UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE EDUCAÇÃO DA UNIVALI EM SÃO JOSÉ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO – HABILITAÇÃO EM SERVIÇOS SIMONE MARIA SOUZA AS IMPLICAÇÕES DA AUSÊNCIA DE UMA SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA OS FUNCIONÁRIOS DA TELET S/A - ESCRITÓRIO REGIONAL DE SANTA CATARINA São José 2006 SIMONE MARIA SOUZA AS IMPLICAÇÕES DA AUSÊNCIA DE UMA SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA OS FUNCIONÁRIOS DA TELET S/A - ESCRITÓRIO REGIONAL DE SANTA CATARINA Trabalho de Conclusão de Curso - pesquisa teórico-empírica apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração da Universidade do Vale do Itajaí. Professor Orientador: MSc.Felipe de Faria Mônaco São José 2006 SIMONE MARIA SOUZA AS IMPLICAÇÕES DA AUSÊNCIA DE UMA SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA OS FUNCIONÁRIOS DA TELET S/A - ESCRITÓRIO REGIONAL DE SANTA CATARINA Este Trabalho de Conclusão de Estágio foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação do Curso de Administração – Habilitação Serviços da Universidade do Vale do Itajaí, em 27 de junho de 2006 Profª. MSc. Luciana Merlin Bervian Univali – CE São José Coordenador (a) do Curso Banca Examinadora: Profº. MSc. Felipe de Faria Mônaco Univali – CE São José Professor Orientador Profª. MSc. Kellen da Silva Coelho Univali – CE São José Membro Profª. MSc. Carolina Masseli Univali – CE São José Membro iii Dedico este trabalho a meus pais, minha irmã e a meu esposo, que sempre me incentivaram, me apoiaram, me deram o carinho e o amor que somente uma família pode oferecer. iv Agradeço àqueles que souberam compreender minhas ausências de seus convívios e me apoiaram durante toda a graduação: meus amigos queridos, minha família e meu esposo. Aos colegas de faculdade, especialmente aos que se tornaram amigos: Rosana Souza, Alizandra Oliveira, Simone Ramos e Luís Schifini, que tantas vezes nos reunimos para trocar idéias e experiências. Aos professores, à coordenadora do curso de administração, Sra Luciana M. Bervian, e em especial ao meu orientador, professor que muito contribuiu para a realização desta pesquisa, Sr. Felipe de Faria Mônaco. Aos colegas de trabalho e a meu orientador de campo, Sr. Carlos Alberto Bonetto, pela cooperação. E a Deus, por me manter com saúde para que fosse possível a conclusão desse curso. v Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. Leonardo Da Vinci vi RESUMO Considerando que a administração de recursos humanos apresenta-se cada vez mais importante dentro das organizações, em função da acirrada competição estabelecida pelo mercado, torna-se consequentemente também importante potencializar o capital humano das empresas. Nesse sentido, uma ferramenta capaz de auxiliar e promover tal potencialização é a avaliação de desempenho. Porém, na empresa objeto desse estudo, não há a utilização de uma sistemática capaz de identificar o capital humano e promover as melhorias por ela geradas. Dessa forma, identificar as implicações em função da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho para os funcionários da Telet S/A (Claro) – Escritório Regional/SC, possibilitou reconhecer a interpretação dos funcionários sobre avaliação de desempenho; investigar os fatores de satisfação e insatisfação dos funcionários no trabalho; analisar a relação entre avaliação de desempenho, remuneração e gestão de carreira, e com isso, identificar quais impactos da ausência desse processo na para os funcionários de acordo com a Teoria de Herzberg. Para tanto, foi utilizada a pesquisa descritiva com fase exploratória. A abordagem selecionada para essa pesquisa foi qualitativa e quantitativa, com predomínio qualitativo. Os resultados alcançados possibilitaram identificar os fatores higiênicos e motivacionais que são atingidos ou que estão ausentes para os funcionários da organização estudada, em função do não uso de uma sistemática de avaliação de desempenho. Palavras-chave: avaliação de desempenho, recursos humanos, motivação. vii ABSTRACT Considering that the administration of human resources presents itself each more important time inside of the organizations, in function of the incited competition established for the market, one becomes consequently also important to powerful the human capital of the companies. In this direction, a tool capable to assist and to promote such powerful is the performance evaluation. However, in the company object of this study, it does not have the use of a systematics capable to identify the human capital and to promote the improvements for it generated. Of this form, to identify the implications in function of the absence of a systematics of evaluation of performance of the employees of Telet S/A (Claro) Regional/SC Office, made possible to recognize the interpretation of the employees on performance evaluation; to investigate the factors of satisfaction and dissatisfaction of the employees in the work; to analyze the relation between performance evaluation, remuneration and management of career, and with this, in accordance with to identify to which impacts of the absence of this process in the motivation of the employees the Theory of Herzberg. For in such a way, the descriptive research with explorer phase was used. The boarding selected for this research was qualitative and quantitative, with qualitative predominance. The reached results make possible to identify the hygienical and motives factors that are reached or that they are absent for the employees of the studied organization, in function of not the use of a systematics of performance evaluation. Key words: evaluation of performance, human resources, motivation. Lista de ilustrações Gráfico 01 – Número de funcionários por sexo........................................................................46 Gráfico 02 - Número de funcionários por escolaridade............................................................47 Gráfico 03 - Número de funcionários por faixa etária..............................................................48 Gráfico 04 - Número de funcionários por estado civil.............................................................48 Gráfico 05 - Número de funcionários por naturalidade............................................................49 Gráfico 06 - Número de funcionários por tempo de empresa...................................................50 Gráfico 07 - Número de funcionários que obtiveram ascensão profissional............................55 Gráfico 08 – Critérios utilizados para concessão de promoção................................................56 Gráfico 09 – Desvantagens da ausência da avaliação de desempenho.....................................57 Gráfico 10 – Nota atribuída ao comprometimento dos funcionários........................................58 Figura 01 – O ciclo motivacional.............................................................................................38 Figura 02 – A hierarquia das necessidades humanas segundo Maslow...................................38 Quadro 01 – Funções da administração de recursos humanos..................................................24 Quadro 02 – Variação das funções de recursos humanos.........................................................27 Quadro 03 – Vantagens e desvantagens da avaliação de desempenho.....................................35 Quadro 04 – Perfil funcionários participantes da pesquisa......................................................79 ix Lista de tabelas Tabela 01 - Número de funcionários por sexo..........................................................................46 Tabela 02 - Número de funcionários por escolaridade.............................................................46 Tabela 03 - Número de funcionários por faixa etária...............................................................47 Tabela 04 - Número de funcionários por estado civil..............................................................48 Tabela 05 - Número de funcionários por naturalidade.............................................................49 Tabela 06 - Número de funcionários por tempo de empresa....................................................50 Tabela 07 - Número de funcionários que obtiveram ascensão profissional.............................55 Tabela 08 – Critérios utilizados para concessão de promoção.................................................56 Tabela 09 – Desvantagens da ausência da avaliação de desempenho......................................57 Tabela 10 – Nota atribuída ao comprometimento dos funcionários.........................................58 Tabela 11 – Fatores de satisfação insatisfação.........................................................................66 x SUMÁRIO Resumo ..........................................................................................................................................................................vii Abstract ........................................................................................................................................................................viii Lista de ilustrações.........................................................................................................................................................ix Listas de tabelas ..............................................................................................................................................................x 1 INTRODUÇÃO 12 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA ........................................................................................... 12 1.2 QUESTÕES DE PESQUISA ............................................................................................. 13 1.3 OBJETIVOS.................................................................................................................... 13 1.3.1 Objetivo geral ................................................................................................. 13 1.3.2 Objetivos específicos ...................................................................................... 14 1.4 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 15 2.1 AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO E A EVOLUÇÃO DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO15 2.2 ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS NO BRASIL .................................................................................................................... 19 2.3 CONCEITUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS .............................. 22 2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS ......................................... 23 2.4.1 Função Procura ............................................................................................... 24 2.4.2 Função Desenvolvimento ................................................................................ 25 2.4.3 Função Manutenção ........................................................................................ 25 2.4.4 Função Pesquisa .............................................................................................. 25 2.4.5 Função Utilização............................................................................................ 26 2.5 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO .................................................................................... 27 2.5.1Os objetivos da avaliação de desempenho ..................................................... 28 2.5.2 Os principais métodos de avaliação de desempenho..................................... 30 2.5.2.1 Métodos tradicionais de avaliação de desempenho.................................... 31 2..5.2.2 Métodos contemporâneos de avaliação de desempenho ............................... 32 2.5.3 Vantagens e Desvantagens dos métodos de avaliação de desempenho......... 34 2.5.4 Críticas à avaliação de desempenho .............................................................. 36 2.6 REMUNERAÇÃO E GESTÃO DE CARREIRAS: .................................................................... 37 2.7 A MOTIVAÇÃO ............................................................................................................. 39 xi 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS 44 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ................................................................................ 44 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ............................................................................................. 45 3.2.1 Perfil dos funcionários................................................................................ 45 3.3 TÉCNICAS DE COLETA, TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS ........................................ 51 4 RESULTADOS DO ESTUDO 53 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ESTUDADA: TELET S/A – ESCRITÓRIO REGIONAL SANTA CATARINA ................................................................................................... 53 4.2 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ........................................................................ 55 4.2.1 Interpretações sobre Avaliação de desempenho............................................ 59 4.2.2 A administração de recursos humanos e a gestão de pessoas ....................... 62 4.2.3 Avaliação de desempenho x gestão de carreira e a remuneração................ 63 4.2.4 A avaliação de desempenho e a motivação no trabalho ................................ 65 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 68 6 REFERÊNCIAS 71 7 APÊNCIDES 75 APÊNDICE A - ROTEIRO PARA APLICAÇÃO DE PESQUISA ..................................................... 75 APÊNCIDE B – RELAÇÃO DE PLANOS COMERCIALIZADOS E SERVIÇOS AGREGADOS OFERECIDOS ............................................................................................................. 77 APÊNDICE C – PERFIL DOS FUNCIONÁRIOS PARTICIPANTES DA PESQUISA............................ 79 1 INTRODUÇÃO 1.1 Apresentação do tema A evolução da administração de recursos humanos vem ao longo do tempo apresentando ascendência de valor para o capital humano, em função da cada vez mais acirrada competição. Ter pessoas competitivas atuando no mercado tem feito com que os recursos humanos comecem a ser vistos com mais atenção, dispensando mais valor a estes profissionais. (BERGAMINI e BERALDO, 1988) Para Chiavenatto (1999, p.11), “as organizações são constituídas de pessoas e delas dependem para atingir os seus objetivos e cumprir suas missões.” Nesse sentido, faz-se cada vez mais importante conhecer, desenvolver e motivar o capital humano com o objetivo de mantê-lo competitivo, colaborando para que a organização e o profissional alcancem seus resultados. Desta forma, o uso de uma sistemática de avaliação de desempenho surge para que sejam viabilizados todos os recursos necessários para potencializar o capital humano. Ulrich (2000, p.38) diz que “a partir de agora, empresas bem sucedidas serão aquelas que sabem atrair, desenvolver e reter pessoas que possam dinamizar uma organização, capazes de responder tanto aos clientes quanto às oportunidades que emergem.” Para isso, a avaliação de desempenho constitui-se numa ferramenta capaz de auxiliar nesses processos. Portanto, a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho pode provocar muitos reflexos, entre eles, na motivação, na remuneração e na gestão de carreiras. A empresa objeto deste estudo, atualmente, não se utiliza de nenhuma sistemática formal para avaliar o desempenho de seu quadro funcional. Assim, neste trabalho busca-se identificar as implicações da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho para os funcionários dessa empresa. A empresa estudada é a Telet S/A (Claro) que atua no ramo de prestação de serviços de telefonia móvel celular em todos os estados brasileiros, com exceção da região Norte do país. Para fins deste estudo, será considerada somente a operação no estado de Santa Catarina. A situação problema selecionada se relaciona com a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho. Esta ausência se constitui bastante desfavorável tanto para a empresa tanto para os funcionários que não recebem os benefícios fornecidos por uma 13 sistemática de avaliação de desempenho, deixando que oportunidades de crescimento profissional, de autodesenvolvimento e de conseqüentes melhores resultados sejam apresentados. Para Bergamini e Beraldo (1988, p.34) “a avaliação de desempenho nas organizações constitui-se, portanto, no veículo de estimativa de aproveitamento do potencial individual das pessoas no trabalho e, por isso, do potencial humano de toda a empresa.” Dessa forma, acredita-se que tal prática é ponto fundamental para a identificação de dificuldades e carências que podem ser revertidas em favor de ambas as partes: empresa e funcionários. Em meio a isso, essa pesquisa propõe-se em responder a seguinte pergunta de pesquisa: “Quais as implicações da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho para os funcionários da Telet S/A – Escritório Regional de Santa Catarina?” 