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DIRECTOR Pe. José Mario O. Mandía | ANO 68 | Nº 7 | 19 de JUNHO de 2015 | SEXTA-FEIRA
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EDIÇÃO TRILINGUE | TRILINGUAL EDITION | SEMANÁRIO CATÓLICO DE MACAU | PREÇO 12.00 Mop
www.oclarim.com.mo
DUARTE ALVES,
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO
DOS JOVENS MACAENSES
MACAU E HONG KONG ORDENAM DOIS NOVOS PADRES
«Temos
que ter
outra visão»
ENTREVISTA PÁG. 4
Solidariedade
Zonta
LOCAL PÁG. 5
DESTAQUE PÁG. 2
RAUL PINEDO, JORNALISTA PERUANO
«Jornalismo latino-americano
perdeu valentia»
Macau no eixo
Angola-China
LOCAL PÁG. 5
Paul Pun nos
destroços do Nepal
LOCAL PÁG. 5
MEDIA PÁG. 7
D E S TAQ U E
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
MACAU E HONG KONG ORDENAM DOIS NOVOS PADRES
Apóstolos
Carlos Cheung nasceu em Macau,
mas vai ser ordenado em Hong
Kong. Vincentius Haryanto nasceu
na Indonésia, mas quis o destino
que receba a estola das mãos
de D. José Lai, bispo de Macau.
No mês de São João Baptista a
Igreja recebe dois novos pastores,
provando que não está limitada
pelas fronteiras políticas, pois é
una, solidária e transnacional.
Dois diáconos com ligação a Macau
vão receber a ordenação sacerdotal,
estando as cerimónias religiosas agendadas para amanhã e 27 de Junho.
Natural de Macau, o diácono salesiano Carlos Cheung será amanhã ordenado, em Hong Kong, pelo cardeal D.
John Tong, na catedral da Imaculada
Conceição, pelas 15 horas.
Carlos Cheung nasceu em Macau a
24 de Abril de 1983, tendo estudado
em Hong Kong.
No próximo dia 27 será a vez do
diácono jesuíta Vincentius Haryanto
receber a estola das mãos de D. José
Lai, bispo de Macau, em cerimónia a
realizar na igreja São Lourenço, pelas
15 horas e 30.
Membro da Sociedade de Jesus, Vincentius nasceu em Surabaya (Leste de
Java) em 1978, tendo chegado a Macau
em 2013.
Numa breve declaração a’O CLARIM, Carlos Cheung referiu «dois pilares importantes da educação filosófica de D.
João Bosco: o Sacramento da Reconciliação
e a Santa Eucaristia».
Para ele, «a Liturgia Tridentina ajuda
especialmente na adoração e a meditar em silêncio», sendo que «a Eucaristia é essencial
para alimentar as vocações». Acrescentou
ainda que «junto com a formação doutrinal
é necessário promover o serviço e a oração».
Questionado sobre o futuro, disse
querer «divulgar o Evangelho, formar novas vocações e trabalhar com adolescentes
da China».
Depois de ordenado padre, Carlos
Cheung irá celebrar a primeira missa
na igreja de São Benedito, em Shatin
(Hong Kong), pelas 7 horas e 30, no
S E M A N Á R I O C C AT Ó L I C O D D E D M A C AU
Domingo (21 de Junho). No dia 5 de
Julho, pelas 12 horas e 30, celebrará
missa na igreja de Maria Auxiliadora
com recurso ao Rito Extraordinário. A
primeira missa em Macau está marcada para as 9 horas do dia 19 de Julho,
na igreja de São Lourenço. Curiosamente, Vincentius Haryanto também
irá celebrar a primeira missa na igreja
de São Lourenço, pelas 9 horas do dia
28 de Junho.
Os dois diáconos cumpriram trajectos diferentes até abraçarem o sacerdócio. Enquanto Carlos ingressou no
Seminário Salesiano, tendo prosseguido os estudos no Seminário do Espírito Santo e no Politécnico de Hong
Kong, para além de ter leccionado,
Vincentius entrou para a Sociedade de
Jesus em 1988, onde iniciou os estudos
religiosos. No seu já extenso currículo
constam passagens por Jacarta, Taipé
e Macau. Em Taipé foi ordenado diá-
cono a 28 de Junho de 2014, na igreja
da Sagrada Família. Actualmente trabalha na Escola Secundária Estrela do
Mar e presta serviço religioso na igreja
de São Lourenço.
Carlos e Vincentius têm em comum a
realização de várias acções junto de crianças e jovens – o primeiro, em Macau, nas
Filipinas e em Timor-Leste; o segundo,
na Indonésia, principalmente em zonas
afectadas por catástrofes naturais.
IGREJA UNA
Carlos Cheung e Vincentius Haryanto são dois exemplos do esforço das
dioceses de Macau e Hong Kong na
procura de novas vocações que sirvam
o seu maior propósito: ir ao encontro
das populações, divulgar o Evangelho
e servir os fiéis.
A tarefa tem-se revelado mais difícil
para Macau – em resultado da ausên-
cia de alunos no Seminário de São José
ao longo de vários anos – embora haja
hoje sinais de alguma melhoria. Para
tal tem contribuído o desempenho da
Faculdade de Estudos Religiosos (Universidade de São José), cuja acção tem
permitido encontrar e valorizar as novas vocações, dando-lhes os alicerces
necessários para a vida sacerdotal.
Igualmente importante é o reforço
do diálogo e do intercâmbio entre as
dioceses das duas regiões administrativas especiais, que se repercute nas dioceses de outros países da região.
O regresso a Macau de Carlos
Cheung para a celebração de uma missa na cidade que o viu nascer e o serviço que Vincentius Haryanto vem prestando à comunidade local é mais um
sinal de que a Igreja é una, solidária e
transnacional.
J.M.E./B.K.I
DIRECTOR: Pe. José Mario O. Mandía I ADMINISTRADOR: Alberto Santos | ASSISTENTE DA ADMINISTRAÇÃO: Wong Sao Ieng I EDITOR: José Miguel Encarnação I EDITOR-ADJUNTO:Benedict Keith Ip | REDACÇÃO: Pedro
Daniel Oliveira, Joaquim Magalhães de Castro (Grande Repórter) I SECRETARIADO DA REDACÇÃO E FOTOGRAFIA: Ana Marques I TRADUÇÃO: May Shiu-Ling Ho | COLABORAÇÃO: João Santos Gomes, Pe. João Eleutério,
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D E S TAQ U E
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
D. SAVIO HON TAI-FAI CRITICA A GLOBALIZAÇÃO
Um Mundo só para alguns
D. Savio Hon Tai-Fai, secretário da
Congregação para a Evangelização
dos Povos, critica a globalização
por não permitir que todas as
pessoas tenham um lugar na
sociedade.
O arcebispo D. Savio Hon Tai-Fai considera que «a globalização tem um lado negativo, pois nem todas as pessoas encontram
o seu lugar no mundo globalizado».
Segundo o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, «algumas pessoas acabam marginalizadas [no
processo de globalização]», enveredando pela «globalização de superficialidade».
«Num minuto, fazem uma coisa; noutro
minuto, fazem outra. Não param para entrar
no seu mundo interior. Esta superficialidade
é alimentada pelo consumismo, sendo bastante difundida. Enquanto este estado de coisas
tiver origens económicas afectará realmente
muitos aspectos das nossas vidas», explicou.
Estas declarações foram proferidas
a’O CLARIM à margem da “Sixth Fu Jen
Academia Catholica International Conference”, que teve lugar nos dias 29 e 30
de Maio, na Universidade Católica de
Fu Jen (Taiwan), e foi dedicada ao tema
“Inculturação da Igreja Católica desde o
Vaticano II”.
Nesse âmbito, D. Savio Hon Tai-Fai deu
como exemplo o pensamento do cardeal
D. Celso Constantini, um delegado pontifício que viveu entre 1876 e 1958.
«Embora o cardeal Constantini admitisse
que, de facto, os valores (como os dos chineses) fossem importantes, o homem necessitava
de redenção e de ser elevado à Graça por Jesus Cristo», disse, justificando: «Os leigos
devem viver a sua fé, devem santificar-se,
devem seguir Cristo; receber os sacramentos;
ler o Evangelho; envolverem-se no trabalho de
evangelização. Esta é a obra de santificação.
Quanto mais nos santificarmos, mais descobrimos áreas para a auto-reflexão».
A terminar referiu ainda o que entende por “evangelizar”: «Evangelizar não é
apenas aumentar o número de crentes. Não
podemos simplesmente apontar para os números. A evangelização é, essencialmente, deixar
Cristo atrair as almas para si mesmo. Ele é o
nosso Salvador. Não somos nós que salvamos
os outros com a nossa eloquência. Todo o católico deve ser uma plataforma de difusão da fé.
O exemplo da nossa vida deve levar os outros
a procurar Cristo. O mais importante é aqueles que não conhecem Cristo poderem conhecê-lo através de nós e não simplesmente servirem
para aumentar o número de convertidos».
J.M.E./L.R.M.
EMIRADOS ÁRABES UNIDOS
Vaticano inaugura
segunda igreja católica
O secretário de Estado do Vaticano
inaugurou a segunda igreja católica
em Abu Dhabi, capital dos Emirados
Árabes Unidos, e destacou que «transformar o mundo num lugar melhor para
todos» é um objectivo comum a cristãos e muçulmanos.
«Como membros da sociedade onde vivemos sabemos que a nossa vida está estreitamente ligada à de quantos pertencem
a outras religiões e culturas, com os quais
compartilhamos o mundo», disse o cardeal D. Pietro Parolin.
A nova igreja católica em Abu Dhabi testemunha um «esforço por construir» uma sociedade caracterizada
pela «coexistência e pelo respeito recíproco», frisou.
Neste contexto, destacou pontos
comuns na promoção da «liberdade de
religião» para todos, a «convivência pacífica» dos povos, numa fraternidade
global das nações no «respeito e na aceitação recíprocas».
Na cerimónia, divulga o jornal do
Vaticano, L’Osservatore Romano, o pre-
lado começou por agradecer primeiro ao Presidente dos Emirados Árabes
Unidos, ao príncipe herdeiro e ao ministro da Cultura, da Juventude e do
Desenvolvimento Social.
«A nossa fé em Deus inspira-nos a irmos
ao encontro uns dos outros», comentou.
Depois da inauguração da igreja de
São Paulo, situada no bairro periférico de Mussafah, D. Pietro Parolin celebrou a Eucaristia da Solenidade do
Sagrado Coração de Jesus.
In ECCLESIA
PADRE LANCELOTE RODRIGUES – Os padres Domingos Soares, Fernando Costa e José Legido celebram missa pelo 2º aniversário da morte do padre Lancelote Rodrigues, na capela do
Cemitério de São Miguel Arcanjo, onde o “padre dos refugiados” se encontra sepultado.
E N T R E V I S TA
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PT
DUARTE ALVES, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS MACAENSES
«Temos que ter outra visão»
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
O 3º Encontro da Comunidade
Juvenil Macaense é visto por
Duarte Alves como uma forma de
dar a conhecer às novas gerações
da diáspora as suas raízes.
A’O CLARIM, o presidente da
Associação dos Jovens Macaenses
referiu que a comunidade
macaense não está em risco, mas
precisa olhar para o futuro com
outra visão.
O CLARIM – A Associação dos Jovens Macaenses realiza, entre amanhã
[quarta-feira] e a próxima terça-feira,
o 3º Encontro da Comunidade Juvenil
Macaense, que reúne no território representantes das doze Casas de Macau
espalhadas pelo mundo. Quais os objectivos?
DUARTE ALVES – É um evento bastante importante para a nossa comunidade e para os jovens, porque não
só nos aproxima da comunidade macaense da diáspora, como dá a oportunidade a quem está em Macau para
trabalhar [por um ideal] e ficarmos a
conhecer–nos melhor uns ao outros.
Serve também para reflectirmos e discutirmos sobre a nossa comunidade, e
sobre o que fazer para dar continuidade a este trabalho de modo a estarmos
mais envolvidos no desenvolvimento e
no dia-a-dia da RAEM.
CL – E para quem vem de fora?
