação inadequada e/ou inatividade física e característica proveniente de distúrbio genético. Quando não tratada as consequências da obesidade refletem por toda vida do individuo, o que provavelmente limita sua qualidade de vida. (CORNACHIONI; ZADRA e VALENTIM, 2011, HONORATO et al, 2010). 2.4 Dislipidemias, Doenças vasculares e Cardiovasculares De acordo com Giuliano e Caramelli (2008), no mundo a prevalência de dislipidemias em crianças e adolescentes varia de 29 a 33%, quando o nível de Colesterol Total for superior a 200 mg/dL. No Brasil esta prevalência varia entre 28 a 40 % das crianças e adolescentes, quando o valor sérico do colesterol Total adotado for superior a 170 mg/dL. Porém, essa prevalência é subestimada pela III Diretriz Brasileira de Prevenção da aterosclerose, que estabelece o limiar normal de até 150 mg/dL. As dislipidemias são alterações metabólicas lipídicas consequentes de distúrbios em qualquer fase do metabolismo lipídico que proporcionam repercussões nos níveis séricos de lipoproteínas. As dislipidemias podem ser 30 classificadas em primárias, secundárias e Fredrickson. As dislipidemias primárias podem ser subdivididas em genótipas (alterações monogênica e poligênica) e fenótipas, que são avaliadas através de análises bioquímicas que consideram os valores de Colesterol total, fração LDL, Triglicérides e fração HDL. As dislipidemias secundárias são aquelas que estão associadas com outras patologias, e de Fredrikson que avalia o padrão das lipoproteínas em eletroforese. (JELLINGE e FACE, 2000; BRASIL, 2007). As dislipidemias podem atuar como evento primário, mas na maioria das vezes esta atua como evento secundário a obesidade infantil. Atuando como um dos fatores determinantes para a aceleração do progresso da aterosclerose e ocorrência de doenças cardiovasculares juntamente com o excesso de peso, isso porque concentrações elevadas de Colesterol Total, fração LDL e Triglicerídeos plasmáticos associados a concentrações diminuídas da fração HDL aumentam a possibilidade dessas doenças ocorrerem. (GRILLO et al, 2005; GIULIANO e CARAMELLI, 2008; CARVALHO et al, 2007). A importância da dislipidemia na infância cresceu na última década, quando notou-se sua associação casual com a aterogênese. Consequências que antigamente eram tradicionalmente descrita em adultos, atualmente se estendem com grande prevalência e intensidade na idade jovem. (GIULIANO e CARAMELLI, 2008). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), perfis lipídicos desfavoráveis juntamente com elevação da pressão arterial particularmente em associação com outros fatores de risco representam uma condição ligada ao maior desenvolvimento da aterosclerose na infância. (ELIAS et al, 2004). Na avaliação do risco de doença coronariana aterosclerótica, além do colesterol, as medidas de LDL-c e de TG que atuam como fatores de risco HDL-c colesterol, atuante na proteção e lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) – colesterol que é percussor do LDL colesterol tem sido utilizados. Alguns autores até sugerirem a utilização de razão Colesterol/HDL ou Colesterol/LDL para avalição do risco de doenças cardiovasculares. (MOURA et al, 2000). A hiperlipidemia evidência grande importância para a ocorrência de aterogênese em crianças e adolescentes. Estudos demostram inicialmente a infiltração de lipídeos e proteoglicanos na camada intima dos vasos, 31 posteriormente, os macrófagos infiltram e formam células espumosas. Populações com hiperlipidemias têm frequente presença de placas ateromatosas na segunda década de vida verificadas em necropsias. Nota-se também o aumento da espessura médio-intimal arterial na ultrassonografia quando há disfunção endotelial, especialmente em crianças com elevado nível da fração LDL colesterol. Estudos revelam também o aumento de concentrações de mediadores inflamatórios, como interleucina 18 e proteína c reativa de alta sensibilidade, sugerindo um perfil de estado inflamatório característico da aterosclerose. Fato potencializado pela obesidade em decorrência do sinergismo do efeito inflamatório da dislipidemia e do aumento da relação entre leptina e adiponectina. (GIULIANO e CARAMELLI, 2008). O inicio da aterosclerose na infância decorrente do aumento do colesterol plasmático é potencializado pela obesidade dentre outros fatores, tais como histórico familiar, inatividade física e hipertensão arterial. O processo de aterogênese inicia-se na infância com a formação de estrias gordurosas precursoras das placas ateroscleróticas. Na aorta a placa de aterosclerose começa a surgir a partir dos 3 anos de idade, na adolescência a mesma começa atingir as coronárias e progride subsequentemente nas outras fases da vida.(CARVALHO et al, 2007; GRILLO et al, 2005). A presença de lesões ateroscleróticas precoces nas primeiras décadas de vida é um aspecto importante que dever ser levado em consideração. Alterações metabólicas na infância e adolescência podem contribuir para o desenvolvimento deste processo, já que estudos clássicos demonstram forte ligação entre o excesso de peso nas primeiras décadas de vida e alta taxa de morbimortalidade na vida adulta por doenças cardiovasculares. (OLIVEIRA, 2004). As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade no Brasil, ocorrendo em idade precoce levando a um aumento significativo da perca de anos produtivos durante a vida. Cerca de 1 milhão de óbitos anualmente são atribuídos a essas doenças, sendo que no Brasil a cada 100.000 habitantes 152,75 foram a óbito. (GRILLO et al, 2005). Cerca de 60% das crianças e adolescentes com excesso de peso apresentam pelo menos um fator de risco: hipertensão, dislipidemia ou 32 hiperinsulinemia para a ocorrência de doenças cardiovasculares, sendo que 20% exibem dois ou mais fatores de risco. (GRILLO et al, 2005). 2.5 Hipertensão arterial Atualmente, a hipertensão arterial tornou-se um dos principais problemas de saúde pública, representando um fator de risco para ocorrência de doenças cardiovasculares. (FELICIO, 2008). De acordo com Elias et al, (2004) apesar da população adulta ter uma ênfase maior com associação entre pressão arterial e doença arterial coronariana, acidentes vasculares cerebrais e doenças renais, valores da pressão arterial demostrados na infância parecem associados com Hipertensão arterial em idade mais avançada. Estima-se que a prevalência da Hipertensão arterial varia de cerca de 6% das crianças e 8% dos adolescentes. Sendo assim, as crianças e os adolescentes devem ser precavidos quanto aos fatores de risco; obesidade, ingestão excessiva de sal e sedentarismo que influenciam para ocorrência de elevados valores de pressão arterial quando estiverem na vida adulta. Estudos epidemiológicos demonstram que hipertensos exibem perfil lipídico desfavorável com maior frequência do que a população em geral. A relação biológica interna entre a pressão arterial e os lipídios parece estar associada á doença coronariana. (ELIAS et al, 2004). Para Felício (2008), a Hipertensão arterial caracteriza-se por um valor de pressão arterial (PA) em repouso além do limiar desejado, 120 por 80 mmHg. Esta alteração pode acometer a pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAS) ou ambas. Denominada “assassina silenciosa”, a hipertensão arterial é uma doença de evolução insidiosa que na maioria das vezes progride de forma assintomática, sendo este o ponto mais relevante para complicações. Ao longo da evolução, as artérias sofrem modificações estruturais, que provocam diminuição do aporte de sangue em importantes órgãos-alvos, como coração, cérebro, rins e olhos. 