Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014
V Enebio e II Erebio Regional 1
BIOCLICK: UMA EXPERIÊNCIA EDUCOMUNICATIVA EM REDE SOCIAL
Célio Alves Ribeiro (Universidade Federal do Ceará)
Maria Diva Borges Nojosa (Universidade Federal do Ceará)
RESUMO
Neste trabalho analisamos o potencial didático da rede social Facebook como ecossistema online de vivências nos conhecimentos de biologia através do uso de fotografias, numa
perspectiva do diálogo entre a educação e a comunicação, a chamada Educomunicação. O
projeto “Bioclick” teve como objetivo uma ação protagonista dos conhecimentos em biologia
sobre a fauna, a flora e os corpos d´águas que fazem parte do cotidiano dos (as) educandos
(as), a fim de que tais práticas possam remodelar uma nova estrutura didático/pedagógica no
ensino de biologia. Com o uso de câmeras de celulares, os estudantes registraram e adaptaram
seus olhares a uma nova forma de ver o biótico e o abiótico ao seu redor, sensibilizando-se
para questões ecológicas até então discutidas somente na transmissão verbalista do professor
em sala de aula ou em seus livros didáticos. Todos os registros das imagens foram postados
num perfil de comunidade no Facebook, chamada Rizoma de Canaan, onde os estudantes
“Curtiam”, comentavam e compartilhavam as fotos que mais gostavam em sua rede de
amigos. O projeto promoveu uma mobilização de toda escola, em um ecossistema
comunicativo, tendo a participação de alunos, professores e membros externos nas produções
e relatos das imagens, sendo estes fatores de mobilizações das estruturas cognitivas internas,
mediadas pelo uso das tecnologias digitais da comunicação, motor para formação de autoria e
empoderamentos dos educandos em construir processos de conhecimento em biologia.
Palavra chave: Educomunicação, Remodelagem no Ensino de Biologia, Facebook.
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1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho realizou-se na Escola de Ensino Médio Pe. Rodolfo Ferreira da
Cunha que está localizada no distrito de Canaan, município de Trairi – Ce. A escola é a única
escola de ensino médio de uma região com mais de 12 mil habitantes, em um contexto social
onde a agricultura de subsistência é sua principal fonte de renda. Nesse contexto, onde se
entrelaçam as concepções pedagógicas da formação do professor, as diretrizes curriculares do
ensino médio, pensamento e missão do sistema público de ensino da Secretaria de Educação
do Estado do Ceará, o mundo do trabalho e o contexto sociocultural em que se encontram
nossos jovens, ficam as vivências com o conhecimento a margem dos processos de
significância para os aprendentes. E foi com este desafio que surgiu a pergunta: Como o
professor de Biologia pode tornar seus processos didáticos/pedagógicos mais dinâmicos e
atrativos para que o estudante se sinta contemplado em suas necessidades e anseios ao mundo
do conhecimento, trabalho, formação cidadã, a luz das tecnologias da informação, sendo
protagonista de seu aprendizado?
Na busca por uma base teórica que justificasse minhas ações com práticas pedagógicas
interativas, educador – educando, conhecimento (objeto) – conhecedor (sujeito), surgem os
estudos do biólogo chileno Humberto Maturana sobre as relações biológicas do aprendizado
(conhecimento) e aprendente que se autoconstrói e sendo, portanto, autor de seu
conhecimento pelas mobilizações internas. Essa é a Biologia da Cognição.
A base teórica da Biologia da Cognição é de Humberto Maturana. Pellanda (2009, p.
9) diz que Maturana se inseriu num movimento científico que mudou a cara da ciência do
século XX: o movimento cibernético. Esse movimento, por sua vez, vai dar origem a outro
mais amplo, que é o chamado Movimento de Auto-Organização (MAO).
