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Pedagogia
Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar
Método e Postura
Mírian Daudt
Pesquisadora
Prof. Dr. Paulo Sérgio Silva
Orientador
“Ao professor, guiado por seu desejo, cabe o esforço
imenso de organizar, articular, tornar lógico seu
campo de conhecimento e transmiti-lo a seus alunos.
A cada aluno cabe desarticular, retalhar, ingerir e
digerir aqueles elementos transmitidos pelo professor
que se engancham em seu desejo, que fazem sentido
para ele, que, pela via de transmissão única aberta
entre ele e o professor – a via da transferência –
encontram eco nas profundezas de sua existência de
sujeito do inconsciente”.
Sigmund Freud
Resumo
Para o professor comprometido com a tarefa de possibilitar uma boa relação entre ensino e aprendizagem é
fundamental compreender as questões que envolvem a eficácia da alfabetização. Com esta pesquisa, pretendemos
demonstrar a importância do afeto e da comunicação na relação professor-aluno e como estes fatores influenciam
na construção do conhecimento principalmente no início do processo de alfabetização. Partindo da hipótese
de que a relação professor-aluno é um fator relevante para que a aprendizagem seja significativa, iremos
refletir e analisar como ocorre essa relação dialógica e que significados a mesma tem na construção do
conhecimento. Nossa pesquisa foi elaborada e fundamentada nas Teorias Humanistas, Psicanalíticas e
Psicodramatístas, no tocante a relação professor-aluno. Ao concluirmos esta pesquisa podemos refletir que ao
professor hoje, cabe aguçar a necessidade humana de aprender, registrar, escrever, possibilitando que esse
aprendizado seja prazeroso, entendendo que registrar também é relação afetiva, envolvendo o eu, as emoções,
e a identidade.
Palavras-Chave: Alfabetização. Professor. Método. Postura. Afeto. Desejo. Interação. Diálogo. Aprendizagem
significativa.
Abstract
To the teacher who is engaged in the task of providing a good relationship between teaching and learning,
it is fundamental to understand the questions involving the efficacy of alphabetization. With this research, we
want to demonstrate the importance of affection and communication in the teacher/ student relationship and
how these factors influence the building of knowledge, especially in the beginning of the alphabetization
process. Based on the phthisis that the teacher/ student relation ship is a relevant factor in making learning more
significant, we will reflect and analyze how this dialogistical relationship occurs and what significance it has in
the building of knowledge. Our research was elaborated and based in the Humanist, Psychoanalyst and Psychodramatist Theories in relation to the teacher/ student relationship. In concluding this research, we can think
that it is the teachers role today to stimulate the human necessity to learn, register and write, making it
possible for the learning process as a pleasant task, understanding that to register is an affective relationship
and that it involves me, the emotions and the identity.
Key words: Alphabetization. Teacher. Method. Posture. Affection. Desire. Interaction. Dialogue. Significant
learning.
Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004
Mírian Daudt
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Introdução
Devemos voltar ao passado místico ou repensar
Se voltarmos à história, compreenderemos porque
sobre a maneira que estamos alfabetizando?
hoje temos tantas dúvidas e problemas em relação
Em primeiro lugar, é necessário entender que o
ao processo de alfabetização, chegando à raiz dessa
processo de alfabetização abrange vários fatores,
dificuldade. Desde o início de sua história, os seres
como o histórico, político, econômico e social.
humanos tiveram necessidade de criar formas de
Procuraremos nos deter nos conceitos que
comunicação que lhes permitissem a relação entre
consideramos mais importantes e relevantes para
os grupos existentes e a interação com o meio,
compreendermos em que aspecto a postura e a
possibilitando a sobrevivência, a construção e a
relação professor-aluno podem contribuir, ou até
representação de sua história.
mesmo favorecer na aquisição da leitura e da escrita.
O saber histórico que os diferentes povos
Observamos ser necessário aos professores
construíram nas diferentes formas de escrita e sua
conhecer e refletir sobre os problemas referentes à
introdução na cultura, da qual fizeram parte e se
questão da alfabetização e concernentes a sua
desenvolveram, nos revela que alfabetização e
eficácia. Percorrendo os capítulos, procuraremos
cultura caminharam e evoluíram juntas, a partir de
refletir sobre os fatores que permeiam e contribuem
novas culturas que se formaram.
no processo de alfabetização.
