30
anos ao serviço
de Macau
Director José Rocha Dinis • Director Editorial Executivo Sérgio Terra • Nº 4282 • Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
10 PATACAS
ANTÓNIO JOSÉ DE FREITAS REVELA AO JTM PROJECTO DE “QUALIDADE SUPERIOR”
Pág 7
FOTO JTM
Nova creche planeada
pela Santa Casa
Efectivamente
analisados
Quem e o quê se
destacaram pela negativa
e pela positiva na semana
passada. “De Fonte Limpa”
dá ainda a conhecer o caso
de um investidor português
que foi mais teimoso que os
serviços da Administração.
Págs 2 e 3
Kwan Tsui Hang quer MP
a investigar autocarros
Para a deputada, o Ministério Público é a entidade mais adequada
para fazer uma investigação ao
que se passa na concessão dos serviços de autocarros.
Pág 8
Cirurgião diz que falta
unidade de queimados
A inexistência deste serviço no
hospital público entristece o especialista João Peixoto, até́ porque, adverte, “os queimados são
pacientes especiais”.
Pág 9
“O caminho
da Escola
está traçado”
Págs 4 e 5
Balanço positivo no fim
da primeira “Art Macao”
Durante quatro dias, mais de
mil obras de arte oriundas de
várias partes do mundo tiveram
Macau como destino. Para o ano
há mais.
Centrais
DSPA “chumba” estudo
para terreno da casamata
Organismo concluiu que o estudo
apresentado pelo promotor imobiliário é insuficiente. Terreno é
propriedade de empresa ligada a
Sio Tak Hong
Última
PUB
EDITH SILVA, PRESIDENTE DA DIRECÇÃO
DA EPM, EM ENTREVISTA AO JTM
02 JTM | LOCAL
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Coordenação:
José Rocha Dinis
No mês dos
Portugueses-I
Em Macau, este é o mês de Portugal
e dos Portugueses. Centrado
nas comemorações oficiais do
Dez de Junho, que este ano tem
um programa digno e aliciante
à semelhança do ano passado,
reconheça-se, Junho é tempo para
relembrar a importância que tem para
Macau a secular presença portuguesa,
e como os seus sinais estão ainda bem
imersos na sociedade.
No mês dos Portugueses-II
De Fonte Limpa
Mês de todos os Portugueses residentes em Macau. Os que aqui
nasceram, ou vieram das mais diversas origens e com os mais
diversos sangues. A quem atribui cidadania, Portugal não faz
distinções, a todos trata como cidadãos de primeira, na maior prova
do Humanismo que nos distingue de outros povos europeus.
No mês dos Portugueses-III
Por isso, ser Português em Macau cria responsabilidades. É
lamentável, mas é um facto ver como os eventos locais são
habitualmente esquecidos pela comunidade portuguesa, muitos
dos quais parecem aqui estar alheios da realidade.
No mês dos Portugueses-IV
Ainda há dias, num Telejornal, ouviram-se algumas “bocas”
portuguesas a criticarem os media locais em Língua portuguesa,
explicando que “não têm notícias locais... são apenas ‘copy’ e paste”,
etc, etc. É o direito ao disparate elevado à suprema potência. É o
exemplo do “super português” (foto de modelo não residente em
Macau), gente ignorante que pretende dar ares de que sabe do que
está a falar.
No mês dos Portugueses-V
São os mesmos que se queixam que Macau é horrível porque o
calor e a humidade são insuportáveis, a região é pequena, não se
passa nada, não há eventos nem aquela coisa da cultura, e só há
casinos e mais casinos. Os mesmos que, no entanto, continuam a
estar cá...
“Prova de fogo”-I
Em Macau há muitos mitos. Um deles é que é rápido (às vezes há quem assegure que
“é muito rápido”) abrir um estabelecimento na Região. A Administração repete este
mito, os funcionários também, a população e mesmo alguns jornalistas acreditam.
“Prova de fogo”-II
A realidade é bastante diferente. “De Fonte Limpa” soube do caso de um investidor
português que anda há seis meses à espera de poder abrir um restaurante português.
Seis meses a pagar renda de casa, para o restaurante e para a sua residência, as
máquinas pagas à espera de darem rendimento e as muitas despesas do quotidiano.
“Prova de fogo”-III
Foi uma prova de fogo que parece estar quase a terminar, porque o investidor foi
tão teimoso como os diversos serviços da Administração que pareciam desejar a
sua desistência. Afinal em Macau, só o registo da empresa é rápido. Tudo o resto é
burocraticamente difícil, e nos últimos anos, se não piorou, também não melhorou,
apesar do crescente número de funcionários...
PSP a dar-nos música-I
Na sexta-feira, a PSP deu a conhecer uma outra
vertente, mais lúdica, aos residentes e turistas
que passavam pelo Largo de São Domingos.
A banda da PSP encheu de som não só aquele
espaço como as ruas circundantes, atraindo
inúmeros curiosos que queriam perceber o que
se passava ali afinal.
PSP a dar-nos música-II
Porém, se a PSP mostra que sabe dar música, também prova que sabe ver a banda a
passar. No cruzamento da Avenida Infante D. Henrique e da Avenida de Lisboa, em
frente ao Grand Lisboa, por causa de umas obras, os semáforos foram tapados há já
vários dias com uns sacos pretos que têm a palavra “polícia”. As pessoas são obrigadas,
por sua conta e risco, a passar a estrada sem que nenhum polícia ali esteja a controlar
o trânsito. Quer dizer, por vezes até há um polícia em frente às escadas da entrada do
Lisboa, mas limita-se a olhar...
Testemunho
emocionado-I
Testemunho
emocionado-II
Há várias décadas atrás (como agora se diz),
a Drª Florinda Chan ingressou no então
Jardim Infantil, onde este fim de semana
entrou pela segunda vez como Secretária
da Administração e Justiça da RAEM para
presidir ao lançamento do Anuário da
Escola, realizado pela Associação de Pais e
Encarregados de Educação.
Foi um testemunho emocionado o de Florinda Chan
que recordou as suas impressões de criança na Escola
que a projectou para a vida, e onde entrou quando
a sua família tinha reduzidos recursos. As dezenas de
pessoas que assistiram à cerimónia ficaram também
elas visivelmente emocionadas com as declarações da
Secretária que incentivou a Escola e os seus agentes a
prosseguirem os seus esforços.
• • • DO BAÚ DE RECORDAÇÕES
Do Baú de Recordações apresentamos hoje uma foto
do debate das Linhas de Acção Governativa para 1993
(faz agora 20 anos), quando os deputados “grelhavam”
o Secretário-Adjunto Salavessa da Costa, que estava
acompanhado pelo seu chefe de gabinete João Dinis
e do director do Gabinete de Comunicação Social,
Afonso Camões, hoje administrador da agência Lusa.
JORNAL TRIBUNA DE MACAU
Propriedade: Tribuna de Macau, Empresa Jor­na­lística e Editorial, S.A.R.L. • Administração: José Rocha Dinis • Director: José Rocha Dinis • Director Editorial Executivo: Sérgio Terra • Grande Repórter: Raquel Carvalho • Redacção: Helder Almeida (editor), Fátima
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LOCAL
Edmund Ho
ex-Chefe do Executivo
Carlos Marreiros
arquitecto
Chan Wai Chi
deputado
As personalidades e factos que durante a semana passada se evidenciaram,
pelas melhores e pelas piores razões
David Chow
empresário
A representação de CARLOS MARREIROS na Bienal de Veneza é
um momento alto não só para o arquitecto como para Macau. O
consagrado artista não tem nada a provar mas ficou demonstrado
na abertura da 55ª edição da exposição internacional de arte que
ainda tem muitas cartas para dar. Em Veneza, deu a conhecer PATOŸMEN,
uma instalação associada à ideia do “Teatro de Memória”, desenvolvida por
Giulio Camillo, um contemporâneo de Erasmo de Roterdão, que passou
a vida a estudar a possibilidade de as pessoas conseguirem ordenar a
informação... Para ver até Novembro. Os taxistas são o alvo preferencial da
fúria de residentes e turistas de Macau e em 99,99% dos casos com razão.
A falta de profissionalismo da maioria destes profissionais não só causa um
forte constrangimento a quem deles precisa como dá mau nome a uma
cidade que diz que quer ser de turismo e lazer de nível mundial... Importante,
por isso, o “aviso” que o ex-Chefe do Executivo, EDMUND HO, deu aos
profissionais do sector, a propósito dos abusos na cobrança de tarifas mas
não só. O antigo governante é uma figura que tem um grande peso político
e influência. Não é de esperar que o sector melhore, mas nem por isso
se deve deixar de tentar persuadir pela positiva as “ovelhas negras” desta
cidade... PAUL CHAN WAI CHI apelou ao Governo para que os serviços
turísticos melhorem as informações a disponibilizar sobre a zona histórica
de Macau, nomeadamente a disponibilização de panfletos informativos em
mais línguas. O deputado diz ainda que os folhetos podiam ser distribuídos
aos turistas juntos aos postos fronteiriços, uma ideia que poderia ser posta
em prática pelos Serviços de Turismo. Já se sabe que a maioria dos visitantes
são da China Continental, mas não há razão para não se pensar nos outros,
principalmente quando a cidade é cada vez mais conhecida a nível mundial.
O empresário DAVID CHOW já tinha apresentado anteriormente os seus
planos para revitalizar a adormecida Doca dos Pescadores. Mas parece que
só agora é que será concretizada a operação financeira que o permitirá
alcançar esse objectivo. Está previsto que a Macau Legend Development
angarie os fundos suficientes com uma oferta pública inicial de venda de
acções na Bolsa de Valores de Hong Kong. O empreendimento deverá estar
concluído em 2015 e o empresário espera que esta operação financeira o
permita.
Wong Wan
director da DSAT
Anúncio no Ou Mun
contra filipinos
Cheong Sio Kei
director da DSPA
Kwan Tsui Hang
deputada
Foi sem dúvida uma semana negra para o director dos Serviços para os
Assuntos de Tráfego, WONG WAN. O relatório que o Comissariado de
Auditoria divulgou detectou várias falhas na actuação daquela entidade
e ficou uma questão a pairar: os pagamentos do Governo às operadoras
têm sido efectuados indevidamente? Wong Wan falou ainda à Ou Mun Tin Toi,
explicando-se, mas o Secretário que tutela a área, Lau Si Io, foi claro e deu até dois
dias para aquele responsável esclarecer todas as dúvidas dos jornalistas. Mas para
o futuro, ficam apenas promessas de melhorar o serviço. A responsabilidade não
será unicamente de Wong Wan mas este é a cara de um serviço completamente
à toa, sem rumo nem estratégia. Isto mesmo ficou provado também com a
divulgação das estatísticas oficiais do ambiente, relativas a 2012, e que mostraram
que até ao final do ano passado havia por quilómetro de estrada 512 veículos!
Mas aqui não são apenas os Serviços para os Assuntos de Tráfego a sair mal na
fotografia, mas também os Serviços de Protecção Ambiental, a cargo de CHEONG
SIO KEI. As estatísticas mostram que não se está a fazer o suficiente para travar
a poluição na cidade e os fenómenos daí decorrentes são cada vez mais visíveis:
pior qualidade do ar que se respira, produção de mais lixo, mais peixes mortos
retirados do mar e chuvas ácidas. O Ou Mun publicou um ANÚNCIO de primeira
página de algumas empresas e de uma associação (entre as quais a America Asia
Amity Association (Macau Chapter) e a Companhia de Investimento Predial e
Construção Ferrocid) a apelar ao boicote aos produtos filipinos e à contratação de
mão-de-obra das Filipinas em Macau. Em causa, a morte de um pescador taiwanês
em águas disputadas. Tem razão Rosa Viloria, da Rede para a Defesa dos Direitos
dos Migrantes quando fala em “lixo” e em “discriminação” e poder-se-á questionar
mesmo se em causa não haverá também um qualquer sentimento xenófobo...
Relacionado com cidadãos de outros países e territórios, tem continuado a
discussão sobre a atribuição de residência e a contratação de alunos de fora mas
que estudem em Macau. Desta vez, foi a deputada KWAN TSUI HANG a pedir na
AL um debate público sobre a matéria. Os argumentos usados nesta discussão têm
sido sempre os mesmos: quem vem de fora pode “roubar” o lugar a quem é da terra.
Mas o que é isso de ser da “terra”? Quantas gerações contam para se ser da “terra”? E
onde se vão buscar os médicos, enfermeiros, professores, engenheiros, arquitectos,
advogados, gestores, pedreiros, domésticas, e tantos outros profissionais que são
precisos para a cidade andar para a frente? À “terra”!?
Helder Almeida
Contra a sida-I
Para combater o estigma da sida, a Associação de Reabilitação de
Toxicodependentes de Macau lançou uma campanha no Largo
do Senado e Largo de São Domingos, de distribuição de abraços.
Contra a sida-II
Tiananmen-I
Amanhã, contabilizam-se 24 anos desde que os tanques
do Exército de Libertação do Povo chinês irromperam
pela Praça da Paz Celestial com o objectivo de pôr fim a
um protesto de estudantes que desafiavam o poder há
várias semanas.
Para além dos abraços, vários grupos de pessoas, que empunhavam alguns cartazes a apelar à
luta contra o estigma através de um abraço, distribuíam kits informativos que explicavam quais as
formas pelas quais a sida se propaga. E ao que consta, os abraços são seguros.
Arroz com selo de solidariedade - I
A delegação de Macau da Oxfam, confederação de organizações que luta contra a pobreza,
voltou a organizar mais uma “Venda de Arroz” destinada a angariar fundos para apoiar famílias
desfavorecidas da China Continental. Mais de 500 voluntários da instituição sediada em Hong
Kong percorreram cerca de duas dezenas de zonas de Macau e da Taipa para venderem pacotes
de arroz, ao preço unitário de 20 patacas, na expectativa de atingir a meta da Oxfam para esta
campanha: 2,6 milhões de patacas.
Arroz com selo de solidariedade - II
Tiananmen-II
No Largo de São Domingos, e como é habitual, já foram
colocados murais com imagens e textos a lembrar o
que se passou naquele dia, que ficou conhecido como o
Massacre da Praça Tiananmen. Num dos locais por onde
passam mais turistas no território, as informações não
deixavam de chamar a atenção de muitos, que paravam
para ler e ver as imagens.
Este ano, a iniciativa da Oxfam contou com dois reforços de peso: os irmãos gémeos Giulio e Dino
Acconci, que formam a conhecida dupla musical Soler. As estrelas da música local deram uma
animação especial ao bazar de caridade instalado junto
ao Jardim Cidade das Flores, na Taipa, e manifestaramse “muito satisfeitos” por aderir a um “evento pleno de
significado”, na medida em que os “fundos recolhidos
irão ajudar a melhorar a vida de pessoas pobres”,
incluindo muitas que vivem em zonas atingidas por
catástrofes naturais. Em 2012, a “Venda de Arroz da
Oxfam” permitiu angariar mais de 2,2 milhões de
patacas e envolveu 300 voluntários.
De Fonte Limpa
• • • EFECTIVAMENTE
03
04 JTM | LOCAL
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
EDITH SILVA EM ENTREVISTA AO JTM
Quando a EPM deu os primeiros
passos, houve quem tivesse
traçado três anos como prazo de
validade. A instituição, que hoje
em dia recebe alunos de quase
20 nacionalidades, sobreviveu
à descrença de alguns e cresceu
graças à força de outros. A
presidente da direcção da EPM
deixa o balanço para os pais e
a comunidade, mas mostra-se
satisfeita com o nível atingido. Os
15 anos de existência completamse numa altura em que a escola
passou com distinção nas
avaliações feitas pelo Ministério da
Educação português e pela DSEJ.
Manter a excelência alcançada é
uma ambição admitida por Edith
Silva, a par de colmatar as falhas
no ensino do mandarim. O limite
definido pelas autoridades para
a permanência de professores do
Continente está a ser um grande
entrave, aponta a dirigente. Ainda
assim, Edith Silva define 2017
como meta para que os alunos da
EPM tenham “alguma fluência” na
língua chinesa
Raquel Carvalho
C
omecemos pela pergunta inevitável: é presidente da direcção
da Escola Portuguesa de Macau
(EPM) desde o primeiro segundo, qual
é o balanço que faz destes 15 anos?
- Acho que não me cabe fazer uma
avaliação. A avaliação deve ser feita
pelos pais, pela comunidade, pelos serviços. Mas este ano coincidiu com uma
avaliação externa feita pelo Ministério
da Educação de Portugal e outra feita
por Macau. Ambas foram bastante positivas. Nos três parâmetros avaliados
por Portugal nós tivemos excelente em
todos. Posso dizer, como directora, que
estou bastante satisfeita, porque estes
parâmetros abrangem toda a escola:
professores, direcção, alunos, prestação de serviços à comunidade. Estou
cá desde o primeiro momento, desde
1998-1999 a lançar a escola, e posso dizer que estou muito satisfeita.
- Em relação à avaliação feita pela
Direcção dos Serviços de Educação e
Juventude (DSEJ), já existem resultados?
- Sim, há um primeiro resultado e
só posso dizer que é bastante positivo
também. Mas não podemos divulgar
mais do que isso, a pedido da DSEJ.
- Num momento em que a escola
está a abandonar o período adolescente, digamos assim, como é que concebe a EPM do futuro?
FOTOS JTM
“Temos cada vez mais alunos que não têm
o português como língua materna”
- Terminámos o ensino secundário,
como eu costumo dizer, agora o próximo passo é entrar numa universidade
[risos]. Penso que neste momento, está
tudo encaminhado. Há uma avaliação
feita, temos os currículos actualizados,
temos o ensino praticamente igual ao
modelo nacional, mas com adaptações
locais, que os pais aceitaram e que o Ministério da Educação também aceitou.
