Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMO METODOLOGIA DE ENSINO:
UMA REFLEXÃO NA EJA
Joyce Almeida ATAÍDE1 Karina Roberta da Costa GREGÓRIO2
1. Especialista em Ensino da Matemática –FURNE/UnjPê – [email protected]
2. Especialista em Ensino da Matemática –FURNE/UnjPê – [email protected]
RESUMO
Nesse artigo, será abordado um estudo que abrange a Educação de Jovens e Adultos, com o tema
Resolução de situações problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Esse estudo
tem como objetivo principal promover a reflexão sobre a utilização dessa metodologia em salas de
aula da EJA visando melhores rendimentos por parte desses alunos que em geral estão, há muito
anos fora dos bancos escolares. Preocupados por estarmos vivenciando uma época que a Educação
está imersa numa crise mundial que a atinge em todos os níveis por insistir em uma prática
pedagógica fortemente assentada numa proposta de ensino fragmentada e conservadora voltada para
a reprodução do conhecimento, faz-se necessário estudar métodos de ensino-aprendizagem que
permitam ao professor trabalhar de forma produtiva e contextualizada os conteúdos matemáticos.
Este tema vem sendo abordado por diversos autores, os quais apresentam idéias acerca do tema e
expõem que a utilização de situações problemas do cotidiano dos alunos se quando utilizadas em
sala de aula de forma correta pode estimulá-los a construção do pensamento lógico-matemático de
forma significativa, aborda-se neste artigo, a opinião dos principais interessados nessa temática os
Educadores e os Educandos dessa modalidade de ensino “a EJA”. Através de uma pesquisa de
campo com aplicação de um questionário, docentes e discentes foram estimulados a expor suas
opiniões a cerca do uso dessa metodologia nas aulas de matemática, e com o intuito de evidenciar e
sustentar as idéias principais deste estudo apresenta-se os aportes teóricos utilizando-se como
instrumento de pesquisa um acervo bibliográfico.
Palavras-chave: Metodologia de Ensino. Situações-problemas. Ensino-aprendizagem.
ABSTRACT
In this article, we will describe a study that covers the Youth and Adult Education, with the theme
resolution of problem situations such as teaching methodology: a reflection on adult education. This
study's main objective is to promote reflection on the use of this methodology in adult education
classrooms to obtain better income from these students in general are, for many years out of school
benches. Concerned that we are experiencing a time when education is immersed in a world crisis
that strikes at all levels by insisting on a strong pedagogical practice seated in an education proposal
fragmented and conservative toward the reproduction of knowledge, it is necessary to study
methods teaching and learning that allow the teacher to work productively and contextualized
mathematical contents. This issue has been discussed by several authors, who present ideas on the
subject and expose situations that the use of real-world problems of students when used in the
classroom can properly encourage them to build the logical-mathematical Significantly, it is
approached in this article, the views of key stakeholders in this issue Educators and Pupils of this
teaching "EJA". Through a field study with application of a questionnaire, teachers and students
were encouraged to express their opinions about the use of this methodology for teaching
mathematics, and in order to highlight and support the main ideas of this study presents the
contributions theorists using as a tool for bibliographic research.
Keywords: Teaching methodology. Situations-problems. Teaching-learning.
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
22
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
1. INTRODUÇÃO
A história da Educação foi marcada por grandes movimentos, ocorridos principalmente, no
final do século XIX, dentre esses podemos citar a Escola Nova e a Escola Ativa. Estes movimentos
davam vida à escola por meio de métodos ativos, onde o fazer do aluno é essencial ao processo de
ensino-aprendizagem. No entanto, como argumenta (Rossini apud Charnay 2005 p. 7), “tanta
inovação pouco alterava a realidade dentro das salas de aula: aulas expositivas, assuntos que não
motivavam ou que não diziam respeito aos alunos” e o que se via na grande maioria das escolas era
a matemática sendo ensinada sem a preocupação em estabelecer vínculos com a realidade ou com o
cotidiano do aluno. Atualmente, ainda nos deparamos com essa realidade, porém os educadores
estão sendo desafiados a inovar e mudar. A inovação refere-se à forma de trabalhar com o intuito de
atender às expectativas da nova geração de discentes. A inovação e mudança de que tratamos estão
relacionadas à aquisição de novas metodologias capazes de transformar o espaço-escola do
educando em algo dinâmico, significativo e participativo aproximando a teoria da prática.