33 2.6 Diabetes Mellitus De acordo com Vieira (2010) e Santos, Balzaneli e Andrade (2009), o Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica, que a cada ano acomete 150 milhões de pessoas no mundo, sendo mais de 90% dos casos são de DM do Tipo 2, com o agravante que muitas delas desconhecem que são portadoras da doença, podendo ser considerado um problema de saúde publica. O diabetes é uma condição crônica de saúde evidenciada basicamente pelo excesso de glicose no sangue e síntese deficiente de insulina pelo pâncreas. O aparecimento da doença se dá pela alteração da quantidade de insulina produzida pelo pâncreas, órgão responsável pela manutenção dos níveis normais de glicose no sangue. Caracterizada por hiperglicemia crônica, esta exibe alterações no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas. (SANTOS; ENUMO, 2003; QUEIROZ, 2008). Estima-se que cinco milhões de brasileiros sejam diabéticos, sendo que metade deles desconhecem seu diagnóstico, com incidência de 1 ou 2 para cada 1000 crianças e adolescentes com Tipo I. Ocupa a quarta causa de mortes no país, além de ser a segunda doença crônica mais comum na infância e adolescência. Fato que demonstra que atualmente o diabetes é um dos mais importantes problemas de saúde devido à incapacitação produzida, pelo número de pessoas afetadas, mortalidade e custos do tratamento. (SANTOS; ENUMO, 2003). De acordo com Santos e Enumo (2003) O Diabetes mellitus é o motivo maior de preocupação na adolescência, a doença pode comprometer o desenvolvimento físico. Estudos demonstram que o mau controle do diabetes pode levar a um quadro de atraso no crescimento, consequência dos episódios de internação por cetoacidose, gerando também infelicidade, tristeza e desânimo. Relatam-se também dificuldades escolares e sociais devido a uma diminuição na auto-estima, decorrentes dos cuidados exigidos pela doença, que fazem com que os jovens sintam-se diferentes dos demais adolescentes. Contudo, se a patologia for controlada com a prática de atividades físicas, dieta e controle glicêmico interferências significativas poder ser evitadas no curso do crescimento, maturação sexual e até mesmo do desenvolvimento psicoemocional. 34 Complicações em longo prazo ocorrem devido a alterações micro e macrovasculares que provocam disfunção, dano ou falência de vários órgãos, e induzem os diabéticos a exibirem elevado risco de doença vascular aterosclerótica, como as doenças coronarianas, arterial periférica e vascular cerebral, que são as principais responsáveis pela morbidade e mortalidade e demostram a principal causa de morte de 52% dos pacientes com DM. (SANTOS; BALZANELI; ANDRADE, 2009). Segundo Santos, Balzaneli e Andrade (2009) a hipertensão arterial sistêmica (HAS) acomete cerca de um bilhão de pessoas no mundo, representando um fator de risco independente para doença cardiovascular. Sendo que cerca de 70% dos pacientes com DM Tipo 2 são acometidos e 80% morrem devido a eventos trombóticos associados com HAS e dislipidemia. O reconhecimento de alterações do perfil lipídico é de extrema importância, principalmente quando a patogênese multifatorial do diabetes pode-se complicar pela HAS e ambas estão ligadas a resistência insulínica, contribuindo com aumento do risco de doenças cardiovasculares. Diabetes Mellitus (DM) engloba um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia e associada a complicações, disfunções e insuficiência em vários órgãos, principalmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sanguíneos. Consequente de defeitos de secreção e/ou ação de insulina que envolve processos patogênicos específicos, como por exemplo, destruição de células beta do pâncreas, resistência á ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros. Classificada em diversos tipos que se diferem quanto à causa, evolução clínica e tratamento. O DM Tipo 1 é uma doença auto-imune órgão-específica onde ocorre uma lesão nas células beta do pâncreas ou outras patologias que prejudicam a síntese da insulina. Já no DM Tipo 2 ocorre o contrário, ocorre o aumento da concentração de insulina plasmática em resposta compensatória das células beta pancreáticas a uma menor sensibilidade dos tecidos alvos aos efeitos metabólicos, condição denominada resistência insulínica. Em consequência da redução da sensibilidade da insulina a utilização e armazenamento dos carboidratos, aumentam o nível de glicose sanguínea e estimula o aumento compensatório na secreção de insulina. (GUYTON, 2006; VIEIRA, 2010; QUEIROZ, 2008). 35 3 MATERIAIS E MÉTODOS Descrito abaixo a metodologia adotada para realização do trabalho. 3.1 Tipo de Pesquisa De acordo com Richardson (2007), o método de pesquisa significa a escolha de procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação de fenômenos pesquisados. O trabalho em pesquisa trata-se de um trabalho de campo quantitativodescritivo com delineamento de levantamento de dados, onde será realizada pesquisa empírica para análise de características de um público delimitado quanto idade e classe escolar. Este estudo utilizou artifícios quantitativos, questionários e procedimentos de amostragem, para a coleta sistemática de dados que forneceram resultados para a verificação da hipótese discutida (MARCONI & LAKATOS, 2010). Segundo Marcone e Lakatos (2010), a pesquisa de campo é utilizada como meio de obter informações e/ou conhecimentos sobre um dado problema, no qual objetiva-se encontrar uma respostar ou em uma hipótese que se espera comprovar. Além de encontrar novas manifestações e relações entre eles. Na pesquisa de campo observam-se fatos e fenômenos na maneira em que ocorrem espontaneamente, por meio de controles adequados e objetivos pré-estabelecidos que diferenciem suficientemente o que deve ser coletado (MARCONI & LAKATOS, 2010). 3.2 Delimitação do Público-alvo O público-alvo da pesquisa constitui-se de alunos do ensino fundamental e Médio, regularmente matriculados em duas escolas de níveis socioeconômicos diferentes, uma escola de ensino particular: Centro Educacional Brasil (CEBRAS) e uma escola de ensino público: Escola Estadual Altina de Paula Guimarães localizadas na cidade de Paracatu, Minas Gerais. 36 3.3 Critérios de inclusão e exclusão Os critérios para inclusão do público alvo na pesquisa foram: Os alunos deviam ser devidamente matriculados nas escolas pesquisadas; Alunos com faixa etária que compreende a adolescência; Estudantes da oitava série do Ensino fundamental ou o primeiro ano do Ensino Médio. Os critérios de exclusão do público alvo da pesquisa foram: Alunos portadores de deficiências ou doenças que não compatibilizem com os termos ou procedimentos da pesquisa; Alunos que fazer tratamento para acnes com o medicamento RoaKutan; Alunos que façam uso contínuo de medicamentos a base de corticóides; Todos os adolescentes que dispuseram a participar da pesquisa estavam dentro dos critérios de inclusão e nenhum apresentou critérios de exclusão. 3.4 Caracterização do Município A cidade de Paracatu localiza-se no planalto central do noroeste do estado de Minas Gerais e abrange uma área total de 8.229,11 km 2 com 83.560 habitantes de acordo com estimativa populacional do IBGE de 2009, sendo que a maioria esta centrada da zona urbana. A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte está localizada a 490 km de Paracatu. Em meados de 1693, a cidade foi descoberta e ocupada pelos bandeirantes que foram atraídos pela exploração do ouro local. O município apresenta terrenos planos e elevados, com destaque para as montanhas e vales. A altitude média é de 500 a 950 metros em relação ao nível do mar. A Bacia do São Francisco e Bacia do Paraná banham a cidade, sendo que o rio Paracatu é o afluente de maior importância para a hidrografia da cidade, atualmente usado para a irrigação de lavouras e pescaria. O ecossistema predominante da cidade é o cerrado com 37 fauna e flora típicas e clima tropical semi-úmido, com invernos secos e verões chuvosos. A economia da cidade baseia-se nas atividades agropecuárias (bovinocultura de corte e leiteira, produção de grãos, cereais e frutas) e exploração e extração de minério (ouro e zinco). A economia da cidade cresceu por consequência do aumento da população. Assim, a geração de resíduos pelos estabelecimentos domésticos e comerciais provoca impacto sócioambiental na cidade. (MACEDO, 2005). 3.5 Fatores éticos Inicialmente para o desenvolvimento do trabalho, o projeto de pesquisa foi aprovado pelo Secretário de Saúde da cidade de Paracatu, MG. Em seguida, as diretoras das escolas interessadas aprovaram e assinaram os ofícios e termos de autorização para a realização do projeto. Os ofícios e termos de autorização assinado estão em Apêndice A e B. Posteriormente a aprovação do diretório escolar foi realizada uma palestra ministrada pela acadêmica responsável pelo projeto, com caráter educativo com os alunos para apresentá-los à natureza do trabalho, seus objetivos, métodos, benefícios e riscos inerentes as possíveis alterações lipídicas e suas consequências. Os alunos que aceitaram a participar do projeto entregaram no dia da coleta sanguínea o termo de consentimento livre e esclarecido assinado pelos seus responsáveis (Apêndice C). 