Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMO METODOLOGIA DE ENSINO: UMA REFLEXÃO NA EJA Joyce Almeida ATAÍDE1 Karina Roberta da Costa GREGÓRIO2 1. Especialista em Ensino da Matemática –FURNE/UnjPê – [email protected] 2. Especialista em Ensino da Matemática –FURNE/UnjPê – [email protected] RESUMO Nesse artigo, será abordado um estudo que abrange a Educação de Jovens e Adultos, com o tema Resolução de situações problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Esse estudo tem como objetivo principal promover a reflexão sobre a utilização dessa metodologia em salas de aula da EJA visando melhores rendimentos por parte desses alunos que em geral estão, há muito anos fora dos bancos escolares. Preocupados por estarmos vivenciando uma época que a Educação está imersa numa crise mundial que a atinge em todos os níveis por insistir em uma prática pedagógica fortemente assentada numa proposta de ensino fragmentada e conservadora voltada para a reprodução do conhecimento, faz-se necessário estudar métodos de ensino-aprendizagem que permitam ao professor trabalhar de forma produtiva e contextualizada os conteúdos matemáticos. Este tema vem sendo abordado por diversos autores, os quais apresentam idéias acerca do tema e expõem que a utilização de situações problemas do cotidiano dos alunos se quando utilizadas em sala de aula de forma correta pode estimulá-los a construção do pensamento lógico-matemático de forma significativa, aborda-se neste artigo, a opinião dos principais interessados nessa temática os Educadores e os Educandos dessa modalidade de ensino “a EJA”. Através de uma pesquisa de campo com aplicação de um questionário, docentes e discentes foram estimulados a expor suas opiniões a cerca do uso dessa metodologia nas aulas de matemática, e com o intuito de evidenciar e sustentar as idéias principais deste estudo apresenta-se os aportes teóricos utilizando-se como instrumento de pesquisa um acervo bibliográfico. Palavras-chave: Metodologia de Ensino. Situações-problemas. Ensino-aprendizagem. ABSTRACT In this article, we will describe a study that covers the Youth and Adult Education, with the theme resolution of problem situations such as teaching methodology: a reflection on adult education. This study's main objective is to promote reflection on the use of this methodology in adult education classrooms to obtain better income from these students in general are, for many years out of school benches. Concerned that we are experiencing a time when education is immersed in a world crisis that strikes at all levels by insisting on a strong pedagogical practice seated in an education proposal fragmented and conservative toward the reproduction of knowledge, it is necessary to study methods teaching and learning that allow the teacher to work productively and contextualized mathematical contents. This issue has been discussed by several authors, who present ideas on the subject and expose situations that the use of real-world problems of students when used in the classroom can properly encourage them to build the logical-mathematical Significantly, it is approached in this article, the views of key stakeholders in this issue Educators and Pupils of this teaching "EJA". Through a field study with application of a questionnaire, teachers and students were encouraged to express their opinions about the use of this methodology for teaching mathematics, and in order to highlight and support the main ideas of this study presents the contributions theorists using as a tool for bibliographic research. Keywords: Teaching methodology. Situations-problems. Teaching-learning. ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 22 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 1. INTRODUÇÃO A história da Educação foi marcada por grandes movimentos, ocorridos principalmente, no final do século XIX, dentre esses podemos citar a Escola Nova e a Escola Ativa. Estes movimentos davam vida à escola por meio de métodos ativos, onde o fazer do aluno é essencial ao processo de ensino-aprendizagem. No entanto, como argumenta (Rossini apud Charnay 2005 p. 7), “tanta inovação pouco alterava a realidade dentro das salas de aula: aulas expositivas, assuntos que não motivavam ou que não diziam respeito aos alunos” e o que se via na grande maioria das escolas era a matemática sendo ensinada sem a preocupação em estabelecer vínculos com a realidade ou com o cotidiano do aluno. Atualmente, ainda nos deparamos com essa realidade, porém os educadores estão sendo desafiados a inovar e mudar. A inovação refere-se à forma de trabalhar com o intuito de atender às expectativas da nova geração de discentes. A inovação e mudança de que tratamos estão relacionadas à aquisição de novas metodologias capazes de transformar