18 DE MARÇO DE 2005
Vinoterapia
(Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
Se um copo de vinho já faz tão bem, imagine uma banheira inteira para mergulhar e
relaxar? A vinoterapia aproveita os benefícios dos milagrosos polifenóis da uva em forma
de banhos e cremes. A técnica vem se espalhando em várias clínicas do Brasil. É uma
terapia de combate aos radicais livres com função antioxidante.
No uso dermatológico, a uva mais indicada é a isabel. É a que apresenta maior
concentração de resveratrol e flavonóides, para a fabricação de cremes que atuam
diretamente sobre a pele. A promessa é tentadora: prolongar a juventude, retardando os
sinais do tempo.
"Os polifenóis são dez mil vezes mais eficazes que a vitamina E e que a vitamina C tópica", revela a farmacêutica
industrial Carolina Hetzel.
A vinoterapia chegou ao Brasil há dois anos. E seja pelo charme, seja pela novidade, vem fazendo sucesso.
Resultado mesmo, só o tempo dirá.
Consumir alimentos saudáveis, produzidos de forma mais natural possível, é uma tendência que cresce a cada dia no
mundo todo. No Brasil, já existem lojas e restaurantes especializados em produtos orgânicos, que são aqueles
cultivados sem a utilização de agrotóxicos.
Alface verde, roxa, palmito, vagem, brócolis e feijão. Está pronto u prato para quem gosta de se alimentar de forma
saudável e natural. E o melhor: tudo produzido de maneira orgânica, sem nenhum tratamento químico. Para
acompanhar a refeição, nada melhor que taça de vinho. Mas sem sair da linha. E isso já é possível, porque já existe
também o vinho orgânico.
Barris gigantescos guardam vinho feito de uma uva que passou longe dos agrotóxicos.
"Os organo-sintéticos, que são os agrotóxicos de que estamos falando, foram inventados em sua ampla maioria
depois da Segunda Guerra Mundial. É um processo relativamente recente. Este é o vinho que alguns especialista
dizem ter um gosto diferente", explica o professor de biotecnologia Juan Carrau, da Universidade de Caxias do Sul.
Recuperar o sabor verdadeiro de um produto que faz tão bem à saúde é o objetivo desse uruguaio que adotou o Rio
Grande do Sul para viver.
"O perfume é a parte interessante. Com isso, se resgatam os aromas e sabores originais", ressalta o professor.
Tarefa difícil. A reação ao gosto diferente dos alimentos e bebidas nem sempre é positiva.
"Alguns consumidores acham esse tipo de vinho intenso demais", diz o professor.
Em uma adega empoeirada, um pequeno reduto de vinhos orgânicos. É o começo de um hábito que já se torna
comum na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos. Os vinhos sem agrotóxicos trazem de volta um gosto esquecido.
"Todos os orgânicos têm a característica de ter o sabor verdadeiro do alimento. E quer saber? Por surpreendente que
seja, nós já esquecemos qual é o verdadeiro sabor de um tomate, o verdadeiro sabor de um morango, de uma manga
ou até de uma taça de Cabernet Sauvignon", comenta Juan Carrau.
O Brasil produziu, no ano passado, quase 600 milhões de quilos de uvas. O Rio Grande do Sul é o responsável por
95% da produção nacional, com uma área plantada de pouco mais de 385 quilômetros quadrados. Mas há plantações
também em outros seis estados, entre eles, Pernambuco, Bahia e São Paulo.
A área plantada no país todo vem crescendo ano a ano, e a produção de vinho acompanha. Em 2004, foram
fabricados quase 357 milhões de litros de vinhos. Cada garrafa, consumida na dose certa, pode levar saúde, bemestar e prazer a quem beber.
Reportagem extraída de http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-5231-3-84805,00.html
No endereço acima, você tem ainda a oportunidade de poder assistir a um trecho do vídeo. Vale a pena!
18 DE MARÇO DE 2005
Um brinde à saúde (Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
Um grupo de amigos celebra o
encontro. Taças de vinho são
erguidas num gesto festivo e
vozes animadas repetem juntas o
velho brinde: ”Saúde!”. A
saudação nunca foi tão
verdadeira. Pois é isso mesmo
que médicos e pesquisadores
estão descobrindo: uma taça de
vinho esconde mais do que sabor e prazer – é uma fonte de
saúde.As uvas saem das lavouras e vão direto para as bancadas dos
laboratórios, consultórios e hospitais e se transformam em receita
médica.
