Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Química Coordenação de Pós-graduação em Química Orgânica Estudo fitoquímico de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas e Simaba guianensis subesp. ecaudata (Cronquist) Rita de Cássia Saraiva Nunomura Universidade Federal do Rio de Janeiro Curso de Doutorado em Química Orgânica Orientador: Dr. Angelo C. Pinto. Rio de Janeiro 2005 FOLHA DE APROVAÇÃO Estudo fitoquímico de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas e Simaba guianensis subesp. ecaudata (Cronquist) Rita de Cássia Saraiva Nunomura Tese submetida ao corpo docente do Departamento de Química Orgânica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor. Aprovada por: Dr. Angelo da Cunha Pinto (Orientador) ______________________________________ IQ-UFRJ Dr. Adrian Martin Pohlit (Co-orientador) _______________________________________ CPPN-INPA Dra. Ana Cláudia Fernandes Amaral _________________________________________ FIOCRUZ Dr. Mário Geraldo de Carvalho _____________________________________________ UFRRJ Dra. Cláudia Moraes Rezende ______________________________________________ IQ-UFRJ Dr. Carlos Roland Kaiser __________________________________________________ IQ – UFRJ Dr. Ricardo Machado Kuster (Suplente) ______________________________________ CPPN-UFRJ Rio de Janeiro 2005 FICHA CATALOGRÁFICA Nunomura, Rita de Cássia Saraiva Estudo fitoquímico de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas e Simaba guianensis subesp. ecaudata (Cronquist) Rio de Janeiro: IQ-UFRJ, 2005. xxxi, 247 p. Tese de Doutorado em Ciências – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Química, 2005. Orientador: Angelo da Cunha Pinto 1. Simaroubaceae. 2. Triterpenos. 3. Alcalóides. 3. CLAE. I. Título. iv AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, Senhor de todas as coisas e que em todos os momentos da minha vida tem demonstrado sua infinita fidelidade, amor e misericórdia. Ao meu Deus que tem me capacitado e suprido todas as minhas necessidades, a minha eterna gratidão e louvor. Aos meus pais, pelo amor, paciência e apoio em todas as etapas da minha vida, inclusive a profissional que permitiram chegar a mais uma etapa. Ao Prof. Angelo da Cunha Pinto pela orientação, apoio, amizade e confiança depositada para a realização desse trabalho. Pela lição de vida e amizade demonstrada a todos nós que passamos pelo 621. Ao Dr. Adrian Martin Pohlit pela orientação no INPA, apoio, amizade e oportunidade oferecida para realização de parte do trabalho na CPPN – INPA. Ao meu marido, Sergio, pelo apoio em todas horas e auxílio nas análises e execução do trabalho, pela orientação e paciência. Com certeza, esse trabalho não teria sido realizado sem o seu apoio, independente da distância. A Dra. Ana Cláudia F. Amaral pela colaboração, apoio e grande amizade em todas as horas no período de trabalho na FIOCRUZ. Ao Prof. Mário Geraldo pela participação na banca de defesa. Ao Prof. Raimundo Braz-Filho pela participação na banca de defesa. Ao Prof. Ricardo Kuster pela amizade e participação na banca de defesa. Ao Prof. Dr. Massayoshi Yoshida pela contribuição nesse trabalho, apoio e amizade. Aos Professores do IQ-UFRJ que muito contribuíram para o meu aprendizado, Prof. Kover, Prof. Francisco Radler, Prof. Luiz Nelson, Profa. Lígia Valente, Profa. Rosane S. Gil e Prof. Kaiser. A Prof. Claudia Rezende, pelo apoio, amizade e contribuição em várias etapas do trabalho. Aos amigos do Laboratório 621, Flávio, que muito nos ensina com seu exemplo de pessoa, pela paciência em nos ajudar com o necessário para a realização das atividades de laboratório. A Núbia, pela grande amizade e pelo exemplo de amor à pesquisa, paciência e perseverança, também por compartilhar os momentos de saudades de casa. A Josélia, pela amizade e os v divertidos momentos de descontração no laboratório. A Michelle, pela amizade e apoio nas dificuldades para a realização de atividades. A Carol, Bárbara, Adriana, André e Patrícia pela amizade e momentos de descontração proporcionados. A Ricardo, pela amizade e auxílio nas análises cromatográficas e na utilização do polarímetro. Aos amigos Túlio, Sandra, Júnior, Adriana, Marilza, José Celso, Andréia, Emerson, Rogério, Paulo, Rodrigo, Ricardo pela amizade e momentos no Instituto de Química. Ao amigo Anderson Canuto pelo auxílio nas horas de dificuldade. Aos amigos do INPA, em especial a Gláucia, Patrícia, Aline, Yara, Ellen, Erika e Tatiane pela amizade, pelo auxílio na execução de trabalhos e pelos muitos momentos agradáveis e pelo apoio nas horas de dificuldade. Aos amigos, Alfeu, Daniel, Suniá, Marycleuma, Isabel, Rodrigo, Elaine e Miriam pelos momentos agradáveis de convivência. Aos amigos de Farmanguinhos, Thalia, Carla, Marcos Jun, Wagner, aos amigos do PN-3 pelo apoio, amizade e em especial a Carine, Leandro e Renata pela amizade e auxílio nas horas necessárias. Ao Zé do Massa, pela amizade, pelos bons momentos de conversa e ensino sobre química e música. A todos que de alguma forma não têm seus nomes escritos aqui mas, são lembrados pelos bons momentos que passei em Farmanguinhos-Fiocruz. Aos meus “pais cariocas” Abner e Gloria que me acolheram nos momentos necessários e muito me apoiaram, com muito amor e paciência, para cumprir essa etapa. À Rose, minha amiga, irmã que considero, pela companhia, apoio e amizade inesquecíveis. Aos amigos da PIBB pela amizade e apoio. Aos técnicos e pesquisadores da Central Analítica da USP, Farmanguinhos, IQ-UFRJ e UFAM pela obtenção dos espectros. Aos amigos do Rio de Janeiro, Fred e Anderson, pela amizade e apoio oferecido no início do doutorado. A todos os amigos que de alguma forma deram seu apoio e embora seus nomes não sejam citados não são menos importantes. Ao CNPq pelo apoio financeiro. vi “O princípio da sabedoria é: Adquire a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento. Estima-a, e ela te exaltará; se a abraçares, ela te honrará...” Provérbios de Salomão vii Aos meus pais João e Francisca, aos meus irmãos e ao meu amado Sergio. viii Lista de abreviaturas AcOEt - Acetato de etila ACN – Acetonitrila CCD – Cromatografia em camada delgada CG – Cromatografia gasosa CG/EM – Cromatografia gasosa acoplada a Espectrômetro de massas CV% - Coeficiente de Variação CLAE – Cromatografia Líquida de Alta Eficiência CI50 – Concentração inibitória em 50% CL50 – Concentração letal em 50% δ - deslocamento químico d – Dubleto dd – Duplo dubleto ddd – Duplo duplo dubleto DCM – Diclorometano DEPT – “Distortionless Enhancement by Polarization Transfer” DMSO - Dimetilsulfóxido EFS – Extração em Fase Sólida EM – Espectro de massas eV – Elétron-Volt FID – “Flame Ionization Detector” (Detetor de ionização de chama) FIOCRUZ – Fundação Instituto Oswaldo Cruz Fr. – Fração Hex – Hexano HETCOR – Espectro bidimensional de correlação heteronuclear 13C-1H HBBD - Hydrogen Broad-Band Decoupling HMBC - Heteronuclear Multiple Bond Correlation HMQC – Heteronuclear Multiple Quantum Coherence ix HOMOCOSY – Homonuclear Correlation Spectroscopy HPLC – High Performance Liquid Chromatography (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia IQ-UFRJ – Instituto de Química – Universidade Federal do Rio de Janeiro IV – Infravermelho; J – Constante de acoplamento em Hertz m – Mutlipleto MeOH – Metanol Me - Metila MPLC – Cromatografia líquida de média pressão NOESY - Nuclear Overhauser Enhancement Spectroscopy PF – Ponto de fusão p/p - relação peso por peso. q – Quarteto RMN 1H – Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio RMN 13C – Ressonância Magnética Nuclear de Carbono 13C RP-18 – “Reverse Phase” (Fase Reversa) s – Singleto sl – Singleto largo UFC – Universidade Federal do Ceará UV - Ultravioleta UV/VIS – Ultravioleta/Visível λ - Comprimento de ondas µg – Microgramas t – Tripleto; tR- Tempo de retenção TFA – Ácido trifluoroacético TMS – Tetrametilsilano. x Sumário Agradecimentos .............................................................................................................................. iv Lista De Abreviaturas ...................................................................................................................... viii Resumo ...........................................................................................................................................xxx Abstract ...........................................................................................................................................xxxi 1. Introdução ................................................................................................................................... 01 1.1. A família Simaroubaceae............................................................................................... 01 1.2. Triterpenos e a formação dos quassinóides.................................................................. 04 1.3. Alcalóide indólicos β-carbolínicos e tipo cantinona ....................................................... 13 1.4. O gênero Simaba ........................................................................................................... 17 1.4.1. Simaba cedron Planch.......................................................................................... 18 1.4.2. Simaba orinocencis Kunth .................................................................................... 21 1.4.3. Simaba cuneata A. St Hil & Tul............................................................................. 22 1.4.4. Simaba cuspidata Spruce ex Engl........................................................................ 24 1.4.5. Simaba guianensis Aubl. ..................................................................................... 25 1.4.6. Simaba multiflora A. Juss. . .................................................................................. 27 1.4.7 Simaba obovata Spruce ex Engler ........................................................................ 31 1.5. A espécie Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas. ....................................................... 33 1.6. Simaba guianensis subesp. ecaudata Cronquist............................................................... 35 2. Objetivos...................................................................................................................................... 38 3. Parte Experimental...................................................................................................................... 39 3.1. Materiais e métodos....................................................................................................... 39 xi 3.1.1. Equipamentos ...................................................................................................... 39 3.1.2. Métodos cromatográficos..................................................................................... 40 3.1.3. Métodos espectroscópicos .................................................................................. 41 3.1.4. Reagentes e solventes ........................................................................................ 44 3.2. Trabalho fitoquímico realizado com Simaba polyhphylla .............................................. 44 3.1.2. Coleta do material botânico ................................................................................. 44 3.2.2. Preparação de extratos........................................................................................ 44 3.2.3. Preparação dos extratos dos galhos para fracionamento por partição e cromatográfico ................................................................................................................ 49 3.2.4. Fracionamento do extrato hexânico dos galhos de Simaba polyhphylla ............ 51 3.2.5. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba polyhphylla (SPGC1.46) ................................................................................................. 52 3.2.5.1. Separação cromatográfica da subfração 55-63 da fração 9-10 de SPGC1.46................................................................................................................. 54 3.3. Trabalho fitoquímico realizado com os galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (Cronquist) ............................................................................................................................. 56 3.3.1. Coleta do material botânico .................................................................................. 56 3.3.2. Preparação dos extratos....................................................................................... 56 3.3.3. Preparação dos extratos dos galhos para fracionamento por partição e cromatográfico ................................................................................................................ 60 3.3.4. Separação cromatográfica do extrato hexânico dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata............................................................................................................ 60 3.3.5. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba guianensis susbesp. ecaudata ....................................................................................... 64 xii 3.4. Quantificação de 9-metoxi-cantin-6-ona nos extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata em CLAE ................................................................ 66 3.4.1. Método de análise em CLAE ................................................................................ 66 3.4.2. Curva de calibração .............................................................................................. 66 3.4.3. Preparação das amostras..................................................................................... 67 3.4.3.1. Tratamento dos extratos metanólicos........................................................ 67 3.4.3.2. Tratamento dos extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata................................................................................ 68 3.5. Avaliação da atividade biológica de extratos e frações de galhos e folhas de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata ....................................................................... 69 3.5.1. Ensaios de atividade letal contra microcrustáceos Artemia franciscana ............ 70 3.5.2. Avaliação da citotoxicidade in vitro de extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata................................................................. 71 3.5.2.1. Material e método de análise.................................................................. 71 3.5.3. Teste de atividade biológica contra larvas de Aedes aegypti .............................. 72 4. Resultados e discussão .............................................................................................................. 73 4.1. Isolamento e identificação das substâncias extraídas dos galhos de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas ............................................................................................................ 73 4.1.1. Niloticina............................................................................................................... 73 4.1.2. Diidroniloticina...................................................................................................... 79 4.1.3. Taraxerona........................................................................................................... 84 4.1.4. 9-metoxi-cantin-6-ona .......................................................................................... 89 4.1.5. Ácido 7-metoxi-β-carbolin 1 il-(Z)-prop-2-enóico ................................................. 94 xiii 4.2. Isolamento e identificação das substâncias isoladas dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata Cronquist.................................................................................................. 98 4.2.1. Óxido de cariofileno .............................................................................................. 98 4.2.2. Piscidinol A............................................................................................................102 4.2.3. Alcalóides do tipo cantinona de Simaba guianensis subesp. ecaudata ...............109 4.2.3.1. 9-metoxi-cantin-6-ona ........................................................................................109 4.2.3.2. 6-metoxi-β-carbolin-1-il-(Z)-prop-2-enóico ............................................................109 4.3. Quantificação dos extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata .....................................................................................................................113 4.3.1. Análise dos extratos metanólicos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata............................................................................................................114 4.3.2. Análise dos extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. ........................................................................................................................117 4.3.3. Análise das frações clorofórmicas dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis. ..120 4.3.4. Curva de calibração e quantificação das amostras. ..............................................122 4.4. Avaliação da citotoxicidade in vitro dos extratos e frações de Simaba polyphylla e Simaba guianensis subesp. ecaudata. ...........................................................................127 4.5. Avaliação da atividade larvicida em Aedes aegypti e citotóxica em microcrustáceos Artemia franciscana ........................................................................................................133 5. Conclusões .................................................................................................................................137 6. Referências Bibliográficas ..........................................................................................................139 7. Anexos ........................................................................................................................................157 xiv Índice de Figuras Figura 1 - Simaba polyphylla........................................................................................................... 33 Figura 2 - Distribuição geográfica da espécie Simaba polyphylla .................................................. 34 Figura 3 - Exsicata da espécie Simaba guianensis subesp. ecaudata ......................................... 36 Figura 4 – Distribuição geográfica da espécie Simaba guianensis subesp. ecaudata .................. 37 Figura 5 - Principais correlações heteronucleares C-H à longa distância observadas em 73....... 77 Figura 6 - Principais correlações heteronucleares observadas no HMBC para diidroniloticina..... 83 Figura 7. Principais correlações heteronucleares observadas no HMBC para taraxerona ........... 87 Figura 8 - Principais correlações C-H à longa distância, observadas para 35 .............................. 93 Figura 9 - Principais correlações C-H observadas no HMBC para piscidinol A.............................107 Figura 10 - Principais correlações observadas no espectro de NOESY para piscidinol A ............107 Figura 11 – Cromatograma de 9-metoxi-cantinona com tr de 21,3 minutos...................................114 Figura 12 - Cromatogramas dos extratos metanólicos dos galhos de Simaba polyphylla.............115 Figura 13. Cromatogramas dos extratos metanólicos dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata .........................................................................................................................................116 xv Figura 14 - Cromatogramas da fração obtida por EFS do extrato metanólico dos galhos de S. polyphylla: SPG-2.166 (azul) – eluída com MeOH/AcOEt (7:3); SPG-2.166p (vermelho) – com adição de padrão.............................................................................................................................117 Figura 15 - Cromatogramas das frações de EFS obtidas do extrato aquoso dos galhos de Simaba polyphylla.........................................................................................................................................118 Figura 16 - Cromatogramas das frações de EFS obtidas do extrato aquoso dos galhos de S. guianensis subsp. ecaudata............................................................................................................119 Figura 17 - Cromatogramas da fração 3 do extrato aquoso de Simaba guianensis subsp. ecaudata com e sem co-injeção de padrão 9-metoxicantin-6-ona.................................................................120 Figura 18 - Cromatogramas da fração clorofórmica de S. polyphylla com e sem coinjeção de padrão 9-metoxicantin-6-ona ..........................................................................................................121 Figura 19 - Cromatogramas da fração clorofórmica de Simaba guianensis subsp. ecaudata com e sem co-injeção de padrão 9-metoxicantin-6-ona............................................................................121 Figura 20 – Curva de calibração do alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona a 254 nm ............................123 xvi Índice de Quadros Quadro 1 – Esqueletos típicos dos quassinóides ........................................................................... 10 Quadro 2 – Quassinóides isolados de Simaba cedron e Ailanthus altissima................................. 11 Quadro 3 – Esqueletos básicos de alcalóides tipo cantinona ....................................................... 15 Quadro 4 – Exemplos de cantinonas encontradas com diferentes funções orgânicas.................. 16 Quadro 5 - Quassinóides isolados de S. cedron Planch ................................................................ 20 Quadro 6 - Metabólitos isolados de Simaba orinocensis Kunth. .................................................... 22 Quadro 7 - Metabólitos isolados de Simaba cuneata ..................................................................... 23 Quadro 8 - Constuintes químicos de Simaba cuspidata................................................................. 24 Quadro 9 - Metabólitos isolados da casca de Simaba guianensis ................................................ 26 Quadro 10 – Substâncias isoladas de S. multiflora ....................................................................... 29 Quadro 11 – Substâncias isoladas de Simaba multilfora .............................................................. 30 Quadro 12. Constituintes químicos isolados de Simaba obovata .................................................. 32 xvii Índice de esquemas Esquema 1 – Formação do precursor dos triterpenos pela junção cauda-cauda de duas unidades pirofosfato de farnesila .................................................................................................................... 06 Esquema 2 – Formação do triterpeno eufol a partir do epóxido de esqualeno.............................. 08 Esquema 3 – Formação de quassinóides e limonóides a partir do eufol/tirucalol.......................... 09 Esquema 4 – Proposta biossintética para o quassinóide Cedrolactona ........................................ 12 Esquema 5 – Formação de alcalóides β-carbolínicos .................................................................... 14 Esquema 6 – Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla (Espécime 1) 46 Esquema 7 – Preparação de extratos e frações dos galhos de S. polyphylla (espécime 2) ......... 47 Esquema 8 – Preparação de extratos e frações das folhas de S. polyphylla ................................ 48 Esquema 9 – Preparação dos extratos e fracionamento por partição dos galhos de Simaba polyphylla ........................................................................................................................................ 50 Esquema 10 – Fracionamento cromatográfico do extrato hexânico dos galhos de S. polyphylla ..51 Esquema 11 - Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de S. polyphylla .....53 Esquema 12 - Separação cromatográfica da fração 9-10 de SPGC1.46 ......................................55 xviii Esquema 13 - Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (espécime 1) .. .......... .................................................. .................................................. 57 Esquema 14 - Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (espécime 2) .. .......... .................................................. .................................................. 58 Esquema 15 - Preparação de extratos e frações das folhas de Simaba guianensis subesp. ecaudata ......................................................................................................................................... 59 Esquema 16 - Preparação de extratos e fracionamento por partição dos extratos dos galhos de Simaba guianensis subesp ecaudata ............................................................................................ 61 Esquema 17 - Separação cromatográfica do extrato hexânico de Simaba sp nov. (SNG1.4) ...... 62 Esquema 18 - Separação cromatográfica da fração 64-69 de SNG1.4 ........................................ 63 Esquema 19 - Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata ........................................................................................................................... 65 Esquema 20 - Tratamento dos extratos metanólicos de S. polyphylla e S. guianensis ................ 68 Esquema 21 - Tratamento realizado com os extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata ........................................................................................................... 69 Esquema 22. Proposta para as principais fragmentações da niloticina (73).................................. 78 Esquema 23. Proposta para as principais fragmentações observadas no espectro de massas da taraxerona (75)................................................................................................................................ 85 xix Esquema 24. Proposta para as principais fragmentações de 9-metoxi-cantin-6-ona.................... 90 Esquema 25. Proposta de fragmentação de 76 para formação do pico base de m/z 250 ............ 97 Esquema 26. Proposta para as principais fragmentações do óxido de cariofileno no EM ............ 99 Esquema 27. Proposta para as principais fragmentações de Piscidinol A no EM ..................... 