DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO SESSÃO: 267.1.55.O DATA: 15/09/15 TURNO: Noturno TIPO DA SESSÃO: Deliberativa Extraordinária - CD LOCAL: Plenário Principal - CD INÍCIO: 20h01min TÉRMINO: 21h31min DISCURSOS RETIRADOS PELO ORADOR PARA REVISÃO Hora Obs.: Fase Orador Ata da 267ª Sessão da Câmara dos Deputados, Deliberativa Extraordinária, Noturna, da 1ª Sessão Legislativa Ordinária, da 55ª Legislatura, em 15 de setembro de 2015. Presidência dos Srs.: Eduardo Cunha, Presidente. Márcio Marinho, nos termos do § 2º do artigo 18 do Regimento Interno. ÀS 20 HORAS E 1 MINUTO COMPARECEM À CASA OS SRS.: Eduardo Cunha Waldir Maranhão Giacobo Beto Mansur Felipe Bornier Mara Gabrilli Alex Canziani Mandetta Gilberto Nascimento Luiza Erundina Ricardo Izar CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 I - ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - A lista de presença registra na Casa o comparecimento de 472 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. II - LEITURA DA ATA O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Fica dispensada a leitura da ata da sessão anterior. III - EXPEDIENTE (Não há expediente a ser lido) 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Podemos manter o painel? (Pausa.) Está mantido o painel. 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Passa-se às IV - BREVES COMUNICAÇÕES 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Deputado José Guimarães, concedo a palavra a V.Exa. para que conclua seu pronunciamento. O SR. JOSÉ GUIMARÃES - Sr. Presidente, eu concluo em 3 minutos e solicito o tempo da Liderança na nova sessão. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Pois não. Pode agregar o tempo, Deputado. O SR. JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, ao finalizar, lerei a coisa mais importante do dia de hoje. Como eu me dirigia à Líder do PCdoB, nós todos, Deputada Jandira Feghali — muitos de nós, do PSB, do PSOL —, temos uma história vinculada umbilicalmente à democracia brasileira. A democracia para nós não foi construída dentro de gabinete; foi construída nas ruas, por meio das mobilizações sociais. E é dessa forma que nós vamos garantir a legalidade democrática. Como eu disse, passarei a ler este manifesto assinado por dez partidos e Líderes da base no dia de hoje: “Declaração em Defesa da Democracia e do Mandato Popular Nós, representantes dos partidos que dão sustentação ao governo legítimo e democrático da presidente Dilma Rousseff, CONSIDERANDO que a presidenta Dilma Rousseff tomou posse, há pouco mais de oito meses, para um 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 mandato de quatro anos, após vencer um pleito democrático, limpo e livre; ASSINALANDO que é dever cívico, constitucional e democrático da presidenta da República honrar o mandato a ela concedido pelo povo brasileiro até o seu final; ENFATIZANDO que o cumprimento do mandato obtido legitimamente nas urnas significa, sobretudo, respeito ao voto popular, base de qualquer democracia, digna desse nome; LAMENTANDO, contudo, que, desde a apuração dos resultados das urnas, forças políticas radicais, que exibem baixo compromisso com os princípios democráticos, venham se dedicando diuturnamente a contestar e questionar o mandato popular da presidenta Dilma Rousseff, utilizando-se dos mais diversos subterfúgios políticos e jurídicos, que vão desde o absurdo e inédito questionamento da urna eletrônica, lisura do pleito até a tentativa de criminalização de práticas orçamentárias em um contexto de crise fiscal e utilizadas por vários governos no passado, incluindo a contestação intempestiva das contas de campanha previamente aprovadas na justiça eleitoral; 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 CONSIDERANDO que tal processo se constitui numa clara e nova foram de golpismo, a qual, embora não se utilize mais dos métodos do passado, abusa dos mecanismos solertes das mentiras, dos factoides e das tentativas canhestras de manobras pseudo-jurídicas para afrontar o voto popular e a democracia;” Esse é o caso da tal questão de ordem levantada pelo Líder do DEM. “COLOCANDO EM RELEVO que, embora manifestações populares que expressem anseios e insatisfações sejam legítimas, elas não podem servir de escusa torpe e oportunista para que invistam contra o mandato legítimo da presidenta, pois a ordem constitucional brasileira” — meu caro Mauro Pereira, lá do Rio Grande do Sul — “sabiamente impõe processo rigoroso e fundamentos jurídicos muito sólidos para a recepção de contestações de mandatos populares;” Essa é a história da nossa Constituição e deste Parlamento. Considerando, enfim, uma série de outros requisitos, os partidos que a este manifesto subscrevem decidem: “I. Nosso firme e decidido apoio ao mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, que se extinguirá somente em 31 de dezembro de 2018; II. Nosso mais veemente repúdio a toda forma de retrocesso democrático, que tente deslegitimar e encerrar 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 de forma prematura o mandato popular conquistado, de forma limpa, em pleito democrático; III. Nosso entendimento de que o Brasil demanda superação do atual clima político deteriorado, o qual coloca sérios obstáculos à governabilidade e à recuperação econômica, dissemina a insegurança, o pessimismo, a intolerância e o ódio político pela sociedade, bem como envenena a democracia do País, duramente conquistada com a luta incansável de gerações de brasileiros;” Por fim, Sr. Presidente: “V. Nosso sincero convite a todas as forças políticas responsáveis do Brasil, que não apostam no ‘quanto pior melhor’ ou não se omitem diante dos incapazes de apresentar propostas, a que deem sua bemvinda contribuição para que o País se reencontre no caminho do crescimento econômico, da justiça social, da soberania e do crescente aprofundamento de sua bela e jovem democracia.” Esse manifesto é subscrito por vários Deputados e Líderes importantes do PCdoB, do PT, do PMDB, do PSD, do PR, do PP, do PROS, do PSD. Independentemente de divergências que possamos ter, nós somos, meu caro Mauro Pereira, do Rio Grande do Sul, que me escuta neste momento, muito determinados. Nós somos de uma geração, como muitos que estão aqui, que soube 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 lutar, que soube dar a vida para conquistarmos a democracia. Nós somos principalmente da Esquerda brasileira, que tudo fez para estarmos hoje livremente debatendo tantas coisas importantes no nosso Brasil. Nós não vamos arredar o pé, meus queridos companheiros e companheiras de jornada. Está na hora de o País se levantar contra esses conspiradores que se escondem dentro de subterfúgios jurídicos para querer interditar, golpear a legitimidade de quem foi eleita pelo voto popular no nosso Brasil. Deputados do PSOL, podemos ter divergências, mas eu os admiro, porque eu sei do compromisso que V.Exas. têm com a democracia, com o socialismo em nosso País. Sei do compromisso que muitos dos partidos da base têm conosco na construção da democracia. São pessoas que têm história, são pessoas que têm legado; não são arroubos de última hora que vão nos amedrontar, porque temos compromisso com a democracia no nosso Brasil. Por isso, eu vou terminar cedendo esses 4 minutos ao Vice-Líder Orlando Silva, dizendo a este Congresso e ao povo brasileiro que estamos firmes, a Presidenta está firme, e é com ela que nós vamos liderar o Brasil para as novas transformações que o Brasil espera, que a sociedade espera. Viva o povo brasileiro e vivam os trabalhadores do meu imenso Brasil! Muito obrigado. (Palmas.) Durante o discurso do Sr. José Guimarães, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. Márcio Marinho, nos termos do § 2° do art. 18 do Regimento Interno, e Eduardo Cunha, Presidente. 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. ORLANDO SILVA (PCdoB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, colegas Deputadas, colegas Deputados, ocupo esta tribuna para manifestar minha indignação com a peça que — eu prestei atenção — foi lida pelo Líder do DEM. Na semana passada o Salão Verde assistiu a um momento muito triste desta Casa, porque se constituiu o chamado “comitê do impeachment” por um bando de provocadores dentro da Casa do Povo, dentro do espaço de representação do nosso povo. (Apupos.) Agruparam-se meia dúzia de provocadores, e, junto com os provocadores, alguns Deputados tristemente se apequenaram. Alerto esta Casa: não é sondagem, pesquisa, que determina a legitimidade de um governo. A legitimidade da Presidenta Dilma foi conquistada nas urnas. Eu observo o constrangimento de alguns Deputados da Oposição, porque alguns Deputados da Oposição e até mesmo partidos que estão na Oposição têm origem na tradição democrática, na tradição da luta democrática. Espero que cada Deputado que faz parte da Oposição hoje reflita, pense em nomes como Mário Covas, em nomes como Franco Montoro, em nomes como Ulysses Guimarães, nomes de personalidades brasileiras que ficariam envergonhadas de ouvir uma manifestação golpista como a feita pelo Líder do DEM. (Apupos.) Aliás, o DEM, quando se presta a esse papel, demonstra que é o legítimo herdeiro da ARENA, o partido que sustentou o regime militar no Brasil. (Palmas.) Eu alerto os meus colegas. Tenhamos responsabilidade. A hora de crise mundial e de crise no Brasil é um momento de refletir e construir alternativas para garantir a retomada do desenvolvimento nacional. A hora é de pactuar caminhos 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 para garantir o emprego. A hora é de não olhar para temas menores. Nosso povo lá fora não quer saber de briga entre governo e oposição e espera que o Parlamento tenha estatura e responda aos desafios da nossa Nação. Foi muito grave o que aconteceu nesta tarde. É muito grave ao que o Congresso Nacional assiste neste momento. Eu concluo fazendo um alerta. Aqueles que imaginam que Dilma Vana Rousseff é igual a Fernando Collor de Mello irão se surpreender, porque haverá luta política do nosso povo. (Apupos.) No Brasil, há organização. Os trabalhadores defenderão cada conquista alcançada em todo esse processo desde 2003. (Palmas.) Não adianta querer fazer um atalho. Não adianta querer cortar caminho. Atitude democrática é aguardar as eleições. Na mão grande, V.Exas. não vão tirar a Presidenta Dilma da Presidência, não! V.Exas. têm que ir para a rua ganhar voto a voto, esperar 2018. E atenção: preparem-se bem, senão Lula vem aí! (Apupos.) 