Modelo Mercantil do Setor Elétrico Brasileiro: A incrível desventura de um monopólio natural Roberto Pereira d’Araujo RCM Consultoria e Projetos Como se sabe, Deus é brasileiro... 119.000 km3 44.800 km3 458.000 km3 74.200 km3 502.800 km3 42.600 km3 2.200 km3 Fluxo Anual Médio do Planeta Fonte: World Water Resources at Beginning of 21 century – IHP UNESCO Os “Dez Mais” dos recursos hídricos Country Internal Resources Total External Resources Total Resources Brazil Russian Federation Canada Indonésia China Continental USA Peru India Congo Venezuela Top 10 World km 3 /year 5.418,0 4.312,7 2.850,0 2.838,0 2.812,4 2.000,0 1.616,0 1.260,5 900,0 722,5 24.730,1 43.764,0 km 3 /year 2.815,0 194,6 52,0 0,0 17,2 71,0 297,0 636,1 383,0 510,7 4.976,6 0,0 km 3 /year 8.233,0 4.507,3 2.902,0 2.838,0 2.829,6 2.071,0 1.913,0 1.896,6 1.283,0 1.233,2 29.706,7 43.764,0 Fonte: FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS - Review of World Water Resources by Country, Rome, 2003 - Internal renewable water resources is that part of the water resources (surface water and groundwater) generated from endogenous precipitation. External water resources as the part of a country’s renewable water resources that enter from upstream countries through rivers (external surface water) or aquifers (external groundwater resources). 18% Principais produtores de energia hidroelétrica França 2% Venezuela 3% Índia 3% Japão 4% Noruega 4% Rússia 6% Estados Unidos 9% Outros 34% Canadá 12% Brasil 11% China 12% País TWh % do total Canadá 344 12,0% China 334 11,7% Brasil 326 11,4% Estados Unidos 269 9,4% Rússia 180 6,3% Noruega 111 3,9% Japão 102 3,6% Índia 86 3,0% Venezuela 72 2,5% França 67 2,3% 1890 65,9 % Total dos 10 países Principais hidro-geradores. Fonte: : WEC Member Committees, 2000/2001; Hydropower & Dams World Atlas 2001, supplement to The International Journal on Hydropower & Dams, Aqua~Media International; Energy Statistics Yearbook 1997, United Nations; national and international Fontes produtoras de energia elétrica no mundo (2005) Gás Natural; 19,70% Hidroelétrica; 16,00% Nuclear; 15,20% Carvão; 40,30% Óleo ; 6,60% Outras fontes; 2,20% Fonte: Electricity in World in 2005 - International Energy Agency Statiscs http://www.iea.org/Textbase/stats/ Relação entre a energia produzida e a consumida no período de vida útil das opções energéticas Solar Fotovoltaica Precisam de Backup Eólica Biomassa resíduo Biomassa Gás ciclo combinado Nuclear Carvão - SO2 Carvão Hidro fio d'água Hidro com reservatório 0 20 40 60 80 100 120 En. Produzida/En. Consumida Fonte: Hydropower and the Environment:Present Context and Guidelines for Future Action IHA May 2000 ...mas o diabo também é brasileiro! Tarifa Industrial e corrigida pela inflação Exclusive impostos. 250 200 R$/MWh 150 100 50 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Tarifa Industrial Tarifa corrigida pelo IPCA Tarifa Residencial e corrigida pela inflação Exclusive impostos. 350 300 R$/MWh 250 200 150 100 50 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Tarifa Residencial Tarifa corrigida pelo IPCA Fonte de dados sobre tarifas dos países da OCDE: www:iea.org Pode ser obtido em formato pdf 11 Tarifas incluindo impostos praticados 12 Fonte de dados sobre a tarifa brasileira ANEEL (inclui apenas encargos) 1 US$ = 2,0 R$ 13 Africa do Sul França China Noruega Nova Zelandia Estados Unidos Canada Australia Coreia Grécia Finlandia Polonia Dinamarca Alemanha Eslovaquia Suiça Espanha Tchecoslovaquia Reino Unido México Brasil sem Impostos Austria Hungria Irlanda Portugal Turkia Japão Brasil c/ Impostos Italia Tarifa Industrial US$ 1 = R$ 2 US$/kWh 0,18 0,16 0,14 0,12 0,1 0,08 0,06 0,04 0,02 0 Dinamarca Holanda Brasil c/ Impostos Italia Alemanha Japão Luxemburgo Irlanda Portugal Austria Reino Unido Espanha Brasil sem Impostos França Nova Zelandia Eslovaquia Suiça Hungria Polonia Finlandia Turkia Tchecoslovaquia Grécia México Australia Estados Unidos Coreia Noruega Canada China Africa do Sul Tarifa Residencial US$ 1 = R$ 2 US$/kWh 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 Inquietantes Conclusões (com o US$ 1 = R$ 2,00): O Brasil, sem os impostos, tem tarifa industrial mais cara que a Espanha com impostos! O Brasil, sem os impostos, tem tarifa residencial mais cara que a Suíça com impostos. Sem impostos e sem os encargos (~10%) o Brasil tem tarifa residencial 67% mais cara do que o Canadá, país com matriz energética semelhante. Seria culpa do câmbio? Para que a tarifa residencial brasileira se equiparasse a do Canadá, a taxa de câmbio deveria ser US$ 1 = R$ 4,30 16 Também...pudera! Descontratação iniciada em 2003 + Self Dealing Trocando hidráulicas baratas por térmicas caras. Distribuidora R$/MWh descontratado Empresa descontratada Eletropaulo 78,30 CESP Light 76,03 FURNAS Coelba 54,33 CHESF CPFL 63,05 CESP COSERN 53,01 CHESF 135,27 Termo GCS (+ 155%) COELCE 54,70 CHESF 153,98 Termo Fortaleza (+ 181%) R$/MWh Empresa contratada (mesmo contratado grupo) 109,94 