0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ PAULA DOMINGUES SERAFIM PLANO DE NEGÓCIO PARA A EMPRESA DE ROUPAS FEMININAS GARBO Balneário Camboriú 2008/I 1 PAULA DOMINGUES SERAFIM PLANO DE NEGÓCIO PARA A EMPRESA DE ROUPAS FEMININAS GARBO Trabalho apresentado como quesito parcial para a obtenção da graduação de Bacharel em Design com Habilitação em Moda, pela Universidade do Vale do Itajaí, Campus Balneário Camboriú. Orientação: Professor Roberto Hering. Balneário Camboriú 2008/I 2 RESUMO Este projeto refere-se ao planejamento de uma empresa focada em desenvolver roupas para o público feminino, com o plano de negócio totalmente voltado para o mercado do luxo. Confeccionar peças exclusivas é o ponto chave da empresa Garbo. O plano de negócio proposto, busca suprir todas as necessidades de informações que permeiam, e influenciam no comportamento de consumo de artigos de luxo. O objetivo é propor um plano de negócio para a empresa Garbo, e para se obter resultados, utilizou-se de ferramentas e metodologias. A metodologia de desenvolvimento geral do projeto foi criada, com base modelo “Negócio Certo” (SEBRAE/SC-2008) e em livros cujos são citados no decorrer do projeto. Podemos dividir este plano de negócio em partes que abrangem temas destinos como: revisão bibliográfica, que aborda o histórico da moda, e mostra quando surgiram as peças que a empresa Garbo irá confeccionar, bem como todo o contexto histórico que influenciou o comportamento e o modo de vestir no século XX; pesquisa de mercado, onde se apresenta o público alvo, a moda como comunicação pessoal, mostra a trajetória do mercado do luxo em uma visão global e nacional, também exemplifica o que temos disponível no mercado da moda e as tendências do consumo do luxo além do quadro de concorrentes e da abrangência geográfica da marca, que direciona o caminho a ser percorrido pela empresa; gestão empresarial, que mostra todo o funcionamento interno da empresa, como o planejamento e controle de produção, o plano de marketing, setores como de finanças e RH, plano de logística e estrutura física das instalações da empresa; a ultima divisão deste plano é denominado como investimento, que apresenta todos os custos para a abertura da empresa, bem como a demonstração de receita de retorno do investimento total. Os resultados mostraram um mercado ansioso por novidades e adepto ao consumo de luxo. Concluindo, os resultados nos permitem ter uma visão maior daquilo que envolve o consumidor, e de tudo que é preciso para se obter uma empresa sólida com ascensão de crescimento no mercado nacional. Palavras-chave: Moda, Luxo, Garbo, Plano de Negócio. 3 ABSTRACT This project refers to the planning of a company focused in developing clothes for the female public, with a business plan entirely turned to the market of the luxury. Making exclusive pieces is the key point of Garbo. The proposed business plan looks for supplying all the needed information that penetrate and influence the luxury articles consumption behavior. The objective is to propose a business plan for the company Garbo, and to obtain results, it was utilized tools and methodologies. The methodology of the project was based in the “Negócio Certo” model (SEBRAE/SC2008) and in books quoted in the project. We can divide this business plan in parts that groups distinct themes as: bibliographical revision, that approaches the history of fashion and shows when the pieces that Garbo will make appeared, together with the historic context that influenced the behavior and way of dressing of the 20th century; market research, where it is displayed the target public , fashion as personal communication, shows the trajectory of the luxury market in a global and national vision, it also exemplifies what we have available in the fashion market and the tendencies of the luxury consumption beyond the chart of competitors and the geographical coverage of the trademark, that leads the way to be followed by the company; business management, that shows all the internal operation of the company, as the planning and control of production, the marketing plan, sectors like finances and HR, logistic plan and the physical structures of the company; the last part of this plan is investment, that presents all the costs to the opening of the company , such as the demonstration of the income in return to the total invested. The results showed a market eager for new products and adept to the consumption of luxury articles. Concluding, the results enable us to have a bigger vision of what involves the consumer and of everything that is necessary for a solid company to grow in the national market. Keywords: Fashion, Luxury, Garbo and Business Plan. 4 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Painel conceitual focando o conceito da empresa .................................. 22 Figura 02: Imagem de como se vestiam antes das mudanças ................................ 24 Figura 03: Os tailleurs de Chanel ............................................................................ 25 Figura 04: Saias abaixo do joelho ........................................................................... 26 Figura 05: Modelos de vestido que não marcavam corpo ....................................... 27 Figura 06: Calça de linho Coco Chanel ................................................................... 29 Figura 07: Vestido de Madeleine Vionnet ................................................................ 29 Figura 08: Imagem de Schiaparelli usando faixa na cabeça e umas das formar em que o turbante era usado ......................................................................................... 31 Figura 09: Imagem do New Look de Dior ................................................................32 Figura 10: Imagem do New Look de Dior ................................................................33 Figura 11: Vestido da linha H de Christian Dior .......................................................34 Figura 12: Looks da linha A de Christian Dior .........................................................34 Figura 13: Vestido da linha Y de Christian Dior .......................................................35 Figura 14: Vestido curto e transparente .................................................................. 36 Figura 15: Transparecia e geometria ....................................................................... 37 Figura 16: Modelo de Yves Saint Laurent inspirado no quadro de Mondrian .......... 37 Figura 17: Modelo feito por placas de ouro ............................................................. 38 Figura 18: Vestido com características do Op Art. .................................................. 39 Figura 19: Moda hippie ............................................................................................40 Figura 20: Roupa masculina em nova forma ........................................................... 41 Figura 21: Roupa masculina em nova forma ........................................................... 42 Figura 22: Roupa masculina em nova forma ........................................................... 43 Figura 23: Calça Jeans ............................................................................................ 43 Figura 24: Moda glamour .........................................................................................44 Figura 25: Jovens punks .........................................................................................45 Figura 26: A moda na década de 1990 ................................................................... 47 Figura 27: A moda na década de 1990 ................................................................... 47 5 Figura 28: Modelos Chanel ...................................................................................... 50 Figura 29: Modelo Chanel ....................................................................................... 51 Figura 30: Modelo Chanel ....................................................................................... 51 Figura 31: Desenho de Alceu Penna .......................................................................53 Figura 32: Tipos de vestido da década de 1950 ...................................................... 54 Figura 33: Roupa de inverno ................................................................................... 55 Figura 34: Tailleur de inverno .................................................................................. 55 Figura 35: Vestidos de festa .................................................................................... 56 Figura 36: Vestidos de festa .................................................................................... 56 Figura 37: Estilo Art Déco ........................................................................................ 58 Figura 38: Sandália de plástico com meia em lurex ................................................ 59 Figura 39: Chico Buarque ........................................................................................ 60 Figura 40: O Jeans na praia .................................................................................... 61 Figura 41: Mini-blusa ............................................................................................... 61 Figura 42: Saia longa com abertura na frente ......................................................... 62 Figura 43: Zuzu Angel mostrando seu bordado ....................................................... 63 Figura 44: Macacão e conjunto de terninho ............................................................. 63 Figura 45: Painel de 1900 a 1910 ............................................................................ 66 Figura 46: Painel de 1910 ........................................................................................ 66 Figura 47: Painel de 1920 ....................................................................................... 67 Figura 48: Painel de 1930 ........................................................................................ 67 Figura 49: Painel de 1940 ........................................................................................ 68 Figura 50: Painel de 1940 ........................................................................................ 68 Figura 51: Painel de 1950 ........................................................................................ 69 Figura 52: Painel de 1960 ........................................................................................ 69 Figura 53: Painel de 1970 ........................................................................................ 70 Figura 54: Painel de 1980 ........................................................................................ 70 Figura 55: Painel de 1990 ........................................................................................ 71 Figura 56: Painel de público alvo ............................................................................. 73 Figura 57: Painel de público alvo ............................................................................. 73 Figura 58: Painel de comportamento e luxo ............................................................ 74 Figura 59: Painel de comportamento e luxo ............................................................ 74 6 Figura 60: Imagem retro (anos de 1970) ................................................................. 92 Figura 61: Dark / Punk ............................................................................................. 92 Figura 62: Masculino / Feminino .............................................................................. 93 Figura 63: Estilo Caubói e Street ............................................................................. 93 Figura 64: Texturas ................................................................................................. 94 Figura 65: Volumes e detalhes ................................................................................ 94 Figura 66: Em tricô e em couro ............................................................................... 95 Figura 67: Jaquetas e casacos ................................................................................ 95 Figura 68: Cores ...................................................................................................... 96 Figura 69: Calças e vestidos ................................................................................... 96 Figura 70: Estampas ............................................................................................... 97 Figura 71: Quadro de imagens ................................................................................ 97 Figura 72: Quadro de imagens ................................................................................ 98 Figura 73: Quadro de imagens ................................................................................ 98 Figura 74: Quadro de imagens ................................................................................ 99 Figura 75: Quadro de imagens ................................................................................ 99 Figura 76: Painel de Estado do design .................................................................. 100 Figura 77: Painel de Estado do design .................................................................. 101 Figura 78: Painel de Estado do design .................................................................. 101 Figura 79: Painel de Estado do design .................................................................. 102 Figura 80: Painel de Estado do mercado do luxo .................................................. 103 Figura 81: Painel de serviços premiuns ................................................................. 104 Figura 82: Painel de serviços premiuns ................................................................. 104 Figura 83: Sala de cinema com serviços personalizados ...................................... 105 Figura 84: Produtos Primiuns ................................................................................ 105 Figura 85: Pista de esqui no deserto de Dubai ...................................................... 106 Figura 86: A moda nos ambientes privados .......................................................... 106 Figura 87: A potência chamada China .................................................................. 107 Figura 88: Restaurante El Bulli na Espanha ..........................................................107 Figura 89: Restaurante israelense Red Sea Star ..................................................108 Figura 90: Chanel .................................................................................................. 109 Figura 91: Imagens do ultimo desfile Cori ............................................................. 110 7 Figura 92: Imagens do ultimo desfile Lino Villaventura ......................................... 111 Figura 93: Lorenzo Merlino .................................................................................... 111 Figura 94: Coleção outono/inverno de Priscilla Darolt ........................................... 112 Figura 95: Coleção outono/inverno Tereza Santos ............................................... 112 Figura 96: Coleção verão 2008 de Wilson Ranieri ................................................ 113 Figura 97: Coleção inverno 2008 Cris Barros ........................................................ 113 Figura 98: Banana Republic .................................................................................. 115 Figura 99: Loja Celine na Villa Daslu em SP ......................................................... 116 Figura 100: Uma parte da loja Chanel na Villa Daslu em SP ................................ 116 Figura 101: Desfile de coleção inverno 2007 Chanel ........................................... 117 Figura 102: Expositor da loja Dior na Villa Daslu em SP ....................................... 117 Figura 103: Campanha de inverno 2008 ...............................................................118 Figura 104: Loja Dolce e GAbbana na Villa Daslu ................................................. 118 Figura 105: Campanha de inverno 2008 ...............................................................119 Figura 106: Loja Emilio Pucci na Villa Daslu ......................................................... 119 Figura 107: Loja Gucci na Villa Daslu ....................................................................120 Figura 108: Campanha de inverno 2008 Gucci ..................................................... 120 Figura 109: Loja Moschino na Villa Daslu ............................................................. 121 Figura 110: Campanha de inverno 2008 Moschino ............................................... 121 Figura 111: Loja Prada na Villa Daslu ...................................................................122 Figura 112: Filtro de Marcas .................................................................................. 123 Figura 113: Lino Villaventura ................................................................................. 124 Figura 114: Desfile da coleção de inverno 1997 .................................................... 125 Figura 115: Desfile da coleção de inverno 2007 .................................................... 125 Figura 116: Glória Coelho ...................................................................................... 126 Figura 117: Desfiles Gloria Coelho (2007) ............................................................. 127 Figura 118: CORI .................................................................................................. 128 Figura 119: Le Lis Clanc ........................................................................................ 129 Figura 120: Giselle Nasser .................................................................................... 130 Figura 121: Coleção Giselle Nasser ...................................................................... 130 Figura 122: Organograma ..................................................................................... 139 Figura 123: Principais decisões do processo de administração ............................ 140 8 Figura 124: Fluxograma ......................................................................................... 144 Figura 125: Ficha de acompanhamento 01 ........................................................... 146 Figura 126: Ficha de acompanhamento 02 ........................................................... 147 Figura 127: Coleções anuais ................................................................................. 149 Figura 128: Ficha técnica (folha 01) ...................................................................... 151 Figura 129: Ficha técnica (folha 02) ...................................................................... 152 Figura 130: Ficha técnica (folha 03) ...................................................................... 153 Figura 131: Ficha técnica (folha 04) ...................................................................... 154 Figura 132: Ficha técnica (folha 05) ...................................................................... 155 Figura 133: Coleções anuais ................................................................................. 158 Figura 134: Etapas do plano de marketing da empresa Garbo ............................. 159 Figura 135: Estudos da Logo (fonte e motivo) ....................................................... 167 Figura 136: Estudos da Logo (união de fonte e motivo) ........................................ 167 Figura 137: Formato escolhido para a logo ........................................................... 168 Figura 138: Papel de embrulho e sacola de tecido ................................................ 168 Figura 139: Caixa e sacola .................................................................................... 169 Figura 140: Capa e cabides ................................................................................... 169 Figura 141: Fita e adesivo ..................................................................................... 169 Figura 142: Tag ..................................................................................................... 170 Figura 143: Caixa para transportadora .................................................................. 170 Figura 144: Cartão de visitas ................................................................................. 170 Figura 145: Envelope (frente e verso) ................................................................... 171 Figura 146: Papel Ofício ........................................................................................ 171 Figura 147: Capa e interior de cds ........................................................................ 172 Figura 148: Fluxos de materiais e de informações ................................................ 177 Figura 149: Medidas para cadeiras e mesas ......................................................... 180 Figura 150: Altura da bancada .............................................................................. 180 Figura 151: Altura correta para mesa sem regulagem .......................................... 181 Figura 152: Imagem da mesa de desenho regulável ............................................. 181 Figura 153: Bom ambiente de trabalho ................................................................. 182 Figura 154: Fachada .............................................................................................183 Figura 155: Recepção ........................................................................................... 184 9 Figura 156: Sala de espera ................................................................................... 184 Figura 157: showroom ...........................................................................................184 Figura 158: Copa ................................................................................................... 185 Figura 159: Administração ..................................................................................... 185 Figura 160: Diretoria .............................................................................................. 186 Figura 161: Diretoria .............................................................................................. 186 Figura 162: Histórico ............................................................................................. 187 Figura 163: Criação ............................................................................................... 187 Figura 164: Criação ............................................................................................... 188 Figura 165: Camarim ............................................................................................. 188 Figura 166: Vestiário ............................................................................................. 189 Figura 167: Estoque ..............................................................................................189 Figura 168: Modelagem ......................................................................................... 190 Figura 169: Talhação ............................................................................................. 190 Figura 170: Costura ............................................................................................... 191 Figura 171: Controle de qualidade ........................................................................191 Figura 172: Empacotamento ................................................................................. 192 Figura 173: Estoque de produtos prontos ............................................................. 192 Figura 174: Expedição ........................................................................................... 193 Figura 175: Planta baixa ........................................................................................ 193 10 LISTA DE QUADROS Quadro 01: Cronograma de atividades .................................................................... 17 Quadro 02: Modelo de questionário aplicado .......................................................... 75 Quadro 03: Companhias de luxo ............................................................................. 87 Quadro 04: crescimento anual do segmento ........................................................... 87 Quadro 05: Segundo modelo de questionário aplicado ......................................... 123 Quadro 06: Análise PFFOA da marca Lino Villaventura ........................................ 132 Quadro 07: Análise PFFOA da marca Glória Coelho ............................................ 132 Quadro 08: Análise PFFOA da marca CORI ......................................................... 133 Quadro 09: Análise PFFOA da marca Le Lis Blanc ............................................... 133 Quadro 10: Análise PFFOA da marca Giselle Nasser ........................................... 133 Quadro 11: Informações sobre pesquisa externa .................................................. 134 Quadro 12: Pontos positivos, desafios, ameaças e soluções ................................ 135 Quadro 13: Os pontos de Deming ......................................................................... 141 Quadro 14: Orçamento em revistas para anúncio publicitário e cobertura de evento ................................................................................................................................ 163 Quadro 15: Orçamento em jornais para cobertura de eventos e entrevistas ......... 163 Quadro 16: Orçamentos diversos (valores para todos os meses do plano) 032009/03-2011 .........................................................................................................164 Quadro 17: Orçamentos com todos os serviços para o período de 03-2008 à 032011 .......................................................................................................................164 Quadro 18: Inteligências ........................................................................................ 178 Quadro 19: Planilha de custos do terreno e construção ........................................ 194 Quadro 20: Planilha de custos de móveis sanitários ............................................. 194 Quadro 21: Planilha de custos de móveis ............................................................. 194 Quadro 22: Planilha de custos de equipamentos .................................................. 195 Quadro 23: Planilha de ferramentas e outros com valores aproximados .............. 196 Quadro 24: despesas fixas mensais ...................................................................... 199 Quadro 25: composição dos salários .................................................................... 199 Quadro 26: Custo por produto ............................................................................... 199 11 Quadro 27: Calculo preço de venda ......................................................................199 Quadro 28: demonstração de resultados por coleção ........................................... 200 Quadro 29: resultados por Bi-mestre ..................................................................... 200 Quadro 30: Demonstração da depreciação ........................................................... 201 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 14 1.1 Objetivo Geral .................................................................................................... 14 1.2 Objetivos específicos ......................................................................................... 15 1.3 Metodologia ........................................................................................................ 15 2 PLANO DE NEGÓCIO (DESCRIÇÃO) ................................................................. 19 2.1 Objetivo principal da empresa Garbo ................................................................. 19 2.2 Objetivo específico da empresa Garbo .............................................................. 19 2.3 Missão ................................................................................................................19 2.4 Visão ..................................................................................................................20 2.5 Valores ............................................................................................................... 20 2.6 Responsabilidade social ..................................................................................... 20 2.7 Constituição legal ............................................................................................... 