Segundo Hernández (2000, p.3),
No decorrer dos capítulos que compõem este
trabalho, estaremos refletindo sobre o processo de
Desde as primeiras tabuinhas cuneiformes dos sumérios,
passando pelos egípcios e pelos pergaminhos da idade
média as diferentes culturas sempre encontraram formas
de exprimir seus valores, seus pensamentos, suas idéias
e suas ações, por meio de registros gráficos que nos
permitem hoje compreender de onde e como herdamos
o saber.
alfabetização que herdamos e como este influencia
a postura de alguns professores, ainda nos dias
atuais. Observamos também a contribuição de alguns
educadores que fazem crítica a respeito desse
modelo, bem como a contribuição de teorias que
nos auxiliam na compreensão do aluno em sua
Apesar das transformações que ocorreram na
totalidade.
formação, na transmissão e na construção deste
saber, a questão da alfabetização ainda apresenta
pontos divergentes quando a consideramos como
1 Alfabetização
um processo de compreensão e de interpretação do
Neste primeiro capítulo, temos como objetivo
que se lê e do que se escreve (mesmo que para
conceituar a alfabetização, situar a sua origem dentro
muitos represente apenas um processo simples,
do contexto histórico, compreender as mudanças que
verificado como apenas o ato de ler e escrever).
ocorreram no processo de alfabetização nos últimos
Estamos vivendo um mundo de profundas
mudanças nas sociedades pós-industriais e essas
transformações interferem na maneira como as
instituições alfabetizam.
anos, conceituando métodos e teorias e a
contribuição de alguns educadores.
Para compreendermos o modelo de alfabetização
que herdamos, faz-se necessário voltarmos à sua
Verificamos a passagem de uma sociedade pós-
origem. É nesta busca pela compreensão que
industrial para uma sociedade do saber. E diante
observamos a importância de voltarmos à história,
desta realidade, o que significa estar alfabetizado?
conhecendo os fatos e os acontecimentos que ora
Que papel ocupam aluno e professor na construção
contribuíram para o avanço, ora contribuíram para o
do conhecimento? Quais as reflexões que o professor
recuo do processo.
deve ter ao adotar um método e utilizar esta ou aquela
postura? Qual o lugar do afeto na aprendizagem?
Segundo Barbosa, encontramos na história o que
permanece e o que muda, a tradição e a ruptura.
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Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura
Observamos, que as práticas de alfabetização ora
Observamos que o processo de alfabetização tem
permaneceram estáticas, ora sofreram mudanças.
tido o seu sentido ampliado com o decorrer dos
Como escreve Eni Orlandi (apud BARBOSA, 1999,
tempos. Ao tentarmos definir um conceito único e
p.15), “o histórico traz em si essa ambigüidade:
amplo sobre o que seria o processo de alfabetização,
porque é histórico muda, porque é histórico per-
deparamos com um processo de leitura e escrita
manece.”
através do qual o ser humano aprende a ler e a escre-
Nos remeteremos aos fatos ocorridos, mais precisamente no século XVIII, e que segundo Barbosa,
influenciaram no processo de alfabetização, nos dias
de hoje.
ver, mas não consegue interpretar e nem compreender o mundo ao seu redor.
Observamos uma íntima relação da alfabetização
com a cultura. Cada sociedade, num dado momento
histórico, político, econômico, social, formou culturas
Sonhada no século XVIII, a generalização da alfabetização
abre uma nova era na história da humanidade. As
sociedades ocidentais iniciam então um período
caracterizado pela revolução permanente que ressoa no
plano político, econômico, social e cultural.
Época marcada pela emergência das nações democráticas, pelo avanço da industrialização, pelo crescimento
das cidades e erupção do individualismo; pela supremacia
da cultura visual. E no centro desse labirinto a origem da
concepção de alfabetização que herdamos (BARBOSA,
1999, p.15).
Entretanto, Barbosa (1999) nos faz retornar ao
cenário do século XVIII, quando revoluções provocaram mudanças e transformações que interferiram
em todos os segmentos da sociedade.
diferentes, que produziram saberes diferentes, nos
quais diversos autores se fundamentaram para
formular métodos, técnicas e teorias que atendessem
as necessidades sociais e que evoluíssem de acordo
com cada sociedade e com o acúmulo de conhecimentos. A partir dos mesmos, novas teorias foram
surgindo, capazes de justificar novas práticas que
se fizeram necessárias.
Estaremos utilizando como referência o conceito
de alfabetização de dois educadores, e assim
refletiremos sobre as diferenças de sentido da
definição do que seja alfabetizar31 e de como ocorre
o desenvolvimento desse processo.
Observamos que essas mudanças interferiram na
economia, na política e na cultura, exigindo da
sociedade um cidadão que fosse dotado com o
mínimo de instrução para que esta sociedade se
desenvolvesse. Com o avanço da industrialização, é
necessária a força de trabalho especializada e, neste
Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem do’
alfabeto’. ‘Alfabeto’ é o conjunto das letras de uma língua,
colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que
‘abecedário’. A palavra ‘alfabeto’ é formada com as duas
primeiras letras do alfabeto grego: ‘alfa’ e ‘beta’.