o espaço-escola do educando em algo dinâmico, significativo e participativo aproximando a teoria da prática. Neste sentido que se propõe a Resolução de Problemas como metodologia de ensino, que pode ser utilizada como um ponto de partida e um meio para se ensinar matemática tornando assim, aulas de matemática mais dinâmicas, significativas e participativas. O tema (Resolução de Problemas como Metodologia de Ensino: Uma Reflexão na EJA) foi escolhido pela necessidade de enriquecer nossos conhecimentos, e visando melhorar a qualidade do ensino de Jovens e Adultos, como também sensibilizar os educadores para reverem sua Prática Pedagógica. O presente artigo apresenta uma discussão acerca do tema a fim de propor uma metodologia capaz de atender as atuais expectativas dos educadores da disciplina matemática, pois permitem que docentes incorporem novas técnicas e valores às suas vivências promovendo mudanças fundamentais nas aulas desta disciplina. Esse estudo é uma tentativa de integrar a teoria à prática num processo de ação-reflexão (Schon, p.256 2000), “onde teoria e prática possam complementar-se a fim de promover a integração do conteúdo escolar com o cotidiano dos alunos”. Pretende-se ainda, sensibilizar os educadores para o uso dessa técnica de ensino com o intuito de facilitar o processo ensinoaprendizagem das aulas de Matemática nas turmas de Jovens e Adultos. 2. OBJETIVOS Dessa forma, o objetivo desse artigo é refletir sobre o ensino-aprendizagem da Resolução de Problemas de Matemática, como meio de se trabalhar a disciplina nas salas de forma produtiva e contextualizada, na direção da construção do saber matemático, e como objetivo específico, discutir uma técnica de ensino que estimule os jovens e adultos à participação ativa na construção significativa do conhecimento matemático. 3. MATERIAL E MÉTODOS Em seu desencadeamento, o artigo se apresenta em dois momentos: no primeiro momento exporemos os aportes teóricos que evidenciam e sustentam a importância deste tema para a construção do saber matemático, pois o uso da Resolução de Problemas no ensino da Matemática dá um sentido prático a tal ensino. Deste modo, torna-se fundamental que o professor reveja sua prática pedagógica, buscando técnicas de ensino que estimulem o aluno à participação ativa na construção do conhecimento matemático. No segundo momento, apresentaremos e analisaremos os dados de uma pesquisa de campo realizada em uma escola estadual na cidade de Lagoa seca. ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 23 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 A pesquisa trata-se de um estudo com abordagem quali-quantitativa, onde são coletados dados que venham satisfazer e analisar criteriosamente a percepção de alunos e professores acerca do tema “Resolução de Situações Problemas como Metodologia de Ensino: uma reflexão na EJA”. O trabalho de coleta de dados foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Francisca Martiniano da Rocha. A pesquisa foi conduzida com alunos da Educação de Jovens e Adultos, totalizando 250 alunos. Para amostra da pesquisa, foram selecionados os alunos do ensino médio (EJA) que totalizam 150 alunos, mas apenas 83 alunos responderam. Quanto aos professores da instituição, foram selecionados, apenas os quatro docentes da disciplina Matemática, que lecionam nas referidas turmas. Os dados foram coletados por meio de questionários de autoaplicação e foram agrupados por semelhanças semânticas de modo a favorecer a qualificação e quantificação na análise das respostas. Os questionários aplicados tiveram como objetivo principal conhecer a opinião dos alunos e do corpo docente da Educação de Jovens e Adultos, a cerca do tema abordado nesta pesquisa com o intuito de que as informações descritas venham a servir de reflexão e/ou suporte pedagógico aos professores e que estes, possam proporcionar aos alunos um ensino de conceitos matemáticos, a partir de situações-problema, que tenham sentido e sejam coerentes com a realidade na qual os alunos estão inseridos. 4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Acredita-se que resolver problemas de Matemática não é teoria, é prática, é treinamento, é perseverança. É claro que esta prática deve ser acompanhada de fundamentos teóricos sólidos e do domínio de conceitos e técnicas. O professor de matemática deve ser mediador e estimulador de seus alunos. De acordo com Polya (1995, p.5), “matemática é a arte de resolver problemas” [...] “para aprender a resolver problemas é preciso resolver problemas”. No mesmo sentido Dante (1991, p. 11) afirma que: “A resolução de problemas pode auxiliar e bastante o desenvolvimento de habilidades do educando, utilizando situações problemas poderemos envolvê-los e desafiá-los a ponto de incentivá-los, para