20 2.8 Conceito da empresa/marca .............................................................................. 21 3 REVISÃO BIBLIOGRAFICA ................................................................................. 23 3.1 Histórico da moda no século XX ........................................................................ 23 3.2 Passos da moda no Brasil ..................................................................................48 3.3 Linha do tempo ................................................................................................... 65 4 PESQUISA DE MERCADO .................................................................................. 72 4.1 Público-alvo ........................................................................................................ 72 4.2 A moda como comunicação e classificação social ............................................. 80 4.3 Mercado do luxo ................................................................................................. 81 4.4 Estado do design ................................................................................................ 91 4.5 Concorrentes .................................................................................................... 109 4.6 Análise dos cinco concorrentes ........................................................................ 131 4.7 Abrangência geográfica .................................................................................... 137 5 GESTÃO EMPRESARIAL .................................................................................. 139 5.1 Administração geral .......................................................................................... 140 5.2 Plano e controle de produção ........................................................................... 143 5.3 Plano de marketing .......................................................................................... 159 13 5.4 Setor de finanças ............................................................................................. 172 5.5 Plano de logística ............................................................................................. 175 5.6 Setor de recursos humanos ............................................................................. 177 5.7 Estrutura física da empresa .............................................................................. 179 6 INVESTIMENTO ................................................................................................. 198 6.1 Composição dos custos e informações gerais ................................................. 198 6.2 O enquadramento tributário da empresa foi feito da seguinte forma ................ 198 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 202 8 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 203 ANEXOS ................................................................................................................ 207 14 1 INTRODUÇÃO Vestir! Qual a verdadeira função das roupas nos dias atuais? E o que vem a ser o luxo? Será que se relaciona ao supérfluo, com a demonstração de posição social, o saldo na conta bancária? Este projeto irá responder a essas perguntas de forma sucinta, porém, clara. A busca pela construção, ou a desconstrução de conceitos, fazem da década atual um marco. Essa tendência, segundo Laver (2005), iniciou em 1990, e é diante de imensas lacunas que as criações de moda acontecem. Uns preferem o que está em evidência, outros buscam o que há de sofisticação, elegância, grife. O desejo de adquirir vem através da mídia, das necessidades criadas pelos bons planos de marketing, pelo fator emocional, que impulsiona o desejo. Raramente uma mulher busca uma loja e compra com a simples finalidade de vestir. É ai que entra o mercado do luxo. Ultimamente ouve-se muito a respeito do luxo no Brasil, e mesmo que sem manifestações, a grande maioria das mulheres adoraria estar adquirindo produtos deste segmento. A proposta da empresa Garbo é justamente a de alimentar este mercado, mas com o diferencial, de confeccionar peças totalmente exclusivas. No Brasil este segmento é promissor, segundo pesquisa concluída no ano de 2007 pela empresa de consultoria MCE, o Brasil ainda está em fase embrionária, porém, o mercado do luxo de 2006 a 2007 cresceu 18%, o que não deixa de ser um excelente percentual, já que é a indústria brasileira detém o maior índice de crescimento do país. O mercado é amplo, como mostram as pesquisas presentes neste projeto, fatores como seriedade, competência, compromisso e qualidade são extremamente importantes para se constituir uma empresa sólida e manter seu crescimento. 1.1 Objetivo Geral Propor um plano de negócio para a abertura da empresa Garbo, que confeccionará roupas exclusivas para o público feminino. 15 1.2 Objetivos específicos • Pesquisar o histórico da moda nacional e internacional e sobre o mercado do luxo. • Levantar as informações necessárias sobre o estado do design neste segmento, e sobre o público alvo. • Compilar as informações para elaborar um plano de negócio com estratégia de marketing para a empresa. 1.3 Metodologia Depois de analisar processos de desenvolvimento de plano de negócio como Negócio Certo (SEBRAE/SC – 2008), Araujo 1984, Russomano 2000 e sob a orientação do Professor Roberto Hering, criou-se uma metodologia como segue abaixo: • Plano de negócio (descrição) • Cronograma • Revisão bibliográfica (pesquisa histórica) • Pesquisa de mercado - Público alvo - Moda como comunicação pessoal e social - Mercado do luxo - Estado do design - Concorrentes - Abrangência Geográfica • Gestão empresarial - Administração geral - Plano e controle de produção - Plano de marketing - Setor de finanças - Plano de logística 16 - Setor de RH - Estrutura física da empresa • Investimento • Considerações finais Neste capítulo há uma breve, explicação do que cada etapa da metodologia acima significa. 1.3.1 Plano de negócio Segundo SEBRAE (2008), plano de negócio é uma expressão e ferramenta que foi descoberta há poucos anos, e que passou a fazer parte do cotidiano dos empreendedores. Ele é atualmente exigido em praticamente todas as operações de crédito de médio porte e tornou-se essencial na busca de financiamentos e parcerias. Com o plano de negócio é possível traçar um percurso para empresas de qualquer segmento. Neste projeto o plano de negócio se foca no desenvolvimento de uma empresa de vestuário. Para isso é necessário conhecer o público alvo, fazer levantamento de dados históricos, saber como está o estado do design, bem como os possíveis concorrentes, desenvolver com base em pesquisas um planejamento de produção e de marketing. 1.3.2 Cronograma Segundo Jones (2005), o cronograma é o gerenciador do tempo. Nesta ferramenta programa-se todas as etapas do projeto, principalmente datas e compromissos a serem concluídos ou entregues. Tal recurso se aplica a este projeto de forma a auxiliar nas datas de conclusão de capítulos, entrega de relatórios e apresentações de bancas. Segue cronograma para este projeto. 17 Quadro 01: Cronograma de atividades ENCONTRO 01 02 03 04 05 06 07 DATA 13-03-08 20-03-08 25-03-08 27-03-08 03-04-08 10-04-08 17-04-08 08 20-04-08 09 25-04-08 10 28-04-08 11 30-05-08 12 13 14 15 16 05-05-08 06-05-08 07-05-08 08-05-08 09-05-08 17 10-05-08 18 11-05-08 19 14-06-08 20 21 16-06-08 14-07-08 CRONOGRAMA Proposta para TCC Detalhamento do plano de negócio Pesquisa histórica das peças de vestuário Pesquisa de mercado Pesquisa de mercado Pesquisa de mercado Pesquisa de mercado Concluir 1° fase do projeto para apresentação de banca entre (22-23 e 23/04) Planejamento e controle de produção + ergonomia dos postos de trabalho Planejamento e controle de produção + ergonomia dos postos de trabalho Planejamento e controle de produção + ergonomia dos postos de trabalho Pontos fortes e fracos do negócio Plano de marketing Plano de marketing Finanças Finanças Prospecção de abrangência geográfica, conclusão do TGI Concluir 2° fase do projeto para apresentação de banca entre (13-14 e 15/05) Concluir TGI e apresentação para banca final entre (1606-2008 / 14-07-2008) Entrega das três vias de relatório Entrega do CD de apresentação em PDF Fonte: Elaborado pela autora 1.3.3 Revisão Bibliográfica A revisão bibliográfica, segundo FURB (Fundação Universidade de Blumenau - 2008), a revisão bibliográfica constitui-se na análise comentada dos trabalhos realizados na matéria de enfoque de uma pesquisa. A pesquisa bibliográfica refere-se a um breve levantamento histórico da evolução das peças de vestuário tal como a empresa Garbo pretende produzir. Além de ser fundamental para área de criação, esta pesquisa é extremamente importante para que se possa saber da aceitação das peças em outras datas e criar novas formas de uso para os dias de hoje e do futuro. 18 1.3.4 Pesquisa de mercado A pesquisa de mercado está relacionada ao público alvo da empresa, ao mercado do luxo, ao estado do design, aos concorrentes, e abrangência geográfica. Cada item citado será devidamente explicado dentro da pesquisa de mercado. 1.3.5 Gestão administrativa Este capítulo irá tratar de toda a estrutura administrativa de empresa, onde cada setor será planejado. Dentre as áreas da gestão administrativa estão: administração geral, plano e controle de produção, marketing, finanças, logística, recursos humanos e a estrutura física da empresa. 1.3.6 Custos O capítulo que custos demonstrará, os custos fixos e variáveis da empresa, e o valor de custo e de venda das peças produzidas pela empresa Garbo. 1.3.7 Considerações finais Este é o capítulo onde é dado o veredicto final, pois após todos os estudos, levantamentos e projeções, será possível concluir, se será viável ou não pôr em prática, aplicar ao mercado, tudo aquilo que foi desenvolvido no projeto. 19 2 PLANO DE NEGÓCIO (DESCRIÇÃO) Segue a descrição sobre o plano de negócio deste projeto. 1 Razão Social: Garbo LTDA 2 Nome Fantasia: Garbo 3 Segmento: moda feminina 4 Público: Feminino (adulto) 5 Produtos: Camisaria, Tailleur, Blazer, Casacos e Costumes. 6 Forma de produção: Própria 7 Local e venda: Lojas multimarcas Todas as etapas desde criação até a embalagem, bem como toda administração e vendas serão realizadas no mesmo local, na cidade de Florianópolis – Santa Catarina. 2.1 Objetivo principal da empresa Garbo O objetivo da empresa Garbo é fazer de suas peças objetos de desejo para o público feminino. 2.2 Objetivo específico da empresa Garbo Satisfazer o público consumidor, proporcionando-lhe conforto, sofisticação, exclusividade e status. 2.3 Missão Transformar as peças, que são exclusivas, em objetos de desejo, e tornar-se uma das melhores e mais conceituadas empresa no segmento de luxo. 20 2.4 Visão Ser uma empresa de renome no segmento do luxo, atuar no mercado nacional e internacional, levando em suas criações os valores étnicos e culturais do Brasil. 2.5 Valores Manter sob controle as diversas variáveis envolvidas no negócio é indispensável para sustentar o desenvolvimento ao longo do tempo. A Garbo elege um conjunto de valores que são: • Ética; • honestidade; • pontualidade; • sofisticação; • consciência ecológica. 2.6 Responsabilidade social Em busca de um mundo melhor, a Garbo contribuirá com meio ambiente, além de seguir as normas dos organismos fiscalizadores como FATMA e outros, atuará, com utilização de materiais reciclados e recicláveis em todas as aplicações possíveis, usando os materiais excedentes na confecção de peças em patwork. 2.7 Constituição legal A empresa será constituída pela razão social Garbo LTDA, tendo como proprietária Paula Domingues Serafim. 21 2.8 Conceito da empresa/marca A busca pela perfeição é o que moverá a empresa para que nunca deixe de se ater aos mínimos detalhes, atendo a marca Garbo com sua própria terminologia, alcançando o ápice da elegância, da sofisticação, do bom gosto e da confiabilidade. Segundo Ferreira (2003, p. 969), Garbo significa elegância, galhardia, donaire, pundonor, brio, bizarria distinção e primor. Todos estes adjetivos incorporam a marca e somam-se ao conceito da empresa que quer que, ao ver, ouvir falar, adquirir e vestir qualquer peça da marca Garbo, a consumidora tenha instantânea percepção dos conceitos e valores da empresa. Pode-se então, definir seus principais conceitos como: • Exclusividade; • elegância; • status; • sensualidade; • conforto; • confiabilidade; • qualidade / durabilidade; • luxo; • experiências. “Me conte e eu esquecerei, me mostre e eu lembrarei, me envolva e eu entenderei”(FERREIRINHA, 2008). Seguem painéis de conceito da empresa / marca Garbo. 22 Figura 01: Painel conceitual focando o conceito da empresa Fonte: Elaborado pela autora A marca irá criar uma atmosfera de prazeres para as consumidoras, que só serão saciados quando estiverem usando um dos produtos da Garbo. Isso porque ao usar uma das peças da marca, a mulher se transformará, sentindo-se única, admirada, especial, privilegiada e segura para ir a qualquer lugar. Segundo Ferreirinha experiências suprem desejos”. (2008), “os produtos suprem necessidades e 23 3 REVISÃO BIBLIOGRAFICA A revisão bibliografia deste projeto refere-se ao levantamento de informações da história da moda. “A moda é o reflexo da sociedade, ou de parte dela, é a linguagem subjetiva de comunicação entre os homens” (WIKIPEDIA, 2008). “A moda é formação essencialmente sócio-histórica, circunscrita a um tipo de sociedade” (LIPOVETSKY, 1989, p. 23). 3.1 Histórico da moda no século XX A pesquisa histórica conta um pouco dos acontecimentos que de alguma forma influenciaram a moda durante o século XX, e que continuam servindo de inspiração para criadores de tendências ou de estilo, até os dias de hoje. Tal pesquisa mostrará quando as peças que a empresa Garbo pretende produzir começaram a ser usadas, a aceitação, a variação de tamanho e de seus formatos. 3.1.1 Década de 1910 Segundo Braga (2004), na década de 10 no século XX, ocorreu a primeira Guerra Mundial que mais precisamente foi de 1914 a 1918. Com a ausência da figura masculina no campo de trabalho as mulheres passaram a exercer funções em diversas áreas como a de saúde, transporte, agricultura, indústria e outras. Foi o começo da emancipação feminina. Com as mudanças dos hábitos femininos, houve a necessidade de mudanças de vestuário, naquele momento os tons predominantes eram os escuros e as roupas eram funcionais. Entre as mudanças tivemos o abandono do espartilho, os vestidos se encurtaram até a altura das canelas, para facilitar os movimentos no trabalho, adotaram-se as meias escuras para esconder as pernas, os sapatos ficaram mais aparentes. 24 Braga (2004) apresenta em seu livro o que mudou nessa década, salientado a queda do espartilho e o começo do encurtamento das saias é que foram as marcas registradas da moda nos anos de 1910 do século XX. Dentre os novos hábitos estão os cortes de cabelo, a liberdade para dirigir automóveis, fumar. Em 1916 Gabrielle Coco Chanel inovou com seus tailleurs de jérsei, ou seja, uma malha com toque macio e sedoso com aspecto elástico. Com o passar do tempo Chanel se consolidou no setor e tornou-se o nome mais importante de toda a moda do século XX. A figura 02 mostra como as mulheres se vestiam antes das mudanças mencionadas neste capítulo e a figura 03 apresenta três tipos de tailleurs de Coco Chanel já adaptados ao contexto histórico em que viviam. Figura 02: Imagem de como se vestiam antes das mudanças Fonte: BRAGA, 2004 25 Figura 03: Os tailleurs de Chanel Fonte BRAGA, 2004 Os nomes mais marcantes da moda nesta década foi o da Gabrielle Coco Chanel e de Paul Poiret. 3.1.2 Década de 1920 Conhecidos como os anos loucos, Braga (2004, p. 72) diz que “[...] as mudanças foram tantas e tão marcantes que fica difícil desvincular a palavra ‘novo’ dessa década”. As mulheres continuaram a trabalhar, ganhar seu dinheiro e consumir. Os ritmos de dança como jazz, foxtrote e charleston, contribuíram para as mudanças em que as roupas tiveram de ser adaptadas. Essas adaptações foram aplicadas nas bainhas dos vestidos que continuaram a subir, e em 1925 chegaram a ficar logo abaixo dos joelhos conforme figura 4. 26 Figura 04: Saias abaixo do joelho Fonte BRAGA, 2004 As meias que faziam sucesso eram as de seda, porém, diferente da década anterior, estas eram do tom da pele. O movimento artístico do Art Déco1 influenciou a moda de forma que as mulheres passaram a negar toda e qualquer referência curvilínea. As roupas possuíam um aspecto tubular que variavam de justos a amplos, a altura da cintura foi deslocada para o quadril, passando a chamar-se de “cintura baixa”. Com a cintura baixa as curvas do quadril não apareciam, os volumes sumiram e esta forma de vestir deixava as mulheres andróginas2. Esta moda durou até meados de 1925. 1 Art Decó segundo FERREIRA (1999) foi movimento artístico de 1925 onde os artistas privilegiavam as formas geométricas. 2 Androginia “De aparência ou modos indefinidos, entre masculino e feminino [...].” (FERREIRA, 1999 p. 136). 27 Figura 05: Modelos de vestido que não marcavam corpo Fonte BRAGA, 2004 A diferenciação de classes sociais foi um fator de grande relevância nesse decênio, e não era possível distinguir a categoria de uma pessoa apenas por suas vestimentas. A indumentária até então tinha como um dos papeis principais classificar as pessoas, mas a partir daquela década este fato passa a ser secundário. As roupas práticas e simplificadas deixaram as mulheres uniformizadas. O que realmente mudava eram as cores e os tecidos estampados, de forma assimétrica. Uma peça quase que fundamental era a anágua, usada por baixo da saia ou vestido. Calças pantalonas também eram usadas, mas não foi o que marcou a década. Já o chapéu, com abas pequenas que costumavam cair pelas laterais foi muito usado ao tempo. Os criadores que começaram a impor suas propostas na moda nessa década foram: Chanel (1983 – 1971), Madame Pequin (1860 – 1936), Jean Patou (1880 – 1936), Madeleine Vionnet (1876 – 1975), Jeane Lavin (1867 – 1946) e Lucien Lelong (1889 – 1958). 28 3.1.3 Década de 1930 A crise de 1929, que foi a queda da bolsa de Nova Iorque, abalou a economia mundial, segundo SENAC (2005); a inflação disparou, o desemprego aumentou e surgiram na Europa os regimes autoritários como o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália. Mas mesmo com a crise financeira, aquele foi um período de produção. As classes mais favorecidas pareciam ignorar a crise e continuavam a viver como antes. A grande influência da década veio do cinema: atrizes de Hollywood como Greta Garbo, Marlene Dietrich, entre outras, tiveram uma grande contribuição para o fim da androginia. Segundo Braga (2004), os vestidos encompridaram novamente, de dia a altura era de 25 cm do chão e era chamado de mi-molet, que significa da altura da panturrilha, e os vestidos da noite eram longos até o chão, porém, deixavam as costas à mostra. O cetim, com seu toque sedoso, brilhos e a silhueta marcada, formaram a ordem da vez. A cintura voltou para o lugar, tornando-se acentuada, e os tecidos ficaram variados desde os naturais, passando pelos sintéticos. Mas, as mulheres elegeram o cetim, que foi sem dúvida o tecido mais usado nessa década. Os cortes de tecidos eram o godê e o evasê. Madeleine Vionnet (1876 – 1975) introduziu o corte em viés, que no cetim dava um toque a mais de feminilidade às mulheres. Como saída de banho de mar, a peça mais usada era a calça pantalona que Chanel já havia criado na década anterior, mas que só agora passou a ser usada com mais freqüência. Com o tempo as calças foram tomando outras formas conforme imagem seguinte, onde a própria Chanel está vestindo uma de suas calças. 29 Figura 06: Calça de linho Coco Chanel Fonte: BAUDOT, 2002 Outra criadora que estava em evidência era Madeleine Vionnet que inspirada nas esculturas da antiguidade clássica grega, criava volumes em vestidos dandolhes um ar de leveza e suavidade. Figura 07: Vestido de Madeleine Vionnet Fonte: BAUDOT, 2002 30 Por volta da metade da década de 1930, a moda começa a receber influências dos uniformes militares, mas como estava longe de iniciar a Segunda Guerra mundial, esta tendência entra em evidência apenas na década de 1940. Madame Grès (1910 – 1993) usava e ousava nos efeitos drapeados. Elsa Schiaparelli (1980–1973) introduziu os conhecimentos surrealistas da arte, inspirando-se em Salvador Dali e em Jean Cocteau. Outros nomes como Jeanne Lanvin (1876 – 1946) e Cristobal Balenciaga (1895 – 1972) também contribuíram com a moda nessa década que se fecha com o início da segunda Guerra Mundial em 1939 e acaba em 1945. 3.1.4 Década de 1940 Durante o período de 1939 a 1945, a palavra de ordem foi à recessão. Segundo Braga (2004) as mulheres passaram a usar duas peças de roupa formando o look tanto de dia como de noite. Estas duas peças eram compostas por casaco e saia. Alem dos tecidos serem racionados através de uma caderneta anual para cada mulher, a composição era de origem simples, sem ostentação. Por conta da escassez de produtos de beleza, falta de cabeleireiros e a necessidade de trabalhar, as mulheres passaram a usar lenços e turbantes nos cabelos, com a finalidade de proteger e de escondê-los. A falta das meias de nylon fez com que as pernas fossem pintadas com pasta, a imitar o tom da pele, e na parte de trás desenhavam pontilhados em lápis, inventando a costura da meia. 31 Figura 08: Imagem de Schiaparelli usando faixa na cabeça e umas das formar em que o turbante era usado Fonte: SENAC, 2000 Com a influência das roupas militares como paletós e fardas, a moda feminina passa a fazer uso das ombreiras, deixando uma linha vertical abaixo do pescoço. Surge também nesse período a calça-saia que proporcionava conforto e maior mobilidade, principalmente para as mulheres que tinham que andar de bicicleta. Com o término da guerra, Paris organizou uma exposição chamada Le Théâtre de La Mode, que correu o mundo para divulgar os vestidos dos grandes nomes como Cristóbal Balenciaga (1895 – 1972), Pierre Balmain (1914 – 1982), Christian Dior (1905 – 1957), Hubert de Givenchy (nascido em 1927), Jacques Fath (1912 – 1954) e outros. A corrida para chamar as clientes novamente à Paris funcionou e a França voltou a ter domínio em relação à moda ocidental. No pós-guerra surge no norte da América o ready to wear, quer dizer nova maneira de produzir, a produção passou a ser em escala industrial com repetição de grades, de qual a França se apropriou e nominou como prêt-à-porter, em 1946. Em 1947 Christian Dior lançou uma proposta que resgatou a feminilidade e o luxo, perdidos durante a guerra. Esta proposta veio recheada de exagero de tecidos e da nova acentuação da cintura feminina, ficando conhecida como New Look. 32 Figura 09: Imagem do New Look de Dior Fonte: BRAGA, 2004 Essa foi a década que abriu as portas para as variedades da moda, que passou a ser associada aos grupos musicais e guetos, hoje conhecidos como tribos. 3.1.5 Década de 1950 Conhecido como “os anos dourados”, essa foi uma década de sofisticação e de muito luxo. Segundo SENAC (2005), no inicio da década, a tendência do New Look, criada por Christian Dior, continuou em sua trilha de exagero de tecidos e as mulheres acentuando a cintura. As combinações de sapato com vestido estavam em alta. Os sapatos do tipo scarpins de salto alto e bico fino, eram forrados com o mesmo tecido do vestido e muitas vezes com adornos em rendas e até mesmo em pedras. Os chapéus que estavam com abas maiores, não ficaram de fora. O uso de bijuterias finas imitando jóias tornou-se um habito, bem como o de luvas. 33 Figura 10: Imagem do New Look de Dior Fonte: BRAGA, 2004 De acordo com SENAC (2005), nessa década Dior cria três linhas de vestuário: a primeira foi a linha H, adequada para a noite, e junto a este estilo de vestido, voltaram os ternos masculinos e os chapéus de abas bem pequenas ou exageradamente largas. Linha H na figura 11. A segunda foi a linha A que Dior criou em 1955. Esta possuía um formato triangular igualmente a letra A em formato maiúsculo, como alguns modelos na figura 12 deste capítulo. Como já mencionado Dior criou três linhas alfabéticas, e a terceira linha foi a Y, em 1955, esta linha mostrava golas grandes em formato de “V”, na imagem 13 é possível visualizar uma das peças em formato de Y. 34 Figura 11: Vestido da linha H de Christian Dior Fonte: SENAC, 2000 Figura 12: Looks da linha A de Christian Dior Fonte: SENAC, 2000 35 Figura 13: Vestido da linha Y de Christian Dior Fonte: SENAC, 2000 Segundo Braga (2004), o estilo americano de vestir era ligado à vida familiar com requinte. As jovens começaram a sair do costume de vestir e passaram a buscar uma própria identidade de moda, essa busca estava associada aos seus gostos e forma de pensar. [...] cardigãs de malha, saias rodadas, sapatos baixos, meias soquete e rabos de cavalo, faziam a linha college. As calças compridas cigarretes, justas e curtas à altura das canelas, usadas com sapatilhas, foram muito populares entre as jovens. (BRAGA 2004, p.85). Nessa década aparecem as camisetas despojadas saídas do cinema para o corpo dos jovens americanos. Alguns dos estilistas que marcaram a década foram Christian Dior (1905 – 1957), Cristóbal Balenciaga (1972 – 1957), Pierrs Balmain (1914 – 1982), Jacques Fath (1912 – 1954), Madame Grès (1910 – 1993), Nina Ricci (1883 – 1970), Hubert de Givenchy (nascido em 1927), entre outros grandes nomes que então ditaram a moda. 36 3.1.6 Década de 1960 Ficou marcada por inúmeros acontecimentos, com liberdade de vestir para os jovens, que começaram a usar a roupa como forma de expressão e adaptações da moda aos novos tempos. “Os adolescentes exigem uma revolução na moda”. (SENAC, 2005, p. 188) Esta é a década das conquistas e batalhas, o homem chega à lua, os Estados Unidos vive o conflito racial, estudantes se rebelam. A moda entra neste contexto como forma de mostrar as diferentes opiniões e anseios. A década de 1960 se inicia com as mulheres eroticamente desnudas, segundo Laver (2005), marcas duras e geométricas, eram eróticas no quanto desnudavam (ou quase) o corpo: as saias chegaram a altura das coxas, os decotes se aprofundaram, as blusas ficaram mais transparentes, as calcinhas ficaram menores para serem usadas com minissaias saint-tropez, as malhas justas nas pernas. A figura 14 faz parte da coleção de Courrèges em 1968, que mostra a geometria e a transparência. Figura 14: Vestido curto e transparente Fonte: LAVER, 1989 37 Figura 15: Transparecia e geometria Fonte: LAVER, 1989 Estas minissaias deram à moda um aspecto de dinamismo e modernidade. Os jovens passaram a seguir a moda de seus países de origem. Na França a influência vinha de Courrèges (nascido em 1923), Pierre Cardin (nascido em 1922), Yves Saint Laurent (nascido em 1936) e Paco Rabanne (nascido em 1934). Nesse momento a indústria prêt-à-porter estava em crescimento acelerado. Figura 16: Modelo de Yves Saint Laurent inspirado no quadro de Mondrian Fonte SENAC, 2000 38 Muitas formas, cores, enfim, tendências dessa década estavam ligadas aos movimentos artísticos, aos conflitos e à busca pela liberdade. Na figura 16 pode-se notar a direta passagem da arte de Mondrian para a moda. De acordo com Braga (2004), Pierre Cardin trabalhou com cortes impecáveis em seus looks. Explorando o futurismo empregou-o em macacões de malha, nas calças mais justas, e inseriu o uso do zíper. Paco Rabanne e outros nomes de extrema importância foram mais inusitados ainda ao trocar o tecido, a linha e a agulha por placas de metal, arame e alicate, sendo carinhosamente chamado por Chanel de “o metalúrgico”. (BRAGA, 2004, p. 87). A idéia de futuro era o ponto principal. Figura 17: Modelo feito por placas de ouro Fonte: SENAC, 2000 A Inglaterra também seguiu influenciada por criadores e por um grupo musical chamado Beatles. Mary Quant difundiu a minissaia e a meia calça. Os Beatles contribuíram no segmento dos terninhos, corte de cabelo e os tons coloridos das roupas. Emílio Pucci foi referência na Itália, trabalhou as formas mais justas em tubinhos, usou as meias e muitos elementos geométricos e orgânicos ultra-coloridos 39 que foram copiados no mundo inteiro. A moda aderiu ao Psicodelismo, que era o tema usado nas artes gráficas. Na moda, este Psicodelismo foi aplicado com o uso de materiais novos como plásticos e acrílicos. Outro movimento que saiu da arte e entrou para a moda foi o Op Art , pois, em meados do século XX, criadores passaram a se inspirar nesta arte para extrair estampas e equilíbrio. As estampas eram em forma de listras geométricas em tons de preto e de branco, usavam espirais e efeitos como positivo e negativo. A figura 18 retrata exatamente o que foi o Op Art na moda. Figura 18: Vestido com características do Op Art. Fonte: SENAC, 2000 Nos Estado Unidos a rebeldia foi a ordem da época, sendo que a semelhança das roupas impossibilitavam a classificação social. Surge a onda hippie, e os jovens que aderiram a este movimento eram contra a Guerra do Vietnan. O slogan do movimento era Flower Power e Peace and Love. As características deste grupo eram visíveis em suas roupas despojadas, desleixadas, com detalhes artesanais, patchworks, saias longas de crepe indiano, 40 calças boca de sino, e outras indumentárias. A próxima figura mostra um pouco do que foi a moda hippie. Figura 19: Moda hippie Fonte: Baudot, 2002 Essa década também ficou marcada pela democratização da moda, onde a tendência masculina servia para a feminina, e vice versa. Com esta nova proposta as mulheres aderem mais aos cortes masculinos, aceitação que também ocorre pelo fato da mulher estar no campo de trabalho e precisar de mais praticidade e seriedade nas roupas. A figura 20 mostra uma mulher vestindo calça, camisa e colete, roupas típicas do guarda-roupa masculino. 