P L AN O V E R DE
CIDADE DE SAL-REI
ILHA DA BOA VISTA
RELATÓRIO
Coordenação
José Maria Semedo
Samuel Gomes
Setembro de 2013
P L AN O V E R DE
CIDADE DE SAL-REI
ILHA DE BOA VISTA
Coordenação
José Maria Semedo
Samuel Gomes
Setembro de 2013
Câmara Municipal da Boa Vista
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Elaboração
SIG-RISCO – Centro de Estudos Geográficos L.da, Avenida do Palmarejo
N.o8 2o Direito Palmarejo, Cidade da Praia, Tel/Fax (238) 262 00 21. NIF –
252865103
Para a
Câmara Municipal da Boa Vista
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
i
Câmara Municipal da Boa Vista
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ii
Índice
Ordem
Assunto
pág.
1.
Introdução
1
2.
Inserção e caracterização geral da cidade de Sal-Rei
3
2.1.
Enquadramento histórico e geográfico
3
2.2.
Aspectos da paisagem urbana
6
3.
Caracterização e diagnóstico dos espaços verdes da cidade de Sal-Rei
9
3.1.
Praças, pracetas e jardins públicos
11
3.2.
Arborização de arruamento, rotundas e centrais de avenidas
19
3.3.
Protecção de encostas e corredores dunares
41
3.4.
Jardins e pátios privados
44
4.
Estratégia de consolidação dos espaços verdes existentes
48
4.1.
Selecção de espécies mais adequadas
48
4.2.
Sistema de rega e manutenção eficientes
49
4.3.
Integração comunitária das áreas verdes
50
5.
Proposta de criação de novos espaços verdes na cidade de Sal-Rei
52
5.1.
Modelos e função das áreas verdes na cidade de Sal-Rei
52
5.2.
As categorias das áreas verdes na cidade de Sal-Rei
55
5.3.
Integração das áreas protegidas na cintura verde da Cidade
56
5.4.
Socialização e integração comunitária das áreas verdes
58
6.
Estratégia de criação e manutenção de novos espaços verdes
59
6.1
Criação de um viveiro municipal
59
6.2.
Parcerias e mobilização de recursos
59
6.3.
Monitorização das áreas verdes urbana
60
7.
Conclusão
61
8.
Referência bibliográfica
62
Anexos
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
Câmara Municipal da Boa Vista
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1. Introdução
O rápido crescimento urbano em Cabo Verde, verificado nas últimas décadas, não tem
permitido aos Municípios um adequado planeamento dos espaços urbanos,
nomeadamente na planificação e construção de espaços verdes, áreas de lazer, jardins e
áreas comunitárias, tão necessários ao bem-estar e qualidade de vida nas cidades.
Neste quadro, a maioria dos centros urbanos em Cabo Verde evoluiu por crescimento
espontâneo, com impactes negativos, nos ecossistemas naturais, na qualidade e estética
da paisagem urbana, na carência de espaços de convívio público, nas áreas de lazer e
contacto com a natureza, nas mudanças e no modo de vida social e cultural da
população.
Nesta perspectiva, a salvaguarda de valores ambientais, a preservação e a criação de
espaços verdes nos centros urbanos constituem medidas necessárias de “humanização”
das cidades, para que a vida urbana não separe o homem de elementos naturais tão
importantes à qualidade de vida e à cultura dos povos.
As Nações Unidas dedicaram o ano de 2005 aos “espaços verdes” urbanos, na pretensão
de chamar a atenção dos planificadores e dos administradores das cidades, sobre a
importância da criação e da preservação dos “espaços verdes”, nos centros urbanos. As
áreas verdes desempenharam um papel importante na vida das cidades ao longo da
história. A título de exemplo destacam-se os Jardins Suspensos da Babilónia, na
antiguidade e os Jardins Botânicos, na efervescência do período colonial. A arborização
e a criação de jardins, nos centros urbanos têm respeitado os imperativos ecológicos,
políticos, culturais, estéticos e económicos.
É de realçar que as características dos “espaços verdes” nos centros urbanos, a sua
evolução e, por vezes, a sua inexistência dependem de factores diversos, nomeadamente
os naturais, como o solo, o clima, a disponibilidade de água, a flora e a vegetação local.
Dependem também de factores de ordem sociocultural, como a gestão do espaço, a
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história da cidade, dos seus habitantes, hábitos e costumes, domínios técnicos e valores
morais, em relação à biodiversidade e aos padrões estéticos.
Na primeira década do presente século, tendo em conta as tendências actuais do
crescimento urbano, Cabo Verde criou um quadro legislativo mais favorável ao
processo de Ordenamento do Território e Planeamento Urbano, bem como a defesa e
preservação de valores ambientais no espaço urbano. Neste quadro jurídico destacam-se
o Decreto-Legislativo nº6/2010, de 21 de Junho, que estabelece as Bases do
Ordenamento do Território e Planeamento Urbanístico; o Decreto-Lei nº43/2010 que
aprova o Regulamento Nacional do Ordenamento do Território e Planeamento
Urbanístico e o Decreto-Lei nº15/2011 que regula o Estatuto das Cidades e define as
orientações da política de capacitação dos espaços urbanos em Cabo Verde.
No âmbito deste quadro jurídico foram já aprovados a Directiva Nacional de
Ordenamento do Território (DNOT), o Esquema Regional de Ordenamento do
Território (EROT) e o Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM), da maioria das
ilhas. No caso da ilha da Boa Vista já foram aprovados o PDM e o Plano de
Desenvolvimento Urbano da Cidade de Sal-Rei.
O “Plano Verde da Cidade de Sal-Rei” constitui um documento estratégico de
programação, criação e gestão integrada de espaços verdes no perímetro urbano. Visa
estabelecer um equilíbrio entre as construções, as infra-estruturas e equipamentos e,
manter o equilíbrio natural, ao bom funcionamento do ecossistema urbano, de modo a
manter uma elevada qualidade de vida dos habitantes, no ambiente da Cidade de SalRei.
A elaboração do presente “Plano Verde da Cidade de Sal-Rei” teve em consideração
o Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU), elaborado pelo município em 2012, bem
como os condicionantes naturais e legais existentes nas proximidades, nomeadamente a
orla costeira, a Reserva Natural de Boa Esperança, a Reserva Natural de Ponto do Sol,
criadas pelo Decreto-Lei nº3/2003 de 24 de Fevereiro, bem como a Zona de
Desenvolvimento Turístico (ZDTI) de Chaves que confina com os limites da Cidade.
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Assim o presente Plano Verde tem em consideração o cenário actual da Cidade
consolidada, mas permite o acompanhamento paulatino da futura expansão urbana
prevista no âmbito do PDM e do PDU.
2. Inserção e caracterização geral da Cidade de Sal-Rei
2.1.Enquadramento histórico e geográfico
A Cidade de Sal-Rei está localizada na costa NW da Ilha da Boa Vista, no paralelo 16º
Norte e no meridiano22º 55‟a Oeste de Greenwich. A fundação desta cidade deveu-se à
exploração da salina e à existência de um ancoradouro que permitiu o seu
desenvolvimento portuário entre os finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Fig.1 - Topografia e extensão de Sal-Rei nos finais da década de sessenta do século passado
A génese e a evolução da Cidade de Sal-Rei enquadram-se na história da ilha da Boa
Vista e do Arquipélago, que passou por vários ciclos económicos intercalados por crises
associadas às secas e às fomes. A Ilha da Boa Vista está entre as primeiras ilhas
descobertas no século XV, pelos navegadores portugueses, por volta de 1460. Foi
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inserida na Capitania-donataria de Alcatrazes, com sede na Ilha de Santiago. Durante os
primeiros séculos teve uma população reduzida que cuidava do gado introduzido pelos
senhores da ilha. Nos finais do século XVIII já tinha duas paróquias, uma de invocação
a São Roque, com sede na localidade de Povoação Velha e outra de São João Baptista,
nas ribeiras do Norte. No entanto, por essa altura a pecuária e a agricultura nos vales
eram as actividades dominantes para o sustento de uma população reduzida, que foi
devastada pela fome de 1785.
A exploração da salina natural, a NW da Ilha, teve um grande incremento com a
chegada do administrador da Companhia de Grão Pará e Maranhão (1757-1778)1,
Capitão Aniceto António Ferreira que foi comandante da ilha, onde casou e teve
residência. Em 1802 reclamou para si o título de Sargento-mor e cavaleiro da Ordem de
Cristo, alegando grandes serviços prestados à ilha “fazendo reviver o comércio de sal,
que havia perto de cinquenta anos que não se exportava, mandando limpar as
marinhas, fez dois cais um de pedra e outro de madeira 2”. Aniceto António Ferreira foi
uma figura de proa na Ilha e no Arquipélago, na primeira década do século XIX, tendose reformado em 1819 com o posto de brigadeiro.
Em 1810 a igreja paroquial da Povoação Velha foi transferida para a localidade de
Rabil, por ordem do Bispo D. Frei Silvestre (1803-1813), onde foi construída a nova
igreja de São Roque e também foi instalada a Câmara. Nesta época, a exploração
salineira dominava a economia da ilha. No entanto, as autoridades civis e militares da
ilha preferiram morar junto ao porto no sítio de Sal Rei, onde foi erigida uma capela de
invocação a Santa Isabel.
A exploração salineira atraiu uma notável comunidade de comerciantes judeus que se
instalaram no porto de Sal-Rei e deixaram as suas marcas na urbanização e num
cemitério judeu ainda existente. Com a circulação de navios e de informação, a Vila de
Sal Rei ganhou importância política no ano de 1821, pela proclamação precoce da Carta
1
A Companhia de Grão Pará e Maranhão foi criada pelo Marques de Pombal em 1755, mas teve efeitos
em Cabo Verde a partir de 1757 com a nomeação dos administradores para todas as ilhas, nas outras ilhas
e cômputo geral a gestão da companhia teve efeitos desastrosos na economia. (Senna Barcelos Parte II
pg.27)
2
Senna Barcellos – Parte III pg.146
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Constitucional, com algum embaraço do governo central, residente na vila da Praia de
Santa Maria (actual Cidade da Praia).
A instalação de pessoas influentes e o comércio do sal geraram um ciclo económico
notável, tendo assumido a residência do Governador Geral em 1841, altura em que foi
publicado o primeiro Boletim Oficial da Província de Cabo Verde, na vila de Sal-Rei, a
24 de Agosto de 1842. No âmbito da campanha da abolição do tráfico negreiro em
1843, a Vila recebeu a comissão Luso-britânica para controlo de navios que
transportavam escravos.
Com a decadência do ciclo do sal, e sobretudo as fracas potencialidade agro-pecuárias,
manteve um crescimento demográfico lento durante o século XX. Apesar de ser a
terceira ilha em dimensão territorial a sua população esteve sempre abaixo dos 5% dos
residentes no arquipélago.
Na primeira década do século XXI, com a construção do aeroporto internacional, a ilha
entrou num novo ciclo económico, dinamizado pelo turismo. A dinâmica da
urbanização turística e das construções hoteleiras desencadeou um crescimento
demográfico sem precedentes, sobretudo nas proximidades da Cidade de Sal Rei,
crescimento alimentado sobretudo pelos migrantes vindos de outras ilhas e dos países
vizinhos da África Ocidental.
