UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA A RELAÇÃO EDUCADOR - EDUCANDO: Requer humildade e curiosidade Por: Simone Silva de Paula Orientador Prof. Pablo Santos Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA A RELAÇÃO EDUCADOR - EDUCANDO: Requer humildade e curiosidade Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Docência de Ensino Superior. Por: Simone Silva de Paula 3 AGRADECIMENTOS Agradeço ao Deus Eterno, criador, meu papai do céu, amigo, confidente, ajudador, provedor e fonte de vida. Agradeço a Laura Valim, amiga, apoiadora, me ensinou a ir até o fim. À memória de mamãe e Tio Waldomiro, pelo esforço em me dar educação. Agradeço Lili, por cuidar de mim. Agradeço a irmã Débora que aniversaria hoje. Agradeço aos docentes da pósgraduação lacto-sensu: Marcelo Saldanha, Geni, Sheila Rocha, Adriana Mograbi, Vilson, Vasco e Dina Lúcia por nos transmitir os conteúdos. Agradeço ao orientador Pablo Santos pela disposição. Agradeço aos colegas da Turma T207813 pela interação. Agradeço aos orações e incentivo. amigos pelas 4 DEDICATÓRIA Dedico à amiga Laura Valim 5 Epígrafe: “Assim como os perfumes alegram a vida, a amizade sincera dá ânimo para viver.” (Provérbios 27:9) 6 RESUMO Não há docência sem discência. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender." (FREIRE, Paulo - 1995) Ensinar não é transferir conhecimentos, uma relação vertical. E sim, a educação horizontal que permite diálogo. Este contexto de troca possibilita ao educando ter seu conhecimento valorizado. O resultado dessa prática são indivíduos que se abrem para o mundo desenvolvendo a criatividade, a curiosidade e a troca de saberes. O trabalho foi baseado no filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, baseado no livro homônimo do escritor brasileiro Ziraldo, 1995. Conta a história de uma professora que tinha métodos e uma didática muito diferente do normal. Conquistou seus alunos com seu modo de ser e suas atividades criativas e cativantes. O filme retrata diversas formas de ensinar e tornar o processo ensino-aprendizagem algo lúdico e retrata uma relação educadoreducando, em que predomina uma postura horizontal e dialógica. Em contrapartida, a prática pedagógica da educação vertical, em que o professor pode assumir em sala de aula uma postura de detentor do conhecimento é eficaz? Uma possível resposta ao problema citado é sugerir ao educando desenvolver habilidades em sua inteligência emocional, sobretudo, nas relações interpessoais, para que possa cultivar, dentre outros valores, o respeito aos seus educandos. Baseado na reflexão de algumas cenas do filme, o trabalho pretende estudar a prática pedagógica da educação horizontal, acreditando que esta possibilita um caminho assertivo no processo de aprendizagem e troca. Pretende trazer a luz exemplos de atitudes da professora que demostrava humildade e empatia por seus educandos e os benefícios que tal postura acarretou na aprendizagem dos alunos. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (1995) ZIRALDO. Uma Professora Muito Maluquinha. São Paulo, Cia, (1995) 7 O trabalho mostra também que a relação educador-educando exige criatividade. E, esta também, é uma postura adotada pela discente, como veremos. Por fim, favos discutir a eficácia de tais práticas também no ensino superior. O filme trata-se de uma ficção cuja trama passa-se na década de quarenta com alunos da terceira série do ensino fundamental. Mas, não muito distante da realidade que encontramos em sala de aula. 8 METODOLOGIA O trabalho apresenta o seguinte problema: A prática pedagógica da educação vertical, em que o professor pode assumir em sala de aula uma postura de detentor do conhecimento é eficaz? A justificativa seria que, não somente na relação educador-educando, mas, sobretudo as trocas interpessoais, é um problema que já vem sido discutido por educadores, pedagogos e outros profissionais da área de humanas. Para chegar-se a uma hipótese e, ou possíveis respostas ao problema, os métodos utilizados foram administrados pelo autor do trabalho, da seguinte forma, como se segue: 1. As disciplinas ministradas no curso de Pós Graduação lactosensu em Docência do Ensino Superior, que despertaram o interesse pelo assunto. Estas estão discriminadas abaixo em ordem do cronograma do curso ministrado na Instituição UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES. • Didática do Ensino Superior, ministrada pelo docente Marcelo Saldanha, psicólogo, que discutiu questões como: a importância da empatia e afetividade em sala de aula; • Prática de Ensino, ministrada pela docente Geni, pedagoga, que discutiu questões como: a competência do professor em sala de aula; • Direito e Legislação, ministrada pela docente Adriana Mograbi, advogada e Políticas Educacionais, ministrada pela docente, Sheila Rocha, que nos apresentou as leis e diretrizes que regem, sobretudo, o ensino superior; • Fundamentos Psicológicos da Educação, ministrada pelo docente Vilson Carvalho, psicólogo que nos levou a discussão questões como: prática pedagógica, inteligências