3.6 Caracterização do Local de estudo O CEBRAS (Centro Educacional Brasil) é um colégio de ensino particular, localizado na Rua Orlando Ulhôa Batista, 380 – Paracatu-MG. O colégio foi fundado por Márcio José dos Santos e Walderez Porto Gonçalves dos Santos no ano de 1990. O colégio trabalha com ensino maternal, primário, fundamental e ensino médio. A EEAPG (Escola Estadual Altina de Paula Guimarães) é uma escola estadual de ensino público, localizada na Rua dos Operários, 160, Bairro Vila Mariana – Paracatu-MG. A escola oferece ensino gratuito a crianças e adolescentes de classes sociais menos favorecidas. 38 O Laboratório Santa Lúcia é um laboratório de Análises Clínicas fundado juntamente com a Policlínica São Lucas. Este se localiza na Rua Geraldo Álvares da Silva Campos, 477, Bairro Santa Lúcia na cidade de Paracatu – MG. A Biomédica Mara Cristina Aranha Fernandes em sociedade com o Médico Marcelo Mendes Fernandes são os proprietários e responsáveis técnicos do laboratório. O laboratório possui selo de qualidade outorgado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, certificado como excelente pela ABNT/INMETRO/NBR ISO 9002. 3.7 Desenvolvimento do estudo A palestra educativa ministrada no contato inicial objetivou explicar o conteúdo pesquisado pelo projeto, expondo informações básicas que esclareceram bem o assunto em discussão. Ao final da palestra foi aplicado aos alunos um questionário sócio-cultural, econômico e comportamental, objetivando avaliar estes parâmetros na população em estudo (Apêndice D). O questionário foi lido em voz alta para entendimento de todos os alunos. Ainda neste encontro os pesquisados foram informados sobre o procedimento completo de coleta de dados, que foi realizado no dia seguinte ao encontro de apresentação do projeto. 3.7.1 Pesquisa socioeconômica, cultural e comportamental Aspectos socioeconômicos, culturais, e comportamentais foram investigados através da aplicação de um questionário aos alunos pesquisados. Os questionários padronizados foram compostos por um cabeçalho de identificação e perguntas fechadas que foram aplicados aos alunos juntamente com o termo de consentimento livre e esclarecido no primeiro encontro. Os alunos levaram o questionário para discutirem e responderem juntamente com os pais, e devolveram juntamente com o Termo livre esclarecido assinado pelo responsável no dia da realização da coleta de amostra. 3.7.2 Caracterização da coleta sanguínea 39 Após o primeiro contato foi realizada a segunda visita para a coleta de amostra sanguínea para realização dos exames bioquímicos. Na primeira visita foi explicado todo o procedimento de coleta, inclusive o tempo de jejum exigido para realização do lipidograma. Todos os alunos relataram fazer jejum de 12 horas para coleta da amostra apropriada para realização dos exames. Foi montado um boxe de coleta em cada uma das escolas pesquisadas no local destinado pela direção. Os boxes foram compostos de uma cadeira escolar de braço, mesa de apoio para suporte de materiais (seringas, agulhas, luvas, algodão, curativo, tubos seco a vácuo, estante para tubos, garrote e álcool 70%). A coleta sanguínea foi realizada pela acadêmica Rayany Márcia Alves Vieira, supervisionada pela Biomédica Coorientadora do projeto Mara Cristina Aranha Fernandes. No inicio do horário de aula foi formado uma fila com os alunos pesquisados para o inicio da coleta. Inicialmente foi recolhido o termo de consentimento livre e esclarecido juntamente com o questionário respondido, por conseguinte o aluno sentou- se na cadeira e a acadêmica portando os EPIs necessários iniciou o procedimento. O nome completo e o número do aluno foram transcritos para o tubo de coleta, ficha de identificação (Apêndice E) e para o mapa bioquímico (Apêndice F). Em seguida, foi colocado o garrote no braço do aluno pesquisado, realizando a assepsia com um chumaço de algodão umedecido no álcool 70% com movimentos de cima para baixo repetido por três vezes para em seguida efetuar a punção venosa, a fim de retirar com a seringa descartável 5 ml de sangue. Ao efetuar a conecção da agulha com a seringa o êmbulo foi movimentado para descolamento do mesmo. Foi utilizada para a coleta a agulha de 25x7 mm, com uma seringa de um volume total de 5 ml. Ao encerrar a punção o aluno foi orientado pressionar o algodão com o dedo e manter o braço esticado para não haver extravasamento de sangue para os tecidos. Por conseguinte, a amostra coletada foi colocada no tubo a vácuo siliconado de 9 ml, já identificado no início da coleta. Por fim, a seringa foi descartada juntamente com a agulha em um coletor para materiais perfurocortantes e após colocar um curativo no local da punção o aluno foi encaminhado para um café da manhã. 40 3.7.3 Caracterização da Análise Bioquímica Após o encerramento da coleta os alunos foram informados da data de entrega dos laudos e dispensados para retorno as aulas. As amostras sanguíneas foram levadas rapidamente para o Laboratório Santa Lúcia, onde a acadêmica Rayany Márcia realizou os exames supervisionada pelas Biomédicas Maraíza Cristina e Mara Cristina. Inicialmente, os tubos devidamente identificados foram calibrados e colocados na centrifuga para centrifugar por 5 minutos a 3000 rotações por minuto. Após centrifugação a parte líquida foi separada dos elementos figurados, e o soro (parte líquida com elementos da coagulação consumidos) foi separado do coagulo em tubos de ensaio devidamente identificados com nome e número do aluno. Por conseguinte, iniciou-se a etapa de análise das amostras. O controle interno de qualidade do Laboratório foi realizado antes das análises para avaliação de todos os procedimentos e parâmetros utilizados. O lipidograma é composto pela dosagem sérica de CT, HDL-c e Triglicérides e cálculo do LDL – c e VLDL-c. Após dosá-los utilizando a calculadora os demais os parâmetros foram calculados de acordo com fórmula de Friedewald e Cols, recomendadas pela American Academy of Pediatrics.(RIBAS e SILVA, 2009). Segue abaixo a fórmulas para os cálculos: VLDL-c = Triglicérides / 5 LDL-c = Colesterol total – (VLDL + HDL-c) Durante esta fase analítica foi utilizada o aparelho semiautomático Bio 2000, centrifuga, homogeneizador, banho maria, pipetas de vidro, micropipetas, ponteiras, estantes e os kits LABTESTE de Colesterol, HDL-c e triglicérides. O aparelho utilizado para a dosagem bioquímica foi o Bio 2000, um aparelho semiautomático de alta performance, compacto, versátil que inclui todos os componentes de hadware e software para executar os mais variados testes. Este sistema de Bioquímica é composto por fotômetro, bomba impressora, teclado e display, componentes que facilitam a rotina bioquímica dentro do 41 laboratório de análises clínicas. Devido à alta capacidade da bomba do Bio 2000 aspirar pequeno volume, os testes têm sua reprodutibilidade aumentada. As amostras separadas após centrifugação foram organizadas em ondem numérica crescente em uma estante enquanto em outra foram colocados os tubos de ensaio para realização das reações. As dosagens de CT, HDL-c e TG foram determinados por métodos enzimáticos utilizando reagentes LABTEST. O Colesterol Total foi o primeiro exame realizado, o Kit LABTESTE de Colesterol total é composto por um reagente de colesterol e o padrão. Foi tomado um tubo para o calibrador e os outros para reação de cada amostra, estes foram identificados, com o número, nome e exame. No tubo de ensaio padrão foi pipetado 0,5 ml de reagente de colesterol mais 5 ul do calibrador. Nos tubos de ensaios para reação da amostra foi pipetado 0,5 ml de reagente de colesterol e 5 ul da amostra. As reações foram homogeneizadas e incubadas a 37 graus no banho maria. Em seguida foi realizada a leitura no aparelho semi-automático Bio 2000, onde os parâmetros do Kit Labtest já foram devidamente cadastrados. O aparelho ler as absorbâncias e automaticamente já efetua os cálculos liberando o resultado final, que foram atenciosamente anotados no mapa bioquímico. Em seguida foi realizado HDL colesterol, O Kit HDL colesterol e composto pelo reagente precipitante e padrão, porém é necessário utilizar o reagente de colesterol LABTEST para realizar o exame. Novamente foram separados os tubos e identificados com número, nome e exame. Em um tubo 12 x 75 foi colocado 200 ul do padrão mais 200 ul do reagente precipitante, e nos demais tubos identificados respectivo as amostras foram pipetas 200 ul da amostra