Neste sentido que se propõe a Resolução de Problemas como metodologia de ensino, que
pode ser utilizada como um ponto de partida e um meio para se ensinar matemática tornando assim,
aulas de matemática mais dinâmicas, significativas e participativas. O tema (Resolução de
Problemas como Metodologia de Ensino: Uma Reflexão na EJA) foi escolhido pela necessidade de
enriquecer nossos conhecimentos, e visando melhorar a qualidade do ensino de Jovens e Adultos,
como também sensibilizar os educadores para reverem sua Prática Pedagógica. O presente artigo
apresenta uma discussão acerca do tema a fim de propor uma metodologia capaz de atender as
atuais expectativas dos educadores da disciplina matemática, pois permitem que docentes
incorporem novas técnicas e valores às suas vivências promovendo mudanças fundamentais nas
aulas desta disciplina.
Esse estudo é uma tentativa de integrar a teoria à prática num processo de ação-reflexão
(Schon, p.256 2000), “onde teoria e prática possam complementar-se a fim de promover a
integração do conteúdo escolar com o cotidiano dos alunos”. Pretende-se ainda, sensibilizar os
educadores para o uso dessa técnica de ensino com o intuito de facilitar o processo ensinoaprendizagem das aulas de Matemática nas turmas de Jovens e Adultos.
2. OBJETIVOS
Dessa forma, o objetivo desse artigo é refletir sobre o ensino-aprendizagem da Resolução de
Problemas de Matemática, como meio de se trabalhar a disciplina nas salas de forma produtiva e
contextualizada, na direção da construção do saber matemático, e como objetivo específico, discutir
uma técnica de ensino que estimule os jovens e adultos à participação ativa na construção
significativa do conhecimento matemático.
3. MATERIAL E MÉTODOS
Em seu desencadeamento, o artigo se apresenta em dois momentos: no primeiro momento
exporemos os aportes teóricos que evidenciam e sustentam a importância deste tema para a
construção do saber matemático, pois o uso da Resolução de Problemas no ensino da Matemática dá
um sentido prático a tal ensino. Deste modo, torna-se fundamental que o professor reveja sua
prática pedagógica, buscando técnicas de ensino que estimulem o aluno à participação ativa na
construção do conhecimento matemático. No segundo momento, apresentaremos e analisaremos os
dados de uma pesquisa de campo realizada em uma escola estadual na cidade de Lagoa seca.
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
23
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
A pesquisa trata-se de um estudo com abordagem quali-quantitativa, onde são coletados
dados que venham satisfazer e analisar criteriosamente a percepção de alunos e professores acerca
do tema “Resolução de Situações Problemas como Metodologia de Ensino: uma reflexão na EJA”.
O trabalho de coleta de dados foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e
Médio Francisca Martiniano da Rocha. A pesquisa foi conduzida com alunos da Educação de
Jovens e Adultos, totalizando 250 alunos. Para amostra da pesquisa, foram selecionados os alunos
do ensino médio (EJA) que totalizam 150 alunos, mas apenas 83 alunos responderam. Quanto aos
professores da instituição, foram selecionados, apenas os quatro docentes da disciplina Matemática,
que lecionam nas referidas turmas. Os dados foram coletados por meio de questionários de autoaplicação e foram agrupados por semelhanças semânticas de modo a favorecer a qualificação e
quantificação na análise das respostas.