múltiplas, abordagens e 9 linhas pedagógicas, papel intelectual do professor nos dias atuais, os recursos a disposição desse professor e a importância do prazer de ensinar. Nesta etapa do curso, o autor do trabalho proposto, iniciou seu processo de aprofundamento ao trabalho monográfico. • Dinâmica de Grupo, ministrada pela docente Dina Lúcia, psicóloga, que nos mostrou a força que as dinâmicas oferecem para proporcionar a integração em sala de aula e consequentemente facilitar as relações do educador-educando. • Fundamentos Biológicos da Educação, ministrada por Vasco Amaral, que contribui para a importância de no percebermos, como os aspectos biológicos interferem no processo ensino- aprendizagem e como o educador, é um mediador desses conflitos hormonais e a importância deste trabalhar por um equilíbrio em sala de aula. 2. A leitura do livro Pedagogia do Oprimido, FREIRE, Paulo (2006). Ênfase na reflexão da importância do diálogo nas relações e na concepção “bancária” da educação. Livro emprestado pela biblioteca da UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES, Campus Tijuca. 3. A leitura do livro Pedagogia da Autonomia, FREIRE, Paulo (1995). Ênfase na reflexão “Ensinar exige criatividade”. 4. Munido desses fundamentos teóricos, aulas e leitura dos livros citados acima, foi assistido o filme: “Uma Professora Muito Maluquinha”. Sendo esta, minha fonte de análise prática. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (1995) ZIRALDO. Uma Professora Muito Maluquinha. São Paulo, Cia, (1995) 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 11 CAPÍTULO 1 - Relação horizontal, dialógica: Requer humildade 13 CAPÍTULO 2 - Ensinar exige criatividade 25 CONCLUSÃO 32 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 37 ÍNDICE 38 11 INTRODUÇÃO O trabalho foi baseado no filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, com estreia no Rio de Janeiro em quinze de outubro do ano dois mil de doze, no Rio de Janeiro, uma homenagem ao dia do professor. O filme foi inspirado pelo livro homônimo do escritor brasileiro Ziraldo, 1995. Conta a história de uma professora, chamada Catarina Roque, “ Dona Caty”, como era chamada pelos seus alunos. Esta adota como postura pedagógica, uma relação horizontal e dialógica com seus alunos, e uma prática baseada no despertar da curiosidade e uso da criatividade, que tem como frutos uma colheita de aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos frente aos conteúdos apresentados. A professora Catarina tinha métodos e uma didática muito diferente do normal, o que causa estranhamento, inclusive, em seus pares docentes. Sua frase de efeito diante das situações inesperadas ou conflituosas era “tive uma ideia”. Conquistou seus alunos com seu modo de ser e suas atividades cativantes. O livro retrata diversas formas de ensinar com criatividade, que serão divulgadas no trabalho proposto. Também mostra como a docente estabelecia com seus alunos uma relação de respeito e empatia. Qual o principal objetivo do ensino superior? Não seria, dentre outros fatores, contribuir no processo de construção de cidadãos críticos e o ensino da pesquisa? E, para despertar o interesse pela pesquisa, nada como despertar a curiosidade, e, consequentemente, estimular a criatividade desses educandos. Assim, apesar do filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, ter como personagens crianças que não ultrapassavam da faixa dos dez anos, nos é útil na abordagem do ensino superior ao nos apresentar caminhos e práticas pedagógicas que podem contribuir na formação do docente e na relação assertiva educador-educando. 12 “Não há, por outro lado, diálogo, se não há humildade. A pronúncia do mundo, com que os homens o recriam permanentemente, não pode ser um ato arrogante.” (Paulo Freire) 13 CAPÍTULO 1 Relação horizontal, dialógica: requer humildade. A abordagem teoria/prática educativa exige um pensamento crítico. É uma oportunidade que indivíduos podem aproveitar de se estabelecer um diálogo com a educação. Digo indivíduos, pois o diálogo com a prática educativa não é restrita somente a sala de aula, mas, sobretudo, aos interessados em refletir sobre as relações interpessoais e desenvolvimento humano, que, transita pelos caminhos da prática pedagógica. E, uma das ferramentas que se pode utilizar nesse processo dialógico é a palavra. Palavra essa que propõe um universo de trocas, reflexões, ações e, é nestes dois últimos itens que vamos discursar. A palavra pode passear, pois dois universos: o da ação e da reflexão. Ação em detrimento à reflexão pode nos levar ao mero ativismo, ação por ação, e, minimizada esse processo de pensamento, diminuir ou até mesmo impossibilitar a construção do diálogo. Reflexão em detrimento da ação, por sua vez, pode nos conduzir ao verbalismo, “blábláblá” e tornar oca essa palavra. (FREIRE, 2005) Quaisquer dessas dicotomias citadas acima em desiquilíbrio podem promover o desencontro dos seres. E, a proposta do trabalho é discutir a relação educador-educando. Como humanos, somos seres relacionais, e, uma das essências dessa relação, é o diálogo. “Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modifica-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles novo pronunciar. 