UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GEOGRAFIA PROGR AM A DE PÓS-GR ADU AÇ ÃO EM GEOGRAFI A ÁRE A DE CONCENTR AÇ ÃO : GEOGR AFI A E GESTÃO DO TERRI TÓRIO A GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: desafios da e para a formação docente ÌNI A FRANCO DE NOV AES UBERLÂNDI A 2005 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. ÍNIA FRANCO DE NOVAES A GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: desafios da e para a formação docente Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Geografia. Área de Concentração: Geografia e Gestão do Território. Orientadora: Profa. Dra. Vânia Rubia Farias Vlach. Uberlândia –MG INSTITUTO DE GEOGRAFIA 2006 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA Ínia Franco de Novaes A GEOGRAFI A NAS SÉRIES INICI AIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: desafios da e para a formação docente Profa. Dra. Vânia Rubia Farias Vlach Prof. Dra. Nídia Nacib Pontuschka Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão Data:13/02/2006 Resultado: Aprovada com distinção Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) N935g Novaes, Ínia Franco de, 1975A geografia nas séries iniciais do ensino fundamental: desafios da e para a formação docente / Ínia Franco de Novaes. 2006. 202 f . : il. Orientadora: Vânia Rubia Farias Vlach. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Uberlândia, Programa de Pós-Graduação em Geografia. Inclui bibliografia. 1.Geografia – Estudo e ensino - Teses. 2. Ensino fundamental Teses. 3. Professores de geografia – Formação – Teses. I. Vlach, Vânia Rubia Farias. II. Universidade Federal de Uberlândia. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título. CDU: 911:37 Elaborada pelo Sistema de Bibliotecas da UFU / Setor de Catalogação e Classificação mg-11/06 Aos Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental que, no anonimato, constroem a educação do nosso país. AGRADECIMENTOS À amiga e prof essora Dra. Vânia Rubia Farias Vlach, pessoa comprometida com a educação pública, agradeço por acreditar que eu seria capaz. O meu infinito agradecimento. À (os) professores(as) do Instituto de Geografia e do Programa de Pósgraduação em Geografia, que contribuíram para a minha formação. Em especial, ao Ms.Ireneu Siegler, pela alegria, à Dra. Vera Salazar, pelo incentivo e envolvimento com a pesquisa; ao Dr. Carlos Rodrigues Brandão, exemplo de profissional e de ser humano, com quem tive o privilégio de conviver e aprender a ver a vida, os homens e a natureza com outros olhos. E as secretárias do Programa de Pós-graduação em Geografia, pela disponibilidade. À Professora Olga Damis Coordenadora da FACED/UFU, obrigada pelas informações. Ao Programa de Pós-graduação em Educação, em especial as professoras Dra. Damaris Marquez, que colaborou no (re) pensar do Projeto de Pesquisa, Dra. Mara Rúbia Marques e Dra. Selva Fonseca, que possibilitaram a coleta de dados para a pesquisa, e ao Dr. Marcelo Soares pelas sugestões no exame de qualificação. Aos secretários do Programa de Pós-graduação em Educação, obrigada pela atenção. Aos alunos que cursaram a disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental no Curso de Pedagogia da UFU em 2004, e as alunas- professoras Salles, Ferreira, Gonçalves, Gonzaga, Cunha e Oliveira pela disponibilidade em colaborar com a pesquisa, a vocês sou grata. A todos os colegas mestrandos, com os quais dividi momentos de reflexão teórica e pessoal. Especialmente ao Djalma Pelegrini, Elza Canuto, Ednéia Nascimento, Fransualdo Azevedo. E, nessa nova etapa, duas amigas que conquistei, Roberta Vinhal e Jeane Medeiros. Aos alunos do Legeo que compartilham as reflexões sobre o ensino de Geografia. Às “irmãs de coração” Adriany Ávila e Rosana Silveira, e à Cecília Ávila, Carlos Povoa, Luzenilda Silva pelo incentivo. À Tianinha, por organizar os deliciosos momentos de estudo. À Naama Medeiros, Geraldo Araújo e Herotildes Medeiros, sempre me fazendo sentir em casa. Às amigas com quem compartilho o prazer de ensinar: Aparecida Reis, Dalvani Silva, Lázara Cristina e Romilda Gonçalves; à querida Luciana Martins (in memorian), Darcy Cunha, minha “mãe de coração”, à Neide Barros e André Miguel, a vocês, muito obrigada. À Professora Ana Paula Silva pela valiosa contribuição no pré-teste da entrevista. Aos amigos da área de Geografia/Eseba-UFU, Hudson Lima, Fátima Grecco, Telma Jane, Marise Pereira e Iara Guimarães. Aos amigos e alunos da Universidade Estadual de Goiás/Unu- Itumbiara, em especial, ao Prof. Evaldo Leles, que me possibilitou o início de uma nova fase na docência. Aos meus queridos familiares, primos, tios e sobrinhos. A todas as crianças da minha família, em especial Djalma Santos, João Vieira Allefh Mendes, espero que vocês colaborem para a construção de um mundo melhor. À família que ganhei, em especial, Sebastião Mendes e Mercedes Dias. Ao Alex Mendes, meu companheiro e amor que, com seu jeito extrovertido e sua simplicidade, me revela a sabedoria e a bondade que existe em seu coração: seu apoio e incentivo foram fundamentais para vencer essa etapa. Aos meus filhos, Hugo Franco e Maria Luísa Franco (Malu), a quem peço desculpas pelos momentos de convívio roubados, e com quem compartilho o projeto de uma sociedade mais humana e justa. Aos meus pais Maria Franco e Gilson Novaes, por terem me dado o maior dos presentes, a Vida. Ao CNPq pelo financiamento da pesquisa. A identidade do individuo é delineada pela sua convivência com pessoas em diferentes momentos históricos e lugares, ninguém escapa das relações, portanto quero agradecer a todos e todas com quem tive a oportunidade de conviver: familiares, professores, alunos, amigos... acredito que somos o resultado das relações que construímos ao longo da vida. Obrigada a todos. Por tudo, agradeço a Deus... A uma educação que liberte o homem, eis o que aspiram os povos do terceiro mundo. E isto supõe uma pedagogia da liberdade que os liberte da dominação da natureza e de outros grupos humanos – de todos os tipos de dominação. Josué de Castro (1951) LISTA DE SIGLAS AGB – Associação dos Geógrafos Brasileiros AID – Agency for International Development ANPUH – Associação Nacional dos Professores Universitários de História BM – Banco Mundial CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEB – Conselho de Educação Básica CES – Conselho de Ensino Superior CFE – Conselho Federal de Educação CNE - Conselho Nacional de Educação DCNs – Diretrizes Curriculares Nacionais EMC – Educação Moral e Cívica EPB – Estudo dos Problemas Brasileiros FACED – Faculdade de Educação FAFIU – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Uberlândia FMI – Fundo Monetário Internacional IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IESAE/FGV – Instituto Superior de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas LDB – Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional MEC – Ministério da Educação OSPB – Organização Social e Política do Brasil PAIES – Programa Alternativo de Ingresso ao Ensino Superior PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais PUC – Pontifícia Universidade Católica PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro UFAM – Universidade Federal do Amazonas UFG – Universidade Federal de Goías UFM – Universidade Federal do Maringá UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais UFMT – Universidade Federal do Mato Grosso UFP – Universidade Federal do Pará UFPE – Universidade Federal de Pernambuco UFPR – Universidade Federal do Paraná UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina UFU – Universidade Federal de Uberlândia UMP – Universidade Metodista de Piracicaba UNESP – Universidade do Estado de São Paulo UNICAMP – Universidade de Campinas USP – Universidade de São Paulo USAID – United States Agency for Internacional Development LISTA DE FIGURAS 1 - Distribuição das pesquisas realizadas sobre o ensino de Geografia nas séries iniciais do ensino fundamental por Programas de Pós-graduação/ 1982-2003 .............................. 32 2 - Espacialização por região das pesquisas realizadas sobre o ensino de Geografia nas séries iniciais do ensino fundamental / 1982-2003 ......................................................................... 42 3 - Distribuição das produções científicas por modalidade de pesquisa desenvolvidas sobre o ensino de Geografia nas séries iniciais do Ensino Fundamental / 1982-2003 ................. 45 4 - Faixa etária dos alunos do 3º ano/2004 do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia .................. 144 5 - Opção teórico-metodológica para o ensino de Geografia dos alunos do 3º ano/2004 do curso de Pedagogia da UFU ...... 149 LISTA DE MAPAS Mapa de localização do Município de Uberlândia ..... 134 LISTA DE QUADROS 1 – Dissertações e teses sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, produzidas no Brasil de 1982 a 2003 ................................................................... 20 2 - Normas utilizadas para a transcrição das entrevistas ........ 59 3 - Estrutura do ensino primário de acordo com a Lei Orgânica do Ensino Primário de 1946 ................................... 85 LISTA DE TABELAS 1 - Distribuição geográfica dos cursos de Pós-graduação no Brasil/2005 ......................................................................... 34 2 - Programas de Pós-graduação do Brasil/ 2005.................... 35 RESUMO A presença e as car acter íst icas peculiares da ciência geográf ica no contexto educacional sempr e me provocar am indagações, sobretudo porque apresentada aos alunos de maneir a isolada do cot idiano e art if icial, dif icultando a aprendizagem. Objetivamos conhecer a Geograf ia na trajetória de vida escolar de seis prof essor as das sér ies iniciais do ensino f undamental, em pr ocesso de f ormação inicial. A metodologia eleita para a realização da pesquisa f oi a Histór ia Oral Temática, que propicia ao pesquisador conhecer o passado recent e de seus sujeitos a partir das f alas enunciadas, tecendo uma rede de inf ormações com pontos de vista dif erenciados e relacionados a um tema específ ico, a Geog raf ia escolar. O trabalho se inicia com um mapeamento das pesquisas cient íf icas produzidas no Brasil, relacionadas ao ensino de Geograf ia nas séries iniciais do ensino f undamental, procur ando analisar e discutir as concepções teór icas que permearam as pesquisas. Posterior mente, ref letimos sobre as novas perspect ivas de pesquisa na f ormação docente, a História de Vida, e a colaboração da met odologia da Hist ória Oral Temática para a compreensão das trajetórias geográf icas das prof essoras. Mergulhamos na Histór ia da Educação do Brasil delineando ref lexões de ordem teórica, com uma síntese do desenvolvimento da educação nas séries iniciais do ensino f undamental, analisando a inf luência das leis e decretos nesse nível de ensino e, conseqüentemente, na Geograf ia escolar. Finalmente, caracterizamos a inst itucionalização do curso de Pedagogia no Brasil e na Universidade Federal de Uber lândia, bem como a tr ajetória da disciplina que discute a Geograf ia no ref erido curso, realizando uma leitura do ambiente de f ormação inicial par a conhecermos o contexto e as perspectivas relacionadas a Geograf ia na f ormação docente. Todo o trabalho f oi sendo delineado pela trajetória de vida escolar geográf ica das seis prof essoras, selecionadas pelo questionário aplicado aos alunos que cursaram a disciplina de Didát ica e Metodologia de G eograf ia e Histór ia do Pré a 4ª série do ensino f undamental, no ano de 2004. Concluím os que existem diversos f atores que interf erem diretamente na desvalor ização da Geograf ia no ambiente escolar e nas práticas dos prof essores que atuam nas séries iniciais do ensino f undamental. Esses f atores estão relacionados ao cont ato que esses prof issionais t iver am com o saber geográf ico durant e o seu processo de escolar ização e de formação inicial. Ent endemos que a Geograf ia deve ser ensinada desde as Séries Iniciais, pois essa disciplina escolar permite compreender a dinâmica do espaço social contempor âneo, qualquer que seja a escala de análise. A Geograf ia nas Séries Iniciais tem um a contr ibuição a of erecer: a de alf abetizar geograf icamente os alunos, desenvolvendo neles a capacidade de observar, ler, compreender o meio, uma vez que o educando deve atuar de maneira cidadã na sociedade. P AL AVR AS-CH AVE: Ensino de Geograf ia – Formação Docente – Histór ia de Vida – Séries Iniciais do Ensino Fundamental – Alf abet ização Geográf ica Hist ória Oral Temática. ABSTRACT The presence and the peculiar characteristics of the geographical science in the educat ional cont ext have always made me to quest ion some procedur es, because they are int roduced to the students in an isolat ed and artif icial way thus hinder ing lear ning. W e aim at knowing Geography in the school daily lif e of six teachers in the init ial series of the elementar y school, which wer e in the beginning of their studies. The methodolog y that was chosen f or the accomplishment of the research was the Thematic Oral History that allows the researcher to know the recent past of their subjects, studying their speeches to have inf ormation with dif f erentiat ed points of view that, on their turn, are related to a specif ic theme – school Geography. The work begins with a map of the scientif ic researches produced in Br azil which are related to the teaching of Geography in the initial series of the elementary school, trying to analyze and discuss the theoretical conceptions that permeated the researches. W e, then, made a ref lection on the new research perspectives in the educational cont inuing studies, Hist ory of Lif e, and the collaborat ion of the methodology of the Thematic Oral Hist or y f or the understanding of the teachers' geographical trajector y. W e studied the Histor y of Education in Brazil delineat ing ref lections of theoretical order, with a synthesis of the development of the educat ion in the init ial series of the elementary school, analyzing the inf luence of laws and or dinances in that teaching level and, consequently, in school Geography. Finally, we characterized the inst itutionalizat ion of the course of Pedagogy in Br azil and in the Universidade Feder al de Uberlândia, as well as the trajector y of the discipline that discusses Geography in the ref erred course, accomplishing a reading of the envir onment of the initial studies in order to know the context and perspectives which ar e related to Geography in the educat ional continuing studies. The work was delineated by the geographical school lif e of the six teachers who were selected by the questionnair e that was applied to the students of the discipline “ Didática e Metodologia de Geogr afia e Hist ória ” in the last year of kinderg arten and f irst f our years of the elementar y level, in 2004. W e concluded that there are several f actors that direct ly interf ere in t he depr eciation of Geography on the school environment and on the teachers' practices that act in the initial ser ies of the elementar y level. Those f actors are related to the contact that those prof essionals had with geographical knowledge dur ing their schooling pr ocess and initial studies. W e understand that Geography should be taught since the I nit ial Grades, because that school discipline allows us to under stand the dynamics of contemporar y social space, despite the analysis scale. Geography in the Initial Ser ies has a contribution to off er: the one of geographically alphabetizing the st udents, making them do develop t he capacit y to obser ve, read, and understand the environment, once the student should act as a citizen in societ y. Keyw ords: Geography t eaching – Teachers’ continuing studies – Lif e Histor y – First Grades of the Elementar y School – Geographical Alphabet izing – Thematic Oral Histor y. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................... CAPÍTULO 1 – OS DIFERENTES CAMINHOS 1 NO DESENVOLVIMENTO DAS PESQUISAS SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................................................... 14 1.1 – O mapeamento das pesquisas científicas brasileiras relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental (1963-2003) ........................................... 1.2 – A contribuição da História Oral Temática para 16 o mapeamento da História de Vida: a narrativa como estratégia de reflexão sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais .... CAPÍTULO 2 – AS TRAJETÓRIAS DA GEOGRAFIA 47 NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL: retrocessos e avanços .......................................................... 62 2.1 – Os primeiros passos da Geografia escolar no Brasil: em direção ao século XX ............................................................ 65 2.2 – Um passo a frente: a escola primária e a Geografia no Brasil (1930-1964) ................................................................ 77 2.3 – Um passo atrás: o ensino de 1ª a 4ª séries do 1º grau e a Geografia no Brasil (1964-1985) ............................................ 90 2.4 – A caminhada continua: as Séries Iniciais do Ensino Fundamental e a Geografia após a redemocratização do Brasil (a partir de 1985) ................................................................. CAPÍTULO DOCENTE 3 E – O CONTEXTUALIZANDO ENSINO DE A GEOGRAFIA 103 FORMAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................... 116 3.1 – Algumas reflexões sobre a institucionalização do curso de Pedagogia no Brasil ........................................................................... 118 3.2 - Algumas reflexões sobre a institucionalização do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ........ 127 3.3 – A Ensino de Geografia no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia ....................................... 133 3.4 - As trajetórias de vida escolar das alunas-professoras e a influência na prática do ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental ......................................................... 163 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................... 176 REFERÊNCIAS .................................................................... 184 SITES CONSULTADOS ......................................................... 202 APÊNDICES APÊNDICE A – Questionário APÊNDICE B – Roteiro de Entrevista ANEXOS ANEXO A – Carta de Cessão ANEXO B – Currículo Padrão do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia 1977/1978 ANEXO C – Grade Curricular do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia / 1980 ANEXO D – Ementa da disciplina de Estudos Sociais I e II do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia / 1980 ANEXO E – Grade Curricular do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia / 2005 ANEXO F – Programa da disciplina de Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré à 4ª. Série do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia / 2005 INTRODUÇÃO Ao trabalhar recordações relacionadas à minha formação educacional, revivi vários fatos e representações de colegas, de professores, de atividades realizadas. Procurei lembrar, principalmente, dos primeiros anos de escolarização e dos conhecimentos geográficos ensinados na educação básica, procurando “[...] trabalhar com a memória, [que] reaviva lembranças e sentimentos. [...] [pois] reconstrói o passado com os valores e as perspectivas de hoje [...]” (LANG, 2001, p.103). Lembrei das aulas de Português, leitura, interpretação, ditado, verbos e produção; de Matemática, tabuada, problemas, números romanos; de Ciências, a experiência do feijãozinho, mamíferos, herbívoros; de História e Geografia, na época representadas pela disciplina de Integração Social, estudei o descobrimento do Brasil, a Inconfidência Mineira, o dia do Índio, temas relacionados à História e, relativo à Geografia, o movimento de rotação e translação, (decorar) os estados e as capitais, desenhar e colorir mapas; Educação Física e Artes não faziam parte do currículo escolar. Os primeiros anos de escolarização foram marcantes; tive professores do gênero feminino (PEREIRA, 1969; NOVAES, 1987, LELIS, 1996). Na 1ª série, a Professora W aldeci, muito brava, mas, ao mesmo tempo, carinhosa. Sentíamos entusiasmo na sua prática, ela queria que realmente aprendêssemos a ler, escrever e somar. No decorrer do ano, percebemos que a “mulher de lata” – faço analogia ao filme o Mágico de Oz – tinha coração; sua mãe faleceu e vivenciamos o seu sofrimento. Na 2ª série, a professora era muito elegante, usava roupas diferentes, tinha cabelos bonitos, não consigo lembrar seu nome, mas sentíamos que ela não se importava com a turma. Chegava na sala, sentava-se em sua mesa e pedia a uma aluna, a mais alta da sala, para passar as atividades no quadro para que copiássemos, e depois respondêssemos as questões. Durante todo o ano foi assim. Na 3ª série, fui aluna da “tia” Maria Helena, muito enérgica, mas carinhosa, se emocionava com facilidade. Pessoa muito solidária: sempre que possível, promovia na escola atividades de coleta de alimentos para as famílias mais carentes da vila. Na 4ª série, a professora foi a “tia” Dalva. Meiga e carinhosa, sempre com muita paciência, mesmo com os alunos mais teimosos. Durante o ano, ela ficou muito doente (descobriu que tinha diabetes). Ficamos muitas vezes sem a sua presença, outra professora a substituía, mas não era a “nossa” professora. Acredito que a prática de todas era permeada pela esperança do acerto, exceto da professora da 2ª série (CARVALHO, 1999). Porém, os descontextualizados; conteúdos eram tão sem sentido, tão quanto aos conhecimentos geográficos, nada significativo! Lembro de me ensinarem que a baleia é um animal mamífero, mas sem indicarem o lugar onde o animal vivia. Assim foram as aulas de 1ª à 4ª série do 1º grau (1981-1984), atualmente, Séries Iniciais do Ensino Fundamental, num período coincidente com os últimos anos da ditadura militar (1964-1985). No Ensino Fundamental, de 5ª a 8ª série, nada de importante relacionado à Geografia, a mesma ficou distante da minha trajetória educacional. No 2º grau (1991-1993), atual Ensino Médio, fiz o curso técnico de Magistério e fui habilitada a atuar como professora de 1ª a 4ª série. No 1º ano de curso, tivemos uma professora empolgada, que dava brilho às aulas de Geografia, Maria Inês. Ela já ensaiava os primeiros passos da(s) Geografia(s) Crítica(s) (VESENTINI, 1989; VLACH, 1990), levando-nos a reflexões e discussões muito interessantes. Pude ver que a Geografia tinha vida e estava viva. Porém, nos dois últimos anos, houve uma mudança de professora, e não tenho lembranças das aulas de Geografia e nem de Metodologia de Geografia. Nessa trajetória, uma questão sempre me acompanhava: como vou ensinar para as crianças, se eu mesma não aprendi? Em 1995, fui aprovada em concurso público da Secretaria Municipal de Educação de Uberlândia – Minas Gerais, e comecei a atuar. Como toda professora novata, fui para uma sala de 1ª série. Em 1996, fui aprovada no vestibular da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) para o curso de Geografia. Ao iniciar o curso, confesso, fiquei meio perdida, não entendia o que os professores falavam, tudo era novidade. Ouvíamos dos nossos mestres que os temas discutidos nas aulas deveriam ter sido apresentados na educação básica. Essas situações começaram a me incomodar. Por que alunos da educação básica não compreendem a Geografia, e porque, na escola em que eu atuava como professora das Séries Iniciais, não se ensinava Geografia para esse nível de ensino? Portanto, a presença e as características peculiares da ciência geográfica no contexto educacional me provocavam indagações, sobretudo quanto ao fato de não ser apresentada aos alunos e, quando isso ocorria, de maneira isolada do cotidiano e artificial, dificultando a aprendizagem. Em 1998, por meio da pesquisa Geografia e integração de conteúdos no processo de alfabetização, sob a orientação da Profa. Dra. Vânia Vlach, financiada pelo PIBIC/CNPq 1, realizada com professoras de 1ª a 8ª séries do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Uberlândia, constatamos que 12,5% das 26 professoras de 1ª a 4ª séries desconsiderava o ensino de Geografia nas Séries Iniciais, afirmando que a criança não tem maturidade para entender esse conteúdo. A maioria, 87,5% das professoras, avaliava a Geografia como uma disciplina importante nas Séries Iniciais pelo fato de a disciplina oferecer subsídios para que o educando se tornasse um cidadão participativo e crítico. Ao analisarmos a prática para o ensino da Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, 33,4% das professoras que atuam de 1ª a 4ª série, afirmaram que não estavam preparadas para desenvolver os conteúdos geográficos em sala de aula por falta de embasamento teórico e material didático. Afirmaram que as pesquisas bibliográficas não sanam suas dúvidas, posto que os livros didáticos estão desatualizados, deixam a desejar, gerando insegurança no momento de explicar os conteúdos básicos de Geografia nas Séries 1 Pr o gr am a Ins t it uc io n a l d e b o ls as d e in ic i aç ã o c i en tíf ic a d es t i n ad a a a l un os da gr a d u aç ã o. Iniciais. Do restante, 20,8% consideram-se aptas para desenvolver os conteúdos geográficos e 45,8% disseram que nem sempre estão preparadas. Considerando o fato de que a profissão docente requer uma bagagem de conhecimentos para que a prática seja satisfatória, o fato de não estarem preparadas ou nem sempre estarem preparadas evidencia que 79,2% das professoras apresenta dificuldades para ensinar Geografia. Ao questionarmos as professoras que atuam de 5ª a 8ª séries, elas afirmaram com veemência que os alunos chegam às séries finais do Ensino Fundamental sem embasamento geográfico, o que dificulta o trabalho e aumenta o desinteresse dos alunos pelo conteúdo. Tais desinteresses e dificuldades pontuam algumas questões, a exemplo da desvalorização da Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental que, supomos, deriva de sua redução a um estudo mnemônico dos fenômenos e processos geográficos desvinculados da vivência dos alunos, muitas vezes reflexo da educação que as professoras que atuam nessas séries receberam ao longo da sua formação educacional Básica e Superior. No início do século XXI, tais práticas relacionadas à Geografia escolar continuam a me preocupar. Ao acompanhar o desenvolvimento escolar de uma criança de 10 anos, meu filho que, no ano de 2002, cursava a 4ª série, percebi que não havíamos avançado e que as práticas se repetiam nas instituições de ensino. A professora regente, responsável por todos os conteúdos, desenvolvia as aulas de Geografia como atividade de casa, solicitava aos alunos copiar determinadas páginas do livro de Geografia e responder o questionário no caderno. O pior estava por vir: na sala, a professora verificava as atividades para confirmar se as crianças haviam feito os exercícios propostos e as respostas eram copiadas no quadro para que as crianças conferissem e corrigissem o caderno. Como pedir para que a criança se interesse por Geografia? Como solicitar que ele observe e analise os diferentes lugares e paisagens? Como pedir que ele seja crítico com relação aos fatos que permeiam a sua vida? Após algumas tentativas, percebemos que a professora não mudava a prática. Para amenizar a situação, passamos, então, a xerocar as páginas do livro, colar as folhas no caderno e realizar uma discussão sobre o tema em casa. Depois desse procedimento ele passou a responder as questões propostas no caderno, com base nas discussões realizadas. Esses fatos já eram questionados desde o século XIX, po r Kropotkin (1885), que afirmava que, “[...] nada é mais árido e menos atrativo, em muitas escolas, que aquilo que nelas é batizado com o nome de Geografia”. Mas, quanto ao restante dos alunos da 4ª série, a eles foi determinado: aprenda Geografia pelo livro didático. Com relação aos livros didáticos, para Nadai; Fonseca (1994), há uma defasagem entre a produção acadêmica na área do ensino de Geografia e a produção de livros didáticos voltados para as Séries Iniciais. Não respeitam os limites nem as especificidades do discurso ficcional e do objeto de estudo da Geografia, aliando a disciplina à distração, à aventura ou a uma menor importância, sendo que os exercícios conduzem à memorização e à repetição mecânica. Supõe-se existir uma ruptura entre a ciência Geografia, a escola, o espaço vivido dos alunos e a prática pedagógica do professor. Essa ruptura se materializa na dificuldade de os alunos compreenderem as noções geográficas e, muitas vezes, de o professor das Séries Iniciais compreender o papel dessa disciplina na alfabetização das crianças. O pai da Geografia francesa, Paul Vidal De La Blache (1992), que influenciou a Geografia brasileira principalmente a partir da década de 1930, com a fundação do primeiro curso superior de Geografia no Brasil na Universidade de São Paulo, já destacava o papel do ensino de Geografia nas Séries Iniciais. Devido aos preconceitos existentes acerca da Geografia escolar, La Blache argumentava, no início do século XX, que a mesma deveria estar presente na grade curricular desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, tendo como objetivo a construção da cidadania, em especial. Esta é uma argumentação ainda válida nos dias atuais; é preciso (re) pensar o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, mostrando que não se trata de um saber superficial, que não exigiria raciocínio. Pelo contrário: é um saber que contribui para explicar o porquê dos fenômenos e processos da natureza e da sociedade, em suas inter-relações, bem como suas conseqüências na configuração do espaço experiências de Geografia geográfico. escolar Para que tanto, conhecer permearam/permeiam as a formação e a prática do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental 2, é de suma importância. Entendemos que a Geografia deve ser ensinada desde as Séries Iniciais, pois essa disciplina escolar permite compreender a dinâmica do espaço social contemporâneo, qualquer que seja a escala de análise. Nunca é demasiado repetir que uma alfabetização com qualidade é essencial para que o educando se insira na sociedade e que o sucesso ou o fracasso dessa inserção depende, em grande parte, do processo de alfabetização. A Geografia, nas Séries Iniciais, tem uma contribuição a oferecer: a de alfabetizar geograficamente 3 os alunos, desenvolvendo neles a capacidade de observar, ler, compreender o meio, uma vez que o educando deve atuar de maneira cidadã na sociedade. A produção desta pesquisa tem por objetivo oferecer aos profissionais e diferenciada da licenciandos Geografia do curso escolar de Geografia uma nas Séries Iniciais do visão Ensino Fundamental, para que compreendam o posicionamento de seus alunos quando forem atuar a partir da 5ª série do Ensino Fundamental, quando a Geografia passa a ser tratada como conteúdo específico, bem como aos alunos que irão atuar e aos professores que já trabalham com os primeiros anos do Ensino Fundamental, objetivando, com isso, criar um momento de reflexão sobre a teoria e a prática no ensino dos 2 Nã o d es c o ns i der am os outr as n om enc l at ur as , a ex em pl o das en u n c i ad as n a L e i de Dir e tr i zes e Bas es d a E duc aç ão N ac i on a l ( L D B, n . 9. 3 94 /9 6) , m as n o t r a b al h o ir em os a d ot ar o t er m o S ér ies I n ic ia is d o E ns i no F un d am ent a l. 3 Com pa r t i lh am os es s e c onc e it o c om N es t or K aer c h er ( 2 0 03 , p. 73- 8 5) . conteúdos geográficos. Concordamos com as palavras de Santos (2003, p.85): “[...] Hoje não se trata tanto de sobreviver como de saber viver [...] é necessário um [...] conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe [...] nos una pessoalmente [...]”; que isso possa tornar-se sabedoria de vida. A formação educacional imprime nos educandos perspectivas diferenciadas, de acordo com o tempo histórico. Na atualidade, a formação educacional mais flexível, aberta, que leva o aluno a ter uma visão menos linear da sociedade, rompendo as fronteiras existentes entre as nações, reflete-se no meio educacional, revitalizando as Ciências Humanas e, entre elas, o ensino de Geograf ia. Porém, tal perspectiva ainda não consegue modificar a prática docente. Existem fatores que interferem diretamente na desvalorização da Geografia no ambiente escolar e nas práticas dos professores que atuam nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Esses fatores podem estar relacionados ao contato que esses profissionais tiveram com o saber geográfico durante o seu processo de escolarização e de formação inicial. Sacristán (2002, p. 84) alerta sobre o fato de que “[...] a investigação educativa [...] [ter-se] preocupado com os discursos e não com a realidade que flagra a realidade profissional na qual trabalham os professores [...]”; portanto, conhecer a trajetória da Geografia escolar dos alunos que cursaram a disciplina de Didática e Metodologia de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental, em 2004, no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), nos possibilita analisar os retrocessos e os avanços sofridos por essa disciplina no meio educacional. Assim, decidimos dialogar com tais alunos, futuros professores; por sinal, o levantamento bibliográfico nos mostrou que a crise no ensino de Geografia e a falta de referências que sustentem a prática docente nesse nível de ensino repetem-se em tempos e lugares diferentes (HISSA, 2003). Diante destes fatos, procuramos analisar as experiências geográficas que traspassam a prática docente. A metodologia eleita para a realização da pesquisa foi a História Oral Temática, pois propicia ao pesquisador conhecer a História de Vida de seus colaboradores, tecendo uma rede de informações com pontos de vista diferenciados e relacionados a um tema específico, a Geografia escolar: “Puxar do tempo é puxar de um fio que se estica e desdobra, que toca as múltiplas dimensões em que nossa docência se enreda” (ARROYO, 2004, p.188). Para que pudéssemos explicar a importância da Geografia escolar na formação e prática do professor, durante todo o trabalho, fomos delineando a trajetória de vida escolar de seis alunas- professoras 4, selecionadas pelo questionário aplicado aos 75 alunos que cursaram, no ano de 2004, a Disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental do curso de Pedagogia da UFU, procurando conhecer a relação 4 entre as diferentes experiências que tiveram/têm com a A par t ir des s e m o m ento , as s um ir em os o gê n er o f em in i no , p ois o gr u po s e lec i on a do é c om pos t o ex c l us i v am en te por m ul her es . Co m par t il h am os c om K en n et h Ze ic hn er , um pes qu is ad or d a ár e a d e f or m aç ão doc e nt e , o ter m o a l un opr of es s or , u ti l i za d o n o c a pí t ul o d o l i vr o ( Z EI CH EN N ER , 1 99 8 , p. 2 07- 2 3 6) . Geografia e sua influência na maneira como a ensinam, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Essas vivências serão apresentadas ao longo do texto, pois suas falas permitem compreender o que ocorria/ocorre com os conteúdos geográficos. O trabalho se inicia – Capítulo 1 – com um mapeamento das pesquisas científicas produzidas no Brasil relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, procurando discutir algumas das concepções teóricas que permearam as pesquisas, bem como descrever a metodologia utilizada, as etapas percorridas e os colaboradores da procedimentos aplicados para a seleção dos pesquisa. Procuramos desenvolver reflexões de ordem teórica sobre a História de Vida dos professores (NÓVOA, HUBERMAM, GOODSON, GONÇALVES, MOITA, 1992; ARROYO, 2000, 2004) e analisar a contribuição da metodologia de História Oral Temática (THOMPSON, 1998; FONSECA, 1997; BOM MEIHY, 2002; LANG, 2001; LUCENA, 2001; FREITAS, 2002; W HITAKER, 2002) no desenvolvimento da pesquisa. Essa metodologia propicia ao pesquisador conhecer o passado recente de seus sujeitos a partir das falas enunciadas. Mergulhamos na História da Educação do Brasil (ARANHA, 1986; FREITAG, 1980; VLACH, 1988; ROMANELLI, 1997; CARVALHO, 2001; ROCHA, 2001; ZOTTI, 2004) – Capítulo 2 – delineando reflexões de ordem teórica, com uma síntese do desenvolvimento da educação nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, do período colonial à (re)democratização do país. Analisamos a influência das leis e decretos nesse nível de ensino, principalmente no que diz respeito à Geografia escolar. As leituras realizadas no campo da história da educação possibilitaram elucidar pontos importantes na estruturação da educação nas Séries Iniciais e da Geografia em tempos históricos diferentes. Posteriormente, mapeamos o processo de institucionalização do Curso de Pedagogia no Brasil e na Universidade Federal de Uberlândia 5 (SAVIANI, 2005; SILVA, C., 2003; LIMA, 2002; BRZEZINSKI, 1996) – Capítulo 3 –, realizando uma leitura do ambiente para conhecermos o contexto da formação inicial e das perspectivas relacionadas ao ensino de Geografia na formação docente dos 75 alunos que cursaram, no ano de 2004, a Disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental que atuam/atuarão nas primeiras séries do Ensino Fundamental. A análise documental do currículo do Curso de Pedagogia da UFU colaborou para conhecermos a evolução da Geografia no programa do referido curso de formação inicial de professores, uma das fases em que os alunos experienciam os conhecimentos geográficos. O olhar que lançamos sobre o tema procura compreender o que é a educação geográfica nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, a sua importância política e social, quem são os esses professores que constroem a educação das Séries Iniciais, quais os 5 Não desconsideramos a existência, atualmente, do Curso Normal Superior, de nível universitário, que também tem por objetivo formar professores para atuar na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental; a perspectiva desse curso difere daquela do Curso de Pedagogia, que também forma o especialista em educação (HISSA, 2003). saberes que interferem na forma como eles ensinam Geografia nessas séries. Para concluir, sabemos que não conseguimos esgotar o tema pesquisado, mas procuramos tecer algumas reflexões de ordem teórica e prática com o objetivo de construir uma (nova) identidade para o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. CAPÍTULO 1 OS DIFERENTES CAMINHOS NO DESENVOLVIMENTO DAS PESQUISAS SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL [.. .] Es s e c o n hec im en to é , por t an to , f r ut o da c ur ios i da d e, da in qu i et aç ã o, da i nt e li g ênc i a e da a ti v i da d e in v es t i g at i v a dos i nd i v íd u os , a p ar t ir e em c ont i n uaç ã o do q u e j á f oi e l ab or a do e s is tem at i za d o pe l os q ue tr ab a l har am an ter i or m en te . T ant o p o d e s er c o nf ir m ado c om o ne g ad o pe l a p es qu is a o q u e s e ac um ul o u a r es p e it o d es s e as s u n to , m as o q ue n ã o po d e é s er ig n or a d o. Lü dk e e A n dr é Na atualidade, o sistema escolar tem sido objeto de muitas reflexões em razão de sua importância política, econômica e social. O desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia no Brasil acompanha esse novo quadro e vem produzindo, substancialmente, conhecimentos que colaboram para a melhoria da prática educativa. Um dos grandes desafios dos pesquisadores é trilhar os trabalhos acadêmicos que já foram produzidos, para que possam avançar nas discussões ao tê-los como referência. Diante desses fatos, procuramos delinear as pesquisas que foram desenvolvidas sobre a Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, para conhecermos o objeto de estudo das mesmas e analisarmos as diferentes modalidades de pesquisa que delinearam a construção desses novos conhecimentos, conforme Ludke e André (1985, p. 15), “[...] a natureza dos problemas é que determina o método, isto é, a escolha do método se faz em função do tipo de problema estudado”. Há uma relação intrínseca entre objeto e método, o que nos permite coletar, organizar e interpretar as informações para que o conhecimento seja construído, pois “[...] o que importa é pensar a trajetória acadêmica, compreendê-la, entender por que ela se fez tal, para o que se fez e como se fez [...]” (COÊLHO, 1996, p. 23). Ao analisarmos a metodologia utilizada para o desenvolvimento das pesquisas e, em especial, a do nosso trabalho, avaliamos que é de suma importância estender reflexões sobre a História Oral Temática, modalidade eleita para o desenvolvimento da pesquisa, ainda pouco utilizada nos trabalhos relacionados ao ensino de Geografia, e refletir sobre a subjetividade existente entre a mesma e a História de Vida, assegurando “[...] que a voz do professor [alunoprofessor] seja ouvida, ouvida em voz alta e ouvida articuladamente” (GOODSON, 1992, p. 67). Tal abordagem possibilita a compreensão da trajetória da Geografia escolar nas Fundamental na vida das colaboradoras. Séries Iniciais do Ensino 1.1 – O mapeamento das pesquisas científicas brasileiras relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental (1963-2003) Conhecer as produções acadêmicas relacionadas ao ensino de Geografia faz parte da metodologia desta pesquisa, que tem por objetivo conhecer os trabalhos produzidos sobre o tema em estudo. Para tanto, utilizamos como fonte a pesquisa realizada por Pinheiro (2001), em sua tese de doutorado, Trajetórias da pesquisa acadêmica sobre o Ensino de Geografia no Brasil (1972–2000), defendida no Instituto de Geociências da Universidade de Campinas (Unicamp), em novembro de 2003. O pesquisador se propôs a fazer uma Pesquisa Bibliográfica e Documental, na qual, a partir dos dados levantados, realizou um estudo analítico-interpretativo da trajetória da pesquisa sobre o ensino de Geografia no Brasil. Seu objetivo, portanto, foi oferecer, a pesquisadores e professores dos diferentes níveis de ensino, um conjunto de aspectos que caracterizam a trajetória da pesquisa acadêmica sobre o ensino de Geografia no Brasil entre 1972 a 2000 (PINHEIRO, 2003). De acordo com Pinheiro (2003, p. 7), As p es qu is as s ã o v is t as [ de v em s er v is t as ] c om o doc um ent os qu e de v em s er v a l or i za d os no c am po ed uc at i v o e c i en tíf ic o ac a d êm ic o e , p or s u a ve z pos s i b i l it ar m aio r v is i b i l id a de em to d os os ní v e is e duc a c i on a is . Em sua tese, Pinheiro (2003) catalogou 197 pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia nos níveis fundamental (pré a 8ª série), médio (cursos técnicos, supletivo, colegial) e superior (graduação, pós-graduação, formação continuada), realizadas em 37 universidades públicas e privadas do país, sendo 171 no mestrado e 26 no doutorado. A partir desse inventário, realizamos a leitura e a análise minuciosa da tese, procurando identificar as pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. De acordo com os dados levantados por Pinheiro (2003), o Ensino Fundamental é o nível de ensino mais pesquisado, com um total de 127 trabalhos realizados até 2000. Dentre esses documentos, 28 referem-se às Séries Iniciais do Ensino Fundamental, sendo três relacionados à pré-escola e 25 pesquisas referentes ao intervalo da 1ª à 4ª séries do Ensino Fundamental, abordando diferentes temas. Ao realizarmos uma leitura minuciosa do volume II desta tese de doutorado, desenvolvidas, que traz um selecionamos resumo mais três de todas trabalhos as pesquisas que julgamos pertencer ao tema “Séries Iniciais”, pois fazem relação entre as Séries Iniciais e as Séries Finais do Ensino Fundamental, perfazendo um total de 31 pesquisas. Para completar as informações relacionadas ao nosso tema de pesquisa, continuamos o levantamento das produções científicas de 2001 a 2003, utilizando a Base de Dados disponível na Internet, por meio do Portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal para o Ensino Superior - Capes 6, utilizando como palavras-chave: “Geografia 6 CA P E S – ór gã o qu e per t enc e a o M in is tér i o d a Ed uc aç ã o ( M EC) qu e c oor d en a e apr o v a os c ur s os d e P ós - gr a d uaç ã o n o Br as il e q u e p os s u i um p or t a l de ac es s o gr a t ui t o no q u a l, e nc o ntr a- s e os r es um os d as d is s er t aç õ es e t es es pr od u zi d as n o pa ís ww w.c a pes . go v .b r nas Séries Iniciais”; “Formação docente” e “Estudos Sociais”. Marcovitch (2000, p.341) afirma que: “A Internet, [...] pode ser de grande valia para o jovem em suas pesquisas, desde que ele saiba avaliar criticamente as informações recolhidas [...]”