Nº 55
Ano 7 -
- Dezem
www.da
bro 201
2
Membro da
sein.com
.br
Foto: Divulgação
Especial
Foto: Ricardo Côrrea
Após vários estudos,
Ricardo Amorim refuta a
possibilidade de o Brasil
ter uma bolha imobiliária
prestes a estourar.
Pág. 04
Destaque Dasein
Foto: Divulgação
“Precisamos entender
que não conseguimos
mudar a direção dos
ventos, mas podemos
ajustar as velas e seguir
navegando firmes”,
por Robson Niering.
Pág. 05
‘A demanda prioritária
do setor de óleo e
gás é de gestão’
Caio Múcio, superintendente regional da Onip, fala sobre o
cenário positivo do setor de Óleo e Gás brasileiro. Segundo
ele, o momento é ideal para alavancar o desenvolvimento
do país, mas, para isso, ‘temos de mudar as queixas e
reclamações para ações e soluções’. Págs. 02 e 03
Tendência
Bruno Mello fala sobre
o desafio da mudança e
garante: ‘Bem-sucedida é a
empresa que se reinventa
a cada dia para continuar
sendo a mesma’.
Pág. 06
Fale Conosco: [email protected]
Dasein na Mídia
Matéria do jornal Diário
do Comércio apresenta as
propostas de Paulo Ângelo
de Souza, conselheiro
da Dasein, candidato à
presidência da Apimec.
Pág. 07
Entrevista
DNews - Dezembro l 2012
Óleo e Gás: oportunidade
de alavancar o desenvolvimento
Para falar um pouco mais sobre o bom momento do setor de Óleo e Gás, o DNews conversou com Caio Múcio Barbosa Pimenta,
superintendente regional da Organização
Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). Engenheiro químico pela UFMG, Caio construiu
uma carreira de 33 anos na Petrobras, aposentando-se, em 1996, como Superintendente
da Refinaria Gabriel Passos. Posteriormente, trabalhou como consultor da Bechtel do
Brasil, por três anos, até ingressar na Onip,
companhia sem fins lucrativos cuja missão é
o aumento da competitividade e sustentabilidade da indústria nacional com foco na geração de emprego e renda no setor de Óleo e
Gás. Confira a entrevista na íntegra.
DNEWS - De acordo com relatório recente da
Agência Internacional de Energia (AIE), o petróleo no Brasil tem perspectiva altamente positiva para os próximos anos. A entidade prevê,
por exemplo, que a produção diária crescerá
3,5 milhões de barris até 2035, fazendo com
que o Brasil se torne um dos maiores produtores mundiais. Como o senhor enxerga isso?
Caio Múcio - Penso que os índices são ainda
mais favoráveis. Só a Petrobras vai aumentar 2,2 milhões de barris por dia. A OGX, mais
um milhão. E olha que essas foram as únicas
companhias que informaram os seus planos
até 2020. Até 2035 serão mais 15 anos. Temos
grandes companhias investindo com boas
perspectivas. Estudos do BNDES mostram investimentos de 550 milhões no setor industrial,
entre 2011 e 2014. Desse valor, 418 bilhões são
para as áreas de Petróleo, Gás e Petroquímica.
Além da pressão de demanda do mundo para
petróleo, já teremos uma indústria mais madura e com maior capacidade. Os poços de Iara,
Tupi e Guará vão aumentar as atuais reservas
de 15 bilhões de barris em mais 13 bilhões. Podemos concluir, então, que estamos a caminho
de ser um dos maiores produtores mundiais e
2
Foto: Divulgação
Crise na Europa, estabilidade no Brasil. O cenário, difícil de imaginar há pouco mais de
uma década, mostra o país mais próximo do
desenvolvimento. Um dos fatores que impulsionam essa tendência é o setor de Óleo e Gás,
sobretudo após a descoberta das camadas do
pré-sal em 2007. A perspectiva é de que, em
alguns anos, o Brasil esteja entre os maiores
produtores mundiais de petróleo, gerando, assim, riquezas para solucionar problemas antigos, como infraestrutura, saúde e educação.
em uma região de estabilidade política, o que
é uma imensa vantagem. O que gera riqueza
permanente não é o petróleo, mas a indústria
de transformação que se desenvolve. Isso é
que é importante. Para os céticos que duvidam
que esses números serão realidade, peço que
vejam a história. Em 2001, a Petrobras investiu
3,7 bilhões; em 2010, mais de 40,7 bilhões. Ou
seja, um crescimento muito significativo.
