FACULDADES SUDAMÉR ICA A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE GERENCIAL NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Ana Cláudia Lima Silva CATAGUASES 2009 ANA CLÁUDIA LIMA SILVA A IMPORTÂNICA DA CONTABILIDADE GERENCIAL NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado às Faculdades Sudamérica como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador (a): Valéria Lobo Archete Boya Cataguases 2009 ANA CLÁUDIA LIMA SILVA A IMPORTÂNICA DA CONTABILIDADE GERENCIAL NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado às Faculdades Sudamérica como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovado: _____/_____/_____ __________________________________ Glauce Dias da Silveira Torres Especialista __________________________________ Luciana Margarete M. Rocha Alves Mestre ________________________________________ Valéria Lobo Archete Boya Mestre Dedico este trabalho a minha mãe, meu pai e irmãos que sempre me deram apoio e forças pra continuar, ao meu esposo que compreendeu e sempre esteve ao meu lado me dando forças. A minha orientadora que me deu muita atenção e apoio. E aos meus amigos e professores que sempre torceram por mim. AGRADECIMENTOS Aos meu pais e irmãos pelo carinho, incentivo e compreensão, me dando força para continuar. Ao meu esposo pelo amor e carinho dedicados, por me dar forças pra continuar e me fazer acreditar em mim. Aos familiares que mesmo indiretamente me deram forças. A minha orientadora Valeria Boya, pela sua atenção, conhecimento, incentivo e confiança, me fazendo acreditar que iria conseguir. Aos amigos e professores que sempre torceram e acreditaram em mim "Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar." ( Anatole France ) LISTA DE QUADROS QUADRO 1Etapas do processo decisório ................................................................................ 12 QUADRO 2 Características básicas das contabilidades Financeira e Gerencial ..................... 15 QUADRO 3 Evolução e mudanças na contabilidade gerencial ............................................... 16 QUADRO 4 Características da informação.............................................................................. 19 QUADRO 5 Classificação das MPE's ...................................................................................... 22 QUADRO 6 Levantamento das características de diferenciação das MPE’s .......................... 23 RESUMO O objetivo deste trabalho é evidenciar, através de pesquisa bibliográfica, a importância da Contabilidade Gerencial para as Micro e Pequenas Empresas. É notória a importância das MPE’s para a economia do país, entretanto dados indicam que 60% desses empreendimentos não conseguem ter uma sobrevida superior a quatro anos. Dentre as causas apontadas para alta taxa de mortalidade está a não utilização de instrumentos da Contabilidade Gerencial. Este ramo da contabilidade é responsável pelo fornecimento de informações úteis à tomada de decisão gerencial. Plavras-chave: Contabilidade Gerencial, Micro e Pequenas Empresas, informação contábil, tomada de decisão SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 9 2 O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO .............................................................. 12 3 EVOLUÇÃO E DEFINIÇÃO DA CONTABILIDADE GERENCIAL ..................... 14 4 A INFORMAÇÃO CONTÁBIL GERENCIAL ........................................................... 18 5 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS ........................................................................... 22 6 A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS...................................................................................................... 24 7 CONSIDERAÇOES FINAIS ......................................................................................... 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................. 29 9 1 INTRODUÇÃO As Micro e Pequenas Empresas (MPE) contribuem com uma parcela relevante para a economia do país representando 20% do Produto Interno Bruto. Porém, embora seja notória sua importância verifica-se que grande parte desses empreendimentos encontra dificuldades em dar continuidade ao negócio não perdurando por mais de quatro anos de vida. (ALVIM, 2006). Esse panorama é agravado pela competitividade acirrada que enfrentam as organizações. No caso das MPE’s, o problema ainda é maior visto que esses empreendimentos não possuem recursos capazes de sustentá-los e garantir sua sobrevivência. Conforme Alvim (2006) cerca 60% dessas empresas morrem nos primeiros três anos de vida. Dados de SEBRAE apontam que entre as causas dessa alta taxa de mortalidade está a deficiência na gestão dos negócios e que essa deficiência está relacionada a não utilização ou subutilização de instrumentos característicos da Contabilidade Gerencial. Esse ramo da Contabilidade produz informação destinada aos usuários internos da organização, especialmente seus gestores, sendo fonte geradora de informações para o processo decisório A informação é um recurso estratégico que ganhou maior relevância no atual ambiente marcado pela globalização. A Contabilidade por si só é um sistema de informação voltado para o patrimônio das entidades e busca prover seus usuários com informações úteis (PADOVEZE, 2000). Essa é a função da Contabilidade e persiste desde sua existência. Apesar da evolução do ambiente corporativo e do próprio homem, a Contabilidade busca cumprir sua função se adaptando às mudanças. Contudo, nem sempre consegue alcançar seu objetivo porque muitos dos seus usuários não conseguem se aproveitar da sua capacidade informacional. Nesse grupo de usuários, se inserem os gestores de MPE’s. Este trabalho tem por objetivo, evidenciar a importância da Contabilidade Gerencial para as Micro e Pequenas Empresas. Nas MPE’s a utilização da informação contábil para a tomada de decisão fica à margem da sua utilização para o atendimento de obrigações fiscais e legais. Evidências disso são encontradas na literatura. 