CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA THAIS CRISTINI BASTOS ORTEGA LOGÍSTICA REVERSA O RERREFINO DO ÓLEO LUBRIFICANTE LINS/SP 2º SEMESTRE/2014 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA THAIS CRISTINI BASTOS ORTEGA LOGÍSTICA REVERSA O RERREFINO DO ÓLEO LUBRIFICANTE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antonio Seabra, para obtenção do Título de Tecnólogo(a) em Logística. Prof. Me. Euclides Reame Junior LINS/SP 2º SEMESTRE/2014 THAIS CRISTINI BASTOS ORTEGA LOGÍSTICA REVERSA O RERREFINO DO ÓLEO LUBRIFICANTE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antonio Seabra, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Tecnólogo(a) em Logística sob orientação do Prof. Me. Euclides Reame Junior. Data de aprovação: ___/___/___ ______________________________ Prof. Me. Euclides Reame Junior ______________________________ Prof. Me. Sandro da Silva Pinto ______________________________ Prof. Me. Sílvio Ribeiro 3 LOGÍSTICA REVERSA – O RERREFINO DO ÓLEO LUBRIFICANTE ThaisCristini Bastos Ortega1 Prof. Me. Euclides Reame Junior2 1 Acadêmica do curso de Tecnologia em Logística da Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra – Fatec, Lins-SP, Brasil 2 Docente do curso de Tecnologia em Logística da Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra –Fatec, Lins-SP, Brasil RESUMO A logística reversa de pós-consumo (LRPC) tem por objetivo reduzir e operacionalizar o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela sociedade em geral que retornam ás empresas por meio de canais reversos, por motivos diversos destacados no artigo que se segue. As empresas buscam, através da logística reversa de pós-consumo, dar uma nova utilidade ao produto já consumido, que terá características iguais ou diferentes ao do produto anterior. Neste contexto, o presente artigo tem como objetivo mostrar as etapas do processo de rerrefino e a de logística reversa de pós-consumo desse setor em uma empresa de rerrefino que é a categoria de processos industriais de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos dos óleos lubrificantes usados ou contaminados, conferindo aos mesmos, características de óleos básicos, principal matéria-prima do óleo lubrificante. A metodologia utilizada foi revisão bibliográfica seguida do analise dos materiais anexados ao email enviado pela responsável do setor de relações institucionais e meio ambientes da empresa de rerrefino relatada nesse artigo. Será apresentado também nesse artigo o mercado do óleo lubrificante, seu cenário econômico, benefícios ambientais através da reciclagem, e as leis que regulamentam a prática do rerrefino e o processo industrial de rerrefino da empresa, para a obtenção do óleo básico, sendo a única a fabricar o óleo do Grupo II, da classificação estabelecida pelo American Petroleum Institute (API), com grupos que são classificados de I a V, em conformidade com as especificações estabelecidas pela ANP (Agencia Nacional de Petróleo). Palavra-Chave: Logística. Logística reversa. Pós-consumo. Rerrefino. ABSTRACT Reverse logistics of post-consumer ( LRPC ) aims to reduce and operate the physical flow and the corresponding information of post- consumer goods discarded by society in general returning to companies through reverse channels for various reasons highlighted in Article below. Companies seek , through reverse logistics post-consumer , give a new use to the product already consumed , which will have the same characteristics or different to the previous product . In this context , this article aims to show the stages of re-refining process and the reverse logistics of post- consumption of this sector in a re-refining company that is the category of industrial processes of removing contaminants , degradation products and additives of used lubricating oils or contaminated , giving to them, base oils characteristics , the main raw material of lubricating oil. The methodology was then literature review of the analysis of material attached to the email sent by the head of institutional relations sector , and environments of re-refining company reported in this article. Will also be presented in this article the lubricating oil market , its economic 4 scenario, environmental benefits through recycling , and the laws governing the practice of re-refining and industrial process of re-refining company , to obtain the base oil , the only being manufacture oil Group II , the classification established by the American Petroleum Institute ( API ) , with groups that are classified from I to V , in accordance with the specifications set by ANP ( National Petroleum Agency ) . Keyword: Logistics. Reverse logistics. Post- consumption. Re-refining. INTRODUÇÃO Observa-se que o ciclo de vida dos produtos está cada vez mais curto em virtude de novos modelos que tornam os anteriores ultrapassados. Isso gera resíduos, produtos no final de sua vida utilizem uso ou já consumidos que retornam de alguma forma para o ciclo produtivo ou de negócio na busca pela recuperação de valor de alguma natureza (LEITE, 2009). Quem produz deve responsabilizar-se também pelo destino final dos produtos gerados, de forma a diminuir os impactos ambientais. (GARNEIRI, 2013). Neste cenário, a logística reversa cuida dos fluxos de materiais que começam no ponto de aquisição dos produtos e termina nos pontos de origem, com o objetivo de recapturar valor ou de disposição final. Esse processo reverso é formado por etapas características, envolvendo intermediário, ponto de armazenagem, transporte e esquema financeiros. (NOVAES, 2007). Dentre uma expressiva relação de produtos que podem ser recuperados pela logística reversa de pós-consumo (LRPC) está o óleo lubrificante. Ele serve para reduzir o atrito direto entre uma peça e outra, aumentando a vida útil, servindo também para outras finalidades como lubrificação, refrigeração, vedação e proteção do equipamento. (PESSOA; GERMANO; CASTRO, 2010). O óleo lubrificante não é biodegradável e por isso sua decomposição leva dezenas de anos. Quando descartado de maneira incorreta pode gerar danos ao meio ambiente, por exemplo: apenas 1 litro de óleo usado pode contaminar mais 1 milhão de litros de água, quantia que uma pessoa leva 14 anos para consumir; a queima indiscriminada do produto gera gases tóxicos que podem provocar doenças graves e agravar o efeito estufa. (LWART LUBRIFICANTES, 2014). Contudo, é relevante considerar que o óleo lubrificante pode ser reciclado pelo menos oito vezes sem perder a qualidade original, e levando em conta o índice de extração de 5% de petróleo bruto, ou seja, de cada 5 litros de óleo reciclado o país deixa de importar 100 litros de óleo bruto (LEITE, 2009). Diante