FUNDAÇÃO PEDRO LEOPOLDO MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO Haroldo Márcio Inês MERCADO IMOBILIÁRIO DE BELO HORIZONTE: Crescimento Sustentado ou Bolha Especulativa? Pedro Leopoldo 2014 Haroldo Márcio Inês MERCADO IMOBILIÁRIO DE BELO HORIZONTE: Crescimento Sustentado ou Bolha Especulativa? Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional em Administração, da Fundação Pedro Leopoldo, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Administração. Área de concentração: Gestão da Inovação e Competitividade. Linha de Marketing Orientador: Locatelli pesquisa: Prof. Pedro Leopoldo 2014 Dr. Competitividade Ronaldo e Lamounier 332.433 I57m INÊS, Haroldo Márcio Mercado imobiliário de Belo Horizonte crescimento sustentável ou bolha especulativa? / Haroldo Márcio Inês. - Pedro Leopoldo : FPL, 2014. 108 p. Dissertação Mestrado Profissional em Administração. Fundação Cultural Dr. Pedro Leopoldo – FPL , Pedro Leopoldo, 2014. Orientador: Prof. Dr. Ronaldo Lamounier Locatelli 1. Mercado Imobiliário Residencial. 2. Crescimento Sustentado. 3. Bolha Especulativa. 4. VEC. I. LOCATELLI, Ronaldo Lamounier, orient. II. Título. CDD: 332.433 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Ficha Catalográfica elaborada por Maria Luiza Diniz Ferreira – CRB6-1590 “Eu acredito na capacidade de se concentrar fortemente em algo, então você é capaz de extrair ainda mais disso. Tem sido assim toda a minha vida, e foi só uma questão de melhorar isso e aprender mais e mais e praticamente não há um fim. Conforme você avança, você continua encontrando mais e mais. É muito interessante, é fascinante”. Ayrton Senna “Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio o previne.” Albert Einstein “Todas as adversidades que eu tive na minha vida, todos os meus problemas e obstáculos, fortaleceramme...” Walt Disney AGRADECIMENTOS Primeiramente, a Deus, por permitir que conseguisse superar mais este grande desafio. Agradeço por me dar forças para seguir em frente nos momentos de desânimo, iluminar meus passos para as tomadas de decisões e por colocar em minha vida pessoas que me apoiassem e me dessem força para chegar até aqui. Aos meus pais, que me ensinaram, com todas as dificuldades existentes, que o estudo sempre era o caminho a ser seguido. A minha esposa Sandra, pelo apoio incondicional e por compreender a minha ausência em momentos tão necessários como a criação de nosso filho. A meu filho TIAGO EMANUEL, que tanto esperou o papai chegar da aula para jogar futebol e, mesmo que eu chegasse tarde, cansado, sempre vinha correndo de braços abertos para me dar um forte abraço. Você não faz ideia do quanto me motivou. Ao corpo docente do Mestrado Profissional em Administração da FPL, não me esquecendo dos demais funcionários, sempre solícitos com os discentes. A Srta. Thaize Vieira, Coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento do IPEAD-MG, que, muito solícita, contribuiu de forma decisiva para a elaboração deste trabalho. Por fim, a todos aqueles que não mencionei, mas que colaboraram para esta pesquisa e por compreenderem minhas dificuldades e até minha ausência: um forte abraço a todos! AGRADECIMENTO ESPECIAL Ao meu Orientador, Prof. Dr. Ronaldo Lamounier Locatelli: pela segurança no processo de orientação; pelo conhecimento compartilhado; pela atenção e pelo tempo a mim dedicados; pela paciência de indicar o caminho correto. Valeu muito a pena trabalhar com você!!! Muito Obrigado! RESUMO Esta dissertação teve como objetivo analisar o comportamento do mercado imobiliário na cidade de Belo Horizonte, e investigar se o padrão pode ser caracterizado como de crescimento sustentado, em linha com os bons fundamentos econômicos, ou se há indícios de ativos inflacionados e presença de bolha especulativa. Adotou-se neste estudo a interpretação de que uma bolha decorre de um aumento no valor de um ativo por um determinado período de tempo, o suficiente para levar os agentes a acreditarem que esse crescimento será contínuo e/ou permanente. Esta situação é seguida de uma queda abrupta dos preços em um curto espaço de tempo, sem, contudo, haver alguma alteração nos fundamentos que justifiquem sequer a valorização ou desvalorização. A análise foi conduzida para o segmento de imóveis residenciais, baseando-se, fundamentalmente, no índice preço-aluguel e nas relações de causalidade entre estas variáveis. Foi possível identificar ciclos no mercado imobiliário de Belo Horizonte, bastante distintos do que ocorreu nos mercados dos países desenvolvidos, onde foi presenciada a ocorrência de uma bolha especulativa com estouro em 2008. O comportamento distinto nestes mercados relaciona-se à condução da política econômica no país, caracterizada pelas altas taxas de juros e práticas bancárias mais regulamentadas com menor alavancagem do sistema financeiro. Entretanto, evidências extraídas do indicador preço/aluguel e dos testes de causalidade preço-aluguel-preço sugerem um mercado imobiliário inflacionado, de tal forma que a continuidade da elevação do preço dos imóveis afigura-se como improvável. Caso esse movimento de alta persista, ele certamente dará ensejo a uma bolha especulativa, cuja derrocada poderá provocar grandes transtornos econômicos e graves consequências individuais. Palavras-chave: Mercado Imobiliário Residencial. Crescimento Sustentado. Bolha Especulativa. VEC. ABSTRACT This thesis aims to analyze the behavior of the real estate market in the city of Belo Horizonte, and investigate whether the pattern can be characterized as sustained growth, in line with good economic fundamentals, or if there is evidence of inflated assets and the presence of a speculative bubble . Was adopted in this study to the interpretation that a bubble comes from an increase in value of an asset for a specified period of time, enough to take the officers to believe that growth will be continued and / or permanent. This is followed by a sharp fall in prices in a short space of time, without, however, be some change in the fundamentals that even justify the appreciation or depreciation. The analysis was conducted for the segment of residential properties, based primarily on price-rent ratio and the causal relationships between these variables. It was possible to identify the cycles, quite different from what happened in the markets of developed countries, where the occurrence was witnessed of a speculative bubble to burst in 2008. The different behavior in these relates to the conduct of economic policy in real estate markets in Belo Horizonte country, characterized by high interest rates and more with less regulated financial system leverage banking practices. However, evidence taken from the indicator price / rent and price-causality tests suggest rental price an inflated real estate market, such that the continued rise in the price of real estate as it seems unlikely. If this upward movement continues, it will certainly give rise to a speculative bubble, whose collapse could cause major economic disruption and serious individual consequences. . Keywords: Residential Real Estate Market. Sustained growth. Speculative Bubble. VEC. LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 Volume de recursos do SBPE ......................................................................... 43 (em R$ Milhões) ....................................................................................................................... 43 GRÁFICO 2 Criação e consolidação do SFH: 1964 - 1980 ................................................. 44 (em R$ Bilhões) ........................................................................................................................ 44 GRÁFICO 3 Desestruturação do SFH: 1981 - 1994 ............................................................ 44 (em R$ Bilhões) ........................................................................................................................ 44 GRÁFICO 4 Reestruturação do SFH: 1995 - 2012 .............................................................. 45 (em R$ Bilhões) ........................................................................................................................ 45 GRÁFICO 5 Volume de financiamento imobiliário: 1995 - 2011 ....................................... 46 (SBPE e FGTS em Bilhões) ..................................................................................................... 46 GRÁFICO 6 Crédito imobiliário / PIB: 2001 - 2012 ........................................................... 47 (em %) ...................................................................................................................................... 47 GRÁFICO 7 Variação do preço de venda e da quantidade ofertada: imóveis residenciais em Belo Horizonte .......................................................................................................................... 62 (Base: julho de 1994 =100) ...................................................................................................... 62 Gráfico 08 Índice preço-aluguel e Índice Preço Lucro ........................................................ 65 GRÁFICO 9 Índice preço-aluguel: mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte: dez. 1998 – set. 2013. ....................................................................................................................... 66 GRÁFICO 10 – Evolução do índice preço x aluguel – 2º mandato FHC ................................ 69 GRÁFICO 11 – Evolução do índice preço x aluguel – 1º mandato Lula ................................. 71 GRÁFICO 12 – Evolução do índice preço x aluguel – 2º mandato Lula ................................. 71 GRÁFICO 13 – Evolução do índice preço x aluguel – Governo Dilma .................................. 72 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Participação do crédito / PIB (%) em vários países ........................................... 48 TABELA 2 – Evolução dos preços de vendas e quantidade ofertada de imóveis.................... 61 residenciais de Belo Horizonte: 1996-2013 ............................................................................. 61 TABELA 3 – Evolução dos preços de vendas e INCC ............................................................ 63 TABELA 4 – Evolução dos Alugueis e Poupança ................................................................... 64 TABELA 5 – Índice preço-aluguel: imóveis residenciais de Belo Horizonte: 1998-2013 ...... 67 TABELA 6 – Teste de Raiz Unitária (Dickey-Fuller Aumentado) para as séries de preços dos imóveis e dos alugueis .............................................................................................................. 73 TABELA 7 Teste de Cointegração de Johansen entre preços e alugueis de imóveis .......... 74 TABELA 8 VAR para a seleção da estrutura de defasagem: ............................................... 75 Variáveis endógenas – preços dos imóveis e alugueis ............................................................. 75 TABELA 9 Relação entre alugueis e preços dos imóveis: variável dependente D(PR) ...... 76 TABELA 10 Relação entre preços dos imóveis e alugueis: variável dependente D(A) ...... 77 TABELA 11 Teste de Wald: efeitos de curto prazo dos preços dos imóveis para alugueis 78 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABECIP ADF AIC BACEN BNH CEF CEMAP CRI FCVS FED FGTS FGV Iag INCC IPEA IPEAD LCI LH PCR PES PES-CP PIB RTA SBPE SCI SFH SFI VAR VEC VPL - Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança Teste aumentado de Dickey-Fuller Akaike Information Criterion Banco Central do Brasil Banco Nacional da Habitação Caixa Econômica Federal Centro de Macroeconomia Aplicada Certificado de Recebíveis Imobiliários Fundo de Compensação das Variações Salariais Federal Reserve Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Getúlio Vargas Estrutura de defasagem Índice Nacional de Construção Civil Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas Letras de Crédito Imobiliário Letras Hipotecárias Plano de Comprometimento de Renda Plano de Equivalência Salarial Plano de Equivalência Salarial por Categoria Profissional Produto Interno Bruto Retornos totais dos acionistas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sociedades de Crédito Imobiliário Sistema Financeiro Nacional Sistema de Financiamento Imobiliário Modelo de autorregressão vetorial Vector of Error Correction Valor presente líquido SUMÁRIO 1 Introdução .............................................................................................................................. 12 1.1 Contextualização da pesquisa ......................................................................................... 12 1.2 Objetivos......................................................................................................................... 14 1.3 Justificativas e estrutura da dissertação .......................................................................... 15 2 Referencial teórico ................................................................................................................. 17 2.1 Análise fundamentalista do preço justo .......................................................................... 17 2.2 Minsky e a teoria geral das crises financeiras ................................................................ 19 2.3 Bolhas: definições e causas ............................................................................................ 21 2.4 Os ciclos do mercado imobiliário ................................................................................... 24 2.4.1 A bolha imobiliária de 2008 .................................................................................... 28 2.4.2 Discussões sobre bolha imobiliária no Brasil .......................................................... 31 3 O crédito imobiliário no Brasil .............................................................................................. 37 3.1 O Sistema Financeiro da Habitação ............................................................................... 38 3.2 O Sistema de Financiamento Imobiliário ....................................................................... 40 3.3 A evolução do financiamento imobiliário no Brasil ....................................................... 43 4 Metodologia ........................................................................................................................... 50 4.1 Caracterização da pesquisa ............................................................................................. 50 4.2 Procedimentos metodológicos ........................................................................................ 51 4.2.1 Modelos de análise .................................................................................................. 51 4.2.2 Unidade de análise e fonte de dados........................................................................ 58 5 Análises de resultados ........................................................................................................... 60 5.1 O comportamento do mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte .................... 60 5.1.1 Preço de venda e quantidade ofertada ..................................................................... 60 5.1.2 Aluguel e renda fixa ................................................................................................ 64 5.2 O índice preço-aluguel.................................................................................................... 64 5.2.1 Os ciclos políticos e o índice preço-aluguel ............................................................ 68 5.2.1.1 O governo FHC e a crise de 2000/2001 ........................................................... 69 5.2.1.2 Os governos Lula e Dilma – desconfiança inicial, acomodação e elevação do índice preço-aluguel ..................................................................................................... 70 5.3 Análise de causalidade entre os preços dos imóveis e os alugueis ................................. 73 5.3.1 O Teste de cointegração das séries .......................................................................... 73 5.3.2 Os efeitos dos alugueis sobre os preços dos imóveis .............................................. 75 5.3.3 Os efeitos dos preços dos imóveis sobre os alugueis .............................................. 76 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 79 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 83 APÊNDICE .............................................................................................................................. 86 12 1 INTRODUÇÃO Devido à recente crise financeira mundial de 2008 que teve origem no mercado imobiliário, decorrente da especulação de ativos e securitização de hipotecas de alto risco (subprime), existe uma forte discussão se há uma bolha imobiliária no mercado brasileiro. Em caso dessa existência, presume-se que os valores dos imóveis não se sustentarão no longo prazo, podendo ocasionar grandes perdas financeiras para os investidores desse mercado e graves dificuldades financeiras nas construtoras, o que poderia desencadear um efeito perverso sobre fornecedores, clientes, mão de obra e o mercado como um todo. 1.1 Contextualização da pesquisa Estudos realizados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (SINDUSCON-MG), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD/UFMG), em 2010, no que diz respeito ao mercado de Belo Horizonte, revelam que o mercado imobiliário experimentou, desde 1995, grande valorização. Os imóveis se valorizaram a níveis jamais vistos, levando construtoras a investirem consideravelmente em lançamentos de novas plantas e na diversificação da oferta de imóveis, seja de padrão luxo, intermediário ou voltado para a classe de baixa renda. Este último segmento de mercado foi impulsionado ainda mais pelo programa de desenvolvimento habitacional do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”. Há interpretações distintas sobre a existência ou não dessa bolha imobiliária no país por parte de economistas e analistas de mercado. Acompanhamentos feitos em diversas reportagens e artigos especializados em análise de conjuntura econômica, como Revista Exame, Jornal Valor Econômico, entre outros, comprovam que não existe um consenso entre os especialistas na existência (ou não), de fato, de uma bolha imobiliária. 13 Contudo, no caso de Belo Horizonte, todas essas conjecturas são formuladas no campo subjetivo, não existindo, até o momento, estudos de bases estatísticas e econométricas analisando a evolução do mercado imobiliário vis-à-vis de outros ativos. Experiências de mercados com abrupta valorização, como ocorridas na Bolsa de Valores Nasdaq, em 2001, referente aos ativos intitulados “.com”, e os subprime de 2008, revelam que os agentes econômicos exibem comportamentos de manada, criando bolhas que culminam com grande desvalorização dos ativos e perdas patrimoniais. Nessas circunstâncias, o aumento abrupto de preços de determinado bem gera preocupações nas autoridades governamentais devido à possibilidade de formação de bolhas, cujo estouro, desencadeia uma forte queda nos preços causando situações adversas para a economia como um todo, trazendo recessão econômica, desemprego e redução na renda. Esta dissertação, que se direciona ao mercado imobiliário, analisará a possibilidade de existência dessa bolha no município de Belo Horizonte. Será empregado um indicador, em analogia ao Índice Preço/Lucro, que é utilizado com muita frequência por analistas do mercado de ações. Essa análise sob a óptica do índice preço/aluguel foi utilizada por Krugman (2009), Prêmio Nobel de economia, para explicar a origem da crise financeira internacional recente. Crise essa, segundo ele, devida a uma conjunção de fatores, dentre eles a política monetária expansionista promovida pelo Federal Reserve (FED), sob o comando de Alan Greespan. Akerlof e Shiller (2010), economistas também laureados com o Prêmio Nobel de Economia, em face da crise do subprime, questionam a sabedoria popular de que ativos reais como imóveis constituem um porto seguro para garantir o patrimônio das famílias. Refletindo sobre o setor, indagam, no caso americano, o sentido de causalidade entre o valor dos imóveis e alugueis. Sabe-se que, no âmbito de uma abordagem fundamentalista, o preço de um bem deve crescer se o retorno 14 proporcionado por esse bem supera o retorno esperado corrigido pelo seu nível de risco. Em analogia ao mercado acionário em que aumentos de dividendos de forma constante provocam elevação no preço das ações, espera-se que, no mercado imobiliário, elevações no valor dos alugueis provoquem valorização dos imóveis. A causalidade dessa forma deveria ser originada de uma elevação dos alugueis para os preços dos imóveis. Uma causalidade inversa pode sugerir movimentos especulativos. O estudo investigará se os imóveis estão inflacionados ou se há espaço para a continuidade das valorizações observada no passado recente. A pergunta norteadora da pesquisa é a seguinte: Existe uma bolha imobiliária no mercado imobiliário de Belo Horizonte? 