Os questionários aplicados tiveram como objetivo principal conhecer a opinião dos alunos e
do corpo docente da Educação de Jovens e Adultos, a cerca do tema abordado nesta pesquisa com o
intuito de que as informações descritas venham a servir de reflexão e/ou suporte pedagógico aos
professores e que estes, possam proporcionar aos alunos um ensino de conceitos matemáticos, a
partir de situações-problema, que tenham sentido e sejam coerentes com a realidade na qual os
alunos estão inseridos.
4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Acredita-se que resolver problemas de Matemática não é teoria, é prática, é treinamento, é
perseverança. É claro que esta prática deve ser acompanhada de fundamentos teóricos sólidos e do
domínio de conceitos e técnicas. O professor de matemática deve ser mediador e estimulador de
seus alunos. De acordo com Polya (1995, p.5), “matemática é a arte de resolver problemas” [...]
“para aprender a resolver problemas é preciso resolver problemas”. No mesmo sentido Dante (1991,
p. 11) afirma que: “A resolução de problemas pode auxiliar e bastante o desenvolvimento de
habilidades do educando, utilizando situações problemas poderemos envolvê-los e desafiá-los a
ponto de incentivá-los, para que dessa forma lhe proporcione o pensamento produtivo”
A Resolução de Problemas é de fundamental importância para a Educação Matemática,
segundo Krulik (1997, p.8), “a resolução de problemas é a própria razão do ensino da Matemática”.
Ela dá suporte para aplicações da Matemática do cotidiano, motivando os estudantes da disciplina.
Entre outros motivos, destacamos o fato de que a Resolução de Problemas é capaz de adequar a
Matemática a situações reais que ocorrem no cotidiano dos alunos.
Para a grande maioria dos discentes, resolver um problema significa fazer cálculos
mecanicamente, ou simplesmente aplicar algo que aprenderam nas aulas. Neste sentido, precisamos
tomar consciência de que ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o
pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Portanto,
acreditamos que é fundamental que docentes procurem alternativas para aumentar a motivação, a
autoconfiança, a atenção, a concentração, a organização e o raciocínio lógico-dedutivo e assim
construir uma verdadeira aprendizagem, além de desenvolver a socialização como também
aumentar as interações do indivíduo com outras pessoas.
“Não temo dizer que inexiste validade no ensino em que resulta um aprendizado em
que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de refazer o ensinado [...] nas
condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em
reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado [...]. Percebe-se,
assim, que faz parte da tarefa docente não apenas ensinar conteúdos, mas também
ensinar a pensar certo”. (FREIRE, 1996, p. 165)
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
24
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
Neste ponto percebe-se a importância de incentivar atividades que estimulem a Resolução
de Problemas na Matemática, que tem um papel de motivador além de ser a principal razão do
ensino da matemática, afinal diz Krulik (1997, p.3), “por acaso ensinamos cálculos aritméticos,
cálculos algébricos e algoritmos apenas porque são interessantes por si mesmos?” É claro que não.
Contudo faz-se a necessidade de ressaltar a grande importância de resolver problemas, pois vivemos
em um mundo que exige que as pessoas pensem, questionem e se arrisquem, propondo soluções aos
vários desafios que surgem no trabalho ou na vida cotidiana. Utilizar a Resolução de Problemas
como metodologia de ensino para as aulas de matemática é uma alternativa altamente eficiente para
desenvolver habilidades no educando auxiliando-os nas dificuldades que possam surgir. Para Pozo
(1998, p.23), “solucionar problemas é uma das maneiras mais acessíveis de fazer o educando
aprender a aprender”.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998 p.17), no processo de ensino e
aprendizagem, conceitos, idéias e métodos matemáticos devem ser abordados mediante a
exploração de problemas, ou seja, através de situações em que os alunos precisem desenvolver
algum tipo de estratégia para resolvê-las. No mesmo sentido Polya (1995, p.32) afirma que:
“Uma grande descoberta resolve um grande problema, mas há sempre uma pitada
de descoberta na resolução de qualquer problema. O problema pode ser modesto,
mas se ele desafiar a curiosidade e puser em jogo as faculdades inventivas, quem o
resolver por seus próprios meios, experimentará a atenção e gozará o triunfo da
descoberta. Experiências tais, numa idade susceptível, poderão gerar o gosto pelo
trabalho mental e deixar, por toda a vida, a sua marca na mente e no caráter”.
