P L AN O V E R DE CIDADE DE SAL-REI ILHA DA BOA VISTA RELATÓRIO Coordenação José Maria Semedo Samuel Gomes Setembro de 2013 P L AN O V E R DE CIDADE DE SAL-REI ILHA DE BOA VISTA Coordenação José Maria Semedo Samuel Gomes Setembro de 2013 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Elaboração SIG-RISCO – Centro de Estudos Geográficos L.da, Avenida do Palmarejo N.o8 2o Direito Palmarejo, Cidade da Praia, Tel/Fax (238) 262 00 21. NIF – 252865103 Para a Câmara Municipal da Boa Vista ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei i Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ ii Índice Ordem Assunto pág. 1. Introdução 1 2. Inserção e caracterização geral da cidade de Sal-Rei 3 2.1. Enquadramento histórico e geográfico 3 2.2. Aspectos da paisagem urbana 6 3. Caracterização e diagnóstico dos espaços verdes da cidade de Sal-Rei 9 3.1. Praças, pracetas e jardins públicos 11 3.2. Arborização de arruamento, rotundas e centrais de avenidas 19 3.3. Protecção de encostas e corredores dunares 41 3.4. Jardins e pátios privados 44 4. Estratégia de consolidação dos espaços verdes existentes 48 4.1. Selecção de espécies mais adequadas 48 4.2. Sistema de rega e manutenção eficientes 49 4.3. Integração comunitária das áreas verdes 50 5. Proposta de criação de novos espaços verdes na cidade de Sal-Rei 52 5.1. Modelos e função das áreas verdes na cidade de Sal-Rei 52 5.2. As categorias das áreas verdes na cidade de Sal-Rei 55 5.3. Integração das áreas protegidas na cintura verde da Cidade 56 5.4. Socialização e integração comunitária das áreas verdes 58 6. Estratégia de criação e manutenção de novos espaços verdes 59 6.1 Criação de um viveiro municipal 59 6.2. Parcerias e mobilização de recursos 59 6.3. Monitorização das áreas verdes urbana 60 7. Conclusão 61 8. Referência bibliográfica 62 Anexos ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 1. Introdução O rápido crescimento urbano em Cabo Verde, verificado nas últimas décadas, não tem permitido aos Municípios um adequado planeamento dos espaços urbanos, nomeadamente na planificação e construção de espaços verdes, áreas de lazer, jardins e áreas comunitárias, tão necessários ao bem-estar e qualidade de vida nas cidades. Neste quadro, a maioria dos centros urbanos em Cabo Verde evoluiu por crescimento espontâneo, com impactes negativos, nos ecossistemas naturais, na qualidade e estética da paisagem urbana, na carência de espaços de convívio público, nas áreas de lazer e contacto com a natureza, nas mudanças e no modo de vida social e cultural da população. Nesta perspectiva, a salvaguarda de valores ambientais, a preservação e a criação de espaços verdes nos centros urbanos constituem medidas necessárias de “humanização” das cidades, para que a vida urbana não separe o homem de elementos naturais tão importantes à qualidade de vida e à cultura dos povos. As Nações Unidas dedicaram o ano de 2005 aos “espaços verdes” urbanos, na pretensão de chamar a atenção dos planificadores e dos administradores das cidades, sobre a importância da criação e da preservação dos “espaços verdes”, nos centros urbanos. As áreas verdes desempenharam um papel importante na vida das cidades ao longo da história. A título de exemplo destacam-se os Jardins Suspensos da Babilónia, na antiguidade e os Jardins Botânicos, na efervescência do período colonial. A arborização e a criação de jardins, nos centros urbanos têm respeitado os imperativos ecológicos, políticos, culturais, estéticos e económicos. É de realçar que as características dos “espaços verdes” nos centros urbanos, a sua evolução e, por vezes, a sua inexistência dependem de factores diversos, nomeadamente os naturais, como o solo, o clima, a disponibilidade de água, a flora e a vegetação local. Dependem também de factores de ordem sociocultural, como a gestão do espaço, a ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 1 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ história da cidade, dos seus habitantes, hábitos e costumes, domínios técnicos e valores morais, em relação à biodiversidade e aos padrões estéticos. Na primeira década do presente século, tendo em conta as tendências actuais do crescimento urbano, Cabo Verde criou um quadro legislativo mais favorável ao processo de Ordenamento do Território e Planeamento Urbano, bem como a defesa e preservação de valores ambientais no espaço urbano. Neste quadro jurídico destacam-se o Decreto-Legislativo nº6/2010, de 21 de Junho, que estabelece as Bases do Ordenamento do Território e Planeamento Urbanístico; o Decreto-Lei nº43/2010 que aprova o Regulamento Nacional do Ordenamento do Território e Planeamento Urbanístico e o Decreto-Lei nº15/2011 que regula o Estatuto das Cidades e define as orientações da política de capacitação dos espaços urbanos em Cabo Verde. No âmbito deste quadro jurídico foram já aprovados a Directiva Nacional de Ordenamento do Território (DNOT), o Esquema Regional de Ordenamento do Território (EROT) e o Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM), da maioria das ilhas. No caso da ilha da Boa Vista já foram aprovados o PDM e o Plano de Desenvolvimento Urbano da Cidade de Sal-Rei. O “Plano Verde da Cidade de Sal-Rei” constitui um documento estratégico de programação, criação e gestão integrada de espaços verdes no perímetro urbano. Visa estabelecer um equilíbrio entre as construções, as infra-estruturas e equipamentos e, manter o equilíbrio natural, ao bom funcionamento do ecossistema urbano, de modo a manter uma elevada qualidade de vida dos habitantes, no ambiente da Cidade de SalRei. A elaboração do presente “Plano Verde da Cidade de Sal-Rei” teve em consideração o Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU), elaborado pelo município em 2012, bem como os condicionantes naturais e legais existentes nas proximidades, nomeadamente a orla costeira, a Reserva Natural de Boa Esperança, a Reserva Natural de Ponto do Sol, criadas pelo Decreto-Lei nº3/2003 de 24 de Fevereiro, bem como a Zona de Desenvolvimento Turístico (ZDTI) de Chaves que confina com os limites da Cidade. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 2 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Assim o presente Plano Verde tem em consideração o cenário actual da Cidade consolidada, mas permite o acompanhamento paulatino da futura expansão urbana prevista no âmbito do PDM e do PDU. 2. Inserção e caracterização geral da Cidade de Sal-Rei 2.1.Enquadramento histórico e geográfico A Cidade de Sal-Rei está localizada na costa NW da Ilha da Boa Vista, no paralelo 16º Norte e no meridiano22º 55‟a Oeste de Greenwich. A fundação desta cidade deveu-se à exploração da salina e à existência de um ancoradouro que permitiu o seu desenvolvimento portuário entre os finais do século XVIII e inícios do século XIX. Fig.1 - Topografia e extensão de Sal-Rei nos finais da década de sessenta do século passado A génese e a evolução da Cidade de Sal-Rei enquadram-se na história da ilha da Boa Vista e do Arquipélago, que passou por vários ciclos económicos intercalados por crises associadas às secas e às fomes. A Ilha da Boa Vista está entre as primeiras ilhas descobertas no século XV, pelos navegadores portugueses, por volta de 1460. Foi ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 3 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ inserida na Capitania-donataria de Alcatrazes, com sede na Ilha de Santiago. Durante os primeiros séculos teve uma população reduzida que cuidava do gado introduzido pelos senhores da ilha. Nos finais do século XVIII já tinha duas paróquias, uma de invocação a São Roque, com sede na localidade de Povoação Velha e outra de São João Baptista, nas ribeiras do Norte. No entanto, por essa altura a pecuária e a agricultura nos vales eram as actividades dominantes para o sustento de uma população reduzida, que foi devastada pela fome de 1785. A exploração da salina natural, a NW da Ilha, teve um grande incremento com a chegada do administrador da Companhia de Grão Pará e Maranhão (1757-1778)1, Capitão Aniceto António Ferreira que foi comandante da ilha, onde casou e teve residência. Em 1802 reclamou para si o título de Sargento-mor e cavaleiro da Ordem de Cristo, alegando grandes serviços prestados à ilha “fazendo reviver o comércio de sal, que havia perto de cinquenta anos que não se exportava, mandando limpar as marinhas, fez dois cais um de pedra e outro de madeira 2”. Aniceto António Ferreira foi uma figura de proa na Ilha e no Arquipélago, na primeira década do século XIX, tendose reformado em 1819 com o posto de brigadeiro. Em 1810 a igreja paroquial da Povoação Velha foi transferida para a localidade de Rabil, por ordem do Bispo D. Frei Silvestre (1803-1813), onde foi construída a nova igreja de São Roque e também foi instalada a Câmara. Nesta época, a exploração salineira dominava a economia da ilha. No entanto, as autoridades civis e militares da ilha preferiram morar junto ao porto no sítio de Sal Rei, onde foi erigida uma capela de invocação a Santa Isabel. A exploração salineira atraiu uma notável comunidade de comerciantes judeus que se instalaram no porto de Sal-Rei e deixaram as suas marcas na urbanização e num cemitério judeu ainda existente. Com a circulação de navios e de informação, a Vila de Sal Rei ganhou importância política no ano de 1821, pela proclamação precoce da Carta 1 A Companhia de Grão Pará e Maranhão foi criada pelo Marques de Pombal em 1755, mas teve efeitos em Cabo Verde a partir de 1757 com a nomeação dos administradores para todas as ilhas, nas outras ilhas e cômputo geral a gestão da companhia teve efeitos desastrosos na economia. (Senna Barcelos Parte II pg.27) 2 Senna Barcellos – Parte III pg.146 ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 4 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Constitucional, com algum embaraço do governo central, residente na vila da Praia de Santa Maria (actual Cidade da Praia). A instalação de pessoas influentes e o comércio do sal geraram um ciclo económico notável, tendo assumido a residência do Governador Geral em 1841, altura em que foi publicado o primeiro Boletim Oficial da Província de Cabo Verde, na vila de Sal-Rei, a 24 de Agosto de 1842. No âmbito da campanha da abolição do tráfico negreiro em 1843, a Vila recebeu a comissão Luso-britânica para controlo de navios que transportavam escravos. Com a decadência do ciclo do sal, e sobretudo as fracas potencialidade agro-pecuárias, manteve um crescimento demográfico lento durante o século XX. Apesar de ser a terceira ilha em dimensão territorial a sua população esteve sempre abaixo dos 5% dos residentes no arquipélago. Na primeira década do século XXI, com a construção do aeroporto internacional, a ilha entrou num novo ciclo económico, dinamizado pelo turismo. A dinâmica da urbanização turística e das construções hoteleiras desencadeou um crescimento demográfico sem precedentes, sobretudo nas proximidades da Cidade de Sal Rei, crescimento alimentado sobretudo pelos migrantes vindos de outras ilhas e dos países vizinhos da África Ocidental. O turismo imprimiu uma grande dinâmica no crescimento urbano e pressão sobre as terras da Cidade de Sal-Rei e nos núcleos urbanos próximos, como as localidades de Rabil e de Estância. Na base desta pressão urbana são identificadas as seguintes causas 3: 3 ocupação de terrenos pela instalação de complexos turísticos; construção de vias e infra-estruturas; Vide PDU de Sal Rei (2010) ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 5 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ procura de terrenos para a instalação de equipamentos tipo armazéns, lojas, unidades de alojamentos ligados ao turismo; procura de terrenos para investimentos em alojamentos de luxo e residências secundárias ligadas ao turismo; procura de terreno pelos residentes locais para a construção de moradias familiares; procura de terreno pelos imigrantes que trabalham na construção civil, no comércio ambulante ou nas actividades complementares ao turismo. 