10 Pires, Costa e Hahn (2004) investigaram a utilização da informação contábil por micro e pequenos empresários do Pólo Industrial de Confecções da Glória, no município de Vila Velha – ES. O estudo apontou que os escritórios de contabilidade não atendem de maneira oportuna e satisfatória as necessidades destes usuários, focando suas atividades questões de natureza eminentemente fiscal Fernandes, Klanne, Figueredo (2008) buscaram identificar a importância dada pelos gestores à informação contábil-gerencial no processo de tomada de decisão dentro das organizações. Os resultados da pesquisa apontam que de uma forma geral as informações contábeis gerenciais são consideradas importantes no processo decisório, mas os gestores consideram que há uma deficiência na disponibilização dessas informações. Vilar (2008) investigou como as informações contábeis influenciam as micros e pequenas empresas situadas na região do Cariri Ocidental Paraibano, observando se os pequenos empresários compreendem sua importância para a tomada de decisão Stroeher e Freitas (2008) buscaram identificar as características das informações contábeis e sua utilização para a tomada de decisão em pequenas empresas. Com base no estudo, observou-se que os empresários vinculam a contabilidade ao excesso de fiscalismo e à arrecadação de impostos. Ao dispensarem a Contabilidade Gerencial as Micro e Pequenas Empresas deixam de usufruir de um recurso, a informação gerencial, que tem o potencial de promover o sucesso e a continuidade da empresa. A informação a ser fornecida pela contabilidade é mais ampla do que o aspecto dos impostos ou das demonstrações contábeis elaboradas conforme os princípios contábeis. Assim a Contabilidade Gerencial se torna essencial para a sobrevida e sucesso dessas entidades, garantindo mais confiança no processo decisório. Devido a importância das MPE’s para o cenário econômico, este trabalho se justifica e através de pesquisa bibliográfica procura contribuir para a percepção da importância da utilização dos produtos e ferramentas da Contabilidade Gerencial por parte dos pequenos empreendedores. O trabalho está estruturado em sete capítulos a contar dessa introdução. O capítulo seguinte aborda o processo de tomada de decisão. O capítulo três evidencia a evolução e definição da Contabilidade Gerencial. O capítulo quatro e cinco caracterizam a informação contábil e as Micro e Pequenas Empresas. O capítulo seis estabelece a relação entre a 11 Contabilidade Gerencial e as Micro e Pequenas Empresas ressaltando o objetivo do trabalho. Finalmente, o capítulo sete encerra este trabalho. 12 2 O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO A etimologia da palavra “decisão” indica que ela é formada por de (que em latim significa parar, extrair, interromper) que se antepõe a palavra caedere (que significa cindir, cortar). Tomada ao pé da letra, a palavra significa “parar de cortar” ou “deixar fluir”. (GOMES, GOMES e ALMEIDA, 2002). Tomar decisão é um processo de escolha, de definir qual o melhor caminho a seguir, se deparar com um problema e com base em informações úteis definir a melhor forma de solucioná-lo Para Santos e Ponte (1998) o processo decisório não se refere apenas ao ato final da escolha entre alternativas, mas sim a todo o processo, o qual possui um conjunto de etapas ou fases a serem seguidas evidenciadas no Quadro 1. O processo decisório é definido por Figueiredo e Caggiano (2006) como “uma seqüência lógica de etapas que expressam a racionalidade com a qual os gestores buscam soluções ótimas para os problemas.” QUADRO 1Etapas do processo decisório ETAPA Caracterização da necessidade de decisão Definição do objetivo Definição e obtenção de informações relevantes Formulação das alternativas Avaliação das alternativas Escolha da alternativa DESCRIÇÃO Corresponde à fase de definição do objeto da decisão, que e o próprio problema a ser resolvido Nessa etapa, o decisor define exatamente os fins a que deseja atingir. Corresponde a etapa de definição e obtenção de informações sobre as variáveis que devem ser consideradas no processo de tomada de decisão São formuladas as diversas opções de ação que solucionam o problema. São mensuradas e avaliadas as conseqüências derivadas das várias alternativas de ação que configuram as diversas hipóteses de solução do problema. Com base na avaliação das conseqüências das alternativas estudadas, seleciona-se aquela que seja mais adequada como solução do problema para que o objetivo definido seja alcançado. Fonte: Adaptado de Santos e Ponte (1998, p.3-4) A todo instante os administradores se deparam com a necessidade de tomar decisão demandando informações relevantes para a formulação das diversas alternativas de ação e na análise e avaliação destas, fundamentando a escolha da melhor alternativa. As decisões, tomadas em todos os níveis da organização, irão determinar a utilização adequada de recursos para a consecução dos seus objetivos. Segundo Santos e Ponte (1998) “é nas decisões e nas ações desencadeadas pela empresa, que reside a chave para a obtenção da 13 eficácia da organização”. Ou seja, a eficácia da organização está condicionada ao direcionamento das decisões do gestor. Para Rezende e Abreu (2008, p.85) Decisão nada mais é do que uma escolha entre alternativas, obedecendo a critérios preestabelecidos, em que é indiscutível a importância das informações em cada etapa do processo decisório. O fato de o executivo poder contar com informações adequadas e oportunas é de relevância capital para a tomada de decisão eficaz. Para se tomar uma decisão é necessário que se tenham alternativas de escolha, o resultado obtido pode acarretar ganhos ou perdas. Para sustentar a tomada de decisão e minimizar o risco de perdas, a organização se apóia na Contabilidade Gerencial. 