UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO MESTRADO EM BIOTECNOLOGIA AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIFÚNGICO, ANTIOXIDANTE E CITOTÓXICO DOS EXTRATOS DE Jacaranda decurrens Cham. (Carobinha). Cristiane Alves de Carvalho Ribeirão Preto 2007 Cristiane Alves de Carvalho AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIFÚNGICO, ANTIOXIDANTE E CITOTÓXICO DOS EXTRATOS DE Jacaranda decurrens Cham. (Carobinha). Dissertação apresentada ao programa de pós-graduação em Biotecnologia da Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP, para a obtenção do título de mestre em Biotecnologia. Orientador(a)-Profa. Dra. Ana Maria Soares Pereira. RIBEIRÃO PRETO - SP 2007 DEDICO A minha família, por ser meu alicerce ! Agradecimentos A Deus por ter me proporcionado esta benção! A minha família, pelo apoio, amor e carinho! Ao meu pai, por ter tornado possível este momento e ter me ensinado que nada é impossível quando se tem um sonho. A minha mãe, pela dedicação e amor. Aos meus irmãos, pela atenção. Aos amigos, pelo suporte nos momentos de solidão. A todos que contribuíram direta ou indiretamente na concretização deste trabalho, especialmente a minha orientadora professora doutora Ana Maria Soares Pereira e professora doutora Ana Lúcia Fachin, pelos conhecimentos passados, pelo conforto nos momentos difíceis e pela credibilidade dada. A técnica Sarazete Pereira pela ajuda técnica e paciência. SUMÁRIO 1.0 Introdução 14 1.1 Plantas medicinais 14 1.2 Jacaranda decurrens Cham. 16 13 Atividade Antifúngica de Extratos vegetais. 18 1.3.1 Trichophyton rubrum mutante (∆ TruMDR2) e a múltipla resistência à drogas 21 1.4 Atividade antioxidante dos compostos vegetais 23 1.5-Atividade citotóxica de compostos vegetais 26 2.0 Objetivo 30 2.1 Objetivo Geral 30 2.2 Objetivos específicos 30 3.0 Justificativa 31 4.0 Materiais e Métodos 31 4.1 Metodologia de coleta de acessos e produção de extratos 31 4.2.1 Preparação e análise dos extratos 31 4.3 Quantificação dos triterpenos nos extratos hidroacoolicos por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) 32 4.4 Fracionamento do extrato hidroalcoólico 33 4.4.1.Fracionamento da Fração Jd-4 35 4.4.2. Purificação em CLAE da fração FR-3 – Preparativa 35 4.4.3. Identificação estrutural do Flavonóide 37 5- Avaliação da atividade antioxidante pelo DPPH 37 6.0 Metodologia de análise antifúngica: ensaio de sensibilidade aos extratoss 38 de Jacaranda decurrens nas linhagens de dermatófitos 6.1. Linhagens de T. rubrum 38 6.2- Manutenção da linhagem de T. rubrum 39 6.3. Ensaios de sensibilidade a extratos de plantas nas 40 linhagens de dermatófitos 7.0 Manutenção das linhagens tumorais e Ensaios de citotoxicidade 41 7.1- Cultura e estoque da linhagem HeLa 41 7.2. Cultura e estoque da linhagem Melan A e B16 41 7.3- Ensaio com MTT 43 8- Resultados e Discussão 44 8.1 Produção dos extratos brutos e purificados de J.decurrens 44 8.2 Quantificação dos triterpenos por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência46 (CLAE) dos extratos hidroalcoolicos de J. decurrens 8.3 Fracionamento do extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens 47 51 8.4 Identificação do flavonóide ativo obtido do extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens 8.5 Avaliação da atividade antioxidante das frações Jd-1, Jd-2 e Jd-4 52 obtidas a partir do extrato hidroalcóolico das folhas de J.decurrens 8.6 Ensaios de sensibilidade a extratos vegetais de J. decurrens 55 sobre as linhagens de dermatófitos 8.7 Ensaio de atividade citotóxica de extratos de J.decurrens 61 9.0 Conclusão 66 10.0 Referências 67 Anexos 85 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Jacaranda decurrens Cham. 17 Figura 2. Fluxograma representativo do fracionamento de extratos de 34 J. decurrens e os ensaios biológicos realizados. Material vegetal representado por Folhas, raízes e cascas de raízes Figura 3. Fluxograma representativo do fracionamento das sub-frações de 36 extratos de J. decurrens e isolamento de substância pura Figura 4. Cromatografia em camada delgada (CCDC) do extrato 48 hidroalcoólico de folhas de J. decurrens 1: fração Jd-1-, 2: fração Jd-2 ,3: fração Jd-3 , 4: fração Jd-4. Figura 5. Cromatogramas mostrando o perfil químico de triterpenos à 210 nm, dos padrões (A), extrato bruto (B) e frações Jd-1 (C), Jd-2 (D) e Jd-4 (E). Figura 6. Cromatogramas mostrando o perfil químico de flavonóides à 330 nm do 50 extrato bruto (A) e das frações Jd-1 (B), Jd-2 (C) e Jd-4 (D). Figura 7. Estrutura proposta para o flavonóide isolado do extrato hidroalcoólico de folha de J. decurrens 52 Figura 8: Porcentagem de sobrevivência da linhagem tumoral HeLa 62 cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F-4) ) e extrato bruto (Eb) de Jacaranda decurrens Figura 9: Porcentagem de sobrevivência da linhagem tumoral B16 63 cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F-4)), extrato bruto (Eb) e o flavonóide isolado de folhas de Jacaranda decurrens Figura 10: Porcentagem de sobrevivência da linhagem não tumoral Melan A cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F-4)), extrato bruto (Eb) e o flavonóide isolado de folhas de Jacaranda decurrens 64 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Dados da produção dos extratos brutos de Jacaranda decurrens 45 Tabela 2: Concentração dos ácidos ursólico e oleanólico nos 47 extratos hidroalcoólicos de J. decurrens Tabela 3. Atividade antioxidante (em %) de extrato e frações de Jacaranda 53 decurrens Tabela 4. Concentração inibitória mínima (CIM) em µg/mL dos extratos hexânico e diclorometano de J.decurrens sobre as linhagens de T.rubrum 56 Tabela 5. Concentração inibitória mínima (CIM) de frações produzidas a partir do 57 extrato hidroalcoolicos de J.decurrens, frente as linhagens de T.rubrum. Tabela 6. Concentração inibitória mínima (CIM) em (µg /mL )das frações Fr-1 a Fr-10 frente57 linhagem H6 de T.rubrum produzidas a partir do fracionamento da fração Jd-4 Tabela 7. Concentração inibitória mínima (CIM) do flavonóide isolado a partir do extrato hidroalcoolicos de J.decurrens, e dos controles de referência frente às linhagens de T.rubrum.. 58 LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS MDR: Multiple Drug Resistece MTT: 4,5 dimetilazol- 2yl)- 2-5- difenil- 2H tetrazolato de bromo ATCC: American Type Culture Collection CLAE :Cromatografia Liquida de Alta Eficiência MeOH-H2O: metanol-agua AU: Ácido ursólico AO: ácido oleanólico CHCl3:MeOH: Clorofórmio metanol DPPH :2,2-difenil-1-picrilidrazila NCCLS: National Committee for Clinical Laboratory Standards RPMI: Roswell Park Memorial Institute. MOPS :3-(N-morpholino)propanesulfonic acid CIM: Concentração inibitória mínima HeLa: carcinoma de colo de útero B 16: melanoma murino Melan A: melanócito SFB: soro fetal bovino DEMEM: Dubelco’s Modified Eagle Médium PBS: solução salina tamponada com fosfato EDTA : EthyleneDiamineTetrAcetic acid CCDC: Cromatografia em Camada Delgada RESUMO O estudo das plantas medicinais desperta grande interesse científico, principalmente devido às mesmas serem consideradas como fontes potenciais de moléculas bioativas com estrutura diferenciada e mecanismo de ação inovador. A importância de pesquisas voltadas para a descoberta e produção de novos fitoterápicos deve-se a grande contribuição que estes vêm apresentando diante de diversas patologias. A Jacaranda decurrens é uma espécie medicinal utilizada amplamente pela população que habita o bioma cerrado e destaca-se por apresentar alguns compostos especiais como os triterpenos (o ácido ursólico e o oleanóico) encontrados nas folhas. O presente trabalho teve o objetivo de avaliar o potencial antifúngico sobre o dermatófito T. rubrum, antioxidante pelo método DPPH e citotóxico pelo método MTT de extratos e frações de Jacaranda decurren. Os resultados evidenciaram que o extrato hidroalcoólico produzido a partir das folhas coletadas na cidade de Altinópolis-SP quanto as frações produzidas a partir deste extrato bruto apresentaram expressiva atividade antifúngica, antioxidante e citotóxica. O estudo em questão evidenciou que jacaranda decurrens é uma espécie medicinal promissora para o desenvolvimento de fitomedicamentos. Palavras-chave: Jacaranda decurrens, antifúngico, antioxidante e citotóxico. ABSTRACT The study of medicinal plants arouses great scientific interest, mainly because they are considered to be potential sources of bioactive molecules with differented structure and innovative mechanism of action. The importance of research a aiming the discovery and production of new phytoterapic medicines is due to the great contribution the those are presenting in the treatment of pathologies. The Jacaranda decurrens is a medicinal species widely used by the people who live in the biome cerrado and stands out for containing some special coumpods like the triterpenes ursolic acid and oleanólico acid found in the leaves. The presented work had the purpose of evaluating the antifungal potential over the dermatophyte Trichophyton rubrum ,antioxidant by the DPPH method and cytotoxic by the MTT method, of extracts and fractions of Jacaranda decurrens. The results showed that the hydroalcoholic extract produced from this raw extract presented remarkable antifungic, antioxidant and cytotoxic activity. This study made evidence that the J. decurrens is a promising medicinal species for the development of phytotherapic medicines. Keywords: Jacaranda decurrens, antifungal and cytotoxic. 1. INTRODUÇÃO 1.1- Plantas medicinais Plantas medicinais são fontes potenciais de moléculas bioativas com estrutura diferenciada e mecanismo de ação inovador, característica que tem motivado a indústria farmacêutica a direcionar pesquisas com intuito de desenvolver medicamentos fitoteráticos (ELISABETSKY, 2004). Em geral a produção destas moléculas bioativas, pelas plantas, ocorre como mecanismo de defesa contra insetos, patógenos, microorganismos ou sob ação de alguma fonte de estresse (PONTEZAN et al., 2004). Estima-se que o mercado mundial de fitoterápicos gire em torno de 22 bilhões de dólares, com crescimento acontecendo de forma gradativa e com maior destaque em países desenvolvidos (PHILIPSON, 1999; YUNES, 2001). No Brasil, o consumo de fitoterápicos ainda não despontou como deveria, o que pode ser comprovado por algumas pesquisas, que indicam a sua posição atrás de países menos desenvolvidos tecnologicamente (YUNES, 2001). Esta realidade está associada a alguns entraves, como a falta de uma política que incentive o desenvolvimento da indústria fitofarmacêutica (YUNES, 2001) e a ausência de controle de qualidade na preparação dos extratos vegetais, a exemplo dos Estados Unidos e dos paises Europeus, que investem em tecnologia para assegurar a qualidade dos produtos obtidos das plantas (VEIGA et al., 2005; AZIZ et al., 2004). Entretanto, apesar dos obstáculos supracitados, no Brasil pesquisas nas áreas da toxicologia e farmacologia envolvendo produtos naturais e fitoterápico têm assegurado maior credibilidade quanto ao uso e validação dos mesmos (YUNES, 2001). A posição de pouco destaque do Brasil na produção de fitoterápicos é contraditória e contrasta com a extensa diversidade vegetal que o país detém, estimada em 20% do número de espécies do planeta (CALIXTO, 2005). A flora mundial conhecida gira em torno de 264 mil a 279 mil espécies (PEIXOTO et al., 1999). Todavia, apenas 15 a 17% destas espécies foram estudadas (SOERJATO et al., 1996). A produção cientifica brasileira com material biológico vegetal é pouco expressiva, cerca de 0,7% de todas as publicações internacionais nos últimos dez anos (PALMA, 2000). A importância de pesquisas voltadas à descoberta e produção de novos fitoterápicos deve-se ao intenso uso de vários medicamentos derivados de plantas e ao custo elevado do desenvolvimento de drogas sintéticas, que atualmente ultrapassa 500 milhões de dólares (CALIXTO, 2003). Aproximadamente um terço dos medicamentos mais prescritos e vendidos no mundo foram desenvolvidos a partir de produtos naturais (CALIXTO, 2005). O potencial terapêutico de muitas espécies de plantas medicinais compreende uma extensa variedade de aplicações, que pode relacionar-se com patologias de fácil manejo, até complicações mais severas como aquelas decorrentes da infecção provocada pelo vírus HIV (NASER et al., 2005, ZHU et al., 1999). Além disso, vários estudos também demonstram a atividade preventiva das plantas medicinais em relação a diversas enfermidades, incluindo o tratamento de processos carcinogênicos (ASSIMOPOULOU et al., 2005; KHAN et al., 2005). Dezenas de classes de substâncias têm sido apontadas como responsáveis por esses efeitos, sendo os alcalóides e os compostos fenólicos os exemplos importantes (NAM et al, 2005; PERONA et al, 2005; ASSIMOPOULOU, 2005). Apesar do grande potencial terapêutico das espécies vegetais, centenas delas têm sido dizimadas anualmente, sem antes terem sido estudadas do ponto de vista químico e farmacológico. Jacaranda decurrens é uma espécie vulnerável a extinção devido à coleta indiscriminada e a devastação do seu habitat natural, o Cerrado. A investigação de possíveis atividades biológicas do extrato de J. decurrens corroborará com a conservação da espécie, processo já iniciado por um projeto temático-Biota (99/10610-1) denominado “Monitoramento e ampliação do banco de germoplasma de plantas medicinais do Cerrado”, desenvolvido por equipe de pesquisadores da Unidade de Biotecnologia (UNAERP) . 