que dessa forma lhe proporcione o pensamento produtivo” A Resolução de Problemas é de fundamental importância para a Educação Matemática, segundo Krulik (1997, p.8), “a resolução de problemas é a própria razão do ensino da Matemática”. Ela dá suporte para aplicações da Matemática do cotidiano, motivando os estudantes da disciplina. Entre outros motivos, destacamos o fato de que a Resolução de Problemas é capaz de adequar a Matemática a situações reais que ocorrem no cotidiano dos alunos. Para a grande maioria dos discentes, resolver um problema significa fazer cálculos mecanicamente, ou simplesmente aplicar algo que aprenderam nas aulas. Neste sentido, precisamos tomar consciência de que ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Portanto, acreditamos que é fundamental que docentes procurem alternativas para aumentar a motivação, a autoconfiança, a atenção, a concentração, a organização e o raciocínio lógico-dedutivo e assim construir uma verdadeira aprendizagem, além de desenvolver a socialização como também aumentar as interações do indivíduo com outras pessoas. “Não temo dizer que inexiste validade no ensino em que resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de refazer o ensinado [...] nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado [...]. Percebe-se, assim, que faz parte da tarefa docente não apenas ensinar conteúdos, mas também ensinar a pensar certo”. (FREIRE, 1996, p. 165) ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 24 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 Neste ponto percebe-se a importância de incentivar atividades que estimulem a Resolução de Problemas na Matemática, que tem um papel de motivador além de ser a principal razão do ensino da matemática, afinal diz Krulik (1997, p.3), “por acaso ensinamos cálculos aritméticos, cálculos algébricos e algoritmos apenas porque são interessantes por si mesmos?” É claro que não. Contudo faz-se a necessidade de ressaltar a grande importância de resolver problemas, pois vivemos em um mundo que exige que as pessoas pensem, questionem e se arrisquem, propondo soluções aos vários desafios que surgem no trabalho ou na vida cotidiana. Utilizar a Resolução de Problemas como metodologia de ensino para as aulas de matemática é uma alternativa altamente eficiente para desenvolver habilidades no educando auxiliando-os nas dificuldades que possam surgir. Para Pozo (1998, p.23), “solucionar problemas é uma das maneiras mais acessíveis de fazer o educando aprender a aprender”. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998 p.17), no processo de ensino e aprendizagem, conceitos, idéias e métodos matemáticos devem ser abordados mediante a exploração de problemas, ou seja, através de situações em que os alunos precisem desenvolver algum tipo de estratégia para resolvê-las. No mesmo sentido Polya (1995, p.32) afirma que: “Uma grande descoberta resolve um grande problema, mas há sempre uma pitada de descoberta na resolução de qualquer problema. O problema pode ser modesto, mas se ele desafiar a curiosidade e puser em jogo as faculdades inventivas, quem o resolver por seus próprios meios, experimentará a atenção e gozará o triunfo da descoberta. Experiências tais, numa idade susceptível, poderão gerar o gosto pelo trabalho mental e deixar, por toda a vida, a sua marca na mente e no caráter”. Um dos objetivos essenciais e ao mesmo tempo uma das dificuldades principais do ensino da matemática é precisamente que o que se ensine esteja carregado de significados, tenha sentido para o aluno. Então a questão fundamental do ensino da Matemática é como fazer para que os conhecimentos ensinados tenham sentido para esses alunos. Para Dante (1991 p.6), “um dos principais objetivos do ensino da matemática é fazer o aluno pensar produtivamente e, para isso, nada melhor que apresentar-lhes situações-problemas que o envolvam, o desafie e o motivem a querer resolvê-las.” O aluno deve ser capaz não só de repetir ou refazer, mas também, de empregar esses conhecimentos em situações novas, de adaptar, de transferir seus conhecimentos para resolver novos problemas. O processo de ensino e aprendizagem da Matemática deve ser bem trabalhado nas escolas, para que futuramente os alunos não apresentem dificuldades graves, quanto à construção do pensamento lógico – abstrato. Atualmente o ensino da Matemática se apresenta descontextualizado, inflexível e imutável, sendo produto de mentes privilegiadas. O aluno é, muitas vezes, um mero expectador e não um sujeito participante, sendo a maior preocupação dos professores cumprirem o programa. Os conteúdos e a metodologia não se articulam com os objetivos de ensino que sirva pela inserção social dos indivíduos, ao desenvolvimento do seu potencial, de sua expressão e interação com o