4. ACÇÃO SOCIAL Neste capítulo pretende-se apresentar a rede de serviços e equipamentos sociais disponíveis no Concelho de Vila Franca de Xira resultante da articulação entre os serviços da administração central, a autarquia e as organizações da sociedade civil. Para a avaliação dos recursos existentes a informação inicialmente foi recolhida ao nível das Freguesias, através de um questionário aplicado às entidades parceiras das Comissões Sociais de Freguesia, visando estabelecer uma relação entre os serviços de apoio existentes e as necessidades da população, vistas por esses parceiros privilegiados. Do número total de instituições oficiais ou particulares identificadas nas Comissões Sociais de Freguesia –172, responderam ao questionário 108 instituições. Contudo, podese afirmar que ao nível das Instituições de Apoio à Infância, Pessoas com Deficiência e Idosos foi possível reunir uma amostra com grau de fiabilidade suficiente para se poder prosseguir para a avaliação diagnostica. Também foi efectuada pesquisa documental para complemento da informação recolhida através dos questionários. Esta área temática tem sido objecto de reflexão e tem sofrido ao longo dos anos imensas alterações nos diferentes níveis de intervenção, ou seja, as mudanças produzidas na metodologia de intervenção têm sido resultado da dialéctica entre a realidade social / problemas sociais e as políticas sociais para a área da Acção Social, num enquadramento macro social. Para efeitos de diagnóstico social e perspectivas de intervenção importou congregar todos os conhecimentos sistematizados na abordagem das diferentes problemáticas pelos diferentes agentes sociais ao nível local, nacional e algumas vezes também europeu. Nesta área temática existe um saber profissional extremamente útil que só é perceptível quando os técnicos produzem relatórios de acção, actualmente a produção de relatórios de avaliação insere-se nas preocupações dos diferentes intervenientes sociais, públicos e privados. Chegou agora o momento de produzir um documento que contemple este conhecimento colectivo que até agora tem sido sectorial. Assim sendo, neste capítulo procura-se abordar a política social da acção social ao nível transnacional, especificando as políticas nacionais e locais. Por outro lado, identificam-se todos os equipamentos e serviços desta área temática por tipo de população que abrangem. 134 Todos os grupos de respostas identificados foram alvo de uma avaliação operativa que pretende em última análise formalizar algumas linhas orientadoras que suportem a planificação das políticas, medidas e metodologias na área da acção social. 4.1. Enquadramento da Política de Acção Social O artigo 63.º da Constituição da República Portuguesa estabelece que compete ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um Sistema de Segurança Social unificado, descentralizado e participado com vista à protecção social dos cidadãos. Assim, o Sistema de Segurança Social, instituído pela Lei de Bases da Segurança Social: - protege os trabalhadores e as suas famílias nas situações de falta ou diminuição de capacidade para o trabalho, de desemprego involuntário e de morte; - garante a compensação de encargos familiares; - apoia as pessoas em situação de falta ou diminuição de meios de subsistência. A protecção social é realizada através dos regimes de segurança social e da acção social. Os regimes de segurança social são de dois tipos: - O Regime Geral (contributivo) que se desdobra em: - Regime Geral de Segurança Social dos Trabalhadores por Conta de Outrem; - Regime Geral de Segurança Social dos Trabalhadores Independentes; - Regime do Seguro Social Voluntário (facultativo). - - O Regime Não Contributivo que protege as pessoas não abrangidas pelo Regime Geral. O desenvolvimento social de um Estado, encarado como a promoção do bem-estar social dos seus cidadãos constitui um objectivo em constante adaptação. 135 Nos últimos 50 anos, o Estado-Providência tem sido a forma de intervenção social dominante dos Estados. Em 1974 Portugal era o país europeu com as despesas de protecção social mais baixas. Após a revolução, as despesas sociais aumentaram. Em 1994, as despesas de protecção social eram as segundas mais baixas da Europa, com a Grécia em último lugar. Em 1994 as despesas de protecção social em Portugal eram 19,5% do PIB enquanto que a média europeia era 28,6%, com a Dinamarca com o nível mais elevado de despesas de protecção social em percentagem do PIB (33,7%). Em termos concretos, o que está em jogo são os desafios da globalidade que confrontam experiências nacionais crescentemente interpenetradas por experiências transnacionais. A crise do Estado-Providência induziu a uma profunda reflexão política a partir dos anos 90, tendo-se iniciado o processo de uma reforma global do sistema de segurança social, a nível europeu. Em Portugal são implementadas mudanças como: - os benefícios sociais passam a ser financiados pelos impostos; - lançamento do programa de Rendimento Mínimo Garantido; - variação das prestações familiares de acordo com os rendimentos familiares; - promoção do emprego; - nova aplicação prática do conceito bem-estar social, envolvendo o sector privado não lucrativo na provisão do bem estar, conforme é ilustrado no caso dos serviços aos idosos e crianças através de lares de terceira idade, creches, etc. e, no caso do Rendimento Mínimo Garantido, os programas sociais que lhe estão inerentes. A continuidade do modelo social europeu depende de algumas condições, como por exemplo: - reestruturação económica e uso de fundos estruturais para a obtenção de ganhos de produtividade; - ampla reforma fiscal com vista a aumentar os recursos estatais (destinados ao sistema de Segurança Social). 136 Os direitos sociais universais consagram o direito a uma vida digna, à plena participação na sociedade e a um conjunto de medidas capazes de suportar o direito à qualidade de vida (políticas sociais de emprego, saúde ou educação), como, o direito à habitação, à protecção na velhice, ou em situação de invalidez, deficiência, entre outros. Ao nível local, ou seja, no Concelho de Vila Franca de Xira, os serviços e equipamentos disponíveis que têm como objectivo último promover um conjunto de respostas que permitam apoiar os cidadãos (indivíduos, famílias, grupos e comunidades), nas suas diferentes realidades sociais, são apoiados pelo Centro Regional de Segurança Social, actualmente Instituto de Solidariedade e Segurança Social, (Serviço Sub – Regional de Loures), Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e por Instituições Particulares de Solidariedade Social. A grande maioria das respostas sociais existentes no concelho estão a ser executadas pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social. Contudo, importa referir que os organismos estatais e autárquicos comparticipam na implementação e desenvolvimento destas mesmas respostas. As Instituições Particulares de Solidariedade Social recebem apoios para a construção ou adaptação das instalações e respectivos equipamentos, através do Programa PIDDAC - Segurança Social e da própria Autarquia. Ao nível do desenvolvimento da actividade este tipo de instituições são apoiadas através de acordos típicos ou atípicos por parte da Segurança Social e também usufruem de subsídios orçamentados anualmente pela autarquia, destinados a apoiar a actividade das instituições de solidariedade sem fins lucrativos, reconhecidas como tal pela própria Segurança Social. Os financiamentos da autarquia também incluem: - Programa de Apoio à realização de obras - Programa de Apoio à aquisição de viaturas - Cedência de Terrenos / Espaços - Comparticipação em 25% nas grandes obras - Programa de Apoio Médico às instituições de infância. 137 Os recursos sociais disponibilizados, tanto ao nível financeiro como das respostas sociais já existentes têm sido sempre escassos para fazer face às necessidades. No entanto, o leque de respostas sociais e o conjunto dos investimentos tem crescido de forma significativa. Contudo, para fazer face a este constrangimento importa avaliar na plenitude as necessidades e estabelecer prioridades. No momento actual, a política nacional de acção social estabelece como prioridade os investimentos públicos na expansão das seguintes respostas sociais: - Ensino pré-escolar - Creches - Apoio Domiciliário Integrado para idosos e outros dependentes - Centros de Apoio Ocupacional destinados aos deficientes - Equipamentos polivalentes (Centros de Desenvolvimento Comunitário / Unidades de Apoio Integrado). Ao nível da Autarquia foi orçamentada a aprovada para o ano de 2000 e de acordo com o Plano de Actividades, uma verba que correspondia a 168 356 milhares de escudos. Em Setembro de 2000 esta verba já tinha sido objecto de reforço em cerca de 3 milhares de contos. O Plano de Actividades contempla rubricas como: - Reforço das parceiras - Conselho Local de Acção Social - Comissões Sociais de Freguesia - Boletim Intervir - Colóquios e Jornadas de reflexão - Infância - Xira Infantil - Visitas guiadas ao Património 138 - Programa de teatro - Projecto da Quinta Pedagógica - Actividades Ludo - pedagógicas - Projectos "Prevenir em colecção "e "Aventura na cidade " - Subsídios de apoio à actividade das instituições sem fins lucrativos - Comissão de Protecção de Menores - Colónias de Férias – Deficiência e integração - Eliminação de Barreiras Arquitectónicas - Apoio a situações limite - Acções de sensibilização à população - Programa de integração profissional - Programa de acompanhamento médico às instituições - Projecto "Viver o Teatro " - Colónia de férias - Torneio de Basquetebol em cadeira de rodas - Programa integrar a brincar - Milha urbana - Subsídios de apoio à actividade das instituições sem fins lucrativos - Gerações em aventura - Dezembro, mês da Integração - Idosos 139 - Subsídios de apoio às actividades das instituições sem fins lucrativos - Programa de férias para idosos - Festa da Flor - Passeio convívio - Magusto - Semana do Idoso – Diversos - Combate à Pobreza e exclusão - Outros subsídios – Prevenção da Toxicodependência - Promoção de acções de prevenção primária - Promoção de estruturas. Compreendendo-se que a política da autarquia referente à acção social estabelece como prioridades a intervenção aos níveis: - Infância - Deficientes - Idosos - Toxicodependência - Apoio às instituições credenciadas pela Segurança Social como não lucrativas. Para colmatar as necessidades avaliadas neste estudo é de extrema importância o papel do trabalho em parceria. A cultura de parceria já se verifica no Concelho e tem sido fortalecida pelo tipo de programas e medidas implementados ao nível nacional, visto que 140 estes têm vindo a implicar um trabalho que há alguns anos atrás era classificado como "articulado “, passando a "integrado "para finalmente ser de "parceria “. Dito de outra forma, a metodologia da intervenção social também tem evoluído a par das necessidades sociais, sendo a parceria activa um resultado desta evolução. Realça-se ainda que Vila Franca de Xira constitui um dos Concelhos onde a organização da sociedade civil assume maior expressão, existindo um conjunto alargado de IPSS’s (instituições particulares de solidariedade social) e ONG’s (organizações não governamentais) que asseguram diferentes respostas e serviços de apoio às famílias, crianças e idosos e que têm vindo a alargar os seus domínios de intervenção para as áreas do desenvolvimento comunitário e do combate à pobreza e exclusão social. As organizações da sociedade civil têm acompanhado a tendência evolutiva da metodologia de intervenção na área social, mobilizando respostas mais integradas e adaptadas às necessidades locais. Em Abril de 2000, foi constituído o Grupo de Intervenção Social Comunitária do Concelho de Vila Franca de Xira, actualmente Associação de Intervenção Social e Comunitária. Este Grupo, que congrega quase todas as IPSS’s fundamenta-se a si próprio pelas seguintes considerações:(Protocolo de Cooperação). "♦que a sua larga experiência, adquirida ao longo dos anos, na resolução das questões sociais, educativas, de saúde e culturais da população do concelho, designadamente as que dizem respeito às crianças, aos jovens, aos deficientes e aos idosos é um património comum que importa potencializar; ♦a necessidade de articular e coordenar esforços em acções conducentes ao desenvolvimento integrado das comunidades locais, com especial atenção aos excluídos sociais e aos que se encontrem em risco de exclusão; ♦que a resolução dos problemas que, pela sua natureza estrutural, ao nível do concelho, interfiram, directa ou indirectamente, com os fins prosseguidos por cada um dos subscritores do presente protocolo, impõe cooperação e coordenação de esforços; ♦que a investigação das metodologias e dos critérios de decisão adequados para suscitar o desenvolvimento tendencialmente harmonioso das pessoas e das comunidades locais, impõe estudos e acções que não dispensam a contribuição empenhada de todas as instituições com área de intervenção neste concelho; 141 ♦que a actividade social das diversas instituições se insere no âmbito da economia social, particularmente no desenvolvimento de serviços de proximidade, de educação, ensino e formação, arte e cultura. "(1) A parceria recém estabelecida tem por finalidade dinamizar e executar o “Projecto Integrado de Acção Social das IPSS’s do Concelho de Vila Franca de Xira”. Subscreveram o protocolo de cooperação as seguintes Instituições: - Associação Para o Bem Estar Infantil de Vila Franca de Xira - Associação do Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra - Associação de Promoção Social de Alhandra - Associação Popular de Apoio à Criança – Póvoa de Santa Iria - Associação Para o Bem Estar Infantil de Vialonga - Associação de Actividades de Tempos Livres de Bolonha – Póvoa de Santa Iria - Associação de Assistência e Beneficiência da Misericórdia de Alverca - Associação de Promoção Social de Castanheira do Ribatejo - Associação Promotora de Apoio à Terceira Idade – Castanheira do Ribatejo - Associação de Reformados e Idosos da Póvoa de Santa Iria - Associação de Solidariedade Social de Apoio à Família – Forte da Casa - Caritas Paroquial de Vila Franca de Xira - Casa de S. Pedro de Alverca - Casa do Povo de Vialonga - CEBI – Fundação para o Desenvolvimento Comunitário de Alverca - Centro de Apoio Social do Bom Sucesso e Arcena – Alverca - Centro de Bem Estar Infantil – Vila Franca de Xira 142 - Centro Social Para o Desenvolvimento do Sobralinho - Centro Social Paroquial Casa de S. José – Castanheira do Ribatejo - Instituto de Apoio à Comunidade – Forte da Casa - Cerci Póvoa – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados - CerciTejo – Cooperativa para a Educação Readaptação de Crianças Inadaptadas – Alverca Das vinte e duas instituições que compõem este grupo, não subscreveram o protocolo de cooperação apenas cinco instituições: - Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira - Instituto de Apoio a Idosos e Reformados de S. Romão Bom Sucesso – Alverca - Instituição Piaget – Vila Franca de Xira - CAJIXIRA – Centro de Atendimento Juvenil e Infantil – Vila Franca de Xira - Associação Projecto Jovem No início do ano 2001, o Grupo de Intervenção Social Comunitária deliberou uma alteração aos estatutos passando a constituir-se como Associação sem fins lucrativos. A sede da Associação de Intervenção Social Comunitária funciona em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Visando estabelecer uma relação entre os Equipamentos disponíveis de Apoio às famílias e indivíduos segundo temáticas específicas, como a Infância, Deficientes e Idosos, procurou-se conhecer a população residente no Concelho, ( ver capítulo 1 – Demografia ). 