UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS BRÁULIO ALVES FERREIRA O NEGRO E A MÍDIA: AS PERCEPÇÕES DA IMAGEM Mariana 2012 1 BRÁULIO ALVES FERREIRA Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas. Área de Concentração: Gênero e Raça. Orientador: Alessandra Rios de Faria, da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais. Mariana Instituto de Ciências Humanas e Sociais/ UFOP 2012 2 Aos mestres pelo incentivo e contribuição na elaboração deste trabalho, em especial a orientadora, Alessandra Rios de Faria. 3 Agradecimentos Enfim, é chegado o momento final. A luta empreendida nesses meses de dedicação e fadiga será recompensada. Agradeço ao Orientador, Diego Omar pelas dicas e observações ao longo do projeto de pesquisa. A orientadora Alessandra Rios, pela dedicação, e paciência. Aos tutores Anália Moreira e Fernanda Isoni. A compreensão e apoio de minha família. E agradeço e peço desculpas aos amigos, em virtude de minha ausência nos momentos de vida social. E as caronas da colega Milene ao Pólo de Sete Lagoas. Obrigado por tudo! 4 A gente quer mudança, o dia da mudança, a hora da mudança, o gesto da mudança. Gilberto Gil 5 FERREIRA, Bráulio Alves. O negro e a mídia: as percepções da imagem. Mariana : UFOP,2012.(Trabalho de Conclusão Pós-Graduação) Resumo O presente trabalho busca analisar as formas através das quais os meios de comunicação ao longo dos anos vêm representando o negro. Como produtores de atitudes, os meios e comunicação geram comportamentos que refletem na imagem do negro, deturpando sua identidade e oferecendo um conceito sólido e errôneo, apresentando-o com aparições subalternas e estereotipadas. A pesquisa realizada sobre a representação do negro na mídia foi embasada em estudo bibliográfico e posteriormente pesquisa de campo mediante aplicação de questionários. Estudos bibliográficos demonstram que, os meios de comunicação com seu poderio de manipulação e persuasão, são campos férteis para produção de modelos e comportamentos. Esses, construídos pelas imagens veiculadas na mídia, que define e legitima as relações de dominação e exclusão social dos negros (as). Em contrapartida os meios de comunicação podem ser um aliado ao combate às imagens distorcidas do indivíduo negro, quando tendem a oferecer uma imagem do mesmo, sem estereótipos e com aparições positivas. Palavras-chaves: negro, mídia, discriminação, representação. 6 Lista de Abreviaturas CEAP – Centro de articulação de Populações Marginalizadas DATAFOLHA- Instituto de Pesquisas Datafolha ECA/USP- Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo FAN- Festival de Arte Negra IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPEA- Instituto de Pesquisas Aplicadas ONG- Organização Não Governamental PNAD- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios SEPPIR- Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 7 SUMÁRIO 1 . INTRODUÇÃO.......................................................................................9 2. REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................10 2.1 Resgate histórico da questão racial....................................................10 2.2 A mídia e a imagem do negro............................................................11 2.3 A participação do negro na publicidade e os estereótipos produzidos.................................................................................................13 2.4 – O aumento da participação do negro na mídia- as ações para eliminar os estereótipos.............................................................................16 3- METODOLOGIA...................................................................................21 3.1- Os entrevistados e suas percepções quanto as imagens do negro na mídia..........................................................................................................23 3.2- Os sentimentos desencadeados em virtude das imagens dos negros oferecidas pela mídia................................................................................24 3.3- A percepção do aumento dos negros na mídia.................................25 4- CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................28 8 1- Introdução O desenvolvimento dos meios de comunicação trouxe novas formas de relacionamento social em virtudes das imagens simbólicas oferecidas a seus receptores. Essas relações criam um afastamento da imagem real, sobretudo a dos afrodescendentes, público alvo desta pesquisa. Esse trabalho buscou analisar uma dada realidade social, das imagens retratadas pela mídia, quando essa utiliza o indivíduo negro em suas produções. Aliado a esse discurso, há uma preocupação com a contemplação e ampliação das políticas de ações afirmativas, visando uma participação mais ampla e positiva dos