No centro da Teoria da Biologia da Cognição está o conceito de Autopoiesis que,
também é complexo na medida em que expressa que os seres vivos são sistemas fechados à
informações e, ao mesmo tempo, sistemas abertos a trocas de energia (PELLANDA &
BOETTCHER, 2013). Completa ainda que:
Fechados à informação significa que são auto-produtores de si mesmos o que torna a
representação impossível. O que vem de fora apenas perturba e dispara mobilizações
internas, mas não determina o que acontece com os seres vivos. Por outro lado, os
seres vivos são sistemas abertos às trocas externas o que os mantém em
reorganização constante e reversão de entropia. Isso corresponde ao que Ilya
Prigogine chamou de Estruturas Dissipativas (PELLANDA & BOETTCHER, 2013).
Conhecer para Maturana é um processo inerente ao viver pois a vida é para ele, como
também para Varela, um processo cognitivo. Com isso, cita lógica básica da complexidade:
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“Viver é conhecer. Conhecer é viver” (MATURANA, 2004). Nesse processo, nossas práticas
partem do contexto de vivências de nossos estudantes, seu viver, interagir, ver, senti, perceber
que os conhecimentos disciplinares apresentado na educação formal, em seus currículos
padronizados pertencem a seu universo de viver.
Para Maturana (1999), a noção de Autopoiesis implica, portanto, a construção do
mundo de forma autônoma, ou seja, não existe um mundo objetivo independente da ação do
sujeito que vive e conhece ao mesmo tempo. O mundo emerge junto com a ação/cognição do
sujeito. E cognição nessa teoria tem um sentido biológico, pois considera a vida como um
processo cognitivo. O sujeito vive e sobrevive porque produz conhecimento que é
instrumento através do qual se acopla com a realidade (PELLANDA, 2009, p. 24).
Pellanda (op cit, p. 48) acredita que para pensar o processo ensino-aprendizagem à luz
da Biologia do Conhecer, é necessário levarmos em consideração as características do
organismo humano das percepções, cujos processos é o organismo que decide qual a
configuração do meio que vai disparar internamente e não o contrário. Ou seja, os órgãos
sensores captam alguma coisa do mundo externo que o sistema nervoso vai interpretar à sua
maneira, e não à maneira do meio perturbador. Nesse sentido, não pretendemos como
educadores, sermos transmissores do conhecimento e imaginar que os nossos alunos
entendam tudo que é dito exatamente como estamos dizendo. Há todo um processo de
mobilização interna disparado pelo que dizemos que depende da percepção de cada um, o
que, por sua vez, depende do historial de acoplamento estrutural de cada ser humano.
Krasilchik (2011) discute a abordagem e importância do uso de diversas modalidades
de ensino em biologia, como: aulas expositivas, discussões, demonstrações, aulas práticas,
excursões, simulações, instruções individualizadas e projetos. E esta experiência
Educomunicativa alia o projeto à autoria. O aluno não é mais apenas o receptor ou o
observador de práticas, este agora produz, analisa, avalia, publica.
Para Soares (2011) a Educomunicação trabalha com produção de desejos, importando
não o que se diz mas o que se provoca.
Como define Citelli e Costa (2011), a Educomunicação é uma área do conhecimento
que busca pensar, pesquisar e trabalhar a educação formal, informal e não formal a partir de
ecossistemas comunicativos. Os autores complementam ainda que;
A comunicação deixa de ser vista como fenômeno tão somente midiático, de função
instrumental, para integrar dinâmicas formativas e planos de aprendizagem, como
assistir à televisão e ao cinema, ler o jornal e a revista; produzir programas
audiovisuais e em mídias digitais. Inclui ainda a consciência frente à produção de
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mensagens pelos veículos de comunicação e o posicionamento perante um mundo
fortemente editado pelo complexo industrial da produção simbólica. Pressupõe uma
transformação radical nos processos de aprendizagem, a renovação dos meios de
aquisição do conhecimento, uma nova postura diante da vida pública e da cidadania
e uma visão relacional da comunicação. Uma nova área do saber e uma inédita
forma de intervenção na sociedade.