143 4.2. Equipamentos e Serviços de Apoio à Infância Quadro 60. Equipamentos e Serviços de Apoio à Infância (Creches; Jardins de Infância; A.T.L.’s;) por Comissões Sociais de Freguesia Contagem de Tipologia Freguesias Alhandra S. João dos Alverca Tipologia Montes e Calhandriz e Castanheira Forte da Casa Póvoa de Santa Iria Vila Franca de Total Vialonga Xira e Cachoeiras Sobralinho Creche 2 2 2 2 2 2 3 15 0 1 0 1 1 1 1 5 4 2 2 7 6 3 5 29 2 2 2 2 2 2 5 17 0 1 0 0 0 0 0 1 9 8 6 12 11 7 14 109 Creche Familiar Jardim de Infância ATL Centro de Emergência Infantil Total Global 144 145 Como ponto de partida para análise dos dados recolhidos através dos inquéritos, pode-se afirmar que em todas as Comissões Sociais de Freguesia existem recursos de apoio à infância ao nível do seu crescimento pessoal e, consequentemente, às suas famílias quando pensamos que os familiares não podem prescindir da sua vida profissional como fonte de receita da economia familiar, bem como pela própria realização pessoal. Por outro lado, verifica-se a opção de residência no Concelho de Vila Franca de Xira (área da Grande Lisboa) por parte de muitos casais jovens naturais de outros concelhos. Visando facultar este tipo de recurso importa referenciar as necessidades actuais, por forma a que seja possível perspectivar nas próprias Comissões Sociais de Freguesia a intervenção necessária. Por outro lado, as respostas sociais dirigidas às crianças assumem um duplo papel cada vez mais importante: solucionando o problema da guarda e da educação das crianças durante a parte do dia em que estas não podem estar com os pais, ajudam-nas a crescer e a desenvolverem-se de uma forma harmoniosa, complementando a acção da família na sua socialização. Se os dados de 1991 forem comparados com os de 1997 no que respeita a este grupo etário verifica-se que registou um decréscimo de 1 228 crianças, resultado da acentuada diminuição dos níveis de fecundidade que acompanha o que se verifica em Portugal e mesmo, nos países da União Europeia. 4.2.1.1. Creches No Concelho de Vila Franca de Xira existem 15 Creches institucionais e 5 Creches familiares destinadas a crianças dos 3 meses aos 3 anos de idade. Na Comissão Social de Freguesia de Vila Franca de Xira e Cachoeiras encontra-se a área geográfica com maior respostas a este nível, sendo que nas outras Comissões Sociais de Freguesia esta resposta 146 encontra-se distribuída de uma forma homogénea. Importa no entanto referir que a Freguesia das Cachoeiras não constitui um peso relativo para esta avaliação já que não possui este tipo de resposta. Acrescente-se ainda que a Creche Familiar é uma resposta ainda bastante reduzida, existem 5 para todo o Concelho. Verificou-se através dos questionários uma lista de espera de 179 crianças para Creche institucional e 70 crianças para Creches Familiares. Ou seja, existem 219 crianças em lista de espera. Este constrangimento torna-se relevante nas Comissões Sociais de Freguesia de Vila Franca de Xira; Póvoa de Santa Iria; Forte da Casa;Vialonga e Alverca. Por outro lado, o horário de abertura e fecho das mesmas constitui um factor de extrema importância, de forma a estabelecerem-se equilíbrios entre os períodos de trabalho dos pais e os horários de funcionamento deste tipo de resposta social, no entanto foi aferido nas reuniões das Comissões Sociais de Freguesia que existe a necessidade de criar uma resposta, especificamente para os pais que exercem a sua actividade profissional por turnos, (das 20h às 24h). 4.2.1.2. Jardins de Infância / Estabelecimentos de Educação Préescolar A alteração da organização familiar, motivada essencialmente pela entrada generalizada das mulheres para o mercado de trabalho tem vindo a impor a necessidade de implementação de respostas quanto à guarda das crianças a partir dos 3 anos de idade. Ainda existem muitos casos que optam pela rede familiar. Contudo, também existem muitas situações em que este recurso não existe. A guarda das crianças em 147 estabelecimento está a ser efectuada no Concelho através da Rede Pública (abordada na área da Educação), ou através de 17 Instituições Particulares de Solidariedade Social e outros estabelecimentos particulares, sendo um total de 29. As correntes da psicologia do desenvolvimento são unanimes em considerar que a Educação pré-escolar assume uma das etapas mais importantes da aprendizagem das crianças, entendida com a primeira etapa do processo de educação que funciona como complemento à acção educativa da família. Por esta razão, a procura em inserir a criança num equipamento social de educação pré-escolar revela-se uma das soluções mais adoptadas. Contrariamente à expectativa das famílias no Concelho de Vila Franca de Xira, existem 423 crianças em lista de espera para integrarem este tipo de resposta. Em relação aos horários de funcionamento dos estabelecimentos de educação pré-escolar deverá, em principio adequar-se às necessidades das famílias, ou seja ao horário de trabalho dos pais. No entanto, verifica-se que tal como as creches, os pais que exercem uma actividade profissional por turnos não conseguem disponibilizar este apoio à educação dos seus filhos. 4.2.1.3. ATL – Centro de Actividades de Tempos Livres Os ATL’s são equipamentos com suporte jurídico. Avalia-se a existência de 17 Instituições Particulares de Solidariedade Social com esta valência na sua actividade. Esta resposta tem como objectivo o desenvolvimento integral da criança através de um conjunto de actividades de animação sócio-educativa, contribuindo para a prevenção da marginalização e delinquência infantil. Pode verificar-se pela análise espacial da distribuição dos ATL’s, que esta resposta social existe em todas as Comissões Sociais de Freguesia, embora esteja mais concentrada na sede de Concelho (Vila Franca de Xira). Beneficiam desta resposta 2 860 crianças, na Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz sinaliza-se o maior número de frequência - 1 064 crianças, seguida de Vila Franca de Xira e Cachoeiras com 418 crianças sinalizadas, Póvoa de Santa Iria com 355 crianças e Vialonga com 349 crianças. 148 Correspondendo às Comissões Sociais de Freguesia com maior aglomerado populacional no escalão etário dos 0 aos 14 anos. Importa salientar o facto das Freguesias das Cachoeiras e Calhandriz, não possuírem este tipo de resposta, pelo que só aparecem com este valor quando agregadas em Comissão Social de Freguesia. 4.2.2. Financiamentos Através de pesquisa documental identificaram-se no Concelho 17 Instituições Particulares de Solidariedade Social com intervenção na área da Infância, cujo financiamento deriva em grande parte dos Acordos de Cooperação estabelecidos com a Segurança Social. Não foi possível conhecer o total de verbas disponibilizadas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. Contudo, o serviço local informou a respeito do valor das comparticipações, praticadas pela Segurança Social, no ano 2000: Quadro 62 Comparticipação da Segurança Social por tipo de respostas Comparticipação da Segurança Respostas Sociais Social às instituições por utente Creche 29.867$00 Creche Familiar 25.635$00 Centro de Actividades de Tempos Livres com almoço Centro de Actividades Tempos Livres sem almoço de 9.841$00 7.278$00 29.125$00 (18.690$00 Pré-escolar – Min. Da Educação e 10.435$00 Min. Trabalho e Solidariedade Social) 149 Lar de Crianças e Jovens 56.736$00 A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira orçamentou para o ano de 2000 e com referência ao total de 6 266 utentes, 21.019.400 Esc. como valor total de subsídios às instituições reconhecidas pela Segurança Social como Instituições Particulares de Solidariedade Social com valências de apoio à área da Infância. Das 17 instituições sinalizadas verifica-se que 6 destinam a sua acção também a outros escalões etários, nomeadamente à população com mais de 65 anos de idade. 4.2.3. Avaliação operativa Conforme os resultados anteriormente apresentados verifica-se que ao nível das infraestruturas existentes de apoio à infância a principal carência está nas creches e na educação pré-escolar. Compreendendo que a carência de estruturas dirigidas a este escalão etário, dirigidas a crianças dos 0 aos 6 anos de idade, tende a prejudicar a família no seu conjunto. Ou seja, pode em termos gerais levar a que um dos adultos seja obrigado a prescindir da sua actividade profissional. Mas, e se o rendimento do agregado familiar não cobrir as necessidades. Esta questão remete automaticamente para o tipo de intervenção que tem sido solicitada pelas famílias residentes no Concelho: Apoio Social. Segundo o serviço local de Acção Social da Segurança Social, registaram-se 1 676 atendimentos familiares no ano de 1999 no Concelho de Vila Franca de Xira, caracterizados essencialmente pela insuficiência de rendimentos. Acrescentando-se a este valor o número de requerimentos registados enquadrados no Programa do Rendimento Mínimo Garantido – 2 602 processos familiares. Por outro lado, e paralelamente, surge a questão da problemática das crianças em risco, aos níveis de situações de abandono e / ou negligência equiparada ao horário laboral dos pais ou irmãos mais velhos. 150 Inúmeras questões sociais podem surgir quando se vivência uma realidade familiar em que os pais são obrigados a equacionar factores como: insuficiência de rendimentos; equipamentos sociais de apoio à infância esgotados e Emprego / Desemprego. A relação das listas de espera actualizadas com as projecções demográficas indica que a estrutura de respostas existentes é insuficiente, porque embora não se projecte um aumento significativo nas taxas de natalidade, a realidade actual demonstra-nos que as respostas já são insuficientes, devido ao crescimento demográfico do Concelho por factores migratórios. Urge a necessidade imediata de reflectir sobre alternativas para apoio à Infância, especificamente ao nível dos equipamentos. Propondo-se esta reflexão ao nível das Comissões Sociais de Freguesia, baseada nos números das listas de espera e no facto de que a instabilidade social vivida pela criança nos seus primeiros anos de vida pode gerar um adulto com uma personalidade fragilizada, caracterizada por sentimentos de insegurança, medos, baixa auto-estima, entre outros, sendo em última análise um cidadão que apesar de ter plenos direitos não possui uma formação de base que o permita inserir-se de uma forma saudável, equivalente à de outro cidadão que nos seus primeiros anos de vida foram-lhe incutidos sentimentos / vivências saudáveis. 4.3. Equipamentos e serviços de apoio a crianças e jovens em risco 4.3.1. Centros de Emergência Infantil (Centro de Acolhimento Temporário) Resposta social que tem por finalidade o acolhimento urgente e transitório de crianças e jovens em situação de urgência decorrente de abandono, negligência, maus tratos, ou outros factores, com vista ao seu adequado encaminhamento. O Centro encontra-se implantado na Freguesia de Alverca através da Fundação CEBI, tem capacidade para 25 crianças em risco. No entanto, a sua capacidade encontra-se muitas vezes ultrapassada. No início do mês de Setembro de 2000 estavam 29 crianças a residir no Centro 151 Segundo a Directora Técnica, sinalizam-se em média quatro pedidos de internamento por semana, via tribunal, que estão a ser recusados por falta de capacidade. Através da mesma fonte foi aferido que o tempo de estadia temporária das crianças não é passível de ser cumprido, resultando no prolongamento da estadia das crianças. 4.3.2. Acolhimento Familiar Resposta social que consiste em acolher transitória e temporariamente, por famílias consideradas idóneas para a prestação desse serviço, crianças e jovens cuja família natural não esteja em condições de desempenhar a sua função sócio-educativa (decreto-lei n.190/92, de 3 de Setembro) Em Dezembro de 2000, o serviço local de Segurança Social informou que estavam 38 crianças em situação de colocação familiar, distribuídas por 26 famílias de acolhimento. A Fundação CEBI também dispõe da valência de acolhimento familiar, composta por 12 famílias que acolhem respectivamente uma criança. Estão 50 crianças em famílias de acolhimento no Concelho de Vila Franca de Xira. Segundo as tabelas de comparticipação da Segurança Social, compreende-se que por cada criança a família de acolhimento aufere mensalmente a soma das quantias de 24.280$00 (verba destinada para a manutenção) e 28.000$00 (pelo serviço prestado, no caso das crianças deficientes a quantia duplica, sendo de 56.000$00). 4.3.3. Comissão de Protecção de Menores 152 A Comissão de Protecção de Menores do Concelho de Vila Franca de Xira existe desde o ano de 1993, sendo o seu âmbito de intervenção territorial também abrangente ao Concelho de Arruda dos Vinhos. O Concelho de Arruda dos Vinhos não é contudo expressivo no que se refere ao número de processos com crianças em risco: 15 processos no activo e 13 processos arquivados, perfazendo um total de 28 processos. O universo dos processos contabilizados pela Comissão de Protecção de Menores desde 1993 a 1999 corresponde a 417 processos, 90.9% pertencem ao Concelho de Vila Franca de Xira. Por outro lado, interessa referir quais os motivos da intervenção da Comissão de Protecção de Menores. Para o efeito, foi efectuada uma pesquisa documental aos relatórios dos anos de 1997, 1998 e 1999 por forma a conhecer o tipo de problemáticas que envolvem os menores. A sinalização das situações – problema tem sido efectuadas com maior evidência pelas seguintes entidades: - Serviço Local do Ministério de Educação; - Câmara Municipal de Vila Franca de Xira; - Centro Regional de Segurança Social – Serviço Local; - Tribunal da Comarca de Vila Franca de Xira; - Hospital de Vila Franca de Xira. 153 Quadro 63. Causas do Atendimento pela CPM 1997 1998 1999 Abandono Físico – 70. Abandono - 4 Abandono e maus tratos – 7 Maus Tratos Psicológicos – 63 Maus tratos físicos e Psicol. - 12 Negligência – 147 Absentismo escolar - 1 Abuso Sexual – 9 Negligência - 6 Mendicidade / Vadiagem – 6 Abuso sexual – 1. Abuso sexual – 2. Práticas de crime qualificado – 3 Violação - 1 Outras condutas desviantes – 4 Família muito carenciada - 4 Práticas de Crime Qualificado – 7 Uso de substâncias tóxicas – 2 Insucesso escolar e maus tratos – 5 Absentismo escolar / negligência –2 Disfunção familiar / Negligência Prostituição – 1 –7 Incapacidade Familiar – 11 Trabalho Infantil - 1 Outras situações de Perigo 8 Fuga de casa – 1 Outras Situações – 53 Outras situações – 4 Problemas de Saúde – 3 Importa referir que o tipo de problema não nos indica o número de crianças, visto que a cada criança pode ter sido instaurado processo de intervenção por mais do que um motivo. Segundo informação obtida através dos relatórios da Comissão de Protecção de Menores, caracteriza-se as famílias destas crianças da seguinte forma: Níveis educacionais baixos (a maior parte são analfabetos ou têm o 1.º ciclo do Ensino Básico); Níveis sócio - económicos baixos, rendimentos inferiores ao Salário Mínimo Nacional, sendo grande parte das famílias apoiadas pela Acção-Social; Falta de qualificação profissional e elevado índice de desemprego. 154 São frequentes os seguintes acontecimentos de vida nas Famílias: - Toxicodependência / Alcoolismo; - Violência na Família; - Desagregação Familiar; - Problemas de Saúde; - Famílias numerosas; - Antecedentes judiciais; - Histórias de vida dos progenitores (Observação de violência, abandono escolar, gravidez precoce ...). As medidas que têm sido aplicadas pela Comissão de Protecção de Menores incidem sobretudo no acompanhamento educativo, social, médico e psicológico. As colocações em equipamentos de apoio à infância têm sido uma forma de intervenção que procura favorecer o crescimento saudável do menor e uma medida complementar ao trabalho com as famílias. Para além de que têm também sido feitas algumas inserções das crianças na família alargada, ou mesmo em colocação familiar. A Comissão de Protecção de Menores informa que existe uma visível desorganização familiar, facto que se reflecte na relação educativa com os menores. Importa intervir nesta dialéctica de projectos de vida perturbados e/ou perturbadores. Por outro lado, o sistema escolar não tem uma resposta adequada às necessidades e expectativas destas crianças e dos jovens. Este quadro origina situações complicadas que quase sempre motivam a intervenção desta Comissão, que não tem os recursos técnicos disponíveis para responder de uma forma continuada a todas as situações. Nas situações em que esta Comissão delibera a retirada do menor do seu meio familiar, verifica-se a carência deste tipo de resposta no Concelho, considerando-se a possibilidade de integrar estes menores noutros pontos do país de certa forma problemática. 