afrodescendentes nos meios de comunicação de massa. Não, no sentido em que é represento na atualidade como: Atuando com papéis inexpressivos e subalternos, mas sim com sua valorização, através de personagens sem estereótipos e bem-sucedidos. Tais reflexões fazem pensar em estratégias de inclusão cultural em consonância ao “Estatuto da Igualdade Racial”, às funções da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e o ideário dos Movimentos Negros, que tem em suas agendas a conquista democracia racial. Dessa forma, a mídia pode vir a ser uma aliada, que irá desconstruir a ideia de que o negro já tem uma imagem estabelecida nos meio de comunicação, que tende a associá-lo a estereótipos e discriminações. Assim, penso que a mídia poderá oferecer a seus receptores uma imagem positiva do negro, mudando a forma de representá-lo. Penso ainda que, a mídia é um instrumento importante que paulatinamente poderá convidar um contingente da sociedade a fazer parte das ações que buscam atenuar ou aniquilar as desigualdades raciais existentes no país. 9 2 - REFERENCIAL TEÓRICO 2.1- Um resgate histórico da questão racial Segundo Petronilha (2004), grandes partes das ideias sobre raça e racismo vieram ao longo do século XIX. Tal teoria produziu nesse século inúmeras ações de hierarquização e apartação racial. Exemplos mais antigos, no entanto podem ser buscados na trajetória do povo judeu, que há século passou a ser discriminado por sua religião e também por serem considerados inferiores pela raça, cultura, língua, etc. Hannah Arendt (1990), afirma que esse grupo foi o mais atingido socialmente ao longo da modernidade. Mas uma grande discriminação acometeria também aos negros, mais precisamente no período da colonização. Milhões de negros oriundos da África foram capturados e trazidos à força ao Brasil pelas potências europeias, desrespeitando sua cultura, suas religiões e suas tradições ancestrais.Calcula-se que, entre os séculos XVI E XIX, cerca de 4 milhões de negros tenham vindo para o Brasil. Para Cotrim (1999,p. 211),a escravidão dos africanos desdobrouse em ações de racismo e segregações, produzindo e perpetuando a discriminação racial, algumas vezes mais velada, outras nem tanto.No Brasil, a aniquilação tardia do regime escravocrata não foi suficiente para resolver o problema de milhares de negros, que formou a partir de então uma grande massa pobre da população. Eles representavam mais do que um problema social, visto que o racismo científico já havia se instalado na imagem da elite escolarizada e que a imagem do negro havia sido associada à degeneração física e moral. Assim, temia-se ao povo negro uma ameaça à formação de uma civilização. Ao longo do século XIX, inúmeros abolicionistas defendiam a integração do negro na sociedade. Para esses intelectuais, seu reconhecimento como cidadão viria através da educação e trabalho livre. Acreditava-se ainda, que a inserção de imigrantes europeus seria capaz de civilizar e moralizar os negros libertados, formando-os em uma nova 10 lógica empreendedora. Isso aconteceria em virtudes dos modos de trabalhos dos brancos imigrantes e de sua cultura, e não de cruzamentos inter-raciais. Desse modo, valorizou-se o modelo europeu, estigmatizando-se o negro, tomando-o como antimodelo aos comportamentos da estética da raça branca europeia. Isso, não impediu que brancos e não brancos convivessem, mas parece ter favorecido entre ambos uma relação hierarquizada, na qual se tornava legítima a relação entre dominantes e dominados. Como salienta Carrilho (1985), os colonizadores pretendiam que os colonizados adotassem a língua, a religião, e os valores dos povos colonizadores. Assim, o racismo teria sua gênese e força no ideal de algumas sociedades e grupos que, com sua força política, determinam modelos sociais a serem seguidos, estabelecendo parâmetros para julgar negativamente outros grupos a partir da sua aparência, cultura, etc. Criando, de certo modo, uma hierarquia de grupos humanos pela raça, cor e posição social. 2.2 A mídia e a imagem do negro Ancorada nos discursos citados acima, a mídia com seus produtores e diretores continuam oferecendo e divulgando as distorções e estereótipos que foram estabelecidos para a população negra desde a colonização do Brasil e posteriormente reafirmada após a abolição da escravatura em 1888. Conforme Araújo (2000), o racismo brasileiro é explícito nos meios de comunicação, onde, ao mesmo tempo, sofre uma materialização, que só torna mais clara a sua presença e atuação na sociedade brasileira. A distorção dos papéis representados pelos negros na mídia brasileira e a invisibilidade de seus papéis possibilitam a proliferação de percepções errôneas para com os afrodescendentes. Com esse fato, aumenta-se o sentimento de exclusão e revolta, aflorando a