ÁREA TEMÁTICA: Cooperativismo, economia e desenvolvimento
PROJETO “EQUIPE TÉCNICA” – CONHECENDO A REALIDADE DAS
COOPERATIVAS REGISTRADAS NO SISTEMA OCEMG/SESCOOP - MG NOS
RAMOS AGROPECUÁRIO E TRANSPORTE
THE “TECHNICAL TEAM” – KNOWING THE REALITY OF THE REGISTERED
COOPERATIVES IN THE SYSTEM OCEMG/SESCOOP - MG ON
AGRICULTURE/LIVESTOCK AND TRANSPORT SECTORS
DRUMOND, Vitória Resende Soares – Sistema Ocemg/Sescoop - MG
FIGUEIREDO, Fabrício Henrique de – Sistema Ocemg/Sescoop - MG
[email protected]
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Resumo
O artigo descreve o projeto de monitoramento desenvolvido pela Gerência de
Acompanhamento de Cooperativas do Sistema Ocemg/Sescoop - MG,
apresentando a forma como as cooperativas dos ramos transporte e agropecuário
são acompanhadas pelos técnicos; o levantamento de demandas específicas
nesses ramos e apontando os resultados alcançados com essa atividade no ano de
2011, bem como sugestões para a sua continuidade.
Palavras-chave: cooperativas; cooperativismo; desenvolvimento; Gerência de
Acompanhamento de Cooperativas.
Abstract
The article describes the work on monitoring developed by the Management of
Cooperative Accompaniment, of the Ocemg/Sescoop-MG System, showing the form
how the cooperatives on branches transportation and agriculture/livestock are
accompanied by technical; the raising specific demands of these branches and
pointing the results with this activity in 2011, as well suggestions for its continuity.
Keywords: cooperatives; development; Management of Cooperative Monitoring
1- Introdução
Pretende-se, com este trabalho, apresentar o papel estratégico da Gerência de
Acompanhamento de Cooperativas do Sistema Ocemg/Sescoop - MG (Sindicato e
Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais / Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo de Minas Gerais), que consiste no
acompanhamento das cooperativas, realizado por meio de visitas técnicas, nos
ramos agropecuário e transporte, como forma de estreitar o relacionamento junto ao
Sistema, levantar demandas de capacitação, diagnosticar o processo de gestão,
receber sugestões ou críticas e mensurar, por meio de questionário específico,
pontos relevantes das cooperativas visitadas, relacionados com seu quadro social,
quadro funcional, gestão, produtos, contabilidade e responsabilidade social. Por
meio de visitas in loco, técnicos formados em Gestão de Cooperativas,
acompanhados por estagiários, levam informações importantes referentes ao
Sistema Ocemg/Sescoop - MG e fazem um diagnóstico preliminar, identificando
demandas das cooperativas nas regiões onde estão inseridas. Outro ponto relevante
do trabalho é o convênio firmado com a Universidade Federal de Viçosa, pelo qual o
Sistema oferece a estagiários a oportunidade de aplicar, na prática, conceitos e
teorias estudados, além de conhecer de perto a realidade das diversas cooperativas.
Segundo Bialoskorski (2006), o atual contexto da economia obriga o cooperativismo,
diante dos novos rumos econômicos e estruturais, a modernizar sua gestão, bem
como a utilizá-lo como alternativa frente aos problemas sociais desses “novos
tempos” da economia. Torna-se fato, portanto, que tal sucesso apenas será
consolidado por meio de um cooperativismo forte, tanto em nível nacional quanto
internacional.
A Gerência de Acompanhamento de Cooperativas surgiu por demanda das
cooperativas, apresentada em uma série de encontros regionais de dirigentes,
realizada no ano de 2009 para a elaboração do Plano Diretor do Sistema
Ocemg/Sescoop - MG para os anos de 2009 a 2012. Esses dirigentes apresentaram
algumas deficiências do Sistema, tais como falta de aproximação com a base,
dificuldades de comunicação com as cooperativas registradas, inexistência de
monitoramento e falta de novos produtos que poderiam contribuir para uma maior
profissionalização das cooperativas. Ansiavam pela estruturação dos ramos do
cooperativismo através do fomento e assessorias e por uma maior aproximação do
Sistema com as cooperativas.
Em julho de 2010, o Sistema colocou em prática o projeto de Acompanhamento das
Cooperativas, com o objetivo principal de promover a troca de informações
institucionais e identificar as principais demandas das cooperativas por ramo ou
região, oferecendo sugestões e soluções para o desenvolvimento do segmento no
Estado. O trabalho de monitoramento das cooperativas objetiva, a partir da coleta e
análise dos dados, a sistematização das informações das cooperativas por região,
ramo e atividade, propiciando o mapeamento das demandas comuns e a formatação
de programas de capacitação direcionados para o atendimento das necessidades
das organizações visitadas.