D.A. – Passa por dar-lhes a conhecer
Macau. A maioria é da segunda ou terceira geração de famílias macaenses a
viver há muitos anos noutros países, e
que sempre ouviu falar de Macau, mas
do seu lado antigo. Mesmo assim, [são
pessoas que] sentem uma grande ligação a Macau e consideram que as suas
raízes também estão nesta terra. Por
isso, aproveitam esta oportunidade
para conhecer não só a cidade, como
também a nossa comunidade jovem,
partilhando o mesmo objectivo de
manter viva esta ligação entre Macau e
a comunidade macaense da diáspora.
CL – Que diferenças nota entre os
jovens e os mais velhos da comunidade
local?
D.A. – No meu ponto de vista, ao longo da História de Macau a comunidade
macaense tem vindo a desenvolver-se,
bem como o território. A geração anterior à nossa esteve muito activa no período da transição. A comunidade jovem,
hoje em dia, está envolvida e inserida na
RAEM. Os objectivos e a maneira de trabalhar têm que ser diferentes. Podemos
olhar para o passado como referência,
aprender e conhecer melhor o que foi
feito, mas também temos que olhar para
o futuro com outra visão para realmente
podermos dar o nosso contributo para o
desenvolvimento da RAEM.
CL – Que importância atribui às Casas de Macau?
D.A. – São bastante importantes
para internacionalizar, ou dinamizar,
o nome de Macau pelo mundo fora.
Macau é bastante conhecida, em especial pela área económica e pelo Jogo.
Macau não é só o Jogo. A nossa função
é mostrar a estes amigos que vêm de
fora a nossa comunidade e o que Macau tem para além do Jogo.
CL – Em determinados nichos da
diáspora fala-se o Cantonense e o Inglês, mas não o Português. É preocupante?
D.A. – É engraçado porque todos os
membros da comunidade macaense da
diáspora também mantêm uma ligação
à cultura portuguesa. Infelizmente, o
Português pode não ser a língua mais
falada, mas sente-se que é de grande
importância para caracterizar a nossa
comunidade. Podem não falar muito o
Português, mas têm sempre o objectivo
de conseguir dizer umas palavrinhas
ou de pelo menos tentar entender o
que se diz na língua portuguesa. Acredito também que, para quem vive nos
Estados Unidos ou na Austrália, seja
difícil manter vivo o Português, mas
penso que o importante é saber que
faz parte da história da comunidade.
CL – Nos países de acolhimento, por
via de uma forte aculturação, a terceira geração é algo desprendida da comunidade macaense. É também preocupante?
D.A. – São eventos como este que fazem os jovens estar mais envolvidos e
ter uma forte ligação. Se não for assim
será muito difícil manter esta relação
entre os jovens da diáspora e os que
estão em Macau.
CL – Terá Macau capacidade para
ser o núcleo que congrega as comunidades espalhadas pela diáspora? Será
que cada Casa de Macau faz esse papel? Ou haverá aqui um complemento?
D.A. – Acredito mais no complemento. Obviamente, Macau é o berço
da comunidade. É um trabalho que já
tem vindo a ser feito pelo Conselho
das Comunidades Macaenses. O sentimento que temos em comum com a
diáspora é o de pertença a Macau e das
raízes estarem no território. É o trabalho entre o Conselho das Comunidade
Macaenses e as comunidades da diáspora que vem reforçar a relação entre
Macau e as Casas de Macau no sentido
de sabermos como todos juntos conseguimos dar um contributo à comunidade e à RAEM.
CL – Além dos portugueses, também os macaenses têm cada vez menos preponderância na política em
Macau. Actualmente, há apenas dois
deputados macaenses, um dos quais o
seu pai. Sente que a comunidade está
em perigo?
D.A. – Não. Não sinto que esteja em
perigo. Há realmente um fosso entre
gerações, talvez um vazio um bocado
grande, mas também temos vários jovens muito activos na sociedade que
devagarinho vão entrando na vida política. Claro que cada um entra na área
em que está mais confortável e acha
que pode dar o seu contributo. Acredito que o contributo não está em perigo.
CL – Sente-se com capacidade para
liderar a comunidade no futuro?
D.A. – Um líder tem que ser escolhido pela comunidade. Não é algo
que uma pessoa se auto-intitule. Estou
concentrado em trabalhar e dar o meu
contributo para a comunidade. Se no
futuro a comunidade vir que posso ajudar de outra maneira, e eu sentir que
sou capaz de concretizar esses objectivos, estarei então disponível para ajudar em tudo a comunidade e também
a RAEM.
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
LOCAL
CÁRITAS MACAU DOA 1,6 MILHÃO DE PATACAS AO NEPAL
Paul Pun descreve o que viu
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
O secretário-geral da Cáritas Macau,
Paul Pun, esteve entre 4 e 9 de Junho no
Nepal, onde ficou a saber como está a decorrer a ajuda humanitária da Cáritas Internacional nas áreas afectadas pelo sismo
ocorrido no passado dia 25 de Abril, no
qual morreram mais de sete mil pessoas.
«Fui a Katmandu e à zona de Bagmati.
Vi edifícios totalmente destruídos e outros parcialmente destruídos. Havia alguns intactos.
Pensei que a população estivesse privada de
bons abastecimentos [de comida] e houvesse
muita fome, mas na medida do possível as
pessoas estão bem devido à ajuda humanitária», descreveu.
«Há muitos voluntários indianos, nepaleses, austríacos, britânicos, americanos, australianos, alemães... Há apoio do Governo da
China, do “World Food Program” e de várias
ONG. O mundo está a tentar ajudar os nepaleses», salientou.
«A Cáritas Macau já enviou para o Nepal
cerca de 800 mil patacas e está próxima de reunir idêntico valor, que também será enviado
para apoiar a actividade da Cáritas Internacional no terreno», revelou.
«Iniciámos a campanha de angariação de
fundos um dia após o sismo e as pessoas começaram a fazer os seus donativos nas missas,
nas escolas, maioritariamente católicas, na
comunidade da Cáritas e a título individual
ou colectivo. Recebemos ainda uma verba da
Diocese de Macau e continuamos a vender os
nossos artigos em segunda mão no bazar de caridade», acrescentou.
«O Nepal é um país pobre e ficou ainda
VISITA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS À RPC
mais pobre após este desastre natural. Penso
que [as autoridades nepalesas] devem saber
como utilizar o financiamento internacional,
porque se não for gerido de maneira adequada
as pessoas deixam de fazer donativos. Acredito
que o financiamento não seja eterno, por isso
devem gastá-lo com sensatez», explicou o secretário-geral da Cáritas Macau.
Segundo Paul Pun é preciso estabelecer prioridades na reconstrução das áreas
afectadas. «Não se pode correr o risco de olhar
para umas povoações e descurar outras. É preciso aceitar as limitações do momento. Por isso,
será importante que [as autoridades nepalesas] se certifiquem que as necessidades básicas
da população estão a ser satisfeitas», frisou,
exemplificando que «nesta primeira fase
devem construir tendas para todos, em vez de
casas só para alguns».
A terminar, disse ser importante que o
calendário escolar tenha continuidade,
em vez das crianças ficarem em casa ou
nos abrigos temporários. E quanto aos
cuidados de saúde, percebe ser inviável
a construção de hospitais. «As clínicas são
a melhor solução, porém, não devem ficar em
tendas, mas sim em edifícios sólidos».
ZONTA CLUBE DE MACAU É HOJE OFICIALIZADO
Macau no eixo Angola-China Mulheres de ferro
O Presidente de Angola, José
Eduardo dos Santos, manteve
encontros ao mais alto nível
no recente périplo de seis dias
à República Popular da China,
tendo em vista a concretização
de um novo pacote financeiro
para o país africano enfrentar
as dificuldades criadas pela redução do preço mundial do
petróleo. O CLARIM sabe que
também se falou de Macau.
«A parte angolana aflorou a importância de inserir Macau no relacionamento bilateral com a China
para que os empresários do território
possam entrar nos projectos chineses
que estão a ser concretizados em Angola. Gostaríamos que fosse utilizada a plataforma de Macau entre a
China e Angola. É uma ideia que
transmitimos aos empresários chineses», disse Belarmino Barbosa,
delegado de Angola no Fórum
Macau.
«A intenção de englobar Macau
foi manifestada no “Fórum de Negócios China-Angola”, realizado
em Pequim a 12 de Junho, no qual
estiveram presentes o Presidente José
Eduardo dos Santos, os ministros
angolanos dos Transportes, do Co-
mércio, da Agricultura, da Educação, do Ensino Superior, da Energia
e Águas, e empresários, tanto angolanos, como chineses», acrescentou o representante comercial
de Luanda no Consulado-geral
de Angola em Macau.
Belarmino Barbosa enalteceu ainda a relação entre os
dois Estados: «A relações bilaterais entre Angola e a China estão
muito frutuosas e boas. Angola vê
na China uma importante parceira para ajudar a desenvolver os
sectores da agricultura, da indústria e da energia, entre outros».
P.D.O.
O Zonta Clube de Macau vai
ser hoje oficializado em cerimónia a realizar no “Art Space”
do MGM. A nova instituição
tem como objectivo contribuir
para o crescimento saudável da
sociedade de Macau, promovendo o estatuto das mulheres
e das crianças que têm uma voz
menos ouvida.
«Em geral, procuramos apoiar
os grupos que precisam de mais
atenção e ajuda. No caso das mulheres, queremos trabalhar para
que se possa atingir a igualdade
de género em Macau, reduzindo
as desigualdades», referiu a’O
CLARIM Christiana Ieong,
presidente e fundadora do
Zonta Clube de Macau.
Embora só agora seja oficializada, a instituição já efectuou
várias actividades a envolver
membros da comunidade em
Macau e, também, em ligação
com o “Zonta International”.
«Realizámos actividades para
crianças desfavorecidas, particularmente dos orfanatos de Macau com
saídas e festa de Natal. O núcleo
da família é muito importante para
nós, por ser fundamental para o
bem-estar da sociedade», frisou.
Para Christiana Ieong, «talvez
a acção mais publicitada da nossa
jovem associação foi a intervenção
no debate da violência doméstica
que se gerou em torno do projecto legislativo», porque «para além do
nosso protesto quanto às palavras
proferidas no hemiciclo por um deputado [Fong Chi Keong] conseguimos reunir dezenas de milhares
de assinaturas em Macau, Hong
Kong, Singapura e Japão, entre outros países, sobre a tolerância zero
em relação ao assunto».
P.D.O.
LOCAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
CONHECER AS LEIS DE MACAU
Perguntas frequentes sobre o arrendamento
Tanto o proprietário como o
arrendatário encontram sempre alguns problemas em relação ao arrendamento habitacional ou de loja, não sabendo
como resolvê-los. Entre estes,
incluem-se provavelmente os
seguintes três problemas:
Durante a vigência do contrato de arrendamento, poderá o proprietário proceder
unilateralmente ao aumento
da renda?
Alguns proprietários pretendem aumentar a renda antes do
termo do prazo do contrato de
arrendamento. Nos termos do
Código Civil, durante a vigência
do contrato de arrendamento,
geralmente, o proprietário e o
arrendatário só podem proceder ao aumento da renda mediante acordo entre ambos.
O acordo para aumentar
a renda pode ser realizado
por acordo prévio ou posteriormente. Há acordo prévio
quando se estipula o aumento
da renda no momento de celebração de contrato de arren-
CARTOON
damento. Quanto ao acordo
posterior, este existe quando o
aumento da renda não consta
do contrato de arrendamento, podendo ambas as partes
proceder por meio de negociação posterior ao acordo para
aumentar a renda. Portanto,
na falta de cláusula contratual
relativa ao aumento da renda,
se o proprietário pretender
aumentar a renda, só poderá
fazê-lo por meio de negociação
posterior, havendo aumento da
renda apenas após a obtenção
do consentimento do arrendatário. Se não houver qualquer
aumento da renda convencionada, o proprietário não pode
proceder unilateralmente ao
aumento da renda de harmonia com o aumento das rendas
no mercado, no momento da
vigência do contrato.
Se o proprietário aumentar
a renda, o valor da actualização
da renda terá um limite?
Independentemente da negociação para aumento da
renda durante a vigência do
contrato, ou da actualização
da renda após o termo do contrato, a lei não estabelece um
limite mínimo ou máximo em
relação à proporção do aumento da renda, dependendo este
inteiramente do acordo das
partes, ou seja, do acordo entre
o proprietário e o arrendatário.
Da mesma forma, a lei também
não estabelece um limite mínimo ou máximo em relação ao
valor da renda que é fixada no
início do contrato de arrendamento, dependendo esta do
acordo das partes.
