145 Pedagogia Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura Mírian Daudt Pesquisadora Prof. Dr. Paulo Sérgio Silva Orientador “Ao professor, guiado por seu desejo, cabe o esforço imenso de organizar, articular, tornar lógico seu campo de conhecimento e transmiti-lo a seus alunos. A cada aluno cabe desarticular, retalhar, ingerir e digerir aqueles elementos transmitidos pelo professor que se engancham em seu desejo, que fazem sentido para ele, que, pela via de transmissão única aberta entre ele e o professor – a via da transferência – encontram eco nas profundezas de sua existência de sujeito do inconsciente”. Sigmund Freud Resumo Para o professor comprometido com a tarefa de possibilitar uma boa relação entre ensino e aprendizagem é fundamental compreender as questões que envolvem a eficácia da alfabetização. Com esta pesquisa, pretendemos demonstrar a importância do afeto e da comunicação na relação professor-aluno e como estes fatores influenciam na construção do conhecimento principalmente no início do processo de alfabetização. Partindo da hipótese de que a relação professor-aluno é um fator relevante para que a aprendizagem seja significativa, iremos refletir e analisar como ocorre essa relação dialógica e que significados a mesma tem na construção do conhecimento. Nossa pesquisa foi elaborada e fundamentada nas Teorias Humanistas, Psicanalíticas e Psicodramatístas, no tocante a relação professor-aluno. Ao concluirmos esta pesquisa podemos refletir que ao professor hoje, cabe aguçar a necessidade humana de aprender, registrar, escrever, possibilitando que esse aprendizado seja prazeroso, entendendo que registrar também é relação afetiva, envolvendo o eu, as emoções, e a identidade. Palavras-Chave: Alfabetização. Professor. Método. Postura. Afeto. Desejo. Interação. Diálogo. Aprendizagem significativa. Abstract To the teacher who is engaged in the task of providing a good relationship between teaching and learning, it is fundamental to understand the questions involving the efficacy of alphabetization. With this research, we want to demonstrate the importance of affection and communication in the teacher/ student relationship and how these factors influence the building of knowledge, especially in the beginning of the alphabetization process. Based on the phthisis that the teacher/ student relation ship is a relevant factor in making learning more significant, we will reflect and analyze how this dialogistical relationship occurs and what significance it has in the building of knowledge. Our research was elaborated and based in the Humanist, Psychoanalyst and Psychodramatist Theories in relation to the teacher/ student relationship. In concluding this research, we can think that it is the teachers role today to stimulate the human necessity to learn, register and write, making it possible for the learning process as a pleasant task, understanding that to register is an affective relationship and that it involves me, the emotions and the identity. Key words: Alphabetization. Teacher. Method. Posture. Affection. Desire. Interaction. Dialogue. Significant learning. Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 Mírian Daudt 146 Introdução Devemos voltar ao passado místico ou repensar Se voltarmos à história, compreenderemos porque sobre a maneira que estamos alfabetizando? hoje temos tantas dúvidas e problemas em relação Em primeiro lugar, é necessário entender que o ao processo de alfabetização, chegando à raiz dessa processo de alfabetização abrange vários fatores, dificuldade. Desde o início de sua história, os seres como o histórico, político, econômico e social. humanos tiveram necessidade de criar formas de Procuraremos nos deter nos conceitos que comunicação que lhes permitissem a relação entre consideramos mais importantes e relevantes para os grupos existentes e a interação com o meio, compreendermos em que aspecto a postura e a possibilitando a sobrevivência, a construção e a relação professor-aluno podem contribuir, ou até representação de sua história. mesmo favorecer na aquisição da leitura e da escrita. O saber histórico que os diferentes povos Observamos ser necessário aos professores construíram nas diferentes formas de escrita e sua conhecer e refletir sobre os problemas referentes à introdução na cultura, da qual fizeram parte e se questão da alfabetização e concernentes a sua desenvolveram, nos revela que alfabetização e eficácia. Percorrendo os capítulos, procuraremos cultura caminharam e evoluíram juntas, a partir de refletir sobre os fatores que permeiam e contribuem novas culturas que se formaram. no processo de alfabetização. Segundo Hernández (2000, p.3), No decorrer dos capítulos que compõem este trabalho, estaremos