1.2- Jacaranda decurrens Cham. É conhecida como carobinha, caracteriza-se por ter poucos ramos, podendo atingir até trinta centímetro de altura, sendo considerada a única espécie anã do gênero Jacaranda . Apresenta raiz lenhosa e bastante grossa, caule coberto de pêlos finos quando jovem, perdendoos após maturidade. Seus ramos são verdes ou acinzentados e suas folhas têm aspecto ¨paribipinatifidas ¨, com 6 a 9 rugas ou mais, e com folíolos decorrentes, estreitos e sem pêlos na parte superior e pilosos na inferior. Suas flores são grandes, pentâmeras com colorações variando em tons azulados e roxos. Os frutos são octaráceos e possuem uma cápsula suborbicular, com ápice reto e base fina, atingindo cerca de 9 centímetros de comprimento e 7 de largura. As sementes são elípticas, irregularmente ¨crenuladas¨ e com dilatações (CÔRREA, 1984). Figura 1. Jacaranda decurrens Cham. A classificação taxonômica hierárquica da J. decurrens é: Filo: Plantae Divisão: Magnoliophyda Classe: Magnoliopsida Ordem: Tubiflorae Família: Bignoniaceae Gênero: Jacaranda Espécie: Jacaranda decurrens A distribuição geográfica de Jacaranda decurrens é ampla, ocorre nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo e segundo FARIAS & PROENÇA (2003) no Estado do Mato Grosso do Sul, no município de Dourados, é encontrada a subespécie J. decurrens ssp. symmetrifoliolata. A raiz de J. decurrens, imersa em aguardente, é amplamente utilizada pela população como depurativo do sangue e também recomendada para o tratamento das afecções cutâneas, úlceras externas, entre outros (RODRIGUES & CARVALHO, 2001). É uma espécie endêmica do Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil (MACHADO & WALTER, 1995; VARANDA et al., 1992). Levantamento etnofarmacológico realizado, no século XIX, em tribos indígenas do Brasil mostrou que várias espécies de Jacaranda, inclusive a J. decurrens eram utilizadas no combate a impinges (CASTRO, 1878). O extrato hidroalcoólico de folhas contém os triterpenos ácidos ursólico e o oleanólico (VARANDA et al., 1992), ambos apresentam propriedades farmacológicas importantes como: ação antimicrobiana, antivirais, hepatoprotetora, imunorreguladora e inibitória de células cancerígenas humanas (HSU et al., 2004; CÁRDENAS et al., 2004; MA et al., 2005; ZAPRUTKO et al., 2004). 1.3- Atividade Antifúngica de Extratos vegetais. Os fungos são microrganismos de organização simples que podem ser encontrados como mutualistas, comensais ou parasitos, provocando este último, prejuízo ao hospedeiro. No homem, os fungos podem desempenhar o papel de parasitos obrigatórios, facultativos ou ocasionais e, conforme seu poder invasor e virulência, determinam processos mórbidos de intensidade e gravidade variáveis (MORAES et al., 2000). As infeções fúngicas são conhecidas como micoses e elas são classificadas de acordo com a localização dos tecidos acometidos. As micoses cutâneas, também denominadas de dermatofitoses, são causadas por fungos que infectam o tecido queratinizado superficial, como pele, unhas e cabelos e degradam a queratina presente nestes locais (TORTORA et al., 2002; MURRAY et al., 1998; BROOKS et al., 1998). As dermatofitoses são as patologias dermatológicas mais freqüentes em todo o mundo, sendo considerada a “doença da civilização”, devido às mudanças de hábitos de vida que favorecem a sua disseminação em grandes aglomerados (MÜGGE et al., 2006). Atualmente, o tratamento das dermatofitoses é baseado no uso de medicamentos antifúngicos tópicos e sistêmicos (HAMDAM e SANTOS; 2005). Fármacos como terbinafina, cetaconazol e griseofulvina são comumente usados na terapia antifúngica, entretanto, há relatos de resistência de vários dermatófitos a estas substâncias (HASIMOTO et al; 2004). Além disso, a maioria das drogas empregada na terapia antifúngica, de administração sistêmica, provocam efeitos colaterais em pacientes ocasionando distúrbios gastrintestinais, reações cutâneas, leucopenia e hepatotoxidade. As complicações menos lesivas ao paciente desaparecem após a interrupção do tratamento, entretanto, as mais graves provocam lesões hepáticas que em geral são irreversíveis (SOARES e CURY; 2001; SONG e DERESINSKI; 2005; PERVEZE et al; 2007). As internações relacionadas às enfermidades iatrogênicas devido a medicamentos antifúngicos têm motivado a indústria de medicamentos a buscar novas substâncias com potencial farmacológico sobre microorganismos patogênicos ao homem, e nesse sentido tem crescido o número de pesquisas com produtos naturais, extratos vegetais e substâncias puras isoladas de planta com atividade antimicrobiana, especialmente contra fungos (DUARTE et al.., 2005; PORTILLO et al., 2001; SARTORATTO et al., 2004; ALVES et al., 2005). Levantamento etnofarmacológico relacionados com espécies vegetais utilizadas em tratamento de enfermidades relacionadas às infecções fúngicas são amplos e os estudos farmacológicos que comprovem essas atividades são reduzidos. FENNER et al (2006) relacionou 409 espécies, distribuídas em 98 famílias, com indicações populares de ação anti fúngicas, entretanto, a grande maioria dessas espécies não foi avaliada cientificamente. Vários trabalhos realizados com extratos vegetais como Ziziphus joazeiro, Caesalpinea pyramidalis, Thymus pulegioides Celastrus paniculatus, Eriodendron anfractuosum, Ficus glomerata, Azardirachta indica, Scutellaria baicalensis Baccharis grisebachii e Oxalis. erythrorhiza mostraram atividade antifúngica sobre linhagens de dermatófitos, (MUSCHIETTI et al., 2005; BOER, 2005; CRUZ et al., 2007; PINTO et al., 2006; VONSHAK et al., 2003; NATAJAJAN et al., 2002; YANG, 2000; FERESIN et al., 2001). Além disso, produtos naturais como a própolis também têm se mostrado promissores como fungicida contra T. rubrum e T. mentagrophytes. A suscetibilidade destes fungos ao extrato de própolis foi semelhante aos fármacos prescritos para o tratamento das dermatofitoses, como itraconazol e terbinafina (KOC et al., 2005). Considerando os estudos mencionados anteriormente constata-se que o potencial antimicrobiano das substâncias extraídas ou derivadas de espécies vegetais é relevante e deve ser intensivamente investigado, para que no futuro novas drogas mais eficazes e menos tóxicas possam compor um arsenal terapêutico de medicamentos anti-fúngicos mais seguros. 1.3.1-Trichophyton rubrum mutante (∆ TruMDR2) e a múltipla resistência à drogas Trichophyton rubrum é um fungo filamentoso que em geral causa infecções superficiais em pele e unhas humanas. É um organismo reconhecidamente cosmopolita e entre os dermatófitos, é o mais freqüente, representando cerca de 70 % de todas as infecções (FACHIN et al., 1996; ANSTEY et al., 1996; COLOE & BAIRD, 1999; SENTAMIL et al, 1999; COSTA et al., 1999; SCHER, 1999; SANTOS, 2005). Entretanto, este dermatófito vem causando infecções em regiões não usuais do corpo, como região glútea e peniana (GROSMAN et al., 1995; SENTAMENVI et al., 1998; HSU, 1999; SENTAMIL et al., 1999; PILEOP & ROSEN, 2001). Além disso, há relatos da invasão do T. rubrum em tecidos mais profundos, como descrito por SMITH et al (2001), onde foram observadas a colonização deste fungo em tecido dérmico e sua disseminação sistêmica em três pacientes imunodeprimidos. Apesar da importância clínica de T. rubrum, muito pouco é conhecido sobre sua biologia, devido principalmente ao fato deste patógeno não apresentar ciclos sexual e parassexual descritos, o que dificulta o seu estudo do ponto de vista genético. Desta forma, genes clonados em organismos modelos como S. cerevisae, Neurospora crassa e A. nidulans são geralmente usados para identificar e isolar genes cognatos em fungos de interesse clínico, com base na conservação de seqüência e/ou função (AGNAM et Al., 1997). FACHIN et al., 1996 descreveram a obtenção in vitro de um mutante de T. rubrum (gri1) por irradiação ultravioleta que apresentou hiper-resistência à griseofulvina e ao tioconazol. A dupla resistência deste mutante poderia ser explicada pela possível existência de um mecanismo de múltipla-resistência a drogas em T. rubrum. O fenômeno de múltiplaresistência ocorre em células de mamíferos quando expostas a um único agente tóxico, que passam a apresentar resistência a uma ampla variedade de drogas quimicamente e funcionalmente não relacionadas. O desenvolvimento do fenótipo MDR está associado com a super-expressão de uma glicoproteína de membrana que atua como uma bomba de efluxo de droga dependente de ATP que transporta uma ampla variedade de drogas aparentemente não relacionadas. Como a griseofulvina atua nos microtúbulos (GULL & TRINCI, 1973) e o tioconazol, como os outros azoles, atuam na inibição da biossíntese do ergosterol (GUPTA et al., 1994) estas duas drogas atuam diferentemente na célula do fungo e podem, portanto, ser substratos para MDR. FACHIN et al (2006) clonaram e sequenciaram o gene TruMDR2 que codifica um transportador do tipo ABC. A análise por Northern blot demonstrou um aumento no nível de transcrição do gene TruMDR2 quando o micélio foi exposto à acriflavina, benomil, brometo de etídio, cetoconazol, cloranfenicol, griseofulvina, fluconazol, imazalil, itraconazol, metotrexato, tioconazol e 4-nitroquinoline-N-oxide (4NQO). A ruptura gênica do gene TruMDR2 demonstrou que o mutante tornou-se mais sensível a terbinafina, 4NQO e ao brometo de etídio, sugerindo que este transportador desempenha uma função na modulação de susceptibilidade á drogas em T. rubrum. Tal mutante (∆ TruMDR2) tornou-se um importante modelo de estudo para o estudo de resistência a drogas in vitro, o que pode auxiliar no desenvolvimento de um fitoterápico que possa ser eficaz quando a terapia usual não for efetiva devido à múltipla resistência. 1.4-Atividade antioxidante dos compostos vegetais Os antioxidantes são definidos como qualquer substância, que em condições normais, possuem uma afinidade maior que qualquer outra molécula para realizar interações com os radicais livres (BACALLAO et al., 2001). O sistema antioxidante consiste de uma rede de antioxidantes enzimáticos e não enzimáticos. Dentre os enzimáticos, encontram-se a glutationa peroxidase, catalase e superóxido dismutase (SOD). Entre os não enzimáticos, pode-se citar o alfa tocoferol, ubiquiona, beta-caroteno, ascorbato e glutationa (BOKOV et al., 2004; PICARDO & BRIGANTI, 2003). Os radicais livres constituem espécies químicas que contém um elétron desemparelhado na sua última órbita, o que os tornam altamente reativos e são formados em grande parte durante o metabolismo mitocondrial (SOARES, 2002; BIESALSKI, 2002). Aproximadamente 0,4% a 4% de todo O2 metabolizado pela mitocôndria é convertido em radicais livres. Conseqüentemente maiores danos são observados nesta organela (GOLDEN et al., 2002). Os radicais livres são representados em maior parte pelo oxigênio simples (O2), radical superóxido (O2 -), peróxido de hidrogênio (H2O2) e pelo radical hidroxil (OH) (YAMAMOTO., 2001 e GUIRRO & GUIRRO., 2004). Embora uma pequena quantidade de radicais livres seja necessária para a manutenção da vida, sua produção excessiva, maior que a sua velocidade de remoção, pode conduzir a diversas formas de dano celular (SHAMI et al., 2004). Alguns agentes promotores internos ou externos podem influenciar na geração destas moléculas que quando em desequilíbrio, atuam como agentes tóxicos celulares provocando ação de oxido-redução para capturar o elétron de outros componentes químicos. Este mecanismo provoca uma reação em cadeia, capaz de gerar mais radicais livres com potencial para infligir mais danos oxidativos em membranas celulares, moléculas de DNA, proteínas entre outros compostos biológicos (WICKENS, 2001; GUIRRO & GUIRRO, 2004; HARMAN, 1981). Os efeitos tóxicos relacionados ao oxigênio já são conhecidos desde o final do século XIX. Entretanto, a identificação dos radicais livres causadores desta toxicidade foi somente possível há cerca de 50 anos, quando Denham Harmam lançou a teoria sobre o envolvimento destes radicais livresem processos de mutagênese, câncer e envelhecimento celular (BIESALSKI, 2002; HARMAN, 1981). Como a produção dos radicais livres é um processo contínuo, o organismo dispõe de mecanismos protetores antioxidantes que detoxificam esses radicais potencialmente prejudiciais, promovendo assim a homeostase no organismo (GUIRRO & GUIRRO, 2004). Substâncias antioxidantes também funcionam como inibidores da promoção, propagação e transformação de estágios tumorais. Elas atuam como potentes sequestradores de radicais livres e servem como inibidores de processos neoplásicos desde que o stress oxidativo esteja intimamente associado à promoção do tumor (MACKEEN et al., 2000). Este mecanismo é favorecido porque a molécula de DNA é altamente susceptível ao ataque dos radicais livres e a interação destes pode causar danos à estrutura desta molécula com potencial para produzir um evento prejudicial ou letal (PICARDO & BRIGANTI., 2003). Vários trabalhos têm mostrado que o stress oxidativo é responsável pela causa de doenças degenerativa, neurodegenerativas e processo de envelhecimento (FERREIRA & MATSUBARA, 1997; WLASCHECHEK et al., 2001; WEISHAUPT et al., 2006). Atualmente as substâncias mais utilizadas no combate ao stress oxidativo são os antioxidantes naturais, como α-tocoferol, βcaroteno e compostos fenólicos presentes em plantas (HALLIWEL, 2005; DROGE, 2002; MENDEL & YOUDIM., 2004; CASAGRANDE et al., 2006; CARINI et al., 2002). A finalidade principal destes compostos é reduzir a concentração excessiva dos radicais livres, devido interação com essas moléculas, prevenindo conseqüentemente o dano celular (FLORA, 2007). A atividade antioxidante de compostos derivados de plantas medicinais têm sido comprovada em centenas de espécies vegetais, alguns exemplos importantes são: Hypericum sp, Melothria heterophylla, Pothomorphe umbellat e Camellia sinensi (COULADIS et al., 2002; WANG et al., 2006; CHO et al., 2006; CALABRESE et al., 1999; ROPKE et al., 2006; HIGDON & FREI., 2003). Entre as substâncias derivadas de plantas medicinais que expressam maior poder antioxidante, os compostos fenólicos representam a maior classe retentora desta capacidade e entre eles, os flavonóides são talvez, as substâncias mais importantes (MOON et al., 2006). Os flavonóides têm sido referidos recentemente como substâncias quimioprotetoras eficazes para o tratamento de diversos tipos de patologias de origem degenerativa. MILTERSTEINER et al (2003) avaliaram a atividade da quercetina, importante flavonóide, em casos de fibrose em modelos animais de cirrose biliar secundária à ligadura do ducto biliar, de cirrose por álcool ou por administração de tetracloreto de carbono (CCl4), todas relacionadas ao acúmulo de espécies reativas de oxigênio. O estudo in vitro pode observar que a administração de quercetina em ratos, cujo estado clínico indicava obstrução do ducto biliar provocou melhora tanto nos testes laboratoriais quanto no estudo histológico do fígado desses animais. Segundo SOARES et al (2005), a atividade antioxidante de certos flavonóides, como a hesperidina, naringina, naringenina, quercetina, rutina e sakuranetina, foi comprovada durante a avaliação do stress oxitativo sobre células eucarióticas de leveduras de Saccharomyces cerevisiae. Esses autores demonstraram que a capacidade antioxidante dos flavonóides foi superior à apresentada pelo ácido L-ascórbico e vitamina E em células eucarióticas da levedura S. cerevisiae tratadas com a pomorfina. Além da atividade antioxidante dos compostos fenólicos, os triterpenos também podem atuar como agentes seqüestradores dos radicais livres, inserindo-se nessa classe, compostos como o ácido úrsólico e oleanólico. Esta atividade foi comprovada em extrato acetato de etil, produzido a partir de folhas de Olea europaea, cuja análise fitoquímica comprovou elevada concentração dos acidos ursólico e oleanólico, (SOMOVA et al., 2002). O potencial antioxidante desse triterpenos foi confirmado através do efeito protetor sobre a molécula de DNA quando esta foi induzida à ação de H2O2 (OVESNA et al., 2006) e também em estudo in vivo utilizando ratos wistar como modelo experimental, os quais foram submetidos a dieta enriquecida como os triterpenos em conjunto com um agente oxidante; os animais que receberam essa dieta mantiveram a peroxidação lipídica em níveis normais (SENTHIL et al., 2006). 