. Ao analisarmos as pesquisas desenvolvidas no período de 2001-2003, no Banco de Dados da Capes, encontramos oito trabalhos acadêmicos produzidos, perfazendo, assim, um total de 39 pesquisas que tratam de diversos temas, relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. No 2º semestre de 2005, Antônio Carlos Pinheiro publicou o livro O ensino de Geografia no Brasil: catálogo de dissertações e teses (1967-2003), organizado a partir da referida tese. Nesse catálogo, os dados de sua pesquisa foram ampliados: entre 1967-2003, foram produzidos 317 trabalhos relativos ao ensino de Geografia no Brasil. Portanto, surgiram mais 120 pesquisas, o que revela a dificuldade de acesso às informações por parte do pesquisador, como desabafa o autor: [.. .] i n d ic a o des c o n hec im en t o e a po nt a a in ex is t ê nc i a d e s is t em at i zaç ã o da pr od uç ão c i e nt íf ic a n o s eu t od o s obr e o ens i n o d e ge o gr af i a no p aís . [ .. .] o des c on h ec im ent o das pes q u is as t em ger a d o um a d is p er s ã o d a t o ta l id a de pr o du zi d a . ( PI N HE IR O , 2 0 05 , p. 9 7) . Acredita-se que, após a divulgação da tese de Pinheiro, os pesquisadores procuraram divulgar seus trabalhos de forma sistemática, o que possibilitou expandir e reorganizar esse banco de dados, contribuindo relacionadas ao para ensino a de ampliação Geografia das no discussões Brasil. científicas Portanto, ao analisarmos o catálogo, encontramos mais 19 trabalhos acadêmicos, perfazendo, assim, um total de 58 pesquisas que tratam de diversos temas relacionados ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Tais pesquisas foram defendidas no período de 1982-2003 e produzidas em diferentes programas de Pós-graduação do Brasil. A partir desse inventário, realizamos a leitura e a análise minuciosa dos resumos, procurando identificar as pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental no Brasil para selecionar os trabalhos científicos, que, acreditamos, contribuíram para o desenvolvimento de nossa pesquisa, pois “[...] a ciência não põe um julgamento de valor a outro julgamento de valor [...]” (BOURDIEU, 1998, p. 38), mas contribui para a construção e ampliação do conhecimento, tendo em vista cumprir seu papel intelectual e social. Para facilitar a visualização das pesquisas desenvolvidas, organizamos o QUADRO 1, que sistematiza as informações sobre o ano da conclusão e o título da pesquisa, o autor, o orientador, a instituição e o programa no qual foi desenvolvido o trabalho, a modalidade de pesquisa e a classificação do trabalho de acordo com o tema da investigação. Isso foi feito com o objetivo de facilitar a visualização e traçar um mapa das pesquisas desenvolvidas sobre o ensino de Geografia, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Ano Autor(a) Título Níve l U n i ve r s i d a d e / Programa Classificação 1982 PAGANELLI, T. I. Para a construção do espaço geográfico na criança M IESA – FGV/ Educação FC 1982 C E C C H E T, J . M . I n i c i a ç ã o c o g n i t i va d o m a p a M OLIVEIRA, L. de Unesp/ Geografia RE 1989 MEDEIROS, L. das G. M. A Am a z ô n i a n a ó t i c a d o l i vr o d i d á t i c o ; u m a a n á l i s e d o s l i vr o s d e E s t u d o s S o c i a i s d e primeira a quarta séries do primeiro grau utilizados em Belém, em 1984 M MASETTO, M. T. PUC-SP/ Educação LD 1990 GEBRAN, R. A C o m o o r i o n ã o c a b i a n o m e u m a p a , e u r e s o l vi tirá-lo … - o ensino da Geografia nas séries iniciais do 1º grau (Assis-SP) M ARAGÃO, R.M.R. UNICAMP/ Educação PDE 1990 MACHADO, M. B. P. O ensino de Estudos Sociais nas séries i n i c i a i s : e m b u s c a d e n o vo s c a m i n h o s M LOURO, G. L. UFRS/ Educação FC 1990 OLIVEIRA, E. M. de C. Buscando caminhos para o ensino de Estudos Sociais nas quatro séries iniciais do primeiro grau – relato de experiência M C A P E L E T TI , I . PUC/ Educação FC 1992 CHAGAS, M. de F. O programa de Estudos Sociais (Geografia e História) de Minas Gerais – SEE/1986 M BASTOS, L. da R. UFRJ/ Educação CP 1992 CORREA, F. M. A representação da Amazônia no livro didático de estudos sociais do primeiro grau M M A R TI N S , I . d e A . UFAM/ Educação LD 1994 ALMEIDA, R. D. Proposta metodológica para a compreensão de mapas geográficos D MELCHIOR, J. C. de A USP/ Educação RE Orientador (a) BRAZIL, C.N. V. 1994 H O R TA , C . A d a C . Belo Horizonte: a construção de um saber geográfico M RESENDE, M.M.S. UFSC/ Geografia CM 1994 NOGUEIRA, A. R. B Mapa Mental: recurso didático no ensino de geografia no 1º grau M S I M I E L L I , M. E . R USP/ Geografia ECC 1995 CASTROGIOVANNI, A C. D a G e o g r a f i a q u e a i n d a é f e i t a a u m a n o va vi s ã o d a c i ê n c i a g e o g r á f i c a : t a m b é m s e a l f a b e t i za e m e c o m a G e o g r a f i a M FLORES, T. M. V. UFRS/ Educação CM 1995 OLIVEIRA, I. M. de O l i v r o d i d á t i c o – e s s e ve l h o (des)conhecido: em questão o livro didático de Estudos Sociais M L E I TE , S . B . UERJ/ Educação LD 1996 BRAGA, R. B. Construindo o amanhã: caminhos e (des)caminhos dos conteúdos geográficos na escola elementar D OLIVEIRA, A U. de USP / Geografia PDE 1996 FILIZOLA, R. Orientação espacial: implicações na leitura de mapas M S I M I E L L I , M. E . R. USP/ Geografia RE 1996 GEBRAN, R. A Oba, hoje tem Geografia! O espaço redimensionado da formação-ação (AssisSP) D L U TF I , M . UNICAMP/ Educação CM 1996 LOPES, M. D. da S. A percepção cartográfica dos alunos da 3ª série do 1º grau no município de Cachoeiro de Itapemirim - ES M LE SANN, J. G. UFMG / Geografia RE 1996 RAMIRES, R. R. Cartografia e cognição: aspectos da a p r e n d i za g e m d o m a p a n o i n í c i o d o p r o c e s s o d e e s c o l a r i za ç ã o M S I M I E L L I , M. E . R. USP/ Geografia RE 1996 RUFFINO, S. M. V. C. Noção de espaço e representação cartográfica: ensino de Geografia nas séries iniciais D S I M I E L L I , M. E . R. USP/ Geografia RE 1996 AGUIAR, V. R. B. de Atlas geográfico escolar D OLIVEIRA, L. de Unesp/ Geografia RE 1997 BOMFIM, B. B. R. Uma proposta metodológica para o ensino da Climatologia no 1º grau M C O N TI , J . B USP/ Geografia FC 1997 S C H R O TE R , L . C . F . Dando nomes aos bois: uma proposta de inserção da Geografia nas séries iniciais do 1º grau a partir do estudo do meio M SCHIBE, L. UFSC/ Educação CM 1997 VIEIRA, J. R. M DOMINGUES, J. L. UFG/ Educação PDE 1997 LOPEZ, P. M. M TOLEDO, G. S. de 1998 MORAES, C. M. M. M BRAGA, R. B. 1998 SILVA, M. A B. da M LE SANN, J. G. USP/ Geografia UFMG/ Educação UFMG/ Geografia 1998 N A S C I M E N TO , M . J . F. M SILVA, R. C. UMP/ Educação PDE 1998 POLONI, D. A. R. D SILVA, A. C. de USP/ Geografia CP 1999 SILVA, A M. R. M GOUVEIA, M. S. F. Unicamp/ Geociências PDE 1999 FONSECA, R. A M LE SANN, J. G. UFMG/ Geografia RE 2000 FERREIRA, P. R. M MORAES, M. C. M. de UFSC/ Educação CM O saber geográfico: uma abordagem fenomenológica do saber do professor nas séries iniciais do ensino fundamental O projeto Bananal: caminhos para leituras críticas da realidade Ecos(?) em “redes de comunicação” da disciplina Geografia A cartografia e o ensino de Geografia na escola Fundamental: um estudo de caso Questões cruciais da escola básica: democracia, ensino de qualidade, cidadania. Panorama educacional da rede pública do Município de Caruaru - PE A política educacional no Brasil e o ensino de geografia: caminhos e descaminhos Dos Estudos Sociais da 4ª série à Geografia da 5ª série: polemizando sobre d e s c o n t i n u i d a d e s a p a r t i r d a vi vê n c i a d e e n s i n a r à vi vê n c i a d e e n s i n a r a e n s i n a r Formas de percepção espacial por crianças cegas da 1º série do ensino fundamental O ensino de Estudos Sociais nas séries iniciais do ensino fundamental: c o n t r i b u i ç õ e s d a p e r s p e c t i va H i s t ó r i c o - PDE LD PDE 2000 2000 2000 2000 2001 2001 C u l t u r a l p a r a u m r e vi s ã o m e t o d o l ó g i c a d o ensino O ensino de Geografia fundamentado na t e o r i a d a a p r e n d i z a g e m s i g n i f i c a t i va MARIN, F. A D. G. ausubeliana: relato de intervenção com alunos do 2º ciclo SOARES JÚNIOR, F. Ensino-aprendizagem do conceito de lugar geográfico no ensino fundamental C. Educação ambiental: da contextualização à TORRES, E. C. aplicabilidade na pré-escola Representação do espaço em crianças, j o ve n s e a d u l t o s : u m e s t u d o d e c a s o TEDESCO, E. L. S. Cáceres - MT A cultura italiana e o ensino de história e geografia nas séries iniciais do ensino MARQUES, L. A de S. fundamental Ensinar Geografia nas Séries Iniciais: O S TR A F O R I N I , R . D e s a f i o d a To t a l i d a d e - M u n d o 2001 C O S TE L L A , R . Z . 2001 K O B A YA S H I , M . M . S . 2001 MORAES, L. B. de 2001 SANTOS, C. M. dos 2002 MOTA, R. M. T. 2002 AIGNER, C. H. O. 2003 AMORIM, A N. de C. A alfabetização cartográfica interdisciplinar nas séries iniciais do ensino fundamental e a interação do educando no contexto sócio-ambiental Uma contribuição para o ensino de Geografia: estudos dos últimos programas curriculares de 1º grau para o estado de São Paulo Goiânia em mapas: a cidade e sua representação no ensino de Geografia A cartografia no ensino fundamental: construindo a percepção do espaço, a p a r t i r d a vi v ê n c i a d o a l u n o As concepções de espaço geográfico do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental - Montes Claros/MG - 20012002 Alfabetização em Geografia e Educação Ambiental: construindo a cidadania em e s c o l a s vo l t a d a s à e d u c a ç ã o p o p u l a r Um atlas escolar municipal interativo como recurso pedagógico no 2 ciclo do D P O N TE S N E T O , J.A da S UNESP/ Educação D FERREIRA, M.S. M PASSOS, M. M. dos UFRN/ Educação Unesp/ Geografia M RODRÍGUEZ, J. A UFMT/ Educação RE D ANDREOLA, B. A. UFRS/ Educação ME M FILHO, A P. UNICAMP/ Geociências ME M REGO, N. UFRS/ Geografia RE M MARANGONI, A. M. M. C. USP/ Geografia CP M CAVALCANTI, L. de S. UFG/ Geografia RE M ARAÚJO, J. L. L. UFP/ Educação RE M VLACH, V. R. F. UFU/ Geografia FD M REGO, N. UFRS/ Geografia ECC M LE SANN, J. G. UFMG/ Geografia CM FC PDE RE 2003 HISSA, M. M. R. 2003 MOTA, A da P. F. 2003 OLIVEIRA, A R. de 2003 SÁ, C. H. R. de 2003 DOCKHORN, S. G. C. 2003 FAE, M. 2003 FAZZINI, M. I. M. 2003 L I MA , M . d e L . 2003 MARINHO, G. C. 2003 M A R TI N É Z , R . 2003 P O R TO , I . M . R . 2003 RODRIGUES, M. M. da S. ensino fundamental: Estudo de caso do Atlas Escolar de Brumadinho A prática e a formação de professores: a geografia nas séries iniciais do ensino fundamental O lúdico e o ensino da geografia no 1º ciclo do ensino fundamental no município de Montes Claros A cartografia escolar e as práticas docentes nas séries iniciais do ensino fundamental O Bairro e a Cidade: o ensino de geografia nas séries iniciais do ensino fundamental A geografia como possibilidade de instrumentalização interdisciplinar na escola ciclada em uma turma em processo de alfabetização A contribuição do ensino de Geografia para a prática da educação ambiental nas 1ª e 2ª do ensino fundamental O d e s e n vo l vi m e n t o d a r e p r e s e n t a ç ã o d o espaço e o ensino de Geografia: estudo de c a s o n a e s c o l a p ú b l i c a d e I t u p e va Sensibilização ambiental no processo e d u c a t i vo : o t e m a d o s r e s í d u o s u r b a n o s no Programa Curricular de 1ª série do ensino fundamental Os Parâmetros Curriculares Nacionais no contexto das reformas neoliberais: o caso de Geografia Geografia e meio ambiente: uma análise do pensamento geográfico da problemática ambiental nos Parâmetros Curriculares Nacionais Brinquedos e brincadeiras na educação infantil: construindo conhecimentos em geografia A geografia no 2º ciclo do ensino fundamental: uma reflexão crítica sobre as M LE SANN, J. G UFMG/ Geociencias FPD M VLACH, V. R. F. UFU/ Geografia FC M PIERSON, A. H. C. UFSC/ Educação RE M CAVALCANTI, L. DE S. UFG/ Geografia M REGO, N. UFRS/ Geografia FC M BUSS, M. D. UFSC/ Geografia EA M FRANCESCONI, L. USP/ Geografia RE M PASSINI, E. Y. UEM/ Geografia EA M POLICARPO JÚNIOR, J. UFPE/ Educação CP M FELIX, S. A. Unesp/ Educação M CASTRO, C. A. UFM/ Educação PDE M LE SANN, J. G. UFMG/ Geografia RE DTM EA 2003 SOBARZO, L. C. D. 2003 VESTENA, C. L. B. o r i e n t a ç õ e s o f i c i a i s e o s At l a s E s c o l a r e s M u n i c i p a i s I n t e r a t i vo s c o m o m e d i a d o r e s do ensino por competência Educação ambiental, lugar e imaginário social: um repensar para o ensino de geografia Sensibilização ambiental: um diagnostico na Bacia Hidrográfica do rio Belém M LEAL, A. C. Unesp/ Geografia EA M MURATONI, A. M. UFPR/ Geografia EA QUADRO 1 - Dissertações e Teses sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do ensino fundamental, produzidas no Brasil de 1982 – 2003 FO NT E: PI NH E IRO , A C. 2 0 03 ; B anc o d e D a dos C A P E S / 20 0 5 - A CE S SO 25 /0 5 /2 0 05 . O RG : NO V A E S , Í. F. d e / 2 00 5. Para realizarmos a classificação das pesquisas científicas, demos continuidade à organização elaborada por Pinheiro (2003), que respeita o tema central das investigações: prática docente e educativa (PDE), investigações relacionadas à prática docente, às condições profissionais e de trabalho a que são submetidos os professores; representações espaciais (RE), para os trabalhos que refletem sobre as teorias, métodos e práticas cartográficas; currículo e programas (CP), trabalho relativo à análise, avaliação e elaboração dos fundamentos e das diretrizes teórico-metodológicos do ensino da Geografia; conteúdo e método (CM), reflexões teóricas que analisam a relação entre conteúdo e método no ensino de Geografia; formação docente (FD), trabalhos de análise da formação inicial e continuada de professores que ensinam os conteúdos geográficos nos diferentes níveis, no qual a nossa pesquisa se insere; formação de conceitos (FC), trabalhos ref erentes ao desenvolvimento de conceitos científicos em docentes/discentes e a interferência do desenvolvimento psicogenético e cognitivo na construção dos conceitos geográficos; livro didático (LD), análise teórico-metodológica do recurso, a influência na prática docente e na aprendizagem dos alunos; história da Geografia escolar (HGE), estudo histórico das diversas influências no ensino de Geografia; características dos alunos (CA), análise das condições sociais, econômicas e culturais dos discentes e a sua influência na aprendizagem da Geografia, e educação ambiental (E A), pesquisas que analisam a importância da inserção deste tema nos conteúdos geográficos com o objetivo de desenvolver atividades de recuperação, conservação, conscientização e preservação do meio ambiente. Nessa etapa da pesquisa, conseguimos visualizar as ref lexões existentes sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais e perceber os caminhos percorridos pelos pesquisadores, discernindo quais poderíamos explorar na pesquisa a que nos propomos, tendo como referencial teórico os trabalhos previamente desenvolvidos, pois “[...] a pesquisa centra-se em um problema específico, é em virtude desse problema específico que o pesquisador escolherá o procedimento mais apto [...]” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 43). As dissertações e teses analisadas denotam o nível de preocupação com o ensino de Geografia, fundamentando, empírica e teoricamente, posições diferenciadas que colaboram para o avanço das idéias. Como afirma Laville; Dionne (1999, p. 42): [.. .] O q ue a n ós s u bm ete é s u a c om pr e ens ã o, qu e é um a es c o l h a e um a i nt er p r et aç ão . Um ou tr o p o der i a es c o l h er e i nt er p r e ta r d if er en t em en t e, p r o d u zi n d o o utr os s a b er es v á li d os e ig u alm e nt e r e l a ti v os . A m a ior p ar t e das c i ênc i as h um an as pr oc e d e as s im . Ao examinarmos os resumos apresentados por Pinheiro (2003; 2005) e pelo Portal da Capes (2005), procuramos apreender o problema que gerou o desenvolvimento das pesquisas, com o objetivo de assimilar mais informações sobre os trabalhos produzidos. As produções científicas que tratam do mesmo tema a que nos propomos estudar foram selecionadas e analisadas na íntegra; procuramos explorar a riqueza de detalhes e informações que as dissertações e teses revelam, pois o conhecimento científico pode e deve possibilitar a construção de um senso-comum mais evoluído, conforme diz Santos (2003, p. 90): De ix ad o a s i m es m o, o s ens o c om um é c ons er v a dor e p od e l eg i tim ar pr e p ot ê nc ias , m as i nt er p e n etr ad o pe l o c on h ec im ent o c i en tíf ic o p o de es t ar n a or ig em de um a n o va r ac i on a l id a de [ .. .] na c i ênc i a pós - m od er na o s a l to m a is im po r ta nt e é o qu e é da d o d o c on h ec im en to c i e nt íf ic o p ar a o c o nh ec im en to d o s ens o c om um [.. .] . Além do mais, é por meio da leitura, compreensão e sedimentação das idéias formuladas por outros autores que, passo a passo, trilhamos outros caminhos antes percorridos, ou procuramos avançar nos conhecimentos mesmos, prévios; pois devemos procuramos considerar valorizá-los e valorizar os ao analisar os trabalhos já desenvolvidos (LARROSA, 2001). Em 1982, foram apresentadas as primeiras pesquisas relativas à Geografia nas Séries Iniciais. Os trabalhos pioneiros foram realizados por Paganelli e Cecchet; a primeira pesquisou sobre a construção do conceito geográfico de espaço-tempo na criança à luz da epistemologia genética de Jean Piaget, e Cecchet desenvolveu seu trabalho sobre a construção e a interpretação de mapas com crianças da Pré-escola, sob a ótica da percepção e da representação espacial e com base na Psicologia da Aprendizagem de Piaget. De 1982 a 1992, foram realizadas oito pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, incluindo as citadas anteriormente, sendo sete em Programas de Pósgraduação em Educação e somente uma, a realizada por Cecchet, em Programa de Pós-graduação em Geografia. Isso demonstra que, por muitos anos, os Programas de Pósgraduação em Geografia não se preocuparam com esse nível de ensino. Várias hipóteses permeiam nossas idéias: a possível desconsideração do cunho científico dos temas tratados nesse nível de ensino (seriam superficiais)? Posto haver a separação entre o pesquisador e o professor nos cursos superiores (SILVA, C., 2003), aos primeiros pouco interessava pesquisar o ensino, principalmente nas Séries Iniciais. Por outro lado, as leis e decretos compactaram o ensino de Geografia e de História nos Estudos Sociais, levando ao esquecimento o fato que de que essas ciências existiam nesse nível de ensino, desde a lei Orgânica do Ensino Primário de 1946, (confira próximo capítulo). Os movimentos contra os Estudos Sociais, em defesa da Geografia e da História no final da Ditadura Militar, preocupavam-se somente com as séries finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª série do 1º grau), o que poderia justificar a ausência de trabalhos relativos aos saberes geográficos nas Séries Iniciais em Programas de Pós-graduação em Geografia. Esse nível de ensino é, tradicionalmente, de responsabilidade do Curso Normal ou Magistério, curso técnico em nível médio (antigo 2º grau), que preparava o docente para atuar nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental e, na atualidade, do Curso de Pedagogia, que iremos discutir mais adiante. Esse curso oferece diferentes habilitações inclusive para atuar como professor(a) nessas séries, ficando, muitas vezes, a cargo dos mesmos as reflexões referentes a esse nível de ensino, o que pode gerar falhas, pois a formação pedagógica deveria ser desenvolvida em conjunto com a geográfica, que possui objeto e método específicos. Na década de 1980, outras pesquisas foram desenvolvidas; o tema central que direciona o trabalho de Medeiros (1989) é a análise da visão da Amazônia nos livros didáticos de Estudos Sociais de 1ª a 4ª série, disciplina responsável pelo ensino dos conteúdos geográficos, procurando apreender as dimensões físicas, sociais, políticas e culturais que o livro transmitia. Em 1990, Gebran propôs analisar e compreender como o ensino de Geografia se desenvolve nessas séries; Machado buscou desvendar como os Estudos Sociais eram ensinados nas três primeiras séries do Ensino Fundamental nas escolas estaduais de Caxias do Sul (RS) e Oliveira procurou conhecer, explicitar e compreender como são trabalhados temas do cotidiano nas aulas de Estudos Sociais com o intuito de compreender os principais aspectos dos temas geográficos e históricos apresentados durante as aulas, além de elaborar o esboço de uma metodologia de trabalho para o professor. O estudo desenvolvido por Chagas em 1992, revela a linha educacional, o processo de desenvolvimento e a exeqüibilidade do Programa de Estudos Sociais do Estado de Minas Gerais. Correa analisa a representação da Amazônia nos livros didáticos de Estudos Sociais da 4ª série do 1º grau, dentre os mais utilizados na rede pública de Manaus (AM). Tais pesquisas evidenciam a gestação das preocupações que eclodiriam no final do século XX, relativas ao ensino de Geografia, há décadas ensinada nas escolas brasileiras em conjunto com os temas da área de História e, geralmente, com poucas reflexões que colaborassem para a construção e a compreensão dos conceitos geográficos pelos alunos das Séries Iniciais. Essa é a visão compartilhada por uma aluna-professora: [.. .] nas S ér ies I n ic i a is .. . em m in ha ép oc a .. . 1 96 4 . .. as d is c i p l in as ut i l i za v am um a m etod o l og i a qu e nã o des p er t a v a o i nt er es s e nos al u nos ... o pr of es s or er a o t r ans m is s or .. . e o a lu n o o r ec ep t or d o c o nh ec im en to [ .. .] ( G O NZ AG A, 2 0 05 ) . Nessa década, profundamente marcada pela Ditadura Militar, as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, denominadas 1ª a 4ª séries do 1º grau, os conteúdos geográficos eram “ensinados” por meio dos Estudos Sociais. Tal situação perdurou até 1997, quando ocorreu a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) referentes a esse nível de ensino, assunto que trataremos a seguir. A partir de 1994, ocorre um aumento significativo no número de pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais. Dos 58 trabalhos acadêmicos produzidos de 1982 a 2003, 13,8% foram desenvolvidos na primeira década (1982 a 1992) e o restante, 86,2%, até 2003, e conforme mostra a FIGURA 1, concentraram-se em três Programas de Pós-graduação: 30 pesquisas foram desenvolvidas em Programas de Pós-graduação em Geografia, 25 em Programas em Educação e três em Geociências. 3 30 25 Geografia Educação Geociências FIG U R A 1: D ist r ibu i çã o da s p esq ui s as re a liz ad as sob r e o en sin o de G eog r af i a na s S é ri e s In ic i ai s d o En si no F unda m ent al po r P rog ra m as d e Pó s- g r adu aç ão 19 8 2/ 20 0 3 FO NT E: PI NH E IRO , A nt o ni o C ar los , 2 00 3 ; 2 00 5 ; ww w.c ap es .g o v. b r . O RG .: N O V A E S , Í. F. de , 2 00 5 . O aumento da produção científica, à partir de 1990, relativa ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental em Programas de Pós-graduação em Geografia, sinaliza a preocupação da Geografia Acadêmica com esse nível de ensino; pode ser atribuído ao declínio dos Estudos Sociais e a conseqüente retomada da Geografia como disciplina específica nas Séries Iniciais, o que, por muitos anos, foi desconsiderado nas pesquisas geográficas. Em linhas gerais, a produção científica do Brasil era gestada, desde 1940, sob a forma de concursos públicos: os candidatos se inscreviam, apresentavam seus trabalhos para defesa e recebiam a titulação acadêmica de Doutor e Livre-docente. Mas, a organização e a regulamentação dos cursos de Pós-graduação no Brasil veio com a lei n.5.540/68, Reforma Universitária. E, de acordo com Morosini (2005, p. 315): A pós - gr a du aç ão , c u r s os d e m es tr a do e do u tor a do , qu e f un dam en t a vam a c onc e pç ã o d e des e n vo l v im en to n os go v er n os m il i tar es , r e c eb e a po i o f u n dam en t a l, at r a v és de tr ês P la n os N ac i on a is de P ós - g r a d uaç ã o, o p r im eir o em 19 7219 7 9; o s eg u nd o em 1 98 2- 1 98 5; e o ter c e ir o em 1 98 6- 1 98 9 . De acordo com Pinheiro (2003), em 1966 havia 33 cursos de Pós-graduação, mestrado e doutorado, concentrados nas Áreas de Ciências Exatas e Engenharia. De 1967 a 1971, passaram a existir 329 cursos, sendo 98 de doutorado e 231 de mestrado. Somente em 1971 foram iniciados 134 cursos, 41 doutorados e 93 mestrados. Essa explosão teve como objetivo formar “[...] uma elite de profissionais de alto nível em todas as áreas do conhecimento para contribuir [com] [...] o desenvolvimento nacional” (PINHEIRO, 2003, p. 65), reflexo do contexto político da época. De acordo com dados do Portal da Capes (2005), que podem ser observados na TABELA 1, existem no Brasil, 3.072 cursos de Pósgraduação, sendo 1.893 de mestrado acadêmico, 90 de mestrado profissional e 1.089 de doutorado, concentrando 58% dos Programas de Pós-graduação na região sudeste. Nas áreas de Ciências Humanas, Exatas e da Terra, principal lócus produtor dos conhecimentos geográficos relativos às Séries Iniciais do Ensino Fundamental, conforme TABELA 2, existem 105 Programas de Pós-graduação em Educação, 78 em Geociências e 43 em Geografia, entre mestrado e doutorado, o que pode revelar uma relativa concentração das pesquisas sobre o ensino de Geografia no nível elementar, na década de 1980, em Programas de Pós-graduação em Educação. REGIÃO Total M CENTROOESTE 125 NORDESTE 330 204 NORTE SUL BRASIL 70 D M/D M/F D/F M/D/F Total M D 0 0 0 172 117 7 11 108 0 0 0 438 312 1 21 0 0 0 94 71 1.095 325 21 57 692 0 0 0 1.787 1.017 713 57 184 0 0 0 191 14 2.020 841 37 90 1.052 0 0 0 3.072 1.893 1.089 90 397 192 1 7 14 581 376 48 F 47 50 1 F 7 73 SUDESTE Totais de Cursos de pós-graduação Programas e Cursos de pós-graduação 115 11 22 T AB EL A 1: D i st r ib uiç ão g eog r áf i c a dos cu r so s de Pó s - gr adu a çã o Br a si l/ 20 0 5. FO NT E: www. c a p es . g o v. br Cu rso s: M - Mes tr ad o A c a d êm ic o, D - Do ut or a d o, F - Mes tr ad o Pr of is s i on a l. P rog r am as : M/ D - Me s tr a d o Ac ad êm ic o /D o u tor a do , M/F - M es tr a d o Ac ad êm ic o / Mes t r ad o Pr of is s io n al , D /F - Do u tor a do / Mes tr ad o Pr of i s s i on a l, M/ D/F - M es tr a do Ac a d êm ic o /D o ut or ad o/ M es t r a d o Pr of is s io n a l Acreditamos que a produção das pesquisas 7 1 no científicas relacionadas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais concentraramse na última década do século XX e início do XXI, em razão do aumento significativo de cursos de Pós-graduação nas áreas de Educação, Geografia e Geociências pelo país e pela necessidade de se (re)pensar o ensino em nosso país. Em 1994, em sua tese de doutorado, Almeida desenvolve uma proposta para o ensino de mapas que tem como princípio a reflexão e a construção de modelos tridimensionais de mapas e gráficos a partir da problematização e da participação dos alunos, com o objetivo de desenvolver o domínio sobre o espaço, por meio da sua representação. Nogueira(1994), também se preocupa com o ensino da cartografia na Geografia; em sua pesquisa procurou investigar quando e como os conhecimentos cartográficos aparecem e se desvinculam das discussões geográficas. Horta (1994), nesse mesmo ano, em nível de mestrado, produziu um material didático alternativo sobre a Geografia de Belo Horizonte para amenizar o desconhecimento do tema nas escolas de educação básica da capital mineira. ÁREA Total de Cursos de pósgraduação Programas e Cursos de pósgraduação Total M D F M/D M/F D/F M/D/F Total M D F E D UC A Ç ÃO 75 45 0 0 30 0 0 0 10 5 75 30 0 GE O G R AF I A 29 15 0 0 14 0 0 0 43 29 14 0 GE O C IÊ N CI A S 43 35 0 0 0 78 43 35 0 8 0 0 T O T AL D E 14 7 68 0 0 79 0 0 0 PRO G R AM A S T AB EL A 2 - Pr og ra ma s d e Pós - g rad ua ç ão do B r a si l/ 2 0 05 . 22 6 14 7 79 0 FO NT E: www. c a p es . g o v. br Cu rso s: M - M es t r a d o Ac a dêm ic o, D - D ou to r ad o , F - M es tr a do Pr of is s i on a l. P rog r am as : M/ D - Me s tr a d o Ac ad êm ic o / D o ut or ad o, M/F - M es t r a d o Ac ad ê m ic o / Mes tr a d o Pr of is s i on a l, D/F - D ou tor a d o / Mes tr a d o Pr of is s i on a l, M/ D/F - M es t r a d o Ac a dêm ic o / Do u tor a do / Mes tr ad o Pr of is s i on a l Em 1995, Castrogiovanni debruçou-se sobre a Geografia nas Séries Iniciais procurando compreender a relevância interdisciplinar do seu ensino e a sua contribuição na alfabetização. Oliveira, ainda nesse ano, pesquisou a contribuição do livro didático na expectativa de ampliar a visão que os docentes possuem sobre esse recurso didático, procurando entrelaçar a linguagem e a construção do conhecimento. Em 1996, foram produzidos sete trabalhos científicos. As pesquisas em nível de doutorado foram realizadas por Gebran, que elaborou, implementou e avaliou uma proposta de trabalho para o ensino de Geografia nas referidas séries, buscando as múltiplas relações, contradições e transformações da Geografia dada pelo próprio movimento da sociedade; Ruffino analisou os conceitos de estruturação e representação cartográfica e a sua contribuição no ensino de Geografia a partir da compreensão do desenvolvimento cognitivo da criança e Aguiar acompanhou a trajetória de elaboração de Atlas geográficos escolares, procurando ampliar os estudos relativos à cartografia infantil e juvenil e Braga procurou interpretar a prática pedagógica geográfica na escola elementar, com o colaborar para a reconstrução desta a partir dos objetivo de discursos dos professores e dos cadernos de anotações utilizados pelos mesmos e pelos alunos. Outros três trabalhos de mestrado foram desenvolvidos em 1996 e, como em Ruffino, tratou-se da representação espacial. Filizola estudou a orientação espacial em turmas de 2ª e 3ª série em uma escola de Curitiba-PR, Lopes procurou analisar a representação cartográfica que melhor caracteriza os aspectos gerais do município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), e que fossem assimilados mais facilmente pelos alunos da 3ª série e Ramires trabalhou com o uso das representações gráficas expressas no mapa e a relação delas com a cartografia e com a Geografia, tendo como objetivo oferecer uma linha de raciocínio que contribuísse para a representação do espaço e a compreensão do uso da representação via mapa, a partir da psicologia do desenvolvimento, de Piaget. Em 1997, Bomfim elaborou uma proposta metodológica para o ensino de Climatologia nas Séries Iniciais, que teve como referencial as teorias do desenvolvimento cognitivo, com o objetivo de avançar na construção dos conhecimentos científicos referentes ao clima. Schroter analisou o ensino de Geografia partindo do pressuposto de que o estudo do meio é a metodologia que proporciona ao aluno uma compreensão crítica e ampla da sociedade, Vieira abordou a constituição e a vivência do saber geográfico do professor das Séries Iniciais a partir de uma abordagem fenomenológica e Lopez relata o desenvolvimento de um projeto interdisciplinar, que aborda o ensino de Geografia e a questão ambiental em alguns municípios do estado de São Paulo, tendo como base a prática da preservação do patrimônio histórico-cultural-ambiental desses lugares. Em 1998, foram realizados dois trabalhos relativos à prática docente e educativa. Nascimento analisou até que ponto a formação de professores de História e de Geografia tem contribuído para o desenvolvimento de uma prática qualitativa que contemple os princípios democráticos e a formação da cidadania nos 2º e 3º ciclos do Ensino Fundamental no município de Caruaru (PE). Silva propôs uma metodologia para a prática docente em Geografia nas 3ª e 4ª séries, a partir de um material didático alternativo, que fundamenta o ensino de Cartografia nessas séries. Nesse mesmo ano, Moraes procurou analisar a influência das produções paradigmáticas acadêmicas do campo geográfico dos últimos 30 anos na produção dos livros didáticos, a partir da análise de 34 livros de Estudos Sociais das Séries Iniciais, utilizados pelos professores de Salvador (BA) nos anos de 1980 e 1990. E Poloni analisou a política educacional no Brasil, em especial os PCNs, e a sua influência no ensino de Geografia. Em 1999, Fonseca procurou identificar os elementos significativos do processo de construção de noções de tempo e espaço em crianças cegas, com o objetivo de propiciar autonomia às mesmas, e Silva procurou compreender a ruptura no processo ensino- aprendizagem dos Estudos Sociais e/ou Geografia entre a 4ª e a 5ª série. Em 2000, foram desenvolvidos cinco trabalhos, dois dos quais relativos a conteúdo e método. O primeiro, elaborado por Ferreira, discutiu as ações pedagógicas de professores e alunos frente aos conteúdos, já transformados em História e Geografia, e analisou uma proposta alternativa com base na elaboração conceitual, amparada na perspectiva histórico-cultural. A tese de Marin, fundamentada na teoria ausubeliana de aprendizagem significativa, procurou avaliar e validar uma maneira de organizar o processo de ensino e aprendizagem dos temas propostos pelos PCNs, levou à elaboração de material didático para a 4ª série do Ensino Fundamental. Nesse mesmo ano, Soares Júnior apresentou sua pesquisa de doutorado, na qual elaborou um currículo escolar centrado na formação de conceitos como componentes básicos de sua organização, ancorado nos princípios teórico-metodológicos da formação e desenvolvimento de conceitos, numa perspectiva sócio-histórica. Torres detectou a carência, nas escolas, de material didático que tratasse da educação ambiental e, durante a sua pesquisa, realizou cursos de capacitação destinados a professores da pré-escola, por meio dos quais desenvolveram um plano de atividades e materiais didáticos orientados para uma prática multi e interdisciplinar de educação ambiental. Tedesco estudou a percepção do espaço cotidiano de crianças, jovens e adultos do município de Cáceres (MT), com base na teoria de Yi-Fu Tuan. No primeiro ano do século XXI, Marques, em sua tese de doutorado, analisou uma experiência metodológica no ensino de História e Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Com base no estudo do meio, relacionou a cultura dos descendentes dos imigrantes italianos nos municípios de Bento Gonçalves e Garibaldi, na região colonial italiana do Rio Grande do Sul, procurando registrar os fundamentos teóricos do ensino de História e Geografia nas Séries Iniciais. Straforini aplicou várias atividades de ensino apoiadas na metodologia da pesquisa-ação, fundamentado na teoria sócio- interacionista e na Geografia Crítica, partindo do imediato concreto, isto é, do lugar. Costella defende a importância da cartografia nas Séries Iniciais; Kobayashi realiza uma análise dos últimos currículos de 1970 a 1990, de Geografia do estado de São Paulo; Moraes, em sua pesquisa desenvolvida com alunos de 3ª a 5ª série, no município de Goiânia, apresenta a relação existente entre o uso de mapas e o ensino de Geografia e Santos analisa as diferenças e as distâncias culturais existentes entre a cultura dos educandos e a cultura escolar. Em 2002, duas pesquisas foram apresentadas sobre Geografia nas Séries Iniciais uma realizada por Motta, que analisou as concepções da ciência geográfica dos professores desse nível de ensino nos anos 1980 e 1990, época da elaboração das propostas curriculares, utilizadas contemporaneamente e, a outra, desenvolvida por Aigner, analisa as práticas pedagógicas relativas a educação ambiental e a Geografia em escolas populares de Porto Alegre (RS). Em 2003, foram produzidos 15 trabalhos. Hissa e Sá pesquisaram a prática docente e educativa. A primeira procurou conhecer parte das dificuldades e dos problemas enfrentados pelos professores, que são alunos do Curso Normal Superior, no ensino da Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Sá buscou empreender um estudo sobre o ensino da Geografia Urbana, discutindo as orientações teórico-metodológicas para a abordagem do tema bairro e cidade, com base na pesquisa-ação em uma perspectiva crítica. Nesse mesmo ano, pesquisando a representação espacial, Oliveira analisou a prática de duas professoras das Séries Iniciais do Ensino Fundamental no ensino de conteúdos geográficos por meio do uso de mapas municipais. Amorim buscou traçar um perfil da atuação dos professores de Geografia, atuantes nas Séries Iniciais, na utilização do Atlas Escolar de Brumadinho, recurso pedagógico do 2º ciclo do Ensino Fundamental, cujo objetivo é subsidiar o ensino por meio de práticas pedagógicas que possibilitem o estudo do espaço local e a aquisição, pelos educandos, diversas. Mota de propõe habilidades a e utilização competências de atividades de naturezas lúdicas como metodologia de ensino de Geografia nas Primeiras Séries do Ensino Fundamental. Dockhorn estuda a construção do conceito de cidade na periferia de educacionais Porto-Alegre; vigentes, Fae que procurou definem o conhecer sistema as políticas educacional, em conseqüência o ensino de Geografia e do Meio Ambiente nos PCNs, e sua prática nas duas Primeiras Séries do Ensino Fundamental; Fazzini analisou desenhos espontâneos de crianças, com o objetivo de identificar o desenvolvimento da noção de espaço, bem como sua representação. Lima analisa a prática educativa, com relação ao meio ambiente, desenvolvida por duas professoras que trabalham com a 1ª série do ensino fundamental. Marinho desenvolve uma pesquisa analítica sobre as reformas educacionais atuais e a sua conseqüência; no ensino, Martinez, continua na mesma linha de pesquisa, com enfoque na temática ambiental e na análise do pensamento geográfico no contexto dos PCNs. Porto, com base nas matrizes interacionistas de W allon, Vygotsky e Piaget, propõe a construção dos conhecimentos geográficos na educação infantil por meio do lúdico. Rodrigues procurou avaliar o papel do Atlas Escolar no processo de construção de conceitos geográficos no 2º ciclo do Ensino Fundamental. Sobarzo, preocupada com a prática pedagógica, a partir de atividades de Educação Ambiental, propõe uma prática para o ensino de Geografia e, por último, Vestena desenvolveu sua pesquisa na vertente do meio ambiente, procurando avaliar o nível de sensibilização ambiental dos alunos moradores ambiental. de uma área que sofre intensa degradação Dos 58 trabalhos sobre ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, produzidos de 1982 a 2003, conforme mostra a FIGURA 2, 36 foram realizados em universidades da região Sudeste, 13 na região Sul, quatro na região Centro-Oeste, quatro na região Nordeste e outra no Norte do país. Tal incidência pode ser explicada pela concentração dos cursos de Pós-graduação na região Sudeste, como afirmado anteriormente. 4 4 1 13 Sudeste 36 Sul Nordeste Centro-oeste Norte FIG U R A 2: E spa c ia l iz a ç ão po r r eg i ão da s pe sq ui sa s re a li z ad as sob r e o en sin o d e G e og raf i a na s S ér i es I ni ci ai s d o En sin o F und am ent al – 19 8 2/ 20 0 3 FO NT E: PI NH E IRO , A C; 2 0 03 ; 2 00 5; www. c ap es .g o v. br . O RG : NO V A E S, Í . F . d e / 2 00 5. A análise do conteúdo do resumo das dissertações e teses, bem como a leitura na íntegra das pesquisas relacionadas ao nosso tema de investigação, possibilitaram-nos classificar os 58 trabalhos científicos produzidos sobre ensino de Geografia nas Séries Iniciais: 12 tratam do tema prática docente e educativa, 17 da representação espacial, sete da formação de conceitos, seis abordam o tema conteúdo e método, quatro o tema livro didático, quatro focalizam o tema currículo e programa, seis a educação ambiental e dois a formação docente. A produção desses seis últimos trabalhos se concentrara no início do século XXI, momento em que a humanidade necessita rever os seus conceitos relativos ao meio ambiente. Essas pesquisas evidenciam a preocupação em desenvolver novos olhares com relação ao meio ambiente, como afirma Léna (2004, p.55) ”[...] é preciso preparar o adolescente [criança], sob o risco da criação de mitos. Prepará-lo para a sutil percepção do lugar do homem no universo, lugar tão grande [...]”. Registre-se que esses números revelam uma carência de pesquisas sobre os temas relacionados às características dos alunos e a História da Geografia escolar nesse nível de ensino, podendo ser objeto de pesquisas futuras. O exame da metodologia 7 utilizada nas dissertações e teses, caminhos percorridos para a realização da pesquisa, segue as diretrizes delineadas por Pinheiro (2003) e nos revela, conforme a figura 3, que a modalidade de pesquisa mais utilizada é o estudo de caso (EC), presente em (31%) das pesquisas, são trabalhos específicos sobre indivíduos ou grupos de indivíduos, seja ele simples ou específico, analisado profundamente, a análise de conteúdo (AC) está presente em 27,5%, em tais pesquisas as categorias de análise são previamente estabelecidas permitindo identificar, classificar e descrever de forma sistemática o tema e/ou o material de estudo. Na 7 Cf . L UD K E ( 19 8 6) e L A K AT O S ; M AR CO N I ( 19 8 3) . pesquisa-ação (PA), foram realizados cerca de 17,3% dos trabalhos; nesse método de pesquisa, ocorre ativamente a intervenção do pesquisador, que se envolve em ações previamente planejadas com o objetivo de provocar modificações na situação investigada. Na pesquisa experimental (PE), existem 5,2% dos trabalhos, nos quais ocorre a descrição e a análise de experimentos, onde uma ou mais variáveis são introduzidas na pesquisa; 5,2% dos trabalhos são relatos de experiência (RE), que descrevem e analisam uma prática educativa em ambiente específico ou em situações peculiares, porém não desenvolvem reflexões sobre as causas que levaram a ocorrência dos fatos; 10,4% das pesquisas utilizaram o estudo comparativo/correlacional (ECC), que procura identificar as relações de causa e efeito entre determinados fatores de um fenômeno, analisados pelo pesquisador depois de ocorrido e 3,4% dos trabalhos científicos utilizaram a pesquisa bibliográfica e documental (PBD), que procura inventariar, sistematizar conhecimentos em uma determinada área. e avaliar a produção dos 2 18 3 3 6 10 PB RE 16 PE ECC PA AC ECC FIGURA 3: Distribuição da produção científica por modalidades de pesquisa desenvolvidas sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental de 1982/2003. FONTE: PINHEIRO, A C; 2003; 2005; www.capes.gov.br. ORG: NOVAES, Í. F. de, 2005. Ao mapearmos as modalidades de pesquisa utilizadas para a realização dos trabalhos acadêmicos sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais, detectamos que a modalidade História Oral, definida para a realização desta pesquisa e que detalharemos a seguir, não foi utilizada em nenhum dos trabalhos acadêmicos. Essa modalidade foi escolhida por considerarmos que “[...] a cultura, e especialmente a linguagem, é algo que faz com que o mundo esteja aberto para nós [...]” (LARROSA, 2001, p. 49). Entendemos que o conhecimento científico é construído a partir de diferentes metodologias, que delineiam novos olhares sobre temas comuns ou diferenciados, como afirma Santos (2003, p. 77): O c o nh ec im ent o p ós - m od er n o , s e n do to ta l , nã o é de t er m inís t ic o , s e n d o l oc al , n ã o é d e s c r it i v is ta . É um c on h ec im ent o s o br e as c o nd iç õ es de pos s i b i li d a de . As c on d iç ões de p os s ib i l i da d e d a ac ç ã o h um ana pr oj ec ta d a n o m undo a p ar t ir d e um es p aç o- t em po loc a l. Um c onh ec im ent o des t e ti p o é r e l at i v am en t e im et ód ic o, c o ns ti tu i- s e a p ar t ir de um a p l ur al i d ad e m eto d o ló g ic a [ .. .] . Outra característica peculiar, analisada nas pesquisas, referese ao gênero dos investigadores: diagnosticamos que a maioria dos trabalhos, 44, foram realizados por pesquisadores do gênero feminino, e 13 por investigadores do gênero masculino. A pesquisadora Gebran realizou suas pesquisas de Pós-graduação, mestrado e doutorado, sobre o tema Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, motivo pelo qual não foi contabilizada duplamente no gênero feminino. Tal fato nos revela a tradicional feminização da profissão docente nesse nível de ensino (PEREIRA, 1969; NOVAES, 1987; LELIS, 1996; CARVALHO, 1999; FISCHER, 2005), assunto de discussão no Capítulo 3. Tais análises têm como objetivo provocar reflexões que gerem mudanças e, conseqüentemente, melhorem a qualidade do ensino e da Geografia escolar, em especial. Aproveitamo-nos das palavras de Larossa (2001, p. 40), que afirma: [.. .] Som en t e o c o nf r on t o d as p a la vr as a in d a n ã o d it as [i d é ias , no v as p es q u is as ] c on tr a as p a la vr as j á d it as [p es qu is as j á r e a l i za d as , le is , d ec r et os ] pe r m item a r up tur a do h or i zo n te d ad o, p e r m ite qu e o s uj e it o s e i n ve nt e de o utr a m ane ir a , q ue o eu s ej a o utr o [. .. ]. Nossa revisão não pretende esgotar o assunto, mas, apenas, analisar a trajetória dos trabalhos acadêmicos relacionados à Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, e destacar aspectos das pesquisas desenvolvidas, por meio das dissertações e teses produzidas no período de 1982 a 2003, apontando possíveis caminhos para outros pesquisadores interessados no ensino de Geografia nesse nível. 