desvalorização social desse grupo nos meios de comunicação e o sentimento de atraso e degradação frente ao branco. Mas isso não 11 significa que essa distorção e concepção da imagem do negro serão perpetuadas pelos meios de comunicação de massa. Essa, munida com um potencial de informação e manipulação, pode ser um instrumento a oferecer uma imagem positiva e valorizada dos afrodescendentes, como correção. Com seus aparatos tecnológicos e visuais, aliada aos ideais dos movimentos negros e outras organizações paritárias, ela pode sem dúvida ser uma arma a combater a discriminação racial, e desvalorização do povo negro. Desde o início do século XX, vem sendo pensadas soluções para a erradicação da discriminação racial em vários segmentos sociais como no trabalho, nas universidades, na saúde e nos meios de comunicação. Esse movimento nasce da consciência de que as representações positivas dos afrodescendentes nos meios de comunicação ainda são mínimas, essa pouca participação engendra e/ou colaboram para as desigualdades, exclusões e estereótipos, uma vez que a mídia tem o poderio de manipular as pessoas. Como coloca Araújo (2000), quando há oportunidades de atuarem como atores, os negros raramente representam papéis de heróis, de médicos, de cientistas, etc. Na maioria das vezes, o negro acaba em papéis considerados subalternos (como escravos) e inexpressivos (quando não depreciativos) como malandros, entre outros. De acordo com a Agência USP de comunicação, tal fato alimenta e muito a questão da discriminação racial, propondo determinadas ocupações de funções ou espaços preferencialmente por negros. Os meios de comunicação buscam colocar o branco como modelo padrão a ser seguido, em consumo, beleza, status social, acirrando dessa forma as segregações e disputas entre negros e brancos, além da ideia de submissão natural dos negros. Esse fato se inverte apenas quando se trata do campo musical e/ou esportivo. Nesses, a imagem do negro é valorizada, mas o problema é que nem todos os negros querem serem cantores ou atletas. A Constituição de 1988 assegura a todos os brasileiros, o direito de oportunidades, igualdades e respeito. No entanto, a pesquisa realizada no ano de 2006, pelo IPEA (Instituto de Pesquisas 12 Econômicas Aplicadas), conclui que negros estão em desvantagens sempre que se trata de avaliar os bens materiais, as oportunidades e os cargos ocupados no mundo do trabalho. Uma exclusão transparente e presente nos meios de comunicação. 2.3 A participação do negro na publicidade e os estereótipos produzidos. Ao longo dos anos a pouca inclusão dos negros nos meios de comunicação de massa no Brasil, vem produzindo a apartação social e racial. O negro na televisão é exposto interpretando papéis de submissão, colocado para atuar ou fazer parte apenas de cenários, associando-o às atividades de faxineiro, trabalhador braçal, empregados domésticos, morador de favela, bandido, dentre outros tipos de representações de baixo prestígio social. Com esse feito, são engendrados estereótipos e a discriminação racial, colocando esse público em situações subalternas, diante de uma sociedade elitizada, e embasada nos padrões europeus de comportamentos e atitudes branqueadoras. Colocado aqui por Oracy Nogueira (1998, p.112), “o preconceito contra negros estaria ligado às aparências como tipo de cabelo, formatos dos lábios e nariz, estes eram associados a escravidão e justificava sua subordinação na sociedade”. Desse modo, valorizou-se o modelo europeu e estigmatizou o negro, criando um modelo ideal de genótipo e fenótipos embasados nos comportamentos e estética do branco europeu. Isso, não impediu que brancos e não brancos convivessem, mas converteu-se em uma relação hierarquizada de dominantes e dominados. Nelson Cadena (2002), em seu texto intitulado “O negro na publicidade”, observa que a participação do negro na mídia começou na década de 50. Cuja informação partira do: O cruzeiro, revista de grande circulação na época e consumida pelas classes elitizadas. O artigo fora engendrado por Gilberto Freyre apontando para a necessidade de substituírem os modelos dos anúncios, por ‘morenas de Copacabana’. Ainda segundo Cadena, esse foi o motivo para abrir uma discussão com 13 Cassiano Gabus Mendes, escritor de novela da “rainha globo”, que afirmara preferir modelos claros na televisão, por uma questão fotogênica. A dissertação de mestrado Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil, de Carlos Augusto de Miranda e Martins, defendida na ECA/USP, no ano de 2009, revela que 1158 anúncios foram analisados e dentre esses apenas em 86 anúncios estava presente a imagem de negros(as). Essa informação partiu de uma pesquisa entre os anos de 1985 à 2005.Percebeu também nesse período um aumento de 3% à 13% até o ano de 2005. Com esse