41 Figura 20: Roupa masculina em nova forma Fonte: SENAC, 2000 3.1.7 Década de 1970 A moda hippie continuou com seus seguidores e referencias nessa década, mas, no entanto a moda havia se diversificado muito. Varias opções de estilos foram se tornando referência de moda. Os bureaux de style, que em português quer dizer “cadernos de tendências”, foram difundidos na metade dessa década em Paris. Porém, seu surgimento foi em aproximadamente 1950. O bureaux mais conhecido foi o Promostyle, que é usado até hoje. Esta foi outra ferramenta que os criadores de moda passaram a consultar, pois no bureaux estavam os estudos preliminares de tendências mercadológicas, propriamente sugestões para a moda. Segundo Braga (2004), a busca de inspiração no passado também foi uma ferramenta bastante usada e a moda antiga volta com adaptações e de cara nova. Uma destas novas antigas tendências foi o New Romantic, que em português quer dizer o “novo romantismo”. As características principais desta corrente são as estampas florais, acabamentos em renda, uso de chapéus de palha com acessórios e volumes de tecidos aplicados especialmente nas saias. Enquanto uma parte das mulheres se voltava para o romantismo, outra parte estava em busca da afirmação feminina no mercado de trabalho, e obviamente se 42 vestiam de maneira diferente. A busca pela independência e igualdade em relação aos homens fez com que as mulheres competissem à altura, de igual para igual, o que trouxe para o guardaroupa feminino as peças do vestuário masculino. Tal tendência já havia começado em tempos anteriores, nessa década as mulheres realmente mostram que estão vestidas para o mercado de trabalho. Nas imagens 22 e 23 pode-se observar a nova forma da mulher se vestir. Figura 21: Roupa masculina em nova forma Fonte: SENAC, 2000 43 Figura 22: Roupa masculina em nova forma Fonte: SENAC, 2000 Como se pode observar, os novos trajes femininos passaram por adaptação para o corpo feminino. Para outras situações, a calça jeans era uma peça que servia muito bem tanto aos homens como às mulheres, conforme figura 23. Figura 23: Calça Jeans Fonte: SENAC, 2000 44 O jeans variava desde a calça boca de sino, à mais justas. Os grandes especialistas neste segmento à época foram Marithé (nascida em 1942) e François Girbaud (nascido em 1945). O estilo glamour também foi outra forte referência dessa década, cujo estilo surgiu associado aos grupos musicais em alta como Bryan Ferry and Roxy Music, David Bowie, Rod Stewart, Elton John e outros. A característica deste estilo foi o brilho e um determinado tipo de bota de cano longo e salto plataforma. Figura 24: Moda glamour Fonte: Baudot, 2002 O desemprego e a falta de expectativa por um futuro melhor, fez com que alguns jovens se revoltassem, e para mostrar a desaprovação criaram o estilo punk, no qual se vestiam com jaquetas de couro em tons de preto, e suas calças e outras peças eram rasgadas, as botas surradas usavam-se muito uso do metal, em correntes, pulseiras, brincos etc., com o objetivo de agredir a sociedade. As imagens seguintes mostram um pouco de como os punks se vestiam. 45 Figura 25: Jovens punks Fonte: Braga, 2004 Estas imagens mostram como os jovens queriam agredir a sociedade, usando o próprio corpo. A década de 1970 foi sem dúvida de grandes acontecimentos no contexto da moda. As tribos começaram a aparecer e a brigar por espaço e respeito. Foi o início da luta contra o preconceito, com as mulheres conquistando seu espaço e os jovens em geral demonstrando com obstinação que pretendiam alcançar seus ideais. 3.1.8 Década de 1980 A pluralidade de opções de moda, faz parte desta década. Segundo Braga (2004), nesta década houve uma verdadeira profusão de influências e contrastes, onde os opostos começaram a conviver em harmonia. Os anos de 1980 começam com a febre da música disco. Os grupos de moda ou tribos constituíram-se e seus membros se vestiam de acordo com os ideais de cada um. Os darks trouxeram à moda o romantismo e o aspecto religioso. Criadores japoneses levaram à Paris a proposta de limpeza de visual. A cor preta oriunda da tribo punk foi usada pela tribo dark, escuro, fazendo jus ao que é o como o próprio nome. A mesma cor também foi usada pela tribo gótica, minimalistas e outras. 46 O jeans passou a ser usado de forma massificada, como roupa de trabalho, renovada em suas raízes, e que tinha voltado à moda nos anos de 1970. O smoking e os vestidos longos voltam a reinar nas festas. De acordo com Braga (2004), o primeiro japonês que chegou em Paris foi Kenzo (nascido em 1939). Outros nomes como Rei Kawakubo (nascido em 1943), Issey Miyake (nascido em 1938) e Yohji Yamamoto (nascido em 1943) também trabalharam com a limpeza das formas da moda. Com tantas opções de tribos, de comportamento, enfim de forma de vestir, as revistas, segundo Laver (2005), começaram a assumir um papel muito mais inovador ao fornecer diretrizes, e bom senso na moda. As mulheres tiveram mais conhecimento sobre cortes de tecidos do que em qualquer época, desde a Segunda Guerra Mundial, e estavam bem equipadas para criarem seus próprios looks. Luxo, poder e status podem definir com exatidão os desejos dessa década. A moda e a propaganda apressaram-se em suprir tais necessidades, com bastante dourado em acessórios de grandes proporções, muita riqueza e glamour. As modelagens eram amplas, com cintura marcada, mas também mostravam as curvas conquistadas na academia, em modelos justinhos. Volumes também eram conquistados com pregas e drapeados. 3.1.9 Década de 1990 De acordo com Braga (2004), como a queda do muro de Berlim em 1989 representou o fim de uma era e o início de uma nova reflexão política, na moda não foi diferente. Com esse acontecimento veio o fim das barreiras e preconceitos no vestir, e surge a liberdade de se expressar visualmente. Nos Estados Unidos o estilo mais descontraído ganha forças com a sobreposição de roupas. Os grupos que ficaram em evidência nesta década foram os clubbers, dragqueens, cybers, ravers entre outros que definiam a moda jovem. A falta de identidade diante tantas opções, tornou-se a verdadeira identidade da década. As pessoas passaram a se vestir de acordo com o humor do dia, muitos não estavam inseridos em nenhuma tribo, mas, usavam as roupas que as classificavam, muitas vezes misturando as indumentárias caracterizadoras das tribos 47 em um look. Naquele decênio, mais do que em qualquer outro passado, a moda começou a ser vista de fora para dentro, era o olhar de como as pessoas estavam se comportando e se vestindo. E a partir desta análise se criavam as coleções, já que havia muita informação para o consumidor que acabou formando seu look próprio, com um pouco de cada tendência. As próximas imagens mostram a variedade de estilos da década. Figura 26: A moda na década de 1990 Fonte: SENAC, 2000 Figura 27: A moda na década de 1990 Fonte: SENAC (2000) 48 Moda é expressão de um povo e de sua cultura. É como a própria história, ou seja, um rio que flui e banha as margens por onde passa, trazendo e levando o húmus da criação estilística para fertilizar o solo e fazer com que a semente possa germinar. (BRAGA, 2004, p. 106) Resumidamente pode-se dizer que na década de 1920 as mulheres deixaram as pernas de fora; nos anos 1930 as costas que tiveram vez; em 1940 foram valorizadas a cintura e o busto; em 1950 os quadris viram foco erótico; em 1960 a moda passa a ter mais de uma tendência, e isso foi ocorrendo a cada ano, com mais influências até os dias atuais. 3.2 Passos da moda no Brasil Como no capítulo anterior, o histórico da moda brasileira será desde a década de 1910 até a de 1990, do século XX. Como este projeto está direcionado à moda, as pesquisas de época foram mais enquadradas aos fatos que a influenciaram, bem como o comportamento social. As informações contidas nos próximos sub-capítulos têm base no SENAC (2005). Os sub-capítulos que contem informações de outros autores estão devidamente formatados com a fonte. 3.2.1 Década de 1910 Não há muito que dizer em relação à moda nesse período. Durante muito tempo, o Brasil copiou a moda lançada na Europa. As brasileiras compravam roupas diretamente da França ou importavam revistas de moda e tecidos para a confecção, adequando às diferenças climáticas dos continentes. Também não havia muito entretenimento na década de 10, e o cinema era a fonte de diversão da elite. Nos primeiros anos do século XX, o Rio de Janeiro já apresentava as criações francesas da Belle Époque. Os desfiles de moda aconteciam na Avenida Central e na Rua do Ouvidor. As mulheres se dedicavam às atividades familiares vestindo-se formalmente como as francesas e o vocabulário de moda era todo em francês. As roupas que compunham os looks eram saias compridas amplas de 49 subsaias, sungadas à mão, a cintura acentuada, os traseiros em tufos, e fazia-se uso do chapéu. Como muitas mulheres começaram a trabalhar, a moda foi sendo adaptada para as situações. Do mesmo modo que ocorreu na Europa, as brasileiras também foram influenciadas por Paul Poiret, e livraram-se dos espartilhos. As roupas mais práticas para o trabalho começaram a surgir como o uso de saias mais curtas, tailleurs, e as abas dos chapéus também foram reduzidas. 3.2.2 Período da 1° Guerra Mundial As brasileiras continuavam a seguir a moda parisiense. Quando o encurtamento das saias chegou ao país as brasileiras ficaram duplamente felizes, pois puderam mostrar um pouco das pernas e passaram a sentir menos calor. Os novos modelos de saia podiam ser rodados ou justos, mas mantiveram-se marcando a cintura. A composição do look variava entre duas peças como blusa e saia e de vestidos. As roupas de gala para noite eram vestidos longos com capa de veludo. Durante a guerra muitos países diminuíram a exportação dos produtos, incluindo os tecidos, e nesse momento o Brasil começa a ativar sua indústria para suprir as necessidades. 3.2.3 Década de 1920 até 1935 Igualmente na Europa, esse foi o período em as brasileiras usaram faixas para achatar os seios, o quadril desaparece com os tubinhos que deslocavam a cintura para baixo, os cabelos ficaram curtíssimos, adornados com chapéus pequenos. A roupa do dia era a mesma para a noite, e única diferença estava no requinte do artesanato aplicado. No mesmo tempo, mais precisamente em 1929, o comprimento dos vestidos volta a subir e chega a ficar logo acima dos joelhos. Uma grande mudança acontece naquele ano no âmbito industrial têxtil, como a chamada crise de 1929, ocasionada pela queda da bolsa em Nova Iorque, que abalou o país fechando 579 fábricas pela falta de compradores. 50 Com o país em crise, as mulheres assumiram um novo papel, mostraram-se participativas e aderiram ao feminismo em busca de seus direitos e de cuidar de seus destinos. Com este novo posicionamento, a moda se ajusta, de forma a deixar a mulher brasileira mais séria e formal. Por volta de 1930 as saias ficaram seis dedos abaixo dos joelhos e não se usava mais cintura baixa. Para o dia, os trajes oficiais eram tailleurs e vestidos trespassados com pregas ou drapés. Para o trabalho, as cores eram sóbrias, na parte de cima o mais comum era usar blusa, geralmente de jérsei, gravata da cor da saia, com luvas e chapéu pequeno. O modelo Chanel, como na imagem a seguir, era composto por saia aberta e a blusa-casaco também foi bastante usada. Figura 28: Modelos Chanel Fonte: SENAC, 2000 Em 1935 as roupas ganham as variações de pois, que são as bolas nas estampas de saias e vestidos (figura 29). 51 Figura 29: Modelo Chanel Fonte: SENAC, 2000 A próxima figura mostra uma um traje feminino com aplicação de ombreiras, que também saíram do vestuário masculino e entraram na moda feminina brasileira, como em tailleurs, blusas e casacos. Os mantôs, capas, paletós, casacos de pele e outros faziam parte dos agasalhos de inverno da mulher brasileira. Figura 30: Modelo Chanel Fonte: SENAC, 2000 52 3.2.4 Durante a 2° Guerra Mundial Pelo enfraquecimento dos contatos durante guerra entre o Brasil e Alemanha, as tendências do exterior chegam com atraso ao país. Mas não demorou muito para as mulheres daqui inserirem nas suas roupas motivos militares em cortes e detalhes. O uso do turbante e xales também estava presentes. Os vestidos longos de jérsei de seda modelavam os seios e os quadris, das elegantes noites do país. Em 1945 a cintura passa a ser bem fina, as pernas ficam à mostra, o busto realçado e os ombros expostos, O vestido mais usado passa a ser o modelo “sereia”. 3.2.5 Década de 1950 A década de 1950 começa em clima de democracia, a situação econômica favorável expressa um grande desenvolvimento industrial e tendências nacionalistas. Os criadores experimentam uma nova onda, a indústria brasileira cresce, a arte, de Hollywood, a televisão e outros acontecimentos passam a inspirá-los. Com Getúlio Vargas novamente no poder a indústria nacional se desenvolve, mas o custo de vida eleva-se muito em 1952. Em 1955 Juscelino Kubitscheck assume a presidência otimizando e modernizando o país. O segmento de beleza cresce como nunca, o consumo de produtos para cabelos e maquilagem ficam em alta. Atrizes de Hollywood continuam servindo de referência para as brasileiras, algumas com apelo erótico como o caso da Jayne Mansfield e outras eram mais comportadas como Doris Day. Marilyn Monroe explode em 1953. A televisão é inaugurada em setembro de 1950, o cinema nacional se desenvolve e a música romântica anima os bailes de sábado à noite. (SENAC, 2005). Na arte foi Alceu Penna quem deu sua contribuição à moda, com seus desenhos cheios de elementos e vida. Criadores de moda puderam se inspirar nos desenhos graciosos em linha e movimento. Na imagem a seguir pode-se apreciar 53 um de seus desenhos. Figura 31: Desenho de Alceu Penna Fonte: SENAC, 2000 Em 1947 o Brasil usa o New Look com saias rodadas, cintura acentuada e os ombros livres das ombreiras. As garotas começam a andar de calça comprida e a aceitar carona em garupas de lambretas. Segundo SENAC (2005), as senhoras da década de 1950 se vestiam de forma bastante variada, pois havia uma vasta gama de trajes na moda. No verão usavam vestidos com saia balão, justo na cintura e na bainha, com decote ou alcinha; vestidos com saia rodada de cintura fina, e na blusa detalhes drapeados ou gola oval a valorizar o colo; vestidos em failler marinho com pois branco e gola formando um laço; vestido de musselina de seda pura ou estampada e plissada com cinto forrado sobreposto a um tubinho sem alças. Para estes looks usava-se chapéu de abas com faixa de tecido estampado em volta do chapéu. Usava-se vestido tomara-que-caia justo, com cintura marcada, em palha de seda estampada; vestiso de cintura baixa em flanela xadrez, com saia ampla. Luvas e chapéus formavam outro look para a noite, com vestidos de saia rodada e corpo 54 justo e faixa de cetim na cintura. Como não poderia deixar de ser, o tailleur marcou presença e poderia ser em palha ou em seda, a blusa que era usada por baixo geralmente era confeccionada de jérsei. No inverno as senhoras usavam conjuntos de suéter e casaquinhos em cashemere com o decote bem rente ao pescoço, as mangas poderiam ser trêsquartos o tecido era estampando em formado de espinha-de-peixe, como na figura 32, outro conjunto muito usado foi o de pulôver com gola reulé no tom da saia redingote de saia larga adotado na frente como martinga na parte de trás, tailleur de tweed ou mesmo de shantung com saia justa; casado curto e solto no corpo, por baixo usava-se blusa sem gola ou de jabot. Para festas os botões eram forrados bem como os sapatos que eram do mesmo tecido da roupa, os vestidos eram românticos de bordado inglês, com cintura justa e saia ampla formada por babados, sobre os ombros usavam xales de organza. Segue imagens de tipos de vestidos usados nesta década e tailleurs. Figura 32: Tipos de vestido da década de 1950 Fonte SENAC, 2000 55 Figura 33: Roupa de inverno Fonte: SENAC, 2000 Figura 34: Tailleur de inverno Fonte: SENAC, 2000 56 Figura 35: Vestidos de festa Fonte: SENAC, 2000 Figura 36: Vestidos de festa Fonte: SENAC, 2000 Os vestidos de baile de Dior eram sem alças e para sustentar o busto usava barbatanas, como na figura 35 à direita. Lojas do Rio de Janeiro já estavam vendendo produtos brasileiros, mas o consumo de roupas francesas ainda era muito alto. 57 3.2.6 Década de 1960 Segundo Garcia (2005) “A época que mudou o mundo, anos 60”. Folha online, no Brasil, a Jovem Guarda fazia sucesso na televisão e ditava moda. Wanderléia de minissaia, Roberto Carlos de roupas coloridas e, como na música, usava botinha sem meia e cabelo na testa [como os Beatles]. O grito de ordem era "quero que vá tudo pro inferno". Os avanços na medicina, as viagens espaciais, o Concorde que viajava em velocidade superior à do som, são exemplos de uma era de grande desenvolvimento tecnológico, que transmitia sensação de modernidade. Isso influenciou não só a moda, mas também o design e a arte, que passaria a ter um aspecto mais popular e fugaz. Nesse contexto, nenhum movimento artístico causou maior impacto do que a Pop. Art Artistas como Andy Warhol, Roy Lichetenstein e Robert Indiana usaram irreverência e ironia em seus trabalhos. Warhol usava imagens repetidas de símbolos populares da cultura norte-americana em seus quadros, como as latas de sopa Campbell, Elvis Presley e Marilyn Monroe. A Op Art também fez parte dessa época e estava presente em estampas de tecidos. No ritmo de todas as mudanças dos anos de 1960, o cinema europeu ganhava força com a nouvelle. O cinema francês ao lado do neo-realismo do cinema italiano, que influenciaram o surgimento do cinema novo, tendo Glauber Rocha como um dos seus próceres, no Brasil, a contestar as caras produções da época e destacar a importância do autor, ao contrário dos estúdios de Hollywood. 58 Figura 37: Estilo Art Déco Fonte: SENAC, 2000 A música influenciou os jovens brasileiros com o grupo "Os Mutantes", formado por Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Batista, seguindo caminho na contracultura. Afastavam-se da ostentação do vestuário da jovem guarda, em busca de uma viagem psicodélica. A moda passou a ter as roupas antes reservadas às classes operárias e camponesas, como os jeans americano, o básico da moda de rua. Nas butiques chiques, a moda étnica estava presente nos casacos afegãos, fulares indianos, túnicas floridas e uma série de acessórios da nova moda, tudo kitsch, retrô e pop. Toda a rebeldia dos anos de 1960 culminou em 1968. O movimento estudantil explodiu e tomou conta das ruas em diversas partes do mundo e contestava a sociedade, seus sistemas de ensino e a cultura em diversos aspectos, como a sexualidade, os costumes, a moral e a estética. No Brasil, lutava-se contra a ditadura militar, contra a reforma educacional, o que iria mais tarde resultar no fechamento do Congresso e na decretação do Ato Institucional nº 5. Talvez o que mais tenha caracterizado a juventude dos anos de 1960 tenha sido o desejo de se rebelar, a busca por liberdade de expressão e liberdade sexual. Nesse sentido, para as mulheres, o surgimento da pílula 59 anticoncepcional, no início da década, foi responsável por um comportamento sexual feminino mais liberal. Porém, elas também queriam igualdade de direitos, de salários, de decisão. Até o sutiã foi queimado em praça pública, num símbolo de libertação. Os anos de 1960 chegaram ao fim, coroados com a chegada do homem à Lua, em julho de 1969, e com um grande show de rock, o "Woodstock Music & Art Fair", em agosto do mesmo ano, que reuniu cerca de 500 mil pessoas em três dias de música, sexo e drogas. 3.2.7 Década de 1970 a 1980 Antes de descrever a moda dessas décadas, é importante comentar alguns fatos ocorridos no país, como a política, a música e arte. Na televisão, as novelas Dancing Day e Água Viva ditaram a moda influenciando no uso de sapatos em plástico, de cor marrom, junto com meias de lurex, como na figura a seguir. Sonia Braga apareceu com gel e brilho nos cabelos, que as brasileiras logo copiaram. Figura 38: Sandália de plástico com meia em lurex Fonte: SENAC, 2000 A música, mesmo com a censura, vivia num momento de grandes 60 lançamentos, surge então a Bossa Nova, o Tropicalismo e a música de protesto, que ficaram conhecidas em várias partes do mudo e estão no gosto popular até os dias de hoje. Segue imagem do compositor e cantor Chico Buarque de Holanda. Figura 39: Chico Buarque Fonte: SENAC, 2000 Anos de 1970 - “Ninguém segura este país” este foi um dos slogans de propaganda política e o pais ainda estava sob pleno regime militar. O Brasil passou por um período de euforia e consumo, a produção industrial chegou a crescer 9,1%, porém, o grupo de esquerda estava se revoltando com a censura à imprensa e à classe artística. Em 1973 a inflação dispara com a crise do petróleo, e em 1974 o General Geisel assume a presidência. A oposição cresce e dá-se inicio ao processo de abertura política Todos queriam liberdade, e passaram a refletir a respeito. Na moda o jeans passa a ser usado em todas as ocasiões inclusive nas praias, como ilustra a figura 40. As peças mais confeccionadas em jeans eram calças, camisas, jaquetas, blusões, túnicas, vestidos, macacões e até sapatos. O toque especial no acabamento era o rasgado, cerzido, com remendos, bolsos arrancados etc. 61 Figura 40: O Jeans na praia Fonte: SENAC, 2000 As jovens usavam jeans marinheiro abotoados e boca-de-sino, mini-blusas e calças saint-tropez que também eram a febre do momento. A figura 41 mostra a mini-blusa sendo usada junto com uma minissaia. Figura 41: Mini-blusa Fonte SENAC, 2000 62 Há quem usasse saias longas, com corte evasê. A frente da saia tinha uma abertura às vezes pequena e às vezes completa; as blusinhas de malha sanfonadas e cintos grossos também eram usados. Figura 42: Saia longa com abertura na frente Fonte: SENAC, 2000 No inverno o vestido era micro e plissado, com corte abaixo do busto, quase sempre usado com bota de cano e salto alto. A opção de estilos a seguir fez com que todas as mulheres ficassem na moda, umas usavando terninhos, outras conjunto de jeans, batas, camisetas, túnicas, vestidos indianos, caftãs, pantalonas. Os shoppings estavam se tornando os melhores lugares para lazer e compras, as lojas começaram a vender produtos para públicos específicos. Alguns dos nomes que fizeram história no país na moda: Clodovil, Guilherme Guimarães, Hugo Rocha, Dener, José Nunes, Gérson e Markito, Silvia Souza Dantas, Mary Angélica; Madame Lucy e Georgina eram especialistas em alta-costura, Zuzu Angel foi a grande personalidade a ser reconhecida internacionalmente. 63 Figura 43: Zuzu Angel mostrando seu bordado Fonte: SENAC, 2000 A moda, como já citado, era bastante eclética havendo roupa para todos os gostos e bolsos. As próximas imagens mostram tipos de roupa que eram usados entre as décadas de 1970 e 1980. Figura 44: Macacão e conjunto de terninho Fonte: SENAC, 2000 64 3.2.8 Década de 1990 Abertura do mercado para os importados e crise econômica ocasionada pelo Plano Collor, é o panorama do início dos anos de 1990, quando o produto brasileiro sofria severa concorrência. O que desencadeou, segundo Palomino (2003, p. 81): “[…] a mais longa agonia do setor até então: entre 1992 e 1997, pelo menos 773 empresas da área têxtil fecharam, e mais de 1 milhão de pessoas perderam o emprego.” No mercado de luxo, lojas como a pioneira Daslu, aproveitaram a abertura do mercado, para trazer grifes internacionais para Brasil. A popularização das grandes marcas, que de acordo com Joffily, apresentou uma curiosa mutação, com grandes estilistas criando coleções exclusivas para determinadas cadeias de lojas de departamentos. Já não são mais produções anônimas, mas com as etiquetas, até então mais caras, tornadas acessíveis para à classe média, devido a escala de produção dessas lojas. É o sistema de licensing incorporado à nova maneira do vestir (estilo) à realidade do mercado consumidor. Em 1994, com a estabilização da economia, o país volta a crescer, o que imediatamente se reflete na moda através de mega-desfiles – apresentações grandiosas e mirabolantes para mobilizar a mídia e gente famosa. O estilista Lino Villaventura destacou-se como o mais brasileiro dos criadores, tal como Walter Rodrigues. O estilista Ocimar Versolato, em 1995 explode em Paris com prêt-à-porter. Em 1994, a marca Fórum volta-se para referências da cultura popular, sendo a primeira vez que uma grande marca assumia valores brasileiros, levando a uma discussão a respeito da necessidade de uma identidade brasileira na produção do país. Modelos brasileiras passaram a chamar a atenção no panorama internacional – culminando em Gisele Bündchen – a mais famosa delas. A beleza da mulher brasileira chamou atenção do mundo. Na década de 1990, Alexandre Herchcovitch, com todo seu arrojo e estilo tornou-se a maior personalidade da moda brasileira, lançando suas coleções em Londres e em Paris. Por meio do academicismo da moda, uma francesa, presente 65 anualmente no Brasil, muito contribuiu para a formação do profissionalismo da moda nacional: Marie Rucki do Studio Bertot-Rucki de Paris. A convite da casa Rhodia/CIT (Coordenação Industrial Têxtil), Rucki vindo à São Paulo ministrar sua experiência, e, nomes como Glória Coelho, Reinaldo Lourenço, Jefferson Kulig, entre muitos outros. A imprensa nacional muito favoreceu o fortalecimento da moda brasileira. Merece destaque outro brasileiro que fez sucesso em Londres foi Inácio Ribeiro com o pseudônimo de Clements Ribeiro. O evento para novos talentos, intitulado Mercado Mundo Mix, na primeira metade dos anos de 1990, criou a identidade da moda jovem e alternativa. Em 1996, por iniciativa carioca da Universidade Veiga de Almeida e do Instituto Zuzu Angel, foi criada a Academia Brasileira de Moda. Segundo Braga (2004), o profissionalismo e o reconhecimento da moda nacional atingiram significativas proporções ainda nos anos 90. O evento Phytoervas Fashion desencadeou o processo público de lançamentos regulares de coleções por meio de desfiles; até então, só acontecendo a um público muito restrito nos showroom de cada marca. Transformou-se no evento Morumbi Fashion Brasil e, hoje sob a tutela de Paulo Borges, temos o grande evento São Paulo Fashion Week, presente no calendário internacional da moda, que acontece duas vezes ao ano para lançamento das coleções dos grandes nomes e grifes da moda brasileira. E São Paulo passou a fazer parte do ranking dos lançadores internacionais de moda, juntamente com Paris, Londres, Milão e Nova York. Além dos desfiles do SPFW, temos também presentes os eventos Semana de Moda – Casa de Criadores, em São Paulo e Fashion Rio no Rio de Janeiro. 3.3 Linha do tempo Neste tópico é apresentado todo o histórico da moda de década em década, por painéis com imagens que mostram a indumentária de cada época. 66 Figura 45: Painel de 1900 a 1910 Fonte: Cattelani, 2003 Figura 46: Painel de 1910 Fonte: Catellani, 2003 67 Figura 47: Painel de 1920 Fonte: Catellani, 2003 Figura 48: Painel de 1930 Fonte: Catellani, 2003 68 Figura 49: Painel de 1940 Fonte: Catellani, 2003 Figura 50: Painel de 1940 Fonte: Catellani, 2003 69 Figura 51: Painel de 1950 Fonte Catellani, 2003 Figura 52: Painel de 1960 Fonte Catellani, 2003 70 Figura 53: Painel de 1970 Fonte Catellani, 2003 Figura 54: Painel de 1980 Fonte: Catellani, 2003 71 Figura 55: Painel de 1990 Fonte: Catellani, 2003 Ter conhecimento sobre o histórico da moda é fundamental para este segmento, pois é uma forma de saber o que já foi criado, por quanto tempo durou, quais foram às variações. Como se pode observar, a composição saia mais corpo, começou a ganhar espaço a partir de 1900. Entre 1910 e 1914 o uso da calça foi ficando mais freqüente entre as mulheres, mas o mais comum era vê-las de saia. A calça feminina começa a ganhar forças a partir de 1950, e os blazers, por sua vez, se fizeram presentes desde o início do século. O tailleur também veio para ficar, e na década de 20 já era um sucesso perpetuando até os dias de hoje. Já o conjunto de calça e paletó, o costume, apareceu na década de 1950, sendo hoje também é muito usado por mulheres de todas as classes sociais. Concluiu-se que a moda é a tendência de consumo da atualidade e é composta de diversos estilos que pode ser influenciada sob diversos aspectos. Essas influencias contribuem com a moda de forma a deixár-la passageira e facilmente mutável de se vestir, além de proporcionar novidades e variedades de estilos de tendências para as pessoas. Como citado nesta pesquisa, as peças que a empresa Garbo irá produzir, já fazem parte do guarda-roupa das mulheres brasileiras há muito tempo. Mas o grande diferencial dos produtos, será a exclusividade do design casual. 