Um dos objetivos essenciais e ao mesmo tempo uma das dificuldades principais do ensino
da matemática é precisamente que o que se ensine esteja carregado de significados, tenha sentido
para o aluno. Então a questão fundamental do ensino da Matemática é como fazer para que os
conhecimentos ensinados tenham sentido para esses alunos. Para Dante (1991 p.6), “um dos
principais objetivos do ensino da matemática é fazer o aluno pensar produtivamente e, para isso,
nada melhor que apresentar-lhes situações-problemas que o envolvam, o desafie e o motivem a
querer resolvê-las.” O aluno deve ser capaz não só de repetir ou refazer, mas também, de empregar
esses conhecimentos em situações novas, de adaptar, de transferir seus conhecimentos para resolver
novos problemas.
O processo de ensino e aprendizagem da Matemática deve ser bem trabalhado nas escolas,
para que futuramente os alunos não apresentem dificuldades graves, quanto à construção do
pensamento lógico – abstrato. Atualmente o ensino da Matemática se apresenta descontextualizado,
inflexível e imutável, sendo produto de mentes privilegiadas. O aluno é, muitas vezes, um mero
expectador e não um sujeito participante, sendo a maior preocupação dos professores cumprirem o
programa. Os conteúdos e a metodologia não se articulam com os objetivos de ensino que sirva pela
inserção social dos indivíduos, ao desenvolvimento do seu potencial, de sua expressão e interação
com o meio. Dante (1991 p.14) nos afirma que:
“As rápidas mudanças sociais impedem que se faça uma previsão exata de quais
qualidades seriam úteis para preparar um aluno para a sua vida futura. Ensinar
apenas conceitos e algoritmos que atualmente são relevantes parece não ser o
caminho, pois eles podem se tornar obsoletos quando o indivíduo estiver no auge de
sua vida produtiva. Assim, um caminho bastante razoável é preparar o aluno para
lidar com situações novas, quaisquer que sejam elas. E, para isso, é fundamental
desenvolver nele iniciativa, espírito explorador, criatividade e independência
através da resolução de situações problemas”.
A utilização de situações problemas do cotidiano do aluno direcionadas pedagogicamente
em sala de aula pode estimular os alunos à construção do pensamento lógico – matemático de forma
significativa. O trabalho com a matemática em sala de aula representa um desafio para o professor
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
25
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
na medida em que exige que ele o conduza de forma expressiva e estimulante para o aluno. Para
que aprendizagem ocorra, ela deve ser significativa relevante. Uma proposta de trabalho que vise
esta aprendizagem deve explorar idéias matemáticas em geral, de modo que os alunos desenvolvam
com prazer e de forma curiosa/ verdadeira a Matemática, adquirindo diferentes formas de perceber
a realidade, “estudar Matemática é resolver problemas. Portanto, a incumbência dos professores de
Matemática, em todos os níveis, é ensinar a arte de resolver problemas. O primeiro passo nesse
processo é colocar o problema adequadamente” (BUTTS, apud. Polya p.43 1995). Estudando a
Resolução de Situações Problemas, como função Metodológica, para ajudar no processo de ensino e
aprendizagem da matemática, aumenta às chances de vencer as dificuldades encontradas pelos
alunos e professores.
Deste modo faz-se a necessidade de valorizar a Resolução de Problemas como metodologia
facilitadora nas aulas de matemática e como um método que visa à construção de um saber que
capacita os alunos a pensar e a refletir sobre a realidade, e dessa forma torna-se possível que os
alunos encontrem a razão e um motivo para querer aprender matemática.