raciocínio conclui-se o crescimento de 10% em 20 anos, segundo Martins. Ele coloca ainda que, dentre o período analisado o negro aparece poucas vezes como protagonista ou em igualdade com os personagens interpretados pelos brancos. No contexto histórico da televisão brasileira o uso de modelos negros como classe média (grifo meu), teve sua gênese segundo (Araújo, 2004), em março de 1997, no qual a indústria de chocolates Lacta, apresentou em rede nacional, uma propaganda de ovos de páscoa usando uma família de negros. Em pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em 1995, salienta que, 28% dos negros no Brasil supera a renda de vinte salários mínimos. Essa porcentagem faz referência a 4 milhões de pessoas com este perfil socioeconômico. Porém as mensagens retratadas nos veículos de comunicação de massa, nesse caso a propaganda, sempre carrega o estigma do negro como inferior, associando-o à sua história de escravidão e negação, com baixo poderio de consumo e mero executor de tarefas servis. Embasado ainda nas informações da Datafolha, mais precisamente no mês de agosto de 1995, na cidade de São Paulo em 115 horas de programações televisivas, foi afirmado que a discriminação contra o negro nas publicidades brasileiras é transparente. Tais aparições tem uma proporção de 4,7% e 17%. Os afrodescendentes aparecem sempre com papéis de coadjuvante estereotipados. Papéis estes, já mencionados no corpo desse trabalho. A maior relevância desse levantamento, é que o negro aparece mais vezes nos comerciais dos clientes da emissora, do que nos da própria emissora. 14 Assim, afirma-se que o veto aos modelos negros parte mais dos publicitários (clientes), do que dos produtores e criadores de TV. Observando o fragmento de um artigo citado no livro dos autores, Sérgio, Antonio e Huntley (2000.pág. ,61) , há uma pergunta deixada por um publicitário: ‘Qual é a cor do nosso mercado’? Os autores acreditam que cerca de 20% a 25% de todo o consumo de bens e serviços no Brasil poderia ser atribuídos a mestiços e negros. E ressalta que, não se trata de mercadorias banais, populares ,etc. E sim de grifes, finalizando seu artigo , ele ressalta: ‘Nosso mercado de produtos femininos e totalmente europeu’.Ele chega a essa conclusão após ter pesquisado e observado a ausência de modelos negros na publicidade. O mais relevante é que no exterior, dizendo da Europa, os modelos negros são bem valorizados. O publicitário ainda relata que, o negro aparece pouco nas propagandas por consumir menos. A população negra no ano de 2010 superou a branca. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), nesse ano, a população negra chegou a 50,3%, ou seja, cerca de 93 milhões de negros habitam o país. Mesmo com esse número de contingente o negro ainda está sendo vitimizado, sujeito às desigualdades, discriminações e segregações, em relação a outros grupos sociais preferencialmente aos brancos. Após terem decorrido 124 anos após a abolição da escravatura em 1888, as deturpações em relação às imagens retratadas do negro nos meios de comunicação de massa, continuam perpetuando a produção de estereótipos, apartação social e racial. Levando esse público a ceder sua identidade. Reforço essa informação à luz do que ARAÚJO, Zito (2000) salienta, “Nos anos 60 a participação dos negros na mídia já era negativa. Uma vez que sua aparição já retratava a destruição da identidade. 15 2.4 - O aumento da participação do negro na mídia- As ações para eliminar os estereótipos Os escravos após serem beneficiados pela abolição da escravatura no ano de 1888, não tiveram apoio de governantes brasileiros. Nenhuma ação do estado configurou de fato em políticas públicas afirmativas, como forma de reparar os danos sociais, físicos e morais, para esse grupo, causadas no período. O que houve foi uma dilatação das desigualdades sociais, e uma hierarquia social entre branco e negro, uma vez que o sistema judicial não garantiu a cidadania dos afrobrasileiros (Brito,1977). Na época os governantes sancionaram leis que privilegiaram os brancos, “escancarando” as portas para a apartação social. No texto de uma delas foi determinado que diplomatas,cônsules brasileiros e a polícia deveria proibir a entrada de mendigos, criminosos e indigentes(Idem). As políticas engendradas após a abolição favoreceram amplamente os imigrantes europeus, que começavam a fornecer mão de obra para as lavouras cafeeiras e de cana de açúcar. Estas, cenários de explorações e degradação do escravo negro. O mercado de trabalho para o negro (menciono aqui os meios de comunicação), objeto desse estudo, vem mostrando uma evolução positiva nesse segmento. Entretanto essa melhoria não configura em total rompimento com as imagens de estereótipos, como também com o problema da invisibilidade do negro, veiculadas