UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Pró-Reitoria de Planejamento e de Desenvolvimento Diretoria de Projetos Especiais Projeto A Vez do Mestre VISITA UMA FERRAMENTA PARA APRIMORAR A QUALIDADE DO CRÉDITO AUTOR: Eduardo Almeida de Souza ORIENTADOR: Profº Marco Antonio Chaves Rio de Janeiro, RJ, abril/2002 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Pró-Reitoria de Planejamento e de Desenvolvimento Diretoria de Projetos Especiais Projeto A Vez do Mestre VISITA UMA FERRAMENTA PARA APRIMORAR A QUALIDADE DO CRÉDITO AUTOR: Eduardo Almeida de Souza Trabalho Monográfico apresentado como requisito parcial para obtenção de Grau de Especialista em “Finanças e Gestão Corporativa” da Universidade Candido Mendes. Rio de janeiro, RJ, abril/2002 Agradecimentos De um modo especial agradeço ao Srº Marco Antônio Chaves, mestre e orientador deste trabalho; aos mestres que transmitiram todo o conhecimento previsto no conteúdo programático deste curso; a Universidade Candido Mendes e à Coordenação do Projeto A Vez do Mestre pelo apoio dado. Agradeço especialmente aos meus familiares, principalmente à minha esposa e filha; a todas as pessoas que direta e indiretamente contribuíram para a conclusão deste curso. Dedicatória Dedico a meus pais Maria Cândida e Nelson, por me terem proporcionado a oportunidade de viver esta vida. Epígrafe “A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje o que pode ser feito e tentar fazer hoje o que não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer.” Paulo Freire LISTA DE SIGLAS C CCF: Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos. CNPJ: Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. CPF: Cadastro de Pessoas Físicas. F FEBRABAN: Federação Brasileira dos Bancos I IR: Imposto de Renda. P PL: Patrimônio Líquido. S SPC: Serviço de Proteção ao Crédito. SUMÁRIO LISTA DE SIGLAS......................................................................................................5 SUMÁRIO....................................................................................................................6 RESUMO.....................................................................................................................8 I- INTRODUÇÃO........................................................................................................9 II - AVALIAÇÃO DE CRÉDITO................................................................................11 2.1 - Conceitos.........................................................................................................11 2.1.1 - Crédito......................................................................................................11 2.1.2. - Risco............................................................................................................16 2.1.3 - Gestão de Risco............................................................................................18 2.1.4 - Política de Crédito........................................................................................19 2.2 - A preparação do gerente para a análise de crédito.............................................20 2.3 - Dificuldades para análise de crédito de micro e pequenas empresas..................24 III - A VISITA COMO FERRAMENTA PARA DECISÃO DE CRÉDITO .................26 3.1 - A Importância da visita como estratégia para avaliação de crédito e prospecção de novos negócios........................................................................................................27 3.2 - Tipos de Visita ....................................................................................................28 3.2.1 - Visita de Prospecção ....................................................................................28 3.2.2 - Visita de Empréstimo ...................................................................................28 3.2.3 - Visita de acompanhamento de empréstimos ................................................29 3.3 - Planejamento da visita.........................................................................................29 3.4 - Procedimentos a serem adotados na realização da visita. ...................................31 3.4.1 - Principais levantamentos a serem feitos durante a visita .............................32 3.4.2 - Dados a serem levantados de alguns setores específicos .............................35 3.5 - Elaboração do relatório de visita.........................................................................43 IV - METODOLOGIA DA PESQUISA .........................................................................46 V - PROPOSTA:.........................................................................................................48 5.1 - Dicas para realização de visitas........................................................................49 5.2 - Roteiro de observação.....................................................................................50 5.3 - Roteiro para acompanhamento de crédito.........................................................59 5.4 - Roteiro sobre garantias....................................................................................61 VI - CONCLUSÃO .........................................................................................................64 GLOSSÁRIO...............................................................................................................66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................67 .. ANEXOS....................................................................................................................68 RESUMO Este trabalho propõe uma metodologia a ser utilizada pelos gerentes de negócios na realização de visitas, através da criação de roteiros que os orientem na obtenção do maior volume possível de informações confiáveis sobre os clientes. Tais informações, por estarem sistematizadas e organizadas, contribuirão para a melhoria da qualidade da decisão de crédito e possibilitarão a identificação de novas oportunidades de negócios, pelo aumento do contato e da parceria entre o Banco e seus clientes. Demonstrou-se inicialmente a importância da realização de visitas de forma estruturada a clientes como fator para a melhoria na decisão e qualidade do crédito. Dessa forma são descritos os recursos que podem ser utilizados na sua preparação, os procedimentos adequados para uma abordagem inicial, as habilidades pessoais e profissionais de um bom gerente e os principais pontos a serem observados no acompanhamento do crédito. I - INTRODUÇÃO Até a implantação do plano real, em junho de 1994, a maior parte da rentabilidade do sistema financeiro nacional advinha dos ganhos proporcionados pelo “ Floating”. Devido à queda dos níveis inflacionários, essa fonte de receita reduziu-se drasticamente forçando, assim, os bancos a retomarem as suas funções básicas de intermediadores e prestadores de serviços financeiros como condição essencial à sua sobrevivência. Outro impacto proporcionado pela queda da inflação foi o aquecimento da demanda por bens e serviços que durante vários anos foi reprimido por políticas monetárias restritivas gerando, assim, um forte crescimento da procura por crédito. Nesse cenário as instituições financeiras tiveram uma alavancagem muito grande nas suas operações de crédito. Hoje os bancos estão despertando novamente para o problema da análise de crédito. O objetivo é estar bem afiado para quando as restrições ao crédito forem levantadas pelo governo e os empréstimos voltarem a crescer. No presente trabalho demonstra-se inicialmente a importância da realização de visitas de forma estruturada a clientes, como fator para a melhoria na decisão e qualidade do crédito. Dessa forma são descritos os recursos que podem ser utilizados na sua preparação, os procedimentos adequados para uma abordagem inicial, as habilidades pessoais e profissionais de um bom gerente e os principais pontos a serem observados no acompanhamento do crédito. Ao final, são propostos roteiros para orientarem os gerentes de negócios na realização das visitas, de forma a preservar e aumentar a confiabilidade das informações obtidas, visando, assim, subsidiar as decisões de crédito e melhorar a qualidade das operações. Metodologicamente, o trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. Sua principal contribuição é a melhoria da qualidade das visitas, aprimorando-as como ferramenta para decisões de crédito mais confiáveis e prospecção de novos negócios. II - AVALIAÇÃO DE CRÉDITO Visando embasar o leitor e facilitar a compreensão do trabalho são explicados conceitos relativos a crédito, identificadas as principais habilidades pessoais e profissionais necessárias ao gerentes de negócios e as dificuldades para análise e concessão de crédito às Micro e Pequena Empresas. 