DNEWS - Em sua opinião, quais serão os
principais desafios do setor para os próximos anos? O que deve ser aprimorado para
que os índices se mantenham positivos?
CM - Temos visto muitos articulistas e consultores duvidando da capacidade nacional. Isso é
desconhecer a história. A meta dos 500 mil barris por dia foi atingida com o Programa de Capacitação Tecnológica em Sistemas de Produção para Águas Profundas (Procap 1000) e com
a competência das indústrias nacionais, capitaneadas pelas empresas EPCistas (empresas
que atuam no mercado de Engineering, Procurement and Construction – Engenharia, Suprimento e Construção), pois o mundo ainda não
havia avançado em águas tão profundas. Nosso
desafio atual é principalmente de gestão. Os japoneses mostraram ao mundo, no pós-Guerra,
a importância da gestão para vencer desafios
de qualidade, produtividade e competitividade.
“Nosso desafio atual
é principalmente de
gestão. Os japoneses
mostraram ao mundo,
no pós-Guerra, a
importância da
gestão para vencer
desafios de qualidade,
produtividade e
competitividade
”
O mundo desenvolvido logo copiou, e hoje temos instituídos, em todos os países desenvolvidos, os prêmios e a busca pela excelência em
gestão. Ficamos adormecidos nos chamados
anos perdidos e copiamos métodos dos países
já construídos, reduzindo quadros como forma
de redução de custos. Agora, o crescimento exige gestores competentes que deveriam ter sido
formados para atender às novas demandas e
substituir os que se aposentam. Para manter
esses índices positivos, precisamos trabalhar
firme na educação, na formação, na qualificação e na atração de mão de obra estrangeira.
DNEWS - Outro ponto animador diz respeito
ao pré-sal. Como podemos descrever o pré-sal e como se deu o trabalho da Petrobras
para essa descoberta?
CM - O O pré-sal é o resultado da inteligência
interpretativa dos geólogos da Petrobras e
das universidades brasileiras. Esta “tese” tem
uns 20 anos ou mais. Os geólogos imaginaram
o mundo com a África e o Brasil unidos e o
que aconteceu com a separação. Daí nasceu
a teoria de que imensas camadas de sedimentos estavam sepultadas e cobertas por uma
grande camada de sal e que a existência de
rochas geradoras e armazenadoras e condições de pressão e temperatura teriam gerado
grandes campos de petróleo protegidos pela
impermeável camada de sal. A Petrobras,
após longos estudos, bancou o experimento
para demonstrar a “tese”. Feita a inovação, o
trabalho passou a ser de engenharia. Temos
desafios de fazer uma produção segura e competitiva. São grandes desafios de gestão para
Entrevista
DNews - Dezembro l 2012
Foto: Fotolia
inovar, desenvolver a fabricação nacional, escolher alternativas que sejam boas para o país e
realizar a produção.
DNEWS - Qual a sua expectativa em relação
à exploração do pré-sal? O que a produção
dessas camadas representa para o setor
petrolífero brasileiro?
CM - O pré-sal é para o Brasil o que a corrida à
Lua foi para os norte-americanos ou o programa espacial para os europeus. Petróleo não
gera riqueza permanente. Ele é meio para se
desenvolver uma indústria forte e transformadora. A capacidade de inovar, produzir bens
e serviços demandados pela sociedade gera
riquezas e garante o futuro. Quem fez barcos
de madeira e locomotivas a vapor continua
fazendo a inovação do mundo e criando tecnologias que fazem a extração com preservação. Se o pré-sal for só produção de petróleo,
estaremos repetindo a história de ser o “país
do futuro”. Se tivermos políticas consistentes
para aproveitar o pré-sal para o crescimento da indústria, estaremos gerando riquezas
para diminuir algumas das nossas principais
carências, como infraestrutura, saúde e educação. Temos de garantir o futuro copiando
modelos de sucesso, como o da Noruega.
DNEWS - Muitos gestores têm reclamado da
falta de mão de obra qualificada. Você também tem notado essa dificuldade no setor
petrolífero? Como encontrar e reter profissionais altamente qualificados?
CM - Essa falta já foi anunciada há 10 anos,
e a sua existência atual é mais por omissão.
