A Alegoria da Oliveira e a Tradução literal:
um ganho ou uma perda para a manutenção da linguagem
figurada e dos efeitos de sentido em Jacó 5 em O Livro de
Mórmon?
The Allegory of the Olive Tree and Literal Translation:
a gain or a loss of the conservation of the figurative
language and the sense effects of Jacob 5 in the Book of
Mormon?
Karla Graciela Leão Neves
Centro de Comunicação e Letras – Universidade Presbiteriana Mackenzie
Rua Piauí, 143 – 01241-001 – São Paulo – SP
[email protected]
Resumo: O texto desenvolvido nas páginas desse trabalho é fruto do grande
amor pelas escrituras, assim, elaborou-se o estudo de um trecho de O Livro
de Mórmon Outro testamento de Jesus Cristo, uma escritura utilizada pelos
membros de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. O
objetivo dessa pesquisa foi o de analisar, de acordo com o modelo de
teóricos, como Nida e Ryken, o tipo de tradução empregada no capítulo
cinco de Jacó, intitulado “A Alegoria da Oliveira”, em O Livro de Mórmon.
Procurou-se também analisar os procedimentos utilizados nesse capítulo, e
em outras fontes, em que o tradutor se depara com linguagem figurada. Foi
amplamente tratada a riqueza simbólica da oliveira, que é a imagem
utilizada na alegoria em Jacó cinco, e o enriquecimento que ela gera na
interpretação da alegoria.
Palavras-chave: O Livro de Mórmon. Alegoria da Oliveira. Tradução da
Bíblia.
Abstract: The text developed on the pages of this work is an outgrowth of
my love for the scriptures. Thus, it was made a study of a passage from The
Book of Mormon - Another Testament of Jesus Christ, a book of scripture
used by the members of The Church of Jesus Christ of the Latter Day Saints.
The goal of this research was to analyze according to patterns of theorists,
such as Nida and Ryken, the type of translation used on the fifth chapter of
Jacob, from The Book of Mormon, called “The Allegory of the Olive Tree”.
It was also an endeavor to examine the procedures used in this chapter, as
well as in other sources, in which the translator comes across figurative
language. It was carefully considered the symbolic abundance of the Olive
Tree, the figure or representation used in the metaphor in Jacob five, and
the enrichment that it brings to the interpretation thereof.
Keywords: The Book of Mormon. Allegory of the Olive Tree. Translation of
the Bible.
A grande demanda e importância atual, assim como os inúmeros estudos, teorias
e modelos encontrados na área de tradução de livros religiosos, sobretudo as escrituras
sagradas atualmente é muito grande e significativa para a área da tradução.
Inúmeros teóricos estudaram e estudam as diversas faces da tradução do texto
religioso, suas dificuldades e necessidades. Grande parte desses estudos está voltada
para a análise da tradução da Bíblia, uma vez que esta é uma das obras mais importantes
de todas as eras em todas as áreas da ciência como, por exemplo, na área da tradução, da
literatura, da história e da geografia. Portanto, podemos encontrar inúmeras obras que
tratam desse assunto.
Aos estudarmos essas teorias a respeito da tradução da Bíblia, podemos
encontrar modelos de procedimentos teóricos tais como o modelo da equivalência
dinâmica e formal de Nida, de tradução oblíqua e direta de Vinay e Dalbernet, etc. Tais
procedimentos são utilizadas como base para todas as traduções da Bíblia e também
como apoio para o estudo de outras obras religiosas e suas respectivas traduções, O
Livro de Mórmon é um exemplo disso.
Mas o que é exatamente este livro que analisaremos: O Livro de Mórmon.
1. O Livro de Mórmon
O Livro de Mórmon: outro testamento de Jesus Cristo é utilizado pelos
membros de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, como uma
escritura sagrada, paralelamente a Bíblia e outras obras padrão de sua religião.
Esse livro é uma espécie de palimpsesto, uma vez que a versão original não está
disponível. Desta forma, é utilizada a versão do inglês como texto de partida para a
tradução da obra para outras oitenta línguas, dentre elas o português.