O turismo imprimiu uma grande dinâmica no crescimento urbano e pressão sobre as
terras da Cidade de Sal-Rei e nos núcleos urbanos próximos, como as localidades de
Rabil e de Estância.
Na base desta pressão urbana são identificadas as seguintes causas 3:
3

ocupação de terrenos pela instalação de complexos turísticos;

construção de vias e infra-estruturas;
Vide PDU de Sal Rei (2010)
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
procura de terrenos para a instalação de equipamentos tipo armazéns, lojas,
unidades de alojamentos ligados ao turismo;

procura de terrenos para investimentos em alojamentos de luxo e residências
secundárias ligadas ao turismo;

procura de terreno pelos residentes locais para a construção de moradias
familiares;

procura de terreno pelos imigrantes que trabalham na construção civil, no
comércio ambulante ou nas actividades complementares ao turismo.
2.2. Aspectos da paisagem urbana
Sal-Rei é uma pequena cidade costeira e portuária. A consolidação da povoação deveuse à exploração da salina e das proximidades do ancoradouro. A Vila salineira teve o
seu apogeu no século XIX, altura em que albergou ilustres comerciantes salineiros e
desempenhou um papel notável na efervescência política portuguesa, na época da
revolução liberal. Esta fase de desenvolvimento deixou alguns sobrados, hoje inscritos
no património construído, no âmbito do PDU da cidade.
Na segunda metade do século XX a Cidade teve um crescimento muito lento, assim
como a própria economia da Ilha da Boa Vista. Com a emergência do turismo, a cidade
entra num rápido crescimento demográfico e num processo de modernização, com a
criação de infra-estruturas e equipamentos de certa envergadura. A população residente
na actual Cidade, nos meados do ano de 2010, era de 5778 habitantes, agrupados em
1829 agregados familiares. De acordo com o censo de 2010 a população urbana da ilha
era de 59% contrastada por uma população rural de 41%.
O rápido crescimento, incentivado pelos trabalhadores migrantes das outras ilhas e da
costa africana, trouxe novos problemas que reflectem na paisagem urbana. A grande
procura de habitação deu origem ao surgimento do bairro espontâneo das “barracas”,
cenário antes desconhecido na Ilha da Boa Vista, que entretanto alberga cerca de 40%
dos moradores de Sal Rei. Parcelas importantes da Cidade carecem de equipamentos
básicos como a pavimentação das vias, passeios e mobiliário urbano.
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Paralelamente, as novas construções trouxeram arquitecturas novas, gerando um quadro
urbano bem diferente da tradicional Vila de Sal Rei dos finais do século XX. Como
acontece nas outras cidades do País, as áreas verdes não acompanharam o crescimento
urbano, apesar dos esforços verificados em jardinagem, nas pracetas, e nalgumas
árvores de arruamento nas principais vias.
Fig.2 – Antigo palácio municipal no coração da Cidade
Fig.3– Frente marítima da cidade junto ao antigo porto
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Fig.4– Sal-Rei - Arquitectura do periodo áureo da salina de Sal-Rei
Fig.5– Sal-Rei – arquitectura de emergência do Turismo
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3. Caracterização e diagnóstico dos espaços verdes da Cidade de Sal-Rei
Este diagnóstico tem por objectivo fazer o levantamento do quadro das áreas verdes da
Cidade de Sal-Rei. Em linhas gerais, verifica-se uma grande carência de espaços verdes
particularmente a nível das várias artérias, praças, pracetas e rotundas. Os sítios
beneficiados neste momento apresentam alguns desajustes na selecção das espécies,
tratamento das plantas, bem como no enquadramento estético.
À semelhança da grande maioria dos centros urbanos do País, a criação de jardins é uma
actividade marginal. Ainda é expressivo o crescimento espontâneo de plantas nos
espaços vazios, vias pouco utilizadas e periferia da Cidade, sobretudo espécies vegetais
naturalizadas e Prosopis juliflora. Como veremos adiante o quadro natural constitui um
condicionante importante. Sal-Rei além da grande secura reinante na ilha possui solos
arenosos e salgados sujeitos a movimentação dunar. O quadro sociocultural é
semelhante ao das outras cidades do País, a população dá muito pouca importância às
áreas verdes tanto para fins estéticos como serviços ambientais. No entanto, a selecção
criteriosa de espécies adaptadas à secura e ao ambiente salino permite reverter a
vegetação urbana e criar espaços verdes de grande beleza e enquadrada numa Cidade de
acentuada vocação turística.
Este diagnóstico foi realizado no mês de Julho de 2013, e teve por base um criterioso
levantamento da vegetação da Cidade de Sal Rei, nas vias, praças, pracetas e arredores
incluído as áreas protegidas, corredores dunares e orla costeira tanto no actual perímetro
da cidade como em toda a área prevista pelo Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU).
As intervenções verificadas nas praças, pracetas e jardins públicos não passam de
pequenas pinceladas de forma casual onde a escolha das espécies não respeita as
prioridades e a adaptabilidade das mesmas. Assim, as espécies presentes nestas
estruturas de interesse para qualquer cidade, e que constituem marcas de excelência,
necessitam de uma recuperação baseada num projecto estético ambiental, no qual farão
menção as espécies resistentes às pragas e às doenças, bem como aquelas que
conseguem trazer o brilho, a cor, a esses espaços convidando a uma vivência e ao bemestar na Cidade pela harmonia, rigor e tecnicidade, para além do vigor, grandiosidade e
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exuberância das espécies escolhidas. Há uma necessidade de investir globalmente e de
forma sustentável para um desenvolvimento de projectos para as áreas verdes, com base
em escolhas fortes, certas e coerentes.
Relativamente às grandes artérias da Cidade e em alguns separadores centrais da
mesma, denota-se a presença de alguns exemplares de herbáceas, arbóreas e arbustivas,
colocadas de forma pontual, sem qualquer cuidado técnico na escolha e selecção de
espécies adaptadas para a largura das ruas e sem qualquer critério a nível de
sombreamento, alinhamento, e harmonia, pelo que se propõe intervenções a nível do
paisagismo, com projectos que dignifiquem estas áreas, com espécies arbustivas e
arbóreas de porte erecto, com uma densidade folhear substancialmente atraente, que
sirva de ponto de referência em todos os alinhamentos, criando orientação e dinâmica ao
longo das vias e na cidade, adjuvadas de espécies herbáceas de flores multicolores, de
folhas de cores vivas, e sedutoras.
A nível das rotundas ainda não há nada consolidada, em termos de ornamentação.
Sabendo que constituem pontos de confluência e de ramificação de vias, torna-se
imprescindível, que lhes seja dado realce com motivos que possam ser referência para a
Cidade e para ilha, não só a nível da flora como da fauna. Sendo a Boa Vista uma ilha
conhecida pelas suas praias muito procuradas pelas tartarugas para a desova, isto poderá
constituir uma das alusões a serem trabalhadas para algumas rotundas. Por outro lado, a
nível da flora há também muitas espécies vegetais que poderão fazer parte do projecto
de arranjos paisagísticos para as rotundas, nomeadamente, tamareira (Phoenix
dactylifera), que constitui um atributo forte para ilha, assim como a tarrafe (Tamarix
senegalensis). Ainda, se pode recorrer a lacacã (Ipomoea pes-caprae) para efeito do
relvado, bem como outras plantas endémicas como tortolho (Euphorbia tuckeyana), as
quais poderão vir a estar associadas a outras espécies vegetais de interesse paisagístico
que possam avivar estes largos, que conformam as vias, quebrando a monotonia e
criando novos rumos e ritmos.
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3.1. Praças, pracetas e jardins públicos
3.1.1. Praça de Santa Isabel (Praça do Município e da Igreja Matriz)
É a Praça mais emblemática da cidade, tanto pela sua localização estratégica à frente
dos Paços do Concelho e da Igreja Matriz, como pelo facto de constituir um lugar de
referência no centro histórico da Cidade. Constitui um espaço digno de ser enriquecido
com plantas ornamentais.
Actualmente apresenta um conjunto de plantas colocadas de forma pouco organizada,
com espécies muito exigentes, em termos de rega e sensíveis ao vento como são os
Phyllantus sp. e a Acalypha sp, tornando-se sensíveis às pragas e às doenças. Tratandose de um espaço emblemático para a Cidade de Sal Rei, torna-se necessária uma
intervenção na requalificação paisagística que possa pôr ordem e harmonia aos canteiros
e elevar a uma caracterização que coadune com o espaço em si, com a sua envolvência e
com a vida da cidade, priorizando também árvores de grande porte e frondosas, criando
grandes manchas de sombra, dando um grande colorido à Cidade, atraindo os
transeuntes para o descanso e convívio diurno, como é o caso da acácia-rubra (Delonix
regia), ficus (Ficus benjamina).
Fig. 6- Praça Central de Sal Rei
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Fig. 7-Perspectiva da actual vegetação na Praça Central
Fig. 8-Parque infantil à frente da Igreja Matriz
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3.1.2. Parque Infantil anexo à Praça Principal
Este parque está apetrechado de equipamentos de diversão para crianças e tem
encostado à vedação, que faz a delimitação do parque, alguns canteiros que neste
momento estão sem qualquer material vegetal no seu interior. Sendo um local muito
visitado e localizado numa rua principal, uma intervenção na área de canteiro
contribuiria para amenizar os contrastes com a área impermeabilizada. Assim, a
introdução de uma sebe viva, baseada na espécie vegetal denominada Atriplex sp., em
toda a extensão destes canteiros, conformada numa parede viva, à altura de 40 cm a 60
cm, constituiria um amortecedor de protecção às investidas, para além de pontuar e
alinhar esse espaço. Também, recomenda-se que seja consolidado o agrupamento
palmeira-leque e tamareiras, que estão mesmo à frente deste parque, no sentido de quem
está a subir, portanto, do lado do parque de menor comprimento, com uma só espécie de
arbórea. Deste modo, substituem-se as tamareiras por palmeira-leque, criando uma
estrutura única e um alinhamento uniforme e conciso.
Fig. 9 –Detalhes do Parque Infantil
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Fig. 10- Detalhes do Parque Infantil
3.1.3. Praça de Escola ao pé da Igreja do Nazareno
A Praça encontra-se com uma vedação em rede metálica para o lado da estrada.