2.2. Aspectos da paisagem urbana Sal-Rei é uma pequena cidade costeira e portuária. A consolidação da povoação deveuse à exploração da salina e das proximidades do ancoradouro. A Vila salineira teve o seu apogeu no século XIX, altura em que albergou ilustres comerciantes salineiros e desempenhou um papel notável na efervescência política portuguesa, na época da revolução liberal. Esta fase de desenvolvimento deixou alguns sobrados, hoje inscritos no património construído, no âmbito do PDU da cidade. Na segunda metade do século XX a Cidade teve um crescimento muito lento, assim como a própria economia da Ilha da Boa Vista. Com a emergência do turismo, a cidade entra num rápido crescimento demográfico e num processo de modernização, com a criação de infra-estruturas e equipamentos de certa envergadura. A população residente na actual Cidade, nos meados do ano de 2010, era de 5778 habitantes, agrupados em 1829 agregados familiares. De acordo com o censo de 2010 a população urbana da ilha era de 59% contrastada por uma população rural de 41%. O rápido crescimento, incentivado pelos trabalhadores migrantes das outras ilhas e da costa africana, trouxe novos problemas que reflectem na paisagem urbana. A grande procura de habitação deu origem ao surgimento do bairro espontâneo das “barracas”, cenário antes desconhecido na Ilha da Boa Vista, que entretanto alberga cerca de 40% dos moradores de Sal Rei. Parcelas importantes da Cidade carecem de equipamentos básicos como a pavimentação das vias, passeios e mobiliário urbano. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 6 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Paralelamente, as novas construções trouxeram arquitecturas novas, gerando um quadro urbano bem diferente da tradicional Vila de Sal Rei dos finais do século XX. Como acontece nas outras cidades do País, as áreas verdes não acompanharam o crescimento urbano, apesar dos esforços verificados em jardinagem, nas pracetas, e nalgumas árvores de arruamento nas principais vias. Fig.2 – Antigo palácio municipal no coração da Cidade Fig.3– Frente marítima da cidade junto ao antigo porto ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 7 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig.4– Sal-Rei - Arquitectura do periodo áureo da salina de Sal-Rei Fig.5– Sal-Rei – arquitectura de emergência do Turismo ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 8 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3. Caracterização e diagnóstico dos espaços verdes da Cidade de Sal-Rei Este diagnóstico tem por objectivo fazer o levantamento do quadro das áreas verdes da Cidade de Sal-Rei. Em linhas gerais, verifica-se uma grande carência de espaços verdes particularmente a nível das várias artérias, praças, pracetas e rotundas. Os sítios beneficiados neste momento apresentam alguns desajustes na selecção das espécies, tratamento das plantas, bem como no enquadramento estético. À semelhança da grande maioria dos centros urbanos do País, a criação de jardins é uma actividade marginal. Ainda é expressivo o crescimento espontâneo de plantas nos espaços vazios, vias pouco utilizadas e periferia da Cidade, sobretudo espécies vegetais naturalizadas e Prosopis juliflora. Como veremos adiante o quadro natural constitui um condicionante importante. Sal-Rei além da grande secura reinante na ilha possui solos arenosos e salgados sujeitos a movimentação dunar. O quadro sociocultural é semelhante ao das outras cidades do País, a população dá muito pouca importância às áreas verdes tanto para fins estéticos como serviços ambientais. No entanto, a selecção criteriosa de espécies adaptadas à secura e ao ambiente salino permite reverter a vegetação urbana e criar espaços verdes de grande beleza e enquadrada numa Cidade de acentuada vocação turística. Este diagnóstico foi realizado no mês de Julho de 2013, e teve por base um criterioso levantamento da vegetação da Cidade de Sal Rei, nas vias, praças, pracetas e arredores incluído as áreas protegidas, corredores dunares e orla costeira tanto no actual perímetro da cidade como em toda a área prevista pelo Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU). As intervenções verificadas nas praças, pracetas e jardins públicos não passam de pequenas pinceladas de forma casual onde a escolha das espécies não respeita as prioridades e a adaptabilidade das mesmas. Assim, as espécies presentes nestas estruturas de interesse para qualquer cidade, e que constituem marcas de excelência, necessitam de uma recuperação baseada num projecto estético ambiental, no qual farão menção as espécies resistentes às pragas e às doenças, bem como aquelas que conseguem trazer o brilho, a cor, a esses espaços convidando a uma vivência e ao bemestar na Cidade pela harmonia, rigor e tecnicidade, para além do vigor, grandiosidade e ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 9 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ exuberância das espécies escolhidas. Há uma necessidade de investir globalmente e de forma sustentável para um desenvolvimento de projectos para as áreas verdes, com base em escolhas fortes, certas e coerentes. Relativamente às grandes artérias da Cidade e em alguns separadores centrais da mesma, denota-se a presença de alguns exemplares de herbáceas, arbóreas e arbustivas, colocadas de forma pontual, sem qualquer cuidado técnico na escolha e selecção de espécies adaptadas para a largura das ruas e sem qualquer critério a nível de sombreamento, alinhamento, e harmonia, pelo que se propõe intervenções a nível do paisagismo, com projectos que dignifiquem estas áreas, com espécies arbustivas e arbóreas de porte erecto, com uma densidade folhear substancialmente atraente, que sirva de ponto de referência em todos os alinhamentos, criando orientação e dinâmica ao longo das vias e na cidade, adjuvadas de espécies herbáceas de flores multicolores, de folhas de cores vivas, e sedutoras. A nível das rotundas ainda não há nada consolidada, em termos de ornamentação. Sabendo que constituem pontos de confluência e de ramificação de vias, torna-se imprescindível, que lhes seja dado realce com motivos que possam ser referência para a Cidade e para ilha, não só a nível da flora como da fauna. Sendo a Boa Vista uma ilha conhecida pelas suas praias muito procuradas pelas tartarugas para a desova, isto poderá constituir uma das alusões a serem trabalhadas para algumas rotundas. Por outro lado, a nível da flora há também muitas espécies vegetais que poderão fazer parte do projecto de arranjos paisagísticos para as rotundas, nomeadamente, tamareira (Phoenix dactylifera), que constitui um atributo forte para ilha, assim como a tarrafe (Tamarix senegalensis). Ainda, se pode recorrer a lacacã (Ipomoea pes-caprae) para efeito do relvado, bem como outras plantas endémicas como tortolho (Euphorbia tuckeyana), as quais poderão vir a estar associadas a outras espécies vegetais de interesse paisagístico que possam avivar estes largos, que conformam as vias, quebrando a monotonia e criando novos rumos e ritmos. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 10 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1. Praças, pracetas e jardins públicos 3.1.1. Praça de Santa Isabel (Praça do Município e da Igreja Matriz) É a Praça mais emblemática da cidade, tanto pela sua localização estratégica à frente dos Paços do Concelho e da Igreja Matriz, como pelo facto de constituir um lugar de referência no centro histórico da Cidade. Constitui um espaço digno de ser enriquecido com plantas ornamentais. Actualmente apresenta um conjunto de plantas colocadas de forma pouco organizada, com espécies muito exigentes, em termos de rega e sensíveis ao vento como são os Phyllantus sp. e a Acalypha sp, tornando-se sensíveis às pragas e às doenças. Tratandose de um espaço emblemático para a Cidade de Sal Rei, torna-se necessária uma intervenção na requalificação paisagística que possa pôr ordem e harmonia aos canteiros e elevar a uma caracterização que coadune com o espaço em si, com a sua envolvência e com a vida da cidade, priorizando também árvores de grande porte e frondosas, criando grandes manchas de sombra, dando um grande colorido à Cidade, atraindo os transeuntes para o descanso e convívio diurno, como é o caso da acácia-rubra (Delonix regia), ficus (Ficus benjamina). Fig. 6- Praça Central de Sal Rei ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 11 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 7-Perspectiva da actual vegetação na Praça Central Fig. 8-Parque infantil à frente da Igreja Matriz ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 12 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.2. Parque Infantil anexo à Praça Principal Este parque está apetrechado de equipamentos de diversão para crianças e tem encostado à vedação, que faz a delimitação do parque, alguns canteiros que neste momento estão sem qualquer material vegetal no seu interior. Sendo um local muito visitado e localizado numa rua principal, uma intervenção na área de canteiro contribuiria para amenizar os contrastes com a área impermeabilizada. Assim, a introdução de uma sebe viva, baseada na espécie vegetal denominada Atriplex sp., em toda a extensão destes canteiros, conformada numa parede viva, à altura de 40 cm a 60 cm, constituiria um amortecedor de protecção às investidas, para além de pontuar e alinhar esse espaço. Também, recomenda-se que seja consolidado o agrupamento palmeira-leque e tamareiras, que estão mesmo à frente deste parque, no sentido de quem está a subir, portanto, do lado do parque de menor comprimento, com uma só espécie de arbórea. Deste modo, substituem-se as tamareiras por palmeira-leque, criando uma estrutura única e um alinhamento uniforme e conciso. Fig. 9 –Detalhes do Parque Infantil ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 13 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 10- Detalhes do Parque Infantil 3.1.3. Praça de Escola ao pé da Igreja do Nazareno A Praça encontra-se com uma vedação em rede metálica para o lado da estrada. Existem poucas espécies presentes na área. Há 2 exemplares de tamareira (Phoenix dactylifera) num canteiro do lado noroeste, no qual se encontram também alguns exemplares de Phyllantus sp. Num outro canteiro da esquina, também a noroeste, de formato triangular, encontra-se mais 1 exemplar de tamareira. No canteiro, de formato circular, quase no centro da Praceta, encontram-se os seguintes exemplares de plantas: tamareira (Phoenix dactylifera), loendro (Nerium oleander) e jardim (cassia bicapsularis). Nos dois maiores canteiros, paralelos um ao outro, com formato de trapézio, localizados a nordeste, encontram-se no do lado esquerdo, (quando se sobe pela escada em direcção a Oeste) 4 exemplares de cardial (Hibiscus rosa-sinensis), 4 exemplares de loendro, 1 exemplar de Ipomoea carnea, 2 exemplares de Phyllanthus sp. No canteiro, à direita, quando se sobe em direcção a Oeste, encontram-se plantas como: 1 exemplar de loendro, 2 exemplares de cardial, 1 exemplar de jardim (Cassia bicapsularis). No interior destes canteiros denota-se a presença da herbácea denominada grama (Cynodum dactylon), bastante degradada. A praceta está beneficiada com dois postes de iluminação, nos quais os candeeiros estão danificados, com aspecto bastante envelhecido e 5 bancos. Tem três entradas: uma a este, duas no centro e duas a Oeste, onde o piso é empedrado. Quanto ao estado das plantas elas se apresentam sem qualquer sinal de pragas e doenças. A praceta tem uma localização privilegiada, servindo de um pátio complementar à Igreja do Nazareno, permitindo convívio não só dos moradores como dos fiéis, após os cultos e orações, pelo que o projecto de intervenção, para a área, requer uma selecção criteriosa de espécies ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 14 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ adaptáveis àquelas condições, e que permite mais sombreamento e mais contrastes de cores, exigindo assim uma reorganização, em termos de material vegetal e do mobiliário urbano, no sentido de lhe dar uma maior dignidade, com base numa nova arquitectura