2- Objetivo
Constitui o objetivo geral de este artigo descrever o trabalho desenvolvido pelo
Sistema Ocemg/Sescoop - MG por meio da Gerência de Acompanhamento de
Cooperativas e os resultados alcançados no ano de 2011, bem como as sugestões
para a sua continuidade em 2012.
3- Metodologia
De acordo com Michel (2009), a metodologia pode ser entendida como um caminho
a ser traçado para orientar o processo de investigação do pesquisador, a fim de que
ele possa alcançar um objetivo e trazer a verdade num processo de pesquisa.
O delineamento utilizado neste artigo baseia-se no estudo de caso, que, de acordo
com Godoi (2006), se caracteriza como um tipo de pesquisa que visa a explicar fatos
que ocorrem em um determinado contexto ou situação. Justifica-se a sua utilização
tendo em vista a necessidade de explicar e analisar uma realidade social mais
complexa, uma vez que permite um maior aprofundamento sobre o objeto de
pesquisa (YIN, 2005). Foram investigados fenômenos atuais ocorridos durante a
implantação e atuação da Gerência de Acompanhamento de Cooperativas do
Sistema Ocemg/Sescoop - MG.
4- Criação e Atuação da Gerência de Acompanhamento de Cooperativas do
Sistema Ocemg/Sescoop - MG
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), conforme determina o artigo 105
da Lei n. 5.764 de 1971, é a entidade máxima de representação do cooperativismo
nacional. Foi constituída no início dos anos 1970 e tem sua sede no Distrito Federal,
além de outras 26 filiadas, uma para cada Estado.
À OCB cabe à coordenação nacional do sistema e a elaboração de diretrizes que
serão implementadas nos Estados. As unidades estaduais são responsáveis pelo
registro e acompanhamento das cooperativas filiadas.
A esse sistema foi integrado o Serviço Nacional de Aprendizagem do
Cooperativismo – Sescoop, criado pela Medida Provisória n. 1.715, de 3 de
setembro de 1998 e suas reedições, regulamentado pelo Decreto n. 3.017, de 6 de
abril de 1999. O Sescoop faz parte do Sistema S e tem como objetivo integrar o
Sistema Cooperativista nacional. Representa importante instrumento operacional do
Sistema OCB para o desenvolvimento de ações de capacitação, acompanhamento e
promoção social, visando à estruturação e desenvolvimento das cooperativas.
Dessa forma, a cada organização estadual foi vinculado um Sescoop. Cabe ao
Sescoop organizar, administrar e executar o ensino profissional cooperativista e a
promoção social de cooperados, empregados de cooperativas e familiares, além do
monitoramento das cooperativas (SESCOOP, 2011).
De acordo com Bialoskorski (2000), o cooperativismo brasileiro sofreu importantes
alterações em seu ambiente institucional com a promulgação da Constituição de
1988, que, entre outras ações, fundamentou a autogestão das cooperativas,
retirando o acompanhamento e a intervenção governamental.
Ainda, conforme Bialoskorski (2000), as cooperativas participantes do XI Congresso
Brasileiro de Cooperativismo reivindicaram um efetivo monitoramento das
cooperativas por parte do Sistema, o que resultaria em uma maior transparência da
gestão e um monitoramento de sua situação financeira e social. Assim, a
“elaboração de uma política institucional de monitoramento das cooperativas passa
a ser uma exigência institucional para o sucesso das sociedades cooperativas.”
(BIALOSKORSKI, 2000, p. 37).
O Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais – Ocemg –
e o Serviço Nacional de Cooperativismo no Estado de Minas Gerais – Sescoop MG, também conhecido como Sistema Ocemg/Sescoop - MG representam as
cooperativas do Sistema OCB no Estado de Minas Gerais.
O Sistema Ocemg/Sescoop - MG abriga a Gerência de Acompanhamento de
Cooperativas, criada em 2010 com o objetivo de monitorar as 7901 cooperativas
registradas na organização.
Tendo em vista a extensão territorial do Estado e o grande número de cooperativas
registradas, o trabalho da gerência iniciou-se pela escolha de dois ramos
específicos: o agropecuário, devido à sua representatividade quantitativa/econômica
e ao distanciamento geográfico da maioria das cooperativas da sede do Sistema, e o
ramo transporte, devido à sua complexidade, peculiaridade e por ser um ramo
relativamente novo2 dentre os treze existentes.
1
2
Fonte Ocemg/Sescoop - MG, em 29/2/2012.
