Aula 4 A propagação da Luz Referências: E. Hecht, óptica, Fundação Calouste Gulbekian, segunda edição portuguesa (2002); Anita Macedo, Eletromagnetismo, Editora Guanabara, 1988 The Feynmann Lectures on Physics, O princípio de Huygens “Cada ponto de uma frente de onda primária constitui uma fonte de ondas esféricas secundárias, e a posição da frente de onda primária num instante posterior é determinada pela envolvente de todas estas ondas secundárias, que se propagam com velocidade e frequência igual à onda primária” “No estudo da propagação destas ondas deve-se considerar que cada partícula do meio através do qual a onda evolui não só transmite o seu movimento à particula seguite, ao longo da reta que parte do ponto luminoso, mas também a todas as partículas que a rodeiam e que se opõem ao movimento. O resultado é uma onda em torno de cada partícula e que a tem como centro” Aproximação eletromagnética Ondas numa superfície de Separação entre dois meios r r i (ωt −kr . rr ) Ei = Eo e r r ˆ Bi = ε 1 µ1 k × Ei r ω k = kˆ = ω ε 1 µ1 kˆ v k Ei Bi Ao atingir a fronteira dos dois dielétricos diferentes, a onda interfere com as cargas de polarização e as correntes de magnetização aí induzidas, transmite-lhes energia e as faz irradiar novas ondas. Ondas numa superfície de Separação entre dois meios Br kr k Ei Er r r i (ω t −kr . rr ) E r = Eor e r r r r ˆ Br = ε 1 µ1 k r × E r r ω k r = r kˆr = ωr ε 1 µ1 kˆr v Bi r r i (ω t −kr . rr ) Et = Eot e t t r r ˆ Bt = ε 1 µ1 k t × E t r ω k t = t kˆt = ωt ε 1 µ1 kˆt v Ao atingir a fronteira dos dois dielétricos diferentes, a onda interfere com as cargas de polarização e as correntes de magnetização aí induzidas, transmite-lhes energia e as faz irradiar novas ondas. Condições de contorno: D2 dS2 σ (densidade superficial de carga) Meio 2 n Meio 1 D1 dS1 r r ∫∫ D.dS = ∫∫∫ ρdV r r r r r r ∫∫r D.dr S1 +r∫∫ Dr.dS 2 + ∫∫ D.dSlateral = ∆q D1 .∆S1 + D 2.∆S 2 + Dlat ∆S lateral = ∆q ) r ) r − n.D1∆S1 + n. D2 ∆S 2 + Dlat ∆S lateral = ∆q = σ∆S r ) r ) r n.( D2 − D1 ) = σ → n.∆D = σ Do mesmo modo: n. n.∆ ∆B=0 Quando, na ótica, queremos caracterizar uma superfície pelas suas propriedades refletoras, damos-lhe o nome de catóptrico. Se desejamos observar suas propriedades refratoras, classificamo-la como um dióptrico. No caso de estarmos tratando das duas propriedades, temos um catadióptrico. Condições de contorno na superfície fronteiriça: r nˆ.∆ (εE ) = 0 r r nˆ × ∆E = 0 r nˆ.∆B = 0 r r B nˆ × ∆( ) = 0 µ n r i (ωt −kr . rr ) r i (ω t −kr . rr ) r i (ω t −kr . rr ) r o Ae + Ar e r r o + At e t t o = 0 Todas as condições de contorno são combinações lineares do tipo: Em qualquer instante t, as condições devem ser obedecidas com todos os vetores ro do plano. Assim, sobre a superfície,devem ser idênticas as partes temporais dos três fatores de fase: ωt = ωrt= ωt t (na superfície) Ou seja → ω = ωr= ωt Bem como devem ser idênticas suas partes espaciais. k.ro = kt .ro = kr .ro Como ro é arbitrário no plano, podemos escolhê-lo de modo a ser ⊥ ao vetor de onda k da onda incidente. Chamando r’o esse vetor particular (perpendicular ao plano da tela): k.r’o = kt .r’o = kr .r’o = 0 Por serem ⊥ a um quarto vetor r’o ,os três vetores de onda são coplanares . 