AES Tietê ( + 40%) 133,19 Norte Fluminense (+ 75%) 146,90 Termo Pernambuco (+ 170%) 113,54 CPFL Geração (+ 80%) Algumas conseqüências da descontratação e do self-dealing. Fonte: Malogro no Setor Elétrico – C. A. Kirchner – edições SEESP -5 mai/04 jan/04 set/03 mai/03 jan/03 set/02 mai/02 jan/02 set/01 mai/01 jan/01 set/00 mai/00 jan/00 set/99 mai/99 jan/99 set/98 mai/98 jan/98 set/97 mai/97 jan/97 set/96 mai/96 jan/96 Diferencial do IGPM e IPCA acumulado pós 96 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SEPARAÇÃO DAS FUNÇÕES GERAÇÃO e TRANSMISSÃO Evolução da Receita Permitida e Extensão da Rede Básica 5.500.000 80.000 5.000.000 75.000 4.500.000 4.000.000 70.000 3.500.000 65.000 3.000.000 2.500.000 60.000 2.000.000 55.000 1.500.000 1.000.000 50.000 1999-2000 2000-2001 km Fonte: ONS e ANEEL 2001-2002 2002-2003 Receita Annual Permitida 2003-2004 Ainda virá: Energia de reserva ECE EAE PROINFA CDE 2004 Linha do Tempo 2003 2002 2001 2000 1999 1998 Reforma 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 1984 1983 1982 1981 1980 1979 1978 1977 1976 1975 1974 1973 1972 1971 1970 1969 1968 1967 1966 1965 1964 1963 1962 1961 1960 1959 1958 1957 Fonte: Dr. Paulo Ludmer -ABRACE TAXA MAE ESS P&D TAXA ONS TFSE COFURH T. ITAIPU CCC RGR A proliferação dos encargos Encargos do setor elétrico ENCARGOS G T D C TFSEE – Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica X X X - COFURH - Compensação Financeira pelo Uso de Recursos Hídricos X - X - P&D - Pesquisa e Desenvolvimento X X X - CCC – Conta de Consumo de Combustíveis - - - X CDE – Conta de Desenvolvimento Energético - - - X ECE - Encargo de Capacidade Emergencial - - - X TITAIPU - Transporte de ITAIPU X - X - ESS – Encargo de Serviço do Sistema X - X X PROINFA – Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia - - - X EAE – Encargo de Aquisição de Energia - - - X RGR – Reserva Global de Reversão X X X - Taxa MAE – Taxa de Corretagem do MAE X - X X Taxa ONS – Taxa de Administração do ONS X - X X Perdas Comerciais - - - X Fonte: ABRACE Mais agentes e dispersão de funções. 1- Conselho Nacional de Política Energética – CNPE formulação da política energética em articulação com as demais políticas públicas 2 -Ministério de Minas e Energia - MME implementação da política energética, formulação de políticas para o setor elétrico. 3 -Empresa de Pesquisa Energética – EPE execução dos estudos de planejamento energético 4 –Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE monitoramento das condições de atendimento (5 anos) (coordenação do MME, com participação da EPE e de outras instituições) 5 -Operador Nacional do Sistema – ONS estabelece a operação otimizada do sistema, fiscaliza o seu cumprimento 6 -Câmara de Comercialização de Energia Elétrica comercialização em Pool para o mercado cativo e registra outras formas livres 7 -Agência Nacional de Energia Elétrica reguladora do setor Tal e qual a experiência inglesa : “Na Inglaterra, o custo adicional de simplesmente desenvolver e efetivar o novo mercado por atacado de energia nos primeiros anos atingiu 726 milhões de libras (aproximadamente US$ 1,4 bilhões) ...... “A indústria elétrica, por sua vez, despendeu bem mais, uma vez que as empresas tiveram que instalar sistemas computacionais complexos e terminais de negociação somente para participar do mercado.” “Assim, longe de simplificar a tarifação de energia elétrica e eliminar regulamentação, mais regras e regulamentações, antes inexistentes, foram criadas e implementadas desde que se iniciou o processo de reestruturação da industria de energia elétrica, e, mais ainda, estão sendo diariamente modificadas.” Theo MacGregor - Electricity Restructuring in Britain: Not a Model to Follow - Spectrum - IEEE May 2001 O modelo mercantil e o modo de produção de energia no Brasil. Característica Geográfica dos Rios Brasileiros 1. Rios de Planalto. 2. Grande volume de água. 3. • • • • Percorrem grandes extensões no território. Rio Paraná – 3942 km Rio São Francisco – 2800 km Rio Grande – 1315 km Rio Tocantins – 2700 km 4. Apresentam diversidade hidrológica. Dimensões Continentais The Brazilian Interconnected System compared do Europe Map Qual o serviço que se comercializa? Energia Elétrica disponível na quantidade desejada e na hora do consumo. Imprescindível um Critério de Segurança. O que se vende é o kWh garantido! O que aconteceria se o sistema brasileiro fosse desenvolvido sob conceitos puramente privados? Sistema Brasileiro – Indução natural ao monopólio MW firmes ou garantidos ou assegurados 1 100 MW Afluência em 1 Sistema Brasileiro - Lógica Monopolística 2 100 MW 1 100 MW Afluência em 1 +10 MW A quem pertence? Sistema Brasileiro - Lógica Monopolística Afluência em 2 3 2 100 MW +10 MW 1 110 MW +20 MW A quem pertence? Afluência em 1 Sistema Brasileiro - Lógica Monopolística 3 B A Afluência em B Afluência em A 2 1 5 4 230 MW Energia em A+B 210 MW 230 + 210 480 A quem pertence? Sistema Brasileiro - Lógica Monopolística 3 AB 2 1 5 230 MW 4 210 