na mídia. Batista e Leite (2011) colocam que, esse crescimento ainda esta lento, cerca de 10% em 20 anos. E que tal porcentagem não é resultado para exterminar a questão da invisibilidade do negro na mídia. Na mesma linha de pensamento estão os 43% dos anúncios munidos de estereótipos encontrados em 2005 na revista VEJA, como mencionados anteriormente nesse trabalho. Eles são provas concretas dos estigmas impregnados e ainda em uso na contemporaneidade. Assim, esses fatos estão longe de dizer que, anúncios publicitários discriminantes em relação ao negro foram abolidos, e que 16 anúncios que valorizam o negro, foram inseridos nos meios de comunicação de massa. Houve de certo modo uma correção com anúncios neutros, com acréscimo de 12 para 50% no período. Houve também uma diminuição dos anúncios que tinham como intuito sua valorização caindo de 12% para 6%. Batista e leite (2011). Bom, posso até considerar que as imagens selecionadas e nomeadas pelos autores como “neutras”, de fato minimizam os estereótipos e ao mesmo tempo substituem as imagens negativas, que degradam e tornam invisíveis os afrodescendentes. Entretanto elas podem abrir questionamentos, até que ponto elas atuam? Elas têm efeito em prol da melhoria da imagem do povo negro nos veículos de comunicação? Elas tendem a consolidar a tão sonhada igualdade entre os povos? O movimento negro e parlamentares negros munidos com o novo desenho dos artigos da Constituição Federal de 88, que a partir daqui, reconheceram a prática do racismo em nossa sociedade, iniciaram ações para exigir vetos nos meios de comunicação de massa que veiculassem imagens estereotipadas do povo negro. Zito (2001) relata alguns casos que repercutiram na mídia: • A Rede Globo foi obrigada a mudar o personagem afrodescendente que atuava em um papel servil na telenovela Pátria Minha. A ONG negra paulista Geledés dissera na época que a representação feria autoestima da população negra. • Outra ação foi feita contra o ex-palhaço Tiririca. Dessa fez pelo (CEAPRJ) Centro de articulação de Populações Marginalizadas. Que entendeu que a música intitulada “Veja os Cabelos Dela”, continham em seu texto vários versos racistas. Houve a retirada de 55 mil CDs do mercado consumidor, e a proibição de cantar essa música em shows, inclusive na televisão. • A Prefeitura do Município de Vitória-ES também se aliou a essa luta. Através de seu procurador Afro brasileiro José Arimathéa Campos Gomes, inclui no Edital de licitação das Empresas de Comunicação prestadoras de 17 serviço à observância da lei municipal que dispõe sobre a proporcionalidade da representação étnica. Com a nova redação da Constituição de 88 várias iniciativas foram traçadas por esses parlamentares, que propuseram ações de cunho legislativo. O objetivo era combater os estereótipos produzidos pela mídia, como também obrigar o aumento da proporção dos negros na publicidade brasileira. Fato importante e que teve repercussão nacional segundo Zito(2001), partiu da Senadora Benedita Silva, que no ano de 1994 apresentou um projeto de lei, propondo a participação obrigatória de 40% de pessoas negras nas propagandas de governo, em comerciais, e também em produções de novelas e minisséries.Tal proposta foi palco de muita polêmica naquele ano, mas também disparou atitudes para outros parlamentares governamentais e municipais, que “abraçaram” a causa. Cito aqui, ainda embasado nos escritos de Zito (2001), que no estado do Rio de Janeiro, um ano após o polêmico projeto da Senadora Benedita da Silva, a vereadora Jurema Batista, conseguiu a aprovação de seu projeto apresentado a Câmara de Vereadores fluminense. O projeto propunha também 40% de pessoas negras nas propagandas institucionais do município. Entretanto, tal projeto foi vetado pelo prefeito. Até parece coincidência, mas, um ano após esse veto, agora no Distrito Federal, três deputados negros apresentaram o projeto de Lei Nº 2.419/96. A redação propôs que a representação étnica fosse apresentada em toda e qualquer publicidade brasileira. Ainda à luz da Constituição de 88, surge o Projeto SOS Racismo. Nascido no berço do Instituto da Mulher Negra- O Geledés, esse projeto tinha como ação estruturar um serviço jurídico para atender as pessoas vítimas de racismo. Guimarães e Huntley (2000) em poucos anos de atendimento jurídico, esse projeto pode mostrar à sociedade brasileira e principalmente a população negra, que a discriminação social é um problema desconhecido da esfera pública por falta de vontade política para engendrar política pública para o enfrentamento da problemática social. Esse serviço atende em média quatro vitimas de discriminação racial por semana. Totalizando aproximadamente duzentas pessoas por ano. 18 Com essas ações apresentadas dentre outras promovidas no cerne do