103 xx Índice de tabelas Tabela 1 – Comparação da localização dos gêneros sob diferentes classificações da família Simaroubaceae ............................................................................................................................... 03 Tabela 2 – Deslocamentos químicos observados de RMN 1H e 13 C para a substância (73) em CDCl3 .............................................................................................................................................. 75 Tabela 3 - Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância (73) ............................................................................................................................... 77 Tabela 4 – Deslocamentos químicos observados de RMN 1H e 13C para a substância 74 em CDCl3. ......................................................................................................................................................... 80 Tabela 5 – Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância 74. ................................................................................................................................. 82 Tabela 6 – Dados de RMN de 1H (200 MHz) e de 13 C (50 MHz) para a substância 75 em CDCl3 e dados para a taraxerona da literatura ............................................................................................. 86 Tabela 7 – Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância 75. ................................................................................................................................ 88 Tabela 8 – Deslocamentos químicos de RMN 1H e (35) 13 C observados para a 9-metoxi-cantin-6-ona .............................................................................................................................................. 91 Tabela 9 – Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância 35 .................................................................................................................................. 93 xxi Tabela 10 - Deslocamentos químicos de RMN1H (500 MHz) e RMN13C (125 MHz) observados para (76) e correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY e HMBC (em CDCl3). ................. 95 Tabela 11 – Deslocamentos químicos por RMN 1H (300 MHz) e RMN13 (75 MHz) em CDCl3 do óxido de cariofileno (77) ..................................................................................................................100 Tabela 12 - Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC para a substância (77)................................................................................................................................101 Tabela 13 - Deslocamentos químicos de RMN 1H (300 MHz) e 13C (75 MHz) em CDCl3 observados para SNGH1.159 e comparação com Piscidinol A ........................................................................104 Tabela 14 – Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC para Piscidinol A .....................................................................................................................................106 Tabela 15 – Correlações observadas no espectro bidimensional de NOESY de Piscidinol A ......108 Tabela 16 – Deslocamentos químicos de RMN 1H (500 MHz), RMN 13 C (125 MHz) e correlações à longa distância observadas no espectro de HMBC para a substância (79) (em MeOD)...............111 Tabela 17 – Áreas médias correspondentes às soluções padrão de 9-metoxi-cantin-6-ona ........122 Tabela 18 - Valores das áreas médias e concentrações dos extratos e frações de S. polyphylla e S. guianensis, obtidos por análise em CLAE .....................................................................................124 Tabela 19 – Valores de concentração de 9-metoxi-cantin-6-ona nas diferentes soluções de extratos aquosos e metanólicos de S. polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata ...................................125 xxii Tabela 20 – Relação percentual de 9-metoxi-cantinona presente nos extratos e frações dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis. ....................................................................................................126 Tabela 21 – Citotoxicidade dos extratos e frações obtidos dos galhos e folhas de Simaba polyphylla na concentração de 120 µg/mL.......................................................................................................128 Tabela 22 – Citotoxicidade dos extratos e frações obtidos dos galhos e folhas de S. guianensis subsp. ecaudata na concentração de 120 µg/mL ..........................................................................129 Tabela 23. Atividade citotóxica em Artemia franciscana (Af) e larvicida em Aedes aegypti (Aa) de extratos de galhos de folhas de Simaba polyphylla........................................................................133 Tabela 24. Atividade citotóxica (Artemia franciscana – Af) e larvicida (Aedes aegypti – Aa) das frações obtidas por partição dos galhos de Simaba polyphylla......................................................134 Tabela 25. Atividade citotóxica em Artemia franciscana (Af) e larvicida em Aedes aegypti (Aa) de extratos de galhos de folhas de Simaba guianensis subesp. ecaudata .........................................135 Tabela 26. Atividade citotóxica (Artemia franciscana – Af) e larvicida (Aedes aegypti – Aa) das frações obtidas por partição dos galhos de S. guianensis .............................................................135 xxiii Índice de Anexos Espectro de IV da niloticina (73). ....................................................................................................158 Espectro de Massas de baixa resoluçao da niloticina (73)............................................................159 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) ........................................................160 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) – ampliação....................................161 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) – ampliação da região alifática ......162 Espectro de RMN 13C (HBBD) da niloticina (73) (50 MHz – CDCl3)...............................................163 Espectro de DEPT 135 da niloticina ...............................................................................................164 Espectro de DEPT 90 da niloticina .................................................................................................165 Espectro de HOMOCOSY da niloticina...........................................................................................166 Espectro de HMQC da niloticina .....................................................................................................167 Espectro de HMQC da niloticina – ampliação ................................................................................168 Espectro de HMBC da niloticina .....................................................................................................169 Espectro de HMBC da niloticina – ampliação.................................................................................170 xxiv Espectro de IV da diidroniloticina (74)............................................................................ 171 Espectro de Massas de baixa resolução da diidroniloticina. ..........................................................172 Espectro de RMN 1H da diidroniloticina (200 MHz-CDCl3).............................................................173 Espectro de RMN 1H da diidroniloticina (200 MHz-CDCl3) – ampliação ........................................174 Espectro de RMN 13C (HBBD) da diidroniloticina (50 MHz – CDCl3) .............................................175 Espectro de DEPT135 da diidroniloticina. ......................................................................................176 Espectro de DEPT 90 da diidroniloticina.........................................................................................177 Espectro de HOMOCOSY da diidroniloticina..................................................................................178 Espectro de HOMOCSY da diidroniloticina – ampliação ................................................................179 Espectro de HMQC da diidroniloticina ...................................................................................180 Espectro de HMQC da diidroniloticina – ampliação........................................................................181 Espectro de HMBC da diidroniloticina.............................................................................................182 Espectro de IV da taraxerona (75) ..................................................................................................183 Espectro de massas de baixa resolução da taraxerona.................................................................184 Espectro de RMN 1H da taraxerona (200 MHz – CDCl3)................................................................185 xxv Espectro de RMN 13C (HBBD) da taraxerona (50 MHz – CDCl3)...................................................186 Espectro de DEPT 135 da taraxerona ............................................................................................187 Espectro de DEPT 90 da taraxerona ..............................................................................................188 Espectro de HOMOCOSY da taraxerona .......................................................................................189 Espectro de HMQC da taraxerona..................................................................................................190 Espectro de HMQC da taraxerona – ampliação .............................................................................191 Espectro de HMBC da taraxerona ..................................................................................................192 Espectro de HMBC da taraxerona – ampliação..............................................................................193 Espectro de IV da 9-metoxi-cantin-6-ona (35) ................................................................................194 Espectro de massas de baixa resolução da 9-metoxi-cantin-6-ona...............................................195 Espectro de RMN 1H da 9-metoxi-cantin-6-ona (200 MHz – CDCl3)..............................................196 Espectro de RMN 1H da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática ........................197 Espectro de RMN 13C (HBBD) da 9-metoxi-cantin-6-ona (50 MHz – CDCl3) .................................198 Espectro de HOMOCOSY da 9-metoxi-cantin-6-ona .....................................................................199 xxvi Espectro de HOMOCOSY da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática................200 Espectro de HMQC da 9-metoxi-cantin-6-ona................................................................................201 Espectro de HMBC da 9-metoxi-cantin-6-ona ................................................................................202 Espectro de HMBC da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática...........................203 Espectro de IV de SPGC2.147 – 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76) .................204 Espectro de massas de baixa resolução de 76 ..............................................................................205 Espectro de RMN 1H de 76 (500 MHz – CDCl3) .............................................................................206 Espectro de RMN 1H de 76 (500 MHz – CDCl3) – ampliação da região aromática .......................207 Espectro de RMN13C (HBBD) de SPGC2.147 (76) (125 MHz – CDCl3) ........................................208 Espectro de HOMOCOSY do ácido 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76) ............209 Espectro de HOMOCOSY do ácido 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76) ............210 Espectro de HMQC de 76 ...............................................................................................................211 Espectro de HMQC de 76 – ampliação...........................................................................................212 Espectro de HMBC de 76................................................................................................................213 xxvii Espectro de HMBC de 76 –ampliação ............................................................................................214 Espectro de IV do óxido de cariofileno (77) ....................................................................................215 Espectro de massas de baixa resolução do óxido de cariofileno ...................................................216 Espectro de RMN 1H do óxido de cariofileno (200 MHz-CDCl3).....................................................217 Espectro de RMN 1H do óxido de cariofileno – ampliação da região alifática................................218 Espectro de RMN 13C (HBBD) do óxido de cariofileno (50 MHz – CDCl3)...................................219 Espectro de DEPT 135 do óxido de cariofileno ..............................................................................220 Espectro de DEPT 90 do óxido de cariofileno ................................................................................221 Espectro de HOMOCOSY do óxido de cariofileno .........................................................................222 Espectro de HOMOCOSY do óxido de cariofileno – ampliação ................................................223 Espectro de HMQC do óxido de cariofileno....................................................................................224 Espectro de HMBC do óxido de cariofileno ....................................................................................225 Espectro de IV do Piscidinol A (78).................................................................................................226 Espectro de massas de baixa resolução de piscidinol A................................................................227 xxviii Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3)..............................................................228 Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3) – ampliação da região alifática............229 Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3) – ampliação da região de hidrogênios carbinólicos e hidrogênio insaturado ..............................................................................................230 Espectro de RMN 13C (HBBD) do piscidinol A (500 MHz – CDCl3)..............................................231 Espectro de HOMOCOSY de piscidinol A ......................................................................................232 Espectro de HOMOCOSY de piscidinol A – ampliação..................................................................233 Espectro de HMQC de piscidinol A.................................................................................................234 Espectro de HMQC de piscidinol A – ampliação ............................................................................235 Espectro de HMBC de piscidinol A .................................................................................................236 Espectro de HMBC de piscidinol A – ampliação.............................................................................237 Espectro de NOESY de piscidinol A ...............................................................................................238 Espectro de IV de SNGC2.146 – ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) ......239 Espectro de massas do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79).....................240 xxix Espectro de RMN 1H do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (500 MHz – MeOD) .............................................................................................................................................241 Espectro de RMN 1H do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (500 MHz – MeOD) – ampliação da região aromática .......................................................................................242 Espectro de RMN 13C (HBBD) do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (125 MHz – MeOD) .................................................................................................................................243 Espectro de DEPT do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) Espectro de HMQC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) ...........................................244 Espectro de HMQC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) .......................245 Espectro de HMBC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) .......................246 Espectro de HMBC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) .......................247 xxx Resumo Espécies da família Simaroubaceae são conhecidas por suas propriedades medicinais empregadas tradicionalmente na região amazônica. Esse trabalho descreve o estudo de duas espécies do gênero Simaba. A espécie Simaba polyphylla, conhecida popularmente como “serve para tudo” e “marupazinho”, e a espécie Simaba guianensis subesp. ecaudata. O estudo fitoquímico dos galhos de Simaba polyphylla resultou no isolamento dos triterpenos niloticina, diidroniloticina e taraxerona, do alcalóide citotóxico 9-metoxi-cantin-6-ona, isolados pela primeira vez nessa espécie, e do alcalóide 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico, isolado pela primeira vez como produto natural. O fracionamento dos galhos de S. guianensis subesp. ecaudata resultou no isolamento do triterpeno citotóxico piscidinol A, do alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona, do sesquiterpeno óxido de cariofileno isolados pela primeira vez nessa espécie, e do novo alcalóide 6-metoxi(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico. Foi realizada a quantificação de 9-metoxicantin-6-ona em diferentes extratos e frações dos galhos das duas espécies em estudo por Cromatografia Liquida de Alta Eficiência. A concentração de 9-metoxicantin-6-ona, determinada nos extratos metanólicos e aquososos, foi muito inferior à concentração citotóxica dessa substância. A avaliação da citotoxicidade in vitro em células tumorais tipo MDA-MB, B-16 e HCT8 de extratos e frações de galhos e folhas de S. polyhpylla e S. guianensis demonstrou que os extratos hexânicos e metanólicos dos galhos das duas espécies são altamente citotóxicos. xxxi Abstract Simaroubaceae species are well-known in the medicinal medicine in the Amazon region. This work describes the study of two species of Simaba genus, Simaba polyphylla, popularly known as “serve para tudo” and “marupazinho”, and Simaba guianensis ssp. ecaudata. The phytochemical work from stems of Simaba polyphylla afforded three triterpenes nilocitin, dihydronilocitin and taraxenon and the cytotoxic alkaloid 9-metoxy-canthin-6-one, isolated for the first time from this species and the alkaloid 7-methoxy-(9H-β-carbolin-1-yl)-(Z)- prop-2-enoic, isolated for the first time as natural product. The fractionation of stems of S. guianensis ssp. ecaudata resulted in the cytotoxic triterpene piscidinol A, the alkaloid 9-methoxycanthin-6-one, caryophyllene oxide, isolated for the first time from this species and a new alkaloid 6-methoxy-(9H-β-carbolin-1-yl)-(Z)- prop-2-enoic. Quantification of 9-methoxy-canthin-6-one in different extracts and fractions of stems of both species by high performance liquid chromatography was also done. The obtained levels of 9-metoxy-canthin-6-one in methanol and aqueous extracts were inferior to the known cytotoxic concentration of this compound. Screening of in vitro cytotoxicity with tumor cells MDA-MB, B-16 and HCT8, of hexanic and methanolic extracts of stems and leaves of S. polyphylla and S. guianensis have shown a very high activity. Estudo fitoquímico de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas e Simaba guianensis subsp. ecaudata (Cronquist) 1. Introdução 1.1. A família Simaroubaceae Essa família é caracterizada por árvores e arbustos distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais, freqüentemente relacionada com as famílias Rutaceae, Meliaceae e Burseraceae. Dentro deste grupo, está mais próximo à família Rutaceae no que se refere à composição química, anatomia da madeira, ausência de vasos condutores de resina na casca e estames livres; diferenciando-se apenas pela ausência de cavidades secretoras de óleos aromáticos nas folhas e partes florais (FERNANDO & QUINN, 1992) e a presença de quassinóides exclusivamente na família Simaroubaceae (THOMAS, 1990). As espécies vegetais dessa família são conhecidas por apresentarem princípios amargos com notáveis propriedades medicinais e são muito utilizadas popularmente como vermífugos, antivirais e no combate a febres, entre outras propriedades (RIBEIRO, et al 1999). O principal centro de distribuição das espécies dessa família ocorre na América tropical, estendendo-se para o oeste da África, Madagascar, Ásia, Malásia e região da Austrália banhada pelo Pacífico (FERNANDO & QUINN, 1992; SIMÃO et al., 1991). 2 “A família Simaroubaceae é uma reunião heterogênea de gêneros que não têm uma única característica em comum, fato esse não encontrado em outras famílias” (FERNANDO & QUINN, 1992). Pode-se notar essa heterogeneidade quando observamos as diferentes classificações da família quanto à ordem e o número de gêneros que são mostrados na Tabela 1. A família é classificada em três diferentes ordens: Rutales (RENDLE, 1938; GUNDERSEN, 1950; HUTCHINSON, 1959 e 1973; SCHOLZ, 1964; TAKHTAJAN, 1973 e 1987; THORNE, 1983 e 1992; DAHLGREN, 1980 e 1989 apud FERNANDO & QUINN, 1992), Sapindales (CRONQUIST, 1981 e 1988 apud FERNANDO & QUINN, 1992) e Geraniales (ENGLER, 1931 apud FERNANDO & QUINN, 1995). 3 Tabela 1. Comparação da localização dos gêneros (em itálico) sob diferentes classificações da família Simaroubaceae (FERNANDO & QUINN, 1992). Engler (1931) ROSALES CHRYSOBALANACEAE Stylobasium Cronquist (1981, 1988) ROSALES SURIANACEAE Stilobasium Suriana Cadellia Guilfoylia Takhjatan (1987) SAPINDALES STYLOBASIACEAE Stylobasium Thorne (1992) SAPINDALES SAPINDACEAE Stylobasium GERANIALES SIMAROUBACEAE Surianoideae Suriana Cadellia Guilfoylia Recchia SAPINDALES SIMAROUBACEAE RUTALES SURIANACEAE Suriana Cadellia Guifoylia RUTALES SURIANACEAE Suriana SIMAROUBACEAE Recchioideae Recchia SIMAROUBACEAE Simarouboideae Cadellia Guilfoylia Recchia Simarouba Simaba Quassia Samadera Hannoa Eurycoma Recchia Simarouboideae Simarouba Simaba Quassia Samadera Hannoa Eurycoma Harrisonia Holacantha Castela Brucea Picrasma Perriera Aeschrion Picrolemma Ailanthus Soulamea Amaroria Gymnostemon Nothospondias Simarouboideae Simarouba Simaba Quassia Samadera Hannoa Eurycoma Harrisonia Holacantha Castela Brucea Picrasma Perriera Aeschrion Picrolemma Ailanthus Soulamea Amaroria Simarouboideae Quassia (incluindo Simaba e Simarouba) Picramnioideae Picramnia Picramnioideae Picramnia Picramnioideae Picramnia Picramnioideae Picramnia Alvaradoideae Alvaradoa Alvaradoideae Alvaradoa Alvaradoideae Alvaradoa Alvaradoideae Alvaradoa Kirkioideae Kirkia Pleiokirkia Kirkioideae Kirkia KIRKIACEAE Kirkia Kirkioideae Kirkia Irvingioideae Irvingia Klainedoxa Desbordesia Irvingioideae Irvingia Klainedoxa Desbordesia IRVINGIACEAE Irvingia Klainedoxa Desbordesia Allantospermun Irvingioideae Irvingia Klainedoxa Desbordesia Allantospermun LINALES IXONANTHACEAE Allantospermun Samadera Hannoa Eurycoma Harrisonia Holacantha Castela Brucea Picrasma Perriera Aeschrion Picrolemma Ailanthus Soulamea Amaroria Holacantha Castela Brucea Picrasma Perriera Aeschrion Picrolemma Ailanthus Soulamea Amaroria RUTACEAE Harrisonia 4 As diferentes classificações taxonômicas da família Simaroubaceae não se limitam aos dados apresentados na Tabela 1. PLANCHON (1846) foi o primeiro a propor uma classificação dentro da família dividindo-a em quatro tribos (Simaroubeae, Harrisoneae, Ailantheae e Spatheliae), baseada na natureza dos ovários, número de óvulos, tipo de embrião, comprimento do filamento e número de estames e pétalas. BENTHAN e HOOKER (1862) distinguiram somente duas tribos na família, a Simaroubeae e Picraminiae, baseados na incerteza se o ovário era dividido ou não. ENGLER (1874) foi o primeiro a reconhecer três tribos, Surianeae, Eusimaroubeae e Picramniae, baseados na natureza dos carpos e número de óvulos. Posteriormente, ele criou oito tribos em quatro subfamílias (ENGLER, 1896). A classificação subseqüente (ENGLER, 1931) foi baseada no número e natureza dos carpos, número e posição dos óvulos, presença ou ausência de escalas na base dos filamentos e composição das folhas. Foram incluídas nove tribos em seis subfamílias e é ainda a classificação mais aceita nos dias de hoje (FERNANDO & QUINN, 1992). 1.2 Triterpenos e a formação de quassinóides. Os triterpenos são formados a partir de isoprenos, presentes em plantas superiores. Algumas espécies vegetais contêm grandes quantidades de triterpenos no látex e resinas e entre suas funções está a defesa química contra herbívoros (BROWN, 1998). A origem biossintética dessa classe de produto natural é o esqualeno (C30), formado através da junção cauda-cauda de duas moléculas de pirofosfato de farnesila (FPP, C15) de acordo com o Esquema 1. 5 FPP Esqualeno sintase PPO + adição eletrofílica cauda-cauda H H OPP + Perda de íon hidrogênio formação do anel ciclopropano - H+ H OPP H Wagner-Meerwein 1,2-alquil + + H NADPH H H esqualeno Esquema 1. Formação do precursor dos triterpenos pela junção cauda-cauda de duas unidades pirofosfato de farnesila (DEWICK, 2002). 