e 200 ul do precipitante, em seguida foram agitados vigorosamente por 30 segundos no homogeneizador. Os tubos foram levados para á centrifuga por 15 minutos a 3500 rotações por minuto. Após a centrifugação formou-se um botão no fundo tubo, pois as lipoproteínas de muita baixa densidade (VLDL) e as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) são quantitativamente precipitadas e colesterol ligado às lipoproteínas de alta densidade (Colesterol HDL) é determinado no sobrenadante. Os tubos foram retirados da centrifuga com cuidado e pipetados 50 ul do sobrenadante imediatamente em outro tubo de ensaio com 0,5 ml de Reagente de colesterol, 42 as reações foram homogeneizadas e levadas ao banho maria para incubação por 10 minutos. Por conseguinte, foi realizada a leitura no Bio 2000 e anotado os resultados. Por fim, foi realizada a dosagem de triglicérides com Kit LABTESTE, este é composto pelo regente de triglicérides e pelo padrão. Em um tubo denominado calibrador foi pipetado 0,5 ml de reagente mais 5 ul do calibrador e nos tubos testes devidamente identificados foram pipetados 0,5 ml de reagente mais 5 ul de soro. Todos foram homogeneizados e incubados por 10 minutos a 37 graus no banho maria. Em seguida, as reações foram lidas e os resultados anotados. Os resultados fora do valor de referência proposto pelo kit LABTEST foram todos repetidos para confirmação. Em seguida, os laudos foram montados, conferidos e devidamente assinados pela Biomédica supervisora de todo o procedimento para entregá-los aos alunos pesquisados. 3.7.4 Plotação de resultados Todos os resultados obtidos através do questionário e da analise bioquímica foram compilados e apresentados através de gráficos e/ou tabelas no Microsoft Word e Excel, 2010. Sendo que para os resultados da analise bioquímica, antes da compilação foi realizada a média aritmética de acordo com os valores de referência preconizados pelo laboratório em acordo com a bula dos testes utilizados (LABTEST). Realizou-se uma classificação do perfil lipídico de acordo com os valores preconizados pela SBC também demonstrados em gráficos. 3.7.5 Atividades de educação em saúde Tendo como referência os resultados obtidos junto à investigação socioeconômica, cultural e comportamental e com a analise bioquímica das amostras foi realizada atividades de educação em saúde com enfoque preventivo através de uma breve reunião com os alunos pesquisados. Foi realizada uma reunião com o público pesquisado. Durante a reunião a acadêmica Rayany Márcia apresentou os resultados obtidos na pesquisa e desenvolveu uma palestra educativa com incentivo a alimentação balanceada 43 nutritiva, prática de atividades físicas e controle laboratorial rotineiro. No final da palestra foi aberto tempo para perguntas e em seguida os laudos foram entregues aos alunos. Por fim, em forma de agradecimento os alunos foram homenageados e presenteados com uma simples lembrança. Em anexo A o modelo do laudo entregue para os alunos. 44 4 RESULTADOS A seguir descrito os resultados da pesquisa. 4.1 Análise Bioquímica Após a realização e assinatura dos exames bioquímicos, os resultados foram avaliados e separados de acordo com cada escola. Por conseguinte, realizou-se a média aritmética da escola pública e particular de cada parâmetro que compõe o Lipidograma. A escola particular apresentou resultados de Colesterol Total, LDL- colesterol e Triglicérides superiores e HDL- colesterol inferiores aos da escola pública (GRAF. 1). Ressalta-se que de acordo com os valores de referência do Laboratório onde foram realizadas as análises que se baseiam no Kit LABTEST nenhuma das escolas demonstraram valores fora do desejável. Contudo, quando avaliados de acordo com os parâmetros da SBC a escola particular manteve-se com valores indesejáveis. Como descrito na Tabela 2, a SBC preconiza valores de normalidade para á classificação do perfil lipídico de crianças e adolescentes de naturalidade brasileira. Sendo os valores de referência do Laboratório baseados em estudos com a população geral, os resultados dos alunos foram classificados de acordo com os valores determinados pela SBC para uma melhor delimitação. A maioria dos alunos da escola particular obteve resultados aumentados, enquanto que a maioria dos alunos da escola pública manteve-se dentro dos valores desejáveis (GRAF. 2 e 3). 45 Gráfico 1 - Média do Perfil Lipídico dos Adolescentes 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 177,38 140,06 122,5 108,3 100,2 69,3 50,6 44,5 20,05 24,5 C oles terol T otal HDL L DL P úblic a VL DL T rig lic erídes P artic ular Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 2 – Classificação do Colesterol Total e Triglicérides dos Alunos Pesquisados com Base nos Valores Preconizados pela SBC 66,60% 61,50% 62,50% 21,10% 16,60% 15,40% 16,60% CT Escola Pública CT Escola Particular 20,20% 38,40% 30,80% 30,80% Limítrofe Aumentado 8,30% TG Escola Pública Desejável TG Escola Particular Fonte: Dados da Pesquisa 46 Gráfico 3 – Classificação do Colesterol Total e Triglicérides dos Alunos Pesquisados com Base nos Valores Preconizados pela SBC Fonte: Dados da Pesquisa 4.2 Pesquisa socioeconômica, cultural e comportamental Foram entregues 37 questionários que descreviam a situação social, econômica e comportamental dos alunos juntamente com o termo de consentimento livre e esclarecido a cada um dos alunos que se dispuseram a participar da pesquisa, que foram devolvidos respondidos e assinados no dia da coleta sanguínea. Dos 37 alunos participantes 24 eram estudantes da escola pública e 13 estudantes da escola particular. A faixa etária do público alvo variou de 13 a 17 anos, sendo a maioria de 15 anos na escola pública e 14 anos na escola particular (GRAF. 1). Quanto ao sexo, nas duas escolas a maioria dos participantes foi do sexo feminino (GRAF.4 e GRAF. 5). 47 Gráfico 4 - Idade dos Adolescentes Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 5 - Sexo dos Adolescentes da Escola Pública Fonte: Dados da Pesquisa 48 Gráfico 6 - Sexo dos Adolescentes da Escola Particular Fonte: Dados da Pesquisa Nos dados sócio-culturais questionados aos estudantes adolescentes do Ensino Fundamental e Médio, a renda familiar mensal descrita pelos alunos da escola particular foi superior aos da escola pública (GRAF. 6), sendo que a superioridade se encaixa em rendas acima de dois salários mínimos, enquanto que a maioria dos alunos de escola pública relatou renda de somente um salário mínimo. Contudo, o número de integrantes das famílias dos pesquisados foram na maioria de 4 a 6 pessoas (GRAF. 7). Fato que demonstra a diferença na qualidade de vida dos alunos. Ressalta-se que quanto as profissões dos responsáveis pelos alunos obteve-se variáveis demonstradas no Gráfico 8 e 9. 49 Gráfico 7 - Renda Familiar do Público Estudado Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 8 - Número de Pessoas na Família Fonte: Dados da Pesquisa 50 Gráfico 9 - Profissão dos Responsáveis pelos Adolescentes da Escola Pública Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 10 - Profissão dos Responsáveis pelos Adolescentes da Escola Particular Fonte: Dados da Pesquisa Quando questionados quanto à alimentação, praticamente metade dos adolescentes pesquisados relatou consumir uma dieta balanceada, já a outra 51 parte relatou consumir sim uma dieta balanceada, mas em conjunto com FastFood e guloseimas (GRAF. 10). Uma pequena parte dos alunos relatou ainda ser vegetariano e não consumir verduras, legumes e frutas. Gráfico 11 - Alimentos Consumidos Pelos Adolescente Fonte: Dados da Pesquisa Em relação à prática de atividades físicas, a escola particular obteve maior número de alunos que disseram praticá-las do que a escola pública (GRAF. 11). Sendo, que nas duas escolas ocorrem aulas de educação física, com a diferença que na particular o incentivo e número de modalidades esportivas são bem maiores. Porém, o tempo de uso do computador foi superior para os alunos de escola particular, onde a maioria deles relatou 52 ficarem 2 horas na frente do computador, enquanto as maiorias dos alunos de escola pública disseram ficar menos que duas horas no computador como demonstrado no Gráfico 12. Gráfico 12 - Prática de Atividade Física Regularmente 69,20% 41,60% Pública 29,20% 29,20% Particular 23% 7,60% Sim Não As Vezes Fonte: Dados da Pesquisa 53 Gráfico 13 - Tempo de Uso do Computador 53,80% 41,60% 23% Pública 16,70% 16,70% 15,30% 15,50% 12,50% 7,30% Particular 0,00% Menos que Duas Horas Duas Horas Entre Tês e Quatro Horas Mais que Quatro Horas Não Possuo Computador Fonte: Dados da Pesquisa A pesquisa de doenças crônicas na família iniciou-se com o questionamento sobre a obesidade da família, onde mais de 50% dos alunos das duas escolas relataram ter alguém acima do peso na família (GRAF. 13). Ressalta-se que o integrante mais obeso da família dos pesquisados da escola pública foi a mãe, já na escola particular mais de 50% relataram ter mais de um integrante obeso na família, como descrito pelo Gráfico 14. 