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com os dados obtidos, na pesquisa de campo realizada na Escola Estadual
Francisca Martiniano da Rocha na cidade de Lagoa Seca – PB verificou-se que os alunos
participantes da pesquisa, apresentaram faixa etária entre 16 e 47 anos de idade. O questionário
aplicado era composto por sete perguntas, que abordavam o uso de resolução de problemas como
metodologia de ensino.
O primeiro questionamento foi acerca da escolha dos discentes pela Educação de Jovens e
Adultos. 15% responderam que escolheram a EJA por fazer muito tempo que deixaram de estudar,
44% por trabalhar durante o dia e os demais 41% responderam que escolheram a essa modalidade
para terminar mais rápido os estudos. A segunda questão referia-se ao interesse dos mesmos em
prestar vestibular e/ou concursos: 44% desses alunos pretendem prestar vestibular e também
concursos, o resultado se destrincha da seguinte forma; 4% responderam que pretendem prestar
apenas vestibulares, 37% responderam que pretendem prestar apenas concursos e 15% disseram não
se interessar em prestar vestibulares e nem concursos.
Dentre os questionamentos, o terceiro foi um dos que mais diferenciou em quantidades de
uma opção para a outra, pois 97% responderam que considera a disciplina matemática importante
na sua vida escolar, isto pode ser afirmado nas palavras de alguns alunos: “Sem saber matemática
agente não vai nem ao supermercado” ALUNO DO 2° ANO outro afirma: “Porque a matemática é uma
disciplina muito importante e irei precisar dela no meu futuro profissional” ALUNO DO 3° ANO e apenas
3% responderam que não considera a disciplina matemática importante.
O quarto questionamento surpreendeu as pesquisadoras, pois todos os alunos que
responderam o questionário disseram concordar que a matemática pode ser encontrada em diversas
circunstâncias do nosso cotidiano, ou seja, 100% do alunado afirmam que é possível encontrar em
quase tudo alguns traços de matemática.
Os alunos foram questionados quanto a utilização de situações problemas do seu cotidiano
pelo seu (sua) professor(a) para ministrar os conteúdos programados. 18% dos alunos responderam
que sim, que seu professor sempre utiliza esse recurso, 52% responderam que seu professor utilizou
algumas vezes, 22% responderam que ele nunca utilizou o recurso de situações-problemas e os
demais 8% decidiram não opinar.
O penúltimo questionamento foi a cerca da utilidade da matemática escolar na vida prática
de cada aluno. 94% responderam que sim, que afirmam que a matemática aplicada em sala será útil
na sua vida além da escola, 5% responderam que não e 1% do alunado decidiram não opinar. De
acordo com as justificativas feitas no espaço de observações, as pesquisadoras perceberam que este
questionamento não ficou bem claro para os mesmos, pois o corpo discente entendeu que o
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
26
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
questionamento estava levando em consideração a matemática como um todo e a intenção das
pesquisadoras era focar na matemática que é aplicada nas aulas. O último questionamento foi uma
pergunta subjetiva, os alunos foram questionados como eles gostariam que fossem ministradas as
aulas de matemática. 19% dos alunos preferiram não responder, dos 81% que responderam, a
maioria deles pedia por aulas mais dinâmicas, estimulantes e atrativas e com o uso de métodos
diferentes das aulas apenas expositivas.
Um das coisas mais interessantes e que chamou a atenção, foi o pedido dos mesmos por
mais hora/aulas de matemática por semana, Para assegurar o que foi mencionado acima alguns
Alunos afirma: “Deveria termos mais aulas de matemática porque é a matéria que mais aparece em
concursos, vestibular e em algumas provas que fazemos durante a entrevista de emprego” ALUNO
DO 3°ANO “Mas estimulantes com jogos, exercícios de raciocínio e outras coisas mais”. ALUNO
DO 2°ANO; “Com mais dinâmica e situações que vivemos no dia a dia”. ALUNO DO 2° ANO
Quanto ao questionário aplicado ao corpo docente, este era composto por oito perguntas, os
primeiros questionamentos foram acerca da graduação e pós-graduação desses professores, foi
possível constatar que os educadores estão preocupados cada vez mais em se especializar e se
aprofundar nos estudos, pois 100% dos educadores questionados possuem graduação completa,
50% já possuem uma especialização e 50% estão cursando algum tipo de Especialização.