2.1 - Conceitos 2.1.1 - Crédito Em finanças o vocábulo crédito define um instrumento de política financeira a ser utilizado por uma empresa, industrial ou comercial, na venda a prazo ou por um banco comercial na concessão de um empréstimo, de um financiamento ou de uma fiança, por exemplo. Para as empresas em geral, conceder crédito significa vender seus produtos, transferindo a posse dos mesmos e diante uma promessa de pagamento futuro. Para um Banco comercial, as operações de crédito constituem seu próprio negócio. As instituições financeiras emprestam dinheiro ou financiam bens a seus clientes, funcionando como uma espécie de intermediários financeiros, pois, os recursos que aplicam são captados no mercado através dos depósitos efetuados por milhares de correntistas. Tendo por base a confiança, a concessão de crédito é orientada por dois elementos fundamentais: a) - a vontade do devedor de liquidar suas obrigações dentro das normas contratuais estabelecidas e b) - a habilidade do devedor de assim o fazer. Nesse sentido utiliza-se como terminologia para esclarecimento os “5Cs” do crédito. Caráter, capacidade, capital, condições e colateral (garantia). Ter em mente cada um desses Cs ajudam o Gerente a certificar-se de que nenhum fator importante foi ignorado ao avaliar a credibilidade de um cliente. Caráter: É a vontade e a determinação do cliente de cumprir a obrigação referente ao empréstimo. Provavelmente, o caráter é o componente individual mais importante para avaliação do cliente. Caráter é uma qualidade interior, demonstrada através de qualidades como integridade e honestidade. Normalmente, há necessidade de mais de uma entrevista para que se possa fazer um julgamento acurado do caráter do cliente. Entrevistas de acompanhamento ajudam, assim como as fichas cadastrais com relação à sua reputação e ações no passado. Para Ramos et Alii (1990), esse “C” consiste na avaliação histórica do potencial do devedor quanto à sua idoneidade em saldar os compromissos assumidos. Para essa avaliação devem ser abordados, entre outros fatores, os abaixo relacionados: 1 - Pessoa Jurídica: A pesquisa deve abranger a pessoa jurídica, seus sócios e seus administradores, sendo importante considerar os seguintes itens: - Atrasos nas operações já realizadas com o banco; - Protestos; - Execuções; - Concordatas requeridas/deferidas; - Falências requeridas/deferidas. 2 - Pessoa Física: A pesquisa deve abranger o proponente e os avalistas/fiadores. Capacidade: A habilidade da equipe de gerenciamento da empresa de gerar caixa suficiente para satisfazer todas as obrigações é o que se chama de capacidade. É mais fácil avaliar a capacidade de uma empresa já estabelecida, cujo desempenho financeiro no passado e reputação no mercado são indicadores válidos de um bom gerenciamento empresarial, do que a de um empreendimento novo. Ramos et Alii (1990) apontam como fatores que podem ser observados, para sua mensuração: 1 - Pessoa Jurídica: - Tradição da atuação da empresa no mercado; - Tradição dos sócios/administradores no mercado; - Experiência e formação dos sócios em relação à sua atividade; - Capacidade de produção nominal/efetiva e utilizada; - Recursos humanos, mão-de-obra especializada e não especializada; - Grau de tecnologia empregada; - Projetos de expansão/modernização da produção; - Fontes de matérias-primas no mercado interno e externo; - Instalações do parque fabril, áreas de depósitos de matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados; - Instalações de depósitos de distribuição; - Frota de veículos para distribuição; - Instalações e escritórios de administração e representação; 2 - Pessoa Física: - Formação e experiência na atividade que exerce; - Tempo no emprego; - Empresa em que trabalha: porte e tradição. Capital: O capital refere-se aos fundos disponíveis para operar uma empresa. A esse respeito existem duas considerações fundamentais a fazer: a) - O montante de capital patrimonial que os proprietários investiram na empresa e o grau de eficiência com que o total do capital é nela empregado. Geralmente, é um mau sinal quando a participação de capital dos proprietários é consideravelmente menor que a participação de capital dos credores. Existem exceções, mas os gerentes, de modo geral, devem se mostrar cautelosos em relação a uma empresa que conta quase exclusivamente com fundos emprestados para manter suas operações. b) - Possuir suficiente capital patrimonial é particularmente importante para empresas novas, de capital fechado, que freqüentemente fracassam quando o valor total do capital é muito pequeno para financiar as operações da empresa. O valor de reservas de capital que os proprietários podem injetar num novo negócio, se necessário, é um importante fator a ser considerado pelos credores. Segundo Ramos et Alii (1990) Capital é a situação patrimonial do proponente, levando em conta as suas decisões de usos de recursos e obtenção de fontes de recursos para as suas atividades. Se a administração tomar decisões acertadas, os resultados favoráveis fortalecerão e consolidarão a situação patrimonial da empresa como um todo. No caso de pessoa física a avaliação dar-se-á através da obtenção de dados como: - Renda mensal; - Relação de bens e endividamentos; Condições: As condições dizem respeito ao micro e macrocenário em que o tomador de empréstimos está inserido. No caso de empresas, tal cenário são o ramo de atividade e a economia como um todo. Vale dizer, é muito importante avaliar o momento do empréstimo “timing”. A política de empréstimos de um banco, em certos casos, também pode exigir que uma empresa apresente padrões muito elevados de credibilidade. Ramos et Alii (1990) colocam que a avaliação das condições da Pessoa Jurídica e da Pessoa Física refere-se a fatores externos que possam afetar as suas atividades. 1 - Pessoas Jurídicas: No âmbito macroeconômico a empresa se depara com uma série de variáveis que não domina e das quais é obrigada a se proteger para não sucumbir (interferências governamentais, comportamentos e necessidades do consumidor, etc). 2 - Pessoas Físicas: São afetadas por fatores macroeconômicos de forma direta ou indireta e esses podem afetar a sua capacidade de geração de recursos. Colateral: A colateral (garantia) é uma parte importante dos “5 Cs”, porque pode ser oferecida por um tomador como meio de compensar as fraquezas com relação aos outros Cs. Deve-se ter sempre em mente que a garantia, em si, não efetiva o pagamento de empréstimos, portanto, não deve, por si só, justificar a concessão de um empréstimo. É a avaliação da capacidade acessória do proponente em oferecer garantias adicionais à operação proposta ou ao risco global que assumiu. Em suma, é um ato de vontade ou disposição de alguém de destacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que essa parcela volte à sua posse integralmente, após decorrido um prazo estipulado. Pelo fato de essa cessão patrimonial envolver expectativas quanto ao recebimento de volta da parte cedida, é imperativo reconhecer que a qualquer crédito está associada a noção de risco. 2.1.2. - Risco Para Schrickel (1994), o risco sempre estará presente em qualquer empréstimo. Não há empréstimos sem risco. O negócio de um banco implica em assumir riscos de banqueiro e jamais riscos de empresários. Consoante sua vocação e função, um banco comercial almeja financiar o empresário e não necessariamente tornar-se seu sócio, ainda mais sem receber ações e quotas pela “associação”, isto é, sem participar no capital da empresa. Sem dúvida, o maior risco numa operação de crédito é o total desconhecimento sobre quem seja o tomador ou sobre o que é a operação que se deseja efetuar. Os riscos podem ser classificados de diversas formas, segundo as necessidades e objetivos pretendidos. Silva (1988) classifica os riscos em internos ou externos à empresa: a - Riscos Internos 1 - Ligados à produção e ao produto: São aqueles decorrentes de alterações em seu ciclo de produção, vinculados à falta de matéria-prima ou mesmo à necessidade de manutenção de elevados estoques. Quanto ao produto em si, há o risco de se tornar obsoleto e de não ter capacidade de competir com novos e modernos lançamentos. 2 - Ligados á administração da empresa: Muitas empresas que cresceram com a direção de seu proprietário e que se mantém graças à visão e eficiência da sua administração, apresentando dependência exclusiva de sua mão, podem com a sua ausência ter a continuidade ameaçada. Dessa forma, existe o risco de concedermos crédito baseados no dono da empresa e, na sua ausência, a organização não possuir estrutura suficiente para se manter. 3 - Ligados ao nível de atividade: Empresas com grande capacidade de produção e elevados custos fixos poderão encontrar sérias dificuldades, principalmente quando crescer com forte dependência de capital de terceiros. Essas empresas, cujo ponto de equilíbrio está num nível elevado de vendas, são altamente sensíveis em épocas de recessão, pois, além de custos fixos, cresceram sem um nível adequado de participação de recursos próprios, tendo seu prejuízo aumentado pelos altos custos financeiros. Esse mal atinge muitas empresas brasileiras. 4 - Ligados à estrutura de capitais: Empresas com forte dependência de capital de terceiros, mesmo com lucro operacional, poderão ter seus resultados corroídos pelos encargos financeiros. Uma alavancagem financeira negativa pode ser altamente arriscada. Se a empresa estiver numa situação em que sua dependência de capital de terceiros aumenta ao longo do tempo (à medida que se expandem suas atividades), uma recessão poderá ocasionar a quebra da empresa. b - Riscos externos à empresa: 1 - Ligados a medidas e políticas econômicas: Em face de suas próprias características a atividade política assume extrema relevância, pois suas decisões têm influência direta na vida econômica do país, refletindo no poder de compra da população, no preço de venda dos produtos, na estrutura de custos, no lucro, nas taxas de juros, na variação cambial, nos preços das matérias-primas, nos salários, nos impostos e em outros fatores que refletem na oferta, na demanda e nos preços em geral. 2 - Ligados aos fenômenos naturais e adventos imprevisíveis: aspectos ligados a variações climáticas (chuvas, secas por exemplo) refletirão nas safras agrícolas e isso influi diretamente no preço de algumas matérias-primas utilizadas por diversos tipos de indústrias. 3 - Ligados ao tipo de atividade: Existem algumas atividades cujo ciclo de vida são bastante curtos (principalmente lazer de época), o que as torna altamente arriscadas. É interessante que essas atividades apresentem um “pay-back” bastante reduzido. 4 - Ligados ao mercado: o mercado pode não absorver a produção prevista, bem como os concorrentes poderão lançar produtos mais competitivos, acordos internacionais podem ser firmados facilitando a entrada de produtos e/ou serviços, resultando em potenciais problemas para a empresa. 