1.2 Objetivos Esta dissertação almeja alcançar os seguintes objetivos: a) Geral: analisar o mercado imobiliário de Belo Horizonte visando identificar se há uma bolha imobiliária ou se o estágio de crescimento é sustentável. b) Específicos: 1) identificar o retorno proporcionado pelos imóveis analisando a valorização e os retornos proporcionados pelos alugueis destes ativos; 2) construir uma série preço-aluguel capaz de fornecer importantes informações sobre a dinâmica do mercado imobiliário; 3) analisar o sentido da causalidade e identificar se os preços dos imóveis são derivados dos aumentos dos alugueis, ou se os alugueis decorrem de valorização dos imóveis; 15 1.3 Justificativas e estrutura da dissertação Esta dissertação não tem como objetivo prever uma possível pandemia de mercado, mas, sim, oferecer uma análise mais apropriada do comportamento do mercado imobiliário de Belo Horizonte. Constitui-se, assim, uma análise quantitativa sobre o desempenho do setor e reflexões sobre a existência de uma possível bolha especulativa. Esta dissertação se justifica por introduzir uma nova abordagem sobre um assunto muito importante e controverso que é a existência ou não de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro, neste caso, especificamente na cidade de Belo Horizonte. A formação de bolhas em mercados financeiras é motivo de preocupação para as autoridades governamentais, uma vez que investidores e a sociedade como um todo poderão ser afetados pelas consequências de um possível estouro. A partir da quebra da bolsa de valores de Nova York em 1929 e da grande depressão de 1930, várias medidas mitigadoras de risco foram criadas para proteger o mercado de situações, como a aventada nesta dissertação. Entretanto, relaxamentos das políticas monetárias e de supervisão bancária, especialmente nos EUA e na Europa possibilitaram o comportamento caracterizado pelo desejo de aumentar a riqueza de forma rápida, em sintonia com o que John M. Keynes, em sua obra The General Theory of Employment, Interest and Money, de 1936, intitulou como “animal spirit”, que resultou em uma crise sem precedentes no pós-Segunda Guerra Mundial. Assim, esta pesquisa voltada para um mercado imobiliário pode gerar subsídios às autoridades, famílias e incorporadores, para, eventualmente, modificar as políticas em prol da estabilidade. Como predominam em nosso país opiniões e avaliações de caráter subjetivo, acredita-se ser de grande valia para o meio acadêmico e profissional uma análise mais aprofundada sobre o tema. 16 Para alcançar os objetivos propostos, esta dissertação está organizada em cinco capítulos, incluindo esta breve introdução. Neste capítulo, como se observa, são feitas a contextualização do tema e a explicitação da problemática, das justificativas e dos objetivos do estudo. No segundo capítulo, é apresentado o referencial teórico com uma revisão de literatura no que diz respeito ao crescimento sustentado de um setor baseado na análise fundamentalista do preço justo. Apresenta-se, também, uma discussão sobre os ciclos econômicos e financeiros, que podem lançar luzes sobre a dinâmica dos preços dos imóveis e sobre as possibilidades de surgimento e estouro de bolha especulativa. O terceiro capítulo descreve os mecanismos de financiamento do setor imobiliário, caracterizando o sistema de financiamento ao setor e sua evolução. O quarto capítulo é dedicado ao detalhamento da metodologia, caracterizando-se a pesquisa e explicitando-se os procedimentos metodológicos adotados no estudo. O quinto capítulo apresenta a análise dos resultados e suas discussões sobre a existência de bolha especulativa no mercado imobiliário de Belo Horizonte. São apresentadas análises da evolução dos preços dos imóveis e dos alugueis em relação aos custos de construção e de retornos de ativos financeiros. É avaliada a evolução do índice preço-aluguel e realizados vários testes econométricos baseados em séries temporais para balizar considerações sobre a existência ou não de bolhas especulativas. E, finalmente, no sexto capítulo, são apresentadas as considerações finais. 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO Este capítulo aborda conceitos e formulações sobre ciclos de crescimento, especulação e bolha em mercados de ativos financeiros e reais. Eles serão utilizados para fundamentar os modelos de análises que serão adotados nesta dissertação. 2.1 Análise fundamentalista do preço justo De acordo com Damodaran (2009), a análise do valor de um ativo financeiro ou real pode ser feita mediante o emprego de três métodos: 1. Fluxo de caixa descontado; 2. Múltiplos; 3. Opções reais. No caso de um ativo financeiro, o primeiro método se mostra muito adequado. O preço do ativo é explicado pelos seus retornos e pela valorização no decorrer do tempo, conforme indicado na expressão (1). p0 div1 div 2 div3 divn pn n n ..... (1 re) (1 re)² (1 re)³ (1 re) (1 re) (01) Sendo, div1, ...n = dividendos por ação esperado no período t; re = custo do capital que incorpora os riscos do negócio. Quando investidores compram ações de empresas de capital aberto, geralmente esperam obter dois tipos de fluxo de caixa: dividendos durante o período de manutenção da ação e uma previsão de preço ao final desse período. (DAMODARAN, 2009, p.107) 18 Em relação ao segundo método, as análises de valor de uma companhia, podem ser feitas de diversas maneiras. De acordo com Damodaran (2009), os múltiplos de valor da empresa requerem dois inputs: uma estimativa do valor da empresa ou seu ativo operacional no numerador e uma estimativa de receitas, lucros ou valor contábil do ativo no denominador. Existe, também, o método de opções reais, que, de acordo com Antonik (2005, p.38), pode ser utilizado como [...] complemento ao método do valor presente líquido, englobando as diversas opções que um investidor possui antes e durante a aplicação em um projeto, permitindo principalmente uma análise mais precisa de investimentos de longo prazo, nos quais os elementos de incerteza são extremamente relevantes e impactam diretamente a tomada de decisão de investir. A teoria de opções reais, apesar de conceitualmente simples e extremamente útil para a análise de viabilidade de múltiplos cenários e alternativas, envolve a elaboração de modelos matematicamente mais complexos quando comparados com outros métodos usualmente utilizados. Este método aplica-se especialmente em ambiente de muita incerteza, como é o caso de exploração de recursos naturais (petróleo, minas, etc.) e de uso de patentes. No caso específico do mercado imobiliário de residências, é mais recomendável o emprego do método de fluxo de caixa descontado, que relaciona o preço ou valor de mercado dos imóveis aos seus retornos, sendo estes proporcionados por alugueis e valorização desses ativos. 19 2.2 Minsky e a teoria geral das crises financeiras Crises financeiras têm constituído motivo de preocupação, sendo Minsky (1986) o economista que mais avançou na análise das crises financeiras como parte integrante dos ciclos econômicos. De acordo com o autor, a instabilidade de um investimento pode ser determinada pelas expectativas em relação aos lucros futuros. Como um investimento em imóveis traduz uma concepção de retorno em longo prazo, a decisão desse tipo de investimento é tomada sob incerteza, tal como definida por Keynes (1936). Minsky (1982), apud Shostak (2009), sustentava que mesmo na ausência de choques externos, que a economia capitalista tem uma inerente tendência ao desenvolvimento de instabilidades, as quais culminam em severas crises econômicas. É sabido que grande parte dos imóveis é adquirida por meio de linhas de financiamento habitacional, disponibilizadas pelos bancos públicos e privados, e fomentadas ainda mais com as políticas de desenvolvimento econômico e social de governo. Pensando no investidor em imóveis, que contrai um empréstimo para tal, vale citar novamente Shostak (2009), que destaca que Minsk faz uma distinção entre três tipos de tomadores de empréstimos, em uma analogia com o setor imobiliário, no qual o indivíduo é destacado como mutuário. O primeiro tipo é chamado de mutuários hedge, que são aqueles capazes de amortizar todas as parcelas de suas dívidas por meio de seu fluxo de caixa (no caso, os fluxos de caixa seriam os retornos recebidos dos alugueis). O segundo tipo são os mutuários especulativos, que são aqueles que conseguem pagar os juros, mas que precisam rolar constantemente sua dívida para conseguir quitar o empréstimo. Esses mutuários acreditam que, no longo prazo, os recursos 20 (valorização dos imóveis acrescida dos alugueis) excedam os pagamentos assumidos (financiamentos imobiliários). Finalmente, o terceiro grupo de mutuários, rotulado por Minsky como os mutuários Ponzi, não é capaz de pagar nem os juros nem o principal, ou seja, o valor recebido do aluguel é insuficiente para suprir a amortização do financiamento. Tais mutuários dependem da apreciação do valor de seus ativos para poder refinanciar suas dívidas, mas, como, no Brasil, não é comum a prática de várias hipotecas do mesmo imóvel, essa situação torna-se insustentável. Ainda de acordo com Shostak (2009), Minsky argumentou que, em particular, durante um prolongado período de bons tempos, as economias capitalistas tendem a sair de uma estrutura dominada por unidades financeiras hedge e ir para uma estrutura na qual há uma grande predominância de unidades envolvidas em finanças Ponzi e especulativas. Gontijo (2011) destaca que, como resultado do aumento da proporção das finanças especulativas e Ponzi durante o boom, desenvolve-se uma crescente fragilidade financeira, “de forma que acontecimentos inesperados podem desencadear sérias dificuldades financeiras” (MINSKY, 1975, p.11-12 citado por GONTIJO, 2011). Ainda de acordo com MINSKY (1980, p.221, apud GONTIJO, 2011, p.17): o peso do endividamento de curto prazo na estrutura de financiamento dos negócios aumenta, caindo o das disponibilidades de caixa dos portfólios. Há então uma mudança da proporção das unidades com diferentes estruturas financeiras, e a participação das finanças especulativas e Ponzi aumenta. Caso exista a bolha imobiliária, os mutuários Ponzi podem, então, efetuar a venda de seus ativos para liquidar os compromissos assumidos, pois terão a expectativa de não conseguirem honrar os pagamentos. Se ocorrer esse fato, haverá um abrupto decréscimo nos preços dos imóveis, ocasionados pela elevação da oferta, criandose um ciclo vicioso. 21 Essa queda no preço dos imóveis iniciará um processo em que as pessoas não mais farão novos investimentos, o que pode levar os bancos a reduzir a oferta de crédito para esse tipo de financiamento em virtude do risco associado de inadimplência. Com a possível restrição de crédito por parte dos bancos, os mutuários serão levados para o estado falimentar, não conseguindo renegociar suas dívidas, surgindo, desse modo, a crise financeira. Caso não exista essa bolha, pode-se dizer que os investidores do mercado imobiliário são do tipo Hedge. Se há um período de intenso crescimento dos preços do setor imobiliário na cidade de Belo Horizonte, acredita-se que a teoria de Minsky pode ser utilizada para ilustrar a possível crise financeira desse mercado. 2.3 Bolhas: definições e causas Esta dissertação almeja identificar se há uma bolha no mercado imobiliário de Belo Horizonte ou se o estágio de crescimento é sustentável. Assim, esta seção apresenta as definições e os possíveis elementos causadores de bolha. Segundo a interpretação de Garber (2001), em seu livro Famous first bubbles fundamentals of early manias, as bolhas integram a interseção entre finanças, economia e psicologia. De acordo com o autor, as recentes crises dos anos 1990 e seguintes colocaram a psicologia em primeiro lugar, mas as primeiras bolhas foram geradas mais pelos fundamentos de economia e finanças e menos pela psicologia. Stiglitz (1990 citado por MENDONÇA; SACHSIDA, 2012, em estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas IPEA)1, define da melhor forma uma bolha de acordo com a abordagem tradicional. Para ele, o aumento do preço de um ativo decorre apenas da crença de que seu preço de venda será maior no futuro; quando os fundamentos não parecem justificar esse fato, então existe bolha. Nesse 1 Disponível em http://www.ipea.gov.br. 22 caso, a causa básica de movimentos de preços é determinada apenas pela expectativa auto-realizável da própria variação de preços. Um aumento no valor de um ativo por um determinado período de tempo, pode ser suficiente para levar os agentes a acreditarem que esse crescimento será contínuo e/ou permanente. Esse estágio é seguido de uma queda abrupta dos preços em um curto espaço de tempo, sem que não haja qualquer alteração nos fundamentos que justifiquem sequer a valorização ou desvalorização do ativo. Essa desvalorização é acompanhada de um aumento significativo na volatilidade dos ativos analisados, aumentando os riscos percebidos pelos investidores. Kindleberger (2000) define uma bolha como um aumento acentuado do preço de um ativo ou uma gama de ativos em um processo contínuo, com o aumento inicial gerando expectativas de mais aumentos e atraindo novos investidores. A subida é normalmente acompanhada de uma reversão de expectativas e uma queda acentuada nos preços, frequentemente resultando em uma crise financeira. Os economistas financeiros, frequentemente, utilizam o chamado modelo de Gordon para identificar ou determinar o valor fundamental de uma ação. Esse modelo, também conhecido como “crescimento perpétuo”, não considera os ganhos de capital, pois postula que o ganho de capital não incide sobre a avaliação de uma ação. A especificação do preço de determinada ação depende, então, das estimativas dos fluxos futuros de dividendos e do crescimento previsto. Damodaran (2009) destaca que o modelo de crescimento de Gordon associa o valor de uma ação aos seus dividendos esperados, ao custo do patrimônio líquido e à taxa de crescimento esperado em dividendos. (02) em que, DPA = dividendos esperados; Ke = taxa de retorno exigida por investidores em ações; 23 g = taxa de crescimento em dividendos por tempo indeterminado. De acordo com Daher (2010), a partir do momento em que o preço justo de qualquer ativo desvia de seu preço fundamental de mercado, diz-se que existe uma bolha. Ainda de acordo com esse autor, ao se definir o preço fundamental de um ativo, pressupõe-se que o mercado é eficiente e que os agentes possuem expectativas racionais. Um dos axiomas da teoria das expectativas racionais é que os agentes não cometem erros sistemáticos. Nesse sentido, a existência de bolhas impõe uma restrição à ideia de que o mercado age sempre de forma eficiente na alocação dos recursos, pois a formação do preço de um ativo estaria sendo imposta apenas pelas expectativas que se “autorrealizam”, independentemente dos fundamentos de mercado. Nos últimos anos, um grupo de psicólogos e economistas mostra que, em vez da teoria econômica clássica, um novo ramo da economia, chamado de economia comportamental, pode explicar melhor o comportamento dos investidores durante as crises. Essa escola está sendo também chamada de “behavorismo financeiro”. De acordo com Spolador e Mello (2010, p.36), no que diz respeito a crises e bolhas, os adeptos enfatizam dois aspectos que julgam relevantes: No mundo real, os investidores, em vez de seres frios e calculistas, são sujeitos a pânicos, irracionalidades, exuberância exagerada e “comportamento de manadas”. Mesmo aqueles que tentam se guiar pela racionalidade enfrentam problema de confiança, credibilidade e limitação nas garantias reais, que acabam forçando-os ao comportamento de manada. Daher (2010, p.57), analisando a definição de bolhas comportamentais desenvolvidas por outros autores, como Scheinkman e Xiong, em 2003, e Harrison e Kreps, em 1978, conclui que: Quanto maior a diferença de crenças, maior o tamanho das bolhas e menor a frequência de negociação; assim como quanto menor a diferença de crenças, maior a frequência da negociação. Quanto maior o excesso de confiança, mais difícil se torna a negociação, elevando tanto o valor da bolha quanto a volatilidade do componente “opção” e, por conseguinte, a volatilidade do preço da ação. 24 Dessa forma, os autores concluem que os custos de transação não têm efeito sobre a magnitude da bolha nem sobre o excesso de volatilidade, mas tão somente sobre a frequência da negociação. 