14 3 EVOLUÇÃO E DEFINIÇÃO DA CONTABILIDADE GERENCIAL A Contabilidade é uma ciência antiga tendo se originado antes mesmo dos números e da escrita (IUDÍCIBUS e MARION, 2002), mas sofreu várias alterações para hoje ser essencial na vida das organizações. Segundo Crepaldi (2004, p.20) A contabilidade é uma atividade fundamental na vida econômica. Mesmo nas economias mais simples, é necessário manter a documentação dos ativos, das dívidas e das negociações com terceiros. O papel da contabilidade torna-se ainda mais importante nas complexas economias modernas. Uma vez que os recursos são escassos, temos de escolher entre as melhores alternativas, e para identificá-las são necessários os dados contábeis. A função fundamental da Contabilidade é fornecer informações aos seus usuários para a tomada de decisões (IUDÍCIBUS, 2000, IUDÍCIBUS e MARION, 2002, FASB apud LOPES E MARTINS, 2005). Esse objetivo é explicitado também pela Deliberação CVM no29: A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização. Quanto aos usuários, estes são classificados como externos e internos (PADOVEZE, 2000). No grupo dos usuários externos encontram-se o governo, investidores, fornecedores, acionistas, cliente, sindicatos, organizações não governamentais, sociedade, mercado financeiro entre outros. No grupamento dos usuários internos, encontram-se empregados e gestores. Para atender as necessidades informacionais de seus usuários, a Contabilidade se especializou e se subdividiu. Considerando o usuário a quem se destina a informação, a Contabilidade é segregada em Contabilidade Financeira e Contabilidade Gerencial. A Contabilidade Financeira é um método desenvolvido para escriturar a vida da empresa, através da regras. Lida com as rotinas contábeis que são exigidas pela legislação e sustentadas pelos Princípios de Contabilidade, sendo indispensável seu uso. Dessa maneira elabora relatórios com informações econômicas da empresa, os quais são disponibilizados aos seus usuários evidenciando os resultados das decisões tomadas pelos administradores e fornecendo suporte para que os usuários externos também tomem suas decisões (ATKINSON, BANKER, KAPLAN e YOUNG, 2000). 15 A origem da Contabilidade Financeira é posterior à Contabilidade Gerencial. Segundo Cardoso, Mário e Aquino (2007), apenas a partir de 1929 com a quebra da Bolsa de Nova York, o governo americano exigiu a criação de padrões contábeis para a escrituração e a elaboração de demonstrações. O foco da contabilidade que até então era voltado para o gerenciamento das empresas, passou a ser o usuário externo. Conforme Johnson e Kaplan (apud Cardoso, Mário e Aquino, 2007), a partir dessa época a Contabilidade Gerencial perdeu sua relevância ficando à margem da Contabilidade Financeira e os métodos de controle gerencial se limitavam aos antigos métodos de custos delineados ainda na Era Industrial. Porém, o desenvolvimento dos mercados, o avanço da tecnologia com a conseqüente globalização e ainda o desenvolvimento de atividades de serviços resultaram na necessidade de aprimoramento e renovação de modelos de custos iniciando a recuperação da relevância da Contabilidade Gerencial. O Quadro 2 evidencia as principais características da Contabilidade Financeira e Gerencial, porém, o que de fato diferencia esses dois ramos da contabilidade é o cliente da informação (FERNANDES, KLANN e FIGUEIREDO, 2008) QUADRO 2 Características básicas das contabilidades Financeira e Gerencial Público-alvo Propósito Temporalidade Restrições Tipo de Informação Contabilidade Financeira Externa: Acionistas, credores, autoridades tributarias Reportar o desempenho passado às partes externas; contratos com proprietários e credores Histórica, atrasada Regulamentada: dirigida por regras e princípios fundamentais da contabilidade e por autoridades governamentais Somente para mensuração financeira Objetiva, auditável, confiável, consistente, precisa Muito agregada; reporta toda a Escopo empresa Fonte: adaptada de Atkindon et al.(2000) Natureza da Informação Contabilidade Gerencial Interna: Funcionários, administradores, executivos Informar decisões internas tomadas pelos funcionários e gerentes; feedback e controle sobre desempenho operacional. Atual, orientada para o futuro Desregulamentada: sistemas e informações pela administração para satisfazer necessidades estratégicas e operacionais Mensuração física e operacional dos processos, tecnológica, fornecedores e competidores Mais subjetiva e sujeita a juízo de valor, valida, relevante, acurada Desagregada; informar as decisões e ações locais No Brasil, o fortalecimento das práticas gerenciais é marcado, segundo Niyama e Silva (2005), por três eventos econômicos: a quebra do protecionismo a partir de 1990, quando o governo brasileiro permitiu a importação de mercadorias; b) a privatização das empresas estatais e os efeitos do Plano Real tendo efeito a entrada de empresas estrangeiras; e 16 c) a redução dos níveis de inflação a partir de 1994, permitindo a utilização de práticas de gerenciamento e de contabilidade de custos, o que era impossível na época em que se praticava altos índices de inflação. As conseqüências desses eventos econômicos