155 4.3.4. Avaliação Operativa A Comissão de Protecção de Menores (C.P.M.) pretende assumir-se como um núcleo dinamizador das sinergias locais para que de uma forma convergente intervenha sistemática e coordenadamente no sentido de proporcionar meios alternativos aos menores que estejam em situação de risco. Apesar desta potencialidade, o conjunto de Técnicos que formam esta Comissão debate-se com o facto de não estar priorizado o trabalho da Comissão de Protecção de Menores por parte das diferentes entidades parceiras. A sobrecarga de trabalho dos Técnicos funciona como um constrangimento que dificulta a acção sócio – educativa das famílias e respectivas crianças, não sendo possível empreender uma intervenção continuada para reverter o(s) sintoma(s) disfuncionais das famílias sinalizadas. No decorrer destes anos os técnicos têm verificado a existência de casos de abandono / insucesso escolar com a permissividade dos progenitores. Nestas situações a aplicação da lei que concebe como obrigatória a frequência escolar a menores de 16 anos não tem produzido o efeito preventivo pretendido. Paralelamente, emerge a necessidade de aproximar os menores da Escola; As adaptações curriculares podem permitir esta aproximação, bem como contribuir para a eficácia dos programas de educação. Um outro aspecto limitativo da acção desta Comissão refere-se às respostas sociais existentes ao nível dos equipamentos para Infância que têm uma capacidade muito inferior à procura. Tornando-se bastante escassos quando são necessários em situação de emergência. Em situações problemáticas que obrigam a uma intervenção imediata de retirar o menor à família natural, no Concelho só existe o Centro de Emergência da Fundação Cebi, sediado na freguesia de Alverca. Facto que implica muitas vezes a transição dos menores para outros Concelhos, onde os contactos são muito pontuais. A Comissão de Protecção de Menores acrescenta ainda necessidades de implementação de recursos específicos, como por exemplo: 156 - Serviços de psicologia; - Programa de Desintoxicação com Alcoólicos; - Apoio Domiciliário a Famílias; - Programas de Intervenção Precoce. Apesar das limitações acima referenciadas, a metodologia utilizada para avaliação e planificação da intervenção a pôr em prática em cada situação tem constituído factor facilitador do processo de intervenção. Isto é, em parceria são transmitidas todas as informações, analisadas e tomadas as respectivas deliberações. A Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro - lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo, representa uma ampla reorganização das Comissões de Protecção de Menores. Esta lei mantém o objectivo de promover os direitos das crianças e dos jovens em perigo, por forma a garantir o seu bem-estar e desenvolvimento integral. A reforma das Comissões de Protecção de Menores veio alterar o modo de funcionamento até então instituído, assim o artigo 16.º refere que: "A Comissão de Protecção funciona em modalidade alargada ou restrita, doravante designadas, respectivamente, de Comissão alargada e de Comissão restrita." A Comissão restrita funciona em regime de disponibilidade permanente e imediata para intervir nas situações que lhe são sinalizadas, independentemente do dia e da hora em que a sinalização ocorre. Para o efeito deve ser estabelecido um regime de prevenção rotativa por todos ou por alguns dos seus membros. 4.4. Serviços e Equipamentos para Toxicodependentes Nos inquéritos distribuídos aos diferentes agentes sociais locais contemplou-se um item com vista a aferir qual a percepção dos mesmos a respeito da identificação das problemáticas e qual a população afectada. Em termos analíticos, o total das respostas obtidas excede o total de casos, visto o seu tratamento ter sido ponderado em função da hierarquização valorativa atribuída nas respostas. Sendo que os problemas identificados 157 receberam uma valoração diversa consoante o número de escolha, em função dos 10 principais problemas indicados. A toxicodependência constitui o problema mais frequentemente apontado, sendo os jovens o público mais afectado. No entanto, este problema parece ser susceptível de afectar simultaneamente diferentes grupos da população, como sejam as famílias, atingindo todo o meio social do jovem toxicodependente, como é o caso da Escola. Dito de outra forma e em termos muitos genéricos, a criança começa com um processo de insucesso escolar; em jovem abandona a Escola e a alternativa da toxicodependência é uma possibilidade, associando-se à necessidade de cometer pequenos furtos. Toda esta articulação procura alertar para a intervenção programada baseada em toda a conjuntura inerente ao problema, bem como na prevenção primária. No que se refere ao trabalho desenvolvido no Concelho de Vila Franca de Xira com metas pré definidas para a área da toxicodependência verifica-se até ao final do ano de 1999 a existência de projectos de prevenção primária ao nível da promoção de estilos de vida saudáveis e uma comunidade de estadia prolongada. Para além de acções de sensibilização realizadas nas Escolas de uma forma bastante pontual, tem decorrido em Jardins de Infância e Escolas um Programa de prevenção primária, proposto pela Associação Arisco e desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, na qualidade de promotor local e com a Delegação Escolar. Esta relação de parceria teve início no ano lectivo de 1995 / 96. Este Programa abrange dois projectos, denominados de: "Aventura na Cidade "e "Prevenir em Colecção ", ambos centram Toxicodependências, encarada a sua acção na prevenção primária das enquanto promoção de saúde e desenvolvimento de competências pessoais e sociais. Os dois projectos asseguram aos Professores e Educadores que aceitam envolver-se nas acções, material de suporte e uma formação específica. A formação visa uma progressiva autonomia dos Técnicos de educação e está estruturada em quatro níveis, com a duração de um ano lectivo cada. O Projecto "Prevenir em Colecção "destina-se aos alunos do Pré – Escolar e do 1.º Ciclo do ensino Básico, assim como a grupos de crianças entre os 5 e os 10 anos em geral. 158 A sua aplicação tem como suporte material lúdico, na forma de uma colecção de cromos, que aborda um conjunto de temas para a promoção de estilos de vida saudáveis. Os temas são trabalhados ao longo do ano lectivo, na sala de aula, sob a orientação de cada Professor ou Educador. No ano lectivo 1999 / 2000 este Projecto envolveu um total de 48 escolas e 9 Jardins, sendo que: - pela 1.ª vez - - - 9 Jardins – 21 educadores – 247 alunos pela 2.ª vez - - 10 Escolas – 19 professoras – 302 alunos pela 3.ª vez - - 21 Escolas – 54 professores – 852 alunos Escolas – 19 professoras – 207 alunos pela 4.ª vez - 9 Escolas – 27 professores – 424 alunos A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira financiou este Projecto com dois milhões cento e treze mil e duzentos escudos (2.113.220$00). O Projecto "Aventura na Cidade "destina-se aos alunos do 4.º ano do 1.º Ciclo e aos alunos dos 2.º e 3.º Ciclos, podendo também ser aplicado a outros grupos de jovens ou adultos. A "Aventura na Cidade "é um jogo que poderá ser integrado na família dos Jogos de Personagem no qual o jogador é um personagem da história, influenciando-a com as suas decisões, ideias e formas de estar. Na cidade imaginária existem inúmeros locais de 159 referência, mas somente vinte contêm enigmas que uma vez decifrados e reunidos conduzirão o grupo ao local onde se esconde o personagem desaparecido. Este jogo é aplicado em meio escolar, sala de aula, ou atelier e orientada pela professor. Por sessão, sugere-se um tempo mínimo de 1h30m a 2hs. No ano lectivo 1999 / 2000 este Projecto envolveu um total de 10 Escolas, 37 Professores e 373 alunos. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira financiou este Projecto em setecentos e setenta mil escudos (770.000$00). O Centro de Apoio à Juventude e à Infância de Vila Franca de Xira, adiante referenciado por Caji – Xira desenvolve um Projecto de Intervenção em Prevenção Primária que se denomina "À Margem "e destina-se em última análise a abranger a população implicada nas duas Escolas Secundárias da Freguesia de Vila Franca de Xira, o que totaliza cerca de 2 500 jovens, 20 pais ou encarregados de educação e 20 técnicos. Em linhas gerais este projecto desenvolve actividades específicas aos grupos alvos: - Acção de Formação dirigida aos pais ou encarregados de educação – visando o desenvolvimento de competências de comunicação e de resolução de problemas no âmbito das práticas educativas parentais; - Acção de Formação dirigida aos técnicos, visando: - a abordagem de questões relacionadas com o despiste de situações de risco, metodologias de formação de jovens, dinâmicas de grupo, tipologias de comportamento, competências pessoais e sociais, factores de risco e factores de protecção, redes de socialização, intervenção comunitária - incidência na necessidade de se proceder ao desenvolvimento de acções de prevenção e de se direccionar a atenção dos educadores para determinados aspectos das problemáticas juvenis que possam conduzir a situações de risco - sensibilização para a necessidade / conveniência de se trabalhar em parceria nesta área; - Acção de Formação dirigida a adolescentes e jovens - "Linha de Sobrevivência "visando a aquisição e desenvolvimento de competências quotidianas para a vida. 160 Desta formação fazem parte vários "módulos de sobrevivência "que funcionam por escolha do jovem após sujeição a um "casting "prévio – assumindo a forma de um jogo do labirinto – considerando-se este uma forma de selecção das componentes modulares de sobrevivência a escolher e ao mesmo tempo um acompanhamento / avaliação do percurso do jovem, à medida que este vai vencendo dificuldades e que o seu perfil sócio – afectivo se vai traçando. Esta formação é realizada ao longo do ano lectivo e é concluída com uma Semana de Campo na qual o jovem terá oportunidade de utilizar as competências adquiridas. Apesar deste empenhamento colectivo a crescente quantidade de situações de toxicodependência apresenta-se como um flagelo que implica a implementação de respostas ao nível das prevenções secundária e terciária. Para além de que importa reforçar e alargar o âmbito da prevenção primária a decorrer até ao momento. Em relação à prevenção secundária existe no Concelho de Vila Franca de Xira um Centro de Recuperação do Desafio Jovem, esta Instituição com capacidade para 21 utentes do sexo masculino manifesta-se insuficiente para o número de pedidos. Importa ressalvar o facto de que recebe toxicodependentes de diferentes Concelhos tendo como critério de prioridade não o facto de serem residentes do Concelho de Vila Franca de Xira, mas que sejam indivíduos "sem – abrigo"ou utentes de Hospitais e/ou Estabelecimentos Prisionais que pretendam recuperar-se. Ou seja, os indivíduos toxicodependentes desprovidos de apoio familiar ou outro suporte institucional são considerados casos prioritários independentemente do local de origem. O processo de admissão neste Centro passa pelos denominados "Cafés Convívios ", locais onde é efectuada a mediação entre o indivíduo e o programa de recuperação aplicado neste Centro. O Desafio Jovem encontra-se implantado ao nível nacional e tem recuperado um número significativo de indivíduos toxicodependentes, contudo dado o cariz religioso do programa de recuperação que apresentam são muitas vezes excluídos pelos toxicodependentes do leque de respostas existentes. Estas eram as respostas existentes até ao início do ano corrente e manifestavam-se bastante insuficientes. 161 Através das estatísticas fornecidas pela Comissão Nacional de Luta Contra a Sida e apuradas do Programa "Diz não a uma seringa em segunda mão ", verifica-se que: Quadro 64. Percentagens de Seringas recolhidas por Concelho (dados de 01 de Outubro/93 até 31 de Maio/2000) Concelhos N.º de Seringas % Vila Franca de Xira 441. 632 4,22 Loures 1.142.637 10,93 Lisboa 6 364.003 60,87 Amadora 463.381 4,43 Oeiras 261.186 2,50 Sintra 547.482 5,24 Cascais 532.110 5,09 Ao comparar os dados referentes ao Concelho de Vila Franca de Xira com os dos Concelhos limítrofes verifica-se que este apresenta uma percentagem de troca de seringas das mais inferiores. Contudo, importa realizar este cruzamento de informação tomando como referência a densidade populacional e sendo assim, o Concelho de Vila Franca de Xira é o que apresenta menor densidade populacional, enquanto que por exemplo o Concelho de Oeiras com uma maior densidade populacional apresenta uma percentagem de troca de seringas muito inferior. O fenómeno da toxicodependência no Concelho de Vila Franca de Xira atingiu uma escala que se tornou numa preocupação pública. Actualmente o número de indivíduos toxicodependentes a residir neste Concelho constitui um grupo de indivíduos oriundos de diferentes estratos sociais, com características individuais diferenciadas que não permitem concluir sobre as causas que determinam a situação de toxicodependência. Este constrangimento é comum ao território nacional e mundial, pelo que os estudos referentes a esta problemática direccionam-se para o combate a este flagelo através da perspectiva da Toxicodependência como uma doença. 162 A crescente quantidade de situações de toxicodependência tem justificado o aparecimento de numerosas iniciativas de âmbito nacional ou local, em diferentes áreas de intervenção, desde a prevenção primária ao tratamento (secundária) e à reinserção (terciária). O Município de Vila Franca de Xira introduziu mudanças estratégicas na abordagem política desta problemática a partir de 1998, o que teve origem na implementação do Plano Concelhio de Intervenção na Área das toxicodependências, promovido a nível local pela Câmara Municipal enquadrado a nível nacional pelo Instituto Português da Droga e das Toxicodependências. Pretendendo-se constituir uma intervenção global e unificada. Ainda não existe um estudo preciso da situação da toxicodependência nas suas múltiplas vertentes, pelo que este Plano Concelhio prevê a criação de um Observatório Permanente, tendo como ponto de partida a realização de um diagnóstico preciso. O Plano Concelhio pretende aplicar um conjunto de medidas que definem a política local aos três níveis da prevenção das toxicodependências. - Prevenção Primária - Informação e encaminhamento de jovens, pais e outros - Acompanhamento pedagógico e social a jovens e famílias em risco - Dinamização de iniciativas e projectos na área da prevenção, em articulação com as escolas, associações de pais e grupos de jovens - - Formação de actores locais Intervenção Precoce - Campanhas de informação - Ateliers de formação de competências transversais Tratamento - Formação de médicos de família - Criação de um sistema integrado de atendimento 163 - - Reinserção - Sensibilização de entidades empregadoras - Acompanhamento individualizado a toxicodependentes em processo de inserção - Criação de estágios profissionais - Integração de ex-toxicodependentes em acções de formação e nas empresas de inserção - - Redução de Danos - Criação de uma equipa de rua - Criação de uma unidade móvel de apoio social e sanitário Formação / Investigação - Estudo / diagnóstico - Troca de experiência e "know how " - Criação de um centro de documentação Este Plano de Intervenção integra um conjunto de acções transversais estreitamente articuladas com os diferentes Projectos Locais de Desenvolvimento Comunitário em curso no Concelho. 