do exposto, propôs-se este trabalho de pesquisa. O objetivo deste artigo é mostrar as etapas do processo de rerrefino e a de logística reversa de pós-consumo desse setor em uma empresa de rerrefino que é a categoria de processos industriais de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos dos óleos lubrificantes usados ou contaminados, conferindo aos mesmos, características de óleos básicos, principal matéria-prima do óleo lubrificante. A metodologia utilizada foi revisão bibliográfica seguida do analise dos materiais anexados ao email enviado pela responsável do setor de relações institucionais e meio ambientes da empresa de rerrefino relatada nessa artigo. Como resultado, obteve-se uma compreensão expressiva dos danos que o descarte indevido do óleo lubrificante pode causar ao meio ambiente e sua importância para a economia do país. 1 CONTEXTUALIZANDO SOBRE LOGÍSTICA As atividades logísticas são utilizadas pela humanidade desde os tempos antigos. Os produtos eram anteriormente consumidos perto do local de origem e armazenados para serem consumidos posteriormente. Devido ao sistema precário só podiam 5 permanecer armazenados próximos das fontes de produção, limitando o consumo de mercadorias. (BALLOU, 2010). Entendida como uma das mais antigas e inerentes atividades humanas, a missão da logística é disponibilizar bens e serviços gerados por uma sociedade, nos locais, nas quantidades e na qualidade em que atendem ás necessidades de seus utilizadores, (LEITE, 2009). Conforme Novaes (2007), a logística empresarial evoluiu consideravelmente desde seus primórdios. Agrega valor de lugar, tempo, qualidade, e de informações à cadeia produtiva. Além de procurar eliminar tudo que acarreta custo e perda de tempo, buscando a otimização dos recursos. O mesmo autor dividiu a evolução em quatro fases, nomeadas de atuação segmentada, integração rígida, integração flexível, e integração estratégica, que diz respeito ao SCM - Supply Chain Management (Gerenciamento da Cadeia de Suprimento), como mostra a figura 1.1. Figura 1.1 - Evolução do pensamento logístico Fonte: Adaptado de Fleury; Figueiredo, Wanke, 2009, p. 51. Christopher (2007) definiu a logística como um processo de gerenciamento estratégico de compra, transporte, armazenagem, além dos fluxos de informações relacionadas, de modo que a lucratividade atual e futura seja maximizada mediante a entrega de produtos com o menor custo associado. Segundo Fleury; Figueiredo e Wanke (2009), logística é a parte do gerenciamento da cadeia de suprimentos responsável pelo planejamento, implementação e controle eficaz do fluxo de armazenagem de bens ou serviços e informações relacionadas, do ponto de origem até o ponto de consumo, com vista ao atendimento das necessidades dos clientes. Para Hara (2011), logística é uma atividade que faz parte importante de qualquer empresa ou instituição, em maior ou menor grau, sendo ás vezes parte fundamental ou suporte à atividade principal, o que implica que algum arranjo estrutural deverá ser feito 6 para gerenciar estoque ou estoque em trânsito. Desta forma, a logística está presente em todos os momentos da cadeia produtiva. Pozo (2010, p.9) descreve: “A atividade logística deve ser vista por meio de duas grandes ações que são denominadas primárias e de apoio”. Segundo Ballou (2010) para atingir os objetivos logísticos de custos e níveis logísticos as atividades primárias são de extrema importância, essas atividades são: transporte, manuseio de estoque e processamento de pedidos. Sobre manuseio de estoque Arnold (2009) afirma: Os estoques são materiais e suprimentos que uma empresa ou instituição mantém, seja para vender ou para fornecer insumos ou suprimentos para o processo de produção. Todas as empresas e instituições precisam manter estoques. Frequentemente, os estoques constituem uma parte substancial dos ativos totais. (ARNOLD, 2009, p.247). Para Fleury, Wanke e Figueiredo (2009) a definição de uma política de estoque está ligada às tomadas de decisões como: quanto pedir, quando pedir, quanto manter em estoque de segurança e onde localizar. O processamento de pedidos é a atividade primária mais importante segundo Pozo (2010), pois os elementos críticos estão relacionados ao tempo necessário para levar bens e serviços aos clientes, á administração dos recursos logísticos disponíveis. É atividade que dá partida ao processo de movimentação e de materiais e produtos bem como a entrega desses serviços. Para Ballou (2010) os custos com processamento de pedidos são menores em comparação com os custos das atividades de transporte ou a manutenção de estoques. E define os processamentos de pedidos como: A entrada e o processamento de pedidos referem-se àquelas atividades envolvidas na coleta, verificação e transmissão de informações de vendas realizadas. Englobam todos os trabalhos burocráticos associados à venda dos produtos ou serviços da firma. Estas atividades podem ser facilmente identificadas pelo exame de um ciclo do fluxo típico de informações. (BALLOU, 2010, p. 261) “Apesar de transportes, manutenção de estoques e processamento de pedidos serem os principais ingredientes que contribuem para a disponibilidade e a condição física de bens e serviços, há uma série de atividades adicionais que apoiam estas atividades” (BALLOU, 2010, p. 26). As atividades consideradas de apoio são: armazenagem, manuseio de materiais, embalagem de proteção, obtenção, programação de produtos e manutenção de informação (BALLOU, 2010). Hara (2011) explica a diferença entre armazenagem e estoque: Armazenagem é a denominação genérica e ampla que inclui todas as atividades de um ponto destinado à guarda temporária e à distribuição de materiais incluindo a determinação do número de depósito, almoxarifados ou centro de distribuição. Enquanto estoque é uma das atividades do fluxo de materiais no armazém e o ponto destinado à localização estática dos materiais. Dentro de um armazém podem existir vários pontos de estocagem. (HARA, 2011, p.112). Fleury, Wanke e Figueiredo (2009) explicam que os clientes procuram os produtos de que necessitam não importando se os produtores estão pertos ou não, por isso a atenção volta-se para as instalações e armazenagens e como elas podem atender ás metas das empresas. Os mesmo autores classificam armazenagem em dois grupos denominados: estruturas escalonadas, que são redes de distribuição escalonadas que 7 possui um ou mais armazém centrais ou CDs próximos ás áreas de mercado ou “estruturas diretas que são sistemas de distribuição que os produtos são expedidos de um ou mais armazéns centrais diretamente para os clientes” (FLEURY, WANKE e FIGUEIREDO, 2009, p. 154). Outra atividade de apoio que está