2.4 Os ciclos do mercado imobiliário Há muitos anos, existe um ditado ou “sabedoria popular” que diz que “quem compra terra não erra”. Essa associação da aquisição de um imóvel para construção de moradia a outros investimentos tem formado o pensamento de que os preços dos imóveis sempre subirão, o que resulta em grandes ganhos aos investidores. Essa interpretação respalda a tomada de decisão de pessoas que, desprovidas de uma análise mais apurada sobre as melhores oportunidades de investimento, fazem do setor uma opção um tanto quanto sedutora. Essa ilusão de que a compra de imóveis, consequentemente investimento no mercado imobiliário, sempre é a melhor escolha, retoma o termo que Keynes (1936) usou para descrever emoções que influenciam o comportamento humano e podem ser medidas em termos de confiança do consumidor. O animal spirit (espírito animal) possui fatores que explicam a opção por esse mercado: confiança e ilusão monetária. Akerlof e Shiller (2010) lembram que, ao fim da última década do século e início dos anos 2000, a ideia de que casas e apartamentos eram investimentos espetaculares conquistou a imaginação do público dos EUA e, também, de muitos outros países. De acordo com os autores, a empolgação exacerbada dos investidores em relação aos imóveis retratava a atuação do espírito animal por toda a parte. Krugman (2009) destaca que os preços dos imóveis nos EUA quase dobraram do período de 1999 a 2006, ano em que se iniciou a desvalorização dos imóveis naquele país. 25 Enquanto durou nos EUA, o crescimento espetacular da valorização dos imóveis ajudou a impulsionar toda a economia por meio de altos investimentos na construção de novas moradias. A geração de postos de trabalho, aumento na arrecadação de impostos e valorização das companhias que atuavam nesse segmento, como as incorporadoras e imobiliárias, que, por sua vez, possuíam ações listadas no mercado acionário, reagiram positivamente a este ciclo expansionista. O aquecimento da economia deu origem ao “efeito riqueza”, pois, quando os preços dos ativos sobem, pessoas e empresas sentem-se mais ricas. Elas passam a gastar mais, ainda que não vendam suas posições e, assim, não tenham o dinheiro em mãos. Só a possibilidade de realizar os ganhos a qualquer momento faz com que os indivíduos sintam-se com mais poder de compra. Muitos, inclusive, endividam-se para sustentar um novo nível de consumo, exatamente o que ocorreu nos EUA e nas economias mais desenvolvidas. Contudo, após a espetacular fase de crescimento, ocorreu o estouro da bolha que desencadeou a maior crise imobiliária vista em todo o mundo, desde a grande depressão de 1930, além de uma crise financeira mundial com consequências catastróficas para quase todos os setores da economia mundial. Os motivos dessa prosperidade e dessa recessão e o que influenciou o pensamento das pessoas são os instrumentos utilizados por Akerlof e Shiller, para explicar os ciclos do mercado imobiliário. A ideia central defendida por Akerlof e Shiller (2010) é de que, em face da valorização do ativo, pessoas começam a investir na compra e influenciam outras famílias e investidores a fazer o mesmo, tanto para uso próprio, quanto para especulação. Contudo, a maioria dos investimentos em imóveis não são feitos com recursos próprios, sendo necessária a contratação de recursos de terceiros, o que caracteriza um comportamento de alavancagem financeira. Esses investimentos alavancados podem acarretar enormes prejuízos na hipótese de queda dos preços dos ativos, 26 destruindo o patrimônio das famílias, dos bancos, das entidades financeiras provedoras de crédito ao setor e dos investidores. É raro, todavia, alguma corrente de pensamento que considere uma queda nesse segmento devido ao espírito animal e à ilusão monetária em relação ao setor, pois os indivíduos são levados a crer que o investimento em imóveis sempre é uma opção segura pelo fato de ser um bem de raiz e supostamente imune a perdas. De acordo com Akerlof e Shiller (2010), pensamentos como esses são típicos das bolhas especulativas, pois os envolvidos não desenvolvem argumentos racionais sobre outras hipóteses de investimento. Segundo os autores, o que caracteriza esta miopia de mercado nos dias atuais é a crença de que existe um crescimento demográfico acentuado, um grande déficit de moradias, o que faz com que a demanda seja muito maior do que a oferta, acarretando, dessa forma, uma expectativa de contínua valorização desse mercado. A ilusão monetária parece explicar, em parte, a impressão de que imóveis são investimentos seguros e espetaculares. Em seu estudo, Akerlof e Shiller (2010) analisaram o crescimento real do PIB dos EUA entre 1929 e 2007 e compararam esse crescimento à valorização dos imóveis. Utilizando a teoria do valor presente, descrita por Ross, Westerfield e Jaffe (2010, p.73) como sendo “um dos conceitos mais importantes em toda a área de finanças”, Akerlof e Shiller identificaram que, apesar de ter sido expressivo, quando se considera o retorno de outros investimentos, o crescimento do valor dos imóveis mostraria o mesmo desempenho. A conclusão foi de que: “Se tudo for precificado de acordo com a teoria do valor presente, não faz diferença se os preços crescerem de acordo com o PIB ou não. Os retornos serão os mesmos de outros investimentos” (AKERLOF; SHILLER, 2010, p.164). Diante dessa conclusão, Akerlof e Shiller (2010) entendem que não existe uma explicação racional que justifique a suposta superioridade do mercado imobiliário em termos de retornos aos investidores. O que existe é uma presunção de que como a 27 terra, consequentemente os imóveis, é escassa, o preço sempre tende a aumentar, o que viabilizaria um investimento nesse mercado. Contudo, o estudo comprova que, em determinados períodos, esse fato ocorre, mas que, no longo prazo, não se sustenta. Outro fator importante para explicar o boom/crise imobiliária nos EUA foi a crise de 2001/2002 do mercado acionário do setor de tecnologia, também conhecida como a crise dos “.com”, que provocou grande perda para famílias, investidores institucionais e bancos de investimento. Ademais, escândalos contábeis em grandes companhias (Enron) com perdas aos investidores difundiram um senso de desconfiança em relação ao mercado de ações e empurraram as pessoas para um setor que se presumia seguro. O aumento contínuo dos preços dos imóveis chamou a atenção para o crescimento desse mercado, e, em 2002, a crise do mercado de ações devida aos escândalos contábeis difundiu um senso de desconfiança em relação ao mercado de ações e de confiança sobre o mercado de imóveis. Esse aumento da confiança trouxe investidores para esse mercado por pura especulação, induzidos por expressões como “flip that house” (compre e venda casas, especule com imóveis, comprando barato e vendendo com lucro ou comprando reformando e vendendo com lucro). A crença de que não existiam indícios da queda dos preços dos imóveis e a necessidade de fomento do crédito para a aquisição de novas moradias, principalmente, para as classes menos favorecidas, fizeram com o que o sistema financeiro dos EUA afrouxasse os critérios para aprovação do crédito. Retomando o estudo de Akerlof e Shiller (2010) sobre a explicação dos ciclos monetários, nenhuma agência reguladora norte-americana proibiu que se agisse daquela maneira com a especulação dos imóveis e o aumento do crédito, portanto, ficava evidente a valorização dos imóveis com correlativos culturais e psicológicos, fatores esses descritos por Keynes em sua definição sobre o espírito animal. Não havendo, assim, explicação racional para o crescimento contínuo desse mercado, estava descrita a existência de ciclos de crescimento. 28 Ressalta-se que as formulações do estudo feito por Akerlof e Shiller (2010) e, também, daqueles conduzidos por Shiller (2000) e Krugman (2009) podem indicar o que se vivencia no Brasil: uma crença de que o imóvel não se desvalorizará, a necessidade de fomento ao crédito para as pessoas de baixa renda (programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo federal) e uma menor exigência, por parte do sistema financeiro habitacional, para a concessão do crédito a classes menos favorecidas. 2.4.1 A bolha imobiliária de 2008 Um dos grandes questionamentos após a formação e estouro de uma bolha, seja ela econômica ou financeira, é qual sua origem, ou quando o “boom” começou. Como esta dissertação se endereça ao tema de bolha especulativa no mercado imobiliário da cidade de Belo Horizonte, é útil analisar a bolha imobiliária dos Estados Unidos do ano de 2008, descrevendo origem e desdobramentos dela. Após o estouro da bolha imobiliária de 2008, muito se discutiu sobre sua origem. Uma das linhas de pensamento mais respeitadas é do economista norte-americano Nouriel Roubini, que, em 2005, afirmou que o preço dos imóveis residenciais surfava uma onda especulativa, que, brevemente, faria afundar a economia norteamericana. De acordo com Roubini e Mihm (2010), a origem do boom imobiliário talvez tenha ocorrido quando as famílias deixaram de negociar os imóveis da maneira tradicional, compra e venda de um bem para sua moradia, e começaram a trabalhar como especuladores do mercado financeiro como se fossem ações negociadas em bolsa de valores. O crescimento de especuladores desse mercado trouxe, desse modo, novos tipos de empresas financeiras que surgiram para negociar os títulos que alguns investidores não qualificados ou desconhecedores do mercado pouco compreendiam. Consequentemente, extensas linhas de crédito foram concedidas aos usuários. 29 Observa-se, então, uma das características marcantes do capitalismo que é a busca incessante pelo ganho de capital. Spolador e Mello (2010) destacam que a ideia de crise financeira está bastante associada ao desenvolvimento do moderno capitalismo. Roubini e Mihm (2010) destacam que, em dado momento, o boom tornou-se uma bolha. A maioria das pessoas, dos grandes bancos ao consumidor comum, assumiam dívidas no máximo de suas possibilidades, apostando na crença duvidosa, mas fascinante, de que os preços só subiriam. Analisando o comportamento do mercado imobiliário, Roubini e Mihm (2010) descrevem um cenário ainda mais aterrador: quando os compradores de casas se tornassem inadimplentes, todo o sistema financeiro global pararia de funcionar rapidamente, já que trilhões de dólares de títulos lastreados pelas hipotecas começariam a vencer. Esse fato ocorreu em 2007, quando dois grandes fundos de hedge extremamente alavancados, administrados pelo Bear Stearns, que haviam investido em títulos lastreados em hipotecas subprime, entraram em colapso, provocando uma debandada para longe de todos os títulos subprime. Quando se percebeu que todo o sistema financeiro mundial estava exposto a hipotecas subprime, o pânico se espalhou. Outros economistas também descreveram a origem e o desenvolvimento da bolha do mercado imobiliário norte-americano, como o economista Robert Shiller, excolega de Roubini da Universidade de Yale, que criou o índice preço-aluguel e comparou esse índice àquele que refletia os preços das ações com a média do lucro por ação na década anterior para ajustar as flutuações de curto prazo nos lucros, em períodos de aceleração/desaceleração da atividade econômica. Krugman (2009) talvez tenha sido o economista que mais propagou os resultados apontados pelo índice de Shiller (2000). Nota-se que a origem das bolhas imobiliárias é decorrente da visão capitalista da busca incessante por resultados financeiros (lucros) de companhias e usuários do 30 mercado financeiro, e, pela característica do mercado, esses indivíduos, ao trabalharem alavancados, estão suscetíveis a grandes crises. [...] os investimentos em imóveis são, tipicamente, alavancados, ou seja, não são feitos exclusivamente com recursos próprios, envolvendo financiamentos e empréstimos. Mas esta característica em si não significa altos retornos. Os investimentos alavancados podem gerar enormes prejuízos se os preços caírem, como os mutuantes hipotecários descobriram na atual crise financeira. (AKERLOF; SHILLER, 2010, p.61) Roubini e Mihm (2010) destacam várias outras crises, como a crise de 1999, na qual o Equador e o Paquistão enfrentaram problemas com sua dívida soberana, enquanto o Brasil passava por uma crise monetária. Segundo o autor a crise da Ucrânia (2000), a da Turquia e da Argentina (2001) foram lastreadas por um ciclo expansionista especulativo e um acúmulo excessivo de dívidas. Ao mesmo tempo em que bancos e outras instituições financeiras emprestavam demais, com garantia e valores duvidosos, governos, empresas e famílias endividavam-se, o que se tornou insustentável, criando dúvida sobre a viabilidade de tais operações financeiras e pânico no mercado. Dessa forma, acredita-se que uma possível prevenção para a formação dessas bolhas e crises no mercado imobiliário seria o crescimento sustentável do mercado, por meio de uma baixa alavancagem financeira, para que, em caso de alguma queda ou recessão do mercado, os usuários estivessem blindados. [...] Com base em longa experiência, sabemos que os compradores de imóveis não devem contrair financiamentos imobiliários cujas prestações estejam acima de sua capacidade financeira, que devem pagar a entrada, com recursos próprios, bastante alto para que o valor da casa, ou seja, o valor de mercado menos o saldo devedor do financiamento, se mantenha positivo, mesmo em caso de leve queda no mercado imobiliário. (KRUGMAN, 2009, p.154). Essa história das bolhas/crises, que há muitos anos ficara esquecida, veio à tona com o agravamento da crise do subprime no final de 2008. Roubini e Mihm (2010) destacam que os pensamentos de notáveis economistas, que há muitos anos passavam no esquecimento, voltaram à tona, como John Maynard Keynes, Joseph Shumpeter, Hyman Minsky, Irving Fisher e Karl Marx. 31 2.4.2 Discussões sobre bolha imobiliária no Brasil Assunto muito debatido nos últimos tempos, a possibilidade de existência de uma bolha imobiliária no país tem ocupado o pensamento de muitos agentes do mercado imobiliário, estudiosos no assunto e pensadores econômicos. Nesta seção, serão abordados as diferentes interpretações sobre a existência ou não de bolhas imobiliárias no país, baseadas em estudos publicados em respeitados institutos de pesquisa e fundações. Ademais, diversas reportagens foram feitas sobre o assunto, contudo, por não possuírem base estatística e econométrica e levarem em consideração apenas elementos subjetivos, não foram incluídas nas referências. Em recente estudo publicado pelo Instituo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), intitulado “Existe bolha no mercado brasileiro?”, Mendonça e Sachsida (2012) se posicionaram a favor da existência de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro. De acordo com os autores, a expansão imobiliária verificada nos últimos anos se deu por diversos motivos. Segundo eles, destacam-se um certo descuido com o controle da inflação; queda da taxa de juros devido aos estímulos promovidos pelo Banco Central, por meio de sua política monetária expansionista com o objetivo de impulsionar o consumo, expansão do crédito; programas governamentais como o “Minha Casa, Minha Vida”; aumento da renda dos trabalhadores gerada pelo crescimento da economia; aquecimento do mercado de trabalho, dentre outros. Em consequência, segundo eles, o preço dos imóveis tem crescido além do que pode ser explicados pelos seus “fundamentos”. Os autores se apoiam no estudo de Lima (2011, p.3), para o qual a evidência de bolha se dá porque “o preço dos imóveis residenciais está acima do seu valor justo”. 32 Segundo Lima o preço justo deve cobrir os custos de produção, bem como conter uma margem para cobertura das incertezas, acrescentando ainda: Com os preços atuais, se contarmos custos, as margens, a estrutura tradicional de funding, com financiamento à produção do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), encontraremos taxas de retorno desequilibradas para a atratividade do real estate, nos padrões reconhecidos no mercado brasileiro. Se os preços estão acima do preço justo, há um valor sem lastro que está sendo comprado pelo mercado nesta conjuntura. (LIMA, 2011, p.3) Os autores analisam diversas metodologias para verificar a existência ou não de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro. De uma maneira geral, os estudos indicam a existência de uma bolha imobiliária, pois a insistência do governo em aquecer ainda mais o mercado imobiliário com políticas governamentais de redução de juros e aumento do crédito, por meio de instituições públicas, em um mercado imobiliário já aquecido pela injeção de capital dos bancos privados, só tende a piorar o resultado final. Esse contexto faz com que as pessoas cometam erros sistemáticos de avaliação do potencial de subida dos preços dos imóveis. Além disso, tais políticas geram uma pressão de aumento na inflação, pois estimulam o consumo, e, sendo a maioria dos contratos de financiamento no Brasil com juros pós-fixados, um futuro aumento na taxa de juros para conter a inflação traria sérios problemas para o mercado imobiliário. Os resultados econométricos indicam que o mercado imobiliário é elástico e responde negativamente a um aumento nas taxas de juros, ou seja, aumentos nas taxas de juros podem trazer significativos problemas ao mercado imobiliário. Esse ponto merece atenção, pois o aumento nas taxas de juros, provocado pelo FED (Federal Reserve), foi justamente o que ocasionou a implosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos no período 2007-2008. Os autores explicam que, se tal cenário acontecer, o impacto não será tão agudo quanto o que ocorreu na crise americana, mas chegam a utilizar em seu texto a palavra “desastre”, de forma a adjetivar um provável estouro da bolha. 33 De acordo com o estudo, a interferência do governo nesse mercado tem apenas prolongado o custo a ser pago em detrimento dessa bolha existente. Para finalizar, o estudo destaca: “A bolha no mercado imobiliário brasileiro está sendo criada e sustentada pelo governo. Quando ela implodir, o governo se proporá a corrigir, de maneira errada, uma crise que ele mesmo gerou.” (LIMA, 2011, p.3) Por outro lado, um recente trabalho de Marçal, Gala e Mori (2012), publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), por meio do Centro de Macroeconomia Aplicada (CEMAP)2, buscou identificar se o crescimento expressivo dos preços dos imóveis no Brasil estaria ocorrendo por mera especulação do setor. O estudo adota uma interpretação distinta daquela oferecida por Mendonça e Sachida (2012) e Lima (2011) e salienta que é pouco provável que o Brasil esteja passando pela formação de uma bolha neste momento, não obstante, os rumores entre os investidores de alguns fundos imobiliários de que a expressiva valorização dos últimos anos não se sustenta. Como se discutiu, as bolhas imobiliárias são subidas insustentáveis de preços no mercado de imóveis, sem base real na demanda dos compradores. Entretanto, de acordo com o estudo de Marçal, Gala e Mori (2012) sustentam que não há indícios da formação de bolha imobiliária no mercado imobiliário de São Paulo. Para sustentar este posicionamento, os professores do CEMAP adotaram a metodologia empregada pela equipe de Peter Phillips, (que é uma referência mundial no tema), aplicando-se ao mercado imobiliário paulista. A metodologia parte da formulação apresentada na seção 2.1 desta dissertação, fluxo de caixa descontado, que permite avaliar o preço do imóvel como qualquer outro ativo. Consequentemente, na ausência de bolhas de preços, o valor de um imóvel pode ser estimado a partir da seguinte fórmula de valor presente: 2 CEMAP, 2012. 34 (03) em que, Pt = preço do imóvel na data de aquisição; rt = custo de oportunidade de aplicar em imóveis; Dt = fluxo de receitas líquidas obtidas a partir da propriedade do imóvel que é dado pelo valor do aluguel ou outras receitas e custos; Et = expectativa condicionada à informação disponível no período t. Comparando-se o valor dos fundamentos dado pelo cálculo do lado direito da equação com o valor observado no mercado, tem-se uma estimativa sobre se determinado ativo está caro ou barato. Ainda de acordo com o estudo, a presença de uma bolha clássica implica a adição de um termo à equação (1) que tem dinâmica explosiva: (04) na qual (05) é o valor de fundamento, e Bt é o termo associado à bolha. Dessa forma, a dinâmica do termo da bolha é dada por: (06) na qual (07) Seguindo esse raciocínio, os preços dos ativos analisados (os imóveis), no caso de existência de bolha, seriam sobrevalorizados, criando uma distância tão expressiva 35 que uma reversão seguida de uma queda abrupta seria inevitável. Logo, uma bolha seria caracterizada por uma crescente valorização dos ativos seguida de um forte ajuste em direção aos fundamentos. Marçal, Gala e Mori (2012), afirmam que, embora a presença do fenômeno bolha não possa ser totalmente descartado, a hipótese mais provável é de que o aumento dos preços imobiliários tenha sido gerado por fatores normais do mercado, associados ao aumento da demanda impulsionada pela facilitação das condições de crédito que se tornaram mais baixas no últimos anos, principalmente pela iniciativa do Governo Federal no setor, com o lançamento do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Além disso, segundo informa o estudo, a queda de juros e o aumento da renda das famílias permitiram acesso mais fácil ao crédito para compra de imóvel. Em relação aos investimentos, outro fator que pode ter impulsionado esses preços é a queda de juros nas aplicações financeiras, que levou os investidores a buscar mais imóveis como destino de investimento. Segundo Marçal, Gala e Mori (2012) estes fatos permitiram um forte aumento da demanda”, e uma vez que a oferta no setor não consegue responder prontamente à tanta demanda, em virtude do tempo necessário para viabilizar novos empreendimentos, o resultado é o encarecimento dos imóveis. Os autores antevêm que um novo patamar sem contínuo aumento como os recentes, seja registrado no país. Em suas palavras “caso não haja bolha no mercado imobiliário brasileiro, espera-se que no futuro próximo ocorra uma consolidação nos preços” (Marçal, Gala e Mori ,2012, p.4). Em suma, de acordo com, o estudo dos professores da FGV, a tendência é de que, em um futuro não distante, haja uma estabilização nos preços dos imóveis dentro de uma nova realidade, livre de aumentos contínuos como os verificados recentemente ou quedas abruptas e intensas como seria esperado no caso de uma bolha clássica. 