72 4 PESQUISA DE MERCADO Neste capítulo serão apresentadas todas as pesquisas referentes ao público alvo, a moda como comunicação, mercado do luxo, estado do design, concorrentes, problemática, abrangência geográfica, potencial de crescimento e fornecedores. Segundo MAS (2002), pesquisa de mercado é um mecanismo para empreendedores preocupados com a qualidade de seus serviços, que buscam maneiras de quantificar investimentos. No geral, a pesquisa mede o grau de satisfação do cliente, em diversos aspectos, contribuindo para conquistar e manter a clientela. 4.1 Público-alvo A empresa Garbo tem como público-alvo mulheres maduras, que têm ou que buscam um estilo criativo e elegante de vestir e pertençam à classe social A. Podese dizer que este público é movido pelo desejo de obter bens exclusivos, apreciam o novo e o diferente, desde que não ofusque a sensualidade no vestir. A empresa aposta num público que costuma pagar pela individualidade, seja em serviços ou em bens, pode-se definir este ponto de vista como uma agregação de status, quanto mais exclusivo, mais caro e quanto mais caro maior o status. Sabe-se que cada vez mais o consumidor exige qualidade, qualidade esta que muitas vezes só quem está usando pode perceber. O comportamento deste público é bem vadiado, elas viajam, gostam de fazer compras em lugares selecionados, vão a teatros, shows, restaurantes, festas, e outros. Na lista de compra pessoal estão sapatos, jóias, roupas, livros, CDs/DVDs, maquiagem, acessórios, perfumes todos de grife. As casas destas mulheres são projetadas e decoradas por especialistas da área, os artigos de cama, mesa, banho, louças e mobília são de primeira linha para proporcionar conforto e bem estar, assim como os carros, barcos e eventuais deslocamentos são feitos em helicóptero ou jato particular. Devido a falta de tempo, e a variedade de produtos de moda, muitas pessoas 73 aderiram ao personal stylist, que monta o estilo da pessoa. Seguem nas próximas páginas painéis com imagens do público alvo. As imagens selecionadas mostram as características deste público. Figura 56: Painel de público alvo Fonte: Elaborado pela autora Figura 57: Painel de público alvo Fonte: Elaborada pela autora 74 Figura 58: Painel de comportamento e luxo Fonte: Elaborada pela autora Figura 59: Painel de comportamento e luxo Fonte: Elaborada pela autora 75 4.1.1 Aplicação de questionário Para se conhecer melhor o mercado, optou-se por fazer uma pesquisa em forma de questionário, de caráter qualitativo, com o objetivo de coletar informações quanto ao conhecimento das lojas-multimarcas em relação ao mercado do luxo e através da experiência de pessoas entrevistadas, saber um pouco sobre as consumidoras e o mercado. Os vinte questionários foram respondidos por vendedoras e por proprietárias das lojas que trabalham com o mercado do luxo. O questionário foi preenchido pelas seguintes lojas: • Daslu – em São Paulo SP: 15 questionários • Princesa – em Joinville SC: 2 questionários • Vive La Vie – em Balneário de Camboriú SC: 1questionário • Tida – em Florianópolis SC: 2 questionários Segue modelo de questionário aplicado: Quadro 02: Modelo de questionário aplicado PAULA DOMINGUES SERAFIM Este questionário refere-se a uma pesquisa de mercado desenvolvida pela acadêmica Paula D. Serafim, com objetivo de conhecer melhor o mercado do luxo, e compreender as necessidades deste segmento ou das consumidoras. O resultado da pesquisa será aplicado no relatório de projeto de conclusão do curso de design de moda. 1. O que é o mercado do luxo? 2. Quais são os bens ou serviços deste segmento? 3. À que público é acessível? 4. Você acompanha o percentual de crescimento do mercado ano a ano? 5. Acredita neste segmento? Por quê? 6. O que é necessário para se manter no mercado por longo prazo? 7. Cite casos de sucesso. 8. Cite casos de fracasso. 9. O que você pensa a respeito da competitividade? 10. O que vende mais: produtos nacionais ou internacionais? Você sabe por quê? 11. E quanto a pirataria, o que você pensa a respeito? 12. Você acha a pirataria um bom marketing? 13. O que cativa a cliente? 14. Você conhece empresas que trabalhem com peças exclusivas sem variação de grade? 15. Você acha que tem mercado para esta proposta? 16. Qual o veículo de propaganda que tem mais credibilidade para cliente? / qual dá mais resultado? Ex. TV (rede globo horário....), revista Vogue, ...site, etc. 17. O que as clientes querem encontrar em um artigo de luxo? 18. Comentários Sua contribuição para esta pesquisa foi muito importante. Obrigada! Fonte: Elaborado pela autora 76 4.1.2 Análise das respostas A análise segue com apresentação individual das questões. Pergunta número um: o que é o mercado do luxo? • Mercado que preza pela qualidade; • Com alto padrão de qualidade; • É um novo segmento do mercado fashion; • Mercado do glamour/status; • Produtos com qualidade e conceito. Pergunta número dois: quais são os bens ou serviços deste segmento? • Vestuário / acessórios / jóias / calçados; • Mercado automobilístico / casa / decoração; • Mercado de estética / alimentação / saúde; • Serviços de viagem. Pergunta número três: à que público é acessível? • Primeira à classe A, depois à outras pessoas que se sujeitem a abrir mão de outras necessidades para adquirir um produto de luxo. Pergunta número quatro: você acompanha o percentual de crescimento do mercado ano a ano? • Não / nunca ouvi falar em dados deste segmento; • Sim, me parece que no Brasil já foi feito uma pesquisa de crescimento do mercado do luxo; • Acompanho mais o mercado internacional, temos dados acessíveis mais fácil que no Brasil. Pergunta número cinco: acredita neste segmento? Por quê? • Acredito em todos os segmentos, se o trabalho for qualificado; • Sim, vivo isso diariamente, é um mercado emergente; 77 • Sim, muitas pessoas querem produtos de luxo; • O luxo nunca vai desaparecer; • É uma forma de dizer quem a pessoa é, então muitos fazem de tudo para comprar estes produtos; • É muito chique sair com uma bolsa da Chanel “original”, isso faz bem para o ego das mulheres. Pergunta número seis: o que é necessário para se manter no mercado por longo prazo? • Informação / evolução; • Pôr em primeiro lugar a cliente e buscar a satisfação da mesma; • Pôr no mercado apenas produtos com qualidade; • Inovar sempre, buscar materiais diferentes; • Investir em marketing; • Trabalhar de forma sustentável, sem prejudicar o nosso meio ambiente e mostrar isso para as clientes. Pergunta número sete: Cite um caso de sucesso: • Victory Secret; • Chanel / Dolce Gabbana / Disel; • Chrietian Dior / Prada / Ricardo Almeida; • Zara / Colcci / Daslu / Doc Dog / Vix; • Zapalla / Cris Barros / Conversel / Bobó; • Fórum / Gisele Nasser / Gloria Coelho / Lacoste / outros. Pergunta número nove: o que você pensa a respeito da competitividade? • Fortalece o mercado; • Faz com que as empresas não se acomodem; • Faz com que as empresas prestem mais atenção no que acontece ao seu redor procurando cada vez mais agradar seus clientes. 78 Pergunta número dez: o que vende mais, produtos nacionais ou internacionais? • Nacionais, pelo preço, • Depende da loja, a Daslu vende produtos internacionais em alguns meses vende muito do que nacionais; • Nacional, o preço, dizem as clientes é mais justo, e em matéria de qualidade não perde para os internacionais, mas os produtos nacionais precisam de mais glamour; • Produtos nacionais em geral são mais acessíveis, mas com a baixa do dólar, muitas pessoas estão aproveitando para comprar produtos internacionais. Pergunta número onze: e quanto à pirataria, o que você pensa a respeito? • Como já disse Chanel, “só estamos fazendo sucesso quando estamos sendo copiados”; • Faz parte do mercado; • Muitas mulheres ainda compram segundo sua consciência de status e não se satisfazem com produtos falsificados, as pessoas que compram produtos piratas não são nossas clientes, pois, se compram pirata, é porque não tem condições de comprar o original; • Em geral a pirataria não diminui as vendas dos produtos originais, estes produtos atendem à outra classe de consumidores. Pergunta número doze: você acha a pirataria um bom marketing? • Nem bom, nem ruim; • É uma forma de marketing, enquanto uns não podem ter e adquirem o similar, outras, tem satisfação em adquirir e exibir o produto original o que aumenta a auto-estima; • Acho que não é um bom marketing, posto que algumas clientes preferem não comprar para não ficarem parecidas com suas empregadas. A pirataria acaba por degradar a imagem do produto. Pergunta número treze: o que cativa a cliente? • Respeito / bom gosto / cuidado; 79 • Marketing / qualidade / presentinhos; • Bom marketing usando personalidades; • Qualidade de propaganda, a cliente tem que se identificar com a proposta da empresa, esta, não pode ficar mudando para se adequar a uma cliente num mês e a outra no outro; • Trabalhar com honestidade / pontualidade; • Pensar em primeiro lugar no seu público / trabalhar para satisfazê-lo. Pergunta número quatorze: você conhece empresas que trabalham com roupas exclusivas, sem variação de grade? • Maison Desirée – SP, roupas de festas; • Suzi Ferreira – PR roupas de cotton, voscolycra. Pergunta número quinze: você acha que tem mercado para esta proposta? • Sim, com certeza; • É preciso ter qualidade e exclusividade. Pergunta número dezesseis: qual o veículo de propaganda que tem mais credibilidade para a cliente? Qual dá mais resultado? • Site / revistas / mala direta; • Catálogos / programa de TV (ex. Hebe Camargo / GNT); • Outdoors / notas em jornal / entrevistas. Pergunta número dezessete: o que as clientes querem encontrar no luxo? • Conceitos, • Satisfação pessoal / compensação, • Ficar elegante / o poder, • A diferenciação / estilo, outros. Com as vinte respostas conseguidas, concluiu-se que há público para este segmento, e a empresa precisa estar atenta a ele para conquistar sua a confiança. O diferencial é apreciado por todos, porém o simples fato de ser exclusivo não 80 atrai; é preciso agregar outros valores como qualidade, segurança, feminilidade, e outros. Como visto no questionário, no mercado do luxo tudo é possível desde que se ofereça produtos selecionados, com alto padrão de qualidade para que a cliente leve consigo a essência da marca, e saia satisfeita com seu produto. 4.2 A moda como comunicação e classificação social De acordo com Eco (1989), a moda serve principalmente para vestir, cobrir o corpo. Porém, basta fazer uma breve análise no guarda-roupa para se constatar que praticamente 50% das roupas supririam esta necessidade. Os outros 50% fazem parte da necessidade de comunicação. O vestuário é comunicação, o código de vestir existe e é através das roupas que as pessoas dizem algo sobre si. A moda para Lipovetsky (1989), é um sistema original de regulação e de pressão social. Durante séculos, o vestuário respondeu globalmente à hierarquia das condições. Cada estado usava os trajes que lhe eram próprios, a força das tradições impedia a confusão das qualidades e a usurpação dos privilégios do vestuário. Segundo Lipovetsky (1989) os éditos suntuários proibiam as classes plebéias de se vestirem como nobres, de exibir os mesmos tecidos, os mesmos acessórios e jóias. O traje da moda permaneceu por muito tempo como consumo luxuoso e prestigioso, confinado, no essencial, às classes nobres. Este quadro mudou com o surgimento dos bancos e do comércio no século XIII, período em que surge o novo-rico, como era chamado quem tinha vida faustosa, se vestia como os nobres, comprava jóias e tecidos preciosos. Esta nova classe rivalizava em elegância com a nobreza. Surgem então as leis suntuárias na Itália, na França e na Espanha, com o objetivo de proteger as indústrias nacionais, impedir o esbanjamento de metais raros e preciosos, e de impor uma distinção dos vestuários, respeitando a ordem hierárquica. A imitação do vestuário nobre propagou-se em novas camadas sociais, e a moda chegou à classe média, à pequena burguesia. Esta classificação social continua presente nos dias de hoje e é importante 81 ressaltar que na contemporaneidade, dois verbos vem sendo usados para explicar a linguagem pessoal visual: aparentar e aparecer. Aparentar e aparecer, segundo Mesquita (2004), são ações extremamente valorizadas na sociedade contemporânea, um tempo no qual a presença em diferentes veículos da mídia define bastante o grau de importância, de pessoa, profissão, valores e atitude. Diz Castilho (2006, p. 89), “Entre o ser e não parecer, criam-se efeitos de sentido de realidade corpórea, como se o corpo estivesse à mostra entre o parecer e o não ser, criam-se efeitos de sentido de encenação, pois o traje recria de certo modo o corpo”. O que temos de evidente no século XXI é que podemos ser uma pessoa, e mostram aos outros que somos outra apenas pela maneira de vestir. A variedade de estilos presente no mercado possibilita esta mutação de estilo, que a sociedade não condena, porque todos tiram proveito da possibilidade de vestir-se como bem entendem. Essa liberdade em que vive a moda atual fortalece a proposta da empresa Garbo em criar um estilo próprio e proporcionar sofisticação, elegância em produtos exclusivos que carreguem todos os conceitos da marca. 4.3 Mercado do luxo Recompensa pessoal, auto-satisfação, projeção social, que motivos levam uma pessoa a pagar muito caro por um costume numa loja onde se sabe que há pelo menos mais três peças idênticas? Cada vez mais o mundo se pergunta como e porque gastar tanto por um bem que muitas vezes será usado apenas uma vez, como vestidos de festa, onde o valor pode chegar a o preço de um apartamento. Mas afinal o que é luxo? Segundo Roux (2005), o luxo é derivado do latim luxus. Entre os derivados do luxo encontra-se igualmente a luxuria, exuberância e profusão. De acordo com o psicanalista Jorge Forbes (apud site consumidor moderno, 2006), luxo pode ser definido como algo além da necessidade, que não é por isso 82 menos fundamental. Segundo ele, o que se percebe atualmente é a atração dos sentidos pelo luxo, do prazer e da sensibilidade sentido na intimidade por cada indivíduo, e não o luxo exterior, da exibição e da opulência que visa simplesmente demonstrar status. Para Braga (2004), luxo quer dizer abundância, refinamento, ostentação, magnificência e ornamento. Mas tem uma palavra que predomina quando esse é o assunto: exclusividade. Isso é o que dá o tom quando falamos do luxo tradicional. Surge agora, porém, um novo fenômeno, chamado o novo luxo, que envolve os produtos mais acessíveis que os do luxo tradicional e não faz distinções de classe social. Segundo Lipovestsky (2005), o mercado do luxo nasceu junto com o surgimento do homem, e foi se adequando ao tempo e à sociedade. Sempre houve a disputa de status, a busca pela satisfação pessoal e pela qualidade, mas é fato que hoje mais e mais pessoas correm em busca dos prazeres do luxo. O luxo não começou com a fabricação de bens de preço elevado, mas com o espírito de dispêndio: este precedeu o entesouramento das coisas raras. Antes de uma marca da civilização material, o luxo foi um fenômeno de cura, uma atitude mental que se pode tomar por uma característica do humano-social afirmando seu poder de transcendência, sua não-animalidade. (LIPOVETSKY; ROUX, 2005; p.22). Para que se possa entender o que é luxo, é necessário se aprofundar um pouco nos costumes e hábitos dos nossos antepassados. Os grupos de caçadores do paleolítico, não tinham luxo quanto à alimentação ou vestimenta, mas nas festas, aproveitavam para se enfeitarem. Nessas ocasiões exibiam a despreocupação com o amanhã. O luxo para eles era a fartura de alimentos no momento da festa. A primeira forma de distinção de sociedade surgiu na Antigüidade através da dádiva, que foi uma forma de edificar a ordem coletiva na qual os indivíduos não se consideravam iguais aos que tinham a dádiva recebida de seus ancestrais. A dádiva assegurava prestígio ao chefe, mas por outro lado o deixava com obrigação em relação à sociedade. A indumentária facilitava na classificação entre senhores e súditos, nobres e plebeus, ricos e pobres, e esta foi uma das utilidades do luxo. Na Mesopotâmia o luxo estava presente na vida dos reis, que eram abençoados por deuses, assim seus súditos serviam-nos dando-lhes comida, 83 bebida, impostos e tudo mais que fosse exigido. Na idade moderna surge a alta-costura e é Charles Frédéric Worth quem estabelece a indústria de luxo, que se consagra na criação de modelos diferentes e feitos sob medida. Até a metade do século XIX, pintores eram conhecidos por suas obras. Já os artesãos não tinham nenhum prestígio, trabalhavam nas sombras de seus clientes, que eram reconhecidos pelo bom gosto de apreciar obras de arte, e de se vestirem bem. O luxo presente na aristocracia ostentava todos os tipos de obra de arte desde um pequeno bordado até uma grande escultura decorativa, ou um belo quadro. O costureiro artesão fica conhecido como um artista sublime, e o luxo então passa a ter nome e individualidade. O luxo da indumentária não é mais admirado pela riqueza dos materiais, e sim pela aura do nome e renome das grandes casas, surgindo o prestígio da grife a magia da marca e a indústria da criação. A alta costura promoveu a série limitada um pouco antes que se propagassem – depois de 1880 – as novas técnicas de fabricação industrial que permitiam produzir em enorme série as mercadorias estandardizadas. Algumas cifras dão a medida da nova dimensão industrial do luxo: 1,2 mil operários trabalhavam em 1873 para a Worth, 4 mil para Chanel em 1935, 1,2 mil para Dior em 1956. Na metade dos anos 1930, a Chanel fabricava cerca de 28 mil peças por ano; a alta-costura parisiense produzia, em 1953, 90 mil peças. (LIPOVETSKY; ROUX, 2005; p.44). Junto da alta-costura, a idade moderna passa a conviver com a imitação “democratizando” os modelos produzidos como jóias, acessórios de toalete, estátuas, tapetes, etc.. Este novo mercado ficou conhecido como semi-luxo. As magazines vendiam tais produtos com preços baixos, a abertura do comércio estimulou as classes inferiores que passaram a adquirir objetos que não eram estritamente necessários. O luxo juntamente com a sociedade, foi se adaptando às mudanças até que chegou a força do prêt-à-porter, mesmo o luxo superior não escapou à lei das grandes séries industriais. É mais fácil visualizar esta massificação do luxo quando pensamos nos perfumes e nos carros. Um exemplo de assimilação dessa abertura é a BMW, que em 2001 vendeu 900 mil carros. Através de financiamentos bancários, outras pessoas podem adquirir estes produtos. Isso que é “massificação do luxo”, 84 uma vez que ele deixa de ser exclusivo para as classes mais favorecidas e desce para atender as classes medianas. Até então o setor do luxo era explorado principalmente por fundadores – criadores independentes. Esse ciclo terminou, dando lugar a gigantes mundiais, a grandes grupos que foram comprando as pequenas empresas, com nome fixado no mercado. Hoje o grupo à qual a marca pertence passou a ser um fator de peso na decisão de compra do cliente. Segundo Roux e Lipovetsky (2005), a clientela dos anos 80 consumia marcas de luxo a qualquer custo; nos anos 90 já não compravam por qualquer preço e nos anos seguintes, a busca não era apenas pelo preço, mas por status. Pode-se dizer que a nova tendência de luxo é a busca pela individualidade, ou a diferenciação. A sociedade moderna e seus valores emergentes individualistas e hedonistas tornaram então o luxo necessário ao bem-estar ordinário de uma vida material mais pratica e mais funcional. O luxo torna-se marca distintiva, símbolo do acesso e do pertencimento a uma nova classe social. (LIPOVETSKY; ROUX, 2005). O que se vê é uma forte presença do artesanal, a valorização de peças produzidas em pequena escala totalmente ao gosto do cliente, como carros personalizados, roupas e acessórios exclusivos. Em contrapartida, a produção em escala continua forte, porém, fica restrita ao mercado de luxo não personalizado ou ao subluxo. Mas como identificar um produto de luxo? A resposta vem a partir de um conjunto de representações como imagens, conceitos, sensações, que são associados ao produto pelo consumidor, e é este conjunto que faz com que ele fique disposto a pagar um preço superior ao que aceitaria pagar por um objeto ou um serviço de características funcionais equivalentes, mas, sem essas representações associadas. Roux e Lipovetsky (2005) cita uma pesquisa realizada pela Cofremca para o comitê Colbert em 1992, onde são coletadas as definições sobre o que é luxo. A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, Espanha, Itália, Alemanha, Grã-Bretanha e Japão. Cada um dos países respondeu dez questionários, somando um total de sessenta. 85 Seguem definições do que vem a ser o luxo: • • • • • • • O luxo é vivido como o encontro com a vitalidade: é um prazer dos sentidos que desemboca em uma emoção, uma sensação de conforto, de harmonia; O luxo é igualmente sentido como a vitalidade em estado bruto, a animalidade, a sensação de vida em torno de si, a amplidão do movimento, do espaço, o potencial que se libera; O luxo então é uma estratégia de vida, uma plenitude, um reerguimento do ser, uma regeneração; Ele se inscreve em uma nova relação de si com os outros; O luxo nasce de um encontro consigo mesmo; assim, não se pode mais reduzir o luxo ao objeto. O luxo nasce de um encontro entre o objeto e a intimidade profunda daquele que o reconhece; O luxo deve ser profundamente des-hierarquizado, passar por uma ultrapassada lógica da posição a uma lógica de expressão autônoma; O luxo é prazer a ser partilhado, que não se baseia mais em uma simples satisfação narcísica e social e deve saber desenvolver um valor de ligação. (LIPOVETSKY; ROUX, 2005; p.130). No século XXI Braga (2004), diz que o luxo deixa de estar ligado a um objeto para se associar à um signo, à um código, à um comportamento, à uma vaidade, à comodidade, ao conforto, à um saudável estilo de vida, à valores étnicos e estéticos aos sabores, ao conhecimento, ao reconhecimento ao prazer e à satisfação, e até mesmo à discrição, ao requinte e elegância. “No que diz respeito às questões econômicas e comerciais, o luxo envolve-se com o raro, com a restrição, com o exclusivo e por isso com o acesso de alto custo” (Braga, 2004 p. 100). Segundo Braga (2004), a França é o país que ocupa o primeiro lugar em produção, difusão e gosto em consumir bens de luxo, que está associado à altacostura e ao prêt-à-porter requintado, às roupas de grife, aos objetos assinados, aos tecidos sofisticados, aos bordados, ao fazer artesanal, a joalheria e suas pedras e metais preciosos, a peleteria, aos sapatos, à qualidade, ao novo, ao diferente e inusitado. Falando em alta-costura, Lipovetsky (1989), os primeiros vestidos feitos sob medidas padronizadas só apareceram depois de 1870. Em seu livro O Império do Efêmero p. 99, diz que a alta-costura é uma indústria e comércio de luxo cujo objetivo é o lucro, e que a emergência da alta-costura estaria ligada mais 86 profundamente ao princípio da busca da consideração honorífica das classes dominantes. Braga (2004) e Lipovetsky (1989), concordam com o fato da moda no final do século XX caminhar pela personalização dos indivíduos. Esta personalização não deixa de ser uma forma de comunicação, linguagem onde permanece visível a classificação social e ou o bom gosto do indivíduo. Durante todo o percurso da moda, e suas contribuições históricas, o luxo esteve presente lançando nomes que hoje continuam atuando no mercado, criando produtos de desejo à este segmento. Sendo assim, Roux e Lipovetsky (2005) criou uma tabela cronológica com os nomes das marcas do mercado do luxo na área da moda. Nesta tabela estão: Lanvin que surgiu em (1900 – 1920), Balenciaga; Chanel; Grès; Hermès e Fendi entre (1921 – 1940), Balmaim; Cardin; Carven; Céline; Dior; Féraud, Givenchy; Laroche e Krizia entre (1941 – 1960), Courrèges; Lapidus; Rabanne; Sonia Rykiel; Scherrer, YSL; Torrente; Ungaro; Valentino; Geoffrey Benne; O. de La Renta; Ralph Lauren e Calvin Klein entre (1961 – 1970), Castelbajac; J – P. Gaultier; Montena; Mugler; Tarlazzi; Chantal; Thomas; Armani; Trussardi; Versace e Ferre entre (1971 – 1980) Alaïa; Lacroix; Lagerfeld; Gucci e Gigli entre (1981 – 1990). Estes são os nomes dos mais importantes criadores de alta-costura e de prêt-à-porter do século XX. 4.3.1 Movimento do mercado de luxo Segundo Ferreirinha (2008), o mercado do luxo movimenta aproximadamente US$210 bilhões em negócios no mundo, essa grande movimentação segue com influência dos grandes conglomerados – corporações. 87 Quadro 03: Companhias de luxo Fonte: Curso negócio do luxo 2008 Quadro 04: crescimento anual do segmento. Fonte: Curso negócio do luxo 2008. De acordo com os quadros apresentados, nota-se que existem 17 fortes companhias do segmento do luxo no mercado mundial, e que o crescimento é de 18% ano. Esse percentual aponta que o mercado do luxo é responsável pela maior fatia da movimentação econômica mundial. 4.3.2 Produto e marca de luxo O produto de luxo está ligado a sua marca, que por sua vez deve passar a sensação de exclusividade, mas não necessariamente a exclusividade de produto e sim de acesso à classe social e ou cultural. Segundo Ferreirinha (2008), uma marca 88 pode ser considerada exclusiva quando: possui diferenciação de produto; diferenciação promocional; diferenciação da marca; do acesso; e de preço. Um produto de luxo é como uma “flor” se estiver perfeita, nós consumidores não notamos a ausência de nada, mas se estiver faltando uma pétala, nós notaremos e então, o luxo deixa de existir para ela. Ferreirinha (2008), diz que as características de um produto de luxo são: a universalidade, a beleza, a tradição, a qualidade, a originalidade, a perfeição, a inacessibilidade e a atemporalidade. 4.3.3 O luxo no Brasil Segundo artigo publicado por Ferreirinha (2007) no site Mundo do Marketing, a MCF Consultoria junto à empresa GFK Indicator, apresentaram uma pesquisa sobre o mercado do luxo no Brasil. Esta pesquisa foi aplicada entre setembro de 2006 e janeiro de 2007, e contou com a participação de 68 empresas nacionais e internacionais. O objetivo era conhecer o tamanho do mercado do luxo no Brasil, os investimentos no setor, e coletar dados para comparações futuras. O mercado brasileiro para o Negócio do Luxo é muito promissor e ainda se encontra em fase embrionária. Quando comparado aos países também emergentes, como Rússia, Índia e China, o Brasil ocupa uma posição tímida. Esses países têm mantido taxas de crescimento que ultrapassam o percentual dos 45% ao ano. Mesmo assim, o crescimento do mercado do luxo em 2006 (17%) é significativo se comparado ao do PIB brasileiro (3,7%). De acordo com Ferreirinha (2007), a constatação é que o Brasil ainda foi pouco explorado no segmento por empresas internacionais e que o cenário do negócio nacional, em sua grande parte, é produzido no país, com 60% de empresas nacionais participantes. De acordo com o autor, o faturamento do mercado do Luxo em 2006 foi de US$ 3,9 bilhões, o que representa cerca de 1% do faturamento do mercado mundial e um crescimento de 32% se comparado ao ano anterior. No mesmo ano, o investimento brasileiro foi de US$ 680 milhões, 62% a mais que 2005. Deste total, 24% da verba foi alocada na área de comunicação e 20% na expansão do negócio. 89 Assim como em outros países, o perfil do executivo do negócio do Luxo ainda é predominantemente masculino, mas diferente do restante do mundo, o executivo de Luxo brasileiro é jovem. Aproximadamente 73% dos executivos têm entre 31 e 50 anos. Este dado coloca o Brasil em uma situação privilegiada de gerenciamento contemporâneo. Outro dado importante se refere às cidades que tiveram maiores crescimentos do negócio do Luxo. Só em São Paulo esse mercado cresceu 74% em 2006; no Rio, 32%; em Belo Horizonte e Porto Alegre, 21%; e Curitiba e Distrito Federal, 16%. Vale ressaltar que para os próximos anos cidades do Norte e Nordeste brasileiro começam a surgir como destinos de investimentos e crescimento. Mas o grande inimigo da expansão e implantação do negócio do Luxo no Brasil, como não poderia deixar de ser, se deve à tributação. Entre todas as empresas, 70% consideram este o principal obstáculo e 44% têm dificuldade de importação. Esses dois primeiros obstáculos que dominam a importância sugerem uma reflexão profunda sobre passos e ações que as empresas que atuam no segmento precisam tomar perante os órgãos oficiais. Os entraves tributários e alfandegários barram o crescimento e o vigor de uma atividade que tem mantido taxas de crescimento em faturamento e empregabilidade. 