MW Mais “chuva” é transformada em energia 400 500 A QUEM PERTENCE? ...mas, apesar de uma individualização variável, indeterminada e, portanto, subjetiva... ... “descobriu-se” um “jeitinho” de separar o inseparável. Certificado de Energia Método tradicional da operação “entrou de gaiato”.... Toda a modelagem depende de uma variável aleatória altamente instável. O custo marginal de operação, ou valor da água, é um indicador estratégico do “estoquista” baseado em expectativas de futuro e dependente de parâmetros subjetivos. Custo Presente Custo Futuro cmo Valor da Água = Custo marginal de Operação Decisão de Armazenamento O CMO se eleva em função da avaliação do futuro Custo Futuro Custo Presente cmo Valor da Água = Custo marginal de Operação Decisão de Armazenamento O CMO se eleva em função da avaliação do futuro Aumento Mercado. Atraso de Obras. Hidrologia Desfavorável. Custo Presente Valor da Água = Custo marginal de Operação Decisão de Armazenamento ... Só que isso depende de parâmetros “subjetivos” Taxa de desconto do futuro. Custo do déficit Custo Presente Redução de risco Valor da Água = Custo marginal de Operação Decisão de Armazenamento Custo do Déficit mercantil ≠ Custo do déficit da operação R$/MWh 5000 CD do planejamento que define as quantidades comerciais 4000 3000 CD da Operação 2000 Dá no mesmo? 1000 Pode-se mostrar que NÃO! 29% 27% 25% 23% 21% 19% 17% 15% 13% 11% 9% 7% 5% 3% 1% 0 Custo do Déficit mercantil ≠ Custo do déficit da operação R$/MWh Incerteza da estimativa não foi considerada. 5000 4000 3000 2000 1000 Estimado com base em dados passados, mas, se refere ao futuro. 29% 27% 25% 23% 21% 19% 17% 15% 13% 11% 9% 7% 5% 3% 1% 0 3% 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300 310 320 330 340 350 360 370 380 390 400 410 420 430 440 450 - Baseada na série de CMO do PDE 2007-2016 1.760 1.680 1.600 1.520 1.440 1.360 1.280 1.200 1.120 1.040 960 880 800 720 640 560 480 400 320 240 160 80 - Instabilidade evidenciada pela distribuição 20% 18% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 6% 5% Valor mais provável 4% Média 2% 1% 0% 10 5 - 320 Baseada na série de CMO do PDE 2007-2016 2.160 2.080 2.000 1.920 1.840 1.760 1.680 1.760 1.680 1.600 1.520 1.440 14% 1.360 16% 1.600 1.280 18% 1.520 1.440 1.200 1.120 1.280 1.360 1.040 960 1.200 1.120 1.040 880 800 880 960 720 640 560 800 720 640 560 480 15 480 20 400 25 400 320 240 160 80 - Instabilidade evidenciada pela distribuição 20% Ocorrência de valores muito altos 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% ...além de instável, e não ser preço, o cmo... Traduz uma ótica monopolista. É gerado para uma simulação da operação do sistema de uma situação futura suposta em equilíbrio. Depende de parâmetros altamente subjetivos tais como “custo do déficit” e “taxa de desconto do futuro”. Qualquer alteração das hipóteses influi na distribuição. Outra distribuição,.... outros resultados! Apesar disso tudo, é o preço do mercado de curto prazo! Passo 1 – Calcular qual o total de energia que o sistema pode “garantir”. Custo Marginal ($/MWh) Um custo marginal de expansão médio Uma configuração futura Operação média futura Carga crítica = Energia assegurada do sistema Custo Marginal Médio de Operação Custo Marginal de Expansão Carga do Sistema (TWh) Passo 2 – Verificar compatibilidade entre 2 critérios de garantia. Verificar se o critério CMO médio = CME satisfaz o critério risco < 5% CMO depende do parâmetro Custo do Déficit, que, sob a ótica econômica, determina a garantia. Em princípio, nada garante que o critério de custo e de risco máximo sejam compatíveis. Passo 3 – Calcular qual a participação da parcela hidráulica e térmica. 15 anos no futuro! Hidráulicas Térmicas Usinas não vendem sua própria energia! Vendem um certificado! Passo 3 – Detalhe sobre as térmicas. Térmicas mais caras, acionadas quando o cmo é alto, são ponderadas por valores elevados. 20% 18% 16% 14% A energia das térmicas caras, apesar de rara, vale muito, função da tipologia da distribuição. 12% 10% 8% 6% 4% 2% 1.760 1.680 1.600 1.520 1.440 1.360 1.280 1.200 1.120 1.040 960 880 800 720 640 560 480 400 320 240 160 80 - 0% Passo 4 – Calcular a parcela de cada usina hidráulica. 1. Nesse momento, toda a metodologia de otimização de custos, usada nos passos anteriores, é substituída pelo método “determinístico” da energia firme. Dado básico passa a ser a geração no “período crítico”. 51 56 2. A geração em período crítico, é o fator de ponderação usado para determinar a parcela de cada usina hidráulica. Clássicas distorções bem conhecidas. ...mas, porque não se comercializa a potência, que está escrita na placa da usina? ...mesmo quando o leilão é por “disponibilidade”... Receita Fixa para cobrir investimentos. ICB = Custo de Operação RF + COP + CEC GF Índice Custo Benefício Custo do Mercado de Curto Prazo Certificado de Garantia Física Preferiu-se um índice geral para que o “mercado” decida. ...mesmo quando o contrato é por “disponibilidade”... ICB = RF + COP + CEC GF se CMOs,c,m CV Gerac,m Disp m Gera Inflex se CMO CV s , c , m m c , m COP c ,m CV CEC c ,m Gera c ,m Inflex nhorasm m CMOss,c,m GF Gerac,m nhorasm 6% 5% 4% 3% 2% 1% 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300 310 320 330 340 350 360 370 380 390 400 410 420 430 440 450 0% - O ICB é uma média com pouca significância, pois depende de uma variável aleatória com grande dispersão. Resumo do modelo peculiar I 1. O sistema exige que, primeiro, se “certifique” a capacidade total. Monopólio. 