movimento negro, e a do estatuto do Estatuto da Igualdade Racial e leis direcionados à população negra, atualmente a propaganda brasileira vem adquirindo nas últimas décadas um novo formato. Formato esse, que se observa a ampliação do número de pessoas negras na publicidade. Sejam elas veiculadas na TV, Internet, outdoors, revistas, enfim todo o segmento midiático. O que se percebe também foi à alteração do campo social no qual elas estão inseridas, como também em sua estética retratada nas aparições. Cogita-se que o aumento de participação do público negro nos meios de comunicação de massa brasileiro, está associado ao consumo, como aponta a dissertação de mestrado intitulada “De Corpo Presente: o negro na publicidade em revista”, de Laura Guimarães Corrêa, defendida na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/ UFMG, em 2006. Corrêa coloca que nos últimos anos houve um acréscimo positivo no diz ao poder de compra da população negra, somando sete milhões de consumidores. E que 71% desses são influenciados quando há um negro na propaganda. Com a ascensão do negro na classe média, evidentemente emerge o consumidor negro. Esse novo formato socioeconômico de uma parcela da população afrodescendente, fez-se necessário à produção de bens e serviços direcionados a população negra e a participação mais expressiva desse público na publicidade. Nos escritos de Thompson (2000) esse fato é positivo, pois há uma interação e apropriação do produto veiculado na mídia. Interação com o grupo dominante, nesse caso aqui, o branco e o abandono simbólico que era retratado pela mídia. À medida que os indivíduos tiveram acesso aos produtos da mídia, eles puderam também manter um certo distanciamento do conteúdo simbólico das interações face a face e das formas de autoridade que prevaleciam em seus contextos sociais(...)assim chegaram a confiar cada vez menos no conteúdo simbólico transmitido pelas interações face a face e pelas formas localizadas de autoridade. O processo de autoformação tornou-se mais reflexivo e aberto, no sentido de que os indivíduos recorriam cada vez mais aos próprios recursos e ao 19 conteúdo simbólico transmitido pela mídia para chegarem a identidades coerentes para si mesmos.1 O renomado publicitário Washington Olivetto, ainda segundo a tese de Corrêa(2006), afirmou em uma entrevista que antes era difícil convencer um cliente de usar o negro na propaganda,hoje isso tem mais aceitação e é normal. Antes era o oposto. Os clientes pediam negros ou japoneses, mas exigiam que esses não aparecessem na frente, como forma de preservar a boa imagem do produto para seus consumidores. A professora Ilana Strozenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e autora do artigo “O apelo da cor: percepções dos consumidores sobre as imagens da diferença racial na propaganda brasileira” enfatiza que “o negro está mais presente na publicidade, com novas formas de representação e de certo modo ameaçando a hegemonia das visões preconceituosas”. A partir do exposto e coleta de dados, acredito que essas ações de enfrentamento da questão racial no Brasil têm atuado no caráter pedagógico, na forma de conscientizar a sociedade sobre a doença da discriminação racial que nasce da má informação e formação. Considero ainda que, a presença sem estereótipos do negro na publicidade vem sendo combatida e a mídia e seus produtores, já o coloca com aparições de status, como foi observado na pesquisa de campo em que trinta e uma pessoas consideraram que há esse aumento em virtude das conquistas dos movimentos negros, como consumidores de produtos de beleza e bens de consumo, estando uma parcela em consonância com a classe média e alta. Com isso pode-se pensar que os meios de comunicação, instituição que por excelência tem o poder de manipulação, começa a trilhar um caminho inverso, propiciando a correção da imagem do negro, inserindo em suas produções televisivas ou impressas, imagens sem estereótipos. Assim, emerge um imaginário de igualdade quando há mudanças nas representações e percepções das imagens afrodescendente na mídia brasileira. THOMPSON, Jonh B. A mídia e a modernidade: Uma teoria social da mídia. 