foram o aumento da competitividade entre as empresas, que passaram a concorrer inclusive com empresas estrangeiras e a conseqüente preocupação em descobrir novas práticas de gestão e aprimorar as já existentes para superar a concorrência. O IFAC (International Federation of Accountants) (apud Padoveze, 2004) emitiu, em 1998, um relatório identificando os quatro estágios evolutivos da Contabilidade Gerencial, os quais podem ser visualizados no Quadro 3. O objetivo era, além de identificar o estágio atual, caracterizar todos os estágios anteriores, bem como os elementos essenciais que constituem as práticas eficazes neste campo. Segundo Teixeira et al (2008), o relatório “visava descrever a atividade conhecida como contabilidade gerencial, segregando suas atividades, práticas, ferramentas, filosofias, artefatos (instrumentos e ferramentas da contabilidade gerencial), modelos de gestão e sistemas.” QUADRO 3 Evolução e mudanças na contabilidade gerencial Período Antes de 1950 Estágio o foco era na determinação do custo e controle financeiro, através do uso das tecnologias de orçamento e contabilidade custo Por volta de 1965 o foco foi mudado para o fornecimento de informações para o controle e planejamento gerencial, através do uso de tecnologias tais como analise de decisão e contabilidade por responsabilidade Por volta de 1985 a atenção foi focada na redução do desperdícios de recursos usados nos processos de negócios, através do uso das tecnologias de analises do processo e administração estratégica de custos Por volta de 1995 a atenção foi mudada para a geração ou criação de valor através do uso efetivo dos recursos, através do uso de tecnologias tais como exames dos direcionadores de valor ao cliente, valor para o acionista, e inovação organizacional Fonte: adaptado de Padoveze, (2004, p.36) Os quatros estágios são junções uns do outro, se adaptando ao ambiente atual. Nos estágios 3 e 4, mostra que a contabilidade gerencial é uma grande aliada aos administradores, pois é capaz de fornecer informações atuais em tempo real para se utilizar se necessário. A Contabilidade Gerencial é definida por Crepaldi, (2004 p.20) como o ramo da contabilidade que tem por objetivo fornecer instrumentos aos administradores de empresas que o auxiliem em suas funções gerenciais. É voltada para a melhor utilização dos recursos econômicos da empresa, através de um adequado controle dos insumos efetuado por um sistema de informação gerencial. Para Padoveze (2004, p.42) a Contabilidade Gerencial “é precipuamente utilizada dentro da entidade, como ferramenta de auxilio à administração, em todas as suas facetas operacionais.” Representando, portanto, um instrumento útil capaz de conduzir as 17 organizações ao atingimento de seus objetivos. A análise de seu produto – a informação gerencial - poderá influenciar o desempenho da organização. Se de modo positivo ou negativo, irá depender da efetividade da Contabilidade Gerencial, a qual fará parte de uma organização, se existir nesse ambiente alguém capaz de traduzir os dados contábeis em relatórios práticos e claros (PADOVEZE, 2004). Segundo Fernandes, Klann e Figueiredo (2008) contabilidade gerencial, num sentido mais profundo, está voltada única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que se encaixem de maneira válida e efetiva no modelo decisório do administrador. Desse modo, visto que as decisões de hoje são refletidas amanhã, para ser útil ao processo decisório, a informação gerencial tem validade apenas se estiver voltada para o futuro. 18 4 A INFORMAÇÃO CONTÁBIL GERENCIAL Conforme Oliveira (2008) o que distingue dado de informação é o conhecimento que esta oferece ao tomador de decisão. Enquanto o dado se apresenta em sua forma bruta, a informação é o dado processado por meio da interação de recursos. Esse processo ocorre através de um sistema de informação o qual é definido por Padoveze (2004, p.50) como (...)um conjunto de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma seqüência lógica para o processamento de dados e tradução em informações, para com seu produto, permitir às organizações o cumprimento de seus objetivos principais. Segundo Rezende e Abreu (2008), a informação tem valor altamente significativo representando poder para quem a possui. Ela se apresenta como um recurso estratégico e pode conduzir a empresa à vantagem competitiva. O reconhecimento do valor da informação é explicado pelas mudanças ocorridas no cenário mundial. O uso do conhecimento, o avanço tecnológico e o conseqüente processo de globalização alteraram a velocidade com a qual as coisas acontecem e determinaram a mudança de paradigma da organização a qual passou a ser baseada na informação (REZENDE e ABREU, 2008) A necessidade de informações de cada entidade é determinada por seus administradores, pois as informações devem atender o seu propósito. Entretanto, a determinação da sua necessidade e da utilização no processo decisório observa o conceito de valor. O valor da informação é avaliado de acordo com o efeito que ela causa sobre o processo de tomada de decisão, podendo ser positivo ou negativo. Se a informação for adequada à decisão, terá valor, caso a informação não seja adequada, poderá ter pouco ou nenhum valor, podendo ser desprezada. (STRASSBURG et al, 2007) Para Padoveze (2007, p.28) “o valor da informação está relacionado com a redução da incerteza no processo de tomada de decisão; a relação custo-benefício gerado pela informação versus o custo de produzi-la e o aumento da qualidade da decisão.” Quanto à relação custo versus benefício, significa que uma informação não pode custar mais do que ela vale para a organização. Porém, o