5 - Ligados ao tipo de operação: o prazo de uma operação (ciclo produtivo) tem peso significativo no risco de crédito, pois a medida em que o aumentamos, o futuro se torna mais incerto e novos eventos poderão ocorrer e mudar o rumo da empresa e/ou do país. Os bancos estão tratando de aperfeiçoar os seus instrumentos de análise e as fontes de informações utilizadas para mensurar a capacidade de endividamento dos seus clientes. Concluindo, dentro de um cenário incerto com eventos futuros, expectativas de profundas mudanças, é fundamental conhecer muito bem o cliente tomador e a operação de crédito que irá ser concretizada. Para tal, é preciso estar de posse das informações mínimas e adequadas. Dessa forma, fazer boas perguntas ao cliente nas visitas e entrevistas, definir riscos e como atenuá-los, o que em geral envolve reforço colateral para a operação, ou seja, as garantias, são procedimentos indispensáveis à boa concessão de crédito e gestão de risco. 2.1.3 - Gestão de Risco O processo de gestão de risco é uma das atividades mais críticas na gestão bancária, uma vez que responde pela integridade dos ativos da instituição. A gestão tradicional normalmente atua em três pontos básicos: 1 - A análise de crédito, que se baseia mais no desempenho passado das empresas ou no muito em sua situação atual, ao invés de suas possibilidades futuras; 2 - Ênfase mais destacada à análise dos riscos de inadimplência, desconhecendo vários outros aspectos envolvidos no processo de gestão de operações bancárias (ex: responsabilidade social do Banco, influência do cliente na comunidade, etc.); 3 - Uma eventual sujeição das atividades de gestão de risco às necessidades de geração de operações adotando-se, por exemplo, uma política de gestão de risco mais flexível para a realização de um maior número de operações. Em uma abordagem mais ampla é interessante que as instituições financeiras, para enfrentar o possível problema de sub-avaliação das funções de risco, tenham uma área de crédito adequadamente posicionada na estrutura hierárquica do banco e desenvolvam instrumentos de análise de risco que captem as tendências para o setor e para a empresa. 2.1.4 - Política de Crédito Políticas, em administração de empresas, são instrumentos que determinam padrões de decisões para resolução de situações de problemas semelhantes. A política de crédito é também chamada por alguns autores de padrões de crédito, sendo seu objetivo básico a orientação nas decisões de crédito, face aos objetivos desejados e estabelecidos. Podemos dizer que a política de crédito é: a) - um guia para a decisão de crédito, porém não é a decisão; b) - rege a concessão de crédito, porém não concede o crédito; c) - orienta a concessão de crédito para o objetivo desejado, mas não é o objetivo em si. Os bancos, em geral, tendem a ser mais criteriosos que as instituições comerciais e industriais na concessão de crédito, principalmente por dois motivos: 1º - Trabalham como regra altamente alavancados com recursos de terceiros; 2º - Trabalham com “spreads” baixos nas operações, porém em grande volume. Dessa forma uma operação não liquidada normalmente necessita de um volume aproximado de até 20 vezes maior para compensar o prejuízo. Cabe, ainda, enfatizar que a política de crédito de um banco comercial compreende o estabelecimento de taxas de juros, prazos, garantias e nível de riscos relacionados a cada tipo de operação. Outro fator relevante na política de crédito de um banco comercial é a política econômica do governo que, através do Banco Central do Brasil, implementa suas diretrizes que vão desde o controle dos meios de pagamento até a fixação de linhas de crédito subsidiadas (como por exemplo a agricultura). Em termos de política de crédito, quanto mais rigorosos sejam os seus critérios para seleção de clientes, maior será a sua eficiência na função de minimizar os riscos. Por outro lado, à medida que os seus concorrentes forem mais flexíveis, esses poderão ganhar uma fatia de mercado que seria da instituição. Considerando a premissa de que o objetivo da administração financeira clássica é a maximização do lucro, respeitados os demais objetivos sociais deve a política de crédito ser orientada nesse sentido. A política de crédito de uma empresa fornece os parâmetros para determinar se deve ser concedido crédito a um cliente e qual a importância. O banco deve preocuparse não só com o estabelecimento de padrões de crédito, mas também com a aplicação correta desses padrões à tomada de decisões de crédito. É preciso desenvolver fontes adequadas de informações sobre crédito e métodos de análise de crédito. 2.2 - A preparação do gerente para a análise de crédito Os gerentes de negócios são o principal elo entre o cliente e a instituição financeira. Esses profissionais, de acordo com as suas habilidades pessoais e profissionais, são os responsáveis por atraírem e reterem as pessoas físicas e jurídicas no banco. Essa função era exercida no passado por profissionais que podiam tomar suas decisões de concessão de crédito apenas com base no conhecimento e relacionamento pessoal com o cliente. Nessa época o que valia era o “fio de bigode”, ou seja, a palavra do tomador. Com o crescimento das cidades e mercados, essa forma de relacionamento cada vez tornou-se mais difícil de se realizar, até mesmo impossível. Hoje em dia, para ser um bom profissional, o gerente necessita de algumas habilidades pessoais e profissionais próprias à sua atividade, como forma de garantir a rentabilidade e segurança das operações que realiza. Dentre essas habilidades, destacam-se: a) - Habilidades Profissionais 1 - Conhecimento de Mercado Financeiro: É necessário que o gerente conheça as normas bancárias e a maior parte dos assuntos legais relativos à regulamentação que afetem os processos de crédito. Também é de suma importância conhecer os tipos de produtos e serviços oferecidos pelo banco bem como dos concorrentes, para estar mais capacitado a desenvolver melhores negócios. 2 - Conhecimento Básico de economia: O gerente deve conseguir entender quais serão os impactos causados por mudanças na política econômica do governo, alterações na legislação, desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, entre outros, para os seus clientes. Em um mundo cada vez mais globalizado, a atuação dos gerentes deve estar focada também para os principais acontecimentos mundiais. 3 - Conhecimento geral de Negócios: O bom gerente deve ter um conhecimento, mesmo que básico, sobre o negócio e o setor que seus clientes atuam podendo, dessa forma, avaliar comparativamente se a sua estrutura operacional é compatível com o setor ou se o tipo de financiamento proposto é adequado ao seu negócio, por exemplo. 4 - Formação em Relações Humanas: O gerente deve ter a capacidade de se relacionar, a nível pessoal, com os diversos níveis de clientes (Interno e principalmente Externo) com que trabalha. Saber delegar responsabilidades a pessoas adequadas também faz parte dessa habilidade. b) - Habilidades Pessoais: 1) - Atenção: Essa qualidade é especialmente importante em certas fases, tais como análise da documentação e desembolso do empréstimo, quando a menor distração pode resultar num contrato de empréstimo passível de ser legalmente inválido; 2) - Poder de Observação: Detalhes que aparentemente nada significam, para um gerente observador podem indicar informações relevantes sobre a empresa; 3) - Habilidade de comunicação: O gerente deve ter a capacidade de comunicar-se em todos os níveis. Essa comunicação é um processo de mão dupla que exige a compreensão do ponto de vista para o cliente. Essa Habilidade abrange inclusive a comunicação escrita. 4) - Saber ouvir: O gerente deve saber ouvir com atenção. As reuniões que fornecem mais informações são aquelas em que o cliente é quem fala e o gerente, na maior parte do tempo, ouve; 5) - Capacidade de decisão: O gerente pode tomar centenas de decisões no decorrer de um só dia. O gerente não deve ter medo de tomar uma decisão e nem de defendê-la caso encontre oposição; 6) - Auto-motivação: A natureza da área bancária exige um alto grau de motivação; 7) - Diplomacia: Os gerentes defrontam-se, ocasionalmente, com clientes abalados por varias razões. Nesses casos exige-se diplomacia. A atitude natural diante da grosseria ou da hostilidade é responder à altura, mas, raramente, o resultado revela-se como satisfatório, sendo uma prática considerada má em negócios; 8) - Empatia: O gerente deve se colocar no lugar de seu cliente e agir da mesma forma como desejaria ser tratado. Uma demonstração genuína de preocupação pessoal com o bem-estar de um cliente paga dividendos na profissão de emprestar dinheiro; 9) - Eficiência: Os gerentes devem ser eficientes. Aqueles que o são conseguirão fazer mais empréstimos em termo aceitáveis para todas as partes envolvidas e com maiores possibilidades de pagamento dentro do prazo estabelecido; 10) - Inteligência: Um bom gerente deve ser capaz de ler e compreender demonstrativos de resultado e balanços. Deve possuir suficiente habilidade matemática para fazer os cálculos necessários, por exemplo, a análise de um índice financeiro. É necessário que esteja a par de problemas econômicos (locais, nacionais e mundiais); 11) - Saber negociar: As pessoas bem sucedidas na área de negociação sabem quando devem ser rígidas e quando devem ser flexíveis e ceder. O gerente deve saber negociar seja com um cliente ou com um comitê de crédito; 12) - Estabilidade emocional: A habilidade de se adaptar a situações mutáveis é um pré-requisito para se tornar um bom gerente. Cabeça fria e confiança inabalável são condições indispensáveis para tratar de casos difíceis; 13) - Integridade: O gerente deve ser, acima de tudo, uma pessoa íntegra. Os gerentes também devem ser completamente honestos, tanto em relação a si mesmo como em relação aos outros, pois exige-se confidencialidade, em todos os aspectos; 14) - Profissionalismo: essa talvez seja uma das mais importantes, pois o gerente representa a instituição em que trabalha perante os clientes. A ele não é permitido erros amadorísticos e também lhe cabe zelar pelos interesses e reputação do banco. c) - Formação Escolar: No exercício da função de gerente de negócios, é necessário uma formação escolar compatível com os relacionamentos e responsabilidades do cargo. Muitos dos profissionais atuantes nas áreas de negócios ou de crédito passaram por cursos, em cujos currículos constam as disciplinas de Contabillidade, de Análise Financeira e de Matemática Financeira. Espera-se das pessoas atuantes em banco, especialmente em crédito e negócios, um conhecimento mínimo dessas disciplinas. Através da leitura das habilidades pessoais e profissionais, tem-se a impressão que um bom gerente deve ser quase um “super-homem”. Uma parte significativa dos gerentes já possui algumas dessas habilidades, devendo, contudo, potencializá-las. Ressalta-se que não é de responsabilidade exclusiva do funcionário procurar desenvolver e/ou adquirir essas habilidades. Cabe às instituições também a atribuição de proporcionar os meios necessários (treinamento e subsídios educacionais, entre outros) para o aprimoramento contínuo dos seus funcionários, pois esses investimentos certamente resultarão em maior qualidade das decisões de crédito e redução do nível de inadimplência. 