Segundo o que se encontra em sua introdução: “O Livro de Mórmon é um
volume de escrituras sagradas comparável a Bíblia. É um registro da comunicação de
Deus com os antigos habitantes das Américas (...)”. Assim como na Bíblia, o relato é
feito por diversos profetas, esses, no entanto, viveram durante o período de
aproximadamente 600 a.C a 421 d.C no continente Americano.
Quando duas famílias vieram de Jerusalém para as Américas eles trouxeram
alguns registros encontrados sob domínio de Labão, um homem rico e iníquo de
Jerusalém.
Naquela época era muito comum serem feitos registros em placas de metal, para
que pudessem assim ser mais bem conservados. Desta maneira, os relatos que estavam
com Labão eram conhecidos como “placas de latão” (1Néfi 3:3). Um dos motivos pelo
qual essas “placas de latão” eram muito importantes é que elas preservam: “as palavras
que foram proferidas pela boca de todos os santos profetas, as quais lhes foram dadas
pelo Espírito e poder de Deus desde o começo do mundo até o tempo presente.” (1Néfi
3:20).
Dentre os profetas citados nas placas, encontrava-se também Zenos, um profeta
de Israel na época do Velho Testamento. A profecia de Zenos que nos interessa é a da
alegoria da oliveira, que foi feita por ele e então escrita nas placas de latão e, mais tarde,
citada integralmente pelo profeta Jacó, do Livro de Mórmon.
A “Alegoria da Oliveira” retrata a situação inicial de Israel como povo do
Senhor, o povo do convênio (inicialmente as doze tribos de Israel: Judá, José,
Benjamim, etc), e os gentios como o povo que não é do convênio. Em seguida é
prefigurada a dispersão do povo de Israel por causa de sua iniqüidade e mais tarde a sua
coligação. Também é ensinado que os gentios que se converterem (aceitarem o
evangelho) serão “enxertados” (imagem usada na alegoria com o sentido de serão
aceitos no evangelho) em Israel (como povo do Senhor).
2. A Alegoria da Oliveira
O primeiro ponto importante a se enfatizar é que a agricultura e as plantas no
geral eram algo conhecido e familiar para todos os habitantes da antiga Palestina. É por
essa razão que para os profetas Israelitas era natural utilizar a imagem de plantas em
suas mensagens. Em épocas antigas era comum se referir ao imaginário botânico por
causa da compreensão comum das pessoas dos acontecimentos botânicos regulares e
mudanças de estações.
A oliveira é uma árvore que requer uma grande paciência e diligência,
geralmente oito a dez anos, para ser cultivada e começar a dar frutos. O processo de
encontrar um solo adequado, plantar, cultivar, podar, enxertar e colher é muito árduo.
Outro ponto importante a respeito da oliveira é que frequentemente ela é chamada de
imortal, porque atualmente existem árvores no Monte das Oliveiras que ainda são
produtivas e têm mil e oitocentos anos, ou mais.
Para que seu fruto se torne útil ao homem ou aos animais é necessário algo mais
além do processo de plantar e cultivar. Ao ser colhida, a azeitona é amarga e para ser
tornar comestível é necessário um processo árduo para que o gosto amargo seja tirado.
Para extrair o azeite também é necessário um processo complicado (Ricks, 1994,
p. 3):
To produce olive oil in ancient times, the olives had to be crushed in a press.
Seasoned olives were placed in strong bags and flattened on a furrowed
stone. Then a huge, crushing, circular rock is rolled around on top, moved by
a stinging whip. 1
Esse, é claro, é mais um dos motivos que faz com que o simbolismo da oliveira
seja tão forte: a grande semelhança da extração do óleo da azeitona com a Expiação de
_____________
1
Para produzir o azeite nos tempos antigos, as azeitonas tinham que ser espremidas em uma prensa.
Azeitonas da estação eram colocadas em uma bolsa resistente e achatadas em uma pedra enrugada. Então
uma pedra enorme, esmagadora e circular é rolada no topo, movida por uma mula ou um boi forçados por
um chicote cortante. (tradução nossa)
Cristo pelos pecados da humanidade (que segundo o que é relatado nas escrituras, fez
com que Cristo sofresse tanto que derramasse sangue por todos os poros). O óleo era e
ainda é muito útil para inúmeras coisas além de ter alguns usos vitais como transmitir
luz e calor, antídoto universal, remédio, etc.