1.2 Questões de pesquisa • Qual a interpretação dos funcionários sobre avaliação de desempenho? • Qual o papel da administração de recursos humanos nas práticas relativas à avaliação de desempenho? • Quais os fatores de satisfação e insatisfação dos funcionários no trabalho relacionados à avaliação de desempenho? • Como as práticas de avaliação de desempenho, remuneração e gestão de carreira estão relacionadas no contexto da organização pesquisada? 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Identificar as implicações da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho para os funcionários da Telet S/A – Escritório regional Santa Catarina. 14 1.3.2 Objetivos específicos • Reconhecer a interpretação dos funcionários sobre avaliação de desempenho; • Investigar o papel da administração de recursos humanos no processo de avaliação de desempenho dos funcionários; • Investigar os fatores de satisfação e insatisfação dos funcionários no trabalho relacionados à avaliação de desempenho; • Analisar a relação entre avaliação de desempenho, remuneração e gestão de carreira. 1.4 Justificativa Por ocasião da aplicação do questionário diagnóstico em busca de uma deficiência que evidenciasse necessidade de pesquisa em determinada área a ser estudada, a seleção desta situação-problema justificou-se pelo fato de não haver uma sistemática de avaliação de desempenho na empresa em estudo. Durante as entrevistas na empresa, ocasião em que o instrumento diagnóstico foi utilizado, e a convivência com vários funcionários, a ausência de uma forma de avaliação de desempenho foi apontada por todos como sendo prática necessária para melhorar os resultados individuais, atuar na manutenção da motivação e outras conseqüências negativas para a empresa como um todo. No que diz respeito à empresa, o assunto avaliação de desempenho se configura interessante para ser estudado nesta pesquisa devido à sua crescente importância no âmbito das relações de trabalho, e possibilitará identificar as implicações na ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho e seus impactos para os funcionários. E no que diz respeito à instituição de ensino, pesquisar sobre o tema selecionado mostra-se relevante considerando os poucos estudos resultantes de pesquisas acadêmicas neste assunto. Para a pesquisadora, tratar deste tema justifica-se pela identificação pessoal com a área de recursos humanos. Com a elaboração do trabalho e o conseqüente aumento de informações sobre este ramo da administração, resultará em maior conhecimento e aprimoramento das atividades futuras a serem desenvolvidas profissional ou academicamente. 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Para embasar a pesquisa proposta e proporcionar melhor entendimento, serão abordados a seguir a origem e a evolução da teorias administrativas, a origem evolução da administração de recursos humanos no Brasil, os conceitos de administração de recursos humanos sob a ótica de alguns autores, as funções da administração de recursos humanos, os conceitos, objetivos, principais métodos, vantagens, desvantagens e críticas à avaliação de desempenho. 2.1 As Teorias da Administração e a evolução da Avaliação de Desempenho De acordo com Shigunov (2006, p.6) “o trabalho acompanhou a evolução da humanidade, porém, o impulso e a mudança radical em seu conceito ocorreram com a Revolução Industrial.” Dessa forma, pode-se dividir a evolução do trabalho em antes e depois da Revolução Industrial. Ainda segundo Shigunov (2006) antes da Revolução Industrial o trabalho era manual e artesanal, depois passou a ser considerado como um forte instrumento de dominação e alienação dos homens, utilizado pelo sistema capitalista. A forma como a sociedade trabalha define a própria forma de existência desta sociedade. Em um primeiro nível, a atividade de trabalho confronta o homem a seu meio natural em uma relação historicamente determinada. Em um segundo nível, ela constitui o elemento central de um processo de bens e serviços (...) A atividade de trabalho configura assim, igualmente, um processo de reprodução das condições sociais de produção. (...) O processo de trabalho traduz assim três tipos de relações: as relações entre o homem e seu meio natural, entre o homem e seus instrumentos de trabalho e as relações dos homens entre si.. (SALM, 1992, p.76 apud SHIGUNOV NETO, 2002) O sistema capitalista visando a atingir seu objetivo de maximização do lucro com o aumento contínuo da produtividade e redução de custos, oportunizou o surgimento de cientistas que buscavam por intermédio de novos métodos e técnicas o atingimento desses objetivos. Tem-se aí o início das Teorias da Administração. O primeiro modelo, criado por Taylor (1903) preocupava-se com a divisão e racionalização do trabalho e a especialização. Foi o primeiro profissional a realizar um estudo minucioso e propor melhorias no processo de trabalho. Seu foco de estudo era a tarefa e considerava que o homem só podia ser motivado a trabalhar e produzir através da remuneração econômica. Chamava-se Abordagem Científica. 16 Com a Teoria Geral da Administração, surgiram a partir das idéias de Taylor a ênfase nas tarefas (Administração Científica), em seguida , a ênfase passou a ser na estrutura, com a Teoria Clássica de Fayol, com a Teoria da burocracia de Weber e mais tarde com a Teoria Estruturalista. O enfoque humanístico, surgiu com a ênfase nas pessoas, através da Teoria das Relações Humanas, mais tarde com a Teoria Comportamental e com a Teoria do Desenvolvimento Organizacional. A ênfase no ambiente, surgiu com a Teoria dos Sistemas que mais tarde foi complementada pela Teoria da Contingência. Esta focava a ênfase na tecnologia . Todas estas variáveis provocaram mudanças na Teoria Administrativa, marcando o desenvolvimento das Teoria Geral da Administração. (CHIAVENATO, 1993) Abordagem Clássica teve também o desenvolvimento dos estudos de Fayol que dava ênfase na administração racional e eficaz das organizações. Sugerindo que cada operação a ser realizada pelo indivíduo precisa de uma capacidade especial para desempenhá-la. Regia-se por 14 (quatorze) princípios: a divisão do trabalho; a autoridade e a responsabilidade; a disciplina; a unidade de comando; a unidade de direção; a subordinação do interesse particular ao interesse geral; a remuneração de pessoal; a centralização; a hierarquia; a ordem; a eqüidade; a estabilidade do pessoal; a iniciativa; a união do pessoal. . Esta foi denominada Teoria Clássica. (SHIGUNOV, 2000, p.9) Ainda de acordo com Shigunov (2000), a avaliação de desempenho utilizada nesta época apenas avaliava o desempenho do funcionário, em função das tarefas executadas. Após a Abordagem Clássica, teve-se o surgimento da Abordagem Humanística, com a Teoria das relações Humanas. Dava ênfase às pessoas na organização. Seu precursor foi Elton Mayo, que desenvolveu a experiência de Hawthorne. (SHIGUNOV, 2000, p. 10) Sem o pretender, a Experiência de Hawthorne marca, uma nova teoria calcada em valores humanísticos na Administração, deslocando totalmente a preocupação anteriormente voltada para a tarefa e para a estrutura para a preocupação com as pessoas. Com a s conclusões iniciais tomadas a partir da experiência de Hawthorne, novas variáveis são acrescentadas ao já enriquecido dicionário da Administração: a integração social e o comportamento social dos empregados, as necessidade psicológicas e sociais e a atenção para as novas formas de recompensas e sanções não-materiais, o estudo dos grupos informais e da chamada organização informal, o despertar para as relações humanas dentro das organizações, a ênfase nos aspectos emocionais e não-racionais do comportamento das pessoas e a importância do conteúdo dos cargos e tarefas para as pessoas que as realizam e executam. (CHIAVENATO, 1993, p. 154-155) Nessa época, a avaliação de desempenho “começa a ter uma pequena preocupação com as condições de trabalho, não levando em consideração apenas o trabalho executado. Aspectos psicológicos e ambientais que possam influenciar o desempenho dos funcionários 17 são analisados quando da realização da avaliação dos funcionários.” (SHIGUNOV, 2000, p.10). Surge então a Abordagem Neoclássica, subdividida em teoria Neoclássica da Administração e Administração por Objetivos (APO). De acordo com Chiavenato (1993), a abordagem Neoclássica é a Teoria Clássica melhorada, adequada às organizações atuais. Fundamenta-se em aspectos como: a ênfase na prática da Administração, a reafirmação relativa dos postulados clássicos, ênfase nos princípios clássicos de administração, ênfase nos resultados e objetivos e ecletismo. Já a APO - Administração por Objetivos - é um modelo administrativo que tem como principais características: o estabelecimento de objetivos entre as partes envolvidas no processo, elaboração de planos e metas a serem cumpridos, com ênfase na mensuração e controle, contínua avaliação e revisão, e participação ativa da chefia. Segundo Shigunov (2000), nessa época os sistemas de avaliação de desempenho utilizados e fundamentados nessa abordagem também seguiam uma tendência humanística, levando em consideração aspectos psicológicos e ambientais. Porém, a principal diferença consiste na definição de metas e objetivos a ser obtidos pelos funcionários e chefes em determinado período de tempo. Após o período proposto, é realizada uma análise comparativa entre os objetivos propostos e os atingidos, e a conseqüente revisão do processo a fim de melhorar o desempenho. A Abordagem Estruturalista da Administração, dá ênfase na estrutura organizacional e é estruturada pelo modelo burocrático de organização e pela Teoria Estruturalista. (SHIGUNOV, 2000, p.12) De acordo com Chiavenato (1993), surge então um novo conceito de homem: o homem organizacional. Esta abordagem procura interrelacionar as organizações com seu ambiente externo que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. “Os sistemas de avaliação de desempenho utilizados nessa época retornam aos moldes daqueles utilizados na época da Teoria Clássica da Administração. A avaliação é realizada exclusivamente sobre o trabalho realizado e as condições organizacionais” (SHIGUNOV, 2000, p.12) 18 A Abordagem Comportamental tem sua preocupação voltada para os processos e, com a dinâmica organizacional, a ênfase dos estudos recai sobre as pessoas. É dividida em duas teorias: a Teoria Comportamental e a Teoria do Desenvolvimento Organizacional. (SHIGUNOV, 2000, p.13) Para Chiavenato (1993) a Teoria Comportamental ou Teoria Behaviorista da Administração significa uma nova direção e um novo enfoque dentro da teoria administrativa: a abordagem das ciências do comportamento, o abandono das posições normativas e prescritivas das teorias anteriores (Clássica, Relações Humanas, Burocracia) e adoção de posições explicativas e descritivas. A ênfase permanece nas pessoas. De acordo com Shigunov (2000, p.13) a Teoria do Desenvolvimento Organizacional (DO) “é um modelo administrativo que visa atingir uma mudança planejada e estruturada da cultura organizacional. Tem como objetivo de estudo a organização, seus ambientes interno e externo e seu desenvolvimento.” Ainda segundo esse autor, os sistemas de avaliação de desempenho usados nessa época e que se utilizavam dos princípios da abordagem comportamental assumem uma postura humanística. No diagnóstico e análise do desempenho dos funcionários, são considerados: aspectos psicológicos. Motivação, organização, ambiente de trabalho e grupos de trabalho. Os sistemas de avaliação adotados nessa fase dão atenção especial ao funcionário, realizando uma análise de aspectos que possam influenciar o comportamento e desempenho do mesmo. A Abordagem Sistêmica da Administração foi elaborada como uma teoria interdisciplinar, com princípios e modelos gerais que podem ser aplicados a todas as ciências. Tinha como objetivo uma interdependência e maior aproximação entre as ciências. Segundo Chiavenato (1993), a Teoria Geral dos Sistemas pregava princípios de expansionismo (ênfase passa dos elementos fundamentais para o objeto como um todo), do pensamento sintético (analisar os componentes do sistema considerando a função que desempenham) e da teleologia (prega que a causa é condição necessária, mas nem sempre suficiente para que surja o efeito). Segundo Shigunov (2000, p.14), os sistemas de avaliação utilizados que levavam em consideração os princípios da Abordagem Sistêmica voltam aos moldes dos sistemas utilizados na Abordagem Clássica e Estruturalista, sendo a avaliação realizada sobre elementos da organização e do trabalho, não levando em conta o homem. 19 Por fim, a Abordagem Contingencial, que tem como premissa básica que a organização é um sistema aberto que se relaciona com diversos sistemas externos e internos, assim o desempenho organizacional depende das condições ambientais e das técnicas administrativas utilizadas. (SHIGUNOV, 2000, p.15) Nessa abordagem, os sistemas de avaliação de desempenho utilizados segundo Shigunov, levam em consideração os princípios da Abordagem Contingencial, apropriam-se de variáveis analisadas em teorias com tendência tecnicista e humanísticas. Nesses sistemas pode-se encontrar uma preocupação em analisar as diversas variáveis envolvidas no processo, supostamente, não utilizando apenas um instrumento para realização do diagnóstico e análise do desempenho dos funcionários. 2.2 Origem e desenvolvimento da Administração de Recursos Humanos no Brasil Segundo Aquino (1980), a preocupação com o fator humano nas empresas surgiu com a Escola das Relações Humanas com Elton Mayo e evidenciou o desejo da harmonia entre o capital e o trabalho. Sugeria que, numa relação de trabalho, os funcionários colaborassem com a empresa e até obtivessem satisfação das necessidades psicológicas e sociais, além de remuneração. No Brasil, traçando-se uma visão geral a partir do início do século XX, a Administração de Recursos Humanos mostra uma evolução das relações entre o trabalho e o capital. Essa evolução promove um melhor entendimento das relações atuais, pois mostra o gradativo crescimento da importância do fator humano nas organizações. Até o ano de 1930 havia maior participação do trabalhador nas empresas em função de suas estruturas pequenas e pouco desenvolvidas. Isso proporcionava maior acesso por parte dos trabalhadores aos patrões, oportunizando uma participação mais efetiva na vida da empresa e também abrindo caminhos para adquirir melhores condições de trabalho (AQUINO, 1980). Com a criação do Ministério do Trabalho na década de 30, o então presidente da república, Getúlio Vargas, percebendo a situação da classe trabalhadora, criou decretos como a instituição da Carteira de trabalho, regulamentação das cargas horárias no comércio e na indústria, o direito a férias, entre outros. Diante dessa nova realidade, as empresas sofreram o impacto da legislação e precisaram se adaptar às novas exigências do governo que exigia melhor estruturação das empresas, com isso surgem as seções de pessoal e a figura do chefe 20 de pessoal (Aquino, 1980) que normalmente era um advogado trabalhista. Suas atividades restringiam-se às atividades burocráticas, administrando papéis e não pessoas. Ainda segundo Aquino (1980), a vinculação dos sindicatos ao Ministério do Trabalho promoveu grande diminuição do poder de reinvidicação da classe trabalhadora, tornando-a impotente na luta por melhores condições trabalhistas e sociais. Esse quadro agravava-se ainda mais devido a mão-de-obra barata e abundante da época. Em 1956, ainda segundo Aquino (1980) o Brasil teve um salto desenvolvimentista, o país se abriu para empresas estrangeiras e com isso a estrutura das empresas tornou a crescer e modificou-se. Agora, com a injeção de novas tecnologias, o grau de escolaridade dos trabalhadores aumentou e já não havia mais lugar para a seção de pessoal. Criou-se, então após pesquisas no exterior, o setor de Relações Industriais, cujo cargo de chefia era ocupado pelo antigo chefe de pessoal. Na prática, a mudança ficou restrita a nomenclatura. Os problemas aumentaram substancialmente e as questões trabalhistas continuaram sem solução, devido à inoperância e desconhecimento dos responsáveis. Com a entrada das empresas multinacionais ocorreu a implantação de modelos e gerenciamento de recursos humanos, mais organizados e formalizados do que os existentes até então. Estes modelos, elaborados segundo os princípios Tayloristas e Fordistas, foram introduzidos com poucas alterações em diferentes realidades produtivas. (FLEURY E FISCHER, 1992, p.9). De 1963 até a década de 70, os trabalhadores continuaram a ser ignorados sobre os aspectos salariais, de benefícios e de representatividade, adiando novamente os problemas existentes (AQUINO, 1980). No ano de 1973 o governo adotou projetos de impacto que estimularam o crescimento das empresas, tendo como conseqüência outros problemas nas relações de trabalho. Com a massificação da educação no país, sua qualidade diminuiu e sentiu-se então que a mão-deobra especializada tornava-se escassa. As greves e paralisações tomaram corpo em 1978 e espalharam-se por vários estados brasileiros. Segundo Aquino (1980), as reivindicações dos grevistas eram além de melhores salários, por melhores condições de trabalho, desejo de participação política e maior autonomia sindical. De acordo com Aquino (1980), a contribuição da Administração de Recursos Humanos neste contexto, restringia-se e concentrava-se somente na burocracia ou nos aspectos legais e punitivos, na aplicação da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, nas rotinas de pessoal e nas cartas de advertência. 