1.2 – A contribuição da História Oral Temática para o mapeamento da História de Vida: a narrativa como estratégia de reflexão sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental Na segunda metade do século XIX, as ciências humanas, dentre elas a Geografia, desenvolveram-se sob o espírito do positivismo e do ambiente das ciências naturais, procedimentos que imprimiram aos científicos utilizados experimentação, fenômenos humanos para modificação os análise na mesmos dos procedimentos fenômenos experimentação e as naturais: conclusões gerais relativas ao experimento. A pesquisa quantitativa delineou, por muitas décadas, as pesquisas na área de humanas, mas a necessidade de se conhecer e respeitar a realidade sob a qual o ser humano vem construindo diferentes, surgimento suas relações características das pesquisas e imprimindo, peculiares à qualitativas. em tempos sociedade, Conforme históricos possibilitou as o reflexões realizadas por Laville; Dionne (1999, p. 33), sobre as pesquisas “[...] [em] ciências humanas, os fatos dificilmente podem ser considerados como coisas, uma vez que os objetos de estudo pensam, agem e reagem, que são atores podendo orientar a situação”. A modalidade delineada para o desenvolvimento do nosso trabalho segue a vertente da pesquisa qualitativa. Para Ludke; André (1986, p. 20), “[...] a pesquisa qualitativa desenvolve-se em um ambiente natural aproveitando-se dos fatos e ações que envolvem o tema da pesquisa dentro de uma perspectiva aberta e mutável [...]”. A História Oral 8 (THOMPSON, 1998; FONSECA, 1997; BOM MEIHY, 2000; LANG, 2001; LUCENA, 2001; FREITAS, 2002), caminha nessa direção; acreditamos que essa metodologia de pesquisa possibilita uma compreensão mais abrangente das trajetórias da Geografia na vida dos alunos que cursaram a disciplina Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental, no curso de Pedagogia da UFU, no ano de 2004. Precisamos considerar a subjetividade presente na docência, pois “[...] as opções que cada um de nós tem que fazer como professor [...] cruzam a nossa maneira de ser com a nossa maneira de ensinar e desvendam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser”. (NÓVOA, 1992, p. 17). Tal perspectiva de pesquisa, a História de Vida, por muitos anos foi desconsiderada no meio acadêmico, nas discussões para a construção dos conhecimentos da docência. No final de 1970, e no Brasil na década de 1990, em decorrência da necessidade da renovação do conhecimento científico, na sociedade pós-moderna, as histórias de vida ganharam espaço no meio acadêmico, ilustrando e confirmando, por meio da subjetividade, os fatos investigados. [.. .] Ur g e p or is s o ( r e ) enc o ntr ar es p aç os d e i nt er ac ç ã o e ntr e as d im ens ões pes s oa is e pr of is s io n a is , per m it i nd o a os pr of es s or es apr o pr iar - s e d os s e us pr oc es s o s de f or m aç ã o e 8 P ar a t er um pa nor am a d a h is tór i a e da tr aj et ór ia d a m eto do l o gi a de His t ór ia O r a l, v ej a- s e L A NG ( 2 00 1 , p . 91- 1 12 ) . dar - l h es um s ent i do no q u adr o das s u as h is t ór ias d e v id a . ( NÓ VO A, 1 9 92 , p . 24 ) . Portanto, lançamos novos olhares sobre a formação docente, com a valorização das histórias de vida, sob a ótica de pesquisadores como Nóvoa, Hubermam, Goodson, Gonçalves, Moita (1992), que inseriram este debate no cenário brasileiro, bem como as contribuições de Arroyo (2000; 2004). Com a preocupação de contribuir para o aprofundamento dessas questões, debruçamo-nos sobre a metodologia da História Oral, que nos apontou um caminho diversificado e rico, por seu intermédio, construir as experiências da Geografia escolar que traspassam a vida dos alunos, como afirma Larrosa (2001, p. 59): “O homem se constitui durante a sua vida, todas as vivências e as experiências vão construindo os saberes”. Os saberes são construídos e derivam de diferentes momentos e de diferentes “lugares sociais” (TARDIF, 2002). Não obstante, percebemos a íntima relação entre as experiências vividas e os saberes que interferem na formação e prática docentes. Não podemos negar que o discurso da igualdade pode obscurecer o “estatuto histórico” que possibilita a nossa diferenciação enquanto indivíduos que possuem experiências singulares, o que nos faz construir saberes de maneira diferente. Diante disso, Fazenda (1994, p. 76) relata que “Muitos foram os momentos [...] [em] que pudemos observar o quanto à prática de cada um está marcada por sua história de vida pessoal, acadêmica e profissional”. Nesse sentido, pensar na formação docente nos leva a repensar a diferença, de forma que o indivíduo compreenda que a sua trajetória de vida deixou marcas singulares na sociedade. Porém, devemos evidenciar que a diferença deve ser valorizada e respeitada na análise das trajetórias dos indivíduos. Na tentativa de responder a esses novos desafios, igualmente impostos ao processo de formação e prática docente, procuramos acompanhar os autores que abordam a temática saberes, intimamente ligados à História de Vida, como Tardif e Fonseca (2002), Borges (2001), Gauthier (1998) e Freire (1996), procurando identificar a sua influência na construção da prática docente. Tardif (2002), em sua obra Saberes docentes e formação, procurou identificar e definir diferentes saberes presentes na prática docente. O saber docente, de acordo com este autor, compõe-se, na verdade, de vários saberes provenientes de diferentes fontes: [.. .] a r e l aç ão e nt r e os s a ber es n ão s e r e d u z a um a f unç ã o de tr a ns m is s ã o d os c on h ec im ent os j á c ons t it uí dos . S ua pr á tic a i nt egr a d if er e n tes s a b er es , c om os q u a is o doc e nt e m ant ém d if er e n tes r e l aç ões . P od e- s e d ef i nir o s a b er d oc e n te c om o um s ab er p lur a l, f or m ad o p e l o am á lg am a, m ais o u m en os c oer e nt e, d e s a be r es or iu n dos d a f o r m aç ão pr of is s i on a l e de s ab er es d is c ip l i na r es , c ur r ic u lar es e ex p er i enc i a is .( T A R DIF F, 20 0 2, p . 3 6) . Outro autor que compartilha a importância dos saberes é Gauthier (1998); defende que o ofício do professor é desenvolvido pela mobilização de vários saberes, tais como o saber disciplinar, o saber curricular, o saber das ciências da educação, o saber da tradição pedagógica, o saber experiencial e o saber da ação pedagógica. A nosso ver, a escolha dos conteúdos para o ensino de Geografia não se limita a uma seleção entre os materiais culturais disponíveis. Nesse processo, ocorre a perda e, ao mesmo tempo, uma (re)interpretação e uma (re)avaliação do que deverá ser ensinado, perpassando pelo filtro dos saberes do professor, que seleciona e propõe novas maneiras de ensinar Geografia. A esse propósito, Larrosa (2001, p. 193) defende que a “[...] ação pedagógica depende de como nossos saberes determinam o possível e de como nossas práticas produzem o real [...]”. Nessa concepção, procuramos compreender como foram as experiências com a Geografia, em diferentes momentos históricos, na vida das colaboradoras. De que forma marcaram suas vidas? Como as experiências interferem na prática pedagógica para o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Assim, a História Oral nos permite um outro olhar sobre a docência. De acordo com Freitas (2002), a História Oral é um método de pesquisa que utiliza diversos procedimentos articulados, entre eles a entrevista, fornecendo informações que colaboram para (re)construção do passado recente, que também é História. Sabe-se que a História Oral segue três vertentes distintas, mas confluentes na mesma metodologia: a Tradição Oral, a História de Vida e a História Oral Temática, selecionada para o desenvolvimento de nossa pesquisa, pois: [.. .] a e n tr e v is ta tem c ar á t er t em átic o e é r ea l i za d a c om um gr u p o d e pes s o as , s obr e um as s u nt o es p ec íf ic o [ n o c as o , ens i n o d e G e o gr af i a] . Es s a e ntr e v is t a q u e tem c ar ac ter ís t ic a de d ep o im en to n ão a b r an g e nec es s ar iam en t e a t ot a li d a de d a ex is t ênc i a do i nf or m an te . [ .. .] os d e po im en t o s po d em s er m ais num er os os , r es ul t an do em m aior es qu a nt i da d es de i nf or m aç õ es , o q ue per m i te um a c om p ar aç ã o e ntr e e les [a n al is e c r u za d a] , a p on t an d o d i v er gê nc ias , c on v er gê nc i as e e v id ê nc i as d e um a m em ór i a c o l et i v a [. ..] ( FR EIT A S , 2 0 02 , p. 22) . A História Oral é social na medida em que respeita a experiência individual, o que justifica o trabalho com depoimentos, pois valoriza pontos de vistas diferenciados, muitas vezes omitidos pelo discurso do poder (VLACH, 1991; ARROYO, 2000; BOM MEIHY, 2000; FREITAS, 2002). Além do que nem todos escrevem suas idéias e, por isso, devemos “dar voz aos que não se fariam ouvir”; conhecer, analisar e divulgar a realidade dos professores (SACRISTÀN, 2002) a partir das narrativas, colabora para a realização de uma outra leitura dos fenômenos que permeiam a formação e a prática docente. Ademais, [.. .] um pr oj et o d e h is t ór ia or a l n ã o s e l im it a a pr of es s or es d e His t ór i a , e l e p o de t am bém , s er d es e n v ol v i d o p or pr of es s or es de [ .. .] G e o gr af ia , E duc aç ão Ar t ís t ic a ou p od e a ux il i ar a i nt egr aç ã o e nt r e es s a s ár eas n um a p es q u i s a in te r d is c i p li n ar [.. .] ( F R EIT A S , 2 00 2, p. 8 0) . Para amenizar a estranheza, que muitas vezes ocorre entre o pesquisador e o colaborador na realização das entrevistas, para a realização das mesmas, que é uma das etapas da História Oral, utilizamos o procedimento indutivo com a observação das aulas da disciplina Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental, nos turnos manhã e noite, durante o segundo semestre letivo de 2004. Colocamo-nos como observador participante 9 da disciplina, procurando nos aproximar dos possíveis colaboradores que, até então, não conhecíamos. Paralelamente, no decorrer das aulas, entendemos como os conteúdos geográficos estavam sendo apresentados e desenvolvidos na formação 9 Co nf or m e Lu dk e; A nd r é ( 1 9 86 , p . 2 9) : “ o o b s er va d or c om o p ar t ic i pa n te é um pap e l em qu e a i de n ti d ad e do p es qu is a dor e os obj et i v os d o es t ud o s ão r e v e l ad os a o gr u p o d es de o i níc i o. Nes s a p os iç ão , o p es qu is a dor p od e t er ac e s s o a um a g am a v ar ia d a de i nf or m aç õ es , at é m es m o c o nf i d enc i a is , p ed i n do c o o p er aç ã o ao gr u po . Co nt u do , ter á em ger a l q u e ac e i tar o c o ntr o le d o g r u p o s o br e o qu e s er á o u n ão tor n ad o p ú bl ic o p e la p es q u is a” . inicial do pedagogo, possivelmente um futuro professor nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. No final do ano letivo de 2004, aplicamos o questionário (Cf. ANEXO 2), para os alunos que cursaram a disciplina; no turno da manhã, as aulas terminaram na data prevista, no início de dezembro; porém, devido à greve que ocorreu no início do segundo semestre de 2004, as aulas do noturno estenderam-se até janeiro de 2005. Ante a greve, movimento legítimo de luta da classe trabalhadora por seus direitos trabalhistas, cerca de 30% dos alunos não responderam o questionário, por isso procuramo-los no início do primeiro semestre letivo de 2005, a fim de apreender um universo maior de informações. O questionário teve por objetivo conhecer os alunos e a contribuição da disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental, dos 75 alunos que cursaram a disciplina em 2004. Posteriormente, selecionaríamos o grupo de colaboradores, usando como critério a experiência na área da educação em qualquer nível de ensino. Mas um fato inusitado nos chamou a atenção: ao analisarmos os dados dos questionários, diagnosticamos que seis alunas já atuavam como professoras nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Esse grupo, alunas-professoras em processo de formação inicial e atuando nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, chamou nossa atenção. Definimos que, nesse grupo, estariam nossas possíveis colaboradoras, por meio da metodologia da História Oral Temática, tendo como eixo norteador as experiências com a Geografia escolar e a maneira como a ensinam nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Dessa maneira, compartilhamos com Fonseca (1997, p. 35), o mesmo pensamento acerca da trajetória docente, pois [.. .] o r eg is tr o das v i d as d os pr of es s or es d e s uas m an e ir as d e s er e e ns i n ar s it ua - s e n es t e c am po m ov e d iç o em que s e c r u zam os m od os d e s er d o i nd i v íd u o e o m undo s oc ia l , as i ns t it u iç ões e os d if er en t es at or es , gr u p os e c o nf l it os s oc i a is qu e f a zem p ar te d e s u as tr aj et ór i as . Considerando que, dos 75 alunos em processo de formação inicial, apenas seis atuam como professoras nos primeiros anos do Ensino Fundamental, fez-se necessário apresentar as colaboradoras, para que pudéssemos identificar e compreender os traços singulares e coletivos do grupo que aceitou o desafio de refletir sobre as trajetórias da Geografia escolar em seu processo de formação educacional. Como afirmado anteriormente, todas são mulheres, casadas, somente uma, Gonzaga, com 48 anos de idade, é viúva; após a morte de seu marido, voltou a estudar, após ficar 18 anos longe da escola, e a trabalhar, optou pela educação, primeiro trabalhou em creches e ONGs, e há dois anos, após ser aprovada em concurso público municipal, atua nas Séries Iniciais. Ferreira, com 47 anos de idade, há 28 anos, é professora; iniciou sua carreira no estado de São Paulo, onde foi professora efetiva da Rede Estadual (17 anos) e também fez curso de Tecnologia da Construção Civil, como relata, por falta de opção de cursos ligados à educação, nunca atuou na área. Sua mudança para o município de Uberlândia acarretou-lhe o desemprego, pois o mercado exigia pessoas habilitadas em nível superior na área educacional, fez dois cursos de pós-graduação lato-sensu ligados à área educacional, trabalhou como secretária escolar e, há dois anos, foi aprovada em concurso público municipal e voltou para a sala de aula. Oliveira, com 45 anos, atua na área da educação há 17 anos, primeiro fez curso técnico em Contabilidade, não se identificou com a profissão e depois de 10 anos, voltou para a escola e fez o Curso Técnico de Magistério; Salles, com 51 anos, há 29 anos atua na docência; ambas são professoras da rede estadual de ensino. Cunha, 37 anos, começou sua carreira em São Paulo, onde cursou por três anos o Curso de Psicologia e trabalhou algum tempo na área da educação, depois migrou para a área administrativa e, com o nascimento dos filhos, optou por cuidar dos mesmos, mudou para Uberlândia e, há três anos, trabalha como professora efetiva da rede municipal. Todas fizeram o curso de Magistério (curso técnico de nível médio), que habilita para atuar nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Todas são mãe, exceto Gonçalves, que, com 26 anos, trabalha há três anos em uma escola particular (do maternal ao Ensino Médio) como bibliotecária e professora eventual (substitui os professores quando faltam); no Ensino Médio fez Colegial, optou pela docência por influência da mãe, também professora das Séries Iniciais. Pierre Bourdieu, no livro Escritos de Educação, entende que, o ocorrido com Gonçalves, é reflexo da permanência das relações sociais, e que as pesquisas deveriam dar mais atenção a esse fato, considera que, T odas as p es q u is as de m ob il i d ad e, t o das as c om par aç õ es h is t ór ic as c o ns i der am c om o f or a d e qu es t ão o q u e d e ver i a c ons t it u ir o obj et o c en tr al d a i nt er r o ga ç ão , o u s ej a, a per m a nê nc ia da r el aç ão e n tr e as pa l a vr as e as c o is as , e ntr e os d i p lom as e os c a r gos , e n tr e o n om in a l e o r e a l: q ua l s en t id o h a v er á em id en t if ic ar o pr of es s or pr im ár i o d e 18 8 0 c om o pr of es s or pr im ár i o d e 1 9 30 e c om o p r of es s or pr im ár io de 19 7 4? O f i lh o d e um pr of es s or pr im ár i o s er á r e alm en t e pr of es s or pr im ár io ? [. . .] Is s o q u er d i zer q u e , s e a id e nt i da d e nom i na l po d e e nc ob r ir a d if er e nç a r e a l, c er t as dif er e nç as nom i na is p o dem s er v ir p ar a m an ter id e nt i da d es r e ais [ .. .] . ( BO UR DI E U, 1 9 98 , p . 12 9) . Portanto, após definirmos o grupo, elaboramos a estrutura da entrevista (Cf. APÊNDICE B), procurando evitar perguntas diretivas, complexas e de duplo sentido (THOMPSON, 1998) e, para validar o roteiro indicativo elaborado (LANG, 2001), realizamos um pré-teste com a colaboração de uma pedagoga, formada na UFU, e professora da 3ª série do Ensino Uberlândia. No procuramos ir encontradas Fundamental entanto, além nas do falas da durante roteiro das rede a e privada do realização das enveredamos entrevistadas, município que de entrevistas, pelas fissuras colaboraram sobremaneira para a (re)construção das experiências com a Geografia dos indivíduos. Tal metodologia mostrou-nos um caminho diversificado e rico, para analisar a trajetória geográfica das alunas-professoras. Entramos em contato com as alunas-professoras; o local comum a todas era a Universidade Federal de Uberlândia, onde, então, agendamos as entrevistas. As mesmas foram realizadas no mês de junho de 2005, em locais e horários definidos pelas colaboradoras. A maioria das entrevistas, em um total de quatro, foi realizada em escolas da rede municipal de Uberlândia, local onde as alunas realizavam os estágios de conclusão do curso; uma outra foi realizada na residência da colaboradora e somente uma, na própria instituição de ensino, em um espaço improvisado. As entrevistas duraram cerca de uma hora e meia, desde as conversas informais até as despedidas e agradecimentos pela colaboração. Percebe-se que a falta de tempo foi um dos agravantes para a realização das entrevistas: tivemos que “criar” tempo e espaço, pois as colaboradoras têm o dia todo ocupado pelo trabalho e responsabilidades com a família. Entretanto, tais fatores não interferiram na qualidade das informações disponibilizadas pelas mesmas, que consideram importante o trabalho de recuperar a história passada e presente. Uma afirma que “[...] tudo está interligado ... sem o passado não tem como [...]” (GONZAGA, 2005), e a outra revela que é importante conhecer: [.. .] a H is tór i a d e le [ d o pr of es s or ] n a es c o l a ... no âm b it o da f or m aç ão . .. q uem é e s s e pr of es s or d e hoj e ... qu e a lu n o e l e f oi . .. m as v er t am bé m c om o f oi a v i d a d e l e n o am bi e nt e d a s ua f am íl i a [. .. ] em qu e tem p o f oi a l u na . .. o qu e er a p er m it id o s oc ia lm en te f a l ar .. . ou de ix ar d e f a l ar .. . é po r q u e atr ás des s e pr of es s or tem u m s er hum ano .. . t em um a v i da ... um a f am íli a .. . um a h is t ó r i a .. . um s of r im ent o [... ] ( O L I V EI R A, 2005). Após a realização das entrevistas, iniciamos a transcrição das falas na íntegra. Posteriormente, o texto foi trabalhado “tirando os andaimes” e a narrativa foi adequada à norma culta da Língua Portuguesa, tomando-se os devidos cuidados para que o sentido original não fosse alterado, pois “[...] não são as palavras que interessam e sim o que elas contêm [...]” (BOM MEIHY, 2000, p. 89). Foi feita a textualização, suprimindo-se as perguntas realizadas pelo pesquisador; dessa forma, privilegiou-se a narrativa do colaborador. Por último, o texto foi submetido à aprovação das colaboradoras. Pois, de acordo com W hitaker et al. (2002, p. 120): [.. .] o r ig or d os da d os c i en tíf ic os nã o d e v e s er es q uec i do e os da d os de um a e n tr e v i s ta s ã o os d a d os d e um pes q uis a do r . E les p od em s er p os t o s à d is pos iç ã o d e o ut r os p es qu is a dor es i nt er es s a d os n a m es m a tem át ic a . D aí a i m por tâ nc i a n o r i go r na pr o d uç ã o d o d ad o . Para tanto, definimos normas para a transcrição e utilização do material, organizadas no QUADRO 2, procurando preservar o conteúdo do discurso do colaborador; não utilizamos a vírgula ou outras sinalizações, pois acreditamos que a utilização inadequada desses sinais de pontuação pode modificar o sentido da narrativa (FERNANDES, 2001; W HITAKER et al., 2002). As transcrições das narrativas foram realizadas pela própria pesquisadora, que procurou não espaçar muito o tempo entre a realização das entrevistas e a transcrição, por considerar que, conforme demonstra a metodologia da História Oral, vários fatores interferem na análise das informações: os gestos, o semblante, a alteração da voz, dentre outros fatores – sendo necessário certo exercício da memória do entrevistador durante a transcrição. A transcrição das narrativas deve procurar compreender a subjetividade, diagnosticar se o colaborador foi omisso ou seletivo. Tal tarefa é de responsabilidade do entrevistador, que deve reconstruir o ambiente, pois “[...] ao ler, ao escutar e ao olhar, estamos constantemente obrigados a envolver nossa pessoa e nossa cultura, anulamos o silêncio, somos levados a nos perder [...]” (LARROSA, 2001, p.48). O CO R R ÊN CI A SI N AI S E X EM PLO Ex pr es s õ es c ar ac t er ís tic as it á l ic o c i da d in h a Ex pr es s õ es c o lo q u ia is né né P aus as n o d is c ur s o ... G e ogr af i a .. . e u n ão le m br o. S upr es s ão de p ar te do d is c ur s o, f e it as p e l o pes q u is a d or [.. .] [.. .] e la da v a as s im [.. .] m ais er a qu as e q u e um a pr át i c a em s al a d e au l a Ris os ( r is os ) Aí c as e i ( r is os ) aq u el a v e l ha his t ór ia G es t os s i g n if ic at i v os e i nt er r upç ã o ( c he g o u o f il h o) ... t êm 26 a l u nos , m as , ( c h e go u o f il h o) a m éd i a é 3 0. In ter f er ê nc i a do pes q u is ad or na in t er pr e taç ã o d a na r r at i v a [2 0 04 ] Es s e an o [2 0 04 ] at é qu e f u nc i on o u um po uc o .. . QUADRO 2 - Normas utilizadas para a transcrição das entrevistas. FO NT E : F E RN A ND E S , 2 0 01 ; W HIT AK E R, 2 0 02 . O RG .: N O V A E S , Í. F. de , 2 00 5 . Todas íntegra as colaboradoras informações 10, das mas disponibilizaram nem todas a utilização concordaram com na a divulgação de seus nomes. Definimos, então, que a identificação seria feita pelo sobrenome das mesmas. Ao analisarmos tal fato, retomamos as idéias de Thompson (1998, p. 22), pois acreditamos que a metodologia da História Oral: [.. .] nã o é nec es s ar ia m ente um ins tr um ent o de m uda nç a [. .. ] po d e c er t am ent e s e r um m eio de tr a n s f or m ar ta nt o o c on t eú d o q ua nt o à f i na l i da d e d a h is t ór i a [ ... ] [r e v el a ] n o vos c am pos d e i n ves t ig aç ão ; p o d e d er r ub ar ba r r e ir as q ue ex is t am en tr e pr of es s or es e a l un os , en tr e ger aç ões , e ntr e i ns t i tu iç õ es ed uc ac io n ais e o m un do ex t er ior [ .. .] . Ao terminarmos as transcrições das entrevistas e a organização dos textos, iniciamos a análise da coletânea de narrativas que nos proporcionou um arcabouço empírico referente à trajetória da Geografia escolar na vida das alunas-professoras atuantes nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Concordamos com Tardif (2002, p. 30), quando afirma que: “[...] para compreender a natureza do ensino, é 10 Cf . m od e lo de c ar t a d e c es s ão em a n ex o A. absolutamente necessário levar em conta a subjetividade dos atores em atividade [...] os professores [...]”. As narrativas contribuíram sobre maneira para desenvolvimento de nossas reflexões acerca do tema pesquisado. Para podermos contextualizar as pesquisas desenvolvidas sobre o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, produzidas de 1982-2003, e compreender o sentido das narrativas, torna-se necessário analisar a trajetória da Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental no Brasil, do período colonial à (re)democratização, interferiram e posto interferem que na leis, decretos organização e dessa regulamentos disciplina nas instituições de ensino e, conseqüentemente, na formação dos alunos e na prática docente. Tal perspectiva foi questionada por Cunha (2005), uma das colaboradoras da pesquisa, que solicitou que a disciplina de metodologia de ensino, do 4º ano do Curso de Pedagogia, deveria “[...] fazer um levantamento como era a disciplina antigamente [...]”. Portanto, durante todo o trabalho a narrativa das alunas-professoras estará presente, evidenciando as transformações que a Geografia sofreu na educação elementar, educacional das mesmas. imprimindo marcas na trajetória CAPÍTULO 2 AS TRAJETÓRIAS DA GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL: retrocessos e avanços Nã o s e tr at a d e ne g ar a im por t ânc i a d o c on h ec im ent o, nem a e v i dê nc i a de qu e e le s e ac um ul e, m ui to m enos d e d es c ar t ál o. M as tr at a- s e de c onf er i r - lh e s en t id o , v i da e , d is s o, s ó o s uj e it o é c a pa z. P or q u e s e nd o c ap a z d e r ef l ex ã o, é do t ad o tam bém da p os s i bi l i d ad e d e q u es t i on ar a l óg ic a d a id e nt i da d e e d e lu ta r c o ntr a o es t a be l ec id o, o i ns t it u c i on a l i za d o [. .. ]. V ân i a V l ac h A fragmentação da ciência moderna imprimiu, nas diversas áreas do conhecimento, características singulares tornando as ciências únicas, com conhecimento objeto e científico método foi definidos sendo a construído partir e dos quais reconhecido o pela humanidade. Russel 11 (2001) afirma que os vários campos da ciência começaram com a exploração filosófica e, quando uma ciência se consolida, prossegue mais ou menos independente, exceto no que diz respeito a problemas de limites e questões de método, como é o caso da ciência geográfica, delineada desde os primórdios da sistematização do pensamento ocidental e, ao longo do tempo vem construindo seu campo conceitual, que influi diretamente na educação escolarizada. 11 Par a c om pr ee n der m el hor es s as r e l aç ões , v ej a- s e V l ac h ( 1 98 8) e Rus s e l ( 2 00 1) . De um modo geral, o sistema educacional é organizado e definido segundo critérios de valores impostos pela classe dominante, conforme o que quer para a sociedade. Com a Geografia não foi diferente; seu saber foi construído e consolidado em um ambiente propício, colaborando diretamente com a organização do Estado-nação, principalmente com a institucionalização da escola primária. Em vista da indispensabilidade de formar professores para ensinar essa nova ciência na educação fundamental, a Geografia foi aceita na universidade (CAPEL, 1983). Nesse contexto, como afirma Vlach (1991), a Geografia surge como um discurso político-educacional na medida em que a sua presença no meio escolar contribuiu para inculcar nos “nascidos” a ideologia do nacionalismo patriótico, importante para a constituição dos Estados-nação, em particular o alemão, berço da Geografia Moderna. Diante destas proposições, procura-se compreender a evolução do sistema educacional brasileiro e da Geografia escolar. Em especial, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, tendo em vista ser este o tema central de nossa pesquisa, pois os mesmos sofreram a influência de geográficas leis que e decretos, imprimiram e uma de concepções nova roupagem educacionais na e educação geográfica nesse nível de ensino. E, ao delinearmos a História da Educação no Brasil, perceberemos que o que hoje é denominado por Séries Iniciais do Ensino Fundamental, termo que iremos adotar no trabalho, assumiu diferentes denominações e configurações. No Período Colonial, a escola de ler e escrever; no Período Imperial, a escola de primeiras letras; na Primeira e na Segunda Repúblicas, a escola primária, no período da Ditadura Militar, a denominação de 1ª a 4ª séries do 1º grau e, na atualidade, Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Assim, o ensino de Geografia, também sob diferentes contextos e atividades, reflete a corrente teórica e metodológica predominante em cada momento. Buscando conhecer a trajetória do ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, no Brasil, fizemos algumas reflexões sobre o tema, perpassando diferentes tempos históricos, iniciando com a gestação da educação no período colonial 12 e culminando com a (re) democratização do país (a partir de 1985). É sabido que foi a partir de 1930 que houve uma efetiva organização do sistema educacional no nosso país, mas consideramos de extrema importância refletir sobre a gestação da educação elementar desde o período colonial, pois ocorreram fatos importantes para a Geografia nesse nível conhecer a de ensino. trajetória do Portanto, é ensino nas de fundamental Séries Iniciais importância do Ensino Fundamental, em diferentes tempos históricos; a nosso ver, esses momentos marcaram profundamente a organização política e educacional do país, com características que se refletiram diretamente na Geografia escolar, como confirmaremos por meio das narrativas das alunas-professoras. 12 De ac or d o c om o l e va n tam en t o, nã o h á tr a b a lh os ac a d êm ic o s a r es p e it o do ens i n o de G eo gr af i a n as S ér ies I n ic ia is , q ue c o ns id er em o P er í o do C o lo n ia l . 2.1 – Os primeiros passos da Geografia escolar no Brasil: em direção ao século XX Com a colonização do Brasil, foi inevitável a alteração nas relações sociais, culturais, econômicas e políticas que, com o passar dos anos, se materializaram, principalmente na educação. No Brasil colônia, não havia a regulamentação das instituições escolares. A educação jesuítica, que durou de 1549 a 1759, em um primeiro momento, priorizou a educação cristã e, posteriormente, uma educação destinada aos filhos dos colonos. Planejada pelo Padre Manoel da Nóbrega, a educação colonial organizava-se em duas linhas: “a escola de ler e escrever”, considerada a escola primária, e “a profissionalizante”, que atendia à população indígena alfabetizada e aos filhos dos colonizadores. Por volta de 1570, após a morte do Padre Manoel da Nóbrega, inicia-se a segunda fase da educação jesuítica no Brasil, que se estende até 1759. A educação passa por profundas mudanças: foram criadas escolas propedêuticas, como o curso elementar (escola de ler, escrever, contar e doutrina católica), considerado o ensino primário da época, o curso de humanidades (secundário), o curso de artes (ciências naturais ou filosofia) e o curso de teologia (superior), localizado nos centros urbanos, que tinha por objetivo atender à elite, formando quadros que iriam atuar na organização política e cultural da colônia (ZOTTI, 2004). Conforme Colesanti (1984, p. 7), [.. .] os i nd í ge n as n ã o c on t in u a vam os es t u dos e ap r e n di am ap e nas a l er e a e s c r e ve r , e n qu a nt o q ue os f il h os d os c o lo n i za d or es c o nt i nu a vam os s eus es t ud os in gr es s a n do , [. .. ] no c ur s o c h am ad o d e Hum an i d ad es . Ao refletirmos sobre a organização curricular elaborada pelos jesuítas, percebemos que as tradições escolástica e literária prevalecem, detectando-se o desinteresse pelas atividades artísticas e técnicas, bem como o altruísmo com relação às ciências. Sobre estes fatos, concluímos que o ensino de Geografia no Brasil, nesse período, era inexistente. Os textos literários, utilizados nas aulas, retratavam fatos históricos e heróicos com o objetivo de dogmatizar os alunos. Não eram importantes à leitura filosófica e a investigação fatual do mundo (ROMANELLI, 1997; VLACH, 1988). No século XVIII, para recuperar a economia portuguesa, D. José I inicia um conjunto de mudanças em Portugal e na colônia, dentre elas as mudanças na educação, com o objetivo de tornar a escola útil ao Estado, deixando a religião de ser o eixo norteador do sistema educacional. Para efetivar tal projeto, o Marquês de Pombal, baseado nas idéias iluministas, propôs mudanças para modernizar o ensino, com a introdução dos estudos da natureza, a obrigação do ensino da língua metropolitana e a institucionalização da formação profissional. Tais mudanças não foram plenamente efetivadas na colônia portuguesa. Somente em 1772, 13 anos após os jesuítas terem deixado de comandar a educação da colônia portuguesa, instituem-se as aulas de primeiras letras, gramática, latim e grego na capital da colônia, bem como nas principais cidades da capitania, mas com forte influência jesuíta, pois os professores que ministravam essas aulas receberam formação dos padres, prosseguindo a ação pedagógica da igreja, que continuou voltada para a literatura e para a religião (ROMANELLI, 1997). No Brasil Império (1822-1889), a organização escolar não apresentou muitas modificações. A Constituição Imperial, de 1824, garantiu a gratuidade, mas não a obrigatoriedade do ensino nas escolas de primeiras letras, configurando o descaso pela educação do povo. Esse nível de ensino era tratado como responsabilidade da família e feito por meio de preceptores encarregados da instrução das crianças, não diferindo muito do Período Colonial. A escola de primeiras letras priorizava a leitura e a escrita, as práticas matemáticas e a doutrina católica religiosa. Apesar dessas limitações, a Geografia se fazia presente: pressupõe-se que os saberes geográficos eram indiretamente estudados por intermédio de textos que compunham os livros selecionados pelos professores, destinados aos estudos dos alunos; no momento em que apresentavam dados geográficos, estes eram descontextualizados, sem relação com o meio. Apesar desses fatos, Vlach (2004, p. 189) nos revela que [.. .] o ens i n o d e G e ogr af i a n ão i nt e gr a v a d ir et am en te os c on t eú d os da s es c o l a s de pr im eir as le tr as . Is s o n ã o im pe d iu , por ém , q u e s e f i ze s s e pr es e nt e d e m an e ir a i nd ir et a n es s as es c o l as . Su a pr es enç a oc or r ia p or m ei o da h is t ór i a d o Br as il e da lí ng u a n ac i o n al , c uj os t ex t os e nf at i za v am a des c r iç ã o do ter r i tór i o, s ua dim ens ã o, s u as b e le za s n at ur a is . Em 1827, foi editada a primeira lei de instrução elementar, fundando as escolas de primeiras letras, tal lei perdurou até 1946, data da promulgação da Lei Orgânica do Ensino Primário, que trataremos adiante. A falta de recursos impossibilitou criar uma rede organizada de escolas. Dessa forma, a educação elementar e o ensino de Geografia ficaram relegados, e o ensino secundário foi assumido pela iniciativa privada, pois era de interesse das famílias economicamente favorecidas; a Geografia compunha o currículo nesse nível de ensino enquanto disciplina obrigatória nos exames de vestibular (ROMANELLI, 1997). No século XIX, a preocupação educacional do Imperador D. João VI continuava com os cursos superiores, como Medicina, Engenharia, Direito, Artes que formava contingentes para atender à necessidade do poder central e da classe agro-exportadora, os demais níveis de ensino foram relegados, especial o ensino elementar. Nesse contexto, Romanelli (1997, p. 40) confirma que o ensino elementar: [.. .] f o i r e l eg a d o ao ab a nd o no , c om pou q uís s im as es c o l as , s obr e v i v en d o à c us ta do s ac r if íc i o d e a lg u n s m es tr es - es c o l a, qu e , d es t i tu íd os de h ab i l it aç ão p ar a o ex er c íc i o de qu a l qu er pr of is s ã o r e n dos a , s e v i am na c o nt i n gê nc i a de ens i na r . Em 1837, foi fundado, no município da Corte, no antigo Seminário de São Joaquim, o Colégio Pedro II, com o objetivo de ser referência curricular para os estabelecimentos de ensino secundário público e privado. A Geografia, nesse nível de ensino, aparecia para inovar o currículo oficial, rompendo com o ensino retórico e literário, e com o objetivo de aprimorar os conhecimentos da futura elite dirigente. Infelizmente, esta institucionalização se deu de maneira acrítica, diferente do papel revolucionário que teve na Europa, e limitada ao nível secundário, pois fazia parte dos exames de seleção para o curso superior, menos para o curso de medicina, justificando seu aparecimento nesse nível de ensino (VLACH, 2004; ZOTTI, 2004). Porém, no início do século XX, o Colégio Pedro II foi palco de importantes discussões relacionadas ao ensino de Geografia nas séries primárias com os educadores Delgado de Carvalho e Everardo Backeuser, que discutiremos em seguida. A Geografia fazia-se presente nas discussões científicas da época e, em 1838, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que tinha entre os vários objetivos proporcionar o conhecimento da História e da Geografia por meio do ensino público. Porém, 13 anos após sua fundação, tal objetivo foi abolido de seu estatuto, reforçando o que dissemos anteriormente: a política imperial priorizava o ensino superior e a educação do povo continuava sem investimentos (VLACH, 1988). Em 1854, sob o decreto n.1.331-A, divide-se a formação nas escolas de primeiras letras em elementar e superior. Por meio do artigo 47, o currículo de formação primária elementar compreenderia o ensino de aritmética prática, leitura explicada dos evangelhos e notícias da História Sagrada, os princípios de ciências físicas e de história natural, aplicáveis ao uso da vida. O currículo de formação primária superior incluiria os elementos da História e Geografia, principalmente do Brasil. No entanto, essa lei cumpriu-se apenas parcialmente; o ensino primário superior, em que pela primeira vez incluiu a Geografia em seu currículo oficial, não chegou a ser implementado, e a escola elementar sofreu uma implantação limitada. Ao considerar esses fatores, Zotti (2004, p.43) afirma que: O Im pér i o r el e go u o e ns in o pr im ár io ao des c as o c om pl et o [ e a G e ogr af i a nes s e ní v e l de e ns in o t am bém ], f ic an d o as p ouc as te nt a ti v as de a pe r f e i ç oam en t o r e d u zi d as a le is qu e nu nc a f or am c um pr id as . O c ur r íc u l o a p l ic a d o, no s e nt i do d o pr es c r i t o p ar a s er e ns in a do , nu nc a pas s ou d e au l as d e l ei t ur a , es c r it a e c á lc u l o. De f at o, a e li t e n u n c a t e v e in ter es s e por es s e n í ve l de e ns i no , e o p o v o [ .. .] or a , par a qu e ed uc ar o po v o .. . No Brasil, a escola de primeiras letras, e o ensino de Geografia foram desvalorizados; o direito à educação era prioridade da população economicamente favorecida, e o ensino dos saberes geográficos relegados a poucos momentos de estudos mnemônicos a essa parcela da população. Ao contrário de alguns países europeus, a exemplo da Prússia, atual Alemanha, e, mais tardiamente, da França, local onde essa disciplina nas Séries Primárias possibilitou a construção e a consolidação do Estado-nação (CAPEL, 1983). Acreditamos que, no Brasil Império, se a educação tivesse sido popularizada e o currículo contemplado discussões de ordem política, poderia ter colaborado para modificar a situação social instaurada, que levou (e leva) à exploração e à depreciação da condição humana das classes menos favorecidas. O povo não participou do processo de independência política do Brasil. O povo foi usado para atender aos interesses da corte e da elite política; o que agravou consideravelmente sua manipulação foi a marginalização educacional, a ausência da escola de primeiras letras (VLACH, 1988). No decorrer do século XIX, a nova realidade econômica e política mundial configurou a necessidade de modernização das relações sociais; o rompimento com a escravidão levou à promulgação da Primeira República do Brasil, atendendo aos interesses da elite. As mudanças nas relações econômicas e políticas mundiais, provocadas principalmente pelo desenvolvimento industrial e urbano, solicitaram um “novo homem”, para viver em sociedade, e para formar esse “novo homem”; o conteúdo curricular e o método da escola primária precisavam ser revistos. Ocorreram constantes debates e análises no início do século XIX. No Brasil, não foi diferente, acreditava-se que a educação escolarizada colaboraria para as mudanças sociais, a modernização e o progresso. Portanto, a substituição da escola jesuítica, de ler e escrever, por uma escola primária moderna, laica e de cunho científico, fazia-se necessária, embora Mes m o o c o n hec im en t o c i e nt íf ic o, c uj o pr oc es s o d e es p ec i al i za ç ão r es u l to u n as d is c ip l i nas es p ec íf ic as [ a G e ogr af i a s e f a zi a pr es e nt e] , f oi inc or p or a d o n a es c o l a pr im ár i a c om c ar ac t e r ís t ic as m ui to p ec u l i ar es , is t o é, em f or m a de r ud im en tos ou noç õ es v inc u la d as f or t em en te à m etod o l og i a d e ens i n o ( S O UZ A , 2 00 0 , p. 1 5) . No Brasil, Rui Barbosa defendia uma escola primária obrigatória e laica, propondo uma nova realidade educacional no país, por meio de um ensino renovado, embora enciclopédico e, dentre as disciplinas, incluía a Geografia. Tal proposta substituía a escola de primeiras letras (VLACH, 1988; SOUZA, 2000). Na obra A Pedagogia de Rui Barbosa (2001, p. 150), organizada a partir dos fragmentos de seus discursos, Rui Barbosa defendia o ensino de Geografia na escola primária. Afirmando que: Pr at ic ad o as s im pe l o bor d ã o da r o t in a , o en s i no d a g eo gr af i a é in út i l , em br ut ec e d or . N u lo c om o m eio d e c u lt ur a, i nc a p a z m esm o de a tu ar d ur ad o ur am ent e na m e m ór ia [d ef e n di a o m étod o in t ui t i v o, a apr e nd i za g em f a z- s e p or m ei o dos s en t id os e d a o bs e r v aç ã o ], n ã o f a z s e n ão o pr im ir , c a ns ar e es t u pi d if ic ar a inf â nc i a, em ve z d e es c l ar ec ê- la , e e d uc á- l a. É bom lembrar que, ainda no século XIX, a educação moral e cívica, em substituição ao ensino religioso, foi incluída indiretamente no programa como um elemento que envolvia todas os conteúdos das escolas primárias modernas, com o objetivo de desenvolver e cultivar sentimentos e hábitos morais que levassem à aceitação da realidade social imposta, do não questionamento e da docilidade do homem “cidadão”. A educação cívica era uma das vertentes da educação moral, intrinsecamente ligada à Geografia e à História, objetivando desenvolver o patriotismo e os valores morais julgados necessários (SOUZA, 2000). Nesse contexto, a Geografia escolar, apesar de não ter sido amplamente divulgada entre o povo, exercia um papel na construção do Estado-nação brasileiro, atendendo os objetivos da elite dominante. Em 1891, foi aprovada a segunda Constituição brasileira, institucionalizando o sistema federativo de governo. O ensino foi descentralizado, como em 1834 no Período Imperial, e a educação primária, para o povo, tornou-se gratuita e de responsabilidade dos Estados. Mas, como afirma Zotti (2004), não se conseguiu estabelecer um sistema nacional de ensino, pois a obrigatoriedade de organizar, manter e legislar esse nível de ensino, foi revogada. Convém observar que, apesar do descaso com a educação do povo, leis, reformas e decretos relacionados a esse nível de ensino continuaram a ser editados, a exemplo do Decreto n. 1.294, de 17 de janeiro de 1891, no qual o General Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, criou, no Instituto Nacional dos Cegos, as seguintes cadeiras: 1 - A d e g e ogr a ph i a un i v er s a l e es p ec i alm en t e d o Br a zi l e c hor o gr ap h ia d o B r a z i l, s ep ar a nd o- a d a c a de ir a d e h is t ór ia , qu e p as s ar á a s er de h is t ór i a u ni v er s a l e es p ec i alm e nt e d o Br a zi l ;. 