14 Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na açãoreflexão.” (FREIRE 1 (2005, p. 90) É preciso que o professor tenha em mente que quem ensina aprende ao ensinar e que quem aprende ensina ao aprender. Não há docência sem discência. Seres humanos primeiro aprenderam para depois ensinarem. Essa fala alternada entre duas ou mais pessoas, é um processo de constante troca de opiniões, vivências, que possibilita o encontro entre os homens. Mas, como estabelecer o diálogo que não considero o meu semelhante, semelhante? Se não percebo o outro como parecido, conforme, análogo, símile e busco com ele uma relação de interesse? “...se não amo os homens, não é possível o diálogo. Não há, por outro lado, diálogo, se não há humildade. A pronúncia do mundo, com que os homens o recriam permanentemente, não pode ser um ato arrogante.” (FREIRE 1 (2005, p. 92) _____________________________________________________________ FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) 15 Relação horizontal remete a ideia de horizonte. Esta, uma linha circular que limita o campo da observação visual, e na qual o céu parece encontrar-se com a terra ou o mar. (AURÉLIO, Dicionário) Essa forma de relaciona-se possibilita um encontro e contribui para que a relação educador-educando alcance o objetivo, que é o da aprendizagem. E, um dos alicerces dessa relação horizontal entre educador-educando é a humildade. A palavra humildade é de origem latina, do radical húmus, que quer dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparadas para receber a semente. O contrário de humildade é o orgulho. Este é soberbo, julga-se superior e deixa-se embriagar pela vaidade. Uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender, como possui um bom solo, recebe com bom grado as sementes que a vida lhe oferece. O orgulho, por sua vez, é incompatível com o coração aprendiz. “A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais.” (FREIRE 1 (2005, p. 93) _____________________________________________________________ FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) 16 A verdadeira humildade é firme, segura, sóbria. Como um dos recursos para se estudar a relação educador-educando foi o filme “Uma professora muito maluquinha” vejamos a seguir algumas transcrições e comentários de cenas relevantes para representação de prática pedagógica. Perceberemos alguns toques de humildade, que contribuiu para estabelecer-se uma boa relação educador educando. • Comentários a partir do primeiro contato entre docente e discente. Nos capítulo inicial do filme, dá-se o primeiro contato da Professora Catarina com seus alunos. Esta esqueceu-se da chamada. Foi uma falha. Diante de um equívoco, se assumirmos uma postura de humildade, é mais fácil encontrar o caminho da flexibilidade, do jogo de cintura. Reconhece e segue em frente, sem desculpas, pois sua intenção é aprender. Tal indivíduo percebe-se como não sendo perfeito. Diante do erro, com a mente aberta, pode então refletir “deve haver uma maneira melhor de fazer isso e eu vou descobrir.” Primeiro dia de aula, Professora Catarina se apresenta aos alunos, diálogo estabelecido: “_ Meu nome é Catarina, Catarina Roque. _ Mas, podem me chamar de ‘Caty’ . Alunos olham para ela surpresos e ela corrige: _Dona ‘Caty’. _Onde é que eu coloquei mesmo a lista de chamada?” Após alguns rápidos segundos de reflexão pergunta aos alunos: _ Vocês sabem ler? 17 Crianças: (todas juntas):_ Ler e escrever. Catarina dirige-se a uma aluna: _Qual é o seu nome? _ Cibele. Professora: _Cibele, distribui estes papéis. (entregou na mão da educanda e disse com firmeza na voz): _ Cada um de vocês vai escrever o próprio nome e colocar aqui na mesa pra mim. Reflete alguns segundos, olha para Cibele e exclama: _ Pode parar, pode parar! Vocês vão escrever o nome todo sim, mas do colega do lado. Alunos exclamam: _ham?! Professora responde com ar entusiasmado: _ Que graça tem saber escrever o próprio nome.” Perceba que ao permitir que os alunos a chamassem de “Dona Caty”, quebra-se o estranhamento de um primeiro contato e está aberta a porta para uma aproximação e acessibilidade. Um equívoco foi cometido, a mestre esqueceu a chamada. Contudo, a pessoa humilde, reconhece suas próprias limitações, mas, consegue ter a mente aberta para refletir que há alternativas. Podem-se encontrar meios de realizar o que foi proposto, no caso, o simples ato de fazer a chamada, ato por sinal, comum na rotina de um docente. Pode parecer algo simplista. Mas, nos detalhes estão os aprendizados da vida. Uma pessoa orgulhosa, que se percebe como detentora de todas as respostas tende a não admitir seus erros, por menores que sejam. O desejo da perfeição pode consumir de tal forma a ponto de gerar uma tensão que pode paralisar. 