E ‘abecedário’, com a junção das quatro letras do nosso
alfabeto: ‘a’ ,’ b’ , ‘c’, ‘d ‘ (ALVES, 2002 p. 39).
momento, surge a alfabetização que auxilia na
realização das mesmas tarefas com maior rapidez e
Teoricamente, o conceito que temos de alfabetizar
eficiência. Entretanto, a alfabetização não surge como
é que este seja o ensino da leitura e da escrita. Apenas
instrumento de libertação do homem, mas como um
teoricamente, pois onde existe ensino deveria ocorrer
meio para a ascensão de quem detinha o poder (não
aprendizagem; se não ocorre aprendizagem, não há
muito diferente dos dias de hoje).
ensino, como nos afirma Kilpatrick (apud KUETHE,
E é neste cenário de mudanças e transformações
que se originou o processo de alfabetização que
1974, p.3), [...] “Não ensinamos, enquanto a criança
não aprendeu”.
herdamos. Embora quase dois séculos já tenham
Alfabetizar, que poderia ser para a criança uma
passado, desde que se iniciou o processo de alfa-
aprendizagem significativa, com palavras do seu
betização, ainda encontramos, hoje, a herança de
mundo, com uso das letras, e não da memorização
muitos fatores que se fazem presentes e que muitas
com o prazer da leitura investigativa, acaba sendo
vezes dificultam e impedem que o processo atual
na realidade sinônimo de “abecedarizar”, como diz
seja trabalhado e desenvolvido com qualidade.
Rubem Alves. Ensina-se à criança as letras, depois
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as sílabas, que, juntando-se formam-se as palavras
e na maneira como constrói os conhecimentos de
e assim sucessivamente.
seus alunos.
Enquanto pensamos que estamos alfabetizando,
Partindo dessas reflexões, de construir através do
abecedarizamos, como diz Rubem Alves. Seu pensa-
que foi vivenciado e assim deixando surgir o novo,
mento contribui muito para a postura que almejamos
através da liberdade de criar, vamos observar como
no processo inicial de leitura e escrita da criança.
caminha o processo de alfabetização atual.
Uma postura que desperte nos educandos um prazer
em conhecer e decifrar as surpresas; que nos revelam
cada página em que é feita e trabalhada a leitura e a
escrita; trata-se do olhar afetuoso para a criança.
O grande desafio, hoje4, é vencer as barreiras de
tantas idéias “abstratas e teóricas” que dão ao ensino
uma abordagem tradicional e sem sentido. Segundo
White (1975, p. 265), “Muitos professores ainda
De uma concepção tradicional, teórica e abstrata,
acreditam que o conhecimento só pode ser adquirido
passamos para uma concepção afetuosa e prazerosa
através do estudo de livros que geralmente, estão
de aprender. A seguir estaremos refletindo sobre a
desvinculados da vida real do aluno”.
possibilidade de ser alfabetizado lendo a palavra e o
mundo.
Tem se proposto hoje uma didática de alfabetização
interdisciplinar, onde os conteúdos a serem
Alfabetizar, num sentido bem direto é possibilitar que as
pessoas a quem falta o domínio desta operação criem
esse domínio. Por mais importante – e é importante – o
papel da educadora na montagem deste domínio, o
educador não pode fazer isto em lugar do alfabetizando.
A alfabetização é um ato de criação de que fazem parte
o alfabetizando e o educador. O educador é fundamental.
Ele tem mesmo que ensinar desde porém jamais anule o
esforço criador do alfabetizando (sic) (FREIRE, 1996
p.76).
Paulo Freire define a alfabetização como uma leitura
trabalhados estejam interligados, sejam significativos
e vivenciados pelo aluno, levando em conta a sua
subjetividade e suas necessidades pessoais. Desta
forma, observamos o surgimento de novas teorias e
estudos, que nos trazem mudanças no campo da
alfabetização. Vemos, mesmo que timidamente,
professores que têm refletido e discutido a respeito
do processo que envolve o estar alfabetizado em
sua totalidade.
de mundo e esta concepção vai além da que conhe-
Nas últimas décadas, leva-se em conta novas
cemos, ou melhor, que herdamos. Ela vai além do
direções para o desenvolvimento das linguagens oral
ler e do escrever. Segundo ele, é necessário inter-
e escrita, dá-se abertura à comunicação oral, possi-
pretar o mundo no qual se vive e do qual se faz
bilitando que a criança estabeleça relação com outras
parte.
pessoas através do dialógo e da troca de informa-
Ao refletirmos sobre essa leitura de mundo, compreendemos que a mesma precede a leitura da palavra. O educando, antes de entrar no processo de
ções. Sendo assim, a criança, enquanto sujeito,
atribui sentido à palavra desenvolvendo a sua capacidade comunicativa de maneira significativa.
leitura e escrita convencional, já elabora conheci-
A seguir, estaremos refletindo sobre métodos,
mentos com as pessoas e no ambiente em que vive.
metodologias e teorias que auxiliam o professor no
Ele começa afirmando que alfabetizar é permitir que
processo de alfabetização.
o educando possa criar esse domínio, porém observamos muito pouco de criação no processo de
alfabetização.