meio. Dante (1991 p.14) nos afirma que: “As rápidas mudanças sociais impedem que se faça uma previsão exata de quais qualidades seriam úteis para preparar um aluno para a sua vida futura. Ensinar apenas conceitos e algoritmos que atualmente são relevantes parece não ser o caminho, pois eles podem se tornar obsoletos quando o indivíduo estiver no auge de sua vida produtiva. Assim, um caminho bastante razoável é preparar o aluno para lidar com situações novas, quaisquer que sejam elas. E, para isso, é fundamental desenvolver nele iniciativa, espírito explorador, criatividade e independência através da resolução de situações problemas”. A utilização de situações problemas do cotidiano do aluno direcionadas pedagogicamente em sala de aula pode estimular os alunos à construção do pensamento lógico – matemático de forma significativa. O trabalho com a matemática em sala de aula representa um desafio para o professor ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 25 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 na medida em que exige que ele o conduza de forma expressiva e estimulante para o aluno. Para que aprendizagem ocorra, ela deve ser significativa relevante. Uma proposta de trabalho que vise esta aprendizagem deve explorar idéias matemáticas em geral, de modo que os alunos desenvolvam com prazer e de forma curiosa/ verdadeira a Matemática, adquirindo diferentes formas de perceber a realidade, “estudar Matemática é resolver problemas. Portanto, a incumbência dos professores de Matemática, em todos os níveis, é ensinar a arte de resolver problemas. O primeiro passo nesse processo é colocar o problema adequadamente” (BUTTS, apud. Polya p.43 1995). Estudando a Resolução de Situações Problemas, como função Metodológica, para ajudar no processo de ensino e aprendizagem da matemática, aumenta às chances de vencer as dificuldades encontradas pelos alunos e professores. Deste modo faz-se a necessidade de valorizar a Resolução de Problemas como metodologia facilitadora nas aulas de matemática e como um método que visa à construção de um saber que capacita os alunos a pensar e a refletir sobre a realidade, e dessa forma torna-se possível que os alunos encontrem a razão e um motivo para querer aprender matemática. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com os dados obtidos, na pesquisa de campo realizada na Escola Estadual Francisca Martiniano da Rocha na cidade de Lagoa Seca – PB verificou-se que os alunos participantes da pesquisa, apresentaram faixa etária entre 16 e 47 anos de idade. O questionário aplicado era composto por sete perguntas, que abordavam o uso de resolução de problemas como metodologia de ensino. O primeiro questionamento foi acerca da escolha dos discentes pela Educação de Jovens e Adultos. 15% responderam que escolheram a EJA por fazer muito tempo que deixaram de estudar, 44% por trabalhar durante o dia e os demais 41% responderam que escolheram a essa modalidade para terminar mais rápido os estudos. A segunda questão referia-se ao interesse dos mesmos em prestar vestibular e/ou concursos: 44% desses alunos pretendem prestar vestibular e também concursos, o resultado se destrincha da seguinte forma; 4% responderam que pretendem prestar apenas vestibulares, 37% responderam que pretendem prestar apenas concursos e 15% disseram não se interessar em prestar vestibulares e nem concursos. Dentre os questionamentos, o terceiro foi um dos que mais diferenciou em quantidades de uma opção para a outra, pois 97% responderam que considera a disciplina matemática importante na sua vida escolar, isto pode ser afirmado nas palavras de alguns alunos: “Sem saber matemática agente não vai nem ao supermercado” ALUNO DO 2° ANO outro afirma: “Porque a matemática é uma disciplina muito importante e irei precisar dela no meu futuro profissional” ALUNO DO 3° ANO e apenas 3% responderam que não considera a disciplina matemática importante. O quarto questionamento surpreendeu as pesquisadoras, pois todos os alunos que responderam o questionário disseram concordar que a matemática pode ser encontrada em diversas circunstâncias do nosso cotidiano, ou seja, 100% do alunado afirmam que é possível encontrar em quase tudo alguns traços de matemática. Os alunos foram questionados quanto a utilização de situações problemas do seu cotidiano pelo seu (sua) professor(a) para ministrar os conteúdos programados. 18% dos alunos responderam que sim, que seu professor sempre utiliza esse recurso, 52% responderam que seu professor utilizou algumas vezes, 22% responderam que ele nunca utilizou o recurso de situações-problemas e os demais 8% decidiram não opinar. O penúltimo questionamento foi a cerca da utilidade da matemática escolar na vida prática de cada aluno. 