O ramo transporte foi criado pela Assembleia Geral Ordinária da Organização das Cooperativas
Brasileiras – OCB – no ano de 2002. O ramo é composto por cooperativas que se dedicam à
atividade do transporte de cargas ou de passageiros.
A metodologia utilizada pela Gerência de Acompanhamento no monitoramento das
cooperativas mineiras consiste em visitar as cooperativas com o objetivo de realizar
um diagnóstico de gestão e estreitar o relacionamento dessas sociedades com o
Sistema Ocemg/Sescoop - MG, uma vez que, de acordo com Bialoskorski (2000), há
uma heterogeneidade enorme quando se trata de gestão nas cooperativas, que é
determinada pelo segmento, região e tipo de negócio da sociedade.
As visitas não se limitam apenas à coleta de dados estatísticos adquiridos por meio
do questionário, pelo contrário: através do contato pessoal dos técnicos que
compõem a gerência, é possível detectar pontos relevantes das cooperativas no que
se refere ao nível de organização do quadro social, a motivação do quadro funcional,
o grau de profissionalização, a aderência com a Lei n. 5.764/71, entre outros fatores.
Ainda, a atuação da gerência busca minimizar alguns pontos principais que
“estrangulam” o sistema cooperativista, conforme já havia ponderado Bialoskorski
(2000, p. 12), sendo eles
a falta de profissionalização da gestão, a incipiente organização, os
problemas de capacitação da empresa, a falta de integração entre
cooperativas e a necessidade de se elevar o nível de educação
cooperativista do associado.
O processo inicia-se com o contato telefônico com a cooperativa da região a ser
visitada, a fim de explicar o projeto e agendar uma data para a realização da visita.
O primeiro momento da visita visa a conhecer a cooperativa in loco, sua história e
área de atuação. Em seguida, são apresentadas as funções do Sistema
Ocemg/Sescoop - MG e fornecidas informações relevantes, por meio de cartilhas.
Por fim, é aplicado um questionário com perguntas fechadas e abertas, voltado para
cada ramo. O questionário aborda questões como: a atividade econômica da
cooperativa, os livros obrigatórios, a tecnologia da informação, a organização do
quadro social e funcional, a gestão dos recursos, a atuação do Conselho de
Administração e do Conselho Fiscal, a contabilidade e a responsabilidade social.
Também são esclarecidas dúvidas da cooperativa no que se refere aos assuntos de
gestão e legislação.
Após a visita, são elaborados dois relatórios: o primeiro contempla uma descrição de
cada cooperativa e traça uma fotografia percebida pelos técnicos, englobando as
declarações dos participantes da visita; o segundo consiste na tabulação do
questionário aplicado nas cooperativas. Este último permite o mapeamento das
demandas comuns, necessidades de capacitação e pontos de estrangulamento, que
são apresentados à diretoria do Sistema para posterior análise e encaminhamentos.
5- Identificação
das
cooperativas
visitadas
Acompanhamento de Cooperativas em 2011
pela
Gerência
de
As visitas técnicas foram direcionadas para atender aos ramos agropecuário e
transporte. Atualmente o Sistema Ocemg/Sescoop - MG possui registradas 216
cooperativas do ramo agropecuário e 115 cooperativas do ramo transporte.
Foram visitadas 208 cooperativas entre os anos 2010 e 2011, sendo 127
agropecuárias, o que significa aproximadamente 59% do total de cooperativas do
ramo, e 81 do ramo transporte, representando 70% do total das cooperativas do
ramo.
No ano de 2011, foram visitadas 136 cooperativas. O Gráfico 1 mostra a distribuição
das visitas nos meses do ano. É possível observar que os meses de agosto a
novembro apresentam um aumento significativo no número de visitas realizadas em
decorrência da contratação de quatro estagiários da Universidade Federal de Viçosa
– UFV. Para o ano de 2012, restam 75 cooperativas agropecuárias e 20
cooperativas do ramo transporte.
GRÁFICO 1 – Número de cooperativas visitadas em 2011
Fonte: Os autores.
A quantidade de cooperativas visitadas permite uma análise mais precisa da
realidade das cooperativas dos referidos ramos. Os próximos itens apresentarão a
sistematização dos dados das cooperativas visitadas.
5.1- Ramos transporte
Entre 2010 e 2011, foram visitadas 81 cooperativas singulares do ramo transporte.
Desse total, 18 são filiadas a uma central ou federação; as 63 restantes afirmaram
não pertencerem a nenhuma organização de grau superior.
O número de cooperativas não associadas a uma central ou federação representa
78% do total das cooperativas visitadas. Esse dado mostra a necessidade de
organização do ramo, que se encontra sem a representação efetiva de uma
federação.