2. Isso é feito através de uma simulação da operação de uma configuração no futuro. Diversas hipóteses assumidas. 3. No cálculo da capacidade total, há 2 critérios nem sempre coerentes entre si: CMO = CME e risco < 5%. 4. Essa certificação depende de parâmetros altamente subjetivos, tais como: custo do déficit de energia e taxa de desconto do futuro. Modelo Peculiar II 5. A função custo do déficit da operação é diferente da assumida na comercialização. A curva em patamares afeta a distribuição dos CMO’s, que, por sua vez, afeta o desmembramento do certificado entre térmicas e hidráulicas. 6. A operação real não é a mesma assumida na definição dos certificados de energia assegurada. Instituições distintas. 7. O “preço” da energia no mercado de curto prazo não advém de relações de oferta e procura. Na realidade, é determinado sob uma ótica monopolista! 8. Hipótese fundamental arriscada: Operação e Comercialização independentes. Evolução da reserva SE-CO (~120 TWh) no tempo. Duas zonas de perigo. 100 Vertimento = CMO zero 80 60 40 20 Déficit = CMO ∞ 0 jan/96 jan/97 jan/98 jan/99 jan/00 jan/01 jan/02 jan/03 jan/04 jan/05 jan/06 jan/07 A lógica do monopólio é simples! Gestão de reserva (~180 TWh/ano) no tempo. Duas zonas de perigo. Vertimento = CMO zero + CARGA Com a atual dimensão da reserva, o valor de qualquer outra fonte energética é “referenciada” ao que acontece à essa reserva. - CARGA Déficit = CMO ∞ Tempo O risco inerente à definição do preço 1. Reservatórios cheios. Térmicas desligadas. Vertimentos -> cmo = zero Exatamente o que aconteceu com térmicas e com importação da Argentina. 2. Já não há vertimentos -> cmo já não é zero, pois pode substituir déficit futuro. 3. Térmicas ligadas. “Arrependimento” de preços anteriores. Se hipóteses assumidas na “certificação” não se verificam, usou-se reserva indevidamente. Informação 4. Risco para todos! Garantia deteriorada. De forma crescente, as regras de operação interferem no paradigma de minimização de custos, base da modelagem mercantil. • Curva de aversão ao risco. • Níveis meta. • Curva Crítica de Operação Novo! Se o equilíbrio é traduzido por CMO médio = CME, o sistema está em desequilíbrio estrutural pois CME ~ 135 R$ /MWh Se o equilíbrio é traduzido por CMO médio = CME, o sistema está em desequilíbrio estrutural pois CME ~ 135 R$ /MWh O que significa, sem dúvida, que, a gestão do sistema desconfia da garantia “econômica”! Alguma semelhança? 120 cmo médio em 1998 100 US$/MWh 80 60 CME = US$ 45/MWh 40 20 0 1998 1999 2000 SE/CO 2001 SUL NE 2002 N Fonte: Plano decenal 1998 - Eletrobrás 2003 Custo Marginal (R$/MWh) Situação atual 290 240 190 140 Nível que está se operando cmo Nível que definiu a capacidade mercantil 90 CME 50 0 Carga do Sistema (TWh) Conseqüências 1. Não há energia assegurada para todos! 2. “Vende-se” energia secundária (sem garantia) como se fosse assegurada. 3. Só os “certificados” já dão “direito” aos seus detentores a aumentar o risco. 4. O mercado liquidado no “spot” é ainda mais danoso. ...não chega a ser um présal, mas....não precisa furar nenhum poço Distribuição da Energia e Parcela Assegurada (*) 16 14 12 10 Energía assegurada 8 6 4 2 81.801 77.022 72.243 67.463 62.684 57.904 53.125 48.345 43.566 38.787 34.007 0 (*) Um tanto imprecisa pela consideração de um só sistema, mas conceitualmente importante. Sobre a configuração 2005 Distribuição de Probabilidades do CMO – Configuração 2016 Carga Crítica obtida por CMO=CME e risco < 5% 6% Moda = R$ 40/MWh 5% Determina o preço de liquidação no mercado de curto prazo. 4% Média = R$ 135/MWh 3% 2% 1% 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300 310 320 330 340 350 360 370 380 390 400 410 420 430 440 450 - 0% Fonte: Elaboração própria a partir de dados Eletrobrás Mercado livre. Atualmente, chega a quase 30% do total. Fonte: Mercado Livre: preços, subsídios e tarifas - Fernando Cézar Maia - ABRADEE Preço e Quantidade negociada no mercado de curto prazo (MAE – CCEE) A nossa tarifa A do mercado Desde 03/02 ~ 3 TWh mensais (~ 8% do total) foram “comprados” por menos de R$ 20/MWh. Se considerarmos R$ 70/MWh como uma tarifa extremamente generosa, “um pré-sal” de R$ 100 milhões/mês!!! Só a partir de 2005, regulamentou-se a penalidade: P = Max (PLDmédio, VR) Valores do VR: VR 2005 - R$ 62,10 - Maior valor no leilão realizado em 2004 para o produto com início em 2005. VR 2006 - R$ 69,98 - Maior valor no leilão realizado em 2004 para o produto com início em 2006. VR 2007 - R$ 84,70 - Conforme Oficio, de 14 de fevereiro de 2007, enviado à CCEE estabelecendo Valor Anual de Referência (VR) para o ano de 2007. VR 2008 - R$ 139,44 - conforme ofício, de 13 de fevereiro de 2008, enviado à CCEE estabelecendo Valor Anual de Referência (VR) para o ano de 2008. O pagamento de penalidade não devolve a garantia! Trata-se de consumo de energia sem correspondência com usinas! Resolução Normativa ANEEL nº 168, de 10 de outubro de 2005 – Aprova as Regras de Comercialização de Energia Elétrica, referentes aos módulos de penalidades e ao de Cálculo das Garantias Financeiras e Rateio de Inadimplência. mar/08 jan/08 nov/07 set/07 jul/07 mai/07 mar/07 jan/07 nov/06 set/06 jul/06 mai/06 mar/06 jan/06 nov/05 set/05 jul/05 mai/05 mar/05 jan/05 nov/04 set/04 jul/04 mai/04 mar/04 jan/04 nov/03 set/03 jul/03 mai/03 R$/MWh Evolução do Preço de liquidação de diferenças 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 Declarações de representantes das comercializadoras antes da subida do CMO no final de 2007 “A economia do mercado livre bateu recorde e chegou a 30% em agosto, comparada às tarifas que os consumidores desse mercado pagariam se ainda estivessem no mercado cativo. Segundo dados da Comerc Comercializadora, enquanto o custo médio da energia cativa foi de R$ 212,56 por MWh, o do mercado livre ficou em R$ 148,85 por MWh, o que representa economia em torno de R$ 430 milhões. Ainda segundo a comercializadora, a economia de janeiro a agosto de 2007 chegou a R$ 2,8 bilhões. O volume do consumo de energia no mercado livre, em agosto, atingiu 9.080 MW médios, cerca de 18,6% de todo consumo do Sistema Interligado Nacional.” Como publicado no Canal Energia de 06/10/07 sob o título “Economia do mercado livre atinge 30% em agosto” Guerras judiciais algumas semanas após 25/02/08: “...Oito dessas ações, a maior parte vitoriosas, chegaram ao conhecimento do Valor. As liminares foram obtidas na Justiça pela ArcelorMittal, Cien (do grupo Endesa), Cemig e Rede Comercializadora de Energia, ADM do Brasil e AES Infoenergy contra as comercializadoras União, Ecom Energia, Delta Comercializadora e a própria Rede, que não registraram contratos de venda no mercado atacadista. Pelas regras do mercado, cabe ao vendedor fazer o registro e o comprador deve apenas ratificar.” Como publicado no jornal Valor Econômico - 25/02/2008 “Energia fica mais cara no mercado livre e gera disputa judicial” Hipótese básica de independência entre operação e comercialização na “berlinda”! A Abraceel defende uma revisão imediata dos procedimentos operativos do Operador Nacional do Sistema Elétrico. A entidade critica principalmente a transferência de 3 mil MW médios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste para as regiões Norte e Nordeste. Segundo Volponi, a situação está deplecionando os reservatórios daquela região. "Em apenas dez dias, os reservatórios (do SE/CO) perderam 2,3% do nível", calcula. Para o executivo, um problema local está sendo transformado em uma crise nacional. Como publicado no Canal Energia de 08/01/08 sob o título “Abraceel: alta do PLD paralisa mercado livre e gera dúvidas sobre atendimento de déficit contratual” Ameaças de fechamento de unidades industriais! “De acordo com Volponi, os consumidores já estão dando sinais de que não suportam esse nível de preço, o que pode gerar "tomada de medidas drásticas". O maior temor do executivo é o aumento da inadimplência e quebra de contratos. "Pode gerar um clima de deixar para ver o que dar", diz ele, referindo-se a uma possível "debácle" nos contratos. Uma medida anterior ao corte nos pagamentos será, diz o executivo, a redução do consumo, que será feita através do desligamento de máquinas ou fechamento de unidades por parte dos industriais.” Como publicado no Canal Energia de 08/01/08 sob o título “Abraceel: alta do PLD paralisa mercado livre e gera dúvidas sobre atendimento de déficit contratual” O mercado “livre” chega a um patético apelo de intervenção do governo! “Volponi está também intrigado com o silêncio do governo sobre a situação do abastecimento da energia no país. "Falta uma palavra do governo tranqüilizadora ou não sobre isso. O que se fazer quanto a questão financeira? Ou por que deixar o Sudeste deplecionar?", questiona, avaliando que o setor tem vários órgãos com atuações pontuais com decisões de momento, mas nenhum que possa responder em momentos de crise de forma mais estrutural. "É preciso que se tome medidas imediatamente", aponta. Como publicado no Canal Energia de 08/01/08 sob o título “Abraceel: alta do PLD paralisa mercado livre e gera dúvidas sobre atendimento de déficit contratual” Voz isolada de Hermes Chip, presidente do ONS “ Esse negócio de fazer contratos de curto prazo com energia, independente dos reservatórios, é inadequado porque há desestoque. Esse sistema deve ser 100% contratado, no mínimo, e não contratos mensais. Sou contrário a essa contratação de curto prazo, que leva ao desestoque.