maior volume de informação reduz o nível de incerteza para a tomada de decisão, mas é possível que o volume considerado ideal exija custos adicionais. Cabe, então, encontrar uma relação de equilíbrio em que seja possível “o mínimo 19 de informação necessária para reduzir a incerteza e aumentar a qualidade da decisão, ao menor custo possível” (PADOVEZE, 2007, p.28) Oliveira, Müller e Nakamura (2000) afirmam que para ser útil ao processo decisório, a informação contábil deve cercar-se de características fundamentais à gestão, tais como: ser útil, oportuna, clara, íntegra, relevante, flexível, completa e preditiva, além de ser direcionada à gerência do negócio. Padoveze (2007, p.150) destaca que “o ponto forte da informação contábil é a mensuração econômica das transações”. Através da mensuração econômica, a contabilidade consegue reunir e interpretar as transações da empresa sob o aspecto do valor econômico. Entretanto, para que a organização tenha aceitação de todos os usuários possui outras qualidades objetivando a tomada de decisão. O Quadro 4 evidencia os requisitos que, segundo Padoveze (2007), fazem uma informação ser valiosa. QUADRO 4 Características da informação Característica da Informação Conteúdo Relatividade Precisão Exceção Atualidade Acionabilidade Freqüência Flexibilidade Adequação à decisão Motivação Valor Econômico Segmentação Relevância Consistência Entendimento Integração Confiabilidade Uniformidade de Critério Oportunidade Indicação de causas Objetividade Volume Seletividade Generalidade etc Fonte: Adaptado de Padoveze (2007, p28) De fato, como dito anteriormente, o ambiente no qual as organizações estão inseridas, marcado pela tecnologia da informação e pela comunicação em redes favorece a utilização da informação uma vez que estas são disponibilizadas e trocadas de forma muito rápida. Porém, cabe destacar que a velocidade com a qual a informação é disponibilizada, viabilizada pelos recursos tecnológicos, sobretudo pela Internet, desafia o valor da informação, pois conforme evidenciado no quadro acima, uma das características que qualifica a informação é a oportunidade. O conceito de informação oportuna indica que esta deve ser disponibilizada na época certa, entretanto, a velocidade com que é processada e disponibilizada também a torna ultrapassada em pouco tempo. Conforme Gomes (apud MOREIRA, 2002) Modernamente, a informação, considerada como um bem precioso que é demandado avidamente por diversos usuários, pode ser a responsável pelo sucesso ou fracasso de um negócio, percebendo-se assim a importância do seu reconhecimento e registro 20 imediato. Pode-se afirmar que a informação contábil que não é oportuna não tem valor Pela definição de Contabilidade Gerencial, a informação gerencial se destina aos usuários internos da organização e busca suportar a tomada de decisão. Buscando atender seus usuários, a informação gerencial se diferencia da informação contábil utilizada pela Contabilidade Financeira. Sob o enfoque da Contabilidade Financeira a informação contábil se expressa por uma base monetária, geralmente em moeda corrente. Porém, a informação gerencial, além de medidas monetárias, possui outras bases, tais como índices e medidas operacionais ou físicas, como qualidade e tempo de processamento de maneira que possa analisar a satisfação dos clientes e melhor treinamento aos funcionários. (ATKINSON, BANKER, KAPLAN e YOUNG, 2000). Além disso, a informação contábil voltada para os usuários externos é visualizada por meio das demonstrações contábeis, enquanto o sistema de contabilidade gerencial se baseia nas atividades financeiras, tecnológicas e operacionais de cada organização produzindo informações que se apresentam, na maioria das vezes, na forma de relatórios. Esses relatórios assumem as mais diferentes formas de apresentação sejam elas planilhas, textos, tabelas, gráficos, e visam atender às necessidades exigidas por seus usuários (SELL, 2004). Conforme Padoveze (2007, p.152) os relatórios gerenciais possuem elementos e características específicas como: a) Adequação das informações e do formato do relatório ao perfil do usuário; b) Indicadores relativos: inserção de indicadores que contemplam os dados de quantidade e valor constantes do relatório; c) Quantidade: inserção de dados quantitativos, sempre que possível, para melhor visualização e potencialização do uso das informações do relatório, com indicação da sua espécie; d) Periodicidade: cada relatório exige uma periodicidade específica; e) Disponibilização: cada relatório sugere o melhor meio de sua disponibilidade. Ainda assim, há que se respeitar o perfil dos usuários. f) Elementos gráficos: sempre que possível, é necessário incorporar recursos adicionais de visualização; g) Informações focadas: aproveitar o relatório para dar informações absoluta ou relativa que mais interessa ao usuário, ou seja, elemento conclusivo. Pode ser percebido através das características dos relatórios gerenciais que estes são feitos sob medida visando sustentar o processo decisório do usuário interno, ao contrário dos relatórios produzidos pela Contabilidade Financeira, que são representados pelas demonstrações contábeis as quais são produzidas conforme as normas e os Princípios de Contabilidade. 