A
INTERDISCIPLINARIDADE
DA
ATIVIDADE
COMPETITIVA: ANALISE DO CURRICULO LATTES
DE
INTELIGÊNCIA
Autoria: Elaine Coutinho Marcial, Ana Carolina Ornelas
Resumo
O artigo mostra que a Inteligência Competitiva constitui-se de área do conhecimento
interdisciplinar cujas disciplinas que mais interagem e colaboram com o arcabouço teórico e
solução dos problemas afetos a Inteligência Competitiva são: Administração, Ciência da
Informação, Tecnologia da Informação, Psicologia cognitiva e Comunicação. Foi realizado
levantamento junto ao Currículo Lattes cujos resultados mostram que as áreas da
Administração, da Ciência da Informação, e da Tecnologia da Informação, representada pela
Ciência da Computação, são as que mais se destacam. Outros dados também foram levantados
que mostram onde estão localizados e qual a produção científica de doutores que realizam
pesquisa na área da Inteligência Competitiva.
1) Introdução
A preocupação com a obtenção e produção de informação estratégica é milenar.
Entretanto, sua estruturação como processo científico, no formato que conhecemos hoje, data
da década de 1950, conforme mostram os trabalhos de Sherman Kent (1967) e Washington
Platt (1974). São esses ensinamentos que fundamentam a área Inteligência Competitiva (IC),
que apesar do crescimento e desenvolvimento ocorrido na última década, carece de
fundamentação teórica e científica.
Um dos aspectos que compõem essa fundamentação é o caráter interdisciplinar da
área, e o presente trabalho mostra essa interdisciplinaridade, por meio do levantamento
realizado no Currículo Lattes dos doutores que possuem produção científica em IC. Para
tanto, foi levantado e analisado o perfil desses doutores, incluindo a identificação de sua
origem acadêmica.
Outros dados também foram coletados e analisados, como: as universidades que
possuem o maior corpo de doutores interessados em Inteligência Competitiva, em que
departamento estão lotados, a quantidade de publicações na área e os temas dessas
publicações.
2) Embasamento teórico
O ambiente competitivo que se instalou no Brasil a partir da década de 90 impulsionou
as organizações que atuavam no país a adorarem as melhores práticas de gestão. Dentre essas
práticas encontra-se a Inteligências Competitiva – que, segundo estudo prospectivo realizado
pela Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva, iniciou sua discussão no
Brasil em meados da década de 1990 e apresentou maior crescimento a partir do início do
Século XXI (MARCIAL, 2003).
Diversas definições para a atividade de Inteligência Competitiva são encontradas na
literatura. Kahaner (1997) define Inteligência Competitiva como um programa sistemático de
reunião e análise de informação sobre as atividades dos seus concorrentes e tendências gerais
dos negócios para que a organização possa atingir seus objetivos estratégicos. Segundo
Kahaner, o que os executivos necessitam para apoiar a tomada de decisão é de INTELIGÊNCIA e
não de informação. A definição de Cook e Cook (2000) de Inteligência Competitiva é
semelhante a de Kahaner e afirmam que seu objetivo é apoiar a tomada de decisão estratégica.
A atividade é utilizada para que a empresa obtenha um desempenho melhor que o de seus
concorrentes por meio do aprendizado do comportamento de seus fornecedores, clientes,
1
regulador e concorrentes, como também por meio da antecipação de movimentos no ambiente
competitivo e no macroambiente.
Taborda e Ferreira (2002) também associam a atividade de IC à tomada de decisão e a
definem como sendo a atitude que uma organização assume que a leva a estar atenta a todos
os aspectos que afetam a organização, procurando compreender e responder aos sinais
provenientes do ambiente que a envolve. Todos os quatro autores afirmam que a atividade de
Inteligência Competitiva teve origem nas atividades de Inteligência Militar e de Estado e que
agregam métodos e ferramenta de outras ciências, o que mostra indícios de seu caráter
interdisciplinar.
