ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância
Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE
O ENSINO DE CIÊNCIAS E DE BIOLOGIA NA EDUCAÇÃO
DE JOVENS E ADULTOS NA VISÃO DOS PROFESSORES E
FUTUROS PROFESSORES DO MUNICÍPIO DE CANTO DO
BURITI, PIAUÍ/BRASIL
Maria da Conceição Prado de Oliveira¹, Conceição de Maria da Rocha¹, Geraldo José de
Oliveira², Maura Sergina Pereira Miranda¹, Santina Barbosa de Sousa¹
1Universidade Federal do Piauí –UFPI/ CEAD [email protected]
2 Instituto Federal do Piauí-IFPI [email protected]
Resumo – Em geral, o educador que trabalha com a educação de Jovens e Adultos
não tem formação adequada para atuar nesta modalidade de ensino e não tem
recebido atenção necessária nos cursos de formação de professores. Pelo contrário,
muitas vezes tem sido relegada cada vez mais a deterioração, pois os educadores
que atuam na EJA estão ausentes de boa parte dos debates das políticas públicas
centradas na questão das relações entre escola e sociedade. Os objetivos deste
estudo foram traçar o perfil do professor de ciências e biologia, que atuam na
modalidade Educação de Jovens e Adultos, no município de Canto do Buriti e
conhecer as concepções dos mesmos sobre a EJA; avaliar se o futuro egresso do
Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, modalidade EaD está apto a
lecionar no Programa EJA. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas de acordo
com os objetivos. Inicialmente foi elaborado um questionário e aplicado com os
professores do município que já atuam na EJA e os resultados apresentados em
síntese aos alunos do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e outro
questionário foi elaborado e aplicado com esses futuros professores. Os professores
da EJA, entrevistados em Canto do Buriti, relataram que seus maiores problemas
na sala de aula são: dificuldades dos alunos em assimilarem os conteúdos, por
chegarem cansados após uma longa jornada de trabalho; infrequência, defasagem
de conhecimento do aluno em relação à série anterior. Os resultados mostraram
também, que os alunos do curso citado acima estão preparados no que diz respeito
à teoria dos saberes educacionais e pedagógicos, mas somente a prática poderá dar
a esses futuros professores instrumentos para resolver os problemas diários da
profissão.
Palavras-chave: Qualidade na formação de docentes, educação de jovens e adultos,
educação em ciências e biologia no EJA.
Abstract – In general, the educator who works with the Youth and Adult education
has not adequately trained to perform this type of education and has not received
the necessary attention in teacher training courses. On the contrary, has often been
relegated increasingly deteriorating because educators who work in adult education
are absent from much of the public policy debates centered on the question of the
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relationship between school and society. The objective of this study is to trace the
profile, know the conceptions and the difficulties found for the teachers of Science
and Biology that work in EJA (Education of Young and Adults) in Canto do Buriti
and evaluate the future and the course of Biology, if the students are able to study in
a distant modality in EJA Program. The research as developed in two stages
according with the objectives.
However it was created and applied an
questionnaires with the professors of the city who already work in EJA and the
results presented is synthesis to the students of the Biology Course and other
questionnaire was elaborated and applied with this future teachers. The most
challenging things for them are: difficulty of the students to assimilate the subject
due to hard schedule of day work, absence, lack of knowledge of the subject of the
last level, lack of material of some subjects to study, lack of structure and search,
heterogeneity in the classroom. The results also showed that students of the course
mentioned above are prepared so, as regards the theory of educational and
pedagogical knowledge, but only practice can give these future teachers tools to
solve daily problems of the profession.
Keywords: Quality in the formation of teachers, education of Young and Adults,
Education in Science and Biology in EJA
1.
INTRODUÇÃO
A Lei No 9.394, de 20 de dezembro de 1996 estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional (LDB, 1996). De acordo com a LDB, “a educação, dever da família e do Estado,
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade
o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho”. (LDB, 1996, Título II. Art. 2 0)
Então, se queremos formar indivíduos qualificados para o exercício da cidadania é
preciso investir na formação dos professores que irão atuar no ensino básico. Nessa
perspectiva, o Ministério da Educação lançou em 2007 o Plano Nacional de Formação dos
Professores da Educação Básica. A intenção era formar, em cinco anos, 330 mil professores
que atuam na educação básica e ainda não são graduados. De acordo com o Educacenso 2007,
até então cerca de 600 mil professores em exercício na educação básica pública não possuíam
graduação ou atuavam em áreas diferentes das licenciaturas em que se formaram.
Em 2007, eram 90 instituições de educação superior, entre universidades federais,
universidades estaduais e institutos federais, envolvidas na oferta de cursos. Os cursos estão
sendo ofertados, tanto na modalidade presencial como a distância, pela Universidade Aberta
do Brasil (UAB).