1.5-Atividade citotóxica de compostos vegetais Os ensaios citotóxicos baseiam-se em testes de rotina quando se pretende selecionar novas drogas com atividade anticâncer. Através destes ensaios, pode-se verificar a capacidade da nova droga em lesar células tumorais e principalmente como ela se comporta sobre as linhagens normais, devendo sobre estas últimas, não ter atividade tóxica ou em menor proporção (UGARTONDO et al., 2006). A atividade citotóxica pode ser avaliada por diversas metodologias, entre elas encontra-se o método colorimétrico MTT, que avalia a viabilidade celular através do dano induzido no metabolismo da célula (MACIEL et al., 2001). A utilização de ensaios citotóxicos é fundamental para seleção de novas drogas, principalmente antitumorais, visto o numero crescente de processos neoplasicos entre a população mundial. Segundo GOLDMAN et al. (2001), “ O câncer descreve uma classe de doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células aberrantes¨. A formação destas células ocorre após uma transformação genética maligna que converte uma célula normal em outra com característica destrutiva, que se reproduz sem o mecanismo de feedback celular, responsável pelo controle ou inibição do processo de divisão das células (BOYER, 2000; GOLDMAN et al., 2001). Além disso, o crescimento das células neoplásicas compete com as células e tecidos normais quanto ao suprimento de energia e substrato nutricional podendo ainda disseminar-se para locais distantes através do sangue, linfa ou superfícies serosas (COTRAN, 2000; GOLDMAN et al., 2001). Estima-se que o câncer atinja a cada ano mais de um milhão de indivíduos nos Estados Unidos, sendo responsável por 23% de causa de morte neste país (COTRAN, 2000). No Brasil, num estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer em 2001, mostrou que esta patologia representa, na maioria dos estados, a segunda causa de morte, ficando abaixo apenas das moléstias cardiovasculares. Estima-se que no meio do século 21 o câncer já seja a principal causa de morte no Brasil. Os motivos que levam ao crescimento da incidência do câncer são o aumento da expectativa de vida da população em geral, associada a maior exposição a fatores de risco (SAMANO et al., 2005; COLLECCHI et al., 1998). Diversos fatores podem funcionar como promotores para a transformação de uma célula normal em maligna que podem ser de natureza externa, como carcinogênicos químicos, radioativos, por ação dos raios ultravioletas, ou de origem interna como: os fatores genéticos, agentes virais ou por algum distúrbio na imunocompetência do organismo (PRADO et al., 2003). Entre os agentes desencadeadores das neoplasias, os radicais livres têm sido considerados elementos importantes no desenvolvimento da fisiopatologia desta enfermidade. Os radicais livres, produzidos por diversos mecanismos, como, por exemplo, por hábitos inadequados como o fumo ou mesmo pela atuação dos raios ultravioletas na pele, são capazes de lesar o DNA mitocondrial, provocando alteração em suas bases ou até mesmo quebra da molécula, sendo fontes potenciais para mutação celular (LEITE et al., 2005; JUNIOR, 2005). Com relação ao tratamento das neoplasias, o sucesso da obtenção do melhor resultado depende tanto da avaliação física acurada e da prescrição adequada de medicamentos quanto da boa orientação ao paciente (BOYER, 2000). Diversos recursos podem ser empregados com o objetivo da erradicação das células tumorais. Entre eles, pode-se apontar o tratamento cirúrgico que é o recurso mais antigo contra o câncer (ABBATUCCI, 1987 ); a quimioterapia, a radioterapia e a imunoterapia (BOYER, 2000). Os extratos produzidos de plantas têm sido amplamente estudados devido à atividade quimiopreventiva, imunoregulatória e quimioterápica (DIWANAY et al., 2004). O Taxol está inserido nesta última categoria por agir clinicamente como um importante agente antitumoral (GANESH et al., 2004). Seu efeito terapêutico se deve a habilidade em reunir a tubulina dentro dos microtúbulos, bloqueando a mitose celular (BAJER et al., 1982). Recentemente têm-se descoberto outras drogas de origem vegetal com o mecanismo de ação similar ao taxol. Entre elas estão a epilona e a discodermolida, a noscapina, alcalóide derivado do ópium, também tem sido estudada como inibidor da divisão celular, possuindo mecanismo semelhante ao da colchicina, além de promover a apoptose celular (GANESH et al., 2004; YE et al., 1998). Os ácidos ursólico e oleanóico também são substâncias com ação antitumoral (CARDENAS et al., 2004). Testes citótoxicos utilizando estes compostos isolados de extratos de Origanum dictamnus comprovam esta atividade sobre células leucêmicas murinas (P388) e sobre carcinoma bronquial epidermóide (NSCLC- N6) (CHINOU et al., 2007). Linhagens tumorais obtidas de carcinoma de colo de útero (HeLa), cancer gástrico (BGC- 823) e de hepatoma humano (7402) foram susceptíveis ao ácido ursólico e sues derivados (MA, 2005). Estes compostos atuam também inibindo a produção do óxido nítrico, radical livre responsável pela destruição de tecidos normais, assim como pelo bloqueio da progressão do ciclo celular na fase G1, além de provocarem apoptose, resultando na fragmentação do DNA da célula cancerígena (MA; 2004). Outra propriedade bastante relevante de ambos se deve pela inibição da angiogênese patológica que ocorre diante do processo neoplásico. Este processo é favorecido pela repressão da migração e invasão de células endoteliais, resultando na inibição da formação do tubo capilar (CARDENAS et al; 2004). Os compostos fenólicos, particularmente flavonóides como quercetina e tiliroside, desempenham importante papel nos ensaios citotóxicos como mostra estudo realizado com dezesseis plantas medicinais sobre linhagens tumorais de câncer de próstata (PC-3), câncer de fígado (HepG2) e adenocarcinoma de colon retal (Colon 205) (RAO et al., 2007). Estudos recentes comprovaram a habilidade dos flavonóides oriundos de extratos de Scutellaria baicalensis em deter o ciclo celular de linhagens tumorais resistentes a várias drogas quimioterapias (SCHECK et al., 2006). Os efeitos anticancerígenos de certos tipos de flavonóides foram demonstrados em várias linhagens de células neoplásicas oriundas de tecidos mamários, hepáticos, pancreático, estomacal e epitelial (SILBERBERG et al., 2006). A indústria farmacêutica já desenvolveu diversos quimioterápicos a partir de substâncias isoladas de plantas como a vinblastina (Velban) e vincristina (Oncovin) de Catharanthus roseus, o etoposídeo (Vepeside) e teniposídeo (Vumon) derivados semisintéticos de Podophyllum peltatum (L), taxol (Plaxitaxel) extraído de Taxus brevifolia, topotecan semisintetico derivado de Camptotheca acuminata e homoharringtonina de Cephalolaxus harringtonia entre outros, confirmando que espécies vegetais são importantes fontes potenciais para o descobrimento de novas drogas anti-câncer (CRAGG et al., 1993; BOYOD & PAUL, 1995; NEWMAN et al., 2003 ). 2 . OBJETIVO 2.1 Objetivo Geral Avaliar o potencial antifúngico, antioxidante e citotóxico de extratos de J.decurrrens 2.2 Objetivos específicos: • Avaliar a atividade antifúngica de extrato bruto de J.decurrrens sobre o isolado clínico ATCC MYA-3108 (selvagem) e uma linhagem mutante com o gene TruMDR2 deletado. • Avaliar a atividade citotóxica do extrato bruto de J.decurrrens sobre linhagem celular de melanoma murino, melan A e HeLa. • Fracionar, por técnicas cromatográficas, os extratos brutos de J.decurrrens e avaliar o potencial antioxidante, antifúngico e citotóxico das frações e compostos puros obtidos. • Correlacionar compostos químicos responsáveis pelas atividades antifúngica, antioxidante e citotóxica. 3 - JUSTIFICATIVA O Brasil, país da megabiodiversidade, detém em seu território um patrimônio inestimável de recursos genéticos, entretanto, muito pouco se conhece sobre essa diversidade. Estudos de bioprospecção de drogas a partir da flora brasileira, como os apresentados nesse trabalho, como J. decurrens, representam possibilidades concretas de descobertas de novas drogas, para as graves enfermidades que assolam a humanidade. Além disso, no futuro, podem ser aproveitados pela industria nacional de medicamentos fitoterápicos que ainda no momento é incipiente no país. 4 . MATERIAIS E MÉTODOS 4.1- Metodologia de coleta de acessos e produção de extratos. Folhas, raízes e entrecascas de raízes de J. decurrens foram coletadas em outubro de 2005 no Estado São Paulo, no município de Altinópolis, no Estados de Mato Grosso do Sul, no município de Dourados (J. decurrens symentrifoliata). Estes materiais foram secos em estufa com ar circulante a 50°C, por 48 h, moídos em moinho de facas até a pulverização de 40 mesh. 4.2.1- Preparação e análise dos extratos. Os extratos de partes aéreas e sistema radicular foram produzidos com solventes hexânico, hidroalcoólico e diclorometano. Após 15 dias de maceração estática, foi realizada a primeira filtração. Sobre o resíduo foi adicionado novamente a mesma quantidade de solvente para uma segunda extração. Após 30 dias de maceração, o solvente dos extratos hexânico e diclorometano foram totalmente rotaevaporados e os resíduos levados a capela de secagem, onde permaneceram por um período de uma semana até a obtenção do extrato seco. O extrato hidroalcoólico foi rotaevaporado até a retirada total do etanol e posteriormente liofilisado no liofilizador Flexi-Dry para obtenção do extrato seco. Os rotaevaporadores utilizados foram da marca Tecnal-TE -058. Os extratos brutos final foram acondicionados em recipientes previamente pesados em balança analítica de pressão (SCINTECH AS 210, 210 x 0,001g), os rendimentos dos extratos são mostrados na Tabela 1. Os extratos hidroalcoólicos foram analisados através de CLAE (Cromatografia Liquida de Alta Eficiência), para a quantificação dos triterpenos presentes. Este trabalho foi realizado em colaboração com a Profa. Dra Miriam V. Lourenço. 4.3 - Quantificação dos triterpenos nos extratos hidroalcoolicos por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE). Análises por CLAE foram feitas usando como fase móvel MeOH-H2O (ácido acético 0.1%) 85:15, a um fluxo de 1.0 mL/min. As análises foram monitoradas a 210 nm, sendo injetado um volume de 20 µL de cada amostra em triplicata. A quantificação dos triterpenos foi realizada através do método de padronização externa utilizando curvas de calibração obtidas com a injeção de diferentes concentrações dos ácidos ursólico e oleanólico (0,1-1,0 mg/ mL). As soluções padrões foram pesadas, em balança analítica, exatamente 10 mg de cada padrão dos ácidos ursólico (AU) e oleanólico (AO) e foram dissolvidos, separadamente, em 10 mL MeOH grau (CLAE). Foram feitas diluições da solução estoque de forma a obter soluções nas seguintes concentrações: 0,5; 0,25; 0,125; 0,062 mg/mL. Para o traçado da curva de calibração as injeções foram realizadas em triplicata. A quantificação dos triterpenos foi realizada a partir dos extratos hidroalcoólicos, produzidos a partir das raízes, cascas das raízes e folhas de Jacaranda decurrens coletadas no município de Altinópolis-SP (J. decurrens - Jd ) e Dourados – MS (J. decurrens ssp. symmetrifoliolata - Jds). As soluções foram preparadas a partir de 50 mg de cada extrato seco e posteriormente diluídas em 1mL as soluções foram filtradas em filtros de 0,46 µm e em seguida injetadas no CLAE. As análises foram realizadas em triplicada. 4.4- Fracionamento do extrato hidroalcoólico. Cinco gramas do extrato hidroalcoólico/ folha/ Altinópolis foram fracionados em coluna cromatográfica com sephadex (LH-20) e fase móvel utilizada foi o MeOH. As frações coletadas contendo 5 mL, após análise por CCDC (cromatografia em camada delgada comparativa) foram reunidas a partir da semelhança apresentada quando os compostos secundários. Para as análises em CCDC foram utilizadas placas de sílica gel MACHEREY-Nagel (10x10); CHCl3:MeOH (8:2) como fase móvel e revelador vanilina sulfúrica. Posteriormente as frações reunidas resultando quatro novas frações: Jd-1, Jd-2, Jd-3 e Jd-4 (Figura 2). Devido à semelhança do perfil químico entre as frações Jd-3 e Jd-4 elas foram reunidas e denominadas Jd-4. As frações acima mencionadas foram analisadas por CLAE a fim de se verificar o perfil químico das mesmas. Para isso foram utilizadas duas metodologias, sendo uma para triterpenos e outra para flavonóides, visto que através do CCDC verificou-se a presença de flavonóides em uma das frações. Para as análises de triterpenos utilizou-se como fase móvel MeOH:H2O (ácido acético 0.1%) 85:15, a um fluxo de 1.0 mL/min. As análises foram monitoradas a 210 nm, sendo injetado um volume de 20 µL de cada amostra. Quanto as análises dos flavonóides, foram usados com fase móvel um sistema eluente em gradiente de MeOH: H2O de 10 à 66% ( 30 min) e 66 à 10% (5min) e de 10% de MeOH por 5 min, com fluxo de 1mL/min. As análises foram monitoradas à 210, 280 e 340 nm. Material vegetal de J. decurrens Extrato hidroalcoólico Extrato hexano Extrato diclorometano Ensaio antifúngico Seleção dos Extratos hidroalcoolicos Quantificação dos triterpenos dos extratos hidroalcoolicos por CLAE Seleção do Extrato hidroalcoolico Folha/Altinópolis Fracionamento do extrato hidroalcoólico Ensaios antioxidante, antifúngico e citotóxico Figura 2. Fluxograma representativo do fracionamento de extratos de J. decurrens e os Fração Jd-1 Fração Jd-2 Fração Jd-4 ensaios biológicos realizados. Material vegetal representado por Folhas, raízes e cascas de raízes. 