36 O estudo ressalta, portanto, a necessidade de manter o monitoramento dos preços, a fim de acompanhar se os resultados se assemelham aos níveis de bolha para assim fornecer uma resposta definitiva se existe ou não bolha no Brasil. Pode-se encerrar este capítulo concluindo que não há consenso nos diagnósticos sobre existência de uma bolha imobiliária no país. Contudo, há elementos preocupantes neste mercado, que foram observados na economia americana por Akerlof e Shiller (2010), Shiller (2000) e Krugman (2009), e podem dar origem efetivamente a uma aguda crise: uma crença de que o imóvel não se desvalorizará, o fomento de crédito subsidiado para as pessoas de baixa renda (programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo federal) e uma menor exigência, por parte do sistema financeiro habitacional, para a concessão do crédito a classes menos favorecidas. 37 3 O CRÉDITO IMOBILIÁRIO NO BRASIL Percebe-se pelas discussões anteriores que o mercado imobiliário brasileiro está em processo de expansão, apesar dos ciclos existentes gerados por oscilações na política macroeconômica. Acredita-se que a valorização dos imóveis está relacionada à estabilidade, ao crescimento da renda e, principalmente, ao aumento do volume do crédito imobiliário concedido a pessoas físicas. A estabilização trouxe um maior controle dos gastos das famílias, e uma perspectiva de maior estabilidade de emprego, o que lhes possibilitou ter acesso ao financiamento de longo prazo. Cientes dessa melhor expectativa do mercado de trabalho e da redução gradual das taxas de juros ao longo dos anos, as instituições financeiras perceberam um grande nicho de mercado para alavancar as receitas por meio da carteira de crédito imobiliário, que era explorada com ênfase, até então, somente pela Caixa Econômica Federal (CEF). A diminuição dos juros básicos provoca uma redução das taxas de incremento pelas instituições financeiras, e isso se transforma em um impulso ao crédito imobiliário. O aumento do volume de crédito acarreta uma maior capacidade de compra das famílias e caracteriza a aquisição dos imóveis como uma forma de aumentar o seu patrimônio. Estudo realizado pelo Banco Central do Brasil (BACEN, 2013) indica que o percentual do volume de crédito imobiliário em relação ao PIB ainda é muito baixo se comparado a outros países, o que indica a existência de uma grande margem para o crescimento dessa modalidade de crédito. O governo federal tem criado mecanismos para diminuir o déficit de moradias, via programas sociais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que estimulam o crédito por meio de recursos subsidiados e que serão importantes para aumentar o volume de crédito imobiliário/PIB. 38 3.1 O Sistema Financeiro da Habitação O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi criado devido à necessidade da geração de recursos financeiros para o setor de habitação, em face do aumento contínuo populacional urbano. A criação ocorreu em 1964, na momento da reforma do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que incluía, também, a correção monetária dos contratos para os títulos de interesse social, a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a organização do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). A implantação da correção monetária teve um papel muito importante para o financiamento habitacional, restrito, na época, a poucas transações realizadas pelas Caixas Econômicas e pelos Institutos de Previdência existentes, aos quais poucas pessoas possuíam acesso. A correção permitiu a criação de ferramentas para captação de recursos de longo prazo e também as aplicações em poupança e do FGTS, que fomentam o SFH. “São os recursos captados por estas instituições, notadamente por meio da caderneta de poupança, que, somados aos oriundos do FGTS, viabilizam o programa de investimento gerido pelo SFH.” (FORTUNA, 2010, p.44) Devido ao crescimento observado do nível de emprego e do poder aquisitivo da população (massa salarial), foram criadas as Sociedades de Crédito Imobiliário (SCI), que deram origem ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), composto por instituições financeiras voltadas para a concessão de financiamentos habitacionais tendo como principal fonte de recurso, as aplicações em poupança e repasses do FGTS para o então Banco Nacional da Habitação (BNH). Tendo como tarefa básica administrar o FGTS, o BNH também exercia a função de regular e fiscalizar o SFH. Contudo, no fim da década de 1970, a economia brasileira seria afetada pela segunda crise do petróleo e pela elevação da dívida externa, e apresentava uma elevada taxa de inflação. Nesse momento, houve um acréscimo significativo de 39 pleitos jurídicos dos mutuários contra o sistema, em decorrência do descasamento entre o valor a parcela do financiamento e o valor do salário. Esse descompasso gerou um aumento da inadimplência por parte dos mutuários, o que abalou todo o sistema. Por meio de diversos instrumentos, o governo tentou conter a inflação sem, contudo, obter êxito. A situação das SCI se complicou, sendo então substituídas, pelos bancos múltiplos para a concessão de novos empréstimos. Os erros então cometidos em três décadas da política de crédito habitacional inviabilizaram o sistema. O BNH foi extinto em 1986, e suas atribuições passaram a ser desenvolvidas pelo Banco Central do Brasil, pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério da Fazenda. Nessa época, estavam findando grande parte dos contratos de financiamento habitacional, que foram liberados em prazos de 15 a 20 anos na fase áurea do SFH. Devido a diversas interferências do governo, por meio de seus planos econômicos, a forma de reajuste dos contratos foi alterada, e um enorme rombo foi criado no até então existente Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS). No início da década de 1990, por meio do congelamento dos recursos livres aplicados em poupança pelo governo Collor, o setor de construção civil e de crédito imobiliário foi comprometido. Paralelamente, as aplicações em poupança tinham uma grande concorrência dos fundos de investimento, que, atrelados à taxa básica de juros, ofereciam maior rentabilidade aos poupadores. Essa melhor rentabilidade gerou uma migração dos recursos até então aplicados em poupança para os fundos de investimento, gerando, dessa forma, uma diminuição relevante nos financiamentos imobiliários. Contudo, a década de 1990 foi animadora para o crédito imobiliário como um todo. O governo criou três planos básicos para o financiamento de moradias: Plano de Equivalência Salarial (PES), Plano de Equivalência Salarial por Categoria Profissional (PES-CP) e o Plano de Comprometimento de Renda (PCR). Paralelamente a essas medidas, as instituições financeiras se empenharam em resolver o débito do FCVS. Os saldos existentes para com as instituições financeiras 40 vêm sendo substituídos pelo governo por meio da concessão de Títulos do Tesouro Nacional. O surgimento, em 1997, do instrumento jurídico que possibilitava a alienação fiduciária dos imóveis acarretou uma maior confiança por parte do agente financeiro que concede o crédito e a confiança do investidor em recursos lastreados em títulos imobiliários, conforme já descrito neste trabalho. Paralelamente, a estabilização da economia ocorrida nos anos 2000 proporcionou um maior conforto para as famílias assumirem compromissos de longo prazo. Esse acréscimo na demanda estimulou as instituições financeiras a aumentarem a carteira de financiamento imobiliário, assim como as reduções nas taxas de juros. De acordo com estudos realizados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP)3, os depósitos em caderneta de poupança do SBPE somavam, no final de dezembro de 2009, R$ 253.6 bilhões, quase o dobro do saldo registrado em dezembro de 2004. Já os financiamentos habitacionais contratados pelo SBPE no ano chegaram a R$ 34.1 bilhões em 2009, superando assim o desempenho de 2008 em 13%. Em termos de números de unidades, mais de 300 mil imóveis foram financiados em 2009, um recorde do sistema. O SFH desempenha, atualmente, o papel de atendimento ao segmento de menor poder aquisitivo para o financiamento imobiliário, sendo que, para o atendimento das classes de alta renda, foi criado o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). 3.2 O Sistema de Financiamento Imobiliário Criado pela Lei 9.514, de 20/11/97, o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), financiado pelos clientes das sociedades de crédito imobiliário, poupança e empréstimo, companhias hipotecárias, bancos múltiplos com carteira imobiliária e a 3 Disponível em http://www.abecip.org.br 41 CEF, criou condições necessárias para uma nova e importante fase do financiamento imobiliário no Brasil. Estudos realizados pela ABECIP (2013) revelam que a análise da experiência de vários países mostra que o crescimento do financiamento habitacional está intimamente ligado à existência de garantias efetivas de retorno dos recursos aplicados, autonomia na contratação das operações e um mercado de crédito imobiliário capaz de capitar recursos de longo prazo, principalmente junto a grandes investidores. Fortuna (2010) destaca que por meio da criação do SFI, foi autorizado um novo sistema de crédito com funding, taxas e prazos livres, sendo criados as companhias securitizadoras, os certificados de recebíveis imobiliários e ampliada a aplicação da alienação fiduciária ao financiamento imobiliário. O Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos de longo prazo lastreados em créditos imobiliários, foi criado para a captação de recursos de investidores institucionais, em prazos compatíveis com o financiamento imobiliário, tornando-se, assim, uma nova forma de financiamento para o mercado secundário de créditos imobiliários. De acordo com Pinheiro (2009), os investidores institucionais podem ser agrupados em: Sociedades Seguradoras, Entidades de Previdência Privada, Sociedades de Capitalização, Clubes de investimentos em ações, Fundos externos de investimento e Fundos mútuos de investimento. A liquidez está garantida pela resolução 3.3474, de 08/02/06, que permite aos agentes do SBPE conceder carta de garantia de recompra aos investidores nesse tipo de título. Os financiamentos imobiliários no SFI são livremente efetuados pelas instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo BACEN. Um dos atrativos desse modelo de 4 Disponível em http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2006/pdf/res_3347_v7_P.pdf. 42 financiamento é o custo financeiro mais atrativo para o tomador de recursos. Esse custo mais baixo é possível devido a mecanismos para execução da garantia por parte da instituição que concede o crédito. O SFI prevê taxas mais baixas para o mutuário, tendo em vista a troca do sistema de garantia por hipotecas do SFH pelo de alienação fiduciária do SFI. No SFH, o mutuário tem a posse do imóvel logo ao tomar o financiamento. Em caso de inadimplência, o agente financeiro tem de percorrer um longo caminho judicial para retomar o imóvel e saldar a dívida ou parte dela. Na alienação fiduciária, como existe hoje nos automóveis, o bem é do agente financeiro e só será do comprador após o pagamento da dívida. Assim, em caso de inadimplência, o bem pode ser retomado rapidamente. (FORTUNA, 2010, p.283) Adicionalmente, a redução dos juros é influenciada pela forma com que os novos recursos são repassados, com a possibilidade de transformar os créditos imobiliários em títulos que podem ser negociados com outras instituições financeiras (securitização de recebíveis), criando-se, então, um mercado secundário. Os títulos que podem ser negociados nesse mercado são: Letras Hipotecárias (LH), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que podem ser utilizadas como instrumento no mercado de capitais, ou as Debêntures. Fortuna (2010) destaca também que outro importante estímulo foi concedido por meio da MP 2525, de 15/06/05, conhecida como a MP do Bem, que permite a venda de imóveis com valor até R$ 35 mil e que qualquer valor vendido para aquisição de outro imóvel dentro do prazo de 180 dias também fique isento do imposto de renda sobre ganhos de capital, assim como a utilização dos planos de previdência como garantia dos financiamentos imobiliários residenciais. Em resumo, no SFI não existe, em tese, limite de valor financiável, podendo ser praticadas diferentes taxas e prazos de financiamento. O FGTS pode também, ser utilizado sem restrições. 5 Disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/MPs/2005/mp252.htm. 43 3.3 A evolução do financiamento imobiliário no Brasil Devido a evoluções ocorridas nos modelos de financiamento para aquisição de imóveis, aliadas a redução na taxa de desemprego, aumento de renda, dentre outros fatores, o volume de crédito contratado para essa finalidade apresentou forte valorização nos últimos 10 anos (Gráfico1). GRÁFICO 1 Volume de recursos do SBPE (em R$ Milhões) 12.000,00 10.000,00 8.000,00 6.000,00 4.000,00 2.000,00 set/13 fev/13 jul/12 dez/11 out/10 mai/11 mar/10 ago/09 jan/09 jun/08 nov/07 abr/07 set/06 jul/05 fev/06 dez/04 mai/04 out/03 mar/03 ago/02 jan/02 - Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. Apesar de um crescimento tão forte na última década, conforme pode ser visto no Gráfico 1, a evolução de contratação dos recursos do SBPE nem sempre apresentou essa dinâmica. O Gráfico 2 retrata a evolução de Captação no período entre 1964 e 1980, que compreende desde a criação do Sistema Financeiro da Habitação até sua consolidação. No período em questão, o ápice de unidades financiadas ocorreu em 1980, com um volume anual de 600 mil unidades. 44 GRÁFICO 2 Criação e consolidação do SFH: 1964 - 1980 (em R$ Bilhões) 700 627 600 500 383 400 338 274 268 300 200 80 100 9 138 158 157 118 124 158 142 96 17 32 0 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. Os anos de 1981 e 1982 apresentaram um elevado número de unidades financiadas, contudo esse patamar não se sustentou agravado por fatores como elevadas taxas de juros, inflação fora de controle, que gerou instabilidade monetária e comprometeu todo o período que abrange de 1981 até a implantação do Plano Real (Gráfico 3). GRÁFICO 3 Desestruturação do SFH: 1981 - 1994 (em R$ Bilhões) 600 500 541 465 401 400 280 300 241 231 200 100 77 86 107 100 60 0 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. 109 58 61 45 Após a estabilização da economia, em julho de 1994, no âmbito do Plano Real, deuse início a uma forte recuperação do financiamento imobiliário, mesmo que lastreada por uma lenta recuperação da economia e de sua confiança, pois era preciso colocar, em prática, políticas econômicas que demorariam a ser implantadas, como austeridade fiscal, diminuição do déficit público, desindexação da economia, entre outros fatores. Com a adoção dessas medidas, houve uma significativa redução da taxa de inflação, a ponto de poder ser considerada sob controle. Esse aumento no volume de crescimento do financiamento imobiliário poderia, então, colocar em risco o controle da inflação conseguido com muito sacrifício, o que levou a autoridade monetária a adotar políticas restritivas de crédito, a fim de manter um nível sustentável de crescimento e distribuição de renda. Observa-se que, uma década após o início da estabilização da economia (2004), o volume de financiamento ainda não alcançara o patamar de 1980 (Gráfico 4). GRÁFICO 4 Reestruturação do SFH: 1995 - 2012 (em R$ Bilhões) 949 1000 861 900 772 800 700 570 600 468 500 400 300 228 200 100 353 329 63 621 511 399 300 282 283 321 223 107 0 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. Em 2011, contudo, observa-se o ápice do volume de imóveis financiados, com o recorde de 949 MM. Observa-se, então, que se passaram 20 anos para que se superasse o patamar alcançado em 1980, ano áureo para o SFH. 46 Gradativamente, foram incluídos os elementos válidos para o desenvolvimento sustentável do mercado imobiliário, como a redução da taxa de desemprego de 10,9%, em 2003, para 4,7%, em 2001, o que aumentou diretamente a renda da população e melhorou significativamente o horizonte de investimento em ativos reais de longo prazo, como os imóveis. Conforme salientado, ocorreu importante mudança legal com o surgimento, em 1997, do instrumento jurídico que possibilitava a alienação fiduciária dos imóveis . Este instrumento acarretou uma maior confiança por parte do agente financeiro que concede o crédito e a confiança do investidor em recursos lastreados em títulos imobiliários. A soma de todos esses fatores possibilitou a evolução de R$ 4,9 bilhões, em 2001, para R$ 115 bilhões, em 2011, um aumento de 2.246%. Essa maior confiança gerou um aumento pela demanda dos créditos, o que refletiu na reação da variável crédito imobiliário/PIB (GRAF. 6). GRÁFICO 5 Volume de financiamento imobiliário: 1995 - 2011 (SBPE e FGTS em Bilhões) 140 115,3 120 100 83,9 80 60 50,5 41,1 40 20 1,9 2,1 5,1 4,8 3,9 5,7 4,9 5,6 6 25,1 16,3 6,9 10,4 0 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. 47 Em contrapartida, em igual período, a relação crédito / PIB apresentou uma evolução de 172% (1,8, em 2001, para 4,9, em 2011). Nota-se que essa relação apresentou crescimento mesmo com relevantes crises financeiras, como a de 2008 (Gráfico 5). GRÁFICO 6 Crédito imobiliário / PIB: 2001 - 2012 (em %) 7 6,00 6 4,9 5 3,7 4 2,8 3 2 1,8 1,7 1,5 1,3 1,4 1,5 1,7 2,1 1 0 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. Existem correntes de pensamento que defendem que o volume de crédito imobiliário / PIB pode ser dobrado, o que seria saudável para a economia, como destaca Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, sócio fundador da Gávea Investimentos: Dobrar é perfeitamente possível. É saudável um aumento do crédito imobiliário, que era muito pequeno no Brasil. Se isso estiver ocorrendo em paralelo ao crescimento da renda, com geração de mais negócios no longo prazo, os ônus são administráveis. E mais: não há só a expectativa de que o crédito imobiliário cresça, mas pode ocorrer como substituição de modalidades mais caras, como o cheque especial. O que merece ser acompanhado é o ritmo de crescimento se exagerado, podem surgir problemas de qualidade no processo de concessão do crédito. E, quanto ao nível, pode chegar a níveis em que a renda não comporte o serviço da dívida. Acho que só se deve acompanhar o retorno. Cabe aos bancos e ao Banco Central zelar para que os créditos sejam de boa qualidade, para não ter um dia um subprime local. (ABECIP, 2013)6 A ABECIP, em sua Revista de número 39, divulgada em 30/12/2013. O raciocínio é de que uma maior disponibilidade de crédito para a aquisição e/ou construção de imóveis causa um impacto direto no consumo das famílias e fomenta o 6 Disponível em http://www.abecip.org.br 48 desenvolvimento econômico e social do país. Esses investimentos contribuem para elevar a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) por vários anos, gerando demanda por produtos ao longo de toda a sua vida útil. TABELA 1 – Participação do crédito / PIB (%) em vários países Crédito privado x PIB Crédito imobiliário / PIB (Total) EUA 160,00% 68,00% Inglaterra 110,00% 75,00% Alemanha 105,00% 45,00% França 87,00% 28,00% Espanha 80,00% 45,00% Chile 70,00% 20,00% Brasil 39,00% 6,00% Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. País Outros créditos x PIB 92,00% 35,00% 60,00% 59,00% 35,00% 50,00% 33,00% Entende-se que há espaço para a expansão do setor imobiliário no país, pois é baixa a relação do crédito imobiliário / PIB, se comparado a outros países, conforme pode ser visto na Tabela 1. Mas o caso americano não deve servir de paradigma, mas sim de alerta. Verificou-se que, naquele país, o crescimento acelerado e descuidado por parte dos agentes financeiros e investidores gerou uma euforia, e uma inflação nos imóveis caracterizando uma bolha especulativa, cujo desfecho foi traumático para a sociedade. A evidência sobre o Chile é, também, sugestiva. Ela permite imaginar que o crédito imobiliário no Brasil pode até mesmo triplicar. Mas deve ser lembrado que, naquele país, a expansão vem sendo conduzida gradativamente ao longo das últimas décadas. Assim, não se deve basear nas cifras atuais do país sul-americano para postular uma expansão excessiva do crédito imobiliário, que, certamente, resultaria em inadimplência sistêmica, uma vez que a renda (PIB) tem crescido muito lentamente no Brasil, com cifras próximas de 2% ao ano. Assim, há de se ter cautelas em uma estratégia governamental de expansão mais acelerada do crédito, não podendo descuidar da qualidade do crédito: Se ele for concedido de forma mais maleável, pode ocorrer um processo de default muito forte, gerando retração na economia e, em seguida, uma abrupta redução no volume de operações por parte das instituições financeiras, que provocaria queda no preço dos 49 imóveis e prejuízos para os investidores. Outro fator que merece atenção é o custo para aquisição do financiamento imobiliário no Brasil, que é muito elevado. A alta na taxa de juros não apenas inibe a expansão do crédito, como também fragiliza a situação financeira dos mutuários, especialmente em períodos de retração da economia. 