Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 1
2
ÁREA DE ESTUDO ..................................................................................................................................... 2
3
METODOLOGIA DO TRABA LHO .......................................................................................................... 5
4
ASPECTOS LEGAIS ................................................................................................................................... 7
5
4.1
CONSIDERAÇÕES GERAIS........................................................................................................................ 7
4.2
A RESOLUÇÃO CONAMA 302, DE 20 DE MARÇO DE 2002..................................................................... 7
4.3
A MEDIDA PROVISÓRIA 2.166-67, DE 24 DE AGOSTO DE 2001................................................................ 9
4.4
O REFLORESTAMENTO DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ...................................................................... 10
4.5
O DIREITO DE PROPRIEDADE E AS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS ..................................................... 11
4.6
FAIXA DE SEGURANÇA DOS RESERVATÓRIOS ....................................................................................... 14
4.7
A RESERVA LEGAL ............................................................................................................................... 14
4.8
AS ILHAS EXISTENTES D ENTRO DO RESERVATÓRIO DE FOZ DE AREIA .................................................. 15
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL ................................................................................................................ 17
5.1
5.1.1
Clima........................................................................................................................................... 17
5.1.2
Geologia...................................................................................................................................... 18
5.1.3
Relevo.......................................................................................................................................... 22
5.1.4
Solos ............................................................................................................................................ 24
5.1.5
Uso do solo e cobertura vege tal.................................................................................................. 31
5.1.6
Hidrologia ................................................................................................................................... 33
5.1.7
Qualidade das águas superficiais ............................................................................................... 35
5.2
MEIO BIOLÓGICO .................................................................................................................................. 40
5.2.1
Vegetação.................................................................................................................................... 40
5.2.2
Fauna terrestre ........................................................................................................................... 45
5.2.3
Biota Aquática............................................................................................................................. 47
5.3
6
MEIO FÍSICO .......................................................................................................................................... 17
MEIO SOCIOECONÔMICO ....................................................................................................................... 51
5.3.1
Características regionais ............................................................................................................ 51
5.3.2
Características do entorno do reservatório (1000 m)................................................................. 63
ZONEAMENTO DO ENTORN O DO RESERVATÓRIO DE FOZ DO AREIA ................................ 81
6.1
ZONA DE SEGURANÇA DO RESERVATÓRIO ........................................................................................... 82
6.2
ZONA DE PROTEÇÃO DO ENTORNO DO RESERVATÓRIO ........................................................................ 83
6.3
ZONA DE USO EXCEPCIONAL ................................................................................................................ 85
6.4
ZONA DE USO ESPECIAL ....................................................................................................................... 86
6.5
ZONA DE PRESERVAÇÃO , CONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA VIDA SILVESTRE ........................ 87
6.6
ZONA DE USOS PÚBLICOS ..................................................................................................................... 90
6.7
ZONA ESPECIAL DE TURISMO E LAZER ................................................................................................. 91
6.8
ZONA DE ATIVIDADES AGROSSILVOPASTOR IS ...................................................................................... 93
DPRA/DVMA
i
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
6.9
7
POTENCIAL DE USOS MÚ LTIPLOS.................................................................................................... 95
7.1
8
ZONA URBANA ..................................................................................................................................... 94
DIRETRIZES PARA OS USOS MÚLTIPLOS ................................................................................................. 97
7.1.1
Uso operacional da usina ........................................................................................................... 97
7.1.2
Benfeitorias enquadradas na Zona de Uso Excepcional ............................................................. 97
7.1.3
Acessos à água e estruturas de apoio a seus usos ....................................................................... 99
7.1.4
Uso para Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida Silvestre ............................ 100
7.1.5
Reflorestamento ........................................................................................................................ 100
7.1.6
Abastecimento público .............................................................................................................. 101
7.1.7
Piscicultura e Peixamento (produção de biomassa) ................................................................. 102
7.1.8
Pesca ......................................................................................................................................... 104
7.1.9
Navegação / turismo lacustre .................................................................................................... 105
7.1.10
Irrigação ................................................................................................................................... 106
7.1.11
Balneabilidade .......................................................................................................................... 107
7.1.12
Lazer e Turismo no Entorno ..................................................................................................... 107
7.1.13
Atividades agrossilvopastoris ................................................................................................... 109
7.1.14
Atividade extrativista ................................................................................................................ 112
7.1.15
Indústria .................................................................................................................................... 114
7.1.16
Habitação.................................................................................................................................. 115
7.1.17
Comércio e serviços .................................................................................................................. 116
PROGRAMAS DE CONTROLE AMBIENT AL .................................................................................. 118
8.1
PROGRAMA DE MONITORAMENTO DO ECOSSISTEMA AQUÁTICO........................................................ 118
8.2
PROGRAMA DE MANEJO DOS RECURSOS PESQUEIROS ........................................................................ 119
8.3
PROGRAMA DE MANEJO DOS SOLOS PARA A AGRICULTURA .............................................................. 119
8.4
PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS ................................................................... 120
8.5
PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE RESERVAS LEGAIS FLORESTAIS ......................... 121
8.6
PROGRAMA DE MANEJO DA FAUNA E FLORA TERRESTRES ................................................................. 122
8.7
PROGRAMA DE ECOTURISMO E TURISMO RURAL ............................................................................... 123
8.8
PROGRAMA DE AMPLIAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO E AMBIENTAL ............................................... 123
8.9
PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL .............................................................................................. 125
9
PLANO DE AUTO MONITO RAMENTO ............................................................................................ 126
10
OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO AMBIENTAL ....................................................................... 127
11
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 129
DPRA/DVMA
ii
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Área atingida por município nas cotas 742,0 m e 745,0 m ................................ ................................ ..... 4
Tabela 2 - Participação dos municípios na área total de estudo (reservatório e entorno) ................................ ....... 4
Tabela 3 - Dados climáticos da estação meteorológica Foz do Areia ................................ ................................ ... 17
Tabela 4 - Precipitações mensais e totais anuais (mm) ................................ ................................ ......................... 18
Tabela 5 – Declividade das margens do reserva tório de Foz do Areia ................................ ................................ .. 23
Tabela 6 – Tipos de solo no entorno do reservatório de Foz do Areia ................................ ................................ .. 25
Tabela 7 – Classes de aptidão agríco la no entorno do reservatório de Foz do Areia ................................ ............ 27
Tabela 8 – Situação dos pontos de erosão no reservatório de Foz do Areia entre 1983 e 1999 ........................... 28
Tabela 9 – Pontos de erosão no reservatório de Foz do Areia ................................ ................................ .............. 30
Tabela 10 - Uso do solo e cobertura vegetal na área de estudo ................................ ................................ ........... 32
Tabela 11 – Vazões médias mensais na UHE de Foz do Areia ................................ ................................ ............ 34
Tabela 12 – Vazões Máximas na UHE Foz do Areia ................................ ................................ ............................. 35
Tabela 13 - Estações de amostragem de água no reservatório de Foz do Areia ................................ .................. 35
Tabela 14 – Variação temporal (médias) na superfície do reservatório de Foz do Areia ................................ ...... 36
Tabela 15 - Resultados analíticos no reservatório de Foz do Areia (dezembro de 1999) ................................ ..... 39
Tabela 16 - Resultados analíticos no reservatório de Foz do Areia (fevereiro de 2000) ................................ ....... 39
Tabela 17 - Metais no sedimento do reservatório de Foz do Areia (fevereiro de 2000) ................................ ........ 40
Tabela 18 – Abundância e Índice Ponderal da s espécies de peixes nos reservatórios de Segredo e
Foz do Areia ................................ ................................ ................................ ................................ .......................... 50
Tabela 19 - Indicadores populacionais dos municípios do entorno e da área desapropriada ................................ 51
Tabela 20 - Alunos Matriculados, por Nível de Escolarização e Taxa de Alfabetização (2001) ............................ 53
Tabela 21 - Saneamento Básico – População Urbana Atendida (%) ................................ ................................ .... 54
Tabela 22 - Indicadores socioeconômicos dos municípios do entorno e da área desapropriada .......................... 56
Tabela 23 - Principais indicadores agrícolas d os municípios da região ................................ ................................ . 57
Tabela 24- Utilização das terras nos municípios do entorno do reservatório ................................ ......................... 60
Tabela 25 – Dados gerais das áreas de lazer públicas do reservatório de Foz do Areia ................................ ...... 69
Tabela 26 – Ocupações existentes dentro das faixas de segurança e de 100 m no entorno ................................ 72
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Situação socioeconômica anterior e posterior à formação do reservatório de Foz do Areia ............... 77
Quadro 2 - Potencial de usos múltiplos no reservatório de Foz do Areia e seu entorno ................................ ....... 96
Quadro 3 - Matriz da Operacionalização do Plano Diretor do Reservatório de Foz do Areia .............................. 128
DPRA/DVMA
iii
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Localização da área de estudo e municípios circunvizinhos ................................ ................................ ... 3
Figura 2 - Principais elementos geológicos e estruturais no Estado do Paraná ................................ .................... 21
Figura 3 – Pontos de erosão críticos ................................ ................................ ................................ ..................... 30
Figura 4 – Áreas de derrubadas e queimadas críticas ................................ ................................ .......................... 31
Figura 5 - Diagrama unifilar do sistema hidrográfico do reservatório de Foz do Areia ................................ .......... 34
Figura 6 – Vila Faxinal do Céu ................................ ................................ ................................ ............................... 43
Figura 7 – Horto florestal de Faxinal do Céu ................................ ................................ ................................ ......... 45
Figura 8 – Pontos de balsa ................................ ................................ ................................ ................................ .... 65
Figura 9 – Áreas de lazer públicas ................................ ................................ ................................ ........................ 70
Figura 10 – Pousadas particulares ................................ ................................ ................................ ........................ 71
Figura 11 – Ocupações dentro da APP ................................ ................................ ................................ ................. 73
Figura 12 - Diferentes cenários encontrados ao longo do reservatório ................................ ................................ . 74
Figura 13 - Aspecto das ocupações irregulares existentes na Área de Risco de enchentes ................................ . 75
Figura 14 - Depósitos de areia às margens do rio Iguaçu entre Porto Vitória e União da Vitória .......................... 77
DPRA/DVMA
iv
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
LISTA DE SIGLAS
AEAPR
-
Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paran á
AMSULPAR
-
Associação dos Municípios do Sul do Paraná
ANA
-
Agência Nacional de Águas
ANEEL
-
Agência Nacional de Energia Elétrica
APP
-
Área de Preservação Permanente
BID
-
Banco Interamericano de Desenvolvimento
BPFI
-
Batalhão do Policia Florest al
CEHPAR
-
Centro de Estudo de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza
CETESB
-
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CIEP
-
Centro das Indústrias do Estado do Paraná
CONAMA
-
Conselho Nacional do Meio Ambiente
COPEL
-
Companhia Paranaense de energia Elétrica
CTG
-
Centro de Tradições Gaúchas
DBO
-
Demanda Bioquímica de Oxigênio
DER
-
Departamento de Estradas de Rodagem
DIPAB
-
Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas
DQO
-
Demanda Química de Oxigênio
EEEIS
-
Estação Experimental de Estudos Ictiológicos de Segredo
EIA
-
Estudo de Impacto Ambiental
EMATER
-
Empresa Brasileira de assistência Técnica e Extensão Rural
EMBRAPA
-
Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias
EPA
-
Environmental Protection Agency
ETA
-
Estação de Tratamento de Água
ETE
-
Estação de Tratamento de Esgoto
FIEP
-
Federação das Industrias do Estado do Paraná
GEF
-
Global Environmental Found
GERASUL
-
Gerações Elétricas do Sul
GTZ
-
Agência de Cooperação Técnica Alemã
IAP
-
Instituto Ambiental do Paraná
IAPAR
-
O Instituto Agronômico do Paraná
IBAMA
-
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBGE
-
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS
-
Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
IEL
-
Instituto Euvaldo Lodi
INCRA
-
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
IPARDES
-
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
IPTU
-
Imposto Predial e Territorial
IQA
-
Índice de Qualidade da Água
DPRA/DVMA
v
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
LACTEC
-
Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento
LACTEC
-
Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento
MMA
-
Ministério do Meio Ambiente
NMP
-
Número Mais Provável
NUPELIA
-
Núcleo de Pesquisas em Limnologia Ictiologia e Aqüicultura
OD
-
Oxigênio Dissolvido
ONG
-
Organização não Governamental
Ph
-
Potencial Hidrogeniônico
PIB
-
Produto Interno Bruto
PRODETUR
-
Programa de Desenvolvimento do Turismo da Região Sul
PROSAN
-
Programa de Saneamento Ambiental do Paraná
RALF
-
Reator Anaeróbio de Lodo Fluidizado
RIMA
-
Relatório de Impacto Ambiental
SANEPAR
-
Companhia de Saneamento do Paraná
SEAB
-
Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná
SEMA
-
Secretaria de Estado do Meio ambiente e Recursos Hídricos
SENAI
-
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SESI
-
Serviço Social da Indústria
SISLEG
-
Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Legal e
Áreas de Preservação Permanente
SPVS
-
Sociedade de Pesquisa em vida Selvagem e Educação Ambiental
SUDERHSA
-
Superintendência de Desenvolvime nto de Recursos Hídricos e
Saneamento Ambiental
SUDESUL
-
Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul
SUREHMA
-
Superintendência de Recursos Hídricos e Meio Ambiente
SUS
-
Sistema Único de Saúde
UHE
-
Usina Hidrelétrica
ZTM
-
Zona Típica de Módulo
DPRA/DVMA
vi
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
1
INTRODUÇÃO
A década de 80 é marcada pelo despertar da consciência humana para a crise
ambiental que se instaura em escala mundial, como reflexo da exploração irracional dos
recursos naturais. Promove -se uma nova ordem política, econômica e social glo bal, através
de intensa e renovada diplomacia ambiental para gerenciar o meio ambiente e seus
conflitos. O desenvolvimento sustentável, principal meta da humanidade a partir da
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992), det ermina
que o desenvolvimento econômico seja compatibilizado com a preservação dos recursos
naturais. Assim, os planos de desenvolvimento se ampliam da esfera física, para a ecológica
e se voltam à qualidade ambiental, na qual emergem as questões socioambie ntais.
No Brasil, com relação aos reservatórios hidrelétricos, a Nova Política Nacional de
Recursos Hídricos (Lei 9.433/97) determina que os mesmos se destinem a múltiplos usos, o
que torna necessário um planejamento integrado, capaz de compatibilizar dive rsos
interesses. O espaço aberto para a participação da s ociedade na tomada de decisões exige,
também, assunção de responsabilidades por parte dos seus diversos atores e segmentos.
Neste sentido, a manutenção da qualidade das águas é fundamental, desde que este
recurso se constitui num bem social, econômico e ambiental. Para isto, é necessário que se
institua um rigoroso gerenciamento dos usos das águas e dos solos no entorno de
reservatórios, além de uma séria conscientização com relação à sua adequada uti lização. A
introdução de poluentes nos reservatórios, oriundos de esgotos sanitários, industriais e de
áreas agrícolas, gera poluição nas águas, podendo levar a sérios problemas ecológicos,
ambientais, sanitários, econômicos e operacionais.
Desta forma, o presente trabalho pretende estabelecer o Plano Ambiental de
Conservação e Uso do Entorno do Reservatório da Usina Hidrelétrica Governador Bento
Munhoz da Rocha (UHE GBM), popularmente conhecida por UHE Foz do Areia, objetivando
contribuir para decisões soc iais, ambientais e institucionais mais acertadas, para o
direcionamento adequado do uso e ocupação dos solos no seu entorno, para o
aproveitamento do potencial de usos múltiplos das águas e estabelecimento de diretrizes
que contribuam para a gestão integra da do reservatório, que não dizem respeito apenas à
geração de hidroeletricidade. As ações propostas foram compatibilizadas com as
características naturais da região, bem como com as necessidades e projetos de
desenvolvimento dos municípios envolvidos, a s erem executadas a médio e longo prazos,
visando a sustentabilidade ambiental, econômica e social.
DPRA/DVMA
1
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
2
ÁREA DE ESTUDO
A área objeto de estudo para efeitos da elaboração do referido Plano Ambiental é o
reservatório da UHE Foz do Areia (usualmente conhecido por r eservatório de Foz do Areia),
na cota máxima de operação de 742,0 m, e os 1000 m no seu entorno, medidos em
projeção horizontal, a partir desta cota.
O reservatório de Foz do Areia se localiza na porção média do rio Iguaçu, entre os
paralelos 25° 53’ S e 26° 12’ S e os meridianos 51 °13’ O e 51°41’ O, sendo a área da bacia
de
drenagem
de
29.800 km2.
Considerando-o
na
cota
742,0 m,
apresenta,
aproximadamente, um volume total de 5,8 km³ e volume útil de 3,8 km³, ocupando uma área
de 138,6 km2. O volume total acumulado após o enchimento, que se deu no ano de 1980, é
de cerca de 6 bilhões de metros cúbicos, com tempo de permanência (retenção hidráulica)
de cerca de 105 dias. A profundidade máxima do reservatório é de 160 m e o mesmo
funciona com deplecionamento, que pode atingir até 47 m (COPEL, 2000).
O reservatório opera na cota de 742,0 m, inferior à prevista em projeto, para evitar
que áreas a montante sejam atingidas pelo alagamento, uma vez que estas são,
normalmente, sujeitas a enchentes. Ainda como medida de precaução, a COPEL promoveu
a desapropriação das áreas até a cota 744,5 m, nas áreas urbanas, e 745,0 m, nas rurais,
localizadas no entorno do reservatório e a montante dele, às margens do rio Iguaçu,
conforme pode ser visualizado na Figura 1. Desta forma, a região desapropriada a montante
do reservatório, compreendida nos municípios de Porto Vitória, União da Vitória e Porto
União, também foi abordada neste plano, no que se referem aos aspectos socioeconômicos,
e estará sujeita a algumas diretrizes do zoneamento.
Os municípios que fazem parte do foco principal deste estudo são Pinhão, Cruz
Machado, Bituruna, Porto Vitória e União da Vitória, no Estado do Paraná. A Figura 1 ilustra
a localização deste reservatório e seu entorno e destaca os municípios circunvizinhos.
DPRA/DVMA
2
Figura 1 - Localização da área de estudo e municípios circunvizinhos
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
A Tabela 1 mostra a área total atingida e a parcial, por município, nas cotas 7 42,0 m
(cota máxima de operação) e 745,0 m (cota de desapropriação na área rural). Como o
reservatório se encontra encaixado em um vale estreito, sua área de inundação atinge, em
DPRA/DVMA
3
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
maior proporção, áreas íngremes e baixas rurais daqueles municípios. O percen tual de
terras atingidas em relação à área total de cada município mostra que a maior parcela
corresponde aos municípios de Cruz Machado e Bituruna, seguidos dos de Pinhão, União
da Vitória e Porto Vitória. Observa -se que a operação até a cota 742,0 m exclui a
possibilidade de inundação de áreas no município de Porto União e limita a área atingida do
município de União da Vitória a um valor significativamente menor do que aquele na cota
745,0 m.
Tabela 1 - Área atingida por municípi o nas cotas 742,0 m e 745,0 m
Município
Área do
Área inundada total
município km 2
(km2)
(1997)
Cota 742,0 m (cota máxima de operação)
Bituruna
1.215,41
46,37
Cruz Machado
1.476,50
50,00
Pinhão
2.001,68
22,56
Porto União
923,88
Porto Vitória
201,19
3,96
União da Vitória
731,73
4,59
Total
6.550,39
127,48
Cota 745,0 m (cota de desapropriação na área rural)
Bituruna
1.215,41
49,75
Cruz Machado
1.476,50
53,14
Pinhão
2.001,68
24,10
Porto União
923,88
3,80
Porto Vitória
201,19
8,23
União da Vitória
731,73
26,05
Total
6.550,39
165,07
Fonte: COPEL (2001b)
Participação do
município na área
atingida total (%)
Área atingida
por município
(%)
Margem
36,37
39,22
17,70
0,00
3,11
3,60
100,00
3,82
3,39
1,13
0,00
1,97
0,63
esquerda
direita
direita
esquerda
esquerda
direita/esquerda
30,14
32,19
14,60
2,30
4,99
15,78
100,00
4,09
3,60
1,20
0,41
4,09
3,56
esquerda
direita
direita
esquerda
esquerda
direita/esquerda
A área total de estudo, correspondente ao reservatório na cota 742,0 m e seu
entorno de 1000 m, é de aproximadamente 536 km2. Na Tabela 2 apresenta-se a
participação de cada município e do reservatório na área total de estudo.
Tabela 2 - Participação dos municípios na área total de estudo (reserv atório e entorno)
Reservatório/Município
Reservatório
Cruz Machado
Bituruna
Pinhão
União da Vitória
Porto Vitória
TOTAL
DPRA/DVMA
Participação na área de estudo (km 2)
138,6
153,7
130,0
81,6
16,8
15,7
536,4
Participação na área de estudo (%)
25,8
28,7
24,2
15,2
3,1
2,9
100,0
4
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
3
METODOLOGIA DO TRABA LHO
O delineamento do Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do
Reservatório da UHE Foz do Areia seguiu as diretrizes ditadas pelo Instituto Ambiental do
Paraná – IAP, com relação ao seu conteúdo e área de abr angência na faixa dos 1000 m no
entorno do reservatório, calculada em projeção horizontal, a partir da cota máxima de
operação (742,0 m). Incluiu-se na análise socioeconômica, informações sobre alguns
municípios localizados a montante do reservatório, nos quais a COPEL desapropriou áreas
por motivos de segurança e operação do mesmo, as quais estão sujeitas a algumas
diretrizes do zoneamento.
Os trabalhos tiveram início com o levantamento de dados junto à Companhia
Paranaense de Energia - COPEL, instituições e órgãos governamentais, tais como,
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMA, Superintendência de
Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental - SUDERHSA e Instituto
Ambiental do Paraná - IAP.
Seguiram-se pesquisas bibliográficas, as quais evidenciaram a carência de
informações e inventários do ecossistema natural na região em estudo. Desta forma, foram
utilizados como base de informações dados secundários, resultantes de monitoramentos
ambientais realizados na região da Usina Hidrelétrica de Segredo, localizada no rio Iguaçu,
imediatamente a jusante da área de estudo.
O levantamento do nível de industrialização dos municípios situados no entorno do
reservatório de Foz do Areia foi realizado através do cadastro do Sist ema da Federação das
Indústrias do Estado do Paraná - FIEP/CIEP/SESI/SENAI/IEL e complementado por
informações de campo. Outros dados relativos àqueles municípios foram obtidos através de
Planos Diretores, Códigos de Postura, Leis de Uso dos Solos e Progra mas de Incentivo,
fornecidos pelas respectivas prefeituras municipais.
Como subsídios ao desenvolvimento do referido Plano Ambiental do entorno do
reservatório de Foz do Areia, especialmente ao zoneamento da área em estudo, foram
gerados mapas referentes a o uso dos solos, cobertura vegetal e declividade na faixa dos
1000 m, cujos critérios de elaboração encontram -se detalhados nos itens específicos, no
decorrer deste trabalho.
Foi realizado um levantamento de campo, entre os dias 07 e 12 de abril de 2002,
durante o qual se visitaram as prefeituras dos cinco municípios diretamente afetados pela
formação do reservatório de Foz do Areia, além da Prefeitura de Porto União. Na mesma
DPRA/DVMA
5
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
ocasião foi percorrido o entorno próximo ao reservatório e do rio Iguaçu e realiz ada visita à
Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR, em União da Vitória. Foram
registrados os principais usos das águas e dos solos e complementados dados relativos às
condições de vida, saneamento básico e à economia nos municípios de entorno.
Constataram-se, ainda, várias não conformidades com relação à sustentabilidade ambiental,
que serão abordadas no decorrer deste Plano Ambiental.
A visita a campo foi fundamental para a elaboração do diagnóstico ambiental da
região a montante do reservatório, qu e ocupa as margens do rio Iguaçu nos municípios de
União da Vitória e Porto União, uma vez que informações sobre a mesma, como as
ortofotocartas, ainda não se encontram disponíveis na COPEL.
O zoneamento da área de estudo e a identificação do potencial de usos múltiplos
basearam-se nos atuais usos do reservatório, nas condições ambientais apresentados e nas
necessidades e projetos de desenvolvimento dos municípios envolvidos. Características
naturais, tais como cobertura vegetal, tipo de solo e relevo, fora m analisadas para
elaboração de diretrizes relativas ao uso e ocupação adequados, visando o melhor
aproveitamento do seu potencial e a proteção dos recursos naturais. Áreas mais propícias à
conservação e preservação da biodiversidade foram identificadas na área de estudo, assim
como usos inadequados das águas e dos solos com relação aos aspectos técnico e
ambiental.
A proposição de programas ambientais visou a implantação de ações preventivas
e/ou corretivas e o apoio à gestão integrada dos usos múltiplos, ou seja, através deles
procurou-se dar enfoque ao monitoramento de variáveis ambientais que precisam ser
melhor conhecidas e exploradas para dar suporte às tomadas de decisões.
Para a operacionalização deste Plano Ambiental, propôs -se a formação de um
Comitê Gestor, para o qual se apontaram como parceiros órgãos municipais e estaduais,
empresa, concessionária, ONGs e comunidades locais.
DPRA/DVMA
6
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
4
4.1
ASPECTOS LEGAIS
Considerações Gerais
Apesar de existirem normas legais de proteção à natureza desde há muito tempo,
somente em 1983, o Decreto Federal nº 88.351, regulamentando a Lei da Política Nacional
do Meio Ambiente, estabeleceu a exigência de Estudo de Impacto Ambiental – EIA e o
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA, como pré-requisitos à obtenção de licenciamento
para empreendimentos que interferem de forma significativa no meio ambiente, poluindo,
degradando ou modificando.
A partir desta data, várias normas ambientais vêm sendo editadas, no sentido de
preservar o meio ambiente.
É de suma importância salientar que o empreendedor obteve a “Concessão para o
aproveitamento hidráulico de um trecho do rio Iguaçu, entre os municípios de Pinhão e
Bituruna, ambos situados no Estado do Paraná” através do Decreto 72.293, de 24 de maio
de 1973.
Outrossim, o reservatório da Usina Hidrelétrica de Governador Bento Munhoz da
Rocha Neto iniciou seu funcionamento em uma época em que não havia exigência legal de
um licenciamento ambiental para este tipo de empreendimento. Desde então, a ocupação
do entorno deste reservatório vem sendo r ealizada, muitas vezes, sem a devida
preocupação ambiental. Inicialmente, por não existirem normas para o controle e,
posteriormente, pela falta de cumprimento às normas ambientais que foram se
estabelecendo ao longo dos anos.
É mister salientar que as no rmas ambientais vigentes, que tratam do assunto, não
fazem menção aos reservatórios já existentes. Desta forma, o presente Plano Ambiental
visa propor usos múltiplos ao reservatório sem, contudo, transgredir as normas ambientais
que regem a matéria.
4.2
A Resolução CONAMA 302, de 20 de março de 2002
A Resolução CONAMA 302, de 20 de março de 2002 adota em seu Art. 2º, inc. II a
definição de Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório como
sendo: “conjunto de diretrizes e proposições com o obj etivo de disciplinar a conservação,
recuperação, o uso e ocupação do entorno do reservatório artificial, respeitados os
parâmetros estabelecidos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis.”
DPRA/DVMA
7
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Já no Art. 3º estabelece como “Área de Preservação Permanente a área com largura
mínima, em projeção horizontal, no entorno dos reservatórios artificiais”, especificando em
seus incisos diferentes medidas.
O inciso I deste artigo enuncia que é de:
“Trinta metros para os reservatórios artificiais situados em áreas urba nas
consolidadas e cem metros para áreas rurais”.
O parágrafo 1º do já mencionado artigo determina que “os limites da Área de
Preservação Permanente, previstos no inciso I, poderão ser ampliados ou reduzidos,
observando-se o patamar mínimo de trinta metros , conforme estabelecido no licenciamento
ambiental e no plano de recursos hídricos da bacia onde o reservatório se insere, se
houver”.
Tendo em vista que a presente resolução não faz menção aos reservatórios já
existentes anteriormente à sua vigência, ente nde-se que, para estes, poderão ser
determinadas larguras diferentes das ali enunciadas. As mesmas, entretanto, não deverão
ser inferiores a 30 metros.
Outrossim, o empreendedor deve elaborar o Plano Ambiental em conformidade com
o termo de referência expe dido pelo órgão ambiental competente, “in casu” o IAP para os
reservatórios artificiais destinados à geração de energia elétrica e abastecimento público
(Art. 4º Resolução CONAMA 302/02).
A aprovação do Plano Ambiental deverá ser precedida da realização de audiência
pública, sob pena de nulidade do ato administrativo (Art. 4º, §2º Resolução CONAMA
302/02).
Na análise do Plano Ambiental, será ouvido o respectivo comitê da bacia
hidrográfica, quando houver (Art. 4º, §3º Resolução CONAMA 302/02).
O Plano Ambiental poderá indicar áreas para implantação de pólos turísticos e de
lazer no entorno do reservatório, desde que não ultrapassem em dez por cento da área total
do entorno, respeitando a legislação federal, estadual e municipal, e devidamente
licenciadas pelo órgão ambiental competente, quando necessário (Art. 4º, § 4º e §5º da
Resolução CONAMA 302/02).
Quanto à faixa de 30 metros para as áreas urbanas, estabelecidas pela Resolução
CONAMA 302/02, é importante que se façam algumas considerações a respeito.
DPRA/DVMA
8
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
A determinação da faixa de preservação permanente, em faixa urbana, foi
estabelecida recentemente pela Resolução CONAMA 303, de 20 de março de 2002, a qual
dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente.
A Constituição Federal de 1988, ao aceitar o Município como ente federativo da
República, (Art.18), discrimina suas competências no Art. 30, no qual, em seu inciso VIII,
revela competência executiva diretamente ligada ao Art. 182, § 2º, em que está a
determinação legislativa s obre a matéria, afirma que a regulamentação florestal dentro do
perímetro urbano está ligada diretamente à vontade do município.
Porém, para que o interesse comum não se contraponha ao geral, a modificação da
paisagem citadina deve ser balizada pelos princ ípios traçados na lei federal.
4.3
A Medida Provisória 2.166 -67, de 24 de agosto de 2001
A Medida Provisória acima mencionada altera os Artigos. 1º, 4º, 14, 16 e 44 e
acresce dispositivos à Lei 4.771, de 15/09/1965, que institui o Código Florestal, bem como
altera o Art. 10 da Lei n.º 9.393, de 19/12/1996, que dispõe sobre o Imposto Territorial Rural
– ITR, e dá outras providências.
Dentre as modificações inseridas nos dispositivos legais já enunciados, é mister
salientar a inovação contida nos parágrafos 2º e 6º, do Art. 4º da Lei 4.771/65 – Código
Florestal.
Dizem os citados parágrafos:
“§2º:
A supressão da vegetação em área de preservação permanente situada em
área urbana, dependerá de autorização do órgão ambiental competente, desde que o
município possua conselho de meio ambiente em caráter deliberativo e Plano Diretor,
mediante anuência do órgão estadual competente, fundamentada em parecer técnico.”
“§6º:
Na implantação de reservatório artificial é obrigatória a desapropriação ou
aquisição, pelo empreendedo r, das áreas de preservação permanente criadas no seu
entorno, cujos parâmetros e regime de uso serão definidos por resolução do CONAMA.”
Observa-se que o §2º vem ratificar a competência municipal sobre as áreas de
preservação inseridas em perímetros urban os, delegando ao município e seu respectivo
Plano Diretor a competência para definir a possibilidade de supressão de vegetação nestas
áreas.
DPRA/DVMA
9
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Já ao interpretar o §6º, constata -se que é inserida na legislação uma obrigatoriedade
de aquisição, pelo empreended or, das áreas de preservação permanentes criadas por
ocasião da implantação dos reservatórios, sem, porém definir sua metragem, deixando a
cargo do CONAMA a sua normatização, a fim de que este venha a definir tais parâmetros
através de uma nova resolução, qual seja 302/02.
Conforme já comentado anteriormente, o Reservatório de Foz de Areia foi
implantado no ano de 1980, ou seja, em uma época em que não existia uma legislação
ambiental que determinasse esta obrigação. A Resolução CONAMA 302, de 20 de março d e
2002, que dispõe sobre os parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação
Permanente de reservatórios artificiais e o regime do uso do entorno, foi omissa quanto aos
reservatórios existentes anteriormente à sua vigência. Entende -se, deste modo, que tal
obrigatoriedade incide apenas aos novos reservatórios, ou àqueles que estejam em
processo de privatização (Art.5º da Resolução CONAMA 302/02).
Ressalte-se que, pelo disposto no artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/01, “Nas
medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em
vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação
definitiva do Congresso Nacional”.
Note-se que a MP 2.166-67 encontra-se em pleno vigor, uma vez que nã o foi objeto
de revogação por outra MP e nem teve deliberação definitiva do Congresso Nacional,
estando na pauta de discussões deste.
4.4
O Reflorestamento de Preservação Permanente
O Art. 18 do Código Florestal é claro ao enunciar:
“Art. 18: Nas terras de pro priedade privada onde seja necessário o reflorestamento
de preservação permanente, o Poder Público poderá fazê -lo, sem desapropriá-las, se não
fizer o proprietário”.
Segundo o ilustre doutrinador Paulo Afonso Leme Machado, “in” Direito Ambiental
Brasileiro, “O artigo apontado pressupõe o raciocínio de que incumbe aos proprietários das
terras (mesmo públicas) plantarem as florestas ou reflorestarem as áreas de preservação
permanente. Contudo, a lei florestal dá uma grande oportunidade de ação ao Poder Públic o,
que pode intervir na propriedade sem desapropriá -la”.
Apesar de reconhecer a necessidade da manutenção de áreas florestadas nas
margens dos corpos de água, em locais definidos como de preservação permanente, assim
DPRA/DVMA
10
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
como não permitindo a exploração desta cobertura vegetal, o Art. 18 da Lei 4.771/65 não
efetiva a “obrigação de fazer” o reflorestamento ao proprietário que possua APPs com
necessidade de recuperação, abrindo a possibilidade de ação do Estado para a execução
desta tarefa.
Destaca-se, entretanto, que se houver prova da ação do proprietário rural na retirada
da vegetação de preservação permanente, poderá a Poder Público obrigá -lo à recuperação
desta vegetação, por haver descumprido o Art. 2º do Código Florestal, que não permite a
supressão da vegetação em APPs.
4.5
O Direito de Propriedade e as Limitações Administrativas
O disciplinamento do uso da propriedade no que diz respeito à restrição de
exploração ou utilização das florestas de preservação permanente, apresenta as
características de generalidad e, atingindo propriedades indeterminadas, constituindo -se,
portanto, limitações administrativas impostas à propriedade.
Ao se estabelecerem larguras de áreas de preservação permanente no entorno de
reservatórios artificiais, o Estado criou limitações admin istrativas nas propriedades lindeiras.
Segundo Hely Lopes Meirelles, “in Direito Adiministrativo”, 19ª edição, pág 539:
“Limitação administrativa é toda a imposição geral, gratuita, unilateral e de ordem
pública, condicionadora do exercício de direitos ou de atividades particulares às exigências
do bem estar social”.
Analisando o Código Florestal de 1934, que previa as florestas "protetoras", discorria
Osny Duarte Pereira, “in” Direito Ambiental Brasileiro, ao tratar destas matas,
"evidentemente necessárias ":
“Sua conservação não é apenas por interesse público, mas por interesse direto e
imediato do próprio dono. Assim como ninguém escava o terreno dos alicerces de sua casa,
porque poderá comprometer a segurança da mesma, do mesmo modo ninguém arranca as
árvores das nascentes, das margens dos rios, nas encostas das montanhas, ao longo das
estradas, porque poderá vir a ficar sem água, sujeito a inundações, sem vias de
comunicação, pelas barreiras e outros males conhecidamente resultantes de sua
insensatez. As árvores nesses lugares estão para as respectivas terras como o vestuário
está para o corpo humano. Proibindo a devastação, o Estado nada mais faz que auxiliar o
próprio particular a bem administrar os seus bens individuais, abrindo -lhes os olhos contra
os danos que poderia inadvertidamente cometer contra si mesmo”.
DPRA/DVMA
11
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Entende-se, portanto, que as limitações contidas nas florestas de preservação
permanente do Art. 2º não são indenizáveis pelo poder público. Entretanto, vale ressaltar o
estabelecido no Art. 18, § 1º do Código Florestal:
§ 1º:
Se tais áreas estiverem sendo utilizadas com culturas, de seu valor deverá
ser indenizado o proprietário”.
Estas observações, apesar de parecerem conflitantes, apresentam uma orientação
legal bem definida. Não se está indeni zando a limitação imposta à propriedade e sim o bem
individual agregado a esta, em função de uma atividade produtiva, realizada pelo
proprietário em momento anterior à imposição da limitação administrativa.
Utilizando-se novamente dos ensinamentos de Hely Lopes Meirelles, na questão
referente às limitações administrativas, tem -se que estas...
"...se exteriorizam em imposições unilaterais e imperativas, sob tríplice modalidade:
positiva (fazer), negativa (não fazer) ou permissiva (deixar de fazer). No primei ro caso o
particular fica obrigado a realizar o que a administração lhe impõe; no segundo, deve abster se de fazer do que lhe é vedado; no terceiro, deve permitir algo em sua propriedade.
Em qualquer hipótese, porém, as limitações administrativas hão de co rresponder a
justas exigências do interesse público que as motiva, sem produzir um total aniquilamento
da propriedade e das atividades reguladas. (...) Só são legítimas quando representarem
razoáveis medidas de condicionamento do uso do solo da propriedade em benefício do
bem-estar social".
Mas, se o impedimento ocorrente pela limitação administrativa atingir a maior parte
da propriedade ou sua totalidade, deixará de ser limitação para ser interdição de uso da
propriedade e, neste caso, o Poder Público, fic ará obrigado a indenizar a restrição que
aniquilou o direito dominial e suprimiu o valor econômico do bem. Esta regra que deflui do
princípio da solidariedade social, segundo o qual só é legítimo o ônus suportado por todos,
em favor de todos, não tem exceç ão no Direito pátrio nem nas legislações estrangeiras.
Corroborando com a assertiva acima mencionada, o abalizado doutrinador Antônio
Herman V. Benjamim, “in” Temas de Direito Ambiental e Urbanístico, às fls. 73/74 é
categórico ao manifestar-se a respeito afirmando:
“Logo de início, tenha ou não a restrição ambiental origem no Código Florestal,
podemos afirmar que, em tese, há desapropriação indireta sempre que a Administração
DPRA/DVMA
12
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Pública, levando-se em consideração a totalidade do bem, ao interferir com o dire ito de
propriedade:
a.
aniquilar o direito de exclusão (dando um espaço privado para fins de uso
comum do povo, como ocorre com visitação pública nos Parques estatais);
b.
eliminar, por inteiro, o direito de alienação;
c.
inviabilizar, integralmente o uso econômico do proprietário, na completa
extensão daquilo que é seu.
Nessas três hipóteses, o domínio, mediante justa indenização, há que passar para o
Estado, sofrendo este o encargo daquela, como conseqüência de, por ato seu, nas
expressões apropriadíssimas do Mini stro Celso Mello no Recurso Extraordinário nº 134.297 8 SP, v.u. j. 13.06.95, “virtualmente esterilizar, em seu conteúdo essencial, o direito de
propriedade”.
Diferentemente, não cabe indenização, ‘tout court’, quando o Poder Público,
procedendo em conform idade com o suporte constitucional da função sócio -ambiental,
regrar a forma do uso, privilegiar – ou mesmo interditar – usança em detrimento de outras.
A Constituição não confere a ninguém o direito de beneficiar -se de todos os usos
possíveis e imagináveis de sua propriedade. De outra parte, nenhum imóvel, especialmente
os rurais, tem, como única forma de utilização, a exploração madeireira ou o sacrifício
integral de sua cobertura vegetal, remanescendo apenas a terra nua (ou melhor, a terra
arrasada!). Só muito excepcionalmente, no mundo atual – com seu crescente mercado de
plantas ornamentais, piscicultura, essências e ecoturismo – vamos nos deparar com áreas
em que a única possibilidade de exploração é o desmatamento integral e rasteiro, como
forma de viabilizar a agricultura.”
No caso da UHE de Foz de Areia, a limitação administrativa imposta pelo Art. 2º do
Código Florestal já existia sobre as propriedades lindeiras ao rio Iguaçu, posto que este
curso d’água apresentava, no trecho compreendido pelo res ervatório, larguras previstas no
Código Florestal sendo que muitas das florestas e demais formas de vegetação a uma
distância variável já eram de preservação permanente.
Tendo em vista não existir nenhuma norma jurídica que obrigue o empreendedor a
adquirir as áreas de preservação permanente ao entorno do reservatório de Foz de Areia, a
proposta de reflorestamento marginal tem por objetivo principal a redução dos impactos
ambientais ocasionados pela implantação do Plano Ambiental, protegendo o corpo de água
DPRA/DVMA
13
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
e melhorando a diversidade florística, além de ser medida importante para a segurança e a
manutenção da vida útil do empreendimento hidrelétrico.
4.6
Faixa de Segurança dos Reservatórios
O Código de Águas ( Decreto nº 24.643, de 10/07/34) prevê áreas necessár ias à
proteção das águas dos reservatórios, sendo tais áreas denominadas terrenos reservados, a
saber:
Art. 14: Os terrenos são os que, banhados pelas correntes navegáveis, fora do
alcance das marés, vão até a distância de 15 metros para a parte da terra, contados desde
o ponto médio das enchentes ordinárias.”
O controle e a fiscalização da referida área é responsabilidade do empreendedor, de
acordo com o Art. 108 do mesmo Código, vejamos:
“Art. 108: A todos é lícito apanhar estas águas.”
“Parágrafo único: Não se poderão, porém, construir nestes lugares ou terrenos,
reservatórios para o aproveitamento das mesmas águas sem licença da administração.”
A faixa de segurança é considerada, inclusive no cálculo de pagamento da
compensação financeira, instituída pel a Lei 7.990/89, pela utilização de Recursos Hídricos,
conforme regulamentado pelo Decreto nº 1, de 11/01/91.
4.7
A Reserva Legal
De acordo com o Art. 16 do Código Florestal, com as modificações advindas da
Medida Provisória nº 2.166 -67/01 enuncia:
“Art. 16 : As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas
em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de
utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde
que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:” (grifo nosso)
Inseridos em seus incisos e parágrafos, o legislador define vários aspectos
importantes quanto a reserva legal para os diversos estados do país, determinando que
para o Estado do Paraná, o perce ntual a ser respeitado é de 20% (vinte por cento).
Tendo em vista que legislar sobre florestas é competência concorrente da União, dos
Estados e do Distrito Federal (Art. 24, “caput”, c.c. inciso VI da Constituição Federal), as
DPRA/DVMA
14
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
normas que incidem sobre a R eserva Legal são “normas gerais”, portanto, de competência
da União (Art. 24, § 1º da Constituição Federal.) Porém os Estados podem suplementar a
legislação federal sobre essas reservas.
Corroborando com as afirmações acima, no Estado do Paraná o Decreto 3 87/99 cria
o SISLEG – Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Florestal Legal e
Áreas de Preservação Permanente no Estado do Paraná.
“O sistema prevê a recuperação da reserva legal no prazo máximo de 20 anos, 1/20
por ano, com os primeiros 1/20 previstos a estarem recuperados até 31/12/1999. Trata -se
de uma iniciativa contemporizadora, que favorece o enquadramento legal do proprietário
rural sem lhe trazer ônus excessivo, com a exigência expressa da lei federal. É uma forma
de sinalizar, também, que o cumprimento da lei passará a ser exigido, mesmo que
paulatinamente, e que para isso o Estado concede um prazo factível, ao invés de penalizar
o proprietário com multas ou imposições que poderiam lhe trazer prejuízos financeiros, com
possíveis repercussões de ordem social.” (in UHE Segredo – Plano Diretor do Reservatório
e Entorno).
4.8
As ilhas existentes dentro do Reservatório de Foz de Areia
O Código da Águas – Decreto 24.643, de 10 de julho de 1934 rege a matéria em
seus Arts. 23, 24 e 25, os qua is enunciam:
“Art. 23: As ilhas ou ilhotas que se formarem no álveo de uma corrente, pertencem
ao domínio público, no caso das águas públicas, e ao domínio particular, no caso de águas
comuns ou particulares.”
“§ 1º: Se a corrente servir de divisa entre di versos proprietários e elas estiverem no
meio da corrente, pertencem a todos esses proprietários, na proporção de suas testadas até
a linha que dividir o álveo em duas partes iguais.”
“§ 2º: As que estiverem situadas entre esta linha e uma das margens pert encem,
apenas, ao proprietário ou proprietários desta margem.”
“Art. 24: As ilhas ou ilhotas, que se formarem pelo desdobramento de um novo braço
de corrente, pertencem aos proprietários dos terrenos, à custa dos quais se formaram.”
“Parágrafo único: Se a corrente, porém é navegável ou flutuável, elas poderão entrar
para o domínio público, mediante prévia indenização.”
DPRA/DVMA
15
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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“Art. 25: As ilhas ou ilhotas, quando de domínio publico, consideram -se coisas
patrimoniais, salvo se estiverem destinadas ao uso comum.”
De acordo com as normas acima citadas, as ilhas existentes no reservatório de Foz
de Areia pertencem ao empreendedor, sendo o mesmo r responsável pelas mesmas.
DPRA/DVMA
16
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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5
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
5.1
5.1.1
Meio físico
Clima
O reservatório de Foz do Areia, segundo a classificação d e Köppen, possui o tipo
climático Cfb em toda a sua extensão (IAPAR, 1994). Este tipo climático indica clima
temperado propriamente dito, temperatura média do mês mais frio abaixo de 18°C
(mesotérmico), com verões frescos, temperatura média no mês mais que nte abaixo de 22°C
e sem estação seca definida.
A Tabela 3 mostra dados climáticos da estação meteorológica Foz do Areia
(02651046), localizada na coordenada 26°05’ de latitude sul e 51°39’ de longitude oeste, a
qual é mantida pela COPEL desde que entrou em operação, em setembro de 1980. Estes
dados representam a média de resultados obtidos desde este período inicial até o ano de
1998.
A evaporação e evapotranspiração reais foram calculadas através do método de
Morton, que utiliza dados regionalizados de temperatura, umidade relativa, insolação e
precipitação, bem como dados de nível de água e profundidade média. Esta análise revela
que na área do reservatório de Foz do Areia a evaporação real é de 1244 mm/ano e a
evapotranspiração real fica em torno de 1053 mm/ano (COPEL, 2000).
Os ventos superficiais circulam com direções preferenciais oeste e sudoeste. Os
valores médios de velocidade variam entre 1,8 a 3,0 m/s na direção oeste e 2,4 a 4,1 m/s na
direção sudoeste. O valor máximo reg istrado na região foi de 23,0 m/s (COPEL, 1987).
Tabela 3 - Dados climáticos da estação meteorológica Foz do Areia
Temperatura
Mínimo
Médio
Máximo
Média
Média
jan
17,6
22,3
29,1
2,4 E
76,9
fev
17,5
21,7
28,1
2,3 E
79,8
mar
16,8
20,8
27,3
2,3 E
80,1
Vento
Umidade
Relativa
Insolação
Média
5,9
5,4
5,3
Fonte: CEHPAR (Banco de Dados Meteorológicos)
abr
15,2
18,7
24,8
2,3 E
84,5
mai
12,0
15,4
21,6
2,1 E
85,8
4,1
3,8
Meses
jun
jul
9,9
9,9
13,5
13,7
19,3
19,8
2,1 E
2,4 E
86,0
82,4
3,8
4,3
Média
(°C)
ago
10,2
14,4
21,2
2,4 E
78,9
set
11,6
15,9
22,6
2,7 E
75,0
out
13,7
18,3
24,9
2,5 E
74,8
nov
15,1
20,1
26,5
2,4 E
74,7
dez
16,1
21,4
28,4
2,4 E
74,4
2,4 E
79,4
4,8
4,8
5,4
6,0
6,3
5,0
18,0
A precipitação pluvial é um parâmetro bem monitorado na região, uma vez que
existem 80 estações pluviométricas na bacia do Iguaçu e 7 nas imediações do reservatório
DPRA/DVMA
17
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
de Foz do Areia. Nestas estações, a precipitação anual varia entre 1600 e 1900 mm. A
distribuição espacial das isoietas anuais re vela que, em termos regionais, existe aumento da
precipitação no sentido leste -oeste (SUDERHSA, 1998). A análise dos dados dos
pluviômetros revela que a distribuição das chuvas é bastante irregular, não havendo por
conseqüência, um período seco bem definid o (COPEL, 1995).
Para complementar os dados relativos a precipitações, apresenta -se a Tabela 4 que
resume os dados de precipitação, mensais e anuais, das estações pluviométricas de Foz do
Areia (FA), União da Vitória (UV), Madeirei ra Gavazzoni (MG) e Jangada do Sul (JS). Estes
dados são referentes às seguintes séries históricas:

1981 a 1996 em de Foz do Areia;

1938 a 1996 em União da Vitória;

1975 a 1996 na Madeireira Gavazzoni; e

1945 a 1996 em Jangada do Sul.
Tabela 4 - Precipitações mensais e totais anuais (mm)
Mês
Jan
Fev
FA
197,8
223,3
UV
153,7
156,6
MG
181,4
169,2
JS
164,8
162,1
FONTE: COPEL (2000)
5.1.2
Mer
135,0
131,1
133,1
131,1
Abr
154,9
101,8
131,1
106,1
Mai
212,6
131,8
172,7
136,6
Jun
179,6
121,9
138,1
136,4
Jul
175,4
117,0
142,1
120,9
Ago
106,9
102,6
97,9
112,2
Set
164,2
140,1
180,3
151,9
Out
197,5
158,0
183,2
174,9
Nov
180,3
130,4
175,1
136,5
Dez
202,9
153,2
170,6
153,3
ANO
2.060,5
1.569,3
1.792,8
1.649,8
Geologia
5.1.2.1 Geologia Regional
A área objeto de estudo está inserida na Bacia do Paraná, que se constitui estrutura
geológica intracratônica, com acumulação de rochas sedimentares e vulcânicas, cuja idade
varia entre o período Siluro -Ordoviciano e o Cretáceo. O embasamento é composto por
rochas ígneas e metamórficas, sendo estimada uma idade radiométrica correspondente ao
Ciclo Brasiliano (Zalán, 1986).
Segundo Maack (1952), o nome da bacia se deve ao rio Paraná, que corre paralelo
ao eixo maior da bacia por cerca de 1.500 km. A área estritament e brasileira localiza-se
entre os paralelos 14 oS e 30oS e os meridianos 47 oW e 56 oW. A descrição geológica mais
recente daquela bacia (Almeida, 1980) a define como sendo resultante de uma sinéclise
DPRA/DVMA
18
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
complexa desenvolvida no decorrer de sua história paleozói ca jurássica, como uma
anfíclise, desde o vulcanismo processado no jurássico superior.
De acordo com Ferreira (1982), os lineamentos estruturais com direção noroeste são
antigas zonas de fraqueza reativadas que, durante o período Mesozóico, atingiram nívei s
profundos da crosta e tiveram atuação mais proeminente, numa fase geológica em que
houve atividades vulcânicas intensas e que afetaram toda a região sul do Brasil. Desta
forma, o magma do interior da Terra aflorou à superfície, principalmente por estas z onas de
fraqueza reativadas, originando uma pilha de derrames basálticos, que hoje constituem a
Formação da Serra Geral.
Quanto às estruturas da direção nordeste, foi durante o período permo -carbonífero
que as atividades tectônicas foram mais intensas, exe rcendo controle na deposição e
preservação de várias unidades sedimentares da bacia do Paraná.
Zalán et al. (1991) comentam que as deformações estruturais, entre elas, os arcos,
as flexuras e as sinclinais, que atuaram regionalmente em diferentes períodos
na
configuração do arcabouço estratigráfico da Bacia do Paraná, constituem regiões que
sofreram forte soerguimento diferencial, exercendo controle e consistindo áreas fonte de
suprimento de clásticos.
Almeida (1980) e Ferreira (1982) comentam que na região centro-leste paranaense,
o Arco de Ponta Grossa é a principal zona de efusão das lavas e caracteriza -se pelo
soerguimento sub-regional de forma convexa. Nesta área, centenas de diques,
paralelamente alinhados ao eixo desta estrutura e espaçados em aproxim adamente 500 m,
registram a atuação das fraturas que conduziram as lavas da Formação Serra Geral à
superfície do continente.
Zalán (1986) acrescenta que, na Formação Serra Geral, as rochas extrusivas
formam um espesso pacote de lavas basálticas cont inentais, tendo variações químicas e
texturais importantes, que são resultantes de um dos mais volumosos processos vulcânicos
do continente americano. No Paraná, a distribuição geográfica dos basaltos e diabásios da
Formação Serra Geral ocupa a unidade fisiográfi ca conhecida como Terceiro Planalto
Paranaense.
A partir dos fenômenos acima descritos, até os dias de hoje, não existem estudos
suficientes da área. Pode -se dizer, no entanto, que de maneira geral, movimentos verticais
ainda ocorrem de forma lenta, sendo estas manifestações mais pronunciadas ao longo dos
alinhamentos estruturais (COPEL, 1987).
DPRA/DVMA
19
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
5.1.2.2 Geologia Local
O reservatório de Foz do Areia está localizado na região do Médio Iguaçu, na porção
centro-sul do Terceiro Planalto Paranaense, próximo ao planalto de Guarapuava e quase
inteiramente sobre basalto de Formação Serra Geral, da era do Cretáceo. Somente em sua
porção mais de montante, acima da cidade de Porto Vitória, afloram rochas sedimentares
das formações Botucatu, Pirambóia e Rio do Rastro.
Os basaltos da Formação Serra Geral se dispõem em forma de derrames,
influenciando diretamente na morfologia regional. Ocorrem cinco derrames entre as cotas
550 m e 750 m, cada um deles formado, predominantemente, por basaltos maciços cobertos
por espessas camadas ba sálticas de topo de derrame. Os basaltos são os mais claros e
apresentam fraturação colunar típica. Em alguns horizontes mostram tendência à fraturação
sub-horizontal. À medida que se aproximam da barragem, no sentido de montante para
jusante, os vales vão se tornado mais dissecados e fortemente entalhados, formando
escarpas verticalizadas com afloramentos de rocha (COPEL, 2000).
A Figura 2 mostra os principais elementos geológicos e estruturais no Estado do
Paraná, estando a usina de Foz do Areia localizada no ponto III. Na figura observa-se que,
a principal estrutura geológica, ocorrente nas imediações do reservatório da referida usina, é
o alinhamento estrutural do rio Iguaçu, que corta a região no sentido noroeste e é formado
por um faixa de segmentos de falhas, juntas e diáclases.
DPRA/DVMA
20
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Fonte: COPEL, 1987
Figura 2 - Principais elementos geológicos e estruturais no Estado do Paraná
Os derrames basálticos existentes na região do reservatório de Foz do Areia formam
uma pilha vulcânica, onde é possível separar “conjuntos rochosos” constituídos de um ou
mais derrames basálticos sucessivos ou de idades distintas. Os mesmos podem ser
DPRA/DVMA
21
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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identificados regionalmente e seus contatos superior e inferior são dist inguíveis no campo e
em fotografias aéreas. Fúlvaro et al. (1982) acrescentam que, em cada conjunto, a litologia
pode variar, uma vez que cada um deles é, provavelmente, constituído por mais de um
derrame. Nos locais onde se encontra um número suficiente d e afloramentos, pode-se
individualizar as litologias. Onde os conjuntos são indivisos, esta distinção torna -se
impossível. Naqueles locais onde os intervalos de tempo entre os derrames foram grandes,
nota-se a presença de sedimentos, entre eles, arcosóis e siltitos, formando brechas
vulcânicas mistas. Nas áreas de contato, onde os derrames ocorreram de forma
sucessivamente rápida, encontra -se basalto amigdaloidal, onde as amígdalas podem ser
esféricas ou ovaladas, vazias ou preenchidas por quartzo, calcedôn ia, zeólitas, celadonita
ou calcita (COPEL, 1987).
5.1.3
Relevo
O reservatório de Foz do Areia localiza -se no Terceiro Planalto Paranaense, em
região que apresenta altitudes que variam entre 1200 m e 600 m, no ponto mais baixo, onde
está localizado o canal de fu ga da referida Usina.
A topografia local é definida como acidentada a bastante acidentada e muito
irregular. A jusante de União da Vitória, o rio Iguaçu e seus afluentes apresentam um vale
profundo e encaixado. O curso do rio Iguaçu é muito variado, às vez es notavelmente
retilíneo, com curvas abruptas, outras com curvas de grande raio, características que
refletem o tipo de rocha do leito. De Porto Vitória até Foz do Areia, as declividades do rio
Iguaçu e afluentes são relativamente altas, em média de 1,7 m/km. Este fato, aliado à
redução da capacidade de retenção e regularização da água no subsolo na região de
basalto (planalto de Guarapuava) e à topografia de vale encaixado, criam condições
propícias a enchentes no médio e baixo Iguaçu. O escoamento superf icial predomina sobre
a infiltração, principalmente nas áreas desmatadas, com previsão de substancial aumento, à
medida que a flora for sendo destruída (COPEL, 2000).
5.1.3.1 Declividade
A declividade no entorno de 1000 m do reservatório de Foz do Areia está regis trada
em mapa anexo a este estudo, o qual foi elaborado no software Arcview e utilizando -se de
dados fornecidos pela COPEL Geração. Estes dados são informações de altitudes de 80 em
80 m (malha quadrada), oriundos de ortofotocartas na escala 1:10.000.
Para a caracterização da declividade da área de estudo, foram definidos quatro
intervalos de valores baseados no critério de IPARDES (1995), sendo eles:
DPRA/DVMA
22
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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
0 a 10% (até 6 graus) – caracterizado por um relevo que varia de plano à
suavemente ondulado, com possibili dades de utilização agrícola mecanizada ou
não, pecuária e reflorestamento. Todavia, sua aptidão agrícola deve ser avaliada
através da análise conjunta da declividade e tipo de solo;

10 a 20% (até 12 graus) – caracterizado por um relevo ondulado, com
possibilidades de exploração para agricultura não mecanizada, pecuária e
reflorestamento. No entanto, a aptidão fica condicionada à análise do tipo de
solo;

20 a 45% (até 24 graus) – corresponde a um relevo fortemente ondulado, com
possibilidades restrita de ex ploração através de agricultura não mecanizada,
pecuária e reflorestamento. Sua aptidão agrícola fica condicionada à avaliação
conjunta da declividade e tipo de solo;

> 45% (acima de 25 graus) – caracterizado por um relevo fortemente ondulado,
onde existe somente aptidão para o manejo e exploração florestal.
O mapa de declividade, nos intervalos acima relacionados, mostra duas áreas com
características distintas. Na região compreendida entre a cidade de Porto Vitória e o córrego
do Lajeado não apresenta áre as significantes com declividade superior a 45%. Já na região
compreendida entre a barragem e o rio Jararaca (no rio Iguaçu) e o rio Pimpão (no rio do
Areia) existe uma maior concentração de áreas com declividade acima de 45% em relação à
área anterior e pouca área com declividade entre 0 e 20%.
A avaliação da declividade na região desapropriada pela COPEL, que corresponde à
faixa de segurança (entre as cotas 742,0 e 745,0 m), revela que esta região é bastante
íngreme, com declividades variando entre 20 e 4 5% (COPEL, 2000). As declividades
encontradas naquela faixa marginal do reservatório são apresentadas na Tabela 5.
Tabela 5 – Declividade das margens do reservatório de Foz do Areia
Área atingida
Declividade
20% do perímetro com 3 a 6 m de largura
> 58%
45% do perímetro com 6 a 10 m de largura
40 a 58%
20% do perímetro com 10 a 15 m de largura
20 a 40%
15% do perímetro com largura acima de 15 m
< 20%
* As maiores frações destas glebas são ocorrentes nas margens do braço formado pelo Rio Areia
FONTE: COPEL (2000)
DPRA/DVMA
23
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5.1.4
Solos
A caracterização dos solos que ocorrem na área de estudo baseou -se no
Levantamento de Reconhecimento dos Solos do Estado do Paraná, escala 1:600.000
(EMBRAPA, 1984). Embora haja um novo sistema brasileiro de classificação dos solos
(EMBRAPA, 1999), utilizou -se a nomenclatura antiga devido ao novo sistema estar ainda
em processo de implantação.
A descrição dos tipos de solos presentes na área de entorno dos 1000 m e a área
ocupada por cada unidade constam na Tabela 6 e sua distribuição espacial pode ser
observada no mapa anexo a este trabalho, intitulado “Tipo de Solo”.
A área em estudo apresenta relevo ondulado e forte ondulado, onde ocorrem solos
do tipo latossolo roxo, terra roxa estruturada, cambissolo e solos litólicos. As características
principais destes solos são:
Latossolo Roxo: profundos, argilosos e bem drenados, formados a partir da
decomposição de rochas basálticas e bastante resistentes à erosão;
Terra Roxa Estruturada: profundos, argilosos, bem drenados, oriundos da
decomposição de rochas basálticas, com processo de lixiviação muito intenso provocado
pelo regime de chuvas;
Cambissolo: rasos, drenados e de limitado uso agrícola;
Litólicos: pouco profundos, formados a partir de diferentes materiais de origem e
muito suscetíveis à erosão.
Há predominância dos solos litólicos, representados pelos tipos Ra9 ( 32,23%) e Ra6
(44,85%), espacialmente predominantes no entorno do braço do rio Areia e no entorno do
rio Iguaçu, respectivamente. O tipo climático Cfb, que ocorre na região, confere aos solos
locais características de se apresentarem mais amarelados ou brunados, mais ricos em
matéria orgânica e com fertilidade natural baixa (álicos), independente do tipo d e solo.
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24
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Tabela 6 – Tipos de solo no entorno do reservatório de Foz do Areia
Tipo de Solo
Área Ocupada
(km2)
LATOSSOLO ROXO
LRa1 - LATOSSOLO ROXO ÁLICO A - proeminente textura argilos a; fase floresta subtropical
perenefólia; relevo ondulado.
TERRA ROXA ESTRUTURADA
TRa1 – TERRA ROXA ESTRUTURADA ÁLICA A - proeminente textura argilosa; fase subtropical
perenefólia; relevo ondulado e forte ondulado.
TRa2 – Associação TERRA ROXA ESTRUTURADA ÁLICA A - Relevo ondulado +
CAMBISSOLO ÁLICO Tb; relevo forte ondulado; substrato rochas do derrame de Trapp, ambos
A - proeminente textura argilosa; fase floresta subtropical perenefólia.
TRd5 – Associação TERRA ROXA ESTRUTURADA DISTRÓFICA floresta subtropical
perenefólia + SOLOS LITÓLICOS DISTRÓFICOS - floresta subtropical subperenifólia; substrato
rochas do derrame de Trapp + CAMBISSOLO DISTRÓFICO Tb; floresta subtropical
subperenifólia; substrato rochas d o derrame de Trapp, todos A - proeminente textura argilosa;
fase pedregosa; relevo forte ondulado e montanhoso.
CAMBISSOLO
Ca13 – CAMBISSOLO HÚMICO ÁLICO - Latossólico textura argilosa; fase floresta subtropical
perenefólia; relevo suave ondulado de vertentes curtas; substratos sedimentos colúvio -aluviais
areno-argilosos.
Ca21 - Associação CAMBISSOLO ÁLICO Tb - substrato rochas do derrame do Trapp + TERRA
BRUNA ESTRUTURADA ÁLICA, ambos A - proeminente textura argilosa; fase floresta
subtropical perenifólia; relevo ondulado.
Ca32 - Associação CAMBISSOLO ÁLICO Tb - floresta subtropical perenifólia + SOLOS
LITÓLICOS ÁLICOS; floresta subtropical subperenifólia, ambos A - proeminente textura argilosa;
fase pedregosa; relevo ondulado; substrato rochas do derrame do Trapp.
SOLOS LITÓLICOS
Ra9 – Associação SOLOS LITÓLICOS ÁLICOS + CAMBISSOLO ÁLICO Tb, ambos A proeminente textura argilosa; fase pedregosa floresta subtropical subperenefólia; relevo forte
ondulado e montanhoso; substrato rochas do derrame de Trapp.
Ra6 – Associação SOLOS LITÓLICOS ÁLICOS - floresta subtropical subperenefólia; substrato
rochas do derrame de Trapp + TERRA ROXA ESTRUTURADA ÁLICA - floresta subtropical
perenefólia, ambos A - predominante textura argilosa; fase pedregosa; relevo forte ondulado e
montanhoso.
1,4
1,4
Percentagem
em relação ao
total (%)
0,35
0,35
79,6
20,5
20,01
5,16
24,7
6,20
34,4
8,65
10,2
1,2
2,57
0,30
8,9
2,24
0,1
0,03
306,7
128,3
77,08
32,23
178,5
44,85
5.1.4.1 Aptidão agrícola
A determinação da aptidão agrícola dos solos busca fornecer informações da
capacidade de sustentação e produtividade econôm ica da terra para promover o uso
adequado da mesma de forma que os recursos naturais sejam colocados à disposição do
homem para seu melhor uso e benefício, procurando ao mesmo tempo preservar estes
recursos para gerações futuras.
A aptidão agrícola da terr a depende diretamente do sistema de manejo a que a
mesma será submetida. Assim, a primeira divisão indica o nível de manejo, ou seja, procura
diagnosticar o comportamento das terras em diferentes níveis tecnológicos, indicados pelas
letras A, B e C. As car acterísticas de cada nível são resumidas abaixo:

Nível de manejo A – São práticas agrícolas usadas que refletem um baixo nível
tecnológico, conseqüentemente, sem condições de aplicação de capital para
melhorias em solos com limitações, seja em relação à fe rtilidade ou à
DPRA/DVMA
25
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conservação. As práticas dependem de trabalho braçal, podendo ser utilizada
tração animal, com implementos simples;

Nível de manejo B – Apresenta práticas agrícolas com médio nível tecnológico,
onde a aplicação de capital é modesto, normalme nte insuficiente para superar as
limitações dos solos. As práticas agrícolas são condicionadas principalmente à
tração animal;

Nível de manejo C – Caracteriza-se pela aplicação intensiva de capital, com
melhoramentos e conservação das condições físicas do solo. Pelo alto nível
tecnológico, a motomecanização está presente nas diversas fases da operação
agrícola.
As classes de aptidão agrícola das terras são definidas para um tipo de utilização
determinado, com um nível de manejo definido, refletindo o grau d e intensidade com que as
limitações afetam as mesmas.

Classe boa – Sem limitações significativas para produções, observando -se as
condições de manejo considerado.

Classe regular – Limitações moderadas para produção a um determinado tipo de
utilização, observando-se condições de manejo considerado.

Classe restrita - Limitações fortes para produção sustentada de um determinado
tipo de utilização, observando as condições do manejo considerado.

Classe inapta – São terras indicadas para preservação da flora e da fauna,
recreação ou algum outro tipo de uso não agrícola. Nestes locais, deve ser
estabelecido algum tipo de cobertura vegetal permanente, não só por razões
ecológicas, como também, para proteção de áreas contíguas agricultáveis.
Na agricultura moderna, a mecanização é um fator importante no aumento da
produtividade. Assim, as terras com possibilidades de mecanização, além de constituírem as
maiores produções, são mais valorizadas. Como a agricultura mecanizada ocupa grandes
áreas com uso intensivo, o níve l de manejo C é o que potencialmente provoca maiores
problemas ambientais.
Para análise da aptidão agrícola, utilizou -se o mapa “Uso Potencial do Solo”,
elaborado pelo IPARDES (1995), a partir das variáveis declividade, suscetibilidade à
inundação, profundidade do solo, pedregosidade, fertilidade natural e textura dos horizontes
DPRA/DVMA
26
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A e B. A classificação da aptidão agrícola é orientada para o sistema de manejo C,
caracterizado pela motomecanização e uso intensivo de insumos, para a qual foram
estabelecidas dez unidades: 1 – bom; 2f – regular (fertilidade); 2e – regular (erosão); 2ef –
regular (erosão e fertilidade); 2h – regular (excesso hídrico); 3e – restrito (erosão); 3m –
restrito (mecanização); 4e – inapto (erosão); 4h – inapto (excesso hídrico); Af – afloramento
rochoso.
Este mapa do IPARDES (1995), abrangendo somente a área dos 1000 m de entorno
do reservatório, se encontra em anexo e foi denominado de “Aptidão Agrícola (Manejo C)”. A
classe de aptidão agrícola que predomina na área de estudo, totalizando 88% da mesma
(Tabela 7), é a 4e, indicando uma região inapta para o sistema de manejo C, devido a
erosão.
Tabela 7 – Classes de aptidão agrícola no entorno do reservatório de Foz do Areia
Classes de aptidão agrícola
2f – regular (fertilidade)
2ef – regular (erosão e fertilidade)
4e – inapto (erosão)
4e – inapto (erosão) + 2ef – regular (erosão e fertilidade)
Área Ocupada (km 2)
1,6
39,9
350,1
5,4
Área Ocupada (%)
0,41
10,03
88,19
1,35
5.1.4.2 Erosão no entorno do reservatório
As características (topográficas, pedológicas e pluviométricas) da região despertam
atenção especial à possibilidade de erosão e escorregamento das encostas. Neste caso,
pode-se comentar que os efeitos de instabilidade em r eservatórios como o de Foz do Areia,
estão relacionados diretamente com as características geológicas. Cada derrame é
separado por uma descontinuidade sub -horizontal, em geral mais permeável, originando
percolação de água e, conseqüentemente, maior grau de alteração, além do surgimento de
nascentes de água. Escorregamentos podem ser deflagrados com o rebaixamento rápido do
reservatório apenas como resultado de grandes precipitações pluviométricas e também por
fenômenos de menor intensidade, como pela formaç ão de pequenas ondas superficiais do
lago (COPEL, 2001a).
Erosão hídrica e assoreamentos nos tributários, canais de drenagem e açudes
podem ter origem em vários fatores, como por exemplo:

DPRA/DVMA
topografia acidentada e íngreme;
27
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da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

fragilidade do solo;

ausência de aptidão para atividades agrícolas tradicionais; e

exploração intensiva de madeiras de lei e sua extração indiscriminada.
As condições topográficas e a cobertura do material alterado são dois fatores que
também interferem nos aspectos de estabilidade. Nos loc ais de encostas íngremes, a
espessura do solo é, em geral, pequena e muitas vezes ocorrem apenas afloramentos de
rocha. Por outro lado, nos casos em que o solo é mais espesso, geralmente o relevo é mais
suave, favorecendo a estabilidade da encosta (COPEL, 2000).
O entorno do reservatório de Foz do Areia possui revestimento vegetal natural em
diversos estágios de sucessão, o qual, embora ocorra em alguns trechos de forma aleatória
e descontínua, na maior parte da área protege -a contra processos erosivos de m aior
magnitude, diminuindo conseqüentemente processo de assoreamento do reservatório.
Os maiores impactos às áreas marginais do reservatório foram decorrentes das
enchentes ocorridas em 1983, a partir de quando os itens relevantes das vistorias realizadas
pela COPEL passaram a ter registro em base cartográfica. Nas inspeções que se
sucederam entre 1983 e 1999 foram identificados pontos de erosão e deslizamentos no
reservatório, cuja evolução foi acompanhada ao longo deste período. A Tabela 8 mostra um
resumo da situação dos mesmos em termos de recuperação natural e em decorrência de
interferência humana.
Tabela 8 – Situação dos pontos de erosão no reservatório de Foz do Areia entre 1983 e 1999
Identificação
No do
Data da
ponto
vistoria
01-40
Porte
83/89
41-60
90/93
61-80
94/99
SUB TOTAIS
RESUMOS RELATIVOS
Recuperados
estabilizado
P
M
G
27
13
3
Estágios de Criticidade
Recuperação natural
Rápida semiModerada e lenta
estabilizados
P
M
G
P
M
G
7
1
-
9
4
Ações técnicas
Em observação Planejadas
P
M
G
P
M
G
5
5
-
1
2
-
2
8
15
10
4
10%
19%
12%
5%
83 %
17 %
P (pequeno), M (médio), G (grande) – função do tamanho e situação da área e do grau de riscos de erosão e assoreamentos.
RECUPERADO – entre 70 e 100 % de recobrimento (arbóreo, arbustivo e gramíneas) = ESTABILIZADO.
FONTE: COPEL (2000).
DPRA/DVMA
43
54%
28
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
As conclusões dos relatórios das inspeções acima comentadas mostram que, com
exceção de grandes períodos de chuv as, as causas que acarretaram a maioria dos
escorregamentos e/ou deslizamentos e erosões, foram (COPEL, 2000):

ação de marolas (10%) – causam pequenos solapamentos com baixa
movimentação de material;

degradação do solo (40%) – nos entornos, através de açõe s antrópicas, como
retirada de madeira, queimadas e agricultura nômade, entre outras;

susceptibilidade natural (50%) – as condições geomorfológicas do terreno, por
vezes, são favoráveis a tais ocorrências, de forma natural, independentemente
da existência de vegetação arbórea no local.
O resumo histórico demonstra que 83% dos pontos detectados na década passada
já obtiveram recuperação natural da vegetação, sendo que 54% já se encontram
estabilizados e 29% em rápida, moderada ou lenta recuperação.
Trabalhos recentes de inspeção no reservatório (COPEL, 2001a) complementam
estas informações indicando que a maior parte dos pontos de erosão anteriormente
detectados se apresentam estabilizados, sem indícios de evolução deste processo. A
maioria apresenta alguma m elhora com relação à recuperação da cobertura vegetal, com ou
sem intervenção humana. Embora não sejam resultados visuais expressivos, a
recomposição da vegetação em muitos destes pontos tem evitado novos deslizamentos.
Ainda neste levantamento da COPEL foram cadastrados mais oito pontos de erosão na área
do reservatório, a maioria sem riscos de agravamento.
A Tabela 9 mostra um resumo dos pontos de erosão identificados nos diferentes
períodos, de 1984 a 2001. A localização destes p ode ser observada no mapa “Pontos de
Erosão e Áreas de Derrubadas e Queimadas” anexo a este trabalho, cuja fonte de
informações é a COPEL (2001a). A Figura 3 ilustra a situação de 8 pontos de erosão
considerados críticos, localizad os no mapa com a numeração discriminada, ressaltando -se
que, de acordo com o relatório de inspeção da COPEL de 2001, os pontos 1, 6 e 7 sofreram
agravamento do processo erosivo.
DPRA/DVMA
29
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Tabela 9 – Pontos de erosão no reservatório de Foz do Areia
Pontos
Data de Cadastramento
01 a 41
42 a 60
61 a 80
81 a 85
86 a 93
Entre 1984 e 1989
Inspeção de 1993
Inspeção de outubro de 1999
Inspeção de novembro de 2000
Inspeção de outubro de 2001
TOTAL
FONTE: COPEL (2001a)
Quantidade de pontos
41
19
20
05
08
93
Percentual (%)
44,1
20,4
21,5
5,4
8,6
100
Ponto 1
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Ponto 5
Ponto 6
Ponto 7
Ponto 8
Figura 3 – Pontos de erosão críticos
DPRA/DVMA
30
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Áreas de derrubadas e queimadas
A ocorrência de desm atamentos e posterior queimada tem sido observada, com
bastante freqüência, em determinadas áreas marginais em toda a extensão do reservatório.
Esta remoção vegetal, além de aumentar a instabilidade das encostas, favorece o aumento
da erosão laminar. Esta se caracteriza pelo carregamento de solo, lento e sucessivo,
através das águas das chuvas sem deixar, no entanto, rastros evidentes, como ocorre nos
casos de erosão comentados anteriormente.
O último relatório de inspeção do reservatório de Foz do Areia, r ealizado pela
COPEL, revela que a ocorrência de derrubadas e queimadas se repete a cada ano, sendo o
número de ocorrências bastante expressivo, girando em torno de 50 casos. A Figura 4
ilustra a situação de 4 áreas de derrubadas e
queimadas consideradas críticas
(COPEL, 2001a), cuja localização se encontra no mapa “Pontos de Erosão e Áreas de
Derrubadas e Queimadas”, anexo a este trabalho.
Ponto 9
Ponto 10
Ponto 11
Ponto 12
Figura 4 – Áreas de derrubadas e queimadas críticas
5.1.5
Uso do solo e cobertura vegetal
O mapa de uso do solo e cobertura vegetal foi gerado pela interpretação de
ortofotocartas, datadas de 2001, na escala 1:10.000. A interpretação foi visual, por
DPRA/DVMA
31
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digitalização diretamente na tela d o monitor, com o software Arcview, visualizadas na
mesma escala.
Foram adotadas oito categorias na classificação em função da capacidade de
reconhecimento das mesmas nas ortofotocartas, sendo elas:

Vegetação Densa – Áreas cobertas com todo tipo de remanesc entes florestais e
reflorestamento de alta densidade;

Vegetação Esparsa + Campo – Áreas cobertas por vegetação arbustiva e de
baixa densidade, incluindo campos e pastagens;

Agricultura – Áreas ocupadas por agricultura;

Solo Exposto – Áreas sem cobertura ve getal;

Área Urbanizada – Áreas com infra-estrutura básica, caracterizada pela
legislação como área urbana;

Água – Compreende o reservatório e seus afluentes, bem como as lagoas;

Subestação – Área destinada à distribuição da energia gerada;

Barragem – Estrutura maciça que promove a intersecção do rio para formação
do reservatório.
O resultado da classificação pode ser visualizado no mapa “Uso do Solo e Cobertura
Vegetal” em anexo. A Tabela 10 mostra as áreas relativas à cada uma das categorias acima
relacionadas.
Tabela 10 - Uso do solo e cobertura vegetal na área de estudo
Uso do Solo e cobertura vegetal
Vegetação Densa
Vegetação Esparsa + Campo
Agricultura
Solo Exposto
Área Urbanizada
Água
Subestação
Barragem
TOTAL
Área Total Abrangida (km²)
174,0
130,8
89,0
2,2
0,4
139,0
0,2
0,8
536,4
Área Total Abrangida (%)
32,44%
24,38%
16,59%
0,41%
0,07%
25,91%
0,04%
0,15%
100,00
A área no entorno do reservatório que apresenta cobertura vegetal mais densa e
remanescentes florestais ainda corresponde a um percentual relativamente elevado. No
DPRA/DVMA
32
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entanto, sua distribuição se mostra setorizada, com grandes espaços vazios entre suas
áreas de concentração, como pode ser visualizado no mapa acima referenc iado.
Nas proximidades da barragem verifica -se maior preservação da flora terrestre,
principalmente na margem esquerda do rio Iguaçu, próximo aos rios Jacutinga e Sabiá. A
maior concentração de agricultura ocorre nos municípios de Bituruna, na margem esque rda
do rio Iguaçu, e de Cruz Machado, na margem esquerda do rio Areia. Destaca -se a
característica predominantemente rural da área do reservatório (cota 742,0 m), uma vez que
somente a área urbana de Porto Vitória encontra -se no seu entorno.
5.1.6
Hidrologia
O reservatório de Foz do Areia é formado pelo barramento do rio Iguaçu, um dos
principais afluentes do rio Paraná. O rio Iguaçu possui grande potencial energético, nasce
nas imediações de Curitiba e corre essencialmente no sentido leste -oeste por cerca de
1000 km vencendo um desnível de 800 m. Atualmente este rio possui 5 usinas em cascata.
No sentido de montante para jusante, estas usinas são: Foz do Areia; Segredo; Salto
Santiago; Salto Osório e Salto Caxias.
Alguns dos principais afluentes que desembocam di retamente no reservatório de Foz
do Areia podem ser observados no diagrama unifilar da Figura 5. O rio Areia, com foz na
margem direita, possui 3 afluentes principais, sendo 2 pela margem direita, rios Pimpão e
Lageado Feio, e 1 pela margem esquerda, rio da Praia. O rio Palmital, também afluente da
margem direita, tem seu curso entre os municípios de União da Vitória e Cruz Machado. Na
margem esquerda, o reservatório recebe 4 afluentes indicados na figura citada, sendo eles
os rios Sabiá, Jacutinga, Jararaca e Jangada. Os 3 primeiros rios correm no município de
Bituruna e o rio Jangada tem seu curso entre este município e o de Porto Vitória. O referido
sistema também se encontra no mapa “Hidrografia e Sistema Viário”, anexo a este tr abalho.
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33
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Figura 5 - Diagrama unifilar do sistema hidrográfico do reservatório de Foz do Areia
A área de drenagem do reservatório é de, aproximadamente, 29.800 km2 e a vazão
média de longo prazo é de 544 m3/s. O reservatório tem um volume total de 6 bilhões de
metros cúbicos para regularizar 59% da vazão média de longo prazo (COPEL, 2000).
Deve-se ressaltar, também, que devido à posição de montante do reservatório de
Foz do Areia, em relação aos outros aproveitamentos energéticos do rio Iguaçu, este possui
uma função especial de regularização da vazão a ser liberada aos próximos reservatórios
escalonados. Este reservatório foi projetado com um volume útil que proporciona uma
depleção de 47 m, permitindo que este acumule água nas époc as chuvosas e as libere nas
épocas de estiagem, para geração hidrelétrica nas próximas usinas do complexo Iguaçu.
Isto significa que este reservatório regulariza não só a vazão utilizada em Foz do Areia, mas
auxilia a operação das outras usinas localizadas a jusante.
Para estudos fluviométricos, a região conta com 12 fluviômetros, sendo a estação
fluviométrica de União da Vitória escolhida como posto chave (COPEL, 1995). As vazões
naturais médias mensais foram obtidas a partir da transferência das séries de vazões
observadas nas estações das proximidades, utilizando equações de transferência obtidas
por estudo de correlação linear. A Tabela 11 resume os valores encontrados na análise dos
dados referentes ao período de 1931 a 1996 (CO PEL, 2000).
Tabela 11 – Vazões médias mensais na UHE de Foz do Areia
Mês
Jan
Vazão média
572,4
(m3/s)
FONTE: COPEL (2000)
DPRA/DVMA
Fev
648,7
Mar
602,3
Abr
463,2
Mai
578,4
Jun
699,3
Jul
729,4
Ago
600,8
Set
704,3
Out
854,9
Nov
670,9
Dez
563,4
34
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As vazões máximas no local da usina de Foz do Areia em função do tempo de
recorrência são apresentadas na Tabela 12. Elas foram obtidas através do diagrama de
contribuição específica máxima do rio Iguaçu, utilizando -se a análise de freqüência (COPEL,
2000). Esta consiste no estabelecimento das vazões máximas em função da probabilidade
de ocorrência, a partir do ajuste de uma distribuição teórica de probabilidade às vazões
máximas históricas.
Tabela 12 – Vazões Máximas na UHE Foz do Areia
Tempo de Recorrência (anos)
2
5
10
25
50
100
500
1.000
10.000
FONTE: COPEL (2000)
5.1.7
Vazão Máxima (m³/s)
1.995
3.270
4.220
5.550
6.570
7.500
9.900
10.950
14.100
Qualidade das águas superficiais
Monitoramentos da qualidade das águas do reservatório de Foz do Areia foram
realizados pela COPEL, de modo contínuo, nos primeiros anos após o seu enchimento, que
se deu em 1980. Resultados obtidos entre 1982 e 1987 estão contidos no Banco de Dados
Físicos e Químicos da CO PEL. Neste período, as amostragens foram realizadas no rio
Iguaçu, na confluência com o rio Areia (denominado Ponto F) e nas proximidades da
barragem, no Log Boom (Ponto L). Em dezembro de 1999 e fevereiro de 2000, novas
amostragens se efetuaram a montante da foz do rio Areia (E1), nos mesmos dois pontos do
monitoramento anterior, ou seja, no ponto F (denominado E2), no ponto L (denominado E3)
e a jusante da barragem (E4). A Tabela 13 mostra uma descrição sucinta des tas estações.
Tabela 13 - Estações de amostragem de água no reservatório de Foz do Areia
Designação
E1
E2
E3
E4
rio Iguaçu
rio Iguaçu
rio Iguaçu
rio Iguaçu
Descrição
– 3 a 5 km a montante da foz do rio Areia
- na foz do rio Areia – Ponto F
– cerca de 500 m da barragem (Log Boom) - Ponto L
– cerca de 500 a jusante da barragem
Prof máx
cerca de 120 m
cerca de 120 m
cerca de 120 m
cerca de 3 m
As amostragens de água foram do tipo manual e efetuadas a meio caminho da
margem do rio, aproximadamente 30 cm abaixo da superfície e ao longo da coluna de água
(da superfície para o fundo) nos pontos F (E2) e L (E3). Os procedimentos analíticos, tanto
DPRA/DVMA
35
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em campo quanto em laboratório, basearam -se no Standard Methods for Examination of
Water and Wastewater e parte dos resultados foram tratados através do Índice de Qualidade
de Água - IQA, adaptação do índice de qualidade de água desenvolvido pela National
Sanitation Foundation (Derisio, 1992) e da Resolução CONAMA 020/86.
A análise de resultados limnológicos físicos, químicos e microbiológicos, obtidos
entre 1982 e 1987 e em dezembro de 1999 e fevereiro de 2000 (LACTEC, 2000; COPEL,
2000), mostra que os valores médios de pH (na faixa da neutralidade), alcalinidade,
condutividade, dureza, e sólido s são compatíveis com águas superficiais de boa qualidade.
Não se observam alterações significativas com relação a estas variáveis ao longo dos anos,
como mostra a Tabela 14.
Tabela 14 – Variação temporal (médias) na superfície do reservatório de Foz do Areia
Variáveis
1982
F
Alcalinidade
13,0
(mg/L CaC03)
Condutividade
44,0
(S/cm)
Dureza
13
(mg/L CaC03)
PH
7,0
Turbidez (NTU)
12
Sólidos Totais
47
(mg/L)
FONTE: COPEL (2000)
1983
1984
1985
1986
1987
1999-2000
L
12,7
F
12,6
L
12,8
F
13,4
L
14,2
F
10,0
L
10,1
F
12,7
L
13,3
F
8,9
L
17,3
F (E2) L (E3)
18
21
40
31,4
31
31,8
36
34
35
44
_
31
_
52
51
13
13
14
13
13
13
13
15
15
10
11
17
16
7,0
7
46
6,8
21
55
6,0
22
57
6,8
7
46
6,8
7
47
7,1
2
59
7,2
2
45
7,0
3
48
7,0
4
61
6,9
6
46
7,0
7
45
7,3
7
53
7,3
7
50
Os registros de temperatura ao longo da coluna de água, nas proximidades da
barragem (ponto Log Boom) e na confluência do rio Iguaçu com a foz do rio Areia, datados
de 1982 a 1986 (LACTEC, 2000), indica m que o reservatório apresenta estratificação
térmica que se acentua gradativamente após a primavera, estendendo -se até o outono. A
tendência à desestratificação (circulação total) ocorre no inverno, em especial, pelo
abaixamento da temperatura da água do rio Iguaçu e outros fatores, tais como, aumento da
vazão. No verão e outono, a diferença de temperatura entre a superfície das águas e o
fundo pode superar 10°C, o que indica a formação de estratos com grandes diferenças de
densidade.
Os níveis de oxigenação são adequados na superfície (em geral, em torno de
7,0 mg O2/L). No entanto, por se tratar de um reservatório profundo (profundidade média de
140 m), estratificado termicamente, os valores de oxigênio dissolvido (OD) se mostram
bastante reduzidos com o aumento da profundidade. Especialmente nas épocas mais
quentes, os mesmos se encontram entre a 1,0 e 2,0 mg/L, a partir de 40 m de profundidade.
Em decorrência da anóxia na região de fundo, que favorece reações de oxidação anaeróbia,
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36
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observam-se aumentos nas concentrações dos gases H 2S e CO2, também nos períodos de
maior temperatura (LACTEC, 2000).
Com relação aos nutrientes, o fósforo se apresenta, de modo geral, em
concentrações acima do limite máximo definido para a CLASSE 2 (0,025 mg P/L),
enquadramento do rio Iguaçu e afluentes. Este comportamento é, em geral, constatado pela
Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental –
SUDERHSA, em todas as bacias hidrográficas do Estado do Paraná. Em monitoramento
realizado entre 1987 e 1995 (SUDERHSA, 1997), exemplo disto pode ser observado na
estação de amostragem próxima de União da Vitória (IG -07), que registra valores elevados
de fósforo, na maioria entre 0,05 e 0,1 mg P/L. Neste mesmo local e período, as
concentrações de nitrogênio total se mostram, em sua maioria, iguais ou superiores a
0,7 mg N/L, e no monitoramento de 1999 e 2000, tanto a montante como a jusante do
reservatório, acima de 1,0 mg N/L. Estes registros indicam que ocorre aporte destes
nutrientes para o reservató rio, sendo as fontes mais prováveis os esgotos domésticos e
insumos agrícolas oriundos de afluentes e das áreas no seu entorno.
Aumentos de fósforo e nitrogênio nas águas têm estimulado o processo de
eutrofização (desenvolvimento excessivo de algas) no res ervatório de Foz do Areia,
favorecido pelo seu longo tempo de residência, de aproximadamente 125 dias. Observados
os intervalos de concentrações de fósforo e nitrogênio propostos pela Agência de Proteção
Ambiental dos Estados Unidos – EPA e por Vollenweide r e Wetzel (Wetzel, 1983; Esteves,
1988), para avaliação do estado trófico de lagos, pode -se dizer que o reservatório de Foz do
Areia se encontra em condições de produtividade moderada a alta, ou seja, entre meso e
eutróficas. Em especial, nas épocas mais quentes, os sinais de eutrofização são visíveis
quando se formam verdadeiros tapetes de algas na superfície das águas, conhecidos por
“florações” ou “blooms” (alta biomassa). Este fato foi observado recentemente, entre os
meses de janeiro e abril de 2002, nas proximidades da barragem e constitui -se motivo de
preocupação com relação ao desenvolvimento de algas do grupo das cianobactérias. Sua
presença prejudica usos potenciais do reservatório, pois as mesmas produzem toxinas
deletérias à saúde do homem por i ngestão oral, com efeitos citotóxicos, hepatotóxicos e
neurotóxicos, conforme a Portaria do Ministério da Saúde n°1.469, de 29 de dezembro de
2000.
Microorganismos do grupo coliforme e demanda bioquímica de oxigênio (DBO 5)
foram avaliados no mês de dezembr o de 1999 e não indicam poluição neste período. No
entanto, o monitoramento contínuo realizado pela SUDERHSA (1997) mostra variações
significativas que indicam contaminação fecal das águas na estação IG -07 – União da
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Vitória, entre abril de 1989 e julho de 1994. As concentrações de coliformes fecais
encontram-se, em sua maioria, entre 2.000 e 13.000 NMP/100 mL e valores como 30.000 e
160.000 NMP/100 mL são registrados. Níveis superiores a 1000 NMP/100 mL são
inadequados ao uso das águas para balneabilidade, conforme a Resolução CONAMA
274/00. Desta forma, a disposição inadequada de esgotos domésticos no entorno do
reservatório se constitui motivo de preocupação com relação à poluição das águas por
matéria orgânica e microorganismos patogênicos, com conseqüen te estímulo à eutrofização,
aumento de doenças de veiculação hídrica e prejuízos aos usos múltiplos do reservatório.
A Tabela 15 e Tabela 16 mostram os resultados do monitoramento efetuado em
dezembro de 1999 e fevereiro de 2000 anteriormente discutidos, nos quais as
concentrações de diversas variáveis podem ser observadas. No primeiro mês, foi calculado
o IQA utilizando-se as medidas de oxigênio dissolvido (OD), temperatura, pH, turbidez e as
determinações da demanda bioquímica de oxigênio (DBO), coliformes fecais, nitrogênio
total, fósforo total e sólidos totais.
Segundo critérios da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
–
CETESB (Derisio, 1992), o IQA apresentado nas estações de amostragem do res ervatório
de Foz do Areia são adequadas para fins de potabilização para abastecimento doméstico,
desde que não apresentem níveis quaisquer de toxicidade. Neste particular, além de outras
formas tóxicas, as cianotoxinas produzidas nos blooms de algas cianofíceas devem ser
investigadas, pelo risco à saúde do homem e do ambiente aquático, como comentado
anteriormente.
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38
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Tabela 15 - Resultados analíticos no reservatório de Foz do Areia (dezembro de 1999)
ESTAÇÕES
E1
Altitude (m)
E2
S
720
M (80 m)
-
Coliformes fecais (NMP/100 mL)
E3
E4
720
S
720
M (80 m)
-
607
10
-
30
20
-
10
DBO5 (mg/L)
1,17
-
1,00
1,00
-
1,00
Fosfato total (mg P/L)
0,040
0,031
0,029
0,029
0,032
0,026
Oxigênio dissolvido (mg/L)
7,1
1,2
7,4
7,2
1,2
5,8
Nitrogênio total (mg N/L)
1,4
1,5
1,3
2,0
1,4
1,9
pH (adimensional)
7,3
5,8
7,2
7,1
7,5
5,9
Temperatura da água (°C)
23,0
13,9
23,0
22,8
13,7
19,8
13
11
11
10
14
11
Turbidez (NTU)
Sólidos totais (mg/L )
52
54
48
46
78
45
Coliformes totais (NMP/100 mL)
7270
-
4352
2753
-
3448
Condutividade (S/cm)
52,1
50,8
49,0
47,0
82,1
47,5
Secchi (m)
0,80
-
0,80
0,85
-
1,25
CO2 (mg/L)
4,0
4,3
3,9
3,9
4,1
5,0
H2S (mg/L)
1,8
2,1
2,0
1,9
2,0
2,2
Ferro total (mg/L)
1,30
0,95
0,90
1,25
0,80
1,10
76
BOA
-
75
BOA
75
BOA
-
60
BOA
IQA
QUALIDADE
Tabela 16 - Resultados analíticos no reservatório de Foz do Areia (fevereiro de 2000)
ESTAÇÕES
E1
E2
S
720
M (50 m)
-
Coliformes fecais (NMP/100 mL)
-
-
DBO5 (mg/L)
-
Altitude (m)
E3
E4
720
S
720
M (60 m)
-
607
-
-
-
-
-
-
-
-
-
0,034
0,050
0,023
0,021
0,027
0,028
Oxigênio dissolvido (mg/L)
7,5
2,7
7,2
7,1
2,6
4,7
Nitrogênio total (mg/L N)
0,6
1,6
1,3
1,2
1,3
1,9
pH (adimensional)
7,1
6,9
7,3
7,5
7,1
7,1
Temperatura da água (C)
29,0
23,8
28,1
28,0
21,8
24,0
Fosfato total (mg/L P)
Turbidez (NTU)
Sólidos totais (mg / L )
7
15
5
5
7
11
56,5
65,5
55,5
54,0
56,0
55,5
-
-
-
-
-
-
Condutividade (S/cm)
51,7
52,9
55,8
54,4
53,7
52,2
Secchi (m)
1,30
x
0,95
1,10
x
0,90
CO2 (mg/L)
0,2
3,1
0,1
1,0
4,0
5,2
H2S (mg/L)
2,2
2,3
2,2
2,4
2,3
x
Ferro total (mg / L)
0,51
1,14
0,52
0,61
0,87
0,81
Coliformes totais (NMP/100 mL)
A análise de metais pesados (elementos -traço) nos sedimentos do reservatório de
Foz do Areia foi realizada em fevereiro de 2000 e o s resultados se encontram na Tabela 17.
Estas informações são importantes para a utilização do reservatório para múltiplos fins, em
especial, abastecimento doméstico, irrigação, pesca e recreação, tendo em vista que muitos
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39
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apresentam potencial tóxico para os seres aquáticos e o homem, além do fenômeno da
bioacumulação (Zakrzewski, 1997). Metais se depositam no sedimento e podem ser
ressuspensos para as águas, dependendo das condições de pH e oxigenação.
Tabela 17 - Metais no sedimento do reservatório de Foz do Areia (fevereiro de 2000)
Variáveis
Ferro
Alumínio
Manganês
Cobre
Zinco
Bário
Cromo
Níquel
Chumbo
Arsênio
Cádmio
Mercúrio
Unidade
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
g/g
E1
93.176
57.290
721
177
130
112
37
22
17
1,9
E3
111.211
69.702
533
217
107
76
38
26
15
1,8
0,5
0,2
0,5
0,2
Pode-se observar a predominância dos elementos ferro, alumínio e manganês nos
sedimentos analisados, cuja origem provável são os solos da regi ão, Latossolo, às vezes
associados a Cambissolos (SUDESUL, EMBRAPA, 1984). Os demais elementos
depositados neste compartimento devem ser provenientes de atividades antrópicas
(indústrias e agricultura, principalmente) e ocorrem nas águas naturais em baixís simas
concentrações. Na região da usina de Foz do Areia, a presença de cobre e mercúrio pode
estar associada a aplicações de praguicidas agrícolas, tais como, sulfato de cobre e
compostos mercuriais (Derisio, 1992). As várias áreas de cultivo a montante da represa
contribuem, provavelmente, para que o cobre esteja presente nos sedimentos analisados,
na quarta maior concentração (COPEL, 2000).
5.2
5.2.1
Meio biológico
Vegetação
Estudos sistemáticos relacionados com relação à flora nativa ao longo rio Iguaçu são
escassos, sendo que o material existente, produto de registros de naturalistas do início do
século, encontra-se depositado em diversos acervos museológicos. Originalmente, a região
apresentava predomínio de espécies vegetais características de Floresta Pluvial S ubtropical,
com presença de matas de Araucária e de Galeria. O representante característico da
formação araucária, denominada, atualmente, Floresta Ombrófila Mista, é a Araucária
angustifolia, o conhecido pinheiro do Paraná (Maack, 1981).
DPRA/DVMA
40
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Com
base em
estudos ambientais, principalmente os realizados para o
aproveitamento hidrelétrico da usina de Segredo, localizada a jusante, observa -se que
fitofisionomicamente, o vale fluvial é dividido em três formações distintas: mata de galeria
(no estrato inferior), mat a de encosta, típica da floresta pluvial subtropical (no estrato
intermediário) e mata de Araucária (predomínio na zona de planalto) (Julio Jr et al., 1997).
Devido ao relevo com declive acentuado, a mata de galeria, adaptada a umidades
elevadas e encharcamentos periódicos, restringe -se a uma estreita faixa ao longo do rio
Iguaçu, onde aparece um maior número de espécies características devido à peculiaridade
dos fatores edáficos. Percebe -se, ao mesmo tempo, acentuado grau de alteração da mata
de galeria, fato que a descaracteriza. Entre as espécies podem ser citadas o vacunzeiro, o
branquilho, o açoita cavalo, o tarumã, o miguel -pintado e a corticeira, dominando no estrato
arbóreo, sendo os estratos inferiores caracterizados por arbustos como o fumo -bravo, o paude-pólvora e trepadeiras como o timbó e o cipó -de-leite, comuns em ambientes alterados
(COPEL, 2000).
Na mata existente nas encostas dos morros, que se apresenta bastante substituída
na margem esquerda pelo intenso cultivo de roças, as espécies carac terísticas mais
comumente observadas são grápia, angico, canela -louro, mamica-de-cadela, cabreúva,
canafístula, louro pardo, pau -marfim, timbaúva, rabo-de-bugio, araticum, ingá-feijão, ingámacaco, pau-pra-tudo, imbuzeiro, paineira e samambaiaçú. No alto d as encostas constatase a existência de algumas espécies xerofíticas da família Cactaceae.
A mata de Araucária mostra o pinheiro do Paraná como espécie característica, o qual
se sobressai além da copa das demais árvores. Com altura imediatamente inferior o correm
diversas canelas, a imbuia, o vassourão de folha miúda, o vassourão branco, o pessegueiro
bravo e a sapuva. O estrato inferior é composto, em geral, por erva mate, araçá, cerejeira,
guamirins, guabirobeira, jaboticabeira, guaçatungas, caúnas, aratic um, carvalho brasileiro,
vassourão preto, pimenteira e xaxim bugio.
A maioria das espécies observadas na região não se apresenta como característica
de determinada formação. Merecem destaque pela frequência com que ocorrem, as
seguintes espécies: carova, c apororocão, leiteiro, canela sebo ou guaicá, canjarana, cedro,
tamanqueira ou mandioca e cuvatã, todas elas com frequência elevada em locais onde se
percebe um maior nível de alteração.
A flora epífita está bem representada nas três áreas fitosionômicas, s endo que na
mata de galeria a maior ocorrência é de orquídeas, imbés, ervas de vidro, cactos e
samambaias, ocorrendo mais raramente gesneriáceas e bromélias, permanecendo esta
DPRA/DVMA
41
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
situação até a meia encosta. A partir daí são mais frequentes as bromélias e as orquídeas,
ocorrendo também os imbés, samambaias, jaborandis e cactos. Dentre as lianas ou cipós, a
maior ocorrência se dá na mata de galeria, sendo as mais comuns os timbós, os cipós de
leite, jarrinha, a flor de São João e a dama da noite. Ao longo dos c aminhos existentes na
região aparecem diversas espécies ruderais formando densas associações. Citam -se pela
representatividade, a urtiga mansa, o esporão de galo, os jaborandis, os fumo bravos, o pau
pólvora, a erva de capitão, os carrapichinhos, os caruru s, as guanchumas, os juás e a
samambaia (COPEL, 2000).
Nas matas ciliares dos tributários do rio Iguaçu é encontrado um maior número de
espécies características das formações de mata de galeria de outros trechos da bacia, como
o vacunzeiro, o branquilho, a corticeira e os cambuís, dentre outras. Nas pequenas ilhas
fluviais existentes, tanto no rio Iguaçu quanto nos seus tributários, ocorre uma vegetação
arbustiva e herbácea característica, constituída por poucas espécies, predominando o
sarandi, uma Euphorbiaceae arbustiva altamente adaptada a esses ambientes. Outra
espécie constatada nas diversas ilhas temporárias foi uma Amarylidaceae herbácea,
possivelmente endêmica da região.
Os peraus, como são denominadas localmente as paredes rochosas existentes ao
longo dos vales entre os morros, apresentam além de várias espécies rupícolas, ou seja,
que se desenvolvem sobre rochas, alguns patamares formados pelo acúmulo de poeira e
matéria orgânica sobre e entre as fendas das mesmas, onde se desenvolve uma vegetação
arbustiva, com espécies da floresta de Araucária.
Atualmente observa-se que todos os estratos da vegetação original no vale do
Iguaçu se mostram notavelmente alterados pelas atividades antrópicas. A faixa de solo
plano e de melhor fertilidade, onde se inst alavam as matas de galeria, foi ocupada com as
culturas de subsistência e criação de gado e suínos. Pode -se dizer que a flora original,
assim como os demais componentes bióticos, sofreram várias transformações ao longo do
tempo, em decorrência de agricultu ra extensiva, pecuária, caça indiscriminada e extração de
madeira. Mais de dois terços da área ocupada pela mata de Araucária foram devastados e
substituídos por matas secundárias, dominadas por samambaias, ou roçados com baixa
rotação de cultura (Julio Jr et al., 1997, COPEL, 2000).
Uma das áreas de destaque no entorno do reservatório de Foz do Areia, identificada
nos trabalhos de campo, que ainda apresenta densa cobertura florestal, composta de matas
nativas preservadas, é a Mata do rio Jacutinga. Ela se localiza na margem esquerda do
reservatório, numa península cercada pelas águas do rio Jacutinga e Iguaçu, nas
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42
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
proximidades da barragem. Observam -se nela exemplares de Angico e Araucárias, além de
espécies arbóreas, arbustivas e de folhagens (xaxim, cedro, imbuia, sapopema, erva-mate,
canela, tarumã, sassafrás, pessegueiro branco, grapia, mandiocão, samambais, bromélias e
orquídeas, entre outras).
Vila Faxinal do Céu
Na construção da usina de Foz do Areia, a localidade de “Faxinal do Céu” preservou
sua paisagem bucólica, composta por capões de pinheiros sobre descampados de relevo
ondulado (floresta de Araucárias) e herbáceas características daquela altitude, em índices
superiores a 66%. Na arborização de vias de circulação, nos locais de uso comunitário, na s
vilas residenciais, clubes, etc. foram utilizadas espécies arbóreas e arbustivas, nativas e
exóticas, cujas dispersões de sementes das espécies nativas ao longo dos anos
redundaram numa “generosa ampliação natural” da massa verde reabilitada. Consórcio d e
hidrossemeadura e reflorestamento, com espécies nativas e exóticas não convencionais,
permitiram a recuperação de várias áreas degradadas, inclusive anteriomente existentes às
desapropriações, como reflexo de ocupações agropecuárias. Nas matas ciliares, desde as
margens do reservatório até o canteiro pioneiro, foram periodicamente realizados
enriquecimentos florestais com espécies nativas. Foram utilizadas espécies pioneiras nas
encostas (bracatinga, angicos, ipês, acácias, cássias, etc.) e nas áreas mais
planas
impactadas pela agricultura, reflorestamentos contínuos com variedades exóticas e nativas,
estendendo-se até a futura cota de alagamento (COPEL, 2000). Esta vila pode ser
observada na Figura 6.
Figura 6 – Vila Faxinal do Céu
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43
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Horto Florestal de Faxinal do Céu
Em 1976, foi instalado em Faxinal do Céu, o Horto Florestal com o objetivo de
produzir mudas para atender programas ambientais de preservação e de reabilitação de
áreas. Em 1980 anexou-se a ele, sob a mata nativa exuberante, uma reserva biológica para
receber a fauna resgatada quando do enchimento do reservatório. Muitos animais
capturados nesta fase foram para ali transferidos, e com o tempo esta área tornou -se,
naturalmente, importante abr igo e criadouro da região, recebendo sistematicamente animais
órfãos ou feridos.
Embora a localização do Horto de Faxinal do Céu esteja além dos 1000 m, que é a
faixa de abrangência do presente estudo, encontra -se aqui citado, por ser uma área com
grande potencial para preservação da biodiversidade. A mata preservada que se apresenta
contígua ao Horto do Faxinal é de grande interesse biológico, motivo pelo qual já se
observam ações no sentido de torná -la uma Unidade de Conservação Ambiental, inclusive
com a incorporação do próprio horto na mesma. Além dos incentivos ao município de
Pinhão, tais como, isenção de imposto territorial rural e crédito do ICMS Ecológico, é de
grande interesse para o desenvolvimento do turismo ecológico e educação ambiental.
A Figura 7 mostra algumas fotos do referido local, nas quais pode -se observar a
beleza das paisagens naturais, mesclada à exuberância das folhosas exóticas de efeitos
outonais, a presença de animais no local e o viveiro de mudas, princi pal atividade do horto.
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Figura 7 – Horto florestal de Faxinal do Céu
5.2.2
Fauna terrestre
Da mesma forma que ocorre com relação à vegetação e biota aquática, existem
poucos inventários da biota terrestre na região de Foz do Areia. Estudo elaborado em 1987,
pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental - SPVS, observa
espécies de grande importância na região da hidrelétrica de Segredo e circunvizinhanças,
sob o ponto de vista de conservação e zoogeogr áfico (COPEL, 2000). A jacutinga ( Pipile
jacutinga), espécie oficialmente ameaçada de extinção e desconhecida no Estado do
Paraná, foi registrada no interior de uma floresta primitiva. Destacam -se ainda outras
espécies ameaçadas, como o macuco ( Tinamus solitarius), o gavião-pombo (Leucopternis
DPRA/DVMA
45
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polionota), o cuiu-cuiu (Pionopsitta pileata) e outras raras no Brasil e no Estado do Paraná,
como o urubu-rei (Sarcoramphus papa), o pica-pau-rei (Campephilus robustus), o
bandeirinha (Chlorophonia cyanea) e o azulão (Passerina bressoni).
Entre 1996 e 1998, o biólogo Eduardo Carrano realizou o “Inventário Qualitativo da
Avifauna” na localidade de Faxinal do Céu, município de Pinhão, registrando 187 espécies
de aves. As famílias Tyrannidae, Emberezidae, Furnariidae e P icidae foram as que
mostraram maior riqueza de espécies (34, 23, 11 e 10, respectivamente).
O Censo Neotropical de Aves Aquáticas, realizado em 1995, no município de
Bituruna, revela que neste local são encontrados grandes números de exemplares por
espécie, sendo: 100 exemplares de Phalacrocorax olivaceu; 1 exemplar de Syrigma
sibilatrix; 24 exemplares de Butorides striatus; 8 exemplares de Amazonetta brasiliensis; 2
exemplares de Aramides saracura; 2 exemplares de Ceryle torquat; 5 exemplares de
Chloroceryle americana; e 4 exemplares de Chloroceryle amazona (Nascimento, 1995).
Com relação aos anfíbios, estudo realizado pela SPVS estima que existam cerca de
50 espécies na região estudada (COPEL, 2000). Coleta realizada em período de baixas
temperaturas registrou 9 espécies de anfíbios, distribuídos em 3 famílias, que são, Hylidae,
Bufonidae e Leptodactylidae. Quanto aos répteis, este levantamento (SPVS, 1987) mostrou
que existem, pelo menos, 15 espécies na região.
Os anfíbios, apesar de se relacionarem tamb ém com os ambientes florestais, estão
ecologicamente ligados a biótopos aquáticos, principalmente no que se refere a seus
hábitos reprodutivos, pois grande parte do ciclo vital passa -se dentro da água na forma de
girino. O reservatório deve abrigar, portan to, diversas espécies de quelônios, bem como
imensa variedade de ofídios ecologicamente relacionados a ambientes aquáticos. A
proporção da fauna ofídica brasileira é de aproximadamente 4 a 5 serpentes não venenosas
para uma venenosa. Em áreas agrícolas e p astoris constata-se a existência de 80% de
serpentes venenosas e 20% de serpentes não venenosas. A razão dessa inversão é
atribuída a vários fatores, destacando -se o desequilíbrio biológico nessas regiões pelo
aparecimento de roedores em busca de alimento nas plantações.
Quanto aos mamíferos, àquele mesmo estudo realizado pela SPVS mostrou a
ocorrência de cerca de 41 espécies na região (COPEL, 2000). Dentre as espécies listadas,
inclui-se o importante registro da cuica - d´agua (Chironectes minimus). Esse animal não
ocorre em todas as áreas florestadas e é um indício de que a região tenha sido um refúgio
ecológico do Pleistoceno. Ocorrência importante é a cuica -lanosa (Caluromys lanatus),
primeira para o Estado do Paraná.
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Alguns mamíferos listados no referido estudo constam na lista oficial das espécies da
fauna brasileira ameaçadas de extinção, como o lobo -guará (Chrysocyon brachyurus) e o
tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla ). Outros animais raros foram registrados,
como a lontra (Lutra longicaudis), a jaguatirica (Felis pardalis), o puma (Felis concolor), o
jaguarundi (Felis yagouaroundi) e a queixada (Tayassu pecari).
5.2.3
Biota Aquática
No que diz respeito à caracterização da biota aquática original, existem poucas
informações sobre organismos plantônicos , nectônicos e bentônicos, assim como de suas
relações com as comunidades de peixes do reservatório. Estudos limnológicos no
reservatório de Foz do Areia (SUREHMA, 1988) mostram comportamento sazonal do
fitoplâncton, com predomínio de cianofíceas nos meses de temperaturas mais elevadas
(primavera e verão de 1987), e registros de floração das mesmas em setembro do referido
ano. Grandes densidades ocorreram na zona eufótica, acompanhando a estratificação
térmica verificada neste reservatório. As clorofíceas f oram o segundo grupo predominante
na maior parte do período monitorado (março de 1987 a fevereiro de 1988).
Quanto à vegetação aquática, embora haja expectativa de que seu desenvolvimento
seja favorecido em função da eutrofização associada a ambientes lênt icos, não se verifica
ocorrência de macrófitas aquáticas no reservatório de Foz do Areia. Atribui -se a sua baixa
proliferação às condições desfavoráveis de clima e nutrientes (baixas concentrações),
aliados a peculiaridades ambientais e técnicas do empreen dimento. As características do
trecho do rio Iguaçu em que foi construído o reservatório, de águas rápidas, curso encaixado
e amplas e freqüentes variações de níveis decorrentes da operação, determinam a
escassez desta vegetação (COPEL, 2000).
5.2.3.1 Ictiofauna
No rio Iguaçu, a fauna de peixes apresenta elevada endemicidade, o que faz com
que cresça a importância de estudos biológicos e ecológicos acerca das modificações
causadas pelos represamentos. Registros da composição da fauna original são escassos,
restringindo-se a alguns levantamentos e descrição de espécies. Após a formação dos
reservatórios, em especial o da hidrelétrica de Segredo, os monitoramentos no rio Iguaçu
foram mais contínuos, visando a obter inferências acerca do processo de colonização dos
mesmos pelas diversas espécies (Agostinho et al., 1997).
Com a construção de reservatórios, as alterações na dinâmica e qualidade da água
exigem adaptação das espécies. O tempo para que uma comunidade de peixes alcance
DPRA/DVMA
47
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
alguma estabilidade temporal nesse ambie nte é variável, estendendo -se de 5 a 15 anos. A
composição da fauna original, a área da bacia de captação, o tempo de renovação de água,
a extensão do trecho livre de barramentos a montante, a presença de grandes tributários, o
desenho da barragem e os pro cedimentos operacionais, são alguns dos fatores que
influenciam neste tempo. Grandes perturbações não cíclicas relacionadas à operação da
barragem, além de contribuírem para a instabilidade na estrutura das comunidades,
reduzem a riqueza de espécies e o ta manho dos estoques, como demonstram a pequena
diversidade e baixo rendimento da pesca em reservatórios mais antigos na bacia do rio
Paraná (Agostinho et al., 1997).
Estudos realizados nos reservatórios de Foz do Areia e Segredo apontam como
provável a semelhança de sua fauna original de peixes, assim como de seu processo de
colonização, por serem ambientes contíguos e pela inexistência de barreiras geográficas na
fase de pré-represamento. Nestes, a ictiofauna é composta por 52 espécies, sendo que 16
foram registradas pela primeira vez durante estudos após o enchimento do reservatório de
Segredo (Agostinho et al., 1997). O caráter endêmico (cerca de 79% das espécies) e o
elevado número de espécies simpátricas de lambaris Astyanax (9 espécies) são aspectos
singulares a estes dois reservatórios, com relação a outros do trecho médio e alto da bacia
do rio Paraná. Ocorre ausência de algumas famílias como Anostomidae, Curimatidae,
Serrasalmidae e Doradidae. A extinção de algumas comunidades de peixes originais pode
ser devida às amplas flutuações de nível impostas pelo operação do reservatório de Foz do
Areia em seu trecho a jusante, submetendo espécies a fortes estresses ambientais.
O reservatório de Foz do Areia mostra diversidade específica consideravelmente
mais baixa (H’=1,86) que o de Segredo (H’=3,07), elevada dominância de Astyanax sp b
(lambari de rabo vermelho), com Índice Ponderal de 89%, e um gradiente decrescente em
direção à barragem, fenômeno registrado em outros reservatórios da bacia. Entre as várias
espécies, algumas mais abundantes em número são
Pimelodus ortmanni (mandi),
Oligosarcus longirostris (saicanga), Hoplias malabaricus (traíra), Hypostumus derbyi,
Astyanax sp. c (lambari de rabo amarelo) e Astyanax sp. e (lambari-relogio). Ocorre maior
semelhança na composição e abundância de peixes nas assembléias das zonas fluvial e de
transição do reservatório de Foz do Areia, em relação à zona lacustre (Agostinho et al.,
1997).
Avaliação feita nos reservatórios de Segredo e Foz do Areia, após 1 e 14 ano s da
sua formação, respectivamente, mostrou que a diferença mais pronunciada na estrutura
trófica das comunidades de peixes diz respeito à composição de detritívoros e herbívoros
(Agostinho et al., 1999). Detritívoros foram mais abundantes em Segredo (46%) do que em
DPRA/DVMA
48
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Foz do Areia (6%) e herbívoros foram mais abundantes em Foz do Areia (70%) do que em
Segredo (32%). Insetos e plantas terrestres foram os itens mais comuns na dieta de peixes
destes reservatórios. Em Foz do Areia, no entanto, estes recursos fora m mais importantes,
pois tinham sido ingeridos por 76% dos indivíduos capturados, enquanto que em Segredo
este percentual foi de 44%. A elevada abundância do herbívoro Astyanax b é um indício da
importância de plantas na alimentação dos peixes, especialmen te em Foz do Areia. Com
relação a insetos, eles estiveram presentes na dieta de todas as espécies, exceto Hoplias
malabaricus. Hymnoptera foi predominante em Foz do Areia, enquanto Coleoptera o foi em
Segredo. Estes estudos sugerem um padrão diferente de p referência alimentar quanto aos
insetos nos dois reservatórios estudados. Em reservatórios grandes e profundos, como o de
Foz do Areia (também Itaipu), insetos tornam -se um importante recurso alimentar para
peixes de reservatórios com maior tempo de formaç ão, quando detritos e algas têm sua
importância reduzida drasticamente. Estes últimos são importantes logo após os primeiros
anos de seu enchimento (Agostinho et al., 1999).
Um resumo do estudo comparativo da ictiofauna dos reservatórios de Segredo e foz
do Areia realizado pelo Instituto Nupélia encontra -se na Tabela 18.
DPRA/DVMA
49
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da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Tabela 18 – Abundância e Índice Ponderal das espécies de peixes nos reservatórios de
Segredo e Foz do Areia
N: Abundância em número Wt: Abundância em peso (Kg)
Fonte: Agostinho e Gomes (1997)
DPRA/DVMA
50
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
5.3
5.3.1
Meio socioeconômico
Características regionais
As principais características socioeconômicas dos municípios do entorno do
reservatório de Foz do Areia e da área desapropriada pela COPEL foram levantada s através
de dados secundários, disponíveis em diversas fontes de informações estatísticas.
A área relativa aos seis municípios componentes  Bituruna, Cruz Machado,
Pinhão, Porto Vitória, União da Vitória e Porto União  perfaz uma extensão de 6.550 km2.
Nesse contexto, o município de menor território é o de Porto Vitória, com uma área de
apenas 201 km2, e o de maior extensão é o município de Pinhão, com uma área de
2.002 km2. Bituruna e Cruz Machado possuem uma extensão territorial de 1.215 e
1.477 km2, respectivamente. O município de União da Vitória, o mais populoso da região,
tem uma área de 732 km2. Tem-se ainda o município de Porto União, no Estado de Santa
Catarina, com uma extensão de 924 m2.. À exceção de Pinhão e Porto União, tais
municípios são integrantes da AMSULPAR – Associação de Municípios do Sul do Paraná,
cuja cidade pólo é União da Vitória.
Em ordem decrescente de população nos municípios afetados pelo reservatório, tem se União da Vitória com 48.430 hab, Porto União, com 31.858 hab, Pinhão com 28.350 hab,
Cruz Machado com 17.667 hab, Bituruna com 15.700 hab e Porto Vitória, com 4.034 hab,
conforme mostra a Tabela 19.
Tabela 19 - Indicadores populacionais dos municípios do en torno e da área desapropriada
Indicadores
Municípios
Região
Estado do Paraná
Bituruna
Cruz
Machado
Pinhão
Porto Vitória
União da
Vitória
População humana residente
Total
15.700
17.667
28.350
4.034
48.430
Urbana
7.502
3.463
13.691
2.204
45.499
Rural
8.198
14.204
14.659
1.830
2.931
Densidade
12,7
11,4
14,4
21,1
67,2
2
hab/km
Taxa anual de crescimento populacional
Total
3,07
1,06
1,35
1,71
1,33
Urbana1)
3,85
5,99
2,91
1,71
1,09
Rural1)
(-) 0,28
(-) 0,67
(-) 3,77
(-) 1,79
(-) 1,63
1) COPEL. Relatório ambiental. Usina Hidrelétrica Foz do Areia. COPEL - Abril 2000.
Fontes: Municípios do Paraná: Paranacidade - Serviço Social Autônomo. Site www.paranacidade.org.br
Porto União: Prefeitura Municipal e estimativas.
DPRA/DVMA
Santa
Catarina
Porto União
Total ou
média
31.858
26.579
5.279
34,5
146.039
98.938
47.101
22,1
0,94
1,13
(-) 2,31
1,58
2,78
(-) 1,74
51
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Características da população
Por volta do século XVIII, a região onde se insere o reservatório de Foz do Areia era
habitada por povos indígenas , principalmente kaigangs e botocudos (ou xoclens). No final
deste século, com as expedições de conquista dos campos de Guarapuva e de Palmas, a
mesma foi sendo colonizada, progressivamente, por brasileiros ou imigrantes. Do final do
século XIX até alguns anos após a Segunda Guerra Mundial, alguns grupos de imigrantes
afluíram para a região, sendo os principais deles compostos por alemães, poloneses,
ucranianos e italianos. Ainda hoje, em termos de população, os descendentes destes grupos
são majoritários. Embora tenham adquirido muitos costumes da cultura brasileira, ainda
guardam traços culturais de seus antepassados.
Até os anos 60, a população dos municípios aumentou consideravelmente.
Atualmente, no entanto, a taxa anual de crescimento populacional (tot al) tem se mantido
estável, menos de 2% ao ano, à exceção de Bituruna, cujo índice médio é de 3%. Na zona
urbana, porém, estas taxas são bem maiores, principalmente em Cruz Machado e Bituruna,
com percentuais de 5,99% e 3,85%, respectivamente, conforme Tabela 19 apresentada no
item anterior.
A população residente nos municípios da área de estudo compreende 146.039 hab,
dos quais 98.938 hab vivem no meio urbano, o que representa 67,7%; praticamente um
terço da população (47.101 hab) vive no meio rural. No contexto da localização da
população humana percebe -se que os municípios da região  a exemplo do que vem
acontecendo no Estado do Paraná e, também, em termos de Brasil  estão passando por
um processo de urbanização. Ou seja, as taxas de crescimento da população urbana vêm
sendo gradativamente positivas, ao passo que a taxa anual de evolução da população rural
apresenta-se negativa, devido a migração do meio rural para as áreas urbanas. Essa
situação cria problemas ca racterísticos do contínuo processo de adensamento familiar nas
cidades, as quais geralmente apresentam déficit habitacional e de serviços sociais básicos
relacionados a saneamento (abastecimento de água e tratamento de esgotos), assim como
baixa oferta de empregos, insuficiência de escolas, postos de saúde e hospitais, dentre
outros fatores socioambientais.
Condições de Vida nos municípios
Os dados sobre educação indicam que os seis municípios que se localizam no
entorno do reservatório apresentam condiçõe s satisfatórias. Para o ensino fundamental e
médio, há rede pública de ensino, conforme mostra a Tabela 20. Nas áreas rurais, não é
raro encontrar escolinhas abandonadas ou sem utilização, característica comum a muitos
DPRA/DVMA
52
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
municípios, que preferem oferecer transporte para que os estudantes de tais áreas se
dirijam às instituições de ensino localizadas nos núcleos urbanos ou distritos. Nos distritos
de Nova Divinéia e Faxinal do Céu (próximos à barragem), no município de Pinhão, há
escolas de ensino fundamental. Em relação ao ensino superior, apenas União da Vitória e
Porto União dispõem de tais instituições.
Tabela 20 - Alunos Matriculados, por Nível de Escolarização e Taxa de Alfabetização (2001)
Cidade
Pré-Escolar
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Taxa de
Alfabetização* (%)
Bituruna
435
3.011
511
90
Cruz Machado
128
3.152
643
92
Pinhão
515
5.617
777
86
Porto União
1.142
5.510
2.191
95
Porto Vitória
81
718
171
92
1.466
8.032
2.124
94
União da Vitória
Fonte: http://www.inep.gov.br/censo/Escolar/matricula/censoescolar_2001.asp e
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/universo
* População acima de 10 anos
Com relação à saúde, todos os municípios dispõem de pelo menos um hospital e
atendimento pelo Sistema Único de Saúde – SUS, excetuando-se Porto Vitória. Da mesma
forma, a rede ambulatorial é composta por pelo menos um posto e um centro de saúde.
Mesmo pequenas localidades, como Nova Divinéia e Faxinal do Céu (próximas à barragem)
possuem postos de saúde.
Os serviços de saneamento básico apresentam problemas, principalmente no que se
refere ao tratamento de esgotos. Em Cruz Machado, Bituruna e Porto Vitória, por e xemplo,
não há qualquer forma de tratamento dos esgotos gerados. Como observado na pesquisa
de campo, muitas vezes os esgotos residenciais são lançados diretamente em rios ou
córregos que cortam estes municípios. Em Porto União e União da Vitória, o índice de
tratamento de esgotos é de 25%. Em Pinhão, metade da população urbana é atendida por
este serviço. Estes índices podem ser observados na Tabela 21.
A maioria da população urbana dispõe do serviço de abastecimento de água tratad a,
cuja origem são poços artesianos ou fontes naturais, à exceção de Cruz Machado, onde
menos da metade da população é atendida por este benefício. União da Vitória e Porto
União têm sua captação de água para abastecimento público no rio Iguaçu. Nas áreas
rurais, como é comum em boa parte do território nacional, a obtenção de água para
consumo doméstico é feita com recursos próprios, a partir de poços, cacimbas ou poços
artesianos. A Tabela 21 apresenta estes dados de forma resumida.
DPRA/DVMA
53
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Tabela 21 - Saneamento Básico – População Urbana Atendida (%)
Cidade
Água Tratada
Tratamento de Esgoto
Bituruna
90
Cruz Machado
70
-
Pinhão
90
50
Porto União
100
25
Porto Vitória
95
-
100
25
União da Vitória
-
Fonte: http://www.paranacidade.org.br e pesquisa de campo
Nos municípios de entorno do reservatório de Foz do Areia, a disposição e
destinação final do lixo doméstico e industrial também apresentam problemas. Pinhão e
Porto Vitória possuem lixões à céu ab erto, embora se tenham identificado planos por parte
das respectivas prefeituras, no sentido de construir aterros sanitários adequados e
desenvolver programas de reciclagem de lixo. Porto União e União da Vitória mostram
melhores condições, com aterro cond uzido e coleta seletiva.
No que diz respeito à oferta de energia elétrica para aqueles municípios, não há
problemas visíveis. Mais de 95% da população dispõe de tal serviço.
Economia nos municípios
No que se refere à dinâmica econômica da região onde se in sere o reservatório de
Foz do Areia, verifica -se que os municípios apresentam resultados e potenciais
significativamente diferenciados. O PIB (Produto Interno Bruto) do conjunto dos municípios
envolvidos é de US$ 489.322.748,00, destacando -se dois municípios paranaenses. Pinhão
é o que possui a parcela maior, com um PIB de US$ 209.471.544,00 e, em segundo lugar,
União da Vitória, cujo PIB é de US$ 115.364.649,00. Porto União, no estado vizinho de
Santa
Catarina,
posiciona -se
em
terceiro
lugar
na
região,
com
um
PIB
de
US$ 100.156.885,00. O restante está distribuído entre os municípios de Cruz Machado,
Bituruna e Porto Vitória, este último com o menor montante.
Por outro lado, considerando o PIB per capita regional, cuja média situa -se em
US$ 3.355,00, os dados mostram que o município de Pinhão possui o PIB per capita mais
elevado da região. Isto significa que ele alcança o montante de US$ 6.159,00, sendo sua
população economicamente ativa de 20.677 hab, o que corresponde a 72,93% da
população total, bem acima da média regional situada em 53,52%. Os demais municípios
apresentam um PIB per capita abaixo da média regional. Em ordem decrescente, Porto
União tem um PIB per capita de US$ 3.145,00 para o município, União da Vitória
DPRA/DVMA
54
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
(US$ 2.572,00), Bituruna (US$ 2.223,00), Porto Vitória (US$ 2.086,00) e Cruz Machado
(apenas US$ 1.642,00), este último, o menor PIB per capita da região.
Com relação aos aspectos econômicos de empresas existentes, verifica -se que a
região abriga um total de 2.499 estabelecimentos industriai s e comerciais de vários gêneros.
As cidades gêmeas que compõem o pólo econômico regional, União da Vitória e Porto
União detêm o maior número, representando 1.172 e 588 unidades empresariais,
respectivamente. O município de Bituruna possui 272 estabelecim entos e Pinhão situa-se
logo abaixo, com 222 unidades de negócios. Os municípios de Cruz Machado e Porto Vitória
possuem cada um 177 e 68 estabelecimentos, respectivamente. Os estabelecimentos
industriais e de comércio varejista predominam em todos os muni cípios analisados.
A Tabela 22 mostra os principais indicadores socioeconômicos dos municípios no
entorno do reservatório, entre os quais, a participação no PIB municipal, segundo os setores
tradicionais da economia: agropecuária, indústria, comércio e serviços. Considerando as
características geográficas, tais como clima, relevo, solo, hidrografia, ocupação vegetal,
manejo agropecuário e florestal, percebe -se que os principais produtos agrossilvopastoris e
mesmo as indústrias pred ominantes em cada um dos municípios da região apresentam
características produtivas semelhantes e em alguns casos complementares.
DPRA/DVMA
55
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Tabela 22 - Indicadores socioeconômicos dos municípios do entorno e da área desapropriada
Indicadores
Municípios
Estado do Paraná
Bituruna
Cruz
Machado
Pinhão
Porto Vitória
Dados gerais do município
PIB (US$)
29.541.383
27.499.451
209.471.544
7.884.839
PIB Per-capita
2.223
1.642
6.159
2.086
(US$)
Pop. economic.
7.385
10.354
20.677
2.129
ativa
% da
47,03
58,61
72,93
52,77
PEA/Pop.total
Número de estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços
Setores
Nº Est.
Nº Est.
Nº Est.
Nº Est.
Indústria
112
44
46
34
Comércio varejista
140
111
155
23
Comércio
4
11
7
2
atacadista
Serviços
16
11
14
9
Total
272
177
222
68
Participação do PIB municipal - %
Agropecuária
21,81
36,82
12,10
23,81
Indústria
29,55
9,55
63,12
24,15
Comércio e
48,64
53,63
24,78
52,05
Serviços
Principais atividades econômica s
Produtos
Madeira, erva- Feijão das
Soja safra,
Pastagens,
agrossilvopastoris
mate milho.
águas, milho
milho safra,
forragens,
safra, suínos. batata seca.
leite, milho
safra.
Indústrias
dominantes
Madeira,
produtos
alimentares,
móveis.
Madeira,
produtos
alimentares,
móveis.
Madeira,
produtos
alimentares,
construção
civil.
Madeira,
produtos
alimentares,
extração
mineral.
União da
Vitória
Santa
Catarina
Porto União
Região Total
ou média
115.364.649
2.572
100.156.885
3.145
489.322.748
3.355
22.302
15.317
78.164
46,05
48,08
53,52
Nº Est.
259
734
52
Nº Est.
182
163
31
Nº Est.
677
1.326
107
127
1.172
212
588
389
2.499
4,13
34,82
61,06
5,80
31,10
63,10
17,41
32,05
50,54
Aves de
corte, milho
safra,
madeira/tora.
Soja, milho,
feijão, pinus,
eucalipto,
erva-mate,
gado, suínos.
Madeira,
móveis,
esquadrias,
compensados, papel e
celulose
Madeira,
produtos
alimentares,
papel,
cerâmica,
papelão.
Fontes: Municípios do Paraná: Paranacidade - Serviço Social Autônomo. Site www.paranacidade.org.br
Porto União: Prefeitura Municipal e estimativas.
Atividades agrossilvopastoris nos municípios
Dados do Censo Agropecuário divulgados pelo IBGE permitem obter uma visão geral
da atividade agrícola, mediante a análise de alguns indicadores selecionados. Segundo esta
fonte, de todo o território compreendido pel os seis municípios  Pinhão, Bituruna, Cruz
Machado, Porto Vitória e União da Vitória, localizados no Estado do Paraná, e ainda Porto
União, situado em Santa Catarina  a área antropizada pela agricultura é relativamente
baixa em cada um dos municípios da área de estudo. Isto significa que a atividade agrícola
é a responsável pelo uso do solo em apenas um terço da área disponível na região, como
mostra a Tabela 23.
DPRA/DVMA
56
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Tabela 23 - Principais indicadores agrícola s dos municípios da região
Componente
Unidade
Municípios
Estado do Paraná
Bituruna
Área antropizada pela agricultura
Estabelecimentos agropecuários / área
do município
Área antropizada pela agricultura
Estabelecimentos agropecuários /
tratores
Área total / pessoal ocupado
Estabelecimentos agropecuários
Pinhão
30
Cruz
Machado
44
35
27
23
32
Hectares /
trator
157
151
165
51
89
65
Hectares /
pessoa
ocupada
Hectares
17
14
16
11
17
14
%
Porto
Vitória
Santa
Catarina
União da
Porto
Vitória
União
Área
71
40
58
46
59
46
Estabelecimentos agropecuários (média)
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 1995 - 1996 e Malha Municipal Digital do Brasil 1997. In: Site www.ibge.gov.br (cidades),
dados obtidos em 01.04.2002.
A baixa parcela de área antropizada pela ag ricultura é reflexo do grau de utilização
das terras nos respectivos municípios. Verifica -se que dois municípios - Cruz Machado e
Pinhão - apresentam grau de antropização mais elevado, mostrando que 44% e 35% de sua
área encontra-se antropizada pela agricu ltura, respectivamente. O município de Porto União
apresenta 32% de ocupação com a agricultura. Os demais municípios encontram -se com
percentuais de antropização de 30% para Bituruna, 27% para Porto Vitória e apenas 23%
para União da Vitória. Estes dados m ostram que o uso do solo para agricultura é moderado,
ou seja, várias áreas desses municípios estão sendo ocupadas e/ou utilizadas de forma
diferenciada, por exemplo, com matas e capoeiras, o que do ponto de vista ambiental é
benéfico para os ecossistemas existentes. A principal razão para essa distribuição deve -se à
aptidão agrícola constatada, derivada do relevo bastante movimentado e das classes de
solo encontradas.
Nas visitas de campo feitas na área de estudo, verificou -se que no entorno próximo
ao reservatório de Foz do Areia, quer dizer num limite de até 1000 metros, o grau de
antropização é ainda menor. Existem poucas lavouras ou outros meios de exploração
extensiva do solo, salvo atividades agrícolas, pastoris e florestais isoladas em determinadas
propriedades. Em vários locais, embora sejam de pequeno porte, as explorações
agrossilvopastoris influenciam a erosão do solo do entorno e a qualidade da água do
reservatório.
No que se refere ao grau de tecnificação, percebe -se que um trator atende 165
hectares em Pinhão, ou seja, é o município que possui a maior área antropizada pela
agricultura por trator em uso, porém o menor grau de tecnificação entre os municípios da
região. Seguindo-se a ele, vem os municípios de Bituruna e Cruz Machado, com 157 e 151
DPRA/DVMA
57
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hectares/trator, respectivamente. Em níveis menores encontram -se os municípios de União
da Vitória, com 89 hectares/trator, Porto União com 65 hectares/trator e, na menor escala, o
município de Porto Vitória, com apenas 51 hectares/trator. Este último, po rtanto, é o que
apresenta o mais elevado grau de tecnificação dentre os municípios da região em estudo.
É importante salientar que a mecanização das lavouras com o uso de trator e seus
implementos agrícolas encontra limitações pelo tamanho das propriedades e em algumas
áreas também pelo relevo do solo. Essas características são mais evidentes e presentes
nas unidades agrícolas localizadas nas proximidades das margens do rio Iguaçu e afluentes
ao reservatório de Foz do Areia.
Outro indicador do desempenho ag rícola diz respeito à área total utilizada por pessoa
ocupada em estabelecimentos agropecuários. Este indica que uma pessoa ocupada
(proprietário, empregado ou agregado) é responsável por determinada área cultivada. Em
termos municipais, verifica -se que Bituruna e União da Vitória possuem uma relação de
17 ha por trabalhador; logo abaixo situa -se Pinhão, com 16 ha por pessoa. Os municípios de
Cruz Machado e Porto União possuem uma relação de 14 ha por pessoa ocupada, sendo
que no município de Porto Vitória a mesma é de 11 ha por trabalhador. Nas atividades
agrícolas do entorno próximo ao reservatório em estudo, o uso de mão de obra é mais
intensivo, ou seja, um maior número de pessoas trabalham em cada hectare, especialmente
por causa do tamanho relativament e pequeno dos patrimônios, assim como, pela ocupação
mais intensiva de mão de obra familiar.
No que se refere à área antropizada pelo uso agrícola em relação aos
estabelecimentos agropecuários existentes, os dados indicam a predominância de
propriedades rurais relativamente pequenas, tendendo a médio porte na área de estudo.
Verifica-se que no município de Bituruna as propriedades alcançam, em média, 71 ha. Nos
municípios de União da Vitória e Pinhão, as mesmas são de tamanhos semelhantes, ou
seja, 59 ha e 58 ha, respectivamente. Abaixo situam -se os municípios de Porto Vitória e
Porto União, ambos com 46 ha, e o município de Cruz Machado, com uma área média de
40 ha por estabelecimento agropecuário. Os indicadores agrícolas da região, acima
comentados, encontram-se na
Tabela 23.
O solo utilizado nos seis municípios de influência direta do reservatório de Foz do
Areia perfaz uma área total de 553.614 ha. A maior parcela, compreendendo 157.762 ha,
que representam 28,5% do total, co rresponde a matas e florestas naturais. Do ponto de
vista de preservação e conservação da cobertura vegetal nativa, este fato merece destaque,
visto que desta forma vários ecossistemas continuam sendo preservados em suas
DPRA/DVMA
58
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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condições naturais. Ainda em termos de ocupação do solo, tem -se, em segundo lugar, o uso
com pastagens naturais que corresponde a 107.742 ha na região, ou seja, 19,5% do total da
área. Em terceiro lugar estão as atividades antrópicas mais diretas que correspondem às
culturas de lavouras tem porárias, utilizando uma área de 92.450 ha, que representa 16,7%
do território em questão. O uso das terras nos municípios em estudo são mostrados na
Tabela 24.
Em termos regionais, os demais usos ocupam áreas relativamente pequena s,
representando participações menores, tais como: pastagens plantadas (7,8%); terras
inaproveitáveis (7%); lavouras em descanso (6,5%); matas e florestas artificiais (6,3%);
terras produtivas não utilizadas (6,1%) e lavouras permanentes, com apenas 1,6%
(8.658 ha) do total da área regional.
É importante ressaltar que todos os municípios analisados possuem áreas com
matas e florestas naturais relativamente grandes, sempre maiores que as áreas ocupadas
com lavouras temporárias. Por exemplo, o município de Un ião da Vitória possui 40,2% da
sua área ocupada por matas e florestas naturais e apenas 9,4% (4.527 ha) correspondem a
lavouras temporárias. No município de Bituruna a relação é semelhante, com 31.451 ha
(34,8%) ocupados com matas e florestas naturais e ap enas 8,3% (7.475 ha) utilizados para
lavouras temporárias. Estes e outros usos do solo em nível municipal podem, também, ser
vistos na Tabela 24.
No que se refere à participação do total da utilização das terras, os dados disponíve is
mostram, que em função das extensões territoriais, o município de Pinhão participa com
41,1% (227.670 ha) do total da região afetada. Em segundo lugar situa -se o município de
Cruz Machado, com uma área de 111.716 ha, o que corresponde a 20,2%. Seguem -se os
municípios de Bituruna, com uma participação de 16,3%, correspondente a uma extensão
de 90.427 ha e o de Porto União (em Santa Catarina), com uma participação de 11,1%
(61.266 ha). Representando parcelas ainda menores, estão os municípios de União da
Vitória e Porto Vitória com 8,7% (48.305 ha) e 2,6% (14.230 ha), respectivamente.
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Tabela 24- Utilização das terras nos municípios do entorno do reservatório
Uso do solo
Municípios
Bituruna
Lavouras
permanentes
Lavouras
temporárias
Lavouras em
descanso
Pastagens naturais
Pastagens
plantadas
Matas e florestas
naturais
Matas e florestas
artificiais
Terras produtivas
não utilizadas
Terras
inaproveitáveis
Total: municípios e
região
Participação do total
do município na
região - %
ha
%
ha
%
ha
%
%
União da
Vitória
ha
%
%
ha
%
2.240
2,5
1.125
1,0
1.430
0,6
166
1,2
2.945
6,1
752
1,2
8.658
1,6
7.475
8,3
20.332
18,2
45.802
20,1
1.930
13,6
4.527
9,4
12.384
20,2
92.450
16,7
3.119
3,5
15.940
14,3
9.159
4,0
638
4,5
1.433
3,0
5.596
9,1
35.885
6,5
14.383
15,9
16.375
14,7
50.351
22,2
3.789
26,6
8.377
17,3
14.467
23,6
107.742
19,5
8.973
9,9
4.694
4,2
20.502
9,0
1.303
9,2
4.069
8,4
3.633
5,9
43.174
7,8
31.451
34,8
22.696
20,3
68.043
29,9
3.681
25,9
19.397
40,2
12.494
20,4
157.762
28,5
6.279
6,9
7.493
6,7
11.759
5,2
1.186
8,3
2.119
4,4
5.931
9,7
34.767
6,3
8.175
9,0
15.401
13,8
7.124
3,1
275
1,9
1.528
3,2
1.197
2,0
33.700
6,1
8.332
9,2
7.660
6,8
13.500
5,9
1.262
8,8
3.910
8,0
4.812
7,9
39.476
7,0
90.427
100
111.716
100
227.670
100
14.230
100
48.305
100
61.266
100
553.614
100
16,3
Cruz Machado
Pinhão
Região Total
20,2
41,1
Porto Vitória
ha
2,6
8,7
Porto União
ha
11,1
100,0
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário. Site: sidra.ibge.gov.br - Dados referentes a 1996, obtidos em 2 -04-02.
De acordo com estudo realizado pela COPEL -GERAÇÃO (2000), entrevistas com
técnicos das prefeituras municipais do entorno do reservatório e, ainda, com base em visitas
de campo, constatou-se que cada um dos municípios que compõe a área de estudo
apresenta características próprias quanto à utilização das terras, relevância da produção
agrícola e das atividades florestais existentes, conforme resumos dos pontos notáveis
característicos listados a seguir:

O município de Pinhão possui a maior área cultivad a com soja, milho, batata das
águas, batata doce e tomate. A maior parte da área de influência destas
atividades localiza-se a jusante da barragem.

O município de Cruz Machado tem o maior número de piscicultores e a maior
área de lavouras de arroz sequeiro , cana de açúcar e feijão das águas da região.
Conta também com a produção de bovinos e suínos.

O município de Bituruna destaca -se pelas atividades florestais, com grandes
áreas reflorestadas com pinus e bracatinga, e ainda possui a maior área de
plantação de mandioca. Também são cultivadas a erva -mate e frutas, como
laranja, maçã, pêssego e uva.

No município de Porto Vitória localiza -se a única reserva de Araucária (pinheiro
do Paraná) da região. É um grande produtor de leite; os solos são ocupados
DPRA/DVMA
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para bovinocultura com pastagens e forragens e suinocultura, além de
apresentar intensa produção de erva -mate. Outras plantações existentes são,
especialmente, de milho e feijão.

O município de União da Vitória apresenta grande variedade de produções
hortigranjeiras, como batata salsa, beterraba, cebola, cenoura, melancia, pepino
e repolho.

O município de Porto União destaca -se na produção de soja, milho e feijão, além
da criação de bovinos e suínos.
Ademais, deve-se mencionar como relevantes as atividades made ireiras, com o
aproveitamento do potencial florestal, que são comuns em vários destes municípios,
especialmente Bituruna, Porto Vitória e União da Vitória.
Sistema viário regional e local
O acesso à Usina de Foz do Areia pode ser feito por duas rodovias as faltadas, sendo
uma via União da Vitória e outra via Guarapuava. O trajeto por União da Vitória
compreende, a partir de Curitiba, 234 km por estrada pavimentada (BR 476) até aquela
cidade, além de um trecho adicional de 106 km de estrada vicinal pavimentad a que passa
por Bituruna, totalizando um percurso de 340 km. Por Guarapuava, o percurso total é de
362 km, a partir de Curitiba, compreendendo 259 km de estrada pavimentada (BR 277) até
Guarapuava e 103 km de estrada pavimentada, construída pela COPEL, pas sando por
Pinhão e dando acesso ao local do aproveitamento pela margem direita do rio Iguaçu
(COPEL, 2000).
O sistema rodoviário regional pode ser descrito a partir da rodovia federal BR 277
integrante do Anel Rodoviário de Integração  Paranaguá ↔ Foz do Iguaçu. Na altura de
Guarapuava, os municípios da área de influência do reservatório podem ser acessados pela
rodovia estadual asfaltada PR 170, que segue em direção à cidade de Pinhão, transpassa o
rio Iguaçu, utilizando-se como ponte, a própria crista da barragem da Usina Hidrelétrica Foz
do Areia, seguindo em direção à Bituruna. No município de General Carneiro, esta rodovia
faz ligação com a rodovia federal asfaltada BR 153, através da qual podem ser acessados
os municípios de União da Vitória e Porto União. A partir da BR 153, seguindo-se pela
rodovia estadual asfaltada PR 47, pode-se acessar a cidade de Cruz Machado. O município
de Porto Vitória, por sua vez, a partir da BR 153, pode ser acessado pela rodovia estadual
asfaltada PR 446 que, em continuidade, permite o acesso ao município de Bituruna, sendo
que num determinado trecho (cerca de 30 km), ainda não existe pavimentação asfáltica. Há
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
ligação, ainda, entre Porto Vitória e os municípios de União da Vitória e Porto União, atravé s
da PRT 280, conhecida, também, como Rodovia João Reolon.
As localidades do interior desses municípios, bem como as comunidades e moradias
localizadas no entorno do reservatório de Foz do Areia, podem ser acessadas por uma
densa e bem distribuída malha d e estradas vicinais que se encontra sob os cuidados das
administrações municipais. Serviços de travessia através de balsas permitem, também, sua
comunicação e a prática de relações familiares e comerciais em ambas as margens do rio
Iguaçu, assim como de se us afluentes.
O sistema viário, incluindo -se as estradas vicinais e os pontos de travessia de balsas
existentes no entorno próximo do reservatório, pode ser visualizado no mapa “Hidrografia e
Sistema Viário”, anexo a este trabalho.
As cidades de União da V itória e Porto União também possuem ligação ferroviária,
cuja malha permite acessar várias áreas, por exemplo, ao Sul com a região de Caçador, no
Estado de Santa Catarina; ao Leste com o município de Rio Negro e Mafra de onde existe
conexão para a Região M etropolitana de Curitiba, Porto de São Francisco (SC) e também
para o complexo portuário de Paranaguá (PR). Em direção ao Norte, passando por Irati, é
possivel acessar o município de Ponta Grossa e, em continuidade, o Estado de São Paulo.
O sistema aeroviário regional é composto por um aeroporto público situado no bairro
São Cristóvão, no município de União da Vitória que se encontra sob a administração da
Prefeitura Municipal local. A pista de pouso é de 1.000 x 23 m, com revestimento asfáltico. O
aeroporto encontra-se localizado a uma altitude de 752 m.
Na área de influência do reservatório existem, também, dois aeroportos privados,
ambos localizados no município de Pinhão, a saber:

Aeroporto privado Fazenda Reserva, pista de 800 x 23 m, revestimento de terra,
altitude de 1.048 m.

Aeroporto privado Foz do Areia, pista de 1.600 x 30 m, revestimento asfáltico,
altitude de 1.111 m, que está sendo administrado pela COPEL.
DPRA/DVMA
62
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
5.3.2
Características do entorno do reservatório (1000 m)
5.3.2.1 Usos da água
Geração de energia e reg ularização da vazão
As águas do reservatório de Foz do Areia são utilizadas, essencialmente, para a
geração de energia elétrica produzida pela Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da
Rocha Neto, popularmente conhecida por UHE Foz do Areia. A usina po ssui capacidade
instalada de 1.676 MW de potência e a “ energia gerada é absorvida pela interligação dos
sistemas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, bastante importante devido às diferenças
marcantes do regime hidrológico das duas regiões." (COPEL-GERAÇÃO, 2000).
O reservatório formado pela UHE Foz do Areia também serve para a regularização
das vazões dos reservatórios localizados a jusante daquele empreendimento.
Abastecimento, travessias, lazer e turismo
A rede hidrográfica que envolve os cinco município s no Estado do Paraná (Bituruna,
Cruz Machado, Pinhão, Porto Vitória e União da Vitória) e o município de Porto União, em
Santa Catarina, é extensa. Ela abrange o rio Iguaçu e inúmeros tributários do mesmo,
dentre eles os rios Areia, pela margem direita e Jacutinga, Jararaca, Jangada, Espingarda,
Areia e Jacu, pela margem esquerda, como mostrado no item 5.1.6 -Hidrologia.
No reservatório, a utilização das águas para captação com fins de abastecimento
doméstico é pouco expressiva, pois esta é feita, em grande parte, através de poços
artesianos. Somente as localidades de União da Vitória e Porto União utilizam as águas do
rio Iguaçu para a Estação de Tratamento de Água (ETA) operada em sistema único pela
SANEPAR, localizada cerca de 3 km a montante destas cidad es.
No município de Bituruna, o rio do Herval, afluente do rio Jararaca, que por sua vez
desemboca na margem esquerda do reservatório, é utilizado para captação de água para
abastecimento público. A área adjacente e acima do ponto de captação é considerada Zona
Especial de Preservação do Manancial Hídrico, pelo Plano de Uso e Ocupação do Solo
Urbano do município. A jusante, no entanto, ao cruzar a área urbana, as águas d o rio do
Herval são utilizadas para diluição de despejos domésticos, o que se constata n a maioria
dos corpos de água dos municípios em questão. Segundo informações obtidas em campo, a
prefeitura de Bituruna tem planos de recuperação do rio do Herval.
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Dados obtidos na SANEPAR de União da Vitória mostram que este município e o de
Porto União possuem cerca de 25% dos esgotos domésticos tratados em um sistema único,
através de Reatores Anaeróbios de Lodo Fluidizado – RALFs. As águas do rio Iguaçu e
afluentes (rio Guabiroba) também são utilizadas para lançamento dos efluentes das
Estações de Tratam ento de Esgotos (ETEs) existentes: São Bernardo, Cristo Rei e João
Paulo II. Nestes municípios outros afluentes do rio Iguaçu também têm sido objeto de
atenção quanto ao lançamento de despejos sem tratamento, como os rios Timbó, Vermelho
e Pintado. A Organização Não Governamental (ONG) Eco Iguaçu tem perspectivas de
constituir um Comitê de Bacia para o rio Timbó (Porto União).
As cidades de União da Vitória e Porto União, que possuem estabelecimentos
industriais, assim como de Porto Vitória, utilizam as águ as do rio Iguaçu para seus
processos industriais, tanto para captação como para lançamento de águas servidas, que
são despejadas naquele rio ou afluentes próximos. Neste sentido, os rios Areia e Jacu, no
município de União da Vitória, apresentam sinais vis íveis de degradação por poluentes,
oriundos de curtume (por exemplo, sulfato de cromo utilizado) e fábricas de papel existentes
nas suas proximidades. O município de Cruz Machado mostra grande carência nas
condições de saneamento básico, utilizando valas a céu aberto, fossas negras e as águas
dos rios circunvizinhos para disposição dos esgotos brutos. A contaminação das águas do
reservatório decorrente daquelas fossas também é possível, seja por extravasamento das
mesmas ou através da contaminação do lençol freático por infiltração, quando há
inadequação técnica na construção. A disposição dos esgotos sanitários em fossas sépticas
ocorre nas áreas e residências de lazer no entorno do reservatório de Foz do Areia, nem
sempre com ligação a sumidouros ou atende ndo condições sanitárias adequadas.
A degradação da qualidade das águas que se observa, em geral, nos municípios em
questão, com intensa contaminação e capacidade de diluição dos rios excedida, é situação
comum nos rios brasileiros. Ela decorre do baixo pe rcentual de atendimento da população
por redes coletoras e estações de tratamento de esgotos, tanto domésticos quanto
industriais.
Especialmente no município de União da Vitória, a atividade de extração de areia no
leito do rio Iguaçu faz uso das águas par a navegação de dragas e balsas de transporte do
minério. Em toda a área do reservatório, as águas do rio Iguaçu e afluentes, como o rio
Areia (entre os municípios de Pinhão e Cruz Machado) são, também, utilizadas para
travessias através de balsas.
DPRA/DVMA
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A malha de estradas vicinais existentes no entorno do reservatório, requer a
travessia das águas em vários pontos para a integração das comunidades localizadas nas
margens. As balsas existentes desempenham um papel ainda muito importante no contexto
das relações familiares e comerciais. As mesmas, geralmente, são de propriedade das
administrações municipais e estão sendo operadas por pessoas nativas, na forma de
prestação de serviços para as prefeituras.
No reservatório encontram -se as seguintes ligações via balsa: Pinhão ↔ Cruz
Machado (2 balsas fazem a travessia do rio Areia; uma próxima à pousada do Jaime e outra
na porção mais a montante do rio próximo à pousada Rio do Areia , balsa São Paulo, que
faz a ligação da PR 447); Cruz Machado ↔ Bituruna (2 balsas fazem a travessia do rio
Iguaçu em pontos próximos à área de lazer de Cruz Machado e outra, de passeio, faz
ligação entre a área de lazer de Bituruna e o município de Cruz Machado); Porto Vitória ↔
Bituruna (desativada provisoriamente); Porto Vitória ↔ União da Vitória (travessia do rio
Iguaçu, ligando a área urbana de Porto Vitória à margem direita do município de União da
Vitória). A Figura 8 ilustrada alguns destes pontos de travessia por balsa. A localização
desses pontos pode ser ob servada no mapa “Hidrografia e Sistema Viário”, anexo a este
trabalho.
Travessia do rio Areia a partir do Ponto de Balsa Pinhão ↔ Cruz
Machado (vista deste último município)
Travessia do rio Iguaçu a partir do Ponto de Balsa Cruz Machado
↔ Bituruna (vista deste último município)
Ponto de Balsa na saída de Cruz Machado ↔ Bituruna
Ponto de Balsa Porto Vitória ↔ União da Vitória
Figura 8 – Pontos de balsa
DPRA/DVMA
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O reservatório tem sido bastante utilizado para fins de lazer náutico, tanto voltado
para a pesca, como para recreação, principalmente nas proxi midades das áreas de lazer de
Pinhão, Cruz Machado, Bituruna e União da Vitória. Estes usos podem ser vistos de forma
positiva no sentido de que podem induzir ao desenvolvimento de atividades voltadas para a
fabricação, comercialização e suprimento de mate riais náuticos que impulsionem diferentes
setores econômicos. Por outro lado, informações obtidas em visitas de campo, indicam que
há relativamente poucas embarcações e pessoas devidamente habilitadas para a prática de
lazer ou esporte náutico. Este fato c ontribui para a falta de segurança, insuficiência de
cuidados com o meio ambiente e usos indevidos dos equipamentos náuticos e pesqueiros.
Considerando as características de relevo e utilização do solo, bem como as
atividades agrícolas geralmente de subsis tência praticadas no entorno do reservatório, não
foram constatados usos de suas águas para fins de irrigação.
A utilização das águas do reservatório para fins de criação e dessedentação animal é
muito limitada, ocorrendo apenas em alguns tributários do ri o Iguaçu. Os fatores que
restringem o acesso dos animais às águas é a declividade, geralmente alta nas encostas, e
a depleção. Este último, que diz respeito à variação do nível de água em função do regime
hidrológico ou operação do reservatório, provoca o encharcamento dos solos, dificultando a
movimentação dos animais.
5.3.2.2 Usos do solo
O uso dos solos no entorno próximo (1000 m) do reservatório de Foz do Areia
engloba quatro categorias antrópicas básicas:

Áreas de lazer - uso público e privado

Áreas de uso agrossilvopastoril

Áreas com usos urbanos

Áreas com usos minerários.
Áreas de lazer públicas
A área de influência direta do reservatório de Foz do Areia abriga áreas de lazer de
uso público e privado. As áreas de lazer públicas foram projetadas pela COPEL e
construídas em parceria, sendo administradas, atualmente, pelas prefeituras municipais
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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pertinentes. Elas possuem infra -estrutura com equipamentos simples, amplas áreas verdes
com gramados, paisagismo e preservação vegetal adequada.
As áreas de lazer exist entes atendem, em geral, habitantes residentes nas cidades
em que se encontram instaladas e, esporadicamente, visitantes das regiões próximas. As
mesmas possuem períodos de atendimento e ocupação restritos a feriados e finais de
semana. As atividades econô micas destas áreas, como suprimento de comidas e bebidas,
são desenvolvidas mediante a concessão de serviços para terceiros.
As áreas de lazer de uso público existentes nas margens do reservatório de Foz do
Areia são as seguintes:

Área de lazer do municíp io de Pinhão - localizada na margem direita do rio
Areia, quase na sua foz com o rio Iguaçu. Situa -se próxima à área de segurança
da barragem delimitada pelo "Log Boom" (sistema de retenção de corpos
flutuantes). Sua infra-estrutura básica já consta no pri meiro relatório de inspeção
do reservatório realizado pela COPEL (1999). Parte dela (churrasqueira e
instalações sanitárias) encontra -se na Área de Preservação Permanente - APP.
Beneficia, principalmente, habitantes do município de Pinhão, inclusive de
Faxinal do Céu, que dista cerca de 15 km do local. A área é de propriedade da
COPEL e está cedida para a Prefeitura do município de Pinhão, em regime de
comodato. Verifica-se que ela carece de melhores cuidados com limpeza,
urbanização e gestão ambiental.

Área de lazer do município de Cruz Machado - situada na margem direita do
rio Iguaçu, a jusante do rio Iratinzinho. Na inspeção do reservatório realizada
pela COPEL em 1999, sua infra -estrutura básica ainda estava incompleta. Suas
instalações são simples e se mostram relativamente novas, com salão de
reuniões, quiosques e churrasqueiras, cancha de bocha, além de um campo de
futebol. Parte dela (algumas churrasqueiras e quiosques) encontra -se na APP.
Por ocasião da visita técnica feita ao local, verificou -se certo desleixo no
tratamento do paisagismo, limpeza e gestão ambiental.

Área de lazer do município de Bituruna - situada na margem esquerda do rio
Iguaçu, imediatamente a montante da foz do rio Jararaca. Dista 16 km da sede
urbana do município, sendo que apr oximadamente metade deste trajeto é
asfaltado e o restante sem pavimentação, mas com boas condições de tráfego.
O espaço apresenta belo cenário paisagístico com vegetação e gramado bem
cuidados. Sua infra-estrutura básica, que já consta no primeiro relatór io de
DPRA/DVMA
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inspeção do reservatório realizado pela COPEL (1999), é composta, atualmente,
por sanitários, quiosques, churrasqueiras, um amplo e bem instalado restaurante
e um pequeno playground com piscina infantil. Esta área de lazer se localiza
numa porção estreita e bem delimitada de terra que avança sobre o rio Iguaçu e
grande parte dela encontra -se na APP. Existe um atracadouro nas margens do
reservatório, utilizado, principalmente, por um barco que serve para passeios
turísticos pelo lago e, que, eventualme nte, realiza a travessia do rio Iguaçu, a
partir dessa localidade, para a outra margem, no município de Cruz Machado.
Nas imediações, algumas casas de veraneio, inclusive de alto luxo, também
invadem a faixa da preservação permanente. Anexo à Área de Lazer de
Bituruna, do lado direito do seu acesso, em terreno de propriedade particular,
estão sendo implantados alguns chalés para lazer, que deverão incrementar o
turismo de fim-de-semana na região.

Área de lazer do município de Porto Vitória – localizada na margem esquerda
do rio Iguaçu, na sua confluência com o rio Espingarda (em ambas as margens
deste), junto ao perímetro urbano do município. A área apresenta -se
relativamente bem cuidada, sendo utilizada para lazer e pesca. Na margem do
rio Iguaçu, dentro da Área de Preservação Permanente (considerada a faixa
mínima de 30 m na área urbana, conforme Resolução CONAMA 302/2002) foi
implantada, recentemente, uma pista de motocross, constituindo -se ocupação
indevida.

Área de lazer do município de União da Vitória – situada na margem
esquerda do rio Iguaçu, no Setor Ponte Nova, no início da confluência daquele
rio com a Avenida Interventor Manoel Ribas, a menos de um quilômetro do
centro da cidade. Foi construída entre 1985 e 1987 e possui uma área de
7,19 ha, de propriedade da COPEL. Pode ser considerada a mais ampla e
melhor estruturada entre as áreas de lazer constituídas no entorno do
reservatório. Foi concebida de forma que os equipamentos de lazer, a maioria
"chumbados" ao solo, e a vegetação arbórea adequada, resistissem a períodos
sujeitos a submersão temporária, quando da ocorrência de enchentes (COPEL GERAÇÃO, 2000). A mesma abriga três unidades implantadas no lado direito e
esquerdo da avenida, junto à Ponte dos Arcos: Parque Ary Queiroz, Parque das
Corticeiras e Parque das Lendas. Ainda conforme o documento já citado, essa
área de lazer teve seu território ampliado no decorrer dos anos 90, quando
também foram realizados estudos por parte da comunidade local para configurar
maior abrangência de usos públicos . Na época houve a tentativa fracassada de
DPRA/DVMA
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incorporar a área denominada Túlio de França e instalar pistas de laço/rodeio
contíguas ao Centro de Tradição Gaúcha – CTG e da raia já existente. Dessa
forma, seria totalmente preservada uma região de várzea, ond e existem
corticeiras, razão do nome dado a uma das unidades que constituem a referida
área de lazer. O que se constata, atualmente, é que na continuidade dos
parques, a área margeada pela Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto (margem
esquerda do rio Iguaçu) está sendo utilizada para diversos fins, tais como,
estabelecimento de estrebarias, aterro com lixo industrial, ocupações indevidas
por comunidade de catadores de lixo, todas com potencial poluidor para o rio
Iguaçu.
A Tabela 25 apresenta um resumo das principais características das áreas de lazer
públicas.
Tabela 25 – Dados gerais das áreas de lazer públicas do reservatório de Foz do Areia
Denominação
Pq. Ambiental Ary Queiroz
Pq. das Corticeiras
Pq. das Lendas
Área de Lazer Bituruna
Área de Lazer Porto Vitória
Área de Lazer Cruz
Machado
Área de Lazer Pinhão
Município
Ampliação
União da Vitória
Ampliação
Bituruna
Infraestruturas
ampliadas
Porto Vitória
Pedido de ampliação
Cruz Machado
Em ampliação
Pinhão
Em uso
Ano
Área (ha)
Distância do centro
urbano (km)
0,9
(asfalto)
Usos/conservação
1989
1995
7,19
10,40
1989
5,97
18
(asfalto/saibro)
Ótimo/Boa
1989
5,78
Ótimo/Boa
1999
2000
1998
8,4
2,0
(asfalto)
13
(cascalho)
15
(asfalto/cascalho)
21,8
Ótimo/Boa
Regular/Boa
Bom/Ruim
FONTE: COPEL (2000)
Na Figura 9 pode-se observar fotos que ilustram as áreas de lazer públicas acima
comentadas.
DPRA/DVMA
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Área de Lazer Pinhão
Área de Lazer Cruz Machado
Área de Lazer Bituruna
Área de Lazer Porto Vitória
Parque Ambiental Ary Queiroz (União da Vitória)
Parque Ambiental Ary Queiroz (União da Vitória)
Figura 9 – Áreas de lazer públicas
Áreas de Lazer Privadas
As áreas de lazer de uso priva do, implantadas às margens do reservatório de Foz do
Areia, são em número de três: a “ Pousada do Jaime“, a “Pousada Rio do Areia” e a
“Pousada Wollinger”. Todas estas áreas de lazer se encontram, parcialmente, dentro da
Área de Preservação Permanente - APP, sejam acessos para barcos, trapiches, parte das
residências ou chalés. Na visita de campo, constatou -se interesse por parte dos
proprietários em ampliar as instalações existentes e, mesmo, de implantar novas
benfeitorias com esta finalidade.
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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A “Pousada do Jaime” está situada na margem direita do rio Areia, no município de
Pinhão, imediatamente a montante da Área de Lazer Municipal. Nesta localidade existem 25
residências, sendo duas habitadas permanentemente e as demais de veraneio. Logo
adiante, praticamente interligados, há mais um núcleo residencial de veraneio, a Associação
Cachoeirinha, onde encontram -se instaladas 22 residências, sendo apenas uma habitada
permanentemente.
A “Pousada Rio do Areia” está situada na margem esquerda do rio Areia, n a sua
porção de montante, no município de Cruz Machado. Sua infra-estrutura compreende um
restaurante e alguns chalés, além de um trapiche utilizado para pesca esportiva.
A “Pousada Wollinger” está situada na margem direita do rio Iguaçu, imediatamente
a jusante da foz do rio Palmital, na localidade de Nova Concórdia, também no município de
Cruz Machado. A Figura 10 mostra algumas fotos das Áreas de Lazer de uso privado.
Pousada do Jaime
Associação Cachoeirinha
Pousada Rio do Areia
Pousada Wollinger
Figura 10 – Pousadas particulares
Pode-se comentar que os usos de lazer que permeiam as margens do reservatório
encontram-se adequadamente caracterizados no Relatório Ambiental da COPEL (COPEL,
2000), onde consta "Também denominadas de "ocupações pacíficas indevidas", as
instalações construídas às margens, em geral com atracadouros, garagens de barco e
DPRA/DVMA
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edificações, estas na sua maioria estabelecidas acima da cota desapropriada e muitas
dentro da faixa de preserv ação permanente, são de uso privado. Geralmente com terrenos e
instalações adequadas ao enriquecimento da paisagem e boa preservação das áreas
periféricas remanescentes. Por vezes, constituem associações e empreendimentos
coletivos, voltados à pesca esport iva e lazeres náuticos. Instalações precárias denominadas
de "rancho de pesca", também ocorrem e com aspecto visual comprometedor, além do
despejo de dejetos e condições sanitárias inadequadas ao uso da água do reservatório,
ocorrem em grande parte destas ocupações citadas."
A Tabela 26 mostra o número de ocupações que ocorrem na área desapropriada
pela COPEL e na faixa marginal de 100 m, por municípios, como resultado da última
inspeção realizada em 2001 (Cadastro de Confrontantes da Área Patrimonial).
Tabela 26 – Ocupações existentes dentro das faixas de segurança e de 100 m no entorno
Município
Ocupantes da faixa de segurança (área
desapropriada)
Bituruna
27
Cruz Machado
85
Pinhão
37
Porto Vitória
63
Porto União
08
União da Vitória
88
TOTAL
308
FONTE: COPEL (Cadastro de Confrontantes, 2001)
Ocupantes da faixa de 100 m
45
98
34
57
00
53
287
A Figura 11 mostra detalhes de algumas áreas de lazer públicas e privadas, onde se
observam ocupações dentro da APP e áreas desapropriadas pela COPEL.
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Residência particular de lazer
Pousada Wollinger
Pousada Rio do Areia
Associação Cachoeirinha
Figura 11 – Ocupações dentro da APP
Usos agrossilvopastoris
Ao contrário do que ocorre com relação às residências de lazer, as chácaras ou
pequenas propriedades rurais que se encontram no entorno do reservatório de Foz do Areia,
possuem moradores fixos que desenvolvem no local atividades de modo contínuo. Esta
ocupação dos solos para usos agrossilvopastoris é freqüente em toda a extensão do
reservatório, visto que é uma das principais atividades econômicas destes municípios,
especialmente de subsistência das famílias ribeirinhas (meio rural), as quais podem ser
classificadas como grupos familiares de baixa renda.
Ao percorrer o entorno do reservatório, observam -se trechos marginais com
cobertura vegetal adequada, ou seja, com manutenção da faixa de preservação
permanente. Em várias áreas, no entanto, há ocupação d a mesma com pastagens, roçadas,
focos de queimadas, culturas, especialmente de milho, feijão, fumo e mandioca, algumas
leguminosas, assim como algumas áreas de reflorestamentos com pinus. Estes cultivos
muitas vezes ocorrem inadequadamente nas encostas de morros e em locais de grande
declividade. Uma visão geral deste aspecto pode ser vista no mapa de “Uso do Solo e
Cobertura Vegetal”.
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A Figura 12 ilustra, através de fotografias, áreas de florestas bem preservadas e
áreas ocupadas pela agricultura no entorno do reservatório.
Região ocupada pela agricultura
Região de florestas bem preservadas
Figura 12 - Diferentes cenários encontrados ao longo do reservatório
As observações obtidas em campo conferem com o breve descritivo que consta no
Relatório Ambiental (COPEL, 2000), já mencionado anteriormente, que diz: " Além de
pastagens roçadas e culturas anuais, em vários pontos, observa -se a ocorrência de
desmatamentos com posterior queimada. Têm sido observadas t ais ações, com frequência,
iniciadas bem acima das margens, mas muitas delas dentro da APP, e por vezes,
estendendo-se a ocupação até o nível da água. Acarretando potenciais riscos de erosão
laminar, por vezes imperceptíveis, com o favorecimento de assorea mento e mesmo de
escorregamentos de pequeno porte, além de desrespeito à legislação ambiental e prejuízos
à manutenção e/ou recuperação natural da biodiversidade do entorno.”
De forma geral, pode-se comentar que os usos agrícolas têm representado um
flagrante desrespeito, agressão ou inobservância à legislação ambiental e dos preceitos de
gestão preservacionista. Na região do Médio Iguaçu, foram um dos fatores que contribuíram
de modo significativo para o desaparecimento das espécies nativas de vegetação e para
degradação dos solos.
Usos urbanos
Três municípios  Porto Vitória, União da Vitória, Porto União  atingidos pelo
reservatório de Foz do Areia, possuem parte de suas sedes localizadas dentro da área de
abrangência do presente estudo (até 1000 m do entorno do reservatório), com várias
atividades ocupando, inclusive, a própria faixa marginal de preservação permanente.
Em Porto Vitória, bem próximo à sede do município, há uma ampla faixa da margem
do reservatório (mais de um quilômetro) ocupada, princip almente, por chácaras e/ou
DPRA/DVMA
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habitações de lazer. Há algumas residências bem próximas ou junto à margem, com
aspecto de ocupação recente, muitas constituindo -se em construções de alto padrão.
Em União da Vitória, a cerca de 300 m da SANEPAR e do CTG , nas imediações do
cruzamento da Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto com o final da rua Cruz Machado, há
uma ocupação irregular em “Área de Risco” de enchentes, constituída por uma comunidade
de catadores de lixo para reciclagem. Este aglomerado possui 38 habitaçõe s, entre casas e
barracos e, apesar da irregularidade, conta com água encanada e luz, benefícios esses
fornecidos de forma regular pelas companhias públicas que fornecem esses serviços,
SANEPAR e COPEL. A população é formada por catadores de lixo e familia res que
ocuparam a área, apesar do grande risco de enchentes, devido à proximidade com o centro
da cidade, onde exercem suas atividades. Segundo informações de moradores, ultimamente
têm sido envidados esforços, inclusive mutirões, envolvendo moradores, ON G’s,
associações e Prefeitura, no sentido de retirar o lixo acumulado e relocar aquela
comunidade. A Figura 13 mostra um aspecto geral destas invasões em área de risco.
Figura 13 - Aspecto das ocupaçõ es irregulares existentes na Área de Risco de enchentes
No município de União da Vitória ocorre, também, grande ocupação das margens do
rio Areia, numa extensão de cerca de 1 km a montante de sua foz no rio Iguaçu, tanto por
residências, como por indústri as. Na pesquisa de campo constatou -se que não há nenhum
tipo de tratamento dos efluentes domésticos e industriais e que o rio encontra -se
praticamente “morto”, em certos trechos.
Naquele município, na margem esquerda do rio Iguaçu, junto à rodovia PRT – 280
(João Reolon), nas proximidades da foz do rio Areia, há um trecho de cerca de 500 m onde
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se encontram instaladas várias residências junto à margem, algumas desenvolvendo
atividades voltadas ao comércio (bares e lanchonetes).
Conforme informações obtidas no Plano Diretor Municipal de União da Vitória, a
expansão urbana está sendo prevista no sentido contrário à margem do rio Iguaçu. Nos
demais municípios, não se verificaram planos de expansão urbana junto às administrações
locais. Desta forma, a falta de i nteresse na ampliação do perímetro urbano nas margens do
reservatório pode ser vista como ponto favorável ao gerenciamento da sua área costeira.
As pousadas e casas de veraneio situadas no meio rural não estão sujeitas ao
pagamento de impostos municipais, pois constituem área rural. No entanto, a prática que
tem sido adotada por alguns proprietários rurais, de subdividir e vender áreas menores que
os módulos rurais permitidos por lei (2 a 5 hectares, dependendo da sua localização),
negociação essa feita na base de um contrato de compra e venda firmado entre as partes
(no jargão popular conhecido por contrato de gaveta) tem levado alguns municípios, dentre
eles Cruz Machado e Bituruna, a pensar numa forma legal para aplicação do Imposto
Predial e Territorial Urbano- IPTU, ou tributo semelhante, para poderem aumentar sua base
de arrecadação.
Usos minerários
Considerando as condições físicas e geológicas favoráveis do leito do rio Iguaçu, nos
municípios de Porto Vitória, União da Vitória e Porto União, existem i númeras empresas,
algumas de grande porte, em pleno perímetro urbano e dentro da Área de Preservação
Permanente, que extraem areia para a construção civil e argila para a indústria cerâmica.
Este é o caso de várias explorações estabelecidas entre as cidade s de Porto Vitória e União
da Vitória.
A Figura 14 mostra detalhes da ocupação das margens do reservatório para
deposição de areia, assim como equipamentos de extração e balsas de transporte do
minério naqueles municípios.
DPRA/DVMA
76
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Figura 14 - Depósitos de areia às margens do rio Iguaçu entre Porto Vitória e União da Vitória
5.3.2.3 Resumo da situação socioeconômica anterior e posterior
As características socioeconômicas mais significativas, passadas e atuais, mostram
claramente que a área do reservatório de Foz do Areia e do seu entorno próximo sofreu
várias transformações, seja perpassando aspectos de desapropriações, reassentamentos,
ocupações indevidas, atividades agrícolas inadequadas e usos para adensamento
populacional, conforme detalhes apresentados na Quadro 1.
Quadro 1 - Situação socioeconômica anterior e posterior à formação do reservatório de Foz do
Areia

Situação na fase de construção da hidrelétrica
Reassentamentos de proprietários rurais, de população
ribeirinha de baixa renda, não proprietários (em União da
Vitória), e de proprietários residentes no povoado de
Concórdia (Cruz Machado / num total de 22 famílias ).
Sendo o total geral - 568 benfeitorias desmontadas e
transportadas, e 535 reconstruídas pela Copel dentre elas
16 escolas, 15 cemitérios, 02 igrejas, 08 capelas e 02
pequenas hidrelétricas;

Desapropriadas 1172 propriedades rurais dentre 860
proprietários e 934 proprietários urbanos, dentre eles 02
fábricas de pasta mecânica, 01 fábrica de bebida alcoólica
e 10 olarias;

Ocorrência espontânea de vilarejo interligado à obra,
denominado Nova Divinéia.

Situação posterior à formação do reservatório
Ocupações indevidas às margens e na faixa de
preservação
permanente do reservatório, com
construções de benfeitorias voltadas ao lazer, uso
náutico e pesca;

Ocupações indevidas em perímetros urbanos, da faixa
desapropriada (em União da Vitória), voltadas à
subsistência, mas com riscos à segurança pública/civil;

Atividades
e
práticas
agrícolas
inadequadas
(queimadas, corte de madeira, lavouras, etc.) na faixa de
P.P., por vezes estendendo -se até as margens do
reservatório, com prejuízos à biota e regeneração
natural;

Ocorrência espontânea de vilarejo frontal ao t revo
principal de acesso a Faxinal do Céu, denominado de
Vila Santa Maria.
Fonte: COPEL, 2000
Deve ser ressaltado que a dinâmica socioeconômica continua se expandindo no
entorno do reservatório, visto que, a cada dia que passa, ocorrem novas ocupações e
construções na faixa de preservação permanente; as práticas agrícolas continuam sendo
agressivas ao meio ambiente e, em muitos casos, inadequadas ao potencial do solo. Mesmo
em áreas próximas aos bairros urbanos existentes, a expansão habitacional continu a
aumentando sem o devido controle.
DPRA/DVMA
77
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5.3.2.4 Resumo das não conformidades nos Usos das Águas e dos Solos no entorno
do reservatório
É necessário ressaltar que no entorno próximo do reservatório existem atividades
econômicas e ocupações indevidas, das quais muitas j á estão sendo questionadas
administrativa e judicialmente, seja pela concessionária (COPEL) e/ou pelos órgãos de
fiscalização ambiental (IBAMA, IAP). Ressalta -se, na forma de um resumo, as principais não
conformidades identificadas com relação ao uso das á guas e dos solos no entorno do
reservatório (1000 m), com o intuito de reforçar o Zoneamento e as diretrizes propostas
neste Plano Diretor.
Das águas:
As principais não conformidades com relação aos usos das águas no reservatório de
Foz do Areia encontram -se abaixo relacionadas:

usos náuticos sem a devida habilitação e ausência de sinalização e "log boom"
da área de segurança da barragem;

peixamento eventual nos afluentes com alevinos de proveniência duvidosa
quanto à qualidade técnica;

lançamento de efluentes domésticos e industriais sem tratamento no rio Iguaçu e
afluentes ao reservatório;

lavagem e classificação da areia (separação da porção argilosa) nas águas do
rio Iguaçu e afluentes ao reservatório.
Como comentado nos itens anteriores, afluentes domés ticos têm contribuído para a
contaminação das águas por microorganismos patogênicos e para o processo de
eutrofização (proliferação excessiva de algas) que vem sendo observado no reservatório, o
que pode restringir seus usos múltiplos. Este fenômeno pode a carretar prejuízos sanitários
graves, pela presença de cianotoxinas nas águas do reservatório e a jusante do mesmo,
assim como problemas operacionais, especialmente por depósitos nas tubulações do
sistema de resfriamento, reduzindo a vazão e capacidade de troca térmica. Quanto aos
efluentes industriais, sua influência para o reservatório é maior no município de União da
Vitória, onde concentram -se algumas atividades potencialmente poluidoras bastante
próximas do rio Iguaçu. Duas fábricas de papel, a Miguel Fortes e a Novac, lançam
efluentes nos rios Areia e Jacu, respectivamente, a cerca de 200 a 300 m das respectivas
desembocaduras no rio Iguaçu. Neste mesmo município, nas proximidades do rio Areia, a
DPRA/DVMA
78
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montante, existe um curtume funcionando, atualmente, com 40% de sua capacidade.
Embora possua um tanque de decantação de efluentes, antes do seu lançamento no rio
Areia, é provável que contamine suas águas com formas tóxicas, como sulfato de cromo
utilizado no processo. Estes rios mostram sinais claros de degra dação química, com a
vegetação de entorno “morta” e as águas apresentando cheiro característico e coloração
esbranquiçada por ação de poluentes daquela natureza.
Com relação ao procedimento de lavagem e classificação da areia, o mesmo
promove liberação de argila para as águas do rio Iguaçu, vindo a prejudicar sua qualidade,
pelo aumento da turbidez e outras consequências desta poluição, tais como, diminuição da
penetração de luz e da fotossíntese, com consequente redução da diversidade de
organismos aquáticos.
Dos solos:
As principais não conformidades com relação aos usos dos solos no entorno do
reservatório são as seguintes:

ocupações indevidas na área desapropriada pela COPEL, que corresponde à
faixa de segurança, entre as cotas 742,0 m e 745,0 m, e na faixa marginal de
preservação permanente;

disposição e destinação final inadequada de resíduos sólidos urbanos e
industriais;

deposição de areia e grandes cavas abertas não recuperadas, especialmente
nas margens do rio Iguaçu.
As irregularidades acima relaci onadas são observadas em todas as áreas com
objetivos de lazer, como comentado anteriormente, onde a maior demanda estimula
construções residenciais, expansão de atividades, instalação de atracadouros de acesso a
embarcações e, por consequência, o desmatam ento da vegetação ciliar. Ocupações na APP
com cultivos de subsistência são observadas com freqüência e dispersas por toda a área do
reservatório, em especial nos municípios de Cruz Machado (a montante do rio Areia) e de
Bituruna. Também ocorrem cultivos i nadequados e alguns reflorestamentos de pinus em
áreas de grande declividade.
Em Porto Vitória e União da Vitória, que apresentam grande parte da área urbana no
entorno do reservatório e do rio Iguaçu, além das áreas de lazer, outras ocupações se
verificam na faixa de preservação permanente, tais como, uma universidade (Faculdades de
DPRA/DVMA
79
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Ensino Superior Iguaçu), madeireiras, comunidades carentes (catadores de lixo), aterros
inadequados, estrebarias, depósitos e lavagem de areia e argila e grandes cavas de arei a,
sem a devida recuperação dos solos altamente degradados. Em alguns trechos utilizados
para deposição de areia, em que se verifica alguma iniciativa de recuperação da faixa
marginal, a mesma não está sendo feita com vegetação nativa, como é o recomendado ,
mas com pinus.
Em todos os municípios, existe a preocupação com a presença de lixões a céu
aberto e outros que não constituem aterros sanitários adequados às normas essenciais de
impermeabilização, que têm contaminado os rios e solos e ameaçado a saúde d a
população. Aterros improvisados para entulhos de construção e restos de material industrial,
são também preocupantes. N a inspeção de campo realizada no presente estudo, verificou se que no local pretendido para conservação ambiental, na seqüência dos Par ques
Municipais Ary Queiroz, das Corticeiras e das Lendas , seguindo a margem esquerda do rio
Iguaçu no sentido de jusante (margeando a Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto) , está
sendo formado um aterro, sem nenhum controle ou cuidados técnicos, onde são des pejados
entulhos industriais e de construção civil. Ademais, nas proximidades, junto ao CTG,
encontram-se indevidamente localizadas na faixa de proteção dos 30 m de entorno do rio
Iguaçu, estrebarias para cerca de 20 cavalos, além de outras mais próximas d a avenida.
Constata-se um canal de drenagem de águas pluviais destas áreas, bastante degradado e
eutrofizado, que vai desembocar no rio Iguaçu . Nas imediações, mais a jusante, no
cruzamento da Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto com o final da rua Cruz Mach ado, há
uma ocupação irregular em “Área de Risco de Enchentes”, constituída por uma comunidade
de catadores de lixo para reciclagem.
Com relação às atividades de exploração de areia, especialmente na margem direita
do rio Iguaçu, no sentido de jusante dos referidos Parques Municipais, encontram -se abertas
grandes cavas, com extensão aproximada de 3 km e largura igual ou maior do que a do rio
Iguaçu no local (cerca de 100 a 300 m), sem qualquer sinal de recuperação das áreas
degradadas.
DPRA/DVMA
80
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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6
ZONEAMENTO DO ENTORN O DO RESERVATÓRIO DE FOZ DO AREIA
O reservatório de Foz do Areia, como identificado no diagnóstico ambiental, além da
produção de energia, já vem sendo objeto de usos múltiplos. Após o enchimento do
reservatório, houve aumento no interesse da exploração da s águas e dos solos no seu
entorno, especialmente com objetivos de recreação e lazer. Pela grande extensão da área
que abrange, ainda apresenta um potencial significativo para implantação de usos múltiplos,
como forma de contribuir para o desenvolvimento s ocial e econômico dos municípios
circunvizinhos e melhoria da qualidade de vida das respectivas populações.
No entanto, é fundamental que haja um planejamento criterioso na implantação de
projetos futuros, assim como um redirecionamento dos usos e ocupaçõe s que vieram se
estabelecendo ao longo do reservatório de forma desordenada. O aumento da pressão
sobre os recursos naturais, especialmente hídricos, pela possibilidade de utilização múltipla,
requer ações integradas.
São necessárias adequações com relação às ocupações indevidas nas Áreas de
Preservação Permanente, às práticas que vem sendo utilizadas no manejo dos solos para
agricultura, criação de animais e exploração dos recursos naturais (água, madeira, areia,
argila), aspectos estes que constam das "nã o conformidades" indicadas no diagnóstico
ambiental. As atividades humanas precisam se adequar às características do ambiente
físico e biótico do local onde estão sendo desenvolvidas (tipo de solo, cobertura vegetal,
relevo, aptidão agrícola, biota). O san eamento básico regional precário precisa ser
melhorado para que o ambiente seja capaz de suportar novas atividades e para que a saúde
das populações seja assegurada e, na medida do possível, melhorada.
Desta forma, para elaboração das categorias (zonas) qu e compreendem o
zoneamento apresentado neste Plano Ambiental levaram -se em conta aspectos sócio ambientais da região, interesses das comunidades locais, exigências legais, recomendações
técnicas e requerimentos para sustentabilidade ambiental. O objetivo d este zoneamento foi
indicar os locais mais adequados para as atividades antrópicas atuais e potenciais no
entorno do reservatório de Foz do Areia, estabelecendo diretrizes para as mesmas, assim
como para solução ou mitigação de problemas identificados. Est as encontram-se detalhadas
em capítulo específico, seguinte ao do zoneamento, denominado Potencial de Usos
Múltiplos .
Enfatiza-se que, dentro de uma visão holística, preditiva e integrada para todo o
ecossistema, as mudanças e ações propostas deverão ocor rer a médio e longo prazos,
através de um "Comitê Gestor" composto pela COPEL, Ministério Público, Instituto
DPRA/DVMA
81
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Ambiental do Paraná - IAP (e outros órgãos licenciadores), prefeituras dos municípios do
entorno, empresas, Organizações Não Governamentais
- ONGs e comunidades. A
operacionalização deste Plano Ambiental através do referido comitê, subsidiará a
elaboração e gestão dos Planos Diretores daqueles municípios, na maioria ainda
inexistentes (somente União da Vitória tem seu Plano Diretor para a área urbana ), assim
como de um futuro Comitê de Bacia do Médio Iguaçu, cuja implantação é extremamente
indicada, necessária e respaldada pela Nova Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei
9.433/97).
O zoneamento proposto subdividiu a área dos 1000 m no entorno do reservatório e a
do próprio lago em nove zonas, sendo elas:

Zona de Segurança do Reservatório

Zona de Preservação Permanente

Zona de Uso Excepcional

Zona de Uso Especial

Zona de Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida Silvestre

Zona de Usos Públicos

Zona Especial de Turismo e Lazer

Zona de Atividades Agrossilvopastoris

Zona Urbana
A descrição das referidas categorias é apresentada na seqüência e o mapa referente
ao zoneamento encontra-se em anexo.
6.1
Zona de Segurança do Reservatório
A Zona de Segurança compreende áreas de propriedade da COPEL, já constituídas
e de uso e controle exclusivos, tanto para fins operacionais e de segurança da usina, como
de proteção contra enchentes. Incluem -se nesta zona a barragem, áreas contíguas laterais,
a porção do reservatório imediatamente a montante da barragem (nas proximidades do
vertedouro e da tomada d'água), o rio Iguaçu a jusante da barragem (na saída das águas
vertidas e turbinadas), a subestação e a faixa de segurança no entorno do reservatório.
DPRA/DVMA
82
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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A faixa de segurança corresponde à faixa desapropriada pela COPEL no entorno do
reservatório e a montante do mesmo (no rio Iguaçu, até as cidades de União da Vitória e
Porto União) entre as cotas 742,0 m e 745,0 m, nas áreas rurais, e 742,0 m e 744,5 m, nas
áreas urbanas.
As áreas a montante e a jusante da barragem não se encontram, atualmente,
definidas pela COPEL. No entanto, está sendo elaborada pela mesma uma proposta em
fase final de estudos, que delimita a faixa de 328 m de largura e 1212 m de comprimento, na
região de montante. Esta definição ficará a encargo da concessionária. No entanto,
determina-se que deverá ser mantida a faixa mínima de 200 m a montante e a jusante da
barragem, com base Portaria do IBAMA nº 21, de 09.03.1993, que proíbe o exercício da
pesca dentro destes limites.
As áreas de montante e jusante, compreendidas na Zona de Segurança do
Reservatório, deverão ser devidamente sinalizadas. A montante da barragem a área deverá,
também, ser delimitada através do retentor de corpos flutuantes, conhec ido por Log Boom,
de modo a evitar a entrada de material inconveniente nas turbinas e impedir a utilização das
águas para qualquer fim, dentro da zona de segurança.
Todas as áreas citadas acima, compreendidas na Zona de Segurança do
Reservatório, são exclusivas para usos operacionais e de segurança da usina, sendo
proibidas nelas, ocupações ou atividades de qualquer natureza (lazer, pesca, recreação,
habitações, entre outras), conforme abordado em detalhes, no item 7.1.1.
6.2
Zona de Proteção do Entorno do Rese rvatório
A Zona de Proteção do Entorno do Reservatório corresponde às áreas que deverão
ser preservadas com florestas e demais formas de vegetação natural nos 1000 m de
entorno do reservatório, considerando a função ambiental que exercem no sentido de
"preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o
fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações
humanas", conforme determina o Código Florestal (1965) e as Resoluções CONAMA nº 30 2
e nº 303, de 20 de março de 2002.
No que diz respeito à faixa marginal de preservação permanente, ressalta -se que
ainda não se encontra definida legalmente sua amplitude para reservatórios antigos. A
recente Resolução CONAMA nº 302/02 determina que seja mantida a faixa de preservação
DPRA/DVMA
83
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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no entorno de reservatórios artificiais em largura mínima de 30 m, em áreas urbanas
consolidadas, e de 100 m em áreas rurais. No entanto, não faz menção para que este
critério se aplique aos reservatórios formados anteriorme nte à sua vigência.
Desta forma, para fins de implantação deste Plano Ambiental, e, indo ao encontro
dos objetivos conservacionistas, definiu -se que a Proteção do Entorno do Reservatório
deverá ser garantida através das seguintes Áreas de Preservação Perma nente (APPs):

Faixa marginal (faixa de preservação no entorno do reservatório) mínima de
100 m, em toda a extensão do reservatório de Foz do Areia, projetada
horizontalmente, a partir da cota máxima de segurança do mesmo (744,5 m ou
745,0 m, em áreas urbanas e rurais, respectivamente). Esta faixa poderá ser
ampliada ou reduzida em determinadas áreas, dependendo dos usos potenciais
identificados para as mesmas; e ocupada, somente em casos especiais e
excepcionais. Todas estas situações estão previstas neste Plano Ambiental e
detalhadas adiante.

Pequenas ilhas que fazem parte do reservatório;

Faixa marginal mínima de 30 m nos cursos de água afluentes ao reservatório e
cuja amplitude depende da largura dos mesmos;

Nascentes, ainda que intermitentes, e nos chama dos "olhos d'água"; com raio
mínimo de 50 m;

Topo de morros, montes, montanhas e serras.

Encostas ou parte destas com declividade superior a 45°, equivalente a 100%,
na linha de maior declive;

Bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em
faixa nunca inferior a 100 m em projeção horizontal.
De forma mais detalhada, a faixa de preservação permanente no entorno do
reservatório (referente
ao primeiro tópico abordado acima) deverá ser de 100 m,
especialmente, nas áreas identific adas de maior fragilidade ambiental (de erosão acentuada
e/ou degradadas por ações antrópicas e de declividade superior a 25º; ou seja, superior a
45%), em áreas que apresentam potencial para conservação ambiental; em áreas de
grandes propriedades rurais ( acima de 30 ha), em áreas de residências particulares com
objetivo de lazer e outras que se considerarem pertinentes.
DPRA/DVMA
84
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Esta faixa poderá ser reduzida para 30 m, nas Áreas Especiais de Lazer e Turismo
(áreas apontadas e regulamentadas para este fim), nas peq uenas propriedades ou glebas
rurais (abaixo de 30 ha e identificadas, segundo os critérios do INCRA) e nas áreas urbanas.
As habitações e benfeitorias que se encontram, atualmente, instaladas dentro da
APP são enquadradas na Zona de Usos Excepcionais e Uso s Especiais
poderão
permanecer, desde que respeitem, rigorosamente, as restrições e diretrizes específicas para
tais usos, detalhadas nos itens 7.1.2 e 7.1.3, respectivamente.
Todas as futuras ampliações, construções, benfeitorias e instalações de infra estrutura às atividades que vierem a ser implantadas e/ou desenvolvidas no reservatório,
tanto nas áreas rurais, quanto nas urbanas (expansão urbana), deverão fazê -lo fora da APP
(30 m ou 100 m, conforme as definições acima). A única exceção feita refere -se aos Usos
Especiais, comentados adiante (item 6.4).
6.3
Zona de Uso Excepcional
A Zona de Uso Excepcional compreende habitações e demais construções, de
moradia permanente ou de uso ocasional (lazer), públicas ou particulares, que já se
encontram estabelecidas no entorno do reservatório, dentro da Área de Preservação
Permanente, tanto em áreas rurais, como urbanas. Incluem -se nesta categoria do
zoneamento as Áreas de Lazer já constituídas, tanto as implantadas pela COPEL nos
municípios do Pinhão, Cruz Machado, Bituruna, Porto Vitória e União da Vitória, como as de
propriedade particular (Pousadas do Jaime, Rio do Areia e Wollinger).
A área urbana de Porto Vitória, que se encontra, em grande parte, instalada no
entorno do reservatório, dentro faixa de preservaçã o permanente, será objeto, também, de
concessão excepcional.
O objetivo do estabelecimento da Zona de Usos Excepcionais é a normatização dos
usos e ocupações já estabelecidos na faixa marginal de preservação permanente (usos
permitidos). Esta concessão vis a atender aos interesses social e público e se constituem
num paliativo para adequar legal e ambientalmente aquelas ocupações que se
estabeleceram indevidamente, a fim de evitar que o ônus recaia somente sobre os
proprietários de imóveis lindeiros. Estes d everão continuar de posse e responsabilidade de
suas propriedades, evitando repercussões negativas de ordem social, ambiental e
econômica.
DPRA/DVMA
85
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Os Usos Excepcionais terão que se enquadrar e cumprir as exigências que lhes
serão impostas para usos dos solos e da s águas nesta categoria do zoneamento
(explicitadas adiante, no item 7.1.2 referente às Diretrizes para Benfeitorias Enquadradas na
Zona de Uso Excepcional).
Algumas situações excepcionais merecem atenção especial, portanto, serão aqui
destacadas:

As habitações e benfeitorias consideradas na Zona de Uso Excepcional, para as
quais será permitida a permanência dentro da Área de preservação permanente,
deverão constar no registro da inspeção realizada pela COPEL, no segundo
semestre de 2001, denominado "Cadast ro de Confrontantes";

As ocupações acima, já instaladas dentro da APP no entorno do reservatório,
poderão permanecer na mesma, porém, entre 30 m e 100 m (medidos em
projeção horizontal, a partir da cota máxima de segurança, de 745,0 m e
744,5 m, nas áreas rurais e urbanas, respectivamente). Ou seja, as mesmas
deverão manter a faixa marginal mínima de 30 m de preservação permanente,
como forma de contribuir para formação dos "corredores de biodiversidade",
fatores fundamentais na preservação da fauna e da fl ora.

Exceções à recomendação anterior são feitas à área urbana de Porto Vitória,
constituída anteriormente à formação do mesmo, para a qual a preservação dos
30 m implicaria na desocupação de grande parte da mesma (recomendações
para esta área encontram -se no item 7.1.2 e 7.1.16), e às infra -estruturas de
suporte às travessias e acessos à água (enquadradas nas Zonas de Usos
Especiais);

Ressalta-se que, não fazem parte da Zona de Uso Excepcional as benfeitorias
que se encontram dentro da faixa de segurança d o entorno do reservatório (faixa
definida entre as cotas 742,0 m e 745,0 m, nas áreas rurais, e 742,0 m e
744,5 m, nas áreas urbanas), já indenizadas pela concessionária e de uso
restrito à mesma, como detalhado no item 6.1.
6.4
Zona de Uso Especial
A Zona de Uso Especial compreende os pontos de balsa existentes, as estradas
abertas e os acessos à água, que já se encontram instalados dentro da Área de
Preservação Permanente no entorno do reservatório (usos permitidos) e os de mesma
DPRA/DVMA
86
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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natureza que o vierem a ser, inclusive na faixa mínima de 30 m, embora dependentes de
autorização prévia (usos permissíveis). Como comentado no capítulo do diagnóstico
ambiental, a malha de estradas vicinais existente no entorno do reservatório requer a
travessia das águas, em vários pontos, para a integração das comunidades lindeiras e
interligação dos municípios situados em ambas margens do reservatório. O acesso às
águas do reservatório, para este e outros fins, deverá ser permitido, uma vez que este
recurso se constitui um bem públ ico. No entanto, tais instalações de acesso ao reservatório
são passíveis de regulamentações, que se encontram detalhadas no item 7.1.3.
6.5
Zona de Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida Silvestre
A Zona de Preservação, Conservação e Desenvolvimen to da Vida Silvestre
compreende, além das Áreas de Preservação Permanente discutidas no item 6.2,
remanescentes florestais existentes na faixa dos 1000 m do entorno do reservatório, com
especial atenção à Mata do rio Jacutinga (no município de Bituruna), c apoeiras em todos os
estágios sucessionais, áreas de "Reserva Florestal Legal" nas propriedades rurais e alguns
braços do reservatório (aqueles que se encontram com menor influência de antropização),
especialmente, nas proximidades das nascentes dos rios. Propõe-se que sejam incluídos
nesta categoria o Horto Florestal e uma área contígua de matas preservadas (localizados na
Vila do Faxinal do Céu), de propriedade da COPEL, que apesar de estarem localizados fora
da área de abrangência deste plano (1000 m do entorno), são de grande importância à
conservação ambiental. Diretrizes para usos nesta categoria do zoneamento, encontram -se
descritas no item 7.1.4.
Ressalta-se que no mapa referente ao zoneamento, que consta em anexo, as áreas
relativas às reservas flor estais legais e às capoeiras encontram -se incorporadas
inadequadamente à Zona de Atividades Agrossilvopastoris, pois as mesmas não puderam
ser identificadas, devido a limitações na interpretação visual das ortofotocartas. No entanto,
deverão sê-lo, obrigatoriamente, na fase de operacionalização deste Plano Ambiental, com
o auxílio de levantamentos de campo, uma vez que não se destinam àquelas atividades,
mas a propósitos de conservação ambiental.
A constituição da Zona de Preservação, Conservação e Desenvol vimento da Vida
Silvestre visa, especialmente, garantir a composição e riqueza da fauna terrestre, através da
proteção e conservação dos remanescentes florestais. Constitui -se, também, importante
contribuição para a manutenção da qualidade do ecossistema a quático, desde que ela é
reflexo de atividades e usos dos solos na bacia hidrográfica.
DPRA/DVMA
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Como citado no capítulo do diagnóstico ambiental, o processo de urbanização na
bacia do rio Iguaçu, a ocupação agropecuária, a extração da erva -mate e a atividade
madeireira, intensas no segundo e terceiro planalto, resultaram na grande devastação da
vegetação primitiva, inclusive da floresta ciliar. As pesquisas do Núcleo de Pesquisas em
Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura da Universidade Estadual de Maringá - NUPELIA
revelam que a destruição da vegetação, especialmente a de galeria, contribuíram para a
redução da ictiofauna no rio Iguaçu. Assim, a manutenção e recuperação das áreas
destinadas à conservação dos rios afluentes ao reservatório, desde suas nascentes (embora
exceda os 1000 m), é, também, de extrema importância, uma vez que possuem um papel
importante na reprodução de peixes e na qualidade de vida dos demais organismos
aquáticos da região.
A Mata do rio Jacutinga é uma área de densa cobertura florestal, com ma tas nativas
preservadas, localizadas na margem esquerda do reservatório, nas proximidades da
barragem, aspectos estes observados no diagnóstico ambiental. É de especial interesse
para conservação da biodiversidade, já sinalizada pela COPEL para transformaç ão em
Unidade de Conservação "Reserva Biológica de Bituruna" (312 ha), em atendimento à
Resolução nº 02/96 do CONAMA, desde que haja interesse formal do IAP e/ou Prefeitura
Municipal envolvida.
Com relação ao Horto Florestal do Faxinal do Céu, deverá ser d ada continuidade à
sua conservação, especialmente pelas espécies que abriga, além de ser extremamente útil
para o fornecimento de mudas nativas para recomposição da vegetação ciliar e reabilitação
de áreas degradadas, onde se fizer necessário. É local de i nteresse, também, para o
aprimoramento e continuidade do desenvolvimento de técnicas de produção de mudas
florestais e florísticas. A área de matas preservadas, contígua ao horto, já se constitui numa
reserva ecológica (não formalizada), funcionando como i mportante abrigo de espécies
florestais nativas e criadouro silvestre da região. Portanto, sua inclusão na Zona de
Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida Silvestre vem reforçar a pretensão
da COPEL em legalizá-la como Reserva Natural, junto ao IBAMA.
O direcionamento de esforços para a manutenção e recuperação das florestas foi
bem observado no Plano Diretor do Reservatório da Hidrelétrica de Segredo (AMBIOTECH,
2002). É de fundamental importância que aquele e o presente Plano Ambiental do
reservatório de Foz do Areia sejam integrados, por se tratarem de reservatórios contíguos,
ambos afetando diretamente os municípios do Pinhão e Bituruna.
DPRA/DVMA
88
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
O mesmo aspecto é observado no entorno dos dois reservatórios, com relação à
descontinuidade da cobertura f lorestal. Verifica-se que os remanescentes florestais se
encontram setorizados, entremeados de áreas com pouca ou sem cobertura vegetal, o que
interfere no livre fluxo e na manutenção da fauna, que pode perecer pelo isolamento.
Ações conjuntas de recuperaç ão de áreas verdes naqueles reservatórios poderão
contribuir, fundamentalmente, para a formação dos "corredores de biodiversidade" ou
"corredores ecológicos". A importância do estabelecimento dos mesmos consta da Lei
nº9.985/2000, que institui o Sistema Na cional de Unidades de Conservação - SNUC,
definindo-os como "porções de ecossistemas naturais ou semi naturais ligando Unidades de
Conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota,
facilitando a dispersão de espécies e a rec olonização de áreas degradadas, bem como a
manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão
maior do que aquela das unidades individuais".
O estabelecimento destes espaços no projeto "Rede da Biodiversidade" é a grande
meta da gestão atual do Governo do Estado do Paraná, cuja responsabilidade está a cargo
da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMA e do Instituto Ambiental do
Paraná - IAP, através de sua Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas - DIBAP. Este
projeto prevê "o estabelecimento de uma malha ou rede de comunicação formada pelos
corredores das bacias hidrográficas e serras que englobam os bio -ecossistemas
remanescentes" no Estado do Paraná.
Em consonância com as propostas acima, o Instituto Ambien tal do Paraná -IAP,
através do Decreto nº 387/99, instituiu o Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção
da Reserva Florestal Legal e Áreas de Preservação Permanente - SISLEG, com o objetivo
de efetivar as reservas florestais legais nas propriedades rur ais, as quais não vem
correspondendo aos 20% da sua área total exigidos por Lei.
Os objetivos almejados pelo estabelecimento da Zona de Preservação, Conservação
e Desenvolvimento da Vida Silvestre neste Plano Ambiental somente serão alcançados se
houver assunção de responsabilidades e efetivação de ações por parte do Governo do
Estado
e
respectivos
órgãos
ambientais,
no
sentido
de
aquisição
de
terras,
reflorestamentos, recuperação de áreas, fiscalização, entre outras. Deverão ser utilizadas
verbas destinadas recentemente pelo Banco Mundial para o Estado do Paraná, com a
finalidade de atender projetos ambientais, entre eles o da Rede de Biodiversidade.
Em contrapartida, os municípios que passarem a ter em seus territórios Unidades de
Conservação, poderão aufe rir os benefícios do crédito do ICMS Ecológico, conforme a Lei
DPRA/DVMA
89
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Complementar Estadual nº 59/91 (Lei do ICMS Ecológico). Esta receita também servirá
como ferramenta de apoio à melhoria da qualidade de vida das famílias residentes naqueles
municípios.
6.6
Zona de Usos Públicos
A Zona de Usos Públicos compreende o corpo de água do reservatório, com exceção
da Zona de Segurança, que se constitui área com alto potencial de riscos de acidentes, e os
braços de alguns afluentes, cujas condições no entorno se mostram mai s propícias à
conservação da vida silvestre e da biodiversidade, em geral.
As principais atividades a serem desenvolvidas nesta categoria do zoneamento
dizem respeito aos usos potenciais da água no reservatório, tais como, abastecimento
doméstico e industrial, navegação (transporte e relevante interesse no hidroturismo no
trecho entre Porto Vitória e Foz do Areia), esportes náuticos (jet ski, wind surf, vela, esqui
aquático, canoagem, etc.), pesca (profissional, artesanal e esportiva), lazer (barcos e
veleiros), produção de biomassa (peixamento e piscicultura em tanques -rede), irrigação,
dessedentação de animais e extração de areia.
O uso público da água, embora de direito dos cidadãos, deve, obrigatoriamente, ser
regulamentado e/ou legalizado, para que os d iversos interesses por este recurso sejam
compatibilizados. De outra forma, o aumento da pressão exercida sobre o reservatório,
decorrente do impacto das atividades humanas, poderá causar estresse às comunidades
aquáticas, principalmente à ictiofauna, assi m como poluição, toxidez e assoreamento do
ambiente aquático em questão, gerando intensa degradação ambiental. Deverão ser
observadas as diretrizes específicas para estes usos, nos itens 7.1.6 ao 7.1.11.
Especial atenção deverá ser dada às atividades de ex ploração de areia que vêm
sendo desenvolvidas no reservatório, no município de Porto Vitória, e a montante do
mesmo, em União da Vitória e Porto União. Como as mesmas apresentam elevado
potencial de degradação das águas e dos solos, principalmente quando r ealizadas sem
adequação técnica e de modo clandestino, merecem ser rigorosamente fiscalizadas pelos
órgãos ambientais competentes. Nas condições de exploração intensa, verificadas
atualmente naqueles municípios, é imprescindível que se realizem estudos de avaliação da
capacidade de suporte do rio Iguaçu para tal uso; ou seja, que se verifique se ainda há
potencial para este tipo de utilização no referido corpo de água. Para esta atividade
encontram-se diretrizes específicas no item 7.1.14.
DPRA/DVMA
90
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Enfatiza-se a necessidade de análise criteriosa para implantação de projetos de usos
múltiplos em reservatórios e de adequado planejamento ambiental e político das ações
antrópicas. É fundamental a transferência contínua da base científica para a aplicação
prática em campo.
O reservatório de Foz do Areia, formado anteriormente às exigências legais do
Estudo de Impactos Ambientais para empreendimentos hidrelétricos, carece de informações
sobre sua estrutura e funcionamento como ecossistema. Grandes reservatórios, como é o
caso em questão, apresentam -se, em geral, compartimentalizados. O conhecimento do
estado trófico e dos diferentes padrões de heterogeneidade espacial e longitudinal podem
indicar aptidões de usos diferenciados de seus vários compartimentos. Desta forma, o
sucesso da implantação e gerenciamento dos usos múltiplos, a proposição de estratégias e
formas de manejo para o mesmo, dependem, fundamentalmente, do aprimoramento deste
conhecimento através de estudos científicos e monitoramentos de médio e longo prazos.
Neste sentido, vale a pena ressaltar a importância de se dar continuidade aos
estudos científicos sobre a ictiofauna nativa do rio Iguaçu que vem sendo realizados na
Estação Experimental de Estudos Ictiológicos de Segredo - EEEIS, juntamente com o grupo
do NUPELIA, da Universidade de Maringá. Esta instituição realiza, atualmente, parceria com
a Mississipi State University, a Texas A&M Universitiy e a University of Lodz, como parte do
Programa de Apoio a Núcleos de Excelência do Governo Federal (AMBIOTECH, 20 02).
6.7
Zona Especial de Turismo e Lazer
Compreende as áreas de lazer municipais e particulares já constituídas, futuras
ampliações das mesmas e outras que vierem a ser implantadas no entorno do reservatório.
Inclui-se nesta zona a Vila Residencial do Faxinal do Céu, que embora se localize a 13 km
do setor da barragem, apresenta elevado potencial para o desenvolvimento de atividades
voltadas ao turismo e lazer, além de outros interesses de relevância social e cultural.
O objetivo desta categoria é proporcionar recreação e lazer, especialmente à
população humana da região e dos municípios de entorno (Pinhão, Cruz Machado, Bituruna,
Porto Vitória e União da Vitória) explorando o cenário paisagístico do lago e seu potencial
para recreação, esporte e lazer, além do chamado "turismo de planalto" (ecoturismo), em
regiões propícias a caminhadas na natureza, ciclismo, turismo eqüestre, e outras atividades
pertinentes. Diretrizes para estas atividades encontram -se descritas nos itens 7.1.8 e 7.1.12.
A implantação destas atividades poderá, também, contribuir para o desenvolvimento auto sustentável da região.
DPRA/DVMA
91
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
A Vila Residencial do Faxinal do Céu é uma área de paisagem exótica e de rara
beleza cênica, para a qual se despenderam anos de esforços no sentido da preservação
ambiental, os quais já refletem na melhoria da qualidade de vida da população. Os vários
representantes da sua vegetação, reunindo espécies de várias partes do mundo, integrados
à presença marcante do "pinheiro do Paraná", constituem -se em motivo de atração pa ra
visitantes. A infra-estrutura que apresenta (hotel, clube, refeitório, centro comercial) favorece
o desenvolvimento do ecoturismo (repouso e lazer, caminhadas na natureza), em especial
para segmentos populacionais de "meia idade", já identificado nos "E studos de Viabilidade
Mercadológica: oportunidades para o desenvolvimento turístico - Foz do Areia (1996)",
contratados pela COPEL.
Ainda no Faxinal do Céu, o Horto Florestal e as matas preservadas contíguas, assim
como a "Universidade do Professor", atual mente mantida pelo Governo do Estado do
Paraná, são áreas potenciais para o desenvolvimento de projetos turísticos voltados à
educação ambiental e eventos de caráter artístico, técnico e cultural. No âmbito social, a
"Universidade do Professor", poderá amp liar seus objetivos de treinamento de professores
do Estado para outros segmentos da sociedade (educadores em geral, técnicos,
pesquisadores) podendo ser criada uma "Unidade de Treinamento Educacional,Técnico e
Científico" neste local. Estudos de natureza científica (tais como, ecológicos, limnológicos e
ictiológicos), fundamentais para a gestão dos usos do reservatório, e técnica (ensino e
aprimoramento de técnicas de aqüicultura e manejo dos solos, especialmente para
agricultura), poderiam ser aí desenvol vidos, com inúmeros benefícios para a população dos
municípios de entorno.
Outras possibilidades voltadas para atividades de turismo e lazer são a estruturação
de trilhas para caminhadas que levem aos pontos mais atraentes no reservatório, caso da
Mata do Rio Jacutinga, cachoeiras e penhascos, localizados nas proximidades da barragem,
ou sua simples visitação, com intuito de educação ambiental.
Contatos realizados com as prefeituras municipais mostram que há interesse de
expansão das áreas de lazer já const ituídas e da expansão de suas atividades para eventos
sociais e competições esportivas, como fator de desenvolvimento turístico e econômico das
respectivas regiões.
As vantagens que poderão ser auferidas com a implantação de atividades de lazer e
turismo na região serão o aumento da oferta de empregos no meio rural (diminuindo o
êxodo destas áreas), otimização da sua vocação turística, em especial do Faxinal do Céu, e
DPRA/DVMA
92
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
a ampliação dos horizontes de arrecadação de impostos a nível municipal e estadual,
alavancando o desenvolvimento econômico e social no Médio Iguaçu.
6.8
Zona de Atividades Agrossilvopastoris
A Zona de Atividades Agrossilvopastoris compreende áreas rurais ocupadas com
atividades relacionadas à agricultura, criação de animais e exploração de recurso s vegetais
(reflorestamentos para corte) ou com potencial para tal. Estão incluídas, também, nesta
categoria do zoneamento, ocupações dos solos para exploração de argila e para
implantação de tanques de piscicultura, uma vez que no reservatório de Foz do A reia estas
atividades apresentam maior potencial de desenvolvimento nestas regiões específicas da
área rural. Recomendações específicas para cada um destes usos encontram -se nos itens
7.1.5, 7.1.7 e 7.1.13.
Algumas
observações
importantes,
em
especial,
ref orçando
as
definições
estabelecidas no item 6.2, com relação à faixa mínima de preservação no entorno do
reservatório, são descritas abaixo:

A faixa mínima de preservação permanente no entorno do reservatório deverá
ser de 30 m, nas pequenas propriedades, e de 100 m, nas grandes propriedades
rurais. Pequenas propriedades (glebas) rurais são aqui consideradas conforme a
Lei 9.393/96 e os critérios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária - INCRA, aquelas com área igual ou inferior a 30 ha, especialmente
utilizadas para cultivos de subsistência, ou seja, "quando as explore, só ou com
sua família, o proprietário que não possua outro imóvel". As propriedades que
não se enquadram nestas condições serão identificadas como grandes
propriedades rurais.

O respeito à faixa de 100 m de preservação permanente deverá ser observado,
também, com relação ao desenvolvimento de atividades de exploração de
madeira (reflorestamentos para corte), argila e de piscicultura em tanques,
medida essencial para minimização da degradação dos solos no entorno
próximo e da poluição das águas do reservatório.

Enfatiza-se, mais uma vez, que áreas de capoeiras em qualquer estágio
sucessional, que não foram identificadas no mapa referente ao Uso do Solo e
Cobertura Vegetal (anexo) , por limitações na interpretação visual das
ortofotocartas, não pertencem à Zona de Atividades Agrossilvopastoris, devendo
ser, obrigatoriamente, objeto de preservação ambiental.
DPRA/DVMA
93
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
6.9
Zona Urbana
A Zona Urbana compreende grande parte do município de Porto Vitó ria, incluindo
sua sede, que se encontra dentro da área dos 1000 m de entorno do reservatório, conforme
identificado no mapa de Uso do Solo e Cobertura Vegetal (anexo). Complementarmente,
serão foco de atenção as áreas urbanas de União da Vitória e Porto U nião, localizadas a
montante do reservatório, às margens do rio Iguaçu. Estas exercem influência sobre a
qualidade da água do reservatório, além de englobarem algumas áreas desapropriadas pela
COPEL, para as quais são destinados usos específicos de conserv ação ambiental e de
segurança contra enchentes (especialmente a faixa desapropriada entre as cotas 742,0 m e
744,5 m).
A maior densidade populacional nas áreas urbanas faz com que a pressão daquelas
comunidades no entorno do rio Iguaçu seja aumentada. Como os percentuais de tratamento
de esgotos (domésticos e industriais) são baixos e os resíduos sólidos urbanos (lixo)
dispostos de forma inadequada, a maioria a céu aberto, há prejuízos para a qualidade das
águas do mesmo e de seus afluentes. Estas questões, aliadas às ocupações indevidas na
faixa de segurança do reservatório e na Área de Preservação Permanente, à presença de
indústrias de grande potencial poluidor e intensas atividades de exploração de areia e argila
nas margens e leito do rio Iguaçu, fazem com que as áreas urbanas acima referenciadas
mereçam especial atenção por parte dos órgãos ambientais, no sentido de fiscalizar e
redirecionar tais atividades. Regulamentações e diretrizes necessárias para usos na Zona
Urbana estão compreendidas nos itens 7.1.15, 7.1.16 e 7.1.17.
Ressalta-se a excepcionalidade conferida à área urbana de Porto Vitória, constituída
anteriormente à formação do reservatório (compreendida na Zona de Uso Excepcional), no
sentido de permanecer dentro da faixa de 30 m de preservação permanente, pela
impossibilidade de sua desocupação, embora a mesma esteja sujeita a restrições que se
encontram detalhadas no item 7.1.2.
As mesmas orientações poderão ser adotadas para as áreas urbanas de União da
Vitória e Porto União, que se encontra m às margens do rio Iguaçu, a montante do
reservatório. Especialmente com relação à União da Vitória, há necessidade de se
compatibilizar as ações corretivas propostas no item 7.1.15 (uso industrial) deste Plano
Ambiental, com o Plano Diretor do Município, no sentido de promover o deslocamento de
indústrias de alto potencial poluidor que se encontram, atualmente, próximas às margens do
rio Iguaçu, para além dos 1000 m.
DPRA/DVMA
94
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
7
POTENCIAL DE USOS MÚ LTIPLOS
Atualmente, a produção de energia elétrica representa o prin cipal uso das águas do
reservatório, juntamente com a função de regularização da vazão. O reservatório de Foz do
Areia é o grande regularizador de vazão do rio Iguaçu, sendo de relevante importância para
os reservatórios que se localizam a jusante do mesmo .
Através do diagnóstico ambiental da área e do zoneamento elaborado para o entorno
do reservatório, determinou -se o potencial de usos múltiplos para o mesmo, que se encontra
resumido no Quadro 2. Segue -se uma descrição detalhada de cada um dos usos
identificados, com as respectivas diretrizes, objetivando, especialmente, a sustentabilidade
ambiental, além da administração de conflitos de interesses, com base em recomendações
técnicas e legais.
Na categoria "permitidos" enquadram -se usos de direito por conc essão e de
propriedade, que não interferem significativamente nos demais usos e, especialmente, com
a qualidade ambiental. Os "permissíveis", são aqueles identificados com potencial poluidor
e/ou que necessitam de licenciamento e controle na utilização de recursos naturais, assim
como infra-estrutura e regulamentações específicas para serem desenvolvidos. Como
"proibidos", foram determinados, por exclusão, aqueles usos que não se encaixam nas
categorias anteriores e, em especial, os que determinariam prejuí zos à biodiversidade e
degradação ambiental.
Enfatiza-se que, em virtude da carência de estudos sistemáticos relacionados à flora
e fauna, tanto terrestres, quanto aquáticas, na região da usina de Foz do Areia, grande parte
dos usos potenciais identificado s irá necessitar de estudos científicos antes de sua efetiva
implantação, os quais se encontram, também, propostos no decorrer deste capítulo. Além
disto, recomenda-se que sejam realizados estudos de viabilidade relativos à implantação
destes usos, com especial atenção à característica operacional do reservatório, de funcionar
com deplecionamento que pode chegar até 47 m. Os mesmos deverão prever possíveis
rebaixamentos no nível das águas, não favoráveis, por exemplo, à captação para
abastecimento doméstico , ou a cultivos de organismos aquáticos.
Por fim, a proposta de utilização do reservatório de Foz do Areia para múltiplos usos
procurou ir ao encontro da legislação atual e das diretrizes estabelecidas pelos órgãos
regulamentadores, tais como, as Agências Nacionais de Energia Elétrica - ANEEL e de
Águas - ANA, através de uma gestão interinstitucional e da participação de todos os atores
sociais envolvidos, que se mostra resumida na forma de uma "Matriz Operacional" no final
do
DPRA/DVMA
capítulo 10.
95
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Quadro 2 - Potencial de usos múltiplos no reservatório de Foz do Areia e seu
entorno
DPRA/DVMA
96
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
7.1
7.1.1
Diretrizes para os usos múltiplos
Uso operacional da usina
O uso do reservatório para operação da usina e geração de energia elétrica está
localizado, principalmente na área de segurança do reservatório, para o qual deverão ser
observadas as seguintes diretrizes:

O uso operacional e de segurança do reservatório deverá ser assegurado
através da sinalização da área de segurança (tanto a montante, como a jusante
da barragem) e sua delimitação através do retentor de corpos flutuantes (Log
Boom), em razão do risco que a área oferece para navegação e atividades de
recreação, especialmente nas proximidades do vertedouro e da tomada de água;

Na zona de segurança do reserva tório estarão proibidas quaisquer atividades de
navegação, pesca, piscicultura ou recreação, assim como ocupações dos solos
na faixa de segurança, seja por habitações ou por atividades antrópicas de
qualquer natureza.

Ocupações ou atividades que estiverem sendo desenvolvidas, atualmente,
dentro faixa de segurança no entorno, entre as cotas 742,0 m e 745,0 m, nas
áreas rurais, e 742,0 m e 744,5 m, nas áreas urbanas (faixa desapropriada pela
COPEL), deverão se adequar a esta exigência, retirando -se da referida área.
7.1.2
Benfeitorias enquadradas na Zona de Uso Excepcional
Habitações, construções e áreas de lazer enquadradas na Zona de Uso Excepcional,
atualmente instaladas na faixa de preservação permanente do entorno do reservatório, seja
de 30 m ou de 100 m, conf orme o zoneamento, estarão condicionadas às seguintes
exigências:

Nas áreas rurais, as ocupações já estabelecidas (grandes ou pequenas
propriedades rurais, áreas de lazer públicas ou privadas, residências particulares
de lazer) deverão respeitar a faixa d e 30 m, considerada neste Plano Ambiental
a faixa mínima de preservação permanente. Desta forma, poderão permanecer
entre 30 m e 100 m, promovendo a desocupação e recomposição da vegetação
ciliar na faixa dos 30 m. Exceção é feita às estruturas que dizem r espeito aos
acessos à água, enquadrados como Usos Especiais.
DPRA/DVMA
97
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

As áreas urbanas já constituídas poderão permanecer dentro da faixa de
preservação permanente dos 30 m, uma vez que a desocupação desta faixa
inviabilizaria as áreas urbanas de Porto Vitória e U nião da Vitória, consolidadas
às margens do reservatório. No entanto, como forma de manter uma faixa de
proteção no seu entorno, tais áreas deverão promover a recomposição da
vegetação ciliar na faixa de segurança do reservatório (faixa de desapropriação),
entre as cotas 742,0 m e a cota 744,5 m.

Firma-se mais uma vez, que a concessão acima não deverá ser feita às novas
ocupações, ou seja, a expansões das áreas urbanas, que não se enquadram na
Zona de Uso Excepcional, devendo, portanto, respeitar a faixa mí nima de
preservação permanente de 30m.

Para todos os casos compreendidos na Zona de Uso Excepcional, sejam nas
áreas rural ou urbana, serão proibidos ampliações de infra -estruturas, novas
impermeabilizações dos solos, assim como qualquer corte de vegetação natural
(incluindo capoeira em qualquer estágio de sucessão) na faixa de preservação
permanente de 30 m ou 100 m, dependendo das definições estabelecidas no
item 6.2, com relação à amplitude desta faixa que deve ser preservada.

a recomposição da vegetação ciliar deverá ser feita na maior parte possível da
faixa de preservação ocupada pelos usos excepcionais;

o esgotamento sanitário deverá ser constituído por fossas ligadas a sumidouros,
devidamente construídos;

o lançamento de lixo, produtos químicos ou ca rga orgânica de qualquer natureza
nas águas do reservatório será proibido;

a coleta de lixo deverá ser feita pelo menos uma vez na semana ou com
freqüência maior, dependendo da necessidade;

a atividade agrícola já instalada não deverá fazer uso de agrotóxi cos e
fertilizantes, devendo ser estimulada a agricultura orgânica. Confinamentos de
grande porte para criação de animais, tais como chiqueiros e aviários serão
proibidos. Aqueles de pequeno porte, já existentes, deverão destinar
adequadamente os excrement os de animais e efluentes da limpeza das áreas;

deverá haver a atuação do Ministério Público e incentivos das prefeituras locais,
no sentido de estimular o deslocamento das atividades agrossilvopastoris, que
DPRA/DVMA
98
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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atualmente se desenvolvem nesta categoria do zon eamento, para fora da área
marginal de preservação permanente.
7.1.3
Acessos à água e estruturas de apoio a seus usos
Os pontos de balsa, estradas e estruturas de acessos à água (trapiches,
atracadouros e outros desta natureza), existentes ou a serem implantados no entorno do
reservatório (1000 m) e dentro da faixa mínima de preservação permanente dos 30 m, são
usos que devem ser devidamente controlados para evitar processos de erosão, degradação
ambiental e comprometimento dos usos múltiplos da água, além de aci dentes. Os mesmos
deverão seguir as seguintes diretrizes:

A manutenção preventiva e corretiva de estruturas e equipamentos (nos pontos
de balsa, por exemplo), que se encontrem em estado de má conservação é
obrigatória. Atividades que estejam sendo desenvol vidas através dos mesmos,
com desgaste mecânico, que causem poluição das águas por óleos, graxas,
lubrificantes, ou qualquer outro poluente, deverão ser suspensas até que o
problema seja solucionado;

Estruturas instaladas em locais impróprios, com grande d eclividade, propícios à
erosão e com riscos de desmoronamentos, deverão ser deslocadas e a área
devidamente recuperada pelo agente causador do dano;

O explorador da atividade já instalada não poderá realizar novos desmatamentos
na Área de Preservação Perma nente e deverá manter ao máximo a vegetação
ciliar nas proximidades de tais acessos, ficando obrigado à sua reparação
quando apontadas irregularidades.

Novas instalações de estruturas de acesso à água, em Área de Preservação
Permanente, somente serão permi tidas se forem para uso coletivo de
embarcações. As mesmas não deverão ser feitas em áreas com alta declividade
e com solos não coesos, mais sujeitos à erosão e desmoronamentos. Para
novas implantações, o desmatamento deverá ser evitado ao máximo e realiza do
com prévia autorização do órgão ambiental competente;

Trapiches e outras estruturas similares para acesso às águas devem ser de
material adequado para o local, quando possível em madeira, evitando a
cimentação e impermeabilização total da área;
DPRA/DVMA
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Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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
A pavimentação das estradas que margeiam o reservatório deverá ser evitada
para que não haja tráfego mais intenso. As mesmas deverão ser enquadradas
em especificações técnicas definidas pelo Departamento de Estradas de
Rodagem - DER, especialmente no que se refere às suas dimensões e cargas
máximas admissíveis.
7.1.4
Uso para Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida Silvestre
As áreas designadas no item 6.5 para este fim, são áreas de uso mais restritivo,
devendo ser observados os seguintes critérios:

É proibido o corte raso de vegetação. Esta diretriz deverá ser observada,
também, com relação às capoeiras, em qualquer estágio de sucessão;

É proibida a caça e a pesca, exploração dos solos para agricultura, mineração,
reflorestamentos para corte, instalação de de pósitos de lixo e entulhos de
construção, aterros sanitários e industriais, queimadas; atividades de piscicultura
(nos solos e braços de afluentes destinados à finalidade de conservação da
biodiversidade) e outras pertinentes, que apresentem potencial de d egradação
ambiental;

As áreas com objetivo de Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida
Silvestre poderão ser utilizadas para ecoturismo, educação ambiental, estudos
científicos e conservação ambiental, propriamente dita. Para tais atividades
deverão respeitar as regulamentações do órgão gestor da localidade e, em
especial, nos casos de Unidades de Conservação legalmente constituídas,
estarão sujeitas às normas e restrições constantes no Plano de Manejo da
Unidade, conforme a Lei do SNUC.
7.1.5
Reflorestamento
O reflorestamento é atividade que vem sendo desenvolvida em alguns municípios
atingidos pelo reservatório, em que a exploração de madeira é um componente econômico e
social importante. Deverá ser realizado na recuperação de áreas degradadas e de
preservação permanente. O manejo deste uso no entorno do reservatório requer diretrizes e
recomendações para conservação ambiental abaixo relacionadas:

A escolha da espécie de vegetação utilizada no reflorestamento com o objetivo
de corte ficará à critério d o explorador da atividade, desde que devidamente
DPRA/DVMA
100
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licenciado para tal e respeitadas às áreas de preservação permanente (no
entorno do reservatório a faixa marginal mínima de 100 m para esta atividade);

A recomposição das Áreas de Preservação Permanente e ár eas degradadas
deverá ser feita, obrigatoriamente, através de espécies nativas da região;

No entorno do reservatório a vegetação natural deverá ser recomposta na faixa
marginal mínima de 30 m (acima da cota de desapropriação) em sua extensão
máxima possível, após o deslocamento das atividades que, atualmente, vem se
desenvolvendo nela inadequadamente. Da mesma forma, deverão ser
revegetadas as áreas que vierem a ser desocupadas por estradas ou acessos
que apresentem riscos de desmoronamentos.

A ação acima descrita ficará ao encargo dos proprietários de terra e/ou IBAMA
(de acordo com o Art. 18 da Lei 4.771/65). O Sistema Estadual de Reposição
Florestal Obrigatória -SERFLOR, o programa Florestas Municipais e o Programa
Estadual de Desenvolvimento Florestal - PRODEFLOR poderão ser acionados,
assim como, a COPEL, para o fornecimento de mudas.
7.1.6
Abastecimento público
O abastecimento público é uso potencial da água do reservatório, tanto para
populações urbanas, quanto rurais. A maioria dos municípios no entorno do reservatório se
utiliza de poços artesianos para abastecimento público ou tem sua captação em tributários
próximos da sede municipal, caso de Porto Vitória (captação no rio Herval), ou fora do
reservatório, como Pinhão (captação a jusante), União da Vitóri a e Porto União (captação a
montante).
Caso este uso seja implantado no reservatório, deverá obedecer aos seguintes
critérios e atenções:

A área preferencial para captação é o corpo do reservatório, em geral o local
mais oligotrófico (mais pobre em nutrien tes). Para este fim, a qualidade da água
deverá se apresentar dentro das características da Classe Especial até a Classe
3, previstas na Resolução do CONAMA 020/86. Após tratamento, deverá atender
aos padrões de potabilidade definidos na Portaria do Minist ério da Saúde nº
1469/2000.
DPRA/DVMA
101
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

A utilização das águas para este fim necessita prévia autorização da
concessionária, bem como concessão do órgão competente para a derivação de
águas públicas: ANA a nível federal, e SUDERHSA, a nível estadual;

O funcionamento do reservatório com deplecionamento deverá ser avaliado com
relação à viabilidade desta utilização.
7.1.7
Piscicultura e Peixamento (produção de biomassa)
A piscicultura e o peixamento, que objetivam a produção de biomassa no
reservatório, são atividades atuais e potenciais para o mesmo. Prefeituras, como dos
municípios de Bituruna e Porto Vitória, mostram intenção de expansão destas atividades.
O desenvolvimento da piscicultura poderá ser feito em tanques -rede, nas
desembocaduras de rios, onde as águas são mais c orrentes e há maior concentração de
nutrientes, ou em tanques instalados nos solos no entorno do reservatório.
No entanto, para que atividades de produção de biomassa no reservatório sejam
compatibilizadas aos demais usos, ressaltam -se algumas restrições e determinações
específicas que se fazem necessárias:

A implantação de atividades de piscicultura e peixamento no reservatório deverá
ser precedida e acompanhada de estudos limnológicos e ictiofaunísticos para
que se amplie o conhecimento do ecossistema em questão ao nível de se poder
tê-lo sob controle;

Nas condições atuais, a melhor opção para a exploração da piscicultura no
reservatório de Foz do Areia, de menor potencial de impactos ambientais, será a
instalação de tanques nos solos, nas áreas de entorn o, onde vem se
desenvolvendo atividades agrossilvopastoris. Deverão observar o respeito à
preservação da faixa marginal mínima de 100 m, para evitar possível
contaminação das águas;

A instalação de tanques -rede para piscicultura deverá levar em conta as
restrições
que
poderão
ocorrer
para
esta
atividade,
decorrentes
do
deplecionamento do reservatório (que pode atingir até 47 m);

Ainda com relação ao desenvolvimento da piscicultura em tanques -rede, existem
restrições pelo seu potencial de estímulo à eutrofiz ação; tais atividades, assim
como as direcionadas ao peixamento (introdução de espécies para cultivo no
DPRA/DVMA
102
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
reservatório), deverão ser criteriosamente avaliadas e condicionadas a estudos
prévios, os quais poderão ser integrados aos da Estação Experimental de
Estudos Ictiológicos da Hidrelétrica de Segredo - EEEIS.

Especialmente nas zonas de desembocadura dos afluentes próximos à
barragem (rios Areia, Sabiá e Jacutinga), as atividades de piscicultura e
peixamento não serão permitidas, enquanto estudos não sejam elaborados para
tal direcionamento. A ração utilizada para peixes, à base de nitrogênio e fósforo,
poderá estimular o processo de eutrofização já instaurado na porção lacustre do
reservatório. Blooms de algas do grupo das cianobactérias, produtoras de
toxinas nocivas ao homem e animais, que têm ocorrido nas imediações da
barragem, são sinais visíveis deste processo, cuja aceleração prejudicará os
demais usos, inclusive o de produção de energia elétrica;

Com relação ao peixamento, ainda se fazem outras ress alvas. As ações de
manejo deverão estar embasadas em conhecimento científico e inventários da
fauna de peixes no reservatório, permitindo a seleção de espécies nativas que
tenham potencial de cultivo. O mito de que a introdução de algumas espécies de
peixes redundaria num aumento da pesca revela -se ao contrário. Ou seja, a
transferência ou introdução de espécies de peixes originárias de outras bacias
ou de outros continentes age negativamente sobre a biodiversidade de peixes,
pois tem causado diminuição drá stica e, em alguns casos, até extinção de
muitas espécies. É fundamental que tais informações sejam repassadas para a
comunidade, para que se evitem problemas pela introdução de espécies
exóticas ou mesmo nativas inadequadas.

Para projetos de aqüicultura d everão ser respeitados o disposto no Decreto nº
2869 de 09/12/1998, bem como na Instrução Normativa Interministerial nº 9 de
11/04/2001, os quais estabelecem normas para este uso em águas públicas da
União. Segundo estas normas legais, os interessados na p rática de aqüicultura
deverão encaminhar consulta prévia ao Ministério da Agricultura e do
Abastecimento, o qual solicitará a análise e parecer da instituição administradora
do corpo de água. No caso de ser o projeto localizado em lagos de
empreendimentos hidrelétricos, a concessionária é a entidade competente para
a análise destes projetos. Após aprovação do projeto de aqüicultura pelo
Ministério da Agricultura e Abastecimento, seguindo a tramitação legal inserida
na Instrução Normativa nº 9, "a concession ária operadora do reservatório e o
aqüicultor assinarão termo de ajuste de seus interesses, incluída, quando for o
DPRA/DVMA
103
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
caso, a obrigatoriedade de realização da sinalização náutica recomendada pelo
Ministério da Marinha, com vistas a manter a segurança da naveg ação e o livre
tráfico de embarcações" (Decreto nº 2869 de 09/12/1998).
7.1.8
Pesca
O desenvolvimento da atividade pesqueira no entorno do reservatório é de
importância fundamental como opção de sustento familiar das populações ribeirinhas e
outros segmentos excluídos do sistema produtivo formal da região. A pesca recreativa e
esportiva também são propícias para o lazer destas e de outras comunidades que habitam
os municípios de entorno do reservatório, podendo ser realizadas, tanto na região fluvial,
como no corpo do reservatório. A pesca comercial é atividade potencial que poderá ser
desenvolvida, porém sujeita a diretrizes específicas que deverão ser traçadas paralelamente
ao desenvolvimento do "Programa de Manejo dos Recursos Pesqueiros", descrito neste
Plano Ambiental. Desta forma, para esta e outras modalidades de pesca, determinações e
restrições técnicas e legais importantes deverão ser observadas:

Estudos sobre o aproveitamento dos recursos pesqueiros devem ser elaborados,
para que se estabeleçam critérios para o mesmo. Isto evitará depleção do
estoque de algumas espécies, como ocorreu no reservatório de Itaipu,
possivelmente ligada à degradação ambiental e à elevada captura de imaturos,
conforme observa o NUPELIA, da Universidade de Maringá;

A atividade de pesca é proibida na área de segurança do reservatório (uso
exclusivo para segurança e operação da usina). Corrobora com esta
determinação, a Portaria do IBAMA nº 21, de 09.03.1993, que proíbe o exercício
da pesca na faixa mínima de 200 m a montante e a ju sante da barragem;

A atividade de pesca é proibida nos braços dos afluentes que estiverem
relacionados à Zona de Preservação, Conservação e Desenvolvimento da Vida
Silvestre;

As diretrizes legais que deverão ser observadas para a atividade de pesca são o
Decreto-Lei 221 de 28/02/67 (que dispõe sobre a proteção e estímulos à pesca e
determina a suspensão da mesma durante o período de reprodução) e as
portarias do IBAMA: nº1581, nº1583 e nº1584, de 21/12/89; nº1624, de 27/12/89
e nº21, de 09/03/93 (esta últim a estabelece normas gerais para o exercício da
pesca na bacia hidrográfica do rio Paraná).
DPRA/DVMA
104
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
7.1.9
Navegação / turismo lacustre
A navegação é um uso possível e atualmente praticado no reservatório, nas
proximidades de Porto Vitória, e no rio Iguaçu, no município d e União da Vitória,
especialmente por balsas de transporte de areia. Há potencial para que esta atividade se
desenvolva mais amplamente para fins esportivos, de recreação e lazer na porção do lago
(veleiros, barcos, jet ski, esqui aquático), além do hidrot urismo, face à existência de um
trecho navegável entre Porto Vitória e a usina de Foz do Areia.
Estas atividades exigem um planejamento e regulamentação especiais, para que se
evitem processos de degradação ambiental. Exigências e recomendações para as mes mas
são as seguintes:

Estudos ecológicos e limnológicos específicos, assim como de viabilidade
técnica e ambiental devem ser conduzidos a fim de determinar a capacidade de
suporte do lago;

A navegação de qualquer espécie (recreativa, esportiva ou de transp orte) não
será permitida na área de segurança do reservatório, devidamente sinalizada e
demarcada pelo retentor de corpos flutuantes (Log Boom). Esta atividade deverá
ser evitada nos braços do reservatório, por se constituírem o berço da ictiofauna;
o barulho e vibrações das embarcações são prejudiciais ao desenvolvimento e
desova dos peixes;

O transporte de cargas perigosas (como combustíveis e produtos químicos em
geral) e/ou de peso e volume incompatíveis com a capacidade de suporte das
balsas será proibido, pelo risco de contaminação das águas e falta de infra estrutura (terminais), respectivamente, mesmo porque tais utilizações não
condizem com o perfil de usos que se pretende para o reservatório;

Os veículos e embarcações deverão estar em condições ade quadas de
navegação, sem desgastes mecânicos ou de outra natureza, como medida
essencial para evitar a entrada de poluentes no reservatório, tais como, óleos,
graxas e combustível; casos atestados de inadequações neste sentido deverão
ser proibidos à prática da navegação no reservatório;

Atividades de navegação que necessitem pontos de embarque e desembarque
deverão tê-los definidos e devidamente regulamentados no seu plano de
desenvolvimento;
DPRA/DVMA
105
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

Toda e qualquer embarcação a motor de comprimento superior a 5 m deverá ser
cadastrada junto à capitania fluvial. Tendo em vista a localização geográfica do
reservatório da UHE Foz do Areia, este pertence à jurisdição da Capitania Fluvial
do Rio Paraná, com sede em Foz do Iguaçu;

O requerimento para o cadastro deverá s er acompanhado da descrição da
embarcação, sua finalidade, bem como do nome da pessoa que irá manobrar a
embarcação. Esta pessoa deverá ter a habilitação específica para este fim
(arrais amador ou profissional, conforme o caso);

Após o cadastramento junto à Capitania Fluvial do Rio Paraná, os interessados
deverão informar à concessionária com relação ao serviço regular da navegação
e possíveis instalações portuárias; tais atividades deverão obedecer a critérios
técnicos e/ou legais, visando a preservação am biental do reservatório;

Embarcação a motor com comprimento inferior a 5 m (barcos pequenos, jet -ski),
não necessita cadastramento junto à capitania fluvial, mas é obrigatória
habilitação especial (arrais amador ou profissional) para a pessoa que manobra
a mesma.
7.1.10 Irrigação
A irrigação não vem sendo praticada no entorno do reservatório, mas é um dos usos
potenciais do mesmo. A utilização das águas para este fim necessita outorga pela
SUDERHSA, licenciamento pelo IAP e anuência da concessionária.
Outras ressalvas são feitas com relação à utilização das águas do reservatório e
afluentes com o fim de irrigação, quais sejam:

Aberturas de canais de drenagem, retificação de cursos de água e transposição
de bacias, dependem, também, do licenciamento ambiental a ser expedido pelo
IAP (resoluções CONAMA nº 001/86 e 237/97);

Águas de nascentes ou das correntes de uso comum, que sirvam para o
abastecimento de populações, não podem ser desviadas por usuários situados a
montante, segundo os Arts. 72 e 94 do Código de Águas .
DPRA/DVMA
106
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
7.1.11 Balneabilidade
As características topográficas locais, de relevo bastante acidentado, e do
reservatório, que se encontra encaixado num vale profundo, não favorecem sua utilização
para fins de balneabilidade ou recreação de contato primário. Na área de se gurança do
reservatório é atividade proibida, como outra qualquer que não seja para segurança e
operação da usina. Nas Áreas de Lazer instaladas em região de relevo mais plano, este uso
poderá ser desenvolvido, com as seguintes condições:

disponibilidade de equipamentos salva-vidas (bóias e coletes) e Infra -estrutura
de atendimento de emergência (primeiros socorros);

qualidade da água dentro dos padrões de balneabilidade, conforme Resolução
CONAMA 274/00.
7.1.12 Lazer e Turismo no Entorno
A utilização do entorno do reservatório de Foz do Areia para lazer e recreação já vem
sendo feita através das áreas municipais e particulares que se encontram implantadas nos
seus municípios. A beleza cênica natural do lago, a paisagem exótica da Vila do Faxinal do
Céu, a biodiversidade presente na Mata do Rio Jacutinga, penhascos e cachoeiras, são o
grande potencial da região para o lazer e desenvolvimento do ecoturismo, com especial
interesse à educação ambiental, além de outras modalidades, como caminhadas pela
natureza, turismo eqüestre e ciclismo.
Para a implantação de atividades de turismo e lazer no entorno do reservatório e na
Vila Residencial do Faxinal do Céu, deverão ser observados os seguintes critérios e
regulamentos:

A legislação prevê que áreas destinadas à implantaç ão de pólos turísticos e
lazer no entorno do reservatório não poderão exceder a 10% da área total de
seu entorno, conforme Art. 4° da Resolução CONAMA 302/2002;

A implantação de novas áreas de lazer e de toda infra -estrutura necessária de
suporte
(pousadas,
quiosques,
churrasqueiras,
vestiários,
sanitários,
ambulatórios, lanchonetes), futuras ampliações das áreas já existentes, assim
como a abertura de trilhas e demais obras que se julgarem necessárias, deverão
DPRA/DVMA
107
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
ocorrer fora da Área de Preservação Permanente - APP no entorno do
reservatório, neste caso respeitada a faixa marginal mínima de 30 m;

As ocupações acima mencionadas terão que ser apresentadas na forma de
projetos pelas prefeituras municipais ou por particulares, para análise e
regulamentação junto ao IAP e apreciação da COPEL, inclusive no que diz
respeito à implantação de novos acessos e infra -estruturas de apoio a travessias
e utilizações da água;

Ampliações ou aproveitamentos de áreas já constituídas poderão ser preferíveis,
frente a novas instalações, uma vez que podem gerar menos impacto ambiental.
O aproveitamento da infra -estrutura do Faxinal do Céu é extremamente benéfico
por este motivo, além de poupar anos de esforços na tentativa de se conseguir
um empreendimento de tal beleza e qualidade a mbiental;

Os locais mais apropriados para futuras instalações com fins de lazer e turismo
são áreas com pouca declividade, não sujeitas à erosão, que já mostrem sinais
de redução da cobertura vegetal nativa e que não venham a se constituir
interrupção dos corredores de biodiversidade. Neste último aspecto, as várias
penínsulas existentes no reservatório de Foz do Areia são bastante adequadas,
desde que se enquadrem como áreas que apresentam aquelas características
(sem cobertura vegetal densa constituída po r remanescentes florestais e/ou
capoeiras em diferentes estágios de sucessão). Estas áreas potenciais
encontram-se indicadas no "Mapa de Zoneamento", que se encontra anexo a
este plano.

Deverão ser evitados os braços do reservatório, por se constituírem l ocais de
desenvolvimento e reprodução da ictiofauna. Além disto, as áreas com objetivo
de turismo e lazer deverão se localizar próximas às sedes municipais, onde já
existe infra-estrutura viária, para que atendam os objetivos pretendidos de
melhorar a qualidade de vida das populações locais, evitando ao máximo
impactos na natureza;

Especial restrição se faz à implantação de pólos turísticos nas proximidades da
barragem, enquanto não se tenha o adequado controle sobre o ecossistema em
questão, ou seja, antes que se desenvolvam estudos ecológicos e limnológicos
que permitam o conhecimento e adequado controle do ecossistema aquático em
questão. Apesar de ter sido identificada uma área do antigo Setor I (junto à
represa e abaixo da antiga casa de hóspedes), com infra-estrutura de acessos
DPRA/DVMA
108
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
que poderia ser aproveitada para o turismo, a condição para tal deverá ser
avaliada através de estudos de médio e longo prazos, pois na porção do
reservatório próxima à barragem vem sendo observados sinais de eutrofização.
Este processo poderá ser estimulado com o aumento da concentração
populacional e da conseqüente carga orgânica, causando sérios prejuízos
ambientais, assim como operacionais para a usina. Além disto, constitui -se
medida de precaução, porque algas que vem sendo o bservadas são produtoras
de toxinas, que podem afetar a saúde das pessoas que vierem a fazer usos
destas águas próximas à sua floração;

As benfeitorias a serem construídas visando à promoção do lazer e turismo
deverão contemplar em projeto a implantação de sistema de coleta, tratamento e
disposição adequada de esgotos sanitários, no mínimo através de fossas
sépticas ligadas a sumidouros. Lançamento de resíduos orgânicos e de
detergentes são proibidos nas águas. Deverão ser previstos, também, coleta
freqüente e remoção de resíduos sólidos para fora da faixa dos 1000 m;

O depósito de combustíveis para embarcações fica proibido por questões de
segurança e de prevenção com relação à contaminação dos solos; o manuseio
deste material deverá ser rigorosamente contr olado, evitando-se vazamentos (e,
consequentemente, infiltração nos solos e no lençol freático);

Atividades de ecoturismo e educação ambiental com visitação às áreas de
"Conservação da Biodiversidade" deverão ser regulamentadas pelo órgão gestor
ou proprietário da localidade. Em se tratando de Unidades de Conservação
constituídas,
a
visitação
estará
sujeita
à
autorização
prévia,
normas
administrativas e restrições legais, estabelecidas no Plano de Manejo da
Unidade, conforme a Lei Federal nº 9.985, do Sistema Nacional de Unidades de
Conservação.
7.1.13 Atividades agrossilvopastoris
O diagnóstico ambiental revela que a agricultura é desenvolvida em boa parte do
entorno de 1000 m do reservatório de Foz do Areia, constituindo -se, especialmente,
atividade de subsistência. Esta atividade está mais concentrada nas margens esquerda dos
rios Iguaçu (município de Bituruna) e Areia (município de Cruz Machado), porém dispersa
pelos demais municípios.
DPRA/DVMA
109
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Considerando-se o mapa de Aptidão Agrícola realizado pelo IPARDES (1995), o
entorno do reservatório é identificado como área com elevado percentual de inaptidão à
agricultura, considerando o sistema de manejo C (alto nível tecnológico ou de
mecanização). Embora esta atividade não seja desenvolvida na região através de
mecanização, já se observam indícios de erosão e degradação dos solos, por não se
constituir atividade mais indicada e/ou por não se estarem utilizando técnicas adequadas
para o tipo de solo presente.
Tanto a agricultura, como a criação de animais, geram resíduos e i mpactos
ambientais nos solos e águas, o que leva à necessidade de diretrizes específicas para o
desenvolvimento, como as que se seguem:

Propriedades rurais que se encontram dentro da AAP no entorno do reservatório
enquadram-se nas restrições apontadas no i tem 7.1.2, para ocupações na Área
de Usos Excepcionais que dizem respeito a ampliações, infra -estrutura sanitária
mínima, destinação de resíduos sólidos, efluentes líquidos, etc.;

Pequenas propriedades rurais (aquelas com área igual ou inferior a 30 ha,
conforme Lei 9.393/96 e critérios do INCRA) deverão manter 30 m de faixa
mínima de preservação no entorno do reservatório e grandes propriedades
rurais, 100 m;

Todas as propriedades rurais na área de entorno dos 1000 m deverão ter seu
esgotamento sanitário c onstituído, no mínimo, por fossas sépticas ligadas a
sumidouros e destinar adequadamente o lixo nelas produzido; desde que não
haja serviço de coleta pela municipalidade, o proprietário é responsável pela
destinação a lixões adequados e específicos para ta l;

Deverão ser introduzidas técnicas de manejo adequado dos solos entre os
agricultores da região, para melhor aproveitamento e minimização de processos
erosivos; deverão ser evitados agrotóxicos e adubos minerais e estimuladas a
agricultura orgânica e a s ubstituição de cultivos habituais pela fruticultura, mais
propícia ao tipo de solo da região. Da mesma forma, é conveniente a relocação
dos cultivos que ocupam áreas com grande declividade (mais sujeitas à erosão)
e a faixa marginal de preservação permanen te. Com relação ao reflorestamento
de áreas degradadas, enfatiza -se a necessidade da utilização de espécies
nativas da região.Tais ações auxiliariam na regularização de atividades desta
natureza que estão sendo realizadas, atualmente, em desacordo com a
legislação vigente;
DPRA/DVMA
110
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

Para o nível de manejo C (agricultura mecanizada), os solos apresentam
inaptidão agrícola;

A eliminação do uso de agrotóxicos e adubos à base de nitrogênio e fósforo é
extremamente favorável à contenção do processo de eutrofização que já se
verifica no reservatório, comprovadamente na região lacustre próxima à
barragem;

A instalação de criadouros com alta densidade de animais (confinamento de
gado e suínos ou aviários) será proibida nos 1000 m do entorno do reservatório,
pelo alto potencial de contaminação das águas por microorganismos
patogênicos, assim como por carga orgânica, que reduz os níveis de oxigênio
dissolvido e estimula a eutrofização. Estes processos promovem a degradação
do ecossistema e comprometem os usos múltiplos;

Estábulos e estrebarias deverão ser deslocados da faixa de 30 m da Área de
Preservação Permanente e seus efluentes tratados, para que não contaminem
as águas;

A substituição de pastagem natural para artificial e o corte raso de capoeira, em
qualquer estágio de desenvolvimento, estarão sujeitos à autorização especial do
Instituto Ambiental do Paraná;

O parcelamento dos solos deverá ser limitado à Fração Mínima de Parcelamento
- FMP, que corresponde à menor área que um imóvel rural pode ser
desmembrado legalmente, c om o objetivo de venda. É uma forma de se evitar
ocupação excessiva e pressão descontrolada no ambiente. A FMP varia de 2 a 5
ha, dependendo da zona onde se encontra o imóvel, denominadas Zonas
Típicas de Módulo - ZTM. Segundo definição do INCRA, estas são "regiões
delimitadas, a partir do conceito de módulo rural, com características ecológicas
e econômicas homogêneas, baseada na divisão microrregional do IBGE Microrregiões Geográficas - MRG, considerando as influências demográficas e
econômicas de grandes centros urbanos";

Propriedades rurais estão sujeitas ao Imposto Sobre a Propriedade Rural - ITR,
conforme a Lei 9.393/96, com exceção das pequenas propriedades, também
denominadas pequenas glebas rurais (aquelas com área igual ou inferior a 30
ha), "quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua
outro imóvel" (Artº 2º);
DPRA/DVMA
111
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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
As propriedades rurais deverão destinar 20% de suas respectivas áreas para a
composição da reserva legal, exigida por Lei e apoiada pelo Sistema de
Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Florestal Legal e Áreas de
Preservação Permanente no Estado do Paraná (SISLEG). Na inexistência de
porções de floresta natural na propriedade, ela deve destinar uma área à
recuperação para essa reserva, priorizando aquelas j á ocupadas por capoeiras;

Como modo de contemporizar a perda daquele percentual de terras em
pequenas propriedades rurais, que poderão significar prejuízos relevantes para a
própria sobrevivência destas comunidades lindeiras, propõem -se que a COPEL
ceda uma área de remanescentes florestais do mesmo bioma, proporcional
àquelas cotas, isentando aqueles proprietários de terra desta obrigatoriedade. As
áreas identificadas no reservatório, com este potencial, são a Mata do Rio
Jacutinga e a Reserva Biológica (nã o legalizada) do Faxinal do Céu. Esta ação
está de acordo preceituado nos Arts. 11 e 12 da Portaria nº 100/99/IAP/GP, que
trata de Imóvel com Reserva Florestal Legal Cedida ;

Treinamentos para aprimoramento de técnicas de manejo dos solos poderão se
utilizar da infra-estrutura da Universidade do Professor, assim como mudas
poderão ser fornecidas pelo Horto Florestal, ambos instalados na Vila
Residencial do Faxinal do Céu.
7.1.14 Atividade extrativista
As atividades extrativistas mais comumente observadas no reserv atório de Foz do
Areia e entorno se relacionam à exploração de madeira, areia e argila, especialmente nos
municípios de Bituruna, Porto Vitória, União da Vitória e Porto União. Constatam -se, no
entanto, explorações clandestinas e inadequadas das florestas nativas e daqueles recursos
minerais encontrados no leito dos rios que fazem parte do reservatório.
Embora sejam atividades importantes para o desenvolvimento econômico dos
municípios de entorno, gerando riquezas e aumentando o bem -estar da sua população,
através da transformação daqueles recursos por diversos setores relacionados, deverão ser
rigorosamente controladas. O grande potencial de impacto ambiental que apresentam,
especialmente quando desenvolvidas além da capacidade de suporte dos referidos
ecossistemas, exige diretrizes e recomendações que se seguem:

As atividades extrativistas acima relacionadas estão sujeitas a licenciamento
ambiental pelo IAP, sendo exigida avaliação de impactos ambientais (EIA/RIMA)
DPRA/DVMA
112
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na sua implantação e estudos técnicos e pr ocedimentos adequados para
exploração. No memorial descritivo do projeto de implantação dessas atividades,
deverão constar potenciais impactos na qualidade do ar, sonoros e visuais, além
de conflitos com outros usos e ocupação do solo, que também acompanha m
essas atividades;

Enfatiza-se que o corte de vegetação para exploração madeireira só poderá ser
feito nas áreas regulamentadas e de reflorestamento específico para este fim.
Atividades clandestinas deverão ser fiscalizadas pelo órgão ambiental
competente;

O uso e ocupação dos solos para exploração daqueles recursos deverá ser feito
fora da área de 100 m no entorno do reservatório e afluentes a ele, o que inclui
reflorestamentos para a finalidade de corte e depósitos de areia e argila,
inclusive os que se encontram na zona urbana (para a qual a APP está definida
em 30 m). Tais restrições se fazem para evitar processos de erosão e
assoreamento do reservatório;

A falta de licenciamento prévio do extrator de areia, exigido através das
Resoluções CONAMA 01/86 e 237/97 e Resolução SEMA 004/01, é conduta
típica prevista no Art.55 da Lei 9605/98 (dos Crimes Ambientais), ou seja,
"executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente
autorização, permissão, concessão ou licença. Ou em desacordo com a obtida"
é crime sujeito à multa e detenção (Art. 5º). "Nas mesmas penas incorre quem
deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada..." (Parágrafo único);

A exploração de areia e argila é proibida nas margens do reservatório e
afluentes a ele, podendo ser desenvolvida no leito dos rios, com os critérios
técnicos e ambientais adequados. A Resolução SEMA 031/98 determina que "a
extração de areia no leito do rio não poderá se processar a uma distância das
margens igual ou inferior equivalente a 10% (d ez por cento) da largura do
mesmo, no trecho considerado"; "a área autorizada para extração é aquela
devidamente registrada no DNPN/MME, em nome do requerente"; "a utilização
das áreas consideradas como de preservação permanente, conforme art. 2º da
Lei Federal 4.771/65, mesmo desprovidas de vegetação para a locação das
canchas, depósitos, portos ou lavadores de areia, só será permitida após
parecer favorável do IBAMA"; "deverá ser apresentada a outorga do uso das
águas";
DPRA/DVMA
113
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto

Estudo técnico com relação à quanti dade máxima de areia possível de ser
extraída deverá ser realizado, para que o corpo de água não fique totalmente
desprovido do "filtro natural" que representa a camada de areia em seu leito;

Procedimentos de lavagem de dragas e caminhões deverão ser reali zados em
locais apropriados, que não são as margens dos rios e do reservatório, nem as
suas águas. Efluentes resultantes da lavagem, assim como da classificação da
área deverão ser controlados, pois causam impacto na qualidade das águas
superficiais pelo aumento da turbidez e material sólido (com prejuízos à
sobrevivência dos organismos aquáticos), assim como do aqüífero subterrâneo;

É obrigatória a recuperação de áreas degradadas por parte do explorador da
atividade; no caso de não fazê -lo, o extrator incorrerá em crime ambiental (Art.
55, Parágrafo único da Lei 9605/98).
7.1.15 Indústria
O uso e ocupação dos solos no entorno do reservatório para fins industriais, assim
como a utilização das suas águas, é atualmente observado nos municípios de Porto Vitória,
União da Vitória e Porto União, especialmente porque as respectivas áreas urbanas
encontram-se naquele entorno.
Para o desenvolvimento da atividade industrial no entorno de reservatório, deverão
ser observadas as seguintes exigências:

Não é permitida a instalaç ão de indústrias com alto potencial poluidor nos 1000
m do entorno do reservatório, tais como, de celulose e papel, produtos químicos,
curtumes, galvanoplastias, entre outras. Nesta proximidade, o risco de
contaminação do ar, das águas e solos no entorno d o reservatório é grande,
mesmo porque após tratamento, seus efluentes ainda poderão conter formas
tóxicas prejudiciais à saúde do homem e do ambiente aquático;

Não é permitida a instalação de lixões ou aterros industriais na faixa dos 1000 m
no entorno do reservatório pelos mesmos motivos apresentados acima;

É permissível a instalação de indústrias caseiras, de pequeno porte e baixo
potencial poluidor, desde que seus efluentes líquidos e gasosos sejam tratados e
resíduos sólidos gerados tenham destinação e
disposição adequadas,
sistemáticas e contínuas. Na falta de serviços da municipalidade, o proprietário é
DPRA/DVMA
114
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
o responsável pelo encaminhamento do resíduo para o aterro sanitário
municipal, no mínimo com freqüência semanal. O descarte em aterros
clandestinos ou em áreas não específicas (fundos de vale, entre outros) é
expressamente proibido;

A utilização da águas do reservatório e afluentes para fins industriais está sujeita
à outorga por parte da SUDERHSA e cobrança pelo uso deste recurso.
7.1.16 Habitação
As diretrizes para ocupação dos solos no entorno do reservatório por habitações,
sejam de natureza unifamiliar (construção destinada a servir de moradia a uma única
família) ou coletiva, vão depender da sua localização seja no meio rural ou urbano e da
categoria de zoneamento onde estão instaladas.
As determinações gerais são as seguintes:

Habitações a serem construídas em pequenas propriedades rurais e em áreas
urbanas, podendo em ambos os casos se destinar, também, a uso particular de
lazer no entorno do reservatóri o, deverão respeitar a faixa de preservação
permanente de 30 m. Em hipótese alguma poderão ocupar a faixa de segurança
no entorno do reservatório (entre as cotas 742,0 m e 745,0 m);

A abertura de poços artesianos estará sujeita à concessão administrativa p ela
Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental - SUDERHSA. Na presença de sistema de abastecimento público
realizado pela SANEPAR, a mesma deve ser informada da abertura de poços no
local;

O esgotamento sanitário para t oda e qualquer habitação e/ou benfeitoria no
entorno do reservatório deverá ser no mínimo feito através de fossas sépticas
ligadas a sumidouros e os resíduos sólidos por elas gerados terão,
obrigatoriamente, que ter coleta e destinação final adequadas;

No meio urbano, as habitações deverão seguir diretrizes do Plano Diretor ou
normas urbanísticas de outros documentos do município, com relação ao
tamanho mínimo do terreno e seu percentual máximo de ocupação. No Plano
Diretor de União da Vitória esses valores variam de acordo com as classes do
zoneamento.
DPRA/DVMA
Outros
requisitos
de loteamento na zona urbana estão
115
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
determinados dentro do plano e devem ser atendidos, como por exemplo, a
obrigatoriedade da reserva de uma faixa de proteção de no mínimo 15 m ao
longo de águas correntes ou dormentes, em ambas as margens, a qual deverá
ser cedida à Prefeitura Municipal sem ônus para esta;

No caso do município de União da Vitória prevalece, também, o estabelecido no
seu Plano Diretor, que segue a Lei de Parcelamento do Solo U rbano (regida pela
Lei Municipal 1781, com base na Lei Federal nº 6766/79), especificando locais
não urbanizáveis, não passíveis de parcelamento dos solos, como faixa a
marginal de cursos de água, áreas alagadiças ou sujeitas à inundação, terrenos
sem condições geológicas para edificação, ou áreas onde a poluição impeça
condições sanitárias suportáveis, entre outros;

Para área rural este plano admite o parcelamento somente para implantação de
indústrias ou equipamentos comunitários, com prévia aprovação da Prefeitura
Municipal e anuência do INCRA (parágrafo único do art. 3º da Lei Municipal
1781/91).
7.1.17 Comércio e serviços
Atividades de comércio e serviços na área dos 1000 m no entorno do reservatório
deverão seguir cuidados especiais com relação à coleta e/ou disposição final de resíduos
sólidos, líquidos e gasosos por elas gerados:

As benfeitorias relacionadas a estas atividades deverão dispor de esgotamento
sanitário, no mínimo através de fossas sépticas ligadas a sumidouros. É proibido
o lançamento de qualqu er efluente proveniente de instalações sanitárias
diretamente nas águas;

A municipalidade deve coletar os resíduos sólidos com freqüência semanal e
encaminhar os mesmos para aterros sanitários municipais. A não disponibilidade
desses serviços obriga o prop rietário a encaminhar os resíduos para os referidos
aterros, sendo proibido qualquer descarte em locais clandestinos e não
adequados;

Na implantação de comércio e serviços dentro da Zona Urbana, o Plano Diretor,
ou outra norma urbanística do município deve rão ser respeitados.
DPRA/DVMA
116
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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Encontram-se abaixo, especialmente destacados, usos não considerados potenciais
para o reservatório:
Lixões e aterros sanitários e industriais
A instalação de lixões a céu aberto ou aterros de qualquer espécie (conduzidos,
sanitários, industriais) é proibida na área de 1000 m de entorno do reservatório, assim como
a deposição de entulhos com restos de material industrial ou de construção civil. Tais
restrições deverão ser acatadas e compatibilizadas com o Plano Diretor dos municípios.
DPRA/DVMA
117
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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8
PROGRAMAS DE CONTROL E AMBIENTAL
A gestão integrada dos usos múltiplos no reservatório e seu entorno depende de
ações que deverão se efetivar, especialmente, a médio e longo prazos, as quais deverão
estar apoiadas por programas de monitoramento ambiental. A queles que estão sugeridos
adiante, têm como base elementos que precisam ser melhor explorados e conhecidos com
relação ao ambiente do reservatório de Foz do Areia, para que sejam otimizados diversos
usos e ocupações no mesmo, sem que se promova a degradaç ão ambiental. Procurou -se
identificar parcerias, e, especialmente, a compatibilização com programas já instaurados a
nível estadual e nacional.
8.1
Programa de Monitoramento do Ecossistema Aquático
A utilização do reservatório e seu entorno para múltiplos fins implica num aumento da
pressão exercida sobre os recursos hídricos, o que torna importante o conhecimento de sua
condição atual e o estabelecimento de um prognóstico para a situação futura. Este
programa se destina, portanto, à realização de estudos limno lógicos (de natureza física,
química e biológica) e hidrológicos sistemáticos, nas porções fluvial, intermediária e lacustre
do reservatório, a médio e longo prazos, possibilitando a identificação dos padrões espaciais
e temporais do mesmo. Tais estudos pe rmitirão o conhecimento da ecologia do reservatório
(sua estrutura e funcionamento), o efetivo controle sobre o mesmo e o adequado
direcionamento para usos múltiplos. Em especial, estudos específicos sobre a ictiofauna
deverão ser parte deste programa.
Cabe à COPEL a
implantação deste programa,
dando continuidade ao
monitoramento limnológico que se realizou nos primeiros anos após o enchimento do
reservatório, assim como aos estudos ictiofaunísticos realizados pelo NUPELIA, núcleo de
estudos limnológicos da Universidade de Maringá. Da mesma forma, ele dará seqüência a
uma série histórica de dados hidrológicos que vem sendo acumulados pela empresa.
Este programa poderá ser compatibilizado com estudos que o NUPELIA vem
realizando em parceria com a Mississipi S tate University, a Texas A&M Universitiy e a
University of Lodz, como parte do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência do Governo
Federal para estudos científicos da ictiofauna nativa do rio Iguaçu (AMBIOTECH, 2002).
Além disto, também poderá ser angari ado o apoio da Secretaria de Estado do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos - SEMA e utilizada a infra -estrutura da Universidade do
Professor, no Faxinal do Céu, para estudos científicos e treinamentos em Limnologia.
DPRA/DVMA
118
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
Ressalta-se a importância do desenvolvimen to deste programa anteriormente à
implantação de empreendimentos, principalmente, de grande impacto. A complexidade e
característica própria de cada reservatório como ecossistema exige estudos
e
monitoramentos de longa duração, para que se possam avaliar i mpactos decorrentes de
futuras atividades antrópicas e otimizar usos no reservatório e seu entorno.
8.2
Programa de Manejo dos Recursos Pesqueiros
Este programa objetiva a exploração dos recursos pesqueiros no entorno do
reservatório e atividades de produção d e biomassa (peixamento e piscicultura). Ele deverá
ocorrer paralelamente aos estudos da ictiofauna local, propostos no programa anterior, para
que se desenvolvam técnicas de proteção e uso racional daqueles recursos, evitando
depleção dos estoques pesqueir os e prejuízos no seu setor produtivo (processamento e
comercialização). O programa deverá, também, indicar com maior precisão locais
adequados para o desenvolvimento daquelas atividades e abordar a organização da
comercialização dos pescados, para que os mesmos tenham infra-estrutura adequada de
transporte e conservação do produto.
Cabe às prefeituras municipais e associações de pescadores que mostrem interesse
para tal, a implantação deste programa.
A COPEL poderá dar apoio a este programa, utilizando -se da infra-estrutura da
Estação Ictiológica de Segredo, o que reforça a necessidade de reformulação desta
unidade, de forma que a mesma assuma oficialmente o caráter de "Estação Ictiológica do
Rio Iguaçu", como proposto no Plano Diretor de Segredo (AMBIOTECH , 2002).
Outros possíveis colaboradores para este programa poderão ser a Empresa
Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER/PR, a Secretaria de
Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMA, Secretaria de Estado da Agricultura
e Abastecimento - SEAB, Instituto Ambiental do Paraná - IAP, Universidade Federal do
Paraná - UFPR e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA.
8.3
Programa de Manejo dos Solos para a Agricultura
O diagnóstico ambiental no ent orno do reservatório mostra que o relevo bastante
movimentado é um dos fatores de restrição ao uso dos solos para agricultura
(especialmente mecanizada) em boa parte do mesmo. O manejo inadequado, através de
DPRA/DVMA
119
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
técnicas que levam ao esgotamento da capacidade produtiva dos solos, do uso de
agrotóxicos (não recomendado para o entorno do reservatório pelos prejuízos que decorrem
para usos múltiplos das águas) e a destruição da vegetação ciliar (ocupação da área
marginal de preservação permanente), requerem um pro grama que auxilie os agricultores
da região na adoção de práticas conservacionistas. Entre estas, deverá ser estimulada a
agricultura orgânica, a fruticultura em áreas de maior declividade e o respeito às Áreas de
Preservação Permanente.
Este programa deverá ser desenvolvido através de convênios entre as prefeituras
municipais e Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Empresa Paranaense
de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER/PR, Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária - EMBRAPA, com o apoio da COPEL.
O programa estadual "Paraná Biodiversidade" poderá ser compatibilizado, desde que
práticas de agricultura sustentável favorecerão a implantação de corredores verdes no
entorno do reservatório e ao longo do rio Iguaçu. Da mesma form a, o programa "Terra
Limpa", que se constitui mais uma ação para o desenvolvimento sustentado rural do Estado
do Paraná, objetivando a coleta e destinação adequada de resíduos agrotóxicos gerados no
campo, poderá gerar subsídios para este programa.
8.4
Programa de Recuperação de Áreas Degradadas
Este programa deverá promover a identificação das áreas degradadas no entorno do
reservatório, especialmente pela agricultura, exploração madeireira e extração de areia
(cavas) e sua recuperação através do reflorestamen to e enriquecimento vegetal com
espécies nativas da região. Nos dois primeiros casos, experiências mostram que a
regeneração natural, mediante o efetivo abandono do uso do solo, é a mais adequada.
Ações pertinentes a este programa, além de essenciais para a formação dos
corredores de biodiversidade, contribuirão para melhoria da paisagem local, para redução
de processos erosivos, manutenção da qualidade das águas do reservatório e aumento da
sua vida útil.
O Instituto Ambiental do Paraná - IAP, com apoio do Batalhão da Polícia Florestal BPFlo e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA,
deverão promover a identificação das áreas degradadas no entorno do reservatório,
especialmente relacionadas à extração de areia, as quais se encontram em condições
bastante críticas. Os proprietários de imóveis lindeiros, exploradores destes e de outros
DPRA/DVMA
120
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto
recursos, são responsáveis pela sua recuperação, cabendo ao IAP a efetiva fiscalização e
punição.
A reposição florestal, no Estado do Paraná, conta com o Sistema Estadual de
Reposição Florestal Obrigatória - SERFLOR, o Programa de Florestas Municipais e o
Programa Estadual de Desenvolvimento Florestal - PRODEFLOR. A produção de mudas é
feitas nos viveiros do IAP, com o objetivo de incent ivar reflorestamentos conservacionistas e
de produção, tendo apoio da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural
- EMATER. Parcerias poderão ser estabelecidas, também, com a COPEL para o
fornecimento de mudas provenientes do Horto Florestal localizado em Faxinal do Céu
(distrito de Pinhão).
Ações neste sentido podem ser compatibilizadas com o Projeto "Paraná
Biodiversidade", que prevê a implantação dos corredores ecológicos através do Estado. O
projeto já tem verba assegurada de US$ 15 milhõ es, repassados ao Governo do Estado a
fundo perdido, pelo Banco Mundial (Global Environmental Found - GEF).
No âmbito nacional, há um projeto alavancado com o mesmo objetivo para a Floresta
Amazônica e Mata Atlântica, envolvendo o Ministério do Meio Ambien te - MMA, o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e as agências
ambientais estaduais. O financiamento, de US$36 milhões, será realizado pelo Fundo
Fiduciário para as Florestas Tropicais - Rain Forest Trust Fund, o governo alemão, a
comissão européia e fundos de contrapartida do governo brasileiro. Assistência técnica será
fornecida pela Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ).
8.5
Programa de Recuperação e Manutenção de Reservas Legais Florestais
Este programa objetiva regularizar a implantação das Reservas Legais Florestais,
levando-se em consideração que grande parte dos proprietários rurais desconhece ou
desrespeita a exigência legal ditada pela Lei nº 7.803 de 18/7/1989, que acrescentou ao
Código Florestal a exigê ncia de uma reserva legal, de no mínimo 20% das propriedades
rurais.
Ele deverá constar de uma fase de cadastramento das propriedades existentes no
entorno de 1000 m e avaliação da situação no que diz respeito à existência desta reserva.
Após a realização deste cadastro as propriedades em desacordo deverão assinar um
termo de compromisso junto ao IAP, onde será estabelecido um cronograma de adequação,
DPRA/DVMA
121
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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conforme preconiza o Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva
Florestal Legal e áreas de P reservação Permanente no Estado do Paraná - SISLEG.
Cabe ao IAP a responsabilidade do cadastramento, fiscalização (Portaria nº
100/99/IAP/GP). Este órgão ambiental poderá buscar o apoio da EMATER/PR e da
Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimen to - SEAB.
A COPEL poderá propor, como permuta, áreas de sua propriedade que apresentam
preservação de remanescentes florestais (como a Mata do Rio Jacutinga e a Reserva
Biológica (não legalizada) do Faxinal do Céu), compensando os impactos decorrentes da
formação do reservatório e diminuindo, desta forma, o percentual das propriedades rurais a
ser destinado para as reservas legais. Esta ação é prevista na legislação estadual e refere se a Imóvel com Reserva Florestal Legal Cedida.
8.6
Programa de Manejo da Fau na e Flora Terrestres
A carência de informações atuais sobre as condições da fauna e flora terrestres no
entorno do reservatório de Foz do Areia leva à necessidade da realização de inventários e
explorações científicas neste sentido.
Este programa deverá p romover um levantamento das espécies da fauna e flora
existentes no entorno de 1000 m, com o objetivo de subsidiar seu manejo e conservação.
Especial atenção com relação à fauna deverá ser dada às espécies -chave, pois sua
presença é indicativa de várias ou tras, e às oficialmente ameaçadas de extinção, como a
jacutinga, o macuco, o gavião -pombo e o cuiu-cuiu, entre outras.
Informações obtidas através destes estudos fornecerão subsídios para uma melhor
identificação de locais propícios à conservação da biodi versidade. O adequado manejo dos
remanescentes florestais permitirá o livre fluxo da fauna e, conseqüentemente, a dispersão
de espécies (dispersão genética) e a recolonização de áreas degradadas.
Estes objetivos vão ao encontro do programa estadual que pro põe a implantação dos
"Paraná Biodiversidade" ou "Rede da Biodiversidade" através da SEMA e IAP (e respectiva
Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas - DIBAP).
Caberá a COPEL colaborar com o referido programa dispondo da infra -estrutura do
Horto Florestal e Reserva Biológica (Faxinal do Céu), assim como Organizações Não
Governamentais, tal qual a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação
Ambiental - SPVS.
DPRA/DVMA
122
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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8.7
Programa de Ecoturismo e Turismo Rural
O relevo típico de planalto e a presença de rem anescentes da Mata de Araucária na
região de Foz do Areia, a conservação ambiental e o paisagismo alcançado na Vila do
Faxinal do Céu, além de sua infra -estrutura já preparada, e a beleza cênica do lago
(reservatório) e sua possibilidade de usos para lazer , determinam grande potencial para o
desenvolvimento turístico na região.
O objetivo deste programa é identificar entre as propostas feitas neste Plano
Ambiental, atividades turísticas mais promissoras, avaliar as necessidades em termos de
infra-estrutura e promover sua implantação. Além disto, levantar possíveis impactos
ambientais decorrentes e elaborar medidas preventivas e de mitigação, tais como, as
relacionadas à coleta e destinação adequada de resíduos, tratamento de efluentes,
manutenção da qualidad e das águas, educação ambiental, entre outras, seguindo as
diretrizes elaboradas para os diversos usos no presente Plano Ambiental. É importante,
também, que este programa contemple a divulgação do potencial turístico local, destacando
a importância da manutenção da qualidade ambiental local.
O "Estudo de Viabilidade Mercadológica: oportunidades para o desenvolvimento
turístico de Foz do Areia" realizado pela COPEL poderá subsidiar este programa, pois nele
constam o perfil do turista -alvo, atrativos turísticos da região, produtos, sugestões para
roteiros, passeios, trilhas, entre outras informações.
Cabe ao Governo do Estado, juntamente com as prefeituras municipais, a
elaboração deste programa. O mesmo poderá ser integrado ao Programa de
Desenvolvimento do Turismo da Região Sul - PRODETUR SUL, uma vez que ele beneficia
o Estado do Paraná, entre outros, com mais de R$ 400 milhões, que serão aplicados com a
finalidade de desenvolver o turismo nestes estados. Dos recursos, 60% serão provenientes
do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, outros 40% serão de encargo dos
governos estaduais e 10% da União.
8.8
Programa de Ampliação do Saneamento Básico e Ambiental
O diagnóstico ambiental da área de estudo mostra que o reservatório e os recursos
hídricos afluentes ao mesmo sofrem influência das condições precárias de saneamento
básico e ambiental nos municípios de entorno, especialmente no que diz respeito à
disposição inadequada de resíduos sólidos urbanos, esgotos sanitários e industriais. Rios
que atravessam as sedes municipais e que desembocam no reservatório, encontram -se
seriamente poluídos e contaminados pelo lançamento de lixo e despejos de toda natureza
DPRA/DVMA
123
Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório
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nas suas águas, sem o devido tratamento. Contatos com as prefeituras municipais
identificaram que a ampliação dos benefícios do saneamento básico e ambiental é um dos
grandes anseios das mesmas.
Cabe ao Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos - SEMA, Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e
Saneamento Ambiental - SUDERHSA e Companhia de Saneamento do Paraná
-
SANEPAR, o desenvolvimento de programas para ampliação do saneamento básico para
todos os municípios do Paraná, em conjunto com as prefeituras municipais.
Estes podem ser compatibilizados ao Projeto Saneamento Ambiental do Paraná PROSAN, desde que estenda seus objetivos além da região metropolitana de Curitiba e
Litoral. Da mesma forma, poderão estar em consonância com o programa estadual Pró Saneamento - Modalidade: Resíduos Sólidos, em desenvolvimento através da parceria da
SUDERHSA com a Caixa Econômica Federal. Este possibilitará a destinação adequada de
resíduos urbanos eliminando os lixões existentes, que são causadores de sérios problemas
ambientais e sanitários. Este programa prev ê o atendimento de cerca de 54% do Estado.
Dentre as ações em desenvolvimento estão englobadas a elaboração de projetos e
execução de aterros sanitários e ainda, a implantação de barracões de separação de
materiais recicláveis equipados com prensas, que pe rmitirão o desenvolvimento de
programas de coleta e seletiva e reciclagem.
O programa estadual "Terra Limpa" também poderá ser acionado, pois objetiva a
destinação adequada de embalagens de agrotóxicos e está contemplado nas verbas
recebidas pelo Estado do Paraná, recentemente, através do Banco Mundial. Da mesma
forma, os programas Paraná Urbano e Paranacidade, também prevêem captação de
recursos financeiros para aplicação no processo de desenvolvimento urbano e regional do
Estado do Paraná, com o objetivo de melhorar a qualidade e aumentar a oferta de serviços
sociais urbanos, dentre eles o saneamento básico.
Complementarmente, os objetivos almejados pelos municípios poderão ser
garantidos nas ações da comissão especial da Câmara Federal, que discute as nov as
regras do saneamento básico no País e que começa a se articular para garantir a
aprovação, no início de 2003, do Projeto de Lei 4.147/01. Este trata da universalização do
serviço, regulamenta o setor e estabelece a titularidade das concessões de água e esgoto.
DPRA/DVMA
124
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8.9
Programa de Comunicação Social
O programa de comunicação social tem por objetivo estabelecer vias de
comunicação entre o empreendedor e os diversos segmentos e atores envolvidos no Plano
Ambiental.
A desinformação é uma das grandes causas de geraç ão de conflitos e uma das
principais responsáveis pelo desrespeito às leis ambientais e pela exploração inadequada e
degradação dos recursos naturais, especialmente entre populações de menor renda.
Constitui-se, também, uma deficiência para os cidadãos que desejam lutar pelos seus
direitos com relação a um meio ambiente saudável.
A comunicação social diz respeito à difusão de conhecimentos, informação,
treinamento, educação ambiental e conscientização ecológica sobre a importância vital que
tem para os ecossistemas aquático e terrestre, a obediência à legislação e às diretrizes
estabelecidas neste Plano Ambiental, com relação ao aproveitamento do potencial de usos
múltiplos do reservatório. A gestão integrada, envolvendo prefeituras, empresas, população
e órgãos de fiscalização ambiental, necessária para o desenvolvimento de atividades
diversas no reservatório, não se efetivará se não for estabelecido um canal de comunicação
entre estas partes.
Desta forma, o desenvolvimento do programa de comunicação social caberá a todos
aqueles segmentos, através dos meios de ampla difusão (rádio, televisão), da realização de
reuniões e palestras, distribuição de panfletos, cartazes, possibilitando trocas de informação
e, até, denúncias sobre a ocorrência de atividades agre ssivas ao meio ambiente na região.
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9
PLANO DE AUTO MONITO RAMENTO
De acordo com as "Diretrizes para elaboração de planos de uso e ocupação das
águas e do entorno de reservatórios de usinas hidrelétricas e de manancial de
abastecimento público" divulgado pelo Instituto ambiental do Paraná - IAP, o programa de
automonitoramento visa à realização de uma auditoria permanente por parte do
empreendedor, através de observações, monitoramentos e avaliações, que possam
contribuir para ações de fiscalização e de manute nção do controle ambiental por parte do
referido órgão ambiental. Uma ação integrada neste sentido, permitirá que se avalie o
comportamento do reservatório frente aos diversos usos implantados no mesmo, assim
como a eficácia das medidas e diretrizes propos tas neste Plano Ambiental.
O automonitoramento deverá dar um enfoque especial ao controle da qualidade da
água, um bem público, de utilizações múltiplas, portanto de especial interesse às
comunidades do entorno, assim como à COPEL Geração. O monitoramento neste sentido
permitirá que se detectem alterações decorrentes não só de atividades que se desenvolvem
no entorno próximo ao reservatório, mas no âmbito da sua respectiva bacia hidrográfica.
Este objetivo poderá ser alcançado através da compatibilização d o automonitoramento ao
programa de monitoramento do ecossistema aquático anteriormente proposto, que deverá
envolver variáveis limnológicas físicas, químicas e biológicas (incluindo a icitiofauna), assim
como hidrológicas, antecedendo e acompanhando o dese nvolvimento de novas atividades
no entorno do reservatório. No momento em que se obtiver o conhecimento adequado do
ecossistema aquático e o controle sobre o mesmo, o automonitoramento seguirá
independentemente do término do referido programa, com avaliaçõ es que poderão ser
restritas a períodos de seca e de cheias.
Ainda como parte do automonitoramento, a COPEL deverá dar continuidade aos
relatórios de inspeção anual que vem realizando na área do reservatório, desde 1999,
registrando invasões, inadequações nos usos dos solos e erosão. O "Cadastro de
Confrontantes", resultado da última investigação realizada em 2001, e a implantação de um
sistema geográfico de informações, deverão servir como base para o controle de novas
ocupações, tanto na faixa de seguranç a, quanto na faixa marginal de preservação
permanente, indevidas e proibidas por este Plano Ambiental. Tais irregularidades, assim
como ações de degradação ambiental que vierem a ser observadas, deverão ser relatadas
ao IAP e/ou outro órgão competente, par a as devidas providências.
DPRA/DVMA
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10 OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO AMBIENTAL
A operacionalização do Plano Ambiental do entorno do reservatório de Foz do Areia
diz respeito à aplicação das diretrizes e regulamentações nele contidas, para o adequado
aproveitamento do potencial de usos múltiplos do referido reservatório, com envolvimento de
diversos atores no cenário de sua gestão.
Ou seja, a operacionalização deverá ser viabilizada pela gestão integrada através de
um Comitê Gestor, tal qual se prevê nos Comitês de Bacias , com a participação e assunção
de responsabilidades por parte do Ministério Público, Governo do Estado, prefeituras
municipais envolvidas, concessionária de energia (COPEL), empresas, ONGs e
comunidade.
A COPEL, como detentora da concessão pelo uso do res ervatório e, portanto, a
principal responsável pela sua integridade, deverá ser comunicada de toda e qualquer ação
relacionada à implantação e/ou implementação de usos para as águas e solos no seu
entorno.
O quadro 3 mostra um resumo das principais institu ições envolvidas, possíveis
colaboradores e programas estaduais e nacionais correlatos aos programas propostos neste
Plano Ambiental.
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Quadro 3 - Matriz da Operacionalização do Plano Diretor do Reservatório de Foz do Areia
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EQUIPE TÉCNICA
COORDENAÇÃO GERAL
Luiza Helena Lopes Ribeiro,
Bioquímica, Esp. Mestranda CRF – 9 NO. 1676
____________________________________
COORDENAÇÃO TÉCNICA
Regina Tiemy Kishi,
Engª Civil, Drª. CREA NO. 54837/D-PR
____________________________________
CONSULTORES DO MEIO FÍSICO
Irani dos Santos,
Geógrafo MSc.
____________________________________
Regina Tiemy Kishi,
Engª Civil, Drª. CREA N O. 54837/D-PR
____________________________________
Sandra Mara Alberti,
Química, Drª. CRQ – 09100095 O. 1676
____________________________________
Soraia Giordani,
Engª Civil, MSc. CREA NO. 50530/D-PR
____________________________________
CONSULTORES DO MEIO SÓCIO – ECONÔMICO
Carla Valesca de Moraes,
Socióloga DRT 255/PR
____________________________________
Carlos Simione,
Sociólogo DRT 233/PR
____________________________________
Peno Ari Juchem,
Economista Esp. CORECON N O 789-7
____________________________________
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CONSULTORES DO MEIO BIOLÓGICO
Luiza Helena Lopes Ribeiro,
Bioquímica, Esp. Mestranda CRF – 9 NO. 1676
____________________________________
Soraia Giordani,
Engª Civil, MSc. CREA NO. 50530/D-PR
____________________________________
CONSULTOR JURÍDICO
Karina Aparecida da Cruz Domingues,
Advogada OAB/PR N O 13977
____________________________________
APOIO OPERACIONAL
Maria Cecília Zampoli Schafhauser,
Administradora
____________________________________
ESTAGIÁRIOS
André Nagalli,
Engª Civil
____________________________________
Dalton L. B. Pereira Filho,
Engª Civil
____________________________________
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