4.4.1.Fracionamento da Fração Jd-4 A fração Jd-4 (1.295 g) foi purificado em coluna cromatográfica com sephadex e as amostras foram coletadas (5mL) em frasco tipo cubeta. Estas amostras foram analisadas em CCDC, com o eluente CHCl3:MeOH (8:2) e foi utilizado o revelador vanilina sulfúrica. Após análise das placas cromatográficas foi realizada a reunião das frações que resultaram em 10 novas amostras. Todas estas amostras foram encaminhadas para teste de sensibilidade com o T. rubrum. As frações que apresentaram melhor atividade antifúngica foram novamente purificadas em coluna cromatográfica seguindo a mesma metodologia descrita acima (Figura 3). 4.4.2. Purificação em CLAE da fração FR-3 – Preparativa A fração FR-3 (20,8 mg) foi dissolvida em 1 mL de água. Em seguida, esta amostra foi filtrada para análise em CLAE (Shimadzu LC 10) e purificada nas seguintes condições: coluna de fase reversa (10 X 250 mm); fase móvel MeOH : H2O 0:100 à 75:25 gradiente linear por 80 minutos; fluxo de 2,0 mL / minuto e a detecção de 210 e 340 nm. A purificação forneceu 38 tubos com 4 mL de amostras coletadas as quais foram analisadas por CCDC e reunidas, fornecendo quatro novas frações: Fra-1 (6,6 mg), Fra-2 (7,5 gm), Fra-3 (1,3) e Fra-4 ( 0,7). A fração Fra-2 foi encaminhada para a determinação estrutural da substância por métodos espectroscópicos como RMN 1H e espectrometria de massa, confrontando-se os dados obtidos com aqueles existentes na literatura (Anexo 1). Fracionamento da fração Jd-4 Fr-1 Fr-2 Fr-3 Fr-4 Fr-5 Fr-6 Fr-7 Fr-8 Fr-9 Fr-10 Ensaio antifúngico Seleção e fracionamento da fração Fr-10 por FR-1 FR-2 FR-3 Analise da fração FR-3 por HPLC Preparativa Fra-1 Fra-2 Fra-3 Fra-4 Determinação estrutural Figura 3. Fluxograma representativo do fracionamento das sub-frações de extratos de J. decurrens e isolamento de substância pura. 4.4.3. Identificação estrutural do Flavonóide As análises de RMN de 1H em aparelho Brucker Advance DPX-500 foram realizadas na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto – USP, Departamento de Física e Química , e a interpretação dos espectros foi realizada pela Profa. Dra. Hosana Maria Debonsi Navickiene. 5- Avaliação da atividade antioxidante pelo DPPH: A atividade antioxidante foi avaliada pela redução do radical DPPH (2,2-difenil-1picrilidrazila) em espectrofotômetro. O método (KOLEVA et al, 2002) é baseado na redução das soluções alcoólicas de DPPH a 517 nanômetros (nm) na presença de um antioxidante (AH) doador de um próton (H+) para a forma não radicalar (DPPH-H) através da reação: DPPH• + AH DPPH-H + A• As medidas de potencial antioxidante foram realizadas através de leitura espectrofotométrica sendo utilizada, como controle, uma solução de rutina (1mg/mL). O preparo da amostra em solução metanólica foi feito em diferentes concentrações (10, 5, 2,5, 1, 0,62, 0,32). Em seguida, preparou-se uma solução estoque de DPPH a 10-4 em metanol ou 0,0004 % sendo que esta solução de DPPH foi mantida em frasco coberto com papel alumínio e estocada à 4 ºC entre as medições. Sempre antes de começar os ensaios verificou se a solução de DPPH encontrava-se em uma absorbância de 517nm. Em um eppendorf de plástico foi colocado 950µL da solução metanólica de DPPH e 50uL da amostra em diferentes concentrações. Para o preparo do branco colocou-se no lugar da amostra metanol. Usou-se como controle positivo a rutina em uma concentração de 1mg/ml, colocando 950 µL da solução metanólica de DPPH e 50 µL da rutina. Todas as amostras, inclusive o branco e a rutina foram incubados por 15 minutos no escuro a 30 ºC. As medidas de potencial antioxidante foram realizadas através de leitura espectrofotométrica sendo utilizado como controle positivo uma solução de rutina a partir de 1 mg/ml. O ensaio colorimétrico com DPPH fornece uma variação percentual da absorbância da solução de DPPH para cada amostra a ser testada. Posteriormente, transferiu-se as soluções dos eppendorfs para cubetas e realizou-se a leitura das absorbâncias das amostras, controle positivo e do branco a 517 nm em um espectrofotômetro previamente calibrado com solução metanólica PA. 6. Metodologia de análise antifúngica: ensaio de sensibilidade aos extratos de Jacaranda decurrens nas linhagens de dermatófitos. 6.1. Linhagens de T. rubrum O isolado clínico ATCC MYA-3108 (H6) e uma linhagem mutante ∆TruMDR2 foram utilizados neste trabalho e o cultivo foi realizado segundo os métodos previamente descritos (FACHIN et al., 1996; 2001b). A linhagem ATCC MYA-3108 foi isolada de um paciente do sexo masculino com dermatofitose (tinea pedis) atendido no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Esta linhagem foi denominada H6 e a seguir depositada no ATCC como MYA-3108 e apresenta as seguintes características: colônia branca de aspecto cotonoso, incorpado e o reverso da colônia não apresenta pigmentação após 15 dias de crescimento. A linhagem ∆TruMDR2 é um transformante da linhagem H6 com o gene TruMDR2 rompido, este gene codifica um transportador do tipo ABC, envolvido na múltipla resistência à drogas. O gene marcador da transformação é o gene de resistência à higromicina (hygBr ). A metodologia de ruptura gênica foi descrita e comprovada por Fachin et al., (2006). As linhagens H6 e TruMDR2 foram gentilmente cedidas pela Profa. Dra. Nilce Martinez-Rossi do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP. 6.2- Manutenção da linhagem de T. rubrum A preservação do isolado de T. rubrum, por período de seis meses, foi realizado em meio ágar Sabouraud, utilizando tubos de ensaio inclinados, com adição de água estéril sobre o fungo. Os repiques periódicos da linhagem selvagem foi realizada em placas de Petri contendo meio Sabouraud e a linhagem mutante foi repicada em meio ágar Sabouraud acrescido de 400µg/ml de higromicina. As duas linhagens foram inoculadas nos meios descritos acima com o auxílio de palitos de madeira estéreis e mantidas em estufa a 28°C por um período de 15 dias. 6.3. Ensaios de sensibilidade a extratos de plantas nas linhagens de dermatófitos Soluções estoque das linhagens foram preparadas como descrito pelo National Committee for Clinical Laboratory Standards, 2002 (NCCLS) protocolo M-38-P com pequenas modificações para adaptar o protocolo a fim de avaliar os extratos vegetais. A formação de conídios foi induzida pelo crescimento das linhagens em placas de meio Sabouraud a 28°C por cerca de 15 dias. As colônias foram cobertas com aproximadamente 1 ml de solução salina contendo 1% Tween 80 e, o material foi colhido com o auxilio de uma espátula estéril e filtrado em lã de vidro. A mistura resultante foi transferida para um tubo estéril e ajustado numa faixa de 70 a 72 % de transmitância num comprimento de onda de 530nm no espectrofotômetro. Esta suspensão foi diluída 1:50 em meio RPMI 1640 (LGC) tamponado com MOPS, pH 7,2 que corresponde a duas vezes a densidade necessária para testar aproximadamente 3x 10 4 a 5x 10 4 UFC/ml. Os testes foram realizados em placas de microdiluição contendo 96 poços, cada poço contendo 100µL das concentrações dos extratos ou frações (2 vezes concentrado) foram inoculados com 100µL das suspensões de conídios. O volume final de cada poço foi de 200 µL. As concentrações variaram de 5mg a 32µg do extrato e frações de J. decurrens. O extrato vegetal foi diluído através de diluições seriadas na qual foi adicionado previamente 100 µL de meio RPMI nos poços. Posteriormente, sobre o primeiro poço foi colocado 100 uL da primeira concentração do extrato vegetal e homogeneizado, em seguida foi retirado 100 µL do primeiro posso e transferido para o segundo, depois 100 µL do segundo foi transferido para o terceiro e assim sucessivamente, sendo que no último poço foram retirados 100 µL e descartados. Controles de crescimento e esterilidade do meio de cultura e do extrato foram incluídos para cada linhagem testada e os experimentos foram incubados a 28°C por sete dias. O CIM 100 corresponde a menor concentração inibitória do extrato ou fração onde não há crescimento macroscópico do fungo, determinado no 7º dia de crescimento comparado com o crescimento do controle. Os resultados foram obtidos de três experimentos independentes realizados em triplicata. 7- Manutenção das linhagens tumorais e Ensaios de citotoxicidade. Linhagens utilizadas As linhagens tumorais de carcinoma de colo de útero HeLa, melanoma murino B-16 e a linhagem normal melan-A foram gentilmente cedidas pelo Prof. Dr. Cláudio Miguel da Costa Neto, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-SP (FMRP-USP) 7.1- Cultura e estoque da linhagem HeLa A linhagem foi cultivada em garrafas de cultivo de 25cm2 na concentração inicial de 3x104células/cm2 em meio de cultura HAM F10 + DMEM, suplementado com soro fetal bovino (SFB) a 15% em uma estufa a 37 °C contendo 5% de CO2 por 3 a 5 dias. Para o subcultivo (repique), o meio de cultura foi retirado, sendo acrescentados 10ml de solução de Hanks por 5 minutos. A solução de Hanks foi retirada e acrescentou-se a solução de PBS e EDTA 0,01mol por 1 ou 2 minutos, as células foram tripsinizadas e em seguida, a solução foi inativada acrescentando-se o mesmo meio de cultura. 7.2. Cultura e estoque da linhagem Melan A e B16: A linhagem tumoral de melanoma murino B16 e a linhagem normal Melan-A foram cultivadas em garrafas de cultivo de 25cm2 na concentração inicial de 3x104células/cm2 em meio de cultura HAM F10 , suplementado com soro fetal bovino (SFB) a 15% em uma estufa a 37 °C contendo 5% de CO2 por 3 a 5 dias. Para o subcultivo (repique), o meio de cultura foi retirado, sendo acrescentados 10ml de solução de Hanks por 5 minutos. A solução de Hanks foi retirada e acrescentou-se a solução de PBS e EDTA 0,01mol por 1 ou 2 minutos, as células foram tripsinizadas e em seguida, a solução foi inativada acrescentando-se o mesmo meio de cultura. Estoque das linhagens As linhagens foram cultivadas em meio de cultura apropriado, descrito acima, por 72 horas, a seguir as células foram destacadas, transferidas para um tubo Falcon de 15mL estéril (Corning) e centrifugadas a 2400 rpm por 1 min. O sobrenadante foi retirado a as células ressuspendidas em 3mL de meio de cultura sem SFB. Foram transferidos, com uma micropipeta, 600µl da suspensão das células, 200µl de SFB e 200µl de dimetil-sulfóxido (DMSO-Acros) para um “vial” criogênico (Corning) que foi mantido em nitrogênio líquido. 7.3- Ensaio com MTT A proliferação das células foi determinada pelo teste MTT, baseado na redução do sal amarelo solúvel MTT 3- (4,5 dimetilazol- 2yl)- 2-5- difenil- 2H tetrazolato de bromo) no produto insolúvel azul de formazan pela dehidrogenase sucinica mitocondrial A linhagem HeLa foi cultivada em meio HAM F10 + DMEM (Dulbeccos modified Eagle’s media) suplementado com glutamina (2mM), penicilina (400 U/ml), streptomicina (50 mg/l), e 15% de soro bovino fetal em uma atmosfera contendo 5% de CO2 a 37 °C por uma semana. A linhagem tumoral de melanoma murino B16 e a linhagem normal Melan-A foram cultivadas ,por 3 a 5 dias, em meio de cultura HAM F10 suplementado com soro fetal bovino (SFB) a 15%, em uma estufa a 37 °C contendo 5% de CO2. O cultivo foi realizado até que as linhagens atingiram 90% de confluência, sendo então foram subcultivadas em placas de 48 poços (1x104 células / poço), por 24h a 37°C no meio de cultura apropriado sem antibiótico. As células foram incubadas por 24h a 37 °C com várias concentrações do extrato bruto e frações previamente dissolvidas em DMSO a 10 %. Posteriormente, 100 µL de solução do MTT (5 mg/mL) foram adicionados e novamente as células foram encubadas por um período de três horas. Ao término deste período, as células foram lavadas duas vezes com PBS e, adicionados 200 µL of isopropanol com o objetivo de determinar a viabilidade das células pela medida da absorbância a 570nm em um leitor ELISA (Biotek ELx 800, Singapura). O controle (concentração zero dos extratos) consistiu do mesmo número de células cultivadas com meio de cultura acrescido de 10% DMSO (reagente utilizado para dissolver os extratos e frações). Estes ensaios foram realizados com diferentes concentrações do extrato (2, 20 e 200 µg/ml), realizados em duplacatas em dois eventos independentes. 8- RESULTADOS E DISCUSSÃO 8.1-Produção dos extratos brutos e purificados de J.decurrens O rendimento dos extratos obtidos a partir de partes aéreas e de raízes de J. decurrrens foram diferentes sendo o que os rendimentos dos extratos hidroalcoólicos, foram maiores quando comparados aos extratos preparados com hexâno e diclorometano (tabela 1). Tabela 1: Dados da produção dos extratos brutos de Jacaranda decurrens Solvente Hexano Município (GPS) Peso seco (pó em g) Altinópolis/SP SP 285 (47º29’11,5’’ 932,5 635 21º03’19,3” Volume do solvente 1140 3730 2540 Parte utilizada / rendimento % Folha 0,8 Raiz 0,09 Casca 0,21 957,5 1320 790 3902 5000 3160 Folha Raiz Casca 1,22 0,06 0,145 Altinópolis/SP 143 932 645 600 3800 2540 Folha Raiz Casca 25 5,4 5,7 Dourados/MS 957,5 320 645 3600 5000 2580 Folha Raiz Casca 7,8 8,62 12,7 Altinópolis/SP 100 100 400 400 Raiz Casca 0,38 0,72 Dourados/MS 100 100 400 400 Raiz Caca 1,3 0,87 alt 761 Dourados/MS 22 º03’ 07,6’’ 55º 07’ 57,9’’ alt 782 Hidroalcoólico 70% Diclorometano * Peso seco = material vegetal inicial. Rendimento = Rendimento do extrato. 