Com esta menção de excelência cai um
fardo bastante grande sobre os ombros
da direcção e da escola. Há sempre espaço para melhorarmos tudo, mas com
excelente, o último patamar de classificação, manter este nível penso que
é um esforço a fazer. Temos que estar
conscientes disso, não só a direcção,
mas todos nós. Há ainda um aspecto
que não atinge aquele ideal, que é o ensino do mandarim. Eu penso que isto
é do conhecimento de todos, porque o
ensino do mandarim só começou em
2005. Portanto, a escola começou em
1998, sete anos depois introduzimos o
mandarim como obrigatório. Há um
problema em ensinar mandarim nesta
escola, porque ensinar mandarim a chineses e ensinar mandarim como língua
estrangeira a portugueses é completamente diferente. Com a agravante que
os alunos de famílias portuguesas não
têm quem os ajude em casa. Temos estado a tentar, a ver como resolver esta
situação. Temos um acordo assinado
com o Instituto Politécnico de Macau
(IPM), em termos de organização até de
programas, formação de professores,
acompanhamento dos próprios alunos.
Os alunos fizeram alguns testes do IPM
um pouco dentro do modelo nacional,
só falta o 9º ano fazer, e tem sido bastante positivo. Quando todos fizerem,
iremos realizar em Junho um ponto de
situação. Há ainda um grande problema que eu sinto em relação aos profes-
sores de mandarim. Nós temos duas
professoras locais e duas professoras
contratadas no Continente. Essas pessoas têm um período de permanência
bastante limitado em Macau: dois anos.
Ora, eu em dois anos não consigo obter a estabilidade necessária. Um ano é
para a pessoa se adaptar, porque nunca
deram mandarim a portugueses ou a
estrangeiros. É preciso ambientarem-se,
adaptarem-se, isso acontece no segundo ano e depois vão-se embora. É um
grande dilema que a direcção enfrenta.
Fico muito preocupada cada vez que tenho de procurar professores.
- Falta flexibilidade das autoridades a este nível? Já foram iniciados
diálogos para facilitar o processo?
- Estou a tentar por todos os meios,
até através da DSEJ. De facto é o que
nós precisamos. Ter professores que
possam ficar pelo menos por um período de alguns anos, porque o contacto do
professor com o aluno é muito importante. O acompanhamento dos alunos,
como fazemos com os estudantes do
primeiro ciclo, que têm uma professora
do 1º ao 4º ano, é importante. Ao menos
acompanhamos uma etapa dos nossos
alunos. Esta é a nossa grande dificuldade e julgo que é o principal objectivo
da direcção em termos de esforço no futuro. Só que não está nas nossas mãos,
não é que nós não queiramos, nós não
conseguimos. Em relação a este último
contrato, já deram sinal de Pequim para
as pessoas regressarem. Estamos a tentar convencer as pessoas para deixarem
ficar, mas é uma questão que ultrapassa
a direcção.
- E contratar localmente é difícil?
- É claro que também existe a hipótese da contratação local, também há
professores locais, mas muitas vezes
os pais querem professores nativos, o
que é difícil de encontrar em Macau. De
qualquer modo, mesmo encontrando
professores aqui o problema também
se põe: não sabem ensinar mandarim
como língua estrangeira. Portanto, eu
penso que esta é ainda uma batalha
que temos à nossa frente. Como nós
começámos em 2005, em 2017 esperamos que os alunos já tenham alguma
fluência. Mais a mais, desde o ano passado começámos com o programa de
aperfeiçoamento da língua chinesa em
Pequim. No ano passado foram 20, este
ano vamos continuar. Uma das nossas
alunas também foi seleccionada pela
DSEJ para fazer um curso em Pequim
agora. Estes dias tivemos outras notícias
muito boas: foi seleccionada uma para
Singapura e dois alunos para Austrália
também para fazerem o curso de Verão
de língua. Em Singapura e na Austrália
vão estudar inglês. Também estamos a
colaborar com a DSEJ no curso em regime pós-laboral para ensinar português
como língua estrangeira, neste âmbito
foram seleccionados seis alunos propostos por nós. Julgo que este curso está
a dar os seus frutos. Penso que o nosso
ensino é bom e a nossa aposta nas línguas vai continuar. Em termos futuros,
a questão é como manter este patamar
de excelência que todos nós queremos.
Mas também temos de ter em conta que
alunos não são iguais, todos os anos
mudam, e temos cada vez mais alunos
que não têm o português como língua
materna. Nós temos aqui na escola 10
por cento de alunos provenientes de 18
nacionalidades. Com a vinda de muita
gente, até da América de Sul e de África, têm vindo muitos alunos para a nossa escola, isto tem o seu quê no que toca
à avaliação desses alunos cuja língua
materna não é o português.
- Isso faz com que a escola também
se tenha de adaptar aos novos alunos...
- Julgo que uma das grandes qualidades da escola é a multiculturalidade.
É uma escola que tem muitas culturas,
muitas nacionalidades e que, apesar de
tudo, tem também várias línguas, como
o português, o mandarim, o inglês e o
francês. Eu digo sempre que nós não
somos uma escola internacional, mas as
pessoas olham para nós como se fossemos uma escola internacional. No futuro não deverá haver grandes variantes,
só tentar melhorar, ter objectivos claros
e formar os nossos jovens. Considero
que a grande missão de um educador é
formar o jovem. A formação integral do
jovem é ainda muito mais importante
do que administrar os conhecimentos.
Os conhecimentos às vezes esquecem-se e podem ser encontrados nos livros,
mas a formação integral do jovem vai
além disso. Hoje em dia, os jovens têm
muitas atracções e às vezes existem alguns desvios. É, por isso, o nosso grande objectivo.
- Como disse, muita gente olha
para a EPM como uma escola internacional. De que modo é que a EPM se
conseguirá destacar nesse contexto?
- Eu digo que nós não somos, porque, por exemplo, a nossa língua materna é a língua portuguesa, as escolas
internacionais usam sempre a língua
inglesa. Já o nosso sistema de ensino
é só um, o português, com adaptações
locais, daí destacarmo-nos em relação
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
às outras, porque nós temos um modelo aprovado e também os nossos
alunos ingressam directamente nas
universidades portuguesas, do Brasil
e outras. Penso que é uma mais-valia
para nós. Além disso, nestes últimos
dois anos tem havido muitas pessoas
à procura do português, penso que nós
podemos ter aqui um papel fundamental, sendo um pólo difusor da língua
e da cultura portuguesa. É o que nós
estamos a fazer com alunos das escolas particulares. Temos a funcionar em
horário pós-laboral, a pedido da DSEJ,
aulas para alunos das escolas particulares chinesas ou inglesas. São pessoas
que não dominam o português e dão
aqui os primeiros passos. Lembro-me
que em 2007, quando começámos, nós
tínhamos três turmas. Este ano temos
oito. Há um pedido para aumentar
para nove turmas no próximo ano.
Isto significa que o ensino está a dar
os seus frutos e que há uma grande
procura. Estes alunos, muitos deles,
querem ingressar nas universidades
portuguesas. Penso que este também
é o nosso papel de Escola Portuguesa,
difundir a língua e a cultura portuguesa e também tentar encaminhar alunos
para as instituições portuguesas. Acho
que isto é muito positivo.
- À semelhança de outras escolas,
faria sentido criar uma secção inglesa
ou chinesa?
- Neste momento, não sentimos
essa necessidade. Se sentíssemos isto,
já há alguns anos, quando estivemos
a perder alunos, teríamos ido por este
caminho. Digo que não sentimos essa
necessidade, porque nós criámos o ano
preparatório há três anos. Trata-se de
uma aposta muito forte da escola no
sentido de dar uma formação muito
intensiva só de português. Estes alunos
têm 14h a 16h semanais só de português
durante um ano e depois são integrados em turmas normais. Daí dizer que
não sentimos essa necessidade. Posso
dizer, com uma pontinha de orgulho,
que os nossos alunos dominam muito
bem o inglês. Portanto, nós concorremos nesses cursos de Verão no mesmo
patamar que as escolas internacionais
de língua inglesa, o que é muito bom.
Até no acesso ao ensino superior mostramos isto, porque os nossos alunos
entram directamente nas universidades da Inglaterra, da Austrália... Julgo
que o nosso inglês é bom. Em relação
a uma secção não sentimos já essa necessidade, mas nunca se sabe o futuro.
JTM | LOCAL
Pensámos na altura em que estávamos
a perder alunos em criar uma secção
inglesa, estávamos a perder cerca de 30
alunos por ano, mas depois da criação
do ano preparatório, em vez de perdermos alunos, até ganhámos alunos, vindos de outros sistemas de ensino e de
outras nacionalidades.
- Então faz um balanço positivo do
ano preparatório?
- Sim, faço, muito positivo. É claro
que o ano preparatório implica um esforço muito grande por parte da escola,
porque agora com a redução da carga
lectiva dos docentes para 18h semanais
no secundário, 14h a 16h é um horário
de uma professora. Mas acho que esta
aposta vale a pena, porque depois no
segundo ano estes alunos já integram
as turmas normais da escola.
- E há a intenção de intensificar a carga lectiva
do mandarim?
- Eu acho que
a carga lectiva é
suficiente.
São
quatro horas por
semana.
Creio
que o que falta
é eles falarem
mais. A prática.
É como um chinês aprender português,
na aula fala, mas depois em casa se
calhar ninguém ajuda. Para aprender
línguas é preciso que exista ambiente.
O programa de aperfeiçoamento da língua chinesa começou no ano passado
e com certeza que irá prosseguir nos
próximos anos e dar os seus frutos. Porque naquelas semanas que estão em Pequim têm que falar mandarim em todo
o lado, quando vão ao supermercado
ou noutra situação. É pena não termos
esse ambiente em Macau. Estou convencida que faltam aos nossos alunos
conhecimentos na oralidade, porque a
parte escrita até aprendem, escrevem,
lêem. Mas depois chegando à realidade
sentem-se retraídos. É necessário que
exista um esforço redobrado da escola
no sentido de atingir aquele patamar
que nós queremos em relação a todas
as línguas, ter o mandarim ao mesmo
nível que o português e o inglês.
- Existem novos projectos, nomeadamente materiais didácticos a caminho?
- Sim, já na próxima [esta] semana
vamos lançar um livro novo, da autoria
de duas professoras aqui da escola, chamado “Teatrinho de Encantar”. Vamos
fazer a apresentação na quarta-feira. É
uma iniciativa no âmbito da celebração
dos 15 anos da escola, com o apoio da
DSEJ. Fizemos num ano um teatrinho
de fantoches e marionetas e o livro surge nessa sequência. É a nossa colecção
de jovens escritores.
- A escola fez um protocolo com o
Observatório de Língua Portuguesa
no final do ano passado. De que modo
é que este acordo pode ser útil para a
EPM?
- Sim, assinámos um protocolo com
o Observatório de Língua Portuguesa
no sentido de fazermos parte dos seus
projectos. Até agora não começámos,
estamos à espera que digam qualquer
coisa. A única coisa que fizemos foi uma
palestra na escola. Eles estão dispostos
a colaborar connosco, a virem à escola
conversar com os professores e com os
alunos. Acho que
é um protocolo importante e
penso que num
futuro próximo
vão deslocar-se
pessoas a Macau.
Isto pode passar
pela
formação
de professores,
abordagem do
Novo Acordo Ortográfico que entrou em vigor e que nós
estamos a utilizar, introdução de metodologias de ensino da língua portuguesa a estrangeiros... O Observatório
tem uma experiência vasta a esse nível
e pode prestar-nos esse tipo de apoio.
- Neste 15º ano de existência, pode-se dizer que a situação financeira da
EPM é estável?
- Eu julgo que neste momento podemos dizer isso graças ao protocolo
assinado entre a Fundação Macau e a
Fundação Escola Portuguesa de Macau, que nos assegura no prazo de
cinco anos, a começar a partir deste ano, os 49 por cento que eram da
Fundação Oriente. Com isto, claro,
não estamos à folga porque há sempre a necessidade de apresentar uma
proposta de orçamento que é aprovada pela Fundação Escola Portuguesa
de Macau e depois submetida para a
Fundação Macau. Mas pelo menos já
não temos este problema em cima de
nós, porque todos os anos estávamos
bastante constrangidos por causa da
parte orçamental. Ao menos dá-nos
tempo para pensarmos mais na parte
pedagógica e não termos que pensar
nesta preocupação pelo menos duran-
Estou pronta para sair
a qualquer momento,
desde que deixe a
escola bem entregue
05
te cinco anos. Até 2017 a Fundação
Macau assegura esta contrapartida,
assegurando o Ministério da Educação de Portugal os outros 51 por cento. Portanto, penso que neste aspecto
estamos de parabéns.
- Já disse que a questão da mudança
das instalações é um assunto que está
a cargo da Fundação EPM, mas qual é
a sua posição? Faz sentido que a escola
saia deste local?
- Eu pessoalmente não tenho nada
contra a ideia de mudança. Como se vê
a escola é boa, está muito bem pensada, tem bons equipamentos. Portanto,
a mudar temos de mudar para melhor.
Quem muda, muda sempre para melhor. Julgo que esse é também o entendimento dos pais e da comunidade. Eu
não faço finca-pé para ficarmos aqui,
apesar de gostar muito desta escola e
do facto de não existir uma localização
melhor do que esta, mas se for para o
bem da escola, a direcção aceita. Mas
tem que ser para melhor.
- No ano passado, o vice-presidente
Pedro Xavier foi substituído por Manuel Machado... É um sinal de renovação que também poderá acontecer ao
nível da presidência da escola?
- Sim, eu acho que a escola tem de
ser renovada. Ter gente nova. Eu também estou pronta para a qualquer altura sair da direcção. O ex-vice-presidente tem feito um bom papel de estar na
escola desde o início da fundação da
escola e só por questões de saúde pediu
para passar a tempo parcial. Está neste momento como nosso técnico assessor, a assessorar e acompanhar os mais
novos. Como em tudo, deve haver um
período de passagem de testemunho. O
Dr. Pedro Xavier está ainda a dar apoio,
como eu estou a dar apoio. Mas eu julgo que sim, que a direcção precisa de
ser renovada, tal como a escola, com
gente jovem e dinâmica. Estou pronta
para sair a qualquer momento, desde
que deixe a escola bem entregue. Neste
momento, o currículo está, a avaliação
está feita, julgo que é só assegurar... O
caminho da escola está traçado, é só seguir os mesmos passos e tentar melhorar sempre.
- Quanto ao número de alunos no
próximo ano, quais são as previsões?
- Neste momento, temos 482 alunos
inscritos. Nem são matrículas, porque
fizemos uma pré-inscrição, se não me
engano em Março, após o dia da escola
aberta. Batemos o recorde dos últimos
anos por esta altura.
06 JTM | LOCAL
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JOVEM TINHA PÁGINA FALSA NO PASSAPORTE
ABUSOS AUMENTARAM 60% DIZ MP
A PSP deteve uma mulher de 20 anos por ter uma folha
falsificada no passaporte. Após ter entrado no território, a jovem
ficou rapidamente sem dinheiro e dedicou-se à prostituição
A deputada diz que a sociedade de
Macau está cheia de prostituição,
droga e jogo, o que afecta o
crescimento das crianças. Ho Sio
Kam apela ainda a uma revisão
da lei no território para integrar o
assédio sexual na lista dos crimes
FOTO ARQUIVO
U
ma jovem de 20 anos foi
detida por ter apresentado
um passaporte falsificado
aos agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), no decurso de
uma operação contra a prostituição desencadeada pelas autoridades em hotéis-casino localizados
no centro da cidade. A mulher foi
interceptada por suspeitas de angariação de clientes.
Durante a verificação dos documentos, os agentes verificaram
que uma das páginas era falsa.
Segundo a PSP, a jovem acabou
por contar que, em Abril, encontrou em Zhuhai um panfleto com
um número de telefone de alguém
que garantia “fazer” passaportes
válidos para entrada em Macau.
Decidiu telefonar para o número
indicado e um homem cobrou-lhe
800 yuans pelo documento.
A jovem veio depois para a
RAEM, mas na fronteira apresentou o passaporte verdadeiro.
Após ter ficado sem dinheiro,
conheceu uma mulher que lhe
ofereceu trabalho como prostituta, declarou ainda, acrescentando
que desde então “trabalhava” junto aos casinos do centro da cidade. Acabou por alugar um quarto,
tendo para o efeito apresentado
o seu passaporte falsificado, uma
vez que o “visto” de permanência
tinha expirado.
O caso foi encaminhado para o
Ministério Público.
FOTO ARQUIVO
Panfleto em Zhuhai oferece Ho Sio Kam quer lei
carimbos para Macau
contra assédio sexual
Viviana Chan
Documento falso terá custado 800 yuans
Apanhado grupo
de cinco carteiristas
Noutro caso, a PSP deteve cinco
homens, com idades entre 27 e 40
anos, todos oriundos do Continente, por suspeitas de furto. Os indivíduos estavam na Avenida Infante D. Henrique, quando os agentes
de serviço naquela zona verificaram que o grupo se aproximou
de forma suspeita de uma mulher.
Enquanto um tentava retirar pertences da mala da vítima, os outros
encetaram manobras de diversão
para que ela não se apercebesse.
No entanto, de repente a mulher
voltou-se e os cinco homens começaram a correr, mas foram perseguidos e interceptados pela PSP.
As autoridades encontraram
pinças, um guarda-chuva, vários
telemóveis e dinheiro na posse
dos suspeitos. Mesmo assim, apenas um dos detidos confessou a
prática do crime.
S.D.
A
deputada nomeada Ho Sio Kam
queixou-se da falta de uma lei no território que ajude a travar o assédio
sexual. Esta intenção surge em linha com as
mais recentes informações disponibilizadas
pelo Ministério Público (MP) e que mostram que este ano, até Maio, aumentou o
número de casos de abuso sexual de crianças.
Segundo o MP, no mesmo período de
2011 registaram-se 11 casos de abusos, mas
este ano esse número já aumentou 60%. O
MP sublinhou em comunicado que o crime
de estupro e abuso sexual de crianças está
previsto no Código Penal, no entanto, como
é um crime semipúblico, o procedimento
penal depende de queixa. “Algumas vítimas ou os seus tutores não informam os casos, devido a várias razões, como resultado,
a polícia não pode iniciar a investigação, e o
MP não pode apresentar a acusação”, refere
em comunicado aquela entidade. E conclui:
“em termos de protecção dos direitos de
crianças, existe uma necessidade de revisão
da lei”.