A Universidade Federal do Piauí (UFPI), consociada com a Universidade Estadual
do Piauí (UESPI), o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) e a
Secretaria do Estado do Piauí (SEDUC), no cumprimento de sua missão de disseminação dos
saberes das diversas áreas epistemológicas e assim colaborar com o desenvolvimento regional
e nacional, propôs a implantação de cinco cursos de formação de professores na modalidade à
distância (filosofia, ciências biológicas, matemática, química e física).
No caso do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas modalidade a distância, a
proposta do Projeto Político Pedagógico (PPC, 2007) é formar professores capacitados para
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atuarem no ensino de Biologia e Ciências no atendimento aos alunos do ensino regular com
idades de 10 a 14 anos, matriculados do 6o ao 9oano no ensino fundamental, alunos de 15 a 18
anos matriculados do 1o ao 3o ano do ensino médio e alunos do ensino de jovens e adultos das
4ª a 7ª etapas.
Entretanto, elaborar documentos norteadores para o professor não é o bastante para
se ter uma educação básica de qualidade. É preciso investir na qualidade do professor que irá
orientar a aprendizagem do aluno do ensino básico.
Com o objetivo de avaliar se os alunos em formação no Curso de Licenciatura em
Ciências Biológicas na Modalidade a Distância, ofertado pela Universidade Federal do Piauí,
estão aptos para atender as necessidades atuais do mercado de trabalho disponíveis no Estado,
o nosso grupo de trabalho elaborou o projeto intitulado: Políticas e programas em educação a
distância: formação de professores para atuarem no ensino de ciências e biologia, no Estado
do Piauí. Quatro subprojetos foram atrelados a esse projeto.
Nesse artigo, iremos apresentar resultados obtidos durante o desenvolvimento do
subprojeto intitulado: “o ensino de ciências e de biologia na educação de jovens e adultos na
visão dos professores e futuros professores do município de Canto do Buriti, Piauí/Brasil”,
cujos objetivos foram traçar o perfil do professor ciências e biologia, que atuam na
modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), no município de Canto do Buriti e conhecer
as concepções dos mesmos sobre a EJA; avaliar se o futuro egresso do Curso de Licenciatura
em Ciências Biológicas, Modalidade a Distâncias está apto a lecionar no Programa EJA.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O subprojeto intitulado “o ensino de ciências e de biologia na educação de jovens e adultos na
visão dos professores e futuros professores do município de Canto do Buriti, Piauí/Brasil” foi
desenvolvido a partir de um estudo de caso qualitativo e quantitativo.
A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas:
1ª etapa. Investigação dos problemas ocorrentes no ensino de ciências e biologia na
modalidade Educação de Jovens e Adultos, no município de Canto do Buriti.
2ª etapa. Diagnosticar as concepções dos alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas,
Modalidade a Distância sobre as políticas e estratégias de ensino de Ciências e Biologia na
Educação de Jovens e Adultos.
Para tanto, foram elaborados e aplicados dois questionários, sendo o primeiro
direcionado para diagnosticar o perfil e as estratégias de ensino de ciências e biologia na
Educação de Jovens e Adultos (EJA) dos professores do município de Canto do Buriti. O
segundo questionário foi direcionado para diagnosticar as concepções sobre as políticas e
estratégias de ensino de Ciências e Biologia na Educação de Jovens e Adultos dos professores
em formação do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, modalidade a Distância.
O município de Canto do Buriti-PI, tem três escolas (Unidade de Escolar Florisa Silva,
Unidade Escolar Antonino Freire e a Unidade Escolar Osair Valente) que oferecem o Ensino
de Jovens e Adultos e, aproximadamente, 15 professores atuam nessa modalidade de ensino
nas três escolas. Dessas escolas apenas duas oferecem da 4ª a 7ª etapa.
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O primeiro questionário foi aplicado com 10 professores, todos atuantes da 4ª a 7ª
etapas, nas Unidades de Escolares Florisa Silva e Antonino Freire.
O segundo questionário foi aplicado no Pólo de Apoio Presencial de Canto do Buriti,
pertencente à Universidade Aberta e a Distância do Brasil/Piauí (UAB-PI), envolvendo
especificamente a turma de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas, modalidade a
Distância (EaD), que fez vestibular em 2007 e ingressou no curso em 2008, hoje, em fase
final de conclusão do curso.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Primeira etapa da Pesquisa
Diagnóstico do Ensino de Ciências e Biologia na Educação de jovens e adultos (EJA), no
município de Canto do Buriti
Nesse item, foram apresentados os dados obtidos a partir do instrumento de pesquisa
(questionário), aplicado com os 10 professores do Ensino de Jovens e Adultos que lecionam
no município de Canto do Buriti/PI, nas Unidades Escolares Florisa Silva e Antonino Freire,
todos atuantes no intervalo da 4ª a 7ª etapas.
