ABORDAGEM SOBRE O PLANO DIRETOR EM VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO DISTRITO FEDERAL AN APPROACH TOWARDS THE MASTER PLAN IN HEALTH SURVEILLANCE IN DISTRITO FEDERAL, BRAZIL Denise de Almeida Macedo 1 Carina Rau 2 RESUMO Essa pesquisa versa sobre os elementos relevantes do Plano Diretor de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (DF), que através de suas metas, tem favorecido a prevenção de doenças da coletividade. Nesse sentido, este estudo tem como objetivos abordar sobre a Vigilância em Saúde no DF, na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) e descrever o Plano Diretor de Vigilância em Saúde do DF, discorrendo o Planejamento Estratégico do Plano Diretor, com base nas áreas de atuação, como epidemiologia, saúde ambiental e sanitária. A perspectiva, portanto, é discutir a dimensão social da Vigilância Sanitária, como também, pontuar os aspectos relativos à saúde dos usuários do SUS no DF. Para demonstrar seus resultados, esta pesquisa utilizou uma fundamentação teórica pertinente ao tema. Palavras – Chave: Plano diretor, saúde, prevenção e Vigilância Sanitária. ABSTRACT This research is concerned about the relevant aspects of the Master Plan in Health Surveillance of Distrito Federal (DF), Brazil, which, by means of its aims, has promoted diseases prevention in the local population. Therefore, this study focuses on Health Surveillance in DF, with reference to the Unified Health System (SUS), by providing a description of the Master Plan for Health Surveillance in DF, outlining the strategic planning based in areas of concentration such as epidemiology, environmental health, and health. The perspective, therefore, is to discuss the social dimension of Health Surveillance, as well, scoring the health aspects of SUS in the DF. To demonstrate their results, this research used a theoretical foundation relevant to the topic. Keywords: Master plan, health, prevention and Health Surveillance. 1 Pós graduanda do Curso de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária da Universidade Católica de GoiásPUC/GO/IFAR, abril de 2013. 2 Orientadora. Farmacêutica Industrial graduada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mestre em Ciências Farmacêuticas pela UFPR. Orientadora e avaliadora de TCC da Pós-Graduação em Vigilância Sanitária da Universidade Católica de Goiás- PUC/GO/IFAR. E-mail: [email protected]. 1 INTRODUÇÃO Toda gestão em saúde pública necessita de um planejamento para que as ações possam ter resultados satisfatórios. No entanto, esse planejamento só alcança resultados positivos através da organização política do sistema de saúde pública, que envolve estratégia, metas, recursos humanos, orçamento, transparência, e, destacadamente, prevenção de doenças imunoprevisíveis, que possam garantir qualidade de vida para a população (SANTOS; BITTENCOURT, 2005). Um dos fatores que podem viabilizar a garantia da aplicabilidade dos recursos diz respeito ao controle em relação aos programas, que neste caso, se trata dos trabalhos voltados à prevenção e imunização de doenças preveníveis. Outro aspecto condizente com as metas da Vigilância Sanitária diz respeito à descentralização do serviço público em saúde, que tem sido considerado como um desafio para o governo, tendo em vista a complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), que exige controle e regulação das atividades (ANVISA, 2013). Com a efetivação da descentralização do SUS foi possível conhecer as particularidades regionais no que se refere à realidade social, política e administrativa do país, e ao mesmo tempo, ter acesso ao volume de gastos, e poder saber se os mesmos foram investidos corretamente. O diagnóstico dessa realidade em saúde permite ao Ministério da Saúde (MS), ao Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e ao Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), elaborarem relatórios, para posteriormente serem avaliados, como também verificar as responsabilidades dos gestores do SUS, no que compete ao Sistema de atenção à saúde básica (ANVISA, 2013). Nesse contexto, a Vigilância Sanitária é complexa pela dimensão de sua responsabilidade. Portanto, para que esses elementos sejam colocados em prática, se faz necessário um planejamento coerente com a demanda da população, respeito ao dinheiro público, no sentido de aplicá-lo corretamente, e estímulo da população em participar da