O comprador Augusto Andreolla sabe tudo sobre comida: preparar,
comer, comprar. Há 20 anos ele trabalha com alimentação. É o
responsável pela escolha dos fornecedores e das mercadorias
usadas em um restaurante em São Paulo. Cercado de tentações,
passou dos limites.
"Como gaúcho e descendente de italianos, gosto de uma boa carne
gordurosa", conta ele.
Resultado: colesterol nas alturas. "Assusta, porque o colesterol é uma
coisa gravíssima", diz Augusto.
Ordens do médico: mudança radical. Alimentos mais leves e
saudáveis e novos hábitos: "O médico me recomendou uma taça de
vinho tinto no almoço e outra no jantar".
"Com freqüência, peço para pacientes que têm o hábito de tomar
uísque trocarem a bebida pelo vinho", diz o endocrinologista Antônio
Carlos Nascimento.
Medida simples, resultado comprovado. O vinho fez despencar a taxa
de colesterol de Augusto.
"No dia 9 de janeiro, meu colesterol estava em 281. Fiz um exame
novamente no dia 23 de abril, e ele havia baixado para 217. Depois,
no dia 17 de agosto, fora para 201. No último exame que eu fiz, a
taxa está em 180", relata Augusto.
O vinho ajuda, mas na dose certa. É o chamado consumo moderado:
uma taça de 100 mililitros para as mulheres e duas para os homens.
Os médicos assinam embaixo.
"Eu bebo vinho regularmente – e moderadamente. Tenho certeza que
isso faz bem. E os trabalhos científicos têm demonstrado isso",
ressalta o médico.No Laboratório de Aterosclerose do Instituto do
Coração (Incor), em São Paulo, 16 pacientes, todos com altas taxas
de colesterol, foram submetidos a um teste de reatividade vascular –
um método que avalia a capacidade de dilatação da artéria do braço.
Pode-se dizer que o que acontece nessa artéria é muito semelhante
ao que se passa na artéria coronária.Cada paciente fez uma primeira
medição. Depois, ficou 15 dias tomando vinho e suco de uva em
quantidades controladas pelos médicos. O índice de dilatação normal
dessa artéria é de 8% a 10%. Mas, na segunda medição, os
resultados surpreenderam.
"A capacidade de o vaso de dilatar foi acima de 14%. Foi uma
variação a mais de 4% além do que o vaso conseguia dilatar
sozinho", explica a pesquisadora do Incor Silmara Coimbra.
Mas como o vinho age no coração? Essa era a questão que intrigava
o cardiologista Protásio Lemos da Cruz, do Incor. O ponto de partida
de suas pesquisas, como as de outros cientistas em vários países, é
o que acontece na França.
"Em todos os países, há uma relação direta entre a quantidade de
gordura que as pessoas comem na dieta e a ocorrência de doença
coronária. Quanto mais gordura mais doença coronária e mais morte
por causa disso. Em certas regiões da França, é um pouco diferente.
As pessoas comem grande quantidade de gordura e a mortalidade
por doença coronária é baixa", diz o médico.
A explicação poderia estar no vinho que os franceses têm o hábito de
beber regularmente. Para comprovar a teoria, foram convocados três
grupos de simpáticos colaboradores: coelhos.
O primeiro grupo foi alimentado com uma dieta rica em colesterol. O
segundo grupo recebeu dieta igual mais uma dose de vinho tinto
equivalente a duas taças no consumo humano. E, finalmente, o
terceiro grupo foi alimentado da mesma maneira, mas consumiu
vinho sem álcool, para esclarecer uma dúvida: era o vinho ou era o
álcool o responsável pelo efeito? Depois de três meses, as
conseqüências eram visíveis na artéria aorta dos coelhinhos.
"Do total da área da aorta, 67% estavam cobertos de placas de
aterosclerose só com a dieta. Nos animais que fizeram a dieta com
vinho, essa porcentagem se reduziu a 37%. E no grupo de animais
que se alimentaram só com produtos não alcoólicos do vinho, a
redução foi de aproximadamente 45%”, revela o médico.Mas um
dado em especial chamou a atenção: a dieta fez o índice de
colesterol subir muito nos três grupos. No
grupo de coelhos que tomou vinho, o
colesterol não baixou, mas as placas de
gordura se formaram em quantidade
muito menor.