Os resultados obtidos a partir desse questionário mostraram que a maior parte dos
professores entrevistados, encontra-se na faixa etária de 31 a 40 anos, é do sexo feminino
(Figura 1), tem de 12 a 15 anos de magistério, mas tem pouco tempo de experiência na
modalidade Educação de Jovens e adultos, de 0 a 3 anos (Figura 2). Cerca de 90% dos
professores fazem parte do quadro de funcionário do Estado do Piauí.
51├ 60
41├ 50
I
D
A
D
E
TOTAL
MASCULINO
FEMININO
31├ 40
21├ 30
0
1
2
3
4
NÚMERO DE PROFESSORES
Figura 1. Distribuição de idade e sexo dos professores da modalidade Ensino de Jovens e
Adultos (EJA) entrevistados. Fonte: próprio autor
T
E
M
P
O
31├ 34
28├ 30
24├ 27
20├ 23
E
M
16├ 19
A
N
O
S
8├ 11
ENS. DE
CIÊNCIA/EJA
MAGISTÉRIO
12├ 15
4├ 7
0├ 3
0
2
4
6
8
NÚMERO DE PROFESSORES
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Figura 2. Distribuição de tempo de magistério e tempo de ensino de ciências na modalidade
Ensino de Jovens e Adultos (EJA) dos professores entrevistados.
Formação dos professores entrevistados
Considerando os resultados apresentados nas figuras 3 e 4, pode-se dizer que a maioria dos
professores entrevistados não tem formação para lecionar a disciplina de ciências e biologia.
A maioria deles terminou o curso de graduação na Universidade Estadual do Piauí (UESPI),
durante o período especial. Cerca de 80% deles tem Especialização em Docência em Ensino
Superior.
Figura 3. Distribuição dos cursos em formação, dos professores de ciências e biologia da
EJA, entrevistados em Canto do Buriti/PI.
Figura 4. Distribuição do percentual dos professores entrevistados de Canto do Buriti/PI de
ciências e biologia da EJA, que possuem Pós-Graduação.
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Concepção da EJA dos professores entrevistados
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases “a educação de jovens e adultos será destinada
àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na
idade própria” (Art. 37, LDB, 1996).
Na entrevista semi-estruturada, foi questionada qual a concepção desses professores
sobre educação de jovens e adultos e alguns deles responderam que a modalidade EJA está
ligada a muita desmotivação, falta de material escolar, livros vagos e fora da realidade.
Entretanto, outros responderam que é:
“Uma oportunidade aos que não tiveram acervo na época adequada, porém, em
minha opinião, é uma minoria que sai preparado para o mercado de trabalho”.
(Entrevistado 2)
“Modalidade que dá oportunidade às pessoas que estão muito tempo sem estudar e
aqueles jovens que trabalham durante o dia, mas tem jovem que não trabalham e
estudam essa modalidade e que não querem nada com á vida, fazendo alguns adultos
desistirem por conta da bagunça. Nós do quadro da escola nos esforçamos para que
não haja também tantas desistências. Eu acho que a idade mínima para o ingresso da
modalidade EJA deveria aumentar”. (Entrevistado 3)
Os outros depoimentos falam de atendimento e resgate dos jovens e adultos que não
tiveram a oportunidade de estudar no período regular. Em nenhum momento fazem referencia
ao que garante o inciso 1º do artigo 37 LDB 1996, ou seja, uma educação voltada para as
condições de vida e de trabalho do aluno:
Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não
puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas,
consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho,
mediante cursos e exames. (LDB, 1996)
Dificuldades encontradas no processo de ensino
Ao serem indagados sobre as dificuldades encontradas para eles exercerem as atividades na
EJA, os professores entrevistados responderam que os principais entráveis são: dificuldades
dos alunos em assimilarem os conteúdos, por chegarem cansados após uma longa jornada de
trabalho; infrequência, defasagem de conhecimento em relação a série que está estudando;
falta de material didático para algumas disciplinas; falta de compromisso do aluno, falta de
estruturas e recursos, a diferença de idades dos alunos, a falta de quadra de esporte e materiais
para aulas práticas.
O perfil do aluno da EJA, na visão do professor
Os professores entrevistados ao responderem ao questionário traçaram o seguinte perfil
para os seus alunos: são cidadãos com faixa etária de18 a 70 anos; com muitos anos fora da
escola; oriundos da zona urbana e rural; trabalham durante o dia; com baixa renda; pais e
mães que vêm estudar em busca de qualificação para o mercado de trabalho. Entretanto,
segundo esses professores, alguns alunos não trabalham e vêm para escola para fazer bagunça
e isso prejudica quem quer estudar.