elaboração do planejamento e da tomada de decisões. O Plano Diretor de Vigilância em Saúde visa prevenir doenças no parâmetro coletivo e sanitário, a partir da finalidade ressaltada pelo MS, que é subsidiar o Distrito Federal (DF) na formulação das políticas públicas em saúde, cujo princípio é oferecer uma Atenção Básica Humanizada, de modo a ampliar o nível de conhecimento da população, e, por conseguinte, garantir a prevenção de doenças e o bem estar dos usuários do SUS (SES-DF, 2007). Nesse sentido, este estudo tem como objetivos abordar sobre a Vigilância em Saúde no DF, na perspectiva do SUS e descrever o Plano Diretor de Vigilância em Saúde do DF, discorrendo o Planejamento Estratégico do Plano Diretor, com base nas áreas de atuação, como epidemiologia, saúde ambiental e sanitária. Além disso, visa monitorar a realidade da saúde da população, bem como recomendar medidas oportunas de prevenção dos agravos, decorrentes do controle dos fatores ambientais, que se traduzem em risco para desencadear doenças as mais diversas. Portanto, a problematização diz respeito a verificar quais elementos relevantes do Plano Diretor de Vigilância Sanitária do DF que favorecem a coletividade. 2 METODOLOGIA Este estudo utiliza o método da revisão bibliográfica, que possibilita a discussão teórica do tema, através de livros, revistas, boletins informativos e fontes eletrônicas. Além disso, foi necessária leitura de relatórios técnicos, levantamentos científicos e anais de congresso, posto que esses documentos científicos dispõem de informações e textos que divulgam resultados de pesquisas na área da saúde. Portanto, através de conteúdos temáticos, foi possível coletar dados e informações, condizentes com a proposta da pesquisa. (MARCONI; LAKATOS, 2004). Para realização deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi necessário fazer uma pesquisa cuja abordagem versa sobre o planejamento e organização da Vigilância em Saúde do Distrito Federal, ressaltando a sua maior referência que diz respeito ao Plano Diretor de Vigilância em Saúde (PDVS), tendo em vista a sua importância em garantir a prevenção de doenças. A coleta de dados teve início com o levantamento bibliográfico relativo à Vigilância Sanitária em Saúde no Distrito Federal. Nesse sentido, houve uma escolha criteriosa dos textos mais importantes, cuja abordagem contém as reflexões sobre a importância da vigilância sanitária no atual contexto de gestão em saúde pública. O levantamento bibliográfico priorizou os elementos pertinentes à nova visão de gestão pública, destacando a função da vigilância sanitária, enquanto setor responsável pela articulação de prevenção de doenças, contribuindo com as decisões que visem obter, cada vez mais, resultados positivos para saúde e qualidade de vida da população. 3 DISCUSSÃO 3.1 A VIGILÂNCIA SANITÁRIA Certamente que a atuação da Vigilância Sanitária segue pressupostos de um mecanismo eficaz em atenção à saúde. Portanto, paralelo às mudanças técnicas, profissionais e administrativas, também se modificam os modelos de gestão, e, por conseguinte, de controle nas instituições públicas. Exemplo disso é a Teoria da Contingência, também denominada Escola Ambiental, que surgiu com o intuito de verificar quais os modelos de estrutura organizacional são mais eficazes em determinadas organizações. Essa teoria é chamada de contingencial, tendo em vista que procura compreender e explicar o motivo pelo qual as instituições públicas funcionam em diferentes condições (EDUARDO, 2001). Conforme a Teoria da Contingência, não se alcança eficácia organizacional, seguindo um único e exclusivo modelo, ou seja, não existe uma forma única e melhor para organizar um hospital público. A concepção contingencial de gestão pública defende a ideia de que quanto mais flexível, mais a instituição (ou o setor) consegue se readaptar facilmente às constantes mudanças (MORAES, 2013). Nesse sentido, o desempenho do setor de saúde também vem sendo avaliado através de dois aspectos antagônicos: os pontos de excelência e os pontos negativos. Portanto, o grande desafio de administrar as ações neste setor é identificar as competências que levarão aos melhores resultados. Ou seja, a partir do modo como a instituição em saúde pública está estruturada, ela poderá, de modo objetivo, conseguir um desempenho que esteja de acordo com o seu planejamento, que por sua vez, corresponde à infraestrutura, e