O arrendatário recusa do
despejo após o termo do contrato, o que poderá o proprietário fazer?
Em relação ao arrendatário,
além da obrigação de pagar
pontualmente a renda mensal,
existe também a obrigação de
entregar o prédio ao proprietário após o termo do contrato. De facto, se o arrendatário
se recusar a sair no termo do
prazo do contrato, de acordo
com a lei, o proprietário pode
requerer uma acção de despejo
no tribunal.
A acção de despejo é uma
acção que se destina a obrigar
o arrendatário a desocupar o
prédio, através da qual, o proprietário, além de requerer ao
juiz que ordene o despejo do
arrendatário, pode também
pedir uma indemnização pelos danos causados pela recusa de sair do arrendatário. Se
o arrendatário não entregar o
prédio na data determinada, o
tribunal pode emitir um mandado a pedido do proprietário, com vista à execução
forçada para a devolução do
prédio.
Obs. O presente texto tem como
referência principal os artigos 1029.°
a 1044.° do “Código Civil” e os artigos
929.°, 931.° e 935.° do “Código de Processo Civil”.
Texto fornecido pela Direcção dos
Serviços de Assuntos de Justiça
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PT
MEDIA
RAUL PINEDO, JORNALISTA PERUANO
«O jornalismo latino-americano
perdeu a valentia»
JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO
Raul Pinedo destaca «a extirpação do
terrorismo no Peru e a captura de Abimael
Guzmán», líder do Sendero Luminoso.
[email protected]
XENOFOBIA E MEDO
O peruano Raul Pinedo conta a’O
CLARIM como é ser jornalista em
terra alheia. Fala-nos ainda das
suas origens sefarditas e não exclui
a possibilidade de alguns dos seus
antepassados terem ascendência
portuguesa.
Após a expulsão dos judeus da Península Ibérica, em finais do século XV, os
judeus sefarditas espalharam-se pelos
mais diversos recantos da Europa, tendo muitos deles rumado ao Novo Mundo, pois assim era conhecido o continente americano acabado de se revelar
ao homem europeu. Entre as famílias
judaicas instaladas em Curação, constavam os Pinedo. Pelos vistos, para eles
essa ilha caribenha foi mero ponto de
passagem.
«O meu avô, Luis Pinedo, nasceu em
Iquitos, a maior cidade na Amazónia peruana, que prosperou graças ao comércio da
borracha», conta Raul Pinedo. Ora, em
Iquitos, medrou desde sempre uma comunidade de cristãos-novos de matriz
portuguesa, ainda hoje activa, ao contrário de outras de diferentes origens
que, por ausência de transmissão das
tradições e costumes, seriam totalmente assimiladas.
«Famílias como a minha mantiveram-se
firmes nas suas crenças, nunca renegando
a sua herança espiritual, embora algumas
tenham optado por regressar a Israel», informa o jornalista peruano.
Mas será que Raul se considera um
homem religioso? Não propriamente,
embora, em Lima, reunisse habitualmente com elementos da comunidade
sefardita e, actualmente, no Panamá,
integra uma congregação fundada por
judeus naturais de Curação. Pinedo celebra, não obstante, o “shabat” e as festividades do calendário lunar hebraico,
e, «o mais importante de tudo», assume no
seu dia-a-dia «uma atitude judaica».
Raul Pinedo nasceu em Lima e, no
final da Escola Primária, aos doze anos,
foi morar com os seus pais para a Cidade do Panamá. Aí conclui o Ensino
Secundário e, em 1996, ingressou na
Universidade Católica Santa Maria La
Antigua, onde estudou Administração de Empresas. No entanto, como o
próprio confessa, «os números não eram
Joaquim Magalhães de Castro
a minha coisa», e, por isso, «abandonei a
corrida», em meados de 1998. Acabara
de completar dezoito anos e não tinha
a mínima qual iria ser doravante o seu
percurso profissional. Uma curta estada em Lima revelou-lhe o gosto pela
escrita. De regresso ao Panamá, já em
2000, o professor responsável pelo Círculo de Leitura da Universidade Católica, ao qual pertencia, aconselhou-o a
enveredar pelo jornalismo. «Aparentemente, tinha encontrado o meu caminho»,
admite Raul Pinedo.
Seguindo o conselho do lente, matriculou-se na Faculdade de Comunicação Social da Universidade Nacional e,
quatro anos depois, estava a trabalhar
como “freelancer”.
Foram os motivos económicos, «mais
de uma simplesmente vontade de mudar»,
que levaram os pais de Raul a procurar
novos horizontes no Panamá, um país,
à época, «com boas oportunidades de negócio», ao contrário do Peru, avassalado
por uma inflação galopante provocada
pela instabilidade política e económica
– na opinião de Pinedo – «gerada pelo
terrorismo originário dos Andes peruanos».
Curiosamente, a família abandonou
Lima aquando a eleição de Alberto Fujimori para Presidente. Durante toda
a década de 90, «esse controverso filho de
imigrantes japoneses fez uma série de reformas», no fundo, pondo em prática o
lema presidencial “Cambio 90”. Como
pontos positivos da sua governação,
Até há bem pouco tempo ser jornalista
estrangeiro no Panamá era algo de bastante normal. As condições de trabalho e os
benefícios eram iguais para todos os membros da classe, nacionais ou estrangeiros.
«Quem escrevesse bem, logicamente conseguia
algum destaque, garantindo uma posição promissora na agremiação», acrescenta Raul.
Porém, tudo isso mudou nos últimos anos
devido às «diatribes xenófobas» presentes
nos discursos de alguns dos políticos do
País, geradoras de sentimentos de inveja
em todos os sectores da sociedade. O jornalismo, como é óbvio, não foi excepção.
Após cinco anos de vivência no estrangeiro, Raul Pinedo, no seu regresso ao
Panamá, foi confrontado com essa crescente onda de xenofobia. «Aos jornalistas
estrangeiros fecham-lhes agora as portas, alegando que as vagas disponíveis são para os
panamianos ou que a cota para recrutamento
estrangeiro foi já excedida», diz.
Obviamente, o jornalismo na América Latina, apesar das diferenças geográficas, tem pontos de contacto, mas que
se assemelham, e muitos outros que se
distanciam. De uma forma geral, peca,
no entender de Raul, por «um excesso de
complacência». E exemplifica: «No Perú,
sempre que o actual Presidente da República,
Ollanta Humala, se sente incomodado face
a uma determinada pergunta, não hesita em
mandar calar – literalmente – o jornalista. E
o curioso é que este não só não insiste, como
baixa o olhar e muito obedientemente se cala».
No Panamá, por sua vez, impera a
hipocrisia. Ao longo de toda a administração de Ricardo Martinelli (ex-Presidente da República) nenhum jornalista
se atreveu a questioná-lo. As perguntas
eram dirigidas aos responsáveis pelas Relações Públicas. Contudo, agora que está
afastado do poder, os jornalistas caem
sobre Martinelli quais lobos famintos.
«Se o jornalista não questiona, qual é então a razão da sua existência?», pergunta
Raul Pinedo. Segundo ele, o actual jornalismo latino-americano atravessa uma
profunda crise. Na verdade, «perdeu a
sua valentia, rendendo-se completamente aos
interesses económicos». Não se fala aqui de
jornalismo ideológico, «antes da total manipulação das noticias por parte dos próprios
anunciantes», sendo esse o problema
mais grave «enfrentado pela agremiação hoje
em dia», tanto na América do Sul como
nos países do Caraíbe.
DESPORTO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
FÓRMULA 1 – ÉPOCA DE 2015
Hulkenberg vence Le Mans
MANUEL DOS SANTOS
Qualquer pessoa com um mínimo de interesse no desporto
automóvel está ciente das dificuldades com que a Fórmula 1
se tem debatido desde o início
do segundo decénio do século
XXI, enfrentado crise após crise, e muitas delas não são mais
do que o seguimento da crise
anterior mal resolvida ou apenas contornada. Confrontando-se com uma incrível dificuldade em arranjar soluções, as
entidades mais ou menos oficiais, e mesmo a própria FIA
- Federação Internacional do
Automóvel, recorrem actualmente a pesquisas de opinião
pelo mundo fora. O problema é que embora as respostas
sejam apreciadas e atendidas
quando razoáveis, as perguntas de quase todos os inquéritos conhecidos repetem-se, o
que no final não nos dá uma
visão alargada das possíveis soluções nascidas dessas pesquisas. Proceder-se a quatro pesquisas, umas atrás das outras,
apenas alterando a colocação
das perguntas, sem qualquer
criatividade, não deverá ser o
melhor para captar as ideias
das milhares de pessoas consultadas. Uma vez mais a confusão e falta de ideias inovadoras deverá resultar em pouco
mais do que um aglomerado
de respostas, repetidas, sendo
que muito poucas poderão ser
aproveitadas.
A Fórmula 1 cresceu demais, deixou de se preocupar
com o interesse dos espectadores, tanto de bancada como
televisivo, ao afastar-se dos circuitos tradicionais. A resposta
ouvida a esta iniciativa, feita
por alguns comentadores, de
que o resto do mundo também tem direito a ter corri-
das de Fórmula 1, é ridícula.
Esquecem-se que a maioria,
a esmagadora maioria dos espectadores, não tem possibilidades – financeiras e outras
– de se deslocar pelo mundo
fora para ver as corridas, o
que não corresponde ao ideal
da Fórmula 1 dos primeiros
45/50 anos.
O resultado de inovações
apressadas, alterações constantes aos regulamentos e
tentativas falhadas de se implementar ideias sem pés nem
cabeça, são problemas a juntar aos já existentes. Cada vez
mais cara, com carros que não
agradam aos espectadores,
mais lentos em cerca de 6/7
segundos por volta, as multidões escasseiam cada vez mais.
E multidões é o que não falta ao Campeonato do Mundo
de Endurance (Resistência),
com um calendário comedido
de apenas oito provas – a “velhinha” 24 Horas de Le Mans
mais sete provas de seis horas.
Multidões que se viram no
passado, desde que as provas
de “endurance” começaram,
muito antes da Fórmula 1 e
dos Carros de Grande Prémio
anteriores às Grandes Guerras, continuam fiéis ao longo
dos tempos. Não que as corridas de resistência não tenham
problemas, e por vezes graves,
como o brutal acidente das 24
Horas de Le Mans em 1955,
ou as corridas mono-marca
do início dos anos 90, onde
por falta de interesse das outras marcas apenas a Peugeot
apresentou carros na única
prova desse tipo no Circuito
de la Sarthe.
Organizada pelo Automóvel
Clube do Oeste (Automobile Club de l’Ouest) a edição
deste ano (a 83ª) foi ganha
por uma equipa integrada por
um piloto da actual fórmula
1, Nico Hulkenberg, que entrou para história da prova ao
vencê-la na primeira tentativa.
Há muitos pilotos que já ali-
nharam incontáveis vezes nesta mítica corrida sem terem
sequer chegado perto dos lugares do pódio, apesar de utilizarem carros altamente competitivos. Sem consultarmos
qualquer livro ou arquivo,
vem-nos à memória o nome
de Mário Andretti, que venceu
tudo o que havia para vencer
nos Estados Unidos, foi Campeão do Mundo de Fórmula 1,
mas nunca conseguiu vencer
na “corrida mais longa”.
O único piloto a conseguir
vencer a tripla coroa, (Indianápolis, Mónaco e Le Mans)
foi o inglês Graham Hill, que
não se contentou em vencer
apenas uma vez no Principado do Mónaco, repetindo a
proeza mais quatro vezes. Hill
foi Campeão do Mundo de Pilotos por duas vezes, venceu
a famosa Indy 500 em 1966, e
Le Mans em 1972.
Por parte dos pilotos portugueses em Le Mans, só Pedro
Lamy se destacou até agora,
de entre uma mão cheia de
nomes. Este ano – pensa-se
que por não ter percorrido
uma distância suficiente – a
equipa de Pedro Lamy não se
classificou, apesar ter terminado a corrida com 321 voltas. Ainda assim, o piloto português lidera a classe LMGTE,
com duas vitórias no Mundial
de Resistência. Em Le Mans,
Lamy já conseguiu três segundos e um terceiro lugar na
classe rainha, a LMP1.
