NELSI CASAGRANDE SELINGER
DO BRINQUEDO E DO BRINCAR, O QUE OS PAIS TEM A FALAR?
Criciúma, 2004
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NELSI CASAGRANDE SELINGER
DO BRINQUEDO E DO BRINCAR, O QUE OS PAIS TEM A FALAR?
Monografia apresentada à Diretoria de
Pós – Graduação da Universidade do
Extremo Sul Catarinense – UNESC,
como requisito parcial à obtenção do
título de Especialista em Fundamentos
Metodológicos da Educação Infantil e
Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
Prof. Orientador: Msc. Gildo Volpato
Criciúma, 2004
2
“Todo ser humano é capaz de aprender, a
escola precisa buscar a maneira de como
ela pode aprender melhor”.
(RABELO, 2003)
3
A Deus que me iluminou nos momentos que
a ele recorri, e a minha família que me
incentivou nas situações difíceis.
Ao orientador Gildo Volpato, pela atenção,
pelas
leituras,
discussões,
sugestões,
críticas e pelo ser humano e profissional
que é dedicado às pessoas e por acreditar
no meu potencial e no meu trabalho,
encorajando-me na busca do novo.
À professora Roseli Jenoveva Neto pelo
carinho e incentivo.
4
Verbo ser
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando ao redor?
Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?Tenho os três.
Eu sou?
Tenho que mudar quando crescer?
Usar outro nome, corpo, jeito?
Ou a gente só principia quando crescer?
(Carlos Drummond de Andrade)
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RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso de Pós – Graduação em Fundamentos
Metodológicos da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental –
Modalidade Formação para o Ensino Superior na Universidade do Extremo Sul
Catarinense, é resultado de estudos teóricos e práticos realizados a partir da
seguinte problemática: do brinquedo e do brincar o que os pais têm a falar? Reúne
elementos obtidos por meio de pesquisa de campo realizada com os pais de uma
turma de crianças que estudam em uma instituição de Educação Infantil, localizada
no município de Criciúma, Santa Catarina. A pesquisa teve como objetivo conhecer
o universo lúdico das crianças e o que pensam os pais a respeito do brinquedo
objeto e o efetivo brincar de seus filhos. Trata -se de uma pesquisa qualitativa do
tipo descritiva, sendo que a técnica de coleta de dados utilizada foi à entrevista semi
– estruturada. As entrevistas foram realizadas no final do ano letivo de 2003 e início
do ano letivo de 2004. O referencial teórico foi desenvolvido a partir dos seguintes
títulos: ‘’Concepção de infância‘’, ‘’A importância do brinquedo e do brincar no
desenvolvimento da criança’’ e ‘’Concepção sobre o brinquedo na
contemporaneidade‘’. As análises realizadas em relação à concepção que os pais
têm sobre o brinquedo, deixam claro que os pais consideram o brinquedo importante
para as crianças porque elas têm que aproveitar a infância, viver seu tempo e seu
espaço, de descobrimento. E também porque consideram importante para o
desenvolvimento, para a aprendizagem, para a criatividade, coordenação motora.
Em relação à questão, se consideram importante os filhos brincarem na escola, os
pais se pronunciaram afirmativamente. Nas falas aparece a questão do convívio com
outras crianças, ou seja, da socialização, e da importância do brinquedo como objeto
que favorece o uso coletivo. Por meio do estudo percebemos que o brinquedo e a
brincadeira oportunizam a socialização, a apropriação da cultura, a criatividade, as
descobertas e é de fundamental importância no ambiente escolar, pois é essencial
no desenvolvimento de diversas competências, tanto cognitiva, como afetivas e de
movimento.
Palavras chaves: Infância, Criança, Pais, Educação Infantil, Brinquedo, Brincar.
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 07
2 CONCEPÇÃO DE CRIANÇA ................................................................................. 11
3 IMPORTÂNCIA DO BRINQUEDO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA........ 15
4 CONCEPÇÃO SOBRE O BRINQUEDO NA CONTEMPORANEIDADE ................ 19
5 BUSCANDO COMPREENDER A FALA OS PAIS ................................................. 25
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 34
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 37
ANEXO...................................................................................................................... 39
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1 INTRODUÇÃO
Uma das linguagens mais significativas no desenvolvimento infantil é sem
dúvida a brincadeira. Ela representa um dos meios mais acessíveis da criança
aprender. É brincando que se aprende, é fazendo que se aprende a fazer, são
dizeres populares que vale a pena considerá-los nesse momento. No brincar e no
jogar a criança fica tão envolvida com o que está fazendo que coloca toda a sua
ação, seus sentimentos e emoções. Por meio das brincadeiras a criança reconstrói
meios para entender o mundo a sua volta.
Segundo Meyer (2003, p. 33) ‘’brincar é uma linguagem, é a nossa
primeira forma de cultura. A cultura que pertence a todos que nos faz participar de
idéias e objetivos comuns’’. E o brinquedo é um objeto facilitador do
desenvolvimento das atividades lúdicas, que desenvolve a curiosidade, exercita a
inteligência.
Mas nem o brincar e nem o brinquedo tiveram sempre esse mesmo olhar,
nem sempre foram considerados fator de extrema relevância no desenvolvimento
infantil. Tendo em vista, as diferentes concepções sobre o brincar e sua importância
no desenvolvimento da criança, procuro por meio deste trabalho refletir um pouco a
respeito do papel do brinquedo e do brincar. Partindo de algumas situações
vivenciadas na experiência pedagógica de como a criança interage com os
brinquedos, como ela se comporta e relaciona-se com eles e com os colegas,
questiono por meio de entrevistas, gravando as falas de onze mães e um pai que
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têm seus filhos em uma escola pública municipal para saber como eles vêem a
questão lúdica de seus filhos.
A pesquisa teve como objetivo conhecer um pouco da vida da criança,
saber o que pensam os pais a respeito do brinquedo e do brincar em casa, na
escola, que importância dão, com quais brinquedos os filhos costumam brincar, que
tipo de brinquedos sugerem à escola ter e que importância teve a brincadeira
quando crianças também? Pensamos ser ideal também conhecer as características
das crianças em situações extras escolar para podermos conhecer melhores os
elementos da cultura lúdica que perpassam o meio social dessas crianças e que por
ser fora do ambiente escolar, pois geralmente não são observados pelas pessoas
que convivem com as crianças na escola. Sendo que esses elementos nos
auxiliaram no desenvolvimento de um trabalho mais significativo com as crianças e
seus pais. As entrevistas foram realizadas em horário previamente marcado nas
casas dos pais das crianças que estudam na Educação Infantil. Alguns responsáveis
se estenderam mais, fazendo comentários, questionando, sugerindo, outros falaram
apenas o essencial, mas todos se dispuseram a participar da entrevista sem se
importar com a gravação. Após a coleta de dados, transcrevemos as entrevistas
para posterior análise e elaboração deste relatório de conclusão do curso de
especialização.