de espaço. Fig. 11- Praceta à frente do Igreja do Nazareno ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 15 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.4. Largo perpendicular à estrada que dá acesso ao Porto da Boa Vista Trata-se de um espaço muito bem dimensionado, em termos de largura, e que se encontra em frente de umas moradias. O espaço foi presenteado com 4 canteiros onde estão colocadas 4 palmeiras-leque (Washingtonia filífera). Sendo uma zona de corredor de vento e com uma boa visibilidade, a introdução de espécies que possam criar mais corpulência seria mais-valia para a área, dando-lhe um engrandecimento em termos do „verde‟ e uma maior identidade na articulação com as outras artérias de cruzamento, nomeadamente a que vai dar ao porto e a que segue em direcção à Praia da Cruz. A intervenção do Plano exige que as palmeiras-leque sejam substituídas por árvores mais resistentes ao vento e que possam trazer mais alinhamento, sombreamento e enquadramento ao espaço, como as chamadas tendentes (Azadirachta indica). Fig. 12- Área livre na rampa de acesso à praia da Cruz 3.1.5. Largo que vai dar ao Porto e a estrada de Praia Cabral e Praia da Cruz Estas estradas estão optimamente dimensionadas, possuindo uma boa largura e uma grande visibilidade sobre as praias. Por outro lado, permitem a introdução de árvores de arruamento de grande porte e bastante frondosas. Como se encontram, neste momento, ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 16 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ praticamente despidas de árvores (do verde) a intervenção do Plano nestas artérias, com a introdução de arbóreas como coqueiro (Cocus nucífera) consolidaria estes dois pontos de confluência. Esta situação criaria um alinhamento ao longo da orla marítima, formando um aspecto panorâmico e de valorização de toda aquela orla costeira, desembocando numa nova artéria, localizada na área de expansão urbana, junto à orla costeira de Fátima, servindo de zona de amortecimento do vento contra os futuros edificados na área. Fig. 13-Praia da Cruz - vista a partir da estrada de acesso ao Porto 3.1.6. Largo dos Correios de Cabo Verde Uma artéria bem definida, em termos de largura da rua, que demanda com urgência uma intervenção a nível de árvores de arruamento e de sombreamento, no sentido de fortificar os edificados, na sua envolvência, criando ritmo, alinhamento, e uma estrutura sólida e concisa, como também oferecendo o colorido das flores e grandes manchas de sombra. Por se tratar de uma via com condições favoráveis para a introdução de árvores de grande porte, o projecto de estudo de intervenção exige a presença da espécie vegetal denominada vulgarmente por acácia-rubra (Delonix regia), muito conhecida pela sua ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 17 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ flor vermelha, e de grande copa, emprestando ao local uma estrutura que dignifique e valorize a área no seu todo. Fig. 14-Largo dos Correios 3.1.7. Praça ao Pé do Tribunal de Comarca de Boa Vista (Pracinha de Catchor) Esta Praceta precisa de um projecto de arranjo paisagístico, no sentido de ser melhor aproveitada pelos transeuntes, uma vez que faz interface entre a frente mar e a rua principal, e está no circuito de uma das entradas alternativas à baia de Sal-Rei. Padece por falta de árvores de grande porte e de grande projecção de sombra, de herbáceas de flores multicolores e de colocação de grandes vasos ornamentais, feitos em barro, que possam servir de guia, pondo ordem e limite à praceta, bem como de recuperação de postes de iluminação. Assim, o projecto de intervenção requer uma nova organização paisagística, passando pela introdução da acácia-rubra, coroando os bancos, produzindo sombras; espécies herbáceas, como sempre-noiva (Cataranthus roseus) de pétalas brancas, vermelhas, e lilás; e também Pelargonium sp., variedades multicolores, a serem colocadas no interior dos pequenos canteiros, bem como Ficus (Ficus benjamina) em grandes vasos, feitos em barro, e colocados entre os bancos e em todo o limite da praceta. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 18 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 15-Praça à frente ao Tribunal 3.2. Arborização de arruamento, rotundas e centrais avenidas 3.2.1. Rua Principal da Cidade Esta avenida é a principal via que liga o centro da Cidade com a zona Sul da Ilha. Compreende duas conformações, em termos de largura e de estruturação, pois, há uma zona livre e descomprometida, sem qualquer barreira interior, que beneficia a zona da esplanada e a Praça. Na mesma linha de sequência da via encontra-se uma zona com um separador central, paralelo ao Hotel Boa Vista, onde estão as palmeiras-leque alternadas por tamareiras, numa articulação desarmoniosa, quebrando o alinhamento e a uniformidade. Denota-se nestes canteiros a ausência das herbáceas ornamentais, pelo que a terra de jardim apresenta-se desprotegida. Tratando-se de uma artéria principal da Cidade, tornase necessário elevar a sua força de unidade, abraçando todo a sua envolvência, com elementos estruturantes, traduzidos em espécies arbóreas de grande porte e frondosas, enaltecendo a sua folhagem e o seu colorido. Deste modo, o projecto de intervenção do ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 19 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ plano propõe intervir, no troço da via com separador central, no alinhamento das árvores, substituindo as palmeiras-leque, deixando apenas as tamareiras, criando harmonia, ritmo, e um alinhamento equitativo. Os canteiros, que enleiam estas tamareiras, seriam reforçados com espécies herbáceas como sempre-noiva (Cataranthus roseus) de pétalas brancas, vermelhas, e lilás e Pelargonium sp., variedades multicolores. Na parte do troço desta artéria principal, que abraça a esplanada e a Praça, antecedendo, o cruzamento da via que passa em frente da Delegação do MDR, a intervenção passaria pela substituição paulatinamente da acácia-americana (Prosopis sp.), à medida que se vai introduzindo o Ficus benjamina, em ambas as margens, beneficiando a zona de parqueamento de táxis, com sombreamento. A colocação do ficus beneficiaria toda àquela avenida, valorizando os transeuntes, em termos de sombra, amenização do calor, convidando a movimentação pedonal. Esta introdução deve ser continuada, em ambas as bermas, até ao cruzamento da via João Cristóvão/Praia de Estoril. Fig. 16- Avenida Central de entrada em Sal-Rei – separador de palmeiras ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 20 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.2.2. Rua do Mercado Municipal Trata-se de uma rua larga, movimentada, em que há um bom alinhamento dos edifícios construídos, mas denota-se uma ausência total de árvores de arruamento e de sombreamento, o que cria um certo desconforto nos transeuntes, particularmente os turistas, que procuram sempre descobrir pontos de interesse dentro da Cidade. Tendo em conta que a ilha é bastante ensolarada, e tratando-se de uma rua bem dimensionada, dinâmica, favorecida com serviço de bar e restaurante, a intervenção neste estudo, para caracterizar melhor esta rua, seria a introdução de árvores de arruamento e de sombreamento como ficus (Ficus benjamina), que estaria em articulação com as árvores (ficus) da avenida principal oposta a esta rua e com o projecto de requalificação da Praceta da Esplanada, criando harmonia e o enlace no conjunto dos edificados. Fig. 17- Rua do mercado, paralela à Praça Central - parque sem sobreamento ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 21 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.2.3. Rua Avenida 5 de Julho A Rua Avenida 5 de Julho é uma rua com uma largura que facilite a consolidação, com a introdução de pequenos arbustos, de modo a trazer um novo colorido aos espaços edificados, pelo que se propõem, nas intervenções para a área, plantas como o tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cor amarela, branca e laranja, colocadas em ambas as margens, e a distância de 2 metros do edificado. Fig. 18- Separador de Palmeira de Leque 3.2.4. Avenida Amílcar Cabral Nesta avenida denota-se a presença de acácia-americana/espinheira (Prosopis sp.) que terá que ser cortada, de modo a ganhar-se uma nova visualidade. A intervenção exige que sejam introduzidas árvores de arruamento de grande porte e com um bom volume de copa, projectando grandes áreas de sombra, como ficus (Ficus benjamina), colocadas em ambas as margens e bem distanciadas umas das outras, de modo a tornar esta artéria convidativa para os passeios diurnos. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 22 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.2.5. Avenida paralela à Casa para Todos Esta avenida tem boas condições para a introdução de árvores estruturantes como acácia-rubra (Delonix regia), que marcam pontos de referência, não só pelo porte mas também pelo colorido das suas pétalas florais, como pelo diâmetro da sua copa, traduzido em manchas de sombreamento. Por isso, se recomenda, no projecto de intervenção, estas árvores, colocadas em ambas as bermas, para consolidação desta artéria e de todas outras da envolvência, dando ritmo e unidade a toda área de circulação. Fig. 19 – Nova avenida sem vegetação de sombreamento 3.2.6. Avenida dos Pescadores É uma rua bem estrutura, em termos de largura, onde se pode presenciar exemplares de arbóreos como tendente (Azadirachta indica), palmeira-leque (Washingtonia filífera), e acácia-americana/espinheira (Prosopis sp.), colocados aleatoriamente e de forma desregrada, comprometendo a via, pela forma como foram definidos o alinhamento e o ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 23 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ enquadramento destes materiais vegetais. Sendo uma rua que precisa ser melhor valorizada, em termos de um novo projecto de arranjo paisagístico, com árvores de arruamento e sombreamento, o estudo de intervenção, para esta artéria, requer o corte das acácias-americanas/espinheira paulatinamente e que sejam também substituídas as plantas de tendente e de palmeira-leque por ficus (Ficus benjamina), árvore de porte erecto, frondosa, com grande volume de massa verde, devido a sua densidade folhear, consolidando, de forma coesa e potente esta via, bem como aquelas que estão no seu cruzamento, com a mesma espécie. Fig. 20 – Árvores fragilizadas em risco de queda pela acção do vento ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 24 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 21 – Sombreamenteo de uma rua estreita à base de Prosopis 3.2.7. Avenida Estádio Municipal Arsénio Ramos É uma avenida muito bem dimensionada e bem enquadrada, em termos de largura, facilitando o acesso ao Estádio Municipal. A via encontra-se totalmente desprotegida de árvores de arruamento e de sombreamento. Os canteiros de ornamentação, distribuídos na zona de envolvência do Estádio, encontram-se abandonados, sem qualquer material vegetal que possa dar vida e brilho a este espaço, caracterizando a envolvente deste Estádio. Verifica-se ainda uma ausência do mobiliário urbano como banco e postes de iluminação. Tratando-se de um sítio de passagem obrigatória, dinâmico, particularmente nos dias de espectáculo futebolístico, a intervenção possível, nesta área de estudo, seria introduzir, ao longo da via, árvores de grande porte como Ficus benjamina, uma espécie maleável, fácil de manuseio com a intervenção da poda, projectando grandes manchas de sombra, amenizando o ruído, a temperatura, a poeira, emprestando a estética e o alinhamento ao longo da via. Para a zona de parqueamento priorizar a acácia-rubra (Delonix regia), espécie que pode atingir 6 m a 8 m de diâmetro de copa. Com as suas flores vermelhas, ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 25 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ emprestaria um novo colorido à zona. Ainda, para a área de parqueamento introduzir a árvore denominada tendente, espécie bastante resistente e que tem uma boa projecção em termos de sombra. Na área de canteiros priorizar um projecto de ornamentação com introdução de espécies que possam valorizar e empolgar este espaço, de modo a torná-lo mas convidativo aos usuários. Fig. 22 – Estádio – com espaço de arborização, mas carente de árvores de sombra ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 26 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 23 – Detalhes de arborização no entorno do Estádio 3.2.8. Avenida Centro Comercial Boas Compras e Ema Esta avenida será consolidada com árvore denominada vulgarmente por acácia-rubra (Delonix regia), no sentido de ser melhor valorizada, em termos paisagísticos, criando, um contínuo forte, com projecções de manchas de sombra, adjuvada de um grande colorido na época de floração, amenizando a temperatura, o vento e o ruído, facilitando condições favoráveis aos transeuntes, emprestando a força e a eminência a esta artéria. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 27 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 24 – Concentração de armazéns-carência de árvores de sombra e embelezamento 3.1.17. Rua Centro de Juventude de Vila de Sal Rei Uma rua onde estão alguns exemplares de tamareira mas que no projecto de intervenção terão que ser substituídos por palmeira-leque, no sentido de se criar uma harmonização do todo o troço correspondente. Nos canteiros onde estão as palmeiras-leque, estas devem ser reforçadas com herbáceas de flores como sempre-noiva (Cataranthus roseus), variedades de pétalas de cores brancas, vermelhas e lilás. 3.1.18. Rua Esquadra da Polícia Esta rua precisa ser consolidada com árvores de arruamento e de sombreamento. Daí a intervenção se posicionar na introdução de árvore denominada tendente (Azadirachta indica). São árvores bastante folhosas e robustas, que projectam sempre boas manchas de sombra. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 28 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.19. Rua Amizade Seixal/ Boa Vista É uma Rua que precisa ser consolidada, embora esteja neste momento ornamentada com alguns exemplares de tamareira. Tratando-se de uma rua onde é necessário ter árvores de arruamento, mas com particular interesse no sombreamento, propõem-se, na intervenção do plano, a substituição da tamareira por árvores denominadas tendente (Azadirachta indica), a uma distância de 2 metros das construções edificadas, ao longo da via. 3.1.20. Rua de Bom Sossego Esta rua tem boas condições para ser consolidada com a introdução da árvore denominada tendente (Azadirachta indica), de modo a se criar um ambiente rico e exorbitante, em termos de porte e de sombra. Há uma Praceta que vem beneficiando este espaço livre, mas que precisa ser requalificada com um pequeno projecto para as áreas verdes, dando-lhe uma conformação paisagística, em termos de plantas herbáceas e de pequenas arbóreas, que se adequam na harmonização com as árvores de arruamento, sem quebra do equilibro e do ritmo estético visual. 3.1.21. Rua 1º de Maio Para esta rua a intervenção aconselhável seria a colocação do arbusto, em ambas as margens da rua, denominado loendro (Nerium oleander), com variedades de cor branca e as de cor rosa, trazendo para a cidade mais colorido e árvores que não constituem barreiras visuais aos edificados e nem servem de pontos de acesso às moradias. Por outro lado, é pouco exigente em termos de fertilidade e outros maneios, exigindo apenas a poda para conformar a densidade folhear. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 29 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 25 – Rua antiga sem vegetação 3.1.22. Rua Bom Sossego /Bar Mangueira Nesta rua recomenda-se que a intervenção do plano avance com a proposta de introdução de arbusto denominado tortolhinho (Thevia peruviana), arbusto de variedades de cor amarela, branca e laranja, em ambas as margens, de modo a dar um certo colorido a este espaço, contrastando harmoniosamente com a cor dos edificados. 3.1.23. Rua de Liceu/Centro da Juventude/Centro Saúde É uma rua bem dimensionada, com alguns exemplares de arbóreos de grande porte a preencher os separadores centrais, como a tamareira, mas, no entanto, as bermas estão desprotegidas sem qualquer alinhamento pontuado de arbóreas ou arbustivas. Deste modo, torna-se necessária a imposição de uma ordem de intervenção neste estudo, que consiste na consolidação dos separadores centrais com tamareiras (Phoenix dactylifera) e nas bermas, em ambos os lados, com a introdução do loendro (Nerium oleander), variedades de cor branca e as de cor rosa, enriquecendo a estrutura verde na Cidade, criando manchas de sombreamento de amenização da luminosidade e da temperatura, fazendo com que esta rua seja mais atractiva para os transeuntes. Por outro lado, este ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 30 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ contraste de cores das flores do loendro e o volume da densidade folhear, deste arbusto, vão contrabalançar o grande porte das tamareiras, equilibrando a estética do conjunto, criando um ambiente favorável à diminuição do vento e do barulho dos veículos, que são frequentes na área. Fig. 26 – Avenida com seperador central arborizado necessitando correcção 3.1.24. Rua do Alto – Oficina Nadosa Esta rua pela sua característica e exposição a intervenção requer a introdução de tortolhinho (Thevia peruviana), ao longo da via principal, como também nas ruas de cruzamento, de modo a formar-se um contínuo, baseado nos arbustivos, com variedades de cores amarela, branca e laranja, determinando uma certa vivacidade às ruas, bem como um certo alento nas comunidades envolventes. 3.1.25. Rua Padaria Tuna Rua bem dimensionada, em termos de largura e comprimento, onde se denota a presença de algumas árvores como a tamareira (Phoenix dactylifera) e amendoeira ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 31 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ (Terminalia cattapa), colocadas de forma pontual, sem qualquer estudo de caso, a uma distância desregrada, não abonando, de forma criteriosa, as exigências para o enquadramento destas árvores nas de arruamento e sombreamento. Tendo em conta a necessidade de se enaltecer e dar rumo a esta via, dignificando a sua potencialidade, em termos paisagísticos, o projecto de intervenção exige que sejam substituídas as tamareiras e amendoeiras, presentes no local, por ficus (Ficus benjamina), em ambas as margens, criando um microclima favorável e que beneficie este espaço, em termos de baixa luminosidade, temperatura, e vento, formando um corredor verde, em articulação com as ruas de cruzamento, harmonizando a unidade de conjunto e consolidando a beleza externa. 3.1.26. Rua da Igreja do Nazareno – Subida do Alto É uma via estreita, de passagem, onde os passeios também têm pouca largura. Tendo em conta a sua estrutura, o projecto de intervenção requer que seja introduzida a planta denominada vulgarmente por cardial (Hibiscus rosa-sinensis), numa composição mesclada, com variedades de cores branca, amarela, vermelha, e rosa, ao longo da berma esquerda, quando se sobe em direcção à Praça, no sentido de se criar um ambiente florescente, que vai complementar e articular os arranjos paisagísticos da Praceta em frente da Igreja. 3.1.27.Rua Cabouco Esta rua requer uma intervenção com base no material vegetal loendro (Nerium oleander), um arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, criando um certo volume ao longo da via, devido a sua densidade folhear. Deste modo, toda a via será consolidada com este arbusto, articulando as outras vias de cruzamento com a mesma espécie, constituindo uma massa verde, bastante colorida, de tonalidade verde glauco, exaltando a excelência e a singularidade localizada, no enquadramento, alinhamento e distribuição, de forma regrada, na composição destes arbustivos. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 32 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.28. Rua do Rego Esta rua precisa de uma intervenção que requer introdução de uma planta arbustiva que possa criar cor, dinamismo, ordem, baseada num enquadramento estético visual, de modo a valorizar esta artéria em termos paisagísticos. Assim, torna-se necessária a introdução de tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cores branca, amarela, e laranja, no sentido de harmonizar e embelezar todo o espaço conjunto. 3.1.29. Rua Titiz Parteira Esta via decai numa rampa pelo que o projecto de intervenção aconselha a introdução do arbusto denominado tortolhinho (Thevia peruviana), variedades de cores branca, amarela, e laranja, consolidando deste modo toda a via e a envolvência. 3.1.30.Rua Casa do Pescador e Peixaria Uma rua que exige intervenção com arbustos ao longo da berma esquerda, quando se sobe, pelo que se recomenda a introdução da planta denominada vulgarmente por loendro (Nerium oleander), um arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, dando uma certa magnificência àquela rua. 3.1.31. Rua Padre Varela Rua onde será colocado o arbusto denominado tortolinho (Thevia peruviana), variedades de cores branca, amarela, e laranja, em ambas as bermas, de modo a consolidar esta rua, bem como todas as outras ruelas na sua envolvência, às quais se aconselha que seja feito o enquadramento e o alinhamento, com base no material vegetal como: cardial (Hibiscus rosa-sinensis), numa composição mesclada, com variedades de cores branca, amarela, vermelha, e rosa; loendro (Nerium oleander), arbusto com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa; e tortolinho (Thevia peruviana). ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 33 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.32. Rua Polivalente Manuel Jr da Cruz Esta rua faz cruzamento com a rua da Farmácia Dias, pelo que o projecto de intervenção requer que haja uma articulação entre estas ruas, de modo que a consolidação deve ser feita com base no arbusto denominado loendro (Nerium oleander), com variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, criando uma estrutura uniforme e florida. 3.1.33. Rua Perpendicular à Caixa Económica de Cabo Verde É uma artéria que faz cruzamento com outras ruas e assim a intervenção requer que ao longo desta via e com aquelas de encruzilhadas haja um contínuo muito forte, com base nas árvores de arruamento de porte firme, com uma grande massa folhear, brilhante, capaz de originar uma boa projecção de sombra, como o denominado ficus (Ficus benjamina), criando ordem, alinhamento e dinamismo em toda esta área de envolvência. 3.1.34. Rua Pizzaria – Restaurante Luísa Ao longo desta rua a intervenção exige a introdução da espécie vulgarmente denominada por ficus (Ficus benjamina), de modo a caracterizar esta artéria dando-lhe dignidade, ritmo, e expressividade, criando um contínuo verde, muito forte e dinâmico, particularmente quando este se intercalar com as árvores de ficus que também consolidam a Avenida Estádio Municipal Arsénio Ramos. 3.1.35. Rua Jardim Infantil Santa Isabel Esta rua será consolidada com o arbusto denominado loendro (Nerium oleander), variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, de modo a criar um certo volume, tendo em conta a sua densidade folhear, reforçando directrizes, e um certo colorido, como resultado do mesclado das suas pétalas florais. 3.1.36. Rua de Escola Nesta rua o projecto de intervenção requer introdução do ficus (Ficus benjamina), no sentido de reforçar ambas as bermas, com árvores de sombreamento, de porte robusto, ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 34 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ com uma grande massa folhear, criando um corredor verde, marcado pelo alinhamento destas árvores, pondo ordem, ritmo, e precisão. 3.1.37. Rua Habitação Social Frente – Bar restaurante Nicha e Sita Rua a ser consolidada com o ficus (Ficus benjamina), no projecto de intervenção, de modo a criar um ambiente harmonioso e coerente. Estas arbóreas contribuirão para uma nova visualidade para esta artéria, como também pelo seu novo enquadramento em termos de arranjos paisagísticos. 