Portanto, nos campos das construções mentais complexas, na qual se dar o processo de
aprendizado, o professor se utiliza de diversas ferramentas pedagógicas e suas metodologias
didáticas, para despertar na mente do aprendente o aprendizado que tenha significado. Partese assim, para utilização de ferramentas que possam atingir o maior número possível de
sentidos biológico durante os processos de ensino; a audição, visão e tato. E é com as
“Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ou as Tecnologias Digitais da Informação
e Comunicação (TDICs)”, com o uso das mídias sociais no ensino-aprendizado, que vamos
ressaltar o ensino de ciências biológicas.
Com a introdução das TIC no Ensino, e em particular, no Ensino das Ciências
Naturais, originou uma alteração nos papéis de todos os intervenientes do processo de
conhecimento. Esta alteração traz a resolução de várias questões que “perseguem” o ensino,
na procura da melhoria da sua qualidade, como sejam, o combate à indisciplina e ao
insucesso, o despertar da motivação e o desenvolvimento de competências, como afirmam
Martinho e Pombo (2009).
A ênfase do ensino das ciências é colocada na resolução de problemas autênticos, na
pesquisa e nas atividades experimentais, no trabalho colaborativo e na abordagem
interdisciplinar de temas contemporâneos, dando particular relevância às inter-relações entre a
Ciência, a Tecnologia e a Sociedade (CHAGAS, 2001).
Ao trabalhar pedagogicamente no terreno da comunicação digital, deve-se ter claro
que ao utilizar meios específicos, estes não deixarão de ser e ter suas características próprias.
Seus limites e características devem ser respeitados a fim de não suprimir o que estes meios
têm de atrativo e popular e, assim, engessar seus princípios em condições escolásticas.
Congruente com esta afirmação, o uso pedagógico de ferramentas comunicativas
digitais pressupõe um acompanhamento constante do educador na proposta do trabalho ou
atividade pedagógica. A presença e a intervenção em prol da construção de um conhecimento
crítico não se efetiva no livremente ou por osmose, ela exige um ir e vir pedagógico, a fim de
mediar conhecimento e saberes. Por mais avançadas que possam ser as ferramentas
tecnológicas, a intervenção do educador é crucial. Por mais que os sujeitos estudantes
interajam sozinhos com o conhecimento posto, as mediações e aprofundamentos teóricos se
consolidam nas relações com o docente.
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Partindo desses princípios, a aplicação pedagógica de uma determinada tecnologia
exige uma intenção pedagógica clara, um planejamento de uso, uma perspectiva de
aprendizagem
para
desenvolvimento
do
ensino
proposto
e
uma
intervenção
e
acompanhamento sistemáticos desta atividade, caso contrário poderá cair em descrédito dos
participantes motivando-os a desistência.
A rede social representa uma nova forma de estabelecer relações, realizando várias
tarefas como: divulgação de produtos, notícias, fatos, o compartilhamento de vídeos, textos,
ideias, fotos, imagens e diversão por meio de seus aplicativos, etc. A rede social Facebook é
atualmente considerada um fenômeno mundial por sua visibilidade, visitada por milhões de
usuários no mundo todo vem ganhando a preferência entre os usuários da Internet.
O Facebook em sua plataforma agrega recursos que permitem ações interativas na
Web como: filiar-se a grupos, exibir fotos, criar documentos com a participação de todos na
construção de um texto coletivo, criar eventos com agendamento das atividades dentro e fora
da plataforma, criar enquetes como recurso para pesquisas, bate papo, etc.
Esta rede social apresenta ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas
tornando-se um espaço inovador que contribui para que aconteçam interações, socializações e
aprendizagem colaborativa em rede, por meio do diálogo e da construção coletiva de saberes
entre os sujeitos.