Como referencial teórico, buscamos a contribuição de alguns autores que
foram fundamentais para melhor compreendermos o assunto e realizarmos as
análises do material coletado. Ariés (1981) historiador francês, foi importante, pois
seus estudos se direcionam na influência familiar, em relação às mudanças de
atitudes ao longo dos séculos e relatam a transformação dos sentimentos de infância
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de família numa perspectiva histórica sobre a concepção da infância; Benjamin
(1984) com sua maneira de ver a criança, a sensibilidade e os valores dela, e a
história cultural dos brinquedos; Fantin (2000) quando abordando a questão do
lúdico culturalmente, desde o tempo dos nossos avós até as crianças de hoje e sua
possível relação com o conhecimento escolar; Em Volpato (2002) buscamos um
entendimento sobre os usos e significados do brinquedo mais direcionado no
contexto escolar e familiar, porém nos atendo mais ao familiar, que foi o enfoque
deste estudo. Em Vygotsky (1984), falamos da importância do imaginário para a
efetiva ação do brincar, principalmente a partir da obra “Formação Social da Mente”.
A partir do referencial teórico, fizemos um diálogo comparando-os com o material
empírico coletado.
Conforme o procedimento metodológico usado, o estudo pode ser
caracterizado como uma pesquisa qualitativa do tipo descritiva. Por meio da
pesquisa de campo foi possível coletar, analisar, interpretar e descrever fenômenos
presentes no espaço representado. Conforme NETO (apud MINAYO, 1997, p.53.)
uma realidade empírica só pode “ser estudada a partir das concepções teóricas que
fundamentam o objeto de investigação”. Como instrumento de coleta de dados foi
usada a entrevista semi-estruturada (anexo 1) com gravação direta pois conforme
Ludke e Andre (1986, p. 33), esta ‘’é uma das principais técnicas de trabalho em
quase todos os tipos de pesquisa utilizada nas ciências sociais”. Por se tratar de um
tipo de instrumento utilizado com muita freqüência, a entrevista foi muito importante
para atingir os objetivos propostos.
Este trabalho para efeitos de apresentação está dividido em quatro partes.
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No primeiro capítulo apresentamos uma reflexão sobre a concepção de
criança onde por meio das pesquisas de Ariés (1981) percebemos que as mudanças
ocorridas em relação à concepção é proveniente das mudanças nas formas de
organização da sociedade. O segundo capítulo aborda a importância do brinquedo
no desenvolvimento da criança.
A criança usa o brinquedo para entender a realidade conforme Teles
(1999, p. 14) ‘’brincando, ela explora o mundo, constrói o seu saber, aprende a
respeitar o outro, desenvolve o sentimento de grupo, ativa a imaginação e se auto –
realiza’’.
O
terceiro capítulo trata da concepção sobre o brinquedo na
contemporaneidade, procurando saber quais os tipos de brinquedos fazem parte do
contexto social das crianças, das quais os pais foram questionados. E, por último,
tratamos de apresentar as falas dos pais referentes às questões de pesquisa,
fazendo
análises
e
considerações.
Nas
considerações
finais,
fechamos
provisoriamente o trabalho, pois sabemos que muito ainda há para pesquisar a
respeito desta temática.
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2 CONCEPÇÕES DE CRIANÇA
Não existem muitos registros de como se pensava sobre a infância. Pelo
que se vê, ao longo da história da humanidade, parece que foi dada pouca
importância a essa fase de vida do ser humano, principalmente antes do século XIII.
Numa perspectiva histórica sobre a infância na Europa, os estudos de Ariés (1981)
no seu livro História Social da Criança e da Família, revela que a descoberta da
infância começou sem dúvida no século XIII, e sua evolução pode ser acompanhada
principalmente na história da arte e na iconografia dos séculos XV e XVI, ficando os
sinais de seu desenvolvimento mais numerosos e significativos a partir do fim do
século XVI e durante o século XVII. Com o passar do tempo, esta visão reduzida em
relação à criança, aos poucos vem se ampliando, mas é importante saber que nem
sempre foi assim.
Na sociedade medieval, as crianças, ao contrário do que vemos hoje,
viviam conforme a maneira de viver dos adultos que faziam parte de seu meio,
inclusive na maneira rudimentar de se vestir. É o que constatamos nos estudos de
Ariés, que nos revela:
Assim, partindo do século XIV, em que a criança se vestia como os adultos,
chegamos ao traje especializado da infância, que hoje nos é familiar. Já
observamos que essa mudança afetou sobretudo os meninos enquanto as
meninas persistiam mais tempo no modo de vida tradicional que as confundia
com os adultos (ARIÉS, 1981, p. 81).
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Podemos então perceber que o próprio traje nessa época não era
específico, nem outras atitudes eram diferentes em relação à infância. A moda
infantil surgiu, praticamente, no final do século XVI quando a criança já começava a
ser reconhecida como entidade separada, principalmente com relação aos meninos
e mais precisamente no fim do século XVI ficando as meninas durante um bom
tempo confundido com a maneira de viver e de se vestir dos adultos. Segundo as
observações do autor, o tratamento dado às crianças tinha uma grande influência na
questão de gênero, quando se referia diretamente ao sexo feminino e masculino. Os
meninos tinham sua infância reconhecida muito tempo antes das meninas. Inclusive
as meninas eram precocemente educadas a se comportarem como mulherzinhas e
com 10 anos já eram consideradas adultas sendo que segundo Ariés (1981, p. 190)
‘’além da aprendizagem doméstica, as meninas não recebiam por assim dizer
nenhuma educação‘’. O autor ressalta ainda que em relação à questão da classe
social, as crianças nobres e burguesas foram reconhecidas antes que as crianças de
classe baixa.
As crianças do povo, os filhos dos camponeses e dos artesões, as crianças
que brincavam nas praças aldeias, nas ruas das cidades ou nas cozinhas
das casas continuavam a usar o mesmo traje dos adultos: jamais são
representadas usando vestido comprido ou mangas falsas. Elas
conservavam o antigo modo de vida que não separava as crianças dos
adultos nem através dos jogos e brincadeiras (ARIÉS, 1981, p.81).