3.1.38. Rua Habitação Social (posterior) - Restaurante Fátima Toda esta artéria será consolidada, no projecto de intervenção, com loendro (Nerium oleander), variedades de várias cores, nomeadamente branca e rosa, criando harmonia, cadencia, e um colorido mesclado de cores vivas, beneficiando toda a envolvente edificada. 3.1.39. Rua próxima da Casa para Todos É uma rua bem configurada em termos de largura o que lhe permite receber árvores de grande porte, com grande diâmetro de copa, projectando uma boa mancha de sombra, facilitando a vida dos transeuntes, consolidando outras artérias. Deste modo, o projecto de intervenção requer que seja introduzida a árvore denominada vulgarmente por acácia-rubra (Delonix regia), muito interessante em termos paisagísticos, como árvore de arruamento para esta artéria, beneficiando também as zonas de parqueamento, na envolvência destas moradias, emprestando o colorido das suas pétalas florais, a sombra, o alinhamento, e o ritmo, dando ainda um melhor enquadramento a todos os edificados da envolvência, bem como das outras ruas. 3.1.40.Ruelas de ramificação secundárias, terciárias e subalternas Recomenda-se para estas ruelas espécies de pequeno porte, que não comprometem a fachada dos edificados, nem circulação de viaturas e dos transeuntes. Assim, propõe-se para estas ruelas espécies denominadas vulgarmente conhecidas por “barbas de barata amarelas” (Caesalpinia gilliesii) e por “barbas de barata vermelhas” (Caesalpinia ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 35 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ pulcherrima), que serão colocadas em locais pontuais e num compasso alargado, de modo a evitar quaisquer constrangimentos nos moradores e na via de circulação. Estas espécies são interessantes, pois mantém-se o seu colorido floral, durante quase todo o ano, devido a presença de flores com filamentos vermelhos, em espigas terminais amarelas, emprestando às vias uma mescla de cores vermelhas e amarelas. 3.1.41. Estrada que vai dar ao Cemitério É uma estrada de interior e de dimensão reduzida, em termos de largura. Está toda ela despida do verde. Por se tratar de uma estrada que faz articulação com Reserva Natural de Boa Esperança, o projecto de intervenção requer que se crie um corredor verde de conexão com as tamareiras da zona de Reserva da Boa Esperança. Assim sendo, as tamareiras introduzidas como árvores de arruamento, ao longo da via que vai dar ao Cemitério, serão colocadas, na berma paralela a área de Protecção Ambiental de Rotchinha, portanto do lado esquerdo, quando se dirige em direcção ao Cemitério, estendendo também ao longo da nova artéria de continuidade, na zona de expansão, proposta do Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) de Sal Rei, que faz ligação a esta via paralela ao Cemitério, consolidando toda a envolvência com tamareiras, criando uma grande mancha verde de arbóreas bem adaptadas àquele tipo de solo e resistentes às condições edafo-climáticas do local. Também, o Plano de intervenção recomenda que seja eliminada a acácia-americana (Prosopis sp.) que vem estando consociada às tamareiras, competindo o espaço e a alimentação, conduzindo ao seu declínio e à morte. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 36 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 27 –Estrada de acesso ao cemitério necessitando tratamento paisagístico Fig. 28 – Cemitério de Sal-Rei – necessitando de uma intervenção verde ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 37 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.1.42. Orla costeira da Praia de Estoril e Praia Cabral Orla marinha com uma grande bacia visual sobre o horizonte, onde é possível denotar o contraste entre a cor branca da areia de dunas e o azul glauco da água marinha. Tratando-se de espaços livres e muito atractivos, uma intervenção no sentido de fortalecer ainda mais os contrastes, requer a introdução de coqueiros (Cocos nucífera), ao longo de toda esta orla marítima, criando um alinhamento de fortificação e de uniformidade. Fig. 29 –Detalhes da praia de Estoril ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 38 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 30 –Degradação da praia pelo pisoteio de rodados Fig. 31 –Panoramica da Praia da Cruz a partir de Rotchinha ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 39 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 32 –Detalhes de praia da Cruz ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 40 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.3. Protecção de encostas e corredores dunares Quanto às encostas, estas constituem zonas muito sensíveis à erosão do solo, provocada pelas águas pluviais associadas a terrenos com declives acentuados. Denota-se que estas estruturas geológicas, apresentam-se quase despidas de plantas pelo que se torna necessário conservar a vegetação natural ou mesmo ser revestidas com a vegetação adequada nos seus diversos estratos, com predominância do estrato arbustivo e herbáceo, que serão tanto mais necessários, quanto maior for o declive da área. A intervenção nestas áreas deverá ter em conta a protecção do solo e as ocorrências de natureza geológica (litologia, estrutura) significativas para a paisagem. No que diz respeito aos corredores dunares estes estão protegidos por herbáceas adaptadas aos solos salinos como murraça-preta (Zygophyllum waterlotii), palha-branca (Aristida cardosoi), Sesuvium sesuvioides, tarafe (Tamarix senegalensis), acacia- americana (Prosopis sp.), entre outras que tem servido de almofada de amortecimento contra os impactes dos ventos e de areias finas sobre o solo salgado, amenizando a erodibilidade dos mesmos. A proposta de intervenção consiste no controlo ao processo de urbanização de modo a qualificar estes espaços, como também assegurar a preservação do verde nas áreas que não apresentam aptidão para a edificação e que são importantes na manutenção do equilíbrio ecológico da Paisagem evitando assim, ameaças pela ocupação urbana. Deste modo, considera-se fundamental a unificação e articulação daqueles espaços de uma forma consequente e sustentável. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 41 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 33 –Corredores dunares – detalhes da vegetação ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 42 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 34 –Vegetação espontânea nas vertentes e espaços de transição entre a cidade e o campo ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 43 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 3.4. Jardins e pátios privados Os espaços verdes, nomeadamente os jardins, são zonas permeáveis que reduzem o escorrimento superficial da água da chuva e ocorrência de cheias. São habitats para um conjunto elevado de espécies vegetais, tornando possível a manutenção de biodiversidade no interior das cidades, importante para o funcionamento ecológico destas áreas e das regiões em que estão inseridas. Constituem, igualmente, elementos de uma elevada importância estética. Na Cidade de Sal Rei, Ilha da Boa Vista, deparamos com alguns jardins privativos, dos quais se pode realçar o Jardim no interior do Hotel Marine Club, onde se pode distinguir algumas espécies de interesse paisagístico, nomeadamente cardial (Hibiscus rosasinensis), muito utilizada como arbóreas de sombra e ornamental, proporcionando ainda uma excelente sebe viva; sempre-noiva (Cataranthus roseus), Thespesia populnea, buganvília (Bougainvillea sp.), tamareira (Phoenix dactylifera), palmeira-leque (Washingtonia filifera), entre outras, que apesar de estarem nas proximidades do mar apresentam-se em bom estado de conservação, dando um enquadramento estético ao todo edificado, criando um equilíbrio simples e belo, de interface, entre a praia e a encosta. Também, se denota, na cidade de Sal Rei, algumas moradias particulares, dotadas de pátios, bem ornamentados, com espécies arbóreas e arbustivas adaptadas às condições climatéricas da ilha, como tamareira (Phoenix dactylifera), acácia-martins (Parkinsonia aculeata), amendoeira (Terminalia catappa), piteira/sisal (Agave sisalana), cardial (Hibiscus rosa-sinensis), e Euphorbia trigona, espécies vegetais que o presente Plano aconselha na utilização, por garantirem maior estabilidade e a sustentabilidade nos projectos de paisagismo tanto de iniciativa privada como municipal. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 44 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 35 – Jardins do Hotel Marina Clube ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 45 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 36 – Detalhes de jardins privados ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 46 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 37 – Jardim privado no interior de uma casa Fig. 38 – Jardinagem no entorno de residencias privadas ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 47 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 4. Estratégia de consolidação dos espaços verdes existentes 4.1. Selecção de espécies mais adequadas O sucesso dos espaços verdes urbanos depende muito de factores ambientais, como o quadro climático, os tipos de solos, as reservas de água e a existência de áreas naturais, que forneçam elementos originais passíveis de serem incorporados na cidade, ou integrados como espaços verdes. O quadro natural da Cidade de Sal-Rei, na Ilha da Boa Vista constitui um grande constrangimento à criação de espaços verdes urbanos, pelo menos na fixação da maioria de espécies ornamentais utilizadas em Cabo Verde nos projectos de paisagismo. Para além do clima árido, com um reduzido período húmido, os solos são arenosos e salgados, e a própria atmosfera apresenta uma elevada salinidade, devido à salsugem transportada em forma de gotículas muito finas pelo vento a partir do mar. Entre os meses de Novembro e Março a ilha da Boa Vista é uma das ilhas mais assoladas pela bruma seca (poeiras provenientes do deserto do Sahara), afectando os poros das plantas e dificultando-as nas suas funções vitais. Por isso, o Plano Verde da Cidade de Sal-Rei apresenta uma lista das espécies recomendáveis para projectos de paisagismo, uma vez que a selecção das espécies vegetais para esse ecossistema, deve ter em conta alguns constrangimentos, como a adaptação à secura, à salinidade e às poeiras. A selecção criteriosa de espécies adequadas e adaptadas às condições edafo-climáticas do espaço contribuirá para uma correcta manutenção e usufruto do mesmo. O Plano recomenda, sempre que possível, o uso de espécies rústicas e de preferência as espécies autóctones, bem adaptadas às condições edafo-climáticas locais, com reduzidas exigências hídricas. Esta opção fomenta a biodiversidade local, evitando possíveis invasões de exóticas. Geralmente as autóctones são mais resistentes a pragas e doenças e consequentemente necessitam de menores cuidados de manutenção. No entanto, devese ter em conta os aspectos relacionados com a estética, o porte, a cor da folha, a cor e época de floração, bem como outros requisitos. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 48 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Na fase do diagnóstico no terreno, para a elaboração do Plano Verde, verificou-se que muitas espécies ornamentais utilizadas nas áreas verdes da Cidade são sensíveis às pragas, demonstrando um aspecto debilitado. Nas condições actuais é sempre desejável optar por espécies menos exigentes em água, e que não precisam de cuidados particulares de manutenção. A carência de água é uma limitação séria em todas as ilhas, mas o município da Boa Vista tem vindo a usar, de forma racional, as águas provenientes da Estação de Tratamento de Aguas Residuais (ETAR). A pretensão do presente Plano Verde é que a água a ser utilizada na rega dos espaços verdes urbanos, quer públicos quer privados, seja proveniente da ETAR. Assim, a escolha criteriosa das espécies a utilizar, atendendo também a forma da copa, ao tipo de raiz e à velocidade de crescimento, contribui para evitar problemas futuros, como a colocação de árvores de raízes superficiais em arruamentos, árvores de grande porte em locais de reduzida dimensão ou com compassos demasiado apertados. Estas situações obrigam a reparações regulares do pavimento e a podas violentas de atarraque, que causam degradação do contorno da árvore, diminuição da sua saúde e do tempo de vida útil com custos elevados de intervenção. Os recursos materiais, o material vegetal de viveiro, os equipamentos e a mão-de-obra disponível para a realização das operações de instalação e manutenção dos espaços devem também ser avaliados, para que seja possível estabelecer prioridades na selecção de espécies e tomar decisões de ordem prática. 