4.3.4 Luxo visível e sutil O luxo pode ser dividido em duas categorias, ou seja, ele supre a necessidade e vestir, de status, de afirmação e de bom gosto. Vejamos agora o que é luxo visível e luxo sutil. 4.3.4.1 Luxo visível Segundo Fischer-Mirkin (2001), a mulher que aprecia enfeitar-se com símbolos evidentes de status tende a ser levada pela aprovação a usar o luxo de forma visível. Para este público é importante que as pessoas estejam bem conscientes da afirmação que estão fazendo por meio da roupa e descaradamente se embelezam com etiquetas externas. Um exemplo claro é vestir um tailleur 90 Chanel, usar bolsas Louis Vuitton ou acessórios Keiselstein-Cord. Estes produtos são comprados para revelar aos outros que ela a consumidora, pode se dar ao luxo de manter os caprichos da moda, sempre adquirindo bens de alto padrão e custo elevado. Fischer-Mirkin (2001) afirma que estas etiquetas oferecem uma sensação reconfortante. Muitas mulheres sentem-se confiantes ao vestir algo que afirma claramente ao mundo: “Se você não acha isto de bom gosto, esta errado, porque todo mundo sabe que Gucci, Louis Vuitton ou Chanel é de bom gosto”. Se alguma coisa é obviamente cara, na teoria tem de ser de qualidade superior. As características de quem usa o status de forma visível são facilmente identificadas: segundo o autor, brincos e colar de moedas Cartier, Mules com jóias encrustadas Manolo Blahnik, gargantilhas de pérolas e diamantes, unhas vermelhas de manicure perfeita, calças de couro, frasqueira Louis Vuitton, bolsa de matelassé Chanel e outros, são objetos que demonstram que a pessoa precisa mostrar que tem condições de se vestir com as marcas de luxo mais cobiçadas do mundo fashion. 4.3.4.2 Luxo sutil O luxo sutil é caracterizado por manter a etiqueta dentro da peça, e não exposta como no caso anterior. Este público consome o luxo em busca de qualidade de materiais, corte e outros. Acreditam que se o artigo é de luxo, será reconhecido sem que seja preciso deixar o nome da marca estampado. Para Fischer-Mirkin (2001), quem consome desta forma. São as pessoas preocupadas com a elegância, porém discretas, a procura pelo estilo clássico, individualizado, com base unicamente no bom gosto. E o objetivo é agradar a si mesma. Quando adotamos a imagem do status sutil, projetamos uma sensação de elegância, simplicidade e charme de classe superior. Fica claro que o luxo visível, serve para quem quer “aparecer”, mostrar claramente de que marca são as roupas e acessórios que está usando. E que o luxo sutil se encaixa no perfil de quem busca a plena elegância. 91 4.3.5 O luxo da Garbo O luxo em que a marca se insere, é uma mistura de luxo visível com sutil, e está dentro da classificação do alto luxo. A mistura do luxo sutil com o visível possibilitará, que a marca agrade vários perfis de consumidora. Sendo uma marca de alto luxo, o que a Garbo tem como conceitos de base, são: a exclusividade, o design e o luxo, o glamour. A qualidade soberana, junto ao plano de marketing e o posicionamento da marca, reforçarão todas as sensações primordiais para cativar e tornar seu público fiel. Estas sensações podem ser classificadas por apenas uma palavra, desejo. As coleções seguirão uma linha mista de clássico com moderno, ou seja, as peças (tailleurs, costumes, blazers, etc..), que criadas á partir de temas pessoais, terão sempre o design e a obsessão por detalhes em evidência. O luxo do produto está diretamente ligado ao prazer, a autoconfiança, à segurança pessoal que a cliente sentirá por estar usando uma peça exclusiva, de matéria prima nobre, com corte e acabamento impecável, além do design diferenciado. O mais importante a ser ressaltado, é que, a Garbo será uma empresa de vestuário feminino, mas as mulheres não buscarão nas peças a funcionalidade do vestir, e sim a aventura de ter e sentir os conceitos da marca. 4.4 Estado do design O mercado do luxo hoje conta com uma imensa variedade de marcas. O mais excitante deste período em que estamos, é que a criatividade não se limita, os designers, estilistas apostam na diversidade de materiais, cores, combinações, enfim, apesar de seguirem as tendências, cada marca trabalha de forma singular e sem perder as características da marca. Para conhecer o que há no mercado, fez-se uma pesquisa de imagens, que não deve ser compreendida como pesquisa de tendências, mas, sim como 92 conhecimento do que temos disponível ao consumidor. Seguem imagens do estado do design. Figura 60: Imagem retro (anos de 1970) Fonte: Revista Vogue Figura 61: Dark / Punk Fonte: Revista Vogue 93 Figura 62: Masculino / Feminino Fonte: Revista Vogue Figura 63: Estilo Caubói e Street Fonte: Revista Vogue 94 Figura 64: Texturas Fonte: Revista Vogue Figura 65: Volumes e detalhes Fonte: Revista Vogue 95 Figura 66: Em tricô e em couro Fonte: Revista Vogue Figura 67: Jaquetas e casacos Fonte: Revista Vogue 96 Figura 68: Cores Fonte: Revista Vogue Figura 69: Calças e vestidos Fonte: Revista Vogue 97 Figura 70: Estampas Fonte: Revista Vogue Figura 71: Quadro de imagens Fonte: Revista ELLE 98 Figura 72: Quadro de imagens Fonte: Arquivos pessoais Figura 73: Quadro de imagens Fonte: Revista Vogue 99 Figura 74: Quadro de imagens Fonte: Revista Vogue Figura 75: Quadro de imagens Fonte: Arquivos pessoais A partir da década de 1990, uma forte característica da moda vem se fortalecendo mais e mais, particularmente chamada de múltipla tendência. Ao ver estes painéis anteriores, fica claro que a moda é bastante eclética e que tem estilo 100 para todos os gostos. As combinações variam desde a composição do tecido até a peça pronta completando um look já no corpo da pessoa. A permanência das tribos ou grupos com ideais diferentes trouxe para a moda um grande mix de estilos, e é isso que torna a moda fascinante, a mistura de estilos e referências do passado, montando looks novos, ousados tradicionais, elegantes, sofisticados. Essa variedade permite às pessoas que se vistam de acordo com sua forma de vida, pois a roupa passou a ser uma identidade pessoal, e não mais de um grupo social. Os painéis seguintes são referentes ao estado do design. Figura 76: Painel de Estado do design Fonte: Elaborado pela autora 101 Figura 77: Painel de Estado do design Fonte: Elaborado pela autora Figura 78: Painel de Estado do design Fonte: Elaborado pela autora 102 Figura 79: Painel de Estado do design Fonte: Elaborado pela autora 4.4.1 Estado do design (tendências) Sabe-se que a moda é influenciada por comportamento, e suas tendências partem “também” de estudos de consumo, por esse motivo, é importante apresentar o que vêm ocorrendo com os consumidores de luxo no mundo. Segundo Ferreirinha (2008), as tendências de consumo variam. Em seu curso, apresenta várias categorias que vêm se destacando como: mercado de Iates; aviões particulares; empreendimentos civis, como em Dubai, mercado gastronômico, e outros. 103 Figura 80: Painel de Estado do mercado do luxo Fonte: Elaborado pela autora Todos os segmentos estão aderindo aos serviços diferenciados, para clientes de classes sociais A e A+. Um dos exemplos é a mudança de posicionamento dos bancos, onde, segundo Ferreirinha (2008), estão criando atendimentos diferenciados para os clientes que movimentam valores acima da taxa média R$ 20.000,00. Estes serviços são tidos como “Premium”. 104 Figura 81: Painel de serviços premiuns Fonte: Curso negócio do luxo 2008 Figura 82: Painel de serviços premiuns Fonte: Curso negócio do luxo 2008 105 A figura a seguir, segundo Ferreirinha (2008), mostra uma sala de cinema, onde antes de entrar na sala, o cliente faz o pedido, recebe na sala, cada poltrona é equipara com botões de serviços, se o espectador quiser mais pipoca, refrigerante, etc, basta chamar o garçom. Figura 83: Sala de cinema com serviços personalizados Fonte: Curso negócio do luxo 2008 Figura 84: Produtos Primiuns Fonte: curso negócio do luxo 2008 106 Figura 85: Pista de esqui no deserto de Dubai Fonte: curso negócio do luxo 2008 Figura 86: A moda nos ambientes privados Fonte: curso negócio do luxo 2008 107 Figura 87: A potência chamada China Fonte: Curso negócio do luxo 2008 Figura 88: Restaurante El Bulli na Espanha Fonte: Curso negócio do luxo 2008 108 Figura 89: Restaurante israelense Red Sea Star Fonte: Curso negócio do luxo 2008 Diante destas imagens, pode-se perceber o quanto o mercado do luxo está presente e o quanto pode ser feito dentro deste segmento, onde o limite de prazeres e sensações não existe. As marcas que eram conhecidas por seus vestuários, acessórios e perfumaria, hoje estão levando seus conceitos para dentro dos lares e ambientes de trabalho. Restaurantes como El Bulli na Espanha do chefe Ferran Adrià, estão dentro da concepção de alto luxo, segundo Ferreirinha (2008), a expectativa de tempo para se obter uma mesa para jantar é de 3 anos, pois a lista de reservas conta com 1 milhão de pedidos. Outro restaurante que é um exemplo de ousadia e luxo tanto na culinária quanto no design, é o israelense Red Sea Star, localizado na cidade de E Liat no mar vermelho, onde o acesso é feito por um submarino. 109 Figura 90: Chanel Fonte: Curso negócio do luxo 2008 O mercado do luxo vêm mostrando, que as experiências e sensações não têm preço, e cada vez que uma marca consegue se comunicar com o consumidor fazendo com que ele entenda seu valor, o “lucro”é garantido. 4.5 Concorrentes Segundo artigo de Candebro, publicado em (2006), nos dias de hoje é quase impossível não ter ao menos um concorrente vendendo um produto ou serviço similar, e o que diferencia uns dos outros é a forma de apresentação, a importância real dele, e seus conceitos e características agregados. Os primeiros concorrentes apresentados são os nacionais, alguns no mercado há muito tempo, mas a maioria das marcas relacionadas, entraram no mercado durante ou depois da década de 1990, o que mostra que a moda brasileira de luxo está nas mãos de jovens recém formados. Esses nomes, apesar de novos no mercado demonstram uma capacidade incrível de criação e de gestão. 110 4.5.1 Concorrentes nacionais Como concorrentes brasileiros destacam-se: • Le Lis Blanc, com sua moda que vai do casual, passa pelo clássico à noite. • Cori, vem ganhando espaço a cada nova coleção. Oferece concorrência por ser conhecida no mercado e por ter produtos com design elaborado. Seguem algumas imagens do último desfile da marca. Figura 91: Imagens do ultimo desfile Cori Fonte: Retirada do site oficial da Cori • Lino Villaventura explora a sensualidade da mulher brasileira com temas que em suas mãos viram arte, como a África, que foi sua inspiração na coleção passada. Segue algumas imagens do desfile: 111 Figura 92: Imagens do ultimo desfile Lino Villaventura Fonte: Retirada do site terra/moda • Lorenzo Merlino lançou sua marca na década de 1990, desde então se inspira em história geral para criar suas coleções, que são marcadas por peças com cortes precisos que realçam a beleza feminina. Figura 93: Lorenzo Merlino Fonte: Retirada do site UOL/estilo • Priscilla Darolt trabalha muito com tecido plano, sua ultima coleção continha peças como vestidos e casacos como na imagem seguinte. 112 Figura 94: Coleção outono/inverno de Priscilla Darolt Fonte: Retirada do site terra/moda • Em janeiro de 2002, Tereza Santos surge com suas idéias de sofisticação e particularidades na moda brasileira. Tereza Santos apresenta suas coleções sempre muito descontraídas, porem muito femininas em detalhes, como na figura a seguir. Figura 95: Coleção outono/inverno Tereza Santos Fonte: Retirada do site oficial terezasantos. • Wilson Ranieri usa e abusa das peças curingas, em sua coleção verão 2008, apresentou, camisas, bermudas, casacos, e outras peças que a empresa Garbo irá trabalhar. 113 Figura 96: Coleção verão 2008 de Wilson Ranieri Fonte: Retirada do site chic. • Em quatro anos de existência, a Cris Barros já é uma referência no mercado. Suas criações aparentam simplicidade, mas revelam riquezas de detalhes, formas meticulosamente construídas com moulage, tecidos especiais e excelentes acabamentos. À frente da marca está a estilista paulistana Cris Barros. Figura 97: Coleção inverno 2008 Cris Barros Fonte: Retirada do site UOL/estilo. 114 • Isabela Capeto, suas coleções são sempre recheadas de romantismo, a marca esta no mercado desde 2003, onde abriu sua primeira loja no Rio de Janeiro. • Outros grandes nomes do cenário nacional são: Giselle Nasser, Erika Ikezili, Fabia Bercsek, Gloria Coelho, Huis Clos, Forum , UMA, Daslu, Raia de Goeye e outros. As marcas relacionadas anteriormente estão no quadro de concorrentes por também confeccionarem peças femininas como o que a Garbo se propõem a fazer, mas, nenhuma dessas marcas trabalha com o principio de exclusividade. 4.5.2 Concorrentes internacionais Ao contrário das marcas brasileiras, os concorrentes internacionais, em sua grande maioria, já estão no mercado há décadas, possuem lojas ou pontos de vendas distribuídos por várias partes do mundo, alem de contar com o nome das marcas que foram se firmando com o passar dos anos. A maioria da marcas relacionadas atende no pátio de lojas Villa Daslu, algumas na rua Oscar Freire e em lojas multimarcas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Muitas dessas marcas fazem vendas pelo site oficial, porém as vendas são para outros países, não estão disponíveis para o Brasil. • Banana Republic criada em 1970 nos Estados Unidos, tem como carro feche das suas coleções as peças coringas com acabamento impecável. 115 Figura 98: Banana Republic Fonte: Retirada do site oficial banana republic. • Blumarie, que surgiu no final dos anos de 1970, criada por Franco Moschino hoje é comandada por Anna Molinari. • Burberry é uma marca britânica que nasceu em 1856, a característica mais marcante da Berberry é o xadrez em preto com amarelo e vermelho. • Calvin Klein é uma marca muito conhecida e usada no Brasil, suas coleções trazem camisas, paletós, e outras peças. Hoje a marca conta com a direção criativa do brasileiro Francisco Costa. • Celine marca francesa famosa por seus casacos e costumes. Atende na Villa Daslu em SP. 116 Figura 99: Loja Celine na Villa Daslu em SP Fonte: Retirada do site daslu • Chanel, a lendária marca francesa é sinônimo de moda desde 1920. Figura 100: Uma parte da loja Chanel na Villa Daslu em SP Fonte: Retirada do site daslu 117 Figura 101: Desfile de coleção inverno 2007 Chanel Fonte: Retirada do site UOL/estilo/álbum. • Dior, o criador do New look, que devolveu as mulheres após a segunda Guerra Mundial o prazer de se vestir bem, reina até os dias de hoje. Na Villa Daslu há uma loja de produtos Dior. Figura 102: Expositor da loja Dior na Villa Daslu em SP Fonte: Retirada do site Daslu. 118 Figura 103: Campanha de inverno 2008. Fonte: retirada do site oficial Dior. Nomes como Dolce e Gabbana, Emilio Pucci, Gucci, Moschino, Prada e Valentino se encaixam no quadro de concorrentes dentro do mercado do luxo. Seguem algumas imagens dos concorrentes da empresa Garbo. Figura 104: Loja Dolce e GAbbana na Villa Daslu Fonte: Retirada do site Daslu 119 Figura 105: Campanha de inverno 2008. Fonte: retirada do site oficial Dolce e Gabbana. Figura 106: Loja Emilio Pucci na Villa Daslu Fonte: Retirada do site daslu. 120 Figura 107: Loja Gucci na Villa Daslu Fonte: Retirada do site Daslu. Figura 108: Campanha de inverno 2008 Gucci Fonte: Retirada do site oficial Gucci. 121 Figura 109: Loja Moschino na Villa Daslu Fonte: Retirada do site Daslu. Figura 110: Campanha de inverno 2008 Moschino Fonte: Retirada do site oficial Moschino. 122 Figura 111: Loja Prada na Villa Daslu Fonte: Retirada do site Daslu. Esta foi à primeira classificação de concorrentes da empresa Garbo. 4.5.3 Filtro de concorrentes Saber exatamente quem são os concorrentes e suas principais características ajuda a evitar surpresas. Tendo este controle, pode-se planejar uma estratégia que possibilite tomar as decisões certas mais rapidamente e prosperar em um ambiente competitivo. Lutar contra um inimigo invisível é muito desgastante. Dentre as marcas citadas, fez-se uma seleção de cinco nomes nacionais que possuem características aproximadas as da empresa Garbo. 123 Figura 112: Filtro de Marcas Fonte: Elaborada pela autora As cinco marcas com características próximas as da empresa Garbo são: Lino Villaventura, Glória Coelho, Cori, Le Lis Blanc e Giselle Nasser, para conhecer melhor estas marcas, foram enviadas perguntas à acessória das empresas. Segue modelo de questionário. Quadro 05: Segundo modelo de questionário aplicado PAULA DOMINGUES SERAFIM Este questionário refere-se a uma pesquisa de mercado desenvolvida pela acadêmica Paula D. Serafim, com objetivo de conhecer melhor a moda no mercado do luxo nacional. O resultado da pesquisa será aplicado no relatório de projeto de conclusão do curso de design de moda. 1. Quem fundou a empresa e quando? 2. Quantas coleções são lançadas anualmente? 3. Quantas peças de cada modelo são confeccionadas? 4. Como forma o tema da coleção? Segundo tendências, experiências próprias outros. 5. A empresa tem alguma linha com peças exclusiva? 6. Qual a faixa de preço dos itens seguintes coloque o valor mínimo e o máximo. Camisa: mínimo R$ máximo R$ Tailleur mínimo R$ máximo R$ Calça mínimo R$ máximo R$ Blazer mínimo R$ máximo R$ Costume mínimo R$ máximo R$ Casaco mínimo R$ máximo R$ 7. Qual o diferencial da marca em relação às concorrentes? Muito obrigada por ter colaborado com minha pesquisa. Paula Domingues Fonte: Elaborado pela autora 124 4.5.3.1 Lino Villaventura Antonio Marques dos Santos Neto, este é o nome de Lino Villaventura. Nascido em 1951 em Belém do Pará, vêm encantando o mundo com suas criações atemporais. Villaventura nunca estudou moda, talvez este seja o motivo pelo qual suas roupas não se limitam ao vestir, as peças criadas por Villaventura transformam a mulher em uma obra de arte. Figura 113: Lino Villaventura Fonte: Retirada do site da Revista Elle Segundo BRAGA (2007), antes de abrir a primeira loja em 1982 junto a Inez Villaventura em Fortaleza, Lino Villaventura trabalhou na criação de pequenas produções. Hoje as coleções são compostas por camisas, calças, blazers, vestidos, e tudo mais que se possa imaginar dentro do universo da moda, está é a linha prêt-àporter da marca. A linha alta costura, atualmente é a que proporciona maior receita para a marca, os vestidos extremamente elaborados, com riqueza de detalhes e requinte são confeccionados sob medida para a cliente. Além de vestuário o “artista” cria figurinos para teatros e filmes. Em entrevista ao site ELLE (2007), Villaventura diz que não usa temas para as criações, após tudo pronto, identifica a idéia e então a nomeia. A construção das peças, que em geral são todas bem elaboradas, são feitas por processo de moulage. Dentro do ateliê, Lino conta com seis bordadeiras de máquina, dez bordadeiras manuais, duas modelistas e três cortadeiras. 125 As peças da marca podem ser encontradas na loja Lino Villaventura em SP ou em Fortaleza. Figura 114: Desfile da coleção de inverno 1997 Fonte: Retirada do livro Lino Villaventura . Figura 115: Desfile da coleção de inverno 2007 Fonte: Retirada do livro Lino Villaventura 126 4.5.3.2 Glória Coelho Segundo Mauro (2007), Gloria Coelho nasceu no dia 01 de agosto de 1951, em Minas Gerais. Seu primeiro showroom foi aberto junto à irmã Graça Amazonas em 1974, cuja marca se chamava G. As coleções compreendiam a um prêt-à-porter chique, as peças carro chefe eram blazers, calças e tailleurs. Em 2000, com o intuito de firmar a marca em território internacional, a marca muda de G para Gloria Coelho. Figura 116: Glória Coelho Fonte: Retirada do site da Revista Elle Hoje além das lojas no país, a Gloria Coelho exporta para Bélgica, China, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Inglaterra, Itália, Japão, Marrocos e Portugal. 127 Figura 117: Desfiles Gloria Coelho (2007) Fonte: Retirada do site UOL. 4.5.3.3 CORI Criada em 1957, em São Paulo, a empresa CORI trabalha com prêt-à-porter feminino usando alfaiataria em formas e tecidos variados. A 1° loja foi inaugurada no início dos anos de 1980. Hoje a CORI têm 22 lojas nas principais captais brasileiras, que traduzem o conceito da marca, sempre alinhado com as tendências globais de comportamento e consumo, além 300 pontos em lojas multimarcas. A CORI vem construindo uma marca conceitual, com tecidos nobres e estampas exclusivas. A proposta da marca é criativa e contemporânea. 128 Figura 118: CORI Fonte: Retirada do site Cori. A figura 118 mostra o desfile da coleção inverno 2008 da CORI. A marca como já citado, está no mercado há décadas, em suas coleções, apresentam calças, blazers, camisas, vestidos, saias, sempre em formas diferentes do convencional. Todas as peças da CORI são produzidas em escala. 4.5.3.4 Le Lis Blanc A empresa Le Lis Blanc controlada pela gestora de recursos Artesia, foi criada por Traudi Guidae e Rahyja Afrange, está no mercado há mais de 19 anos e teve sua primeira loja aberta no ano de 1988. O público segundo site oficial (2008), são mulheres românticas, modernas, dinâmicas e sintonizadas com o mundo. O mix de produtos é variado, calças, bermudas, camisas, tailleurs, blazers e outras, fazem parte das peças criadas pela marca. De acordo com Comunidade Moda (2008), no ano de 2007, a receita da empresa foi de 145 milhões de reais, o que corresponde a 26,5% a mais que no ano 129 de 2006. A expectativa dos acionistas é de abrir mais 19 lojas até 2009. Atualmente as peças Le Lis Blanc, podem ser encontradas em 160 pontos de lojas multimarcas, 11 lojas próprias e 20 lojas licenciadas. Figura 119: Le Lis Blanc Fonte: Do autor. 4.5.3.5 Giselle Nasser De acordo com o site oficial da marca (2008), a paulistana cresceu junto á seu avô, em um atelier de alta costura no Paraná, através do convívio com as agulhas e tecidos nobres que surgiu a afinidade com a moda. Mais tarde voltou para SP onde se formou pela Faculdade Santa Marcelina. Nasser está no mercado há nove anos, em sua trajetória já desfilou no Lab. da Casa de Criadores, no Amni Hot Spot, na semana de moda mais importante da América Latina o SPFW e fez figurino para peças teatrais. Hoje além de suas criações, Nasser oferece ao público seus serviços de alta costura, em sua loja, as clientes podem encomendar vestidos de festa ou de noiva sob medida. Todas as 130 criações da estilista são repletas de romantismo, característica que também nota-se na decoração da loja. As peças da criadora, podem ser encontradas em 4 lojas no estado de São Paulo e 2 lojas em Salvador. Figura 120: Giselle Nasser Fonte: Retirada do site da Revista Elle Figura 121: Coleção Giselle Nasser Fonte: Retirada do site da revista Elle. 131 O questionário apresentado no quadro 05, foi enviado por e-mail para as cinco últimas marcas citadas, porém nenhuma respondeu em forma de questionário. Os assessores das marcas não responderam tudo que estava sendo questionado, alegando que se tratava de informações confidenciais. 4.6 Análise dos cinco concorrentes Analisando os cinco concorrentes citados, pode-se constatar que apesar de atenderem o mesmo público, possuem particularidades diferentes entre si. As diferenças entre as cinco marcas estão classificadas no subcapítulo seguinte, de acordo com a análise de PFOA, cujo o nome é uma abreviação de quatro palavras que segundo WESTWOOD (1996), significa: potencialidade e fragilidade conforme se relacione às oportunidades e ameaças no mercado. Com base na ferramenta PFFOA, criou-se uma forma de avaliação para as propostas da empresa, apontando os obstáculos e soluções para atingi-los. A forma de avaliação em questão chama-se PDAS, que desenvolvida pela acadêmica em 2008, auxilia na constatação de fatos. A ferramenta está aplicada no subcapítulo 4.6.2. 4.6.1 Análise PFOA Segundo Baxter (1998), esta ferramenta serve para analisar as forças e fraquezas, oportunidades e ameaças, é uma forma simples e sistemática de verificar a posição estratégica da empresa, onde se devem aproveitar as oportunidades, usando as forças e reforçando as fraquezas sem se descuidar das ameaças. Para que houvesse maior conhecimento de cada marca, aplicou-se a análise PFOA nas cinco marcas de forma separada. 132 Quadro 06: Análise PFOA da marca Lino Villaventura PONTOS FORTES PONTOS FRACOS OPORTUNIDADE Criação de roupas Acabamento Por no mercado de festas (vestidos) peças com alto padrão de acabamento. Marca (quem As peças principais A marca não se foca conhece o trabalho de vendas, tanto da nas roupas para o do criador se coleção quanto sob dia-a-dia, como a Garbo, encanta). encomenda são os empresa vestidos. Não portanto, mostrar o apresentam um uso das peças em ambientes, plano de marketing vários que atraia o público inclusive os mais para adquirir roupas sociais. para o dia-a-dia. produtos Estar estabelecida As lojas recebem Por no mercado. As poucas peças para variados nas lojas vendedoras de lojas revender, e as peças licenciadas, e deixar licenciadas são ficam expostas junto em destaque para muito bem instruídas há outras macas, que haja valorização. havendo para falar das peças não valorização da da marca. marca. Usa muito pet-work Usa o mesmo tecido, Não usar o tecido nas composições, ou estampa em (matéria-prima), em que deixa um toque várias peças. muitas peças. Buscar de elaboração e o máximo de sofisticação. exclusividade. AMEAÇA Problemas com o transporte, e forma de exposição da peça na loja. Algumas lojas não permitem que a marca coloque seu próprio expositor. O custo. Quando se compra em quantidades maiores o custo tende a baixar. Fonte: Da autora Quadro 07: Análise PFOA da marca Glória Coelho PONTOS FORTES PONTOS FRACOS OPORTUNIDADE A marca possui um Ás vezes o ar jovial, As coleções não ar extremamente é interpretado como passam seriedade, jovial. infantil. as peças são para looks descontraídos. Coleções inspiradas Não têm uma Ter uma linguagem nas experiências dosagem de clara em cada e nas pessoais da criadora. conceitos e equilibrada Sempre inovadoras. elaboração nas coleções. peças, que, ou são muito carregadas ou muito simples. A matéria prima Repete a matéria Não usar o tecido usada, muitas vezes prima em muitas (matéria-prima), em muitas peças. Buscar faz parte da criação. peças da coleção. o máximo de Usa tecidos exclusividade. exclusivos. Fonte: Da autora AMEAÇA O custo. Quando se compra em quantidades maiores o custo tende a baixar. 133 Quadro 08: Análise PFOA da marca CORI PONTOS FORTES PONTOS FRACOS A marca é conhecida Muita repetição de por suas peças de ar cada peça. modero e ao mesmo tempo clássico. Pode ser encontrada facilmente. As coleções são compostas por peças extremamente sérias. OPORTUNIDADE Criar peças únicas. AMEAÇA O custo. Fazer criações explorando mais a sensualidade do que a seriedade, criando peças com design diferenciado. Fonte: Da autora Quadro 09: Análise PFOA da marca Le Lis Blanc PONTOS FORTES PONTOS FRACOS OPORTUNIDADE Cria peças sensuais Não cria peças Usar ferramentas de e elegantes para o elaboradas. As criatividade para criar dia-a-dia. coleções são peças diferentes. compostas por peças sem grande presença de design inovador. Possui ótima Não promove Não contar apenas o comunicação com eventos como com suas clientes. desfiles e outros, não profissionalismo das para atraindo novas vendedoras divulgar a marca. clientes facilmente. AMEAÇA Fonte: Da autora Quadro 10: Análise PFOA da marca Giselle Nasser PONTOS FORTES PONTOS FRACOS OPORTUNIDADE para as É uma marca Os principais clientes Vender criativa. As coleções estão em São Paulo cidades com alto são compostas por e em Salvador. A potencial de compra, peças elaboradas. marca não é muito não se restringindo em São conhecida nas apenas Paulo e Brasília. outras capitais. A cartela de tecidos e aviamentos de cada coleção é ampla e bem selecionada. Explora os temas das coleções. Fonte: Da autora AMEAÇA 134 Esta análise serve como guia de características das marcas, com os resultados apresentados, a Garbo pode adicionar alguns dos pontos positivos tanto nas peças como na empresa. Os pontos fortes que a empresa Garbo trará para a empresa são: o uso de pet-work nas peças, o ar jovial, os temas inspirados em experiências pessoais, a criação de matéria prima, e terá cartela de aviamentos e tecidos bastante ampla. Os quadros apresentam o item oportunidade, todos os itens citados, mostram como a empresa quer se diferenciar das concorrentes e como quer que seja vista por suas clientes. Com base nas pesquisas relacionadas aos concorrentes, pode-se saber quanto ao tipo de mercado em que cada marca se insere, classificar a matéria prima, o estilo da marca e onde as clientes podem encontrá-la. Para que pudesse comparar as cinco marcas, criou-se um quadro de informações conforme segue. Quadro 11: Informações sobre pesquisa externa. X XXX X X X XXX X XXX X XXX X XXX X XXX X XXX X XXX X XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XX XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X Loja licenciada X Loja Própria X Criativo X XXX X XXX X XXX X XXX X XXX X XXX X Romântico Tailleurs X Vendas Clássico Blazers X Estilo De fácil acesso Costume De difícil acesso Casacos Exclusiva Calças XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X XXXX X Sob encomenda Camisas Exclusivo Produto prêt-à-porter Matéria Prima XXX XX XXX XX XXX XX XXX XX XXX XX XXX XX LEGENDA X:CORI; X: Gloria Coelho; X: Giselle Nasser; X: Le Lis Blanc; X: Lino Villaventura. Fonte: Da autora. O quadro apresentado mostra que todas as marcas trabalham com prêt-àporter, sendo que a marca Giselle Nasser, Lino Villaventura e Gloria Coelho, 135 também criam sob encomenda, mas, nenhuma das marcas, cria peças exclusivas em suas coleções. A maioria das marcas utiliza matérias-prima de difícil acesso, ou seja, o material comprado recebe algum tipo de beneficiamento. Todas as peças citadas podem ser encontradas, tanto nas lojas próprias quanto nas licenciadas. 