0 kr kt ro n k k.ro = kt .ro = kr .ro Equivalem a: k cos(k, k,rro ) =kt cos( kt ,ro )=kr cos( kr .ro ) ksenθ kt senθt kr senθr kr k θ θr r’o ⊗ ro n ksenθ= kt senθt =kr senθr (ε1 µ1 )1/2 senθ= (ε2 µ2 )1/2 senθt = (ε1 µ1 )1/2 senθr θ = θr n1 senθ = n2 senθt θt kt Condições de contorno: µ1 ≈ µ 2 ≈ µo ( ) r s nˆ. ε 2 E 2 − ε 1 E1 = 0 r r r nˆ × E 2 − E1 = 0 r r r B2 − B1 = 0 ( ) mas r r r E1 = E0 + E r r r E 2 = Et r r r r r B1 = Bo + Br = ε 1 µo kˆ × E0 + kˆr × E r r r r B2 = Bt = ε 2 µo kˆt × Et ( ( ) ) Combinando as equações dos dois slides anteriores: [ ] ( ) ] ( ) r r r nˆ. ε 2Et −ε 1E r = nˆ. ε 1 E0 r r r nˆ × E t − E r = nˆ × E0 r r r ε 2 kˆ × Et − ε 1 kˆr × E r = ε 1 kˆ × E0 [ ( ) ( ) ( ) Após várias manipulações..... r nˆ. < S r > r R= nˆ. < Si > r nˆ. < S t > r T= nˆ. < S i > R +T =1 s 1 ε < S >= EO2 kˆ µ 2 r 1 ε1 nˆ. < S i >= EO2 cos θkˆ µo 2 r 1 ε1 nˆ. < S r >= − E r2 cos θkˆ µo 2 r 1 ε2 ˆn. < S t >= Et2 cos θkˆ µo 2 n1 cos θ − n2 cos θ t R⊥ = n1 cos θ + n2 cos θ t n1 cos θ − n2 cos θ R|| = n1 cos θ t + n2 cos θ 4n1n2 cos θ cos θ t T⊥ = (n1 cos θ + n2 cos θ t )2 4n1n2 cos θ cos θ t T|| = 2 (n1 cos θ t + n2 cos θ ) 2 2 Observamos que, à parte o caso trivial em que n1 = n2 , só há uma circunstância em que a reflexão deixa de existir : θB = arc tg (n 2 /n1 ) Propriedades óticas dos Metais Condutores → ε ≈ εo , λ > 0 j = λE E + ρv v Corrente de condução corrente de convecção Do ponto de vista microscópico, não há diferença entre as duas correntes. O condutor é constituído de partículas carregadas, que se põem em movimento, sob a ação de campos, que dão origem a correntes de condução. Do ponto de vista macroscópico, o condutor está descarregado ρ=0. v v 2 r2 v ∂ E ∂E ∇ E − µε 2 − µλ =0 ∂t ∂t r r iωt E = Er e r 2 v iωt v iωt v iωt 2 ∇ E r e − µεE r e (iω ) − µλE r e (iω ) = 0 r2 v v iωt 2 v ∇ E r + (µεE r e ω − µλE r (iω ) ) = 0 r2 v λr 2 ∇ Er + ω µ ε − i Er = 0 ω r2 v r 2 ∇ E r + ω µε λ E r = 0 λ ε λ = ε − i ω Permissividade complexa ε λ = ε λ e − iβ λ ελ = ε 1 + ωε 2 λ ωε β = arctg λ << ωε 2 1 λ ελ ≈ ε 1 + → ε 2 ωε λ >> ωε ελ ≈ λ →∞ ω Mau condutor Bom condutor Vamos considerar que a parte espacial seja dada por Er = Eor e-ikk.r r2 r r r 2 ∇ E r + (ω εµ − iωµλ ) E r = 0 − k 2 + (ω 2εµ − iωµλ ) = 0 iλ k 2 = ω 2εµ 1 − ωε r r r k λ = k − ip = ( k − ip )kˆ iλ k λ2 = k 2 − p 2 − i 2kp = ω 2εµ 1 − ωε k 2 − p 2 = ω 2εµ 2kp = ωµλ r ελ + ε ˆ µ k k = ω 2 ελ − ε ˆ r µ k p = ω 2 r r − pr . rr −ikr . rr E = Eo e e r r r − pr . rr i (ωt −kr . rr ) E ( r , t ) = Eo e e r ωkˆ kˆ v= = k ελ + ε 2 µ r kˆ v (λ << ωε ) → r r v (λ >> ωε ) → 0 εµ Vetor de atenuação δ= 1/p ≈ 1/k = λ/2π→ constante de amortecimento (profundidade de penetração) O fato do campo rapidamente variável ser considerável apenas numa região estreita do condutor constitui o efeito pelicular. No cobre δ≈ 22 angstrons Água do mar ≈ 20 cm ( dificuldade das comunicações entre submarinos, as quais devem se dar em frequências