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra a Deputada Jandira Feghali, para uma Comunicação de Liderança, pelo PCdoB, com o tempo do PROS agregado ao seu. Antes, tem a palavra a Deputada Mara Gabrilli, rapidamente. A SRA. MARA GABRILLI (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, eu só queria contar ao Deputado Orlando o que é bando juridicamente. O SR. ORLANDO SILVA - Fui citado, Sr. Presidente? A SRA. MARA GABRILLI - Bando são pessoas que se juntam para praticar crimes, quadrilha. Isso é bando, Deputado Orlando. Isso é o que o Partido dos Trabalhadores fez com este País. (Manifestação no plenário.) O SR. ORLANDO SILVA - Peço para contraditar, Sr. Presidente. Eu fui citado. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo 1 minuto a V.Exa., para contraditar. O SR. ORLANDO SILVA (PCdoB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Eu quero pedir respeito à Deputada Mara Gabrilli. Sei que nem cabe na cabeça da Deputada Mara Gabrilli a carapuça do discurso que fiz. Defendi a democracia, Deputada. Não é aceitável essa questão de ordem. Mais do que uma questão de ordem — não é uma mera formalidade —, é uma tentativa de abrir, hoje, um processo ilegítimo de questionamento da Presidência da República. A Constituição exige que haja fato determinado para imputar crime de responsabilidade, o que não existe. 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Eu sei que V.Exa. vai refletir e vai se separar de gente de baixo nível como Jair Bolsonaro, que fica agredindo sem parar aqui. (Manifestação no plenário.) V.Exa. vai refletir porque é de um partido que tem tradição democrática. O SR. JAIR BOLSONARO - Sr. Presidente, eu fui citado. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Deputado Orlando, V.Exa. pediu o tempo porque foi citado e não para citar outro. O SR. ORLANDO SILVA - Pedi tempo porque fui citado. Encerrei. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Agora sou obrigado... O SR. ORLANDO SILVA - Encerrei, Sr. Presidente. O SR. JAIR BOLSONARO - O que desviou de recurso do Segundo Tempo, está me citando, Sr. Presidente! O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Eu vou dar ao Deputado Bolsonaro o direito de falar. Se S.Exa. citar outro, não vou dar a palavra a mais ninguém. O SR. ORLANDO SILVA - Sr. Presidente, eu só concluo o apelo à Deputada Mara Gabrilli, que é de um partido de tradição. O SR. JULIO LOPES - Sr. Presidente, todos nós na Casa estamos citados. Eu também quero falar, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Deputado Orlando, conclua, por gentileza. Tem a palavra o Deputado Bolsonaro. (Pausa.) O SR. JULIO LOPES - Todos nós Deputados estamos citados aqui. Eu também quero falar. Quero a prerrogativa de falar. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - V.Exa. está inscrito, pela Liderança do PP, e falará no seu momento. 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. JULIO LOPES - Por favor. O SR. JAIR BOLSONARO (Bloco/PP-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, acusação barata para cima de mim não vai colar. Ele diz que eu não tenho moral para falar contra a sua Presidente da República, que assaltou, entre outras coisas, a PETROBRAS. E ele assaltou o programa Segundo Tempo, dos pobres carentes. Ele assaltava até com cartão corporativo, para comprar tapioca. Então, questão moral não está em jogo aqui. Sr. Presidente, eu faço um apelo a V.Exa., para que dê o devido desfecho aos pedidos de impeachment da Sra. Presidente. Assim, caso V.Exa. seja contra o encaminhamento do pedido de impeachment, nós podemos recorrer, o projeto tramita, e o Congresso, soberanamente e com apoio popular, poderá finalmente cassar essa mulher que nem deveria ter chegado à Presidência. É isso, Sr. Presidente. 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra à Sra. Deputada Jandira Feghali, para uma Comunicação de Liderança, com o tempo do PROS agregado ao seu. A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB-RJ. Como Líder. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, em primeiro lugar, eu quero repelir as acusações ao Deputado Orlando. Todas essas acusações foram arquivadas, e a inocência do Deputado foi provada. De fato, este Congresso rebaixou-se politicamente ao utilizar esse tipo de argumento. Não adianta, porque o conforto do Deputado Bolsonaro de representar aqui os torturadores, que nunca quiseram ouvir a voz dos comunistas... Enquanto houver democracia e votos, os comunistas vão falar nesta Casa. (Palmas.) Em segundo lugar, Sr. Presidente, esta é a segunda vez que eu vou colocar aqui que quem faz política tem lado. Tem lado! E neste momento, a nossa primeira referência de lado é a democracia brasileira. A democracia brasileira, depois de muita luta, de muito suor, de muita tortura, de muita morte, depois de ver agentes do Estado torturar e matar, não admite mais tribunal de exceção, não admite mudança de paradigma para julgamento de agentes do Estado, não admite, neste momento, sem nenhum link causal, sem nenhum delito da Presidência da República, que algo seja imputado a ela. Essa questão de ordem, que não deveria ter sido admitida mas foi, é mais do que um sinal de insensatez: é um sinal de desespero. Vocês querem, de todo jeito, acelerar um processo que não tem condição de ser acelerado porque não há base técnico-jurídica ou política que o ampare. 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O outro lado que nós temos aqui, além da democracia, é o lado do projeto. A Presidenta Dilma Rousseff, de fato, tem uma biografia invejável: é uma mulher de combate, uma mulher séria, guerreira, que não sucumbiu aos torturadores e que hoje está na Presidência da República eleita pelo voto popular. (Palmas.) Isso, de fato, incomoda muito! Isso, de fato, incomoda muito! Mas incomoda também o projeto que ela representa, que é o projeto de mais Estado, de mais políticas públicas, de não privatização de órgãos públicos importantes, como a PETROBRAS, de aumento de emprego, de aumento de renda, um projeto que nós vamos voltar a construir neste País. Primeiro, foi o operário; agora, uma mulher. Isso é insuportável para V.Exas.! Insuportável! Sr. Presidente, eu não me dirijo a toda a Oposição, porque há nela pessoas sensatas, que têm história democrática neste País. Eu me dirijo a esse setor mais radicalizado, mais angustiado, que não consegue tolerar a divergência e a democracia. De fato, tentar emplacar agora um processo de impeachment não tem outro nome: golpe! Se vocês dizem “Xô, CPMF!”, nós dizemos “Xô, golpe!”. Aqui dentro isso não passará; nas ruas, muito menos. Não se enganem com pesquisas de opinião que indicam apoio de 7%. As pessoas podem estar insatisfeitas com a falta de emprego, com a economia em crise, mas, quando se tratar da democracia, o Brasil não aceitará intervenção militar, nenhum tipo de golpe. Não existe mais “tradição, família e propriedade”. Aliás, tentaram agora reeditar esse movimento. Quando eu vi o editorial do jornal Folha de S.Paulo na capa — coisa que há muitos anos não se via — e dando um ultimato à Presidenta com palavras do tipo “ou a minha agenda ou saia do poder”, fui buscar o Correio da 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Manhã das vésperas do golpe de 1964, cujo editorial também foi publicado na capa, para ameaçar João Goulart. (Palmas.) Eu gostaria que os senhores se mirassem não em 1964, mas em 1961, na campanha da legalidade, quando o povo se levantou para exigir a posse de João Goulart, o que era democraticamente justo. Aliás, Brizola faz falta num momento como este. Nós não temos nenhuma dúvida de que um processo como esse não andará, porque ele é um processo da política, um processo técnico-jurídico. Eu sei que muita gente da Oposição saiu do Centrão da Constituinte Federal e formou o PSDB. De fato, entre eles, como muitos aqui já ressaltaram, estava Mário Covas. Aliás, o busto de Mário Covas está na entrada deste prédio, mas alguns aqui nem deveriam olhálo, porque desrespeita a história de Mário Covas esse discurso golpista que parte do PSDB faz neste plenário. (Palmas.) Eu tenho muita confiança e convicção em que esse processo vai ser superado. O Brasil quer de nós uma atitude não apenas responsável. Atitudes golpistas não combinam com um dos pilares da democracia: o Parlamento brasileiro. Se nós não respeitarmos a democracia aqui, quem mais a respeitará? Queremos o quê? Queremos fechar este Congresso? Nós queremos ganhar o povo para as atitudes mais antidemocráticas? Por que não aceitar o resultado das urnas? A eleição não acabou? A eleição acabou, minha gente! Dilma está eleita, como Lula foi eleito. A eleição extinguiu-se, aceitem seu resultado. Parem de gritar e de espernear contra a soberania popular do voto. 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Precisamos agora realçar as biografias políticas e a contraposição de projetos. Dilma Rousseff tem uma biografia muito melhor do que a de muitos que aqui defendem o impeachment. Aliás, há muitos denunciados e investigados aqui que não deveriam ter coragem de levantar essa placa. (Palmas.) Eles não deveriam ter coragem de confrontar a história e a honestidade da Presidente Dilma Rousseff, muito menos de tentar atingir a imagem do ex-Presidente Lula. O ex-Presidente Lula é um homem honrado. Foi o melhor Presidente que este País já teve. (Manifestação no plenário.) Foi o melhor Presidente que este País já teve! Vocês não suportam a ideia de Lula não ter que responder por nenhum delito. Isso para vocês é insuportável. Sabem por quê? Porque ele não saiu das escolas privadas. Porque ele não saiu do berço de ouro. Ele saiu do chão da fábrica. Isso para vocês é insuportável. (Manifestação no plenário: Cadeia! Cadeia!) E não adianta tentar me calar, porque eu não vou me calar. Eu não tenho medo de vocês. Eu acho que aqui se mostra cada vez mais que a elite não suporta a ideia de que um operário governou bem este País, sendo elogiado no mundo inteiro. Lula se relacionou bem com o mundo inteiro, adotando uma estratégia de não submissão aos Estados Unidos e de rearticulação estratégica com os países da África e da Ásia. Vocês não suportam isso. Nós teríamos até hoje a ALCA, submetendo este País a todas as vontades econômicas, culturais e de patentes dos Estados Unidos. Não tem nada a ver. Aos radicais — não falo para todos, repito, porque acho que há muita gente honrada, de bom senso, democrática nesse canto do plenário — , aos radicais quero dizer o seguinte: a luta política está colocada. Guerra é guerra! E guerra na política significa arregimentar força e ter convicção, porque a luta é nas 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 ideias, não é mais nas armas não, viu? A luta agora é no campo das ideias, da mobilização popular, e a vitória será da democracia brasileira. Golpe não! Impeachment não! As nossas armas estão na luta popular. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Peço-lhe que conclua, Deputada. A SRA. JANDIRA FEGHALI - Nós saberemos lutar com altivez, dignidade e convicção. Se querem apurar crimes, apurem os crimes de todos. Quando o Sr. Aécio Neves, o Sr. Anastasia e o Sr. Aloysio Nunes são citados, não há manchete no jornal. Precisa haver! Que se apure tudo, mas que exerçamos a democracia! Muito obrigada, Presidente. (Palmas.) 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Bruno Araújo, para uma Comunicação de Liderança, pela Minoria. Deputado Bruno Araújo. O SR. BRUNO ARAÚJO (PSDB-PE. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sras. e Srs. Parlamentares, aqui nós temos ouvido falar em legitimidade, legitimidade como sendo um pilar. Aqui se resume a participação, a autoridade da Presidente Dilma, à sua legitimidade. As instituições funcionam, cada uma com a sua missão, para estabelecer e pontuar, no seu papel, as atribuições que lhes são devidas. A legitimidade é sobretudo uma presunção. Ela tanto é uma presunção que a legitimidade da Presidente Dilma é objeto de apuração pelo Tribunal Superior Eleitoral, a Corte constitucional para essa matéria. A legitimidade da Presidente Dilma é inclusive objeto de processo que segue normalmente naquela Corte. A legitimidade da Presidente Dilma é objeto de uma autorização judicial recente, para que se ouça na sexta-feira, no Tribunal Superior Eleitoral, o Sr. Ricardo Pessoa, explicando como doou 7 milhões e 400 mil reais, dinheiro oriundo da PETROBRAS, para a campanha da Presidente Dilma. A legitimidade aqui trazida é a mesma que o Tribunal Superior Eleitoral vai questionar ao ouvir, nos autos do processo, um delator que afirma à Justiça que levou 10 milhões de reais para a sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. A legitimidade do voto é invocada aqui quando se referem à eleição de Lula e à eleição de Dilma. Mas qual é a diferença da legitimidade do voto que elegeu Fernando Collor de Mello? Qual foi o golpe que os senhores acusaram no processo 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 aqui discutido democraticamente pela Câmara dos Deputados? Falaram à época em legitimidade? Aqui se ouviram referências elogiosas a um grande homem da política pública: Mário Covas. Mas não era isso o que falavam quando esse mesmo grupo atacava de forma violenta Mário Covas no Governo de São Paulo, à frente das reformas necessárias, ele que foi o primeiro a falar em responsabilidade fiscal em um Estado. (Palmas.) Quando se fala em legitimidade aqui, que legitimidade é essa? É a legitimidade de uma Presidente da República que há 10 meses apresentava o Brasil como um paraíso? É a legitimidade de uma Presidente que olhava para um candidato adversário e dizia: “Você vai fazer o tarifaço?” É a legitimidade de uma Presidente da República que há anos só faz dizer: “Eles pregam o quanto pior melhor”. O Brasil só conhece, desde o primeiro dia da administração Dilma Rousseff, o pior. Não viu até hoje o melhor. É a legitimidade na sequência de mentiras que foi imposta à população brasileira por uma Presidente que dava declarações do Palácio do Planalto, em entrevista à Rede Globo, dizendo que discordava e achava um absurdo a CPMF. E hoje, de cara lavada, apresenta ao País essa conta que a Câmara dos Deputados seguramente não vai aceitar. É, portanto, a legitimidade de um partido envergonhado com tudo o que tem acontecido na cena política nacional? A Presidente da República não fala ao País, a Presidente da República não olha no olho do brasileiro. E o pior: quando a Presidente fala, ninguém entende absolutamente nada do que ela quer dizer. Quando a Presidente se comunica com o 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Brasil, milhões utilizam o utensílio doméstico, a panela, em protesto, porque não conseguem mais ouvir, muito menos acreditar na Presidente. Credibilidade? Como falar em credibilidade de um país que apresentou ao mundo, recentemente — todos nós esperamos e assistimos a isso —, um orçamento encaminhado pelo Ministério do Planejamento, que levou o ano inteiro para planejar, com déficit de bilhões ao País? Depois que o apresenta, em uma reunião de um sábado e um domingo, diz que descobriu como tapar o buraco de um orçamento que entregou na semana anterior? Isso fez com que o Brasil perdesse um grau de investimento, o que, na prática, significa muito mais preço na vida dos homens mais humildes do Brasil. Nós vimos, na sequência, que a Presidente perdeu absoluta autoridade moral para liderar um processo que tire o País da sua mais profunda crise. Nós vimos aqui Parlamentares da base do Governo falarem em radicalização. No entanto, já se radicalizou ao longo de outros governos. Quem não se lembra disso? Não sei por que aqui não são lidos ou ditos os pedidos de impeachment do Governo Fernando Henrique apresentados pelo Partido dos Trabalhadores e por outros partidos aliados. Não era golpe? É golpe hoje? Não! Hoje isso é, sobretudo, a sensação que os senhores têm de que a base está aí na rua. Fala-se em base popular. Base popular são 93% da população. Base popular são aqueles que acreditam que o País tem sido atacado na sua economia, que o País tem sido destruído na sua perspectiva de desenvolvimento, mas sobretudo que o País tem sido desmoralizado nas suas instituições. O que aqui hoje se inicia e se iniciou na semana passada é um processo legítimo em que, no momento oportuno, a Câmara dos Deputados tem que dizer 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 “sim”, representada como a Casa da população brasileira, na sua maioria, ouvindo cada um dos Srs. Parlamentares. A Câmara dos Deputados quer que se inicie um processo de investigação da Presidente da República? Eu tenho certeza, senhores, de que a maioria vai dizer sim! (Manifestação no plenário.) Vai dizer “sim” porque todas as variáveis estão prontas do ponto de vista jurídico, do ponto de vista moral. E eu tenho certeza de que é isso o que espera a população brasileira desta Câmara, e haverá de acontecer. Aqui, o que fizeram hoje as oposições, na liturgia de uma questão de ordem lida pelo Deputado Mendonça Filho, foi dizer ao Brasil que nós queremos fazê-lo mediante regras claras, respeitando o processo institucional, para que fique claro, nas nossas consciências, para o Brasil e para o mundo, que podemos, sim, abrir um novo momento em que o País, sob nova administração, volte a sonhar e a ter esperança! 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Deputado Mendonça Filho, para uma Comunicação de Liderança, pelo Democratas. O SR. MENDONÇA FILHO (DEM-PE. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, em 25 de maio de 1999, José Genoino, Deputado Federal na época, Miro Teixeira, Aldo Rebelo, Milton Temer apresentavam aqui no plenário desta Casa, sem nenhuma fundamentação, um pedido de impeachment do então Presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi rejeitado. E houve recurso. O recurso foi protocolado por José Genoino, ex-Presidente do Partido dos Trabalhadores; por Luiza Erundina, na época, petista; por Milton Temer e outros. O PT não dizia que era golpe. Dizia que era um instituto democrático cravado no texto constitucional brasileiro, que era natural e era previsto. Quando o ex-Presidente Collor foi cassado e a acusação forte que ficou simbolicamente no imaginário popular foi uma Elba, era justo no discurso dos petistas. Hoje, eu fiquei atônito de ver e assistir à reação de vários Parlamentares atacando a Oposição diante de uma situação que, queiram ou não, está na boca do povo: o impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Começou, é verdade, na classe média, que era útil ao Partido dos Trabalhadores quando votava no PT, alastrou-se por servidores públicos e, hoje, contamina empresários e domina até o povão, porque ninguém aguenta mais este Governo! Golpe foi o que fez a Presidente Dilma Rousseff na eleição ao mentir reiteradamente, dizendo que a inflação estaria sob controle, afirmando que se porventura ela perdesse a eleição, os adversários subiriam o custo de vida das pessoas e a carga tributária e iria haver perseguição de servidores públicos. E o que 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 ocorre hoje? Tudo o que a Presidente disse durante a campanha política ela praticou depois com requinte de crueldade, mentira após mentira! Não há outra palavra: mentirosa, mentirosa, Presidente da República! Infelizmente, eu tenho que dizer isso do alto desta tribuna da Câmara dos Deputados. Essa foi a primeira grande decepção. A segunda decepção: para ganhar a eleição, ela praticou as pedaladas. E aí vem comparar momentos específicos de 1 e 2 meses residuais com a prática reiterada de inflar programas sociais, que agora estão murchando, e produzir um rombo de 40 bilhões de reais, que entra na história da humanidade como um dos países do mundo desenvolvido com o maior rombo, o maior estelionato econômico para se ganhar eleição. E, agora, o povo paga a conta: um déficit público de 8% do PIB! Com isso, está-se exigindo da população brasileira um sacrifício enorme em termos de oportunidade de trabalho, com inflação e arrocho de juros, por conta do desmando com um único objetivo: a perpetuação do poder! E o que fizeram na PETROBRAS? Nada? Quatro diretores presos! Isso foi obra do acaso? Esses diretores chegaram lá e aterrissaram na PETROBRAS como obra e graça do Espírito Santo? Que Deus me ilumine neste discurso. Não! Isso foi obra do aparelhamento petista que tomou conta da PETROBRAS e de vários órgãos federais, com o mesmo propósito: aparelhar o Governo, dominar a máquina, perpetuar-se no poder e impor ao povo brasileiro a sua vontade! Não há nada de golpista! Isso é democrático. Está na Constituição. Fiz a leitura, Sr. Presidente, de uma questão de ordem em nome dos Líderes de oposição. Os petistas e os comunistas ficaram incomodados. Que se incomodem! Não tenho medo do ex-Presidente Lula, não tenho medo de movimentos sociais. Subo à tribuna 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 desta Casa e pratico a minha política naquilo que acredito. Não venham com ameaça! O Presidente Lula se mostrou um cínico. Permita-me dizê-lo. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Peço que conclua, Deputado. O SR. MENDONÇA FILHO - Ele dizia que, quando o Brasil alcançou o investment grade, era obra do seu governo, conquista do seu governo. Era reconhecimento do mundo às maravilhas praticadas pelo PT. Depois que perde, não vale mais nada. Isso é cinismo, minha gente! Isso não merece respeito! Nós vamos travar aqui a luta democrática, limpa, à luz da Constituição, respeitando a Lei nº 1.079, respeitando o texto constitucional de 1988. Pode estrebuchar, pode gritar, pode pular, mas a voz das ruas vai ecoar aqui na Casa do Povo. Muito obrigado. (Palmas.) 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Henrique Fontana, para uma Comunicação de Liderança, pelo PT. O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, colegas Parlamentares, estamos hoje provavelmente iniciando uma quadra decisiva da história da democracia do nosso País. O que começa a ser debatido, a partir dessa questão de ordem, formulada pelo Líder do DEM, é a democracia que vamos continuar vivenciando, é a democracia em que o voto do cidadão escolhe quem governa o País, quem governa os Estados, quem governa os Municípios. Nós vamos decidir, como querem alguns, e eu tenho muita convicção de que não serão maioria, se o voto de 54 milhões de brasileiros pode ser golpeado numa manobra dita institucional, mas que não para de pé sob a análise de democratas equilibrados. Não quero falar com partidos; quero falar com o Brasil e quero dizer que a escolha será esta: de um lado, estarão os que defendem a democracia; e, de outro, aqueles que, mesmo diante da derrota eleitoral, são capazes de enveredar pelo caminho da desestabilização, pelo caminho da conflagração de um país, pelo caminho que coloca em crise a própria economia brasileira e, como eu digo, na linha do “quanto pior, melhor”. A linha do “quanto pior, melhor” é a linha daqueles que dizem: “Não importa se haverá uma grande convulsão no País, não importa votar pautas-bomba, não importa dificultar a economia brasileira, não importa trabalhar os empregos, os salários e a renda do povo brasileiro. O que importa é o poder”. 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 E o Líder do Democratas, que acabou de dizer o oposto, eu respondo a S.Exa., Deputado Glauber, que o projeto de poder desse grupo golpista é que está sendo debatido com isso que vocês chamam de impeachment, mas, na realidade, é um golpe contra a democracia. Dizia-me o Deputado Décio Lima, e eu o cito aqui, está lá no dicionário, o que é golpe, Deputado Arlindo Chinaglia. Golpe, entre outras coisas, é a conquista do poder político por meios ilegais. É isso que uma parte da Oposição está tentando fazer. A mesma Oposição, se tem tantos argumentos, por que não ganha uma eleição há 16 anos? Por que perdeu quatro eleições, uma atrás da outra? Porque esse argumento é elitizado, esse argumento é contra o projeto e esse argumento tem instrumentalizado o debate sobre a corrupção para atacar uma Presidenta honesta, honrada, que trabalha, que pode acertar e errar, mas que é honesta e honrada. (Apupos.) E o tribunal que vai julgar a Presidenta Dilma não são as vaias que eu ouço do lado de lá. Eu posso ouvir a opinião política do lado de lá, mas o Brasil não é uma República na qual V.Exas. fazem a acusação, sustentam o julgamento e condenam por pura vontade política. Eu anotei outras coisas aqui. A cara desse golpe é a cara da intolerância, é a cara da inconformidade com a opinião do povo brasileiro, ou alguém daquele lado dos que aplaudem o golpe, quando o Governo Fernando Henrique teve a popularidade mais baixa da história do País, foi lá dizer que ia sair do Governo. Aliás, eu ouço esse papo de estelionato eleitoral. Sabe qual foi, Deputado Jean Wyllys, realmente esse estelionato? Esse foi pesado. Mentiram para o povo brasileiro que o dólar era igual ao real. Sabe quantos dias durou, Deputado Edinho? 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Semanas depois da eleição. E sabe o que custou, Deputado Wadih Damous? Custou o Brasil quebrar. No nosso Governo o Brasil não quebrou, Deputado Tadeu Alencar. Os democratas do PSB, que têm outra ideia sobre governar o País, e que eu respeito, eu sei que estarão conosco contra o golpe, contra a desestabilização institucional. Agora, o Presidente Lula e a Presidenta Dilma, conduzindo o Brasil, não quebraram nenhuma vez este País. Ao contrário, garantiram reservas junto com o povo brasileiro. O povo brasileiro que trabalha, que não quer esse golpe, que quer solução, que quer uma oposição que venha aqui e diga o que fazer. E não uma oposição que passa 10 meses sem reconhecer o resultado de uma eleição, jogando no “quanto pior, melhor”. Aliás, eu vou abrir um parêntese para falar do Presidente Lula, um parêntese necessário e merecido. O Presidente Lula, um dos maiores estadistas que governou este País, não gosta do discurso arrogante, fez um grande governo, iniciou um processo de transferência e distribuição de renda sem precedentes, um processo de inclusão educacional que duplicou as vagas no ensino superior brasileiro, um processo de apoio à população mais pobre, que garantiu o melhor nível de emprego, Deputado Waldenor, de toda a história do Brasil. Eles lá, os do golpe, pegaram o Brasil com 6% de desemprego, entregaram com 12,8% e querem vir aqui dar aula de economia. Lula e Dilma pegaram com 12,8% e diminuíram para 4,9%, e nós vamos vencer a crise momentânea que estamos enfrentando. 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Eu dizia que o Presidente Lula não responde a nenhum processo, Líder Deputado Ságuas Moraes, que me concedeu este tempo. Não responde a nenhum processo. Quero repetir: depois de governar o País, durante 8 anos, não está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal, como outros aqui nesta Casa estão sendo. Não foi julgado por nenhum crime. Por isso, a única justificativa para essa difamação absurda, que é colocar uma camiseta, um desenho de presidiário em um homem honrado, que não foi julgado, que não cometeu nenhum crime... (Apupos.) E não adianta gritar, não adianta gritar do lado de lá. Há pouco, quando essa grande Líder do PCdoB falava, eles gritaram palavra que não vou repetir, mas a palavra que eles gritaram, Deputada Jandira Feghali, é a vontade que têm de retirar o Presidente Lula da cena política brasileira, é o ódio que infelizmente eles têm, porque quem é prisioneiro do ódio tem dificuldade de compreender a conjuntura. Mas é aí, sem o ódio e a intolerância, contra o projeto que está mudando a vida dos brasileiros. Vou solicitar 1 minuto para concluir. E como já disseram outros que me antecederam aqui, nós vamos ter... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Peço que conclua, Deputado. O SR. HENRIQUE FONTANA - Se V.Exas., aquela parte da Oposição que sonha dia e noite com o golpe, levarem adiante a ideia do golpe, nós vamos reagir à altura: vamos debater em todos os cantos do País, em todas as rádios, em todas as televisões, neste plenário, nas ruas. Porque para governar o Brasil é preciso ter o voto da maioria dos brasileiros e não se reunir na salinha da Oposição, com sete ou oito, para conspirar um golpe e tentar trazê-lo para dentro deste plenário. Vamos debater. Não há fatos, não há nada contra a Presidenta Dilma. Nós vamos governar e melhorar o Brasil. 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Deputado Nilson Leitão, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSDB. O SR. LEONARDO PICCIANI - Peço inscrição como Líder, na sequência. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Vai demorar um pouco, Deputado, pois há uma lista. O SR. NILSON LEITÃO (PSDB-MT. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fiquei ali refletindo sobre algumas colocações. Não quero aqui me dirigir a nenhum Deputado ou Deputada; eu quero me dirigir a este momento do debate em que cada um está defendendo seu ponto de vista. Compreender que os defensores do Governo não entendem o impeachment como algo constitucional não seria normal. Passa a ser, talvez, quando lembramos que o PT não aprovou a Constituição brasileira, aliás, não votou na Constituição brasileira. Essa Constituição, essa arma a que o PT quer se agarrar como defesa, foi algo que ele repudiou no passado. (Manifestação no plenário: Vai trabalhar!) Dizer que a Presidente Dilma é democrática... Ela não foi democrática na sua luta. Ela fez luta armada a favor da ditadura. Não foi a favor da democracia. Quem fala isso são seus companheiros que lutaram com ela. Não é verdade que ela foi democrata, nem uma vez nas suas lutas. É uma grande mentira quando alguém fala em democracia. Alguns aqui falam que é golpe. Golpe foi o que o Deputado Genoino aplicou contra Fernando Henrique Cardoso, em 1999, entrando com um pedido de impeachment de um presidente que foi eleito. O golpe de um presidente da 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 República, como o Lula, que, na verdade, bem diferente do Fernando Henrique Cardoso — Fernando Henrique não ousou usar a máquina pública para eleger seu sucessor —, usou a máquina pública para eleger o chamado poste, como era chamado pela imprensa nacional. A Presidente Dilma usou a máquina pública para se reeleger Presidente da República. Ela deu calote no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. O calote não foi só financeiro. Ela também