21 O objetivo da Contabilidade é fornecer informações úteis aos seus diversos usuários (IUDÍCIBUS, 2000), sejam eles gestores, fornecedores, acionistas, governos etc. Entretanto, conforme Pires, Costa e Hahn (2004) há casos em que os contadores limitam-se a atender exclusivamente à legislação fiscal. Segundo Oliveira, Müller e Nakamura (2000), na maioria das organizações, em razão principalmente da influência fiscal, ocorrem distorções relevantes nas informações contábeis. A utilização das demonstrações contábeis tradicionais é insuficiente para atender aos anseios gerenciais. “É perceptível a imagem, principalmente nas pequenas empresas, de algo que existe somente para o atendimento das exigências fiscais, ficando relegado, ao segundo plano, o atendimento das necessidades da gestão dos negócios.” (OLIVEIRA, MÜLLER e NAKAMURA 2000) Para Pires, Costa e Hahn (2004) essa distorção dos objetivos da contabilidade, pode a afetar o desenvolvimento de micro e pequenas empresas no Brasil. 22 5 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS A importância das MPE’s é evidenciada pelos números apresentados por Alvim (2006) que aponta que existe cerca de 5,4 milhões de MPE’s. Este contingente equivale, em média, a 20% do PIB e 56% da força de trabalho. Segundo Silva e Sobrinho (2006), considerando os números das organizações, pode-se concluir que elas contribuem significativamente para o crescimento e o desenvolvimento da economia nacional. Segundo Silva e Sobrinho (2006) o crescimento dessas empresas é decorrente do estímulo do Poder Público para o desenvolvimento econômico do interior do Brasil na década de 60, em virtude da concentração de empresas multinacionais na Região Sudeste. Isso abriu espaço para que as micro e pequenas empresas se expandissem nas outras regiões. Segundo Kassai (1997) “tão grande quanto a discussão a respeito ao papel a ser desempenhado pelas empresas de pequeno porte na economia é a indefinição a respeito do venha exatamente a ser ‘pequenas empresas’”. Para Lacerda (2003) atualmente, não existe um padrão universal que classifique as empresas como Micro, Pequena ou Média. De modo geral, as classificações de porte se baseiam no número de empregados, nas vendas/ingressos e nos ativos. Além disso, alguns países diferem nas definições de acordo com o setor de atividade econômica (Indústria, Comércio e Serviços). Em outros países, as definições de porte dependem da instituição que realiza o trabalho, portanto, cada entidade utiliza uma classificação própria de porte. No Brasil as Micro e Pequenas Empresas (MPE) também são definidas de diferentes formas por entidades governamentais e não governamentais. Segundo a Lei complementar nº. 123 de 14 de dezembro de 2006 as micros e pequenas empresas são caracterizadas pela receita bruta e já pelo SEBRAE (Sistema Brasileiro de Apoio à Empresa) é caracterizada pelo número de funcionários. Conforme a classificação do SEBRAE classificam-se como micro empresas aquelas que possuem até 19 empregados e pequena empresa a que possui entre 20 a 99 empregados. A classificação de Micro e Pequena empresa conforme a Lei complementar 123/2006 é destacada no Quadro 5. QUADRO 5 Classificação das MPE's Microempresas Pequeno Porte Classificação das MPE’s Receita Bruta Igual ou inferior a R$ 2400.000,00 Superior a R$ 240.000,00 e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 23 Fonte: Adaptado Lei Complementar 123/2006 Kassai (1997) relacionou as características que diferem as pequenas empresas das grandes empresas. Essas características são mostradas no Quadro 6 . QUADRO 6 Levantamento das características de diferenciação das MPE’s Levantamento das características de diferenciação das PMEs Característica Grande Empresas Pequenas Empresas Adaptabilidade Pequena Grande Administração Profissional Pessoal ou Familiar Capacidade de interpreta e utilizar Grande Pequena políticas e dispositivos legais Capacidade de utilizar especialistas Grande Pequena Capacitação profissional Especializada Não-especializada Capital Dissolvido Concentrado Concentração de recursos Capital Trabalho Decisão Descentralizada Centralizada Estrutura Organizada Informal Flexibilidade Pequena Grande Forma Jurídica Sociedade Anônima Limitada Ganhos de Escala Grandes Pequenos Idade Média Alta Pequena Níveis Hierárquicos Muitos Poucos Nº Funcionários Grande Pequeno Nº de Produtos Grande Pequeno (único) Recursos Financeiros Abundantes Escassos Sistemas de Informação Complexos, formados e Simples, informais e manuais informatizados (mecanizados) Utilização da tecnologia Alta Baixa (Artesanal) Fonte: Kassai, (1997) Tão grandioso quanto os números positivos das MPE’s, é o percentual de mortalidade desses empreendimentos. Segundo Alvim (2006) pesquisas realizadas pelo SEBRAE revelam que as taxas de mortalidade das MPE’s vêm decrescendo, mas os números atuais ainda são muito elevados. Cerca de 60% dessas empresas morrem nos primeiros três anos de existência. Por terem, as MPE’s, um alto índice de mortalidade, muitos são os profissionais que se dedicam aos estudos para descobrir os problemas dessas entidades, procurando identificar os principais pontos que levam essas entidades ao insucesso. (LACERDA, 2003). O relatório “10 anos de monitoramento da sobrevivência e mortalidade de empresas” produzido pelo SEBRAE-SP aponta que uma das causas de mortalidade das empresas de São Paulo é gestão empresarial cujas deficiências na gestão dos negócios, após a abertura continuam presentes e precisam ser solucionadas. Essas deficiências se relacionam com a carência no aperfeiçoamento de produto, fluxo de caixa, propaganda e divulgação e gestão de custos. Tais exemplos são característicos da Contabilidade Gerencial (PADOVEZE, 2000). 