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Práticas pedagógicas e metodologias utilizadas com mais frequência
Em sua prática pedagógica os professores entrevistados utilizam como metodologia: aula
expositiva; estudo em grupo; debates e seminários. Como estratégias de ensino para
enriquecimento das aulas, os professores utilizam vários recursos e a maioria dos professores
faz uso de livros que abortem o tema trabalhado (Figura 5).
Figura 5. Estratégias de ensino utilizadas para enriquecimento das aulas.
Quando se questionou sobre com que frequência os professores planejam suas aulas, a
maioria (80%) respondeu que o planejamento é semanal.
Perguntou-se também se a Secretaria de Educação do Estado oferece capacitação para
eles e com que frequência essa capacitação acontece. A maioria dos professores respondeu
que a secretaria oferece capacitação, entretanto, com intervalos que chegam há dois anos entre
um encontro e outro.
Quanto à estrutura da escola para ministrar as aulas de Ciências e Biologia da EJA, a
maioria dos professores respondeu que as escolas dispõem de alguns recursos, entretanto,
ainda está muito longe do necessário.
Solicitou-se aos professores que fizessem uma auto-avaliação de sua prática
pedagógica e alguns deram os seguintes depoimentos:
“Apesar das dificuldades enfrentadas, procuro desenvolver o meu papel de
facilitador da aprendizagem. Pesquiso estudo, busco meios para que a assimilação
dos conteúdos por parte dos alunos seja a melhor possível”. (Entrevistado 4)
“O trabalho na sala de aula é bem planejado, mas acho que ainda não corresponde à
altura principalmente pela falta do livro didático para os alunos e também a evasão é
muito grande”. (Entrevistado 5).
“Preparo minhas aulas de acordo com as necessidades dos alunos e, às vezes, sinto
que não consegui atingir alguns objetivos propostos, então re-planejo mudando
algumas metodologias procurando assim atingi-los”. (Entrevistado 6)
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“Um professor que faz levantamento dos assuntos a serem aplicados na sala, que
pesquisa e que gosta de estar atualizado para ampliar os conhecimentos de seus
alunos”. (Entrevistado 10)
Os depoimentos dos professores aqui apresentados mostram que há um compromisso
desses professores com a EJA, o que falta é compromisso da Secretaria em capacitá-los com
mais frequencia.
Estudos realizados por Augustinho et al.(2009) com professores EJA do ensino médio de
Nilópolis demonstraram que o ensino de ciências, na modalidade Educação de Jovens e
Adultos, parece se desenvolver sob os pressupostos filosófico-metodológicos da pedagogia
tradicional, ou seja, na transmissão de conteúdos, sem participação ativa dos alunos na
construção de conhecimento. Os estudos apresentados nesse artigo também nos levam as
mesmas conclusões.
Augustinho et al.(2009) sugerem a utilização de filme comercial em sala de aula como
estratégia de ensino eficaz na busca de se relacionar o conhecimento científico com o
conhecimento do cotidiano dos alunos jovens e adultos, em função de permitir que alunos e
professores possam estabelecer elos entre os conteúdos trabalhados e o cotidiano que nos
cerca, promovendo ainda senso crítico e reflexão acerca das “verdades científicas”
apresentadas pelos roteiristas e pelos movimentos acontecidos em favor ou não destas.
Povavelmente, essa pode ser uma excelente alternativa para mobilizar o ensino na
modalidade educação de jovens e adultos, mas é preciso investir esforços na formação de
docentes preparados para exercer seu papel com competentes e habilidades.
Segundo Vilanova e Martins (2008), nas últimas décadas, a educação de jovens e adultos
(EJA) vem se configurando como um campo pedagógico comprometido com o
desenvolvimento de reflexões críticas sobre suas necessidades e objetivos, e buscando
compreender seus educandos e seus professores. Entretanto, de acordo com esses autores, no
que tange o ensino de Ciências, poucos esforços vêm sendo feitos no sentido de explicitar ou
discutir seus contornos e especificidades neste campo pedagógico.
Levantamentos bibliográficos realizados por Vilanova e Martins (2008), sobre
investigações no campo da Educação de jovens e adultos, no que diz respeito ao Ensino de
Ciências mostraram que esses trabalhos são praticamente inexistentes na literatura. Eles
verificaram também que aqueles autores que investigam concepções de professores, leituras
realizadas por alunos e interações discursivas nesta modalidade de ensino, não problematizam
sua natureza, suas especificidades e questões.