mentiu para a sociedade brasileira quando prometeu aquilo que não era verdade. No dia 1º de outubro de 2014, a Presidente Dilma, em uma entrevista em campanha eleitoral, disse que jamais traria a CPMF, porque ela achava que isso seria enganar o povo brasileiro. Hoje o que ela faz? Ela engana o povo brasileiro. A Presidente Dilma e o PT rasgaram não apenas a Constituição e não apenas foram contra a democracia o tempo todo. Rasgaram também todos os valores que uma mãe e um pai ensinam a seus filhos: não mentir, não roubar, não deixar roubar e não usar o dinheiro roubado para se beneficiar em uma eleição. A Presidente Dilma não pode acusar ninguém de golpe, e muito menos V.Exas. que já, então, usaram o mesmo golpe. Usaram a Constituição brasileira — que, aliás, parece um crucifixo para vampiro, a Constituição com o PT — e vêm agora abominar aquilo que é legislação. O que esta Oposição está fazendo não é nada mais do que ouvir as vozes das ruas, do que ouvir a sociedade e ouvir muitos daqueles que votaram no PT nas últimas eleições e que estão pedindo hoje o afastamento da Presidente Dilma. Indecente é aquele que não quer ouvir. Aliás, a Presidente Dilma deveria renunciar ao mandato. Eu concordo que o impeachment vai ter que ser um ato desta 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Casa, mas nós temos alternativas. Lá no TSE, a cassação. Nós temos a alternativa da renúncia, mas acho que ela não tem hombridade, capacidade para isso. Esta Casa tem, sim, uma arma legal e uma atitude, que é ouvir a voz do povo, que é o impeachment, de forma legítima, de forma legal, de forma honrosa. O que vale aqui é se a base do Governo acredita, de fato, que a Presidente Dilma não cometeu crimes, que continue tentando conquistar os votos para não alcançar o impeachment, porque o impeachment chegará. O impeachment chegará por todos os golpes aplicados pelo PT e pela Presidente Dilma: o golpe contra o trabalhador brasileiro na reforma trabalhista; o golpe contra o empresário, contra essa reforma fiscal maldita, que veio tomar cada vez mais o dinheiro do povo brasileiro; o golpe que apresentaram nessa última semana quando pareciam mais os trapalhões da República, o Ministro da Fazenda e o Ministro da Economia, que não se entendiam naquela aparição fatídica querendo apresentar um projeto novo para o Brasil. Que projeto é este no qual a Presidente Dilma não cita nele que ela vai cortar um cartão corporativo ou um veículo que está gastando muito ou vai demitir algum dos seus apaniguados? Não, o golpe é imputar aos brasileiros a maior inflação, a maior taxa de juros, e não é discurso fácil. A taxa de juros de 8,9%, juros real, é a primeira do mundo; em segundo vem a Rússia com 3,4%, uma diferença enorme; golpe é roubar o assalariado, ou o que estão fazendo ao aumentar o preço do tomate, do arroz, do feijão; golpe é tirar o sonho do estudante do FIES, que foi afastado da sua faculdade, porque deu com a cara na porta este ano e não pôde se matricular novamente; golpe é cortar o Programa Minha Casa, Minha Vida, porque assaltaram o dinheiro do Fundo de Garantia, porque assaltaram o dinheiro do Governo Federal; golpe é a corrupção da PETROBRAS; golpe é usar o dinheiro da 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 empreiteira para fazer campanha eleitoral — e três tesoureiros já sabem disso, todos os delatores já colocaram isso; golpe é continuar mentindo para a sociedade brasileira; golpe é não compreender que a Presidente Dilma venceu seu prazo: 10 meses, 1 mês, 1 dia. Se uma mãe ou um pai de família erra, eles têm que pagar o preço. A Presidente Dilma está acima da lei? Está acima da verdade e da mentira? Está acima dos valores que V.Exas. defendem para os seus filhos, que V.Exas. aprenderam com os seus pais? Esses valores não valem mais? Se me perguntassem em uma frase só: você tem algum motivo para pedir o afastamento da Presidente Dilma? Eu diria: tenho. Ela mentiu. A Presidente Dilma mentiu. Mentiu para a sociedade brasileira, mentiu para as pessoas que tinham nela a esperança, mentiu para os eleitores que saíram das suas casas debaixo de sol ou debaixo de chuva, para votar em cima daquilo que ela prometeu e em cima daquilo que ela denegriu em relação aos seus adversários. Ela imputou aos seus adversários aquilo que ela tinha no seu subconsciente. Ela disse que o seu adversário acabaria com o FIES. Quem está acabando é ela. Ela disse que o seu adversário desempregaria o povo brasileiro. Quem está desempregando é ela. Não é à toa que, de cada dez brasileiros, sete a querem fora do Palácio do Planalto e acham que isso é pouco. Quem não está respeitando a democracia e o povo brasileiro é a Presidente e o seu Governo. Vem querer agora remendar, construir propostas que não duram 24 horas. E, confessem, olhem nos espelhos na hora em que chegarem em casa e falem a verdade: nem a base do Governo acredita nela mais; nem o PT acredita nela mais, 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 alguns heróis estão subindo na tribuna para defender a Presidente Dilma, mas, com toda a certeza, voltam para suas cidades e voltam envergonhados por defender essa senhora que faliu o Brasil. Vêm aqui falar em falência? A falência é da Presidente Dilma Rousseff. A falência é de um Brasil que não tem mais crédito internacional nem crédito dentro de casa. É de um Brasil que tem que usar as emendas parlamentares para fazer um repasse constitucional da saúde. A Presidente Dilma Rousseff faliu o País, e está na hora de V.Exas. entenderem que golpe é o que estão fazendo com a sociedade brasileira, com o povo brasileiro. O impeachment é apenas um instrumento constitucional pedido pelo povo e pela sociedade. Os partidos políticos apenas ouviram a voz da rua e agora vão aplicar aquilo que a Constituição manda. V.Exas. não votaram na Lei de Responsabilidade Fiscal, não votaram na Constituição, foram contra o FUNDEB, na época, e agora se deliciam disso, mas vão aceitar que esta Constituição é que vai tirar a Presidente Dilma Rousseff, porque o golpe é ela, com nome e sobrenome. 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Roberto Freire, para uma Comunicação de Liderança, pelo PPS. O SR. ROBERTO FREIRE (PPS-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou falar, talvez como um testemunho no plenário desta Casa, da verdadeira narrativa do que estamos dando início hoje. Efetivamente o pedido de impeachment da Presidente Dilma Rousseff não é narrativa vinculada ao que pretenderam aqui alguns setores de esquerda. Nada a ver com o golpe militar de 64. Não vamos comparar o que vivemos hoje com um fato histórico da maior relevância inserido no mundo da bipolaridade da Guerra Fria. Nós estamos vivendo hoje à semelhança do que vivemos aqui quando do impeachment de Collor, quando a sociedade brasileira, tal como faz hoje, discute a presença de um governo corrupto, de um governo irresponsável, de um governo incompetente. O que as ruas estão discutindo, e que aqui se começa efetivamente a discutir, é se houve crime de responsabilidade praticado pelo Governo da Sra. Dilma Rousseff. E para nós da Oposição — tal como a Oposição no Governo Collor, que era um governo legítimo, que tinha sido eleito, que falavam que era golpe porque queriam que Lula viesse a ser Presidente, já que tinha perdido a eleição para Collor em 1989 — nada disso foi levado em consideração, porque a sociedade brasileira entendeu que estávamos discutindo, nos termos constitucionais, o impeachment de um governo que tinha cometido crime de responsabilidade. E lembrem que, afora alguns pagamentos de despesas pessoais, contra Collor se falava de um Fiat Elba, de dinheiro proveniente de propina. Eu costumo 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 dizer que, em relação a Dilma, o que as oposições brasileiras de hoje têm é uma frota de Fiat Elba. Precisamos entender que nós da Oposição — falo aqui em nome de um partido de esquerda que tem trajetória e história neste País — o PPS, que foi PCB — não temos que confundir com golpismo. Não somos! Lutamos contra a ditadura. (Manifestação no plenário: Muito bem!) Somos democratas e queremos discutir o impeachment nesta Casa por termos um governo que infelizmente enxovalhou a esquerda com a corrupção. Nós precisamos discutir se o Brasil, pela ingovernabilidade que aí está, exige novos rumos, exige novo Governo. Dou outro testemunho. Não tenho medo do futuro. Nós, quando no impeachment de Collor, tínhamos a perspectiva do futuro. E esse futuro eu vi construir-se com o Governo Itamar, que recobrou a confiança da população brasileira, que foi reformista. Eu fui líder desse governo, representando o governo de coalizão. E o PT que tinha participado do impeachment de Collor conosco, desse governo não participou por um oportunismo de imaginar que iria entrar em derrocada e Lula poderia vir a ser candidato a Presidente em 1994. Todos nós conhecemos a história. É importante restaurá-la. Esta é a narrativa democrática: não golpista! É a narrativa... (Desligamento automático do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Conclua, Deputado. O SR. ROBERTO FREIRE - Ao concluir, quero apenas dizer que não podemos e nós aqui não aceitamos discussão. Será discussão polêmica, vamos ter confrontos políticos, mas não se pode trazer aqui a tentativa de fraudar a história. Nós somos democratas... 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Ele está aqui falando do que o PT fez inclusive com a Erundina. Aí, é passar para o pessoal! O fato concreto é que nós, os democratas brasileiros, independentemente de sermos de esquerda ou de direita, estamos utilizando a Constituição democrática de 1988, e, a partir de hoje, o impeachment de Dilma Rousseff iniciou sua tramitação no Congresso Nacional. (Manifestação no plenário: Muito bem! Palmas.) 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Para falar pelo PP, tem a palavra o Deputado Julio Lopes. O SR. JULIO LOPES (Bloco/PP-RJ. Como Líder. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero deixar público que também tenho admiração e respeito pela trajetória política do Sr. Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, e que também respeito, pela trajetória política, a Sra. Dilma Rousseff. Resolvi falar deste lado da tribuna, Sras. e Srs. Deputados, para dizer que, mesmo assim, acho absolutamente democrático e pertinente que aqui venhamos discutir o impeachment, que foi inscrito na Constituição pelos próprios Srs. Deputados e Sras. Deputadas. Esse instrumento está claramente previsto. Eu ainda não sei se serei favorável à deposição por impeachment da Sra. Presidenta da República porque a questão ainda não está colocada. Para que se dê o impeachment, é necessário que tenha havido um fato concreto, e é esse fato que teremos que debater aqui, que polemizar. Mas quero colocar para o Deputado Orlando Silva, a quem muito respeito, que essas imputações e bravatas que lançamos uns contra os outros aqui o Brasil considera desimportantes, assim como sempre considerei desimportante a leviana acusação que S.Exa. sofreu há algum tempo. Acho que o que temos que discutir aqui é que o País precisa rever suas estratégias. O Brasil está, do ponto de vista do setor energético, absolutamente quebrado e equivocado. Com o atual preço do petróleo, não temos como manter a nossa matriz energética. Cometemos tantos erros no setor, que não temos como garantir o abastecimento do País. Temos que tratar aqui de encontrar soluções para esta grave circunstância em que nos colocamos. 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Quero lembrar também, Sras. e Srs. Deputados, que quem iniciou, e muito bem, essa discussão do impeachment foi o Sr. Bicudo, fundador do PT, aquele com quem os petistas labutaram no início da formação do partido, quando deram a ele corpo. Pois é esse senhor quem agora vem dizer que está arrependido e que quer o impeachment da Presidente. Portanto, aqui não estamos uns contra os outros. A questão que está colocada para a sociedade tem pertinência, cabimento e propriedade, portanto temos que discuti-la, sim. Eu mesmo não sei ainda como me posicionarei, porque, como eu disse, é necessário que haja um fato que se possa comprovar. Esse fato poderá surgir. Esse fato parece emergir. Como eu já disse, respeito muito a biografia de Lula. Lamento que ele tenha se apequenado tanto no debate recente. Mas não se pode desprezar a biografia desse homem, nem a da Presidente da República, o que, contudo, não lhes confere imunidade para equívocos e erros que eventualmente tenham cometido. Porque somos homens públicos, sim, sujeitos a erros e acertos. Presidente, eu queria aproveitar para dizer que me incomodo muito toda vez que alguém sobe a esta tribuna para acusar algum de nós que responde a processo ou é acusado disto ou daquilo. Eu, graças a Deus, não sou acusado de nada, nem respondo a processo algum, mas não me julgo melhor nem maior do que ninguém. Aqui não somos indivíduos, somos instituições, seres que representam milhares de pessoas num debate que precisa ser feito e arguido pelo povo, a quem não interessam as nossas posições pessoais, ou nossas individualidades. Enquanto não formos julgados culpados, temos o direito e o dever de aqui nos posicionar e de defender nossas convicções. Fomos eleitos para isso. 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 É importante lembrar que quem acusa a Presidente Dilma de impropriedade e de ato não probo é um fundador do PT. Por respeito, V.Exas. devem ouvir essa posição com mais dignidade, com mais serenidade. Eu mesmo, por ato de ofício e por responsabilidade com o povo do Rio de Janeiro e com o meu Governo, irei me posicionar com toda a cautela do mundo, mas não me furtarei a fazê-lo no momento em que me for exigido um voto ou um comportamento contrário a Dilma ou a Lula ou a quem quer que seja. Todos sabem da admiração que tenho pelo trabalho e pelo serviço que tem prestado o Sr. Presidente Eduardo Cunha, que, a meu ver, se colocará como um dos grandes Presidentes desta Casa, mas isso não me limita em muitas vezes arguilo, em muitas vezes questioná-lo, e, se for necessário, um dia o farei com mais propriedade. É importante que tenhamos aqui a capacidade de debater com tranquilidade e com profundidade os temas que a Nação requer. Precisamos saber o que nos importa, que é discutir o que a sociedade quer. O tema está colocado. Vamos debatê-lo com profundidade e com seriedade. E deixem, que o momento virá! Muito obrigado, Sras. e Srs. Deputados. 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Deputado Arthur Maia, para uma Comunicação de Liderança, pelo Solidariedade. O SR. ARTHUR OLIVEIRA MAIA (SD-BA. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é verdade que a Presidente Dilma realiza o pior Governo da história recente deste País, mas também é verdade que não se pode impichar um presidente da República simplesmente pelo fato de fazer um mau governo. E é importante que se diga de maneira clara e objetiva: não estamos aqui pedindo para que tramite na Casa o pedido de impeachment da Presidente por conta do descalabro administrativo; nós estamos pedindo, sim, que esse pedido de impeachment tramite por conta das pedaladas fiscais, devidamente comprovadas pelos auditores do Tribunal de Contas da União. Nós queremos que tramite nesta Casa o pedido de impeachment por conta da vergonhosa e aberrante compra da Refinaria de Pasadena, que causou um prejuízo estrondoso para a PETROBRAS, e a Presidente Dilma tem responsabilidade com isso. Nós queremos, Sr. Presidente, que tramite o pedido de impeachment por conta das inúmeras provas de que dinheiro roubado do povo brasileiro, do Governo brasileiro, foi desviado para financiar a campanha da Presidente Dilma no ano passado. Enfim, Sr. Presidente, nós queremos o pedido de impeachment por conta da corrupção deste Governo. Eu fico vendo os discursos dos defensores do Governo. Ora, falam aqui que pedir o impeachment é golpe, que é atentar contra o voto da maioria. Ora, senhores, V.Exas. votaram também o impeachment de Collor. V.Exas. aqui pediram, sem 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 nenhum fundamento, o impeachment do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que veio para o plenário e foi derrotado. Aliás, Presidente Eduardo Cunha, é bom que se diga, V.Exa. tem a obrigação de submeter o recurso da Oposição ao Plenário, caso não aceite esse pedido, porque essa já é uma jurisprudência firmada por esta Casa e devidamente acatada pelo então Presidente da Câmara Michel Temer, a pedido do Deputado Arlindo Chinaglia. Ora, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós estamos diante de um dos piores governos da nossa história, mas, eu repito, o impeachment não é por conta disso; o impeachment é por conta dos crimes de responsabilidade. Falar em golpe é atingir um instrumento como o impeachment, que é formado exatamente para combater aqueles que, tendo sido eleitos pelo voto popular para um cargo executivo, traem a confiança do povo e praticam atos que desonram o seu cargo. Por acaso, senhores do PT, golpista é o Dr. Hélio Bicudo, que foi um dos fundadores do partido, sempre aclamado por V.Exas. como a referência moral e ética e um símbolo da cultura jurídica deste País e que assina o pedido de impeachment que estamos pleiteando que venha para o plenário? Será que, na hora em que se posicionou contra o ideário de um partido que se perdeu na história, ele se transformou em um golpista? Não, não! Hélio Bicudo não é golpista. Golpista é quem traiu a confiança do povo brasileiro, golpista é quem, na eleição, disse tantas mentiras, que hoje não pode nem falar em rede de televisão, porque o povo está revoltado com tudo o que foi dito e com o que vem acontecendo, de maneira tão triste, perante nossos olhos. 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Portanto, Presidente Eduardo Cunha, dirijo a V.Exa. as últimas palavras de minha fala: V.Exa. tem a obrigação — obrigação, sim —, como Presidente desta Casa, de cumprir o rito e de submeter não à decisão de V.Exa., mas à decisão do Plenário, qual será o destino desse processo de autoria do Dr. Hélio Bicudo. 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra o Deputado Pompeo de Mattos, para uma Comunicação de Liderança, pelo PDT. O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, eu não vou falar de impeachment. Eu vejo aqui que um acusa um, que acusa outro, que acusa outro, que acusa um. Para tudo há hora. Nós damos tempo ao tempo, para que, com tempo, tenhamos tempo, desde que não percamos tempo, e que chegue o tempo no tempo certo. Quero me valer da oportunidade, na condição de quem pode usar o espaço de Líder do meu partido — honrosamente, o PDT —, para dizer de um trabalho, Sr. Presidente, que estamos realizando na condição de Presidente da Frente Parlamentar que trata exatamente da concessão do setor público de energia elétrica. Nós estamos vivendo um drama muito grande por conta de que o prazo da concessão pública do sistema de energia elétrica, especialmente das distribuidoras em nosso País, venceu. E havia, até poucos dias, uma cautelar do Tribunal de Contas da União que não permitia a prorrogação dessas concessões. E estavam à mercê dessa decisão, Sr. Presidente, várias estatais: no Rio Grande do Sul, a CEEE; em Santa Catarina, a CELESC; no Paraná, a COPEL; a CEMIG, em Minas Gerais; a CEB, aqui no Distrito Federal; a CELG, em Goiânia; o Sistema ELETROBRAS no Acre, em Alagoas, no Amazonas, no Piauí, em Rondônia, em Roraima. Todas à mercê dessa situação. A Frente Parlamentar, Sr. Presidente, apoiada pelo SENGE — Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul, entrou no Tribunal de Contas como amicus 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 curiae no processo em que o Tribunal de Contas avaliava a possibilidade de renovação dessa concessão ou de uma nova licitação. O Ministro José Múcio, Relator, por dias, semanas, meses, avaliou, analisou e estudou a renovação dessas concessões. Nós estivemos em várias audiências, com a presença de sindicatos, de entidades, de representantes da CIEN — Companhia de Interconexão Energética, do setor energético, da ELETROBRAS, do Ministério de Minas e Energia, dos mais diferentes setores energéticos do Brasil e da ANEEL, obviamente. Finalmente, na quarta-feira da semana passada, o Ministro José Múcio deu seu parecer final, definitivo. Ele fez críticas e reparos ao Ministério de Minas e Energia, fez críticas e reparos à ANEEL, que não