destacadamente, aos anseios da população, que com seus impostos mantêm este setor prioritário. Segundo Chiavenato (2013), o setor de saúde, em conformidade com sua importância, deve ter um funcionamento (interno e externo), como recursos humanos; tecnologia; maquinário; instalações e o compromisso dos funcionários e profissionais. Portanto, a abordagem dessa teoria tem um parâmetro objetivamente eficaz, passando pela compreensão das ações entre os subsistemas organizacionais em saúde, posteriormente pelo parâmetro da prevenção, que é o compromisso maior da Vigilância Sanitária. Outro aspecto relativo ao modelo contingencial se refere à natureza variada do atendimento em saúde, considerando suas estruturas e ações gerenciais, em diferentes situações específicas. Nessa via de raciocínio, a vigilância sanitária é um privilegiado setor de comunicação e promoção de saúde, pois lida com produtos e serviços presentes no cotidiano da população. Além disso, abre espaço para uma ação educativa no que se refere ao entendimento do risco às doenças. Além disso, a Vigilância Sanitária atua em cada esfera administrativa do país, e dentre outras atribuições, determina normatização, planejamento e coordenação, cooperação técnica e financeira e acompanhamento, avaliação e supervisão das ações executadas nos Estados, municípios e Distrito Federal (BRASIL, 2007). A efetividade dessas ações depende fundamentalmente, do nível de capacitação, envolvimento e dedicação dos profissionais envolvidos, tendo em vista que são várias atribuições que devem ser descentralizadas para garantir eficácia e resolução quanto à prevenção de doenças. A perspectiva da gestão em saúde passa pela aplicação de conhecimento, habilidades, capacitação profissional, ferramentas e técnicas, junto às atividades desenvolvidas, a fim de atender aos seus requisitos estabelecidos e determinados pelo setor, de maneira eficiente e eficaz. Portanto, é uma função que requer empenho e compromisso, tendo em vista as responsabilidades que o gestor assume (MONTANHA, 2011). Essa perspectiva condiz com a responsabilidade dos profissionais da saúde que se qualificam para desempenhar funções de grande responsabilidade, e quando se trata do setor da saúde pública, indiscutivelmente se torna mais complexa sua atuação, por conta da dimensão geográfica do Brasil, e suas respectivas características regionais, onde as doenças consideradas como epidêmicas e endêmicas se propagam conforme a região. Nesse contexto, a Vigilância Sanitária segue os pressupostos do SUS, que dentre outras atividades implica em coordenar, articular, negociar, planejar, acompanhar, controlar, avaliar e auditar o sistema de saúde em nível municipal, estadual/distrital e nacional. O desempenho desses fatores coaduna com a regulamentação das Normas Operacionais de Assistência Básica à Saúde (NOBS) delimitadas pelo SUS, que estabeleceram novas formas de relacionamento entre os gestores à medida que os preceitos constitucionais de 1988 foram sendo colocados em prática, como por exemplo: descentralização dos recursos, pronto atendimento e atividades educativas comunitárias capazes de conscientizar a população sobre os riscos de adquirir doenças, sejam crônicas ou degenerativas (SES-DF, 2007). As NOBS também estabelecem os instrumentos jurídicos e institucionais do SUS, com o intuito de padronizar e implementar, de modo satisfatório, todos os parâmetros de qualidade em atenção à saúde, com o objetivo de atender adequadamente os usuários do sistema de saúde pública (MONTANHA, 2011). Nesse sentido, a saúde pública diz respeito a um dos direitos fundamentais da população brasileira, e por esta razão, sempre desperta interesse pela sua importância e complexidade no contexto social, econômico e administrativo. Com a Vigilância Sanitária não é diferente, posto que este setor faz parte das atividades que são desenvolvidas pelas instituições que prestam serviços na saúde, e que devem seguir os princípios constitucionais, a priori, igualitários. Esses pressupostos passaram a fazer parte das políticas em saúde, e, por conseguinte, o SUS regulamentou. Em outras palavras, a partir do ano de 1990, com a aprovação do SUS, a população brasileira passou a exigir informações claras e objetivas sobre os investimentos na área da saúde pública, mais precisamente, em relação a efetiva atenção básica humanizada. Dentre outros aspectos, o SUS garante