54 Gráfico 14 - Obesidade na Família Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 15 - Integrantes Obesos na Família Fonte: Dados da Pesquisa Os portadores de hipertensão arterial na família dos alunos pesquisados foram bem equilibrados, onde na escola particular obteve-se um maior índice de pessoas portando a doença como revela o Gráfico 15. Levando em consideração os alunos que disseram sim, na escola pública dos 45,80% 55 portadores de hipertensão arterial, 36,3% são mais de um integrante da família, 27,2% são as mães, 8,1% são os pais e 9,1% os parentes próximos. Na escola particular dos 53,80%, 28,5% são os pais, 28,5% os parentes próximos, 28,5% mais de um integrante da família e 14,2% as mães. Gráfico 16 - Portadores de Hipertensão Arterial Fonte: Dados da Pesquisa Os portadores de diabetes na família dos pesquisados foi pequeno, onde os alunos da escola pública apresentou maior úmero de portadores (GRAF. 16). Dos 29,2% portadores da doença na escola pública 85,7% são parentes próximos e 43% a mãe dos alunos. Já na escola particular com apenas 7,6%, os portadores são os avós do público pesquisado. 56 Gráfico 17 - Portadores de Diabetes Melitos 76,90% 58,30% Pública Particular 29,20% 15,30% 12,50% 7,60% Sim Não Não Informou Fonte: Dados da Pesquisa Quando questionados sobre os portadores de doenças cardiovasculares na família mais de 50% dos alunos relataram não ter ninguém na família (GRAF. 17). Os 25% da escola publica que relataram ter algum portador de doenças cardiovasculares na família, 83,3% são parentes próximos e 16,6% são pais dos alunos, já na escola particular onde 34,4% disseram ter portadores da doença na família, 60% são mais de um integrante a família e 40% parentes próximos dos adolescentes pesquisados. 57 Gráfico 18 - Portadores de Doenças Cardiovasculares 62,50% 61,50% 38,40% Pública 25% Particular 12,50% 0,00% Sim Não Não Informou Fonte: Dados da Pesquisa Outros elementos importantes pesquisados foram taxas de Colesterol e Triglicérides elevados no sangue, onde a maioria dos alunos relatou não ter ninguém com os índices aumentados na família, como descritos nos Gráficos 18 e 19. Da pequena parte que disse ter alguém com os índices elevados na família, dos 29,1% a escola pública 42,8% foram ás mães, 28,7% eram parentes próximos e 28,57% mais de um integrantes da família; da escola particular dos 46,2%, 33,3% foram os pais, 33,3% foram parentes próximos e 16,6% mais de um integrante da família. 58 Gráfico 19 - Portadores de Colesterol Alto 62,50% 53,80% 46,20% Pública 29,10% Particular 8,30% 0,00% Sim Não Não informou Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 20 - Portadores de Triglicérides Alto na Corrente Sanguínea 66,60% 61,60% Pública 38,40% Particular 16,60% 12,50% 0,00% Sim Não Não informou Fonte: Dados da Pesquisa 59 Quanto ao questionamento do aluno ou alguém da família ser portador de outras doenças, grande maioria dos adolescentes pesquisados respondeu não ter nenhuma, demonstrado no Gráfico 20. A pequena porcentagem que respondeu ter outras doenças presentes na família referiu-se a doenças respiratórias e alérgicas. Gráfico 21 - Portadores de Outras Doenças 84,70% 62,50% Pública Particular 20,80% 15,30% 16,70% 0,00% Sim Não Não Informou Fonte: Dados da Pesquisa Quanto ao questionamento sobre a rotina com os adolescentes fazem consultas médicas e exames laboratoriais de rotina os resultados foram surpreendente, pois mesmo os adolescentes de condição socioeconômica superiores apresentaram resultados desfavoráveis, como demonstrados nos Gráficos 21 e 22. 60 Gráfico 22: Rotina que Fazem Consultas Médicas 83,30% 69,20% Pública Particular 21,40% 4,10% 4,10% 0,00% Mais de duas Duas vezes ao vezes por ano ano 8,30% 7,60% Uma vez ao ano Somente quando esta doente Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 23: Rotina que Fazem Exames Laboratoriais 87,50% 61,50% Pública Particular 30,70% 0,00%0,00% 4,10% 7,60% 4,10% Mais de duas Duas vezes ao vezes por ano ano Uma vez ao ano Somente quando está doente Fonte: Dados da Pesquisa 61 Outro importante aspecto pesquisado foi o conhecimento dos alunos sobre o Lipidograma Completo, onde quase 100% dos alunos das duas escolas disseram não conhecer o exame (GRAF. 23). Gráfico 24: Conhecimento do Lipidograma Completo 100,00% 92,30% Pública Particular 7,60% 0,00% Sim Não Fonte: Dados da Pesquisa Os alunos revelaram também a rotina com que vão à nutricionista, onde a maioria deles disseram nunca ter procurado o serviço prestado por este profissional (GRAF. 24). 62 Gráfico 25: Rotina que Vai ao Nutricionista 87,50% 76,90% Pública Particular 30,70% 4,10% 8,30% 0,00% Uma vez por ano Quando necessitei de dieta Nunca fui Fonte: Dados da Pesquisa 63 5 DISCUSSÃO De acordo com Grilo et al, (2005), atualmente, no Brasil estudos que descrevem a prevalência de alterações lipídicas na faixa etária infanto-juvenil são escassos, porém entre os realizados os valores percentuais são divergentes, apontando valores superiores aos encontrados nos alunos de escola pública e inferiores aos alunos de escola particular. No estudo de Ribas e Silva (2009), os estudantes de escola particular apresentaram a média do perfil lipídico sem muitas alterações, onde o CT foi de 142,8 mg/dl, LDL 83,6 mg/dl, TG 86,7 mg/dl e HDL 41,8 mg/dl, um pouco abaixo de desejável. Já no estudo de Grilo et al (2005) realizado com crianças e adolescentes de baixa renda, a média do CT (145,1 mg/dl), LDL (82,6 mg/dl) e TG (61,8 mg/dl) dos escolares foram inferiores, sendo que o HDL (49,2 mg/dl) apresentou valor superior. Em contrapartida, o estudo realizado com adolescentes no México por Ramirez-López et al (2003) demostrou resultados superiores para CT, LDL e TG e ligeiramente inferiores de HDL do que estudos brasileiros. Ressalta-se, que o estudo realizado por Romaldin et al (2003) com crianças e adolescentes em São Paulo e o estudo de Franco e Alves (2005) realizado com adolescentes em Pernambuco também demonstrou valores de CT, LDL e TG superiores e valores levemente inferiores de HDL. Na pesquisa de Pereira (2010) realizada com adolescentes estudantes de escolas públicas do Recife-PE a prevalências de dislipidemias foi de 63,8%. Valor semelhante ao encontrado por Gama, Carvalho e Chaves (2007) em um estudo realizado com crianças, onde cerca de 68,4% das crianças tinham um ou mais de parâmetros lipídicos alterados. Percentual considerado altíssimo quando relacionado com estudos anteriores. No presente trabalho também foi observado valores aumentados de CT, LDL – c e TG e diminuídos de HDL – c para os adolescentes estudantes de escola particular, já os de escola pública uma pequena porcentagem demostrou valores aumentados. A constatação dos diferentes resultados do perfil lipídico de um grupo de mesma faixa etária pode justificar-se em alguns fatores como diferença nos hábitos alimentares da população e característica socioeconômica. (GRILO et, 2005). A lipoproteína HDL – colesterol que atua como fator protetor contra 64 doenças cardiovasculares, foi o componente lipídico que demonstrou o maior percentual de alteração (RIBAS e SILVA, 2008), como relatado nos estudos anteriores relacionado com o presente estudo. Níveis baixos de HDL – colesterol é um fator de risco importante para ocorrência de aterosclerose, estudos relatam que a principal dislipidemia associada á obesidade é caracterizada per elevações leves e moderadas de TG e diminuição de HDL – Colesterol. (GRILO et al, 2005). Para Brotons et al citado por Rivas e Silva (2008) os níveis séricos de lipídeos e lipoproteínas sofrem alterações importantes durante a infância e adolescência, sendo que em média indivíduos do sexo feminino demonstram níveis superiores de CT, HDL e LDL quando comparados aos do sexo masculino, fato atribuído a ocorrência da menarca. Mas, estudos epidemiológicos