A discussão acerca da educação em ciências para jovens e adultos também não é frequente em
documentos oficiais. Um dos poucos documentos que explicita relações entre estes campos é
a Proposta Curricular para a EJA, publicada pela Secretaria de Ensino Fundamental do MEC
(BRASIL, 2002).
Segunda etapa da Pesquisa
Concepção e estratégias de ensino de ciências e biologia na educação de jovens e adultos dos
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alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas, EaD
Nesse item, foram apresentados os dados obtidos a partir do instrumento de pesquisa
(questionário), aplicado com 15 alunos do Polo de Apoio Presencial de Canto do Buriti.
Os resultados mostram que a maioria dos entrevistados é do sexo feminino (73%);
encontra-se na faixa de 31 a 40 anos (Figura 6 A e B).
B
A
Figura 6. Características gerais da amostra dos alunos entrevistados. A- Gênero. B- Faixa
etária. Fonte: do próprio autor
Solicitou-se que os alunos apresentassem a concepção deles sobre a Educação de
Jovens e Adultos, apenas dois alunos não responderam a solicitação, abaixo foram transcritos
alguns desses depoimentos daqueles que responderam:
“É uma modalidade de Ensino que oportuniza e prioriza jovens e Adultos
concluírem seus estudos regularmente”. (Entrevistado 1)
“EJA é uma modalidade que precisa ser trabalhada com muito compromisso por
parte dos professores”. (Entrevistado 2)
“É uma modalidade que está prevista em lei e deveria ser mais bem aproveitada
pelas instituições, mas na prática é um pouco diferente, pois os alunos não têm
acesso ao programa como deveriam”. (Entrevistado 3)
“EJA é uma modalidade que em sua concepção, dá oportunidade para aqueles que
não tiveram oportunidade em tempo óbvio para sua formação”. (Entrevistado 4)
“É uma forma muito interessante de resgatar as pessoas que não tem mais idade para
estudar, como também dar acesso às pessoas com distorção série\idade de obter um
grau de estudo melhor”. (Entrevistado 5)
“É uma modalidade de ensino que leva muitas oportunidades para os alunos com
distorção de idade que muitos deles já trabalham, são chefes de famílias e quando
surge à motivação eles agarram com força de vontade”. (Entrevistado 6)
“A educação de jovens e adultos é um ensino diferenciado, pois são alunos carentes
com pouca bagagem e alta estima muito baixa já se sentem descriminado por se só e
a desmotivação é tanto que o número da evasão é bem elevada, precisa-se de
professores competentes, compreensivos, amigos de forma que possa incentivá-los e
que planeje de acordo com a realidade deles é como o próprio Paulo Freire afirma
devemos primeiramente conhecer a clientela para poder fazer o planejamento. É
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gratificante trabalhar com esse público, eu particularmente gostei muito”.
(Entrevistado 7)
“É a modalidade de ensino para pessoas que estão com distorção idade/ série,
visando corrigir essa distorção, é um tipo de modalidade de ensino para maior de 14
anos para concluir o ensino fundamental e maior de 18 anos para concluir o ensino
médio”. (Entrevistado 8)
“É modalidade de ensino de Jovens e Adultos que ficaram impossibilitados de
terminarem seu ensino fundamental e médio e que suas respectivas idades são bem
acima da média do ensino fundamental e médio das escolas tradicionais”.
(Entrevistado 9)
“EJA é uma modalidade que veio para consolidar as dificuldades dos discentes que
não fizeram ou não tiveram a oportunidade de concluir sua educação básica. Essa
modalidade mostra que as dificuldades encontradas pelos docentes e discentes é
muito grande, os docentes por encontrar resistência por parte dos discentes com a
falta de conhecimento de algumas disciplinas, como também de compromisso para
seu aprendizado”. (Entrevistado 10)
“É uma modalidade de ensino que proporciona oportunidades às pessoas que por
algum motivo não poderiam se fazer presentes no ambiente escolar, seja por trabalho
ou por não estarem na idade/ série”. (Entrevistado 11)
Como visto acima, os alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas EaD
comungam das mesmas concepções dos professores que lecionam na EJA, no município de
Canto do Buriti, o que não se distância do que diz o Art. 37, LDB (1996).
Perguntou-se aos alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas EaD se eles
lembravam, durante o fluxo do curso, se algum (ns) professor (es) incluiu (incluíram) o tema
“políticas e estratégias de ensino de ciências na educação de jovens e adultos”, no
desenvolvimento da (s) disciplina (s) e a maioria (13 alunos) respondeu que não. Dos dois
alunos que responderam que sim, o primeiro escreveu que foi o professor da disciplina
Tópicos Especiais em Educação Ambiental quem falou sobre o assunto e o outro escreveu que
foi o professor da disciplina Legislação e Organização da educação Básica. Perguntou-se
também, qual a estratégia utilizada para o desenvolvimento do tema e eles responderam que o
professor da disciplina usou como estratégia a “exposição oral”. Quando se perguntou se o
tema estava escrito no material didático incluído (s) na (s) disciplina (s), um dos entrevistados
respondeu que não, já o outro respondeu que sim.