24 6 A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Alvim (2006) identificou que a um fator crítico que interfere na sobrevivência das MPE’s é a gestão. “Ou essas organizações não utilizam as boas práticas de uma administração exitosa, ou elas desconhecem as ferramentas básicas de gestão de negócios.” Para Marion (apud PIRES, COSTA e HAHN, 2004) as dificuldades enfrentadas por esses tipos de empresa são resultantes de tomadas de decisão equivocadas e menciona que (...) com certa freqüência várias empresas, principalmente as pequenas, têm falido ou enfrentam sérios problemas de sobrevivência. Ouvimos empresários que criticam a carga tributária, os encargos sociais, a falta de recursos, juros altos etc., fatores estes que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. Entretanto, descendo a fundo nas nossas investigações, constatamos que, muitas vezes, a ‘célula cancerosa’ não repousa naquelas críticas, mas na má gerência, nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis. Por fim observamos, nesses casos, uma contabilidade irreal, destorcida, em conseqüência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender às exigências fiscais. Considerando que o objetivo da Contabilidade é prover seus usuários com informações úteis e que as MPE’s representam um grupo de usuários, não é suficiente que a Contabilidade seja usada por esses empreendimentos apenas para atender ao governo. A informação contábil é muito mais ampla do que o aspecto dos impostos ou das demonstrações contábeis elaboradas conforme os princípios contábeis. O governo é apenas um entre outros tantos usuários da Contabilidade. É notória a importância da Contabilidade para a vida das organizações, porém ela deve se adequar às necessidades dos seus usuários. Conforme Kassai (1997) a característica do pequeno empreendedor é que ele possui o conhecimento técnico, mas não tem experiência administrativa ou tem experiência de na gerência de grandes corporações, mas não sabe administrar produção, compras, pessoal e capital de giro. A autora ressalta ainda que os empresários não conseguem compreender a lógica contábil, o que faz dos relatórios preparados pelos contadores mera formalidade para o cumprimento das obrigações. Aí se verifica a importância da Contabilidade Gerencial, uma vez que a informação para a tomada de decisão se apresenta em relatórios feitos sob medida. Ou seja, de acordo com as necessidades de cada usuário. 25 Desprovidos da informação gerencial, o empresário baseia suas decisões dos seus sentimentos. Conforme Kassai (1997) nos pequenos empreendimentos familiares, as sucessores herdam as formas de trabalho e as praticam sem ao menos compreender seu significado e os reflexos nas variáveis ambientais, fruto das interações organizacionais. São vários os fatores que contribuem para a mortalidade das MPE’s, o mais comum é a falta de caixa para investir no seu crescimento, como comprar máquinas, contratar novos funcionários, investir em marketing, entre outros que poderia ajudá-las a crescer e conquistar novos rumos (MAFRA, 2004). Se uma das causas de mortalidade das MPE’s é falta de recursos poderia se questionar: se ela não tem recursos para garantir sua continuidade como se utilizar da Contabilidade Gerencial? Esse questionamento conduz ao papel do contador. Conforme Cia e Smith (2001) O contador da pequena empresa deste novo cenário econômico que, em sua maioria, oferece o serviço contábil através da terceirização, tem que incluir ou manter, em seu portifólio de atividades, a consultoria, com o objetivo de suprir as necessidades gerenciais de seus gestores e, algumas vezes, terão o desafio de convencer a alguns proprietários-gerentes a deixarem de negligenciar a função da contabilidade como instrumento importante para a administração empresarial. O fornecimento de informações gerenciais tem reflexos positivos na percepção de gestores de micro e pequenas empresas. Caneca et al (2009) investigaram as variáveis que afetam a qualidade dos serviços contábeis prestados por contadores externos, segundo a percepção dos gestores de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O estudo revelou que algumas características dos contadores, bem como algumas características dos serviços por eles prestados, influenciam a qualidade percebida pelos gestores, com relação a esses serviços. A oferta de contabilidade gerencial influencia positivamente a percepção dos gestores. Uma das principais conclusões da pesquisa é que contadores que oferecem serviços relacionados à contabilidade gerencial têm maiores chances de satisfazer seus clientes e obter vantagem competitiva no mercado de serviços contábeis oferecidos às MPMEs. Mas a literatura também faz referência à visão negativa que o gestor de MPE’s tem do contador (KASSAI, 1997). Stroeher e Freitas (2008) buscaram identificar as características das informações contábeis e sua utilização para a tomada de decisão em pequenas empresas, a partir das opiniões de contadores e proprietários de pequenas empresas. O estudo aponta que por um lado, os contadores não demonstram a seus clientes o verdadeiro potencial de auxílio que podem oferecer a seus negócios, devido à falta de conhecimento dos empresários sobre a importância das informações contábeis, bem como, à baixa remuneração dos serviços 26 contábeis prestados. Por outro lado, tal aspecto ocorre porque os empresários não possuem conhecimento suficiente para avaliar a importância da contabilidade para a gestão de seus negócios. De forma que a informação gerencial como suporte na tomada de decisão de gestores, além de contribuírem para o sucesso do negócio, tem o potencial de destacar a importância do contador na vida das empresas. A contabilidade gerencial possui ferramentas que auxiliam na resolução dos diversos problemas enfrentados pelas MPE’s, mas o maior problema é que os micros e pequenos empresários não têm noção de tais benefícios e se perguntam como a contabilidade gerencial pode auxiliar a gestão dessas entidades .