O Facebook foi lançado em fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg juntamente com
os seus colegas Dustin Moskovitz, Chris Hughes e Eduardo Saverin. Desde sua criação
inúmeras utilidades da sua plataforma foram direcionadas a educação. Com isso, professores
do mundo todo criam e programam aplicativos para serem utilizados no contexto educativo e
utilizam o Facebook na sua sala de aula presencial ou a distância, assim ao explorar as
potencialidades dessa rede social, dominar os recursos e utilizar de maneira adequada sem
fazer com que a rede social sirva somente como meio de reprodução de conteúdos, coloca-se
como desafios ao processo de ensino-aprendizagem. O docente precisa ir além do recurso,
otimizar a rede para estabelecer uma aprendizagem colaborativa, uma forma de ensinar e
aprender com objetivos claros, metodologias e avaliações definidas e coerentemente alinhadas
à proposta estabelecida entre professor e aluno.
O Facebook surge como um novo cenário para aprender a aprender e aprender com o
outro, ou seja, aprender a conviver virtualmente, num processo interativo pedagógico
comunicacional que emerge no ciberespaço.
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Assim, visualizando uma proposta de emancipação do educando (a) através de ações
protagonistas com a Educomunicação, teve-se como objetivo um trabalho com o uso das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC´s) através de um ecossistema
educomunicativo em redes sociais com o projeto “Bioclick”, cuja proposta surge com a
confecção de um perfil de comunidade no Facebook, chamada de “Rizoma de Canaan”,
estimulando a participação dos educandos (as), registrando com câmeras de celular, imagens
da fauna, flora e corpos d´águas locais.
O projeto foi apresentado para todas as 14 turmas da Escola, dos turnos manhã e tarde,
no ano letivo de 2013. Sendo exposto inicialmente, no pátio da escola, dia 10 de outubro, com
a finalização para postagens de fotos, dia 30 de novembro.
As postagens das imagens eram publicadas e curtidas durante o período do concurso,
sendo que para eleger a melhor imagem, na sua perspectiva do votante, o participante deveria
“curtir” a comunidade. Após o fechamento e contagens das “curtidas” aconteceu a entrega das
premiações dia 02 de dezembro.
Para sensibilizar os participantes para que curtisse sua imagem, o educando (a) autor
(a) fazia uma pequena descrição do local e de seu sentimento sobre a imagem coletada.
A proposta metodológica baseou-se numa pesquisa descritiva dos acontecimentos e
toda abordagem aplicada baseou-se numa pesquisa-ação, na medida em que o trabalho foi
realizado na Escola em que o pesquisador faz parte do corpo docente e tem como público alvo
seus alunos, que compartilham a autoria.
2 DESENVOLVIMENTO
Neste trabalho analisamos o potencial didático da rede social Facebook, no processo
de conhecimento de biologia numa perspectiva do diálogo entre a educação e a comunicação,
a chamada por Soares (2011) de Educomunicação. Ou seja, através de uma ação
educomunicativa constroem-se modalidades abertas e criativas de relacionamento,
remodelando, contribuindo, dessa maneira, para que as normas que regem o convívio passem
a reconhecer a legitimidade do diálogo como metodologia de ensino, aprendizagem e
convivência (SOARES, 2011, p. 45)
Para Valente (2005) tal ferramenta é uma tecnologia digital da informação e
comunicação, as chamadas TDIC´s, em que não deve mais ignorar suas potencialidades
pedagógicas nos processos de ensino e aprendizado. Sendo as redes sociais parte de um
complexo das mídias sociais e segundo a Wikipédia, o conceito de Mídias Sociais (social
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media) precede a Internet e as ferramentas tecnológicas - ainda que o termo não fosse
utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle
editorial de grandes grupos. Significa a produção de muitos para muitos. Mídias sociais se
referem aos meios de interação entre pessoas pelos quais elas criam, compartilham, trocam e
comentam conteúdos em comunidades e redes virtuais. Mídias sociais introduzem mudanças
substanciais e permanentes na forma como organizações, comunidades e indivíduos se
comunicam.
As "ferramentas de mídias sociais" são sistemas online projetados para permitir a
interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos
mais diversos formatos. Eles possibilitaram a publicação de conteúdos por qualquer pessoa,
baixando a praticamente zero o custo de produção e distribuição ao longtail - antes esta
atividade se restringia a grandes grupos econômicos.