21 Com a conscientização do empresariado brasileiro da necessidade de se manter a função de pessoal mais atuante, iniciaram-se os progressos nesta área. Sendo incentivados pela criação de estruturas de Recursos Humanos, inclusive em nível de diretoria. Outros incentivos também ocorreram com a criação de cursos específicos para profissionais da administração de recursos humanos com o objetivo de capacitar as pessoas para que se alterasse a forma de agir e pensar a Administração de Recursos Humanos. Na década de 80, com o rápido aumento populacional, a abertura do país para empresas estrangeiras e a crescente procura por mão-de-obra especializada fizeram as relações de trabalho sofrerem novas alterações e em conseqüência refletir uma nova realidade para a Administração de Recursos Humanos, que passou a buscar outras formas de atender às necessidades dos funcionários e das empresas. Focando agora em produtividade, desenvolvimento da mão-de-obra e treinamentos (AQUINO, 1980). Com o decorrer do tempo, o conceito de Administração de Recursos Humanos também se modificou e deixou de ser entendido por aquele setor e ou aquelas atividades que nada ou quase nada agregavam às melhorias das condições de trabalho. Para Ferreira (1979), os dirigentes de ontem com seu comportamento inflexível e intransigente e apegados a concepções estreitas e unilaterais acreditavam que o verdadeiro motivo que movia as reivindicações dos trabalhadores era o dinheiro, o salário. A ausência de atendimento ao trabalhador ou a antecipação a algumas aspirações básicas do elemento humano compreendiam a razão para os conflitos. Os profissionais da Administração de Recursos Humanos já compreenderam que a questão salarial é importante, mas não se restringe somente a ela. O trabalhador deseja também reconhecimento pelo seu esforço, pelo atendimento às suas necessidades básicas, que seja tratado como ser humano com respeito e dignidade e que seja compreendido em seus problemas fundamentais. Tais desejos forçaram a Administração de Recursos Humanos a humanizar-se (FERREIRA, 1979). Pode-se identificar também analisando o cenário mais atual da administração de recursos humanos, uma maior preocupação com a definição de políticas de recursos humanos integradas com o conjunto de demais políticas e estratégias organizacionais, sinalizando finalmente uma mudança significativa no espaço ocupado pela área de recursos humanos. 22 Procura ao mesmo tempo estar presente no chão de fábrica e nos processos decisórios das empresas. Observa-se crescente preocupação com a questão da qualificação de pessoal, do quadro diretivo até a mão-de-obra direta (FLEURY E FISCHER, 1992). Para sintetizar a evolução da administração de recursos humanos no Brasil e situar o período do início do uso de técnicas de avaliação de desempenho, a pesquisa de Dias (2005) descreve que na época tecnicista (1950 a 1965) a ARH (administração de recursos humanos) seguia as normas e não acompanhava o negócio; na época administrativa (1965 a 1985) a ARH criou a remuneração variável e a avaliação de desempenho; na época Estratégica (1985 a 1995) a ARH passou a ser responsável pelo planejamento e visão global do negócio; e na época negociadora (1995 até os dias atuais) a ARH passa a cuidar da estratégia e orientar carreiras. 2.3 Conceituação da Administração de Recursos Humanos Ao longo do tempo, a evolução dos conceitos de administração de recursos humanos promoveu alterações na forma de agir e pensar dos administradores voltados para essa área. Pretende-se evidenciar com a apresentação de vários conceitos, quais as alterações e/ou diferenças sob o ponto de vista de diversos autores, que importância tem o capital humano em seus conceitos. A administração de recursos humanos consiste em planejar, organizar, dirigir e controlar as funções procura, desenvolvimento, manutenção e utilização da força de trabalho de forma que os objetivos para os quais a empresa foi estabelecida sejam atingidos econômica e eficazmente, bem como os objetivos de todos os níveis de pessoal e os da sociedade sejam devidamente considerados e atendidos (JUCIUS e SCHLENDER, 1988). A conceituação proposta por este autor apresenta-se bastante abrangente e considera que a administração de recursos humanos colabora para o alcance de objetivos individuais (pessoais), para o alcance de objetivos organizacionais e para o alcance de objetivos da sociedade. Chiavenato (1999) também segue a mesma perspectiva de Jucius e Schlender (1988) quando diz que a administração de recursos humanos consiste no planejamento, na organização, no desenvolvimento, na coordenação e no controle de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente do pessoal, ao mesmo tempo em que a organização representa o meio que permite às pessoas que com ela colaboram alcançar objetivos individuais relacionados direta ou indiretamente com o trabalho. Considerando que a 23 organização serve de meio para alcance de objetivos individuais que tem ou não relação direta com o trabalho. De acordo com Gil (2001), também apresenta sua conceituação baseado na idéia de que a gestão de pessoas é a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais. Outros autores, como Aquino (1980, p.76), conceituam a administração de recursos humanos como “o ramo da administração responsável pela coordenação de interesses da mãode-obra e dos donos do capital e visa proporcionar à empresa um quadro de pessoal motivado, integrado e produtivo, estimulado para contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais”. Toledo (1979), diz que a administração de recursos humanos assegura a existência de recursos humanos disponíveis e adequados para suas operações, presentes e futuras. Ambos consideram em seus conceitos pouco abrangentes, que a administração de recursos humanos deve promover o alcance dos objetivos organizacionais, deixando em segundo plano o alcance dos objetivos individuais, ou seja, a satisfação do trabalhador. Ferreira (1979, p.18) entende a “administração de pessoal como sendo função difusa, isto é, ela se reparte, igualmente, por todos os setores da empresa sendo desempenhada por todos aqueles que tenham responsabilidade de supervisão ou chefia”, o que significa para este autor que a responsabilidade de administrar pessoas é distribuída por todos os níveis da organização, sugere que a atividade não se restrinja somente ao setor responsável, mas que toda a organização, representada pelas pessoas que ocupam cargos de supervisão se incumbam ainda que de forma parcial das atividades relativas aos recursos humanos. 2.4 Funções da Administração de Recursos Humanos A administração de recursos humanos possui algumas funções bem definidas, que delimitam seu campo de atuação, e recursos que proporcionam à empresa mão-de-obra produtiva. As funções básicas de pessoal (FBP) “são atividades mínimas que devem ser desenvolvidas pela empresa, para que a administração de recursos humanos seja bem sucedida, isto é, consiga alcançar seus objetivos”. (AQUINO, 1979, p.79). Essas atividades quando implantadas, sob a ótica de Aquino (1979), não significam que todos os problemas relacionados ao pessoal sejam completamente resolvidos, pois alguns 24 têm origem nos sistemas e na estrutura da empresa e não apenas nos relacionamentos interpessoais. O objetivo do emprego das funções é viabilizar a operacionalização das idéias desenvolvidas para a administração de recursos humanos. O quadro 1 ilustra as funções de recursos humanos de acordo com vários autores, e se pode perceber que ao longo do tempo as nomenclaturas utilizadas foram se modificando, sendo suprimidas ou incorporadas. Como por exemplo, o que era chamado de função procura, passa a ser chamado de recrutamento, o que era chamado de pesquisa passa a ser chamado de relação com os empregados. Independentemente de nomenclaturas, as funções de recursos humanos podem e devem ser adaptadas de acordo com as necessidades da organização, de modo que propicie o entendimento acerca de sua utilização. Aquino Gómez-Mejia et al. Chiavenato Mikovich e Boudreau (1999) (2000) (1979) (1998) Procura Suprimento Agregação Recrutamento Desenvolvimento Desenvolvimento Aplicação Desenvolvimento Manutenção Compensação Recompensa Remuneração Pesquisa Controle Desenvolvimento Utilização Relação com os empregados Monitoração Quadro 1 – Variação das Funções de Recursos Humanos. Fonte: Gil, 2001 A seguir, serão explicitadas as funções da administração de recursos humanos: 2.4.1 Função Procura Compreende as atividades relacionadas aos processos de recrutamento e seleção. Essa função é sobretudo, a responsável por captar para a organização pessoas capazes de desenvolver as atividades referentes ao cargo oferecido. Dessa forma, ao recrutar e selecionar um candidato ao emprego, deve-se considerar seu ajustamento, observando quatro fatores: ao cargo, à empresa, à seção de trabalho e à chefia requisitante. Submeter o candidato a esses fatores, significa diminuir os impactos causados por admissões inadequadas que frustarão no futuro a organização e o próprio candidato. (AQUINO, 1979) 25 2.4.2 Função Desenvolvimento Objetiva combater a obsolescência do quadro funcional e estimular no trabalhador o interesse de adquirir maiores responsabilidades e desafios. Atividades como o treinamento, o planejamento de carreira e a promoção fornecem ao trabalhador oportunidades de desenvolvimento, tanto pessoal quanto profissional. O desenvolvimento do trabalhador é atualmente um dos maiores fatores de motivação e consequentemente de retenção de talentos, sobretudo quando se trata de mão-de-obra jovem, pois explicita possibilidades de progresso e ascensão profissional. (AQUINO, 1979) 2.4.3 Função Manutenção Visa reter talentos. É por meio da função manutenção que a organização consegue selecionar ou classificar seu quadro funcional. Permitindo que sejam identificados os talentos ou excelentes funcionários, os bons funcionários e os funcionários regulares ou ruins. Essa função objetiva fixar na organização os melhores funcionários oferecendo-lhes planos de carreira e salários atrativos; identificar e potencializar possíveis deficiência nos funcionários considerados bons, dando-lhes alternativas de desenvolvimento e crescimento; e para os funcionários regulares ou ruins o direcionamento para o plano de desligamento. O emprego dessa função proporciona a adoção de um quadro funcional otimizado, reduzido e altamente qualificado. (AQUINO, 1979) 2.4.4 Função Pesquisa Conhecer a força de trabalho da organização é o objetivo desta função. Atividades como a avaliação de desempenho e a criação e manutenção de banco de dados atualizado, permitem que a organização conheça seus funcionários, suas potencialidades e deficiências e introduza programas de desenvolvimento adequados, entre outros. (AQUINO, 1979) 26 2.4.5 Função Utilização Consiste na capacidade de saber aproveitar, por meio das chefias o potencial da mãode-obra disponível. Requer treinamento intenso das chefias e da alta administração para sua implantação. Cada líder deve, apoiado pelo pessoal da administração de recursos humanos ser capaz de identificar em seus liderados suas capacidades e empregá-las para atingimento de seus objetivos. (AQUINO, 1979) Para Gil (2001), as funções da administração de recursos humanos, por ele denominada Gestão de Pessoas, são: suprimento ou agregação que equivale a função procura; aplicação que eqüivale a função utilização; compensação ou manutenção que equivale a função manutenção; desenvolvimento ou capacitação que eqüivale a função desenvolvimento; e controle e monitoração que eqüivale a função pesquisa. Segundo Dassler (2003, p.2) “a administração de recursos humanos refere-se às práticas e às políticas necessárias para conduzir os aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gerenciamento, especificamente à contratação, ao treinamento, à avaliação, à remuneração e ao oferecimento de um ambiente bom e seguro aos funcionários da empresa.” Também segundo este autor, estas práticas e políticas são: conduzir análise de cargos (determinar a natureza do trabalho de cada funcionário), que corresponde a função utilização; prever as necessidades de trabalho e recrutar candidatos, que corresponde a função procura; orientar e treinar novos funcionários, que corresponde a função desenvolvimento; gerenciar recompensas e salários, oferecer incentivos e benefícios, que correspondem a função manutenção; avaliar o desempenho, que corresponde a função pesquisa; comunicar-se (entrevistando, aconselhando, disciplinado) e construir o comprometimento do funcionário, que corresponde a função utilização. A seguir, o quadro 2 ilustra as atividades relacionadas a cada função de acordo com Gil (2001) e localiza a avaliação de desempenho como atividade da função controle e monitoração. 27 Sistemas de RH Suprimento ou Agregação Atividades Identificação das necessidades de pessoal Pesquisa de mercado de recursos humanos Recrutamento / Seleção Aplicação Análise e descrição de cargos Planejamento e alocação interna de RH Compensação ou Manutenção Salários / Benefícios / Carreiras Higiene e segurança no trabalho Relações com sindicatos Desenvolvimento ou Capacitação Treinamento e desenvolvimento de pessoal Desenvolvimento e mudança organizacional Controle ou Monitoração Avaliação de desempenho Banco de dados / Sistemas de informações gerenciais Auditoria de recursos humanos Quadro 2 – Funções da Administração de Recursos Humanos. Fonte: Gil (2001) 2.5 Avaliação de Desempenho Para Ferreira (1979, p.63), “entre as várias técnicas de administração de pessoal, uma se distingue pela fecundidade de resultados: a avaliação de mérito, não obstante as dificuldades inerentes à sua aplicação nas empresas” O emprego da avaliação de desempenho, chamada por Ferreira (1979) de avaliação de mérito, tem em sua opinião dois aspectos fundamentais: verificar a eficiência propriamente dita e a assiduidade. Seus objetivos específicos são: verificar aptidões dos funcionários, revelando suas possibilidades de desenvolvimento; avaliar suas qualidades e deficiências; indicar possibilidades de progresso; proporcionar à empresa a possibilidade de reter os seus melhores funcionários; apresentar as bases em que fundar os critérios para melhor aproveitamento dos funcionários; fornecer uma relação pormenorizada do comportamento de cada funcionário; e contribuir para a política de treinamentos, entre outros. 28 Segundo Toledo (1977), a avaliação de desempenho é a técnica que auxilia a ter um critério mais objetivo de avaliação de desempenho e do desenvolvimento do potencial do funcionário. Trata-se de ação indispensável para: treinamento; determinação salarial; controle de seleção; movimentação interna (promoções, transferências, etc.) de pessoal. Pode-se considerar a avaliação de desempenho em termos institucionais, como o processo que provê oportunidades mais definidas de entendimento entre as pessoas, propondo a revisão e a atualização mais permanente do seu próprio comportamento. Isso significa que o processo de avaliação de desempenho humano nas organizações implica menos na criação de um instrumental técnico sofisticado e mais no desenvolvimento de uma atmosfera em que as pessoas possam relacionar-se umas com as outras de maneira espontânea, franca e confiante. É portanto, mais uma questão de atitude que de técnica (BERGAMINI e BERALDO, 1988). A avaliação de desempenho constitui, pois, um meio para desenvolver os recursos humanos da organização e possibilitar: definir o grau de contribuição de cada empregado para a organização; identificar os empregados que possuem qualificação superior à requerida pelo cargo; identificar em que medida os programas de treinamento têm contribuído para a melhoria do desempenho dos empregados; promover o autoconhecimento e autodesenvolvimento dos empregados; obter subsídios para redefinir o perfil requerido dos ocupantes dos cargos; obter subsídios para a remuneração e promoção; e obter subsídios para elaboração de planos de ação para desempenhos insatisfatórios. (GIL, 2001, P.149) Os diversos conceitos de avaliação de desempenho citados encontram um ponto em comum: a potencialização do funcionário, os autores citados entendem que uma sistemática de avaliação de desempenho é capaz de evidenciar entre muitos outros aspectos a capacidade individual do funcionário. 