A palavra interdisciplinarity (interdisciplinaridade) é o resultado da junção de duas
palavras: “inter”, que significa entre, conectado; e “disciplinarity, relativo a disciplina, ou
seja, qualquer área do conhecimento como física, matemática, biologia, etc. Segundo Moti
Nissan (1995), “each discipline has its own set of specialists and sub-specialists, each is
typically taught by one or another department within a university, and each deals with its own
distinct subjects”.
A interdisciplinaridade refere-se à união de duas ou mais disciplinas para analisar,
entender e explicar um único problema, cada uma sob a ótica relativa à sua área de
conhecimento. Ou seja, ela ocorre quando as disciplinas interagem e colaboram entre si
(SABBATINI; CARDOSO, 2006).
Esse conceito perpassa a atividade de Inteligência Competitiva, visto que apesar de
possuir seus próprios conceitos utiliza-se de diversas disciplinas que interagem e colaboram
entre si para a composição e compreensão do arcabouço teórico e solução dos problemas
afetos a Inteligência Competitiva. São exemplos de áreas que integram a IC: Administração,
Ciência da Computação, Comunicações, Psicologia, Ciência da Informação, Filosofia,
Matemática, Lógica, Estatística, Lingüística, dentre outras. Os exemplos a seguir mostram
esse caráter interdisciplinar da Inteligência Competitiva.
O processo de produção de Inteligência tem sua origem nas fases do método científico
(PLATT, 1974) e na teoria do conhecimento de Hessen (KENT, 1967). Também como apoio
à produção de Inteligência, utiliza-se de diversos métodos e instrumentos de análise cuja
origem encontra-se na Administração, como por exemplo: análise de cenários, análise da
indústria, análise SWOTi, análise do concorrente, análise financeira, dentre outras conforme
descritas por Fleisher e Bensoussant (2003).
A psicologia cognitiva é outro campo do conhecimento que é parte integrante da
formação do profissional de Inteligência. Heuer (1999), em seu livro “Psychology of
Intelligence Analysis”, aborda a necessidade de conhecimentos nessa área para que o analista
de Inteligência possa desempenhar bem suas atividades analíticas mentais e evitar erros no
processo de realização da análise.
No campo da Ciência da Informação as contribuições são também significativas.
Analisando-se a definição de Ciência da Informação de Borko (1968) – a disciplina que
investiga as propriedades e comportamento da informação, as forças que regem o fluxo da
informação, e o significado do processamento informacional a fim de alcançar acessibilidade
e utilização ótima, – verifica-se que a Ciência da Informação também contribui com a base
epistemológica da Inteligência Competitiva, visto que o objetivo e os produtos da IC é a
informação acionável (também chamada de Inteligência).
Ainda no campo da Ciência da Informação as leis bibliométricas de Bradford, Lotka e
Zipf (LE COADIC, 1996) também trazem contribuição para a atividade de Inteligência
Competitiva ao permitirem a identificação de sinais fracos, por meio da análise bibliométrica.
Diversos autores, a exemplo de Santos (2000) e Becerra e Fleitas (2006), fazem essa
associação citando a análise bibliométrica ou a infometria como instrumento da Inteligência
Competitiva.
2
A tecnologia da informação (TI) é outra disciplina citada por diversos autores que traz
grande contribuição para a atividade de Inteligência Competitiva a exemplo de Bouthillier e
Jin (2005), Nordstrom e Pinkerton (1999), e Aiken (1999). Aiken defende a utilização de
redes neurais e inteligência artificial para apoiar o profissional de Inteligência Competitiva a
predizer preços, vendas e outras atividades econômicas. Nordstrom e Pinkerton apresentam a
internet como instrumento importante na coleta de dados para a Inteligência Competitiva.
Mais recentemente Bouthillier e Jin apresentam a contribuição da tecnologia da informação
para a atividade de Inteligência Competitiva.