extremamente baixas. Pode-se ter uma idéia da resposta dos metais à luz com base em algumas hipóteses simplificadoras. Desprezando a contribuição dos elétrons ligados e assumindo que o amortecimento é desprezível: 2 ω NZq NZq p 2 ∑ 2 n = 1+ ≈ − = − 1 1 ε o m j ωo − ω 2 + iγω ε o mω 2 ω2 2 fj 2 Elétrons e íons positivos livres no interior de um metal podem constituir um plasma cuja densidade valia com uma frequência natural de plasma. Abaixo da frequência de plasma, o índice é complexo e a onda transmitida se atenua exponencialmente. Para altas fequencias (raios X), n é real, a absorção pequena e o condutor é transparente. As viseiras dos capacetes dos astronautas são cobertos por uma fina camada de ouro que reflete grande parte da luz. Fótons e as leis da reflexão e refração pr =ħk kr x pt =ħk kt y pi =ħk ki A conservação da componente paralela à superfície traduz-se, por pix = ptx pi senθi = pt senθt ki senθi = kt senθt λi -1 senθi = λt -1 senθt ni senθi = nt senθt Para a reflexão ki senθi = kr senθr , como λi -1 = λr-1 , então θi = θr Note que nti = pt /pi Então se nti > 1 → pt > pi aumenta o momento! Mas a velocidade vti = c/nti diminui! Aspectos familiares da interação da luz com a matéria I see skies of blue and clouds of white The bright blessed day, the dark sacred night And I think to myself, what a wonderful world Um objeto difusor altamente refletor para qualquer frequência, parece branco quando iluminado por luz branca. Apesar da água ser essencialmente transparente, o vapor d’água aparece esbranquiçado, assim como o vidro não polido. Se o tamanho do grão, embora pequeno, for bastante maior do que os comprimentos de onda envolvidos, a luz penetra em cada uma das partículas transparentes e é refletida e refratada várias vezes antes de emergir. Não há distinção entre qualquer das frequências componentes e, portanto, a luz que chega ao observado é branca (açúcar, sal, papel, nuvens, pó de talco, neve, tinta, clara de ovo batida, plástico amarfanhado... Segundo a mesma lógica, mas em sentido inverso, reduzindo o índice relativo, nos limites dos grãos ou fibras, as partículas do meio refletem menos, fazendo diminuir a brancura global do objeto. Consequentemente, um tecido molhado tem uma aparência mais acinzentada e mais transparente. As cores características da maior parte das substâncias têm origem na absorção seletiva. A água, tem uma tonalidade ligeiramente azul-esverdearda devido à absorção de luz vermelha, isto é, as moléculas têm uma grande zona de absorção no infravermelho, que se estende um pouco ao visível. Exemplos de absorção seletiva: As moléculas dos pigmentos cromáticos têm ressonâncias no visível (de 1,6 a 3,2 eV) Todas as substâncias, quer naturais, quer sintéticas, possuem longas cadeias de moléculas constituidas por ligações alternadamente simples e duplas como a molécula do caroteno (C40 H56 ) Os carotenóides têm cores que variam desde o amarelo ao vermelho . As clorofilas constituem outro grupo de pigmentos naturais familiares, mas nestes uma parte da longa cadeira fecha-se em anel. Os