Elas abrangem diversas atividades que integram tecnologia, interação social e a
construção de palavras, fotos, vídeos e áudios. Esta interação e a maneira na qual a
informação é apresentada dependem nas várias perspectivas da pessoa que compartilhou o
conteúdo, visto que este é parte de sua história e entendimento de mundo (KIETZMANN et
al, 2011, p. 244). São exemplos de mídias sociais: Blogs (publicações editoriais
independentes), Google Groups (referências, redes sociais), Wikipedia (referência), Myspace
(rede social), Facebook (rede social), Last.fm (rede social e compartilhamento de música),
YouTube (rede social e compartilhamento de vídeo), Second Life (realidade virtual), Flickr
(rede social e compartilhamento de foto), Twitter (rede social e microblogging), Wikis
(compartilhamento de conhecimento) e inúmeros outros serviços.
O verdadeiro impacto destas novas "tecnologias da inteligência", como chama Pierre
Lévy (1994), ainda está por vir. Os produtos digitais destas tecnologias são cada vez mais
acessíveis. A médio prazo, o fluxo de informações pela Internet será tão intenso e ela será
provavelmente o principal lugar de comunicação e informação da cidadania. Os monopólios
da informação perderão muito de sua influência, pois com os novos meios técnicos digitais
interativos de comunicação e informação, o antigo sujeito passivo da informação de massa,
passa a ser protagonista neste novo ambiente digital - cada um é um emissor e um receptor de
informação.
Nessa perspectiva de relacionamento entre os conhecimentos da disciplina de biologia,
sua metodologia de ensino das ciências, o processo de formação do professor, traduz-se numa
nova linguagem metodológica o uso pedagógico interdisciplinar com as mídias sociais.
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Assim, o projeto “Bioclick” vem propor um ponto de remodelagem de trabalho entre o
mundo virtual, real e social dos eventos disciplinares que acontecem na vida escolar dos
educandos (as) da escola Pe. Rodolfo. O conhecimento disciplinar digitalizado e em rede,
pelo Bioclik, apresentou aos educandos (as) e educadores uma forma diferenciada do fazer
didático/pedagógico.
O trabalho que incialmente foi direcionado como uma proposta aos alunos acabou
tendo a participação de professores e servidores com a produção das imagens (fig. 1), mesmo
este último grupo não concorrendo à premiação, que seria a inscrição da imagem vencedora
no concurso internacional de fotografia científica (o MILSET/2013), além de certificados de
reconhecimento pelos trabalhos a todos os participantes.
Figura 1: Galeria de fotografias participantes do bioclik.
Fonte: Compilado pelo autor.
Durante o período do projeto, que aconteceu de 10 de outubro a 30 de novembro, o
perfil de comunidade “Rizoma de Canaan” recebeu 278 marcações na opção de “Curtir”,
sendo estes os votantes na escolha das imagens vencedoras, apresentando uma participação
concentrada de um público jovem e em sua maioria do sexo feminino (fig. 2).
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Figura 2. Porcentagem de “Curtidas” no período do projeto(out-nov/2013) Bioclick por gênero e idade.
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Quanto ao “Alcance” desta atividade, que é o acesso feito por desktops e celulares por
usuários da rede; obtivemos uma visualização de pessoas em 15 países, de 9 idiomas
diferentes, e 19 cidades, dentre estas de 6 estados diferentes. Quanto as publicações, foram
postadas 19 fotografias de alunos(as), 6 de professores e 2 de servidores.
Nota-se a relação quantitativa das publicações em função dos participantes da
comunidade (19/278), fato que pode ter sido inibido pela postagem das imagens só
acontecerem pelo moderador da comunidade, no caso o professor pesquisador da ação, pois
apesar do caráter do perfil ser aberto para participação, as postagens de conteúdos somente
aconteciam pelo moderador, evitando que o perfil tivesse uma linha do tempo longa e de
difícil visualização de seu conteúdo.