cumpriu as normativas e não fez bem o dever de casa. Mas o Ministro entendeu que mesmo assim se fazia necessária a renovação das concessões públicas dessas empresas, que não são outra coisa que não o longa manus, o braço estendido da União na área energética, para gerarem e distribuírem energia elétrica por todo este Brasil, nos mais diferentes rincões — 80%, 90% da população brasileira depende da energia elétrica transmitida por essas empresas públicas. Eu quero parabenizar, desta tribuna, o Ministro José Múcio e os demais Ministros do Tribunal de Contas, que, por 7 votos a 1, decidiram pela renovação das concessões públicas dessas empresas. Foi uma luta árdua, uma vitória da Frente Parlamentar em Defesa da Renovação das Concessões no Setor Público de Energia Elétrica, que tenho a honra de presidir. Defendemos empresas como a CIEN — Companhia de Interconexão Energética, como a CELESC — Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A., como a CEMIG — Companhia Energética de Minas Gerais, como a CEB — Companhia Energética de Brasília e outras tantas, porque nós 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 precisamos de uma energia de qualidade, barata, com bom atendimento e presente. Energia pressupõe crescimento, desenvolvimento, demanda e necessidade, coisas de primeira necessidade que se implementam com energia elétrica. Por isso, quero aqui parabenizar a equipe que esteve conosco na linha de frente: o Dr. Alexandre Wollmann, Presidente do SENGE — Sindicato de Engenheiros do Rio Grande do Sul; o Dr. Luiz Alberto Schreiner, Vice-Presidente do SENGE-RS; o Dr. Gerson Carrion, os colegas que trabalharam comigo e o Deputado Afonso Motta, que também faz parte dessa Frente Parlamentar. É um trabalho sério, positivo e afirmativo. Vitória! 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Leonardo Picciani, para uma Comunicação de Liderança, pelo Bloco Parlamentar PMDB/PP/PTB/PSC/PHS/PEN. O SR. LEONARDO PICCIANI (Bloco/PMDB-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu não vou usar todo o meu tempo, até em benefício do andamento da sessão, mas, como todos os partidos se posicionaram, achei que era importante o PMDB vir aqui se manifestar. Não vou entrar no tema específico do impeachment. O PMDB é um partido com forte tradição democrática, com forte tradição de respeito às normas, à lei, à Constituição. O nosso limite é o limite da lei, é o limite da Constituição. O PMDB estará sempre ao lado da lei fundamental do nosso País, porque é ela que protege todo e qualquer cidadão brasileiro. Acho, acho que, constitucionalmente, o debate aqui posto é um tanto quanto açodado. Precisamos avançar um pouco mais. O PMDB se reserva essa cautela, a cautela da defesa, e defenderá, em qualquer circunstância, a legalidade, como a defendeu em diversos outros momentos do País. Sem a pretensão de querer dizer ao partido A, B ou C, ou a quem quer que seja, aquilo que se deve fazer, quero chamar a atenção dos colegas e da sociedade que acompanha os trabalhos desta Casa para o fato de que o País vive um momento econômico difícil, conturbado. Não adianta não reconhecer que é isso o que se passa. O trabalhador tem perdido o emprego. Mês após mês, milhares e milhares de brasileiros e brasileiras têm perdido o seu posto de trabalho e têm visto a sua perspectiva de emprego reduzir-se. É evidente que a responsabilidade é do 49 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Governo. O Governo venceu as eleições justamente para enfrentar esses problemas, para dar-lhes solução, e precisa fazê-lo. Mas nós temos uma contribuição a dar. Não é culpa do Congresso Nacional a situação que o País vive hoje no cenário econômico, mas nem por isso devemos nos furtar a buscar solução para os problemas, para as dificuldades que o País atravessa. E permitam-me os companheiros que falaram nesta tribuna e que falaram na tribuna ao lado dizer que não é na discussão, no bate-boca, no confronto acalorado, que nós vamos achar o caminho que a sociedade espera. O PMDB deixa um apelo ao Plenário: que nós tenhamos responsabilidade, todos nós! Ninguém aqui é mais ou menos responsável do que ninguém. Todos somos responsáveis, tanto os da base do Governo quanto os da Oposição. E todos chegaram aqui eleitos pela população, portanto têm legitimidade para falar em nome do povo brasileiro. Vamos usar a nossa energia mais para tratar dos temas que interessam ao cotidiano da população brasileira, dos temas que levam à resolução dos problemas, dos temas que promovem a geração de emprego e a retomada do crescimento do País. E não vamos nos furtar ao debate. Vamos divergir e, quando for possível, vamos convergir. Vamos encontrar o caminho das soluções, mas sem jamais negar à população a atuação deste Parlamento no debate dos temas nacionais. Não vamos apequenar o nosso papel. Vamos engrandecer o papel desta Casa, que é grande, que pode muito em benefício da população e que deve exercer esse papel sempre pensando no País e no povo brasileiro. Obrigado, Presidente. 50 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 V - ORDEM DO DIA PRESENTES OS SEGUINTES SRS. DEPUTADOS: 51 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - A lista de presença registra o comparecimento de 480 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. 52 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Passa-se à apreciação da matéria sobre a mesa e da constante da Ordem do Dia. Item 1. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 681, DE 2015 (DO PODER EXECUTIVO) Continuação da votação, em turno único, da Medida Provisória nº 681, de 2015, que altera a Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para dispor sobre desconto em folha de valores destinados ao pagamento de cartão de crédito; tendo parecer da Comissão Mista, pelo atendimento dos pressupostos de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa; pela adequação financeira e orçamentária; e, no mérito, pela aprovação desta, nos termos do Projeto de Lei de Conversão nº 12, de 2015, adotado, e pela rejeição das Emendas de nºs 1 a 66. (Relator: Senador Valdir Raupp e Relator-Revisor: Deputado Vander Loubet). 53 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Esta Presidência informa que o Destaque nº 2 foi retirado. Há um destaque sobre a mesa, o Destaque nº 1. Deputado Mendonça, eu havia feito um apelo a V.Exa. para que concordasse com a retirada desse destaque. O SR. MENDONÇA FILHO (DEM-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Presidente, eu vou retirar o destaque. Acho que a noite de hoje é uma noite histórica de debates aqui no Parlamento brasileiro. Sinceramente, não imaginava que a leitura da questão de ordem sobre os procedimentos para o processo do impeachment pudesse galvanizar um debate tão intenso, tão rico e tão importante para a história política do Brasil. E eu apresentei esse destaque para outras medidas provisórias. Ele é relevante, refere-se a um tema que diz respeito ao interesse de Estados e Municípios brasileiros, e, em homenagem à temática impeachment, vou deixar a discussão sobre a matéria da contribuição de Estados e Municípios do PIS/PASEP para a próxima medida provisória, porque eu já tenho destaque assegurado sobre o tema. Só aviso que esse tema vai ter que ser discutido e votado pelo Parlamento. Faço apenas um apelo a V.Exa. Como esse é o único destaque, peço que encerremos a sessão e que os destaques relativos ao PLP 366 fiquem para amanhã, já que o Plenário está cansado. Eu acho que vivemos hoje mais uma noite histórica do Parlamento brasileiro. Encerramos a partir de agora, se V.Exa. concordar. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - O.k. Eu também concordo. Eu acho que o Plenário já participou de um debate muito acalorado, não teríamos produtividade para continuar com 8 destaques e 257 votos. 54 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Retirado o destaque pelo Democratas. Passemos à votação da redação final. 55 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Há sobre a mesa e vou submeter a votos a seguinte REDAÇÃO FINAL: 56 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Os Srs. Deputados que a aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.) APROVADA. A matéria vai ao Senado Federal, incluindo o processado. 57 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. DANIEL ALMEIDA (PCdoB-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o Deputado Daniel Almeida votou com a bancada na votação anterior. A SRA. MARIA DO ROSÁRIO (PT-RS. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - A Deputada Maria do Rosário votou com o PT. O SR. EVANDRO ROMAN (PSD-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O Deputado Evandro Roman votou com a bancada. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Eu pediria que houvesse quórum, para começarmos às 16h30min amanhã. Iremos consolidar, pela presença, a votação de hoje. 58 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS À MESA PARA PUBLICAÇÃO O SR. JULIO LOPES (PP-RJ. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Comissão de Desenvolvimento Urbano debateu o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado, com vista na implementação do Estatuto da Metrópole. Participaram do debate a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB e o Departamento de Políticas de Acessibilidade e Planejamento Urbano do Ministério das Cidades. O Estatuto da Metrópole é um instrumento político que norteará o planejamento das regiões metropolitanas, portanto tem extrema importância para o Brasil, que já possui hoje 20 metrópoles instituídas. Nós da Comissão de Desenvolvimento Urbano entendemos que cada Município possui suas próprias características, mas conjugam problemas e desafios comuns, que precisam ser superados em conjunto ou nunca serão resolvidos. Para isso, é necessária a implementação do Estatuto, que contribuirá para solucionar problemas dos Municípios conurbados. A lei estabelece diretrizes gerais para o planejamento, a gestão e a execução das funções públicas de interesse comum em regiões metropolitanas e em aglomerações urbanas instituídas pelos Estados. O Estatuto da Metrópole precisa de regulamentações, para que os gestores públicos e a sociedade como um todo possam definir com clareza as políticas públicas intermunicipais e regionais, como os planos de desenvolvimento urbano integrado, além de consórcios públicos, convênios de cooperação, contratos de gestão, parcerias público-privadas interfederativas e compensação por serviços 59 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 ambientais. Durante a audiência, os participantes defenderam que todos os Municípios de regiões metropolitanas devem participar da elaboração dos planos de desenvolvimento urbano integrado, documento semelhante ao plano diretor das cidades, só que válido para as regiões metropolitanas, com prazo definido até meados de janeiro de 2018. Muito obrigado Sr. Presidente. 