(FEDATO, GOULART E OLIVEIRA, 2007) Segundo Lacerda (2003), se as MPE’s implantarem a contabilidade gerencial estará a sua disposição infinitas ferramentas que iram auxiliar os empresários em sua gestão. Dessa maneira estarão se enquadrando no padrão administrativo que são exigidos nos dias atuais, lidando com as obrigações diárias de forma mais simples e melhorando os resultados. Com o reconhecimento da contabilidade gerencial pelo empresário e o uso das ferramentas, as MPE’s podem melhorar suas estratégias e influenciar sua sobrevivência. 27 7 CONSIDERAÇOES FINAIS O objetivo geral desse trabalho foi evidenciar a importância da informação contábil gerencial para a tomada de decisão nas micro e pequenas empresas. Inicialmente, foi abordado o processo de tomada de decisão evidenciando suas fases. A tomada de decisão é intrínseca ao dia-a-dia de qualquer um, porém, para a escolha da melhor alternativa é necessário que tomador de decisão esteja cercado de informações. No âmbito das organizações a informação contábil é um instrumento que oferece subsídio ao processo de tomada de decisão. Quando esta informação é produzida pela Contabilidade Gerencial, é destinada aos usuários internos da empresa, especialmente seus gestores, e servirá como suporte na tomada de decisões gerenciais. A Contabilidade enquanto ciência social busca responder às necessidades informacionais de seus usuários tais como acionistas, credores, sociedade, bancos, organizações não governamentais, empregados e gestores. Entretanto, nem sempre ela consegue cumprir sua missão. Entre os motivos destaca-se a linguagem utilizada pela contabilidade que nem sempre é compreendida por seus usuário. Sobre esse aspecto, ressaltase que os gestores de micro e pequenas empresas representam parte dos usuários que tem dificuldades em entender a linguagem contábil, de modo que subutilizam a contabilidade no processo de tomada de decisão. As MPE’s representam grande parte da economia brasileira, contribuindo para seu crescimento e desenvolvimento. Mas o índice de mortalidade é muito grande, chegando a 60% nos três primeiros anos de vida. Uma das causas da baixa taxa de sobrevivência das MPE’s está ligada à maneira como são geridos os seus negócios. Conforme exposto, esses empreendimentos fazem pouco uso da Contabilidade. Entretanto quando a Contabilidade está voltada para subsidiar a tomada de decisão dos usuários internos da organização, sob o nome de Contabilidade Gerencial, sua informação é produzida sob medida visando atender este usuário. Isso significa que a informação produzida pela Contabilidade Gerencial é desregulamentada, não se prende às normas e princípios contábeis, mas é produzida de modo a satisfazer necessidades estratégicas e operacionais dos gestores. Observadas as características da informação gerencial, é patente sua utilidade no processo decisório das empresas e suas qualidades não se restringem ao porte, ao número de empregados ou ao ramo de atividades 28 Portanto, não é imperativo que os gestores de MPE’s compreendam profundamente as técnicas contábeis para gerir sua empresa. Eles precisam se adequar às ferramentas gerenciais disponíveis adaptando-as à sua realidade de modo a atender suas necessidades informacionais. Para que isso ocorra, porém, é indispensável a ajuda do contador que por sua vez será reconhecido por sua participação ativa na continuidade e no sucesso do empreendimento. A contabilidade gerencial permite as MPE’s utilizarem as informações que são fornecidas para auxiliar o processo de tomada de decisão, procurando obter melhores resultados e aumentando a sobrevivência no mercado, além de ajudar nos controles internos, ampliando a visão dos empreendedores sobre sua organização. Considerando a importância das MPE’s para a economia do país, a utilização da Contabilidade Gerencial é essencial, pois o uso de suas ferramentas objetiva acabar com suas fragilidades, cujas maiores causas são a falta de recursos financeiros e a má administração. Cabe, porém ao gestor a decisão de utilizar ou não a Contabilidade Gerencial, mas principalmente, cabe ao profissional contábil, conhecedor dos benefícios dessa ciência, introduzi-la na empresa. Contudo, há de se ressaltar que a informação gerencial para ser útil deve ser provida de algumas características, devendo ser observada, sobretudo, a relação custo versus benefício, especialmente em virtude da escassez de recursos financeiros e a conseqüente escassez de recursos tecnológicos. Nesse caso, mais uma vez ressalta-se o papel do contador que deverá dispor de habilidade e criatividade para transpor as dificuldades financeiras e adequar a ferramentas gerencias à realidade da empresa. Com isso ganha a empresa que conseguirá garantir sua continuidade, ganha o contador, que terá sua profissão reconhecida e valorizada, ganha o país dada a grande contribuição dos pequenos empreendimentos para a economia e ganha a Contabilidade por atingir seu objetivo: fornecer informações úteis à tomada de decisão. 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALVIM, Paulo Cesar Rezende de Carvalho. Micro e pequenas empresas – oportunidade de parceria com as instituições de ensino superior. Educação Brasileira - Revista do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Disponível em http://www.crub.org.br/admin/publicacoes/revista_ed_bras_56_57.pdf. Acesso em 02 de Nov.2009. ATKINSON, Anthony A., et al. Contabilidade Gerencial. 1.ed. São Paulo: Atlas, 2000. CAGGIANO, Paulo César; FIGUEIREDO, Sandra. Controladoria: teoria e prática. 3º ed. São Paulo: Atlas, 2006. CARDOSO, Ricardo Lopes; MÁRIO, Poueri do Carmo; AQUINO, André Carlos B. 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