A teoria da comunicação é outra disciplina que colabora com a atividade de IC. Citada
como uma das últimas fases do processo de produção de Inteligência Competitiva, sua grande
contribuição não está centrada apenas na comunicação ou à entrega do produto final da
atividade de Inteligência Competitiva, mas em todo processo de comunicação de informação,
principalmente quando a coleta ocorre por meio de fontes humanas, também conhecida como
HUMINT – Human Intelligence (HERMAN, 1996, p. 61) . Como exemplo, a técnica de
entrevista é o principal método utilizado pelo profissional de Inteligência ao buscar
informações em fontes humanas (CARDOSO, 2005, p. 91).
A necessidade de implantação de um sistema de Inteligência Competitiva para que
essa atividade obtenha os melhores resultados em uma organização conduz a necessidade do
entendimento da Teoria Geral dos Sistemas (BERTALANFFY, 1975).
Platt (1974) também argumenta que a Inteligência abrange em geral oito ou dez ramos
do conhecimento. Cada um desses ramos fundamenta-se numa ou mais ciências naturais ou
sociais, dentre elas:
[...] informação científica, incluindo as ciências naturais e saúde, potencial
científico humano, possibilidade científicas de apoio à indústria, à pesquisa e
ao desenvolvimento científico (inclusive engenharia); geografia, incluindo
condições meteorológicas, clima e oceanografia; transportes, estradas,
telecomunicações; informações econômicas, incluindo indústria, finanças e
emprego; informações militares; informação sociológica, incluindo
população, religião, educação, tradições nacionais, índole do povo;
informações políticas, informação biográfica (PLATT, 1974, p. 33).
Dado o exposto, fica evidente o caráter interdisciplinar da Inteligência Competitiva.
Falta, entretanto, a verificação por meio de levantamento científico se isso ocorre no âmbito
da pesquisa e produção científica associada à IC. Nesse contexto, o presente trabalho mostra
como essa interdisciplinaridade é refletida no âmbito acadêmico por meio da verificação do
perfil de formação dos doutores cadastrados no Currículo Lattes e sua produção científica na
área de “Inteligência Competitiva”.
5) Metodologia de pesquisa
A presente pesquisa pauta-se em levantamento realizado junto ao banco de dados do
Currículo Lattes, disponível no site do CNPq (http://lattes.cnpq.br/index.htm). O currículo
Lattes corresponde ao sistema de informações curriculares de pesquisadores contidos na
plataforma Lattes, desenvolvida no âmbito do CNPq – Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
A população objeto do estudo é formada pelos doutores que possuem currículo Lattes
e em cujos currículos constam trabalhos ou atividades ligadas à Inteligência Competitiva. A
identificação dos elementos formadores da população objeto do estudo foi feita durante o
processo de busca no site do CNPq – opção currículo Lattes, por meio da opção “buscar
currículo”. Os currículos foram identificados em resposta à busca pelos termos “inteligência
competitiva” conjugados com a opção na base de dados de “doutores”.
A população foi identificada como os doutores cujos currículos apresentavam:
publicação de trabalhos científicos na área de IC; participação em bancas examinadoras de
3
teses, dissertações ou monografias que versam sobre IC; e em projeto de pesquisa na área de
IC. A análise estatística dos dados foi realizada com todos os elementos que compuseram a
população – censo.
A busca na plataforma Lattes resultou em uma população inicial formada por 414
doutores, considerando as atualizações realizadas até 20 de maio de 2006. Entretanto, após a
análise dos dados coletados, e consulta minuciosa aos currículos individuais esse número foi
reduzido para 260 elementos que efetivamente atendiam as características da população
objeto do estudo.
Essa distorção inicial no número de indivíduos que compunham a população ocorreu,
pois a busca no currículo Lattes identificou currículos de pesquisadores que não respondiam
inteiramente aos requisitos estabelecidos para serem classificados como elemento da
população objeto do estudo. Isso correu porque existiam casos em que foram selecionados
currículos de doutores que: (1) apenas participaram de eventos cujo nome “Inteligência
Competitiva” aparece no nome do evento (ex.: Workshop de Inteligência Competitiva e
Gestão do Conhecimento); ou (2) as palavras “inteligência” e “competitiva” estão presentes
no currículo mas não se referem a “Inteligência Competitiva”.