A palavra método vem do grego méthodos –
caminho pelo qual se atinge um objetivo. A metodologia se preocupa em estudar este caminho, tendo
Podemos refletir que Paulo Freire propõe uma
em vista chegar com maior facilidade e melhores
alfabetização na qual o alfabetizando possa ser sujeito
resultados aos fins esperados. “É organizar e pensar
de sua própria história. Vale ressaltar a importância
o processo de ensino, com reflexão e ação numa
que ele dá ao educador, ao papel que o mesmo
postura formativa, como nos diz Cristina Néri” (2000,
desempenha em sala de aula, na postura que adquire
p. 20).
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Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura
Se pararmos para refletir sobre a alfabetização e
objetivo que este almejava alcançar e que a cada
seu processo de construção da leitura e da escrita,
seria difícil encontrar um método eficaz. Para que os
prática adotada surgiram modificações na postura
dos professores em relação ao ensino e a apren-
alunos se sintam envolvidos no processo de ensino
dizagem.
aprendizagem, o professor precisa acreditar no que
Nos próximos passos desse trabalho, estaremos
diz, conhecer e ter convicção de que os ensinamentos
refletindo sobre teorias que contribuíram para a
que estão sendo transmitidos são verdadeiros.
Através destas atitudes, seus alunos irão acreditar
compreensão de que nem sempre é o método que
garante ao aluno aquisição de conhecimentos; outros
no que está sendo transmitido.
fatores se entrelaçam nesse processo e nos permitem
Desta forma, o professor necessita ter um preparo,
pois quando temos um objetivo e queremos alcançá-
compreender a importância da postura e da relação
professor-aluno no processo de ensino aprendizagem.
lo é necessário conhecer bem o rumo que devemos
tomar. Nem sempre nos dirigimos para o rumo certo,
pois no processo de aprendizagem os erros contribuem para encontrarmos a maneira certa. Porém, é
necessário muito cuidado, porque existem erros que
podem ser irreversíveis, prejudicando o aprendiz por
toda a sua vida escolar.
2 Contribuição das Teorias
Humanistas, Psicanalíticas e
Psicodramatistas no Tocante à
Relação Professor Aluno
Neste segundo capítulo procuraremos compreender
a contribuição da psicologia e da psicanálise, ressal-
Assim como a alfabetização, a metodologia utili-
tando a importância de conhecer a criança e o profes-
zada para o ensino da leitura e da escrita evoluiu de
sor em sua subjetividade. Pouco valor tem sido dado
acordo com as necessidades sociais.
à educação em geral, principalmente à educação
Segundo nos relata Barbosa (1999), para se atingir
os seus objetivos, o professor deverá orientar as suas
ações através de um método. A partir de uma meta,
infantil, pois mesmo diante de muitas transformações,
ainda se tem negado à criança uma formação de
qualidade e respeito.
o professor traçará os objetivos que foram esta-
Segundo Oliveira e Davis (1994, p.11), “quanto
belecidos e que deverão ser alcançados. No caso
mais informações os educadores tiverem sobre o
específico da alfabetização, a escola, durante anos,
processo de aprendizagem dos conteúdos escolares,
teve como objetivo transformar sinais gráficos em
maiores serão as chances de melhoria das práticas
sinais sonoros. Esse era o caminho que o professor
pedagógicas”. Compreende-se assim a relevância
percorria, utilizando este método para ensinar a ler.
teórica dos estudos psicológicos para a área da
educação e a necessidade de se efetivar maior
Desde a Antigüidade, até o século XVIII, o método
intercâmbio entre a Psicologia e a Pedagogia, à
utilizado para o ensino da leitura e da escrita foi o
medida que aumentam os problemas que as escolas
método sintético. Na pedagogia da alfabetização,
têm que enfrentar.
hoje, dispomos de dois caminhos: o método da
marcha sintética e o método da marcha analítica e o
objetivo de ambos os métodos é levar a criança a
ler, estabelecendo uma correspondência entre o som
e a grafia.