Quando questionados sobre que metodologia de ensino que costumavam utilizar nas suas
aulas, 75% dos professores responderam que na maioria das vezes utilizavam aulas expositivas, e
apenas 25% citaram outros métodos como: jogos, recursos tecnológicos e resolução de problemas
do cotidiano. É inegável que a permanência das aulas meramente expositivas ainda está muito
presente nas salas de aula de matemática.
Os Educadores também foram questionados em relação acerca do tema abordado na
pesquisa, 100% dos professores dizem concordar que o uso de situações problemas pode facilitar o
ensino-aprendizagem nas aulas de matemática, mas apenas 50% afirmam aplicar em suas aulas,
pôde-se perceber que alguns educadores participantes gostariam de utilizar este método para
ministrar suas aulas, mas ainda não conseguiram encontrar a forma correta.
Observou-se que alguns profissionais necessitam de informações quanto á resolução de
situação-problema o uso desse método é ainda muito aparente (pouco profundo), pois muitos
professores acreditam que uma situação-problema é o mesmo que um simples problema, que
geralmente serve apenas como exercício de fixação. A resolução de situação-problema é toda e
qualquer situação onde se deseja obter uma solução, cuja resposta exige pôr à prova tudo o que se
sabe. Geralmente, a resolução surge de um raciocínio passo a passo, cuja solução ou resultado causa
grande satisfação quando assim descoberta. Contudo, a resolução de um problema pode ser
complexa para um determinado aluno e simples para outro.
Através da análise dos dados foi possível perceber que as aulas de matemática, em sua
maioria, são baseadas na mera transmissão de explicações e teorias (ensino teórico e aulas
expositivas) e no adestramento de técnicas e habilidades (ensino prático com exercícios repetitivos).
Do ponto de vista de nosso entendimento dos processos cognitivos, ambas são totalmente
equivocadas, pois temos alunos diferentes, com níveis de aprendizagem diferentes e formas de
aprendizagem diferentes. Não se está afirmando que o método tradicionalista esta errado, mas o uso
exclusivo deste método pode acarretar diversos danos à construção do pensamento lógicomatemático, não se podem avaliar habilidades cognitivas fora do contexto em que os alunos se
inserem.
Conforme os dados demonstrados, verifica-se que a maioria dos alunos da modalidade EJA
(Educação de Jovens e Adultos) gosta e se interessam pela disciplina considerando a mesma
fundamental em seu cotidiano. Para os alunos participantes da pesquisa, a disciplina desperta neles
o raciocínio lógico, a utilização de cálculos em diversas situações do seu dia-a-dia. Muitos alunos
dessa modalidade afirmaram que pretendem prestar concursos e/ou vestibular, e por isso os mesmos
solicitam aulas mais dinâmicas e estimulantes para que construa uma aprendizagem cheia de
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
27
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
significados. Assim faz-se a necessidade de ressaltar a grande importância da utilização de novas
técnicas, pois, vivemos em mundo o qual cada vez mais exige que as pessoas pensem, questionem.
Neste sentido é que entendemos que um educador matemático, precisa ser aparado de diversos
métodos e maneiras de se explicar o mesmo conceito, para que possa facilitar o entendimento de
seus alunos. O uso de situações-problema para exemplificar e/ou expor conteúdos, aproxima a
Matemática ensinada nas escolas com a realidade e o cotidiano dos alunos.
Fica claro também que o método abordado pelas autoras deste artigo, desperta o interesse dos
educadores da disciplina matemática que participaram desta pesquisa, o que trouxe satisfação as
mesmas, assim é importante reconhecer que o processo de Resolução de Problemas é o eixo
organizador do ensino de matemática, fornecendo aos discentes a possibilidade de resolver
situações de diversas naturezas, e enfrentar com confiança novas situações além de prepará-los
melhor para uma vida profissional.