8.2- Quantificação dos triterpenos por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) dos extratos hidroalcoolicos de J. decurrens Através das análises por CLAE, verificou-se que os extratos de entre-casca de raízes coletadas em Altinópolis não apresentaram triterpenos, enquanto que estes foram detectados nos extratos da entre-casca de plantas originárias de Dourados-MS. Dois fatores podem estar relacionados à presença e ausência desses metabólitos nessas plantas. É possível que a subespécie J. decurrens ssp. symmetrifoliolata tenha adquirido a capacidade de produzir os triterpenos nas raízes a partir de alguma alteração genética ou ainda por se encontrar sob condições edáficas e ambientais propícias a produção desses metabólitos em suas raízes. Segundo D’ANDREA et al (1995) variações qualitativas e quantitativas de metabólitos secundários originam-se principalmente por meio de alterações genéticas e influência ambiental, sendo que as interações desses fatores geram diversidade biológica que podem constituir os chamados quimiotipos. Os dados obtidos com a quantificação de triterpenos em J. decurrens e J. decurrens ssp. Symmetrifoliolata comprovam que essas matérias formam quimiotipos quantitativos e qualitativos. Os extratos produzidos a partir de folhas, também apresentaram diferenças quantitativas em relação ao material coletado nas duas diferentes localidades. Acessos coletados em Altinópolis-SP apresentaram os maiores valores, ou seja: 7,87 mg/g PS e 3,4 mg/ gPS respectivamente (Tabela 2). Por este motivo o extrato hidroalcóolico de folhas/Altinópolis de J.decurrens foi escolhido para ser fracionado em camada delgada (CCDC) e análise por CLAE para verificação dos triterpenos e flavonóides presentes nas frações. Tabela 2: Concentração dos ácidos ursólico e oleanólico nos extratos hidroalcoólicos de J. decurrens. Extrato Raiz/ /Dourados/ Jd-Jds/ Ácido ursólico (mg/gPS) 1,37 (± 0,019) Ácido oleanólico (mg/gPS) 0,94 (± 0,009) Raiz/ Altinópolis/ Jd 0 0 Casca/ Altinópolis/ Jd 0 0 Casca/ Dourados/ Jd-Jds/ 0 0 Folha/ Dourados/ Jd-Jds Folha/Altinópolis/Jd 0,95 (± 0,005) 0,68 (± 0,035) 7,87 (± 0,079) 3,54 (± 0,057) 8.3 – Fracionamento do extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens No fracionamento por coluna de Sephadex foram coletadas 120 frações de aproximadamente 10 mL. As frações, após análise por CCDC foram reunidas, obtendo-se: Jd-1 (0,1418 g), Jd-2 (0,040 g), Jd-3 (0,5138 g) e Jd-4 (0,7812 g). Através da análise de CCDC, verificou-se a presença de triterpenos nas quatro frações (coloração azul) e a provável presença de flavonóides na fração Jd-3 e Jd-4, observadas através da coloração amarela (Figura 4). Também foi observada a semelhança no perfil fitoquímico das amostras Jd-3 e Jd-4, sendo as mesmas reunidas e transformadas em uma única amostra. Triterpeno Flavonóides 1 2 3 4 Figura 4. Cromatografia em camada delgada (CCDC) do extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens 1: fração Jd-1-, 2: fração Jd-2 ,3: fração Jd-3 , 4: fração Jd-4. Para a verificação dos triterpenos e flavonóides presentes nessas frações, as mesmas foram analisadas por CLAE, cujo resultado evidenciou a presença dos ácidos úrsólico e oleanólico na fração Jd-1 (figura 5) e flavonóides na fração Jd-4 (figura 6). 20 10 -10 2 4 6 8 10 12 14 17.472 0 16.725 0 mAU 10 A 4.598 1.920 De te ctor A-210 n m P a d rã o Au e Ao cr01t Retention Tim e 3.326 mAU 20 16 18 -10 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 M inutes FiJd-2 (C) e Jd-3 (D). 0 B 2000 16.662 1000 17.435 14.813 12.949 13.696 11.716 9.152 9.823 10.152 10.783 mAU 2 7.934 3.163 3.233 3.320 3.395 5.281 1000 6.104 mAU 2000 3000 De te ctor A-210 n m ja ca ra nd a - Ex tra to Bruto cr02t Retention Tim e 2.086 2.201 3000 0 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 M inutes 0 2 C m AU 2000 24.654 16.668 17.562 15.923 12.802 9.116 9.770 10.141 3.172 3.255 1000 6.871 7.367 7.839 8.413 5.030 5.680 6.043 m AU 2000 3000 De te cto r A-210 n m ja ca ra n da - Jd 01 (1-14) cr03t Retention Tim e 2.232 3000 1000 0 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 M inutes 2000 mAU 2.116 3.737 D mAU 2000 De te cto r A-210 n m ja ca ra n d a - Jd .02(15-35) cr04t Retention Tim e 0 2 39.319 26.108 16.657 1000 17.422 14.803 15.272 13.733 12.927 11.781 9.156 9.834 10.157 10.794 6.074 3.206 4.744 4.908 5.245 1000 0 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 M inutes 3000 De te cto r A-210 n m ja ca ra n d a - Jd .03 cr05t Retention Tim e 3000 E mA U 2000 mA U 2000 2 37.836 38.216 3.037 3.152 3.224 3.325 3.395 2.195 0 1000 5.434 1000 0 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 M inutes Figura 5. Cromatogramas mostrando o perfil químico de triterpenos à 210 nm, dos padrões (A), extrato bruto (B) e frações Jd-1 (C), Jd-2 (D) e Jd-4 (E). 5 10 15 20 25 30 54.957 A200 mAU 51.738 51.939 52.535 52.328 400 53.738 34.706 35.45735.737 35.177 0 0 36.114 36.544 36.960 37.397 37.649 38.094 38.485 38.771 38.946 39.368 39.716 40.246 41.008 33.032 33.750 12.876 10.020 3.598 200 22.138 22.379 2.345 mAU 400 29.326 De te ctor A-330 nm ja ca ra nda - Ex tra to Bruto cr02 Retention Tim e 0 35 40 45 50 55 60 M inutes De te ctor A-330 nm ja ca ra nda - Jd 01 (1-14) cr03 Retention Tim e 0 mAU 54.042 B100 1.655 3.527 48.582 100 52.304 44.153 44.409 200 mAU 200 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 M inutes De te ctor A-330 nm ja ca ra nda - Jd .02(15-35) cr04 Retention Tim e 300 52.537 5 10 15 20 25 30 35 40 45 54.989 51.733 51.958 0 0 200 52.325 49.137 34.975 33.002 29.335 100 22.048 3.592 9.752 m AU 200 50 C m AU 300 100 0 55 60 0 5 10 15 20 25 30 35 54.294 55.033 52.335 52.539 D500 m AU 36.650 36.990 37.482 37.729 38.153 38.688 39.033 39.445 39.808 40.154 40.683 41.091 42.027 42.549 43.520 32.672 33.168 33.905 0 1000 34.804 35.274 35.829 12.728 12.931 9.806 6.037 6.332 8.135 8.426 3.584 3.704 2.370 500 26.286 22.218 22.470 m AU 1000 29.440 De te ctor A-330 nm ja ca ra nda - Jd .03 cr05 Retention Tim e 35.559 M inutes 0 40 45 50 55 60 M inutes Figura 6. Cromatogramas mostrando o perfil químico de flavonóides à 330 nm do extrato bruto (A) e das frações Jd-1 (B), Jd-2 (C) e Jd-4 (D). 8.4 – Identificação do flavonóide ativo obtido do extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens. O espectro de RMN de 1H (Anexo 1) apresentou sinais na região de δ 6,3 – 7,7 ppm, referentes aos hidrogênios ligados a carbonos sp2 aromáticos, sinais na região de δ 5,0 – 5,1 ppm, característicos de hidrogênios anoméricos e sinais na região de δ 3,4 – 3,9 ppm, caracterísitcos de hidrogênios de açúcares. Após a análise detalhada deste espectro foi proposta a estrutura mostrada na figura 7 ( derivado glicosilado da luteolina). Os espectros foram expandidos para serem observados os hidrogênios aromáticos, onde também é possível observar a presença dos hidrogênios H-3 com δ 6,8 ppm, H-6 δ 6,6 ppm e H-8 δ 6,4 ppm, onde cada sinal está integrado para 1H. Também foram observados os sinais em δ 7,8 ppm (1H), δ 7,7 ppm (1H, J= 7,6 Hz) e δ 7,5 ppm (1H, J= 7,4 Hz), referentes aos hidrogênios H-2´, H-6´, H-5´, respectivamente, confirmando a estrutura proposta. A presença do açúcar na molécula foi proposta devido a presença de sinais de hidrogenios anomericos, juntamente com os sinais na região de δ 3,4-3,9 ppm, sendo que o espectro de massas (modo positivo) obtido desta amostra mostrou um pico da molécula em 301 m/z (correspondente a aglicona) com a liberação de resíduos referentes a duas unidades de açucares, o que levaria ao PM da molécula glicosilada em 579. No momento ainda não podemos propor quais os acúcares que estão presentes, uma vez que estamos aguardando os espectros de RMN de 13C e bidimensionais (HMQC e HMBC). Com base nas constantes de acoplamento dos hidrogênios anoméricos (J= 7,4 Hz), sugerimos a presença de glicose, porém uma analise mais detalhada é necessária para confirmar a estrutura. R=H ou Me Figura 7. Estrutura proposta para o flavonóide isolado do extrato hidroalcoólico de folha de J. decurrens. 8.5- Avaliação da atividade antioxidante das frações Jd-1, Jd-2 e Jd-4 obtidas a partir do extrato hidroalcóolico das folhas de J.decurrens Todas as frações demonstraram atividade antioxidante, como pode ser observado na tabela 3. O extrato bruto e a fração Jd-2 na concentração de 10mg/L apresentaram a mesma porcentagem de atividade antioxidante ( 92 e 90 %, respectivamente) que a substância referência rutina na concentração de 1mg/L (Tabela 2). Esse flavonóide foi utilizado por ser um padrão de referência de sustância antioxidante capaz de inibir o sistema de peroxidação lipídica, dependente de ferro, e suprimir os estágios do processo de formação dos radicais livres como a produção do radical hidroxila na reação de Fenton e de radical peróxido (Morel et al., 1993). A fração Jd-1 também apresentou atividade antioxidante e as concentrações mais ativas foram 10 mg (84, 41%) e 5 mg (86, 43%) sendo esses valores estatisticamente diferentes e inferiores a rutina (92,56%). A atividade antioxidante da fração Jd-4 foi a mais expressiva quando comparada com as outras frações, embora esta atividade tenha sido menor do que o padrão de referência e que este resultado tenha sido mais significativo em concentração mais baixa que a rutina (0,625mg/m/L 89%). Esta fração está enriquecida com os flavonóides glicosilados e estes compostos apresentam grupos hidroxila fenólicos que lhes conferem uma ação antioxidante com potencial terapêutico como inibidores da peroxidação de lipídeos nos microssomas (Rios et al.,1992). Tabela 3. Atividade antioxidante (em %) de extrato e frações de Jacaranda decurrens Conc. mg/mL Porcentagem de atividade antioxidante Rutina - 1 92a 92a 92a Extrato bruto Fração Jd1 Fração Jd 2 a b 10 91 84 90a b b 5 78 86 91a 2,5 62c 70c 62b d d 1 48 41 31c 0,625 20e 18e 15d f f 0,312 10 6,6 6,3e g g 0,156 1,2 2,7 2,8f CV(%) 4,16 3,73 3,18 92a Fração Jd 4 74d 83c 87b 89b 89b 81c 41e 1,63 Médias seguida das mesmas letras não diferem entre si na coluna pelo teste Scott-Knott ao nível de 5%.( CV=Coeficiente de variação). Provavelmente a atividade antioxidante do extrato bruto e das frações Jd-1 e Jd- 2 estejam relacionados à presença dos ácidos ursólico e oleanólico. Recentemente tem sido comprovado que esses triterpenos apresentam atividade antioxidante não enzimática e que o ácido úrsólico também atua como inibidor da apoptose celular causada por hiperglicemia. (AGGARWAL; SHISHODIA, 2006; YIN et al., 2007; BAI et al., 2007; YANG et al., 2007; OH et al., 2007). A atividade antioxidante da fração Jd-4 foi a mais expressiva quando comparada com as outras frações, embora esta atividade tenha sido menor do que o padrão de referência e que este resultado tenha sido mais significativo em concentração mais baixa que a rutina (0,625mg/m/L 89%). Esta fração está enriquecida com os flavonóides glicosilados e estes compostos apresentam grupos hidroxila fenólicos que lhes conferem uma ação antioxidante com potencial terapêutico como inibidores da peroxidação de lipídeos nos microssomas (RIOS et al.,1992). Os flavonóides têm despertado grande interesse em decorrência da sua excelente capacidade antioxidante e as possíveis implicações para a saúde humana. Muitos estudos têm evidenciado a habilidade dos flavonoídes oriundos de produtos naturais em interagir com espécies reativas de oxigênio e a sua capacidade de interferir na inibição na oxidação celular (SANCHEZ-PEREZ et al., 2005; CONFORTI et al., 2004; HU et al., 2003). Esta propriedade foi observada em ensaio antioxidante utilizando como amostra a fração aquosa e de acetato de etila produzidas a partir do extrato etanólico de flores de Taraxacum officinale em ensaio com DPPH (HU et al., 2003). As propriedades terapêuticas dos metabólitos bioativos derivados das plantas medicinais são largamente conhecidas e muitas espécies possuem potencial biológico já documentado e são rotineiramente empregadas como antitumoral, cicatrizante e antiinflamatório (ARAUJO & CAC, 2001). Plantas ricas em flavonóide como Hedyotis herbácea, Caesalpinia bonducella, entre outras, são descritas na literatura como espécies que apresentam excelente atividade antioxidante (AHMAD et al., 2005; GUPTA et al., 2004). Estudos realizados com extratos etanólicos produzidos a partir de própolis corroboram com os trabalhos supracitados, evidenciando forte atividade antioxidante em ensaio com DPPH, atividade provavelmente relacionada a presença de flavonóides em sua composição química (CHEN et al., 2004). 8.6- Ensaios de sensibilidade a extratos vegetais de J. decurrens sobre as linhagens de dermatófitos: A concentração inibitória mínima dos extratos diclorometano e hexânico obtidos de diferentes partes da espécie vegetal foi igual ou acima 5000µg/mL, quando a leitura visual pôde ser realizada. A observação da inibição das linhagens de dermatófitos em alguns dos poços da placa foi prejudicada pela precipitação de algumas substâncias presentes nos extratos. O melhor resultado obtido com os extratos de baixa e média polaridade foi com a linhagem mutante, que se mostrou mais sensível ao extrato hexânico produzido a partir das folhas (Altinópolis), o CIM deste extrato foi de 1250 µg/mL entretanto essa eficiência não foi observada na linhagem selvagem que apresentou um CIM de 5000µg/mL (Tabela 3). Os extratos hidroalcóolicos apresentaram maior atividade antifúngica, sobre as duas linhagens selecionadas, em relação aos extratos hexânico e dicloromentano. Os valores do CIM variaram entre 312 µg/mL e 78 µg/mL (Tabela 3). Extrato hidroalcoólico de raiz e folha de J. decurrens da subespécie symmetrifoliolata (coletada em Dourados) foram mais eficientes quanto a atividade antifúngica para a linhagem mutante com o gene TruMDR2 deletado. Tabela 4. Concentração inibitória mínima (CIM) em µg/mL dos extratos hexânico e diclorometano de J.decurrens sobre as linhagens de T.rubrum. Parte da planta/ Local Solvente H6 ∆TruMDR2 Raiz/Dourados Raiz/Dourados Entre-casca/Dourados Entre-casca/Dourados Folha/Dourados hexano dicloro hexano dicloro hexano >5000 Nd 5000 Nd >5 >5000 Nd Nd Nd >5 Raiz/Altinópolis Raiz/Altinópolis hexano dicloro >5000 5000 >5000 Nd Entre-casca/Altinópolis Entre-casca/Altinópolis Folha/Altinópolis hexano dicloro hexano >5000 Nd >5000 >5000 >5000 1250 Raiz/ Dourados/ Entre-casca/ Dourados folha/ Dourados hidroalcoólico hidroalcoólico hidroalcoólico 156 312 156 78 156 78 Raiz/Altinópolis hidroalcoólico 156 Entre-casca/Altinópolis hidroalcoólico 312 Folha/Altinópolis hidroalcoólico 312 Nd*: valor de CIM não determinado devido à precipitação do extrato.H6 ( 156 156 156 linhagem selvagem); ∆TruMDR2( linhagem mutante). O extrato hidroalcoólico de folhas de J. decurrens foi fracionado e a fração Jd-4 foi a mais ativa tanto sobre a linhagem mutante (CIM=32) quanto para a linhagem selvagem (CIM= 125). Embora as frações Jd-1 e Jd-2 