Em nossa pesquisa, buscamos compreender como
se dá à relação entre cognição e afeto, e qual a
importância das ligações afetivas na relação professor
e aluno. Muitas vezes nos deparamos com professores que afirmam que seus alunos não aprendem
Para que compreendêssemos a postura utilizada
por terem “Graves Problemas Emocionais”. Conforme
pelos professores, fêz-se necessário percorrer este
observaremos a seguir e segundo nos afirmam
caminho de métodos e metodologias, os quais foram
Oliveira e Davis, isto ocorre por faltar-lhes conhe-
surgindo ao longo dos tempos. Observamos que o
cimento e também por vários outros fatores que
método utilizado pelo professor foi ao encontro do
permeiam a prática docente.
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Ainda não conhecemos o suficiente muitos aspectos da
dinâmica emocional do ser humano e o papel da emoção
na aprendizagem. Assim, não é fácil saber como o
professor deve agir em sala de aula. Essa lacuna de conhecimentos soma-se ao peso de vários outros fatores
que também influenciam a atuação docente, dificultando
a orientação da aprendizagem: o uso de uma metodologia
inadequada, a falta de recursos didáticos, as condições
insatisfatórias de trabalho (incluindo-se, ai, o salário) etc.
O professor termina assim, apelando para a idéia de
problemas emocionais graves de desajuste familiares,
colocando apenas o aluno o peso de um fracasso que
também é seu. (OLIVEIRA e DAVIS, 1994, p.80).
Assumir o fracasso e o erro é tarefa difícil para o
professor que tem em seu papel a responsabilidade
de acertar sempre e não fracassar. O que se esquece
neste momento é que o professor é um ser humano
com características emocionais, físicas e psicológicas
e está sujeito a reações e sentimentos como qualquer
outra pessoa. O maior problema é não estarmos
na sala? Se não bastasse a falta de conhecimentos,
ele ainda tem de enfrentar todas as condições insatisfatórias de seu trabalho e que influenciam as suas
emoções, acabando por, em muitas vezes, determinar
uma postura prejudicial e que impede a realização
do aprendizado.
Trabalhar o aspecto afetivo não é tarefa fácil, temos
dificuldades pessoais para expressar os nossos sentimentos e as nossas emoções. É necessário estarmos
abertos à mudança e a compreensão da importância
de expressarmos a nossa emoção quer seja ela
positiva ou negativa. Só as reconhecendo é que
poderemos ser honestos com os nossos alunos
influenciando-os positivamente e encorajando-os a
expressarem os seus sentimentos e emoções que
interferem na construção do conhecimento.
cientes de todas essas características e por não
Segundo Saltini (1997, p.19), “o conhecimento
conhecê-las acabamos por culpar o aluno do nosso
só produz mudança na medida em que também é
fracasso.
conhecimento afetivo”. Ele acredita que de um
Como observaremos a seguir, Oliveira e Davis
(1994, p.83-84), nos relatam que: “A afetividade e
a inteligência se estruturam nas ações dos indivíduos.
O afeto pode, assim, ser entendido como a energia
necessária para que a estrutura cognitiva passe a
encontro de amor, seja ele com o objeto ou mesmo
com o outro, nasce e transforma-se a vida; mudamse os destinos, tiram-se do nada todo um mundo de
projetos e idéias que antes não existiam. Nasce uma
esperança, consolida-se um tempo e apalpa-se um
especo. As pulsões se transformam e sublimam-se,
operar”.
e, assim, educamos um ser para si e para o meio.
O conteúdo (cognitivo) e o afeto (emoções) deverão
É necessário que o professor conheça o aluno antes
caminhar juntos na interação que os alunos e o
de educá-lo, sem conhecer o aluno é impossível que
professor estabelecerão na escola. É importante
este conhecimento possa produzir algum tipo de
ressaltar, que ambos possuem esses fatores e cada
mudança.
um possui a sua singularidade, ou seja, dependendo
do papel que exerça, ele ensina, aprende, e vive
emoções diferentes e particulares.