Para entender esse mistério, é preciso
conhecer dois elementos de nomes
estranhos contidos no vinho tinto: o
resveratrol e os flavonóides.
O resveratrol elimina as plaquetas que provocam coágulos e entopem
as artérias, e os flavonóides são antioxidantes, inibem a formação dos
radicais livres, que provocam o envelhecimento das células e, por
conseqüência, deixam o organismo mais vulnerável a doenças. A prova
final da eficácia desses elementos químicos veio com voluntários.
O mesmo teste feito em coelhos foi aplicado em homens e mulheres.
Os resultados foram iguais: diminuição nas placas de gordura sem
alteração de outros índices.
"De maneira semelhante ao que nós tivemos nos coelhos, não houve
nenhuma alteração de colesterol, de açúcar, de treglicérides, de LDL
ou de HDL durante o período de observação. A conclusão a que nós
chegamos é que o que há de importante realmente no vinho tinto não é
o álcool, são os flavonóides", explica o cardiologista do Incor.
Mas se o vinho faz tão bem para a
saúde e o que importa nele é a uva e
não o álcool, por que não adotar o suco
de uva? A resposta pode vir de uma
clínica geriátrica de Porto Alegre, onde
a Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul (PUC-RS) pesquisa
o poder do suco na dieta alimentar.
Trinta e três pessoas com idades entre 68 e 99 anos vivem na casa.
Além do cardápio saudável, no fim do ano passado uma novidade foi
incluída nas refeições: um copo de suco de uva duas vezes ao dia. A
intenção é aumentar o HDL, o chamado colesterol bom, e baixar o
índice de colesterol total. Todo mundo gostou.
"Isso já está se tornando um hábito. E nós estamos nos sentindo muito
bem dispostos", afirma Carmem Gomes Victória, de 72 anos.
A nutricionista Simone Dal Bosco acompanha a pesquisa dia a dia. Os
resultados finais só saem em dois anos, mas os primeiros números já
entusiasmam.
"Essas evidências mostram que alguns idosos que tinham o HDL em
torno de 38 a 40 passaram para 45 a 48. Então, essas primeiras
evidências são bem animadoras. O colesterol total também teve
diminuição. Baixou de 190 a 200 para cerca de 170", diz a nutricionista.
Mas enquanto no refeitório o grupo tomava lanche, nos quartos, foi
descoberta uma informação valiosa: tem gente que, além do suco, está
tomando é um copinho de vinho mesmo.
Dona Rosa Blanca Rossi da Silva tem inacreditáveis 94 anos e um
hábito de tomar vinho que começou muito cedo.
"Quando era menor, eu tomava suco de uva. Quando fiquei maior, era
um pouquinho de vinho. Sempre pouquinho", conta ela.
Perfeitamente lúcida, muito conservada, dona Rosa não se queixa de
nenhuma doença e vive feliz esta etapa da vida. Faz planos de chegar
aos 100 anos. E recomenda: uma dose diária de vinho faz muito bem –
para o corpo e para a alma."Creio que todas as pessoas que não
tiverem problemas de saúde devem tomar um copinho para ficarem
bem, porque parece que na França há pessoas muito velhas e que
estão perfeitamente sãs e tomam vinho todos os dias. Tomado
moderadamente, não pode fazer mal. Estou convencida disso, se não
eu já estaria morta", comenta dona Rosa.
Dona Cassalina Mendel, com 99 anos bem vividos, concorda. O vinho
é seu companheiro nesta longa jornada.
"Sempre tomei vinho. Não fico tonta, de jeito nenhum", garante dona
Cassalina.
E não fica mesmo. Prova é a grande performance de dona Cassalina:
ela abaixa e encosta as mãos nos pés sem dobrar os joelhos. Depois
levanta, rindo.
Reportagem extraída de
http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-52313,00.html
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18 DE MARÇO DE 2005
Resveratrol, um poderoso componente
(Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
Saúde, vitalidade, benefícios ao coração e combate ao colesterol. Já seria muito, mas
tudo indica que o vinho pode fazer ainda mais por nós.
"A degeneração macular, uma doença que leva à cegueira nas pessoas mais idosas,
parece que é afetada beneficamente pelo consumo de vinho. Também há indicações de
que o Mal de Alzheimer e mesmo a ocorrência de complicações de diabetes em
indivíduos não altamente descompensados são beneficiados pelo consumo moderado de
vinho", diz o cardiologista Protásio Lemos da Luz, do Instituto do Coração (Incor), em São
Paulo.
