3 a 6 de novembro de 2009 - Londrina – Pr - ISSN 2175-960X
Características antropométricas e funcionais dos praticantes de Goalball do ILICT de
Londrina-PR
Especialista: Odair Rodrigues Sales1, Mestre: Heriberto Colombo1
INTRODUÇÃO
A pessoa com deficiência visual tem como características principais a função de sua
capacidade visual e a interação com o meio. As desvantagens que esse grupo apresenta são
em decorrência da estimulação inadequada, das barreiras sociais e preconceitos. Então,
considerar-se-á deficiência e incapacidade como condições intrínsecas do indivíduo, onde a
desvantagem é uma conseqüência dessas características na interação com o meio, ou seja, de
condição extrínseca relacionada às condições culturais (AMARAL, 1996).
Por outro lado, ao estudarmos as formas e proporções do homem, torna-se difícil a
dissociação delas com o movimento humano; ficando demonstrado por Santos e Guimarães,
2002 que há uma ligação muito próxima. E o deficiente visual possui uma limitação nas
relações espaço-temporal, que dificulta o desenvolvimento de atividades físicas e esportivas
(JANKOWSKI e EVANS, 1981). Pois, o ajuste do equilíbrio é comprometido na pessoa com
limitação visual (PEREIRA, 1990).
A eficiência no controle do movimento apresenta uma limitação do aprendizado e do
desenvolvimento motor na pessoa com deficiência visual. Portanto, as ações mediadoras para
promover tal processo deverão ser sistematizadas e dirigidas (SHERRILL et al., 1986). Dando
suporte a interação social, pois, uma característica desta população é o sedentarismo
(STANFORD, 1975). Os ambientes como o jogo e o esporte são favoráveis para o
desenvolvimento do deficiente visual, pois nesta condição de interação, ele pode ser tratado
de maneira igualitária quanto à idéia de oferecimento de atividades e oportunidades
(ROGOW, 1981).
Portanto, este estudo contribui no sentido da apresentação das características
antropométricas e funcionais dos praticantes de esportes adaptados do Instituto Londrinense
de Instrução e Trabalho para Cegos – ILITC. E trazendo então subsídios para a comparação
em futuros estudos neste grupo específico, pois, há uma quase inexistência de estudos em
grupos com este perfil (GORLA, 1997; OLIVEIRA FILHO, 2006; COMITÊ
PARAOLÍMPICO BRASILEIRO, 2009). A modalidade escolhida é o Goalball, pois, é um
desporto adaptado exclusivamente para portadores de deficiência visual.
1
Laboratório de Atividade Física e Esporte (LAFE), UNIFIL, Londrina, PR
Correspondência para:
Odair Rodrigues Sales
Heriberto Colombo
Laboratório de Atividade Física e Esporte, UNIFIL
Av. Juscelino Kubitschek, 1626, Centro
CEP 86020-000 Londrina, PR
Fone: +55 (43) 3375-7442
e-mail: [email protected]; [email protected]
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Dessa forma, devido à escassez de estudos relacionados a este grupo em questão, o
propósito foi identificar as características morfofuncionais dos praticantes de Goalball do
ILICT de Londrina-PR.
Metodologia
Sujeitos
Foram recrutados sete indivíduos do gênero masculino com idade entre 15 e 52 anos
do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (ILICT), cegos totais e de baixa
visão. Os critérios de inclusão foram: (a) somente poderiam participar do estudo indivíduos
devidamente matriculados no ILICT; (b) deveriam ser participantes do grupo de treinamento
da modalidade de Goalball a pelo menos um ano. Os critérios de exclusão foram: os sujeitos
que porventura não completassem algumas das avaliações foram excluídos da amostra.
Delineamento Experimental
Todos os participantes foram submetidos aos testes numa mesma sessão de avaliação e
no mesmo horário. Foram instruídos a comparecer trajando roupas e calçados adequados
(camiseta, shorts ou bermuda e tênis). E ainda a não realizar exercício físico nas 24 horas
antecedentes; e a não consumir bebidas contendo cafeína ou álcool nas três horas antecedentes
(ACSM, 2006). As avaliações foram realizadas no Laboratório de Atividade Física e Esporte
(LAFE) do Centro Universitário Filadélfia (Unifil) de Londrina-PR.
Os sujeitos foram informados sobre os procedimentos, benefícios e riscos atrelados à
execução do estudo, condicionando posteriormente a sua participação de modo voluntário
através da assinatura do termo de consentimento livre e informado. O protocolo de pesquisa
foi delineado conforme as diretrizes propostas na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de
Saúde sobre pesquisas envolvendo seres humanos (CNS, 1996).