4.4.1. Avaliação Operativa O Plano Concelhio de Intervenção na área das Toxicodependências representa um esforço de implementação de um conjunto de respostas estruturadas ao nível das prevenções primária, secundária e terciária. A implementação destas respostas está a ser efectuada de uma forma gradual, tendo-se privilegiado o início das actividades na área da prevenção primária, para o efeito tem sido desenvolvida uma intervenção com jovens em risco, denominada por "Espaço Aventura 164 uma Escola de Emoções ". Este Espaço Aventura tem sido um espaço de suporte para dezenas de jovens que encontram dificuldades na escola, na família ou na comunidade. Também inclui um conjunto de actividades relacionadas com os desportos Aventura, proporcionando ao jovem o contacto com novas experiências que constituem uma oportunidade de descoberta de si mesmo, de novas sensações, competências, formas de estar e conhecimento. Esta actividade dirige-se preferencialmente aos jovens em situação de risco, encaminhados pelas Escolas, pelos Gabinetes dos Bairros de realojamento e pelas instituições ligadas ao plano. Decorridos 9 meses do início desta acção contabiliza-se o envolvimento de 55 jovens. Paralelamente, foram também criados em Janeiro de 2000 os Ateliers de Apoio Pedagógico, destinados às crianças em risco, com dificuldades de integração escolar. Esta actividade desenvolve-se em associação com quatro escolas do Concelho (Escola EB 1 de Vialonga, EB 1 da Póvoa de Santa Iria, EB 1 de Povos EB 1 do Bom Sucesso). No ano lectivo de 1999/2000 foram abrangidas por estes Ateliers 125 crianças. Embora ainda não seja possível verificar mudanças significativas ao nível das competências académicas das crianças, os professores observam já diferenças ao nível das competências sociais. Foram também inaugurados os Gabinetes de Atendimento Aos Jovens (14 de Maio de 2000), cujos atendimentos são da responsabilidade da equipa de psicólogos existente, (psicólogos clínicos e psicólogos educacionais). Estes pretendem ser um espaço de atendimento gratuito e confidencial para apoio e encaminhamentos necessários, em áreas como: Uso e abuso de drogas, sexualidade, saúde, relações familiares, formação, tempos livres. Também os familiares contam com o apoio desta equipa. A localização dos gabinetes foi analisada de acordo com a indicação das necessidades referenciadas pelos diferentes agentes sociais, sendo que correspondem às sedes das Comissões Sociais de Freguesia: - Alhandra 165 - Alverca - Castanheira - Forte da Casa - Póvoa de Santa Iria - Vialonga - Vila Franca de Xira A intervenção nestes espaços baseia-se numa atitude de escuta empática e apoio (técnico, motivacional, emocional ou simplesmente informativo / formativo), no sentido de ajudar as pessoas a superar conflitos ou problemas que as perturbem. Estes gabinetes funcionam em articulação com diferentes entidades locais, nomeadamente escolas, centros de saúde e gabinetes dos bairros de realojamento, na perspectiva de implementar e desenvolver estratégias integradas de intervenção com os jovens e respectivas famílias. Até Dezembro de 2000, após 8 meses de funcionamento acederam a estes espaços 78 casos de jovens e/ou famílias, envolvendo um total de 174 atendimentos, distribuídos de acordo com as seguintes problemáticas: Toxicodependência, orientação escolar e profissional, tempos livres, sexualidade, alcoolismo, relações familiares, saúde física, planeamento familiar e doenças sexualmente transmissíveis. Desde o início dos Gabinetes tem se verificado um acréscimo significativo da afluência a este serviço, existindo numerosas situações em acompanhamento continuado. Espera-se que com o início do ano lectivo e o encaminhamento de casos por parte das escolas, as solicitações continuem a crescer, o que poderá levar à necessidade de reajustar os tempos e locais de atendimento destes gabinetes. No entanto, as expectativas criadas pela comunidade em geral (população e agentes locais) referem-se à implementação da prevenção secundária – Tratamento. Este constituiu o segundo passo deste processo de implementação gradual. A Câmara Municipal de Vila 166 Franca de Xira assegura o apoio logístico, técnico, a coordenação e desenvolvimento das diferentes acções, disponibilizando espaços para o funcionamento das equipas, atendimento à população, transportes e equipamentos. A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, assegura o acompanhamento médico, logístico e técnico no serviço de tratamento e o Serviço de Prevenção e Tratamento das Toxicodependências / Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo garante, através do Centro de Atendimento a Toxicodependentes de Xabregas, a formação específica e apoio técnico aos profissionais de saúde, nomeadamente os serviços de consulta e internamento. A equipa terapêutica composta por Psicólogos, Enfermeiros e Técnicos Psicossociais, já iniciou a sua actividade no âmbito do atendimento e tratamento de toxicodependentes Este serviço, denomina-se por Núcleo de Acompanhamento a Toxicodependentes e funciona em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, nas freguesias de: - Vila Franca de Xira (que dará resposta à população das freguesias de Vila Franca de Xira, Castanheira e Cachoeiras); - Alverca (para as populações de Alverca, Alhandra, Sobralinho, S. João dos Montes e Calhandriz); - -Póvoa de Santa Iria (que funciona para as freguesias de Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga). Os projectos terapêuticos são encontrados através da estreita colaboração entre os psicólogos de cada Núcleo e os médicos de família dos utentes, com a colaboração do CAT de Xabregas, sempre que necessário. As principais acções desenvolvidas pelos três Núcleos são: prestação de cuidados de saúde, acompanhamento psicológico e administração de metadona (em substituição de opiáceos para situações específicas). O passo seguinte é o da reinserção social. 167 4.5. Equipamentos e serviços de apoio aos Idosos Quadro 65. Equipamentos e serviços de apoio aos Idosos Contagem de Freguesias Tipologia Alhandra Vila S. Tipologia João Alverca e Castanheir dos Montes e Calhandri a z Sobralinh Forte Póvoa da de S.ta Casa Iria Franca de Vialon Xira e ga Tota l Cachoeir as o Lar Centro de Dia Centro de Convívio 1 2 2 1 __ __ 1 7 1 4 2 1 1 __ 2 11 3 3 __ __ 1 2 1 10 2 4 2 1 1 1 2 13 3 2 __ __ __ 1 1 7 Apoio Domiciliári o Comissõe s de Reformad os 168 169 A melhoria das condições sociais de vida, consequência do desenvolvimento económico, progresso da medicina e maior cobertura da rede de saúde pública tem vindo a produzir alterações na estrutura etária da população. Nomeadamente no que diz respeito aos idosos, verifica-se um aumento do peso da estrutura etária nos países europeus. Assiste-se a um duplo envelhecimento da população europeia; diminuição dos nascimentos e aumento da esperança de vida para os indivíduos com mais de 65 anos. Em relação população do Concelho de Vila Franca de Xira verifica-se que de 1991 a 1997 registou-se um aumento de 3 105 na população mais idosa. Ao avaliar-se o quadro de Projecções demográficas, 2001 / 2011 pode-se verificar que o número de indivíduos com mais de 65 anos tende a aumentar de uma forma bastante significativa. Por exemplo, a classe etária dos 80 aos 89 anos: - - 1991 - 1 483; - - 2001 - 1 743; - - 2011 - 2 468. Julga-se que este aumento também está relacionado com o facto dos filhos residirem no Concelho isto é, uma forma de acompanharem a “velhice"dos pais, convidando-os a residirem com eles. A problemática do envelhecimento populacional assume-se como um dos grandes desafios para a sociedade em geral e para a segurança social em particular, no que se refere à sua sustentação no futuro. O progressivo aumento do número de pessoas idosas, sobretudo das muito idosas tem também aumentado a necessidade de respostas sociais mais adequadas a estas situações. Os equipamentos e serviços identificados para este grupo etário correspondem na sua grande maioria aos três tipos de valências mais clássicas: Lar, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário. A análise dos dados recolhidos permite-nos concluir que a resposta social à problemática dos idosos está a ser organizada na sua maioria por Instituições Particulares de Solidariedade Social (existem 13 em todo o Concelho). 170 Por outro lado, foram identificadas 7 Comissões de Reformados. A falta de estruturas dirigidas à população idosa é notória quando se avalia que 1 646 idosos encontram-se em lista de espera, sendo que a resposta social que representa maior necessidade revela-se claramente no "Lar", 1 481 idosos inscritos em lista de espera. Por outro lado, de acordo com a amostra foi possível verificar que os equipamentos disponíveis encontram-se sobrelotados: Quadro 67. Utentes, Capacidade e Lista de Espera nos Equipamentos de Apoio a Idosos N.º Descrição Entidades de Utentes Capacidade Lista de Espera Lar 7 552 594 1481 Centro de Dia 11 593 567 60 10 910 546 33 Apoio Domiciliário 13 550 337 22 Centro de Convívio 4.5.1. Lares Os lares para idosos têm a sua origem histórica nos denominados "asilos"e surgiram como resposta aos idosos dependentes isolados. Desde há algum tempo, aproximadamente cinco anos, a perspectiva de internamento tem sido transformada, privilegiando-se a manutenção da pessoa idosa na sua habitação, procurando-se diversificar as respostas. No Concelho de Vila Franca de Xira existem 7 lares não-lucrativos, sendo que a Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz e a Comissão Social de Freguesia da Castanheira dispõem respectivamente de 2 lares. Por outro lado, verifica-se a inexistência deste tipo de resposta nas Comissões Sociais de Freguesia de Póvoa de Santa Iria e na de Vialonga. 171 Conhece-se no concelho 8 lares lucrativos. No entanto, nenhum tem alvará da Segurança Social. O Lar da Betel, localizado na freguesia da Castanheira, data do ano de 1981, sendo por isso o primeiro lar particular do concelho de Vila Franca de Xira. O Lar das Cardosas, é o lar com alvará da Segurança Social mais próximo do concelho, situa-se no concelho de Arruda. Quadro 68. Lares por Comissões Sociais de Freguesia Comissões Sociais de Freguesia N.º de Lares Lucrativos Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho 1 Alverca e Calhandriz 2 Castanheira 1 Forte da Casa __ Póvoa de Santa Iria __ Vialonga 2 Vila Franca de Xira e Cachoeiras 2 Segundo dados do ano de 1997, verifica-se que residem no Concelho de Vila Franca de Xira 12 170 indivíduos com mais de 65 anos, sendo a taxa de cobertura dos lares nãolucrativos de 2,5% face à sua capacidade. Segundo informação recolhida através da Carta Social – Rede de serviços e Equipamentos publicada recentemente pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade, em países como a França, a taxa de cobertura considerada desejável é de 4%. Justificando-se pelo facto de que a promoção do Bem Estar Social da pessoa idosa implica a manutenção da mesma no seu quadro habitual de vida. Com base nesta linha de pensamento importa então avaliar a situação da resposta centrada no apoio à pessoa idosa que mantêm a sua residência. 172 4.5.2. Centro de Dia A valência de Centro de Dia foi implementada como uma alternativa ao internamento dos idosos. Habitualmente, congrega um conjunto de respostas que permitem o apoio social ao indivíduo que reside na sua própria habitação. Estas respostas passam por combater o isolamento social através da deslocação diária dos idosos para o Centro de Dia, em transporte organizado pelo própria Instituição. Por outro lado, promovem uma alimentação saudável, higiene pessoal e de roupa, assim como, um controlo da assistência médica. Em última análise, promovem acções sócio – culturais e recreativas. Com este conjunto de respostas pretende-se diminuir o isolamento, proporcionando aos idosos uma estrutura de apoio social que funciona como elemento mediador entre o indivíduo com necessidades específicas e a sociedade em geral. No Concelho de Vila Franca de Xira identificam-se 11 Centros de Dia: 4 na Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz, 2 na Comissão Social de Freguesia de Vila Franca de Xira e Cachoeiras e outros 2, na Comissão Social de Freguesia da Castanheira. Nas Comissões Sociais de Freguesia de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho; na do Forte da Casa e na da Póvoa de Santa Iria existe 1 em cada. A Comissão Social de Freguesia de Vialonga não possui esta valência, embora já existam nesta freguesia estruturas de intervenção na área dos idosos. Foi aferida uma capacidade de resposta para 567 e encontram-se 580 idosos a frequentar os Centros de Dia existentes no Concelho, ou seja, mais 13 utentes que a capacidade inicial. Paralelamente, avaliou-se a existência de uma lista de espera de 60 idosos, não tendo sido possível aferir as necessidades da Freguesia de Vialonga, dado não existir esta valência. Pelos resultados obtidos através dos questionários continua-se a verificar incapacidade de resposta face às necessidades dos idosos e suas famílias. 4.5.3. Centros de Convívios Os Centros de Convívio pretendem essencialmente promover o relacionamento social entre a população mais idosa, que vive muitas vezes em situações individuais de isolamento social. Sendo privilegiadas as acções de animação socioculturais. Saliente-se que estas acções são habitualmente dinamizadas pelos próprios idosos, como forma de 173 promoção da sua cidadania / participação activa, enquanto que nos Centros de Dia estas acções são preparadas por técnicos especializados. Existem em toda a área geográfica do Concelho de Vila Franca de Xira, 10 Centros de Convívio. Na Comissão de Freguesia de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho existem 3 Centros de Convívio, assim como na Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz. A Comissão de Freguesia de Vialonga possui 2 Centros de Convívio. As restantes Comissões Sociais de Freguesia possui cada uma 1 recurso deste tipo. Em síntese, existem respostas deste tipo em todas as Comissões, no entanto, identificou-se também a existência de uma lista de espera com um total de 83 idosos. Paralelamente, verificou-se que os Centros de Convívio estão a funcionar com sobrelotação de utentes, ou seja, se existe uma capacidade total de 546 idosos, estes Centros de Convívio abrangem uma população total de 910 utentes. Pelos resultados da amostra, verifica-se que 364 utentes excedem a lotação dos equipamentos adaptados a esta resposta social. Acrescente-se que todas as Comissões Sociais de Reformados (7) têm Centro de Convívio, facto que constitui indicador de que existem no Concelho respostas organizadas pela própria população destinatária. Ou seja, avalia-se que a população idosa é parceira activa na organização de respostas que permitem minimizar situações de isolamento social. 4.5.4. Apoio Domiciliário Esta resposta visa a permanência do idoso ou pessoa incapacitada no seu domicílio. O Serviço de Apoio Domiciliário, através da prestação de cuidados de higiene pessoal, tratamento de roupas, higiene da habitação, fornecimento de alimentação e ainda de alguns cuidados de enfermagem, pretende promover condições de Bem – Estar Social aos indivíduos com incapacidade temporária ou permanente. O Serviço de Apoio Domiciliário encontra-se implementado em todas as Comissões Sociais de Freguesia, sendo a resposta social para idosos que menos carências apresenta ao nível da lista de espera (22 utentes). A Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz apresenta-se como a que mais recursos tem ao nível do Apoio Domiciliário, ou seja, existem 4 entidades envolvidas 174 nesta resposta. Posteriormente, identificam-se a Comissão Social de Freguesia de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho e a Comissão Social de Freguesia da Castanheira, ambas com 2 entidades a desenvolverem uma intervenção de Apoio Domiciliário. A Comissão Social de Freguesia de Vila Franca de Xira e Cachoeiras tem duas entidades que realizam este tipo de intervenção. Nas restantes Comissões Sociais de Freguesia existe apenas uma única entidade a praticar esta acção. 4.5.5. Comissões de Reformados Como já foi referido existem 7 Comissões de Reformados no Concelho de Vila Franca de Xira e estão sediadas na Comissão Social de Freguesia de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho 3; na Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz 2; na Comissão Social de Freguesia de Vialonga 1; na Comissão Social de Freguesia de Vila Franca de Xira e Cachoeiras 1. Assim, não existe nenhuma estrutura organizada pelos idosos nas Comissões Sociais de Freguesia da Castanheira; Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria. Estas Comissões de Reformados caracterizam-se por uma dinâmica bastante activa que se traduz na organização das actividades de convívio diário e na participação na organização e execução das actividades de caracter concelhio. 4.5.6. Financiamentos Através de pesquisa documental identificaram-se no Concelho 13 Instituições Particulares de Solidariedade Social com intervenção na área da população idosa e 7 Comissões de Reformados. No que se refere às 13 Instituições acima referidas importa referir que estas assumem um papel social fundamental para os idosos que necessitam de um apoio social específico à perda de autonomia, já que o custo mensal é calculado com base no rendimento mensal do pensionista, ou seja trata-se de uma comparticipação calculada por uma percentagem preestabelecida e uniformizada pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade, enquanto que outras instituições têm caracter lucrativo. As instituições com 175 fins lucrativos excedem na maioria dos casos os montantes mensais das pensões, facto que implica muitas vezes a participação económica dos familiares. As 13 Instituições Particulares de Solidariedade Social identificadas com intervenção na área da pessoa idosa dependem financeiramente dos Acordos de Cooperação estabelecidos pela Segurança Social. Não foi possível conhecer o total de verbas disponibilizadas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, no entanto importa informar sobre o valor das comparticipações praticadas pela Segurança Social no ano de 2000, por resposta social: Quadro 69 Comparticipação da Segurança Social por Resposta dirigida a Idosos Comparticipação da Segurança Respostas Sociais Social às instituições por utente Lar de Idosos 49.540$00 Centro de Dia 15.415$00 Centro de Convívio 6.703$00 Apoio Domiciliário 28.642$00 A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira tem comparticipado neste processo com o apoio de um subsídio anual, tendo previsto em orçamento para o ano de 2000 um subsídio no valor total de 24. 