"Em sistemas-modelo, é induzido o melanoma, o câncer de pele, nos pobres dos ratinhos. Os ratinhos que recebem
resveratrol não desenvolvem esse câncer", revela o químico André Souto, da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul (PUC-RS).
Resveratrol, o poderoso componente da uva, é uma das especialidades do químico André Souto. Ele analisou 36
amostras de vinhos tintos produzidos no Brasil com diferentes tipos de uvas. Calculou a quantidade de resveratrol e
comparou com as de vinhos franceses. O resultado foi uma ótima surpresa: o vinho tinto brasileiro é riquíssimo em
concentração de resveratrol.
"Na pesquisa, nosso vinho só perde para os franceses. Mas não tem nada a ver com a qualidade do vinho e sim com
as condições climáticas de onde é cultivada a uva", explica o químico.
A concentração média de resveratrol nos vinhos franceses é de 5,06 mg/ml. Nos brasileiros, é de 2,57 mg/ml.
É ainda na parreira que a uva adquire o resveratrol. A substância é produzida sempre que a fruta é ameaçada por
pragas e fungos, situação comum em épocas de chuva. O resveratrol é uma espécie de auto-proteção dos cachos.
Os flavonóides não. São um componente natural, já nascem com a uva – faça chuva ou faça sol. E o melhor: em
vinhos finos ou no vinho popular, a dose de saúde não muda."A concentração é parecida, não tem nada a ver com a
qualidade do vinho. Não se pode associar qualidade de vinho à concentração de resveratrol. Esse é outro
departamento dos enólogos", diz o químico.
O vinho branco é o primo pobre na dinastia da saúde. Tem quantidades bem menores de resveratrol. A explicação
está no processo de fabricação. Assim que as uvas são esmagadas, as cascas, onde se encontra o resveratrol, são
jogadas fora.
Agora, pesquisadores tentam, em laboratório, virar esse jogo e aumentar a concentração da molécula que é sinônimo
de vida saudável. A intenção é fazer um vinho branco tão rico em resveratrol quanto o vinho tinto.
O engenheiro agrônomo Mauro Zanus, da Embrapa no Rio Grande do Sul, desenvolve novas técnicas de
fermentação, fazendo com que a casca da uva branca seja mais utilizada na produção do vinho.
"Nós vamos tentar nos aproximar do processo normal de elaboração de vinho tinto, onde a casca e a semente estão
em contato com o líquido e durante o qual acontece uma extração de substâncias contidas na parte sólida. No
processo normal de fermentação do vinho branco, não há nenhum contato com a casca e a semente. A casca vai ficar
durante mais tempo em contato com o líquido e por isso vai transferir mais os elementos que ela contém. O grande
desafio desse processo é fazer isso de uma maneira tal que não se descaracterize o vinho branco normalmente
produzido", diz o engenheiro agrônomo.
As primeiras amostras não decepcionaram.
"Ainda não chega a ser tão rico quanto um vinho tinto. Ele se aproxima à cerca de 40% a 50% da composição em
flavonóides de um vinho tinto, o que é mais do que suficiente para motivar alguém que tem preferência por vinho
branco a passar a valorizar mais ainda esse tipo de vinho", completa o engenheiro agrônomo.
Reportagem extraída de http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-5231-3-84802,00.html
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18 DE MARÇO DE 2005
O espetáculo da colheita
(Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
Verão na Serra Gaúcha. Para qualquer lado que se olhe, a paisagem é a mesma – e de
encher os olhos. Todas as videiras carregadas de uvas. Cachos imensos, multiplicados
por alqueires, hectares. O cultivo de uvas para a produção de vinho começou, no Rio
Grande do Sul, no final do século 18, com a vinda dos imigrantes açorianos.Depois,
vieram os alemães e, por fim, os italianos. Famílias que começaram a plantar ainda no
tempo dos pioneiros hoje têm descendentes da quarta, quinta geração à frente dos
negócios.
É chegada a hora da colheita. E ninguém fica de fora. A família inteira vai encarapitada no tratorzinho que serve de
transporte para as pessoas e, depois, para as uvas colhidas. O agricultor Luiz Antônio Tomazzi está acostumado à
lida desde os 12 anos. Está com 71 e guarda na memória a paixão do pai por um bom vinho.