3 Repensando a Postura do
Professor
Ao pesquisarmos sobre o afeto, encontramos uma
escassez de informações e de estudos sobre este
O repensar sobre a postura5 que os professores
tema, o que nos chama a atenção por ser de extrema
devem adotar em sala de aula merece muita reflexão,
relevância para o desenvolvimento cognitivo. Na
e ao mesmo tempo, uma certa tomada de ação. Em
realidade, não conhecemos o necessário sobre muitos
seu fazer pedagógico diário, os professores se
dos aspectos da dinâmica emocional do ser humano
deparam com vários fatores que permeiam seu
e o papel que o afeto tem na aprendizagem. Por
trabalho. Um deles é o fator tempo, o qual lhes é
outro lado, herdamos de uma sociedade repressora
determinado para a realização de uma ação educativa.
a função de reprimirmos as nossas emoções e não
Desta forma, os professores não podem ficar apenas
darmos a ela o valor e o significado devido.
na reflexão, esperando, como muitos, que aconteça
um estalo, possibilitando que os conhecimentos
E o professor agora, o que faz? Vê-se diante de
apareçam de repente, do nada, como “insight’s”.
alunos com sentimentos diferentes e como vai agir
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Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura
Quando os professores são formados, depois de
anos de estudos, esforços e dedicação, reina sobre
suas mentes a idéia de estarem prontos para exercerem a sua tarefa de educar, como se a mesma
fosse simplesmente repassar tudo o que ingeriram
durante o tempo em que passaram nos bancos
escolares: conteúdos, conteúdos, conteúdos... Nem
sequer houve tempo para digestão e aí começam a
surgir os problemas, porque ingerir esses conteúdos
e adequá-los às necessidades dos seus alunos não
será tarefa fácil, porém cabe ao professor, neste
momento, refletir, agir e repensar em sua prática
pedagógica.[...] a reflexão crítica sobre a prática se
torna uma exigência da relação: Teoria/ Prática sem
a qual a teoria pode ir virando blá blá blá e a prática,
ensinar às crianças é mais importante do que as lições
que elas vão ensinar.
Hoje, nos deparamos com novas posturas de educar: ao invés de impor, construir; antes de repassar
conteúdos, resgatá-los de seus alunos. Dessa forma,
não se tornarão seres passivos, mas críticos e
autônomos. Para muitos professores, o que importa
é educar a dor da falta, segundo nos diz Frei Beto
(1992). Assim como a fome precisa ser saciada, o
frio exige o aquecimento, a falta de conhecimento
precisa ser preenchida, e essa dor só poderá ser
transformada em prazer quando a educação que
ambos, professor e aluno, construírem juntos for uma
educação de vida e não de conteúdos.
Refletimos até o momento sobre a importância de
ativismo (FREIRE, 1996, p.24).
se conciliar método e postura respeitando a maneira
Quando damos ênfase á postura que o professor
como a criança aprende. A seguir, estaremos
deve ter frente a seus alunos, não estamos afirmando
compreendendo como a motivação pode contribuir
que a teoria não seja importante. Não podemos sair
na construção do conhecimento e pode despertar a
por ai inventando métodos e teorias. Nossa
curiosidade do aluno.
preocupação é com a qualidade do que se ensina e
para que isso ocorra é necessário que haja uma
relação entre o que se ensina e como se ensina,
levando em conta que cada aluno é um ser em
potencial e a nossa postura deverá adequar-se a cada
um desses alunos, à medida que formos trabalhando
os conteúdos.
A questão do interesse dos alunos em aprender o
que se quer ensinar afeta professores e alunos em
larga escala. Então, se faz necessário da parte do
professor um questionamento de como conseguir
motivá-los, levando-os a se comprometerem e
estarem envolvidos no processo (e isso não é fácil!).
Os alunos são diferentes, com motivações diversas
O aluno, enquanto sujeito de sua aprendizagem,
e isso envolve reflexão da parte do professor, além
constrói conhecimentos junto com o seu professor,
de precisar utilizar processos motivacionais que
numa relação de troca onde ambos aprendem juntos.
alcancem a interação com os alunos e isto nos
Professor e aluno pensando e construindo juntos: É
contextos todos que estão atuantes na vida de cada
assim que deve seguir a dinâmica das aulas, desen-
um deles, não se baseando apenas em sala de aula.
volvendo-se uma relação afetiva no conhecimento
Este é um processo complexo, mas que pode e
do aluno, estabelecendo uma rotina de trabalho
deve ser feito e as soluções devem ser buscadas
flexível, onde nada é imposto. Nesta relação afetiva,
não só pelos professores individualmente, mas pelas
a dedicação é visível e existe confiança mútua e
entidades educacionais e sociedade. Pessoas
prazer em aprender juntos.
motivam e são motivadas por pessoas!
A postura utilizada por muitos professores tem
Na maioria das vezes, alunos desmotivados são
impedido que os seus alunos sejam preparados para
considerados desinteressados e os fatores que são
a vida. Faltam aos conteúdos trabalhados aspectos
apontados como causa (programas excessivamente
da realidade. A educação que é transmitida, hoje
carregados, número grande de alunos por sala, falta
não as prepara para o mundo. Onde está a imagina-
de recursos, carências familiares, etc), são tidos como
ção, a curiosidade, a capacidade de se encantar com
fora do controle do professor e isso o desestimula a
as coisas mais simples? Nada do que possamos
prosseguir.