94% responderam que sim, que afirmam que a matemática aplicada em sala será útil na sua vida além da escola, 5% responderam que não e 1% do alunado decidiram não opinar. De acordo com as justificativas feitas no espaço de observações, as pesquisadoras perceberam que este questionamento não ficou bem claro para os mesmos, pois o corpo discente entendeu que o ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 26 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 questionamento estava levando em consideração a matemática como um todo e a intenção das pesquisadoras era focar na matemática que é aplicada nas aulas. O último questionamento foi uma pergunta subjetiva, os alunos foram questionados como eles gostariam que fossem ministradas as aulas de matemática. 19% dos alunos preferiram não responder, dos 81% que responderam, a maioria deles pedia por aulas mais dinâmicas, estimulantes e atrativas e com o uso de métodos diferentes das aulas apenas expositivas. Um das coisas mais interessantes e que chamou a atenção, foi o pedido dos mesmos por mais hora/aulas de matemática por semana, Para assegurar o que foi mencionado acima alguns Alunos afirma: “Deveria termos mais aulas de matemática porque é a matéria que mais aparece em concursos, vestibular e em algumas provas que fazemos durante a entrevista de emprego” ALUNO DO 3°ANO “Mas estimulantes com jogos, exercícios de raciocínio e outras coisas mais”. ALUNO DO 2°ANO; “Com mais dinâmica e situações que vivemos no dia a dia”. ALUNO DO 2° ANO Quanto ao questionário aplicado ao corpo docente, este era composto por oito perguntas, os primeiros questionamentos foram acerca da graduação e pós-graduação desses professores, foi possível constatar que os educadores estão preocupados cada vez mais em se especializar e se aprofundar nos estudos, pois 100% dos educadores questionados possuem graduação completa, 50% já possuem uma especialização e 50% estão cursando algum tipo de Especialização. Quando questionados sobre que metodologia de ensino que costumavam utilizar nas suas aulas, 75% dos professores responderam que na maioria das vezes utilizavam aulas expositivas, e apenas 25% citaram outros métodos como: jogos, recursos tecnológicos e resolução de problemas do cotidiano. É inegável que a permanência das aulas meramente expositivas ainda está muito presente nas salas de aula de matemática. Os Educadores também foram questionados em relação acerca do tema abordado na pesquisa, 100% dos professores dizem concordar que o uso de situações problemas pode facilitar o ensino-aprendizagem nas aulas de matemática, mas apenas 50% afirmam aplicar em suas aulas, pôde-se perceber que alguns educadores participantes gostariam de utilizar este método para ministrar suas aulas, mas ainda não conseguiram encontrar a forma correta. Observou-se que alguns profissionais necessitam de informações quanto á resolução de situação-problema o uso desse método é ainda muito aparente (pouco profundo), pois muitos professores acreditam que uma situação-problema é o mesmo que um simples problema, que geralmente serve apenas como exercício de fixação. A resolução de situação-problema é toda e qualquer situação onde se deseja obter uma solução, cuja resposta exige pôr à prova tudo o que se sabe. Geralmente, a resolução surge de um raciocínio passo a passo, cuja solução ou resultado causa grande satisfação quando assim descoberta. Contudo, a resolução de um problema pode ser complexa para um determinado aluno e simples para outro. Através da análise dos dados foi possível perceber que as aulas de matemática, em sua maioria, são baseadas na mera transmissão de explicações e teorias (ensino teórico e aulas expositivas) e no adestramento de técnicas e habilidades (ensino prático com exercícios repetitivos). Do ponto de vista de nosso entendimento dos processos cognitivos, ambas são totalmente equivocadas, pois temos alunos diferentes, com níveis de aprendizagem diferentes e formas de aprendizagem diferentes. Não se está afirmando que o método tradicionalista esta errado, mas o uso exclusivo deste método pode acarretar diversos danos à construção do pensamento lógicomatemático, não se podem avaliar habilidades cognitivas fora do contexto em que os alunos se inserem. Conforme os dados demonstrados, verifica-se que a maioria dos alunos da modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos) gosta e se interessam pela disciplina considerando a mesma fundamental em seu cotidiano. Para os alunos participantes da pesquisa, a disciplina desperta neles o raciocínio lógico, a utilização de cálculos em diversas situações do seu dia-a-dia. Muitos alunos dessa modalidade afirmaram que pretendem prestar concursos e/ou vestibular, e por isso os mesmos solicitam aulas mais dinâmicas e estimulantes para que construa uma aprendizagem