18 Quando o docente encara com flexibilidade e criatividade os seus próprios erros, tende a transmitir uma mensagem oculta ao outro: “Você também pode cometer erros que serão aceitos, e, juntos, vamos buscar uma forma de acertar.” Diz-se que a primeira impressão é a que fica. Se este dito condiz com a realidade, a primeira impressão da docente Catarina foi um gesto de humildade que marcou a vida daqueles discentes e foi o primeiro passo para uma relação que provavelmente alcançará seu objetivo pedagógico, a aprendizagem. Como educadores, perceber e desenvolver esse currículo oculto pode vir a ser um diferencial que ficará marcado nas instituições que transitaremos, sobretudo, na vida dos educandos. • Comentários sobre o primeiro conflito observado em aula: Em sala de aula, eis que surge o primeiro conflito. A turma coloca um “ovo de passarinho” para cadeira de um dos discentes. Quando este vai sentar-se, senta em cima do “ovo” e a turma começa a caçoar do jovem. A professora Catarina questiona o que está acontecendo. Os alunos começam a colocar a culpa um no outro e atribuir a docente um papel quase que detetive da situação. Qual foi a estratégia desenvolvida pela docente para solucionar tal conflito? Veremos a resposta a seguir. Cabe-nos antes uma breve reflexão. Como docentes um de nossos papéis, é educar para a vida, e, sempre que possível administrar os conflitos que surgem naturalmente quando estabelecemos relações interpessoais. Desenvolver um bom relacionamento interpessoal com os educandos, não significa dizer que deva se ocupar 19 exclusivamente dos conflitos dos alunos, que surgem, a partir de momento que eles estão em constante convívio. Diante dos conflitos, alguns docentes, por acreditar que tal atitude é ter uma boa relação educador-educando, se veem em algumas situações assumindo a personagem de detetives, policiais, advogados, mães, pais e outros papéis que acabam por lhe sobrecarregar com uma carga que na verdade não pertence a eles. O docente precisa lembrar que o docente possui a sua própria autonomia, uma vez que carrega em si suas próprias vivencias e experiências. Isso é um ato de humildade. Reconhecer que o outro possui ferramentas e reflexões suficientes, para que, caminhando pela estrada de sua própria autonomia, seja capaz de criar suas soluções. Em alguns momentos, dá-se a necessidade do docente, nesta relação com o discente, assumir uma postura de distanciamento da queixa, para poder assim, promover uma escuta analítica. Tal postura contribui para que o educando assuma suas próprias responsabilidades. Logo, ser humilde não significar ser paternalista, e sim, promover a democratização das ideias. Vejamos então qual foi a solução criada pela docente Catarina diante da situação de conflito: A docente Catarina tem a ideia de criar um júri. Os alunos questionaram o significado da palavra: “_Júri?” _”Julgamento”, disse a professora. E, nesse julgamento os alunos foram se elegendo: réu, vítima, advogado de defesa, advogado de acusação e um clima de leveza e reconciliação instalou-se na aula. 20 Professora Catarina mostrou-se então disposta a ouvir a opinião dos alunos e não simplesmente, assumir a total autoridade e estabelecer, por seu próprio juízo, o veredicto. Cabe ao educador nessa relação com o educando, diante de conflitos, desenvolver estratégias para problematizar o convívio e as relações interpessoais, mostrando ao sujeito que ele é responsável pela sua própria autonomia. A pessoa humilde compreende que nem sempre terá todas as respostas. E, neste processo acontece a troca. Afinal, quem ensina aprende ao ensina e, quem aprende ensina ao aprender. Não há docência sem discencia. • Segundo conflito para ilustrar a teoria descrita acima: Ao término da aula, a docente “Cibele”, foi procurar a professora Catarina: _“Professora Catarina, posso falar com a senhora?” Catarina mostra-se acessível. A aluna tem estatura menor que a docente. Esta, se curva para ficar no mesmo tamanho da discente. A de considerar-se que uma relação dialógica não se constitui apenas do verbal. Há o dito pelos gestos, olhares, movimentos. A linguagem corporal há de ser refletida se discutimos as relações. O distanciamento pode acontecer em um ato de tentativa de aproximação. A postura de um indivíduo pode denunciar que ele não está aberto ao diálogo. Sinais como: não olhar nos olhos, remexer bolsas e cadernos enquanto o outro está se pronunciando, ou até mesmo “sair andando”, são atitudes que demonstram inacessibilidade, que é uma marca, que pode distanciar. O objetivo de descrever tais posturas, não é o de se estabelecer nenhum juízo de valores, mas sim, como docentes, 21 sermos conscientes sobre nossas atitudes, posturas e falas nas relações interpessoais, sobretudo na relação educador-educando. Segue o diálogo: “ _Dona Caty, eu precisava muito falar com a senhora. . _ Professora, sabe o Luizinho? _ O Antônio, o Paulo e o Nilton vão bater nele lá atrás da igreja. ...” E, assim termina a cena, sem mostrar o diálogo entre a docente e a discente. Prossegue-se então, para a cena seguinte, com o duelo prometido de três contra um. Eis que surge a aluna Cibele com o seguinte