refletindo sobre o processo de Desde as primeiras tabuinhas cuneiformes dos sumérios, passando pelos egípcios e pelos pergaminhos da idade média as diferentes culturas sempre encontraram formas de exprimir seus valores, seus pensamentos, suas idéias e suas ações, por meio de registros gráficos que nos permitem hoje compreender de onde e como herdamos o saber. alfabetização que herdamos e como este influencia a postura de alguns professores, ainda nos dias atuais. Observamos também a contribuição de alguns educadores que fazem crítica a respeito desse modelo, bem como a contribuição de teorias que nos auxiliam na compreensão do aluno em sua Apesar das transformações que ocorreram na totalidade. formação, na transmissão e na construção deste saber, a questão da alfabetização ainda apresenta pontos divergentes quando a consideramos como 1 Alfabetização um processo de compreensão e de interpretação do Neste primeiro capítulo, temos como objetivo que se lê e do que se escreve (mesmo que para conceituar a alfabetização, situar a sua origem dentro muitos represente apenas um processo simples, do contexto histórico, compreender as mudanças que verificado como apenas o ato de ler e escrever). ocorreram no processo de alfabetização nos últimos Estamos vivendo um mundo de profundas mudanças nas sociedades pós-industriais e essas transformações interferem na maneira como as instituições alfabetizam. anos, conceituando métodos e teorias e a contribuição de alguns educadores. Para compreendermos o modelo de alfabetização que herdamos, faz-se necessário voltarmos à sua Verificamos a passagem de uma sociedade pós- origem. É nesta busca pela compreensão que industrial para uma sociedade do saber. E diante observamos a importância de voltarmos à história, desta realidade, o que significa estar alfabetizado? conhecendo os fatos e os acontecimentos que ora Que papel ocupam aluno e professor na construção contribuíram para o avanço, ora contribuíram para o do conhecimento? Quais as reflexões que o professor recuo do processo. deve ter ao adotar um método e utilizar esta ou aquela postura? Qual o lugar do afeto na aprendizagem? Segundo Barbosa, encontramos na história o que permanece e o que muda, a tradição e a ruptura. Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura Observamos, que as práticas de alfabetização ora Observamos que o processo de alfabetização tem permaneceram estáticas, ora sofreram mudanças. tido o seu sentido ampliado com o decorrer dos Como escreve Eni Orlandi (apud BARBOSA, 1999, tempos. Ao tentarmos definir um conceito único e p.15), “o histórico traz em si essa ambigüidade: amplo sobre o que seria o processo de alfabetização, porque é histórico muda, porque é histórico per- deparamos com um processo de leitura e escrita manece.” através do qual o ser humano aprende a ler e a escre- Nos remeteremos aos fatos ocorridos, mais precisamente no século XVIII, e que segundo Barbosa, influenciaram no processo de alfabetização, nos dias de hoje. ver, mas não consegue interpretar e nem compreender o mundo ao seu redor. Observamos uma íntima relação da alfabetização com a cultura. Cada sociedade, num dado momento histórico, político, econômico, social, formou culturas Sonhada no século XVIII, a generalização da alfabetização abre uma nova era na história da humanidade. As sociedades ocidentais iniciam então um período caracterizado pela revolução permanente que ressoa no plano político, econômico, social e cultural. Época marcada pela emergência das nações democráticas, pelo avanço da industrialização, pelo crescimento das cidades e erupção do individualismo; pela supremacia da cultura visual. E no centro desse labirinto a origem da concepção de alfabetização que herdamos (BARBOSA, 1999, p.15). Entretanto, Barbosa (1999) nos faz retornar ao cenário do século XVIII, quando revoluções provocaram mudanças e transformações que interferiram em todos os segmentos da sociedade. diferentes, que produziram saberes diferentes, nos quais diversos autores se fundamentaram para formular métodos, técnicas e teorias que atendessem as necessidades sociais e que evoluíssem de acordo com cada sociedade e com o acúmulo de conhecimentos. A partir dos mesmos, novas teorias foram surgindo, capazes de justificar novas práticas que se fizeram necessárias. Estaremos utilizando como referência o conceito de alfabetização de dois educadores, e assim refletiremos sobre as diferenças de sentido da definição do que seja alfabetizar31 e de como ocorre o desenvolvimento desse processo. Observamos que essas mudanças interferiram na economia, na política e na cultura, exigindo da sociedade um cidadão que fosse dotado com o mínimo de instrução para que esta sociedade se desenvolvesse. Com