2.5.1Os objetivos da avaliação de desempenho Segundo Espirito Santo (2003) , que sugere que a avaliação de desempenho seja chamada de Avaliação participativa de Desempenho (APD), existem 06 (seis) objetivos distintos para a prática da avaliação de desempenho. São eles: • feedback e desenvolvimento: é o “objetivo-fim” da avaliação de desempenho. O feedback promove a autocorreção, quanto mais autocorreção de desempenho a avaliação produzir, maior será sua eficácia. O desenvolvimento está intimamente ligado a autocorreção, pois após o feedback são necessárias mudanças de posicionamento, de postura, entre outros, onde se fará necessário que o funcionário se desenvolva a ponto de potencializar seus pontos fracos evidenciados pela avaliação; 29 • necessidades de treinamento: o processo de avaliação de desempenho resulta em uma série de melhorias a serem implementadas pela organização e por seus funcionários. A avaliação de desempenho propicia a identificação das necessidades de treinamento e qual (is) funcionários dela necessitam. Otimiza desta forma, investimentos e capacitação adequados; • identificação dos potenciais para promoção: decisões sobre promoções dependem de muitos fatores, além de bons resultados numa avaliação de desempenho. Porém, os resultados de uma avaliação de desempenho tem sido mais comumente usados para determinação de aumentos salariais e/ou promoções laterais; • definição de recompensas e incentivos: este objetivo é o que apresenta maior polemica. Os resultados de uma avaliação de desempenho são mais bem aceitos pelos avaliados se estão diretamente conectados a recompensas ou incentivos financeiros. Propiciam maior motivação para a participação e para a melhoria proposta através do processo de avaliação; • validação das técnicas de seleção e das variáveis: os resultados de um processo de avaliação de desempenho alimentam as técnicas de seleção de novos funcionários, pois definem os diversos tipos de desempenho desejados. Também serve para validar as variáveis dos instrumentos quando se distingue as que foram bem entendidas e utilizadas das demais; • melhoria dos instrumentos: o resultado de um processo de avaliação de desempenho, dentre seus vários objetivos, a melhoria dos instrumentos de comunicação e coleta de informações é talvez um dos mais importantes. O aperfeiçoamento dos instrumentos utilizados num processo de avaliação de desempenho deve conter: identificação e busca da redução de erros cometidos pelos avaliadores; verificação da compatibilidade dos escores com outros fatores externos conhecidos e observados; determinação da fidedignidade entre os avaliadores de todos os avaliados; e a consideração de mudanças em atividades e contexto para os avaliados. Na opinião de Chiavenato (2002) a avaliação de desempenho possui três (3) objetivos que se dividem em básico, intermediários e fundamentais: • objetivo básico: melhorar os resultados dos recursos humanos da organização; 30 • objetivos intermediários: adequação do indivíduo ao cargo; treinamento; promoções; incentivo salarial ao bom desempenho; melhoria das relações humanas entre supervisores e subordinados; auto aperfeiçoamento do empregado; informações básicas para a pesquisa de recursos humanos; estimativa do potencial de desenvolvimento dos empregados; estímulo à maior produtividade; conhecimento dos padrões de desempenho da organização; retroação (feedback) de informações ao próprio indivíduo avaliado; e outras decisões de pessoal, como transferências, dispensas, etc; • objetivos fundamentais: permitir condições de medição do potencial humano no sentido de determinar sua plena aplicação; permitir o tratamento dos recursos humanos como importante vantagem competitiva da organização e cuja produtividade pode ser desenvolvida, dependendo, obviamente, da forma de administração; e fornecer oportunidades de crescimento e condições de efetiva participação a todos os membros da organização, tendo em vista, de um lado, os objetivos organizacionais e, de outro, os objetivos individuais. Pode-se concluir que diferentes autores abordam os objetivos da avaliação de desempenho de forma semelhante. Tendo sempre a preocupação em desenvolver o indivíduo e a organização onde está inserido. As variações, em síntese, estão concentradas em nomenclaturas diferentes para os mesmos objetivos finais. 2.5.2 Os principais métodos de avaliação de desempenho Os métodos de avaliação de desempenho se dividem em métodos tradicionais e métodos contemporâneos. Esses podem ainda ser mesclados de acordo com o perfil da organização e seus objetivos. A seguir serão abordados os principais métodos tradicionais de avaliação de desempenho, e em seguida os principais métodos modernos. É importante salientar que o “sistema de avaliação de desempenho implantado e utilizado definirá o estilo gerencial e a cultura organizacional subjacente à organização.” (SHIGUNOV, 2000, p.52) Para Chiavenato (2002, p.333) cada sistema de avaliação de desempenho “atende a determinados objetivos específicos e a determinadas características do pessoal envolvido. Pode-se tanto utilizar vários sistemas de avaliação como estruturar cada um deles em um método de avaliação que seja adequado ao tipo e às características do pessoal envolvido.” 31 Na opinião de Bergamini e Beraldo (1988, p.168) “pode-se concluir que a validade do sistema escolhido e adotado está diretamente ligada ao tipo e qualidade dos dados que se pode obter por meio do instrumento utilizado. Essas informações devem colaborar para os objetivos a serem colimados por sua interpretação em meio à política de pessoal implantada.” 2.5.2.1 Métodos tradicionais de avaliação de desempenho O método das escalas gráficas avalia o desempenho das pessoas por meio de fatores de avaliação previamente definidos e graduados. Para tanto, utiliza um formulário de dupla entrada, no qual as linhas horizontais representam os fatores de avaliação do desempenho, enquanto as colunas verticais representam os graus de avaliação daqueles fatores. (CHIAVENATO, 2002; WERTHER, 1983) Já o método da escolha forçada consiste em avaliar o desempenho dos indivíduos por intermédio de frases descritivas de alternativas de tipos de desempenho individual (...), o avaliador deve escolher forçosamente apenas uma ou duas frases que mais de aplicam ao desempenho do avaliado. (BERGAMINI e BERALDO, 1988; CHIAVENATO, 2002) A pesquisa de campo é o método que avalia o desempenho utilizando-se de entrevista com o chefe, levantado-se as causas, as origens e os motivos de tal desempenho, por meio de análise de fatos e situações. (LUCENA, 1977; CHIAVENATO, 2002) O Método dos incidentes críticos consiste em o avaliador registrar as declarações que descrevam o comportamento do empregado, tanto aqueles definidos como bons quanto os ruins, fazendo uma breve descrição do comportamento no período avaliado. (WERTHER, 1983) E o método das listas de verificação baseia-se na “relação de fatores de avaliação a serem considerados (check lists) a respeito de cada funcionário. Cada um desses fatores de desempenho recebe uma avaliação quantitativa. Funciona com uma espécie de lembrete para o gerente avaliar todas as características principais de um funcionário. Na prática, é uma simplificação do método das escalas gráficas.” (CHIAVENATO, 1999, p.200) 32 2..5.2.2 Métodos contemporâneos de avaliação de desempenho As limitações dos métodos tradicionais de avaliação de desempenho têm levado as organizações a buscar soluções criativas e inovadoras. Surgem então novos métodos de avaliação que se caracterizam por uma colocação totalmente nova no assunto: auto-avaliação e autodireção das pessoas, maior participação do funcionário em seu próprio planejamento de desenvolvimento pessoal, foco no futuro e na melhoria contínua do desempenho. (CHIAVENATO, 1999) Portanto, os métodos modernos de avaliação de desempenho diferem-se dos tradicionais no aspecto de quem estará realizando o processo de avaliação, ou seja, as fontes de avaliação. Nesses métodos a função de avaliar os funcionários transcende a área de recursos humanos da empresa, passando também a ser exercida por outros integrantes da organização, como os gerentes, o próprio funcionário, os colegas e os fornecedores. Esses métodos modernos de avaliar o desempenho “surgiram influenciados por dois fatores: as organizações estão substituindo a estrutura funcional e departamentalizada pela organização por processos ou equipes, e a participação dos trabalhadores nos resultados das organizações que requer um sistema de medições e indicadores que permitam negociações francas e objetivas” (CHIAVENATO, 1999, p.203). A seguir, serão abordados os principais métodos modernos de avaliação de desempenho: A auto-avaliação de desempenho é aquela em que cada pessoa preenche o formulário de avaliação antes da entrevista de desempenho. Fazendo com que o funcionário reflita sobre seus pontos fortes e fracos e favoreça a discussão sobre as barreiras de desempenho efetivo. No decorrer da entrevista, o gerente e o funcionário discutem o desempenho no trabalho, estabelecem metas futuras de desempenho e concordam quanto à avaliação final, ou seja, estabelecem um consenso a respeito do desempenho do avaliado. (BOHLANDER, SNELL e SHERMAN, 2003) Outro método é a avaliação de desempenho executada pelo gerente, que tem proporcionado maior flexibilidade e liberdade para que cada gerente seja realmente gestor de seu pessoal. Neste método, o órgão de recursos humanos entra com a função de montar e acompanhar e controlar o sistema, enquanto cada gerente mantém a sua autoridade de linha avaliando o trabalho dos subordinados por meio do sistema. (CHIAVENATO, 1999). 33 O método em que o indivíduo e o gerente realizam a avaliação de desempenho em conjunto é uma tendência muito forte. Este método consiste em o gerente funcionar como um elemento que guia e orienta o funcionário, enquanto este se avalia em função da retroação fornecida pelo gerente. O gerente fornece todos os recursos: orientação, treinamento, aconselhamento, informação, equipamento, metas e objetivos, e cobra resultados, enquanto o funcionário fornece o desempenho e resultados e cobra recursos do gerente. (CHIAVENATO, 1999). É também conhecido como Avaliação em 180 graus. Na modalidade em que a equipe de trabalho é quem avalia o desempenho de cada um de seus membros e programa com cada um deles as providências necessárias para sua melhoria. A equipe torna-se responsável pela avaliação de desempenho de seus participantes e define seus objetivos e metas a atingir. (CHIAVENATO, 1999) Já na avaliação 360 graus ou feedback 360 graus a avaliação destina-se a fornecer aos funcionários a visão mais precisa possível, com pareceres de todos os ângulos: supervisores, colegas, subordinados, clientes e outros. É feita de modo circular, por todos os elementos que mantém alguma interação com o avaliado. Este método é mais rico por produzir diferentes informações vindas de todos os lados e funciona no sentido de assegurar a adaptabilidade e o ajustamento do funcionário às variadas demandas que recebe de seu ambiente de trabalho ou de seus parceiros. (CHIAVENATO, 1999; BOHLANDER, SNELL e SHERMAN, 2003) Na avaliação para cima, ao contrário da avaliação do subordinado pelo superior, permite que a equipe avalie seu superior, como ele proporciou os meios e recursos para a equipe alcançar seus objetivos e como poderia incrementar a eficácia da equipe e ajudar a melhorar seus resultados. O comando arbitrário do superior passa a ser substituído por uma nova forma de atuação democrática, sugestiva, consultiva e participativa. (CHIAVENATO, 1999) Avaliação participativa por objetivos começa não pela apreciação do passado, mas pela focalização do futuro. Procura orientar o desempenho para fins e objetivos previamente negociados e fixados, procurá-lo cercar o funcionário de todos os recursos necessários para a sua adequada consecução, procura medi-lo com medições adequadas e comparativas e, sobretudo, procura dar-lhe consistência através de constante retroação e avaliação contínua. Comparando os métodos tradicionais e modernos de avaliação de desempenho, verifica-se que, principalmente, os sujeitos da avaliação de desempenho tendem a participar do processo com mais envolvimento, além da flexibilidade que os métodos modernos proporcionam, e os 34 resultados mais satisfatórios e crescentes oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. A seleção do método mais adequado varia de organização para organização, podendo sua adaptação ser efetuada através da mescla de vários métodos. 2.5.3 Vantagens e Desvantagens dos métodos de avaliação de desempenho Para Shigunov (2000, p.60) “apesar de tantos problemas apontados, os métodos tradicionais de avaliação são ainda amplamente utilizados em função de um conjunto de vantagens e virtudes que contém, para uma ampla gama de usuários.” São eles: • baixo custo para sua elaboração e aplicação; • as informações necessárias para a realização da avaliação são obtidas facilmente; • pode se realizada rapidamente; • é de fácil aplicação e elaboração; • métodos simples. Ainda para Shigunov (2000) as principais desvantagens são: • são subjetivos e incompletos; • são realizadas, geralmente, pelo chefe imediato; • não consideram as variáveis psicológicas e comportamentais dos avaliados; • as variáveis são escolhidas aleatoriamente ou por interesses engajados; • não consideram as condições do ambiente de trabalho; • podem gerar conflitos e discórdias; • são utilizados, na quase totalidade dos casos, da mesma forma para todos os cargos e funções da organização; • os métodos são comparativos e discriminatórios; • analisa acontecimentos, comportamentos e desempenhos passados, colaborando para que ocorram distorções e alterações sobre os dados diagnosticados. 35 De acordo com Milani (1988) as técnicas, atualmente utilizadas, apresentam problemas de ordem funcional, tais como: falta de precisão, confiabilidade, validade de conteúdo e aplicabilidade. Tais problemas inviabilizam a eficiência e a obtenção dos resultados esperados dos métodos utilizados e requerem o desenvolvimento de novas abordagens para a avaliação de desempenho. Como conseqüência, Milani (1988) apresenta alguns problemas de ordem estrutural e operacional que afetam o desempenho organizacional: podem gerar insatisfação e desmotivação nos funcionários; o desempenho organizacional pode ser influenciado negativamente, ficando abaixo do esperado; o ambiente de trabalho pode se tornar instável; e podem surgir conflitos entre funcionários e organização. O quadro 3 mostra os principais métodos de avaliação de desempenho e suas principais vantagens e desvantagens. Método Descrição Vantagens Desvantagens Avalia o desempenho das pessoas através de fatores previamente definidos - Facilidade de planejamento; - Superficialidade e subjetividade; - Simplicidade, facilitando a compreensão e utilização; - Tendência a generalização; - Facilidade para a comparação entre vários avaliados. Escalas Gráficas - Fatores de avaliação são limitados; - Rigidez e reducionismo na avaliação; - Nenhuma participação ativa do profissional avaliado; - Avalia apenas o desempenho passado. Escolha Forçada Avalia através de blocos de frases descritivas focalizando aspectos comportamentais pré determinados - Evita a tendência de generalização; - Diminui a influência pessoal e a subjetividade do avaliador; - Fácil aplicação - Complexidade no planejamento e na construção do instrumento; - Não proporciona uma visão global dos resultados; - Não permite comparações. Pesquisa de Campo Incidentes Críticos 360 Graus Avalia através de entrevista de um especialista em avaliação com a chefia imediata, conjuntamente, o desempenho do funcionário - Envolve staff e linha na avaliação; - Permite o planejamento de ações para o futuro; - Custo elevado por exigir a assessoria de especialista; - Processo lento e demorado; - Enfatiza a melhoria de desempenho e o alcance de resultados. - Pouca participação do avaliado. Baseia-se nas características extremas (incidentes críticos) que representam desempenho altamente positivos e altamente negativos - Enfatiza os aspectos excepcionais de desempenho; - Não se preocupa com os aspectos normais de desempenho; - Método de fácil aplicação e elaboração. - Fixa-se em poucos aspectos proporcionando uma maior parcialidade. Avaliação de modo circular, ou seja, por todos os elementos que mantém alguma forma de interação com o indivíduo avaliado - Resultados precisos - Complexidade no planejamento - Feedback - Duração longa Quadro 3 – Vantagens e Desvantagens da Avaliação de Desempenho. Fonte: Adaptado de CHIAVENATO,1999; BERGAMINI & BERALDO, 1988. 