60 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. KAIO MANIÇOBA (Bloco/PHS-PE. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, criou vários Municípios pernambucanos que hoje homenageio: Araripina, Arcoverde, Belo Jardim, Cabrobó, Carpina, Custódia, Moreno, Orobó, Surubim, e também Flores, que nessa data foi elevado à categoria de Distrito. Nenhuma dessas cidades tem litoral e a maioria está no Semiárido. Araripina fica no extremo noroeste de meu Estado, a 690 quilômetros de Recife. Faz fronteira com o Ceará, a norte, e com o Piauí, a oeste. Lá se localiza o maior polo gesseiro do Brasil, responsável por 95% do gesso consumido no País. O gesso que foi usado neste Congresso e em praticamente todas as construções brasileiras veio de Araripina, que tem três faculdades e 82 mil habitantes. Arcoverde, Município no centro-norte pernambucano, está a 256 quilômetros de Recife e tem 73 mil habitantes, 90% deles em áreas urbanas. Seu Índice de Desenvolvimento Humano está acima da média dos Municípios sertanejos. A cidade atrai diariamente cerca de cinco visitantes em busca de atendimento médico, compras e educação. Conta com cinco instituições de ensino superior e o mais antigo cinema em funcionamento do Brasil, o Rio Branco, fundado quase 1 década antes da fundação formal do Município. Também fundado em 11 de setembro de 1928, Belo Jardim, Município cortado pela Estrada de Ferro Central de Pernambuco desde 1906, tem quase 80 mil habitantes e cinco instituições de ensino superior. A sede municipal está a mais de 600 metros de altura, e nos arredores há lugares acima dos mil metros, amenizando o clima e criando potencialidades turísticas. Os 33 mil habitantes de Cabrobó, no polo regional de Petrolina e Juazeiro, 61 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 têm no arroz e na cebola a principal fonte de renda. O Município, um dos mais ameaçados de desertificação em todo o País, é ponto de partida do eixo norte da transposição das águas do Rio São Francisco, cujas cachoeiras e águas verdes atraem muitos turistas, da mesma forma que a Festa da Cerveja, as Vaquejadas e o São João. Carpina está localizada na Zona da Mata, há 45 quilômetros ao norte de Recife. A população de 80 mil habitantes, dos quais mais de 95% são urbanos, cresce a uma taxa muito alta: entre 2010 e 2014, houve um aumento de 7,12%. A densidade demográfica, de mais de 500 habitantes por quilômetro quadrado, exige investimentos maciços em infraestrutura e mais verbas federais e estaduais. Custódia se localiza no Sertão do Moxotó, quase no centro geográfico de Pernambuco, a uma altitude média de 542 metros acima do nível do mar. Sua população, em torno de 35 mil habitantes, vive principalmente da criação de cabras e ovelhas. O milho, o feijão, o algodão e a goiaba também se destacam, inclusive na indústria local de doces e enlatados. Há também uma fábrica de remédios. O grande destaque municipal são as grandes feiras livres, com diversidade de produtos artesanais e espetáculos culturais: bacamarteiros, bandas de pífano e o tradicional samba de coco. Fazendo fronteira com Custódia, está o Município de Flores, que nasceu como distrito em 11 de setembro de 1873. Flores tem 22 mil habitantes, 60% dos quais na área rural. O Município de Moreno, que já foi parte do litorâneo Jaboatão dos Guararapes, nasceu com um engenho, que chegou a ser visitado por Dom Pedro II. No início do século XX, uma indústria têxtil belga diversificou a economia. 62 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 Atualmente, os 60 mil habitantes de Moreno têm como principal atividade a agropecuária, com destaque para a cana-de-açúcar, o coco, a banana, o inhame, o maracujá e a acerola. O comércio e a prestação de serviços também são setores dinâmicos. Orobó, no Planalto da Borborema, região do Agreste, tem cerca de 23 mil habitantes que precisam de mais atenção das autoridades estaduais e federais, pois está com um Índice de Desenvolvimento Humano abaixo da média estadual. Finalmente, encerro minha lista de dez Municípios homenageados com Surubim, conhecido como a Capital da Vaquejada, por ter a mais antiga e tradicional festa desse tipo em todo o mundo. Tem 63 mil habitantes e é terra natal não apenas do Chacrinha, um dos maiores nomes da televisão brasileira, mas também de Capiba, famoso compositor de frevos. Surubim foi emancipado pela mesma Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, que criou nove dos dez Municípios que hoje homenageio. Senhoras e senhores, essas cidades, a maioria no Semiárido, a maioria pequena, têm cidadãos que necessitam dos mesmos serviços públicos, em quantidade e qualidade, oferecido nas capitais brasileiras. Não podemos tratar o interior como Municípios de segunda classe, mas essa é a tendência, já que os poderes concentram-se nas capitais. A discussão do pacto federativo deve, no meu entendimento, reservar mais recursos para os Municípios brasileiros, de modo que eles possam atender bem a sua população, independentemente de programas estaduais ou federais. Essa é a minha mensagem. Feliz aniversário Araripina, Arcoverde, Belo Jardim, Cabrobó, Carpina, Custódia, Flores, Moreno, Orobó e Surubim! 63 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 A SRA. IRACEMA PORTELLA (Bloco/PP-PI. Pronunciamento encaminhado pela oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Procuradoria Especial da Mulher do Senado e a Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher lançaram, recentemente, uma cartilha informativa sobre a Lei Maria da Penha. É, sem dúvida, uma iniciativa louvável. O documento, intitulado Lei Maria da Penha: Perguntas e Respostas, é mais um instrumento na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher. Com um texto simples e didático, a cartilha traz informações úteis sobre violência doméstica e familiar. Oferece explicações sobre a lei e sua aplicabilidade, os tipos de violência, os direitos das mulheres e a rede de atendimento que pode ser acionada nos casos de agressão. Precisamos intensificar as ações de conscientização da sociedade sobre o grave problema da violência contra a mulher. Uma em cada cinco brasileiras é vítima de violência doméstica ou familiar. Segundo dados da pesquisa DataSenado, de 2015, 75% das agressões são praticadas por homens com quem as mulheres têm ou tiveram relações afetivas. Ainda de acordo com o levantamento, 66% das vítimas sofrem violência física. O Brasil ocupa o 7º lugar no ranking mundial dos países com mais crimes cometidos contra as mulheres. Uma vergonha! Essa realidade precisa ser mudada. A Lei Maria da Penha representa um grande avanço, mas temos que reforçar o enfrentamento. A informação é uma das mais efetivas ferramentas nessa batalha. Por isso, a cartilha é fundamental. Ajuda as mulheres que estão sofrendo a ter coragem para buscar ajuda e informa a sociedade sobre um problema que deve ser combatido por 64 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 todos nós. Era o que tinha a dizer. Muito obrigada. 65 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. JOVAIR ARANTES (Bloco/PTB-GO. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os goianos ganharam mais um motivo para se orgulhar de sua amada Capital: Goiânia agora está oficialmente no livro dos recordes. A 5ª Edição do Villa Mix Festival Goiânia inseriu a cidade no Guinness World Records ao conquistar o título de A Maior Estrutura de Palco do Mundo, superando o palco da banda de rock irlandesa U2. Nos dias 6 e 7 de setembro passados, Goiânia foi cenário do maior festival de música do Brasil: a 5ª Edição do Vila Mix Festival Goiânia. Com público estimado de 40 a 80 mil pessoas, o grandioso festival, que celebra especialmente a música sertaneja, mas também o forró, o axé, o arrocha, consolida Goiânia como referência nacional de cultura e entretenimento. A megaestrutura premiada foi montada no estacionamento do Estádio Serra Dourada. O palco do Vila Mix Goiânia alcançou a marca espetacular de 2.788,39 metros quadrados, a altura de 52,34 metros, correspondente a um edifício de 16 andares, e contou com cerca de 628 toneladas de equipamentos. Foram necessários 31 dias e a colaboração de cerca de 1.500 pessoas para a montagem de toda a estrutura do palco. O Festival enriquece culturalmente a cidade e movimenta a economia da região, gerando aproximadamente 5 mil empregos diretos e indiretos. Meus parabéns aos organizadores da 5ª Edição do Villa Mix Festival Goiânia. Em especial, congratulo o Diretor-Geral do evento, o Sr. Marcos Aurélio de Araújo. Congratulações aos goianos pelo título conquistado no livro dos recordes. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 66 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 VI - ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão, lembrando que haverá Sessão Não Deliberativa Solene amanhã, quarta-feira, dia 16 de setembro, às 9 horas, em homenagem aos 180 anos da Revolução Farroupilha. 67 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - COMPARECEM MAIS OS SRS.: 68 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 DEIXAM DE COMPARECER OS SRS.: 69 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Eduardo Cunha) - Encerro a sessão, convocando Sessão Deliberativa Ordinária para amanhã, quarta-feira, dia 16 de setembro, às 14 horas, com a seguinte ORDEM DO DIA 70 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ REDAÇÃO FINAL Número Sessão: 267.1.55.O Tipo: Deliberativa Extraordinária - CD Data: 15/09/2015 Montagem: 4176 (Encerra-se a sessão às 21 horas e 31 minutos.) 71