o avanço da industrialização, é necessária a força de trabalho especializada e, neste Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem do’ alfabeto’. ‘Alfabeto’ é o conjunto das letras de uma língua, colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que ‘abecedário’. A palavra ‘alfabeto’ é formada com as duas primeiras letras do alfabeto grego: ‘alfa’ e ‘beta’. E ‘abecedário’, com a junção das quatro letras do nosso alfabeto: ‘a’ ,’ b’ , ‘c’, ‘d ‘ (ALVES, 2002 p. 39). momento, surge a alfabetização que auxilia na realização das mesmas tarefas com maior rapidez e Teoricamente, o conceito que temos de alfabetizar eficiência. Entretanto, a alfabetização não surge como é que este seja o ensino da leitura e da escrita. Apenas instrumento de libertação do homem, mas como um teoricamente, pois onde existe ensino deveria ocorrer meio para a ascensão de quem detinha o poder (não aprendizagem; se não ocorre aprendizagem, não há muito diferente dos dias de hoje). ensino, como nos afirma Kilpatrick (apud KUETHE, E é neste cenário de mudanças e transformações que se originou o processo de alfabetização que 1974, p.3), [...] “Não ensinamos, enquanto a criança não aprendeu”. herdamos. Embora quase dois séculos já tenham Alfabetizar, que poderia ser para a criança uma passado, desde que se iniciou o processo de alfa- aprendizagem significativa, com palavras do seu betização, ainda encontramos, hoje, a herança de mundo, com uso das letras, e não da memorização muitos fatores que se fazem presentes e que muitas com o prazer da leitura investigativa, acaba sendo vezes dificultam e impedem que o processo atual na realidade sinônimo de “abecedarizar”, como diz seja trabalhado e desenvolvido com qualidade. Rubem Alves. Ensina-se à criança as letras, depois Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 147 Mírian Daudt 148 as sílabas, que, juntando-se formam-se as palavras e na maneira como constrói os conhecimentos de e assim sucessivamente. seus alunos. Enquanto pensamos que estamos alfabetizando, Partindo dessas reflexões, de construir através do abecedarizamos, como diz Rubem Alves. Seu pensa- que foi vivenciado e assim deixando surgir o novo, mento contribui muito para a postura que almejamos através da liberdade de criar, vamos observar como no processo inicial de leitura e escrita da criança. caminha o processo de alfabetização atual. Uma postura que desperte nos educandos um prazer em conhecer e decifrar as surpresas; que nos revelam cada página em que é feita e trabalhada a leitura e a escrita; trata-se do olhar afetuoso para a criança. O grande desafio, hoje4, é vencer as barreiras de tantas idéias “abstratas e teóricas” que dão ao ensino uma abordagem tradicional e sem sentido. Segundo White (1975, p. 265), “Muitos professores ainda De uma concepção tradicional, teórica e abstrata, acreditam que o conhecimento só pode ser adquirido passamos para uma concepção afetuosa e prazerosa através do estudo de livros que geralmente, estão de aprender. A seguir estaremos refletindo sobre a desvinculados da vida real do aluno”. possibilidade de ser alfabetizado lendo a palavra e o mundo. Tem se proposto hoje uma didática de alfabetização interdisciplinar, onde os conteúdos a serem Alfabetizar, num sentido bem direto é possibilitar que as pessoas a quem falta o domínio desta operação criem esse domínio. Por mais importante – e é importante – o papel da educadora na montagem deste domínio, o educador não pode fazer isto em lugar do alfabetizando. A alfabetização é um ato de criação de que fazem parte o alfabetizando e o educador. O educador é fundamental. Ele tem mesmo que ensinar desde porém jamais anule o esforço criador do alfabetizando (sic) (FREIRE, 1996 p.76). Paulo Freire define a alfabetização como uma leitura trabalhados estejam interligados, sejam significativos e vivenciados pelo aluno, levando em conta a sua subjetividade e suas necessidades pessoais. Desta forma, observamos o surgimento de novas teorias e estudos, que nos trazem mudanças no campo da alfabetização. Vemos, mesmo que timidamente, professores que têm refletido e discutido a respeito do processo que envolve o estar alfabetizado em sua totalidade. de mundo e esta concepção vai além da que conhe- Nas últimas décadas, leva-se em conta novas cemos, ou melhor, que herdamos. Ela vai além do direções para o desenvolvimento das linguagens oral ler e do escrever. Segundo ele, é necessário inter- e escrita, dá-se abertura à comunicação oral, possi- pretar o mundo no qual se vive e do qual se faz bilitando que a criança estabeleça relação com outras parte. pessoas através do dialógo e da troca de informa- Ao refletirmos sobre essa leitura de mundo, compreendemos que a mesma precede a leitura da