2 - A d o c ur s o pr im ár i o, a br a n ge n d o t o da s as m at ér ias d o ens i n o pr im ár i o, i nc l u s i v e noç õ es e lem en t a r es d e ge o gr a p h ia ger a l ( E ST A DO S U NI DO S DO B R A SI L, l e i n. 1. 2 94 / 18 9 1, Ar t. 1º e 2 º) . Apesar de prevista em lei a gratuidade e a institucionalização da Geografia no ensino primário, tal projeto não se confirmou; a lei não contemplou os meios para tornar efetiva esta proposta, e a Geografia continuou a não fazer parte diretamente do currículo real das escolas primárias. A educação primária continuava desvalorizada, em detrimento do ensino secundário e superior, restrito às elites. Em 1890, com a Reforma Benjamin Constant, o governo fundou o Ministério da Instrução, Correios e Telégrafos, que reunia preocupações distintas, evidenciando a desvalorização da educação. Uma mudança proposta pela reforma foi a divisão do ensino primário em duas categorias: a primeira chamada de 1º grau que atenderia crianças de sete a 13 anos, e a segunda categoria, o 2º grau, para alunos de 13 a 15 anos. Em consonância com o crescimento das ciências modernas, o currículo deveria ter raízes científicas, aparecendo no 1º grau a ciência geográfica. Mas tal reforma não se cumpriu, e o ensino primário continuou relegado, até 1920, ao ensino das primeiras letras, ao aprendizado da leitura, da escrita e do cálculo, conforme decreto imperial de 1827 (ROMANELLI, 1997; ZOTTI, 2004). Outras reformas educacionais ocorreram nesse período, mas em nada interferiram no ensino primário e na trajetória da Geografia escolar. Somente em 1925, durante o governo Arthur Bernardes, a Reforma Luiz Alves-Rocha Vaz, instituída pelo Decreto n. 16.782-A, de 13 de janeiro de 1925, provocou alterações no ensino primário; tentou instituir normas que regulamentassem o ensino, estabelecendo um acordo entre a União e os Estados, com o objetivo de promover a educação primária, e eliminar os exames parcelados e preparatórios, herança do Império. Apesar de todas as tentativas, não ocorreram mudanças significativas na educação do Brasil, o que, para Romanelli (1997), é fruto da história de colonização do Brasil: a classe dirigente no poder guardou a influência da Monarquia, que se estendeu pelo Império e se refletiu diretamente na organização educacional da Primeira República. No início do século XX, as mudanças nas relações econômicas, passando de uma economia agro-exportadora para uma industrialização incipiente, geraram uma sociedade de classes, com a ascensão da burguesia industrial, da classe média e do proletariado, provocando mudanças nas relações sociais e educacionais, que foi sendo rompida pela necessidade de escolarização, reivindicação da classe média e operária urbana, uma vez que, [.. .] n o c am po d as i d é ias , as c o is as c om eç ar am a m udar - s e c om m ov im ent os c u l tur a is e p e da g óg ic o s em f avor d e r ef or m as m ais pr of u n d as ; de o utr o, n o c am p o d as as p ir aç õ es s oc ia is , as m uda nç as vi er am c om o aum ent o d a d em an da es c o l ar im pu ls i on a d a pe l o r i tm o m ais ac e le r ad o d o pr oc es s o de ur b an i za ç ão o c as io n ad o p el o i m puls o da d o à i nd us tr i a l i zaç ã o ap ós a I G uer r a e ac en t ua d o de p o is d e 1 93 0 ( RO MA N E LL I, 1 9 97 , p . 45) . O sistema educacional brasileiro, que, desde o Brasil colônia, priorizou a educação elitizada, preocupando-se com o ensino secundário e superior, passou a sofrer pressões da classe média e operária, que reivindicavam uma educação voltada para o povo; a educação primária que, como em muitos países, era vista como o nível de ensino responsável pela construção e consolidação do Estadonação. Nesse momento, a educação primária tornou-se preocupação da sociedade. culturais Todas essas reivindicações, e políticos da época, aliadas aos ref letem um novo movimentos movimento na educação, como o da Escola Nova. Movimentos progressistas, como o da Escola Nova, que tem suas bases fundadas na concepção educacional do filósofo norteamericano John Dewey, fundador do conceito de reflexividade, muito presente nas discussões de formação docente no Brasil, surgiram em momentos importantes, durante as discussões referentes à Lei Orgânica do Ensino Primário (1946) e a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (1961). Baseando-se em suas idéias, os defensores da Escola Nova, dentre os quais Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Delgado de Carvalho e Everardo Backeuser, os dois últimos representantes da Geografia Moderna no Brasil, preocupavamse em adaptar o ensino ao mundo industrial. O ensino deveria ser menos propedêutico, mais técnico e democratizado; a educação elementar deveria ser vista como um direito de todos e parte essencial de uma sociedade industrial igualitária (CARVALHO, 2004). Em suma, A e duc aç ão da p o pu l aç ã o , s eg ur am ent e , t or n o u- s e a gr an d e pr e oc u paç ã o d e to d os aq ue l es q u e l ut a v am par a c ons o l id ar o tã o am bic i on a do pr o gr es s o , atr a v és do q u a l o Br as i l c ol oc ar s e- ia a o l a do d os “ p a í s es c i v i l i za d os ” , o q ue de ix a c lar o qu e o Es t a do - n aç ão br as i l e i r o a in d a er a um a m eta a s er a t in g id a ( V L AC H, 1 9 88 , p . 13 7) . A carência da formação docente no Brasil inspira Delgado de Carvalho 13 a organizar, em 1926, o Curso Livre Superior em Geografia para professores primários, oferecendo-lhes a oportunidade de conhecerem a “orientação moderna” (CARVALHO, 1925) do ensino de Geografia, em substituição à Geografia nomenclatura e mnemônica, chamada por ele de “geografia administrativa”, que julgava ser o obstáculo para a implantação da Geografia científica no Brasil (VLACH, 1988). O curso foi relevante: não havia no Brasil, até então, nenhum curso superior relacionadas primárias. ao Tal de Geografia, ensino curso de tinha o que Geografia, por objetivo incentivou em as especial atualizar as discussões nas escolas discussões relacionadas à Geografia, “conferindo aos aprovados em exame final o diploma de laureado em geografia e Ciências Correlatas” (ZUSMAN; PEREIRA, 2000, p. 54) e, indiretamente, interferindo na organização do sistema superior de ensino, reivindicando o aparecimento da Geografia nesse nível educacional, conforme veremos adiante. Nesse contexto, percebemos um pequeno avanço do ensino primário e da Geografia, embora a educação ainda não tivesse sido defendida como um direito do povo e obrigação do Estado, o que iria acontecer nas próximas reformas. 2.2 – Um passo a frente: a escola primária e a Geografia no Brasil (1930-1964) 13 D el g ad o d e C ar v a lh o f oi um c onc e it u ad o pr of es s or br as il e ir o n as c i do na E ur o p a, e qu e r e al i zo u es t ud o s n a Éc o l e L ibr e d e S c i enc es P o li t iq u es em P ar is , v i n do p ar a o Br as i l em 1 92 0 p a r a as s um ir a c a de ir a d e in g l ês , p or c onc ur s o p ú b lic o , no Co l ég i o Pe dr o I I, tor n an d o- s e um a r ef er ê nc i a e d uc ac i o na l par a as es c o l as p ú b lic as e pr i v a d as d o p aís ; p ar t ic i po u d ir e t am ent e do M o v im ent o d a Es c o la N o va a o l ad o de An ís io T e ix e ir a . A crise das oligarquias cafeeiras, aliadas do poder estabelecido, tornou as relações políticas instáveis, e, a partir de 1930, com a instalação do governo provisório de Getúlio Vargas, iniciou-se o período político que ficou conhecido como nacional- desenvolvimentismo, marcado por grande instabilidade política, mas atendendo aos interesses de várias forças presentes na Revolução de 1930. Não podemos ignorar que O an o d e 1 93 0 f o i um di v is or d e á gu as n a h is t ór ia do pa ís . A par t ir d es s a d a ta , h o u v e ac e l er aç ã o d as m uda nç as s oc i a is e po l ít ic as , a h is tór i a c om eç ou a an d ar m a is r á p id o [ .. .] a m udanç a m ais es p e ta c u lar v er if ic ou - s e no a v anç o dos d ir e i tos s oc ia is [ d en tr e e l es o dir e it o à e d uc aç ã o] [ ... ] ( C A R V AL HO , 20 0 1, p . 8 7) . As mudanças nas relações econômicas, políticas e sociais interferiram diretamente na queda do modelo capitalista agrário- exportador, que dispensava um sistema educacional mais desenvolvido, substituído pelo modelo capitalista urbano-industrial, caracterizando a nova fase econômica que o Brasil trilhava, sendo necessária uma mãode-obra mais qualificada, de um trabalhador com mais formação e conhecimentos. Conforme Schwartzman et al. (1984, p. 51): “A partir da década de 1930, [...] os componentes ideológicos passam a ter uma presença cada vez mais forte na vida política, e a educação seria arena principal em que o combate ideológico se daria”. Em Revolução suma, de 1930 as diferentes romperam ideologias com a velha que consolidaram estrutura agrária a e consolidaram a industrial e, em meio aos debates e discussões, a política educacional fazia-se presente no contexto urbano-industrial que estava sendo instaurado. Necessitava-se, portanto, de escolarizar uma parcela maior da população. Ao considerar esses fatores, Oliveira (2002, p.34) argumenta que [.. .] a ex t ens ã o d a es c o l ar i da d e es te v e as s oc i a da ta nt o à i dé i a d e qu e a es c o l a s er ia um ins tr um e n to d e r e d uç ã o d as des i g ua l da d es s oc ia is e da m o ld a gem d a id en t id a de n ac io n a l qu a nt o à n ec es s i d a de d e inc ut ir n as no v as ger aç õ es c om por t am en tos ex ig i dos pa r a o d es em pe n ho das f u nç ões e oc u p aç õ es em er g e nt e s c om os pr oc es s os d e i nd us t r i a l i zaç ã o e ur ba n i za ç ã o. Para organizar e difundir a educação escolarizada no Brasil, em 1930, o Governo Provisório criou o Ministério da Educação e Saúde, para consolidar o novo projeto político-econômico que estava em ascensão. Todos os movimentos sociais, como o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) 14, que defendia a escola pública, culminaram no texto da Constituição de 1934, quando a assembléia constituinte votou nova Constituição, estabelecendo a obrigatoriedade e a gratuidade do ensino primário. Em 1937, apoiado pelos integralistas, iniciou-se a Ditadura do Governo Vargas, conhecida como Estado Novo, que se manteve até 1945, caracterizada como “um regime autoritário e não totalitário”. Convém observar que, apesar do retrocesso político com relação à educação primária, o decreto-lei n. 868, de 18 de novembro de 1938, funda, no Ministério da Educação e Saúde, a Comissão Nacional de Ensino Primário, evidenciando a importância da educação primária e popular para o “desenvolvimento econômico” do país, uma vez que “[...] 14 Para conhecer melhor o Movimento da Escola Nova, veja-se Romanelli (1997, p. 267, 127-130), Peres 2005 (p. 114-128), FREITAS (2005, p. 165-181). seu papel primeiro é, sem dúvida alguma, o de formar no homem a consciência da Nação [...]” (LOURENÇO FILHO, 2002, p. 37). De acordo com o artigo 2º, do referido decreto, compete à Comissão Nacional do Ensino Primário, organizar o plano de uma campanha cooperação nacional de de esforços combate do ao analfabetismo, Governo Federal com mediante os a governos estaduais e municipais e, ainda, com o aproveitamento das iniciativas de ordem particular. Otaíza Romanelli (1988, p. 59), em seu livro História da Educação no Brasil, esclarece esses f atos: [.. .] O c a p it a l is m o, no t ad am en te o c ap i t a lis m o in d us tr i a l, en g en dr a a n ec es s i da d e de f or nec er c on h ec im ent os a c am adas c a d a v e z m ais num er os as , s ej a p e l as ex i g ênc i as da pr ó pr i a pr o duç ã o, s ej a p e las nec es s i da d es do c ons um o qu e es s a pr o duç ã o ac ar r e t a. Am p l iar a ár e a s oc i a l de a tu aç ão d o s is t em a c a p it a l is t a i n dus tr ia l é c o n diç ã o de s o br e v i vê nc i a des t e. [ .. .] O nd e , p ois , s e d es en v o l vem r e la ç ões c ap i ta l is tas , nas c e a nec es s i da d e d a le i tur a e da es c r it a , c om o pr é r eq u is it o d e um a m e lh or c o nd iç ão p ar a c o nc or r ê nc ia n o m er c ad o de t r a b al h o. Além de contribuir para a inserção do Brasil na economia industrial, o ensino primário teve como papel, nesse momento histórico, combater os nacionalismos, em decorrência do grande fluxo migratório. Verificamos a preocupação com a consolidação do Estado-nação brasileiro, preocupação essa evidenciada como um dos temas de discussão na Comissão Nacional do Ensino Primário, designada a nacionalizar integralmente o ensino primário em todos os núcleos de população de origem estrangeira. Percebemos, “[...] a carga ideológica da noção de que a educação deveria ser um instrumento de construção da nacionalidade brasileira [...]” (SCHW ARTZMAN et al., 1984, p. 72), tarefa que se tornou repressiva e não pedagógica. Com a Lei Orgânica do Ensino Primário de 1946, de autoria de Gustavo Capanema, a constituição da nação continuou a ser objeto de preocupação do governo central, de acordo com o artigo 33, que rege a liberação dos estabelecimentos particulares de ensino primário. Um dos critérios para autorizar o funcionamento da escola era provar que a instituição educacional seria dirigida por um brasileiro nato. Lourenço Filho (2002), em sua obra Tendências da educação brasileira, evidencia a situação político-social que afunilava para a consolidação da nação brasileira, relatando que, em 1917, o governo federal fechou escolas particulares nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde brasileiros natos recebiam instrução contrária aos interesses nacionais. Estudar a estrutura a ser dada ao currículo primário e as diretrizes que deveriam presidir para a elaboração do ensino primário era outra missão destinada à Comissão; no entanto, o ensino de Geografia não fez parte do currículo, ao contrário do que ocorreu na Europa. Registre-se que os cursos profissionalizantes de nível primário levaram para a escola cerca de 800 mil alunos com mais de 14 anos, durante 13 anos seguidos. Tal formação não permitia aos alunos continuarem seus estudos em nível médio e superior, reforçando a diferença da educação voltada para o povo e a educação destinada à elite (ROMANELLI, 1997). Após a queda de Vargas, no governo provisório de José Linhares, o então ministro da educação, Raul Leitão Cunha, por meio do decreto-lei n.8.529, de 02 de janeiro de 1946, promulgou a Lei Orgânica do Ensino Primário e a Lei Orgânica do Ensino Normal. Até esta data, o ensino primário e a formação do professor para atuar nesse nível de ensino não eram objeto de preocupação; sua administração estava sob o poder dos Estados, sujeito a diferentes formas de legislar e implantar esses níveis de ensino. A ausência de diretrizes centrais criava uma desorganização no ensino, pois cada Estado fazia o que julgava necessário, e como demonstra Romanelli (1997, p. 160): O ens i n o pr im ár i o [ e o C ur s o No r m al] at é e nt ã o pr at ic am ent e nã o r ec e be r a q u a lq u e r at enç ã o d o G o v er n o Cen tr a l, es ta n d o os s is t em as d e e ns i n o l i ga d os à a dm in is tr aç ão d os Es ta d os e, por t an to , s uj ei t os às c on d iç ões d es t es p ar a l eg is l ar e i no v ar . Nã o h a vi a d ir etr i ze s tr aç a d as pe l o G o v er no Fe der a l p ar a es s e ní v e l d e e ns i n o e is s o e r a um a tr ad iç ã o q ue es ta v a l ig a d a à nos s a h er anç a c o l on i a l. A Lei Orgânica do Ensino Primário, conhecida como Reforma Capanema, teve como objetivo traçar diretrizes gerais para esse nível de ensino, que, de acordo com os artigos 39 e 41, deveria ser gratuito e obrigatório, evidenciando a importância da educação para o desenvolvimento econômico. Tal lei, promulgada em um momento de crise, marcada pelo fim do Estado Novo e pela volta da democracia, foi elaborada em substituição à lei de 1827, que nunca entrou em prática no Brasil inteiro. Tais fatos confirmam o desinteresse do governo com a educação do povo. De acordo com artigo 2º da Lei Orgânica do Ensino Primário, o ensino primário foi organizado em duas categorias: o primário fundamental, ministrado em dois cursos sucessivos, o elementar e o complementar, para crianças de sete a 12 anos, e o primário supletivo, destinado a adolescentes e adultos, com o objetivo de alfabetizar uma grande parcela da população brasileira que havia ficado fora das escolas. Nesse contexto, Romanelli (1997, p. 63) enuncia a concepção de alfabetização vigente na época: [.. .] at é 1 95 0 f oi c on s i der a do alf ab et i za d o , t od o a q ue l e q ue s im pl es m ent e r es po nd es s e à p er g un ta : “ Sa b e le r e es c r e v er ?” . O s c as os d u v id os os er am r es o l v id os m e di a nt e a ex ig ê nc i a de qu e a p es s o a in q u ir id a a p en a s tr aç as s e o s e u nom e. J á a pós es s a d at a s ó f or am c ons i d er ad as a lf a b et i za d as as p es s o as c a pa ze s d e l er e es c r e v er um b il he t e s im pl es [. .. ]. Como podemos verificar, a educação escolarizada limitava-se a adestrar o indivíduo a escrever o nome. A leitura do mundo, que requer um sujeito crítico, com capacidade de observar e analisar os fatos que ocorrem a sua volta, não era de interesse da classe política que planejava os investimentos sociais. Com a promulgação da Lei Orgânica do Ensino Primário, regulamentou-se a estrutura curricular desse nível de ensino, como podemos observar no QUADRO 3, quando, pela primeira vez, a Geografia passou a fazer parte do currículo oficial do ensino primário no país. Todavia, a diferença relacionada ao gênero e aos conteúdos de aprendizagem perdurou na nova lei, a exemplo do currículo das alunas, ao qual se deveria acrescentar, o ensino de economia doméstica e a puericultura. A formação profissional de nível primário foi evidenciada na nova lei. De acordo com o artigo 5º, que rege a articulação do ensino primário com outras modalidades de ensino, percebe-se a preocupação com a formação de mão-de-obra. O curso primário elementar e o curso supletivo deveriam articular-se com os cursos de artesanato e de aprendizagem industrial e agrícola, e o curso primário complementar com os cursos ginasial, industrial, agrícola e de formação de regentes para atuar no ensino elementar. Para os nossos propósitos, consideramos que a educação primária já requeria um professor com formação mais complexa e diversificada. Porém, devido à falta de investimentos na estrutura educacional do país, caracterizada pela desvalorização do ensino primário, a formação do professor para atuar no ensino primário era complementada com apenas mais um ano de estudos primários, apesar da existência da Lei Orgânica do Ensino Normal; no currículo, não apareciam disciplinas relacionadas à didática e à metodologia, professores que nessas poderiam séries. Tais colaborar fatos para a agravaram prática a dos situação educacional, que era insuficiente e não atendia às necessidades reais do povo. Lourenço Filho (2002, p. 25) evidencia mudanças quantitativas: “[...] dos 4 mil professores primários de 1871 e dos 8 mil do começo da República, passamos a ter 59 mil [professores] no ano de 1930”. As escolas normais sofreram uma lenta evolução, conjuntamente com o ensino primário; no entanto, como evidencia Romanelli (1988, p. 163): “[...] experimentaram um desenvolvimento mais acelerado durante o período republicano. Em 1949, eram elas, 540, espalhadas por todo o território nacional”. No entanto, desde o início do século XX, os Pioneiros já reivindicavam a formação do professor das séries primárias em nível superior (BRZEZINSKI, 2002). Em 1939, foi institucionalizado o Curso de Pedagogia no Brasil (confira próximo capítulo). Tal curso, na atualidade, faz parte do processo de formação do professor das Séries Iniciais, porém, naquele momento histórico, devido à carência de profissionais habilitados para atuar no ensino secundário e normal, o mesmo assumiu a função de formar bacharéis e licenciados nas diferentes áreas da educação (SILVA, C., 2003). Conforme Vlach (2004, p. 188), “[...] as inextrincáveis relações entre a escola, o ensino de Geografia e à construção do Estado-nação brasileiro se colocam [tardiamente] em evidência [...]”. Percebe-se que a educação caminhos primária brasileira pedregosos; e somente o na ensino de década Geografia de 1940 trilham foram necessariamente solidificados. Em decorrência desses fatos, surgiram a domesticação, a castração da cidadania e o sentimento de abandono que o povo brasileiro carrega, fruto do descaso com a educação básica desde a independência política o que remonta à colonização. A nosso ver, esse descaso também se reflete na política do país, colaborando para a ascensão de governantes populistas. Mesmo com todas as tribulações, em 1946 foi publicado o livro didático de Cláudio Maria Thomas, Geografia – Atlas, destinado para o primário, organizado em perguntas e respostas, intercalado por mapas que não eram citados nos textos (COLESANTI, 1984), o que evidencia a metodologia tradicional, descontextualizada e mnemônica, utilizada para o ensino de Geografia, que não colaborava para a construção dos conceitos e para a compreensão da realidade, impossibilitando o desenvolvimento pleno da cidadania (FERREIRA, 1993). CU RS O P RIM ÁR IO CU RS O P RIM ÁR IO CU RS O P RIM ÁR IO EL EM ENT AR COMPLEMENTAR SU P L ET IVO I - L e it ur a e l i ng u ag em or a l e es c r it a I - L e it ur a e l i ng u ag em or a l e es c r it a I - L e it ur a e l i ng u ag em or a l e es c r it a II – I n ic iaç ã o a m atem átic a II – Ar i tm ét ic a e ge om etr i a II – Ar i tm ét ic a e ge om etr i a III – G e ogr af i a e h is tó r i a do Br as i l III – G e ogr af i a e h is tó r i a do Br as il , e n oç ões d e ge o gr af i a ger a l e h is tó r i a da Am ér ic a III – G e ogr af i a e h is tó r i a do Br as i l IV – Co n hec im en tos g er a is ap l ic ad os à v id a s oc i a l, à ed uc aç ã o p ar a a s a úd e e ao tr a ba l h o IV – Ci ê nc ias na tur a is e h ig i en e IV – Ci ê nc ias na tur a is e h ig i en e V – D es e n h o e tr a b a lh os m anua is V – C on h ec im ent os d a s at i v i da d es ec o n ôm ic as e d a r eg i ã o V – N oç õ es d e d ir e it o us u a l ( l e g is l aç ão do tr a b al h o, obr i gaç õ es d a v i da c i vi l e m il i tar ) VI – Ca nt o or f eô n ic o VI - D es e n ho VI - D es e n ho VI II – Ca nt o or f eô n ic o IX – E duc aç ão f ís ic a Q U AD RO 3 - E st rut u ra do en s ino pr im á ri o de a co rd o com a Lei O rg âni c a do En si no P ri m ár io d e 1 94 6 . FO NT E: D ec r e t o Le i n. 8 .5 2 9, d e 02 d e j a ne ir o d e 19 4 6 - L ei O r gâ n ic a do e ns in o pr im ár i o. O RG .: N O V A E S , Í. F. , 20 0 5. Como podemos verificar, o ensino de Geografia não colaborava para o desenvolvimento da Nação brasileira e, sentindo a carência desse sentimento na população, por meio do decreto n.50.505, de 26 de abril de 1961, o então presidente Jânio Quadros consolidou as disposições relativas à educação moral e cívica nos estabelecimentos de ensino, tornando-a obrigatória em todos os graus e redes de ensino. Passou a ocorrer, nas escolas, por exemplo, a execução dos hinos Nacional, da Bandeira e outros que expressassem as “tradições”, “conquistas” e o “progresso brasileiro”, bem como a divulgação dos princípios essenciais de uma educação para o desenvolvimento nacional. A Lei Orgânica do Ensino Primário ficou em vigor até a promulgação, em 20 de dezembro de 1961, após 13 anos de intensas discussões da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), da lei n. 4024, que manteve a essência da Reforma Capanema, mas procurou unificar e descentralizar o sistema escolar. A diferença significativa, em relação à Reforma Capanema, foi a abdicação de um currículo fixo para todo o país. Passou a existir um currículo mínimo, determinado pelo Conselho Federal de Educação (CFE). Embora o currículo ficasse aberto e flexível, o que possibilitava às escolas incorporarem ao currículo disciplinas optativas, concordamos com Romanelli (1984), quando diz que foi um avanço, em se tratando de legislação, apesar de as escolas organizarem seus currículos reais a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Porém, a desvalorização da Geografia se manteve. Como afirma Zotti (2004, p. 120): [.. .] c a bi a a c a da es t a do e a o D is t r i t o Fe d er a l a d e ter m i naç ã o do c ur r íc ul o e d os pr ogr am as d as es c o las [.. .] . E ntr et a nt o, a or ie nt aç ã o e o c o n te úd o de e ns in o nã o d if er em m uit o nos v ár ios es t ad os , s en d o o e nf o q ue c e nt r a l n o ens i n o da es c r i t a, l ei t ur a e c á lc u lo , c o m a ut i l i zaç ã o d e um a m etod o lo g i a tr a d ic io n a l e v er ba l is t a. Além dos fatos citados, um outro elemento que pesou contra a LDB foi a aprovação do artigo 30, referente à obrigatoriedade do ensino primário, e que determinava que não poderia exercer função pública, nem ocupar emprego em sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, o pai de família ou responsável por criança em idade escolar, sem fazer prova de matrícula desta, em estabelecimento de ensino, ou de que lhe estava sendo ministrada educação no lar. Porém, no parágrafo único, foram previstos casos que permitiam aos pais ou responsáveis deixar a criança fora da escola, dentre eles o estado de pobreza, a insuficiência de escolas, o encerramento das matrículas e, a nosso ver, o único motivo aceitável, doença grave que impedisse a criança de freqüentar as aulas. Tais fatores reforçam a falta de compromisso político e socia l dos dirigentes com o povo. Concordamos com Romanelli (1997), no que diz respeito ao artigo 30, que isenta o poder público de cumprir e fazer cumprir a obrigatoriedade do ensino básico, tão necessário para a inserção da população no sistema geral de produção. Um país como o Brasil, cuja história é marcada por uma ausência dos direitos sociais e políticos, necessita de um projeto de escolarização que contemple toda a população. Acreditamos que a educação popular de qualidade [.. .] p os s i b i l it a [ a p o p u laç ã o] um a par t ic i p a ç ão m ais ef e ti v a nos des t in os po l ít ic os d a N aç ã o , p or q ua n to ha b i l it a o i nd i v íd u o a o ex er c íc i o de s ua c i da d a ni a , a ed uc aç ã o po p u lar [e o ens i no d e G eo gr a f ia nes s e ní v e l] o c ol o c a n um a s i tu aç ã o per a nt e o s is t em a d e p r o d uç ã o q ue o to r na n ã o s ó m ais pr o d ut i v o, m as tam bé m o c ap ac it a a um a par t ic ip aç ão m ais c onc r e ta e m ais ex te ns a n as r i qu e za s q u e c r i ou . [ .. .] p o de f unc io n ar n um es q ue m a de d es e n v o l v im en to c om o f ator de d is tr i bu iç ã o m ais e qü it a ti v a e m ais j us ta da r iq u e za c r i a da ( RO MA N E LL I, 1 9 88 , p . 18 4) . Nesse momento histórico, fica evidente, no sistema educacional, a luta ideológica entre as correntes progressistas que defendiam a democratização do ensino e a participação do Estado como provedor da educação, em detrimento das correntes conservadoras, favoráveis à educação como privilégio de classes e a não participação do Estado na organização e manutenção do ensino. Temendo a democratização do ensino, os conservadores reproduziam o discurso: “[...] a desigualdade econômica, política e social é uma condição natural (grifo da autora), que não precisa ser combatida e muito menos compensada pela distribuição eqüitativa da instrução [...]” (ROMANELLI, 1988, p. 190). Percebe-se que a falta da educação era, e é, necessária para continuar reproduzindo uma população alheia aos fatos e fenômenos que permaneciam enquanto resquícios das forças conservadoras, que seguram o desenvolvimento educacional, pois sabem que a sua melhoria pode contribuir para a organização política das classes populares. O ensino de Geografia conheceu avanços com a sua institucionalização, por meio da Lei Orgânica do Ensino Primário, mas, também retrocessos, com a pseudo-abertura dada pela LDB/61, que tornou o currículo mais flexível, mascarou a carência de professores formados para ensinar nessas séries e a exigência das crianças na escola. Apesar da (re) democratização política do país, o sistema educacional continuou anti-democrático e elitista. O crescimento dos movimentos sociais e da mobilização da população (reivindicando reformas de base), dentre elas a reforma da educação, levou a elite a organizar o Golpe de 1964. Evidentemente, [.. .] o G o l pe f o i d es en c ad e ad o p el o gr up o q ue d ef e nd i a o f im da b a nd e ir a n ac i on a lis t a e a e l im in aç ão d e to d os os obs t ác u l os a o d es en v o l vim e nt o d o c a p it a l is m o, ou s ej a, um a po l ít ic a ec o n ôm ic a v o lt ad a p ar a a i nt er n ac io n al i za ç ão d o c ap i ta l e g ar a nt i a dos i nt er es s es d os gr a n des gr up os ec o n ôm ic os ( ZO T T I, 2 00 4 , p. 1 0 1) . Os presidentes que sucederam Getúlio Vargas foram considerados, pelos inimigos, como seus herdeiros políticos, pois seguiam a vertente nacional-desenvolvimentista e as medidas de reforma de base, tais como a reforma universitária, a reforma agrária, a reforma do sistema eleitoral, entre outras, propostas pelo então presidente João Goulart, que intencionou mudar a orientação econômica do país, mas deu continuidade à política em ação. Tais reformas, se colocadas em prática, seriam um entrave ao desenvolvimento do capitalismo, provocando mudanças profundas no papel do Brasil no cenário internacional; isso feria os interesses da base de sustentação desse governo, dentre elas, os militares. Portanto, em 1964, o governo civil foi deposto pelos militares, iniciando o período de repressão político-ideológico que o país iria passar pelos próximos 21 anos. 2.3 – Um passo atrás: o ensino de 1ª a 4ª séries do 1º grau e a Geografia no Brasil (1964-1985) Em 1964, começou a ruir a democracia no Brasil, democracia essa que poderia e deveria ser descartada a partir do momento que não tivesse mais utilidade para os grandes grupos econômicos, pois o governo do país não poderia sair do controle das elites “esclarecidas” (CARVALHO, 2001). Com receio do aumento da participação popular nas discussões políticas, foi instaurada a Ditadura Militar, que restringiu os direitos políticos, civis e sociais, a exemplo da educação, que foram sendo moldados de acordo com a perspectiva tecnicista e de expansão controlada, determinada pelo governo ditatorial. Nessa perspectiva, percebe-se que a educação era vista como um entrave para a expansão das idéias ditatoriais, pois a educação pode colaborar para a leitura crítica das relações de poder existentes na sociedade, levando o povo a desmistificar as políticas sociais, que são de direito, mas que são apresentados para o povo de maneira paternalista. Nesse momento histórico, a violência tomou conta do país e os direitos sociais, políticos e econômicos, mais uma vez, foram seqüestrados da população. Paralelamente, a censura aos meios de comunicação, aos jornais e livros impedia a circulação de informações diversas, e impossibilitava a liberdade de opinião e o desenvolvimento de reflexões de diversas ordens, prevalecendo somente uma visão, a militar. Em meio a tantas ordens, o sistema educacional foi um dos segmentos fortemente prejudicados por essa atitude castradora da liberdade e da construção do conhecimento. Como podemos verificar nas palavras de Romanelli (1997, p. 199), “[...] a dependência cultural [educacional] é, a um tempo, fator instrumento de reforço da dependência política e da dependência econômica”. Para Romanelli (1997), a educação na ditadura militar, foi marcada por dois momentos. O primeiro corresponde à implantação da política de recuperação econômica do país, o que provocou um crescimento na demanda pela educação, agravando a crise do sistema educacional. Ministério da O segundo, Educação caracteriza-se (MEC) e seus pela parceria órgãos, e a feita Agency pelo for International Development (AID), que, por meio de assistência técnica e cooperação financeira, iria adequar o sistema educacional ao modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Brasil, em consonância com o modelo internacional. Modelo esse que Romanelli (1997, p.194) caracteriza como [.. .] c o nc en tr ad or de r e nd a j á q u e s e g u e o c am in h o das s oc ie d ad es per if é r ic a s qu e s e in d us tr i a li za m a par t ir d e um pr oc es s o d e m od er n i z aç ã o in tr od u zi d o pe l a m odif ic aç ã o nos pa dr õ es d e c o ns um o de um a c am ad a r es tr i ta da po p u laç ã o. Es s e pr oc es s o c o nd i c i on a a i n dus tr i al i za ç ão q ue s e f a z i nt ens i v a d e c a pi t a l e m m eio a um ex c e d en t e d e m ão- d e- o br a. Porém, tal acordo concretizou-se sob a reforma geral do ensino. A lei n. 5.540, de 28 de novembro de 1968, que alterou o ensino superior, e a lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971, que definiu o ensino de 1º e 2º graus; tais mudanças não romperam completamente com a LDB n. 4.024/61, pois o governo militar tinha por objetivo dar continuidade ao modelo econômico vigente. Evidentemente, os acordos ocorridos beneficiaram o país fornecedor em detrimento do beneficiário (ROMANELLI, 1997). Em sentido amplo, Silva, C. (2003, p. 25) relata que [.. .] a s u b or di n aç ã o d os c ur s os s u p er ior es às ex i gê nc i as d a s oc ie d ad e, na v is ã o d a d it a dur a m il it ar , t a nt o n o q ue c onc er n e à f or m aç ã o de pr of is s i o na is p ar a os s eus d if er e nt es s et or es d e tr ab a l ho , q ua n to às n ec es s i d ad e s r el ac i on a das ao des e n vo l v im en to n ac i on a l, ac e nt ua n d o e n tã o a r e l aç ão e ntr e os c ur s os s u p er ior e s e as pr of is s õ es . Daí tam b ém a i ns t it uc i on a l i zaç ã o [. .. ] dos c ur s os d e p e qu e na dur aç ão [ .. .] . Nessa perspectiva, a lei n. 5.540/68 fixou normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola de nível médio. O artigo 23 decretou que: Ar t . 2 3 - O s c ur s os pr of is s i on a is p od er ão , s eg u nd o a á r e a abr a n gi d a, apr es en t ar m odal i d ad es d if e r e nt es q ua n to ao núm er o e à d ur aç ã o, a f im de c or r es p on d er às c o nd iç õ es do m er c a do de tr a ba l h o. § 1 º S er ão or ga n i za dos c ur s os pr of is s io na is de c ur t a dur aç ã o, des t in a do s a pr o por c i o nar ha b i li t aç õ es i nt er m ed iá r i as d e gr a u s u p er i or ( LE I n . 5. 5 40 /6 8) . Tal lei, a nosso ver, foi promulgada para regulamentar as licenciaturas curtas que tinham duração de cerca de três anos (seis semestres). De acordo com Conti (1976), tais cursos já haviam sido autorizados pelo Conselho Federal de Educação (CFE) desde 1964, destinados a habilitar professores de Ciências, Letras e Estudos Sociais para atuar no ginásio (5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental), levando a perdas no ensino de Geografia. Para agravar a situação, a portaria n. 117/66, do Ministério da Educação (MEC), fixou a carga horária de 2.025 horas (cinco semestres) e definiu o currículo mínimo para a formação em Estudos Sociais. O extremo da ausência de compromisso com a educação ficou por conta do CFE que, em 1972, publicou a resolução n. 1, autorizando cursos de Estudos Sociais com duração de 1.200 horas (três semestres). Essa política educacional provocou profundas discrepâncias no ensino de Geografia no final do século XX, formando professores com uma grande carência epistemológica, teórica e metodológica, que imprimiu a desvalorização da Geografia nos currículos escolares. Como esclarece Arroyo (2000, p.23), As ar t es d e ed uc ar e o d om íni o da te or i a p e da g óg ic a s e tor n ar am des n ec es s ár ios d ia nt e de um c am po des c ar ac t er i za d o. A l e i n. 5. 6 9 2 d e 7 1 d es c ar ac ter i zo u a es c o l a e os c ur r íc u los de f or m aç ã o . As l ic enc i at ur as des f ig ur ar am s eus m es tr es . O s c ur r íc u l os gr ad e ad os e d is c i p l in ar es em po br e c er am o c on h ec im ent o, a es c o l a e os pr of es s or es . [ .. .] R ed u zim os a es c o la a e ns i no e os m es tr es a ens i n an tes [ .. .] . Conforme Conti (1976) e Fonseca (1993), o declínio da Geografia e da História nas escolas brasileiras teve início com a introdução dos Estudos Sociais 15 no currículo das escolas primárias, que procurava acompanhar o modelo pedagógico dos Estados Unidos da América. O primeiro estado a adotar tal mudança foi Minas Gerais, por volta de 1950, e na década seguinte, o estado de São Paulo. A adoção desse modelo refletiu negativamente nos saberes curriculares relativos aos conhecimentos geográficos das alunas- professoras, pois Salles, Gonzaga e Oliveira estudaram em Minas Gerais, e Ferreira em São Paulo, na época em que cursaram os primeiros anos do ensino básico, conf orme esclarece os depoimentos: [.. .] é . .. o q u e e u m e l em br o d e 1ª a 4ª . .. é qu e a g en t e t in h a qu e c o p i ar m apas e m a is m apas .. . c o l ar .. . da v a um tr a ba l ho da n ad o f a ze r a li as l in has .. . ac om pa n har a qu e l es r i s q u in h os ... e c o loc ar os n om es c er t in h os . .. e c o l or i r d a c or q u e es t a v a n o li v r o .. . t a m bém ... er a p a dr o n i za d o . .. a r eg i ã o nor t e s ó po d i a s er d e v er d e . .. d e j e it o ne n hum po d i a m udar aq u e la c or .. . ou tr a c o is a i ntr i g an t e n é .. . at é qu e a i nt enç ã o er a l em br ar m atas . .. por qu e n ã o p od i a p or outr a c o r .. . e .. . eu m e lem br o q u e M i nas G er a is t i n ha q u e s e r s em pr e d e am ar e lo . .. p or c a us a d a r i qu e za .. . er a o qu e a pr of es s or a f al a va .. . e a par te de c on t eú d os .. . t in h a q ue dec or ar . .. dec or ar . .. dec or ar .. . e m inh a m ãe t om av a i s s o t ud o s a b e .. . m e pun h a s e nt a di n ha es t ud a nd o . .. de p o i s el a m e tom a va aq u e la m at ér i a . .. er a tu d o d ec or ad o .. . r e s po n d ia n a pr o v a ta l e q u a l es t a va n o c ad er n in h o . .. l i vr o a g en t e n ã o t i nh a er a tu d o p as s ad o no q ua dr o .. . c o p i a va n o c a der n o . .. d ec or a v a em c as a e pas s a v a p ar a a p r o v a . .. nu nc a te v e n a da q ue m e m ar c ou . .. nã o t e v e apr e nd i za g em nã o ... e u s ó v im a c om pr e en d er m es m o o qu e er a G e o gr af ia . .. H is t ór i a . .. c om m aior f ac i li d ad e . .. p r a t e s er s i nc er a .. . nos c ur s in h os .. . v oc ê ac r e d it a n is s o .. . n os c ur s i nh os [. .. ] ( S A LL E S , 20 0 5) . 