Existem poucas espécies presentes na área. Há 2 exemplares de tamareira (Phoenix
dactylifera) num canteiro do lado noroeste, no qual se encontram também alguns
exemplares de Phyllantus sp. Num outro canteiro da esquina, também a noroeste, de
formato triangular, encontra-se mais 1 exemplar de tamareira. No canteiro, de formato
circular, quase no centro da Praceta, encontram-se os seguintes exemplares de plantas:
tamareira (Phoenix dactylifera), loendro (Nerium oleander) e jardim (cassia
bicapsularis). Nos dois maiores canteiros, paralelos um ao outro, com formato de
trapézio, localizados a nordeste, encontram-se no do lado esquerdo, (quando se sobe
pela escada em direcção a Oeste) 4 exemplares de cardial (Hibiscus rosa-sinensis), 4
exemplares de loendro, 1 exemplar de Ipomoea carnea, 2 exemplares de Phyllanthus
sp. No canteiro, à direita, quando se sobe em direcção a Oeste, encontram-se plantas
como: 1 exemplar de loendro, 2 exemplares de cardial, 1 exemplar de jardim (Cassia
bicapsularis). No interior destes canteiros denota-se a presença da herbácea
denominada grama (Cynodum dactylon), bastante degradada. A praceta está
beneficiada com dois postes de iluminação, nos quais os candeeiros estão danificados,
com aspecto bastante envelhecido e 5 bancos. Tem três entradas: uma a este, duas no
centro e duas a Oeste, onde o piso é empedrado. Quanto ao estado das plantas elas se
apresentam sem qualquer sinal de pragas e doenças. A praceta tem uma localização
privilegiada, servindo de um pátio complementar à Igreja do Nazareno, permitindo
convívio não só dos moradores como dos fiéis, após os cultos e orações, pelo que o
projecto de intervenção, para a área, requer uma selecção criteriosa de espécies
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adaptáveis àquelas condições, e que permite mais sombreamento e mais contrastes de
cores, exigindo assim uma reorganização, em termos de material vegetal e do
mobiliário urbano, no sentido de lhe dar uma maior dignidade, com base numa nova
arquitectura de espaço.
Fig. 11- Praceta à frente do Igreja do Nazareno
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3.1.4. Largo perpendicular à estrada que dá acesso ao Porto da Boa Vista
Trata-se de um espaço muito bem dimensionado, em termos de largura, e que se
encontra em frente de umas moradias. O espaço foi presenteado com 4 canteiros onde
estão colocadas 4 palmeiras-leque (Washingtonia filífera). Sendo uma zona de corredor
de vento e com uma boa visibilidade, a introdução de espécies que possam criar mais
corpulência seria mais-valia para a área, dando-lhe um engrandecimento em termos do
„verde‟ e uma maior identidade na articulação com as outras artérias de cruzamento,
nomeadamente a que vai dar ao porto e a que segue em direcção à Praia da Cruz. A
intervenção do Plano exige que as palmeiras-leque sejam substituídas por árvores mais
resistentes ao vento e que possam trazer mais alinhamento, sombreamento e
enquadramento ao espaço, como as chamadas tendentes (Azadirachta indica).
Fig. 12- Área livre na rampa de acesso à praia da Cruz
3.1.5. Largo que vai dar ao Porto e a estrada de Praia Cabral e Praia da Cruz
Estas estradas estão optimamente dimensionadas, possuindo uma boa largura e uma
grande visibilidade sobre as praias. Por outro lado, permitem a introdução de árvores de
arruamento de grande porte e bastante frondosas. Como se encontram, neste momento,
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praticamente despidas de árvores (do verde) a intervenção do Plano nestas artérias, com
a introdução de arbóreas como coqueiro (Cocus nucífera) consolidaria estes dois pontos
de confluência. Esta situação criaria um alinhamento ao longo da orla marítima,
formando um aspecto panorâmico e de valorização de toda aquela orla costeira,
desembocando numa nova artéria, localizada na área de expansão urbana, junto à orla
costeira de Fátima, servindo de zona de amortecimento do vento contra os futuros
edificados na área.
Fig. 13-Praia da Cruz - vista a partir da estrada de acesso ao Porto
3.1.6. Largo dos Correios de Cabo Verde
Uma artéria bem definida, em termos de largura da rua, que demanda com urgência uma
intervenção a nível de árvores de arruamento e de sombreamento, no sentido de
fortificar os edificados, na sua envolvência, criando ritmo, alinhamento, e uma estrutura
sólida e concisa, como também oferecendo o colorido das flores e grandes manchas de
sombra. Por se tratar de uma via com condições favoráveis para a introdução de árvores
de grande porte, o projecto de estudo de intervenção exige a presença da espécie vegetal
denominada vulgarmente por acácia-rubra (Delonix regia), muito conhecida pela sua
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flor vermelha, e de grande copa, emprestando ao local uma estrutura que dignifique e
valorize a área no seu todo.
Fig. 14-Largo dos Correios
3.1.7. Praça ao Pé do Tribunal de Comarca de Boa Vista (Pracinha de Catchor)
Esta Praceta precisa de um projecto de arranjo paisagístico, no sentido de ser melhor
aproveitada pelos transeuntes, uma vez que faz interface entre a frente mar e a rua
principal, e está no circuito de uma das entradas alternativas à baia de Sal-Rei. Padece
por falta de árvores de grande porte e de grande projecção de sombra, de herbáceas de
flores multicolores e de colocação de grandes vasos ornamentais, feitos em barro, que
possam servir de guia, pondo ordem e limite à praceta, bem como de recuperação de
postes de iluminação. Assim, o projecto de intervenção requer uma nova organização
paisagística, passando pela introdução da acácia-rubra, coroando os bancos, produzindo
sombras; espécies herbáceas, como sempre-noiva (Cataranthus roseus) de pétalas
brancas, vermelhas, e lilás; e também Pelargonium sp., variedades multicolores, a serem
colocadas no interior dos pequenos canteiros, bem como Ficus (Ficus benjamina) em
grandes vasos, feitos em barro, e colocados entre os bancos e em todo o limite da
praceta.
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Fig. 15-Praça à frente ao Tribunal
3.2. Arborização de arruamento, rotundas e centrais avenidas
3.2.1. Rua Principal da Cidade
Esta avenida é a principal via que liga o centro da Cidade com a zona Sul da Ilha.
Compreende duas conformações, em termos de largura e de estruturação, pois, há uma
zona livre e descomprometida, sem qualquer barreira interior, que beneficia a zona da
esplanada e a Praça. Na mesma linha de sequência da via encontra-se uma zona com um
separador central, paralelo ao Hotel Boa Vista, onde estão as palmeiras-leque alternadas
por tamareiras, numa articulação desarmoniosa, quebrando o alinhamento e a
uniformidade.
Denota-se nestes canteiros a ausência das herbáceas ornamentais, pelo que a terra de
jardim apresenta-se desprotegida. Tratando-se de uma artéria principal da Cidade, tornase necessário elevar a sua força de unidade, abraçando todo a sua envolvência, com
elementos estruturantes, traduzidos em espécies arbóreas de grande porte e frondosas,
enaltecendo a sua folhagem e o seu colorido. Deste modo, o projecto de intervenção do
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plano propõe intervir, no troço da via com separador central, no alinhamento das
árvores, substituindo as palmeiras-leque, deixando apenas as tamareiras, criando
harmonia, ritmo, e um alinhamento equitativo. Os canteiros, que enleiam estas
tamareiras, seriam reforçados com espécies herbáceas como sempre-noiva (Cataranthus
roseus) de pétalas brancas, vermelhas, e lilás e Pelargonium sp., variedades
multicolores.
Na parte do troço desta artéria principal, que abraça a esplanada e a Praça, antecedendo,
o cruzamento da via que passa em frente da Delegação do MDR, a intervenção passaria
pela substituição paulatinamente da acácia-americana (Prosopis sp.), à medida que se
vai introduzindo o Ficus benjamina, em ambas as margens, beneficiando a zona de
parqueamento de táxis, com sombreamento. A colocação do ficus beneficiaria toda
àquela avenida, valorizando os transeuntes, em termos de sombra, amenização do calor,
convidando a movimentação pedonal. Esta introdução deve ser continuada, em ambas
as bermas, até ao cruzamento da via João Cristóvão/Praia de Estoril.
Fig. 16- Avenida Central de entrada em Sal-Rei – separador de palmeiras
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3.2.2. Rua do Mercado Municipal
Trata-se de uma rua larga, movimentada, em que há um bom alinhamento dos edifícios
construídos, mas denota-se uma ausência total de árvores de arruamento e de
sombreamento, o que cria um certo desconforto nos transeuntes, particularmente os
turistas, que procuram sempre descobrir pontos de interesse dentro da Cidade. Tendo
em conta que a ilha é bastante ensolarada, e tratando-se de uma rua bem dimensionada,
dinâmica, favorecida com serviço de bar e restaurante, a intervenção neste estudo, para
caracterizar melhor esta rua, seria a introdução de árvores de arruamento e de
sombreamento como ficus (Ficus benjamina), que estaria em articulação com as árvores
(ficus) da avenida principal oposta a esta rua e com o projecto de requalificação da
Praceta da Esplanada, criando harmonia e o enlace no conjunto dos edificados.
Fig. 17- Rua do mercado, paralela à Praça Central - parque sem sobreamento
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3.2.3. Rua Avenida 5 de Julho
A Rua Avenida 5 de Julho é uma rua com uma largura que facilite a consolidação, com
a introdução de pequenos arbustos, de modo a trazer um novo colorido aos espaços
edificados, pelo que se propõem, nas intervenções para a área, plantas como o
tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cor amarela, branca e laranja, colocadas
em ambas as margens, e a distância de 2 metros do edificado.
Fig. 18- Separador de Palmeira de Leque
3.2.4. Avenida Amílcar Cabral
Nesta avenida denota-se a presença de acácia-americana/espinheira (Prosopis sp.) que
terá que ser cortada, de modo a ganhar-se uma nova visualidade. A intervenção exige
que sejam introduzidas árvores de arruamento de grande porte e com um bom volume
de copa, projectando grandes áreas de sombra, como ficus (Ficus benjamina), colocadas
em ambas as margens e bem distanciadas umas das outras, de modo a tornar esta artéria
convidativa para os passeios diurnos.
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3.2.5. Avenida paralela à Casa para Todos
Esta avenida tem boas condições para a introdução de árvores estruturantes como
acácia-rubra (Delonix regia), que marcam pontos de referência, não só pelo porte mas
também pelo colorido das suas pétalas florais, como pelo diâmetro da sua copa,
traduzido em manchas de sombreamento. Por isso, se recomenda, no projecto de
intervenção, estas árvores, colocadas em ambas as bermas, para consolidação desta
artéria e de todas outras da envolvência, dando ritmo e unidade a toda área de
circulação.
Fig. 19 – Nova avenida sem vegetação de sombreamento
3.2.6. Avenida dos Pescadores
É uma rua bem estrutura, em termos de largura, onde se pode presenciar exemplares de
arbóreos como tendente (Azadirachta indica), palmeira-leque (Washingtonia filífera), e
acácia-americana/espinheira (Prosopis sp.), colocados aleatoriamente e de forma
desregrada, comprometendo a via, pela forma como foram definidos o alinhamento e o
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enquadramento destes materiais vegetais. Sendo uma rua que precisa ser melhor
valorizada, em termos de um novo projecto de arranjo paisagístico, com árvores de
arruamento e sombreamento, o estudo de intervenção, para esta artéria, requer o corte
das acácias-americanas/espinheira paulatinamente e que sejam também substituídas as
plantas de tendente e de palmeira-leque por ficus (Ficus benjamina), árvore de porte
erecto, frondosa, com grande volume de massa verde, devido a sua densidade folhear,
consolidando, de forma coesa e potente esta via, bem como aquelas que estão no seu
cruzamento, com a mesma espécie.
Fig. 20 – Árvores fragilizadas em risco de queda pela acção do vento
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Fig. 21 – Sombreamenteo de uma rua estreita à base de Prosopis
3.2.7. Avenida Estádio Municipal Arsénio Ramos
É uma avenida muito bem dimensionada e bem enquadrada, em termos de largura,
facilitando o acesso ao Estádio Municipal. A via encontra-se totalmente desprotegida de
árvores de arruamento e de sombreamento. Os canteiros de ornamentação, distribuídos
na zona de envolvência do Estádio, encontram-se abandonados, sem qualquer material
vegetal que possa dar vida e brilho a este espaço, caracterizando a envolvente deste
Estádio. Verifica-se ainda uma ausência do mobiliário urbano como banco e postes de
iluminação.