palavra. O educando, antes de entrar no processo de ções. Sendo assim, a criança, enquanto sujeito, atribui sentido à palavra desenvolvendo a sua capacidade comunicativa de maneira significativa. leitura e escrita convencional, já elabora conheci- A seguir, estaremos refletindo sobre métodos, mentos com as pessoas e no ambiente em que vive. metodologias e teorias que auxiliam o professor no Ele começa afirmando que alfabetizar é permitir que processo de alfabetização. o educando possa criar esse domínio, porém observamos muito pouco de criação no processo de alfabetização. A palavra método vem do grego méthodos – caminho pelo qual se atinge um objetivo. A metodologia se preocupa em estudar este caminho, tendo Podemos refletir que Paulo Freire propõe uma em vista chegar com maior facilidade e melhores alfabetização na qual o alfabetizando possa ser sujeito resultados aos fins esperados. “É organizar e pensar de sua própria história. Vale ressaltar a importância o processo de ensino, com reflexão e ação numa que ele dá ao educador, ao papel que o mesmo postura formativa, como nos diz Cristina Néri” (2000, desempenha em sala de aula, na postura que adquire p. 20). Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura Se pararmos para refletir sobre a alfabetização e objetivo que este almejava alcançar e que a cada seu processo de construção da leitura e da escrita, seria difícil encontrar um método eficaz. Para que os prática adotada surgiram modificações na postura dos professores em relação ao ensino e a apren- alunos se sintam envolvidos no processo de ensino dizagem. aprendizagem, o professor precisa acreditar no que Nos próximos passos desse trabalho, estaremos diz, conhecer e ter convicção de que os ensinamentos refletindo sobre teorias que contribuíram para a que estão sendo transmitidos são verdadeiros. Através destas atitudes, seus alunos irão acreditar compreensão de que nem sempre é o método que garante ao aluno aquisição de conhecimentos; outros no que está sendo transmitido. fatores se entrelaçam nesse processo e nos permitem Desta forma, o professor necessita ter um preparo, pois quando temos um objetivo e queremos alcançá- compreender a importância da postura e da relação professor-aluno no processo de ensino aprendizagem. lo é necessário conhecer bem o rumo que devemos tomar. Nem sempre nos dirigimos para o rumo certo, pois no processo de aprendizagem os erros contribuem para encontrarmos a maneira certa. Porém, é necessário muito cuidado, porque existem erros que podem ser irreversíveis, prejudicando o aprendiz por toda a sua vida escolar. 2 Contribuição das Teorias Humanistas, Psicanalíticas e Psicodramatistas no Tocante à Relação Professor Aluno Neste segundo capítulo procuraremos compreender a contribuição da psicologia e da psicanálise, ressal- Assim como a alfabetização, a metodologia utili- tando a importância de conhecer a criança e o profes- zada para o ensino da leitura e da escrita evoluiu de sor em sua subjetividade. Pouco valor tem sido dado acordo com as necessidades sociais. à educação em geral, principalmente à educação Segundo nos relata Barbosa (1999), para se atingir os seus objetivos, o professor deverá orientar as suas ações através de um método. A partir de uma meta, infantil, pois mesmo diante de muitas transformações, ainda se tem negado à criança uma formação de qualidade e respeito. o professor traçará os objetivos que foram esta- Segundo Oliveira e Davis (1994, p.11), “quanto belecidos e que deverão ser alcançados. No caso mais informações os educadores tiverem sobre o específico da alfabetização, a escola, durante anos, processo de aprendizagem dos conteúdos escolares, teve como objetivo transformar sinais gráficos em maiores serão as chances de melhoria das práticas sinais sonoros. Esse era o caminho que o professor pedagógicas”. Compreende-se assim a relevância percorria, utilizando este método para ensinar a ler. teórica dos estudos psicológicos para a área da educação e a necessidade de se efetivar maior Desde a Antigüidade, até o século XVIII, o método intercâmbio entre a Psicologia e a Pedagogia, à utilizado para o ensino da leitura e da escrita foi o medida que aumentam os problemas que as escolas método sintético. Na pedagogia da alfabetização, têm que enfrentar. hoje, dispomos de dois caminhos: o método da marcha sintética e o método da marcha analítica e o objetivo de ambos os métodos é levar a criança a ler, estabelecendo uma correspondência entre o som e a grafia. Em nossa pesquisa, buscamos compreender como se dá à relação entre cognição e afeto, e qual a importância das ligações afetivas na relação professor e aluno. Muitas vezes nos deparamos com professores que afirmam que seus alunos não aprendem Para que compreendêssemos a postura utilizada por terem “Graves Problemas Emocionais”. Conforme pelos professores, fêz-se necessário percorrer este observaremos a seguir e segundo nos afirmam caminho de métodos e metodologias, os quais foram Oliveira e Davis, isto ocorre por faltar-lhes conhe- surgindo ao longo dos tempos. Observamos que o cimento e também por vários outros fatores que método utilizado pelo professor foi ao encontro do permeiam a prática docente. Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 149 Mírian Daudt 150 Ainda não conhecemos o suficiente muitos aspectos da dinâmica emocional do ser humano e o papel da emoção na aprendizagem. Assim, não é fácil saber como o professor deve agir em sala de aula. Essa lacuna de conhecimentos soma-se ao peso de vários outros fatores que também influenciam a atuação docente, dificultando a orientação da aprendizagem: o uso de uma metodologia inadequada, a falta de recursos didáticos, as condições insatisfatórias de trabalho (incluindo-se, ai, o salário) etc. O professor termina assim, apelando para a idéia de problemas emocionais graves de desajuste familiares, colocando apenas o aluno o peso de um fracasso que também é seu. (OLIVEIRA e DAVIS, 1994, p.80). Assumir o fracasso e o erro é tarefa difícil para o professor que tem em seu papel a responsabilidade de acertar sempre e não fracassar. O que se esquece neste momento é que o professor é um ser humano com características emocionais, físicas e psicológicas e está sujeito a reações e sentimentos como qualquer outra pessoa. O maior problema é não estarmos na sala? Se não bastasse a falta de conhecimentos, ele ainda tem de enfrentar todas as condições insatisfatórias de seu trabalho e que influenciam as suas emoções, acabando por, em muitas vezes, determinar uma postura prejudicial e que impede a realização do aprendizado. Trabalhar o aspecto afetivo não é tarefa fácil, temos dificuldades pessoais para expressar os nossos sentimentos e as nossas emoções. É necessário estarmos abertos à mudança e a compreensão da importância de expressarmos a nossa emoção quer seja ela positiva ou negativa. Só as reconhecendo é que poderemos ser honestos com os nossos alunos influenciando-os positivamente e encorajando-os a expressarem os seus sentimentos e emoções que interferem na construção do conhecimento. cientes de todas essas características e por não Segundo Saltini (1997, p.19), “o conhecimento conhecê-las acabamos por culpar o aluno do nosso só produz mudança na medida em que também é fracasso. conhecimento afetivo”. Ele acredita que de um Como observaremos a seguir, Oliveira e Davis (1994, p.83-84), nos relatam que: “A afetividade e a inteligência se estruturam nas ações dos indivíduos. O afeto pode, assim, ser entendido como a energia necessária para que a estrutura cognitiva passe a encontro de amor, seja ele com o objeto ou mesmo com o outro, nasce e transforma-se a vida; mudamse os destinos, tiram-se do nada todo um mundo de projetos e idéias que antes não existiam. Nasce uma esperança, consolida-se um tempo e apalpa-se um especo. As pulsões se transformam e sublimam-se, operar”. e, assim, educamos um ser para si e para o meio. O conteúdo (cognitivo) e o afeto (emoções) deverão É necessário que o professor conheça o aluno antes caminhar juntos na interação que os alunos e o de educá-lo, sem conhecer o aluno é impossível que professor estabelecerão na escola. É importante este conhecimento possa produzir algum tipo de ressaltar, que ambos possuem esses fatores e cada mudança. um possui a sua singularidade, ou seja, dependendo do papel que exerça, ele ensina, aprende, e vive emoções diferentes e particulares. 3 Repensando a Postura do Professor Ao pesquisarmos sobre o afeto, encontramos uma escassez de informações e de estudos sobre este O repensar sobre a postura5 que os professores tema, o que nos chama a atenção por ser de extrema devem adotar em sala de aula merece muita reflexão, relevância para o desenvolvimento cognitivo. Na e ao mesmo tempo, uma certa tomada de ação. Em realidade, não conhecemos o necessário sobre muitos seu fazer pedagógico diário, os professores se dos aspectos da dinâmica emocional do ser humano deparam com vários fatores que permeiam seu e o papel que o afeto tem na aprendizagem. Por trabalho. Um deles é o fator tempo, o qual lhes é outro lado, herdamos de uma sociedade repressora determinado para a realização de uma ação educativa. a função de reprimirmos as nossas emoções e não Desta forma, os professores não podem ficar apenas darmos a ela o valor e o significado devido. na reflexão, esperando, como muitos, que aconteça um estalo, possibilitando que os conhecimentos E o professor agora, o que faz? Vê-se diante de apareçam de