6 A ciclização do esqualeno para a formação dos triterpenos ocorre através do intermediário 2,3-óxido de esqualeno (Esquema 2). A conformação do epóxido de esqualeno é importante pois determina a estrutura dos produtos biossintéticos formados a partir do esqualeno (DEWICK, 2002). A formação das unidades isoprênicas pode ocorrer através da formação do ácido mevalônico (BROWN, 1998), da deoxixilose (ROHMER et al 1993) e em algumas plantas, de aminoácidos (SUGA et al,1980). Entretanto, estudos biossintéticos com compostos marcados revelaram que o mevalonato é o caminho preferencial para a formação de triterpenos e esteróides (FLORES-SÁNCHEZ, 2002) A biossíntese de terpenos em geral (plantas, animais e microorganismos), envolve classes similares de enzimas. Porém, importantes diferenças existem ao longo do processo. A produção de terpenóides em plantas é muito mais variada do que em animais e microorganimos devido a biossíntese desses ocorrer em diferentes níveis de compartimento nas células. A produção de grandes quantidades de terpenóides naturais bem como o seu acúmulo, emissão ou secreção é quase sempre associado com a presença de estruturas anatômicas altamente especializadas. A biossíntese de terpenóides é caracterizada fundamentalmente a nível subcelular em diferentes compartimentos celulares. Os monoterpenos, diterpenos e tetraterpenos são comumente originados nos plastídeos enquanto que os triterpenos, juntamente com sesquiterpenos e politerpenos parecem ser metabolizados no retículo endoplasmático da célula. Logo, essa deve ser a causa dos diferentes caminhos precursores dos terpenóides que indica que as unidades isoprênicas formadas nos plastídeos geram os precursores piruvato/fosfato de gliceraldeído enquanto que no retículo 7 endoplasmático se formam unidades isoprênicas a partir do mevalonato, que é o caminho prefencial para a biossíntese de triterpenos, como citado anteriormente (BRUCHANAN, GRUISSMAN e JONES, 2000). H H O epóxido de esqualeno H+ O conformação cadeira-cadeira-cadeira H H + H + HO H H H HO cátion damarenil H sequência de migrações de Wagner-Meerwein de hidretos 1,2 e metilas 1,2 terminadas pela perda de um próton H 20 H H HO 20 H H eufol (20R) tirucalol (20S) HO H eufol tirucalol Esquema 2. Formação do triterpeno eufol a partir do epóxido de esqualeno (DEWICK, 2002). Os triterpenos podem ser submetidos a uma variedade de modificações estruturais resultando na formação de esteróides, limonóides e quassinóides. Os 8 quassinóides são terpenóides altamente oxigenados, produzidos somente por espécies da família Simaroubaceae através da degradação de triterpenos do tipo eufol/tirucalol. Para a formação de intermediários do tipo do eufol/tirucalol, o óxido de esqualeno cicliza com configuração cadeira-cadeira-cadeira. A ciclização do esqualeno nessa conformação produz o cátion intermediário damarenil que após sofrer diversas migrações de hidretos e grupos metila (do tipo Wagner-Meerwein) resulta no triterpeno eufol ou no seu epímero tirucalol (Esquema 2). Em seguida, o eufol ou tirocalol sofre uma isomerização alílica, onde ocorre a migração da ligação dupla da posição 8,9 para a posição 7,8 resultando no intermediário butirospermol (Esquema 3). Após a migração da ligação dupla, essa sofre uma epoxidação seguida da abertura do anel epóxido gerando um carbocátion terciário. O deslocamento 1,2 de Wagner-Meerwein da metila da posição 14 para a posição 8, seguida da perda de um próton formando uma ligação dupla entre os carbonos C-14 e C-15 e uma hidroxila na posição 7 completam a formação do apo-eufol ou do apo-tirucalol (DEWICK, 2002). Esse por sua vez, pode perder quatro carbonos da cadeia lateral seguida da formação de um anel furano resultando nos limonóides, ou perder dez átomos de carbonos, incluindo uma das metilas ligadas ao C-4, resultando nos quassinóides (Esquema 3). Embora na maioria dos casos, a cadeia lateral se perca completamente, há exceções para os quassinóides com esqueleto C25 com um grupo γ-lactona que é remanescente do anel de furano presente nos limonóides (POLONSKY, 1973). 9 H 21 12 11 1 HO 10 A 5 4 H 3 20 13 C 9 2 B 8 22 H 17 D 14 24 25 23 H H 26 isomerização alílica HO eufol (20R) tirucalol (20S) butirospermol H HO H diidroniloticina [O] H H H H H O HO H HO H OH H apo-eufol (20R) apo-tirucalol (20S) H+ - 4C Limonóides O H H -10C incluindo uma metila de C-4 clivagem de quatro carbonos da cadeia lateral e formação do anel furano H OH Quassinóides OMe H HO H OH OH 16 15 7 6 O H 27 O O 12 11 19 20 21 13 14 MeO 2 1 10 9 8 5 3 4 H 6 7 H O 17 15 16 O 18 quassina* *numeração do quassinóide segundo normas da IUPAC Esquema 3. Formação de quassinóides e limonóides a partir do eufol/tirucalol (DEWICK, 2002). 10 Em relação a sua diversidade estrutural, os quassinóides podem ser divididos em grupos distintos de acordo com seus esqueletos carbônicos e conectividade (Quadro 1): O O O O O O B (C19) A (C20) C (C18) HOH2C 12 20 11 10 3 4 9 5 22 13 14 1 2 17 15 7 6 O 16 22 OR 23 O 17 23 8 20 O O HO O 21 O O O O O OR O F (C19) E (C25) D (C25) O OR O OR O O O O O O G (C19) O O H (C19) O O O I (C20) Quadro 1. Esqueletos típicos de quassinóides (POLONSKY, 1985; HITOTSUYANAGI et al, 2001). 11 A maioria dos quassinóides conhecidos tem o esqueleto do tipo A (C20). O esqueleto C difere do esqueleto B pela perda de um átomo de carbono no anel A. O esqueleto E difere do tipo D pelo modo de formação da γ-lactona. No tipo D esta função é formada pela junção de C-23 a C-21; enquanto no tipo E, a γ-lactona é formada pela junção de C-23 a C-17. O esqueleto G caracteriza-se pela ausência do anel A e formação de butenolídeo como substituinte no anel B. O esqueleto H refere-se ao quassinóide cedronolactona E (1) isolado de Simaba cedron, cuja proposta biossintética seria resultante do quassinóide cedronolactona C (2) (Esquema 4) (HITUTOSUYANANGI, et al., 2001). O esqueleto I refere-se apenas ao quassinóide chinjudilactona (3) isolado de A. altissima (Quadro 2), cuja estrutura foi determinada por difração de raio-X (POLONSKY, 1985). OH HO O OH O OH O O OH O O H OH H H O O (1) Cedronolactona E O O H H H HO OH H O O O (2) Cedronolactona C O (3) Chinjudilactona Quadro 2. Quassinóides isolados de Simaba cedron e Ailanthus altissima 12 OH OH HO O O O O H H OH H H H O O H O O OH OH H O H O Cedrolactona C adição de Michael OH O OH O O OH H H H O O (1) Cedrolactona E Esquema 4. Proposta biossintética para o quassinóide Cedrolactona E (HITOSUYANAGI, et al., 2001). Os quassinóides são conhecidos por apresentarem diversas atividades biológicas, entre elas, antimalárica (PHILLIPSON e O’ NEILL, 1986), antileucêmica (POLONSKY, 1985), antitumoral, antiviral, amebicida (POLONSKY, 1973), antiinflamatória (HALL, et al. 1983), anti-HIV (OKANO, et al. 1996), antituberculose (RAHMAN et al., 1997), inseticida e antifágica (POLONSKY, 1985) (provoca a inibição do apetite em certos organismos) (SARAIVA, 2001). 13 Apesar da atividade biológica de quassinóides ser bastante significativa, várias substâncias dessa classe demonstram alta citotoxicidade. Estudos da atividade antimalárica de certos quassinóides demonstraram que esses podem não ter uma relação direta com a atividade citotóxica (ANDERSON et al. 1991, PHILLIPSON e O’NEILL, 1986). Dessa forma, é possível o isolamento e tranformações químicas de quassinóides naturais em novas estruturas com boa atividade antimalárica e baixa citotoxicidade. Estudos mais aprofundados sobre a relação estrutura/atividade biológica de quassinóides são extremamente necessários. 1.3. Alcalóides indólicos β-carbolínicos e tipo cantinona. Várias espécies de Simaroubaceae são conhecidas por produzirem alcalóides indólicos β-carbolínicos e alcalóides do tipo cantinona (OHMOTO e KOIKE, 1989; SIMÃO et al., 1991; READEL et al., 2003), derivados do triptofano. O triptofano por sua vez, origina-se através da rota do ácido xiquímico, que forma grande parte de substâncias aromáticas, particularmente aminoácidos aromáticos tais como o L-fenilalanina, L-tirosina e L-triptofano (DEWICK, 2002). A formação de alcalóides β-carbolínicos ocorre através da formação de uma base de Schiff usando um aldeído, com a participação da triptamina (Esquema 5). 14 H+ formação de base de Schiff usando aldeído NH2 N H N .. N H R-CHO R triptamina [o] N N H NH + H R NH R Esquema 5. Formação de alcalóides β-carbolínicos (DEWICK, 2002) Segundo ROMERO e ROBERTS (1996), os alcalóides tipo cantinona derivam do triptofano via o ácido propiônico β-carbolínico (4) e de 4,5diidroxicantin-6-ona (5). Nesse mesmo trabalho, através do estudo com culturas de células de Ailanthus altissima, foi demonstrado que a produção de alcalóides aromáticos ocorre tanto nos cloroplastos quanto no citoplasma das células. N H N N N O COOH 4 OH OH 5 15 Dependendo do número e da posição das carbonilas nos anéis C e D, os alcalóides tipo cantinona são classificados como cantin-6-onas (A), cantin-2,6dionas (B) e cantin-5,6 dionas (C). 1 11 O 10 A D B 9 N 8 N3 N N H O O 5 A N N H C 4 O 2 O B C Quadro 3. Esqueletos básicos de alcalóides tipo cantinona. O primeiro alcalóide indólico isolado dessa classe foi a própria cantin-6-ona (6) (HAYNES et al, 1952). Posteriormente, o estudo da espécie Pentaceras australis Hook F., da família Rutaceae, resultou no isolamento desse alcalóide junto com dois outros alcalóides da mesma classe identificados como 5-metoxicantin-6-ona (7) e 4-metiltio-cantin-6-ona (8) (NELSON e PRICE, 1952). Os alcalóides tipo cantinona geralmente são mono ou diidroxilados, ou metoxilados nas posições 1, 2, 4, 5, 8, 9, 10 ou 11. 16 N N O 6 N N N O OMe O 7 N SMe 8 Quadro 4. Exemplos de cantinonas encontradas com diferentes funções orgânicas. A maioria dos alcalóides tipo cantinona são encontrados nas famílias Rutaceae e Simaroubaceae, dentro da ordem Rutales. Esses também já foram encontrados em espécies das famílias Amaranthaceae e Caryophyllaceae da ordem Centrospermae e na família Malvaceae da ordem Malvales (OHMOTO e KOIKE, 1989). De trinta e cinco alcalóides tipo cantinona isolados, vinte e cinco foram de espécies da família Simaroubaceae, tornando essas substâncias um importante grupo do ponto de vista quimiotaxonômico nessa família (OHMOTO e KOIKE, 1989). A maioria dos alcalóides β-carbolínicos é tóxica em animais e pode repelir predadores (DEWICK, 2002; LUCKNER, 1990). Alcalóides β-carbolínicos isolados 17 de Euricoma longifolia apresentaram citotoxicidade não significativa e fraca atividade antimalárica (KARDONO et al., 1991; KUO, et al. 2003). Alcalóides do tipo cantinona podem apresentar diversas atividades biológicas entre elas: antifúngica, antibacteriana (ODEBIYI e SOFOWORA, 1979; YOKOTA, et al. 1978; OHMOTO e SUNG, 1982) e citotóxica (KUO, et al. 2003). THOUVENEL et al (2003) demonstraram que cantin-6-ona e 5-metoxicantin-6-ona apresentam atividade antifúngica contra fungos do gênero Aspergillus, Candida, Cryptococcus, Geotrichum, Saccharomyces e Trichosporon. Esses mesmos alcalóides demostraram atividade in vivo em ratos infectados com Leishmania amazonensis (FERREIRA, et al. 2002). 1.4. O gênero Simaba É o segundo maior gênero da família, com cerca de 35 espécies sulamericanas sendo superado apenas pelo gênero Picramnia (40 espécies). As espécies desse gênero são encontradas em ambientes ecológicos bastante diversificados, em mata úmida, alagável ou de terra firme. De um modo geral, a floração das espécies do gênero Simaba pode ocorrer ao longo de todo o ano, sendo, entretanto, acentuada nos meses de julho a outubro. A frutificação pode ocorrer, também, o ano inteiro, porém com maior incidência de setembro a novembro. Geograficamente, o gênero Simaba distribui-se pelo continente sulamericano, exceto Argentina, Uruguai e Chile. A espécie Simaba cedron tem a mais larga distribuição, indo desde a Bahia até Costa Rica, na América Central (CAVALCANTE, 1983). 18 Economicamente, as espécies desse gênero apresentam maior interesse pelas suas propriedades medicinais, devido a substâncias fortemente amargas nelas encontradas. Além disso, algumas das espécies do gênero, S. guianensis, S. multiflora e S. paraensis, fornecem madeira branca, mole e fácil de trabalhar, podendo dessa forma, serem aproveitadas para construções internas e para o fornecimento de polpa celulósica. As espécies do gênero Simaba caracterizam-se como plantas lenhosas cujo porte varia de um subarbusto de 30-50 cm até uma árvore de 30 m, o que é mais raro. No geral, são árvores pequenas ou arborescentes. Os tipos mais freqüentes são árvores medianas em torno de 7-12 m de altura ou arbustos entre 4-6 m (CAVALCANTE, 1983). Apesar da variedade de espécies dentro desse gênero, poucas espécies de Simaba são conhecidas quimicamente. Entre as espécies já estudadas podemos destacar as espécies S. cedron, S. orinocensis, S. cuspidata, S. cuneata, S. multiflora, S. guianensis e S. polyphylla. 1.4.1. Simaba cedron Planch A espécie S. cedron é uma arvoreta de 2 a 6 m de altura, com a maior distribuição geográfica entre as espécies desse gênero. Essa espécie pode ser encontrada do estado da Bahia, no nordeste do Brasil, até a América Central, nas ilhas do Caribe. É conhecida como “pau-para-tudo” no Brasil, como “cedron” na Colômbia, Venezuela e América Central, “huingo-sacha” no Peru e “bergi kanamboeli” no Suriname (CABRAL, 1989). 19 S. cedron é conhecida popularmente por suas propriedades medicinais no combate a febres provocadas pela malária (HITOSUYANANGI, et al., 2001). Acredita-se também, que as sementes dessa espécie apresentam propriedades protetoras contra venenos de cobras (GRAUCKLER, 1935 apud CABRAL, 1989). Os primeiros metabólitos isolados de S. cedron foram identificados por POLONSKY (1960) e denominados de cedronina (9) e cedronolina (10). Estudos posteriores com o quassinóide cedronina (9) demonstraram que o mesmo possui atividade antimalárica contra cepas de Plasmodium falciparum resistentes a cloroquina com CI50 em torno de 0,25 µg/mL e DE50 de 1,8 mg/kg/dia contra P. vinkei. Além da atividade antimalárica, o mesmo quassinóide apresenta atividade citotóxica contra células KB com CI50 de 4 µg/mL (MORETTI, et al., 1994). “Em 1960, KREBS e RUBER isolaram o quassinóide cedrina (11) e JACOBS et al. (1987) descreveu por raio-x a estrutura do quassinóide, até então não registrado, denominado como 7-epi-cedronina (12)” (CABRAL, 1989). OZEKI, et al. (1998) isolaram da madeira de S. cedron os quassinóides cedronolactonas A-D (13, 14, 2 e 15), identificados pela primeira vez, junto com os quassinóides conhecidos simalikalactona D (16), chaparrinona (17), chaparrina (18), glaucarubolona (19), glaucarubol (20), samaderina Z (21), guanepolida (22), ailanquassina (23) e poliandrol (24) (Quadro 5). HITOTSUYANAGI et al. (2001) isolaram o novo quassinóide, descrito acima, cedronolactona E (1) da madeira de S. cedron. 20 O HO OH O O O HO OH O O OH OH OH OH 10 9 O O O 11 OH O HO O O O O HO O HO OH O OMe OH OH HO O OR H OH H H O H O O H O H H O 12 R H O O 14 R = H 13 R = O 2 R = OH 16 R = OH 21 R = H O O HO OH O OH R' O H H HO H O OAc OH R" H H H OH H O 19 R' = O; R" = OH 18 R' = α-OH, β-H; R = OH OH HO O O H R H H H O H O H O 18 R' = α-OH, β-H; R" = H O O H 17 R' = O; R" = H 15 H OH O 23 R = H 24 R = OH Quadro 5. Quassinóides isolados de S. cedron Planch. H OH H 22 O O O 21 1.4.2. Simaba orinocensis Kunth A espécie S. orinocensis é natural da América do Sul e é utilizada pelos índios da Guiana Francesa como anti-helmíntico (POLONSKY, et al., 1981). O estudo da casca das raízes dessa espécie realizado por POLONSKY e colaboradores em 1981 resultou no isolamento dos quassinóides simarinolida (25) e guanepolídeo (26) junto com outro quassinóide conhecido como simarolídeo (27). Recentemente, MUHAMMAD et al. (2004) isolaram o quassinóide antimalárico denominado orinocinolida (28) junto com simalikalactona D (16). Orinocinolida apresenta atividade antimalárica igualmente potente contra clones de Plasmodium falciparum D6 e W2 com CI50 de 3,27 e 8,23 ng/mL, respectivamente, e simalikalactona D apresenta atividade antimalárica na concentração de. 3,0 ng/mL contra clones D6 e de 3,67 ng/mL contra clones W2. O quassinóide 28 também demonstrou menor toxicidade do que simalikalactona D (16) contra células VERO (CI50 10 µg/mL contra CI50 2,3 µg/mL de 16) e atividade contra Leishmania donovani com CI50 de 0,035 µg/mL. A orinocinolida também inibiu o crescimento de linhagens de células cancerígenas humanas SK-MEL, KB, BT-549, e SK-OV-3 com IC50 de 0,8 – 1,9 µg/mL. Simalikalactona D demonstrou maior atividade com essas células com IC50 de 0,3-1,0 µg/mL. 22 H HO H HO OAc O H H O O OAc O H H H H O O OH H H O O 26 O OH OAc O H H H O H 25 HO O O H H O O O HO HO OH O O H H 27 H H O O O 28 Quadro 6. Metabólitos isolados de Simaba orinocensis Kunth. 1.4.3. Simaba cuneata A. St-Hil & Tul. Caracteriza-se como uma árvore de 10-12 m de altura, distribuída em restingas, cerrados e matas, da Bahia até São Paulo. É conhecida popularmente como “Caixeta preta”, “paratudo” (Espírito Santo) e “quina-quina” (Bahia) (CAVALCANTE, 1983). Estudos do caule dessa espécie encontrada no Estado de São Paulo, realizados por RODRIGUES Fo. et al. (1992) resultaram no isolamento de uma mistura dos ésteres de lignanas tipo secoisolariciresinol acilados nas posições C-9 23 e C-9’ (29) junto com os ácidos dodecanóico, tetradecanóico e hexadecanóico. Nesse trabalho também foram isolados os triterpenos 3-oxo-tirucala-7,24-dieno (30) e 3,21-dioxo-tirucala-7,24-dieno (31). O estudo fitoquímico das partes aéreas dessa espécie resultou no isolamento dos quassinóides 20 (R) –simarolídeo (27) e 20 (S) –simarolídeo (32) (VIEIRA, et al., 1999). MeO 1 7 9 OR' OR" HO 5 9' 5' O OMe OH 30 29 R' = R" = COCmH2m+1 (m = 11, 13, 15) O O HO OAc O H O H 31 Quadro 7. Metabólitos isolados de Simaba cuneata. O H O H H O 32 O 24 1.4.4. Simaba cuspidata Spruce ex Engl. Estudos com a casca de S. cuspidata encontrada na Guiana Francesa resultaram no isolamento dos quassinóides 6α-tigloyloxichaparrinona (33) e 6αtigloyloxichaparrina (34) (POLONSKY, et al., 1980). GIESBRECHT et al. (1980) identificaram no extrato etanólico da casca dessa espécie, coletada no Amazonas, os alcalóides 9-metoxicantin-6-ona (35) e 3-metoxicantin-2,6-diona (36). OH OH HO OH HO OH O O HO O O O O O O O O O 33 34 O MeO N N O 35 Quadro 8. Constuintes químicos de Simaba cuspidata. N O 36 N OMe 25 1.4.5. Simaba guianensis Aubl. Essa espécie ocorre naturalmente na floresta Amazônica e é utilizada popularmente para combater febres. Caracteriza-se como um arbusto de 1 a 4 m ou, às vezes, como arvoreta de até 10 m de altura. Costuma ser encontrada em sub-bosques de mata de terra firme não alagável (CAVALCANTE, 1983). O estudo da casca dessa espécie resultou no isolamento dos quassinóides antimaláricos gutolactona (37) e simalikalactona D (16) (CABRAL, et al. 1993). Dessa espécie também foram isolados os alcalóides, cantin-6-ona (6), 9-metoxicantin-6-ona (35), o ácido 7-metoxi-β-carbolínico-propiônico (38), 4-metoxi-3-metilcantin-5,6-diona (39), 9-hidroxicantin-6-ona (40); 11-hidroxicantin-6-ona (41), cantin-2,6-diona (42) e as xantonas 43 e 44 (CABRAL, 1989). 26 OH HO OH O O O H H H H O O O MeO N N H COOH 38 37 N N O Me HO N OMe N O O 40 39 OH O N N O O 42 41 MeO O Me O N N OMe OH MeO O OH 43 Quadro 9. Metabólitos isolados da casca de Simaba guianensis. O 44 OMe OH 27 1.4.6. Simaba multiflora A. Juss. Caracteriza-se como uma árvore pequena de 4 a 10 m de altura e ocorre na América do Sul. No Brasil é conhecida popularmente como “cajurana”. Várias substâncias bioativas contra o câncer foram isoladas dessa espécie serão citadas a seguir. Os quassinóides chaparrinona (17) e 6-α-senecioiloxichaparrinona (45) foram identificados por WANI, et al. (1978) e o estudo do tronco dessa espécie, resultou no isolamento e identificação dos quassinóides karinolida (46) juntamente com 6-α-senecioiloxichaparrina (47) e 45, a xantona 43, e o alcalóide 9-metoxicantin-6-ona (35) (POLONSKI, et al. 1982). ARISAWA et al. (1983) estudando a madeira dessa espécie, relataram o isolamento dos alcalóides 10-metoxicantin-6-ona (48), 10-hidroxicantin-6-ona (49), 10-hidroxi-3-metoxicantin-2,6-diona (50), 3-metoxi-cantin-2,6-diona (36), cantin2,6-diona (42), e a elucidação estrutural da cumarina cleomiscina A (51) isolada junto com a conhecida escopolentina (52). Em outro estudo, ARISAWA et al.(1983) isolaram os quassinóides 17, 33, 34, 45 e 47 do extrato etanólico da madeira de S. multiflora onde 45 e 47 foram citotóxicos em células P-388. O estudo do extrato etanólico da madeira de S. multiflora, realizado por ARISAWA e seus colaboradores, em 1985, resultou na identificação do quassinóide simalikalactona D (16). MORETTI et al. (1986), estudando os frutos de S. multiflora, isolaram dois novos quassinóides denominados 13,18-desidro-6-α-senecioiloxichaparrina (53) e 12-oxo-6-α-senecioiloxichaparrina (54). 28 Em 1987, ARISAWA e colaboradores relataram o isolamento de um novo triterpeno identificado como 3S, 23R, 25-triidroxitirucal-7-en-24-ona (55) e do triterpeno hispidol B (56). CARTER et al. (1993) isolaram os quassinóides 6-α-tigloiloxichaparrinona (33), 6-α-tigloiloxichaparrina (34) e 6-α-hidroxichaparrinona (57). TINTO et al. (1993) relataram o isolamento do triterpeno tipo esqualeno quassiol A (58). Em 1995, MILLER e colaboradores descreveram o isolamento de um triterpeno tipo glabretal (59). Em outro trabalho (MILLER et al., 1995) foi relatado o isolamento dos triterpenos quassióis B-D (60, 61, 62). 29 OH OH HO OH R' O O HO O HO OH RO R" O O O O N N O O O 48 R = Me 46 45 R' = R" = O 49 R = H 47 R' = OH; R" = H MeO R O O O N N O OMe O O MeO CH2OH HO HO OMe O O 50 R = OMe 51 OH HO HO OH O O HO O HO OH 53 R" O R' R''' O O O O 52 O O HO O 54 Quadro 10. Substâncias isoladas de S. multiflora. 55 R' = O; R" = H; R''' = OH OH 56 R' = ; R" = OH; R''' = H H OH 30 HO OH HO OH O H O H O TigO OH OH H 57 59 OR'' H O OH OR' 58 R' = R" = H 60 R' = H; R" = Ac OH H O HO OR OH 61 OH HO OH OH 62 Quadro 11. Substâncias isoladas de Simaba multiflora. H OH OH H O HO O 31 1.4.7 Simaba obovata Spruce ex Engler A espécie S. obovata caracteriza-se como uma árvore pequena de 5-8 m de altura, com floração entre abril e junho e frutificação entre novembro e janeiro. Espécimes de S. obovata são encontradas, freqüentemente, em mata de igapó, beira de rios, várzea alagável e outras áreas sujeitas à inundação. A distribuição geográfica dessa espécie vai da parte norte-noroeste do Amazonas, abrangendo principalmente a bacia do rio Negro, a partir de Manaus ao baixo rio Branco, no Estado de Roraima e pode ultrapassar a fronteira, chegando até o Casiquiare em territórios venezuelano e colombiano (CAVALCANTE, 1983). O estudo químico das folhas e galhos de S. obovata resultou no isolamento de α-tocoferol (63), glicopiranosilsitosterol mio-inositol (65a), (64), antraquinona β-sitosterol (66), (65), 3-O-β-D- 1,5-diidroxi-3-metil-7- metoxiantraquinona (66a), uma mistura de α-amirina (67) e β-amirina (68), betulina (69), ácido gálico (70), 1-O-β-etilglicose (71) e o β-(p-hidroxifenil)-etanol (72) (DUTRA, et al. 1992). 32 H3C OH OH CH3 O 2 OH HO 3 3 HO HO HO CH3 64 63 R 3 O 2 4 R R 5 R R OR HO 65: R = H HO 65a: R = O R R 6 O R 1 66: R1 = R2 = R3 = R4 = R5 = R6 = H 66a: R1 = R2 = OH; R2 = Me; R4 = R6 = H; R5 =OMe OH OH 1 O CH2OH OH 69 67: R = Me; R1 = H 68: R = H; R1 = Me HO EtO O 71 OH OH HO HO HO HO 70 OH OH HO 72 Quadro 12. Constituintes químicos isolados de Simaba obovata. 33 1.5. A espécie Simaba polyphylla (Cavalc.) Thomas Essa é uma das espécies em estudo nesse trabalho. É nativa da região amazônica, caracterizada como uma árvore pequena de 5 a 10 m de altura, folhas imparipenadas, folíolos de 9-23 com, mais freqüente de 13-17 cm, oblongos, fortemente assimétricos, ápice abrupto-acuminado. Flores amarelas com compacta panícula terminal ou subterminal, de 3-7 cm de altura. O período de floração e frutificação varia de julho a outubro e setembro a novembro, respectivamente. É freqüentemente encontrada em matas de terra firme ou capoeira alta e conhecida popularmente na região como “marupazinho” (no Amapá) ou “serve-para-tudo” (Manaus) (CAVALCANTE, 1983). S. polyphylla é uma espécie pouco conhecida quimicamente. Dessa espécie, foi relatada a presença de um único alcalóide identificado como cantin-2,6-diona (42) (MESQUITA-SAAD E CABRAL, 1997). Figura 1. Simaba polyphylla 34 De acordo com Cavalcante (1983) a espécie S. polyphylla pode ser encontrada em Manaus, seu centro de dispersão, onde foi coletada a quase totalidade dos espécimes. Fora de Manaus, foi coletada uma amostra de um espécime em Humaitá – AM e outra no Amapá. A Figura 2 descreve a distribuição geográfica de S. polyphylla segundo três fontes diferentes. A legenda em azul refere-se à distribuição segundo CAVALCANTE (1983), a legenda em vermelho segundo espécies coletadas e registradas no herbário do INPA-AM e a legenda em rosa é a distribuição segundo fonte encontrada no site http://www.mobot.org. Figura 2. Distribuição geográfica da espécie Simaba polyphylla. 35 1.6. Simaba guianensis subesp. ecaudata Cronquist A espécie Simaba guianensis subesp. ecaudata caracteriza-se como um arbusto ou uma pequena árvore de até 10 m de altura, com folíolos cartáceos de cor verde-pálido ou oliváveos quando secos, elípticos, com ápice obtuso arredondado, subagudo com um acume curto-obtuso (CAVALCANTE, 1983) Os espécimes em estudo, quando coletados para esse trabalho foram identificados como Simaba sp nov. Pirani, no herbário do INPA. De acordo com RIBEIRO et al. (1999), essa espécie caracteriza-se como uma árvore pequena de até 10 m de altura com folíolos cartáceos, de cor verde-amarelada, brilhantes, com margem levemente ondulada. Flores com odor agradável, ráquis de inflorescência verde-claro aveludada; pedicelos, pétalas, estames e anteras verde-amareladas. Costumam ser encontradas em matas de terra firme, de solo argiloso. Segundo consulta ao Dr. Wayt Thomas (Jardim Botânico de Nova York), especialista no estudo botânico de espécies da família Simaroubaceae, trata-se da espécie Simaba guianensis subsp. ecaudata, cujas características são muito semelhantes às da espécie Simaba polyphylla. O estudo químico dessa espécie na busca de princípios bioativos será descrito pela primeira vez nesse trabalho uma vez que, o histórico da família Simaroubaceae demonstra um grande número de espécies com propriedades medicinais. 36 Figura 3. Exsicata da espécie Simaba guianensis subesp ecaudata. A distribuição geográfica de S. guianensis subesp. ecaudata se dá em duas áreas distintas: 1) no Baixo Amazonas, compreendendo quase todos os municípios ao longo da calha do grande rio, isto é, de Santarém até Faro, 2) Baía 37 de Marajó (Mosqueiro e Soure), prolongando-se pela região do Salgado até Marapanim, a partir daí desaparece, indo aparecer somente em São Luís do Maranhão. Fora do Brasil é encontrada no Suriname (CAVALCANTE, 1983). A Figura 4 descreve a distribuição geográfica de Simaba guianensis subesp. ecaudata. A legenda em azul refere-se à distribuição descrita segundo a literatura (CAVALCANTE, 1983). A legenda em vermelho descreve a distribuição de espécies coletadas e registradas no herbário do INPA – AM. Figura 4. Distribuição geográfica de Simaba guianensis subesp. ecaudata. 38 2. Objetivos Gerais Realizar o estudo fitoquímico e da atividade biológica das espécies Simaba guianensis subsp. Ecaudata e Simaba polyphylla. Específicos Testar diversos extratos de Simaba guianensis subsp. ecaudata e Simaba polyphylla, para toxicidade in vitro para larvas de Artemia franciscana, atividade citotóxica em células tumorais MDA-MB, B-16 e HCT8. Caracterização cromatográfica e isolamento dos constituintes químicos ativos das espécies a serem estudadas com auxílio de screening de atividade citotóxica em A. franciscana e larvicida em Aedes aegypti. Identificação e elucidação estrutural das substâncias isoladas por métodos espectroscópicos. 