Tratando-se de um sítio de passagem obrigatória, dinâmico, particularmente nos dias de
espectáculo futebolístico, a intervenção possível, nesta área de estudo, seria introduzir,
ao longo da via, árvores de grande porte como Ficus benjamina, uma espécie maleável,
fácil de manuseio com a intervenção da poda, projectando grandes manchas de sombra,
amenizando o ruído, a temperatura, a poeira, emprestando a estética e o alinhamento ao
longo da via. Para a zona de parqueamento priorizar a acácia-rubra (Delonix regia),
espécie que pode atingir 6 m a 8 m de diâmetro de copa. Com as suas flores vermelhas,
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emprestaria um novo colorido à zona. Ainda, para a área de parqueamento introduzir a
árvore denominada tendente, espécie bastante resistente e que tem uma boa projecção
em termos de sombra.
Na área de canteiros priorizar um projecto de ornamentação com introdução de espécies
que possam valorizar e empolgar este espaço, de modo a torná-lo mas convidativo aos
usuários.
Fig. 22 – Estádio – com espaço de arborização, mas carente de árvores de sombra
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Fig. 23 – Detalhes de arborização no entorno do Estádio
3.2.8. Avenida Centro Comercial Boas Compras e Ema
Esta avenida será consolidada com árvore denominada vulgarmente por acácia-rubra
(Delonix regia), no sentido de ser melhor valorizada, em termos paisagísticos, criando,
um contínuo forte, com projecções de manchas de sombra, adjuvada de um grande
colorido na época de floração, amenizando a temperatura, o vento e o ruído, facilitando
condições favoráveis aos transeuntes, emprestando a força e a eminência a esta artéria.
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Fig. 24 – Concentração de armazéns-carência de árvores de sombra e embelezamento
3.1.17. Rua Centro de Juventude de Vila de Sal Rei
Uma rua onde estão alguns exemplares de tamareira mas que no projecto de intervenção
terão que ser substituídos por palmeira-leque, no sentido de se criar uma harmonização
do todo o troço correspondente. Nos canteiros onde estão as palmeiras-leque, estas
devem ser reforçadas com herbáceas de flores como sempre-noiva (Cataranthus
roseus), variedades de pétalas de cores brancas, vermelhas e lilás.
3.1.18. Rua Esquadra da Polícia
Esta rua precisa ser consolidada com árvores de arruamento e de sombreamento. Daí a
intervenção se posicionar na introdução de árvore denominada tendente (Azadirachta
indica). São árvores bastante folhosas e robustas, que projectam sempre boas manchas
de sombra.
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3.1.19. Rua Amizade Seixal/ Boa Vista
É uma Rua que precisa ser consolidada, embora esteja neste momento ornamentada com
alguns exemplares de tamareira. Tratando-se de uma rua onde é necessário ter árvores
de arruamento, mas com particular interesse no sombreamento, propõem-se, na
intervenção do plano, a substituição da tamareira por árvores denominadas tendente
(Azadirachta indica), a uma distância de 2 metros das construções edificadas, ao longo
da via.
3.1.20. Rua de Bom Sossego
Esta rua tem boas condições para ser consolidada com a introdução da árvore
denominada tendente (Azadirachta indica), de modo a se criar um ambiente rico e
exorbitante, em termos de porte e de sombra. Há uma Praceta que vem beneficiando
este espaço livre, mas que precisa ser requalificada com um pequeno projecto para as
áreas verdes, dando-lhe uma conformação paisagística, em termos de plantas herbáceas
e de pequenas arbóreas, que se adequam na harmonização com as árvores de
arruamento, sem quebra do equilibro e do ritmo estético visual.
3.1.21. Rua 1º de Maio
Para esta rua a intervenção aconselhável seria a colocação do arbusto, em ambas as
margens da rua, denominado loendro (Nerium oleander), com variedades de cor branca
e as de cor rosa, trazendo para a cidade mais colorido e árvores que não constituem
barreiras visuais aos edificados e nem servem de pontos de acesso às moradias. Por
outro lado, é pouco exigente em termos de fertilidade e outros maneios, exigindo apenas
a poda para conformar a densidade folhear.
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Fig. 25 – Rua antiga sem vegetação
3.1.22. Rua Bom Sossego /Bar Mangueira
Nesta rua recomenda-se que a intervenção do plano avance com a proposta de
introdução de arbusto denominado tortolhinho (Thevia peruviana), arbusto de
variedades de cor amarela, branca e laranja, em ambas as margens, de modo a dar um
certo colorido a este espaço, contrastando harmoniosamente com a cor dos edificados.
3.1.23. Rua de Liceu/Centro da Juventude/Centro Saúde
É uma rua bem dimensionada, com alguns exemplares de arbóreos de grande porte a
preencher os separadores centrais, como a tamareira, mas, no entanto, as bermas estão
desprotegidas sem qualquer alinhamento pontuado de arbóreas ou arbustivas. Deste
modo, torna-se necessária a imposição de uma ordem de intervenção neste estudo, que
consiste na consolidação dos separadores centrais com tamareiras (Phoenix dactylifera)
e nas bermas, em ambos os lados, com a introdução do loendro (Nerium oleander),
variedades de cor branca e as de cor rosa, enriquecendo a estrutura verde na Cidade,
criando manchas de sombreamento de amenização da luminosidade e da temperatura,
fazendo com que esta rua seja mais atractiva para os transeuntes. Por outro lado, este
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contraste de cores das flores do loendro e o volume da densidade folhear, deste arbusto,
vão contrabalançar o grande porte das tamareiras, equilibrando a estética do conjunto,
criando um ambiente favorável à diminuição do vento e do barulho dos veículos, que
são frequentes na área.
Fig. 26 – Avenida com seperador central arborizado necessitando correcção
3.1.24. Rua do Alto – Oficina Nadosa
Esta rua pela sua característica e exposição a intervenção requer a introdução de
tortolhinho (Thevia peruviana), ao longo da via principal, como também nas ruas de
cruzamento, de modo a formar-se um contínuo, baseado nos arbustivos, com variedades
de cores amarela, branca e laranja, determinando uma certa vivacidade às ruas, bem
como um certo alento nas comunidades envolventes.
3.1.25. Rua Padaria Tuna
Rua bem dimensionada, em termos de largura e comprimento, onde se denota a
presença de algumas árvores como a tamareira (Phoenix dactylifera) e amendoeira
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(Terminalia cattapa), colocadas de forma pontual, sem qualquer estudo de caso, a uma
distância desregrada, não abonando, de forma criteriosa, as exigências para o
enquadramento destas árvores nas de arruamento e sombreamento. Tendo em conta a
necessidade de se enaltecer e dar rumo a esta via, dignificando a sua potencialidade, em
termos paisagísticos, o projecto de intervenção exige que sejam substituídas as
tamareiras e amendoeiras, presentes no local, por ficus (Ficus benjamina), em ambas as
margens, criando um microclima favorável e que beneficie este espaço, em termos de
baixa luminosidade, temperatura, e vento, formando um corredor verde, em articulação
com as ruas de cruzamento, harmonizando a unidade de conjunto e consolidando a
beleza externa.
3.1.26. Rua da Igreja do Nazareno – Subida do Alto
É uma via estreita, de passagem, onde os passeios também têm pouca largura. Tendo em
conta a sua estrutura, o projecto de intervenção requer que seja introduzida a planta
denominada vulgarmente por cardial (Hibiscus rosa-sinensis), numa composição
mesclada, com variedades de cores branca, amarela, vermelha, e rosa, ao longo da
berma esquerda, quando se sobe em direcção à Praça, no sentido de se criar um
ambiente florescente, que vai complementar e articular os arranjos paisagísticos da
Praceta em frente da Igreja.
3.1.27.Rua Cabouco
Esta rua requer uma intervenção com base no material vegetal loendro (Nerium
oleander), um arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa,
criando um certo volume ao longo da via, devido a sua densidade folhear. Deste modo,
toda a via será consolidada com este arbusto, articulando as outras vias de cruzamento
com a mesma espécie, constituindo uma massa verde, bastante colorida, de tonalidade
verde glauco, exaltando a excelência e a singularidade localizada, no enquadramento,
alinhamento e distribuição, de forma regrada, na composição destes arbustivos.
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3.1.28. Rua do Rego
Esta rua precisa de uma intervenção que requer introdução de uma planta arbustiva que
possa criar cor, dinamismo, ordem, baseada num enquadramento estético visual, de
modo a valorizar esta artéria em termos paisagísticos. Assim, torna-se necessária a
introdução de tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cores branca, amarela, e
laranja, no sentido de harmonizar e embelezar todo o espaço conjunto.
3.1.29. Rua Titiz Parteira
Esta via decai numa rampa pelo que o projecto de intervenção aconselha a introdução
do arbusto denominado tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cores branca,
amarela, e laranja, consolidando deste modo toda a via e a envolvência.
3.1.30.Rua Casa do Pescador e Peixaria
Uma rua que exige intervenção com arbustos ao longo da berma esquerda, quando se
sobe, pelo que se recomenda a introdução da planta denominada vulgarmente por
loendro (Nerium oleander), um arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente
branca e rosa, dando uma certa magnificência àquela rua.
3.1.31. Rua Padre Varela
Rua onde será colocado o arbusto denominado tortolinho (Thevia peruviana),
variedades de cores branca, amarela, e laranja, em ambas as bermas, de modo a
consolidar esta rua, bem como todas as outras ruelas na sua envolvência, às quais se
aconselha que seja feito o enquadramento e o alinhamento, com base no material
vegetal como: cardial (Hibiscus rosa-sinensis), numa composição mesclada, com
variedades de cores branca, amarela, vermelha, e rosa; loendro (Nerium oleander),
arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa; e tortolinho
(Thevia peruviana).
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3.1.32. Rua Polivalente Manuel Jr da Cruz
Esta rua faz cruzamento com a rua da Farmácia Dias, pelo que o projecto de intervenção
requer que haja uma articulação entre estas ruas, de modo que a consolidação deve ser
feita com base no arbusto denominado loendro (Nerium oleander), com variedades de
várias cores, nomeadamente branca e rosa, criando uma estrutura uniforme e florida.
3.1.33. Rua Perpendicular à Caixa Económica de Cabo Verde
É uma artéria que faz cruzamento com outras ruas e assim a intervenção requer que ao
longo desta via e com aquelas de encruzilhadas haja um contínuo muito forte, com base
nas árvores de arruamento de porte firme, com uma grande massa folhear, brilhante,
capaz de originar uma boa projecção de sombra, como o denominado ficus (Ficus
benjamina), criando ordem, alinhamento e dinamismo em toda esta área de envolvência.
3.1.34. Rua Pizzaria – Restaurante Luísa
Ao longo desta rua a intervenção exige a introdução da espécie vulgarmente denominada
por ficus (Ficus benjamina), de modo a caracterizar esta artéria dando-lhe dignidade,
ritmo, e expressividade, criando um contínuo verde, muito forte e dinâmico,
particularmente quando este se intercalar com as árvores de ficus que também
consolidam a Avenida Estádio Municipal Arsénio Ramos.