Os resultados da aplicação do instrumento de pesquisa (questionário) mostraram
também que a maioria dos alunos tem pouco tempo de experiência ou nunca lecionaram nessa
modalidade de Ensino (Figura7). Dos quinze alunos entrevistados, 11(onze) já lecionaram na
modalidade EJA, entretanto, apenas 5 (cinco) desses alunos têm experiência na EJA no
intervalo da 4ª a 7ª etapas (que correspondem, no ensino regular, ao ensino fundamental maior
e ao ensino médio).
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Figura 7. Tempo de experiência dos alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas,
modalidade EaD no Ensino de Jovens e Adultos EJA
Os resultados mostraram também que dos 11 (onze) alunos que declararam já ter
experiências na EJA, 10 (dez) assumiram que encontraram dificuldades na execussão da
tarefa de ensinar a jovens e adultos. As dificuldades relatadas por eles foram:
“Geralmente minha turma era multiseriada, ou seja, trabalhava com alfabetização, 2ª
etapa e às vezes até a 3ª etapa juntos e isso comprometia o rendimento escolar dos
alunos e os deixava com stress”. (Entrevistado 1)
“Muitas vezes a falta de estímulo dos alunos até mesmo pelo acúmulo de tarefas
diárias, a falta de empenho por parte de alguns professores, muita teoria e pouca
prática (os alunos adoram botar a mão na massa) entre outros fatores”. (Entrevistado
3)
“A maior dificuldade foi com alunos que não demonstram interesse pelo
aprendizado, falta de material didático, dentre outros recursos”. (Entrevistado 4).
“...falta de material didático, alunos com muita dificuldade de aprendizagem.”
(Entrevistado 7)
“A maior dificuldade é a falta de interesse por parte dos alunos, assim como a
evasão dos mesmos”. (Entrevistado 11)
“Um adulto é bem diferente de uma criança, pois são sabedores de tudo, tem
experiências, sabem fazer cálculos de cabeça falta, por exemplo, saber armar uma
conta, sendo apenas iletrados. Quando ensinei foi no ano de 2000, já estar com 12
anos lembro que tivemos duas semanas de treinamento em São João do Piauí,
recebemos livros para o aluno e livro que dava todas as instruções para o professor
trabalhar. Meus alunos eram na faixa de 18 a 50 anos de idade”. (Entrevistado 12)
Foi apresentada aos alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas uma sinopse dos
resultados obtidos a partir do instrumento de pesquisa (questionário), aplicado aos professores
que lecionam na EJA, no município de Canto do Buriti. Em seguida, foi solicitado aos alunos
do Curso que fizessem uma autoavaliação, “se eles se achavam preparados para atender esses
alunos da EJA” e 13 (treze) alunos responderam que estavam preparados para assumir essa
fatia do mercado e os outros dois não responderam a pergunta.
Quando solicitado para avaliar o percentual de quanto estavam preparados um deles
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escreveu que estava de 40 a 50%, quatro de 60 a 70% e oito escreveram estar de 80 a 90%
preparados. Isso significa que a maioria se julga aptos a assumir turmas na EJA.
Uma lista de estratégias de ensino foi apresentada aos alunos e foi solicitado que eles
escolhessem as estratégias que eles utilizariam para enriquecer as aulas, caso eles fossem
ministrar, para os alunos da EJA. Foi esclarecido que eles poderiam marcar mais de uma
opção. Os resultados mostraram que a maioria utilizaria o livro didático e filmes (Figura 8).
5
uso de laboratório
5
aulas de campo
1
visitas técnicas
2
jogos didáticos
5
realização de demonstrações
1
artigo científicos
2
revistas especializadas
12
filmes
7
uso de jornais
pesquisas em site
8
livro didático
12
0
3
6
9
12
15
Figura 8. Estratégias de ensino declaradas pelos alunos do Curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas para enriquecer as aulas, caso eles fossem ministrar, para os alunos da EJA. Fonte:
do próprio autor.