"Ele tomava vinho na torneira, não era nos garrafões", conta o agricultor.
Seu Luiz espera ir tão longe – ou mais – que o pai, que morreu com 88 anos. E ele aposta que o vinho é o
responsável pela vida longa."Nunca fui operado de nada, nunca fui ao médico. O dia em que me falta o vinho, eu
acho que vou morrer", diz ele.
O trabalho na colheita é duro. Cacho por cacho é cortado cuidadosamente, com o cesto preso ao pescoço, horas a
fio. É preciso atenção, resistência, amor ao trabalho. Na parada para repor as energias, a merenda tradicional: pão,
geléia, salame e queijo. Tudo feito em casa. Para matar a sede, vinho, é claro!
"Isso faz bem. Tomamos vinho às 9h, ao meio-dia e à noite. Não pode faltar. O vinho Anima o trabalho, dá vontade de
conversar, cantar, fazer de tudo", diz a agricultora Lorena Gaspareto Petroli.
Reportagem extraída de http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-5231-3-84801,00.html
18 DE MARÇO DE 2005
Dieta ganha novo sabor
(Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
Notícia boa para quem está em guerra com a balança: é possível perder peso tomando
vinho. E não se trata de nenhuma daquelas dietas milagrosas que aparecem a cada
verão. É estudo sério, comprovado por vários endocrinologistas. A protética Fernanda
Marcelo da Silva prova: já perdeu sete quilos fazendo uma dieta que inclui duas taças de
vinho por dia nas refeições principais. É um novo sabor àquele cardápio obrigatoriamente
magro.
"Quando a gente faz dieta, tem aquela coisa pronta: a verdura cozida ou crua e um bife.
É uma dieta mais tranqüila, e sabendo que você pode tomar uma bebida que traz benefícios associa-se o útil ao
agradável. Dá um sabor especial", comenta Fernanda.
Claro que em cada copo estão guardadas perigosas calorias. Uma taça de 100 mililitros de vinho tinto de garrafa tem
em média 80 calorias. A mesma quantidade de vinho branco tem um pouco menos: 70 calorias. Mas cuidado com o
vinho do Porto: bem mais adocicado, um cálice de 60 mililitros vale 180 calorias. Para poder incluir o vinho no regime,
o candidato a magro vai ter que fazer trocas.
"Por exemplo, 100 mililitros de vinho tinto dão entre 70 e 80 calorias. Isso equivale, mais ou menos, a trocar uma
colher de arroz e feijão por uma taça de vinho", calcula o endocrinologista Antônio Carlos do Nascimento.
Reportagem extraída de http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-5231-3-84795,00.html
18 DE MARÇO DE 2005
A descoberta dos franceses
(Fonte: Globo Repórter de 18/Mar/2005)
Reportagem do Globo Repórter veiculada em 18 de Março de 2005
A qualidade do barril de madeira, polido e tratado pelas mãos do marceneiro Nicolas Luc,
é um dos segredos do vinho mais antigo da França. O trabalho minucioso, de origem
medieval, é reproduzido em um castelo desde a época do descobrimento das Américas.
O castelo virou uma fabrica em 1503, e o vinho, então uma exclusividade das refeições e
das festas da realeza, começou a virar uma bebida popular.
O primeiro dono do castelo viveu 101 anos, coisa raríssima naquele tempo. Os parentes
e os empregados também tiveram quase um século de vida. Jean Phillipe Delmas, diz
que assim o vinho começou a ganhar fama de ser bom para a saúde.
A primeira referência dos benefícios do vinho para a saúde surgiu há mais de 500 anos e coincide com a história do
castelo, que ainda conserva, no porão, as relíquias do passado. Algumas garrafas valem mais que ouro. As do século
17 não têm preço, são consideradas um patrimônio da França.
Na época das caravelas, essas peças de museu eram a bebida preferida dos espanhóis e portugueses que passavam
meses no mar. Os historiadores contam que, por isso, eles eram mais saudáveis do que os navegadores franceses,
que eram proibidos de tomar vinho.
“Os franceses chegavam nos portos da América do Sul com a saúde debilitada, tristes, deprimidos e com os dentes
cariados. Já os portugueses e espanhóis esbanjavam saúde e, principalmente, muita alegria”, conta Alain Raynaud,
um cardiologista que mudou de profissão por causa da paixão pelo vinho.Ele usou as economias de 28 anos de
trabalho na medicina para comprar uma das vinícolas mais tradicionais da França. Acha que, como produtor de vinho,
continua trabalhando indiretamente com a saúde das pessoas.