“ Como publicado no Canal Energia de 08/04/08 sob o título “Hermes Chipp, do ONS: mudança de paradigma na operação” Reforma,... mas ainda um modelo mercantil muito “inglês”. Pool de contratos bilaterais Geração Ambiente regulado Transmissão Distrib. Consumo Pool de T G1 D1 C1 G2 D2 C2 PIE D3 C3 Ambiente de Livre contratação CL PIE PIE cl Comercial izador cl Os pontos positivos do modelo Distribuidoras contratam 100% de sua demanda prevista. Licitação pela menor tarifa. (sem ágio por uso do rio) Geradores contratam com todos os distribuidores. Término de novos self-dealings. Distribuidoras negociam exclusivamente por licitação. Contratos de longo prazo controlados centralizadamente (15 – 20 anos). Planejamento determinativo mas contestável. Os pontos negativos do modelo I. Mantém inconsistências do modelo mercantil com o monopólio natural. Certificados. II. Não regulamentou o mercado livre. Atualmente, chega a 30% do total. (qualquer prazo) III. Manteve a combinação descontrato + self-dealing. IV. Intervenções políticas nas estatais. Restrições a investimentos. Parcerias duvidosas. BNDES proibido. V. Planejamento ainda insuficiente. III. Manteve a combinação descontrato + self-dealing. O mercado consumidor estava deprimido em aproximadamente 7.000 MWmédios (~ -15%). A descontratação era parte do modelo anterior e podia, no mínimo, ser adiada. Carga do sistema interligado período 96-08 52.000 Frustração de receita ~ R$ 6bi/ano 44.000 40.000 36.000 jan/07 jan/06 jan/05 jan/04 jan/03 jan/02 jan/01 jan/00 jan/99 jan/98 jan/97 32.000 jan/96 MWmed 48.000 III. Manteve a combinação descontrato + self-dealing. Com o descontrato e manutenção do self dealing, suprimentos de ~ R$ 60/MWh foram substituídos por contratos com partes relacionadas de até R$ 150/MWh. Empresas geradoras (maioria estatais) perderam o contrato mas permaneceram com obrigação de gerar. Por isso, recebiam R$ 4/MWh (depois ~ R$ 18/MWh). O modelo mercantil virtual “carimba” a geração hidráulica de “térmica”, pois essas usinas têm um certificado de direito de venda independente de sua produção. IV. Intervenções nas estatais. Restrições a investimentos. Parcerias duvidosas. BNDES proibido. O leilão liquidação (2004) e seus resultados. As estatais foram obrigadas a vender energia em contratos de 8 anos com um mercado super ofertado. CHESF chegou a “liquidar” energia por R$ 47/MWh. Para os “descontratados”, vender energia por qualquer preço maior que R$ 4/MWh, o preço do spot, era um alívio. As geradoras privadas não ofertaram toda sua energia “corrigindo” a tendência a uma competição destrutiva de valor. Absorção da perda de receita do setor nas empresas públicas. Tucuruí do Superávit Superávit do grupo Eletrobrás no governo Lula (R$ milhões) 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Lula Meta 1.027 1.058 1.582 1.800 1.380 1.400 8.246 Resultado 1.211 1.651 2.865 2.137 2.783 1.400 12.047 Res/Meta 118% 156% 181% 119% 202% 100% Média 2.008 146% É como se toda a receita bruta de uma usina do tamanho de Tucurí (~ 4.000 MWmed) fosse capturada. Contraste com a situação do imposto único de energia elétrica, criado em 1954. Nesse período, o tesouro brasileiro destinava recursos às empresas para a realização de políticas públicas na área de energia. Hoje, são as empresas que destinam recursos ao tesouro. Fonte: Elaboração própria a partir de dados da Eletrobrás Garrote do Banco Central Durante grande parte do governo Lula, as empresas estatais estão proibidas de se candidatar a empréstimos junto ao BNDES. Detalhe: Esse tolhimento não era feito por lei, decreto ou qualquer coisa que necessitasse de um grande esforço político para sua mudança. Era apenas uma Resolução 2.668 do Banco Central, assinada em 1999, que proíbe que o mesmo BNDES conceda financiamentos a empresas estatais. Estranhas parcerias Obrigadas a participar apenas minoritariamente em parcerias com empresas privadas, as estatais passaram a assumir taxas internas de retorno muito baixas, sendo inclusive motivo de reclamação de representantes dos investidores privados. O Jornal Folha de São Paulo do dia 13/02/2007 publica a seguinte declaração do Sr. Claudio Salles, presidente do Instituto Acende Brasil: “De nada adianta uma regra de leilão perfeita se você não tem como assegurar que todos os competidores agirão pela mesma lógica de racionalidade econômica', disse Sales, ao comentar que algumas estatais “se conformam com taxas de retorno que sequer remuneram o capital investido.” Havia outra solução? As rendas oclusas. 1ª renda oclusa do setor Suposição pessimista US 1000/kW 380 MW US$ 380.000.000 1953 55 anos 2008 Energia Assegurada 335 MWmed Energia produzida em 55 anos = 335 x 8760 x 55 = 161 TWh Equivalente a ~ 80 milhões de barris de óleo. Valorada a R$ 60/MWh, essa usina terá produzido uma renda equivalente a 14 vezes o seu suposto custo. A questão é: Quem se apropria dessa renda? 