associada com a armazenagem e à manutenção de estoque é o manuseio de materiais, no qual é descrito por Pozo (2010) como: Essa atividade envolve a movimentação de materiais no local de estocagem, que pode ser tanto estoques de matéria-prima como de produtos acabados. Pode ser a transferência de materiais dos estoques para o processo produtivo ou deste para o estoque de produtos acabados. Pode ser também a transferência de um depósito para outro (POZO, 2010, p. 12). Ballou (2010) explica que essa atividade de apoio também é executada no transbordo entre modais de transporte. O interesse desta atividade concentra-se na movimentação rápida e de baixo custo das mercadorias. Hara (2011) divide a embalagem em duas categorias. A primeira denominada primária ou embalagem de proteção serve par acondicionar o produto contendo informações do produto como as características, prazo de validade, modo de acondicionamento. A embalagem secundária nem sempre existe e é descartada quando o usuário vai utilizar o produto, essa embalagem tem função apelativa, pois é nela que as empresas se preocupam com o marketing, vitrinismo para chamar a atenção do cliente para a aquisição do produto. O autor descreve que a embalagem serve para armazenar, identificar e despachar o produto para transporte (HARA, 2011). A obtenção ou aquisição pode ser vista como a extensão da programação de produção que gera informações de quando e quanto comprar. O administrador em logística as deve considerar as seguintes decisões de obtenção e seus impactos nos custos e desempenho logístico: quantidade a serem obtida programação de compras, localização dos fornecedores e forma física das mercadorias (HARA, 2011). A programação de pedidos é descrita por Pozo (2010) como a atividade de apoio que envolve o planejamento das quantidades que devem ser produzidas, bem como quando, onde e por quem devem ser fabricados. É a base que servirá de informação á programação da produção dentro da fábrica, permitindo assim o cumprimento dos prazos exigidos pelo mercado. Ballou (2010) explica que essa atividade diferente da atividade de obtenção que trata dos fluxos de entradas, a programação lida com as saídas,ou seja, a distribuição. E cita os conceitos básicos em programação de produção como: as entradas, nas quais deve se estimar a demanda presente e futura, lista de materiais que refere- se à lista de materiais e peças além dos códigos de identificação, tempo de carência ou lead time, para atender a demanda no prazo planejado, e por fim os custos que são os mesmos usados para controle de estoque. Sobre manutenção de informação Ballou (2010) descreve: Nenhuma função logística poderia operar eficientemente sem as necessárias informações de custos e desempenho. Tais informações são essenciais para correto planejamento e controle logístico. Manter uma base de dados com informações importantes como localização dos clientes, volume de vendas, padrões de entrega e níveis de estoques, apoia a administração eficiente das atividades primárias e de apoio. (BALLOU, 2010, p.27) 8 Fleury, Wanke e Figueiredo, (2009) citam três razões que justificam a importância da informação na logística. A primeira refere-se ás informações que os clientes necessitam sobre status do pedido, disponibilidade de produtos, programação de entrega e fatura, a segunda razão refere-se ás metas de redução do estoque total na cadeia de suprimentos, reduzindo as necessidades de estoque e recursos humanos. Por último “as informações aumentam a flexibilidade, permitindo identificar (qual, como, quando e onde), os recursos que podem ser utilizados para que se obtenha vantagem estratégica” (FLEURY, WANKE; FIQUEIREDO, 2009, p.287). Embora seja fácil pensar em logística com sendo o gerenciador dos fluxos dos produtos dos pontos de aquisição das matérias–primas até chegar ao consumidor final, para muitas empresas existem também um canal logístico reverso que precisa ser igualmente administrado pelas empresas para dar suporte aos clientes, agregando valor (BALLOU, 2010). “É recente a preocupação com relação aos canais de distribuição reversos, ou seja, ás etapas às formas e aos meios em que uma parcela dos produtos, que foram descartados pela sociedade, com pouco uso após a venda, retorna ao ciclo produtivo ou de negócio” (LEITE, 2009, p.6). 2 LOGÍSTICA REVERSA Nas últimas décadas há uma grande variedade de produtos no mercado. Empresas elaboram produtos e modelos específicos para satisfazer segmentos de clientes em variedade de aspecto. Por outro lado observa-se que os ciclos de vida dos produtos estão cada vez mais curto, em virtude de novos modelos que tornam os anteriores ultrapassados. Como resultado, há uma tendência à descartabilidade cada vez mais acentuada dos produtos ainda sem uso ou já consumidos que retornam de alguma forma para o ciclo produtivo ou de negócio na busca pela recuperação de valor de alguma natureza (LEITE, 2009). Sem dúvida os fatores citados contribuíram para a consolidação de práticas sustentáveis no ambiente empresarial e, por sua vez, abriram espaço para que novas ferramentas de logística surgissem no ambiente empresarial, uma das ferramentas que a cada dia tem mais importância é a logística reversa (GARNIERI, 2013) A logística reversa, segundo Leite (2009), é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas, do retorno dos bens de pósvenda e de pós-consumo ao ciclo anterior, por meio de canais de distribuição reversos, agregando valor econômico, de prestação de serviços, ecológico, legal, logísticos, de imagem corporativa, dentre outros, como mostra a figura 2.1.Em Novaes (2007), a L.R cuida dos fluxos de materiais que começam no ponto de aquisição dos produtos e termina nos pontos de origem, com o objetivo de recapturar valor ou de disposição final. Por exemplo, as latas de alumínio, óleo de cozinha. Esse processo reverso é formado por etapas características, envolvendo intermediário, ponto de armazenagem, transporte e esquema financeiros. Para Caixeta-Filho e Martins (2010), a L.R representa todos os assuntos relacionados com as atividades logísticas cumpridas, com o objetivo da redução, reciclagem, substituição, reuso de materiais e disposição final, observando os aspectos ambientais. Garnieri (2013) refere-se à L.R como logística verde ou sustentável e descreve que o principal objetivo da logística reversa é atender os princípios de sustentabilidade do ‘berço á cova’ ou do ‘berço ao berço’. Na responsabilidade do ‘berço a cova’, quem produz deve responsabilizar-se também pelo destino final dos produtos gerados, de forma a diminuir os impactos ambientais incinerando-os ou dispondo-os em um aterro sanitário. 