36 2.5.4 Críticas à avaliação de desempenho De acordo com Gil (2001) a avaliação de desempenho que nos anos 70 proporcionava grande preocupação para as organizações no sentido de implantá-la, passou na década de 80, com a recessão econômica que acabou desestabilizando algumas empresas e consequentemente a área de recursos humanos a sofrer grande impacto. Em função disso, surgiram muitas críticas sobre esta prática, que teve sua implantação inadequada às novas realidades empresariais. As principais foram: • definição inadequada dos objetivos: na maioria das vezes o emprego da avaliação de desempenho configura-se para o funcionário como mero procedimento para atender ao setor de recursos humanos. Não são estabelecidos objetivos claros e transparentes, portanto, não há como perceber as conseqüências desta atividade; • baixo nível de envolvimento da alta administração: normalmente a alta administração preocupa-se muito mais com outros setores como vendas e marketing do que com recursos humanos. Cabe ao profissional de recursos humanos mostrar e convencer que os recursos humanos são indispensáveis para o crescimento da organização e que a avaliação de desempenha auxilia nesse crescimento; • despreparo para administrar pessoas: gerentes, geralmente não apresentam muita intimidade com os processos de administração de pessoal, deixando a desejar neste aspecto, porém, o administrador de recursos humanos que se preocupa em promover um treinamento para a implantação da avaliação de desempenho, muitas vezes também falha pois isto ao invés de desenvolvê-los para as práticas da administração de recursos humanos, acaba limitando-se a executar somente naquele momento a avaliação de desempenho; • avaliação circunscrita a um dia: eleger segundo Lucena (1992) o dia nacional da avaliação de desempenho também restringe o processo de avaliação de desempenho a preenchimento de formulários. Para Gil (2001, p. 150) “essa avaliação tende a ser pessoal, não possibilitando a identificação da discrepância entre o desempenho esperado e o desempenho real do empregado”; • baixo nível de participação das chefias: o baixo nível de participação das chefias tende a comprometer a avaliação de desempenho. É necessário incorporar as chefias a todo o 37 processo de elaboração da avaliação de desempenho, inclusive no estabelecimento de parâmetros de avaliação; • exclusão dos empregados do processo de planejamento: o não envolvimento dos funcionários no estabelecimento de padrões de desempenho também prejudica o processo de avaliação de desempenho. Segundo Gil (2001) é importante manter reuniões periódicas entre chefia e subordinados para que negociem juntos o desempenho esperado. Para Lucena (1992) além das críticas apresentadas anteriormente, existem outras duas: o retorno dos resultados da avaliação de desempenho, também conhecido como feedback, normalmente são negligenciados, deixando o avaliado com a sensação de que para nada serviu o processo de avaliação; e o desempenho e mérito que se limita a criar classes salariais e dentro dessas classes, faixas salariais variantes, dando margem a enquadramentos nem sempre adequados. A seguir são abordadas algumas teorias motivacionais bem como a relação da motivação com a avaliação de desempenho. 2.6 Remuneração e gestão de carreiras: Remuneração é o resultado da adição do salário e dos benefícios oferecidos a um funcionário. O salário constitui a parcela fixa a ser paga regularmente em função do conjunto de responsabilidades e da complexidade do trabalho esperado de um funcionário. Os benefícios são o conjunto de facilidades, conveniências ou vantagens ofertadas pela organização ao funcionário, com o objetivo de poupar-lhes esforços e preocupações. (CHIAVENATO 2002; PONTES, 1987). Diante disso, Cembranelli et al. (1998), diz que as pessoas tendem a se comparar umas com as outras: cada qual examina sua produtividade, suas contribuições (esforço, tempo de empresa, rendimento, conhecimento) com as de seus colegas em função igual ou equivalente. Surge então a necessidade do desenvolvimento de políticas salariais que atendam as necessidades da organização e de seus funcionários, minimizando ou eliminando as discrepâncias de remunerações de funcionários do mesmo nível hierárquico. A dedicação da administração de recursos humanos em desenvolver políticas de remuneração previne, segundo Resende (1991) o excessivo turnover, queda no rendimento do 38 trabalho por insatisfação, conflitos trabalhistas, clima organizacional ruim e outras conseqüências negativas. Para que seja possível desenvolver políticas de remuneração faz-se necessário realizar estudo dos níveis de remuneração pagos por um conjunto de organizações do setor onde a empresa está inserida. Esses níveis de remuneração devem envolver a soma dos salários nominais e todo o tipo de adicional eventualmente incorporado ao salário, bem como os benefícios concedidos que influem na renda líquida do funcionário. (ZIMPECK, 1990) Segundo Cembranelli et al. (1998), para se chegar a uma remuneração adequada a uma determinada função, além da pesquisa do mercado, é necessário considerar cinco aspectos: filosofia da instituição em relação à remuneração; teoria salarial (leis econômicas, fatores econômicos, políticos, sociais psicológicos e filosóficos); nível salarial geral da instituição; qualificação de postos de trabalho e avaliação de desempenho. Ainda segundo Cembranelli et al. (1998), somente utilizando uma sistemática de avaliação de desempenho é possível calcular as diferenças entre os rendimentos de funcionários que executam trabalhos idênticos, desde que essa utilização seja realizada com imparcialidade. Findo o processo de determinação das políticas de remuneração, a gestão de carreiras que é a definição dos vários níveis de cargos da organização, dos procedimentos (critérios) de ascensão, tanto na forma horizontal, por mérito, como na vertical, por promoção, deve ser definida e estabelecida. Para tanto, além de prever o preenchimento dos cargos por meio da identificação do potencial de trabalho dos funcionários, a gestão de carreiras deve ter como objetivos de acordo com Cembranelli et al. (1998): • propiciar carreiras compatíveis com a mão-de-obra definida no planejamento de recursos humanos; • prever a ascensão e promoção profissional, garantindo a motivação da força de trabalho; • assegurar transparência e dinamismo na política de formação e desenvolvimento de carreiras; • garantir que a direção da empresa utilize a gestão de carreiras como um instrumento efetivo da administração integrada, criando uma rede interna de informações entre os diversos setores e os profissionais de recursos humanos. 39 O desenvolvimento da gestão de carreiras numa organização apresenta como vantagens: baixo turnover em função da possibilidade de ascensão; motivação crescente; sucessão natural; redução de erros nas promoções; previsão do perfil profissional necessário nos próximos anos. (CEMBRANELLI et al., 1998) 2.7 A motivação Cada indivíduo possui diferentes estilos e hábitos de trabalho. O desempenho de cada um está fortemente relacionado com suas aptidões e habilidades. Porém, o bom desempenho requer muito mais do que simplesmente aptidões e habilidades. Requer também motivação para o trabalho. A motivação pode ser conceituada como esforço e tenacidade exercidos pelo indivíduo para fazer algo ou alcançar algo. A motivação é um dos fatores que contribuem para o bom desempenho no trabalho. A motivação é tão insistentemente focalizada porque é mais fácil influenciá-la do que as demais características dos indivíduos, como traços de personalidade, aptidões , habilidades, etc. (CHIAVENATO, 1997; HERSEY e BLANCHARD, 1986)) Segundo Chiavenato (1997), a motivação para o trabalho é uma das principais responsabilidades gerenciais. A influência gerencial sobre os subordinados exige liderança eficaz e uma contínua motivação da equipe. A motivação funciona como um dinamizador, um impulsionador do comportamento humano. Na opinião de Davis & Newstrom (1992), conhecer as forças motivacionais auxilia os gerentes a compreenderem as atitudes de cada indivíduo no trabalho, podendo então lidar com cada um considerando o impulso motivacional que mais tem relevância para ele. Dessa forma, faz-se imprescindível conhecer as teorias motivacionais com o objetivo de melhor desenvolver os indivíduos no trabalho, motivando-os de forma a atingir seus objetivos e os da organização. Para melhor compreender as teorias motivacionais, faz-se necessário conhecer o ciclo motivacional, (figura 1). Segundo Chiavenato (1999), o ciclo motivacional é o modelo básico de comportamento de todos os indivíduos, podendo variar indefinidamente, pois depende da percepção do estímulo (que varia conforme a pessoas e conforme o tempo), das necessidades e dos desejos, da cognição, entre outros aspectos. 40 Equilíbrio Necessidade Tensão Satisfação Retorno ao estado de equilíbrio anterior Figura 1- O Ciclo Motivacional. Fonte: Chiavenato, 1997. A Hierarquia das necessidades de Maslow, estão arranjadas em uma pirâmide de importância e de influenciação do comportamento humano, conforme mostra a figura 2. Na base da pirâmide estão as necessidades mais baixas e recorrentes, enquanto no topo estão as mais sofisticadas e intelectualizadas. (HERSEY e BLANCHARD, 1986) Auto-realização Estima Sociais Segurança Neces. Fisiológicas Figura 2 - A hierarquia das necessidades humanas segundo Maslow. Fonte: Adaptado de Chiavenato, 1997. Para Bergamini (1983), há uma caminhada do indivíduo em situação de trabalho que vai desde o atendimento de necessidades mais elementares até o atingimento da plena maturidade motivacional que seria a auto-realização. A seguir são explicitados os 5 níveis de necessidades humanas propostos pela pesquisa de Maslow: • Necessidades fisiológicas: são também denominadas necessidades biológicas ou básicas e exigem satisfação cíclica e incessante para garantir a sobrevivência do indivíduo; • Necessidades de segurança: levam o indivíduo a proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário, físico ou abstrato, a busca de proteção contra a ameaça de privação, a fuga ao 41 perigo, o desejo de instabilidade, a busca de um mundo ordenado e previsível são manifestações típicas destas necessidades; • Necessidades sociais: são as relacionadas com a vida associativa do indivíduo com outras pessoas. São necessidades de associação, de participação, de aceitação por parte dos colegas, de troca de amizade, de afeto e amor. Surgem no comportamento quando as necessidades mais baixas (fisiológicas e de segurança) se encontram relativamente satisfeitas; • Necessidades de estima: são as relacionadas com a maneira pela qual a pessoa se vê e se avalia, isto é, com a auto-avaliação e auto-estima. Envolvem a auto-apreciação, a autoconfiança, a necessidade de aprovação e de reconhecimento, de status, prestígio e de consideração; • Necessidades de auto-realização: são as necessidades humanas mais elevadas e que se encontram no topo da hierarquia. São as necessidade que levam cada indivíduo a realizar o seu próprio potencial e de se desenvolver continuamente ao longo da vida. Para a teoria de Herzberg, que na década de 60 focalizou a questão da satisfação para formular sua teoria, existem dois fatores que explicam o comportamento das pessoas no trabalho: os higiênicos e os motivacionais. (VERGARA, 2000) Os fatores higiênicos localizam-se no ambiente de trabalho e são extrínsecos às pessoas: salário, benefícios, condições de trabalho, modelo de gestão, relacionamento com os colegas. Quando presentes estes fatores não causam insatisfação, mas também não chegam a causar satisfação, porém, quando ausentes são motivos de grande insatisfação. (VERGARA, 2000) Os fatores motivacionais são intrínsecos, dizem respeito a auto-realização, reconhecimento, responsabilidade e crescimento. Quando presentes, causam satisfação, se ausentes deixam de causar satisfação, mas também não chegam a causar insatisfação. (VERGARA, 2000; BERGAMINI, 1982) Em síntese, segundo Bergamini (1982), os fatores de higiene satisfazem os anseios do homem de evitar aborrecimentos, como por exemplo: ser tratado de maneira adequada; não sofrer privações em função de um baixo salário; e estabelecer relações interpessoais agradáveis. Ou seja, fazer com suas vidas sejam higienicamente limpas. Por outro lado, os 42 fatores motivacionais tornam as pessoas felizes com seu trabalho porque atendem à necessidade básica e humana de crescimento psicológico, ou seja, a necessidade de se tornar mais competente. Em seguida, tem-se o modelo contingencial de motivação de Vroom, que salienta que a motivação para produzir em uma empresa é função de três fatores determinantes: • expectativas: objetivos individuais e a força para atingir tais objetivos. Podem incluir dinheiro, segurança, aceitação social, reconhecimento, trabalho interessante e uma infinidade de objetivos que uma pessoa pode procurar satisfazer simultaneamente dentro da empresa. • recompensas: relação percebida entre a sua produtividade e o alcance dos objetivos individuais. • relações entre expectativas e recompensas: capacidade percebida de influenciar a sua produtividade para satisfazer suas expectativas com as recompensas. Dessa forma, os três fatores acima determinam o nível de motivação para produzir em quaisquer circunstâncias em que o indivíduo se encontre. (CHIAVENATO, 1997) O modelo de expectância, criado por Lawler III, é baseado em objetivos gradativos, isto é, em caminhos e objetivos. Este modelo parte da hipótese de que a motivação é um processo que orienta opções de comportamentos diferentes na medida em que caminha por objetivos intermediários em direção aos objetivos finais. Baseia-se também na hipótese de que a motivação é um processo governando escolhas ou opções de comportamentos. (CHIAVENATO, 1999) Com base nos estudos sobre motivação pode-se verificar que a importância da manutenção da motivação numa empresa vai além da preocupação com fatores que motivam para o resultado da empresa (motivação extrínseca), mas também com valores próprios de cada indivíduo (motivação intrínseca) . A combinação destas duas fontes de motivação podem ser utilizadas como ponto de apoio para potenciar e alavancar a satisfação das pessoas. O gerente deve conhecer o potencial interno de motivação de cada indivíduo e deve saber como extrair do ambiente de trabalho as condições externas para elevar a satisfação profissional. (CHIAVENATO, 1997) A avaliação de desempenho é uma atividade da administração de recursos humanos que está relacionada à motivação no sentido de que colabora para a identificação da 43 motivação individual de cada funcionário. Entretanto, como evidencia a pesquisa de Bem e Mônaco (2003) a avaliação de desempenho pode apresentar aspectos negativos que podem se traduzir em desmotivação quando funciona apenas como instrumento de pressão e controle dos funcionários. E aspectos positivos que podem se traduzir em motivação para o funcionário quando com base nos resultados obtidos na avaliação de desempenho são geradas recompensas e reconhecimento. 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS 3.1 Caracterização da Pesquisa Para que fosse possível viabilizar os objetivos delineados optou-se pela utilização de pesquisa do tipo descritiva com fase exploratória. "O estudo descritivo é um tipo de estudo que permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno” (OLIVEIRA, 1997) Segundo Gil (1999, p. 43) “as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses para estudos posteriores.” Dessa forma, o uso combinado da pesquisa descritiva e exploratória pretende compreender melhor o comportamento dos funcionários da Telet S/A – Escritório regional de Santa Catarina em relação aos objetivos propostos por este trabalho, pois nesse tipo de pesquisa torna-se possível a elaboração do problema e o seu conseqüente esclarecimento. Para Oliveira (1999), a descrição dos fatos permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno, tornando viável o entendimento das implicações causadas pela ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho no contexto da organização estudada. Essa pesquisa teve abordagem predominantemente qualitativa, devido a dois fatores: baixo número de elementos que compõem a população pesquisada e os resultados obtidos apresentados descritivamente por meio da análise das entrevistas realizadas . De acordo com Richardson (1999, p.79) “o método qualitativo difere, do quantitativo à medida que não emprega um instrumental estatístico como base do processo de análise de um problema. Não pretende numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas.” A abordagem predominantemente qualitativa requer uma análise minuciosa dos dados captados nas entrevistas, pois não apresentará dados numéricos ou estatísticos. Por isso faz-se necessário a interpretação da opinião dos funcionários em relação ao tema abordado. A pesquisa de que trata esse trabalho foi executada por meio de um estudo de caso, precedido por um estudo bibliográfico que compôs a parte da etapa exploratória da pesquisa 45 visando fornecer embasamento teórico sobre o tema estudado. Para Gil (1999, p.72) o estudo bibliográfico “desenvolvido com base em material já elaborado, formado, principalmente de livros e artigos científicos. Apresentando como principal vantagem o fato de possibilitar ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos, mais ampla do que aquele que se poderia pesquisar diretamente.” Gil (1999, p.72) diz ainda que o estudo de caso “é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetivos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado.” 3.2 População e Amostra A população a ser estudada compreende os funcionários do escritório regional da Telet S/A em Santa Catarina. A empresa conta atualmente com quinze (15) funcionários, porém, a amostra selecionada de modo não-probabilístico possui doze (12) funcionários. Isso porque para fins deste estudo não foram considerados os prestadores de serviço contratados pela empresa, que representam três (3) funcionários. Portanto, a população se eqüivale a amostra, pois compreende todos os funcionários diretos da empresa objeto desse estudo. Diante do exposto, a amostra compreende cem por cento (100%) dos funcionários do escritório regional da Telet S/A – Escritório regional de Santa Catarina. A amostra é composta por 10 executivos de contas, 01 assistente administrativo e 01 coordenador regional. 