Uma prensa de azeitona na Palestina. Está atualmente exposta para as pessoas visualizarem a purgação da azeitona e a pressão
intensa , aparentemente interminável que faz com que o aliviador e precioso óleo seja derramado. A prensa da azeitona é um
símbolo incomparável do sacrifício expiatório de Jesus Cristo, o mestre da vinha. (tradução nossa)
Extraído de: RICKS, Stephen D., WELCH, John W. The Allegory of the Olive Tree: the olive, the Bible, and Jacob 5. Utah: Deseret
Book Company and FARMS, 1994, p.3.
Figura 1. Prensa de Azeite
A oliveira também está revestida de significações semelhantes em todos os
países europeus e orientais. Segundo uma lenda ela neutralizaria certos venenos, o que
lhe confere um valor protetor. Simboliza a amabilidade assim como o sucesso nos
estudos e nos empreendimentos civis ou guerreiros: é a “árvore da vitória”. É símbolo
da paz nas tradições judias e cristãs e em todo o mundo.
Esse tipo de linguagem figurada é utilizada pelos profetas para concretizar algo
que é abstrato facilitando a compreensão a respeito de um determinado assunto. Assim,
Zenos usa a imagem da oliveira, que algo palpável do mundo concreto, para falar da
Expiação, da dispersão e coligação de Israel, por exemplo, que são elementos abstratos.
Assim como Cristo utilizava parábolas para tornar seus ensinamentos mais
nacionais Zenos utilizou a oliveira. Ele sabia que seus ouvintes possuíam grande
conhecimento a respeito do cultivo dessa árvore, sabia que era algo comum ao dia-dia
de todos e, portanto, utilizou-a para ilustrar seu ensinamento, tornando-o algo mais
próximo aos ouvintes.
3. Procedimentos da Tradução
Em relação a tradução interlingual: uma interpretação de signos verbais por meio
de outra língua, Nida (1982) diz que traduzir consiste em reproduzir na língua alvo um
equivalente mais próximo e natural da língua fonte, primeiramente em termos de
significado e, posteriormente, em termos de estilo, “(...) o fundamental no processo de
tradução é que todos os componentes significativos do original alcancem a língua-alvo,
de tal forma que possam ser usados pelos receptores.” (ARROJO, 2005, p.12). Para
Arrojo tradução “(...) é o reconhecimento do caráter essencialmente criativo do
processo de tradução (...) traduzir, mais do que transferir, é transformar (...)”
(ARROJO, 2005, p.80).
A preocupação de muitos homens como Wycliffe, William Tindale, Martinho
Lutero, etc, foi fazer uma tradução que até mesmo o mais humilde camponês pudesse
compreender. Nida (1982) também apóia tal afirmação e defende que deveriam existir
diversos tipos de traduções da Bíblia, com diferenciação no vocabulário e na estrutura
gramatical, uma vez que todas as pessoas devem ter igual oportunidade de compreender
a mensagem que está sendo passado.
Nida vê a língua como “um mecanismo dinâmico capaz de gerar uma série
infinita de enunciados diversos” (BARBOSA, 1990, p. 32). Para ele é preciso buscar na
tradução a maior equivalência possível entre os textos de partida e chegada. Há dois
tipos fundamentais e diversos de equivalência:
A equivalência formal é centrada no conteúdo e na forma (...) [do] texto
original. Neste tipo de tradução, a preocupação está em manter a
correspondência estilística, (...) a tradução precisa (...) que corresponda o
mais possível aos diversos elementos lingüística e extralingüísticos contidos
no TLT.