5º ed. Petrópolis: Vozes, 2002 1 20 do 3- METODOLOGIA 21 A metodologia de estudo foi traçada na via qualitativa empírica, dando destaque à coleta de dados e à escuta dos entrevistados, que posteriormente alimentará a analise crítica do significado da imagem do afrodescendente na publicidade. A realização da pesquisa bibliográfica, aliada as narrativas colhidas em campo, serviram como base para analisar as imagens do indivíduo negro retratadas na mídia brasileira e como essas influenciam na negação de sua identidade. O que interessa também aqui, é o significado dessas imagens, e suas indignações frente ao povo negro, como também o olhar da sociedade frente às representações desse grupo retratado nos meios de comunicação. Utilizando o método qualitativo aliado à hermenêutica, buscando atingir o objeto de pesquisa tornando-o compreensível, mais do que sua simples aparência. Capalbo (1983), em “Fenomenologia e Hermenêutica: Âmbito cultural”, afirma que o termo hermenêutico advém do grego, significando: (...) afirmar, proclamar, interpretar, esclarecer e traduzir. Esta multiplicidade de significados tem, entretanto, algo em comum, a saber: a conversão de algo nebuloso em inteligível, como a interpretação de uma afirmação obscura, dificilmente compreensível, de um texto, cujo sentido não possui evidência, e que, portanto deve ser cercado de ilucidação. (CAPALBO:1983,p.35) Assim, a hermenêutica é um método que permite o reconhecimento da própria consciência, a exteriorização do mundo vivido, o cotidiano, as tensões e os conflitos humanos. Ela toca e resgata as emoções, a angústia e a interioridade humana, utilizando dos símbolos da linguagem não formal. A investigação utilizou-se da via qualitativa para a coleta e análise de dados. Foram realizadas quarenta e duas entrevistas, mescladas entre pessoas adultas afrodescendentes e brancas. O perfil para tais coletas não teve como base a cor da pele, classe social e nem no grau de estudo, sendo valorizada a opinião crítica ou construtiva de ambos os grupos, quanto as imagens do individuo negro retratada nos meios de comunicação. O objetivo foi analisar a opinião de ambos os grupos e 22 gêneros. Tentando com essa amostra observar se há uma preocupação com as imagens do negro oferecidas pela mídia e qual o grupo observa esse fato nos meios de comunicação do Brasil. Quanto ao gênero, foram entrevistados(as) vinte e sete mulheres e quinze homens.Quanto ao quesito cor/ raça, foram entrevistados(as) dezenove pessoas que se declararam negras, doze se declararam brancas e onze se declarara pardas. O questionário utilizado para as entrevistas foi elencado com três perguntas como: 1) Quando a mídia utiliza um ator negro, um modelo ou figurante para telenovelas, publicidades televisivas ou impressas, em quais papéis esses atuam? 2) A mídia deturpa a imagem do negro associando-o a estereótipos ?Justifique sua reposta. 3) Na atualidade você percebe um aumento do público negro na mídia brasileira? Justifique sua resposta. Saliento, que a coleta dos dados foram adquiridos durante o 6º Festival de Arte Negra ( FAN), acontecido no Parque Municipal de Belo Horizonte, em 02 e 03 de junho de 2012. 3.1 – Os Entrevistados e suas percepções quanto as imagens do negro na mídia Os entrevistados colocaram que: Na maioria os negros são associados a empregados domésticos, bandidos, e papéis de menor expressão. Diante do público entrevistado esse argumento aparece por vinte e sete vezes, evidenciando que na atualidade esse fato, ainda continua sendo retratado nos meios de comunicação de massa. Como exemplo, extrai fragmentos de relatos das entrevistas coletadas: “ Na maioria das vezes como pessoas de baixa renda e exclusão social.”( Feminino, negra.) “Faxineiro, mecânico, bandidos, classes mais baixas, etc.”(Masculino, negro). “ De forma tímida e discriminatória. Quando muito enquadrado no politicamente correto”( Masculino, negro). 23 “Na maioria das vezes são papéis secundários. E quando o protagonista é negro, há uma comoção nacional”.(Feminino, negra) “ Geralmente no fundo da tela”.( Feminino, negra). “Faxineiro, mecânico, bandido, classes mais baixas, etc. Um exemplo: Uma vez entrei em uma loja de brinquedos, e reparei que não havia crianças negras nas embalagens dos brinquedos da loja. Depois de muito procurar, achei um, em uma caixa de ferramenta.” (Masculino, negro). 3.2- O incômodo e os sentimentos desencadeados, em virtude das imagens dos negros oferecidas pela mídia. Os entrevistados relataram que emerge um sentimento de revolta,indignação e desvalorização do negro. Esses sentimentos aparecem por trinta e duas vezes, exemplificando: “Incomoda-me muito. Até quando a sociedade vai achar que só o branco é capaz!”(Feminino,branca). “A televisão brasileira deveria ser usada para quebrar estereótipos e não para sustentá-los.”( Feminino, branca). “ (...) uma imagem estereotipada, seja do negro ou de outra raça(etnia,religião,cultura,etc),encaminha para o erro e um preconceito estabelecido. A concepção formada antes de um conceito sólido é errônea, uma vez que transmite uma informação que quase nunca é real. O sentimento de revolta é despertado (...)”.