3.1.35. Rua Jardim Infantil Santa Isabel
Esta rua será consolidada com o arbusto denominado loendro (Nerium oleander),
variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, de modo a criar um certo
volume, tendo em conta a sua densidade folhear, reforçando directrizes, e um certo
colorido, como resultado do mesclado das suas pétalas florais.
3.1.36. Rua de Escola
Nesta rua o projecto de intervenção requer introdução do ficus (Ficus benjamina), no
sentido de reforçar ambas as bermas, com árvores de sombreamento, de porte robusto,
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com uma grande massa folhear, criando um corredor verde, marcado pelo alinhamento
destas árvores, pondo ordem, ritmo, e precisão.
3.1.37. Rua Habitação Social Frente – Bar restaurante Nicha e Sita
Rua a ser consolidada com o ficus (Ficus benjamina), no projecto de intervenção, de
modo a criar um ambiente harmonioso e coerente. Estas arbóreas contribuirão para uma
nova visualidade para esta artéria, como também pelo seu novo enquadramento em
termos de arranjos paisagísticos.
3.1.38. Rua Habitação Social (posterior) - Restaurante Fátima
Toda esta artéria será consolidada, no projecto de intervenção, com loendro (Nerium
oleander), variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, criando harmonia,
cadencia, e um colorido mesclado de cores vivas, beneficiando toda a envolvente
edificada.
3.1.39. Rua próxima da Casa para Todos
É uma rua bem configurada em termos de largura o que lhe permite receber árvores de
grande porte, com grande diâmetro de copa, projectando uma boa mancha de sombra,
facilitando a vida dos transeuntes, consolidando outras artérias. Deste modo, o projecto
de intervenção requer que seja introduzida a árvore denominada vulgarmente por
acácia-rubra (Delonix regia), muito interessante em termos paisagísticos, como árvore
de arruamento para esta artéria, beneficiando também as zonas de parqueamento, na
envolvência destas moradias, emprestando o colorido das suas pétalas florais, a sombra,
o alinhamento, e o ritmo, dando ainda um melhor enquadramento a todos os edificados
da envolvência, bem como das outras ruas.
3.1.40.Ruelas de ramificação secundárias, terciárias e subalternas
Recomenda-se para estas ruelas espécies de pequeno porte, que não comprometem a
fachada dos edificados, nem circulação de viaturas e dos transeuntes. Assim, propõe-se
para estas ruelas espécies denominadas vulgarmente conhecidas por “barbas de barata
amarelas” (Caesalpinia gilliesii) e por “barbas de barata vermelhas” (Caesalpinia
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pulcherrima), que serão colocadas em locais pontuais e num compasso alargado, de
modo a evitar quaisquer constrangimentos nos moradores e na via de circulação. Estas
espécies são interessantes, pois mantém-se o seu colorido floral, durante quase todo o
ano, devido a presença de flores com filamentos vermelhos, em espigas terminais
amarelas, emprestando às vias uma mescla de cores vermelhas e amarelas.
3.1.41. Estrada que vai dar ao Cemitério
É uma estrada de interior e de dimensão reduzida, em termos de largura. Está toda ela
despida do verde. Por se tratar de uma estrada que faz articulação com Reserva Natural
de Boa Esperança, o projecto de intervenção requer que se crie um corredor verde de
conexão com as tamareiras da zona de Reserva da Boa Esperança. Assim sendo, as
tamareiras introduzidas como árvores de arruamento, ao longo da via que vai dar ao
Cemitério, serão colocadas, na berma paralela a área de Protecção Ambiental de
Rotchinha, portanto do lado esquerdo, quando se dirige em direcção ao Cemitério,
estendendo também ao longo da nova artéria de continuidade, na zona de expansão,
proposta do Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) de Sal Rei, que faz ligação a esta
via paralela ao Cemitério, consolidando toda a envolvência com tamareiras, criando
uma grande mancha verde de arbóreas bem adaptadas àquele tipo de solo e resistentes
às condições edafo-climáticas do local. Também, o Plano de intervenção recomenda que
seja eliminada a acácia-americana (Prosopis sp.) que vem estando consociada às
tamareiras, competindo o espaço e a alimentação, conduzindo ao seu declínio e à morte.
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Fig. 27 –Estrada de acesso ao cemitério necessitando tratamento paisagístico
Fig. 28 – Cemitério de Sal-Rei – necessitando de uma intervenção verde
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3.1.42. Orla costeira da Praia de Estoril e Praia Cabral
Orla marinha com uma grande bacia visual sobre o horizonte, onde é possível denotar o
contraste entre a cor branca da areia de dunas e o azul glauco da água marinha.
Tratando-se de espaços livres e muito atractivos, uma intervenção no sentido de
fortalecer ainda mais os contrastes, requer a introdução de coqueiros (Cocos nucífera),
ao longo de toda esta orla marítima, criando um alinhamento de fortificação e de
uniformidade.
Fig. 29 –Detalhes da praia de Estoril
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Fig. 30 –Degradação da praia pelo pisoteio de rodados
Fig. 31 –Panoramica da Praia da Cruz a partir de Rotchinha
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Fig. 32 –Detalhes de praia da Cruz
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3.3. Protecção de encostas e corredores dunares
Quanto às encostas, estas constituem zonas muito sensíveis à erosão do solo, provocada
pelas águas pluviais associadas a terrenos com declives acentuados. Denota-se que estas
estruturas geológicas, apresentam-se quase despidas de plantas pelo que se torna
necessário conservar a vegetação natural ou mesmo ser revestidas com a vegetação
adequada nos seus diversos estratos, com predominância do estrato arbustivo e
herbáceo, que serão tanto mais necessários, quanto maior for o declive da área. A
intervenção nestas áreas deverá ter em conta a protecção do solo e as ocorrências de
natureza geológica (litologia, estrutura) significativas para a paisagem.
No que diz respeito aos corredores dunares estes estão protegidos por herbáceas
adaptadas aos solos salinos como murraça-preta (Zygophyllum waterlotii), palha-branca
(Aristida cardosoi), Sesuvium sesuvioides, tarafe (Tamarix senegalensis),
acacia-
americana (Prosopis sp.), entre outras que tem servido de almofada de amortecimento
contra os impactes dos ventos e de areias finas sobre o solo salgado, amenizando a
erodibilidade dos mesmos. A proposta de intervenção consiste no controlo ao processo
de urbanização de modo a qualificar estes espaços, como também assegurar a
preservação do verde nas áreas que não apresentam aptidão para a edificação e que são
importantes na manutenção do equilíbrio ecológico da Paisagem evitando assim,
ameaças pela ocupação urbana. Deste modo, considera-se fundamental a unificação e
articulação daqueles espaços de uma forma consequente e sustentável.
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Fig. 33 –Corredores dunares – detalhes da vegetação
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Fig. 34 –Vegetação espontânea nas vertentes e espaços de transição entre a cidade e o campo
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3.4. Jardins e pátios privados
Os espaços verdes, nomeadamente os jardins, são zonas permeáveis que reduzem o
escorrimento superficial da água da chuva e ocorrência de cheias. São habitats para um
conjunto elevado de espécies vegetais, tornando possível a manutenção de
biodiversidade no interior das cidades, importante para o funcionamento ecológico
destas áreas e das regiões em que estão inseridas. Constituem, igualmente, elementos de
uma elevada importância estética.
Na Cidade de Sal Rei, Ilha da Boa Vista, deparamos com alguns jardins privativos, dos
quais se pode realçar o Jardim no interior do Hotel Marine Club, onde se pode distinguir
algumas espécies de interesse paisagístico, nomeadamente cardial (Hibiscus rosasinensis), muito utilizada como arbóreas de sombra e ornamental, proporcionando ainda
uma excelente sebe viva; sempre-noiva (Cataranthus roseus), Thespesia populnea,
buganvília (Bougainvillea sp.), tamareira (Phoenix dactylifera), palmeira-leque
(Washingtonia filifera), entre outras, que apesar de estarem nas proximidades do mar
apresentam-se em bom estado de conservação, dando um enquadramento estético ao
todo edificado, criando um equilíbrio simples e belo, de interface, entre a praia e a
encosta.
Também, se denota, na cidade de Sal Rei, algumas moradias particulares, dotadas de
pátios, bem ornamentados, com espécies arbóreas e arbustivas adaptadas às condições
climatéricas da ilha, como tamareira (Phoenix dactylifera), acácia-martins (Parkinsonia
aculeata), amendoeira (Terminalia catappa), piteira/sisal (Agave sisalana), cardial
(Hibiscus rosa-sinensis), e Euphorbia trigona, espécies vegetais que o presente Plano
aconselha na utilização, por garantirem maior estabilidade e a sustentabilidade nos
projectos de paisagismo tanto de iniciativa privada como municipal.
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Fig. 35 – Jardins do Hotel Marina Clube
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Fig. 36 – Detalhes de jardins privados
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Fig. 37 – Jardim privado no interior de uma casa
Fig. 38 – Jardinagem no entorno de residencias privadas
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4. Estratégia de consolidação dos espaços verdes existentes
4.1. Selecção de espécies mais adequadas
O sucesso dos espaços verdes urbanos depende muito de factores ambientais, como o
quadro climático, os tipos de solos, as reservas de água e a existência de áreas naturais,
que forneçam elementos originais passíveis de serem incorporados na cidade, ou
integrados como espaços verdes.
O quadro natural da Cidade de Sal-Rei, na Ilha da Boa Vista constitui um grande
constrangimento à criação de espaços verdes urbanos, pelo menos na fixação da maioria
de espécies ornamentais utilizadas em Cabo Verde nos projectos de paisagismo. Para
além do clima árido, com um reduzido período húmido, os solos são arenosos e
salgados, e a própria atmosfera apresenta uma elevada salinidade, devido à salsugem
transportada em forma de gotículas muito finas pelo vento a partir do mar. Entre os
meses de Novembro e Março a ilha da Boa Vista é uma das ilhas mais assoladas pela
bruma seca (poeiras provenientes do deserto do Sahara), afectando os poros das plantas
e dificultando-as nas suas funções vitais.
Por isso, o Plano Verde da Cidade de Sal-Rei apresenta uma lista das espécies
recomendáveis para projectos de paisagismo, uma vez que a selecção das espécies
vegetais para esse ecossistema, deve ter em conta alguns constrangimentos, como a
adaptação à secura, à salinidade e às poeiras. A selecção criteriosa de espécies
adequadas e adaptadas às condições edafo-climáticas do espaço contribuirá para uma
correcta manutenção e usufruto do mesmo.
O Plano recomenda, sempre que possível, o uso de espécies rústicas e de preferência as
espécies autóctones, bem adaptadas às condições edafo-climáticas locais, com reduzidas
exigências hídricas. Esta opção fomenta a biodiversidade local, evitando possíveis
invasões de exóticas. Geralmente as autóctones são mais resistentes a pragas e doenças
e consequentemente necessitam de menores cuidados de manutenção. No entanto, devese ter em conta os aspectos relacionados com a estética, o porte, a cor da folha, a cor e
época de floração, bem como outros requisitos.