3.2.1 Perfil dos funcionários Para a elaboração do perfil dos funcionários levaram-se em consideração alguns critérios, tais como: sexo, escolaridade, faixa etária, estado civil, naturalidade e tempo de empresa. A síntese do perfil dos funcionários componentes da população, encontra-se apresentada sob forma de tabela no Apêndice I dessa pesquisa. Entretanto, o perfil da população ilustrações. pesquisada é descrito e apresentado no contexto das seguintes tabelas e 46 Sexo Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Masculino 8 67% Feminino 4 33% Total 12 100% Tabela 01 – Número de funcionários por sexo. Fonte: Dados primários, 2006. 33% 67% Masculino Feminino Gráfico 01 – Número de funcionários por sexo. Fonte: Dados primários, 2006. A Telet – Escritório Regional SC, possui 12 (doze) funcionários, destes 8 (67%) são do sexo masculino e 4 (33%) são do sexo feminino. Nível de escolaridade Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Ensino Médio 0 0% Superior incompleto 5 42% Superior completo 3 25% Pós-graduação 4 33% Total 12 100% Tabela 02 – Número de funcionários por escolaridade. Fonte: Dados primários, 2006 47 0% 33% 42% Ensino médio Superior incompleto Superior completo Pós graduação 25% Gráfico 02 – Número de funcionários por escolaridade. Fonte: Dados primários, 2006. Em relação ao nível de escolaridade, dos 12 (doze) funcionários, 5 (42%) possuem curso superior incompleto, 4 (33%) possuem curso pós-graduação e 3 (25%) possuem curso superior completo. Indicando que o nível de escolaridade apresentado é bom. Dos 5 (42%) funcionários que possuem curso superior incompleto, 4 estão concluindo seus cursos de graduação e apenas 1 está afastado dos estudos. Faixa Etária Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Menos de 20 anos 0 0% De 21 a 25 anos 1 8% De 26 a 30 anos 4 34% Mais de 30 anos 7 58% Total 12 100% Tabela 03 – Número de funcionários por faixa etária. Fonte: Dados primários, 2006. 48 8% 33% 59% De 21 a 25 anos De 26 a 30 anos Mais de 30 anos Gráfico 03 – Número de funcionários por faixa etária. Fonte: Dados primários, 2006. A maioria dos funcionários da Telet – Escritório Regional SC (58%), tem mais de 30 anos, 4 (34%) possuem de 26 a 30 anos e apenas 1 (8%) possui de 21 a 25 anos. Acima dos 26 anos de idade tem-se 11 (92%) funcionários, demonstrando uma equipe com bom nível de amadurecimento profissional. Estado civil Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Solteiro 4 34% Casado 7 58% Divorciado 0 0% Desquitado 1 8% Total 12 100% Tabela 04 - Número de funcionários por Estado Civil. Fonte: Dados primários, 2006. 8% 33% 59% Solteiro Casado Desquitado Gráfico 04 – Número de funcionários por estado civil.. Fonte: Dados primários, 2006 49 Em relação ao estado civil, a maioria dos funcionários é casados 7 (58%), 4 (34%) são solteiros e 1 (8%) é desquitado. Demonstrando dessa forma que a maioria possui certa estabilidade quanto aos relacionamentos afetivos. Naturalidade Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Florianópolis 5 42% Lages 1 8% Porto Alegre 4 34% Joinville 1 8% Santa Maria 1 8% Total 12 100% Tabela 05 – Número de funcionários por naturalidade. Fonte: Dados primários, 2006. 8% 8% 43% Florianópolis Lages Porto Alegre 33% 8% Joinville Santa Maria Gráfico 05 – Número de funcionários por naturalidade. Fonte: Dados primários, 2006. Em relação à naturalidade, a maioria dos funcionários, 5 (42%), é oriunda da cidade de Florianópolis (SC), 4 (34%) são da cidade de Porto Alegre (RS), 1 (8%) é da cidade de Lages (SC), 1 (8%) é da cidade de Santa Maria (RS) e 1 (8%) é da cidade de Joinville (SC). Perfazendo então um total de 7 funcionários catarinenses 5 funcionários gaúchos. Tempo de empresa Freqüência Absoluta Freqüência Relativa 50 Menos de 6 meses 0 0% De 6 a 11 meses 2 17% 1 ano 1 8% De 12 a 16 meses 3 25% De 17 a 23 meses 3 25% 2 anos ou mais 3 25% Total 12 100% Tabela 06 – Número de funcionários por tempo de empresa. Fonte: Dados primários, 2006 25% 17% 8% De 6 a 11 meses 1 ano 25% 25% De 12 a 16 meses De 17 a 23 meses 2 anos ou mais Gráfico 06 – Número de funcionários por tempo de empresa. Fonte: Dados primários, 2006. Em relação ao tempo de empresa, metade (50%) dos funcionários trabalham a mais de 17 meses na empresa, 3 (25%) trabalham entre 11 a 16 meses, 1 (8%) trabalha a 12 meses e 2 (17%) trabalham entre 6 meses a 11 meses na empresa. Baseado nisso, a maioria dos funcionários trabalha tempo suficiente para conhecer os processos da empresa, principalmente no que tange a área de recursos humanos. É importante salientar que o Escritório Regional/SC está em funcionamento desde dezembro de 2003. 51 3.3 Técnicas de coleta, tratamento e análise dos dados Para viabilizar a coleta de dados, além das fontes secundárias que dizem respeito a todas as bibliografias estudadas para a elaboração desta pesquisa, foram usadas também fontes primárias que resultaram dos questionários aplicados com os membros da empresa que participaram da pesquisa. O roteiro para aplicação da pesquisa (questionário) encontra-se no apêndice A deste trabalho. A coleta de dados foi realizada por meio de aplicação de questionário com os funcionários da empresa em estudo. A primeira parte do questionário teve o objetivo de traçar o perfil do grupo entrevistado e incluiu os seguintes critérios: sexo, escolaridade, faixa etária, estado civil, naturalidade e tempo de empresa. A segunda parte do questionário conteve questões abertas que delinearam a pesquisa de forma a obter respostas pertinentes ao objetivo da pesquisa. As questões utilizadas no questionário foram questões formuladas para respostas abertas, onde o respondente teve total liberdade para escrever com suas próprias palavras, sem qualquer restrição. Para a aplicação dos questionários foi utilizado o método questionário por correio eletrônico, que consistiu em enviar sob forma de arquivo eletrônico o questionário e as instruções para o respondente, e este após respondê-lo, o devolveu também sob forma de arquivo via correio eletrônico. Os dados obtidos por meio da aplicação dos questionários foram tratados de forma analítica, com o auxílio de tabelas e gráficos para tabular as respostas. Para a coleta dos dados foram necessárias duas semanas (de 03 a 17 de abril/06) para que todos os questionários fossem devolvidos. Este período de tempo justifica-se pelo fato de que a maioria da amostra exerce suas atividades em campo, estando a maior parte do tempo fora do escritório. De acordo com Gil (1994), a análise tem como objetivo organizar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já a interpretação tem como finalidade à procura do sentido mais amplo das respostas, o que é efetuado por meio da sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos. Segundo Gil (1994), as fases de interpretação e análise das pesquisas sociais dividemse em: 52 1) estabelecimento de categorias entre as diversas repostas obtidas; 2) transformação dos dados brutos em símbolos que possam ser tabulados; 3) tabulação, processo de contar e agrupar os casos que estão nas várias categorias de análise; 4) análise estatística dos dados com a descrição e avaliação das generalizações obtidas a partir dos dados; 5) inferências de relações causais; 6) interpretação e comentários dos dados. Dessa forma, os dados obtidos por meio da aplicação do questionário foram segregados em duas etapas. Na primeira etapa, de caráter quantitativo, que tinha como objetivo traçar o perfil da amostra, os dados foram tratados com o auxílio da ferramenta eletrônica Excel, que proporcionou a elaboração de tabelas, gráficos e cálculos. Em seguida, a análise desses dados se deu em função dos resultados obtidos com esta tabulação, de observações realizadas na empresa, e também com o auxílio das fontes secundárias. Na segunda etapa, de caráter quantitativo e qualitativo, constaram questões fechadas e abertas acerca dos objetivos específicos desta pesquisa, os dados foram tratados através da ferramenta eletrônica Excel e de leitura vertical e horizontal das respostas, agrupamento das respostas em categorias, comparação com as fontes secundárias e descrição dos resultados. Para que fosse possível analisar e interpretar as questões que dizem respeito à motivação foi utilizada a teoria motivacional proposta por Frederick Herzber em função de sua preocupação em pesquisar diretamente no contexto do trabalho quais os fatores que se acham relacionados com aquelas atitudes que influem na produção e situações que determinam satisfação no trabalho. Diante disso, os resultados propostos por esta pesquisa puderam ser atingidos por meio do uso desses métodos. Na seqüência, é apresentado breve histórico da empresa que serviu de objeto de estudo, e em seguida, a análise e interpretação dos dados obtidos. 53 4 RESULTADOS DO ESTUDO 4.1 Caracterização da empresa estudada: Telet S/A – Escritório regional Santa Catarina A operadora de telefonia móvel celular Claro é a subsidiária da América Móvil para o Brasil. A América Móvil (presente na Argentina, Equador, Colômbia, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Honduras e Estados Unidos) e a Telmex (presente no México), são controladas pela América Telecom (antiga Carson Global Telecom), do empresário mexicano Carlos Slim. No Brasil, os investimentos do Grupo América Telecom iniciaram em maio de 2003 com a compra da BSE (Região Nordeste, área 101) da BCP. Em seguida, adquiriu a ATL (RJ e ES, área 3), a Americel (Região Centro Oeste, área 7), a Claro Digital – Telet (RS, área 6), a BCP e TESS (SP capital e SP interior, áreas 1 e 2), adquiriu também a licença para implantar operação na região 5 (PR2 e SC). Em agosto de 2003 anuncia que passará a adotar o nome Claro para todas as operações acima citadas. Mais tarde, em setembro 2004, adquire a licença para a exploração da Banda E em Minas Gerais3 (área 9). A operação iniciou-se em novembro de 2005. Presente então com a prestação de serviços de telefonia móvel em todas as regiões brasileiras, com exceção da região Norte e de algumas cidades, a Claro avançou em direção ao mercado de telefonia fixa, adquirindo em março de 2004 em associação com a MCI a Embratel. Passando então a prestar serviço de longa distância nacional e internacional em todo o Brasil (código de operadora 36). Em junho de 2005 desativou o código 36 prestando agora seus serviços através do código 21. 1 De acordo com a Anatel, que subdividiu as regiões do Brasil em áreas de atuação. 2 Com exceção das cidades de Londrina e Tamarana) 3 Com exceção da área atendida pela Triângulo Celular (Empresa da Telemig Celular) 54 A Claro possui atualmente 14,3 milhões de clientes no Brasil com a operação móvel. Atua em 20 (vinte) estados e no Distrito Federal, cobrindo uma área de 137 milhões de habitantes, o correspondente a 84 % (oitenta e quatro por cento) da população brasileira. Na região 5, opera desde outubro de 2003 no Paraná e desde de dezembro de 2003 em Santa Catarina. Inicialmente toda a administração desta regional concentrava-se na cidade de Curitiba/PR. Atualmente esta região conta com duas sedes, uma em Curitiba/PR e outra em Florianópolis/SC. A regional de SC, objeto de estudo desta pesquisa, possui 14 (quatorze) funcionários locados em sua sede e 32 (trinta e dois) em cidades de apoio, distribuídos entre lojas próprias e centrais de comutação e controle (CCC). A Claro emprega cerca de 5 (cinco) mil funcionários diretos em todo o Brasil. A diretoria de Talentos Humanos4 está alocada no estado do Rio de Janeiro e possui distribuídos em todas as regionais gerentes de Talentos Humanos que atendem diretamente aos funcionários de suas respectivas regionais, apoiados por equipe de analistas e psicólogos. Em função da unificação de empresas de diferentes culturas adquiridas pelo grupo num curto espaço de tempo, o setor de Recursos Humanos está em fase final de organização e unificação de seus processos. Embora , o esforço em suprir as necessidades dos funcionários e da empresa sempre se mostraram superior à falta de estrutura adequada. Com faixas salariais compatíveis com o mercado de trabalho (segmento telecomunicações) e pacote de benefícios fixos e variáveis, que incluem: assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida e acidentes, ticket alimentação, transporte, plano de participação nos resultados, auxílio combustível, auxílio educação e auxílio creche, a Claro objetiva aprimorar seus funcionários; proporcionar-lhes melhoria de sua qualidade de vida e de sua família; e assegurar-lhes condições de saúde e seguridade. Com sua rede com tecnologia GSM (Global System Mobile) a Claro comercializa seus serviços através de seus canais (lojas próprias, agentes autorizados, lojas de varejo, internet e call center) com o oferecimento de ampla variedade de planos e serviços agregados, conforme listados no apêndice 2. 4 Nomenclatura adotada pela empresa 55 4.2 Análise e interpretação dos dados A seguir, são apresentados os resultados alcançados através da coleta de dados em fontes primárias e secundárias, abordando no início, a ascensão profissional, os critérios utilizados para tal, a interpretação sobre a avaliação de desempenho, as principais desvantagens de sua ausência, a questão do reconhecimento, do feedback e do crescimento e desenvolvimento profissional fornecidos pela empresa. Após, serão apresentados os resultados fundamentados no comprometimento, na gestão de pessoas da empresa, na remuneração e nos fatores de insatisfação e satisfação no ambiente de trabalho. Abaixo tem-se as tabelas, os gráficos e as interpretações que dizem respeito aos aspectos relacionados com ascensão profissional: Ascensão profissional Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Sim 5 42% Não 7 58% Total 12 100% Tabela 07 – Número de funcionários que obtiveram ascensão profissional. Fonte: dados primários, 2006. 42% 58% Sim Não Gráfico07 – Número de funcionários que obtiveram ascensão profissional. Fonte: Dados primários, 2006. A maioria dos funcionários da Telet – Escritório Regional SC 7 (58%) já obteve ascensão profissional e 5 (42%) não obteve. Demonstrando que a empresa tem intenção de priorizar a 56 ascensão interna, proporcionando oportunidades de crescimento profissional e formação de carreira. Critérios Freqüência relativa Freqüência absoluta Relação de amizade com meu superior 1 8% Reconhecimento por resultados apresentados 5 42% Tempo de empresa 0 0 Indicação 6 50% Cargo desocupado em função de demissão 0 0 Cargo recém criado 0 0 12 100% Total Tabela 08 - Critérios utilizados para concessão de promoção. Fonte: Dados primários, 2006 8% 50% 42% Relação de amizade com meu superior Reconhecimento por resultados apresentados Indicação Gráfico 08 – Critérios para concessão de promoção. Fonte: Dados primários, 2006. Dentre os funcionários que obtiveram ascensão profissional, o critério mais utilizado com 6 (50%) respostas foi a indicação, seguido pelo critério reconhecimento por resultados apresentados com 5 (42%) das respostas. Considerando-se que não há a presença de uma sistemática de avaliação de desempenho em uso, o critério reconhecimento por resultados apresentados restringe-se ao cumprimento de metas e à subjetividade exercida pelo superior hierárquico. O critério indicação (mais citado), apresenta-se como um critério pouco eficiente para reconhecimento do potencial do funcionário e recomendação de ascensão, por ignorar 57 outros aspectos importantes. Tais aspectos são evidenciados com a utilização de uma sistemática de avaliação de desempenho. A carência de subsídios para estabelecer critérios adequados para decisão a respeito de ascensão profissional, o despreparo da administração quanto às expectativas dos funcionários em relação ao trabalho e o baixo nível de participação das chefias são conforme apresentado na pesquisa de De Bem e Mônaco (2003) algumas das desvantagens encontradas na avaliação de desempenho. Desvantagens Freqüência Relativa Não considerar as condições psicológicas e comportamentais do avaliado 5 Não considerar as condições do ambiente de trabalho 7 Gerar conflitos e discórdias entre funcionários 4 Não proporcionar funcionário 6 uma Não obter feedback comportamento visão global acerca do de seu 7 A ausência de melhoria salarial promovida pela avaliação Total 1 30 Freqüência Absoluta 17% 23% 13% 20% 24% 3% 100% Tabela 09 – Desvantagens da ausência de Avaliação de Desempenho. Fonte: Dados primários, 2006. 