argumento: “_Não sejam covardes... uns meninos tão bem educados. Um dos meninos diz: _ Vamos dar uma lição nesse capiau. Cibele acrescenta: _Três contra um... _Seguinte! Vocês conhecem a história dos três mosqueteiros? Os meninos a olharam admirados e acabou a briga.” O que iria ser uma “batalha sangrenta”, como o próprio aluno narra na história do filme, transformou-se em uma bela amizade. Forma- 22 se ali um grupo de quatro mosqueteiros e uma “mosqueteira”, que unidos, seguem até o final da narrativa. E, repare que a docente não precisou assumir uma postura onipresente. Ela delegou à missão de apartar a briga para uma das alunas, gesto este que expressa à confiança, ajuda o outro a sentir-se importante e capaz de resolver seus próprios conflitos. Educar para a vida. Assim como o trabalho propõe dialogar com essa relação docentediscente sem almejar criar dogmas ou paradigmas, o docente também precisa estar apto a dialogar com seus alunos. No diálogo há troca. E, dialogar exige humildade, uma postura de esvaziar-se de si mesmo, para que, ouvindo, considerando e compreendendo as ideias do outro, possa haver a troca. Na cena descrita acima, a professora estabeleceu a partir daí, uma relação de confiança com seus alunos. Não podemos esquecer a confiança. Esta é ingrediente das relações. Adquirir este crédito, esta boa fama. E, só foi possível por que a docente se colocou disponível a aproximação, foi humilde, acessível. O orgulhoso não é acessível, ele é importante demais, está ocupado demais para poder para e dar atenção ao outro. A professora também tinha uma estratégia, que era a prática do elogio. Quando tinha uma resposta positiva dos alunos essa sempre exclamava: “Mas eles estão sabidos demais.” Uma postura de não ter receios de considerar o outro como superior também. Claro que o elogio não pode ser falso, vir em disfarce de bajulação, adulação. Mas, o reconhecer o bem feito do outro, é um bom exercício de humildade e uma prática pedagógica, que, se adotada, tem efeitos benéficos à construção do conhecimento do aluno. A professora também possuía humildade a ponto de ver seus alunos além da perspectiva de meros estudantes, mas, sim, de o verem grandes em seus atributos pessoais. No final da narrativa, que coincide com o final do ano letivo, Catarina decide homenagear seus alunos com uma celebração de “entrega de 23 medalhas”. Contudo, a avaliação não é com o intuito de parabenizar e medir atributos acadêmicos. O objetivo é parabenizar o ser humano. • Comentário sobre a cena: “entrega das medalhas”: “’_Primeiro lugar em simpatia... (ao parabenizar uma aluna) Vocês são o primeiro lugar, aqui ó, no meu coração.’ As medalhas que se seguem foram por: elegância, cuspe a distância...” “Não há também diálogo, se não há uma intensa fé nos homens. Fé no seu poder de fazer e de refazer. De criar e recriar. Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direito dos homens.” (FREIRE (2005, p. 93) E, fé e humildade caminham juntas. E, não é uma fé ingênua. Se parto do principio de que a verdadeira humildade é firme, segura, sóbria. Se humildade tem relação com uma terra fértil, pronta para receber a semente e assim dar uma grande colheita, quem planta com este espírito, também assim o recebe de volta. Logo, se como docente, semeei, plantei com dedicação, acreditando nos frutos, tenho fé, que cedo ou tarde, no tempo certo, a colheita será feita no coração e na vida dos homens com que me permiti a troca. Sem fé nos homens o diálogo é uma farsa. Na relação docente-discente, nessa prática pedagógica é preciso que haja um crédito depositado a partir de todas as vias envolvidas nesta estrada do encontro. ___________________________________________________________ FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) 24 “ A paixão de descobrir o mundo: Investigar Aprender Viver” (Simone de Paula) 25 CAPÍTULO 2 Ensinar exige criatividade Na relação educador-educando é importante considerar que a paixão em ensinar e a vontade de aprender são ingredientes importantes nesta relação. Pois, desperta as emoções e estimula a curiosidade e a criatividade. Quem está com vontade de ensinar, de despertar nos alunos um motivo que os levem a uma ação como resposta desse processo ensino-aprendizagem, vai à busca, pelo mundo afora, de ferramentas, de métodos, vivências que despertarão o interesse do aluno. A este processo de busca podemos dar o nome de criatividade. Contudo, a própria palavra aluno já nos paralisa diante da ideia de propor novos paradigmas. Do latim “a”, negação e “lune”, sem luz. Aluno, no sentido literal da palavra seria um ser “sem luz”. Mas, vamos mudar esta concepção que a carga da palavra aluno nos traz, para que sejam evitados os preconceitos e estereótipos de que aluno é aquele que não pensa. Propõe-se dar um crédito aos educandos, e tal abordagem, foi comentada no capítulo anterior quando discutimos sobre educar ser um ato de fé. É necessário, como docente termos a consciência que ensinar não é transmitir conhecimento e sim semear em um ambiente e utilizar ferramentas que nos possibilite colher os frutos dessa produção de conhecimentos. Esta será, sobretudo, uma colheita construída junto com os saberes dos discentes, que também tem algo a contribuir. É preciso que o professor tenha em mente que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Não há docência sem discência. Aprender é primário, o ato de ensinar é secundário. Indivíduos primeiro aprendem para depois ensinarem. E, este aprender pode e é necessário que seja um aprender criticamente. É o estar com a mente aberta para novas possibilidades e estar apto para questionar novas realidades. Carregar em si um desejo de ver, informar-se, aprender, pesquisar as realidades. 