2.3 - Dificuldades para análise de crédito de micro e pequenas empresas Na análise de crédito de empresas do segmento Micro e Pequena empresas, são utilizados basicamente os seguintes instrumentos: Balanço; Balancete; Ficha Cadastral e Relatório de Visitas (que não são obrigatórios). Algumas empresas desse segmento possuem a prerrogativa de fazerem a declaração do Imposto de Renda - IR através de modelo próprio da Receita Federal, anexos II ou III do IR, o que as dispensam da confecção dos demonstrativos contábeis. O balanço e balancete, para as empresas que o apresentam, geralmente não correspondem à sua total realidade principalmente por dois motivos: • Devido à tentativa de maquiar os demonstrativos, aparentando assim maior saúde financeira, principalmente para bancos e fornecedores. A não obrigatoriedade da auditoria externa facilita esse procedimento; • A sonegação fiscal é uma prática bastante comum nesse segmento, apresentando distorções significativas entre o declarado como faturado e o efetivamente realizado. Aliado a esses fatores pode-se relacionar também a forma sintética como são confeccionados, o que proporciona pouca visualização e mensuração da capacidade de endividamento e pagamento das empresas. Os anexos II e III do IR apresentam os mesmos problemas dos demonstrativos contábeis normais. Em relação aos relatórios de visitas, os maiores problemas são: não contemplam todas as informações necessárias, não existe um padrão de elaboração e normalmente não é utilizada pala área de crédito. A qualidade do relatório depende das habilidades pessoais e profissionais já apontadas, sendo o treinamento um dos fatores fundamentais para desenvolver e aprimorar tais habilidades no corpo gerencial do banco. De todos os instrumentos relacionados, o que possui maior efetividade para esse segmento é o relatório de visita. A visita deve ser previamente preparada pelo gerente e ter seu foco centralizado basicamente na obtenção de informações relevantes para a decisão de crédito. Portanto, é presumível que a visita certamente contribuirá para maior racionalização das decisões de crédito, aumento da confiabilidade das informações. III - A VISITA COMO FERRAMENTA PARA DECISÃO DE CRÉDITO1 Neste capítulo procura-se mostrar a importância da visita a clientes como ferramenta para decisão de crédito e prospecção de novos negócios. Para tanto são demonstrados os procedimentos a serem adotados na preparação, planejamento, as informações a serem levantadas durante a sua realização e os principais itens que devem compor um relatório de visita. Embora a atividade de empréstimo à pessoa jurídica exercida pelas Instituições Financeiras, teoricamente, seja de benefício mútuo, na prática isso não ocorre. Os bancos não lucram com empréstimos que não são pagos. Para fazer uma seleção dos empréstimos solicitados, os bancos utilizam processos de investigação que normalmente têm início com uma entrevista entre o gerente e o tomador em potencial. Após o encontro inicial poderá haver uma investigação de crédito, visita “in loco”, análise dos demonstrativos contábeis, avaliação das garantias e da documentação, negociações entre o cliente e o gerente. Aparentemente, o processo de crédito pode parecer longo e desnecessariamente complexo, mas a alternativa de perdas com execuções judiciais (devido ao não pagamento) é, sem dúvida, menos atraente, tanto para o credor como para o cliente. 3.1 - A Importância da visita como estratégia para avaliação de crédito e prospecção de novos negócios. Os demonstrativos contábeis não retratam plenamente a história de uma empresa e seu risco. A entrevista de crédito e em especial a visita “in loco” constituem pontos 1 - As idéias desenvolvidas neste capitulo baseiam-se principalmente em Ruth(1991) e Ávila (1992) importantíssimos do processo decisório para empréstimos, pois permitem verificar fatos que os números “frios” não relatam. Se as decisões de crédito fossem tomadas apenas com base em cálculos referentes aos dados financeiros dos clientes, os bancos poderiam delegar a tarefa de emprestar a computadores, tendo inclusive a certeza que todos seriam liquidados. A visita poderá revelar, por exemplo, que o investimento que está sendo realizado para a compra de máquinas e equipamentos não atende a todas as necessidades da empresa, devido à idade avançada dos atuais. Isso pode ser visto sob pelo menos duas óticas: 1ª - Como oportunidade de novos negócios, pois a empresa deverá renovar seu parque industrial; 2ª - Como risco para financiamento, pois a empresa poderá deixar de pagar o empréstimo se tiver problemas com um ou mais equipamentos. O grau de risco nesse caso será determinado pela verificação que o gerente fará às instalações, juntamente com a projeção de fluxo de caixa. Uma valiosa fonte de informação de crédito é constituída pelas empresas fornecedoras do cliente em questão. Consultando essas empresas, o gerente pode verificar a pontualidade do cliente e se este devolve mercadorias sem causa justificada. Esta é uma oportunidade de prospecção de novos negócios, pois o gerente tem a chance de contatar outras empresas e tentar transformá-las em clientes potenciais. A melhor decisão quanto à concessão de crédito ou não, de um empréstimo, começa com a condução correta de uma visita. Portanto, os objetivos da visita, independente de sua finalidade ou característica, podem ser vistos como: o de depurar as solicitações de empréstimos e reunir informações financeiras para uma posterior análise e verificar se existe a possibilidade de o cliente realizar novos negócios com o banco. 3.2 - Tipos de Visita As visitas podem ser classificadas de acordo com sua finalidade. Desse modo temos: 3.2.1 - Visita de Prospecção O “Floating” que era a principal fonte de renda dos bancos reduziu-se drasticamente com a queda dos níveis inflacionários, deste modo os bancos tiveram que retomar as suas funções básicas de intermediadores e prestadores de serviços financeiros. Nesse momento a principal fonte de renda das instituições financeiras provém de empréstimos a pessoas jurídicas. Isso fez com que a concorrência nesse nicho de mercado crescesse enormemente. Visando a prospecção de novos clientes os gerentes realizam visitas. Essas são um primeiro contato em que o gerente procura criar um clima favorável ao levantamento de dados procurando conquistar a empresa, criando laços para possíveis negócios. 3.2.2 - Visita de Empréstimo O gerente, nessa visita, concentra-se em obter informações básicas, fazendo perguntas principalmente em cinco áreas de concentração: • a empresa do cliente; • a solicitação de empréstimo; • a capacidade do cliente para efetuar o pagamento; • a disponibilidade de garantia e • os atuais relacionamentos bancários do cliente. Nessa visita deve-se decidir o procedimento em relação à solicitação de empréstimo, ou seja, recusá-lo e sugerir outras fontes de financiamento ou levá-lo adiante. 3.2.3 - Visita de acompanhamento de empréstimos As visitas de acompanhamento conduzidas nas instalações da empresa, geralmente, têm como enfoque suas operações e procedimentos. Uma inspeção da fábrica, dos equipamentos e entrevistas com a alta cúpula da empresa podem fazer emergir informações que, caso contrário, permaneceriam ocultas. Por exemplo, o gerente pode comprovar pessoalmente alguns aspectos básicos, como as boas condições de funcionamento dos equipamentos da empresa. Esse tipo de visita tem como objetivo prevenir-se quanto ao não pagamento do empréstimo. Cabe ressaltar que a visita, independente de sua finalidade, deve ser planejada com antecedência, a fim de que a mesma obtenha os resultados esperados. 3.3 - Planejamento da visita Os bancos exigem que os clientes em potencial apresentem dados financeiros como suporte de suas solicitações de empréstimo. Quando uma visita é marcada com antecedência o gerente tem uma idéia geral sobre os documentos que poderá solicitar ao cliente. A visita, como qualquer outra atividade, deve ser planejada e, inclusive por escrito, evitando que se decida algo que não tenha sido objeto de planejamento anterior. Desse modo, é importante que a visita seja cuidadosamente preparada. Uma lista ou um esboço dos tópicos a serem cobertos freqüentemente é de grande utilidade na estruturação de uma entrevista e ajuda a dar certeza de que nenhuma informação básica passou despercebida. Visitas profissionais devem ser planejadas com objetivo definido e jamais devem ser efetuadas apenas para dizer “Olá, como vai?”. Muitos gerentes fazem visitas sem saber exatamente o que desejam e freqüentemente ficam desapontados quando as coisas não saem como pretendem. Os principais pontos a serem planejados para uma visita são: a) - Marcar as visitas antecipadamente; b) - Cuidar de visitar a pessoa certa; c) - Verificar relatórios de visitas anteriores (caso existam); d) - Levantar informações sobre o setor de atuação do cliente; e) - Identificar os relatórios financeiros a serem solicitados ao cliente; f) - Verificar a existência de restrições (SPC, SERASA, ÍNDEX DO BANCO, CCF etc.); g) - Verificar a situação do cliente no banco (utilização de produtos e/ou serviços); h) - Elaborar por escrito os principais pontos a serem abordados, como: • Aspectos da administração da empresa; • Esquemas formais e informais de avaliação da situação econômicofinanceira da empresa; • Aspectos pertinentes à comercialização; • Ligações societárias; • Investimentos. 3.4 - Procedimentos a serem adotados na realização da visita. A responsabilidade pelos resultados da visita recai quase inteiramente sobre o gerente, que faz as perguntas e dirige a linha de investigação. Ao iniciar a visita este deve estar preparado e munido das perguntas que vai realizar. Se o gerente for desviado de seus objetivos e se deixar arrastar, ao final da visita não terá obtido as informações complementares necessárias sobre o futuro cliente. O gerente deve se esforçar no sentido de criar uma atmosfera de tranqüilidade, mas profissional. Um cliente tranqüilo, que tem confiança no gerente, provavelmente irá se mostrar cooperativo durante a visita. Naturalmente, uma boa apresentação, um firme aperto de mão, a troca de nomes e uma conversa leve antes do início da entrevista são essenciais. Dirigir-se ao cliente utilizando termos irreverentes (gírias) talvez possa ser uma atitude bem intencionada, mas, sem dúvida é uma atitude não profissional. As informações devem ser solicitadas e não exigidas. Em suma, o gerente deve tratar todos os clientes como gostaria de ser tratado, tendo sempre em mente que os bancos são prestadores de serviços. A coleta de informações produz melhores resultados quando o cliente fala e o gerente escuta com atenção. Enquanto o cliente fala, deve-se registrar revelações significativas, procurar comentários implícitos e considerar perguntas apropriadas de acompanhamento. Qualquer comportamento fora do comum durante a visita deve ser registrado e talvez acompanhado. A não ser que o gerente possua memória fotográfica, é aconselhável fazer anotações. É importante que as anotações sejam feitas discretamente e compatíveis com o fluxo de conversação. No negócio de emprestar para pessoas jurídicas não há lugar para tendências ou preferências pessoais. As solicitações de empréstimos devem ser aceitas ou rejeitadas com base em credibilidade e não em outros fatos como personalidade. Para que a visita ocorra de um modo profissional, o gerente ainda terá que observar os seguintes cuidados: • Pontualidade; • Reduzir a tensão criando um clima favorável de aceitação; • Evitar confrontos diretos de pontos de vista; • Nunca desmerecer os concorrentes; • Nunca passar informações confidenciais; • Cuidar da aparência pessoal; • Fazer as perguntas certas; • É importante agradecer a cortesia de ter sido recebido. 3.4.1 - Principais levantamentos a serem feitos durante a visita A diferença entre uma resposta que não fornece informações e aquela informativa pode ser atribuída à pergunta. Ao conduzir uma visita, o gerente deve fazer pleno uso do seguinte: Perguntas estruturadas: São perguntas concentradas num determinado enfoque que fazem emergir respostas sucintas, geralmente “sim” ou “não”. Perguntas não estruturadas: Esse tipo de pergunta encoraja o livre intercâmbio de informações. As perguntas não estruturadas estimulam a conversação, portanto, devem ser associadas às perguntas estruturadas, o que provoca respostas mais específicas. Técnicas de Sondagem: Trata-se de estratagemas simples para auxiliar o fluxo de informações, estimulando respostas adicionais. São palavras ou interjeições, naturais e discretas, que podem encorajar o cliente a continuar falando e, assim, fornecer informações adicionais. Os parágrafos seguintes apresentam algumas perguntas específicas a serem efetuadas durante a visita: - Qual é o nome do cliente? - A empresa é uma sociedade anônima, de propriedade individual ou geral? - Onde está localizada a empresa? - Há quanto tempo o cliente está envolvido em negócios? - Há quanto tempo a empresa está operando? - Quais são os produtos ou serviços da empresa? - Quem são os principais proprietários e quantas ações possui cada um deles? - O gerenciamento é independente dos proprietários? - Se assim for, quem são os principais administradores? - Qual é a experiência da administração? - Qual é o número de empregados? - Os proprietários são sindicalizados? - Qual é a posição da empresa no segmento de mercado? - A empresa é bem capitalizada? - Os ativos pessoais vão ser dados em penhor como garantia do empréstimo? - Quem são os fornecedores e clientes mais importantes e quais seus endereços? - Estão envolvidos contratos ou franquias? - Existem, atualmente, pontos de disputa ou litígio de qualquer natureza? Perguntas referentes à solicitação de empréstimo - Qual o valor que o cliente deseja tomar como empréstimo? Esse valor está de acordo com as suas reais necessidades? - De que maneira se chegou ao valor do empréstimo? - O cliente projetou acuradamente as necessidades de empréstimo? - Quais os termos solicitados? - Os termos são razoáveis, baseados na natureza do empréstimo - por exemplo, dentro da vida útil e depreciação do ativo que está sendo financiado? - Como se chegou a esses termos? Os termos são baseados na capacidade do cliente para pagar ou num planejamento financeiro? - Como será utilizado o dinheiro do empréstimo? - A finalidade do empréstimo é compatível com a política do banco? - Como vai repagar? Perguntas referentes à garantia - Quais os bens que podem ser dados em garantia? - Onde está localizada a garantia? - Qual é a liquidez da garantia? - A garantia é controlável e pode ser revendida? - Há necessidade de licenças especiais para tomar posse da garantia ou para vendê-las? - Como é avaliada a garantia? O valor da garantia flutua? - A garantia é para uma finalidade especial? - A garantia é perecível? Perguntas referentes ao relacionamento bancário do cliente. - Quais os bancos que estão sendo utilizados? - Outros bancos foram abordados com vistas à solicitação de empréstimo? - Como se situa esse empréstimo no quadro total da empresa, em termos de relacionamentos bancários e empréstimos? - Por que o cliente procurou este banco? - Quais as linhas de crédito utilizadas em outros bancos, valores, vencimentos e respectivas utilizações? 3.4.2 - Dados a serem levantados de alguns setores específicos Alguns setores ou ramos de atividade específicos devem receber uma atenção adicional no momento da análise, em função de seus dados econômico-financeiros (principalmente demonstrativos contábeis) não refletirem na totalidade suas operações. Dentro desse enfoque, é importante obter dados cadastrais e informações econômico-financeiras adicionais, colhidas através da visita, que facilitem a interpretação e análise para subsídio às decisões. Empresas Agrícolas Das empresas agrícolas deve-se obter dados como: - Safra por tipo de produto nos últimos três exercícios; - Custos operacionais (insumos/defensivos, mão-de-obra) por tipo de produto; - Área total e plantada por tipo de produto nos últimos três períodos; - Produção/produtividade por ha. plantado; - Equipamentos próprios de preparo e colheita (marca/ano); - Faturamento por tipo de produto e períodos de safra/colheita; - Preços mínimos da política agrícola do governo e da safra para comercialização; - Valor básico de custeio para as plantações; - Relação de bens imóveis da empresa com identificação de área total e tipo de plantação; - Relação de bens imóveis dos sócios, área total e identificação das áreas produtivas/improdutivas; - Áreas arrendadas de terceiros - área total, tipo de plantio e nome do proprietário. Com base nesses dados haverá condições de se avaliar o potencial de crédito para custeio e comercialização da empresa, bem como presumir seu fluxo de caixa, dados os períodos de safra e entresafra dos seus produtos. Empresas de construção civil Das empresas de Construção Civil Imobiliária deve-se obter: - Característica operacional da empresa: empreiteira ou incorporadora; - Se subcontrata os serviços de incorporação/empreitada; - Se utiliza do sistema de preço fechado ou preço de custo; - Qual o público alvo de seus empreendimentos; - Qual o plano de vendas dos empreendimentos: na planta, durante ou no final da construção; - Qual a empresa que utiliza para comercializar seus empreendimentos; - Prazo médio de construção; - Histórico: lançamentos já realizados, com detalhes sobre início de obra, tempo de obra, prazo de vendas entre o lançamento e a venda das unidades finais, agentes financeiros que financiaram os empreendimentos; - Quadro atual de obras com detalhes: agente financeiro, prazo de entrega da obra, esquema de comercialização (preço fechado, preço de custo), volumes a receber, valores recebidos, etc. Das empresas de Construção Pesada deve-se obter: - Obras já realizadas com detalhes sobre: a obra, quantidade de metros quadrados construídos, esquema de pagamento, prazos de pagamento, valores recebidos e a receber; - Quadro atual de obras com os mesmos detalhes; - Concorrência das quais está participando; - Relação de títulos a receber - Representatividade por obra e por cliente; - Esquema de comercialização - adiantamentos, recebimentos parciais por medição, recebimentos fiscais, acordos de correção do contrato e dos valores a receber; Das empresas que executam obras por incorporação deve-se obter o histórico das incorporações realizadas com detalhes sobre: - Empreendimento/localização; - Características do empreendimento; - Área das unidades e número de dormitórios; - Início e término da obra; - Regime de construção; - Parceiros na incorporação; - Agentes financeiros; - Carteira atual de obras com os detalhes acima. Cooperativas - Dados históricos: • data da constituição; • objetivo social; • quadro social - relação dos cooperados e respectivas participações; • número de associados ativos nos últimos três períodos; • caracterização dos associados (pequenos/médios/grandes produtores); • relação de bens imóveis da Cooperativa; • relação de seguros; • relatório de atividades. - Administração: • relação dos administradores; • experiência e formação profissional dos administradores; • tempo de participação na Cooperativa e na Diretoria; • última eleição e validade do cargo; • representatividade na comercialização; • relação de bens imóveis com áreas plantadas, tipo de plantação, colheita nos últimos períodos, etc. - Capacidade: • nível de utilização da capacidade efetiva nos últimos três períodos; • tecnologia aplicada/em desenvolvimento/a desenvolver; • principais insumos/principais fornecedores incluindo dados se forem cooperados; • prazos de pagamento aos fornecedores e relacionamento com os cooperados. - A nível geral: • Equipamentos de uso comum dos cooperados - critérios de seleção de utilização; • assistência técnica ministrada aos cooperados - detalhar. - Armazenagem: • capacidade de armazenagem própria por produto X comparativo de produção dos cooperados; • condições de armazenagem X especificidade do produto; • espaços alugados, tipos de contratos e proprietários dos armazéns. - Comercialização: • composição do faturamento por tipo de produto nos últimos três períodos; • principais clientes e percentual do faturamento por produto; • atuação no mercado externo e qual a infra-estrutura para essa comercialização; • marcas comercializadas; • adiantamentos a cooperados; • valores a receber segregados - o que é de cooperados e de terceiros; • fornecedores; • investimentos - identificação de participação em cooperativas centrais ou federações e detalhes do relacionamento com as mesmas; • .custo dos produtos vendidos - por produto. Empresas de Transporte As empresa de transporte de cargas ou de passageiros devem ser passíveis de visitas que atinjam a obtenção de dados complementares para efeitos de análise. Desta forma, deve-se obter, a nível geral: - Dados da frota: • Quantidade por tipo, marca, modelo e ano de fabricação; • Número de veículos em uso normal; • Número de veículos em conserto/reforma; • Número de veículos em manutenção periódica; • Número de veículos financiados; • Número de veículos “Leasados”; • Número de veículos livres; • Valor atual da frota total e frota livre; • Valor mensal da prestação dos financiamentos e do “Leasing”; • Se a frota é terceirizada (carreteiros). - Custos: • relação percentual do custo de manutenção, custo de combustíveis e lubrificantes e custos de pessoal (folha + encargos) sobre a receita mensal/anual. Empresas de transporte de cargas • tradição da empresa/sócios/administradores do ramo; • controles operacionais de carga e descarga (ponto a ponto); • garagens próprias (área do terreno/localização/valor atualizado de mercado); • garagens alugadas (nome do proprietário/local/área construída/validade do contrato); • bens patrimoniais dos sócios e valor atual de mercado; total e • valor do estoque de peças e de materiais de reposição. Empresas de transporte urbano/rodoviário de passageiros. • número de linhas que opera - validade e cedente da concessão; • distâncias mínimas e máximas das linhas; • regiões exploradas; • quantidade média de passageiros por quilômetro rodado; • quantidade de quilômetros rodados/dia; • relação de custos de manutenção/custos de pessoal (folha + encargos), custo de combustíveis e lubrificantes em confronto com o faturamento total mensal e anual; • relacionamento com a Prefeitura do Município (municipalização do transporte/caixa único/pagamento por Km rodado); • garagens próprias - área total e construída/ localização/valor atual de mercado; • garagens alugadas - área total e construída/localização/proprietário e validade do contrato; • relação de bens imóveis dos sócios e valor de mercado. Com base na análise desses dados, além das informações cadastrais dos sócios/administradores e análise econômico-financeiras, tem-se condições de subsidiar a análise e decisão de créditos ao setor de transportes. 3.5 - Elaboração do relatório de visita Após a realização da visita o gerente deve reservar algum tempo para fazer a revisão das anotações feitas sobre o cliente e redigir o relatório, fornecendo os detalhes dos fatos de que tomou conhecimento durante a entrevista. De forma sintética o relatório deve conter: - Caracterização: • a caracterização da empresa ou grupo econômico; • se grupo econômico, a citação das principais empresas. - Administração: • administradores/cargo/mandato/das principais empresas; • avaliação da administração. - Produção: • principais produtos/utilização; • produção e utilização da capacidade nos últimos três exercícios; • avaliação de: pessoal, máquinas, equipamentos, instalações, qualidade dos produtos, tecnologia implantada, projetos em implantação e a implantar. - Comercialização: • participação de cada produto no faturamento total; • participação das vendas no mercado interno e externo de cada produto; • principais clientes no país e no exterior e participação no faturamento e relacionamento; • avaliação das políticas estratégicas de comercialização. - Mercado: • avaliação do mercado e perspectivas; • avaliação do comportamento da empresa em relação ao mercado histórico, situação atual e perspectivas. - Fornecedores: • principais fornecedores; • relacionamento com fornecedores. - Investimentos: • investimentos realizados nos últimos períodos; • projetos de: desenvolvimento tecnológico, implantação e expansão; • recursos orçados, fontes programadas. - Grupo Econômico: • principais acionistas e diagrama do grupo econômico; • esquema de administração; • interdependência econômico-financeira das empresas; • avaliação da administração do grupo. O relatório sobre os pontos abordados durante a visita deve ser parte integrante da pasta de crédito do cliente. Quando a visita é imediatamente seguida de outro compromisso, pode ser inviável redigir o relatório de imediato, mas o sumário deve ser escrito com a maior polidez possível. Recordar as questões abordadas numa visita e resumi-las por escrito também ajuda a fazer uma síntese. IV - METODOLOGIA DA PESQUISA De acordo com Munhoz (1989), as pesquisas podem ser classificadas, conforme os objetivos, segundo o conteúdo ou a amplitude. Conteúdo Segundo o conteúdo, a pesquisa realizada caracteriza-se como Aplicada, uma vez que tende a permitir um retorno mais imediato, já que propõe a criação de instrumentos que propiciem a melhoria da qualidade da decisão de crédito com conseqüente redução dos níveis de inadimplência e prospecção de novos negócios. “As pesquisas aplicadas podem compreender: a) - utilização de desenvolvimentos teóricos para estudos empíricos sobre a realidade observada; e b) - análise de dados da realidade, em função de cujo comportamento seria possível a formalização de modelos teóricos. Amplitude Munhoz (1989) utiliza, ainda, uma segunda forma de classificar a investigação científica: a distinção das diferentes amplitudes dos estudos, que alguns autores mencionam como ligadas aos propósitos procurados pelo investigador e outros apenas citam como “... esquemas de investigação diferentes”. A pesquisa em questão, quanto à amplitude, caracteriza-se como Estudo Descritivo, visto que permite a compreensão e determinação de algumas das razões da má qualidade na concessão de crédito no banco e propõe uma possível solução. Ainda, segundo o mesmo autor, “o indivíduo é impulsionado à pesquisa por diferentes motivações: mera curiosidade científica, procura de respostas a novos problemas; tentativa de alcançar novas respostas a problemas conhecidos; busca de nova opções; de novas realizações”. “Essas fontes de motivação tendem a originar pesquisas que podem ser classificadas como de caráter “profissional” ou, então, de natureza espontânea. A classificação profissional têm em vista, em verdade, apenas dizer que um grande número de pesquisas está ligado ao exercício da profissão e têm, portanto, o caráter de necessidade a ser atendido” Sendo assim, a pesquisa será classificada como espontânea foi gerada por simples curiosidade científica, mais propícias de meios acadêmicos, de se realizar uma pesquisa que possa gerar resultados passíveis de serem utilizados. Nesse caso propõe-se a implementação de medidas que visem melhorar a qualidade de seus créditos efetuados a micro e pequena empresas. Conforme Gil (1988) utilizou-se para a sua realização, como instrumentos: a) - Pesquisa bibliográfica, através do qual procurou-se identificar a existência de teorias relacionadas com o assunto, objeto do estudo, que subsidiassem o trabalho. b) - Pesquisa documental, buscando identificar a existência de documentos que são utilizados para orientar os gerentes, levantando as informações que estavam presentes, sua aplicabilidade atual e a possibilidade de aperfeiçoá-los. V - PROPOSTA: UMA METODOLOGIA DE VISITA Com base nas análise anteriores, estamos apresentando uma proposta para melhorar a qualidade das visitas dos gerentes de negöcios como subsídio para suas decisões de crédito. A proposta compreende: 5.1 - Dicas para a realização de visitas. 5.2 - Roteiro de observação - Principais pontos a serem observados em uma visita. 5.3 - Roteiro para acompanhamento do crédito, pontos que podem identificar problemas de liquidez nas operações. 5.4 - Roteiro sobre garantias. 5.1 - DICAS PARA A REALIZAÇÃO DE VISITAS Preparação da visita. Marcar as visitas antecipadamente Durante a visita Reduzir a tensão criando um clima favorável de aceitação Cuidar de visitar a pessoa certa Evitar confrontos diretos de pontos de vista Verificar relatórios de visitas anteriores Não deixar a entrevista assumir um tom de (caso existam) interrogatório, como também não transformá-la num bate-papo sem sentido Identificar a posição atual da empresa na Nunca desmerecer os concorrentes agência (caso seja cliente) Levantar informações sobre o setor de Não demonstrar tendências ou preferências atuação do cliente pessoais Verificar quais documentos serão solicitados Anotar discretamente as respostas e ao cliente (balanço, balancete, contrato observações compatíveis com o fluxo da social, etc.) conversação Verificar a existência de restrições (SPC, Não passar informações confidenciais SERASA, Index do Banco, etc.) Verificar a posição do cliente no banco Administrar a agenda de modo a ser pontual É importante agradecer a cortesia de ter sido recebido Obs: Os melhores resultados em visitas são obtidos quando o cliente fala mais e o gerente escuta com atenção. 