4.2. Sistema de rega e manutenção eficientes O uso racional da água de rega, procurando evitar o seu desperdício, sobretudo em climas áridos, como é o caso da Cidade de Sal-Rei, deve ser um objectivo na concepção e manutenção dos espaços verdes. Deste modo, sendo a água um recurso escasso, em Cabo Verde, os sistemas de rega a utilizar nos espaços verdes públicos devem ser, sempre, independentes dos sistemas de distribuição de água às populações, privilegiando sistemas alternativos, dentre os quais se realça o uso de água das Estações de Tratamentos de Águas Residuais (ETAR). Nesta via, a instalação e a manutenção dos ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 49 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ espaços verdes urbanos só serão possíveis com recurso às águas da ETAR. Actualmente a Câmara vem utilizando camiões cisternas no transporte destas águas, para a rega das praças e avenidas, utilizando mangueira de diâmetros impróprios para efectivação da rega, para as tipologias dos espaços verdes existentes na Cidade, o que não os abona, em nada, e não é recomendável. No âmbito do Plano Verde para a cidade de Sal-Rei, a intervenção requer a priorização ao uso de rega localizada (rega gota-a-gota), que é recomendável para a rega de zonas de arbóreas, arbustivas e herbáceas. Mas realça-se que este novo sistema exige aquisição de pessoal especializado, nesta matéria, uma vez que o sistema requer controlo e manutenção constantes. Deste modo, o Plano recomenda a eliminação total da rega com mangueira e adopção de modernos sistemas gota-a-gota, na gestão de rega dos espaços verdes urbanos. Pois, a irrigação eficiente tem como base o planeamento da gestão de água, de modo a evitar o desperdício, pelo que é importante compreender tanto as necessidades de água das plantas, como as especificações operativas do equipamento de rega. Por outro lado, antes da instalação de um sistema de rega devem ser avaliados a disponibilidade de água e o caudal. Se o sistema de rega for dependente do sistema de distribuição de água é igualmente indispensável avaliar a pressão disponível. 4.3. Integração comunitária das áreas verdes A criação e a manutenção das áreas verdes passam pelo envolvimento da comunidade no dia-a-dia desses espaços. Pois, um dos constrangimentos na criação de áreas verdes em Cabo Verde é de ordem cultural. Muitos cidadãos pensam que as áreas verdes são desperdícios de recursos nomeadamente de água, mas não relacionam os espaços verdes com os benefícios ambientais, sociais e económicos. Os espaços verdes são elementos fundamentais numa área urbana, não só pelos benefícios que trazem para o ambiente urbano como também constituem um requisito essencial para a qualidade de vida da população, não descurando o seu valor ecológico. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 50 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Deste modo, a gestão dos espaços verdes públicos é muitas vezes vista como uma responsabilidade exclusiva das autarquias, sem que sobre os cidadãos recaia qualquer obrigação. Esta atitude, fortemente enraizada no consciente dos cidadãos, condiciona o potencial de envolvimento e participação social. Por isso, a criação de espaços verdes deverá ser feita em paralelo com os programas de educação ambiental, mobilizando grupos juvenis, associações desportivas, professores e alunos das instituições de ensino, associação de bairros, entre outros, no sentido de se incutir noções, no grupo alvo, relacionadas com temas de interesse como a importancia dos espaços verdes urbanos, o papel das árvores na cidade, além da consciencialização para o uso racional da água. Assim, os espacos verdes constituiriam um pólo de irradiação dos conceitos de educação ambiental e de cidadania. Por outro lado, os moradores devem ser responsabilizados com os cuidados a terem para com as suas ruas e passeios, participando nas campanhas de plantação, limpezas, pequenas construções e outras acções, sob a coordenação técnica da Câmara Municipal, e apoiado pelo especialista da área. Esta participação activa da comunidade local vai estimular o uso sustentável por parte da população, apelando ao respeito pelo bem comum. No entanto, algumas regras de uso e directrizes de utilização devem ser formuladas, de modo a poder-se zelar melhor para a qualidade dos espaços verdes. Nos casos em que a comunidade responda de modo positivo ao envolvimento activo no processo, poder-se-á considerar a sua colaboração uma parceria de forma voluntária na instalação dos espaços verdes na Cidade. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 51 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 5. Proposta de criação de novos espaços verdes na Cidade de Sal - Rei 5.1. Modelos e função das áreas verdes na Cidade de Sal -Rei O Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) da Boa Vista propõe que a marginal praia de João Questão seja dotada de espaços pedonais e de estar públicos e de equipamentos ligados ao recreio náutico, juntamente com a Praça de Santa Isabel, pois constituem pontos de encontro e de reunião sociocultural da Cidade. Este espaço, bem como o de Praia de Cabral, Praia da Cruz, Praia David, exibem uma grande exuberância, pois têm uma larga bacia visual sobre o mar e por outro lado beneficiam as construções de várias categorias: turísticas, habitacionais e mistas, das zonas de expansão da Cidade e das zonas consolidadas. Assim, o Plano de intervenção requer que estas praias sejam ladeadas por arbóreas, essencialmente coqueiro (Cocus nucífera), criando um oásis à beira mar, convidando os transeuntes, para passeios diurnos e nocturnos, dando vida à praia e à Cidade de Sal-Rei. A consolidação da zona antiga da Cidade com a zona nova de expansão urbana, nomeadamente a zona de Nossa Senhora de Fátima, Chã de Ervatão e Chã de Água Doce, vai permitir a integração dos múltiplos espaços livres existentes, criando uma rede que ligue as diversas áreas da Cidade, através de corredores verdes, assim como a requalificação ambiental das áreas urbanas. Por isso, torna-se necessário definir linhas programáticas para a criação de espaços verdes, para estas áreas a serem urbanizadas, baseadas na promoção e distribuição equitativa do verde, tanto quantitativa como qualitativa, de modo a se reconstruir e a modelar o tecido urbano. Assim, o Plano requer a intervenção nas zonas denominadas de verde urbano, no Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) de Sal-Rei, que delimitam a Praia de Fátima, a Praia de Ervatão e toda a zona nova de Chã de Água Doce, no limite Este, categorizando as zonas de habitação turística, uma continuidade no uso da arbórea à base de coqueiro (Cocus nucífera), de modo a constituir um sistema de arborização importante na leitura da estrutura deste espaço, enfatizando os percursos, existentes ou propostos, e instituindo linhas fundamentais da sua referenciação. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 52 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ No que diz respeito ao Verde Urbano, proposto no PDU de Sal Rei, que margina as zonas industriais e que tem a sua continuidade no troço da via que passa nas proximidades do Cemitério de Sal Rei, o Plano de intervenção requer que sejam utilizadas arbóreas de protecção, muito resistentes ao vento, bem adaptadas às condições de salinidade daqueles solos, denominadas vulgarmente por tarrafe (Tamarix senegalensis), servindo de barreira ao fumo, e de minimização ao barulho, contrastando a sua cor verde acinzentado com a cor branca daquelas zonas arenosas. Assim também, o Plano contempla e exige a intervenção no verde urbano, proposto no PDU de Sal-Rei, situado na envolvência da Área de Protecção Ambiental de Salinas, na continuidade com o arbustivo de protecção denominada tarrafe, constituindo uma zona tampão, e que vai contrastar com a cor vermelha e resplandecente da Sesuvium sesuvioides, espécie resistente aos solos salinos e frequente nestas baixas, salgadas, referenciadas de Verde de Protecção e Enquadramento, no PDU. Para a Área de Protecção Ambiental de Rotchinha, o PDU de Sal Rei propõe a construção da habitação turística, onde se vai ter uma grande bacia visual, sobre toda a Cidade e o mar, sem qualquer limite e seja qual for a exposição. Sendo uma elevação de carácter paisagístico de excelência, localizada praticamente no centro, dividindo o sítio histórico e envolvente urbanizada e a nova zona de expansão a urbanizar, a partir da Nossa Senhora de Fátima, torna-se importante que a intervenção proposta no Plano seja baseada em espécies que dêem um certo colorido a toda a zona de encosta, bem como espécies que servem de barreiras vivas, com função de corta-vento. Assim, a intervenção exige a presença da planta denominada buganvília (Bougainvillea sp.), em várias espécies, com as suas brácteas persistentes, vivamente coloridas em tonalidades de branca, amarela, rosada, magenta, purpúrea, alaranjada entre outras. Também, o plano contempla na intervenção a espécie vulgarmente conhecida por sisal piteira (Agave variegata), cujas folhas são multifacetadas, mescladas de várias cores, que quando apoiadas por armação do terreno, servem para delinear o caminho e o encimado. Assim, o realce do colorido das duas espécies referenciadas vai contribuir para altear a nobreza e a imponência desta paisagem, conferindo-lhe o respeito e a consonância para com a envolvente mais antiga e a zona nova de expansão. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 53 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ As linhas de água são zonas muito sensíveis e de muita animação, particularmente durante a época de boas águas, pelo que devem ser muito bem protegidas, contra as acções erosivas. No caso da Ribeira de Pá Velho, o seu encaixe no interior de uma zona nobre de expansão urbana, contemplando zonas de construção de categorias habitacionais mista e turística, vai criar uma zona de oásis no interior desta cidade, servindo de corredor de vento, amenizando o calor e contribuindo para a renovação do ar atmosférico. Deste modo, o Plano de intervenção, para esta área, requer que as margens sejam recuperadas com a vegetação natural, adjuvadas de introdução de arbóreas denominadas vulgarmente por figueira-branca (Ficus sycomorus ssp. gnaphalocarpa), uma espécie nativa, de porte exuberante, com frutos comestíveis, que tem vindo a sofrer uma forte pressão antrópica. Também, requer-se, para esta área, a introdução da espécie conhecida por espinho-branco (Faidherbia albida), uma forrageira por excelência, com um porte bem estruturado, de carácter ornamental, que configura uma exterioridade alternada, para cada estação do ano, conferindo-lhe a soberania, motivada pela sua plasticidade autêntica. As áreas propostas pelo PDU de Sal-Rei como Verde Protecção e Enquadramento Carácter Meramente Indicativo, servem de zona de tampão, como também de protecção e ainda constituem zonas de transição e de amortecimento. O Plano de intervenção requer para estas zonas a introdução de arbóreas, símbolo da ilha da Boa Vista, conhecidas por tamareira (Phoenix dactylifera), no sentido de fortalecer as barreiras contra o vento, como é o caso do Verde de Protecção e Enquadramento Carácter Meramente Indicativo, localizado a partir