4.6.2 Análise de PDAS De acordo com as necessidades de definir os pontos positivos da empresa Garbo, e com base na análise PFFOA, criou-se para este projeto um outro tipo de análise, que supre a necessidade de obter dados inclusive possíveis soluções, esta análise que criado pela autora se chama PDAS. PDAS significa: apontar pontos positivos, que é o que a empresa Garbo tem para oferecer; desafio, que funciona como um objetivo para alcançar o ponto positivo; a ameaça, detecção do que pode ser obstáculo nesta conquista; e por fim solução, que são os apontamentos para evitar o fracasso ou remediá-lo. Segue o quadro PDAS. Quadro 12: Pontos positivos, desafios, ameaças e soluções. Positivo Desafio Ameaça Nome novo, uma nova opção. Firmar a marca no mercado. Marcas reconhecidas no segmento. Peças exclusivas. Tornar a empresa auto-suficiente; Obter lucro; Criar o desejo de consumo nas clientes. Custo de confecção das peças. Tempo para produção das peças. Disponibilizar as peças em varias lojas multimarcas. Por as peças nas melhores lojas do segmento. Concorrer com as marcas conhecidas pelas clientes. Solução Conquistar a mídia e o público, através do marketing, e da qualidade das peças. Buscar materiais alternativos, porém de qualidade. Planejar a coleção e seguir o cronograma. Negociar a primeira venda, podendo ser em consignação ou com prazo maior para o 136 Qualidade das peças. Atingir o público. Concorrer com marcas conhecidas. Manter a qualidade. Instabilidade do mercado. pagamento. Lançar a primeira coleção em uma loja conceituada, para servir de referência. Investir no marketing. Fazer cotação de materiais periodicamente e com vários fornecedores. Comprar matéria prima de qualidade. Fonte: Do autor Estudiosos do segmento do luxo têm falado que o luxo se diferencia dos outros mercados, por proporcionar sensações, que não se encontradas em produtos produzidos em grande escala. Cada vez mais as pessoas estão buscando a exclusividade, a individualidade. A oportunidade de mercado está justamente na exclusividade das peças que serão lançadas nas coleções, diferente dos concorrentes, que confeccionam peças exclusivas, apenas sob encomenda. O projeto apresenta como ponto positivo, a venda de peças em lojas multimarcas, pois ficará mais acessível às clientes. Já a qualidade, que também entra nos pontos positivos, não é uma proposta nova de mercado, a grande maioria das marcas de luxo, prezam pela qualidade. No quadro anterior, primeiramente são apresentados os pontos positivos, que somados, formam o diferencial da empresa Garbo. Na coluna seguinte, são apontados os desafios que a empresa terá de superar. A terceira coluna mostra os fatores que representam ameaça ao alcance do que foi proposto na primeira coluna. Por fim, a quarta coluna sugere soluções que podem evitar ou solucionar os problemas apresentados. Resumidamente a empresa Garbo criará peças exclusivas, de alta qualidade, voltando-se para o público feminino através de eficiente serviço de marketing. 137 4.7 Abrangência geográfica A empresa ficará situada na cidade de Florianópolis – SC. A escolha desta cidade surgiu á partir da vontade da proprietária não querer sair do estado, então fez-se uma análise para saber se a capital Florianópolis atenderia todas as necessidades empresariais como: fornecedores, transportes, segurança, empresas prestadoras de serviços, etc.. 4.7.1 Abrangência Nacional Em primeiro plano a empresa buscará a abrangência nacional. Com base no levantamento apontado pela MCF, empresa de consultoria que entre 2006 e 2007 realizou uma pesquisa sobre o mercado do luxo no Brasil, revelou o crescimento do segmento do luxo no ano de 2006, e pode-se conhecer as cidades com maior índice de crescimento do mercado do luxo, que são: São Paulo com crescimento de 74%, Curitiba 16%, Porto Alegre 21%, Rio de Janeiro 32%, Brasília 16% e Belo Horizonte 21%. O Estado de Santa Catarina não é citado na pesquisa, mas, segundo IBGE (2006), está entre os primeiros no índice de desenvolvimento humano, o IDN e a renda per capta também está entre as mais altas do país, e está começando a consumir artigos de luxo com maior freqüência. Seguem as cidades escolhidas para abrangência da marca. • São Paulo; • Curitiba; • Joinville, Blumenau, Florianópolis; • Porto Alegre; • Rio de Janeiro; • Brasília; • Belo Horizonte. Nas cidades citadas, serão escolhidas as melhores lojas multimarcas para licenciá-las e revenderem os produtos da empresa Garbo. 138 Após dois anos e meio de mercado, será possível avaliar a possibilidade de instalar uma loja própria, a escolha do lugar, será apontada pelo número de vendas e procura pela marca, portanto, das cidades onde a Garbo estará presente, uma será escolhida para atender diretamente a consumidora. 4.7.2 Abrangência Internacional Segundo pesquisa da empresa MFC (2007), sabe-se que os países europeus, são grandes consumidores do mercado do luxo. Os países onde a empresa pretende vender são: Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Rússia, Coréia do Sul, Canadá, México, Espanha e Indonésia. Estes países foram escolhidos com base no (PIB) do ano de 2007, onde os quinze países no ranking da economia mundial foram apresentados. Esta informação foi obtida no site índex mundi no dia 06 de maio de (2008). O plano de marketing para atingir estes países, não será apresentado de forma detalhada neste projeto. A empresa irá trabalhar junto a exportadoras para conhecer melhor o segmento de mercado de luxo nos países, para então traçar uma estratégia. Com esta pesquisa, pode-se conhecer quem são, ou quem retém as maiores riquezas. Sendo assim, o plano de expansão internacional da marca será planejado de forma a entrar nos países mais ricos do mundo. 139 5 GESTÃO EMPRESARIAL Pode-se definir gestão empresarial como sendo “a atividade de se conduzir uma empresa ao atingimento do resultado desejado por ela, apesar das dificuldades” (Nakagawa, 1994, p.39). Este capítulo irá apresentar os setores e suas respectivas funções dentro do planejamento da empresa Garbo. Antes de apresentar os setores dentro da Gestão Administrativa, é importante mostrar o organograma da empresa, como serão divididas as tarefas deste plano. O tipo de organograma escolhido foi o funcional, que segundo Maximiano (2002), compreende a um conjunto de tarefas interdependentes, orientadas para um objetivo singular. Cada função contribui para a realização da missão, propósito ou tarefa total da organização. Com base em organogramas citados no livro Teoria Geral da Administração (2002), formou-se um organograma próprio para as necessidades da Garbo. Figura 122: Organograma Fonte: Da autora 140 Conforme o organograma apresentado, o setor responsável por todo o processo empresarial é o de administração geral. 5.1 Administração geral Para que uma empresa alcance objetivos, é necessário criar um sistema de planejamento estratégico. Este sistema é composto basicamente por planejamento de administração e de marketing. Segundo Lorange e Vancil (1986), a soma do planejamento de administração e marketing, formam um processo estruturado que organiza e coordena as atividades dos gerentes que executam o planejamento. A administração está ligada aos objetivos, decisões e recursos da empresa. Segundo Maximiano (2002), administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de recursos. O processo administrativo abrange quatro tipos principais de decisões: planejamento, organização, execução e controle. Figura 123: Principais decisões do processo de administração Fonte: Maximiano 2002. 5.1.1 Planejamento Os objetivos da empresa Garbo com relação à administração, é de não constatar falhas no setor. A administração é complexa, por setor que gerencia todos os outros. 141 O planejamento administrativo tem como função segundo Maximiniano (2002), distribuir e gerenciar os recursos financeiros e produtivos da empresa, ou seja, aplicando o planejamento na empresa Garbo pode-se dizer que a administração é quem estipula o quanto será investido na coleção, o quanto será produzido e em quanto tempo chegará às lojas. Sendo o setor responsável pelo bom andamento da empresa, algumas medidas de organização devem ser adotadas, bem como a implantação dos “pontos de Deming”, que segundo Maximiano (2002), William Edwards Deming criou os mandamentos adotados pelas empresas que buscam o sucesso e a estabilidade em 1982, “Os pontos de Deming” que estão no quadro a seguir. Quadro 13: Os pontos de Deming I. Estabelecer a constância do propósito de melhorar o produto e o serviço, com a finalidade de detonar a empresa competitiva, permanecer no mercado e criar empregos. II. Adotar a nova filosofia. Numa nova era econômica, a administração deve despertar para o desafio, assumir suas responsabilidades e assumir a liderança da mudança. III. Acabar com a dependência da inspeção em massa. Deve-se eliminar a necessidade de inspeção em massa construindo a qualidade junto com o produto desde o começo. IV. Cessar a prática de comprar apenas com base do preço. Ao invés disso, deve-se procurar minimizar custo total. É preciso desenvolver um fornecedor único para cada item, num relacionamento de longo prazo fundado na lealdade e na confiança. V. Melhorar sempre e constantemente o sistema de produção, para melhorar a qualidade e a produtividade e, dessa maneira, reduzir constantemente os custos. VI. Instituir o treinamento no serviço. VII. Instituir a liderança. VIII. Afastar o medo, para que todos possam trabalhar eficazmente pela empresa. IX. Eliminar as barreiras entre os departamentos. Quem trabalha nas áreas de pesquisa, projeto, venda e produção deve agir como uma equipe, para antecipar problemas na produção e na utilização que possam afetar o produto. X. Eliminar slogans, exortações e metas para os empregados, pedindo zero defeito e níveis mais altos de produtividade. Exortações apenas criam relações hostis, já que o principal nas causas da má qualidade e má produtividade é o sistema, o qual encontrase, além do alcance da força de trabalho. XI. Eliminar as cotas numéricas no chão de fábrica. Eliminar à administração por objetivos. XII. Remover as barreiras que impedem ao trabalhador sentir orgulho pela tarefa bem feita. A responsabilidade dos supervisores deve mudar dos números para a qualidade. XIII. Instituir um sólido programa de educação e autotreinamento. XIV. Agir no sentido de concretizar a transformação. A transformação é o trabalho de todos. Fonte: Livro de Maximiano (2002). Os pontos apresentados serão adotados pela empresa Garbo, com a finalidade de alcançar a qualidade absoluta dos produtos com custos reduzidos, 142 manter bom relacionamento dos colaboradores da empresa, buscando fortalecer a confiança entre os setores. 5.1.2 Organização Segundo Maximiano (2002), toda organização adota uma metodologia. Organizar é o processo de dispor de qualquer conjunto de recursos em ima estrutura que facilite a realização de objetivos. O processo de organizar tem como resultado o ordenamento das partes de um todo, ou a divisão de um todo em partes ordenadas, segundo algum critério ou princípio de classificação. Um conjunto organizado segundo alguns tipos de critérios tem uma estrutura [...]. (MAXIMIANO, 2002; p.111). A organização é a forma adotada para o alcance do plano, que neste projeto é o de usar o investimento autorizado da melhor forma possível, administrar o tempo de produção para que não exceda o prazo estipulado e cumprir com os prazos de entrega das peças nas lojas licenciadas. Por esta necessidade de controle criou-se uma forma de administrar as distribuições e utilizações dos recursos e administrar o tempo. 1° Os setores apresentarão as propostas e os respectivos custos. 2° Serão deliberados os recursos. 3° Os setores cumprirão um cronograma criado para não excederem os prazos. 5.1.3 Execução Segundo Maximiano (2002), o processo de execução consiste em realizas atividades planejadas que envolvem dispêndio de energia física e intelectual. A natureza das atividades varia muito de caso para caso. A execução será feita com base no cronograma, que faz parte da organização. Esta etapa compreende a todos os processos adotados para que os produtos produzidos cheguem á consumidora final. 143 5.1.4 Controle O controle será feito de forma a verificar todos os resultados obtidos, desde o planejamento até a execução do plano. Para Maximiano (2002), o processo de controle pode ser exemplificado com a condução de um automóvel. O motorista compara continuamente o caminho que está percorrendo com o caminho necessário para chegar ao destino. Esta comparação tem por finalidade avaliar a eficácia o desempenho do grupo envolvido no processo, para então tomar decisões cabíveis. Concluindo, pode-se dizer que o plano administrativo para a empresa Garbo consiste-se em Planejamento; examinar o futuro e traçar um plano de ação a médio e longo prazo, Organização; montar uma estrutura humana e material para realizar o empreendimento, Comando; manter o pessoal ativo em toda a empresa, Coordenação; reunir, unificar e harmonizar todas as atividades e esforços, e por fim o Controle; cuidar para que tudo se realize de acordo dom os planos e as ordens. 5.2 Plano e controle de produção A empresa Garbo, não trabalhará com produção em escala industrial, as peças produzidas serão exclusivas, portanto todo o planejamento e controle apresentados neste projeto são voltados para a necessidade do plano de negócio desta empresa que produzirá em escala ou grade única. 5.2.1 Conceituação Planejamento e controle de produção segundo Russomano (2000), é o efeito de produzir, criar, gerar, elaborar, realizar. É aquilo que é produzido ou fabricado pelo homem. Esta ferramenta auxiliará em todas as etapas, até que se chegue ao consumidor final. A forma de planejamento da empresa Garbo será cíclica, ou seja, todo o processo se iniciará de um mesmo ponto de partida, e ao terminar, outro ciclo igual começará a ser executado. 144 5.2.2 Produtos produzidos pela empresa Garbo Os produtos produzidos pela empresa Garbo serão: camisas, tailleur, blazer e costumes (calça e paletó) e calças. As peças serão vendidas em lojas multimarcas, que atendam o mercado de luxo feminino. 5.2.3 Fluxograma Com base no ciclo da moda citado no livro “Fashion Design” (2005), segue o ciclo de etapas desde a compra até a análise de vendas. Figura 124: Fluxograma Fonte: da autora 145 5.2.3.1 Detalhamento do fluxograma Este subcapítulo irá descrever todos os itens do fluxograma. Para maior controle da empresa, uma ficha acompanhará o produto da quarta a décima etapa do fluxograma. Este controle servirá para elaboração do preço de venda do produto, pois será possível saber exatamente quantos materiais e tempo foram gastos para obter a peça pronta. Seguem fichas de acompanhamento. 146 Figura 125: Ficha de acompanhamento 01 Fonte: da autora 147 Figura 126: Ficha de acompanhamento 02 Fonte: da autora. Estas duas páginas acompanharão a peça piloto, quando permitida, a produção da peça final “de venda”, também terá o acompanhamento desta ficha. 148 5.2.3.2 Definição do tema A definição do tema é o passo inicial para a criação da coleção, e a partir do tema que se criarão os conceitos da coleção sempre mantendo o perfil e as características da empresa Garbo. A escolha do tema será feita, com base em experiências pessoais da criadora Paula Domingues, como: viagens, filmes, livros, músicas, arte, etc. 5.2.3.3 Compra de materiais Através de pesquisa de cores, estampas, armações, tratamentos e beneficiamentos de fibras, fios e tecidos, será feito uma cartela de materiais possíveis para produção da coleção. Com o tema definido e a pesquisa de materiais pronta, parte-se então para a compra de aviamentos, dos tecidos e dos outros materiais que serão aplicados a confecção das peças. Aviamentos como botões internos, zíperes etiquetas informativas, contendo tipo adequado de conservação, numeração e composição serão comprados em grandes quantidades independente do tema, pois será padrão. Já os zíperes externos, os botões, os tags, etiqueta com o nome da marca e da coleção serão encomendados à cada nova coleção, a diferença entre os materiais que ficarão estocados e os que serão encomendados de coleção à coleção, é que estes seguirão a linguagem do tema, e os outros aviamentos não. A compra dos tecidos também será realizada para cada coleção. Os tecidos poderão ser de origens naturais, animais, sintéticos, semi-sintéticos, e o que mais a tecnologia apresentar, a escolha da fibra que compõe o tecido será feita com base na estação, no caimento e adequação do tecido ao tema de inspiração da coleção. A embalagem também seguirá a linguagem visual do tema da coleção. A empresa Garbo apresentará seis mini coleções anuais conforme figura abaixo. 149 Figura 127: Coleções anuais Fonte: da autora A produção da coleção de janeiro será iniciada no mês de setembro; a do mês de março no mês de novembro; a de maio no mês de janeiro; a do mês de julho no mês de março; a do mês de setembro no mês de maio; e a de novembro no mês de julho. O tempo para a produção de cada coleção será de quatro meses. 5.2.3.4 Criação Com o tema definido e os materiais comprados, é chegada à hora de por a criatividade em prática. Algumas ferramentas podem auxiliar esta etapa, a técnica do Brainstorming que foi criada e divulgada por Alex Osborn em 1953, autor do livro Applied Imagination, que em português foi traduzido como “O poder Criador da Mente”, responsável pela grande difusão dos métodos de criatividade em todos os ramos de atividade, consiste em tentar imaginar, sem limitações, para depois submeter às alternativas encontradas à crítica. Isto não é fácil, pois o intelecto teima em examinar constantemente as aventuras da imaginação. No entanto com o exercício pode-se conseguir uma liberdade condicional da imaginação. Depois do exercício, tem-se uma grande quantidade de alternativas. Aí entra em ação o exame crítico do pensamento judicioso. Normalmente pouca coisa resiste a esse exame, mas o que ficar é o que procuramos: uma nova idéia. O musicista e maestro João Martins (1992), diz que a música é uma passagem do plano real para o mundo da imaginação, sendo então, uma ferramenta muito importante para o momento de 150 criação. A idéia de um look, ou de uma coleção inteira não precisa partir de dentro da sala de criação, a design responsável por esta função, ficará livre para criar tanto dentro da empresa quanto fora. A sala de criação será construída de forma a possibilitar mudanças nas cores das paredes, da disposição dos móveis, enfoque iluminário, além de apresentar estrutura para outras ferramentas que possam ajudar como os painéis semânticos, filmes, fotos e outros. A biblioteca fica junto à sala de criação, optou-se por unir as salas para que a pessoa responsável pela criação não precisasse deslocar-se até outra sala em busca de livros de moda, e de outros segmentos da área, revistas, books de cores e de tendências e outros. Além do acervo físico, este posto conta com um computador para acesso a internet, facilitando as buscas de forma rápida. O designer poderá desenvolver as coleções manualmente ou diretamente através de programas de criação instalados no processador da sala. Se optar por fazer de forma manual, após escolha das peças, o desenho deverá ser refeito no programa instalado para que fique arquivado. 5.2.3.5 Ficha técnica e moldes A ficha técnica é indispensável, apesar das peças serem únicas, pode acontecer de alguma consumidora escolher uma peça que não atenda sua numeração, neste caso, a peça voltará para a empresa e outra com grade de tamanho ideal será entregue para a cliente. Tendo a ficha técnica pronta a produção da peça dependerá apena da etapa da costura em diante tornando mais rápida esta produção e diminuindo o tempo de espera da consumidora. A ficha técnica criada pela autora é composta por cinco páginas, na primeira página (imagem 128), estão os campos com vista frontal e costas da peça. A segunda página é continuação de vistas, e observações (imagem 129). A terceira ficha é exclusivamente de modelagem (imagem 130). Na ficha de materiais serão colocados os tecidos, aviamentos e etiquetas que comporão a peça (imagem 131). A ultima ficha (imagem 132), será de acompanhamento desde o preparo da peça à seus últimos acabamentos. Seguem as fichas técnicas para produção. 151 Figura 128: Ficha técnica (folha 01) Fonte: Da autora. 152 Figura 129: Ficha técnica (folha 02) Fonte: Da autora. 153 Figura 130: Ficha técnica (folha 03) Fonte: Da autora. 154 Figura 131: Ficha técnica (folha 04) Fonte: Da autora. 155 Figura 132: Ficha técnica (folha 05) Fonte: da autora. 156 5.2.3.6 Coleção Piloto A coleção piloto segundo Jones (2005), deve ser feita inicialmente com o propósito de testar os tecidos, aviamentos, e caimento. Esta etapa será realizada com os padrões das indústrias japonesas, que influenciada por Deming nos anos de 1950, criou a idéia de “fazer certo da primeira vez”. Para que isso aconteça Maximiano (2002), explica que é importante que a qualidade seja assegurada dentro de cada processo de fabricação. Sendo assim, o funcionário deverá desenvolver o trabalho com a absoluta convicção de que ele é o maior responsável, consciente de que a operação posterior é o cliente, e não poderá receber o produto com defeito. O processo de produção das peças será feito de acordo com as especificações da ficha técnica. Devido ao fato das peças serem únicas, este, não se repetirá, cada peça terá um design único, o que impossibilita que o processo de produção de outra peça siga a mesma seqüência operacional. 5.2.3.7 Controle de qualidade Ao término da etapa de confecção das peças de pilotagem, será feito o controle de qualidade em todas as peças, para detectar se a peça precisa de algum reajuste, ou acabamento. Se acontecer da peça ter alguma imperfeição, a mesma voltará para a confecção onde receberá os devidos reparos, a produção de venda da peça só será liberada quando não houver dúvidas quanto à qualidade da peça. 5.2.3.8 Coleção de vendas Após as peças de pilotagem terem sido aprovadas pelo controle de qualidade, será dado início a confecção para venda do produto. A produção de coleção de vendas, também seguirá os padrões japoneses, citados no subcapítulo 5.2.3.6. As peças produzidas serão rigorosamente inspecionadas para obter a qualidade total do produto. 157 5.2.3.9 Empacotamento / expedição A embalagem seguirá os padrões do tema da coleção. Os materiais de usados na embalagem e no empacotamento, quando possível, serão de origem reciclável. Com as peças prontas e os tramites legais já concluídos, estas irão para a loja através de transporte rodoviário ou aéreo, o tipo de transporte dependerá das clausulas do contrato assinado pela empresa Garbo e pelo cliente. 5.2.3.10 Pesquisa com consumidor Serão realizados três tipos de pesquisa, a de observação e comportamento, a pesquisa de questionário que será aplicado às lojistas, e através de enquete no site oficial da marca Garbo. A pesquisa de observação e comportamento tem como objetivo, obter resposta diretamente da consumidora final, com esta pesquisa, será possível detectar o que o público está usando, como compõe o look, onde estão usando, e apura a percepção dos fatores sócio-culturais que poderão influenciar a moda brasileira. Esta pesquisa será feita em ambientes freqüentados pelo público da marca. Pesquisas em lojas acrescentarão informações referentes ao perfil da consumidora, alem de informar a situação de mercado, como tipo de vestuário com maior aceitação pelo público, numeração mais procurada, formas, cores e modelos. Esta pesquisa será feita em forma de questionário e entrevista com as lojistas. A enquete no site somará as outras duas pesquisas, a Garbo estará sempre em busca da aproximação máxima entre a empresa e as consumidoras. Todos os meses a empresa buscará nas lojas multimarcas dados cadastrais como endereços residencial e eletrônico das mulheres que adquiriram algum produto da marca. Estas consumidoras receberão malas diretas com catálogos das coleções e e-mails com enquetes informações sobre eventos promovidos pela empresa. 158 Estas pesquisas são importantes para aproximar a marca do público. Através das opiniões das consumidoras a empresa poderá trabalhar melhor os pontos fortes e fracos do mercado sempre em busca se satisfazer seu público consumidor. 5.2.4 Ciclo de shewhart Segundo Maximiano (2002), o ciclo Shewhart foi criado por William Edwards Deming em 1970. Esta ferramenta, também conhecida como Deming, é usada no aprimoramento do planejamento de empresas que buscam a qualidade total. A figura a seguir, mostra como funciona este ciclo. Figura 133: Coleções anuais Fonte: da autora Este ciclo como citado, em primeiro plano estudará o ciclo anterior para o aprimoramento do processo, bem como implantará mudanças que possam surtir efeitos positivos. Após estes dois passos, serão observados os efeitos, onde será possível saber o que se pode manter para o ciclo seguinte e o que deve ser alterado. 159 5.3 Plano de marketing Em uma primeira análise, o marketing consiste em orientar todas as ações da companhia para o consumidor final. Lorange e Vancil (1986, p. 52), definem marketing como: Estado de espírito empresarial que insiste na integração e coordenação de todas as funções de marketing, as quais, por sua vez, são conjugadas com todas as outras funções empresariais, com o objetivo fundamental de produzir lucros máximos da companhia a longo prazo. (LORANGE E VANCIL; 1986, P. 53). Plano de marketing segundo Westwood (1996), serve como um mapa, ele mostra à empresa aonde ela está indo e como vai chegar lá. Para se montar um plano de marketing, é necessário estipular etapas, como uma metodologia que deve ser revista e atualizada. Com base em pesquisas de marketing, criou-se uma metodologia com etapas para o plano de marketing da empresa Garbo presente na figura seguinte. Figura 134: Etapas do plano de marketing da empresa Garbo Fonte: Da autora Os requisitos de um plano de marketing variam de companhia para companhia. O plano criado para a Garbo foi elaborado com o princípio de conhecer 160 o mercado, para saber se a proposta inicial se insere nas necessidades de mercado, e então, criar um plano de ação que deverá ser revisado, e atualizado periodicamente. A pesquisa de mercado, está completamente descrita no capítulo 4. 5.3.1 Objetivo de marketing O objetivo é planejar um crescimento sólido e estruturado para a empresa, criando em seu público alvo o desejo de possuir as peças da marca. 5.3.2 Plano de ação e comunicação O plano de ação e comunicação é uma ferramenta que segundo Westwood (1996), permite atingir os objetivos de marketing. Cada empresa possui uma meta diferente, portanto cada companhia traça seu plano de ação de acordo com suas necessidades. Para este projeto é necessário estabelecer: • A posição – onde a empresa está agora. • Metas – o que fazer / aonde a empresa quer chegar. • Ação – o que a empresa precisa fazer para chegar lá. • Data de início. • Data de conclusão. • Custos. 5.3.2.1 A posição A empresa começará suas atividades em fevereiro de 2009, no mês de março iniciará a produção que será lançada em julho. 