Foi observado que as opções de “curtir” e “compartilhar” só eram contabilizados no
perfil da comunidade se fossem visualizadas na página do Rizoma de Canaan, sendo o
“Alcance” por outras formas de perfil, registrados no painel administrativo. Fator que
determinou o vencedor do evento, pois enquanto a foto mais visualizada alcançou 1.218
usuários da rede, a foto vencedora, na opção curtir, recebeu 65 “curtidas” até o encerramento
do trabalho.
3 CONCLUSÃO
O projeto Biolclick idealizou-se no modelo de um concurso de fotografia científica em
que os estudantes participantes produziam as imagens através de celulares e/ou outras mídias,
mas que tinha como foco a produção de outro olhar para os seres vivos e não vivos que
compõem os recursos faunísticos, florísticos e cênicos de nossos ambientes naturais.
As atividades no ecossistema presencial, contou com a apresentação do trabalho, a ida
a campo na busca dos sentimentos na captura da imagem, os conhecimentos disciplinares
associados, tornando o conjunto parte da vivência no ecossistema on-line, onde todos as
perspectivas se entrelaçam e se expressam em forma de curtir, comentar, compartilhar, linkarse a outras redes e fazer teia nesses ambiente.
Participaram centenas de fotografias, cerca de 348, e somando todos os “curtis”, foram
1.854 assinaturas, disponibilizadas na fanpage “Rizoma de Canaan”.
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Com a publicação e compartilhamento das imagens feitas pelos estudantes autores,
estes criaram uma rede de interação para que houvesse a participação de outros membros
externos, atraindo nesse contexto, muitos ex-alunos e ex-professores da escola, conhecendo a
dinâmica do projeto e apreciando as produções dos educandos (as), fator de motivação para os
estudantes autores, já que suas produções estavam ganhando a atenção de toda a escola e de
membros externos.
Esta atividade do conhecimento aconteceu fruto da busca de outra dimensão
pedagógica mensurada pelo professor de biologia, dentro de uma realidade sociocultural local,
em que o viver faça parte do conhecer e o conhecer construa um viver científico das ciências
biológicas, numa dimensão complexa das relações entre os seres vivos e não-vivos.
Outra dimensão que o projeto tomou, com a autoria, foi a iniciativa de estudantes em
acontecimentos ligados a biologia, como o encalhe de uma baleia-Jubarte que aconteceu na
praia de Flecheiras - Trairi, próximo a Escola cerca de 6 quilômetros, e que além dos registros
de imagens na comunidade “Rizoma”, foi publicado uma reportagem feita no local do encalhe
com biólogos de uma ONG de resgate de mamíferos marinhos no Ceará, o que rendeu um
convite para uma reportagem no Jornal impresso – O Povo, de circulação em todo o estado do
Ceará, na seção “Ciência e Saúde”.
Assim, constata-se que nossos modelos de transmissão de conhecimento curricular,
baseado na transmissão de pensamentos pré-formados, acabados, não condizem mais com a
dinâmica do mundo em rede atual. O professor não é mais a fonte nem o mediador das
informações, este tem que ser o coautor do processo em que o educando (a) protagoniza seus
processos formativos significativos de mundo, onde sua ação cidadã terá impactos reais numa
sociedade de consumo que não o respeita, que o trata como fantoche de suas necessidades
capitais.
A Escola da era midiática, do mundo globalizado pela economia, pelas redes, pelas
culturas dominantes, não pode se excluir da grande “arma” pedagógica que está em suas
mãos, o conhecimento em rede. O fazer pedagógico diferenciado, dinamizado, articulado com
outros meios, é chave para evitar que nossos jovens vulneráveis caiam nas armadilhas daquilo
que eles não têm direito, o ócio intelectual.
Na voz de nosso aluno: “Gostaria que todas as disciplinas pudessem ser trabalhadas
com outras formas de comunicação. Só assim, as aulas e o colégio ficariam mais
interessantes” (Flaviano Lima – aluno do 2º ano do EM, 15 anos, protagonista desta
pesquisa).
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