3% 17% 23% Nã o c o ns ide ra r a s c o ndiç õ e s ps ic o ló gic a s e c o m po rta m e nta is do a va lia do Nã o c o ns ide ra r a s c o ndiç õ e s do a m bie nte de tra ba lho Ge ra r c o nflito s e dis c ó rdia s e ntre func io ná rio s 24% 20% 13% Nã o pro po rc io na r um a vis ã o glo ba l do func io ná rio Nã o o bte r fe e dba c k a c e rc a de s e u c o m po rta m e nto A a us ê nc ia de m e lho ria s a la ria l pro m o vida pe la a va lia ç ã o Gráfico 09 - Desvantagens da ausência de Avaliação de Desempenho. Fonte: Dados primários, 2006. Dentre as desvantagens da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho, 7 (24%) dos respondentes elegeram a falta de feedback acerca de seu comportamento e 7 (24%) a não 58 consideração das condições do ambiente de trabalho. A ausência de uma visão global do funcionário, foi apontada por 6 (20%). A desconsideração das condições psicológicas e comportamentais do avaliado foi apontada por 5 (17%) dos respondentes. A geração de conflitos e discórdias foi apontada por 4 (13%) dos respondentes. E apenas 1 (3%) dos respondentes apontaram a ausência de melhoria salarial promovida pela avaliação de desempenho como sendo a principal desvantagem. Notas Freqüência Relativa Freqüência Absoluta Nota 6 5 42% Nota 7 2 17% Nota 7,5 1 8% Nota 8 4 33% Total 12 100% Tabela 10 – Nota atribuída ao comprometimento dos funcionários. Fonte: Dados primários, 2006. 33% 42% Nota 6 Nota 7 8% 17% Nota 7,5 Nota 8 Gráfico 10 - Nota atribuída ao comprometimento dos funcionários. Fonte: Dados primários, 2006. Em relação ao comprometimento dos funcionários, a maioria 5 (42%) atribuiu nota 6, 4 (33%) dos respondentes atribuíram nota 8, 2 (17%) atribuíram nota 7 e 1 atribuiu nota 7,5. 59 Demonstrando que o comprometimento dos funcionários em relação à empresa encontra-se em delicada situação e necessita ser analisado mais a fundo. Em relação à nota, o valor obtido como nota média é de 6,95. A mediana e a Moda são respectivamente de 6,5 e 6,0. O desvio padrão e a variância são 0,92 e 0,83 respectivamente. Também relacionado ao comprometimento, os funcionários foram questionados sobre de que forma seus colegas estão comprometidos com os objetivos da empresa. Três tipos de respostas foram identificados. O primeiro grupo, composto pela metade (50%) dos participantes respondeu que há comprometimento dos funcionários para com os objetivos da empresa, conforme pode ser observado no conteúdo das respostas de E2 e E11 respectivamente: “Sim, dedicação e foco no resultado” e “Estão comprometidos porque se preocupam com o bom andamento da empresa”. O segundo grupo, composto por 5 (42%) participantes, respondeu que o comprometimento nem sempre está presente na atitude dos funcionários e evidenciaram também que o objetivo da empresa não é propriamente conhecido por todos, como no relato de E3: “Nem sempre. Os objetivos conhecidos são as metas que temos que atingir. Estar buscando alternativas para atingir as metas pode ser considerado uma forma de comprometimento (...)” e E5: “Algumas situações mostram que não, ou pelo menos dão esta impressão. Porém como poderei avaliar isto se não é explícito a todos de maneira clara quais são realmente os objetivos da empresa”. O entrevistado E6 abordou em sua resposta a questão dos trabalho em grupo e o comportamento dos participantes desses grupos em relação aos objetivos da empresa: “Existe uma união entre os membros do mesmo grupo de trabalho, mas não existe uma integração plena entre os grupos. O comportamento é como se cada grupo trabalhasse para si e não para um objetivo comum, Portanto, o comprometimento dos funcionários é com a meta pessoal e não com a empresa como um todo”. A seguir são apresentadas as análises e interpretações dos funcionários em relação ao tema avaliação de desempenho. 4.2.1 Interpretações sobre Avaliação de desempenho Quando os funcionários foram questionados sobre qual a sua interpretação sobre avaliação de desempenho, identificou-se a presença de dois grupos: o primeiro composto por 8 (67%) funcionários, representando a maioria da amostra, demonstrou que a avaliação de desempenho para estes funcionários restringe-se a apuração de resultados relacionados à produtividade. A seguir, a opinião de E8 ilustra o entendimento apresentado pelo primeiro 60 grupo: “É uma forma de análise do perfil do colaborador, suas potencialidades e pontos a melhorar.” As respostas apresentadas aproximam-se da interpretação proposta por Toledo (1977), em que a avaliação de desempenho é uma técnica que auxilia a ter um critério mais objetivo para avaliar o desempenho e o potencial do funcionário. Demonstrando ligação com a performance. Porém, este autor complementa que se trata de técnica indispensável para elaboração de treinamentos, determinação salarial, controle de seleção e movimentação interna. Desdobramentos que não foram citados por este grupo. O segundo grupo, composto por 4 (33%) dos funcionários, demonstrou que a avaliação de desempenho é algo mais completo e tem ligações com outros aspectos além da produtividade, conforme a opinião de E5: “É uma ferramenta muito importante para uma fiel avaliação de um profissional, nesta você pode ter a real idéia de como estão trabalho que está sendo desenvolvido, numa visão de vários ângulos ligados a função, metas, presteza, assiduidade, relação interpessoal, relação com os clientes, respeitando os padrões processuais, etc.(...) Enfim, acredito que é uma excelente ferramenta analítica para focar os funcionários no real objetivo da empresa, e também uma forma de minimizar a rotatividade e os custos de capacitação. (...)” Os relatos dos componentes do grupo dois, assemelham-se a interpretação proposta por Gil (2001), cuja avaliação de desempenho, além de definir o grau de contribuição de cada empregado, possibilita também promover auto conhecimento e auto desenvolvimento, assim como a obtenção de subsídios para remuneração, promoção, planos para desenvolvimentos insatisfatórios e treinamentos. Quando questionados sobre como a empresa avalia seu desempenho no trabalho, 11 (92%) dos funcionários limitaram-se a responder que a empresa avalia seus desempenhos somente através dos resultados atingidos. Como se pode ver nos relatos a seguir: “Meu desempenho é avaliado pelos resultados de vendas.” (E10); “Através dos resultados obtidos (..).” (E8); e “Através do cumprimento ou não de metas estabelecidas.” (E3) Apenas 1 (8%) do total de 11 funcionários respondeu que é avaliado em suas atividades diárias. Diante disso, percebe-se que a maneira utilizada para avaliar o desempenho dos funcionários é bastante deficiente, deixando claro que o departamento de Talentos Humanos precisa reavaliar imediatamente seus processos. 61 Em relação ao tipo de reconhecimento que a empresa oferece ao funcionário quando este apresenta bom desempenho no trabalho, três grupos distintos foram identificados na pesquisa. O primeiro grupo composto por 4 (33%) dos funcionários, se limitou a responder que a empresa não oferece nenhum tipo de reconhecimento como ilustrado pelos relatos: “Nenhum.” (E7); “Desconheço.” (E5); “Infelizmente não é possível trabalhar com esta expectativa (...) .Mostrar seu valor é tão difícil quanto se manter na função. Não existe nenhum tipo de reconhecimento, apenas um feedback e ‘parabéns’ pelo trabalho.” (E4); e “Nenhum” (E10). O segundo grupo, composto por 2 (17%) dos funcionários, respondeu que o tipo de reconhecimento oferecido restringe-se a mudança de cargo: “Mudança de cargo.” (E11) e “Promoção de cargo.” (E9). O terceiro grupo, composto por 6 (50%), respondeu que o bônus pago pelo atingimento de metas é a única forma de reconhecimento fornecida pela empresa, conforme relatos: “A empresa paga bônus em dinheiro por atingimento de metas.” (E3); “Bonificação em dinheiro e feedback positivo.” (E8); “O pagamento de gratificação e a possibilidade futura de crescimento dentro da empresa.” (E12); “Bônus por atingimento de metas e promoção de cargo/função.” (E2); “Bônus em dinheiro e pouco reconhecimento pessoal, incompleto portanto.” (E6). De acordo com Chiavenato (2002) fornecer oportunidades de crescimento e condições de efetiva participação a todos os membros da organização, tendo em vista, de um lado, os objetivos organizacionais e, de outro, os objetivos individuais, constituí um dos objetivos fundamentais da avaliação de desempenho. A situação identificada sobre o reconhecimento oferecido pela organização estudada coincide com o resultado da pesquisa de Martins (2005), onde também se verifica descontentamento com o reconhecimento prestado aos funcionários. Em relação à forma que a empresa fornece feedback aos funcionários, novamente três grupos distintos foram formados. O primeiro grupo, compostos por 2 (17%) dos funcionários, respondeu que o feedback se dá por meio de elogios, conforme as respostas de E11 e E9, respectivamente: “Através de elogios” e “Através de promoção de cargo, aumento de salário e elogios profissionais”. Percebe-se nestas respostas que o conceito de feedback do ponto de vista destes funcionários está um pouco distorcido. Embora o processo de feedback seja composto também de uma perspectiva positiva (elogios), há também nesse processo a perspectiva crítica, onde ocorrem as sugestões de melhoria. Para o segundo grupo, composto por 3 (25%) 62 dos funcionários, a empresa não fornece feedback, conforme seus relatos: “Nenhum.” (E10); “A empresa não fornece feedback.” (E3); “A empresa não oferece este tipo de retorno, nas relações são puramente pessoais, não existe estímulo para se aplicar esta técnica com eficiência” (E6). E na opinião do terceiro grupo, composto pela maioria dos funcionários, 7 (58%), o feedback é fornecido pelo superior por meio de diálogos, como expõe o relato de E7: “O feedback é fornecido pelo supervisor através de conversa direta.”; e reforça E5: “No final do ano foi realizado um ‘bate-papo’ com meu gerente, onde tivemos conversa informal sobre meu trabalho. Entretanto, a ênfase dada foi onde tenho relação para com ele, deixando de lado demais pontos onde meu gerente não teria condições de conhecimento.”; e os demais entrevistados desse terceiro grupo, E4 e E8 confirmam: “Através do diálogo direto gestor x subordinado e apresentação de resultados.”; “Através de reunião com superiores.” (E8). A questão do fornecimento de retroalimentação ou feedback apresenta-se confusa para os funcionários da amostra. A falta de uniformidade nas respostas leva à conclusão de que este processo é realizado de forma totalmente informal e sem critérios, pois há a confusão sobre o significado do processo, a ausência total dele para alguns funcionários e a presença para outros. A ausência de ocorrência e conhecimento dos benefícios sobre o processo de feedback é reforçada pela pesquisa de Martins (2005) que expõe que mesmo em organizações que possuem uma sistemática de avaliação de desempenho, a retroalimentação é ineficiente, comprometendo o processo avaliativo. 4.2.2 A administração de recursos humanos e a gestão de pessoas Quando perguntados sobre o papel da administração de recursos humanos nas práticas relativas à gestão de pessoas na empresa, dos 12 funcionários participantes, 1 não forneceu resposta à esta questão, 10 (91%) responderam considerando a administração de recursos humanos de forma genérica, ou seja, nas empresas em geral, e somente 1 (9%) respondeu com base no papel que a administração de recursos humanos desempenha na empresa estudada. Os participantes do primeiro grupo, responderam que o papel da Administração de recursos humanos está relacionado ao desenvolvimento do capital humano da empresa. Criando oportunidades para capacitação e conseqüente desenvolvimento das pessoas: “Criar oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.” (E7); “Criar e desenvolver processos que auxiliem o crescimento e desenvolvimento do ser humano na organização.” (E12). 63 Pode-se concluir que os respondentes E7 e E12 estão de acordo com o pensamento de Chiavenato (1999), de forma geral, o papel da administração de recursos humanos é promover o desenvolvimento do funcionário no campo pessoal e profissional, e desta forma permitir o crescimento de ambas as partes. Já os demais respondentes entendem o papel da administração de recursos humanos de forma mais limitada, conforme o pensamento de Aquino (1980) que diz que é papel da Administração de recursos humanos proporcionar à empresa um quadro de pessoal motivado e produtivo, estimulado para contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais. Quanto ao outro funcionário (E6) que considerou a administração de recursos humanos desenvolvida pela Telet S/A, pode-se perceber, em sua resposta, a dimensão dos processos executados pela administração de recursos humanos: “No caso da Claro a participação é muito pequena. Neste caso se limita a recrutamento e seleção. Não existe nada formal em relação a isto, estamos em desenvolvimento”. De acordo com essa resposta, percebe-se que a administração de recursos humanos na empresa estudada encontra-se em fase de desenvolvimento. Cabe registar que a gestão de recursos humanos até o momento é deficiente e caminha a vagarosos passos para tornar-se mais efetiva e atuante. Essa conclusão também foi possível por meio das observações e conversas com os funcionários durante o período de aplicação desta pesquisa. Na pesquisa realizada por Dias (2005) foram abordados 593 leitores, a esses foi questionado se sabiam qual o papel do RH da sua empresa, 61% das respostas foi: “Não, o RH é lento, perdido e não cumpre seu papel.” Essa resposta coincide com o exposto pelo entrevistado E6 e evidencia que a dificuldade não é pontual, e sim está disseminada a maioria das empresas nacionais e até mesmo transnacionais. A pesquisadora atribui esse despreparo às pessoas que se propõe a fazer a gestão de pessoas nas empresas. 4.2.3 Avaliação de desempenho x gestão de carreira e a remuneração Quando questionados sobre como os funcionários buscam oportunidades para obter crescimento e desenvolvimento profissional, 5 (42%) responderam que manter um aprendizado constante dentro e fora da empresa é fundamental para a busca de oportunidades de desenvolvimento profissional. Como ilustrado nas respostas de E6 e E3, respectivamente: “Através de cursos em diversas áreas por iniciativa própria e solicitando sempre que a 64 empresa promova treinamentos.” e “Através de cursos, palestras e por eu estar incluído no ensino superior.” (E3) Outros 5 (42%) dos funcionários, responderam que a dedicação e o atingimento de objetivos é fundamental para a busca de oportunidades de desenvolvimento profissional: “Atingir metas estabelecidas pela empresa, muita dedicação e comprometimento.” (E12); “Dedicação exclusiva com a empresa.” (E7); “Através de muita dedicação e empenho na concretização dos objetivos propostos.” (E8) Entretanto, 2 (17%) dos funcionários, responderam que estabelecer uma rede de relacionamentos (network) se faz necessário para que seja possível a obtenção de oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional, conforme as opiniões que seguem: “Através de relacionamento interpessoal dentro e fora da empresa!” (E5); e “Network.” (E2) Analisando estas duas respostas e o perfil dos funcionários, percebe-se que ambos (E2 e E5) tem em comum o nível de escolaridade, a faixa etária e experiência profissional que os leva a crer que uma rede de relacionamento é ponto fundamental para desenvolvimento profissional e progressão de carreira. Importante salientar que as respostas fornecidas levam à conclusão de que a empresa não possui um planejamento para gerir carreiras estabelecido e conhecido por todos. Porém, na opinião de Dutra (1996), toda a empresa tem de forma implícita ou explícita linhas de conduta para a gestão de seus recursos humanos. E diz ainda que um sistema de gestão de carreiras, para ser efetivo, deve atender tanto as necessidades da empresa quanto as das pessoas. Sua concepção deve envolver e comprometer todas as partes interessadas, bem como estar preparado para as contínuas alterações nas necessidades. Aos participantes da pesquisa também foi questionado como uma sistemática de avaliação de desempenho pode refletir no desenvolvimento de sua carreira. E para esta questão formaram-se dois grupos de respostas. O primeiro, composto por 9 (75%) dos respondentes evidenciam a ausência de feedback e de direcionamento como reflexos da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho em relação à suas carreiras: “Como não estarei sendo avaliada, corro o risco de imaginar que o meu trabalho está sendo bom (...) Isto pode vir a gerar uma certa acomodação no sentido de não buscar profissionalização, qualificação (...)” (E3); “A ausência de feedback pode inibir o desenvolvimento de potencialidades ou uma avaliação mal feita também ocasionar a falta de investimento na 65 capacitação de um profissional e conseqüente desenvolvimento de carreira.” (E8); “Poderei trabalhar no ‘escuro’ no sentido de meu crescimento profissional.” (E5). O segundo grupo, composto também por 3 (25%) dos respondentes, evidenciam que os erros de julgamento e a subjetividade podem ser ocasionadas em função da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho em relação ao desenvolvimento de carreira: “O critério de avaliação fica subjetivo, baseado em amizades, relacionamentos, políticas internas etc.” (E10); “Se a empresa não tem critérios pra avaliar o funcionário, pode acabar sendo injusta na avaliação.” (E9); “Quando a empresa não tem formas para avaliar os funcionários, a avaliação poderá prejudicar determinada pessoa ou grupo.” (E11) Quando questionados sobre como uma sistemática de avaliação de desempenho pode gerar implicações em sua remuneração, a grande maioria, ou seja, 10 (84%) dos participantes da pesquisa responderam que o uso de uma sistemática de avaliação de desempenho pode gerar reflexos na remuneração e ainda deve estar associada a criação de planos de cargos e salários, conforme nas respostas de E6 e E11: “Só implicará em remuneração se existir um plano de cargos e salários que possa contemplar o reconhecimento financeiro para um bom desempenho. (...)” (E6); “Quando a empresa possuir uma política de avaliação de desempenho, terá normas pré determinadas para salários, cargos entre outros” (E11). Outros 2 (16%) participantes informaram que desconhecem impactos na remuneração em função do uso de uma sistemática de avaliação de desempenho, porém reconhecem que isso refletiria na motivação do funcionário, como ilustrado pela resposta de E10: “Desconheço que avaliações de desempenho gerem melhorias de salário, todavia, seria interessante e motivaria, gerando maior comprometimento e eficácia nos resultados”. Chiavenato (1994) reforça que dentre os tipos de recompensas adotados pelas empresas, as recompensas derivadas da avaliação de desempenho, são as melhorias salariais com autêntico valor motivacional. 