161 5.3.2.2 Metas Vender para o público feminino de classe alta, e provocar nestas clientes a necessidade de adquirirem os produtos da coleção, que se encontrarão nas 15 melhores lojas multimarcas do segmento no país. 5.3.2.3 Ações O plano de ação segundo Westwood (1996), refere-se a um conjunto de estratégias e táticas para realizar os objetivos do marketing. As ações deste plano seguem em tópicos: • Criação da coleção completa (que será lançada em julho) e o catálogo da coleção com seiscentos exemplares. • Na metade do mês de junho: Coquetel de inauguração. Será feito para imprensa (revistas: Veja e Caras, jornais: Terra, RBS e UOL) e para algumas lojas multimarcas, que receberão o catálogo da coleção. Peças da coleção ficarão expostas no showroom. O objetivo deste evento é apresentar a empresa para a imprensa, para as lojas multimarcas e para o público em geral. Além de começar a vender os produtos produzidos. • Final de junho: Desfile de lançamento na Villa Daslu. Este desfile irá reunir a imprensa (revistas: Veja, Caras, Contigo, ELLE e Daslu, jornais: Terra, UOL, A Folha e O Estadão), e atuais clientes da Villa Daslu, serão distribuídos catálogos da coleção. O objetivo é atrair a atenção das consumidoras, divulgar a marca através da imprensa para o público alvo e para as melhores lojas multimarcas do país. Neste evento será servido vinho espumante e água. • Fazer anúncio publicitário uma vez por mês na revista Veja sul. • Final de junho: Ir às lojas multimarcas para vender as peças. Em cada loja será colocada a imagem tema da coleção, esta imagem ficará como um quadro decorativo. • Todos os meses: Contratar uma personalidade diferente, para usar um determinado traje da marca, esta pessoa será fotografada e sua imagem será 162 publicada na revista Caras. • O site da empresa terá papel importante, este será usado para apresentar as peças da coleção, e como portal de vendas para as lojas multimarcas já licenciadas. O site será usado também para interação da marca com a consumidora final, que receberão o link por e-mail. • A empresa buscará junto às suas licenciadas, dados cadastrais das consumidoras, para que possa ter maior proximidade com as mesmas. As clientes receberão notícias como lançamentos de coleção, novas lojas licenciadas, enquetes e outras notícias que possam interessar a empresa Garbo e a suas clientes. • Outra ação importante é a de manter a cliente fiel a marca. Para que isso aconteça, quando a cliente comprar no mês de seu aniversário, receberá um presente da Garbo, que poderá variar desde desconto na peça à um mimo como lenço, chaveiro, etc.. • Fechar o primeiro ciclo, analisar as ações. • Buscar novas lojas para vender as peças. • Manter durante todos os meses, uma imagem de personalidade na revista Caras. • Programar entrevistas em jornais e em revistas. • Analisar qual loja vendeu mais peças, para fazer o lançamento da nova coleção, com desfile e coquetel. Toda a comunicação do marketing terá como objetivo causar impacto, desejo, para que estes sejam alcançados, Ferreirinha (curso de mercado do luxo 2008), apresenta o que o marketing deve ser o que seduz; que impressiona; que fascina; que vai além; que instiga; que pulsa; que encanta. A empresa Garbo usará como comunicação direta, o site da empresa, correspondência via e-mail e mala direta, entrevistas em revistas e jornais, flashes com personalidades usando as peças da marca, e fará publicidade em revistas. As clientes “lojas multimarcas”, receberão CD a cada coleção, que mostrará o conceito da coleção, e as peças produzidas, este cd, será editado com o intuito de envolver e encantar as clientes licenciadas, pois somente envolvidas entenderão o que a 163 coleção representa e assim poderão oferecer as peças para suas clientes mais especiais. Este ciclo se repetirá por dois anos, já que este é o tempo estipulado para este plano de marketing. Deve-se salientar que este plano, a cada nova análise, estará sujeito a alterações. Alcançadas estas metas, a empresa partirá para a concretização da abertura de uma loja própria, e abrirá suas vendas em territórios internacionais. 5.3.2.4 Data de início e conclusão do plano de marketing Conforme colocado anteriormente, as atividades da empresa se iniciarão em março de 2009, e a conclusão deste plano de marketing será em março de 2011. 5.3.2.5 Custos Para se saber os custos deste plano de negócio, foi realizada uma pesquisa diretamente com as fontes dos eventos, conforme mostram os quadros seguintes. Quadro 14: Orçamento em revistas para anúncio publicitário e cobertura de evento. Publicitário Cobertura de evento ½ pág. horizontal 1/3 pág. vertical indeterminado REVISTA VEJA (nacional) R$ 141.500,00 R$ 97.100,00 Sem custo VEJA (Sul) R$ 5.600,00 R$ 3.800,00 Sem custo CARAS (nacional) R$ 56.100,00 R$ 38.740,00 Sem custo CONTIGO R$ 30.200,00 R$ 20.200,00 Sem custo ÉPOCA R$ 75.400,00 R$ 52.400,00 Sem custo ELLE (nacional) R$ 26.600,00 R$ 17.700,00 Sem custo ELLE (Sul) R$ 6.700,00 R$ 4.400,00 Sem custo MANEQUIM R$ 29.900,00 R$ 20.000,00 Sem custo Fonte: Da autora Quadro 15: Orçamento em jornais para cobertura de eventos e entrevistas JORNAL RBS TVCOM DIÁRIO CATARINENSE FOLHA DE SP CADERNO/ PROGRAMA Estúdio SC Multimídia Alto Estilo / Economia Moda Colunista Cobertura (evento/notícias/entrevista) Camille Reis Lú Adams Estela Benetti / Adri Buch - Sem custo Sem custo Sem custo Sem custo 164 ESTADÃO UOL TERRA Moda / Economia Estilo / Moda Moda - Sem custo Sem custo Sem custo Fonte: Da autora Quadro 16: Orçamentos diversos (valores para todos os meses do plano) 03-2009/03-2011. Serviço Quantidade N° de Valor total Empresa por evento Eventos cotada Criação do site 1 1 R$ 1.100,00 Adriano PCs Manutenção do site 24 R$ 120,00 Adriano PCs Agência de modelos para 25 11 R$ 3.750,00 Agência desfiles Nova estrela Coquetel (Florianópolis) 50 pessoas 1 R$ 3.700,00 Styllus Coquetel (São Paulo) 300 pessoas 1 R$ 20.000,00 Styllus Coquetel de lançamento de 1 10 R$ Styllus coleção R$ 37.000,00 Terraço Daslu (locação) 1 R$ 39.000,00 Daslu R$ 46.000,00 Produção completa do 1° 400 1 R$ 40.700,00 Agência catálogo Nova estrela Produção completa dos 75 10 R$ 40.700,00 Agência catálogos futuros Nova estrela Imagem da coleção para 15 11 R$ 8.000,00 Agência expor na loja Nova estrela Contrato com personalidade 20 meses R$ Actors & Arts mensal R$ 45.000,00 Fonte: Da autora Todas as empresas citadas estão devidamente referenciadas no ultimo capítulo deste projeto. Quadro 17: Orçamentos com todos os serviços para o período de 03-2008 à 03-2011. Serviço N° Eventos Valor total Anúncio publicitário na 1 X por mês 24 R$ 91.200,00 revista Veja Sul Cobertura de evento na Cada lançamento de coleção R$ 11 revista VEJA (nacional) Cobertura de evento na Cada lançamento de coleção R$ 11 revista Caras (nacional) RBS Cada lançamento de coleção 11 R$ TVCOM Cada lançamento de coleção 11 R$ Diário Catarinense Cada lançamento de coleção 11 R$ Folha de SP Cada lançamento de coleção 11 R$ Estadão Cada lançamento de coleção 11 R$ UOL Cada lançamento de coleção 11 R$ Terra Cada lançamento de coleção 11 R$ Criação do site 1 1 R$ 1.100,00 Manutenção do site 24 R$ 120,00 165 Agência de modelos para desfiles Coquetel (Florianópolis) Coquetel (São Paulo) Coquetel de lançamento de coleção Terraço Daslu (locação) Produção completa do 1° catálogo Produção completa dos catálogos futuros Imagem da coleção para expor na loja Contrato com personalidade mensal 25 50 pessoas 300 pessoas 1por coleção 1 400 75 15 24 meses 11 1 1 10 1 1 10 11 R$ 27.500,00 R$ 3.700,00 R$ 20.000,00 R$ 37.000,00 R$ 39.000,00 R$ 20.000,00 R$ 37.500,00 R$ 8.000,00 R$ R$ 60.000,00 Fonte: Da autora O custo total deste plano de marketing dependerá do valor contratual da personalidade mensal, citada no ultimo item do quadro 17, calculando um valor médio o custo será de R$ 308.120,00. 5.3.3 Sistema de controle do plano / Rever e atualizar O controle será feito através de acompanhamento mensal, o que provará a eficácia do plano. Este acompanhamento será minucioso para que, se necessário, adote-se medidas diferentes com a finalidade de adequar as necessidades. Com base no acompanhamento, será possível atualizar o plano para a empresa, adequando-o as novas metas a serem atingidas. 5.3.4 A marca Segundo o INPI (2002), marca é todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos/serviços de outros semelhantes ou afins, de procedência diversa ou certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas. Quanto à natureza, pode ser de produto, serviço, coletiva ou de certificação e quanto a apresentação pode ser nominativa, figurativa, mista ou tridimensional. 166 Para Westwood (1996), a identidade da Marca é a expressão visual e verbal da marca. Ela representa, sintetiza e sustenta um empreendimento ou produto. É a forma mais curta e rápida de comunicação disponível. Começa pelo nome, logo e se transforma em uma poderosa ferramenta de comunicação, em aplicações que vão desde o cartão de visitas a websites. A identidade da marca aumenta o reconhecimento e constrói empresas. Ela deve ser uma expressão autêntica da organização, com sua visão, metas, valores e personalidade. O design e as mensagens devem refletir desde o que a empresa é até o que ela quer se tornar. O design deve ser apropriado à companhia, seu target e ramo de atuação. O nome Garbo surgiu, após muitas buscas por palavras que pudessem traduzir a elegância e sofisticação dos produtos que a empresa irá produzir. De acordo com o dicionário Aurélio (2002), Garbo significa elegância nos gesto, nos modos, na apresentação, na figura, é o aprumo a distinção. 5.3.5 Plano Gráfico Toda a parte gráfica da marca foi criada, com base nos recursos disponíveis do programa de desenhos Corel 12. Segue a seqüência de estudos para se chegar a logo final: 1. O nome Garbo foi escrito 16 vezes com fontes diferentes, 2. Uma das fontes foi escolhida, 3. Desenhou-se 6 motivos para compor a logo, junto á parte escrita, 4. Uniu-se a parte escrita com os 6 motivos, 5. Uma união de motivo com o nome foi escolhido, formando a logo da marca. Seguem as imagens desta etapa de criação. 167 Figura 135: Estudos da Logo (fonte e motivo) Fonte: Da autora Figura 136: Estudos da Logo (união de fonte e motivo) Fonte: Da autora 168 Figura 137: Formato escolhido para a logo Fonte: Da autora 5.3.6 Composto para os produtos Este composto é formado por todos os materiais que serão usados nas embalagens dos produtos e no escritório da empresa Garbo. Os materiais de embalagem são: papel de embalagem, caixa do produto, caixa para transportadora, capa de roupa, cabide, adesivo, etiqueta, tag, sacola, sacola de pano e etiqueta para transportadora. Os materiais de escritório são: papel ofício, envelope, capa de CD e cartão de visita. Seguem imagens com o composto. Figura 138: Papel de embrulho e sacola de tecido Fonte: Da autora 169 Figura 139: Caixa e sacola Fonte: Da autora Figura 140: Capa e cabides Fonte: Da autora Figura 141: Fita e adesivo Fonte: Da autora 170 Figura 142: Tag Fonte: Da autora Figura 143: Caixa para transportadora Fonte: Da autora Figura 144: Cartão de visitas Fonte: Da autora 171 Figura 145: Envelope (frente e verso) Fonte: Da autora Figura 146: Papel Ofício Fonte: Da autora 172 Figura 147: Capa e interior de cds Fonte: Da autora Este composto para produtos, foi criado a partir dos recursos do programa de informática chamado Corel 12. 5.4 Setor de finanças Segundo Rebello (2002), setor pode ser definido como um conjunto de partes coordenadas entre si, e integração entre as partes como o todo. O setor financeiro será o responsável pela tesouraria e pela contabilidade parcial da empresa. Os serviços de tesouraria estão relacionados aos pagamentos de contas, e intermédio de pedidos para recursos em investimentos ou suprimentos dentro da empresa junto à administração Geral. Toda liberação de verba, passará pelo setor de finanças, onde será analisado e posteriormente aprovado ou não pela administração geral. Dentre os orçamentos a serem analisados estão: orçamento de matérias-primas, orçamento de mão-de-obra, orçamento de capitais, orçamento de despesas com vendas, orçamento de fluxo de caixa, etc. 173 O sistema orçamentário é um instrumento que pode indicar ao administrativo o melhor caminho a seguir, alem de apontar, tanto na érea financeira quanto operacional, aquilo o que deve ser corrigido, para que ele atinja um melhor desempenho administrativo. “Orçamento é o instrumento utilizado para elaborar, de forma eficaz e eficiente, o planejamento e o controle financeiro das atividades operacionais e de capital da empresa, auxiliando à tomada de decisão”. (REBELLO, 2002, p. 40). • Orçamento de matérias-primas O orçamento de matérias-primas, prevê, as quantidades necessárias para integrar o processo produtivo de uma produção planejada, discriminando a quantidade necessária para a fabricação de um produto ou total a ser consumido pela empresa em determinado período, cuja informação também é importante para a manutenção do respectivo estoque. • Orçamento de mão-de-obra Padoveze (1998), explica que são todos os gastos com pessoal da empresa. Estes gastos incluem todos os tipos de remuneração paga ao funcionário da empresa, bem como os encargos sociais sobre a mão-de-obra. Segundo Zdanowicz (1993), as principais finalidades da elaboração do orçamento de mão-de-obra são: • Mensurar a quantidade necessária de mão-de-obra direta; • estimar o custo da mão-de-obra direta de produção, para que os custos possam ser calculados; • apresentar subsídios ao departamento de pessoal, para que este possa planejar sua atividade; e • proporcionar ao orçamento de caixa informações a respeito do desempenho necessário. • Orçamento de custos indiretos “Os custos indiretos de produção abrangem todos os custos fabris que não podem ser classificados como mão-de-obra direta ou matéria-prima, são incorridos a 174 nível de departamento ou nível da fábrica como todo”. (SANVICENTE; SANTOS, 2000, p. 91). • Orçamento de capital Welsch (1996, p. 231) “o orçamento de investimento em imobilizado também pode ser designado pelo nome de orçamento de acréscimo de imobilizado, orçamento de despesas de capital, orçamento de investimento ou orçamento da aplicação da capacidade de produção. Denota-se que o orçamento de capital abrange as necessidades de capital da empresa e todos os investimentos que necessitam de um aporte elevado de capital, como imobilizações em prédios, levando em conta a capacidade de pagamento da organização. • Orçamento de despesas com vendas É uma subdivisão do orçamento das despesas operacionais, e portanto, mais abrangentes. Welsch (1996, p.87), “o orçamento de despesas como vendas encontram-se os gastos relacionados como atividade comercial da empresa como salários do pessoal de vendas, encargos sociais e demais despesas com a área de vendas da empresa”. • Orçamento de fluxo de caixa Zdanowicz (2000, p. 92), cita alguns conceitos de orçamento de caixa, entre os que mais se identificam com o sistema de planejamento financeiro da empresa estão: • Orçamento de caixa é um instrumento que relacionará os futuros ingressos e desembolsos financeiros de caixa paua um dado período de tempo; • Orçamento de caixa é a técnica utilizada pela administração financeira de desembolsos a serem movimentados no exercício orçado, permitindo detectar, antecipadamente, se haverá excedentes ou escassez de recursos financeiros no período projetado. 175 Desta forma, funcionará o sistema financeiro da empresa Garbo. Os serviços contábeis contarão com o auxílio de escritório profissional, porém também será mantido um controle interno. 5.5 Plano de logística Segundo Dooley e Nueno (1986) a logística pode ser entendida como a coordenação da estocagem, do transporte, dos inventários, dos armazenamentos, das comunicações e do movimento de produtos acabados desde a empresa até o cliente. Para a empresa Garbo as funções que serão destinadas ao setor de logística são: • Controle de insumos necessários para o funcionamento (materiais, energia, mão-de-obra e capital), • Controle de entrada de todos os materiais da empresa, • Controle de saída de todos os materiais da empresa. 5.5.1 Controle de insumos A cada novo ciclo de coleção, todo o estoque será analisado para que se faça inclusão das sobras de materiais na coleção que se inicia. A compra de materiais para o desenvolvimento da coleção ocorrerá sob responsabilidade do setor de logística, á partir de pedido de liberação de verba junto ao setor financeiro, que por sua vez, deverá obter a aprovação da administração geral. Após pesquisa no caderno Guia Têxtil e Confecção (2008), pode-se conhecer algumas empresas que trabalham com insumos do tipo: fios e tecidos, empresas especializadas em beneficiamento, e trabalhos exclusivos em tecidos, empresas de aviamentos, de transporte e de outros eventuais serviços. Fez-se uma pequena amostragem de representantes que atuam na área têxtil em Santa Catarina. Não é preciso sair do estado para adquirir produtos e serviços 176 de confecção, o estado é um grande produtor de tecidos, e tudo mais que se encaixe no contexto moda. O caderno Guia Têxtil (2008) apresenta empresas no país inteiro, e fica claro que o estado, é se não o maior criador de produtos para moda em geral um dos maiores. Esta pesquisa serviu para saber que não haverá dificuldades de encontrar insumos necessários para produções têxteis, e comprovou que o estado de Santa Catarina é rico em diversidades destes materiais. A lista completa de fornecedores está no anexo A. 5.5.2 Controle de entrada de materiais Para que haja controle de despesas com insumos, e a diminuição de gastos desnecessários, um controle interno, será implantado. Todos os tipos de matéria prima, e outros necessários para a produção, embalagem e escritório, estarão contidos em planilhas, que permitirão o controle total de quanto em materiais, e em verba, a empresa estará investindo nos devidos setores. Para aquisição de insumos, bem como de maquinários, o setor de logística entrara em contato com o financeiro pedindo a liberação da verba. 5.5.3 Controle de saída de materiais Após liberação do controle de qualidade, as peças irão para o empacotamento, e seguirão para expedição. No setor expedição, cada peça pronta receberá um código de barras, cujo estará também na ficha que acompanhou a peça por todo o processo de produção, que identificará o produto no estoque. Quando a peça for vendida, será devidamente embalada com os itens citados no composto de produtos no subcapítulo (5.3.6). A peça irá no cabide e encapada, pronta para ser exposta, a caixa, sacola e outros irão junto á mercadoria para loja licenciada. O meio de transporte para entrega de mercadorias irá depender, do contrato assinado por ambas as partes (a empresa Garbo e a Loja Licenciada), podendo ser via terrestre (transportadora), via aérea (Variglog, Cargas Tam, Cargas Gol, etc..), 177 recursos de transporte como marinho (contêiner), e ferroviários (trem), não serão utilizados enquanto a empresa estiver trabalhando apenas em território nacional. Figura 148: Fluxos de materiais e de informações Fonte: da autora 5.6 Setor de recursos humanos Todo o recrutamento será feito por intermédio de empresas de RH, onde a Garbo, apresentará o perfil profissional que necessita para determinada área, e a empresa contratada oferecerá um número X de candidatos dispostos e habilitados para assumir o posto. O setor de recursos humanos será administrado com base nas ciências do comportamento. Os colaboradores antes de serem admitidos passarão por uma bateria de testes, onde serão detectadas as inteligências: lingüística, lógica matemática, musical, especial, corpora-cinestésica, pessoal, naturalista e existencial. Segue uma breve definição das inteligências e áreas de atuação. 178 Quadro 18: Inteligências Inteligência Lingüística Lógica-matemática Musical Especial Corporal-cinestésica Pessoal Naturalista Existencial Definição Domínio, gosto e desejo de explorar linguagem e palavras. Capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, bem como entender suas relações e princípios. Competência não apenas para compor e executar peças, mas também para ouvir e entender. Habilidade para perceber com precisão o mundo visual, transformar percepções e recriar a realidade visual. Capacidade de controlar e orquestrar o movimento do corpo e manejar objetivos com habilidade. Capacidade de entender a si próprio (intrapessoal) e aos outros (interpessoal). Capacidade de reconhecer e categorizar objetos da natureza. Capacidade de entender e ponderar as questões fundamentais da existência humana. Área de atuação Poetas, escritores, lingüistas. Matemáticos, cientistas, filósofos. Compositores, maestros, músicos. Arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos. Dançarinos, atletas, atores. Psiquiatras, políticos, líderes, antropólogos. Biólogos, naturalistas. Líderes, pensadores. Fonte: Livro de Maximiano (2002). Para a empresa Garbo, cada tipo de inteligência será aproveitado em específicas áreas de atuação dentro da empresa. A inteligência lingüística será requisito para quem trabalhará na área de divulgação da marca, e administração podendo ministrar pequenos cursos internos para os colaboradores. Lógicamatemática, áreas de administração, compras, vendas e finanças. Musical requisito para os criadores. Inteligência especial, para quem irá trabalhar com modelagem, e construção das peças, as costureiras. Corporal-cinestésica será requisito para costureiras. As outras inteligências não serão analisadas pelo RH, por não serem necessárias nos setores da empresa. Após esta detecção o candidato participará de um período de avaliação de 3 meses, se provada a capacitação do candidato, será efetivado pela empresa. 179 5.7 Estrutura física da empresa Como uma empresa que se preocupa com o bem estar de seus colaboradores, a Garbo usará os estudos ergonômicos em geral nos ambiente de trabalho, bem como a buscará a satisfação de sua equipe. 5.7.1 Ergonomia A Garbo é uma empresa que prima pela saúde de seus funcionários, portanto, aplicará as normas ergonômicas de ambientes de trabalho para cuidar das condições físicas e mentais dos colaboradores da empresa. O objetivo é preparar todos os ambientes de trabalho aplicando, usabilidade e antropometria, para que se possa projetar postos seguros e ergonomicamente corretos. A preocupação da empresa em relação ao posto de trabalho de seus colaboradores fez com que um breve estudo sobre antropometria fosse feito e aplicado aos móveis de toda a empresa. Segundo Iida (1998), as dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas do usuário, portanto, o assento deve permitir variações de postura, e ajudar no relaxamento. Todas as cadeiras da empresa terão regulagens na altura do assento, na altura do encosto e regulagem de movimento de profundidade do encosto. Na postura ereta, a coluna deve ficar na vertical e o tronco sustentado pelos músculos dorsais, esta postura facilita a movimentação dos braços e a visualização para frente. Como os músculos dorsais executam um trabalho estático, essa postura pode ser fatigada, principalmente se a cabeça ficar muito inclinada para frente. Para postura de relaxamento, o dorso não deve ficar tão tenso como no caso anterior, ele deve assumir postura ligeiramente curva para frente ou para trás, esta postura faz menores exigências dos músculos dorsais de sustentação, sendo menos fatigante (IIDA, 1998). Segue imagem com medidas antropométricas da cadeira e da mesa fixa e regulável. 180 Figura 149: Medidas para cadeiras e mesas Fonte: Iida (1998). As bancadas que serão usada no posto de desenvolvimento dos moldes, na talharia, no controle de qualidade e embalagem, terão 90 cm de altura. Esta altura, segundo IIDA (1998), atende aos serviços de médio esforço, e é a altura adequada para pessoas do sexo feminino. Figura 150: Altura da bancada Fonte: Iida (1998). As dimensões das mesas seguem as medidas recomendadas por Grandjean, (1983). A mesa servirá para aparar o computador, e alguns materiais irão variar de posto para posto. Com exceção as mesas de desenho, todas as outras mesas terão altura de 74 cm e já que as cadeiras são reguláveis essas mesas não terão regulagem de altura. 181 74 cm Figura 151: Altura correta para mesa sem regulagem Fonte: Da autora As mesas de desenho serão com regulagem de altura que pode variar de 54 cm a 80cm e a inclinação poderá variar do ângulo de 90° até o ângulo de 110° conforme imagem seguinte. 110° 90° 80 cm 54 cm Figura 152: Imagem da mesa de desenho regulável Fonte: da autora A empresa terá inicialmente duas mesas de desenho, que ficarão no posto de criação, qual será apresentado no subtítulo seguinte. O que a Garbo pretende ter como este estudo ergonômico, pode ser respondido com as imagens do painel seguinte. 182 Figura 153: Bom ambiente de trabalho Fonte: da autora Toda preocupação com a saúde física e mental dos colabores, parte do princípio que, se o trabalhador estiver satisfeito sentindo-se respeitado e importante para a empresa, seu resultado profissional será de melhor qualidade. 5.7.2 Construção Neste subtítulo serão apresentados todos os custos para construir a empresa e o detalhamento dos postos de trabalho. Todos os postos terão as paredes pintadas de cor branca, na sala de criação, sala de espera, administração, modelagem, talharia e embalagem, uma das paredes será pintada com cor alegre de forma decorativa, a recepção, a sala de showroom e a diretoria, terão a logo marca da empresa em uma das paredes as demais salas serão completamente brancas. O piso da empresa será de cor branca. A iluminação de todos os postos será de cor branca, os interruptores também serão de cor branca. Os condicionadores de ar ficarão nos seguintes postos abaixo relacionados e o controle ficará fixado na parede ao lado da porta. • Recepção / sala de espera 183 • Showroom • Administração / diretoria • Modelagem • Talharia • Confecção • Controle de qualidade / Embalagem • Histórico • Sala de criação / Biblioteca Fachada da empresa: Terá capacidade para estacionar seis carros, as portas de entrada ficarão atrás de uma parede de pedras. No lado direito da fachada, há uma mini passarela para eventuais desfiles externos, o acesso será pelo camarim. Figura 154: Fachada Fonte: Da autora Descrição da recepção e sala de espera: mesa para recepcionista, cadeira recepcionista, poltronas para clientes, artigos de decoração e banheiro. seguem imagens do ambiente. 184 Figura 155: Recepção Fonte: Da autora Figura 156: Sala de espera Fonte: Da autora Descrição do showroom: expositores, poltronas e artigos de decoração. Figura 157: showroom Fonte: Da autora 185 Descrição da copa: pia, geladeira, microondas e armários. Figura 158: Copa Fonte: Da autora Descrição do posto de administração: duas estações de trabalho, cadeiras, armário e artigos de decoração. Figura 159: Administração Fonte: da autora Descrição do posto de diretoria: mesa, cadeiras, poltronas, um armário, banheiro privativo e artigos de decoração. 186 Figura 160: Diretoria Fonte: Da autora Figura 161: Diretoria Fonte: Da autora Descrição do histórico: o histórico será mobiliado com arquivos formados por três porta-cabides, e uma prateleira na parte superior, os arquivos terão quase a altura da sala, só não serão até o teto para possibilitar a passagem de ar entre os armários. serão quatro móveis com corrediças que deslizarão para frente e para trás como no desenho a seguir. 187 Figura 162: Histórico Fonte: da autora Descrição do posto de criação e biblioteca: uma mesa redonda, uma mesa para desenho simples, uma mesa para desenho com luz difusa, quatro estações de trabalho, dois pufes, cadeiras, poltronas, estantes e artigos de decoração. Figura 163: Criação Fonte: Da autora 188 Figura 164: Criação Fonte: Da autora Descrição do camarim: duas cabines, cadeiras, uma bancada para preparar as modelos, espelho e um armário. Figura 165: Camarim Fonte: Da autora Descrição do vestiário: um banheiro, bancos, armários e espelho. 189 Figura 166: Vestiário Fonte: Da autora Descrição do estoque de materiais: prateleiras, uma mesa, cadeira e gavetas. Figura 167: Estoque Fonte: Da autora Descrição do posto de modelagem: Uma bancada, uma estação de trabalho com computador, cadeira, bancos e armário. 190 Figura 168: Modelagem Fonte: Da autora Descrição do posto de talhação: uma bancada, bancos e armário. Figura 169: Talhação Fonte: Da autora Descrição do posto de costura: uma bancada de apoio, 3 mesas de costura reta e zigue-zague, 2 mesas de overloque, 1 de interloque, 2 mesas de bordado, 1 para patchwork, 3 mesas de apoio para bordados manuais, colocação de botão e ajustes e uma prateleira. 191 Figura 170: Costura Fonte: Da autora Descrição do posto de controle de qualidade: uma bancada, bancos e prateleiras. Figura 171: Controle de qualidade Fonte: Da autora Descrição do posto de empacotamento: uma mesa, cadeiras e armário. 192 Figura 172: Empacotamento Fonte: Da autora Descrição do estoque de produtos prontos: prateleiras, uma mesa, cadeira e gavetas. Figura 173: Estoque de produtos prontos Fonte: Da autora Descrição do posto de expedição: uma estação de trabalho e cadeira. 