39 3. Parte experimental 3.1. Materiais e métodos 3.1.1. Equipamentos Equipamento para obtenção de pontos de fusão. IQ-UFRJ: Foram utilizados aparelhos Mel-Temp II – Laboratory Devices Inc., USA, com amostras acondicionadas em capilares de vidro; FIOCRUZ: Microquimica Ind. e Com. Ltda - MQAPF - 301 (temp. máx 360ºC). Os pontos de fusão não foram corrigidos. Liofilizadores: Para liofilização das amostras foram utilizados os seguintes liofilizadores: INPA: Liofilizador Christ Beta 1-8K Cód. No. 08184. FIOCRUZ: Liofilizador Edwards Modulyo Cód. No. F101-02-000 Balanças analíticas: Mettler-Toledo modelo AB204 com limite máximo de peso de 210 mg; balança Mettler PM2000 com limite máximo de peso de 2100 g e d = 0,01g; balança Mettler Toledo - AG204 com limite máximo de 210g e d=0,1mg. 40 3.1.2. Métodos cromatográficos MPLC: O fracionamento por cromatografia líquida de média pressão foi realizado em aparelho de MPLC Chromatography Pump Büchi 688 Gradient Former Büchi 687 com detector de UV/VIS Filter-Photometer Büchi e coletor de frações Büchi 684. Coluna em fase reversa de RP-18 Licmroprep RP-18 (MERCK) com partículas de 40 ~ 63 µm. CLAE analítico (INPA): aparelho Shimadzu, modelo LC-10, equipado com bomba quaternária, detector de ultravioleta SPD-10AVP, válvula de injeção Rheodyne e Chemstation (CLASS-VP, versão 6.1). Coluna LiChrospher 60 RPSelect B (5 µm) 250 x 4 mm, da Merck. CLAE analítico (FIOCRUZ): aparelho LC-10 ADvp Shimadzu com autoinjetor SIL-10 ADvp Shimadzu e detetor de arranjos fotodiodos Shimadzu SPD – M10 Avp em coluna de fase reversa Shimpack C-18 250 x 6 µm. CLAE preparativo (FIOCRUZ): Foi utilizado um aparelho modelo Shimadzu LC 8A, bomba LC 8A com controlador de sistema SCL8A, detetor modelo SPD 10A e registrador CRGA Chromatopac. Cromatografia de CCD analítica: foram utilizadas placas prontas de sílica gel 60 em alumínio MERCK de 20 x 20 cm com indicador de fluorescência F254. Os sistemas de revelação utilizados foram lâmpadas de UV a 254 nm e 366nm e revelação em solução alcóolica de H2SO4 a 5%. Para análise em fase reversa foram utilizadas cromatoplacas de RP-18, em alumínio, MERCK de 20 x 20 cm com indicador de fluorescência F254. 41 Cromatografia de placas preparativas: foram utilizadas placas com sílica gel 60 HF254 da MERCK, com 1 mm de espessura e tamanho de placas 20 x 20 cm. Para CCD preparativa em fase reversa foram utilizadas placas de RP-18 F254S de 20 x 20 cm e 1 mm de espessura. Para revelação foram utilizadas lâmpadas de UV em 254 e 366 nm. 3.1.3. Métodos espectroscópicos Espectrofotômetros de infravermelho IQ-UFRJ: As amostras foram analisadas em um espectrofotômetro Nicolet Magna IR 760, com pastilhas comprimidas em brometo de potássio anidro FIOCRUZ: As amostras foram analisadas em um espectrofotômetro Nicolet Nexus-670, com pastilhas comprimidas em brometo de potássio anidro. Espectrômetros de RMN 1H. Foram utilizados aparelhos BRUKER, modelo DRX-200, operando a 200 MHz, modelo DPX-300 operando a 300 MHz e DRX500, operando a 500 MHz, com tetrametilsilano (TMS) ou o núcleo de hidrogênio residual do solvente deuterado como referencial interno. Espectrômetros de RMN 13 C. Foram utilizados aparelhos BRUKER, modelo DRX-200, operando a 50 MHz, DPX-300 operando a 75 MHz e DRX-500, operando a 125 MHz, com tetrametilsilano (TMS) ou solvente como referencial interno. Os valores dos deslocamentos químicos foram referidos em unidades adimensionais (δ), representando parte por milhão da freqüência aplicada. 42 Cromatógrafo a gás de alta resolução acoplado a espectrômetro de massas. IQ-UFRJ: aparelho Hewlett-Packard 6890 Series GC System acoplado a um espectrômetro de massas do tipo Hewlett-Packard HP 5973 Mass Selective Detector, controlados por computador através do software Standard ChemStation G1701AA versão A03 (1996). Coluna: DB5, com 25 m x 0,2 mm x 0,11 µm de espessura de filme. Temperatura do injetor: 270 °C, com divisor de fluxo (1/20); gás de arraste: He.Temperatura inicial do forno 80°C, por 0,5 minutos, em seguida aquecimento a 8°C/minuto até 290°C, e temperatura final de 290°C por 5 minutos. Os espectros de massa foram obtidos por impacto de elétrons a 70 eV; FIOCRUZ: Aparelho Agilent Tecnologies - 6890N Network GC System acoplado a um espectrômetro de massas tipo MS: Agilent - 5973 Network Mass Selective Detector, controlados por computador através do software Standard ChemStation G1701AA, coluna DB5-MS, 30 m x, 0,25 mm x 0,25 mm de espessura de filme. Temperatura do injetor: 270 oC, com divisor de fluxo (1/20); gás de arraste: He. Temperatura inicial do forno de 70 oC por 0,5 minutos seguida de aquecimento a 5o C/minuto até 300 C com tempo final de 20 minutos. O espectro de massas foi obtido por impacto de elétrons a 70 eV. IQ-USP: Os espectros de massas foram realizados por injeção direta em aparelho Shimadzu quadrupolo de baixa resolução (CG/EM) modelo GCMSQP5050A, com ionização por impacto eletrônico a 70 eV. 43 UFAM: Equipamento sistema Saturno 2100 T CG/EM. Cromatógrafo a gás Varian 3900 acoplado ao espectrômetro de massas Íon Trap 2000, por impacto de elétrons com energia de 70 eV. Injetor tipo split/splitless 1177, com autoamostrador 8410, com controle de fluxo programável utilizando seringa de 10 µL. Coluna VF-5ms LB com dimensões de 30 m x 25 mm x 0,25 µm, fase estacionária 5% fenil e 95% dimetil polisiloxano, utilizando como fase móvel gás Hélio (He). Temperatura do injetor: 250 oC, com divisor de fluxo (1/20); gás de arraste: He. Temperatura inicial do forno de 220 oC por 0,5 minuto seguida de aquecimento a 10o C/minuto até 270 C permanecendo nessa temperatura por 15 minutos. Espectrofotômetro de UV: Espectrofotômetro UV/VIS modelo FEMTO 800XI. 44 3.1.4. Reagentes e solventes Os solventes utilizados neste trabalho foram de grau técnico e previamente destilados. Esses não sofreram nenhum processo de purificação exceto CHCl3 que foi secado com Na2SO4 anidro. A água utilizada para extração foi destilada. Para análises e purificação em HPLC foram utilizados ACN, MeOH grau HPLC e água tipo Milli-Q. 3.2. Trabalho fitoquímico realizado com Simaba polyphylla. 3.2.1.Coleta do material botânico Foram coletadas no dia 16 de fevereiro de 2002 (período de chuvas), as partes aéreas de dois espécimes de Simaba polyphylla (galhos e folhas) localizadas na reserva Ducke do INPA em Manaus. O material vegetal foi seco à sombra e depois separado em galhos e folhas para posterior moagem em moinho de facas. As exsicatas dos espécimes encontram-se no herbário do INPA identificadas com os números 3003 e 3209. 3.2.2. Preparação de extratos Inicialmente foram preparados extratos metanólicos e aquosos de pequenas quantidades de folhas e galhos de Simaba polyphylla para um “screening” inicial de atividade letal em Artemia franciscana e larvas de Aedes aegypti com o objetivo de posteriormente se trabalhar com os extratos e frações ativos. Esses extratos e frações também foram submetidos a ensaios de atividade antitumoral em células MCF-7, B-16 e HCT8 no Laboratório de Oncologia Experimental da UFC que será descrito posteriormente. Os extratos metanólicos e 45 aquosos foram preparados de acordo com o padrão para o banco de extratos do Laboratório de Princípios Ativos da Amazônia no INPA. Preparação dos extratos metanólicos. O material vegetal moído de cada espécime foi extraído, separadamente, em soxhlet por um período de 6h. Repetiu-se o processo de extração com o material vegetal por mais duas vezes. O extrato metanólico resultante foi posteriormente submetido a um fracionamento por partição em hexano, clorofórmio e acetato de etila para testes de atividade contra Artemia franciscana e Aedes aegypti (Esquemas 6, 7 e 8). Preparação dos extratos aquosos. Foram adicionados ao material vegetal 400 mL de água fervente, aguardou-se 15 minutos e em seguida os extratos foram filtrados. Esses foram congelados para posterior liofilização (Esquemas 6, 7 e 8). Fracionamento por partição dos extratos metanólicos. Uma porção de cada extrato metanólico foi dissolvida em MeOH/H2O (9:1) e particionada em hexano por 3 vezes. Em seguida adicionou-se água à fase hidroalcoólica até atingir a proporção MeOH/H2O (7:3) e extraiu-se com CHCl3 por 3 vezes. Após a partição com clorofórmio, extraiu-se por três vezes, a fase hidroalcoólica com acetato de etila. 46 Galhos SP-1 38,8 g Extração em H2O quente 28,47g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 1,12 g Extrato MeOH 1,21 g Af: 87% e CL50 = 191+ou- 72 Aa: 100% e CL50 = 323+ou-38 teor de extrativos: 4,25% Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos: 2,88% Partição em diferentes solventes (182,4 mg) Fr. Hexânica 10,4 mg Af: 37% Aa: 37% teor de extrativos: 5,7% Fr. CHCl3 70,4 mg Fr. AcOEt 11,5 mg Fr. hidroalcoólica 54,5 mg Af: 24% Af: 84% Af: 0% Aa: 0% Aa: 44% Aa: 0% teor de extrativos: 38,5% teor de extrativos: 6,3% teor de extrativos: 29,8% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 6. Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla (Espécime 1) e resultados do screening em Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 47 Galhos SP-2 23,5 g Extração em H2O quente 38,5g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 0,63 g Extrato MeOH 1,78 g Af: 98% e CL50 = 200 +ou- 19 Aa: 87% e CL50 = 119+ou-16 teor de extrativos: 4,62% Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos: 2,68% Partição em diferentes solventes (206,6 mg) Fr. Hexânica 12,1 mg Af: 64% Aa: 17% teor de extrativos: 5,8% Fr. CHCl3 84,4 mg Fr. AcOEt 16,1 mg Fr. hidroalcoólica 65,5 mg Af: 20% Af: 87% Af: 0% Aa: 0% Aa: 44% Aa: 0% teor de extrativos: 40,8% teor de extrativos: 7,79% teor de extrativos: 31,7% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 7. Preparação de extratos e frações dos galhos de S. polyphylla (espécime 2) e resultados do screening em Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 48 folhas SP-1 22,4 g Extração em H2O quente 33,2g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 3,7 g Extrato MeOH Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos: ND Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos: 16,5% Partição em diferentes solventes (305,4 mg) Fr. Hexânica 3,0 mg Af: Aa: teor de extrativos: 0,98% Fr. CHCl3 69,4 mg Fr. AcOEt 100,2 mg Fr. hidroalcoólica 92,7 mg Af: 4,0% Af: 0% Af: 4,0% Aa: Aa: Aa: teor de extrativos: 22,7% teor de extrativos: 32,8% teor de extrativos: 30,3% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 8. Preparação de extratos e frações das folhas de S. polyphylla e resultados do screening em Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 49 3.2.3. Preparação dos extratos dos galhos para fracionamento por partição e cromatográfico. 2,0 Kg dos galhos de Simaba polyphylla, após extração em Hexano foram submetidos à extração por maceração em MeOH durante 7 dias. Esse processo foi repetido por mais duas vezes. Em seguida, o extrato metanólico foi submetido a um fracionamento por partição com CHCl3 e AcOEt (Esquema 9). 50 Galhos moídos (2,0 Kg) Extração em Hexano a frio Extrato hexânico 22,0 g " torta" Af: 64% em 250 µg/mL Aa: 44% em 500 µg/mL Extração em MeOH a frio Extrato metanólico 71,26 g Af: 14% em 500 µg/mL Aa: 0% em 500 µg/mL Partição em CHCl3 e MeOH/H2O (7:3) (66,68 g) Fração clorofórmica 33,73 g Fase hidroalcoólica Af: 77% em 250 µg/mL e CL50 = +/- 17,5 µg/mL Aa: 3% em 250 µg/mL Fração AcOEt 11,85 g Af: 0% em 250 µg/mL Aa: 0% em 250 µg/mL Partição em AcOEt Fração hidroalcoólica 22,63 g Af: 0% em 250 µg/mL Aa: 0% em 250 µg/mL *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 9. Preparação dos extratos e fracionamento por partição dos galhos de Simaba polyphylla e resultados do screening em Artemia franciscana e Aedes aegypti. 51 3.2.4. Fracionamento do extrato hexânico dos galhos de Simaba polyphylla. A extração de 2,0 Kg de serragem dos galhos de Simaba polyphylla em hexano forneceu um extrato com massa equivalente a 22,09 g. Foi reservada uma pequena quantidade desse extrato (4,18 g) para realização de testes de atividade biológica e o restante (17,91 g) foi submetido a uma separação em coluna cromatográfica de sílica gel com gradiente Hex/AcOEt. Foram obtidas 85 frações que após análise em CCD foram reunidas resultando em 18 frações. O procedimento de separação está descrito conforme o Esquema 10. Extrato hexânico dos galhos 17,91 g coluna cromatográfica em Si gel Gradiente Hex/AcOEt Fr. 14-16 391,5 mg Fr. 1-13 30,7 mg Fr. 17-20 71,4 mg Fr. 21-23 (42,7 mg) Fr. 24-32 (391,2 mg) Fr. 33-36 252,4 mg Fr. 48-51 2,1623 g Fr. 37-40 562,6 mg 1.Fr. 41-45 (414,7 mg) 2.Fr. 46-47 (166,4 mg) Fr. 61-65 1,073 g 1.Fr. 52-56 (1,1038 g) 2. Fr. 57-60 (271,3 mg) Fr. 75-77 618,9 mg Fr. 78-82 2,2 g Fr. 66-74 1,75 g recristalização em MeOH a quente recristalização em AcOEt a quente O OH HO O OH Fr. 83 2,59 g Diidroniloticina (74) 177,8 m g O Niloticina (73) 201,7 mg Esquema 10. Fracionamento cromatográfico do extrato hexânico dos galhos de S. polyphylla. Fr. 84 2, 5 g 52 3.2.5. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba polyphylla (SPGC1.46) Inicialmente foi realizada uma separação em coluna filtrante de gel de sílica de SPGC1.46 com fase móvel inicial de hexano 100%, seguida de clorofórmio 100%, misturas de CHCl3/MeOH nas concentrações de MeOH de 3%, 5% e 30% e MeOH 100% (Esquema 11). Foram geradas 15 frações. As frações 5 e 6 foram recristalizadas em AcOEt e resultaram no isolamento de 28,6 mg do triterpeno taraxerona. A fração no. 8 foi eluída em coluna cromatográfica de gel de sílica utilizando como sistema gradiente de eluição a mistura de CHCl3/MeOH até 10% de MeOH. Foram geradas 41 frações que após análise em CCD foram reunidas resultando em 9 frações. A fração 17-19 foi submetida a um fracionamento cromatográfico em coluna flash de gel de sílica utilizando como eluição o sistema gradiente de hexano com a mistura CHCl3/MeOH (98:2) até 100% dessa mistura e posteriormente, aumentou-se a concentração de MeOH até 4% em CHCl3. Foram geradas 82 frações que após análise em CCD resultaram em 13 frações reunidas. A fração reunida no. 5 foi recristalizada em MeOH resultando no isolamento de um cristal amarelo de 11,6 mg identificado como o alcalóide 9-metoxicantin-6-ona (Esquema 11). 53 SPGC1.46 22,4 g coluna filtrante em gel de sílica 1. Hexano 100% 2. CHCl3 100% 3. CHCl3/MeOH (97:3) 4. CHCl3/MeOH (95:5) 5. CHCl3/MeOH (7:3) 15 frações Fr. 1-4 não reunidas Fr. 5 52,1 mg Fr. 7 47,8 mg Fr. 6 45,6 mg Fr. 9-10 4,0 g Fr. 8 1,9 g Fr. 11-15 não reunidas coluna em gel de sílica gradiente Hex/CHCl3/MeOH Recristalização em AcOEt a quente Fr. 20-41 não reunidas Fr. 17-19 718,4 mg Fr. 1-15 26,9 mg O coluna em gel de sílica gradiente Hex/CHCl3/MeOH Taraxerona (75) 28,6 mg Fr. 1-29 não reunidas Fr. 30-33 52,7 mg Fr. 34-82 não reunidas recristalização em MeOH a quente MeO N N O 9-metoxicantin-6-ona (35) 11,6 mg Esquema 11. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de S. polyphylla. 54 As frações 9 e 10 foram reunidas e posteriormente submetidas a uma separação em coluna de gel de sílica com sistema gradiente de eluição de Hexano com a mistura DCM/MeOH (98:2). Após chegar ao sistema de 100% da mistura DCM/MeOH, aumentou-se a concentração de MeOH até 10% em DCM. Após análise em CCD, as frações foram reunidas resultando em 17 frações (Esquema 12). A fração reunida 55-63 que foi posteriormente separada será discutida no item a seguir. 3.2.5.1. Separação cromatográfica da subfração 55-63 da fração 9-10 de SPGC1.46 A fração 55-63 foi eluída em coluna flash em gel de sílica. O sistema gradiente de eluição inicialmente utilizado foi Hexano/DCM. Após a eluição com DCM 100% foi utilizado o sistema gradiente DCM/MeOH até chegar a concentração de 10% de MeOH (Esquema 12). Dessa separação foram geradas 18 frações reunidas após análise em CCD. A fração no. 10 (70,3 mg) foi posteriormente separada em HPLC preparativo em sistema de eluição isocrático de água/ACN (67:33) com fluxo de 1,5 mL/min durante 16 minutos. Foram isoladas as substâncias SPGC1.147 (3,5 ,g), SPGC2.147 (3,0 mg) e SPGC 3.147 (5,0 mg). 55 Fr. 9-10 de SPGC1.46 4,0 g coluna cromatográfica em gel de sílica Gradiente Hex/DCM/MeOH Fr. 1-54 10,0 mg Fr. 64-111 não reunidas Fr.55-63 416,0 mg Fr. 112-114 457,0 mg coluna cromatográfica em gel de sílica Gradiente Hex/DCM/MeOH SPGC1.128 a SPGC9.128 não reunidas SPGC10.128 70,3 mg SPGC11.128 51,4 mg SPGC12.128 a SPGC18.128 não reunidas HPLC preparativo água/ACN (67:33) isocrático SPGC1.147 3,5 mg SPGC3.147 5,0 mg SPGC2.147 3,0 mg MeO N H N OH O Ácido 7-metoxi-(9H-β -carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76) Esquema 12. Separação cromatográfica da fração 9-10 de SPGC1.46 Fr. 115-130 não reunidas 56 3.3. Trabalho fitoquímico realizado com os galhos de Simaba guianensis subsp. ecaudata (Cronquist) 3.3.1.Coleta do material botânico As partes aéreas de dois espécimes de Simaba guianensis subesp. ecaudata (Cronquist) foram coletadas no dia 16 de fevereiro de 2002 (período de chuvas), na reserva Ducke do INPA em Manaus. O material vegetal foi seco à sombra e depois separado em galhos e folhas para posterior moagem em moinho de facas. As exsicatas dos espécimes encontram-se no herbário do INPA identificadas com os números 3861 e 3859. 3.3.2. Preparação dos extratos O mesmo procedimento utilizado para a preparação dos extratos dos galhos de Simaba polyphylla foi utilizado para a espécie S. ecaudata. Inicialmente foram preparados extratos metanólicos em soxhlet e aquosos, na forma de infusão, de pequenas quantidades de folhas e galhos para um “screening” inicial de atividade letal em larvas de Artemia franciscana e de Aedes aegypti com o objetivo de posteriormente se trabalhar com os extratos e frações ativos (Esquemas 13, 14 e 15). Fracionamento por partição dos extratos metanólicos. Uma porção de cada extrato metanólico foi dissolvida em MeOH/H2O (9:1) e particionada 3 vezes em hexano. Em seguida adicionou-se água à fase hidroalcoólica até atingir a proporção MeOH/H2O (7:3) e extraiu-se com CHCl3 por 3 vezes. Após a partição com clorofórmio, extraiu-se por três vezes, a fase hidroalcoólica com acetato de etila. 57 galhos SSN-1 32,0 g Extração em H2O quente 32,28 g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 0,82 g Extrato MeOH 1,07 g Af:74% CL50 = 249 +ou- 52 Aa: 100% teor de extrativos: 3,31% Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos:2,56 % Partição em diferentes solventes (188,0 mg) Fr. Hexânica 7,9 mg Af: 80 % Aa: 24% teor de extrativos: 4,2% Fr. CHCl3 43,0 mg Fr. AcOEt 26,5 mg Fr. hidroalcoólica 67,2 mg Af: 7,0% Af: 84% Af: 0% Aa: 0% Aa: 64% Aa: 0% teor de extrativos: 22,8% teor de extrativos: 14,0% teor de extrativos: 35,7% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 13. Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (espécime 1) e resultados do screening com Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 58 Galhos SSN-2 33,12 g Extração em H2O quente 46,2g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 0,91 g Extrato MeOH 1,68g Af: 47% Aa: 70% e LC50 = 471 +ou- 44 teor de extrativos: 3,63% Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos: 2,74% Partição em diferentes solventes (302,3 mg) Fr. Hexânica 13,2 mg Af: 10% Aa: 20% teor de extrativos: 4,36% Fr. CHCl3 73,0 mg Fr. AcOEt 31,6 mg Fr. hidroalcoólica 153,0 mg Af: 0% Af: 40% Af: 0% Aa: 0% Aa: 7,0% Aa: 0% teor de extrativos: 24,1% teor de extrativos: 10,4% teor de extrativos: 50,6% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 14. Preparação de extratos e frações dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (espécime 2) e resultados do screening com Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 59 folhas SSN-1 25,4 g Extração em H2O quente 48,0 g Extração em MeOH (Soxhlet) Extrato aquoso 2,8 g Extrato MeOH 9,24 g Af:0% Aa: 0% teor de extrativos: 19,25% Af: 0% Aa: 0% teor de extrativos:11,0 % Partição em diferentes solventes (295,6 mg) Fr. Hexânica 15,3 mg Af: Aa: teor de extrativos: 5,17% Fr. CHCl3 73,1 mg Fr. AcOEt 71,5 mg Fr. hidroalcoólica 98,4 mg Af: 14,0% Af: 10% Af: 4,0% Aa: Aa: Aa: teor de extrativos: 24,72% teor de extrativos: 24,1% teor de extrativos: 33,2% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 15. Preparação de extratos e frações das folhas de Simaba guianensis subesp. ecaudata e resultados do screening com Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 60 3.3.3. Preparação dos extratos dos galhos para fracionamento cromatográfico e por partição. Foram extraídos com hexano a frio 2,0 Kg de galhos moídos no período de 7 dias. O procedimento foi repetido por mais duas vezes com a mesma serragem. Os extratos foram reunidos e concentrados resultando em 8,9 g de extrato (Esquema 16). Após extração em hexano, o resíduo foi extraído a frio em MeOH por mais 7 dias. O procedimento também foi repetido por mais duas vezes. A massa resultante do extrato metanólico após concentração foi de 63,07 g. Foram separados 58,0 g desse extrato. Esse foi submetido a um fracionamento por partição com CHCl3 e AcOEt (Esquema 16). 3.3.4. Separação cromatográfica do extrato hexânico dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata. O extrato hexânico de Simaba guianensis (8,9 g) foi submetido a uma separação em coluna de gel de sílica com sistema gradiente de Hexano/AcOEt. Foram geradas 69 frações que foram reunidas após análise em CCD resultando em 13 frações (Esquema 17). A fração 1-12 foi submetida a uma separação em coluna de sílica flash com gradiente Hexano/AcOEt. Foram geradas 22 frações que após análise por CCD foram reunidas em 7 frações. A fração 4 (103,0 mg), após análises dos espectros, foi identificada como sendo o óxido de cariofileno (Esquema 17). 61 galhos 2,0 Kg Extração em Hexano (T.A.) Af: 84% Aa: 90% Resíduo Extrato hexânico 8,9 g MeOH (T. A.) Extrato MeOH 63,07 g Resíduo Af: 0% Aa: 0% Partição CHCl3 e MeOH/H2O (7:3) concentração da fase clorofórmica Fração clorofórmica (SNGC1.54) Af: 36% 20,6 g Aa: 0% Fase hidroalcoólica Partição com AcOEt concentração Af: 0% Aa: 0% Fração AcOEt (SNGAc1.54) 9,4 g Fração hidroalcoólica SPGM1.54 Af: 7% 25,4 g Aa: 0% *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti Esquema 16. Preparação de extratos e fracionamento por partição dos extratos dos galhos de Simaba guianensis subesp ecaudata e resultados do screening com Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 62 Extrato hexânico (SNG1.4) 8,9 g Af: 84% Aa: 0% Coluna em gel de sílica gradiente Hexano/AcOEt 69 frações análise em CCD Af: 100% Aa: 0% Fr. 1-12 305,2 mg Fr. 13-63 (não reunidas) Fr. 64-69 2,0 g Af: 44% Aa: 70% coluna em sílica flash gradiente Hexano/AcOEt 22 frações análise em CCD Fr. 4 103,0 mg Fr. 1-3 não reunidas Fr. 5-7 não reunidas O *Af - Artemia franciscana Aa - Aedes aegypti óxido de cariofileno (77) 103,0 mg Af: 84% CL50 = 103 +/- 11 µg/mL Esquema 17. Separação cromatográfica do extrato hexânico de Simaba sp nov. (SNG1.4) e resultados do screening com Artemia franciscana e Aedes aegypti (extratos em 500 µg/mL e frações em 250 µg/mL). 63 A fração 64-69 de SNG1.4 também foi submetida a uma separação em coluna de sílica gel, utilizando CHCl3/MeOH como sistema gradiente de eluição, até chegar à concentração de 10% de MeOH. A separação e posterior análise em CCD resultou em 10 frações reunidas. Em seguida, a fração 3 foi recristalizada em AcOEt. Os cristais incolores (164,7 mg) após análise de espectros de RMN mono e bidimensionais, EM e IV foram identificados como o triterpeno Piscidinol A (Esquema 18). SNG1.4(64-69) 1,0 g coluna cromatográfica em gel de sílica gradiente CHCl3/MeOH 72 frações Análise em CCD e reunião de frações iguais Fr. 1-2 não reunidas Fr. 3 630,2 mg Fr. 4-10 não reunidas recristalização em AcOEt a quente OH OH O Piscidinol A (78) 164,7 mg Esquema 18. Separação cromatográfica da fração 64-69 de SNG1.4. 64 3.3.5. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba guianensis subesp ecaudata (SNGC1.54). A fração clorofórmica dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata (20,6 g) foi inicialmente submetida a uma separação simples em coluna filtrante de gel de sílica. O eluente inicial foi Hexano 100%, seguido de clorofórmio 100%, CHCl3/MeOH (97:3), CHCl3/MeOH (95:5), CHCl3/MeOH (7:3) e MeOH 100%, respectivamente. Foram recolhidas 15 frações. A fração 7, demonstrou por análise em CCD presença de alcalóides quando revelado com reagente de Dragendorff. Esta foi dissolvida em uma mistura de MeOH/H2O (9:1) e particionada com hexano. A fração hidroalcóolica SNGC1.54.7.1 (3,15 g) foi fracionada em coluna de MPLC de fase reversa (RP-18) com sistema de eluição em EtOH/H2O até a concentração de 70% de EtOH. Após análise em CCD as frações iguais foram reunidas em 39 frações. A fração 19 foi recristalizada em MeOH resultando no isolamento de 62,8 mg do alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona (35), solúvel em CHCl3 e 16,9 mg de um alcalóide com PF 232 oC identificado como 6-metoxi-β-carbolin(Z)-propenóico (79), solúvel em MeOH. A fração 30 foi recristalizada em MeOH a quente e resultou na formação de um material cristalino incolor pesando 29,0 mg que identificado como o triterpeno Piscidinol A (78)(Esquema 19). 65 SNGC1.54 20,6 g coluna filtrante em gel de sílica Gradiente: Hexano 100% CHCl3 100% CHCl3/MeOH (97:3) CHCl3/MeOH (95:5) CHCl3/MeOH (7:3) MeOH 100% Fr. 7 7,8 g Fr. 1- 6 não reunidas Fr. 8-15 não reunidas Partição Hexano e MeOH/H2O (9:1) Fr. hidroalcóolica SNGC1.54.7.1 3,15 g Fr. hexânica SNGC1.54.7.2 1,95 g Separação em MPLC fase reversa (RP-18) Gradiente H2O/EtOH Fr. 1-18 não reunidas Fr. 19 198,0 mg Fr. 20-29 não reunidas recristalização em MeOH material insolúvel em MeOH SNGC1.146 9-metoxi-cantin-6-ona (35) 62,8 mg material solúvel em MeOH MeO N H N Fr. 30 262,0 mg Fr. 31-39 não reunidas recristalização em MeOH SN2.154 Piscidinol A (78) 29,0 mg COOH Ácido 6-metoxi-(9H-β -carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) 16,9 mg Esquema 19. Separação cromatográfica da fração clorofórmica dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata. 66 3.4. Quantificação de 9-metoxi-cantin-6-ona nos extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata por CLAE Os extratos metanólicos, aquosos e as frações clorofórmicas dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis foram submetidos a uma análise por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) para avaliação da concentração de 9-metóxi-cantin-6-ona, presente nesses extratos. 