cheia de ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 27 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 significados. Assim faz-se a necessidade de ressaltar a grande importância da utilização de novas técnicas, pois, vivemos em mundo o qual cada vez mais exige que as pessoas pensem, questionem. Neste sentido é que entendemos que um educador matemático, precisa ser aparado de diversos métodos e maneiras de se explicar o mesmo conceito, para que possa facilitar o entendimento de seus alunos. O uso de situações-problema para exemplificar e/ou expor conteúdos, aproxima a Matemática ensinada nas escolas com a realidade e o cotidiano dos alunos. Fica claro também que o método abordado pelas autoras deste artigo, desperta o interesse dos educadores da disciplina matemática que participaram desta pesquisa, o que trouxe satisfação as mesmas, assim é importante reconhecer que o processo de Resolução de Problemas é o eixo organizador do ensino de matemática, fornecendo aos discentes a possibilidade de resolver situações de diversas naturezas, e enfrentar com confiança novas situações além de prepará-los melhor para uma vida profissional. 6. CONCLUSÕES A escola, o ensino e a educação, estão imersos numa crise mundial que os atingem em todos os níveis, o qual se caracteriza por um ensino fragmentado e conservador voltado para a reprodução do conhecimento. A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. A concepção moderna de educador exige uma formação continuada, que deve ser reconhecida como um do alicerces para a qualidade de ensino que se pretende para todo o país. Á sociedade a qual pertencemos já não interessam apenas profissionais com título de graduação. Ser educador requer uma série de posturas e práticas capazes de fazê-lo atuar com competência e profissionalismo. De acordo com a pesquisa bibliográfica realizada sobre a utilização de Resolução de Situações Problemas como Metodologia de Ensino, é possível concluir que, aplicar essa metodologia de ensino nas aulas de matemática nas salas da EJA, pode trazer sim, benefícios e melhoria no processo ensino-aprendizagem, levando o aluno a gerar um pensamento lógico-matemático e a pensar produtivamente. Somando-se a isto, temos a pesquisa de campo que foi realizada numa escola pública, nela, alunos e professores foram questionados acerca do tema abordado. Nesta pesquisa foi possível constatar que os alunos da EJA gostariam que as aulas de matemática fossem mais estimulantes, dinâmicas e que envolvam situações do seu cotidiano preparando-os para uma vida profissional com mais sucesso e o caminho mais curto para isso, seria a aplicação de situações problemas do cotidiano dos mesmos nas atividades diárias, em relação ao corpo docente fica claro o interesse dos mesmos pela temática, como também ficou claro que necessitam de mais informações quanto à Resolução de Situações Problemas uma vez que as utilizam como mero exercício de fixação de conteúdo e consideram que todos os problemas que se obtêm de livros didáticos são situações problemas, o que é totalmente equivocado. Diante disto, faz-se necessário que os educadores desta disciplina reflitam e revejam a sua prática pedagógica. Ao encerrar este artigo reafirmamos que com a utilização dessa metodologia, os alunos tornamse ativos na construção de seu próprio conhecimento. O que se busca é o desenvolvimento do raciocínio dedutivo do aluno e não a memorização de fórmulas. Os problemas devem despertar algum interesse no aluno e sua solução conduzir ao conhecimento matemático pretendido. Mudar a forma de se ensinar matemática é tarefa árdua e lenta, mas existe a necessidade que isso aconteça. 7. REFERÊNCIAS CHARNAY, Roland. Didática da Matemática - 1 ª edição – São Paulo: Ática, 2005. DANTE, Luiz Roberto. Didática da Resolução de Problemas de Matemática. – 3ª edição – São Paulo: Ática, 1991. ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 28 Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 21. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura SCHÖN, D.A. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Trad.Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2000. KRULK, Stephen. A Resolução de problemas na matemática escolar – 4ª edição – São Paulo: Atual, 1997. Ministério de Educação e Cultura MEC – PCNs: Matemática, fundamental e médio. Brasília: 1998. POLYA, George. A Arte de Resolver Problemas – 2ª edição – Rio de Janeiro: Interciência, 1995. POZO, Juan Ignácio. A Solução de Problemas: Aprender a resolver, resolver para aprender. Porto Alegre: Artmed, 1998. AGRADECIMENTOS Agradecemos também as professoras FABIANA ALMEIDA ARAÚJO e MARÍLIA LIDIANE COSTA, pelo apoio e atenção dedicada à construção deste estudo. ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413 29