50 4 METODOLOGIA Este capítulo é dedicado à metodologia, sendo caracterizada a pesquisa e abordados os procedimentos metodológicos empregados no estudo. 4.1 Caracterização da pesquisa Esta dissertação tem como objetivo identificar se há uma bolha especulativa no mercado de imóveis residenciais na cidade de Belo Horizonte. Para atingir este objetivo, esta pesquisa analisa o comportamento do mercado de imóveis residenciais do município. Desta forma, quanto aos fins, a pesquisa é descritiva, pois busca investigar e fornecer informações sobre um tema importante para o mercado imobiliário e os investidores deste setor. Segundo Gil (2002, p.42) “as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis”. Com relação aos meios, a pesquisa é documental, pois utiliza dados secundários extraídos da pesquisa mensal elaborada pelo IPEAD/UFMG. Quanto à abordagem, a pesquisa é quantitativa, uma vez que seu objetivo é de identificar se existe um crescimento sustentável no mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte, utilizando testes estatísticos e econométricos. Segundo Lakatos e Marconi (2009), a abordagem quantitativa tem como maior preocupação analisar as amostras amplas de informações numéricas, interpretando os resultados da investigação. A pesquisa caracteriza-se também como causal ou explicativa por procurar verificar relações entre as variáveis que expliquem o fenômeno de estudo (MATTAR, 1977, P. 77) 51 4.2 Procedimentos metodológicos 4.2.1 Modelos de análise Para identificar as condições do mercado imobiliário de Belo Horizonte, será empregada análise baseada nos fundamentos econômicos do setor, que poderá indicar se o setor apresenta possibilidades de crescimento sustentável, ou se há indicações de ativos inflacionados que sugerem a presença de bolha especulativa. Serão utilizados três instrumentais: o levantamento dos retornos possibilitados pelos imóveis; o índice preço-aluguel; e testes de causalidade entre as variáveis preços e alugueis dos imóveis. Os retornos derivados dos imóveis devem ser levantados em consonância com os estudos seminais de Modigliani e Miller (1958), que pavimentaram o desenvolvimento do método de fluxo de caixa descontado para a análise de investimento, abordagem obrigatória nas modernas teorias de finanças corporativas. De acordo com esse método, o valor presente líquido é o resultado dos fluxos de caixa livre do projeto descontados pelo custo de oportunidade do capital, sendo esses deduzidos dos investimentos realizados. Matematicamente: VPL = - Io + ∑ ( ) Sendo: VPL = o valor presente líquido; Io = o valor investido no início do projeto; FCL = o fluxo de caixa livre do projeto; re = a taxa de desconto que corresponde ao custo de oportunidade de capital. (08) 52 Esse método pode ser aplicado tanto para ativos reais, quanto para ativos financeiros. Em relação ao mercado de capitais, podem-se determinar os retornos totais dos acionistas (RTA), que são provenientes dos dividendos e da valorização da ação. Por analogia, o modelo para a avaliação dos retornos proporcionados por um imóvel tem o foco nos alugueis e na valorização (ou queda no preço) do imóvel. O modelo aplicado ao mercado imobiliário, considerando o tempo 0 (aquisição do imóvel) e o tempo 1, assume forma: VPL = - Po + ( (09) ) em que: Po = o preço de aquisição do imóvel; P1 = o valor do imóvel no período seguinte; Al = o aluguel propiciado pelo imóvel nesse período. Admitindo-se que o mercado encontra-se em equilíbrio, sem proporcionar lucros extras ou perdas, consoante a uma taxa requerida de retorno, a expressão (09) pode ser assim reescrita: Po = ( (10) ) Po (1 + re) = P1 + Al (11) Po (re) = P1 + Al - Po (12) Rearranjando a expressão (12), obtém-se: re = + (13) A expressão (12) indica que o retorno total propiciado por um imóvel é proveniente da valorização do imóvel e dos alugueis auferidos no período considerado. 53 Infelizmente, a base de dados do IPEAD não contém informações sobre o segundo termo da expressão (Al/Po). Os dados disponíveis permitem analisar a evolução dos preços dos imóveis e estabelecer uma comparação entre a evolução dos alugueis e dos preços dos imóveis. Assim, a análise dos retornos totais proporcionados pelos imóveis fica prejudicada. Entretanto, a comparação entre a evolução dos alugueis e da remuneração de um ativo livre de risco (por exemplo, a remuneração da poupança) supre em parte esta lacuna, e será usada neste estudo. Por sua vez, a construção do índice preço-aluguel baseia-se no trabalho pioneiro de Shiller (2000), que deu origem ao S&P/Case-Shiller Home Price, muito utilizado por Krugman (2009) nas análises da crise do subprime, cujos efeitos espalharam-se globalmente e conduziram as economias para uma recessão. Este índice tem uma analogia com um indicador do mercado financeiro, conhecido com preço/lucro, ou simplesmente P/L. Ele é resultado da divisão do valor patrimonial pelo lucro da empresa no exercício, o que indicaria o tempo necessário para recuperar o capital investido. A construção do índice preço-aluguel para os imóveis residenciais de Belo Horizonte constitui um dos objetivos desta dissertação, e o índice será usado como um dos instrumentais para verificar se há, de fato, um fenômeno de valorização excessiva desses ativos. O objetivo geral desta dissertação é o de investigar se o crescimento desse mercado se dá em bases sustentáveis ou se há indícios de aquecimento caracterizado por bolha especulativa. Para esse fim, além do emprego das duas abordagens apresentadas, será analisado um tema muito importante levantado por Akerlof e Shiller (2010). Ao analisar a bolha especulativa recente do mercado imobiliário americano, os autores procuraram atentar-se para os fundamentos desse mercado, questionando o senso comum de que investir em imóveis é sempre seguro e um bom negócio. Em complementação às informações que podem ser extraídas do índice preço-aluguel, Akerlof e Shiller (2010) formularam a seguinte indagação: Os preços dos imóveis elevaram-se naquele país em resposta aos aumentos dos alugueis, ou os alugueis aumentaram em face do crescimento de preços dos imóveis? 54 Essa indagação é de suma importância, pois, pelos fundamentos econômicos, se o preço dos imóveis forem derivados de elevações dos alugueis, há indicação de excesso de demanda no mercado por falta de construções, o que possibilita aumento dos preços até que o mercado se equilibre. Ao contrário, se ao aumento dos preços dos imóveis antecedem os aumentos dos alugueis, a componente especulativa fica evidente, e, mais ou cedo ou mais tarde, a bolha será desfeita, com perdas para os participantes desse mercado. Embora Akerlof e Shiller (2010) não indiquem como testar essa proposição, sabe-se que os economistas utilizam, em geral, o Teste de Causalidade de Granger (GUJARATI, 2000) para verificar a causalidade em duas séries temporais. No presente caso, deve-se investigar se os preços dos imóveis causam (no sentido de Granger) aumentos dos alugueis, ou se o sentido de causalidade se dá dos alugueis para os imóveis. Existe, ainda, a possibilidade da causalidade preço-aluguel-preço. O problema inerente ao teste de Granger é que o método demanda que as séries não exibam raiz unitária. A existência de raiz unitária implica que a série é não estacionária, de tal forma que se deve diferenciá-la para torná-la estacionária. Conforme salienta Miller e Russek (1990), apud Carneiro (n.d.), uma das criticas ao teste de causalidade tradicional de Granger relaciona-se ao fato de que este se concentra apenas em relações de curto prazo, deixando de lado, qualquer informação proveniente da tendência de longo prazo das séries temporais analisadas. Conforme salientado, como as séries originais geralmente exibem raiz unitária e têm de ser transformadas para garantir a estacionariedade, a informação de longo prazo contida originalmente nas séries é perdida. Uma versão mais moderna do teste de causalidade de Granger, que permite que se identifiquem possíveis relações de causalidade entre duas variáveis originárias de uma mesma tendência de longo prazo, pode ser derivada do método de correção dos erros (VECM) proposto por Engle e Granger (1987). O método de Engle e Granger modifica o teste padrão de causalidade de Granger ao incorporar possíveis efeitos de longo prazo em uma análise de curto prazo, o que é a essência da análise de cointegração (CARNEIRO, n.d., p.7). 55 A estimação do VEC objetiva analisar os ajustamentos de curto prazo que ocorrem nas séries co-integradas (que são as relações de equilíbrio no longo prazo). (NOGUEIRA, 2001, P.34) No caso específico, é razoável supor que as séries de preços e de alugueis não são estacionárias, e, assim, o uso dessa nova metodologia (VECM) pode ser recomendado para alcançar o objetivo proposto pela dissertação. Mas para tal, alguns passos devem ser seguidos, a saber: a) Identificar a ordem de integração de cada uma das variáveis (preços e alugueis dos imóveis), utilizando-se para este fim o Teste de Dickey-Fuller (1979), que será detalhado mais a frente. Se as séries possuírem raiz unitária, isto é, forem integradas de ordem (1), ainda assim pode haver uma relação de longo prazo entre elas. Geralmente, qualquer combinação linear de duas séries I(1) também será I(1). Neste caso, se existir alguma combinação linear entre duas séries temporais que seja I(0), então existirá cointegração entre essas duas séries (GUJARATI, 2000); b) Analisar se as séries são cointegradas mediante o Teste de Johansen (1988); c) Identificar a estrutura de defasagens adequada para se estabelecer a relação entre as séries; d) Usar o modelo VECM (Error Correction Model) para estabelecer a relação de longo prazo entre as séries. Com essa especificação, estima-se o modelo e avaliam-se a relação e a probabilidade de significância para o coeficiente que retrata a causalidade de longo prazo, e a influência de uma variável sobre a outra no horizonte de curto prazo, considerando conjuntamente os coeficientes encontrados de acordo com a estrutura de defasagem do modelo. O teste de co-integração (teste de Johansen) objetiva verificar se duas ou mais séries temporais são co-integradas, ou seja, se duas ou mais séries temporais são sincronizadas. Se as séries forem co-integradas, então as regressões dessas séries não serão espúrias e haverá relação no equilíbrio de longo prazo entre essas séries. ( NOGUEIRA, 2001, P. 31) Conforme salientado, a utilização do VECM demanda, inicialmente, identificar a ordem de integração das séries. Para verificar a presença de raiz unitária e verificar 56 se a série é estacionária foi utilizado, o Teste de Dickey-Fuller, mediante o uso da seguinte equação, conforme descrito em Gujarati (2000): Yt = ∂ Yt-1 + µt (14) em que: Yt = valor da variável Y no período t; Yt-1 = valor da variável Y no período t-1; ∂ = coeficiente a ser estimado, que mostra a sensibilidade da variável no período t em relação ao período anterior; µt = termo de erro estocástico, que atende as hipóteses clássicas: média zero, variância constante e erro não correlacionado. Assim, ao estimar a equação (14), se o coeficiente ∂ =1, então se pode afirmar que a variável Y possui raiz unitária, ou seja, a série não é estacionária. A equação (14) é normalmente apresentada na forma abaixo: ΔYt = (∂ – 1)Yt-1 + µt (15) ΔYt é, pois, variação de Y no período = Yt – Yt-1, ou seja: Yt – D[Yt-1 = ∂ Yt-1 – Yt-1 + µt] (16) Pode-se reescrever a equação (16) como: ΔYt = α Yt-1 + µt (17) em que α = (∂ – 1). Deve-se notar que, nesse caso, a hipótese nula é α = 0. Se α = 0, a equação (17) torna-se: ΔYt = µt (18) 57 A primeira diferença de uma série temporal com caminho aleatório (µt) é uma série temporal estacionária, uma vez que µt é, por hipótese, puramente aleatória. Nesses termos, se uma série temporal for diferenciada uma vez e for estacionária, ela é integrada de ordem 1, convencionalmente representada por I(1). A estacionariedade da série é geralmente testada com base na equação (17), também incorporando o intercepto (equação 19) e a tendência (equação 20): ΔYt = β0 + α Yt-1 + µt (19) ΔYt = β0 + β1t + α Yt-1 + µt (20) Sendo: β0 = constante (intercepto); β1t = tendência (variável tempo); µt = erro aleatório. Se o termo do erro µt é autocorrelacionado, a expressão (20) é modificada para: M ΔYt = β0 + β1t + α Yt-1 + Ci ∑ ΔYt-1 + µt i =1 (21) Nesse caso, para aceitar ou rejeitar a hipótese de estacionariedade da série dos imóveis, aplicou-se o teste aumentado de Dickey-Fuller (ADF). Identificadas que as séries são integradas de ordem 1, foi aplicado o Teste de Cointegração de Johansen. Contudo, sabe-se que a estrutura de defasagem influencia o Teste, e, portando, foi estimado um VAR para identificar a defasagem de melhor ajustamento do modelo. Como os dados empregados nesta dissertação são mensais definiu-se, inicialmente, um VAR com 12 defasagens, sendo que a estrutura escolhida foi balizada pelo critério de Informação de Akaike (AIC). 58 Ao confirmar a cointegração das séries empregou-se o VECM para verificar o relacionamento dinâmico e o mecanismo de correção. Nesta dissertação foi adotada a forma geral do VECM, conforme apresentado em Hendry (1995); ΔXt = αo + λ1EC1t-1 + ∑αiΔXt-i + ∑αjΔYt-j + ε1t (22) ΔYt = βo + λ2EC2t-1 + ∑βiΔYt-i + ∑βjΔXt-j + ε2t (23) Onde Δ é o operador de primeira diferença, ECt-1 é o termo de correção de erro defasado em um período; λ é o coeficiente de curto prazo do termo de correção de erro (-1 < λ < o), e ε é o termo de erro. O coeficiente λ indica a velocidade de ajustamento do modelo de curto para o longo prazo, e o termo de correção de erro mostra a relação de longo prazo entre as variáveis. Um coeficiente negativo e significante do termo de correção de erro indica a existência de uma relação causal de longo prazo. Se apenas λ1 é negativo e significante há uma causalidade unidirecional de Y para X, de tal forma que Y leva X em direção ao equilíbrio de longo prazo. Se λ2 é negativo e significante ocorre uma causalidade de X para Y e que X direciona Y para o equilíbrio de longo prazo. Se ambos os coeficientes nas duas equações são negativos e significativos existe uma causalidade bidirecional. Finalmente, foi utilizado o Teste de Wald para avaliar a influência de uma variável sobre a outra no horizonte de curto prazo, considerando conjuntamente os coeficientes encontrados de acordo com a estrutura de defasagem do modelo. 4.2.2 Unidade de análise e fonte de dados A unidade de análise dissertação é o segmento do mercado imobiliário de imóveis residenciais (apartamentos), tratados de forma agregada, referentes ao município de Belo Horizonte. Os dados do mercado imobiliário foram fornecidos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (IPEAD) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa do IPEAD abrange os diversos bairros 59 da cidade, e, para elaboração deste trabalho, foram considerados os dados consolidados do segmento residencial. A série de preços começou a ser levantada pelo IPEAD em julho de 1994. Entretanto, a série de alugueis é mais restrita, sendo divulgada a partir de dezembro de 1998. Portanto, parte da análise é realizada com a série mais completa, enquanto, em outra, por insuficiência de dados, a série apresenta menor número de informações. Nesta dissertação, o último dado levantado retrata o mês setembro de 2013, de tal forma que o índice preço-aluguel e as relações de causalidade entre essas duas variáveis reportam ao período janeiro de 1999 a setembro de 2013. Foram utilizados, também, dados do Índice Nacional de Construção Civil da Fundação Getúlio Vargas (INCC), o Índice de Preço ao Consumidor Amplo para Belo Horizonte calculado do IPEAD e as remunerações da Poupança extraída da série histórica disponível no site do Banco Central do Brasil. Para as análises econométricas e os testes estatísticos, foi utilizado o software Eviews 6.0. 60 5 ANÁLISES DE RESULTADOS 5.1 O comportamento do mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte Para uma breve caracterização do mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte, esta seção analisará, com base na pesquisa divulgada pelo IPEAD7, a dinâmica do mercado, considerando a quantidade ofertada, o preço de venda e o valor dos alugueis. Os preços de venda dos imóveis residenciais e dos alugueis serão contrastados à inflação, à evolução do custo da construção e à remuneração da poupança para identificar se houve ganhos reais aos investidores neste tipo de ativo. 5.1.1 Preço de venda e quantidade ofertada A Tabela 2 evidencia o comportamento da variação do preço de vendas dos imóveis residenciais na cidade de Belo Horizonte e também a evolução da quantidade ofertada em igual período. 7 Disponível em http://www.ipead.com.br/site/ 61 TABELA 2 – Evolução dos preços de vendas e quantidade ofertada de imóveis residenciais de Belo Horizonte: 1996-2013 Período Índice de variação dos preços de vendas Índice de variação das quantidades ofertadas Índice Variação (%) Índice jul/94= 100 12 meses jul/94= 100 dez/96 135,69 112,78 dez/97 145,78 7,44 112,07 dez/98 151,04 3,61 106,14 dez/99 156,35 3,52 80,63 dez/00 159,31 1,89 74,28 dez/01 165,59 3,94 88,83 dez/02 181,91 9,86 61,53 dez/03 208,58 14,66 76,08 dez/04 225,59 8,16 73,48 dez/05 254,16 12,66 60,38 dez/06 277,94 9,36 62,10 dez/07 323,43 16,37 58,73 dez/08 395,20 22,19 76,46 dez/09 432,50 9,44 54,80 dez/10 492,89 13,96 50,52 dez/11 559,78 13,57 62,51 dez/12 605,99 8,26 54,68 dez/13 644,29 6,32 66,47 Fonte: Dados básicos extraídos do IPEAD, e elaboração pelo autor. Variação (%) 12 meses (0,63) (5,29) (24,03) (7,88) 19,59 (30,73) 23,65 (3,42) (17,83) 2,85 (5,43) 30,19 (28,33) (7,81) 23,73 (12,53) 21,56 Nota-se, na Tabela 2, que os preços de vendas se elevam durante todo o período analisado, independentemente de fatores econômicos externos. Observa-se, também, que a crise dos subprime não paralisou o setor, mas reduziu o ímpeto do crescimento dos preços, que em 2008 exibia cifras superiores a 20%. 62 GRÁFICO 7 Variação do preço de venda e da quantidade ofertada: imóveis residenciais em Belo Horizonte (Base: julho de 1994 =100) 700 600 500 400 300 200 100 0 Preço de venda Qtde ofertada Fonte: Dados básicos IPEAD, e elaboração pelo autor. Um aumento consistente de preços pode induzir uma resposta na oferta, pois, quanto maior o valor do bem, mais se presume que será o ganho de quem o está comercializando, desde que não ocorram elevações nos preços dos insumos em maior proporção, em igual período de tempo. 