3.4.1. Método de análise em CLAE As análises por CLAE foram realizadas nas seguintes condições: Modo isocrático ACN/solução aquosa de TFA 0,05% (30:70) por 35 minutos, fluxo de 1,0 mL/min em coluna LiChrospher 60 RP-Select B (5 µm) 250 x 4 mm, da Merck. Todas as injeções foram realizadas com volume de loop de 20 µL. A detecção foi realizada no ultravioleta no comprimento de onda de 254 nm. 3.4.2. Curva de Calibração Diferentes soluções metanólicas do padrão de 9-metoxi-cantin-6-ona foram preparadas, a partir de uma solução-mãe de 1,0 mg/mL, preparada em balão volumétrico. As concentrações finais do padrão injetadas foram preparadas por diluições sucessivas da solução-mãe, obtendo-se as soluções do padrão nas concentrações de 1,00, 0,50, 0,25, 0,12 e 0,625 µg/mL. 67 3.4.3. Preparação das amostras As amostras foram preparadas filtradas em filtro de membrana de PVDF da Millipore (0,2 µm) ou cartucho de Sep-pak (Waters) de fase reversa (C-18). Todas as amostras foram analisadas por CLAE nas condições acima descritas. As frações clorofórmicas dos galhos de cada uma das espécies foram preparadas em metanol na concentração de 0,125 mg/mL. Foram analisadas e indicaram a presença de 9-metoxi-cantin-6-ona em quantidades que permitiam a sua quantificação. No caso dos extratos aquosos e metanólicos, foram preparadas inicialmente, soluções na concentração de 1,00 mg/mL, mas não foi possível detectar a presença de 9-metoxi-cantin-6-ona. Decidiu-se então pelo tratamento da amostra empregando técnica de extração em fase sólida (EFS), como descrito nos itens a seguir. 3.4.3.1 Tratamento dos extratos metanólicos Os extratos metanólicos dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis analisados estão descritos nos itens 2.2.3 e 2.3.3. Estes foram inicialmente solubilizados em uma mistura de MeOH/H2O (1:1) na concentração de 1 mg/mL e volume total de 2 mL. Em seguida, foram tratados através do processo de EFS (extração em fase sólida), segundo o esquema a seguir. 68 Solução de Extrato MeOH 1 mg/mL em 2 mL de MeOH/H2O (1:1) 1. Passagem por SEP PAK (C-18 Waters) 2. Lavagem com 10 mL de MeOH/H2O (1:1) solução 1 substâncias polares SEP-PAK 2 mL de MeOH/AcOEt (7:3) solução 2 analito SEP-PAK lavagem com 10 mL de MeOH/AcOEt (7:3) Quantificação por HPLC solução 3 substâncias lipofílicas Esquema 20. Tratamento dos extratos metanólicos de S. polyphylla e S. guianensis. 3.4.3.2. Tratamento dos extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. Os extratos aquosos dos galhos das espécies em estudo foram preparados por infusão (item 2.2.2). A partir dos extratos secos, preparou-se uma solução de 5 mg/mL que foi submetida a um tratamento por EFS, conforme o Esquema 21. 69 Extrato aquoso 5 mg/mL (10 mL) SEPPAK (C-18 Waters) solução 1 substâncias polares SEP-PAK 10 mL de MeOH/H2O (1:1) solução 2 substâncias polares SEP-PAK 1 mL de MeOH/AcOEt (7:3) solução 3 analito SEP-PAK 10 mL de MeOH/AcOEt (7:3) CLAE solução 4 substâncias lipofílicas Esquema 21. Tratamento realizado com os extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata. 3.5. Avaliação da atividade biológica de extratos e frações de galhos e folhas de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. Os ensaios de atividade biológica foram realizados inicialmente para melhor direcionar o fracionamento fitoquímico dos constituintes químicos das espécies em estudo. Entretanto, alguns ensaios, tais como os de atividade antitumoral, não 70 permitiram o biomonitoramento e direcionamento adequado diante das dificuldades e demora na obtenção dos resultados. Porém os resultados obtidos não podem deixar de ser citados, uma vez que, foram realizados como parte desse trabalho. 3.5.1. Ensaios de atividade letal contra microcrustáceos Artemia franciscana. Os ensaios de citotoxicidade em Artemia franciscana foram realizados no Laboratório de Princípios Ativos da Amazônia, no INPA, pela bolsista Cíntia Portela, sob a orientação do Dr. Ettienne Quignard. Solubilização das amostras: Depois de pesadas em frascos de Eppendorf as amostras foram solubilizadas em 1 mL de solvente adequado (Tween – 80 (25%) para amostras apolares, DMSO para as de média polaridade, água para amostras aquosas). A concentração de extratos testados foi 500 µg/mL e das frações obtidas por partição 250 µg/mL. Screening padrão com placa 3 x 4: Preencheu-se cada poço com 1800 µL de solução salina. Com auxílio de uma pipeta de Pasteur previamente calibrada, transferiu-se dez larvas para cada poço com o cuidado de não ultrapassar 160 µL. Em seguida, aplicou-se 200 µL e completou-se o volume para 5,0 mL. As placas foram acondicionadas e protegidas de luminosidade intensa, em repouso por 24 horas. 71 3.5.2. Avaliação da citotoxicidade in vitro de extratos e frações de galhos e folhas de Simaba polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata. Os ensaios in vitro de citotoxicidade dos extratos e frações das espécies em estudo foram realizados como parte de um screening inicial para a determinação do potencial antitumoral das espécies S. polyphylla e S. guianensis. Esses foram realizados pela equipe de pesquisadores Manoel O. de Moraes, Cláudia do Ó Pessoa, Letícia Veras Lotufo e Maria Elisabete A. de Moraes, do Laboratório de Oncologia Experimental da Universidade Federal do Ceará. 3.5.2.1 Material e método de análise Células: As linhagens utilizadas, MDA-MB (mama - humano), HCT-8 (cólon - humano) e Melanoma (pele – murino), foram cedidas pelo Mercy Children´s Hospital, tendo sido cultivadas em meio RPMI 1640, suplementados com 10% de soro fetal bovino e 1% de antibióticos, mantidas em estufa a 37°C e atmosfera contendo 5% de CO2. Amostras: Foram testadas amostras (extratos, frações e subfrações cromatográficas) de galhos e folhas de Simaba polyphylla e S. guianensis: As amostras foram diluídas em DMSO na concentração estoque de 25 mg/ml. A citotoxicidade dos extratos foi avaliada pelo método da Sulforodamina B (SKEHAN et al., 1990). Foram plaqueadas 4 placas de 96 cavidades por experimento, uma para cada linhagem celular testada (MDA-MB, Melanoma e 72 HCT-8) e uma placa de tempo-zero com as três linhagens . As células foram plaqueadas nas seguintes concentrações: HCT-8 e melanoma, 0,4 x 105cél/mL, e MDA-MB, 1x106cél/mL. Após 24 horas de incubação, foi fixada a placa de tempo zero em ácido tricloroacético 50% “gelado” e, nas demais placas foram incubadas as drogas na dose de 120 µg/mL. As amostras foram testadas em duplicata. Estas placas foram fixadas após 48 horas de incubação com as drogas. Todas as placas foram coradas com sulforodamina B e lidas em espectrofotômetro de placa no comprimento de onda de 540 nm. 3.5.3. Teste de atividade biológica contra larvas de Aedes aegypti O teste de atividade larvicida em Aedes aegypti foi realizado no Laboratório de Princípios Ativos da Amazônia no INPA pela bolsista Érika de Oliveira Gomes sob a orientação do Dr. Ettiene Quignard. As amostras foram solubilizadas na concentração de 50 mg/mL em solvente adequado (idem teste com A. franciscana). Em copos descartáveis de 50 mL foram adicionados 9,0 mL de água de torneira, 10 larvas de 3o. estádio (aproximadamente 0,5 mL), alimento líquido (0,5 mL) e 100 µL da amostra a ser testada ou do solvente controle. Para cada solvente utilizado para dissolver as amostras há um controle do solvente. Os copos foram colocados na estante em fileira de 3 (as amostras foram testadas em triplicata). Após 24 h, contou-se o número de larvas sobreviventes e calculou-se a percentagem de mortalidade resultante dos extratos e frações analisados. 73 4. Resultados e discussão 4.1. Identificação de substâncias extraídas dos galhos de Simaba polyphylla (Cavalcante) Thomas. 4.1.1. Niloticina 22 21 20 18 24 12 1 19 17 11 13 9 2 4 OH 26 25 27 16 15 10 O O 23 7 5 30 6 28 29 73 O fracionamento cromatográfico do extrato hexânico dos galhos de Simaba polyphylla (Esquema 10) resultou no isolamento de 201,7 mg de uma substância cristalina incolor e com ponto de fusão entre 145-147o C e [α]d = -59,8o (DCM; c 0,05). O espectro de IV (pág.156) apresentou como bandas principais, uma em 3.468 cm-1 sugerindo a presença de função hidroxila na molécula, outra banda intensa em 1.705 cm-1 referente à presença de carbonila, possivelmente de cetona, e uma bem menos intensa em 1664 cm-1, referente à insaturação entre dois átomos de carbono. 74 A análise inicial dos espectros de RMN de 1H e 13 C (Tabela 2) e EM, assim como a comparação com os dados da literatura (GRAY et al. 1988, WANG et al 2003, KAMPERDICK et al 2003) indicou tratar-se de um triterpeno, com esqueleto tirucalano. Na análise dos espectros de RMN de 13 C (HBBD e DEPT135), observou-se a presença de 30 carbonos. O grande número de triterpenos registrados na literatura demonstra que alguns deslocamentos químicos nos espectros de RMN de 13 C são muito característicos em cada esqueleto básico. Observou-se que o espectro de 73 apresenta 3 carbonos sp2 cujos deslocamentos são δ 217,0; δ 118,1 e δ 145,9. Deslocamentos químicos na região de δ 215-217 indicam a função carbonila em C-3. Os carbonos em δ 118,1 e δ 145,9 indicam uma insaturação entre os carbonos C-7 e C-8, muito comum em triterpenos tipo tirucalanos (GRAY et al. 1988, WANG et al 2003, KAMPERDICK et al 2003; OLEA-GALLEGOS e ROQUE, 1990). Triterpenos do tipo tirucalano são conhecidos como precursores dos quassinóides e estão presentes em espécies da família Simaroubaceae (DEWICK, 2002). Comparando-se os valores obtidos com os dados publicados na literatura para triterpenos do tipo tirucalano, foi possível identificar a substância 73 como sendo a niloticina. De acordo com o espectro de DEPT, foi observada a presença de oito metilas. Estas foram confirmadas pelo espectro de RMN 1H e correlações no HMQC (pág. 162, 163 e 165). Os demais sinais observados foram comparados inicialmente com deslocamentos químicos de outros triterpenos tirucalanos (GRAY et al. 1988, 75 WANG et al 2003, KAMPERDICK et al 2003) e posteriormente confirmados por análise de espectros bidimensionais HOMOCOSY e HMBC, discutidos na página 74. Tabela 2. Deslocamentos químicos observados de RMN 1H e 13C para a niloticina (73) em CDCl3. Posição 1 δC (50 MHz) 38,6 2 35,0 3 4 5 6 217,0 48,0 52,4 24,6 7 8 9 10 11 118,1 145,9 48,6 35,1 19,1 12 33,8 13 14 15 16 43,7 51,3 34,1 29,0 17 18 19 20 21 22 53,4 21,7 12,9 33,6 20,0 41,0 23 69,3 δH (200 MHz) 1,40 (m) 1,96 (m) 2,21 (t; 3,5) 2,76 (dt; 14,2; 5,2) 1,72 (m) 2,28 (t; 3,5) 2,08 (m) 5,31 (d; 3,0) 2,28 (t; 3,5) 1,60 (m) 1,39 (m) 1,65 (m) 1,89 (m) 1,46 (m) 1,64 (m) 2,12 (m) 1,57 (m) 0,82 (s) 1,00 (s) 1,86 (m) 0,95 (d; 5,7) 1,43 (m) 1,67 (m) 3,58 (m; 5,0; 8,0; 8,0) Literatura1 (δC)a 38,1 68,6 2,66 (d; 8) 24 60,3 25 19,9 1,33 (s) 26 24,6 1,32 (s) 27 25,0 1,05 (s) 28 21,9 1,12 (s) 29 27,5 1,02 (s) 30 1 GRAY et al. (1988). a Campo magnético 362,2 MHz para 1H e 90,5 MHz para CDCl3. ND = valores não determinados na literatura1. 117,6 145,3 48,3 34,6 17,9 Literatura1 (δH)a 1,40 (m) 2,02 (m) 2,27 (m) 2,75 (td; 14,5; 5,5) ND 2,27 (m) 2,08 (m) 5,27 (td; 3,5; 3,0) 2,02 (m) ND 33,3 ND 43,2 50,8 33,7 28,3 ND ND 52,9 12,4 19,4 33,2 19,6 40,4 ND 0,94 (s) 0,75 (s) 1,20 (m) 0,89 (d; 6,0) 1,40 (m) 1,55 (m) 3,49 ( dtd; 8,4; 5,2; 2,7) 2,64 (d; 8,4) 1,25 (s) 1,26 (s) 1,05 (s) 0,95 (s) 0,95 (s) 34,4 215,1 47,4 52,0 24,0 68,8 68,2 59,4 21,2 24,2 24,5 21,4 27,0 13 C. As amostras foram analisadas em 76 A confirmação da estrutura, inclusive a atribuição dos carbonos e hidrogênios da cadeia, lateral foi realizada pela análise dos espectros bidimensionais HOMOCOSY, HMQC e HMBC (Tabela 3). O carbono em δ 68,6 apresenta correlação no espectro HMQC com o hidrogênio em δ 2,66, um dubleto com constante de acoplamento de 8 Hz, característico de epóxido. Esse hidrogênio acopla com o hidrogênio H-23 com uma constante J de 8 Hz, sugerindo tratar-se do carbono vizinho, C-24, da cadeia lateral e formando a ponte de epóxido com o carbono quaternário C-25 com sinal em δ 60,3. O sinal de carbono observado em δ 69,3 é característico de um carbono carbinólico (ligado a uma hidroxila). Este apresenta correlação direta, em espectro de HMQC, com o hidrogênio em δ 3,58. Através da análise de HOMOCOSY observou-se que este hidrogênio apresenta correlação com os hidrogênios δ 1,67 e 2,66, respectivamente atribuídos a H-22 e H-24, sugerindo que os sinais de carbono e hidrogênio observados correspondem à posição 23, na cadeia lateral do triterpeno. De acordo com a curva de Karplus, o acoplamento vicinal entre os hidrogênios em δ 2,66 e δ 3,58 com J = 8 Hz sugerem que esses hidrogênios estejam distanciados com ângulo diedro entre 22 e 36o corroborada pela ligação hidrogênio entre a hidroxila e o oxigênio do epóxido (FRIEBOLIN, 1998). Foi possível realizar algumas reatribuições dos dados publicados na literatura (GRAY et al, 1988). Foram reatribuídos os deslocamentos químicos de carbono referentes às metilas 18 e 19 como sendo em 21,7 e 12,9, 77 respectivamente. Esses puderam ser confirmados através das correlações C-H à longa distância observada para os hidrogênios da metila 18 com os carbonos C-13 e C-14. Também foi observada a correlação à longa distância do carbono C-5 com os hidrogênios da metila 19 (Figura 5). Tabela 3. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância (73). H-H Me-21 – H-22 H-1 – H-5 H-1 – H-1 H-1 – H-2 H-1 – H-2 H-2 – H-2 H-11- H-12 H-11 – H-9 H-15 – H-16 H-16 – H-17 H-22 – H-23 H-23 – H-24 δH-δH 0,95 - 1,43 1,40 - 1,72 1,40 - 1,96 1,40 - 2,76 1,96 – 2,76 2,21-2,76 1,39-1,65 1,39-2,28 1,46 – 2,12 2,12 – 1,57 1,67 – 3,58 3,58 – 2,66 C-H C-1 – H-1 C-2 – H-2 C-2 – H-2 C-5 – H-5 C-6 – H-6 C-7 – H-7 C-12 – H-12 C-15 – H-15 C-16 – H-16 C-17 – H-17 Me-18 – H-18 Me-19 – H-19 C-20 – H-20 Me-21 – H-21 C-22 – H-22 C-23 – H-23 C-24 – H-24 Me-26 – H-26 Me-27 – H-27 Me-28 – H-28 Me-29 – H-29 Me-30 – H-30 δC-δH (1J) 38,6 – 1,96 35,0 – 2,21 35,0 – 2,76 52,4 – 1,72 24,6 – 2,28 118,1 – 5,31 33,8 – 1,89 34,1 – 1,46 29,0 – 2,12 53,4 – 1,57 21,7 – 0,82 12,9 – 1,00 33,6 – 1,86 20,0 – 0,95 41,0 – 1,43 69,3 – 3,57 68,6 – 2,66 19,9 – 1,33 24,6 – 1,32 25,0 – 1,05 21,9 – 1,12 27,5 – 1,02 C-H C-1 – H-2 C-2 – H-1 C-3 – H-2 C-3 – Me-29 C-4 – H-6 C-4 – Me-28 C-5 – Me-29 C-5 – H-7 C-5 - Me-28 C-9 – H-5 C-9 – H-7 C-9 – H-12 C-9 – H12 C-10 – H-2 C-13 – Me-18 C-14 – Me-18 Me-19 - H-5 Me-28 – H-29 Me-28 – H-5 Me-29 – H-28 Me-29 – H-5 Me-30 – H-15 Me-30 – H-16 δC-δH (2,3J) 38,6 – 2,76 38,6 – 1,96 217,0 – 2,76 217,0 – 1,12 48,0 – 2,28 48,0 – 1,05 52,4 – 1,12 52,4 – 5,31 52,4 – 1,05 48,6 – 1,72 48,6 – 5,31 48,6 – 1,65 48,6 – 1,89 35,1 – 2,21 43,7 – 0,82 51,3 – 0,82 12,9 – 1,72 25,0 – 1,12 25,0 – 1,72 21,9 – 1,05 21,9 – 1,72 27,5 – 1,46 27,5 – 2,12 O 18 19 OH 13 14 5 O Figura 5. Principais correlações heteronucleares C-H à longa distância observadas em 73 78 O espectro de massas obtido não apresentou o correspondente íon molecular (m/z 456), mas foram observadas as fragmentações m/z 384 (18), 369 (100), 351 (38), 325 (54), 271 (17), 213 (10), 147 (22) e 133 (25) que estão de acordo com aquelas publicadas para a niloticina (GRAY et al. 1988). As fragmentações observadas de m/z 384, 369 e 351 correspondem às perdas sucessivas dos grupamentos 2,2-dimetil-oxirano, metil e água da cadeia lateral do triterpeno. . + O . O H H O OH O O m/z 384 m/z 456 .CH3 H . + O H2O O O m/z 351 m/z 369 Esquema 22. Proposta para as principais fragmentações da niloticina (73). . + .+ 79 4.1.2. Diidroniloticina O extrato hexânico dos galhos de Simaba polyphylla resultou no isolamento de 177,8 mg de uma substância cristalina com PF 173-174 oC e [α]d = -42,8o (DCM, c 0,05), cujos dados de RMN de 1H e 13 C, IV e EM e comparação com dados da literatura (GRAY et al., 1988) indicam tratar-se do triterpeno, do tipo tirucalano, denominado diidroniloticina (74). 22 21 20 18 24 12 1 19 17 11 13 9 2 4 OH 26 25 27 16 15 10 HO O 23 7 5 30 6 28 29 74 O espectro de IV da diidroniloticina (74) apresentou uma banda intensa e larga em 3468 cm-1 referente à presença de função hidroxila e uma banda fraca em 1651 cm –1 indicando presença de uma ligação dupla na molécula, além da ausência da banda característica para a função carbonila. O espectro de massas da substância 74 apresentou íon molecular [M]+ m/z 458 (32 %), e as fragmentações com m/z de 441 (20), 425 (16), 407 (4), 387 (26), 371 (100), 353 (54), 327 (15), 273 (4), 147 (18) e 135 (26). As fragmentações observadas são compatíveis com os dados da literatura (Gray et al., 1988, Tinto et al 1991). 80 A confirmação do esqueleto tirucalano e a identificação estrutural da substância 74 foram feitas por análise e comparação dos deslocamentos químicos de RMN 1H e 13C observados com aqueles publicados na literatura (Tabela 4). Tabela 4. Deslocamentos químicos observados de RMN 1H e 13C para a substância 74 em CDCl3. Posição δC (50 MHz) δH (200 MHz) 1 37,3 2 27,8 3 4 5 6 79,3 39,0 53,4 24,0 7 8 9 118,2 145,7 49,1 1,73 (m) 1,66 (m) 1,55 (m) 1,64 (m) 3,24 (dd; 4,4; 11,0) 1,56 (m) 1,96 (m) 2,19 (m) 5,26 (dd; 3,0; 6,6) 2,19 (m) 10 11 35,0 18,2 12 13 14 15 16 33,8 43,7 51,3 34,1 28,9 1,51 (m) 1,56 (m) 1,53 (m) 1,45 (m) 2,04 (m) 2,10 (m) 1,38 (m) 0,94 (s) 0,74 (s) 1,76 (m) 1,32 (s) 1,40 (m) 3,57 (dt; 5,3; 8,3; 8,3) 2,66 (d; 8,3) 1,33 (s) 0,97 (s) 0,81 (s) 0,86 (s) 0,98 (s) Literatura1 (δC)a 37,3 Literatura1 (δH)a 28,8 ND 79,3 39,0 59,7 24,0 35,0 18,2 3,25 (dd; 10,0; 5,0) ND ND 2,00(m) 2,30 (m) 5,27 (td; 3,2; 3,0) ND 2,00 (m) 2,30 (m) ND ND 34,1 43,7 51,2 34,1 27,7 ND ND ND ND ND 118,1 145,6 49,1 ND 50,8 53,3 ND 17 19,9 13,1 0,81 (s) 18 13,2 19,8 0,75 19 33,7 33,7 ND 20 20,1 20,0 ND 21 40,9 40,9 ND 22 69,4 69,4 ND 23 68,7 68,5 2,66 (d; 8,2) 24 60,4 60,2 ND 25 25,0 21,7 1,34 (s) 26 27,8 24,9 1,32 (s) 27 21,9 27,3 0,99 (s) 28 14,9 14,8 0,86 (s) 29 27,3 27,9 0,97 (s) 30 1 GRAY, et al. (1988). a Campo magnético de 250 MHz para 1H e 62,5 MHz para 13C. Amostras analisadas em CDCl3. 81 Nos espectros de RMN 13 C (HBBD e DEPT 135) foram observados dois carbonos sp2 em δ 118,2 e δ 145,9, típicos de insaturação. No espectro de HMQC, o carbono em δ 118,2 apresentou correlação com o hidrogênio em δ 5,26. O sinal em δ 145,9 é um carbono quaternário. Em comparação com os dados da literatura (GRAY et al. 1988, WANG et al. 2003, KAMPERDICK et al. 2003), sugere-se que os sinais em δ 118,2 e δ 145,9 sejam atribuídos aos carbonos C-7 e C-8, respectivamente. Os sinais em δ 79,3 e δ 69,4 são característicos de carbonos ligados a oxigênio. De acordo com dados da literatura o sinal em δ 79,3 refere-se ao carbono C-3 ligado a uma hidroxila e o sinal em δ 69,4 ao carbono ligado a função hidroxila na posição C-23. Os sinais em δ 68,7 e δ 60,4, característicos de epóxidos, também foram observados em 74. Em comparação com dados da literatura e com o triterpeno 73, sugere-se que esses sinais em δ 68,7 e δ 60,4 são dos carbonos C-24 e C-25, respectivamente. Esses sinais foram confirmados através de correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY do hidrogênio em C-23, com os hidrogênios em C-20, C-22 e C-24, e correlações heteronucleares no HMBC entre os hidrogênios e carbonos em C-24 e C-23. Alguns deslocamentos químicos de carbono tais como o C-5 (δ 53,4) e C-17 (δ 50,4) apresentam uma significativa diferença com dados apresentados da literatura. O deslocamento químico de C-5 foi confirmado através das correlações à longa distância observadas em HMBC do C-5 com Me-28 e Me-19. 82 O carbono C-17 apresenta correlação no HMQC com o hidrogênio em δ 1,38. Este apresenta correlação no HMBC (3JCH) com a metila Me-21. Os deslocamentos químicos das metilas Me-18 e Me 19 foram reatribuídas com base nas correlações à longa distância observadas. Os hidrogênios da metila Me-19 apresentam correlação à longa distância com o C-10, C-9, C-1e C-5 e os hidrogênios da metila Me-18, apresentam correlação no HMBC com os carbonos C-12 e C-13 (Figura 6). Tabela 5. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a diidroniloticina 74. H-H δH-δH C-H δC-δH (J1) C-H H-1 – H-3 H-1 – H-3 H-2 – H-3 H-2 – H-3 H-5 – H-3 H-5 – H-6 H-5 – H-9 H-6 – H-7 H-6 – H-7 H-7 – H-9 H-9 – H-11 H-9 – H-12 H-11 – H-12 H-15 – H-16 H-16 – H-17 H-17 – Me-18 H-20 – H-23 H-22 – H-23 H-23 – H-24 1,66 – 3,24 1,73 – 3,24 1,55 – 3,24 1,64 – 3,24 1,56 – 3,24 1,56 – 2,19 1,56 – 2,19 1,96 – 5,26 1,96 – 5,26 5,26 – 2,19 2,19 – 1,51 2,19 – 1,53 1,51 – 1,53 1,45 – 2,10 2,10 – 1,38 1,38 – 0,94 1,60 – 3,57 1,40 – 1,60 3,57 – 2,66 C-1 – H-1 C-2 – H-2 C-3 – H-3 C-5 – H-5 C-6 – H-6 C-6 - H-6 C-7 – H-7 C-9 – H-9 C-11 – H-11 C-12 – H-12 C-15 – H-15 C-16 – H-16 C-16 – H-16 C-17 – H-17 C-18 – Me-18 C-19 – Me-19 C-20 – H-20 C-21 – Me-21 C-22 – H-22 C-23 – H-23 C-24 – H-24 C-26 – Me-26 C-27 – Me-27 C-28 – Me-28 C-29 – Me-29 C-30 – Me-30 37,3 – 1,73 27,8 – 1,64 79,3 – 3,24 53,4 – 1,56 24,0 – 1,96 24,0 – 2,19 118,11 – 5,26 49,1 – 2,19 18,2 – 1,51 33,8 – 1,53 34,1 – 1,45 28,9 – 2,04 28,9 – 2,10 50,8 – 1,38 19,9 – 0,94 13,2 – 0,74 33,7 – 1,60 20,1 – 1,32 40,9 – 1,40 69,4 – 3,57 68,7 – 2,66 25,0 – 1,33 27,8 – 0,97 21,9 – 0,81 14,9 – 0,86 27,3 – 0,98 C-1 – Me-19 C-3 – Me-29 C-4 – Me-29 C-5 – Me-28 C-5 – Me-19 C-6 – H-7 C-7 – H-15 C-7 – H-6 C-8 – H-9 C-8 – H-30 C-9 – H-7 C-9 – Me-19 C-10 – H-9 C-10 – H-1 C- 10 – H-1 C-10 – Me-19 C-12 – Me-18 C-13 – H-16 C-13 – Me-18 C-14 – Me-30 C-14 – H-7 C-15 – H-16 Me-21 – H-17 C-23 – H-24 C-24 – H-23 δC-δH (à longa distância) 37,3 – 0,74 79,3 – 0,86 39,0 – 0,86 53,4 – 0,81 53,4 – 0,74 24,0 – 5,26 118,1 – 1,45 118,1 – 2,19 145,7 – 2,19 145,7 – 0,98 49,1 – 5,26 49,1 – 0,74 35,0 – 2,19 35,0 – 1,66 35,0 – 1,73 35,0 – 0,74 33,8 – 0,94 43,7 – 2,10 43,7 – 0,94 51,3 – 0,98 51,3 – 5,26 34,1 – 2,10 20,1 – 1,38 69,4 – 2,66 68,7 – 3,57 83 21 23 18 24 12 19 1 3 HO 9 13 14 O 22 20 17 OH 26 25 27 16 10 4 7 5 30 6 28 29 Figura 6. Principais correlações heteronucleares observadas no HMBC para diidroniloticina. 84 4.1.3. Taraxerona 30 29 19 11 1 2 25 12 26 9 10 8 4 O 27 18 20 21 17 22 13 14 28 16 15 7 6 23 24 75 O triterpeno taraxerona (75), isolado da fração clorofórmica dos galhos de S. polyphylla, cujos dados de deslocamentos químicos de carbono estão na Tabela 6 foram atribuídos em comparação com deslocamentos químicos de RMN de 13 C e 1H anteriormente publicados (SAKURAI et al.,1986; SOUZA et al., 2001). Os deslocamentos químicos observados também foram confirmados através das correlações observadas em espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC (Tabela 7 e anexo pág. 187-190). O triterpeno 75 apresentou PF 220-221o C. As freqüências observadas no espectro de IV (anexo pág. 181) em 3048 e 1640 cm –1 são referentes à deformação axial C-H e entre carbonos da ligação dupla entre C-15 e C-16, respectivamente. A freqüência de absorção em 1709 cm-1 corresponde ao estiramento C=O de carbonila presente nesse triterpeno. 85 O espectro de massas de 75 apresentou [M]+ com m/z 424 (33 %) e as fragmentações em m/z 409 (22), 300 (99,5), 285 (74), 272 (15), 257 (12), 204 (100), 189 (34) e 133 (65) são condizentes com dados da literatura (SOUZA et al., 2001). . + . + . CH 3 O O m/z 409 m/z 424 . C15H24O . . . + + O m/z 204 (pico base) m/z 300 Esquema 23. Proposta para as principais fragmentações observadas no espectro de massas da taraxerona (75). 86 Os deslocamentos químicos de carbono e hidrogênio que estão apresentados na Tabela 6 foram atribuídos pela comparação com os dados anteriormente publicados para a taraxenona (SAKURAI et al.,1986; SOUZA et al., 2001). Tabela 6. Dados de RMN de 1H (200 MHz) e de 13 C (50 MHz) para a substância 75 em CDCl3 e dados publicados para a taraxerona na literatura1,2. δH Literatura1 (δC)a 1,90 m 38,4 2,58 (ddd; 7,1; 12,0; 15,8) 34,1 2,33 (ddd; 3,4; 6,1; 15,8) 217,7 217,3 3 48,8 47,6 4 55,9 1,31 (m) 55,8 5 20,1 1,60 (m) 20,0 6 35,2 1,40 (m) 35,2 7 37,9 38,9 8 48,9 1,01 (m) 48,7 9 35,8 37,6 10 17,5 1,62 (m) 17,5 11 36,8 1,33 (m) 35,8 12 1,40 (m) 37,7 37,7 13 157,3 157,6 14 117,3 5,56 (dd; 3,0; 8,1) 117,2 15 37,8 1,31 (m) 36,7 16 37,7 37,7 17 48,9 1,41 (m) 48,8 18 40,8 2,08 (dt; 3,0; 3,0; 12,3) 40,7 19 28,9 1,33 (m) 28,8 20 33,7 1,33 (m) 33,6 21 33,2 1,31 (m) 33,1 22 26,2 1,08 (s) 26,2 23 21,6 1,07 (s) 21,6 24 14,9 1,08 (s) 14,8 25 30,0 0,83 (s) 29,9 26 25,7 1,14 (s) 25,6 27 30,1 0,91 (s) 29,9 28 33,5 0,95 (s) 33,4 29 21,5 0,91 (s) 21,4 30 1 SOUZA et al. (2001); 2 SAKURAI et al. (1986) a Análise com campo magnético de 50 MHz em CDCl3. b Análise com campo magnético de 200 MHz em CDCl3. c Análise com campo magnétido de 50 MHz em CDCl3. ND = valores não determinados na literatura. Posição 1 2 δC 38,5 34,2 Literatura 1,2 (δH)b,c ND 2,5 (ddd;7,1; 11,6; 15,8)5 2,3 (ddd; 3,2; 6,3; 15,7)6 ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND 5,5 (dd; 3,3; 8,1) ND ND ND ND ND ND ND 1,05 (s) 1,04 (s) 1,05 (s) 0,80 (s) 1,11 (s) 0,88 (s) 0,93 (s) 0,88 (s) 87 No espectro de RMN 13C (HBBD e DEPT) podemos observar a presença de 8 metilas na molécula. Também foi observada a presença dos carbonos sp2 com sinais em δ 217, δ 157,6 e δ 117,3. O sinal em δ 217,7 refere-se à carbonila de cetona em C-3. O sinal em δ 157,6, característico de um carbono quaternário, foi atribuído ao carbono C-14. O sinal em δ 117,3, característico de um carbono insaturado apresenta correlação direta com o hidrogênio em δ 5,56. De acordo com a literatura (SAKURAI et al.,1986; SOUZA et al., 2001), o deslocamento químico do carbono em δ 117,3 é atribuído ao carbono em C-15. Os demais deslocamentos químicos observados foram atribuídos com base nos dados disponíveis anteriormente publicados (SAKURAi et al.,1986; SOUZA et al., 2001) e confirmados através dos espectros bidimensionais de HOMOCOSY, HMQC e HMBC descritos na Tabela 7. A Figura 7 apresenta as principais correlações heteronucleares C-H, à longa distância, observadas para 75. 29 21 19 22 12 1 25 13 17 9 28 2 O 5 6 7 15 23 Figura 7. Principais correlações heteronucleares C-H observadas no HMBC para taraxerona. 88 Tabela 7. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a taraxerona (75). H-H H-1 – H-5 H-1 – H-2 H-1 – H-2 H-2 – H-5 H-2 – H-5 H-5 – H-6 H-5 – H-7 H-7 – H-9 H-9 – H-12 H-11 – H-12 H-15 – H-19 H-16 – H-19 H-21 – H-22 δH-δH 1,90 – 1,31 1,90 – 2,33 1,90 – 2,58 2,33 – 1,31 2,58 – 1,31 1,31 – 1,60 1,31 – 1,40 1,40 – 1,01 1,01 – 1,40 1,62 – 1,40 5,56 – 2,08 1,31 – 2,08 1,33 – 1,31 C-H C-1 – H-1 C-2 – H-2 C-5 – H-5 C-6 – H-6 C-7 – H-7 C-9- H-9 C-11 – H-11 C-12 – H-12 C-15 – H-15 C-16 – H-16 C-18 – H-18 C-19- H-19 C-21 – H-21 C-22 – H-22 C-23 – H-23 C-24 – H-24 C-25 – H-25 C-26 – H-26 C-27 – H-27 C-28 – H-28 C-29 – H-29 C-30 – H-30 δC-δH (1J) 38,5 – 1,90 34,2 – 2,58 55,9 – 1,31 20,1 – 1,60 35,2 – 1,40 48,8 – 1,01 17,5 – 1,62 36,8 – 1,33 117,3 – 5,56 37,8 – 1,31 48,9 – 1,41 40,8 – 2,08 33,7 – 1,33 33,2 – 1,31 26,2 – 1,08 21,6 – 1,08 14,9 – 1,08 30,0 – 0,83 25,7 – 1,14 30,1 – 0,91 33,5 – 0,95 21,5 – 0,91 H-C H-1 – C-2 H-7 – C-6 H-9 – C-5 H-11 – C-9 H-12 – C-13 H-15 – C-16 H-16 – C-17 H-19 – C-17 H-22 – C-16 H-23 – C-5 H-24 – C-23 H-25 – C-5 H-26- C-9 H-28 – C-21 H-29 – C-21 δH-δC (2,3J) 1,90 – 34,2 1,40 – 20,1 1,01 – 55,9 1,62 – 48,9 1,33 – 37,7 5,56 – 37,8 1,31 – 37,7 1,40 – 37,7 1,31 – 36,8 1,08 – 55,9 1,07 – 26,2 1,08 – 55,9 0,83 – 48,9 0,91 – 33,7 0,95 – 33,7 89 4.1.4. 