Estas considerações do autor, possibilita-nos ter um olhar mais apurado e
uma maior capacidade de poder compreender como a criança era realmente vista e
tratada dentro de seu meio e que, conforme o seu contexto, elas exercem papéis
diferentes, inclusive sua participação nos trabalhos, jogos dos adultos, trajes,
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brincadeiras e festas onde sempre desempenhavam seu papel em pé de igualdade
junto aos demais membros da sociedade.
Diante disso, podemos então perceber que a idéia de infância também
pode ser concebida dentro de um isolamento histórico, pois é um período de vida
onde a criança vive, e que faz parte de um determinado momento histórico,
conforme as modificações da forma de organização da sociedade em que foi
concebida. Na idade média a diferença entre a criança e o adulto começava a ter um
novo enfoque, o qual merece algumas reflexões.
A concepção criança como sujeito social e cidadã de direitos começou a
ser elaborada por volta de XVIII. Infelizmente, o tratamento que tem sido dada a
“infância” ainda não foge de uma visão naturalista e também biológica,
considerando-a um ser incompleto. Esta visão reduzida não explica a criança como
um ser social que tem um tempo, um espaço, portanto, uma história, uma geografia,
já nasce numa determinada classe social pela qual nem teve como escolher, mas
que já havia sido predeterminada.
A noção de infância não é uma categoria natural, mas sim histórica e
cultural. A diferenciação entre as crianças e adultos vai depender do contexto e das
condições sócio-históricos e culturais em que vivem. Por viver num determinado
meio físico e social, ela será capaz de influenciá-lo e por outro lado ser influenciada
por ele.
Mas que conforme Ariés (1981) descreve, a idéia de infância foi se
diferenciando de adulto, porém num processo em construção que a modernidade
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começou a discutir, surgindo nos finais do séc. XVII, porém nas camadas superiores
da sociedade, se solidificando no século XVIII.
As pesquisas de Ariés (1981) e as reflexões sucedidas a partir delas nos
revelam que a mudança da concepção de infância é proveniente das mudanças nas
formas de organização da sociedade, aparece com a sociedade capitalista, nas
novas formas de trabalho, e também das atividades realizadas e dos tipos de
inserção que nessa sociedade têm as crianças. Nesse sentido, é necessário
entendê-la com um ser histórico e que conforme Áries, na metade da idade média é
que a criança vem a ser entendida como criança surgindo os dois sentimentos
moderno que entendem por infância: sentimento de paparicarão, onde a criança é
vista como um ser inocente, graciosa e ingênua e o sentimento de moralização,
movimento defendido pela igreja católica, considerando-a como um ser incompleto e
imperfeito, que precisa ser educado, moldado e desenvolvido. E partindo desse
pressuposto entra a educação para fazer esse papel. E esses sentimentos pelo que
podemos constatar ainda repercutem em nossos dias, quando valorizamos aquilo
que a criança já é, e o que a faz ser, deixando-a livre para nas suas escolhas, para
viver sua infância ou quando damos importância em adiantar sua vida adulta,
insistindo numa pré- escola ou tentado completá-la de alguma forma,ou tentado
prepará-la para ser alguém , ou para ser feliz um dia.
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3 IMPORTÂNCIA DO BRINQUEDO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
Por meio das brincadeiras as crianças vão dando pistas do que conhecem
e do que desconhecem. Elas elaboram novos conceitos e aprendem coisas novas.
Através das brincadeiras, elas se apropriam do mundo. A criança brinca para
interiorizar situações que ela vivencia em seu contexto cultural e que são
significativas. Para entender essas situações, ela coloca em sua brincadeira
elementos de sua imaginação, conforme ela acha necessário. No livro ‘’Meu Pé de
Laranja Lima de Mauro Vasconcelos, o menino Luiz ‘’falava’’ com um pé de laranja
lima.
Segundo Vygotisky (1984) em A Formação Social da Mente:
No brinquedo, a criança opera com significados desligados dos objetos e
ações aos quais estão habitualmente vinculados; entretanto, uma contradição
muito interessante surge, uma vez que, no brinquedo, ela inclui, também,
ações e objetos reais (VYGOTISKY, 1984, p.129).
Muitas crianças fazem isso com o objeto estando presente ou não.
Costumam imaginar um amigo e usam vários espaços da casa como pontos de sua
imaginação. É comum ouvir da criança, ’olhe, não passe por aí, porque tem um
posto de gasolina. Não pode sentar ali, ali tem um mercado há situações que a
criança tem apenas um brinquedo na mão, um carrinho, por exemplo, e todo o resto
é fruto de sua imaginação.
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No brinquedo, espontaneamente, a criança usa sua capacidade de separar
significado do objeto sem saber que o está fazendo, da mesma forma que ela
não sabe estar falando em prosa e, no entanto, fala, sem prestar a atenção
às palavras. Dessa forma, através do brinquedo, a criança atinge uma
definição funcional de conceito ou de objetos, e as palavras passam a se
tornar parte de algo concreto (VYGOTISKY, 1984, p.130).
As crianças quando brincam, elas se obrigam a pensar em muitas coisas
que não entendem ainda, e usam palavras novas em seu vocabulário que nem
sempre sabem o significado. Realizam atos que buscam ajuda para entender, e
então interrompem a brincadeira e questionam a professora ou a mãe para dar
continuidade. Por exemplo, ao brincar de casinha ela pergunta: ‘’- Posso colocar
minhas ‘’panelinhas’’ no fogo? Por que não posso?’’ Nesse momento o adulto é um
mediador que irá explicar para a criança que as panelinhas são de plástico e irão
derreter, poderão, inclusive queimar suas mãos porque o fogo é quente e o plástico
em contato com o fogo se derrete porque é menos resistente do que outros
materiais, o contrário das panelas de alumínio, que a mãe costuma colocar no fogo e
não derrete, por exemplo. A criança necessita de uma explicação e se não entendeu
continua questionando, mas se ela entendeu, por hora dá-se por satisfeita.
O filosofo alemão Benjamin (1995) destaca que a criança busca no adulto
uma representação clara e compreensível, mas não infantil muito menos aquilo que
o adulto considera por tal.