Foi solicitado que eles propusessem em que momento o professor deverá planejar suas
aulas e a maioria dos alunos (7 entrevistados) relatou que o professor da EJA deve planejar
suas aulas todo dia, quando perguntado o porquê disso, dois deles não responderam e os
outros disseram:
“Devido às dificuldades dos alunos, e as experiências vividas a cada dia”
(Entrevistado 2)
“Realizo meus planejamentos diários, porque busco sempre algo novo para melhorar
minha metodologia”. (Entrevistado 5)
“Porque o desenvolvimento ou não da turma em questão favorece que diariamente
tenhamos a necessidade de colocarmos novas informações que facilitem a
aprendizagem destes alunos”. (Entrevistado 5)
“Porque, a parti de uma sondagem do dia anterior pode melhorar, ou adequar a aula
do dia seguinte”. (Entrevistado 10)
“Porque sou professora e todos os dias eu planejo as minhas aulas que vou
trabalhar”. (Entrevistado 13)
Dos 8 (oitos) alunos entrevistados restantes 1 (um) não respondeu, 5 (cinco)
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propuseram planejamento semanalmente e 2 (dois) semanalmente e todo dias e quando
perguntados o por que, três deles responderam:
“Porque há o planejamento mensal e no final de semana, preparo e planejo todas as
aulas a serem trabalhadas semanalmente, mas antes da aula me preparo”.
(Entrevistado 1)
“Porque considero que não há tempo viável para planejamento diário, então se
houver um projeto semanal, com certeza dará certo”. (Entrevistado 3)
“Porque fazíamos um plano mensal com objetivos gerais, e fazíamos o plano de aula
com objetivos específicos para cada aula”. (Entrevistado 8)
“Porque o planejamento é essencial nas abordagens dos conteúdos”. (Entrevistado
11)
Perguntamos aos alunos “após ter lido as dificuldades apresentadas pelos professores
da EJA de Canto do Buriti, qual a sua proposta para mudar o quatro da EJA (ensino de
ciências e biologia) em Canto do Buriti?” Treze deles deram as seguintes sugestões:
“Projeto Político Pedagógico (PPP) exclusivo da EJA de todas as escolas do
município e estado, pois ainda há escolas sem PPP. Novas estratégias, ou seja,
metodologias com dinâmicas e materiais didáticos apropriados e novos recursos,
aula de campo com vídeos, principalmente a escola deve ser um local agradável
aconchegante e incluir o lazer na EJA”. (Entrevistado 1)
“Para um profissional poder lecionar na EJA, ele deveria ter uma capacitação sobre
a modalidade, ter tido uma disciplina voltada para a modalidade durante o seu curso
superior, ou ter um curso pedagógico. O compromisso por parte dos professores tem
que ser maior devida às grandes dificuldades enfrentadas pelos alunos dessa
modalidade”. Entrevistado (2)
“Para que haja realmente avanço no ensino dessa modalidade se faz necessário
algumas medidas radicais na própria maneira de abordar os conteúdos, fazendo uma
real conexão entre a teoria e a prática, pois no momento que nos detemos somente
ao caderno e o livro com aquele emaranhado de exercícios teóricos, perdemos um
pouco da disposição daquele aluno em estar na sala. É por isso que nos segundos
semestres da vida, as turmas ficam vazias e nos perguntamos o Porquê?”
(Entrevistado 3)
“Para que mude esse quadro, há uma necessidade de capacitar os professores, ter
mais recursos didáticos, para ajudar nas aulas, como também incentivar os alunos”.
(Entrevistado 4)
“A EJA foi planejada e criada com o intuito de ajudar pessoas com alguma distorção
e dar oportunidade para aqueles que por alguma razão não pôde estudar. Hoje se
percebe que a EJA, encontras-se com esvaziamento nas salas, porque a maioria é
jovem e eles acham que só a presença é o suficiente, como já ouvi tanto de diretores
como de professores, que só em frequentar já era uma grande vantagem. Eu não vejo
por ai, se os alunos frequentam têm que haver forma de ter aprendizagem de
qualidade. Sabemos que para trabalhar na EJA tem que ter uma metodologia prática,
hábil e eficaz, sem monotonia. Tem que atrair o público, não é fácil”. (Entrevistado
5)
“Trabalho em outro município vizinho, mas vejo que as dificuldades são as mesmas
para todos os professores dessa modalidade de ensino como: material didático,
desmotivação por alguns alunos, falta de interesse por parte da gestão escolar e ter
mais projetos que tenha mais interação”. (Entrevistado 6)
“É preciso que haja mais incentivo por parte dos governantes, principalmente
capacitar os profissionais da área para trabalhar melhor esse público que são pessoas
sofridas mais com muita força de vontade de aprender” (Entrevistado 7)
“As dificuldades existem realmente, entretanto não devemos subestimar a
inteligências dos nossos alunos e nem tampouco usar a EJA como uma forma de ter
apenas um emprego. Com certeza devemos preparar nossas aulas voltadas a um
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público diferenciado da escola tradicional e que provoque a participação atuante dos
nossos alunos no processo de ensino e aprendizagem. Devemos buscar rever o
conceito de avaliação, que neste caso deve resolver sem dúvida nenhuma todos os
critérios possíveis que possam ser avaliados”. (Entrevistado 9)
“Em um primeiro momento a necessidade de um laboratório de ciências na maioria
das escolas é visível, com a implantação do mesmo poderíamos ter um maior êxito
com á aprendizagem de ciências”. (Entrevistado 10)
“Capacitação para os professores, pois o entusiasmo e o interesse do aluno
dependem muito das estratégias do professor. O professor da EJA tem que trabalhar
sabendo o que seu seus alunos devem aprender”. (Entrevistado 12)
“Qualificar para melhorar o quadro, com capacitações e palestras para melhor
desenvolvimento das aulas”. (Entrevistado 13)
Assim, respondendo a questão se os alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas,
Modalidade a Distância estão preparados para assumir turmas de Educação de Jovens e
Adultos (EJA) podemos dizer que eles estão preparados no que diz respeito à teoria dos
saberes educacionais e pedagógicos, mas somente a prática poderá dar a esses futuros
professores instrumentos para resolver os problemas diários da profissão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalmente, este trabalho sugere que ao se lança um olhar sobre a Educação de Jovens e
Adultos, é preciso lançar mão de uma formação pedagógica que supere as fragilidades
existentes, já que o aluno adulto não pode ser considerado como um jovem que está iniciando
o traçar de sua história de vida.