da Praia de Ervatão, dando consistência e conforto às vias e construções situadas na sua envolvência. Temos ainda outros que constituem não só a barreira de fortalecimento às espécies propostas para o verde urbano e para a zona industrial, como também definem-se como uma zona de transição para a unidade da Paisagem Reserva Natural da Boa Esperança, dando-lhe ordem, coesão e homogeneidade. É de realçar que no Verde Protecção e Enquadramento - Carácter Meramente Indicativo, que abrange a zona de António Sabina, cobrindo uma boa parte da Ribeira de Pá Velho, fora da nova área de expansão urbana. O Plano também exige a ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 54 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ continuidade da introdução da tamareira, como forma de protecção do troço da via que se estende, a partir do Cemitério, até ao extremo mais a Leste, da nova área de expansão urbana, consolidando toda esta via, criando um microclima convidativo à sedentarização das novas construções de categoria mista, habitacional e turística, definidas no PDU de Sal Rei. 5.2.As categorias das áreas verdes na Cidade de Sal -Rei A classificação das áreas verdes da Cidade por categorias constitui uma estratégia de sua programação, manutenção e de uso comunitário. Tendo em conta os diversos usos das áreas verdes no perímetro urbano e os diversos serviços ambientais que desempenham, propõe-se as seguintes categorias para as áreas verdes da Cidade de SalRei. Denominação Praças e pracetas Características Espaço aberto, livre de construção de habitações, reservado ao lazer, passagem entre ruas, passeio pedonal, podendo apresentar equipamentos sanitários, restauração e bar, mobiliário típico de descanso, comunicação e segurança. Função ambiental da área verde Sombreamento e amenização microclimática; purificação da qualidade do ar; captura de carbono; estética urbana; protecção da avefauna. Denominação Ruas, arborização viária, avenidas e rotundas Características Corredores de circulação pedonal e rodoviária, interior do perímetro urbano. Função ambiental da área verde Corredores verdes; sombreamento e amenização microclimática; divisão do fluxo rodoviário, protecção contra encadeamentos automóveis e orientadores do tráfego; purificação da qualidade do ar; captura de carbono; estética urbana. Denominação Cemitério arborizado Características Campo santo destinado ao culto dos mortos; necrópole destinado ao enterro dos defuntos. Função ambiental da área verde Plantas de sombreamento e herbáceas de flores; plantação para facilitar e acelerar a decomposição dos cadáveres; função estética e de respeitos aos mortos. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 55 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Denominação Áreas protegidas nos limites da Cidade Características Áreas classificadas por um diploma legal e que possuem um plano de protecção e gestão. Função ambiental da área verde Protecção de ecossistemas, protecção da biodiversidade; serviços ambientais de purificação do ar e captura do carbono; turismo e educação ambiental. Denominação Jardins municipais especiais Características Área cercada com uma colecção de plantas seleccionadas e esteticamente arrumadas. Espaço de lazer no interior de áreas verdes equipado com serviços de lazer, restauração e mobiliário urbano Função ambiental da área verde Protecção da biodiversidade; serviços ambientais de purificação do ar e captura do carbono; turismo lazer, educação ambiental e rendimento económico. 5.3.A integração das áreas protegidas na cintura verde da Cidade de Sal-Rei A Cidade de Sal-Rei confina com as diversas áreas protegidas tanto no interior como na orla costeira, nomeadamente: Reserva Natural de Boa Esperança; Reserva natural de Ponta do Sol; e Monumento Natural do ilhéu de Sal Rei. Nesta via, o crescimento urbano deverá ter em linha de conta essas áreas protegidas, como corredor ecológico de protecção dos ecossistemas naturais. A Câmara deverá trabalhar em parceria com a Delegação concelhia do Ministério do Ambiente e da Gestão das Áreas Protegidas, na preservação, promoção e divulgação das áreas protegidas, enquanto espaço de lazer, educação e protecção da biodiversidade. No quadro legal, as áreas protegidas são abertas ao público, enquanto espaços de lazer, educação e promoção da protecção da biodiversidade. O enquadramento das visitas deverá ser feito por pessoal especializado que deverá ser formado no âmbito da gestão das áreas protegidas. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 56 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 39 – A Reserva Natural de Boa Esperança representa um dos maiores patrimónios da Boa Vista Fig. 40 – Degradação das palmeiras pelo efeito da seca e invasão de Prosopis ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 57 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Fig. 41 – Programa de recuperação da Reserva com financiamento Espanhol 5.4. Socialização e integração comunitária das áreas verdes A criação das áreas verdes deverá ser acompanhada de programas de educação ambiental, sobretudo nas escolas, tanto ao nível básico como no liceal. A comunidade urbana deverá ser envolvida no seu todo. As unidades hoteleiras deverão receber incentivos para criarem espaços verdes na sua envolvência e nos locais estratégicos como avenidas, orla costeira e vertentes. A população deve participar no embelezamento da sua rua e colaborar com a Câmara Municipal na manutenção das áreas verdes. As associações juvenis e desportivas deverão ser incentivadas na organização de campanhas de arborização, segundo planos previamente traçados pela Câmara Municipal. A Câmara Municipal deverá assumir a responsabilidade pela estratégia de criação e gestão de toda a área verde no perímetro urbano, mesmo nos jardins privados, em parceria com os serviços Concelhios do Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) e dos serviços descentralizados do Ambiente, pois, esta estratégia evita e génese de focos de pragas e infestantes para os demais espaços verdes da Cidade. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 58 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Considerando a vocação turística da ilha, a Câmara poderá criar áreas verdes especiais, como Jardins Botânicos, ou temáticos sobre a flora autóctone, com a integração de outros elementos paisagísticos como lagos e fauna local, mobiliário urbano e esplanadas. As áreas verdes especiais, como descritas anteriormente, poderão partir de iniciativa privada, que também cobrará os rendimentos da sua exploração, mas a sua criação exige todo o rigor de protecção fitossanitária. 6. Estratégia de criação e manutenção de novos espaços verdes na Cidade de Sal - Rei 6.1.Criação de um viveiro municipal A Câmara Municipal deverá criar um viveiro ou vários viveiros municipais, para as espécies ornamentais, arbóreas, arbustivas e herbáceas. O presente Plano apresenta, em anexo, um projecto de viveiro municipal, com indicação de espécies prioritárias para os espaços verdes da cidade de Sal-Rei. O viveiro municipal deverá ter em linha de conta não só as necessidades de plantas para as áreas verdes da Cidade, mas também o fornecimento a privados, nomeadamente hotéis em expansão na ilha da Boa Vista. No quadro de viveiros municipais, a Câmara deverá formar um grupo de jardineiros que ficarão responsáveis pela gestão dos viveiros e animação da comunidade na criação das áreas verdes. 6.2.Parcerias e mobilização de recursos Uma parceria estratégica deverá ser estabelecida com as várias entidades presentes na ilha, nomeadamente a Delegação Concelhia do Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR), Delegação de gestão de áreas protegidas, unidades hoteleiras, ONG de protecção da Natureza e Associações Comunitárias de Desenvolvimento, escolas e estabelecimentos de formação juvenil. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 59 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 6.3. Monitorização das áreas verdes urbanas No âmbito do Plano Verde, deverá ser criada uma comissão de monitorização do Plano Verde, coordenada pelo Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal, com a participação de ONG ligadas à promoção de ambiente e espaços verdes, Delegação do Ministério de Educação, Delegação do Ministério do Ambiente e Agricultura e Projectos de Áreas Protegidas. A comissão deverá programar encontros semestrais onde serão avaliados o estado de andamento e a qualidade das áreas verdes urbanas, bem como programar a mobilização de parceiros para a promoção e manutenção das áreas verdes. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 60 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 7. Conclusão A elaboração do Plano Verde para a cidade de Sal-Rei na Ilha da Boa Vista, constitui um instrumento de referência para o planeamento dos espaços verdes, contribuindo para o estabelecimento de uma estrutura verde harmoniosa, equilibrada e articulada, valorizando os edificados consolidados, bem como toda a área nova da expansão urbana, evitando as incongruências e diferenças que possam descaracterizar toda a cidade. Sendo a Cidade de Sal-Rei, um espaço urbano carente de área verde e bafejada por um clima bastante árido, a proposta do incremento do verde, expressa neste Plano, contribuirá para a melhoria da estética da Cidade, da qualidade ecológica e ambiental e para o bem-estar dos citadinos. Isto porque os espaços verdes desempenham uma grande força visual, com grande capacidade ornamental. Têm ainda um papel de relevo na drenagem natural das águas pluviais, contribuindo para o equilíbrio do ciclo hidrológico. O Plano propõe também um projecto de criação de um viveiro Municipal, que vai dar resposta às necessidades, em termos de material vegetal, para a consubstanciação dos projectos na área de paisagismo, para todas as categorias de espaços existentes e propostos. Adjuvado de um plano de gestão e de manutenção elaborado, orientado e coordenado pela Câmara Municipal e auxiliado por todos os parceiros, nomeadamente comunidade da ilha, Associações de Bairros, ONG, Empresários Hoteleiros, entre outros, contribuirá para uma reorganização territorial, com elementos essenciais de atenuação das construções e de redução de impactes das infra-estruturas. O projecto de capacitação das associações comunitárias será um outro valor acrescentado, no âmbito deste Plano, para a valorização e protecção ambiental e para a dignificação do bem comum e na criação de um espírito de unidade e de parceria. Assim sendo, os valores e as directrizes emanadas deste Plano Verde são objectos indispensáveis para a materialização do conceito de planeamento urbano sustentável. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 61 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ 8. Referências Bibliográficas ALFAIATE, M. T., (2000). Expressão dos Valores do Sítio na Paisagem. Tese de Doutoramento em Arquitectura Paisagista, ISA, UTL, Lisboa. 226 Pp. ARCO-VERDE, M. F.; MOREIRA, M. A. B., (1998). Viveiros Florestais: construção, custos, cuidados e actividades desenvolvidas para a produção de mudas. Boa Vista: Embrapa-CPAF-Roraima, 32 p. (Embrapa-CPAF-Roraima. Documentos, 3). CABRAL, F. CALDEIRA, PAISAGEM PORTUGUESA, (1967). Origem e evolução, in "Arquitectura" nº 100 - 234/37, Nov/Dez. CÂMARA MUNICIPAL DA BOA VISTA – (2012) Plano de Desenvolvimento Urbano da Cidade de Sal - Rei, CÂMARA MUNICIPAL DA BOA VISTA – (2012) Plano Director Municipal da ilha da Boa Vista. DINIZ, A. C. & MATOS, G. C., (1988). Carta de Zonagem Agro-Ecológica e da Vegetação de Cabo Verde – Ilha da Boa Vista. Lisboa. Portugal. DIRECÇÃO GERAL DO AMBIENTE (2012) – Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Cabo Verde – Cidade da Praia DIRECÇÃO GERAL DO AMBIENTE – Plano de Acção Ambiental Municipal da Ilha da Boa Vista – 2004 FERREIRA, A. L.,(2001). Terrenos Vagos Contributo param a Requalificação da Paisagem Urbana. Relatório do Trabalho de Fim de Curso em Arquitectura Paisagista, ISA, UTL, Lisboa. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 62 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ GOMES, S., (1994). 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(1958) – A Agricultura do Arquipélago de Cabo Verde - cartas agrícolas, problemas agrícolas. Memórias da JIU TELLES, G. RIBEIRO; MAGALHÃES, M. R.; ALFAIATE, M. TERESA, (1997). Plano Verde do Concelho de Lisboa, Edições Colibri, Lisboa, (livro, 197 pgs) ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei 63 Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ ANEXOS ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei I Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ PROJECTO DE UM VIVEIRO MUNICIPAL DE BOA VISTA O plano verde para a cidade de Sal Rei, Ilha da Boa Vista, contempla um projecto relacionado com a montagem de um viveiro municipal, no sentido de responder os requisitos do plano e garantir as exigências do mesmo, em termos de produção de plantas ornamentais. Por outro lado, o viveiro será um pólo de difusão de boas técnicas de produção de plantas, para colmatar as necessidades do material verde para o projecto de paisagismo, para a cidade de Sal Rei, na implementação do plano verde, bem como na satisfação do mercado interno, a nível de fornecimento/comercialização de plantas ornamentais, de interesse paisagístico, para o público em geral, para os hotéis na ilha e outras entidades interessadas nesta área. Também, este projeto de viveiro municipal vai promover conceitos de Educação Ambiental e de cidadania no dia-a-dia das escolas e comunidades, na medida em que haverá envolvimento e apoio de todos os parceiros locais, nomeadamente a comunidade da ilha, Delegação do Ministerio do Desenvolviemnto Rural (MDR), Escolas, Associação de Bairros, ONG, Empreendimentos Hoteleiros, para além da própria Câmara, como responsável do projecto. O viveiro terá um enorme potencial para tornar-se educador, incorporando a dimensão pedagógica no processo, despertando nos grupos envolvidos o olhar crítico e o espírito colectivo, dentro de um contexto ecológico e ambiental, potencializando ainda os processos de restauração da vegetação nativa, de requalificação do ambiente urbano e melhoria da qualidade de vida da população. O projeto apresentado, neste plano, propõe a construção do viveiro com a ocupação de uma área de 625 m2, com capacidade de produção, aproximada, de 25.000 espécimes (exemplares), por ano, que poderá ser ampliado para 1000 m2, de acordo com a necessidade de produção. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei II Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Realça-se que o viveiro deve ser concebido e desenhado em função do plano de distribuição e de arborização delineado. A produção de plantas e o seu transporte para o local definitivo devem ser feitos nas melhores condições possiveis, de modo que a informação posterior venha a mostrar plantações saudáveis e com boa taxa de crescimento. Ficha do projecto Nome do Projecto Enquadramento Justificação Objectivos Gerais Viveiro Municipal A Cidade de Sal - Rei tornou-se um pólo urbano de grande vocação turística com a emergência do turismo na ilha da Boa Vista. No entanto, o clima árido e o domínio de solos arenosos e salgados vêm condicionando seriamente a criação de uma cintura verde, tão necessária à amenização do clima e à melhoria da estética urbana. O Plano Verde da Cidade, ora elaborado, estabelece pistas orientadoras para a selecção de espécies mais adequadas, assim como uma estratégia de criação de áreas verdes, onde se insere a criação de um viveiro municipal para a produção de arbóreas, arbustivas e herbáceas ornamentais, para os jardins municipais e abastecimento de entidades privadas. A vegetação é um dos pilares fundamentais dos espaços verdes e a qualidade ambiental e paisagística das cidades depende, em muito, da exuberância dos seus, jardins, praças, ruas, árvores de alinhamento ou separadores. As árvores e a vegetação, em geral, constituem importantes recursos naturais de regulação climática, amortecem o ruído, filtram agentes de poluição atmosférica e são refúgios para fauna diversa, nomeadamente avefauna. O perímetro urbano consolidado apresenta uma fraca vegetação, mas ainda existem condições de instalação de árvores de sombreamento para as ruas, praças, largos e pracetas. A área de expansão ainda oferece condições para uma urbanização em cidade jardim, com a criação, simultânea, de cintura verde que contribuirá para amenização do clima agreste em toda a envolvência da cidade. Por outro lado, o incremento dos espaços verdes, na cidade de Sal Rei, poderá reavivar, na comunidade da ilha, uma atitude consciente da luta contra a desertificação e atenuação dos efeitos da seca e sendo a Boa Vista, uma ilha com vocação turística de excelência, uma intervenção, a nível do paisagismo, revolucionará a cidade em termos da estética paisagística, contribuindo também para o bem-estar das populações urbanas. Melhorar o estado ambiental da cidade, valorização da estética urbana e amenizar o clima árido da envolvência ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei III Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Objectivos específicos Beneficiários /Público-alvo Duração Custos estimados Parceiros Resumo Actividades Principais da urbe. Criação de viveiros e produção de plantas ornamentais de interesse paisagístico para os espaços verdes da cidade; promoção de campanhas de plantação e de protecção das árvores, envolvendo a comunidade da ilha, as escolas e as associações de desenvolvimento local; promoção de acções direccionadas de educação ambiental; valorização dos espaços verdes, como recurso turístico, através de regras de boas práticas; sensibilização sobre a importância da ocupação sustentável das áreas verdes; resgate do espírito de colectividade relativamente aos espaços verdes. Moradores da cidade e visitantes 2 Anos 8.000.000$000 (oito milhões de escudos) Câmara Municipal, Delegação Concelhia do Ministério do Desenvolvimento Rural, Empreendimentos hoteleiros, Comunidade local. O projecto de requalificação e valorização dos espaços urbanos, pelo incremento de espaços verdes na cidade, melhorando a sua qualidade ambiental, é um desafio enorme e necessário, que deve ser abraçado por todos os munícipes. Trata-se de uma demanda prioritária pelo poder Camarário, seja pela importante função que a vegetação exerce na manutenção dos recursos hídricos e regulação do ciclo hidrológico, pela protecção e fertilização dos solos, bem como pela perpetuação da fauna silvestre, ou ainda, por estimular a reflexão sobre que medida se pode tomar frente ao eminente avanço do aquecimento global. Por outro lado, é uma atitude que contribuirá também para o resgate e a construção da “cultura do plantar” presente, tanto nas comunidades rurais, quanto no meio urbano, adjuvadas das instituições, como escolas, bairros e associação locais, entre outros, fortalecendo as relações pessoais, os laços afectivos, e cativando cada vez mais pessoas dispostas a reflectir e agir na direcção de uma cidade saudável, mais justa e equilibrado para todos os munícipes. Encontros com a comunidade e actores locais para esclarecimento sobre a importância da criação do viveiro e o papel dos espaços verdes na cidade; construção do viveiro em local adequado; formação dos jardineiros em técnicas de jardinagem e gestão dos espaços verdes; colheitas de sementes e estacas de interesse ecológico; transporte de estrume, terra, areia, e água; preparação de terra de jardim; enchimento de sacos de plástico de polietileno negro; sementeira e plantação de estacas em sacos de polietileno e seguimento das operações técnicas; ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei IV Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Resultados esperados transporte de plantas e plantação em local definitivo, com apoio dos jardineiros, da comunidade e técnicos especializados residentes; colocação de estrutura de protecção das arbóreas e arbustivas; manutenção dos espaços verdes em áreas públicas. Comunidades e parceiros locais sensibilizados sobre a importância da conservação dos espaços públicos e da natureza; Manutenção compartilhada dos espaços verdes da cidade por meio da ajuda de parceiros locais; viveiro construido e funcional; jardineiros formados; jardins, praças, ruas, largos e pracetas ornamentados com arbóreas, arbustivas e herbáceas de interesse paisagístico; melhoria na gestão dos espaços verdes na cidade de Sal Rei; resgate do espírito de colectividade em relação aos espaços verdes; redução de gastos com depredação; melhoria da qualidade de vida das pessoas, em função do maior convívio. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei V Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Lista das espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas referenciadas no Plano Verde para a cidade do Sal Rei – Ilha da Boa Vista Nome científico Agave variegata Nome vulgar Piteira, sisal Aristida cardosoi palha-branca Foto Atriplex sp., Azadirachta indica Tendente, nime Bougainvillea sp. buganvília Caesalpinia gilliesii barbas-de-barata-amarelas Caesalpinia pulcherrima barbas-de-barata-vermelhas Cassia bicapsularis jardim ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei VI Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Cataranthus roseus Cocos nucífera Cynodum dactylon Delonix regia Euphorbia tuckeyana sempre-noiva coqueiro grama acacia-rubra tortolho Faidherbia albida espinho-branco Ficus benjamina ficus Ficus sycomorusssp. gnaphalocarpa figueira-branca ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei VII Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Hibiscus rosa-sinensis cardial Ipomoea carnea Ipomoeapes-caprae lacacã Nerium oleander loendro Pelargonium sp. Phoenix dactylifera Prosopis juliflora tamareira acacia-americana/espinheira Sesuvium sesuvioides ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei VIII Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Tamarix senegalensis tarrafe Terminalia cattapa amendoeira Thevia peruviana tortolhinho Washingtonia filífera palmeira-leque Zygophyllum waterlotii murraça-preta ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei IX Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ Ficha de Projecto Nome do Projecto Enquadramento Justificação Objectivos Gerais Objectivos específicos Beneficiários /Público-alvo Duração Custos estimados Parceiros Resumo Actividades Resultados esperados Capacitação das associações comunitárias O projecto enquadra-se no âmbito de consolidação, promoção de desenvolvimento de áreas verdes na Cidade de Sal Rei, Ilha da Boa Vista A cidade de Sal Rei elabora um Plano Verde, na sequência da aprovação do seu Plano Urbano Detalhado e outros documentos estratégicos, para a melhoria da qualidade de vida urbana na ilha da Boa Vista. A cidade possui uma rede de associações, ONG de protecção ambiental disposta a ajudar o município em campanhas de educação ambiental e protecção da natureza. Promover a criação e a protecção dos espaços verdes urbanos, através da educação e sensibilização comunitária. Capacitar as associações comunitárias na elaboração e gestão de projectos; identificação e mobilização de parceiros, para a protecção dos espaços verdes, saneamento, combate às pragas e para o ambiente urbano em geral Associações de Desenvolvimento comunitário, ONG, escolas e grupos juvenis. 2 Anos 2.700.000$00 (dois milhões e setecentos mil escudos) Câmara Municipal; Governo Central; Plataforma das ONG, Associações Comunitárias. Acção de formação nos domínios educação ambiental, acção comunitária de base e protecção da natureza Identificação de parceiros; elaboração de programas e metodologia de formação; busca de financiamento e programação da formação. Capacitação das associações na protecção da natureza; campanhas de arborização, limpeza e recuperação de espaços verdes no perímetro urbano. ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei X Câmara Municipal da Boa Vista ________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ Plano Verde da Cidade de Sal Rei XI