“Nós observamos que várias doenças, como o infarto de miocárdio, podem ser evitadas com o consumo regular de
vinho. Temos consciência de que o vinho contém substâncias que deixam as pessoas mais felizes e mais tônicas”, diz
o cardiologista.O médico fala dos vinhos como se fossem remédios. Ele mostra os segredos do plantio com a
intimidade de quem foi criado no meio dos vinhedos. O pai e o avô eram vinicultores na área rural de Bordeaux.
“Uma árvore tem 60 anos e nunca deixamos passar do mesmo tamanho. Uma colheita pequena garante uma grande
concentração de resveratrol, a substância mais medicinal do vinho”, diz ele.A distância entre as árvores garantem
mais espaço para as folhas crescerem e, por conseqüência, uma melhor fotossíntese. Na fase da fermentação, a
produção de resveratrol também é estimulada. Cada produtor tem uma técnica diferente. O médico Raynaud inventou
um sistema de rotação dos barris.
“Nós giramos cada barril duas vezes por semana durante um ano e meio. Isso é para evitar o depósito de resíduos no
fundo e para garantir uma boa mistura de todos os componentes benéficos do vinho”, explica ele.De onde ele tirou as
certezas de que o vinho faz bem para a saúde?
“Minha avó morreu com 96 anos e o meu avô, com 94. Eles bebiam vinho diariamente e de forma moderada. Quer
exemplo melhor do que este? Em Bordeaux, todos têm uma história de longevidade na família”, assegura o
médico.Os franceses de Bordeaux adoram leite, queijo, carne, alimentos com alta concentração de gordura. Apesar
desse hábito de risco para a saúde do coração, o índice das doenças cardiovasculares em toda região de produção
de vinho é um dos mais baixos do mundo e a expectativa de vida, uma das mais altas. Vários estudos tentam explicar
esse fenômeno, que tem um nome famoso.
A expectativa de vida das mulheres na região é de 84 anos e a dos homens, 79. E o governo quer provar
cientificamente que o vinho é a melhor explicação para o “paradoxo francês”.Há dois anos, o Ministério da Agricultura
contratou dois cientistas para estudar a eficácia da bebida mais tradicional do país no combate das doenças do
coração. O médico Ludovic Drouet e o agrônomo Michel Bonneau estão usando dois grupos de porcos para fazer os
testes de campo. Eles escolherem os porcos porque eles têm uma nutrição parecida com a dos homens e porque
também desenvolvem doenças coronárias semelhantes.
Um grupo de animais recebe a mesma dieta dos homens: uma farinha com concentração de lipídios e de proteínas de
origem animal em altas doses. Esses alimentos forçam o aumento do índice de colesterol e provocam lesões de
aterosclerose nas veias. O outro grupo recebe a mesma farinha com a mistura de um litro de vinho sem álcool.
“Uma vez por mês nós fazemos uma análise do sangue, para ver a evolução dos dois grupos diferentes. Em uma
observação superficial, já percebemos que eles sempre dão preferência à comida regada a vinho e que o grupo do
vinho é bem mais dinâmico – todos são enormes e parecem felizes com a vida. Tudo indica que isso vai se refletir na
saúde das veias coronárias deles”, diz o médico Ludovic.Depois de dois anos de trabalho de campo, os cientistas
começaram agora os testes em um laboratório especializado em doenças cardiovasculares. Os resultados
preliminares já são conhecidos.
O médico Ludovic explica que dois grupos de porcos, alimentados com vinho e sem vinho, desenvolveram lesões de
arterosclerose de gravidade e tamanho semelhantes. Não houve nenhuma alteração importante. Mas no caso da
trombose, as pesquisas mostraram que o consumo de vinho teve interferência positiva para a prevenção da doença.
“Podemos afirmar que o vinho reduz a formação de plaquetas que formam a trombose. Ele provoca um efeito
anticoagulante, assim como o de alguns remédios, como a aspirina. Mas há uma diferença importante: no caso
específico da trombose, o vinho é mais eficaz que a aspirina”, afirma o médico Ludovic.Os resultados definitivos serão
conhecidos dentro de três meses.
Reportagem extraída de http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-5231-3-84803,00.html
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