26 Mas, para que este processo de novas descobertas se instale nessa relação educador-educando, é preciso que o líder mediador, podemos assim chamar a figura do educador, assuma uma postura adequada para que se instale um ambiente em que a exposição dessas descobertas encontre um colchão de espuma para poder cair e desenvolver-se. Assim, o educador pode optar em assumir uma postura democrática em sala de aula, construindo assim um ambiente que irá despertar, aguçar, e reforçar a capacidade critica e curiosidade do educando. Munido da consciente importância da criatividade na prática pedagógica ensino-aprendizagem, o educador compreende que sua real tarefa não é só ensinar conteúdos. Sua missão é estimular à pesquisa, à descoberta do belo que há no mundo do conhecimento. Afinal, ensino caminha lado a lado com a pesquisa. São como um casal de enamorados que a todo o momento descobrem-se um ao outro. O saber oriundo da curiosidade. Para que tal atmosfera de pensamento crítico seja criada é um fato a se considerar, que o educador, precisa desenvolver e trabalhar a sua habilidade em incentivar à curiosidade. Sim, com o bom senso de estabelecer limites éticos para que a curiosidade não invada o espaço alheio. Mas, uma curiosidade com objetivo pedagógico, curiosidade que se origina na criticização. Para progredir em sala de aula é importante, dentre outras habilidades, que se façam alguns exercícios de criatividade. Quem nunca se viu com sua imaginação aguçada diante de uma situação em que sua curiosidade foi despertada. Imagina um cheiro, por exemplo, pode provocar uma vontade de investigar. Desperta o sentido, o olfato. Pode despertar outro sentido, o paladar. Pode-se estar adormecido e de repente levantar-se por sentir um “cheiro de café”. Tais sensações podem levar o indivíduo a desejar investigar mais profundamente a origem de todas aquelas experiências sensoriais. Mesmo diante do sono, no despertar lento da manhã, ele pode sair do seu ambiente aconchegante e, dirigir-se até a cozinha, cambaleando. Pode então surgir a interação, dar um “bom dia” para quem preparou o café, dividir um 27 bom diálogo naquele momento, compartilharem mutuamente alguma notícia do dia, enfim, despertar e prosseguir rumo a outras experiências. “Satisfeita uma curiosidade, a capacidade de inquietar-me e buscar continua de pé. Não haveria existência humana sem a abertura de nosso ser ao mundo, sem a transitividade de nossa consciência.” (FREIRE (1995, p. 88) Curiosidade desperta o conhecimento. Curiosidade nos faz despertar para o mundo. Quando bem alimentados ficamos de pé, mais dispostos. Não somente nosso corpo é saciado com o alimento. Nossa mente também é saciada com o delicioso doce do conhecimento. Sim, o conhecimento, o ato de aprender, de pesquisar pode ser um “doce”, que desce saboroso e lentamente pela mente e vida afora. Como educadores, é importante desenvolver-se essa consciência de que o estímulo da curiosidade do educando nos move, nos inquieta, aprendemos e ensinamos. Essa vontade de investigar o mundo nos torna seres, criativos. Afinal, munidos de informações fruto dos nossos questionamentos, temos agora mais ferramentas para criar alternativos e novos métodos de ensino-aprendizagem. E, criatividade, esta capacidade de criar, movida pela paixão de ensinar e aprender, é uma das marcar da Professora Caty. Sua frase de efeito diante de uma situação inesperada: “Tive uma ideia.” 28 Discursamos sobre curiosidade em detrimento da criatividade. Visto que é o título do capítulo, parece um tanto quanto incoerente. Contudo, criatividade não se explica, aplica-se. É uma ação movida pela reflexão. É o fruto do diálogo, com o mundo e suas adversidades. É “levantar, jogar a poeira e dar a volta por cima”, como diz o dito popular. É preciso criatividade, não somente para a realidade do docente, mas para driblar as surpresas que a vida nos oferece e ter sempre uma resposta. Então, vamos trocar vivencias com as práticas pedagógicas da professora Catarina. Seguem-se alguns exemplos retirados do filme. • Criatividade ao estimular a leitura: “Catarina escreveu no quadro: ‘Debaixo da última carteira tem um presente. Quem ler esta frase primeiro pode ir lá pegar o presente. Uma aluna, sendo a primeira a ler, vai e pega o presente. Seus colegas a olham sem nada compreender. Catarina parabeniza a aluna e mostra a frase no quadro e segue com