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Porém, felizmente, muitos persistem, empenhando-
positivamente ou negativamente, pois “o ato de
se na descoberta de novas soluções. Percebem a
ensinar envolve seres humanos, e as relações ai
necessidade de criarem, através de sua atuação,
estabelecidas devem ser de um respeito construído
ambientes motivadores, ao mesmo tempo em que
com amor, compreensão, humildade e colaboração”
se preocupam em se tornarem auxiliadores concretos
(MENDONÇA, 2002, p.72).
de seus alunos. E isso é realizado dinamicamente,
em um processo ininterrupto e, mais uma vez, a indi-
4 Conclusão
vidualidade do aluno é fator relevante.
A preocupação e o interesse que motivaram a
Quando realizamos atividades relacionadas à aprendizagem, é necessário observar o comportamento
de vários alunos, com diferentes idades, verificando
as diferenças entre eles. Observar as metas dos
alunos (o que impulsiona mais positivamente a
aprendizagem é o aluno ser determinado a realizar
as tarefas escolares tendo como objetivos principais
o seu desenvolvimento intelectual e as descobertas
realização desta pesquisa estão no sentido de
possibilitar a observação do aluno, em sala de aula
como sujeito ativo e com suas singularidades,
cabendo ao professor liberdade e conhecimento para
adequar sua prática ao método escolhido, possibilitando assim uma aprendizagem significativa. Ou seja,
como a minha postura pode estar em harmonia com
o método que utilizo para que ocorra a aprendizado.
que realiza, buscando compreender e dominar os
conhecimentos/habilidades. Quando a meta desejada
No decorrer da pesquisa, observamos o existir e
restringe-se à nota, o processo de compreensão só
persistir de uma preocupação com métodos e com
almeja a realização satisfatória da avaliação e, para
recursos a serem utilizados, não somente por parte
tanto, a memorização de conceitos e regras é
dos professores, mas também por parte da escola e
considerada “suficiente”).
dos pais. Faz-se presente ainda, a compreensão
enganosa de que a qualidade do ensino está no
Quando os alunos captam que o conhecimento
que adquirem os capacita a realizarem escolhas,
sentem-se motivados e melhoram seu rendimento.
Chegam até mesmo a buscarem o conhecimento
“amontoado de coisas que sufocamos em nossos
alunos”. É necessário e urgente que os professores
repensem sobre isto.
independentemente do professor que ministra as
Nossa intenção, ao revermos na história o modelo
aulas e do método usado por ele. Têm consciência
de alfabetização do qual herdamos o nosso saber,
do que significa realmente aprender, tendo satisfação
não é a de criticar o trabalho que muitos pesquisas e
no processo.
professores desenvolveram, mas, a partir desses
Refletimos até o momento sobre a importância da
motivação no processo de aprendizagem. É necessário, porém refletir não só sobre a motivação
conhecimentos, refletir, analisar e agir sobre o que
nos foi transmitido, construindo o novo e adequandoo às necessidades dos alunos, nos dias atuais.
externa, produzida por outras pessoas e por diversos
O objetivo de nossa crítica não é a de encontrar
tipos de recursos, como foi observado até o
culpados, mas compreender porque, hoje, professo-
momento. A motivação mais importante parte de si
res tecnicamente preparados e seguros em relação
próprio, do seu eu e não provem dos professores e
ao método que utilizam, apresentem dificuldades em
ambientes. Talvez essa observação nos ajude a
desenvolver uma alfabetização de qualidade, enquan-
pensar sobre o porquê de muitos alunos não
to outros, utilizando-se de recursos simples, mas
desenvolverem a aprendizagem mesmo em contato
adequando o método e o conteúdo a sua postura e
com pessoas e meios motivadores.
às necessidades do aluno, possibilitem um construir
Compreendemos que é necessário que se reflita a
de conhecimentos prazeroso e de qualidade.
respeito da motivação interna, tanto de professores
No decorrer da pesquisa, muitas questões foram
como de alunos, e dos fatores que podem influir
surgindo e ampliando a nossa visão do quanto é
Revista PIBIC, v. 1, n. 1, p. 145-154, 2004
Alfabetizar: Uma Questão de Conciliar Método e Postura
necessário aos professores adquirirem conhecimentos
Buscamos alunos ávidos de conhecimentos, ale-
que permitam que a sua prática pedagógica seja
gres, esperançosos, cheios de vida... e mesmo que
melhorada a cada dia. Compreendemos ser necessá-
as circunstâncias da vida tenham tirado de nossas
rio uma reformulação, tanto na prática educativa,
crianças todas essas virtudes, que a nossa postura
como nos conhecimentos que adquirimos nos bancos
possa representar para eles um marco diferenciador,
escolares.
o qual lhe devolva a alegria e a esperança de viver.