6.
CONCLUSÕES
A escola, o ensino e a educação, estão imersos numa crise mundial que os atingem em todos os
níveis, o qual se caracteriza por um ensino fragmentado e conservador voltado para a reprodução do
conhecimento. A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. A
concepção moderna de educador exige uma formação continuada, que deve ser reconhecida como
um do alicerces para a qualidade de ensino que se pretende para todo o país. Á sociedade a qual
pertencemos já não interessam apenas profissionais com título de graduação. Ser educador requer
uma série de posturas e práticas capazes de fazê-lo atuar com competência e profissionalismo.
De acordo com a pesquisa bibliográfica realizada sobre a utilização de Resolução de Situações
Problemas como Metodologia de Ensino, é possível concluir que, aplicar essa metodologia de
ensino nas aulas de matemática nas salas da EJA, pode trazer sim, benefícios e melhoria no
processo ensino-aprendizagem, levando o aluno a gerar um pensamento lógico-matemático e a
pensar produtivamente.
Somando-se a isto, temos a pesquisa de campo que foi realizada numa escola pública, nela,
alunos e professores foram questionados acerca do tema abordado. Nesta pesquisa foi possível
constatar que os alunos da EJA gostariam que as aulas de matemática fossem mais estimulantes,
dinâmicas e que envolvam situações do seu cotidiano preparando-os para uma vida profissional
com mais sucesso e o caminho mais curto para isso, seria a aplicação de situações problemas do
cotidiano dos mesmos nas atividades diárias, em relação ao corpo docente fica claro o interesse dos
mesmos pela temática, como também ficou claro que necessitam de mais informações quanto à
Resolução de Situações Problemas uma vez que as utilizam como mero exercício de fixação de
conteúdo e consideram que todos os problemas que se obtêm de livros didáticos são situações
problemas, o que é totalmente equivocado. Diante disto, faz-se necessário que os educadores desta
disciplina reflitam e revejam a sua prática pedagógica.
Ao encerrar este artigo reafirmamos que com a utilização dessa metodologia, os alunos tornamse ativos na construção de seu próprio conhecimento. O que se busca é o desenvolvimento do
raciocínio dedutivo do aluno e não a memorização de fórmulas. Os problemas devem despertar
algum interesse no aluno e sua solução conduzir ao conhecimento matemático pretendido. Mudar a
forma de se ensinar matemática é tarefa árdua e lenta, mas existe a necessidade que isso aconteça.
7.
REFERÊNCIAS
CHARNAY, Roland. Didática da Matemática - 1 ª edição – São Paulo: Ática, 2005.
DANTE, Luiz Roberto. Didática da Resolução de Problemas de Matemática. – 3ª edição – São
Paulo: Ática, 1991.
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
28
Volume 2 / Número 1 / Jan-Mar - 2011
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 21. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura
SCHÖN, D.A. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a
aprendizagem. Trad.Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2000.
KRULK, Stephen. A Resolução de problemas na matemática escolar – 4ª edição – São Paulo:
Atual, 1997.
Ministério de Educação e Cultura MEC – PCNs: Matemática, fundamental e médio. Brasília: 1998.
POLYA, George. A Arte de Resolver Problemas – 2ª edição – Rio de Janeiro: Interciência, 1995.
POZO, Juan Ignácio. A Solução de Problemas: Aprender a resolver, resolver para aprender. Porto
Alegre: Artmed, 1998.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos também as professoras FABIANA ALMEIDA ARAÚJO e MARÍLIA
LIDIANE COSTA, pelo apoio e atenção dedicada à construção deste estudo.
ATAÍDE, J.A.; GREGÓRIO, K.R.C. Resolução de problemas como metodologia de ensino: uma reflexão na EJA. Revista
Brasileira de Informações Científicas. v.2, n.1, p.22-29. 2011. ISSN 2179-4413
29
Download

resolução de problemas como metodologia de ensino: uma