o direito à informação sobre os recursos públicos, uma vez que a saúde tem o dever de prevenir doenças, cuidar das pessoas, e recuperar a saúde dos indivíduos, e promover o bem estar da sociedade (MONTANHA, 2011). Estas conjecturas refletem a realidade contemporânea, cuja conjuntura é globalizada, e tem exigido das instituições públicas de saúde, transparência de suas ações, e ao mesmo tempo, o aparelhamento técnico e tecnológico, necessários para prestarem um bom serviço, que evidentemente diz respeito aos interesses da coletividade, que neste caso, corresponde aos usuários do SUS. Isto implica dizer, que para prestar um serviço de qualidade, torna-se necessário um processo de gestão que se estrutura através de princípios sociais, que condiz com um ciclo: planejamento, execução e controle. Ou seja, esse ciclo traduz o processo de gestão de um órgão público, cujo objetivo é suprir a demanda da população, que faz uso dos serviços prestados (SANTOS; BITTENCOURT, 2005). O papel da vigilância sanitária, nessa linha de raciocínio, ganha destaque, em razão das responsabilidades, tanto sob o ponto de vista humano (profissionais), quanto sob o ponto de vista operacional (planejamento), que juntos, podem otimizar os resultados dessa prestação de serviços. No parâmetro do planejamento operacional, tem-se o compromisso em administrar as informações que darão suporte a elaboração de planos operacionais, em conjunto com outros setores envolvidos, de modo a estabelecer, quantificar e aprovar os planos a serem executados (COSTA, 2004). 3.2 PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DO DISTRITO FEDERAL De acordo com os ciclos que a gestão pública passa, como por exemplo, planejamento, execução e controle, a vigilância sanitária observa, atua, acompanha e monitora todo o processo de execução, de modo a constatar se as ações propostas foram alcançadas (CATELLI; GUERREIRO, 2002). Por esta razão, as informações são necessárias para viabilizar uma análise criteriosa das atividades da Vigilância Sanitária, para em seguida, realizar um relatório, de modo a apresentar com precisão, as potencialidades e as fragilidades do setor público em saúde. Esses aspectos são imprescindíveis, tendo em vista que a saúde pública não consegue desempenhar qualquer atividade sem organização, como também, sem metas estabelecidas. Portanto, para que as metas sejam alcançadas é preciso obedecer aos parâmetros da prevenção em saúde, conforme o perfil da população (EDUARDO, 2001). Dentre outros fatores, o perfil epidemiológico da população considera características de tempo, espaço e pessoa, para que desta forma possa: 1. Compreender a evolução do quadro epidemiológico e identificar os determinantes mais relevantes; 2. Estabelecer uma hierarquia de fatores de risco e vulnerabilidades aos agravos mais relevantes; e 3. Identificar as populações mais vulneráveis aos agravos mais relevantes e as situações de risco sanitário a serem priorizadas. Diante do exposto, conforme relatório da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, em 2011 a população do Distrito Federal estava estimada em 2.557.158 habitantes. Dentro desse contexto demográfico, tem-se a esperança de vida ao nascer, que é considerado um bom indicador de saúde, porque reflete as condições de vida e de saúde da população. O grupo social das mulheres tem atualmente a maior expectativa de vida, conforme relatório da Vigilância Sanitária do DF. Este mesmo documento coloca que desde 1999 observa-se redução do número de nascidos vivos de mães residentes no Distrito Federal, o que implica diminuição progressiva na taxa de natalidade (SES-DF, 2007). Por outro lado, a taxa de mortalidade tem aumentado, em função de várias causas, como doenças cardiovasculares, homicídio, acidentes de trânsito, infarto agudo do miocárdio, diabetes mellitus, pneumonia, câncer de mama, doenças hipertensivas, dentre outras. A taxa ou coeficiente de mortalidade infantil é outro indicador do nível de saúde de uma população, e também tem relação com as condições socioeconômicas da população e as respectivas intervenções de saúde, que evita a mortalidade infantil, que segundo o último relatório da Secretaria de Saúde de 2012, o Distrito Federal apresentou uma taxa de 11,8 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos. Convém ressaltar que o DF tem apresentado melhor qualidade de vida no Brasil desde 