15 Veja-se F er r e ir a ( 20 0 0) . Das S ér ies I nic i a is [ . ..] q uas e n ão te n ho l em br anç a des s a f as e [. .. ] ( G O NZ A G A , 20 0 5) . [.. .] l o go d e in íc io c h a m ava- s e Es t u dos S oc i a is e nt ã o a g e nt e v i a qu e n ã o ti n ha m es m o es s a .. . es s a s ep ar aç ão e n tr e a His t ór i a e a G e o gr af i a e tem O S P B ... O S P B m e p ar ec e qu e na d éc a d a d e 19 7 0 . .. aí s er ia n a d éc ad a d e 1 9 71 f o i q ue f e z es s a tr a ns f or m aç ã o c om o t er m o O S P B . .. m uit o em bas ad a nos l i vr os d i d át ic os ... e u n ã o m e le m br o as s im de . .. ac es s ór i os c om o po r ex em pl o o gl o b o ter r es tr e .. . é m apeam e nt o .. . nã o m e lem br o d e tr ab a l h os c om m apas . .. en t ão é o m ap a . .. e l e s e r es tr i n gi a a tir ar a c óp i a .. . i nc l us i ve os l i vr os d id át ic os tr a zi a um l i vr o es p ec íf ic o de m ap as .. . s ep ar a do f r agm e nt ad o d o l i vr o d e G e o gr af ia e e le j á v i n ha a té c om um a f ol h in h a tr ans p ar en te c om o v ê m os c ad er nos d e des e nh o h oj e . .. a q ue l a f o l hi n h a tr a ns par e n te d e s e da c om a f in a li d ad e de s e t ir ar a c ó p ia .. . d is s o . .. do des e nh o do m ap a e pas s ar es s e r is c o par a o c a d er n o .. . en t ão . .. e r a s ó r ep r o d uç ã o do q ue e s ta v a no l i vr o d i d át ic o e o r e gis tr o n o c ad er n o n é . .. é o qu e as v e zes m od if ic a v a um po u qu i nh o é por q u e o l i vr o d id á tic o m os tr a v a as d i v is õ e s e os nom es e l á no c ad er no o ex er c íc i o s er ia i gu a l [. .. ] ( O L I V EI R A, 2 0 05 ) [.. .] e u n ão l em br o d e H is t ór ia e G e o gr af i a ... e u l em br o q ue ti n ha um l i vr o. .. e le er a a t é as s im d ei t ad o .. . nã o l em br o m ais ... n ão s e i s e er a a Dé bo r a qu e t i n ha o s po nt os e a i . .. na q ue l es po n tos d o t ex t o né .. . ai t i nh a a s pe r g u nt as e as r es p os tas q u e es t a v am al i .. . d e G eo g r af i a e His t ór ia tam bém .. . o des c o br im ent o d o Br as i l n o an o t a l .. . d ep o is m ais p er g u nt as . .. e m que a n o o Br as i l f oi des c o ber t o .. . qu em f oi Pe dr o Ál v ar es C ab r a l ... q uem s ab e . .. t a va a l i .. . tu d o n o t ex t o s a b e .. . f oi es s e t i po de a ul a q u e e u t i v e [. .. ] ( FE RR E IR A , 20 0 5) Os Estudos Sociais abordam um “tema” sob rótulo indeterminado, ora tratado como disciplina com conteúdo específico ou como sinônimo da Geografia Humana, das Ciências Sociais, da História ou uma mistura de todas, sendo vista, ainda, como área de estudo que possui objeto e método elaborados cientificamente. Em todo esse processo, a identidade dos Estudos Sociais não ficou definida, sendo considerada uma “sopa curricular” 16 que avançou para as séries seguintes do 1º grau, descaracterizando e descontextualizando os 16 O termo “sopa curricular” foi utilizado em pronunciamento público pelo Prof. Eduardo d’Oliveira França. A esse respeito, confira-se Conti (1976). temas geográficos, que, muitas vezes eram ensinados de maneira tradicional, exigindo cópia e a memorização dos conhecimentos, aumentando a sua desvalorização no meio educacional. Conforme evidencia o depoimento das colaboradoras: [.. .] de 5ª a 8ª e u lem br o um po uq u i n ho de m ap a [. .. ] ( FE RR E IR A , 20 0 5) . [.. .] a f o r m a c om o a G e ogr af i a er a e ns i na d a n ã o t i n ha c om o gos t ar . .. e u nã o a gü e nt o l em br ar aq u e les m ap as d e r el e v o . .. de c l im a .. . q ue s ó c op i a v a .. . é is s o .. . s ó c o pi a v a [ .. .] ( G O NZ AG A , 2 00 5) . [.. .] d e 5ª a 8 ª eu m e lem br o di r e i ti n ho d o pr of es s or de G e ogr af i a .. . em c im a .. . num a lt i n ho as s im .. . num l u gar q u e e les es c r e v iam n o qu adr o .. . f ic a v am er a n o al t o . .. e l es iam de t er no e gr a v a ta . .. pr a d ar a ul a . .. os n os s os p r of es s or es em ger al .. . os h om en s ... e el es tr a b a lh a v a m lá .. . m apas e m ais m apas .. . e l es g os t a v am m uit o de m a pas .. . er a um ta l de f a ze r m ap a .. . f a z er m ap a .. . a ge n te ac a b ou as s im .. . gu ar d an d o os l u gar es pe la f or ç a d e t an ta r ep e tiç ã o .. . n ão d ig o qu e f o i um a apr e nd i za g em ... f oi um a l oc a l i za ç ã o a li .. . on d e é q u e f ic a ta l Es t a do . .. c a pi t a l . .. ti n ha q u e s a b er a c ap i ta l d o m un d o i nt e ir o . .. d a v a um tr a b al ho . .. n a v i da . .. nu nc a us e i is s o ... n ã o t i n ha n em noç ão d e on d e f ic a v a es s es l ug ar es . .. nem s ab i a por o nd e p as s a va .. . p aís qu e v oc ê nu nc a o u v i f al ar . .. t a v a l á d ec o r a n do a c a p it a l [. .. ] ( S A L L E S, 20 0 5) [. .. ] d e 5ª a 8ª t am bé m f oi m uito r uim eu l e m br o de q u e t in h a ... eu ac h o .. . qu e er a na 7ª f o i o a n o i nt e ir in h o tr oc a n do d e pr of es s or .. . [. .. ] e ntr a va um f ic av a um m ês ... e n tr a v a o u tr o f ic a v a o utr o m ês ... e s em pr e a q ue l a c o is a . .. te or i a n o qu a dr o . .. c ó p i a . .. c ó p ia . .. m a l v i a um m ap a na f r e nt e .. . nã o l em br o de n e nh um pr o f es s or l e va r um g l ob o ter r es tr e pr a s a la de au l a [. .. ] ( CU NH A , 20 0 5) . A aluna-professora Gonzaga (2005) sentiu que teve uma melhoria significativa nos temas relacionados a Geografia, mas não na metodologia para o desenvolvimento dos mesmos, assim [.. .] de 5ª a 8 ª e u j á s en t i .. . n ão s e i s e p or q u e j á er a um a es c o l a d if er e nt e .. . n a é poc a e u t am bém es t u de i n o J os e In ác io . .. e p er c eb i q ue j á er a um a es c o l a c om um a p os tur a d if er e nc i ad a . .. d a es c o la o n d e eu f i q ue i at é o 4 º a no pr im ár i o ... e n tã o eu p er c eb i um a d is c us s ã o m a i or em c im a da G e ogr af i a . .. os pr of e s s or es j á t in h am um c er t o c u i da d o n a hor a d e ex p l or ar e l es l e va v am os m ater i a is d id át ic os pa r a a s a la d e a u la n é .. . a ge n te t i nh a .. . a lém d o m an us ei o d o .. . do . .. d o A tl as .. . p o r qu e o A t las e r a as s i m c om o s e f os s e um a Bí b l ia d eb a ix o d o br aç o d o al u no n é .. . s em o At l as v oc ê nã o er a n a d a .. . ex is ti a c as o d o pr of es s or per gu n tar as s im an t es da a u l a .. . qu e m tr oux e o A t las . .. n ão tr o ux e nã o p od e as s is t ir a au l a .. . er a um a c o is a a s s im c om o s e o At l as f os s e o r ec ur s o m ais im por t an t e . .. n ão c h eg a v a a s e r r ec ur s o er a m ais ... er a o c ur s o c om pl et o es ta v a a l i n a qu e l e A t las . .. er a ... po r q u e e u nã o m e l em br o .. . é q u e e u v i a er a .. . h oj e eu c om pr e en d o qu e n ão er a s ó is s o . .. q u e n ão d e v er ia s e r s ó is s o ... ou nã o d e ve r i a s er s ó is s o [ .. .] . Muitos movimentos foram realizados contra a institucionalização dos Estudos Sociais, como bem relata a narrativa de Déa Fenelon, no livro Ser professor no Brasil: história oral de vida (FONSECA, 1997, p. 73): [.. .] f i zem os a gr an d e l ut a c o nt a os es t ud o s s oc ia is . [. .. ] E la c om eç ou p or v o lt a d e 1 97 1- 1 97 2, c om a im pl an taç ã o d as l ic e nc i at ur as c ur tas d e Es t ud os S oc ia is e a p os s i bi l i d ad e de ac a b ar c om a l ic enc i a t ur a pl e n a de H is tó r i a [ e G e ogr af i a ]. Analisando tais fatos, concluímos que uma grande parcela dos alunos que freqüentaram o Ensino Fundamental de 1960 até 1990, ou seja, aproximadamente três décadas, ficaram sem estudar Geografia; de 1ª a 4ª série ensinavam-se Estudos Sociais e, de 5ª a 8ª série, tal conteúdo se repetia; somente no 2º grau, a disciplina Geografia aparecia autônoma no currículo escolar. Um agravante era o número de concluintes desse nível de ensino, muito baixo. Portanto, temos uma grande parcela da população brasileira que nunca teve contato com os saberes geográficos na escola. A implantação do curso de Estudos Sociais, em substituição às licenciaturas de Geografia e História, formava professores para atuar de 5ª a 8ª séries. Essa formação acarretou deficiências teóricas e práticas, uma “sopa curricular”, que confundia objeto e método de estudos das duas disciplinas, aumentado a desvalorização do saber geográfico. Percebe-se que o saber geográfico, até 1990, foi usurpado da população. Na época da ditadura militar, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, não se ensinava Geografia e, sim, Estudos Sociais. Em consonância com os fatos apresentados, desde o século XIX, culminando com o regime militar, o decreto-lei n. 869, de 12 de setembro de 1969, obrigou a inclusão da Educação Moral e Cívica (EMC) no currículo dos diversos níveis de ensino. Nas escolas de 1ª a 4ª série, tal disciplina apareceu sob a denominação de EMC, ocupando uma parte da carga horária das aulas de Estudos Sociais, de 5ª a 8ª série, como Organização Social e Política Brasileira (OSPB), em concordância com as aulas de Geografia e História, com o objetivo de divulgar a ideologia dominante e reproduzir os ideais nacionalistas. No 3º grau, ensino superior, havia um componente similar: Estudo de Problemas Brasileiros (EPB). Por meio da regulamentação do decreto n. 65.068/71, a EMC passou a ser obrigatória. Nas primeiras séries do 1º grau, deveria ser ensinada pelo menos em um dos quatro anos do curso, sob a forma de disciplinas que objetivassem assimilar conhecimentos sistematizados; e, em todos os anos, como atividades educativas para atender às necessidades religiosas, artísticas, físicas e morais do educando, principalmente para a formação de hábitos que não contrariassem a ordem política vigente: [.. .] As m atér i as , p or ex em p lo , pas s am a s er m in is tr a d as , n o ens i n o de 1º gr a u , c om o at i v id a des n as qu atr o pr im eir as s ér ies , c om o ár eas de es tu d o n as q ua tr o ú lt i m as e no 2 º gr au , c om o d is c i p l i nas . A E duc aç ão M or al e C í v ic a, A G eo gr af i a, a His t ór i a e a O r g a n i za ç ão S oc ia l e P o lí tic a do Br as il , p or s u a v e z, c ons t it uem , n as q ua tr o s ér i es f in a is d o 1º gr au , um a ár ea de es tu d os d e nom i na da Es tu d os Soc i a is ( CO L E S A NT I, 19 8 4, p. 6) . Ocorreram vários movimentos em defesa da educação pública e da Geografia excludente escolar, imposta à que pretenderam Geografia (e à modificar História). A a realidade duras penas, professores de Geografia do Brasil mantiveram constantes movimentos de luta pela valorização da ciência geográfica, tão importante para a construção do Estado-nação; mas estes movimentos pouco lembraram as Séries Iniciais, que foram a base para a institucionalização da Geografia na Academia. Esse fato materializou-se na produção cientÍfica brasileira, que pouca atenção deus às Séries Iniciais, como analisado no capítulo anterior. Dando continuidade à reforma ditatorial, a lei n. 5.692/71, que fixa as diretrizes e as bases para o ensino de 1º e 2º graus, em seu artigo 17, promoveu a ampliação do ensino da educação básica da 1ª à 8ª série do 1º grau, com duração de oito anos e, por meio do artigo 20, a obrigatoriedade para as crianças e jovens, de sete a 14 anos. Tal lei reformou o ensino, conforme o modelo educacional norte-americano, diminuindo o espaço das Ciências Sociais, privilegiando o ensino técnico-profissionalizante por meio de uma concepção tecnicista da educação. No que se refere à formação docente para atuar de 1ª a 4ª série do 1º grau, o artigo 30 exige, como formação mínima, a habilitação específica no magistério de 2º grau. Mas o artigo 77, parágrafo único, permitia que, na falta de professores habilitados, poderiam lecionar: a – n o e ns in o de 1 º gr au , at é a 6º s ér i e , c a n d id at os q ue haj am c onc l uí do a 8º s ér ie e v en h am a s er pr e p ar a d os em c ur s os in t ens i v os ; b – n o ens i n o de 1º gr a u, a té a 5 º s ér ie , c an d i da tos ha b i l it ad os em ex am es d e c a pac i taç ã o r e gu l ad os , n os vár i os s is t em as , pe l os r es p e c ti v os C o ns el h os d e E duc aç ão ( L EI n . 5. 6 92 /7 1) . A lei autoriza professores leigos a atuarem nas Séries Iniciais do 1º grau, o que reflete diretamente na forma e no conteúdo desse nível de ensino, e em especial, no ensino de Geografia, pois esses professores foram alunos do atual regime, não tiveram a possibilidade de estudar Geografia e, sim, Estudos Sociais. Como poderão ensinar tal conteúdo nessas séries? Com relação ao Curso Técnico de Magistério ou Normal (atual Ensino Médio), que habilitou as alunas-professoras para atuar nas primeiras séries da educação básica, a Geografia aparecia ora sob a forma de metodologia, ora sob a forma de conteúdo, conforme depoimento das colaboradoras: [.. .] qu a nd o f u i a lu n a do c ur s o de m ag is t ér i o [. .. ] G e ogr af ia . .. eu n ão l em br o . .. t i n ha m etod o lo g i a d e Por tu gu ês . .. d a l ín g ua por t ug u es a .. . A h! ... ti n ha G e ogr af i a . . . l em br e i . .. a pr of es s or a .. . e l a da v a as s im ... m ais er a qu as e q ue um a pr á t ic a em s al a d e au l a ... a ge nt e f a zi a tr ab a lh os d an d o au l a ... s a b e c om o é .. . q u e a ge nt e d ar i a um a a ul a d e de t er m in ad o as s un to . .. es s as a u l as aj u da r a m pouc o . .. m uit o po uc o [. .. ] ( G O NZ AG A , 20 0 5) . [.. .] n o m ag is t ér i o t i v e m etod o lo g i a d e G e og r af i a . .. m as n ã o c o la b or o u n ão .. . de i níc i o eu c om ec e i f a ze nd o a qu i l o . .. d a f or m a qu e e u h a v ia a p r en d i do . .. s ó q u e a g en t e t á s em pr e . .. o lh a is s o n ã o er a b om ... e n tã o t ud o q u e n ã o er a b om c om igo ... e u pr oc ur e i f a ze r d if er e n te .. . e n tã o de c er t a f or m a va l e u s ab e [ ... ] ( S A L L E S, 2 0 05) . [.. .] n o m ag is t ér i o ( FE RR E IR A , 20 0 5) . eu n ão l em br o de G e o gr af ia [. .. ] [.. .] d ur a n te o m ag is tér i o a ge n te ti n h a aq u e la v is ão da G e ogr af i a .. . m as . .. n a qu e la c onc e pç ã o da m eto d o lo g i a .. . de c om o é q ue e u v o u es t ar e ns in a nd o . .. é G e ogr af i a . .. m as nã o as s im .. . c om o v oc ê f a z pa r a e ns in ar G e ogr af i a m as ... o qu e e u v o u ens i n ar e m ter m os d e c on t eú d o c om a 1ª . .. c om a 2ª . .. c om a3ª .. . e c o m a 4ª s ér i e. .. é . .. qu an t o a o c o nt e úd o [.. .] o m ais d if íc i l s er i a c om o l i d ar c om o c on t eú d o de um a f or m a dif er en t e .. . d a qu e f oi aq u e la q u e ut i l i zar am c om igo [.. .] ( F E RR E IR A , 20 0 5 ) . Acreditamos que a perspectiva teórica e metodológica desses profissionais pautava-se na reprodução do material didático disponível, como constatamos por intermédio da lembrança nas narrativas. Em contraponto, Cunha (2005) relatou uma experiência positiva com a professora de Geografia do curso de magistério, o que colaborou para ampliar o seu gosto pela Geografia, iniciado com as histórias do pai, que, segundo ela “[...] o que vale é o entusiasmo da pessoa [...] igual o meu pai [...] que me deu esse gosto [...] e não é copiando livros e livros que você vai ter esse gosto [...]”. Concordamos com Goodson (1990, p. 72), pois: “A dinâmica sociocultural é um ingrediente importante na dinâmica da prática profissional”. Com relação à experiência com a Geografia no magistério, [.. .] G e o gr af ia q ue e u ti v e f o i no 1 º e 2 º a no .. . e u ti v e um a pr of es s or a d e 2 º gr a u m ar a v i l hos a .. . n un c a v ou es q u ec er de l a . .. e l a e ns i na v a as s im c om aqu el e am or . .. c om aq ue l e en t en d im ent o . .. er a um a es c o l a téc n ic a l á s ó t in h a c ur s os pr of is s io n a li za n t es [. .. ] e l a p ed i a par a a g e nt e f a ze r m ap a .. . e la l e va v a m ap a .. . el a le v a v a f ot os d e v i a gem de l a . .. c on t a va c ur i os id a des n é . .. e l a g os ta v a dem a is . .. t od o o l ug ar qu e e la i a el a pe ga v a pe dr a [ .. .] e l a l e v a va pr a ge nt e v ê [.. .] um a v e z q ue e l a c o nt o u qu e p as s e o u na Am a zôn i a [. .. ] e la er a j a p on es a .. . m uit o i nt e l i ge nt e [ . ..] c om o e ns in ar G e ogr af i a .. . n ão . .. s ó t in h a d id át ic a [. .. ] ( C UN HA , 2 0 05) . Convém observar que, em 1974, começaram a surgir movimentos sociais urbanos em oposição ao regime e às atitudes instauradas pela ditadura, que se tornaram gritantes. Tais movimentos tinham como objetivo restaurar a democracia abafada pelo regime militar. Para Vesentini (2004), tais movimentos em consonância com o surgimento da(s) Geografia(s) Crítica(s), estavam sendo fecundados desde a segunda metade do século XX, reflexo de acontecimentos importantes na humanidade: os movimentos sociais contestatórios e o fortalecimento do neopositivismo, da razão instrumental, (incorporada na Geografia Pragmática), que respondiam a ideologia do projeto capitalista dependente, delineado pela ditadura militar. Todavia, convém relembrar que o Ensino Fundamental sempre apresentou uma dinâmica própria, e diante disso alguns professores do antigo ensino de 1º e 2º graus, que se rebelaram contra a ditadura e a descaracterização da Geografia, promoviam, nos espaços escolares, discussões relacionadas aos temas geográficos em uma perspectiva crítica, conforme elucida Vesentini (2004, p.225): [.. .] a nt es d o a d v en to da ge o gr af i a c r ít i c a ac ad êm ic a j á ex is t i am c ent e nas , ta l v e z m il h ar es d e pr of es s or es d e ge o gr af i a n o E ns in o M éd i o ou a t é n o f un dam en t al q u e i no v a v am as us as l iç ões – inc l us i ve b us c a nd o s ubs íd i os na ec o n om ia , n a s oc io l og i a, n a his t ór i a , no m ar x is m o e, pr inc i p alm en t e, nas lu tas s oc i a is d e s u as é poc as /l u ga r es - e i nc or p or a v am o es t ud o do s u b des e n vo l v im ent o e d os s is t em as s oc i oec o n ôm ic os , d as r e l aç ões de g ên er o ( hom em /m ulh er ) , da s s oc i ed a des d it as pr im it i v as , d os pr o b l em as s oc ia is ur ba n os , d a r ef or m a a gr á r i a ( tem a t ã o im por ta nt e n o Br as i l no i n ic io d os an os d e 6 0! ) , e is s o em m uitos c as os at es d es s es t em as s er em ab or d ad os p e los c om pên d i os o u m es m o p or t es es , ar t i g os e l i vr os ac ad êm ic os de ge o gr af ia . Tais movimentos produziram efeito e, em 1979, o Conselho Federal de Educação (CFE), cedeu abertura para que Geografia e História fossem ensinadas separadamente. Assim, durante a década de 1980, escolas de diferentes Estados do Brasil re-introduziram essas disciplinas de 5ª a 8ª séries. Porém, somente na década de 1990, esse movimento começou a ocorrer nas quatro primeiras séries do 1º grau. O ápice das mobilizações populares ocorreu em 1984, com o movimento em favor da campanha para a realização das eleições diretas, previstas para janeiro de 1985. Para José Murilo de Carvalho (2001), foi a maior mobilização popular da história do país. Para os militares, seria impossível deter o movimento; interrompê-lo requereria muita violência, algo calamitoso para a sociedade brasileira. O sistema repressivo começou a se esfacelar. O grande desafio seria construir uma democracia em uma sociedade que se acostumou a viver sob tutela ora do senhor, ora do empresário, ora do político paternalista, ora do regime militar. O que fazer e quais medidas deveriam ser delineadas para contribuir com a construção dessa sociedade democrática? E o ensino de Geografia nas Séries Iniciais, como contribuirá para isso? 2.4 – A caminhada continua: as Séries Iniciais do Ensino Fundamental e a Geografia após a redemocratização do Brasil (a partir de 1985) Com o fim da ditadura militar, exaltavam-se as esperanças de melhoria dos direitos sociais da população. Uma das primeiras medidas tomadas foi a promulgação de uma nova Constituição Federal, em 1988, que contemplou vários projetos oriundos dos movimentos sociais e, dentre eles, a nova LDB, que começou a tramitar na Câmara Federal em 1988, com o objetivo de romper com a antiga fragmentação educacional. Essa lei, contudo, levaria alguns anos para ser aprovada. No lugar da lei de 1988, a proposta do senador Darcy Ribeiro, que atendia aos desígnios do governo, foi aprovada. A nova LDB n.9394/96 foi aprovada em 20 de dezembro de 1996, em substituição às leis n. 4.024/61, n. 5.540/68 e n. 5.692/71, já discutidas neste trabalho. Porém, o dualismo existente entre a educação do povo e da elite permaneceu. Os governos civis continuaram com os projetos educacionais 17 ligados ao Banco Mundial (BM) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), vinculado a um projeto global neoliberal, que contribui para aumentar a fragilidade da educação na prática cotidiana. Nesse contexto, Rocha (2001) demonstra os desígnios políticos do BM na organização do sistema escolar, que determina que a escolarização deve ser oferecida a todas as crianças e adultos, com o objetivo de promover o Capital Humano 18, adequando a sociedade para o trabalho. As idéias neoliberais interferem diretamente na organização educacional. Geralmente, são apresentadas para a sociedade como as melhores, e multiplicadas tendo em vista atender as necessidades da classe dominante que, preocupadas somente com o retorno quantitativo, esquecem de analisar o retorno qualitativo das propostas (OLIVEIRA, 1999). Para Oliveira (2002), houve um aumento significativo do acesso da população brasileira ao Ensino Fundamental. No entanto, as possibilidades de permanência e conclusão segregam uma parte da população, agravando a situação, além da baixa qualidade do ensino oferecido no Ensino Fundamental, reflexo dos anos de desinteresse das classes dominantes com esse nível de ensino. 17 P ar a c o n hec er c om m ais d et a lh es as p o lí tic as ed uc ac io n ais d e s en v o l v id as na ú lt im a d éc a da , v ej a - s e P er o ni ( 20 0 3, p . 2 07) . 18 De ac or d o c om Roc h a ( 20 0 1) , o c onc e it o de c a p it a l h um an o bu s c a m os tr a r os i n ves t im ent os e duc ac i on a is r ea l i za d os em um de t er m in ad o i nd i ví d uo o u n aç ã o c om o es p er anç a d e r e tor n os a dic i o na is f ut ur os , em um a ver te n te m ic r oec on ôm ic a , c ons t it u i- s e o d et er m i na nt e p ar a a dif er e nç a de pr o d ut i v i da d e , d e r e nd a e de m obi l id a de s oc ia l . E m um a per s p ec ti v a m ac r o ec o nôm ic a , é de t er m in an t e p ar a o aum en t o d a pr o d ut i v i d ad e e d a s u p er aç ã o d a c ar ênc i a ec on ôm ic a . Dessa forma, concordamos com Carvalho (2001, p. 83), que diz: “[...] O povo não tinha lugar no sistema político [no sistema educacional], seja no Império, seja na República [...]”. Na nova democracia brasileira, pós 1985, a situação se repete. Apesar de todos os argumentos elencados, a LDB n. 9394/96 trouxe significativos avanços para o ensino. O artigo 23 rompe com o tradicional ensino seriado, dando abertura para a organização do sistema escolar em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, grupos não seriados, com base na idade, dentre outros, possibilitando uma abertura maior para o desenvolvimento de projetos educacionais que apresentam uma perspectiva menos linear da educação. Outra alteração refere-se à nomenclatura utilizada para identificar esse nível de ensino. A lei n. 5.692/71 definia as Séries Iniciais do Ensino Fundamental como ensino de 1ª a 4ª séries do 1º grau, que se estendia até a 8º série. Com a nova lei, esse nível de ensino passou a ser denominado de Ensino Fundamental e, de acordo com o projeto desenvolvido pela instituição de ensino, define-se a organização assumida pela mesma. Um ponto preocupante na organização do sistema escolar do Ensino Fundamental é a suposta continuidade que existe entre as Séries Iniciais e as finais do Ensino Fundamental. A fragmentação dessa estrutura é gritante, a começar pela aprovação da 4ª para a 5ª série. Na 5ª série, os professores apresentam-se em maior número, ocorre uma fragmentação maior dos conteúdos que, no caso da Geografia, passa a ser visto como conteúdo isolado, um alienígena no currículo, dificultando a aprendizagem (SILVA, 2002). Os alunos das Séries Iniciais, salvo exceções, muitas vezes, não tiveram acesso aos saberes geográficos, conforme depoimento das alunas-professoras. O sistema educacional precisa ser (re) pensado tendo em vista a carência teórico-metodológica existente no Ensino Fundamental, o que provoca a fragmentação nesse nível de ensino. Convém observar que se definiu esse nível de ensino como seqüencial, para minimizar a disparidade existente entre as Séries Iniciais e as finais do Ensino Fundamental, mas tal ruptura ainda não foi resolvida. Diante dessa realidade, acreditamos que a formação e a prática do professor deve ser permeada por uma perspectiva reflexiva (SCHÖN, ZEICHNER, 1992; PIMENTA, GHEDIN, LIBÂNEO, 2002), podendo contribuir para minimizar a fragmentação existente na escola, e estreitar o distanciamento da escola em relação á vida (BRANDÃO, 1989). Em suma, o professor deve ter claro o seu compromisso profissional e não esquecer que o seu trabalho perpassa pelo social e pelo político, e que a priorização de um conteúdo, em detrimento de outro, no caso a Geografia, não é justificado, pois o indivíduo é complexo. Acreditamos que a formação docente deve ser desenvolvida nesta perspectiva, pois assim poderemos caminhar rumo a melhoria da educação escolarizada, na esperança de barrarmos o aparthaid global (SANTOS, 1996). Apesar de tais preocupações, concordamos que o artigo 26 da nova LDB que sinaliza um significativo avanço para a Geografia: ocorre a organização e a determinação de um currículo de base nacional comum e, no inciso 1º, fica evidente a obrigatoriedade e a necessidade de ensinar Geografia. Portanto: 1º O s c ur r íc u l os a q ue s e r ef er e o c ap u t de v em abr an g er , obr i g at or iam e nt e, o es t u do d a lí ng u a p or t u gu es a e d a m atem átic a , o c on h ec im ent o do m un d o f ís i c o e na t ur a l e d a r ea l i d ad e s oc ia l e po l í tic a , [ tem as t am bém d e c om pet ê nc i a d a G e ogr af i a] , es p ec i a lm en t e do Br as i l ( BR A S I L l e i n. 9 39 4/ 9 6) . Buscando trilhar os caminhos da Geografia nas Séries Iniciais, percebemos que somente em 1946, com a Lei Orgânica do Ensino Primário, a Geografia fez parte, oficialmente, do currículo escolar. Nas leis seguintes, a ciência geográfica nem foi citada, voltando a fazer parte do cenário educacional no final do século XX, com a atual LDB. O ensino da Geografia foi suprimido, por muitos anos, em favor dos Estudos Sociais, que confundiam Geografia, História e os temas relacionados ao nacionalismo, tão utilizados pela ditadura militar. Tal fato é confirmado pelo depoimento de Salles (2005), [.. .] G eo gr af i a .. . e His t ór i a er a a m es m a c o is a . .. eu n ã o l em br o o n om e q u e t i n ha n a é p oc a n ã o .. .. d ep o is d is s o . .. eu m e lem br o . .. q u a nd o eu j á es t a v a at u a nd o c om o pr of es s or a ... aí p as s ou p ar a a G e ogr af i a e H is t ór i a . .. Es t ud os S oc ia is ... de p ois v ol t ou d e n o vo p ar a G e o gr af ia e His t ór i a . .. e h oj e c on t in u a G e og r af ia e His t ór i a [ .. .] Percebemos que, para a Geografia nas Séries Iniciais, houve um significativo “avanço”; primeiro, o desenvolvimento dos trabalhos científicos relativos a esse nível de ensino, concentrou-se nos últimos anos do século XX; dos 58 trabalhos produzidos de 1982 a 2003, 94,8% foram elaborados a partir de 1990, conforme diagnosticamos no Capítulo 1, e segundo, a mesma passou a fazer parte oficialmente do currículo escolar. Tal avanço é evidenciado no depoimento de Gonçalves (2005), que cursou as Séries Iniciais a partir de 1986: [.. .] n a 1ª s ér ie eu nã o r ec or do as s im dir e it o o q ue eu tr a b al h e i n ã o . .. e u le m br o m ais a p ar t ir d a 2ª s ér ie .. . q u e a ge n te tr a ba l h a va c om ... c om os ne góc i os de m unic í pi o . .. qu a l d is tr i to . .. a n o s s a c i da d e . .. q u em f oi q ue f u nd o u a c i da d e .. . e u lem br o da g en te f a ze r m ui ta m aque t e .. . n os s a ... eu am av a f a zer m aque t e .. . n os s a . . . eu c at a v a tu d o qu a nt o er a c o is a e c o l oc a v a n a m aq u et e .. . eu ac h o q ue is s o m e aj ud o u d em ais a e nt e nd er . .. e u lem br o aq u e la q ues tã o de r e le v o . .. p l a níc i e .. . de m on tar o q ue er a m ais al t o .. . c om ar g i l a .. . c om ar e ia .. . pu n ha um as pl a nt i nh a s na m aqu et e [ .. .] m uito t r a b al h o ex pos i t i v o en t ão . .. a ge nt e f a zi a m uit o m apa ... am pl ia v a m apa .. c o l oc a v a n a s a la de au l a [. .. ]. Infelizmente, esse avanço não foi vivenciado por todas as colaboradoras. Houve melhoria, mas a Geografia continua a não ser ensinada, como podemos perceber na narrativa das alunas- professoras, o que gera uma preocupação quanto à reprodução dos analfabetos geográficos; a concepção de alfabetização que temos, é processual, é e precisa ser desenvolvido ao longo da escolarização: [.. .] inc l us i ve c om en t á r i os lá d as c o l eg as e l as f a l am as s im .. . pr a q u e e u v ou d ar H i s tór i a e G e o gr af i a pr á um a tur m a des s a ... q ue nã o c o ns e gu e n em f azer o a e i o u . .. n ã o vo u tr a b al h ar is s o n ã o .. . aí v em per gu n ta pr a m im ... voc ê t á tr a b al h a nd o . .. q u an d o c om eç a o a no e u j á c om eç o n é [. .. ] f al am as s im ... e u v ou tr a ba l h ar s ó q ua n do es t i v er n o f i n al d o an o . .. qu a nd o eu t i v er q u e d ar pr o v a .. . e s s es m eni n os n ã o s ab em nem es c r e v er o nom e .. . es s e t i po d e c om ent ár i o s ab e ... e u at é f a le i pr a pr of es s or a . .. m as é a pr ó pr i a v i d a d e les né . .. c om o é q u e e l es v ão s e en t en d er no m un do . .. n a s oc ie d ad e .. . n a c i da d e n é [.. .] ( CU NH A , 20 0 5) . [.. .] na es c o l a .. . eu t en h o v is to c a d a c o is a ac o n tec er .. . ac o n tec e nd o m es m o .. . q u e a g en t e p e ns a a s s im ... m eu D eus ... o q u e f a ze r c om es s a c r ia nç a . .. e l a v a i t er t od as as d if ic ul d ad es qu e n ós t i v em os ... um di a . .. l á a tr ás . .. eu v ej o o p r of es s or tr ab a lh a n do H is t ór i a e G e o gr a f ia .. . d a m es m a f or m a c om o e u es tu d e i . .. q u a nd o er a pe q ue n a .. . c obr a nd o do al u n o a li ... do m es m o j ei to . .. c on te ú do no qu a dr o . .. m eni no p õe n o c a d er n o . .. m en i no c a l ad o . .. nã o po d e a br ir a boc a .. . nã o p od e f al a r .. . o a lu n o nã o c o nt a na d a . .. p or qu e s e e l e f a lar .. . o pr of es s or r ec r im in a na hor a . .. v ê c om o i nd is c i pl i n a [. .. ]. ( S AL L E S, 2 0 05) . Apesar dos fatos, a década de 1990, oficialmente, tornou-se fértil para a Geografia escolar. Em 14 de junho de 1993, por meio da lei n.8.663, foi revogado o decreto-lei n. 869/69, que incluía a EMC nas escolas. A partir desse momento, a carga horária destinada às disciplinas de EMC, de OSPB e EPB, dos currículos do Ensino Fundamental, Médio e Superior, respectivamente, deveriam ser incorporadas, a critério das instituições e do sistema de ensino, às disciplinas da área de Ciências Humanas e Sociais. Essa lei deu o pontapé inicial para regulamentar e valorizar a Geografia no currículo do ensino básico. Contudo, nas Séries Iniciais, somente a partir de 1997, com a publicação conturbada dos PCNs 19, é que essa disciplina recebeu espaço no currículo escolar. Porém, esse espaço legal é perdido com o currículo oculto, e a Geografia continua sendo pouco ensinada para os alunos das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Diante desses fatos, Pontuschka (1999, p. 15) esclarece que: O s P C Ns , p or t a nt o, n ão c o ns ti t uem um pr o j et o is o la d o, m as f a zem par te d e po l ít ic as pú b l ic as e d uc ac i on a is in ic i ad as c om a LD B / 96 e es t a be l ec i das de ac or d o c om as de t er m in aç õ es d e po l ít ic as m ais am pl a s d it a das pe l o c o nj un t o dos p a ís es c en tr ais p ar a os p aí s es c h am ad os “ em er ge n tes ” , c om o o Br as il , s o b o r es pa l d o e c o op er aç ã o do Es t ad o , e q u e af e t am pr of un d am ent e o tr a ba l ho p e da g óg ic o d as es c o las br as i l eir as . Em uma análise geral, não ignoramos os fatos elencados por Rocha (2001), que realiza um significativo histórico acerca da elaboração e distribuição dos PCNs das Séries Iniciais, elaborados em 1995, um ano antes da LDB n. 9.394/96 e, três anos antes da elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o Ensino Fundamental e Médio, documento de responsabilidade do Conselho Nacional de Educação (CNE). Tais fatos nos mostram que os PCNs deveriam ter sido elaborados após a aprovação da LDB, que estabeleceu a estrutura e o funcionamento da educação, e tornou obrigatória a definição de diretrizes para a educação nacional, que delineariam o currículo 19 Vá r i as r ef l ex ões f or am f eit as por g e ógr a f os c om r e laç ã o aos P CNs ; v ej a- s e Car l os ( 1 99 9) . nacional. Após a definição das DCNs, é que os PCNs deveriam ter sido elaborados; “passou-se o carro na frente dos bois”, a lei foi atropelada, o que invalida a legitimidade do documento. Mas, para amenizar este atropelamento, por meio da resolução n. 02/98, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, as DCNs do Ensino Fundamental foram aprovadas, seguindo a organização dos PCNs; porém, os primeiros não fazem parte do programa escolar, desconhecem a realidade educacional e foram divulgadas somente em 1998. Em 1998, os PCNs para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental já estavam presentes nas escolas, pois começaram a ser delineados em 1995, por um grupo de professores do 1º grau. O governo justificou que o critério de escolha do grupo perpassou pela prática e experiência que possuíam, sendo considerados os mais competentes para elaborar o documento. Nesse sentido, o governo desconsiderou as pesquisas que já estavam sendo realizadas nas universidades em todo o país, que apresentaremos adiante. Preferiu um grupo homogêneo para por em debate categorias heterogêneas de profissionais que investigam as Séries Iniciais. O documento elaborado pelo grupo selecionado foi denominado de Parâmetros Curriculares Nacionais para a área de Conhecimentos Históricos e Geográficos. Para o MEC, a Geografia e a História compunham uma única área de conhecimento, o que nos leva a pensar que continuidade à “sopa curricular” dos Estudos Socais. estávamos dando Em 1996, no MEC, em Brasília, foi realizada uma reunião para “discutir” os Parâmetros Curriculares Nacionais para a área de Conhecimentos Históricos e Geográficos, destinados às Séries Iniciais. Essa reunião contou com a presença de lideranças da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e da Associação dos Professores Universitários de História (ANPUH). Rocha (2001), de forma clara, descreve o processo de discussão e aprovação dos parâmetros, pois participou ativamente dos movimentos. Na referida reunião, diante de uma postura “democrática”, o MEC informou às respectivas associações que tinha o interesse em ouvir todos os pareceres relacionados à elaboração dos documentos de Geografia e História, mas alertou que os caminhos já haviam sido delineados e não sofreriam modificações, no máximo algumas sugestões que pudessem colaborar com o que já estava pronto. A justificativa para o posicionamento “democrático” foi o povo, alegando que este estava de acordo com os fatos, pois haviam votado no presidente da República que estava no poder, o responsável por definir tais medidas. A versão dos PCNs para a área de Conhecimentos Históricos e Geográficos foi apresentada em fevereiro de 1996, para os historiadores, e em julho do mesmo ano, para os geógrafos, que discutiram o documento. Ambas as associações repudiaram-o, bem como a forma como foi elaborado. A versão preliminar sofreu alterações e, em agosto de 1996, foi divulgada uma nova versão, embora em nenhuma delas tenha sido elaborado o documento de Geografia e História separadamente. Mesmo sem ter sido elaborado os demais PCNs, os mesmos foram enviados para a aprovação do CNE. De acordo com Rocha (2001), somente em fevereiro de 1997, os documentos dessas áreas foram enviados para avaliação e aprovação, pelo parecer CEB/CNE n. 03/97. Neste mesmo ano, os documentos foram editados e enviados para as escolas sem nenhuma preparação prévia dos professores para o utilizarem. No caso da Geografia, conforme avaliação do pesquisador Rocha (2001), é um documento confuso, que distorce a história da Geografia com a história da institucionalização dessa ciência. Mesmo com todos os transtornos: [.. .] as c i ênc i as hu m anas s of r em um a r e va l or i za ç ã o e a G e ogr af i a, em es pe c i al , por c a us a d a g lo b a li za ç ão d os m er c ad os e d a c r es c e nt e in t er d e pe n d ênc i a en tr e os p o v os e a ec o n om ias , q u e en v o l v em a p ar tic i p aç ã o at i v a d e m u lt i dõ es do m u nd o i nt e ir o – o en v o l v im ent o c o m as r ed es de i nf or m aç õ es , os f lux os d e c a p it a l, as m igr aç õ es e tc . [ .. .] ( PI ZZ AT O , 2 00 1, p. 4 2 ) . Apesar de lhe fazermos restrições, não ignoramos que os PCNs tentam orientar o sistema nacional de ensino, socializando discussões, pesquisas e recomendações. Podem subsidiar as aulas, apresentando os objetivos educacionais a serem seguidos, e não conteúdos fechados que repetem idéias tradicionais, o que não valoriza as especificidades dos grupos sociais (ARROYO, 2000). Semelhante proposta é aberta e flexível, mas temos que ter clareza de que a mesma atende aos interesses neoliberais, sob a égide da sociedade do conhecimento e da informação. Para tanto, a formação docente em uma perspectiva reflexiva é extremamente importante, pois O pr oj et o e duc ac i on a l ex pr es s o n os Par âm etr os C ur r ic u l ar es Nac i on a is d em an da de um a r ef l ex ão s o b r e a s e leç ã o d e c on t eú d os , c om o t a m bém um a r es s ig n if i c aç ã o , em que a noç ã o d e c on t eú d o e s c o lar s e am pl ia p ar a a lém de f a t os e c onc e it os , p as s a n d o a inc l u ir pr oc e dim en t os , v a l or es , n or m as e at i tu d es ( P CNs , 1 99 7, p . 7 3) . Apesar conseguiu um de todos os significativo retrocessos, avanço, a Geografia tornando-se escolar reconhecida no currículo oficial das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Contudo, a preocupação, na atualidade, perpassa pela sua valorização, que acreditamos estar relacionada à prática dos professores que trabalham nessas séries. Graças aos movimentos realizados pela AGB e ANPUH, os PCNs de Geografia e História foram definitivamente separados, apesar da noção de que são disciplinas comuns. A publicação do livro dessas disciplinas aparece em um mesmo volume, no qual a primeira parte ficou destinada à História e a segunda, à Geografia. Legalmente, a Geografia e a História tornaram-se autônomas. Todavia, as mazelas pelas quais passaram ao longo de sua institucionalização interferem na prática dos professores e se refletem na forma como são ensinadas nos diversos níveis de ensino, em especial nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, bem como no curso de formação inicial dos professores que atuarão nessas séries em geral, sob a denominação de Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História de Pré a 4ª séries do Ensino Fundamental. Cabe aos professores desse nível de ensino e, em especial, aos formadores desses professores, compreender que as duas disciplinas, Geografia e História 20, têm objetos de estudo distintos, dando a cada uma seu devido espaço no currículo escolar, conforme 20 Veja-se G om es ( 2 0 03 , p. 1 2 7- 1 4 8) . esclarece Kant (1994, p.71), “[...] o tempo tem apenas uma dimensão, tempos diferentes não são simultâneos, mas sucessivos [tal como espaços diferentes não são sucessivos, mas simultâneos] [...]”. Portanto, deve-se conceber as singularidades dessas ciências para não se incorrer em erros conceituais, o que não impossibilita um trabalho interdisciplinar, envolvendo estas e outras áreas do conhecimento (PONSTUSCHKA, 2004). Convém observar que o Ensino Fundamental exerce um papel relevante na vida das crianças, bem como no desenvolvimento do futuro cidadão. Na escola, a criança tem a oportunidade de descobrir novas idéias e valores. Assim, o processo educacional decorre da ação de diferentes agentes da sociedade, particularmente dos professores, que devem estar preparados para organizar seu trabalho de maneira reflexiva e crítica, objetivando a construção do conhecimento. Para que o ser humano participe da (re)construção da sociedade, não devemos defini-la a partir da categoria trabalho, e para romper com a visão neoliberal da educação, é preciso conceber o ensino de maneira que desenvolva um leitor crítico, que analise, pense e proponha transformações possíveis para o lugar em que vive, considerando a escala mundial. Acreditamos que a Geografia escolar contribui para o desenvolvimento dessa habilidade. Diante desses fatos, faz-se necessário refletir sobre o processo de institucionalização do curso de Pedagogia no Brasil e na Universidade Federal de Uberlândia, posto que é um dos cursos responsáveis pela formação e profissionalização do professor que atuará nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental em Uberlândia, seguindo as reflexões de Braga (1996, p.189), que, em sua tese afirma “Para avaliar a prática com os conteúdos geográficos na escola elementar é preciso situar a formação de seus docentes no geral e, em especial, a capacitação destes em relação à ciência geográfica [...]”. Portanto, procuramos apreender a concepção geográfica dos 75 alunos que cursaram a disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª séries do Ensino Fundamental, no ano de 2004, conhecer o ambiente de formação inicial das alunas- professoras e analisar a influência das experiências geográficas na sua prática docente. CAPÍTULO 3 CONTEXTUALIZANDO A FORMAÇÃO DOCENTE E O ENSINO DE GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL De t od os es tes ad u lt os tr a ns m is s or es d e s ab er va l e a p e na f a l ar d o p ed a go g o. [ .. .] O p e da g og o er a o ed uc ad or p or c uj as m ãos a c r i anç a gr e ga a tr a v es s a v a os an os a c am in h o d a e s c o la , p or c am i nh os da v id a . Car l os Br a nd ã o A educação escolarizada tem sua prática definida nos diferentes níveis de ensino do sistema escolar, inclusive no processo de formação dos professores que atuarão na escola básica, porém tal formação vem sofrendo mudanças de ordem legal, ao longo dos anos. A demanda por uma “melhor qualificação” exige que os professores sejam formados em nível superior nos cursos de licenciatura em Pedagogia ou Normal Superior, para atuarem nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Tal projeto de formação, em nível superior, gestado no início do século XX, pelos Pioneiros da Educação Nova, acreditava que “[...] a formação universitária dos professores de todos os graus de ensino não era apenas uma necessidade, mas o único meio de abrir os horizontes” (BRZEZINSKI, 1996, p. 31), o que, para as Séries Iniciais, ocorreu somente a partir de 1996, com a LDB n. 9.394/96. Porém, a nosso ver, esse processo de formação profissional, apresenta uma dupla vertente, primeiro, sob a característica da qualidade do ensino, e, em contraponto, a quantidade de profissionais habilitados para o ensino, atendendo à proposta neoliberal, que, como sabemos, não se preocupa com a qualidade da educação. Diante deste fato, compartilhamos as reflexões delineadas por Bourdieu (1998, p. 139): “[...] elas [as instituições de formação] têm por “missão” a “formação de professores e de mestres” e não a instrução e a “seleção de homens” destinados à produção”. Acreditando nessa premissa, definimos o curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia, uma das principais cidades do estado de Minas Gerais, espaço de construção de conhecimento, como ambiente de pesquisa, pois acreditamos no compromisso desta instituição com a qualidade da educação, e temos a esperança de que os resultados desta pesquisa possam se tornar objeto de reflexão em outras instituições de formação docente. Neste contexto, revisitamos o processo de institucionalização do Curso de Pedagogia no Brasil e na Universidade Federal de Uberlândia, para compreender os aspectos relevantes de sua trajetória na formação das alunas-professoras, pois conforme Coêlho (1996, p. 94) “[...] a universidade não é uma coisa, algo pronto, mas uma verdadeira obra de arte, cuja criação e produção prosseguem em nosso fazer [...]”. No curso de Pedagogia da UFU, procuramos conhecer a trajetória da disciplina responsável pelas discussões relativas aos conhecimentos geográficos, atualmente sob a denominação de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental. Para tanto, procuramos conhecer o contexto da formação inicial e das perspectivas relacionadas ao ensino de Geografia na formação docente, dos 75 alunos que cursaram a disciplina em 2004, e selecionar o grupo que poderia colaborar disponibilizando as entrevistas, uma das etapas da História Oral Temática, conforme apresentado no capítulo 1, pois, [.. .] En te n de r a vo z d o es t ud a nt e é l id ar c om a n ec e s s i d ad e hum an a d e d ar v i da a o r e in o d os s ím bo l os , l i ng u a gem e ges t os . [ ... ] L o go , c a l ar a v o z d e um al un o é d es t i tu í- lo de po d er ( G I RO UX ; M AC L AR E N, 2 0 02 , p. 13 7) . Com essas noções, mergulhamos na trajetória das alunasprofessoras, no processo de formação inicial no curso de Pedagogia da UFU, procurando analisar a relação entre a formação docente e a prática para o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, bem como refletir sobre a importância dessa disciplina nesse nível de ensino. 