carotenóides, como as clorofilas, contêm um número de elétrons particularmente móveis conhecidos como elétrons pi: não estão ligados a nenhum átomo em particular e podem circular ao longo da cadeia ou anel molecular. Na terminologia da mecânica quântica, fala-se de estados de grande comprimento de onda, baixa frequência e, portanto, de baixa energia (1,6 -3,2 eV- no visível) Os metais contêm eletróns livres que dispersam a luz com eficiência independentemente da frequência: não estão ligados ao átomos e não têm ressonâncias associadas. As amplitudes das vibrações são uma ordem de grandeza superiores às dos elétrons ligados. A luz incidente não pode penetrar no metal mais do que uma fração do seu comprimento de onda sem ser totalmente extinta. Uma superfície difusora que absorva uniformemente ao longo de todo o espectro, reflete um pouco menos que uma superfície branca, parecendo acinzentada. Quanto menos refletir, menos intenso será o cinzento; quando a absorção for quase total a superfície parece preta. Uma superfície que reflita 70-80 %, ou mais, tem o aspecto cinzento metálico familiar típico dos metais. Note que a diferença entre uma superfície cinzenta e uma espelhada é que na primeira a reflexão é difusa e na segunda é especular. Um artista representa uma superfície metálica “branca” polida, de prata ou de alumínio, por exemplo, utilizando a reflexão de objetos próximos Hand with Reflectiong Sphere por M. C. Escher O mecanismo responsável pela tonalidade vermelho-amarelo do ouro e do cobre é, nalguns aspectos, semelhante ao processo que dá origem ao azul do céu (reflexão seletiva). No início do século XIX Thomas Young mostrou que as cores visíveis podem ser produzidas sobrepondo três feixes de luz com frequências bastante diferentes. Quando três destes feixes produzem luz branca, por sobreposição, constituem um conjunto de cores primárias. Não existe um conjunto único de cores primárias. As mais frequentes são o vermelho ( R) , o verde (G) e o azul (B) R + G+ B = W R +B = M (magenta) B + G = C (ciano) R + G = Y (amarelo) G+M = W C+R=W Y + B= W (1) (2) (3) (4) (1) e (2) (1) e (3) (1) e (4) Duas cores dizem-se complementares quando por sobreposição, permitem obter o branco. Sobreponto magenta e amarelo: M + Y = (R+B) + (R+G) = W +R Uma cor diz-se saturada quando não contém nenhuma quantidade de branco. X = aR + bG+ cB por definição aR + bG+ cB =1; portanto bastam dois quaisquer dêsses coeficientes para definir uma côr. Model of rhodopsin protein from a cow. The rhodopsin (yellow) is embedded in the membrane of the rod cell. Retinal is shown in orange. When light enters the eye, photons cause the retinene to rearrange, switching from 11-cis-retinal to 11-trans-retinal (isomerization). When this happens, the straight end of the retinene breaks loose from the opsin, and the rhodopsin opens a portal in the nerve for a fraction of a second, and a nerve pulse is initiated. Moments later, the portal closes, as the retinene transforms back to the cis form, reattaching to an opsin to regenerate the pigment. retineno