Dentro esta matéria, Ho Sio Kam quer
que a Lei integre o assédio sexual na lista
de crimes. Em declarações ao jornal Ou
Mun, Ho Sio Kam diz que as crianças são
o futuro da região e que há que protegê-las,
criticando que a sociedade de Macau esteja
TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE
JUÍZO CÍVEL
ANÚNCIO
Execução Ordinária nº CV1-12-0094-CEO
1° Juízo Cível
EXEQUENTE: 志達博彩中介一人有限公司, com sede em Macau,
na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.ºs 181-187, Edifício Centro
Comercial do Grupo Brilhantismo, 10.º andar T.
EXECUTADO: LAM MAO WONG, do sexo masculino, maior,
titular do B.I.R.M. n.º 7xx4xx8(7), com última residência conhecida
em Macau na Avenida Marginal do Lam Mau, n.º 176, Golden Bay
Garden, 27.º andar B.
Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última
publicação do anúncio, citando o executado LAM MAO WONG, para
no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao
exequente a quantia de MOP$1,090,123.00 (Um milhão, noventa mil,
cento e vinte e três Patacas) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo,
deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de,
não o fazendo, ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de
bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à
sua revelia.
Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que
neste 1.º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser
levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente.
E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja
deduzido oposição.
Macau, aos 20 de Maio de 2013.
“JTM” - 3 de Junho de 2013
cheia de prostituição, droga e jogo. Por isso,
a constituição de um regime jurídico deve
proteger os direitos das crianças dos prejuízos provindos da sociedade, argumenta a
deputada.
Analisando que embora haja educação
sexual na escola, que funciona como forma
de prevenção, o desenvolvimento mental,
contudo, pode ser muito diferente consoante as diferentes idades. “Os pais não podem
estar muito dependentes da escola”, alega.
Já a Associação de Luta contra os Maus
Tratos às Crianças também entende que a revisão do Código Penal pode “evitar que os
menores sofram violações sexuais”, segundo a Rádio Macau.
Em relação à legislação contra a violência
doméstica, a deputada acha que a questão
está muito “quente”. Por isso, sugere que se
avance o mais rápido possível na legislação,
aceitando-se apenas que a violência doméstica seja um crime semipúblico mas ponderando-se uma revisão da lei em dois anos.
Ao mesmo tempo, a deputada acha que a
educação é essencial, porque as mulheres
têm que saber dizer “não” à violência.
TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE
JUÍZO CÍVEL
ANÚNCIO
Execução Ordinária n.º CV1-08-0027-CEO
1° Juízo Cível
EXEQUENTE: BANCO NACIONAL ULTRAMARINO, S.A., com sede em Macau, na
Avenida Almeida Ribeiro, n.º 22.
EXECUTADO: CHAN SENG LEONG, divorciado, natural de Macau, de nacionalidade
chinesa, com última residência conhecida em Macau na Rua Cidade de Lisboa, n.ºs 55-195,
Edf. Jardins de Lisboa, Seng Keng Toi, 4.º andar “B”, Taipa.
FAZ-SE SABER que, no dia 04 de Outubro de 2013, pelas 11:00 horas, na sala de
julgamento n.º 20 deste Tribunal e no processo acima indicado, a venda por meio de propostas
em carta fechada, do seguinte bem penhorado:
Quota hereditária
Do executado na herança indivisa aberta por óbito do seu pai Chan Chi Kuai aliás Chang
Chi Kuay, que integra a fracção autónoma “BR/C”, do rés-do-chão, para habitação, do prédio,
em regime de propriedade horizontal, sito em Macau, com os n.ºs 5, 5-A e 5-B da Rua do
Bispo Medeiros, inscrito na matriz do concelho de Macau sob o art.º 36435, descrito na
Conservatória do Registo Predial de Macau sob o n.º 20685, a fls. 102 do Livro B-45, com
o regime de propriedade horizontal inscrito sob o n.º 7395, a fls. 90 do Livro F8, registada
a favor dos herdeiros Wan I Man, Chan Tin Leong, Chan Lai Heng, Chan Kuok Leong e
o executado Chan Seng Leong, pela inscrição n.º 116707G.
O Valor base da venda: MOP$500.000,00 (Quinhentas Mil Patacas).
São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secção
Central deste Tribunal as suas propostas, até ao dia 03 de Outubro de 2013, pelas 17:45 horas,
durante a hora de expediente, e o preço das propostas devem ser superior ao valor acima
indicado, devendo o envelope da proposta, conter, a indicação de “PROPOSTA EM CARTA
FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO CV1-08-0027-CEO”.
No dia da abertura das propostas, podendo os proponentes assistir ao acto.
Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem,
querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta
for aceite, nos termos do art.º 787.º do C.P.C.M.
Tribunal Judicial de Base da RAEM, aos 13 de Maio de 2013.
A Juiz,
Ana Meireles
O Escrivão Judicial Auxiliar,
Carlos Assunção
1ª Vez
Ho Sio Kam diz que as crianças
são o futuro da região e que há que protegê-las
A Juíz,
Kan Cheng Ha
O Escrivão Judicial Adjunto,
Ho Lap Chi
1ª Vez
“JTM” - 03 de Junho de 2013
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LOCAL
07
PLANO APONTA PARA PADRÕES DE QUALIDADE SUPERIOR
Santa Casa planeia abrir nova creche
FOTO ARQUIVO
Um dos edifícios da Santa Casa
da Misericórdia deverá ser
transformado numa creche.
A instituição está “a estudar a
viabilidade” de abrir uma nova
escola com elevados padrões
de qualidade, revelou ao JTM o
Provedor António José de Freitas
Fátima Almeida
D
e alta qualidade e com capacidade
para dezenas de crianças. É tendo
por base estes critérios que a Santa Casa da Misericórdia de Macau está a
planear abrir uma nova creche num dos
edifícios de sua propriedade, avançou ao
JTM António José de Freitas. Sem revelar
Actual creche da Santa Casa acolhe mais de 250 crianças
para já onde será desenvolvido o projecto, o Provedor da Santa Casa sublinhou
que o espaço de ensino será desenhado
segundo padrões de “alta classe”.
“Estamos a planear abrir mais uma
creche. Será num dos nossos edifícios e
terá uma qualidade superior”, disse António José de Freitas.
O plano, que ainda poderá levar “algum tempo” até ser concretizado, deverá
assim prever um número de vagas inferior às disponibilizadas pela creche que
a instituição já gere no NAPE. Após uma
remodelação e expansão, a actual creche
passou a acolher mais de 250 crianças.
O objectivo da futura escola é “faci-
litar” o acesso a um infantário às famílias da zona onde será localizada. “Terá
capacidade para dezenas de crianças”,
estimou António José de Freitas, sem precisar números concretos.
Os moldes em que a creche poderá
funcionar - se será totalmente privada
ou que faixas etárias vai abranger - ainda
vão ser ponderados, mas é certo que o ensino será feito em três línguas: português,
chinês e inglês.
“Em relação às idades vamos ver o
que se pode fazer consoante o espaço e
depois decidir”, deu conta António José
de Freitas, à margem de mais uma acção
de distribuição de cabazes da Loja Social
da Santa Casa (ver texto em baixo).
Este ano mais de 1.500 encarregados
de educação concorreram a uma das 150
vagas disponibilizadas pela creche da
instituição para o próximo ano lectivo,
que arranca em Setembro. Face à crescente procura, a nova escola poderá assim
ajudar a colmatar algumas necessidades.
LOJA SOCIAL DEVE CONTINUAR ATÉ FINAL DE 2014
Q
uando nos aproximámos para fazer a entrevista, as primeiras palavras de Luís foram: “Muito obrigado”. “O que é que posso dizer mais?”,
questionou como que se estivesse certo que assim poderíamos saber o que sente. À medida que os minutos
vão passando percebemos, porém, que a sua história
de vida é tão longa que o mais moderno gravador não
conseguiria ter capacidade para a registar. O seu rosto
sombreado por um boné com o nome de uma operadora
de jogo esconde as diversas voltas que deu no mundo e
evidencia uma paragem entre paredes de solidão. “Vivo
sozinho, não tenho reforma e por isso sou beneficiário
do Instituto de Acção Social”, contou.
Pelo terceiro mês consecutivo, Luís carrega os sacos
oferecidos pela Loja Social da Santa Casa da Misericórdia, sentindo alívio. “Do IAS recebo 3.400 patacas por
mês o que é quase impossível... Tenho de pagar um
quarto, mais luz, água”, disse o homem nascido em
Macau. “Os cabazes contribuem bastante”, acrescentou
sempre em português.
“Aprendi Português na escola. Também andei muito por África, em 1971. Trabalhei ainda em Macau, mas
depois por várias razões deixei de trabalhar e sou beneficiário. O meu pai era natural daqui e a minha mãe era
da América do Sul. É uma longa história. Se contasse a
minha vida toda se calhar não chegava essa ‘cassete’”,
partilhou.
Ao contrário da maioria dos beneficiários, que são
seleccionados pelas associações dos Kaifong e dos Operários, Luís é um das duas dezenas de pessoas que acedem a esta ajuda directamente através da Santa Casa.
“Vi no noticiário a primeira distribuição de cabazes e
falei com o Sr. Freitas e depois disseram-me que tinha
condições para ser beneficiário”.
Para a senhora Mak, o passado Dia da Criança foi o
primeiro em que se deslocou à Loja Social para receber
cabazes com alimentos de primeira necessidade. Os pre-
FOTO JTM
No primeiro sábado de cada mês é uma
azáfama, com dezenas de pessoas a
entregarem cabazes a mais de 200 famílias.
Numa manhã de sol ardente, conhecemos
pessoas com rendimentos pequenos e a braços
com a solidão ou que vivem num lar numeroso
onde se gere apenas um salário
FOTO SANTA CASA
Cabazes que “contribuem bastante”
Galaxy também doou 200 mil patacas à Loja Social, projecto que deverá continuar pelo menos até ao final de 2014
ços disparam e num tecto que inclui apenas o ordenado
do marido as dificuldades acompanharam o ritmo da inflação. “Somos uma família de cinco pessoas: eu, o meu
marido e os nossos três filhos. A mais velha com 17 e o
mais novo com 4 anos. Eu não tenho trabalho. É só o salário do meu marido, que trabalha num casino e ganha
acima das 10.000 patacas”, explicou.
Os alimentos que recebeu dão-lhe a esperança de um
mês menos sofrido. “Temos de pagar a casa mensalmente e dependemos do salário do meu marido. Não resta
muito para as outras despesas”, referiu a senhora Mak
que optou por ficar em casa para cuidar dos filhos, um
dos quais sofre de uma deficiência ligeira.
No próximo ano a filha irá concorrer a uma universidade para estudar Medicina, área que não poderá frequentar em Macau o que obriga os pais a fazer ainda um
esforço maior para lutar pelo seu futuro. “Como provavelmente terá de ir estudar em Hong Kong precisaremos
de pedir uma bolsa empréstimo ao Governo”.
Luís e a senhora Mak fazem parte das cerca de 220
famílias que reúnem requisitos para beneficiar da Loja
Social da Santa Casa, que mensalmente atribui cabazes
com bens de primeira necessidade. A funcionar desde
Fevereiro o projecto conta até Setembro com o apoio das
operadores de jogo - no sábado foi a vez da Galaxy contribuir com 200 mil patacas.
“Já abordámos algumas pessoas e estou confiante
que vamos continuar com o apoio das operadoras de
jogo. Já está apalavrado. E, para além das operadoras,
falámos com outras entidades. Temos recebido palavras
encorajadoras”, sublinhou o Provedor da Santa Casa.
Assim, depois de Dezembro deverão estar reunidas
as condições para que se prolongue a distribuição de cabazes pelo menos por mais 12 meses. “Para o ano estamos seguros que o patrocínio não vai ser um problema
para continuar este projecto. Em 2015 logo se verá”, afirmou António José de Freitas.
Embora Macau seja um território próspero, o Provedor da Santa Casa acredita que faria sentido desenvolver
este plano a longo prazo para ajudar os que sofrem com
a pressão do desenvolvimento. “Creio que há necessidade de que este seja um projecto contínuo, porque independentemente de vivermos numa sociedade desenvolvida o progresso tem o seu preço, apesar do muito que o
Governo tem feito”.
O programa destina-se precisamente a ajudar pessoas que não conseguem ser elegíveis para outros benefícios de cariz governamental. Por exemplo, os utentes
do Banco Alimentar, actualmente gerido pela Caritas,
não poderão recorrer à Loja Social. “Os nossos beneficiários não são pessoas com muitas dificuldades, mas
sofrem uma pressão diária para enfrentar a carestia de
vida”.
Nós últimos meses foram poucos os agregados que
beneficiaram várias vezes dos cabazes. Isto porque as
associações responsáveis pela selecção têm encontrado
mais famílias com necessidades. “Das 200 famílias que
ajudamos as que se repetem mensalmente são cerca de
20 a 30”, calculou António José de Freitas.
F.A.
08 JTM | LOCAL
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
DEFENDE A DEPUTADA KWAN TSUI HANG
MP deve investigar serviço de autocarros
Viviana Chan
A
deputada Kwan Tsui Hang defende que o Ministério Público investigue os indícios de “burla” ao Governo praticados pelas companhias de
autocarros públicos aventados pelo relatório da semana
passada do Comissariado de Auditoria (CA).
Diz a vice-presidente da Associação Geral dos Operários de Macau que colocar a Direcção dos Serviços
para os Assuntos de Tráfego (DSAT) a investigar os
concessionários dos autocarros não faz sentido nenhum
porque “é como fazer uma investigação a si própria”,
podendo causar suspeitas de corrupção.
Caso as investigações sejam meramente internas, a
verdade poderá ser escondida, acredita a deputada que,
para além disso, diz que a sociedade já perdeu confiança
na DSAT e que só o MP é que pode ter agora uma actuação credível.
A mesma deputada lembra que os cofres do Governo estão cheios de dinheiro e que continuam a existir
muitas falhas na fiscalização da aplicação dos fundos
públicos. Dizendo que “a mentalidade do Governo não
consegue acompanhar o desenvolvimento da socieda-
de”, critica que quando existem infracções “o Governo
só saiba estudar documentos”.
Ontem, no programa Forum Macau, da TDM, os
convidados foram os responsáveis das três companhias
concessionárias, que negaram todas as suspeições lançadas pelo relatório de auditoria. A DSAT também foi
convidada mas ninguém desta entidade apareceu.
O director-geral de Reolian, Cedric Rigaud, garantiu
que depois de a empresa ter revisto os registos de funcionamento dos autocarros não foi encontrada nenhuma situação como a que foi referida no relatório do CA.
Assegurou ainda que a empresa que dirige não utiliza
“autocarros fantasma”, como meio de obter pagamentos ilícitos do Governo.
A directora de Transmac, Chan Hio Yueng, indicou
que os artigos do contrato de operação dos autocarros
já não são adequados à actual situação de tráfego no território.
Além disso, Cedric Rigaud indicou que o número
dos veículos e passageiros no território aumentaram
constantemente, o que piorou a situação do tráfego.
O director de TCM, Chan Kin Wa, também negou as
suspeições e concordou com as queixas sobre a situação
do trânsito na cidade feitas pelos outros dois responsáveis.
FOTO ARQUIVO
Para a deputada, o Ministério Público é neste momento a entidade mais adequada para fazer uma investigação ao que se passa na concessão
dos serviços de autocarros públicos. Em relação às suspeições lançadas pelo relatório do Comissariado de Auditoria, os três responsáveis das
concessionárias negaram todas as acusações no programa Fórum Macau
Kwan Tsui Hang diz que não deveria ser a DSAT
a investigar as suspeições lançadas pela auditoria
Depois do CA ter alertado para a existência de autocarros a circular vazios, a DSAT garantiu que ia verificar
todos os registos dos últimos dois anos.
PRIMEIRA ENTREVISTA DO CÔNSUL-GERAL À RÁDIO MACAU
Sereno quer reforçar ensino da língua
O cônsul recordou que a língua portuguesa é idioma oficial até 2049, para dizer que o objectivo é fazer com que perdure além dessa data. Diz
ainda que gostaria que o ministro Nuno Crato pudesse visitar Macau, algo que já foi confirmado como certo pelo próprio ao JTM
FOTO RÁDIO MACAU
O
cônsul-geral de Portugal em Macau quer acabar com as filas no
consulado e reforçar o ensino do
português em Macau, mesmo ao nível
oficial. São dois grandes objectivos de
Vítor Sereno, que foi entrevistado pela
Rádio Macau, para o primeiro ano do
diplomata no território. Por outro lado, o
diplomata garantiu que a questão da Escola Portuguesa de Macau (EPM) vai ser
resolvida em breve.
“O reforço do ensino [da língua portuguesa], com a utilização de metodologias
adequadas ao nível do sistema educativo
público, para nós é essencial”, explicou
Sereno na entrevista. “Registo com grande prazer as declarações quer do Chefe
do Executivo, quer dos Secretários que
compõem este Governo, no sentido de
cada vez mais se promover um bilinguismo efectivo”, afirmou.
O cônsul recordou que a língua portuguesa é idioma oficial até 2049, para dizer
que o objectivo é fazer com que perdure
além dessa data.
Acerca do funcionamento do consulado, o diplomata considerou que “não faz
Vítor Sereno chegou a Macau no final de Março deste ano
sentido que a entrega de um passaporte
ou de um cartão de cidadão esteja a demorar um mês e meio”. “O meu sonho
é que demorasse exactamente o mesmo
tempo que se presta numa loja do cidadão – não sendo possível, vamos tentar
ir ao encontro das aspirações dos nossos compatriotas”, vincou, frisando que
Sem instruções sobre nomeação de Vitório Cardoso para o Fórum
Vítor Sereno garantiu que nunca recebeu qualquer instrução acerca da nomeação de
Vitório Cardoso para o Fórum Macau, sendo que o mesmo se passa com o embaixador
de Portugal em Pequim. “Acho, de facto, muito estranho o alvoroço que se levanta à
volta disso”, afirmou Vítor Sereno, em entrevista à Rádio Macau. O diplomata acrescenta
não ter sido informado de qualquer nomeação, independentemente do nome.
o objectivo é prestar “um melhor serviço
do que tem sido feito até agora”.