Ao trabalhar com jovens e o adultos o educador deve estar ciente de que seu educando
é um cidadão com experiências, geralmente frustradas em relação à escola e por isso deve ser
estimulado, despertar sua auto-estima e perceber que ele também é sujeito histórico.
Na verdade, esses educandos são trabalhadores que chegam à escola com um saber
próprio, elaborado a partir de suas relações sociais e experiências de vida. É importante
considerarmos, ainda, que o jovem e o adulto trazem consigo sua complexidade, sua história,
possuem um saber prévio construído através de sua trajetória e necessitam que sejam
consideradas legítimas as suas necessidades e expectativas quando participam da escola.
Num outro aspecto vemos que é necessário adequar métodos pedagógicos do sistema
formal da escola às histórias de vida que os educandos possuem. Por isso, uma das tarefas
primordiais da EJA é a de possibilitar uma redescoberta dos saberes que quotidianamente são
vivenciados e partir para um conhecimento elaborado com informações que estejam
alicerçadas em uma visão holística e politizadora, pois enquanto categoria acadêmica e
agentes de educação pública que se identificam com os interesses populares, sabemos que é
necessário superar os erros passados para podermos avançar a uma nova construção com a
identidade do professor de EJA.
Apostar na continuidade do trabalho da forma tradicional, repetindo o modelo de
ensino regular apenas “enxugando” conteúdos não dará conta da realidade que vivemos.
Então, estamos formando professores capazes de atender ao estudante que acorda ás 5
horas faz e toma seu café, enfrenta mais de um ônibus lotado, chega ao trabalho, almoça a
marmita ou o lanche corrido, retorna a mais um período de trabalho, sai às 18 horas, enfrenta
de novo o ônibus lotado para chegar atrasado ao colégio e, quando chega o jantar já acabou,
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estuda até as 21h30min horas, chega em casa, toma banho, prepara o jantar e a marmita do dia
seguinte, dorme em torno de meia noite, acorda às 5 horas, faz e toma o café ...?
Esse cidadão precisa de uma escola que o respeite, a forma “tradicional” de ensinar
não é capaz de atender satisfatoriamente aos esforços que estes alunos, jovens e adultos,
fazem para permanecer na escola.
Este ensino também não dará conta de corresponder às angústias vividas por seus
educadores que entram em crises, questionando o papel e os objetivos da escola, a qualidade
do ensino/aprendizagem.
Para os cursos de formação de professores devemos diversificar modelos e práticas,
instituindo novas relações entre professores e o saber pedagógico e científico.
Frequentando os cursos de formação, os futuros professores poderão adquirir saberes
sobre a educação e sobre a pedagogia, mas não estarão aptos a falar em saberes pedagógicos,
pois estes só se constituem a partir da prática.
Os profissionais da educação, em contato com os saberes sobre educação e a
pedagogia podem encontrar instrumentos para se interrogarem e alimentares suas práticas,
mas somente o confronto direto dia-a-dia produzirá o aprendizado devido, será desta forma
que eles vão adquirir saberes pedagógicos, na ação, para reverter o quadro atual da EJA.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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UFSC. 6e. 315p.
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de Jovens e Adultos. Brasília: Câmara de Educação Básica.
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adultos: pela necessidade do diálogo entre campos e práticas. Ciência & Educação, v. 14, n.
2, p. 331-346.
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