3 Destinos: Capturada privadamente Transferida ao consumidor Forma um fundo setorial 2ª Renda oclusa do setor Energia Afluente Natural Histórica do Sistema Interligado 2005 em ordem crescente e assegurada hidráulica. 100.000 90.000 80.000 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 10.000 1983 1992 1957 1979 1931 1943 1946 1985 1990 1998 1973 1993 1994 2000 1995 1972 1978 1967 1949 1932 1948 1988 1958 1937 1941 1951 1962 1952 1968 2001 1964 1963 1944 1954 1934 1953 MWmed 70.000 Distribuição da Energia e Parcela Assegurada (*) 16 14 12 10 8 6 Energía assegurada 4 2 (*) Um tanto imprecisa pela consideração de um só sistema, mas conceitualmente importante 81.801 77.022 72.243 67.463 62.684 57.904 53.125 48.345 43.566 38.787 34.007 0 + Térmicas - Térmicas Custos Maiores Custos Menores 81.801 77.022 72.243 67.463 62.684 57.904 53.125 48.345 43.566 38.787 34.007 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Renda oclusa do setor II Potência Consumo SIN Constante Receita Independente da Energia Gerada X Tarifa = Renda Total Receita Dependente da Energia Gerada Variável Combustíveis Modelo de comprador único proposto ao Ministério de Minas e Energia em 2003. Single Buyer GSP1 D1 GSP2 D2 GSP3 G+T T1 D3 T2 CL PIE PIE CL acesso à rede acesso à rede CEE CL CL 101 Fluxos Financeiros Custos de Planejamento • Inventários • Proj. Basicos • Planos Transmissores Importações de e. e. Geradores Serv.Pub. Sist. Interl. e Isolados PIEs Receitas associadas a contrato de longo prazo de serviços de G&T Penalidades por atrasos de obras e indisponibilidades Custos de Comercializacã o • Garantias • Licitações • Administração Aquisição extraordinária de energia. Single Buyer Penalidades para ultrapassagem de contratos Custos de Operação • Combustíveis • Administração da Operação (*) Repassáveis à tarifa de distribuição segundo o consumo verificado Tarifa de suprimento Distribuidoras Sist. Interl. Cons. Livres Pagamento pelos contratos de energia (*) Venda de energia secundária Consumidores Interruptíveis 102 Exportações Se o sistema de geração e transmissão brasileiro constitui um monopólio natural, a proposta visava: 1. Um modelo comercial que reconhecesse as características de compartilhamento de recursos. 2. Único risco do investidor é o do projeto. 3. Relações comerciais simples, transparentes e facilitadoras do planejamento. 4. Reconhecer vantagens da energia gerada por usinas hidrelétricas amortizadas, transferindo-as ao consumidor através tarifas especiais ou de fundos, garantindo uma razoável geração interna de recursos para a expansão. 5. Remuneração da disponibilidade de usinas e linhas. Renda variável da energia gerada seria do sistema e utilizada para benefício de todos. Conceitualmente, há uma maior compatibilidade com o monopólio natural. 1. A energia só é a questão comercial na ponta do consumo. Na geração, a questão comercial é a capacidade. 2. A metodologia passa a ser uma questão interna do setor. 3. As barragens, as turbinas e os geradores podem ser privados, mas a energia gerada, que provém da água, é de todos. 4. Tudo se passa como se o comprador único, em nome de todos os consumidores, fizesse um leasing de todas as usinas. 5. Com semelhança ao que já se faz na transmissão. Um resumo das inconsistências. Por um lado, as tarifas brasileiras estão sobrecarregadas de encargos. Por outro, a adaptação mercantil permite comercialização de energia por valores irrisórios. A situação de equilíbrio estrutural implica em alta probabilidade de preços baixos no mercado spot. Como tratar essa situação de incentivo natural ao descontrato? A adaptação imperfeita e complexa, coloca a questão metodológica da operação no núcleo da questão comercial. Impossibilidade de mudanças sem atingir interesses. A experiência brasileira com o modelo mercantil fez, efetivamente, que se trocasse hidráulicas amortizadas por térmicas. A descontratação e os leilões compulsórios significaram, com a queda do mercado, a decisão da absorção de perdas de receita pelas empresas públicas. As inconsistências crescentes, podem levar a uma grande crise metodológica. FIM Grato pela atenção [email protected] A confusa questão da garantia Algumas perguntas sobre a garantia. • Se o modelo mercantil, que define os contratos, depende de um modelo que minimiza custos de operação, onde um dos parâmetros é o custo do déficit, a garantia já não estaria definida? • A garantia independe dos custos? • A profundidade do déficit é uma questão irrelevante? • Políticas de gerenciamento da demanda são déficits? • A volatilidade ou instabilidade ou dispersão do CMO é inevitável? • Assim como o setor já se utilizou do conceito de custo do déficit implícito, porque não pensar numa curva de custo do déficit implícita? Sigmóide a +d (c-x) b+e f= 5.000 8.500 4.500 7.500 4.000 6.500 3.500 5.500 3.000 4.500 2.500 6% 9% 12 % 15 % 18 % 21 % 24 % 27 % 30 % 33 % 36 % 39 % 6% 9% 12 % 15 % 18 % 21 % 24 % 27 % 30 % 33 % 36 % 39 % 500 0% 500 39 % 1.000 36 % 1.500 1.000 33 % 1.500 30 % 2.000 27 % 2.500 2.000 24 % 2.500 21 % 3.000 18 % 3.500 3.000 15 % 3.500 9% 4.000 