Estávamos acostumados com a ideia de um
país com mão de obra excedente, pela falta
de novos empreendimentos, e a alternativa
3
“O que gera riqueza
permanente não
é o petróleo, mas
a indústria de
transformação que
se desenvolve
”
era sempre valorizar o recrutador, e não o formador. Temos carência, mas temos inúmeras
alternativas. Aos pessimistas, peço que leiam
um pouco da história norte-americana na Segunda Guerra. O país não se planejou para um
esforço de guerra daquela envergadura e, de
um momento para outro, teve de enviar grande parte da sua mão de obra para as frentes
de batalha e de qualificar milhões de novos
trabalhadores para a gigantesca máquina
de produzir aviões, navios, tanques, canhões,
etc. E tudo isso com tecnologia e qualidade. No
Brrasil, temos 200 milhões de habitantes, e a
estimativa de emprego para a área petróleo é
de 2 milhões. Temos processos de formação
e qualificação testados, excelentes universidades e escolas de formação gerencial em nível
mundial. O que falta? Distribuir essa tarefa
para o universo das empresas, criar postos
de aprendizes e trainees e acabar de vez com
o discurso de que não se fazem profissionais
como antigamente. Somos um país de uma
imensa miscigenação cultural. Fomos construídos por imigrantes e estamos abertos ao
mundo. Os desenvolvidos estão em crise e com
excedentes de profissionais qualificados. Uma
política inteligente de atração de cérebros
para postos estratégicos é outra solução. Não
se ouve essa queixa de grandes empresas brasileiras, que valorizam o aprendiz e o trainee,
lugar em que a educação e a formação fazem
parte das atribuições da gerência.
DNEWS - Onde estão as principais oportunidades do segmento? Quais setores devem
apostar e investir no segmento de Óleo e
Gás? Quais as categorias de profissionais
serão mais demandadas?
CM - A maior demanda é para a área de Engenharia. Além dos desafios da exploração,
perfuração, produção, transporte e processamento do petróleo, temos de construir os
equipamentos para tais tarefas. Estamos
construindo 28 sondas de perfuração marítima, 30 unidades flutuantes de armazenamento e transferência (FPSO), 300 navios e barcos de apoio. O estudo coordenado pela Onip
mostra que até 2020 serão investidos U$ 400
bi só nas áreas de Exploração e Produção.
Pela amplitude do negócio e pelo volume dos
investimentos, a pergunta que precisa ser
feita é: existe alguma área que não é afetada
pela indústria do petróleo? Saindo da área da
Engenharia, temos desafios de Treinamento,
Alimentação, Alojamento, Logística, Medicina,
Psicologia, Direito, Comunicação, etc. São
trabalhos desafiantes e todas as competências serão demandadas. Mas, sem dúvida, a
demanda prioritária é a de gestão. Entender
os objetivos, analisar o contexto e propor soluções. O Brasil é muito grande, e essa é a
nossa oportunidade de alavancar o desenvolvimento. Temos de mudar as queixas e reclamações para ações e soluções.
Especial
DNews
DNews -- Dezembro
Dezembro ll 2012
2012
O medo da bolha imobiliária¹
O mercado imobiliário gera paixões. Para
muitos, a compra de um imóvel é a decisão
financeira mais importante da vida. Para investidores, é um potencial de lucros às vezes
fantásticos. Para o país, um poderoso motor
de crescimento e geração de empregos.
Desde 2008, venho refutando alegações de que
o Brasil tem uma bolha imobiliária prestes a
estourar. De lá para cá, os preços dos imóveis
dobraram, triplicaram ou subiram ainda mais.
Impressionado com o ritmo da atividade imobiliária e com a forte elevação dos preços, resolvi atualizar meus estudos sobre o assunto
para checar minhas conclusões. Analisei as
bolhas imobiliárias de todos os países para
os quais consegui dados desde 1900. Ignorei
apenas bolhas imobiliárias regionais como,
por exemplo, a causada pela busca do ouro
no Oeste americano.
Algumas conclusões saltam aos olhos. Primeiro, bolhas imobiliárias costumam envolver
forte atividade de construção. Para tornar os
dados de construção comparáveis entre diferentes países e períodos, analisei o consumo
anual de cimento, per capita, em cada país no
ano em que a bolha estourou. Não encontrei
nenhum estouro de bolha com consumo anual
de cimento inferior a 400 Kg per capita. Na Espanha, passou de 1.200 Kg e há casos, como na
China atual, de consumo ainda superior, 1.600
Kg, sem estouro de bolha. No Brasil, minha estimativa é de que hoje estamos em 349 Kg.