o seguinte comentário: _’Viu só, não gostam de ler. Mas agora vão gostar, e muito.’” Quem de todo o coração costuma dizer: eu gosto de ler? Leitura pode remeter para alguns a ideia de cansaço, algo trabalhoso, complicado. De um modo geral, na posição de alunos podemos desenvolver este pensamento. A docente munida da habilidade de exercer a empatia sabia disso. ____________________________________________________________ FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (1995) 29 Logo, buscou formas de motivar seus alunos. Ensinar com paixão e criar uma motivação são uma das competências que cabe ao docente desenvolver, que, além de torna-lo um profissional com um diferencial e referencial, pode contribuir para uma relação educador-educando que facilite a aprendizagem. Um dos educandos, que narrava história do filme, fez o seguinte comentário: “E, ela continuava inventando coisas novas para a gente entender a vida” • Criatividade ao ensinar geografia: A próxima atividade da docente foi pedir para os alunos procurarem no globo terrestre um país chamado, Cubacalã. Contudo, o país chamado Cubacalã, não existe no mundo. E, o aluno faz a seguinte narração, comentando a postura da professora: _’Olha, vejam só procurando um país que não existe, você pode descobrir um monte de país de verdade.’ “ • Aprendizagem fora de sala de aula Catarina levou os alunos para fora do âmbito escolar. Os convidou para fazerem um pic nic ao ar livre. E, trouxe um outro professor, de geografia. Este, com os recursos da própria paisagem, pediu aos alunos que desenhassem tudo o que vissem. 30 Foi explicado aos educandos, com os recursos que a própria paisagem ofereceu, o que era uma colina, serra, picos, lago e uma ilha, no meio do lago. O aluno, que narra a história, diz: ‘_ A sala de aula poderia ser do tamanho do mundo inteiro.’ “ • Criatividade ao ensinar matemática: Inspirados na cantiga de roda chamada, ‘Pai Francisco’ os alunos, acompanhando a docente, faz uma paródia para a tabuada: ‘Três vezes um igual a três. Três vezes dois igual a seis, paratimbum Tchau preguiça já aprendi essa tabuada não adianta não dô mancada’ Pensar em desenvolver criatividade e estimular a curiosidade em sala de aula, requer do educador uma postura investigativa diante da vida. Dá trabalho. Por isto o professor precisa ser movido por um gosto muito profundo e bem alicerçado na educação. Um dos comentários dos educandos: “A professora Catarina inventava coisas novas para que os alunos entendessem a vida” 31 • Uma professora muito maluquinha vai ao Egito: Catarina decidiu levar os alunos ao cinema e deixa a seguinte mensagem no quadro: ‘_ Estamos no Egito.’ Uma das educandas ficou tão entusiasmada com a descoberta do Egito vista no filme que viu com os colegas, que pediu à professora que levasse livros para ela estudar sobre o assunto. Foi despertado na discente a curiosidade em aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura, a época e a história da “rainha do Nilo”. Os alunos tiveram a oportunidade de elaborarem e apresentarem uma peça de teatro. E, a discente faz o seguinte comentário diante de desenvoltura e desenvolvimento dos alunos ao apresentarem a peça, visto que eles próprios criaram o texto, e, recursos: ‘_Eles fizeram tudo sozinhos, não ajudei em nada’” Uma relação dialógica, baseada na humildade e criatividade, pode possibilitar o desenvolvimento de um ambiente em que a prática pedagógica ensino aprendizagem pode conquistar então o seu objetivo: a construção de novos saberes. A criatividade de um docente pode estimular a curiosidade de seus educandos, e, nessa atmosfera de inquietação indagadora, impulsionar o motor que nos move em direção à viagem que é a descoberta de novos saberes. 32 CONCLUSÃO Qual é o principal objetivo da educação superior? Estamos preocupados em formar cidadãos críticos? Nossas aulas, o conteúdo programático promove esta atmosfera de pesquisa e extensão do conhecimento? Veja que o filme que serviu como caminho para a reflexão dessa relação educador-educando e consequentemente, suas práticas pedagógicas, foi um enredo cujos alunos eram crianças com não mais do que dez anos de idade. Contudo, devido ao bom relacionamento estabelecido entre docente – discente e o estímulo à curiosidade por novos saberes, despertada pela docente por uso de sua criatividade, muito nos interessa, visto que, um dos objetivos, por que não dizer, o principal objetivo do ensino superior, é despertar no aluno esta curiosidade por novos saberes e a produção de conhecimento, fruto de sua capacidade investigativa. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esse olhar investigativo é necessário para se adquirir conhecimentos que depois serão trocados. Mas, não podemos esquecer-nos do ingrediente humildade. Esta permite que seja criado nesta relação docente-discente, um elo de confiança, que possibilite os erros e os acertos. E, se não o chamaremos “erro”, podemos substituir pela palavra “diversidade”. Cabe ao docente respeitar os saberes construídos no cotidiano, convivência, e vivencia de cada indivíduo. Ensinar não é simplesmente transmitir conhecimentos, exige a consciência de que o educando possui a sua autonomia intelectual. Como docentes compreender e assumir uma postura crítica frente à teoria do ensino “bancário”. “Na visão ‘bancária’ da educação, o “saber’ é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber.” (FREIRE, 2006) Tal postura está longe de ser um valor pautado na humildade, e sim, na soberba, que só dificulta o diálogo e acaba por criar, não uma relação horizontal entre docente e docente. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) 33 “O educador é que educa; os educandos, os que são educados; O educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem; O educador é o que pensa; os educandos, os pensados; O educador é o que diz a palavra; os educandos, os que escutam docilmente; O educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados; ... O educador escolhe o conteúdo programático; os educandos, jamais ouvidos nesta escolha, se acomodam a a ele; O educador autoridade do autoridade funcional, antagonicamente identifica saber a com que liberdade a sua opõe dos educandos; estes devem adaptar-se as determinações daquele; “O educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos.” (FREIRE, 2005) FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) 34 Nessa relação educador-educando, o educador precisa estar acessível às indagações dos alunos. Possuir competências que o possibilitem criar uma atmosfera favorável para esta troca ensino-aprendizagem. Auto avaliar-se e identificar se em suas características pessoais e ou intelectuais, há um caráter propenso a desenvolver esta postura de “educador bancário” descrita acima. Para não correr o risco de tornar-se um mero transmissor, “depositador” de conteúdos. Investir em culturas gerais, dominar conhecimentos específicos de sua aula é preciso. Dá-se a necessidade também de conhecer e reconhecer os fundamentos psicológicos e biológicos que interferem no processo ensino aprendizagem. Afinal, a realidade escolar é uma obra socialmente construída por aqueles que a vivenciam. O aluno de ensino superior, considerando, por exemplo, o ensino presencial da graduação, pode estar matriculado naquela instituição movido por diferentes objetivos. Considerar essa diversidade possibilita ao educador criar espaços para troca de experiências e vivências, estimulando a dimensão coletiva da ação educativa. Uma ferramenta que o docente pode fazer uso são as dinâmicas de grupo. É uma das práticas pedagógicas que requerem humildade e criatividade. Ao aplicar uma dinâmica de grupo com técnica de apresentação, por exemplo, o docente possibilita naquele momento o reconhecimento das identidades, além de promover a integração e estimular a inclusão. É possível aprender e ensinar de forma prazerosa e curiosa. O lúdico não é dádiva somente da educação infantil. Vale ressaltar, que tais práticas de dinâmica de grupo pelos docentes no ensino superior requerem pesquisa, curiosidade e o uso da criatividade. Para que essa relação docente-discente alcance os objetivos esperados é importante questionar seus objetivos enquanto docente. Um questionamento que pode ser um passo inicial: Qual é o papel da minha disciplina na formação desse graduando? Como posso tornar esse “saber” atrativo e útil para que 35 ensinando o docente possa estar aprendendo, e aprendendo, possamos estar ensinando? E, falando-se em criatividade, as ferramentas utilizadas pela educação a distancia, também podem ser usadas no âmbito sala de aula. O uso dos recursos da Tecnologia da Informação e Comunicação, como “blogs”, “chats”, e, inclusive, as redes sociais, podem ser estratégias que promovam a inclusão, a integração, despertem a curiosidade e a prática da criatividade na disseminação de saberes. As relações humanas exigem dedicação constante. É como o trabalhado de um agricultor, que semeia de manhã, semeia à tarde, por não saber se todas as sementes darão frutos. O bom semeador é incansável e sabe esperar, com paciência, pela colheita preciosa. Que os docentes, discentes, educadores, educandos, seres em geral nunca se cansem de fazer o bem. Pois, se não desanimarem, colherão quando chegar o tempo. E, o que tiver que fazer que faça o melhor que puder. Afinal, estamos vivos. 36 “O fim de uma coisa vale mais do que o seu começo.” (Rei Salomão) 37 BIBLIOGRAFIA AULAS DO CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LACTO SENSU EM DOCENCIA DO ENSINO SUPERIOR – Turma T207813 – 2011/2012 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (2005) FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, (1995) ZIRALDO. Uma Professora Muito Maluquinha. São Paulo, Cia, (1995) WEBGRAFIA Não há docência sem discência < http://escrevendo1.blogspor.com.br> 23/03/2012 Orgulho e humilde <http://ilove.terra.com.br/sergioavelhaneda/palestras/o_orgulho_e_a_humildad e.asp> 24/03/2012 38 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 7 INTRODUÇÃO 10 CAPÍTULO 1 13 CAPÍTULO 2 25 CONCLUSÃO 32 BIBLIOGRAFIA 37 WEBGRAFIA 37 ÍNDICE 38