também mostram que a alteração na distribuição dos lipídios nas crianças e adolescentes do sexo feminino não depende de idade ou etnia. (MORRISON e PIETRO apud RIBAS e SILVA, 2008). As diferenças de alterações lipídicas quanto ao sexo no presente trabalho não foram significantes. Alguns estudos juntamente com as SBC demostram correlação entre colesterol sanguíneo aumentado e a incidência por doenças cardiovasculares, revelando que o risco aumenta quando o colesterol é superior a 200 mg/100ml. Contudo, a partir de dezembro de 2005, a SBC por meio da I Diretriz de prevenção de Aterosclerose na infância recomenda aconselhamento dietético a partir de 150 mg de colesterol/100 ml de sangue e avaliação de rotina a partir de 170 mg de colesterol/100 ml de sangue com intenção de prevenir a ocorrência de doenças cardiovasculares. (BRASIL, 2001; BRASIL, 2005). A falta de padronização nas amostragens e nas metodologias, principalmente quando relacionado com a definição dos intervalos de referências, dificultam a comparação desse fenômeno epidemiológico nos diferentes estudos. Pois muitas pesquisas utilizam os pontos de corte recomendados pela III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias (III SBSD), que escolheram os valores do National Cholesterol Education Program (NCEP), que foram estabelecidos paras as crianças e adolescentes dos Estados Unidos. Uma prática que pode induzir a potenciais vieses, pois desconsideram diferenças étnicas, socioeconômicas, hábitos alimentares e constituição física 65 da população brasileira. Assim, no ano de 2005 a I Diretriz da Prevenção da Aterosclerose na Infância e adolescência (I DPAIA) propôs novos valores de referência de lipídios e lipoproteínas direcionados as crianças e adolescentes brasileiros. Os intervalos de referência determinados pela I DPAIA são descritos na tabela 2 deste trabalho. O estudo de Ribas e Silva (2008), foi realizado em uma escola de ensino privada, onde cerca de 49% dos alunos tinha entre 13 e 19 anos, e o sexo do público alvo esteve em equidade, resultados semelhantes ao deste estudo. O número de escolares com perfis lipídicos desfavoráveis diminuem à medida que aumenta a idade, ou seja, a juventude é uma importante época a ser investigada. Sendo, que estudos demonstram que crianças e adolescentes com faixa etária de 10 a 15 anos são grupos etários merecedores de investigação de outros fatores de risco dada a alta taxa de dislipidemia. O estudo de Giuliano et al (2005) também demonstrou que a maioria das médias dos componentes do perfil lipídico apresentados pelo escolares de Florianópolis foram descritos com o aumento da idade, sendo que escolares de 7 a 10 apresentaram maiores médias lipêmicas. Para Ribas e Silva (2009), esse fenômeno é esperado, pois crianças tendem a crescer compensando o excesso de peso no futuro. Outro fator que pode contribuir para esta diminuição é a preocupação com a beleza estética demonstrada pelos adolescentes que cada vez em número maior buscam a prática de atividade física espontânea. (MALDONADO apud RIBAS; SILVA, 2008). No Brasil, a obesidade esta presente nas diferenças faixas econômicas, principalmente nas classes mais privilegiadas. A classe socioeconômica influência na obesidade por meio da educação, da renda mensal e da ocupação, originando padrões comportamentais específicos que afetam a ingestão calórica, gasto energético e taxa metabólica. (CORNACHIONI; ZADRA; VALENTIM, 2011). Grilo et al (2005) realizou um estudo com escolares de Santa Catarina e constatou uma renda per capita média de R$ 86,63, bem próxima da pobreza. Sem muita diferença do presente estudo onde a maioria dos alunos de escola pública obteve renda familiar de 1 salário mínimo. Ressalta-se que devido ao número de integrantes da família variar entre 4 e 6, o rendimento mensal tornase muito inferior ao necessário para sobrevivência digna. Mesmo que os dois 66 estudos tenham sido realizados com populações de localidades e nível socioeconômico diferentes, os estudantes demonstraram situações semelhantes. Gerber e Zielinky (1997) concluíram no estudo realizado com adolescentes escolares em Bento Gonçalves-RS que os fatores de risco para aterosclerose são evidenciados na infância e deveriam ser investigados independentes do nível socioeconômico. Segundo Grilo et al, ( 2005) apesar dos estudos que avaliam a influência do nível socioeconômico no perfil lipídico não serem muito consensuais, as pesquisas demonstram médias inferiores de CT, TG e das lipoproteínas para grupos com condições desfavoráveis economicamente, como demostrado no estudo de SILVA; BALABAN; MOTTA, (2005) realizado com adolescentes escolares onde os alunos de condição socioeconômica melhor obtiveram valores lipídicos superiores aos alunos de condição inferior, resultado semelhante ao do presente estudo. Os valores médios lipídicos observados nos alunos de escola particular, pode ser explicado pelo fato dos estudantes de escola pública apresentarem um estilo de vida mais saudável quando comparados ao da rede privada. Geralmente, os estudantes de escolas públicas se exercitam mais e apresentam uma alimentação mais equilibrada, pois a merenda oferecida em algumas escolas é supervisionada por nutricionistas, e muitos alunos têm como alimentação somente a merenda escolar. (PEREIRA et al, 2010). Notou-se com este estudo que os adolescentes estudantes de escolas públicas em sua maioria vão para escola andando e se alimentam na escola com uma merenda saudável servida todos os dias pelas serviçais. Já os alunos da escola particular, vão e retornam para casa de carro, moto ou outro automóvel e se alimentam de forma menos saudável, pois a escola não oferece merenda. Segundo Mello, Meyer e Luft (2004) vários fatores influenciam no comportamento alimentar, entre eles fatores externos (unidade familiar, atitudes com os pais e amigos, valores sociais, culturais e alimentos rápidos) e fatores internos (necessidades e características psicológicas, imagem corporal, valores e experiências pessoais, auto-estima, preferências alimentares, saúde e desenvolvimento psicológico). Dentro dos fatores externos, pesquisas demonstram baixa qualidade nutricional no lanche escolar, com reduzida quantidades de fibras, cálcio e ferro e elevadas quantidades de carboidratos 67 processados, lipídios e sódio. Fato que demostra excesso de peso, inatividade física e grande quantidade de gordura abdominal. Estudos alertam que as escolas devem proporcionar programas de exercício físico e educação alimentar para os jovens. Machado (2009) relata que a prática de atividade física tem mostrado uma redução no risco de doenças do coração, diminuição da pressão arterial em repouso, diminuição da perda da base mineral com o avançar da idade, diminuição das dores nas costas e do cansaço, além de fornecer uma forma eficaz de controlar a gordura corporal. A atividade física abrange várias atividades diárias, como trabalhos diários, de lazer e esporte de recreação e competição, sendo que o exercício pode ser considerado como um componente voluntário de toda a atividade física. Khawali; Andriolo e Ferreira (2003) demonstrou que agudamente a atividade física possui propriedade de aumentar a capitação de glicose pelas células musculares e o exercício sustentado induz ao aumento da sensibilidade a insulina. Para Giuliano e Carneiro (2004) nos últimos tempos as crianças tornaram-se menos ativas incentivadas pelos avanços tecnológicos. Uma relação positiva entre a inatividade, ao tempo gasto assistindo televisão e o aumento da adiposidade foi observado em escolares. Por outro lado, o aumento da atividade física diminui o risco de obesidade, atuando na regulação do balanço energético e mantendo ou preservando a massa magra em prejuízo da massa gorda. No presente estudo 62,2% dos adolescentes estudantes de escola particular disseram praticar alguma atividade física, já na escola pública os resultados não foram tão favoráveis, pois 46,6% disseram praticas exercícios físicos somente de vez em quando. O estudo de Ribas e Silva (2009) demonstrou que 28,8% do público em estudo estava acima do peso, o estudo de Grilo et al (2005) também apresentou o percentual de 7,4% de adolescentes obesos. Diferente dos resultados do trabalho onde os adolescentes relataram não estarem obesos somente integrantes de suas famílias. Segundo Grilo et al (2005) estudos relacionam a obesidade com fator de risco