A criança quer uma explicação do que está buscando entender, e não
simplesmente uma resposta do tipo: ‘’porque não pode’’. O menino que brinca com
uma bola vai construindo um comportamento de jogador de futebol que age
conforme as ‘’regras’’ do jogo. Às vezes não segue a rigor, mas muito do que já viu
tenta fazer, para entender o próprio jogo. Se tiver parceiros na brincadeira, trocam
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idéias, aprendem juntos, se não tem, imaginam que tem, e nesse imaginar vão
elaborando novos conceitos de conhecimento. Quero aqui, fazer uma observação
quanto à palavra jogo, onde nas palavras de Neto:
Em situações não formais, entende-se por jogo o processo de dar liberdade
de a criança exprimir a sua motivação intrínseca e a necessidade de
explorar o seu envolvimento físico e social sem constrangimentos
(investigar, testar, e afirmar experiências e possibilidades de acção (NETO,
1997, p.21).
As crianças são desafiadas a entender o mundo que está inserido a partir
das próprias brincadeiras que realizam, ou mesmo dos próprios brinquedos que tem
em mãos.
Tanto pela criação da situação imaginária, como pela definição de regras
específicas, o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na
criança, pois como afirma Vygotski (1994): ‘no brinquedo, a criança sempre
se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu
comportamento diário: no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na
realidade (VOLPATO, 2002, p.47).
Deitada no chão, empurrando um carrinho minúsculo, ela imagina ser
enorme, ela dentro dele, dirigindo-o, obedecendo a sinalização, portando uma
‘’carteira de habilitação’’, tudo conforme observa ou observou num passeio de
automóvel com seu pai ou sua mãe. No ato de brincar vão surgindo situações novas,
e as crianças tentam descobrir maneiras de continuar a brincadeira. Isso faz ela
pensar, imaginar, buscar subsídios na memória para auxiliá-la.
O ato de brincar de boneca pode levar a criança pensar na alimentação,
nas formas de conseguir os alimentos, nas roupas que tira e coloca, porque está frio
ou porque está quente ou porque sujou.
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Porque segundo Benjamin (1984, p.42) ‘’para a criança que brinca com
sua boneca é ora grande, ora pequena, com freqüência pequena, pois se trata de
um ser subordinado’’.
Por meio desta relação com o objeto ela desenvolve conceitos, internaliza,
reelabora, ela brinca, ela aprende e mesmo o brinquedo ausente, não as impede de
brincar, pois elas usam a imaginação. Contudo, sabemos que o brinquedo é um
suporte material que facilita o ato de brincar.
A criança reproduz a sua própria vida. Através dela, ela constrói o real,
delimita os limites frente ao meio e o outro e sente o prazer de poder atuar
ante as situações e não ser dominado por elas. Existe na brincadeira um
simbolismo secundário oculto, como diz Vera Barros de Oliveira, ‘’bem
próximo do sonho. Nesse terreno está as preocupações mais íntimas,
secretas e continuadas que entram no jogo (TELES, 1999, p.16).
A convivência das crianças com um conjunto de brinquedos diversos
podem permitir que inúmeras experiências lúdicas realizem-se, sejam descobertas,
transmitidas, questionadas.
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4 CONCEPÇÃO DO BRINQUEDO NA CONTEMPORANIDADE
O brinquedo, entendido neste estudo como o objeto de brincar, é um dos
elementos que revela a cultura de cada povo e em cada tempo e em cada época.
É possível conhecer e identificar, na história, brinquedos que ainda hoje
encontramos nas mãos das crianças ou em estantes e prateleiras de grandes
lojas de brinquedos. Muitos foram utilizados durante muito tempo como
objetos ligados a atividades artísticas, sacras, místicas ou de trabalho,
mantendo estreita relação com colheitas e fertilidade, antes de serem
considerados efetivamente brinquedos de criança (VOLPATO, 2002, p. 16).
Se observarmos um pouco a história, muitos brinquedos surgiram da
necessidade da criança querer entender o mundo adulto.
Por meio de inúmeras representações iconográficas, realizou um
importante estudo na tentativa de explicar como surgiram os brinquedos.
Na interpretação desse autor, algum deles nasceram do espírito de
emulação das crianças, que as levou a imitar as atitudes dos adultos,
reduzindo-as à sua escala: foi o caso do cavalo – de – pau, numa época
em que o cavalo era o principal meio de transporte e de tração, como na
Idade Antiga. (VOLPATO apud ARIÉS 2002, p. 88)
Volpato (2002, p.19) ainda relata que: ‘’muito dos mais antigos brinquedos
(a bola, o papagaio, o arco, a roda de penas) foram impostos às crianças, de certa
forma, como objetos de culto, e somente mais tarde, devido a força de imaginação
das crianças transformados em brinquedos”.
Assim, o brinquedo na mão da criança, manipulado pelo gosto, foi se
constituindo também, como forma de entender os costumes do mundo adulto.
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A criança nasce e vive num determinado contexto social em que está
estabelece diferentes relações de cultura. Assim, a criança desenvolve-se
pela experiência social nas interações que estabelece com a experiência
sócio-histórica dos adultos e do mundo por ela criado. Desta forma, o jogo
é uma atividade humana em que as crianças são introduzidas, constituindo
–se num modo de recriar a experiência sócio – cultural dos adultos. O jogo
é resultado dessas relações e é através de elementos que a criança
encontra no meio circundante que ela vai adaptando suas capacidades
para se apropriar desta realidade (FANTIN, 2000, p. 78).
A final de contas às crianças brincam com tudo. Quando tem um
brinquedo nas mãos, parece que entra num mundo mágico, cheio de fantasia, cujo
passaporte é a pura imaginação. Uma das coisas mais gostosas desta vida é
brincar. Seja com brinquedos comprados seguindo os últimos lançamentos, seja de
sucata, onde se improvisa o que a imaginação ditar, seja só com amiguinhos ou
sozinho, não importa. O que vale mesmo é poder tornar real o que passa na
fantasia, sobre o objeto que manipulam, seja ele, vestígio de uma manufatura adulta
ou de um brinquedo industrial. Benjamin (1984), escreve sobre os brinquedos e o
brincar e nos revela alguns dados significativos em relação à substituição paulatina
dos brinquedos artesanais por brinquedos fabricados industrialmente.
De uma maneira geral, os brinquedos documentam como o adulto se
coloca com relação ao mundo da criança. Há brinquedos muito antigos
como bola, roda de penas, papagaio que provavelmente derivam de
objetos de culto que dessacralizados, dão margem para a criança
desenvolver a sua fantasia. E há outros brinquedos simplesmente impostos
pelos adultos enquanto expressão de uma nostalgia sentimental e de falta
de diálogo. Em todos os casos a resposta da criança se dá através do
brincar, através do uso do brinquedo, que pode enveredar para uma
correção ou mudança de função. E a criança também escolhe os seus
brinquedos por conta própria, não raramente entre os objetos que os
adultos jogam fora. As crianças ‘’fazem a história a partir do lixo da
história’’. É o que as aproxima dos ‘’inúteis’’, dos ‘’ inadaptados’’ e dos
“marginalizados” (BEIJAMIM, 1984, p. 14).