Segundo, uma bolha imobiliária sempre se
caracteriza por preços muito elevados em relação à capacidade de pagamento das pessoas.
Considerando-se quantos anos de salários são
necessários para comprar um imóvel de preço
médio nas principais cidades do mundo, nenhuma cidade brasileira está hoje entre as 20 mais
caras. Por outro lado, Brasília, Rio de Janeiro,
Salvador e Balneário Camboriú estão entre as
100 mais caras. Entretanto, mesmo por esse
parâmetro, Brasília, a mais cara do país, ainda
é duas vezes e meia mais barata do que Rabat,
no Marrocos, a mais cara do mundo.
O ar que infla qualquer bolha de investimento,
imobiliária ou não, é sempre uma abundante
oferta de crédito. Ela possibilita que investidores comprem algo que não poderiam apenas
com suas rendas. Todas as bolhas imobiliárias
que encontrei estouraram quando o total do
crédito imobiliário superava 50% do PIB e, em
alguns casos, passava de 130% do PIB. Nos EUA,
Foto: Ricardo Côrrea
* Ricardo Amorim
em 2006, um ano antes de os preços começarem a cair, era de 79% do PIB. No Brasil, apesar
de todo o crescimento dos últimos anos, esse
número é hoje de 5% do PIB.
Aliás, é sempre uma súbita ruptura na oferta de crédito, normalmente associada a uma
forte elevação do custo desse crédito, que
faz com que bolhas estourem. No Brasil está
acontecendo exatamente o contrário. O crédi-
“Todas as bolhas
imobiliárias que
encontrei estouraram
quando o total do crédito
imobiliário superava
50% do PIB e, em alguns
casos, passava de 130%
do PIB. Nos EUA, em
2006, um ano antes dos
preços começarem a
cair, era de 79% do PIB.
No Brasil, apesar de todo
crescimento dos últimos
anos, este número é
hoje de 5% do PIB
”
to imobiliário está em expansão e o seu custo
em queda. Por tudo que pesquisei, concluo
que é bastante improvável que haja um estouro de bolha imobiliária no Brasil, pelo menos em breve. Se você vem adiando o sonho
da casa própria por esse medo, relaxe.
Então os preços dos imóveis continuarão subindo no ritmo dos últimos anos? Dificilmente.
Os preços atuais já estão mais elevados; em
casos específicos, até altos para padrões internacionais. O mais provável, são altas mais
modestas, às vezes bem mais modestas. Em
alguns casos, até pequenos ajustes de preços
para baixo são possíveis e salutares. São exatamente eles que garantiriam que bolhas não
estourem em um futuro mais distante.
“Por tudo que
pesquisei, concluo que
é bastante improvável
que haja um estouro
de bolha imobiliária
no Brasil, pelo menos
em breve. Se você vem
adiando o sonho da
casa própria por este
medo, relaxe
”
(1) Artigo originalmente publicado na edição de
julho da Revista Istoé..
* Ricardo Amorim é economista, consultor, apresentador do programa Manhattan Connection da
Globonews, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria. Realiza palestras em
todo o mundo sobre perspectivas econômicas
e oportunidades em diversos setores. É o único
brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do site inglês Speakers Corner, além de economista mais influente
do Brasil e um dos dez mais influentes do mundo,
segundo o site americano klout.com.
4
Destaque Dasein
DNews - Dezembro l 2012
Você não será um campeão se for um ‘chorão’
O título acima foi parafraseado do grande ícone da literatura sobre vendas, o
excêntrico americano Jeffrey Gitomer. Ao
ler seus livros e artigos, Gitomer me faz
recordar os ensinamentos de meu pai,
que sempre me diz: “Pare de reclamar.
Isso não resolve nada. Vá lá e faça o que
precisa ser feito”. Sábios conselhos que
sempre me guiaram para as conquistas
alcançadas até hoje.
Waldez Ludwig, em uma de suas brilhantes
explanações na TV Cultura, aconselhou aos
profissionais que ficam se lamentando por
julgarem que não recebem um salário condizente com sua atividade a trabalhar ainda com mais afinco e mostrar todo o seu
potencial. Ludwig dá o exemplo do jogador
de futebol em início de carreira, que recebe um salário mínimo do clube. “Mesmo
assim o jogador recém-contratado não sai
fazendo gol contra, muito pelo contrário:
ele mostra seu talento, sua capacidade,
para que futuramente seja visto por algum
olheiro e daí sim venha a fazer grandes
contratos”, destaca Ludwig.