1991, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU). Sendo uma cidade-estado, não possui municípios, por isso a descentralização é apenas de serviço, com 15 regionais de saúde que seguem os preceitos da Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS, 2002) em consonância com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde, de modo a subsidiar a formulação, a implementação e a avaliação das ações de prevenção e controle das doenças e de outros agravos, no âmbito do DF e fomentar os estudos científicos e pesquisas que contribuam para o aperfeiçoamento das atividades de vigilância em saúde (SES-DF, 2007). Além desses pressupostos e coeficientes, tem-se a distribuição dos agravos de interesse em saúde em uma população, que é de fundamental importância para o planejamento de ações e tomada de decisões quanto à prevenção e controle de doenças, posto que sua análise apresenta uma realidade epidemiológica populacional (ANVISA, 2013). Nessa linha de raciocínio, o Distrito Federal descentralizou o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) a partir de 2004, e atualmente mantém 15 regionais de saúde, que estão sob responsabilidade dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica e Imunização (NUVEI), que atuam em cada Regional de saúde. Cada usuário do SUS tem uma ficha de notificação dos agravos, preenchida em duas vias pela unidade de atendimento (posto de saúde ou hospital), sendo que uma via permanece na unidade para prosseguimento da investigação, quando for o caso, e a outra via é encaminhada ao NUVEI para registro no sistema. As informações do usuário (ficha) são enviadas ao MS regularmente para serem registrados no SINAN, enquanto procedimento pactuado pelo Distrito Federal junto ao MS. O cumprimento deste indicador é importante para manter atualizada a base de dados do SINAN, para desta forma subsidiar oportunamente as tomadas de decisão. 3.3 PLANO DIRETOR DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE (PDVS) DO DF O PDVS se propõe a nortear o fortalecimento e a consolidação da Vigilância em Saúde no DF. Portanto, trata-se de um programa de trabalho que orienta as decisões relativas à vigilância em saúde. O Plano Diretor de Regionalização em Vigilância Sanitária foi elaborado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), para recompor e atualizar a assistência à saúde no DF, nos moldes da NOAS/2002. O Plano Diretor se originou da demanda de pactuação entre SES-DF e MS, tendo como referência a política de saúde pública, consolidada através do Pacto de Gestão em Saúde, previstos na Constituição Federal de 1988, que dentre outros aspectos define: Art. 196 – A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (BRASIL, 2004) Desde a assinatura do Pacto pela Saúde, no ano de 2006, os gestores têm buscado atuar com coerência, planejando criteriosamente as ações operativas, respeitando as diferenças locais e regionais, e que reforça a Organização das Regiões Sanitárias, instituindo mecanismos de Co-Gestão e Planejamento Regional. Significa que se têm fortalecido os espaços e mecanismos de Controle Social, qualificando e facilitando o acesso da população à Atenção Integral a Saúde, redefinindo os instrumentos de regulação, programação e a valorização técnica entre os gestores, e que visa a obediência de um financiamento tripartite, que deve respeitar critérios de equidade nas transferências de recursos (MS, 2006). Nessa perspectiva, o PDVS do DF tem sido desenvolvido a partir de um planejamento participativo, ou seja, atualmente é impensável uma gestão pública sem a participação da população. Portanto, o poder público tem a obrigação de prestar contas de suas ações, não só relacionando os objetivos dos programas contemplados, como também, demonstrar de que maneira os recursos públicos são gastos e empregados para atingir as metas (PAIM, 2010). Portanto, a gestão da vigilância sanitária é responsável pela prevenção de doenças, de modo a tornar imune a coletividade, em relação às doenças. Ou seja, a Vigilância Sanitária avalia, monitora e verifica criteriosamente o desenvolvimento do Programa de Imunização, analisando indicadores que mostrem as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde da população. Conforme Costa (2004), a vigilância epidemiológica é orientada para o controle de doenças, e sua concepção de ações programáticas de controle segue os parâmetros