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Com isso, o filósofo alemão Benjamin (1984), alerta que existe um grande
equívoco na suposição de que são simplesmente as próprias crianças, movidas por
suas necessidades, que determinam todos os brinquedos. As crianças quando
brincam, se defrontam o tempo todo com vestígios que as gerações mais velhas
deixaram, o brinquedo, mesmo quando não é apenas miniatura de objetos que
circundam no mundo dos adultos, elas se sentem especialmente atraídas pelos
destroços que surgem da construção. O brinquedo era peça do processo de
produção que ligava pais e filhos, as crianças estavam em constante contato com o
mundo adulto, observando manipulando, madeira, tecidos, palhas e argila, com o
resto destes materiais usados na construção, elas reelaboravam com criatividade o
mundo adulto, na tentativa de entendê-lo. É importante lembrar que antes do século
XIX, a produção de brinquedos não era função de uma única indústria. Dos restos
dos materiais usados nas construções, os adultos criavam objetos, que de uma
maneira ou de outra, acabavam indo parar nas mãos das crianças. E esses
brinquedos ofereciam as crianças possibilidades de vivenciarem experiências
variadas, dependendo do material que eram provenientes, e da maneira em que
eram desenvolvidos na sociedade e na cultura.
Conforme Volpato (2002), os brinquedos apresentam valores simbólicos e
papéis sociais implícitos nos brinquedos. Em séculos passados havia certa margem
de ambigüidade em torno dos brinquedos, principalmente na sua origem. A maior
parte deles eram compartilhados tanto por adultos, quanto por crianças, tanto por
meninos quanto por meninas, nas mais diversas situações do cotidiano.
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Essa ambigüidade começou a desaparecer, principalmente com o início da
especialização dos brinquedos, que passou a ocorrer no século XVIII, com o
advento do capitalismo. O brinquedo passou a ser comercializado com fins
lucrativos. A partir daí, os objetivos do brinquedo começaram a se afastar de
sua origem (VOLPATO, 2002, p. 62).
Com o reconhecimento da infância, como sendo uma fase específica da
vida da criança, com suas características e necessidades próprias, foi possível
identificar o brinquedo como objeto infantil. Mas esse olhar para a criança e para o
brinquedo é resultado de um longo processo histórico. Benjamin (1984) fala que na
segunda metade do século XIX, quando o brinquedo deixa de ser o resultado
doméstico de produção, que unia adultos e crianças com a finalidade de ser
comercializado, sua forma, tamanho e imagem mudam.
Madeira, ossos, tecidos, argila, representam nesse microcosmo os
materiais mais importantes, todos eles já eram utilizados em tempos
patriarcais, quando o brinquedo significava ainda a peça do processo de
produção que ligava pais e filhos. Mais tarde vieram os metais, vidro, papel
e mesmo o alabastro. As bonecas apenas possuíam o peito de alabastro,
celebrado pelos poetas do século XVII, e quase sempre tiveram de pagar e
esse luxo com sua frágil existência (BENJAMIN, 1984, p. 69).
As miniaturas cedem lugar aos objetos maiores, indicando quem, cada vez
mais, a criança passa a brincar sozinha, sem parceria de um adulto. Atualmente
percebemos que, a quantidade de brinquedos é enorme e sua qualidade varia tanto
no brinquedo artesanal quanto no brinquedo industrializado.
Bem é importante lembrar que a história não é única e linear. Existem
povos que viveram processos distintos de desenvolvimento e que atribuem
diferentes noções de família, adulto ou criança. Tal fato nos revela que os
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significados e valores dados aos brinquedos e brincadeiras vão variar de acordo com
o tempo e com o contexto. As grandes cidades, em geral, os grandes centros
urbanos, passaram por transformações que permitem identificar características
semelhantes em várias partes do mundo. Conforme seus estudos Porto (2003) fala
que até a metade do século XX, as cidades não eram tão grandes e não eram tão
violentas, e também havia espaços para brincar na rua, no quintal, nos terrenos
vazios e nas praças. Os grupos de crianças eram organizados com idades e origens
sociais variadas participavam das brincadeiras. O brinquedo industrializado, no início
era restrito às crianças de classe média. A sociedade de consumo, no entanto, não
tinha se consolidado e os adultos (pais, tios, avós, vizinhos), contribuíam ativamente
para as experiências lúdicas das crianças, confeccionando bonecas de pano,
carrinhos de madeira e bolas de meia, ou participando das brincadeiras, propondo
cirandas, pulando corda ou riscando o jogo da amarelinha no chão. Gradativamente,
no entanto, as crianças foram sendo colocadas para fora do mundo adulto e dos
espaços urbanos. O espaço das crianças aos poucos foi se tornando cada vez mais
limitado, até se tornar em pequenas áreas.
Houve um processo de desvalorização do brinquedo, num mundo
orientado pelo trabalho e pelo lucro, ela é vista e considerada como uma atividade
não produtiva. Segundo Benjamin (apud VOLPATO, 2002, p. 63), ‘’ uma
emancipação do brinquedo começa a se impor; quanto mais a industrialização
avança, mais decididamente o brinquedo subtrai-se ao controle da família, tornandose cada vez mais estranho não só as crianças, mas também aos pais’’.
Não temos dúvidas que brincar é uma atividade da qual nós adultos
podemos entender a criança, como ela está brincando. A cultura lúdica infantil está
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sendo influenciada hoje pela indústria e pela mídia. Atualmente muitos dos
brinquedos mais vendidos são aqueles mostrados na televisão. Em tempos da
contemporaneidade, a infância tem uma influência com a mídia com um mundo mais
virtual do que real que levam a criança ao consumo. Os bonecos de brinquedos ‘’
Paul Rangers’’, por exemplo, a mídia propõe esses objetos com muita subtilidade, é
necessário pensar, sobre a velocidade do mundo das tecnologias. Quando éramos
crianças manipulávamos brinquedos onde a relação era algo possível de ser
pensado, hoje o que se vê nas telas, por exemplo: vídeo, é impossível deduzir o que
está ali e estabelecer relações com o corpo.