3.1 – Algumas reflexões sobre a institucionalização do curso de Pedagogia no Brasil A origem da preocupação com o ensino de Geografia nas Séries Iniciais, ambiente delineado para o estudo, é determinada também, pelo contexto político-educacional de formação do professor no Brasil. O Curso de Pedagogia é compreendido como um dos responsáveis pela formação do docente 21 que irá atuar na educação infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Ao considerar o curso de Pedagogia, fez-se necessário retomar a trajetória de institucionalização desse curso no Brasil com o objetivo de delinear a sua identidade. Por meio do decreto-lei n.1.190, de abril de 1939, foi fundada a Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil e, oficialmente, organizou-se a estrutura e o funcionamento do Curso de Pedagogia no nosso país, com o objetivo de formar bacharéis em um curso com duração de três anos, mas adicionando um ano de Curso de Didática, formar-se-ia o licenciado, no chamado esquema 3+1 22, que se mantém até os dias atuais (SAVIANI, 2005; SILVA, C., 2003; LIMA, 2002; BRZEZINSKI, 1996). Porém, como afirma Brzezinski (1996, p. 37), [.. .] a v oc aç ã o d o c ur s o c r i ad o em 19 3 9 er a d e f or m ar pr of es s or es pr im ár i os , m as a r ea l id a de br as i le ir a e v i d enc i a v a o d es pr e pa r o dos pr of es s or es s ec un dár i os , ex ig i n do , pr ior i tar i am en te , a f o r m aç ão d es tes . A d u b ie d ad e s o br e a i de nt i d ad e d o c u r s o d e pe d ag o g ia i n au g ur a - s e an t es m es m o de s ua c r iaç ã o, o qu e per d ur a at é os d i as at ua is . A habilitação para a licenciatura exigia um ano a mais de estudos didáticos, das disciplinas de Didática Geral, Didática Especial, Psicologia Educacional, Administração Escolar, Fundamentos Biológicos da Educação e Fundamentos Sociológicos da Educação, capacitando o aluno para o exercício do magistério. De acordo com Silva, C. (2003) e Brzezinski (1996), após concluir o curso de bacharelado, composto pelas disciplinas de História da Filosofia, 21 Re i ter am os a ex is t ên c i a do C ur s o N or m al S up er i or na f or m aç ã o do pr of es s or d a ed uc aç ã o i nf a nt i l e na s S ér i es In ic i a is do E n s i no F un d am ent a l 22 O es qu em a 3 +1 r ef e r e- s e a tr ês a nos d e e s tu d o de c o nt e úd os e s pec íf ic os e um an o d e es tu d o de c on t eú d os d id á tic os . História da Educação, Sociologia, Complementos de Matemática, Fundamentos Biológicos da Educação, Fundamentos Sociológicos da Educação, Psicologia Educacional, Estatística Educacional, Administração Escolar, Educação Comparada e Filosofia da Educação, o bacharel em Pedagogia, cursando as disciplinas de Didática Geral e Didática Especial, oferecidas no curso de Didática, estava habilitado para a licenciatura. Tal possibilidade de formação reflete a fragmentação entre o conteúdo e o método, indivisíveis na realidade. A separação entre o bacharel e o licenciado, conferiu ao Curso de Pedagogia a categoria de curso técnico-profissionalizante, além de descaracterizar profissionalmente o pedagogo, criando problemas no campo profissional, pois o Curso Normal que formava os professores primários não era campo exclusivo de atuação do pedagogo (SILVA, C., 2003). Diante desses fatos, os estudantes do Curso de Pedagogia reivindicavam a criação de cargos e funções relacionados a setores ligados à educação, em que os licenciados em Pedagogia pudessem atuar. Silva, C. (2003, p. 20-21 - grifo nosso) elenca tais cargos: [.. .] p la n ej am en t o e duc ac i on a l, T V ed u c at i v a, i ns tr uç ã o pr o gr am ad a, e duc aç ão d e ad u lt os , f or m ulaç ão d e um a f il os of i a d a e duc aç ão e r ef or m u laç ã o de um a p o lí t ic a ed uc ac io n al , ed uc aç ã o de ex c epc i o na is , e s pec i a l i zaç ã o em ní v e l d e e ns in o , de s env olv im ent o d e r e c ur so s hum ano s , at i v i da d es c om un i tár i as , av al i aç ão d e de se mp enho em es co la s e e mp r es a s, ad mi ni st ra ç ão de p es so al ( an ál is e e cl a ss if i c aç ão d e ca rg os, re c rut am ent o , s el eç ão , co loc a ç ão e t r ein a men t o de p es so al) , e duc aç ão s a n it ár ia [ .. .] . Até 1965, a portaria do MEC n. 478/54, permitia aos licenciados em Pedagogia ministrar aula nos cursos de 2º grau, de formação do professor de 1ª a 4ª série, bem como as disciplinas de Filosofia, História Geral e do Brasil, e de 5ª a 8ª série, os conteúdos de Matemática. De 1966 a 1968, com a portaria do MEC n.341/65, foi-lhes concedido o direito de ensinarem Psicologia, Sociologia e Estudos Sociais, desde que tivessem cursado as mesmas, no mínimo com 160 horas/aula. Entretanto, a partir de 1969 foi vetado o direito de ensinar Filosofia, História e Matemática, permanecendo o direito em relação às demais disciplinas (SILVA, C., 2003). A indefinição do campo de atuação do pedagogo se reflete na insegurança e na insatisfação dos alunos e profissionais da área, demonstrando a necessidade de se reformular a estrutura curricular do Curso de Pedagogia. Após o golpe de 1964, a aprovação da lei n. 5.540/68, promulgada no ápice da ditadura militar, (re)definiu normas e organizou o funcionamento do ensino superior. Diante da nova lei, o CFE elaborou o parecer n. 252/69, fixando o currículo e a duração do Curso de Pedagogia, que passa a ter como objetivo formar professores para atuar no Curso Normal (que formava professores para atuar nas Séries Iniciais) e nas áreas de Orientação, Administração, Supervisão e Inspeção do sistema escolar (o especialista em educação). O curso passa a formar profissionais específicos para atuarem em cada uma das atividades escolares. Partindo da concepção de que a profissão que corresponde ao setor da educação é uma só e que, por isso, as diferentes modalidades de capacitação devem partir de uma base comum de estudos, o Curso de Pedagogia passa a ser composto por duas vertentes: uma comum, constituída por matérias básicas à formação de qualquer profissional na área, e uma diversificada, em função de habilitações específicas. Assim, tanto as habilitações regulamentadas, [.. .] q ua n to as qu e p o dem s er ac r e s c en t ad as pe l as un i v er s i da d es e es ta b e lec im en tos is o l ad os f a zem p ar t e de um ún ic o c ur s o, s o b o t i tu l o g er a l de c ur s o de p ed a go g i a. [. .. ] as d is c i p l in as [ .. .] f at a lm ent e r e p et em - s e em todas as ha b i l it aç õ es , c om nec es s i d ad e d e p o u c a o u n en h um a ad a pt aç ão ( SI L V A, C ., p . 2 6- 2 7) . Tal parecer apresentava, educacional, e a procurou atualmente exemplo do definir um apresenta, direito ao ponto importante impasses magistério no que sistema primário pelos pedagogos que, na atualidade, é discutido com a institucionalização do Magistério Superior, tornando frágil a identidade do Curso de Pedagogia. De acordo com Silva, C. (2003, p. 32), nesse momento histórico, por se considerar precoce delinear uma nova habilitação destinada à atuação nesse nível de ensino (Séries Iniciais do Ensino Fundamental), esse parecer “[...] fixa alguns estudos para a aquisição desse direito [...] metodologia do ensino de 1º grau, com estágio supervisionado [...]”. A partir de 1969, o pedagogo adquire o direito de atuar como professor das Séries Iniciais e do Curso Normal no nível de 2º grau (atual Ensino Médio) e também como especialista em educação, podendo escolher entre as várias habilitações. Tal fato provocou um impasse quanto à existência do Curso de Pedagogia no Brasil, em decorrência das dificuldades provocadas pela colocação dos profissionais com essa formação no mercado de trabalho. Silva, C. (2003, p. 44) relata que: [.. .] o c ur s o d e g r a d u aç ã o em ped a go g i a f o i a tr op e l ad o pe l as es p ec i al i za ç ões , a o m esm o t em po em qu e es t as , pe l a s u a pr ec oc i da d e, n ã o pu d er am g o za r d e c on d iç ões n ec es s ár i as a s ua r ea l i za ç ã o [ .. .]. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/96, como afirmado no capítulo anterior, no artigo 62, abriu precedentes para os Institutos Superiores de Educação como mais uma possibilidade, além das universidades, de se formar professores para atuar na Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, sob a roupagem do Curso Normal Superior. Silva, C. (2003) observa que o parecer da Conselho de Educação Superior (CES) n.970/99, por meio de uma interpretação errônea dos artigos 62, 63 e 64 da nova LDB, e o decreto presidencial n. 3.276/99 no artigo 3º, reforçaram o fato de que, para atuar na Educação Infantil e Séries Iniciais, a formação do profissional deve ser “exclusiva” do Curso Normal Superior, retirando a possibilidade dos cursos de Pedagogia formarem os professores para atuar nesse nível de ensino. Diante desses fatos, Silva, C. (2003, p.84) revela que: [.. .] s e in a ug ur a um qu ar to p er ío d o na h is tór i a d o c ur s o d e pe d ag o g ia n o Br as il qu e , [ .. .] p od e s er d e nom i na d o per í od o dos dec r e tos p or r e pr es e nt ar os d oc um ent os f ir m ad os no âm bit o d o p o de r ex e c ut i v o, p or m ei o d os qu ai s te v e s u a i de nt i d ad e o ut or ga d a [ do c ur s o d e Pe d ag o g i a] . Diante da extinção do Curso Normal de nível médio (área de atuação dos pedagogos), em razão de uma formação em nível superior, surge o Curso Normal de nível Superior; o campo de atuação do pedagogo ficou limitado, não atuando mais na formação do professor das Séries Iniciais e nem como docente no nível elementar. Tais fatos provocaram movimentos de contestação entre educadores e estudantes, e diante das reivindicações o ato do executivo n.3.554 de agosto de 2000, substituiu-se o termo “exclusivamente” do decreto n.3.276/99 por “preferencialmente”. Dessa forma, a Pedagogia recuperou sua função na licenciatura, mas de forma secundária, como relata Silva, C. (2003, p. 88): Há , na v er d ad e, um a gr a n d e a pr ee ns ã o a r es p e it o d os n o v os r um os a s e r em tr aç a d os p ar a o c ur s o d e p e da g og i a n o Br as i l, um a v e z qu e , a t é o m om ent o, o q ue ex is t e é o s i l ê nc i o , o u en t ão d oc um e nt os q u e d e ter m i nam o qu e e l e n ã o po d e f a ze r , ou o qu e e l e nã o t e m pr ef er ênc i a p ar a f a zer , o u at é q ue op t am por s e u nom e n ão a p ar ec er . O q ue s e tem q ues t i on a do é o s i g nif ic a d o d e tu d o is s o. A nosso ver, a autorização do Curso Normal Superior vem cumprir mais uma etapa da política econômica neoliberal, que exige, quantitativamente, profissionais habilitados para atuarem na educação básica. Assim, o governo autoriza a abertura e o funcionamento do curso em instituições privadas, abdicando, as instituições superiores públicas, da formação do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, pois nas últimas não existe o Curso Normal Superior. Tais instituições têm compromisso com o ensino, com a pesquisa para a construção do conhecimento científico e, com a extensão, o retorno para a sociedade do trabalho desenvolvido. Tais objetivos, na maioria das vezes, não fazem parte das instituições particulares, dedicadas preferencialmente ao ensino. Hissa (2003), que pesquisou a disciplina Geografia e Ensino, no Curso Normal Superior da Faculdade Pedro Leopoldo, no estado de Minas Gerais, afirma que os Institutos Superiores de Educação, desvinculados das universidades, arriscam-se a não formar conhecimentos professores e práticas. que A sejam pesquisadores formação docente de seus torna-se profissionalizante e não de formação do profissional da educação (NÓVOA, 1991; CÔELHO, 1996; LAPO, 2003). Tais fatos são comprovados nas palavras de Saviani (2005, p. 38 – grifo nosso), quando reflete sobre a influência da política neoliberal sob os diversos níveis de ensino do sistema educacional brasileiro: [.. .] Es s e du a l is m o s e m an if es t a t a m bém no E ns in o Fu nd am en ta l ao s e pr o p or p ar a a r ed e pú b l ic a um ens in o a li g e ir a d o, a va l i ad o p e lo m ec a n is m o de pr o m oç ão a ut om át ic a e c on d u zi d o por pr of e s s or es f or m ad os em c ur s os d e c ur t a dur aç ã o or g a n i za d os nas es c o las n or m a is s u pe r i or es c om ênf as e m a io r n o as pec t o p r á t ic o- téc n ic o em de tr im ent o d a f or m aç ão d e um pr of e s s or c u lt o , do t ad o d e um a f und am en taç ã o te ór ic a c o ns is t e nt e q ue d ê d e ns id a de à s ua pr át ic a doc e nt e [.. .] . Dessa forma, teremos quantitativamente uma parcela significativa de professores formados em nível superior, já que as faculdades particulares assumiram essa formação, para atuarem na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Porém, quanto à qualidade dessa formação, fica uma incógnita, pois uma educação de qualidade requer reflexão, pesquisa e não somente técnica e prática. Silva, C. (2003, p. 88) mostra-se preocupada: [.. .] q u an to à f or m aç ã o d o m ag is tér i o par a a ed uc aç ã o i nf a nt i l e an os i n ic i ais do E ns i n o Fu n dam en t al , s er á n ec es s ár i o a lg um tem po at é q u e s e p os s a p er c eb er os ef e it os p r á t ic os , par a os c ur s os d e pe d ag o g ia [ e p ar a a s oc i ed a de ], da pr ef er ê nc i a d a da p el a l e g is laç ã o a o c ur s o n or m al s u per i or c om o l óc us d es s a f or m aç ão [. .. ]. Silva, C. (2003) relata que, em 1998, diante de todos os impasses que vêm, há décadas, assombrando a identidade do Curso de Pedagogia, a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), em seu IX Encontro Nacional, realizado em Campinas-SP, Nacionais para formulou os a Cursos “Proposta de de Formação Diretrizes dos Curriculares Profissionais da Educação”, na qual a associação defende que o local apropriado para a formação dos profissionais da educação é a universidade e suas faculdades. Tais cursos devem ter uma “base comum nacional”, com uma sólida formação teórica, unidade entre teoria/prática, gestão democrática, compromisso social e ético, trabalho coletivo e interdisciplinar e articulação entre formação inicial e continuada. Tal identidade documento profissional considera que a de os profissionais todos docência é a da base da educação (CÔELHO, 1996), devendo romper com a fragmentação entre as “[...] funções organizativas e gestionárias da escola e a função docente“ (SILVA, C., 2003, p.81). É inegável, pois, a fragilidade do campo de atuação do curso de Pedagogia. No entanto, existem avanços significativos com relação ao seu campo teórico, que têm colaborado sobremaneira nas reflexões sobre ensino. Acreditamos que a docência, base da profissão docente, deve permanecer como uma das habilitações centrais do Curso de Pedagogia, devendo a mesma ser desenvolvida em uma perspectiva reflexiva (GERALDI, FIORENTINI, PEREIRA, ZEICHNER, SCHON, 1998; PIMENTA e GHEDIN, 2002), revitalizando a pesquisa para a construção do conhecimento nos diferentes níveis de ensino (DEMO, 1998). Para que a prática se torne reflexiva, é preciso que os professores definam, eles mesmos, os objetivos pedagógicos, afastando a idéia de serem técnicos que repassam o saber, e assumam um compromisso reflexivo e crítico quanto a sua prática e ao seu papel na transformação social. Uma das etapas para se construir a reflexividade encontra-se justamente na formação inicial. 3.2 - Algumas reflexões sobre a institucionalização do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Ao iniciarmos a pesquisa sobre o Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia, recorremos à sua Coordenação e ao site da Faculdade de Educação da UFU (FACED). Tais informações revelaram a trajetória de institucionalização do curso de Pedagogia no município de Uberlândia. Aliado a essas informações, selecionamos algumas publicações e pesquisas que analisam especificamente o curso de Pedagogia da UFU. Em agosto de 1959, inicia-se a concretização de um sonho, a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Uberlândia (FAFIU), tendo como mantenedor o Instituto Social de Instrução e Caridade, de Minas Gerais. Tal faculdade foi anexa ao Colégio Nossa Senhora. No dia 12 de março de 1960, foram inauguradas às novas dependências do pavilhão do Colégio, onde foi instalada a FAFIU. O decreto n. 47.769, de 02 de fevereiro de 1960, autorizou o funcionamento dos Cursos de Letras Neo-Latinas, de Letras AngloGermânicas e de Pedagogia. Em 1963, a FAFIU encaminha ao CNE o processo contendo informações relativas à instituição de ensino (entidade mantenedora, instalações, infra-estrutura, corpo docente, administração e dados do município), conjuntamente com o relatório favorável da comissão verificadora, elaborado por professores da Universidade de Minas Gerais, solicitando parecer da Comissão do Ensino Superior para o reconhecimento dos cursos acima citados. Os dados disponíveis no parecer do CES n. 329, de 07 de novembro de 1963, aprovando a FAFIU, revelaram que em 1962, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no município de Uberlândia havia 99.000 habitantes. A rede de ensino era composta de 90 escolas primárias, nove escolas de nível médio, uma Escola Vocacional para a Indústria e três escolas superiores. As instituições superiores eram faculdades isoladas, o Conservatório Musical de Uberlândia com os cursos de Educação Artística – Música, fundado em 1957; a Faculdade de Direito, fundada em 1960; e a Faculdade Federal de Engenharia, fundada em 1961, com os cursos de Engenharia Química e Engenharia Mecânica (MENDES, 1999). Para atender a demanda social decorrente do processo de urbanização e das políticas econômicas do país, necessitava-se de profissionais formados na área educacional para atuarem nos diferentes níveis de ensino, em Uberlândia, especialmente no ensino de nível médio, em franca expansão, como relata Brzezinski (1996, p. 49), [.. .] o m od e lo ec on ôm i c o c om eç a v a a ex i g ir m ão- d e- o br a m ais es p ec i al i za d a , o q u e pr o voc o u um a ex p ans ã o do e ns in o s ec u n dá r i o ( p r o p ed ê u tic o e pr of is s io n a li za nt e) e do ens i no s up er i or nas Fac u l da des d e F i l os of ia . Nes s as f ac u ld a des , a f or m aç ão d e pr of es s or es d e v er ia s er i nt e ns if ic a d a par a at e nd er à d em an d a pr o v oc a d a p e la ex p a ns ã o d as op or tu n i da d es ed uc ac i on a is . Em 23 de janeiro de 1964, o decreto n. 53.477 concede o reconhecimento aos Cursos de Letras Neo-Latinas, Letras AngloGermânicas e Pedagogia da FAFIU. Em 1969, é criada a Universidade de Uberlândia (UnU), com a junção das faculdades isoladas do município, que foram sendo criadas a partir de 1957 inclusive a FAFIU. E, em 1978, ocorreu a federalização da UnU, transformando-se na Universidade Federal de Uberlândia 23 (UFU): [.. .] [c o nf or m e o dec r et o n. 1 9. 8 51 d e 1 1 d e ab r i l d e 1 93 1 d a Ref or m a Fr anc is c o Cam pos ] a or g a n i za ç ão do s is t em a un i v er s it ár i o do p aís t em c om o po n to d e p ar ti d a a c r i aç ã o da s un i v er s i da d es p e l a j us t a pos iç ão d e pe l o m enos tr ês d os s eg u i nt es ins t it ut os d e e ns i no s u p er i or : F ac u ld a de d e D ir e it o , Fac ul d a de d e M e d ic in a, Es c o l a d e E n ge n ha r i a e/ o u Fac u ld a de de Ed uc aç ão , C iê nc ia s e Le tr as . [. .. ] c r i am - s e u ni v er s i da d es a par t ir da j unç ã o d e c u r s os s u p er io r es [. .. ] ( MO R O SI NI, 2 0 05 , p. 3 1 0) . Tudo ocorreu, durante a ditadura militar, conforme o projeto político-militar de desenvolvimento econômico do país (MENDES, 1999), o que, para Morosini (2005, p. 314), reflete: [.. .] o c on tex t o s óc i o- po l ít ic o- ec o n ôm ic o d a naç ã o br as i le ir a, on d e o d es e n v o l vim e nt o c om b as e n a i n d us tr i a li za ç ã o e n a i nt er n ac i on a l i zaç ã o d a ec o n om ia , c ar ac t er i za o pr oc es s o d e m oder ni za ç ão da s oc i ed a de ( MO R O SI NI, 20 05 , p . 31 4) . De acordo com Silva (1995), o atual curso de Pedagogia da UFU, por mais de uma década, desde a sua criação até 1972, formava o “pedagogo bacharel”, especialista em educação, e o professor das disciplinas pedagógicas para atuar no Curso Normal de Nível Médio, que formava o professor das Séries Iniciais. A partir de 1972, em consonância com o parecer n.252/69, que alterou o currículo e a duração dos cursos de Pedagogia no Brasil, no curso de Pedagogia da FAFIU foram criadas as habilitações em Administração e Supervisão 23 P ar a m ai or es d et a l he s s obr e o pr oc es s o d e f und aç ão da Un i v er s i da d e Fe d er a l de Ub er l ân d ia e s ua es tr u tur a or g an i za c io n a l, v ej a- s e M e nd es ( 1 9 99) . Escolar, sob regime anual, que durou até 1977. A partir de 1977, o curso de Pedagogia tornou-se semestral, o que perdurou até 1986, a partir do 5º período do curso o aluno fazia opção pela habilitação específica, conforme currículo padrão do ano de 1977 e 1978 (Cf. ANEXO B). Em 1982, em Uberlândia, foi criada a habilitação Magistério da Pré-escola, pois “[...] a educação pré-escolar começou a se constituir um importante campo de estudo de vários educadores e instituições [...]” (SILVA, 1995, p. 11), além de procurar atender a demanda educacional do município. Em 1983, têm início as discussões relativas ao Programa do Curso de Pedagogia da UFU e, em 1986, ocorre a implementação da nova proposta curricular idealizada por grupos temáticos, na qual a Metodologia de Estudos Sociais alocou-se no grupo IV – Compreensão da Prática Pedagógica do ponto de vista das habilitações. Ocorreu, também, a adição da habilitação Magistério de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental, passando a formar o professor para atuar nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Tal alteração trouxe benefícios para o ensino, pois ampliou o campo de atuação do pedagogo e ofereceu à sociedade um professor para as Séries Iniciais com uma melhor qualificação, conforme o projeto de Anísio Teixeira, do início do século XX (BRZEZINSKI, 1996). Outra mudança importante refere-se ao regime de funcionamento do curso, que volta a ser anual. Diante de todas essas mudanças, Silva (1995, p. 13) afirma que, [.. .] es t a no v a pr o p os ta c ur r ic u l ar , a pr o v a d a em 19 86 , t i nh a c om o m eta f or m ar um pr of is s io n a l d a e duc aç ão c a p a z d e , p or um la d o, c om pr e e n der a es c o l a en q u an t o ins er i da n a s oc ie d ad e m a ior , n um a r e laç ã o d e m út ua d e ter m i naç ã o e, p or ou tr o la d o, or g an i za r , c o or d en ar e ex e c ut ar o tr a b a lh o pe d ag ó g ic o , s ej a c o m o pr of es s or , s ej a c om o pe da g og o ( es p ec i a lis t a) , a p ar t i r de um a c om pr e e ns ão d o t o do e d as par t es qu e c o ns ti t uem o pr oc es s o ed uc at i v o es c o l ar . Em 1992 e 1996, o curso de Pedagogia passou por novas alterações curriculares, tendo por objetivo: [.. .] tr a ba l ha r c om o ed uc a nd o a c om pr e ens ã o da f unç ã o po l ít ic a e s oc i a l da es c o l a, a p ar tir da r e laç ã o hom em /s oc ie d ad e , t e nd o em v is ta um a p r át ic a p ed a gó g ic a qu e c o nt r i b ua pa r a a tr a ns f or m aç ã o de um a at uaç ã o c ons c i e nt e, c r ít ic a e ver d ad e ir am ent e au t ôn om a d es s e pr of is s io n a l, a l ém de f om ent ar a pr o d u ç ão da ár ea da ed uc aç ã o ( www.f ac ed . uf u. br ) A resolução n. 1/2000 do Colegiado, que fixa normas de matrícula e funcionamento do Curso de Pedagogia, revela a valorização da docência enquanto base da formação do pedagogo na UFU, independente da habilitação escolhida, conforme o artigo 10: Ar t . 10 – As d is c i pl i nas c or r es po n de n tes ao c ur r íc ul o d a ha b i l it aç ã o M ag is tér i o d as S ér ies I nic i a is d o E ns i n o Fu nd am en ta l s ã o c o n s i der a das tr o nc o c om um par a q ua l q uer ou tr a ha b i l it aç ã o e m que o a l u no pr et e nd a gr ad u ar - s e ( www.f ac e d. uf u .br ) . Tais fatos confirmam a preocupação de Ildeu Coêlho, que em seu livro Realidade e utopia na construção da universidade: memorial (1996, p. 6), revela que “[...] formar professores para as Séries Iniciais em nível superior é hoje uma necessidade, devido à complexidade do processo inicial de escolarização [...]”. Além disso, esse nível de ensino requer um professor com a capacidade de didatizar os conhecimentos científicos, transpondo-os para um outro nível cognitivo, sem infantilizá-los, em um ambiente de construção do conhecimento, procurando valorizar o lugar em que o aluno está inserido e o multiculturalismo 24 presente em nossas escolas, pois 24 Cf . Mc la r e n ( 2 0 00 , p. 30 4) . [.. .] a tr a ns f or m aç ã o d os s ab er es l oc a is oc or r e c om a tr a ns f or m aç ã o d o s a b er c i en tíf ic o e c om es t a a tr ans f o r m aç ão do s uj e i to ep is têm ic o, do s er c i en t is t a e d o s er t éc n ic o. [ .. .] o c i en t is t a o u o t éc nic o [o a l un o ] e dif ic a n te t em de s a ber f a l ar c om o c ie nt is ta e c o m o não c ie nt is ta no m es m o dis c ur s o c i en t if ic o e, c om pl em en t ar m ent e, t em qu e s ab er f al ar c om o c i en t is t a nos vár i os d is c ur s os l oc ais , pr ó pr ios d os v ár i os c on t ex t os d e ap l ic aç ã o [. .. ] ( BO A V E NT UR A, 1 9 96 , p. 2) . Diante da atual reforma universitária o curso de Pedagogia da UFU, passa por mais um momento de mudanças. Não sabemos quais serão as decisões do grupo de discussão, mas esperamos que a docência continue sendo a base da formação do pedagogo, e que a Geografia amplie seu espaço na grade curricular e que a interdisciplinaridade esteja presente na formação do mesmo, pois, P or qu e a m ar g i na l i zaç ã o dos c o nt e úd os de h is t ór i a, geog r af i a , l it er at ur a, ar te , c u lt ur a, s oc i o lo g ia , f il os of i a, es t ét ic a, m o vim e nt o, m em ór ia c o le t i va [ .. .] ? P or qu e f or am m ar gi na l i za d os o e n s i no e o a pr e n d i za d o d e s ab er es e c om pet ê nc ias h um an as m ais a be r t os e d es i n ter es s ad os . P or q u e n ã o f or am c o ns id er ad as no r o l d os s ab er es ú te is ao m er c ad o, n em s eq ue r nec es s ár ias à f or m aç ã o do tr a ba l ha d or , do téc n ic o , d o m éd ic o , d o e ng e nh e ir o, o u d o g es t or . E o m ais gr a v e , n em s eq u er f o r am c ons i der a das ú te is à f or m aç ã o do c i da d ão .[ .. .] T em os qu e r ec o nh ec er q ue n o em ba te e n tr e s ab er es e c om pe tê nc ias f ec h ad os e ab er tos a qu e les oc u p ar am as gr a d es c ur r ic u l ar es e m ar gi n a li za r am os s a b er es ab er tos . T em os de r ec on h ec e r q ue as t ens õ es e as t en ta t i vas de r ec up er ar os v ínc u los en tr e t od as as ár eas do c on h ec im ent o e a f or m aç ão d as c om pet ê nc i as a b er t as es t ão pos t as n as es c o l as e nas r e l aç õ es na d a f ác e is e ntr e s eus pr of is s io n a is ( A RRO Y O , 2 00 0, p. 7 6 - gr if o nos s o) . Para pesquisar o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, definimos um curso de formação docente que preparará os profissionais para atuarem nesse nível de ensino; o curso de Pedagogia da UFU o faz a partir de 1986, após a implementação da habilitação Magistério de 1ª a 4ª série do 1º grau. Assim, optou-se por investigar a formação desse profissional no ambiente da UFU, por se tratar de uma instituição pública de destaque no cenário educacional nacional; que há décadas é referência no desenvolvimento de projetos e atividades acadêmicas e educacionais, sobretudo na região do Triângulo Mineiro, conforme MAPA 1. 3.3 – O Ensino de Geografia no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia Na expectativa de compreender a evolução do ensino de Geografia no curso de Pedagogia da UFU e, conseqüentemente, na formação do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, recorremos a Coordenação do Curso e ao site da FACED, como afirmamos anteriormente, selecionamos documentos e informações que colaboraram para compreender a trajetória da Geografia no curso de Pedagogia da UFU. Registre-se que a Geografia é um saber disciplinar, que se manifesta da tradição cultural dos grupos sociais geradores do saber, sendo um conteúdo definido e selecionado pela instituição universitária, e integrando à prática do professor, por meio da formação inicial e continuada nas universidade (TARDIFF, 2002). diversas disciplinas oferecidas pela MAPA 1 Por meio do levantamento desses dados, percebe-se que, desde 1959, data da sua fundação até 1986, o currículo do referido curso oferecia seis habilitações, sendo quatro 25 relativas à formação do especialista em educação, e duas ligadas à área da docência 26, e dentre elas, a formação do professor para atuar no Curso Normal de nível médio. Portanto, os alunos que optassem por esta habilitação, deveriam cursar as disciplinas pedagógicas. Podemos observar, conforme currículo padrão dos anos de 1977 e 1978 (Cf. ANEXO B), que a Disciplina de Metodologia dos Estudos Sociais era oferecida no 7º período do curso, com uma carga horária de 90 horas, para os alunos que optassem pelas habilitações em Supervisão Escolar e Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Até então, a docência não era à base da identidade e da formação do pedagogo na UFU, pois as disciplinas pedagógicas não eram obrigatórias para todas as habilitações. A grade curricular do curso de Pedagogia de 1980 (Cf. ANEXO C), revela uma alteração na Disciplina de Estudos Sociais, que passa a ser oferecida em dois momentos, 6º e 7º períodos do curso, com uma carga horária total de 120 horas, dividida entre os dois períodos, permanecendo disponível para as mesmas habilitações. Tal disciplina era responsável pelas discussões relativas aos conhecimentos geográficos. Na ementa da Disciplina de Estudos Sociais I e II de 1980 (Cf. ANEXO D), percebe-se a reprodução do discurso político ditatorial vigente na época, as disciplinas de Geografia e História apresentam-se 25 Ha b i li t aç õ es em : I ns p eç ã o , O r i en t aç ã o , S up er v is ã o e Adm i nis tr aç ão Es c o l ar . Ha b i li t aç õ es em : M a g i s tér i o d as Ma t ér i as P ed a gó g ic as par a a tu ar n o Ní v e l M éd i o e M ag is tér i o d a Pr é- es c o la . 26 diluídas nos Estudos Sociais: “[...] A questão aqui é reconhecer que as escolas são instituições históricas e culturais que sempre incorporam interesses ideológicos e políticos [...]” (GIROUX; McLAREN, 2002, p.142), o que pode nos revelar o medo e o desconhecimento da importância dessas ciências na educação escolarizada, uma defasagem teórica e metodológica na formação dos educadores e, conseqüentemente, dos educandos, conforme os depoimentos nos revelaram, a exemplo, a fala de Ferreira (2005) “[...] se eu fosse levar em conta o que eu aprendi de Geografia [quando foi aluna da educação básica] eu não ensinaria nada [...]”. Em 1986, em consonância com o parecer n. 252/69, que alterou o currículo e a duração dos cursos de Pedagogia no Brasil, o curso de Pedagogia da UFU passou a formar o pedagogo, para atuar como professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental: A t e nd ê nc ia de a f or m aç ã o do pr of es s o r d as Sé r i es I n ic i ais d e es c o l ar i za ç ã o s er a bas e da i d en t id a d e d o c ur s o d e pe d ag o g ia l e v a à c on c l us ã o d e q u e v em s e c onc r e ti za n d o a pr e v is ã o [ .. .] o c u r s o d e p e da g og i a r et om a s ua v oc aç ã o i nic i a l qu e e nc o n tr a or i g ens r em otas n a a nt i ga Es c o la N or m al e n a Es c ol a d e Pr of es s or es de A n ís io T e ix e i r a ( B RZ EZI N S KI , 19 9 6, p . 2 26 ) . Ao Pedagogia analisarmos da UFU, responsável por geográficos, é a atual grade percebemos desenvolver, oferecida no 3º que, na ano, curricular do atualmente, formação inicial, juntamente com a Curso de disciplina os temas as demais metodologias, dividindo a carga horária com a História, conforme grade curricular (Cf. ANEXO E). Tal fato evidencia que o pedagogo deve ter a capacidade de lidar com o campo conceitual das diversas disciplinas que compõem o currículo da escola elementar, dentre elas o campo geográfico, mas, como revela Pereira (1999, p. 35), “[...] sua desvalorização [...], decorrente de medidas tais como a diminuição de carga didática semanal ou a implantação dos estudos sociais, fundindo os conteúdos de história e geografia [...]”. Portanto, a Geografia continua sendo trabalhada junto com a História na formação do professor o que, a nosso ver, renova a sua desvalorização no meio educacional, pois a mesma muitas vezes não é ensinada: “O aprender é inseparável do como aprendemos. A própria docência é uma extensão do como somos [como nos formamos] docentes [...]” (ARROYO, 2000, p. 115), conforme corrobora o depoimento de Ferreira (2005): [.. .] n ã o s e i s e é p or qu e ag or a eu t ô c om a 2 ª s ér i e ... c om es s a pr e oc up aç ão d e a lf ab e ti za r .. . q ue e l as a pr e n dam a l er a es c r e v er . .. e u ac ho q ue o m ais im p or t a nt e par a el es ag or a .. . é s a b er ler e es c r e v er . .. e nt ão é o Por t ug u ês . .. po r is s o en t en d eu . .. n ã o qu e eu n ã o ac ho q u e as ou tr as d is c i p l i nas nã o s ão im po r t an t es tam bém .. . m as eu a c ho as s im ... n a at u al s i tu aç ão .. . qu e e les s e enc o ntr am ... o m ais im por ta nt e é e l es a pr e n der em a es c r e v er .. . d e po is Ma t em átic a . .. e u ac h o q ue a H is t ór i a ... a H is tór i a de l es . .. e u pr oc ur o na His t ór i a es tu d ar b em .. . a H is t ór ia d e l es .. . a C iê nc ias e de p o is G eo gr af i a . .. nã o te n ho l em br a nç a s de G e o gr af i a . .. ag or a de H is t ór ia e u te n ho .. . eu n ão s e i o p or q ue .. . es s a d if ic ul d ad e qu e eu te nh o de G e ogr af i a .. . de l oc a l i za ç ã o . .. s ab e [ ... ]. Para tornar perceptível a trajetória da Geografia na formação do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e selecionar o grupo de colaboradores, acompanhamos as aulas da Disciplina de Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré à 4ª série do Ensino Fundamental, durante o 2º semestre de 2004, nos períodos diurno e noturno, com o objetivo de caracterizar a disciplina que trata da Geografia no curso de Pedagogia, realizando uma leitura do ambiente da formação inicial e das perspectivas relacionadas ao seu ensino, na formação dos alunos que atuam/atuarão nas séries inicias do Ensino Fundamental. A seleção de documentos e informações relativas ao curso, uma das etapas da História Oral, conforme Capítulo 1, aliada às informações do questionário aplicado aos alunos que cursaram a disciplina que discute os temas geográficos, e as narrativas das alunas-professoras, possibilitaram a análise que elaboramos ao longo de nossa dissertação. Para conhecermos a contribuição da disciplina de Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré à 4º séries do Ensino Fundamental na formação e prática do futuro professor, no final do 2º semestre de 2004, distribuímos um questionário às duas turmas. No ano de 2004, estavam matriculados na Disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4º série do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia da UFU, 92 alunos, sendo que um dos matriculados na disciplina no noturno era aluno do Curso de Artes da referida instituição de ensino (a disciplina objeto de pesquisa é oferecida a esse curso como optativa). Sendo assim, consideraremos 91 indivíduos, os alunos regulares do Curso de Pedagogia. No final do semestre, sete alunos abandonaram o curso. Concluíram a disciplina 84 alunos; houve uma reprovação no turno diurno e, deste total, 75 responderam o questionário, ou seja, 89,3% da turma. Os questionários nos revelaram o perfil dos alunos do 3º ano de 2004. Somente um aluno é do gênero masculino, confirmando a tradicional feminização do curso (PEREIRA, 1969; NOVAES, 1987; LELIS, 1996; CARVALHO, 1999; FISCHER, 2005). Como afirma Pereira (1969, p. 17): A c ar ac t er ís t ic a m ais f la gr a n te [ .. .] es tá no f at o d e c ons is ti r num a oc u paç ã o q u as e ex c lus i v am en te f em ini na [. .. ] a pr e d om in ânc i a n um ér ic a d a m u lh er n es s a pr of is s ão é d e s i gn if ic a do bas ta n te r e le v a nt e [. .. ]. Tal aspecto pode ser evidenciado pela interdependência entre os fatores estruturais, a exemplo da possibilidade de haver acomodação entre o trabalho doméstico e o profissional, e fatores ideológicos, como a adequação do gênero feminino à atividade educativa das crianças (CARVALHO, 1999). Esses fatores geram uma ambigüidade no reconhecimento do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental como profissional. O que predomina na sociedade é a visão docente do sacerdócio, resquício do período colonial, o professor trabalha por “doação”, concepções verbalizadas em frases como “a professora é uma segunda mãe” e “a escola é a continuação do lar” (PEREIRA, 1969). A necessidade de constituir e consolidar o Estado-nação brasileiro, bem como as exigências de desenvolvimento urbano e industrial, provocaram a expansão dos estabelecimentos de ensino de educação elementar pelo Brasil, solicitando um maior número de pessoas para atuarem na educação primária. Tal fato revelou a carência de professores habilitados no país. As leis e decretos que foram sendo publicados ao longo do século XX referendam tal situação, a exemplo da lei n. 5.692/71, no artigo 77, parágrafo único, que Ivani Fazenda (1994, p. 43) analisa: “[...] embora o anúncio fosse de alteridade, voltamos foi ao urobórico, ao indiscriminado. A pretensa rigidez das disciplinas resultou num amorfo, sem origem, à ausência, sem status, sem destino [...]”, revogada pela LDB n. 9394/96, o que evidencia que, para atuar nesse nível de ensino, não era necessária muita formação: Ar t . 77 – Q ua n do a o f er ta d e pr of es s or es ( s ic ) , l e ga lm en te ha b i l it ad os , n ão bas t a r às nec es s i da d es d o ens i no , p er m it ir s e- á q u e lec i on em , em c ar á ter s u p lem en t ar e a tí tu l o pr ec ár i o: P ar á gr af o ú nic o . O nd e e q u an d o per s is t ir a f a l ta r e a l de pr of es s or es ( s ic ) , a p ós a a pl ic aç ão dos c r it ér ios es t a be l ec id os n es t e ar ti g o, p o de r ã o a i nd a l e c i on ar : a) no e ns in o d e 1º gr a u, a té a 6ª s ér i e [o nd e i nc lu i as S ér ies I n ic i ais d o E ns i no F u nd am en ta l ], c an d id at os qu e h aj am c onc l uí d o a 8ª s ér ie e v en h am a s er pr e p ar a d os em c ur s os i nt ens i v os ; b) no e ns in o d e 1º gr a u, a té a 5ª s ér i e [o nd e i nc lu i as S ér ies In ic i a is do E ns i n o F un d am ent a l] , c a n d id at os ha b i l it ad os em ex am es d e c a pac i taç ã o r e gu l ad os , n os vár i os s is t em as , p e los r es p e c ti v os C ons e l hos d e E duc aç ão ; c) nas d em ais s ér i es d o ens i n o d e 1 º gr a u e n o d e 2 º gr a u , c an d i da tos h ab i l it a do s em ex am es de s uf i c i ênc i a r e g ul a d os pe l o C o ns e l h o Fe d e r a l d e Ed uc aç ã o e r ea l i za d os em i ns t it u iç ões of ic i a is d e ens i no s u per i or in d ic ad os pe l o m es m o Co ns el h o. A história do professor das Séries Iniciais no Brasil acoberta a profissionalização, e evidencia ora o sacerdócio, ora a idéia de que qualquer pessoa que saiba ler, escrever e calcular e que tenha “jeito” com criança, pode assumir a docência nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Conforme revelam os depoimentos das alunas- professoras: [.. .] er a aq u e la qu e o pr of es s or n ã o pr ec is a va es t u dar m ui to par a e ns i n ar de 1ª a 4 ª s ér i e . .. v oc ê n ã o pr ec is a s a ber m uit a c o is a n é [ .. .] ( G O N Z A G A , 20 0 5) . [.. .] a l ém dos o u tr os e s ti gm as q u e n ós j á tr a zem os .. . d e qu e qu a l qu er um f a z e duc aç ã o .. . de q u e t o do m undo s er v e p ar a s er vo l un t ár io .. . n en h um m édic o a br e a po r ta da s ua s a la d e c ir ur g i a e c ham a o pr i m eir o q ue t á pas s a nd o e d i z . .. v êm m e aj u d ar a q ui .. . ve n h a s er vo l un t ár io nes s a c i r ur g ia .. . m as qu a nd o s e tr at a d e ed uc aç ã o q u e t am bém é l id ar c om vi da .. . e t a l ve z a ge nt e m ar q ue m a is q u e um bis t u r i . .. to d o m un do po d e f a ze r e d uc aç ã o [ ... ] ( O L I V EI R A, 2 0 05) . No entanto, não podemos negar que houve um avanço legal na organização do sistema educacional do Brasil. A LDB n.9.394/96 exige que a formação, para se atuar na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, seja de nível Superior, cabendo às instituições de formação docente definir objetivos claros que possam ser cumpridos, esperamos que por meio de uma perspectiva reflexiva, que proporcione uma melhoria na qualidade do ensino no geral, essencial para a construção de uma cidadania crítica na sociedade brasileira (FERREIRA, 1993). Tal lei fez com que alguns tomassem a decisão de retomarem os estudos, especialmente as colaboradoras que já atuavam como professoras efetivas da rede estadual de ensino, conforme depoimentos: [.. .] c a da c o is a no s e u d e v id o lu g ar .. . e n t ão .. . o q u e é qu e ac o n tec e u . .. aq u i em Ub er l ân d ia .. . m eu m ar i do f a l a v a as s im ... n ã o m ex e c om is s o nã o .. . e u s em pr e f a le i .. . têm 10 a nos qu e es t ou aq u i . .. e u v im pr a c á . .. pr a enc am in har os f i lh os ... s ó q u e .. . a g e nt e c om pr o u um a c as a tã o p er t i nh o d a un i v er s i da d e . .. qu e e u s em pr e p as s a v a e f a la v a .. . n ão . .. e u nã o v ou d e ix ar p as s a r es s a o po r t un i d ad e . .. ai m e u m ar i do f al a va . .. n ã o . .. voc ê n ão va i m ex er c om i s s o nã o .. . de p o is de t a nt o t em po .. . e eu s em pr e q u is .. . s a be . .. eu s em pr e qu is m a is um po uc o ... e u n ão g os t o m ui t o de f ic a r a l i .. . num a c o is a .. . a i v e io a qu e l a n ec es s id a de do g o v er n o .. . de qu e os pr of es s or es t i v es s em .. . at é 2 0 06 . .. o m ag is t ér i o d e f or m aç ão s up er i or . .. a i .. . e u ap r o v e it e i o em ba la .. . p or qu e eu f ic a va as s im .. . e u v o u .. . eu vo u .. . m a s . .. m eu m ar i d o nã o m e d a v a f or ç a . .. a i . .. e u c h e gu e i pr a e le e f a l e i . .. e u v ou f a ze r .. . d ec id i d a m ente .. . e u vo u f a z er [ .. .] ( S A LL E S , 20 0 5) . [.. .] eu d ig o q u e f i z a h is t ór ia . .. ao c on tr ár i o d a m aior i a . .. e u f ui p ar a a pr át ic a .. . p ar a de p o is eu c on h ec er o q u e eu f a zi a na pr át ic a . .. e p o di a s er m el hor .. . e .. . d e in ic i o . .. eu n ão v ou n e gar q ue f o i . .. aq u e la pr e oc u p aç ã o c om a L DB . .. o nd e d i z qu e a té 20 0 7. .. p r of es s or .. . m esm o at ua n do nas Sé r i es In ic i ais d o E ns in o F u nd am en ta l d e ve r i a te r o c ur s o s u p er io r [.. .] ( O LI V E IR A , 20 0 5) . Apesar de toda a preocupação com a formação docente, o estigma relativo à facilidade em ser professor da escola elementar, continua presente na sociedade. Refiro-me à autorização dos cursos de formação docente de Magistério Superior de formação técnico- profissional, carente de pesquisa e extensão (HISSA, 2002). Atualmente, o Curso de Pedagogia da UFU oferece as habilitações em Supervisão, Administração, Orientação e Inspeção Escolar do Ensino Fundamental e Médio, que formam os especialistas em educação; o Magistério das Matérias Pedagógicas do Curso Normal, gradativamente extinto, eliminando, assim, esse campo de atuação para os pedagogos; o Magistério para a Educação Infantil e Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, nosso campo específico de pesquisa. Quando questionamos os alunos do Curso de Pedagogia sobre as habilitações que iriam cursar, a maioria escolheu a Supervisão Escolar, seguida do Magistério nas Séries Iniciais, Orientação Escolar, depois Magistério Administração para Escolar a e, Educação por fim, Infantil, Magistério Inspeção Escolar, para Matérias as Pedagógicas do Curso Normal, hoje em extinção. Percebe-se que a docência é uma das habilitações predominantes na formação do futuro pedagogo, mas primeiramente elencam-se as atividades do especialista em educação. Novaes (1987, p. 85) compreende que este fato seja: A f u g a à r eg ê nc ia de c l as s e a pr es e nt a- s e s ob as p ec t os d if er e n tes , s e n do pr ed om in an t e à des v a nt a g em f ina nc e ir a em qu e s e c ol oc a a d oc ê nc i a em r e l aç ã o aos c ar g os d e es p ec i al is tas . O ut r os s im , o des ej o d e a pr of es s or a as s um ir a s up er v is ão nã o po d e de ix ar d e s e r e nc ar a do c om o a f or m a qu e e l a enc o ntr a pa r a s e l i vr ar da o pr es s ão q ue s of r e na s u a r e laç ã o d e tr ab a lh o ; [.. .] . Ac r es c en ta- s e , tam bém , qu e a i nt er n a l i za ç ã o de i dé i as , c om o as qu e atr i bu em o i ns uc es s o es c o l ar à a us ênc i a d e p es s oa l [p r of es s or ] pr e p ar ad o par a at u ar [. .. ]. Na sua grande maioria, os alunos do 3º ano de 2004 do curso de Pedagogia são bastante jovens; 4% têm entre 16 e 20 anos de idade, 57,3% (a maior parte) tem entre 20 e 24 anos de idade, 17,3% entre 24 e 28 anos, 2,6% tem de 28 a 32 anos, 5,5% entre 32 e 36 anos, 4% tem de 36 a 40 anos e 9,3% tem mais de 40 anos, conforme evidencia a figura 4. Apesar de a idade variar entre 16 e mais de 40 anos, a grande maioria dos alunos é jovem. Tal fato pode ser reflexo do Programa de Acesso ao Ensino Superior (PAIES) 27, que reserva cerca de (25%) das vagas de cada curso oferecidas no ano, para os alunos do Ensino Médio, bem como a possibilidade de outros campos de trabalho, que não seja a docência, como a Pedagogia Empresarial, área de atuação historicamente reivindicada pela Pedagogia, apresentada anteriormente. 