5.2 - ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO: PRINCIPAIS PONTOS A SEREM OBSERVADOS EM UMA VISITA Roteiro O administrador é O quê ? Possíveis significados ou correlações: • Determinar o percentual Geralmente, quanto maior a participação quotista da de participação do do administrador, maior seu envolvimento empresa? administrador na com a empresa. empresa. Quanto menor sua participação, maiores são suas possibilidades de desligamento. Experiência do No Setor: Quanto maior a experiência do administrador: • Verificar se o administrador, maiores são as administrador possui possibilidades de sucesso da empresa. experiência no mesmo setor em outra empresa Na Empresa: O conhecimento do administrador sobre a • Verificar qual a empresa como um todo (clientes, experiência do produtos, fornecedores, funcionários etc) administrador na é um fator importantíssimo para o sucesso empresa. da empresa. Formação do • Determinar quais cursos Se o administrador possui cursos voltados administrador. o administrador possui para sua empresa ou área de atuação serão (superior, técnico, maiores as possibilidades de sucesso da profissionalizante etc). empresa. Na ausência do • Identificar os prováveis O afastamento do atual administrador principal sucessores do atual (morte, doença, desligamento etc) sem a administrador administrador e o que existência de um sucessor imediato pode existe alguém para poderia ocorrer na sua significar instabilidade na organização da substituí-lo sem ausência. empresa. causar grandes impactos negativos à empresa? Mercado • Verificar junto ao Permite verificar potencialidade de administrador em quais mercado da empresa; Permite verificar se mercados que a empresa suas atividades restringem-se a um único atua e quais perspectivas. mercado ou se há possibilidades de explorar outros mercados. Permite verificar se as tendências de evolução ou involução de mercado estão condizentes com as intenções de investimento da empresa. Principais • Verificar se existem poucos A concentração do faturamento em um ou produtos: (em produtos que representam poucos produtos pode significar maior relação ao grande parte do risco, uma vez que a perda ou diminuição faturamento) faturamento. de demanda ou dificuldades na fabricação desses produtos repercutirão sensivelmente no faturamento. Existe • Verificar se existem meses Permite identificar os meses de maior sazonalidade dos ou épocas do ano necessidade de recursos e se o empresário produtos e/ou específicos que concentrem vai ter geração de caixa para pagar os seus serviços? a maior parte das vendas. compromissos. Por exemplo: dezembro (natal) e outubro (dia das crianças) venda de brinquedos. Quais ações estão • Verificar se a empresa O administrador que se preocupa em sendo tomadas possui estratégia para manter nível de vendas mais estáveis (sem para minimizar o minimizar sazonalidade. grandes oscilações negativas) mantém seu impacto da Por exemplo, formas faturamento ao longo do ano, sazonalidade no criativas de vender o demonstrando maior capacidade faturamento da produto fora de época de administrativa. Empresa maior pico nas vendas; se a empresa possui outros produtos e/ou serviços para manter o nível do faturamento. Principais clientes: • Verificar se existem poucos Permite verificar se a empresa está (em relação às clientes que compram concentrando suas vendas em poucos vendas) sistematicamente grandes clientes (dependência) o que significa valores de mercadorias. maiores riscos, pois a perda de um cliente nessa situação causará grande impacto no faturamento da empresa. Prazos de vendas: • Verificar em que prazo normalmente os produtos Se correlacionado com os prazos médios de pagamentos de fornecedores permite e/ou serviços são vendidos. identificar a existência de furos de caixa (descasamento entre recebimentos de vendas e pagamentos de fornecedores). • Verificar junto à empresa Permite identificar comparando-se com o inadimplência em como anda o nível de mercado se as formas de financiamentos a relação às vendas? inadimplência de seus clientes são eficientes, sendo também clientes. possível checar essa informação se Como está a correlacioná-la com o percentual de cheques devolvidos depositados na conta da empresa e títulos de cobrança vencidos. Permite verificar a qualidade dos clientes da empresa, os riscos relativos aos seus prazos de vendas e também o risco de aceitação pelo banco de duplicatas como garantias em operações. Faturamento • Verificar junto ao Permite comparar o desempenho da administrador o empresa em relação a outras do mesmo faturamento da empresa setor. nos últimos seis meses. Permite correlacionar se os compromissos da empresa (aluguéis, financiamentos, condomínios, salários) estão compatíveis com seu fluxo de caixa. Principais • Verificar se existe Permite identificar se existe dependência fornecedores: (em concentração de compras de poucos fornecedores e avaliar o relação ao total de em poucos fornecedores e a impacto que causariam a(s) perda(s) compras) Quanto tempo existe desse(s) fornecedor(es). Existe algum relação comercial. fornecedor para substituí-lo? O tempo de relacionamento entre empresa e fornecedor é uma via de mão dupla, podendo indicar que a empresa vem cumprindo suas obrigações e que o fornecedor vem atendendo às suas necessidades. Obs: O tempo não é um indicador de satisfação do comprador se esse não têm condições de atuar com outro fornecedor (Monopólios, baixo poder de barganha etc.) • Verificar em média quanto Ao correlacionar com os prazos de vendas (junto aos tempo o empresário obtém permite identificar a existência de furos de principais de prazo para pagar seus caixa (descasamento entre recebimentos fornecedores) principais fornecedores. de vendas e pagamentos de fornecedores). Prazos Obtidos: Permite identificar se o comprador possui crédito junto a seus principais fornecedores. Obs: Pode ser checado junto aos fornecedores. Instalações: • Verificar se são próprias ou Permite verificar o impacto do aluguel no alugadas • Verificar o seu estado de conservação. faturamento. O estado de conservação das instalações via de regra refletem na qualidade dos produtos e/ou serviços. Numero de funcionários • Verificar junto à empresa o Permite verificar se o número de nº de funcionários funcionários é compatível com o nível de atividade da empresa. A adequação do número de funcionários à necessidade da empresa indica qualidade da administração. Especialização dos • Verificar junto à empresa o Normalmente, quanto mais qualificada é a funcionários. grau de especialização dos mão-de-obra, melhor é a qualidade dos funcionários. produtos/serviços, proporcionando maiores possibilidades de obtenção de sucesso para a empresa. Máquinas e • Verificar se são financiados O ônus das parcelas de financiamentos equipamentos • Verificar o estado geral comprometem parte do faturamento da • Verificar se existe empresa. ociosidade O estado geral de conservação reflete a • Verificar se existem planos preocupação ou não do administradores com manutenções adequadas, sendo um de expansão e/ou modernização indicador de maior ou menor propensão de paralisação dessas máquinas e equipamentos. A ociosidade pode ter origem na diminuição das vendas, imobilização de capital inadequada ou mesmo na dificuldade de obtenção/manutenção de mão-de-obra. Permite visualizar novas oportunidades de negócios (FINAME, “ Leasing” etc). Permite verificar se as intenções de investimento estão com a tendência de evolução ou involução do mercado. Estoques: • Verificar se são de fácil comercialização. • Verificar como são armazenados. • Verificar se são de cunho especulativo. • Verificar se as quantidades A liquidez do estoque indica as possibilidades de obtenção de receitas em curto, médio e longo prazo. As condições de estocagem indicam possibilidades de perdas no estoque e conseqüente perdas no faturamento. O direcionamento de recursos para são compatíveis com as estocagem de produtos de cunho atividades da empresa. meramente especulativo representa • Verificar se estão segurados • Verificar como são elevação de risco, onde recursos que deveriam ser voltados para as atividades da organização são desviados para uma compostos os estoques de atividade que têm como uma de suas matérias-primas. características principais o risco (especulação). Estoques elevados (incompatíveis com a capacidade de produção e/ou vendas) podem significar, no caso de escassez de recursos, falta de planejamento financeiro. Principalmente no caso de estoques elevados e com grandes propensões a sinistros, o seguro diminui os riscos de operações com a empresa. Estoques elevados de matérias-primas destinados à fabricação de produtos de difícil comercialização podem indicar dificuldades futuras no pagamento de compromissos. Relacionamento • Verificar junto à empresa o Permite analisar risco de acordo com o relacionamento com outras grau de endividamento/concentração em instituições. outras instituições financeiras. Possibilita checar junto as instituições o conceito e situação do cliente. 