Essa representação do espaço e do corpo toma um rumo diferente. Mas
mesmo com toda essa evolução, as crianças continuam brincando e como diz
Volpato:
Mas apesar de todas as mudanças que possam ter ocorrido ao longo dos
tempos, as crianças continuam brincando, continuam jogando e se
expressando por meio das atividades lúdicas. Se isso ocorre mesmo numa
sociedade que supervaloriza o trabalho em detrimento do lazer e que
atribui ao tempo um valor financeiro, é porque é atribuído ao brinquedo e
ao brincar algum sentido, ou valor social, principalmente na vida das
crianças (VOLPATO, 2002 , p.63).
A brincadeira e o brinquedo fazem parte da vida criança. Valorizar as
brincadeiras não é apenas permiti-las e sim suscitá-la.
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5 BUSCANDO COMPREENDER A FALA OS PAIS
Este capítulo apresenta os resultados da pesquisa realizada com os pais
com a finalidade de obter dados concretos a respeito do que eles pensam em
relação do brinquedo e do brincar de seus filhos. Procuramos apresentar cada uma
das questões levantadas que foram alvo de nosso interesse.
No primeiro momento, procuramos saber dos pais, se eles consideram
importantes os filhos brincarem em casa e por que consideram. Alguns pais
apontaram o brinquedo importante porque consideram o tempo deles. Vejamos a
fala de alguns pais:
‘’Porque elas são crianças? E tem que aproveitar a infância delas’’ (mãe
da Stéfani e da Paula).
‘’Ah! Tem que viver o seu tempo, é uma fase muito boa, de descobrimento
de sua infância’’ (mãe da Luana).
Nessas falas, percebemos que a infância é reconhecida pelos pais como
um tempo diferente. Segundo Volpato (2002, p.138) como ‘’uma categoria social que
tem uma particularidade, que não é um adulto em miniatura, como era considerado
principalmente até o século XII”.
Também percebemos que alguns pais consideram importante porque elas
desenvolvem-se, aprendem vejamos:
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‘’Por que? Porque brincando ele também aprende’’ (mãe do Álan).
‘’Sim, bastante, por que ela brincando, ela se desnvolve bastante em
relação a várias, várias coisas’’ (mãe da Maria Eduarda).
‘’Sim, porque a criança desenvolve mais a coordenação motora,
desenvolve mais a criatividade dela“ (mãe do João e do Pedro).
‘’Com certeza, porque através do brinquedo ele aprende muitas coisas’’
(mãe do Érick).
‘’Muito, porque ajuda a desenvolver a coordenação motora, aprendizagem
dele, acho que faz parte da própria vida deles, do dia – a –dia” (mãe do Gabriel).
Foi possível identificar que os pais concordam que é muito importante a
criança brincar. Que os filhos têm tempo para brincar. Dentre os brinquedos que as
crianças mais gostam, percebemos que há uma variação de preferência, entre os
mais apontados foram; os jogos de montar, bicicleta, boneca, carrinho, terra e areia,
desenhar e escrever. Como podemos perceber em algumas falas, sendo que nesse
depoimento da mãe, teve também a fala da criança:
‘’(Luana) eu brinco com meu ursinho, (mãe interrompe) de tudo um pouco,
é com urso, é com boneca, de casinha, e de é mais estudar, gosta muito é de
caneta, de lápis, de caderno (mãe da Luana).
‘’Ah! Com os brinquedos dela: boneca, fazer café, (a Maiara completa):
panelinha e a mãe: panelinha que ela tem. (Maiara) ta ali dentro da casinha’’ (mãe
da Maiara).
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‘’Jogos e bola, bicicleta, balanço e brincadeira, até de, da minha época
que eu passei um pouco pra ele, bastante jogo educativo’’ (mãe do Alan).
Nos depoimentos percebemos que muitos brinquedos são de tempos
remotos, mas ainda são praticados pelas crianças de hoje. Segundo Volpato (2002)
nas várias brincadeiras ou os vários elementos da cultura lúdica parecem romper
com as fronteiras do tempo e conseguem conviver com os avanços tecnológicos.
Isso demonstra que alguns pais, de certa forma, direta ou indiretamente, continuam
passando a seus filhos experiências de jogos e brincadeiras de seu tempo, de sua
própria infância.
Vejamos também o que os pais responderam quando foram questionados
em relação a qual foi o último brinquedo que os pais deram ao filho e por que o
escolheram. Houve diversos brinquedos que foram apontados, mas o que
determinou é interessante analisar.
‘’O último brinquedo que eu dei para ele, não é educativo, bem pouco, é o
“baib layd”, mais isso foi uma empolgação dele, influência dos amiguinhos, todos
eles tinham, e ele queria brincar, mas também é um pião. No caso é uma parte do
que eu e os meus irmãos tínhamos quando éramos criança’’ (Sônia, mãe do Alan).
‘’Pois agora, não sei se foi à bola, há ele gosta muito de brincar também
com os, aqueles brinquedos de borracha, tipo Power Rangers, esses brinquedos ali,
o último que ele ganhou agora, foi esses ali (Mãe do Leonardo).
“O último brinquedo que eu dei foi o jogo de lego de 135 peças, para eles
brincarem, para mexer com a criatividade, já que eles estavam tanto pedindo’’ (Mãe
do João e do Pedro).
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Esses brinquedos aparecem em programas de televisão e as crianças
segundo Volpato (2002, p. 67) são alvo fácil da indústria do brinquedo. Pela
propaganda elas são informadas sobre novos brinquedos que estão no mercado.
Diversidade de imagens de brinquedos de programas infantis, entre outros são
capazes de influenciar as crianças, incentivando e apontando estratégias de como
consegui-los de seus pais, principalmente em datas comemorativas.
Nesse depoimento percebemos que o brinquedo foi uma solicitação da
criança influenciada por outras crianças.
“Foi um bebê, eu escolhi, porque ela queria, ela olhava as crianças brincar
com bebê e ela queria porque queria um bebê, porque ela queria trocar fralda, ela
queria botar roupinha, é isso’’ (Mãe da Maria Eduarda).
Percebemos também que, a questão de gênero apareceu na fala dos pais,
quando perguntamos sobre o último brinquedo que deram aos filhos, vejamos o que
falou esse pai:
‘’O último brinquedo, o último brinquedo. Sempre sobra a boneca, duas
meninas, não tem como muda’’ (Pai da Ana Paula e da Cíntia).
‘’O último brinquedo foi duas bonecas, uma para cada uma, porque elas
gostam’’ (Mãe da Paula e da Stéfani).
‘’O último brinquedo que eu dei para ele, foi uma motinho, eu dei agora no
natal, uma motinho e porque ele gostou muito quando ele foi na loja comigo e viu
uma ‘’bis’’ que o tio dele tinha uma ‘’bis’’, então ele disse que queria porque, para
ficar igual ao tio’’ (Mãe do Érick).