Quanto à EPM, Sereno disse que “o
dossiê vai ser resolvido em breve”, pois
arrasta-se “desde há muito tempo”. “O
ministro da Educação, com quem estive
antes de vir para Macau, tem em seu poder toda a documentação neste momento. Essa documentação passava por um
parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República e por um
parecer que, creio, já foi homologado da
própria Inspecção-Geral da Educação”,
explicou o diplomata. “Sugeri que fosse o
ministro Crato a ter um contacto directo
com o seu homólogo aqui em Macau e a
comunicar-lhe a decisão.”
Sobre uma eventual deslocação de
Nuno Crato a Macau, que o próprio Ministro confirmou anteriormente ao JTM,
Vítor Sereno disse não controlar a agenda do ministro português da Educação,
mas referiu que gostaria que tal acontecesse, “como gostaria que viessem outros
governantes”, por estas visitas serem “o
sinal da importância política que, de facto, Macau e Hong Kong têm para a classe política portuguesa e nomeadamente
para o seu Governo”.
A visita de Cesário e de Relvas a Macau
Portugal não vai enviar um representante a Macau para o 10 de Junho, mas o
secretário para as Comunidades Portuguesas, José Cesário, chega ao território três
dias depois. A visita de José Cesário foi avançada à Rádio Macau pelo cônsul-geral de
Portugal em Macau. O antigo chefe de gabinete de Miguel Relvas admite que gostaria
que o antigo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares fosse o representante
de Portugal neste 10 de Junho, referindo que chegou a estar planeada uma visita de
Relvas a Macau. “Não sei se no 10 de Junho, mas era o que estava combinado. Não
virá cá como ministro adjunto, virá cá um dia destes como meu amigo, certamente.”
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LOCAL
09
JOÃO PEIXOTO, CIRURGIÃO RESPONSÁVEL PELO ANTIGO SERVIÇO DO HOSPITAL PÚBLICO
“Macau necessita de unidade de queimados”
FOTO JTM
À margem do Fórum Médico
Internacional Sino-Luso, que
versou sobre dermatologia e
gestão de cuidados de feridas, o
JTM falou com o cirurgião João
Peixoto, um “veterano de Macau”
que foi responsável pela criação da
antiga unidade de queimados do
hospital público, onde trabalhou
entre 1981 e 1992. A inexistência
deste serviço no presente entristece
o especialista, até porque, adverte,
“os queimados são pacientes
especiais”
Sandra Lobo Pimentel
J
oão Peixoto regressou a Macau há três
anos para abraçar o projecto da Malo
Clinic na área da cirurgia plástica e estética, mas define-se como um “veterano
de Macau”, uma vez que esteve no território entre 1981 e 1992. “Fui o primeiro
cirurgião plástico ocidental em Macau”.
Foi também o especialista que criou o serviço de cirurgia plástica e reconstrutiva
do hospital público.
“Neste momento não tenho nenhuma
ligação ao hospital governamental, mas
sei que quando saí em 1992, tinha deixado criada uma unidade de queimados
básica. Foi a menina dos meus olhos, mas
para a governação a seguir à minha partida, terá sido num curto espaço de tempo
e sinto-me muito triste com essa situação”, disse ao JTM.
João Peixoto foi o primeiro cirurgião plástico ocidental em Macau
Sublinhando a existência de uma população de 600 mil habitantes, o médico
considera que “Macau necessita de uma
unidade de queimados específica”, explicando que “são pacientes muito especiais
e não podem ser tratados como qualquer
outro paciente. Têm que ter condições
para que haja melhor recuperação e possa haver uma sobrevivência maior”.
Sobre o facto de este serviço ter deixado de existir nestas condições, João
Peixoto confessa não estar em condições
de aprofundar o assunto. “A única coisa
que sei, é que não existe uma unidade
de queimados no território de Macau e é
algo que me entristece”.
Não conhece os números actuais, mas
garante que durante os 11 anos que cá
esteve, “as estatísticas demonstravam
claramente que era necessário ter uma
Pediatria com horário alargado
O Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia (UCTM) vai prolongar o horário dos
seus serviços de pediatria, estendendo o fecho das actuais 19 horas para as 21 horas,
revelou o director clínico Man Hon Ming, justificando a medida com a crescente procura.
A data de início do novo horário ainda não está definida, mas o plano aponta para Julho
ou Agosto. O mesmo responsável adiantou ainda, sem pormenorizar, que o hospital da
UCTM planeia oferecer serviços de saúde vocacionados para turistas. V.C.
unidade de queimados”. O serviço então
criado, “tinha três quartos, um bloco operatório e uma sala de tratamentos específica”, que diz ter sido feito “com base
num ratio do número de queimados que
apareciam todos os anos”.
Das condições da prestação de cuidados de saúde nos hospitais do território, confessa que nada sabe em concreto,
ouve apenas o que as pessoas comentam relativamente a uma “aparente
degradação”.“Pelo que ouço, estamos
necessitados de um novo hospital”.
Orientais ávidos pela estética
Sobre a sua especialidade, e em concreto a experiência na Malo Clinic, conta
que “a população oriental, em todas as
regiões à nossa volta, está ávida de todas
as novidades que se relacionam com a
cosmética e com a estética e o anti-envelhecimento”.
Faz uma analogia com a moda e a
forma como os orientais adoptam as novidades que vêm de fora, e aponta como
responsável a internet e o fácil acesso a informação que possibilita. “Vêem notícias
sobre botox, fillers, lasers e procedimentos cirúrgicos e a avidez é de saber. Tenho
muitos pacientes que vêm, especialmente,
para saber o que posso fazer por eles”.
No que respeita à procura da Malo
Clinic, o especialista entende que “está
no bom caminho”, não obstante “algumas situações não muito bem sucedidas
no desenvolvimento global da empresa”.
No que há plástica e estética, não há queixas, “bem pelo contrário”, e a procura
tem-se estendido bastante para além dos
residentes.
Os pacientes que procuram a clínica
e vêm de fora de Macau situam-se numa
percentagem de cerca de 40 por cento, segundo João Peixoto, mas com tendência
a aumentar. “Não diminuindo o número
da procura dos locais, com o aumento
dos pacientes de fora, esta percentagem
tende a inverter-se”.
O Fórum Médico Internacional Sino-Luso, que decorreu no fim-de-semana,
juntou especialistas de Macau, Portugal
e do Continente, para discutir e partilhar
experiências no que à dermatologia e gestão de cuidados de feridas diz respeito.
Billy Chan, assistente executivo do
reitor da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Ciência e Tecnologia
de Macau, entidade que organizou o 13º
simpósio de dois dias, falou ao JTM, sublinhando o sucesso do evento que contou com mais de 200 participantes.
“Trouxemos muitos cientistas e investigadores proeminentes e especialistas,
não só locais, mas também de Portugal e
do Continente”. No que a este ramo da
medicina diz respeito, Billy Chan considera que a RAEM “está a ficar bastante
melhor do que era”, frisando as várias
formações que são proporcionadas, “especialmente, em desenvolvimento de
técnicas e para os médicos mais novos e
recém-formados”.
O professor Yan Hong, do Instituto de
Investigação de Queimados, localizado
em Chongqing, no Continente, a maior
unidade de queimados da China em tratamento e investigação, foi um dos oradores do fórum. “Viemos comunicar as
nossas experiências e novas técnicas no
tratamento de feridas”.
Ao JTM explicou que “a China tem
muita população e temos muitos casos,
por isso, em números, somos o primeiro do mundo”. O especialista considera
“importante estabelecer sinergias e promover o nosso trabalho”.
INDICAM ESTATÍSTICAS DA SAÚDE DE 2012
Médicos mais longe da meta da OCDE
Os Serviços de Estatística e Censos deram a conhecer as estatísticas da saúde relativas ao ano de 2012. Em Macau havia 1.482 médicos, um aumento
face a 2011, no entanto, mais longe da média da OCDE, recuando aos números registados há dois anos. No que aos enfermeiros respeita, estavam
licenciados 1.751 profissionais, uma subida de nove por cento
A
s estatísticas da saúde do ano de 2012 revelados pelos Serviços de Estatística e Censos (SEC)
mostram subidas em quase todos os parâmetros.
Ainda assim, no que ao número de médicos diz respeito,
avaliando a média por cada mil habitantes, Macau ficou
mais longe da média da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Económico (OCDE) do que no ano
anterior.
Em 2012 havia no território 1.482 médicos, uma média
de 2,5 por cada mil habitantes, ou seja, menos 0,1 do que
o registado em 2011. Apesar de haver mais profissionais,
o aumento da população residente trocou as contas e fez
recuar essa média aos valores registados em 2010.
Quanto ao número enfermeiros, que anda muito longe da média registada na OCDE, ainda assim, houve melhoria. Em 2012, contavam-se 1.751 enfermeiros licenciados, o que por cada mil habitantes, resulta numa média
de 3,0. Um aumento de 0,1 face a 2011, mas ainda distante
da média da OCDE que é de 8,7 enfermeiros por cada mil
habitantes.
Dos restantes dados revelados pelos SEC, destaque
para o facto de se terem registado aumentos em quase todos os parâmetros: nos hospitais prestaram-se 1.371.000
consultas externas e 430.000 de serviços de urgência, mais
4,6 e 8,0 por cento, 110.000 atendimentos no serviço de
urgência na ilha de Taipa, equivalentes a uma subida de
46,5 por cento, 48.000 pacientes internados, mais 9,6, e a
taxa de ocupação de camas de internamento atingiu 69,6
por cento.
Nos restantes estabelecimentos de cuidados de saúde
primários, 675 no total, realizaram-se 3.404.000 consultas,
mais 1,8 por cento face a 2011, incluindo consultas de medicina tradicional chinesa e de clínica geral.
Do lado dos números que diminuíram em 2012, foram administradas menos vacinas, 254 mil, das quais,
33,1 por cento das quais contra a gripe. Também o Centro
de Transfusões de Sangue forneceu menos 2,4 por cento
de unidades de sangue, ao todo, 21.418.
S.L.P.
10 JTM | PUBLICIDADE
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Companhia de Seguros da China taiping (Macau), S.a.
Balanço eM 31 de deZeMBro de 2012
Sub-totais
aCtiVo
patacas
totais
paSSiVo e SitUação líQUida
Sub-totais
totais
- PRoVISÕES PARA RISCoS EM CuRSo
. De seguro directo
. De resseguro aceite
151,012,677.82
1,496,570.11
152,509,247.93
- PRoVISÕES PARA SINISTRoS A PAGAR
. De seguro directo
. De resseguro aceite
276,951,937.59
5,478,454.50
282,430,392.09
- paSSiVo -
14,428,450.48
- IMoBILIZAçÕES CoRPÓREAS
- IMoBILIZAçÕES fINANCEIRAS
. De Valores livres
. Valores afectos às provisões técnicas - próprios
. Depósitos de garantia
33,166,578.99
352,234,226.01
447,471.50
385,848,276.50
34,006.80
- CuSToS PLuRIENAIS
- PARTICIPAção DoS RESSEG. NAS PRoVISÕES R/RISCoS
EM CuRSo
. De seguro directo
. De resseguro aceite
48,457,674.56
432,420.59
48,890,095.15
- PARTICIPAção DoS RESSEG. NAS PRoVISÕES P/SINISTRoS
A PAGAR
. De seguro directo
. De resseguro aceite
60,946,529.18
1,092,655.15
62,039,184.33
- DEVEDoRES GERAIS
. Ressegurados
. Resseguradores
. Segurados
. Mediadores
. outros
2,234,078.42
1,101,365.30
2,292,800.00
117,464.41
1,493,312.42
- PRoVISÕES DIVERSAS
8,600,000.00
- CREDoRES GERAIS
. Ressegurados
. Resseguradores
. Segurados
. Mediadores
. Organismos oficiais
. outros
2,899.17
20,786,169.30
1,790,703.88
375,618.62
2,050,178.27
12,667,035.30
- INDEMNIZAçÕES A PAGAR
2,873,664.42
- CoMISSÕES A PAGAR
13,688,891.57
- CREDoRES PoR GARANTIAS PRESTADAS
. Segurados
7,239,020.55
9,070,865.74
- ACRÉSCIMoS E DIfERIMENToS
1,867,276.97
- Total do Passivo
53,299,167.39
- PRÉMIoS EM CoBRANçA
- ACRÉSCIMoS E DIfERIMENToS
. Juros a receber
. Outros acréscimos e diferimentos
3,961,341.25
338,881.98
- DEPÓSIToS EM INSTITuIçÕES DE CRÉDITo
. Em moeda local
- Depósitos à ordem
- Depósitos a prazo
. Em moeda externa
- Depósitos à ordem
- Depósitos a prazo
4,300,223.23
- CAPITAL SoCIAL
. Realizado
80,000,000.00
- RESERVAS
. Reserva legal
15,000,000.00
- fLuTuAção DE VALoRES
. De títulos
185,894,629.69
15,237.77
- CAIXA
508,712,943.26
- SitUação líQUida -
8,609,679.70
65,801,692.14
51,744,938.29
59,738,319.56
44,384.89
- RESuLTADoS TRANSITADoS
94,551,927.44
- RESuLTADoS LíquIDoS (antes de impostos)
72,102,080.30
- PRoV. P/o IMPoSTo CoMPLEMENTAR DE RENDIMENToS
(8,423,044.00)
- RESuLTADoS LíquIDoS (depois de impostos)
761,988,291.89
- total do activo
acidentes de
trabalho
incêndio
automóvel
- total da Situação líquida
253,275,348.63
- total do passivo e da Situação líquida
761,988,291.89
Marítimo
carga
patacas
Contas
gerais
outros ramos
de seguros
Sub-totais
totais
- proViSÕeS para riSCoS eM CUrSo
. de Seguro directo
. de resseguro aceite
40,443,349.23
688,850.27
10,054,832.18
72,538.98
6,157,868.22
22,878.87
26,990.22
0.00
6,579,749.37
49,074.13
- CoMiSSÕeS
. de Seguro directo
. de resseguro aceite
63,262,789.22
833,342.25
64,096,131.47
14,824,825.63
320,276.05
41,049,580.66
292,992.57
11,305,354.87
40,965.07
599,706.02
1,582.00
8,907,647.68
609,269.31
- deSContoS ConCedidoS aoS SeGUradoS (S.d.)
76,687,114.86
1,265,085.00
77,952,199.86
10,887,969.13
3,339,784.68
5,378,382.18
81,581.85
3,064,000.02
22,751,717.86
- enCarGoS de reSSeGUro Cedido
. de Seguro directo
- prémios cedidos
- redução das provisões para Sinistros (r.C.)
29,864,256.38
0.00
58,071,889.04
0.00
4,582,110.22
0.00
2,545,905.60
60,567.57
63,974,569.24
2,798,101.93
. de resseguro aceite
- prémios cedidos
- redução das provisões para Sinitros (r.C.)
159,038,730.48
2,858,669.50
0.00
0.00
1,258,832.02
1,640,533.79
0.00
0.00
1,243.17
2,060.00
2,140,861.85
0.00
3,400,937.04
1,642,593.79
48,258,407.76
28,827,540.64
8,446,894.07
7,009,577.33
38,059,378.63
8,727,117.95
250,185.35
0.00
14,305,903.92
570,089.84
109,320,769.73
45,134,325.76
3,687,014.24
1,893,152.74
113,036.49
3,039.86
75,238.36
5,771,481.69
- indeMniZaçÕeS BrUtaS
. de Seguro directo
- pagas
- provisões
. de resseguro aceite
- pagas
- deSpeSaS GeraiS
- enCarGoS FinanCeiroS
- totais
160,226,577.18
39,361,441.34
1,791,213.56
261,615.00
261,615.00
971,205.90
- lUCro de exploração
166,940,930.81
1,791,213.56
- aMortiZaçÕeS e reinteGraçÕeS do exerCíCio
971,205.90
71,979,377.50
71,979,377.50
114,364,853.30
606,332,410.48
177,802,489.33
133,130,608.06
74,387,092.50
3,572,861.64
103,074,505.65
158,145,333.17
2,352,589.89
105,686,228.11
1,720,143.70
82,330,017.00
244,436.06
4,243,655.12
8,125.00
91,217,359.86
3,102,356.95
441,622,593.26
7,427,651.60
- proVeitoS de reSSeGUro Cedido
. de Seguro directo
- Comissões (inc. part. nos lucros)
- indemnizações
- part. dos resseguradores nas provisões para riscos em Curso
- part. dos resseguradores nas provisões para Sinistros a pagar
2,277,457.81
7,481,215.29
18,273,777.79
3,245,696.46
23,011,005.87
7,736,718.10
6,592,544.77
4,054,231.73
0.00
375,525.73
0.00
4,053,357.60
908,154.09
122,523.02
12,702.99
0.00
12,095,033.75
12,331,958.95
4,606,874.44
0.00
38,291,651.52
28,047,941.09
29,485,899.99
11,353,285.79
. de resseguro aceite
- Comissões (inc. part. nos lucros)
- indemnizações
- part. dos resseguradores nas provisões para riscos em Curso
- part. dos resseguradores nas provisões para Sinistros a pagar
0.00
0.00
0.00
0.00
254,454.03
1,456,629.38
66,805.72
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
308.38
607.96
0.00
0.00
637,373.90
7,970.68
52,074.62
88,378.79
892,136.31
1,465,208.02
118,880.34
88,378.79
0.00
2,133,589.53
0.00
3,324,189.58
0.00
15,883.82
199,009.52
10,300.00
0.00
5,178.45
199,009.52
5,489,141.38
CrÉdito
- prÉMioS BrUtoS
. de Seguro directo
. de resseguro aceite
- redUção naS proViSÕeS p/SiniStroS a paGar
. de Seguro directo
. de resseguro aceite
- proVeitoS inorGÂniCoS
- totais
193,909,659.94
153,902,950.99
87,019,220.21
5,505,386.08
124,144,560.39
- PREJuíZo
. PRoVISão P/IMPoSTo CoMPLEMENTAR DE RENDIMENToS
. RESuLTADoS LIquIDoS (LuCRo fINAL)
total
Contabilista
Wong Kuok Iong
449,050,244.86
109,743,381.85
5,688,150.90
41,850,632.87
41,850,632.87
606,332,410.48
Patacas
resultados líquidos
- LuCRo
. DE EXPLoRAção
. DE RESuLTADoS EXTRAoRDINáRIoS Do EXERCíCIo
63,679,036.30 . RELATIVo A EXERCíCIoS ANTERIoRES
8,600,000.00
71,979,377.50
122,702.80
176,956.00
total
72,279,036.30
Director-Geral / Gerente
Jiang Yidao
A China Taiping Insurance (Macau) Company irá continuar a desenvolver os seus esforços no
sentido de explorar novos produtos e renovar modalidades de serviços, prevenir os riscos do
exercício através de análises conscienciosas, melhorar o processo de trabalhos e de controlo dos
riscos, elevar a eficiência de trabalhos, reforçar a formação profissional dos seus trabalhadores
com o intuito de aprofundar os seus conhecimentos técnicos e elevar a qualidade de serviços
a prestar aos seus clientes. Tudo isto visa, ao mesmo tempo, manter a qualidade reconhecida
dos serviços desenvolvidos por esta Companhia em Macau durante 60 anos, conseguir que o
seu prestígio se enraíze no coração dos cidadãos e obter novos êxitos no futuro.