9-metoxi-cantin-6-ona 1 11 14 12 10 13 MeO 9 15 N N 8 O 2 6 16 4 5 35 O alcalóide 9-metoxi-cantinona (35) foi isolado na forma de cristais amarelos com PF 175-176 oC (Esquema 11, pág. 50). O espectro de massas (pág. 193) apresentou-se compatível com o descrito na literatura (GIESBRECHT, et al. 1980) com íon molecular [M]+ 250 m/z (100 %) e fragmentações com m/z 235 (1), 221 (21), 207 (32), 192 (4), 179 (17), 153 (9), 126 (6) e 125 (8). O pico base, com m/z 250, é atribuído à alta densidade eletrônica da molécula que estabiliza o íon molecular. 90 .+ - CO MeO N N MeO N N O . Me m/z 250 (pico base) +. O MeO N N O N m/z 207 H CHO .+ MeO N N m/z 221 Esquema 24. Proposta para as principais fragmentações de 9-metoxi-cantin-6-ona. N 91 O espectro de UV apresentou absorções com λmax (MeOH) nm (log ε) em 208 (2,36), 265 (0,77), 273 (1,02), 309 (0,35) e 355 (0,50) de acordo com a literatura (GIESBRECHT, et al. 1980). O espectro de RMN de 1H (pág. 192) sugere que a metoxila ligada à molécula esteja na posição 9, através das constantes de acoplamento entre os hidrogênios H-8 e H-10 de 2,4 Hz, indicando que os hidrogênios têm relação meta. Os hidrogênios H-10 e H-11 mostram constantes de acoplamento de 8,5 Hz, indicando uma relação orto. Além disso, no espectro de RMN 13 C pode-se observar que o carbono em C-8 tem deslocamento químico em δ 101,5 que é influenciado pelos efeitos dos substituintes em C-9 (ligado à metoxila) e em C-13 (ligado ao nitrogênio da posição 7) corroborando para a posição da metoxila em C9 (SILVERSTEIN, 2000). Os deslocamentos químicos de RMN de 1H e C13 são descritos na Tabela 8. Tabela 8. Deslocamentos químicos de RMN 1H e 13C observados para a 9-metoxi-cantin-6-ona (35). Posição δH (200 MHz) δC (50 MHz) δH (100 MHz)/ (literatura1) 1 7,83 (d; 5,2) 115,7 7,76 (d; 5,0) 2 8,75 (d; 5,2) 146,1 8,72 (d; 5,0) 4 8,00 (d; 10,0) 140,0 7,96 (d; 10,0) 5 6,94 (d; 10,0) 128,7 6,90 (d; 10,0) 6 159,9 8 8,18 (d; 2,4) 101,5 8,13 (d; 2,0) 9 162,7 10 7,06 (dd; 2,4; 8,5) 114,3 7,01 (dd; 7,0; 2,0) 11 7,93 (d; 8,5) 123,5 7,85 (d; 7,0) 12 117,3 13 141,4 14 130,7 15 132,5 16 135,8 OMe 3,98 (s) 56,1 *Espectro analisado em solução de CDCl3 e constantes de acoplamento J em Hz. 1 GIESBRECHT et al., 1980 92 A completa atribuição dos deslocamentos químicos dos hidrogênios e carbonos de 35 foi feita através da análise dos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC (Tabela 9) e comparação com dados da literatura. O deslocamento químico em δ 8,75 (J = 5,2 Hz) foi atribuído ao hidrogênio na posição C-2, vizinho ao nitrogênio pirimidínico na posição 3 e por isso, mais desprotegido (PRETSCH, et al. 2000; SILVERSTEIN, 2000; FRIEBOLIN, 1998). Este correlaciona no HMQC com o carbono em δ 146,1 e no HMBC com o carbono em δ 115,7 que foi atribuído ao carbono em C-1. No HMQC, este carbono correlaciona com o hidrogênio em δ 7,83 (J=5,2 Hz) que acopla em orto com H-2. O dubleto em δ 6,94 foi atribuído ao hidrogênio na posição C-5 que correlaciona no HOMOCOSY com o dubleto em δ 8,00. A constante de acoplamento de 10 Hz entre esses hidrogênios confirma que os hidrogênios estão na posição cis entre si. No HMQC, os sinais de hidrogênio em δ 6,94 e 8,00 correlacionam com os sinais de carbono em δ 128,7 e 140,0, respectivamente. No HMBC o sinal em δ 8,00 correlaciona com o sinal de carbonila em δ 159,9, característico de carbonila α,β-insaturada. Além dessas, as correlações à longa distância entre C-9 e os hidrogênios da metoxila e o hidrogênio H-10 com os carbonos C-12 e C-8, confirmam a estrutura como 9-metoxi-cantin-6-ona. A Figura 8 apresenta as principais correlações observadas no espectro de HMBC. 93 Tabela 9. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMQC para a substância 35. H-H H1-H2 H4-H5 H8-H-10 H10-H11 δH-δH 7,83-8,75 8,00-6,94 8,18-7,06 7,06-7,93 δH-δC (1J) 7,83-115,7 8,75-146,1 8,00-140,0 6,94-128,7 8,18-101,5 7,06-114,3 7,93-123,5 3,98-56,1 H-C H1-C1 H2-C2 H4-C4 H5-C5 H8-C8 H10-C10 H11-C11 H(MeO)-MeO 11 13 MeO 15 N N 9 8 δC-δH (2,3J) 115,7-8,75 146,1-7,83 159,9-8,00 101,5-7,06 162,7-8,18 162,7-3,98 162,7-7,93 117,3-7,06 117,3-7,83 141,4-8,18 141,4-7,93 132,5-8,00 132,5-7,83 135,8-8,75 1 12 10 C-H C1-H2 C2-H1 C6-H4 C8-H10 C9-H8 C9-H(MeO) C9-H11 C12-H10 C12-H1 C13-H8 C13-H11 C15-H4 C15-H1 C16-H2 4 O 6 Figura 8. Principais correlações C-H à longa distância, observadas para 35. 94 4.1.5. Ácido 7-metoxi- (9H-β-carbolin-1-il)-(Z)- prop-2-enóico. 5 4 4b 4a 6 N 9 7 MeO 3 8a 8 N H 9a 2 1 3' 2' OH 1' O 76 O fracionamento cromatográfico da fração SPGC10.128 por CLAE preparativa (Esquema 12) resultou no isolamento de 3,0 mg de um sólido amareloavermelhado (SPGC2.147) com tempo de retenção em 21,06 minutos. SPGC2.147 apresenta fluorescência amarelo-esverdeada quando dissolvida em solvente orgânico. A análise em CCD da substância apresentou teste positivo para alcalóides, quando revelado com reagente de Dragendorff. O espectro de IV (anexo pág. 202) dessa substância apresentou uma banda larga de absorção em 3460 cm-1 indicando presença de grupamento OH, freqüência de estiramento C-H de carbono sp2 em 3063 cm-1, em 2925 e 2855 cm1 de estiramento C-H de alifáticos, deformação axial de carbonila α,β-insaturado em 1673 cm-1, freqüência em 1634 e 1661 cm-1 de estiramento de ligação dupla entre carbonos. No UV (MeOH) com λmax (log ε), apresentou absorções em 204 (0,91), 210 (1,23), 220 (0,62), 309 (0,20) e 351 (0,28). 95 Os deslocamentos químicos observados nos espectros de RMN de 1H e 13C são descritos na tabela 10. As atribuições dos carbonos e hidrogênios da molécula foram realizadas nas correlações observadas nos espectros bidimensionais HOMOCOSY, HMQC e HMBC e com base em dados da literatura (FACUNDO, et al. 2002, GIESBRECHT et al., 1980). Tabela 10. Deslocamentos químicos de RMN1H (500 MHz) e RMN13C (125 MHz) observados para (76) e correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY e HMBC (em CDCl3). Posição 1 3 4 5 6 7 8 4a 4b 8a 9a 1’ 2’ 3’ OMe OH δC 133,3 142,7 115,9 124,4 115,2 164,0 101,4 132,0 116,2 142,0 132,2 158,8 130,8 136,0 56,2 - δ H (m, J (Hz)) 8,80 (sl) 7,91 (sl) 7,99 (d, 8,0) 7,10 (d, 8,0) 8,22 (s) 6,99 (d, 9,0) 8,09 (d, 9,0) 3,91 (s) 12,2 (s) HOMOCOSY (H-H) 7,91 8,80 7,10 7,99 8,09 6,99 - HMBC (J2,3) 164,0; 142,0 142,0; 115,2 136,0 - Os deslocamentos químicos observados são bastante similares aos observados para a 9-metoxi-cantin-6-ona. Entretanto, no espectro de IV, foi observada uma banda em 3460 cm-1 indicando a presença de grupamento hidroxila. O hidrogênio em δ 7,10 (J = 8,0 Hz) acopla com o hidrogênio em δ 7,99 (J = 8,0 Hz), acoplamento orto, característico do anel A de cantinonas. 96 Com base em dados da literatura (GIESBRECHT et al., 1980; ARISAWA et al., 1983; MITSUNAGA et al., 1994) de alcalóides do tipo cantinona, os sinais em δ 8,80 e δ 7,91 foram atribuídos aos hidrogênios nos carbonos C-3 e C-4, respectivamente. Além das constantes de acoplamento observadas, as correlações heteronucleares C-H à longa distância do hidrogênio em δ 7,99 com o sinal de carbono em δ 164,0 confirma a posição da metoxila na posição 7. Esse hidrogênio está em posição orto em relação ao hidrogênio em δ 7,10. O singleto largo em δ 8,22 é atribuído ao hidrogênio na posição C-8. Os dubletos em δ 6,99 e em δ 8,09, com constante de acoplamento de 9,0 Hz, indicam a presença de uma ligação dupla com configuração cis, nas posições C-2’ e C-3’ (C-5 e C-4 para cantinonas), respectivamente (GIESBRECHT et al., 1980 KARDONO et al., 1991). O sinal observado em δ 12,2 é característico de hidrogênio de um grupo carboxílico e assim, sugere-se que SPGC2.147 seja o novo alcalóide, ácido 7metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76)1. Essa proposta é corroborada pela presença de uma banda em 3460 cm-1, no espectro de IV, devido à presença de grupamento hidroxila. O espectro de RMN 13 C revelou a presença de 15 carbonos dos quais foi observado a presença de uma metoxila em δ 56,2 e 7 carbonos metínicos na região acima de δ 100 característico de carbonos aromáticos que foram confirmados pelo espectro de DEPT 135. 1 Nomenclatura seguindo guia IUPAC por PANICO, et al. (2002) 97 Os deslocamentos químicos de SPGC2.147 foram comparados com o alcalóide similar, o ácido 3-(9H-b-carolin-1-il)-(Z)-2-propenóico, isolado de Zanthoxylum rugosum (FACUNDO, et al. 2002). O espectro de massas de 76, não apresentou íon molecular, indicando perda de H2O e fragmentações de m/z 250 (100), 221 (10), 207 (9), 178 (6). O pico base de m/z 250 observado deve-se à perda da molécula de água (M+-18) que provavelmente gera o íon correspondente à 9-metoxi-cantin-6-ona, mostrado no esquema a seguir. . + MeO N H HOOC . H2O + N MeO N N O m/z 250 Esquema 25. Proposta de fragmentação de 76 para formação do pico base de m/z 250. 98 4.2. Isolamento e identificação das substâncias isoladas dos galhos de Simaba guianensis subsp. ecaudata Cronquist. 4.2.1. Óxido de cariofileno A separação cromatográfica da fração 1-12 do extrato hexânico dos galhos de Simaba guianensis subsp. Ecaudata (Esquema 17), resultou no isolamento de 103,0 mg de uma substância incolor identificada como óxido de cariofileno (77). 12 O 4 6 7 3 5 2 9 1 13 11 15 10 14 77 O espectro de EM (anexo pág. 214) da substância 77 apresentou o íon molecular com m/z de 220 (M+), e as seguintes fragmentações: 205 (4), 177 (10), 149 (14), 121 (33), 93 (79), 79 (95), 69 (61) e 41 (100), compatíveis com dados da literatura (KREBS, RAKOTOARIMANGA e HABERMEHL, 1990). 99 . + . O O O + m/z 41 (pico base) m/z 220 Me . O + O m/z 69 m/z 69 m/z 205 . . + O O .+ O + m/z 177 m/z 220 Esquema 26. Proposta para as principais fragmentações do óxido de cariofileno no EM. 100 O espectro de IV (anexo pág. 213) mostrou as seguintes absorções: em 3066 cm-1, indicando estiramento C-H de carbonos insaturados, 2950, 2932 e 2861 cm-1 (estiramento C-H de carbonos saturados), 1629 cm-1 referentes ao estiramento C=C. As análises dos espectros de RMN 1H e 13C e bidimensionais HOMOCOSY, HMQC e HMBC permitiram confirmar a substância SNGH2.33 como sendo o óxido de cariofileno. Os deslocamentos químicos da substância são apresentados na Tabela 11 (KREBS, RAKOTOARIMANGA e HABERMEHL, 1990). Tabela 11. Deslocamentos químicos por RMN 1H (300 MHz) e RMN13 (75 MHz) em CDCl3 do óxido de cariofileno (77). C m δC δH (m; J(Hz)) δ C1 50,9 CH 1,75 (t; 9,6; 9,4) 50,9 1 30,3 CH2 1,29 (sl) 30,3 2 39,3 CH2 2,10 (m); 1,08 (d; 5,7) 39,3 3 59,6 C 59,6 4 63,9 CH 2,86 (dd; 3,9; 10,5) 63,7 5 29,9 CH2 2,10(m); 2,29 (m) 29,9 6 30,0 CH2 2,10 (m); 2,30 (m) 30,0 7 151,9 C 151,9 8 48,8 CH 2,60 (m) 48,8 9 39,9 CH2 1,60 (d; 2,2) 39,9 10 34,0 C 34,0 11 17,1 CH3 1,18 (s) 17,0 12 27,3 CH3 0,99 (s) 27,3 13 21,8 CH3 0,97 (s) 21,9 14 112,9 CH 4,85(d; 1,32); 4,96 (d; 1,32) 112,9 15 1 KREBS, RALOTOARIMANGA e HABERMEHL (1990) – 75 MHz e em CDCl3. 101 Tabela 12. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC para a substância (77). H-H δH-δH C-H δC-δH (J1) C-H H1 - H2 H2 - H3 H3 - H3 H3 - H2 H3 - H1 H5 – H6 H5 - H7 H9 – H10 H12 – H3 H15 – H9 1,75 – 1,29 1,29 – 2,10 1,08 – 2,10 1,08 – 1,29 2,10 – 1,75 2,86 – 2,29 2,86 – 2,30 2,60 – 1,60 0,99 – 2,10 4,96 – 2,60 C1 - H1 C2 - H2 C3 - H3 C3 - H3 C5 - H5 C6 - H6 C6 - H6 C7 - H7 C7 - H7 C9 - H9 C10 - H10 C12 - H12 C13 - H13 C14 - H14 C15 - H15 C15-H15 50,9 – 1,75 30,3 – 1,29 39,3 – 2,10 39,3 – 1,08 63,9 – 2,86 29,9 – 2,10 29,9 – 2,29 30,06 – 2,108 30,06 – 2,30 48,8 – 2,60 39,9 – 1,60 17,15-1,18 27,36 – 0,99 21,8 – 0,97 112,9 – 4,85 112,9 – 4,96 C1 - H2 C1 - H3 C2 - H1 C5 - H6 C5 - H6 C5 - H12 C6 - H5 C6 - H7 C7 - H6 C7 - H6 C7 - H9 C9 - H10 C9 - H15 C11 - H1 C11 - H10 C11 - H13 C11 - H14 C12 - H3 C13 - H14 C14 - H13 C15 - H7 Foi observada, no espectro de RMN 13 δC-δH (à longa distância) 50,9 – 1,29 50,9 – 1,08 30,3 - 1,75 63,9 - 2,101 63,9 - 2,29 63,9 - 1,18 29,9 - 2,86 29,9 - 2,108 30,0 - 2,29 30,0 – 2,101 30,0 – 2,60 48,8 – 1,60 48,8 – 4,91 34,0 – 1,75 34,0 – 1,60 34,0 – 0,99 34,0 – 0,97 17,15 – 1,08 27,3-0,97 21,8 – 0,99 112,9-2,109 C, a presença de dois carbonos sp2 através dos deslocamentos químicos em δ112,9 e δ151,9. Os deslocamentos químicos dos hidrogênios em δ 4,85 e 4,96 são característicos de ligação dupla terminal. O espectro HMQC mostra que estes hidrogênios estão ligados ao carbono em δ 112,9. Os sinais observados em δ 59,6 e δ 63,9 são característicos de carbonos ligados a um oxigênio. O espectro de IV não indica a presença de hidroxila na molécula. Estes carbonos pertencem a uma função epóxido. 102 4.2.2. Piscidinol A O fracionamento cromatográfico do extrato hexânico dos galhos de S. guianensis subsp. ecaudata resultou em 69 frações. A fração 64-69 foi submetida a uma coluna cromatográfica utilizando como eluente o sistema gradiente da mistura Hex/AcOEt. Esse procedimento resultou no isolamento de 164,7 mg de uma substância com PF = 198-200 oC e [α]d = -62,1o (DCM; c 0,024), identificada como Piscidinol A (78). Essa mesma substância foi isolada da fração 7 (Esquema 18), por MPLC em fase reversa C-18. 21 22 OH 25 23 18 24 OH 12 11 19 1 2 3 10 8 27 16 14 15 7 30 4 O OH 17 9 26 5 6 28 29 78 O triterpeno piscidinol A (78) mostrou no espectro de IV absorções principais em 3570 e 3374 cm-1 de estiramento O-H, 2881 a 2982 cm-1 de estiramento C-H de alifáticos e 1697 cm-1 intenso, sugerindo estiramento de carbonila de cetona. O espectro de massas de 78 (pág. 225) apresentou íon m/z 476 [M+2]+ e fragmentações com m/z 457 (21), 441 (19), 398 (11), 384 (22), 369 (100), 365 (13), 351 (18), 325 (33), 205 (20) e 59 (35). As fragmentações observadas 103 apresentam compatibilidade com os dados da literatura (GRAY et al 1988 e TINTO et al 1991). a .+ OH .+ b H OH OH O a O O m/z 474 m/z 384 O . Me b O .+ H H OH O O O H2O m/z 369 (pico base) .+ O O m/z 398 Esquema 27. Proposta para as principais fragmentações de Piscidinol A no espectro de massas. A estrutura do triterpeno 78 foi confirmada através da análise dos espectros de RMN 1H, 13 C e bidimensionais HOMOCOSY, HMQC, HMBC e NOESY, e 104 comparação com dados da literatura (GRAY et al., 1988; TINTO et al., 1991). Os deslocamentos químicos de RMN 1H e 13C são apresentados Tabela 13 (espectros – anexos pág. 226-236). Tabela 13. Deslocamentos químicos de RMN 1H (300 MHz) e 13 C (75 MHz) em CDCl3 observados para SNGH1.159 e comparação com Piscidinol A. 1 δC 38,5 2 34,9 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 217,0 47,8 52,3 24,3 117,9 145,7 48,4 35,0 18,3 33,8 13 14 15 43,5 51,2 34,0 16 28,4 17 18 19 20 21 22 53,8 22,0 12,8 33,7 18,9 40,5 23 24 25 26 27 28 29 30 OH 69,7 75,0 74,3 27,4 26,2 24,5 21,6 27,4 - δH (m, J em Hz) 1,40 (m) 1,96 (m) 2,20 (t; 3,3; 3,9) 2,71 (dd; 5,4; 14,4) 1,73 (m) 2,06(m) 5,29 (dd; 3,3; 10,5) 2,25 (m) 1,51 (m)/ 1,62 (m) 1,82 (m) 1,45 (m) 1,47 (m) 2,00 (m) 1,48 0,81 (s) 1,00 (s) 1,34 (m) 0,91 (d; 6,0) 1,18 (m) 1,84 (m) 4,09 (m) 3,15 (d; 8,1) 1,30 (s) 1,28 (s) 1,03 (s) 1,10 (s) 0,99 (s) 2,82 (sl) 2,78 (sl) Tinto et al, 19911, Gray et al, 19882 a Em CDCl3 – 100 MHz b Em CDCl3 – 400 MHz c Em CDCl3 δC 1,a 38,47 34,88 217,09 47,83 52,24 24,29 117,86 145,70 48,38 34,95 18,09 33,70 43,46 51,13 33,93 28,40 53,73 21,99 12,75 33,59 18,84 40,33 69,66 74,87 74,30 27,35 26,23 24,88 21,55 27,35 - δH 1,b 1,47 1,91 2,25 2,76 1,72 2,09 5,31 2,27 1,57 1,63 1,82 1,46 1,50 1,31 2,00 1,49 0,82 1,01 1,39 0,92 1,19 1,88 4,12 3,16 1,32 1,30 1,05 1,11 1,02 δH2,c 1,97 (ddd; 13; 5,7; 3,2) 2,23 (dt; 14,6; 3,2) 2,74 (td; 14,6; 5,7) ND 2,23/2,10 5,30 (td; 3,3; 3,0) 2,10 (m) ND ND ND ND ND 0,99 (s) 0,81(s) ND 0,91 (d; 6,3) 1,25 (m) 4,10 (td; 8,7; 4,1) 3,15 (d; 8,7) 1,31 (s) 1,29 (s) 1,10 (s) 1,00 (s) 1,10 (s) 2,62 (d; 8,7) 2,58 (d; 4,1) 2,57 (s) 105 Os deslocamentos químicos observados nos espectros de 78 apresentam semelhança com triterpenos do tipo tirucalano. Inicialmente, foram realizadas atribuições com base em dados de triterpenos tirucalano encontrados na literatura (GRAY et al., 1988; TINTO et al., 1991). O espectro de RMN 13 C de 78 indica a presença de uma insaturação entre os carbonos C-7 (δ 117,9) e C-8 (δ 145,7) e uma carbonila em C-3 (δ 217,0), típicos de esqueleto tirucalano. O sinal em δ 117,9 apresenta correlação no espectro de HMQC com o hidrogênio em δ 5,29. As atribuições dos sinais de carbono e hidrogênios vizinhos a esses foram realizadas com auxílio dos espectros bidimensionais HOMOCOSY e HMBC (Tabela 14). Os sinais em δ 69,7, δ 74,3 e δ 75,0 são característicos de carbono carbinólico (ligado à hidroxila). Os sinais δ 69, 7 e δ 75,0 correlacionam com os sinais de hidrogênio em δ 4,09 e δ 3,15, respectivamente. O sinal δ 74,3 é correspondente a carbono quaternário. A correlação à longa distância deste carbono com o hidrogênio em δ 3,15, sugere que as hidroxilas estejam ligadas aos carbonos C-24 (δ 75,0) e C-25 (δ 74,3). A correlação homonuclear entre δ 4,09 e δ 3,15 indica que o primeiro refere-se ao hidrogênio na posição C-23. 106 Tabela 14. Correlações observadas nos espectros de HOMOCOSY, HMQC e HMBC para Piscidinol A. H-H δH-δH C-H δC-δH (J1) C-H H-1 – H-1 H-1 – H-2a H-1 – H-19 H-1 – H-2e H-1 – H-2a H-2e – H2a H-5 – H-6 H-5 – H-11 H-6 – H-7 H-6 – H-9 H-9 – H-11 H-9 – H-12 H-11 – H-12 H-12 – H-12 H-15 – H-16 H-16 – H-17 H-16 – H-20 H-17 – H-21 H-19 – H-11 H-20 – H-21 H-20 – H-22 H-22 – H-22 H-22 – H-23 H-22 – H-23 H-23 - OH H-24 - OH 1,40 – 1,96 1,40 – 2,71 1,40 – 1,00 1,96 – 2,20 1,96 – 2,71 2,20 – 2,71 1,73 – 2,06 1,73 – 1,51 2,06 – 5,29 2,06 – 2,25 2,25 – 1,51 2,25 – 1,82 1,51 – 1,82 1,82 – 1,62 1,45 – 2,00 2,00 – 1,48 2,00 – 1,34 1,48 – 0,91 1,00 – 1,51 1,34 – 0,91 1,34 – 1,84 1,18 – 1,84 1,18 – 4,09 1,84 – 4,09 4,09 – 2,78 3,15 – 2,78 C-1 – H-1 C-1 – H-1 C-2 – H-2a C-2 –H-2e C-5 – H-5 C-6 – H-6 C-7 – H-7 C-9 – H-9 C-11 – H-11 C-12 – H-12 C-12 – H12 C-15 – H-15 C-16 – H-16 C-16 – H-16 C-17 – H-17 C-18 – H-18 C-19 – H-19 C-20 – H-20 C-21 – H-21 C-22 – H-22 C-22 – H-22 C-23 – H-23 C-24 – H-24 C-26 – H-26 C-27 – H-27 C-28 – H-28 C-29 – H-29 C-30 – H-30 38,5 – 1,40 38,5 – 1,96 34,9 – 2,71 34,9 – 2,20 52,3 – 1,73 24,3 – 2,06 117,9 – 5,29 48,4 – 2,25 18,3 – 1,51 33,8 – 1,62 33,8 – 1,82 34,0 – 1,45 28,4 – 1,47 28,4 – 2,00 53,8 – 1,48 22,0 – 0,80 12,8 – 1,00 33,7 – 1,34 18,9 – 0,91 40,5 – 1,18 40,5 – 1,84 69,7 – 4,09 75,0 – 3,15 27,43 – 1,30 26,2 – 1,28 24,5 – 1,03 21,6 – 1,10 27,4 – 0,99 C-1 - H-19 C-2 – H-19 C-3 – H-28 C-3 – H-2e C-3 – H-2a C-4 – H-5 C-4 – H-28 C-4 – H-29 C-5 – H-6 C-5 – H-7 C-5 – H-28 C-5 – H-29 C-6 – H-5 C-6 – H-7 C-6 – H-29 C-7 – H-6 C-7 – H-9 C-8 – H-6 C-8 – H-9 C-9 – H-7 C-10 – H-1 C-10 – H-5 C-11 – H-12 C-11 – H-12 C-12 – H-11 C-12 – H-18 C-13 – H-16 C-13 – H-18 C-14 – H-30 C-20 – H-21 C-22 – H-21 C-22 – H-23 C-22 – H-24 C-23 – H-22 C-23 – H-24 C-24 – H-23 C-25 – H-26 C-27 – H-26 C-29 – H-5 C-29 – H-28 C-30 – H-15 δC-δH (à longa distância) 38,5 – 1,00 34,9 – 1,00 217,0 – 1,03 217,0 –2,21 217,0 – 2,71 47,8 – 1,73 47,8 – 1,03 47,8 – 1,10 52,3 – 2,06 52,3 – 5,29 52,3 – 1,03 52,3 – 1,10 24,3 – 1,73 24,3 – 5,29 24,3 – 1,10 117,9 – 2,06 117,9 – 2,25 145,7 – 2,06 145,7 – 2,25 48,7 – 5,29 35,0 – 1,96 35,0 – 1,73 18,3 – 1,62 18,3 – 1,82 33,8 – 1,51 33,8 – 0,80 43,1 – 2,00 43,1 – 0,80 51,2 – 0,99 33,7 – 0,91 40,5 –0,91 40,5 – 4,09 40,5 – 3,15 69,7 – 1,84 69,7 – 3,15 75,0 – 4,09 74,3 – 1,30 26,2 – 1,30 21,6 – 1,73 21,6 – 1,03 27,4 – 1,45 107 OH OH OH O Figura 9. Principais correlações C-H observadas no HMBC para piscidinol A A análise do espectro de NOESY (Tabela 15) permitiu confirmar a posição das hidroxilas na cadeia lateral através das correlações dos sinais de hidrogênio em δ 1,34 e δ 3,15, nas posições C-20 e C-24, respectivamente. O hidrogênio em δ 1,34 também está correlacionado com o hidrogênio em δ 4,09, na posição C-23. As principais correlações observadas no espectro de NOESY são apresentadas na figura 10. OH OH H OH a O Figura 10. Principais correlações observadas no espectro de NOESY para piscidinol A 108 Tabela 15. Correlações observadas no espectro bidimensional de NOESY de Piscidinol A. H-H H-2 – H19 H-5 – H- 9 H-6 – H-7 H-7 – H-15 H-15 – H-16 H-18 – H-9 H-18 – H-17 H-19 – H-12 H-20 – H-16 H-20 – H-24 H-21 – H-12 H-21 – H-15 H-21 – H-22 H-21 – H-23 H-22 – H-22 H-23 – H-26 H-23 – H-20 H-26 – H-16 H-28 – H-6 H-29 – H-6 H-30 – H-6 δH - δH 2,71 – 1,00 1,73 – 2,25 2,06 – 5,29 5,29 – 1,45 1,45 – 2,00 0,80 –2,25 0,80 – 1,48 1,00 –1,82 1,34 – 2,00 1,34 – 3,15 0,91 – 1,62 0,91 – 1,45 0,91 – 1,18 0,91 – 4,09 1,18 – 1,84 4,09 – 1,30 4,09 – 1,34 1,30 – 2,00 1,03 – 2,06 1,10 – 2,06 0,99 – 2,06 109 4.2.3. Alcalóides do tipo cantinona de S. guianensis subesp. ecaudata. 4.2.3.1. 9-metoxicantin-6-ona. A separação por cromatográfica da fração 7 (Esquema 18), resultou no isolamento de um alcalóide (SNGC1.146) identificado como 9-metoxicantin-6-ona (35), anteriormente isolado dos galhos de S. polyphylla (pág 88). Os espectros obtidos apresentam-se em anexo. Os dados dos deslocamentos químicos observados por RMN, de espectros de massa e freqüências no IV são todos característicos da 9-metoxicantin-6-ona. 4.2.3.2. 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)- prop-2-enóico 5 MeO 6 4 4b 4a 3 N 9 7 8a 8 N H 9a 2 1 COOH 3' 2' 1' 79 Junto com a 9-metoxicantin-6-ona foi isolado um outro sólido amarelo mais escuro, solúvel em MeOH, que se decompõe a 232 oC, e que através de análise em CCD deu teste positivo para alcalóides, com o reagente de Dragendorff. O espectro de IV apresenta uma banda intensa em 3447 cm-1, característico de presença de grupamento hidroxila, freqüências de estiramento C- 110 H de carbono insaturado em 3096 e 3021 cm-1, freqüências de estiramento de carbonila α,β-insaturada em 1660 cm-1, estiramento C=C em 1619 cm-1 e uma freqüência intensa de deformação angular característica de substâncias aromáticas em 837 cm-1. O espectro de UV (MeOH) apresentou λmax (log ε) em 206(3,00), 216 (1,81), 309 (0,40) e 355 (0,56). No espectro de RMN1H é observado um sinal em δ 3,90 que correlaciona no HMQC com o sinal em δ 56,5, sendo característico de uma metoxila. O hidrogênio em δ 7,74 correlaciona com o carbono em δ 102,1, no HMQC e acopla em relação meta com o hidrogênio em δ 6,96. Esse acopla em relação orto com o hidrogênio em δ 7,89 e correlaciona no HMBC com o sinal em δ 164,3 no HMBC. Esse carbono corresponde ao carbono ligado à metoxila pois também correlaciona à longa distância com o hidrogênio em δ 3,90. Esses deslocamentos químicos mostram-se característicos de alcalóides tipo cantinona onde a metoxila está ligada ao anel A do alcalóide (ARISAWA, et al. 1983). Apesar de não ser observado sinal de hidrogênio acima de δ 12,0, o espectro de IV mostra a presença de função hidroxila na molécula através da banda em 3447 cm-1. Assim, sugere-se que SNGC2.146 seja um alcalóide β-carbolínico com carbonila α,β-insaturada de ácido. 111 O sinal de hidrogênio em δ 6,88 correlaciona com o hidrogênio em δ 7,93 no espectro de HOMOCOSY e apresenta constante de acoplamento em 9,5 Hz, sugerindo que este esteja em posição cis em relação ao hidrogênio em δ 7,93. Esse mesmo hidrogênio em δ 6,88 apresenta correlação no HMBC com o carbono em δ 160,3 que corresponde à carbonila da molécula. Os deslocamentos químicos de hidrogênio e carbono são descritos na Tabela 16, juntamente com as correlações correspondentes observadas à longa distância no espectro de HMBC e dados da literatura para 10-metoxi-cantin-6-ona que apresenta deslocamentos químicos parecidos com SNGC2.146 (ARISAWA, et al. 1983). Tabela 16. Deslocamentos químicos de RMN 1H (500 MHz), RMN 13 C (125 MHz) e correlações à longa distância observadas no espectro de HMBC para a substância (79) (em MeOD). Posição δC δ H (m, J (Hz)) HMBC (J2,3) δ H de 481 4 117,4 7,94 (d, 5,0) 145,3; 133,0 7,64 (d, 5,0) 3 145,3 8,62 (sl) - 8,65 (d, 5,0) 3’ 134,4 7,93 (d, 9,5) - 7,89 (d, 9,8) 2’ 130,3 6,88 (d, 9,5) 160,3; 134,4 6,83 (d, 9,8) 1’ 160,3 - - - 8 125,4 7,89 (d, 8,5) 142,4; 117,8 7,74 (d, 8,5) 7 115,1 6,96 (dd, 8,5, 2,0) 164,3; 102,1 6,91 (dd, 2,4; 8,5) 6 164,3 - - 5 102,1 7,74 (d, 2,0) 164,3; 142,4; 115,1; 7,97 (d, 2,4) 117,8 1 4b 117,8 - - - 8a 142,4 - - - 4a 133,0 - - - 9a 132,5 - - - 1 134,4 - - - OMe 56,5 3,90 (s) 164,3 3,91 (s) Arisawa et al (1983) – analisado em CDCl3 (60 MHz). 112 Os deslocamentos químicos observados sugerem a posição da metoxila em C-6, através das constantes de acoplamento entre os hidrogênios H-7 (2,0 Hz) e H-5 (2,0Hz) e ainda o acoplamento com relação orto do hidrogênio H-7 (8,5 Hz) com H-8 (8,5 Hz). As correlações heteronucleares C-H à longa distância entre o hidrogênio H-7 e C-6, H-5 e C-6 sugerem SNGC2.146 como 6-metoxi-(9H-βcarbolin-1-il)-(Z)-2-propenóico, isolado pela primeira vez como um produto natural. O espectro de massas apresenta as fragmentações com m/z de 250 (100), 235 (7), 221 (30), 207 (54), 192 (19), 179 (57) e 153 (27). A ausência do íon molecular no espectro de massas pode ser devido à perda de molécula de água durante a fragmentação da molécula gerando o pico base de m/z 250. 113 4.3. Quantificação de 9-metoxi-cantin-6-ona em extratos e frações dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. O alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona foi isolado das frações clorofórmicas dos galhos das espécies, Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. Embora tenha sido isolado em pequenas quantidades, esse alcalóide é conhecido por apresentar forte atividade citotóxica em ensaios in vitro contra células tumorais tipo MCF-7 (câncer de mama) e A-549 (câncer de pulmão) nas concentrações de 4,5 e menor que 2,5 µg/mL, respectivamente (KUO et al. 2003). Decidiu-se então pela realização da quantificação desse alcalóide por cromatografia líquida de alta eficiência em diferentes extratos dessas duas espécies. A análise quantitativa dessa substância em diferentes extratos foi realizada com o intuito de comparar a eficiência de diferentes solventes na extração desse alcalóide. No caso dos extratos aquosos, a quantificação foi realizada na espécie S. polyphylla, pois a mesma é utilizada na medicina tradicional, na forma de chás, para o combate às febres (CAVALCANTE, 1983; MESQUITA-SAAD e CABRAL, 1997). O padrão da substância 9-metoxi-cantin-6-ona foi facilmente isolado das frações clorofórmicas, com o emprego de técnicas cromatográficas e recristalização, com um bom grau pureza, conforme descrito no capítulo 3. Esta substância passou a servir como padrão. 114 A Figura 11 apresenta o cromatograma do padrão analisado, nas condições de análise, com tempo de retenção médio em torno de 20 minutos. 0,0015 0,0010 0,0015 Detector A - 1 (254nm) SPGC-1.2c SPGC_1_02c Retention T im e 0,0010 0,0005 0,0000 0,0000 -0,0005 -0,0005 -0,0010 -0,0010 -0,0015 -0,0015 2,5 5,0 7,5 10,0 12,5 15,0 17,5 20,0 22,5 25,0 27,5 30,0 32,5 Volts Volts 21,308 0,0005 35,0 Minutes Figura 11. Cromatograma de 9-metoxi-cantinona com tr de 21,3 minutos. 