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“Ah! Foi uma boneca, dei de natal. Porque ela queria uma boneca; ela já
tinha uma, só que ela queria mais uma boneca‘’ (Mãe da Maiara).
‘’O último brinquedo que eu dei para ela foi uma boneca porque ela gosta
bastante de brincar de boneca, ela sempre pede: bebê, bebê’’ (Mãe da Milena).
Procuramos saber se os pais consideram importante os filhos brincar na escola?
Todos responderam que sim, sendo que quatro responderam que
brincando eles aprendem, quatro responderam que na escola eles têm amiguinhos,
outros porque se desenvolvem. Essas expressões demonstram que os pais
consideram a socialização e a integração importante para a criança. Vejamos a fala
dessa mãe:
‘’Sim é importante, porque assim, ele ajuda a, a dividir os brinquedos com
os coleguinhas de classe ou de sala? E é todo um, como vou te dizer a palavra,
colocar, acho que é todo um conjunto. (eu: coletivo?) é, todas as crianças juntas?
Brincando é muito importante. (mãe do Gabriel)
Diante disso tudo questionou então que tipo de brinquedo seria importante
a escola ter para seu filho brincar? Todo tipo de brinquedo é importante, brinquedos
que mecham com a criatividade, jogos educativos (pecinhas) coloridos, parque,
balanço, escorregador, minhocão, boneca, casinha, vejamos o que algumas mães
falaram:
“Jogos, para desenvolver a cabecinha, assim, acho que tudo quanto é tipo
de brinquedo é bom para eles’’ (mãe do Lucas).
‘’Eles gostam de brincar de futebol, um campinho’’ (Mãe do Leonardo).
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‘’Olha, eu que como criei os meus filhos em creche, eu acho que todos os
brinquedos são importantes, porque cada brinquedo, é uma nova aprendizagem que
eles aprendem, qualquer coisa, porque a escola também, o brinquedo também,
ensina a criança, o brinquedo também ensina a criança (mãe do Gabriel).
Quais as brincadeiras ou brinquedos foram mais significativas para você e
por que? Essa pergunta finaliza a entrevista que fiz com os responsáveis pelas
crianças.
Conhecer um pouco da história dos pais, principalmente, reflexos de sua
cultura lúdica pode ajudar a entender o seu modo de agir hoje perante a cultura
lúdica contemporânea.
A compreensão das brincadeiras e a recuperação de seu sentido lúdico
dependem do modo de vida de cada povo em seu tempo e espaço. As
brincadeiras se transformam em decorrência da dinâmica colocada pelos
processos históricos que alteram o panorama social e cotidiano infantil por
conseqüência (FANTIN, 2000, p.216).
As minhas brincadeiras na época assim era a amarelinha, escondeesconde, corda, na escola era também na educação física, ginástica, dança, vôlei,
futebol, este tipo de brincadeira. Não existia muito aquele jogo educativo, claro era
binguinho, este tipo de brinquedinho que hoje ta mais avançado? Até vê? O pião não
é mais o pião, hoje é o “baib laid”. Foi significativo, tanto que to passando para meus
filhos (Sônia, mãe do Alan).
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Mesmo modificadas, ou não as brincadeiras aparecem nesse depoimento
da mãe com uma preocupação dela em ‘’passar‘’ para os filhos, por considerar muito
significativas.
Falar em reviver os brinquedos tradicionais, as mães pronunciaram-se a
respeito de seus brinquedos na infância, tentando explicaram o que seus filhos
brincam hoje.
A sei lá, eu gostava de brincar que nem elas, de boneca, acham que é por
isso que ela gosta tanto brincavas com boneca? Brincava de boneca, brincava,
brincava de pular corda, era dessas coisas assim que a gente brincava (mãe da
Maiara).
Eu gostava de brincar bastante, de casinha, acho que as mesmas coisas
que ela gosta também. Eu gostava de brincar bastante de correr também, bastante
movimento (mãe da Milena).
Fantin (2000), aborda que sabemos que a história do adulto depende de
sua história de infância e que recuperar sua trajetória e sua história social, familiar e
cultural, bem como as mediações aí realizadas, pode indicar pistas para uma maior
compreensão do presente.
Nos depoimento dos pais podemos encontrar com freqüência as
brincadeiras ou brinquedos ao ar livre, onde aparece: esconde – esconde, a bola,
bicicleta, balanço, casinha, pular corda, boneca. Que parecem permanecer na
preferência das crianças.
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‘’Para mim, significativa, foi uma boneca e uma corda de pular. A boneca
porque a gente brincava com ela não mexia os bracinhos, mais era bastante
interessante, marcou bastante e a brincadeira de corda sempre tinha um
castiguinho, quem errava, e aquilo ali marcou bastante para mim (mãe da Maria
Eduarda).
‘’Na minha infância? A nós brincávamos de roda, de amarelinha, de
elástico, deixa ver mais do que, de casinha, era isso o que nós brincava quando era
pequeno. (eu: foram significativas?) é porque, é a única opção que tínhamos,
quando não tinha boneca, fazia até de, de milho (mãe do João e do Pedro).
“Para mim, acho que as brincadeiras de, de pega-pega, de se esconder,
porque não brincava só nós as crianças, brincavam os meus tios tudo, brincavam
com a gente, era muito bom isso pra nós e eu aprendi bastante com eles brincando’’
(mãe do Lucas).
“Na minha, na minha infância, que eu me lembro, acho que era o carrinho,
sentava as minhas irmãs em dentro e puxá-las, porque eu me lembro a gente era
muito pobre. É que eu me lembro, é eu sei que era uma carrocinha e sentava
minhas irmãs dentro e puxava, era o nosso brinquedo, uma carrocinha, e sentava,
porque não tinha muita opção naquele tempo, que nem hoje, as crianças tem’’ (mãe
do Gabriel).