Uma central ou federação estruturada é fundamental para o fortalecimento do ramo
transporte, tendo em vista que poderia possibilitar para as cooperativas filiadas,
além de representação política e possibilidade de troca de experiências, uma
redução de custos administrativos, na medida em que poderiam ser programadas
compras conjuntas e um mapeamento de demandas, bem como a formulação de
projetos de capacitação que poderiam ser desenvolvidos em parceria com o Sistema
Ocemg/Sescoop - MG.
Para Galerani (2003), a união de cooperativas através de uma central ou federação
traz vantagens, como redução de custos, incremento na produtividade, facilidade de
obtenção de crédito, melhora da gestão, inovação e fortalecimento do
empreendimento cooperativo.
Do universo visitado, foi possível estabelecer uma classificação do tipo de serviço
prestado pelas cooperativas. Assim, conforme Tabela abaixo, temos que 40
cooperativas trabalham com transporte de carga, 45 com transporte de passageiros,
34 com transporte escolar, 23 com fretamento de veículo, 14 com táxi, 1 com
mototáxi e 5 com serviços de entregas e mensagens. É importante deixar claro que
uma cooperativa pode trabalhar com mais de um tipo de atividade.
Tabela 1
Tipos de serviços prestados pelas cooperativas visitadas do ramo transporte
Quais são os produtos da cooperativa?
Mototáxi Táxi
Transporte Transporte
de cargas
escolar
1
14
40
Fonte: Ocemg, 2011.
34
Serviço de
entrega e
mensagens
Fretamento
de veículo
Transporte de
passageiros
Outros
5
23
45
2
Sobre a Organização do Quadro Social – OQS –, foi constatado que 66 (81%)
cooperativas não possuem comitês educativos ou departamento que desenvolva
trabalhos de conscientização sobre o cooperativismo para o quadro social e
funcional. Apenas 15 (19%) afirmaram desenvolver trabalhos nessa área.
Tais números apontam para a necessidade de ampliação do trabalho desenvolvido
pelo Sistema Ocemg/Sescoop - MG de Organização do Quadro Social. É importante
que o referido projeto contemple, além das cooperativas agropecuárias, as
cooperativas do ramo transporte visitadas que possuem condições de desenvolvê-lo.
A educação cooperativista, desenvolvida através da Organização do Quadro Social,
além de capacitar as pessoas com relação ao negócio cooperativo e suas
especificidades, reforça a identidade das organizações cooperativas, visto que
propicia um modelo de gestão que favorece o desenvolvimento das pessoas e do
negócio, oportunizando a participação, a transparência e o profissionalismo
(SCHNEIDER, 2003).
O meio de comunicação mais utilizado pelos cooperados é a comunicação direta
com o presidente. Esse dado demonstra que, na maioria das cooperativas, não há
formalização das opiniões e sugestões reforçando a necessidade de um programa
de Organização do Quadro Social. A Tabela 2 descreve os meios de comunicação
utilizados pelos cooperados. É importante explicitar que existem cooperativas que
utilizam mais de um meio de comunicação.
Tabela 2
Meios de comunicação dos cooperados com as cooperativas
Quais são os principais meios de comunicação do cooperado com a cooperativa?
Ofício
Fax
11
6
Fonte: Ocemg, 2011.
E-mail
Telefone
Caixa de sugestões
14
52
7
Comunicação direta com o
presidente
74
Das cooperativas visitadas, 63 possuem funcionários e empregam 1.555 pessoas,
porém apenas 23 (28%) delas oferecem capacitação específica sobre
cooperativismo ao contratar novos colaboradores.
A conscientização do funcionário é fundamental, pois ele executa as atividades
operacionais e propicia condições para os cooperados realizarem a atividade fim da
cooperativa. Nesse contexto, é preponderante que esse colaborador tenha o mínimo
de entendimento sobre o empreendimento cooperativo, sua forma de gestão,
especificidades, princípios e valores.
Durante as visitas técnicas, muitas dúvidas sobre os fundos obrigatórios das
cooperativas foram sanadas, com destaque para o Fundo de Assistência Técnica
Educacional e Social – Fates. Apenas 17 cooperativas, ou seja, aproximadamente
21%, dispõem de programa de utilização dos recursos do Fates. Também é
importante mencionar que algumas cooperativas possuem outros fundos, porém não
fazem a previsão do modo de formação, aplicação e liquidação, como determina o
artigo 28 da Lei n. 5.764/71.