Submetido à sua consideração o relatório e demonstrações financeiras referentes ao período de
2012, já devidamente auditadas, da Companhia de Seguros da China Taiping (Macau), S.A.,
compete ao Conselho Fiscal pronunciar se foram ou não detectadas factos que contrariassem
a legislação e os seus estatutos.
O Conselho Fiscal, baseado nos documentos acima referidos, certifica da forma apropriada
das actividades da Companhia de Seguros da China Taiping (Macau), S.A., estando as contas
de acordo com as disposições relevantes na legislação e nos seus estatutos.
face ao acima exposto, o Conselho fiscal considera aceitável o relatório e demonstrações
financeiras apresentadas pelo Conselho de Administração e já devidamente auditadas.
O Conselho Fiscal propõe aos accionistas que aprovem:
1. o parecer da sociedade de auditores, o relatório do Conselho Directivo, o balanço e
o relatório anual do Conselho de Administração;
2. Plano de distribuição de dividendos.
Órgãos sociais
Mesa da assembleia Geral
Presidente: China Taiping Insurance Group (HK) Company Limited
(Representada: Sr .Meng Zhaoyi )
Secretário: Wong Kuok Iong
Conselho de administração
Presidente: Meng Zhaoyi
Administrador:
Jiang Yidao
Administrador:
Yu Xiaodong
Conselho Fiscal
Presidente: Chen Mo
Vogal:
Leung Kwok Kit
Vogal:
Cheong Sio Tong
Accionistas com Participação Qualificada
Nome do Accionista
Nº. De Acções
China Taiping Insurance Group (HK) Company Limited
784,000
Percentagem %
98
Síntese do parecer dos auditores externos
para os accionistas da Companhia de Seguros da China taiping (Macau), S.a.
(sociedade por acções de responsabilidade limitada, registada em Macau)
Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras do Companhia de Seguros da China
Taiping (Macau) , S.A. relativas ao ano de 2012, nos termos das Normas de Auditoria e Normas
Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório datado
de 26 de Março de 2013, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações
financeiras das quais as presentes constituem um resumo.
41,850,632.87
- Conta de GanHoS e perdaS do exerCíCio de 2012 -
Tendo em atenção os lucros na exploração dos produtos de seguros e nas aplicações financeiras,
a China Taiping Insurance (Macau) Company continuou a obter, no exercício em apreço,
um bom resultado. A sua rede alargada de vendas, o prestígio que lhe é reconhecido, uma
administração bem qualificada e o controlo rigoroso dos riscos, conduziram que a entidade
“A. M. Best Co.” tenha atribuído a esta seguradora a classificação de grau “A” (Excelente),
consubstanciando uma melhoria do grau anterior “A”- (Excelente), relativamente à situação
financeira, bem como a classificação de “a”, também superior à anterior “a-“, respeitante
ao risco de crédito, para além de perspectivar um desenvolvimento estável para as duas
classificações.
O Conselho Fiscal
Aos 8 de Abril de 2013
39,361,441.34
- enCarGoS diVerSoS
Apesar das condições externas complexas e instáveis, a economia de Macau conseguiu,
Em 2012, face ao abrandamento no desenvolvimento da economia mundial, o crescimento
da economia de Macau conheceu também uma situação menos dinâmica em comparação
com o de 2011. Não obstante, devido à tomada, pelo governo da RAEM, de medidas com o
objectivo de acelerar os empreendimentos nas áreas de infra-estruturas e de habitação pública,
o valor dos prémios do sector segurador de Macau registou um aumento sensível, sendo o
montante daqueles no sector não vida de 1,651 milhões de patacas, o que corresponde a um
aumento de 35,86%, em relação ao ano transacto. Tendo presente as alterações do mercado e
as tendências do desenvolvimento da actividade do sector, simultaneamente com a finalidade
de prestar serviços financeiros e de seguros, diversificados e abrangentes, o valor dos prémios
da China Taiping Insurance (Macau) Company ascendeu, em 2012, a mais de 400 milhões de
patacas, ou seja, mais precisamente a 449 milhões de patacas, correspondendo a um aumento
de 34.57% e representando a quota de 27,21% do total dos prémios do mercado segurador não
vida, ocupando, de forma contínua, a posição líder do sector em apreço.
relatório do Conselho Fiscal
63,679,036.30
- Conta de exploração do exerCíCio de 2012 (raMoS GeraiS)
dÉBito
37,672,604.54
relatÓrio SUCinto SoBre a aCtiVidade deSenVolVida eM 2012
72,279,036.30
As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31
de Dezembro de 2012, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações no capital
próprio e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das
políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas.
As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações
financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações
financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações
financeiras auditadas.
Para a melhor compreensão da posição financeira do Companhia de Seguros da China Taiping
(Macau), S.A. e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa
auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as
demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de
auditoria.
Quin Va
Auditor de Contas
Deloitte Touche Tohmatsu - Sociedade de Auditores
Macau, aos 26 de Março de 2013
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LOCAL
• • • BREVES
OPERADORA DUPLICA RESORT ATÉ MEADOS DE 2015
Galaxy com expansão segura
Valor das casas vendidas
baixou 3% em Abril
Fátima Almeida
N
uma altura em que todas as
operadoras de jogo disputam um pedaço do COTAI,
a competição está “mais forte”, mas
também “mais saudável”, acredita
a Galaxy Macau. A empresa tem em
marcha o projecto de expansão da
segunda fase do “resort”, que deverá ficar concluído dentro dos prazos
previstos.
“Está tudo a correr como planeado para que seja possível concluir
este projecto até meados de 2015”,
disse ao JTM o vice-presidente das
relações públicas da Galaxy Macau.
“Nessa altura haverá mais dois hotéis
de alta classe e teremos basicamente o
dobro do espaço, ou seja, um milhão
de metros quadrados. Tudo será mais
amplo, incluindo a área de jogo. As
facilidades ao nível dos bancos serão
também expandidas”, especificou Bu-
Plano de expansão vai duplicar área explorada pela Galaxy no COTAI
ddy Lam.
A Galaxy Macau irá ainda ganhar
em termos de espaço após a compra
do Grand Waldo, uma aquisição recente avaliada em 3,35 mil milhões de
dólares de Hong Kong. Para já, a operadora diz ainda ser cedo para desvendar os projectos que serão desenvolvidos no hotel, cujo casino já era gerido
através da licença detida pela Galaxy.
“Adquirimos o Grand Waldo apenas há duas semanas, por isso, é muito
cedo para dizer o que estamos a planear para aquele espaço, mas claro
que temos algumas ideias e planos entusiasmantes que poderemos partilhar
mais tarde”, disse o mesmo responsável. “O Grand Waldo está localizado
junto ao Galaxy Macau e já tem casino,
hotel e restaurantes. A localização estratégica é muito boa”, acrescentou.
Buddy Lam prestou declarações
à margem da distribuição de cabazes
na Loja Social da Santa Casa da Misericórdia (ver página 7), durante a qual
a operadora entregou um cheque de
200 mil patacas para ajudar neste programa. A operar há mais de 10 anos
em Macau, a Galaxy diz que apoiar as
causas locais faz parte do seu dever.
“Actualmente temos mais de
16.000 trabalhadores e a maioria é local, por isso, somos parte de Macau e
é a nossa responsabilidade participar
em actividades como esta, que são significativas”, disse Buddy Lam. “À parte da contribuição financeira, os nossos voluntários também estão felizes
por contribuir, distribuindo os cabazes
e falando com as pessoas mais velhas”,
acrescentou.
Um farol asiático contra a crise
O preço médio por metro quadrado
das fracções autónomas destinadas à
habitação que foram declaradas para
liquidação do imposto do selo por
transmissões de bens desceu 3% para
85.465 patacas em Abril, face às 88.097
patacas contabilizadas em Março, indicam dados publicados no “site” dos
Serviços de Finanças. Em Abril realizaram-se 1.477 transmissões de bens, menos 5,87% do que no mês anterior, sendo que 1.262 envolveram imóveis em
Macau, 177 na Taipa e 38 em Coloane.
FOTO ARQUIVO
FOTO ARQUIVO
Dentro de dois anos a Galaxy
espera ter duplicado o espaço do
seu “resort” no COTAI, incluindo
a área de jogo. A operadora
reconhece que a competição
será cada vez mais feroz, mas
acredita que as rivais pisam uma
arena mais saudável
11
Menor de idade envolvida
em esquema de prostituição
Durante uma rusga efectuada na zona
do Hotel Lisboa, a Polícia de Segurança
Pública interceptou 20 mulheres, todas
oriundas do Continente chinês, alegadamente envolvidas na prostituição. Durante a verificação de documentos, os agentes
constataram que uma é menor de idade e
duas possuíam documentos falsos.
USJ regista forte subida
nas inscrições para 2013/2014
A Universidade de São José (USJ) registou um total de 556 candidaturas na primeira fase de inscrições nos vários cursos de graduação para o próximo ano
lectivo, o que representa um acréscimo
homólogo de 40%, anunciou a instituição, acrescentando que o número não
inclui candidatos internacionais que
são admitidos através de um processo
distinto e compõem cerca de um terço
do corpo discente. Citado no comunicado, o reitor da USJ, padre Peter Stilwell,
salienta que o aumento dos candidatos
“reflecte uma crescente valorização e
reconhecimento das oportunidades de
aprendizagem oferecidas pela USJ”.
Em busca de alternativas que rentabilizem os seus negócios face à crise na Europa, empresários
portugueses continuam hoje a utilizar Macau como porta de entrada para a Ásia
L
uís Américo e Marco Gomes são chefes de cozinha e
donos de vários restaurantes no norte de Portugal e
abriram este mês em Macau um espaço de sabores portugueses em parceria com um hotel do território, que poderá
ser uma rampa de lançamento para uma expansão na Ásia e
uma forma de contornarem os efeitos da crise europeia.
“O nosso Governo está a matar o sector da restauração
e isso reflecte-se com a saída de vários profissionais para o
estrangeiro (...), vemo-nos completamente atados com as
políticas actuais e nestes últimos dois anos já fecharam mais
restaurantes do que nos últimos 10”, lamentou Marco Gomes em declarações à agência Lusa.
Marco Gomes constata que “só com muita vontade, empenho e amor” o tem conseguido, pois “não se consegue
ganhar dinheiro com esta política, lutar para sobreviver é
como estamos em Portugal”.
Luís Américo mantém “semiaberto” o seu restaurante no Porto, por “haver maior dificuldade em fazer vingar
um restaurante com uma cozinha mais elaborada e com um
custo superior” e decidiu abrir há dois anos outros dois estabelecimentos para “combater este sentimento de crise”.
Perante “a elevada taxa de desemprego de Portugal e
uma carga fiscal brutal”, acrescentou, “quem quiser trabalhar de forma honesta não consegue e há que procurar alternativas”.
Por isso, esta dupla de cozinheiros começou a “olhar de
forma cada vez mais interessada para a Ásia como futuro”, tendo surgido a possibilidade de abrirem o restaurante
“Fado” em Macau, havendo planos para expandir a marca
na China, quando se assinalam 500 anos da chegada do primeiro português ao Império do Meio, em 1513.
“Como estamos a abrir um projecto em Macau, temos
recebido dezenas e dezenas de pedidos de pessoas que querem trabalhar no território, pelo facto de ser uma ‘ex-colónia’ portuguesa e uma porta de entrada privilegiada para a
Ásia face às notícias sobre a economia da região”, constatou
Luís Américo.
Ao reconhecer que “toda a gente está a tentar neste momento encontrar uma oportunidade fora do país”, este empresário observa que “Macau aparece nas primeiras opções
de muita gente ao nível da Ásia”.
Esta situação verifica-se no sector da hotelaria e restauração, já que Macau é hoje a capital mundial do jogo e tem
cerca de 100 hotéis, como noutras áreas como a arquitectura
e advocacia, as que tradicionalmente são mais procuradas
por portugueses no território.
Maria José de Freitas tem um gabinete de arquitectura
em Macau e disse que recebe “praticamente todos os dias
currículos de portugueses, tanto de recém-formados como
com quatro ou cinco anos de experiência e até de arquitectos
seniores e mesmo de engenheiros e advogados”.
“Sabemos que a situação em Portugal não está fácil, mas
aqui curiosamente nesta área também não está, porque não
há praticamente encomendas do Governo nem dos grandes
casinos, por isso quem tem a sorte de ter clientes particulares vai-se aguentando”, constatou.
Se houvesse mais projectos, defendeu, “seria benéfico
contratar profissionais de Portugal”, até porque, “havendo
muita massa crítica disponível no país, era aquela ocasião
de ouro para trazer os melhores e pensar numa cidade para
o futuro, pois esta seria uma forma de preservar a identidade de Macau, que resulta de uma confluência cultural entre
o ocidente e o oriente”.
O advogado Rui Cunha diz receber também diariamente currículos de portugueses, considerando que seria “útil”
absorver a experiência e conhecimento “valiosos” destes
profissionais, mas reconhece a necessidade de se fazer um
“balanço entre os que vêm e os que cá estão” dada a pequena dimensão do mercado, que tem menos de 600 mil habitantes.
JTM/Lusa
ATFPM premiou 80 alunos
por terem melhores notas
A Associação dos Trabalhadores da
Função Pública entregou prémios aos
80 alunos – filhos de associados - que
tiveram melhores classificações escolares no presente ano lectivo. A 13ª edição desta iniciativa integrou-se nas celebrações do Dia Mundial da Crianças,
comemorado no sábado.
Importações cresceram 12%
nos primeiros quatro meses
O valor das importações de Macau nos
primeiros quatro meses deste ano aumentou 12% para 25,56 mil milhões de patacas, face a igual período de 2012, enquanto que as vendas ao exterior subiram 17%
para 3,06 mil milhões, com as reexportações (mais 31%) a compensarem a quebra
de 17% nas exportações domésticas. O
défice da balança comercial até Abril alargou-se para 22,49 mil milhões de patacas.
12 JTM | LOCAL
Segunda-feira, 3 de Ju
“ART MACAO” ENCERROU ONTEM NO VENETIAN
Estreia correu “melhor do que o esperado
A primeira “Art Macao” encerrou ontem
com resultados bastante positivos,
de acordo com a organização. Para
o próximo ano, no Outono, já está
planeada uma nova edição, com
algumas novidades
Pedro André Santos
F
oram quatro dias dedicados à arte que
trouxeram ao território mais de mil obras
oriundas dos diversos cantos do mundo. O
Venetian recebeu a estreia do evento e os resultados foram bastante positivos, segundo a organização. “Foi a primeira vez que fizemos e, por
isso, havia algumas indecisões nas operações,
mas ficámos muito satisfeitos com os resultados. Fiquei contente porque vi as outras pessoas
todas contentes e isso é que é importante. Até
foi melhor do que o esperado”, disse ao JTM Ho
Kin U, um dos directores da feira “Art Macao”.
De acordo com o responsável, as reacções
dos intervenientes foram igualmente bastantes
positivas, especialmente tendo em conta que o
carácter inédito desta iniciativa no território.
“Foi, sem dúvida, o maior evento de arte que
aconteceu em Macau. Em termos de escala é
muito inferior ao de Hong Kong, mas a nossa
intenção não é sermos os maiores, mas sim os
mais criativos no ramo”, acrescentou.
Para o ano está prevista uma nova edição em
Macau, e contará com várias novidades. “Será
ainda maior, mas não na mesma altura, estamos
a prever para o Outono porque existem outras
feiras de arte mundiais. Queremos que seja um
evento para a cidade e não apenas limitado a
um local específico, por isso, queremos ter exposições espalhadas pela área pública. Queremos que a cidade entre no espírito daquilo que
é a Art Macao”, afirmou Ho Kin U.
A exibição pública deverá ser “de larga escala” e realizada “dois ou três meses antes do evento principal”, segundo adiantou o responsável.