Já a equivalência dinâmica tem como meta atingir total naturalidade na
expressão da MENSAGEM1 (...) de tal modo que o leitor encontre (...) modos
de comportamento e outras elementos extralingüísticos relevantes em sua
própria cultura (...) (BARBOSA, 1990, p.34)
O foco de Nida é a equivalência dinâmica. É imprescindível saber que a
equivalência na tradução deve ser criada e não apenas achada. Também é importante
que o tradutor considere não somente a idade, sexo, classe social, etc do leitor como
também tenha um “conhecimento da variante lingüística compartilhada por um
determinado grupo religioso” (MADUREIRA, 2004, p. 19), no caso, é claro, de uma
tradução religiosa. Tal elemento é muito importante uma vez que alguns grupos
religiosos possuem um conjunto de vocabulário por eles compartilhado, que contém
especificidades aquém da linguagem cotidiana falada pela sociedade como um todo.
4. A Análise da Alegoria
Ao estudar a Alegoria da Oliveira pudemos observar a riqueza do vocabulário da
língua portuguesa. Um exemplo disso é que no inglês o verbo “nourish” é utilizado
diversas vezes em todo o capítulo. Em português, essa única palavra é traduzida de
quatro formas diferentes: cultivar, cuidar, tratar e nutrir.
O grande cuidado que o Senhor da vinha tem por ela também chama muito nossa
atenção. O verbo “nourish” é citado vinte e três vezes na alegoria. Além desse verbo,
podemos também notar o amor do Senhor da vinha quando ele faz menção ao tempo em
que cuidou da vinha: “passados muitos dias”/ “after many days”; ele repete quatro
vezes“this long time”/ “todo este tempo” e três vezes “a long time”/ “muito tempo, ou
seja, ele não cuidou da oliveira apenas por alguns dias, mas sim por muito e muito
tempo.
Todo o trabalho no oliveiral está voltado para a preservação ou recuperação do
fruto natural da oliveira que é “(...) mais precioso do que qualquer outro fruto.”/ “(...)
the most precious above all other fruit.” (v. 61). É realmente muito evidente o grande
amor e cuidado que o Senhor da vinha tem por sua oliveira e seus frutos. Seu amor é tão
grande que quando consegue recuperar seus frutos ele regozija-se.
Podemos concluir que a oliveira e seus frutos são tão caros para o Senhor da
vinha quanto a azeitona e o azeite eram e ainda são em determinadas regiões do mundo.
Esse aspecto também confirma a inigualável riqueza simbólica da oliveira e sua relação
a elementos religiosos.
Todos esses pontos poderiam ser percebidos pelo leitor que realmente estudasse
e analisasse a alegoria. A interpretação de tudo isso, no entanto, não é tão simples de ser
compreendida sem uma ajuda. O que queremos ressaltar é que o leitor só irá
compreender certos pontos da alegoria se estiver: utilizando em sua leitura um manual
de auxílio, fazendo um curso ou uma aula a respeito do assunto, ou algo do tipo. Isso
acontece pois alguns pontos na alegoria são muito ricos de significados e simbolismos
e, portanto, são também as vezes muito complexos e obscuros para quem o está lendo.
Ao analisarmos a obra pudemos observar que existem poucas diferenças entre o
texto em inglês e o em português, no entanto, a estrutura do português é seguida na
tradução. Dessa maneira podemos dizer que a tradução para o português segue o modelo
de tradução literal de Rycken ou equivalência formal de acordo com Nida, pois procura
seguir ao máximo o texto de partida utilizando, no entanto, a estrutura da língua de
chegada.
Não podemos deixar de observar também que a tradução de figuras de
linguagem é extremamente difícil, porque elas existem em todas as línguas, no entanto,
as imagens utilizadas são quase sempre partes específicas de uma sociedade.
Geralmente é muito difícil traduzi-las literalmente e, quando isso é feito, são
freqüentemente mal-entendidas, causam estranhamento ou não fazem sentido ao leitor,
as imagens lhe são desconhecidas (que é de certa forma o caso da oliveira para os
brasileiros) ou tem um sentido diferente para o falante da língua de chegada do que
tinha para o falante da língua de partida. Todos esses pontos que acabamos de
mencionar englobam as razões pelas quais um tradutor pode e deve escolher a tradução
obliqua, de acordo com o modelo de Vinay e Dalbernet.