27 O P AI E S: Pr o gr am a A lt er na t i vo de I ng r es s o ao Ens i n o S up er i or , é um pr o gr am a qu e v is a pr o p or c io n ar a os a l u nos d o E ns i n o Mé d i o um a s is t em át ic a d e a v al i aç ão s er ia d a e gr ad u al , p or m eio d e um pr oc es s o a oc or r er nas 1 ª, 2ª e 3ª s ér i es , c om v is t as ao i ng r es s o no E ns i n o Su p er ior . D es s e m odo , o c a nd i d at o d e ver á r e al i za r as a va l i aç õ es em tr ês e t ap as , ou s ej a , a o f in a l de c ad a um a d as s ér ies do Ens i n o Mé d i o. O P AI E S v is a pr e e nc her 2 5% d as v ag as of er ec i d as n o an o p ar a os c ur s os de gr ad u aç ã o en q ua n to qu e o Pr oc es s o S e le t i vo S em es tr a l v is a pr e enc h er 7 5% des t as . Cf . www. i n gr e s s o. uf u .br / in ic i a l. as p . 2 16 - 20 20 - 24 24 - 28 28 - 32 32 - 36 36 - 40 mais 40 4 3 3 7 13 43 FIG U R A 4: Fa ix a et á r ia do s a luno s do 3 º a no/ 20 0 4 do Cu rs o de P ed agog ia d a Univ er s ida de F ed e ra l de U be r lâ ndi a. FO NT E: Pes q uis a d ir e ta , 2 00 5. O RG .: N O V A E S , I. F. , 20 0 5. Quando perguntamos o motivo de terem escolhido o Curso de Pedagogia, alguns alunos anotaram nos questionários: Me u s o nh o nem s em pr e f oi s er P e da g og a , m as na h or a d e pr e e nc her o f or m ul ár i o d o P AI E S ac h e i qu e s er i a m ais f ác i l pas s ar ; P ed a go g i a nã o f o i a m inh a pr im eir a opç ã o , m as p or g os t ar dos as s u nt os r e lac i o na d os à ed uc aç ã o e pe l a ár ea d a P ed a go g i a Em pr es ar ia l, f i z a es c o l ha ; E ntr e i n a U FU s em sab er o q u e q u er ia e a Pe d ag o gi a er a a ún ic a o pç ã o q u e i nt er es s o u e ntr e as ou tr as . Percebe-se que a docência não é referência para alguns alunos do Curso de Pedagogia da UFU. Apesar de cursarem a habilitação específica para a docência, pensam em se dirigir para outras habilitações e até mesmo para outras profissões (LAPO; BUENO, 2003), pois “[...] no nível superior [...] não cursam o que gostariam, mas o que é mais conveniente em termos de horários, facilidade do curso [...]” (FREITAG, 1980, p. 68), talvez por ausência de motivações financeiras e/ou sociais. Tal fato é preocupante: [.. .] a qu a nt i d ad e de pr of es s or es nã o i de nt if ic a dos c om o m agis t ér i o p r im ár io é p ar a c a us ar s ér i a pr e oc up aç ã o, s e enc ar a do d o po n to d e v is ta d o r e nd im en t o d o s is t em a es c o l ar pr im ár i o p úb l ic o [. .. ] ( P ER E IR A , 1 96 9, p. 1 0 5) . Em contrapartida, o interesse pela educação está pulsando em outros alunos, revelando o compromisso social com a instituição escolar e a dimensão política da prática educativa, sinalizando que as reflexões realizadas sobre os objetivos da educação e da docência, que acreditamos ser a base do referido curso, desenvolvidos ao longo da formação inicial em Pedagogia, foram internalizadas pelos mesmos. Vejamos: T r aba l h o c om o pr of es s or a h á 1 7 a n os . Es c o lh i o c ur s o p or des ej ar um a m el ho r c a pac i taç ã o n a ár ea em qu e a tu o ; T ent ar m el hor ar os c o nc e i tos q ue as p es s o as t êm a r es p e it o da ed uc aç ã o, a par t ir d e n o vas id é i as par a a c o ns t r uç ã o de um ens in o m a is qu a l if ic a do e qu e e n vo l v a a i nt er d is c i p l in ar i da d e; Cam po d e tr ab a lh o am pl o q ue pr ec is a d e pr of is s io n a is qu a l if ic ad os e in t er es s ad os p ar a f a ze r d if er e nt e. Do total de alunos matriculados no 3º ano, nos dois turnos, 27 disseram que somente estudam e 48 afirmaram que trabalham e estudam. Do total de alunos trabalhadores, 30 não atuam na área da educação e somente 18 atuam como docente, sendo que 12 atuam na educação infantil, dois trabalham concomitantemente com a educação infantil e as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, e quatro trabalham somente nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Ao analisarmos esses dados, diagnosticamos o grupo de colaboradoras em processo de formação inicial, conforme afirmamos no primeiro capítulo, pois já atuam como docente nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental; tornando-se nossas colaboradoras. Assim, foi possível verticalizar as análises e as reflexões realizadas sobre as experiências que as mesmas tiveram com a Geografia, que foram sendo apresentados ao longo do trabalho, e a interferência na maneira como ensinam os saberes geográficos nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Ni n gu ém s e f or m a no v a zi o . F or m ar - s e s u põ e tr oc a , ex p er i ênc i a, in t er ac ç õ es s oc ia is , a pr e n d i za ge ns , um s em f im de r e laç õ es . T er ac es s o a o m odo c om o c ad a p es s o a s e f or m a é t er em c on t a a s in g u lar i d ad e da s u a h is t ó r i a e s o br et u do o m odo s i ng u l ar c om o a ge , r e ag e e i n ter ag e c om os s e us c on t ex t os . Um p er c u r s o de v id a é as s im um p er c ur s o d e f or m aç ão , n o s e nt i do em qu e é um pr oc es s o d e f or m aç ã o. [. .. ] O pr oc es s o d e f or m aç ão p o de as s im c ons i d er a r - s e a d in âm ic a em qu e s e v a i c o ns tr u i nd o a id e nt i da d e d e um a p es s oa . Pr oc es s o em qu e c a d a p es s o a , p er m anec e nd o e l a pr ó pr ia e r ec o n h ec e n do- s e a m es m a ao l on g o d a s u a h is t ór i a, s e f or m a, s e tr a ns f or m a, em in te r ac ç ã o .( M O IT A , 1 99 2, p. 1 15) . Como ponto de partida, fez-se necessário refletir sobre a importância do curso de Pedagogia na formação docente. As colaboradoras afirmam que o curso contribuiu muito na sua formação e para a sua compromisso prática; das os depoimentos alunas-professoras, revelam com o seu seu mérito processo e o de formação, e conseqüentemente com a educação: [.. .] o c ur s o s im ... n os s a .. . b as t a nt e . .. n ão v o u d i ze r um a d is c i p l in a . .. o u o u tr a d is c i p l i na .. . o c ur s o to d o t em c on tr ib u íd o d em ais . .. ta nt o q ue .. . o q u e e r am c ois as f ác e is pr a m im de dom ín i o ... c om o tá r e l at a n do ... f a ze n d o um a d is s er taç ã o . .. q ue j á er a um a c o is a f ác i l pr a m im ... n os s a .. . aí f o i o a u ge n é. .. p or qu e nes s as eu s a ia m elh or . .. e a q u i lo qu e e u nã o t in h a dom ín i o eu f u i des c o br in d o. .. e c o is as qu e eu f a zi a .. . i n ter es s a nt e é is s o .. . c o is as qu e e u f a zi a n a pr á t ic a .. . q u e e u n ão e nc o ntr a v a n om es pr a dar .. . n ã o enc o ntr a v a f un d am ent os . .. e n em end os s o de es c r it or es pr a d i zer .. . es t o u f a ze n do is s o em bas a do na t e or ia d e a l g uém ... en t ão a g or a eu c os t u m o di zer as s im par a os pr of es s or es . .. s e a p ar t ir d e a g or a eu a i nd a er r o . .. ou s e s a ir d aq u i c om o pe d ag o ga e er r ar .. . pos s o a t é es t ar er r a nd o . .. m as es t o u s en d o a l gu ém er r a n do ... n ão por f a l t a d e t e or ia n é .. . p or qu e eu t e nh o a té o e nd os s o d aq u i lo qu e e u l i . .. eu nã o t ô er r an d o s o zi n h a nã o .. . tô t e n ta n do f a ze r c om o e n dos s o d e a lg u ém [.. .] ( O LI V E IR A , 20 0 5) . [.. .] d es c o br i qu e o c ur s o .. . é um c ur s o bom ... q ue é um c ur s o q ue tem m ui to m ais v a lor do q ue pa r ec e .. el e é m uit o im por ta nt e em t od as a s ár e as [. .. ] ( G O NÇ A L V E S, 2 0 05 ) . [.. .] o c ur s o c o ntr i b ui u b as t a nt e p or q u e n a m in ha ép oc a as pr of es s or as i am f a ze r c ur s o d e P ed a go g i a pr a a um en tar s a lár i o. .. p or q u e q uem ti n h a P e d ag o g ia t in h a um a por c e nt a gem a m ais no s a l ár i o .. . e e las f a zi am c ur s o v a go qu as e t o d as as m in h as am ig as f a zi am c ur s o v ag o [. .. ] e eu nã o q u is .. . nã o i nt er es s e i d e f a zer pr a ga n har um a por c e nt a gem a m ais . . . e u vo u f a ze r es s e s a c r if íc io e nã o v ou apr e n der na d a . .. e n t ão eu n ão v ou .. . e nã o ac e i te i f a ze r es s e c ur s o .. . p ar ec e qu e é i nt er es s a n te . .. é d es t i no m es m o ... es ta v a p r e d es t i na da a v im c ur s ar a UFU n é. .. n u nc a im ag i ne i qu e c om qu ar e n ta e ta nt os an os eu i a v ol t ar pr a c ur s a r um a f ac u l d ad e ... s e eu t i v es s e f e it o es s e c u r s o a n tes ter i a aj u d ad o m ais n a m in h a p r á t ic a e u e r a as s im bem [.. .] ( FE RR E IR A , 20 0 5) . [.. .] o c ur s o d e P e da g og i a c o ntr i b ui u m u it o .. . par a a m elh or ia d a m i nh a p r át ic a .. . um m ont e de c o is as q ue e u apr e n di . .. e u c o l oc o l á [. .. ] ( S A LL E S , 2 00 5) Ao considerarmos o programa da disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental (Cf. ANEXO F), um dos objetivos chamou a atenção: “analisar os pressupostos teórico-metodológicos que norteiam o ensino de Geografia e de História nos diferentes níveis de ensino”, acreditamos que a prática docente deve ser desenvolvida com conhecimento teórico e metodológico, das diferentes disciplinas, pois para se determinar um objetivo, faz-se necessário saber como alcançálo e, para isso, trilhar o campo conceitual e teórico da ciência é primazia. A D i d át ic a n ã o p o de , po is s er “ um a te or i a d o m ét od o em ger a l, um a c i ênc i a ou t éc n ic a d o e ns in ar a e ns i n ar , c on h ec im ent o ‘n e utr o ’ d e pr i nc í p ios e r egr as g er a is , r ec e i tu ár i o i nc o l or p ar a qu a l qu er s a ber , es c o la , s a la d e au l a ou s i tu aç ã o” . P ar t i n do d e c on te ú d os e s pec íf ic os e d os m étod os d e s ua pr o d u ç ão , e l a d e v e aj ud ar o f ut ur o pr of es s or a p e ns á - l os , a c om pr e en d er s eu s e nt i do e g ên es e, b em c om o os d e ter m i na n tes ec o nôm ic o- s oc i a is e h is t ór ic o- c u lt ur a is d o pr oc es s o e ns i no- a pr e nd i za g em , t or n a nd o- s e as s im m edia d or a en tr e pr of es s or es e a l un os c onc r e tos e s ab er es d et er m in a dos [.. .] ( CO ÊL HO , 19 9 6, p. 6 0) . No questionário, perguntamos aos 75 alunos, futuros “professores”, sobre a opção teórico-metodológica que adotariam para a sua prática no ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Obtivemos as seguintes informações: 5,5% escolheram a Geografia Tradicional, 66,6% a Geografia Crítica, 1,3% a Geografia Quantitativa, 18,6% a Geografia Humanística e 8% outros, conforme mostra a FIGURA 6. Várias foram as justificativas apresentadas no questionário para a escolha das opções teórico-metodológicas que seriam utilizadas para o ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, dentre elas: P od e s e ad ot ar v ár ias to ta lm en te c or r et a; m et o do l o gi as , p ois n e nh um a é Es c ol h o a c r í t ic a , m as ac h o q ue n ão va i s er m ui to f ác i l d e ap l ic á- la , c ons i d er a n do os s uj e i t os ( c r ia nç as ) e p ouc o o apr of u n dam en t o q ue o c ur s o of er ec e; A pe d ag o g ia d e pr oj et os f a v or ec e a in ter d is c i pl i n ar id a de e f a z c om que o a l u no p er c eb a qu e o e ns in o d e His t ór i a e G e o gr af i a s ão f u nd am en ta is n o s eu c ot i di a no ; P el o f a to d e q u e e u s em pr e v i a H is t ór ia e a G e og r af ia p el a ót ic a do l i vr o di d át ic o, g os t ar ia d e ens i n á- la d e f or m a m ais c r ít ic a e i nt er es s a n te ; 4 1 6 14 50 Crítica Humanística Tradicional Quantitativa Outros FIG U R A 5: O p çã o t e óri co - m et odo lóg i ca dos alu nos d o 3 ºa n o/2 0 04 d o cu rs o d e P ed ag ogi a da UF U p a r a o e ns ino de G eog r af i a. FO NT E: Pes q uis a D ir e ta , 2 00 5. O rg .: NO V A E S, Í . F ., 20 0 5. Ao analisarmos às justificativas, diagnosticamos uma confusão relativa às concepções teórico-metodológica da Geografia, base do campo conceitual que respalda a prática do professor. A escolha teórico-metodológica direciona as vertentes de construção do conhecimento, o que pode valorizar ou minimizar o ensino dos temas relativos à disciplina. No caso da Geografia, Libâneo (2003, p.49) esclarece que “[...] as professoras ensinam Geografia nas Séries Iniciais, mas não conhecem minimamente o campo conceitual da Geografia [...]”. Isso pode gerar uma pseudo-aprendizagem e se agravar nas séries seguintes, mesmo com professores de áreas específicas, pois os alunos não tiveram acesso a uma “alfabetização geográfica”, o que pode gerar uma completa falta de conhecimento dos saberes geográficos, conforme revela a preocupação de Oliveira (2005) em seu depoimento, a mesma considera que: [.. ] nã o pr ep ar a . .. n ã o p r e p ar a e l e n em pr a 5ª . .. n em pr a 6ª ... e nem pr a v i d a .. . e u m e de p ar e i c om um a pr of es s or a de 5ª s ér ie .. . e u es t a va a ux i l ia n do n es s e d ia n a b ib l i ot ec a .. . e n tã o e la m e pe d i u um m ap a. .. [ .. .] f a zi a a l gu ns d ias qu e e u t i nh a v is t o o s e u tr a ba l h o c om a ge nt e [ r ef le x ões te ór ic as e pr á t ic as d e G eo gr af i a des e n vo l v i das p e la p e s qu is a dor a c om a tur m a d ur an t e o ac om pa n ham e nt o d as a u l a s no 2º s em es tr e de 2 0 04 ] .. . e j á t i n ha v is t o as s im de f o r m a tã o pr át ic a a pos t ur a de es t ar s e an al is a nd o um m ap a. .. a pos t ur a de c o loc aç ão de m ap a e m s ala d e au l a c om o r ec ur s o di d át ic o [.. .] de c ar a e la per gu n to u pr a m im ... f or m ada n a Un i v er s id a de Fe d er a l de Ub er l ân d i a . .. j á h á um bom tem po ex er c e n do . .. m e p ar ec e qu e m ais de 15 an os n é . .. e e l a d is s e o s e g u in te .. . v o c ê obs er v o u pr a m im s e el e t em um a a lc i n ha ... e s e n a s a l a tem um pr eg u in h o. .. eu f a le i as s im ... e le tem um a a lc in h a e n a s a la tem um pr eg u i nh o. .. m as eu f al e i. .. v oc ê c o loc a o s e u m ap a ex pos to a s s im ... d e f r en t e par a os s eus a l un os . . . n a par e de o u no q ua dr o n e gr o .. . é . .. eu f a le i . .. e ngr aç a do e u j á o u vi d i ze r q u e t em um a o u tr a f or m a qu e s er i a a m ai s c or r et a d e a na l is ar qu e s er ia as s im ... as s im ... as s im ... e l a f alo u p o is é e u f i z g eo gr af i a e n u nc a ou v i is s o . .. en tã o e u f ic o p e ns a n do .. . nem o pr of es s or es t a v a p r e p ar a d o ... im ag i na c om es s e p ouc o q ue n ós es t am os of er ec e n do .. . c om que pr ep ar aç ã o es s a c r ia nç a va i c he g ar n a 5ª .. . e q ue pr of es s or é es s e qu e e l a enc o ntr ar n a 5ª [. .. ] ( O L I V EI RA , 2 0 05) A crítica aqui feita procura desvelar questões importantes a respeito da formação inicial do professor e da forma como se ensina Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, procurando desmitificar a visão linear da disciplina que, a nosso ver, pode ser reflexo da história de institucionalização desta ciência no Brasil, realizada no capítulo anterior, e que para Braga (1989, p.27) “[...] a ausência de condições teórico-metodológicas, o trabalho nas Séries Iniciais não poderia deixar de ser o que tem sido: o paraíso do senso comum [...]”. Admite-se que os povos primitivos já construíam e desenvolviam conceitos da Terra, transmitindo esses saberes por meio da oralidade e das figuras pictóricas encontradas nas cavernas esculpidas em rochas, retratando o modo de vida dessas comunidades e, indiretamente, a interpretação geográfica dos lugares que percorriam e das experiências que vivenciavam. A organização, a sistematização e a importância político-militar dos conhecimentos geográficos levaram à sua institucionalização no afirmação/consolidação do final do século Estado-nação, XIX, o que no contexto da repercutiu na educação. Moldada sob a égide do positivismo, a Geografia Tradicional evidencia a importância da natureza nos estudos geográficos, como mostra Tonini (2003, p.44): “[...] [ao] legitimar a idéia de que as diferenças econômicas entre os Estados são originadas pela relação que o homem estabelece com o meio físico”, essa vertente de pensamento analisa a sociedade de forma harmônica e linear, abortando as reflexões sobre os fatos e acontecimentos da sociedade que (re)constroem o espaço geográfico cotidianamente. Como salienta Vlach (1991, p. 53), as principais limitações da Geografia Tradicional se devem: [.. .] a a us ênc i a d e r ef l ex õ es a r es pe i to do c on t ex t o p o lí t ic oep is tem o ló g ic o em que af l or ou , o qu e c on d u zi u a um a ab or d ag em dos el em e nt os n a tur a is em s i m es m os , c om o s e a l oc a l i za ç ã o e a des c r iç ão d a n at ur e za nã o t i v es s em um s i gn if ic a do es p ec íf ic o par a a s oc i e da d e m oder n a , qu a l s ej a o de a l g o qu e n ão er a m ais pur a c o nt em pl aç ã o d o un i v er s o, m as al g o q u e, em pr im e ir o l u gar , v in h a s e n do i ns tr um ent a l i za d o p e lo s h om ens . Diante das limitações da Ciência Moderna por volta de 1920, inicia-se o movimento de discussões relativas ao neopositivismo, que tinha por objetivo: [.. .] c ons e gu ir um ci enc i a, p o n ie n do el énf as is em todo aq u e ll o q ue p u ed e s er ap r e h en d id o i nt er s ubj et i v am en te . S e tr a ta b a de c o ns e g ui r um a v is i ón u nif ic a d a de l m un d o, y p or e ll o , des d e e l c om ie n zo , ac en t uar o n l a bús q ue d a d e u n s is t em a n e utr a l de f ó r m ulas , d e u n s im bo li s m o li br e de l as im pur e zas d e l os l en g uaj es h is t ór ic os ; y t a m bié n l a bús q ue d a de u n s is t em a t ot a l d e c o nc e pt os [ .. .] ( C A P E L, 1 98 1, p . 3 6 836 9) . O “rompimento” com a Geografia Tradicional, positivista, ocorreu sob a denominação da Nova Geografia, devido ao surgimento de novas perspectivas de abordagem ligadas às mudanças que a II Grande Guerra Mundial provocou na sociedade, na economia, na ciência e na tecnologia. Tais mudanças na ciência Geografia foram denominadas de Geografia Teorética-quantitativa; vários setores mobilizaram-se e acreditavam que existiriam soluções gerais, com caminhos idênticos para problemas diversificados. O uso da Matemática tornou-se indispensável, o único caminho para o desenvolvimento científico e para resolver os problemas sociais, que, como sabemos, não são cartesianos e merecem um tratamento qualitativo (ANDRADE, 1983). Para Tonini (2003, p. 63), O d is c ur s o d a No v a G e ogr af i a é v is t o n o ens i n o c om es s as m anif es taç õ es m ate m átic as . Pa r a es t u dar um a r e g iã o ge o gr áf ic a pr o nt am en te s ã o tr a zi d o s núm e r os c o loc a dos em ta b el as , gr áf ic os , f lux o gr am as , p os s i bi l i ta n do m el hor v is ua l i za ç ã o e f ix aç ã o d o va l or d e ver d ad e, c he g an d o- s e à ex p l ic aç ã o d a r eg i ã o es t u da d a [ …] p ar a o en t en d im ent o d as r e laç õ es s oc i a is c o nt i nu a a a ux il i ar no pr oc es s o de m anut e nç ã o d o d is c u r s o c o ns t i tu íd o por p o lí tic as im per ia is , ao m ant er - s e as c a t e gor i za n d o os p a ís es e os l u gar es p or m eio d es s es m ec a n is m os de ins t it u iç ã o d e m ode los . No Brasil, tal corrente teve difusão no início da década de 1970, no período militar, quando a principal preocupação era integrar a economia brasileira à mundial. Essa corrente de pensamento teve como conseqüência negativa para o ensino a condenação do uso de trabalhos de campo, pois considerava desnecessárias as observações da realidade, substituindo-se o campo pelo laboratório, no qual realizavam-se medições matemáticas, tabelas, gráficos que, na visão dos teoréticos, possibilitaria uma ampla visão por meio da quantificação da problemática. A Geografia Humanística ou Fenomenológica, tendo como base às obras de Yi-Fu Tuan, surge em oposição à visão capitalista que reinava, principalmente, na década de 1960 e no início de 1970; nesse momento, acentuavam-se as diferenças sociais, e agravavam-se os problemas ambientais. A corrente Fenomenológica preocupou-se em analisar os aspectos sociais e depreender a essência da natureza dos objetos e das ações por meio da intuição e da percepção dos indivíduos. Para Andrade (1983, p. 113): [.. .] es t a te n dê nc i a l e v a va o ge ó gr af o a r e a l i zar es t ud os p ar a c ar ac t er i zar c om o o in d i ví du o t em a per c e pç ã o do lu g ar pr óx im o e d is t a nt e e c om o f a z r ef l et ir es ta per c e pç ão a tr a vés de um a s is tem at i za ç ã o. Andrade (1983) admite que essa corrente desenvolve pesquisa nas áreas da percepção regional, preocupando-se com os problemas da região em uma perspectiva subjetiva e diversificada de cada indivíduo, com a área do desenvolvimento da percepção espacial da criança, com a percepção da forma urbana, realizada junto com urbanistas e arquitetos, com o design urbano e os problemas existentes nas cidades, em contraponto a esse processo. Dessa maneira, [.. .] a im ag em le g it im ad a p e l as r ef or m as tec n ic is t as , c i en t if ic is t as e c r e de n c i al is tas d os a n os 60 e 70 , d a Le i 5 .6 9 2 de 7 1, d os c on t eú d os ne utr os e d a d i dá t ic a tr a dic i o na l tam bém f oi f ic a n do d is t an t e. At é a im a g em de pr of es s or , s em pr e d es q u a lif ic a d o d i an te dos a v a nç os d as c i ênc i as , v is ã o tã o c ar a às ag ê nc i as e po l ít ic as d e r e qu a l if ic aç ã o , tam bém f ic a v a i na d e qu a da à n o va im ag em que os e n c on tr os d e ár eas , a pr o duç ã o e os de ba t es m ais a ber t os i am c ons o l i da n do . ( A RRO YO , 2 00 0, p. 8 8 ) . O advento da(s) Geografia(s) Crítica(s) ocorre a partir da década de 1960 (SEABRA, 1984; VESENTINI, 2004), apóia-se no Materialismo Histórico e na Dialética Marxista. Para Capel (1981, p.434), “[...] o descubrimiento de esta amplia temática exigia nuevos marcos teóricos de análises. Fue ése momento em que el marxismo se revelo como soporte adecuado para um enfoque alternativo”. Esse novo movimento da Geografia objetivou entender e atuar socialmente no cotidiano, com o intuito de colaborar ativamente para a transformação da sociedade. Vlach (1991, p. 51) evidencia que: [.. .] G e ogr af i a( s ) Cr ít ic a( s ) – é as s im qu e de nom i nam os a G e ogr af i a c om pr om et i da c om o en te n d im en to d o es p aç o q u e os h om ens p r od u zi r am /pr o d u zem /r epr o d u zem e or g a n i zam /r e or g an i za m , na s oc i ed a d e m od e r na [ .. .] . Nesta perspectiva, surgem os temas de relevância social, tais como as desigualdades, as injustiças, a pobreza, a poluição ambiental, dentre outros, como forma de incentivar as transformações sociais. Para Tonini (2003, p. 71), o discurso da Geografia Crítica “[...] examina o espaço geográfico pelas relações de poder, dentro de uma visão econômica que organiza territorialmente a sociedade, apresentando uma determinada configuração topológica”. Não se pode desprezar, na consolidação da ciência geográfica, as contribuições de todas as correntes do pensamento, posto que é por meio dessas reflexões que o saber geográfico vai tomando forma e amenizando a carência epistemológica que assombra, também, a Geografia escolar. Como sabemos, não podemos ficar alheios às novas necessidades sociais e precisamos detectá-las atentamente, já que a ciência geográfica tem grande importância social e política, podendo contribuir para a (re)construção de uma sociedade mais justa. Cer tam e nt e qu e es tas n oç õ es es pac i a is s e f or m am em m uitas ou tr as a u l as e n ão a p en as nas d e G eo gr af i a e m es m o f or a d a es c o l a. M as s ó o es p aç o ge o gr áf ic o c onc r e to , c o lor i d o, hum an i za d o , of er ec e um a n oç ã o ao a lc a nc e d as c r i anç as , s us c e p tí v e is d um a ed uc aç ã o qu e at i nj a a es tr ut ur a d o pe ns am ent o . ( D EB E S S E- AR V I S ET , 19 7 8, p . 1 6) . Mas para que isso seja efetivado, é necessário que ela seja ensinada desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, e com clareza quanto ao seu referencial teórico e metodológico, para não recair em erros conceituais. A preocupação com o ensino da Geografia nesse níve l educacional deve-se ao fato de que os futuros professores, em sua formação inicial, precisariam de discussões teóricas e atividades práticas que colaborassem para a sua aprendizagem e prática, como um dos alunos do curso indica no questionário: “Escolho a Geografia Crítica, mas acho que não vai ser muito fácil de aplicá-la, considerando os sujeitos (crianças) e o pouco aprofundamento que o curso oferece”, o que ficou evidente nas respostas confusas sobre a escolha teóricometodológica para ensinar Geografia. A disciplina de Didática e Metodologia de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental, obrigatória no 3º ano do curso de Pedagogia, juntamente com outras metodologias (120 horas/aula cada), possui uma carga horária 120 horas/aula. Nesse tempo, as discussões, conforme a ementa da disciplina (Cf. ANEXO F), devem abordar: as concepções de História e Geografia recorrentes no ensino da Educação Infantil e das Séries Iniciais do Ensino Fundamental dessas disciplinas no currículo escolar; realizar diagnóstico e crítica da atual realidade do ensino e das pesquisas nas áreas de História e Geografia; desenvolver experiências e propostas metodológicas em debate e implementação; levantar temas recorrentes na Educação incorporação Infantil de e no diferentes Ensino linguagens Fundamental no ensino e realizar a de História e Geografia. Percebe-se que a carga horária de 120 horas/aula para as duas disciplinas, que possuem um campo conceitual amplo e que requer análises profundas e sistemáticas relativas ao seu objeto de conhecimento, é limitada também pela carga horária. Os depoimentos das alunas-professoras que atuam nas Séries Iniciais revelaram a carência: [.. .] g os t o d e tr a ba l h ar c om gr áf ic os ta b el a en tã o as s im eu us o . .. eu q u er o ap r e nd er a us ar m el ho r ta be l a .. . gr áf ic o .. . es s as p l a nt as a ér e as par a e l es s e l oc a l i za r em ... p ar a c h eg ar em de ter m i na d a r u a .. . es s e t i po de a t i vi d a d es as s im s ab e .. . or ie nt aç ã o . .. e u c onc or d o q ue s e e u t i ves s e t i d o m ais t em po par a es tu d ar G e ogr af i a eu t er i a apr e nd i d o u m pouc o m ais [ .. .] ( G O NZ AG A , 2 00 5) [.. .] e u o bs e r ve i qu e qu a nd o e u v i H is t ór i a e G eo gr af i a a pr ior i d ad e f o i H is t ór i a . .. a t é por q ue t a l v e z a f or m aç ã o d a pr of es s or a s ej a m a is em His t ór i a . .. e nt ão e u ac h o q u e ex is t e to d a um a pos t ur a d o p r of es s or .. . e e le te n d e .. . p or m ais qu e e le te nt e s er f l ex í v e l e tr ab a l har um po uc o de c ad a c o is a .. . e le t em a c o is a f ec ha da p or p os t ur a .. . o u por dom ín i o m ai or ... ou p or p r ó pr i o i nt er es s e [ .. .] ( O LI V E IR A, 20 0 5) [.. .] n os s a .. . f o i tr ab a l ha d o m uit o m ais His t ór i a do q u e G e ogr af i a . .. e e u t en h o um a d if ic u ld a de n a á r ea d e G e o gr af ia ... e u ac h o H is tór i a m ais f ác i l s ab e ... a gor a G e ogr af i a . .. s i nc er am en te eu s o u pés s im a pr of es s or a de G eo gr af i a [. .. ] ( FE RR E IR A , 20 0 5) [.. .] é m ui ta t e or ia e p ouc a v i v ê nc ia m es m o ... pr i or i zo u m ais His t ór i a [ .. .] ( C UN H A, 20 0 5) . [.. .] e u s o u c on tr a a s ep ar aç ã o por q u e .. . q u an t o m ais as s im ... pr es a n o li v r o di d át i c o .. . es to u c o is a p ar a es ta r c om p lem en t an d o d e His t ór ia e G e o gr af i a eu es t u d o .. . e u nã o f ic o s em pr e bus c a nd o a l g um a . .. c o nt e úd o .. . e á i .. . o qu e é q u e a g e nt e vê c ad a v e z m ais .. . q u e a G e o gr af ia .. . a in d a m ais h oj e .. . q u e a G e o gr af i a e a H is t ór ia .. . v êm as s im r e lac i o na d as in t er li g a das [ .. .] v oc ê v a i s it u an d o e ao m es m o tem po n o es p aç o [ .. .] eu es to u te d i ze n d o qu e e u c o ns eg u i s ep ar ar o q u e é H is t ó r i a e o q u e é G e o gr af i a m as ... pr a eu en t en d er o q ue é His t ór i a e u b us c o a c om pr e e ns ã o n a G e ogr af i a . .. e v ic e- v er s a .. . e u t en h o q u e s it ua r a qu i l o n o tem po e no es p aç o .. . h á m om ent os qu e c onf un d e . .. c on t eú d o é m ei o p ar e c i do . .. ab or d a os d o i s de um a v e z [ .. .] eu nã o c h e gu e i a p er c eb er n a H is tór i a e n a G e og r af ia es s a v a lor i za ç ão n ão .. . m es m o p or q u e e u es t i v e d e l ic e nç a né .. . eu af as te i p ar a f a zer c ir ur g i a [ .. .] um a f or m aç ã o ex a t a . .. pr a is s o a g e nt e n ã o t e m ... eu t r a b al h o gr áf ic o c om el es . .. de n tr o d a G e o gr af i a [. ..] ( S A LL E S , 20 0 5) . Defendemos a separação das disciplinas de Geografia e História no currículo dos cursos de Pedagogia, pois a herança histórica de institucionalização dessas disciplinas nas Séries Iniciais e a carga horária destinada à formação do professor que deverá ensinar esses conteúdos dificultam a construção dos saberes dessas ciências. Concordamos com Arroyo (2000, p. 76-77), P or qu e a m ar g i na l i zaç ã o dos c o nt e úd os de h is t ór i a, ge o gr af i a, l it er at ur a, ar te , c ul t ur a , s oc io l og i a [ .. .] Por q ue f or am m ar gi na l i za d os o ens i n o e o a pr e nd i z ad o d e s ab er es e c om pet ê nc ias h um an as m ais a be r t os e d es i n ter es s ad os . P or q u e n ão f or am c ons id er ad as n o r o l d e s a be r es ú t eis a o m er c ad o, nem s eq ue r nec es s ár ias à f or m aç ão d o tr ab a lh a do r [.. .] E o q ue é m ais gr a v e , n em s equ er f o r am c ons i d er ad as út e is à f or m aç ã o do c i da d ão . [. ..] O m ode l o de f or m aç ã o m anti d o [. ..] em m uit os c ur s os n or m ais , de l ic e nc ia tur a e pe d ag o g ia , t r e i no u e pr e p ar ou pr im eir am en te p ar a d ar c o nt a des s as c om pe tê nc ias f ec h ad as [. .. ] N em s em pr e tem os c ons c i ê nc i a d as m ar c as d e ix ad as em no s s a a u to- im ag em doc e nt e [. .. ]. Além disso, se reproduz o “velho” discurso dos Estudos Sociais, permanecendo o fantasma de que a Geografia e a História são iguais e se principalmente descaracterizam nas Séries na Iniciais. forma dos Durante Estudos a Sociais, realização das entrevistas, sempre que as alunas-professoras referiam a Geografia, logo em seguida, a História era citada, a exemplo da fala de Gonçalves (2005), quando questionada sobre as aulas que teve no Ensino Médio: “[...] Geografia não marcou não... sinceramente não... eu lembro que a gente só fazia trabalho... não teve nada que marcou na área de História não [...], e Ferreira (2005) [...] você está mais voltada para a Geografia... então não é só História [...]”. Portanto, confirmamos as palavras de Coêlho (1996, p. 60): “[...] o que se exige num curso de formação de professores é, pois, uma Didática própria para cada saber especifico”. As palavras de Arroyo (2000, p. 77) refletem as conseqüências das leis e decretos educacionais na prática educativa, e as narrativas corroboram que o processo educacional vive sob o fantasma da lei n. 5.692/71, [.. .] T em os ge r aç õ es de f i lh os e f i l h as d a Le i 5 69 2 /7 1 e da tec n oc r ac i a, do a ut or i tar is m o, d a m od er ni za ç ão pr od ut i v a, d o m ode lo c i e nt if ic o ut i l it ár i o, e ag or a do p ens am en to ú n ic o l ib er a l. O en t ul h o d es s es tem pos a i n da in v ad e os p át i os d as es c o l as e dos c ur s os de f or m aç ã o, das gr a des , d o or d e n am ent o es c o l ar , dos c on t eú d os e d as a ut o- im ag e ns pes s o a is e pr of is s i on a is . E c om o c us ta r em o v er es s e e nt u lh o! [.. .] . ( A RR O YO , 2 0 00 , p. 7 7) . Se na formação do professor, os temas da Geografia não forem desenvolvidos preparando-o efetivamente para conhecer o campo conceitual e abordar os conteúdos específicos, por meio de diferentes metodologias, qual será o valor que ele irá dar às disciplinas quando estiver atuando? Fica uma incógnita. Diante de tais preocupações, Huberman (1999, p. 43) pondera que: La f or m ac ió n d e c a p a c it a dor es d e b e tr a t ar de l ogr ar d oc en t es c ap ac es d e id e nt if ic ar y o r g a ni za r s us p r o p ós it os , de es c og er l as es tr a t eg i as p e da gó g ic as o l os m edi o s ad ec ua d os ; qu e c on o zc an e c om pr en d am los c o nt e n id os qu e d e be n e ns eñ ar [.. .] . A formação do professor que ensinará Geografia nas Séries Iniciais deve ser orientada para a compreensão e interpretação do espaço geográfico nas escalas local-global-local, exigindo “[...] domínio de seus conceitos e categorias [...]” (STRAFORINI, 2004, p.175), contextualizando os conteúdos, de maneira que haja superação da análise fragmentada e superficial, reflexo da ciência moderna e que foi construída durante a vida acadêmica das alunas-professoras na educação básica, conforme Rosnay (2004, p. 498): A pr e n de r e e ns in ar por a pr en d er e e ns i nar é um a c o is a. A pr e n de r e ens i nar p a r a ag ir é o u tr a . A pr e n der e e ns i nar p ar a c om pr e en d er os r es u lt a dos e os obj et i v os de s u a aç ã o é a in d a o u tr a . Ma is d o q ue l e v ar à ac um u laç ã o per m an e nt e d os c on h ec im ent os , a r e l aç ã o e n tr e an a lí t ic a e s is têm ic a d e ve per m i tir a r e l ig aç ã o d os s a b er es n um qu a d r o de r ef er ê nc ias m ais am p lo , f a v or ec e n do o ex er c íc i o d a a ná l is e e da l ó g ic a . E nã o é es s e um d os o bj et i v os f u n dam e nt a is d a e duc aç ão ? Ao realizarmos tais reflexões, não desconsideramos a importância da interdisciplinaridade 28 (FAZENDA, 1994; GARCIA, 2002; RIOS, 2003; PONTUSCHA, 2004) na formação e na prática do futuro professor. Mas acreditamos que só é possível trabalhar de maneira interdisciplinar quando se conhece o campo conceitual das diferentes áreas. Assim, pode-se planejar e desenvolver as atividades com a clareza de que os objetivos estão sendo alcançados, sem que haja o privilégio de um conteúdo sob outro, pois temos convicção de que somente o “[...] o exercício da interdisciplinaridade facilitaria o enfrentamento da crise do conhecimento e das ciências, porém é necessário que se compreenda a dinâmica vivida por essa crise [...]” (FAZENDA, 1994, p. 14). Cabe ao profissional da educação conhecer, organizar e desenvolver sua prática em uma perspectiva interdisciplinar, e a formação desse profissional deve ser delineada na 28 Para conhecer um pouco mais sobre a interdisciplinaridade, veja-se Fazenda (1994, p. 13-35), Japiassú (1976), Santos Filho (1992, p. 59-80). mesma vertente. Ao estudar o Curso de Pedagogia da UFU, Fonseca (2001, p. 146 - grifo nosso) revela que: [.. .] os d is c ur s os , m esm o qu e c o ntr a d i tór i os : t od os [os doc e nt es d o C ur s o de P e da g og i a da U n i ver s i da d e F ed er a l de Ub er l ân d ia ] ex p l ic it am a n ec es s id a de e ur g ênc i a do tr a b a lh o c o le t i vo e i nt e rd i sc i plin a r, ou s ej a, a lg o qu e te or i zam e v i v em na r e a l id a d e c ot i di a na . Defendemos a separação das disciplinas de História e de Geografia no currículo do Curso de Pedagogia por compreender, igualmente que as mesmas se confundem ou se sobrepõem, mas, ao mesmo tempo, defendemos que as metodologias das diversas ciências oferecidas no curso de formação inicial sejam desenvolvidas de maneira interdisciplinar, pois “[...] Não se pode ter interdisciplinaridade se não tiver, de início, disciplinaridade, muito especificamente falando” (RIOS, 2003, p. 58). Esse novo contexto da realidade, que se contrapõe a uma educação tradicional, é retratado por Fazenda (1994, p. 78 - grifos do autor) pois, [.. .] o pr oc es s o de p as s ag em de um a d id á tic a tr a dic i o na l p ar a um a di d át ic a tr a ns f or ma d or a , i n ter d is c i p l in ar s up õ e um a r e v is ã o d os as p ec t os c o ti d i an am en te tr a b al h a dos pe l o pr of es s or . M e l hor d i z en d o, é n a f or m a c om o es s es as pec tos s ão r ev is t os qu e s e i nic i a o pr oc es s o de ing re s so a um a d id át ic a i nt er d is c ip l i na r . O discurso, nos diferentes cursos de licenciatura, é de que a educação não é fragmentada e que se deve trabalhar de forma interdisciplinar, mas a interdisciplinaridade na formação inicial dificilmente acontece, e é jogada sob os ombros do futuro professor que irá atuar na educação básica a difícil tarefa de realizá-la. Como foi evidenciado pela narrativa de um dos professores do Curso de Pedagogia da UFU, entrevistado por Fonseca (2001, p. 140-141): E u ac ho qu e n ós , pr o f es s or es d a p ed a go g i a, nã o s om os n ós da p e da g og i a, s om os n ós pr of es s or es u n i ver s i tár i os , n ós tr a b al h am os m uit o is o l ad am en te , is s o é um po nt o . C ad a um tr a b al h a n a s u a d is c i p li n a, n a s u a s a l a, n o s e u m un do . H á um a a pr ox im aç ã o q ua nd o h á r e u n iõ es do c o le g ia d o, [. .. ] m as is s o é em ter m os de no t a, em ter m os d e c o is as m en os , ac h o qu e m ui t o a br a ng e nt e s . Ag or a, e u ac h o qu e s ão p es s oas q ue tr a b al h am is o l ad as e [ .. .] tr ab a lh am m et o do l og ic am en te d if er e n te , a va l i am dif e r en t e, is s o p o de g er ar c onf l it os , m as a ge n te não t em op or tu n i da d e de e s tar d i a lo g an d o, es t a be l ec e n do um a l in ha de c on d ut a c om um [.. .] S e v oc ê q u er f or m ar pr of es s or d e 1ª a 4ª e u ac h o q ue tem q u e t er um a ou tr a c onf ig ur aç ã o por q u e a p ar t ir do pr i nc í p io q u e o pr of es s or n ão dom i na os c o nt e úd os q u e e l e tem qu e e ns in ar , s ó a f or m aç ã o ed uc ac i on a l – g er a l n ão s us t e nt a o e ns i n o [ .. .] . E nt ão q u em é o p e d ag o go , qu em é o pr o f es s or de 1ª a 4ª s ér ie , d á p ar a f a z er um a c om pl em ent aç ã o pr of es s or pr of es s or , dá p ar a s ó c om as m eto d o lo g i as d e ens i n o vê , v oc ê dá c o n ta ; s ã o qu es t i on am en tos [ .. .] . Para amenizar a fragmentação que assombra a formação inicial nas universidades, Fazenda (1994, p. 88) sugere a: “[...] pesquisa coletiva, em que exista uma pesquisa nuclear que catalise as preocupações dos diferentes pesquisadores, e pesquisas-satélites em que cada um possa ter o seu pensar individual e solitário”. Dessa forma, poder-se-ia construir um pensamento universal, e é isso que se espera da universidade. A tentativa de construção da interdisciplinaridade na prática docente torna-se educadores, dos reflexão diferentes constante níveis e de importante ensino. na vida Nossos dos estudos revelaram, por meio da narrativa das alunas-professoras, a importância e a carência da interdisciplinaridade na sua formação e prática: [.. .] i n ter d is c ip l i na r i d a de .. . po r q u e t u do é i m por ta n te .. . t o das as d is c i p l in as s ão i m por ta n tes .. . f a la - s e t a nt o . .. m as a f or m aç ão d o pr of es s or n ão o pr e p ar a d es s a f or m a . .. f ic a t u do m uito no d is c ur s o .. . t ud o n o d is c ur s o [ .. .] ( G O NZ AG A , 20 0 5) . [.. .] c a d a um de u s u a m até r i a .. . n in g uém s e c om un ic o u .. . e les f a lam d e i n ter d is c i pl i n ar id a de [ .. .] ( C UN HA , 2 00 5) . [.. .] n ã o . .. n o t er c e ir o an o q ue a g en t e vê e s s as m até r i as .. . c ad a um d ef en d eu o s eu . .. n ã o t e v e es s a m is tur a nã o .. . eu ac r e d it o q u e nós as al un as é q u e f i zem os es s a c on ex ã o né . .. de i n ter d is c ip l i na r i d ad e . .. C i ênc i as el a e n s i no u a ge nt e a an a l is a r o l i vr o d e C i ênc i as .. . c om o e ns in ar Ci ê nc ias . .. o P or t u gu ês . .. o q ue é im por t a nt e de s er tr a b al h a do c om o a lu n o .. . a Ma tem át i c a os n úm er os . .. c om o ens i nar .. . e f ac i l it ar s e o a l u no n ão es tá e nt e nd e nd o . .. m as n ã o t e v e aq u e la j u nç ã o n ão .. . e u ac ho q u e n ós ... a l u nos é q ue f i zem os .. . n ós q u e j á tem os a pr át ic a . .. ag or a as o ut r as nã o ... e u ac h o qu e t er i a s id o as s im m ais p r o ve i tos o n é [ ... ] ( G O NÇ A L V E S, 2 0 0 5) . [.. .] p or q u e o pr of es s or n ã o a tr e l a um c on t eú d o c om o o utr o ... e u n ão v i em ne nh um m om ento o m es m o as s un to qu e es t a v a s e n do tr a b a lh ad o em m eto do l o gi a de P or t u g uês .. . ba t er c om a m eto d o l og i a da M at em át ic a . .. ou d e C i ênc i as c om His t ór ia e G e o gr a f ia . .. en t ão o d is c ur s o e u vi .. . m as na pr á t ic a dos pr of es s or es da m in h a f or m aç ã o eu nã o v i . .. e u obs er v e i q ue q u a nd o eu v i H is t ór ia e G e og r af i a a pr i or id a de f oi H is t ór i a [. .. ] ( O L IV EI R A, 20 0 5) . [.. .] e l es s em pr e . .. c o m o qu e f a la .. . f a l am pr a g e nt e qu e t em qu e s e r tr a b al h a do . . . tem qu e s er tr a b a lh a do .. . m as nã o d ão a f ór m ul a .. . t o das as d is c i p l i nas d o c ur s o s e f a la d e i nt er d is c i p l in ar i da d e .. . m as n ão d ão f ór m ula d e c om o tr a b al h ar [. .. ] ( F E RR E IR A, 20 0 5) . A formação inicial está sendo desenvolvida de forma fragmentada, dificultando, ao professor, o desenvolvimento de uma prática diferenciada e interdisciplinar, que pode colaborar para a melhoria da qualidade do ensino. Muitas vezes, ele atua como foi formado, o que leva à reprodução do sistema educacional: “Há muitos fatores que influenciam o modo de pensar, de sentir e de actuar dos professores, [...] as suas histórias de vida e os contextos sociais em que crescem, aprendem e ensinam [...]” (HOLLY, 1992, p. 82). A vida escolar requer um arcabouço de saberes que, unidos, contribuem para o desenvolvimento de uma prática comprometida com os alunos e com a realidade vigente na perspectiva de uma mudança local/global/local. Acreditamos que a interdisciplinaridade colabora para a compreensão dessa totalidade, pois: [ .. .] n ã o ex is t em c i ê nc ias es t an q ues , c o m obj e ti v os b em de l im it a dos , m as um a c i ê nc ia ún ic a q u e, par a f ac i li t ar o es t u do de d e ter m i n ad as ár e as , f o i d i v i di d a, um pouc o ar b i tr ar i am en te , em v ár ias ou tr as , c om pa r t i m enta n do- s e um a to ta l i da d e. Es ta d i v is ão d a c i ê nc ia em v ár ios c am pos do c on h ec im ent o foi o r es u lt a do do a lar g am ent o do c on h ec im ent o c i e nt íf i c o, t or na n do d if íc i l a um a pes s oa dom i nar to d o o s eu c a m po, c om o f a zi am os s áb i os d a G r éc ia , c om o d o d om ín i o d a f i l os of ia p os it i v is t a , c a d a ve z m a is pr o em in e nt e c om a e x pa ns ão do c ap i ta l is m o, v is a n do f or m ar es p ec i al is tas q u e e nt en d am o m ais pr of u n dam en t e p os s í ve l de ár e as c ad a v e z m ais r es tr i tas . P ar a q u e s e c as tr as s em os es t u di os os de um a v is ão g l ob a l, t ot a li za nt e da r e a l id a de , tr a to u- s e d e es t im ul ar , c ad a v e z m a is , a es p ec ia l i za ç ã o e , em c ons e qü ê nc ia , n e utr a l i za r o u r ed u zi r a c a pa c i da d e c r í tic a dos es t u di os os , s á b ios e p es q u is ad or es [pr of es s or es ] ( A ND R AD E , 19 8 7, p . 