667. 336 Esc., referenciado no número de utentes que é de 1 695. Por outro lado, ficou também previsto um subsídio de 210.747 Esc. a cada Comissão de Reformados, no valor total de 1. 475. 222 Esc. Em síntese, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai comparticipar com uma verba de 26. 142. 558 Esc. Das 13 instituições sinalizadas verifica-se que 6 tem um âmbito de intervenção alargado a outros escalões etários, nomeadamente às crianças. 176 4.5.7. Avaliação Operativa Tendo como perspectiva a avaliação dos equipamentos existentes e os necessários por forma a apoiar o indivíduo dependente e a sua família no seu meio, através de cuidados continuados e apoio de carácter social, verifica-se que no Concelho de Vila Franca de Xira a falta de infra estruturas dirigidas à população idosa é notória, quer pelo número de indivíduos em lista de espera, quer pela sobrelotação dos equipamentos disponíveis. De acordo com o pressuposto de que a amostra é representativa, é sem dúvida necessário investir neste domínio. Os serviços de Saúde e Actividades Físicas subdividem-se no quadro abaixo apresentados que sistematiza a área de actividade das entidades respondentes e o número de indivíduos a quem prestam serviço: Quadro 70. Entidades e Utentes dos Serviços de Saúde e Actividades Físicas para Idosos Descrição N.º de Entidades Utentes Saúde 4 39 Cuidados continuados 2 361 Fisioterapia 2 70 Cuidados de enfermagem 3 363 Apoio psicológico 2 11 Distribuição de Alimentos a Fam. Carênciadas 2 40 Terapia Ocupacional 1 111 Actividades Físicas e de Movimento 11 494 Totais 27 1 489 177 As respostas ao nível das actividades de cultura e recreio disponíveis para a população idosa verificam-se a diferentes níveis conforme o quadro abaixo reflecte: Quadro 71. Actividades de Cultura e Recreio Dirigidas à População Idosa Descrição N.º de Entidades Utentes Actividades Culturais 10 352 Grupos Corais 3 48 Grupos de teatro 1 30 Actividades manuais / artesanais 8 230 Actividades Diversas de Recreio 2 26 Natação 1 50 Jogos de Mesa 2 52 Actividades Desportivas 2 75 Distribuição de Géneros e roupas 1 0 Colónia de Férias 1 75 Leituras 1 40 Cinema 1 80 33 1 058 Totais Apesar da falta de infra-estruturas dirigidas à população idosa, o leque de alternativas culturais e de recreio é bastante variada, se bem que concentrada em poucas entidades. Este facto leva, naturalmente, a que o acesso a este tipo de serviços seja afectado, dependendo da localização da instituição que o presta. 178 As entidades que desenvolvem a sua actividade no âmbito da população idosa começam a estar conscientes da mais valia decorrente do papel do idoso na organização social, promover a cidadania activa do indivíduo com mais de 65 anos tornou-se um objectivo a atingir. No Concelho de Vila Franca de Xira existe uma Comissão Municipal de Apoio ao Idoso que reúne todos os agentes sociais que trabalham com esta população: - Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Misericórdia de Vila Franca de Xira - Cáritas - Casa S. José – Vala do Carregado - APATI – Castanheira - ARIPSI – Póvoa de Santa Iria - Misericórdia de Alhandra - I.A.C. – Forte da Casa - Casa de S. Pedro de Alverca - Misericórdia de Alverca - CEBI – Alverca - Instituição de Apoio a Idosos do Bom Sucesso - ABEIV – Vialonga - 7 Comissões de Reformados - 11 Juntas de Freguesia A Comissão pretende essencialmente a reflexão sobre as questões sociais do idoso e o desenvolvimento de actividades culturais e recreativas. Sendo que, a planificação das actividades estão suportadas na consciência de que os idosos assumem um importante 179 papel social, económico, político, cultural e cívico. Na constatação de que existe um vasto campo de recursos / apetências a reconhecer, a explorar e a canalizar nas diversas práticas sociais. A grande preocupação que direcciona a intervenção desta Comissão Municipal é promover linhas de actuação que contribuam para a preservação da imagem positiva do idoso, da sua função social valorizada e útil, procurando enriquecer de significado e satisfação a condição de ser do idoso, transformando num beneficio colectivo a sua contribuição específica e sublinhando as vantagens da idade. O Plano de Acção da Comissão Municipal de Apoio ao Idoso corresponde a diferentes projectos específicos, tais como: - "Envelhecer de modo saudável e equilibrado, através da actividade física e movimento" - "Turismo Sénior – Férias com sabor a aventura" - "Integração social cultura e lazer" - "Sensibilização e informação" A Comissão Municipal de Apoio ao Idoso pode constituir em termos operativos o núcleo de base da definição de estratégias de intervenção social. Garantir o apoio social ao indivíduo idoso num processo de dependência é extremamente necessário, quando se colocam questões como isolamento social ou mesmo indisponibilidade da família para prestação dos cuidados necessários ao bem estar do indivíduo. Em síntese, importa reflectir sobre a implementação de medidas de apoio como o aumento da capacidade de resposta do serviço de apoio domiciliário. Apesar da medida de internamento em Lar ser entendida como uma solução extrema, aplicada a indivíduos em situação de completa dependência, julga-se que um aumento no número de camas disponíveis será imprescindível. Em termos económicos importa ter como base que estas respostas têm de ser financiadas pelo Estado Central, por forma a garantir uma resposta compatível com os rendimentos dos pensionistas. 180 4.5.8. Pensões de Invalidez, Velhice e Sobrevivência Através do Anuário Estatístico da Região de Lisboa e Vale do Tejo do ano de 1998 e segundo a fonte do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, o Instituto de Gestão Financeira, verifica-se um total de 18 887 pensionistas residentes no Concelho de Vila Franca de Xira em 31 de Dezembro de 1997. Das quais, 10 527 são pagas pela Segurança Social Portuguesa. Com base nas estimativas elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística à população residente no Concelho em 31 de Dezembro de 1997, compreendese que comparativamente ao total da população residente no Concelho os pensionistas correspondem a 16,6% do total dos habitantes. Valor que cruzado com o da população residente em Portugal, não tem um peso tão significativo, isto é, em Portugal verifica-se a existência de 24,0% de habitantes pensionistas, ou mesmo em relação à região de Lisboa e Vale do Tejo que 23,1% dos habitantes são pensionistas, por outro lado, só na região da Grande de Lisboa contabilizam-se 21,7% de habitantes pensionistas. A maior parte dos pensionistas auferem da pensão de velhice, ou seja, 10 505 pensionistas possuem mais de 65 anos. A pensão de sobrevivência abrange um total de 4 618 pensionistas, facto que significa que 4 618 cidadãos são viúvos. Pensionistas por invalidez avaliam-se 3 764 indivíduos. Os quadros que seguidamente se apresentam pretendem facultar a informação compilada referente à população pensionista residente no Concelho de Vila Franca de Xira e comparada com a população residente a um nível mais lato. 181 Quadro 72. Pensionistas por Invalidez, Velhice e Sobrevivência em 1997 Total Invalidez Sobrevivênci Velhice a Pensionistas Pensionista Concelhos em 31 /12 Pensionista Pensionistas s em 31 / em 31 / 12 12 2 393 568 392 442 1 448 823 552 303 24,0% 766 237 129 540 456 916 179 781 23,1% 397 219 70 772 231 752 94 695 21,7% 18 887 3 764 10 505 4 618 16,6% s em 31 / 12 Portugal Lisboa e Vale do Tejo Grande Lisboa Vila Franca de Xira Pensionistas Em 31 / 12 Por 100 Hab. Quadro 73. Pensões pagas pela Segurança Social em 1997 Concelhos Total Invalidez Velhice Sobrevivência Pensionistas em Pensionistas em Pensionistas em 31/12 31/12 31/12 Portugal 1 066 968 189 861 722 083 155 023 Lisboa e Vale do Tejo 397 734 72 382 268 209 57 143 Grande Lisboa 227 402 41 202 153 208 32 993 Vila Franca de Xira 10 527 2 320 6 703 1 504 Pensionistas em 31/12 182 4.6. População Portadora de Deficiência Deficiência, segundo a Organização Mundial de Saúde, representa qualquer perda ou alteração de uma estrutura ou de uma função psicológica, fisiológica ou anatómica, de carácter temporário ou permanente. Para a abordagem desta problemática utilizou-se como base um estudo realizado pelo Secretariado Nacional de Reabilitação editado em Lisboa no ano de 1996. Resultante desta pesquisa foi apurada a existência de 905 488 pessoas com deficiência, o que representa uma taxa nacional de 9,16%, valor próximo do que foi apurado através de estudos realizados em outros países da União Europeia. A Organização Mundial de Saúde define incapacidade como a restrição ou falta de capacidade para realizar uma actividade dentro dos limites considerados normais para um ser humano. As incapacidades podem ser temporárias ou permanentes, reversíveis ou irreversíveis, progressivas ou regressivas e são sempre resultantes de uma deficiência. No Concelho de Vila Franca de Xira foi apurada uma taxa de 4,34%, enquanto distribuição percentual de pessoas com alguma incapacidade / deficiência. Sendo o segundo Concelho com 100.000 ou mais habitantes com a taxa mais baixa, o Concelho de Cascais abrange a menor taxa de pessoas com algum tipo de incapacidade / deficiência, ou seja, situa-se no valor de 2,32%, o Concelho de Lisboa abrange uma taxa de 8,85%. O Concelho do Funchal apresenta-se com a maior taxa de deficientes residentes comparativamente com os outros Concelhos, que é de12,32%. A deficiência é um problema de todas as sociedades mundiais, existindo no mundo mais de 500 milhões de pessoas com deficiência. Ao longo dos tempos as políticas relativas à Deficiência têm demonstrado uma evolução significativa, quanto à promoção do bem-estar do cidadão deficiente, ou mesmo ao nível das medidas de prevenção ou reabilitação dos seus cidadãos. Na década de noventa, Portugal adoptou a recomendação do Comité de Ministros do Conselho da Europa datada de 9 de Abril de 1992, estabelecendo as seguintes prioridades de intervenção na área da Deficiência: - a prevenção e a educação para a Saúde; 183 - a identificação e o diagnóstico; - o tratamento e meios terapêuticos auxiliares; - a educação; - a orientação e formação profissional; - o emprego; - a integração social e o ambiente quotidiano; - a protecção social, económica e jurídica; - a formação do pessoal envolvido no processo de reabilitação e integração na sociedade; das pessoas com deficiência; - as estatísticas e a informação. Para que possam ser postos em prática os objectivos consagrados neste documento, cada Estado Membro propôs-se introduzir as seguintes medidas: - garantir o direito da pessoa deficiente à vida autónoma e à integração na sociedade, bem como reconhecer o dever da sociedade em o assegurar; - reconhecer a necessidade de uma intervenção precoce; - prevenir o aparecimento e impedir o agravamento de uma deficiência, incapacidade ou"handicap "(desvantagem) e suprimir ou atenuar os seus efeitos evitando o aparecimento de deficiências subsequentes, tais como as perturbações afectivas e psicológicas; - estabelecer, em colaboração com a pessoa com deficiência e sua família, um programa de reabilitação sob a forma de um processo global, contínuo e personalizado de prestações com início no momento do aparecimento da deficiência e cujas fases sucessivas se estendam até à integração profissional e social, evitando igualmente a necessidades de cuidados permanentes; - assegurar o acesso a estes programas a todas as pessoas com deficiência e que neles necessitem; 184 - tirar o melhor proveito da reabilitação, sempre que possível, em estabelecimentos previstos para a população em geral e se necessário em serviços especializados; - eliminar, na medida do possível, todos os obstáculos no meio ambiente e na sociedade e proporcionar às pessoas com deficiência a possibilidade de desempenhar plenamente o seu papel; - assegurar às pessoas com deficiência o acesso a uma educação geral ou especializada, consoante as suas necessidades; - assegurar às pessoas com deficiência um nível de vida digno através de prestações económicas e de serviços sociais adequados; - assegurar o acesso às actividades de lazer e às actividades culturais; - fazer com que a população em geral, profissionais, parceiros sociais, e a família da pessoa com deficiência se associem aos esforços desenvolvidos por esta; - promover a investigação sobre a prevenção de deficiências e reabilitação bem como noutros domínios respeitantes às pessoas com deficiência; - assegurar a cooperação estreita e precoce entre os serviços e as autoridades responsáveis pela saúde, educação, formação profissional, emprego, protecção social e todos os outros sectores relevantes e estabelecer laços e mecanismos de coordenação entre os organismos, as administrações, as autoridades regionais e locais, as famílias e as organizações de voluntários interessadas na integração das pessoas com deficiência; - melhorar a informação dos responsáveis políticos cujas decisões referentes ao meio físico e social se reflectem na qualidade de vida das pessoas com deficiência; - estimular uma melhor difusão da informação sobre os direitos das pessoas com deficiência e sobre os serviços postos à sua disposição; - assegurar a participação plena e activa das pessoas com deficiência e das suas associações na promoção dos seus interesses; - pôr em acção um processo de avaliação contínua das medidas tomadas no domínio da reabilitação. 185 A integração das pessoas com deficiência passou a ser da competência de todos, partindo da corresponsabilização têm vindo a surgir um vasto leque de respostas sociais para o cidadão deficiente. Ao nível do Concelho de Vila Franca de Xira existem 3 instituições vocacionadas para intervirem no âmbito da Deficiência: - Cerci-Póvoa (sediada na Freguesia da Póvoa de Santa Iria); - Cerci-Tejo (sediada na Freguesia de Alverca); - Associação Projecto Jovem (sediada na Freguesia de Vila Franca de Xira). Paralelamente foi sinalizada a vertente da formação profissional a decorrer no ano de 1999 na Cerci Tejo, Cooperativa de Educação e de Reabilitação de Crianças Inadaptadas Freguesia de Alverca. Estas Acções de Formação Profissional são destinadas e organizadas especificamente para a população deficiente e enquadram-se na sua grande maioria no âmbito da Medida 3, do Programa Integrar. A única acção que não está abrangida pelo Programa Integrar é uma promovida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional na área da "vigilância de Jardins de Infância ", com a duração de 3 anos e destinada a indivíduos portadores de deficiência mental ligeira. No âmbito da Medida 3, do Programa Integrar, desenvolveram-se acções de formação na seguintes áreas: - Cabeleireiro; - Carpintaria; - Serralharia; - Pastelaria; - Aux. de Acção Médica; - Maqueiro; - Tipografia; - Ajudante de Mecânica; 186 - Ajudante de Estufador. Todos os cursos destinam-se a indivíduos portadores de deficiência mental ligeira ou moderada, por forma a garantir capacidade de deslocação e de trabalho. Quadro 74. Respostas institucionais de apoio aos deficientes Entidades/ Cerci Póvoa Cerci Tejo Ass. Projecto Jovem Total de Utentes 20 - - 20 72 20 10 102 20 17 - 37 31 11 - 42 Lar Residencial 20 - - 20 Activ. Desportivas 76 - - 76 - - 100 40 - 40 Valências Estimulação Precoce Centro de Actividades Ocupacionais Apoio Técnico às Famílias Centro de Apoio Sócio-Educativo Centro de Actividades Lúdicas 100 e Expressivas Outras Actividades Por outro lado, importa referenciar que o serviço de Apoio Domiciliário abordado na secção dos Equipamentos para a população Idosa constitui também resposta legitima para os indivíduos deficientes portadores de incapacidade para satisfazer as suas necessidades básicas. Ao nível das listas de espera inerentes a estes serviços não foi possível obter uma informação completa, no entanto com referência à única informação disponibilizada pela 187 Cerci Tejo, verifica-se que as listas de espera situam-se ao nível do Centro de Actividades Ocupacionais (14 indivíduos) e da Formação Profissional (5 indivíduos). 4.6.1. Financiamentos A informação disponível refere-se ao subsídio anual da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira a estas instituições, no montante de 9.858.975$00. Este montante é calculado com base no número de utentes por instituição, sendo que esta verba foi calculada sobre 211 utentes. Paralelamente, procurou-se conhecer o total de verbas disponibilizadas pelo Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, mas não foi possível. Assim, apresenta-se o valor das comparticipações praticada pela Segurança Social no ano 2000, por resposta social: Quadro 75. Comparticipação nas Respostas Sociais Dirigidas às Pessoas com Deficiência Respostas Sociais Comparticipação da Segurança às Social instituições por utente Centro de Ocupacionais Lar Residencial Actividades 71.133$00 104.119$00 4.6.2. Avaliação Operativa Na sequência do levantamento efectuado às respostas sociais organizadas para apoiar o indivíduo deficiente foi possível concluir sobre algumas questões. A grande finalidade das entidades que compõem o conjunto de respostas sociais é a de preparar crianças e jovens portadoras de deficiência para a sua vida em comunidade. 188 No caso da deficiência mental este percurso inicia-se com a aprendizagem escolar (área educativa), passando com o crescimento e consequentemente surgimento de outro tipo de necessidade, como a integração no mercado de trabalho. Para este efeito, importa disponibilizar o acesso à aprendizagem de uma formação profissional. Quando a integração profissional é uma meta impossível de obter pelas dificuldades individuais decorrentes da grau da deficiência / incapacidade, estabelece-se um programa de desenvolvimento que pretende garantir o máximo de autonomia, prevenindo a idade adulta e o envelhecimento dos pais. Este programa é desenvolvido através da valência Centro de Apoio Ocupacional, promovendo assim a independência pessoal e social – numa actividade de vida diária através de um apoio específico e individualizado. Verificamos que ao nível das deficiências, as físicas e sensoriais são as que mais se salientam no Concelho de Vila Franca de Xira, assim como as incapacidades de locomoção, cuidados pessoais, face a situações e de comportamento são as que envolvem o maior número de indivíduos. (ver área temática da saúde) Devido ao levantamento das principais deficiências e incapacidades com que se debatem os indivíduos portadores das mesmas, compreende-se que ao nível das respostas existem necessidades de implementação: Lar Residencial - para todo o Concelho existe uma capacidade de resposta para 20 utentes. Quando na realidade existem muitas situações de deficientes mentais profundos, facto que implica uma completa dependência / co-dependência familiar. Muitas vezes, a família vive exclusivamente para o familiar dependente em situação de completo isolamento social; Serviço de Apoio Domiciliário - esta resposta não pode apoiar as necessidades subjacentes à falta de resposta sentida pela existência de um único Lar Residencial, já que encontra-se em situação de sobrelotação, ou seja tem uma capacidade para 337 utentes e desenvolve a actividade com 533 utentes, registando uma lista de espera de 22 indivíduos; Centro de Actividades Ocupacionais - esta é a resposta com maior capacidade. As três entidades que actuam a este nível abrangem um total de 102 indivíduos. Contudo, ao avaliar-se a única lista de espera que até ao momento conhecida verifica-se que a Cerci Tejo possui 14 indivíduos a aguardarem resposta. A instituição CérciPóvoa tem em curso um projecto de construção de novas instalações, em terreno cedido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (Quinta da Piedade – 189 Póvoa de Santa Iria). Esta obra está orçada em cerca de 580 mil contos, cujo financiamento vai ser suportado pelo Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e outras contribuições empresariais. A concretização deste projecto vai permitir apoiar mais 250 utentes em diferentes valências: - Área educativa e centro de apoio ocupacional - Residência - Actividades de tempos Livres, área terapêutica e sócio-educativa - Zona desportiva (ginásio, pavilhão e piscina). No apoio social directo sente-se alguma insatisfação profissional no confronto com as necessidades de aparelhos externos de suporte à vida do deficiente e os meios disponíveis para os adquirir. Ou seja, a Segurança Social prevê um subsídio pontual para o efeito ao abrigo do programa de ajudas técnicas, contudo a verba disponível é bastante reduzida para a cobertura das necessidades. No Concelho existe uma Comissão Municipal de Apoio ao Deficiente composta por diferentes entidades que em conjunto podem contribuir para o bem-estar do cidadão deficiente: - Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Centro de Emprego - Centros de Saúde - Serviço Local de Acção Social - Delegação escolar - Equipa Coordenadora de Apoios Educativos - CEBI – Fundação Desenvolvimento Comunitário de Alverca - Cerci Tejo 190 - Cerci Póvoa - Associação Projecto Jovem - Cáritas Paroquial - Escola do 1.º ciclo do EB, n.º5 (Unidade de Apoio à Educação dos Alunos surdos de Vila Franca de Xira). Esta Comissão Municipal constitui um espaço de reflexão da problemática do deficiente em geral, de encaminhamento de situações especificas e de promoção de iniciativas de caracter desportivo, recreativo e cultural. Por outro lado, anualmente realiza um colóquio dirigido à população em geral e aos Técnicos e responsáveis dos serviços da acção social, alusivo à problemática da Deficiência. Assim como, tem desenvolvido diferentes acções de sensibilização nas Escolas do Concelho e junto de algumas entidades empregadoras no sentido de se concretizarem medidas de inserção social. Segundo informação do Centro de Emprego local aferiu-se que no ano de 1999 foram inseridos profissionalmente 23 indivíduos, 11 indivíduos em empresas privadas e 12 indivíduos distribuem-se por Instituições Particulares de Solidariedade Social e Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Saliente-se que todas as inserções derivam das Acções de Formação Profissional. Outro dado interessante, refere-se ao tipo de deficiência: - 16 deficientes motores; - 2 deficientes invisuais; - 3 deficientes mentais; - 2 deficientes auditivos. Um outro aspecto que tem condicionado a inserção social dos cidadãos deficientes relaciona-se com as acessibilidades, a Câmara Municipal está a intervir no sentido de proceder à aplicação do decreto-lei n.º 123/97, de 22 de Maio que prevê a eliminação de barreiras urbanísticas e arquitectónicas de edifícios públicos, equipamentos colectivos e 191 via pública num prazo máximo de 7 anos. A este nível, a autarquia já está a efectuar adaptações nos edifícios dos seus diferentes serviços, tem realizado obras em residências de cidadãos deficientes e está a desenvolver estudos para viabilizar as acessibilidades na via pública. Por outro lado, avalia-se como necessidade o facto de não existir no Concelho uma rede de transportes ao serviço do cidadão deficiente com capacidade para assumir um posto de trabalho. Por último, as questões sociais com que se debatem os cidadãos deficientes residentes no Concelho de Vila Franca de Xira têm um espaço de reflexão privilegiado na Comissão Municipal de Apoio aos Deficientes, constatando-se que esta problemática é uma preocupação sentida por todos os agentes sociais. 4.7. Equipamentos e serviços de apoio às Famílias A intervenção ao nível familiar tem sido objecto das preocupações que fundamentam a planificação da acção de todos os intervenientes sociais nos seus diferentes âmbitos. Tanto as entidades públicas como as privadas, ou seja, desde o Serviço Local do Centro Regional de Segurança Social, a Câmara Municipal, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco e Instituições Particulares de Solidariedade Social procuram desenvolver uma intervenção continuada junto dos agregados familiares. Esta intervenção procura ser localizada, no sentido de estar próxima das populações, sendo que o atendimento social está disponível na maioria das freguesias, assim como nos Bairros mais problemáticos de: Vialonga, Vila Franca de Xira, Castanheira, Alverca, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Os atendimentos / acompanhamentos locais que estão a ser desenvolvidos nos bairros municipais por técnicos enquadrados pelo Projecto Integrado de Luta Contra a Pobreza caminham numa perspectiva de intervenção muito idêntica à dos Centros Comunitários. A intervenção comunitária visa a produção de mudanças nos aspectos geradores dos efeitos de exclusão. Fortalecendo as redes de vizinhança existentes e o sentimento de pertença a uma comunidade em desenvolvimento social. 192 A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira é promotora de um Projecto de Desenvolvimento Integrado, apoiado pelo Programa Nacional de Luta Contra a Pobreza, que teve início em Outubro de 1999 e decorrerá até final do ano 2001. O Projecto intervém em 5 bairros sociais – o Bairro Olival de Fora, freguesia de Vialonga; o Bairro Municipal de Povos, freguesia de Vila Franca de Xira; o Bairro Municipal do Forte da Casa, freguesia do Forte da Casa; o Bairro Municipal da Quinta da Piedade, freguesia da Póvoa de S.ta Iria e a Urbanização do Vale de Arcena, freguesia de Alverca. Estes Bairros surgem na sequência do processo de realojamento e/ou reabilitação urbana, através dos Programas PER, Reabilitação Urbana e Renovação Urbana. Constituem objectivos centrais do Projecto de Desenvolvimento Integrado: - Acompanhar a intervenção urbanística em vários pontos do Concelho (quer a construção de novas habitações, quer a reabilitação dos Bairros sociais mais antigos), com a necessária acção social, por forma a assegurar uma correcta apropriação e conservação dos novos espaços criados e / ou reabilitados, no sentido de garantir também incidências económicas e sociais duradouras, estruturantes de uma nova condição de vida. - Contribuir para a integração económica e social, bem como para a melhoria das condições de vida das comunidades locais, combatendo e prevenindo os múltiplos factores de exclusão social. Em função destes objectivos o Projecto, apoiado numa parceria alargada constituída por serviços públicos e entidades privadas locais, implementou um conjunto de acções: Um dos objectivos fundamentais do Projecto é a promoção do associativismo local e a organização das populações, no sentido de promover a participação e a responsabilização dos moradores nos processos de desenvolvimento local. Neste sentido, constituem objectivos específicos do Projecto: - Criação e acompanhamento de Comissões de prédio, que têm como objectivo a responsabilização dos moradores pela preservação do património habitacional, a melhoria das condições de habitabilidade e convivência nos bairros. As Comissões de prédio funcionam de forma semelhante aos condomínios na habitação privada, sendo 193 eleitos um administrador e um tesoureiro, que se responsabilizam pela gestão do prédio e que se constituem simultaneamente como interlocutores privilegiados com o Projecto. Neste momento, estão criadas Comissões em cerca de 63% dos prédios e os efeitos da intervenção fazem-se sentir, não apenas ao nível da limpeza e gestão dos prédios, mas também ao nível da capacidade reivindicativa das populações. - Criação de Comissões de Moradores, que promovam a participação e dêem expressão e visibilidade aos interesses e aspirações das populações. A este nível, foi possível a dinamização da Comissão de Moradores de Arcena que, embora já existisse formalmente, estava praticamente inactiva e a criação de uma Comissão de Moradores no Bairro Municipal da Quinta da Piedade. - Dinamização de grupos de jovens, que promovam o envolvimento dos jovens na organização e dinamização de actividades e projectos de interesse para as suas zonas de residência. Neste momento está constituída uma Associação de Jovens em Arcena e vários grupos de carácter desportivo e cultural em Vialonga, Arcena e Quinta da Piedade. - Apoio às Associações locais, no sentido de reforçar as capacidades de resposta e a qualidade da intervenção. O Projecto apoia algumas instituições, quer ao nível técnico, quer ao nível financeiro (aluguer de sedes, recursos humanos). - Acompanhamento social às famílias O facto deste projecto funcionar em Gabinetes locais, facilita o conhecimento das situações e a relação com os moradores e permite um acompanhamento mais sistemático às famílias, capaz de trabalhar as diferentes dimensões associadas ao risco, nomeadamente as questões de saúde, da inserção sócio - profissional, da habitação, do apoio sócio educativo, das competências parentais e das formas de organização familiar mais funcionais. Neste sentido, tem vindo a ser desenvolvido um trabalho de parceria com diferentes entidades, e em particular com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo no trabalho com as famílias, o que contribui para colmatar uma das principais dificuldades desta Comissão, que tem a ver com a insuficiência de recursos humanos. Ao nível do apoio sócio – educativo, têm vindo a desenvolver-se um conjunto de actividades dirigidas às famílias, crianças e jovens, designadamente: 194 - Acções de sensibilização de apoio aos processos de realojamento, nas áreas da organização doméstica e familiar, direitos e deveres dos inquilinos e vizinhos, segurança, higiene e saúde no lar, economia doméstica, tendo sido igualmente elaborado um Guia de Realojamento, entregue quando as pessoas chegam às novas casas, que contêm às novas casas, que contem informações úteis para a gestão doméstica. Estas acções foram implementadas em particular os bairros de realojamento mais recente, nomeadamente a parte PER do Bairro Municipal de Povos e os Bairros Municipais do Forte da Casa e da Quinta da Piedade, onde abrangeram respectivamente um total de 53 famílias e 102 crianças e cerca de 200 famílias. - Ateliers de Apoio Pedagógico, dirigidos a crianças do 1.º ciclo do ensino básico com dificuldades de inserção no sistema de ensino. Estes Ateliers, que funcionam em associação com quatro escolas do Concelho (EB1 n.º2 de Vialonga, EB1 da Póvoa de S.ta Iria, EB1 de Povos e EB Integrada do Bom Sucesso) e com o Plano Concelhio de Intervenção na Área das Toxicodependências, são um espaço de prevenção do insucesso e abandono escolar, funcionando como complemento educativo, onde as crianças podem solidificar as competências adquiridas na escola, num contexto mais lúdico e informal. No ano lectivo de 1999/2000 foram abrangidas cerca de 125 crianças. - Na mesma linha foram também criados Salas de Estudo na Urbanização do Vale de Arcena e no Bairro Municipal da Quinta da Piedade, que funcionam como espaços abertos e interdisciplinares, onde os jovens podem realizar os seus trabalhos de casa, esclarecer dúvidas e obter o apoio necessário. Desde Setembro de 2000 que estes espaços dão apoio a cerce de 80 jovens em ambos os locais. - Em Arcena funcionam também um conjunto de Clubes e Ateliers de caracter sócio – educativo (das Ideias, da Brincadeira, do Ambiente, de Informática) que aliam o caracter lúdico ao aspecto formativo e que, no total, abrangem um conjunto de cerca de 60 crianças e jovens. - Espaço Aventura / desportos radicais é mais uma actividade que funcionou durante o ano de 2000 em parceria com o Plano Concelhio de Intervenção na Área das Toxicodependências e que abrangeu cerca de 87 jovens de todo o Concelho. 195 - É de referir ainda o apoio às actividades das escolas, nomeadamente na realização de actividades mais pontuais com as crianças, assim como a dinamização do Centro de Recursos da EB 1 n.