No passado fim de semana
mais quatro pilotos lusos integraram equipas que disputaram a corrida de resistência
francesa em diversas classes
de veículos. O melhor classificado, com um óptimo sétimo
lugar na classificação geral, foi
Filipe Albuquerque. Os portugueses classificados foram Rui
Águas, na 26 ª posição da geral num Ferrari Italia da classe LMGTE, e João Barbosa na
32ª posição da geral com um
Ligier JS P2 da classe LMP2.
Tiago Monteiro foi excluído
por ter efectuado apenas 260
voltas ao circuito, que tem um
perímetro de 13,629 quilómetros, sendo que a volta mais
rápida foi estabelecida por
um Audi no ano passado em
3 minutos, 17 segundos e 475
milésimas.
Le Mans é o maior circuito
do mundo com uma capacidade para 120 mil espectadores
na recta da meta. Desta vez assistiram à corrida cerca de 230
mil pessoas. Se compararmos
com a Fórmula 1, só há uma
resposta: Não há comparação!
Por falar em Fórmula 1, esta
regressa já este fim de semana
à Europa, para o Grande Prémio da Áustria, no Red Bull
Ring, na cidade de Spielberg
– terreno propício aos Mercedes, mas onde os Ferrari e talvez os Williams tenham uma
palavra a dizer.
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ENTREGUE ESTE CUPÃO NAS BILHETEIRAS DO CINETEATRO DE MACAU
#$34567893
DATA DO SORTEIO: 25 DE JUNHO DE 2015
OPINIÃO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
O L H A N D O
E M
R E D O R
Nova Revolução Cultural
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
N
o meu tempo de criança, quando residia
em Portugal, tive a
oportunidade de assistir à série
“Os novos heróis de Shaolin”,
que passou na RTP entre 1986
e 1987. Apesar de ser uma
produção de Hong Kong, o
enredo transportou-me para
uma China imaginária (porque
nada dela conhecia), onde
na flor da minha inocência
a solidariedade e cumplicidade entre pessoas com ideais
comuns levaria a um “mundo
melhor”, numa luta do bem
contra o mal.
Embora sem ter consciência disso, pois estava longe de
saber que o meu destino seria
viver no continente asiático, sei
agora que terá sido por tamanha infelicidade que não houve
continuidade neste tipo de
“aculturação” televisiva sobre o
Império do Meio.
O que entrava lá em casa era,
essencialmente, desenhos animados japoneses, americanos
e produções franco-japonesas,
entre as quais, “Conan, o rapaz
do futuro”, “He-Man”, “Ulysses
31”, “Era Uma Vez... o Espaço”
e “Tartarugas Ninja”, sem
esquecer as séries americanas
“Battlestar Galactica”, Espaço
1999”, “Buck Rogers no Século
25”, “MacGyver”, “Soldados da
Fortuna” e “O Justiceiro” (do
famoso Kitt), entre outras.
A poderosa indústria de
Hollywood moldou sobremaneira a minha forma de
pensar desde a infância até
à idade adulta, ao impregnar-me com estereótipos
desajustados da realidade.
Um claro exemplo foi saber
que houve uma guerra no
Vietname e pensar que os
Estados Unidos saíram vencedores, quiçá pelo que me
ficara gravado na memória
sobre os filmes “Rambo II” e
“Bom Dia, Vietnam”, magistralmente interpretados por
Sylvester Stallone e Robbie
Williams, respectivamente.
Todavia, descobri mais tarde
que os soldados americanos
tiveram uma humilhante derrota no Vietname (e foram os
principais responsáveis pelo
florescimento do maior centro
de prostituição no mundo, em
Pattaya, Tailândia).
Quando vi pela primeira
vez “Rambo II” e “Bom Dia,
Vietnam”, tinha entre 14 e 16
anos, pouco conhecia o mundo
e nada sabia da China... a não
ser pelo que visionava nuns
filmes de “kung-fu”, em cassete
“Beta”, que um amigo eximigrante na África do Sul me
emprestava de vez em quando.
VOLTE-FACE
A República Popular da
China é hoje uma importantíssima potência mundial com
grande peso na Comunidade
Internacional. Lidera muitos
sectores à escala planetária e tem
o seu programa espacial, inclusivamente com missões tripuladas,
sendo o terceiro país a levar uma
sonda à Lua, depois da ex-União
Soviética e dos Estados Unidos.
Atingido este desiderato
com reconhecido sucesso, falta
à China dar-se a conhecer ao
mundo na vertente cultural, o
que numa primeira instância
só pode ser conseguido através
da poderosíssima indústria cinematográfica e da televisão.
Neste âmbito, não é descabido se se fundar uma espécie
de Hollywood algures em
Pequim ou Xangai, com mega
produções financiadas por
capitais nacionais para servir o
mercado internacional, sobre
as quais o resto do mundo terá
a oportunidade de conhecer
vários aspectos ainda desconhecidos da milenar civilização
chinesa.
Neste projecto convinha não
descurar as películas de teor
contemporâneo, tendo como
protagonistas actores ocidentais, alguns conhecidos do
grande público. Por fim, seria
primordial se a China criasse
os seus próprios heróis, alguns
deles ocidentalizados, por
forma a jogar uma grande cartada de afirmação mundial. Até
porque já todos conhecemos o
Homem Aranha, o Batman, o
Super-Homem, o Iron Man...
Aliada a toda esta megalomania com pernas para
andar, Pequim não deve nunca
descurar a promoção da sua
identidade cultural, através da
divulgação do que melhor tem
na arte, na música e noutras
vertentes culturais. A razão
é simples: estando o público
mundial melhor consciencializado sobre a China, certamente estará mais interessado
em descobrir o seu lado mais
cultural.
Trata-se, afinal, de se dar
a conhecer com toda a legitimidade, sem impor ditames
económicos, o que em último
recurso vai trazer-lhe ainda
mais dividendos no exterior,
por exemplo, em detrimento
da desconfiança sobre a RPC
que ainda paira na cabeça de
muitos ocidentais (e não só) a
viver no outro lado do planeta.
Uma nota: O filme “The
Bombing”, mega produção
chinesa sobre a II Guerra Mundial, tendo Bruce Willis como
estrela de cartaz, deve ser
aproveitado pela China para
se posicionar na vanguarda
da indústria cinematográfica.
Assim tenha o ensejo de fazer
boa arte!
MACAU
Macau deverá ficar descartada de qualquer papel pri-
mordial que tenha em vista
o estabelecimento de uma
indústria cinematográfica
chinesa a pensar no mundo.
A razão é simples: a ilha da
Montanha está voltada para
outros empreendimentos
e a RAEM não só luta com
falta de espaço, como tem
grande défice de sensibilidade cultural (salvo algumas
excepções).
Cumulativamente, será
descabido sediar no território uma hipotética associação cultural dos países
Lusófonos, à imagem do
Fórum Macau para as vertentes económica e cultural.
Apresento duas razões de
monta: 1 – A cultura nunca
pode ser usada como “soft
power” pela China, sob pena
de estar a perder tempo
com o que é importante.
2 – A liderança na cultura
deve ser estritamente
gizada e supervisionada
pelo Governo Central,
em Pequim. Macau pode
e deve, isso sim, partilhar
responsabilidades na
promoção cultural com a
lusofonia.
C U LT U R A
O CLARIM | Semanário Católico de Maca
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PT
MEMÓRIAS E FORTALEZAS NO
Missangas, Norte-core
JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO
[email protected]
Antes de partir para o Norte,
compete-me conhecer algumas
das pessoas intimamente ligadas
à Ilha de Moçambique e que ao
longo processo lhe permitiria
obter a distinção Património da
Humanidade, em 1993. Uma dessas
pessoas é Luís Filipe Pereira, colega
de cátedra do reputado historiador
Joaquim Romero Magalhães e
actual presidente da Associação dos
Amigos da Ilha de Moçambique.
«–VAIS à Ilha?». Os moçambicanos nunca
acrescentam a palavra Moçambique quando se referem à ilha que durante séculos
foi refúgio vital, centro administrativo,
atalaia de um estreito que dava acesso ao
mundo efabulado das Índias. Luís Filipe
Pereira considera a sua terra natal a jóia
da coroa do País. Pede-me, por isso, que
não fique mal impressionado com os aspectos menos agradáveis do local, como,
por exemplo, o casario a degradar-se, ano
após ano.
«– Um olhar mais atento revelar-lhe-á agradáveis surpresas», diz. E convida: «– Não
hesite em entrar nos pátios interiores de algumas das casas para apreciar belos pormenores
de arte indo-portuguesa ou arcos em ogiva de
clara inspiração manuelina».
As missangas que a correnteza arrasta
do fundo dos porões dos barcos naufragados até à praia de areia fina são um dos
produtos locais que os jovens locais tentam vender aos turistas.
«– Traziam-nas os portugueses da Índia»,
explica o professor. Originárias de diversas realidades geográficas como o Afeganistão ou a Pérsia, eram mandadas vidrar
em Veneza e só depois integradas nos
“tesouros” destinados aos chefes locais.
Os mercadores tentavam dessa forma impressionar os nativos, testando-os simultaneamente, pois esperavam que em troca
lhes disponibilizassem ouro ou qualquer
pista que os conduzissem ao apetecido
metal precioso.
«– E quando acabará esse enorme manancial de missangas?», questiona o incansável
Matteo.
Acabará um dia, como tudo. Por ora,
garante Luís Filipe Pereira, há ainda muita missanga. Segundo ele, estarão submersas no canal de Moçambique dezenas e
dezenas de embarcações, pois já os textos
antigos alertavam para a perigosidade do
local, muito semelhante, no seu desenho
FOTOS | Joaquim Magalhães de Castro
geográfico, ao canal que separa Malaca da
ilha da Samatra. Muitas dessas missangas
são directamente desenterradas da areia,
por pás e picaretas mais empreendedoras.
«– Se visitar os museus ficará agradavelmente surpreendido», atira Pereira.
A questão da venda das missangas leva-nos forçosamente à questão do saque ao
património, triste realidade nos últimos
anos. Fala-se, por exemplo, de alguns abusos por parte de uma empresa cubana de
arqueologia subaquática sedeada na Ilha,
mas o meu interlocutor refuta por completo qualquer suspeita nesse sentido.
Recorramos a um lugar-comum, para
mim modus operandis, cartilha de bolso: as pessoas são aquilo que há de mais
importante no cardápio disponibilizado pelas viagens. A mesma opinião terá
Sara Sousa Teixeira, arquitecta e perita em arte, membro da Associação dos
Amigos da Ilha de Moçambique. Chama-me a atenção para os personagens
típicos da Ilha que «com certeza irá encontrar». É o caso do carteiro «que veste
sempre de azul ou cor-de-rosa e transporta a
correspondência numa mochila quase desfeita, de tão velha».
NORTE-COREANOS A BORDO
Ainda mal-refeito desta ablução de novidades, eis-me de novo no aeroporto de
Maputo, com vista para a pista. Ou melhor dizendo, com terraço no primeiro
andar onde crianças de olhos iluminados
e encarapinhados motivos geométricos a
pentear-lhes o cabelo vêm ver os aviões
pousar e levantar. O aeroporto do Funchal também é assim, só que ali o Atlântico está mesmo ao pé e há um horizonte montanhoso como barreira natural;
enquanto neste paralelo, é o Índico o
responsável pelo constante banho ao litoral de perfil suave, e, para o interior,
estende-se um imenso país que me é desconhecido.
As aeronaves estão a uns meros passos
de distância, não sendo por isso necessário qualquer transporte adicional.
Antes da partida dou-me ao luxo de
bebericar uma cerveja “Manica” abrigado
por um gigantesco guarda-sol observando
o pessoal do abastecimento de comestíveis
e bebíveis (sei que é mais fino dizer “catering”, mas recuso fazê-lo) e os da limpeza
e manutenção que efectuam as indispensáveis afinações no aparelho Boeing das
Linhas Aéreas Moçambicanas com destino a Pemba, com passagem por Nampula.