1 1) . Em sentido amplo, a mudança educacional que se procura, exige uma prática reflexiva, para romper com antigos modelos de educação ainda vigentes, impróprios para a nova situação social, ambiental, cultural, econômica e política que a humanidade está vivendo, pois a Geografia é “[...] segundo a palavra dum pedagogo, uma peça essencial para a formação do homem moderno que [...] [ajuda] a compreender o seu lugar no tempo e no mundo” (DEBESSEARVISET, 1978, p. 15). 3.4 - As trajetórias de vida escolar das alunas-professoras e a influência na prática do ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental Em um momento em que ocorrem grandes transformações nas relações humanas – de ordem cultural, econômica, política – o caráter complexo da Geografia e sua presença nas instituições escolares deve desencadear novos olhares e desafios no ensino dessa ciência e na formação do professor, em especial daqueles que atuarão nas Séries Iniciais do compreender Ensino a Fundamental. influência das Dessa forma, experiências deve-se escolares na procurar prática docente no ensino dos conteúdos geográficos, pois os mesmos podem colaborar para uma intervenção significativa na sociedade por parte do futuro cidadão. Nesse contexto, Morin (2000, p. 109) defende a Geografia: O pr o gr es s o d as c i ê n c i as da t er r a e d a ec o lo g ia r e v it a li za a G e ogr af i a, c i ênc i a c o m plex a p or pr i nc í p io , v is t o q u e e l a c o br e a f ís ic a ter r es tr e, a b ios f er a e as im p la n taç õ es h um an as . Ma r g i na l i za d a pe l as dis c i p li n as tr i unf a nt es , pr i va d a d o pe ns am ent o or g an i za d or a lém d o p os s i b i l is m o de V i d a l de L a B lac h e o u do d e ter m i nis m o d e R a t ze l , pr oc e d en t e de s u as m onog r af ias v er t ic a is s obr e um a r e gi ã o p e la des c r iç ã o dos es tr at os s uc es s i v os f ís ic os , b io l óg ic os e h um an os , a ge o gr af i a, q ue a l ém d is s o f or nec e u s e u s pr of is s i on a is à ec o l o gi a e às c i ênc i as d a ter r a , r et om a s uas per s p ec t i v as m ult id im ens i o na is e g l ob a l i za n tes . O ensino de Geografia leva à inserção do indivíduo no espaço geográfico. Mas, se o indivíduo não o compreender, mesmo fisicamente inserido em um lugar, a sua inserção será relativa e a sua participação na (re)organização desse espaço, se limitará ao assistir às mudanças. Na tentativa de refletir sobre o processo de ensino de Geografia, autores como Carvalho (1925), Debesse-Arviset (1978), Callai (1998), Pontuschka (2004); Vlach (1998; 2004), Gebran (1996), Braga (1996), Ferreira (2000); Castrogiovanni (2000), Rocha, Silva (2002), Straforini (2004), Vesentini (2004), contribuem com ricas e profundas reflexões acerca do fazer geográfico e sinalizam sugestões para seu desenvolvimento. A melhoria da educação, do ensino de Geografia em especial, deve ter como objetivo propiciar, aos alunos da educação básica, a alfabetização geográfica, e, posteriormente, análise, reflexão e crítica do espaço geográfico. Os educandos devem compreender os conceitos geográficos, valorizando-os, assim como o profissional da educação. E, por isso, compreender o processo de formação do professor e as suas experiências com a Geografia escolar sinaliza aspectos relevantes da sua prática. O contexto que envolve o processo educacional lhe confere especificidade, não podendo ser analisado de forma neutra, apolítica. Assim, todas as colaboradoras consideram que essa disciplina nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental é importante. Gonzaga (2005) afirma: ”[...] a Geografia na alfabetização aparece ... o espaço da folha que a criança tá trabalhando ali ... né [...]” e Oliveira (2005) revela que: [.. .] a os p ouc os e u f ui p er c e b e nd o .. . q ue G eo gr af i a er a im por ta nt e .. . e u es t ar tr ab a l ha n do c om a c r i anç a .. . o es paç o ... o es p aç o as s oc ia do a o t em po . .. por qu e t u do tem um tem po . .. e tem um es paç o .. . at é a es c o l a tem o s eu t em po es c o l ar .. . e o s e u e s paç o n é .. . e nt ã o eu c om ec e i a p ar t ir c om a c r ia nç a . .. a v er c om a c r ia nç a a G e ogr af i a d e um a f or m a dif er e n te .. . a p ar t ir .. . do es p aç o q u e o pr ó pr io c or p o de l a oc up a .. . de nt r o de um a s a la . .. q ue e s paç o é es s e da s a la n é .. .p e l o m en os .. . o es paç o m a is pr ó x im o . .. o es paç o ... da es c o l a . .. o r ec on h ec im ent o d a es c o l a .. . ou s ej a .. . o r ec o n h ec im en t o des s e es paç o .. . o r ec o n hec im ent o d o es p aç o do b a ir r o . .. n ã o s ó n o es p aç o f ís ic o . .. m as qu e es paç o .. . es s e s uj e it o t em ... pr a es t ar oc u pa n do es s e es p aç o [ .. .] . Ao analisarmos seus posicionamentos, percebemos um avanço no conceito da Geografia no contexto escolar, mas se faz necessário pensarmos se a sua função na escola está sendo devidamente cumprida. Ao solicitarmos que as mesmas relatassem as facilidades que encontram para ensinar Geografia, Cunha (2005) afirmou que “[...] a única facilidade que eu encontro é o interesse deles ... porque você começa a falar da vida ... da cidade ... da rua [...] eles se interessam muito [...]“. Em contraponto, as dificuldades refletem a falta de recursos didáticos, “[...] seria mais fácil enumerar as dificuldades ... que a gente encontra né ... porque as dificuldades são muitas ... você por exemplo ... precisa às vezes de ... de buscar um globo... nem a bibliotecária sabe onde tá o globo [...]” (OLIVEIRA, 2005). Por sua vez, o livro didático, muitas vezes, é utilizado como parâmetro para o ensino dos conhecimentos geográficos, como narra Gonzaga (2005): “[...] você vai lá e pega o livro didático ... você pega outro ... é outra coisa ... não tem seqüência ... o que é realmente importante trabalhar [...]”, portanto “[...] os livros didáticos [podem tornar-se] os principais condutores do processo de ensino-aprendizagem [...]” (SPOSITO, 1999, p.25), como ocorreu na época em que Oliveira foi aluna, conforme esclarece em seu depoimento: [.. .] p or ex em pl o e u n ão m e l em br o d e ne n hum a . .. n e n hum ex p er im en to f e it o f or a d e s a la . .. o n de a g e nt e p ud es s e ... t á ... f a ze n d o um tr ab a l ho d e c am po . .. ex p lor a nd o o m ei o am bi en t e .. . d e um a for m a qu e nã o f os s e de n tr o d a s a l a . .. o lh a nd o p ar a es s e m e io am b ie nt e em f or m a de g r a v ur as .. . ap es ar d a ge n te v er a s s im ... ho u v e um a m el hor a . .. h ou v e . .. m as ... e u n ão m e l em br o . .. p or ex em p l o .. . e u n ã o m e r ec o r d o d e n en h um ... d e n en h um pas s e io . . . qu e n a é poc a a ge n te c h am a va de ex c ur s ões . .. qu e m e aj ud as s e a c om pr e en d er um p ouc o m el h or a G e o gr af i a [ ... ]. O livro didático pode ser um dos instrumentos utilizados pelo professor – não o único – no desenvolvimento de suas aulas, pois possibilita a leitura de diferentes opiniões e o desenvolvimento de reflexões, podendo levar à construção do conhecimento. Mas, o que percebemos é o contrário: o professor torna-se instrumento do livro didático, segue o ponto de vista do livro, sem preocupar-se com outras fontes de informação que, agregadas ao livro didático, podem oferecer uma nova visão sobre o tema estudado. Diante desses fatos, Silva, J. (2003, p. 24) afirma que “[...] o livro didático freqüentemente deixa de ser um instrumento de apoio sistemático, dentre outros possíveis, com uso orientado e descentralizado, para ocupar um lugar precípuo [...]”. Acreditamos que a formação docente deve caminhar no sentido de romper com essa realidade linear e fragmentada, que impõe a utilização do livro didático na educação escolarizada. Salles (2005), em sua prática, procura modificar esse comportamento, conforme esclarece seu depoimento “[...] eu trabalho um texto de Geografia com eles ... não vamos copiar nada do livro ... a gente apóia no livro porque os pais cobram muito da gente né [...]”. Portanto, utilizam a devemos educação denunciar apenas como as formas instrumento ideológicas de que dominação. Acreditamos que a Geografia pode colaborar para a libertação, partindo do contexto vivido, criticando os valores consumistas de hoje, pois é [.. .] a i d eo l o gi a q ue m at a a id e o lo g i a, q ue d ec r e t a a m or te d a His t ór i a , o d es a p ar ec im ent o d a u to p i a, o an i q ui l am en to d o s on h o. I d eo l og i a f at a l is t a q u e des p o li t i za n d o a e duc aç ão , a r ed u z a p ur o tr e in am ent o n o us o d as d es tr e za s c i e nt íf ic as o u de s ab er es c i en tíf ic os . ( FR E IR E , 2 00 2, p. 1 1 5) . Dentre as preocupações para a prática do ensino de Geografia nos primeiros anos do Ensino Fundamental, a metodologia foi citada por Gonzaga (2005) “[...] você sabe o que eu noto ... é que o pessoal tem dificuldade de saber que conteúdo trabalhar ... o que eu me preocupo mais são as metodologias ... para ficar interessante [...]”. Para Oliveira (2005), “[...] o mais difícil seria como lidar com o conteúdo ... de uma forma diferente daquela que utilizaram comigo [...] mas .... eu acho que eu fui ganhando com a experiência [...]”. Nesta fala de Oliveira, aliada ao depoimento de Salles, percebe-se, em suas práticas a utilização, dos saberes experienciais, desenvolvidos com base no trabalho cotidiano e no conhecimento do meio, e incorporados sob a forma de habitus e habilidades, de saber-fazer e saber-ser, que propiciam uma prática de melhor qualidade, pois a experiência tende a enriquecer a prática docente, conforme Tardiff (2002, p.89): “[...] constata-se que a evolução da carreira é acompanhada geralmente de um domínio maior do trabalho e do bem-estar pessoal no tocante aos alunos e às exigências da profissão”. Salles (2005), falando sobre suas experiências com atividades cartográficas, mostra isso: [.. .] por q ue . .. eu s em pr e t r a b al h e i c om as cr i anç as .. . q u an d o tr a b al h a d ir eç ã o .. . le v e i a b ús s o la p ar a a s a la d e a ul a .. . e de ix a al i .. . m ais na v i v ênc i a do a lu n o . .. s a i o c om e les p ar a o pá t io . .. pr á t á or ie nt an d o c om a bús s o l a . .. s em pr e pr oc ur o f a zer um tr ab a l ho .. . qu e a c r ia nç a p ar tic i p a . .. qu e s i nt a a im por tâ nc ia d a qu i l o n é . .. m ais ... e u s e m pr e es c ap e i um po u qu i n ho d a r os a- d o s - v en t os . .. e u n ã o v i a c om o t r a b al h ar c om a r os a- dos - v e nt os . .. m os tr a v a a r o s a- d os - v e nt os . .. m os tr a va q u e e la in d i c a va d ir eç ão . .. e t u d o m ais . .. m as .. . s ó . .. c om a pr of es s or a a qu i .. . q u e e l a ens i n a a g en te .. . c o loc ar a r os a- d os - ve nt os em c im a do m ap a .. . l oc a li za r [ .. .] . Contudo, a nossa preocupação estende-se à formação e à prática dos 75 alunos que cursaram a disciplina que aborda os temas geográficos. Como foi evidenciado, a maioria não atua na área da educação, mas uma grande parcela voltar-se-á para o sistema educacional após a conclusão do curso e, conforme Huberman (1992), os primeiros anos de atuação são um momento decisivo na vida profissional. Por meio de seus estudos, Huberman procurou compreender o destino profissional e as condições determinantes desse destino, em uma perspectiva clássica: a carreira. Entende que (1992, p. 38): O c o nc e i to d e c ar r e ir a a pr es e n ta , en tr et a nt o, v a nt a ge ns d i ver s as . Em pr im eir o l ug ar , p er m it e c om par ar p es s o as no ex er c íc io de dif er e nt e s pr of is s õ es . D e po is , é m ais f oc a l i za d o, m ais r es tr i t o q u e o es t u do d a “ vi d a” de um a s ér i e d e i nd i v íd u os . P or o u tr o l ad o , e is s o é im por t an te , c om po r t a um a ab or d ag em a um tem po ps ic o ló g ic a e s oc i o ló g ic a . T r a ta - s e , c om ef e it o, d e es tu d ar o p er c ur s o d e u m a pes s o a num a or g a n i zaç ã o ( o u num a s ér i e de or ga n i za ç ões ) e bem as s im c om pr e en d er c om o as c ar ac t er ís t ic as d es s a pes s o a ex er c em i nf l uê nc ia s o br e a o r ga n i za ç ã o e s ão , a o m es m o tem po , i nf l ue nc ia d as p or e la . Huberman (1992) fixou sua atenção sobre a docência, definiu a carreira pedagógica como objeto de estudo; concluiu sua pesquisa definindo o ciclo de vida profissional dos professores (fases da carreira). A fase de entrada na carreira (dois ou três primeiros anos) é o estágio de sobrevivência e descoberta: a distância entre os ideais e a realidade cotidiana aflora, percebe-se claramente a fragmentação do trabalho e as dificuldades com os alunos e a inadequação dos materiais didáticos. Nessa fase, geralmente, ocorrem experiências positivas e negativas que, possivelmente, determinarão o futuro do docente. Tal fato preocupa as alunas-professoras; vejamos seus depoimentos: [.. .] eu a in d a t i ve a f e lic i d ad e d e t er es s a ex p er iê nc i a q ue em bor a n ão s ej a ta n t a .. . m as j á te n ho um a ex p er i ê nc ia [em s a la d e a u la ] . .. n o c as o d as m in h as am ig as [o utr as a lu n as d o c ur s o d e P ed a g og i a] .. . m ui tas q u e n ã o tem ex per i ê nc ia ne n hum a. .. n ã o d i g o q ue n ã o s ej am c ap a ze s [. .. ] ( G O NZ AG A, 20 0 5) [.. .] às v e ze s as p es s oas m e per g un t am ... pr inc i p alm en t e as c o le g as d e c ur s o . .. q ue a in d a n ã o p as s a r a m pela ex per i ê nc i a ... d a s al a d e a u la c om o pr of is s io n a is . .. é d if íc i l . .. c a us a m edo . .. e u r es po n do ... e u tr em i d ur a n te tr ês an os .. . n ã o .. . m as não é p os s í v e l . .. c om voc ê nã o ac o nt e c eu .. . ac on t ec e u ... por q ue v oc ê t em t od a a ins e gur a nç a . .. d e n ão dom in ar ap e nas o c on te ú do . . . m as d e es tar li d an d o c om um a n o va s it u aç ã o . .. q u er er f a z er d if er en t e .. . e n ão s ab er p or o n de né ... e nt ã o tr em e ... t r em e s im ... n ã o é ... is s o a i [ .. .] ( O LI V E IR A , 2 00 5) Então, como ficarão esses futuros professores? E os alunos desses futuros professores? E o desenvolvimento dos temas geográficos nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Será que poderíamos amenizar a entrada na carreira (re)pensando a formação inicial? (Re)pensando Geografia? as metodologias utilizados no ensino de Dentre as possibilidades de ensinar Geografia de forma diferente da que foi vivenciada e criticada pelas alunas-professoras, estão as novas metodologias e linguagens: trabalho de campo ou estudo do meio 29, poesia, música, imagens, apesar de não desconsiderarmos a importância do livro didático 30, um objeto legítimo de construção do conhecimento, mesmo se impregnado por certas ideologias que algumas vezes, anulam os sujeitos-leitores, como afirma Castrogiovanni (2000, p. 79): “[...] diferentes imagens, representações e linguagens são formas de provocar hipóteses que levam a manifestações, análises e interpretações da formação do espaço e, portanto, da construção de conceitos geográficos [...]”. Tais atividades contribuem para a melhoria da prática educativa e deixam marcas na formação educacional, como revelou o depoimento de Oliveira (2005): [.. .] e u m e l em br o d ur a n te o c ur s o d e m ag is tér i o .. . um a pr of es s or a qu e s e p r op ôs a es t ar n os l e va n do p ar a um a ex c ur s ã o .. . en tã o e u f i z um r e tr oc es s o na q ue l e d ia .. . e u v ir e i c r i anç a. .. por q ue . .. e u nã o t i nh a p ar t ic i pa d o de ne n hum a at é en t ão .. . e e l a q u er ia qu e a g e nt e vis s e . .. a qu es tã o d as i nd ús tr i as ... er a o t e m po qu e ta v a s e a b o r da n d o .. . a vi d a ur b a n a .. . e la di zi a . .. v oc ês v ão t er q u e tr ab a lh ar is s o c om as c r i anç as . .. o es p aç o da v i da ur ba n a . .. as m odif ic aç ões q ue o hom em va i m odif ic a n d o n a n at ur e za .. . e nt ã o vam os c o nh ec er ... v am os na T ar um ã ... ah . .. m ais qu e m ar a v i l h a. .. e u n ã o s ab i a c om o e q ue s e f a zi a .. . a ge nt e f i c a im ag i n an d o . .. c om o e q u e f a z . .. aq u e le p un h ad o de s or ve t e a o m es m o tem po n é. .. p or q ue .. . o b om bom ... o b om bom c as e ir o voc ê s ab e . .. m as c om o q u e s e pr oc es s a is s o lá ... e nt ão .. . as s im f oi e nc an t ad or . .. t o do m un do na q u el e ô n ib us . .. a ge nt e ac a b a v ir an d o c r ia nç a m esm o n é . .. e nt ã o f o i m ar c a nt e . .. e ... a p ar t ir d aí .. . e u c om ec ei p e ns ar .. . s e pr a m im f oi im por ta nt e . .. im ag i na pr a c r i a nç a [ .. .] ( O LI V EI R A, 20 0 5) . As colaboradoras consideram importante desenvolver novas e diferentes atividades no ensino, atividades essas que são intrínsecas à construção dos conhecimentos geográficos, a exemplo do trabalho de 29 30 Cf. Pontuschka (2004, p. 249-288). Cf. Gatti Jr. (2005, p. 30-39). campo, mas sentem que a formação que receberam ao longo dos anos de escolaridade não estimulou muito o desenvolvimento desse tipo de atividade. Oliveira (2005) faz brincadeira com o curso de Geografia e, como Ferreira (2005) um desabafo com relação à formação inicial: [.. .] e u n ão t i v e op or tu n id a de d e v er n en h um a au l a .. . qu e n ão f os s e um a a u l a de n tr o d e s a la . .. q u er d i ze r ... qu e v i t ud o d e G e ogr af i a e H is tór i a . .. s e nt a da c om o f ui f or m ada n as s ér i es i nic i a is . .. e .. . s e .. . e u nã o ti v es s e as s i m ... v o nt a de d e m udar .. . e u c o l oc ar i a is s o em pr át ic a .. . d a m es m a f or m a c om m eus a lu n os .. . s en t ad a c om m eus al un os em s a la de au l a . .. e n tã o e u p or ex em p lo . .. n ão t i v e a op or t u n id a de de ne n hum tr ab a lh o d e c am po . .. e às v e ze s . . . e u f ic o at é c om um a c er t a i n v ej a . .. de ver o p es s oa l da G eo gr af ia .. . e ... e as pes s o as d i zem as s i m ... f or am c at ar p edr i n has . .. f or am bus c ar pe dr i nh as n é .. . c at ar t er r in h a . .. bus c ar gr a v et o . .. ah ... e u ac h o is s o r iq u ís s im o . .. p or qu e .. . qu e n os nã o p od em os tam bém ... j á qu e n os v am os ter qu e tr ab a l har G eo gr af i a de n tr o d e s a l a . .. ta m bém ir c at ar p e dr in has .. . p e l o m enos par a t er o h á bi t o de s a ir de s a la [ .. .] . [.. .] e u a v al i o as s im ... os c o nt eú d os q ue v i l á . .. er am c on t eú d os qu e um d i a b em ou m al v i . .. ou ti n ha p as s a do p or e les .. . e q u e e u es p e r a va m ais do c ur s o . .. eu es p er a v a qu e o c ur s o m e ens i n as s e .. . a pes ar d e t er s i d o um a a l u na s em m uita r ef er ê nc ia .. . d e c om o ver a G eo gr af i a m as qu e m e ens i n as s e . .. a ver a t é um a n o v a pos t ur a . . . pr á t á e ns i n a nd o a G e o gr af i a . .. er a c o m o ens in ar ... o c on t eú d o t i nh a .. . a té por q u e s e n ão t i ves s e qu a l qu er l i vr o d i dá t ic o m e f or n ec e r i a .. . na h or a qu e eu en tr as s e p e la pr im eir a ve z n um a s al a de au l a ... e u p o der i a es t ar p es q u is an d o .. . es t ar s eg u i nd o d e c ab o a r ab o o li v r o d id á tic o . .. en tã o .. . e u nã o es ta v a p r e oc up a da c om a def ic i ê nc ia q u e e u f i q u ei em c o nt e úd o .. . por q ue es s e dom ín i o v ir i a d e um a f or m a ou d e o u tr a . .. c om o m eu es f or ç o ... ou q u as e s em es f o r ç o n en h um ... o m ais d if íc i l s er ia c om o l id ar c om o c o nt e úd o de um a f or m a d if er e n te q ue f oi a qu e l a qu e u t il i za r am c om ig o [.. .] ( F E RR E IR A , 20 0 5 ) . Com relação à prática, os depoimentos revelaram que existem tentativas de realizar atividades diferenciadas que colaboram para a construção dos conhecimentos geográficos. Mas essas novas atividades foram sendo conquistadas com a experiência em sala; de aula, os saberes experienciais respaldando a prática, e, ao analisarmos suas falas, percebemos a empolgação com a realização do trabalho: [.. .] às v e ze s a g e nt e te n ta f a ze r n a es c o la [ tr ab a lh o d e c am po] . .. . at é l e vam os a lg um as ve ze s .. . pe g am os a n os s a tur m a s ão c r ia nç as d e per if er i a .. . f om os v is it ar o P ar qu e S ab i á . .. en tã o . .. n o P ar q u e d o Sa b i á .. . e u a pr en d i d em ais ... por q ue t i n ham b ic hos [ .. .] e eu c ur t ir m ais q u e e l es .. . per g u nt a va as s im ... v oc ês s a bem q ue ár v or e é es s a a q ui .. . pas s a nd o n a f r e nt e d o m on it or [ ... ] m as eu t a va c ur t i nd o m ais do q u e el es .. . im por ta nt ís s im o .. . s a ir da s a la d e a ul a .. . m os tr ar o m un do l á f o r a . .. a n oç ão d os es p aç os . .. o qu e tá ac o n tec e nd o l á f or a . .. é . .. e u ac ho .. . tr a ba l h ar o r es pe i to qu e a c r i anç a d e v e te r pe l o m eio em que e la v i ve ... nã o s e l im ita . .. a l i ás n ão vam os c ons e g u ir m u it o des s a c ons c i e nt i za ç ã o s en t a do .. . e em s a la d e a u l a [ .. .] ( O L IV E IR A , 20 0 5) . Diante desses fatos, a educação escolarizada não está cumprindo seu papel na construção do conhecimento geográfico. Salles (2005) afirmou: “[...] no cursinho eu aprendi muito ... foi tão bom ... eu fiz um ano e meio ... e aí eu comecei a enxergar a coisa de outra forma [...]”. Por sua vez, afirma Pontuschka (2004, p. 260): “Muitas são as questões, aparentemente desconexas, e as relações precisam ser buscadas e os conhecimentos geográficos podem contribuir para as explicações”. Portanto, tais conhecimentos devem ser efetivamente ensinados desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, para formar leitores do espaço geográfico: As S ér i es In ic i a is , p er ío d o em qu e s e d á a a lf ab e ti za ç ão , s ã o o i n ic io da v i vê nc i a s oc i a l i za d or a em um gr u po f or m al , or g a n i za d o f or a d a c r i anç a e p or m ot i v os ex ter n os à e la . S e o a lu n o tem de v i ve nc i ar a s u a vi d a d en t r o d es s e gr up o, f or m alm ent e des e n v o l ve n do a a pr en d i z ag em de c er t os as p ec tos da v i da , n ã o s e po d e d e ix a r d e l a do a v i v ê nc ia qu e e le t em f or a d a es c o la e a qu e l a d os a nos d e v i da q u e pr ec e d er am a a lf a be t i za ç ã o ( de ntr o e es pe c i alm e nt e f or a da es c o l a) . ( CA L L AI , 2 00 2, p . 57) . A Geografia é uma ciência que tem função educacional, mas passa também pelo social e político, podendo desenvolver a capacidade de analisar dados e fatos do espaço geográfico. Nossa sociedade possui uma grande parcela de “analfabetos geográficos”, conforme revela Oliveira (2005): [.. .] m as .. . eu ac h o qu e to d a a m in h a f or m aç ão i nt er f er e . .. por q u e .. . ex is t e u m a ins e g ur a nç a p ar a s e tr a ba l h ar a G e ogr af i a .. . eu m e s i nt o ins e gu r a .. . eu nu nc a s ei . .. s er á qu e r ea lm en t e é is s o q u e d e v er ia s er f e it o . .. s er á q u e po d er ia s er f ei to m el h or .. . q uer di ze r . .. o es t u do d e c am po ... é um a c o is a qu e j á tem m ais pr óx im a .. . n os s a é im por ta nt e .. . m as às v e zes a ge n te nã o s a be n em m uit o b em d ir ec i o nar is s o [ .. .] . Conforme alerta Braga (1996, p.230): “Entender a organização espacial é hoje uma necessidade para a inserção no mundo como sujeito. O ensino dos conteúdos geográficos [...] tem dado poucas contribuições [...]”. O anacronismo educacional limitou o ensino da Geografia na educação básica e impôs à sociedade uma visão limitada sobre o espaço geográfico. Mas, a nosso ver, essa limitação é historicamente proposital, pois “[...] Nenhum saber se explica por si mesmo, os fatos e suas explicações não acontecem naturalmente, à margem de ideologias, interesses e tensões humanas” (ARROYO, 2000, p. 87). O discurso de Lacoste (1988, p. 22), no clássico A Geografia – isso serve em primeiro lugar para fa zer a guerra, publicado na França no final da década de 1970, ainda configura a Geografia escolar do Brasil nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, no início do século XXI: [.. .] es s e d is c ur s o pe d ag ó g ic o q u e é a g eo gr af i a d os pr of es s or es , qu e ap ar ec e t an t o m ais m aç an te q ua n to m ais as m as s m edia d es v en d a m s eu es p et ác u lo d o m undo , d is s im ul a, aos ol h os d e to d os , o tem ív e l i ns t r um en t o d e p od er i o qu e é a G e ogr af i a p ar a aq u e le s q u e de t êm o po d er . A partir desses fatos, concluímos que a Geografia não está fazendo efetivamente parte da vida escolar de uma parcela significativa de alunos que cursam as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, reproduzindo o desinteresse pela disciplina nas séries seguintes (SILVA, 2000) e a ausência de “leitura do mundo”, tão necessária para que as transformações ocorram. O processo de formação educacional interfere diretamente no fazer pedagógico, e se não houver o contato com o conhecimento, como ele será repassado? Pois “[...] o magistério é um modo de ser, uma produção histórica que traz as marcas de nossa formação social e cultural (ARROYO, 2000, p.125). Portanto, confirmamos o questionamento de Foucault (1979, p.155): Ca b e a v oc ês , q u e es t ão d ir et am en te l i ga d o s ao q u e s e p as s a na g e ogr af i a , q u e s e de p ar am c om tod os e s s es c onf r on tos d e po d er em que a g e ogr af i a es t á e n vo l v i d a, c a b e a voc ês enf r en tá - l os , f or j ar os i ns tr um ent os p ar a es t e c om bat e [ .. .] . A nosso ver, a Geografia contribui para a compreensão do mundo, ou, o que foi denominado por Freire (1990) leitura do mundo, uma vez que essa disciplina escolar pode contribuir para a compreensão da sociedade, a partir de uma análise crítica da realidade em que o aluno está inserido, do respeito às diferenças e da promoção de mudanças que levem à (re)construção de uma sociedade mais humana e solidária. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na atualidade, a sociedade passa por mais uma mudança de paradigmas, o que lhe imprime um ritmo mais denso. As informações tornam-se efêmeras, a cada instante surgem novos dados, e o lugar passou a ser o do interesse do indivíduo que, mesmo distante, estabelece uma relação com os acontecimentos em qualquer lugar do mundo. Esses fatos são reflexo da sociedade técnico-científica que, inquestionavelmente, impõe ao cidadão, independente da faixa etária e do nível sócio-econômico-cultural, um novo ambiente mundial. Ademais, esses f atos influenciam diretamente o meio educacional, atribuindo-lhe a “obrigação” de oferecer aos educandos uma nova formação, na maioria das vezes de interesse direto do mercado capitalista, conforme nos revelou a história de institucionalização da educação elementar no Brasil. Em face disso, a Geografia, nos primeiros anos da escolarização, passou por várias reformas, aparecendo diretamente nos currículos escolares, a partir da Lei Orgânica do Ensino Primário, de 1946. Embora institucionalizada como conteúdo curricular, desde então, a Geografia não cumpriu efetivamente o seu papel, devido às carências estruturais e pedagógicas da educação no Brasil, não atendeu as reais necessidades da população urbana em expansão. Apesar desse cenário, acreditamos que o ensino da Geografia contribui para a inserção e a compreensão do indivíduo no espaço geográfico, independente da escala de análise, devendo ser ensinada desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Para avaliarmos a sua importância, fez-se necessário construir um arcabouço teórico relativo às pesquisas do tema a Geografia nas Séries Iniciais, o que evidenciou a tardia preocupação legal com a educação elementar e acadêmica, no que concerne à Geografia ensinada nesse nível de ensino. As pesquisas relativas ao ensino de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental começaram a ser desenvolvidas no Brasil a partir de 1982, e, até o início da década de 1990, concentraram-se em Programas de Pós-graduação em Educação, o que evidencia o pouco interesse dos Cursos de Geografia em questionarem o seu papel nas Séries Iniciais. O processo histórico de institucionalização do sistema educacional e da Geografia na educação elementar revelou que, por muitos anos, o seu ensino não era obrigatório no Brasil. Isso pode ter aumentado sua desvalorização nos meios científico e educacional, pois as reformas legais interferiram diretamente na desvalorização da Geografia, a exemplo da lei n. 5.692/71 que, legalmente, inseriu nos currículos escolares os Estudos Sociais, obscurecendo o objeto e o método da Geografia e da História, respectivamente. Por mais que as leis fossem progressistas, como a Lei Orgânica do Ensino Primário de 1946, existia todo um contexto histórico e social interferindo no cumprimento das mesmas. Assim, após a publicação dos PCNs, em 1996, as pesquisas relacionadas aos temas geográficos nos primeiros anos da educação básica tornaram-se objeto de estudo também nos Programas de Pós-graduação em Geografia. Apesar de lhe fazermos restrições quanto ao processo de sua elaboração educacional, não e à forma como desconsideramos foram a apresentadas importância dos no meio PCNs no delineamento de uma “nova” identidade para a Geografia nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Em sua proposição, o documento mostrou que a Geografia existe e precisa ser (re)pensada para ser ensinada. Para análise dos conhecimentos geográficos escolares, utilizamos a metodologia da História Oral, que evidencia uma nova perspectiva de análise da pratica docente. Aliada aos documentos do curso de Pedagogia da UFU, aos questionários e, em especial, às entrevistas, esta metodologia permitiu compreender a formação inicial e apreender as experiências das alunas-professoras com a Geografia. Ao trilharmos a Geografia na história de vida das alunasprofessoras, procuramos analisar as experiências educacionais que foram sendo construídas, com o intuito de detectar a importância da Geografia e a influência dessas experiências em sua prática docente, bem como identificar os retrocessos e avanços que a disciplina sofreu ao longo de sua trajetória na escola. Há muito o que se pensar sobre o ensino de Geografia e sobre o seu papel no meio educacional, em especial nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Acreditamos que o processo de desvalorização da Geografia na formação docente é reflexo da formação básica deficiente pela qual passaram as alunas-professoras. Acreditamos que há uma grande parcela de “analfabetos geográficos” na sociedade. O anacronismo educacional limitou o ensino da Geografia na educação básica e impôs à sociedade uma visão limitada sobre o espaço geográfico. Em face disso, desenvolver um texto que recua no tempo, significa assumir que os acontecimentos históricos interferem na sociedade e na história de vida das pessoas que a compõem. Por isso mesmo, nas influência narrativas da repercutiram das legislação em seu e alunas-professoras, como processo de o momento formação e observamos a histórico-político em seu o fazer pedagógico. Analisando as informações das alunas-professoras, percebemos que, durante sua vida acadêmica, na escola elementar, tiveram um contato fragmentado com os conhecimentos geográficos; pouco se lembrando das aulas de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Como exigir um referencial teórico e metodológico geográfico para a sua prática, se desconhecem o campo conceitual da ciência geográfica? Percebe-se que o principal fator que depõe contra a Geografia é a metodologia utilizada durante as aulas: tradicional, centrada na memória e descontextualizada. Diante desses fatos, um dos grandes desafios dos educadores é o de pesquisar a forma por meio da qual conseguirão atingir os alunos, construção do conhecimento. para que ambos participem da A maioria das alunas-professoras afirmou que o tempo das aulas de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série desenvolvimento relativas ao do Ensino de práticas ensino de Fundamental didáticas Geografia. e foi insuficiente para de discussões teóricas Segundo elas, tais o atividades colaborariam para a sua prática diária; têm carência em relação aos conceitos geográficos, pois, quando alunas da educação básica, a Geografia lhes foi apresentada de forma superficial ou muitas vezes, desconsiderada. As experiências relacionadas à Geografia na formação inicial, a exemplo das atividades de Cartografia que foram desenvolvidas durante as aulas da referida disciplina, foram por elas aplicadas em suas salas. A cartografia foi o tema geográfico mais discutido na disciplina. Não desconsideramos a importância da Cartografia para a Geografia; mas a Geografia vai muito além dela. Apesar das dificuldades de se abordá-la na sala de aula 31, algumas alunas-professoras trabalharam esse conteúdo, o que nos permite supor que, se tivessem mais tempo para aprender conteúdos geográficos poderiam incorporá-los a sua prática, por isso defendemos a separação das disciplinas de Geografia e História no currículo do Curso de Pedagogia. Em outras palavras, que haja uma disciplina específica de Metodologia e Didática de Geografia nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. As alunas-professoras acreditam que a formação teórica é importante, mas é na prática que conseguirão validar a formação inicial 31 Há uma ampla discussão a respeito. Confira, entre outros, Pinheiro (2003; 2005). que obtiveram; a organização dos saberes docentes torna-se imprescindível na formação inicial. Para tanto, conhecer a concepção de Geografia e desenvolver atividades práticas torna-se relevante. É nesse sentido que a educação básica não está efetivamente cumprindo seu papel na construção dos conhecimentos geográficos: a Geografia não está fazendo parte da vida escolar dos alunos. Acreditamos que, para reverter esse processo histórico, de cunho político, a formação docente precisa ser (re)pensada. Diante desses fatos, defendemos mudanças no ensino de Geografia na formação inicial do professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Para tanto, a formação do pedagogo deve possibilitar o acesso ao conhecimento científico e metodológico das diferentes ciências, além da incorporação de uma perspectiva interdisciplinar, o que contribuirá substancialmente para a sua prática. Na realidade, precisamos repensar a formação docente em uma perspectiva aberta que valorize os saberes na construção da docência. Pensar a formação nessa vertente nos leva a (re)pensar o processo de delineamento da identidade docente, que é reflexo do contexto social, político e econômico, e do qual o “eu” professor participa, direta e/ou indiretamente. Ser professor é ser singular e complexo, é ser realista e sonhador, é ser pragmático e poeta, é observar, em uma metáfora que adotamos, o ciclo do ipê que, nos meses de chuva, misturado à paisagem do Cerrado, é imperceptível, embora na seca floresça em diferentes cores, mostrando-nos a persistência diante das adversidades climáticas. Assim, a persistência dos docentes deve ser vista como uma raiz profunda que busca, os lugares onde as idéias ainda brilham, para uma melhoria do ensino, para a (re)invenção da educação, um projeto possível, mesmo no terreno mais desacreditado: a educação pública. Em um momento em que ocorrem grandes transformações nas relações humanas – culturais, econômicas, políticas – o caráter complexo da Geografia e sua presença nas instituições escolares deve desencadear novos olhares e desafios no ensino dessa ciência e na formação do professor, em especial daqueles que atuarão nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. É inegável a contribuição teórica e o campo de atuação do Curso de Pedagogia, sobretudo o avanço das reflexões sobre ensino e aprendizagem. Portanto, a docência deve permanecer como uma das habilitações centrais no curso de Pedagogia. Acreditamos ser os profissionais formados nessa área, os mais capacitados para atuarem nas Séries Iniciais, mas a formação deve ser (re)pensada em uma perspectiva reflexiva, revitalizando-se a pesquisa para a construção do conhecimento nos diferentes níveis de ensino de maneira interdisiciplinar. A formação do professor deve ser reflexiva, sinalizando uma nova postura docente: o aprender a ensinar, a partir da articulação dos saberes escolares, levando à construção da aprendizagem por parte do aluno, que deverá f azer uso desse conhecimento no dia-a-dia. Sabe-se que fatores como a falta de material didático, tempo para planejar, desvalorização profissional e a perda de identidade docente agravam a vida do professor e, conseqüentemente, o aprendizado dos alunos. Apesar de todas as dificuldades, não podemos esquecer que o processo educacional ocorre tendo como sujeito o ser humano, crianças, jovens e adultos em permanente processo de formação. É preciso coragem e vontade para transformar o que foi imposto à educação escolarizada, e a Geografia, desvalorização particularmente nas Séries Iniciais. Acreditamos que a alfabetização vai além da aquisição da leitura e da escrita, sendo necessário preparar o aluno para uma leitura critica do mundo, seus fenômenos e processos, o que exige capacidade de abstrair, analisar, sintetizar e concluir dados e fatos do espaço geográfico. Entendemos que a compreensão do mundo pode transformar o educando em um cidadão pleno, a partir de uma leitura acurada do meio em que vive; portanto, faz-se necessário ensinar Geografia desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, em uma perspectiva crítica. REFERÊNCIAS ANDRADE, M. C. Geografia, ciência da sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1987. 143p. _____.(org.). Eliseé Reclus. São Paulo: Ática, 1985. p.56-60. ARANHA, M. L. de A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. 288p. ARROYO, M. G. 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Sua ident idade ser á preser vada, e as inf ormações são de uso estr ito ao trabalho acadêmico. Muito obr igada. 1 – Dados de identif icação: Nome completo: _________________________________________________ Sexo: ( 1 ) masculino ( 2 ) f eminino ( ) Idade: ( 1 ) 16 a 20 anos ( 2 ) 20 a 24 anos ( 3 ) 24 a 28 anos ( 4 ) 28 a 32 anos ( ) ( 5 ) 32 a 36 anos ( 6 ) 36 a 40 anos ( 7 ) 40 ou mais 2 - O que você f az atualment e? ( 1 ) estuda ( 2 ) estuda e trabalha ( ) 3 – Qual o curso superior que você f az? ________________________ Em que turno estuda? ( 1 ) manhã ( 2 ) noite ( ) 4 – Se você f az Pedagogia, qual ou quais habilitações pret ende ( 1 ) Super visão escolar ( 2 ) Orientação escolar ( 3 ) Administração escolar ( 4 ) Inspeção escolar ( 5 ) Magistério para a educação inf antil ( 6 ) Magistério para as séries iniciais do ensino f undamental ( 7 ) Magistério das matérias pedagógicas escolher? 1º( 2º( 3º( ) ) ) 5 - Quais motivos o levaram a optar pelo curso de Pedagogia? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6- Você at ua como prof essor? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( ) 7 – Especif ique o nível de ensino que você atua. ( 1 ) Pré-escola (maternal, jardim e pré) ( 2 ) 1º a 4º séries ( 3 ) 5º a 8º séries ( 4 ) Ensino Médio ( 5 ) Outros __________________________________ 8 – De acordo com as discussões realizadas durante a disciplina de Didática e Met odologia do Ensino de História e G eograf ia do Pré à 4º série, qual é a sua opção teór ico-m etodológica para ensinar Geograf ia nas séries iniciais? ( 1 ) Tradicional ( 2 ) Cr ítica ( 3 ) Quantitativa ( ) ( 4 ) Humanística ( 5 ) Outros________________________ Justif ique_______________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Qualquer coment ário extra ou sugestão, à vontade: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Agradeço sua colaboração Ínia Franco de Novaes Mestranda do IG-UFU UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GEOGRAFIA Program a de Pós–G raduação em Geogr afia Área de Concentração Geografia e Gestão do Território APÊNDICE B ROTEIRO P AR A ENTREVISTA • DADOS DE IDENTIFICAÇ ÃO Qual seu nome? Quando e onde nasceu? • DELINE ANDO A FORMAÇ ÃO EDUCACIONAL 1 – Você poderia fazer um pequeno histórico de sua formação educacional? 2 – Como foram as aulas de Geografia que você teve na escola de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) e (5ª a 8ª séries) e no Ensino Médio? Teve aprendizagem de conteúdos geográficos? 3 – Algum fato relacionado á Geografia de 1ª a 4ª série foi significativo para você enquanto aluna? Qual? • DELINE ANDO A FORMAÇ ÃO PROFISSIONAL 4 – Explique sua opção pelo ensino e pela Pedagogia. 5 – Como o curso de Pedagogia contribui para a sua prática? 6 – As disciplinas de Didática e Metodologia das diversas ciências que você estudou durante sua formação inicial foram desenvolvidas de maneira interdisciplinar? 7 – A disciplina de Didática e Metodologia do ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental contribuiu para ampliar/melhorar o seu conhecimento e a sua prática no ensino de Geografia? 8 – O que você pensa a respeito da separação dos conteúdos de História e Geografia, ensinados na disciplina de Didática e Metodologia do Ensino de Geografia e História do Pré a 4ª série do Ensino Fundamental, no curso de Pedagogia? 9 – O que você considera que poderia ter sido diferentes na sua formação inicial no que se refere a sua prática no ensino de Geografia? • DELINE ANDO A FORMAÇ ÃO PROFISSIONAL 10 - Como você vê a profissão docente e a predominância feminina nas séries/ciclos. 11 – Conte-me as facilidades que você encontra para preparar as aulas e ensinar os conteúdos geográficos. Que recursos didáticos você utiliza? E as dificuldades? 12 – Você considera que os conteúdos geográficos desenvolvidos de 1ª a 4ª séries possibilitam uma “alfabetização geográfica”, preparando o aluno para compreendê-la como um conteúdo especifico e individualizado a partir da 5ª série? 13 – O que interfere na maneira como você ensina Geografia nas séries iniciais do ensino fundamental? 14 – Você gostaria de relatar alguma experiência da sua prática ao ensino de Geografia? 15 – O que seria a interdisciplinaridade? Você trabalha de maneira interdisciplinar? Em que momentos isso acontece? Você encontra dificuldades para trabalhar de maneira interdisciplinar? Quais? 16 – Em sua opinião é importante o trabalho de recuperar a historia passada e presente, com relação profissional do professor? 17 – Gostaria de registrar algo? à formação inicial e à vida UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GEOGRAFIA Programa de Pós–Graduação em Geografia Área de Concentração Geografia e Gestão do Território ANEXO A Uberlândia, junho de 2005. À Ínia Franco de Novaes Mestranda em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia Nesta Ínia, Pela presente, eu, _______________________________, declaro para os devidos fins que cedo-lhe os direitos de minha entrevista, dada à V.Sa. em junho/2005, gravada em função de sua pesquisa de Mestrado em Geografia, desenvolvida na Universidade Federal de Uberlândia, que versa sobre os saberes do professor para ensinar Geografia nas séries iniciais do ensino fundamental. Declaro, ainda, autorizar a utilização da referida entrevista, integralmente ou em partes, sem restrições de prazos e citações, desde a presente data. Da mesma forma autorizo a minha identificação, no respectivo relatório da pesquisa. Atenciosamente _______________________________________ Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo