Organização e Gestão de
Cooperativas
ESAPL / IPVC
As Cooperativas são empresas.
Por isso devem ser geridas com recurso ao uso de
técnicas de gestão empresarial em uso noutros tipos
de empresas.
Há que evitar quaisquer pudores, filosóficos, doutrinários ou
mesmo políticos, que façam pensar que as cooperativas não
devam funcionar como empresas e que não devam ter um fim
principalmente económico.
Há que evitar a imagem de que, como realidade sociológica, as
cooperativas correspondem a situações felizes e idílicas, onde
todos os membros se entendem perfeitamente, não
necessitando por isso de uma gestão empresarial eficaz...
simplesmente porque no seu seio não existem problemas !
As cooperativas não são uma panaceia para
todos os males da agricultura.
Apesar de serem muitas vezes apresentadas como possuidoras de
todo o tipo de virtudes sociais e vantagens económicas, nem sempre
os seus resultados estão muito relacionados com esta imagem.
Algumas razões:
• Âmbito demasiado vasto da cooperativa
• Fraca implicação financeira dos membros (desinteresse, negligência
das suas obrigações...)
• Não aplicação ou não cumprimento do princípio da exclusividade
• Falta de políticas de rigoroso controlo de qualidade
• Falta de planificação na gestão financeira
• Falta de gestão e direcção empresarial racional e lógica
• Falta de conhecimento rigoroso da situação patrimonial
Que se entende então por EMPRESA ?
Empresa é a unidade económica de produção.
É o conjunto de pessoas, bens e serviços, organizados com
certa autonomia própria para realizar processos de produção ou,
dito de outra forma, realizar uma transformação com
intencionalidade económica.
Mas note-se que a transformação de determinados bens e serviços
iniciais (factores de produção), noutros bens e serviços finais
(produtos), não tem necessariamente de afectar a natureza física do
factor. Basta que exista uma transformação das circunstâncias
económicas que rodeiam o bem ou serviço, e que afectam o seu
valor:
• armazenamento de produtos;
• transporte de produtos; etc..
Que se entende então por EMPRESA ?
A finalidade económica da empresa concretizase no GANHO DE VALOR, e normalmente os
produtos têm um valor maior que os factores
de produção.
As cooperativas ajustam-se na perfeição
às características descritas anteriormente,
realizando a função específica que atrás
se atribuiu às empresas, ou seja,
PRODUZIR, no sentido amplo do termo.
Que outros agentes económicos existem ?
As FAMÍLIAS também realizam uma transformação económica mas de sentido
contrário ao realizado pelas empresas (produção) – por serem agentes
económicos de consumo, elas diminuem o valor dos bens consumidos.
Estes agentes económicos de produção e de consumo – Empresas e Famílias
– estabelecem entre si fluxos de bens e serviços bidireccionais, e os
correspondentes fluxos monetários de sentido contrário.
Cada cidadão assume assim dois papeis: o de produtor, ao fornecer factores
de produção às empresas, e o de consumidor, participando no consumo no
seio da família.
O Estado tem também estes papeis, diferenciando-se dos demais agentes por
deter igualmente o papel de Regulador da actividade económica.
O Circuito Económico (simplificado)
despesas de consumo
bens de consumo
trabalho e iniciativa
salários e lucros
Ainda a EMPRESA
De acordo com as funções que desempenham, podem-se distinguir os
seguintes tipos de pessoas ou de grupos de pessoas dentro de uma empresa:
• Os proprietários (fornecem o capital e assumem o risco)
• Os directores, gerentes ou executivos (tomada de decisões, organização geral,
iniciativas)
• Os trabalhadores (fornecem o trabalho e o conhecimento técnico)
Verifica-se normalmente, ou frequentemente, que:
Pequenas Empresas – todas as funções na mão da mesma pessoa e/ou
respectiva família.
Médias Empresas – duas primeiras funções na mão da mesma pessoa – o
Empresário, no sentido mais comum do termo.
Grandes Empresas – todas as funções separadas
Antagonismos dentro da EMPRESA ?
Cada grupo tenta aumentar a sua retribuição (lucro, poder, prestígio,
salário, etc.) à custa dos demais, criando-se por vezes um claro
antagonismo, sobretudo entre o LUCRO, como objectivo do
proprietário/capitalista, e o SALÁRIO (com ou sem participação nos
lucros) dos trabalhadores.
Esta antagonismo é muitas vezes conhecido por LUTA DE
CLASSES.
Na sua perspectiva inicial, as cooperativas aparecem como uma
solução para estes confrontos, ao colocarem nas mesmas mãos a
propriedade dos meios de produção e o trabalho. Mas sem dúvida que
as circunstâncias económicas evoluíram muito desde o aparecimento
do movimento cooperativo.
Cooperativa Agrícola / Empresa Agrária
Sectores Produtivos:
- Sector Primário (ou extractivo)
- Sector Secundário (ou industrial)
- Sector Terciário (ou de serviços)
O AGRÁRIO, é sem dúvida o mais importante subsector dentro do
primeiro.
COMO DEFINIR ENTÃO UMA EMPRESA AGRÁRIA ?
- Partindo do conceito de subsector agrário e dizendo que empresas
agrárias são as que nele estão compreendidas ? Ou,
- Partindo de uma definição própria para as empresas agrárias e só depois
considerar que o subsector agrário é aquele que inclui essas empresas ?
Cooperativa Agrícola / Empresa Agrária
1ª Hipótese: mais complicada, pela dificuldade de
definição correcta e precisa daquilo que deve ser o
subsector agrário
2ª Hipótese: também difícil por serem variadas as
correntes de opinião sobre qual o conceito de Actividade
Agrária (aquela a que se dedicam as empresas agrárias)
Vejamos então três dessas correntes de
opinião
1ª Corrente de Opinião
Define actividade agrária como aquela que
utiliza essencialmente o factor TERRA para
obter produtos vegetais e animais.
Então onde colocamos:
• a pecuária sem terra ?
• as adegas cooperativas ?
• os lagares ?
• os processos de comercialização de produtos ?
• etc.?
2ª Corrente de Opinião
Define actividade agrária como aquela que,
tendo um sentido económico, é regulada por
leis biológicas.
Então incluímos nela:
• as actividades farmacêuticas que se recorrem de
microorganismos ?
E não incluímos de novo:
• os processos de comercialização de produtos?
• as actividades turísticas no contexto de
explorações agrícolas ?
• etc.?
3ª Corrente de Opinião
Define actividade agrária como a soma de cinco
parcelas:
• o cultivo da TERRA;
• a actividade pecuária nas suas diferentes
modalidades;
• a actividade florestal (em sentido amplo,
compreendendo igualmente as actividades
cinegéticas;
• a comercialização dos produtos procedentes das
actividades anteriores, até à fase retalhista;
• os processos industriais tradicionalmente
desenvolvidos pelos agricultores.
Parece então difícil definir actividade agrária ou,
pior ainda, empresa agrária
Principalmente devido às áreas marginais dessa
actividade:
• por exemplo certas indústrias, como as dos produtos
lácteos ou certas conservas;
• porque mesmo do ponto de vista do consumo é difícil
obter-se um padrão constante. É impossível dizer que
a actividade agrária é a que se dedica à produção de
alimentos:
• que dizer por exemplo da pesca ?
• que dizer por exemplo do tabaco, das fibras
têxteis, da cortiça, da madeira ?
Assim, o que é verdadeiramente importante é assumir o
carácter das cooperativas como EMPRESAS.
A integração das cooperativas no sector agrícola, e
portanto a sua classificação como empresas agrícolas,
depende muitas vezes de opções tomadas aquando da
sua constituição, conforme estabelece a própria lei (para
o caso das cooperativas multisectoriais).
A direcção e a gestão das empresas cooperativas
requer a utilização de determinadas técnicas,
instrumentos e modelos de gestão que se complicam
gradualmente, à medida que aumenta a dimensão da
empresa e que se pretende melhorar os processos de
tomada de decisões.
Decisões Empresariais
Tal como no caso das pessoas se pode dizer que, desde que nascem até
que morrem, as suas vidas são uma sucessiva sequência de TOMADAS
DE DECISÃO, também o dia a dia das empresas não passa sem a
ocorrência de inúmeras decisões, de diversa índole e envergadura.
Quem toma as decisões numa Cooperativa ?
¾ Os Membros ou Cooperadores ?
¾ sim, mas a resposta é bem mais complexa !
¾ não esquecer que há:
¾ a Assembleia Geral
¾ a Direcção
¾ os Gestores
¾ e há decisões que estão tomadas “a priori”:
¾ os Estatutos – são vinculativos e, uma vez
aprovados, tornam certas decisões
independentes da vontade dos membros
¾ a Lei, que restringe a vontade soberana dos
membros e impõe limites aos próprios
estatutos
Quem toma as decisões numa Cooperativa ?
As Fontes de Informação
Os modelos e técnicas de gestão adoptados nas empresas em geral, e nas
cooperativas em particular, têm de utilizar dados que proporcionem
informação actual, precisa e em quantidade suficiente sobre:
• a situação dentro da empresa
• a situação fora da empresa
A CONTABILIDADE é a fonte de informação indispensável à maioria
das empresas,e obviamente às cooperativas.
Ela é vital porque:
• negligenciá-la, no sentido de não a manter completa, detalhada e
actualizada, pode conduzir a perdas de elevado montante;
• porque a contabilidade das cooperativas deve ir mais além da das demais
empresas. Além de quantificar os objectivos da cooperativa, ela tem de
abordar a fase seguinte de distribuição equitativa de direitos e obrigações, de
acordo com as regras estabelecidas.
A Contabilidade
A principal fonte de informação de
uma Cooperativa é então a
CONTABILIDADE
Ela reveste-se de duas vertentes:
• a CONTABILIDADE FINANCEIRA
• a CONTABILIDADE DE CUSTOS (ou
analítica)
A Contabilidade Financeira
A contabilidade financeira informa sobre a situação patrimonial da
cooperativa, de forma quantitativa e qualitativa, em determinados
momentos de tempo:
• bens
• direitos
• obrigações
A Contabilidade Financeira
Os Balanços realizam-se normalmente com uma
periodicidade Anual ou Mensal, a partir das Contas da
Contabilidade Financeira.
O período entre dois Balanços chama-se de EXERCÍCIO.
A variação quantitativa do Património pode medir-se
através da Conta de Ganhos e Perdas (ou Conta de
Exploração). Nas cooperativas um resultado positivo
toma o nome de EXCEDENTE LÍQUIDO.
A variação qualitativa do Património pode medir-se
através do cálculo de certos índices (Rácios), que se
obtêm por cociente entre alguns dos elementos
patrimoniais mais representativos.
A Contabilidade de Custos
A Contabilidade de Custos, ou Contabilidade Analítica, tem por objectivo
a determinação dos Custos de Produção dos produtos (e/ou serviços) da
cooperativa.
Alguns componentes do custo total estão claramente determinados pelo processo
de produção de um só produto.
Outros componentes do custo total intervêm em determinados processos de
produção de forma não totalmente definida, não sendo assim possível imputá-los
aos distintos produtos de forma quantitativa.
Processo
Produtivo
Custos
Específicos
Custos
Comuns
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