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Na fase do diagnóstico no terreno, para a elaboração do Plano Verde, verificou-se que
muitas espécies ornamentais utilizadas nas áreas verdes da Cidade são sensíveis às
pragas, demonstrando um aspecto debilitado. Nas condições actuais é sempre desejável
optar por espécies menos exigentes em água, e que não precisam de cuidados
particulares de manutenção. A carência de água é uma limitação séria em todas as ilhas,
mas o município da Boa Vista tem vindo a usar, de forma racional, as águas
provenientes da Estação de Tratamento de Aguas Residuais (ETAR). A pretensão do
presente Plano Verde é que a água a ser utilizada na rega dos espaços verdes urbanos,
quer públicos quer privados, seja proveniente da ETAR.
Assim, a escolha criteriosa das espécies a utilizar, atendendo também a forma da copa,
ao tipo de raiz e à velocidade de crescimento, contribui para evitar problemas futuros,
como a colocação de árvores de raízes superficiais em arruamentos, árvores de grande
porte em locais de reduzida dimensão ou com compassos demasiado apertados. Estas
situações obrigam a reparações regulares do pavimento e a podas violentas de atarraque,
que causam degradação do contorno da árvore, diminuição da sua saúde e do tempo de
vida útil com custos elevados de intervenção.
Os recursos materiais, o material vegetal de viveiro, os equipamentos e a mão-de-obra
disponível para a realização das operações de instalação e manutenção dos espaços
devem também ser avaliados, para que seja possível estabelecer prioridades na selecção
de espécies e tomar decisões de ordem prática.
4.2. Sistema de rega e manutenção eficientes
O uso racional da água de rega, procurando evitar o seu desperdício, sobretudo em
climas áridos, como é o caso da Cidade de Sal-Rei, deve ser um objectivo na concepção
e manutenção dos espaços verdes. Deste modo, sendo a água um recurso escasso, em
Cabo Verde, os sistemas de rega a utilizar nos espaços verdes públicos devem ser,
sempre, independentes dos sistemas de distribuição de água às populações,
privilegiando sistemas alternativos, dentre os quais se realça o uso de água das Estações
de Tratamentos de Águas Residuais (ETAR). Nesta via, a instalação e a manutenção dos
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espaços verdes urbanos só serão possíveis com recurso às águas da ETAR. Actualmente
a Câmara vem utilizando camiões cisternas no transporte destas águas, para a rega das
praças e avenidas, utilizando mangueira de diâmetros impróprios para efectivação da
rega, para as tipologias dos espaços verdes existentes na Cidade, o que não os abona,
em nada, e não é recomendável.
No âmbito do Plano Verde para a cidade de Sal-Rei, a intervenção requer a priorização
ao uso de rega localizada (rega gota-a-gota), que é recomendável para a rega de zonas
de arbóreas, arbustivas e herbáceas. Mas realça-se que este novo sistema exige
aquisição de pessoal especializado, nesta matéria, uma vez que o sistema requer
controlo e manutenção constantes. Deste modo, o Plano recomenda a eliminação total
da rega com mangueira e adopção de modernos sistemas gota-a-gota, na gestão de rega
dos espaços verdes urbanos.
Pois, a irrigação eficiente tem como base o planeamento da gestão de água, de modo a
evitar o desperdício, pelo que é importante compreender tanto as necessidades de água
das plantas, como as especificações operativas do equipamento de rega. Por outro lado,
antes da instalação de um sistema de rega devem ser avaliados a disponibilidade de água
e o caudal. Se o sistema de rega for dependente do sistema de distribuição de água é
igualmente indispensável avaliar a pressão disponível.
4.3. Integração comunitária das áreas verdes
A criação e a manutenção das áreas verdes passam pelo envolvimento da comunidade
no dia-a-dia desses espaços. Pois, um dos constrangimentos na criação de áreas verdes
em Cabo Verde é de ordem cultural. Muitos cidadãos pensam que as áreas verdes são
desperdícios de recursos nomeadamente de água, mas não relacionam os espaços verdes
com os benefícios ambientais, sociais e económicos. Os espaços verdes são elementos
fundamentais numa área urbana, não só pelos benefícios que trazem para o ambiente
urbano como também constituem um requisito essencial para a qualidade de vida da
população, não descurando o seu valor ecológico.
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Deste modo, a gestão dos espaços verdes públicos é muitas vezes vista como uma
responsabilidade exclusiva das autarquias, sem que sobre os cidadãos recaia qualquer
obrigação. Esta atitude, fortemente enraizada no consciente dos cidadãos, condiciona o
potencial de envolvimento e participação social.
Por isso, a criação de espaços verdes deverá ser feita em paralelo com os programas de
educação ambiental, mobilizando grupos juvenis, associações desportivas, professores
e alunos das instituições de ensino, associação de bairros, entre outros, no sentido de se
incutir noções, no grupo alvo, relacionadas com temas de interesse como a importancia
dos espaços verdes urbanos, o papel das árvores na cidade, além da consciencialização
para o uso racional da água. Assim, os espacos verdes constituiriam um pólo de
irradiação dos conceitos de educação ambiental e de cidadania.
Por outro lado, os moradores devem ser responsabilizados com os cuidados a terem para
com as suas ruas e passeios, participando nas campanhas de plantação, limpezas,
pequenas construções e outras acções, sob a coordenação técnica da Câmara Municipal,
e apoiado pelo especialista da área. Esta participação activa da comunidade local vai
estimular o uso sustentável por parte da população, apelando ao respeito pelo bem
comum. No entanto, algumas regras de uso e directrizes de utilização devem ser
formuladas, de modo a poder-se zelar melhor para a qualidade dos espaços verdes. Nos
casos em que a comunidade responda de modo positivo ao envolvimento activo no
processo, poder-se-á considerar a sua colaboração uma parceria de forma voluntária na
instalação dos espaços verdes na Cidade.
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5. Proposta de criação de novos espaços verdes na Cidade de Sal - Rei
5.1. Modelos e função das áreas verdes na Cidade de Sal -Rei
O Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) da Boa Vista propõe que a marginal praia
de João Questão seja dotada de espaços pedonais e de estar públicos e de equipamentos
ligados ao recreio náutico, juntamente com a Praça de Santa Isabel, pois constituem
pontos de encontro e de reunião sociocultural da Cidade. Este espaço, bem como o de
Praia de Cabral, Praia da Cruz, Praia David, exibem uma grande exuberância, pois
têm uma larga bacia visual sobre o mar e por outro lado beneficiam as construções de
várias categorias: turísticas, habitacionais e mistas, das zonas de expansão da Cidade e
das zonas consolidadas. Assim, o Plano de intervenção requer que estas praias sejam
ladeadas por arbóreas, essencialmente coqueiro (Cocus nucífera), criando um oásis à
beira mar, convidando os transeuntes, para passeios diurnos e nocturnos, dando vida à
praia e à Cidade de Sal-Rei.
A consolidação da zona antiga da Cidade com a zona nova de expansão urbana,
nomeadamente a zona de Nossa Senhora de Fátima, Chã de Ervatão e Chã de Água
Doce, vai permitir a integração dos múltiplos espaços livres existentes, criando uma
rede que ligue as diversas áreas da Cidade, através de corredores verdes, assim como a
requalificação ambiental das áreas urbanas. Por isso, torna-se necessário definir linhas
programáticas para a criação de espaços verdes, para estas áreas a serem urbanizadas,
baseadas na promoção e distribuição equitativa do verde, tanto quantitativa como
qualitativa, de modo a se reconstruir e a modelar o tecido urbano. Assim, o Plano requer
a intervenção nas zonas denominadas de verde urbano, no Plano de Desenvolvimento
Urbano (PDU) de Sal-Rei, que delimitam a Praia de Fátima, a Praia de Ervatão e toda a
zona nova de Chã de Água Doce, no limite Este, categorizando as zonas de habitação
turística, uma continuidade no uso da arbórea à base de coqueiro (Cocus nucífera), de
modo a constituir um sistema de arborização importante na leitura da estrutura deste
espaço, enfatizando os percursos, existentes ou propostos, e instituindo linhas
fundamentais da sua referenciação.
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No que diz respeito ao Verde Urbano, proposto no PDU de Sal Rei, que margina as
zonas industriais e que tem a sua continuidade no troço da via que passa nas
proximidades do Cemitério de Sal Rei, o Plano de intervenção requer que sejam
utilizadas arbóreas de protecção, muito resistentes ao vento, bem adaptadas às
condições de salinidade daqueles solos, denominadas vulgarmente por tarrafe (Tamarix
senegalensis), servindo de barreira ao fumo, e de minimização ao barulho, contrastando
a sua cor verde acinzentado com a cor branca daquelas zonas arenosas.
Assim também, o Plano contempla e exige a intervenção no verde urbano, proposto no
PDU de Sal-Rei, situado na envolvência da Área de Protecção Ambiental de Salinas,
na continuidade com o arbustivo de protecção denominada tarrafe, constituindo uma
zona tampão, e que vai contrastar com a cor vermelha e resplandecente da Sesuvium
sesuvioides, espécie resistente aos solos salinos e frequente nestas baixas, salgadas,
referenciadas de Verde de Protecção e Enquadramento, no PDU.
Para a Área de Protecção Ambiental de Rotchinha, o PDU de Sal Rei propõe a
construção da habitação turística, onde se vai ter uma grande bacia visual, sobre toda a
Cidade e o mar, sem qualquer limite e seja qual for a exposição. Sendo uma elevação de
carácter paisagístico de excelência, localizada praticamente no centro, dividindo o sítio
histórico e envolvente urbanizada e a nova zona de expansão a urbanizar, a partir da
Nossa Senhora de Fátima, torna-se importante que a intervenção proposta no Plano seja
baseada em espécies que dêem um certo colorido a toda a zona de encosta, bem como
espécies que servem de barreiras vivas, com função de corta-vento. Assim, a
intervenção exige a presença da planta denominada buganvília (Bougainvillea sp.), em
várias espécies, com as suas brácteas persistentes, vivamente coloridas em tonalidades
de branca, amarela, rosada, magenta, purpúrea, alaranjada entre outras. Também, o
plano contempla na intervenção a espécie vulgarmente conhecida por sisal piteira
(Agave variegata), cujas folhas são multifacetadas, mescladas de várias cores, que
quando apoiadas por armação do terreno, servem para delinear o caminho e o encimado.
Assim, o realce do colorido das duas espécies referenciadas vai contribuir para altear a
nobreza e a imponência desta paisagem, conferindo-lhe o respeito e a consonância para
com a envolvente mais antiga e a zona nova de expansão.
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As linhas de água são zonas muito sensíveis e de muita animação, particularmente
durante a época de boas águas, pelo que devem ser muito bem protegidas, contra as
acções erosivas. No caso da Ribeira de Pá Velho, o seu encaixe no interior de uma
zona nobre de expansão urbana, contemplando zonas de construção de categorias
habitacionais mista e turística, vai criar uma zona de oásis no interior desta cidade,
servindo de corredor de vento, amenizando o calor e contribuindo para a renovação do
ar atmosférico. Deste modo, o Plano de intervenção, para esta área, requer que as
margens sejam recuperadas com a vegetação natural, adjuvadas de introdução de
arbóreas denominadas vulgarmente por figueira-branca (Ficus sycomorus ssp.
gnaphalocarpa), uma espécie nativa, de porte exuberante, com frutos comestíveis, que
tem vindo a sofrer uma forte pressão antrópica. Também, requer-se, para esta área, a
introdução da espécie conhecida por espinho-branco (Faidherbia albida), uma
forrageira por excelência, com um porte bem estruturado, de carácter ornamental, que
configura uma exterioridade alternada, para cada estação do ano, conferindo-lhe a
soberania, motivada pela sua plasticidade autêntica.