63 TABELA 3 – Evolução dos preços de vendas e INCC Período Índice de variação dos preços de vendas INCC Índice Variação (%) Índice jul/94= 100 12 meses jul/94= 100 dez/96 135,69 167,83 dez/97 145,78 7,44 179,25 dez/98 151,04 3,61 184,19 dez/99 156,35 3,52 201,15 dez/00 159,31 1,89 216,56 dez/01 165,59 3,94 235,71 dez/02 181,91 9,86 266,04 dez/03 208,58 14,66 304,40 dez/04 225,59 8,16 338,01 dez/05 254,16 12,66 361,09 dez/06 277,94 9,36 379,28 dez/07 323,43 16,37 402,65 dez/08 395,20 22,19 450,41 dez/09 432,50 9,44 465,03 dez/10 492,89 13,96 501,18 dez/11 559,78 13,57 538,67 dez/12 605,99 8,26 577,02 dez/13 644,29 6,32 623,69 Fonte: Dados básicos IPEAD, e elaboração pelo autor. Variação (%) 12 meses 6,81 2,76 9,20 7,66 8,85 12,87 14,42 11,04 6,83 5,04 6,16 11,86 3,25 7,77 7,48 7,12 8,09 Analisando a evolução nominal dos preços dos imóveis e da quantidade ofertada, percebe-se comportamentos inversos (Gráfico 7): uma grande elevação dos preços nominais e uma tendência decrescente na oferta de imóveis. Entretanto, ao comparar a série de preços pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil), verifica-se que as elevações acumuladas dos preços de venda dos imóveis residenciais apenas conseguiram superar a evolução dos custos de construção a partir de 2010 (Tabela 3). De Dezembro de 2003 a Dezembro de 2013, a variação dos preços dos imóveis acumulou alta de 209% ante elevação nos custos de 105%. Não obstante, maior rentabilidade expressa pela diferença entre a evolução dos preços dos imóveis e dos custos de construção, a oferta de imóveis cresce timidamente. Esta situação revertese nos três últimos anos analisados, que exibem no acumulado um crescimento da oferta de imóveis de 32%. 64 5.1.2 Aluguel e renda fixa Considerando que alguns investimentos em imóveis podem ser feitos na expectativa do retorno auferido pelo aluguel, comparou-se a valorização dos alugueis com a remuneração de um ativo de renda fixa (poupança), que têm a característica de ser livre de risco. Vale destacar que, nesta seção, não está sendo considerada a valorização do imóvel, pelos motivos apresentados na seção 4.2.1, sendo levado em conta apenas o rendimento proporcionado pelos alugueis. TABELA 4 – Evolução dos Alugueis e Poupança Índice de variação dos alugueis Poupança Índice dez/03= Variação (%) Índice dez/03= Variação (%) 100 12 meses 100 12 meses dez/03 100,00 -----100,00 -----dez/04 106,55 6,55 108,11 8,11 dez/05 117,92 10,68 117,96 9,10 dez/06 131,70 11,68 127,96 8,48 dez/07 147,09 11,68 138,03 7,87 dez/08 169,56 15,28 148,57 7,63 dez/09 191,97 13,22 159,36 7,27 dez/10 217,00 13,04 170,15 6,77 dez/11 239,74 10,48 182,86 7,47 dez/12 257,95 7,60 195,01 6,64 dez/13 272,71 5,72 207,28 6,30 Fonte: Dados básicos extraídos do IPEAD, e elaboração pelo autor. Período Ao se comparar a rentabilidade auferida pelos alugueis com o rendimento da poupança nos últimos dez anos (2003 - 2013), observa-se dois períodos distintos: Entre 2004 e 2012, o aluguel ofereceu maior ganho que a poupança; nos anos de 2003 e 2013, a valorização da poupança superou o rendimento dos alugueis. Entretanto, no período como um todo, os retornos propiciados pelos aluguéis superaram ao do ativo livre de risco (poupança) em 32%, proporcionando um retorno extra aos investidores de 2,78% a.a. 5.2 O índice preço-aluguel No referencial teórico foi registrado que a partir do momento em que o preço de qualquer ativo desvia de seu preço “correto” de mercado por um período razoavelmente prolongado, diz-se que existe uma bolha. E um processo contínuo de elevações de preços, gera expectativas de mais aumentos que atrai novos 65 investidores. Esta subida é normalmente acompanhada de uma reversão de expectativas, sendo que uma queda acentuada nos preços, frequentemente, resulta em uma crise financeira (MINSKY, 2010; KINDLEBERGER, 2010; GARBLER, 2010). No que diz respeito a aguda crise financeira que iniciou-se em 2008, economistas como Akerlof e Shiller (2010) e Krugman (2009) atribuíram esta crise a existência de uma bolha especulativa no mercado imobiliário, impulsionada pelas hipotecas de alto risco e os instrumentos financeiros de securitização que passaram a ser retidos por uma gama de instituições e pessoas. Esses autores utilizaram, conforme salientado, o Índice de Case-Shiller, que retrata a evolução da relação entre os preços das residências e dos alugueis para fundamentar suas análises. O gráfico 09, referente ao mercado dos EUA, revela que o pico do índice preçoaluguel naquele país ocorre em 2006, sendo que, a partir daí o índice exibe abrupta queda. Este comportamento deu ensejo ao chamado “estouro da bolha especulativa”. Gráfico 08 Índice preço-aluguel e Índice Preço Lucro Fonte: KRUGMAN, 2009, p.151. 66 Utilizando os dados levantados pelo IPEAD/UFMG, foi construído o índice preçoaluguel para os imóveis residenciais de Belo Horizonte para verificar a dinâmica deste mercado (Gráfico 10). GRÁFICO 9 Índice preço-aluguel: mercado imobiliário residencial de Belo Horizonte: dez. 1998 – set. 2013. Fonte: Dados básicos da pesquisa, elaboração e cálculo do autor. Para facilitar a leitura, os dados deste índice referente ao último mês de cada ano, são apresentados na Tabela 5. A série completa pode ser consultada no apêndice desta dissertação. 67 TABELA 5 – Índice preço-aluguel: imóveis residenciais de Belo Horizonte: 1998-2013 Mês/Ano dez/98 Preço Aluguel Índice preço-aluguel 100,00 100,00 1,00 dez/99 103,52 95,03 1,09 dez/00 105,47 95,46 1,10 dez/01 109,7 92,45 1,19 dez/02 120,4 114,23 1,05 dez/03 138,1 111,71 1,24 dez/04 149,36 134,53 1,11 dez/05 168,27 149,05 1,13 dez/06 184,02 161,78 1,14 dez/07 214,14 211,5 1,01 dez/08 261,65 249,11 1,05 dez/09 286,35 283,39 1,01 dez/10 326,33 299,91 1,09 dez/11 370,62 318,54 1,16 dez/12 401,21 350,84 1,14 set/13 420,82 341,64 1,23 Fonte: Dados básicos extraídos do Bacen, e elaboração pelo autor. Observam-se três períodos de aquecimento do mercado de imóveis em Belo Horizonte: o primeiro período abrange os anos 2000-2001, que coincide com a aguda crise internacional, provocada pela crise dos “.com” e pelos ataques terroristas às Torres do World Trade Center de Nova York, e, também, da economia brasileira, ampliada pelo racionamento de energia no país. Neste período houve uma corrida para os imóveis no mercado externo (e, também, no mercado interno), ocorrendo uma elevação considerável do índice preço-aluguel de Belo Horizonte (Gráficos 09 e 10). Como os países desenvolvidos reagiram com políticas de estímulo fiscal e monetário, com elevação dos gastos públicos e grande redução da taxa de juros, para enfrentar a crise de desconfiança, houve uma grande expansão dessas economias, formando-se uma bolha no mercado imobiliário nos EUA que durou até 2006 (Gráfico 09). No caso brasileiro, ao contrário, as autoridades se viram obrigadas a elevar a taxa de juros, em decorrência dos desequilíbrios macroeconômicos, e, assim, houve recuo do Índice preço-aluguel em 2002 (Tabela 5). 68 O segundo período de aquecimento do mercado imobiliário no país ocorreu em 2004, e revela a desconfiança e incertezas dos agentes econômicos decorrentes da eleição de Lula como presidente do país. Contudo, com o compromisso do novo presidente com a estabilidade, a manutenção do tripé responsabilidade fiscal-câmbio flutuante-metas inflacionárias e a política de altas taxas de juros básicas, não houve espaço para a inflação dos imóveis, tendo o índice recuado 23 pontos percentuais entre dezembro de 2003 e dezembro de 2009. Assim, uma política monetária austera impediu que se formasse qualquer bolha no mercado imobiliário doméstico, ao contrário do ocorrido internacionalmente (Gráficos 09 e 10). O terceiro período tem origem na inflexão da política macroeconômica e pouco compromisso com o equilíbrio do orçamento público no país. A política monetária torna-se expansionista a partir de 2010, com taxas reais de juros muito reduzidas. Ademais, programas setoriais e crédito barato para o setor de construção deu um novo impulso a este segmento, que se traduziu em um grande aumento no índice preço-aluguel de Belo Horizonte que subiu de 1,01 em dezembro de 2009 para 1,23 em setembro de 2013 (Tabela 5). 5.2.1 Os ciclos políticos e o índice preço-aluguel Para uma melhor análise do comportamento do índice preço-aluguel, optou-se por fazer uma análise de sua evolução de acordo com os ciclos políticos, analisando o comportamento nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), Lula e parte do governo Dilma. 69 5.2.1.1 O governo FHC e a crise de 2000/2001 Ao se analisar o segundo mandato do governo FHC (1999-2002), percebe-se que o índice preço-aluguel se manteve dentro da média histórica entre o primeiro ano de mandato. Em meados de 2000, contudo, o índice se descolou devido à crise da Argentina e, principalmente, da queda da bolsa Nasdaq e do ataque às “torres gêmeas”. Esses eventos geraram incerteza muito grande quanto à economia mundial, além dos custos de uma iminente guerra, que gerou um nervosismo geral nos principais índices financeiros. Nesse momento, observa-se uma migração dos investidores de renda variável para um ativo teoricamente livre de risco e real. Após um ano do atentado e com a estabilização gradual da economia, nota-se que o índice preço-aluguel retorna ao patamar identificado em jan/99, conforme o Gráfico 11. GRÁFICO 10 – Evolução do índice preço x aluguel – 2º mandato FHC 1,25 1,20 1,15 1,10 1,05 1,00 0,95 0,90 IPA - Índice Preço Aluguel Fonte: Dados básicos IPEAD, e elaboração pelo autor. nov/02 jul/02 set/02 mai/02 mar/02 jan/02 nov/01 set/01 jul/01 mai/01 mar/01 jan/01 nov/00 set/00 jul/00 mai/00 mar/00 jan/00 nov/99 set/99 jul/99 mai/99 mar/99 jan/99 0,85 70 5.2.1.2 Os governos Lula e Dilma – desconfiança inicial, acomodação e elevação do índice preço-aluguel Ao se analisar a evolução do índice preço-aluguel observa-se que, no primeiro mandato do governo Lula (2003-2006), ocorreu um pico, atingindo-se o nível de 1,28 em julho de 2004, o maior nível alcançado em toda a série analisada (Tabela A.1 do Apêndice). Essa valorização foi provocada pela desconfiança dos investidores quanto à incerteza acerca das políticas econômicas e monetárias a serem adotadas pelo governo que ganhara as eleições presidenciais e que, ao longo de sua história, sempre se posicionou contra as políticas até então adotadas pelo país (austeridade fiscal, redução da máquina pública, privatizações, aumento dos juros básicos para controle da inflação dentre outros). Essa desconfiança gerou uma migração dos investimentos em renda fixa ou variável para bens reais, o que explica o aumento na demanda por imóveis e uma escassez de bens no mercado. Devido ao descompasso entre a demanda e a oferta, ocorreu um aumento considerável no valor de mercado do bem. Com o compromisso firmado pelo novo presidente e a adoção de políticas econômicas similares às que eram praticadas pelo governo anterior, percebe-se uma redução gradual do índice preço-aluguel, atingindo, em dezembro de 2007, níveis comparáveis ao início da série analisada (Gráfico 12). 71 GRÁFICO 11 – Evolução do índice preço x aluguel – 1º mandato Lula 1,35 1,30 1,25 1,20 1,15 1,10 1,05 1,00 0,95 0,90 nov/06 jul/06 set/06 mai/06 mar/06 jan/06 nov/05 set/05 jul/05 mai/05 mar/05 jan/05 nov/04 set/04 jul/04 mai/04 mar/04 jan/04 nov/03 set/03 jul/03 mai/03 mar/03 jan/03 0,85 IPA - Índice Preço Aluguel Fonte: Dados básicos extraídos do IPEAD, e elaboração pelo autor. No segundo mandato do Presidente Lula há uma acomodação no índice preçoaluguel, tendo os investidores optado por aplicar em ativos de renda fixa ou variável, em face do bom desempenho da economia brasileira e taxas atrativas de juros. GRÁFICO 12 – Evolução do índice preço x aluguel – 2º mandato Lula 1,20 1,15 1,10 1,05 1,00 0,95 0,90 IPA - Índice Preço Aluguel Fonte: Dados básicos extraídos do IPEAD, e elaboração pelo autor. nov/10 jul/10 set/10 mai/10 mar/10 jan/10 nov/09 set/09 jul/09 mai/09 mar/09 jan/09 nov/08 set/08 jul/08 mai/08 mar/08 jan/08 nov/07 set/07 jul/07 mai/07 mar/07 jan/07 0,85 72 . A partir da campanha eleitoral que resultou na eleição de Dilma Rousseff, percebese um aquecimento do mercado imobiliário com grande elevação do índice, que de janeiro de 2010 a setembro de 2013, eleva de 1,01 para 1,23. (Gráfico 14). GRÁFICO 13 – Evolução do índice preço x aluguel – Governo Dilma 1,30 1,25 1,20 1,15 1,10 1,05 1,00 0,95 0,90 0,85 IPA - Índice Preço Aluguel Fonte: Dados básicos IPEAD, e elaboração pelo autor. Essa abrupta elevação merece o devido cuidado, pois a ideia de formação de bolha, conforme desenvolvido no referencial teórico, repousa no entendimento que os mercados passam por ciclos, e que, no longo prazo, um crescimento vertiginoso não se sustenta sem haver elementos que justifiquem tal aumento. Pode-se concluir esta seção afirmando que o mercado imobiliário de Belo Horizonte exibiu grandes oscilações, e que nos últimos anos foi detectado um aumento de preços dos imóveis que superaram tanto a elevação dos custos de produção, quanto da rentabilidade dos ativos representados pelos alugueis. Mas, neste ponto não se pode afirmar que há uma bolha especulativa em curso. A próxima seção irá empregar métodos econométricos mais apropriados visando trazer novas evidências sobre a questão de crescimento sustentado x bolha 73 especulativa neste mercado. Especificamente, será apresentado análise de causalidade entre os preços dos imóveis e alugueis na forma sugerida por Akerlof e Shiller (2010) para verificar se existe bons fundamentos para as recentes elevações no preço dos imóveis. 5.3 Análise de causalidade entre os preços dos imóveis e os alugueis 5.3.1 O Teste de cointegração das séries Antes de apresentar o modelo, deve-se realizar alguns testes que culminam com a análise de cointegração entre as variáveis. Para tal, analisa-se, inicialmente se as séries de preços e dos alugueis são estacionárias. O teste empregado para verificar a estacionariedade das séries, conforme descrito na metodologia, é o de Dickey-Fuller Aumentado (ADF), com a presença de constante e com tendência linear (ADFc,t). A Tabela 6 retrata os resultados dos testes, tanto para as séries em nível, quanto para a primeira diferença dessas séries. As estatísticas encontradas para aquelas estão na zona de aceitação da (H0), nos níveis de significância de 1% e 5%. A aceitação de (H0) indica que a série tem raiz unitária e é não estacionária, sendo necessários novos testes para verificar qual é a ordem de integração das séries. TABELA 6 – Teste de Raiz Unitária (Dickey-Fuller Aumentado) para as séries de preços dos imóveis e dos alugueis 1. Séries em Nível Preço do Imóvel Alugueis 2. Séries na 1ª Diferença Preço do Imóvel Alugueis Estatística t Probabilidade Significância -1,886487 0,6574 -2,531766 0,3126 -13,29141 0,0000 -19,91902 0,0000 Fonte: Dados da pesquisa. Nota: Amostra 2002-2010 (valores mensais). Valores críticos para o Teste Nível de 1% Nível de 5% Nível de 1% Nível de 5% -4,01074 -3,435413 -4,011044 -3,43556 Nível de 1% Nível de 5% Nível de 1% Nível de 5% -4,011044 -3,43556 -4,011044 -3,14182 74 Em relação à primeira diferença das séries, os resultados revelam que as séries são estacionárias, uma vez que os valores absolutos das estatísticas calculadas são superiores aos valores críticos absolutos tabulados. Verifica-se, por exemplo, com relação à série de preço dos imóveis, que o valor absoluto da estatística calculada é -13,291410, enquanto os valores absolutos tabulados são -4,011044 e -3,435560, nos níveis de significância de 1% e 5%, respectivamente. Conclui-se que as séries de preço dos imóveis e dos alugueis são I(1), ou seja, integradas de ordem 1. De acordo com estes resultados, conforme descrito na Metodologia, pode-se proceder à investigação para verificar se as séries exibem uma relação de longo prazo, o que implica, inicialmente, analisar se elas se cointegram. Utiliza-se, para esse fim, do teste de cointegração de Johansen (1988), empregando-se a estatística traço e máximo-valor (Tabela 7). TABELA 7 Teste de Cointegração de Johansen entre preços e alugueis de imóveis Hipótese N° de cointegração Não existe cointegração * Existe no máximo uma cointegração Autovalor Estatística Traço 0,136034 3,88E-05 25,30302 0,006718 Estatística Hipótese N° de cointegração Autovalor MáximoAutovalor Não existe cointegração * 0,136034 25,29630 Existe no máximo uma cointegração 3,88E-05 0,006718 Fonte: Dados da pesquisa. * Indica rejeição da hipótese no nível de 5%. Valor Crítico (5%) Prob. 15,49471 3,841466 Valor Crítico (5%) 0,0012 0,9341 14,26460 3,84147 0,0006 0,9341 Prob. As hipóteses nulas são: i) não existe cointegração entre as séries; ii) existe, no máximo, uma cointegração entre as séries. A condição a ser observada para a aceitação de HO é o valor da estatística calculada (Estatística Traço e de MáximoAutovalor) ser inferior ao do nível crítico em cada teste. Os resultados descritos na Tabela 7 afastam qualquer dúvida e mostram a existência de cointegração entre as séries e que, entre elas, há uma relação de longo prazo. Esses resultados fornecem elementos que permitem dar sequência aos testes capazes de identificar o sentido de causalidade entre essas variáveis, tanto no curto 75 quanto no longo prazo. Inicialmente estimou-se um VAR para identificar a estrutura de defasagem (tabela 8). TABELA 8 VAR para a seleção da estrutura de defasagem: Variáveis endógenas – preços dos imóveis e alugueis Defasagens 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Fonte: Dados da Pesquisa. AIC 20,52719 11,32732 11,23448 11,24690 11,19445* 11,21751 11,23112 11,24171 11,25766 11,28659 11,32550 11,36028 11,36769 * Indica a ordem de defasagem selecionada pelo Critério de Informação de Akaike (AIC). De acordo com o Critério de Akaike, foi identificada a defasagem de 4 (quatro) períodos como a mais indicada para a correção de erros. Estimou-se, então, o VEC com essa estrutura de defasagem. 5.3.2 Os efeitos dos alugueis sobre os preços dos imóveis De acordo com as hipóteses formuladas, caso os alugueis causem aumento dos preços dos imóveis no longo prazo, pode-se ponderar que a alta nos preços dos imóveis é respaldada pelos fundamentos do mercado imobiliário, isto é, uma alta demanda provocada por maior rentabilidade proporcionada pelo uso do imóvel (aluguel) promove, de forma sustentada, elevação no preço do ativo. Assim, nessa perspectiva, o preço dos imóveis deveria estabilizar-se quando a oferta igualar-se à demanda, sem que ocorra uma bolha especulativa. 76 A estimativa do VECM, com a variável dependente preço dos imóveis em sua primeira diferença D(PR), está apresentada na equação (24) a seguir. D(PR) = C(1)*(PR(-1) – 1,30202444142*AL (-1) -47,8492290469) + C(2)*D(PR(-1)) + C(3)*D(PR(-2)) + C(4)*D(PR(-3)) + C(5)*D(PR(-4)) + C(6)*D(ALUG(-1)) C(7)*D(ALUG(-2)) + C(8)*D(ALUG(-3)) + C(9)*D(ALUG(-4)) + C(10) + (25) Para que ocorra a transmissão dos alugueis para o preço dos imóveis no longo prazo, o coeficiente C(1), que retrata a cointegração, deve ser negativo e estatisticamente significativo. Verifica-se, na Tabela 9, que essas condições são atendidas, mas o coeficiente é muito reduzido o que levaria um horizonte de tempo muito largo para o ajuste de longo prazo. TABELA 9 Relação entre alugueis e preços dos imóveis: variável dependente D(PR) Coeficiente C (1) -0,026085 C (2) -0,041765 C (3) 0,000730 C (4) 0,275464 C (5) 0,103099 C (6) -0,026491 C (7) -0,040357 C (8) -0,029104 C (9) -0,008543 C (10) 1,385596 R² = 0,3901 R² ajustado = 0,3564 Durbin-Watson = 1,9811 Fonte: Dados da pesquisa. Erro Padrão Estatística t Probabilidade 0,006078 -4,291877 0,0000 0,076424 -0,546386 0,5855 0,073388 0,009948 0,9921 0,072621 3,793166 0,0002 0,075814 1,359893 0,1757 0,012604 -2,101820 0,0371 0,013192 -3,059226 0,0026 0,013269 -2,193439 0,0297 0,011696 -0,730442 0,4662 0,284483 4,870584 0,0000 Estatística F = 11,5855 Prob(Est. F = 0,000) Ademais, os coeficientes de curto prazo que retratam a transmissão de aumentos de alugueis para os preços [ C(6), C(7), C(8) e C(9) ] são negativos, indicando uma relação inversa entre essas variáveis. Ou seja, não se pode postular que o valor dos alugueis é a variável relevante para a determinação dos preços dos imóveis no mercado de Belo Horizonte (Tabela 9). 