para as dislipidemias de forma geral, não somente com a diminuição do HDL – c. Carneiro et al (2000) estudando grupos de adolescentes obesos e não obesos, mostrou associação 68 entre adiposidade e perfil lipídico desfavorável para TG e HDL – c. Já no estudo de Valverde et al apud Grilo et al (2005) encontraram nível lipídico acima de valores normais em 91,9% de 74 adolescentes estudados, principalmente para HDL – c com 93,6%. Para Grilo et al (2005) muitos estudos não verificam associação entre obesidade e hipercolesterolemia em escolares, condição que sugere a influência de outros fatores de risco que não a obesidade, como fatores comportamentais e genéticos. Para Forti et al apud Grilo et al (2005) em todo o mundo a maior parte das dislipidemias em criança e adolescentes deve ser associados com hábitos alimentares e costumes individuais e familiares inadequados, como a inatividade física. Monge-Rojas apud Grilo et al, (2005) demonstrou em sua pesquisa realizada na Costa Rica, que os baixos valores de HDL-c poderiam ser atribuídos a condições genéticas da população. Existem evidências sugestivas alterações nos genes para apolipoproteínas AI, AIV, B e E, o que contribui para heterogenicidade de perfil lipídico. As dislipidemias classificam-se em primárias e secundárias, onde as primárias exibem uma conotação genética e algumas só se manifestam em função da influência ambiental. As dislipidemias consideradas prevalentes são as hipercolesterolemias familiares homozogóticas, que apesar de raras, são consideradas graves. (BRASIL apud PEREIRA et al, 2010). Entretanto, a grande parte das dislipidemias que acometem crianças e adolescentes são relacionadas ao estilo de vida inadequado. Sendo assim, a manutenção de um modelo dietético com nutrientes adequados, o controle do peso corporal, a prática de atividades físicas e abandono do tabagismo são atitudes que ajudam na prevenção de alterações lipídicas, como também para a construção de hábitos saudáveis na vida adulta. (CABASTINI &MANFROI; BRASIL apud PEREIRA, et al, 2010). Existem subclasses do LDL, a LDL tipo B é pequena e densa, já a outra subclasse é de maior tamanho. As partículas de LDL tipo B devido ao seu menor tamanho e pela maior densidade atravessam com mais facilidade a barreira endotelial sendo mais facilmente oxidáveis fato que as tornam mais aterogênicas. Sendo assim, mesmo em indivíduos com níveis desejáveis de LDL- c, o perfil lipídico pode ser menos favorável dependendo da proporção entre as subclasses das lipoproteínas. (SIQUEIRA; ABDALLA; FERREIRA E 69 LIMA et al apud PEREIRA, 2010). As relações entre os parâmetros do perfil lipídico devem ser realizadas com muito cuidado, já que a razão TG/HDL-c correlaciona-se diretamente com o nível de LDL tipo B no plasma, fato este que pode indicar um perfil lipídico mais aterogênico. (PEREIRA et al, 2010). De acordo com Pereira et al (2010) a dislipidemia é geralmente secundária a obesidade infantil, exibindo uma positiva associação entre a incidência da obesidade e dislipidemias em crianças e adolescentes. O mecanismo que pode explicar esta relação talvez seja a ativação da via cinase AMP-dependente, induzida pelo aumento da insulina e da leptina e pela redução da ativação da adiponectina, que por sua vez eleva a oxidação dos ácidos graxos. Nessas crianças, a adiponectina tem uma associação positiva com a sensibilidade à insulina e com as taxas de HDL-c e negativa com as taxas de TG. De acordo com Santos e Spósito citado por Pereira et al (2010) a dislipidemia principal relacionada com a obesidade é descrita por elevações leves e moderadas do TG e pela diminuição do HDL-c. Como observado no presente estudo onde 38,4% dos estudantes da escola particular demonstrou níveis de TG aumentados e 38,5% níveis de HDL-c indesejáveis. De acordo com Mello, Meyer e Luft (2004) a quantidade total de gordura, o excesso de gordura no tronco ou região abdominal e o excesso de gordura visceral, são complicações da obesidade infantil que poder resultar doenças crônico-degenerativas com a elevação do colesterol e a hipertensão arterial sistêmica, que juntas, aumentam o risco de doença coronariana, além do diabetes e inatividade física. Complicações que aumentam a taxa de mortalidade. Vários são os fatores importantes na origem da obesidade, entre eles destacam-se fatores genéticos, fisiológicos e metabólicos. Entretanto, os que poderiam explicar este crescente aumento do número de indivíduos obesos estão mais relacionados ás mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares, pois a maioria dos estudos concorda que o aumento do consumo de alimentos ricos em açucares simples e gorduras juntamente com a diminuição na prática de atividades físicas, são os principais valores relacionados à obesidade. (CORNACHIONI; ZADRA; VALENTIM, 2011). Labstein et al citado por Ribas e Silva (2008) demostraram a importância 70 do controle de peso durante a infância e adolescência, pois a obesidade além de atuar como um fator de risco independente para o desenvolvimento da aterosclerose, pode estar relacionada a uma série de fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes melitos tipo 2 e dislipidemias. A massa corporal associa-se com a dislipidemia em múltiplas causas metabólicas como a resistência insulínica, hiperinsulinemia, hiperglicemia e aumento da proteína transportadora de ésteres de colesterol secretada pelos adipócitos e outros. O controle do peso corporal juntamente com o da gordura localizada parece ser uma medida eficaz no controle da dislipidemia, com diminuição de LDL-c e aumento de HDL-c, principalmente em meninas. (RIBAS e SILVA, 2008). No estudo realizado não se obteve alunos com doenças crônicas, estas foram descritas somente nos familiares. Como abordado no contexto do trabalho, o estilo de vida é um fator determinante para ocorrência destas doenças, sendo assim mesmo que haja predisposição o comportamento saudável dos adolescentes pode livra-los da obesidade, dislipidemias, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes mellitos tipo 2. No presente estudo observou-se também que os estudantes tanto de escola pública como de particular não faz rotineiramente consultas médicas, exames laboratoriais e consultas com nutricionista. Já que a prevenção e a melhor opção a sociedade paracatuense necessita cuidar melhor da sua saúde que consequentemente lhes resultaram em excelente qualidade de vida. Outro item de grande importância pesquisado que obteve resultados negativos foi conhecimento sobre o lipidograma completo. Fato preocupante, pois a III Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e III Diretriz de Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a solicitação do perfil lipídico pelos médicos deve ser uma pratica comum, pois esta detecta doenças com as Dislipidemias precocemente. A relação dos valores aumentados de Colesterol sérico e doenças cardiovasculares tem sido intensamente demonstrada. O perfil lipídico é também utilizado como parâmetro essencial para a profilaxia e diagnostico de vários tipos de hiperlipidemias. Além disso, investigações epidemiológicas do perfil lipídico em crianças alcançam grande importância diante das evidências do começo do processo aterosclerótico na infância e das tendências das 71 dislipidemias persistirem durante a vida adulta. (ROVER et al, 2011). 