Isto, claro, depois de efectuado o devido
registo do voo na companhia dos restantes passageiros: cidadãos moçambicanos,
de estirpe africana e indiana, três chineses e um grupo de seis norte-coreanos,
dois homens e quatro mulheres, duas
delas com um broche com a imagem do
querido líder Kim Il Song espetado na
camisa à altura do seio esquerdo. Não
vale a pena tentar estabelecer contacto
visual com estas criaturas, com as quais
muito raramente deparamos, e só em locais específicos como a China, Mongólia
ou até Macau. Parecem ter sido programados para não mostrar qualquer emoção e evitar o contacto com quem quer
que seja oriundo de outra realidade política alheia à nação mais isolada do plane-
au | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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C U LT U R A
PT
O LESTE DE ÁFRICA – PARTE 2
eanos e Moçambola
ta. Mesmo o norte-coreano que trata dos
bilhetes, exprimindo-se num Português
sem mácula, limita-se ao essencial. Meia
hora mais tarde, já no momento do embarque, consigo arrancar um breve sorriso de uma das moças, o que considero
uma verdadeira vitória.
Entre os passageiros, apercebo-me
entretanto da presença de outros dois
europeus, ambos envolvidos em projectos agrícolas no País. Aproveitam as alargadas férias da Páscoa para desfrutar de
uma das mais belas praias do mundo –
pelo menos é isso o que se diz a respeito
dos areais brancos e do azul cristalino das
águas que banham o litoral norte moçambicano. Infelizmente, ficar-me-ei apenas
pela ilha que deu o nome ao País, pois o
tempo que tenho à minha disposição não
dá para mais.
OS ZIGUEZAGUES DO LIMPOPO
Sentado na fila 19 da aeronave da LAM
observo através da portinhola circular os
meandros do rio Limpopo no seu zigue-
zaguear, uma vez ultrapassados os refugos
suburbanos que adicionam aos dois milhões de habitantes registados oficialmente em Maputo algumas outras centenas
de milhar, pois as cidades, para desgraça
deste planeta, não param de crescer.
Atrás de mim ouço Mandarim e à minha frente um Português condimentado
a caril.
Atingida a velocidade de cruzeiro, e
já com o astro rei a preparar a sua despedida, reparo que o miúdo sentado na
poltrona oposta olha extasiado – tal como
eu – para uma lua cheia que nos surge
em forma de um enorme globo laranja,
exactamente à altura da luz de presença
da asa direita da aeronave. Informa-nos o
piloto que lá fora estão 44 graus negativos
e em Nampula chove, o que me deixa de
novo sob o efeito do síndrome das condições climatéricas adversas sempre que
visito qualquer local com o intuito de o
fotografar.
Como material de leitura tenho à minha disposição os jornais O País, Savana, Notícias e ainda um exemplar da Ín-
dico, revista de bordo das Linhas Aéreas
Moçambicanas. Num artigo de opinião
de O País, Lázaro Mabunda chama a
atenção para «falência da ética e profissionalismo no jornalismo moçambicano». Uns
parágrafos adiante, colho uma inspiradora e algo optimista: «Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos
pouco pelo muito que temos».
A hospedeira responsável pelo serviço aos passageiros das últimas filas,
perfeito exemplo do secular processo
de miscigenação, é frequentemente requisitada pelos rapazes de uma equipa
da televisão estatal sentados dois lugares à frente do meu, e que em Nampula farão a cobertura de um desafio
de futebol do campeonato nacional, o
Moçambola. Já aviaram várias latas de
cer veja “2 Mahon” e umas quantas garrafinhas de dose simples de “Black Level”, provavelmente martelado. A cerveja vale trinta meticais, mas o lanche
e o chá fornecidos são suficientes para
aconchegar o estômago, até porque a
viagem não é longa.
OPINIÃO
O
N O S S O
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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PT
T E M P O
A outra Europa
CARLOS FROTA (*)
A
s relações da Rússia
com a Europa têm
decorrido com as
tensões que se conhecem.
E o recente recrudescer dos
combates na Ucrânia Oriental não vai – é o mínimo que
se pode dizer... – no sentido
da normalização.
Prevê-se já o cenário sombrio de cada uma das partes
estar servida de adversário
para muitos anos. O que
equivale a dizer que ficarão
finalmente curados, o ocidente e o oriente europeus,
da terrível orfandade de
inimigo que a ambos legou o
fim da guerra fria.
O mais recente desenvolvimento da lógica de castigar o
outro e ser castigado a seguir
é a decisão da União Europeia de vedar o acesso do
embaixador russo aos edifícios das instituições europeias
em Bruxelas.
E há sanções económicas
contra sanções económicas,
lista de indesejáveis, impedidos de viajar para o outro
destino, contraposta a lista
quase simétrica, de indesejáveis da parte contrária
– assim se vai vivendo, nesse
braço de ferro entre poderes
que se defrontam e valores
e visões do mundo que se
antagonizam.
Valores, disse? Visões do
mundo?
Pois é, a fronteira que se
foi erguendo mais recentemente entre o Kremlin e as
capitais da União Europeia
tem um desenvolvimento
não apenas administrativo ou
aduaneiro, mas cultural... e
ideológico!
O que serve perfeitamente
os desígnios de quem desejou, de ambos os lados, uma
nova e verdadeira Guerra
Fria.
Fica satisfeito o complexo
industrial-militar americano,
para quem era insuportável a
orfandade de inimigo. Com,
cada vez mais, a ajuda russa,
com a criação ideológica de
um projecto alternativo de
sociedade, fiel aos valores
europeus tradicionais, e em
confronto hoje com uma
Europa que já não é a verdadeira Europa, a dos valores
de referência, a da moral
tradicional, porque na União
Europeia se vive já num
quadro civilizacional muito
diverso, isto é, num tempo
pós-europeu.
Preservando a Rússia a
matriz antiga, defendendo a
autenticidade europeia (ou
pelo menos o discurso que a
sustenta e promove) é dotarse de um duplo argumento: o
da Rússia superior e legítima.
O Kremlin teoriza pois
para fazer crer não só na sua
diferença, mas na sua superioridade. E apresenta o País
como o herdeiro legítimo
da civilização europeia de
pendor universal, contrapondo-se a uma Europa que
perdeu a bússola e que é já
pós-europeia!
E, de repente, esbatem-se
as acusações de expansão territorial à custa da soberania
de outros (Crimeia); ou de se
estar a fomentar uma guerra
por intermediário dos separatistas de Donetsk.
Porque uma outra legitimidade surge. E o projecto
russo transforma-se – por
milagre do discurso – no
último bastião da civilização
europeia, verdadeira, não
conspurcada pelos seus desvios das últimas décadas, no
centro do continente.
É a reedição do Sacro Império Romano-Germânico, a
suceder ao Império original,
após a ocupação e saque da
então capital do mundo.
Um poder, uma sociedade,
uma moral, pois. E uma
Igreja, a Ortodoxa, disposta,
pelos vistos, a caucionar
tudo.
Mas é preciso algo mais.
O que é? O reconhecimento
internacional desse projecto. E
Roma e a Sé de Pedro foram,
durante séculos, a instância
política onde se chegava postulante e se saía reconhecido...
Mas – engano de época...
– esta não é já a Europa em
que o Sumo Pontífice era
a instância internacional a
quem recorrer, pelos reis cristãos. Nem o Papa Francisco
se prestaria a tal papel – o
de notário de um projecto
neo-nacionalista – por mais
antecedentes que tenha tido
na diplomacia vaticana de
outrora.
PUTIN NO VATICANO.
E O PAPA NA RÚSSIA?
É no contexto de crispação
entre Rússia e Ocidente que
se insere fatalmente a visita
do Presidente Vladimir Putin
ao Vaticano, em 10 de Junho.
Poderá louvar-se a iniciativa, reduzindo a sua análise
à constatação algo simplória
de que a diplomacia russa,
de súbito, deseja a paz e está,
com esta visita, a dar passos
nessa direcção.
Mas ninguém acreditaria
nisso. E toda a gente continuaria à procura dos reais
motivos da improvável visita
do líder russo ao Vaticano.
Assim sendo, o que terá
podido querer do Papa o
Presidente Putin? Seguramente terá desejado que o
Papa sirva de mensageiro da
sua visão do mundo – no seu
entender benigna – junto dos
ocidentais, europeus e americanos incluídos. E das suas
preocupações de segurança,
insistindo os analistas em ver
nas mais recentes atitudes
russas a expressão mesma
desse “complexo de cerco”
que caracterizou os líderes
de Moscovo no passado.
Ao ouvido atento do
Pontífice não terão escapado,
entre linhas, ou melhor,
entre frases, algumas das
razões que assistem à Rússia
pós-soviética, desde o fim da
Guerra Fria.
Mas a Comunicação Social
internacional menciona a
insistência do Papa junto de
Putin quanto à necessidade
de se respeitarem os Acordos
de Minsk e da cooperação de
Moscovo para uma solução
global na Síria. Entre outros
tópicos, numa conversa que
foi longa.
O papel do Santo Padre,
decorrendo directamente do
seu múnus, é naturalmente
o de agir a favor da reconciliação entre povos e nações.
Como aconteceu no mais
recente caso de Cuba.
Aliás este caso confirma
que uma diplomacia discreta
(e sem a obsessão de daí
recolher louros) assegura
resultados bem mais duradouros do que as conversações mediatizadas e, por
isso, infrutíferas.
Em termos gerais, de que
armas dispõe o Papa como
medianeiro? A resposta
parece óbvia: a bondade
mesma das suas propostas e
iniciativas e, certamente, uma
influência decisiva na hierarquia da Igreja e das opiniões públicas que lhe estão
afectas. Um bilião e meio de
pessoas em todo o mundo.
Menos na Europa e nos Estados Unidos do que noutras
regiões do planeta...
O Vaticano tem, por seu
lado, uma agenda própria?
Claro que tem e nisso nada
há nem de escondido, nem
de repreensível : a reconciliação plena da Igreja Católica
Romana com a Igreja Ortodoxa Russa.
A questão impõe-se pois:
Com Putin no Vaticano – o
Papa Francisco na Rússia? E
por que não?
(*) Universidade de São José
LITURGIA
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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NATIVIDADE DE S. JOÃO BAPTISTA – 24 de Junho
No anúncio do Salvador
que a missão de João Baptista é preparar a
vinda de Jesus, Salvador. O EVANGELHO (Lc.,
A fim de melhor compreender a vocação de 1, 57-66. 80), que relata o nascimento de João,
João Baptista, o profeta Isaías (PRIMEIRA deixa-nos entrever a austera formação a que o
LEITURA: Is., 49, 1-6) recorda-nos a sua própria Senhor quis submetê-lo, levando-o a viver no
vocação. Por sua vez, S. Paulo (SEGUNDA deserto «até ao dia em que se deu a conhecer ao
LEITURA: Act., 13, 22-26) afirma claramente povo de Israel».
INTRODUÇÃO ÀS LEITURAS
Nascimento e missão
Hoje, na festividade de
João Baptista, a liturgia da
festa sobrepõe-se à liturgia
do XII Domingo do Tempo Comum. João Baptista
foi o precursor. Anunciado a Zacarias, que aceitou
o desafio que de Deus lhe
vinha, gerado em Isabel,
apesar da sua velhice, foi
para Maria sinal de que
para Deus não havia impossíveis. O anjo Gabriel
pôde dizer a Maria que Isabel estava já no sexto mês
da sua gravidez, aquela a
quem todos chamavam estéril.
É este menino envolvido em milagre que Deus
chama para ser o precursor do Seu Filho Jesus.
«Ele não era a Luz, mas
veio para dar testemunho da
Luz» (Jo., 1, 8).
Ele pregou a penitência
e baptizou na água, pro-
clamando que Jesus baptizaria também no Espírito.
Ele assumiu com humildade que era apenas uma voz
e, enquanto tal, era preciso
que Jesus crescesse e ele
diminuísse (cf. Jo., 3, 30).
Ele, na sua interpelação,
fez exigências a Herodes e
acabou condenado à morte na dança de Salomé e
na vingança de Herodíades. É esta figura ímpar do
precursor que a Igreja hoje
celebra.
Na Palavra de Deus,
o profeta Isaías faz por
antecipação o elogio do
precursor; depois, Lucas,
o evangelista, descreve o
nascimento de João; e,
finalmente, num maravilhoso discurso de Paulo
revela-se que Jesus é descendente de David e proclamado por João como
Salvador.
HORÁRIO DAS MISSAS
(DOMINGOS E DIAS SANTOS)
7:00 horas
7:30 horas
7:30 horas
8:15 horas
8:30 horas
9:00 horas
9:30 horas
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10:00 horas —
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10:30 horas —
11:00 horas —
11:00 horas —
—
11:00 horas —
11:15 horas —
12:00 horas —
16:30 horas —
17:30 horas —
18:00 horas —
20:30 horas —
Fátima (C).