A metodologia utilizada foi a pesquisa quantitativa descritiva. Os dados foram
coletados do currículo Lattes, no período de 10 de março a 20 de maio de 2006. As variáveis
foco da análise foram:
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
identificação do pesquisador – por um número seqüencial;
instituição vinculada, classificando-a em organização, instituição de ensino e
instituição de pesquisa;
departamento/área de conhecimento vinculado na universidade/faculdade ou de
doutorado (no caso dos doutores que não estavam vinculados a instituição de
ensino e nem de pesquisa);
UF e cidade;
produção científica, classificada em livro, artigo, monografia, dissertações, e teses
vinculada direta ou indiretamente aos doutores;
temas abordados na produção científica.
Com relação a produção científica, os dados foram tabulados da seguinte forma: (1)
número de artigo publicado em periódico, por pesquisador; (2) número de capítulos em livros
publicados, por pesquisador; (3) número de trabalhos em eventos por pesquisador; (4) livros
publicados ou organizados por pesquisador; (5) participação em bancas julgadoras e
orientações, por pesquisador – para os casos de monografias, dissertações e teses.
Os dados foram importados para o SPSS e tratados, unificando seus formatos para que
pudessem ser analisados estatisticamente. Inicialmente, elaborou-se análise descritiva desses
dados e depois se realizou cruzamento entre a unidade da federação e produção científica,
área de pesquisa e produção científica, organizações e produção científica. Identificaram-se os
temas mais recorrentes nas publicações. Os resultados obtidos são apresentados a seguir.
6. Resultados
Inicialmente, verificou-se onde esses pesquisadores estavam localizados. O estudo
mostra que 50,8% encontram-se na Região Sudeste, destacando-se o Estado de São Paulo
(com 26,9% do total de elementos da população), seguido pelo Rio de Janeiro (18,1%) e
Santa Catarina (14,2%), conforme mostra a Fig. 1.
FIGURA 1 – Localização dos doutore por região brasileira
4
Localização dos Doutores
por Região Geográfica
Brasil - 2006
10%
Sudeste
Sul
2%
Centro-Oeste
10%
Norte
Nordeste
52%
26%
Fonte: Currículo Lattes
A maioria desses pesquisadores está localizada em instituições de ensino (85,0%) –
em sua maioria em universidades. Esse resultado confirma o perfil brasileiro de concentração
de pesquisa nas universidades, principalmente pelo baixo investimento em inovação realizado
pelas empresasii. Entretanto, verifica-se que 11,5% da população corresponde a doutores
lotados em empresas o que sugere interesse da iniciativa privada pelo tema.
Do total de 112 instituições identificadas no estudo, destaca-se que 70 apresentam
lotação de apenas um doutor envolvido com IC. Foi encontrado um total de 17 instituições
com lotação de dois doutores. As instituições que possuem o maior número de pesquisadores
são as universidades:
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
de São Paulo (SP), com 19 doutores (7,31% da população).
Federal de Santa Catarina (SC), com 18 doutores, (6,92% da população).
de Brasília (DF), com 14 doutores (5,38% da população).
Federal do Rio de Janeiro (RJ), com 14 doutores (5,38% da população).
Federal da Bahia (BA), com 9 doutores (3,46% da população).
Federal de São Carlos (SP), com 9 doutores (3,46% da população).
Foram encontradas 14 áreas do conhecimento distintas, cuja quantidade de doutores
com interesse em Inteligência Competitiva é mostrada na Fig. 2. Destaca-se que 35% dos
doutores pertencem à área de Administração, 22% à de Ciência da Informação e 16% à de
Engenharia de Produção. Entretanto, se considerarmos todos os doutores em Engenharia
como uma única categoria, esta passaria para 2º lugar, contando com 23,1% dos doutores.