repente, do nada, como “insight’s”. alunos com sentimentos diferentes e como vai agir Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura Quando os professores são formados, depois de anos de estudos, esforços e dedicação, reina sobre suas mentes a idéia de estarem prontos para exercerem a sua tarefa de educar, como se a mesma fosse simplesmente repassar tudo o que ingeriram durante o tempo em que passaram nos bancos escolares: conteúdos, conteúdos, conteúdos... Nem sequer houve tempo para digestão e aí começam a surgir os problemas, porque ingerir esses conteúdos e adequá-los às necessidades dos seus alunos não será tarefa fácil, porém cabe ao professor, neste momento, refletir, agir e repensar em sua prática pedagógica.[...] a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação: Teoria/ Prática sem a qual a teoria pode ir virando blá blá blá e a prática, ensinar às crianças é mais importante do que as lições que elas vão ensinar. Hoje, nos deparamos com novas posturas de educar: ao invés de impor, construir; antes de repassar conteúdos, resgatá-los de seus alunos. Dessa forma, não se tornarão seres passivos, mas críticos e autônomos. Para muitos professores, o que importa é educar a dor da falta, segundo nos diz Frei Beto (1992). Assim como a fome precisa ser saciada, o frio exige o aquecimento, a falta de conhecimento precisa ser preenchida, e essa dor só poderá ser transformada em prazer quando a educação que ambos, professor e aluno, construírem juntos for uma educação de vida e não de conteúdos. Refletimos até o momento sobre a importância de ativismo (FREIRE, 1996, p.24). se conciliar método e postura respeitando a maneira Quando damos ênfase á postura que o professor como a criança aprende. A seguir, estaremos deve ter frente a seus alunos, não estamos afirmando compreendendo como a motivação pode contribuir que a teoria não seja importante. Não podemos sair na construção do conhecimento e pode despertar a por ai inventando métodos e teorias. Nossa curiosidade do aluno. preocupação é com a qualidade do que se ensina e para que isso ocorra é necessário que haja uma relação entre o que se ensina e como se ensina, levando em conta que cada aluno é um ser em potencial e a nossa postura deverá adequar-se a cada um desses alunos, à medida que formos trabalhando os conteúdos. A questão do interesse dos alunos em aprender o que se quer ensinar afeta professores e alunos em larga escala. Então, se faz necessário da parte do professor um questionamento de como conseguir motivá-los, levando-os a se comprometerem e estarem envolvidos no processo (e isso não é fácil!). Os alunos são diferentes, com motivações diversas O aluno, enquanto sujeito de sua aprendizagem, e isso envolve reflexão da parte do professor, além constrói conhecimentos junto com o seu professor, de precisar utilizar processos motivacionais que numa relação de troca onde ambos aprendem juntos. alcancem a interação com os alunos e isto nos Professor e aluno pensando e construindo juntos: É contextos todos que estão atuantes na vida de cada assim que deve seguir a dinâmica das aulas, desen- um deles, não se baseando apenas em sala de aula. volvendo-se uma relação afetiva no conhecimento Este é um processo complexo, mas que pode e do aluno, estabelecendo uma rotina de trabalho deve ser feito e as soluções devem ser buscadas flexível, onde nada é imposto. Nesta relação afetiva, não só pelos professores individualmente, mas pelas a dedicação é visível e existe confiança mútua e entidades educacionais e sociedade. Pessoas prazer em aprender juntos. motivam e são motivadas por pessoas! A postura utilizada por muitos professores tem Na maioria das vezes, alunos desmotivados são impedido que os seus alunos sejam preparados para considerados desinteressados e os fatores que são a vida. Faltam aos conteúdos trabalhados aspectos apontados como causa (programas excessivamente da realidade. A educação que é transmitida, hoje carregados, número grande de alunos por sala, falta não as prepara para o mundo. Onde está a imagina- de recursos, carências familiares, etc), são tidos como ção, a curiosidade, a capacidade de se encantar com fora do controle do professor e isso o desestimula a as coisas mais simples? Nada do que possamos prosseguir. Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 151 Mírian Daudt 152 Porém, felizmente, muitos persistem, empenhando- positivamente ou negativamente, pois “o ato de se na descoberta de novas soluções. Percebem a ensinar envolve seres humanos, e as relações ai necessidade de criarem, através de sua atuação, estabelecidas devem ser de um respeito construído ambientes motivadores, ao mesmo tempo em que com amor, compreensão, humildade e colaboração” se preocupam em se tornarem auxiliadores concretos (MENDONÇA, 2002, p.72). de seus alunos. E isso é realizado dinamicamente, em um processo ininterrupto e, mais uma vez, a indi- 4 Conclusão vidualidade do aluno é fator relevante. A preocupação e o interesse que motivaram a Quando realizamos atividades relacionadas à aprendizagem, é necessário observar o comportamento de vários alunos, com diferentes idades, verificando as diferenças entre eles. Observar as metas dos alunos (o que impulsiona mais positivamente a aprendizagem é o aluno ser determinado a realizar as tarefas escolares tendo como objetivos principais o seu desenvolvimento intelectual e as descobertas realização desta pesquisa estão no sentido de possibilitar a observação do aluno, em sala de aula como sujeito ativo e com suas singularidades, cabendo ao professor liberdade e conhecimento para adequar sua prática ao método escolhido, possibilitando assim uma aprendizagem significativa. Ou seja, como a minha postura pode estar em harmonia com o método que utilizo para que ocorra a aprendizado. que realiza, buscando compreender e dominar os conhecimentos/habilidades. Quando a meta desejada No decorrer da pesquisa, observamos o existir e restringe-se à nota, o processo de compreensão só persistir de uma preocupação com métodos e com almeja a realização satisfatória da avaliação e, para recursos a serem utilizados, não somente por parte tanto, a memorização de conceitos e regras é dos professores, mas também por parte da escola e considerada “suficiente”). dos pais. Faz-se presente ainda, a compreensão enganosa de que a qualidade do ensino está no Quando os alunos captam que o conhecimento que adquirem os capacita a realizarem escolhas, sentem-se motivados e melhoram seu rendimento. Chegam até mesmo a buscarem o conhecimento “amontoado de coisas que sufocamos em nossos alunos”. É necessário e urgente que os professores repensem sobre isto. independentemente do professor que ministra as Nossa intenção, ao revermos na história o modelo aulas e do método usado por ele. Têm consciência de alfabetização do qual herdamos o nosso saber, do que significa realmente aprender, tendo satisfação não é a de criticar o trabalho que muitos pesquisas e no processo. professores desenvolveram, mas, a partir desses Refletimos até o momento sobre a importância da motivação no processo de aprendizagem. É necessário, porém refletir não só sobre a motivação conhecimentos, refletir, analisar e agir sobre o que nos foi transmitido, construindo o novo e adequandoo às necessidades dos alunos, nos dias atuais. externa, produzida por outras pessoas e por diversos O objetivo de nossa crítica não é a de encontrar tipos de recursos, como foi observado até o culpados, mas compreender porque, hoje, professo- momento. A motivação mais importante parte de si res tecnicamente preparados e seguros em relação próprio, do seu eu e não provem dos professores e ao método que utilizam, apresentem dificuldades em ambientes. Talvez essa observação nos ajude a desenvolver uma alfabetização de qualidade, enquan- pensar sobre o porquê de muitos alunos não to outros, utilizando-se de recursos simples, mas desenvolverem a aprendizagem mesmo em contato adequando o método e o conteúdo a sua postura e com pessoas e meios motivadores. às necessidades do aluno, possibilitem um construir Compreendemos que é necessário que se reflita a de conhecimentos prazeroso e de qualidade. respeito da motivação interna, tanto de professores No decorrer da pesquisa, muitas questões foram como de alunos, e dos fatores que podem influir surgindo e ampliando a nossa visão do quanto é Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura necessário aos professores adquirirem conhecimentos Buscamos alunos ávidos de conhecimentos, ale- que permitam que a sua prática pedagógica seja gres, esperançosos, cheios de vida... e mesmo que melhorada a cada dia. Compreendemos ser necessá- as circunstâncias da vida tenham tirado de nossas rio uma reformulação, tanto na prática educativa, crianças todas essas virtudes, que a nossa postura como nos conhecimentos que adquirimos nos bancos possa representar para eles um marco diferenciador, escolares. o qual lhe devolva a alegria e a esperança de viver. Antes de compreendermos sobre métodos, teorias Que com sua postura diferenciadora, ao entrar na e posturas utilizadas, é necessário compreendermos sala, alguma coisa extraordinária aconteça. Que o quem somos, quem é a criança e que lugar ambos seu olhar carinhoso, atento envolva os seus alunos ocupam na construção do conhecimento. Isto, já é como um “toque mágico” onde todos possam tarefa bem difícil, mas não impossível. Temos como aprender, sorrir, cantar e brincar numa atmosfera referencial a