193 Figura 174: Expedição Fonte: Da autora Figura 175: Planta baixa Fonte: Da autora 5.7.3 Custos Gerais Fez-se uma pesquisa para saber qual será o custo total da construção deste projeto. As planilhas seguintes, mostram orçamentos de serviços e produtos que 194 serão usados no projeto. A listagem com as empresas consultadas encontra-se no Anexo B deste trabalho. Quadro 19: Planilha de custos do terreno e construção. Orçamento de terreno Valor médio de terreno com Valor médio de terreno com Data da cotação 2mil m² para compra 2mil m² para alugar 25/04/2008 R$ 280.000,00 R$ 2.000,00 Orçamento de construção Prazo de Data da cotação Construtora Custo total entrega 09/04/2008 Cota Empreendimentos 6-10 meses R$ 590.000,00 Mobiliários LTDA. 09/04/2008 A 4 arquitetura e construção 6-8 meses R$ 575.000,00 09/04/2008 Álamo Construtora 6-8 meses R$ 580.000,00 09/04/2008 Construtora JB LTDA 6-8 meses R$ 530.000,00 Fonte: Da autora Quadro 20: Planilha de custos de móveis sanitários. Orçamento de moveis para (4) banheiros Prazo de Data da cotação Empresa entrega 26/04/2008 Balaroti 3-7 dias 26/04/2008 Cassol Center Lar 3-7 dias 26/04/2008 Dell Anno 15 dias 26/04/2008 Empório Rústico 15 dias Custo total Forma de PGTO R$ 1.950,00 R$ 2.300,00 R$ 2.900,00 R$ 1.800,00 12X 10X 5X 5X Fonte: Da autora Quadro 21: Planilha de custos de móveis. Orçamento de mesas Data da cotação 3 Empresas 27/04/2008 Móveis Office / MMM / Gimba.com Descrição Valor R$ Forma de PGTO 1 recepção R$ 1.950,00 10X 2 administração R$ 1.580,00 10X 1 diretoria R$ 1.530,00 10X 1criação (redonda) R$ 490,00 10X 4 criação R$ 3.160,00 10X 1 estoque R$ 390,00 10X 1 modelagem R$ 390,00 10X 3 costura R$ 1.200,00 10X 1 empacotamento R$ 390,00 10X 1 expedição R$ 390,00 10X Orçamento de (36) cadeiras Data da cotação 01/05/2008 01/05/2008 01/05/2008 Empresa Colombo Made China Gimba.com Prazo de entrega Custo total 7 dias 7 dias 10 dias R$ 6.084,00 R$ 10.436,00 R$ 6.696,00 Prazo de entrega 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias 20 – 30 dias Forma de PGTO 8X 9X 10X 195 01/05/2008 Gimba.com Orçamento de (8) poltronas Data da cotação Empresa 10 dias R$ 9.270,00 Prazo de entrega Custo total 27/04/2008 27/04/2008 27/04/2008 10X Forma de PGTO 10 X 8X 12X Recostare 3-7 dias R$ 3.360,00 Salfer 2-5 dias R$ 2.400,00 Magazine 2-5 dias R$ 3.200,00 Luiza 27/04/2008 Sierra 2-7 dias R$ 4.240,00 10X Orçamento de armários Data da cotação 3 Empresas 27-04-2008 Móveis Office / MMM / Gimba.com Descrição Valor R$ Forma de PGTO Prazo de entrega Cozinha R$ 2.460,00 50% entrada + 3X 3 semanas Administração R$ 3.900,00 50% entrada + 3X 3 semanas Diretoria R$ 1.300,00 50% entrada + 3X 3 semanas Criação R$ 4.380,00 50% entrada + 3X 3 semanas Modelagem R$ 3.250,00 50% entrada + 3X 3 semanas Talhação R$ 3.900,00 50% entrada + 3X 3 semanas Empacotamento R$ 1.910,00 50% entrada + 3X 3 semanas Camarim R$ 790,00 50% entrada + 3X 3 semanas Orçamento de (10) bancos Data da cotação Empresa Prazo de entrega Custo total Forma de PGTO 27/04/2008 Big Imediato R$ 400,00 10 X 27/04/2008 Salfer Imediato R$ 320,00 10X 27/04/2008 Extra 7 dias R$ 400,00 À vista 01/05/2008 Colombo 7 dias R$ 990,00 4X Orçamento de estante para o estoque Data da cotação 3 Empresas 27/04/2008 Móveis Office / MMM / Gimba.com Valor R$ Forma de PGTO Prazo de entrega R$ 26.000,00 15X 1 mês – 1 mês e meio Orçamento de estante para o histórico Data da cotação 3 Empresas 27/04/2008 Móveis Office / MMM / Gimba.com Valor R$ Forma de PGTO Prazo de entrega R$ 11.000,00 15X 30 dias Orçamento de expositores para showroom Data da cotação 3 Empresas 27/04/2008 Móveis Office / MMM / Gimba.com Valor R$ Forma de PGTO Prazo de entrega R$ 4.500,00 10X 30 dias Fonte: Da autora Quadro 22: Planilha de custos de equipamentos. Orçamento de (8) computadores Data da cotação Empresa Modelo 27/04/2008 Ponto Frio Positivo R200L c/ dual core 27/04/2008 Adriano PCs 27/04/2008 Extra MEGAWARE Custo total R$ 12.800,00 Forma de PGTO À vista R$ 7.992,00 12X 196 Intel/Pentium D8052.66 27/04/2008 Dudony.com BITWAY CEL 420 Orçamento de (14) telefones com instalação Data da cotação Empresa Modelo 01/05/2008 BIG SIGMA 700 01/05/2008 Ponto Frio Siemens euroset 3005 01/05/2008 Saraiva Ibratele Brm 1218 01/05/2008 Saraiva Intelbras ID 1913002 Orçamento de (3) impressoras laser monocromática Data da cotação Empresa Modelo 27/04/2008 Balão da HP 3050 Informática 27/04/2008 Best Byte Xerox 3124 27/04/2008 Saraiva HP M1120 27/04/2008 Saraiva HP 2600N Orçamento de (2) impressoras laser colorida Data da cotação Empresa Modelo 27/04/2008 Best Byte Samsung CLX2160N 27/04/2008 Volution HP2605 DN 27/04/2008 Sullcopy HP CM1017 27/04/2008 Vetorial Samsung R$ 8.800,00 12X Custo total R$ 1.018,00 R$ 1.158,60 Forma de PGTO À vista À vista R$ 990,00 R$ 1.438,60 À vista 2X Custo total R$ 2.720,00 Forma de PGTO 5X R$ 1.225,00 R$ 1300,00 R$ 1.400,00 3X 6X 6X Custo total R$ 1.800,00 Forma de PGTO 3X R$ 1.800,00 R$ 2.350,00 R$ 1.209,00 3X À vista 5X Fonte: Da autora Quadro 23: Planilha de ferramentas e outros com valores aproximados Orçamento de ferramentas e outros Qtde Descrição 02 Pufes 01 Microondas 01 Geladeira 01 Bebedouro 01 Mesa de desenho 01 Mesa de desenho com luz difusa Materiais para escritório Materiais de desenho Materiais para modelagem Materiais para talhação Artigos de decoração Material para costura (linhas, etc..) 3 Máquinas (reta – SIRUBA/L818F-MA) 2 Máquinas (overloque – SIRUBA/737FX-504M-04) 1 Máquina (interloque – SIRUBA/757FX-516X-56) 2 Máquinas de bordar (MC350EA) 1 Máquina (patchwork) 1 Máquina de cortar tecidos finos 1 Máquina de cortar tecidos pesados Louças para cozinha 10 Condicionadores de ar Fonte: da autora Valor médio R$ 400,00 R$ 300,00 R$ 1.800,00 R$ 400,00 R$ 930,00 R$ 1.450,00 R$ 1.300,00 R$ 500,00 R$ 200,00 R$ 200,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 3.000,00 R$ 3.964,00 R$ 2.529,00 R$ 3.255,00 R$ 2.670,00 R$ 299,00 R$ 1.470,00 R$ 200,00 R$ 10.000,00 197 O custo total para construir, mobilhar e equipar a empresa, ficará em torno de R$953.651,60 com a aquisição do terreno. Se o terreno for alugado o valor será de R$673.651,60. 198 6 INVESTIMENTO Este capítulo irá apresentar os custos de abertura da empresa Garbo, bem como todos os custos com funcionários, impostos, custos fixos mensais e estimativas de custos variáreis. Toda esta pesquisa financeira foi realizada junto á acessória contábil do Sr. Ervino Guilherme Hort do escritório de contabilidade Practicecont . 6.1 Composição dos custos e informações gerais Todos os custos diretos e indiretos e as despesas diretas e indiretas foram rateados pela quantidade de peças que serão produzidas e vendidas 5 camisas, 5 tailleurs, 5 blazers, 5 costumes, e 5 casacos, totalizando 250 peças. Chegou-se à conclusão de que o tempo despendido para fabricação de cada peça não terá uma grande variação. 6.2 O enquadramento tributário da empresa foi feito da seguinte forma • O faturamento projetado para o primeiro ano da empresa é de R$4.741.639,02, sendo que o limite para esta tributação é de R$2.400.000,00, portanto esta opção é descartada. • O percentual de presunção de imposto na atividade de confecção é de 8% para o IR e 12% para CSLL. • A lucratividade calculada conforme a DRE bi-mestral projetada é de 54,99%, sendo bem maior que o percentual de presunção para o Lucro Presumido. • Sendo assim, escolheu-se enquadrar a empresa pelo Lucro Presumido. Utilizou-se a alíquota de 12% para o ICMS para o total do faturamento, pois na proporção das vendas esta seria uma alíquota comum. Seguem os quadros com os resultados para demonstração. 199 Quadro 24: despesas fixas mensais Despesas Valor R$ Contabilidade 800,00 Assessoria jurídica 900,00 Total Bi-mestre (por coleção) 3.400,00 Fonte: da Autora Quadro 25: composição dos salários Composição dos salários Função Qtd. Salário R$ Designer 1 2.500,00 Modelista 1 2.500,00 Talhação 1 1.000,00 Bordadeira e costureira 2 1.000,00 Total de custos diretos e indiretos Administração 1 1.000,00 Recepcionista 1 600,00 Limpeza 1 600,00 Marketing e comercial 1 3.000,00 Logística 1 1.000,00 Diretor geral 1 3.500,00 Total despesas diretas e indiretas Valor R$ 2.500,00 2.500,00 1.000,00 2.000,00 Encargos R$ 900,00 900,00 360,00 720,00 1.000,00 600,00 600,00 3.000,00 1.000,00 3.500,00 360,00 216,00 216,00 1.080,00 360,00 1.260,00 Total R$ 3.400,00 3.400,00 1.360,00 2.720,00 10.880,00 1.360,00 816,00 816,00 4.080,00 1.360,00 4.760,00 13.192,00 Custo p/ peça R$ 27,20 27,20 10,88 21,76 87,04 10,88 6,53 6,53 32,64 10,88 38,08 105,54 Fonte: Da autora Quadro 26: Custo por produto Produtos Blazer Custo M.O. 87,04 Mat. Prima 400,00 Beneficiamento 150,00 Embalagem 20,70 CD 0,42 Trasnporte 50,00 Mat. Expediente 2,14 Despesas M. O. 105,54 Soma 815,83 Camisa 87,04 249,00 150,00 20,70 0,42 50,00 2,14 105,54 664,83 Costume 87,04 498,00 150,00 20,70 0,42 50,00 2,14 105,54 913,83 Casaco 87,04 400,00 150,00 20,70 0,42 50,00 2,14 105,54 815,83 Tailleur 87,04 498,00 150,00 20,70 0,42 50,00 2,14 105,54 913,83 Fonte: Da autora Quadro 27: Calculo preço de venda Produto Custo da peça Blazer 815,83 Camisa 664,83 Costume 913,83 Casaco 815,83 Tailleur 913,83 Fonte: da autora Lucro 150% 1.223,75 997,25 1.370,75 1.223,75 1.370,75 Impostos 18% 18% 18% 18% 18% Preço de venda 2.487,29 2.026,93 2.786,07 2.487,29 2.786,07 200 Quadro 28: demonstração de resultados por coleção Receita de venda 607.951,22 (-)Impostos 91.587,85 PIS 395,17 COFINS 18.238,54 ICMS 72.954,15 Receita de venda Líquida 516.363,37 Custos dos produtos vendidos 170.005,25 Estoque inicial Matéria-prima Salários e encargos Embalagens Beneficiamento Transporte (-)ICMS Estoque final Lucro Operacional Despesas Operacionais Despesas administrativas e comerciais Depreciação Lucro Bruto IRPJ (Lucro Presumido) CSLL (Lucro Presumido) Lucro Líquido Lucro sobre o faturamento 115.000,00 21.760,00 5.175,00 37.500,00 12.500,00 21.929,75 346.358,12 35.433,34 29.784,00 5.649,34 310.924,78 7.295,41 6.565,87 297.063,49 48,86% Fonte: Da autora Quadro 29: resultados por Bi-mestre Taxa 0,80% set/08 Nov/08 Desembolso Jan/09 Mar/09 Jul/09 Set/09 1.262.771,60 Lucro 297.063,49 297.063,49 297.063,49 297.063,49 297.063,49 297.063,49 Depreciação 5.649,34 5.649,34 5.649,34 5.649,34 5.649,34 5.649,34 Sobra 302.712,83 302.712,83 302.712,83 302.712,83 302.712,83 302.712,83 Fonte: Da autora O cálculo do retorno do investimento (TIR, VPL, Pay back, etc), traz o lucro (Depreciação) para o valor presente (VPL) no momento do investimento, depois pego o investimento e divido pelo lucro no valor presente. 201 Quadro 30: Demonstração da depreciação Taxa Imobilizado Valor R$ depreciação Terrenos 280.000,00 0% Móveis e 47.156,00 10% utensílios Maquinário 17.187,00 10% Edifícios 590.000,00 4% Computadores 19.308,60 20% Total 953.651,60 Depreciação Ano - Depreciação Bimestral - 4.715,60 785,93 1.718,70 23.600,00 3.861,72 33.896,02 286,45 3.933,33 643,62 5.649,34 Fonte: Da autora Para o cálculo do retorno do investimento, utilizou-se uma data fixa para o investimento inicial (03/2009): • O fluxo de caixa em bimestre conforme as coleções; • A taxa de investimento de 0,80%, taxa esta utilizada pelo mercado financeiro conservador; • Transformou-se a sobra de caixa de cada bi-mestre para o valor presente, em 09/2008 que seria o investimento inicial; • Chegando num tempo de retorno de seis (9) meses e dez (10) dias. 202 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considero que toda pesquisa realizada neste projeto, trouxe uma ampla visão do quanto o negócio proposto pode ser lucrativo, se atingido todas as metas. Os dados históricos reforçam a imortalidade das peças propostas para a confecção. O panorama do mercado atual, e as especulações futuras, apontam um crescimento excepcional no segmento do luxo, lembrando que o luxo movimenta a maior porcentagem do PIB mundial. O que se pode sentir deste mercado, é que os sentidos fazem a diferença, ou seja, quando o produto atinge um patamar onde a qualidade já não é mais discutida e sim as sensações, ele pode ser encaixado dentro do que vimos ser luxo, e quando isso acontece, o que para alguns significa preço alto, para outros significa valor agregado e para esse cálculo não existe nenhuma fórmula matemática exata, até porque, o valor do produto está contido num dos quatro itens que compõe um produto de luxo. A gestão administrativa, como mencionado, terá todo o controle interno, porém contará com auxílio contábil e jurídico. A direção geral da empresa, juntamente com todos os seus colaboradores, atuará, de forma sistemática e controlada, para que todos os regimes internos sejam cumpridos, bem como, o bom relacionamento, a ética, a responsabilidade e acima de tudo, o não desperdício de tempo e a certeza da produção sem perdas, mantendo o alto padrão de qualidade. Segundo estudo apresentado no capítulo de investimento, o retorno em curto espaço de tempo e os lucros que a empresa terá ao término de cada coleção, mostram que este plano é viável e pode ser implantado, se o posicionamento de marca e o plano de marketing forem executados conforme o proposto por este projeto. 203 8 REFERÊNCIAS A NOTÍCIA. Colunistas de eventos. Disponível em <http://www.anoticia.com> Acesso em 15 mai. 2008. ARAUJO, Mário de. Tecnologia do vestuário. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1984. BAUDOT, F. Moda do século XX. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. BAXTER, M. Projeto de produto. São Paulo: Edgard Blucher, 1998. BRAGA, J. 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Disponível em <http://www.consumidor moderno.com.br> Acesso em 09 abr. 2008. CUNHA, C. J. C. de A. Iniciando seu próprio negócio. Florianópolis: I.E.A., 1997. 204 DOOLEY, A. R.; NUENO, P. A pequena e média empresa. In: Administração de empresas: enciclopédia de direção, produção, finanças e marketing. São Paulo: Nova Cultural, 1986. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2006. ECO, U. Psicologia do vestir. 3. ed. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989. ESTADÃO. Colunistas de eventos. Disponível em <http://www.oestadao.com.br> Acesso em 15 mai. 2008. FERREIRINHA. Marketing. (2007). Disponível em <http://www.mundodomarketing .com.br> Acesso em 29 mar. 2008. FERREIRINHA, Carlos. (2008) Curso Negócio do Luxo. Balneário Camboriú. FISCHER-MIRKIN, T. Código de vestir: os significados ocultos da roupa feminina. Rio de Janeiro, Rocca, 2001. FOLHA UOL. Colunistas de eventos. Disponível em <http://www.folha.uol.com.br> Acesso em 15 mai. 2008. 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Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/moda> Acesso em 09 abr. 2008. ZDANOWICZ, J. E. Orçamento empresarial: uma abordagem prática. Porto Alegre: Sagra, 1993. 207 ANEXOS 208 Anexo A Representantes, fabricantes e prestadores de serviço em Santa Catarina 209 Fabricantes e representantes de fios em Santa Catarina • HEBERT FIOS América – Joinville – Fone: (47) 9961-8413 / [email protected] • MÁRIO VINICIUS VALE REPRESENTAÇÃO LTDA Centro – Brusque – Fone: (47) 3351-1780 • DUNO REPRESENTAÇÕES Centro – São José – Fone: (48) 3247-5170 • FADEN IND. E COM. LTDA Bateas – Brusque – Fone: (47) 3350-3733 / [email protected] • BENEFIOS RECICLAGEM TÊXTIL Rio Branco - Brusque – Fone: (47) 3350-5094 / [email protected] • ECOFIBRAS IND. TÊXTIL LTDA Bom Retiro – Blumenau – Fone: (47) 3231-9984 / [email protected] • HUVISPAN Itoupava Central – Blumenau – Fone: (47) 2102-9900 • LINHANYL SUL LINHAS PARA COSER LTDA Asilo – Blumenau – Fone: (47) 3328-4001 / [email protected] • LINHAS GOL Progresso – Blumenau – Fone: (47) 3324-0912 • FIAÇÃO ADM LTDA Agulhas Negras – Botuverá – Fone: (47) 3359-4090 / tê[email protected] • FIAÇÃO AGULHAS NEGRAS LTDA Agulhas Negras – Botuverá – Fone: (47) 3359-4090 • FIAÇÃO BOTUVERÁ Centro – Botuverá – Fone: (47) 3359-1089 / fiaçã[email protected] • LINHAS MORGANYL IND. E COM. LTDA Pedras Grandes – Botuverá – Fone: (47) 3355-2720 / [email protected] • QUALISUL TÊXTIL LTDA Bateas – Brusque – Fone: (47) 3350-7746 / [email protected] • RIVALE IND. E COM. DE FIOS LTDA São Pedro – Brusque – Fone: (47) 3355-9937 / [email protected] 210 • SÃO CRISTOVÃO TÊXTIL Dom Joaquim – Brusque – Fone: (47) 3351-2055 / [email protected] • TÊXTIL RENAUX S/A Centro – Brusque – Fone: (47) 3255-1000 / [email protected] • ENOVELAR IND. E COM. LTDA Margem Esquerda – Gaspar – Fone: (47) 3332-0812 [email protected] • LINHAS CÍRCULO Centro – Gaspar – Fone: (47) 3331-9500 / [email protected] • FIAÇÃO E TECELAGEM TRIUNFO LTDA Centro – Guabiruba – Fone: (47) 3354-0144 • EUROTEX PRODUTOS TÊXTEIS Encanto Norte – Indaial – Fone: (47) 3333-2621 / [email protected] • FIOBRAS LTDA Encanto Baixo – Indaial – Fone: (47) 3333-3872 / [email protected] • COMFIO & CIA CATARINENSE FIAÇÃO Zona Industrial Norte – Joinville – Fone: (47) 3435-2011 • FIAÇÃO SÃO BENTO Serra Alta – São Bento do SUL – Fone: (47) 3631-4500 / [email protected] • ECO FIOS Industrial – Timbó – Fone: (47) 3399-2145 / [email protected] • ECOFIOS COM. E IND. DE FIOS E PROD. TÊXTEIS LTDA Araponguinhas – Timbó – Fone: (47) 3382-1543 / [email protected] • INDUSTRIAL ACRILAN LTDA Centro – Timbó – Fone: (47) 3382-4111 / [email protected] • KAMINI IND. COM. LINHAS LTDA Oficinas – Tubarão – Fone: (48) 3622-1144 Representantes de tecido plano em Santa Catarina. • ART TÊXTIL REPRESENTAÇÕES Centro – Brusque – Fone: (47) 3355-9064 / 211 • DUNO REPRESENTAÇÕES Centro – São José • MUNITÊXTIL REPRESENTAÇÕES LTDA Centro – Chapecó • SAG’S REPRESENTAÇÕES Centro – Brusque – Fone: (47) 3351-7966 • WEHMUTH REPRESENTAÇÕES LTDA Itoupavazinha – Brusque – Fone: (47) 3378-4312 • STAEDELE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3323-0449 • FIBRAFLOR REPRESENTAÇÕES Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3323-0837 • DAVOL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES Santa Bárbara – Criciúma – Fone: (48) 3433-5297 • CONFECTEC REPRESENTAÇÃO Centro – Blumenau – Fone: (47) 3322-0652 • COMERCIAL MONTE VERDE LTDA Blumenau – Fone: (47) 3337-0211 • TECIZA TECIDOS Centro – Florianópolis – Fone: (48) 3433-8880 • RENAUX Brusque – Fone: (47) 9958-1668 / [email protected] • CATAGUASES Estreito – Florianópolis – Fone: (48) 3244-3711 / [email protected] www.cataguas.com.br • SCHLÖSSER Brusque – Fone: (47) 3251-8000 / [email protected] www.schlosser.com.br • VICUNHA Fone: (47) 3355-6146 / [email protected] Representantes de aviamentos em geral 212 • LLB REPRESENTAÇÕES LTDA Balneário Camboriú – Fone: (47) 3366-1386 / [email protected] • AVITEC Vila Nova – Blumenau – Fone: (47) 3323-9105 / [email protected] • COATS CORRENTES Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3331-8700 / [email protected] • EBERLE S/A Centro – Blumenau – Fone: (47) 3322-6119 / [email protected] • NAT REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3328-0777 / [email protected] • PEDRO SCHIMMITZ REP. COM. LTDA ME Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3323-4288 / [email protected] • BOTÕES & BOTÕES Centro – Criciúma – Fone – (48) 3433-1178 / [email protected] • RENNÉ Todo estado – Fone: (11) 3361-2277 / [email protected] www.renneaviamentos.com.br • BOTÕES SHADOW`S Todo estado – Fone: (47) 3350-1307 / [email protected] • MONTAGENS RENDA / BOTÕES Blumenau – Fone: (47) 3339-1457 / [email protected] • FIOS E BORDADOS Todo estado – Fone: (22) 2525-8386 / [email protected] www.arp.com.br • BOTÕES BRASIL Jaraguá do Sul – Fone: (47) 3376-4352 / [email protected] www.brasilbotoes.com.br Serviços de bordado • JACK’S BORDADOS Itoupava Central–Blumenau–Fone:(47)3338-0369 / [email protected] • KREFELD 213 Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-5003 / [email protected] • KS BORDADOS ARTESANAIS Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3323-2130 / [email protected] • MARKACOM BORDADOS LTDA Asilo – Blumenau – Fone: (47) 3328-1077 / [email protected] • MIL PONTOS BORDADOS Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-8238 • MIX BORDADOS Salto do Norte – Blumenau – Fone: (47) 3334-1008 / [email protected] • MUNIQUE BORDADOS LTDA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3328-5245 / [email protected] • NASSAN BORDADOS Progresso – Blumenau – Fone: (47) 3329-2686 / [email protected] • NEW BORDADOS LTDA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3325-1042 / [email protected] • PONTOS E PONTOS BORDADOS Velha – Blumenau – Fone: (47) 3328-5711 / [email protected] • PONTUAL BORDADOS Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-0819 / [email protected] • REAL BORDADOS Salto – Blumenau – Fone: (47) 3323-1568 / [email protected] • RID & SAG BORDADOS Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-5332 / [email protected] • VOIGT BORDADOS Itoupava Central – Blumenau – Fone: (47) 3327-1858 / [email protected] • ATUAL BORDADOS Tomaz Coelho – Brusque – Fone: (47) 3351-2818 / [email protected] • BORDADOS TACHINI Dom Joaquim – Brusque – Fone: (47) 3355-3746 • HOEPCKE S/A 214 Roçado – Florianópolis – Fone: (48) 3259-3155 / [email protected] • AB BORDADOS E ESTAMPARIA Garopaba – Fone: (48) 3254-4735 / [email protected] • ESTRELAS BORDADOS Gaspar – Fone: (47) 3332-0029 / [email protected] • DARLU ESTAMPARIA E BORDADOS LTDA Bela Vista – Gaspar – Fone: (47) 3397-2481 / [email protected] www.darlu.com.br • ANJO DO MAR Centro – Içara – Fone: (48) 3478-5953 • BORDADOS DO VALE Missões – Ilhota – Fone: (47) 3343-0113 / [email protected] • ARTHY NA ROPA Indaial – Fone: (47) 3393-5823 / [email protected] • KB BORDADOS LTDA João Paulo – Indaial – Fone: (47) 3333-8099 • BORDADOS JACY LTDA Centro – Itajaí – Fone: (47) 3349-0835 • APLIK BORDADOS Jaraguá do Sul – Fone: (47) 3275-2094 • KAWY’S BORDADOS América – Joinville – Fone: (47) 3433-9534 / [email protected] Representantes de botões • MILTN N. FREITAS Centro – Blumenau – Fone: (47) 3323-6751 / [email protected] • IND. DE BOTÕES GUAÍRA São Paulo / www.botoes.com.br 215 Representantes de zíper • ZIRERES RUBINHO Centro – São Paulo – Fone: (11) 3311-7373 / [email protected] • ARMARINHO Brás – São Paulo / WWW.armarinhos25.com.br Representantes e fabricantes de etiquetas • AG TEQ Blumenau – Fone: (47) 3337-3051 / www.ageteqetiquetas.com.br • DGS ETIQUETAS Velha – Blumenau – Fone: (47) 33301370 / [email protected] • ETIKJU Vila Itoupava – Blumenau – Fone: (47) 3378-1981 / [email protected] • FASHION ETIQUETAS IND. E COM. DE REPRESENTAÇÕES LTDA Salto do Norte – Blumenau – Fone: (47) 3231-0800 / [email protected] • TECNOBLU Itoupava Central – Blumenau – Fone: (47) 3144-8000 [email protected] www.tecnoblu.com.br • TIGRAF ETIQUETAS Brusque- Fone: (47) 3355-9721 / [email protected] • ETIQUETAS BRUSQUE Rio Branco – Brusque – Fone: (47) 3355-2425 / [email protected] • GPS BRASIL Criciúma – Fone: (48) 3045-1020 / [email protected] • NEW TEC Centro – Criciúma – Fone: (48) 3045-7020 / [email protected] • SUPREMA Criciúma – Fone: (48) 3045-3330 / [email protected] • CROMOTRANSFER Joinville – Fone: (47) 3473-8040 / www.cromotransfer.com.br / 216 • HI ETIQUETAS Pomerode – Fone: (47) 3387-8787 / [email protected] www.hietiquetas.com.br • HACO Vila Itoupava – Blumenau – Fone: (47) 2102-6000 / www.haco.com.br Representantes de embalagens • BRAMBRILA Fortaleza – Blumenau – Fone: (47) 3339-4965 • LOKA REPRESENTADORA DE SERVIÇOS DE EMBALAGENS LTDA Itoupava Central – Blumenau – Fone: (47) 3337-0793 • LÚCIA EMBALAGENS Fortaleza – Blumenau – Fone: (47) 3378-5155 • PERSONAL TEXTIL Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-3363 • KIT-JÁ MONTAGENS E EMBALAGENS DE ROUPAS LTDA ME Costa e Silva – Joinville – Fone: (47) 3425-0009 / [email protected] Estamparias • AF ESTAMPARIA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3325-3338 / [email protected] • ARTE DESIGN Blumenau – Fone: (47) 3339-9934 / [email protected] • LAPSO Água Verde – Blumenau – Fone: (47) 3035-2430 [email protected] • RCA Blumenau – Fone: (47) 3325-4098 /[email protected] www.rcartes.com • BLUMETEX Blumenau – Fone: (47) 3328-2333 / [email protected] / 217 • DRAKOW Blumenau – Fone: (47) 3330-4388 / [email protected] • DRIJEAN Salto – Blumenau – Fone: (47) 3488-6588 / [email protected] • ESTAMPARIA SILVA Progresso – Blumenau – Fone: (47) 3336-9249 • ESTAMPARIA ENELDA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3330-5401 / [email protected] • ESTAMPARIA RAIMUNDI Blumenau – Fone: (47) 3330-1927 / [email protected] • ESTAMPARIA SÃO JOSÉ Texto Salto – Blumenau – Fone: (47) 3334-0906 [email protected] • GENESIS ESTAMPARIA TEXTIL LTDA ME Velha – Blumenau – Fone: (47) 3328-2664 • GIDU ARTE EM ESTAMPA Fortaleza – Blumenau – Fone: (47) 3339-8024 • LNK ESTAMPARIA Itoupava Central – Blumenau –Fone:(47)3334-6477 / [email protected] • EDU Brusque – Fone: (47) 3350-2419 / [email protected] • VISCORES ESTAMPARIA Planalto – Brusque – Fone: (47) 3350-3110 / [email protected] • SANTA RITA Santa Rita – Brusque – Fone: (47) 3351-3509 • ESTAMPRAC ESTAMPARIA LTDA São Marcos – Joinville – Fone: (47) 3453-0944 • JJI ESTAMPAS Rio Cerro II – Jaraguá do Sul – Fone: (47) 3376-3753 • CARLOS ALBERTO COSTA SERIGRAFIA Florianópolis – Fone: (48) 3348-4103 • PLASTKOLOR SERIGRAFIA E COMÉRCIO / 218 Florianópolis – Fone: (47) 3240-9999 Assessoria e consultoria para importação • GLOBALTEX INTERNACIONAL LTDA Velha – Blumenau – Fone: (47) 3329-5380 / [email protected] • RHENAN EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA Gaspar – Fone: (47) 3332-8099 / [email protected] • FULL COMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Centro – Itajaí – Fone: (47) 3346-3001 / [email protected] • LINE ASSESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR LTDA Centro – Itajaí – Fone: (47) 3349-0020 / [email protected] • EXPORSELL COM EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Centro – Jaraguá do Sul – Fone: (47) 3371-2814 / [email protected] • GLOBAL GATE ASSESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR Glória – Joinville – Fone: (47) 3027-1546 / [email protected] Representantes de máquinas • ADOLAR KLEMKE REPRESENTAÇÕES Água Verde – Blumenau – Fone: (47) 3325-2875 / [email protected] • BOM AR CLIMATIZAÇÃO E PRESSURIZAÇÃO LTDA Itoupava Central – Blumenau – Fone: (47) 3337-6777 [email protected] • KREIBICH ENGENHARIA REPRESENTAÇÕES LTDA Centro – Blumenau – Fone: (47) 3326-7400 / [email protected] • L’ART ENGENHARIA LTDA Itoupara Seca – Blumenau – Fone: (47) 3339-5736 • PML PETERNSEM MATEX IMP. EXP. LTDA Centro – Blumenau – Fone: (47) 3322-9136 / má[email protected] • TESKE REPRESENTAÇÕES LTDA Itoupava Norte – Blumenau – Fone: (47) 3337-4657 / [email protected] / 219 • TEXTILHEIROS REPRESENTAÇÕES LTDA Asilo – Blumenau – Fone: (47) 3325-3399 / [email protected] • CASA DOS ROLAMENTOS Cristo Rei – Chapecó – Fone: (47) 3324-2993 / [email protected] • RAINOX IND E COM DE APARELHOS P/ MÁQUINA DE COSTURA Criciúma – Fone: (47) 3437-8223 / [email protected] • BRAXANA Centro – Nove Trento - Fone: (47) 3267-1162 / [email protected] • TECNO SUISSE Texto Rega – Pomerode – Fone: (47) 3395-0064 / [email protected] • ROCHA DO SUL Taboão – Rio do Sul – Fone: (47) 3252-4407 / [email protected] • SILMAC Blumenau – (47) 3340-1515 / www.silmaq.com.br 220 Anexo B Lista de empresas consultadas para a elaboração dos custos totais estruturais de implantação da Garbo 221 Lista de empresas consultadas para a elaboração dos custos totais estruturais de implantação da Garbo Revista Caras – Anúncios – www.caras.com.br Revista Veja – Anúncios – www.veja.com.br Revista Contigo – Anúncios – www.contigo.com.br Lojas Colombo – Mobiliário para escritório – www.colombo.com.br Kalunga – Mobiliário para escritório – www.kalunga.com Magazine Luíza - Mobiliário para escritório – www.magazineluiza.com.br Lojas Saraiva - Mobiliário para escritório – www.saraiva.com.br Lojas Salfer - Mobiliário para escritório – www.lojassalfer.com.br Lojas Americanas - Mobiliário para escritório e eletro-eletrônicos – www.lojas americanas.com.br Best Byte - Mobiliário para escritório e eletro-eletrônicos – www.bestbyte.com.br Gimba - Mobiliário para escritório e eletro-eletrônicos – www.gimba.com.br Máquinas de Costura – Máquinas de Costura – www.maquinasdecostura.com.br Lan Têxtil – Máquinas de Costura – www.lantextil.com.br Ponto Frio – Computadores – www.pontofrio.com.br Construtora Cota – Construção/ empreendimentos – www.cota.com.br A4 Arquitetura - Construção/ empreendimentos – www.a4arquitetura.com.br Álamo Construtora - Construção/ empreendimentos – www.alamo.com.br Baraloti Materiais de Construção – Louça sanitária – www.balaroti.com.br Cassol - – Louça sanitária – www.sassolcenterlar.com.br Dellanno - – Louça sanitária – www.dellanno.com.br Empório Rústico - – Louça sanitária – www.emporiorustico.com.br Móveis Office – Mobiliário para escritório – www.moveisoffice.com.br Made China - Mobiliário para escritório – www.madechina.com.br Recostare – Poltronas – www.rescotare.com.br Sierra – Poltronas – www.sierra.com.br Supermercados Big – Banquetas – www.big.com.br Supermercados Extra – Banquetas – www.extra.com.br Dudony – Computadores e suprimentos de informática – www.dudony.com 222 Balão da Informática - Computadores e suprimentos de informática – www.balaoda informatica.com.br Volution - Computadores e suprimentos de informática – www.volution.com Sul Copy – Impressoras – www.sulcopy.com.br Vetorial – Impressoras – www.vetorial.com.br Agência Nova Estrela – Agência – www.agencianovaestrela.com.br Actors Efects – Publicidade e Propaganda – www.actorsefects.com.br