FIGURA 2 – Área foco de pesquisa dos Doutores
5
Áreas foco de pesquisa
Doutores com interesse em IC
Brasil - 2006
4%
9%
Administração
7%
35%
7%
Ciência da Informação
Engenharia da Produção
Engenharia
Ciência da Computação
Economia
Outros
16%
22%
Fonte: Currículo Lattes
Esses dados corroboram a característica interdisciplinar da Inteligência Competitiva,
onde representantes de diversas áreas do conhecimento pesquisam o assunto sob enfoques
diferentes. Imaginava-se, antes do início da pesquisa, que o contingente maior de
pesquisadores estaria ligado a Ciência da Informação por dois motivos: (1) a discussão sobre
IC foi introduzida no País pela Ciência da Informação; (2) a disciplina que investiga as
propriedades e comportamento da informação, as forças que regem o fluxo da informação, e
o significado do processamento informacional a fim de alcançar acessibilidade e utilização
ótimaiii (BORKO, 1968) é a Ciência da Informação. Entretanto, as vertentes de aplicação nas
organizações e de processos produtivos têm despertado maior interesse, visto que 35% dos
doutores são pesquisadores na área de Administração e 23,1% pesquisadores na área de
Engenharia. Outro sinalizador dessa situação é o fato de que 28,71% dos temas publicados
são de estudos de caso, conforme abordado a seguir durante a análise da produção acadêmica
da população.
Analisando-se a produção acadêmica desses doutores foram encontradas 530 citações
entre artigos e livros publicados, participação em bancas de defesa de teses, dissertações e
monografia. Entretanto, ao realiza-se a depuração dessas citações, retirando-se as repetições
de trabalhos realizados por mais de elemento da população, chegou-se ao total de 317
publicações distribuídas conforme mostra a Tabela 1.
Tabela 1 – Produção acadêmica
Tipo de produção
Livro
Artigo
Dissertação
Tese
Monografia
Total
Fonte: Currículo Lattes
QTD
16
152
57
10
82
317
Os títulos das 317 publicações foram analisados para a identificação dos temas mais
abordados. As abordagens mais utilizadas nessas publicações científicas são: (1) os estudos de
caso, presentes em 28,71% das publicações; (2) os de ordem geral que tratam da Inteligência
Competitiva de forma genérica, representando 9,78% das publicações, sem considerar os
estudos de caso; (3) os que tratam de métodos ou ferramentas ligados à tecnologia da
informação, encontrados em 8,20% das publicações.
6
Foram identificadas 83 palavras que acompanham o termo IC nos títulos dos artigos.
As palavras que aparecem no maior número de títulos são: (1) gestão do conhecimento
(8,20%); sistema de IC (8,20%); estratégia (7,89%); micro e pequenas empresas (MPE)
7,26%; e informação (6,31%). O fato de não se ter acesso aos documentos é uma restrição da
pesquisa o que resultou na falta de classificação mais precisa dos assuntos tratados.
Tabela 2 – Assuntos relacionados as publicações científicas
Assuntos
Estudo de caso
Temas Gerais
Tecnologia da informação
Gestão do conhecimento
Sistema de IC
Estratégia
MPE
Informação
Internet
Tomada de decisão
Outros
Fonte: Currículo Lattes
QTD
91
31
30
26
26
25
23
20
16
12
17
%
28,71%
9,78%
9,46%
8,20%
8,20%
7,89%
7,26%
6,31%
5,05%
3,79%
5,36%
Outras áreas do conhecimento foco desses documentos também merecem destaque,
como: Ciência da Informação (30,8% das citações), Administração (29,1%) e Engenharia da
Produção (19,2%), que detém quase 80% das citações, conforme mostra a Fig. 3. Também são
encontradas publicações vinculadas a temas das áreas de Comunicação e Economia.