A contabilidade é o controle sobre a situação econômica, financeira e patrimonial do
negócio. A maioria das cooperativas visitadas apresenta dificuldades relacionadas
com as questões contábeis. Algumas dificuldades são: elaboração de balanço,
elaboração de balancetes mensais, análise das demonstrações contábeis, definição
e contabilização do ato cooperativo, ausência de plano de contas adequado e
inconsistência entre as peças contábeis.
Das 81 cooperativas do ramo transporte visitadas, 36 (45%) cooperativas não
seguem os artigos 80 e 81 da Lei n. 5.764/71, que dispõem sobre a forma de
distribuição de despesas. Em relação à destinação das sobras líquidas apuradas no
exercício findo, 9 (11%) cooperativas fazem o rateio em partes iguais, ferindo o
inciso VII do artigo 4º da Lei n. 5.764/71. Os dados são preocupantes, pois
demonstram que algumas cooperativas ainda não seguem a legislação específica.
As questões tributárias foram muito demandadas, as cooperativas possuem muitas
dúvidas sobre as bases de cálculo e as alíquotas dos tributos. Essas dúvidas são
muito específicas, e não existe um consenso entre as cooperativas acerca do
tratamento de cada tributo.
Com relação ao conselho de administração, das 81 cooperativas visitadas, em 62
(77%) delas os membros do conselho de administração não receberam capacitação
específica para o desempenho das funções. Este indicador é importante, pois, na
medida em que os próprios gestores não se capacitam, a dificuldade de gerir o
negócio é maior.
Uma consequência dessa falta de capacitação é a resposta dos presidentes quando
perguntados sobre quais são os maiores desafios para o cumprimento de suas
atribuições. As respostas mais frequentes foram:
Conhecer a tributação específica (50 cooperativas);
Aplicar a Lei n° 5.764/71 (40 cooperativas);
Utilizar os relatórios contábeis como ferramenta de decisão (37 cooperativas).
•
•
•
Os membros do conselho de administração, em sua grande maioria, têm
conhecimento específico do negócio, daí a necessidade de se priorizar o
acompanhamento dos processos de gestão tendo em vista que possuem pouco
conhecimento sobre as peculiaridades da administração do empreendimento
cooperativo. Apenas 19 (23%) cooperativas participaram de treinamento específico
junto ao Sistema Ocemg/Sescoop - MG e 51 (63%) cooperativas visitadas não
possuem planejamento estratégico.
Em relação aos fatores que contribuem para o desenvolvimento da cooperativa no
mercado, foram ressaltados pelos presidentes:
A qualidade na prestação dos serviços;
A necessidade de conhecer o mercado no qual atuam;
A logística de transporte;
Fidelização do cooperado.
•
•
•
•
Tabela 3
Fatores que contribuem para o desenvolvimento da cooperativa no mercado
33
20
17
13
21
38
16
22
Fidelização do cooperado
Planejamento estratégico
57
Financiamento e captação de
recursos
34
Logística de transporte
Tributação
Capacitação do quadro funcional
Capacitação do quadro social
Profissionalização da gestão
Formação de preço
Estratégia de marketing
30
Qualidade na prestação de
serviços
32
Pesquisa de satisfação dos
clientes
43
Captação e manutenção de cliente
Conhecimento de mercado
Quais são os fatores que contribuem para o desenvolvimento da cooperativa no mercado?
38
Fonte: Ocemg, 2011.
Estes itens apontados pelos gestores sugerem temas de cursos que podem ser
desenvolvidos para atender às cooperativas visitadas. A fidelização do cooperado
reforça a necessidade de se trabalhar a organização do quadro social. O
conhecimento de mercado e a logística de transporte enfatizam a necessidade de se
desenvolver cursos ligados ao negócio da cooperativa.
Em relação ao conselho fiscal, identificou-se que 58 (72%) cooperativas visitadas
não participaram de capacitação específica ministrada pelo Sistema
Ocemg/Sescoop - MG. Com relação à periodicidade das reuniões do conselho fiscal,
apenas 43 (53%) cooperativas realizam reuniões mensais, as demais fazem
reuniões trimestrais ou quando necessário (17 cooperativas). No total, 21
cooperativas não fazem reuniões do conselho fiscal. Estes dados demonstram o
baixo nível de profissionalização e o despreparo dos conselheiros, impactando na
diminuição da transparência e concentração de poder na gestão do negócio
cooperativo.
Tabela 4
O conselho fiscal das cooperativas do Ramo Transporte.
Conselho de Fiscal
Qual a periodicidade das
reuniões do conselho de
fiscal?
Sim
31
Ao assumir o cargo de conselheiro,
o(s) membro(s) recebe(m)
capacitação específica para o
desempenho da função?
Sim
23
Não
Não
17
58
O conselho fiscal
formaliza suas reuniões
em atas?