( Feminino,branca). Através desses exemplos observa-se a presença constante da representação estereotipada do negro nos meios de comunicação brasileiro, mescladas entre trabalhos subalternos e papéis inexpressivos. Esses relatos dialogam com o que Zito,Araújo(2000) cita em um de seus escritos que: [...] as histórias das relações entre as mensagens publicitárias e os preconceitos raciais no Brasil, que está por 24 ser feita, certamente concluirá que a publicidade sempre navegou e manipulou um forte campo de estereótipos contra os negros, e isso não é diferente na teledramaturgia. (Araújo, 2000, p.146). De acordo com a pesquisa de campo cerca de treze pessoas que se declararam negras sentem indignações com as imagens retratadas pela mídia. Esse fato foi também percebido nas respostas de oito pessoas que se declararam brancas e em quatro que se declararam pardas. Assim, a questão da indignação e negação da identidade está mais latente na percepção do grupo, que se declarou negro. Com isso, estas respostas apontam para a existência da discriminação racial produzidas pela TV brasileira, em virtude das percepções das imagens do negro veiculadas nessa instituição. Essa inquietação partida da opinião pública em relação a questão racial, não estão sendo ignoradas pelos produtores de TV e seus publicitários, sendo um campo fértil para ações anti-racistas no Brasil.Guimarães e Huntley(2000). 3.3- O aumento das aparições do negro na mídia brasileira Os entrevistados relataram que o aumento é positivo, esse fato aparece por vinte e oito vezes, onze consideram que houve um aumento tímido e nove consideram que não houve aumento. Alguns relatam que o aumento das aparições do grupo negro na mídia esta associado aos produtos de consumo direcionados para o negro. Para ilustrar os dados acima extrair alguns relatos: “(...) é corriqueiro a atuação de negros na mídia. Isso é comprovado através de papéis belíssimos exercidos por atores e atrizes negros”.( Feminino, branca). “Hoje, acredito que esse aumento é resultado das políticas de inclusão social. Podemos ver mais atores negros em propagandas. Acho que ao contrário de antigamente. O negro é exposto como consumidor de produtos voltados para a classe média e média alta”. (Feminino, branca). 25 “Percebo nas propagandas de produto de beleza e bens de consumo. Mas ainda não é por valorizar a raça, mas como forte insumo para comercialização de produtos”. (Feminino, negra). “Ainda vejo um número bem menor de negros na mídia. É como se o número usado de negros fosse por alguma exigência, uma cota, uma lei.”(Feminino, negra). “Percebo as aparições com bastante frequência, na verdade. Não tenho certeza se existe uma lei que garanta a participação de negros nos meios de comunicação, mas tenho vistos negros em propagandas (em quase todas) e em novelas, seriados e afins.”(Feminino, branca). 26 4- CONCLUSÃO Analisando a bibliografia e a pesquisa de campo, nota-se que a discriminação racial no Brasil, ainda é percebida, quando se tem os meios de comunicação como análise. Mas apesar disso, paulatinamente os afrodescendentes ampliam suas conquistas no espaço midiático. Atuando mesmo que timidamente em papéis expressivos vão mostrando que são capazes de disputar em igualdade os espaços antes ocupados somente por brancos, estes, selecionados por uma questão de cor da pele, baseados na estética branca. O advento dos movimentos negros trouxe em sua agenda o desafio de combater a discriminação racial. Com isso, eles vêm engendrando ações que vai ao encontro das demandas que ao longo dos anos impedem que afrodescendentes brasileiros se consolidem como cidadãos de direito. Cidadania essa, sem distinção de classe social, etnia, cultura, raça ou cor. Munidos de políticas públicas especificas (pela igualdade de oportunidade de emprego, na educação, na saúde e etc.). O histórico das aparições do negro nos meios de comunicação, retratados aqui, trouxe uma evolução nas transformações e olhares não estigmatizados para esse público. As novas formas de representações positivas tendem a disseminar as aparições estereotipadas e convida o receptor à novas concepções do afrodescendente. O Brasil através dos meios de comunicação começa a explicitar suas “cores”, deixando de dar ênfase somente aos brancos de olhos azuis. Sei que é um processo lento, e tende a dilatar-se ainda mais, quando se tem a mídia, os movimentos sociais, leis, estatutos e governantes a favor da igualdade e contra a discriminação racial, refutando todas as formas de racismo e intolerância. 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO ZITO, Joel. A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira. 2ºed. São Paulo: SENAC, 2004. ARENDT, H. “O pensamento racial antes do racismo”. In: Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras,1989. CARRILHO, Maria. Sociologia da Negritude. Lisboa. Edição 70, 1975. COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral. 4º ed. São Paulo:Saraiva, 1999. DESLANDES, S.F; GOMES, R. & MINAYO, M.C.S. (org.). 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