5.3.3 Os efeitos dos preços dos imóveis sobre os alugueis Estimou-se, também, o VECM para analisar a transmissão de preços dos imóveis para os alugueis. O modelo estimado, com a variável dependente valor dos alugueis 77 em sua D(ALUG) primeira = diferença, C(1)*(ALUG(-1) - é descrito pela 0.768034737433*PR(-1) - equação (26). 36.7498700674) + C(2)*D(ALUG(-1)) + C(3)*D(ALUG(-2)) + C(4)*D(ALUG(-3)) + C(5)*D(ALUG(-4)) + C(6)*D(PR(-1)) + C(7)*D(PR(-2)) + C(8)*D(PR(-3)) + C(9)*D(PR(-4)) + C(10) Verifica-se que, diferentemente do caso anterior, há uma relação de longo prazo e um sentido de causalidade dos preços dos imóveis para os alugueis, uma vez que o coeficiente de cointegração entre essas variáveis, C(1) além de ser negativo e com valor de probabilidade de significância abaixo de 5% , apresenta um valor bem mais elevado. Isto significa que há um rápido ajustamento de qualquer desequilíbrio para um ajustamento de longo prazo. TABELA 10 Relação entre preços dos imóveis e alugueis: variável dependente D(A) Coeficiente C (1) -0,126038 C (2) -0,384532 C (3) -0,113792 C (4) -0,059059 C (5) 0,010456 C (6) 0,925822 C (7) 0,509812 C (8) 0,577174 C (9) 0,795364 C (10) -2,921233 R² = 0,2245 R² ajustado = 0,1817 Durbin-Watson = 2,0067 Fonte: Dados da pesquisa. Erro Padrão Estatística t Probabilidade 0,055769 -2,260007 0,0251 0,088827 -4,329008 0,0000 0,092969 -1,223971 0,2227 0,093511 -0,631575 0,5285 0,082425 0,126857 0,8992 0,538601 1,718940 0,0875 0,517204 0,985707 0,3257 0,511797 1,127738 0,2611 0,534302 1,488602 0,1385 2,004894 -1,457051 0,1470 Estatística F = 5,2442 Prob(Est. F = 0,000003) Ademais, os coeficientes de curto prazo apresentam os sinais corretos, de tal forma que aumentos de preços dos imóveis de curto prazo são transmitidos para aumentos dos alugueis. Entretanto, os coeficientes de curto prazo, considerados individualmente, não são estatisticamente significativos. Mas esta constatação não encerra a discussão. Como os sinais dos coeficientes estão corretos, procurou-se identificar se os efeitos de curto prazo provenientes dos alugueis para o preço dos imóveis, considerando os coeficientes em seu conjunto, podem ser descartados. Para este fim, recorreu-se ao Teste de Wald, e os resultados estão descritos na Tabela 11. 78 TABELA 11 Teste de Wald: efeitos de curto prazo dos preços dos imóveis para alugueis Teste Estatístico Estatística F Qui-Quadrado Sumário da Hipótese Nula: Restrição normalizada (=0) C(6) C(7) C(8) C(9) Restrições são lineares nos coeficientes Fonte: Dados da pesquisa. Valor 2,559905 10,239620 GL (4, 163) 4 Valor 0,925822 0,509812 0,577174 0,795364 Probabilidade 0,040600 0,0366 Erro Padrão 0,538601 0,517204 0,511797 0,534302 Deve-se observar o Teste Estatístico referente ao Qui-Quadrado, cujo valor é 10,239620, com uma probabilidade de significância inferior a 5% (Tabela 11). Podese rejeitar a HO, que postula que as elevações de preços dos imóveis no curto prazo não causam aumentos no valor dos aluguéis. Aceita-se assim, a hipótese alternativa ou seja, aumentos dos preços dos imóveis no curto prazo são transmitidos para os aluguéis. 79 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como objetivo analisar o crescimento do mercado imobiliário na cidade de Belo Horizonte, com o intuito de identificar se existe uma bolha imobiliária ou se a situação pode ser caracterizada como crescimento sustentado, em linha com os bons fundamentos econômicos. Vale ressaltar que a definição de bolha adotada neste trabalho foi o de um aumento no valor de um ativo por um determinado período de tempo, o suficiente para levar os agentes a acreditarem que esse crescimento será contínuo e/ou permanente. Esta situação é seguida de uma queda abrupta dos preços em um curto espaço de tempo, sem, contudo, haver alguma alteração nos fundamentos que justifiquem sequer a valorização ou desvalorização. Na seção dedicada ao referencial teórico, foram abordadas diferentes teorias a respeito de ciclos de negócios, instabilidade financeira e bolhas especulativas. Krugman (2009) defende que um crescimento baseado na especulação não se sustenta no longo prazo e essa queda pode vir seguida de elementos que causam a desestabilidade de todo o sistema econômico. Estudos de outros reverenciados autores, quando se trata de crise financeira em economias de mercado, foram, também, utilizados, com destaque para Minsk (1986), Akerlof e Shiller (2010). A análise foi conduzida para o mercado imobiliário de Belo Horizonte, no segmento de imóveis residenciais. Os dados estatísticos foram fornecidas pelo IPEAD-UFMG, que conduz mensalmente acompanhamento deste mercado, desde julho de 1994. Foi possível identificar o ciclo no mercado imobiliário de Belo Horizonte, distinto do que ocorreu nos mercados dos países desenvolvidos. Nestes observou-se uma bolha especulativa com estouro em 2008. No mercado de Belo Horizonte, esta situação não foi presenciada, e conforme discutido, o comportamento distinto relacionou-se à condução da política econômica no país com ênfase na estabilidade dos preços, garantida por maior austeridade fiscal e altas taxas de juros. Contudo, 80 observou-se um aquecimento no mercado imobiliário de Belo Horizonte nos quatro últimos anos da série analisada, refletida por uma elevação digna de nota do índice preço-aluguel, que foi construído para atender um dos objetivos específicos desta dissertação. Análises econométricas foram conduzidas para verificar os fundamentos do mercado imobiliário, sendo estimadas as relações de curto e longo prazo entre as variáveis preço dos imóveis e alugueis. Em vista das análises conduzidas nesta dissertação, pode-se concluir que as evidências não favorecem a interpretação de que o mercado imobiliário residencial em Belo Horizonte repousa em sólidos fundamentos econômicos e não é ameaçado por formação de bolha especulativa. Ao contrário, há evidências de que o mercado de residências está inflacionado, sendo que os alugueis não conseguem acompanhar a trajetória de preços dos imóveis. De acordo com Akerlof e Shiller (2010), em mercados que enfrentam o fenômeno de bolhas, observa-se que os preços dos imóveis provocam aumentos dos alugueis, mas o inverso não ocorre. No presente caso, constatou-se que, em relação à primeira assertiva, o mesmo comportamento foi constatado para o mercado de imóveis residenciais de Belo Horizonte. Em relação à segunda, um comportamento mais complexo foi identificado. Há uma relação de longo prazo entre os alugueis os preços dos imóveis, mas a velocidade do ajustamento é muito baixa. Ademais, o modelo mostra uma relação inversa entre alugueis e preços no curto prazo. Pode-se concluir que as evidências favorecem as opiniões de uma corrente de analistas que alertam sobre a falta de bons fundamentos e sobre os riscos de perdas no mercado imobiliário. Não chegamos ao ponto de postular que há uma bolha especulativa, pois a conjuntura econômica do país é distinta daquela presenciada nos EUA, na Europa e em países da Ásia, por ocasião da explosão da bolha especulativa imobiliária. Há uma grande diferença na oferta de crédito nessas economias, sendo essa mais limitada no Brasil, o que torna o sistema bancário brasileiro menos alavancado. 81 O Banco Central do Brasil tem implementado uma política bancária mais cautelosa e prudencial, com exigências mais rígidas sobre a concessão de créditos e volume de capital próprio exigido dos acionistas. O setor financeiro do país é muito regulamentado, e as regras emanadas da autoridade monetária são aderentes às estabelecidas pelo Acordo de Basileia II. Os bancos, por sua vez, exigem a entrada de, no mínimo, 20% do valor do imóvel para a concessão de financiamento, o que ajuda a inibir aquisições de investidores comandadas por impulso. Ademais, a política macroeconômica de juros mais elevados do país inibe as aquisições de imóveis para compor a carteira dos investidores, pois esses concorrem com ativos financeiros que dão um bom retorno aos aplicadores. Finalmente, há, no país, uma demanda não satisfeita por imóveis menos sofisticados, em face da carência de moradias, sendo a procura motivada pelo desejo da casa própria. Em decorrência observou-se que o índice preço-aluguel não apresentou uma tendência crescente e explosiva ao longo do período analisado: Períodos de elevação foram seguidos por período de retração do índice. Entretanto, evidências extraídas do indicador preço/aluguel e dos testes de causalidade preço-aluguel-preço sugerem um mercado imobiliário inflacionado, de tal forma que a continuidade da elevação do preço dos imóveis afigura-se como improvável. Caso esse movimento de alta persista, ele certamente dará ensejo a uma bolha especulativa, cuja derrocada poderá provocar grande transtorno macroeconômico e graves consequências individuais. Obviamente, este trabalho possui várias limitações, e algumas são dignas de nota. O estudo limitou-se a analisar o mercado imobiliário de Belo Horizonte e as pesquisas direcionaram ao segmento residencial. Assim, as conclusões podem não ser válidas para o segmento comercial (salas, lojas e galpões). Ademais, o setor residencial foi tratado de forma agregada, não distinguindo-se o tamanho das unidades (número de dependências), os distintos padrões de construção e o local das construções (bairros). 82 Em relação aos retornos proporcionados pelos imóveis, conforme ressaltado, estes são derivados da valorização e dos alugueis recebidos. Contudo, os dados secundários disponíveis não permitem captar de forma apropriada o segundo componente. Portanto, sugere-se o desenvolvimento de estudos que aperfeiçoem a base de dados, apresentem análise mais desagregada para o segmento residencial, além de abranger, também, o segmento comercial. Evidentemente, novas análises deveriam ser feitas para outras regiões do país, o que permitiria avaliar as conclusões obtidas nesta dissertação. 83 REFERÊNCIAS ABECIP. Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. Portal institucional. Disponível em http://www.abecip.org.br. Acesso em: 24 jan. 2014. AKERLOF, George A.; SHILLER, Robert J. O espírito animal: Como a psicologia humana impulsiona a economia e a sua importância para o capitalismo global. São Paulo: Campus, 2010. ANTONIK, Luis Roberto. Opções Reais. FAE Inteligenttia. 2005. Disponível em http://www.fae.edu/intelligentia/principal/. Acesso em: 16 jun. 2013. BACEN – Banco Central do Brasil. Portal institucional. Disponível em http://www.bcb. gov.br/pt-br/paginas/default.aspx. Acesso em: 14 jun. 2013. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Portal http://www.cef.gov.br. Acesso em: 13 jun. 2013. institucional. Disponível em CARNEIRO, F. G.; A Metodologia dos testes de causalidade em economia: Texto para Discussão, Brasilia, Departamento de Economia,Universidade de Brasilia, p. 1-13, (n.d). CEMAP – Centro de Macroeconomia Aplicada. Bolha no mercado imobiliário em São Paulo? Evidência baseada em testes econométricos. out. 2012. 4p. Disponível em: <http://cemap.fgv.br/sites/cemap.fgv.br/files/file/Carta_CEMAP_XII(1) .pdf. Acesso em: 13 nov. 2012. COLLIS, J.; HUSSEY, R. Pesquisa em administração. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. DAHER, Cecílio Elias. A bolha de 2008 na bolsa de valores brasileira: Teorias e evidências. Brasília: UNB, 2010. DAMODARAN, Aswath. Finanças corporativas aplicadas. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. DICKEY D.A.; FULLER W.A. Distribution of estimators for autoregressive time series with a unit root. Journal of American Statistical Association, New York, v. 74, p.427-431, 1979. ENGLE,R.F.; GRANGER,C.W.J. Co-integration and error representation,estimation and testing, Econometrica 55, 251-76. (1987) correction: FORTUNA, Eduardo Mercado Financeiro, 18.ed São Paulo: Atlas, 2010. GARBER, P.M. Famous first bubbles: the fundamentals of early manias. Cambridge (Ma) e London: The MIT Press, 2001. 84 GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002. GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v.35, n.3, p.57-63, 1995. GONTIJO, Cláudio. A teoria das crises financeiras: uma apreciação crítica. 2011. Disponível em http://www.anpec.org.br. Acesso em: 16 jul. 2013. GRANGER, c.w. Some recent development in a concept of causality, Journal of Econometrics, vo. 39, p.199-211, 1988. GUJARATI, Damodar N. Econometria Básica. 3.ed. São Paulo: Makron Books, 2000. HARRISON, Michael & Kreps, David, 1978, Speculative investor behavior in a stock market with heterogeneous expectations, Quarterly Journal of Economics, 323-336 HENDRY, D. F. Dynamic Econometris, Oxford: Oxford University Press, 1995 IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeções da População do Brasil por Sexo e Idade para o Período 1980-2050. Revisão 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. IPEAD. Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas. Portal institucional. Disponível em http://www.ipead.com.br/site/. Acesso em: 24 mar. 2014. JOHANSEN, S. Statistical Analysis of Cointegration Vectors. Journal of Economic Dynamics and Control, v.2, p.231-254, 1988. KEYNES, J. M. The General Theory of employment, interest and money . New York: Harcourt, Brace, 1936. Trad. port. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda . São Paulo: Atlas, 1982. KINDLEBERGER, C. Manias, pânico e crashes: Um histórico de crises financeiras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. KRUGMAN, Paul. A crise de 2008 e a economia da depressão. 4.ed. São Paulo: Campus, 2009. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Técnicas de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2009. LIMA JÚNIOR, João da Rocha. Alerta de bolha. Carta do NRE-POLI n. 25-11. São Paulo: USP, jul-set 2011. 13p. Disponível em: <http://www.realestate.br/images /File/NewsLetter/CartaNRE25-3-11.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2012. MATTAR, F. N.; Pesquisa de Marketing: Uma orientação aplicada. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1997. 85 MENDONÇA, Jorge Mário; SACHSIDA, Adolfo. Existe bolha no mercado imobiliário Brasileiro? Brasília, 2012 MILLER, S.M.; RUSSEK, F.S. Co-integration and error correction: the temporal causality between government taxes and spending, Southern Economic Journal 57, 221-29, 1990. MINSKY, H. Stabilizing an unstable economy. New Haven: Yale University Press, 1986. MODIGLIANI, F; MILLER, M. H. The cost of capital, corporation finance and the theory of investment. American Economic Review, v.48, n. 3, p. 261-297, 1958. NOGUEIRA, Fernando Tadeu Pongelupe. Integração espacial e efetividade do hedge no mercado brasileiro de café arábica. São Paulo: BM&F Brasil, 2001. PINHEIRO, Juliano Lima. Mercado de Capitais. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2009. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. F. Administração financeira. São Paulo: Atlas, 2010. ROUBINI, Nouriel; MIHM, Stephen. A economia das crises: Um curso relâmpago sobre o futuro do sistema financeiro internacional. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010. SCHEINKMAN, Jose, and WEI Xiong, “Overconfidence and Speculative Bubbles,” Journal of Political Economy, 2003 SHILLER, Robert J. Exuberância irracional. São Paulo: Makron Book, 2000. SHOSTAK, Frank. A atual crise financeira confirma a teorias de Hyman Minsky. 2009. Disponível em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=451. Acesso em: 16 abr. 2013. SINDUSCON-MG. Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais. O desempenho do mercado imobiliário de Belo Horizonte nos 16 anos do Real. Belo Horizonte: Sinduscon-MG, 2010. SPOLADOR H.; MELLO, Pedro C. Crises Financeiras: Quebras, medos e especulações do mercado. Do século XVII à Crise do Subprime e da Zona do Euro. 3.ed. São Paulo: Saint Paul, 2010. VERGARA, S. C. Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 1998. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 86 APÊNDICE Tabela A.1– Índice preço-aluguel: imóveis residenciais de Belo Horizonte: 1998-2013 Período dez-98 Preço 100,00 Aluguel 100,00 IPA 1,00 jan-99 100,01 98,25 1,02 fev-99 100,30 99,47 1,01 mar-99 101,37 102,30 0,99 abr-99 101,93 99,27 1,03 mai-99 101,98 99,33 1,03 jun-99 102,46 96,91 1,06 jul-99 102,52 94,28 1,09 ago-99 102,99 94,08 1,09 set-99 103,24 94,57 1,09 out-99 103,35 95,36 1,08 nov-99 103,47 94,92 1,09 dez-99 103,52 95,03 1,09 jan-00 103,68 95,74 1,08 fev-00 104,33 96,60 1,08 mar-00 104,52 95,65 1,09 abr-00 104,68 93,00 1,13 mai-00 104,68 95,59 1,10 jun-00 104,68 98,58 1,06 jul-00 105,06 93,47 1,12 ago-00 105,35 95,25 1,11 set-00 105,39 95,71 1,10 out-00 105,49 99,11 1,06 nov-00 105,55 96,30 1,10 dez-00 105,47 95,46 1,10 jan-01 105,55 93,78 1,13 fev-01 105,70 90,05 1,17 mar-01 106,30 92,39 1,15 abr-01 106,71 93,68 1,14 mai-01 107,10 94,23 1,14 jun-01 107,95 94,25 1,15 jul-01 108,52 96,31 1,13 ago-01 108,06 97,32 1,11 (Continua) 87 (Continuação) Período set-01 Preço 108,15 Aluguel 97,53 IPA 1,11 out-01 108,39 95,74 1,13 nov-01 108,89 97,07 1,12 dez-01 109,70 92,45 1,19 jan-02 110,01 101,48 1,08 fev-02 110,58 100,16 1,10 mar-02 abr-02 mai-02 jun-02 jul-02 ago-02 set-02 out-02 nov-02 dez-02 jan-03 fev-03 mar-03 abr-03 mai-03 jun-03 jul-03 ago-03 set-03 out-03 nov-03 dez-03 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 111,29 112,83 113,14 113,82 114,52 114,67 116,44 118,09 119,10 120,44 122,17 123,31 127,34 128,26 129,35 130,85 133,19 133,84 135,51 135,83 136,58 138,10 138,64 138,47 140,11 141,45 141,35 142,60 143,15 108,13 106,89 110,27 105,35 114,87 115,77 104,37 114,64 112,72 114,23 116,06 112,62 115,59 115,43 112,30 114,57 113,74 111,90 112,46 111,62 112,04 111,71 111,08 112,18 113,75 114,10 112,85 115,34 111,49 1,03 1,06 1,03 1,08 1,00 0,99 1,12 1,03 1,06 1,05 1,05 1,09 1,10 1,11 1,15 1,14 1,17 1,20 1,20 1,22 1,22 1,24 1,25 1,23 1,23 1,24 1,25 1,24 1,28 (Continua) 88 (Continuação) Período Preço Aluguel IPA ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 jan-05 fev-05 mar-05 abr-05 mai-05 jun-05 jul-05 ago-05 set-05 out-05 nov-05 dez-05 jan-06 fev-06 mar-06 abr-06 mai-06 jun-06 jul-06 ago-06 set-06 out-06 nov-06 dez-06 jan-07 fev-07 mar-07 abr-07 mai-07 jun-07 jul-07 144,18 145,85 146,05 147,30 149,36 151,87 154,11 154,78 155,94 159,52 160,39 161,18 162,32 163,04 164,46 165,53 168,27 169,18 170,07 171,73 172,48 172,82 174,26 176,43 177,48 178,77 180,13 182,25 184,02 187,09 188,94 192,25 194,02 195,95 198,38 200,87 121,58 128,01 130,69 130,23 134,53 125,25 134,45 133,09 141,06 142,20 144,70 149,06 147,25 149,43 139,66 147,25 149,05 147,03 160,46 174,88 172,98 162,19 149,97 151,11 154,17 153,27 157,87 164,34 161,78 167,73 181,64 192,59 204,58 206,59 197,37 207,22 1,19 1,14 1,12 1,13 1,11 1,21 1,15 1,16 1,11 1,12 1,11 1,08 1,10 1,09 1,18 1,12 1,13 1,15 1,06 0,98 1,00 1,07 1,16 1,17 1,15 1,17 1,14 1,11 1,14 1,12 1,04 1,00 0,95 0,95 1,01 0,97 (Continua) 89 (Continuação) Período Preço Aluguel IPA ago-07 set-07 out-07 nov-07 dez-07 jan-08 fev-08 mar-08 abr-08 mai-08 jun-08 jul-08 ago-08 set-08 out-08 nov-08 dez-08 jan-09 fev-09 mar-09 abr-09 mai-09 jun-09 jul-09 ago-09 set-09 out-09 nov-09 dez-09 jan-10 fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 202,75 204,24 206,27 208,82 214,14 219,71 223,28 226,63 228,99 232,66 236,28 238,03 242,78 245,78 249,75 253,07 261,65 258,82 260,22 262,45 263,62 267,20 271,97 274,11 276,02 279,32 281,03 282,19 286,35 290,52 292,59 297,05 298,91 301,75 304,03 214,15 208,45 215,86 223,46 211,50 214,36 242,08 226,71 234,10 249,96 259,05 239,94 244,44 226,54 219,74 235,29 249,11 280,47 257,52 256,68 284,58 302,44 286,19 292,01 275,91 