Mensal
43
Trimestral ou quando
necessário
17
Não fazem reunião
21
Fonte: Ocemg, 2011.
A maioria dos conselheiros exerce a atividade de motorista e possui baixo grau de
instrução. Este fato tem grande impacto na realização de suas atribuições e as
principais dificuldades identificadas por eles foram:
•
Analisar relatórios contábeis (49 cooperativas);
•
Aplicar a Lei n° 5.764/71 (29 cooperativas);
•
Verificar livros e documentos obrigatórios da cooperativa (28 cooperativas).
Neste contexto, sugere-se a elaboração de uma Cartilha sobre o Conselho Fiscal e
que os próximos trabalhos com as cooperativas visitadas contemple uma reunião
orientada com os membros do conselho fiscal.
5.2- Ramos agropecuário
É inquestionável a importância das cooperativas agropecuárias no contexto
econômico social brasileiro. Bialoskorski (1994) ressalta que onde há cooperativas
agropecuárias há também um aumento relevante na renda média dos produtores
rurais e um crescimento econômico como um todo.
Entre 2010 e 2011, foram visitadas 127 cooperativas singulares do ramo
agropecuário. Desse total, 122 cooperativas responderam ao questionário aplicado
pelos técnicos durante a visita. As demais receberam a visita, porém preferiram não
responder ao questionário.
Das 122 cooperativas, 29 são filiadas a uma central ou federação; as 93 restantes
afirmaram não pertencer a nenhuma organização de grau superior. O número de
cooperativas não associadas a uma federação representa 76% do total das
cooperativas visitadas. Assim como no ramo transporte, esse dado mostra a
necessidade de organização do ramo, que não possui representação efetiva das
centrais e federações, com exceção das cooperativas que trabalham com leite,
filiadas à Itambé.
Do universo visitado, foi possível estabelecer uma classificação dos tipos de
produtos oferecidos pelas cooperativas. A maioria das cooperativas visitadas
trabalha com produção pecuária, principalmente leite (59 cooperativas), mel (4
cooperativas), aves (2 cooperativas), bovinos (1 cooperativa) e suínos (3
cooperativas). Algumas cooperativas também trabalham com produção agrícola, e
os principais produtos são: algodão (4 cooperativas), café (27 cooperativas), milho
(17 cooperativas), cana de açúcar (4 cooperativas), feijão (4 cooperativas) e soja (9
cooperativas). É importante destacar que uma cooperativa pode trabalhar com mais
de um tipo de produto.
Tabela 5
Participação das cooperativas visitadas na produção agropecuária
PRODUTOS
ALGODÃO
ALHO
ARROZ
BANANA
BATATA
CACHAÇA
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
CENOURA
FEIJÃO
LARANJA
MANDIOCA
MILHO
SOJA
SORGO
TRIGO
UVA
LEITE
AVES
SUÍNOS
MEL
Fonte: Ocemg, 2011.
COOPERATIVAS PRODUÇÃO MÉDIA TOTAL
4
1
2
2
1
2
27
4
1
4
1
1
17
9
4
3
1
59
2
2
4
2.129 T
4.836 T
6.846 T
162.400 T
31.709 T
50.004 L
297.417 T
2.044.004 T
45.303 T
39.962 T
3.000 T
50 T
865.892 T
250.533 T
19.249 T
13.127 T
1.600 T
116.977.858 L
30.003 T
235.992 U
176 T
Sobre a Organização do Quadro Social – OQS –, foi constatado que 99 (81%)
cooperativas não possuem comitês educativos ou departamento que desenvolva
trabalhos de conscientização sobre o cooperativismo para o quadro social e
funcional. Apenas 23 afirmaram desenvolver trabalhos nessa área.
Esses números, assim como no ramo transporte, apontam para a necessidade de
ampliação do trabalho desenvolvido pelo Sistema Ocemg/Sescoop - MG de
Organização do Quadro Social. Seria importante que o referido projeto ampliasse a
quantidade de cooperativas agropecuárias atendidas e contemplasse o
acompanhamento efetivo das ações do projeto desde a sua implantação até a
concretização do trabalho na cooperativa.
A comunicação direta com o presidente e o telefone são os meios de comunicação
mais utilizados pelos cooperados. Pode-se observar que poucos cooperados se
comunicam com a cooperativa através de e-mail, ofício ou caixa de sugestões.
Esses dados demonstram que, na maioria das cooperativas, não há formalização
das opiniões e sugestões, reforçando a necessidade de um programa de
Organização do Quadro Social que favoreça a comunicação com os membros da
cooperativa e mantenha os cooperados mais preparados, participativos e
comprometidos com o empreendimento. É importante frisar que existem
cooperativas que utilizam mais de um meio de comunicação.