FIGURA 3 – Citações por área do conhecimento
180
160
Total de citações por área de conhecimento
Doutores interessados em IC
Brasil - 2006
163
154
Fonte: Currículo Lattes
140
120
102
100
80
60
34
40
32
9
20
1
9
8
1
2
1
14
Química
Pedagogia
Matemática
Engenharia da
Produção
Engenharia
Educação
Economia
Comunicação
Ciências Políticas
Ciências
Contábeis
Ciência da
Informação
Ciência da
Computação
Administração
0
FIGURA 4 - Citações por Unidade da Federação
7
Total de citações por UF
Doutores interessados em IC
Brasil - 2006
160
Fonte: Currículo Lattes
144
140
116
120
100
77
80
60
44
40
23
20
5
11
2
12
2
1
8
1
1
AM BA CE DF ES GO MA MG PA PB PE
PI
0
1
40
30
8
2
1
PR RJ RN RO RS SC SE SP
Também em termos de citações de produção científica merece destaque os estados de
São Paulo (27,2%), Rio de Janeiro (21,9%) e Santa Catarina (14,5%), representando mais de
60% das citações encontradas no currículo Lattes, como mostra a Fig. 4.
A Ciência da Informação destaca-se na publicação de artigos em periódicos, capítulos
de livro, e trabalhos em eventos. A Engenharia da Produção em livros publicados e
organizados e no envolvimento na defesa de teses. Já a Administração no envolvimento na
defesa de dissertações e monografias.
Há uma dispersão muito grande em relação à participação em publicações científicas
por organização que a população objeto do estudo pertence. A média de citações de
participação em trabalhos científicos é de 5 trabalhos por organização e seu desvio padrão de
27. As instituições que mais se destacam em referências científicas encontram-se listadas na
Tabela 2.
Tabela 2 – Citações em trabalhos científicos por organização
Organização
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Universidade de Brasília
Universidade de São Paulo
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Total
UF Total
SP
37
SC
36
SP
34
DF
30
SP
26
RJ
22
185
%
6,98%
6,79%
6,42%
5,66%
4,91%
4,15%
34,91%
Fonte: Currículo Lattes
7. Conclusão
A Inteligência Competitiva é uma área do conhecimento interdisciplinar. Segundo
diversos teóricos as disciplinas que mais interagem e colaboram com o arcabouço teórico e
solução dos problemas afetos a Inteligência Competitiva são: Ciência da Informação,
Administração, Tecnologia da Informação, Psicologia Cognitiva e Comunicação.
A pesquisa comprova-se que as áreas da Ciência da Informação, Administração, TI,
representada pela Ciência da Computação, são as que mais se destacam. Outra área surge
como destaque: Engenharia de Produção, seguida pelas demais engenharias e pela Economia.
Há sinalizações na área de Comunicação e não foram encontradas pesquisas na área de
8
Psicologia apesar de sua importante contribuição no entendimento e explicação dos processos
afetos a atividade de IC. Deve-se considerar que os números mostram que a pesquisa
científica na área de IC ainda é muito incipiente no Brasil.
Há concentração na área de pesquisa em IC no Sudeste, seguida pela região Sul onde
também se encontra a maioria das publicações sobre Inteligência Competitiva. Os temas mais
abordados nessas publicações científicas são: estudos de caso (28,20%), os que tratam da IC
de forma genérica (9,78%) e os que tratam de métodos ou ferramentas ligados à TI (8,20%).
Ressalta-se que análise mais detalha das publicações, por meio da consulta desses
documentos poderá fornecer informações complementares e fortalecer o caráter
interdisciplinar da área de Inteligência Competitiva. Sugere-se a ampliação dessa pesquisa
para os mestres cadastrados na plataforma Lattes.
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ii
Segundo pesquisa realizada pelo IPEA, apenas 1,7% das firmas industriais no Brasil – de um total de 72 mil
firmas com mais de dez empregados – inovam e diferenciam produto (NEGRI; SALERNO, 2005, p.9).
iii
Definição de Borko para a Ciência da Informação em seu artigo “Information Science: what is it?
10
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