Artistas locais “satisfeitos”
Da parte de Macau foram 16 os artistas com
trabalhos expostos, sendo que, ao contrário de
muitos participantes, o objectivo primordial não
era a comercialização das obras, até porque algumas não estavam à venda. A ideia principal
era dar a conhecer trabalhos locais ao resto do
mundo. “Os artistas estão satisfeitos. Tiveram
algumas entrevistas e exposição perante os me-
“Workshops” de culinária
continuam a fazer sucesso
na Casa de Macau em Portugal
A
Casa de Macau em Portugal promoveu mais um “workshop” em
Lisboa e, à semelhança de anteriores iniciativas desta natureza, voltou a contar com uma adesão superior às expectativas. Orientado
novamente por Graça Pacheco Jorge, confreira de mérito da Confraria da
Gastronomia Macaense, o “workshop” registou “grande procura por parte de sócios e não sócios”, a ponto de obrigar a Casa de Macau a recusar
cerca de seis inscrições de última hora por não dispor do espaço necessário, adiantou ao JTM a presidente da direcção, Maria de Lourdes Vaz Albino, ressalvando no entanto que os interessados poderão participar em
novo curso previsto para finais deste mês. A ementa do novo “workshop”
incluiu bolinhas de coco, tostas de queijo, quadrados de amendoim, pato
com mel e bolo de cenoura e gengibre. “Optou-se pelos ‘petiscos’ em vez
da sopa tradicional, por forma a tornar a ementa mais diversificada e ir
também ao encontro do desejo manifestado pelas pessoas interessadas”,
explicou a mesma responsável a propósito de uma iniciativa que constituiu “mais um agradável momento de convívio entre macaenses”.
dia também fora de Macau. Mais cedo ou mais
tarde, algumas galerias vão encontrar os artistas, e depois poderão falar entre eles. É uma
plataforma para mostrar trabalhos ao público
mas também a galerias internacionais”, disse
ao JTM Mok Wa
O curador d
que a feira pode
tivesse havido m
de uma forma g
unho de 2013 de 2013
JTM | LOCAL
INAUGURAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DE PEDRO BESUGO
FOTOS JTM
o”
ai Hong.
dos artistas de Macau acredita
eria ter sido ainda melhor, caso
mais tempo de preparação, mas,
global, sente-se bastante satisfei-
13
“Quero que as pessoas
se imaginem a viajar”
São 17 telas e uma instalação que até 12 de Julho vão estar em exibição, e
à venda, na Galeria IaoHin. Denominada “Invisible Gateway”, a exposição
junta um conjunto de obras todas elas produzidas em Macau
Helder Almeida
E
to com os resultados.
Mok Wai Hong adiantou ainda que estabeleceu uma ponte entre alguns artistas locais e donos de galerias que assim “podem ver também
os trabalhos e descobrir de quais gostam mais”.
ao fim de oito
meses, descansou. Desde que
o artista plástico Pedro Besugo chegou a
Macau que trabalhou
sem parar para concluir 17 telas e uma
instalação, que foram
finalmente apresentadas ao público na
sexta-feira, na Galeria
IaoHin, na Rua da Tercena.
“Foram meses de
Pedro Besugo (à esq.) na inauguração da sua exposição, na sexta-feira
muito trabalho”, disse ao JTM, explicando
que quando chegou ao território não trazia “qualquer expectativa”. Agora, tem já vários trabalhos em carteira, encomendas de várias partes do sudeste asiático.
As 17 telas da exposição, explica, têm algo em comum: “arquitectura, cartografia,
paisagens urbanas, uso de mapas, antigos ou modernos”. Tudo para que “a obra final
seja gráfica, com paisagens urbanas sem pessoas”.
Várias cidades podem estar espelhadas nas telas, e mais do que uma na
mesma pintura. Pedro Besugo explica que lhe interessa a fusão entre os cenários urbanos e nesta série agora em exposição pode-se encontrar Manila, Hong
Kong e Macau.
A utilização na tela de mapas , incluindo alguns “vintage” que Pedro Besugo vai
procurando pelas cidades por onde passa tem um objectivo: “quero que as pessoas se
imaginem a viajar, que fui o que eu fiz, andar a passar fronteiras, com um mapa onde
se vai escrevendo”. Em Macau, diz, “não é fácil achar mapas vintage”, mas tudo o que
encontrou, comprou.
A instalação consiste num andaime que foi pintado por Pedro Besugo e que contém
11.821 metros de fios de nylon de diferentes espessuras. E também esta obra remete
para a ideia de viagem: corresponde, passando para quilómetros, à distância que separa Macau e Portugal, segundo explica.
A exposição, que se chama “Invisible Gateway”, poderá ser vista diariamente até
12 de Julho. O preço das obras varia entre as 8.000 e as 60.000 patacas.
Pedro Besugo formou-se na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e
já recebeu alguns prémios pelos seus trabalhos, que expõe desde 1989.
14 JTM | PUBLICIDADE
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LOCAL
15
LIGA DE ELITE ESTÁ A DUAS JORNADAS DO FIM
Monte Carlo mantém liderança isolada
FOTO JTM
Está tudo na mesma na frente do campeonato.
Monte Carlo continua a dispor de três pontos
sobre os rivais Benfica e Ka I. Kei Lun junta-se a
Sub-23 nas descidas à II Divisão
Vítor Rebelo
E
ra um jogo muito importante para o Monte Carlo, na véspera de defrontar o Ka I, em partida que
pode (quase) definir o título no futebol de Macau
da I Divisão.
Os “canarinhos” são os únicos a depender de si próprios para serem campeões, mas têm dois jogos finais de
dificuldade, primeiro com Ka I e depois frente ao Lam
Pak.
Para já, os pupilos de Tam Iao San ultrapassaram o
Grupo Desportivo da Polícia por 2-0, golos apontados
na primeira parte, ambos pelo jovem “prata da casa” Ho
Chi Fong.
O Monte Carlo resolveu a partida em dois minutos
(16 e 18), passando depois a gerir o resultado, baixando
o ritmo nos segundos 45 minutos, período em que o futebol não foi famoso.
O clube de Firmino Mendonça parte assim com a
mesma liderança isolada para o embate de domingo às
16 horas, face ao Ka I, com quem não pode perder.
No confronto com a formação da PSP, o treinador
dos “azuis e amarelos” poupou os brasileiros Denilson
Souza e Francisco Rafael ambos tocados, e a exibição
acabou por se reflectir, uma vez que os sul-americanos
são fundamentais na manobra da equipa.
Ka I não desarma
O Ka I ainda acredita na revalidação do título e sabia
que só a vitória lhe interessava no confronto com o Lam
Pak, já afastado da luta pelo primeiro lugar nesta Liga
de Elite.
O conjunto de Josecler entrou a pressionar e tornou
fácil o que parecia mais complicado, aproveitando mui-
Liga Elite
Resultados da 16ª jornada
Kei Lun – Chau Pak Kei
Benfica – Sub 23
Ka I – Lam Pak
Polícia – Monte Carlo
Lam Ieng – Kuan Tai
Classificação
Monte Carlo
Benfica
Ka I
Lam Pak
Kuan Tai
Chau Pak Kei
Polícia
Lam Ieng
Kei Lun
Sub-23
Ka I goleou Lam Pak antes de embate decisivo com o Monte Carlo
tos deslizes defensivos do “onze” de Chan Man Kin.
Esperava-se francamente mais do Lam Pak, que prometia um jogo equilibrado, mas acabou por sucumbir
bastante cedo.
À passagem da meia hora já perdia por 4-0, resultado
que acabaria por ser o definitivo, com os actuais campeões a gerirem o resultado nos segundos quarenta e
cinco minutos.
Marcaram Alison Brito (6 minutos), Nicholas Torrão
(17), Carlos Reginaldo (22) e Mayckol Savino (32). Josecler fez entrar na segunda metade Felipe Ritchie, Pedro
Lopes e Lao Pak Kin.
Com esta vitória clara, o Ka I mostra subida de rendimento nestes últimos jogos, mas já vai ser muito complicado chegar ao título.
Coeficiente negativo
Mesmo ganhando ao Monte Carlo, o clube patrocinado pela Windsor Arch terá de o fazer por vários golos
(pelo menos cinco), uma vez que tem nesta altura a pior
diferença de golos marcados e sofridos entre o trio de
candidatos.
Campeonato da II Divisão
0-4
8-0
4-0
0-2
3-2
45 (54-7)
42 (54-4)
42 (57-11)
33 (50-19)
18 (19-29)
18 (26-47)
17 (19-27)
16 (18-50)
7 (15-64)
0 (8-59)
Próxima Jornada
Dia 07 de Junho
Polícia-Kuan Tai (19:00)
Lam Ieng-Sub 23 (19:30)
Dia 08 de Junho
Benfica-Chau Pak Kei (16:00)
Dia 09 de Junho
Ka I-Monte Carlo (16:00)
Lam Pak-Kei Lun (18:00)
Primeiro jogo disputa-se no Estádio da Universidade de
Ciência e Tecnologia e os restantes no Estádio de Macau
Resultados da 15ª Jornada
Sub 18 – Sporting
Alfândega – Pau Peng
Ponto 48 – Chuac Lun
Casa de Portugal – Chang Wai
Hong Ngai – Lai Chi
2-5
2-1
2-4
3-0*
1-2
* Chang Wai foi desqualificado após duas faltas de comparência
Classificação
Sporting
Lai Chi
Pau Peng
Alfândega
Hong Ngai
Ponto 48
Casa de Portugal
Chuac Lun
Sub 18
42 (48-8)
30 (19-14)
27 (31-23)
24 (22-22)
24 (19-21)
23 (27-22)
16 (23-24)
16 (22-31)
3 (11-37)
Próxima jornada
Dia 05 de Junho
Alfândega-Casa de Portugal (19:00)
Sporting-Hong Ngai (21:00)
Dia 06 de Junho
Lai Chi-Ponto 48 (19:00)
Pau Peng-Chuac Lun (21:00)
Folga a equipa dos Sub 18.
Jogos no Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia
Depois de uma leitura atenta dos regulamentos, com
ajuda de tradução, uma vez que apenas estão publicados em chinês na página da internet da Associação de
Futebol de Macau, JTM ficou a saber que o segundo factor de desempate é a diferença de golos, não de todo o
campeonato, mas sim entre as equipas em questão.
Esta situação beneficia o Benfica, que ganhou na segunda volta por 3-0 ao Ka I e 2-0 ao Monte Carlo, colocando o Ka I em “maus lençóis”, já que tem actualmente
um coeficiente negativo de 3-6, contra 5-3 do Benfica e
5-4 do Monte Carlo.
Só resta um triunfo bastante folgado face ao Monte
Carlo, isto se não se registarem entretanto resultados
surpresa.
Benfica imparável
O Benfica foi o primeiro dos candidatos a jogar nesta
jornada e fê-lo com uma goleada que já se esperava, perante o último classificado, Sub-23.
“Chapa 8” do conjunto de Bruno Álvares e poderiam
ter sido mais se as “águias” tivessem mantido o ritmo na
segunda parte.
O Benfica tinha ao intervalo uma vantagem de seis
tentos, marcando uma evidente superioridade sobre o
seu adversário, que apenas em escassos contra-ataques
chegou até à baliza de Juan de Castro.
Os “encarnados” continuam imparáveis nesta segunda volta e tudo aponta para que não desperdicem
pontos até ao fim, já que os seus opositores são do fundo
da tabela, Chau Pak Kei e Kei Lun.
Os pupilos de Bruno Álvares entraram na partida
praticamente a ganhar, uma vez que marcaram no primeiro minuto, pelo brasileiro Fabrício Lima.
Aos nove e dez elevaram para 3-0 (Iuri Capelo e Fabrício Lima) e a partir daí a história do jogo estava em
saber por quantos os benfiquistas iriam ganhar.
Uma primeira metade a todo o gás proporcionou
mais três golos, da autoria de Pio Júnior (17 e 28 minutos) e Lima (38).
No período complementar, Pio Júnior imitou o “hat-trick” de Fabrício e Filipe Duarte voltou a ir lá à frente
para fazer o seu quinto tento no campeonato, o que é
excelente para um defesa central.
Para este desafio, que se previa de autêntico passeio
para o Benfica (e confirmou-se), o treinador optou por
colocar de início Fabrício Lima, a subir de rendimento
de jogo para jogo, deixando no banco de suplentes Marcus Tavares, numa partida em que não pôde contar com
Bruno Martinho.
Também Iuri Capelo actuou no “onze” e fez até um
golo, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de Fabrício Lima. Jogaram ainda, na segunda
parte, Marcus, Jardel e Manuel Vidigal.
Uma última referência para a decisão dos despromovidos, com Sub-23 e Kei Lun a baixarem de divisão.
Uma dessas vagas vai ser ocupada pelo Sporting de
Macau (ganhou neste fim-de-semana aos Sub 18 por
5-2), estando ainda em aberto o outro lugar de acesso, a
ser discutido entre Lai Chi, Pau Peng, Alfândega, Hong
Ngai e Ponto 48.
16 JTM | ACTUAL
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
PORTUGAL/CHINA
VOLTA AO AICEP encara mercado chinês
como “grande prioridade”
MUND
Pequim delineou um plano para restaurar a
confiança dos consumidores no leite em pó
para bebés, que prevê ajudas à reestruturação das fábricas de produção e um reforço
dos controlos de qualidade, noticiou o “China
Daily”, citando uma decisão tomada numa
reunião presidida pelo Primeiro-Ministro, Li
Keqiang.
VIETNAME/CHINA
As autoridades vietnamitas detiveram ontem,
em Hanói, cerca de 30 manifestantes por protestos anti-China, numa altura de crescente
tensão entre os dois países devido a disputas
territoriais. As forças de segurança dispersaram cerca de uma centena de manifestantes
que se reuniram no centro da cidade.
ÍNDIA
A Índia registou um crescimento de 5% do
Produto Interno Bruto no ano financeiro
passado - que terminou em Março -, o pior
resultado da última década no país. O abrandamento deveu-se, sobretudo, à falta de confiança dos investidores, a uma forte inflação e
à fraca procura dos países ocidentais.
PORTUGAL/TIMOR-LESTE
O projecto das escolas de referência em Timor-Leste vai ser reforçado no próximo ano
lectivo com mais 18 professores, disse à Lusa
o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar de Portugal. “Vai haver mais
turmas e mais necessidades de professores
portugueses em Timor-Leste”, afirmou João
Casanova de Almeida.
ESTADOS UNIDOS
Pelo menos 14 pessoas faleceram devido aos
tornados que atingiram Oklahoma e estados
norte-americanos vizinhos. Os tornados, que
tocaram terra ao final do dia de sexta-feira
perto de Oklahoma City, também causaram
dezenas de feridos.
A geoestratégia de Portugal deve ter a China
como um dos seus alvos prioritários, defende o
presidente da AICEP
FOTO ARQUIVO
CHINA
P
ortugal representa para a China um parceiro privilegiado para a entrada em outros mercados. A abertura,
no processo das privatizações, e em outros, a capitais
chineses, permitiu que empresas chinesas alargassem o seu
âmbito de actuação a outras geografias através das empresas portuguesas, ao mesmo tempo que contribuíram para a
sua recapitalização e necessidades de financiamento”, afirmou Pedro Reis, presidente da Agência para o Investimento
e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em declarações à
agência Lusa.
No ano passado, as exportações de bens portugueses para
a Pequim ascenderam a 779 milhões de euros, mais 96,3% do
que em 2011 e nos últimos dois anos assistiu-se em Portugal
à entrada de capitais chineses nas privatizações da EDP e da
REN.
O presidente da AICEP destacou que no caso da lusofonia, em países como o Brasil, Angola e Moçambique, “as empresas portuguesas podem oferecer à China oportunidades
interessantes de acesso ao mercado, designadamente através
de parcerias”.
No universo da União Europeia, Portugal, “pelo seu posicionamento geoestratégico, acessibilidades e condições logísticas, pode crescentemente assumir um papel de plataforma
para a entrada de produtos chineses na UE”.
Para Pedro Reis, “a relação bilateral entre Portugal e China possui todos os ingredientes positivos necessários para
afirmar-se no médio e longo prazo como terreno fértil para o
desenvolvimento de negócios”.
Por isso, “a China deve, sem dúvida nenhuma, ser uma
das grandes prioridades da geoestratégia de Portugal”,
apontou.
Pedro Reis adiantou que “nos últimos dois anos, as relações económicas e comerciais com a China têm-se intensificado, tornando este país num parceiro comercial crescentemente relevante e com bastante potencial ainda por desenvolver”.
Em 2010, a China era o 21º parceiro de Portugal no
“ranking” das exportações portuguesas, em 2011 passou
para 14º lugar e, no ano passado, o peso na “radiografia do
Relações luso-chinesas são “terreno fértil” para os negócios, diz Pedro Reis
comércio internacional” português posicionou a China com
a 10ª posição.
“É um dinamismo comercial que acredito que tenha vindo
para ficar”, disse Pedro Reis, recordando que no ano passado
a AICEP realizou duas visitas à China e recebeu 10 visitas empresariais de delegações de várias províncias chinesas. “Este
ano, temos tido uma intensa agenda de trabalho dedicada à
China, incluindo Macau e Hong-Kong, com diversas iniciativas no mercado e cá em Portugal, estando prevista a participação da AICEP em diversos seminários empresariais e feiras
“, como o China-Macau Trade Investment Fair, em Xiamen,
o Encontro Empresarial entre a China e os países de língua
portuguesa em Timor-Leste e o China Overseas Investment
Summit.
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FOTO ARQUIVO
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
17
OBSERVATÓRIO
Carlos Frota*
A lógica de Qianhai
O
Famílias continuam a pedir justiça para as vítimas da repressão em Tiananmen
CHINA
“Mães de Tiananmen”
temem regresso ao maoísmo
Um grupo de mães de estudantes mortos no movimento pró-democracia de 1989 acusaram o
Presidente chinês de estar a levar o país de volta à ortodoxia maoísta. O massacre de Tiananmen
motivou também mais uma troca de farpas entre Pequim e Washington
C
onhecido como “Mães de Tiananmen”, o grupo de
famílias que exige justiça para as vítimas da repressão na Praça de Tiananmen, em Pequim, criticou
abertamente Xi Jinping, por entender que o novo Presidente da China abdicou de promover reformas políticas desde
que tomou posse, em Março. Há vários anos que aquele
movimento tem vindo a apelar à liderança chinesa para
que inicie um diálogo e reavalie os acontecimentos em torno da manifestações que foram violentamente reprimidas
a 4 de Junho de 1989.
De acordo com a agência Reuters, em carta aberta divulgada em Nova Iorque pela organização “Human Rights China”, o grupo sublinha que Xi Jinping “misturou
as coisas que eram mais impopulares e que mais necessitavam de repúdio” durante os períodos em que o país foi
governado por Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. Segundo a
carta, o alegado apego de Xi a essas épocas “fez com que
indivíduos que inicialmente depositavam esperanças em
que ele fosse realizar reformas políticas caíssem de repente
na frustração e desespero”.