Sé, S. Lourenço e St.º António (C).
S. Lázaro (C).
S. Francisco Xavier
Mong-Há (C).
St.º António.
Sé, S. Lourenço, N.ª Sr.ª do Carmo
Taipa (C); Fátima (C).
S. Lázaro, S. Francisco Xavier (Mong-Há),
S. José Operário (C).
St.º António (P); S. Francisco Xavier
Coloane (I, C); N.ª Srª do Carmo
Taipa (I).
Sto. Agostinho (Tagalog).
Sé (P), Hospital de S. Januário (P);
N.ª Srª do Carmo
Taipa (P).
S. Lázaro (I).
Instituto Salesiano (I).
Fátima (I).
S. Agostinho (I); Fátima (vietnamita)
S. José Operário (I).
Sé (I); S. Fr. Xavier Mong-Há (C).
S. Lázaro (P).
S. José Operário (M).
MISSAS ANTECIPADAS
17:00 horas
17:30 horas
18:00 horas
18:30 horas
—
—
—
—
—
19:00 horas —
20:00 horas —
S. Domingos (P).
S. Fr. Xavier Mong-Há (I).
Sé (P).
N.ª S.ª do Carmo
Taipa (I).
S. Lázaro (C).
Fátima (C).
ABREVIATURAS
C - Em Cantonense I - Em Inglês
M - Em Mandarim P - Em Português
FRANCISCO ASSINA 298ª ENCÍCLICA
“Laudato si”
O Papa Francisco publicou na
passada quinta-feira a encíclica
“Laudato si, sobre o cuidado da
casa comum”, 298.º documento
do género na história da Igreja
Católica.
A encíclica, grau máximo das
cartas pontifícias, tem um âmbito universal, onde o Papa empenha a sua autoridade como
sucessor de Pedro e primeiro
responsável pela Igreja Católica.
Entre os principais documentos do actual pontificado
estão a encíclica “Lumen Fidei”
(A Luz da Fé), na qual Francisco recolhe reflexões de Bento
XVI, e a exortação apostólica
“Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho).
A palavra “encíclica” vem do
Grego e significa “circular”, carta que o Papa enviava às Igrejas em comunhão com Roma,
com um âmbito universal, onde
empenha a sua autoridade primeiro responsável pela Igreja
Católica.
O Papa mais prolífico neste
tipo de cartas é Leão XIII, com
86 encíclicas – embora muitos
desses textos fossem, nos nossos
dias, classificados como Cartas
Apostólicas ou Mensagens; São
João Paulo II escreveu 14 encíclicas e Bento XVI três.
O título de uma encíclica é o
começo do texto, na sua versão
oficial em Latim, e procura, de
forma genérica, ensinar sobre
um tema doutrinal ou moral,
avivar a devoção, condenar os
erros ou informar os fiéis sobre
eventuais perigos para a fé.
Quando tratam de questões
sociais, económicas ou políticas, são dirigidas, normalmente, não só aos católicos mas
também a todos os homens e
mulheres de boa vontade, prática iniciada pelo Papa João
XXIII com a sua encíclica “Pacem in terris” (1963).
A encíclica é uma forma muito antiga de correspondência
eclesiástica, dado que na Igreja nascente os bispos enviavam
frequentemente cartas a outros
bispos para assegurar a unidade
entre a doutrina e a vida eclesial.
Bento XIV (1740-1758) rea-
vivou o costume, enviando “cartas circulares” a outros bispos,
abordando temas de doutrina,
moral ou disciplina que afectavam toda a Igreja.
Com Gregório XVI (18311846), o termo encíclica tornou-se de uso geral.
In ECCLESIA
ECLESIAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
14
PT
DUAS PERGUNTAS
O cadáver de Cristo? O braço de Cristo?
PE. JOSÉ MARIO MANDÍA
[email protected]
Falámos na última semana de
um Deus numa Trindade una.
Uma dessas três Pessoas tornou-se homem de facto. Nasceu entre nós, com um corpo e alma
humana, uma mente humana,
uma vontade humana e um coração humano.
Essa Pessoa foi (e ainda É)
Jesus Cristo.
Mas ele não se tornou apenas
Homem. Ele tornou-se em si
próprio alimento para a nossa
alma, um alimento sem o qual
não podemos viver.
Ainda no último Domingo celebrámos essa verdade da nossa
Fé, durante a Festa do Corpus
Christi (“Corpo de Cristo”) ou
do Corpus Domini (“Corpo do
Senhor”). São Paulo escreveu aos
Coríntios: «A taça do Santíssimo que
nós veneramos não é a participação no
Sangue de Cristo? E não é o pão que
partimos a participação no Corpo de
Cristo? (I Coríntios 10:16)»
Hoje desejo apenas responder
a duas perguntas que as pessoas
me fazem, com respeito à mais sagrada de todos as Santas Ofertas.
A primeira pergunta: porque
é que a Igreja, durante tantos séculos, deu a Comunhão em uma
única forma (a Hóstia Sagrada
= Corpo de Cristo), e não duas
formas (o Corpo e o Sangue).
E a segunda: porque se discute
tanto sobre a forma correcta de
recebermos a Eucaristia.
1– Porque é que recebemos
o Corpo e não o Sangue? Bem,
deixem-me perguntar-vos: quan-
do o padre distribui a Comunhão o que ele diz? “O Corpo de
Cristo!”. A questão que se põe: É
“O Corpo de Cristo” um corpo
vivo, ou um cadáver? Eu penso
que é um corpo vivo, porque de
outra forma o padre deveria dizer “A carcaça de Cristo” ou “O
cadáver de Cristo”. E como se
sentiriam ao comer um cadáver?
Assim, se é um corpo Vivo e não
um cadáver, então tem que ter
sangue. Não?
O “Corpo de Cristo” não é
apenas o Corpo de Cristo, mas
também o Seu Sangue, a Sua
Alma, o Seu intelecto, o Seu
Coração, e mais a Sua Natureza
Divina. É Jesus a 100%. Verifiquem o número 282 do Compêndio do Catecismo da Igreja
Católica, e os números 1373 a
1375 do Catecismo.
2– Porque se discute tanto
sobre a forma correcta de receber a Comunhão? Vejam o que
o Compêndio nos ensina. Ele
pergunta-nos: “O partir do pão
divide Jesus em pedaços?” E responde: “O partir do pão não divide Cristo em bocados. Ele está
presente todo inteiro em cada
uma das espécies eucarísticas e
em cada uma das suas partes”
(Compêndio do Catecismo 284).
Nunca vos aconteceu que durante a Comunhão o padre verifique
que não tem hóstias consagradas suficientes para distribuir
a todos os fiéis? E, neste caso, o
que ele faz? Ele divide as hóstias
em partes mais pequenas. Mas
ao distribuir as hóstias partidas
será que ele diz, por exemplo,
“O braço de Cristo?”, ou “O pé
de Cristo?” Não! Ele insiste em
dizer: “O Corpo de Cristo”. Jesus
Cristo meu Senhor e Salvador,
meu Criador e Redentor... e sendo assim como é que me deverei
comportar? Deverei considerar a
hóstia consagrada como um porco assado ou um punhado de batatas fritas? Ou talvez, eu pecador
e pobre miserável que sou, deva
antes cair de joelhos?
(Tradução: António R. Martins)
FAMÍLIA E FÉ
Existe alguma educação neutra?
PE. RODRIGO LYNCE DE FARIA (*)
«QUERO para o meu filho uma educação neutra, livre de influências que
são sempre perniciosas. Ele tem de
descobrir por si mesmo o que está bem
e o que está mal. Desse modo, nunca
será manipulado por ninguém. Nem
pela Igreja, que continua a ensinar
hoje em dia umas ideias passadas de
moda. Que exagero! Estamos em pleno século XXI! Abertura, compreensão, cedência nos ensinamentos que,
se foram úteis no passado, agora têm
de se adaptar aos novos tempos. Senão, ficam obsoletos. A doutrina da
Igreja – desculpe a minha sinceridade – é composta por uns princípios
que já ninguém entende, já ninguém
acredita, já ninguém vive».
São palavras de um pai de família quando lhe perguntaram
se queria ou não que o seu filho tivesse aulas de religião na
escola. Penso que contêm uma
grande quantidade de chavões
muito comuns hoje em dia.
Comecemos com uma pergunta: existe alguma educação
que seja neutra? Não. Não existe.
A neutralidade educativa é uma
ilusão. Se os pais não educam,
outros o farão no seu lugar: a
sociedade, o ambiente, os meios
de comunicação. E atenção: esses “educadores” possuem uma
influência enorme que nunca
– absolutamente nunca – é uma
influência neutra.
Então, isso quer dizer que os
pais devem transmitir valores cristãos aos filhos? Claro que sim. A
fé e a moral cristã não estão nada
obsoletas – muito pelo contrário!
Renovam o ser humano porque
lhe revelam a sua autêntica grandeza e o seu verdadeiro destino.
São a chave da sua verdadeira felicidade já nesta Terra. Libertam os
filhos da amargura de uma existência sem Deus. Uma existência
sem sentido. Uma existência de ir
andando não se sabe muito bem
para onde nem porquê.
Uma existência que acaba por
absolutizar o momento presente
procurando satisfazer todos os
desejos – é impossível – hoje e
agora. É o encontro com o amor
de Deus – diz o Papa Francisco –
que nos resgata da nossa auto-referencialidade. De vivermos centrados em nós próprios como se
fôssemos o centro do Universo. E
se os filhos são conscientes desse
amor, entendem a temperança, a
veracidade, a lealdade, a pureza,
a honestidade não como valores
obsoletos, mas como respostas ao
amor de Deus por nós.
Se os pais transmitem valores
que vivem, os filhos entenderão
que o amor de Deus por nós
pode ser exigente – mas nunca
é opressivo! É sempre libertador. Como diz J. Lorda, «nós admiramos aquilo que tem perfeição,
serenidade, domínio, força. Maravilhamo-nos pelo voo majestoso de
uma águia, mas não pelo voo desajeitado de uma galinha».
Deus, quando nos exige, revela-nos que fomos criados para
voar alto, como as águias. Não
como as galinhas. É uma exigência que procede do Seu amor,
não do desejo de nos roubar a
felicidade. É uma exigência –
aprendemos isso com os nossos
pais – que nos faz felizes.
(*) Doutor em Teologia
ECLESIAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
PT
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A PRESENÇA EUCARÍSTICA DE JESUS
O Corpo de Cristo
VÍTOR TEIXEIRA (*)
[email protected]
O Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpo de Cristo apenas (Corpo de Deus),
quando não Corpus Christi, é uma festa católica, uma “festa de guarda”, ou
seja, de participação obrigatória na Santa Missa do dia. Corpus Christi é a expressão latina para a festa, pela qual é
conhecida em muitos países fora do espaço lusófono. Realiza-se na quinta-feira
seguinte ao Domingo da Solenidade da
Santíssima Trindade.
A origem da Solenidade do Corpo e
Sangue de Cristo é relatada desde o século XIII. Tudo começou numa revelação de uma visão, em 1208, por parte de
uma monja agostinha, Juliana de Mont
Cornillon (1193-1258), ao arcediago Jacques Pantaleón (1195-1264), cónego do
Cabido da diocese de Liége, na Bélgica.
Ora bem, aquele cónego seria mais tarde, em 1261, eleito Papa, com o nome
de Urbano IV. A revelação era a de que
a dita monja tivera visões de Jesus Cristo,
em que ele lhe revelara o desejo de que
o mistério da Eucaristia fosse celebrado
de forma mais expressiva e universal. Já
Papa, corria o ano de 1263, no Verão,
o Papa Urbano IV, em Orvieto, Itália,
onde estava a sua corte papal, tomou
conhecimento de um milagre ocorrido
em Bolsena, uma pequena cidade do
Lázio, Itália, na diocese de Viterbo. Esse
acontecimento ficou conhecido como o
Milagre Eucarístico de Bolsena.
Um sacerdote da Boémia, Pedro de
Praga, que tinha dúvidas quanto à real
presença de Cristo na hóstia e vinho
consagrados, tinha ido a Roma, orar no
túmulo de São Pedro, para tentar esclarecer e afastar de si as dúvidas. No regresso, naquele Verão de 1263, parara em
Bolsena, quando as dúvidas voltaram.