Assim, alguns teóricos afirmam que a imagem da linguagem figurada deve ser
alterada para algo mais familiar ao leitor do texto de chegada, outros, no entanto,
defendem que essa imagem não deve ser mantida como no texto da língua de partida.
Traduzir, portanto, a alegoria da oliveira para o português é realmente um
desafio muito grande para o tradutor, pois ele se deparará com diversos desafios. O
primeiro deles é se ele manterá ou não a imagem da oliveira. Se o tradutor levar em
consideração que o cultivo da oliveira não é comum no Brasil e que a grande maioria
dos brasileiros não conhece nada a respeito do plantio dessa árvore, ele pode estar
propenso a utilizar outra imagem na alegoria. Se assim o fizesse ele logo perceberia que
se pesquisar sobre a família biológica da oliveira, procurando uma árvore semelhante e
mais conhecida no Brasil, notaria que nenhuma delas é semelhante e valiosa
simbolicamente o bastante como a oliveira.
Se substituíssemos, no entanto, a oliveira não nos depararíamos com o desafio
de encontrar uma outra imagem tão rica simbolicamente e tão semelhante a diversos
acontecimentos religiosos (Expiação, disperssão de Israel, etc). Teriamos, no entanto,
dois outros desafios: o de que a árvore não é amplamente conhecida e cultivada no
Brasil e que o leitor não a conheceria. Se a mantessemos, a forma poética e literária do
texto de partida, continuaria a ser extremamente rica simbolicamente, mas o texto seria
muito difícil de se entender para diversos leitores.
Nida defende que a melhor tradução é aquela que soa completamente natual ao
ouvido do leitor. Obviamente, o cultivo da oliveira não soará natural ao ouvido da
grande maioria dos brasileiros. Dessa maneira, Nida sugere que quando a forma for
fundamental na mensagem e não houver a possibilidade de alterar o texto para algo
conhecido pelo receptor da tradução, então, ele recomenda que seja usada uma nota de
rodapé explicativa.
Seguir a orientação de Nida também seria algo muito difícil pois a alegoria é
muito grande e complexa, cheia de detalhes e simbolos. Assim a nota de rodapé seria
mutio extensa e, portanto, inviável. O que é utilizado hoje em dia são os Guias de
Estudos do Livro de Mórmon (ver referências) que estão disponíveis para os leitores.
Aparentemente essa seria a melhor solução para que o leitor pudesse melhor
compreender os simbolismos da alegoria.
5. Conclusão
Percebemos que procurou-se manter a forma e o estilo poético da alegoria ao
máximo, o que tornou o texto extremamente rico literariamente, porém, muito difícil de
ser compreendido em uma breve leitura ou pelo leitor que não está habituado a
linguagem figurada e religiosa.
Concluímos que ao utilizar qualquer das duas opções encontradas (manter ou
mudar a imagem da alegoria) o tradutor se deparará com perdas e ganhos no texto de
chegada. Também notamos que para um texto tão rico de significados e simbolismos
podemos estudar incessantemente sua tradução para talvez encontrar soluções cada vez
mais adequadas ao seu leitor de nossa época.
Talvez a melhor opção fosse fazer diversas versões desse capítulo de acordo
com o público leitor, ou seja, uma versão para as crianças, outra para os jovens, outra
simplificada para membros recentes da Igreja, etc, assim como Nida sugere que se faça
para a Bíblia.
Após todo esse estudo, ficou evidente que o brilhantismo da alegoria, seus
símbolos e relações com fatos religiosos é muito grande e impressionante. É incrível o
fato de que uma árvore desse tipo possa viver tantos e tantos anos a ponto de algumas
pessoas dizerem que elas são imortais. É deslumbrante a semelhança entre a prensa da
azeitona e a Expiação de Cristo. É fascinante o amor de Deus por seus filhos que é
comparado ao amor do Senhor da vinha em relação a sua árvore. É muito interessante
observar o extremo cuidado que o Senhor da vinha tem com sua oliveira e fruto. O fruto
da árvore é tão precioso para o Senhor da vinha, que ele toma todos os cuidados
necessários para que ela não se perca e seus frutos naturais sejam preservados.
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