Antes de compreendermos sobre métodos, teorias
Que com sua postura diferenciadora, ao entrar na
e posturas utilizadas, é necessário compreendermos
sala, alguma coisa extraordinária aconteça. Que o
quem somos, quem é a criança e que lugar ambos
seu olhar carinhoso, atento envolva os seus alunos
ocupam na construção do conhecimento. Isto, já é
como um “toque mágico” onde todos possam
tarefa bem difícil, mas não impossível. Temos como
aprender, sorrir, cantar e brincar numa atmosfera
referencial a contribuição de importantes
onde o Ato Pedagógico é realmente um ato de amor,
pesquisadores, pedagogos, psicólogos e mestres que
como nos diz Celso Antunes.
se empenharam para nos acrescentar teorias e
conhecimentos, os quais nos permitem, hoje, refletir
sobre a verdadeira construção do conhecimento.
Não temos a receita de uma postura correta, mas
temos os ingredientes necessários para a reformulação quantas vezes forem necessárias. A cada
Ao concluirmos a nossa pesquisa, observamos que
nova reformulação, novas experiências são acres-
muitas questões precisam ser solucionadas. Existe
cidas. Conhecer, refletir e reavaliar os ingredientes é
um longo caminho a ser percorrido na busca por
de extrema importância para o professor que adquiriu
uma educação que contemple os nossos alunos como
a consciência de que o ensino só tem qualidade
um ser total. Ressaltamos que ao professor, enquanto
quando existe uma ponte entre postura e método e
sujeito que tem como ideal possibilitar uma
quando a sua fala e a sua ação são autênticas e se
aprendizagem significativa é essencial repensar sobre
correspondem.
a postura utilizada em sala de aula.
Esta postura envolve vários fatores, que muitas
vezes não conhecemos por nos faltar alguns fundamentos básicos da educação. Fatores como: a relação
professor-aluno, a comunicação que implica em um
diálogo entre ambos, o olhar atento, a motivação
É necessário que nós educadores atuemos com doação
e renúncia, compreensão e afeto, acima do desejo de
impor conhecimentos. A criança amada, feliz, estimulada
para o bem e respeitada, construirá seus conhecimentos
de uma forma autônoma e a autêntica, sendo amanhã
um cidadão realizado plenamente segundo nos diz Dora
Incontri (1998, p. 66), baseada nos ensinamentos de
Pestalozzi.
que o professor proporciona. Em conjunto, propiciam
um clima favorável para o professor transferir os seus
A conclusão a qual chego é que o professor neces-
conhecimentos e os seus alunos os receberem,
sita estar preparado em todos os aspectos. Além de
transformando-os em conhecimentos novos. Com-
comunicar o conteúdo, o professor comunica valores
preendemos aqui a importância do afeto e que este
e sentimentos, os quais são recebidos pelos alunos,
não se separa do cognitivo.
que reagem emocionalmente a essa comunicação.
Buscamos uma postura em que o professor
compreenda a importância do afeto e da cognição
caminharem juntos na construção do conhecimento.
Falta aos professores conhecerem os alunos em sua
totalidade; faltam a Pedagogia conhecimentos mais
profundos da Psicologia, da Psicanálise e da relação
humana. É preciso muito preparo, dedicação e amor
Buscamos aulas onde possamos aprender conhe-
pela profissão.
cimentos, a transformá-los para a nossa realidade.
Buscamos professores criativos, humanos, que ouçam e escutem, que vejam e enxerguem, que falem
e se comuniquem; que sintam e se expressem.
A mim, fica o seguinte questionamento: Se estivesse no lugar destas professoras cujas aulas foram
observadas, qual seria a minha postura?
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Mírian Daudt
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Notas
1
Embora o termo alfabetizar tenha diferentes sen-
2
Temos como desafio hoje, possibilitar uma aprendi-
tidos, neste trabalho ele está sendo compreendido
zagem que não somente contemple os alunos nos
inicialmente, como o processo de ensino e apren-
aspectos cognitivos, mas que os contemple em sua
dizagem do sistema alfabético de escrita. Dando
totalidade.
continuidade estaremos ampliando o conceito do que
3
seja alfabetizar, ou seja, um processo de ensino e
Entendemos como postura à maneira como o professor trabalha, um determinado conteúdo, utilizando
aprendizagem que possibilite ao educando uma visão
um método a ser seguido. Sem uma postura adequa-
de mundo e uma compreensão do que se lê e do que
da, a construção desse conhecimento se torna insigni-
se escreve.
ficante.
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