9 No entanto esse modelo vem sendo substituído pela responsabilidade do ‘berço ao berço’, o qual propõe que a sociedade continue a consumir e a se desenvolver ao invés de destruir o meio-ambiente, deve alimentar o ciclo biológico da terra e o ciclo tecnológico das indústrias. Nesse contexto o que não pode ser utilizado como nutriente/comida deverá ser quebrado em elementos que possam ser reabsorvidos pelas indústrias como matérias–primas de qualidade (MCDONOUGH; BRANGART apud GARNIERI, 2013, p.22). Leite (2009) entende a L.R sob duas perspectivas. A primeira é a perspectiva estratégica que se refere ás decisões no ambiente social, político e concorrencial. Portando, levando em consideração as características que garantirão competitividade e sustentabilidade ás empresas por meio de recuperação de valor financeiro, seguimento de legislação, prestação de serviços, A segunda perspectiva chamada de operacional refere-se a caracterização do produto logístico, as definições das redes operacionais, localização de origens e destinos, modais de transporte, armazenagem, gestão de estoque, sistema de informações, entre outros aspectos. LogísticaTradicional LogísticaReversa Figura 1.2.2.1 – Logística tradicional e reversa acertar o numero da figura Fonte: Fagundes, Fugihara, Valderrama, 2012, p.92 Leite (2009), também separa os canais de distribuição reversos em logística reversa de pós-venda e logística reversa de pós-consumo. 2.1 FLUXO REVERSO DE BENS DE PÓS-CONSUMO E PÓS-VENDA Com o aprimorar das ferramentas logísticas houve um processo de especialização visando atender uma necessidade crescente de gestão eficiente do fluxo de retorno de produtos e materiais. A partir deste momento o fluxo inverso da cadeia de suprimentos passou a fazer parte das competências logísticas, sem perder seu foco que é a satisfação dos clientes (CAVALIZZI; VALENTE, 2010). Leite (2009)dividiu os canais de distribuição reversos em duas categorias: logística reversa de pós-venda e pós-consumo. A LRPC equaciona e operacionaliza o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela sociedade em geral que retornam ao ciclo produtivo por meio de canais reversos. Objetivo é agregar a um produto constituído por bens inservíveis ao proprietário original ou que ainda possuam condições de utilização, por produtos descartados que chegaram ao fim de sua visa útil e por resíduos industriais. Podem ser destinados ao reuso, remanufatura ou reciclagem (LEITE, 2009). A logística reversa de pós-venda preocupa-se com a operacionalização do fluxo físico e das informações logística correspondentes aos bens de pós-venda que retornam aos diferentes elos da cadeia de distribuição direta por razões comerciais, erros de processamento de pedido, quantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de 10 funcionamento, avarias de transporte, excesso de estoque nos canais de distribuição. O objetivo é agregar valor ao produto (LEITE, 2009). Cavalizzi e Valente (2010) definem essas categorias como: Essas duas grandes áreas da logística reversa, tratadas de forma independente pela literatura, são diferenciadas pelo estágio ou fase do ciclo desta vida útil do produto retornado. Isso porque o diferença se faz necessária, pois o produto logístico, os canais de distribuição reversos em que os produtos percorrem; os objetivos de negócio e, por fim, as técnicas operacionais utilizadas em cada área de atuação, são distintas (CAVALIZZI; VALENTE, 2010, p.2) Segundo Leite (2009) os bens industriais apresentam um ciclo de vida útil de semanas ou de anos e logo após são descartados pela sociedade de diferentes maneiras, constituindo assim os produtos de pós-consumo e os resíduos sólidos em geral. Os bens industriais classificados como duráveis ou semiduráveis, após serem utilizados pelo primeiro possuidor tornam-se produtos de pós-consumo. Cavalizzi e Valente (2010) citam exemplos de bens duráveis como os automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, as máquinas e os equipamentos industriais, edifícios, aviões, navios, etc. e citam os semiduráveis, que apresentam duração média de vida útil de alguns meses, raramente superior a dois anos, as baterias de veículos, óleos lubrificantes, baterias de celulares, computadores e seus periféricos.Os bens descartáveis são citados como: produtos de embalagens, brinquedos, materiais para escritório, suprimentos para computadores, artigos cirúrgicos, pilhas de equipamentos eletrônicos, fraldas, jornais, revistas. Os produtos de pós-consumo se ainda tiverem condições de uso podem ser destinados ao mercado de segunda mão, sendo utilizados diversas vezes como, por exemplo, o comércio de veículos em geral, eletrodomésticos, produtos de informática e vestuário. Nesses casos, portanto, canais reversos de reuso são definidos como aqueles que têm extensão de uso de um produto ou seu componente, sem nenhum tipo de remanufatura (LEITE, 2009). Leite (2009) explica que após os produtos chegaram ao fim de vida útil efetivo podem passar por um dos caminhos de revalorização no canal reverso de remanufaturae o de reciclagem. Remanufatura é o canal reverso no qual os produtos podem ser reaproveitados em suas partes essenciais, mediante a substituição de alguns componentes complementares para ser um produto com a mesma finalidade e natureza original.Reciclagem é o canal reverso de revalorização, no qual, os materiais que formam o produto descartado são extraídos e transformados em matérias-primas secundárias ou recicladas, que serão incorporadas na fabricação de novos produtos. Leite (2009) explica que na impossibilidade de revalorização, os bens de pósconsumo encontram a disposição final em aterros sanitários ou são incinerados. Há várias alternativas para o descarte adequado de resíduos de materiais não utilizados, segundo Cavalizzi e Valente (2010), como embalagens e produtos com componentes químicos de produtos. Entre as alternativas de destinos existem a reciclagem, o reprocessamento e devolução ao mercado, ou ainda, no caso de não haver mais utilidade do material, o descarte em algum depósito definitivo na forma de lixo. O processo de movimentação destas mercadorias se dá através de canais de distribuição especiais. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada pela lei 12.305/2010 define destinação final ambientalmente adequada, destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes entre elas a disposição finaldistribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais 11 específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. A categoria de fluxo reverso denominado canais de distribuição reversos de pósvenda é defina por Cavalizzi e Valente (2010) como os canais de diferentes formas e possibilidades de retorno de uma parcela de produtos, com pouco e nenhum uso, que fluem no sentido inverso, por diversos motivos, geralmente por defeitos.Os fluxos reversos de pós-venda pode se originar de várias formas, por problemas de desempenho do produto ou por garantias comercias, ao mesmo tempo pode se originar em momentos diferentes na cadeia direta, ou seja, do consumidor final para o varejista ou ao fabricante, do varejista ao fabricante, entre as empresas (LEITE, 2009). Outros motivos citados por Leite (2009) são: avarias no transporte denominado problemas de desempenho e os de garantias, enquanto os comerciais são erros nos pedidos, a limpeza de canal nos elos da cadeia de distribuição, os excessos de estoque, o fim de estações, o fim da vida comercial do produto, que se refere a produtos que são substituídos por outros mais atualizados, como os eletrônicos, os estoques obsoletos, qualidade entre outros. 3 PROCESSO DE RERREFINO DO OLEO LUBRIFACANTE USADO E CONTAMINADO (OLUC) NO BRASIL Apesar da periculosidade do óleo lubrificante acabado ou usado, esse produto é fonte da matéria-prima nobre importante e essencial para país. A lei 12.305/10 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNR) prevê a prevenção e redução na geração dos resíduos, para criação de hábitos sustentáveis em proteção ao meio ambiente e propiciar o aumento na reciclagem, reutilização de resíduos sólidos e a destinação ambiental adequada, como descreve: O óleo lubrificante usado ou contaminado é fonte importantíssima da matéria prima essencial que é o óleo lubrificante básico, necessária à formulação do óleo lubrificante acabado e somente encontrado em quantidades significativas no petróleo importado tipo árabe leve (CONAMA 362/2005, p.4) Contudo a gestão adequada deste produto possui importância não só ambiental, mas também econômica, já que pode ser usada como estratégia para a autossuficiência nacional em relação ao petróleo (CONAMA n°362/2005). Por isso órgãos ambientais MMA e reguladores da indústria do petróleo, combustíveis e derivados (ANP e MME) decidiram que o melhor destino para esse resíduo é o rerrefino obrigatório, como descreve Art. 3º da resolução CONAMA n°362/2005 “Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado deverá ser destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino”. Leite (2009) também considera que a reciclagem desse produto é a única alternativa de disposição controlada, sendo evitada a queima devida á emanação de gases de metais pesados. O processo de rerrefino, é considerado de alto desempenho técnico, com baixo índice de rejeitos de processo, garante uma qualidade similar do produto novo, mesmo quando reciclado várias vezes, e constitui um produto de alta reciclabilidade técnica. (LEITE, 2009). A definição de rerrefino está estabelecida no artigo 2° da resolução CONAMA 362/2005: XIV - rerrefino: categoria de processos industriais de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos dos óleos lubrificantes usados ou contaminados, conferindo às mesmas características de óleos básicos, conforme legislação específica. (CONAMA 362/2005, p.2) 12 Segundo Gonçalves (2014) dentro do processo de rerrefino de óleos lubrificantes usados, encontram-se as seguintes etapas: Recebimento e Filtração: O óleo lubrificante usado é descarregado e homogeneizado. Sendo analisado em seguida pelo Controle de Qualidade da empresa responsável conforme diretrizes estabelecidas pelas normas da ABNT e, após a aprovação dessa análise, o produto é filtrado, armazenado em tanques apropriados, localizados dentro de bacias de tancagem providas de contenção. Desidratação: Nesta fase do processo, o óleo lubrificante usado é aquecido até 120ºC para a retirada de água, e até 280°C para a remoção dos compostos orgânicos de cadeias carbônicas de baixo peso molecular. O sistema é provido de uma série de trocadores de calor, que fazem o aproveitamento energético do aquecimento gerado e de frações que necessitam de troca térmica. Evaporação Total: O óleo lubrificante seco proveniente do processo de desidratação é enviado para a unidade de evaporação total. O processo consiste na aplicação de temperatura elevada (acima de 375 ºC), alto vácuo e força centrífuga para a separação das frações mais pesadas contidas no óleo. Estas frações são separadas por evaporação e posteriormente condensadas novamente através de poderosos condensadores. Tratamento Físico-Químico: O óleo proveniente da unidade de evaporação total, já resfriado a temperatura ambiente, ainda possui algumas quantidades de compostos oxidados a serem separados. Para extraí-los, aplica-se um agente floculante, em quantidades ínfimas, que promove a aglomeração dos compostos oxidados que posteriormente decantam, sendo destes separados após algumas horas. Clarificação: O óleo lubrificante proveniente do tratamento físico-químico é bombeado para o sistema de clarificação, onde recebe a adição de agente clarificante. Este processo é responsável pela absorção das partículas que conferem coloração ao mesmo. A temperatura fica na ordem de 350 ºC, além do vapor para o arraste das frações leves que por ventura ainda estejam presente no óleo. Para garantir a qualidade do óleo rerrefinado realiza-se, nesta etapa, as análises laboratoriais que visam atender os Parâmetros de Qualidade. Filtração: O óleo misturado ao agente clarificante passa por um sistema de filtrosprensa e mangas, para a retirada dos particulados. Posteriormente, é feito bombeamento para os tanques de óleo básico, e rerrefinado a temperatura ambiente. Este óleo rerrefinado atende as mais altas exigências de um óleo lubrificante básico mineral. Gestão de resíduos: Todos os resíduos industriais gerados pela indústria podem ser enviados para unidades de co-processamento em fornos de indústria de cimento, devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais competentes. Da mesma forma o tratamento dos efluentes industriais deve ser feito de acordo com as diretrizes pertinentes. 