apresentem triterpenos, como foi evidenciado nos experimentos descritos anteriormente, elas não foram eficientes quanto à atividade antifúngica para as linhagens analisadas (tabela 4). Tabela 5. Concentração inibitória mínima (CIM) de frações produzidas a partir do extrato hidroalcoolicos de J.decurrens, frente as linhagens de T.rubrum. Frações H6 (µ µg /mL ) Mutante (µ µg /mL ) Fração Jd-1 Fração Jd-2 Fração Jd-4 Extrato bruto 1000 1000 125 312 250 250 32 156 Após a obtenção desses resultados a fração Jd-4 foi fracionada resultando em dez novas frações que foram avaliadas novamente quanto à atividade antifúngica (Tabela 5). O ensaio evidenciou maior atividade inibitória da fração 10 sobre o dermatófito. Este material foi analisado em cromatografia de camada delgada e em CLAE ficando evidenciado que o componente majoritário da fração era um flavonóide. A Fração Fr-10 após ser purificada em CLAE e posteriormente em placa cromatográfica preparativa, resultou no isolamento de um flavonóide que foi analisado quanto a sua fórmula estrutural e testado quanto a atividade antifúngica (Tabela 5). Tabela 6. Concentração inibitória mínima (CIM) em (µ µg /mL )das frações Fr-1 a Fr-10 frente a linhagem H6 de T.rubrum produzidas a partir do fracionamento da fração Jd-4 H6 Fr-1 Fr-2 Fr-3 Fr-4 Fr-5 Fr-6 Fr-7 Fr-8 Fr-9 Fr-10 500 500 > 1000 125 125 125 125 125 62 32 Tabela 7. Concentração inibitória mínima (CIM) do flavonóide isolado a partir do extrato hidroalcoolicos de J.decurrens, e dos controles de referência frente às linhagens de T.rubrum.. Substâncias Puras H6 (µ µg / mL ) Mutante (µ µg / mL ) Flavonóide Fluconazol* Griseofulvina* 125 75 5 125 75 5 O flavonóide isolado mostrou a mesma atividade para ambas as linhagens, entretanto foi menos ativo (CIM=125) para a linhagem mutante do que a fração Jd-4 (CIM=32) o que pode ser explicado de duas maneiras: a fração foi mais efetiva devido a atividade estar relacionada a um conjunto de sustâncias que compõem a fração ou pode ser que uma outra substância mais ativa presente na fração tenha sido eliminada no processo de purificação. Essas hipóteses deverão ser alvo de futuras investigações. Quanto à linhagem selvagem a fração Jd-4 foi tão eficiente quanto o flavonóide, isso evidencia que esta substância é a responsável pela atividade antifúngica nessa linhagem de T.rubrum. Os resultados encontrados com a fração Jd-4 são consideravelmente próximos aos obtidos em alguns trabalhos realizados in vitro com medicamentos prescritos na terapia antifúngica convencional. Estudos realizados com dermatófitos isolados de pacientes portadores de Tinea pedis, mostraram que o CIM do cetaconazol (Galena Química Farmacêutica Ltda) para o T. rubrum esteve entre 1 a 32 µg/mL e a do ciclopirox olamine (Galena Química Farmacêutica Ltda) variou de 8 a 32 µg/mL para o mesmo isolado clínico (SOARES & CURY, 2001). Os dados apresentados nesse trabalho mostraram que a atividade antifúngica da fração Jd-4 foi mais eficiente do que o fluconazol para a linhagem mutante e que para a linhagem selvagem o CIM da fração Jd-4 e do flavonóide não foram tão discrepantes em relação ao fluconazol. A substituição dos antifúngicos convencionais alopáticos por produtos naturais como esses apresentados nesse trabalho dependerá de avaliações toxicológicas, considerando que os medicamentos alopáticos empregados na terapia antifúngica são amplamente conhecidos por sua atividade tóxica sobre as células do hospedeiro e pelos acentuados efeitos colaterais. Constatou-se também que tanto para os extratos brutos quanto para as frações produzidas a partir do extrato selecionado (Folha/Altinópolis), a linhagem mutante mostrou-se mais sensível que a selvagem. Estes resultados evidenciam a maior sensibilidade desta linhagem, que pode ser devida à ruptura do gene TruMDR2, envolvido no efluxo de substâncias tóxicas para a célula como os triterpenos e flavonóides, presentes no extrato de J. decurrens. Os resultados obtidos neste trabalho corroboram com estudos realizados por BINUT & LABUBUTU (1994) que verificaram atividades antimicrobianas de algumas espécies pertencentes à família Bignoniaceae. Eles comprovaram a atividade antifúngica dos extratos metanólicos produzidos a partir de folhas e caule da Jacaranda mimosifolia. Dentro da família Bignoniaceae e do gênero Jacaranda, os flavonóides têm sido considerados importantes marcadores químicos, devido as diversas atividades biológicas que apresentam, tanto para as plantas quanto para o homem, que vão desde proteção a irradiação utra-violeta, atração de polinizadores, pigmentação de plantas até a proteção a microoganismos (BLATT et al., 1998; SANTOS & BLATT, 1998). O conhecimento das propriedades terapêuticas dos flavonóides nos mais variados tipos de doenças humanas é antigo e a cada ano cresce o número de artigos demonstrando a diversidade farmacológica desta classe de substâncias (CUSHNIE & LAMB, 2005). A atividade antimicrobiana dos flavonóides é bastante conhecida e descrita em diversos trabalhos com microorganismos, principalmente sobre algumas linhagens fúngicas, e em particular sobre alguns dermatófitos (DAS & ROSAZZA, 2006; SATHIAMOORTHY et al., 2007). Um exemplo de significativa atividade fungistática é o do extrato de própolis sobre algumas linhagens de dermatófitos coletados em pacientes portadores de onicomicoses. O extrato de própolis é bastante conhecido por conter expressiva quantidade de flavonóides em sua composição (OLIVEIRA et al., 2006). Assim como o potencial antimicótico dos flavonóides foi observado também durante o ensaio antifúngico com o extrato alcoólico de Cimaruba glauca sobre M. gypseum, apresentando níveis de inibição de 41% das cepas (HIDALGO et al., 2002). Além dos flavonóides, os triterpenos, em especial os ácidos ursólico e oleanólico, são substâncias com significativa atividade antifúngica. A atividade antifúngica do ácido oleanólico foi demonstrada em estudo in vitro realizado sobre várias espécies de dermatófitos (FAVEL et al., 1994) e estudo conduzido por CHATTOPADHYAY et al (2001) com extratos metanólicos de folhas de Alstonia macrophylla, mostrou que essa espécie apresenta atividade antifúgica contra Trichophyton rubrum; essa atividade foi atribuída a presença do ácido ursólico e a alguns flavonóides. A vantagem de se utilizar substâncias provenientes de substratos naturais se deve, entre outras razões, pela baixa capacidade toxicológica que os mesmos apresentam. Os triterpenos citados, os ácidos ursólico e oleanólico, assim como os flavonóides de modo geral são referidos como substâncias que apresentam muitas vantagens sobre o organismo, principalmente pelo efeito hepatoprotetor e baixa toxicidade (OVESNÁ, 2006; UGARTONDO, 2006). O contrário ocorre com as drogas antifúngicas alopáticas, que são em sua maioria são responsáveis pelo aparecimento de efeitos colaterais diversos e particularmente pelo desenvolvimento complicações com as lesões hepáticas (FISCHER et al., 2005). 8.7- Ensaio de atividade citotóxica de extratos de J.decurrens A atividade citotóxica de J. decurrens no presente trabalho foi avaliada pelo teste de quimio-sensibilidade MTT que baseia-se na redução do sal tetrazolato (MTT) pela enzima hidrogenase succínica presente na mitocôndria da célula tumoral, o qual adquire uma coloração violácea quando ocorre esta reação, indicando com isso a sobrevivência da célula. A mudança da coloração foi avaliada por espectrofotometria, cuja absorbância foi medida a 570 nm (MATSUZAKI et al., 2006). Os ensaios realizados com a linhagem HeLa, demonstram que as fração Jd- 2 (F -2) e Jd4 (F-4), nas concentração de 200 µg/mL, reduziram para 30% a taxa de células sobreviventes, enquanto que no controle negativo ( água + DMSO) 100% de células sobreviveram (figura 8). O extrato bruto (Eb) e a fração Jd-1 (F-1) apresentaram menor atividade citotóxica para a mesma concentração, sendo que as células foram mais sensíveis ao extrato bruto do que a Fração Jd-1 (F-1). Estatisticamente não houve diferença entre as concentrações de 20 µg/mL e 2 µg/mL para todas as amostras testadas com a linhagem tumoral HeLa, evidenciando que essas concentrações não apresentam uma atividade citotóxica expressiva. Figura 8: Porcentagem de sobrevivência da linhagem tumoral HeLa cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F-4) ) e extrato bruto (Eb) de Jacaranda decurrens . Corroborando com os resultados anteriores, a atividade citotóxica das amostras frente à linhagem tumoral B16 também foi mais intensa na maior concentração 200µg/mL (figura 9), sendo que a taxa de sobrevivência foi menor que a apresentada pela HeLa, exceto para a fração Jd-4 (F-4). Tal resultado evidencia maior sensibilidade desta linhagem, aos extratos de J. decurrens, quando comparada a HeLa. Neste ensaio, foi testada a atividade do flavonóide isolado da fração Jd-4 (F-4) e como resultado pode-se observar que este composto esteve entre os que apresentaram maior atividade citotóxica. Tanto o flavonóide quanto o extrato bruto e a fração Jd-2 (F-2), na concentração de 200 µg/mL, reduziram a taxa de sobrevivência das células tumorais (B16) para a porcentagens menores que 5 %. A fração Jd-1 (F-1) produziu a segunda menor taxa (40%). Figura 9: Porcentagem de sobrevivência da linhagem tumoral B16 cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F-4)), extrato bruto (Eb) e o flavonóide isolado de folhas de Jacaranda decurrens . Nesse experimento foi observado um padrão entre a atividade citotóxica e a concentração das substâncias, ou seja, as maiores concentrações promoveram sempre maior citotoxidade. O extrato bruto (3,7 %) e a fração F-4 (4,1%) apresentaram expressiva atividade citotóxica e as frações F-1 (1,2%), F-2 (1,8) e o Flavonóide (1,6%) foram ainda mais eficazes em inibir a proliferação celular. Figura 10: Porcentagem de sobrevivência da linhagem não tumoral Melan A cultivada em meio de cultura suplementado com frações (Jd-1 (F-1), Jd-2 (F-2) e Jd-4 (F4)), extrato bruto (Eb) e o flavonóide isolado de folhas de Jacaranda decurrens . Os dados obtidos em todos os experimentos com as diferentes linhagens celulares monstraram que, de modo geral, as amostras testadas tiveram atividade citotóxica mais pronunciada na concentração de 200 µg/mL. A atividade citotóxica do flavonóide isolado, assim como do extrato bruto e das frações, na concentração de 200 µg/mL, foram expressivas tanto para a linhagem de célula tumoral B16 quanto para as linhagem de célula normal (figura 10). Isso evidencia a toxicidade dessas substâncias que apresentam o mesmo modelo de ação dos quimioterápicos alopáticos, ou seja, não são seletivos para células neoplásicas. A atividade citotóxica dos flavonóides é referenciada em muitos trabalhos na literatura progressivamente mais substâncias químicas pertencentes a este grupo são descobertas como promissores agentes anticancer (SUN et al., 2006). Estudos prévios também têm demonstrado a atividade antiproliferativa de compostos derivados de flavonóides, como por exemplo, a epicatequina, em células de melanoma (UGARTONDO, 2006). A mesma atividade também foi atribuída a alguns flavonóides isolados de Lonchocarpus spp sobre a linhagem P-388 de células tumorais leucêmicas, onde estes metabólitos foram responsáveis pelo bloqueio do ciclo celular das células neoplásicas (ARGAEZ-BORGES et al., 2007). A atividade citotóxica apresentada nas frações F1 e F2 certamente esta relacionada a presença de triterpenos, principalmente os ácidos ursólico e oleanólico, substâncias identificada nas análises em CLAE e também já anteriormente mencionadas por VARANDA et al (1992). A atividade citotóxica dos triterpenos compõe uma das inúmeras propriedades farmacológicas que estes constituintes detêm, sendo fontes promissoras para o desenvolvimento fitofármacos antineoplásicos (SETZER e SETZER, 2003). Ensaios biológicos realizados com triterpenos e seus derivados freqüentemente revelam a sua capacidade em inibir o crescimento tumoral, além impedir o processo de metástase (CHINTHARLAPALLI et al., 2007; SOROKINA et al., 2006). Entre os triterpenos largamente estudados encontram-se o ácido ursólico e o oleanólico. A atividade citotóxica dos ácidos ursólico e oleanólico sobre linhagens tumorais é amplamente descrita em muitos trabalhos (MA, 2005). Esta propriedade já tinha sido referida sobre células B16 em ensaio com MTT em 1997 por Es-SAADY et al., Neste estudo, foi demonstrada a atividade inibitória do ácido ursólico sobre a proliferação desta linhagem, sendo a inibição dose-dependente e o melhor resultado observado no IC 50 a 7,7 µg após 24 h de tratamento (ES-SAADY, 1997). O mecanismo da atividade inibitória deste ácido está associado ao bloqueio da progressão ciclo celular na fase G1 e na apoptose celular seguida de fragmentação do DNA (MA, 2005). 9- CONCLUSÃO: ● Os estudos realizados no presente trabalho comprovaram o potencial antifúngico, antioxidante e citotóxico do extrato hidroalcoólico de J.decurrrens. ● Dentre os extratos produzidos, o hidroalcoolico foi o que apresentou melhor atividade antifúngica sobre o isolado clinico ATCC MYA-3108 (selvagem) e sobre a linhagem mutante com gene para TruMDR2 deletado, sendo este ultimo mais sensível para a maioria dos extratos testados. ● Extrato hidroalcoólico, frações desse extrato e o flavonóide isolado de J. decurrens apresentaram atividade antifúngica sobre linhagens selvagens e mutantes de dermatófito T .rubrum. Sendo que as frações purificadas com exceção da fração Jd-4 foram menos eficientes como antifúngicos do que o extrato bruto. ● Todas as frações obtidas do extrato hidroalcoólico apresentaram atividade antioxidante , sendo a fração Jd-4 a mais ativa. Esse resultado certamente esta relacionado à presença do flavonóide que foi isolado dessa fração. ● Os extratos brutos e frações de J. decurrens apresentaram pronunciada atividade citotóxica principalmente sobre a linhagem tumoral B16 e sobre células normais. O extrato hidroalcoólico produzido a partir de folhas coletadas no município de Altinópolis demonstrou atividade citotóxica sobre as linhagens tumorais HeLa e melanoma murino B 16 e sobre a linhagem de célula não tumoral Melan A, contudo esta atividade foi mais relevante sobre as duas últimas linhagens. 