do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), concernentes às NOBS, que estabeleceram as competências e metas de vigilância, descentralizando as ações de controle de endemias (doenças localizadas). O atual Plano Diretor de Vigilância em Saúde do Distrito Federal, no que compete à prevenção de doenças, visa proporcionar amplos benefícios à população, considerando o compromisso social desta área, que diz respeito a propósitos qualitativos, que individualiza e distingue a razão de ser das suas ações e atividades, de modo a oferecer uma unidade de direção, cujas finalidades sejam alcançadas, como por exemplo: Proteger a saúde da comunidade e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população; e Contribuir para a ampliação da consciência sanitária e para a adoção de atitudes e comportamentos saudáveis por parte da população, especificamente, do Distrito Federal. Nessa linha de raciocínio, tem-se observado que os planos e metas do Plano Diretor do Distrito Federal estão alcançando resultados positivos, e ao mesmo tempo, favorecendo os direitos básicos da coletividade, que é a prevenção e tratamento de doenças. Ademais, o Plano Diretor foi elaborado considerando o Plano de Saúde do DF, que prioriza a assistência primária e preconiza um sistema regionalizado e hierarquizado, que se sustenta por meio de uma rede de serviços, composta por Postos de Saúde, Centros de Saúde, Hospitais Regionais, Hospital de Base, Hospital de Apoio, Diretoria de Saúde do Trabalhador, Laboratório Central e sistema de referência e contrarreferência. Convém destacar alguns objetivos estratégicos, tais como: oferecer atenção à saúde com qualidade; prevenir agravos; reduzir a mortalidade por causas evitáveis; melhorar a gestão da informação e do conhecimento e atualizar e aperfeiçoar as competências técnicas e humanísticas dos servidores. A partir desses pressupostos, a Secretaria de Saúde do DF tem colocado em prática a missão do Plano Diretor, que surgiu com a intenção de mudar as características da assistência médica, que hoje é provida de saneamento básico satisfatório, e, consequentemente, o quadro epidemiológico da população foi alterado, posto que atualmente se gasta mais em procedimentos de maior complexidade do que em atenção básica (SES-DF, 2007). 3.4 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO PDVS O governo do DF, através da Secretaria de Saúde instituiu o Plano Diretor de Regionalização em Saúde, e está inserido na parte XIII, as ações em Vigilância Sanitária, enquanto instrumento de ordenamento do processo de regionalização da assistência em saúde, baseado nos objetivos de definição de prioridades de intervenção preventiva, coerente com as necessidades de saúde da população, e na garantia de acesso dos cidadãos a todos os níveis de atenção (SES-DF, 2007). Para tanto, destacam-se os programas de atenção permanente da satisfação dos usuários do SUS, tendo como referência o modelo de gestão por competências, que visa a satisfação da população em relação às informações recebidas, e conscientes do papel de cada um na estrutura organizacional da Secretaria de Saúde. Outra estratégia tida como operacional, diz respeito à responsabilidade da Secretaria de Saúde, enquanto agente público que presta serviços à comunidade. Para tanto, tem investido na capacidade de articulação de conhecimento, como fonte para ação das atividades que visam prevenir doenças e agravos (SES-DF, 2007). Conforme está destacado no Plano Diretor, as estratégias das atividades buscam, dentre outros fatores: - realizar uma cobertura universal do Programa de Imunizações, beneficiando todas as faixas etárias; - ações de promoção da saúde e prevenção de doenças; - plano diretor de investimentos para atender as prioridades identificadas; - implantar um sistema resolutivo e funcional de assistência em saúde. Portanto, a pactuação que fora formalizada tem buscado colocar em prática as atividades em saúde preventiva, contanto com a colaboração da Sub Secretaria de Vigilância à Saúde, que através da Diretoria de Vigilância Sanitária (DIVISA) tem executado, dirigido, coordenado, avaliado e supervisionado os trabalhos preventivos que buscam eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde da população. Os setores que merecem destaque são: Epidemiologia – setor que executa as atividades de vigilância epidemiológica, ou seja, preocupa-se com a imunização no âmbito do DF, de modo a evitar