São vários os fatores que influenciaram os gostos e preferências pelos
brinquedos e brincadeiras das crianças. Por meio das entrevistas tivemos a
oportunidade de identificar muitas das mesmas influências encontradas em Volpato
(2002) no que diz respeito aos critérios que os pais utilizam para dar os brinquedos
33
aos filhos. Também pudemos verificar, dentre os diversos fatores, que o preconceito,
relacionados à questão de gêneros impedem as crianças de brincar com
determinados brinquedos. Outro fator que notamos também em nossa pesquisa foi a
questão da influência da televisão definindo o gosto e a preferência pelos
brinquedos.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O brinquedo é um objeto facilitador do desenvolvimento das atividades
lúdicas, que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a imaginação e a
criatividade. As crianças gostam de brincar, além de gostar também dos brinquedos,
sejam eles de produção artesanal ou industrial. O brincar revela também a estrutura
do mundo da criança, como ela vê o mundo em sua volta. Neste sentido,
preocupamo-nos em buscar saber, se o brinquedo em casa ou na escola é
considerado importante pelos pais. Essas questões levaram-me a fazer a pesquisa
de campo por considerar esta como um recorte da realidade, que poderia esclarecer
como o brinquedo é visto pelos pais. Onde o resultado apontou de alguma forma a
realidade social esta garantindo o espaço lúdico e a infância. Diante disto, como
educadores podemos promover e desenvolver no espaço educacional um pedagogia
que privilegie a infância e o lúdico, conforme Batista:
A construção de uma Pedagogia da Educação Infantil que privilegie as
infâncias e não a alunância; que privilegie a diversidade e não a
homogeneidade; que privilegie a espontaneidade ao invés do
espontaneísmo; que estabeleça uma relação de complementaridade com as
famílias e não de favor e caridade; que reconheça a criança como sujeito
social de direitos e não mais como objeto de tutela; que a educação das
crianças seja sinônimo de emancipação e não de subalternidade (BATISTA,
2003, p.44).
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Analisando a fala dos pais sobre a importância que eles dão ao brinquedo
e ao brincar de seus filhos, observamos que o pai tem muitos a contribuir neste
sentido. Todos afirmaram ser importante. Alguns por achar que elas são crianças e
tem que aproveitar a infância delas e tem que viver o seu tempo, por ser uma fase
muito boa, de descobrimento. Outros alegaram que consideram importante porque:
brincando a criança aprende, desenvolve sua criatividade, coordenação motora.
Todos os pais também responderam que acham importante as crianças brincarem
na escola. Consideram a escola um espaço de convivência, socialização e
integração e que a escola deve ter muitos brinquedos. Com isso podemos concluir
que os pais são pessoas que estão bastante cientes da importância do espaço
lúdico na educação infantil e também no convívio familiar.
A pesquisa nos mostrou a diversidade do universo lúdico das crianças.
Que os brinquedos e brincadeiras tradicionais ainda muito deles se fazem presentes
no cotidiano das crianças; esconde - esconde, pular corda, boneca, bola, entre
outras.
O que não podemos deixar de considerar também, é que mesmo diante de
todas as inovações tecnológicas em torno dos brinquedos, muito dos
brinquedos, das brincadeiras e dos jogos tradicionais continuam presentes
na vida das crianças pesquisadas, e, se isso está ocorrendo, é porque de
alguma forma a realidade social está garantindo essa continuidade
(VOLPATO, 2002, p.192).
Em relação aos fatores que interferem na escolha dos brinquedos e
brincadeiras, são determinados pela realidade social, pela necessidade de
compreensão da realidade que estão inseridas, nas relações com os adultos, ao tipo
36
de trabalho dos pais, as questões de gênero, aos amigos que têm, aos programas
assistidos na televisão às condições sócios – econômicas.
Para que as crianças possam viver intensamente o seu tempo e o seu
espaço é importante que tanto os pais como os professores compreendam o
significado do brinquedo e do brincar na vida da criança.
O que se percebe é que os universos das crianças são constituídos pela
imprevisibilidade, espontaneidade, aleatoriedade, ludicidade, imaginação,
criatividade, fantasia, pluralidade, brincadeira de faz - de - conta, linguagem
artística, gestual, corporal, musical, entre outras (BATISTA, 2003, p. 52).
Neste sentido, é necessário garantir esse espaço da criança brincar. É
muito importante que as pessoas envolvidas com a criança acreditem nisso. Que
pais e educadores sejam parceiros nessa caminhada de educação, considerando o
brinquedo e o brincar não só como coadjuvante, mas reservando-lhes um papel de
destaque, considerando sua importância no desenvolvimento pleno da criança.
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REFERÊNCIAS
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Zahar, 1981.
BATISTA, Rosa. Cotidiano da educação infantil: espaço acolhedor de emancipação
das crianças. In: Iº CONGRESSO DO FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DOS
MUNICÍPIOS DA AMREC. Anais Criciúma... Criciúma: AMREC, 2003.
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Summus Editorial, 1984.
FANTIN, Mônica. No mundo da brincadeira: jogo, brinquedo e cultura na educação
infantil. Florianópolis: Cidade Futura, 2000.
KISHIMOTO, Tisuko Monchina (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e educação.
São Paulo: Cortez, 1997.
LIMA, Elvira Souza. A criança pequena e suas linguagens. São Paulo: GEDH,
2003.
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In: MINAYO, MARIA Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social: Teoria, Método e
Criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994.
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NETO, Carlos. Jogo e desenvolvimento da criança. Lisboa: FMH, 1997.
PORTO, Cristina Laclette. O brinquedo como objeto de cultura. In: Boletin TV
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RABELO, Giane. Iº CONGRESSO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO - IX SEMINÁRIO
DE EDUCAÇÃO. Criciúma, 2003.
SANTOS, Marli Pires dos Santos (Org.). Brinquedoteca: o lúdico em diferentes
contextos. Petrópolis: Vozes, 1998.
TELES, Maria Luiza Silveira. Socorro! É Proibido Brincar! Petrópolis: Vozes, 1999.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Livraria Martins
Fontes, 1984.
VOLPATO, Gildo. Jogo, brincadeira e brinquedo: usos e significados no contexto
escolar e familiar. Florianópolis: Cidade Futura, 2002.
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ANEXO
39
ROTEIRO DA ENTREVISTA COM OS PAIS DAS CRIANÇAS
1. Você considera importante seu filho brincar em casa?
( ) Sim
( ) Não
Por que?
2. Seu filho (a) costuma brincar em casa com quais brinquedos?
3. Você acha importante seu (ua) filho (a) brincar com estes brinquedos?
( ) Sim
( ) Não
Por que?
4. Qual foi o ultimo brinquedo que você deu a seu (ua) filho (a)? E por que o
escolheu?
5. Você considera importante seu (ua) filho ( a ) brincar na escola?
( ) Sim
( ) Não
Por que?
6. Que tipo de brinquedo seria importante a escola ter para seu (a) filho(a)
brincar?
7. Quais as brincadeiras ou brinquedos foram mais significativas para você? E
por que?
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do brinquedo e do brincar, o que os pais tem a falar?