As áreas propostas pelo PDU de Sal-Rei como Verde Protecção e Enquadramento Carácter Meramente Indicativo, servem de zona de tampão, como também de
protecção e ainda constituem zonas de transição e de amortecimento. O Plano de
intervenção requer para estas zonas a introdução de arbóreas, símbolo da ilha da Boa
Vista, conhecidas por tamareira (Phoenix dactylifera), no sentido de fortalecer as
barreiras contra o vento, como é o caso do Verde de Protecção e Enquadramento Carácter Meramente Indicativo, localizado a partir da Praia de Ervatão, dando
consistência e conforto às vias e construções situadas na sua envolvência. Temos ainda
outros que constituem não só a barreira de fortalecimento às espécies propostas para o
verde urbano e para a zona industrial, como também definem-se como uma zona de
transição para a unidade da Paisagem Reserva Natural da Boa Esperança, dando-lhe
ordem, coesão e homogeneidade.
É de realçar que no Verde Protecção e Enquadramento - Carácter Meramente
Indicativo, que abrange a zona de António Sabina, cobrindo uma boa parte da Ribeira
de Pá Velho, fora da nova área de expansão urbana. O Plano também exige a
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continuidade da introdução da tamareira, como forma de protecção do troço da via que
se estende, a partir do Cemitério, até ao extremo mais a Leste, da nova área de expansão
urbana, consolidando toda esta via, criando um microclima convidativo à sedentarização
das novas construções de categoria mista, habitacional e turística, definidas no PDU de
Sal Rei.
5.2.As categorias das áreas verdes na Cidade de Sal -Rei
A classificação das áreas verdes da Cidade por categorias constitui uma estratégia de
sua programação, manutenção e de uso comunitário. Tendo em conta os diversos usos
das áreas verdes no perímetro urbano e os diversos serviços ambientais que
desempenham, propõe-se as seguintes categorias para as áreas verdes da Cidade de SalRei.
Denominação
Praças e pracetas
Características
Espaço aberto, livre de construção
de habitações, reservado ao lazer,
passagem entre ruas, passeio
pedonal, podendo apresentar
equipamentos sanitários,
restauração e bar, mobiliário
típico de descanso, comunicação e
segurança.
Função ambiental da área verde
Sombreamento e amenização
microclimática; purificação da
qualidade do ar; captura de carbono;
estética urbana; protecção da
avefauna.
Denominação
Ruas, arborização viária,
avenidas e rotundas
Características
Corredores de circulação pedonal
e rodoviária, interior do perímetro
urbano.
Função ambiental da área verde
Corredores verdes; sombreamento e
amenização microclimática; divisão
do fluxo rodoviário, protecção
contra encadeamentos automóveis e
orientadores do tráfego; purificação
da qualidade do ar; captura de
carbono; estética urbana.
Denominação
Cemitério arborizado
Características
Campo santo destinado ao culto
dos mortos; necrópole destinado
ao enterro dos defuntos.
Função ambiental da área verde
Plantas de sombreamento e
herbáceas de flores; plantação para
facilitar e acelerar a decomposição
dos cadáveres; função estética e de
respeitos aos mortos.
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Denominação
Áreas protegidas nos limites
da Cidade
Características
Áreas classificadas por um
diploma legal e que possuem um
plano de protecção e gestão.
Função ambiental da área verde
Protecção
de
ecossistemas,
protecção
da
biodiversidade;
serviços ambientais de purificação
do ar e captura do carbono; turismo
e educação ambiental.
Denominação
Jardins municipais especiais
Características
Área cercada com uma colecção
de plantas seleccionadas e
esteticamente arrumadas. Espaço
de lazer no interior de áreas
verdes equipado com serviços de
lazer, restauração e mobiliário
urbano
Função ambiental da área verde
Protecção
da
biodiversidade;
serviços ambientais de purificação
do ar e captura do carbono; turismo
lazer, educação ambiental e
rendimento económico.
5.3.A integração das áreas protegidas na cintura verde da Cidade de Sal-Rei
A Cidade de Sal-Rei confina com as diversas áreas protegidas tanto no interior como na
orla costeira, nomeadamente: Reserva Natural de Boa Esperança; Reserva natural de
Ponta do Sol; e Monumento Natural do ilhéu de Sal Rei. Nesta via, o crescimento
urbano deverá ter em linha de conta essas áreas protegidas, como corredor ecológico de
protecção dos ecossistemas naturais. A Câmara deverá trabalhar em parceria com a
Delegação concelhia do Ministério do Ambiente e da Gestão das Áreas Protegidas, na
preservação, promoção e divulgação das áreas protegidas, enquanto espaço de lazer,
educação e protecção da biodiversidade.
No quadro legal, as áreas protegidas são abertas ao público, enquanto espaços de lazer,
educação e promoção da protecção da biodiversidade. O enquadramento das visitas
deverá ser feito por pessoal especializado que deverá ser formado no âmbito da gestão
das áreas protegidas.
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Fig. 39 – A Reserva Natural de Boa Esperança representa um dos maiores patrimónios da Boa Vista
Fig. 40 – Degradação das palmeiras pelo efeito da seca e invasão de Prosopis
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Fig. 41 – Programa de recuperação da Reserva com financiamento Espanhol
5.4. Socialização e integração comunitária das áreas verdes
A criação das áreas verdes deverá ser acompanhada de programas de educação
ambiental, sobretudo nas escolas, tanto ao nível básico como no liceal. A comunidade
urbana deverá ser envolvida no seu todo. As unidades hoteleiras deverão receber
incentivos para criarem espaços verdes na sua envolvência e nos locais estratégicos
como avenidas, orla costeira e vertentes. A população deve participar no
embelezamento da sua rua e colaborar com a Câmara Municipal na manutenção das
áreas verdes.
As associações juvenis e desportivas deverão ser incentivadas na organização de
campanhas de arborização, segundo planos previamente traçados pela Câmara
Municipal. A Câmara Municipal deverá assumir a responsabilidade pela estratégia de
criação e gestão de toda a área verde no perímetro urbano, mesmo nos jardins privados,
em parceria com os serviços Concelhios do Ministério do Desenvolvimento Rural
(MDR) e dos serviços descentralizados do Ambiente, pois, esta estratégia evita e génese
de focos de pragas e infestantes para os demais espaços verdes da Cidade.
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Considerando a vocação turística da ilha, a Câmara poderá criar áreas verdes especiais,
como Jardins Botânicos, ou temáticos sobre a flora autóctone, com a integração de
outros elementos paisagísticos como lagos e fauna local, mobiliário urbano e
esplanadas. As áreas verdes especiais, como descritas anteriormente, poderão partir de
iniciativa privada, que também cobrará os rendimentos da sua exploração, mas a sua
criação exige todo o rigor de protecção fitossanitária.
6. Estratégia de criação e manutenção de novos espaços verdes na Cidade de
Sal - Rei
6.1.Criação de um viveiro municipal
A Câmara Municipal deverá criar um viveiro ou vários viveiros municipais, para as
espécies ornamentais, arbóreas, arbustivas e herbáceas. O presente Plano apresenta, em
anexo, um projecto de viveiro municipal, com indicação de espécies prioritárias para os
espaços verdes da cidade de Sal-Rei. O viveiro municipal deverá ter em linha de conta
não só as necessidades de plantas para as áreas verdes da Cidade, mas também o
fornecimento a privados, nomeadamente hotéis em expansão na ilha da Boa Vista. No
quadro de viveiros municipais, a Câmara deverá formar um grupo de jardineiros que
ficarão responsáveis pela gestão dos viveiros e animação da comunidade na criação das
áreas verdes.
6.2.Parcerias e mobilização de recursos
Uma parceria estratégica deverá ser estabelecida com as várias entidades presentes na
ilha, nomeadamente a Delegação Concelhia do Ministério do Desenvolvimento Rural
(MDR), Delegação de gestão de áreas protegidas, unidades hoteleiras, ONG de
protecção da Natureza e Associações Comunitárias de Desenvolvimento, escolas e
estabelecimentos de formação juvenil.
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6.3. Monitorização das áreas verdes urbanas
No âmbito do Plano Verde, deverá ser criada uma comissão de monitorização do Plano
Verde, coordenada pelo Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal, com a participação
de ONG ligadas à promoção de ambiente e espaços verdes, Delegação do Ministério de
Educação, Delegação do Ministério do Ambiente e Agricultura e Projectos de Áreas
Protegidas.
A comissão deverá programar encontros semestrais onde serão avaliados o estado de
andamento e a qualidade das áreas verdes urbanas, bem como programar a mobilização
de parceiros para a promoção e manutenção das áreas verdes.
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7. Conclusão
A elaboração do Plano Verde para a cidade de Sal-Rei na Ilha da Boa Vista, constitui
um instrumento de referência para o planeamento dos espaços verdes, contribuindo para
o estabelecimento de uma estrutura verde harmoniosa, equilibrada e articulada,
valorizando os edificados consolidados, bem como toda a área nova da expansão
urbana, evitando as incongruências e diferenças que possam descaracterizar toda a
cidade.
Sendo a Cidade de Sal-Rei, um espaço urbano carente de área verde e bafejada por um
clima bastante árido, a proposta do incremento do verde, expressa neste Plano,
contribuirá para a melhoria da estética da Cidade, da qualidade ecológica e ambiental e
para o bem-estar dos citadinos. Isto porque os espaços verdes desempenham uma
grande força visual, com grande capacidade ornamental. Têm ainda um papel de relevo
na drenagem natural das águas pluviais, contribuindo para o equilíbrio do ciclo
hidrológico.
O Plano propõe também um projecto de criação de um viveiro Municipal, que vai dar
resposta às necessidades, em termos de material vegetal, para a consubstanciação dos
projectos na área de paisagismo, para todas as categorias de espaços existentes e
propostos. Adjuvado de um plano de gestão e de manutenção elaborado, orientado e
coordenado pela Câmara Municipal e auxiliado por todos os parceiros, nomeadamente
comunidade da ilha, Associações de Bairros, ONG, Empresários Hoteleiros, entre
outros, contribuirá para uma reorganização territorial, com elementos essenciais de
atenuação das construções e de redução de impactes das infra-estruturas. O projecto de
capacitação das associações comunitárias será um outro valor acrescentado, no âmbito
deste Plano, para a valorização e protecção ambiental e para a dignificação do bem
comum e na criação de um espírito de unidade e de parceria.
Assim sendo, os valores e as directrizes emanadas deste Plano Verde são objectos
indispensáveis para a materialização do conceito de planeamento urbano sustentável.