305,51 282,37 297,32 283,99 288,91 304,25 293,67 268,42 316,34 273,30 0,95 0,98 0,96 0,93 1,01 1,02 0,92 1,00 0,98 0,93 0,91 0,99 0,99 1,08 1,14 1,08 1,05 0,92 1,01 1,02 0,93 0,88 0,95 0,94 1,00 0,91 1,00 0,95 1,01 1,01 0,96 1,01 1,11 0,95 1,11 (Continua) 90 (Continuação) Período Preço Aluguel IPA jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12 jul-12 ago-12 set-12 out-12 nov-12 dez-12 jan-13 fev-13 mar-13 abr-13 mai-13 jun-13 jul-13 ago-13 set-13 306,51 315,14 317,67 319,99 322,80 326,33 329,85 332,83 334,21 336,63 338,70 345,13 348,07 354,36 359,94 361,45 362,99 370,62 375,08 372,75 379,40 381,06 380,42 384,02 386,20 388,21 390,09 396,65 398,75 401,21 404,24 409,07 411,96 414,81 416,64 417,19 419,63 420,36 420,82 300,36 298,31 297,43 287,41 292,09 299,91 303,69 315,61 311,20 322,63 323,53 324,25 332,53 337,56 333,43 326,86 336,58 318,54 329,52 325,01 357,08 369,99 357,54 359,48 347,03 354,51 353,17 356,23 366,37 350,84 367,08 379,81 358,51 357,72 364,03 374,49 357,03 359,91 341,64 1,02 1,06 1,07 1,11 1,11 1,09 1,09 1,05 1,07 1,04 1,05 1,06 1,05 1,05 1,08 1,11 1,08 1,16 1,14 1,15 1,06 1,03 1,06 1,07 1,11 1,10 1,10 1,11 1,09 1,14 1,10 1,08 1,15 1,16 1,14 1,11 1,18 1,17 1,23 Fonte: Dados básicos fornecidos pelo IPEAD e construção pelo autor 91 Tabela A.2 – Série histórica do preço de venda dos imóveis residenciais de Belo Horizonte Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) mai-94 95,06 - 100,00 100,00 jun-94 96,32 1,33 1,01 101,33 jul-94 100,00 3,82 1,04 105,20 ago-94 99,24 -0,76 0,99 104,40 set-94 100,64 1,41 1,01 105,87 out-94 102,47 1,82 1,02 107,80 nov-94 103,28 0,79 1,01 108,65 dez-94 104,89 1,56 1,02 110,35 jan-95 106,10 1,15 1,01 111,62 fev-95 108,55 2,31 1,02 114,19 mar-95 112,40 3,55 1,04 118,25 abr-95 113,99 1,41 1,01 119,92 mai-95 113,26 -0,64 0,99 119,15 jun-95 115,64 2,10 1,02 121,65 jul-95 117,28 1,42 1,01 123,38 ago-95 120,39 2,65 1,03 126,65 set-95 122,28 1,57 1,02 128,64 out-95 122,84 0,46 1,00 129,23 nov-95 124,10 1,03 1,01 130,56 dez-95 125,58 1,19 1,01 132,11 jan-96 126,59 0,80 1,01 133,17 fev-96 128,26 1,32 1,01 134,93 mar-96 129,19 0,73 1,01 135,91 abr-96 129,48 0,22 1,00 136,21 mai-96 130,37 0,69 1,01 137,15 jun-96 129,77 -0,46 1,00 136,52 jul-96 130,57 0,62 1,01 137,37 ago-96 131,37 0,61 1,01 138,20 set-96 130,73 -0,49 1,00 137,53 out-96 132,61 1,44 1,01 139,51 nov-96 134,49 1,42 1,01 141,49 dez-96 135,69 0,89 1,01 142,75 jan-97 136,31 0,46 1,00 143,40 (Continua) 92 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) fev-97 137,64 0,97 1,01 144,80 mar-97 138,24 0,44 1,00 145,43 abr-97 139,09 0,61 1,01 146,32 mai-97 139,59 0,36 1,00 146,85 jun-97 140,47 0,63 1,01 147,77 jul-97 141,45 0,70 1,01 148,81 ago-97 set-97 out-97 nov-97 dez-97 jan-98 fev-98 mar-98 abr-98 mai-98 jun-98 jul-98 ago-98 set-98 out-98 nov-98 dez-98 jan-99 fev-99 mar-99 abr-99 mai-99 jun-99 jul-99 ago-99 set-99 out-99 nov-99 dez-99 142,07 143,24 143,84 145,36 145,78 146,38 147,32 147,66 148,19 149,37 149,52 149,69 149,90 150,24 150,90 151,04 151,04 151,05 151,49 153,11 153,96 154,03 154,76 154,85 155,56 155,93 156,10 156,28 156,35 0,44 0,82 0,42 1,06 0,29 0,41 0,64 0,23 0,36 0,80 0,10 0,11 0,14 0,23 0,44 0,09 0,00 0,01 0,29 1,07 0,55 0,05 0,47 0,06 0,46 0,24 0,11 0,11 0,04 1,00 1,01 1,00 1,01 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 149,46 150,69 151,32 152,92 153,37 154,00 154,98 155,34 155,90 157,14 157,30 157,47 157,69 158,06 158,75 158,90 158,90 158,91 159,37 161,08 161,96 162,04 162,81 162,90 163,65 164,05 164,22 164,41 164,48 (Continua) 93 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) jan-00 fev-00 mar-00 abr-00 mai-00 jun-00 jul-00 ago-00 set-00 out-00 nov-00 dez-00 jan-01 fev-01 mar-01 abr-01 mai-01 jun-01 jul-01 ago-01 set-01 out-01 nov-01 dez-01 jan-02 fev-02 mar-02 abr-02 mai-02 jun-02 jul-02 ago-02 set-02 out-02 nov-02 dez-02 156,60 157,59 157,87 158,11 158,11 158,11 158,69 159,12 159,18 159,34 159,42 159,31 159,43 159,64 160,55 161,17 161,76 163,05 163,91 163,21 163,35 163,72 164,47 165,69 166,15 167,02 168,09 170,42 170,89 171,92 172,97 173,19 175,87 178,36 179,88 181,91 0,16 0,63 0,18 0,15 0,00 0,00 0,36 0,27 0,04 0,10 0,05 -0,07 0,08 0,13 0,57 0,39 0,37 0,80 0,52 -0,43 0,09 0,22 0,46 0,74 0,28 0,52 0,64 1,39 0,27 0,60 0,61 0,13 1,55 1,41 0,86 1,13 1,00 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,00 1,02 1,01 1,01 1,01 164,75 165,78 166,08 166,34 166,33 166,34 166,94 167,39 167,46 167,63 167,71 167,59 167,72 167,95 168,90 169,55 170,18 171,53 172,43 171,70 171,85 172,23 173,03 174,31 174,80 175,71 176,83 179,28 179,77 180,86 181,96 182,20 185,02 187,63 189,24 191,37 (Continua) 94 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) jan-03 fev-03 mar-03 abr-03 mai-03 jun-03 jul-03 ago-03 set-03 out-03 nov-03 dez-03 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 jan-05 fev-05 mar-05 abr-05 mai-05 jun-05 jul-05 ago-05 set-05 out-05 nov-05 184,52 186,25 192,33 193,72 195,37 197,63 201,16 202,15 204,67 205,15 206,28 208,58 209,40 209,15 211,62 213,64 213,50 215,38 216,21 217,77 220,30 220,60 222,48 225,59 229,39 232,77 233,78 235,53 240,94 242,26 243,45 245,17 246,25 248,40 250,02 1,43 0,94 3,27 0,72 0,85 1,16 1,79 0,49 1,25 0,24 0,55 1,11 0,39 -0,12 1,18 0,95 -0,07 0,88 0,38 0,72 1,16 0,14 0,85 1,40 1,68 1,47 0,44 0,75 2,30 0,55 0,49 0,71 0,44 0,87 0,65 1,01 1,01 1,03 1,01 1,01 1,01 1,02 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,02 1,01 1,00 1,01 1,02 1,01 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 194,11 195,93 202,33 203,80 205,54 207,91 211,63 212,66 215,32 215,82 217,01 219,43 220,29 220,03 222,63 224,75 224,60 226,59 227,46 229,10 231,75 232,07 234,05 237,32 241,32 244,87 245,94 247,78 253,47 254,86 256,11 257,92 259,06 261,32 263,02 (Continua) 95 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) dez-05 jan-06 fev-06 mar-06 abr-06 mai-06 jun-06 jul-06 ago-06 set-06 out-06 nov-06 dez-06 jan-07 fev-07 mar-07 abr-07 mai-07 jun-07 jul-07 ago-07 set-07 out-07 nov-07 dez-07 jan-08 fev-08 mar-08 abr-08 mai-08 jun-08 jul-08 ago-08 set-08 out-08 nov-08 dez-08 254,16 255,54 256,88 259,38 260,52 261,03 263,20 266,48 268,06 270,02 272,07 275,27 277,94 282,58 285,38 290,37 293,04 295,97 299,64 303,40 306,23 308,48 311,54 315,41 323,43 331,85 337,25 342,30 345,86 351,41 356,88 359,52 366,69 371,23 377,22 382,23 395,20 1,66 0,54 0,53 0,97 0,44 0,20 0,83 1,25 0,59 0,73 0,76 1,17 0,97 1,67 0,99 1,75 0,92 1,00 1,24 1,26 0,93 0,74 0,99 1,24 2,54 2,60 1,62 1,50 1,04 1,61 1,55 0,74 2,00 1,24 1,61 1,33 3,39 1,02 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,02 1,01 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,03 1,03 1,02 1,02 1,01 1,02 1,02 1,01 1,02 1,01 1,02 1,01 1,03 267,38 268,83 270,24 272,87 274,06 274,61 276,89 280,34 282,00 284,06 286,22 289,58 292,40 297,28 300,22 305,48 308,28 311,36 315,22 319,18 322,15 324,52 327,75 331,81 340,25 349,11 354,79 360,11 363,85 369,69 375,44 378,22 385,76 390,53 396,84 402,11 415,75 (Continua) 96 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) jan-09 390,92 -1,08 0,9892 411,254 fev-09 393,04 0,54 1,0054 413,476 mar-09 abr-09 mai-09 jun-09 jul-09 ago-09 set-09 out-09 nov-09 dez-09 jan-10 fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 396,41 398,16 403,58 410,78 414,02 416,91 421,89 424,47 426,22 432,50 438,80 441,93 448,66 451,47 455,76 459,20 462,96 475,99 479,80 483,31 487,55 492,89 498,20 502,71 504,79 508,44 511,57 521,28 525,72 535,22 543,65 545,93 548,26 559,78 0,86 0,44 1,36 1,79 0,79 0,70 1,19 0,61 0,41 1,47 1,46 0,71 1,52 0,63 0,95 0,76 0,82 2,82 0,80 0,73 0,88 1,09 1,08 0,91 0,41 0,72 0,62 1,90 0,85 1,81 1,57 0,42 0,43 2,10 1,01 1,00 1,01 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,03 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,02 1,01 1,02 1,02 1,00 1,00 1,02 417,03 418,87 424,57 432,15 435,55 438,59 443,83 446,55 448,39 455,00 461,63 464,91 472,00 474,95 479,46 483,09 487,03 500,74 504,76 508,45 512,91 518,52 524,11 528,85 531,05 534,88 538,18 548,39 553,06 563,06 571,93 574,33 576,77 588,90 (Continua) 97 (Continuação) Imóveis residenciais Período Índice base fixa (jul = 94) Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12 jul-12 ago-12 set-12 out-12 nov-12 dez-12 jan-13 fev-13 mar-13 abr-13 mai-13 jun-13 jul-13 ago-13 set-13 566,52 562,99 573,05 575,54 574,58 580,02 583,31 586,35 589,20 599,10 602,27 605,99 610,56 617,86 622,23 626,53 629,29 630,13 633,81 634,91 635,60 1,20 -0,62 1,79 0,44 -0,17 0,95 0,57 0,52 0,49 1,68 0,53 0,62 0,75 1,19 0,71 0,69 0,44 0,13 0,58 0,17 0,11 1,01 0,99 1,02 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,00 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 595,99 592,27 602,85 605,48 604,47 610,19 613,65 616,84 619,84 630,26 633,59 637,51 642,32 649,99 654,59 659,11 662,01 662,90 666,77 667,93 668,65 Fonte: Dados básicos fornecidos pelo IPEAD e construção pelo autor 98 Tabela A.3 – Série histórica de aluguel dos imóveis residenciais de Belo Horizonte Período Preço médio dez-03 599,89 jan-04 fev-04 Imóveis residenciais Índice base Var Mensal fixa (nov = 98) (%) Índice Índice (Acumulado) 99,73 100,00 -0,27 1,00 596,47 99,43 0,13 1,00 99,86 602,43 100,42 0,16 1,00 100,02 mar-04 610,81 101,82 -0,14 1,00 99,88 abr-04 612,71 102,14 -0,39 1,00 99,49 mai-04 606,01 101,02 0,90 1,01 100,39 jun-04 619,37 103,25 -0,02 1,00 100,37 jul-04 598,72 99,81 0,13 1,00 100,50 ago-04 652,89 108,84 1,36 1,01 101,86 set-04 687,42 114,59 1,92 1,02 103,82 out-04 701,83 116,99 1,28 1,01 105,15 nov-04 699,34 116,58 0,67 1,01 105,85 dez-04 722,42 120,43 0,66 1,01 106,55 jan-05 672,60 112,12 1,46 1,01 108,11 fev-05 721,97 120,35 1,01 1,01 109,20 mar-05 714,68 119,14 0,30 1,00 109,53 abr-05 757,51 126,28 1,05 1,01 110,68 mai-05 763,62 127,29 0,21 1,00 110,91 jun-05 777,05 129,53 1,02 1,01 112,04 jul-05 800,45 133,43 -0,15 1,00 111,87 ago-05 790,73 131,81 0,70 1,01 112,65 set-05 802,44 133,77 1,88 1,02 114,77 out-05 749,95 125,02 1,61 1,02 116,62 nov-05 790,74 131,81 -0,63 0,99 115,88 dez-05 800,39 133,42 1,76 1,02 117,92 jan-06 789,53 131,61 0,40 1,00 118,40 fev-06 861,67 143,64 2,13 1,02 120,92 mar-06 939,10 156,55 1,42 1,01 122,64 abr-06 928,89 154,84 0,10 1,00 122,76 mai-06 870,97 145,19 1,15 1,01 124,17 jun-06 805,34 134,25 1,20 1,01 125,66 jul-06 811,47 135,27 0,52 1,01 126,31 ago-06 827,86 138,00 0,20 1,00 126,57 (Continua) 99 (Continuação) Imóveis residenciais Var Mensal Índice (%) Período Índice base fixa (jul = 94) Índice Índice (Acumulado) set-06 823,06 137,20 0,34 1,00 127,00 out-06 847,74 141,32 1,30 1,01 128,65 nov-06 882,50 147,11 1,06 1,01 130,01 dez-06 868,76 144,82 1,30 1,01 131,70 jan-07 900,71 150,15 2,35 1,02 134,80 fev-07 975,41 162,60 0,74 1,01 135,79 mar-07 abr-07 mai-07 jun-07 jul-07 ago-07 set-07 out-07 nov-07 dez-07 jan-08 fev-08 mar-08 abr-08 mai-08 jun-08 jul-08 ago-08 set-08 out-08 nov-08 dez-08 jan-09 fev-09 mar-09 abr-09 mai-09 jun-09 jul-09 1.034,22 1.098,60 1.109,36 1.059,85 1.112,76 1.150,00 1.119,35 1.159,18 1.199,97 1.135,75 1.151,08 1.299,97 1.217,42 1.257,09 1.342,29 1.391,09 1.288,49 1.312,64 1.216,49 1.179,98 1.263,48 1.337,74 1.506,12 1.382,90 1.378,35 1.528,21 1.624,11 1.536,84 1.568,07 172,40 183,13 184,93 176,68 185,50 191,70 186,59 193,23 200,03 189,33 191,88 216,70 202,94 209,55 223,76 231,89 214,79 218,82 202,79 196,70 210,62 223,00 251,07 230,53 229,77 254,75 270,74 256,19 261,39 0,72 0,20 1,11 0,96 0,66 1,26 1,45 0,18 1,12 0,37 1,28 1,28 0,56 2,28 0,38 1,00 1,01 1,56 1,92 1,24 0,67 1,14 0,39 1,33 1,72 1,75 1,20 1,14 0,30 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,02 1,00 1,01 1,01 1,02 1,02 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,02 1,02 1,01 1,01 1,00 136,77 137,04 138,57 139,90 140,82 142,59 144,66 144,92 146,54 147,09 148,97 150,88 151,72 155,18 155,77 157,33 158,92 161,40 164,49 166,53 167,65 169,56 170,22 172,49 175,45 178,52 180,67 182,73 183,27 (Continua) 100 (Continuação) Período Índice base fixa (jul = 94) ago-09 set-09 out-09 nov-09 dez-09 jan-10 fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12 1.481,65 1.640,58 1.516,32 1.596,59 1.525,03 1.551,42 1.633,79 1.577,00 1.441,43 1.698,76 1.467,62 1.612,94 1.601,90 1.597,21 1.543,38 1.568,54 1.610,53 1.630,83 1.694,84 1.671,13 1.732,50 1.737,33 1.741,22 1.785,69 1.812,68 1.790,49 1.755,22 1.807,45 1.710,54 1.769,52 1.745,27 1.917,50 1.986,81 1.919,97 1.930,39 Imóveis residenciais Var Mensal Índice (%) 246,99 273,48 252,77 266,15 254,22 258,62 272,35 262,88 240,28 283,18 244,65 268,87 267,03 266,25 257,28 261,47 268,47 271,86 282,53 278,57 288,81 289,61 290,26 297,67 302,17 298,47 292,59 301,30 285,14 294,98 290,93 319,64 331,20 320,06 321,79 1,17 0,93 0,75 1,07 0,74 1,12 1,01 1,15 1,29 1,17 1,27 1,35 0,86 0,90 0,37 1,15 0,68 0,58 1,12 0,91 0,71 0,62 1,04 0,82 0,95 0,65 0,71 0,89 1,01 0,29 0,57 0,96 0,38 1,20 0,33 Índice Índice (Acumulado) 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,00 1,01 1,00 185,42 187,14 188,55 190,56 191,97 194,12 196,08 198,34 200,90 203,25 205,83 208,61 210,40 212,30 213,08 215,53 217,00 218,26 220,70 222,71 224,29 225,68 228,03 229,90 232,08 233,59 235,25 237,34 239,74 240,44 241,81 244,13 245,05 248,00 248,81 (Continua) 101 (Continuação) Período Índice base fixa (jul = 94) jul-12 ago-12 set-12 out-12 nov-12 dez-12 jan-13 fev-13 mar-13 abr-13 mai-13 jun-13 jul-13 ago-13 set-13 out-13 nov-13 dez-13 1.863,52 1.903,71 1.896,51 1.912,92 1.967,42 1.884,00 1.971,19 2.039,57 1.925,19 1.920,96 1.954,81 2.010,98 1.917,24 1.932,71 1.834,61 1.942,15 1.864,56 1.879,45 Imóveis residenciais Var Mensal Índice (%) 310,65 317,35 316,15 318,88 327,97 314,06 328,59 339,99 320,93 320,22 325,86 335,23 319,60 322,18 305,83 323,75 310,82 313,30 0,35 1,23 0,29 0,37 0,58 0,80 0,74 0,30 0,57 0,42 0,60 0,60 0,51 0,30 0,43 0,32 0,47 0,32 Fonte: Dados básicos fornecidos pelo IPEAD e construção pelo autor Índice Índice (Acumulado) 1,00 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 249,68 252,76 253,49 254,43 255,90 257,95 259,86 260,64 262,12 263,22 264,80 266,39 267,75 268,55 269,71 270,57 271,84 272,71 102 Tabela A.4 – Série histórica - INCC Período jul-94 Var Mensal (%) 10,30 Índice 1,10 Índice (Acumulado) 110,30 ago-94 0,14 1,00 110,45 set-94 0,38 1,00 110,87 out-94 1,32 1,01 112,34 nov-94 2,36 1,02 114,99 dez-94 1,32 1,01 116,51 jan-95 3,50 1,04 120,58 fev-95 2,09 1,02 123,11 mar-95 3,30 1,03 127,17 abr-95 2,30 1,02 130,09 mai-95 8,77 1,09 141,50 jun-95 3,12 1,03 145,92 jul-95 1,09 1,01 147,51 ago-95 0,62 1,01 148,42 set-95 0,72 1,01 149,49 out-95 0,86 1,01 150,78 nov-95 0,73 1,01 151,88 dez-95 0,86 1,01 153,18 jan-96 1,52 1,02 155,51 fev-96 0,11 1,00 155,68 mar-96 0,98 1,01 157,21 abr-96 0,25 1,00 157,60 mai-96 2,16 1,02 161,00 jun-96 1,54 1,02 163,48 jul-96 0,75 1,01 164,71 ago-96 0,23 1,00 165,09 set-96 0,22 1,00 165,45 out-96 0,26 1,00 165,88 nov-96 0,58 1,01 166,84 dez-96 0,59 1,01 167,83 jan-97 0,32 1,00 168,37 fev-97 0,48 1,00 169,17 mar-97 0,73 1,01 170,41 (Continua) 103 (Continuação) Período abr-97 Var Mensal (%) 0,23 Índice 1,00 Índice (Acumulado) 170,80 mai-97 0,86 1,01 172,27 jun-97 1,11 1,01 174,18 jul-97 0,51 1,01 175,07 ago-97 1,18 1,01 177,14 set-97 0,27 1,00 177,61 out-97 nov-97 dez-97 jan-98 fev-98 mar-98 abr-98 mai-98 jun-98 jul-98 ago-98 set-98 out-98 nov-98 dez-98 jan-99 fev-99 mar-99 abr-99 mai-99 jun-99 jul-99 ago-99 set-99 out-99 nov-99 dez-99 jan-00 fev-00 0,15 0,54 0,23 0,33 0,48 0,47 -0,50 0,98 0,39 0,34 0,22 0,01 0,01 -0,05 0,05 0,55 0,98 0,55 0,52 0,86 0,41 0,46 0,69 0,86 1,01 0,91 1,04 1,07 0,77 1,00 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 177,88 178,84 179,25 179,84 180,71 181,56 180,65 182,42 183,13 183,75 184,16 184,18 184,19 184,10 184,19 185,21 187,02 188,05 189,03 190,65 191,44 192,32 193,64 195,31 197,28 199,08 201,15 203,30 204,87 (Continua) 104 (Continuação) Período Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) mar-00 abr-00 mai-00 jun-00 jul-00 ago-00 set-00 out-00 nov-00 dez-00 jan-01 fev-01 mar-01 abr-01 mai-01 jun-01 jul-01 ago-01 set-01 out-01 nov-01 dez-01 jan-02 fev-02 mar-02 abr-02 mai-02 jun-02 jul-02 ago-02 set-02 out-02 nov-02 dez-02 jan-03 fev-03 0,56 0,60 1,35 0,73 0,30 0,39 0,26 0,33 0,41 0,64 0,58 0,34 0,27 0,36 2,11 1,16 0,52 0,62 0,55 0,93 0,74 0,34 0,36 0,58 0,55 0,33 2,53 0,57 0,29 1,00 0,71 1,13 2,45 1,70 1,51 1,39 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,03 1,01 1,00 1,01 1,01 1,01 1,02 1,02 1,02 1,01 206,01 207,25 210,05 211,58 212,21 213,04 213,60 214,30 215,18 216,56 217,81 218,55 219,14 219,93 224,57 227,18 228,36 229,78 231,04 233,19 234,91 235,71 236,56 237,93 239,24 240,03 246,10 247,51 248,22 250,71 252,49 255,34 261,60 266,04 270,06 273,81 (Continua) 105 (Continuação) Período Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) mar-03 abr-03 mai-03 jun-03 jul-03 ago-03 set-03 out-03 nov-03 dez-03 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 jan-05 fev-05 mar-05 abr-05 mai-05 jun-05 jul-05 ago-05 set-05 out-05 nov-05 dez-05 jan-06 1,38 0,90 2,84 1,05 0,99 1,44 0,22 0,65 1,04 0,16 0,33 1,00 1,16 0,59 1,83 0,70 1,12 0,81 0,58 1,19 0,71 0,51 0,75 0,44 0,67 0,72 2,09 0,76 0,11 0,02 0,24 0,19 0,28 0,37 0,34 1,01 1,01 1,03 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,01 1,01 1,02 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 277,59 280,09 288,04 291,07 293,95 298,18 298,84 300,78 303,91 304,40 305,40 308,46 312,03 313,87 319,62 321,86 325,46 328,10 330,00 333,93 336,30 338,01 340,55 342,05 344,34 346,82 354,07 356,76 357,15 357,22 358,08 358,76 359,76 361,09 362,32 (Continua) 106 (Continuação) Período Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) fev-06 mar-06 abr-06 mai-06 jun-06 jul-06 ago-06 set-06 out-06 nov-06 dez-06 jan-07 fev-07 mar-07 abr-07 mai-07 jun-07 jul-07 ago-07 set-07 out-07 nov-07 dez-07 jan-08 fev-08 mar-08 abr-08 mai-08 jun-08 jul-08 ago-08 set-08 out-08 nov-08 dez-08 jan-09 fev-09 mar-09 abr-09 0,19 0,20 0,36 1,32 0,90 0,47 0,24 0,11 0,21 0,23 0,36 0,45 0,21 0,27 0,46 1,15 0,92 0,31 0,26 0,51 0,51 0,36 0,59 0,38 0,40 0,66 0,87 2,02 1,92 1,46 1,18 0,95 0,77 0,50 0,17 0,33 0,27 -0,25 -0,04 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,00 1,01 1,00 1,00 1,01 1,01 1,02 1,02 1,01 1,01 1,01 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 363,01 363,74 365,04 369,86 373,19 374,95 375,85 376,26 377,05 377,92 379,28 380,98 381,78 382,82 384,58 389,00 392,58 393,79 394,82 396,83 398,86 400,29 402,65 404,18 405,80 408,48 412,03 420,36 428,43 434,68 439,81 443,99 447,41 449,64 450,41 451,89 453,11 451,98 451,80 (Continua) 107 (Continuação) Período Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) mai-09 jun-09 jul-09 ago-09 set-09 out-09 nov-09 dez-09 jan-10 fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12 jul-12 1,39 0,70 0,26 -0,05 0,15 0,06 0,29 0,10 0,64 0,36 0,75 0,84 1,81 1,09 0,44 0,14 0,21 0,20 0,37 0,67 0,41 0,28 0,43 1,06 2,94 0,37 0,45 0,13 0,14 0,23 0,72 0,11 0,89 0,30 0,51 0,75 1,88 0,73 0,67 1,01 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,02 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,00 1,00 1,01 1,03 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,00 1,01 1,00 1,01 1,01 1,02 1,01 1,01 458,08 461,29 462,49 462,26 462,95 463,23 464,57 465,04 468,01 469,70 473,22 477,19 485,83 491,13 493,29 493,98 495,02 496,01 497,84 501,18 503,23 504,64 506,81 512,18 527,24 529,19 531,57 532,26 533,01 534,23 538,08 538,67 543,47 545,10 547,88 551,99 562,36 566,47 570,26 (Continua) 108 (Continuação) Período Var Mensal (%) Índice Índice (Acumulado) ago-12 set-12 out-12 nov-12 dez-12 jan-13 fev-13 mar-13 abr-13 mai-13 jun-13 jul-13 ago-13 set-13 out-13 nov-13 dez-13 0,26 0,22 0,21 0,33 0,16 0,65 0,60 0,50 0,74 2,25 1,15 0,48 0,31 0,43 0,26 0,35 0,10 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,01 1,01 1,01 1,01 1,02 1,01 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 571,75 573,01 574,21 576,10 577,03 580,78 584,26 587,18 591,53 604,84 611,79 614,73 616,63 619,29 620,90 623,07 623,69 Fonte: Dados básicos coletados na FGV e construção pelo autor