5.3 - ROTEIRO PARA ACOMPANHAMENTO DO CRÉDITO PONTOS QUE PODEM IDENTIFICAR PROBLEMAS DE LIQUIDEZ NAS OPERAÇÕES Pontos Venda de Patrimônio Por quê ? • Verificar se a venda foi feita com o intuito de substituição/inovação (o que é positivo) ou para suprir necessidade de caixa (demonstra falta de liquidez). • Obs: no caso de micro e pequena empresa alterações no patrimônio dos sócios podem ter impacto sobre a empresa. Mudanças do(s) sócio(s) • Verificar se sua(s) saída(s) compromete(m) a continuidade da administrador(es) empresa. • O novo administrador possui experiência no setor? Alterações contratuais • Verificar se ocorreu alteração na(s) pessoa(s) que pode(m) assinar pela empresa (pode comprometer a validade jurídica dos instrumentos de créditos firmados posteriormente). Queda no faturamento Paralisação da empresa (ex. Férias coletivas). • Compromete a liquidez e capacidade de pagamento da empresa. • Verificar se ocorreu devido a problemas conjunturais (não é bom, mas pode ser aceitável) ou por perda de mercado (é ruim, pode indicar que a empresa está perdendo competitividade). Perspectivas setoriais • As empresas de setores com perspectivas ruins devem ter um maior acompanhamento dos seus créditos, pois seu risco de insolvência é maior. Boatos da praça • Verificar se as informações contidas nos boatos podem indicar potenciais problemas no andamento da empresa e na sua capacidade de pagamento. Buscar comprová-los ou não através de visitas. FIQUE ALERTA. Troca de posição de • Indica que a empresa está com problemas de caixa. a ausência cobrança para desconto. de giro pode comprometer a capacidade da empresa em saldar Desconto do as suas dívidas nas datas e montantes contratados. faturamento do dia. Pagamento de duplicatas • pode indicar que as duplicatas descontadas eram FRIAS. descontadas pela empresa que as descontou • CUIDADO, a empresa está atrasando o pagamento de seus Cheques administrativos fornecedores. para pagamento em cartórios. Renovação de principal + encargos Adiantamento a depositantes e/ou saque • CUIDADO, a empresa pode não estar gerando recursos para pagamento de suas dívidas. • A empresa pode estar com problemas de caixa, não conseguindo gerar recursos suficientes para o seu giro diário. sobre bloqueio constantes. Redução do pagamento de tributos • CUIDADO, a empresa pode não estar gerando recursos para pagamento de suas dívidas. Cliente não negocia • Pode indicar má administração. taxas de juros e/ou • CUIDADO, pode indicar grande necessidade de obtenção de prazos. recursos e/ou dificuldade de obtenção de recursos em outros bancos. Recusa em oferecer boas • CUIDADO, pode significar que o próprio empresário têm garantias dúvidas quanto ao repagamento. 5.4 - ROTEIRO SOBRE GARANTIAS Tipos de garantia Principais cuidados que devem ser observados • Observar a existência do nome e endereço do sacado, seu número de CPF/CNPJ e o nome e CNPJ do cedente na duplicata. • Verificar se as duplicatas são sacadas contra empresas ligadas ao mesmo grupo econômico. Neste caso devem ser solicitadas novas Duplicatas garantias pois o risco de serem "frias " é maior. • Verificar se o prazo de vencimento da duplicata está compatível com o prazo de vencimento da operação. • Verificar se as duplicatas são sacadas contra os principais clientes da proponente que se encontram relacionados na sua ficha cadastral. • Solicitar sempre que possível o aceite do sacado, principalmente protestos de duplicatas de curtíssimo prazo de vencimento, confirmar junto ao sacado por telex, fax ou pessoalmente a veracidade da origem da duplicata. Na dúvida, solicitar a substituição da mesma. Esse procedimento deve ser usual também para empresas tradicionalmente conhecidas no mercado, pois pode ocorrer o uso indevido do nome dessas empresas (duplicatas frias) • Verificar se o cliente endossou a duplicata, significando a transferência de posse para o Banco. • Conferir as assinaturas de emissão e endosso do cedente. A constatação de alguma irregularidade poderá ser indício de emissão fraudulenta. • Procurar obter do cliente sempre a maior diversificação de sacados possível, para evitar a concentração, porém sempre considerando a segurança de liquidez. Aval • Verificar sempre os atos constitutivos da empresa, ou seja, Estatuto Social ou Contrato Social e suas alterações observando se não existem restrições ou condições especiais para a diretoria conceder aval em obrigações contraídas pela empresa, bem como a validade do aval quando se tratar de pessoa jurídica. • Observar a vigência do instrumento de procuração quando se tratar de pessoa jurídica. • O patrimônio dos sócios/avalistas deve estar livre de ônus e ter valor de mercado atualizado, superior ao crédito concedido. • Tentar sempre colher a assinatura do(a) cônjuge, para garantir que o patrimônio do casal responda integralmente pela operação. Alienação • Verificar nos casos de hipotecas de bens móveis ou penhor pecuniário Penhor se o contrato está devidamente registrado no respectivo cartório de Hipoteca registro de imóveis e se já não foram dados em garantia para outras operações. • Verificar nos casos de penhor mercantil de mercadorias, alienação fiduciária de máquinas/equipamentos e alienação de veículos se os contratos encontram-se devidamente registrados nos respectivos cartórios de títulos e documentos. • No caso de penhor mercantil deve-se avaliar antecipadamente a idoneidade creditícia do depositário. • CUIDADO COM OPERAÇÕES GARANTIDAS POR PENHOR. Fiança Deve-se atentar para as recomendações contidas na garantia aval e observar ainda os seguintes itens: • Se na fiança consta cláusula específica determinando que o fiador responda solidariamente pelo crédito concedido e os encargos decorridos em caso de inadimplência do devedor. • Para fiador pessoa física casado é obrigatória a concordância e assinatura do cônjuge, para que bens respondam integralmente. Caso seja detectada alguma anormalidade em relação ao fiador, a agência deve solicitar a sua substituição mesmo no decorrer da operação. Cheques • Observar a existência de restrições em nome do emitente . • Verificar de cheques são de empresa coligadas, familiares, funcionários e amigos. • Verificar se os cheques são de seus principais clientes, relacionados na ficha cadastral. • Procurar obter a maior pulverização e diversificação possível • Verificar se o prazo e valores estão compatíveis com faturamento e fluxo da empresa. • Na dúvida, solicitar substituição dos mesmos. VI - CONCLUSÃO Na atual conjuntura econômica vivida pelo país, a principal fonte de receitas das instituições financeiras provém de empréstimos realizados a pessoas físicas e jurídicas (intermediação financeira), que devem ser deferidos em bases sólidas e seguras a fim de minimizar o risco das operações. Um processo de decisão de crédito não deve envolver apenas fatores objetivos (como por exemplo: análise financeira), pois existem inúmeros fatores subjetivos que influenciam a vontade e capacidade do tomador em realizar repagamento dos empréstimos. Na análise e concessão de empréstimos a micro e pequena empresas, as instituições financeiras, de maneira geral, têm valorizado mais os fatores subjetivos (como por exemplo: a experiência dos administradores no ramo). Esses fatores são normalmente mais facilmente obtidos pelos gerentes, que mantêm um contato direto com o cliente, principalmente através da realização de visitas. Entretanto, observa-se que existe uma dificuldade por parte dos gerentes de negócios na obtenção de informações de forma confiável e sistematizada, devido principalmente à falta de cultura de crédito. Conclui-se que a sistematização de procedimentos de análise de crédito, mediante a utilização da visita, poderá contribuir para que os gerentes atuem de forma mais segura e eficaz, gerando assim créditos e negócios mais confiáveis, com conseqüente redução do nível de inadimplência nas operações. Entende-se também que os relatórios produzidos pelos gerentes são importantíssimos para subsidiar a análise do processo de crédito . Outrossim, espera-se que com visitas mais profissionais, os gerentes consigam vislumbrar mais facilmente novas oportunidades de negócios, bem como uma melhoria no relacionamento com os clientes. GLOSSÁRIO Factoring: É uma atividade de prestação de serviços, associada à compra de direitos de um contrato de venda mercantil, desenvolvida por uma empresa de caráter comercial. Floating: Ganho financeiro auferido pelos bancos referente ao dinheiro que ficou parado na conta do cliente por um ou mais dias, sem qualquer remuneração. In Loco: No local. Index: É um sistema de cadastro de bancos, onde constam todos os clientes com restrições por nome, CPF, tipo e quantidade de restrições. Leasing: Arrendamento mercantil. Leasados: Veículos/equipamentos financiados através de operações de “leasing”. Pay-Back: Tempo de retorno de um investimento. Serasa: Centralização de serviços dos bancos S/a. - centralizadora de serviços administrada pelos bancos que contém informações cadastrais das pessoas físicas e jurídicas tais como: protestos, cheques sem fundos, ações judiciais etc. Spread: É a diferença entre a taxa de captação e aplicação de recursos, praticada por uma instituição financeira. Timing: Senso de oportunidade relativo à escolha do momento e do tempo de duração de alguma ação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ÁVILA FILHO, Francisco. Manual de Análise Avançada de Crédito. São Paulo: Instituto Brasileiro de Ciência Bancária, IBCB, 1992. BARALDI, Maria Regina (et allii). Manual de Política e Processo Decisório de Crédito. São Paulo: Instituto Brasileiro de Ciência Bancária, IBCB, 1990 COELHO JÚNIOR, Carlos Pessoas. Competência em Negociação, apostila da Condex Consultoria e Desenvolvimento. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projeto de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1988. MUNHOZ, Dércio Garcia. Economia aplicada: Técnicas de pesquisa e análise econômica. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1989. PARKINSON, Robert. Como Conseguir dos Outros Aquilo que Você Quer. Apostila Programas Livros Sumarizados. Tema Executivos PEREIRA DA SILVA, José. Gestão e Análise de Risco de Crédito. São Pulo: Editora Atlas, 1998 RUTH, George G. Empréstimos Para Pessoas Jurídicas. São Paulo: Instituto Brasileiro de Ciência Bancária, IBCB, 1991. SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Análise de Crédito: Concessão e Gerência de Empréstimos. São Paulo: Atlas, 1994. ANEXOS