3.1 CENÁRIO DO RERREFINO NO BRASIL Segundo Leite (2010), o Brasil passou por várias fases na regulamentação da reciclagem do óleo lubrificante, que afetou o mercado desse produto e empresas do setor, como mostra a figura 3.1.1. Porém a atividade de rerrefino evoluiu não apenas no volume por ela processado, mas também na sua estrutura tecnológica, isso ocorreu não somente por razões ambientais e econômicas, mas pelo interesse das empresas por certificações e atender os requisitos de sustentabilidade (SANTOMAURO, 2012). Contudo, esse mercado é ameaçado pela enorme concorrência da importação de óleos básicos, como mostra a figura 3.1.1. Muitas vezes esses produtos são subsidiado em seus países de origem, dificilmente rastreáveis para as estatísticas do rerrefino, inviabilizando todos os investimentos voltados à garantia do modelo de logística reversa 13 envolvendo óleos lubrificantes usados e do desenvolvimento sustentável (FRANCOLIN apud SANTOMAURO, 2012). Figura 3.1.1 – Brasil e a dependência dos óleos básicos importados Fonte: Françolin, 2012 Segundo o Sindicato Nacional de empresas distribuidoras de combustíveis e de lubrificantes (SINDICOM), o consumo de óleo básico até junho desse ano foi de 17.414m O Brasil é o quinto maior mercado de lubrificantes no mundo, de quinhentos a seiscentos milhões de litros/ ano, logo, o quinto maior gerador de óleo lubrificante usado (FRANÇOLIN, 2014). Para Françolin (2010) o futuro do setor de rerrefino se prepara para o aumento da capacidade de processamento, absorvendo a capacidade de óleo usado e o aumento da produção de básico rerrefinado do grupo II. Segundo o Sindicato Nacional da indústria de rerrefino dos óleos minerais as empresas associadas a eles somam um total de oito indústrias. Figura 3.1.1 História da regulamentação do rerrefino Fonte: Leite, 2009 – Adaptado pelo autor 14 3.2 POLÍTICA DE RERREFINO Para que o processo de rerrefino aconteça foi estabelecido uma série de regras que envolvem empresários e consumidores que efetuam a troca do óleo lubrificante ou gera óleo lubrificante usado ou contaminado. Foram destacado aqui segundo manual CONAMA 236 (2005) os principais participantes desse processo: 1-Produtores e importadores: pessoas jurídicasque introduzem os óleos lubrificantes acabados no mercado e têm a obrigação legal de coletar e informar ao consumidor os riscos do descarte indevido do resíduo. 2-Revendedores: pessoas jurídicas que comercializam o óleo lubrificante acabado no atacado ou varejo, que dentre outras obrigações, recebem dos geradores (consumidores) o óleo lubrificante usado ou contaminado. 3-Geradores: pessoas físicas ou jurídicas que geram o óleo lubrificante e têm obrigação de entregar esse resíduo ao ponto de recolhimento. 4-Coletores: pessoas jurídicas licenciadas pelo órgão ambiental e autorizadas pelo órgão regulador da indústria do petróleo, para realizar a coleta e entregar ao rerrefinador. 5-Rerrefinador: pessoa jurídica devidamente licenciada para realizar a atividade de rerrefino e tem a obrigação de remover os contaminantes dos resíduos perigosos e produzir óleo lubrificante básico. A resolução ANP n° 19, de 18 de Junho de 2009 estabelece os requisitos necessários à autorização para o exercício da atividade de óleo lubrificante usado ou contaminado, e sua regulamentação. Na qual descreveos direitos do rerrefinador como: de não receber óleo lubrificante em condições que impossibilitem sua reciclagem, exigir do coletor o Certificado de coleta de óleo (CCO), autorização na ANP para a coleta e transporte de óleo, licença do órgão ambiental para transporte e armazenagem e utilizar ou comercializar subprodutos gerados no processo industrial do rerrefino. Igualmente descreve as seguintes obrigações do rerrefinador: a. Receber óleo lubrificante usado ou contaminado exclusivamente de coletores ou outro rerrefinador autorizados pela ANP, b. Comercializar óleo básico rerrefinado apenas com produtores de óleo lubrificante e graxa autorizado pela ANP; c. Emitir o Certificado de Recebimento (CCR), e armazenar por cinco anos para fiscalizações; d. Produzir óleo básico rerrefinado atendendo as especificações da resolução 130 da ANP. e. Enviar informações sobre a movimentação de óleo lubrificante usado ou contaminado e sobre o óleo básico rerrefinado à ANP mensalmente, e ao IBAMA e órgãos ambientais, quando solicitado; e f. Resíduos inservíveis do processo devem ser energizados e destinados com aprovação do órgão ambiental responsável. As sanções se resultam em indenizações, restauração e recuperação de áreas degradas, interdição e apreensão de bens para que não sejam mais utilizados, penas administrativas, assim com condenações criminais. Pessoas físicas ou jurídicas que contribuírem para o dano ambiental respondem pela lei de crime ambiental, lei 9605 de 12 de fevereiro de 1998, com pena de reclusão de cinco ano e multa de até cinquenta milhões de reais. 4 LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS – CONSUMO DO ÓLEO LUBRIFICANTE USADO OU CONTAMINADO Os óleos lubrificantes são substâncias usadas para diminuir os atritos e o desgaste entre partes móveis de um objeto. O setor automotivo, por exemplo, é o maior consumidor 15 de lubrificante, sendo responsável por cerca de 60% do consumo total de lubrificantes no Brasil em 2013, em seguida vem o setor industrial com 30% e os demais setores como naval, ferroviário e aéreo somaram os 10% restantes (DUQUE, 2013). Dependo da aplicação são úteis na refrigeração e a limpeza das partes móveis, entre outras funções que são tão variadas quantas as suas aplicações, pelas quais se apresentam, variando da forma líquida á semilíquida, em viscosidades e outras características (SOHN, 2011).Os óleos lubrificantes representam cerca de 5% do volume total do petróleo refinado, sendo obtidos na destilação do petróleo nas refinarias. São produtos denominados óleos básicos que são destinados à indústria de mistura e envasilhamento, que adicionam os componentes aditivos em função das necessidades tecnológicas para cada tipo de aplicação (LEITE, 2009). O óleo lubrificante acabado é o produto formado a partir de óleos lubrificantes básicos podendo conter aditivos. Os óleos lubrificantes básicos normalmente correspondem de 80% a 90% do volume do produto acabado , sendo a percentagem restante composto por aditivos. O óleo lubrificante é dividido em óleos lubrificantes básicos minerais, que são produzidos diretamente a partir do refino de petróleo, e óleos lubrificantes básicos sintéticos, produzidos através de reações químicas a partir de produtos geralmente extraídos do petróleo (SONH, 2011). No Brasil, quase todo óleo lubrificante básico consumido é de origem mineral, o petróleo brasileiro não é o mais adequado paraobtenção de óleo lubrificante básico. Assim, é necessário importar um tipo de petróleo especial ou o próprio óleo lubrificante básico mineral. Todos os óleos lubrificantes devem atender as especificações técnicas estabelecidaspela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP,e devem possuir registro perante esse órgão( SOHN, 2011). Após o consumo do óleo, inicia-se a cadeia reversa do setor, normalmente em postos de serviço ou coleta, chegando então até a indústria de rerrefino. O impacto do fator logístico é de grande importância devida a localização de fontes e destinos dos produtos. A figura 4.1 mostra a quantidade de municípios que possuem coleta, por região, totalizando 78% dos municípios brasileiros. Para cumprir a legislação ambiental é necessário que a atividade de coleta atinja todos os municípios do Brasil. Figura 4.1 - Coleta por região Fonte: Sindirrefino, 2007 A resolução CONAMA n°362/2005 descreve: 16 Art.6 O produtor e o importador de óleo lubrificante acabado deverão coletar ou garantir a coleta e dar a destinação final ao óleo lubrificante usado ou contaminado, em conformidade com esta Resolução, de forma proporcional em relação ao volume total de óleo lubrificante acabado que tenham comercializado. Em 2012, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério de Meio Ambiente (MMA) definiu uma nova meta de coleta de óleo lubrificante usado ou contaminado válido para as cinco regiões do país durante os anos de 2012 a 2015. (DOURADOS AGORA, 2012). O quadro 4.2 mostra o percentual mínimo de coleta estabelecido pela Portaria Interministerial MMA/MME Nº 59/2012 de 17.02.2012. Quadro: 4.2 - Percentuais mínimos de coleta do OLUC Fonte: Portaria Interministerial MME/MMA Nº 59 DE 17.02.2012 Dos estados brasileiros apenas seis respondem pelo consumo de 70% do volume de lubrificantes comercializados no Brasil, salvo nos períodos de sazonalidade. Não há um estado que tenha um volume maior na geração média de OLUC com relação ao consumo, isso significa que a geração média do OLUC é mais ou menos igual para todos os estados do país, Porém os gráficos mostram estados com índices de coleta superior à meta e outros o volume coletado abaixo da expectativa (FRANÇOLIN, 2013). Françolin (2013) explica que isso pode ocorrer pelo descarte do OLUC no meio ambiente, no qual deveria haver uma ação da Secretaria do Meio Ambiente para combater essa poluição ou o óleo que está sendo coletado não está tendo o destino correto. A agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP) contabiliza exclusivamente os volumes destinados ao rerrefino não levando em conta as utilizações indevidas. A figura 4.3 mostra como é feita a logística reversa do lubrificante usado. Figura 4.3 – Logística Reversa do OLUC Fonte: Lwart Lubrificantes, 2014 17 5. METODOLOGIA O método utilizado foi a pesquisa exploratória e o análise de dados qualitativo, para obter maior informação do tema, através de levantamentos bibliográficos, análise da legislação vigente referentes ao óleo lubrificante usado, processo industrial denominado rerrefino e seu retorno ao mercado de consumo através da logística reversa. A pesquisa bibliográfica é a busca de uma problematizacão de um projeto de pesquisa a partir de referencias publicadas, para análise e discussões das contribuições culturais e cientificas. A consulta nas identificações das fontes na identificação das fontes documentais (documentos audiovisuais, documentos cartográficos e documentos textuais), na analise das fontes e no levantamento de informações. (CARVALHO; CARNEIRO; FERNANDA; SATORATO, 2014). 6. INFORMAÇÕES GERAIS DA EMPRESA A Organização escolhida para o estudo de caso atua na coleta e no rerrefino de óleo lubrificante usado, desde 1975, é a maior da América Latina no setor de coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado e recebeu o registro nº 1 de coletor autorizado da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A empresa possui duas unidades fabris, a matriz em Lençóis Paulista (SP), e a filial, em Feira de Santana (BA), as duas fabricas contam com mais de 1,3 mil profissionais, entre colaboradores próprios e terceiros. A companhia também atua na área de produtos químicos para o setor de construção e celulose. A capacidade de produção anual é superior a 100 milhões de litros de óleo mineral básico rerrefinado, que acontece a partir da coleta de cerca de 150 milhões de litros de óleo lubrificante usado, volume que representa 45% de todo óleo disponibilizado para rerrefino no país. Há 35 anos, pratica em suas atividades os pilares que formam a Sustentabilidade Corporativa, A empresa aproveita todos os resíduos de seus processos industriais, com melhor desempenho financeiro e menor impacto ambiental. A empresa possui o certificado ISO 9001, sendo a primeira empresa do setor a produzir óleo mineral básico do grupo II (classificação de resolução ANP n° 16 de 18/06/2009), destinado a motores e máquinas de alto desempenho. A empresa conta com 15 centros de coleta estrategicamente distribuídos no país e 300 veículos que atendem todo o território nacional. Esses centros de coletas são bases de armazenamentos temporários do óleo lubrificante usado que foi coletado, e será posteriormente enviado para uma das unidades industriais de rerrefino. Com a equipe preparada para o manuseio e transporte de produtos perigosos, atendendo inúmeras fontes geradoras, como postos de serviços, centros de troca de óleo lubrificante, oficinas, indústrias, transportadoras, entre outros.A atividade industrial, de coleta, transporte e armazenagem da organizaçãoé certificada por órgãos oficiais. A cada coleta é emitido o Certificado de Coleta (CCO), que comprova que a fonte geradora está de acordo com a lei. Os veículos coletores possuem capacidade 2.000, 5.000, 10.000 e 15.000 litros que executam os procedimentos de coleta do óleo usado, ao mesmo tempo as carretas que estão disponíveis 30.000, 35.000 e 40.000 litros transportam o óleo básico mineral rerrefinado para as indústrias formuladoras e retornam para a fábrica transferindo o óleo usado armazenado nos centros de coleta, para ser rerrefinado. Neste processo há um rigoroso sistema de higienização para os tanques das carretas. 6.1 PROCESSO DE RERREFINO DA EMPRESA Transformar o óleo lubrificante usado em óleo mineral básico, que pode ser readitivado e utilizado como lubrificante em máquinas e veículos é, sem dúvida, o melhor e mais nobre destino que se pode dar a esse resíduo perigoso e isso é possível através 18 do processo de rerrefino. Alguns não classificam o rerrefino como reciclagem, pois seu processo industrial é semelhante ao do refino de petróleo em complexidade e tecnologia.A empresa rerrefina cerca de 50% de todo o óleo lubrificante usado disponibilizado para a coleta no Brasil. Certificado pela ISO 9001, o processo industrial da empresa escolhida para o estudo de caso é diferenciado pela tecnologia e o cuidado ambiental presente em todas as suas etapas. O rerrefino é um processo físico-químico composto pelas etapas: desidratação, destilação flash, desasfaltamento; tratamento químico; neutralização/classificação e filtração. Após o rerrefino, o óleo básico adquire características similares às do primeiro refino, permitindo uma nova aditivação e o reabastecimento do mercado nacional. Os subprodutos do processo são redirecionados e utilizados como matéria-prima em outros segmentos industriais. Todo