º 2 de Vialonga e a montagem da Rádio Escolar na EB 2, 3 de Vialonga com formação aos jovens nas áreas da produção, realização e informação. A dinamização de actividades de ocupação saudável dos tempos livres das crianças e jovens, fundamental para o desenvolvimento das suas competências sociais e pessoais e para a diversificação das suas experiências de vida e construção de novas redes de sociabilidade é outro dos objectivos do Projecto. Neste sentido, foram implementadas: - Actividades desportivas – grupos de futebol e classes de Karaté em Arcena e na Póvoa, que abrangem cerce de 100 crianças, jovens e adultos. - Atelier de Capoeira, em Vialonga, que abrange cerca de 10 crianças e jovens. - Atelier de Artes Circenses em Vialonga, que abrange cerca de 10 crianças e jovens. - Grupos de Dança Africana em Arcena, Vialonga e Póvoa e Grupo de Dança Jazz na póvoa, que abrangem cerca de 50 crianças e jovens. - Atelier de Música em Vialonga, que abrange 10 jovens. - Colónias de Férias em todos os locais que abrangeram no ano 2000 mais de 400 crianças e jovens. - Passeios e visitas em todos os locais, que envolveram no ano de 2000 cerca de 170 crianças e jovens - Comemorações de datas festivas. Durante o ano de 2000, foram realizadas as seguintes acções: - Acções de sensibilização para crianças e pais de Vialonga em diferentes áreas: saúde oral, Qualidade alimentar, Alimentação equilibrada, que abrangeram 40 pessoas. 196 - Formação de técnicos de saúde e de IPSS’s de Vialonga e Póvoa em diferentes áreas: Intervenção Precoce, Apoios Educativos, Meios Alternativos de Comunicação, que abrangeram 86 pessoas. - Vacinação (hepatite B) da população adulta do Bairro Municipal de Povos. No ano de 2000 foi realizado um Seminário sobre "Políticas Integradas de Realojamento"que contou com a participação de 41 instituições e cerca de 120 pessoas. O Projecto edita trimestralmente o jornal "Habitar ", distribuído nos bairros e nas instituições do Concelho. 4.7.1. Avaliação operativa Promover mudanças efectivas no seio de um agregado familiar que se apresenta em situação social disfuncional é a finalidade máxima de todas as intervenções familiares. Qualquer acção que pretenda produzir uma mudança tem de ser estruturada de base, assim, para construir essa estrutura implica envolvimento, participação activa e programação de acções que resultem em mudanças progressivas. Tem sido objecto de muitas reflexões a forma como estão organizadas as políticas / medidas sociais, concluindo-se que a sectorização não está a ser funcional. Esta questão central induz obrigatoriamente à procura de alternativas, os intervenientes sociais (técnicos e dirigentes) do Concelho de Vila Franca de Xira, através das reuniões de diferentes grupos de trabalho não está alheio a esta preocupação. Desde algum tempo a esta parte que todos os intervenientes no processo da acção social começaram a sentir insatisfação quanto à eficácia da sua organização. Este sentimento já ultrapassou os técnicos que na sua acção directa verificavam que eram insuficientes para realizarem um acompanhamento estruturado, os utentes que sentem um apoio bastante limitado e encontra-se hoje nas prioridades dos dirigentes. Tem sido difícil assegurar um acompanhamento continuado à maioria dos agregados familiares que dele necessitam. O universo dos agregados familiares que compõem os ficheiros destes serviços corresponde de uma forma geral a situações bastante problemáticas, pressupondo a intervenção junto de todos os elementos do mesmo. 197 A análise que tem sido efectuada a todo este processo permite concluir que: - O número de recursos Técnicos, bem como de Viaturas é insuficiente; - Fraco envolvimento dos parceiros, numa efectiva articulação e responsabilização; - A sectorização dos projectos de intervenção implica a organização de inúmeras reuniões participadas pelos mesmos técnicos, facto que permite em síntese afirmar que em muitas situações as preocupações e procura de alternativas discutidas são idênticas. Traduzindo-se na falta de rentabilização dos recursos existentes. Na sequência das reflexões efectuadas no âmbito das reuniões do Conselho Local de Acção Social e Comissões Sociais de Freguesia, já foi possível reunir as seguintes propostas: - Implementação de um sistema de atendimento / acompanhamento integrado e multidisciplinar; - A partilha de um ficheiro criado em sistema de vizinhança em rede, com registos de todas as intervenções especificadas e calendarizadas. Este ficheiro deverá estar programado por forma a identificar qualquer elemento do agregado familiar. As propostas acima referidas baseiam-se na metodologia de intervenção que está a ser aplicada através do Programa de Rendimento Mínimo e que já reúne um grupo de Técnicos representativos das diferentes entidades parceiras. Avalia-se a necessidade emergente de estruturar um novo modelo de organização comum a todos os serviços para a intervenção familiar. Julga-se que o desenvolvimento da cultura de parceria vai ter implicações válidas nos resultados das conclusões para a estruturação de um novo modelo de intervenção. 4.8. Medida Rendimento Mínimo Garantido A Medida Rendimento Mínimo Garantido foi implementado em Portugal através de uma fase de caracter experimental aplicada em várias freguesias – piloto no ano de 1996. Em Julho do ano seguinte o Programa estendeu-se a todo o território nacional permitindo a garantia de um rendimento mínimo a todos os cidadãos com residência comprovada no país. 198 A Lei que veio regulamentar esta medida de política social pressupõe uma actuação cujo fio condutor é a inserção social. É a garantia de que todos os cidadãos que se encontrem em situação de grave carência económica têm direito a um rendimento calculado com base no valor da Pensão Social, anualmente actualizado. O valor da prestação é calculado com base nos rendimentos declarados e comprovados, e no número de elementos do agregado familiar. O valor da prestação é igual à diferença entre o valor de Rendimento Mínimo (RMG), correspondente à composição do agregado familiar e o valor dos rendimentos já recebidos pelo mesmo agregado. A grande inovação e potencialidade da Medida do Rendimento Mínimo Garantido é a introdução do programa de inserção, negociado entre o Técnico de acompanhamento e os beneficiários, analisado pelo grupo multidisciplinar dos parceiros que constituem o Núcleo Executivo da Comissão Local de Acompanhamento. Este programa de inserção baseia-se numa avaliação profunda das problemáticas que estão instaladas na vida do agregado familiar, bloqueando a inserção da família ao nível das áreas de Saúde, Educação, Acção Social, Formação Profissional, Emprego e Habitação. Esta intervenção de base permite planificar um conjunto de acções que visam em última análise produzir a mudança nos factores impeditivos da inclusão social de cada agregado. Por outro lado, a intervenção prevê um acompanhamento continuado e uma avaliação periódica do programa de inserção. A respeito da inserção no Concelho de Vila Franca de Xira a mais valia introduzida por este Programa consiste na introdução duma metodologia inovadora na intervenção social junto dos cidadãos mais desfavorecidos. Em termos funcionais e para tornar mais eficaz a intervenção neste Concelho, existem três Pólos de intervenção: - Castanheira, Vila Franca de Xira e Cachoeiras - Alverca, Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho - Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga. 199 Por outro lado, sinalizam-se como constrangimentos, a falta de recursos humanos para o número de processos activos, assim como, a insuficiência de recursos adequados ao perfil dos beneficiários que promovam a inserção. No sentido de efectuar esta pesquisa foi realizada uma reunião com as representantes do Serviço Sub – Regional de Loures e do Serviço Local de Vila Franca de Xira, tendo-se concluído que a informação registada nos processos ainda não está trabalhada ao nível informático perdendo-se a possibilidade de produzir novos conhecimentos ao nível da caracterização da população em situação de pobreza. Foi também indicado que esta medida alterou o tipo de utente com que habitualmente a Segurança Social trabalhava, contudo não existe uma caracterização aprofundada desta população. A informação sintetizada nos quadros que seguidamente se apresentam ilustram o que se conhece da aplicação do Programa de Rendimento Mínimo Garantido no Concelho de Vila Franca de Xira, com referência à data de Março de 1999: Quadro 76. Níveis de execução relativos aos requerimentos e aos indivíduos do RMG Deferidos Comissões Sociais de N.º N.º de Entrados Não N.º de Indeferidos Ind. Freguesia Prestação Prestação N.º Suspensa De Ind. de Ind. Cessada Cessados Ind. Alhandra S. João dos Montes e 379 158 405 183 404 34 93 30 80 634 269 653 308 751 47 118 40 101 156 70 208 73 187 8 23 8 20 410 192 542 186 469 23 56 23 58 525 230 732 244 691 44 118 27 85 498 243 635 201 526 46 114 33 92 2 602 1 162 3 175 1 195 3 028 202 522 161 436 Sobralinho Alverca e Calhandriz Castanheira Forte da Casa Póvoa de Santa Iria (*) Vialonga Vila Franca de Xira e Cachoeiras Totais 200 (*) A informação fornecida adiciona as duas Comissões Sociais de Freguesia pelo que não há possibilidade de desagregar estes mesmos dados. A área da Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz apresenta o maior número de requerimentos registados (634), sendo que é também a que possui maior número de processos deferidos no activo (269 processos familiares que abrangem um total de 653 indivíduos). Importa referir que a Freguesia da Calhandriz registou a entrada de 11 requerimentos, dos quais 2 foram deferidos e referem-se a dois processos individuais. A área da Comissão Social de Freguesia de Vialonga possui 525 requerimentos com registo de entrada no Serviço Sub – Regional de Loures, dos quais 230 estão deferidos e no activo, facto que envolve 732 indivíduos beneficiários deste Programa. Assim sendo, verifica-se que esta área é a que apresenta maior número de indivíduos em situação de grave carência económica, enquanto que a área da Comissão Social de Freguesia de Alverca e Calhandriz apresenta famílias mais numerosas. Na área que abrange a Comissão Social de Freguesia de Vila Franca de Xira e Cachoeiras registaram-se 498 requerimentos, tendo sido deferidos 243 processos o que envolve 635 indivíduos. Sendo que, a Freguesia das Cachoeiras regista 13 pedidos de Rendimento Mínimo Garantido, 6 foram deferidos e abrangem 11 indivíduos. Em relação às Freguesias de Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria não existem dados que possibilitem individualizar as duas Comissões Sociais de Freguesia que são distintas, no entanto pode ser afirmado que comparativamente às outras acima analisadas não residem nestas freguesias agregados familiares com um peso tão significativo em situação de grave carência económica, visto que são freguesias com elevado número de habitantes, especificamente a Póvoa de Santa Iria. Contudo, só deram entrada 410 requerimentos de Rendimento Mínimo Garantido, dos quais 192 foram deferidos e encontram-se no activo, envolvendo um total de 542 indivíduos. A área envolvente à Comissão Social de Freguesia de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho surge com 379 requerimentos entrados e 158 deferimentos não cessados, facto que abrange 405 indivíduos. Por outro lado, a área da Comissão Social de Freguesia da Castanheira surge com menos requerimentos (156), 70 são os processos deferidos não cessados, que envolvem um total de 208 indivíduos. 201 Os indeferimentos relacionam-se na maioria dos casos com o facto do rendimento mensal ultrapassar o valor da prestação pecuniária. Dos 2 602 requerimentos entrados no Serviço Sub – Regional da Segurança Social de Loures, 1 195 foram indeferidos. Os rendimentos superiores têm sido detectados pela Base de dados da Segurança Social ou pelos Técnicos da acção directa. Foram deferidos 1 162 requerimentos, facto que implica que este Programa abrange uma população de 3 175 indivíduos. Os dados fornecidos permitem ainda verificar que existem 161 (436 indivíduos), processos em situação de "suspensos. ", forma de responsabilizar através de admoestação, ou seja, medida de carácter temporário aplicada em situações de dúvida com perspectivas de adesão ao processo de mudança. As prestações cessadas / canceladas, 202 processos, que envolvem 522 indivíduos referem-se maioritariamente a alterações de rendimentos e indisponibilidade para celebrar o Acordo de Inserção. A Coordenadora do Serviço Sub – Regional da Segurança Social de Loures informou verbalmente que a percentagem de inserção social (considerada com referência ao Acordo de Inserção) situa-se nos 14% do total dos processos entrados, nas áreas de: - Educação; - Formação profissional – Programa Integrar – Medida 2; - Colocação profissional; - Saúde – Prevenção Primária e Secundária; - Acção social – Apoio Psicossocial, Creche e Actividades de Tempos Livres; - Habitação. Por outro lado, não existe uma caracterização da população beneficiárias, segundo a Sr.ª Coordenadora sabe-se que estes agregados familiares apresentam alterações constantes, no que se refere ao número de elementos, ao total de rendimentos e ainda registam mudanças de residência. Na sua opinião será de alguma importância caracterizar esta população, visando uma intervenção aprofundada. Conhecer as diferentes etnias a residir no Concelho, a população toxicodependente (incluindo os alcoólicos), as famílias monoparentais, ou mesmo os doentes do foro psiquiátrico. Conhece-se a respeito dos beneficiários o seguinte: 202 Quadro 77. Caracterização dos Beneficiários e Titulares por Idade e Sexo < = 18 19 - 24 25 - 34 35 - 44 45 - 54 55 - 64 > = 66 M F M F M F M F M F M F M F Beneficiários 696 673 104 190 150 251 143 218 99 147 102 149 101 152 Titulares 2 10 26 100 72 196 61 194 52 112 60 120 45 112 Dos que recebem prestação 1 162 são beneficiários titulares e 3 175 são beneficiários "agregados"aos "titulares". Perfazendo um total de 4 337 beneficiários do Programa do Rendimento Mínimo Garantido. Estes dados indicam que os beneficiários são mais do sexo feminino (2 624) do que do sexo masculino (1 713). Também revelam que são os beneficiários do feminino que mais requerem a prestação, ou seja, 318 titulares são do sexo masculino enquanto 844 são do sexo feminino. Ao nível da Acção Social em geral verifica-se que na maioria das situações os pedidos de apoio à família são efectuados pelas mulheres, pelo que este facto também existe ao nível do Programa do Rendimento Mínimo Garantido. No que respeita à faixa etária dos beneficiários concluí-se que a maioria tem idade inferior ou igual aos 18 anos (1 381 beneficiários), a classe etária dos 25 aos 34 anos apresenta 669 beneficiários, a dos 35 aos 44 anos abrange 616 beneficiários. Posteriormente, surge a classe etária dos 55 aos 64 anos com 431 beneficiários, a classe etária dos 19 aos 24 anos abrange 420 beneficiários, com 410 beneficiários respectivamente surgem os beneficiários das classes etárias dos 45 aos 54 anos e os beneficiários de idade superior ou igual aos 65 anos. Em síntese, um aspecto preocupante refere-se ao facto de que a maioria dos beneficiários são as crianças e os jovens. Em situação oposta encontra-se a população idosa, isto é, os indivíduos com mais de 65 anos não assumem um peso significativo, compreendendo-se que esta faixa etária encontra-se coberta pelo sistema nacional de pensões da Segurança Social. 203 Quadro 78. Caracterização dos Agregados Familiares - Tipos de Família Família Família Nuclear Nuclear sem Filhos com Filhos Família Alargada 132 Família Monoparental Monoparenta (Mulher) l(Homem) 359 28 mais de um Vila Franca de Xira Família 280 Núcleo 33 Isolada Isolada (Mulher) (Homem) 211 119 A família monoparental, composta pela mãe com filhos dependentes assume o tipo de família que apresenta maiores carências económicas. Paralelamente, a família monoparental, composta pelo pai com filhos dependentes assume uma representatividade pouco significativa. Os indivíduos isolados correspondem a elementos de agregados familiares de maior idade sem qualquer recurso económico, (processo de autonomização). 4.8.1. Avaliação Operativa O Presidente do Instituto de Desenvolvimento Social caracterizou em termos nacionais os beneficiários do Programa do Rendimento Mínimo Garantido, numa intervenção pública no Seminário realizado nos dias 1 e 2 de Fevereiro de 2000, subordinado ao tema: "Políticas e Instrumentos de Combate à Pobreza na União Europeia - a garantia de um rendimento mínimo ". Tendo tomado como referência os dados referentes ao final do ano de 1999 informou que os beneficiários totalizavam 430 mil indivíduos. Estes beneficiários agrupam-se em 140 mil agregados familiares, cuja média de constituição é de 3 a 4 elementos por agregado familiar. Referiu como preocupação o facto de 53% dos beneficiários possuírem menos de 24 anos e 48% dos mesmos ainda têm menos de 16 anos. Por outro lado, os indivíduos com mais de 65 anos têm um peso pouco significativo, cerca de 6%. Estes dados permitem concluir que a população beneficiária do Programa do Rendimento Mínimo no Concelho de Vila Franca de Xira apresenta percentagens muito semelhantes às nacionais. 