Instrumentos e Procedimentos
Após identificação dos fatores de inclusão, e realização de um inquérito analisando a
periodicidade do treinamento e tempo de prática, foram submetidos à assinatura do termo de
consentimento livre informado, e na sequência, foram realizadas as medidas antropométricas:
massa corporal em kg (balança Toledo®, modelo 2096, São Paulo, Brasil); estatura em cm
(estadiômetro Sanny®, São Paulo, Brasil); os diâmetros corporais em cm (fita métrica Sanny®,
São Paulo, Brasil); diâmetros ósseos em cm (paquímetro Sanny®, São Paulo, Brasil);
seguindo protocolos descritos por Fontoura et al. (2008). Na sequência, o IMC (kg.m-2) foi
calculado utilizando a massa corporal dividida pela estatura ao quadrado e a relação cinturaquadril pela divisão da circunferência de cintura e de quadril.
As dobras cutâneas foram mensuradas em mm utilizando compasso de dobras
(Cescorf®, Porto Alegre, RS) em três locais para o gênero masculino (tríceps, suprailíaca e
abdominal) e para o gênero feminino (coxa, suprailíaca e subescapular), conforme os
procedimentos propostos por Guedes e Guedes (2006). A densidade corporal (g.cm-3) foi
estimada através da equação de Guedes (1985) e convertida em percentual de gordura
corporal pela equação de Siri (1961).
Após, foram realizadas as avaliações funcionais: força de preensão manual em kgf
(Dinamômetro Takei®, modelo 5401, Japão); flexibilidade em cm (Banco Wells Sanny®, São
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Paulo, Brasil) seguindo protocolos descritos por Fontoura et al. (2008). Além disso, foi
aferido o consumo máximo de oxigênio de forma indireta em esteira (Imbramed®, modelo
Super ATL, Porto Alegre, RS) utilizando o protocolo de Bruce (1971), mas, foi permitido aos
sujeitos que segurassem nas barras de proteção da esteira, porque, havia o risco de queda da
esteira por serem deficientes visuais. E, foram aferidos a pressão arterial por meio de um
esfigmomanômetro aneróide e frequência cardíaca em repouso e frequência cardíaca em
esforço utilizando monitor de frequência cardíaca (Polar®, F6, Finlândia).
Estatística
A análise dos dados foi realizada através de estatística descritiva em média, mediana e
desvio-padrão. Os dados foram analisados utilizando o programa estatístico SPSS for
Windows 13.0.
Resultados
Os resultados da estatística descritiva para características antropométricas são
apresentados na tabela 1.
Tabela 1: Características antropométricas.
Variáveis
Idade (anos)
Peso (kg)
Estatura (m)
IMC (kg/m2)
Gordura Corporal (%)
Gordura Corporal (kg)
Massa Magra (kg)
Massa Muscular (kg)
Circunferência braço direito relaxado (cm)
Circunferência braço direito contraído (cm)
Circunferência braço esquerdo relaxado (cm)
Circunferência braço esquerdo contraído (cm)
Circunferência antebraço direito (cm)
Circunferência antebraço esquerdo (cm)
Circunferência tórax relaxado (cm)
Circunferência tórax inspirado (cm)
Circunferência cintura (cm)
Circunferência abdômen (cm)
Circunferência quadril (cm)
Circunferência coxa direita (cm)
Circunferência coxa esquerda (cm)
Média
27,14
82,92
174,07
27,17
21,08
17,76
65,16
33,15
29,11
33,28
29,55
32,94
27,12
26,94
95,81
98,31
90,22
91,44
104,71
58,40
56,52
Desvio
Padrão
13,96
13,96
8,76
3,69
4,41
5,79
11,91
6,13
3,01
4,03
3,26
3,60
2,92
2,52
11,98
12,71
8,88
10,42
10,76
4,96
4,83
Mediana
23,00
83,10
173,50
26,20
22,03
19,50
63,28
31,65
27,00
31,00
28,00
31,00
27,00
27,50
92,00
95,00
89,00
88,00
105,00
59,30
57,50
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Circunferência panturrilha direita (cm)
Circunferência panturrilha esquerda (cm)
Relação cintura quadril (cm)
43,68
42,18
0,86
13,71
12,22
0,06
39,40
39,00
0,85
Na tabela 2 são apresentados os resultados com relação às variáveis funcionais.
Tabela 2: Características funcionais.
Variáveis
Preensão Manual mão direita (kgf)
Preensão Manual mão esquerda (kgf)
Flexibilidade Banco de Wells
VO2máx (ml.kg-1.min-1)
Média
43,68
42,18
20,14
48,69
Desvio
Padrão
13,71
12,22
9,26
10,15
Mediana
51,20
46,90
16,00
53,02
Na tabela 3 são apresentados os resultados com relação ao somatotipo.
Tabela 3: Perfil do somatotipo.