As “Mães de Tiananmen” salientam ainda que não viram
Xi “reflectir ou mostrar o mínimo remorso pelos pecados cometidos durante três décadas de comunismo maoísta”. “O
que vemos, precisamente, são gigantescos passos atrás, na
direcção da ortodoxia maoísta”, acrescentou o grupo.
Ding Zilin, líder do movimento, exortou Xi a ser “suficientemente corajoso para assumir a responsabilidade histórica e pagar as dívidas deixadas pelos seus antecessores”.
Em declarações à Reuters, Ding, de 77 anos, frisou também
que a “reavaliação” e “resolução justa da questão do 4 de
Junho” terão de estar “vinculadas ao progresso na reforma
política e democratização da China”.
Questionado sobre o conteúdo da carta, o porta-voz do
Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei, contrapôs
que há muito tempo que a China já “chegou a uma clara
conclusão” sobre o 4 de Junho. Segundo Hong, o sucesso
económico das últimas duas décadas “mostra que o caminho que escolhemos serve os interesses do povo chinês”.
Libertado o último “revolucionário”
O jornal britânico “The Guardian” noticiou entretanto
que as autoridades chinesas libertaram o último prisioneiro acusado de acções “contra-revolucionárias” no episódio
que ficou conhecido como o Massacre de Tiananmen. Citando relatos de uma fundação chinesa, o “The Guardian”
precisou que Jiang Yaqun, de 73 anos, foi libertado há cerca
de seis meses.
Jiang, que sofre da doença de Alzheimer, terá deixado a
prisão de Pequim onde se encontrava sem ter casa, família
ou qualquer fonte de rendimento.
Em Julho de 1990, um tribunal de Pequim chegou a
condenar Jiang à pena de morte, mas a sentença foi reduzida por cinco vezes. Após ter sido diagnosticado com “um
ligeiro atraso mental”, o “último revolucionário” de Tiananmen foi transferido para uma prisão da capital chinesa
que tem uma ala de enfermos, em 1993.
China avisa EUA
Noutro desenvolvimento paralelo, a China instou ontem os Estados Unidos a pararem com as ingerências na
sua política interna, após um apelo de Washington a que se
faça luz sobre as manifestações na praça Tiananmen.
“Aconselhamos vivamente os norte-americanos a
acabarem com os preconceitos políticos, a avaliarem correctamente o desenvolvimento chinês, a rectificarem imediatamente os seus erros e a pararem de se ingerir nos assuntos internos chineses, para não sabotarem as relações
sino-americanas”, declarou o porta-voz do ministério dos
Negócios Estrangeiros, Hong Lei, em comunicado, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.
Esta declaração é uma resposta a um comunicado divulgado na sexta-feira pela porta-voz do departamento de
Estado norte-americano, Jennifer Psaki, em vésperas do
“24.º aniversário de uma violenta repressão das manifestações da praça Tiananmen” e em que se “incita os Estados
Unidos a comemorar a perda dramática de vidas inocentes”.
“Renovamos o nosso apelo junto do Governo chinês
para que proteja os direitos humanos universais de todos
os seus concidadãos, que liberte aqueles que foram detidos de forma totalmente injusta, encarcerados (…) ou colocados sob prisão domiciliária”, acrescentou a porta-voz
norte-americana.
Centenas ou milhares de pessoas morreram na noite de
3 para 4 de Junho de 1989, quando o Partido Comunista
chinês enviou tanques do exército para pôr fim a sete semanas de manifestações no centro de Pequim, classificados pelo regime como “revolta contra-revolucionária”.
De todos os diferendos entre a China e os Estados Unidos, as questões dos direitos humanos e da liberdade religiosa são fontes de tensão crónicas. Os Presidentes Barack
Obama e Xi Jinping devem reunir-se a 7 e 8 de Junho para
uma cimeira informal no deserto californiano, com a esperança de estabelecer relações mais próximas.
novo distrito financeiro de Qianhai,
em Shenzhen, perfila-se como uma das
promessas da China deste século, como
grande potência económica e financeira - e interpela a imaginação de quem, não sendo economista (como é o meu caso), analisa estas realidades do ponto de vista político e das relações
internacionais.
Trata-se, nem mais nem menos, da construção de um dos centros financeiros do mundo
de amanhã, uma Manhattan saída do chão, não
por golpes mágicos, mas pela visão de quem
sabe e está a extrair vantagens totais para o seu
país da vizinhança estratégica, “internacional”,
de Hong Kong. Com o objectivo de converter o
yuan em divisa internacional.
Três factos algo díspares, a este respeito,
como introdução ao tema:
1- Logo depois de ser eleito - e para bem
marcar as suas prioridades - Xi Jinping visitou
a Zona Económica Especial (Financeira) de Qianhai, em Shenzhen, onde se está a criar um autentico laboratório de serviços financeiros, destinados à internacionalização da moeda chinesa.
2- Leio que Singapura vai instalar em Pequim a terceira representação no exterior da sua
Autoridade Monetária (depois de Londres e
Nova Iorque) reconhecendo assim a importância crescente do yuan como divisa internacional.
3- A Austrália, uma grande economia regional, decidiu eleger, há já algum tempo, o yuan
como moeda de referência, nas suas transacções
com a China...
Sinais evidentes estes de que o sistema (económico) internacional está a mudar rapidamente? Este tema tem sido glosado de múltiplos
modos.
Para a minha geração e seguintes, o dólar
representou a expressão máxima da primeira
economia do mundo no pós-guerra, traduzida
muito particularmente na capacidade de reabilitar a Europa, semi-destruída pelo conflito.
Tomámos esse facto como permanente, inalterável, mas sete décadas depois a situação é totalmente diferente.
E a diferença reside “só” na deslocação para
a Ásia do centro de gravidade da economia
mundial; e com o impacto das economias emergentes (mormente a chinesa) sobre o sistema no
seu conjunto.
Uma outra realidade está pois claramente a
construir-se.
Bem sabemos que uma moeda internacional
é mais do que o somatório das vantagens (de
serem feitas por referência a si as transacções)
do comércio mundial: é um símbolo, e uma expressão de status do país a que se reporta mais
directamente, e a bandeira de uma certa ordem
do mundo.
Ora, é neste contexto mais lato que o cidadão
comum tem de perceber o seu tempo, para além
dos discursos sobre um novo “século americano” ou um “século já asiático” - como se slogans
substituíssem a análise...
E sem pretender retardar ou apressar (futilmente!) qualquer evolução, com o simples exercício de tentar perceber o tempo presente, há
algo que parece evidente:
- O nosso mundo está a mudar! Somos aliás
testemunhas de uma História que se escreve
agora, no presente!
Partir dessa constatação é - creio - um primeiro e significativo passo para que se ultrapasse um certo “autismo”... fora da Ásia.
* Ex-embaixador de Portugal nas Coreias,
ASEAN e Indonésia. Docente da Universidade de S. José.
18 JTM | ROTEIRO
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
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The Big Wedding - 00:50
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1.316
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | OPINIÃO
O renascer de uma grande
metrópole no Delta
“Até 2020, Cantão quer tornar-se numa metrópole dinâmica global, semelhante à Grande
Tóquio ou à Grande Paris. A cidade propõe-se
atingir este objectivo através de uma densa
rede ferroviária que a ligará, pelo corredor
oriental do rio das Pérolas, a Dongguan,
Shenzen e Hong Kong e, pelo corredor ocidental, a Foshan, Zhongshan, Zhuhai e Macau.
Esta rede vai colocar a cidade no centro de
uma metrópole gigante que se estende e abarca
Hong Kong e Macau.”
N
o exercício de funções públicas
e associativas e como residente local, tive a possibilidade de
acompanhar, de perto e ao longo de
três décadas e meia, o verdadeiramente espantoso desenvolvimento de todo
o vasto – e agora imensamente dinâmico – Delta do Rio das Pérolas, desde o
período imediatamente anterior à espectacular abertura económica da China, ainda nos anos 70 do século passado. Garcia Leandro era Governador de
Macau (1974-1979) e eu director do Turismo, quando fiz uma primeira visita,
classificada como semi-oficial, a Cantão,
Zhongshan, Foshan e Chongfa, correspondendo a um convite então considerado surpreendente da representação
chinesa em Macau, numa altura em que
a fronteira de Gongbei ainda estava fechada. Seguiram-se centenas de outras
deslocações.
De enormes campos agrícolas que
se estendiam muito para além do horizonte, entrecortados por rios e ribeiros
com velhas aldeias semeadas nas suas
margens e, aqui e ali, algumas cidades
meio-adormecidas, até ser a região de
maior crescimento no mundo, foi um
percurso desafiador das mais optimistas
previsões.
Foi, por isso, que o Instituto Internacional de Macau (IIM) teve, como uma
das suas primeiras edições, um trabalho
sobre o Delta (“Macau and the Pearl River Delta”, IIM, Julho de 2000), o qual,
além de profusamente ilustrado, foi
acompanhado de uma magnífica fotografia de toda a área geográfica englobada. Esta fotografia, de grande dimensão e que fez sucesso no momento do
seu lançamento, ainda hoje está exposta
em universidades, serviços e gabinetes
de entidades, sendo usada como mapa
da região (não havendo outro melhor),
uma vez que ali ficaram claramente
identificadas todas as principais localidades e zonas de expansão, estando
também nitidamente referenciados os
aeroportos de Hong Kong (Lantao) e de
Macau, inaugurados na década de 1990.
Foi em reconhecimento da necessidade de produção de mais estudos actualizados sobre o Delta que o IIM apoiou,
sem hesitação, a produção de uma série
de novos trabalhos sobre este relevante
tema, o primeiro dos quais, já referido
neste espaço do Jornal Tribuna de Macau, foi “A história notável do Delta”
(MacauLink, Dezembro de 2012), tendo
saído recentemente do prelo o número
2, com o título “Cantão: o renascer de
uma metrópole” (MacauLink, Abril de
2013). Desde a história da cidade, com
mais de dois mil anos, aos ambiciosos
planos apontados, irrecusavelmente,
para o futuro, Thomas Chan e Louise do
de 2010 está a reemergir para desafiar Xangai como a maior metrópole da Ásia.”
FALAR DE NÓS
Jorge A. H. Rangel*
Rosário, com a coordenação de Gonçalo
César de Sá, oferecem-nos uma descrição objectiva e estimulante da vida, dos
desafios e do crescimento desta grande
metrópole, que cada vez mais irá assumindo o papel de centro aglutinador de
todo o Delta.
A expansão da cidade
Quem observou mais atentamente
o impressionante desenvolvimento de
Xangai na viragem do século, poderá não ter dado conta das profundas
transformações operadas também em
Cantão. Este livro é fundamental para
se compreender a trajectória seguida:
“A expansão de Cantão não pára nos
limites da cidade e houve já tentativas de
integrar as nove cidades do Delta do Rio
das Pérolas. Em 2008, o ‘Plano de Reforma e Desenvolvimento da Região do Delta do Rio das Pérolas’ refere-se ao projecto de integração com a região dividida
em três: o centro liderado por Cantão, o
este por Shenzhen e o oeste por Zhuhai.
Cada uma destas subregiões irá integrar
três cidades nos anos vindouros e, em
2020, será alcançada a integração regional. Este processo, liderado por Cantão
que começou a fundir-se com Foshan em
2011, propõe-se implementar as políticas
designadas de ‘mesma cidade’, eliminar
as diferenças políticas e institucionais
e melhorar a acessibilidade de transportes. Foshan é a terceira maior cidade na
região do Delta do Rio das Pérolas. As
franjas urbanas das duas cidades já se
sobrepuseram.
Ao fundir-se com Foshan, Cantão desenvolveu-se e igualou Hong Kong em termos de PIB e as suas vendas a retalho foram
equivalentes ao total de Hong Kong e Shenzhen. As suas funções de cidade central dentro da região serão bastante mais realçadas.
Com Foshan dominada pelas aglomerações
industriais de pequenas e médias empresas
que produzem sobretudo para o mercado doméstico, a fusão vai criar uma forte sinergia
em termos de desenvolvimento industrial.
Espera-se que também vá acelerar a disseminação das pequenas e médias empresas de
Cantão para Foshan, deixando mais funções
de venda por grosso em mercados tradicionais no centro da cidade.
A fusão das cidades de Cantão e
Foshan irá fortalecer ainda mais o esforço
da metrópole de Cantão. Vai dar início a
um processo de urbanização a partir das
recém-construídas redes ferroviárias, locais e regionais, prolongando-se a Dongguan e a Zhongshan, as duas cidades
mais próximas. Zhuhai é demasiado fraca
para conseguir resistir à atracção de Cantão. Dongguan e Shenzhen estão em crise
relativamente à sua transformação industrial. A maior cidade da região, Humen,
será um grande eixo das redes ferroviárias
e será seguramente puxada para Cantão e
não para Shenzhen (...)
Com uma região do Delta do Rio das Pérolas mais próspera, incluindo Hong Kong e
Macau, a zona da grande Cantão da década
Um plano para o futuro
Vale a pena, tendo em consideração
esses pressupostos, conhecer o plano director de Cantão para os próximos dez
anos. Este trecho do livro sintetiza bem
os objectivos propostos:
“Em 2012, Cantão aprovou um plano director para a cidade a ser aplicado entre 2011
e 2020. Tem por objectivo tornar Cantão
numa cidade com baixos níveis de carbono
e com uma boa qualidade de vida e, também,
fortalecer a sua competitividade em todos os
sectores. Prevê-se que a população aumente
para 18 milhões, acrescida de mais dois milhões. Cantão irá continuar a sua expansão
do início do ano 2000 e desenvolver um centro metropolitano no distrito da antiga cidade, dois novos centros urbanos em Nansha
e na periferia oriental e três subcentros nas
cidades suburbanas de Huadu, Chongfa e
Zhengchen. Toda a cidade irá ter um padrão
unificado de serviços divididos pelas áreas
urbanas e rurais, que irá tornar-se numa
enorme área metropolitana. Infelizmente, as
autoridades têm-se concentrado em indústrias dentro dos limites da cidade, com a região metropolitana especializada em serviços
e rodeada por três aglomerações industriais
no norte, este e sul. O plano director procura
criar uma metrópole multicêntrica com diferentes funções urbanas e económicas espalhadas por diferentes localidades.
Em comparação com planeamentos anteriores, o novo plano director dá maior ênfase
à conservação cultural e ecológica. No centro
da cidade, uma área de 20,39 km2 é classificada como cidade histórica com controlo
rigoroso e protecção de edifícios históricos e
ruas. A cidade também vai construir amplas
zonas verdes nas zonas urbanas e suburbanas e existem políticas para renovar os canais da região do delta. Representa uma mudança radical no planeamento e filosofia de
desenvolvimento a qual, durante as últimas
décadas de industrialização, provocou uma
forte poluição, sobretudo a nível local nas zonas de processamento industrial orientadas
para a exportação. (...)
Uma leitura atenta à linha de conduta e
debate da abordagem científica do governo
chinês para o desenvolvimento revela várias
semelhanças e imitação de práticas e políticas
da União Europeia e de outros países. Este
é um pensamento pós-moderno e contrasta
de forma acentuada com a industrialização
moderna empreendida pelas autoridades da
cidade na viragem do século. Irão existir conflitos entre estes dois tipos de pensamento,
como já se verificou em Xangai, motivados
pela execução do plano director, pela ênfase
na preservação e conservação cultural e ecológica e pela concentração de serviços no centro da cidade de Cantão, proporcionada pelos
três níveis da rede ferroviária.
Este plano aponta, inequivocamente,
para uma crescente liderança de Cantão
como a grande metrópole do Delta, cabendo às outras cidades funções de complementaridade num ambicioso projecto de desenvolvimento integrado, com
prioridade colocada não apenas no comércio e na economia, mas também na
qualidade de vida e na sustentabilidade, abrangendo também, a prazo, Hong
Kong e Macau.
* Presidente do Instituto Internacional de Macau.
Escreve neste espaço às 2.as feiras.
19
• • • HÁ 20 ANOS
In “Jornal de Macau” e “Tribuna de Macau”
03/06/1993
JOSÉ HERMANO SARAIVA NAS
CELEBRAÇÕES DO 10 DE JUNHO
José Hermano Saraiva, Lagoa Henriques, Carlos do Carmo, Vitorino e
Janita Salomé são algumas das personalidades do meio cultural e artístico que participarão em Macau nas
comemorações do dia de Portugal,
segundo a comissão organizadora.
O programa das comemorações decorrerá de 7 de Junho a 14 de Junho,
mas as autoridades locais desconhecem ainda quem representará o presidente da República e o Governo
nas cerimónias oficiais em Macau.
De acordo com o secretário-adjunto
Salavessa da Costa, que preside à
comissão organizadora, “aguarda-se
ainda a indicação do representante
da República nas comemorações”.
O programa inicia-se no dia 7 com
um concerto pela Orquestra Chinesa
de Macau, a que se seguirá, no dia
8 a inauguração da exposição bibliográfica “Portugal no Japão” e da exposição de armaria portuguesa. No
dia 9 será organizada uma exposição
de arte sacra de Macau, decorrendo
à noite um sarau musical no fórum,
que contará com a participação de
Carlos do Carmo e do grupo “Lua
extravagante”, formado por Vitorino, Carlos Salomé, Filipa Pais e
João Afonso. As cerimónias oficiais
do dia de Portugal, de Camões e
das Comunidades Portuguesas terão início com o içar da bandeira
no palácio do governo, seguindo-se
a tradicional romagem à gruta de
Camões. Ao fim da manhã decorrerá no palácio do governo a cerimónia de imposição de condecorações
a 19 personalidades e entidades de
Macau, destacando-se a medalha de
valor do território que Rocha Vieira
decidiu atribuir ao padre Lancelote
Rodrigues pelo seu trabalho humanitário, designadamente, junto dos
refugiados. O palácio será ainda
cenário, ao fim da tarde do dia 10,
para a tradicional recepção que o
governador oferece à comunidade
de Macau para comemorar o Dia de
Portugal.