204 O aspecto inovador deste Programa, com grandes potenciais para o desenvolvimento da intervenção social junto da população carênciada refere-se ao próprio Modelo de Intervenção proposto: - O Programa do Rendimento Mínimo Garantido propõe-se a um Modelo de Organização direccionado para a inserção, pressupondo um acordo de inserção negociado. Isto é, o respeito dos "timings "individuais, por forma a desenvolver / acrescentar competências novas aos beneficiários que permitam uma efectiva inserção e não uma saída rápida da prestação. Em termos práticos, surge um obstáculo na aplicação deste Programa, os Técnicos da acção directa debatem-se no seu quotidiano com os seus próprios "timings "despendendo dum tempo efectivo para o acompanhamento directo bastante insuficiente, facto que condiciona os resultados a atingir. Por outro lado, conhecem-se muitas situações de agregados familiares que apresentam uma vivência com graves carências. Situações em que o rendimento mensal ultrapassa o calculado por este Programa por uma quantia muito pequena, ou até mesmo, o rendimento equivalente ao da pensão social. Estes agregados familiares encontram-se no limiar da pobreza, muitas vezes com carências muito semelhantes ás dos beneficiários de Rendimento Mínimo Garantido e têm imensas dificuldades em obter apoio social para também produzirem mudanças efectivas nas suas realidades. Como é do conhecimento geral os beneficiários de Rendimento Mínimo Garantido são considerados prioritários no âmbito da intervenção de inúmeros serviços, como é o caso do Centro Regional de Segurança Social, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, entre outros a articulação que os serviços já conseguiram estabelecer para a concretização dos programas de inserção exclui de certa forma os cidadãos que se encontram no limiar da situação de carência. A inexistência de uma base de dados que permita ir elaborando um diagnóstico contínuo do tipo de população que se candidata. Sendo que esta informação não deverá, possivelmente, restringir-se apenas aos candidatos a quem é atribuída prestação. Dada esta limitação não foi possível recolher informação referente a avaliar o sucesso das inserções sociais, indicadas com uma percentagem de 14% e, especificamente, quantificar as áreas de inserção pelas quais se distribuem os beneficiários. Bem como, quantas prestações foram canceladas por incuprimento dos beneficiários. 205 4.9. Refeitório Social O refeitório social iniciou o seu funcionamento em 1974 no âmbito do programa de acção desenvolvido pela Acção Social da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, em parceria com a Junta de Freguesia e a Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira. As entidades parceiras disponibilizam todos os meios necessários para a viabilidade deste equipamento, de entre os quais destaca-se a intervenção social de três técnicos. Quando o indivíduo ou a família carenciada tem rendimentos mensais, pode usufruir deste serviço mediante o pagamento duma quantia simbólica, (o custo por refeição no ano 2000 foi de 150$00), podendo ser gratuita em casos de inexistência de rendimentos. Este pagamento simbólico surge na perspectiva de que todos os cidadãos devem comparticipar e envolver-se no processo de melhoria da sua situação social. O Refeitório social tem capacidade de resposta para fornecer almoços a 35 indivíduos, durante o ano de 2000 regista uma frequência diária de cerca de 20 indivíduos. Comparativamente ao território nacional o Concelho de Vila Franca de Xira foi pioneiro nesta medida, dado que este tipo de resposta segundo a "Carta Social – Rede de Serviços e Equipamentos "teve a sua origem no período de 1986 a 1998 (80% das respostas existentes). Segundo relatório de actividades desta resposta verificou-se que os utentes são: - a grande maioria dos utentes do refeitório social são residentes na Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira; - ao nível dos grupos etários que mais recorrem a esta medida foram sinalizados por ordem decrescente o grupo dos 35 aos 39 anos, com o mesmo número de utentes encontra-se o grupo dos 50 aos 54 anos. De seguida encontram-se os indivíduos com idades compreendidas entre os 65 e os 69 anos; - os indivíduos do sexo masculino solicitam mais este tipo de apoio; - estes utentes têm na sua maioria o 4.º ano do Ensino Básico; - geralmente são desempregados ou reformados; - em termos habitacionais residem em condições bastante degradadas; 206 - frequentemente são indivíduos com problemas de alcoolismo ou outro tipo de toxicodependência; - a situação familiar pode ser caracterizada pelo isolamento, mas também são sinalizadas famílias monoparentais. 4.9.1. Avaliação operativa Julga-se que é de toda a importância assegurar o funcionamento deste serviço para algumas famílias carenciadas do Concelho (e não só!), mas importa também preservar a dignidade das pessoas que a ele recorrem e contribuir para a melhoria da sua auto-estima. Assim é urgente melhorar a qualidade do espaço físico, acrescentando outros serviços como tratamento de roupas e higiene pessoal. Por outro lado, proporcionar recursos técnicos para o acompanhamento social dos utentes com vista a uma possível "libertação" da dependência em que se encontram. A resposta para o desenvolvimento desta resposta social pode estar no trabalho da parceria com que as instituições que, directa ou indirectamente nela estão envolvidas, unir esforços e fazer daquele espaço uma porta aberta para uma possível mudança. 4.10. Considerações Gerais Após o estudo global dos recursos existentes no Concelho é possível tecer algumas considerações, sendo que a realidade social resulta numa teia de problemáticas sociais que afecta não só o indivíduo isolado como todos os outros sistemas em que está inserido. Ou seja, o indivíduo, a família, a Escola e a comunidade local. Visando proporcionar uma maior eficácia e eficiência à intervenção social continua a ser de extrema importância o desenvolvimento da cultura de parceria. A articulação dos recursos existentes e a partilha de conhecimentos constitui uma mais valia para a intervenção social, como forma de rentabilização perante a insuficiência de recursos financeiros. 207 Paralelamente às necessidades, avaliadas através das listas de espera, compreendeu-se que as Instituições Particulares de Solidariedade Social sem fins lucrativos asseguram a maior parte das respostas sociais. Parecendo que será exequível que as mesmas instituições possam aumentar a sua capacidade de resposta através do apoio do Estado central. Ou seja, não parece necessária a constituição de novas instituições, mas sim criar condições para a expansão das respostas já existentes. As directrizes estatais já referenciadas no ponto: "Enquadramento da Política de Acção Social ", correspondem às necessidades prioritárias do Concelho, pelo que talvez importe sensibilizar e dinamizar as instituições por forma a avaliar quais as propostas de intervenção e apresentá-las à Segurança Social. Esta proposta poderá reunir mais do que uma instituição e criar Centros de Desenvolvimentos Comunitários, por área geográficas agrupadas e limitadas às zonas de intervenção consideradas prioritárias: - Vila Franca de Xira - Castanheira - Alhandra - Alverca - Vialonga - Póvoa de Santa Iria - Forte da Casa. - Estes Centros de Desenvolvimento Comunitário podem desenvolver outras respostas sociais como por exemplo: - Ensino pré-escolar (Jardins de Infância) - Creches - Apoio Domiciliário Integrado para idosos e outros dependentes - Centros de Apoio Ocupacional destinados aos deficientes. 208 Por outro lado e de uma forma bastante paralela surge a necessidade emergente de reflectir sobre a implementação de um sistema de atendimento integrado que permita um acompanhamento continuado às famílias em risco. 4.11. Nomenclaturas e Conceitos - Acção Social Apoio à Infância (Despacho de Aprovação do Senhor Secretário de Estado da Inserção Social exarado em 13/05/98) Ama Pessoa que, por conta própria e mediante retribuição, cuida de uma ou mais crianças que não sejam suas, parentes ou afins na linha recta ou no 2.º grau da linha colateral por um período de tempo correspondente ao trabalho ou impedimento dos pais. (decreto-lei n.º 158/84, de 17 de Maio). Creche Familiar É um conjunto de amas, não inferior a 12 nem superior a 20, que residam na mesma zona geográfica e que estejam enquadradas, técnica e financeiramente, pelos Centros regionais de Segurança Social, Santa Casa de Misericórdia de Lisboa ou instituições particulares de solidariedade social com actividades no âmbito das 1.ª e 2.ª infâncias. (decreto-lei n.º 158/84, de 17 de Maio). Creche Resposta social de âmbito sócio – educativo que se destina a crianças dos 3 meses aos 3 anos de idade, durante o período correspondente ao trabalho dos pais, proporcionando às crianças condições adequadas ao desenvolvimento harmonioso e global e cooperando com as famílias em todo o seu processo educativo. 209 Estabelecimento de Educação Pré-Escolar (Jardim de Infância) É uma instituição que presta serviços vocacionados para o desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe actividades de apoio à família. (Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro – Lei – Quadro da Educação Pré-Escolar). Centro de Actividades de Tempos Livres (ATL) Resposta que se destina a proporcionar actividades do âmbito da animação sócio – cultural a crianças, tendencialmente a partir dos 6 anos, e a jovens, de ambos os sexos, nos períodos disponíveis das responsabilidades escolares e de trabalho. Os centros de actividades de tempos livres podem revestir várias formas, de acordo com o modelo de intervenção, nomeadamente: para acolhimento / inserção (animação de rua, actividades de porta aberta); para prática de actividades especializadas (clubes desportivos, bibliotecas, ludotecas, ateliers de expressão, cine – clubes, clubes de fotografia); para multiactividades (onde se enquadram os clássicos centros de ATL). Apoio a Idosos (Despacho de Aprovação do Senhor Secretário de estado da Inserção Social exarado em 13/05/98) Lar Resposta social desenvolvida em equipamentos de alojamento colectivo de utilização temporária ou permanente, para idosos em situação de maior risco de perda de independência e / ou autonomia. Centro de Dia Resposta social, desenvolvida em equipamento, que consiste na prestação de um conjunto de serviços que contribui para a manutenção dos idosos no seu meio sócio-familiar. 210 Centro de Convívio Resposta social, desenvolvida em equipamento de apoio a actividades sócio-recreativas e culturais, organizadas e dinamizadas pelos idosos de uma comunidade. Serviço de Apoio Domiciliário Resposta social que consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados, no domicílio, a idosos, adultos ou famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outros impedimentos, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e / ou as actividades de vida diária. Pessoas com deficiência (Despacho de Aprovação do Senhor Secretário de Estado da Inserção Social exarado em 13 / 05 / 98) Centro de Actividades Ocupacionais Estrutura destinada a desenvolver actividades para jovens e adultos com deficiência grave e profunda, com o objectivo de: - estimular e facilitar o desenvolvimento das suas capacidades; - facilitar a sua integração social; - facilitar o seu encaminhamento, sempre que possível, para programas adequados de integração sócio-profissional. (Decreto-Lei n.º 18/89, de 11 de Janeiro e Despacho n.º 52/SESS/90, de 16 de Julho). Intervenção Precoce Resposta de natureza sócio-educativa destinada a crianças até aos 6 anos de idade, em situação de alto risco, tendo em vista influenciar a interacção familiar e o desenvolvimento da criança, desenvolvendo um conjunto de acções integradas do âmbito da Educação, Saúde e Solidariedade e segurança Social, que se desenvolvem em regime de itenerância, nomeadamente no domicílio, na ama, na creche e no jardim de infância. Em situações excepcionais, pode justificar-se o acesso a serviços e estruturas mais diferenciadas, para obtenção de apoios complementares. 211 Apoio Técnico Interdisciplinar a Crianças e Jovens e às suas Famílias Programas de apoio especializado dirigidos às crianças / Jovens e às suas famílias no sentido de promover o seu desenvolvimento social. Centro de Apoio Sócio-Educativo Resposta que integra actividades diferenciadas de natureza sócio-educativa, de apoio à integração e de apoios complementares, destinada a crianças e jovens com necessidades educativas especiais que não encontram resposta nas escolas regulares e que exijam um atendimento educativo específico resultante de: - dificuldades graves de comunicação no acesso ao currículo regular, designadamente nas áreas da motricidade, linguagem, da visão e da audição; - dificuldades graves de compreensão do currículo regular; - problemas graves do foro emocional e comportamental. Lar Residencial Resposta desenvolvida em equipamento, destinada a alojar jovens e adultos com deficiência de ambos os sexos, de idade não inferior a 16 anos, que se encontrem impedidos, temporária ou definitivamente, de residir no seu meio familiar normal. Serviços de Apoio às Famílias (Despacho de Aprovação do senhor Secretário de Estado da Inserção Social exarado em 13/05/1998) Atendimento / Acompanhamento Social Resposta social que visa apoiar as pessoas e famílias em dificuldade, na prevenção e/ou resolução de problemas geradores ou gerados por situações de exclusão, assente numa relação de reciprocidade técnico / utente, tendo em vista a promoção de condições 212 facilitadoras da sua inserção, através, nomeadamente do apoio à elaboração e acompanhamento de um projecto de vida. Centro Comunitário Estrutura polivalente onde se desenvolvem serviços e actividades que, de uma forma articulada, tendem a constituir um polo de animação com vista à prevenção de problemas sociais e à definição de um projecto de desenvolvimento local, colectivamente assumido, e em que esses serviços e actividades decorrem das necessidades e aspirações da população em geral e resultam da convergência dos recursos existentes Refeitório / Cantina Social Resposta social desenvolvida em equipamento destinada ao fornecimento de refeições, em especial a indivíduos economicamente desfavorecidos, podendo integrar outras actividades, nomeadamente de higiene pessoal, tratamento de roupas e ainda outras actividades desenvolvidas em ateliers. Atendimento / Acompanhamento familiar O Serviço Local de Acção Social da Segurança Social contabilizou no ano de 1999, 1676 atendimentos familiares, segundo informação, o tipo de pedido subdivide-se em três categorias: - Ajuda económica; - Informação / Orientação; - Apoio Técnico (acompanhamento). Por outro lado, indicam-se como problemáticas avaliadas nestes atendimentos: - Insuficiência Económica; - Doença / Invalidez; 213 - Desemprego; - Carências de Habitação; - Comportamentos desajustados; - Insuficiência de Serviços de Apoio. 214 4.12. • Referências Bibliográficas Acção Social Instituto Superior Técnico / Centro de Estudos de Sistemas Urbanos e Regionais (1999), Carta de Equipamentos de Educação e Ensino do Concelho de Vila Franca de Xira • Direcção – Geral de Acção Social (1998), Respostas Sociais – Serviços e Equipamentos – Nomenclaturas / conceitos, D.G.A.S., Lisboa • Instituto Nacional de Estatística, Inventário Municipal – Equipamentos, Serviços e Produtos, Região de Lisboa e Vale do Tejo, 1998, I.N.E., Lisboa • Seminário: Políticas e Instrumentos de Combate à Pobreza na União Europeia: A garantia de um rendimento mínimo. 1e 2 de Fevereiro de 2000, Instituto de Desenvolvimento Social • Secretariado Nacional de Reabilitação, Distribuição da população portadora de deficiência, por tipo de deficiência. Lisboa, 1996 • Associação Arisco, Relatórios de avaliação, ano lectivo 1999/2000 • Comissão de Protecção de Menores, Relatórios de avaliação, anos de 1997,1998 e 1999 215 Diagnóstico Social do Concelho de Vila Franca de Xira 216