Variáveis
Endomorfia
Mesomorfia
Ectomorfia
Média
5,40
5,46
1,10
Desvio
Padrão
1,65
1,34
0,70
Mediana
5,38
5,67
0,82
Discussão
Em virtude da dificuldade de se encontrar dados relativos a avaliação antropométrica e
funcional dos praticantes de goalball na literatura, aqui são demonstrados então os dados desta
equipe do ILITC para que a partir desta pesquisa, começarmos a traçar o perfil antropométrico
dos praticantes desta modalidade, a fim de se definir as características antropométricas básicas
para se obter sucesso na mesma. Também estes dados podem servir como base para auxiliar
em futuras pesquisas, pois assim haverá parâmetros para comparação. Deve-se realçar
também que estes dados podem auxiliar no controle e acompanhamento do treinamento desta
modalidade. Portanto, o propósito foi identificar as características antropométricas e
funcionais dos praticantes de goalball do ILICT, Londrina-PR, e ainda realizou uma
comparação entre os gêneros.
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Em relação às variáveis antropométricas, a massa corporal média dos jogadores de
goalball do ILICT ficou em 82,92 ± 13,96 kg. Já Grosso et al. (2007) avaliando deficientes
visuais, mas, praticantes de judô do gênero masculino, com uma média etária de 27,02 ± 6,86
e massa corporal média de 78,74 ± 16,66, ficando abaixo da média do presente estudo.
Oliveira et al (2005) encontrou uma média de 70,63 ± 10,59 em deficientes visuais entre 18 e
40 anos do gênero masculino e feminino, abaixo do presente estudo, porém havia indivíduos
do gênero feminino na amostra, o que pode ter diminuído a média.
A estatura média dos jogadores no presente estudo foi de 174,07 ± 8,76 cm. Grosso et
al. (2007) obteve uma média na estatura de 173,48 ± 7,67, ficando bem próximo da média
deste estudo. Oliveira et al (2005) encontrou uma média de 171,10 ± 8,99, abaixo do presente
estudo, porém havia indivíduos do gênero feminino na amostra.
O percentual de gordura corporal deste estudo foi de 21,08 ± 4,41. No estudo de
Grosso et al (2007) foi obtido um escore médio de 17,38 ± 8,47, ligeiramente abaixo do
presente estudo.
Em relação às variáveis funcionais, a flexibilidade obtida no teste de sentar e alcançar
obteve uma média de 20,14 ± 9,26 cm. Greguol et al (2009) avaliando indivíduos deficientes
visuais entre 13 a 16 anos encontrou uma média no teste de sentar e alcançar de 16,23 ± 6,98
cm, abaixo da média encontrada neste estudo, todavia eram indivíduos mais jovens e não
praticantes de goalball, eram apenas escolares. Silva Jr (2006) avaliando jogadores de futsal
deficientes visuais (25 ± 3,7 anos) encontrou um escore médio de 37,8 ± 7,8, acima dos
resultados do presente estudo.
Com relação à força dos membros superiores, no teste de preensão manual atingiu uma
média de 43,68 ± 13,71 kgf na mão direita e uma média de 42,18 ± 12,22 kgf na mão
esquerda. Silva Jr (2006) avaliando jogadores de futsal deficientes visuais (25 ± 3,7 anos)
encontrou um escore médio de 11,5 ± 2,5, abaixo do presente estudo.
No teste de aptidão cardiorrespiratória em esteira sob a forma indireta resultou numa
média de 48,69 ± 10,15 ml.kg-1.min-1, sendo caracterizado como um bom nível de aptidão
segundo o ACSM (2006).
Em relação ao perfil do somatotipo obteve uma média de (5,40 - 5,46 - 1,10),
classificando-se como mesomorfo-endomorfo o índice médio deste grupo. Grosso et al
(2007), apesar de avaliar praticantes de judô, obteve um escore no somatotipo de (5,26, 5,31,
1,64), bem parecido com o nosso resultado.
Em virtude de uma escassez de literatura referente a praticantes de goalball deficientes
visais, a comparação foi feita com deficientes visuais de outras modalidades, todavia, a
relevância deste estudo está no sentido iniciar um trabalho buscando de traçar o perfil dos
praticantes desta modalidade. Para servir de apoio para novos estudos e inclusive estabelecer
perfis para a seleção de futuros praticantes desta modalidade.
Conclusão
Os movimentos que os deficientes visuais realizam são vistos como uma forma de
interação com o meio, dando a oportunidade de vivenciar diversas formas de movimento.
Portanto, quando se tem a oportunidade de participar de alguma modalidade, resulta num
melhor desempenho melhor em todas as suas atividade.
A avaliação descrita pela pesquisa trás as variáveis antropométricas e funcionais, que
em um ambiente norteado por princípios, passam a ter uma significância maior, já que podem
ser um regulador que indique o nível e estágio do grupo de praticantes de Goalball do ILITC.
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E concluindo verificou-se que em algumas variáveis, os avaliados estão dentro da
média em relação aos grupos de deficientes visuais, no entanto, o desvio padrão chega a ser
um pouco alto em virtude de uma amostra pequena. Sugere-se a realização de novos estudos
avaliando este tipo de população para a obtenção de maiores discernimentos sobre esta
população, pois os estudos são tão poucos, que foi difícil encontrar estudos para uma
comparação na discussão do artigo.
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