a proliferação de doenças preveníveis. Saúde ambiental – elabora e edita normas e procedimentos de vigilância ambiental, através de políticas de saneamento, habitação e meio ambiente. Saúde sanitária – elabora as ordens de serviço para servidores e unidades vinculadas à DIVISA, para em seguida determinar as instruções normativas para aplicabilidade da legislação sanitária federal e distrital, relativas a estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviços públicos ou privado, no âmbito do DF. Ademais, a Secretaria de Saúde tem buscado melhorar continuamente a infraestrutura dos órgãos de saúde que atendem à população, desde os postos de saúde até os hospitais que atendem os casos de alta complexidade, numa perspectiva de melhoria de processos logísticos de gestão, que visam aprimorar a articulação e a integração da rede de saúde pública. Exemplo desse compromisso são os princípios que norteiam a política de saúde em Vigilância Sanitária que preceitua a democratização e participação coletiva, a regionalização, descentralização e novos modelos assistenciais, priorizando as ações de vigilância em saúde, e buscando a melhoria quantitativa e qualitativa dos serviços assistenciais da atenção básica, seja no contexto da média, quanto da alta complexidade. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi evidenciado que através da gestão em saúde pública é possível possibilitar e concretizar a organização política referente ao sistema de atenção básica, que envolve estratégia, recursos humanos, orçamento, qualidade, e, destacadamente, prevenção de doenças imunopreveníveis. Portanto, a vigilância sanitária, enquanto setor público de saúde no Distrito Federal tem buscado alcançar resultados favoráveis no decorrer da gestão, em razão de dispor de estratégias positivas e preventivas. Considerando todos os aspectos discutidos na perspectiva da vigilância em saúde, este estudo ressaltou a missão em adequar políticas de saúde, e executar ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, segundo princípios e diretrizes do SUS. Nessa linha de raciocínio, convém recomendar aos gestores e profissionais deste setor, que, considerando que o Plano Diretor em Saúde é um instrumento de ordenamento do processo de regionalização da atenção à saúde, deve ser colocado em prática sob uma lógica de ações integradas que sigam uma plataforma de prioridades em conformidade com a realidade local, de modo a reduzir as desigualdades no atendimento à saúde. Além disso, viabilizar medidas oportunas de prevenção das doenças e dos agravos, através do controle efetivo, de modo a evitar doenças, haja vista que existem as estratégias do Plano Diretor, e ao longo de seus pressupostos estão pontuados os aspectos necessários ao favorecimento da coletividade, como por exemplo, imunização da população, vigilância sanitária que cumpra as políticas de saneamento e habitação, e aplicabilidade da legislação sanitária nos estabelecimentos privados e públicos. Outro aspecto a considerar se refere ao nível de conscientização da população, na perspectiva preventiva, de modo a possibilitar uma qualidade de vida condizente com as ações pactuadas, que envolve determinantes e condicionantes de saúde individual e coletiva, uma vez que vigilância em saúde faz parte da promoção do bem estar social. A intenção desta pesquisa foi colaborar com os profissionais da saúde, no contexto da prevenção sanitária que visa prestar uma atenção integral de qualidade, através de uma vigilância capacitada e capaz de colocar em prática as diretrizes do bem estar social da população, mais especificamente, os usuários do SUS. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANVISA. Disponível em: www.anvisa.gov.br/divulga/conavisa. Acesso em 13 de março de 2013. BRASIL, Constituição Federal. Brasília: Senado Federal, 2004. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Plano diretor de vigilância sanitária / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 1.ed. Brasília : Anvisa, 2007. CATELLI, A. P.; GUERREIRO, R. Gestão econômica do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2002. CHIAVENATTO, I. O novo papel das organizações públicas. Disponível em: http://nupet.uerj.br/arquivos. Acesso em 21 de março de 2013. COSTA, E. A. Vigilância Sanitária: Proteção e defesa da saúde. Brasília: SOBRAVIME, 2004. EDUARDO, M. B. 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