Eis então que, enquanto celebrava missa
na igreja de Santa Cristina, no momento
da elevação, viu sangue pingar da hóstia
sobre si, aquando da fracção. Surpreso
e atemorizado, saiu a correr para a sacristia, mas o sangue que escorrera para
cima do corporal (pano onde se apoiam
o cálice e a patena durante a missa), caía
no chão e nas escadas do altar. Dali fora
a Orvieto, para tudo relatar a instâncias
que fizessem chegar ao Papa a notícia
do acontecimento maravilhoso.
Urbano IV, logo sabendo do milagre,
ordenou alguns meses mais tarde que
os objectos milagrosos fossem trasladados para Orvieto, ordenado para tal se
fizesse grande procissão para o efeito.
Estava-se no dia 19 de Junho de 1264,
quando as relíquias daquele milagre foram recolhidas solenemente pelo Papa e
depositadas na catedral de Santa Prisca,
em Orvieto. Assim se realizou a primeira
procissão do Corpo Eucarístico de Jesus
Cristo, tanto quanto sabemos. A festa do
Corpo de Cristo foi oficialmente instituída por Urbano IV com a publicação
da bula Transiturus em 8 de Setembro
de 1264, mandando que fosse celebrada na quinta-feira depois da oitava de
Pentecostes. Numa quinta-feira porquê?
Porque a Eucaristia foi celebrada pela
primeira vez na Quinta-Feira Santa, logo
a Solenidade do Corpo de Cristo se deve
celebrar sempre naquele dia.
Mas que se fizesse com dignidade,
solenidade e para maior louvor de Jesus Cristo, ordenou o Papa. Assim, para
maior esplendor da solenidade, Urbano IV recomendou que se criasse um
Ofício para ser cantado durante a cele-
bração. Escolheu-se mais tarde um Ofício e missa próprios para a solenidade
compostos por São Tomás de Aquino,
OP, intitulado de Lauda Sion (“Louva
a Sião”), incluindo outros hinos e sequências, como o Pange Lingua (com a
sua parte final Tantum Ergo), Panis Angelicus, Adoro te devote ou o Verbum
Supernum Prodiens.
O cântico deste Ofício, curiosamente,
mantém-se até aos dias de hoje nas celebrações do Corpo de Cristo. Por outro
lado, procurou-se desde sempre, neste
esforço de esplendor da solenidade, que
se providenciasse uma procissão «para
testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia,
principalmente na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo», conforme recomenda o Código de Direito Canónico (cânone 944),
que recorda também que o prelado da
diocese não se deverá ausentar da mes-
ma nas datas em torno da festa do Corpo
de Cristo. Em 1311, no Concílio de Vienne (França, 1311-12), o Papa Clemente
V definiu as regras para regular o cortejo processional da festa no interior dos
templos e até o lugar que as autoridades
deveriam ocupar na procissão pública, o
que afere da importância e solenidade
que cedo ganhou o Corpus Christi.
Neste incremento de solenidade, João
XXII introduziu em 1316 a Oitava com
exposição do Santíssimo Sacramento,
mas seria Nicolau V a conferir o esplendor que a festa ganharia até aos dias de
hoje, principalmente na sua vertente
mais urbana, a partir do momento em
que a procissão, com o próprio Papa,
saiu à rua em Roma, em 1447, para
gáudio da grande multidão de fiéis que
acorreu a participar no cortejo, criando
uma tradição, que saía agora dos templos e ganhava as ruas. Na actualidade o
Corpus Christi é celebrado 60 dias após
a Páscoa, podendo cair, deste modo, entre as datas de 21 de Maio e 24 de Junho.
O Papa faleceria pouco tempo depois, em Outubro de 1264, recorde-se,
poucos dias depois da publicação da
bula, o que retirou força a este. Mas não
desapareceu e deixou sementes. Na Alemanha, por exemplo, de onde irradiou
a partir de Colónia, ainda antes de 1270,
passando depois para França e daí à
Itália, conhecendo-se a festa em Roma
pelo menos desde 1350. Alguns historiadores, na sequência da visão de Juliana,
apontam o começo da festa do Corpo de
Deus ainda antes daquele milagre eucarístico de Bolsena. Referem que a religiosa promoveu a festa logo em 1208.
Todavia, apontam a data de 1246 para o
início da celebração, na diocese de Liége, na Bélgica.
O Corpo de Cristo continua a ser festejado em todo o mundo católico, ainda
que em muitos países se tenha deixado
de reservar o dia feriado para o efeito,
mas sem que se tivesse retirado esplendor e sentimento a esta solenidade de
grande relevância religiosa e mesmo
cultural e social. A procissão do Corpo de Cristo numa custódia continua a
atrair fiéis e não crentes, numa forma da
Igreja sair às ruas e abraçar o mundo, na
celebração do mistério da Eucaristia, do
sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo, recordando também a caminhada do povo de Deus, peregrino, em
busca da Terra Prometida. Antes o povo
peregrino fora alimentado com maná,
no deserto, depois, com a instituição da
Eucaristia o povo, é alimentado com o
próprio corpo de Cristo.
(*) Universidade Católica Portuguesa
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
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R OTA D O S 5 0 0 A N O S
Chegados a Bequia
JOÃO SANTOS GOMES
[email protected]
É
com um misto de prazer
e descontentamento que
vos digo que já estamos
nas Granadinas, mais propriamente na ilha de Bequia. Com
prazer, por termos seguido
caminho; descontentes, por
termos deixarmos uma das
ilhas que melhor nos acolheu
até agora e onde nada faltava,
desde boa comida a bom pão.
Na semana passada explicava que deixaríamos Martinica
directamente para o sul da ilha
de São Vicente, mas já durante
o caminho mudámos de planos
e decidimos não parar em São
Vicente, vindo directamente para
esta ilha antes de seguirmos para
Sul daqui a uns dias. Na nossa
decisão pesou o facto de estar
previsto mau tempo (três ondas
tropicais consecutivas que traziam ventos fortes, muita chuva
e mar grande) e de ao pararmos
em São Vicente termos de ali
ficar vários dias, algo que não
estava planeado, devido aos ancoradouros não serem seguros. Daí
termos decidido vir directamente
para Bequia onde ancorámos em
segurança durante a noite e no
dia seguinte mudámos de local
para ficarmos mais protegidos
e mais perto da costa. É assim
que procedemos sempre que
chegamos a um local durante a
noite que não conhecemos, não
facilitando em termos de navegação. Baixamos âncora logo que
temos profundidade suficiente e,
durante a luz do dia, mudamos
para um local que seja melhor, se
tal for necessário.
A velejada de Martinica
para Sul foi – como se previa –
calma, mas sempre com ventos
fortíssimos e mar grande. Saímos depois de jantar e chegámos, no dia seguinte, mais ou
menos à mesma hora, pelo que
foram quase 24 horas seguidas de navegação, entre ilhas,
sempre acima dos seis nós de
velocidade. Para uma tripulação
como a nossa é algo muito
cansativo. Felizmente, tudo correu bem e nada se partiu.
De Martinica para St. Lucia
foram cerca de cinco horas de
vela rápida mas tranquila, visto
o mar ainda não estar muito
agitado e os ventos estarem
dentro do previsto, entre os 15
e 20 nós dentro do canal. Em
toda a ilha de St. Lucia, durante
a noite, tivemos ventos que nos
permitiram navegar a 3, 4 nós
de velocidade, algo que não
esperávamos. Era previsto usar
o motor e vela para passar a ilha
de St. Lucia e chegar ao canal
que separa esta da ilha de São
Vicente mas não foi necessário.
Na travessia deste canal, conhecido pelos seus ventos fortes
e correntes acentuadas, também não foi necessário o uso
de motor e as velas andaram
sempre risadas ao máximo.
Mesmo assim houve alturas em
que se chegou aos sete nós! Já a
travessia da ilha de São Vicente
teve de ser feita à vela e a motor
porque os ventos eram muito
fracos. A ilha é demasiado alta
e corta os ventos vindos do
Atlântico.
ESCOLHA SARDINHAS PORTUGUESAS
Quando nos aproximámos do canal que separa São
Vicente da ilha de Bequia, e
como eram apenas mais 10
milhas e a tripulação estava
desejosa de descansar e dormir, decidimos não desligar
o motor e seguir com apenas
a vela da frente levantada. A
vela ia 70 por cento aberta e o
“capitão” pensava que fosse suficiente porque o vento estava
muito fraco. Acontece que mal
deixámos de estar protegidos
pela ilha o vento começou a
entrar em rajadas tão fortes
que o nosso veleiro começou
a adornar quase 40 por cento
(tudo o que passa de 45 por
cento já mete água dentro do
barco). Isto deu-se apenas com
a vela da frente, imagino o que
teria acontecido se a vela principal estivesse também içada.
ESCOLHA
PORTHOS
Estando sozinho no leme e
a restante tripulação a tentar
dormir depois de termos jantado ainda em tempo calmo,
tentei equilibrar o barco
apontando mais ao vento e,
ao mesmo tempo, tentando
manter uma rota que nos levasse directamente ao destino.
Afinal eram apenas 10 milhas.
Felizmente o vento, apesar de
forte (sempre acima dos 30
nós), era estável e constante, o
que ajudou a manter uma rota
certa. Apesar da inclinação ser
acentuada e as ondas muito
altas, a navegação até não foi
muito desconfortável.
O barulho do barco na água
e do vento na vela, juntamente
com o barulho do motor que
ia ajudando a manter algum
equilíbrio também sempre que
o vento oscilava um pouco, era
ensurdecedor. A minha mulher, passados alguns minutos e
já com a bebé a dormir, veio ao
poço perguntar se estava tudo
bem porque se assustou com a
sensação de velocidade que se
sentia dentro do barco. Nessa
altura íamos a fazer quase nove
nós de velocidade, sendo que
a velocidade do nosso veleiro
(hull speed) é, no máximo, de
sete. Fizemos a travessia do canal em menos de 50 minutos.
Entretanto, temos estado a
descansar e a tentar esperar
que o mau tempo passe para
que possamos seguir para Sul.
Nos dias seguintes à nossa chegada vimos mais alguns barcos
conhecidos chegar também
em busca de protecção, nomeadamente um veleiro de uma
família brasileira que conhecemos em St. Anne, o Arthi.
Daqui iremos rumar mais ao
centro das Granadinas, visitando as ilhas de Canuoan, Union
e Tobago Kays. Depois Carriacou e, finalmente, Grenada.
CADERNO DIÁRIO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
18
Segunda 15
Terça 16
Império
Violência
Assistimos a uma época
em que os impérios caem
um por um. Desde o início do século XX caíram
o austro-húngaro, o alemão, o francês, o britânico, o belga, o holandês,
o português e o russo.
Agora treme visivelmente
o americano. É bem possível que neste terceiro
milénio assistamos ao desaparecimento dos impérios temporais ligados ao
racionalismo e à matéria.
Será que o padre António
Vieira tinha razão quando
escreveu a sua “História
do Futuro”, prevendo a
vinda do Quinto Império? Será que Fernando
Pessoa, o último rosa-cruz
lusitano, nos quis deixar
uma pista quando escreveu o horóscopo desta
nação, prevendo a mor-
Cerca de 27% dos jovens consideram
normal a violência psicológica no namoro e 13% legitimam a violência física, segundo um estudo realizado em
32 escolas do Distrito do Porto onde
foram inquiridos jovens entre os 11
e os 18 anos. Tudo isto prova que a
violência se está a instalar em força
entre a juventude e se tende a banalizar. A falta de valores, uma família e
uma escola que incitam à competição
pelas notas e pelo sucesso a qualquer
preço em vez de estimularem o gosto
pela aprendizagem e a criatividade, e
te de Portugal para 1978
(data significativa para a
tomada de decisão da integração de Portugal na
Comunidade Europeia)
e transmitiu esperança
no Quinto Império? Não
há dúvida, os impérios
temporais estão a desaparecer. Depois do Reino do
Pai (Antigo Testamento) e
do Reino do Filho (os dois
PT
filmes e séries que promovem a violência contribuem para tais comportamentos desviantes. Não é só o Estado
Islâmico. Estamos à beira da barbárie.
Os jovens, e não só os jovens, estão
perdidos no mundo, não encontram
sentido na vida, não têm objectivos,
daí que estabeleçam relações de dominação e de violência. Eis no que deu
o império do dinheiro e do mercado:
na selva, na lei do mais forte e do mais
manhoso, na destruição do que há de
mais belo, do amor, da arte, do conhecimento, da beleza.
milénios do símbolo dos
peixes) virá o Reino do
Espírito Santo, já o dizem
as antigas profecias. Os
habitantes de Goa, como
os do interior do Brasil,
bem demonstram que
não há necessidade da
posse territorial por uma
hierarquia estatal para salvaguardar a chama viva da
alma portuguesa.
Quarta 17
Livro
Sempre que temos de recomeçar
criativamente a subida da montanha
temos de escolher porque porta dela
vamos entrar, e portanto de que fontes
e correntes nos refrescar e inspirar.
Contemplando o céu pela manhã
cedo, meditando por algum tempo e
invocando os subtis seres, e portanto
restabelecendo as ligações entre o
céu e a terra, saberás por que porta e
caminho avançares. Assim, antes de
te decidires sente bem no coração o
que te encantará e protegerá e o que
te fará alma criativa, harmonizadora e
feliz... A “Hypnerotomachia” é um dos
mais belos livros de sempre da historia
da tipografia, cujas edições quinhentistas francesas e italianas continham
lindíssimas gravuras.
Quinta 18
Infantilização
Banca
Hervé Falciani, o informático que revelou o esquema de evasão fiscal através das contas do HSBC, em Genebra,
acusa as instituições financeiras internacionais de montagem de um modelo económico com “base” na crise e na
dívida pública. Segundo Falciani, autor
do livro “O Cofre-Forte da Evasão Fiscal”, o modelo económico do “banco
privado” baseia-se sobretudo na dívida
pública, actualmente o meio mais importante de financiamento.
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dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens
e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador
fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais
se intente buscar enganar o espectador, mais
se tende a adoptar um
tom infantilizante. Por
quê? Certamente porque
se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a
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idade de 12 anos ou menos, então, por sugestão, ela tenderá, com
certa probabilidade, a
uma resposta ou reac-
ção também desprovida
de um sentido crítico
como a de uma pessoa
de 12 anos ou menos de
idade.
ENTRETENIMENTO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 19 de Junho de 2015
19
PT
TDM Canal 1
13:00
13:30
14:30
18:20
19:10
19:40
20:30
21:30
22:10
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01:40
Sexta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Telenovela: O Astro (Repetição)
TDM Talkshow (Repetição)
Telenovela: Paixões Proibidas
Telejornal
Vingança
Telenovela: O Astro
TDM News
Cinema: Nós Por Cá Todos Bem
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
Sábado
09:25 Regatas Internacionais de Barco-Dragão
de Macau 2015 (Directo)
12:35 Telejornal RTPi (Diferido)
13:40 Regatas Internacionais de Barco-Dragão
de Macau 2015 (Directo)
17:30 Telenovela: Paixões Proibidas (Compacto)
19:00 Quem Quer Ser Milionário
20:00 Palcos Agora
20:30 Telejornal
21:10 Conta-me Como foi
22:10 Um Lugar Para Viver
23:00 TDM News
23:30 Regatas Internacionais de Barco-Dragão
de Macau 2015 (Resumo)
00:05 Pop Lusa
00:55 Telejornal (Repetição)
01:30 RTPi (Directo)
Domingo
11:00 Missa Dominical
Cinema: Nós Por Cá Todos Bem. Hoje, às 23:30 horas.
12:00
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17:45
18:10
18:45
A Hora de Baco
Especial Saúde
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
Zig Zag
Super Miúdos
Pit Stop
Pela Sua Saúde
Portugal Seis Estrelas
Decisão Final
A PARTIR DE 19/6/2015
B
Bem-Vindos a Beirais
Telejornal
Contraponto
Rios Sagrados Com Simon Reeve
TDM News
Construtores de Impérios
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
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00:40
Segunda-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi Directo
Telenovela: O Astro (Repetição)
Contraponto (Repetição)
Telenovela: Paixões Proibidas
Telejornal
TDM Desporto
Telenovela: O Astro
TDM News
O Extraordinário Mundo das Fibras
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
17:40
18:30
19:30
20:30
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22:10
23:00
Terça-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Telenovela: O Astro (Repetição)
TDM Desporto (Repetição)
Telenovela: Paixões Proibidas
Telejornal
TDM Entrevista
Viver é Fácil
Telenovela: O Astro
TDM News
23:30 Portugal Aqui Tão Perto
00:30 Telejornal (Repetição)
01:00 RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
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20:30
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21:40
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00:35
Quarta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Telenovela: O Astro (Repetição)
TDM Entrevista (Repetição)
Telenovela: Paixões Proibidas
Telejornal
Montra do Lilau
Literatura Agora
Telenovela: O Astro
TDM News
Com Ciência
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
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19:10
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22:10
23:00
23:30
00:05
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Quinta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Telenovela: O Astro (Repetição)
Montra do Lilau (Repetição)
Telenovela: Paixões Proibidas
Telejornal
TDM Talk Show
Endereço Desconhecido
Telenovela: O Astro
TDM News
A História Com Fernando Rosas
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
C
A PARTIR DE 19/6/2015
SALA 1
SALA 2
JURASSIC WORLD
SPL 2:
A TIME FOR CONSEQUENCES
14:30 | 16:45 | 21:30
19:15 (3D)
14:30 | 16:45 | 19:15 | 21:30
Um filme de: Cheang Pou-soi
Com: Tony Jaa, Louis Koo, Simon Yam, Wu Jing, Zhang Jin
Língua: Falado em Cantonês/Mandarin, com legendas em
Chinês e Inglês
Um filme de: Colin Trevorrow
Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan
141
19:40
20:30
21:00
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23:00
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A PARTIR DE 19/6/2015
B
B
A PARTIR DE 19/6/2015
SALA 3
SALA 3
THE LAST FIVE YEARS
SAN ANDREAS
14:15 | 16:00 | 17:45 | 21:30
19:30
Um filme de: Richard Lagravenese
Com: Anna Kendrick, Jeremy Jordan
Um filme de: Brad Peyton
Com: Dwayne Johnson, Kylie Minogue, Carla Gugino
TEMPO
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SOL
28º Min. - 33º Máx.
20 | ÚLTIMA | SEXTA - FEIRA | 19 - 06 - 2015
Rua do Campo, Edf. Ngan Fai, Nº 151, 1º G, MACAU
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O índice de temperatura é Amarelo ( Quente ).
Céu pouco nublado intervalado de períodos de muito
nublado. Vento na escala Beaufort 3 a 4 de sul a
sudoeste. Humidade relativa entre 60% e 90%.
O índice UV máximo previsto é de 11,
classificado de Extremo.
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COSTA DA MEMÓRIA
Ceuta versus Macau
JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO
[email protected]
A reivindicação de uma cristandade
antiga em Ceuta foi o argumento de
peso que levou o “cruzado” D. Henrique
a mover mundos e fundos para retomar
essas terras às sucessivas dinastias muçulmanas sucessórias ao Cristianismo. Com
a ajuda, claro, de uma pragmática burguesia nascente que via no norte de África uma fonte de novos mercados. Mas
antes da retomada do Infante, tentativas houve, insanas, da parte de monges
franciscanos espanhóis que acabariam
transformados em mártires.
E se no estertor do mundo medieval eram o ouro e o espírito de cruzada (bem expresso no mito do reino do
Preste João) os motores dos visionários
e tresloucados que ficaram para a história, a mim movia-me, acima de tudo,
esta mania de me sentir feliz sentindo-me estranho em terra alheia; mas também a consciência da necessidade de
resgate daquilo que permanece – por
mais desenquadrado que o termo possa
aqui parecer – e nunca é apenas pedras
e algumas palavras como alguns querem
fazer acreditar, passando distraidamente
pelos locais onde fomos ficando ao longo dos séculos.
O local onde foi descoberta, em meados dos anos 70 do século passado, a basílica tardio-romana, seria transformado
num moderno museu subterrâneo para
onde foram transferidas cisternas utilizadas pelos romanos para a salga do
peixe. Essa actividade era fundamental
numa costa com abundância de pescado
graças às fortes correntes marítimas e a
esse encontro entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Ali e no museu municipal
da cidade, sede do Centro de Estudos
Ceutis (em cujo catálogo de publicações
se contavam obras de autores portugueses), deparei com inúmeras ânforas e
despojos de navios naufragados ao longo dos tempos no movimentado corredor marítimo.
São muitas as similaridades entre
Ceuta e Macau. O jogo é apenas uma
delas. Na Casa dos Dragões, interessante projecto de um arquitecto valenciano do século XIX, funcionou o primeiro estabelecimento de jogos de fortuna
e azar da cidade: o Casino Africano. A
jogatina desenrola-se actualmente no
Joaquim Magalhães de Castro
interior de um forte, parte integrante
de um parque temático idealizado por
reputado artista plástico. Poderia falar
ainda das sete colinas, da península, da
exiguidade do território, da multiculturalidade, da simbologia lusitana, das
ligações marítimas, da areia preta da
praia, da memória de Camões, etc.
A manchete dos jornais do dia em
que decidi partir de Ceuta anunciava a
primeira visita à cidade dos reis de Espanha, o que não deixaria certamente
de levantar alguma celeuma. A presença de três enclaves espanhóis no continente africano (Ceuta, Melilla e as ilhas
Chafarinas) continuava a deixar algum
amargor de boca nas relações hispano-marroquinas.
Senti de imediato o Marrocos genuíno assim que entrei no autocarro número 7 que me conduziu à fronteira,
rodeado por mulheres muçulmanas
conversando animadamente, sentadas
nos joelhos umas e de outras, ou até nas
escadas, à falta de melhor lugar.
Tudo facilidades no lado espanhol
da fronteira. Indivíduos munidos de
formulários de entrada em Marrocos
faziam-se à gorjeta mesmo nas barbas
dos polícias espanhóis, aparentemente pouco interessados em quem saía
da cidade. Apenas os que entravam
mereciam a sua cuidada atenção. No
lado de lá, aguardavam-nos os patuscos
polícias marroquinos – enfiados em
uniformes alguns números acima do
tamanho – e uns quantos desses “empreendedores” oferecendo-se para ajudar a preencher os formulários, como
se isso fosse árdua tarefa.
Cumpridas as formalidades, o recém-chegado tinha, como único e exclusivo
meio de transporte público para Tetuão
ou Tânger, uma frota de táxis colectivos,
invariavelmente modelos antigos de automóveis Mercedes Benz.
«– Há menos de um ano tudo isto não
passava de um lamaçal». A observação era
da Isabel, artista plástica que trocara a
região de Cascais pelo interior profundo
de Abrantes, e visita regular a Marrocos,
pois aí residia o namorado Hassan, berbere do Sul. O cenário: a fronteira marroquina de Ceuta.
Isabel foi o segundo estrangeiro com
quem contactei nesse início de viagem.
Curiosamente, o primeiro fora outro
português, numa breve troca de palavras
em busca de informações no vão de escada de uma das pensões inflacionadas de
Ceuta. Um facto digno de registo, pois
raramente me cruzo com compatriotas
nas minhas deambulações. É certo que
Marrocos fica mesmo ao lado, mas, mesmo assim, saliento o facto com agrado.
Enquanto aguardava a chegada do namorado, Isabel, muito naturalmente,
lançou o repto: «– Vamos para Chefchouen. Podes acompanhar-nos, se quiseres».
Chefchouen é destino obrigatório de
todos os visitantes além-Gibraltar, sobretudo os apreciadores de umas boas
cachimbadas, não propriamente de tabaco. Por mero acaso, integrara-a no
meu roteiro de viagem à última hora.
Não pelas cachimbadas, mas devido a
uma famosa ponte construída por cativos portugueses no século XVI. Obtivera a informação em Lisboa, um dia
antes da partida, junto de um especialista nessas coisas de fortalezas e outras
pedras. Por isso o convite da Isabel veio
mesmo a calhar. Até porque – confesso – não me apetecia nada enfrentar
um desses transportes públicos do tipo
aperta-para-lá-que-dá-para-mais-um, o
único disponível a partir da fronteira.
Adiei, portanto, muito agradado, a desconfortável realidade que se adivinhava, segura e firme como o destino, nas
semanas seguintes, e o banco de trás do
velhinho Toyota da amiga Isabel soube-me que nem um sofá de paxá.
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«Temos que ter outra visão»