10- REFERÊNCIAS: ANSTEY, A., LUCKE, T.W., PHILPOT, C. Tinea capitis caused by Trichophyton rubrum. British Journal of Dermatology, vol. 135, n. 1, p. 113-115, 1996. AHMAD, R., ALI, A. M; ISRAF, D. A; ISMAIL, N. H; SHAARI, K; LAJIS, N. H. Antioxidant, radical-scavenging, anti-inflammatory, cytotoxic and antibacterial activities of methanolic extracts of some Hedyotis species, Life Science, v. 76, n. 17, p. 1953-64, 2005. ALVES, T. M.A.; SILVA, A, F.; BRANDÃO, M., GRANDI, T.S.M.; SMÂNIA, J.A. et al. Biological screening of Brazilian medicinal plants. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, vol. 95, n. 3, p. 367-373, 2000. ANDRE, B. An overview of membrane transport proteins in Saccharomyces cerevisiae. Yeast, v. 11, n. 16, p. 1575- 1611, 1995. ARAUJO, C. LEON, L. L. Biological activities of Curcuma longa L. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 96, n. 5, p. 723-8, 2001. ASSIMOPOULOU, A. PAPAGEORGIOU, V. P., ZLATANOS, S. N. Antioxidant activity of natural resins and bioactive triterpenes in oil substrates, Food Chemistry, v. 92 , n. 4, p. 721– 727, 2005. AZIZ, Z. Herbal medicines: predictors of recommendation by physicians, Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, v. 29, n. 3, p. 241–246, 2004. BACALLAO, L. G.; GOMES, V. G.; DOMINGUEZ, R. Plantas con propriedades antioxidants, Revista Cubana Investiones Biomédicas, v. 20, n. 3, p. 231-5, 2001. BIESALSKI, H. K. Free radical theory of aging. Ageing: biology and nutrition, v.5, n.1, p. 510, 2002. BINUTU, O.A.; LAJUBUTU, B.A. Antimicrobial potencial of some plant species of the Bignoniaceae family, African Journal Medical Science, vol. 23, n. 3, p. 269-73, 1994. BLATT, C. T. T; SANTOS, M. D. ; SALATINO A. Flavonoids of Bignoniaceae from the “cerrado” and their possible taxonomic significance. Plant Systematic and Evolution, vol 210, n. 3-4, p. 289-292, 1998. BOER, H.J.; KOOL A.; BROBERG, A.; MZIRAV W. R, HEDBERG, I. Anti-fungal and antibacterial activity of some herbal remedies from Tanzania, Journal Ethno pharmacology. v. 96, n. 3, p. 461-9, 2005. BORGES-ARGAEZ, R.; BALNBURY, L.; FLOWERS, A. Cytotoxic and antiprotozoal activity of flavonóides from Lonchocarpus spp. Phytomedicine, 2007. BOYER K, FORD MB; JUDKIN AF; LEVIN, B. Oncologia na Clínica Geral, ed. Guanabara, cap.1, pp. 2, Rio de Janeiro, 2000. BOSETTI, C.; SPERTINI, L.; PARPINEL, M. GNAGNARELLA, P. Flavonoids and Breast Cancer Risk in Italy, Cancer Epidemiology, Biomarks & Prevention, v. 14, n. 4, p. 805-808, 2005. BROOK, G, BUTEL, J. S.; ORNSTON, L. N Microbiologia Médica, 21º edição, ed. Guanabara, cap. 9, pp. 108, RJ, 1998. CALIXTO, J. B. Biodiversidade como fonte de medicamentos. Ciência Cultura., v..55, n..3, p.37-39, 2003. CASTRO, J.M. Purgativos indígenas do Brasil. Typ. de Moreira, FMRJ, p. 186, 1878. TESE DE MESTRADO. CARDENAS, C. ; QUESADA, A. R.; MEDINA, A. Effects of ursolic acid on different steps of the angiogenic process, Biochemical and Biophysical Research Communications, v. 320, n.. 2, p. 402–408, 2004. CHATTOPADHYAY, D.; MAITI, K; KUNDU, A.P.; CHAKRABORTY, M.S. Antimicrobial activity of Alstonia macrophylla: a folklore of bay islands, Journal of Ethnopharmacology, v. 77, n. 1, p. 49-55, 2001. CHINOU, I.; LIOLIOS, C.,; MOREAU, D.; ROUSSAKIS, C. Cytotoxic activity of Origanum dictamnus. Fitoterapia, vol. 78, n.5, p. 342-344, 2007. CHEN, C.; WENG, M.; WU, C.; LIN. J. Comparison of Radical Scavenging Activity, Cytotoxic Effects and Apoptosis Induction in Human Melanoma Cells by Taiwanese Propolis from Different Sources, Evideced-based Complementary and Alternative Medicine, v.1, n. 2, p.175-185, 2004. CHINTHARLAPALLI, S. PAPINENI, S.; KANIH, S. K.; SAFE, S. Betulinic acid inhibits prostate cancer growth through inhibition of specificity protein transcription factors. Cancer Research, v. 67, n. 6, p.2816-23, 2007. COLLECCHI, P.; BALDINI, E.; GIANNESSI, P.; NACARATO, A. P.; PASSONI. A. Primary chemotherapy in locally advanced breast cancer (LABC): effects on tumour proliferative activity, bcl-2 expression and the relationship between tumour regression and biological markers, The European Journal of Cancer, v. 34, n. 11, p. 1701-4, 1998. CONFORTI, F., STATTI, G., TUNDIS, R., LOIZZO, M. R., BONESI, M. Antioxidant and cytotoxic activities of Retama raetam subsp. Gussonei, Phytotherapy research, vol. 18, p. 585587, 2004. CORRÊA, M. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas, Ministério da Agricultura/ Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, v. 67, RJ, 1984. COSTA, M., PASSOS, X., SOUZA, L.K., MIRANDA, T. The etiology and epidemiogy of dermatophytoses in Goiania, GO, Brazil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 32, n. 4, p. 367-371, 1999. CONTRAN, R., KUMAR, V , ROBBINS, SL. Robbins: Patologia Estrutural e Funcional, 6º edição, ed. Guanabara, cap. 9, p.304,R.J. 2000. CONTRAN, R., KUMAR, V , ROBBINS, SL Robbins: Patologia Estrutural e Funcional, 6º edição, ed. Guanabara, cap. 8, p.234, RJ, 2000. COWAN, M, Plant Products as Antimicrobial Agents, Clinical Microbiology Review, vol. 12, n. 4, p. 564-582, 1999. CRUZ, M. Antifungal activity of Brazilian medicinal plants involved in popular treatment of mycoses, Journal of Ethnopharmacology, v. 4, n. 11, p. 409-12, 2007. CUSHNIE T. P.; LAMB , A. Antimicrobial activity of flavonóides. The International Journal of Antimicrobial Agents, v. 26, n. 5, p. 343-56, 2005. DAS, S., ROSAZZA, Microbial and Enzymatic Transformations of Flavonoids, Journal of Natural Products. v. 69, n. 3, p. 499 – 508, 2006. D’ANDREA, A.; ADAMI, M.; SALVATORE, G.; RICCIARDI, A.; VEGLIA, J.; AGRELO, A.; TORRES, A. RICCIARDI, G. Examen del Aceite esencial de Lippia alba (mill.) N.E.Br la salvia morada de Corrientes. IX Sesion de Comunicaciones Científicas y Tecnologicas de la UNNE; p. 74. 1995. DIWANAY, S., GAUTAM, M., PATWARDHAN, B. Cytoprotection and Immunomodulation in Cancer Therapy, Curent Medicinal Chemistry Anti-cancer Agents, v. 4, n. 6, p. 479-490, 2004. DROGE, W. Free radicals in the physiological control of cell function. Physiological Reviews, v. 82, p. 47-95, 2002. DUARTE, M.C.T., FIGUEIRA, G. M.., SARTORATTO, A., REHDER, V.L. Anti-Candida activity of essential oils and extracts from native and exotic medicinal plants used in Brazil. Journal of Etnopharmacology, v. 97, p. 305-311, 2005. ELISABETSKY, E. Sociopolitical, economical and ethical issues in medicinal plant research. Journal of Ethnopharmacol, v.32, n.1-3, p. 235-9, 1991. ES-SAADY, D., SIMON, A., OLLIER, M., MAURIZIS, J. C. Inhibitory effect ursolic acid on B16 proliferation through cell cycle arrest, Cancer Letters, v. 106, n. 2, p. 193-197, 1996. FACHIN, A.L. “Clonagem e caracterização do gene atrD, que codifica um transportador do tipo ABC (ATP-Binding Cassette) envolvido na resistência à múltiplas drogas no dermatófito Trichophyton rubrum”. USP/FMR, 2001, p.123 (Livre-docência). FACHIN, A.L., Contel, E.P., Martinez-Rossi, N.M., Effect of sub-MICs of antimycotics on expression of intracellular esterase of Trichophyton rubrum. Medical Mycology, v 39, n.1, p. 129-33, 2001. FACHIN, A.L., MAFFEI, C.M., Martinez-Rossi, N.M.. In vitro susceptibility of Trichophyton rubrum isolates to griseofulvin and tioconazole. Induction and isolation of a resistant mutant to both antimycotic drugs. Mycopathologia, vol.135, p.141-3, 1996. FAVEL, A., STEINMTZ, M. D., REGLI, P., OLLIVIER, V.. In vitro antifungal activity of triterpenoid saponins, Planta Medica, v. 60, n. 1, p. 50-3, 1994. FENNER, R., BETTI, A., MENTZ, L, RATES, S. Plantas utilizadas na medicina popular brasileira com potencial atividade antifúngica Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas , v. 42, n. 3, p. 269-364, 2006. FERREIRA A.L.A.; MATSUBARA, L.S. Radicais livres: conceitos, doenças relacionadas, sistema de defesa e estresse oxidativo. Revista da Associação Medica Brasileira, v. 43, n.1, p. 61-8, 1997. FARIAS, R.; PROENÇA, C. Jacaranda decurrens Subsp symmetrifoliolata. Bradea Boletim do Herbarium Bradeanum, v. 9, n. 2, p. 5-10, 2003. FISCHER, M.; WINKELMAYER, W.; RUBIN, R.; AVORN, J. C. The Hepatotoxicity of Antifungal Medications in Bone Marrow Transplant Recipients. Antifungal Medications and hepatotoxicity, vol. 41, p. 331-338, 2005. FLORA, S. J. Role of free radicals and antioxidants in health and disease. Cell and Molecular Biology (Noisy-le-grand) , v.15, n. 53 (1), p. 1-2, 2007. GILLESPIE, S. Medical Microbiology Illustrated, ed. Butterworth Heinemann, France, 1994. GANESH, T.; GUZA, R.C.; BANE, S.; RAVINDRA, R.; SHANKER, N.; LAKDAWALA, A.S. The bioactive Taxol conformation on -tubulin: Experimental evidence from highly active constrained analogs, Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 101, n. 27, 2004. GEORGOPAPADAKOU, N.H. Antifungals: mechanism of action and resistance, established and novel drugs. Current opinion in microbiology, v. 1, n. 5, p. 547-557, 1998. GOLDEN, T. R., HINERFELD, D., MELOV, S. Review: Oxidative stress and aging: beyond correlation. Aging cell, v.1, p. 117-123, 2002. GOLDMAN, L., BENNETT, J. Cecil: Tratado de medicina Interna, Editora Guanabara Koogan, 21º ed. , vol. 1, Rj, 2001. GONÇALVES, E., GERMEK, A, KIEFFER, J. Manual de Clínica Médica, ed. Guanabara, cap.4, pp. 199, RJ, 1980. GRAGG, G..M.; SCHEPARTZ, S. A., SUFNESS, M., GREVER, M.R. The taxol supply crisis. New NCI policies for handiling the largue -scale production of novel natural product anticancer and anti-HIV angents, Journal of Natural Products , v. 56, n 10, 1657-1668, 1993. GROSMAN, M.E., PAPPERT, A . S., GARZON, M.C., SILVERS, D.N. Invasive Trichophyton rubrum infection in the immunocompromised host: report of three cases. Journal of the American Academy Dermatology, v. 33, n. 2, p. 315-318, 1995. GUIRRO, R.; GUIRRO, E. Fisioterapia Dermato-Funcinal, Fundamentos- RecursosPatologias, 3 edição, cap. II, 2004. GULL, K., TRINCI, A. P. J. Griseofulvin inhibits fungal mitosis. Nature, vol. 244, p. 292-294, 1973. HALLIWELL, B. Free radicals and other reactive species in disease. Encyclopedia of Life Sciences. Nature Publishing Group, vol., p.1-7, 2005. HASIMOTO, L K.; OLIVEIRA, S. M.A.; FERRI, P.H. et al. Antifungal properties of Brazilian cerrado plants. Brazilian Journal of Microbiology, v. 33, n. 3, 2002. HARMAN, D. The aging process. National, Academy of Science, v. 78, n. 11, p. 7124-7128, 1981. HARRISON. Medicina Interna, editora Mc Graw Hill,14 º ed., v. 2, Rj, 1998. HAY, R. J., CLAYTON, Y. M. MOORE, M. K. Tioconazole nail solution: an open study of its efficacy in onychomycosis. Clinical and Experimental Dermatology, v. 10, n. 2, p. 111-115, 1985. HERREROS, E., ALMELA, M. J., LOZANO, S., HERAS, G.. GARGALLO-VIOLA, D. Antifungal Activities and Citotoxicity Studies of Six New Azasordarins, Antimicrobial agents and Chemotherapy, v. 45, n. 11, p. 313-9, 2001. HIDALGO, A., CASTILO, S., LETONA, E.: Propiedades Antimicóticas In Vitro del extracto Cimaruba glauca contra M. gypseum, Articulo Cientifico, 2002. HIGDON, J. V. ; FREI, B. Tea catechins and polyphenols: health effects, metabolism, and antioxidant functions. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 43, n.1, p. 89-143, 2003. HSU, Y., KUO, P.L., LIN, C.C. Proliferative inhibition, cell-cycle dysregulation, and induction of apoptosis by ursolic acid in human non-small cell lung cancer A549 cells, Life Sciences, v. 75, n. 19, p. 2303–2316, 2004. HU, C., KITTS, D. Antioxidant, Prooxidant, and Cytotoxic Activities of Solvent-Fractionated Dandelion (Taraxacum officinale) Flower Extracts in Vitro, . Agric. Food Chem., v. 51, n. 1, p. 301 -310, 2003. JUNIOR, D. R., SOUZA, R., SANTOS, S., ANDRADE, D. Oxygen free radicals and pulmonary disease. Journal brasileiro de pneumologia, v. 31, n. 1, 2005. KHAN, N; SULTANA, S.; Anticarcinogenic effect of Nymphaea alba against oxidative damage, hyperproliferative response and renal carcinogenesis in Wistar rats, Molecular and Cellular Biochemistry, 271, p. 1–11, 2005. KONEMAN, E; ALEEN, S; JAJNDA, WILLIAN, A. Diagnostico Microbiológico: Texto e Atlas colorido, ed. Medsi, 5º edição, cap. 1, p. 2, RJ, 2001. KOC, A. N., SILICI, S., AYANGIL, D., FERAHBAS, A., CANKAYA, S. Comparison of in vitro activities of antifungal drugs and ethanolic extract of propolis against Trichophyton rubrum and T. mentagrophytes by using microdilution assay, Mycoses, v. 48, n.3, p. 205-210, 2005. LEITE, A. C.; GUERRA, E.; MELO, N. Fatores de risco relacionados com o desenvolvimento de câncer bucal, revisão, Revista de Clínica e Pesquisa Odontológica. v.1, n.3 , 2005. LEVINSON, W.; JAWETZ, E. Microbiologia Médica e Imunologia, 4º edição, ed. Artmed, cap. 8, p.35, SP, 2001. LI, J.; GUO, W. J.; WANG, Q. Y. Effects of ursolic acid and oleanolic on human colon carcinoma cell line HCTC15. World Journal Gastroenterology, v. 8, n. 3, p. 493-495, 2002. LYONS, C. N., WHITE, T. C. Transcriptional analyses of antifungal drug resistance in Candida albicans. Antimicrob Agents Chemother, v. 44 , n. 9, p. 2296-2303, 2000. LUXIMON, A.; NEERGHEEN, V. S.; BAHORUM, T.; CROZIER, A.; ZABARSKY, V.; DATLA, K. P.; DEXTER, D.T.; ARUOMA, O.I. Assessment of the polyphenolic composition of the organic extracts of Mauritian black teas: A potential contributor to their antioxidant functions, Biofactors, v. 27, n. 1-4, p. 79-91, 2006. MA, C.; CAI, S.Q.; CUI, J.R.; WANG, R.Q.; TU, P.F.; HATORRI, M.; DANESHTALAB, M. The cytotoxic activity of ursolic acid derivatives, European Journal of Medicinal Chemistry, v. 40, n. 6, p. 582–589, 2005. MACHADO, M.; WALTER, T. Base de dados bibliográficos dos cerrados brasileiros: um projeto interinstitucional , Ciência da Informação, vol. 24, n. 2, 1995. MACIEL, M. A.; PINTO, A.; JUNIOR, V. Plantas medicinais: A necessidade de estudos multidisciplinares. Química Nova, v. 25, n. 3, p. 429-438, 2001. MACKEEN, M.; ALI, A.M.; LAJIS, N.H.; KAWAZU, K.; HASSAN, Z.; AMRAN, N.; HABSAH, M.; MOOY, L.; MOHAMED, S.M. Antimicrobial, antioxidant, antitumourpromoting and cytotoxic activities of different plant part extracts of Garcinia atroviridis Griff, ex T. Anders, Journal of ethnopharmacology , v. 72, n 3, p. 395-402, 2000. MATSUZAKI, W.; RODRIGUES, F.; MALHEIROS, C.A.; RAHAL, F. Uso de QuimioSensibilidade para escolha da quimioterapia adjuvante no câncer gástrico avançado, Revista Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 33, n. 4, 2006. MENDEL, S.; YOUDIM, M. B. Catechin