12 % 4.500 4.000 6% 4.500 3% 5.000 0% 5.000 3% 0% 39 % 36 % 33 % 30 % 27 % 24 % 21 % 18 % 15 % 500 9% 500 12 % 1.500 6% 1.000 3% 2.500 0% 1.500 3% 3.500 2.000 Térmicas por ordem de custo e o custo do déficit em 1 patamar 5.000 5000 4.500 4500 4.000 4000 Déficits 3.500 3500 3.000 3000 2.500 2500 Térmicas 2.000 2000 1.500 1500 1.000 1000 500 500 15% 14% 14% 13% 12% 11% 11% 9% 10% 8% 8% 7% 6% 5% 5% 4% 3% 2% 2% 1% 0 0% 15,0% 13,5% 12,0% 10,5% 9,0% 7,5% 6,0% 4,5% 3,0% 1,5% 0,0% 0 Dispondo uma térmica fictícia (déficit) de 1% da carga 5.000 5000 4.500 4500 4.000 4000 Déficits 3.500 3500 3.000 3000 2.500 2500 Térmicas 2.000 2000 1.500 1500 1.000 1000 500 500 15% 14% 14% 13% 12% 11% 11% 9% 10% 8% 8% 7% 6% 5% 5% 4% 3% 2% 2% 1% 0 0% 15,0% 13,5% 12,0% 10,5% 9,0% 7,5% 6,0% 4,5% 3,0% 1,5% 0,0% 0 Custos marginais presente e futuro Situação anterior ao despacho das térmicas Custo Presente Custo Futuro Decisão de Armazenamento Custos marginais presente e futuro Acionamento da geração térmica visando preservar a reserva Custo Presente Custo Futuro Decisão de Armazenamento Custos marginais presente e futuro Acionamento das térmicas até a última. Custo Presente Custo Futuro Decisão de Armazenamento Custos marginais presente e futuro Trecho onde o CMO segue o custo futuro – Situação “pré-déficit” Custo Presente Nesse caso o CMO sobe até CD sem ação sobre a demanda. Custo Futuro Decisão de Armazenamento Custos marginais presente e futuro Trecho onde o CMO segue o custo futuro – Situação “pré-déficit” Custo Presente Nesse caso o CMO sobe até a térmica fictícia com ação sobre a demanda. Custo Futuro Decisão de Armazenamento Grandes diferenças 1. Uma curva CD em patamares realiza simulações de racionamento preventivo. 2. Dispondo de uma redução da carga, inexistente no patamar único, os CMO’s mais altos se reduzem. 3. Mas, se o princípio CMO médio = CME é mantido, então, para compensar, os CMO’s baixos têm que aumentar. 4. Aumentam, porque a carga crítica pode ser maior! 5. Estendendo-se o raciocínio, percebe-se que a série de CMO das duas curvas CD não podem ser equivalentes! Vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá.... Reformas mercantis G T D C Até as reformas liberais que tiveram seu ápice na da década de 90, a maioria dos sistemas no mundo eram baseados em monopólios verticalizados e regulados pelo conceito de serviço público (custo + remuneração). O modelo de mercado Competição Neutro Monopólio Geração Transmissão Distribuição Mercantilização, agências reguladoras....uma febre mundial? Cenário da Liberalização dos Sistema Elétricos no Mundo Fonte: Global Electric Power Reform -,Privatization and Liberalization of the Electric Power Industry in Developing Countries R. W. Bacon and J. Besant-Jones – World Bank -2002 Testemunhos cada vez mais comuns “A experiência com a liberalização de setores elétricos em diversos países tem mostrado que a criação de um mercado genuíno é uma tarefa extremamente difícil. Depois de substituir monopólios, muitos países viram as empresas substitutas se reintegrarem. O resultado efetivo tem sido o surgimento de oligopólios que tendem a ser dominados por corporações multinacionais” Rethinking reform in the electricity sector: Power liberalization or energy transformation? - JOHN BYRNE, YU-MI MUN - Center for Energy and Environmental Policy, University of Delaware “Market Share” dos 3 maiores geradores de cada país Europeu 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Grécia Irlanda França Bélgica Itália Portugal Suécia Austria Espanha Holanda Noruega Alemanha Dinamarca Finlândia Inglaterra Luxemburgo Fonte: Agência Internacional de Energia - Competition in energy markets: implications for public service and security of supply goals in the electricity and gas industries Paris, 7-8 February 2002 to energy and consumer’s protection 100 Mercado x Serviço Público nos USA Fonte: www.eia.doe.gov New Hampshire Hawai New York Vermont New Jersey Connecticut Alaska Maine California Massachussets Rhode Island Pennsylvania DC Arizona Michigan Delaware Maryland Illinois New Mexico North Carolina Ohio South Dakota Georgia Kansas Missouri Texas Colorado Iowa Nevada Virginia Florida Minnesota Louisiana Arkansas Mississipi Tennesse South Carolina Alabama Wisconsin North Dakota Oklahoma Nebraska Indiana West Virginia Montana Oregon Utah Kentucky Washington Wyoming Idaho Tarifa média e regime do setor elétrico de estados americanos 140 120 Serviço Público Desreg. Suspensa 100 Desreg. Adiada Desregulamentado 80 60 40 20 0 Fonte: www.eia.doe.gov Agências reguladoras na OCDE Independentes Austrália Canadá Rep. Tcheca Dinamarca França Irlanda Itália Portugal Inglaterra Estados Unidos Ministeriais Finlândia Hungria Holanda Noruega Suécia Sem Agências Ministérios Apenas Áustria Alemanha Japão Nova Zelândia Suíça Turquia Consultivas Bélgica Grécia Luxemburgo Espanha Fonte: Trends in the management of regulation: A comparision of Energy Regulators in OECD – Carlos Ocana – World Bank - 2000