Tabela 6
Meios de comunicação dos cooperados com as cooperativas agropecuárias
Quais são os principais meios de comunicação do cooperado com a cooperativa?
Caixa de
Comunicação direta
Ofício
Fax
E-mail
Telefone
Outros
sugestões
com o presidente
17
13
30
99
7
109
16
Fonte: Ocemg, 2011.
A carta/circular, o quadro de avisos e o telefone são os instrumentos mais utilizados
pelas cooperativas para comunicar-se com seu quadro social. Também é importante
ressaltar que 41 cooperativas possuem jornal próprio, o que indica um novo canal de
comunicação entre o Sistema e os cooperados das cooperativas agropecuárias.
Tabela 7
Meios de comunicação das cooperativas com os cooperados
Que instrumentos a cooperativa utiliza para comunicar-se com o quadro social?
Carta/Circular
Jornal
próprio
Rádio
Telefone
E-mail
Quadro de
avisos
Outros (reuniões, jornal, recados
no RPA, site, pessoalmente)
97
41
56
82
51
85
45
Fonte: Ocemg, 2011.
Das cooperativas visitadas que responderam ao questionário, 112 possuem
funcionários e empregam 8.138 pessoas, porém apenas 26 (21%) delas oferecem
capacitação específica sobre cooperativismo ao contratar novos colaboradores.
Assim como no ramo transporte, é notória a necessidade de uma capacitação
específica sobre cooperativismo para os funcionários das cooperativas visitadas.
Apenas 33 cooperativas, ou seja, aproximadamente 27%, dispõem de programa de
utilização dos recursos do Fates. Também é importante mencionar que 96 (78%)
cooperativas possuem outros fundos, porém não fazem a previsão do modo de
formação, aplicação e liquidação, como determina o artigo 28 da Lei n. 5.764/71.
Das 122 cooperativas que responderam ao questionário, 18 não seguem os artigos
80 e 81 da Lei n. 5.764/71, que dispõem sobre a forma de distribuição de despesas.
Em relação à destinação das sobras líquidas apuradas no exercício findo, 1
cooperativa faz o rateio em partes iguais, ferindo o inciso VII do artigo 4º da Lei n.
5.764/71. Esses dados são preocupantes, pois demonstram que algumas
cooperativas ainda não seguem a legislação específica.
As questões tributárias também foram muito demandadas no decorrer das visitas
nas cooperativas do ramo agropecuário. As cooperativas possuem muitas dúvidas
sobre as bases de cálculo e as alíquotas dos tributos. As referidas dúvidas são muito
específicas, e não existe consenso entre as cooperativas acerca do tratamento de
cada tributo. Seria muito importante que o Sistema mantivesse fóruns constantes de
discussão sobre o assunto e fizesse um mapeamento sobre a incidência de cada
tributo, pelo menos os de esfera federal e municipal que incidem sobre as
cooperativas.
Com relação ao conselho de administração, das 122 cooperativas que responderam
ao questionário, em 95 (78%), os membros do conselho de administração não
receberam capacitação específica para o desempenho das funções. Este indicador é
importante, pois, demonstra a necessidade de desenvolver trabalhos com foco no
aprimoramento gerencial dos dirigentes abordando os maiores desafios apontados
por eles para o cumprimento de suas atribuições, como:
•
•
•
Conhecer a tributação específica (82 cooperativas);
Utilizar os relatórios contábeis como ferramenta de decisão (53 cooperativas);
Aplicar a Lei n° 5.764/71 (51 cooperativas).
Em relação aos fatores que contribuem para o desenvolvimento da cooperativa no
mercado, foram ressaltados pelos presidentes:
•
•
•
•
•
Conhecimento de mercado;
Fidelização do cooperado;
Qualidade na prestação dos serviços;
Formação de preço;
Profissionalização da gestão.
Estes itens, apontados pelos gestores, sugerem temas de cursos que podem ser
desenvolvidos para atender às cooperativas visitadas. A fidelização do cooperado
reforça a necessidade de se trabalhar a organização do quadro social. O
conhecimento de mercado, a qualidade na prestação de serviços e a formação de
preços enfatizam a necessidade de se desenvolver cursos ligados ao negócio da
cooperativa como, por exemplo, café, leite, cana, milho e soja.
Tabela 8
Fatores que contribuem para o desenvolvimento da cooperativa no mercado.
Fonte: Ocemg, 2011.