polyphenols: neurodegeneration and neuroprotection in neurodegenerative diseases. Free Radical Biology and Medicine, v. 37, p.304-317, 2004. MILTERSTEINER, A.; MILTERSTEINER, D.; FILHO, P.; FROTA, A.; ELY, P.; ZETTLER, C.; MARRONI, C.; MARRONI, C. Uso de quercetina a longo prazo em ratos cirróticos. Acta Cirúrgica Brasileira, v. 18, n. 3, 2003. MOON, H.I.; KIM, E.J.; LEE, H.K.; CHUNG, J.H. The effect of sativan from Viola vercunda A. GRAY on the expressions of matrix metalloproteinase-1 cause by ultraviolet irradiated cultured of primary human skin fibroblasts, Journal of Ethnopharmacology, v. 104, n. 1-2, p.12-17, 2006. MORAES, R., LEITE, IC, GOULART, EG. Parasitologia & Micologia humana, 4º ed. , ed. Cultura Médica, cap. 62, 2000. MÜGGE, C.; HAUSTEIN, U.F.; NENOFF, P. Causative agents of Onychomycosis- a retrospective study, J Dtsch Dermatol Ges, vol. 4, n. 3, p. 218-228, 2006. MUSCHIETTI, L.; DERITA, M.; SULSEN, V.; MUNOZ, J.; FERRALO, G.; ZACCHINO, S.; MARTINO, V. In vitro antifungal assay of traditional Argentine medicinal plants. J Ethnopharmacol. v. 102, n. 2, p. 233-8, 2005. NAM, S.; CHOI, S.; KANG, M.; KOZUKUE, N.; FRIEDMAN, M. Antioxidative, Antimutagenic, and Anticarcinogenic Activities of Rice Bran Extracts in Chemical and Cell Assays, Journal of Agricultural and Food Chemistry. v.53, n. 3, p. 816-822, 2005. NATIONAL COMMITEE FOR CLINICAL LABORATORY STANDARDS .Methods for dilution antimicrobial susceptibility tests for bacteria that grow aerobically. Approved standard M7-A2. National Committee for Clinical Laboratory Standards, Villanova, Pa., 1990. NATIONAL COMMITEE FOR CLINICAL LABORATORY STANDARDS. Reference method for broth dilution antifungal susceptibility testing of conidium-forming filamentous fungi. Proposed standard. NCCLS document M38-A. National Committee for Clinical Laboratory Standards, Wayne, Pa, 2002. NATAJAJAN, V.; PUSHKALA, S.; KARUPIAH, V.P.; PRASAD, P.V. Anti dermatophytic activity of Azardirachta indica (neem) by invitro study. Indian J Pathol., v. 45, n.3, p. 311-3, 2002. NAZER, B.; BODINET, C.; TEGTMEIER, M.; LINDEQUIST, U. Thuja occidentalis (Arbor vitae): A Review of its Pharmaceutical, Pharmacological and Clinical Properties, Evid Based Complement Alternat Med, vol. 2, n.1, p. 69-78, 2005. NETO, V , LEVI, G C, LOPES, HG, MENDONÇA, JS, BALDY, JL. Antibióticos na Prática Médica, 5 edição, ed. Roca, SP, 2000. NEWMAN,D.J.; CRAGG,G.M.; SNADER,K.M. Natural products as sources of new drugs over the period 1981-2002. Journal Natural Products. vol .66, n. 7, p.1022-1037, 2003. OLIVEIRA, A. C. P; SHINOBU, C. S.; LONGHINI, R.; FRANCO, S. L.; SVIDZINSKI, T. I. Antifungal activity of propolis extract against yeasts isolated from onychomycosis lesions. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz., v. 101, n. 5, P. 493-7, 2006. OVESNÁ, Z.; KOZICS, K.; SLAMENOVÁ, D. Protective effects of ursolic acid and oleanolic acid in leukemic cells. Fundamental as Molecular Mechanism of Mutagenesis, vol. 600, n. 12, p. 131-137, 2006. PALMA, M., Patente de Produtos Vegetais e suas Implicações na Pesquisa e na Biodiversidade, CEIS/Departamento de Biologia, IBRC-UNESP- Rio Claro, SP, 2000. PEIXOTO, A.L., MORIM, M. P. Coleções Botânicas: Documentação da Biodiversidade Brasileira, Ciência e Cultura, v. 55, n. 3, p. 21-24, 1999. PEREIRA, M.; FACHIN, A.L.; MARTINEZ-ROSSI, N.M. The gene that determines resistence to tioconazole and to acridine derivatives in A. nidulans may have a corresponding gene in T. rubrum. Mycopathologia, vol. 143, n. 2, p. 71-75, 1998. PERONA, J.; ARCEMIS, C.; RUIZ-GUTIERREZ, V.; CATALÁ, A. Effect of Dietary HighOleic-Acid Oils that are Rich in Antioxidants on Microsomal Lipid Peroxidation in Rats, Journal Agric. Food Chem., vol. 53, n.3, p. 730-735, 2005. PERVAIZ, S. Chemotherapeutic potential of the chemopreventive phytoalexin resveratrol, Drug Resistance Updates, vol. 7 , n. 3, p. 333–344, 2004. Perveze, Z. Johnson, M. W. Rubin, R. A. Sellers, M. Zayas, C. Jones, J. L. Cross, R. Thomas, K. Butler, B. Shrestha, R. Terbinafine-Induced Hepatic Failure Requiring Liver Transplantation, Liver Transplantation, vol.13, n.1, p. 164-164, 2007. PICARDO, M., BRIGANTI, S. Antioxidant activity, lipid peroxidation and skin diseases. What´s new. Journal European Acad Dermatol Venereol, vol. 17, n. 6, p. 663-669, 2003. PHILIPSON, J. D. New drugs from nature- I could be Yew. Phytoreraphy Research. v. 13, p.2 – 8, 1999. PIELOP, J.; ROSEN, T. Penile dermatophytosis. Journal of American Academy Dermatology, vol. 44, n. 5, p. 864-870, 2001. PINTO, E.; PINA-VAZ, C.; SALGUEIRO, L.; GONÇALVEZ, M.J.; COSTA-DE-OLIVEIRA, S.; CAVALEIRO, C.; PALMEIRA, A.; RODRIGUES, A.; MARTINEZ-DE-OLIVEIRA, J. Antifungal activity of the essential oil of Thymus pulegioides on Candida, Aspergillus and dermatophyte species. Journal Medical of Microbiology. vol. 55, n. 10, p. 1367-73, 2006. POTEZAN, M. R.; ARTHUR, V.; FELICIO, J.D.; ROSSI, M. H.; SAKITA, M.N.; SILVESTRE, D.F.; GOMES, D.H. Efeito de Produtos naturais Irradiados sobre Sitophilus zeamais mots. (COLEOPTERA: CURCULIONIDAE), Arquivos do Instituto Biologico., v. 71, n. 4, p.477-484, 2004. PORTILLO A., VILA, R.; FREIXA, B.; ADZET, T.; CANIGUERAL, S. Antifungal activity of Paraguayan plants used in traditional medicine, Journal of Ethnopharmacology, vol. 76, n. 1, p. 93-98, 2001. PRADO, F. Atualização Terapêutica- Manual Pratico de Diagnóstico e Tratamento, Editora Artes Médicas, 21º ed, 2003. RAO, Y.; GEETHANGILI, M.; FANG, S.H.; TZENG, Y.M. Antioxidant and cytotoxic activities of naturally occurring phenolic and related compounds: A comparative study , Mar 23; 2007. REN, D.; ZUO, R.; GONZALES BARRIOS, A.F.; BEDZYK, L.A.; ELDRIGE, G.R.; PASMORE, M.E.; WOOD, T.K. Differential Gene Expression for Investigation of Escherichia celBiofilm Inhibition by Plant Extract Ursolic Acid, Applied and Environmental Microbiology, vol. 71, n. 7, p. 4022-4034, 2005. RIOS JL, MAÑEZ S, PAYA M, ALCARAZl MJ. Antioxidant activity of flavonoids from Sideritis javalambrensis. Phytochemistry 31(6): 1947- 1950, 1992. RODRIGUES, V. E. G.; CARVALHO, D. A. Plantas medicinais no domínio dos cerrados, Editora UFLA, Universidade federal de Lavras, p. 180, 2001. SAHNOUN, Z.; JAMOUSSI, K.; ZEGHAL, K.M. Free radicals and antioxidants: human physiology, pathology and therapeutics aspects, Therapy, v. 52, n. 4, p.251-70, 1997. SAIKIA, A.P.; RYAKALA, V. K.; SHARMA, P.; GOSWAMI, P.; BORA, U. Ethnobotany of medicinal plants used by Assamese people for various skin ailments and cosmetics, Journal of Ethno pharmacology, v. 106, n. 2, p. 149-57, 2006. SANTOS, P.A.; HAMDAM, J. S. Evaluation of Broth Microdilution Antifungal Susceptibility Testing Conditions for Trichophyton rubrun, Jounal of Clinical Microbiology, vol. 43, n. 4, p. 1917-1920, 2005. SANTOS, M.D.; BLATT, C.T.T. Teor de flavonóides e fenóis totais em folhas de Pyrostegia venusta Miers. de mata e de cerrado. Revista brasileira de Botânica. v. 21, n. 2 São Paulo Ago. 1998 SANCHEZ-PEREZ, Y.; CARRASCO-LEGLEU, C.; GARCIA-CUELLAR, C.; HERNADEZGARCIA, S.; SALCIDO-NEYOY, M.; ALEMAN-LAZARINI, L.; VILLA-TREVINO, S. Oxidative stress in carcinogenesis. Correlation between lipid peroxidation and induction of preneoplastic lesions in rat hepatocarcinogenesis. Cancer Letters, v. 217, n. 1, p. 25-32, 2005. SAMANO, E.; RIBEIRO, L.M.; CAMPOS, A.S.; LEWIN, F.; FILHO, E.S.V.; GOLDENSTEIN, P.T; COSTA, L.J.M; DEL GIGLIO, A. Use of complementary and alternative medicine by Brazilian oncologists, Eurean Journal of Cancer , v.14, n.2, p. 143-8, 2005. SARTORATTO A.; MACHADO, A. L. M.; DELARMELTNA, C.; FIGUEIRA, G.; DUARTE, C.; REHDER, V. Composition and antimicrobial activityof essential oils from aromatic plants used in Brazil. Brazilian Journal of Microbiology, vol. 35, p. 273-280, 2004. SATHIAMOORTHY, B; GUPTA, P.; KUMAR, M.; CHATURVEDI, A. K.; SHUKLA, P.K.; MAURYA, R. New antifungal flavonoid glycoside from Vitex negundo, Bioorg Med Chemistry Letters. vol. 1, n. 17(1), p.239-42, 2007. SCHAECHTER, M , ENGLEBERG, C. Microbiologia, 3º edição, ed. Guanabara, cap. 4, pp. 199, RJ, 1980. SENTAMIL SELVI, G., KAMALAM, A., AJITHADOS, K JANAKI, C., THAMBIAH, A .S.Clinical and mycological features of dermatophytosis in renal transplant recipients. Mycoses, vol. 42, n. 1-2, p. 75-78, 1999. SENTAMILSELVI, G.; JANAKI, C.; KAMALAM, A.; THAMBIAH, A.S. Deep dermatophytosis caused by Trichophyton rubrum: A case report. Mycopathologia, vol. 142, n.1, p. 9-11, 1998. SETZER, W. & SETZER, M. Plant-derived triterpenoids as potential antineoplastic agents.Min Rev Med Chem, v. 3, n. 6, p.540-56, 2003. SHAMI, N. J. E.; MOREIRA, E. A. M. Lycopene as an antioxidant agent. Revista de Nutrição, v. 17, n. 2, 2004. SIMITH, K.J, M. WELSH, M.; SKELTON, H. Trichophyton rubrum showing deep dermal invasion directly from the epidermis in immunosuppressed patients. British Journal of Dermatology, v. 145, n. 2, p. 344-8, 2001. SOARES, D. G; ANDREAZZA, A.C.; SALVADOR, M. Avaliação de compostos com atividade antioxidante em células de levedura de Saccharomyces cerevisiae, Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v.41, n 1, 2005. SOARES, S.E. Ácidos fenólicos como antioxidantes, Revista de Nutrição, vol.15, n. 1, p. 7181, 2002. SOARES, R.; CURY, E. In vitro activity of antifungal and antiseptic agents against dermatophyte isolates from patients with tinea pedis. Brazilian Journal of Microbiology. v. 32, n. 2, 2001. SOERJATO, D.D. Biodiversity prospecting and benefit-sharing: perspectives from the field, Journal of Ethnopharmacology, vol. 51, n.1, p. 1-15, 1996. SONG, J.C.; DERESINSKI, S. Hepatotoxicity of antifungal agents. Current Opinion in Investigational Drugs , v.6 , n. 2, p.170-7, 2005. SOROKINA, I.; . Tolstikova, T; Zhukova, N.; Petrenko, N.; Uzenkova, N.; Shul'ts, E.; Popova, N. Antitumor and antimetastatic effects of betulonic acid amides in mice with transplantable lewis carcinoma. Bulletin of Experimental Biology and Medicine, v.142, n.1, p. 69-72, 2006. SOUZA, L.K. Propriedades antifúngicas de plantas do Cerrado brasileiro. Brazilian Journal of Microbiology, v. 33, n. 3, 2002. SUN, M. ; HAN, J; DUAN, J.; CUI, Y.; WANG, T.; ZHANG, W.; LIU, W.; HONG, J.; YAO, M.; XIONG, S.; YAN, X. Novel antitumor activities of Kushen flavonoids In Vitro and In Vivo, Phytoterapy Researcher, vol. 21, n. 3, p. 269-277, 2006. VALKO, M.; RHODES, C.J.; MONCOL, J.; IZAKOVIC, M.; MAZUR, M. Free radicals, metals and antioxidants in oxidative stress-induced cancer, Chemico-Biological Interactions, v. 10; n. 160 (1), p. 1-40, 2006. VONSHAK, A.; BARAZANI, O.; SATHIYAMOORTHY, P.; SHALEV, R.; VARDY, D.; GOLAN-GOLDHIRS, A..Screening South Indian medicinal plants for antifungal activity against cutaneous pathogens. Phytotherapy Researcher , v. 17, n.9, p. 1123-5, 2003. UGARTONDO, V.; MITJANS, M.; LOZANO, C.; TORRES, J.L.; VINARDELL M..P . Comparative Study the Cytotoxicity Induced by Antioxidant Epicatechin Conjugates Obtained from Grape, Journal Agriculture Food Chemistry, vol. 54, n.18, p. 6945-6950, 2006. VARANDA, E.M.; ZUNIGA, G.E.; SALATINO, A.; ROQUE, N.F.; CORCUERA, L.J. Effect of ursolic acid from epicular waxes of Jacaranda decurrens on Schizaphis graminum, Journal of Natural Products , v. 55. n. 6. p. 800-803, 1992. VEIGA, V.; PINTO, A.; MACIEL, M. Plantas Medicinais: Cura Segura?, Química. Nova, v. 28, n. 3, p.519-528, 2005. WEISHAUPT, J.H. BARTELS, C.; POLKIN, E.; DIETRICH, J.; ROHDE, G.; POOERGELER, B. et al. Reduced oxidative damage in ALS by high-dose enteral melatonin treatment, Journal Pineal Research, v. 41, n. 4, p. 313-23, 2006. WHITE, T. C. MARR, K. A. AND BOWDEN, R. A. Clinical, cellular, and molecular factors that contribute to antifungal drug resistance . Clinical Microbiol Reviews, vol. 11, n. 2, p. 382402, 1998. WINTROBE, M , RICHARD, G. Harrison, Medicina Interna, 7º edição, ed. Guanabara, cap. 7, pp. 668, RJ, 1977. WICKENS, A P. Ageing and the free radical theory. Respiratory Physiology , vol.15, n. 128 (3), p. 379-91, 2001. WLASCHECHEK, W; TANTCHEVA-POO, I; SCHENEIDER, L. A.; NADERI, L; RAZIWOLF, Z.; SCHLLER, J; SCHARFFETTER-KOCHANEK, K.; Chronological ageing and photoageing of the fibroblasts and the dermal connective tissue. Clinical dermatology, vol 26, n.7, p. 592-599, 2001. YAMAMOTO, Y. Role of active oxygen species and antioxidants in photoaging, Journal Of Dermatology, vol. 27, n. 1, p 1-4, 2001. YANG, D.; HU, H.; HUANG, S.; CHAUMONT, J.P.; MILLET, J. Study on the inhibitory activity, in vitro, of baicalein and baicalin against skin fungi and bacteria. Zhong Yao Cai., v. 23, p. 5, p.272-4, 2000. YOUNG, J., HOLLAND, B. ABC transporters: bacterial exporters-revisited five years on. Biochimica et Biophysica Acta, vol. 1461, n.2, p. 177-200, 1999. YUNES, R.; PEDROSA, R.; FILHO, V. Fármacos e Fitoterápicos: A Necessidade do Desenvolvimento da Indústria de Fitoterápicos e Fitofármacos no Brasil. Química. Nova, v.24, n. 1, p. 147-152, 2001. ZAPRUTKO, L.; PARTYKA, D.; BEDNARCZYK-CWYNAR, B. Triterpenoids. Part 21: Oleanolic acid azaderivatives as percutaneous transport promoters, Bioorganic & Medicinal Chemistry Letters 1 , vol. 14, n.18, p. 4723–4726, 2004. ZHU, K.; CORDEIRO, M..; ATIENZA, J.; ROBINSON, W.; CHOW, S. Irreversible Inhibition of Human Immunodeficiency Virus Type I Integrase by Dicaffeoy equinc acid. Journal of Virology, vol. 73, n.4, p. 3309-3316, 1999. Anexo 1 Anexo 2 Gráfico 1: Curva de calibração do ácido oléanólico Curva de calibração de Ácido Oleanólico 31/08/06 10000000 8000000 Área 6000000 4000000 Y=A+B*X Parameter Value Error A -94754,375 41993,03378 B 8,09077E6 81358,89597 R SD N P 0,99934 107435,3386 15 <0.0001 2000000 0 -2000000 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 concentração (mg/mL) 0,8 1,0 1,2 Anexo 3 Gráfico 2: Curva de calibração do ácido ursólico Curva de calibração de Ácido Ursólico - 31/08/06 12000000 10000000 8000000 Área 6000000 4000000 Y=A+B*X Parameter Value Error A -123157,90278 39820,34911 B 8,5339E6 77149,4543 R SD N P 0,99947 101876,72346 15 <0.0001 2000000 0 -2000000 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 Concentração (mg/mL) 1,0 1,2 1,4 Anexo 4 Gráfico 3: Cromatograma do extrato bruto selecionado (Altinópolis/ Folha) 3000 3000 Detector A-200 nm ALT/FOLHA jac12 2000 mAU m AU 2000 1000 1000 0 0 0 5 10 15 20 Minutes 25 30 35 40