o efluente químico é direcionado para caixas separadoras de água/óleo, nas quais o óleo separado é redirecionado para o processo de rerrefino. A água oriunda das caixas separadoras é então, enviada para ETE (Estação de Tratamento de Efluentes).A organização produz o óleo básico do grupo I grupo II, no qual oferece alta pureza, estabilidade a oxidação, estabilidade térmica, baixo teor de enxofre, baixo teor de aromáticos, baixa volatilidade e alto teor de saturado. Prezando pela máxima qualidade do óleo básico rerrefinado do grupo II, a empresa investiu em um laboratório com tecnologia de ponta, com equipes e profissionais especializados e instalações projetadas incorporando a mais moderna tecnologia, conforme as normas internacionais, de acordo com as especificações da API (American Petroleum Institute). O óleo básico rerrefinado é direcionado às empresas produtoras como: Chevron Brasil (Texaco), Ipiranga, Esso Brasileira, Petronas Lubrificantes, pequenos e médios produtores, para ser aditivado e recolocado no mercado. CONCLUSÃO Com base nas informações obtidas, chegou-se à conclusão de que a logística reversa é fundamental para a coleta e o envio do óleo lubrificante usado e contaminado para o processo industrial de rerrefino. Os estudos mostraram a importância do setor de rerrefino para o setor econômico do país, já que esse processo diminuiria o alto índice de importação do óleo básico mineral, principal matéria-prima do óleo lubrificante, pois através da reciclagem do OLUC é possível obter o óleo básico mineral de altíssima qualidade, libertando assim o Brasil da dependência do óleo básico importado. Além disso, nesse artigo foi citado apenas uma rápida passagem sobre os efeitos nocivos que o despejo do óleo lubrificante usado ou contaminado pode causar ao meio ambiente. O objetivo do trabalho foi alcançado, pois foram mostrados as etapas do processo de rerrefino e o processo de rerrefino de uma empresa do setor. É essencial uma maior divulgação para o consumidor do óleo lubrificante, de como são descartados o óleo usado e se o local de troca cumpre a legislação. E essa informação deve ser de responsabilidade dos produtores do óleo lubrificante. Entende-se então que, os representantes devem estar preparados para atender com maior precisão os clientes, e que é necessária uma maior fiscalização para o cumprimento da legislação para que se atinja a meta de tratamento de todo óleo colocado no mercado, auxiliando com um planeta ecologicamente mais correto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARNOLD, J.R.T. Administração de materiais. São Paulo: Atlas, 2009. 19 BALLOU, R. H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 2010. CAIXETA-FILHO J.V.; MARTINS R.S. Gestão logística no transporte de Cargas. São Paulo: Atlas, 2010. CARVALHO, D.; CARNEIRO, R.; FERNANDA, H.; SARTORATO, E. Pesquisa bibliográfica. 2014. Disponível em: <//http://pesquisabibliografica.blogspot.com.br/>. Acesso em 12 dez. 2014. CAVALIZZI E.; VALENTE L. Logística reversa muito além da reciclagem. 2010. Disponível em: <//www.logisticadescomplicada.com./>. Acesso em: 28 maio 2014. CHRISTOPHER M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Cengage Learnig, 2007. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, CONAMA. Dispõe sobre a resolução CONAMA 462/2005. Disponível em: <//www. Mma.gov.br/port/Conama/processos>. Acesso em: 17 out. 2014. DOURADOS AGORA. Brasil supera meta de coleta de óleo lubrificante. 2012. Disponível em: <//www.douradosagora.com.br/>. Acesso em: 06 mar 2014. DUQUE, S. O consumo de óleo lubrificante no mercado automotivo brasileiro. 2013. Disponível em: <//www.revistamercadoautomotivo.com.br/>. Acesso em: 27 out. 2014. FAGUNDES R. A.; FUGIHARA M.K.; VALDERRAMA C. Supply Chain e Sustentabilidade. Revista Mundo Logística: empresas superinteligentes em logística. São Paulo: Mag, n. 28, p.88-89, maio/jun. 2012. FLEURY, P. F.; FIGUEIREDO, K. F.; WANKE, P. Logística empresarial a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2009. ________. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos, planejamento de fluxo de produtos e dos recursos. São Paulo: Atlas, 2009. FRANÇOLIN, W. O. Informativo FIESP: problema está na clandestinidade, ed. 91, 01/2013, p. 10. Disponível em: <// www.fiesp.com.br/arquivo-download/?id=137155/>. Acesso em: 04 abr. 2014. ________. Logística reversa do óleo lubrificante e o rerrefino. São Paulo: Sell & Comm, p.27, 2013. Disponível em: <//www. Lubgraxmeeting.com.br/2013/pdf/Walter_francolin.pdf/>. Acesso em: 13 jun. 2014. ________. Congresso Nacional Simepetra, 2010. Rio de Janeiro. Resolução Conama. Disponível em: <//www.simepetro.com.br/up-content/uplouds/palestrawalter.pdf/>. Acesso em: 15 jul. 2014. GARNIERI P. Logística sustentável. Revista Mundo Logística: Integrar e gerar valor. São Paulo: Maq,n. 36, p.20-23, nov-dez. 2013. GONÇALVES, R. A. O. A importância do rerrefino de óleos lubrificantes. São Paulo: IETEC. Disponível em: <//techoje.com.br/>. Acesso em: 5 set. 2014. HARA, C. M. Logística armazenagem distribuição e trade marketing. Campinas: Alínea, 2011. LEITE, P. R. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009. LWART LUBRIFICANTES, 2014. Disponível em:<www.Lwart.com.br/>. Acesso em: 23 out. 2014. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Portaria Interministerial MMA/MME Nº 59/2012 de 17.02.2012. Disponível em:<http://nxt.anp.gov.br/>. Acesso em: 13 jul.2014. NOVAES, A.G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. São Paulo: Saraiva, 2007. OLIVEIRA, E. Estudo de Caso. 2014. Disponível em: <//www.infoescola.com/>Acesso em: 19 ago. 2014. PESSOA, F. M.; GERMANO, P.; CASTRO, W. S. Logística reversa: coleta de óleo lubrificante. Gestão em Logística. São Paulo: UNIP, nov. 2010. Disponível em: <//www. Webartigos.com.br/>. Acesso em: 23 out. 2014. POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais. São Paulo Atlas, 2010. SANTOMAURO A. C. Lubrificante: rerrefino amplia negócios e aprimora tecnologia. 05/ 2012, p. 2. Disponível em: <//www.petroleoenergia.com.br/>. Acesso em 05 set. 2013. SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DO RERREFINO DE ÓLEOS MINERAIS, SINDIRREFINO. Coleta por Região. 2007. Disponível em:<//www.sindirrefino.org.br/coleta/centros-de-coleta/>. Acesso em: 24 ago. 2014 SINDICATO NACIONAL DAS EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEL E DE LUBRIFICANTES. SINDICOM. Consumo do óleo básico. Disponível em: <//www. Sindicom.com.br/>. Acesso em: 10 set. 2014. SONH, H. Gerenciamento de óleos lubrificantes usados ou contaminados,guia básico. Gráfica do SENAI/SP, set/2011, p. 62. Disponível em <://www.sindirrefino.org.br/legislacao/>. Acesso em: 22 jun. 2014. 20