BCP VAI ABRIR
SUCURSAL EM MACAU
O Banco Comercial Português vai
abrir a sucursal de Macau por volta
de Outubro, apurou a agência Lusa
junto de uma fonte da instituição. O
director-geral da sucursal vai ser o
gestor Rui Lopes, quadro do banco
que já trabalhou em Nova Iorque,
estando marcado para o próximo dia
11 a apresentação de cumprimentos
às autoridades de Macau. Segundo a
agência Lusa apurou, o banco vai já
iniciar a sua actividade em Macau,
embora a “sucursal só deva abrir em
Outubro ou Novembro”. A autorização de abertura da sucursal off-shore de BCP em Macau foi publicada
na segunda-feira.
Dito
“Se eu mandasse, passavam [Lau Si
Io e Wong Wan] a andar de machimbombo. De casa para o trabalho e do
trabalho para casa. Sem carros pretos
nem motoristas fardados de branco”
Isabel Castro in “Hoje Macau”
20 JTM | PUBLICIDADE
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | DESPORTO
21
LIGA ESPANHOLA
Mourinho despediu-se entre aplausos e assobios
O encontro do Real Madrid com o Osasuna foi
um jogo de emoções fortes. O técnico português
foi assobiado por muito do público presente no
Santiago Bernabéu, assim que se anunciou o seu
nome, antes do apito inicial, mas também foi
aplaudido naquela que foi a sua última partida no
comando do clube “merengue”
J
osé Mourinho ainda não
estava no banco e já se podia sentir alguma ansiedade nas bancadas. Até então,
esteve no túnel de acesso com
os jogadores não convocados.
Mas, assim que viram o treinador chegar, dezenas de adeptos rodearam-no, chegando
a invadir parte do terreno de
jogo, e tendo mesmo obrigado
o árbitro a interromper o jogo.
Mas também houve apoio
ao “Special One”. Os ultras,
a claque do Real Madrid, levaram cartazes com a foto do
treinador e outros que diziam
“Obrigado”. Ao longo do
jogo, foram também entoando cânticos de apoio, mas a
resposta, em apupos e assobios não tardava.
O jogo terminou vitória do
Real Madrid por 4-2 e Essien,
marcador do segundo golo
dos merengues, fez questão
de comemorar com o técnico, com quem tem uma relação próxima, dedicando-lhe
o tento. Essien é jogador do
Chelsea, tendo estado emprestado aos merengues, mas
já frisou que gostaria de voltar aos blues acompanhado
por aquele que diz ser o seu
pai no futebol: José Mourinho. Ozil marcou depois e fez
questão também de festejar
com Mourinho.
Antes de Essien, o primeiro golo do jogo, marcado por
Higuain, permitiu um novo
recorde. José Mourinho é o
primeiro treinador da história da liga espanhola a alcançar 100 golos em três épocas
distintas.
Depois de três épocas ao
serviço dos “merengues”, o
técnico português deixa o
clube com um ambiente muito pouco favorável, no final
de uma época cheia de casos
e na qual apenas conquistou
a Supertaça.
A Sky Sports avançou entretanto que Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, lhe confirmou que José
Mourinho está de regresso ao
Chelsea. A Premier League,
recorde-se, avançou essa informação no sábado, mas depois retirou a notícia, dizendo
que foi um engano.
Armada portuguesa ao fundo
Jornada negra para o contingente português na Liga
espanhola. O Deportivo da
Corunha, com Zé Castro, Pizzi, Sílvio, Bruno Gama, Nélson Oliveira e Diogo Salomão
em campo, perdeu em casa
com a Real Sociedad (0-1),
com um golo de Griezmann
logo aos 22 minutos e desperdiçou uma situação aparentemente vantajosa, acabando
por descer de divisão perante
os seus adeptos.
Igual destino para o Sara-
José Mourinho fez o seu último jogo ao serviço do Real Madrid
goça, com Postiga a lutar os
90 minutos e a marcar o seu
14º golo nesta edição da Liga,
mas a não conseguir evitar a
despromoção. A derrota com
o At. Madrid, que teve Tiago
a titular, começou a desenhar-se aos 84 minutos, com Turan a abrir o marcador. Postiga ainda fez o empate, numa
recarga, aos 89 minutos, mas
nos descontos, o Saragoça,
que precisava da vitória a
todo o custo, acabou por permitir mais dois golos a Diego
Costa, que fixou o marcador
em 1-3, deixando a equipa de
Postiga no último lugar da
Liga.
Como não há duas sem
três, o Maiorca, que teve Nunes no banco, também viu
confirmada a descida de divisão, apesar da boa vitória
(4-2) sobre um já tranquilo
Valladolid. A equipa insular
fez o que lhe competia, mas
não foi suficiente, porque o
Celta de Vigo impôs-se nos
Balaídos ao Espanhol (1-0),
que teve Simão como titular.
Na outra decisão que estava ainda por conhecer-se,
a vitória da Real Sociedad na
Corunha, conjugada com a
polémica derrota do Valencia, e Sevilha, ditasse uma
troca de posições na última
vaga de acesso à Liga dos
Canpeões. A equipa de Ricardo Costa e João Pereira até
começou bem, com Banega a
marcar primeiro em Sevilha,
mas consentiu a reviravolta
antes do intervalo, num jogo
com várias decisões polémicas do árbitro Clos Gomez e
com Negredo, autor de um
“poker”, em estado de graça.
João Pereira ainda assistiu Soldado para o 2-2, mas
os dois golos de Negredo na
etapa complementar foram
fatais para os homens de Eernesto Valverde.
“Barça” faz história
O Barcelona despediu-se
da temporada 2012/13 com
uma goleada sobre o Málaga,
por 4-1, que permitiu terminar o campeonato espanhol
com 100 pontos e igualar o recorde do Real Madrid, na 38ª
e última jornada.
Em Camp Nou, David Villa (dois minutos), Fabregas
(13), Montoya (15) e Iniesta
(52) marcaram os golos do catalães, que não contaram com
o lesionado Messi nem com
o guarda-redes Valdes, que
ficou no banco de suplentes
depois de ter confirmado na
última semana que vai abandonar o clube no final do seu
contrato.
P.A.S.
22 JTM | LAZER
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Philip Seymour Hoffman
em reabilitação
após consumir heroína
Philip Seymour Hoffman internou-se voluntariamente
numa clínica de reabilitação após ter recomeçado a
consumir heroína. Aos 45 anos, o actor sofreu uma recaída
no consumo de heroína e decidiu internar-se para dez dias
de tratamento. Segundo Seymour Hoffman, o consumo da
droga durou apenas uma semana, até que o actor decidiu
dar entrada na clínica.
Demi Moore assina
acordo de confidencialidade
Pamela
Anderson
continua uma
“bomba”
Pamela Anderson
protagonizou uma sessão
escaldante para o número de
Junho da edição brasileira da
revista Vogue. A recordista
de capas da Playboy (12)
posou para a objectiva de
Mario Testino num editorial
ousado, e mostrou que
continua em grande forma
aos 45 anos.
Demi Moore concordou em assinar um termo de
confidencialidade como parte do processo de divórcio
de Ashton Kutcher, para assim ter acesso aos registos
financeiros da empresa A-Grade Investments, fundada pelo
ex-marido. Segundo o site TMZ, o divórcio ainda não foi
finalizado devido ao facto de o casal ainda discutir questões
financeiras, e por Demi querer uma parte da empresa de
Ashton. O divórcio de Demi e Ashton arrasta-se desde
Dezembro de 2012.
Irina estreia-se no
cinema ao lado de
Dwayne Johnson
Irina Shayk, namorada de Cristiano Ronaldo,
vai estrear-se no mundo da sétima arte
em “Hercules: The Thracian Wars”, onde
contracenará com Dwayne “The Rock” Johnson.
A película, realizada por Brett Ratner, conta
no elenco com John Hurt, Ingrid Bolsø Berdal,
Joseph Fiennes e Ian McShane, entre outros. O
filme, que se encontra ainda em fase de pré-produção, deverá estrear no próximo ano.
Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
JTM | LAZER
Mariana Cárcomo Lobo
E
stou em Macau há cerca de um
mês e, embora já tenha estado
cá anteriormente e conhecido
parte, aproveito os meus tempos
livres para explorar ainda mais a cidade. Gosto de sair por aí, andar pelas humildes ruas
de Macau, sentir os fortes e diferentes odores que se
fazem sentir, observar os patrimónios mundiais, muitos
deles situados nessas mesmas ruas. Entrar nas lojinhas
e ver tudo de diferente que têm de Portugal ou no mercado, e perceber que o lema dos locais é vender o ali-
Tempos livres
mento fresco, e, no caso dos animais, nada mais fresco
do que estar vivo. Ao mesmo tempo consigo-me sentir
em casa ao ver as ruas com nomes portugueses, e até
com nomes de ruas do Porto, que é a minha cidade. O
bairro português é um local onde Portugal é caracterizado, até pela “calçada portuguesa”, e onde costumam
festejar o São João, uma das festas dos Santos Populares. Gosto de ver o contraste das vistas, que muitas
vezes Macau nos proporciona. Numa rua pouco movimentada, sem luxos, sem trânsito, sem grande poluição
de ruído, ao fundo aparece um enorme edifício onde o
Gente Gira
Sarau assinalou 15 anos
da Escola Portuguesa
Foi num pavilhão repleto de gente, aplausos e sorrisos que a Escola Portuguesa de Macau
comemorou o 15º aniversário. O sarau de sexta-feira estendeu-se por duas horas, com
dezenas de actuações. Numa cerimónia apresentada em português e em mandarim,
o Portugal de outrora encontrou-se com o Portugal contemporâneo. Houve ainda
pedaços de Brasil, África ou China. Tudo isto em dança, ginástica, música e representação.
Capoeira brasileira, folclore português ou dança chinesa foram alguns dos elementos
presentes no espectáculo, que contou com vários momentos de humor. Rap e fado
também se encontraram pela voz de quatro alunos da escola, acompanhados por um
corpo de bailado. A declamação de poesia em mandarim, português e inglês foi outro
dos momentos a fazer ecoar aplausos no ginásio da escola. Na primeira fila da cerimónia
estiveram figuras ilustres, como o coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior,
Sou Chio Fai, ou o cônsul geral de Portugal em Macau, Vítor Sereno. O final do sarau ficou
marcado pela interpretação da peça de teatro “O Bojador” de Sophia de Mello Breyner
Andresen pelo grupo de teatro da Escola Portuguesa.
R.C.
23
luxo impera, centenas de pessoas jogam no casino, e o
barulho das máquinas, pessoas e espectáculos absorve
todo o silêncio. Gosto de aproveitar este sol e calor que
se faz sentir, num sítio diferente, sem prédios enormes,
trânsito e barulho. Não existe melhor sítio para isto do
que a ilha de Coloane. Uma “aldeiazinha” simpática e
acolhedora, onde olho em volta e vejo o verde das árvores. Olho para cima e observo o azul do céu, e ainda
sinto uma aragem mais fresca que não sinto na cidade.
Óptima para se passar um fim de semana entre amigos
e pessoas que nos fazem sentir que estamos em casa.
Coordenação:
Pedro André Santos
Envie as suas fotos para: [email protected]
24ÚLTIMA
Estudo ambiental sobre projecto em Coloane
considerado insuficiente pela DSPA
ENPASSANT
Terra de
acolhimento
De Portugal, recebi uma
carta, assinada com
nome que desconheço
mas invocando ter sido
residente em Macau, a
fazer denúncias sobre um
técnico português que
recentemente veio para
Macau, “para... mexer na
política macaense”.
Acusa-o de diversos “crimes” em Portugal como
político, dirigente partidário, autarca e profissional,
dando como referência
comentários anónimos
nos jornais ou em sites
da internet. Por exemplo
é acusado de, enquanto
autarca, “ter nomeado 32
assessores da sua secção
partidária”. Em relação
a Macau, adianta que já
cometeu o magno “crime”
de “arranjar emprego”
para a mulher.
Conheço a pessoa em
questão, da sua longa
anterior passagem, aliás,
bastante apagada. Por
isso, acompanhei questões
político-partidárias e até
profissionais, em que se
envolveu em Portugal, e
pelas quais pagou “com
língua de palmo”, como
se costuma dizer.
O que tiver que pagar, irá
pagar, não se tenha dúvida. Para os Portugueses,
Macau é terra de acolhimento, não de refúgio.
O que eu lhe recomendo, e
a todos nós (a mim incluído) é que tenha juízo.
A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) já entregou à Direcção dos
Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) um parecer sobre o relatório de impacto ambiental do projecto residencial gizado para um terreno perto da
Rua de Entre-Campos, onde se encontra uma antiga casamata portuguesa, tendo o
organismo concluído que o estudo apresentado pelo promotor imobiliário é insuficiente. A revelação foi feita ontem pelo director da DSPA, Cheong Sio Kei, que embora sem avançar muitos detalhes explicou aos jornalistas que a avaliação ambiental
deve ter um “âmbito mais alargado” do que os parâmetros apresentados. Segundo
o mesmo responsável, a DSPA considera que a análise do impacto ambiental deve
abarcar uma área até 500 metros em redor do projecto no que diz respeito à qualidade do ar e de 300 metros ao nível da avaliação do ruído. Recorde-se que o terreno em
questão é propriedade da “Win Loyal Development”, companhia ligada ao empresário Sio Tak Hong. Noutro âmbito, o director da DSPA indicou que já estão em curso os preparativos do concurso público para a operação
da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Coloane. À margem de um evento comemorativo do Dia Mundial do Ambiente,
Cheong Sio Kei aproveitou para assegurar que a DSPA tem fiscalizado com rigor os trabalhos das ETAR’s.
V.C.
Recuperados três edifícios da fábrica de panchões
O projecto de restauro da antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa, já permitiu recuperar três edifícios, revelou o presidente do Instituto Cultural (IC), admitindo contudo que
as autoridades não têm um calendário concreto para a concretização do plano de intervenção naquele espaço. Segundo Ung Vai Meng, a questão da propriedade da fábrica não é
uma matéria unilateral, pelo que “ainda é preciso cooperação” entre as partes envolvidas
no processo. Ung Vai Meng reagia assim ao facto do presidente da Associação de História
de Macau, Chan Su Weng, ter apelado ao Governo para reaver ou adquirir o mais rapidamente possível os terrenos ocupados pela antiga fábrica, com vista à construção de um
parque temático sobre a história da indústria dos panchões. Um estudo divulgado em Dezembro pelo Grupo de Reordenamento dos Bairros Antigos e Associação dos Engenheiros
de Macau indicou que dos 34 edifícios do complexo industrial, 18 estavam gravemente danificados, sobretudo devido à formiga branca.V.C.
Sismo causou dois mortos em Taiwan
Um terramoto de 6,3 graus de magnitude abalou ontem a ilha de Taiwan, com especial
incidência na capital, Taipé, deixando pelo menos dois mortos, um desaparecido e 21
feridos, três deles em estado grave, segundo o último balanço conhecido até ao fecho
desta edição. O forte sismo, que fez muitas pessoas saírem às ruas, também foi sentido
em Hong Kong, a mais de 700 quilómetros, e sinalizado pelos Serviços Meteorológicos
e Geofísicos de Macau. O sismo ocorreu cerca das 13:45, 32 quilómetros a leste da região de Nantou, no centro, e a uma profundidade de 10 quilómetros, indicou o Centro
Sismológico de Taiwan. Garantindo que está a acompanhar a situação, o Gabinete de
Gestão de Crises do Turismo de Macau indicou que, de acordo com as informações
recolhidas, o sismo não afectou estudantes ou residentes de Macau.
Pobreza afecta um quarto dos chineses com mais de 45 anos
Um estudo demográfico concluiu que um quarto dos cidadãos do Continente chinês com mais de 45 anos de idade vive abaixo do nível da
pobreza, enquanto que três em cada quatro enfrentam casos de saúde debilitada. Divulgado pelo jornal “South China Morning Post”, o estudo
envolveu entrevistas a 17.708 pessoas de 45 ou mais anos - a maioria supera os 60 - de 28 províncias do país. Segundo a pesquisa, 38% dos
inquiridos têm dificuldades para realizar tarefas diárias sozinhos e 54% sofrem de hipertensão, sendo que 40% não tinham diagnosticado a
doença antes dos exames médicos realizados durante o estudo. “O sistema de saúde necessita de melhor trabalho para fornecer às pessoas um
apoio suficiente, que diagnostique o risco de doenças crónicas e melhore a sua qualidade de vida”, frisou Albert Park, professor da Universidade de Hong Kong e um dos autores da pesquisa. Os académicos alertaram ainda para a situação das mulheres, notando que mais de 48%
apresentam sintomas depressivos - como perturbação do sonho ou sentimento de medo - contra 32% dos homens.
Protestos continuam a agitar a Turquia
Os violentos protestos contra o Governo turco foram
ontem diminuindo progressivamente, mas a situação
continuava tensa, especialmente em Ancara. Segundo a
agência EFE, a polícia voltou a reprimir com gás lacrimogéneo e canhões de água milhares de manifestantes que
tentavam aproximar-se da sede do Governo em Ancara.
Já outras 10.000 pessoas permaneciam de forma pacífica
na praça Kizilay, em Ancara. A força usada ontem pela
polícia turca foi menor do que a aplicada na capital no sábado, quando dezenas de estudantes ficaram feridos, alguns com gravidade. Em Istambul a situação também parecia
mais calma, com milhares de activistas reunidos na praça Taksim e no parque Gezi, cujo
plano de demolição motivou a onda de protestos.
Chaleira que faz lembrar Hitler
provoca polémica na Califórnia
Um simples recipiente de aço inoxidável para
aquecer água está a causar polémica nos EUA,
depois de alguns utilizadores de redes sociais
terem indicado que lembrava Adolf Hitler. Segundo a agência AFP, a chaleira desenhada por
Michael Graves para a loja JC Penney esgotou
“online” mas ainda está disponível nas lojas,
embora os anúncios de venda tinham sido retirados das ruas após vários protestos. A Liga Anti-Difamação (ADL), que luta contra o anti-semitismo acabou ainda
assim por colocar alguma água na fervura: “Acreditamos na palavra da JC Penney de que qualquer semelhança com o ditador nazi foi totalmente involuntária”.
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José Rocha Dinis
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013 • Fecho da Edição • 01:30 horas
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Nova creche planeada pela Santa Casa