4.3.1. Análise dos extratos metanólicos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. Inicialmente foram analisados os extratos metanólicos (1,0 mg/mL) de ambas as espécies. A presença de 9-metoxi-cantin-6-ona não foi detectada nas análises preliminares desses extratos, devido a sua baixa concentração nos mesmos. Para que a detecção do padrão, na análise por CLAE fosse possível, foi necessário então realizar um tratamento de cada amostra através de extração em fase sólida (EFS), utilizando cartuchos de Sep pak de fase reversa da Waters (Esquema 20). Foram obtidas três frações. A primeira, eluída com 10 mL de 115 solução MeOH/H2O (1:1) contendo as substâncias polares, a segunda, eluída com 2 mL de solução MeOH/AcOEt (7:3), contendo o analito e a terceira, eluída com 10 mL de solução MeOH/AcOEt (7:3) para obtenção de outras substâncias lipofílicas. As três frações obtidas através do tratamento por EFS para cada extrato foram analisadas por CLAE e foi possível então detectar a 9-metoxi-cantin-6-ona na fração eluída com mistura MeOH/AcOEt (7:3) (Figuras 12 e 13). 0,14 Detector A - 1 (254nm) SPGM1.22 SPGM_1_22 Detector A - 1 (254nm) SPG1.166 SPG_1_166 Detector A - 1 (254nm) SPG-2.166 SPGM_2_166 Detector A - 1 (254nm) SPG3.166 0,14 SPG3_166 0,12 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 Volts Volts 9-metoxi-cantin-6-ona 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 0,00 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 12,5 15,0 17,5 20,0 22,5 25,0 27,5 30,0 32,5 35,0 Minutes Figura 12. Cromatogramas dos extratos metanólicos dos galhos de Simaba polyphylla; SPGM_1_22 corresponde ao extrato metanólico sem tratamento por EFS, as demais após tratamento por EFS: SPG_1_166 (verde) à fração eluída com 10 mL MeOH/H2O (1:1) (constituintes polares), SPGM_2_166 (vermelho) à fração eluída com 2 mL de MeOH/Oac (7:3) (fração com cantinona), SPG3_166 (azul) à fração eluída com 10 mL de MeOH/OAc (7:3) (fração apolar). 116 Volts 0,12 Detector A - 1 (254nm) SNG3.166 SNG3_166 Detector A - 1 (254nm) SNG2.166 SNG_2_166 Detector A - 1 (254nm) SNG1.166 0,12 SNG1_166 0,10 0,10 0,08 0,08 9-metoxi-cantin-6-ona 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 0,00 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 12,5 15,0 17,5 20,0 22,5 25,0 27,5 30,0 32,5 Volts Detector A - 1 (254nm) SNGM1.22 SNGM_1_22 35,0 Minutes Figura 13. Cromatogramas dos extratos metanólicos dos galhos de Simaba guianensis subesp. ecaudata; SNGM_1_22, corresponde ao extrato metanólico sem tratamento por EFS, as demais após tratamento por EFS: SNG3_166 (verde) à fração eluída com 10 mL MeOH/H2O (1:1) (constituintes polares), SNG_2_166 (vermelho) à fração eluída 2 mL de MeOH/OAc (7:3) (fração com cantinona), SNG1_166 (azul) à fração eluída com 10 mL de MeOH/OAc (7:3) (fração apolar). A confirmação do pico identificado como sendo correspondente a 9-metoxicantin-6-ona, para cada extrato ou fração, foi realizada, a partir da co-injeção dos extratos analisados com o padrão. Na Figura 14 são apresentados sobrepostos, o cromatograma da fração analisada do extrato metanólico e o respectivo cromatograma obtido após a co-injeção de S. polyphylla. O mesmo procedimento foi realizado para a espécie S. guianensis. 117 Detector A - 1 (254nm) SPG-2.166 SPGM_2_166 0,015 Detector A - 1 (254nm) SPG-2.166p SPGM_2_166p 0,015 0,010 0,005 0,005 0,000 0,000 Volts Volts 0,010 0 5 10 15 20 25 30 35 Minutes Figura 14. Cromatogramas da fração obtida por EFS do extrato metanólico dos galhos de S. polyphylla: SPG-2.166 (azul) – eluída com MeOH/AcOEt (7:3); SPG-2.166p (vermelho) – com adição de padrão. 4.3.2. Análise dos extratos aquosos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata. Os extratos aquosos dos galhos (1,0 mg/mL) de S. polyphylla e S. guianensis foram inicialmente analisados por CLAE, sem tratamento prévio e nesses extratos não foi detectada a presença de 9-metoxi-cantin-6-ona nas condições de análise utilizadas. Para que o padrão 9-metoxi-cantin-6-ona fosse detectado nesses extratos, preparou-se então os extratos aquosos das espécies na concentração de 5,0 mg/mL. A presença da cantinona nos extratos a 5,0 mg/mL também não foi observada, e então, esses extratos foram submetidos a um tratamento por EFS (Esquema 21) que resultaram em quatro frações que foram analisadas em CLAE. A análise das frações eluídas com 1,0 mL de MeOH/AcOEt 118 (7:3), confirmou a presença de 9-metoxi-cantin-6-ona nas mesmas. Essas frações foram utilizadas na análise quantitativa nos extratos aquosos (Figuras 15 e 16). 0,05 Detector A - 1 (254nm) SPGA-1 SPGA_1 Detector A - 1 (254nm) SPGA-2 SPGA_2 Detector A - 1 (254nm) SPGA-3b SPGA_3b 0,05 Detector A - 1 (254nm) SPGA-4 SPGA_4 0,04 0,04 0,03 0,03 0,02 0,02 0,01 0,01 0,00 0,00 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 12,5 15,0 17,5 20,0 22,5 25,0 27,5 30,0 32,5 Volts Volts 9-metoxi-cantin-6-ona 35,0 Minutes Figura 15. Cromatogramas das frações de EFS obtidas do extrato aquoso dos galhos de Simaba polyphylla; SPGA_1 (preto) - fração 1 eluída com 10 mL de H2O; SPGA-2 (verde) - fração 2 eluída com 10 mL de MeOH/H2O (1:1); SPGA_3b (vermelho) - fração 3 eluída com 1 mL do sistema MeOH/AcOEt (7:3); SPGA-4 (azul) - fração 4 eluída com 10 mL de lavagem com MeOH/AcOEt (7:3). 119 Volts 0,150 Detector A - 1 (254nm) SGEGA-2 SGEGA__2 Detector A - 1 (254nm) SGEA-3 SGEGA_3 Detector A - 1 (254nm) SGEGA-4 0,150 SGEGA__4 0,125 0,125 0,100 0,100 9-metoxi-cantin-6-ona 0,075 0,075 0,050 0,050 0,025 0,025 0,000 0,000 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 12,5 15,0 17,5 20,0 22,5 25,0 27,5 30,0 32,5 Volts Detector A - 1 (254nm) SGEGA-1 SGEGA__1 35,0 Minutes Figura 16. Cromatogramas das frações de EFS obtidas do extrato aquoso dos galhos de S. guianensis subsp. ecaudata. SGEGA_1 (preto) - fração 1 eluída com 10 mL de H2O; SGEGA-2 (verde) - fração 2 eluída com 10 mL de MeOH/H2O (1:1); SGEGA_3 (vermelho) - fração 3 eluída com 1 mL do sistema MeOH/AcOEt (7:3); SGEGA-4 (azul) - fração 4 eluída com 10 mL de lavagem com MeOH/AcOEt (7:3). A identificação do pico com tempo de retenção médio de 21,1 minutos como sendo de 9-metoxi-cantin-6-ona foi realizada através do método da coinjeção de padrão (Figura 17). 120 Volts 0,02 Detector A - 1 (254nm) SNGA-3p SNGA_3p 0,02 0,01 0,01 0,00 0,00 0 5 10 15 20 25 30 Volts Detector A - 1 (254nm) SGEA-3 SGEGA_3 35 Minutes Figura 17. Cromatogramas da fração 3 do extrato aquoso de Simaba guianensis subsp. ecaudata com (vermelho) e sem co-injeção (azul) de padrão 9-metoxicantin-6-ona. 4.3.3. Análise das frações clorofórmicas dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis. As frações clorofórmicas dos galhos das espécies S. polyphylla e S. guianensis foram inicialmente analisadas por CLAE nas mesmas condições que os extratos aquosos e metanólicos. As concentrações das frações analisadas previamente foram de 1,0 mg/mL em metanol. Para essas frações não foi necessário um tratamento, uma vez a 9-metoxi-cantin-6-ona pode ser detectada nessas condições de análise. 121 Novamente a confirmação do pico correspondente a 9-metoxi-cantin-6-ona nas frações analisadas foi feita pelo método da co-injeção (Figuras18 e 19). Detector A - 1 (254nm) SPGC1.46 SNGC_1_046 0,04 Volts Volts 0,04 Detector A - 1 (254nm) SPGC1.46p SNGC_1_046p 0,02 0,02 0,00 0,00 0 5 10 15 20 25 30 35 Minutes Figura 18. Cromatogramas da fração clorofórmica de S. polyphylla com (vermelho) e sem coinjeção (azul) de padrão 9-metoxicantin-6-ona. Volts 0,08 Detector A - 1 (254nm) SNGC1.54p SNGC_1_054p 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 0,00 0 5 10 15 20 25 30 Volts Detector A - 1 (254nm) SNGC1.54 SNGC_1_054 35 Minutes Figura 19. Cromatogramas da fração clorofórmica de Simaba guianensis subsp. ecaudata com (vermelho) e sem co-injeção (azul) de padrão 9-metoxicantin-6-ona. 122 4.3.4. Curva de calibração e quantificação das amostras. A quantificação de 9-metoxi-cantin-6-ona foi realizada pelo método do padrão externo, a partir de uma curva de calibração obtida pela injeção de diferentes concentrações do padrão, em CLAE, nas mesmas condições de análise utilizadas para os extratos e frações das duas espécies estudadas. Os valores das concentrações das soluções do padrão (faixa de concentração) foram definidos com base nos resultados das áreas correspondentes ao pico da 9-metoxi-cantin-6-ona nas frações obtidas por EFS dos extratos aquosos. As concentrações das soluções do padrão foram analisadas em triplicata, e as áreas médias obtidas estão descritas na Tabela 17. A curva de calibração foi obtida por regressão linear do gráfico de áreas médias versus concentrações do padrão (Figura 20). Tabela 17. Áreas médias correspondentes às soluções padrão de 9-metoxi-cantin-6-ona. Concentração Área Desvio Coeficiente de Variação (µg/mL) média padrão (%) 0,0625 3389 195 5,74 0,1250 5996 308 5,13 0,2500 11754 477 4,06 0,5000 22968 66 0,29 1,0000 46695 937 2,01 123 50000 y = 46604x 2 R = 0,9997 45000 40000 35000 Área 30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 0,0000 0,2000 0,4000 0,6000 0,8000 1,0000 1,2000 C (ug/mL) Figura 20. Curva de calibração do alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona a 254 nm. A curva de calibração obtida apresentou excelente linearidade (expresso em R2), na faixa de concentrações analisadas. A precisão de análise (expresso em CV %) pode ser considerada aceitável, em virtude das concentrações analisadas. Algumas amostras foram diluídas para que os valores das concentrações de 9-metoxi-cantin-6-ona pudessem ser obtidos na faixa de concentração em que a curva de calibração foi obtida. As frações obtidas por EFS dos extratos metanólicos foram diluídas pela metade e as frações clorofórmicas, que não foram submetidas a nenhum tratamento, foram preparadas na concentração de 0,125 mg/mL. Todas as amostras foram analisadas em duplicata e em seguida calculouse o valor médio das áreas obtidas para cada amostra. A Tabela 18 apresenta os valores obtidos. 124 Tabela 18. Valores das áreas médias e concentrações dos extratos e frações de S. polyphylla e S. guianensis, obtidos por análise em CLAE. Amostra Áreas médias Desvio padrão CV (%) C (µg/mL) SPGA – 3a 6.778 416 6,14 0,1454 SGEGA-3a 12.414 491 3,95 0,2664 SPGM.2.166b 29.975 272 0,91 0,6432 SNGM.2.166b 33.068 1167 3,53 0,7096 SPGC-0125c 24.626 403 1,64 0,5284 SGEGC-0125c 36.149 2234 6,18 0,7757 a Frações resultantes do tratamento dos extratos aquosos por EFS. b Frações resultantes do tratamento dos extratos metanólicos por EFS e diluídas à metade. c Frações clorofórmicas dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis na concentração de 0,125 mg/mL. Para se obter o valor da concentração de 9-metoxi-cantin-6-ona nos diferentes extratos e frações inicialmente preparados foi necessário multiplicar os valores obtidos das amostras analisadas pelo respectivo fator de correção. Para os extratos metanólicos, que na análise por CLAE foram diluídos pela metade, multiplicou-se o valor obtido na curva por 2 para obter o valor da concentração do padrão em 1,0 mg/mL de extrato. No caso dos extratos aquosos, partiu-se inicialmente de 10 mL de extrato na concentração de 5,0 mg/mL. No tratamento por EFS foi coletado 1,0 mL da fração eluída com MeOH/AcOEt (7:3) contendo o analito, ou seja, a concentração do padrão nesses extratos foi aumentada cerca 125 de 10 vezes. Logo, o fator de correção utilizado para calcular o valor da concentração de padrão em 5,0 mg/mL de extrato foi a multiplicação por 0,10. Tabela 19. Valores de concentração de 9-metoxi-cantin-6-ona nas diferentes soluções de extratos aquosos e metanólicos de S. polyphylla e S. guianensis subsp. ecaudata. Amostra Amostras analisada Fator Amostra final C (µg/mL) de correção C (µg/mL) 0,1454 0,10 0,014 0,2664 0,10 0,027 0,6432 2 1,27 0,7096 2 1,42 Extrato aquoso dos galhos de S. polyphylla (5,0 mg/mL) Extrato aquoso dos galhos de S. guianensis (5,0 mg/mL) Extrato metanólico dos galhos de S. polyphylla (1,0 mg/mL) Extrato metanólico dos galhos de S. guianensis (1,0 mg/mL). A quantidade de 9-metoxi-cantin-6-ona presente nos diferentes extratos e frações analisados foi finalmente expresso em termos percentuais (peso cantinona/peso seco de extrato ou fração) (Tabela 20) para fins de comparação. 126 Tabela 20. Relação percentual de 9-metoxi-cantinona presente nos extratos e frações dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis. Amostra Relação p/p (%) Extrato aquoso de S. polyphylla 0,00029 Extrato aquoso de S. guianensis 0,00053 Extrato metanólico de S. polyphylla 0,13 Extrato metanólico de S. guianensis 0,14 Fração clorofórmica de S. polyphylla 0,42 Fração clorofórmica de S. guianensis 0,62 A 9-metoxi-cantin-6-ona nestas concentrações não apresenta citotoxicidade. Como citado anteriormente a concentração em que 9-metoxicantin-6-ona apresenta atividade citotóxica é de 2,0 a 4,5 µg/mL (KUO et al. 2003). Para que os extratos aquosos apresentassem atividade citotóxica seria necessário que este alcalóide estivesse presente em concentrações em torno de 100 a 200 vezes maiores. . Os extratos metanólicos e frações clorofórmicas apresentam maiores quantidades de 9-metoxi-cantin-6-ona. Esses resultados já eram esperados devido a menor polaridade de 9-metoxi-cantin-6-ona, que é extraída com maior facilidade com solventes orgânicos tais como metanol e clorofórmio. 127 4.4. Avaliação da citotoxicidade in vitro dos extratos e frações de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata. Os ensaios de atividade citotóxica dos extratos e frações de galhos e folhas de S. polyphylla e S. guianensis foram realizados como parte de um “screening” inicial para a determinação do potencial antitumoral das espécies em estudo. Esses extratos e frações foram preparados preliminarmente antes do fracionamento cromatográfico. O extrato hexânico, obtido para fracionamento, também foi submetido à avaliação da citotoxicidade junto com os extratos e frações inicialmente preparados para esse fim. Para análise dos resultados obtidos, o percentual de crescimento celular (%G) foi calculado comparando a absorbância do teste com o controle (100%), tempo-zero (0%) e os padrões de paclitaxel e etoposídeo (120 µg/mL), (-100%). As frações foram classificadas, para cada linhagem testada, em: - SA, sem atividade; - PA: com pouca atividade (inibição de até 50% do crescimento); - MO: com moderada atividade para aquelas que provocaram inibição entre 50% e 75% do crescimento; - MA: com muita atividade para aquelas que provocaram inibição maior que 75% do crescimento. As Tabelas 21 e 22 apresentam os resultados obtidos com as amostras de Simaba polyphylla e S. guianensis nas diferentes linhagens de células tumorais 128 (MDA – MB – tumor de mama humano; B16 – Melanoma de pele – murino; HCT-8 – tumor de cólon humano). Tabela 21. Citotoxicidade dos extratos e frações obtidos dos galhos e folhas de Simaba polyphylla na concentração de 120 µg/mL. Amostras MDA-MB B16 HCT8 Extrato hexânico dos galhos (SPG 1.4) MA MA (8x) MA Extrato aquoso dos galhosa MO MA (2x) SA Extrato (MeOH) dos galhosb SA MA MA (9x) Fração hexânica. dos galhosb MO MA (5x) PA Fração cloroformica dos galhosb MA MA (7x) MO Fração AcOEt dos galhosb MA MA (5x) PA Fração hidroalcoólica dos galhosb MO SA SA Extrato aquoso dos galhosb SA SA SA Extrato aquoso dos galhosc SA SA SA Extrato aquoso das folhasc SA SA MO Extrato metanólico das folhasc SA SA PA a Extração com água quente dos galhos após maceração em hexano. b Extratos e frações do espécime 2 (SP-2; Esquema 5). c Extratos obtidos do espécime 1 (SP-1, Esquema 4 e 6). 129 Tabela 22. Citotoxicidade dos extratos e frações obtidos dos galhos e folhas de S. guianensis subesp. ecaudata na concentração de 120 µg/mL. Amostras MDA-MB B-16 HCT-8 Extrato hexânico dos galhos (SNG 1.4) MO MA (6x) MA Extrato aquoso dos galhosa MA SA SA Extrato aquoso dos galhosb SA SA SA Extrato metanólico dos galhosb SA SA SA Fração hexânica dos galhosb MO MA (5x) MO Fração clorofórmica dos galhosb MO MA (7x) MO Fração AcOEt dos galhos PA MA (6x) PA Fração hidroalcóolica dos galhosb MA MA (5x) PA Extrato aquoso dos galhosb SA SA SA Extrato aquoso das folhasc SA SA SA Extrato metanólico das folhasb SA SA SA Extrato metanólico das folhasc SA SA PA a Fração obtida por extração em água quente após maceração em hexano. b Extratos e frações do espécime 2 (SSN-2 – Esquema 13). c Extratos do espécime 1 (SSN-1 – Esquema 14). 130 Os extratos e as frações lipofílicas de ambas as espécies apresentaram atividade, enquanto que os aquosos não apresentaram atividade citotóxica. Entretanto, observou-se que os extratos aquosos dos galhos passaram a apresentar atividade quando extraídos após maceração com hexano. No caso do extrato aquoso dos galhos de S. polyphylla, observa-se uma atividade moderada contra células MDA-MB e um aumento significativo de até duas vezes mais ativo que o controle positivo utilizado nos ensaios, contra melanoma. O extrato aquoso dos galhos de S. guianensis, obtido após maceração com hexano, passou a apresentar atividade significativa apenas com células tumorais de mama, não apresentando atividade com as outras linhagens testadas. Provavelmente, a extração com hexano, remove a barreira lipofílica, que impediria uma melhor extração em água quente dos constituintes mais polares. Observa-se também que os extratos dos galhos apresentam maior atividade do que os extratos das folhas. No caso de Simaba guianensis os extratos metanólicos e aquosos das folhas não apresentaram atividade para as três linhagens de células testadas. Os extratos hexânicos dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis apresentaram atividade significativa em todas as linhagens de células testadas, principalmente frente às células B-16, com atividades maiores que os controles positivos. O extrato hexânico de S. polyphylla apresenta atividade 8 vezes maior que os padrões e S. guianensis 6 vezes maior. O fracionamento do extrato hexânico de S. polyphylla resultou no isolamento de dois triterpenos citotóxicos niloticina (63) e diidroniloticina (64). 131 Dados na literatura, mostram que a niloticina apresenta CI50 = 1,5 µg/mL contra células P388 e CI50 = 8,3 µg/mL contra células KB. Já a diidroniloticina apresenta CI50 = 20 µg/mL e 0,55 µg/mL contra células P388 e KB, respectivamente (ITOKAWA, KISHI e TAKEIA, 1992). O extrato hexânico de Simaba guianensis resultou no isolamento do triterpeno piscidinol A (67) cuja atividade citotóxica também foi descrita no mesmo trabalho (ITOKAWA, KISHI e TAKEIA, 1992) com CI50 = 1,2 µg/mL e 5,0 µg/mL contra células P388 e KB, respectivamente. A forte atividade desses extratos pode ser explicada pela considerável quantidade isolada desses três triterpenos. Dos extratos metanólicos testados, o extrato metanólico dos galhos de S. polyphylla apresenta atividade significativa em B-16 e é bastante ativo contra células HCT-8 com atividade cerca de 9 vezes maior que os padrões utilizados nos ensaios. O extrato metanólico das folhas dessa espécie apresenta uma pequena atividade somente com células HCT-8. Apesar de o extrato metanólico dos galhos dessa espécie não ter apresentado atividade contra células MDA-MB, observou-se considerável atividade das frações obtidas por partição desse extrato. Nas células B-16 observou-se que houve significativo aumento da atividade para o extrato hexânico e frações obtidas por partição do extrato metanólico, sendo todos 5 a 7 vezes mais ativos que os padrões. O mesmo não foi observado para células de cólon. Enquanto o extrato metanólico dos galhos de S. polyphylla foi mais ativo que os padrões, observou-se que as frações obtidas por partição do mesmo apresentaram atividade moderada a pouca atividade. 132 Os extratos metanólicos de S. guianensis, por sua vez, não apresentaram atividade citotóxica. No entanto, as frações geradas por partição mostraram atividade frente às três linhagens de células. Como em S. polyphylla, todas as frações foram 5 a 7 vezes mais ativas que os padrões em células de melanoma de pele. A atividade citotóxica observada nos extratos metanólicos e frações clorofórmicas dos galhos de S. polyphylla e também de S. guianensis pode ser atribuída aos alcalóides tipo cantinona. No geral, pode-se observar que a espécie S. polyphylla apresenta-se mais ativa que a espécie S. guianensis e que os princípios ativos estão presentes nos galhos dessas espécies. A atividade citotóxica dos extratos é maior frente às células de melanoma do que às células tumorais de mama e de cólon. 133 4.5. Avaliação da atividade larvicida em Aedes aegypti e citotóxica em microcrustáceos Artemia franciscana. Antes do fracionamento cromatográfico para isolamento dos constituintes químicos, foram preparados extratos e frações dos galhos e folhas de S. polyphylla e S guianensis segundo o método utilizado para o banco de extratos do Laboratório de Princípios Ativos da Amazônia no INPA (Parte experimental, Esquemas 6, 7, 8, 13, 14 e 15). Esses foram submetidos a um screening de atividade citotóxica em microcrustáceos A. franciscana e de atividade larvicida contra Aedes aegypti (POHLIT, et al. 2004). Os resultados de atividade dos extratos e frações dos galhos e folhas de Simaba polyphylla e S. guianensis contra A. franciscana e Aedes aegypti são descritos nas tabelas 23 a 26. Tabela 23. Atividade citotóxica em Artemia franciscana (Af) e larvicida em Aedes aegypti (Aa) de extratos de galhos de folhas de Simaba polyphylla. Amostra Af (%) CL50 Af (µg/mL) Aa (%) CL50 Aa (mg/mL) 4,25 87 191 ± 72 100 323 ± 38 2,88 0 - 0 - 4,62 98 200 ± 19 87 119 ± 16 2,68 0 - 0 - ND 0 - 0 - 16,5 0 - 0 - Teor de extrativos (%) Extrato MeOH Galhos (SP-1) Extrato aquoso gahos (SP-1) Extrato MeOH galhos (SP-2) Extrato aquoso galhos (SP-2) Extrato MeOH (folhas) Extrato aquoso (folhas) ND = Não determinado 134 Tabela 24. Atividade citotóxica (Artemia franciscana – Af) e larvicida (Aedes aegypti – Aa) das frações obtidas por partição dos galhos de Simaba polyphylla. Frações Teor de extrativos (%) Af (%) Aa (%) Hexânica (SP-1) 5,7 37 37 Hexãnica (SP-2) 5,8 64 17 Clorofórmica (SP-1) 38,5 84 44 Clorofórmica (SP-2) 40,8 87 44 AcOEt (SP-1) 6,3 0 0 AcOEt (SP-2) 7,8 0 0 Hidroalcoólica (SP-1) 29,8 24 0 Hidroalcoólica (SP-2) 31,7 20 0 Os resultados apresentados nas tabelas 23 e 24 demonstram que as atividades citotóxica e larvicida concentraram-se somente nos extratos metanólicos dos galhos de S. polyphylla. Das frações obtidas por partição dos extratos metanólicos dos galhos, observa-se que somente as frações mais lipofílicas apresentaram atividade significativa. As frações obtidas por partição, dos extratos metanólicos das folhas não apresentaram atividade. 135 Tabela 25. Atividade citotóxica em Artemia franciscana (Af) e larvicida em Aedes aegypti (Aa) de extratos de galhos de folhas de Simaba guianensis subesp. ecaudata. Amostra Af (%) CL50 Af (µg/mL) Aa (%) CL50 Aa (mg/mL) 3,31 74 249 ± 52 100 - 2,56 0 - 0 - 3,63 47 - 70 471 ± 44 2,74 0 - 0 - 19,25 0 - 0 - 11,0 0 - 0 - Teor de extrativos (%) Extrato MeOH Galhos (SSN-1) Extrato aquoso gahos (SSN-1) Extrato MeOH galhos (SSN-2) Extrato aquoso galhos (SSN-2) Extrato MeOH (folhas) Extrato aquoso (folhas) Tabela 26. Atividade citotóxica (Artemia franciscana – Af) e larvicida (Aedes aegypti – Aa) das frações obtidas por partição dos galhos de S. guianensis. Frações Teor de extrativos (%) Af (%) Aa (%) Hexânica (SSN-1) 4,2 80 24 Hexãnica (SSN-2) 4,3 10 20 Clorofórmica (SSN-1) 22,8 84 64 Clorofórmica (SSN-2) 24,1 40 0 AcOEt (SSN-1) 14,0 0 0 AcOEt (SSN-2) 10,7 0 0 Hidroalcoólica (SSN-1) 35,7 7 0 Hidroalcoólica (SSN-2) 50,6 0 0 136 Como para a espécie Simaba polyphylla, na espécie S. guianensis, as atividades citotóxica e larvicida são mais concentradas nos extratos metanólicos dos galhos, enquanto que os extratos aquosos destes e os extratos das folhas não apresentam atividade. Nas frações obtidas por partição dos extratos metanólicos dos galhos, as atividades citotóxica e larvicida são mais significativas nas frações lipofílicas. Os resultados obtidos nesses ensaios contribuíram para o direcionar o fracionamento cromatográfico das espécies em estudo com o objetivo de isolar os princípios ativos existentes. Entretanto, no caso de atividade larvicida contra Aedes aegypti, nenhuma das substâncias isoladas tanto dos galhos de S. polyphylla quanto S. guianensis apresentou atividade. 137 5. Conclusões O estudo fitoquímico das espécies Simaba polyphylla e Simaba guianensis subesp. ecaudata foram realizados com base em alguns ensaios de atividade citotóxica com células antitumorais e microcrustáceos de Artemia franciscana. As substâncias isoladas dos galhos das espécies em estudo apresentam citotoxicidade descritas na literatura (ITOKAWA, et al. 1992, KUO et al.,2003). O isolamento de triterpenos tetracíclicos do tipo tirucalano com insaturação na posição C-7, como registrado nesse trabalho, é comum em espécies da família Simaroubaceae, visto que triterpenos dessa classe são precursores de quassinóides1, os principais marcadores quimiotaxonômicos dessa família. A presença de alcalóides do tipo cantinona também é comum em espécies da família em estudo. Os triterpenos niloticina (3), diidroniloticina (4), taraxerona (5) e o alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona (2) são descritos pela primeira vez na espécie Simaba polyphylla. O triterpeno Piscidinol A e o alcalóide 9-metoxi-cantin-6-ona também são descritos pela primeira vez na espécie Simaba guianensis subesp. ecaudata. Os alcalóides 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-2-propenóico e 6-metoxi9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-2-propenóico, isolados de Simaba polyphylla e Simaba guianensis, respectivamente, são registrados pela primeira vez como produtos naturais. A análise quantitativa por CLAE, de constituintes químicos isolados de plantas é uma ferramenta de grande auxílio não somente para a verificação dos componentes de uma planta como para a validação da mesma quando utilizada 138 tradicionalmente na medicina popular, através da análise da concentração de princípios ativos em produtos naturais uma vez que o teor desses quando avaliado, podem ser comparados com os valores de concentração em que apresentam determinada atividade biológica. A quantificação de 9-metoxi-cantin-6ona nos extratos e frações dos galhos de S. polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata demonstra que a concentração desse alcalóide citotóxico não é significativa para conferir toxidez aos extratos aquosos dessas espécies. Entretanto, para a validação dessas espécies para uso tradicional na medicina popular é necessário um estudo mais aprofundado sobre outros possíveis constituintes citotóxicos presentes nas espécies estudadas. A avaliação da citotoxicidade in vitro dos extratos e frações de S. polyphylla e S. guianensis revelou que os extratos orgânicos são potencialmente citotóxicos enquanto que os aquosos não apresentam citotoxicidade ou esta não é muito significativa. Também foi observado que os extratos e frações de Simaba polyphylla são mais ativos que os de Simaba guianensis. Apesar de os extratos metanólicos dos galhos de Simaba polyphylla e S. guianensis subesp. ecaudata demonstrarem atividade significativa no “screening” em larvas de Aedes aegytpi, nenhuma das substâncias isoladas apresentou atividade larvicida em A. aegytpi. 