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8. Referências Bibliográficas
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Plano Verde do Concelho de Lisboa, Edições Colibri, Lisboa, (livro, 197 pgs)
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Câmara Municipal da Boa Vista
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ANEXOS
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
I
Câmara Municipal da Boa Vista
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PROJECTO
DE UM VIVEIRO MUNICIPAL DE BOA VISTA
O plano verde para a cidade de Sal Rei, Ilha da Boa Vista, contempla um projecto
relacionado com a montagem de um viveiro municipal, no sentido de responder os
requisitos do plano e garantir as exigências do mesmo, em termos de produção de
plantas ornamentais. Por outro lado, o viveiro será um pólo de difusão de boas técnicas
de produção de plantas, para colmatar as necessidades do material verde para o projecto
de paisagismo, para a cidade de Sal Rei, na implementação do plano verde, bem como
na satisfação do mercado interno, a nível de fornecimento/comercialização de plantas
ornamentais, de interesse paisagístico, para o público em geral, para os hotéis na ilha e
outras entidades interessadas nesta área.
Também, este projeto de viveiro municipal vai promover conceitos de Educação
Ambiental e de cidadania no dia-a-dia das escolas e comunidades, na medida em que
haverá envolvimento e apoio de todos os parceiros locais, nomeadamente a comunidade
da ilha, Delegação do Ministerio do Desenvolviemnto Rural (MDR), Escolas,
Associação de Bairros, ONG, Empreendimentos Hoteleiros, para além da própria
Câmara, como responsável do projecto.
O viveiro terá um enorme potencial para tornar-se educador, incorporando a dimensão
pedagógica no processo, despertando nos grupos envolvidos o olhar crítico e o espírito
colectivo, dentro de um contexto ecológico e ambiental, potencializando ainda os
processos de restauração da vegetação nativa, de requalificação do ambiente urbano e
melhoria da qualidade de vida da população.
O projeto apresentado, neste plano, propõe a construção do viveiro com a ocupação de
uma área de 625 m2, com capacidade de produção, aproximada, de 25.000 espécimes
(exemplares), por ano, que poderá ser ampliado para 1000 m2,
de acordo com a
necessidade de produção.
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
II
Câmara Municipal da Boa Vista
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Realça-se que o viveiro deve ser concebido e desenhado em função do plano de
distribuição e de arborização delineado. A produção de plantas e o seu transporte para o
local definitivo devem ser feitos nas melhores condições possiveis, de modo que a
informação posterior venha a mostrar
plantações saudáveis e com boa taxa de
crescimento.
Ficha do projecto
Nome do Projecto
Enquadramento
Justificação
Objectivos Gerais
Viveiro Municipal
A Cidade de Sal - Rei tornou-se um pólo urbano de
grande vocação turística com a emergência do turismo na
ilha da Boa Vista. No entanto, o clima árido e o domínio
de solos arenosos e salgados vêm condicionando
seriamente a criação de uma cintura verde, tão necessária
à amenização do clima e à melhoria da estética urbana. O
Plano Verde da Cidade, ora elaborado, estabelece pistas
orientadoras para a selecção de espécies mais adequadas,
assim como uma estratégia de criação de áreas verdes,
onde se insere a criação de um viveiro municipal para a
produção de arbóreas, arbustivas e herbáceas
ornamentais, para os jardins municipais e abastecimento
de entidades privadas. A vegetação é um dos pilares
fundamentais dos espaços verdes e a qualidade ambiental
e paisagística das cidades depende, em muito, da
exuberância dos seus, jardins, praças, ruas, árvores de
alinhamento ou separadores. As árvores e a vegetação,
em geral, constituem importantes recursos naturais de
regulação climática, amortecem o ruído, filtram agentes
de poluição atmosférica e são refúgios para fauna diversa,
nomeadamente avefauna.
O perímetro urbano consolidado apresenta uma fraca
vegetação, mas ainda existem condições de instalação de
árvores de sombreamento para as ruas, praças, largos e
pracetas. A área de expansão ainda oferece condições
para uma urbanização em cidade jardim, com a criação,
simultânea, de cintura verde que contribuirá para
amenização do clima agreste em toda a envolvência da
cidade. Por outro lado, o incremento dos espaços verdes,
na cidade de Sal Rei, poderá reavivar, na comunidade da
ilha, uma atitude consciente da luta contra a
desertificação e atenuação dos efeitos da seca e sendo a
Boa Vista, uma ilha com vocação turística de excelência,
uma intervenção, a nível do paisagismo, revolucionará a
cidade em termos da estética paisagística, contribuindo
também para o bem-estar das populações urbanas.
Melhorar o estado ambiental da cidade, valorização da
estética urbana e amenizar o clima árido da envolvência
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
III
Câmara Municipal da Boa Vista
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Objectivos específicos
Beneficiários /Público-alvo
Duração
Custos estimados
Parceiros
Resumo
Actividades Principais
da urbe.
Criação de viveiros e produção de plantas ornamentais de
interesse paisagístico para os espaços verdes da cidade;
promoção de campanhas de plantação e de protecção das
árvores, envolvendo a comunidade da ilha, as escolas e as
associações de desenvolvimento local; promoção de
acções direccionadas de educação ambiental; valorização
dos espaços verdes, como recurso turístico, através de
regras de boas práticas; sensibilização sobre a
importância da ocupação sustentável das áreas verdes;
resgate do espírito de colectividade relativamente aos
espaços verdes.
Moradores da cidade e visitantes
2 Anos
8.000.000$000 (oito milhões de escudos)
Câmara Municipal, Delegação Concelhia do Ministério
do Desenvolvimento Rural, Empreendimentos hoteleiros,
Comunidade local.
O projecto de requalificação e valorização dos espaços
urbanos, pelo incremento de espaços verdes na cidade,
melhorando a sua qualidade ambiental, é um desafio
enorme e necessário, que deve ser abraçado por todos os
munícipes. Trata-se de uma demanda prioritária pelo
poder Camarário, seja pela importante função que a
vegetação exerce na manutenção dos recursos hídricos e
regulação do ciclo hidrológico, pela protecção e
fertilização dos solos, bem como pela perpetuação da
fauna silvestre, ou ainda, por estimular a reflexão sobre
que medida se pode tomar frente ao eminente avanço do
aquecimento global. Por outro lado, é uma atitude que
contribuirá também para o resgate e a construção da
“cultura do plantar” presente, tanto nas comunidades
rurais, quanto no meio urbano, adjuvadas das instituições,
como escolas, bairros e associação locais, entre outros,
fortalecendo as relações pessoais, os laços afectivos, e
cativando cada vez mais pessoas dispostas a reflectir e
agir na direcção de uma cidade saudável, mais justa e
equilibrado para todos os munícipes.
Encontros com a comunidade e actores locais para
esclarecimento sobre a importância da criação do viveiro
e o papel dos espaços verdes na cidade; construção do
viveiro em local adequado; formação dos jardineiros em
técnicas de jardinagem e gestão dos espaços verdes;
colheitas de sementes e estacas de interesse ecológico;
transporte de estrume, terra, areia, e água; preparação de
terra de jardim; enchimento de sacos de plástico de
polietileno negro; sementeira e plantação de estacas em
sacos de polietileno e seguimento das operações técnicas;
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
IV
Câmara Municipal da Boa Vista
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Resultados esperados
transporte de plantas e plantação em local definitivo, com
apoio dos jardineiros, da comunidade e técnicos
especializados residentes; colocação de estrutura de
protecção das arbóreas e arbustivas; manutenção dos
espaços verdes em áreas públicas.
Comunidades e parceiros locais sensibilizados sobre a
importância da conservação dos espaços públicos e da
natureza; Manutenção compartilhada dos espaços verdes
da cidade por meio da ajuda de parceiros locais; viveiro
construido e funcional; jardineiros formados; jardins,
praças, ruas, largos e pracetas ornamentados com
arbóreas, arbustivas e herbáceas de interesse paisagístico;
melhoria na gestão dos espaços verdes na cidade de Sal
Rei; resgate do espírito de colectividade em relação aos
espaços verdes; redução de gastos com depredação;
melhoria da qualidade de vida das pessoas, em função do
maior convívio.
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
V
Câmara Municipal da Boa Vista
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Lista das espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas referenciadas no Plano Verde
para a cidade do Sal Rei – Ilha da Boa Vista
Nome científico
Agave variegata
Nome vulgar
Piteira, sisal
Aristida cardosoi
palha-branca
Foto
Atriplex sp.,
Azadirachta indica
Tendente, nime
Bougainvillea sp.
buganvília
Caesalpinia gilliesii
barbas-de-barata-amarelas
Caesalpinia pulcherrima
barbas-de-barata-vermelhas
Cassia bicapsularis
jardim
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
VI
Câmara Municipal da Boa Vista
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Cataranthus roseus
Cocos nucífera
Cynodum dactylon
Delonix regia
Euphorbia tuckeyana
sempre-noiva
coqueiro
grama
acacia-rubra
tortolho
Faidherbia albida
espinho-branco
Ficus benjamina
ficus
Ficus sycomorusssp.
gnaphalocarpa
figueira-branca
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
VII
Câmara Municipal da Boa Vista
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Hibiscus rosa-sinensis
cardial
Ipomoea carnea
Ipomoeapes-caprae
lacacã
Nerium oleander
loendro
Pelargonium sp.
Phoenix dactylifera
Prosopis juliflora
tamareira
acacia-americana/espinheira
Sesuvium sesuvioides
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
VIII
Câmara Municipal da Boa Vista
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Tamarix senegalensis
tarrafe
Terminalia cattapa
amendoeira
Thevia peruviana
tortolhinho
Washingtonia filífera
palmeira-leque
Zygophyllum waterlotii
murraça-preta
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
IX
Câmara Municipal da Boa Vista
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Ficha de Projecto
Nome do Projecto
Enquadramento
Justificação
Objectivos Gerais
Objectivos específicos
Beneficiários /Público-alvo
Duração
Custos estimados
Parceiros
Resumo
Actividades
Resultados esperados
Capacitação das associações comunitárias
O projecto enquadra-se no âmbito de consolidação,
promoção de desenvolvimento de áreas verdes na Cidade
de Sal Rei, Ilha da Boa Vista
A cidade de Sal Rei elabora um Plano Verde, na
sequência da aprovação do seu Plano Urbano Detalhado e
outros documentos estratégicos, para a melhoria da
qualidade de vida urbana na ilha da Boa Vista. A cidade
possui uma rede de associações, ONG de protecção
ambiental disposta a ajudar o município em campanhas
de educação ambiental e protecção da natureza.
Promover a criação e a protecção dos espaços verdes
urbanos, através da educação e sensibilização
comunitária.
Capacitar as associações comunitárias na elaboração e
gestão de projectos; identificação e mobilização de
parceiros, para a protecção dos espaços verdes,
saneamento, combate às pragas e para o ambiente urbano
em geral
Associações de Desenvolvimento comunitário, ONG,
escolas e grupos juvenis.
2 Anos
2.700.000$00 (dois milhões e setecentos mil escudos)
Câmara Municipal; Governo Central; Plataforma das
ONG, Associações Comunitárias.
Acção de formação nos domínios educação ambiental,
acção comunitária de base e protecção da natureza
Identificação de parceiros; elaboração de programas e
metodologia de formação; busca de financiamento e
programação da formação.
Capacitação das associações na protecção da natureza;
campanhas de arborização, limpeza e recuperação de
espaços verdes no perímetro urbano.
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Plano Verde da Cidade de Sal Rei
X
Câmara Municipal da Boa Vista
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XI
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