4.2.4 A avaliação de desempenho e a motivação no trabalho Em relação à motivação, os participantes da pesquisa foram questionados sobre como a ausência da avaliação de desempenho a impacta, 3 (25%) dos participantes responderam que o fato de não se ter uma avaliação de desempenho não impacta em sua motivação, na resposta de E10 ele evidencia isso: “Devido a trabalhar com equipes de vendas e pela experiência de mercado a avaliação de desempenho não tem impacto na minha motivação” (E10). Porém, se contradisse quando perguntado sobre quais as implicações geradas pela avaliação de 66 desempenho em sua remuneração: “Desconheço, (...) todavia, seria interessante e motivaria, gerando maior comprometimento e eficácia nos resultados” (E10). Os demais entrevistados 9 (75%), responderam que a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho implica muito na motivação, conforme exemplificado nas respostas de E11 e E9: “Pelo fato da empresa não ter um método de avaliação, muitas vezes determinados funcionários se sentem prejudicados porque desenvolvem bem suas atividades e não são valorizados, (...) ocorrendo a desmotivação” (E11); “Por não ter parâmetros de avaliação do funcionário, a empresa acaba cobrando mais de algumas pessoas, ou valorizando mais determinado perfil de profissional, gerando assim insatisfação” (E9). Aos participantes da pesquisa foi solicitado que informassem três fatores de insatisfação e de satisfação no trabalho no contexto da empresa. Na tabela a seguir são apresentados os fatores mais citados entre os respondentes: Fatores de satisfação Fatores de insatisfação Benefícios Condições de trabalho Relacionamento com os colegas Metas pouco factíveis Remuneração Desigualdade de oportunidades Segurança do ambiente de trabalho Remuneração Cobranças excessivas Ausência de política de avaliação Tabela: 11 – Fatores de satisfação e insatisfação no trabalho. Fonte: Dados primários, 2006. Diante do exposto, considerando que 10 (83%) os funcionários dos 12 que participaram da pesquisa ocupam o mesmo cargo (mesmo nível hierárquico), e que o fator remuneração foi relacionado como sendo de satisfação e insatisfação. Pode-se concluir juntamente com as observações e conversas realizadas na organização que existem diferenças salariais que geram descontentamentos entre os funcionários. Portanto, reforça-se novamente que não há uma política de cargos e salários estabelecida pela empresa. Ainda considerando os fatores apontados pelos respondentes, pode-se relacioná-los a Teoria proposta por Herzberg, em que os fatores higiênicos localizam-se no ambiente de trabalho e são extrínsecos às pessoas. Esses fatores são representados pelo salário, benefícios, condições de trabalho, modelo de gestão, relacionamento com os colegas. Esses fatores 67 quando presentes, não causam insatisfação, mas também não chegam a causar satisfação, porém, quando ausentes são motivos de grande insatisfação. (VERGARA, 2000). Por outro lado, os fatores motivacionais são intrínsecos e dizem respeito à auto-realização, reconhecimento, responsabilidade e crescimento, quando presentes, causam satisfação, se ausentes deixam de causar satisfação, mas também não chegam a causar insatisfação. (VERGARA, 2000; CHIAVENATO, 1999). 68 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente se faz cada vez mais importante conhecer, desenvolver e motivar o capital humano das organizações, com o objetivo de mantê-lo competitivo, colaborando para que a organização atinja seus resultados. Dessa forma, o uso de uma sistemática de avaliação de desempenho surge para que sejam encontradas as falhas, as deficiências e viabilizados todos os recursos necessários para potencializar o capital humano. A opção em pesquisar esse tema na Telet S/A, deu-se pelo fato dessa organização não utilizar uma sistemática formal de avaliação de desempenho. Como conseqüência, estudar as implicações causadas por essa ausência na motivação, na remuneração e na gestão de carreira constituiu-se nos objetivos dessa pesquisa. Entretanto, algumas dificuldades foram se apresentando no decorrer da pesquisa: ausência de informações e material utilizado por outras regionais onde já houve o emprego de uma sistemática de avaliação de desempenho; pouca participação e interesse da área de recursos humanos da empresa na elaboração dessa pesquisa; e excessivo espaço de tempo decorrido entre o envio dos questionários e seu retorno com as respostas. Em relação ao primeiro objetivo específico reconhecimento da interpretação dos funcionários sobre a avaliação de desempenho, os dados obtidos com as respostas mostraram que a maioria dos funcionários entende a avaliação de desempenho como forma de medir os resultados relacionados à produtividade. Deixando claro que há desconhecimento dos benefícios e implicações que a avaliação de desempenho pode trazer à tona, principalmente considerando um ambiente de trabalho marcado pela exigência de metas e produtividade. Em relação à investigação do papel da administração de recursos humanos no processo de avaliação de desempenho, segundo objetivo específico dessa pesquisa, em sua maioria as respostas basearam-se numa visão generalizada da administração de recursos humanos nas empresas. Demonstrando que esse setor, na empresa estudada, pouco contribui para a avaliação do desempenho dos funcionários. A ausência dessa prática e de outras relacionadas aos recursos humanos demonstra que o papel desempenhado pela administração de recursos humanos é praticamente despercebido pelos funcionários, confirmando o resultado da pesquisa realizada por Dias (2005). 69 O terceiro objetivo específico, que tratava dos fatores de insatisfação e satisfação dos funcionários no trabalho, a pesquisa refletiu que, quanto aos fatores de insatisfação os apontamentos obtidos revelaram: a desigualdade de oportunidades, as condições de trabalho, ausência de uma política de avaliação de desempenho, cobranças excessivas e a remuneração. Evidenciando a carência dos funcionários de serem avaliados com parâmetros justos e adequados às suas atividades. Os fatores de satisfação apontados foram: benefícios, relacionamentos interpessoais, segurança no ambiente de trabalho e remuneração. A remuneração foi citada pelos funcionários como sendo fator de satisfação e insatisfação, levando a crer, como já foi dito anteriormente, que com base nas observações e conversas tidas na organização e no resultado dessa pesquisa, que há discrepâncias em relação à remuneração num mesmo nível hierárquico, apesar do não uso de sistemática de avaliação de desempenho. Revelando outra carência: plano de cargos e salários. Em relação ao quarto objetivo específico, a relação entre avaliação de desempenho, remuneração e gestão de carreiras, evidenciou-se, por meio da pesquisa, que a empresa não apresenta planos de desenvolvimento e gestão de carreira, pois os respondentes indicaram que não há por parte da empresa a preocupação com o desenvolvimento profissional, ficando a cargo de cada funcionário estabelecer uma rede de relacionamentos dentro e fora da empresa para que seja possível se desenvolver e progredir profissionalmente. Nesse sentido, acreditase que pode haver perda de profissionais com alta capacitação para concorrentes diretos e indiretos. No tocante à remuneração, novamente a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho mostra que os funcionários creditam em parte, a essa prática, que suas remunerações poderiam ser melhores se seu uso fosse rotineiro e adequado. Entretanto, cabe também refletir se a aplicação constante da avaliação de desempenho não poderia, também, aumentar a pressão por metas e resultados, conforme indicado nos estudos de Martins (2005). Diante do exposto, a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho impede a correção de muitos aspectos apontados pelos funcionários participantes da pesquisa, principalmente aqueles relacionados à ascensão profissional, reconhecimento, remuneração e gestão de carreira. À empresa estudada, recomenda-se que uma estruturação deve se dar a partir de uma atuação mais estreita da administração de recursos humanos junto a seu público-alvo (funcionários), no sentido de identificar suas carências e desenvolver o papel que a administração de recursos humanos se propõe. Por meio de práticas de diagnóstico, a gestão de recursos humanos de uma organização pode medir sua efetividade e suas carências. 70 Recomenda-se a investigação do clima organizacional, do turnover e da adoção de plano de cargos e salários específicos para cada região, já que se trata de organização com sede em várias regiões do país. Frente a tudo isso, em relação ao objetivo específico estabelecido nesta pesquisa, as implicações da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho para os funcionários, pode-se concluir à luz da teoria motivacional de Herzberg, que é na busca dos objetivos motivacionais que os funcionários experimentarão maiores níveis de satisfação. E propiciar reconhecimento, crescimento, auto-realização e satisfação com o trabalho fazem com que as organizações atinjam maiores níveis motivacionais de seus funcionários. Os objetivos descritos resultam também do uso de uma sistemática adequada e bem aplicada de avaliação de desempenho. A busca em proporcionar também os fatores higiênicos: salário, benefícios, condições de trabalho e relações interpessoais sadias, resulta em manter o nível de insatisfação bem reduzido, ou seja, manter as condições mínimas para a presença da motivação no ambiente de trabalho. Finalmente, com a elaboração desta pesquisa, pode-se perceber o quão abrangente é a administração de recursos humanos em uma organização. O reflexo ocasionado por uma gestão de recursos humanos deficiente impacta em todo o resultado de uma organização e precisa ser mais bem entendido e divulgado aos profissionais que desempenham atividades relacionadas a estas práticas. Acredita-se que com a necessidade de manter a administração de recursos humanos em nível estratégico, suas políticas e práticas devem procurar ser bastante estruturadas, adequadas , divulgadas e utilizadas de modo a fornecer à organização os agentes capacitados a responder aos objetivos propostos pela organização. 6 REFERÊNCIAS AQUINO, Cleber Pinheiro. Administração de recursos humanos: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1980. BARROS, Aidil J. P. LEHFELD, Neide A.S. Fundamentos de metodologia. um guia para iniciação científica. São Paulo: McGraw-Hill, 1986. BERGAMINI, Cecília W. Psicologia aplicada à administração de empresas. São Paulo: Atlas, 1982. BERGAMINI, Cecília W., BERALDO, Deobel G. R. Avaliação de desempenho humano na empresa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1988. BOHLANDER, George; SNELL, Scott; SHERMAN, Arthur. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. CEMBRANELLI, Mirian et al. Gerência de recursos humanos. Rio de Janeiro: Ed. 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Disponível em: <http://teleco.com.br> acesso em 11/03/2006. 75 7 APÊNCIDES Apêndice A - Roteiro para aplicação de pesquisa 1) Escolaridade: 1.1 () Pós-graduação 1.2 () Superior 1.3 () Superior incompleto 1.4 () Ensino médio 2) Idade: 2.1 () menos de 20 anos 2.2 () de 21 a 25 anos 2.3 () de 26 a 30 anos 2.4 () mais de 30anos 3) Sexo: 3.1 () Feminino 3.2 () Masculino 4) Estado civil: 4.1() Solteiro 4.2 () Casado 4.3 () Divorciado 4.4 () Desquitado 5) Naturalidade: 6) Tempo de empresa: 7) Você já obteve ascensão profissional na empresa: 7.1 () Sim 7.2 () Não 8) Caso SIM, assinale quais os critérios foram utilizados: 8.1 () Relação de amizade com meu superior 8.2 () reconhecimento por resultados apresentados 8.3 () Tempo de empresa 8.4 () Indicação 8.5 () Cargo desocupado em função de demissão 8.6 () Cargo recém criado 9) Qual a sua interpretação sobre avaliação de desempenho? 10) Qual (is) a (s) principal (is) desvantagem (ns) da ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho? 10.1 () Não considerar as condições psicológicas e comportamentais do avaliado 76 10.2 () Não considerar as condições do ambiente de trabalho 10.3 () Gerar conflitos e discórdias entre os funcionários 10.4 () Não proporcionar uma visão global do funcionário 10.5 () Não obter feedback a cerca de seu comportamento 10.6 () A ausência de melhoria salarial promovida pela avaliação 11) De que maneira a empresa avalia seu desempenho no trabalho? 12) Que tipo de reconhecimento a empresa oferece quando você apresenta um bom desempenho no trabalho? 13) De que forma a empresa fornece feedback aos funcionários? 14) Como você busca oportunidades para manter ou obter crescimento e desenvolvimento profissional? 15) Os seus colegas estão comprometidos com os objetivos da empresa? De que forma? 16) De que forma a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho impacta na sua motivação no trabalho? 17) Atribua nota de 0 a 10 ao comprometimento dos funcionários na empresa. 18) Qual o papel da administração de recursos humanos nas práticas relativas à gestão de pessoas na empresa? 19) Como a aplicação de uma sistemática de avaliação de desempenho pode gerar implicações na sua remuneração? 20) Como a ausência de uma sistemática de avaliação de desempenho pode refletir no desenvolvimento de sua carreira? 21) Cite três fatores de satisfação no contexto da organização. 22) Cite três fatores de insatisfação no contexto da organização. 23) Sugestões e comentários. 77 Apêncide B – Relação de planos comercializados e serviços agregados oferecidos Planos comercializados: - Claro Super Controle - Claro Cartão Toda Hora - Claro Cartão Toda noite - Claro Conta Estilo 40 minutos - Claro Conta Estilo 70 minutos - Claro Conta Estilo 100 minutos - Claro Conta Estilo 200 minutos - Claro Conta Estilo 300 minutos - Claro Conta Estilo 500 minutos - Claro Conta Estilo 2000 minutos - Claro Conta 39 Reais - Claro Conta 55 Reais - Claro Conta 75 Reais - Claro Conta 99 Reais - Claro Conta 149 Reais - Claro Conta 215 Reais - Claro Conta 500 Reais - Plano Básico Serviços Agregados comercializados: Claro Idéias: - Claro Clube 78 - Claro Torpedo - Claro Torpedo Web - Claro Sons - Claro Imagens - Claro Notícias - Claro Facilidades - Claro Diversão - Claro Jogos - Claro Vídeos - Claro POC - Claro Aplicativos - Claro Contatos Débito Automático Conta on line Roaming Internacional 79 Apêndice C – Perfil dos funcionários participantes da pesquisa Ascensão Entrevistado Escolaridade Idade Sexo Estado civil Naturalidade E1 3º incompleto > 30 anos M Solteiro Porto Alegre Não E2 Pós-graduação > 30 anos M Solteiro Florianópolis Sim E3 3º incompleto F Solteiro Florianópolis Não E4 3º incompleto M Casado Santa Maria Sim E5 Pós-graduação > 30 anos M Casado Porto Alegre Não E6 Pós-graduação > 30 anos M Casado Lages Não De 26 a 30 anos De 26 a 30 anos profissional E7 3º completo > 30 anos M Casado Joinville Sim E8 3º completo > 30 anos F Solteiro Florianópolis Sim E9 3º completo F Desquitado Porto Alegre Não M Casado Porto Alegre Não M Casado Florianópolis Não F Casado Florianópolis Sim De 26 a 30 anos E10 Pós-graduação > 30 anos E11 3º incompleto E12 3º incompleto De 26 a 30 anos De 21 a 25 anos Quadro 04 – Perfil dos funcionários participantes da pesquisa. Fonte: Dados primários, 2006.