72 6 CONCLUSÂO Alterações no perfil lipídico de adolescentes atualmente tem sido largamente estudados, pois as doenças crônicas não transmissíveis que antigamente acometia a população idosa hoje atingem os jovens diminuindo seu tempo de vida livre de doenças. Além disso, os fatores socioeconômicos e comportamentais atuam como fatores de risco para ocorrência da obesidade e dislipidemias, que se tornaram fatores que predispõem a doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes mellitos tipo 2. O presente trabalho desenvolvido com adolescentes escolares de níveis socioeconômicos diferentes na cidade de Paracatu-MG demostrou resultados satisfatórios alcançando os objetivos propostos. A investigação bioquímica juntamente com a investigação social, econômica e comportamental revelou que os adolescentes escolares da escola particular demonstraram valores lipídicos superiores aos da escola pública. Tendo por base, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as maiorias dos adolescentes de ensino privado revelaram valores de CT, LDL-c e TG aumentados enquanto que a fração HDLc apresentou valores indesejáveis. Já a maioria dos alunos de ensino público demostrou resultados lipídicos dentro dos valores desejáveis. Os estudantes da escola particular obteve a renda mensal superior aos de escola pública, uma condição que demostra a diferença socioeconômica entre eles que influencia diretamente na qualidade de vida dos mesmos. Pois, a renda dos adolescentes pode viabilizar comportamentos nutricionais inadequados. A prática de exercícios físicos foi relatada em grande parte dos adolescentes de escola particular, já na escola pública a maioria disse praticar atividades físicas às vezes, este fato pode ser justificado pelo fato de que nas escolas particulares o incentivo a pratica de atividades físicas é maior, além da disponibilidade dos materiais e também pelo fato dos alunos de escola publica irem e voltarem da escola a pé. Nota-se que os resultados do trabalho foram de grande valia para o público pesquisado, pois informações essenciais sobre o perfil lipídico dos adolescentes podem ser utilizadas nas melhorarias da qualidade de vida, além de estimular as famílias e as escolas na criação de metas que diminuam a ocorrência da obesidade na adolescência. 73 Além disso, a concretização deste trabalho disponibiliza dados científicos para Paracatu-MG e região, colaborando para criação e implementação de medidas profiláticas que melhorem a condição de vida não somente dos adolescentes, mas da população em geral. 74 REFERÊNCIAS ALVES, J. G. B. Atividade física em crianças: promovendo a saúde do adulto. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil. Recife, v.3, n. 1, p. 5-6, 2003. ARAUJO, Daiane Cristine. Qualidade da alimentação e sua associação com perfil lipídico e com índice de massa corporal em escolares. 2011. 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Título do projeto: “Avaliação do Perfil Lipídico de Adolescentes Escolares com Níveis Socioeconômicos Diferentes no Município de Paracatu, MG” cujos resultados serão utilizados na monografia da acadêmica do oitavo período do Curso de Biomedicina da Faculdade TECSOMA, Rayany Márcia Alves Vieira. Objetivos: O projeto pretende avaliar e comparar o Perfil Lipídico de Adolescentes escolares com níveis socioeconômicos divergentes através de exames laboratoriais Bioquímicos e questionários socioeconômicos. Por conseguinte, baseados nos resultados incentivar a medidas profiláticas que melhorem a condição de vida dos alunos participantes. Procedimentos utilizados: Será aplicado aos alunos um Questionário Socioeconômico composto de perguntas curtas e objetivas e posteriormente a adesão do grupo em estudo será coletado 5 ml de sangue venoso após 12 horas de jejum para realização do Lipidograma Completo. Este procedimento contará com materiais descartáveis para evitar qualquer tipo de contaminação. Riscos e benefícios: Esta pesquisa não apresenta riscos aos adolescentes. Ao realizarmos a coleta de sangue poderá haver um leve desconforto, que poderá ser minimizado pela competência técnica da acadêmica e da Coorientadora do projeto Mara Cristina Aranha Fernandes, Biomédica responsável pelo Laboratório Santa Lúcia instalado a mais de 20 anos na cidade de Paracatu- MG. Este projeto beneficiará aos participantes com informações de grande relevância sobre o seu perfil lipídico e medidas profiláticas para o controle e/ou manutenção do mesmo. Além de conhecimentos sobre as consequências da obesidade e sobre possíveis erros alimentares que influênciam diretamente para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. 87 Você terá acesso aos resultados dos exames que lhe serão entregues em uma palestra educativa. Todas as informações obtidas serão analisadas e utilizadas para desenvolvimento e desfecho do projeto monográfico, não sendo em hipótese alguma divulgado o nome de nenhum adolescente participante. Os dados pessoais serão utilizados para identificação dos exames que posteriormente lhe serão entregues. Não há despesas pessoais para o participante e nem para a Escola em qualquer fase do estudo. A acadêmica responsável pelo projeto juntamente com os Orientadores e a Faculdade Tecsoma se coloca a disposição para esclarecimentos de eventuais dúvidas. Rayany Márcia - [email protected] A sua participação não é obrigatória, mas se poder compartilhar com a pesquisa os resultados serão utilizados para fins científicos e estarão a sua disposição. Consentimento livre e esclarecido Eu, _____________________________, RG__________________, certifico que, tendo lido as informações e sido suficientemente esclarecido (a) sobre todos os itens pela pesquisadora, estou plenamente de acordo com a realização do experimento. Assim, autorizo a execução do trabalho de pesquisa, exposto acima, com a minha colaboração espontânea. Paracatu, Minas Gerais,____de_______________de 2012. _________________________________ Assinatura do responsável 88 APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO SOCIOECONÔMICO, COMPORTAMENTAL E CULTURAL Questionário padronizado aplicado aos voluntários do projeto de pesquisa: “AVALIAÇÃO DO PERFIL LIPÍDICO DE ADOLESCENTES ESCOLARES COM NÍVEIS SOCIOECONÔMICOS DIFERENTES NO MUNICIPIO DE PARACATU, MG”. 1 Dados pessoais Nome Completo_____________________________________________ Idade:_____ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Peso______ Altura______ 2 Dados Sócio-Culturais: Nível de escolaridade:________________________________________________ Renda familiar:_____________________________________________________ Número de pessoas na família:________________________________________ Profissão do responsável:_____________________________________________ 3 Que tipo de alimentos você consome diariamente? ( ) Frutas, legumes, verduras, massas (arroz, macarrão e feijão) , carnes (branca e vermelha), leite e derivados ( ) Batatas fritas, hamburges, pizzas, sorvetes, refrigerantes, enlatados ( ) Um pouco de cada uma das refeições citadas acima ( ) Sou vegetariano ( ) Não como verduras e nem legumes 4 Você pratica alguma atividade física? ( ) Sim ( ) Não ( ) Ás vezes 5 Quantas horas por dia você fica no computador? ( ( ( ( ( ) Menos que duas horas ) Duas Horas ) Entre Três e Quatro horas ) Mais que Quatro horas ) Não possuo computador 6 Alguém da sua família estar acima do peso? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar 7 Se sim, Quem? ( ) Pai ( ) Mãe ( ) Irmãos ( ) Outros 8 Você ou alguém da sua família é portador de Hipertensão arterial? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar Se sim quem_________________ 9 Você ou alguém da sua família é portador de Diabetes Melitos? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar Se sim quem_________________ 10 Você ou alguém da sua família é portador de Doenças Cardiovasculares? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar 89 Se sim quem_________________ 11 Você ou alguém da sua família tem taxas de colesterol alto no sangue? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar Se sim quem_________________ 12 Você ou alguém da sua família tem alta taxa de Triglicérides no sangue? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei informar Se sim quem_________________ 13 Você ou alguém da sua família é portador de outras doenças? ( )Sim ( ) Não ( ) Não sei informar Se sim, quais doenças e quem________________________________ 14 Você faz tratamento para acnes com o fármaco Roakutan? ( )Sim ( ) Não ( ) Não sei informar 15 Você faz algum tratamento com remédios corticóides? ( )Sim ( ) Não ( ) Não sei informar 16 Com que rotina faz consultas médicas? ( ( ( ( ) Mais de duas vezes por ano ) Duas vezes por ano ) Uma vez por ano ) Só quando estou doente 17 Com que rotina você faz exames laboratoriais de rotina? ( ( ( ( ) Mais de duas vezes por ano ) Duas vezes por ano ) Uma vez por ano ) Só quando estou doente 18 Você conhece o exame Lipidograma Completo? ( ) Sim ( )Não 19 Com que rotina você vai à nutricionista? ( ) Uma vez por ano ( ) Quando necessitei de dieta ( ) Nunca fui Ser saudável é ser feliz!Cuide-se...Muito obrigado pela participação! Rayany Márcia Alves Vieira 90 APÊNDICE E – FICHA DE IDENTIFICAÇÃO FICHA DE IDENTIFICAÇÃO NÚMERO (Cadastro interno do Laboratório NOME COMPLETO IDADE 91 APÊNDICE F – MAPA BIOQUÍMICO Mapa Bioquímico / /2012 Número Nome CT HDL TG LDL VLDL LT 92 ANEXO 93 ANEXO A – EXEMPLO DO LAUDO DO LABORATÓRIO ONDE FORAM REALIZADAS AS ANÁLISES