Se fizermos um paralelo com as crises pelas quais passamos e aquela que se desponta na Europa, podemos mudar o personagem, mas não a atitude. Aqui, o jogador
recém-contratado passa a ser o próprio
funcionário ou o empresário que reclamam
do momento difícil e cruzam os braços,
aguardando a intervenção divina ou, pior,
colocando a culpa nos outros. Abro um parêntese para citar uma frase que me guia
diariamente e se ajusta como uma luva ao
momento em que discorremos este texto:
“Você pode perder várias vezes na vida, mas
só será realmente um fracassado quando
começar a colocar a culpa nos outros”.
Todos nós sabemos que, após a tempestade, sempre vem o bom tempo - e que o contrário é verdadeiro. Se estivermos à frente de empresas que dependam de nossa
competência, precisamos ter consciência
de que isso faz parte do jogo. Como diria o
conhecido comentarista esportivo: “A regra
é clara”. Precisamos entender que não conseguimos mudar a direção e a intensidade
dos ventos, mas podemos ajustar as velas
e seguir navegando, firmes em direção ao
rumo certo, ao destino que traçamos, e, acima de tudo, deixar de lado o pessimismo e
enxergar as coisas pelo ângulo da oportuni-
Foto: Divulgação
* Robson Niering
dade. Isso é fundamental para o sucesso de
qualquer organização.
Um fórum de marketing do qual participei
contou com a ilustre presença de Philip
Kotler, o papa do marketing. Na ocasião,
Kotler falou sobre as crises, mas deixou
muito claro que são nesses momentos que
precisamos focar nas oportunidades, e não
na recessão. Ele enfatizou que é na hora da
crise e da dificuldade que necessitamos
pensar grande e tirar proveito das oportunidades. O Brasil é um exemplo de superação, basta analisarmos o histórico do país.
Vamos perceber que os momentos críticos
fazem parte do nosso portfólio de mutação,
ou seja, o brasileiro está apto a sair de crises sempre mais forte do que antes.
Em uma edição da revista Exame, li uma
reportagem que apresentava uma pesquisa realizada com os participantes de um
seminário em São Paulo. Ela apontou que
17% deles acham que os planos de investimentos de suas empresas estão sendo ampliados, enquanto 23% acreditam
que as companhias estão reduzindo os
investimentos. Para 60% deles, os recur-
“Precisamos entender
que não conseguimos
mudar a direção e a
intensidade dos ventos,
mas podemos ajustar
as velas e seguir
navegando, firmes
em direção ao rumo
certo, ao destino que
traçamos, e, acima de
tudo, deixar de lado o
pessimismo e enxergar
as coisas pelo ângulo
da oportunidade
”
sos continuam os mesmos. Essa mesma
reportagem apontava que, em períodos
turbulentos, empresas que mantiveram e/
ou aumentaram suas verbas de marketing
ganharam novos mercados, superaram
suas vendas e se tornaram mais sólidas
quando a economia voltou a girar. Empresários de sucesso utilizam os períodos de
crise para fortalecer suas marcas e ganhar uma fatia significativa de mercado,
enquanto seus concorrentes diminuem
ou até mesmo cortam os investimentos de
marketing. E o consumidor, seja ele atuante no mercado B2C ou B2B, percebe isso
claramente e muda de marca.
É fato que o marketing e as estratégias
globais de gerenciamento, antes de mais
nada, são questões culturais. Mas há que
se considerar a necessidade de quebrar
paradigmas e trabalhar acima dessa linha, fomentando, acima de tudo, a crença
de que a inovação e a criatividade exercem papel fundamental no desempenho
das empresas, mesmo em meio às crises
e dificuldades que vivemos diariamente.
É necessário ter um olhar mais apurado
e transformar o marketing em uma ferramenta estratégica de solidificação e
crescimento. Como diria meu pai: pare de
reclamar e faça o que precisa ser feito.
Seja um campeão.
* Robson Niering é coordenador de Marketing do
Grupo RUST & RESINAR e pós-graduado MBA em
Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
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Tendência
DNews - Dezembro l 2012
O desafio da mudança
Sempre tive uma inquietação com o status
quo. Por que não fazer diferente? Por que
não vamos por ali? Por que não mudar? É
alterando as perguntas, as respostas, os caminhos, que nos transformamos em pessoas, empresas, marcas, produtos e serviços
melhores. Para mim, a mudança sempre foi
presente e acabou se transformando em rotina. Mas o cenário mudou depois de 12 anos
de carreira, em especial dos seis últimos à
frente do portal Mundo do Marketing.
Mudar, agora, está mais difícil. Começo a
entender um pouco as multinacionais e as
empresas grandes e centenárias. Porém,
não há uma regra. Há diversos casos que
mostram que a consistência leva ao sucesso – acredito muito nessa filosofia de gestão.
O que não significa abrir mão da mudança.
Bem-sucedida é a empresa que se reinventa
a cada dia para continuar sendo a mesma.
Coca-Cola e Louis Vuitton são exemplos.
“ Poucos têm a
astúcia de um jovem
e a coragem de um
empreendedor.
Convencer líderes
calejados, e muitas
vezes refratários à
mudança, é difícil. ‘Para
que mudar se sempre
foi assim e deu certo?’
Alterar um processo
requer paciência
e, sobretudo,
persistência
”
Foto: Divulgação
* Bruno Mello
Por outro lado, também existem casos de mudanças abruptas que levaram ao sucesso. São
casos de reposicionamento, como o da Havaianas. A regra mais implacável, no entanto,
é aquela em que a empresa parada no tempo
fica para contar história. Para elas, deixar de se
mexer custou a vida. Algumas tiveram erros de
gestão, fraude. Mas a imensa maioria, na verdade, carece de um ambiente propício à mudança.
“Tenho a consciência
e busco diariamente
seguir a célebre frase de
Albert Einstein: ‘Não há
maior sinal de loucura
do que fazer uma coisa
repetidamente do
mesmo jeito e esperar
a cada vez um
resultado diferente’
”
Mudar requer persistência
É um grande desafio criar essa atmosfera,
que também está suscetível ao erro. Ninguém
quer colocar a sua cabeça na guilhotina. Poucos têm a astúcia de um jovem e a coragem
de um empreendedor. Convencer líderes
calejados, e muitas vezes refratários à mudança, é difícil. “Para que mudar se sempre
foi assim e deu certo?” Alterar um processo
requer paciência e sobretudo persistência.
Quanto maior ou mais tempo a empresa e
seus profissionais têm, maior é a dificuldade
de pensar no novo e de agir para uma nova
rota. Estamos muitos assoberbados com a
rotina do dia a dia. Apagamos incêndios diariamente. O planejamento de médio e longo
prazo foi atropelado pelas metas trimestrais.
Construir algo está se restringindo apenas às
empresas mais inovadoras, como a Apple ou
mesmo a brasileira Tecnisa.
Entre as pioneiras, tem crescido o volume de
investimento destinado à inovação. Seja em
produto, serviço ou em comunicação, como faz
a filial nacional da Fiat. Parte de sua verba de
marketing é destinada a projetos inovadores. É
assim também, já há algum tempo, na Coca-Cola. Para mudar, no entanto, não existe receita.
Eu mesmo, acostumado a mudanças, tenho
confessado a amigos mais próximos que estou
um pouco cansado de tanta mudança. Há de se
notar que todas foram fundamentais em minha
jornada, algumas planejadas, outras desejadas,
umas necessárias, mas todas bem-sucedidas:
seja porque deram certo, seja porque deram
errado e me propiciaram aprendizado. Ao mesmo tempo, tenho a consciência e busco diariamente seguir a célebre frase de Albert Einstein:
“Não há maior sinal de loucura do que fazer
uma coisa repetidamente do mesmo jeito e esperar a cada vez um resultado diferente”.
* Bruno Mello é formado em Jornalismo pela FACHA e
com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ. Trabalhou no Jornal de Turismo, na Rádio Carioca cobrindo
economia, em sites e revista sobre automobilismo e
no site da TVE Brasil, hoje TV Brasil. Fez Planejamento
de Comunicação e Assessoria de Imprensa para ONG,
para piloto de Stock Car e para a Organização Hélio
Alonso de Educação e Cultura. É editor executivo do
portal Mundo do Marketing.
A Dasein Executive Search é membro da Association of Executive Search Consultants (AESC), a principal associação
mundial para a profissão de executive search, presente em 74 países. Como uma empresa membro da AESC, a Dasein
está comprometida com os altos padrões internacionais de prática profissional. www.aesc.org
6
Dasein na Mídia
DNews - Dezembro l 2012
No dia 21 de novembro, o repórter Leonardo Francia, do jornal Diário do Comércio, fez uma matéria especial destacando as propostas de Paulo Ângelo
de Souza, candidato à presidência da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Entre outras coisas,
o executivo, que é conselheiro da Dasein e presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), defendeu que o país não pode ter uma Bolsa
de Valores tão acanhada e que é preciso resgatar valores como ética e dignidade. Leia a matéria abaixo:
Mineiro é candidato à presidência da Apimec
Paulo Ângelo de Souza, conselheiro da Dasein e presidente do IMMC,
defende maior integração das entidades do setor
“O país não pode ter
uma Bolsa de Valores
acanhada, com 400
empresas listadas,
o que é pouco
comparado a outras
bolsas mundiais,
apesar de a Bovespa
ter um alto valor
de mercado
”
Segundo ele, a quebra do banco nova-iorquino Lehman Brothers, em setembro de 2008,
que levou à crise econômica mundial durante
2009, e as atuais crises financeiras na Europa
e nos Estados Unidos afastaram a confiança
dos investidores no mercado de capitais, que
passa por um período de estagnação.
No Brasil, continua Paulo, que também é
presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), cujo objetivo é promover e estimular a entrada de empresas
mineiras no mercado de capitais, ainda há
espaço para a entrada de investidores no
segmento. “O país não pode ter uma Bolsa
de Valores acanhada, com 400 empresas
Foto: David Braga
Começar a formar poupança de longo prazo
no país por meio do mercado de capitais e
fortalecer a integração de entidades ligadas ao setor. É com esse pensamento que o
candidato à presidência da Associação dos
Analistas e Profissionais de Investimento do
Mercado de Capitais (Apimec) da Chapa Integração, Paulo Ângelo Carvalho de Souza,
pretende atrair investidores e empresas
para fazer operações na Bolsa de Valores.
“Nosso objetivo é
unir forças para
não ficarmos reféns
de São Paulo,
mas também sem
excluir este Estado
importante das
decisões de estímulo
ao segmento
”
listadas, o que é pouco comparado a outras
bolsas mundiais, apesar de a Bovespa ter
um alto valor de mercado”, afirma.
E o objetivo, uma vez à frente da Apimec, é
implantar uma direção plural, capaz de integrar todas as regionais da Apimec para incentivar as empresas a ingressarem no mercado de capitais. “Por isso o nome da chapa
é ‘Integração’. Formamos um grupo forte,
com analistas de todo o Brasil reunidos com
o objetivo de unir forças para não ficarmos
reféns de São Paulo, mas também sem excluir esse Estado importante das decisões
de estímulo ao segmento”, explica Paulo.
“Temos que resgatar
valores como a ética
e a dignidade, que
sempre pautaram
as operações
no mercado
de capitais
”
Uma das frentes que deve receber atenção
é o estímulo à formação de poupança tanto
a pública quanto a privada, que ainda é baixa. A ideia é que, a partir do crescimento
da poupança, a oferta de capitais de longo
prazo também aumentaria, e esse dinheiro
poderia ser redirecionado para economia
através do mercado de capitais.
Educação - Outra área que deve receber
atenção é a implementação de programas
de educação continuada junto a analistas,
investidores e universidades. “Temos de
resgatar valores como a ética e a dignidade, que sempre pautaram as operações no
mercado de capitais”, acrescenta Paulo.
O executivo revela também que os integrantes da chapa definiram três pilares
estratégicos de diretrizes que serão incorporados ao programa de gestão: a instituição de um Plano Diretor Dinâmico do
Mercado de Capitais, a instituição de um
Programa Educacional para o Mercado de
Capitais e a criação de um processo permanente, sistemático e sistematizado, de
estímulo às boas práticas de mercado e
de governança.
7
DNews - Dezembro l 2012
Não perca tempo, acesse
e faça parte das mídias sociais da Dasein:
>>
http://twitter.com/dasein_search
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>>
http://www.youtube.com/user/DaseinExecutive
>>
http://br.linkedin.com/in/daseinexecutivesearch
Expediente
Produção Editorial
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Gestão
Dasein Executive Search
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