contribuição de importantes onde o Ato Pedagógico é realmente um ato de amor, pesquisadores, pedagogos, psicólogos e mestres que como nos diz Celso Antunes. se empenharam para nos acrescentar teorias e conhecimentos, os quais nos permitem, hoje, refletir sobre a verdadeira construção do conhecimento. Não temos a receita de uma postura correta, mas temos os ingredientes necessários para a reformulação quantas vezes forem necessárias. A cada Ao concluirmos a nossa pesquisa, observamos que nova reformulação, novas experiências são acres- muitas questões precisam ser solucionadas. Existe cidas. Conhecer, refletir e reavaliar os ingredientes é um longo caminho a ser percorrido na busca por de extrema importância para o professor que adquiriu uma educação que contemple os nossos alunos como a consciência de que o ensino só tem qualidade um ser total. Ressaltamos que ao professor, enquanto quando existe uma ponte entre postura e método e sujeito que tem como ideal possibilitar uma quando a sua fala e a sua ação são autênticas e se aprendizagem significativa é essencial repensar sobre correspondem. a postura utilizada em sala de aula. Esta postura envolve vários fatores, que muitas vezes não conhecemos por nos faltar alguns fundamentos básicos da educação. Fatores como: a relação professor-aluno, a comunicação que implica em um diálogo entre ambos, o olhar atento, a motivação É necessário que nós educadores atuemos com doação e renúncia, compreensão e afeto, acima do desejo de impor conhecimentos. A criança amada, feliz, estimulada para o bem e respeitada, construirá seus conhecimentos de uma forma autônoma e a autêntica, sendo amanhã um cidadão realizado plenamente segundo nos diz Dora Incontri (1998, p. 66), baseada nos ensinamentos de Pestalozzi. que o professor proporciona. Em conjunto, propiciam um clima favorável para o professor transferir os seus A conclusão a qual chego é que o professor neces- conhecimentos e os seus alunos os receberem, sita estar preparado em todos os aspectos. Além de transformando-os em conhecimentos novos. Com- comunicar o conteúdo, o professor comunica valores preendemos aqui a importância do afeto e que este e sentimentos, os quais são recebidos pelos alunos, não se separa do cognitivo. que reagem emocionalmente a essa comunicação. Buscamos uma postura em que o professor compreenda a importância do afeto e da cognição caminharem juntos na construção do conhecimento. Falta aos professores conhecerem os alunos em sua totalidade; faltam a Pedagogia conhecimentos mais profundos da Psicologia, da Psicanálise e da relação humana. É preciso muito preparo, dedicação e amor Buscamos aulas onde possamos aprender conhe- pela profissão. cimentos, a transformá-los para a nossa realidade. Buscamos professores criativos, humanos, que ouçam e escutem, que vejam e enxerguem, que falem e se comuniquem; que sintam e se expressem. A mim, fica o seguinte questionamento: Se estivesse no lugar destas professoras cujas aulas foram observadas, qual seria a minha postura? Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004 153 Mírian Daudt 154 Notas 1 Embora o termo alfabetizar tenha diferentes sen- 2 Temos como desafio hoje, possibilitar uma aprendi- tidos, neste trabalho ele está sendo compreendido zagem que não somente contemple os alunos nos inicialmente, como o processo de ensino e apren- aspectos cognitivos, mas que os contemple em sua dizagem do sistema alfabético de escrita. Dando totalidade. continuidade estaremos ampliando o conceito do que 3 seja alfabetizar, ou seja, um processo de ensino e Entendemos como postura à maneira como o professor trabalha, um determinado conteúdo, utilizando aprendizagem que possibilite ao educando uma visão um método a ser seguido. Sem uma postura adequa- de mundo e uma compreensão do que se lê e do que da, a construção desse conhecimento se torna insigni- se escreve. ficante. Referências ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. São Paulo: Papirus, 2002. KUPFER, Maria Cristina Machado; Freud e a educação: o mestre do impossível. São Paulo: Scipione, 1989. BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1999. MENDONÇA, César Adonai. Primeiras providências. Cabe ao educador se preparar para assumir seu papel em meio às transformações que afetam o mundo e as novas gerações. Educação. São Paulo, ano 28, n. 252, p. 72, abr. 2002. BARRETO, Vera. Paulo Freire para educadores. 3 ed. São Paulo: Arte & Ciência, 1998. FREIRE, Paulo Reglus Neves. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 18. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. HERNÁNDEZ, Fernando. Algumas questões sobre alfabetização: entre a compreensão do local e do global. 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