28
36
25
23
Fidelização do cooperado
Planejamento estratégico
58
Financiamento e captação
de recursos
17
Logística de transporte
27
Tributação
20
Qualidade na prestação de
serviços
37
Pesquisa de satisfação dos
clientes
46
Profissionalização da gestão
Formação de preço
Estratégia de marketing
17
Capacitação do quadro
funcional
33
Capacitação do quadro
social
72
Captação e manutenção de
cliente
Conhecimento de mercado
Quais são os fatores que contribuem para o desenvolvimento da
cooperativa no mercado?
58
Em relação ao conselho fiscal, identificou-se que 86 (70%) cooperativas visitadas
não participaram de capacitação específica ministrada pelo Sistema
Ocemg/Sescoop - MG. No que se referem à periodicidade das reuniões do conselho
fiscal, apenas 80 cooperativas realizam reuniões mensais. As demais fazem
reuniões trimestrais ou quando necessário (31 cooperativas) e 11 cooperativas não
fazem reuniões do conselho fiscal. Estes dados demonstram o baixo nível de
profissionalização e a necessidade de ampliar a oferta de cursos direcionados ao
conselho fiscal das cooperativas.
Tabela 9
O conselho fiscal das cooperativas do Ramo Agropecuário.
Conselho de Fiscal
Qual a periodicidade das reuniões
do conselho de fiscal?
O conselho de fiscal
formaliza suas reuniões
em atas?
Mensal
80
Trimestral ou quando necessário
31
Não fazem reunião
11
Fonte: Ocemg, 2011.
Sim
103
Não
18
Ao assumir o cargo de conselheiro,
o(s) membro(s) recebe(m)
capacitação específica para o
desempenho da função?
Sim
36
Não
86
As principais dificuldades identificadas pelos membros do conselho fiscal foram:
•
•
•
Analisar relatórios contábeis (85 cooperativas);
Aplicar a Lei n° 5.764/71 (64 cooperativas);
Verificar livros e documentos obrigatórios da cooperativa (44 cooperativas).
Neste contexto sugere-se que os cursos direcionados ao conselho fiscal
contemplem os assuntos apontados acima e enfatizem uma orientação mais prática
(oferecendo modelos e planilhas de trabalho) para o desempenho das funções dos
conselheiros.
6- Resultado e discussões
As regiões Metropolitana de Belo Horizonte, Noroeste, Norte e Oeste de Minas,
Triângulo Mineiro, Vale do Mucuri, Vale do Rio Doce e Zona da Mata já foram
visitadas. Ao todo, foram visitadas 208 cooperativas, sendo 81 do ramo transporte e
127 do ramo agropecuário.
Vários resultados foram observados, dentre os quais se podem destacar: a grande
necessidade apontada pelas cooperativas em regionalizar os cursos; a necessidade
por estreitar o relacionamento com o Sistema de forma decisiva, uma vez que
muitas cooperativas ponderaram conhecê-lo apenas por correspondência e e-mails;
a necessidade de ampliação para o desenvolvimento de projetos nas áreas de
organização do quadro social, planejamento estratégico, governança corporativa,
contabilidade e jurídica. Algumas ações estão sendo implementadas pelo Sistema
Ocemg/Sescoop - MG, como a regionalização de cursos.
7- Conclusões
A criação da Gerência de Acompanhamento de Cooperativas foi de suma
importância para o Sistema, tendo em vista que o representa pessoalmente nas
cooperativas, fato este que até então não ocorria. A presença física de técnicos in
loco resulta na percepção, por parte da cooperativa, de que o Sistema está
buscando alternativas concretas para atuar junto delas. Daí a necessidade de
consolidar a Gerência de Acompanhamento de Cooperativas e ampliar o número de
visitas, monitorando efetivamente as cooperativas. De forma geral, as cooperativas
se mostraram satisfeitas com o trabalho realizado e almejam que essas visitas
resultem em ações que desenvolverão o cooperativismo como um todo, visto que,
para o mercado, uma cooperativa precisa ser tão competitiva, eficiente e eficaz
como qualquer empresa de capital, senão estará fadada à liquidação. Assim, faz-se
necessária a profissionalização da gestão, impulsionada pela capacitação,
planejamento, organização do quadro social e funcional.
Referências
BRASIL. Lei Federal n. 5.764 de 16 de dezembro de 1971. Legislação cooperativista
e resoluções do Conselho Nacional de Cooperativismo, Brasília, 1971.
OCEMG – SINDICATO E ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DE
MINAS GERAIS. Disponível em: <http://www.minasgerais.coop.br>. Acesso em 24
de outubro de 2011.
SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Minas
Gerais. Disponível em: <http://www.minasgerais.coop.br>. Acesso em 24 de outubro
de 2011.
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ÁREA TEMÁTICA: Cooperativismo, economia e