139 6. Referências bibliográficas ANDERSON, M. M., O’NEILL, M. J., PHILLIPSON, J. D., E WARHURST, D. C. In vitro citotoxicity of a series of quassinoids from Brucea javanica fruits against KB Cells. Planta Medica, v.57, p. 62-64, 1991. ARISAWA, M.; KINGHORN, A. D.; CORDELL; G. A.; FARNSWORTH; N. R. 6αSenecioyloxychaparrin, a New Antileukemic Quassinoid from Simaba multiflora. Journal of Natural Products, v. 46, p. 218-221, 1983. ARISAWA, M.; KINGHORN, A. D.; CORDELL; G. A.; FARNSWORTH; N. R. Plant Anticancer Agents XXIV. Alkaloids Constituents of Simaba multiflora. Journal of Natural Products, v. 46, p. 222-225, 1983. ARISAWA, M.; FUJITA, A.; MORITA, N. et al. Plant Anticancer Agents XXXV. Further Constituents of Simaba multiflora. Planta medica, v. 51, p. 348-349, 1985. ARISAWA, M.; FUJITA, A.; MORITA, N. et al.Triterpenes from Simaba multiflora. Phytochemistry, v. 26, n. 12, p. 3301-3303, 1987. BENTHAN, G; HOOKER, J. Simaroubeae. In: Genera Plantarum. Vol. 1. Londres, Ed. Lovell Reeve & Co., 1862 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and sistematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p.263-289, 1992. 140 BROWN, G. D. The biosynthesis of steroids and triterpenoids. Natural Products Reports, v.15, p. 653-696, 1998. BUCHANAN, B. B., GRUISSEM, W.; JONES, R. L. Biochemistry and Molecular Biology of Plants. Rockville, Courier Companies. 2002. pp. 1367. CABRAL, J. A. Biological and Chemical Evaluation of Cajurana [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. CABRAL, J. A.; MCCHESNEY, J. D.; MILHOUS, W. K. A New Antimalarial Quassinoid from Simaba guianensis. Journal of Natural Products, v. 56, n. 11, p. 1954-1961, 1993. CARTER, C. A. G.; TINTO; W. F.; REYNOLDS W. F.; MCLEAN, S. Quassinoids from Quassia multiflora: Structural Assingnmens by 2D NMR Spectroscopy. Journal of Natural Products, v. 56, no. 1, p. 130-133, 1993. CAVALCANTE, P. B. Revisão taxonômica do gênero Simaba Aubl. (Simaroubaceae) na América do Sul. Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi. 1983. pp. 85. CRONQUIST, A. An Integrated System of Classification or Flowering Plants. New York, Columbia University Press, 1981 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. 141 Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. CRONQUIST, A. The Evolution and Classification of Flowering Plants. New York, New York Botanical Gardens, 2a. edição, 1988 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. DAHLGREN, R. M. T. A revised system of classification of the angiosperms. Botanical Journal of the Linnean Society, v. 80, p. 91-124, 1980 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. DAHLGREN, G. The last Dahlgrenogram, system of classification of dicotyledons. In: The Davis and Hedge Festschrift: Plant Tasonomy, Phytogeography and Related Subjects. Ed. K. Tan., Edinburgh, Edinburgh University Press, p. 249260, 1989 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263289, 1992. DEWICK, P. M. Medicinal Natural Products. A Biosynthetic Approach. Chichester, John Wiley & Sons Ltd, 2a. edição, pp. 507. 2002. 142 DUTRA, N. N.; ALVES, H. M.; CARVALHO, M. G.; BRAZ-FILHO, R.; Constituintes químicos de Simaba obovata Spruce, Química Nova, v. 15, n. 1, p. 10-14. ENGLER, A. Simarubaceae. In: MartiusC. F. P. Flora Brasiliensis, v. 12, n. 2. p. 197-248, 1874 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. ENGLER, A. Simarubaceae. In: Die Naturlichen Planzenfamilien. Eds. A. Engler and K. Prantl, 1a. edição, v. 4, p. 202-230, Engelman: Leipzig, 1896 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. ENGLER, A. Simarubaceae In: Die Naturlichen Planzenfamilien. Eds. A. Engler and K. Prantl, 2a. edição, v. 19a, p. 359-405, Engelman: Leipzig, 1931 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. FACUNDO, V. A.; MORAIS, S. M.; SOUZA, R. T.; BRAZ-FILHO, R. Chemical Constituients from Zanthoxylum rugosum A. St. Hill & Tul from Northeastern Brazil. Revista Latinoamericana de Quimica, v. 30, n. 2, p. 61-67, 2002. 143 FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. FERNANDO, E. S.; GADEK, P. A.; QUINN, C. J. Simaroubaceae, an artificial construct: Evidence from rbcL sequence variation. American Journal of Botany, v. 82, n.1, p. 92-103, 1995. FLORES-SÁNCHEZ, I.; ORTEGA-LÓPEZ, J.; MONTES-HORCASITAS, M. C.; RAMOS-VALDIVIA, A. C. Biosynthesis of Sterols and Triterpenes in Cell Suspension Cultures of Uncaria tomentosa. Plant Cell Physiology, v. 43, n. 12, p. 1502-1509, 2002. FRIEBOLIN, H. Basic one- and two-dimensional NMR spectroscopy. Viernheim, Wiley-VCH, 3a. ed., 1998. GIESBRECHT, A. M.; GOTTLIEB, H. E.; GOTTLIEB, O. R. et al. Canthinones from Simaba cuspidata. Phytochemistry, v. 19, p. 313-315, 1980. GRAUCKLER, K. Botanical-Pharmacognostic Investigation on Drugs of a South American Remedy of Snake Bite and Fever. Arch. Pharm., 1935, 273, p. 497-506 apud CABRAL, J. A. Biological and Chemical Evaluation of Cajurana [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. 144 GRAY, A. I.; BHANDARI, P.; WATERMAN, P. G. New Protolimonoids from the Fruits of Phellodendron chinese. Phytochemistry, v. 21, n. 6. p. 1805-1808, 1988. GUNDERSEN, A. Families of Dicotyledons. Chronica Botanica, Waltham, 1950 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. HAYNES, H. F.; NELSON; E. R.; PRICE; J. R. Alkaloids of the Australian Rutaceae: Pentaceras australis Hook. F. Australian Journal of Scientific Research, Serie A: Physical Sciences., v. A5, p. 768-781, 1952 HALL, I.; LEE, K. H., IMAKURA, Y. et al. Anti-inflammatory agents III: structureactivity relationships of brusatol and related quassinoids. Journal of Pharmaceutical Sciences, v. 72, n. 11, p. 1282-1284. 1983 apud SARAIVA, R. C. G. Estudo fitoquímico de Picrolemma sprucei Hook e doseamento dos princípios ativos nos chás do caule e raiz. 2001, 89p. Dissertação (Mestrado em Química de Produtos Naturais) – Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas. HITOTSUYANAGI, Y.; OZEKI, A.; ITOKAWA, H. et al. Cedronolactone E, a Novel C19 Quassinoid from Simaba cedron. Journal of Natural Products, v. 64. p. 15831584, 2001. 145 HUTCHINSON, J. The Families of Flowering Plants, I. Dicotyledons. 2a edição, Ed. Clarendon Press, Oxford, 1959 apud FERNANDO, E. S; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. HUTCHINSON, J. The Families of Flowering Plants. 3a ed., Ed. Clarendon Press, Oxford, 1973 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. ITOKAWA, H.; KISHI, E.; MORITA, H.; TAKEYA, K. Cytotoxic Quassinoids and Tirucallane-Type Triterpenes from the Woods of Eurycoma longifolia. Chemical and Pharmaceutical Bulletin, v. 40, n. 4, p. 1053-1055, 1992. JACOBS, H.; LEWIS, J. F.; SAWYER, J. F.; MCLEAN, S. Cedronin and 7epicedronin: x-Ray Crystal Structure Analysis. Journal of Natural Products. v 50, p. 700-705. 1987 apud CABRAL, J. A. Biological and Chemical Evaluation of Cajurana [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. KAMPERDICK, C.; LIEN, T. P.; ADAM G.; SUNG, T. V. Apotirucallane and tirucallane triterpenoids from Luvunga sarmentosa. Journal of Natural Products, v. 66, n. 5, p. 675-768, 2003. 146 KARDONO, B. S. L.; ANGERHOFER, C. K.; TSAURI, S. et al. Cytotoxic and Antimalarial Constituients of The Roots of Eurycoma longifolia. Journal of Natural Products, v. 54, n. 5., p. 1360-1367, 2001. KREBS, H. C.; RAKOTOARIMANGA, J. V.; HABERMEHL, G. G. Isolation of Spatulenol and (-)-Caryophyllene Oxide from Vernonia mollissima Don and 1H and 13 C Reassignment by Two-Dimensional NMR Spectroscopy. Magnetic Resonance in Chemistry, v. 28, p. 124-128, 1990. KREBS, K. G.; RUBER, H. E. Substances Contained in the Seeds of Simaba cedron Planchon. I. Cedrol. Arzneimittel-Fortsch, v. 10, p. 500-505. 1960 apud CABRAL, J. A. Biological and Chemical Evaluation of Cajurana [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. KUO, P.; SHI, L.; DAMU, A. G. et al. Cytotoxic and Antimalarial β-Carboline Alkaloids from the Roots of Eurycoma longifolia. Journal of Natural Products, V. 66, p. 1324-1327, 2003. LUCKNER, M. Secondary Metabolism in Microorganism, Plants, and Animals. Jena, Gustav Fischer Verlag, 3a. edição, pp. 564. 1990. 147 MESQUITA-SAAD, L. S.; CABRAL, J. A. Cantinona de Simaba polyphylla (Cavalc.) Thomas (Simaroubaceae). Acta Amazônica, v. 27, n. 4, p. 269-272, 1997. MILLER, S. L.; MCLEAN, S.; REYNOLDS, W. F. et al. Isolation and Caracterization of a New Glabretal Triterpene from Quassia multiflora. Journal of Natural Products, v. 58, n. 10, p. 1640-1642, 1995. MILLER, S. L.; TINTO, W. F.; MCLEAN, S. et al. Quassiols B-D, new squalene triterpenes from Quassia multiflora. Tetrahedron, V. 51, n. 44, p. 11959-11966, 1995. MITSUNAGA, K.; KOIKE, K.; TANAKA, T. et al. Canthin-6-one alkaloids from Eurycoma longifolia. Phytochemistry, v.35, n. 3, p. 799-802, 1994. MORETTI, C.; BHATNAGAR, S.; BELOEH, J. C.; POLONSKY, J. Two New Quassinoids from Simaba multiflora fruits. Journal of Natural Products, v. 49, n. 3. p. 440-444, 1986. MORETTI, C.; DEHARO, E.; SAUVAIN, M. et al. Antimalarial activity of cedronin. Journal of Ethnopharmacology, v. 43, n. 1, 1994. MUHAMMAD, I.; BEDIR, E.; JHAN, S. I. et al. A New Antimalarial Quassinoid from Simaba orinocensis. Journal of Natural Products, v. 67, n. 5. p. 772-777, 2004. 148 NELSON, E. R.; PRICE, J. R. Alkaloids of the Australian Rutaceae: Pentaceras australis Hook. F. III. Identification of 4-Methoxicanthinone. Aust. J. Sci Res. Serie A: Phys. Sci. v. A5, p. 768-781, 1952 apud Chemical Evaluation of Cajurana CABRAL, J. A. Biological and [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. NOOTEBOOM, H. P. Flavonols, leuco-anthocyanins, cinnamic acids and alkaloids in dried leaves of some Aiatic and Malesian Simaroubaceae. Blumea, v. 14, p. 309-315, 1966 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. ODEBIYI, O. O.; SOFOWORA, E. A. Plantan Medica, v. 48, p. 77, 1979 apud OHMOTO, T; KOIKE, K. Canthin-6-one alkaloids. In: The Alkaloids. Ed. Academic Press, 1989. vol. 36, p. 135 – 170. OHMOTO, T; KOIKE, K. Canthin-6-one alkaloids. In: The Alkaloids. Ed. Academic Press, 1989. vol. 36, p. 135 – 170. OHMOTO, T.; SUNG, Y. I. Shoyakugaku Zasshi, v. 36, p. 307, 1982 apud OHMOTO, T; KOIKE, K. Canthin-6-one alkaloids. In: The Alkaloids. Ed. Academic Press, 1989. vol. 36, p. 135 – 170. 149 OKANO, M., FUKAMIYA, N., TAGAHARA, K. et al. Anti-HIV activity of quassinoids. Bioorganic & Medicinal Chemistry Letters, v. 6, n.6, p. 701-706, 1996 apud SARAIVA, R. C. G. Estudo fitoquímico de Picrolemma sprucei Hook e doseamento dos princípios ativos nos chás do caule e raiz. 2001, 89p. Dissertação (Mestrado em Química de Produtos Naturais) – Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas. OLEA-GALLEGOS, R. S.; ROQUE, N. F.; Análise de misturas de triterpenos por RMN 13C, Química Nova, v. 13, n. 4, p. 278-281. OZEKI, A.; HITOTSUYANAGI, Y.; HASHIMOTO, E. et al. Cytotoxic Quassinoids from Simaba cedron. Journal of Natural Products, v. 61, p. 776-780, 1998. PANICO, R.; POWELL, W. H.; RICHER, J. C. Guia IUPAC para a Nomenclatura de Compostos Orgânicos. Traduzido por Ana Cristina Fernandes, Bernardo Herold, Hernani Maia, Amélia Pilar Rauter e José Augusto Rosário. Lisboa, Lidel edições técnicas Ltda. 2005. Tradução de: A Guide to IUPAC Nomenclature of Organic Compounds Recommendations 1993. PHILLIPSON, J. D. E O’NEILL, M. J. Novel antimalarial drugs from plants? Parasitology Today, v.2, n.12, p 355-359, 1986. POLONSKY, J. Etude des Constituants des Graines de Simaba cedron: sur la Structure de deux Composes Cristallises: Cedronine et Cedronylline. Bull. Soc. Chim. Fr. 1960, 1847-1847 apud CABRAL, J. A. Biological and Chemical 150 Evaluation of Cajurana [Simaba guianensis Aubl. (Simaroubaceae)]. 1989. 128 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Farmacognosia, Universidade do Mississipi, Mississipi. POLONSKY, J. Quassinoid Bitter Principles. Progress in the Chemistry of Organic Natural Products, V. 30, n.101 p. 101-150, 1973. POLONSKY, J.; VARON, Z.; MORETTI, C. et al. The Antineoplastic Quassinoids of Simaba cuspidate Spruce and Ailanthus grandis Prain. Journal of Natural Products, v. 43, n. 4, p. 503-509, 1980. POLONSKY, J.; VARON, Z.; PRANGE, T.; PASCARD; C. Structures of Simarinolide and Guanepolide (X-Ray Analysis), New Quassinoids From Simaba of orinocencis. Tetrahedron Letters, v. 22, n. 37, p. 3605-3608, 1981. POLONSKY, J.; GALLAS, J.; VARENNE, J. et al. Isolation and Structure (X-Ray Analysis) of Karinolide, A New Quassinoid from Simaba multiflora. Tetrahedron Letters, v. 23, n. 8, p. 862-872, 1982. POLONSKY, J. Quassinoid Bitter Principles II. Progress in the Chemistry of Organic Natural Products, v. 47, p. 221-265, 1985. PRETSCH, E.; BÜHLMAN, P.; AFFOLTER, C. Structure Determination of Organic Compounds: Tables of Spectral Data. New York, Springer, 2000. 151 RAHMAN, S., FUKAMIYA, N., OKANO, M. et al. Anti-tuberculosis activity of quassinoids. Chemical Pharmaceutical Bulletin, v. 45, n. 9, p. 1527-1529 apud SARAIVA, R. C. G. Estudo fitoquímico de Picrolemma sprucei Hook e doseamento dos princípios ativos nos chás do caule e raiz. 2001, 89p. Dissertação (Mestrado em Química de Produtos Naturais) – Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas. READEL, K. E.; SEIGLER, D. S.; YOUNG, D. A. 5-methoxycanthin-6-one from Leitneria floridana (Simaroubaceae). Biochemical Systematics and Ecology, v. 31, p. 167-170, 2003. RENDLE, A. B. The Classificationof the Flowering Plants, 2a ed., Ed. Cambridge University Press, London, 1938 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. RIBEIRO, J. E. L. S.; HOPKINS, M. J. G.; VICENTINI, A.; et al.. Flora da Reserva Ducke – Guia de identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra-firme na Amazônia Central. Manaus: INPA, 1999. p. 547-549. RODRIGUES FILHO, E; FERNANDES, J. B.; VIEIRA, P. C. et al. Isolation of secoisolariciresinol diesters from stems of Simaba cuneata. Phytochemistry, v.31, n. 6, p. 2115-2116, 1992 152 ROMERO, R. M.; ROBERTS, M. F. Anthranilate Synthase from Ailanthus altíssima cell suspension cultures. Phytochemistry, v. 41, n. 2, p. 395-402, 1996. ROHMER, M.; KNANI, M.; SIMONIN, P.; SUTTER, B.; SAHM, H. Isoprenoid biosyntheis in bacteria: a novel pathway for the early steps leading to isopentenyl diphosphate. Biochemical Journal, v. 295, p. 517-524. 1993 apud FLORESSÁNCHEZ, I.; ORTEGA-LÓPEZ, J.; MONTES-HORCASITAS, M. C.; RAMOSVALDIVIA, A. C. Biosynthesis of Sterols and Triterpenes in Cell Suspension Cultures of Uncaria tomentosa. Plant Cell Physiology, v. 43, n. 12, p. 1502-1509, 2002. SAKURAI, N.; YAGUCHI, Y.; INOUE, T. Triterpenoids from Myricia rubra. Phytochemistry, v. 26, n. 1. p. 217-219, 1987. SARAIVA, R. C. G. Estudo fitoquímico de Picrolemma sprucei Hook e doseamento dos princípios ativos nos chás do caule e raiz. 2001, 89p. Dissertação (Mestrado em Química de Produtos Naturais) – Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas. SCHOLZ, H. Sapindales. In: Engler’s Syllabus der Pflanzenfamilien. 12a edição, Ed. H. Melchior, v. 2. p. 267-268, Gerbrüder Bornträger, Berlin, 1964 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. 153 SKEHAN, P.; STORENG, R.; SCUDIERO, D. et al. New colorimetric cytotoxicity assay for anticancer – drug screening. Journal of National Cancer Institute, v. 82, n. 13, p. 1107-1112, 1990. SILVERSTEIN, R. M.; WEBSTER, F. X. Identificação Espectrométrica de Compostos Orgânicos. Traduzido por Paula Fernandes de Aguiar e Ricardo Bicca de Alencastro, Rio de Janeiro, LTC-Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 6a. edição 2000. Tradução de: Spectrometric Identification of Organic Compounds. SIMÃO, S. M.; BARREIROS, E. L.; SILVA, M. F. G. F.; GOTTLIEB, O. R. Chemogeographical evolution of quassinoids in Simaroubaceae. Phytochemistry, v. 30 n. 3, p. 853-865, 1991. SOUZA, A. D. L.; ROCHA, A. F. I., PINHEIRO, M. L. B. et al. Constituintes químicos de Gustavia augusta L. (Lecythidaceae). Química Nova, v. 24, n. 4, p. 439-442, 2001. SUGA, T.; TANGE, K.; ICCHO, K; HIRATA, T. Biosynthesis of triterpenoids from amino acids in Pisum sativum, the distribuition of the radioactivity in squalene biosynthetized from radioisotopically labeled L-leucina and L-valina. Phytochemistry, v. 19, p. 67-70, 1980 apud FLORES-SÁNCHEZ, I.; ORTEGALÓPEZ, J.; MONTES-HORCASITAS, M. C.; RAMOS-VALDIVIA, A. C. Biosynthesis of Sterols and Triterpenes in Cell Suspension Cultures of Uncaria tomentosa. Plant Cell Physiology, v. 43, n. 12, p. 1502-1509, 2002. 154 TAKHTAJAN, A. Evolution und Ausbreitung der Blütenpflanzen. G. Fisher, Jena, 1973 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263289, 1992. TAKHTAJAN, A. Systema Magnoliophytorum. Ed. Soviet Sciences Press, Leningrad, 1987 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. THOMAS, W. W. The american genera of Simaroubaceae and their distribuition. Acta Botanica Brasilia, v. 4, n.1, p. 11-18, 1990. THORNE, R. F. Proposed new realignments in the angiosperms. Nordic Journal of Botany, v. 3, p. 85-117, 1983 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. THORNE, R. F. An updated phylogenetic classification of the flowering plants.Aliso, v. 13, p. 365-389, 1992 apud FERNANDO, E. S.; QUINN C. Pericarp anatomy and systematics of the Simaroubaceae sensu lato. Australian Journal of Botany, v. 40, p. 263-289, 1992. 155 THOUVENEL, C.; GANTIER, J. C.; DURET, P. et al. Antifunal compounds from Zanthoxylum chiloperone var. angustifolium, Phytotherapy research, v. 17, n. 6, p. 678-680, 2003. TINTO, W. F.; JAGESSAR, P. K.; KETWARU, P. et al. Constituents of Trichilia schomburgkii. Journal of Natural Products, v.54, n. 4, p. 972-977, 1991. TINTO, W. F.; MCLEAN, S.; REYNOLDS, W. F.; CARTER, C. A. Quassiol A, a Novel Squalene Triterpene from Quassia multiflora. Tetrahedron Letters, v. 34, n. 11, p. 1705-1708, 1993. VALDIVIA, A. C. Biosynthesis of Sterols and Triterpenes in Cell Suspension Cultures of Uncaria tomentosa. Plant Cell Physiology, v. 43, n. 12, p. 1502-1509, 2002. VIEIRA, I. J. C.; BRAZ FILHO, R.; RODRIGUES FILHO, E.; VIEIRA, P. C. et al. 20(R)- and 20(S)-Simarolide Epimers Isolated from Simaba cuneata – Chemical Shifts Assignment of Carbon and Hydrogen Atoms. Journal of Brazilian Chemical Society, v. 10, n. 1, p. 76-84, 1999. WANG, L. Y.; WANG, N. L.; YAO, X. S. et al. Euphane and Tirucallane Triterpenes from roots of Euphorbia kansui and their in vitro effects on the cells division of Xenopus. Journal of Natural Products, v. 66, n. 5, p. 630-633, 2003. 156 WANI, M. C.; TAYLOR, H. L.; THOMPSON, J. B.; WALL M. E. Plant Antitumor Agents. XVI. 6α-Senecioyloxychaparrinone, a New Antileukemic Quassinoid from Simaba multiflora. Lloydia, v.41, n. 6, p. 578-583, 1978. YOKOTA, M.; ZENDA, H.; KOSUGE, T.; YAMAMOTO, T. Yakugaku Zasshi, v. 98, p. 1508, 1978 apud OHMOTO, T; KOIKE, K. Canthin-6-one alkaloids. In: The Alkaloids. Ed. Academic Press, 1989. vol. 36, p. 135 – 170. 157 7. Anexos Espectro de IV da niloticina (73). 158 Espectro de Massas de baixa resoluçao da niloticina (73). 159 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) 160 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) – ampliação. 161 Espectro de RMN 1H da niloticina (73) em 200 MHz (CDCl3) – ampliação da região alifática. 162 Espectro de RMN 13C (HBBD) da niloticina (73) (50 MHz – CDCl3). 163 Espectro de DEPT 135 da niloticina 164 Espectro de DEPT 90 da niloticina 165 Espectro de HOMOCOSY da niloticina 166 Espectro de HMQC da niloticina. 167 Espectro de HMQC da niloticina – ampliação. 168 Espectro de HMBC da niloticina. 169 Espectro de HMBC da niloticina – ampliação. 170 Espectro de IV da diidroniloticina (74). 171 Espectro de Massas de baixa resolução da diidroniloticina. 172 Espectro de RMN 1H da diidroniloticina (200 MHz-CDCl3). 173 Espectro de RMN 1H da diidroniloticina (200 MHz-CDCl3) - ampliação 174 Espectro de RMN 13C (HBBD) da diidroniloticina (50 MHz – CDCl3). 175 Espectro de DEPT135 da diidroniloticina. 176 Espectro de DEPT 90 da diidroniloticina. 177 Espectro de HOMOCOSY da diidroniloticina 178 Espectro de HOMOCSY da diidroniloticina – ampliação. 179 Espectro de HMQC da diidroniloticina 180 Espectro de HMQC da diidroniloticina – ampliação. 181 Espectro de HMBC da diidroniloticina. 182 Espectro de IV da taraxerona (75). 183 Espectro de massas de baixa resolução da taraxerona 184 Espectro de RMN 1H da taraxerona (200 MHz – CDCl3). 185 Espectro de RMN 13C (HBBD) da taraxerona (50 MHz – CDCl3). 186 Espectro de DEPT 135 da taraxerona. 187 Espectro de DEPT 90 da taraxerona. 188 Espectro de HOMOCOSY da taraxerona. 189 Espectro de HMQC da taraxerona. 190 Espectro de HMQC da taraxerona – ampliação. 191 Espectro de HMBC da taraxerona. 192 Espectro de HMBC da taraxerona – ampliação. 193 Espectro de IV da 9-metoxi-cantin-6-ona (35). 194 Espectro de massas de baixa resolução da 9-metoxi-cantin-6-ona. 195 Espectro de RMN 1H da 9-metoxi-cantin-6-ona (200 MHz – CDCl3). 196 Espectro de RMN 1H da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática. 197 Espectro de RMN 13C (HBBD) da 9-metoxi-cantin-6-ona (50 MHz – CDCl3). 198 Espectro de HOMOCOSY da 9-metoxi-cantin-6-ona. 199 Espectro de HOMOCOSY da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática. 200 Espectro de HMQC da 9-metoxi-cantin-6-ona. 201 Espectro de HMBC da 9-metoxi-cantin-6-ona 202 Espectro de HMBC da 9-metoxi-cantin-6-ona – ampliação da região aromática. 203 60 59 7 98 18 9 58 57 56 55 54 T % 3 6 0 3 53 52 51 7 32 57 7 4 3 7 1 5 5 8 2 0 6 4 3 74 87 33 1 9 01 20 3 3 31 4 3 1 1 9 6 5 7 4 2 1 1 5 2 2 1 5 7 1 1 2 5 1 1 4 1 8 2 4 8 3 7 6 1 5 2 9 2 50 1 1 6 1 4 3 6 1 3 9 4 1 97 95 00 1 11 3 0 1 6 7 2 4 6 5 49 48 47 46 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 Wavenumbers (cm-1) Espectro de IV de SPGC2.147 – 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76). 204 Espectro de massas de baixa resolução de 76. 205 Espectro de RMN 1H de 76 (500 MHz – CDCl3). 206 Espectro de RMN 1H de 76 (500 MHz – CDCl3) – ampliação da região aromática. 207 Espectro de RMN13C (HBBD) de SPGC2.147 (76) (125 MHz – CDCl3). 208 Espectro de HOMOCOSY do ácido 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76). 209 Espectro de HOMOCOSY do ácido 7-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (76). 210 Espectro de HMQC de 76. 211 Espectro de HMQC de 76 – ampliação. 212 Espectro de HMBC de 76. 213 Espectro de HMBC de 76 -ampliação. 214 Espectro de IV do óxido de cariofileno (67) 215 Espectro de massas de baixa resolução do óxido de cariofileno. 216 Espectro de RMN 1H do óxido de cariofileno (200 MHz-CDCl3). 217 Espectro de RMN 1H do óxido de cariofileno – ampliação da região alifática. 218 Espectro de RMN 13C (HBBD) do óxido de cariofileno (50 MHz – CDCl3). 219 Espectro de DEPT 135 do óxido de cariofileno. 220 Espectro de DEPT 90 do óxido de cariofileno. 221 Espectro de HOMOCOSY do óxido de cariofileno. 222 Espectro de HOMOCOSY do óxido de cariofileno – ampliação. 223 Espectro de HMQC do óxido de cariofileno. 224 Espectro de HMBC do óxido de cariofileno. 225 Espectro de IV do Piscidinol A (78). 226 Espectro de massas de baixa resolução de piscidinol A. 227 Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3). 228 3.61 3.61 7.48 3.70 3.65 1.72 7.98 1.50 1.57 7.52 1.99 2.99 2.41 2.35 0.61 1.32 2.00 1.477 1 0 100 288 302 002 1 990 032 1.486 1.499 1.544 1.512 1.553 1.585 1.568 1.626 1.655 1.678 1.708 1.784 1.736 1.793 1.818 1.825 1.847 1.856 1.869 1.892 1.899 1.944 1.955 1.962 1.972 1.980 1.989 1.998 2.007 2.017 2.028 2.035 2.056 2.067 2.107 2.097 2.079 2.230 2.218 2.207 2. 194 SNGH1.159 500000 400000 300000 200000 100000 0 Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3) – ampliação da região alifática. ppm (t1) 1.00 229 2.731 2 2 683 701 2.750 2.767 2.780 2.798 2.855 3.136 3.163 4.073 4.070 4.100 4.093 4.087 4.117 5.280 5.291 5.301 5.312 500000 400000 SNGH1.159 300000 200000 100000 0 3.50 1.98 4.00 2.13 4.50 0.96 0.84 1.00 5.00 3.00 ppm (t1) Espectro de RMN 1H de piscidinol A (500 Mhz – CDCl3) – ampliação da região de hidrogênios carbinólicos e hidrogênio insaturado. 230 Espectro de RMN 13C (HBBD) do piscidinol A (500 MHz – CDCl3). 231 Espectro de HOMOCOSY de piscidinol A. 232 SNGH1.159 - COSY 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 ppm (t1) 4.00 ppm (t2) 3.50 3.00 2.50 2.00 1.50 1.00 0. 50 Espectro de HOMOCOSY de piscidinol A – ampliação. 233 Espectro de HMQC de piscidinol A. 234 0.50 SNGH1.159 - HETCORR 1.00 1.50 2.00 2.50 3.00 3.50 4.00 ppm (t1) 60 ppm (t2) 50 40 30 20 10 Espectro de HMQC de piscidinol A – ampliação. 235 Espectro de HMBC de piscidinol A. 236 SNGH1.159 - HMBC 10 20 30 40 50 60 70 80 90 (t1) ppm 3.00 2.50 2.00 1.50 1.00 0.50 ppm (t2) Espectro de HMBC de piscidinol A – ampliação. 237 Espectro de NOESY de piscidinol A. 238 Espectro de IV de SNGC2.146 – ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79). 239 Espectro de massas do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79). 240 1.259 3.306 3.898 6.891 6.872 8.629 7.953 7.943 7.924 7.899 7.882 7.744 7.739 6.976 6.972 6.959 6.955 700 600 500 400 300 200 100 0 0.99 3.00 1.07 1.10 1.02 1.04 0.56 1.56 1.00 5.0 0.0 ppm (t1) Espectro de RMN 1H do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (500 MHz – MeOD). 241 6.872 6.891 6.959 6.955 6.976 6.972 7.744 7.739 7.899 7.882 7.924 7. 943 7.953 700 600 500 400 300 200 100 0 7.50 1.07 1.10 1.02 1.04 0.56 1.56 8.00 ppm (t1) 7.00 Espectro de RMN 1H do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (500 MHz – MeOD) – ampliação da região aromática. 242 Espectro de RMN 13C (HBBD) do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) (125 MHz – MeOD). 243 Espectro de DEPT do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79) 244 Espectro de HMQC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79). 245 Espectro de HMBC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79). 246 SNGC2.146 - HMBC 100 150 ppm (t1) 8.00 7.50 7.00 6.50 ppm (t2) Espectro de HMBC do ácido 6-metoxi-(9H-β-carbolin-1-il)-(Z)-prop-2-enóico (79). 247